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Numero do processo: 10073.901467/2008-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo da negativa de homologação de compensação declarada. Ocorre homologação tácita após cinco anos sem tal comunicação.
Numero da decisão: 1103-000.897
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos ao órgão de origem (DRF) para exame da compensação levando em consideração a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas no processo nº 10708.001383/2003-81.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo da negativa de homologação de compensação declarada. Ocorre homologação tácita após cinco anos sem tal comunicação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos ao órgão de origem (DRF) para exame da compensação levando em consideração a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas no processo nº 10708.001383/2003-81. Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo da negativa de homologação de compensação declarada. Ocorre homologação tácita após cinco anos sem tal comunicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos ao órgão de origem (DRF) para exame da compensação levando em consideração a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas no processo nº 10708.001383/200381. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 14 67 /2 00 8- 34 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10073.901467/200834 Acórdão n.º 1103000.897 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1228.776/2010, da 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 92)1. Extraise do relatório da decisão contestada: "O presente processo tem como objeto a declaração de compensação de fls 01/05, transmitida eletronicamente em 03/02/04, através da qual a interessada pretende formalizar encontro de contas que envolve os seguintes débitos e créditos: Crédito: Crédito no valor de R$ 13.488,04, parte integrante do darf no valor total de R$ 21.134,32 código 2372 (CSLL – Lucro Presumido), período de apuração correspondente ao 3º trim/2002, data de recolhimento 29/11/2002; Débito : Débito de CSLL, cód 2372, no valor de R$ 7.646,28, período de apuração correspondente ao 3º trim/2002, data de vencimento 31/10/2002. Conforme despacho decisório eletrônico de fls 06, do qual a interessada teve ciência em 06/10/2008 – (fls 07), a Administração Pública não homologou a compensação pretendida. A fundamentação que consta do ato em referência é a de que o crédito pleiteado já teria sido utilizado para extinguir débito de CSLL, cód de receita 2372, referente ao 3º trim de 2002 e na declaração de compensação 13021.92687.030204.1.3.040609." A contribuinte apresentou tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 12). O órgão de primeira instância julgou a contestação improcedente, por maioria, vencido o Julgador Júlio César J. Santos que votou pelo reconhecimento da homologação tácita das compensações declaradas. O acórdão restou assim resumido: 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10073.901467/200834 Acórdão n.º 1103000.897 S1C1T3 Fl. 4 3 "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Havendo sido comprovado, nos autos, que o Darf indicado como origem do crédito pleiteado já se esgotou para a quitação de outros débitos, conforme instruções de preenchimento do próprio documento de arrecadação, concluise pela inexistência de crédito adicional a ser reconhecido." Cientificada do acórdão em 20/04/2010, conforme registro na página 4 da própria decisão (fls. 95), a contribuinte interpôs o recurso no dia 5 do mês seguinte (fls. 100) no qual alegou ocorrência de homologação tácita da compensação declarada, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996. Afirmou discordar do acórdão que "pretende, indevidamente, manter a locupletação indevida da União". É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Não há contestação de mérito. A recorrente informou que a matéria ora examinada já fora objeto do processo nº 10708.001383/200381, no qual teria ocorrido a homologação tácita prevista no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996, tendo em vista a compensação declarada em 28/01/2003 e rejeitada neste processo (nº 10073.901467/200834) em 25/09/2008, de cujo despacho tomou ciência no dia 6 do mês seguinte, mais de cinco anos após a declaração, portanto. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10073.901467/200834 Acórdão n.º 1103000.897 S1C1T3 Fl. 5 4 Em resumo, alegase homologação tácita ocorrida entre a declaração de compensação tratada no processo nº 10708.001383/200381 e o despacho decisório deste processo (fls. 07). Consta dos autos cópia integral do citado processo (fls. 74/86), juntada a pedido da contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade. O exame da questão pela Turma a quo foi assim exposto no voto condutor do acórdão: "Da análise do referido processo, constatase que o mesmo tem como objeto duas declarações de compensação, apresentadas em papel em 28/01/2003 e 27/01/2003, respectivamente. Intimada e reintimada a apresentar documentos tidos como necessários a análise das referidas declarações e não havendo a interessada atendido às intimações, os autos foram arquivados, não constando registro de que tenha havido decisão do órgão competente quanto às compensações pretendidas. Em que pese o fato de não ter sido prolatada decisão administrativa para o processo 10708001383/200381, constatase que as compensações que dele são objeto foram novamente formuladas através do presente, bem como dos processos 10073.900266/200810, 10073900233/200870, 10073900264/200821 e 10073900238/200801, havendo a própria interessada demonstrado ciência, na manifestação de inconformidade de fls 11/15, de que aquele primeiro processo fora arquivado. À vista do exposto, considerando que a interessada aquiesceu quanto ao arquivamento do PA 10708001383/200381, tanto que optou por formular as mesmas compensações por meio de outros processos, inclusive deste, passo a análise da declaração de compensação que é objeto do presente. Desde já ressalto que os documentos que integraram o PA 10708001383/200381 não trazem esclarecimentos ou provas que já não constassem deste." No primeiro processo (nº 10708.001383/200381), o arquivamento foi motivado pela falta de atendimento de duas intimações para comparecimento à repartição para "tratar de assunto relativo ao processo", sem especificação do assunto, sob pena de arquivamento (fls. 80 e 82), recebidas pela contribuinte em 22/09/2003 e 18/11/2003 (fls. 81 e 83). A contribuinte solicitou cópia dos autos em 28/01/2004 (fls. 84). A autoridade local deu por "findo administrativamente" o processo em razão do "não cumprimento das intimações" e determinou o arquivamento mediante despacho de 1º de março de 2004 (fls. 85) sem comunicação do ato à contribuinte. Não houve decisão formal denegatória das 2 (duas) compensações declaradas no primeiro processo (nº 10708.001383/200381), deixandose de observar o comando do § 7º do referido art. 74, nos seguintes termos: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10073.901467/200834 Acórdão n.º 1103000.897 S1C1T3 Fl. 6 5 "§ 7º. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) A informação de arquivamento no caso de não atendimento à intimação não exclui a obrigatoriedade legal de expedição de comunicado da efetivação do ato de arquivamento à contribuinte. A omissão da autoridade local impediu a contribuinte de manifestar inconformidade e abrir a discussão da matéria no âmbito do Decreto 70.235/1972, como facultado pelos parágrafos 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei 9.430/1996. Com efeito, ocorreu a homologação tácita alegada no recurso, no âmbito do processo nº 10708.001383/200381. Dessa forma, o exame da declaração de compensação objeto deste processo deve ser realizado pela unidade de origem sob o enfoque da homologação tácita ocorrida no processo nº 10708.001383/200381, proferindose novo despacho decisório no qual sejam consideradas as conseqüências correspondentes, observandose as prescrições do art. 74, §§ 7º, 9º, 10 e 11, da Lei 9.430/1996. Conclusão Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso para determinar o retorno deste processo ao órgão de origem (DRF) para exame da compensação levando em consideração a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas no processo nº 10708.001383/200381. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003987/2010-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. LEGALIDADE.
É licita a apuração por aferição indireta do salário-de-contribuição quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, nos termos dos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO.
Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. É licita a apuração por aferição indireta do salário-de-contribuição quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, nos termos dos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 400 1 399 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003987/201022 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.917 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria ARBITRAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente FIDELIDADE CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. É licita a apuração por aferição indireta do saláriodecontribuição quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, nos termos dos 3 e 6 do artigo 33 da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 87 /2 01 0- 22 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003987/201022 Acórdão n.º 2803002.917 S2TE03 Fl. 401 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003987/201022 Acórdão n.º 2803002.917 S2TE03 Fl. 402 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n 37.255.8445/2010 lavrado contra o contribuinte em epígrafe, relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, parte da empresa, incidentes sobre remuneração paga ou creditada a segurados contribuintes individuais sócios, a título de prólabore, prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91, período de 01/2006 a 12/2006. O Relatório Fiscal, de fls. 236 a 243, informa que: houve encerramento parcial da fiscalização razão pela qual foram emitidos o AI relativo ao IRPJ e reflexos (processo n 19515.003426/201023) e o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal pelos extratos bancários de 2006 foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag. 7335 c/c 1029167, com o histórico PGTO SALÁRIOS , apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social uma vez que a movimentação financeira não estava escriturada integralmente no Livro Caixa, a empresa foi intimada a apresentar esclarecimentos, tendo informado, conforme declarações anexas, que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Estes pagamentos mensais, obtidos através dos extratos bancários, encontramse discriminados no ANEXO 3 LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO (fl. 248) o contribuinte entregou a DIPJ 2007, ano calendário 2006, com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições no caso de opção pelo lucro presumido, entendese como lucro passível de distribuição o valor deste lucro, diminuído dos impostos e contribuições devidos (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS/PASEP). O item 5.1.4.1 apresenta a legislação relativa à distribuição de lucros para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada, e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatouse que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a título de prólabore pelo serviço prestado. A tabela do item 5.1.7 do Relatório Fiscal relaciona alguns sócios que constaram das notas fiscais de serviços ou dos Fl. 402DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003987/201022 Acórdão n.º 2803002.917 S2TE03 Fl. 403 4 aditivos de contrato de prestação de serviços apresentados, e que, conseqüentemente, prestaram serviços diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, 3 e 6 para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas, e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando nos Valores Distribuídos a Maior, conforme tabela demonstrativa do item 5.2.3 para determinação da Receita, no encerramento parcial da fiscalização, foi apurada Omissão de Receita através das Notas Fiscais de Prestação de Serviços e a Presunção de Omissão de Receitas decorrentes dos créditos não comprovados do extrato bancário. Estes valores encontramse demonstrados nas planilhas anexas, integrantes do processo n 19515.003426/201023, relativo ao IRPJ e reflexos: Anexo 1 planilha dos créditos justificados e não justificados (fls. 244) Anexo 2 demonstrativo de apuração das infrações (item 1 receitas brutas omitidas e item 2 presunção de omissão de receitas) (fls. 245/247) conforme o disposto no artigo 725, do Decreto n 3000/99 (RIR/99), foi efetuado o reajuste dos Valores Distribuídos a Maior, considerados como pagamento líquido aos contribuintes individuais sócios, utilizandose a fórmula de reajustamento da base de cálculo para obtenção do rendimento bruto de acordo com o artigo 20 da Instrução Normativa SRF n 15/2001. A tabela do item 5.2.5 demonstra o reajuste efetuado o item 7 do Relatório Fiscal relaciona os documentos examinados foi aplicada retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, conforme a planilha comparativa de cálculo constante do ANEXO 4 (fl. 249), coluna MULTA MAIS BENÉFICA ; por não informar a remuneração dos contribuintes individuais sócios na GFIP, ficou configurada, em tese , a prática do crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I e III do Código Penal, na redação da Lei n 9983/2000, motivo pelo qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O Contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal. Inconformado apresentou impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 403DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003987/201022 Acórdão n.º 2803002.917 S2TE03 Fl. 404 5 O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: menciona que a impugnação é parte integrante do recurso voluntário; a conexão dos processos nº 19515.003987/201022 (DEBCAD 37.255.844 5, nº 19515.004004/201075 (DEBCAD 37.255.8461), nº 19515.004006/201064 (DEBCAD 37.255.8470), nº 19515.004012/201011, nº 19515.003426/201023 (IRPJ e seus reflexos); Os lucros distribuídos pela recorrente aos seus sócios observaram estritamente as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei 9.249, de 26/12/1995 e a orientações contidas no artigo 20 da Instrução Normativa SRF 15, de 2001, conforme exposto nos autos do Processo Administrativo n.° 19515.004012/201011, porquanto respaldado nas demonstrações contábeis ali acostadas: Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado Econômico do Exercício, levantados em 31 de dezembro de2006. O lucro apurado em 2006 mais o saldo de lucros de exercícios anteriores deram suporte aos lucros distribuídos aos sócios da recorrente; a decisão recorrida se equivocou ao afirmar que o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício Social não são instrumentos legais para comprovar o montante do lucro efetivo da sociedade. Registra, ainda, que o lucro contábil é o parâmetro necessário para apurar se o lucro distribuído aos sócios ultrapassou o lucro apurado no exercício social em que foi atribuído aos respectivos beneficiários, ressaltandose que nada obsta a sua inobservância se as demonstrações contábeis indicarem a existência de reserva de lucros de exercícios anteriores; nada há de estranho no fato de a empresa não possuir funcionários quando os serviços são prestados por seus técnicos/sócios; quanto à questão de no contrato disciplinar que os sócios terão direito de efetuar retirada mensal a título de prólabore e a distribuição de lucro no final de cada exercício financeiro, nada impede que os mesmos abdiquem do seu direito ao prólabore privilegiando a distribuição de lucros que são isentos de tributação. É absurda a pretensão da fiscalização em considerar que os valores que excederem o lucro presumido devem ser considerados como remuneração do trabalho prestado pelos sócios e jamais como remuneração do capital; a diligência, perícia e juntada de documentos é direito do contribuinte; os juros devem ser limitados a 1% ao mês. Os juros com base na taxa selic são exorbitantes. Assim, requer a suspensão da exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e julgamento do feito fiscal na esfera administrativa; por fim, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo a improcedência da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003987/201022 Acórdão n.º 2803002.917 S2TE03 Fl. 405 6 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. CONEXÃO/JUNTADA DOS PROCESSOS PARA JULGAMENTO EM CONJUNTO A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a 51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não se vê necessidade de juntar os processos mencionados pela recorrente para decisões conjuntas por se tratar de rubricas e assuntos distintos e já distribuídos às turmas de julgamento. DESCRIÇÃO DOS FATOS DO LANÇAMENTO FISCAL Constam do relatório fiscal e dos autos que a fiscalização constatou omissão de receitas, por meio das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, e a presunção de omissão de receitas, decorrentes dos créditos não comprovados do extrato bancário. Da análise dos extratos bancários de 2006 foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag 7335 c/c 1029167 com o histórico PGTO SALÁRIOS , apesar de não haver empregados na empresa, conforme informado nas GFIP do contribuinte. Intimada a esclarecer o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários, a empresa informou que se trata de distribuição de lucros aos sócios, não demonstrando e identificando os valores pagos a cada beneficiário. Na declaração de imposto de renda DIPJ 2007, ano calendário 2006, declarada pelo Lucro Presumido não constam valores de rendimentos e de apuração dos tributos e contribuições. A fiscalização constatou que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários. O contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, não identificou e esclareceu os valores pagos a cada sócio, nem foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, tampouco, a movimentação financeira estava integralmente escriturada no Livro Caixa. Assim, os valores pagos acima deste limite legal permitido foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a título de prólabore pelo serviço prestado, com base no artigo 33, 3 e 6 da Lei 8.212/91. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003987/201022 Acórdão n.º 2803002.917 S2TE03 Fl. 406 7 Os fatos estão comprovados nos autos dos documentos e planilhas de cálculo. Ressaltase que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço. Diante dos fatos, as contribuições sociais foram apuradas com base nas remunerações, por aferição indireta, conforme art. 33, 3 e 6 , da Lei 8.212/91, em razão da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, bem como, do não esclarecimento de todas as informações e documentos solicitados para que a fiscalização pudesse comprovar a existência efetiva de lucros a serem distribuídos. Assevera a recorrente que os lucros distribuídos aos seus sócios observaram as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei 9.249/1995 e art. 20 da Instrução Normativa SRF 15, de 2001, e tem respaldado nas demonstrações contábeis, no Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado Econômico do Exercício de 2006, sendo documentos legais para comprovar o montante do lucro efetivo da sociedade. Registra, também, que o lucro contábil é o parâmetro necessário para se apurar se o lucro distribuído aos sócios ultrapassou o lucro apurado no exercício social, e que nada obsta as demonstrações contábeis indicarem a existência de reserva de lucros de exercícios anteriores. A recorrente alega também que nada há de estranho no fato de a empresa não possuir funcionários quando os serviços são prestados por seus técnicos/sócios e no contrato social disciplinar que os sócios terão direito de efetuar retirada mensal a título de prólabore e a distribuição de lucro no final de cada exercício financeiro. Nada impede que os mesmos abdiquem do seu direito ao prólabore privilegiando a distribuição de lucros que são isentos de tributação. Em que pesem os argumentos da recorrente, não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal, pois tratam de argumentações genéricas e sem comprovação documental. A corrente deve demonstrar pelos livros e documentos contábeis todas as suas movimentações financeiras e eventuais lucros obtidos, seus valores e destinações. Entretanto, não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, não identificou e esclareceu os valores pagos a cada sócio, nem foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, tampouco, a movimentação financeira estava integralmente escriturada no Livro Caixa. Bastava a recorrente demonstrar e provar que os argumentos trazidos pela fiscalização poderiam ser desconstituídos, todavia, não demonstrou nem comprovou. As argumentações sem comprovação dos fatos não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal. DILIGENCIA/PERÍCIA O julgador tem a prerrogativa de determinar de ofício perícias ou diligências quando considerálas necessárias para a instrução do processo e para a solução do litígio, sendo Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003987/201022 Acórdão n.º 2803002.917 S2TE03 Fl. 407 8 facultado ainda o indeferimento daquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Não há necessidade de diligência/perícia para constatar os fatos já comprovados nos autos. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a recorrente fazêla em outro momento processual, a menos que se demonstre com fundamentos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 16, § 4º, § 5º, do Decreto 70.235/72. Até o presente momento o contribuinte não requereu nem justificou interesse na juntada de documentação aos autos. JUROS. TAXA SELIC. É devida e legal a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Não há previsão legal da redução ou fixação da taxa de juros em 1% ao mês, tampouco, para a suspensão da exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e julgamento do feito fiscal na esfera administrativa. Indefiro o pleito por falta de previsão legal. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, discriminativo de débito, instrução para o contribuinte, fundamentos legais, relatório fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 407DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003987/201022 Acórdão n.º 2803002.917 S2TE03 Fl. 408 9 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10803.720074/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO.
Demonstrada a existência de indícios veementes de movimentação financeira com a utilização de interposição de pessoa, revelando o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõe-se a desconsideração dos efeitos dos atos, para se operar as consequências no plano da eficácia tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto sempre que o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em suas contas bancarias.
MULTA QUALIFICADA
É cabível a aplicação da multa qualificada quando se comprovar a intenção dolosa do contribuinte na utilização de interposta pessoa.
Numero da decisão: 2201-002.280
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Júlio Cesar Soares, OAB/DF 29.266.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Demonstrada a existência de indícios veementes de movimentação financeira com a utilização de interposição de pessoa, revelando o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõe-se a desconsideração dos efeitos dos atos, para se operar as consequências no plano da eficácia tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto sempre que o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em suas contas bancarias. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando se comprovar a intenção dolosa do contribuinte na utilização de interposta pessoa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.720074/201135 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.280 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente ERNANI BERTINO MACIEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Demonstrada a existência de indícios veementes de movimentação financeira com a utilização de interposição de pessoa, revelando o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõese a desconsideração dos efeitos dos atos, para se operar as consequências no plano da eficácia tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto sempre que o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em suas contas bancarias. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando se comprovar a intenção dolosa do contribuinte na utilização de interposta pessoa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencido o Conselheiro Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 74 /2 01 1- 35 Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Júlio Cesar Soares, OAB/DF 29.266. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de um Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP, que manteve a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, dos anos calendário 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 1.350.422,41 sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, recebido por intermédio de interposta pessoa, com multa qualificada de 150%. Auto de Infração a fls. 1768 a 1773, com ciência em 19/10/2011 (AR fls. 1970), do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF. Consta do Termo de Fiscalização a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF em nome de Devani dos Santos, nos Bancos Bradesco, Itaú e Santander (fls. 492, 493, 649, 650, 726, 727, 917, 979, 1061). Em relação aos fatos, objeto da autuação, o Termo de Fiscalização Verificação (fls. 1774 a 1959) relata: Extraise do Termo de Verificação de Infração já citado, em seu CAPÍTULO "B" DA OPERAÇÃO PERSONA (fls. 1784 a 1796), que, em face da instauração do Procedimento Criminal Diverso n° 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal da Ia Subseção Judiciária de São Paulo (SP), foi deflagrada a "Operação Persona", pela qual a Receita Federal do Brasil, conjuntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, investigou um esquema fraudulento de importações que se utilizava de empresas e pessoas interpostas para a prática de sonegação fiscal, sendo os reais beneficiários das operações a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ n° 04.867.975/000172, e a multinacional americana CISCO SYSTEMS INC., ambas ocultas pelas diversas operações simuladas de compra e venda de mercadorias. Segundo a Fiscalização, restou comprovado que o grupo K/E, controlado por CID GUARDIA FILHO (KIKO) e ERNÂNI BERTINO MACIEL, participou ativamente da logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO, formada pela sucessão de empresas exportadoras e distribuidoras nos EUA e, no Brasil, por uma cadeia de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial e de despacho aduaneiro, aparentemente distintas umas das outras, mas que, de fato, constituíam uma organização sob comando único, conforme vínculos de seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais e excluindo, por meio de interposição fraudulenta, do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE. Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 4 O fluxo das mercadorias, que se inicia com a negociação realizada entre o encomendante e a CISCO DO BRASIL LTDA, materializase através do pedido da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. à fabrica da CISCO SYSTEM INC, nos Estados Unidos, e por uma série de operações comerciais simuladas de venda de mercadorias ocorridas entre as empresas de fachada, que assumem os papéis de exportadoras, importadoras e distribuidora, até chegar à MUDE, que, ao recebêlas já nacionalizadas, as transfere ao cliente final (encomendante). Relativamente à parte operacional do esquema, foram identificados os grupos a seguir: SOUTH, em referência à empresa de logística responsável pelas operações de comércio exterior SOUTH e outras a ela associadas; K/E, em referência a CID GUARDIA FILHO, o KIKO, e ERNANI BERTINO MACIEL, que controlavam, de fato, as interpostas exportadoras (3 TECH, LATAM e ROMFORD), importadoras (PRIME TECNOLOGIA IND. E COM. LTDA., D'LUCK COM. IMP. EXPO. LTDA., ASSCEX TECNOLOGIA E PNFORMÁTICA LTDA., ASSCEX COMÉRCIO EXTERIOR LTDA ARCO EQUIPAMENTOS LTDA., BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA., ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA. e LrVON IND. E TECNOLOGIA EM ELETRÔNICA DA BAHIA LTDA.) e distribuidoras (TECNOSUL DIST. PROD. ELETROELETRÔNICOS E INFORM. LTDA., NACIONAL DISTR. DE PROD. ELETRÔNICOS LTDA., SPCOM PREST. DE SERVIÇOS EM INFORMÁTT3A LTDA. e COMTEC COM. E DISTR. PROD. ELETROELETRÔNICOS LTDA.); MUDE, em referência à MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., líder na venda de produtos CISCO no Brasil; e CISCO, em referência à CISCO BRASIL, BENEFICIÁRIA última do esquema, pois conseguiu abastecer o mercado nacional com produtos bem abaixo dos de cercado, bem como reduzir a carga tributária e evitar o controle de fiscalização de Preços de Transferência e Tributação em Bases Universais. Além desses grupos, identificouse mais um nível de blindagem, pois a CISCO USA simulava a venda dos produtos, como se fosse uma operação interna nos Estados Unidos, para uma empresa do esquema, que atuava entre a CISCO USA e as exportadoras interpostas. As empresas interpostas normalmente tinham seus quadros societários compostos por empresas offshores sediadas em paraísos fiscais e/ou pessoas desprovidas de recursos econômicos e experiência em atos de comércio (desconhecem o significado de TI Tecnologia da Informação embora atuem no segmento eletroeletrônico e informática), vulgarmente denominadas "laranjas", como pedreiros, ambulantes, operadores de telemarketing, auxiliares de escritório e ferramenteiros. Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 4 5 No Capítulo "C" do Termo de Verificação de Infração (fls. 1797 a 1815), a Fiscalização noticia que foi proferida sentença na esfera criminal, conforme transcrição a seguir: 22.1) Conforme SENTENÇA (Proc. N ° 001473204.2007.4.03.6181), disponível no sitio, http:/Avww.ifsp.ius.br/forunsfederais/. o Juiz Federal Substituto Dr. Luiz Renato Chaves de Oliveira, da 4." Vara Federal em São Paulo, onde os réus CID GUARDIA FILHO, ERNÂNI BERTINO MACIEL, PAULO ROBERTO MOREIRA e MARCOS ZENATTI, foram condenados pelos crimes de descaminho (art. 334, 1 °, alínea "c" do Código Penal) e formação de quadrilha (art. 288 do Código Penal). CID e ERNÂNI são controladores do grupo K/E, PAULO MOREIRA é controlador do grupo SAO e MARCOS ZENATTI é laranja utilizado pelo grupo K/E como sócio das interpostas TECNOSUL e ABC. 22.2) Em atendimento ao Oficio ESCOR08 N.° 239/2011 de 05/05/2011, o juiz federal da 4." Vara Criminal em São Paulo, disponibilizou cópia da SENTENÇA proferida no dia 21/03/2011 (Autos n.° 001473204.2007.403.6181), onde ficou comprovado o funcionamento do esquema de interposição fraudulenta, e que CID e ERNÂNI assumiram que "controlavam as interpostas", e eram "os donos do negocio de venda e compra das mercadorias" (...). Consta, ainda, do referido capítulo a reprodução parcial da sentença (fls. 1803 a 1814). Nos CAPÍTULOS "El" e "E2" do Termo de Verificação de Infração (fls. 1830 a 1857), são arrolados elementos que, segundo a Fiscalização, evidenciam que CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTFNO MACIEL constituem o núcleo de comando e controle da rede de empresas interpostas integrantes do esquema de importação fraudulenta investigado no bojo da Operação Persona. O lançamento de que trata o presente feito foi motivado pela apuração de omissão de rendimentos, caracterizada pelo recebimento de recursos por intermédio da interposta pessoa DEVANI DOS SANTOS, sócio formal das empresas interpostas D'LUCK COM. IMP. EXPO. LTDA., ASSCEX TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA., ASSCEX COMERCIO EXTERIOR LTDA., conforme consta da "PARTE G" do Termo de Verificação de Infração (fls. 1929 a 1943), verbis: 27.2) A interposta "D'LUCK COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA CNPJ 01.833.595/000129", encontrase com o CNPJna condição de "BAIXADA" pelo motivo de "INEXISTENTE DE FATO" (Proc. n.° 10803000021201013). Consta como sócio os laranjas DEVANI DOS SANTOS e DEVAIR DOS SANTOS, (...) (...) 27.3) A interposta "ASSCEX COMERCIO EXTERIOR LTDA CNPJ 04.682.624/000197", encontrase com o CNPJ na condição de "BAIXADA" pelo motivo de "INAPTIDÃO LEI 11.941/2009 ART. 54". Consta como sócio o laranja DEVANI DOS SANTOS e a interposta ASSCEX TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA. (...) (...) Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 6 27.4) A interposta "ASSCEX TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA CNPJ 04.620.816/000179", encontrase com o CNPJ na condição de "BAIXADA" pelo motivo de "INAPTIDÃO LEI 11.941/2009 ART. 54". Consta como sócio os laranjas DEVANI DOS SANTOS e EDIVANDO CERQUEIRA BARBOSA, (...) Os elementos que evidenciam a interposição de pessoas foram sintetizados no CAPÍTULO "H" do Termo de Verificação de Infração, em seu item "28 CONCLUSÕES" (fls. 1944 a 1954). No item "30" do mesmo capítulo (fls. 1956 a 1959), assevera a Fiscalização que restou caracterizada a intenção do sujeito passivo de ocultar a movimentação financeira feita em nome do laranja DEVANI, atos praticados reiteradamente nos anos de 2005, 2006 e 2007, demonstrando o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da Receita Federal do Brasil da ocorrência do fato gerador e/ou o não pagamento de tributos, materializando as hipóteses previstas no art. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Destarte, impôsse o lançamento da multa qualificada prevista no artigo 44, incisos I, II e § Io, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Registra que, por se tratar de procedimento decorrente de demanda da Justiça Federal, não foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, que seria substituída por relatório informativo a ser encaminhado ao órgão requisitante. Impugnação a fls. 1971 a 1990. Decisão recorrida a fls. 2000 a 2030, com ciência em 19/07/2012 (AR fls. 2036) manteve a autuação em razão dos vários indícios no sentido de que os recursos que transitaram pelas contas bancárias de Devani dos Santos pertenciam ao autuado Ernani Bertino Maciel identificado como responsável pelo comando e controle da rede de interpostas empresas exportadoras, importadoras e distribuidoras integrantes do esquema de importação fraudulenta. Recurso Voluntário a fls. 2037 a 2060, protocolado em 17/08/2012, sustenta em síntese: a) Não é possível imputar os depósitos bancários como rendimentos omitidos, sem que o contribuinte seja o beneficiário; b) É ilegítima a imputação de omissão de rendimentos fundada exclusivamente na movimentação bancária; c) O auto de infração é nulo, pois foi baseado em extratos bancários obtidos sem autorização judicial; d) A multa qualificada de 150% nos casos de presunção de omissão de rendimentos é inaplicável por não existir prova de fraude, pressuposto para a imputação da penalidade; e) Decadência dos fatos geradores do IRPF de janeiro de 2005 a setembro de 2006. Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 5 7 É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de autuação sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários mantidos em nome de interposta pessoa de Devani dos Santos junto aos Bancos Itaú, Bradesco e Santander, em relação aos quais o autuado, intimado, não comprovou a origem da movimentação bancaria. Acusase Devani dos Santos de ser sócio formal (laranja) das empresas D' Luck Com. Mp. Expo. Ltda., Asscex Tecnologia e Informática Ltda., Asscex Comércio Exterior Ltda., sociedades que seriam integrantes do esquema de importação e exportação fraudulentas constituídas por interpostas pessoas, entre elas Devani, e controladas pelo autuado, objeto da apuração na Operação Persona, promovida pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal. Há prejudiciais a vencer Sigilo bancário Sustenta o autuado Recorrente nulidade da autuação pela quebra do sigilo bancário de Devani dos Santos sem ordem judicial. De fato, a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários foi apurada mediante Requisição da Movimentação Financeira – RMF de Devani dos Santos junto aos Bancos Bradesco, Itaú e Santander (fls. 492, 493, 649, 650, 726, 727, 917, 979, 1061). O Regimento Interno deste Conselho, no art. 62A determina o sobrestamento dos procedimentos administrativos em curso quando o C. Supremo Tribunal Federal reconhecer a repercussão geral e sobrestar julgamento de idêntica matéria. No RE 601.314/SP, o C. STF reconheceu a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 8 CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Relator” Conforme exposto, o Regimento Interno deste Conselho aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que deve ser sobrestado os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O C. STF, pelo Tribunal Pleno reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem prévia autorização judicial no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes pendente de decisão desse RE. Além do RE 389.808PR, com decisão pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário, sem à previa autorização judicial, pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme podemos confirmar pelas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 6 9 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. 09/02/2011, DJe 035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. MARCO AURÉLIO, j. 04/10/2011, DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01.CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 10 especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064 AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626 AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. LUIZ FUX, j.,01/08/2011, DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. CELSO DE MELLO, j., 21/05/2010, DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 7 11 Em face do exposto, há Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Assim, por se cuidar de lançamento realizado com extratos bancários obtidos mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF, sem autorização judicial, seria necessário sobrestar o julgamento destes autos, na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, até a decisão do Recurso Extraordinário nº 601.314SP. Contudo, esta C. Turma por maioria entende não existir causa de sobrestamento. Dessa forma, preservando minha convicção pessoal, relativo a necessidade de sobrestamento dos autos, acompanho a posição majoritária da turma julgadora, afasto a prejudicial e passo ao exame do recurso. Decadência Sustenta também o Recorrente: decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, pela autuação em relação aos fatos geradores do período de janeiro de 2005 a setembro de 2006, uma vez que o lançamento foi realizado após o de curso do prazo de cinco anos de que tratar o do art. 150, § 4o, do CTN. A exigência é dos anos calendários de 2005, 2006 e 2007. A notificação do lançamento – autuação (fls. 1768 a 1773) ocorreu em 19/10/2011 (AR fls. 1970). Necessário fixar o termo inicial para saber se decorreu prazo superior a cinco anos, necessário a se operar a alegada decadência. É imposto de lançamento por homologação, cujo termo inicial da contagem do prazo de decadencial, se houver comprovação de pagamento e não houver fraude ou dolo, é o dia 01.01.2006, 01.01.2007, 01.01.2008 para os anos base de 2005, 2006 e 2007, respectivamente. Se não houver pagamento ou na existência de fraude ou dolo, o termo inicial desloca para 01.01.2008, 01.010.2009, e 01.01.210. Há acusação de dolo e fraude na omissão de rendimentos recebido, segundo a autuação, por intermédio de interposta pessoa, hipótese em que o prazo decadencial regulase pelo art. 173, do CTN, e Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Mérito A acusação decorre da movimentação bancaria feita nos Bancos Bradesco, Itaú e Santander, das contas em nome de Devani dos Santos, sócio formal (laranja) das empresas: D' LUCK, ASSCEX TECNOLOGIA e ASSCEX COMÉRCIO, controladas pelo Recorrente Ernâni Bertino Maciel (E) e Cid Guardia Filho (Kiko), daí a denominação Grupo K/E. Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 12 Sustenta o Recorrente que os depósitos bancários não configuram renda e para permitir a legalidade da autuação deveriam apurar e evidenciar variação patrimonial a descoberto, entre os depósitos e a omissão de rendimentos. Total engano do Recorrente. Depósito bancários não exige a comprovação do consumo da renda, basta a existência do depósito e a falta de explicação da origem, daí não se confundir a autuação sobre depósito bancário e a variação patrimonial a descoberto, matéria que se encontra pacificada no âmbito deste E. Conselho na Súmula 26: Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na hipótese em exame, o autuado foi intimado em 19.09.2011 (fls. 1746 a 1757), a comprovar a origem dos depósitos bancários. Explica a fiscalização: (...) tendo em vista que no curso do procedimento de fiscalização junto ao contribuinte DEVANI DOS SANTOS (CPF 153.606.98845 MPFF n.° 0819000201002032 1), ficou comprovado que foi utilizado como laranja na Operação Persona junto às interpostas "D'LUCK", "ASSCEX TECNOLOGIA" e "ASSCEX COMERCIO", considerando mais que o sujeito passivo acima identificado foi beneficiário da movimentação financeira das contas em nome de DEVANI junto aos bancos BRADESCO, ITAU e SANTANDER (anos de 2005, 2006 e 2007), fica INTIMADO a apresentar os documentos "hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que comprovem a origem dos respectivos valores creditados", relacionadas nas planilhas abaixo: 1) BANCO BRADESCO (planilhas em anexo) 1.1) DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS (conta 17421/42100) (12 itens), e, 1.2) DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS (conta 22811/176683) (281 itens). 2) BANCO ITAU (planilhas em anexo) 2.1) DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS (conta 45457) (233 itens). 3) BANCO SANTANDER (planilhas em anexo) 3.1) DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS (conta 799254671/6010750) (6/17 itens). Em 30.11.2011 o autuado respondeu a intimação e afirmou não ser beneficiário de recursos financeiros originários das contas de terceiros e desconhecer a existência das contas bancárias e a movimentação financeira realizada pelos seus titulares (fl. 1758). Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 8 13 Destacou a decisão recorrida que “foram colhidos fartos indícios da movimentação de recursos por intermédio de interposta pessoa, sintetizados no CAPÍTULO "H" do Termo de Verificação de Infração, em seu item "28 CONCLUSÕES" (fls. 1944 a 1954):” 28.2) A rede de empresas interpostas exportadoras, importadoras e distribuidoras: "3TECH", "LATAM", "RAMFORD", "ARCO", "BRASTEC", "NACIONAL", "TECNOSUL", "ABC", "HORIZON", "PRIME", "SPCOM", "COMTEC", "D'LUCK", "ASSCEXTECNOLOGIA" e "ASSCEX COMÉRCIO", todas controladas pelo grupo K/E (CID Kiko e ERNÂNI), visava prestar serviços em esquemas de importação com interposição fraudulenta (dupla blindagem), ocultando os reais importadores e beneficiários. "MUDE" e "CISCO DO BRASIL LTDA ", causou prejuízos de grande monta ao erário nacional, assim como, a prática de diversos ilícitos fiscais, como: sonegação de tributos estaduais e federais, notadamente IPI; subfaturamento das importações; falsidade ideológica e documental; entre outros. 28.3) Conforme descrito no CAPITULO C "24) DA SENTENÇA, PROFERIDA PELA 4." VARA CRIMINAL FEDERAL EM SÃO PAULO NO DIA 21/03/2011, PROCESSO N.° 001473204.2007.403.6181 (OPERAÇÃO PERSONA GRUPO K/E)", a SENTENÇA (Proc. N.° 001473204.2007.4.03.6181), disponível no sitio, http.VAvww.ifsv.ius.br/forunsfederais/, o Juiz Federal Substituto Dr. Luiz Renato Chaves de Oliveira, da 4a Vara Federal em São Paulo, condenou os réus CID GUARDIA FILHO, ERNÂNI BERTINO MACIEL, PAULO ROBERTO MOREIRA e MARCOS ZENATTI, pelos crimes de descaminho (art. 334, l.°, alínea "c" do Código Penal) e formação de quadrilha (art. 288 do Código Penal). CID e ERNÂNI são controladores do grupo K/E, PAULO MOREIRA é controlador do grupo SAO e MARCOS ZENATTI é laranja utilizado pelo grupo K/E como sócio das interpostas TECNOSUL eABC. 28.3.1) Na leitura da referida SENTENÇA, ficou comprovado o funcionamento do esquema de interposição fraudulenta, e que CID e ERNÂNI assumiram que "controlavam as interpostas", e eram "os donos do negocio de venda e compra das mercadorias". (...) 28.4) O conjunto das informações e documentos descritas no CAPITULO "D" (23) DEPOIMENTO PRESTADO Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 14 JUNTO A POLICIA FEDERAL, POR WALDOMIRO ALVES ROSA E PELOS "LARANJAS": DEVANI DOS SANTOS, DEVAIR DOS SANTOS, REJANE APARECIDA CERQUEIRA BARBOSA e EDIVANDO CERQUEIRA BARBOSA, UTILIZADAS PELO GRUPO K/E COMO SÓCIAS/PROCURADOR DAS INTERPOSTAS: "D'LUCK", "ASSCEX TECNOLOGIA", "ASSCEXCOMÉRCIO", "TECNOSUL", "BARRA DO PIRAI" E "NÉCTAR CREEK LIMITED), destacamos: (...) 2) DEVANI DOS SANTOS Comprovouse a condição de laranja, possui vínculos com os laranjas: NILSON SANTOS (indicado como sócio da BRASTEC), DEVAIR SANTOS (irmão, indicou como sócio da D'LUCK), REJANE BARBOSA (exesposa de DEVAIR), EDIVANDO (irmão de REJANE indicou sócio da ASSCEX), VANDERLEIA, FLÁVIO SANTOS, NORIVALDO SANTOS (sócio da BARRA DO PIRAI); »> KIKO era o gestor da "DLUCK" e "ASSCEX" (fornecedores e recursos para as importações), »> não sabe o significado de TI (Tecnologia de Informação) embora a "DLUCK", "ASSCEX TECNOLOGIA" e "ASSCEX COMÉRCIO", operarem nesse seguimento. (...) 28.5) Do exame na farta documentação apreendida e nos depoimentos prestados à Policia Federal, referenciados nos capítulos anteriores ficou perfeitamente comprovada a existência de uma organização criminosa comandada por CID e ERNANIA (grupo K/E), verdadeira quadrilha, praticando condutas que, em tese, podem configurar os crimes de descaminho, falsidade ideológica, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. 28.6) O conjunto dos fatos e ações praticados pelos diversos envolvidos ficou plasmada a existência de uma organização de pessoas, comandada por CID e ERNÂNI (controladores do grupo K/E), voltada a desenvolver ações coerentes e concatenadas com o objetivo de afastar o pagamento de tributos, impedir o conhecimento da real dimensão dos negócios efetuados, de forma a beneficiar o patrimônio pessoal dos mesmos. (...) 28.8) No CAPITULO "E2" (25 GRUPO K/E ERNÂNI BERTINO MACIEL), ficou comprovada a efetiva participação de ERNÂNI no esquema de interposição fraudulenta denominada Operação Persona, entre os quais, destacamos: Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 9 15 MANDADOS DE SEGURANÇA EM NOME DA "ABC", "BRASTEC" e "PRIME" BALANÇO PATRIMONIAL DE SETEMBRO/2004 DA "SPCOM" (sócios JAILTON DE JESUS SANTOS, ALEXANDRO CASTRO DO AMARAL, CARLOS MULLI e NILSON SANTOS) AGENDA, constando contatos/reuniões com KK, WROSA, PAULO MOREIRA, MARCO, CRIS, NAKA, PIRES, RUBENS e DINO (piloto). CONTROLE DOS APARELHOS TIM CHAVINHA ERNÂNI, figurou como responsável no CONTRATO PARTICULAR DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, firmado pela BROADSTREM (sócio DEVANI) > cópia de documentos pessoais e COMPROVANTE DE RENDIMENTOS DE SERVIDOR, emitido pelo MINISTÉRIO DA FAZENDA. ERNÂNI, cedeu seu apto n.° 142, localizado no EDIFÍCIO PIEMONTE, RUA ABAGIA, 603, BAIRRO VILA DAS MERCÊS, SÃO PAULO, como residência de DEVANI, no período de 22/05/2004 a 14/05/2008. 28.9) No CAPITULO "F" (26 DO PROCEDIMENTO FISCAL E DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA FEITA PELO GRUPO K/E (CID e ERNÂNI) EM NOME DE DEVANI DOS SANTOS), foi analisada as informações constantes nas DAA/IRPF, dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, cujas evoluções dos bens e direitos, dívidas/ônus reais e rendimentos, demonstrou total incompatibilidade, revelando ausência absoluta de capacidade econômico financeira para justificar a participação como sócio da "D'LUCK", "ASSCEX TECNOLOGIA" e "ASSCEX COMÉRCIO ". 28.9.1) Ademais, em depoimento prestado à Policia Federal, DEVANI demonstrou total desconhecimento de dados da sua empresa "D'LUCK", tais como: "TI (tecnologia de informação", "com relação ao faturamento de R$ 150 milhões, não sabe explicar, não cuidada desta parte" e, "não sabe o montante de empréstimos feitos junto a D'LUCK" inobstante ter informado na DAA/IRPF nos de 2005 e 2006, empréstimos de R$ 3.100.000,00 e R$ 4.300.000,00, e, no ano de 2007feito o pagamento de R$ 4.300.000,00. Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 16 28.9.2) Na planilha abaixo MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA X RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS, constatamos para os anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, que a movimentação financeira junto aos bancos ITAU, BRADESCO e SUDAMERIS, foi de R$ 2.151.428,66, R$ 1.922.656,50, R$ 1.209.836,50 e R$ 879.916,86, respectivamente, sendo que, a relação movimentação financeira x rendimentos tributáveis foi de: 93.54/vezes, 76,91/vezes, 52.60/vezes e 23.16/vezes. (planilha na pág. 176 do Termo de Verificação de Infração, fl. 1949) 28.9.3) Tendo em vista a falta de apresentação dos extratos, com fundamento no art. 3. ° do Decreto n. ° 3.724/2001 foram emitidas a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) junto aos bancos "BRADESCO", "ITAU" e "SANTANDER". 28.9.4) De posse dos extratos elaboramos planilha consolidada dos valores lançados a crédito e a débito, cujas operações bancárias foram devidamente conciliadas, excluindose os estornos e créditos/débitos relativos à redução de saldo devedor. 28.9.5) A seguir, através do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N.o 01 de 21/10/2010 (ciência postal 26/10/2010), DEVANI foi intimado a apresentar as justificativas comprovações dos lançamentos a DÉBITO/CREDITO constantes dos extratos das contas mantidas junto ao BRADESCO (planilhas em anexo). 28.9.6) Através da correspondência de 29/10/2010, DEVANI informou como residência a "RUA PADRE BENTO IBANEZ, 545 APTO 16a, BAIRRO JARDIM PRUDÊNCIA, SÃO PAULO/SP", e que com relação aos documentos solicitados "não mais se encontram em seu poder por motivo de extravio", e apresentou cópias de recibos de DAA/IRPF, deixando assim de apresentar quaisquer comprovações. 28.9.7) A seguir, através do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL No 02 de 08/11/2010 (ciência postal 10/11/2010 e 12/11/2010), o fiscalizado foi intimado a apresentar as justificativas comprovações dos lançamentos a DÉBITO/CREDITO constantes dos extratos das contas mantidas junto aos bancos ITAU e SANTANDER (planilhas em anexo). 28.9.8) Tendo em vista a falta de atendimento da intimação n.o 01 e 02, e, considerando a manifestação do próprio DEVANI que "não mais se encontram em seu poder por motivo de extravio", com fundamento no art. 3 ° do Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 10 17 Decreto n.° 3.724/2001, requisitamos junto aos respectivos bancos, mediante RMF(s) cópias frente e verso dos respectivos lançamentos. 28.9.9) A seguir, tendo como base os dados constantes dos extratos das contas mantidas junto aos bancos BRADESCO, ITAU e SANTANDER, elaboramos planilhas RESUMO das origens dos créditos. (CAPITULO "F" itens 26.4.10/BRADESCO 26.4.11/ITA U e 26.4.12/SANTANDER) 28.9.10) Nas referidas planilhas ficou demonstrada que parcela expressiva dos recursos financeiros foram remetidas pelas interpostas "D'LUCK" e "CLASSIC", controladas por CID e ERNÂNI (grupo K/E) e utilizadas no esquema de interposição fraudulenta denominada Operação PERSONA. 28.9.11)No que se refere a empresa CLASSIC COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, em depoimento prestado a Policia Federal, DEVAIR SANTOS, afirmou "que VANDERLEA SANTOS é sua irmã — que foi indicado por DEVANI para ceder seus nomes para servirem de laranjas" (perguntas 14/15), comprovandose ser outra interposta utilizada pelo esquema de interposição fraudulenta. 28.9.12) A interposta "CLASSIC" encontrase com o CNPJ "SUSPENSA", pelo motivo de "INEXISTENTE DE FATO" (PROC. 19515000068201005), e figura como sócios os laranjas VANDERLEIA SANTOS e FERNANDO APARECIDO GERALDO. 28.9.13) O "laranja" FERNANDO APARECIDO GERALDO, figurou também como sócio laranja da empresa FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA ME, que por sua vez figura(ou) como sócias: ERNÂNI BERTINO MACIEL, MARTA SANTOS BERTINO MACIEL, WALDOMIRO ALVES ROSA e SILVIO DO ESPIRITO SANTO SILVA, comprovando assim vínculo dos laranjas VANDERLEIA e FERNANDO, e as interpostas "CLASSIC" e "FAZENDA RIBEIRÃO" com ERNÂNI. (...) 28.9.15) No item 27 (CAPITULO "F" ANÁLISE DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA REALIZADA PELO GRUPO K/E, CONTROLADA POR CID GUARDIA FILHO (KIKO) E ERNÂNI BERTINO MACIEL (E), EM NOME DO Documento assinado Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 18 "LARANJA" DEVANI DOS SANTOS, JUNTO AOS BANCOS LTAU, BRADESCO E SANTANDER), selecionamos diversos lançamentos constantes nos extratos dos bancos BRADESCO, LTAU e SANTANDER, representados por DOC(s), TED(s) e cópias de cheque, onde ficou cabalmente comprovada que os recursos oriundos das interpostas "D'LUCK", "CLASSIC" e outras, foram destinadas para CID e ERNÂNI (grupo K/E) , seus familiares, empresas, laranjas, inclusive para compra de bens, destacando: ERNÂNI BERTINO MACIEL > (TED/Bradesco e aluguel apto 52 AL. AICAS, 722, SP) IZILDA M CASELLA BERTINO MACIEL > (exesposa de ERNÂNI) > (divs. DOCs/ITAUe compra do veículo SPACEFOX 1.6 2006/2007) MARTA SANTOS BERTINO MACIEL > (filha) > (divs.DOCs/ITAV) SELMA DA SILVA ROCHA (atual esposa) (divs. DOCs/ITAU) MARIA SELMY BOMTEMPO DE LIMA (sócia fundadora da MASNANGLO, procuradora da offshore HUTINGTON VENTURES) (DOC/ITAU) MARILENA C G GUARDIA (esposa de CID GUARDIA FILHO = Kiko) (TED/Bradesco) RODRIGO GUARDIA (Chq/Bradesco) ALPHA ONLINE AUTO SERVICE LTDA (FRANCISCO GUARDIA) (DOCs/ITAU) APARECIDO DE JESUS DINO (piloto do avião PTDRO da MARNANGLO controlada pela OLINDA que é controlada pelo ERNÂNI 99,90%) (DOC/ITAUeDivs. Transf/Bradesco) FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER (controlada pelo ERNÂNI 80%, MARTA 10% e WALDOMIRO 10%) (transf/Bradesco, compra da VW/Kombi) MARNANGLO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA > (controlada pela OLINDA 99,99% > controlada por ERNÂNI 99,90%) > (pgto boletos/Bradesco, chq Bradesco R$ 14.000,00) BARRA DO PIRAI PROMOÇÕES E EVENTOS S/C LTDA (controlado pelo ERNÂNI 49,95% e WALDOMIRO 50,05%) > (transf/Bradesco) Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 11 19 REJANE APARECIDA CERQUEIRA BARBOSA > (ex esposa de DEVAIR, sócia "laranja" na TECNOSUL) > (Divs Transf/Bradesco) EVANDRO SARAIVA CARDOSO (colega de DEVANI/DEVAIR, foi sócio "laranja" na COMTEC) (Divs Transf/Bradesco) NILSON SANTOS (sobrinho de DEVAIR, DEVANI indicou como sócio "laranja" da BRASTEC e SPCOM) (Chqs e Transf/Bradesco) NORMA ANDRADE SANTANA (laranja utilizada como sócia na interposta ABC e secretaria do grupo K/E) (DOC/ITAU e Transf/Bradesco) BRASILWAGEN COMÉRCIO DE VEÍCULOS S/A Cheque 000464, valor R$ 18.000,00, emitido em 28/11/2006 em nome da BRASILWAGEN foi destinada ao pagamento de parte da compra do veículo SPACEFOX 1.6 PLUS 2006/2007, conforme NF 169171 em nome de IZILDA MARIA CASELLA BERTINO MACIEL (ex esposa de ERNÂNI) RODAC BARRA MANSA S/A Cheque 000448, valor R$ 20.000,00, emitido em 30/10/2006 em nome da RODAC BARRA MANSA »»»> foi destinada ao pagamento de parte da compra do veículo VW/KOMBI, conforme NF 376103, em nome da FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA (controlada pelo ERNÂNI 80%, MARTA 10% e WALDOMIRO 10%) ENGEMIXS/A Cheque 000506, valor R$ 5.036,00, emitido em 30/01/2007 em nome da ENGEMIXS/A foi destinada ao pagamento da NF 15621, em nome de CID GUARDIA FILHO (controlador do grupo K/E). 28.10) Em face de todo o exposto, demonstrouse que CID e ERNÂNI utilizaram o "laranja" DEVANI DOS SANTOS como sócio das interpostas "D'LUCK", "ASSCEX TECNOLOGIA" e "ASSCEX COMÉRCIO", assim como, a conta bancária junto aos bancos BRADESCO (176683/42100), ITAU (45457) e SANTANDER (799254671/6010750), para simular a transferência de responsabilidade tributária para DEVANI (no CAP. "G" ITEM 28 DA INTERPOSIÇÃO DA "DLUCK", "ASSCEX TECNOLGIA" e "ASSCEX COMÉRCIO"), foi demonstrado que em nome da interposta Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 20 "DLUCK" consta EXECUÇÃO FISCAL de R$ 57milhões, em trâmite junto a 10.a VARA FEDERAL EM SÃO PAULO), que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e não é o verdadeiro beneficiário econômico da respectiva atividade empresarial desenvolvida pelo grupo K/E. 28.11) A seguir, comprovado que CID e ERNÂNI (Grupo K/E Kiko => CID e ERNÂNI => E) utilizou DEVANI como laranja junto às interpostas D'LUCK", "ASSCEX TECNOLOGIA" e "ASSCEX COMÉRCIO" no esquema de interposição fraudulenta denominada Operação PERSONA, assim como, movimentou e foram beneficiários dos recursos financeiros das contas correntes em nome de DEVANI junto aos bancos BRADESCO, ITAU e SANTANDER, inclusive para manutenção e remuneração da rede de laranjas mantidas pelo grupo K/E, a fiscalização encaminhou ao fiscalizado o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL de 19/09/2011 para apresentação dos documentos comprobatórios: "hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que comprovem a origem dos respectivos valores creditados". (...) 28.12) Através da correspondência de 30/09/2011, o fiscalizado esclarece que "não foi beneficiário dos recursos financeiros, originários das contas de terceiros", e que "desconhece a existência das contas bancárias e a movimentação financeira realizada pelos seus respectivos titulares". (...) 28.13) Em que pese à manifestação do fiscalizado, as provas colhidas no curso da fiscalização são irrefutáveis de que DEVANI foi utilizado como laranja pelo grupo K/E (CID e ERNÂNI). As interpostas "DTUCK" e "CLASSIC"foram as principais remetentes dos recursos financeiros (ambas utilizadas no esquema de interposição fraudulenta Operação Persona), e ficou comprovado que o grupo K/E movimentou e foram os beneficiários dos recursos financeiros das contas em nome de DEVANI junto aos bancos BRADESCO, ITAU eSANTANDER, tais como: (tais como: (TED/Bradesco para Ernâni, aluguel do apto de Ernâni, DOCS/ITAU para Izilda exesposa de Ernâni, compra de SPACEFOXpara Izilda, DOCs/ITAU para MARTA filha de Ernâni, Compra de VW/KOMBI em nome da FZDA RIBEIRÃO/ERN ANI, ENGEMTX > compra de concreto em nome de CID, DOCs/ITAU para SELMA atual esposa de Ernâni, TED/Bradesco para Documento Marilena esposa de CID, CH/DOCs para Francisco Guardia, DOC/TED para DINO piloto do avião PTDRO de propriedade da Marnanglo/Ernani, Chqs e Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720074/201135 Acórdão n.º 2201002.280 S2C2T1 Fl. 12 21 Boletos em nome da MARNANGLO/Ernani, TRANSF/Bradesco para a BARRA DO PIRAI/Ernani, TRASF/Bradesco para REJANE exesposa de DEVAIR utilizada como "laranja" na "TECNOSUL", TRANSF/Bradesco EVANDRO colega de Devani/Devair utilizado como sócio laranja da "COMTEC", CHS/TRANSF/Bradesco para NILSON SANTOS sobrinho de Devair > foi sócio laranja da "BRASTEC " e "SPCOM", e DOC/ITAU e TRANSF/Bradesco para NORMA ANDRADE SANTANA secretária do grupo K/E e foi utilizada como sócia laranja na interposta "ABC"), comprovandose a existência da relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, verdadeiro sujeito da relação jurídica constitutiva da obrigação decorrente, e beneficiário econômico dos recursos financeiros. 28.14) Face ao exposto, devidamente intimado e considerando a falta da apresentação dos documentos comprobatória da origem dos recursos financeiros, realizamos o presente lançamento para constituição do crédito tributário com base no §5 . ° do art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 em nome dos titulares de fato CID e ERNÂNI (controladores do grupo K/E 50% cada um). A base de cálculo é representada pelos créditos das contas mantidas juntos aos bancos BRADESCO, ITAU e SANTANDER, transcritas no DEMONSTRATIVO DO RATEIO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS (extraídos do DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS, RESUMO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS, excluídos as transferências), resultando para os anos de 2005, 2006 e 2007, o valor total de R$ 1.637.956,66, R$ 932.956,37 e R$ 697.048,78, respectivamente, sendo que, desse total rateamos 50% para cada um dos controladores do grupo K/E (CID = Kiko e ERNÂNI), verdadeiros beneficiários econômicos da movimentação financeira. Não houve por parte do parte do autuado nenhum explicação sobre todas as evidencias do uso, por ele, autuado, das contas bancarias objeto da autuação. Evidenciam sem duvida os autos indícios suficientes no sentido de os recursos financeiros que transitaram pelas contas bancárias de Devani dos Santos pertenciam, de fato ao autuado e seu sócio Cid Guardia Filho (Kiko), responsáveis pelo comando e controle da rede de interpostas empresas exportadoras, importadoras e distribuidoras todas integrantes do esquema de importação fraudulenta investigado na Operação Persona. Foram apreendidas agendas com autuado constado a existência as contas bancárias em nome de Devani (fls. 1835 a 1840). Devani foi ouvido pela Policia Federal e confessou ser de Ernani e Cid os titulares de fato das empresas. Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES 22 Confessou ainda Devani que o dinheiro movimentado nas suas contas bancárias pertencia de fato ao autuado. Embora sua oitiva tenha sido feita sem o crivo do contraditório, não houve qualquer negativa ou contrariedade e este fato de alta relevância, que permite concluir pela sua veracidade. Comprovouse também que Devani utilizava imóvel pertencente ao autuado (fls. 1856 e 1857). Não há se falar em erro na sujeição passiva, cuidase de autuação sobre depósitos bancários mantidos em nome de interposta pessoa. Autuação se fez sobre 50% do autuado e outros 50% em nome do outro sócio de fato das empresas, Cid Guardia Filho (Kiko). Tocante a qualificadora também não há reparos. Cuidandose de autuação comprovada de interposta pessoa, a multa qualificada é de rigor, conforme Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Ante o exposto, pelo meu voto, afasto as matérias preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10830.901516/2006-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PAGAMENTO A MAIOR. VERDADE MATERIAL. PROVA. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL. NECESSIDADE.
O princípio da verdade material, que informa o Processo Administrativo Fiscal, não se compraz com a mera alegação trazida na defesa, tendo em vista dirimir a questão controvertida nos autos, carecendo de provas que a demonstrem, fundadas na escrita contábil e admissíveis na fase recursal.
Numero da decisão: 3803-004.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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(SUCESSORA DA NATURE'S PLUS FARMACEUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PER/DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA DCTF. REDUÇÃO DO DÉBITO. PROVA INEQUÍVOCA. ACOLHIMENTO. POSSIBILIDADE. Acolhese apuração constante de DCTF retificadora que reduz débito de que resulte saldo disponível utilizado em compensação, ainda que transmitida após a ciência de Despacho Decisório de não homologação, mediante comprovação inequívoca dos motivos que a justifiquem feita por meio da escrita contábil/fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PAGAMENTO A MAIOR. VERDADE MATERIAL. PROVA. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL. NECESSIDADE. O princípio da verdade material, que informa o Processo Administrativo Fiscal, não se compraz com a mera alegação trazida na defesa, tendo em vista dirimir a questão controvertida nos autos, carecendo de provas que a demonstrem, fundadas na escrita contábil e admissíveis na fase recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 15 16 /2 00 6- 58 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 12890.88164.140307.1.3.044380, fls. 7/13 em que utilizou como crédito pagamento a maior de Cofins Cumulativa relativa ao mês de maio de 2003, no valor de R$ 107.586,82. A DRF/Campinas, por meio do Despacho Decisório de fl. 4, não homologou não homologou a DComp visto que o pagamento correspondente ao DARF indicado como originador do crédito encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/3, a Interessada alegou, em síntese, que efetuara pagamento a maior da contribuição no citado mês. O valor devido era de R$ 264.346,29 e o pagamento foi de R$ 371.933,12. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas, Acórdão de fls. 128/131, considerou que apenas a apresentação da DCTF retificadora, ainda que tenha sido recepcionada pelo sistema, não demonstraria a existência do crédito pleiteado, sendo indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentos fiscais sustentadores dos lançamentos registrados na contabilidade. Afirmou que a Manifestante não anexou nenhuma apuração passível de confirmar a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Inexistindo Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.901516/200658 Acórdão n.º 3803004.287 S3TE03 Fl. 165 3 elementos probatórios nos autos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Cientificada da decisão em 05 de abril de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 139/146, em 7 de maio de 2012, em que aponta para o princípio da verdade material como informador do processo administrativo fiscal; ancorandose em autorizada doutrina e decisões administrativas de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Não há como atribuir erro à decisão recorrida ao julgar a manifestação de inconformidade da Contribuinte sob o prisma da prova necessária a compor a defesa para ter a sorte de dar suporte à alegação de erro no preenchimento da DCTF. O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º1, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador2. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência tributo já quitado ou não repetir o indébito. O entendimento acima, porém, não socorre esta Recorrente. No caso presente, o Despacho Decisório identificou que o pagamento efetuado está de acordo com o informado na DCTF original. A pretensão da Recorrente implica em considerar a redução da base de cálculo da contribuição apurada originariamente. Retificar a DCTF após o Despacho Decisório para respaldar o argumento de direito ao crédito requer, decerto, que a Defendente demonstre por meio da sua escrita contábil regular. A Recorrente reclama pela aplicação do princípio da verdade material no julgamento da controvérsia no processo administrativo fiscal. Com razão em seu argumento. Contudo, esta pretensão não se compraz apenas com a alegação da suposta verdade. Esta, exsurge exatamente dos elementos de prova que a demonstrem. E desse mister não se desincumbe a Recorrente no recurso voluntário, nada trazendo na defesa que sustente sua alegação de que o débito de maio de 2003 perfaz o valor de R$ 264.346,29, não merecendo guarida. Sem prova não há sequer cogitarse de reforma da decisão recorrida. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.901516/200658 Acórdão n.º 3803004.287 S3TE03 Fl. 166 5 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10120.725379/2012-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009
COFINS. INCIDÊNCIA. FATURAMENTO.
Constituem faturamento das Operadoras de Plano de Saúde (sejam ou não cooperativas), para efeito de incidência da COFINS, os valores cobrados a título de mensalidades/prestações dos clientes (beneficiários do plano de saúde), e das prestações de serviços médicos com sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc.) por terceiros (pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde).
COFINS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO.
A dedução prevista no art. 3o, § 9o, III da Lei no 9.718/1998 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade.
Numero da decisão: 3403-002.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na dedução prevista no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não só os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INCIDÊNCIA. FATURAMENTO. Constituem faturamento das Operadoras de Plano de Saúde (sejam ou não cooperativas), para efeito de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, os valores cobrados a título de mensalidades/prestações dos clientes (beneficiários do plano de saúde), e das prestações de serviços médicos com sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc.) por terceiros (pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. A dedução prevista no art. 3o, § 9o, III da Lei no 9.718/1998 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 COFINS. INCIDÊNCIA. FATURAMENTO. Constituem faturamento das Operadoras de Plano de Saúde (sejam ou não cooperativas), para efeito de incidência da COFINS, os valores cobrados a título de mensalidades/prestações dos clientes (beneficiários do plano de saúde), e das prestações de serviços médicos com sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc.) por terceiros (pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 53 79 /2 01 2- 01 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 COFINS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. A dedução prevista no art. 3o, § 9o, III da Lei no 9.718/1998 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na dedução prevista no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não só os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração lavrados em 20/06/2012, para exigência de COFINS (fls. 199 a 210)1 e de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 211 a 224), ambas na sistemática da cumulatividade. Nas autuações, alegase que houve insuficiência de recolhimento das contribuições, pois o contribuinte, no período de julho de 2007 a dezembro de 2008, não ofereceu a tributação as mensalidades recebidas, bem como qualquer outra receita operacional, por entender que a totalidade de suas receitas operacionais eram decorrentes de atos cooperativos. E que no ano de 2009 foram efetuados recolhimentos parciais. A partir de planilhas apresentadas pela empresa, e considerando as exclusões constantes do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (cf. IN SRF no 635/2006), foram produzidas as planilhas de cálculo que fundamentaram a autuação. Na impugnação à autuação (fls. 232 a 253), alega a empresa basicamente que: (a) a autuação não considerou o chamado “custo assistencial”, previsto no inciso IV do art. 17 da IN SRF no 635/2006; e (b) não foi demonstrado como são advindas de serviços a terceiros (cf. art. 86 da Lei no 5.764/1971) as seguintes receitas: “outras receitas operacionais”, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10120.725379/201201 Acórdão n.º 3403002.590 S3C4T3 Fl. 471 3 “receitas financeiras”, “equivalência patrimonial”, e “outras receitas não operacionais”. Sustenta ainda que para a exclusão prevista no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (indenizações referentes aos eventos ocorridos) não se pode adotar a interpretação dada pelo fisco de que abarca apenas as despesas com o atendimento de usuários de outras operadoras de planos de saúde (em desacordo com o entendimento dado pela Agência Nacional de Saúde Complementar – ANS, que afirma, no Ofício 152/2007/CGHAO/DIOPE/ANS/MS, que as indenizações de eventos ocorridos abarcam “os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora”). Ademais, o entendimento do fisco atua em sentido contrário ao buscado pela MP no 2.15835/2001, que inseriu o referido § 9o ao art. 3o da Lei no 9.718/1998, revelado na exposição de motivos do ato: a isonomia com as entidades de seguro. Acrescenta que as sociedades cooperativas não possuem receita ou despesa própria, sendo essas sempre dos cooperados. Em 23/11/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 313 a 333), no qual se decide pela parcial procedência da manifestação de inconformidade, sob os argumentos de que: (a) a comercialização de planos de saúde, para disponibilizar aos contratados uma série de serviços e produtos prestados por terceiros não cooperados, como hospitalares, com pagamento de diárias, laboratoriais, odontológicos, fornecimento de medicamentos, entre outros, além de não visar a prestação de serviço ao associado da cooperativa, caracteriza intermediação, em operação de mercancia, definida no parágrafo único do art. 79 da Lei no 5.764/1971 como ato não cooperativo, submetido à tributação regular das contribuições sociais sobre o faturamento ou receita da pessoa jurídica; (b) o § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, permite deduzir da base de cálculo das contribuições o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, o que não abarca custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados da cooperativa, mas somente com associados de outras operadoras; e (c) as cooperativas de trabalho médico encontramse submetidas ao regime cumulativo de apuração da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, razão pela qual a base de cálculo é determinada pelos artigos 2o e 3o da Lei no 9.718/1998, devendo, com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o, ser excluídas na apuração da base de cálculo as receitas financeiras auferidas pela sociedade cooperativa que atua na área de saúde. Pelo montante excluído pelo julgamento da DRJ, referente a receitas financeiras, apresentase recurso de ofício. Cientificada da decisão de piso em 11/12/2012 (AR à fl. 364), a empresa apresenta recurso voluntário em 08/01/2013 (fls. 368 a 387), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade. A Fazenda apresenta contrarrazões às fls. 446 a 468, destacando que: (a) não são atos cooperados os praticados com usuários de planos de saúde; (b) quando a cooperativa transaciona com terceiros não associados (laboratórios, clínicas e hospitais ou usuários de planos de saúde), cabe a ela a segregação das receitas de atos cooperados dos não cooperados, para efeito de tributação; e (c) a exclusão trazida pelo inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 tem por escopo despesas com associados de outras operadoras, na forma que vem entendendo o CARF (e admitir o contrário transformaria, na prática, as contribuições em não cumulativas). É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Discutese nos presentes autos a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sobre as cooperativas médicas, no que se refere a receitas específicas detalhadas pela recorrente (“outras receitas operacionais”, “equivalência patrimonial”, e “outras receitas não operacionais”), e à amplitude das exclusões permitidas pelo inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. De início, é de se destacar que se pacificou entendimento sobre o tema, nesta Terceira Turma, no início de 2013, com a análise de dois processos de cooperativas médicas (UNIMEDPetrópolis e UNIMEDSalvador). O primeiro julgado ilustra o fenômeno ocorrido com a alteração da legislação em 2001, pois a autuação, naquele processo, abarcava períodos anteriores (nos quais a análise era feita com base nos arts. 79, 85, 86, 87, 88 e 111 da Lei no 5.764/1971) e posteriores à inclusão do inciso III ao § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, pela MP no 2.15835/2001: “Conforme entendimento assentado administrativamente no CARF e judicialmente no STJ, e disciplinado nos arts. 79, 87 e 111 da Lei no 5.764/1971, incide a Contribuição para o PIS/Pasep sobre atos não cooperativos. (...) Há que se destacar ainda que ao art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi alterado pela Medida Provisória no 2.15835/2001, acrescentandose um § 9o, com o seguinte teor: (...) Conforme o art. 92, IV, “a” da Medida Provisória (MP), a alteração produz efeitos relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de dezembro de 2001, cabendo destacar que o texto não estava nas (re)edições anteriores da mesma MP. Considerando a presente autuação, a maior parte do período objeto da exigência fiscal já estaria sob o manto do novel diploma. Vejase que no novo comando legal é irrelevante ser a operadora uma cooperativa ou não, pelo que não há que se prosseguir, novamente, na distinção entre ato cooperativo e não cooperativo (caso a operadora seja também uma cooperativa, e se entenda pela impossibilidade de tributação do ato cooperativo, por óbvio não poderia a operadora/cooperativa se beneficiar duas vezes da mesma exclusão). Dos itens 2 e 3 da exposição de motivos da referida Medida Provisória se extrai que o objetivo do parágrafo adicionado foi Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10120.725379/201201 Acórdão n.º 3403002.590 S3C4T3 Fl. 472 5 estabelecer tratamento isonômico entre a tributação das operadoras de plano de saúde e das operadoras de seguro. E é nessa analogia (que já havia sido incidentalmente sugerida tanto no entendimento da COSIT quanto na autuação, ao se referir a “traços de segurosaúde”) que se deve pautar a interpretação do texto legal. Pode então a operadora de saúde (seja cooperativa ou não) deduzir da base de cálculo (faturamento), os montantes enquadráveis nos incisos I a III do novo parágrafo. (...) Diante da delimitação legal do binômio hipótese de incidência consequente (especificamente no que se refere à base de cálculo) da contribuição, não resta muito o que discutir em relação à possibilidade de incidir a contribuição sobre empresas como a recorrente. A argumentação exposta no recurso voluntário no sentido de que não incidem tributos sobre a modalidade operacional das sociedades cooperativas, pois estas não têm atuação própria relativa a seu objeto econômico, agindo apenas em nome dos seus sócios, fica afastada diante da clareza dos dispositivos legais, que só poderiam ser superados se tidos como inconstitucionais (esclarecendose que tal análise excederia a competência deste tribunal, conforme entendimento já consolidado na Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”).” (Acórdão n. 3403001.987, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) No segundo, tratase de autuação exclusivamente referente a período posterior à MP no 2.15835/2001 (como é o caso dos presentes autos), buscando identificar o sentido dos incisos (com destaque para o III) do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998: “O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere ao ingresso de recursos na entidade e não à saída de recursos. (...) As deduções da base de cálculo previstas em relação às operadoras de planos de saúde também se aplicam às cooperativas de serviço médico que desenvolvem esta mesma atividade. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.” (Acórdão n. 3403001.986, Rel. Cons. Ivan Allegretti, unânime, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) Mas tais julgados são a consequência, e não a causa da formação de convicção desta turma. O verdadeiro divisor de águas na discussão do tema neste CARF, citado por ambos os Acórdãos aqui referidos, é um julgamento proferido na Segunda Turma da Terceira Câmara desta Terceira Seção, no qual a questão foi analisada com detalhamento exemplar: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003. (...) COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO CORESPONSABILIDADE CEDIDA CONCEITO Nas operadoras de planos de saúde OPS entendese por despesas decorrentes de coresponsabilidade cedidas aquelas resultantes dos valores pagos à outras operadores para que estas façam o atendimento de seus beneficiários, sendo que neste caso ocorre a transferência de responsabilidade ou transferência de risco para esta segunda operadora que vai atender os beneficiários. Em outras palavras, tratase de valor mensal, pago a operadoras contratadas chamadas congêneres para estas assumirem a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. (...) COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, § 9o, artigo 2o da MP 2.15835, que assim determina: III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso I, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso III permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. (...) No presente caso não há controvérsia sobre o fato de que a Recorrente fatura, contra terceiros não cooperados, os valores correspondentes a serviços prestados diretamente por seus cooperados. O valor que a Recorrente arrecada é repassado aos cooperados por meio de atos cooperados (não tributáveis), mas Fl. 476DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10120.725379/201201 Acórdão n.º 3403002.590 S3C4T3 Fl. 473 7 sofre a incidência tributária, quando recebido pela Recorrente sob pena de, sobre tais valores, não ocorrer incidência tributária alguma. Ora, se o cooperado recebesse os valores diretamente do terceiro (para quem presta seus serviços) tais valores também seriam tributados, quando do recebimento pelo cooperado. Caso admitíssemos a não incidência no recebimento do valor pela cooperativa e no repasse ao cooperado, estaríamos admitindo que serviços prestados através de cooperativas jamais seriam tributados o que não me parece lógico, ou legal (em especial considerando o princípio da isonomia). Assim, o cooperado pode escolher o modelo que melhor lhe convém para receber os valores correspondentes à sua prestação de serviços: (i) prestar os serviços e receber diretamente do terceiro contratante, tributando os valores quando deste recebimento, ou; (ii) receber os valores através da cooperativa, sem submetêlos à tributação nesta etapa do fluxo financeiro (pois estarseá diante de ato cooperado), mas ciente de que na remessa dos valores do terceiro (tomador de seus serviços), para a cooperativa (que fatura o valor diretamente ao tomador) esta deverá oferecer a quantia à tributação. Importante ressaltar que não há prejuízo para os cooperados, porque eles já pagariam uma vez a tributação. Uma incidência é devida e garantida pela própria legislação que trata do ato cooperado. O que a legislação garante é que os cooperados, que ao meu ver são considerados uma espécie de “hipossuficientes”, utilizem do mecanismo do agrupamento para prestar seu serviço e fazer frente aos grandes concorrentes sem que, para isso, sofram ônus, majorações do custo operacional. No presente caso a Recorrente recebe de terceiros (beneficiários) valores que, embora de titularidade dos cooperados, devem ser tributados nesta etapa do fluxo financeiro, pois se consubstanciam faturamento, sem que haja disposição legal que autorize a não incidência tributária. Logo, nego provimento à alegação da Recorrente de inexistência de base tributável por ser totalmente decorrente de ato cooperado, vez que é devido o PIS sobre os valores recebidos pela Recorrente, ainda que em nome de seus cooperados, sendo tais quantias faturamento tributável, por configurar resultados de operações com não cooperados. (...) Pois bem. Em primeiro lugar fazse necessário consolidar o entendimento do que é faturamento para uma operadora de saúde, nos termos da interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (“receita da venda de produtos e serviços”). Pareceme evidente que uma OPS tem como faturamento todos os valores cobrados a título de: (i) prestações mensais faturadas Fl. 477DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 contra seus clientes, pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, bem como (ii) prestação de serviços médicos com a utilização de sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc) por terceiros, aqui entendidos quaisquer pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde. (...) É de sumária nitidez a determinação contida na Lei nº 9.718/98 (introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835), sobre a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de saúde (OPS), dos valores referentes às co responsabilidades cedidas. Neste ponto, crucial é saber o que são “coresponsabilidades cedidas”. Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazêlo por meio de sua rede própria e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que esses terceiros, também denominados de “credenciados” ou “congêneres” podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados) prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da OPS contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à saúde dos beneficiários ou usuários dos planos de saúde. O credenciado é contratado para a prestação de serviços específicos a serem prestados consoante sua especialidade médica, trata da saúde dos beneficiários do plano por evento. Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do plano de saúde em seus consultórios particulares e são remunerados pelas OPS, em função da quantidade de horas dispendidas (sic) ou pela quantidade de consultas efetuadas. Já as congêneres credenciados contratados de forma indireta são outras OPS (denominadas de congêneres por serem do mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. Aqui se identifica a TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE ou TRANSFERÊNCIA DE RISCO. Essas congêneres prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde dos usuários que assumiu de outra OPS, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” dos beneficiários que foram “transferidos” aos seus cuidados. Portanto, recebe um valor fixo contratado entre as partes, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso (“credenciado”), a responsabilidade é da OPS contratante e o pagamento do serviço é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto no segundo caso (“congêneres”), a responsabilidade pelo Fl. 478DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10120.725379/201201 Acórdão n.º 3403002.590 S3C4T3 Fl. 474 9 atendimento médico é da OPS contratada e o pagamento é realizado mensalmente apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congênere. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir os beneficiários exige, cada vez que a OPS credencia um prestador de serviço, uma série de documentos/informações. (...) Toda esta introdução é necessária porque a redação do “inciso I” do citado §9º, menciona que serão excluídos da base os valores referentes à “coresponsabilidade cedida”. Trata, portanto, de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite que sejam excluídos da base de cálculo os valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários da OPS contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram neste “inciso I”. (...) (iii) Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. (...) De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. (...) Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de Fl. 479DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. (...) Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1) O credenciado presta o serviço para o beneficiário. Janeiro /X1 (2) Após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação. Fevereiro /X1 (3) Apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento. Março /X1 (...) Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10120.725379/201201 Acórdão n.º 3403002.590 S3C4T3 Fl. 475 11 Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Fl. 481DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 12 Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, tem se a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. (...) Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. (...)” (Acórdão n. 3302001.765, Rel. Cons. Fabiana Cassiano Keramidas, unânime, sessão de 21.ago.2012) (grifo nosso) Acolhese aqui a argumentação transcrita do votoparadigma, que tem norteado os julgamentos desta turma desde março de 2013 (já com a composição atual do colegiado, v.g., nos Acórdãos n. 3403002.049, 3403002.051 e 3403002.466). E, a partir do exposto, elaborase representação gráfica simplificada, que facilita a visualização das situações tratadas nos incisos I e III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10120.725379/201201 Acórdão n.º 3403002.590 S3C4T3 Fl. 476 13 Assim, constituem faturamento das Operadoras de Plano de Saúde (sejam ou não cooperativas), para efeito de incidência das contribuições, os valores cobrados a título de mensalidades/prestações dos clientes (beneficiários do plano de saúde), e das prestações de serviços médicos com sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc.) por terceiros (pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde). E os valores recebidos destinamse a terceiros (que podem ou não ser cooperados), que são contratados diretamente (credenciados), ou indiretamente, para assegurar a cobertura de assistência aos beneficiários (congêneres, que são outras OPS). Incabível, assim, a alegação de que as receitas operacionais seriam inatingíveis pela tributação das contribuições pelo fato de ser a operadora uma cooperativa. Ainda que eventualmente a operadora receba valores em nome de seus cooperados, as quantias são recebidas de não cooperados, configurando faturamento. Na autuação, em relação a esse tópico, afirmase que foram excluídas das bases de cálculo as receitas referentes aos “atos cooperativos” (intercâmbios), além de deduzidos os valores relativos à Reserva Legal e Fates (artigo 10 da IN SRF no 635/2006). E, no julgamento de primeira instância, são excluídas as receitas financeiras, a nosso ver, de forma compatível com o entendimento do STF ao apreciar a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (parágrafo esse recentemente revogado pela Lei no 11.941/2009), pelo que se propugna por negar provimento ao recurso de ofício apresentado. Em sede de recurso voluntário a empresa sustenta que as rubricas referentes a outras receitas, discriminadas nas planilhas de fls. 134/163 deveriam igualmente ser excluídas da autuação, em observância aos arts. 86 e 111 da Lei no 5.764/1971, pois “não podem ser tidas como decorrentes da prestação de serviços a terceiro não associado, e a fiscalização não logrou comprovar o contrário”. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 14 Contudo, o cômputo das outras receitas devese ao fato de a recorrente considerar que as transações com terceiros (como hospitais, clínicas e laboratórios) correspondem a atos não tributados de acordo com a Lei no 5.764/1971, o que não procede. Há que se concordar aqui com as considerações da PGFN em sede de contrarrazões, no sentido de que ao transacionar com terceiros não associados, a recorrente pratica atos não cooperados, que são tributados. Ademais, legalmente prevista a inclusão das receitas operacionais na base de cálculo, devem ser excluídas as receitas financeiras (o que já foi feito pela DRJ) e aquelas relacionadas nos incisos do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (que a autuação informa ter excluído do lançamento). E a empresa não aponta especificamente em seu recurso voluntário nenhuma rubrica indevidamente computada, para que pudesse ser verificado se efetivamente ocorreu erro na autuação. Temse, assim, como procedente a autuação no que se refere à base de cálculo adotada, à exceção da questão referente à aplicação do disposto no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, que se passa a discutir adiante. Vejase o texto da norma: “§ 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. (grifo nosso) O inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 se refere, como exposto no votoparadigma aqui reproduzido, à exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros credenciados (rede credenciada/SUS). E é absolutamente irrelevante se os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados da própria operadora ou de outras operadoras (como já decidiu esta turma unanimemente, v.g., nos Acórdãos n. 3403002.049, 3403002.051 e 3403002.466): “Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.” (Acórdão n. 3403002.049, Rel. Cons. Ivan Allegretti, unânime quanto ao tema, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “Excluise da base de cálculo da contribuição devida pelas operadoras de planos de saúde o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos a credenciados e a médicos cooperados, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de Fl. 484DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10120.725379/201201 Acórdão n.º 3403002.590 S3C4T3 Fl. 477 15 responsabilidades.” (Acórdão n. 3403002.051, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime quanto ao tema, sessão de 24.abr.2013) (grifo nosso) “A dedução prevista no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade.” (Acórdão n. 3403002.466, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime, sessão de 25.set.2013) (grifo nosso) A endossar esse entendimento, apresentase alteração efetuada há menos de um mês no art. 3o da Lei no 9.718/1998, pela Lei no 12.873, de 24/10/2013, que incluiu um § 9o–A, com caráter declaradamente interpretativo, dispondo que: “Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida”. (grifo nosso) Tendo em vista que a fiscalização somente aceitou, a título de dedução, os valores efetivamente pagos por eventos realizados em associados de outras operadoras, já deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade, devem ser incluídos na dedução ainda os valores efetivamente pagos à rede credenciada e ao SUS (não congêneres). E resta improcedente a autuação no que nega essa dedução. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, e dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo o direito de o contribuinte incluir na dedução prevista no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não só os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. Rosaldo Trevisan Fl. 485DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 16 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 12045.000438/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 38 /2 00 7- 35 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000438/200735 Acórdão n.º 2301003.673 S2C3T1 Fl. 869 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 1. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 2. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 3. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 4. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 5. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 6. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 7. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 8. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 9. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 10. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 11. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 874DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000438/200735 Acórdão n.º 2301003.673 S2C3T1 Fl. 870 5 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 12. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 13. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 14. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 15. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 16. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 17. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 18. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 19. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 20. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 21. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO 22. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. (assinado digitalmente) Fl. 876DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000438/200735 Acórdão n.º 2301003.673 S2C3T1 Fl. 871 7 Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 877DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13805.009476/98-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995, 1996
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. NOVO AUTO DE INFRAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVO DE EVOLUÇÃO PATRIMONIAL MENSAL. VÍCIO DE ORDEM FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO II, DO CTN.
O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
Decadência não reconhecida.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FUNDAMENTO LEGAL.
A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no §1º do artigo 3º da Lei 7.713/88.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO.
De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
Hipótese em que o contribuinte não justificou o acréscimo patrimonial.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por dar provimento em parte, para reconhecer a decadência do crédito lançado referente ao ano-calendário de 1994. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Celia Maria de Souza Murphy.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
(assinado digitalmente)
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Redatora Designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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INOCORRÊNCIA. NOVO AUTO DE INFRAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVO DE EVOLUÇÃO PATRIMONIAL MENSAL. VÍCIO DE ORDEM FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO II, DO CTN. O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Decadência não reconhecida. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FUNDAMENTO LEGAL. A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no §1º do artigo 3º da Lei 7.713/88. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Hipótese em que o contribuinte não justificou o acréscimo patrimonial. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 94 76 /9 8- 89 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 215 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por dar provimento em parte, para reconhecer a decadência do crédito lançado referente ao anocalendário de 1994. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY – Redatora Designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 184/211) interposto em 19 de setembro de 2012 contra o acórdão de fls. 168/179, do qual o Recorrente teve ciência em 21 de agosto de 2012 (fl. 183), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 72/73, lavrado em 26 de agosto de 1998, em virtude de acréscimo patrimonial a descoberto verificado nos anoscalendário de 1994 e 1995. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1994, 1995 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O dies a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao imposto de renda das pessoas físicas, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no anocalendário, e tendo havido Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 216 3 antecipação do pagamento do imposto tem início na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. ARBITRAMENTO. O contribuinte que detiver a posse ou propriedade de bens que, por sua natureza, revelem sinais exteriores de riqueza, deverá comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os gastos realizados a título de despesas com tributos, guarda, manutenção, conservação e demais gastos indispensáveis à utilização desses bens. A falta de comprovação desses gastos ou a verificação de indícios de realização de dispêndios não comprovados autorizará o arbitramento dos dispêndios em valor equivalente a até dez por cento do valor de mercado do respectivo bem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. TAXA SELIC INCIDÊNCIA Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito tributário mantido.” (fls. 168/179). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 184/211, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase, consoante devidamente apontado, de auto de infração lavrado em face do contribuinte em virtude de omissão de rendimentos recebidos nos anoscalendário de 1994 e 1995, apurados em virtude da verificação de acréscimo patrimonial a descoberto, elaborada com base em demonstrativo de evolução patrimonial anual. Após a apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, no entanto, o órgão fiscalizatório, verificando a ausência de elaboração de demonstrativo de evolução patrimonial elaborado de forma mensal, tal como determinado pela legislação, determinou que a fiscalização refizesse o auto de infração (no que foi acompanhado pela DRJ – fls. 91 a 93), de maneira a aferir a (eventual) existência de acréscimos patrimoniais a descoberto, apontando, Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 217 4 precisamente, os meses em que tal teria ocorrido e a partir de uma adequada alocação de receitas e despesas, em conformidade com os respectivos meses de recebimento/pagamento. Ao assim proceder, portanto, a instância a quo acabou por determinar o próprio refazimento do auto de infração, na medida em que, muito embora fundado em presunção de omissão de rendimentos (acréscimo patrimonial a descoberto), teria sido elaborado sem observar o procedimento legalmente previsto para tanto, descortinando a própria existência do fato indiciário que teria levado à sua lavratura. De fato, como se sabe, o demonstrativo de evolução patrimonial, elaborado de forma mensal, nos termos da legislação, é parte essencial do auto de infração, nas hipóteses em que lavrado em virtude de omissão de rendimentos aferida com base em acréscimos patrimoniais a descoberto, como sói ocorrer in casu. Nesse sentido, aliás, se posiciona a jurisprudência sedimentada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “(...) IRPF AUTO DE INFRAÇÃO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO MENSAL PRELIMINAR DE NULIDADE A omissão de rendimentos decorrente da variação patrimonial a descoberto apurada mensalmente na forma das prescrições contidas nos artigos 1º. a 3° e parágrafos e 8° da Lei n° 7.713/1988; artigos 1° a 4° da Lei n° 8.134/1990; artigos 4°, 5° e 6° da Lei n° 8.383/1991 c/c artigo 6° e parágrafos da Lei n° 8.021/90, deve ser tributada tomandose por base o fato gerador do tributo ocorrido em cada mês do ano calendário É improcedente, insustentável e improsperável a autuação fiscal que detecta acréscimos patrimoniais mensais (janeiro e fevereiro de 1994), sem elaborar o demonstrativo da evolução patrimoniais, mês a mês, com o aproveitamento de recursos existentes no anocalendário anterior, ainda que estes não tenham sido acusados na Declaração de Ajuste Anual, afrontando as disposições legais vigentes.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão n.º 10245.838, relator Conselheiro Amaury Maciel, j. em 04/12/2002 – grifouse) É dizer, ao declarar a nulidade do demonstrativo de evolução patrimonial, parte integrante do auto de infração lavrado em face do contribuinte, a DRJ, acolhendo a manifestação da DRF, houve por bem anular o lançamento tributário por vício material, atinente ao equívoco quanto ao próprio procedimento previsto em lei como necessário à presunção. Com efeito, como é cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regramatriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002. p. 418). Ora, não há de restar dúvidas, portanto, que o equívoco em relação à parte essencial do auto de infração, concernente à própria metodologia utilizada pela fiscalização para a apuração da presunção de omissão de rendimentos se reverte em vício de ordem material, e não formal, razão pela qual eventual equívoco cometido pela fiscalização não tem o Fl. 217DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 218 5 condão de interromper o prazo decadencial, sendo inaplicável, portanto, à hipótese, o disposto pelo art. 173, II, do CTN. Por essa razão, portanto, tratandose de vício material e aplicandose à hipótese o disposto pelo art. 150, §4º, do CTN, na medida em que houve antecipação de recolhimento de IRPF, em conformidade com o entendimento consolidado pelo STJ no REsp. 973733/SC, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, verifico ter havido decadência em relação ao anocalendário de 1994, uma vez que o contribuinte apenas foi intimado da lavratura do auto de infração devidamente formalizado e corrigido em 28/02/2000. Em relação ao anocalendário de 1994, portanto, entendo ter decaído o direito/dever de efetuar o lançamento tributário, por força da aplicação à espécie do disposto pelo art. 150, §4º, do CTN. No tocante ao anocalendário de 1995, por sua vez, necessário se faz, destarte, proceder à breve análise do regime jurídico do acréscimo patrimonial a descoberto (APD). Com efeito, a Lei n.º 7.713/88 estabeleceu que a diferença a maior apurada entre os dispêndios e as origens de recursos cria uma presunção de omissão de receita, cabendo ao próprio contribuinte o dever de comprovar que o referido acréscimo patrimonial encontrase justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva: “Art. 3º. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, de omissão de rendimentos tributáveis no caso de existirem acréscimos patrimoniais não correspondentes ao rendimentos declarados, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita mês a mês, conforme iterativa jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: “IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – CRITÉRIO DE APURAÇÃO – A partir do ano calendário de 1989, a omissão de rendimentos revelada através de “Acréscimo Patrimonial a Descoberto”, deve ser apurada mensalmente nos exatos termos do art. 2º. da Lei nº. 7.713, de 1988.” Fl. 218DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 219 6 (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso de Divergência, Acórdão CSRF/0400.415, relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, sessão de 12/12/2006) *** “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – Sujeitase à tributação, por caracterizar omissão de rendimentos, o acréscimo patrimonial a descoberto apurado em Análise da Evolução Patrimonial Mensal, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.” (1º Conselho de Contribuintes, 2 Câmara, Recurso Voluntário nº. 139.458, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 25/01/2007) *** “IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL APURAÇÃO MENSAL Tendo o imposto de renda tributação à medida em que os rendimentos vão sendo percebidos deve o fisco, em seu trabalho de análise da atividade do contribuinte, voltarse para o exato momento da ocorrência dos fatos a fim de imputar obediência ao princípio constitucional tributário da isonomia. Destarte, necessária a análise mensal da evolução patrimonial, sem a qual restaria, também, maculada a determinação legal da formação do fato gerador.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 127.683, relator designado Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 22/02/2002) No presente caso, limitouse o Recorrente a tecer vagas considerações a respeito da prescrição intercorrente (contra Súmula deste CARF), da não observância de normas complementares, da vinculação da atividade de lançamento e da suposta carência de fundamentação da ação fiscal, que não têm o condão de afastar a presunção decorrente da lei. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para reconhecer a decadência quanto ao anocalendário de 1994. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Em que pese aos fundamentos declinados pelo ilustre Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, peço vênia para divergir do seu entendimento, pelas razões a seguir deduzidas. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 220 7 Discutiuse no presente processo a decadência do “direito” da Fazenda Pública de promover o novo lançamento do imposto sobre a renda com base em acréscimo patrimonial a descoberto, caracterizando sinais exteriores de riqueza, correspondente ao anocalendário 1994. O lançamento perpetrado (fls. 67 a 72) foi inicialmente veiculado por meio de auto de infração fundamentado no Demonstrativo de Evolução Patrimonial, elaborado pelos servidores responsáveis, com base em dados anuais, conforme consta às fls. 61. O autuado, por seu representante, foi cientificado do lançamento em 26 de agosto de 1998 e impugnouo tempestivamente. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo (SP) que, antes do julgamento, constatou que o acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados havia sido apurado mediante análise de dados anuais e não mensais. Apontou, então, a irregularidade no lançamento (fls. 91), salientando que, de acordo com o artigo 2.º da Lei n.º 7.713, de 1988, e artigo 2.º da Lei n.º 8.134, de 1990, o imposto sobre a renda das pessoas físicas é devido à medida em que os ganhos de capital são auferidos e ressaltou ainda que os artigos 5.º e 6.º da Lei n.º 8.383, de 1991, determinam que o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos de que tratam os artigos 7.º, 8.º e 12 da Lei n.º 7.713, de 1988 e ganhos de capital seja apurado no mês da percepção. Concluiu, com isso, que a análise da variação patrimonial deveria se reportar aos períodos mensais para a correta apuração do imposto devido. O Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo determinou o retorno dos autos aos autores do feito para que elaborassem a análise da evolução patrimonial do contribuinte através do fluxo mensal. Para esse fim, o processo foi baixado em diligência (fls. 93). O demonstrativo com base em dados mensais foi elaborado (fls. 96 a 99) e dele o contribuinte, por seu procurador, teve ciência em 28 de fevereiro de 2000 (fls. 100). Intimado a manifestarse no prazo de dez dias, a parte interessada não se pronunciou (vide fls. 101). Os autos foram remetidos para a DRJ para julgamento da impugnação e o lançamento foi dado por procedente, o crédito tributário mantido (fls. 103 a 109). Em recurso tempestivo (fls. 117 e seguintes), o contribuinte suscitou preliminar de nulidade da decisão, em virtude da falta de intimação para apresentação de nova impugnação após a elaboração do demonstrativo com base em dados mensais. Seu recurso foi provido por meio do Acórdão n.º 210100.730, da 1.ª Turma Ordinária da 1.ª Câmara da 2.ª Seção de Julgamento deste Conselho, na sessão de 22 de setembro de 2010 (fls. 133 a 136). Os autos retornaram para a repartição de origem, onde foi reaberto o prazo para apresentação de impugnação (fls. 139 e 140), o que se fez em 17 de março de 2011, oportunidade na qual, entre outros argumentos, o interessado aduziu que o prazo decadencial relativo ao exercício 1995 havia se exaurido em 31.12.2000 e o de 1996, em 31.12.2001, ao passo que a constituição do crédito tributário só se deu em 13.08.2007. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 221 8 Julgada improcedente a impugnação (fls. 169 a 180), o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repisou os argumentos quanto à ocorrência da decadência, eis que este Colegiado havia decidido pela anulação do lançamento por vício insanável, e que só foi cientificado do lançamento em 8.2.2011. Passamos a discorrer sobre o nosso entendimento. Primeiramente, cumpre salientar que este Colegiado, ao decidir reabrir o prazo para a apresentação de impugnação, tratou de anular o lançamento constante deste processo, ao proferir a decisão consubstanciada no Acórdão n.º 210100.730. O contribuinte foi, então, notificado, em 17.2.2011, para pagar ou impugnar o débito lançado, conforme Aviso de Recepção dos Correios às fls. 142. Restou, assim, a questão se, em 17.2.2011, data na qual o recorrente foi regularmente notificado do lançamento, já havia ocorrido a decadência do “direito” da Fazenda Pública de lançar os débitos referentes ao imposto sobre a renda de pessoa física correspondente ao anocalendário 1994. Sobre o tema da decadência, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, em 12.8.2009, no julgamento do Recurso Especial REsp n.º 973.733/SC, firmou o entendimento que, nos casos em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do imposto, desde que não tenha havido dolo, fraude ou simulação, deve ser adotada a regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. A norma do artigo 173 do mesmo diploma é aplicável nos demais casos. A decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do mencionado Recurso Especial n.º 973.733/SC ficou assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 221DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 222 9 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009). (grifouse). Nos casos em que se aplica, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vinculase a essa decisão, nos termos do artigo 62A do Anexo II do seu Regimento Interno (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009. Por outro lado, o Código Tributário Nacional CTN, no seu artigo 173, inciso II, prescreve que a decadência do “direito” da Fazenda Pública de promover o Fl. 222DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 223 10 lançamento extinguese em cinco anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Impende salientar que a norma do inciso II do artigo 173 do Código Tributário Nacional aplicase somente nos casos em que tenha sido constatado vício formal no lançamento. Se a anulação do lançamento ocorrer por conta de vício material, a contagem do prazo de decadência é feita nos moldes das regras fixadas no artigo 150, § 4.º, ou no artigo 173, inciso I do CTN, conforme a decisão proferida pelo STJ, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. Importante frisar que não restou qualquer dúvida sobre a existência de vício no primeiro lançamento perpetrado neste processo, tanto que o lançamento foi anulado pelo Acórdão n.º 210100.730, deste Conselho. Como visto, o primeiro demonstrativo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, que deveria conter dados mensais, foi elaborado com base em dados anuais, não se compaginando com o que prescrevem as Leis n.º 7.713, de 1988 e n.º 8.134, de 1990, conforme consolidado no artigo 55, inciso XIII, do Decreto n.º 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda). Tratase, com efeito, de um vício, tema já objeto de inúmeros julgamentos no âmbito deste Conselho. Vejamos: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO MENSAL. A partir do anocalendário 1989, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto passou a ser determinada confrontandose, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos, sendo inadmissível o cômputo anual. (CARF, 2.ª Seção de Julgamento, 2.ª Câmara, 2.ª Turma. Acórdão n.º 220201.340, de 24.8.2011) *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1997 IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributamse na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais a descoberto apontados na apuração mensal. Interpretação sistemática dos enunciados das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90. (CARF, CSRF, 2.ª Turma. Acórdão n.º 9202001.959, de 15.2.2012) Fl. 223DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 224 11 Pôsse, então, a questão se a anulação do lançamento deste processo havia ocorrido por vício material ou por vício formal. Caso tivesse ocorrido vício material, os créditos correspondentes ao anocalendário 1994 estariam decadentes; na hipótese de o vício ser formal, não, por força do artigo 173, inciso II, do CTN. O tema dos vícios material e formal está intrinsecamente relacionado com o processo de positivação do direito. Tomamos por premissa que o direito positivo é um sistema de normas, regidas por um princípio unitário, no qual normas jurídicas, seus elementos, relacionados entre si, são inseridas e excluídas a todo instante. As normas jurídicas são inseridas no sistema do direito positivo de acordo com regras que o próprio sistema produz. É uma norma que estipula qual é o órgão autorizado a inserir normas no sistema do direito positivo e qual o procedimento para que isso se faça. Toda norma jurídica introduzida no sistema do direito positivo o é por meio de uma norma introdutora. As normas sempre andam aos pares: norma introdutora e norma introduzida, tal como leciona Paulo de Barros Carvalho. A norma introdutora espelha o seu próprio processo de produção; a introduzida regula a uma conduta (que pode ser, inclusive, a produção de outra norma). Nesse sentido, seguindo os ensinamentos de Kelsen, são de direito formal as normas que cuidam da organização e do processo de produção de outras normas; de direito material são as normas que determinam o conteúdo desses atos, isto é, regulam o comportamento humano propriamente dito. O lançamento, norma jurídica que é, não foge à regra: compõese de norma introdutora e norma introduzida. Na norma introdutora fica demonstrado o procedimento que o agente público, autorizado a inserir no ordenamento jurídico a norma individual e concreta que aplica a regramatriz de incidência tributária, seguiu para produzila. A norma introduzida é a própria aplicação da regramatriz. A primeira norma trata da forma; a segunda, da matéria. No lançamento, a norma introdutora tem a ver com o procedimento ao qual alude o artigo 142 da Lei n.º 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e as normas de Direito Administrativo, que se completa com a norma introduzida, que efetivamente aplica a regramatriz de incidência. Feitas essas considerações, resta analisar em que ponto se identifica o vício do lançamento perpetrado no presente processo, se no processo de produção do ato administrativo do lançamento ou se na aplicação da regramatriz de incidência tributária. Se na norma introdutora, tratase de erro formal; se na norma introduzida, é erro material. Para o fim de melhor desenvolver o raciocínio, analisamos, por primeiro, se houve vício na aplicação da regramatriz de incidência, que tenha ensejado alguma alteração na norma individual e concreta após a retificação dos aludidos demonstrativos, vício que seria caracterizado como vício material. A regramatriz de incidência, como ensina Paulo de Barros Carvalho, é norma jurídica em sentido estrito que institui o tributo, e compõese de antecedente e conseqüente. No antecedente, temos os critérios material, espacial e temporal. No conseqüente, os critérios Fl. 224DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 225 12 pessoal (sujeitos ativo e passivo) e critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Analisamos, a seguir, a aplicação de cada um deles no lançamento em debate. Iniciamos verificando se houve erro na aplicação do critério material. O critério material expressase por meio de verbo de predicação incompleta mais complemento. O critério material, na hipótese, é, especificamente, auferir renda em virtude de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Este critério foi corretamente aplicado antes da correção do Demonstrativo. Está correta a fundamentação legal aplicada e nada se alterou em função dos mencionados novos demonstrativos. Entendese por critério espacial do imposto sobre a renda o lugar em que ocorre o fato jurídico tributário, dentro da vigência territorial da lei que o instituiu. O critério espacial foi também aplicado corretamente no lançamento anterior, vez que se trata de renda auferida por residente, no território nacional ou fora dele, que se refletiu no acréscimo patrimonial apurado. A aplicação do critério espacial não se alterou em função dos novos demonstrativos. O critério temporal define o momento em que ocorre o fato tributário. No tocante ao critério temporal, na hipótese sob análise, salientamos que o imposto sobre a renda devido em virtude de acréscimo patrimonial a descoberto, apesar de apurado com base em dados mensais, segue a regra geral do imposto sobre a renda de pessoa física e submetese à tributação anual, isto é, mesmo que a exação tenha sido apurada com base em dados mensais, o fato tributário do imposto sobre a renda apurado com base em acréscimo patrimonial a descoberto ocorre somente em 31 de dezembro do anocalendário. Na hipótese, o fato tributário do imposto sobre a renda de pessoa física ocorreu em 31 de dezembro de 1994. O momento da ocorrência do fato tributário foi corretamente identificado no lançamento anterior e não foi alterado no novo lançamento. O critério pessoal da regramatriz de incidência tributária especifica os sujeitos na relação jurídica tributária: sujeito ativo e sujeito passivo. No caso que se analisa, os sujeitos ativo e passivo, corretamente identificados no lançamento original, permaneceram idênticos no novo lançamento, mesmo com a elaboração do demonstrativo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto com base em dados mensais. Por fim, o critério quantitativo é a própria definição da dívida tributária. Compõese de base de cálculo e alíquota. Na hipótese vertente, as alíquotas foram corretamente aplicadas, com base na tabela progressiva anual, no lançamento original, e permaneceram as mesmas no novo lançamento, eis que baseadas na mesma tabela. Vejamos se houve alteração da base de cálculo no segundo lançamento. Examinando os autos, em particular o demonstrativo da evolução patrimonial no anocalendário 1994, com base em dados anuais, às fls. 61 (anulado), em confronto com os novos demonstrativos acostados às fls. 96 e 97, com base em dados mensais, observase que a base de cálculo do imposto lançado, isto é, o valor do acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela Fiscalização no anocalendário 1994 segundo o demonstrativo com base em dados anuais, foi idêntico àquele apurado no demonstrativo com base em dados mensais (140.759,18 UFIR), independentemente da forma de elaboração do demonstrativo. A base de cálculo do imposto, portanto, havia sido apurada corretamente e não foi alterada com o novo lançamento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13805.009476/9889 Acórdão n.º 2101002.191 S2C1T1 Fl. 226 13 Concluise, assim, que não houve vício na aplicação da regramatriz de incidência tributária. A norma individual e concreta de aplicação da regramatriz de incidência restou intocada, mesmo com a alteração do demonstrativo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto correspondente ao anocalendário 1994. O novo lançamento não introduziu, portanto, nova norma individual e concreta. Não se constatou, por conseguinte, erro de ordem material. Tendo em vista que a norma individual e concreta que aplicou a regramatriz de incidência ficou preservada, o erro identificado e corrigido no presente processo ficou circunscrito somente ao âmbito formal, sem atingir o material. Retornando ao processo de positivação do direito, identificamos que o vício no lançamento teve origem no incorreto procedimento de produção da norma individual e concreta que aplica a regra matriz; a norma introdutora é que continha erro, que acabou por ensejar sua anulação. A norma introdutora é que foi produzida com inobservância do procedimento previsto em lei, isto é, a lei previa que a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda apurado com base em acréscimo patrimonial a descoberto devia levar em conta dados mensais, e, no caso, foram indevidamente utilizados dados anuais. Mas esse erro, como visto, limitouse à forma do ato produzido, e não se refletiu no âmbito material. Neste caso, o artigo 173, inciso II, do CTN, prescreve que o prazo decadencial contase a partir da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. A decisão que anulou o lançamento por vício formal, conforme anteriormente colocado, consubstanciouse no Acórdão n.º 210100.730, de 22 de setembro de 2010, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, com isso, só a partir da data em que essa decisão tornouse definitiva é que se iniciouse a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetuasse o lançamento. Tendo em vista que o contribuinte foi notificado do novo lançamento em 17 de fevereiro de 2011, não ocorreu a decadência do “direito” da Fazenda Pública de promover o lançamento. Conclusão Por esses motivos, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 226DF CARF MF Impresso em 15/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902196/2012-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-005.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 77 1 76 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.902196/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.011 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Recorrente CGS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 96 /2 01 2- 12 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902196/201212 Acórdão n.º 3803005.011 S3TE03 Fl. 78 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902196/201212 Acórdão n.º 3803005.011 S3TE03 Fl. 79 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902196/201212 Acórdão n.º 3803005.011 S3TE03 Fl. 80 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902196/201212 Acórdão n.º 3803005.011 S3TE03 Fl. 81 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido: verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902196/201212 Acórdão n.º 3803005.011 S3TE03 Fl. 82 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13804.005008/2004-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 1994
RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA.
O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim considerada, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a data do pagamento antecipado.
Numero da decisão: 1803-000.513
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luciano Inocêncio dos Santos e Roberto Armond Ferreira da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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(,),-.. ‘ S1-TE04 . i F I . 1 O;•..,,,•'''"it,;.*. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO..,•,......, .N..„,...,k.T," Processo n 13804,005008/2004-91 Recurso n" 178.949 Voluntário Acórdão n" 1803-00.513 — 4" Turma Especial Sessão de 09 de julho de 2010 Matéria IRPJ Recorrente VANA EMPREENDIMENTOS S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 1994 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim considerada, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a data do pagamento antecipado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luciano Inocêncio dos Santos e Roberto Armond Ferreira da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. --..--, . .. - - e .:1 •r ; e e oraes Presidente e Relatora,.. EDITADO EM: 04/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva. 1 Relatório Trata-se de declaração de compensação de saldo negativo de JIM relativo ao ano de 1994, no montante total de RS 108.079,68, A autoridade administrativa não homologou a compensação por entender que havia decaído o direito de pleitear a restituição, nos termos do art. 168, 1, do Código Tributário Nacional. hresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) O entendimento dos Tribunais Superiores é no sentido de que, no que concerne à prescrição para repetição do indébito em tributos por homologação, se dá em 10 (dez) anos, isto é, cinco anos para homologação do pagamento pelo Fisco e mais cinco anos para repetir o indébito. b) Argumenta que do mesmo prazo se utilizaria a União para exigir do sujeito passivo valores fáltantes em suas declarações de imposto de renda, não podendo a Fazenda utilizar-se do entendimento cinco mais cinco para exacionar seus contribuintes e ter posicionamento A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: "RESTITUIÇÃO, DECADÊNCIA, IRPJ, No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de valores pagos indevidamente, ou em valor: maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de .5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário." Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A situação aqui entabulada é a de compensação de valores recolhidos a maior, a título de IRPJ, cuja limitação temporal é balizada pelo instituto da prescrição e não da decadência, sendo que este última, em poucas palavras, pode ser compreendida pela perda do direito de lançar tributo devido por inércia injustificada da autoridade administrativa. Não se trata de lançamento tributário (de oficio ou homologação), mas de repetição, por meio de compensação, do indébito tributário. b) A extinção do crédito tributário em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tanto na hipótese de pagamento, quanto de compensação, se verifica ao cabo do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado, prazo este em que se opera a homologação tácita, constatada empiricamente na maioria esmagadora dos casos, c) A partir deste momento é que começa a fluir o prazo de cinco anos referidos no artigo 168, 1, do Código Tributário Nacional, o que produz, ao final, uni interregno total de 10 (dez) anos para que o contribuinte venha a compensar tributos por ele recolhidos indevidamente, 2 À Processo n" 13804 005008/2004-91 81-TE04 Acórdão 11 ° 1803-00.513 Fl 2 d) A Lei Complementar alterou materialmente a redação original artigo 168, 1, do CTN, reduzindo o lapso prescricional para a repetição do indébito tributário, não podendo, portanto, ser considerada meramente interpretativa, e) Em conclusão, não sendo a LC 118/2005 meramente interpretativa, não há que se sustentar a sua aplicação retroativa, sob pena de afronta aos princípios da irretroatividade das leis e da segurança jurídica. f) Embora precedentes jurisprudenciais não tenham eficácia erga 017171eS, estes têm o condão de refletir o entendimento, repita-se, já pacificado sobre a matéria (tese dos "cinco mais cinco" e irretroatividade da LC 118/2005), emanada do Colendo Superior Tribunal de Justiça e do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, já manifestado em milhares de precedentes. g) Inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic, É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes - Relatara A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 30/12/2008 (AR de fls, 369). O recurso foi protocolado em 19/01/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A questão fundamental a ser enfrentada é relativa ao prazo de que dispõe o contribuinte para pleitear a restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior. Assim dispõe o art, 168 do Código Tributário Nacional: • "Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1 — nas hipóteses dos incisos 1 e 11 do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;" A regra deve ser interpretada em conjunto com aquela inscrita no art. 150, § 1 0, do CTN, que dispõe: "Art. 1.50. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pela ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1°, O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento." O pagamento antecipado do tributo extingue o crédito tributário, sendo neste momento o dies a quo do prazo qüinqüenal para pleitear a restituição de valores indevidamente recolhidos Há várias decisões desse C. Conselho de Contribuintes no mesmo sentido: "NORMAS PROCESSUAIS — RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA —INTELIGÊNCIA DO ART 168 DO C7N — O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o inicio de sua contagem em razão da ..forma em que se exterioriza o indébito.. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação . fática não relacionada com norma declarada inconstitucional, o prazo para pleitear a restituição ou a 6 compensação tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário)" — Recurso Voluntário n". 118473, 2" Conselho. IRPJ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO — CONTAGEM DE PRAZO DE DECADÊNCIA — O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior- que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário — art. 165, 1 e 168, Ida Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). Tratando-se de imposto antecipado ao devido na declaração, com esta se inicia a contagem do prazo decadencial" — Recurso Voluntário n" 138.512, 1" Conselho IRPJ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — PRAZO — DECADÊNCIA — É de cinco anos o prazo decadencial para se pleitear a restituição do indébito tributário, contado da data da extinção do crédito tributário (art. 168 —CTN)" — Recurso Voluntário n" 139.211, 1" Conselho DECADÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO — TERMO DE INÍCIO — O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior do que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário — art. 165, I e 168, I do Código Tributário Nacional. Tratando-se de imposto antecipado devido na declaração, com esta se inicia a contagem do prazo decadenciat " — Recurso Voluntário n. 133..096, 1" Conselho. No tocante ao entendimento acolhido pelo Sn, é oportuno transcrevermos trecho do voto proferido pela Conselheira Sandra Maria Faroni no recurso n" 157M71, apreciado em sessão datada de 6 de março do corrente ano: "Como se vê, como regra geral, em casos de pagamento indevido ou a maior, o direito de pleitear a restituição se extingue com o prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito. Em se tratando de tributos sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo (4_1 Processo ri° 13804 005008/2004-91 S1:1104 Acéndão ° 1803-00.513 Fl. 3 extingue o crédito sob condição resolutória o que significa dizer que, .feito o pagamento, os efeitos da extinção do crédito se operam desde logo, estando sujeitos a serem resolvidos se não homologado o procedimento do contribuinte, expressa ou tacitamente. Não se desconhecem as manifestações do STJ 770 sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos é a data em que se considera homologado o lançamento (tese dos "cinco mais cinco" que predomina no STA Essa tese, todavia, peca pela falha de dar à condição resolutdria efeitos de condição :suspensiva, elevando aprazo para até 10 anos. A correta interpretação para a contagem do prazo para pleitear a restituição, a meu ver, é aquela que vem sendo dada pelo Conselho de Contribuintes. O direito creditório em análise se refere a saldo negativo de IRPI apurado em .31/12/1994 A presente declaração de compensação apenas foi protocolada em 24/08/2004, não havendo prova nos autos da existência de pedido anterior, tal corno afirmado pela recorrente. Por conseguinte, o pleito da recorrente não pode prosperar, uma vez que, nesta data já havia decorrido o prazo previsto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional, e o direito de pleitear restituição/compensação já estava fulminado pela decadência/prescrição. Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. „1111K- ú-FsIs • r: . se oraes 0.4y,lfrii, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF i a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° : 13804,005008/2004-91 Interessado(a) : VANA EMPREENDIMENTO S/C LTDA. TERMO DE JUNTADA i a Seção Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1803-00.513, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / ASSINATURA
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Numero do processo: 13736.002350/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei nº. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica.
MATÉRIA SUMULADA
Aplicação da Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2102-002.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos
Presidente à época da formalização.
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima
Redator Ad Hoc
EDITADO EM: 19/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei nº. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. MATÉRIA SUMULADA Aplicação da Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi.
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HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei nº. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. MATÉRIA SUMULADA Aplicação da Súmula CARF nº 68: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 23 50 /2 00 8- 13 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Redator Ad Hoc EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi. Relatório Assim, contra SEVERINO CORREIA DOS SANTOS, inscrito no CPF nº 270.785.40778, foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 0507, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2004, exercício 2005, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 8.302,50, percebido da fonte pagadora. Cientificado, por meio do AR de fls. 26 em 25/06/2008, o recorrente insurgiuse contra o lançamento as fls. 0102, em 17/07/2008, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 08/23. Em acórdão tombado sob o nº. 1325.336 1ª. Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 29 de junho de 2009, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente” Cientificado, por AR em 30/10/2009, fls. 31verso, o contribuinte apresentou, em 09/11/2009, recurso voluntário, fls. 3233, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal nº 8.852/94, em seu art. 1º, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, mais especificamente, sobre adicional por tempo de serviço. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13736.002350/200813 Acórdão n.º 2102002.451 S2C1T2 Fl. 38 3 Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes ao Adicional por Tempo de Serviço, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: “(...) O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. O artigo 1º da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repitase, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94.(...)” Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelo próprio interessado, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de ofício, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/200617 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 10422.484 “IRPF RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS – SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, à mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado.” Assim, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências. Ademais, a matéria ora abordada encontrase sumulada neste Conselho, por meio da súmula nº68. Vejamos: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Desta forma, estando correto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a decisão de primeira instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Fl. 46DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13736.002350/200813 Acórdão n.º 2102002.451 S2C1T2 Fl. 39 5 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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