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Numero do processo: 37342.000301/2005-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/03/2004
Ementa:
CESSÃO DE MÃODEOBRA.
RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra
deverá
reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e
recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na
redação da Lei n.º 9.711/98.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao
recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/03/2004 Ementa: CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. Recurso Voluntário Negado.
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Órgãos Públicos Recorrente MUNICÍPIO DE MARABÁ CÂMARA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/03/2004 Ementa: CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Ausência momentânea do conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata a presente notificação, lavrada em 12/04/2005, de crédito lançado contra o sujeito passivo acima identificado, pela falta de recolhimento das contribuições devidas e relativas à retenção de 11%,incidentes sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviço emitidas pelas empresas nominadas no relatório fiscal às fls. 30/36, no período de 06/2001 a 03/2004. O relatório fiscal traz a relação das notas fiscais de prestação de serviço, onde não foram efetuadas as retenções, tampouco recolhidas e diz que as guias de recolhimento apresentadas no código 2640, não foram consideradas, porque não foram preenchidas de acordo com o padrão estabelecido, uma vez que o CNPJ constante das referidas GPS, no campo identificador, não era o dos contratados, e sim o do contratante. Após apresentação de defesa DecisãoNotificação de fls. 100/103, julgou o lançamento procedente. Inconformada a recorrente interpôs recurso tempestivo onde alega que não é devedora da previdência, pois pagou as contribuições, apenas há incorreções nas guias. Requer a improcedência do lançamento e a suspensão do contencioso para que sejam corrigidas as GPS. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37342.000301/200595 Acórdão n.º 230201.233 S2C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente a tempestividade do recurso, conheço do mesmo e passo ao seu exame. A notificação lavrada em 12/04/2005, referese a retenção de 11% incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço de vigilância nas competências de 06/2001 a 03/2004 cujo os recolhimentos não foram comprovados. A Lei nº 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mãodeobra. A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre o INSS e a empresa tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, deixando de existir a solidariedade, criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. De acordo com o artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota, em nome da cedente de mão de obra. E, o parágrafo 5º do artigo 33 da mesma lei expressa que: § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Portanto, está claro que a obrigação da retenção é da tomadora dos serviços, no caso o Município de Marabá – Câmara Municipal. De acordo com o parágrafo 3 , do artigo 31, da Lei n. 8.212/91 e parágrafo 1 , do artigo 219, do Regulamento da Previdência Social, entendese como cessão de mão de obra colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O parágrafo 2 ,do mesmo artigo, lista os serviços que se sujeitam à retenção quando prestados com cessão de mão de obra, entre os quais figura limpeza, conservação e zeladoria:. 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; ... E, o parágrafo 3 , esclarece que os serviços de limpeza, conservação e zeladoria estão sujeitos à retenção, independentemente da forma como forem contratados, se por cessão de mão de obra ou por empreitada ... § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. A recorrente em suas razões se limita a argüir que procedeu aos recolhimentos relativos aos valores lançados, embora as GPS devam ser corrigidas para se adequarem à legislação. Todavia, pela análise dos autos, verificase que o auditor fiscal quando do levantamento, no relatório fiscal, fl.35, já tinha se pronunciado por não considerar as guias apresentadas porque não continham o CNPJ da prestadora de serviços. Por ora da defesa, a recorrente apresentou as mesmas guias que já tinham sido examinadas e não se prestaram a comprovar os valores referentes às retenções lançadas, sendo que a decisão de primeira instância também informou à notificada que as guias eram impróprias. Desta forma, é de se ver que durante todo o desenvolvimento da ação fiscal e do trâmite administrativo da NFLD a recorrente não procedeu à correção das GPS’s para que pudessem ser consideradas no presente levantamento, motivo pelo qual não há reparos a fazer no lançamento e na decisão recorrida, que inclusive informou ao contribuinte que a correção das guias de recolhimento é matéria do seu interesse e de sua iniciativa. Ademais, o relatório fiscal de fls. 30/36, traz um demonstrativo onde constam explicitamente as notas fiscais que serviram de base para o lançamento e a retenção de 11% sobre as mesmas, sendo que os valores constantes das guias, aos quais a recorrente se refere, não são idênticos aos valores lançados, cabendo a ela comprovar se o recolhimento foi efetuado em nome da prestadora de serviços, como preconiza a legislação. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37342.000301/200595 Acórdão n.º 230201.233 S2C3T2 Fl. 3 5 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002580/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
BOLSAS DE ESTÁGIO. AUSÊNCIA DE INTERVENIÊNCIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO NO TERMO DE COMPROMISSO. ESTÁGIO REALIZADO SOB A FORMA DE AÇÃO COMUNITÁRIA. CASO DE EXPRESSA DISPENSA LEGAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Conforme determinado pelo art. 28, 9º, “i” da Lei 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos determinados pela Lei 6.494/77, os valores pagos a título de bolsa auxílio de estágio educacional não são objeto de incidência das contribuições previdenciárias, já que o termo de compromisso de estágio não é exigível para os casos em que o estágio é realizado sob a forma de ação
comunitária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.827
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Jhonatas Ribeiro da Silva, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Igor Araújo Soares.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 BOLSAS DE ESTÁGIO. AUSÊNCIA DE INTERVENIÊNCIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO NO TERMO DE COMPROMISSO. ESTÁGIO REALIZADO SOB A FORMA DE AÇÃO COMUNITÁRIA. CASO DE EXPRESSA DISPENSA LEGAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Conforme determinado pelo art. 28, 9º, “i” da Lei 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos determinados pela Lei 6.494/77, os valores pagos a título de bolsa auxílio de estágio educacional não são objeto de incidência das contribuições previdenciárias, já que o termo de compromisso de estágio não é exigível para os casos em que o estágio é realizado sob a forma de ação comunitária. Recurso Voluntário Provido.
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AUSÊNCIA DE INTERVENIÊNCIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO NO TERMO DE COMPROMISSO. ESTÁGIO REALIZADO SOB A FORMA DE AÇÃO COMUNITÁRIA. CASO DE EXPRESSA DISPENSA LEGAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Conforme determinado pelo art. 28, 9o, “i” da Lei 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos determinados pela Lei 6.494/77, os valores pagos a título de bolsa auxílio de estágio educacional não são objeto de incidência das contribuições previdenciárias, já que o termo de compromisso de estágio não é exigível para os casos em que o estágio é realizado sob a forma de ação comunitária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Jhonatas Ribeiro da Silva, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 247DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo – Relator Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002580/200854 Acórdão n.º 240101.827 S2C4T1 Fl. 248 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n. 37.190.4196, consolidado em 13/10/2008 no valor de R$ 103.690,91 (cento e três mil, seiscentos e noventa reais e noventa e um centavos). O crédito contempla as contribuições patronais para a Seguridade Social, incluindo aquela destina ao custeio dos benefícios acidentários. De acordo com Relatório Fiscal, fls. 22/27, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos a trabalhadores admitidos como estagiários sem observância dos requisitos legais. Afirma a Auditoria que constatou, mediante análise da escrituração da empresa autuada, a existência de pagamentos à entidade denominada Círculo dos Amigos do Menino Patrulheiro – CAMP MANGUEIRA, os quais a empresa alegou que se tratavam de desembolsos decorrentes de convênio com essa entidade, objetivando a promoção de estágio para estudantes do ensino médio. Na seqüência, o Fisco complementa: Para que fosse comprovado a regularidade na contratação de estagiários foi solicitado que o contribuinte apresentase os instrumentos jurídicos celebrados entre as instituições de ensino e a UNIMED, bem como os termos de compromisso firmados entre os estudantes e a UNIMED. Somente foram apresentados os termos de compromisso firmados entre a UNIMED e os menores e o instrumento de convênio celebrado entre o CAMPMangueira e a UNIMED. Nestes documentos não foi verificado a interveniência das instituições de ensino. 7. Diante dos fatos apresentados, não tendo o contribuinte cumprido todos os requisitos legais para a realização do estágio, foram os menores caracterizados como segurados empregados para fins tributários e previdenciários. Para tal foram lançadas de ofício as contribuições devidas. 8. O lançamento utilizou como base os valores constantes na escrituração contábil( conta 22.815.20000A88), na medida em que a empresa não possui folha de pagamento relativa aos estagiários do CAMP Mangueira. Tais valores estão discriminados no anexo 1 deste relatório. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 60/103, na qual requer o reconhecimento da decadência do direito do Fisco de lançar as contribuições, nos termos do § 4. do art. 150 do CTN. Na seqüência alega que a época da ocorrência dos fatos geradores, embora a Lei n. 6.494/1977 previsse a necessidade de interveniência da instituição de ensino, não Fl. 249DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 determinava a forma como esta deveria ser operacionalizada. Sustenta que nem mesmo o Decreto n. 87.497/1982, que a regulamentou, tratou dessa questão. Conclui, assim, que a aceitação curricular por parte da instituição pode se dar até de forma tácita. Advoga que, somente anos mais tarde, a formalização da interveniência da instituição de ensino teve regulamentação. A qual se deu com a promulgação da Lei n°. 11.788, de 25 de Setembro de 2008, estabelecendo em seus artigos 7° e 16 a necessidade da concordância da Instituição de Ensino nos Termos Compromissos firmados entre o Estudante e a Concedente. Afirma também que, nos termos do § 2. do art. 3. da Lei n. 6.494/1977, os estágios realizados sob a forma de ação comunitária, o que é o caso do convênio celebrado com o CAMP Mangueira, estariam isentos da celebração de termo de compromisso. Cita trechos doutrinários acerca do princípio da legalidade e da vinculação do ato administrativo à lei, para justificar o alegado erro da Auditoria em tributar as verbas em questão, posto que os pagamentos foram efetuados de acordo com a lei de regência, estando os mesmos fora do campo de incidência de contribuições. Segue afirmando que, embora o Auditor Fiscal afirme que caracterizou os estagiários como segurados empregados, em nenhuma passagem do seu relato foram descritos os pressupostos fáticos jurídicos relacionados ao liame empregatício. A base de cálculo, afirma, foi fixada a maior, posto que incluiu, além do valor das bolsas repassadas aos estagiários, a quantia destinada ao agente de integração, a qual representava um percentual de 25% do salário mínimo para cada aluno contratado. A Delegacia de Julgamento Rio de Janeiro I decidiu, fls. 150/159, declarar a decadência para o período de 01 a 09/2003, conforme requerido pelo sujeito passivo. No mérito considerou procedente o lançamento. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO AOS ESTAGIÁRIOS, EM DESACORDO COM A LEI REGENTE. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. Incide contribuição da empresa para a Seguridade Social sobre os valores pagos aos estagiários, em desacordo com a lei 6.494/77, enquadrados como segurados empregados (art.22, inciso I e II da lei 8.212/91). DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Diante da Súmula vinculante no.08 do STF, o artigo 45 da lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional. Aplicase, portanto, o prazo decadencial qüinqüenal previsto no CTN. Lançamento Procedente em Parte Fl. 250DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002580/200854 Acórdão n.º 240101.827 S2C4T1 Fl. 249 5 Não se conformando, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 168/182, no qual pede que o Acórdão da DRJ seja reformado, de modo que se declarem improcedentes as contribuições lançadas, pelas mesmas razões de mérito apresentadas na defesa. Em suas ponderações a recorrente afirma que, de fato, nos termos do art. 111, I, e do art. 175, I, do CTN, os dispositivos que tratam de isenção tributária devem ser interpretados literalmente, todavia, o fato de se considerar a possibilidade de haver concordância tácita da instituição de ensino em nada afeta a interpretação desses dispositivos da legislação previdenciária. Por isso não se sustenta a justificativa dada pela DRJ para manter a exação sob cuidado. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Incidência de contribuição sobre bolsa de estágio O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O destino da presente lide resumese em verificar se há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela empresa a título de bolsa de estágio. De acordo com a Lei n. 8.212/1991, se os pagamentos forem feitos em consonância com a legislação de regência, tais verbas não se submetem à tributação previdenciária. Vejamos o previu o legislador: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; (...) Do dispositivo acima, podese extrair que somente haverá incidência sobre os valores repassados a título de bolsa educacional ao estagiário se a empresa descumprir os ditames da lei que rege a matéria. O Fisco aponta que a falta de um requisito formal, qual seja, a interveniência da instituição de ensino, representaria afronta à Lei n. 6.494/1977, devendo, por esse motivo, exigir as contribuições sobre tais parcelas. A empresa alega que a Lei de regência não fixou a forma como deveria ser a anuência da escola ao contrato de estágio, portanto, essa manifestação poderia se dar tacitamente, pelo que não haveria motivo para exação, sendo improcedente o lançamento. Não custa transcrever trecho da hoje revogada Lei n. 6.494/1977, na parte que trata da questão: Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no parágrafo 2º do art. 1º desta Lei. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002580/200854 Acórdão n.º 240101.827 S2C4T1 Fl. 250 7 § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Vêse que o legislador erigiu como condição obrigatória para a realização do contrato de estágio a interveniência da instituição de ensino. Há de se aplaudir a exigência dessa formalidade, uma vez que o estágio, na verdade, tem por finalidade precípua integrar os conhecimentos escolares com aqueles encontrados no mercado de trabalho, propiciando ao estudante a experiência prática na sua área de formação. Assim, a escola tem papel fundamental na verificação das atividades a serem desenvolvidas pelo estagiário, bem como na observância de compatibilidade entre o horário escolar e a carga horária do trabalho. Essa participação evita também a ocorrência de fraudes, que se dão mediante a fixação de vínculos de trabalho travestidos de contrato de estágio, ou seja, a instituição de ensino cumpre também um papel de fiscalização da relação empresaaluno. Constatando a necessidade da anuência da escola, resta saber se a mesma poderia se dar de forma tácita como defende a recorrente. Socorramonos do Decreto n. 87.497/1982, que regulamentou a Lei do Estágio: Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. A leitura do § 1. acima dissipa qualquer dúvida sobre a questão. O regulamento indica claramente que o Termo de Compromisso, que deverá conter a interveniência da escola, constituise de comprovante de inexistência de vínculo de emprego a ser apresentado à autoridade competente. A leitura que se pode tirar do dispositivo é que, uma vez solicitado o Termo de Compromisso e esse não seja apresentado ou contenha deficiência, há de se concluir pela existência da relação de emprego. É exatamente essa situação que exsurge dos autos. Na ação fiscal foi solicitado o contrato de estágio, todavia, o mesmo foi exibido sem a interveniência da escola, o que lhe retira a validade. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Outra alegação que não merece acatamento é a de que o estágio firmado com a recorrente teria sido ajustado na modalidade de ação comunitária, o que lhe isentaria da obrigação de firmar o Termo de Compromisso, conforme o § 2. do art. 3. da Lei n. 6.494/1977, acima reproduzido. Não é essa a conclusão a que cheguei. Inicialmente cabe ressaltar que é intuitivo o conceito de ação comunitária, a qual se caracteriza por atividades vinculada à prestação de serviços à coletividade. Tratase de interação entre a escola e a comunidade, na qual os estagiários atuam em campanhas, empreendimentos ou projetos colocando seus serviços à disposição da sociedade. Lendo o § 3. do art. 6. do Decreto n. 87.497/1982, verifico que a outra conclusão não posso chegar, vejamos: § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. O dispositivo deixa claro que somente não haverá a necessidade do Termo de Compromisso quando a realização estágio não ocorrer em entidade pública ou privada. Portanto, na espécie não há que se falar na inexistência da obrigação sob comento, uma vez que UNIMED caracterizase como entidade privada. Caracterização de estagiários como segurados empregados Assevera a recorrente que tendo a Auditoria mencionado a caracterização dos estagiários como segurados empregados, haveria a necessidade de demonstrar a existência dos pressupostos do vínculo de emprego. Não enxergo por essa ótica. Nesse caso, o Fisco aplicou uma presunção prevista na própria legislação. A dicção do dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999 (redação vigente na época dos fatos), que abaixo reproduzirei não deixa dúvida: Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Icomo empregado: (...) h)o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; (...) O próprio Decreto n. 87.497/1982, como já visto, erige o Termo de Compromisso como documento comprobatório da inexistência de vínculo de emprego. Assim, tendose em conta que os pressupostos fáticojurídicos da relação de emprego, quais sejam, pessoalidade, subordinação, não eventualidade e remuneração estão também presentes no contrato de estágio, a descaracterização desse último acarreta automaticamente no reconhecimento do primeiro. Erro na base de cálculo Fl. 254DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002580/200854 Acórdão n.º 240101.827 S2C4T1 Fl. 251 9 Acusa a empresa que a base tributável foi superdimensionada, posto que incluiu a remuneração do agente de integração, no caso o CAMP Mangueira. Essa alegação, embora plausível, para ser aceita deveria ter sido carreada de provas que pudessem lhe dar sustentação. Os comprovantes de repasse de tais valores, ou mesmo a discriminação dos valores lançados na contabilidade, onde restasse comprovado o total destinado às bolsas de complemento educacional e a parcela destinada pagamento pelos serviços prestados entidade de integração seriam provas irrefutáveis que militariam em favor da recorrente. Todavia, a mera alegação não é suficiente, até porque, se a empresa está a afirmar que os valores estão incorretos, deveria, por encargo processual de se provar o alegado, indicar quais seriam os valores efetivamente pagos aos estagiários. Assim, diante de uma alegação desprovida de elementos probatórios, opto por não acolhêla. Conclusão Diante das considerações apresentadas, voto pelo conhecimento do recurso e pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator designado: Em que pesem os fundamentos de decidir sempre bem lançados no voto do Em. Relator, não vejo outra solução a ser aplicada no presente caso, senão dele divergir quando à conclusão adotada. No caso dos autos discutese a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela empresa a título de bolsa de estágio, tendo sustentado o contribuinte, em seu recurso, que não descumpriu a Lei 6.494/77 em razão de que o estágio firmado o foi na modalidade de ação comunitária. O assunto merece algumas ponderações. Inicialmente, há de se reconhecer que o art. 28, § 9º da Lei 8.212/91 expressamente consignou que a bolsa de complementação educacional (bolsa de estágio) recebida pelo estagiário, não integra o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Confirase o seu teor: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 255DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Da leitura de referido dispositivo, concluise que para o deslinde da controvérsia deveremos observar se a recorrente cumpriu os requisitos determinados na Lei 6.494/77, de modo a perquerir se esta agiu acertadamente quando entendeu não incidirem as contribuições sobre as parcelas pagas a título de bolsa. O fundamento adotado pela fiscalização para fins de cobrança das contribuições foi o fato de que o Termo de Compromisso de Estágio apresentado não continha a interveniência da instituição de ensino, o que ensejou a tributação das parcelas pagas.E, de fato, a Lei 6.494/77 exige que o Termo de Compromisso de Estágio seja elaborado com a interveniência da instituição de ensino, para que então possa estar configurada a situação de não incidência e inclusive venha a ser afastado o vínculo de emprego. Se no caso dos autos, a recorrente apresentou os Termos sem a devida interveniência da instituição de ensino, o entendimento da fiscalização, a princípio, estaria correto. Entretanto, a mesma Lei 6.494/77 assim dispôs em seu art. 3o, verbis: Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no parágrafo 2º do art. 1º desta Lei. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Ora o mesmo artigo que determina a obrigatoriedade da elaboração do termo de compromisso de estágio com a interveniência da instituição de ensino, trouxe a lume situação na qual é dispensada a sua realização, ou seja, situação na qual nem mesmo é exigida a elaboração do Termo de Compromisso de Estágio para que o estágio, de fato, seja reconhecido como estágio, na forma determinada pela própria Lei 6.494/77. Diante de tais considerações, analisando a documentação carreada aos autos, bem como as próprias alegações constantes do recurso voluntário, verificase que o lançamento fora realizado sobre pagamentos efetuados à entidade denominada Círculo dos Amigos do Menino Patrulheiro – CAMP MANGUEIRA. A finalidade de dita entidade, em que pesem os argumentos expostos no voto do Em. Relator, me parece, ao contrário, apontar requisitos intrínsecos do exercício de ação Fl. 256DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002580/200854 Acórdão n.º 240101.827 S2C4T1 Fl. 252 11 comunitária para fins de isenção das contribuições previdenciárias lançadas, já que, a meu ver inserese a determinação legal do art. 3o 2o da Lei 6.494/77. O conceito de ação comunitária, a meu ver, deve ser entendido como a adoção de medidas sociais e educativas dirigidas e voltadas para a melhoria das condições sócioeducativas, de qualificação profissional, promoção da saúde e de direitos de cidadania, dentre outras, para aqueles que estão à margem de usufruir dignamente de tais condições. O CAMP Mangueira tem como objetivo contribuir para a formação de menores adolescentes, necessitados e carecedores de condições para uma inserção no contexto social do mercado de trabalho que lhes possam melhorar as condições de vida, garantindolhes o acesso a cursos preparatórios, palestras educativas, acompanhamento psicológico, preparandoos para o posicionamento em funções que lhes proporcionem o contato com um ambiente de trabalho, na tentativa de colaborar com o seu desenvolvimento, amadurecimento e crescimento. Ademais, além dos demais elementos dos autos, da análise do seu sítio na internet (www.campmangueira.org.br), percebese também que seu modo de agir, quanto aos estágios em que posiciona os beneficiados de sua ação, ostenta o acompanhamento das equipes de serviço social e psicologia da instituição que verificam sempre se o caráter pedagógico das atividades desenvolvidas pelos jovens está sendo privilegiado e ampliado bem como avaliam o desenvolvimento profissional dos mesmos. Diante de tais informações e inclusive da notoriedade dos serviços prestados pelo CAMP Mangeuria, não vejo como entender que tais objetivos, finalidades e ações, que logicamente devem ser tomadas em conjunto com outras entidades privadas, não possam estar compreendidas dentro do conceito de ação comunitária, ponto no qual peço vênias para divergir do relator. Por tais motivos, entendo estar configurada a situação de dispensa legal da exigência de elaboração do Termo de Compromisso de Estágio, e, portanto, da anuência da instituição de ensino em referido termo, motivo pelo qual concluo, sobre este ponto, não ter havido qualquer ofensa à Lei 6.494/77. Por fim, em assim sendo, e por via de conseqüência, reconheço que as parcelas pagas e objeto do lançamento o foram em consonância com o disposto na alínea, “i” parágrafo 9o do art. 28, , da Lei 8.212/91. Ante todo o exposto, pedindo vênias ao Em. relator, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para declarar improcedente o lançamento. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 257DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10935.000492/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003, 2004
Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários
internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário Geral, aprovadas pela Assembleia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Inteligência da Súmula CARF Nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊ-LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO
RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre
o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em uma dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento.
AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DO IRRF POR PARTE DA FONTE PAGADORA. OMISSÃO DETECTADA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO EM QUE DEVERIA TER SIDO FEITA A RETENÇÃO. IMPUTAÇÃO DO ÔNUS TRIBUTÁRIO AO
BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. CORREÇÃO. Hígida a tributação
dos rendimentos recebidos imputada em desfavor do seu beneficiário, quando transcorrido o ano-calendário do pagamento, na hipótese de a fonte pagadora não efetuar a retenção do IRRF. Inteligência da Súmula CARF Nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito
tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Numero da decisão: 2102-001.229
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial
provimento ao recurso para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário Geral, aprovadas pela Assembleia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Inteligência da Súmula CARF Nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊ-LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em uma dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DO IRRF POR PARTE DA FONTE PAGADORA. OMISSÃO DETECTADA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO EM QUE DEVERIA TER SIDO FEITA A RETENÇÃO. IMPUTAÇÃO DO ÔNUS TRIBUTÁRIO AO BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. CORREÇÃO. Hígida a tributação dos rendimentos recebidos imputada em desfavor do seu beneficiário, quando transcorrido o ano-calendário do pagamento, na hipótese de a fonte pagadora não efetuar a retenção do IRRF. Inteligência da Súmula CARF Nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
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UNESCO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Inteligência da Súmula CARF Nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊLEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em uma dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DO IRRF POR PARTE DA FONTE PAGADORA. OMISSÃO DETECTADA APÓS O ENCERRAMENTO DO Fl. 102DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 ANOCALENDÁRIO EM QUE DEVERIA TER SIDO FEITA A RETENÇÃO. IMPUTAÇÃO DO ÔNUS TRIBUTÁRIO AO BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. CORREÇÃO. Hígida a tributação dos rendimentos recebidos imputada em desfavor do seu beneficiário, quando transcorrido o anocalendário do pagamento, na hipótese de a fonte pagadora não efetuar a retenção do IRRF. Inteligência da Súmula CARF Nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte GERALDO GENTIL BIESEK, CPF/MF nº 555.399.12934, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 14/03/2005, auto de infração (fls. 71 a 82), com ciência postal em 16/03/2005 (fl. 84). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 17.513,68 MULTA DE OFÍCIO R$ 13.135,25 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 14.707,83 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos recebidos de organismo internacional (Unesco), indevidamente declarados como isentos, nos anos calendário 2002 e 2003, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto Fl. 103DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10935.000492/200569 Acórdão n.º 2102001.229 S2C1T2 Fl. 2 3 lançado. Ainda, foi aplicada uma multa isolada pelo não recolhimento de IRPF devido a título de carnêleão, no percentual de 75%. Abaixo, a motivação da autoridade fiscal para imputar a infração ao contribuinte (fls. 67 e 68), verbis: Concluise, então, que os rendimentos provenientes de salários e vencimentos de funcionários da UNESCO estão amparados pela isenção, porém, a própria Convenção estabelece o condicionante de que tais funcionários serão especificados e terão seus nomes incluídos em listagem a qual se dará conhecimento aos Governos dos países parte. Essa mesma condição está prevista no art. 21 da Instrução Normativa SRF n.° 208, de 2002, conforme se transcreve a seguir. Art. 21. Os rendimentos recebidos por residentes no Brasil de organismos internacionais situados no Brasil ou no exterior estão sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) no mês do recebimento e na Declaração de Ajuste Anual. § 1° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho recebidos pelo exercício de funções especificas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD), nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas (ONU), na Organização dos Estados Americanos (OEA) e na Associação Latino Americana de Integração (Aladi), situados no Brasil, por servidores aqui residentes, desde que seus nomes sejam relacionados e informados à SRF por tais organismos como integrantes das categorias por elas especificadas. (grifèi) § 2°A informação de que trata o § 1° deve ser: I prestada em formulário, conforme o modelo constante no Anexo II, e conter o nome do organismo internacional, a relação dos servidores abrangidos pela isenção e os respectivos números de inscrição no CPF; II enviada até o último dia útil do mês de fevereiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento dos rendimentos à CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis) da SRF. Além de não ter sido apresentada prova de que o contribuinte consta de listagem de funcionários aos quais se aplicarão as disposições relativas à isenção, na forma determinada pela Instrução Normativa acima transcrita, os próprios contratos de serviço celebrados entre o organismo internacional e o contribuinte, anexados às fls. 09 a 11, 17 a 19 e 38 a 40, expressamente o exclui da condição de isento em seu item V transcrito a seguir. V. ESTATUTO DO(A) CONTRATADO(A) Este estatuto é contratual. 0(A) Contratado(a) não está submetido(a) ao Estatuto e Regulamento do Pessoal Fl. 104DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 aplicado ao Pessoal Internacional da UNESCO nem à Convenção que rege os Privilégios e a Imunidade. (grifei) (A) Contratado(a) não poderá se prevalecer do presente Contrato para fins de isenção de impostos que poderão incidir sobre pagamentos recebidos à título do mesmo. Do exposto, verificase que o contribuinte deixou indevidamente de oferecer à tributação os rendimentos recebidos da UNESCO nos anoscalendário 2002 e 2003, nos valores demonstrados a seguir. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0620.198, de 04 de dezembro de 2008 (fls. 87 a 90), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 RENDIMENTOS RECEBIDOS DA UNESCO. São tributáveis os rendimentos recebidos da agência internacional especializada Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Unesco, por contribuinte residente no Pais, cujo contrato especifica que não se lhe aplica a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, adotada, a 21 de novembro de 1947, pela Assembléia Geral das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 52.288, de 24 de Julho de 1963. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 MULTA ISOLADA. PERCENTUAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do principio da retroatividade benigna, a multa isolada deve ser reduzida ao patamar de 50%. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 03/02/2009 (fl. 95). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 02/03/2009 (fl. 96). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que foi contratado pela Unesco para desenvolver programa de interesse do governo brasileiro, quando lhe foi informado que seus rendimentos seriam classificados como os dos demais funcionários internacionais, sem incidência do imposto de renda. Para o caso em debate, é desarrazoado aplicar a regra internacional, no tocante aos direitos trabalhista, e o direito interno, para o direito tributário. Ainda, se fosse para incidir o imposto de renda, deveria a fonte pagadora ter efetuado a retenção, cujo recolhimento era de sua competência. Por fim, o imposto lançado é impagável, alcançando 50% dos valores percebidos. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10935.000492/200569 Acórdão n.º 2102001.229 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 03/02/2009 (fl. 95), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 02/03/2009 (fl. 96), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 05/03/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Pelos contratos de honorários juntados aos autos, especificamente os arts. V e VI dele, que versa sobre o estatuto jurídico do recorrente em face da UNESCO (fls. 10, 18 e 39), percebese que o recorrente não é funcionário da UNESCO, bem como seus rendimentos podem ser submetidos à incidência do imposto de renda. Transcrevemse os artigos em foco: V. ESTATUTO DO(A) CONTRATADO(A) Este estatuto é contratual. 0(A) Contratado(a) não está submetido(a) ao Estatuto e Regulamento do Pessoal aplicado ao Pessoal Internacional da UNESCO nem à Convenção que rege os Privilégios e a Imunidade. A UNESCO eximese de' qualquer responsabilidade no caso em que terceiros venham a solicitar indenização de prejuízos ocasionados pelo(a) Contratado(a) no âmbito de ações realizadas na execução do presente Contrato. VI. DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO(A) CONTRATADO(A) Os direitos e obrigações do(a) Contratado(a) estão estritamente limitados aos dispositivos e às condições do presente Contrato. Assim, o(a) Contratado(a) não poderá se prevalecer de nenhum beneficio, pagamento, subsidio, indenização ou pensão por parte da UNESCO, exceção feita aos pagamentos expressamente previstos neste Contrato. 0(A) Contratado(a) não poderá se prevalecer do presente Contrato para fins de isenção de impostos que poderão incidir sobre pagamentos recebidos à titulo do mesmo. A presente controvérsia foi vivamente debatida no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao final, prevaleceu a tese de que tais rendimentos são tributáveis, posição que foi consolidada e cristalizada na SÚMULA CARF Nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau, e aqui se aplica à espécie o verbete sumular em foco. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Se os rendimentos recebidos da Unesco devem ser tributados, entendo, de outra banda, que a omissão da tributação de tais rendimentos não pode gerar uma multa isolada pelo não pagamento do carnêleão e uma multa vinculada ao imposto apurado no ajuste anual, com dupla penalidade. No caso em que os rendimentos sujeitos ao carnêleão são colacionados pela autoridade fiscal no ajuste anual, como ocorreu no caso em debate, a jurisprudência administrativa há muito assentouse na impossibilidade da imputação de uma dupla penalidade pecuniária ao autuado pela omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física, uma vinculada ao imposto devido (a multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual, no percentual de 75% do imposto) e outra pelo não recolhimento do carnêleão (multa de ofício isolada, tendo como base de cálculo o imposto não antecipado mensalmente – carnêleão), ao fundamento de que a omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física seria a base de cálculo para a apuração de imposto anual e daquele que deveria ter sido antecipado, com a multa de 75% incidente sobre cada uma das bases anteriores, sendo incabível uma mesma base de cálculo gerara uma dupla penalidade, em uma espécie de bis in idem. Para tanto, vejamse as seguintes ementas: Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA –MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão nº 10248.216, sessão de 26 de janeiro de 2007, relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Acórdão nº 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006, relator o conselheiro Nelson Mallmann RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Fl. 107DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10935.000492/200569 Acórdão n.º 2102001.229 S2C1T2 Fl. 4 7 Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo nº. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto nº. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas físicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnêleão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Acórdão nº 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO – Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE – É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada de 50% que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago, com provimento do recurso voluntário. Ainda, devese anotar que a ausência da retenção do imposto de renda pela UNESCO não tem o condão de exonerar a obrigação do contribuinte de ofertar os rendimentos à tributação, pois, ultrapassado o anocalendário da retenção, como ocorreu no caso vertente, é legitima a imputação da omissão no beneficiário dos rendimentos, entendimento esse cristalizado na Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Por fim, quanto à argumentação de que o imposto lançado é impagável, essa não pode ser aqui acatada, pois, caso contrário, estaria o julgador administrativo afastando a aplicação da lei tributária ao caso concreto, sem qualquer respaldo legal. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 109DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10950.004157/2004-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
VERBAS TRABALHISTAS. Salvo nos casos de isenção expressamente
previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista, inclusive multas, juros compensatórios ou moratórios por atraso de pagamento dessas verbas, e quaisquer outras vantagens.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: VERBAS TRABALHISTAS. Salvo nos casos de isenção expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista, inclusive multas, juros compensatórios ou moratórios por atraso de pagamento dessas verbas, e quaisquer outras vantagens. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.004157/200461 Recurso nº 165.548 Voluntário Acórdão nº 220101.095 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2011 Matéria IRPF Recorrente VALTER JOSE PRIORI Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: VERBAS TRABALHISTAS. Salvo nos casos de isenção expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista, inclusive multas, juros compensatórios ou moratórios por atraso de pagamento dessas verbas, e quaisquer outras vantagens. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 12/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 2 Em face do contribuinte acima mencionado foi lavrado Auto de Infração, fl. 48/54, pelo qual foi apurado imposto suplementar no montante de R$12.728,60 originado da constatação de irregularidades na DIPF/2002, relativo a rendimentos recebidos de pessoa jurídica em ação trabalhista e nos rendimentos isento e não tributáveis. Ao analisar a impugnação, fls. 01/03, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CTA n° 0616.168, de 27 de novembro de 2007, fls.61/64em decisão assim ementada: OMISSÃO PARCIAL DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda. FORMULÁRIO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OPÇÃO IRRETRATÁVEL Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida a troca de modelo da declaração de ajuste anual. RESCISÓRIA TRABALHISTA. EXCLUSÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS E DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. As verbas isentas e nãotributáveis auferidas em rescisória trabalhista devem ser excluídas da base de cálculo do imposto. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado dessa decisão em 16/01/2008, (“AR” fl. 68) e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 08/02/2008, o Recurso Voluntário de fls. 69/70, argumentando em síntese: a) O valor tributável na DIRF/2002 foi R$55.551,04; b) O valor total pago ao seu advogado foi de R$20.452,91, valor que deverá ser deduzido do total declarado na DIRF, que foi apresentada com o valor cheio de R$55.551,04, enquanto que o correto tributável seria de R$35.098,13; c) O valor apresentado na DIRF, de forma equivocada, pois o contribuinte não percebeu aquele valor líquido, mas sim o valor bruto, devendo descontar aquilo que ele gastou para obter aquele resultado; d) Simulando a retificação da declaração, encontramos o imposto a pagar no valor de R$561,16; e) Os direitos trabalhistas correspondem a longos anos de trabalho, que diluído durante este período certamente o salário percebido não há incidência de IRRF. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.98 (última). É o Relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10950.004157/200461 Acórdão n.º 220101.095 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. No mérito, a controvérsia resumese à dedução do rendimento recebido em ação trabalhista dos honorários profissionais pagos a advogado, nos termos do artigo 12, da Lei nº 7.713/88: “Art. 12 No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.” Como resultado de ação trabalhista, o contribuinte afirma que recebeu R$102.264,59, conforme guia de retirada de fls. 40, e que pagou, a título de honorários advocatícios, R$ 20.452,91, comprovado através recibo de fls.45. A decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, reformando o cálculo efetuado pelo autuante, a teor do disposto no art. 39 do R1R/1999, que trata, em seu inciso XX, das verbas rescisórias abrangidas pela isenção. Ademais a decisão a quo apresentou cálculo minucioso da natureza das verbas recebidas (fls.63) e do montante do IRRF a compensar (fls.64), apresentando inclusive ao fim do voto o cálculo da apuração do imposto. A despeito da pretensão do contribuinte não há qualquer retificação a fazer. O contribuinte aduz que o valor recebido foi de R$55.551,04, conforme comprovante de rendimentos emitido pela empresa reclamada (fls.05); deduzindo o valor pago ao seu advogado de R$20.452,91, o valor tributável seria de R$35.098,13. A ação trabalhista data do ano calendário de 1992, até o efetivo recebimento em 2001 os valores foram corrigidos. Não há, portanto qualquer dúvida que o valor efetivamente recebido foi de R$102.264,59, pois conforme detalhamento apresentado às fls.44, o valor devido em 30/05/2001 era R$101.541,44, quando do seu levantamento em 02/07/2001, esse valor corrigido havia alcançado o montante incontroverso de R$102.264,59. Não há portanto, que se falar em valor recebido de R$55.551,04, esse foi o valor da condenação, mas esse valor ao longo do tempo foi corrigido. Quanto ao argumento de que os direitos trabalhistas correspondem a longos anos de trabalho, que diluído durante este período certamente o salário percebido não há incidência de IRRF, não pode prosperar, pois conforme determinado pelo art.12, da Lei nº 7.713/88, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 4 Inclusive o contribuinte sequer declarou conforme o informe de rendimentos recebidos, no qual constava R$48.461,00 e não os R$55.551,04 referido. Em sua DIPF consta R$10.764,34 como rendimento tributável e R$71.047,34 como rendimento isento, esses valore declarados somados ao montante de R$20.452,91, alegadamente pago ao advogado atinge a cifra efetivamente recebida de R$102.264,59. Não há portanto, qualquer razão a alegação do contribuinte que recebeu R$55.551,04. Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000371/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2006
AUTO DE INFRAÇÃO: OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP.
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA.
APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos para participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.918
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, limitando-a, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata. Vencido o conselheiro Igor Araújo Soares, que recalculava o valor da multa com base no art. 32A da Lei nº 8.212/91.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos para participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, limitandoa, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 NFLD correlata. Vencido o conselheiro Igor Araújo Soares, que recalculava o valor da multa com base no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000371/200785 Acórdão n.º 240101.918 S2C4T1 Fl. 144 3 Relatório A autuação Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.113.5443, lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A penalidade aplicada importou no valor de R$ 41.506,25 (quarenta e um mil, quinhentos e seis reais e vinte e cinco centavos),. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 13, a empresa deixou de incluir na GFIP os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, determinado por convenções coletivas de trabalho em desacordo com a Lei n.º 10.101/2000. Os pagamentos ocorreram nos meses de novembro de 2003, outubro e novembro de 2004, outubro e novembro de 2005 e outubro e novembro de 2006. A impugnação Cientificada da lavratura em 30/07/2007, fl. 01, a empresa apresentou defesa, fls. 53/62, na qual, em apertada síntese, alegou que não há incidência de contribuições sobre a parcela denominada participação nos lucros/resultados, haja vista a mesma não possuir natureza de remuneração. Nesse sentido inexistiu a infração, posto que não estaria obrigada a declarar esses pagamentos na GFIP. A multa aplicada, então, é insubsistente. A decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP) decidiu, fls. 83/94, declarar procedente a autuação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2006 Documento Original AI n°37.113.5443 1. Constitui infração a empresa deixar de informar mensalmente por meio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS, descrita no artigo 32, inciso IV da Lei 8212/91. 1. Multa aplicada de acordo com a legislação vigente, correspondente a 100% (cem por cento) do valor das contribuições não declaradas, limitado, por competência, aos valores previstos no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/91 (em função do número de segurados da empresa). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Lançamento Procedente O recurso A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 101/112, no qual, após breve síntese dos fatos processuais, articula que a verba denominada PLR não possui natureza remuneratória, por isso não pode sofrer incidência de contribuições sociais. Depois sustenta que a multa aplicada deve ser desconstituída posto que inexistiu a infração. É relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A incidência de contribuições sociais sobre a verba paga a título de PLR Para resolver a principal questão trazida com o recurso, façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a Auditoria para concluir pela incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O art. 1.º desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Pois bem, esse diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, existência no acordo de regras fixando metas/resultados, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000371/200785 Acórdão n.º 240101.918 S2C4T1 Fl. 145 5 A Lei n.º 8.212/1991 traz a alínea “j” do § 9.º do art. 28, a qual regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros. O dispositivo prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da mesma em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n.º 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Vêse então que a desoneração tem como pressuposto que a verba em questão seja disponibilizada em conformidade com a lei específica. Em razão do que estabelece esse dispositivo, o Fisco concluiu que sobre os pagamentos efetuados pela empresa sob a denominação de PLR deveria haver a incidência de contribuições sociais, uma vez que a parcela foi paga em desacordo com a lei de regência. Essa desconformidade, no entender da Auditoria, deuse pelo fato das Convenções Coletivas de Trabalho no período de 2003 a 2006 não estabelecerem qualquer meta ou condição para a percepção do benefício, indicando apenas que a PLR a ser paga no mês de novembro equivaleria a percentual do salário do empregado. De fato, nos termos das citadas Convenções, na parte que instituiu o pagamento da participação nos lucros, essas não condicionavam o pagamento da parcela ao atingimento de qualquer meta ou resultado. Esse fato não foi contestado pela empresa no seu recurso, ela apenas sustenta que a verba não é passível de tributação em razão do seu caráter não remuneratório. Para dirimir tal controvérsia, vejamos o que dispõe a Lei que regula a participação nos lucros e resultados quanto a esse aspecto: Art. 2.º (...) §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Pelo que dispõe a norma acima, o ajuste resultante da negociação entre patrões e empregados para pagamento da PLR deve apresentar as regras que presidirão o processo de aquisição e gozo do benefício. Embora os critérios e condições para que o empregado faça jus ao recebimento da verba tenham sido postos na norma a título exemplificativo, entendo que decorre do texto legal a imprescindibilidade da fixação dos requisitos necessários à fruição do benefício trabalhista, os quais, digase de passagem, devem ter sido previamente estipulados. O que se observa das Convenções firmadas entre patrões e empregados nesse caso concreto é que o pagamento da verba é incondicional e equivalente a um percentual do salário dos empregados como se pode ver da cláusula abaixo transcrita que se repete para todos os ajustes: CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2003 4. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS OU ABONO ESPECIAL A ESCOLA está obrigada a pagar, em uma única parcela, até o dia 15 (quinze) de novembro de 2003, a cada AUXILIAR, a titulo de abono especial (ESCOLAS enquadradas no inciso 2 do parágrafo 3°, artigo 2° da Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000) ou a titulo de participação nos lucros ou resultados (ESCOLAS não enquadradas no inciso 2 do parágrafo 3°, artigo 2° da Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000), o correspondente a 24% (vinte e quatro por cento) de seu salário mensal bruto. Parágrafo Único Com a concessão do abono especial ou da participação nos lucros , ou resultados, nos termos da presente clausula e seus parágrafos, dáse por cumprida a Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000 e publicada no Diário Oficial da União de 20 de dezembro de 2000. Da forma como foi instituída a verba, posso dizer com segurança que não se tratava de Participação nos Lucros e Resultados da empresa nos moldes previstos pela Lei n.º 10.101/2000, mas sim pagamento de abono anual, sobre o qual não tenho dúvida quanto à incidência de contribuições sociais. A natureza jurídica de determinada verba não decorre da denominação dada à parcela, por isso, simplesmente o fato de se dar o título de PLR a certo pagamento não lhe retira a natureza salarial. É isso que pode se inferir do Código Tributário: Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Diante das considerações já apresentadas, já posso concluir que a falta de fixação de metas na Convenção Coletiva de Trabalho na parte relativa ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados é motivo para que a verba em questão sofra a tributação, não merecendo reparos o lançamento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000371/200785 Acórdão n.º 240101.918 S2C4T1 Fl. 146 7 Da ocorrência da infração A partir do que foi exposto, não há como se negar a ocorrência da infração. Os autos revelam que a empresa, ao deixar de declarar as parcelas pagas a título de PLR em desconformidade com a norma de regência, descumpriu obrigação acessória prevista na Lei n.º 8.212/1991 (redação vigente à época dos fatos geradores): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Assim, uma vez que está patente nos autos que a empresa deixou de observar dever a que estava legalmente obrigado, não devo acatar a tese de inexistência da infração. Da aplicação da multa Também é de se concluir que a multa foi aplicada no patamar fixado pelo legislador e está em consonância com a legislação vigente no momento da ocorrência das infrações, todavia, é possível que haja um reparo a ser feito quanto à aplicação da penalidade. É que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na NLFD correlata. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, para darlhe provimento parcial de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na NLFD correlata. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.011330/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/09/2006
Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
SEGURADOS EMPREGADOS– DIVERGÊNCIA GPS X GFIP
A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-002.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento os fatos geradores anteriores a 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/1996 a 30/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. SEGURADOS EMPREGADOS– DIVERGÊNCIA GPS X GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. SEGURADOS EMPREGADOS– DIVERGÊNCIA GPS X GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento os fatos geradores anteriores a 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.011330/200757 Acórdão n.º 230102.182 S2C3T1 Fl. 281 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados empregados. Conforme Relatório Fiscal (fls. 84), o débito lançado por meio da presente notificação trata das contribuições dos segurados empregados, que a empresa descontou quando do pagamento de suas remunerações, e não recolheu aos cofres da Previdência Social em época própria. Segundo a autoridade notificante, o lançamento é composto pelos levantamentos FPA (07/96 a 12/98), FP1 (01/99 a 10/01), e FP (01/99 a 10/01 e 09/06). Consta, ainda, que foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais a ser encaminhado ao Ministério Público. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0215.609, da 8a Turma da DRJ/BHE, (fls. 36), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 45 ), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega decadência e inexigibilidade do depósito recursal. No mérito, reafirma que existem valores identificados no anexo I do Relatório Fiscal 37.070.4614, que se referem a doações feitas pela Igreja a pessoas físicas e pagamentos realizados a ministros de confissão religiosa (pastores, missionários, seminaristas e obreiros), para o seu sustento e o de sua família, sendo que não existe previsão legal de que tais valores devam ser incluídos nas folhas de pagamento ou na GFIP, como pretende a representante fiscal. Sustenta que os benefícios recebidos em dinheiro ou in natura pelos eclesiásticos não são retributivos, não sendo, portanto, remuneratórios ou salariais, não se referindo a serviços prestados contidos em contratos de emprego ou de trabalho. Reitera que as contribuições previdenciárias dos exercícios de 1999, 2000 e 2001 foram alcançadas pela decadência, e que a cobrança de contribuição ao SEBRAE e AO INCRA é inconstitucional. Alega que a cobrança de multas vinculadas à apresentação de documentos é indevida, uma vez que, na ocasião, a Igreja contribuiu espontaneamente com a fiscalização, apresentando os livros caixa, razão contábil e demais documentos solicitados, à exceção do Livro Diário, como também é improcedente a utilização no trabalho fiscal do método de aferição indireta, com cobrança de contribuições com base em médias, estimativas e suposições de recebimentos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Insiste na realização de perícia, sob pena de contrariar os princípios do contraditório e da ampla defesa e os direitos e garantias fundamentais da autuada, previstos na no artigo 5°,LV, da CF/88, e elenca os quesitos e nomeia o perito para sua realização. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.011330/200757 Acórdão n.º 230102.182 S2C3T1 Fl. 282 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a autuada alega inexigibilidade do depósito prévio. De fato, plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: “RECURSO ADMINISTRATIVO – DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo.” A situação acima aplicase ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, prevê, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, com amparo no dispositivo acima, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio. Em relação à decadência,verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Como já exposto acima, o inciso I do § único do art. 62, da Portaria 256/2009, determina que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.011330/200757 Acórdão n.º 230102.182 S2C3T1 Fl. 283 7 Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso presente, a NFLD foi lavrada em 05/03/2007, e a sua cientificação ao sujeito passivo se deu na mesma data, sendo que o débito se refere aos períodos de 01/99 a 10/01 (lev. FP1), 07/96 a 13/98 (lev. FPA), 01/99 a 09/01 e 09/06 (lev. FP) Dessa forma, verificase que os levantamentos FPA e FP1 estão decadentes, independente da regra a ser aplicada do CTN (173, I ou 150, § 4o). Já para o levantamento FP, tratase de lançamento de ofício, para o qual não houve recolhimento antecipado, caso em que se aplica a regra contida no art. 173, I, do CTN, ou seja, estariam decadentes todos os lançamentos até 12/2001, inclusive. Contudo, constatase, do DAD, que o levantamento FP engloba as competências entre 01/99 a 10/01, e a de 09/2006. Assim, independente da regra a ser aplicada, para o levantamento FP, não foi objeto de decadência apenas a competência 09/2006. Nesse sentido, acolho a preliminar de decadência trazida pela recorrente. No mérito, a notificada insiste em afirmar que existem valores identificados no anexo I do Relatório Fiscal 37.070.4614, que se referem a doações feitas pela Igreja a pessoas físicas e pagamentos realizados a ministros de confissão religiosa (pastores, missionários, seminaristas e obreiros), para o seu sustento e o de sua família, sendo que não existe previsão legal de que tais valores devam ser incluídos nas folhas de pagamento ou na GFIP, como pretende a representante fiscal. Todavia, o instrumento de crédito discutido por meio do presente processo administrativo fiscal é o de nº 37.070.4657, e não aquele citado pela recorrente. Em nenhum momento a autoridade fiscal ou o julgador de primeira instância defendeu que os benefícios recebidos em dinheiro ou in natura pelos eclesiásticos integram o salário de contribuição. Pelo contrário, restou claro, tanto no relatório fiscal quanto no acórdão combatido, que o débito se refere a contribuições dos segurados empregados, arrecadadas pela Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 empresa e declaradas em GFIP, e não recolhidas aos cofres da Previdência Social em época própria.. Ou seja, conforme relatórios que integram a NFLD, o crédito lançado fora apurado tendo em vista a diferença constatada entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Dessa forma, os valores devidos à Previdência Social foram confessados pela própria notificada por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP. E, de acordo com o § 1º, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP’s constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento. Portanto, a notificada confessou que deve um certo valor à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido Assim, a notificada informou, por meio de GFIP, haver descontado contribuição da remuneração paga a seus empregados e não recolheu o valor devido em época própria, contrariando o estabelecido nas alíneas “a” e “b”, do inc. I, do art. 30, da Lei 8.212/91, ou seja: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620, de 05/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (Ver art. 4º da MP nº 83, de 12/12/02, convertida na Lei nº 10.666, de 08/05/03, que obriga a empresa a arrecadar a contribuição do contribuinte individual que lhe preste serviço) b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência (grifei); E, conforme o § 5o, do art. 33, do mesmo diploma legal, o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a fiscalização, ao constar o não recolhimento das contribuições que a notificada declara que arrecadou dos segurados empregados que lhe prestaram serviços, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.011330/200757 Acórdão n.º 230102.182 S2C3T1 Fl. 284 9 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. A notificada insiste na produção de prova pericial, que foi indeferida com muita propriedade pelos julgadores de primeira instância, que constataram a desnecessidade de realização de perícia tendo em vista que a recorrente não demonstrou que a elucidação do caso dependeria de conhecimentos técnicos especializados. Ademais, todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ser comprovadas por meio da juntada de prova documental pela autuada, conforme disposto no relatório IPC (fls. 02/03) e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Dessa forma, não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento Relativamente aos argumentos de inconstitucionalidade da cobrança de contribuição ao SEBRAE e AO INCRA, cumpre reiterar o que já foi oportunamente esclarecido pelo julgador de primeira instância, tais matérias são totalmente estranhas e impertinentes à NFLD ora discutida, uma vez que é objeto do presente lançamento apenas a contribuição dos segurados empregados. A recorrente deve demonstrar seu inconformismo em relação a tais exações nos autos que discutem a NFLD que lançou tais contribuições. Da mesma forma, as alegações de que a Igreja contribuiu espontaneamente com a fiscalização, apresentando os documentos solicitados, e de que é improcedente a utilização do método de aferição indireta, não são capazes de desconstituir o lançamento, pois os valores aferidos indiretamente foram alcançados pela decadência e excluídos do débito, restando apenas a contribuição declarada pela própria notificada em GFIP. Nesse sentido, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 Voto por de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por decadência, todos os valores lançados até 12/2001. É como voto Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001459/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS –
São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais, por serviços prestados à empresa
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS – São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais, por serviços prestados à empresa Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001459/200820 Acórdão n.º 2401001.698 S2C4T1 Fl. 191 3 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, por ter deixado a empresa de efetuar recolhimento de contribuições de terceiros, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004 De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 97/101, a o AI foi lavrado em virtude do não recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social, sendo efetuados os seguintes levantamentos: FNG Pagamentos efetuados pela empresa aos seus empregados, constantes da folha de pagamento da mesma, não declarado em GFIP, e sem a observância da Legislação Previdenciária, no que diz respeito à contribuição patronal incidente sobre tais valores TNG Pagamentos efetuados pela empresa a contribuintes individuais (transportadores autônomos), não declarados em GFIP, e sem a observância da Legislação Previdenciária, no que diz respeito à contribuição devida pelos segurados, não havendo apropriação indébita. Esclarece ainda o RF, que a presente autuação referese a contribuição destinada a terceiros; Inconformada com a Decisão de fls. 175/180 a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: “Que a Autoridade Julgadora não se atentou para a correção dos códigos das GFIP's argüida pela Recorrente, situação que demonstraria o efetivo recolhimento de todas as contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente. Dessa forma, vale repetir que a Recorrente havia efetivado o pagamento das GFIP's através de códigos errados, aparentando assim, ausência de recolhimento dos tributos devidos. Contudo, a Recorrente já retificou o erro, informando para a Secretaria da Receita Federal o correto código de arrecadação, de modo que inexiste inadimplemento tributário. Urge salientar a ilegalidade da base de cálculo das contribuições previdenciárias em questão. Com efeito, nos termos das orientações da Receita Federal do Brasil são exigidas contribuições previdenciárias sobre várias rubricas, dentre elas: a) horas extras; c) auxilioacidente e auxiliodoença (quinze primeiros dias); e 1/3 sobre as férias. Tal fato é incontroverso, não dependendo de provas. Contudo, os Tribunais pátrios, em especial o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA já se manifestou sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade de exigências das Fl. 193DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 contribuições previdenciárias sobre tais rubricas, conforme infinidades de julgados juntados na impugnação. Nessa esteira, deverá o Conselho dos Contribuintes do Ministério da , Fazenda se manifestar sobre a legalidade da base de cálculo utilizada no lançamento fiscal em questão, reconhecendo a inexigibilidade das exações sobre as rubricas , identificadas na impugnação. Considerando, em contrapartida, nulo o lançamento fiscal, tendo em vista desrespeitar a Legislação Federal e a Constituição Federal, nos termos do entendimento do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA e SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL..” Requer por fim, seja considerado improcedente o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001459/200820 Acórdão n.º 2401001.698 S2C4T1 Fl. 192 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Em que pese a irresignação da recorrente, não há nos autos argumentos fáticos e jurídicos capazes de macular a autuação em apreço. Ao contrário do que aduz em sua peça recursal, todos os recolhimentos efetuados pela empresa foram considerados pela fiscalização e abatidos da presente autuação, conforme se depreende do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, constantes das fls. 09 e 10 dos autos. Tal fato também pode ser verificado no item 7 do Relatório Fiscal. Desta forma temos que, alegada correção das GFIPs, supostamente demonstrado no pedido de remissão da multa no Auto de Infração nº 37.180.4779, com o intuito de se aproveitar os recolhimentos feitos pelas tomadoras de serviço sob o código 2631 não interfere nos valores já aproveitados quando da apuração dos créditos tributários, conforme já rebatido na decisão de primeira instância. Temos ainda que tais recolhimentos mencionados pela recorrente não comportam contribuições para terceiro, que é o caso dos presentes autos, estando totalmente equivocado o entendimento na peça recursal. Sobre as alíquotas aplicadas pela fiscalização, foram feitas dentro dos liames legais e estão devidamente discriminadas no item 08 do Relatório fiscal e as bases de cálculo das contribuições apuradas constaram da folha de pagamento, da escrituração contábil e de outros documentos exibidos pela própria empresa. Logo, não cabe razão à recorrente, quando afirma que as contribuições incidiram sobre rubricas de natureza indenizatórias. Portanto, tendo a autuação obedecido todos os preceitos legais e estando revestida dentro das formalidades legais, não há que se falar na improcedência do AI. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Fl. 195DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 196DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13816.000533/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa: IRPF — GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS — PLANO DE SAÚDE — Na hipótese de apresentação de declaração em separado são dedutíveis as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante incluído em plano de titularidade de outro integrante da entidade familiar, ainda que não haja comprovação do ônus, desnecessária em face da informalidade prevalente no âmbito familiar.
Numero da decisão: 2201-001.152
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF — GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS — PLANO DE SAÚDE — Na hipótese de apresentação de declaração em separado são dedutíveis as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante incluído em plano de titularidade de outro integrante da entidade familiar, ainda que não haja comprovação do ônus, desnecessária em face da informalidade prevalente no âmbito familiar.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 19/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 29/10/2007, o auto de Infração de fls. 09, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, anocalendário 2004, exercício 2005, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 7.811,11, dos quais R$ 3.705,64 correspondem ao imposto, R$ 2.779,23 a multa de ofício e R$ 1.326,24 aos juros de mora calculados até 31/10/2007. Conforme se verifica da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07) o lançamento decorre da dedução indevida de despesas médicas: “Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$18.807,69, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Medicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (..) COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS R$ 18.807,69 OMINT SERVIÇOS DE SAÚDE LTDA. CONFORME DOCUMENTOS APRESENTADOS NESTA DRF A CONTRIBUINTE NÃO ARCOU COM O ÔNUS DESTA DESPESA” Cientificada do Auto de Infração em 09/11/2007 (conforme AR de fls. 39) a contribuinte apresentou, em 03/12/2007, a impugnação e documentos de fls. 01/37, sustentando, em síntese, que: “3.1 Por questão estritamente de ordem financeira, foi contratado conjuntamente entre a Impugnante c a sua filha (Sra. Ana Maria Romano — CPF n° 004.338.54863) o plano de saúde junto á empresa "Omint Serviços de Saúde Ltda", 3.2 Na declaração formatada pelo plano de saúde fica evidente que a 1mpugnante efetuou pagamentos mensais a título de assistência médica no ano de 2004. Importante frisar que tais pagamentos foram efetivamente feitos pela Impugnante e não pela sua filha e, portanto, faz jus à dedução dos valores em seu Imposto de Renda. 3.3 Justamente em razão de os pagamentos terem sido feitos pela Impugnante que a sua filha (Ana Maria) não deduziu tais valores do seu Imposto de Renda. Analisando estas situações com coerência, fica evidente que a operação não está lesando o Fisco Federal, já que tais valores só foram deduzidos do Imposto de Renda da Impugnante.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU Processo nº 13816.000533/200723 Acórdão n.º 220101.152 S2C2T1 Fl. 2 3 A 9ª Turma da DRJ em São Paulo, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento conforme acórdão assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Mantida a glosa de despesas médicas, haja vista que o direito á sua dedução condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Lançamento Procedente” Cientificada da decisão de primeira instância em 18/06/2009, conforme AR de fls. 49, e não se conformando com a r. decisão, o recorrente interpôs, em 15/07/2009, o recurso voluntário de fls. 57/56, por meio do qual reitera suas razões de inconformidade apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado acima a glosa de despesas médicas se deu em decorrência da ausência de comprovação pela Recorrente do efetivo pagamento dos valores relativos ao plano de saúde da Omint da qual é beneficiária e que é de titularidade de sua filha. De fato, como se verifica dos autos restou comprovado pela declaração de fls. 33/34 que a Recorrente era beneficiária do plano de saúde contratado junto à empresa Omint Serviços de Saúde Ltda., sendo que sua filha a Sra. Ana Maria Romano era a titular do plano (a associada conforme consta na referida declaração). Constatase, ainda, que a Recorrente efetuou a dedução a título de despesas médicas somente da parte do valor da mensalidade total do referido plano que a ela correspondia, nos exatos termos informados pela operadora Omint na declaração de fls. 33/34. Entendo legítima, neste caso, que o valor de tais despesas médicas seja efetivamente deduzido pela Recorrente em sua declaração de ajuste, sendo incorreto que fosse deduzido na declaração de sua filha titular do plano, já que ambas apresentaram declaração em separado. A objeção aventada pela DRJ de que não teria havido prova da transferência financeira de mãe para filha dos valores relativos à parcela do plano correspondente à mãe não é suficiente para impedir a dedução pela Recorrente da parcela do plano a ela correspondente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU 4 Isto porque, em se tratando de pais e filhos integrantes da mesma entidade familiar, é razoável admitir certa informalidade, como tem entendido este Colegiado em relação a outras matérias, in verbis: “EMPRÉSTIMO DE PAI PARA FILHO CONSIGNADO NAS DECLARAÇÕES DO MUTUANTE E DO MUTUÁRIO COMPROVAÇÃO Se os valores emprestados pelo mutuante tem origem justificada e se trata de empréstimo de pai para filho, quase sempre feito de maneira informal em se tratando de dinheiro, e se o valor está consignado na declaração de rendimentos do mutuante e do mutuário, o valor efetivamente recebido a título de empréstimo deve constar no "fluxo de caixa" mensal como fonte de origens do mutuário e como fonte de aplicações do mutuante no mês da efetiva transferência dos recursos.” (acórdão 10419.932, 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes) Assim, a informalidade que impera nas relações familiares deve ser aplicada também ao presente caso, sendo verossímel que eventuais despesas médicas da Recorrente tenham sido suportadas inicialmente pela sua filha e posteriormente reembolsadas pela Recorrente em momentos diversos, sem necessidade de comprovação do ônus financeiro. Em linha com tal entendimento, a pergunta 361 do atual Pergunta e Respostas da Receita Federal do Brasil aceita que a pessoa física que constou como beneficiário em plano de saúde de outra possa deduzir as despesas, independentemente da prova do ônus financeiro na hipótese de serem integrantes da mesma entidade familiar: “361 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? E a pessoa física que constou como beneficiário em plano de saúde de outra pode deduzir as suas despesas? O contribuinte, titular de plano de saúde, não pode deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis as despesas com instrução ou médica ou com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de dependentes incluídos na declaração cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. Entretanto, se o terceiro não for integrante da entidade familiar, há que se comprovar a transferência de recursos, para este, de alguém que faça parte da entidade familiar. A comprovação do ônus financeiro deve ser feita mediante documentação hábil e idônea, tais como contrato de prestação de serviço ou declaração do plano de saúde e comprovante da transferência de recursos ao titular do plano). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU Processo nº 13816.000533/200723 Acórdão n.º 220101.152 S2C2T1 Fl. 3 5 Aplicase o conceito de entidade familiar tanto aos valores pagos a empresas operadoras de planos de saúde, destinados a cobrir planos de saúde, como às despesas pagas diretamente aos profissionais ou prestadores de serviços de saúde, bem assim aos pagamentos de despesas com instrução, do contribuinte e de seus dependentes. ( Constituição Federal de 1988, arts . 226 e 229; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), arts . 1.565, 1566, 1.579; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, arts . 8º, inciso II, alínea “a”, e § 2º, incisos de I a IV, e 35) A resposta transcrita acima leva em consideração o conceito de entidade familiar existente na Constituição Federal, que dispõe: “Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 1º O casamento é civil e gratuita a celebração. § 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. § 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. § 4º Entendese, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.” Ante o exposto, conheço do recurso voluntário da Recorrente para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para cancelar o lançamento. Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13816.000533/200723 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.152. Brasília/DF, ____________________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU
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Numero do processo: 10875.001299/2003-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI – RESSARCIMENTO ESCRITURAÇÃO
Não há ofensa ao princípio da nãocumulatividade,
insculpido no artigo 153,
§ 3º da CF/88, uma vez que esse por si só não assegura o direito ao crédito de
IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.920
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 09/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 153DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10875.001299/200335 Acórdão n.º 330200.920 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido por bem reprisar a matéria contida nos autos. O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento de créditos extemporâneos do IPI, listados às fls. 64/71, no montante de R$ 72.174,06, que adviriam de insumos adquiridos de comerciantes atacadistas não contribuintes (50% do IPI que seria lançado na nota fiscal de contribuintes), sendo que parte do crédito seria utilizado na compensação dos débitos que declarou. O Despacho Decisório de fls. 82/85 indeferiu o pedido, com base no artigo 2° da IN SRF n° 33/99, que determina inicialmente a compensação dos débitos do IPI com eventuais saldos credores, por verificar que tais créditos foram irregularmente escriturados no Livro de Registro e Apuração do IPI, inexistindo valores a serem ressarcidos e sim saldos devedores, conforme demonstrativo de fl. 81. Tempestivamente, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 91/100 discorrendo sobre a possibilidade de creditamento pleno do IPI sem as limitações da IN SRF n° 33/99, as quais seriam ilegais e inconstitucionais, salientando que seu direito seria imprescritível. Encerrou requerendo a reforma do despacho decisório a fim de deferir seu pedido de ressarcimento, tendo em vista o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, resolveram os Membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. Intimada em 23/07/2008, irresignada o recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 14/08/2008. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A questão principal de que trata o presente recurso diz respeito a compensação efetuada pela recorrente a título de créditos extemporâneos de IPI. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10875.001299/200335 Acórdão n.º 330200.920 S3C3T2 Fl. 3 3 Aproveitamento de créditos de IPI – escrituração O cerne da questão referese ao aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, tributados na entrada e que tendo em vista não haver tributação na saída do produto industrializado, haveria que acumularse e ressarcirse tais créditos. Alei nº 9.779/99, dispôs que: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.” O referido artigo dispõe sobre o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados nas operações seguintes com produtos tributados, isentos não tributados ou com alíquota zero. A parte final do artigo supra expõe que devem ser observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal, no caso a IN/SRF nº 33/99, para poderem ser ressarcidos de créditos referentes ao IPI. O artigo 4º da IN nº 33/99 esclarece: “Art. 4º o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no artigo 11 da Lei nº 9779/99, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparados a partir de 1º de janeiro de 1999.” O referido artigo veio regulamentar o que já estava previsto na Lei nº 9779/99, não havendo que se falar em ilegalidade ou inconstitucionalidade de sua parte. Deve se levar em consideração que as normas que estabelecem benefícios fiscais decorrem de lei, (e não da Constituição Federal) devendo ser interpretadas restritivamente. Não há ofensa ao princípio da nãocumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, uma vez que esse por si só não assegura o direito ao crédito de IPI decorrentes dos produtos acima mencionados. Neste caso a Lei Ordinária nº 9779/99 que dispôs sobre o tema, e a IN/SRF nº 33/99 apenas regulamentou a referida Lei não trazendo prejuízos ao contribuinte, trazendo apenas condições em que tais créditos poderão ser aproveitados, tudo em conformidade com a Lei nº 9779/99, que a partir de sua instituição possibilitou o ressarcimento de crédito básico do IPI. Não há como sustentar o procedimento da postulante, sob o argumento de ferir o fisco o princípio da nãocumulatividade, pois, um princípio constitucional de índole Fl. 155DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10875.001299/200335 Acórdão n.º 330200.920 S3C3T2 Fl. 4 4 programática não é apto a criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo tão somente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regulam o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legiferante conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata, tem o condão de criar relações jurídicas de direito material. No caso concreto o recorrente não escriturou o RAIPI de acordo com a legislação, nem demonstrou que o saldo era resultante do excedente de créditos sobre os débitos do imposto, tampouco contestou a reconstituição da escrita efetuada pela fiscalização, não havendo como apurar se há efetivamente o valor que entende ter direito ao ressarcimento. Matéria de prova, portanto, que considero não atendida. O ressarcimento é uma prerrogativa do recorrente, mas deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer seu direito. Assim, não atendido os requisitos previstos na legislação, em referência, não há como se homologar a pretensa restituição, sendo correta a exigência ora combatida. Por todo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 156DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11065.101109/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na
hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, inda
que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência a empresa contratante. Inexistência de vedação legal e
insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de
forma a deflagrar simulação.
Numero da decisão: 3201-000.771
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram
o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino
Barbieri.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, inda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência a empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 551 1 550 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.101109/200629 Recurso nº 863.584 Voluntário Acórdão nº 320100.0771 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de agosto de 2011 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO COFINS 4º Trimestre de 2005 Recorrente IMS BRAZIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Robson José Bayerl, Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 557DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe em 20/10/2005, relativo aos créditos de Cofins não cumulativa do quarto trimestre de 2005, no valor de R$ 393.489,01 (fl. 01). A DRF em Novo Hamburgo emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2007 (fl. 57), com base no Relatório da Ação Fiscal de fls. 43 a 55, reconhecendo o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 339.206,35. Foram glosados os valores decorrentes de créditos de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante a constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME, CNPJ 04.585.274/000140) era, na realidade, estabelecimento da própria interessada. O Relatório Fiscal transcreve parte de relatório anterior, resultado de detalhado procedimento de fiscalização, efetuado para exame de solicitações referentes ao ano calendário 2004. São apontados os diversos aspectos que resultaram na constatação de inexistência de serviços prestados por empresa independente, em desacordo com o critério para a apuração de créditos estabelecido, na legislação. Cabe frisar que não foram oferecidos pela empresa à tributação os valores decorrentes de transferências de créditos de ICMS a terceiros. Conforme o citado no relatório, tais valores não foram considerados para efeitos de glosa em função da determinação judicial no Mandato de Segurança 2006.04.01.016972/RS. Após efetuar as compensações, a DRF/NHO efetuou a ordem bancária do ressarcimento do saldo incontroverso (fl. 82). O contribuinte apresenta, em 16/03/2007, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade (fls. 88 a 102, mais os anexos), através de representante devidamente habilitado, na qual se insurge contra a glosa dos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado. Inicialmente, questiona o fato do auditorfiscal sequer ter comparecido nas empresas, tendo como base integralmente a fiscalização anterior. Aborda todos os aspectos levantados Pela fiscalização e que levaram à conclusão da estreita vinculação entre as duas a ponto de concluir pela inexistência de créditos, com o objetivo de comprovar serem empresas diferentes e, em decorrência, ser legítimo o creditamento de PIS e Cofins sobre os serviços prestados pela empresa PUPPIES TIME. Observa que sendo a empresa Puppies de menor porte e em função da forma de atuação da IMS, que preza que os parceiros possuam uma relação de confiança e participem de programas de qualidade da empresa, a proximidade das empresas constatada pela fiscalização (sócia ser exfuncionária, uso de orientações e memorandos da IMS, uso de papel timbrado, bens em nome de IMS, comprovante de pagamento de seguro de Puppies encaminhado por IMS, entre outros fatos constatados) seria natural, nada caracterizando irregularidade. Sobre a assistência de saúde da Unimed contratada por Puppies, na qual figura Fl. 558DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101109/200629 Acórdão n.º 320100.0771 S3C2T1 Fl. 552 3 como representante autorizado um sócioadministrador da IMS, a empresa esclarece que ocorreu apenas um equívoco. Junta notas fiscais de remessa de mercadorias, entre as empresas, contrato de locação, inventário de material de embalagem e documentação relativa ao contrato de seguro com a empresa Frankfurt. Requer, por fim, que seja reformada a Decisão para reconhecer a procedência do pedido em relação aos itens abordados. Cumpre registrar que das Ações Fiscais realizadas, em decorrência dos mesmos fatos aqui abordados, resultaram glosas em outros processos e lançamentos de ofício em relação a valores já ressarcidos referentes a outros períodos de apuração. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1021.429 (fls. 533/534): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: COFINS NÃO CUMULATIVA — Corretas as glosas relativas aos créditos que a interessada se utilizou provenientes de serviços de industrialização prestados por estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Mantidas as glosas não contestadas pela interessada. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 17/03/2010 (f1.536), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/04/2008 (fls. 537/547), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. Fl. 559DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 O referido recurso ataca a glosa do crédito de COFINS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. Sobre esse aspecto, entendo que a questão merece muita cautela. Com efeito, a glosa dos créditos oriundos das despesas de contratação de mãodeobra terceirizada teve por base a premissa de que a Recorrente agiu dissimuladamente para reduzir a sua carga tributária. Tal premissa, segundo o juízo a quo, foi devidamente comprovada pela fiscalização, e, portanto, a glosa foi mantida. Inicialmente, é importante consignar que o emprego de dolo, fraude ou simulação em matéria tributária configura hipótese de evasão fiscal, e não de elisão fiscal. A distinção básica entre esses dois institutos é que a evasão é empreendida por meios ilícitos, enquanto a elisão é empreendida por meios lícitos. Configurada hipótese de evasão, a autoridade fiscalizadora deve proceder à lavratura de auto de infração, acrescida de multa qualificada e acompanhada de representação fiscal para fins penais, uma vez que evasão é crime contra ordem tributária capitulado na Lei nº 8.137 de 1990. Já a elisão, se empreendida com abuso de forma, abuso de direito, negócio jurídico indireto, entre outras figuras afins, permitiria à autoridade fiscalizadora desqualificar o negócio jurídico praticado pelo contribuinte para alcançar os efeitos tributários do negócio jurídico dissimulado. Entretanto, o fundamento legal para essa desqualificação é o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que é norma de eficácia limitada, ou seja, a sua aplicação é condicionada à regulamentação posterior (fato que, nesse particular, ainda não há). Segundo a autoridade fiscalizadora, a Recorrente teria forjado a contratação de uma pessoa jurídica independente, que, em verdade, seria um estabelecimento próprio, o que inviabilizaria a tomada de créditos de COFINS na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Desse modo, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Puppies Time Ltda., glosando os referidos créditos. Na minha visão, a questão central em discussão é a seguinte: a Recorrente empreendeu evasão por ter simulado a contratação da empresa Puppies Time Ltda. ou elisão por ter reestruturado as suas atividades com o propósito de reduzir o seu custo de produção? Simular é mentir sobre algo, fazendoo parecer algo que não é. No caso concreto, a Recorrente realmente contratou uma empresa regularmente constituída para realizar uma etapa do processo de industrialização dos seus produtos, sendo que em momento algum a Recorrente alegou fazer outra coisa. Desse modo, não há mentira, e, portanto, simulação. Haveria simulação se a Recorrente emitisse notas fiscais de prestação de serviço de uma empresa fantasma para gerar créditos de COFINS. Também haveria simulação se os serviços que foram contratados não fossem efetivamente prestados, caso em que não poderia haver o creditamento de COFINS. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, entretanto. Convém consignar que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais evoluiu no trato do assunto, pois até bem pouco tempo atrás a verificação da licitude do planejamento tributário limitavase ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo certo que atualmente é necessário ir além, analisandose a substância econômica dos atos e negócios jurídicos efetivamente praticados pelo contribuinte. Vejamos: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que Fl. 560DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101109/200629 Acórdão n.º 320100.0771 S3C2T1 Fl. 553 5 se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. (Acórdão nº 10423.129, Rel. Cons. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23.04.2008) ......................................................................................................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. (Acórdão nº 10323.441, Redator Designado Cons. Antonio Bezerra Neto, Sessão de 17.04.2008) ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a lançamento de ofício de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, em nome desta. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE Fl. 561DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO NEXO DE CAUSALIDADE A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO O lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os seus aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a conformam. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. (Acórdão nº10421.729, Redator Designado Cons. Gustavo Lian Haddad, Sessão de 26.07.2006) Ora, a Recorrente reconhece que reestruturou suas atividades de forma a reduzir custos, passando a contratar empresa cuja sócia era sua exfuncionária e que efetivamente lhe prestava serviços. Além disso, como era a principal cliente da Puppies Time Ltda. (a Recorrente não era sua cliente exclusiva), reconhece que possuía ingerência sobre as atividades dessa empresa. Ocorre que isso, por si só, ainda não permite que a autoridade fiscalizadora desqualifique o negócio jurídico realizado entre as empresas, de modo a glosar as despesas incorridas pela Recorrente que originaram os seus créditos de COFINS. Para tanto, deveria provar que a relação entre a Recorrente e a Puppies Time Ltda. era meramente formal, sem substância econômica. Em outras palavras, a circunstância de que a Recorrente possuir ingerência sobre a Puppies Time Ltda. é totalmente irrelevante para revelar a falta de substância econômica nessa relação comercial. Impõese ressaltar que o critério da ingerência administrativa é totalmente alheio à legislação de regência da COFINS não cumulativa, uma vez que o art. 3º, II, da Lei nº 10.833 de 2003, não faz qualquer restrição relacionada à qualidade do prestador dos serviços ou da sua relação comercial com o tomador. Tanto é assim que uma matriz pode contratar a sua subsidiária para prestar serviços, e viceversa, sem que isso lhes impeça de tomarem crédito de COFINS, nos termos da legislação citada. A questão que se faz pertinente nesse caso é a adequação dos preços praticados aos padrões de mercado, mas a legislação de regência é omissa nesse aspecto. Convém mencionar, por fim, que se o legislador ordinário tivesse a intenção de evitar esse tipo de reestruturação operacional, ele deveria ter estabelecido vedação similar ao creditamento da locação ou arrendamento de bens que já tenham integrado o ativo permanente da empresa locatária ou arrendatária. Vejamos: Lei nº 10.833 de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 562DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101109/200629 Acórdão n.º 320100.0771 S3C2T1 Fl. 554 7 V aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Lei nº 10.865 de 2004 Art. 31. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Ante a falta de indícios suficientes que respaldem a desconsideração da personalidade da Puppies Time Ltda. e a inexistência de vedação legal ao planejamento tributário empreendido pela Recorrente, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, de modo a afastar a glosa dos créditos decorrentes da contratação da empresa Puppies Time Ltda. para o processo de embalagem dos produtos da Recorrente. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 563DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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