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Numero do processo: 10640.005369/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
Ementa: SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 e § 9º do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. SEGURO DE VIDA O prêmio de seguro de vida em grupo estará excluído do salário de contribuição e, conseqüentemente, da incidência das contribuições previdenciárias, desde que haja a sua previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzales Silverio que entenderam que a verba não integra o salário de- contribuição. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Ementa: SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 e § 9º do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. SEGURO DE VIDA O prêmio de seguro de vida em grupo estará excluído do salário de contribuição e, conseqüentemente, da incidência das contribuições previdenciárias, desde que haja a sua previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Ementa: SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 e § 9º do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. SEGURO DE VIDA O prêmio de seguro de vida em grupo estará excluído do salário de contribuição e, conseqüentemente, da incidência das contribuições previdenciárias, desde que haja a sua previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzales Silverio que entenderam que a verba não integra o salário de contribuição. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 53 69 /2 00 8- 92 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato Fl. 762DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005369/200892 Acórdão n.º 2302001.974 S2C3T2 Fl. 515 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado e cientificado ao sujeito passivo acima identificado, em 08/12/2008, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos empregados a título de seguro de vida, nas competências de 01/2003 a 12/2006. O relatório fiscal de fls.18/23, traz que os fatos geradores foram apurados na contabilidade da empresa, onde são lançados, de forma global, valores a título de seguro de vida em grupo, beneficiando os empregados do estabelecimento matriz. O levantamento ateve se á parte custeada pela empresa e não há previsão do benefício no Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho. Às fls. 24/148, constam discriminativos dos pagamentos, por segurado e competência. Após a impugnação, Acórdão de fls.467/472, julgou a autuação procedente em parte para excluir as multas nas competências em que era mais gravosa ao contribuinte, considerando a sistemática trazida pela MP 449/2008, e considerando as autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais., conforme planilha constante da decisão. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso onde alega em síntese: a) a decadência qüinqüenal para as competências até 12/2003, em vista do artigo 150,§4º do CTN; b) que a verba paga a título de seguro de vida não integra o salário de contribuição; c) que todas as normas coletivas aplicáveis aos seus demais estabelecimentos prevêem a concessão do seguro de vida, tanto que o lançamento atevese à unidade de Juiz de Fora; d) que as convenções obrigam a concessão do benefício a todos os empregados; e) a convenção coletiva estabelece que os benefícios não possuem natureza salarial; f) que o decreto 3048/99 é ilegal ao exigir a previsão da verba em convenção coletiva; g) que a verba não retribui o trabalho e os beneficiários participam de seu custeio; h) que a representação fiscal para fins penais só pode ser expedida após o término do processo administrativo. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Requer o reconhecimento da decadência e no mérito, a insubsistência da autuação, protestando pelo direito da posterior juntada de documentos adicionais É o relatório. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005369/200892 Acórdão n.º 2302001.974 S2C3T2 Fl. 516 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Quanto à decadência qüinqüenal argüida pela recorrente é de se asseverar que de fato, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, cujos efeitos são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006 e obrigam todos os órgãos judiciais e administrativos: : Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Entretanto, o crédito lançado nesta notificação não se encontra abrangido pelo período decadencial, eis que compreende competências de 01/2003 a 12/2006 e foi lavrado em 08/12/2008, com ciência pelo sujeito passivo na mesma data. Para elucidar, informo à recorrente que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional. Havendo, o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso de dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente processo, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado referente a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados, assim, aplica se o artigo 173, I do CTN, não havendo que se falar em período decadente: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 765DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O pedido de juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que a Portaria RFB n.º10.875/2007, no art. 7º, inciso III e § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Portaria RFB n.º 10.875/2007: Art. 7º A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nos incisos do § 1º. Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005369/200892 Acórdão n.º 2302001.974 S2C3T2 Fl. 517 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 1º do art. 7º da Portaria RFB acima transcritas. Ressaltese que, de acordo com o § 2º do mesmo art. 7º, a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, demonstrandose a ocorrência de uma das hipóteses do § 1º do mesmo artigo.No caso em análise, o impugnante não demonstrou, em sua peça de defesa, a ocorrência de nenhuma dessas situações, razão pela qual indefiro o pedido de juntada de documentos. Do Mérito O levantamento referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre as parcelas relativas a seguro de vida em grupo, consideradas como salário indireto porque a recorrente não comprovou que o benefício consta de acordo ou convenção coletiva de trabalho, para se subsumir à condição expressa no inciso XXV, do parágrafo 9º do artigo 214, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A matéria de ordem tributária é de interesse público e por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. Nessa linha, da análise dos autos, verificase que os valores pagos pela empresa aos segurados não se enquadram nas hipóteses previstas em Lei como isentas de contribuições sociais. O artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, conceitua salário de contribuição para o segurado empregado como sendo a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 767DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Todavia, certas parcelas não são base de incidência contributiva previdenciária, tanto por possuir natureza indenizatória quanto assistencial e estão elencadas no artigo 28, §9º da citada Lei n.º 8.212/91: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 768DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005369/200892 Acórdão n.º 2302001.974 S2C3T2 Fl. 518 9 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 769DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com relação ao prêmio de seguro de vida em grupo, a previsão para exclusão da base de cálculo surgiu com a publicação do Decreto n ° 3.265, publicado no DOU em 30 de novembro de 1999, que acrescentou o inciso XXV ao § 9º do art. 214 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 214 (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que prevista em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. Desta forma, após a publicação do referido Decreto n.º 3265/99, o prêmio de seguro de vida em grupo estará excluído do salário de contribuição e consequentemente da incidência das contribuições previdenciárias, desde que haja a sua previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.. Sendo a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I,: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; É certo que, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de se infringir os princípios da reserva legal e da isonomia. Assim, as condições impostas pelo legislador para excluir da incidência de Fl. 770DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005369/200892 Acórdão n.º 2302001.974 S2C3T2 Fl. 519 11 contribuições previdenciárias a parcela referente ao seguro de vida devem ser obedecidas para que a verba se beneficie do caráter isencional previsto na norma, o que não ocorreu no caso em tela. Ao não apresentar comprovação de que a rubrica em questão consta de Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho, referente à base territorial do estabelecimento em que está sendo paga a verba concedida aos seus empregados, a recorrente descumpriu o requisito legal que a dispensava da incidência contributiva previdenciária. Ainda, assevero que constam dos autos às fls. 149/182, os Acordos Coletivos celebrados para o estabelecimento em foco, onde não está expressa a concessão do benefício. A própria recorrente admite que para seu estabelecimento de CNPJ final 000106, situado em Juiz de Fora/MG, o acordo coletivo não traz a concessão de seguro de vida, mas argúi que os acordos celebrados nos demais estabelecimentos com os seus respectivos sindicatos devem servir para amparar também os valores aqui levantados. Contudo, entendo que não é possível abstrair a territorialidade do sindicato. Não é possível utilizar regras e parâmetros impostos a trabalhadores abrigados por uma entidade sindical para outros filiados a entidade diversa, uma vez que cada entidade possui autonomia, piso salarial próprio e regras trabalhistas com relação aos empregados que lhes são assistidos. Portanto, a verba paga a título de seguro de vida em grupo em desacordo com a legislação, possui natureza remuneratória estando no campo de incidência do conceito de remuneração, já não houve subsunção do fato à norma de exclusão da base de cálculo, estando correto o lançamento efetuado. Quanto à representação fiscal para fins penais, o auditor fiscal, em virtude de exercer atividade vinculada, sem poder discricionário, deve formalizar tal documento, na mesma data da lavratura do auto de infração, quando no curso da ação fiscal apurar fatos que, em tese, constituem crime de sonegação previdenciária, conforme artigo 337 A, incisos I,II e III do Código Penal aprovado pelo DecretoLei n.º 2.848, de 07/12/1940, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.983, de 14/07/2000. A disposição para o encaminhamento ao Ministério Público da representação fiscal para fins penais está disciplinada pelo artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Por derradeiro, no que se refere à aplicação da multa, a decisão de primeira instância entendeu que deveriam ser consideradas as obrigações principal e acessória para o cálculo da mesma, conforme interpretou do contido na MP 449/2008 e excluiu do levantamento as multas para as competências que se mostraram mais gravosas nesta sistemática. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Entretanto, entendo que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005369/200892 Acórdão n.º 2302001.974 S2C3T2 Fl. 520 13 A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 773DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11020.001532/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EFEITOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 20 de dezembro de 2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justicadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EFEITOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 20 de dezembro de 2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justicadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EFEITOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 15 32 /2 01 0- 22 Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 20 de dezembro de 2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justicadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório FERNANDO FARINA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ PORTO ALEGRE/RS (fls. 1819) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 1660/1767, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2006, 2007 e 2008, no valor de R$ 227.358,52, acrescido de multa de ofício (qualificada, de 150%) e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 553.476,99. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, conforme detalhadamente descrito no auto de infração. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que comprovou as origens dos depósitos bancários; que foram reescriturados os registros contábeis da empresa Horus, o que se fez com prévia autorização dos agentes fiscais; que apresentou toda a documentação exigida pelos auditores fiscais, que desconsidaram esses elementos. Insurgese contra o lançamento baseado apenas em presunção e reafirma que, no caso, a movimentação financeira tem origem nas atividades da empresa da qual é sócio que, sendo empresa familiar, movimenta seus recursos nas contas particulares; que os valores depositados em suas contas foram recebidos por meio de cheques de clientes e que foram repassados ao sócio como distribuição de lucros. Afirma que a venda do automóvel AKU8296 foi realizada para Azir Frare, mas, por se tratar de relação entre pessoas amigas, não se formalizou contrato e que o pagamento foi feito parceladamente, num período de dois meses. A DRJPORTO ALEGRE/RS julgou procedente em parte o lançamento apenas para desqualificar a multa de ofício, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJPORTO ALEGRE/RS rechaçou a alegação de que não seria válido o lançamento apenas com base em depósitos bancários, porque estes não configurariam renda. Sobre este ponto observou que o procedimento tem previsão legal expressa no art. 42 da Lei nº 9.430, de4 1996 que instituiu uma presunção legal; que, portanto,não se trata de confundir depósitos com renda, mas de se presumir a oibtenção desta a partir da costatação da existência de depósitos bancários em conta cuja origem, regularmente intimado, o contribuinte não logre comprovar. Sobre este ponto, a DRJ esclareceu que a Súmula 182 do antigo TFR e o Decreto nº 2.471, de 1988, invocados pelo Impugnante, referemse a momento anterior à vigência da Lei nº 9.430, de 1996 e, portanto, não se aplica ao lançamento feitos om amparo nesta lei. Sobre as alegadas origens dos depósitos: recebimentos a título de pagamento de empréstimos, recebimentos de lucros e prolabore e avenda de um automóvel, a DRJ concluiu que as alegações n~´ao foram comprovadas com documentos hábeis e idêneos. Sobre os alegados empréstimos diz que seria indispensável a prova da efetiva movimentação dos Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001532/201022 Acórdão n.º 2201001.897 S2C2T1 Fl. 3 3 recursos para a conta bancária do contribuinte, o que não se fez; sobre o alegado recebimento de prolabore a DRJ registra o descompasso de datas e valores entre os depósitos e os registros dos tais pagamentos de prolabore o que seria indispensável para a comprovação do vínculo entre os depósitos a as alegadas origens.Quanto à distribuição de loucros, a DRJ observa que, apesar de o Contribuinte ter declarado o recebimento dos lucros, não consta registro na DIPJ da empresa de tais distribuições. Observa que a empresa em questão é optante do simples sendo os lucros por ela distribuídos isentos do imposto de renda, mas que não basta a informação sobre a eventualo distribuição, sendo necessário, também, a comprovação da efetiva distribuição. Neste ponto a DRJ observa que a fiscalização, diante da irregularidade da escrituração contábil da empresa Horus, concedeu prazo para que a escrituração fosse regularizada. Finalmente, quanto ao valor correspondente à venda de um automòvel, a DRJ afirma que não há comprovação nos autos de que os depósitos que, segundo o contribuinte, teriam essa origem foram depositados por Azir Freire e não foi apresentado nenhum documento que ata este que o recebimento pela venda do veículo tenha sido parcelado. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/07/2011 (fls. 1839) e, em 16/08/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 1840/1856, que ora se examina, e no qual sustenta que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 está revogado por incompatibilidade com a Lei Complementar nº 105, de 2001. Argumenta que a referida lei complementar determina a necessidade, no caso de lançamento com base em depósitos bancários, da demonstreação do real e efetivo acréscimo patrimonial, contrariamente ao que prevê o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza o lançamento com base em mera presunção. O Contribuinte questiona, portanto, a validade do lançamento com base na presunção legal, sem a comprovação da efetividade da aquisição do acréscimo patrimonial. Por fim, formula pedido nos seguintes termos: EX POSITIS, e, claro que está, que o auto de lançamento baseia se exclusivamente em depósitos bancários e no disposto no art. 42 da Lei 9.430/96, que não mais vigora no nosso ordenamento jurídico a partir da entrada em vigor da Lei Complementar n. 105/2001, que, por sua vez, em seu art. 5º, §. 4º veio estabelecer a necessidade de completa e adequada apuração dos fatos, dando ao mero creditamento de valores em conta corrente o caráter indiciatório de ilícito fiscal, que, por conseguinte, afasta a presunção legal da norma revogada, não podendo, por conseguinte, ser considerado renda passível de tributação o simples somatório dos créditos aportados à conta corrente do contribuinte, temse estar demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, pelo que requer o recorrente , seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Embora na Impugnação o Contribuinte tenha apontado algumas origens para os depósitos, as quais foram rejeitadas pela DRJPORTO ALEGRE/RS por falta de comprovação, no recurso se limita a arguir a revogação tácita do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e, consequentemente, a impossibilidade jurídica do lançamento com base na presunção legal ali estabelecida. De plano, sobre a possibilidade jurídica do lançamento com base na presunção legal do art 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a questão está pacificada no âmbito deste Conselho que reconhece a legitimidade desse tipo de lançamento, estando o Fisco dispensado de demonstrar o consumo da renda, conforme súmula 26, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. E sobre a alegada revogação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a tese carece de um mínimo de substância lógica ou jurídica. Ao contrário, a Lei Complementar nº 105, de 2001, ao disciplinar sobre as condições de acesso dos agentes do Fisco às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes, reforçou a possibilidade de aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para melhor clareza, transcrevo a seguir o art. 5º, § 4º da Lei Complementar nº 105, de 2001: Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos Ora, quando o parágrafo 4º ao determinar que o Fisco, diante de indícios de irregularidade, realize fiscalização ou auditoria “para a adequada apuração dos fatos” nada diz quanto à possibilidade ou não do lançamento com base em presunção legal. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, autoriza o lançamento com base na presunção legal, apenas após prévia e regular intimação ao contribuinte para comprovar as origens dos depósitos bancários, vejase: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001532/201022 Acórdão n.º 2201001.897 S2C2T1 Fl. 4 5 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. A lei autoriza o Fisco a lançar mão da presunção de omissão de rendimentos, portanto, apenas quando o próprio Contribuinte furtase a demonstrar a origem da sua movimentação financeira, isto é, quando não oferece elementos para que o Fisco identifique as atividades e os meios que justificam aquela movimentação financeira de modo a apurar eventual aquisição de renda tributável. Portanto, não há nenhuma incompatibilidade, mas complementaridade entre o quanto disposto no art. 5º, §4º da Lei Complementar nº 105, de 2001 e o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 institui uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de situações que Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones juris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (juris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina teve por base uma presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Não se trata de confundir depósitos bancários com renda, mas de se presumir um a partir do outro e, neste aspecto o lançamento está de pleno acordo com a orientação normativa. Não vislumbro, portanto, nenhuma irregularidade no lançamento e como nada foi apresentado para comprovar a origem dos depósitos, deve ser mantida a exigência em todos os seus termos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001532/201022 Acórdão n.º 2201001.897 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11330.000621/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.256
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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E SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 13 30 .0 00 62 1/ 20 07 -5 2 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000621/200752 Resolução nº 2401000.256 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata o presente autodeinfração, lavrado sob n. 37.012.6440, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, A empresa foi autuada porque não informou em ' GFIP, os valores devidos a Previdência Social de diversos segurados empregados,(categoria 01), conforme apuração efetuada entre os valores informados em Folhas de Pagamento e os valores declarados em diversas GFIP,s. conforme planilha em anexo. A empresa também não incluiu nas GFIP,s apresentadas os contribuintes individuais, ( sócios da empresa e trabalhadores autônomos, (categorias 11 e 13), conforme valores apurados na contabilidade da empresa. A empresa ainda deixou de elaborar GFIP específica referente a valores pagos em acordo e/ou sentenças trabalhistas antigo código 904 (atual código 650), quando dentro do montante dos valores pagos existiam verbas que incidiam contribuições previdenciárias. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/08/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/08/2006. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 101 a 108. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência da autuação, conforme fls. 160 a 167 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 173 e seguintes . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. O Sr. Fiscal alegou que a recorrente não incluiu nas GFIP os CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS e trabalhadores autônomos, mas não informou quantos e quais seriam esses trabalhadores; 2. Que o recorrente teria pago vale alimentação e vale transporte em espécie a seus empregados, e tais valores não teriam sido considerados na base de cálculo de contribuição, logo, não incluídos em GFIP, mas deixou de informar quais e quantos seriam esses empregados; 3. As omissões supramencionadas implicam em cerceamento do direito de defesa, assim, como poderia a recorrente situálos quanto ao vínculo mantido com a empresa? 4. Ainda, quais seriam os trabalhadores autônomos enquadrados como empregados, e incluídos nos cálculos da apuração do quantum imputado à recorrente? Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000621/200752 Resolução nº 2401000.256 S2C4T1 Fl. 4 3 5. Importante acentuar, por outro lado, que a autuação elencou nomes de alguns supostos contribuintes individuais, como também supostos trabalhadores autônomos, só que, no caso, a empresa procurou de todas as maneiras identificar vínculos dessas pessoas por eventuais serviços prestados, mas, sem qualquer êxito, de forma que esse ônus da prova em contrário fica difícil de ser materializado, visto que, repetese, não se pode trabalhar sobre fantasmas ou coisas fictícias. 6. foram lavrados seis autos de infração e mais doze NFLD notandose que existe superposição de lançamentos no procedimento fiscal, ou seja, lançamentos sobre iguais fatos geradores. 7. A recorrente pede o deferimento de perícia, pelo que apresenta a quesitação e qualifica seu perito, como também pede a anulação do feito. Após apreciação o processo foi baixado em diligência nos seguintes termos: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente autode infração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento, quais sejam: DEBCAD Nº 370217268, 370217276, 370217187, 370217195, 370217209, , 370217225, 370217233, , 370217250, 370217179, 370217284, 370217217, 370217241 sendo que não se identificou decisão final acerca das 3 NFLD em negrito no âmbito do CARF, nem tampouco as mesmas foram encontradas em nossos sistemas, por meio do número do DEBCAD. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado das referidas Notificações Fiscais. Dessa forma, devem ser prestados esclarecimentos acerca do andamento das NFLD conexa(s). Caso as referidas NFLD já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado de cada NFLD (mesmo para aquelas já julgadas no CARF), do período do crédito e da matéria objeto de cada NFLD, para que se possa identificar corretamente a correlação e proceder ao julgamento do auto em questão. Caso, ainda não tenham sido julgados no âmbito do CARF, deve o encaminhamento ser no sentido de julgamento conjunto com as NFLD correlata, após a identificação das mesmas com o n. do processo e do DEBCAD. Em cumprimento a diligência requerida foram prestadas informações conforme planilha elaborada pela DRFB, fl. 224. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000621/200752 Resolução nº 2401000.256 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise da planilha trazida aos autos pela autoridade fiscal, fl. 224, (digase de forma muito eficiente), ainda resta um processo correlacionado ao presente auto de infração de obrigação acessória não julgado no âmbito da DRJ/RJ. Dito processo corresponde ao DEBCAD 37.021.7217 (processo n. 14489.000081/200700), correspondente ao lançamento da contribuição previdenciária da empresa, SAT e outras entidades e fundos, sobre as diferenças apuradas na contabilidade e folhas de pagamentos, que nada mais são dos que valores não declarados em gfip, conforme descrito no presente auto de infração. Face o exposto apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial a continuidade do presente julgamento. Conforme descrito acima, ainda existe um processo vinculado ao presente AI, que não foi encaminhado a este Conselho, nem mesmo obteve solução final a respeito dos mesmos. Dessa forma, não há como proceder ao julgamento do presente AI, enquanto não definitivamente julgados todos as NFLD (AIOP) lavradas sobre fatos geradores de mesmo fundamento. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise de todas as NFLD (AIOP) correlatas, para que só então possa se julgar a procedência da autuação. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo o autodeinfração ficar sobrestado aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo as NFLD (AIOP) correlatas sejam julgadas no âmbito do CARF, ou mesmo quitadas ou parceladas, devem os presentes autos retornar ao CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado das NFLD (AIOP) correlatas. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13924.000261/2003-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
Restando configurado o lançamento por homologação, o prazo de decadência do direito do Fisco lançar a contribuição rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos contados da data do fato gerador.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatando-se a existência de omissão acerca de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado, acolhem-se os embargos de declaração para sanear o Acórdão embargado.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA.
Se a questão da semestralidade do PIS foi decidida de forma desfavorável ao contribuinte, tornando-se definitiva no processo de compensação, a discussão dessa matéria não pode ser objeto de nova decisão no processo que alberga auto de infração lastreado em glosa de compensação, em face da ocorrência da preclusão administrativa.
Embargos acolhidos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-001.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar a omissão apontada no acórdão embargado e, no mérito, também por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do contribuinte em razão da decadência do direito do Fisco.
[Assinado com certificado digital]
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação, o prazo de decadência do direito do Fisco lançar a contribuição regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operandose em cinco anos contados da data do fato gerador. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatandose a existência de omissão acerca de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado, acolhemse os embargos de declaração para sanear o Acórdão embargado. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Se a questão da semestralidade do PIS foi decidida de forma desfavorável ao contribuinte, tornandose definitiva no processo de compensação, a discussão dessa matéria não pode ser objeto de nova decisão no processo que alberga auto de infração lastreado em glosa de compensação, em face da ocorrência da preclusão administrativa. Embargos acolhidos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar a omissão apontada no acórdão embargado e, no mérito, também por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do contribuinte em razão da decadência do direito do Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 4. 00 02 61 /2 00 3- 19 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, opostos em face do Acórdão nº 20312.231, sob a justificativa da ocorrência de omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado. Segundo o relatório do Acórdão embargado: “(...) A interessada foi autuada eletronicamente em face de a Fiscalização ter apurado a insuficiência de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) para o período janeiro a junho de 1998. O auto de infração está datado de 18/06/2003. Da análise dos autos, verificase que a interessada tinha em seu poder decisão judicial autorizandoa a recolher o PIS na forma estabelecida pela Lei Complementar n° 7/70, e não pelos declarados inconstitucionais DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88. A interessada também tinha em seu poder autorização judicial, friso, para a realização da compensação desses valores. O Fisco, portanto, promoveu o lançamento contra a interessada sob o entendimento de que a mesma não tinha créditos a seu favor, supostos créditos utilizados na modalidade de compensação judicialmente autorizada. Alega e faz prova a interessada que a Fiscalização não considerou para o caso em concreto o critério da semestralidade para o PIS, recolhido a maior e no período de julho de 1989 a setembro de 1995. A Terceira Turma da DRJ em Curitiba, ã unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão que resta consubstanciada no Acórdão DRJ/CTA n° 8.832, de fls. 154 e seguintes. Inconformada, a interessada recorre a este Tribunal Administrativo Fiscal, repisando suas razões de impugnação. É o relatório.” O Relator originário, Dalton César Cordeiro de Miranda, foi vencido quanto à decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento. Prevaleceu a tese de que o direito da Fazenda efetuar o lançamento do PIS era de dez anos, com base no art. 45 da Lei nº 8.212/91. No mérito, o recurso foi parcialmente provido para reconhecer o direito do contribuinte apurar o indébito do PIS levando em conta o critério da semestralidade da base de cálculo. A PFN embargou em tempo hábil o referido julgado. Alegou a PFN, entre outras coisas, que o processo versa sobre auto de infração decorrente da glosa de compensação do PIS e que o colegiado, ao reconhecer o direito à semestralidade da base de cálculo, o fez desconsiderando a decisão administrativa definitiva proferida no processo nº 13924.000248/97 24. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13924.000261/200319 Acórdão n.º 3403001.756 S3C4T3 Fl. 5 3 Os autos retornaram ao Relator originário e entraram na pauta de julgamento do dia 05/03/2009, quando foram baixados em diligência por meio da Resolução nº 2201 00.009, a fim de que fosse verificado o seguinte: 1) se há decisão definitiva proferida no processo nº 13924.000248/9724 e em qual sentido; 2) fossem juntadas aos autos peças processuais no sentido de confirmar as informações; e 3) inexistindo decisão definitiva no referido processo, que se aguardasse seu desfecho, para só então promover a devolução deste processo devidamente instruído com as cópias daquele processo. Os autos retornaram com os documentos de fls. 284/290, dando conta de que no processo de compensação, onde foi solicitada a apuração do crédito decorrente da ação judicial, houve análise definitiva do crédito (fl. 284); o pedido de restituição/compensação foi indeferido e os débitos reativados no sistema (fl. 285); e houve liquidação por pagamento (fls. 288 e 289), não havendo mais pendências quanto ao PAF 13924.000248/9724. Por meio da Resolução nº 3403000.318 o julgamento foi convertido em nova diligência, a fim de que a íntegra do processo nº 13924.000248/9724 fosse juntada a um dos seguintes processos 13924.000261/200319, 13924.000211/200242 ou 13924.000132/200231 e para que fosse certificado nos autos se houve pagamento antecipado (ainda que parcial) da contribuição em relação aos fatos geradores discriminados na coluna (5) do demonstrativo de crédito tributário a pagar (fl. 23), juntando aos autos as telas do sistema SINAL; e 3) fosse certificado nos autos a data em que o contribuinte teve ciência do auto de infração eletrônico, a fim de que o colegiado pudesse aferir a possível ocorrência de fato extintivo da pretensão fiscal. Os autos retornaram ao CARF com o processo nº 13924.000248/97 apensado ao processo nº 13924.000132/200231 e com os documentos de fls. 296/30. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verificase que o Relator originário do processo foi vencido quanto à decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento. Naquela assentada prevaleceu a tese dos dez anos, com base no art. 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que com o advento da Súmula Vinculante nº 8 do STF, do art. 62A do Regimento Interno do CARF e do RESP nº 973.733, submetido à sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), não é mais possível manter lançamentos em relação a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos, contados da ciência do auto de infração por parte do contribuinte, em virtude da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Com o advento do art. 62A do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Súmula Vinculante nº 8 do STF e a decisão do STJ proferida no RESP nº 973.733, sob o regime do art. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13924.000261/200319 Acórdão n.º 3403001.756 S3C4T3 Fl. 6 5 contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” No caso dos autos, os fatos geradores ocorreram entre janeiro e junho de 1998 e o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 11/07/2003, conforme os documentos de fls. 305/306. Os extratos do Sistema SINAL de fls. 296 a 304 comprovam que no período autuado ocorreram pagamentos antecipados da contribuição. Existindo pagamentos antecipados do tributo, o prazo de decadência deve ser contado segundo a regra do art. 150, § 4º do CTN. Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do auto de infração no dia 11/07/2003, o fisco já havia decaído do direito de efetuar o lançamento da contribuição relativa aos fatos geradores compreendidos entre janeiro e junho de 1998, o que resulta no cancelamento integral do auto de infração eletrônico albergado neste processo. Analiso os embargos da PFN apenas para o fim de exaurir esta instância. No tocante à questão que suscitou os embargos, verificase que o processo nº 13924.000248/9724 albergou um pedido de reconhecimento de crédito decorrente da ação judicial nº 97.40100546 cumulado com compensação. No processo judicial foi reconhecido o direito do contribuinte à compensação da diferença recolhida a maior do PIS com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1985, em relação ao que deveria ter sido recolhido com base na Lei Complementar nº 7/70. No processo judicial não se discutiu especificamente sobre a semestralidade da base de cálculo. A autoridade administrativa, ao analisar o pedido, considerou que a legislação posterior (Leis nº 7.799/89, 8.019/90, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94 e 8.981/95) alterou os prazos de vencimento da obrigação principal relativa ao PIS. Os recolhimentos foram conferidos, chegandose à conclusão de que o contribuinte não tinha créditos decorrente dos pagamentos efetuados com base nos DecretosLeis e os débitos que o contribuinte pretendeu compensar no processo nº 13924.000248/9724 foram por ele liquidados mediante pagamento, conforme se verifica nos extratos anexados nas fls. 288/289. Portanto, existindo decisão definitiva no âmbito administrativo sobre a inexistência do direito à semestralidade do PIS, assim como quanto à inexistência de créditos decorrentes da ação judicial, o Acórdão embargado tornouse passível de ser revisto, pois neste processo não se pode reconhecer um direito que foi negado em caráter definitivo em outro processo, em razão da preclusão administrativa (art. 17, do Decreto nº 70.235/72). Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 20312.231 e, no Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 mérito, por dar provimento ao recurso do contribuinte em razão da decadência do direito do Fisco. Antonio Carlos Atulim Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13896.903196/2009-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2004
ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2004 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 31 96 /2 00 9- 47 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 29 de novembro de 2005, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor de R$ 3.486,34. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o erro cometido no preenchimento da DCTF não poderia invalidar o direito de compensação e o reconhecimento de ofício do crédito líquido e certo; b) o Fisco deveria observar o princípio da verdade material e aceitar a documentação acostada aos autos; c) inexistiria possibilidade de incidência de multa ou de imputação de juros pelo fato de não haver débitos a serem liquidados; d) no caso, caberia apenas multa por descumprimento de obrigação acessória. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do contrato social consolidado, do despacho decisório, do Dacon retificador entregue em 1º/07/2005, da DIPJ 2005 transmitida em 30/06/2005, da DCTF original entregue em 12/08/2004, da declaração de compensação, do DARF relativo ao pagamento sob comento e do Razão Acumulado. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 62 a 72), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903196/200947 Acórdão n.º 3803003.660 S3TE03 Fl. 145 3 Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para guitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Segundo o relator a quo, o contribuinte não providenciou a retificação da DCTF que pudesse refletir a alteração pretendida, não tendo havido, ainda, comprovação, com documentação hábil e idônea, do crédito pleiteado. Na sequência, afirmou que o Dacon e a DIPJ não se prestavam à comprovação do indébito, por ter cunho apenas informativo, não se constituindo em confissão de dívida. Em relação aos juros e multa, argumentou o julgador que, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, eles seriam devidos por se referirem a valores da contribuição compensados em DCOMP transmitida em data pretérita. Ao final, indeferiuse o pedido de sustentação oral por ausência de previsão legal. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa, protesta pela juntada de novos documentos e requer a homologação da compensação ou a baixa do processo à repartição de origem para que se confirmem as informações trazidas aos autos, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: i) o Dacon e a DIPJ não têm cunho apenas informativo, pois, se assim fosse, não haveria necessidade de sua existência; eles contêm os dados detalhados sobre a base de cálculo e servem para comprovar a contribuição efetivamente devida; ii) uma vez que a Cofins informada no Dacon perfaz o total de R$ 70.491,19 e o declarado em DCTF de R$ 73.977,53, temse a diferença que corresponde ao crédito pleiteado nos autos: R$ 3.486,34; iii) o pagamento indevido ou a maior tem origem no creditamento extemporâneo da Cofins, cujo crédito não foi considerado à época, relativamente a matérias primas devidamente escrituradas utilizadas na consecução da receita da pessoa jurídica; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 iv) a falta de retificação da DCTF não desnatura o direito creditório pleiteado, devendo este ser reconhecido de ofício pela Administração tributária; v) o Dacon e a DIPJ não podem ser desconsiderados como prova, pois eles fornecem os elementos de composição da base de cálculo do tributo; vi) todo erro de forma que não turbe o direito material é passível de retificação, havendo sempre a possibilidade, seja na esfera judicial ou na administrativa, de revisão de procedimentos, declarações e decisões conflitantes, de ofício ou por provocação das partes; vii) a presente demanda deveria ser baixada à Fiscalização para se apurar o erro de fato informado, a fim de descer no detalhe através da documentação acostada aos autos. Anexos à peça recursal, o contribuinte traz aos autos os seguintes documentos: 1) Doc. 01 – cópia da decisão da DRJ Campinas (fls. 93 a 101); 2) Docs 02 a 13 – cópias de uma notas fiscais, emitidas nos meses de maio e junho de 2004, relativas à venda de spool de tubulação para obra de máquinas de secagem e à prestação de serviços de supervisão civil, supervisão de montagem de tubulação, serviço de planejamento e supervisão de obra (fls. 103 a 123); 3) Doc 14 – cópia de parte do Razão Acumulado (fls. 125 a 132); 4) Doc. 15 e 16 – Planilhas elaboradas pelo Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. O contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903196/200947 Acórdão n.º 3803003.660 S3TE03 Fl. 146 5 Alegou o então Manifestante que o crédito pleiteado seria líquido e certo e que, em face do princípio da verdade material, ele não poderia ser obstado por meros erros formais no preenchimento da DCTF, nada dizendo sobre a sua origem. Somente no Recurso Voluntário o contribuinte informou que o direito creditório decorreria do creditamento extemporâneo da Cofins, cujo crédito não havia sido considerado à época, relativamente a matériasprimas devidamente escrituradas utilizadas na consecução da receita da pessoa jurídica. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Na primeira instância administrativa foram trazidos aos autos apenas cópia do Dacon, da DIPJ do DARF, da DCTF e de planilhas denominadas Razão Acumulado referente ao período de 1º/10/2004 a 30/09/2005, não abrangendo, por conseguinte, o ora sob análise (junho de 2004). A DCTF apresentada não traz qualquer alteração relativamente aos dados considerados na emissão do despacho decisório, pois o valor da contribuição ali apurado coincide com o recolhido pelo sujeito passivo (R$ 73.977,53). O Dacon e a DIPJ não vieram acompanhados da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia. O Recorrente, para se contrapor à decisão de primeira instância que não homologou a compensação pleiteada, se reporta ao princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade administrativa estaria obrigada a proceder às investigações necessárias à apuração dos fatos, independentemente da retificação da DCTF. Contudo, ressaltese que não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. O princípio da verdade material deve ser sopesado dialeticamente com os princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Os motivos de fato e de direito devem ser apresentados desde a primeira instância e as provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade, nos termos do art. 16, caput, e § 4º do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cujo teor segue transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903196/200947 Acórdão n.º 3803003.660 S3TE03 Fl. 147 7 O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os motivos e os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Ainda que, em tese, se superasse a ocorrência de preclusão temporal, temse que as provas apresentadas no Recurso Voluntário não são bastantes para comprovar a existência do alegado indébito. As notas fiscais apresentadas por cópias (fls. 103 a 123) abrangem aquisições de bens e serviços nos meses de maio e junho de 2004, sendo que o período que o Recorrente pretende retificar é apenas junho de 2004. As notas fiscais relativas a aquisições ocorridas em maio de 2004 deveriam ser levadas a ajustes na apuração da contribuição devida nesse mês e não na do mês seguinte. Além disso, o Recorrente pretende se creditar do produto identificado como “spool de tubulação para obra de máquina de secagem” na condição de matériaprima, ou seja, na condição de insumo. Contudo, em consultas na internet, verificouse que se trata de partes/peças que permitem a formação de uma linha de tubulação de grande porte, o que, em razão de suas características, poderia, no máximo, dar direito ao creditamento com base nos encargos de depreciação, nos termos do art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003, e não na condição de insumos, conforme pretende o Recorrente. No que se refere às notas fiscais relativas à prestação de serviços de supervisão civil, supervisão de montagem de tubulação e serviço de planejamento e supervisão de obra, com base apenas na descrição presente nesses documentos, dada a sua generalidade, não é possível qualificar peremptoriamente tais serviços como insumos utilizados na produção, sem os quais o fator de produção se inviabilizaria. Conforme se verifica no contrato social da sociedade empresária (fl. 28), seu objeto social abrange serviços de (i) gerenciamento e/ou supervisão de montagem e instalações, acompanhamento da colocação, inicio de funcionamento e teste de máquinas e equipamentos; (ii) recrutamento, seleção e administração de montadores no mercado profissional, sobre cujas atividades o gerenciamento e/ou supervisão de montagens e instalações serão exercidos; (iii) execução e administração de obras industriais ou civis; (iv) assistência técnica, de manutenção, de conservação, de consertos e de reparos, sem fornecimento de mercadorias ou produtos; (v) estudos de planejamentos e engenharia para montagens, instalações, obras industriais e civis para reformas e modernização de máquinas e equipamentos; etc. Tais serviços abrangem aqueles adquiridos de terceiros em relação aos quais se pleiteia o creditamento, o que leva às seguintes possíveis conclusões: (1ª) o Recorrente adquiriu tais serviços na condição de destinatário final, ou seja, para a realização de obras em seu parque fabril ou nas instalações administrativas da sociedade ou (2ª) houve uma subcontratação ou terceirização da própria atividade empresarial da pessoa jurídica. Na primeira hipótese, haveria, em tese, o direito ao creditamento com base nos encargos de depreciação e/ou amortização, nos termos do art. 3º, incisos VI e VII, e § 1º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003, e não na condição de insumos, conforme pretende o Recorrente. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 Na segunda hipótese, haveria a necessidade de se comprovar que tais subcontratações se configuram “conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica2, e não mera liberalidade ou conveniência do Recorrente. Quanto à planilha identificada como Razão Acumulado (fls. 125 a 132), além do fato de não abranger o período sob análise, há nela apenas indicações da incidência das contribuições sobre movimentações de estoques, sem qualquer esclarecimento adicional a respeito das implicações delas advindas. As planilhas relativas à apuração das contribuições PIS e Cofins no mês de junho de 2004 (fls. 134 a 140) não se encontram acompanhadas da escrituração contábilfiscal respectiva. Dessa forma, constatase inexistir inequívoca comprovação das alegações do Recorrente. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização confirme os dados informados no Dacon. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903196/200947 Acórdão n.º 3803003.660 S3TE03 Fl. 148 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13896.903196/200947 Interessada: VOITHMONT MONTAGENS E SERVIÇOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.660, de 25 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720310/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVO. É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVO. É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 03 10 /2 01 0- 27 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1751.446 (fl. 41), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao lançamento do IRPF relativo ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, para rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada e, no mérito, não conhecer da impugnação. O lançamento decorre da glosa de IRRF no montante de R$8.707,18, sem apuração de imposto a pagar ou a restituir. Em seu apelo ao CARF (fls. 49/50), o recorrente afirma que ao requerer uma certidão negativa deparouse com uma cobrança do imposto de renda relativo ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, sendo informado que havia sido notificado da cobrança no ano de 2007 e não se manifestou. Argumenta que nunca morou em Campinas e que não apresentou declaração de rendimentos no exercício de 2005, pois não se enquadrava em nenhuma das situações que o obrigariam à apresentação da DIRPF, bem assim pelo pouco rendimento auferido no ano calendário de 2004. Aduz que sempre trabalhou e morou em Unaí/MG. Inconformado com a pendência, foi orientado a protocolar impugnação em julho de 2010, que foi considerada intempestiva pela Delegacia de Julgamento. Requer seja analisada a defesa e, no mérito, o cancelamento do débito reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre observar que o lançamento em exame não constituiu nenhum crédito tributário em desfavor do recorrente, conforme se constata pela descrição dos fatos e demonstrativos que integram a notificação às fls. 09/12. Simplesmente foi glosado o montante do IRRF informado na DIRPF do exercício de 2004, anocalendário de 2003, no valor de R$8.707,18 (fls. 13/14). Como os rendimentos tributáveis informados na mesma declaração era de igual valor, ou seja, abaixo do limite de isenção, nenhum imposto suplementar foi apurado. Desta forma, esclareçase que o recorrente deve terse equivocado, pois se refere em seu recurso quanto a débito relacionado ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Em relação à preliminar de tempestividade, nenhum reparo merece a decisão de primeiro grau, pois a intimação dando ciência do lançamento foi corretamente encaminhada ao domicílio fornecido pelo contribuinte à Receita Federal (fls. 32/39). Não há qualquer referência nos autos deste processo ao envio de intimação para Campinas. Estranhase, inclusive, tal ocorrência, conforme alegado pelo recorrente, pois ainda assim a correspondência chegou às suas mãos, que resolveu desconsiderar a cobrança. É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do lançamento, nos termos do artigo 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13609.720310/201027 Acórdão n.º 2101001.991 S2C1T1 Fl. 57 3 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000743/2001-26
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
Ementa RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Extraordinário porque não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. TESE JURÍDICA SUPERADA. Não se admite como paradigma o acórdão cuja tese esteja superada. No caso, a tese do acórdão paradigma foi objeto de julgamento tanto pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pelo Supremo Tribunal Federal, nas sistemáticas dos artigos 543, b e c, do Código de Processo Civil, inexistindo, portanto, matéria divergente a ser uniformizada.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 9900-000.339
Decisão: ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Julio César Alves Ramos, Marcelo Oliveira, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rodrigo da Costa Possas.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990, 1991 Ementa RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Extraordinário porque não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. TESE JURÍDICA SUPERADA. Não se admite como paradigma o acórdão cuja tese esteja superada. No caso, a tese do acórdão paradigma foi objeto de julgamento tanto pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pelo Supremo Tribunal Federal, nas sistemáticas dos artigos 543, b e c, do Código de Processo Civil, inexistindo, portanto, matéria divergente a ser uniformizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Extraordinário porque não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. TESE JURÍDICA SUPERADA. Não se admite como paradigma o acórdão cuja tese esteja superada. No caso, a tese do acórdão paradigma foi objeto de julgamento tanto pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pelo Supremo Tribunal Federal, nas sistemáticas dos artigos 543, “b e “c”, do Código de Processo Civil, inexistindo, portanto, matéria divergente a ser uniformizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Julio César Alves Ramos, Marcelo Oliveira, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rodrigo da Costa Possas. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 07 43 /2 00 1- 26 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 595 2 (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Versam os presentes autos sobre pedido de restituição (fls. 01/02) formulado em 14/11/2001, referente a recolhimentos indevidos do Imposto sobre Lucro Líquido ocorridos nos períodos de 1989 a 1891. A Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre/RS, mediante Despacho Decisório (fls. 107/111) indeferiu o pedido do contribuinte porque entendeu que o direito de pleitear a restituição/compensação de tributos, no presente caso, decaiu em razão do decurso do prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, fundamentandose nos artigos 165 e 168, I, do CTN, bem como do Ato Declaratório SRF nº 96/99 e foi assim ementado: Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido — IRRF Período de apuração: 1989 a 1992 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. O direito de pleitear a compensação de tributos extinguese com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário, no caso, os recolhimentos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido (art. 168, caput, e inciso I do CT). PEDIDO INDEFERIDO. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 118/138), por meio da qual informou que o pedido de restituição teve como fator determinante a declaração de inconstitucionalidade sentenciada pelo Supremo Tribunal Federal STF em 30 de junho de 1995, no Julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.0581 / SC, que suscitou a publicação, por parte do Senado Federal, da Resolução n° 82, de 18 de novembro de 1996 que Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 596 3 determinou a suspensão da execução do artigo 35 da Lei 7.713 de 22 de dezembro de 1988 DOU de 23 de dezembro de 1988. Informou, ainda, que cumpriu todas as exigências contidas na Instrução Normativa 63/97 que uniformizou o entendimento da Secretaria da Receita Federal e determinou a vedação à constituição de créditos relativos ao tributo instituído pelo artigo 35 da Lei 7.713/88 – ILL, E, por fim, concluiu que para verificação da extinção de seu direito de pleitear a restituição do indébito o termo inicial para a contagem do prazo decadencial deve ser a data da publicação da Resolução do Senado que ocorreu em 11/1996 ou a data da publicação da Instrução Normativa 63/97, que ocorreu em julho de 1997, sendo que em qualquer caso não restou configurada a extinção do direito. A mencionada Resolução do Senado Federal foi publicada com a seguinte redação: O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução do art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no que diz respeito à expressão “o acionista” nele contida. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Revogamse as disposições em contrário. E a instrução normativa SRF 63/97 foi publicada com a seguinte redação: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e em vista do que ficou decidido pela Resolução do Senado nº 82, de 18 de novembro de 1996, e com base no que dispõe o Decreto nº 2.194, de 7 de abril de 1997, resolve: Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do períodobase de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Art. 2º Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à Fl. 596DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 597 4 matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito da Fazenda Nacional. Art. 3º Caso os créditos de natureza tributária, oriundos de lançamentos efetuados em desacordo com o disposto no art. 1º, estejam pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a aplicação da lei declarada inconstitucional. Art. 4º O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica às empresas individuais. Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogase as disposições em contrário A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS manteve o indeferimento do pedido de restituição (fls. 269/275) e o acórdão proferido foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1992 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. O direito de pleitear a compensação de tributos extinguese com o decurso do prazo de 5 anos contados da data do pagamento, no caso, os recolhimentos a título de Imposto de renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido. Solicitação Indeferida Todavia, este E. Conselho Administrativo ao apreciar a matéria, tanto em grau de Recurso Voluntário quanto em grau de Recurso Especial, entendeu que o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido (Art. 35, da Lei n° 7.713/88) pago indevidamente, é a data da publicação da Instrução Normativa 63, de 25/07/1997, que uniformizou o entendimento no sentido do direito à restituição em tela. Nesse sentido, imperioso se faz transcrever a ementa do acórdão ora recorrido: IRF/ILL DECADÊNCIA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido (Art. 35, da Lei n° 7.713/88), pago indevidamente pelas sociedades limitada, é a data da Fl. 597DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 598 5 publicação da Instrução Normativa 63, de 25/07/1997, que reconheceu o direito à restituição em tela. Recurso Especial do Procurador Negado. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário (fls.491/500) nos termos do artigo 9º do Regimento Interno desta E. Câmara Superior, aprovado pela Portaria MF nº 147 de 25/06/2007, oportunidade em que alegou que o acórdão recorrido (CSRF/9304.00130, proferido na sessão da CSRF de 04/05/2009,) diverge da jurisprudência de outras turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho quanto à forma de contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de indébito. Trouxe aos autos, como paradigma, o acórdão CSRF/0202256, de 24/04/2006, assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS REPETIÇÃO DE INDÉBITO — PRESCRIÇÃO. O DIES A QUO PARA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO É O DA DATA DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO ANTECIPADO E O TERMO FINAL É O DIA EM QUE SE COMPLETA O QÜINQÜÊNIO LEGAL, CONTADO A PARTIR DAQUELA DATA. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA — NÃO SE CONHECE DO RECURSO NA PARTE EM QUE NÃO CONFIGURADA A DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO LEGAL, EM FACE DE DIFERENÇAS NOS ESCOPOS FÁTICOS DOS ACÓRDÃOS EM COMPARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. A tese sustentada pelo acórdão paradigma foi a de que o dies a quo para a contagem do prazo decadencial de repetição de indébito é o data da extinção do crédito tributários pelo pagamento antecipado, afastando a tese dos 5 mais 5, na qual a contagem do prazo extintivo do direito de repetição só se iniciaria após a homologação do pagamento antecipado e se exauriria com o transcurso dos 5 anos, contados desta data. Verificase que o debate existente no acórdão paradigma envolve, exclusivamente, a definição da aplicabilidade da tese dos 5 anos ou dos 5 mais cinco e, em nenhum momento suscita hipótese de exceção capaz de postergar o termo inicial para a contagem do prazo decadencial. Por fim, ao analisar as teses sobre o marco inicial do prazo para a repetição indébito, entendeu que, em qualquer hipótese, prevalece a contagem do prazo a partir do pagamento antecipado, conforme expressamente previsto na Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005. É o relatório. Voto Fl. 598DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 599 6 Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso foi apresentado tempestivamente, entretanto, não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Primeiramente, verificase, no caso, a inexistência de similitude fática entre os casos confrontados, o que enseja o nãoconhecimento do recurso extraordinário da Fazenda Nacional. No presente caso, o cerne da questão é a definição do termo inicial para a verificação da extinção do direito do contribuinte de pleitear a restituição de indébito decorrente recolhimento de imposto de renda incidente sobre Lucro Liquido pago por Sociedade Limitada. O acórdão recorrido afastou a decadência do direito do contribuinte de pleitear a restituição do indébito porque entendeu que o prazo para a apresentação do requerimento se iniciaria na data publicação da instrução normativa SRF 63/97, que reconheceu ser indevida a referida exação. Concluiu, portanto, que: (...) Assim, entendo que esta normativa representa novo marco para contagem do prazo de decadência, na esteira da Súmula 360 e dos precedentes do STF acima transcritos . No presente recurso voluntário, o pedido de restituição do indébito tributário foi protocolizado em 14 de novembro de 2001 (Fl. 01), dentro, portanto do prazo de cinco anos a contar da edição da Instrução Normativa, afastandose, pois, a alegação de decadência. (...) A Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário afirmando a existência de divergência de posicionamento entre Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho e trouxe o acórdão CSRF /0202.256 como paradigma, no intuito de demonstrar a divergência suscitada. Sustentou, ainda, que pretende o reconhecimento da decadência que, segundo seu posicionamento, deve ter como termo inicial a data do pagamento conforme disposto nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Da leitura do acórdão paradigma temse que este trata de pedido de restituição formalizado por sociedade civil prestadora de serviço profissional no tocante ao exercício de profissão legalmente regulamente, pois entende fazer jus à isenção da COFINS prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91, bem como do prazo do contribuinte para pleitear a restituição do tributo ou contribuição pago indevidamente. Notase, ainda, que, em sede de Recurso Especial, o acórdão paradigma pretende afastar a tese adotada pela turma julgadora de que o direito do contribuinte em pleitear a restituição do indébito extinguese após dez anos da ocorrência do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). Fl. 599DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 600 7 A tese defendida no acórdão paradigma é a de que, com o advento da LC 118/05, em se tratando de norma expressamente interpretativa , deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do artigo 106, I, do CTN. Assim, vêse que não há no caso do acórdão paradigma qualquer espécie de ato capaz de permitir a discussão acerca da possibilidade de deslocamento do termo inicial da contagem do prazo decadencial nos casos em que há reconhecimento da administração no sentido de que o valor recolhido é, de fato, indevido. Diferentemente, o acórdão recorrido envolve o debate acerca do termo inicial para a contagem do prazo decadencial nos casos em que há pronunciamento da autoridade administrativa, por meio de uma instrução normativa e, conseqüentemente, a discussão cinge se, exclusivamente, a possibilidade de prorrogar o termo a quo da verificação do direito do contribuinte à repetição do indébito. Portanto, o acórdão paradigma cuida de debate envolvendo a definição da aplicação da tese dos cinco anos ou dos cinco mais cinco, sem envolver qualquer questão que pudesse causar a prorrogação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial do contribuinte para pleitear a repetição do indébito, conforme se verifica no caso do acórdão recorrido. Assim, a partir da leitura do acórdão CSRF /0202.256 extraise que não resta demonstrada a divergência, ora alegada pela Fazenda Nacional, porque não se verifica similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. E, como se não bastasse a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados, observo que o acórdão acostado como paradigma apresenta tese jurídica superada, ou seja, que já não recepciona mais qualquer debate, senão vejamos. A tese do acórdão CSRF/0202.256, também não serve como paradigma, pois apresenta como fundamento a lei 118/05, a qual teria, segundo o entendimento do Recorrente, caráter interpretativo. Nesse ponto cumpre ressaltar trecho do voto do acórdão paradigma: (...) Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/06/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º da lei 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel Lei Complementar. Esclareça, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no artigo 106, I, do CTN. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 601 8 Assim, a tese adotada pelo acórdão paradigma é insubsistente e não merece sequer ser objeto de debate, porque é matéria pacificada pela jurisprudência tendo em vista que foi objeto de julgamento tanto pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pelo Supremo Tribunal Federal, nas sistemáticas dos artigos 543, “b e “c”, do Código de Processo Civil. A jurisprudência atual foi sedimentada no sentido de que a Lei Complementar 118/05 não tem caráter de norma interpretativa, porque trouxe, em seu texto, inovação, ao reduzir o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido e por isso sua aplicação obrigatória a todos casos, independentemente das peculiaridades existentes em cada caso concreto, conforme defendido no acórdão paradigma, não se justifica. Nesse sentido, acerca do caráter da lei 118/05 e da sua aplicabilidade, o Supremo Tribunal Federal consignou em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621 – RS (04/08/2011), o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 09 DE JUNHO DE 2005. (...) A LC 118/05, embora tenha se auto – proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação á autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando de imediato , pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 602 9 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo da vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomasse ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela de seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente à ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do artigo543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Cumpre salientar que, em que pese a oposição de Embargos de Declaração contra o mencionado julgado, a questão a ser esclarecida envolve, exclusivamente, a possível modulação no tempo dos efeitos de sua decisão e, portanto, a matéria decidida não está pendente de discussão. E, o entendimento do julgado mencionado já foi adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede Recurso Especial Representativo de Controvérsia, o que se verifica no julgamento do Recurso Especial 1.269.570/MG, que restou assim ementado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Do exposto, temse que, ainda que não se entendesse pelo não conhecimento do recurso em razão da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, o Fl. 602DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 603 10 Recurso Extraordinário ainda não merece conhecimento porque a possível divergência entre Turmas da Câmara Superior deste Conselho foi superada a partir dos mencionados julgados analisados na sistemática prevista no artigo 543, B e 543, C do Código de Processo Civil. Ora, compete ao Pleno a uniformização de decisões divergentes das turmas da CSRF, ou seja, a matéria a ser levada ao Pleno se resumirá à divergência, em tese, entre duas turmas da CSRF, conforme artigo 76, § 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Nessa sistemática, ainda que à época da interposição do Recurso Extraordinário (04/2009), bem como de sua admissibilidade (06/2009), se pudesse constatar ou admitir alguma divergência entre decisões das turmas da CSRF, a partir da jurisprudência sedimentada pelo STF no julgamento do RE 566.621, ocorrido em 04/08/2011, no qual aplicouse a sistemática do artigo 543, B, do CPC, esta deixou de existir e, isto porque, o entendimento ali adotado tem aplicabilidade obrigatória nos julgamentos no âmbito do CARF, conforme artigo 62 – A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Para corroborar com o exposto, insta destacar o que prevê o artigo 67, §10, do Regimento Interno do CARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. §10. O acórdão cuja tese, na data da interposição do recurso , já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Apesar do dispositivo transcrito referirse ao julgamento do Recurso Especial interposto perante ao CARF, este demonstra a sistemática que deve se adotar no julgamento de questões no âmbito administrativo, em qualquer instância, para a garantia da segurança jurídica e da igualdade de todos perante a lei. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13816.000743/200126 Acórdão n.º 9100000.339 CSRF‐PL Fl. 604 11 Assim, tendo em vista que inexiste discussão acerca do debate pretendido pela Fazenda Nacional ao apresentar o Recurso Extraordinário, já que a jurisprudência está pacificada e qualquer suposta divergência foi superada, não há matéria pendente de uniformização, o que leva ao não conhecimento do Recurso apresentado, já que este tornouse inócuo por seus próprios fundamentos. Desta feita, diante de todo o exposto, não conheço do Recurso Extraordinário apresentado. É como voto. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 15922.000661/2008-76
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos que demonstram a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$28.710,00 (vinte e oito mil, setecentos e dez reais) a título de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$28.710,00 (vinte e oito mil, setecentos e dez reais) a título de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
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COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos que demonstram a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$28.710,00 (vinte e oito mil, setecentos e dez reais) a título de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 06 61 /2 00 8- 76 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os presentes autos sobre Notificação de Lançamento de fls. 16/18, decorrente da glosa de dedução indevida de R$ 62.110,00, declarados como despesas médicas pagas aos profissionais arrolados à fl. 17. Apreciada a Impugnação (fls.1/14), acompanhada das declarações dos profissionais: Juliana de Andrade fl. 19/20, Cintia Emika Saiki fl. 21,Roberta Nobrega Leoni fl. 22, recibos fls. 23/36, Adriano Canevari Cavalcanti – fl. 37, Elieti Celi Martini Orsi fl.38, Eloisa Helana Ruebllo Valler Celeri – fl. 39 e da Clínica de Fisioterapia Barreto Ltda., fl. 41, o crédito tributário foi mantido por ocasião da decisão da 1ª instância (fls. 48/52), sob fundamento de que os recibos apresentados não foram aceitos para fins de comprovação do direito à dedução declarada, pelo não atendimento aos requisitos do inciso III, §2° do art.8° da lei n. 9.250/95, considerando ainda que: “a prova definitiva da realização das despesas médicas deve ser feita com a prova do pagamento das mesmas ("cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento")”. Nas razões de Voluntário (fls. 56/80), a Recorrente reitera os argumentos apresentados na Impugnação. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Por tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A glosa foi mantida pela decisão de 1ª instância, fundada na imprestabilidade da força probante dos recibos apresentados, nos termos a seguir: As declaração (e outros documentos reapresentados) juntadas aos autos, pela qual a contribuinte deseja retificar os recibos, não alteram o fato descrito no parágrafo acima pela falta de previsão legal neste sentido. A prova definitiva da realização das despesas médicas deve ser feita com a prova do pagamento das mesmas ("cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento"). E, neste sentido, inexiste prova do efetivo pagamento dos valores informados nos recibos conforme se desenvolve mais a frente. Mantenho a glosa. O recibo de fl. 41, por informar valor elevado, ter sido emitidos sem numeração e em única oportunidade, e pela ausência de prova do efetivo pagamento do valor informado nos mesmos conforme se desenvolve mais a frente não pode ser aceito para fins de comprovação do direito a dedução pleiteada. Mantenho a glosa. Cabe observar que a contribuinte declara ter gasto em "serviços fisioterápicos" a quantia de R$ 60.000,00 tendo ela própria como beneficiária de todos os tratamento. Apenas R$ 2.110,00 dos gastos declarados tem seus dependentes como beneficiários. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15922.000661/200876 Acórdão n.º 2802001.874 S2TE02 Fl. 84 3 Enfim, passados mais de 11 meses do protocolo da impugnação, nenhuma prova do efetivo pagamento das despesas foi trazida aos autos. Com a devida vênia do decidido em 1ª instância, parte dos recibos e declarações apresentados pela Recorrente, (fls. 19/44), são, em meu entendimento, suficientes para comprovar a respectiva dedutibilidade. À fl. 20 a Recorrente apresenta declaração firmada por ela própria e não pelo profissional prestador do serviço, com o fim de atestar o endereço da profissional Juliana de Andrade; portanto, não suprida a deficiência de ausência de endereço do estabelecimento profissional, apontada na acusação fiscal. Mantenho a glosa. À fl. 21 há declaração da profissional Cíntia Emika Saiki, atestando o recebimento do valor total de R$ 10.000,00 e a prestação de serviços no anocalendário 2003, contendo todos os requisitos apontados pela legislação para fins de reconhecimento de seu valor probante. Às fls. 22 a 32 há declaração e recibos da profissional Roberta Nobrega Leoni, atestando o recebimento do valor total de R$ 10.000,00 e a prestação de serviços no anocalendário 2003, contendo todos os requisitos apontados pela legislação para fins de reconhecimento de seu valor probante. À fl. 37 há declaração do profissional Adriano Canevari Cavalcanti, atestando o recebimento do valor total de R$ 7.000,00 e a prestação de serviços no ano calendário 2003, contendo todos os requisitos apontados pela legislação para fins de reconhecimento de seu valor probante. Às fls. 38 e 39 há declaração da profissional Eliete Celi Martini Orsi, atestando o recebimento do valor total de R$ 1.710,00 e a prestação de serviços ao filho/dependente da Recorrente no anocalendário 2003, contendo todos os requisitos apontados pela legislação para fins de reconhecimento de seu valor probante. Às fl. 40 e 41 há declaração e recibo da Clínica de Fisioterapia Pereira Barreto S/C Ltda., atestando o recebimento do valor total de R$ 3.000,00 e a prestação de serviços no anocalendário 2003. Nesse caso, por se tratar de pessoa jurídica, necessário seria a apresentação da respectiva nota de serviços. Ademais, é de se recusar seu valor probante, diante da ausência de comprovação e identificação do signatário da declaração e do recibo, como legítimo representante da PJ prestadora de serviços. Mantenho a glosa. As declarações apresentadas em conformidade com a legislação, apesar dos valores elevados, suprem as exigências feitas pela legislação. Lá constam os dados do profissional (CPF e n. de inscrição do respectivo órgão profissional), endereço do estabelecimento e beneficiário do tratamento; ou seja, preenchidos se encontram os requisitos previstos em lei para fins de reconhecimento do seu valor probante (inciso II do § 2º do artigo 8º da lei n. 9.250/95). Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Nesse sentido, esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 280200.402, em 27/07/2010, relatoria do insigne Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Ademais, os motivos para a rejeição dos recibos apresentados expostos na acusação fiscal foram devidamente supridos por ocasião da apresentação da Impugnação. A exigência de comprovação dos efetivos pagamentos somente surge por ocasião da decisão de 1ª instância, em evidente inovação na acusação fiscal e geradora de evidente prejuízo à ampla defesa e à garantia de dupla apreciação da lide administrativa, garantida pela lei processual administrativa. Pelo exposto, conheço do recurso e no mérito lhe dou parcial provimento, para restabelecer a dedutibilidade das despesas médicas incorridas com os seguintes profissionais: Cíntia Emika Saiki, no valor total de R$ 10.000,00; Roberta Nobrega Leoni, no valor total de R$ 10.000,00; Adriano Canevari Cavalcanti, no valor total de R$ 7.000,00, e; Eliete Celi Martini Orsi, no valor total de R$ 1.710,00. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15922.000661/200876 Acórdão n.º 2802001.874 S2TE02 Fl. 85 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão em epígrafe. Brasília/DF, 28 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/11/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001665/2002-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO.
Somente é possível a dedução de imposto retido na fonte mediante prova do valor retido/recolhido em nome do beneficiário dos rendimentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO. Somente é possível a dedução de imposto retido na fonte mediante prova do valor retido/recolhido em nome do beneficiário dos rendimentos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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DEDUÇÃO. Somente é possível a dedução de imposto retido na fonte mediante prova do valor retido/recolhido em nome do beneficiário dos rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório A contribuinte acima identificada foi cientificada da lavratura do Auto de Infração de fls. 28/31, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, o qual AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 16 65 /2 00 2- 84 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11080.001665/200284 Acórdão n.º 2801002.732 S2TE01 Fl. 120 2 formalizou a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 6.706,06, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em decorrência de glosa de IRRF, por falta de comprovação da retenção sofrida e de registro nos arquivos da RFB. Na impugnação (fls. 01 a 03), alegou que a retenção sofrida referese ao aluguel de um imóvel comercial, às Lojas Zommer de Móveis Ltda, CNPJ 80.115.256/000183. Instruindo a impugnação, a interessada apresentou cópias de DARF A 2ª Turma da DRJCuritiba/ PR, após solicitar diligência junto à fonte pagadora para confirmação da retenção na fonte em discussão e recolhimento ou declaração ou autuação dos valores retidos, proferiu o Acórdão de fls. 67/68, julgando procedente o lançamento. Destacou que não há DIRF para a interessada no exercício em apreço, não obstante a contribuinte conste de DIRF da referida empresa para os anoscalendário 2000 e 2001. Considerou que o síndico da massa falida informou só ter em mãos documentos a partir de 2002. Ponderou que as Lojas Zommer era empresa com grande número de filiais nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, que declarou em sua DIPJ R$2.265.023,87 em aluguéis. Verificouse que não consta imóvel na declaração de bens da interessada (fls. 09), tampouco nos registros da RFB e que os DARFs apresentados pela contribuinte não foram confirmados na 10ª RF, mas 9ª RF e totalizam valor diverso da retenção pleiteada. Dessa forma, concluiu: (...) não há como reconhecer que as cópias dos Darf acostados recolhidos na 9ª RF, se refiram a retenções relativas a aluguel pago à interessada, relativamente a imóvel situado em Porto Alegre/RS, por empresa que alugava inúmeros imóveis. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/11/2009 (fls. 73), a contribuinte, por intermédio de representante, apresentou, em 04/12/2009, o Recurso de fls. 75/79, argumentando, em síntese, que o imóvel locado está em nome do espólio de seu falecido marido, sendo beneficiária, na condição de meeira, de 50% dos aluguéis recebidos. Entende que a falha da empresa em apresentar DIRF não pode motivar a glosa da retenção sofrida. Conforme Resolução nº 2801000.060 (fls. 96/98), o julgamento foi convertido em diligência à Repartição de Origem para que a interessada fosse intimada para: · apresentar o instrumento de mandato ou convalidar o recurso voluntário apresentado; · apresentar documento(s) hábil(eis) e idôneo(s) a comprovar(em) a propriedade do imóvel situado à Av. Azenha, 1.008, Porto Alegre, RS, bem como o contrato de aluguel que teria firmado com a Pessoa Jurídica Lojas Zommer, relativo ao anocalendário 1998. Solicitouse, ainda, que a autoridade fiscalizadora se manifestasse acerca da existência ou não de DIRF para o CPF do cônjuge, relativamente aos rendimentos de aluguéis em discussão, anocalendário 1998, bem como informasse se o cônjuge (ou seu espólio) declarou os rendimentos em questão, no ajuste anual do exercício 1999, em que proporção, e se houve compensação do IRRF correspondente, esclarecendo, igualmente, a proporção compensada. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11080.001665/200284 Acórdão n.º 2801002.732 S2TE01 Fl. 121 3 Após ser cientificada do resultado da referida diligência, a contribuinte apresentou parte dos documentos solicitados. Os autos, então, retornaram ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. O presente processo foi distribuído a esta Conselheira, nos termos do art. 50, § 3°, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU de 26/06/2009). É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa do IRRF relativamente à fonte pagadora Lojas Zommer. Em procedimento de diligência realizado na fase impugnatória, ficou esclarecido que a referida fonte pagadora faliu, tendo o síndico da falência informado só ter em mãos documentos a partir de 2002. Ainda, foi localizada DIRF da Lojas Zommer para a contribuinte, para os anoscalendário 2000, 2001, referentes a aluguéis e para o ano 2003, DIRF referente a aluguéis de outra empresa, Benoit Eletrodomésticos Ltda, fls. 64/65; nos anos de 1999 e 2002, não constando DIRF relativas a rendimentos de alugueis em nome da litigante, seja da Zommer, seja da Benoit, relativamente ao anocalendário de 1998. Já, em decorrência da diligência constante da Resolução nº 2801000.060, foi corrigido o vício de representação, com a anexação, ainda que intempestivamente, da procuração ao processo administrativo, com o que restaram ratificados os atos praticados anteriormente. Também foi informado pela autoridade fiscal que não existe Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) para o CPF nº 070.441.60000, do cônjuge da contribuinte Luis Gershenson (fl. 107), relativamente aos rendimentos de aluguéis em discussão, do anocalendário de 1998 (fl. 108), bem como não houve apresentação de declaração pelo cônjuge (ou seu espólio) relativamente ao exercício de 1999 (fl. 109). Assim, é de se manter a glosa do imposto de renda retido na fonte, tendo em vista a inexistência de registros, nos sistemas da Receita Federal, que confirmassem tal retenção ou o respectivo pagamento. Além disso, conforme já relatado, não se obteve êxito no procedimento de diligência que visava obter a confirmação necessária da fonte pagadora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11080.001665/200284 Acórdão n.º 2801002.732 S2TE01 Fl. 122 4 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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Numero do processo: 10380.001302/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. DEPENDE DE REQUERIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação do recurso.
A compensação não pode ser automática e carece de requerimento apropriado, nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. DEPENDE DE REQUERIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação do recurso. A compensação não pode ser automática e carece de requerimento apropriado, nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 13 02 /2 00 9- 78 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE MARACANAÚ em face da decisão que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, do período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 2. Narra o relatório fiscal que o auto de infração teve como objeto as contribuições devidas, correspondentes à parte dos segurados, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais das categorias transportadores autônomos. 3. Pelo que dispõe o Relatório, f. 45, a remuneração dos segurados foi obtida através de arquivos digitais (SIM – SISTEMA DE INFORMAÇÕES MUNICIPAIS), notas de empenho, notas de liquidação e notas de pagamento. 4. O contribuinte deixou de apresentar a folha de pagamento dos segurados (servidores e autônomos) e as informações contábeis no formato MANAD, em dissonância com a intimação contida no Termo de Início do Procedimento Fiscal. 5. O levantamento para a constituição do crédito tributário foi realizado da seguinte forma: “FRT – contribuintes individuais (transportadores autônomos)”. 6. O acórdão de primeira instância refutou os argumentos trazidos pelo contribuinte, restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.001302/200978 Acórdão n.º 2301003.182 S2C3T1 Fl. 106 3 “CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. O órgão público deve reter e recolher, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 7. Buscando reverter a decisão a quo, que manteve em parte o lançamento do débito, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) nulidade absoluta do processo, sobre o argumento de que o prazo de apenas 30 dias para a apresentação de 8 recursos impossibilita o contraditório e a ampla defesa nos moldes em que devem ocorrer; b) os valores pagos aos empregados nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez ou como auxílioacidente não integram o saláriodecontribuição, por não terem natureza salarial; c) a auditoria não poderia ter utilizado como base de cálculo as informações constantes do Sistema de Informações Municipais (SIM), quando o recomendável seria verificar os reais valores nas notas fiscais e nos contratos; d) os valores das contribuições incidentes sobre a remuneração de exercentes de mandatos eletivos deveriam ter sido compensados com as contribuições porventura devidas, com base na Instrução Normativa SRP n.º 15 de 2006, procedimento que não foi adotado pela auditoria; e) o termo de parcelamento foi assinado em 2001, com base na medida Provisória 2.187/2001, em que autorizava o INSS a efetuar a retenção dos valores correspondentes às suas obrigações previdenciárias correntes diretamente do Fundo de Participação dos Municípios, não cabendo o recolhimento das referidas contribuições; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 f) a competência para descobrir e definir os valores reais devidos e efetuar as respectivas retenções seria do INSS, não podendo o sujeito passivo ser penalizado com multa e juros. 8. Não houve apresentação de contrarrazões pelo fisco e os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA 2. Aduz o contribuinte que o lançamento deve ser anulado devido ao exíguo prazo concedido para a apresentação de oito recursos (30 dias), o que teria impossibilitado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa: “está claramente caracterizado o cerceamento de defesa pela situação fática, como ocorre nos presentes autos, todo o processo administrativo fica eivado de nulidade absoluta, a qual pode e deve ser conhecida, para anularemse todos os atos do processo, posto que contrários à Constituição Federal (...)”. (f. 94) 3. Ocorre que a legislação que rege o processo administrativo fiscal prevê expressamente o prazo para interposição de recurso, como determina o art. 33 do Decreto n.º 70.235/72, independentemente do número de decisões lavradas contra o contribuinte: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” 4. Ademais, compulsando os autos verificase que o contribuinte foi regularmente notificado da decisão, por meio da cópia do Acórdão 0933.989, em 24/05/2011, f. 88, e foi apresentado recurso enfrentando efetivamente a autuação fiscal, em 16/06/2011, f. 89, ou seja, dentro do prazo legal. 5. Dessa forma, esvaziamse as argumentações trazidas pelo contribuinte no sentido de defender a existência de nulidade do processo administrativo. Além disso, não consta nos autos nenhum incidente processual que comprove a dificuldade recorrente em se defender, o que demonstra o acerto do agente fiscal. 6. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.001302/200978 Acórdão n.º 2301003.182 S2C3T1 Fl. 107 5 Do auxíliodoença e auxílioacidente 7. Alega o contribuinte que os valores pagos aos empregados nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez ou como auxílioacidente não possuem natureza salarial, e, portanto, não integram o saláriodecontribuição. 8. Todavia, constatase que o lançamento restringese às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais das categorias transportadores autônomos, não fazendo nenhuma menção às rubricas questionadas pelo contribuinte. A própria decisão recorrida já traz esta informação: “isto porque tais valores não foram objeto do presente lançamento, que considerou como base de cálculo das contribuições previdenciárias apenas os valores pagos a título de frete aos transportadores autônomos, contribuintes individuais”. (ff. 82) 9. Desta forma, a insurgência do contribuinte com relação à natureza não salarial das verbas pagas nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado não é cabível, pois não é objeto do lançamento em discussão. Da base de cálculo 10. Sustenta o contribuinte que a auditoria não poderia ter utilizado como base de cálculo as informações constantes do Sistema de Informações Municipais (SIM), quando o recomendável seria verificar os reais valores nas notas fiscais e nos contratos. 11. Sem razão o contribuinte, pois a auditoria fiscal tem respaldo legal para analisar tais documentos, podendo apurar os valores das contribuições devidas por intermédio da documentação disponível, conforme dispõe o art. 33, § 1º e § 2º, da Lei 8.212/9: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).” 12. Além disso, como se observa do relatório fiscal, foram examinados outros documentos que respaldam o lançamento, tais como notas de empenho, notas de liquidação e notas de pagamentos: “a. Arquivos Digitais (MANAD MANUAL DE ARQUIVOS DIGITAIS e SIMSISTEMA DE INFORMAÇÕES MUNICIPAIS); b. Notas de empenho, notas de liquidação e notas de pagamento.” 13. Desse modo, foram devidamente analisados os documentos aptos a demonstrarem as atividades relativas à tributação, bem com aferir o valor do débito previdenciário, não assistindo razão ao contribuinte. Da compensação de valores relativos a mandatos eletivos 14. Segundo o contribuinte, os valores das contribuições incidentes sobre a remuneração de exercentes de mandatos eletivos deveriam ter sido compensados com as contribuições porventura devidas, com base na Instrução Normativa SRP n.º 15 de 2006, procedimento este não adotado pela auditoria. 15. Sobre a questão, a decisão de primeira instância afastou os argumentos do recorrente da seguinte forma: “Devese esclarecer que a compensação das referidas contribuições é um procedimento facultado ao contribuinte, nos termos do art. 6º da mencionada IN SRP n.º 15, de 2006, o qual deve seguir rito próprio, não podendo a autoridade administrativa realizalo de ofício por ocasião da constituição do crédito tributário, por falta de previsão legal.” 16. Com efeito, a compensação não pode ser automática e carece de requerimento apropriado, pois é um procedimento realizado pelo contribuinte nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal. E, caso haja descumprimento das normas tributárias vigentes, cabe ao fisco notificar o contribuinte nos termos do art. 37 da Lei 8.212/91. 17. O art.170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe sobre o instituto nos seguintes termos: “Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.001302/200978 Acórdão n.º 2301003.182 S2C3T1 Fl. 108 7 18. Assim, fica caracterizado que o CTN remetenos à existência de previsão legal expressa para que haja a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, não havendo a compensação de forma automática como deseja a empresa, uma vez que a Administração Pública zela pelo princípio da legalidade estrita, segundo o qual deve obediência ao que a lei explicitamente dispõe. 19. Observase que a Instrução Normativa n.º 15 da Secretaria da Receita Federal (SRF) dispõe sobre a compensação, mas em moldes específicos, conforme seu art. 6º: “Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (Nova redação dada pela IN RFB Nº 909, DE 14/01/2009). (...).” 20. Bem como, o art. 4º da Portaria 133 de 02/05/2006 estabelece condições à eventual compensação por parte do ente federativo: “O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no uso de suas atribuições legais e regulamentares, especialmente o art. 131 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, Considerando a Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21 de Junho de 2005, que suspende a execução da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná, e Considerando que a suspensão da execução determinada pela Resolução nº 26 do Senado Federal produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, de acordo com o § 2º do art. 1º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, resolve: (...) Art. 4º Eventual compensação ou pedido de restituição por parte do ente federativo observará as seguintes condições: I será precedido de retificação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP; II quando envolver valores descontados, será necessariamente precedido de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito de Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 benefícios de Regime Geral de Previdência Social, bem como da comprovação de devolução dos recursos ao segurado ou de autorização deste; e III obedecerá ao prazo prescricional previsto em lei.” 21. Desse modo, deve ser mantida a decisão de primeira instância, em razão do não atendimento aos requisitos legalmente exigidos para a compensação, com rito próprio, que se iniciar com o pedido do contribuinte para compensar seus créditos. Da retenção 22. Conforme as alegações do contribuinte, a competência para definir os valores reais devidos e efetuar as respectivas retenções seria do INSS, não podendo o sujeito passivo ser penalizado com multa e juros. 23. Sobre a matéria, não obstante o arrazoado trazido, a decisão recorrida afasta qualquer dúvida acerca do lançamento fiscal de tais valores, de maneira que não há como invalidar o lançamento: “Quanto à retenção do FPM, alardeada pelo impugnante, então prevista no art. 38 da Lei n.º 8.212/91, revogado pela Lei n.º 11.941/2009, cumpre esclarecer que tratavase de retenção de valores objeto de acordo para pagamento parcelado, o que não é o caso das contribuições apuradas no presente lançamento, que sequer foram consideradas bases de cálculo pelo impugnante.” 24. Assim, compartilho do mesmo entendimento da decisão a quo, posto que este argumento do contribuinte não merece prosperar. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 25. A utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. 26. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 27. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.001302/200978 Acórdão n.º 2301003.182 S2C3T1 Fl. 109 9 “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (...).” (g.n.) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) DA MULTA APLICADA 28. Por fim, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem pública. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 29. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 30. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 31. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 32. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 33. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, caso seja mais benéfica ao contribuinte, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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