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Numero do processo: 10540.000655/2002-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DECLARAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO.
Para a centralização dos recolhimentos em um único estabelecimento, fazia-se necessário requerimento da empresa à Receita Federal, bem como ter essa condição reconhecida pelo órgão jurisdicionante do domicílio fiscal do estabelecimento centralizador.
CENTRALIZAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Impõe-se a manutenção da exigência do crédito tributário, por não ter a contribuinte comprovado o recolhimento de tributos e contribuições centralizado na matriz.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DECLARAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO.
Para a centralização dos recolhimentos em um único estabelecimento, fazia-se necessário requerimento da empresa à Receita Federal, bem como ter essa condição reconhecida pelo órgão jurisdicionante do domicílio fiscal do estabelecimento centralizador.
CENTRALIZAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Impõe-se a manutenção da exigência do crédito tributário, por não ter a contribuinte comprovado o recolhimento de tributos e contribuições centralizado na matriz.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Numero da decisão: 3002-000.738
Decisão: Relatório
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DECLARAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. Para a centralização dos recolhimentos em um único estabelecimento, fazia-se necessário requerimento da empresa à Receita Federal, bem como ter essa condição reconhecida pelo órgão jurisdicionante do domicílio fiscal do estabelecimento centralizador. CENTRALIZAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Impõe-se a manutenção da exigência do crédito tributário, por não ter a contribuinte comprovado o recolhimento de tributos e contribuições centralizado na matriz. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DECLARAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. Para a centralização dos recolhimentos em um único estabelecimento, fazia-se necessário requerimento da empresa à Receita Federal, bem como ter essa condição reconhecida pelo órgão jurisdicionante do domicílio fiscal do estabelecimento centralizador. CENTRALIZAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Impõe-se a manutenção da exigência do crédito tributário, por não ter a contribuinte comprovado o recolhimento de tributos e contribuições centralizado na matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DECLARAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. Para a centralização dos recolhimentos em um único estabelecimento, fazia-se necessário requerimento da empresa à Receita Federal, bem como ter essa condição reconhecida pelo órgão jurisdicionante do domicílio fiscal do estabelecimento centralizador. CENTRALIZAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Impõe-se a manutenção da exigência do crédito tributário, por não ter a contribuinte comprovado o recolhimento de tributos e contribuições centralizado na matriz. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DECLARAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. Para a centralização dos recolhimentos em um único estabelecimento, fazia-se necessário requerimento da empresa à Receita Federal, bem como ter essa condição reconhecida pelo órgão jurisdicionante do domicílio fiscal do estabelecimento centralizador. CENTRALIZAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Impõe-se a manutenção da exigência do crédito tributário, por não ter a contribuinte comprovado o recolhimento de tributos e contribuições centralizado na matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 06 55 /2 00 2- 02 Fl. 86DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.738 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10540.000655/2002-02 Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 45/46 dos autos: Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração eletrônico n° 0000342 (fis. 05/06 c Demonstrativos de fis.07/08), para exigir a Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS referente ao período compreendido entre outubro e dezembro de 1997, no valor de R$ 4.051,28, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora. Em face da edição da Portaria RFB n° 666, de 24 de abril de 2008, o processo n° 10540.000656/2002-49 foi apensado ao presente, que ora também pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins (Auto de Infração eletrônico n° 341 de tls.05/08), relativa aos mesmos períodos de apuração acima relacionados, no valor de R$ 12.465,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A infração relatada no auto de infração corresponde a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata informada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). O enquadramento legal do lançamento para exigência do PIS aponta infração aos artigos 10 a 3° alínea "b" da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970; 83, inciso III, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; 1° da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 2° e inciso e parágrafo único, 3°, 5, 6, 8, I da Medida Provisória n° 1.495-11, de 02 de outubro de 1996, e reedições; art.2° e inciso I, § 1 0 e 30 , 3 6° e 8°, inciso I da Medida Provisória n° 1.546, de 1996, e reedições. Quanto a Cofins, consta no enquadramento, infração aos arts.1° a 4° da Lei Complementar n° 70, de 1991; 1° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; 57 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995; arts. 56 e parágrafo único, 60 e 66 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado das exigências em 11/07/2002 (fls. 26 PIS e 24 Cofins), o contribuinte apresentou impugnações aos lançamentos em 11/07/2002, fls. 01/02 e 01/02, PIS e Cofins, respectivamente), alegando em síntese que: • o recolhimento do PIS e da Cofins é centralizado na matriz, no município de Vitória do Espírito Santo, e os DARF referente a estas competências somam os débitos de todos os estabelecimentos da empresa, inclusive o de Vitória da Conquista; • o recibo de entrega da DCTF do quarto trimestre de 1997 do estabelecimento matriz foi efetuado em 30/01/1998, verificando-se que o valor informado é o mesmo que a somatória dos DARF pagos pela contribuinte; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10540.000655/2002-02 Acórdão n.º 3002-000.738 S3-TE02 Fl. 3 • outro documento que comprova que o tributo foi pago pela matriz é a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do ano calendário de 1997 que no quadro dedicado ao PIS e Cotins consta os valores devidamente pagos de forma centralizada; • pelos documentos acostados na presente impugnação se pode verificar que houve erro no preenchimento da DCTF do 4° trimestre de 1997, no qual constou indevidamente o tributo (PIS e Cotins), apesar deste ter sido pago de forma centralizada, cabendo estar tão somente na DCTF da matriz, razão pela qual requer que seja recebida a presente defesa para retificar a DCTF do 4°T/1997 e cancelar o auto de infração. O contribuinte juntou, com a impugnação, cópia de documentos relativos ao procedimento fiscal, procuração, documento de identidade do procurador, cópia de AR, consulta à declaração de IRPJ, DCTF, imagem de tela de computador com histórico de movimentações de processos (fls. 05/41). Consta, à fl. 43, termo de juntada por apensação ao presente do processo nº 10540.000656/2002-49. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 44/49): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DECLARAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. Para a centralização dos recolhimentos em um único estabelecimento, fazia-se necessário requerimento da empresa à Receita Federal, bem como ter essa condição reconhecida pelo órgão jurisdicionante do domicílio fiscal do estabelecimento centralizador. CENTRALIZAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Impõe-se a manutenção da exigência do crédito tributário, por não ter a contribuinte comprovado o recolhimento de tributos e contribuições centralizado na matriz. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/1997 a 31 /12/1997 RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DECLARAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO. Para a centralização dos recolhimentos em um único estabelecimento, fazia-se necessário requerimento da empresa à Receita Federal, bem como ter essa condição reconhecida pelo órgão jurisdicionante do domicílio fiscal do estabelecimento centralizador. CENTRALIZAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Impõe-se a manutenção da exigência do crédito tributário, por não ter a contribuinte comprovado o recolhimento de tributos e contribuições centralizado na matriz. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 22/04/2009 (vide AR à fl. 54 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 20/05/2009 Recurso Voluntário (fls. 56/62). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10540.000655/2002-02 Acórdão n.º 3002-000.738 S3-TE02 Fl. 4 Em seu recurso, o contribuinte se insurgiu contra a decisão de primeira instância, alegando que demonstrou em sua manifestação de inconformidade que a contribuição exigida referente ao estabelecimento filial foi paga em DARF único centralizado no CNPJ do estabelecimento matriz. Alegou que, por erro, informou na DCTF da filial a base de cálculo e as contribuições a pagar e prestou as mesmas informações na DCTF do estabelecimento matriz. Alegou que o estabelecimento filial objeto da cobrança foi absorvido quando passou por cisão da pessoa jurídica Esteve Irmãos S/A e que a pessoa jurídica cindida já havia requerido a centralização, motivo pelo qual entendeu desnecessário apresentar a declaração. Argumentou que apenas cometeu o erro referente à falta da declaração de centralização, o que não pode caracterizar falta de pagamento, invocando o artigo 32 do Decreto 70.235/72 e o Princípio da Verdade Material. Alegou que, além das informações e documentos acostados com a manifestação de inconformidade, a decisão recorrida desconsiderou que: i) na DIPJ do ano calendário em questão, a recorrente informou à Receita Federal o débito total da empresa referente às contribuições, e não só do estabelecimento matriz; ii) os DARF’s comprovam o pagamento do exato valor declarado. Assim, a decisão recorrida não poderia ser mantida, pois as contribuições cobradas já teriam sido recolhidas. Requereu, ao fim, o reconhecimento da realização dos pagamentos e o cancelamento dos autos de infração. Juntou, com seu recurso, cópia do acórdão recorrido, recibo de entrega de declaração de rendimentos, DARF’s, ata de assembleia geral extraordinária dos acionistas da empresa, cópia de documento de identidade, procuração pública (fls. 63/80). À fl. 84, foi juntado termo de apensação do processo nº 10540.000656/2002-49 ao presente. Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, a presente contenda versa sobre a comprovação ou não por parte do Recorrente quanto ao equívoco alegado pela mesma no que tange ao recolhimento dos valores devidos pela sua filial por meio da sua matriz. Embora tenha o Recorrente trazido aos autos esclarecimentos verossímeis quanto ao ocorrido, entendo que não logrou comprovar o que alega. Por entender que o caso restou devidamente analisado pela decisão recorrida, transcrevo-a a seguir, adotando-a como razão de decidir: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10540.000655/2002-02 Acórdão n.º 3002-000.738 S3-TE02 Fl. 5 Alega a interessada que não deixou de efetuar o recolhimento do PIS/Cofins uma vez que as contribuições ora exigidas foram recolhidas de forma centralizada pela matriz. A legislação que rege a matéria está bem disciplinada nas leis e instruções normativas expedidas pela Receita Federal do Brasil para este fim, optando-se, neste voto, em analisar o presente litígio sob a ótica da legislação em ordem cronológica inversa, para bem evidenciar as obrigações dos estabelecimentos centralizadores. Com o advento da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art.15, tornou-se obrigatório o recolhimento das Contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), e centralização pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, seguindo o modelo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cabendo à matriz, apresentar, de forma centralizada, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, a partir do ano-calendário de 1999. Contudo, a determinação dada pelo citado dispositivo legal, da centralização do recolhimento deste imposto, não se resumiu ao simples pagamento do tributo devido, mas estendeu-se aos aspectos de controle e arquivamento da documentação pertinente e prestação das informações necessárias, objeto das obrigações acessórias. A despeito da centralização de recolhimentos de tributos federais, cada estabelecimento é pessoa jurídica distinta tanto que a Receita Federal do Brasil emite Certidão Negativa de Débitos em nome de cada estabelecimento. Anteriormente ao ano calendário de 1999, contudo, a situação era diversa. A regra era a descentralização. Uma vez que cada estabelecimento filial tem seu próprio CNPJ, que o identifica individualmente, podendo em nome dele contratar e licitar independentemente da matriz verifica-se que a opção pela centralização deveria ser requerida administrativamente. Corrobora com tal idéia, a Instrução Normativa n° 128, de 2 de dezembro de 1992, que disciplina o recolhimento centralizado de contribuições e tributos federais por opção da pessoa jurídica, a qual, em seu artigo 2°, elenca as condições necessárias para que se realize a centralização : Art. 2° As pessoas jurídicas possuidoras de mais de um estabelecimento poderão efetuar o recolhimento de tributos e contribuições de forma centralizada, desde que: I - a opção pela centralização alcance, obrigatoriamente, todos os estabelecimentos da empresa; 11 - haja um único estabelecimento centralizador na empresa, independentemente cio número de tributos ou contribuições Centralizados nos termos desta Instrução Normativa; III - os recolhimentos relativos a tributos e/ou contribuições centralizados sejam efetuados, obrigatoriamente, pelo estabelecimento: a) sede da empresa; ou b) que centralizar as operações da empresa; ou c) em se verificar maior concentração da atividade preponderante da empresa; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10540.000655/2002-02 Acórdão n.º 3002-000.738 S3-TE02 Fl. 6 IV - o estabelecimento centralizador registre todos os fatos geradores dos tributos e contribuições que tiveram seus recolhimentos centralizados; V - o estabelecimento centralizador mantenha em arquivo toda a documentação comprobatória correspondente aos fatos geradores dos tributos ou contribuições centralizados; VI - o estabelecimento centralizador cumpra todas as obrigações acessórias relativas aos tributos e contribuições centralizados; VII - o estabelecimento centralizador utilize unicamente o seu número de inscrição no CGC no preenchimento de DARF de recolhimento de receitas federais e nos documentos referentes ao cumprimento de obrigações acessórias. Art. 3° Fica instituída a Declaração de Recolhimento Centralizado a ser utilizada nas solicitações de recolhimentos de receitas federais de forma centralizada ou nos pedidos de alteração desta forma de recolhimento. Parágrafo único, A Declaração de Recolhimento Centralizado deverá ser datilografada ou impressa através de processamento eletrônico de dados e deverá conter, na mesma ordem do modelo anexo, todos os elementos ali discriminados. Art. 40 A Declaração de Recolhimento Centralizado será apresentada pelo estabelecimento centralizador à unidade da Secretaria da Receita Federal jurisdicionante de seu domicílio fiscal. § 1° A responsabilidade do estabelecimento centralizador pelo recolhimento e pela prestação de informações relativas aos tributos, às contribuições e aos estabelecimentos centralizados começa com os fatos geradores ocorridos a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do reconhecimento da centralização. § 2º Os estabelecimentos centralizados, a partir da data do início da centralização, conforme estabelecido no parágrafo anterior, deixarão de prestar informações sobre os tributos e contribuições centralizados. grifei Deste modo, a centralização do recolhimento não se resume ao simples pagamento do respectivo tributo pelo estabelecimento matriz, fato que se caracterizaria pelo preenchimento do número do CNPJ do estabelecimento matriz no DARF pago, independentemente de onde este documento de arrecadação tivesse sido, de fato, recolhido. É preciso também que o estabelecimento matriz arquive toda a documentação correspondente aos fatos geradores deste imposto (inclusive os respectivos DARF) e cumpra as obrigações acessórias relativas ao mesmo. Quanto aos fatos, verifica-se que a interessada não apresentou nenhuma documentação de que a matriz estava autorizada a fazer a centralização dos recolhimentos pelas filiais. Aos autos não carreou documento comprobatório do reconhecimento ou não da centralização obtida após entrega da Declaração de Recolhimento Centralizado (art.6° da IN SRF n°128, de 1992). Tal reconhecimento poderia restar suprido se tivesse a autuada demonstrado a veracidade de suas alegações mediante documentação comprobatória da apuração da base de cálculo da filial autuada e dos demais estabelecimentos, comprovando inequivocamente que houve equívoco no preenchimento das DCTF e da DIRPJ e que os valores informados de base de cálculo destas contribuições pela matriz, se referiam também às apurações pelas filiais. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10540.000655/2002-02 Acórdão n.º 3002-000.738 S3-TE02 Fl. 7 Ao revés disso, a interessada apresentou em sua defesa, cópia de DCTF da filial constando os débitos da Cofins e da contribuição para o PIS (fis.13/16 PIS e fis.12/14 Cot-1ns), apurados não pela matriz, mas pela própria filial. Quanto a Declaração do IRPJ ano calendário de 1997, não existe nenhuma indicação de que na base de cálculo do PIS/Cofins informada, relativamente à matriz, "item 01", da Ficha 12, mensal, tivessem sido incluídos os valores de base de cálculo das filiais, haja vista que na DIRPJ existe um campo específico para tal informação, o "item 03" da mesma Ficha 12, dos meses correspondentes, nos quais não foi indicado nenhum valor (fls.18/20 PIS e 15/18 Cotins). As cópias dos DARF anexadas somente demonstram que os valores declarados pela matriz foram recolhidos pela própria matriz. Ante o exposto, inexistindo comprovação de que os recolhimentos da filial autuada foram realizados na matriz, voto pela procedência dos autos de infração relativos a Contribuição pra o PIS e Cofins. Ou seja, entendeu a DRJ que as exigências formais até poderiam ser saneadas, desde que a Recorrente lograsse comprovar que o recolhimento realizado pela matriz, de fato, englobou os valores exigidos na presente demanda, devido pelas filiais. Contudo, da documentação constante dos autos, não há como se chegar a tal conclusão. Nessa ótica, vê-se que a decisão recorrida não desprestigiou o princípio da verdade material defendido pelo Recorrente em seu recurso, mas apenas deixou de acolher o pleito do recorrente face à ausência de comprovação do alegado. No mais, não é demais ressaltar que o Recorrente não trouxe em seu Recurso Voluntário nenhum esclarecimento ou documentação adicional apta a abalar a conclusão a que chegou a DRJ na decisão acima colacionada. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário da recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000327/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.849
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo cancelamento do despacho decisório face a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 que lhe serviu de fundamento, mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo cancelamento do despacho decisório face a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 que lhe serviu de fundamento, mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que por unanimidade de votos, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição, conforme Ementa abaixo: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 32 7/ 20 10 -6 1 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 16349.000327/201061 Resolução nº 3402001.849 S3C4T2 Fl. 3 2 PIS/PASEP. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Consoante manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, proferida nos termos do § 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, as contribuições devidas ao PIS e à Cofins devem incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência as receitas não operacionais. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo a reforma parcial da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito integral à restituição da contribuição PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, bem como diante de alegada liquidez e certeza do direito creditório. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) Ao analisar o montante pleiteado, o v. acórdão manteve parcialmente o indeferimento do despacho decisório, sob a alegação de que as "receitas diversas", as "receitas de comissões" e as "receitas com indenizações" não podem ser excluídas da tributação da contribuição ao PIS e da COFINS; iii) Não há controvérsia acerca do mérito do direito creditório pleiteado relativo inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718, restando controvertido somente o cálculo apresentado, única parcela cuja reforma se pretende. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.829, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 16349.000306/201045. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.829): "1. Pressupostos legais de admissibilidade Fl. 387DF CARF MF Processo nº 16349.000327/201061 Resolução nº 3402001.849 S3C4T2 Fl. 4 3 Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessidade de diligência para julgamento do litígio 2.1. Conforme relatado, a decisão recorrida aplicou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, afastando o fundamento do despacho decisório, reconhecendo o direito postulado e quantificando o valor que teria sido recolhido a maior com base na documentação acostada aos autos até aquele momento. Para tanto, considerou a planilha de fls. 76/79, pela qual foi demonstrado que o valor recolhido a maior é decorrente do cálculo do PIS/COFINS sobre as seguintes receitas: Todavia, a Autoridade Julgadora a quo não aceitou a totalidade dos valores apresentados pela Contribuinte por concluir como receitas não operacionais as “Receitas Diversas”, “Receitas de Comissões” e “Receitas com Indenizações”, as quais foram excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS. Não obstante as demais receitas contestadas pela Contribuinte, com relação às "Receitas Diversas", o ilustre Julgador de Primeira Instância concluiu que "pela análise do Livro Razão Acumulado, não é possível se saber, em específico, a que tipo de receita elas se referem, razão pela qual não é possível avaliar se são operacionais ou não." Para demonstrar seu direito creditório, a Recorrente argumenta em defesa que os valores em referência são decorrentes de contratos de fornecimentos pactuados com as empresas Mineração Serra de Fortaleza ("MSF") e Celpav Celulose e Papel Ltda. ("Celpav"), os quais detém a cláusula de demanda obrigatória, pela qual a contratante deve pagar um valor mínimo a título de compensação da pessoa jurídica responsável pelo fornecimento do produto por ocasião da dispensabilidade parcial da quantidade previamente estabelecida pela contratante, como forma de suprir os investimentos necessários. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 16349.000327/201061 Resolução nº 3402001.849 S3C4T2 Fl. 5 4 Alega que tais valores não se revestem da natureza operacional inerente às receitas passíveis de oferecimento à tributação pela contribuição ao PIS e COFINS, visto que não advém de prestação de serviços ou venda de mercadorias. Da análise do processo, em especial dos documentos de fls. 285 a 360, constatase que foram trazidos aos autos em sede recursal os Contratos de Fornecimento dos Gases Industriais informados pela defesa, os quais têm por previsão a cláusula de demanda obrigatória, denominadas de "Cláusulas Taky or Pay". Cabe observar pela possibilidade de recepção de tais documentos, uma vez configurar a previsão do artigo 16, § 4º, alínea "c" e § 6º do Decreto nº 70.235/721, bem como em razão da necessária busca pela verdade material diante do indício do direito invocado. O princípio da verdade material determina que as decisões tenham por base os fatos tais como se apresentam na realidade, devendo ser carreados para o processo todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, sem limitação às provas colacionadas pelos sujeitos. Para tanto, o Decreto 70.235/72 prevê a liberdade na busca das provas necessárias à formação da convicção do julgador no processo administrativo, conforme prescrevem os artigos 18 e 29. Vejamos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por sua vez, impera reiterar que o único fundamento utilizado em despacho decisório para indeferir o pedido de restituição foi sobre a ausência de competência do Auditor Fiscal para apreciar a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998, sem qualquer menção sobre as receitas que deram origem ao crédito pleiteado pela Contribuinte. 2.2. Considerando que o despacho decisório não analisou a origem dos respectivos créditos, bem como em razão dos documentos trazidos pela Recorrente em fase recursal para comprovar as receitas não acatadas pela DRJ e, para possibilitar melhor conclusão deste Colegiado acerca do direito creditório pleiteado neste processo, proponho a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 29 do Decreto nº 1 Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 16349.000327/201061 Resolução nº 3402001.849 S3C4T2 Fl. 6 5 70.235/72 e artigo 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analisar os documentos trazidos aos autos, bem como intimar a Recorrente para apresentar esclarecimentos e outros documentos que se fizerem necessários para comprovação do direito pleiteado através do Pedido de Restituição (PER) de nº 40920.38117.130606.1.2.04 2078; b) Proceder à análise da natureza das receitas informadas pela Recorrente, em especial quanto às “Receitas Diversas”, as “Receitas de Comissões” e as “Receitas com Indenizações”, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal; c) Apurar o valor de eventual direito creditório da Contribuinte. Observo que devem ser mantidas as parcelas reconhecidas através do Acórdão nº 0657.011, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR; d) Elaborar Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca dos fatos, provas e fundamentos trazidos ao processo na diligência, acrescentando eventuais observações que entenda pertinentes; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analisar os documentos trazidos aos autos, bem como intimar a Recorrente para apresentar esclarecimentos e outros documentos que se fizerem necessários para comprovação do direito pleiteado através do presente Pedido de Restituição (PER); b) Proceder à análise da natureza das receitas informadas pela Recorrente, em especial quanto às “Receitas Diversas”, as “Receitas de Comissões” e as “Receitas com Indenizações”, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal; Fl. 390DF CARF MF Processo nº 16349.000327/201061 Resolução nº 3402001.849 S3C4T2 Fl. 7 6 c) Apurar o valor de eventual direito creditório da Contribuinte. Observo que devem ser mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ; d) Elaborar Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca dos fatos, provas e fundamentos trazidos ao processo na diligência, acrescentando eventuais observações que entenda pertinentes; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003704/2008-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
Numero da decisão: 2002-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente CLAUDIO ALVES DA CUNHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 37 04 /2 00 8- 61 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10166.003704/200861 Acórdão n.º 2002001.160 S2C0T2 Fl. 206 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 56/64), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$503,32 para saldo de imposto a pagar de R$3.378,48. A notificação noticia omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, no montante de R$52.879,63 (fl.58) e compensação indevida de IRRF, de R$400,00 (fl.61). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 20/2/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 24/3/2008, às fls. 2/24 dos autos, na qual o contribuinte alegou ter emprestado sua conta bancária para um amigo receber transações de vendas de veículos financiados. Acrescentou que teria tomado empréstimos para a conta não ficar negativa. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 70/74): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse a tributação dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, uma vez que a defesa não traz aos autos qualquer elemento de prova no sentido de que os rendimentos depositados na conta do interessado foram auferidos por terceiros. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 15/6/2009 (fl. 84), o contribuinte, em 15/7/2009 (fl. 94), apresentou recurso voluntário, às fls. 94/202, no qual indica a juntada de extratos bancários, de forma a demonstrar problemas financeiros nos anos de 2004 e 2005. Acrescenta que teria encerrado a conta em 2005, quitando diversos empréstimos com valores recebidos por ocasião da rescisão do seu contrato de trabalho. Ao final, requer a diminuição da multa e dos juros. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10166.003704/200861 Acórdão n.º 2002001.160 S2C0T2 Fl. 207 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. A autuação consignou omissões de rendimentos e compensação indevida de IRRF. Em seu recurso, o recorrente não combate as infrações a ele imputadas ou a decisão recorrida, limitandose a relatar problemas financeiros pessoais e a requerer redução da multa e dos juros. Como consignado na decisão recorrida, a atividade de fiscalização é vinculada e obrigatória, por força do parágrafo único do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabendo à autoridade administrativa tão somente o cumprimento estrito do ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, sem poder apreciar argüições de cunho pessoal, sob pena de responsabilidade: “Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim é que a apuração de infrações no curso da ação fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante a lavratura da notificação e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício e os juros, nos termos dos arts. 44, I, e 61, §3o da Lei nº 9.430/96, conforme enquadramento legal indicado na autuação (fl.64). No caso, não tendo sido apresentada qualquer prova de forma a afastar o lançamento, nenhum reparo a se fazer à decisão recorrida Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904929/2016-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2012 a 30/11/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.304
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 29 /2 01 6- 69 Fl. 77DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10865.904929/201669 Acórdão n.º 3401006.304 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 79DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10865.904929/201669 Acórdão n.º 3401006.304 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000726/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte elementos seguros acerca das titularidades das contas correntes no período a que se referem os depósitos tidos por não justificados; se necessário, mediante intimação à instituição bancária.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte elementos seguros acerca das titularidades das contas correntes no período a que se referem os depósitos tidos por não justificados; se necessário, mediante intimação à instituição bancária. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos anos- calendário de 2003, 2004 e 2005 decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Impugnado o lançamento, a impugnação foi considerada improcedente. Foi interposto recurso voluntário em que se alegou: a)que o lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa porque: i)o auto de infração foi lavrado fora do local da falta apurada; ii)o termo de início de fiscalização não foi apresentado ao contribuinte ou seu representante legal; iii)a descrição dos fatos restou incompleta; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 72 6/ 20 08 -5 1 Fl. 6741DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2301-000.831 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000726/2008-51 iv)as peças do processo não foram entregues ao autuado; v)o fato gerador não foi descrito de forma circunstanciada; a)que a movimentação bancária é resultante das atividades de um consórcio simplificado de produtores rurais e que os valores depositados o foram para fazer frente às obrigações do condomínio. É o relatório. O recurso é tempestivo e dele conheço. Pelo que consta dos extratos bancários, aparentemente o recorrente, Carlos Alberto Romanini, não é o exclusivo titular das contas nas quais teriam ocorrido os depósitos não justificados. A conta nº 8449-2 teria por titulares Carlos Romanini e Valdecir Quaglia (e-fl. 89); a conta nº 8480-8 teria por titulares Guilherme Fortuna e Valdecir Quaglia (e-fl. 1343) e sequer consta o nome de Carlos Romani, e a conta nº 8865-X teria por titulares Carlos Romani e Valdecir Quaglia (e-fl. 1790). Nos autos não constam os cartões de autógrafos e as fichas cadastrais das contas, o que impossibilita ter certeza quanto a provável titularidade conjunta, para efeito de aplicação da Súmula Carf nº 29 1 . Registre-se que não se encontra nos autos qualquer intimação a eventuais cotitulares. Deve, pois, converter-se o julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte elementos seguros acerca das titularidades das contas correntes no período a que se referem os depósitos tidos por não justificados; se necessário, mediante intimação à instituição bancária. João Maurício Vital - Relator 1 Súmula CARF nº 29 Os co-titulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co-titulares. Fl. 6742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.001134/2003-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO
O direito de pedir restituição/compensação de contribuição para o PIS/Pasep extingue-se em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n° 118/2005 esclareceu a controvérsia de interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 1° do art.150 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.150
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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' .n'''--. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS o SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ,. Processo n° 13708.001134/2003-83 Recurso n° 154.883 Voluntário Acórdão n° 2102-00.150 - ia Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2009 Matéria Restituição/compensação - PIS Recorrente TELEMAR S.A. Recorrida DRJ no RIO DE JANEIRO II- RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO O direito de pedir restituição/compensação de contribuição para o PIS/Pasep extingue-se em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n° 118/2005 esclareceu a controvérsia de interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 1° do art.150 do CTN. Recurso Voluntário Negado, Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 4, .tf.)24-e'L QMOdeeiV-C4,- 31 k)(2.:61)(nÁd(-2/3 - NOSEFA MARIA COELHO MARQUES V .,,, Presidente MAURíCIO TAVEIRAF,SILVA Relator - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. . 1 Processo n° 13708.001134/2003-83 52-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.150 Fl. 121 Relatório TELEMAR S.A., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do recurso de fls. 80/88 contra o Acórdão n° 13-12.628, de 29/05/2006, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ, fls. 73/76, que indeferiu a solicitação de restituição/compensação de crédito de Pasep, recolhido em 1993, cujo pedido foi protocolizado em 30/05/2003 (fl. 01). A DRF, conforme Despacho Decisório de fls. 25/27, não reconheceu o direito creditório, pois, considerou extinto o direito de pleitear restituição pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, com base nos artigos 165, I e 168, I, do CTN e no Ato Declaratório SRF n° 96/99. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 29/38, alegando que o direito de se pleitear a restituição ou a compensação se extingue cinco anos após a homologação tácita, ou seja, dez anos após a ocorrência do fato gerador, qual seja, seu pagamento. Nesse sentido continua decidindo o STJ. Portanto, não ocorreu a prescrição do direito ao crédito ora pretendido. Por fim, requer e espera seja reconsiderado o posicionamento de modo a homologar o pedido de compensação de crédito postulado nos autos do processo em epígrafe. Os membros da 4a Turma de julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, DRJ/RJOIL decidiram, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação, mantendo a compensação não homologada, tendo o acórdão a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 1993 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — DCOMP. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Compensação não Homologada Tempestivamente, em 19/09/2006, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 80/88, repisando os argumentos anteriormente aduzidos, ou seja, não ocorreu a prescrição do direito ao crédito, a qual se verifica cinco anos após a homologação tácita. (teoria dos 5 + 5). Apresenta decisões judiciais e administrativas corroborando sua tese. Alfim, requer a reforma da decisão recorrida homologando-se a compensação efetuada. Por meio do acórdão n° 105-16.869, os membros da Quinta Câmara de Primeiro Conselho de Contribuintes, houveram por bem declinar competência para o Segundo Conselho de Contribuintes, por se tratar de "Pasep — Receita Operacional". É o Relatório. :L\ C É 9 2 Processo n° 13708.001134/2003-83 52-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.150 Fl. 122 • Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. A contribuinte reivindica a restituição de crédito de PASEP ' recolhido em 21/06/1993 (fls. 02 e 22), cujo pedido foi protocolizado em 30/05/2003 (fl. 01). Á ssim, analisa- se a ocorrência de eventual perda do direito à restituição em decorrência do transcurso do prazo prescricional. O art. 168, I, do CTN, fixa o prazo de cinco anos para pleitear restituição, da data da extinção do crédito tributário, caracterizado pelo pagamento indevido. Nem a declaração de inconstitucionalidade no controle concentrado, nem a Resolução do Senado Federal no controle difuso, e tampouco um ato de caráter geral do Executivo que reconheça a inconstitucionalidade, têm o condão de ressuscitar direitos patrimoniais prescritos segundo as regas do CTN. Apesar de controversa, esta questão ficou sanada com a edição da Lei Complementar n° 118 de 09/02/2005, visto que, o seu art. 3° esclarece a interpretação que deve ser dispensada ao caso: Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no _caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ,55' 1° do art. 150 da referida Lei. Com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3° foi debatido no âmbito do STJ no EResp 327043/DF, que entendeu tratar-se de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações impetradas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Todavia, no âmbito administrativo, a LC n° 118/05 somente ratificou o entendimento anteriormente consolidado de prescrição qüinqüenal. Ademais, não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. As normas emanadas do órgão competente passam a pertencer ao sistema, cabendo à attoridade administrativa tão-somente velar pelo seu fiel cumprimento. Assim sendo, o início da contagem de prazo prescricional se verifica no momento do pagamento. f - (' Wsk 3 Processo n° 13708.001134/2003-83 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.150 Fl. 123 Deste modo, tendo o pedido sido protocolizado em 30/05/2003, encontra-se com o direito de restituição extinto o recolhimento, uma vez que efetuado anteriormente a maio/1998, tendo, portanto, sido alcançados pelo instituto da prescrição. Tendo em vista a ocorrência da prescrição, com fulcro no art 269, inciso IV do CPC, com redação dada pelas Leis n° 5.925/73 e n° 11.232/05, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2009. /Í1 MAURICIO TAVEI E)SILVA 4
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Numero do processo: 19515.720670/2013-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais, mormente no que tange à demonstração da divergência jurisprudencial suscitada, o Recurso Especial deve ser conhecido e apreciadas as razões nele contidas, independentemente da forma como a matéria foi especificada no respectivo despacho de admissibilidade.
PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. REMUNERAÇÃO CARACTERIZADA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, a empresa pode eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não se caracterize como incentivo ao trabalho, gratificação ou prêmio, situação em que os respectivos valores integram a remuneração e sujeitam-se à incidência de Contribuição Previdenciária.
Numero da decisão: 9202-007.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, mormente no que tange à demonstração da divergência jurisprudencial suscitada, o Recurso Especial deve ser conhecido e apreciadas as razões nele contidas, independentemente da forma como a matéria foi especificada no respectivo despacho de admissibilidade. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. REMUNERAÇÃO CARACTERIZADA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, a empresa pode eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não se caracterize como incentivo ao trabalho, gratificação ou prêmio, situação em que os respectivos valores integram a remuneração e sujeitam-se à incidência de Contribuição Previdenciária.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, mormente no que tange à demonstração da divergência jurisprudencial suscitada, o Recurso Especial deve ser conhecido e apreciadas as razões nele contidas, independentemente da forma como a matéria foi especificada no respectivo despacho de admissibilidade. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. REMUNERAÇÃO CARACTERIZADA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, a empresa pode eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não se caracterize como incentivo ao trabalho, gratificação ou prêmio, situação em que os respectivos valores integram a remuneração e sujeitamse à incidência de Contribuição Previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 70 /2 01 3- 05 Fl. 548DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase do Debcad 51.013.9973, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal, incidentes nas remunerações pagas a segurado contribuinte individual, a título de previdência complementar privada em regime aberto, no período de 01/2009 a 12/2009, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 186 a 193. A fiscalização entendeu que os aportes efetuados pela Contribuinte em conta de previdência privada, em benefício de um de seus diretores, configurava pagamento de remuneração. Em sessão plenária de 07/10/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803003.710 (fls. 469 a 481), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2009 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n°109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n. 8.212/1991, admitindo que, no caso de plano de previdência complementar em regime aberto, a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza remuneração sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. A aportes diferentes para trabalhadores com salário distintos não desnatura as características do benefício, um vez que quem ganha mais terá motivos para pagar mais, pois poderá pretender mais se aproximar de seu salário real quando se aposentar. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior que fará declaração de voto. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima votou pelas conclusões. Sustentação oral Advogado Dr Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/SP nº78.656." O processo foi encaminhado à PGFN em 29/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 482) e, em 12/03/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 483 a 506 (Despacho de Encaminhamento de fls. 507), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Fl. 549DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 549 3 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: tributação de valores correspondentes a previdência complementar em regime aberto, não disponível a todos os empregados; e natureza de gratificação, em face da ausência de regra geral para aporte de contribuições do empregador e possibilidade do beneficiário do plano efetuar resgate desvinculado de qualquer finalidade previdenciária. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 24/05/2016 (fls. 509 a 516). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a interpretação conjunta dos arts. 195 e 201, § 11, da Constituição Federal leva, irrefutavelmente, à conclusão de que o termo “folha de salários”, para efeito de cálculo da contribuição para a Seguridade Social, abrange não somente salário, no sentido estrito do termo, mas o quantum total efetivamente pago, devido ou creditado ao empregado em razão do contrato de trabalho, independentemente da titulação atribuída à parcela salarial ou remuneratória; com efeito, no caso do preceptivo legal do art 28, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991, não se mostra por demais enfatizar que, face ao seu caráter isentivo deve, a teor do artigo 111 do Código Tributário Nacional, ser interpretado literalmente, não comportando exegese ampliativa por parte do aplicador da norma; nesse contexto, temse que é preciso que a empresa proporcione a todos os seus empregados e dirigentes um plano de previdência complementar que lhes seja facultado aderir, para que possa usufruir da isenção de Contribuições Sociais Previdenciárias, e não o fazendo, ou beneficiando apenas os dirigentes ou um grupo restrito de empregados, esta parcela (Contribuições feitas pela empresa a programa de previdência complementar), por ficar fora do alcance da isenção, deve sofrer a incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias; no presente caso, não restou configurada a hipótese de isenção prevista na alínea “p” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, em relação ao plano de previdência privada da Bradesco Previdência e Seguros S.A., que segue as regras registradas no documento reproduzido às fls. 172 a 178 (6º Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada), porquanto o parágrafo 2.1 do referido documento é expresso ao determinar que somente serão considerados participantes do plano “Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e os investidos em cargo de Assessor da Diretoria, da Instituidora, participantes dos Planos I e II mantidos pela mesma"; a apuração da natureza dos pagamentos questionados deve, necessariamente, levar em conta um cuidadoso exame das circunstâncias fáticas, para que seja apurado se o objetivo visado pelos pagamentos das Contribuições era, efetivamente, financiar a concessão de benefícios futuros; para fins tributários, para que pagamentos de plano de previdência complementar não sejam caracterizados como de natureza remuneratória, deverão, Fl. 550DF CARF MF 4 necessariamente, ter por objetivo a formação de reservas garantidoras da implementação de benefícios; embora o artigo 27 da Lei Complementar nº 109, de 2001, assegure aos participantes de plano de benefício de entidade aberta o direito de resgate de recursos das reservas técnicas, provisões e fundos (total ou parcialmente), temse que, para fins tributários, o resgate sistemático dos valores depositados para formação da reserva caracteriza a natureza remuneratória dos pagamentos efetuados; em razão do exposto, constatase que a formalização de um plano em que a formação de reservas garantidoras dos benefícios seja, claramente, inviável, não faz jus a isenção; conforme já ressaltado, ao regular os planos de entidades abertas, a Lei Complementar nº 109/2001 não estabeleceu um prazo de carência para o resgate dos depósitos efetuados, em razão de ser a adesão ao plano facultativa, ou seja, para a Lei Complementar nº 109, de 2001, o resgate não descaracteriza a natureza do plano; porém, para a Lei nº 8.212, de 1991, que concedeu isenção aos pagamentos de planos de previdência complementar efetuados pelo empregador, a inviabilização da formação das reservas caracteriza a natureza remuneratória dos pagamentos efetuados pelo empregador, em razão da constatação de que o objetivo visado pela concessão da isenção não será atingido; se os pagamentos não se destinam a garantir a concessão de um benefício futuro, não se justifica que sejam os mesmos isentados da tributação; é um contrasenso, portanto, asseverar que os pagamentos questionados visavam propiciar ao Sr. Renato da Cruz Gomes uma complementação previdenciária, após a autoridade fiscal ter constatado, pelo exame de DIRF da empresa Bradesco Vida e Previdência S.A., que o referido senhor efetuou, no ano de 2011, resgate no montante de R$ 9.768.008,37 de plano de previdência privada desta pessoa jurídica; esse fato caracteriza que o plano não atende ao objetivo fixado no artigo 1º da Lei Complementar nº 109, de 2001, para o regime de previdência privada de caráter complementar: a constituição de reservas que garantam a constituição de benefício futuro; o fato de o valor das contribuições da autuada para este plano de previdência privada não estar claramente estabelecido no seu próprio contrato (fls. 172 a 178), ao contrário do que alega a Contribuinte, também demonstra o caráter remuneratório de tais pagamentos, visto que a previsão contida no artigo 1º, do Anexo I, da Circular SUSEP nº 183/2002, de possibilidade de contribuição adicional de qualquer valor, a qualquer tempo, destinase ao participante do plano de previdência privada e não a seu instituidor; somase às evidências já expostas, o fato de o montante total das contribuições ao plano de previdência privada quase se igualar à remuneração registrada como recebida, no ano de 2009, pelo diretor Renato da Cruz Gomes; os efeitos práticos da formalização do plano de previdência privada foi apenas o de permitir à autuada, ao invés de depositar os pagamentos diretamente na conta do diretor Renato da Cruz Gomes, efetuar o depósito dos valores na conta do plano de previdência privada; Fl. 551DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 550 5 o referido diretor, porém, tem direito ao resgate sem carência, inviabilizando a formação das reservas e auferindo, na prática, uma complementação salarial, não sendo objetivo do legislador conceder isenção a pagamentos dessa natureza. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 10/10/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 522), a Contribuinte ofereceu, em 25/10/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 523), as Contrarrazões de fls. 524 a 543, contendo os seguintes argumentos: Do não conhecimento do Recurso Especial: existência de fundamento autônomo no acórdão recorrido não atacado pela Fazenda Nacional inicialmente, cabe salientar que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não merece ser conhecido, pelo fato de ter se insurgido apenas quanto a um dos fundamentos do acórdão recorrido, tendo permanecido inatacado fundamento autônomo (nulidade do lançamento) por si só suficiente para manter o julgado "a quo"; muito embora tenha a Recorrente fundamentado seu recurso exclusivamente na alegação de que os aportes a plano de previdência privada complementar efetuados pela Contribuinte teriam natureza remuneratória e assim não estariam abrangidos pela regra da alínea "p", do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei n° 8.212, de 1991, o acórdão recorrido cancelou o lançamento não apenas por ter entendido que os aportes em questão não tinham natureza remuneratória, mas, sobretudo, em razão da "nulidade do Lançamento, por vício na construção da norma individual e concreta", vício específico do ato de lançamento independente da questão de mérito nele tratada, cujo reconhecimento pelo acórdão recorrido é por si só suficiente para mantêlo. Da inaplicabilidade da condição constante da parte final da alínea "p" do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, aos planos mantidos junto a entidade aberta de previdência privada, em razão do disposto na Lei Complementar nº 109, de 2001 como reconhecido pelo acórdão recorrido, a condição constante da parte final da alínea "p", do § 9º, do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991, a qual o fiscal autuante e a Fazenda Nacional lançam mão para justificar a presente exigência fiscal, simplesmente não se aplica ao caso concreto, tendo sido tal matéria objeto de decisão proferida pela 2a Turma da CSRF, nos autos do processo n° 14485.003204/200796 (Acórdão n° 9202003.193); com efeito, caso as regras estabelecidas pela Lei Complementar n° 109, de 2001, não tivessem relevância "para fins tributários", não teria esta regulado expressamente as consequências tributárias de suas determinações. Da inexistência de qualquer elemento que justifique a atribuição de suposto caráter remuneratório aos aportes efetuados pela Contribuinte o que faz a Fazenda Nacional com sua pretensão de "verificar os elementos de convicção trazidos aos autos" não é discutir a interpretação do art. 28, § 9º, "p", da Lei nº 8.212, de 1991, mas sim tentar trazer para esta instância especial o reexame dos fatos discutidos em primeira instância e rediscutidos pela Turma "a quo", buscando fazer de forma Fl. 552DF CARF MF 6 inaceitável que esta 2ª Turma da CSRF atue como uma "terceira instância" para reexaminar tais fatos, o que evidentemente foge à função uniformizadora de interpretação da lei que compete a esta Turma; ao contrário do que supõe a Fazenda Nacional, o fato de o Sr. Renato da Cruz Gomes ter em 2011 resgatado o valor de RS 9.768.008,37, correspondente a aproximadamente mais de 11 vezes o valor dos aportes efetuados em 2009 (RS 864.000,00) e mais de oito vezes o valor da remuneração recebida em 2009 (R$ 1.152.000,00) por si só demonstra que tal diretor durante muitos anos manteve os recursos aportados no plano de previdência em questão, provavelmente só tendo efetuado referido saque para aplicar em outro plano de previdência ou investimento que no seu entender oferecesse remuneração mais vantajosa, de forma a melhor assegurar "a constituição de reservas que garantam a constituição de benefício futuro", função que a autuante afirmou sem qualquer demonstração que estaria a ser desvirtuada no caso concreto; além disso, tratandose de plano na modalidade aberta, como reconhecido pela própria Fazenda Nacional, o caput do artigo 27, da Lei Complementar nº 109, de 2001, não deixa dúvida de que ao participante é possibilitado o resgate total das contribuições vertidas ao plano; a legislação previdenciária cuida do resgate como um direito do participante, que poderá por ele ser exercido durante o prazo de diferimento após prazo de carência de um ano civil completo, observado determinado intervalo de tempo entre um resgate e outro, e também as condições do contrato; por fim, cabe observar que de qualquer forma, por ser o resgate a qualquer tempo um direito do beneficiário dos planos de previdência privada aberta, a Contribuinte (instituidora) não tem qualquer ingerência sobre os resgates eventualmente feitos por seus funcionários, sendo da EAPP a responsabilidade pela fiscalização de sua compatibilidade com a legislação previdenciária, não podendo, assim, ser atribuída à Contribuinte qualquer conseqüência pelo fato de o Sr. Renato da Cruz Gomes ter resgatado os recursos mantidos no fundo de previdência, sobretudo quando se considera que o resgate em questão se deu em 2011 e o presente lançamento diz respeito ao ano base de 2009, tendo sido assim manifestamente observados os prazos de carência e diferimento previstos na legislação; a fixação dos valores dos aportes no contrato previdenciário não é um dever do instituidor, como sustenta a Fazenda Nacional, mas mero poder (ou faculdade), sendo certo que para que procedesse a tese da Fazenda, deveria o art. 1º, do Anexo I, da Circular SUSEP nº 183/2002, estabelecer que "O valor e a periodicidade das contribuições deverão ser estipulados na proposta de inscrição...", o que não ocorre; no caso concreto, o plano em questão foi devidamente aprovado pela SUSEP, o que obviamente não teria ocorrido, caso a legislação exigisse a fixação dos valores dos aportes no contrato previdenciário ou impedisse que o instituidor efetuasse aportes adicionais de qualquer valor e a qualquer tempo; ao contrário do que sustenta a Fazenda Nacional, o fato de os aportes ao plano de previdência complementar serem próximos (no caso, 81% do salário em 2009) à remuneração paga ao Sr. Renato Cruz Gomes não atesta suposto caráter remuneratório, mas comprova, na verdade, justamente o caráter previdenciário desses aportes; isto porque, como já demonstrado no recurso voluntário, os planos de Previdência Privada visam proporcionar aos beneficiários a possibilidade de obter na Fl. 553DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 551 7 inatividade vencimentos em valor próximo aos da época em que estavam na ativa, o que faz com que, para que seja atingida tal finalidade, quanto maior for a remuneração (portanto mais longe para cima do "teto" da previdência oficial), mais próximos a tal remuneração devem ser os aportes relativos à previdência complementar; considerandose que no caso concreto, como constatado pela própria fiscalização, o Sr. Renato da Cruz Gomes em 2011 resgatou o valor de RS 9.768.008,37, corresponde a aproximadamente mais de 11 vezes o valor dos aportes efetuados em 2009 (R$ 864.000,00), é evidente que durante muitos anos ele manteve no plano de previdência os recursos aportados pela Contribuinte, sendo nesse contexto "data máxima venia" risível a insinuação da Fazenda Nacional de que o plano de previdência em questão funcionaria como uma espécie de "conta corrente" aberta em nome do Sr. Renato da Cruz Gomes, que muito provavelmente só fez esse resgate em 2011, como já exposto acima, para aplicar os recursos em outro plano de previdência ou investimento que no seu entender oferecesse remuneração mais vantajosa, de forma a melhor assegurar "a constituição de reservas que garantam a constituição de benefício futuro", função que a Recorrente e autuante afirmaram, sem qualquer demonstração de que estaria a ser desvirtuada no caso concreto. Ao final, a Contribuinte pede que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não seja conhecido e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase do Debcad 51.013.9973, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal, incidentes nas remunerações pagas a segurado contribuinte individual, a título de previdência complementar privada em regime aberto, no período de 01/2009 a 12/2009, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 186 a 193. A fiscalização entendeu que os aportes efetuados pela Contribuinte em conta de previdência privada, em benefício de um de seus diretores, configurava pagamento de remuneração. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do recurso, alegando a existência de fundamento autônomo no acórdão recorrido, suficiente para mantêlo, que não teria sido atacado pela Fazenda Nacional em seu recurso. O dito fundamento autônomo não atacado foi assim resumido pela Contribuinte: "(...) muito embora tenha a Recorrente fundamentado seu recurso especial exclusivamente na alegação de que os aportes a plano de previdência privada complementar efetuados pela Recorrida teriam natureza remuneratória e assim não estariam abrangido pela regra da alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, o v. acórdão recorrido cancelou o lançamento não apenas por ter entendido que os aportes em questão não tinham natureza remuneratória, mas, sobretudo, em Fl. 554DF CARF MF 8 razão da "NULIDADE DO LANÇAMENTO, POR VICIO NA CONSTRUÇÃO DA NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA", VÍCIO ESPECÍFICO DO ATO DE LANÇAMENTO INDEPENDENTE DA QUESTÃO DE MÉRITO NELE TRATADA, CUJO RECONHECIMENTO PELO V. ACÓRDÃO RECORRIDO É POR SI SÓ SUFICIENTE PARA MANTÊLO. Dessa forma, não merece ser conhecido o recurso especial interposto, na forma da jurisprudência pacífica de todas as Turmas da CSRF acima mencionada." O trecho acima induz à conclusão de que haveria, no caso concreto, algum defeito específico no Auto de Infração objeto do presente processo, a determinar a sua verificação, com vistas à declaração de nulidade. Entretanto, compulsando o acórdão recorrido, constatase que a menção a suposta nulidade não descreve defeito na autuação e sim posicionamento contrário ao do relator. Assim, a dita nulidade nada mais é que a divergência de interpretações dadas a um determinado conjunto probatório, à luz do arcabouço jurídico normativo. Nesse passo o autuante, examinando a situação concreta, à luz do arcabouço jurídiconormativo, concluiu que a verba em questão seria tributável. O relator, por sua vez, examinando a mesma situação, não enxergou nela qualquer irregularidade, à luz do mesmo arcabouço jurídiconormativo. E a interpretação do autuante é vista pelo relator como nulidade. Confirase o voto do recorrido, nesta parte: "Quanto a alegação fiscal (II) de que o valor das contribuições para este plano de previdência privada não está claramente estabelecido no seu próprio contrato (documento de fls. 172 a 178), em que não haveria determinação de valores máximos ou mínimos de contribuição à entidade de previdência privada, também não merece manutenção. Observese que o lançamento, nem o julgamento de primeiro grau, trazem o fundamento jurídico que determinam que haja tais limitadores, o art. 41, da Lei Complementar 109/2001, diz respeito apenas a competência de fiscalização, não de livre convicção sem autorização legal, o ato de lançamento tributário é estritamente vinculado (art. 142, do CTN). Quanto à alegação fiscal (III e IV) de que poderia o beneficiário com autorização da Instituidora (Autuada), resgatar parte ou a totalidade da “Conta de Reserva do Participante – Parte Instituidora” e da “Conta de Reserva do Participante – Parte Participante”, e em montante que das contribuições à previdência privada efetuadas no ano de 2009 em favor do diretor Renato da Cruz Gomes quase se iguala ao valor total das remunerações registradas como pagas ao mesmo no referido ano. Novamente, observese que o lançamento, nem o julgamento de primeiro grau, trazem o fundamento jurídico que determinam que haja tais limitadores que pretende impor. Comentários idênticos ao parágrafo anterior. Por si só, os argumento fiscais gerariam a nulidade do lançamento, por vício na construção da norma individual e concreta, pois tanto contêm contrariedade fática como fundamentase em norma geral e abstrata inexistente, mas vai se além." De plano, constatase que a pecha de nulidade, aventada no acórdão recorrido, diz respeito exatamente às questões de mérito tratadas na autuação óbices quanto às Fl. 555DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 552 9 contribuições da instituidora e no que tange à possibilidade de resgate todas elas objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional. A menção a nulidade estaria ligada a eventual contrariedade fática e inexistência de norma jurídica a respaldar a autuação. Mas isso constitui o próprio mérito do recurso, refletindo a dialética processual. Aliás, o rito do Processo Administrativo Fiscal existe exatamente para que se produza essa discussão dialética. Afinal, não é porque o relator entende que não existem provas ou que não há base legal para a autuação, que ela automaticamente se torna nula. Ademais, embora tenha aventado nulidade, o próprio relator abandona a tese e "vai além", de sorte que não foi declarada qualquer nulidade, seja por vício formal ou material, e sim foi dado provimento ao Recurso Voluntário, cancelandose a autuação, portanto caberia à Fazenda Nacional trazer paradigma em que, em situação semelhante, a autuação tenha sido mantida. E ainda que o relator não "fosse além" e efetivamente o Colegiado declarasse nulidade, também bastaria à Fazenda Nacional apresentar paradigma em que, apreciandose situação similar, a nulidade sequer fosse aventada, mantendose a autuação. E foi exatamente isso que ocorreu. Um dos paradigmas indicados pela Fazenda Nacional, o Acórdão nº 2402 004.109, prolatado no processo nº 16327.721426/201208, cujo autuado (Banco Bradesco S/A) pertence ao grupo empresarial do interessado no presente processo e trata do mesmo plano de previdência complementar. Ainda quanto ao conhecimento, registrese que há no rito do processo administrativo fiscal um momento específico em que a contraparte pode explicitar suas restrições, e esse momento é o oferecimento de Contrarrazões, que efetivamente foram apresentadas pela Contribuinte às fls. 524 a 543. Assim, não é razoável que, no momento do julgamento, a parte contrária, em sede sustentação oral, traga novas considerações e argumentos contrários ao conhecimento do recurso, não aportados aos autos quando do momento oportuno. Entretanto, como a divergência jurisprudencial foi demonstrada de forma irrefutável pela Fazenda Nacional, não custa registrar que o acórdão recorrido tratou das acusações contidas na autuação, explicitando inclusive os respectivos itens da peça acusatória. Ademais, o apelo da Fazenda Nacional não deixa dúvidas, no sentido de que as razões ali contidas dizem respeito tanto à questão dos resgates quanto às regras de aporte de contribuições da instituidora. Nesse passo, levandose em conta que o paradigma trata dos dois aspectos, é irrelevante que no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial (fls. 509 a 516) a matéria tenha sido especificada referenciandose apenas os resgates, já que, uma vez que foi dado seguimento total ao apelo, todas as razões nele contidas podem ser apreciadas na Instância Especial, sem qualquer restrição. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinarlhe o mérito. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: tributação de valores correspondentes a previdência complementar em regime aberto, não disponível a todos os empregados; e Fl. 556DF CARF MF 10 natureza de gratificação, em face da ausência de regra geral para aporte de contribuições do empregador e possibilidade do beneficiário do plano efetuar resgate desvinculado de qualquer finalidade previdenciária. Quanto ao fato de o plano de previdência não ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa, a matéria não é nova neste Colegiado, tendo sido exaustivamente discutida nas sessões de 07/05/2014 e 22/02/2017, prolatandose, respectivamente, os Acórdãos nºs 9202003.193 e 9202005.241, da lavra dos Ilustres Conselheiros Gustavo Lian Haddad (o primeiro) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (o segundo). Em ambas as oportunidades, acompanhei os Ilustres Relatores e, por concordar com eles, adoto os fundamentos do Acórdão nº 9202005.241, de 22/02/2017 (que inclusive se reporta ao Acórdão nº 9202003.193), que ora trago à colação como minhas razões de decidir, efetuando as necessárias adaptações ao presente caso: "A discussão cingese à possibilidade de o contribuinte excluir, do saláriodecontribuição, os valores pagos a título de previdência complementar a seus funcionários, por ser este um plano de benefício de entidade aberta; essa é a linha de argumentação do paradigma. Esta matéria já foi debatida por esta 2ª Turma da CSRF, no acórdão 9202003.19, que justamente é indicado como um dos acórdãos paradigma pela ora recorrente. Naquela oportunidade acompanhei o entendimento do então relator, Dr. Gustavo Lian Haddad, que, no voto condutor argumentou que o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, dando tratamento novo e completo ao caso de planos de previdência privada abertos, teria derrogado o art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, no tocante à condição de oferecimento do plano a todos os empregados e diretores para fins de exclusão de seu valor da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A seguir, para fins de ilustração, reproduzo as razões de decidir do referido acórdão 9202003.193, que na época acompanhei e que agora utilizo para fundamentar meu voto. No mérito, a discussão nos presentes autos se refere à obrigatoriedade de se disponibilizar programa de previdência privada complementar (em regime aberto) à totalidade dos empregados e dirigentes para que tais valores não integrem o salário de contribuição e, consequentemente, não estejam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. A fiscalização aplicou à espécie o art. 28, §9°, p, da Lei 8.212/91, segundo o qual contribuições da empresa para planos de previdência privada de seus empregados e dirigentes somente não estão sujeitas a contribuições previdenciárias se estiverem disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes. In verbis: 'Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 553 11 p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;” (Destaquei) Referido dispositivo foi incluído na Lei 8.212/91 no âmbito das alterações promovidas pela Lei 9.528, de dezembro de 1997. Nada obstante o dispositivo acima transcrito não tenha sido expressamente revogado, a regulação da matéria foi substancialmente alterada pela Emenda Constitucional 20/1998 e pela Lei Complementar 109/2001. Com o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que alterou o art. 202 da Constituição Federal, a previsão de que as contribuições pagas pelo empregador a título de previdência privada para seus empregados não integram a remuneração do empregado ganhou status constitucional, in verbis: “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei.”(Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 foi aprovada para regulamentar o referido dispositivo constitucional e previu, no mesmo sentido da Constituição Federal, que as contribuições do empregador feitas a entidades de previdência privada não estão sujeitas a tributação e contribuições de qualquer natureza: “Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...)” (Destaquei) Fl. 558DF CARF MF 12 Da leitura dos dispositivos acima se constata que eles não contêm a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei8.212/91. Isto é, nos termos dos arts. 68 e 69 acima citados, as contribuições que o empregador faz ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração e, especificamente, sobre elas não devem incidir quaisquer tributos ou contribuições. Especificamente em relação aos planos abertos de previdência complementar, como é o caso dos presentes autos (...), a Lei Complementar 109/2001 permite de forma expressa que sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados: Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. §1º O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2º O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo refere se aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3º Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos.(Destaquei). A Lei Complementar 109/2001 não apenas omitiu a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91 (isto é, estabeleceu que as contribuições do empregador a plano de previdência privada ou complementar dos empregados não devem ser consideradas como remuneração destes e não se submetem à incidência de qualquer imposto ou contribuição) como também expressamente permitiu o estabelecimento de planos de previdência complementar abertos coletivos, os quais podem ser compostos por grupos de uma ou mais categorias específicas de um mesmo empregador. A ratio motivadora do legislador complementar parece ter sido o de estimular a poupança privada pelos vários meios possíveis, inclusive a instituição de programas pelos empregadores em benefício de categorias específicas de empregados quando se tratar de plano aberto, oferecido pelo mercado, evitando o 'engessamento' que por certo desestimularia a concessão de planos se houvesse rigidez exagerada quanto no público alvo do plano. Neste ponto, ainda que se entenda que a regulamentação Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 554 13 do art. 202, §2º, da Constituição Federal deveria ter sido veiculada por lei formalmente ordinária, em vista do previsto na parte final do dispositivo, a conclusão seria que, nesta parte, a Lei Complementar 109/2001 atua materialmente como lei ordinária, regulando a matéria de modo diferente da regulamentação anterior da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.528/97. A noção de que as leis complementares em sua forma também o são em sua substância ou matéria apenas e tão somente quando regulam matérias reservadas a esta espécie legislativa pela Constituição é assente na moderna doutrina e na jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal, consagrada no julgamento da ADIN 4.0715 (que tratou da COFINS de sociedades civis). Neste caso, o plenário do E. STF entendeu que lei ordinária poderia revogar previsão de lei complementar anterior que tratava de matéria não reservada especificamente à lei complementar pela Constituição Federal já que, neste ponto a previsão contida em lei complementar tem status de lei ordinária (é materialmente lei ordinária). Deste modo, entendo que a condição estabelecida pelo artigo 28, §9º, p, da Lei 8.212/91, isto é, a cláusula 'desde que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível à totalidade de empregados e dirigentes' para que a contribuição do empregador a plano de previdência complementar não sofra incidência de contribuição previdenciária não é aplicável aos casos de previdência privada complementar em regime aberto coletivo, uma vez que legislação posterior (arts 68 e 69 c/c art. 26, §§2º e 3º, todos da Lei Complementar 109/2001 e transcritos acima) deixou de prever tal condição e, além disto, expressamente previu a possibilidade de o empregador contratar a previdência privada para grupos ou categorias específicas de empregados. Por óbvio que tal faculdade não pode servir de propósito a transmudar remuneração ou prêmio em contribuição a previdência privada não tributável, aspecto que deve ser aferido considerando as circunstâncias fáticas do caso. (...) A meu ver, as exclusões de elegibilidade em questão se aplicam a categorias específicas de empregados, estando dentro dos limites da faculdade conferida ao empregador pelo art. 26, §3º da Lei Complementar 109/2001, não constituindo discriminação ou escolha aleatória ou subjetiva de pessoas pelo empregador que pudesse transmudar a contribuição para a previdência privada em prêmio, mas eleição de uma ou mais classes ou categorias de empregados a serem beneficiados." (grifei) Assim, compartilho do entendimento no sentido de que o fato de o benefício não se estender à totalidade dos empregados e dirigentes, por si só, não pode fundamentar a desqualificação de plano de previdência privada aberta, ou seja, a não incidência de Fl. 560DF CARF MF 14 Contribuições Previdenciárias requer a inexistência de qualquer outro fundamento que desnature essas verbas. De plano, esclareçase que não está em discussão a possibilidade ou não de haver no mercado de previdência privada plano que possibilite as mais diversas movimentações financeiros, o que deve ser controlado pelos órgãos de regulação do mercado financeiro, e nesse passo afastase qualquer alegação de que normas da Susep sobreporseiam às regras da tributação previdenciária. O que se está tratando no presente processo é da exclusão, da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, de valores relativos a previdência privada complementar, o que envolve o atendimentos a diversos pressupostos que justificam tal benefício. Nesse passo, as características de cada plano devem, sim, ser passadas em revista, a ver se atenderiam efetivamente à finalidade da norma que exclui dita verba, sem que haja desvirtuamento que as converta em remuneração. Nesse mesmo sentido é o Acórdão nº 2401004.776, de 09/05/2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Cleberson Alex Friess, que retratam o posicionamento desta Conselheira: "Entretanto, quer na previdência complementar fechada ou aberta, para o fim de exclusão da base de cálculo previdenciária, nos termos dos arts. 68 e 69 da LC nº 109, de 2001, impõese a necessidade de identificação do caráter previdenciário do plano de benefício com o finalidade de constituição de reservas. Senão vejamos o que menciona a Constituição da República e a Lei complementar: (...) Como se observa, o incentivo estatal que afasta a tributação está vinculado diretamente à instituição de planos de previdência complementar, os quais visam estimular a poupança interna, proporcionando ao trabalhador, ou a seu dependente, um determinado nível de renda futura e substitutiva/complementar da remuneração da atividade laboral, cujos benefícios previstos nos planos, via de regra, estão relacionados a ocorrência de eventos por sobrevivência, morte ou invalidez total ou permanente. Em vista disso, os valores dos aportes feitos ao plano de previdência, denominado de contribuições, mesmo que estruturado na modalidade de contribuição variável, devem ter por objetivo a constituição de reservas, as quais uma vez investidas formarão a provisão matemática de benefícios a conceder. Para fins fiscais, não é porque o plano de previdência privada aberta coletivo foi autorizado pelo órgão competente e foi celebrado contrato com entidade de previdência complementar regularmente constituída que a autoridade tributária está impedida de desqualificálo No exercício das atividades de fiscalização tributária, continua competente o agente fiscal para verificar, tendo em conta as circunstâncias do caso concreto, se os valores não estão sendo utilizados como ferramenta de política remuneratória da empresa destinada a incentivar ou retribuir o trabalho. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 555 15 É óbvio que as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar não podem servir de propósito para converter salário, gratificação, bônus ou prêmio em parcelas não submetidas à tributação previdenciária." Assim, a despeito das alegações trazidas em sede de Contrarrazões, cabe à Instância Especial dirimir as divergências interpretativas, inclusive quando se trata de critério para estabelecer a natureza de verbas pagas a título de previdência privada complementar, se efetivamente se confirma tal natureza, ou se tratarseia de remuneração, situação em que há a incidência das Contribuições Previdenciárias. Nesse passo, constatase que, no presente caso, a questão de não abranger a totalidade dos empregados não foi o único óbice à exclusão do saláriodecontribuição. Conforme a autuação, ocorreu o desvirtuamento dos pagamentos, o que foi determinante para ensejar o caráter remuneratório das Contribuições destinadas pelo empregador a título de previdência complementar. Confirase o Termo de Verificação Fiscal de fls. 186 a 193: "3.4. Foi verificado que o contribuinte destinou valores a título de contribuição suplementar e contribuição extra para plano de previdência privada de seu diretor Renato da Cruz Gomes. Na tabela abaixo estão detalhados esses valores, bem como valores referentes à remuneração paga no mesmo período. Observase que o valor destinado pela empresa, mensalmente, à previdência privada, correspondeu entre 30 a 32% da remuneração, saltando para 630% em 08/2009. Em uma análise do total do ano de 2009 temos que o valor destinado ao plano de previdência privada correspondeu a 81% da remuneração paga. (...) 3.5. Conforme esclarecimentos prestados o Sr. Renato da Cruz Gomes está inscrito no plano suplementar que segue as regras do 6o Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada firmado em 30 de julho de 1999. Estão destacados abaixo alguns pontos desse 6o Termo Aditivo: (...) 3.6. Em resposta a Termo de Intimação Fiscal foi informado, em relação à remuneração dos diretores, que esta é fixa, limitada ao montante global anual aprovado pela Assembléia Geral, cabendo ao Conselho de Administração deliberar quanto ao valor e periodicidade do pagamento. Ainda, anualmente, é submetida à aprovação da Assembléia de Acionistas proposta de verba para custear o Plano de Previdência Complementar Aberta destinado a seus Administradores. Anexa Ata das Assembléias Gerais Extraordinária e Ordinária realizadas cumulativamente em 29/04/2009 onde foi fixado: a) o montante global anual da remuneração dos Administradores, no valor de até R$3.500.000,00; b) a verba de até R$1.000.000,00 destinada a custear Planos de Previdência Complementar Aberta dos Administradores da Sociedade. Fl. 562DF CARF MF 16 3.7. Conforme verificado, e de acordo com os esclarecimentos do contribuinte, no ano calendário de 2009 ocorreram aportes por parte da empresa apenas ao plano de previdência privada do diretor Renato da Cruz Gomes, totalizando, conforme detalhado na tabela do item 3.4 acima, R$ 927.420,52. (...) 3.10. Da análise do Contrato Previdenciário firmado em 20/05/2000 (Plano II) verificase que as regras para contribuição ao plano são perfeitamente estabelecidas: o Participante e a Instituidora farão contribuições mensais de valor equivalente a 4% do salário de participação (salário básico mensal pago ao Participante pela Instituidora). Já nas regras do 6o Termo Aditivo oferecido somente aos diretores estatutários, diretores técnicos e assessores da diretoria, não existe uma regra clara, limitandose ao disposto nos seus itens 3.3.1 (a Instituidora fará contribuições mensais ao PGBL, individualizadas a cada participante), 3.3.1.1 ( o participante que não contribuir ao PGBL não terá acesso às contribuições da Instituidora efetuadas no semestre) e 3.3.2 ( o Participante fará contribuições ao PGBL, semestralmente, no percentual de 10% do valor da gratificação semestral que lhes é atribuída pela empresa). Não foram verificados pagamentos de gratificação semestral por parte da empresa. Conforme já observado no item 3.4, a empresa contribuiu ao plano de previdência privada do Sr. Renato com valor equivalente entre 30 a 32% da sua remuneração. E em 08/2009 a contribuição foi o equivalente a 630% da remuneração. Para o ano de 2009 o valor da contribuição da empresa ao plano do Sr. Renato foi o equivalente a 81% da sua remuneração. 3.11.Cabe destacar que um plano de previdência privada é uma forma de seguro contratado para garantir uma renda ao comprador ou seu beneficiário. É um sistema que acumula recursos para garantir uma renda mensal no futuro. Tratase de um instrumento para o qual se exige um acurado planejamento. Assim, não se pode aceitar que um contrato não estabeleça regras claras como acontece com o 6o Termo Aditivo em relação às contribuições das partes. A contribuição ao plano é o ponto principal do contrato. Sem contribuições não há como se sustentar um plano de previdência privada. A empresa pode alegar que em Assembléia Geral da companhia foi fixado o montante anual destinado a custear a remuneração e o plano de previdência complementar dos diretores, porém este fato apenas reforça que na verdade foi ajustada uma remuneração variável a ser paga através desse plano de previdência privada. Os valores de contribuição para o plano de previdência privada não está claramente estabelecido no próprio contrato desse plano, mas um montante anual é estipulado em Assembléia de acionistas. O valor é fixado para "o diretor" ficando claro que não se trata de um benefício concedido, mas pressupõe que está vinculado à atuação da pessoa. Assim, os valores de contribuição (suplementar e extra) efetuados pela empresa ao plano de previdência privada do diretor Renato da Cruz Gomes foram considerados por esta fiscalização como uma remuneração. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 556 17 (...) 3.13. Outro ponto que apenas sustenta a tese aqui estabelecida é a questão do resgate dos valores do plano. O Contrato Previdenciário firmado em 20/05/2000 (Plano II) estabelece que terá direito ao resgate das contribuições vertidas ao Plano de Benefícios pelo Participante quando: o Participante se tornar inválido e permanentemente antes de ser elegível a um dos benefícios previstos; na hipótese de saída prematura do Participante do Plano de Benefícios; na hipótese de falecimento de Participante não aposentado. Já nas regras do 6o Termo Aditivo, a cláusula quarta estabelece que mediante expressa autorização da INSTITUIDORA, o Participante poderá resgatar parte ou a totalidade do saldo da Conta de Reserva do Participante PARTE INSTITUIDORA e PARTE PARTICIPANTE; e no item 4.3, que o participante poderá, por ocasião de seu desligamento, resgatar o saldo da conta de Reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante. 3.14. Conforme já explanado, um plano se previdência privada é um sistema que acumula recursos para proporcionar uma renda mensal futura a seus titulares. O resgate, em se tratando de um plano de previdência privada seria um desvio da finalidade para a qual é instituída, tratase de um saque dos recursos. Observe que o contrato previdenciárío geral, o Plano II, possui regras que colocam o resgate como última opção, enquanto que o estabelecido no contrato dos dirigentes, o 6o Termo Aditivo, o resgate pode ser efetuado mediante uma autorização da Instituidora (a empresa ora fiscalizada). Uma regra tão simples para o resgate, como o deste 6o Termo Aditivo, não parece estar atendendo ao que seria a garantia da velhice como deve ser o princípio básico para uma empresa ofertar um benefício de previdência privada complementar. 3.15. Em consulta ao sistemas informatizados da RFB, foi verificado na Declaração de Imposto de Renda Retido DIRF que no ano calendário 2011 o diretor Renato da Cruz Gomes (CPF 426.961.27700) efetuou resgate no montante de R$ 9.768.008,37 de plano de previdência privada da empresa Bradesco Vida e Previdência SA.. Observando que o Sr. Renato continua, nesta data em 2013, no exercício do cargo de diretor da Bradespar S.A.. 3.16. Do exposto concluise que o plano de previdência privada, nas regras estabelecidas pelo 6° Termo Aditivo, foi um mecanismo utilizado pelo contribuinte para pagamento de remuneração ao seu diretor. Com isso o contribuinte procurou evitar a incidência das contribuições previdenciárias e a exclusão do dever de retenção do imposto de renda na fonte." (grifei) Assim, constatase que, independentemente da possibilidade de oferecer plano diferenciado a seus empregados, o plano oferecido pela empresa ao diretor Renato da Cruz Gomes, regido pelo 6º Termo Aditivo, continha regras que efetivamente desnaturaram o Fl. 564DF CARF MF 18 objetivo da lei, muito bem resumido nos julgados acima colacionados, como o de estimular a poupança privada pelos vários meios possíveis, inclusive a instituição de programas pelos empregadores em benefício de categorias específicas de empregados quando se tratar de plano aberto. Em síntese, eis as características que distanciam o plano oferecido ao citado diretor PGBL Plano Suplementar, regido pelo 6º Termo Aditivo de um plano que efetivamente tenha por objetivo a previdência complementar, como era o caso do plano genérico: destinação de valores mensalmente, pela empresa, a título de contribuição suplementar e contribuição extra, correspondentes a 30 a 32% da remuneração, saltando para 630% em 08/2009, alcançando 81% da remuneração paga no ano, muito acima dos 4% do salário de participação, fixado para participante e instituidor, no Plano II, destinado aos demais empregados; em 2009, o montante global anual da remuneração dos Administradores foi no valor de até R$ 3.500.000,00, enquanto que a verba de até R$ 1.000.000,00 foi destinada a custear Planos de Previdência Complementar Aberta dos Administradores da Sociedade; nesse ano somente ocorreram aportes por parte da empresa ao plano do diretor em tela, no total de R$ 927.420,52; ausência de regra clara para aporte da instituidora; contribuição semestral do participante, no percentual de 10% do valor de gratificação semestral cujo pagamento não ocorreu; enquanto que no Plano II, genérico, as regras conduzem o resgate para a última opção, no Plano Suplementar o resgate pode ser feito mediante autorização da instituidora; no ano calendário de 2011, o diretor em questão efetuou resgate no montante de R$ 9.768.008,37 de plano de previdência privada da empresa Bradesco Vida e Previdência SA, embora tenha permanecido, até pelo menos 2013, no exercício do cargo de diretor da Bradespar S.A. Em face de todas essas evidências, que indubitavelmente identificam as verbas ora tratadas como remuneração, o acórdão recorrido limitase a asseverar que tais constatações não teriam suporte fático ou jurídico, apegandose à ideia de que o único óbice à exclusão do saláriodecontribuição seria o fato de tratarse de um plano diferenciado para diretor. Cabe aqui reiterar que, a despeito dessa possibilidade, a verba continua tendo a natureza de previdência complementar e não pode ser utilizada como remuneração, como restou patente no voto acima colacionado. Resta registrar que este Colegiado já examinou plano de previdência privada complementar de empresa do Grupo Bradesco, concluindose no mesmo sentido do presente voto, oportunidade em que foi prolatado o Acórdão nº 9202007.559, de 25/02/2019, da lavra da Ilustre Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieiri, que acompanhei e trago à colação: Ementa "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.720670/201305 Acórdão n.º 9202007.974 CSRFT2 Fl. 557 19 PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, no caso de não restar comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. 'Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Voto "As demais argumentações do recurso se debruçam sobre as regras constantes dos contatos valendo destacar que três foram as razões adotadas pelo acórdão recorrido para descaracterização do plano: i) aportes da empresa de quase 100% do valor dos salários dos funcionários, ii) ausência de critérios objetivos para os aportes e iii) possibilidade de resgates ilimitados. (...) Assim, em que pese a argumentação recursal, da leitura feita das cláusulas contratuais e da análise do demais elementos trazidos aos autos, devese concluir que o PGBL Empresarial oferecido pela Contribuinte aos seus executivos não pode ser classificado como planos de previdência complementar, afinal se os aportes na prática não se destinam a garantir a concessão de um benefício futuro, não se justifica que sejam os mesmos isentos da tributação nos termos em que proposto pela norma do art. 28, §9º, 'p' da Lei nº 8.212/91." (grifei) No mesmo sentido é o Acórdão nº 2402004.109, de 14/05/2014, da lavra do Ilustre Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, que também trata de plano de previdência complementar do Grupo Bradesco: "PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Após o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Fl. 566DF CARF MF 20 Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, senão comprovado o caráter previdenciário destas contribuições." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 567DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.912383/2016-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2011
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.963
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 83 /2 01 6- 14 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.963 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912383/2016-14 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.963 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912383/2016-14 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.963 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912383/2016-14 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-006.963 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912383/2016-14 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-006.963 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912383/2016-14 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.904354/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 6º DA LEI Nº 10.833/2003.
Para fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, dois requisitos ou condições são necessários: que o tomador do serviço seja residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento por tais serviços representem efetivo ingresso de divisas no território nacional.
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE NO TERRITÓRIO NACIONAL.
Não é óbice à fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 a existência de intermediário, atuando como mero representante do tomador de serviço, pois como mandatário, não atua em nome próprio, e sim do mandante, no caso, o tomador de serviço domiciliado no exterior.
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS/CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA
Tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído à época da transmissão da DCOMP, cabe a ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito à isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, em respeito ao corolário jurídico estabelecido no artigo 373 do Código de Processo Civil quanto ao ônus da prova.
Numero da decisão: 3301-006.095
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini .
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 6º DA LEI Nº 10.833/2003. Para fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, dois requisitos ou condições são necessários: que o tomador do serviço seja residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento por tais serviços representem efetivo ingresso de divisas no território nacional. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE NO TERRITÓRIO NACIONAL. Não é óbice à fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 a existência de intermediário, atuando como mero representante do tomador de serviço, pois como mandatário, não atua em nome próprio, e sim do mandante, no caso, o tomador de serviço domiciliado no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS/CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA Tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído à época da transmissão da DCOMP, cabe a ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito à isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, em respeito ao corolário jurídico estabelecido no artigo 373 do Código de Processo Civil quanto ao ônus da prova.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 6º DA LEI Nº 10.833/2003. Para fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, dois requisitos ou condições são necessários: que o tomador do serviço seja residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento por tais serviços representem efetivo ingresso de divisas no território nacional. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE NO TERRITÓRIO NACIONAL. Não é óbice à fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 a existência de intermediário, atuando como mero representante do tomador de serviço, pois como mandatário, não atua em nome próprio, e sim do mandante, no caso, o tomador de serviço domiciliado no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS/CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA Tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído à época da transmissão da DCOMP, cabe a ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito à isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, em respeito ao corolário jurídico estabelecido no artigo 373 do Código de Processo Civil quanto ao ônus da prova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 90 43 54 /2 00 9- 93 Fl. 82DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini . Relatório Tratase de processo formalizado para o tratamento manual de Declaração de Compensação – DCOMP, no qual se declara a compensação de saldo de pagamento indevido ou maior de contribuições, com outros débitos referentes a contribuições. Em análise eletrônica da DCOMP transmitida, a unidade de origem (DRF/SANTOS/SP) emitiu o Despacho Decisório não homologando a compensação pleiteada, alegando que teriam sido localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por seu turno, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, questionando a decisão. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/CAMPINAS julgou improcedente a manifestação de inconformidade por considerar que o interessado não fez prova do direito pleiteado. Inconformado com tal decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário, onde argumenta, em apertada síntese: a) Quanto à origem do crédito, alega que os pagamentos, embora recebidos de empresas brasileiras, dizem respeito a serviços prestados a empresas estrangeiras, os quais seriam efetivamente suportados por tais empresas, que remeteriam divisas ao país. Não caberia a incidência das contribuições PIS/Cofins sobre receitas provenientes de empresas domiciliadas no exterior; b) Colaciona jurisprudência que entende corroborar sua tese, em particular o julgamento dos Embargos Infringentes no 2001.37.00.0001339/MA, pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 3 3 c) Sustenta que a legislação federal acabou por desconsiderar o local de realização do serviço, privilegiando, como critérios identificadores da exportação imunizada, a localização alémfronteira do tomador do serviço e a entrada de divisas no país. Argumenta, nesse trilhar, que para efeitos de não incidência do PIS e da COFINS, considerase suficiente para caracterização da exportação de serviços a ocorrência simultânea das seguintes condições: (i) essa atividade tenha sido desenvolvida em favor de terceiro não residente; e (ii) sua contraprestação acarrete a entrada de divisas no país. d) No caso em tela, embora os contratos tenham sido efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil do transportador estrangeiro, e, por conseguinte, embora o pagamento tenha sido realizado por tal representante, em reais, tal fato não descaracterizaria, por si só, para efeitos de nãoincidência do Pis/Pasep e da COFINS. No intuito de corroborar tal entendimento, cita e transcreve parte da Solução de Consulta no 217 SRRF/9a RF /DISIT em 04 de junho de 2009. e) No que concerne ao segundo requisito disposto para a configuração de uma prestação de serviço como exportação entrada de divisas reafirma que, ainda que o preço dos serviços seja pago à recorrente por empresa nacional, representante do armador estrangeiro, é este último, na qualidade de real tomador dos serviços, quem arca com tal encargo, enviando previamente ao país divisas suficientes à sua quitação. Desse modo, defende que o custeio dos serviços prestados pela recorrente, portanto, tem imediata relação com o ingresso de divisas no país. f) Colaciona dispositivos normativos do Banco Central do Brasil, que acompanharia a atividade dos armadores estrangeiros no país mediante rígido controle do fluxo de divisas no país. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301006.087, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10845.901874/201088, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301006.087): Tratase da isenção concedida à COFINS incidente sobre receita de exportação de serviços, conforme artigo 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e artigo 14, inciso III da MP nº 2.15835/2001, que estão assim redigidos : Lei nº 10.833/2003 : Fl. 84DF CARF MF 4 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1onão beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Medida Provisória nº 2.15835/2001 : Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 4 5 tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei no1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – revogado pela Lei nº 11.508/2007 IIIa estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. 8.Portanto, o texto legal estabelece duas condições para que tal receita seja isenta da COFINS: que o serviço seja prestado a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento referente a este serviço represente ingresso de divisas no país. 9.O artigo 111 do Código Tributário Nacional exige que a interpretação de normas legais isentivas sejam interpretadas literalmente, não sendo permitido ao julgador ampliar tais limites ao interpretar tal legislação. 10.Neste diapasão, devese observar, no caso presente, se as condições exigidas pela legislação estão satisfeitas, e Fl. 86DF CARF MF 6 devidamente comprovadas, para que se reconheça o direito isencional. A QUESTÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR – DEFINIÇÃO E INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE LEGAL. 11.A primeira condição já foi exaustivamente analisada pela Administração Tributária, na figura da Secretaria da Receita Federal, pela Solução de Consulta COSIT nº 346/2017, além de esclarecer a definição do termo “exportação de serviços” para interpretação da citada legislação, no Parecer Normativo COSIT nº 1/2018. 12.O citado Parecer Normativo COSIT nº 1/2018 definiu bem o problema que se enfrenta quando se tenta conceituar “exportação de serviços” : O conceito de exportação é incontroverso se atinente à movimentação de bens físicos (produtos ou mercadorias) que transitam pelas fronteiras de um país. O mesmo não acontece se a operação envolve serviços e o dispositivo legal que adota tal expressão sem delimitarlhe o alcance estatui norma aberta, posto que a exportação de serviços per se equivale a um conceito jurídico indeterminado.2 Não existe na doutrina ou na jurisprudência um consenso sobre o que seria exportação de serviços. Por outro lado, o legislador tributário nacional se omite quanto ao tema, limitase a prever a incidência, a não incidência ou a desoneração das operações que envolvem o comércio internacional de serviços, geralmente sem oferecer ao aplicador/intérprete da norma parâmetros que orientem sua subsunção aos casos concretos da vida econômica. O problema não é exclusivo do direito brasileiro e tem sido enfrentado de modo variado pelo legislador estrangeiro que, pragmático, busca evitar o uso do termo exportação (e também importação) ao tratar da tributação de operações que envolvam serviços, pautando a matéria tributária relacionada às operações de comércio internacional ora por meio da prescrição de normas gerais ou específicas que permitam determinar3 o local onde se dá a prestação de serviços, ora pela definição do regime de imposição tributária a ser aplicado conforme a localização do prestador ou do tomador do serviço. Levandose em conta a intenção do legislador de incentivar a atividade econômica no mercado interno, podese propor, para fim de interpretação da legislação tributária, o seguinte conceito de exportação de serviços, ressalvada disposição legal em contrário: Exportação de serviços é a operação realizada entre aquele que, enquanto prestador, atua a partir do mercado doméstico, com seus meios aqui disponíveis, para atender a uma demanda a ser satisfeita em um outro mercado, no exterior, em favor de um tomador que atua, enquanto tal, naquele outro mercado. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 5 7 13.O Superior Tribunal de Justiça também já enfrentou o tema da primeira condição no REsp nº 1.268.345MA (2011/0174696 6) de lavra do Ministro Herman Benjamin. 14.Em apertada síntese, o que se conclui da leitura de tais textos citados é que a existência de representante intermediando a transação não afeta a relação comercial de prestação de serviços para o exterior, pois o representante apenas atua como mandatário, qual seja, o representante não atua em nome próprio, e sim em nome do mandante, que está domiciliado no exterior., e também porque o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, não o intermediário. 15.Citamos trechos destes atos : REsp nº 1.268.345 – MA : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL.EMBARGOS INFRINGENTES. LEI 9.715/1998. APLICABILIDADE.ANTERIORIDADE MITIGADA. CONTAGEM A PARTIR DA PUBLICAÇÃO DA PRIMEIRA MEDIDA PROVISÓRIA (MP 1.212/1995). SÚMULA 343 DO STF. INAPLICABILIDADE. I. A Lei 9.537/1997 definiu como prático o aquaviário não tripulante que presta serviços de praticagem embarcado, sendo que o serviço de praticagem consiste no conjunto de atividades profissionais de assessoria ao Comandante requeridas por força de peculiaridades locais que dificultem a livre e segura movimentação da embarcação (art. 2º, XV, e art. 12 da Lei 9.537/1997). II. A mens legis da isenção da COFINS, determinada no art. 6º, II, da Lei 10.833/2003 (redação dada pela Lei 10.865/2004), não se limitou simplesmente ao favorecimento das exportações, mas sim ao ingresso de divisas, visando, inclusive, evitar que as exportações sejam oneradas por tributos na origem, em obediência ao princípio de que a incidência de tributos deve ocorrer no destino, para não haver exportação de tributos. III. Tal concepção foi erigida à condição de imunidade constitucional (art. 149, § 2º, I, da CF/1988), estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada na compreensão conceitual (REsp.1059041/RS) – AGTAG 2009.01.00.0237498/MG, 7ª Turma do TRF1, Relator Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 de 18/09/2009, p.374. IV. As regras tributárias que dispõem sobre isenção devem ser interpretadas literalmente (art. 111, II, do CTN). Assim, apesar de constar a regra de isenção em legislação que trata do tema importação/exportação (Lei 10.865/2004), assim como constar expressamente a exportação nos incisos I e III do art. 6º da Lei 10.833/2003, o inciso II prevê como Fl. 88DF CARF MF 8 requisitos à isenção requerida, unicamente, que os serviços sejam prestados para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Não pode o exegeta ampliar os prérequisitos à isenção, sob pena de tornar a regra inócua. A utilização de agente ou representante do transportador estrangeiro como intermediário para a realização do serviço de praticagem não tem o condão de afastar a regra de isenção, uma vez que o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente no exterior, não o intermediário. V. O fato de que o serviço deve ser pago em moeda nacional não desconstitui a prestação de serviços à pessoa física ou jurídica residente no exterior, pois configurada a entrada de divisas pelo pagamento do serviço prestado. Por determinação legal o pagamento de serviço realizado no País não pode se dar por moeda estrangeira, mas sim pelo correspondente em moeda nacional. VI. A COFINS não incide sobre receitas decorrentes de serviços de praticagem prestados para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, nos termos do art. 6º, II, da Lei 10.833/2003. Embargos infringentes a que se dá provimento, para prevalecer o voto vencido. (grifos nossos) O debate restringese ao art. 6º, II, da Lei 10.833/2003, antes transcrito, especificamente quanto ao atendimento aos dois requisitos legais para afastamento da tributação sobre as receitas relativas à prestação do serviço, quais sejam: a) prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; e b) cujo pagamento represente ingresso de divisas (a redação anterior referiase a pagamento em moeda conversível). (……….) Quanto ao segundo requisito para o benefício fiscal, é incontroverso que o prestador do serviço de praticagem recebe o preço em moeda nacional, pago pelo agente ou representante do transportador estrangeiro. Solução de Consulta COSIT nº 346/2017 : NÃOINCIDÊNCIA. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE DE MERA INTERMEDIAÇÃO ENTRE A PRESTADORA DOS SERVIÇOS E A PESSOA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. A existência de terceira pessoa, desde que agindo como mera mandatária, ou seja, cuja atuação não seja em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante estrangeiro, entre a pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior e a prestadora de serviços nacional, não afeta a relação jurídica negocial exigida para Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 6 9 enquadramento nos arts. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, e 14, inciso III, da MP 2.15835, de 2001, para o fim de reconhecimento da nãoincidência/isenção da Cofins. DOS FATOS : A Consulente, conforme atesta o seu contrato social, é empresa prestadora de serviços que atua no Porto localizado em Vitória ES, desenvolvendo todas as operações de embarque e desembarque de produtos, transporte, manuseio e armazenamento de materiais e equipamentos; enchimento e esvaziamento de containeres; desembaraço aduaneiro, carregamento e descarregamento de equipamentos, dentre outras atividades. Ocorre que dentre as atividades desenvolvidas está a prestação de serviços para armadores estrangeiros, como operador portuário, agenciamento, suporte com a documentação exigida no país, auxílio logístico, transporte, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias, praticagem, etc. Ademais, a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, contrata um representante comercial no Brasil, Esse representante contrata diversos prestadores de serviços, dentre eles a Consulente. A presente Consulta se refere justamente sobre a exigibilidade da Contribuição ao PIS e a COFINS, sobre as receitas auferidas pela Consulente quando da prestação de serviços para esses importadores estrangeiros. A Consulente, dentre suas atividades, presta serviços, mesmo que de forma indireta a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Cabe a isenção descrita na forma das leis acima mencionadas? 8. Cumpre iniciar a análise examinando a primeira condição, a exigência legal de que o tomador de serviço seja residente ou domiciliado no exterior. 9. A situação descrita na petição envolve contratos de prestação de serviços firmados entre pessoa jurídica domiciliada no Brasil e pessoa jurídica tomadora residente ou domiciliada no exterior. Até esse ponto, não restariam muitas dúvidas quanto ao atendimento da primeira condição legalmente imposta. No entanto, tais contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil da empresa estrangeira. 16.Portanto, no caso em exame, afirma a recorrente que é contratada de empresa representante do tomador de serviço, domiciliado no exterior, e, por consequência, presta serviço ao armador domiciliado no exterior. 17.Em tese, está cumprido o primeiro requisito para fruição da isenção, desde que a recorrente comprove, por documentos hábeis, tal prestação serviço, seu vínculo jurídico com a representante do tomador de serviço, a forma como recebe os Fl. 90DF CARF MF 10 valores referentes a tal prestação de serviços, as Notas Fiscais de Serviço emitidas devidamente conciliadas em sua escrita contábil, caracterizando a receita sujeita á isenção da COFINS e, por fim, a demonstração detalhada dos valores que deram origem ao crédito pleiteado na Declaração de Compensação. A QUESTÃO DO EFETIVO INGRESSO DE DIVISAS 18.Mais delicada é a questão do efetivo ingresso de divisas no território nacional, pois que sujeita ao controle da autoridade monetária nacional, o Banco Central do Brasil, que dispõe de várias regras para que se efetive o ingresso de tais valores, com objetivo de estabelecer vários controles, desde o controle do capital que adentra o território nacional, vindo do exterior, com a sempre premente preocupação de que sejam devidamente comprovadas as suas origens, evitandose a fuga de divisas internacional, até o controle da balança comercial nacional, em função do balanço entre as exportações e importações, passando pro um rígido controle e mapeamento da origem e destino de tais valores. 19.Por envolver o delicado tecido das relações internacionais, o Banco Central do Brasil estabeleceu normas rígidas e que acompanham os controles que se estabelecem a nível internacional. 20.Por sua clareza no descrever e analisar tais controles para o caso em exame, transcrevemos o texto da Solução de Consulta COSIT nº 346/2017, da Secretaria da Receita Federal , que adotamos neste voto, para elucidar a questão (esclarecemos que a Circular BACEN nº 3.691, de 2013 foi objeto de diversas atualizações – Circular BCB 3.702/2014; Circular BCB 3.750/2015, Circular BCB 3752/2015, Circular 3.766/2015, Circular 3811/2016; Circular BCB 3813/2016; Circular BCB 3825/2017; Circular BCB 3829/2017; Circular BCB 3845/2017; Circular BCB 3914/2018; Circular BCB 3918/2018): 14. Passase, assim, ao exame da segunda condição, a exigência legal de que o pagamento represente ingresso de divisas no País. 15. A verificação de atendimento da segunda condição estabelecida para o gozo do benefício da não incidência/isenção das contribuições requer uma análise minuciosa das formas disponíveis para efetivação dos pagamentos decorrentes da prestação de serviços objeto desta consulta, confrontandose tais formas com as possibilidades oferecidas no dinâmico universo negocial. 16. Não é difícil vislumbrar o que pretende a norma exonerativa: incentivar aquelas operações de prestação de serviços a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior que possam, de forma eficaz, reforçar as divisas nacionais. Tais operações são somente aquelas cujo pagamento represente efetivo ingresso de divisas, e, por conseqüência, capazes de repercutir sobre as Transações Correntes do Balanço de Pagamentos do País. 17. A fim de esclarecer a efetividade do ingresso de divisas nas circunstâncias que envolvem a situação apresentada pela consulente, recorrese às normas emanadas pela autoridade Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 7 11 monetária do País, ora consubstanciadas na Circular BACEN nº 3.691, de 16 de dezembro de 2013, que, a partir de 3 de fevereiro de 2014, data de sua entrada em vigor, passou a regulamentar a Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008, revogando o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), instituído pela Circular Bacen nº 3.280, de 09 de março de 2005. 18. Dos autos de consulta, não é possível identificar qual é o método de pagamento empregado pelo armador estrangeiro para transferir valores à empresa nacional que contrata a consulente. 19. Por isso, cumpre examinar os mecanismos de que dispõe o armador estrangeiro para efetuar o pagamento dos serviços em pauta, nos termos da Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 20. Dispõe a Circular BACEN nº 3.691, de 2013, no Título IV, Capítulo III – Disposições Complementares às Transferências Financeiras Relacionadas ou Não a Operações Comerciais, em relação às obrigações do agente e representante do transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior: Art. 119. Além das informações previstas na regulamentação cambial, as seguintes pessoas físicas e jurídicas devem fornecer ao Banco Central do Brasil, na forma e nas condições por ele estabelecidas, informações relacionadas aos pagamentos e recebimentos referentes às suas atividades: I transportadores, seus agentes ou representantes, bem como empresas que operam o transporte internacional de passageiros, bagagens e cargas; II sociedades seguradoras, resseguradores locais, resseguradores admitidos e corretoras de resseguro. 21. Mais adiante, no Título VII, Capítulo IX – Contas dos Transportadores Residentes, Domiciliados ou com Sede no Exterior, a Circular nº 3.691, de 2013, trata da operacionalização para pagamento das despesas incorridas no País pelo transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, da seguinte forma: Art. 206. São permitidas a abertura e a manutenção em banco autorizado a operar no mercado de câmbio de conta de depósito em moeda estrangeira titulada por transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com base no Decreto nº 42.820, de 1957, e na Resolução nº 3.222, de 29 de julho de 2004, que pode ser alimentada com recursos resultantes da conversão de moeda nacional auferida no País em decorrência de suas atividades. Art. 207. Nos contratos de câmbio celebrados para fins de transferência ao exterior de receitas auferidas no País pelos transportadores residentes, domiciliados ou com sede no Fl. 92DF CARF MF 12 exterior é facultada a retenção transitória de valores estimados para futura utilização no pagamento de despesas incorridas no País. § 1º Os contratos de câmbio tratados no caput são liquidados pelo valor integralmente contratado e de forma pronta, podendo ocorrer o envio de ordem de pagamento ao exterior por valor inferior ao do contrato de câmbio correspondente e a diferença servir para, no prazo de noventa dias, contados da data da contratação do câmbio, ser empregada no pagamento das despesas incorridas no País pelo transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, devendo, quando do pagamento de tais despesas, ser celebrados os respectivos contratos de câmbio na forma da regulamentação em vigor. § 2º Para fins de apuração dos valores em moeda estrangeira referentes às despesas incorridas no País tratadas no § 1º, a critério das partes, pode ser utilizada qualquer taxa de câmbio que esteja entre as taxas mínima e máxima disponíveis no Sisbacen, no período referente à permanência do veículo transportador em território nacional. § 3º Caso o valor estimado para o custeio de que trata o caput tenha sido superior ao efetivamente despendido no Brasil, deve ser enviada nova ordem de pagamento ao exterior com o valor não utilizado no País, observado o prazo de noventa dias referido no § 1º. Art. 208. É vedada a existência de saldos negativos na conta de que trata o art. 206 e para os valores retidos de que trata o art. 207. (grifouse) 22. Ainda que a conta em moeda estrangeira seja alimentada com recursos provenientes da conversão de moeda nacional auferida no País em decorrência das atividades do transportador estrangeiro e, a partir dessa conta, tais recursos sejam utilizados para o pagamento de despesas incorridas no País, consideram se atendidos os dispositivos da legislação aplicada à Contribuição para o PIS/Pasep PIS/Pasep e à Cofins que reconhecem a isenção/não incidência na hipótese de receitas decorrentes de operações de prestação de serviços para pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. 23. Cabe observar que se deve analisar essa sistemática de retenção transitória pela natureza dos recursos retidos de titularidade do transportador estrangeiro que, a princípio, seriam remetidos ao exterior (inclusive integrando o contrato de câmbio para transferência ao exterior, que se celebra pelo valor bruto), e que permanecem no País para fazer frente ao pagamento de despesas aqui incorridas. 24. Considerando a natureza dos recursos retidos e, mais ainda, que na sua utilização para pagamento de despesas incorridas no País, no prazo máximo de 90 dias decorridos da contratação do câmbio de saída do País, devem ser celebrados os respectivos contratos de câmbio para aquisição de moeda nacional, também esta sistemática atende às condições legais para fruição da não incidência/isenção ora analisada. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 8 13 25. Também é possível identificar como forma de pagamento de despesas incorridas no Brasil o débito em conta em moeda nacional, titulada pelo transportador estrangeiro. 26. Destacase que o Banco Central do Brasil (Bacen), por meio da Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008, tornou pública deliberação do Conselho Monetário Nacional (CMN), o qual, baseado no § 2º do art. 65 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, assim dispôs sobre conta em moeda nacional titulada por residente ou domiciliado no exterior: “CAPÍTULO V Das Contas em Moeda Nacional de Residentes, Domiciliados ou com Sede no Exterior e Das Transferências Internacionais em Reais Art 23. Consideram se transferências internacionais em reais os créditos ou os débitos realizados em conta de depósito em moeda nacional titulada por pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida no País em banco autorizado a operar no mercado de câmbio. Art. 24. Devem ser observados nas transferências internacionais em reais, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de compra e de venda de moeda estrangeira e as normas previstas na regulamentação específica. Art. 25. É obrigatório o cadastramento, no Sisbacen, de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Art. 26. A movimentação ocorrida em conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais),deve ser registrada no Sisbacen, na forma estabelecida pelo Banco Central do Brasil. Art. 27. É vedada a utilização da conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros. § 1º A vedação de que trata este artigo aplicase inclusive às contas de titularidade de instituições financeiras domiciliadas ou com sede no exterior mantidas em instituições financeiras autorizadas a operar no mercado de câmbio no País. § 2º Excetuase da vedação contida no caput o débito na conta titulada por instituição bancária do exterior, quando destinado ao cumprimento, por instituição autorizada a operar no mercado de câmbio, de ordem de pagamento em reais oriunda do exterior. (§ 2° incluído pela Resolução 3.657, de 17.12.2008) Fl. 94DF CARF MF 14 Art. 28. Podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, exclusivamente em banco autorizado a operar no mercado de câmbio, os saldos de recursos próprios existentes em conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Art.29. Os débitos e os créditos às contas de depósito tituladas por embaixadas, repartições consulares ou representações de organismos internacionais acreditados pelo Governo brasileiro estão dispensados de comprovação documental e da declaração do motivo da transferência. Art. 30. A movimentação em conta de depósito titulada por embaixada, repartição consular ou representação de organismo internacional acreditado pelo Governo brasileiro, inclusive por valores superiores a R$10.000,00 (dez mil reais), podem ser feitas em espécie ou por qualquer instrumento de pagamento.” (grifouse) 27. Dentre os aspectos da norma transcrita mais relevantes à análise ora procedida, certamente se encontram os seguintes: consideramse transferências internacionais em reais os créditos ou os débitos realizados em conta, mantida no País em moeda nacional e titulada por residente, domiciliado ou com sede no exterior; nas transferências internacionais em reais devem ser observados, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de câmbio em geral; é obrigatório o cadastramento no Sisbacen de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior; os saldos de recursos próprios existentes nas contas de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, desde que tal operação seja efetuada através de bancos autorizados a operar no Mercado de Câmbio. 28. O Banco Central regulamentou a matéria no Título VI Contas de Domiciliados no Exterior em Moeda Nacional e Transferências Internacionais em Reais, da Circular nº 3.691, de 2013: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 168. As pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, podem ser titulares de contas de depósito em moeda nacional no País, exclusivamente em agências que operem em câmbio de instituições bancárias autorizadas a operar no mercado de câmbio, observadas as disposições deste título. § 1º As contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior devem conter características que as diferenciem das Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 9 15 demais contas de depósito, de modo a permitir sua pronta identificação. § 2º É obrigatório o cadastramento no Sisbacen de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, na transação PCAM 260, opção 1, pelo banco depositário dos recursos. § 3º O cadastramento a que se refere o § 2º deve ser efetuado concomitantemente à abertura da conta. § 4º Nas transferências amparadas em registros do Banco Central do Brasil, o número do respectivo registro deve ser consignado no campo “Outras Especificações” da tela do Sisbacen. Art. 169. Relativamente ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif): I no subtítulo “4.1.1.60.105 Provenientes de Vendas de Câmbio”, qualquer movimentação a crédito somente pode resultar do efetivo ingresso de moeda estrangeira no País, pela liquidação de operações de câmbio, devendo constar do histórico da partida contábil o número da operação de câmbio correspondente; II eventuais redepósitos de recursos em reais, originalmente decorrentes de saques ou de transferências efetuados a débito do referido subtítulo, devem ser registrados a crédito do subtítulo “4.1.1.60.208 De Outras Origens”; III o subtítulo “4.1.1.60.301 De Instituições Financeiras” restringese aos registros contábeis de contas tituladas por bancos do exterior que mantenham relação de correspondência com o banco brasileiro depositário dos recursos, exercida de forma habitual, expressiva e recíproca, ou possuam com este relação inequívoca de vínculo decorrente de controle de capital, compreendidas as instituições controladas ou controladoras. Parágrafo único. As disposições do inciso III abrangem também as agências no exterior de bancos brasileiros e de bancos estrangeiros autorizados a funcionar no País. Art. 170. As instituições financeiras, no que se refere às relações transfronteiriças entre bancos correspondentes e a outras relações semelhantes, devem: I obter informação suficiente sobre a instituição correspondente de forma a compreender plenamente a natureza de sua atividade e conhecer, a partir de informações publicamente disponíveis, a reputação da instituição e a qualidade da sua supervisão, incluindo se a instituição foi objeto de uma investigação ou de uma ação de autoridade de supervisão, relacionada com a lavagem de Fl. 96DF CARF MF 16 dinheiro ou com o financiamento do terrorismo, e certificar se de que não se trata de instituição que: a) não tenha presença física no país onde está constituída e licenciada; e b) não seja afiliada a nenhum grupo de serviços financeiros que seja objeto de efetiva supervisão; II avaliar os controles adotados pela instituição correspondente destinados ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo; III obter aprovação do diretor responsável pelas operações relacionadas ao mercado de câmbio antes de estabelecer novas relações de correspondência; IV documentar as responsabilidades respectivas de cada instituição quanto ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Art. 171. As instituições financeiras que não se enquadrem no disposto no parágrafo único do art. 169 e no art. 170 só podem ser titulares de contas com subtítulos “Provenientes de Vendas de Câmbio” ou “De Outras Origens”. Art. 172. Devem ser observadas nas transferências internacionais em reais, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de câmbio em geral e as orientações específicas previstas neste capítulo. Art. 173. As transferências internacionais do e para o exterior em moeda nacional, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais), sujeitamse à comprovação documental a ser prestada ao banco no qual é movimentada a conta de domiciliados no exterior. Art. 174. Cumpre aos bancos depositários adotar, com relação aos documentos que respaldam as transferências internacionais em reais, todos os procedimentos prudenciais necessários a evitar a sua reutilização e consequente duplicidade de efeitos, tanto para novas transferências em moeda nacional como para acesso ao mercado de câmbio, bem como exigir a apresentação dos comprovantes de quitação dos tributos incidentes sobre a operação. Art. 175. Podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, os saldos dos recursos próprios existentes nas contas de pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliados ou com sede no exterior, independentemente do subtítulo, vedada a sua utilização para conversão em moeda estrangeira de recursos de terceiros. Art. 176. As operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este título devem ser classificadas da seguinte forma: I caso o remetente ou o beneficiário no exterior não seja o próprio titular da conta: sob o fatonatureza específico correspondente ao tipo de operação negociada; Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 10 17 II caso o remetente ou o beneficiário no exterior seja o próprio titular da conta: sob o fatonatureza “72502 Capitais Estrangeiros Depósitos e disponibilidades Disponibilidades no País”. Art. 177. É vedada a utilização das contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros. § 1º Excetuase o disposto no caput no caso de utilização de conta titulada por instituição financeira do exterior tratada no parágrafo único do art. 169 e no art. 170 para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros, utilizandose código de grupo específico, quando destinado ao cumprimento de ordem de pagamento em reais oriunda do exterior por instituição autorizada a operar no mercado de câmbio com código de grupo “60 Ordens de pagamento em reais Terceiros”, observado que em tais situações o banco mantenedor de referida conta: I deve informar, por meio da transmissão de arquivo mensal, ao Banco Central do Brasil as ordens de pagamento de valor inferior a R$10.000,00 (dez mil reais); I I pode informar, por meio da transmissão de arquivo mensal, ao Banco Central do Brasil as ordens de pagamento de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e inferior a R$100.000,00 (cem mil reais). § 2º A transmissão do arquivo tratado nos incisos I e II do § 1º é efetuada até o dia cinco de cada mês, contendo dados das transferências efetuadas no mês imediatamente anterior, conforme instruções para sua confecção disponíveis no endereço eletrônico www.bcb.gov.br / menu Câmbio e Capitais Internacionais / Sistemas / Transferências de arquivos. 29. Afora o fato de qualquer crédito ou débito em contas dessa natureza configurar transferência internacional em reais, característica intrínseca já destacada anteriormente, merecem destaque alguns aspectos procedimentais contidos no capítulo acima transcrito, de especial interesse à presente análise: as contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior devem conter características que as diferenciem das demais contas de depósito, de modo a permitir sua pronta identificação; é obrigatório o cadastramento no Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior; existe no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), um título específico para registrar os depósitos de que trata este capítulo; as transferências internacionais do e para o exterior em moeda nacional, de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil Fl. 98DF CARF MF 18 reais), sujeitamse à comprovação documental a ser prestada ao banco; com relação aos documentos que respaldam as transferências internacionais em reais, existe obrigação imposta aos bancos depositários para adotarem todos os procedimentos prudenciais necessários a evitar a sua reutilização e conseqüente duplicidade de efeitos, tanto para novas transferências em moeda nacional como para acesso ao mercado de câmbio, bem como exigir a apresentação dos comprovantes de quitação dos tributos incidentes sobre a operação; as operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este capítulo são privativas da instituição bancária autorizada a operar no mercado de câmbio depositária dos recursos; as operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este capítulo devem ser classificadas segundo a identidade das duas pontas envolvidas, de forma a identificar se há, ou não, mesma titularidade. 30. Com relação às movimentações em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, mantidas no Brasil em moeda nacional, vale transcrever o que dispõe o Banco Central do Brasil no Capítulo II do Título VI da Circular nº 3.691, de 2013: Art. 178. Para fins e efeitos deste título, caracterizam: I ingressos de recursos no País: os débitos efetuados pelo banco depositário em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, exceto quando se tratar de movimentação direta entre duas contas da espécie; II saídas de recursos do País: os créditos efetuados pelo banco depositário em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, exceto quando os recursos provierem de venda de moeda estrangeira ou diretamente de outra conta da espécie. Art. 179. O banco depositário dos recursos deve registrar no Sisbacen, transação PCAM260, opção 2, até o segundo dia útil após a realização da operação, todas as transferências internacionais em reais de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e aquelas que, independentemente do valor, sejam sujeitas a registro de capitais estrangeiros. § 1º Os registros de que trata o caput abrangem também: I os débitos e créditos realizados em contrapartida à liquidação de operações de câmbio, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais), classificadas sob a naturezafato “72502”; II as movimentações diretas de recursos entre contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior (naturezafato “72605”), de valor igual ou Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 11 19 superior a R$10.000,00 (dez mil reais), ainda que estas não caracterizem transferências internacionais em moeda nacional; III as movimentações realizadas em contrapartidas a operações de câmbio não classificadas como disponibilidades no País. § 2º As informações referentes às transferências internacionais em reais de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e inferior a R$100.000,00 (cem mil reais), desde que não sujeitas a registro de capitais estrangeiros, poderão ser enviadas ao Banco Central do Brasil, até o dia cinco de cada mês, por meio de arquivo que contenha os dados das transferências efetuadas no mês imediatamente anterior, conforme instruções para sua confecção disponíveis no endereço eletrônico www.bcb.gov.br / menu Câmbio e Capitais Internacionais / Sistemas / Transferências de arquivos. Art. 180. As movimentações para crédito nas contas de que trata este título devem ser efetuadas por meio de: I débito de conta mantida pelo pagador no próprio banco depositário; II acolhimento de cheque de emissão do pagador, cruzado, nominativo ao banco depositário ou ao titular da conta, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência; ou III TED, emitida por outra instituição financeira em nome próprio, exclusivamente quando a operação for de seu interesse, ou em nome do pagador, devendo a natureza da transferência, em qualquer caso, ser informada no campo “histórico”. Art. 181. Os débitos nas contas de que trata este título devem ser feitos, exclusivamente para crédito em conta titulada pelo beneficiário no País, por meio de: I TED, documento de crédito (DOC) ou qualquer outra ordem de transferência de fundos, emitidos pelo banco depositário em nome do titular da conta, devendo, no caso de TED, a natureza da transferência ser informada no campo “histórico”; ou II cheque administrativo ou de emissão do titular da conta, quando se tratar de depósito à vista, nominativo ao beneficiário, cruzado, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência. Art. 182. Pode ser realizada com utilização de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie, a movimentação de valor inferior a R$10.000,00 (dez mil reais). Art. 183. Nas contas tituladas por embaixada, repartição consular ou representação de organismo internacional acreditado pelo Governo brasileiro, a movimentação de qualquer valor pode ser feita em espécie ou com a utilização Fl. 100DF CARF MF 20 de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro. § 1º Os débitos e os créditos às contas tituladas por embaixadas e repartições consulares estão dispensados de comprovação documental e da declaração do motivo da transferência, devendo essas operações ser classificadas com os códigos apropriados de “Serviços Diversos Receitas e despesas governamentais”. § 2º Os débitos e os créditos às contas tituladas por organismos internacionais acreditados pelo Governo brasileiro estão dispensados de comprovação documental, devendo essas operações ser classificadas com os códigos apropriados com base nas informações prestadas. § 3º O disposto neste artigo não se aplica às movimentações de recursos em contas particulares de funcionários das referidas entidades. Art. 184. Nas movimentações de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) é obrigatória a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes de valores nestas contas bem como dos beneficiários das transferências efetuadas, devendo tais informações constar do dossiê da operação. Parágrafo único. Devem os cheques utilizados para a movimentação das contas de que trata este capítulo conter, no verso, as informações que permitam efetuar a identificação a que se refere o caput. Art. 185. O banco depositário, recebendo instruções para movimentação em conta de pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior sem o atendimento ao contido neste capítulo, não efetivará a operação, devendo adotar os procedimentos regulamentares para a rejeição ou a devolução do instrumento de pagamento, caracterizando tratarse de transferência internacional em reais. Art. 186. Nas movimentações em contas de que trata este capítulo, relativamente a aplicações financeiras e resgates na própria instituição pelo titular da conta, a operação deve ser classificada sob o código de natureza “72605”, exclusivo para movimentações em reais para fins de registro de aplicações financeiras e resgates no próprio banco depositário, observado que em qualquer caso a destinação ou a proveniência dos recursos deve ser declarada no campo “Outras Especificações” da tela de registro de movimentação do Sisbacen ou do leiaute do arquivo de que trata o § 2º do art. 179. (grifouse) 31. Estabelecem, pois, os arts. 178, I, 181, I e II, 182 e 184, pré citados, que caracterizam “ingressos de recursos no País os débitos efetuados pelo banco depositário em contas em moeda nacional tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior”, devendo tais débitos “ser feitos, exclusivamente para crédito em conta titulada pelo beneficiário no País, por meio de: I) TED, documento de crédito Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 12 21 (DOC) ou qualquer outra ordem de transferência de fundos, emitidos pelo banco depositário em nome do titular da conta, devendo, no caso de TED, a natureza da transferência ser informada no campo “histórico”; ou II)cheque administrativo ou de emissão do titular da conta, quando se tratar de depósito à vista, nominativo ao beneficiário, cruzado, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência”. 32. Vale notar que pode ser realizada “com utilização de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie, a movimentação de valor inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais)”, bem como que nas “movimentações de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) é obrigatória a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes de valores nestas contas bem como dos beneficiários das transferências efetuadas, devendo tais informações constar do dossiê da operação”, devendo os cheques utilizados para a movimentação das contas em pauta conter, no verso, as informações que permitam efetuar a identificação acima referida. 33. Enfim, diante da clareza das normas emanadas pela autoridade monetária, concernentes à movimentação de recursos em moeda nacional mantidos em conta no País titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, bem como tocantes à manutenção em banco autorizado a operar no mercado de câmbio de conta de depósito em moeda estrangeira por pessoa residente ou domiciliado no exterior, concluise que a utilização de qualquer dos mecanismos de pagamento contemplados por tais normais, já aqui destacados, para honrar obrigações contraídas no País decorrentes de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, atende ao segundo requisito legal para fins de fruição do benefício da não incidência/isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta, i.e., a exigência de que o pagamento represente ingresso de divisas no País. 34. Ademais, não seria razoável presumir que a facilidade operacional concernente à movimentação de recursos, mantidos em conta no País titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, disponibilizada de forma a não desestimular a realização de transações internacionais, seja capaz de alterar a essência das próprias transações. 35. No entanto, diante das características da regulamentação da matéria cambial, as quais, sob a ótica fiscal, demandam a adoção de certas precauções, é de essencial importância consignar que, para caracterização do atendimento da exigência de que o pagamento represente ingresso de divisas no País, não basta o débito em conta mantida no Brasil titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Persistirá, sempre, a necessidade do nexo causal entre o pagamento recebido por uma pessoa jurídica nacional mediante o Fl. 102DF CARF MF 22 débito em conta dessa natureza, e a efetiva prestação dos serviços à pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior. 21.Portanto, diante das claras regras de controle estabelecidas pelo BACEN, cabe ao recorrente a comprovação do nexo causal entre os ingressos de divisas no território nacional e a sua receita, por efetiva prestação de serviços, considerandose efetiva a prestação de serviço aquela devidamente comprovada por documentos hábeis a vincular a sua receita ao ingresso de divisas, para que se cumpra o requisito aqui examinado. A COMPROVAÇÃO DAS CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO 22.A efetiva prestação de serviços pode ser comprovada, por exemplo, pela indicação dos números de Conhecimentos de Carga (Bill of Lading) a que se referem as notas fiscais, quando de sua emissão pela pessoa jurídica brasileira como suporte documental a seu faturamento por serviços prestados de agenciamento marítimo, contra o transportador estrangeiro ou seu representante no Brasil que age na condição de mero mandatário. 23.Notese que a necessidade de verificação da efetiva prestação de serviços, e não somente de simples comprovação de que conta de estrangeiro mantida no País seja origem de pagamento recebido, decorre de características da regulamentação que trata das movimentações em contas dessa natureza, tais como: a possibilidade de haver redepósitos; a possibilidade de depósitos terem como procedência “outras origens”; a impossibilidade, e até mesmo a inviabilidade, de os controles existentes cercarem as operações envolvendo valores inferiores a R$ 10.000,00; a possibilidade de depósitos envolvendo valores inferiores a R$ 10.000,00 serem efetivados mediante qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie. 24. Verificase, desse modo, que as receitas decorrentes de pagamentos relativos à prestação dos serviços a residente, domiciliado ou com sede no exterior, representado por pessoa jurídica domiciliada no País, agindo em nome e por conta do mandante, são atingidas pelo manto isencional, disposto no art. 6º, II, da Lei nº10.833, de 2003, e no art. 14, inciso III e § 1º da MP 2.15831, de 2001, desde que tais pagamentos sejam efetuados : por meio de regular ingresso de moeda estrangeira; de débito em conta em moeda nacional titulada pela pessoa tomadora residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida e movimentada na forma da regulamentação em vigor; ou ainda, no caso de tomador transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com a utilização dos recursos objetos de registros escriturais de que trata o Capítulo IX do Título VII da Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 25. Para fins de cumprimento dos requisitos legais para fruição do benefício da isenção da COFINS na hipótese aqui analisada, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 13 23 não se considera válida qualquer forma de pagamento a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, em razão de serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, que não se enquadre entre aquelas admitidas pela Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 26. Por exemplo, não seriam objeto de isenção, no caso em exame, receitas resultantes de pagamentos realizados por qualquer outra pessoa física ou jurídica que não a própria pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior, tratese esta outra pessoa de representante da pessoa estrangeira ou não. Tal hipótese, evidentemente, não se confunde com a ação de representante na condição de mero mandatário, ou seja, agindo não em nome próprio, mas em nome e por conta da pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior. Por essa razão a importância da comprovação do nexo causal entre a efetiva prestação de serviço ao tomador domiciliado no exterior e a receita da recorrente. 27. Mesmo que o representante no País de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior tenha sob sua guarda recursos de titularidade do seu representado, oriundos de receitas auferidas, por exemplo, em razão de transporte internacional realizado a residente, domiciliado ou com sede no País, o pagamento realizado utilizando tais recursos, diretamente a prestador de serviços brasileiro, sem transitar por conta, em moeda nacional ou estrangeira, titulada por pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior, não é válido para fins de reconhecimento da isenção em pauta. 28.Ou seja, caso a pessoa física ou jurídica estrangeira se aproveite de quaisquer ajustes negociais, ou mesmo no caso de se valer de recursos anteriormente recebidos por seu representante no País, ou por agente consolidador de carga, sem transitar por conta de sua titularidade no País, considerase não atendida a exigência relativa ao ingresso de divisas. Neste caso, conseqüentemente, não será possível a fruição do benefício da isenção da Cofins pela receita do prestador de serviços nacional. 29.Cabe ainda ressaltar que, em qualquer caso, as receitas auferidas pela pessoa jurídica com a prestação de serviços vinculados a contratos firmados com pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, ou com seu mandatário, devem ser discriminadas nos livros fiscais desse prestador de forma que permita a sua perfeita identificação, e a demonstração inequívoca de que o pagamento dos serviços por ela prestados deuse na forma das normas cambiais vigentes à época dos fatos. 30.Em suma, somente quando atendidas as normas estabelecidas pela Circular BACEN nº 3.691, de 2013, em vigor desde 4 de fevereiro de 2014, para o pagamento das despesas incorridas no País pela pessoa tomadora residente ou domiciliada no exterior, fica caracterizado o efetivo ingresso de divisas no País, autorizando a aplicação das normas isentivas do artigo 6º, Fl. 104DF CARF MF 24 inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003 e 14, inciso III, e parágrafo 1º da MP 2.15835, de 2001; ou seja, nos termos da legislação cambial ora vigente, as receitas decorrentes de pagamentos relativos à prestação dos serviços para residente, domiciliado ou com sede no exterior, representado por pessoa jurídica domiciliada no País, agindo em nome e por conta do mandante, são protegidas pelo manto isencional com relação á COFINS, desde que tais pagamentos sejam efetuados por meio: 1) de regular ingresso de moeda estrangeira; 2) de débito em conta em moeda nacional titulada pela pessoa tomadora residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida e movimentada na forma da regulamentação em vigor; 3) ou ainda, no caso de tomador transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com a utilização dos recursos objeto de registros escriturais de que trata o Capítulo IX do Titulo VII da Circular Bacen nº 3.691, de 2013; ainda que seja utilizada forma de pagamento válida para o fim de enquadramento na hipótese de isenção em foco, persistirá, sempre, a necessidade da comprovação do nexo causal entre o pagamento recebido por uma pessoa jurídica domiciliada no País e a efetiva prestação dos serviços à pessoa, física ou jurídica, residente, domiciliada ou com sede no exterior; não se considera beneficiada pela isenção da COFINS, a prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior cujo pagamento se der mediante qualquer outra forma de pagamento que não se enquadre entre as hipóteses listadas em normas estabelecidas pelo Banco Central do Brasil. os serviços alcançados pela norma de isenção da Cofins, deverão ser contratados por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, ainda que por meio de seu mandatário no País, não abrangendo, porém, os serviços que este, em nome próprio, venha a contratar com a recorrente, ainda que para atendimento de demanda do transportador/armador domiciliado no exterior. as receitas auferidas pela pessoa jurídica com a prestação de serviços vinculados a contratos firmados com pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, ou com seu mandatário, devem ser discriminadas nos livros fiscais desse prestador de forma que permita a sua perfeita identificação, e a demonstração inequívoca de que o pagamento dos serviços por ela prestados deuse na forma das normas cambiais vigentes à época dos fatos. 31.Diante de todo o exposto no tópico, cabe á recorrente as comprovações dos efetivos ingressos de divisas no território nacional, de acordo com as regras do BACEN, do nexo causal entre a receita de prestação de serviços devidamente registrada e documentada em sua escrita contábil e fiscal e a efetiva prestação de serviço ao tomador, além de seu vínculo jurídico Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10845.904354/200993 Acórdão n.º 3301006.095 S3C3T1 Fl. 14 25 com o representante legal do tomador de serviço e deste representante com o próprio tomador, domiciliado no exterior. 32.Por derradeiro, há que se esclarecer dois pontos : A apresentação de provas e a realização de diligências : O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é claro ao estabelecer no seu artigo 16 os requisitos para apresentação da impugnação, onde se destacam que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (artigo 16, III) e as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (artigo 16, IV), sendo que no seu artigo 29 estabelece que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, ou seja, a diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando á produção de provas que devem ser apresentadas pela Recorrente. O ônus da prova : Diante da afirmativa da recorrente de que “ a Recorrente que está pretendendo a nãoincidência do Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, é apenas uma prestadora de serviço do agente/representante nacional do armador estrangeiro, apenas manobram os navios. Assim, causa tamanha indignação, a exigência de tais documentos, vez que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro, sendo que apenas estes podem suprir tal exigência, por não ter a Recorrente qualquer vínculo entre essa relação. Novamente, razão não assiste a Recorrida uma vez que ficou exaustivamente demonstrado no presente Recurso, através da citação nas normas emanadas pelo Bacen. Ressaltase novamente a condição do Recorrente de mero prestador de serviços ao agente/representante nacional. Assim, frisa que todas as exigências referentes à comprovação do ingresso de divisas devem ficar a cargo do agenterepresentante nacional, visto que é este quem recebe as receitas do transportador estrangeiro. Assim, quem pode comprovar o regular ingresso de divisas, além do agente/representante nacional, é o Banco Central.”, negandose, portanto, a apresentar comprovação de seu direito, devemos nos socorrer do corolário jurídico estabelecido no artigo 373 da Lei nº 13.105/2015 – Código de Processo Civil : Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 106DF CARF MF 26 no caso presente, tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído á época da transmissão da DCOMP, cabe ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito. Conclusão 33.Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado, por absoluta falta de provas. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado, por absoluta falta de provas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.727306/2013-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO SUBSTANCIAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL.
Tratando-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face de Acórdão que declarou a nulidade do lançamento por vício material, em que a matéria objeto do recurso é a definição da natureza do vício, se material ou formal, a constatação da ausência de vício a ensejar a nulidade do lançamento induz a conclusão do julgamento pela declaração do vício formal, conforme o pedido, diante da impossibilidade de julgamento extra petita.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO MEDIANTE RECEBIMENTO DE TÍTULO. CLÁUSULA PRO SOLUTO.
A alienação de bens ou direitos mediante recebimento de título, com cláusula pro soluto, considera-se venda à vista para efeitos de incidência de ganho de capital.
Numero da decisão: 9202-007.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento, e Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para restabelecer a tributação quanto à cessão de direitos hereditários - cláusula pro soluto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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AUSÊNCIA DE VÍCIO SUBSTANCIAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Tratandose de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face de Acórdão que declarou a nulidade do lançamento por vício material, em que a matéria objeto do recurso é a definição da natureza do vício, se material ou formal, a constatação da ausência de vício a ensejar a nulidade do lançamento induz a conclusão do julgamento pela declaração do vício formal, conforme o pedido, diante da impossibilidade de julgamento extra petita. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO MEDIANTE RECEBIMENTO DE TÍTULO. CLÁUSULA PRO SOLUTO. A alienação de bens ou direitos mediante recebimento de título, com cláusula pro soluto, considerase venda à vista para efeitos de incidência de ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento, e Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para restabelecer a tributação quanto à cessão de direitos hereditários cláusula pro soluto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 73 06 /2 01 3- 60 Fl. 579DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, anexo II, artigos 67 e seguintes, interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2401005.163 (fls. 479/489), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicandose o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. IRPF. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Em determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 580 3 142 do CTN. A falta da devida descrição desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. TÍTULO DE CRÉDITO. CLÁUSULA PRO SOLUTO. ALIENAÇÃO À PRAZO. Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na cessão de direitos hereditários. A opção, em título de crédito, pela cláusula pro soluto não implica considerar o pagamento como sendo efetuado à vista. In casu, restando inconteste a alienação à prazo, deveria ser obedecido o regime de caixa, devendo ser tributado a medida em que houvesse a percepção dos valores. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. REGIME DE CAIXA. Na cessão de direitos hereditários cuja alienação se deu por título de crédito contendo a cláusula pro soluto o ganho de capital deve ser tributado de acordo com o recebimento do valor (regime de caixa). A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento para: (i) decretar nulo o lançamento, por vício material, na parte relativa à omissão de ganho de capital em compensação às ações judiciais; e (ii) excluir a tributação incidente sobre o ganho de capital na cessão de direitos hereditários. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que dava provimento parcial para tão somente acolher a nulidade, por vício material, do lançamento referente à omissão de ganho de capital no recebimento em compensação às ações judiciais. Os autos foram encaminhados à Fazenda Nacional em 23/03/2018, conforme despacho de encaminhamento à folha 498. Em. 24/04/2018, conforme despacho de encaminhamento de folha 521, no dia em que ocorreu a intimação presumida da Fazenda Nacional, os autos foram devolvidos com o presente Recurso Especial (fls. 499/520), sendo, portanto, tempestivo. a) Inexistência de Nulidade Não foi conhecido. b) Nulidade: Vício formal X Vício material. Legislação interpretada de forma divergente: art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 581DF CARF MF 4 O Acórdão Recorrido assim decidiu a respeito do vício que anulou parte do lançamento: No caso concreto, no entanto, não basta a demonstração do cerceamento do direito de defesa ocasionado pela incorreção na descrição dos fatos e, em conseqüência, a declaração de nulidade, sendo necessária a verificação da natureza do defeito (vício formal ou vício material), para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um deles pode acarretar sobre a obrigação tributária. Diante disto, por tratar de caso análogo (demanda de uma das irmãs), entendo ser um vício de natureza material, consoante restou muito bem explicitado no voto vencedor do Acórdão n° 2201003.126, o qual me filio, da lavra da Conselheira Ana Cecília Lutosa da Cruz, exarado pela 1a Turma da 2a Câmara da 2a Seção, nos autos do processo n° 12448.727308/201359, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: (...) No caso dos autos, tendo em vista que o erro ocorreu na identificação jurídica dos fatos descritos, que foi o recebimento de R$ 3.000.000,00 por conta e em compensação de ações judiciais como se fosse uma operação equivalente à cessão de direitos hereditários, padece o lançamento de vício material, pois guarda relação com o conteúdo do ato administrativo, pressuposto intrínseco do lançamento. Melhor elucidando, a ausência da perfeita descrição dos fatos que dão ensejo ao tributo lançado malfere os ditames do artigo 142 do CTN, anteriormente transcrito, determinando a nulidade material do ato administrativo. (g.n.) A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que existe divergência jurisprudencial e aponta como paradigmas os Acórdãos nº 230200.386 e 2201002.183, dos quais transcrevo alguns trechos de interesse: Acórdão 230200.386 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Data do fato gerador: 29/12/2006. RETENÇÃO 11%. FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃODEOBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n 8.212/1991, com redação conferida pela Lei nº 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos AuditoresFiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 581 5 A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n ° 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235. Processo Anulado. Acórdão 2201002.183 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPRECISA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A imprecisa descrição dos fatos, que acarreta o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, constitui motivo para declarar nulo, por vício formal, o respectivo lançamento Recurso Voluntário Provido. (...) O órgão julgador de primeira instância considerou que a Contribuinte não questionou especificamente, na impugnação, a omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal. Por conseguinte entendeu que a infração não foi impugnada. A descrição dos fatos da Notificação de Lançamento (fls. 13) foi assim exposta: “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação da Justiça Federal Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ ********61.293,32, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$*********1.838,80. Fl. 583DF CARF MF 6 COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Inclusão dos rendimentos recebido, conforme DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Devidamente intimada, a contribuinte não apresenta qualquer recibo de honorários advocatícios devidamente assinado pelo profissional que a representou nas ações em questão.” Pelo exposto acima constatase que não foram discriminadas as fontes pagadoras dos rendimentos lançados pela fiscalização. Embora tenha sido informado que os rendimentos foram incluídos com base nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras (fls. 75), não constam nos autos que os dados contidos naqueles documentos tenham sido disponibilizados ao Contribuinte juntamente com a Notificação de Lançamento, ou mesmo com as Intimações que lhe foram encaminhadas. No acórdão recorrido foi esclarecido que os rendimentos omitidos referemse a duas fontes pagadoras, conforme trecho daquele aresto a seguir reproduzido: “O lançamento incluiu rendimentos tributáveis recebidos de ação judicial no total de R$ 61.293,32, provenientes da Caixa Econômica Federal, no importe de R$ 7.315,86, com a retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$ 219,48; e do Banco do Brasil S/A, no montante de R$ 53.977,46, com retenção do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 1.619,32, em virtude das fontes terem informados os respectivos rendimentos em DIRF’s e de não terem sido consignados na Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo contribuinte, resultando no crédito tributário acima exigido.” (destaques no original) Depreendese, portanto, o porquê do Recorrente ter se manifestado acerca da omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal somente em sede recursal, haja vista que antes da ciência da decisão recorrida ele não tinha conhecimento de que tais rendimentos também estavam incluídos no lançamento. O art. 142, caput, do Código Tributário Nacional,, que trata do lançamento, assim dispõe: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” A imprecisa descrição dos fatos impede a perfeita identificação da ocorrência do fato gerador, elemento essencial do lançamento, maculandoo de vício insanável, de natureza formal, e tornandoo nulo, nulidade esta que deve ser declarada a qualquer tempo. Convém ressaltar que se trata de caso em que se encontra caracterizado o cerceamento do direito de defesa do Contribuinte, que não pôde impugnar por completo o Fl. 584DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 582 7 lançamento devido à imprecisa descrição dos fatos da Notificação de Lançamento. (g.n.) Com efeito, em relação aos paradigmas o cotejo promovido pela Fazenda Nacional evidencia a divergência suscitada, pois enquanto nos paradigmas a deficiente descrição dos fatos motivou a nulidade do lançamento por vício formal, no recorrido reputouse que tal espécie de mácula representaria um vício material, de forma que o recurso deve ter seguimento, nessa parte. c) Ganho de Capital Cessão de Direitos Hereditários Cláusula Pro Soluto2 Legislação interpretada de forma divergente: art 43, incisos I e II do CTN e art. 140, caput e § 1º do RIR/99. De acordo com o acórdão recorrido, na cessão de direitos hereditários cuja alienação se deu por título de crédito contendo cláusula pro soluto, o ganho de capital deve ser tributado de acordo com o recebimento do valor (regime de caixa), conforme se verifica nos trechos abaixo colacionados: O cerne da controvérsia está, então, na correta caracterização das cláusulas pro soluto e pro solvendo, muito utilizadas nas transações envolvendo títulos de crédito. Esclarecido o ponto nodal da demanda, é importante tecer algumas considerações acerca das diferenças envolvendo as cláusulas pro soluto e pro solvendo, conforme passaremos a demonstrar. Em relação a cláusula pro soluto as promissórias são entregues e recebidas como pagamento, a título de solução, e dando quitação. A compra e venda, assim sendo, é irrevogável e irretratável, fica perfeita e acabada. Se as ditas notas promissórias, não forem pagas, o contrato respectivo não pode ser atacado, não pode ser desfeito, permanece firme e inabalável. Aquele que comprou o bem continua sendo dono dele, restando ao vendedor recorrer à Justiça, executar o título de crédito, tentar receber o que lhe é devido. Já no tocante a cláusula pro solvendo os títulos não se tornam autônomos, não se desligam do negócio respectivo, o preço só se considera real e definitivamente pago depois de saldada a última das notas promissórias. Como ensina Orlando Gomes, as promissórias pro solvendo não foram emitidas para extinguir a dívida oriunda do contrato de compra e venda, mas tão somente para reforçála, para facilitar a obtenção do numerário. E, afinal, se essas notas promissórias não forem pagas? O vendedor poderá atacar a própria compra e venda e considerar o contrato extinto e resolvido, com as graves conseqüências que este fato acarreta. Fl. 585DF CARF MF 8 Pelos esclarecimentos encimados, concluímos que o fato de ser pro soluto ou pro solvendo apenas desvincula a dívida da obrigação, não influenciando na forma da percepção dos valores da dívida, sendo esta no mês do vencimento e não como se à vista fosse. No caso concreto, os pagamentos foram acordados a prazo e em parcelas representadas por notas promissórias emitidas pro soluto (cláusula 1.6 da escritura pública, à fl. 137). Significa dizer que o ganho de capital foi apurado erroneamente, computandose o valor da cessão na data da alienação, como se fosse à vista. O art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713/88 prevê que, para efeitos do ganho de capital, será levando em conta o valor da alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda. Ora, o art. 2º do dispositivo legal encimado determina que o imposto de renda será pago à medida em que o ganho de capital for percebido: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. O Decreto 3.000/99, determina: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Desta forma, sendo mensal o fato gerador do imposto de renda relativo aos rendimentos oriundos do ganho de capital na alienação de bens e direitos e, em se tratando de uma venda à prazo mediante notas promissórias pro soluto, sua apuração não poderia ter sido feita como se à vista fosse, como proposto no auto de infração em questão. (g.n.) A Fazenda Nacional argumenta que em processo envolvendo herdeira juntamente com a autuada, discutindo matéria idêntica, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu de forma diversa, nos termos do Acórdão nº 2201 003.126, apresentado como paradigma, do qual transcrevo alguns trechos: Acórdão 2201003.126 Fl. 586DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 583 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 SUCESSÃO. BENS MÓVEIS E IMÓVEIS. GANHOS DE CAPITAL. FATORES DE REDUÇÃO. APLICAÇÃO. Consideramse imóveis, por determinação legal, o direito à sucessão aberta, ainda que a herança seja formada exclusivamente de bens móveis. Na cessão de direitos hereditários em que a herança é composta por bens móveis e imóveis a aplicação dos fatores de redução alcança todos os bens do inventário. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS TÍTULO DE CRÉDITO. CLÁUSULA PRO SOLUTO. Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na cessão de direitos hereditários. A opção, em título de crédito, pela cláusula pro soluto implica considerar o pagamento como sendo efetuado à vista. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. Na cessão de direitos hereditários cuja alienação se deu por título de crédito contendo a cláusula pro soluto o ganho de capital deve ser tributado na data da alienação. (...) A Autoridade lançadora considerou que os pagamentos efetuados à Recorrente pela AMIL (cessionária), por meio de notas promissórias, foram feitos à vista, porquanto as referidas notas foram emitidas em caráter pro soluto. A Interessada, no entanto, entende que a entrega dos títulos aperfeiçoou a cessão de direitos, mas não consumou o pagamento, não havendo qualquer fundamento legal para exigir se a tributação do imposto como se de pagamento à vista se tratasse, quando ele se fez a termo e de forma parcelada, por meio de títulos emitidos pro soluto. Segundo a Recorrente o equívoco da tese consiste em identificar os conceitos de "quitação" e "pagamento", que são distintos. "Quitação" significa "extinção, liberação da obrigação", ao passo que "pagamento" é uma das modalidades de extinção da obrigação. O cerne da controvérsia está, então, na correta caracterização das cláusulas pro soluto e pro solvendo, muito utilizadas nas transações envolvendo títulos de crédito. (...) Vêse, pois, que por construção doutrinária e jurisprudencial a existência da cláusula pro soluto implica em duplo efeito: Fl. 587DF CARF MF 10 pagamento à vista e quitação da dívida. E isto ocorre porque os títulos se desvinculam definitivamente da operação que lhes deu origem. No caso concreto, os pagamentos foram acordados a prazo e em parcelas representadas por notas promissórias emitidas pro soluto (cláusula 1.6 da escritura pública, à fl. 273). Significa dizer que o ganho de capital foi apurado corretamente, computandose o valor da cessão na data da alienação, como se fosse à vista, não merecendo qualquer reparo, neste ponto, o lançamento, haja vista que, no referido momento, se verificou a disponibilidade jurídica da renda.(g.n.) Ainda como paradigma, a Fazenda Nacional apresenta o acórdão nº 2201 002.617, onde assim ficou consignada a questão do ganho de capital no caso de alienação de bem imóvel com emissão de promissória com cláusula pro soluto: Acórdão 2201002.617 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2007 Ementa: IRPF. GANHOS DE CAPITAL. NOTA PROMISSÓRIA. PRO SOLUTO. Na alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula “pro soluto”, fato gerador é a data da alienação reputandose, assim, ocorrido o ganho de capital no momento da operação (...) Quanto à alegação de que vendeu um imóvel de sua propriedade pelo preço de R$ 158.000,00, com emissão, pelo adquirente, de nota promissória de igual valor, conforme consta da escritura pública lavrada pelo 12° Tabelião de Notas da Capital, recebendo a citada quantia somente em 25/03/2006, conforme declaração de bens do exercício de 2007, constatase que a Escritura de Compra e Venda lavrada no Cartório do 12º Tabelião de Notas, fls. 181 a 183, dispõe que a nota promissória emitida foi em caráter “pro soluto”. (...) Pelo que se vê, a nota promissória foi emitida desvinculada do contrato e, consequentemente, esse contrato está perfeito e acabado, caracterizando a disponibilidade jurídica, independentemente de ser o título quitado em momento posterior. Na verdade, como o recorrente não carreou aos autos prova de que o recebimento não ocorreu da forma descrita na escritura, não há como considerar a data do recebimento em 25/03/2006. (g.n.) Verificase a plena similitude entre as situações retratadas nos Acórdãos Recorrido e Paradigmas, onde em todos os Fl. 588DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 584 11 casos tratouse de ganho de capital nos casos de alienação/cessão de direitos hereditários, por meio de título de crédito com cláusula pro soluto. Ao passo que no acórdão recorrido decidiuse que a tributação deveria ocorrer à medida em que os pagamentos fossem efetuados, pelo regime de caixa, nos paradigmas, o entendimento é de que o ganho de capital deve ser apurado na data da alienção, como se fosse à vista. Assim, resta configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, caso conhecido, que seja negado provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço o Recurso Nacional da Fazenda Nacional. A alegação presente em contrarrazões não são sobre ausência de similitude fática. Conforme depreendese da leitura do item “B” do Termo de Constatação e de Verificação Fiscal (efls. 150/169) evidencia que a Fiscalização apurou ganhos de capital decorrentes de duas operações distintas, vejamos: B DOS GANHOS DE CAPITAL DECLARADOS E DOS GANHOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO Conforme INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS HEREDITÁRIOS, DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES, RENÚNCIA DE DIREITOS E AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS, de 18/09/2008, e a Escritura Definitiva, de 17/10/2008, referentes às mesmas operações, a fiscalizada acima identificada, denominada PRIMEIRA CEDENTE, realizou duas operações sujeitas à apuração dos ganhos de capital: cessão de direitos hereditários à empresa AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL LTDA. Recebimento de R$ 3.000.000,00, por conta e em compensação de ações judiciais, como veremos adiante, equivalente à cessão de direitos hereditários sobre bens sonegados ao inventário. Quanto à cessão dos direitos hereditários à AMIL, ao verificarmos os ganhos de capital apurados com base na escritura e na legislação aplicável, confrontados com os ganhos Fl. 589DF CARF MF 12 de capital declarados pela fiscalizada, constatamos divergências consideráveis. Quanto à compensação de ações judiciais, a fiscalizada não apurou ganhos tributáveis em suas declarações de ajuste. Da natureza do Vício: formal x material O Acórdão a quo é preciso ao delimitar a questão relacionada ao vício material: Afirma que a falta de previsão legal da tributação das "transações" é questão incontroversa neste processo e, para proceder à taxação, a autuação valese de um instituto meramente equivalente, sendo a "transação" e a "cessão de direitos hereditários" negócios jurídicos típicos e diversos entre si, não havendo qualquer semelhança ou equivalência. Compulsando o Auto de Infração verificase que, de fato, a Autoridade fiscal se utilizou da suposta “equivalência” quando tratou da indenização de R$ 3.000.000,00 recebidos pela Interessada, por conta e em compensação de ações judiciais em que pleiteava a recomposição do patrimônio em decorrência de bens sonegados ao inventário por seus irmãos, assim se pronunciando o Sr. Fiscal: Em compensação às referidas ações judiciais, as cláusulas (1.1.3) e (1.3) da mesma escritura consignaram que os irmãos, denominados QUARTO e QUINTO CEDENTES, pagariam a cada uma das irmãs, PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA CEDENTES, o valor de R$3.000.000,00 para cada uma, conforme reproduzimos a seguir. 1.1.3. Em razão da transação prevista na Cláusula 2.2, o QUARTO e o QUINTO CEDENTE determinam a CESSIONÁRIA (i) a deduzir R$9.000.000,00 (nove milhões de reais) dos valores correspondentes a sua parte nos Preços de Aquisição dos Direitos Hereditários e dos Direitos de Participação, sendo R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais) de cada um deles e (ii) a pagar, em partes iguais, a PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA CEDENTES por conta e em compensação das Ações Judiciais e a titulo de recomposição do patrimônio da PRIMEIRA, SEGUNDA E TERCEIRA CEDENTES, conforme prazos e condições previstos nesta Cláusula ("Créditos Indenizatórios"). A assinatura desta Escritura valerá igualmente como plena, rasa, mútua, geral e recíproca quitação entre as partes litigantes nos autos das Ações Judiciais. (...) No caso, as ações judiciais, que ensejaram o pagamento “... por conta e em compensação das Ações Judiciais e a título de recomposição do patrimônio...” às irmãs, autoras, pagos pelos irmãos, réus, versam, em sua essência, sobre bens sonegados ao inventário pelos réus, em especial imóveis já de propriedade e posse dos réus, que teriam sido recebidos por estes em vida do pai, e saldos credores de contas no exterior, pertencentes ao pai, Fl. 590DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 585 13 em vida, e não declarados, dos quais os réus teriam se apropriado. Concluímos que o recebimento de tal valor, em compensação às ações judiciais, é equivalente à cessão de direitos hereditários, pelas coherdeiras, que se tornaram cedentes dos direitos, aos irmãos, adquirentes da totalidade dos direitos sobre estes bens, sonegados ao inventário, que já estavam de posse dos mesmos, operação esta passível de apuração dos ganhos de capital, já que presentes os pressupostos definidos no artigo 117, § 4º, do RIR/99, a seguir reproduzidos. (...) Inequivocamente, o Instrumento Particular de 18/09/2008 e a Escritura Definitiva de 17/10/2008 foram os documentos registradores da operação, equivalente, como visto, à cessão de direitos hereditários entre os herdeiros, referentes aos bens sonegados ao inventário, reclamados pelas autoras e de posse dos réus. À evidência, transação e cessão de direitos hereditários não são equivalentes, tampouco se assemelham. Do ponto de vista jurídico, que é o que interessa, a transação é um negócio jurídico bilateral em que os interessados, por meio de concessões recíprocas, previnem ou terminam um litígio, ao passo que a cessão de direitos hereditários é alienação gratuita ou onerosa de herança a terceiro, estranho ou não ao inventário. O que ocorreu, sob a ótica deste julgadora, foi a realização de uma transação com o objetivo de viabilizar a cessão de direitos hereditários, sendo as duas operações passíveis de tributação pelo imposto de renda, em face da ocorrência de ganho de capital em ambas. No que se refere à transação realizada, por meio da qual a Recorrente recebeu a indenização de R$ 3.000.000,00 por conta e em compensação de ações judiciais em que pleiteava a recomposição do seu patrimônio, em decorrência da sonegação de bens ao inventário, importante observar que o simples fato de determinada verba ostentar natureza indenizatória não é, por si só, suficiente para sua exclusão do âmbito de incidência do imposto de renda. Não é possível subsistir o entendimento de que a verificação da incidência do imposto de renda deve ter por base unicamente o caráter remuneratório ou indenizatório da parcela que se quer tributar, já que não são apenas as verbas remuneratórias que podem representar aumento de patrimônio daquele que as recebe. As indenizações, em regra, são valores destinados à recomposição do patrimônio (material ou imaterial) daquele que foi lesado em seu direito. Contudo, uma análise mais detida do conceito de indenização denota que, a par de sua função de reposição patrimonial (reparação de danos emergentes), o pagamento de indenização pode, por vezes, representar aumento do patrimônio de quem a recebe, na medida em que visem à reparação de ganhos que deixou de obter, ou seja, lucros cessantes. Fl. 591DF CARF MF 14 Não obstante o exposto, a questão é o equívoco cometido pela Autoridade lançadora e, posteriormente, pela Autoridade julgadora da instância de piso, que tratou a transação como se fosse “adiantamento de legítima”, para convalidar o lançamento viciado em sua origem. Assim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional a discutir a natureza do vício. Como meu posicionamento é conhecido deste Colegiado: Para o Direito Tributário, essa questão de compreender e identificar se o vício é formal ou material tem grande relevância, porque o Código Tributário Nacional CTN, nos casos de vício formal, prolonga o prazo de decadência para constituição de crédito tributário, nos termos de seu art. 173, II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Mas antes de adentrar nesse tema, é preciso apresentar as circunstâncias do caso concreto. Para tanto, transcrevo em parte do decisum do acórdão recorrido: (i) decretar nulo o lançamento, por vício material, na parte relativa à omissão de ganho de capital em compensação às ações judiciais; e (ii) excluir a tributação incidente sobre o ganho de capital na cessão de direitos hereditários. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que dava provimento parcial para tão somente acolher a nulidade, por vício material, do lançamento referente à omissão de ganho de capital no recebimento em compensação às ações judiciais. Adentrando propriamente na questão da análise do vício que ensejou a declaração de nulidade em relação a alguns itens do auto de infração, registro novamente que a compreensão e identificação da espécie desse vício (formal ou material) tem particular importância no âmbito do Direito Tributário, porque o Código Tributário Nacional prolonga o prazo de decadência para a constituição de crédito tributário que tenha sido cancelado por vício formal em sua constituição (CTN, art. 173, II). Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 586 15 É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal não pode estar relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, não pode referirse à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídico tributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídico tributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídico tributária. In casu, entretanto a formalização do auto de infração em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235). Fl. 593DF CARF MF 16 A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descritos no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo) Nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Outrossim, no âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Ademais, não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ‑ CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. Como sabido, qualquer ato administrativo manter coerência entre os fatos/condutas descritos e seus fundamentos legais, conforme bem se depreende da lição de Di Pietro ao explicar que “o princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões”. Com efeito, não basta identificar a conduta objeto do ato, mas sim qualificar devidamente aquela conduta dentro da norma supostamente violada e apta a gerar a cobrança fiscal, inclusive sob pena de violação à legalidade. GANHO DE CAPITAL CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS Por um lado a Autoridade lançadora considerou que os pagamentos efetuados à Recorrente pela AMIL (cessionária), por meio de notas promissórias, foram feitos à vista, porquanto as referidas notas foram emitidas em caráter pro soluto. Já a contribuinte aduz ter o fiscal e o acórdão recorrido afrontado decisão de autoridade competente preclusa administrativamente (consulta fiscal) e descumpre, também, sentença judicial da 17° Vara Federal do Rio de Janeiro, que concedeu à ora recorrente mandado de segurança para determinar à Fazenda Nacional observância da eficácia da resposta a ser dada à referida consulta, anexando certidão. Faz um relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, para por em destaque a importância do instituo da consulta fiscal, seu fundamento constitucional no inciso XXXIII, do art. 5°, da Carta magna, e o caráter vinculatório que assume a resposta para a Administração Tributária, sendo inquestionável não subsistir legalmente qualquer conclusão posta em contraste com o decidido no âmbito da consulta. Esclarece em relação à alienação à prazo, com a emissão de notas promissórias com cláusula pro soluto, seria indevida a tributação como se pagamento à vista Fl. 594DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 587 17 fosse, a entrega de tais títulos “para pagamento” não implicaria em pagamento, mas significaria “como em pagamento”. Ou seja, no caso concreto, a entrega dos títulos aperfeiçoou a cessão de direitos, mas não consumou o pagamento. Salienta que considerando a existência da cláusula pro soluto implicaria em equivalência a pagamento à vista, ferindo o fato relevante de que a disponibilidade financeira, colacionando doutrina e jurisprudência sobre a matéria. Aqui, passo a decidir, em convergência ao constante ao a quo: Primeiramente quanto ao questionamento sobre a consulta fiscal, ocorre que a questão da cláusula pro soluto não foi objeto de indagação na consulta, de forma que qualquer tentativa de se desvencilhar do ônus tributário com base em consulta fiscal que sequer ventilou o assunto deve ser rechaçada de pronto, sem maiores delongas. O cerne da controvérsia está, então, na correta caracterização das cláusulas pro soluto e pro solvendo, muito utilizadas nas transações envolvendo títulos de crédito. Esclarecido o ponto nodal da demanda, é importante tecer algumas considerações acerca das diferenças envolvendo as cláusulas pro soluto e pro solvendo, conforme passaremos a demonstrar. Em relação a cláusula pro soluto as promissórias são entregues e recebidas como pagamento, a título de solução, e dando quitação. A compra e venda, assim sendo, é irrevogável e irretratável, fica perfeita e acabada. Se as ditas notas promissórias, não forem pagas, o contrato respectivo não pode ser atacado, não pode ser desfeito, permanece firme e inabalável. Aquele que comprou o bem continua sendo dono dele, restando ao vendedor recorrer à Justiça, executar o título de crédito, tentar receber o que lhe é devido. Já no tocante a cláusula pro solvendo os títulos não se tornam autônomos, não se desligam do negócio respectivo, o preço só se considera real e definitivamente pago depois de saldada a última das notas promissórias. Como ensina Orlando Gomes, as compra e venda, mas tão somente para reforçála, para facilitar a obtenção do numerário. E, afinal, se essas notas promissórias não forem pagas? O vendedor poderá atacar a própria compra e venda e considerar o contrato extinto e resolvido, com as graves conseqüências que este fato acarreta. Pelos esclarecimentos encimados, concluímos que o fato de ser pro soluto ou pro solvendo apenas desvincula a dívida da obrigação, não influenciando na forma da percepção dos valores da dívida, sendo esta no mês do vencimento e não como se à vista fosse. Fl. 595DF CARF MF 18 No caso concreto, os pagamentos foram acordados a prazo e em parcelas representadas por notas promissórias emitidas pro soluto (cláusula 1.6 da escritura pública, à fl. 137). Significa dizer que o ganho de capital foi apurado erroneamente, computandose o valor da cessão na data da alienação, como se fosse à vista. O art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713/88 prevê que, para efeitos do ganho de capital, será levando em conta o valor da alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda. Ora, o art. 2º do dispositivo legal encimado determina que o imposto de renda será pago à medida em que o ganho de capital for percebido: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. O Decreto 3.000/99, determina: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Desta forma, sendo mensal o fato gerador do imposto de renda relativo aos rendimentos oriundos do ganho de capital na alienação de bens e direitos e, em se tratando de uma venda à prazo mediante notas promissórias pro soluto, sua apuração não poderia ter sido feita como se à vista fosse, como proposto. Assim, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e no mérito em NEGARLHE provimento. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Divergi da Relatora quanto ao mérito. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 12448.727306/201360 Acórdão n.º 9202007.818 CSRFT2 Fl. 588 19 Entendeu a Relatora, adotando as teses do acórdão recorrido, que os valores recebidos em decorrência de acordo, como compensação por bens sonegados ao inventários, teriam natureza indenizatória e que o lançamento não tinha base para equiparar a alienação de direito hereditário, e que, ao fazêlo, incorreu em nulidade do lançamento por vício material; Também entendeu a Relatora que, no caso de alienação de bem mediante recebimento de título de crédito com cláusula pro soluto, o imposto sobre o ganho de capital é devido quando do efetivo desconto do título (regime de caixa). Divirjo quanto aos dois pontos, pela razões que passo a expor. Sobre o recebimento como contrapartida por bens sonegados ao inventários, que o contribuinte chama de equivalência, não vislumbro aí, como quer a Relatora, nada que possa ser caracterizado como indenização, mas como efetiva alienação de direito hereditário. Trata de valores pagos aos herdeiros em contrapartida pela cessão, de fato, de parte do seu quinhão na herança, num verdadeiro negócio jurídico. O uso do termo “equivalência” para designar a relação entre o valor recebido e o que seria o quinhão hereditário não muda a natureza do negócio jurídico. Os contribuintes faziam jus a um determinado quinhão da herança e, mediante acerto, receberam em troca desse quinhão, valor previamente ajustado. Essa operação, independentemente do nome que se lhe dê, é verdadeira alienação. Não se trata, portanto, de aplicação do regime de caixa ou de competência, mas de definição do momento do efetivo recebimento da contrapartida pela alienação, e esta se dá no momento do fechamento do negócio, como venda à vista. Assim, foi certíssima a interpretação adotada pela autoridade lançadora de considerar a operação como alienação de direito de herança e, conseqüentemente, como operação sujeita ao ganho de capital. Se é assim, não se cogita de nulidade do lançamento, seja por vício formal, seja por vício material. Todavia, declarada a nulidade, e tendo o recurso sido conhecido apenas em relação à definição da natureza do vício,s e formal ou material, é forçoso concluir pela natureza formal do vício. Sobre a segunda matéria, a definição do momento da ocorrência do fato gerador, no caso de pagamento mediante entrega de título com cláusula pro soluto, como se sabe, o que distingue as cláusulas pro soluto e pro solvendo é que, no primeiro caso, o alienante dá plena quitação da operação, não ficando esta condicionada à liquidação futura dos título. Se é assim, ora, se é dada a plena quitação, o negócio jurídico está pleno e acabado, estando configurado, por um lado, a propriedade definitiva do bem adquirido e, por outro lado, a efetiva disponibilidade jurídica da renda. Portanto, em tudo, tratase de operação à vista. Essa questão, inclusive, já foi esclarecida com precisão pela Administração Tributária no Parecer CST nº 130, de 23/10/1975. Confirase: Parecer Normativo CST nº 130, de 23/10/1975 [...] Fl. 597DF CARF MF 20 3. Nas alienações por meio de escritura definitiva, com quitação integral registrada sem quaisquer ônus sobre o imóvel, sendo parte do preço paga mediante notas promissórias não vinculadas à transação, a alienação é considerada à vista. As alienações a prazo revestemse de formas próprias, bem caracterizadas havendo sempre vinculação entre a respectiva transação e o crédito resultante da parte não paga, como por exemplo: alienação com cláusula adjeta de hipoteca; alienação com cláusula de pacto comissório. Assim, a emissão de notas promissórias sem qualquer vinculação com a transação imobiliária constitui outra operação, ou seja, de financiamento. [...] É o caso. A venda mediante entrega de título com cláusula pro soluto configura, na verdade, duas operações, independentes entre si: de alienação à vista e de financiamento. Correto, portanto, o procedimento fiscal também quanto a este ponto. Diante do exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 598DF CARF MF
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