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Numero do processo: 13657.000322/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995
DECADÊNCIA. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INOCORRÊNCIA.
A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto-Lei nº 2.124, de 13/06/1984, representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco. Súmula CARF nº 52.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE
Não há que se falar em nulidade quando a decisão não apresenta vício elencado no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, mormente quando a contribuinte pode apresentar recurso contra todos fundamentos legais envolvidos na decisão.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não corre o prazo para cobrança do crédito tributário enquanto permanecer suspensa a sua exigibilidade por força de decisão judicial.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3301-006.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Ausente a conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 DECADÊNCIA. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INOCORRÊNCIA. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984, representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”. Súmula CARF nº 52. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE Não há que se falar em nulidade quando a decisão não apresenta vício elencado no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, mormente quando a contribuinte pode apresentar recurso contra todos fundamentos legais envolvidos na decisão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não corre o prazo para cobrança do crédito tributário enquanto permanecer suspensa a sua exigibilidade por força de decisão judicial. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 03 22 /2 00 5- 07 Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.263 2 contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Ausente a conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Relatório 4. Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, transcrevo o relatório do Despacho Decisório da DIORT/DERAT/SP (fls. 365 a 368), ipsis litteris: “1. O presente processo iniciouse com as petições de folhas 04 a 10 e 15 a 23, nas quais a empresa São Paulo Alpargatas S/A solicita à Delegacia da Receita Federal de Pouso Alegre, respectivamente, a extinção dos créditos tributários da filial de CNPJ 61.079.117/022257, referentes ao PIS de abril a setembro de 1995, e a extinção dos créditos tributários da filial de CNPJ 61.079.117/004356, referentes ao PIS de abril a agosto de 1995 e a Cofins de outubro de 1991. As referidas petições têm o fito de permitir a emissão de certidão negativa de tributos e contribuições federais para a filial de CNPJ 61.079.117/022257 e a baixa do CNPJ da filial 61.079.117/004356. 2. Em memorando encaminhado ao chefe da ARF Pouso Alegre, 048/2005/GAJ/SACAT/DRFVAR (fl. 01), o chefe da SACAT descreve sucintamente o pleito do contribuinte, afirmando que os tributos em questão haviam sido objeto de discussão judicial nos processos MS n° 95.00312433 (PIS) e AO n ° 92.00026249 (FINSOCIAL) e que por essa razão os débitos, considerando o trânsito em julgado das referidas ações, deveriam ser transferidos para um processo, e este, por sua vez, encaminhado à DRFSão Paulo, jurisdição da matriz da empresa. No despacho de folha 224, a Agência da Receita Federal em Pouso Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.264 3 Alegre/MG encaminhou este processo, conforme proposto, a esta DERAT/SPO. 3. A EQAMJ/DICAT, após exame inicial (fl. 247), remeteu o processo a esta equipe para que apreciasse se a compensação dos débitos do PIS, efetuada pelo contribuinte, foi realizada segundo determinado no Mandado de Segurança no 95.00312433. 4. Com base nos documentos aduzidos ao processo, é possível constatar que o sistema CONTACORPJ (fls. 29/31), em 20/05/2005, indicava como suspensos por medida judicial os débitos do PIS (cod. 3885) da filial 61.079.117/022257, e do PIS e da Cofins (cod. 6120) da filial 61.079.117/004356, com vencimentos, respectivamente, de maio a outubro de 1995, maio a setembro de 1995 e novembro de 1991. 5. Foram juntados excertos do MS n° 95.00312433(fls. 33 a 50), protocolizado em 06/04/1995, no qual verificase que o contribuinte solicitou que a base de cálculo do PIS fosse a fixada pela lei complementar n° 7/1970, ou seja, o faturamento do sexto mês anterior, e não a receita operacional bruta do mês imediatamente anterior. Assevera que os recolhimentos a maior efetuados entre julho de 1989 e fevereiro de 1995 ensejam à impetrante o direito liquido e certo de proceder à compensação com débitos do PIS, bem como com débitos de outras contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social, como a Cofins. A liminar (fls. 52/54) autorizou o recolhimento com base na Lei Complementar no 7/70, com o prazo assinado pela Lei no 8.383/91, porém indeferiu o direito à compensação. 6. Em 14/11/97, a Justiça julgou parcialmente procedente o pedido, concedendo a ordem para reconhecer indevidos os pagamentos feitos pela impetrante na forma dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88, tal como comprovado nos autos, bem como para afastar as exigências decorrentes da IN SRF n° 67/92, que impediam a pretensão da compensação, a qual deveria ser realizada por conta da impetrante na forma da motivação (fls. 56 a 65), submetida, porém, a inarredável verificação por parte do Fisco (fl. 63). 7. O TRF da 3ª Região, em 12/04/2000, manteve a sentença e determinou que os valores recolhidos a maior fossem atualizados pelo IPC e pelo 1NPC e que, a partir de 01/01/96, eram cabíveis juros moratórios (fl. 67 e 68). 8. Em 05/09/2000, a União interpôs recurso especial, que foi negado pelo TRF da 3ª Região. Protocolizou agravo de instrumento contra decisão denegatória do Recurso Especial, tendo sido negado em despacho publicado no DJ de 25/09/2002(f1. 102). 9. Em 08/10/2002 houve decurso de prazo para recurso, ocorrendo o trânsito em julgado da sentença (fl. 102). 10. Consta às folhas 111/113 planilha na qual o contribuinte indica o valor que teria recolhido a titulo de PIS entre outubro/1988 e setembro de 1995; os valores devidos conforme sentença judicial; a diferença entre esses valores; a correspondência, em UFIR, dos valores a compensar. A empresa apurou um crédito de R$ 20.948.142,71 (vinte milhões, novecentos e quarenta e oito mil, cento e quarenta e dois reais e setenta e um centavos), atualizado até setembro de 2005. Na planilha de fls. 114/115, o contribuinte demonstra as compensações efetuadas dos débitos do PIS, de competência de outubro/95 a julho/02, e dos débitos da Cofins, de competência de junho/01 a maio/02, com o saldo credor supracitado. Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.265 4 11. Os demais documentos juntados aos autos do processo administrativo repetem os documentos até aqui mencionados, exceto quanto às fls. 192/213, que trazem cópias de algumas partes da Ação Cautelar n° 91.07148623, intentada em 31/10/1991, na qual o contribuinte discute o FINSOCIAL. Consta (fl. 206) que foi concedido ao contribuinte, em 19/11/91, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários do FINSOCIAL, mediante fiança bancária. Fiança essa dada em relação aos fatos geradores de outubro e novembro/1991 (fls. 208 e 209). A Ação Cautelar aqui citada acompanha a Ação Ordinária n° 92.26249, que foi julgada parcialmente procedente. Houve o trânsito em julgado da Ação Ordinária em 15/04/1996, conforme certidão de objeto e pé de folha 211. 12. Tendo em vista que este processo administrativo controla apenas os débitos de PIS da filial de CNPJ 61.079.117/004356 e que os débitos de Cofins desta filial, e os débitos do PIS da filial de CNPJ 61.079.117/022257 são controlados, respectivamente, nos processos de n° 12157.000113/200612 e n° 13657.000321/200554, passaremos a análise somente do PIS da filial de CNPJ 61.079.117/004356. 13. Analisando a linha do tempo das ações interpostas pelo contribuinte, constatase que o período em que se está exigindo o débito do PIS encontrase entre a impetração do Mandado de Segurança n° 95.00312433 e o trânsito em julgado da sentença. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte ao "Delegado da Receita Federal de Pouso Alegre", poderíamos concluir que nesse período não havia amparo para a compensação, contudo, às folhas 108 e 109, consta que o contribuinte intentou novo Mandado de Segurança (n° 95.03.0413397) contra a decisão do juiz de 1° grau, prolatada em 14/11/97, que indeferiu a liminar para autorizar a compensação. Nesse novo Mandado de Segurança o impetrante obteve liminar em 15/05/95. A existência dessa liminar é, ainda que de forma indireta, confirmada pelo teor da sentença de 1° grau no mandado de segurança de origem n° 95.00312433, consoante se lê à folha 63. 14. Sendo assim, não há dúvida de que o contribuinte estava amparado por liminar em Mandado de Segurança que autorizava a compensação dos débitos controlados nesse processo. 15. Analisando a planilha de folhas 111/113, consta que no interstício de abril a agosto de 1995 o contribuinte supostamente recolheu parcelas ínfimas do PIS em face do montante devido (fl. 113).Tal foi a discrepância entre o valor supostamente recolhido e o devido que, ao invés de apurar saldos a restituir, como se verificou nos demais períodos, nos meses supracitados os saldos foram devedores. Esses saldos devedores foram somados aos valores positivos apurados nos períodos de outubro de 1988 a dezembro de 1994, resultando um crédito a favor do contribuinte de R$ 20.948.142,71 (vinte milhões, novecentos e quarenta e oito mil, cento e quarenta e dois reais e setenta e um centavos), valor referência de setembro de 1995. 16. O contribuinte foi intimado, em 12/09/2006, a apresentar documentos que corroborassem seu pleito, quais sejam: cópias dos DARFs de recolhimento do PIS (3885 ou 8109), relativos ao período de outubro de 1988 à setembro de 1995, feito pela matriz e por cada uma das filiais, de forma a comprovar os recolhimentos informados nas planilha de folhas 111/113; demonstrativo da apuração das bases de cálculo relativas ao período retrocitado, discriminando matriz e cada uma das filiais, inclusive acompanhado de elementos que comprovassem esses valores, de forma a corroborar os montantes Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.266 5 informados na coluna "devidos conforme sentença judicial" da referida planilha. 17. O contribuinte solicitou prorrogação de prazo com o fito de atender à intimação (fls. 257 a 260). 18. Conforme informado às folhas 266 e 267, o requerente não logrou êxito em resgatar as cópias dos recolhimentos do PIS, alegando suposta destruição. No que tange ao demonstrativo da apuração da base de cálculo, o requerente apresentou a planilha consolidada relativa ao período de outubro de 1988 a setembro de 1995, não aduzindo ao processo, porém, qualquer elemento que comprovasse os referidos valores. 19. É o relatório.” 5. Em decisão proferida em 22.12.2006 (fls. 365/374), a DIORT/DERAT/SP considerou as compensações feitas como "não admitidas", haja vista que o contribuinte, tendo declarado em DCTF os débitos do período de abril a agosto de 1995, não trouxe aos autos documentação que permitisse à Administração averiguar as compensações apresentadas e vinculadas ao crédito obtido por força de decisão judicial transitada em julgado. Na seqüência determinou a cobrança dos valores compensados indevidamente, e declarou a impossibilidade de o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade contra o referido despacho, mas facultoulhe a apresentação de recurso hierárquico, nos termos do art. 56 da Lei 9.784/1999. Segue transcrição da ementa da citada decisão: “PIS AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE LEI COMPLEMENTAR N°07/1970 RESOLUÇÃO N°49/1995 LEI N°8383/1991 Decisão judicial transitada em julgado determina, em consonância com a Resolução do Senado Federal n°49/95, aplicação das disposições da LC n°07/70. Ordena compensação dos créditos requeridos exclusivamente "com parcelas vincendas da própria exação, nos termos do art. 66 da Lei n°8.383/91" e afasta exigência de apresentação de requerimento para compensação de créditos com débitos de mesma natureza estabelecida pela IN SRF n°67/1992, garantindo direito a compensação, "a ser submetida a inarredável verificação da autoridade administrativa". DESCUMPRIMENTO DE INTIMAÇÃO — LEI N° 9.784/99 — DECRETO N° 70. 235/72 — Nãoapresentação de elementos necessários à análise do requerimento implica em arquivamento, nos termos do art.40 da Lei n° 9.784/99. LEI N° 5.172/66 –CTN Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, nos termos do disposto do art. 195, parágrafo COMPENSAÇÕES NÃO ADMITIDAS” 6. Ciente da decisão em 06.03.2007 (fl. 375verso), a interessada interpôs, em 16.03.2007, recurso hierárquico (fls. 386 a 403), solicitando que fosse recebido como Manifestação de Inconformidade para suspender a exigibilidade do crédito tributário em discussão, e, no mérito, requer que se reforme Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.267 6 o despacho decisório recorrido, a fim de que sejam homologadas expressamente as compensações pleiteadas uma vez que entende que se operou a extinção do crédito tributário, seja pela homologação tácita das compensações após decorridos cinco anos, seja pela ocorrência da decadência, nos termos do artigo 150, §4° e artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional. 7. Em 22.11.2007, a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal negou provimento ao Recurso Hierárquico, proferindo a Decisão de fls. 459 a 463 que foi assim ementada: “RECURSO HIERÁRQUICO INTERPOSTO PARA REFORMAR DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE CONSIDEROU "NÃO ADMITIDAS" AS COMPENSAÇÕES APRESENTADAS EM DCTF, FEITAS COM BASE EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, E CUJA COMPROVAÇÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DCTF NÃO FOI FEITA A ADMINISTRAÇÃO SOB A ALEGAÇÃO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento foi feito quando da entrega da DCTF pelo contribuinte, garantindo a Fazenda Pública da decadência do crédito tributário devido por ele. Havendo a concomitância de discussão do mesmo objeto, na esfera judicial e administrativa, cabe a Administração aguardar a finalização do processo na esfera judicial, cabendolhe, então, cumprir a decisão ali proferida. E, nesse contexto, o prazo prescricional previsto no art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN) e, conseqüentemente, a exigibilidade do crédito tributário em questão, esteve suspenso até a ocorrência do trânsito em julgado da sentença. Recurso Hierárquico Improvido” 8. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 467 a 495), onde alega, em síntese, o que segue: 8.1 O presente procedimento administrativo tem por objeto compensações declaradas em DCTF pela Recorrente, as quais foram apreciadas extemporaneamente e não homologadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (DERAT — São Paulo/SP); 8.2 Tratase de compensações promovidas pela ora Recorrente, no período de abril a agosto de 1995, relativas ao indébito de PIS em razão de seu direito de recolher a referida contribuição de acordo com a Lei Complementar 07/70, ou seja, considerando o faturamento do sexto mês anterior. Tal direito, inclusive, foi reconhecido pela decisão proferida no Mandado de Segurança n° 95.00312433; 8.3 Em 12.09.2006, ou seja, após decorridos 11 (onze) anos das compensações efetuadas, a Receita Federal intimou a Recorrente a apresentar “cópias dos DARF de recolhimento do PIS (3885 ou 8109) relativamente ao período de outubro de 1988 a setembro de 1995, feito pela matriz e por cada um das filiais de forma a comprovar os recolhimentos; demonstrativo da apuração das bases de cálculo relativamente ao período acima citado, discriminando matriz e uma das filiais, inclusive acompanhando de elementos que comprovem esses valores (cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registros contábeis) de Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.268 7 forma a comprovar os valores devidos conforme sentença judicial informada na planilha de fls. 79/81"; 8.4 Em atendimento à solicitação fazendária, a Recorrente informou que não logrou êxito na busca da referida documentação, uma vez que a mesma deve ter sido destruída quando passados 10 (dez) anos. Todavia, juntou planilha demonstrativa da base de cálculo solicitada; 8.5 Em 06.03.2007 a Recorrente foi intimada da decisão de fls. 365/374 que não homologou as compensações efetuadas, "posto não haver produzido, o requerente, documentação essencial para cálculo e apuração dos fundamentos das compensações pretendidas, não se admitindo, portanto, as compensações vinculadas ao crédito alegado". Na referida decisão consignouse que a Recorrente teria direito interposição de um recurso administrativo, sem efeito suspensivo, no prazo de 10 (dez dias), nos termos dos artigos 56 e seguintes da Lei n° 9.784/99; 8.6 Inconformada com tal cobrança, a ora Recorrente protocolou manifestação de inconformidade/impugnação; 8.7 Julgada a manifestação de inconformidade/impugnação apresentada (por órgão diverso daquele que é competente segundo a legislação de regência — art. 25 do Decreto 70.235/72 e art. 174 da Portaria MF n° 95/2007 — Regimento Interno da RFB), sem, entretanto, apreciação do pedido preliminar da Recorrente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 8ª Região Fiscal — SRRF/8ªRF/Disit) entendeu por bem negarlhe provimento, no mérito; 8.8 Antes mesmo da referida decisão e sem abrir qualquer possibilidade de contraditório ou de defesa, a Autoridade Fiscal deu prosseguimento a cobrança dos valores compensados. Assim, flagrante a violação ao art. 42, I do Decreto n° 70.235/72, pois a decisão ainda não era definitiva, uma vez que pendente a decisão quanto a manifestação de inconformidade/impugnação apresentada e cabível a interposição do presente recurso voluntário (art. 33 também do Decreto n° 70.235/72); 8.9 Evidenciado o cabimento do presente recurso voluntário, passase a demonstrar que o crédito de PIS objeto deste procedimento administrativo encontrase extinto, nos exatos termos do que preceitua o artigo 156 incisos II e V do Código Tributário Nacional, tendo em vista: (i) a extinção do crédito tributário pelas compensações efetuadas; (ii) a extemporânea manifestação da autoridade administrativa que deixou de homologar as compensações efetuadas pela Recorrente (art. 74, §2° da Lei n° 9.430/96) materializandose, portanto, a decadência do direito de promover o lançamento de eventuais diferenças tardiamente apuradas (art. 150, §4° do Código Tributário Nacional), nos termos do artigo 156, incisos II e V, do Código Tributário Nacional; 8.10 Dispõe o art. 156 do Código Tributário Nacional que a compensação efetuada pelo sujeito passivo extingue o crédito tributário. Já o art. 74, §§ 2° e 5° da Lei 9.430/96 dispõe que: “§2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (....) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação."; Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.269 8 8.11 Não restam dúvidas, portanto, que as compensações efetuadas pela Recorrente e devidamente informadas a Secretaria da Receita Federal mediante a entrega das competentes DCTFs extinguiram os respectivos créditos tributários de PIS; 8.12 A análise da compensação e a não homologação há de ser necessariamente realizado dentro do prazo indicado no art. 74, §5° da Lei n° 9.430/96, ou seja, em 5 (cinco) anos, sob pena do perecimento do direito de efetuarse o lançamento e a cobrança dos valores entendidos como devidos e extinção dos créditos, nos termos do artigo 156, incisos II e V, do Código Tributário Nacional. A Secretaria da Receita Federal do Brasil deveria ter exercido o seu direito de não homologar as compensações efetuadas pela Recorrente do indébito de PIS dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados das entregas das respectivas DCTF's; 8.13 Diante da omissão perpetrada pela mencionada autoridade administrativa, que somente se manifestou a respeito das referidas compensações em setembro de 2006 (data da formalização do presente procedimento administrativo n° 13657.000322/200507), materializouse na hipótese a homologação tácita do procedimento compensatório; 8.14 Não obstante ter se operado a extinção do crédito tributário pela compensação tacitamente homologada, nos termos do artigo 156, II do CTN, também ocorreu a extinção do crédito pela decadência, nos termos do artigo 156, V do CTN; 8.15 No caso dos autos, tendo em vista a inexistência de lançamento tributário (art. 142 do CTN), há de ser decretada a extinção da obrigação tributaria e do crédito a ela referente, em face da decadência do direito de as autoridades administrativas constituírem o crédito tributário, nos termos dos artigos 150, §4º e 156, V, do Código Tributário Nacional. É cediço que a contribuição ao PIS possui natureza tributária, enquadrandose na modalidade de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e submetendose, desta forma, ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do §4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional; 8.16 Deveria a autoridade administrativa, portanto, ter procedido ao lançamento e cobrança do PIS em tela até, no máximo, agosto de 2000 (cinco anos contados da data da ocorrência dos fatos geradores da contribuição) ou, na pior das hipóteses, até o ano de 2001, se o prazo em questão tivesse por inicio o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (entrega das DCTFs — artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional). Não existindo lançamento e cobrança dentro de tal lapso temporal, operouse inexoravelmente a decadência do direito da Fazenda e, por conseqüência, a extinção do crédito tributário na forma do que preconiza o artigo 156, inciso V do Código Tributário Nacional; 8.17 Deve ser ressaltado, ainda, que a suspensão da exigibilidade do crédito não impede o lançamento, pois este é dever de oficio da autoridade administrativa. Cita jurisprudência para corroborar seu entendimento; 8.18 Ressaltese, também, o desacerto da r. decisão que pretende imputar à Recorrente o descumprimento de intimação pela não apresentação de documentação exigida, que remonta de 11 a 18 anos atrás. Ora, conforme o parágrafo único do artigo 195 do Código Tributário Nacional, "os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos nele efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram"; Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.270 9 8.19 Nesse sentido, se já ocorrida a extinção do crédito pela homologação tácita das compensações, bem como pela decadência, há de ser reconhecida a ausência de obrigação da Recorrente na entrega da referida documentação, devendo ser reformada a r. decisão também quanto a esse aspecto; 8.20 Desta forma, requer seja dado provimento ao presente recurso voluntário para que sejam expressamente homologadas as compensações efetuadas pela Recorrente tendo em vista a ocorrência da extinção do credito tributário (artigo 156, inciso II, do CTN), seja em razão da decadência (art. 156, inciso V, do CTN); 8.21 Por fim, ad argumentandum, ainda que se entenda conforme afirma a decisão recorrida que "o lançamento foi feito quando da entrega da DCTF pelo contribuinte, garantindo a fazenda Pública da decadência do crédito tributário devido por ele", necessário concluirse pela extinção do referido crédito tributário (artigo 156, inciso V, do CTN) em razão da ocorrência de prescrição, nos termos do artigo 174 do Código Tributário Nacional; 8.22 Assim, se considerarmos que a entrega das mencionadas declarações em 1995 se constituiu no marco inicial para o exercício do direito de cobrança, por parte da Fazenda Nacional, do crédito tributário que porventura entendesse exigível, o prazo em questão, que é de 05 (cinco) anos (art. 174 do CTN), transcorreu sem que fossem tomadas as medidas cabíveis para a exigência de eventual crédito tributário; 8.23 E nem se alegue, como pretendeu a decisão recorrida, que o prazo prescricional esteve suspenso até o trânsito em julgado da medida judicial ajuizada pela Recorrente, já que não há previsão legal de tal hipótese de suspensão da prescrição; 8.24 A Recorrente requer seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário, reformandose a r. decisão nº 220/2007 proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 8ª Região Fiscal – SRRF/8ªRF/Disit nesses autos, a fim de que seja afastada a cobrança da contribuição ao PIS referente aos períodos de abril a agosto de 1995, uma vez que operouse a extinção do credito tributário, nos termos do que preconiza o artigo 156, II e V do Código Tributário Nacional. 9. A DERAT/SP enviou comunicado de fl. 497 ao sujeito passivo informado o não cabimento do Recurso Voluntário apresentado, e que os autos seriam encaminhados ao Arquivo, haja vista que, na esfera administrativa não caberia mais qualquer recurso. 10. O sujeito passivo impetrou, então, o Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0023012 na Justiça Federal de São Paulo requerendo liminar que lhe assegurasse o processamento, apreciação e julgamento do Recurso Voluntário, e a consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da aludida compensação. 11. A 2ª Vara da Seção Judiciária da Justiça Federal em São Paulo concedeu liminar, determinado o regular processamento do recurso administrativo apresentado pela impetrante, com efeito suspensivo (fls. 498 a 501). O presente processo foi então encaminhado para o Conselho de Contribuintes. 12. Em 28.10.2010 e 08.12.2010 a contribuinte juntou aos autos DARFs para comprovar o recolhimento do PIS no período de outubro de 1988 a dezembro de 1995 (fls. 506 a 531 e Volumes Anexos I a VIII), e planilhas demonstrativa dos pagamentos (fls. 532 a 539). Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.271 10 13. O presidente da Terceira Sessão do CARF devolveu o processo a esta DRJ/SP1, por meio do despacho de fl. 543 e verso, por entender que "... embora o provimento jurisdicional aponte no sentido de se processar o recurso voluntário, a interpretação mais lógica da ordem judicial é no sentido de que seja aberta via do Processo Administrativo Fiscal, com todas as suas instâncias, isto é, que seja recebida como manifestação de inconformidade, ...”. 14. Por meio do Despacho de fls. 545/546 a DRJ/SP1 devolveu o processo ao CARF, por entender que não tinha respaldo para julgar o processo, pois em nenhum parágrafo da sentença judicial proferida a Delegacia de Julgamento foi mencionada. E que a Delegacia de Julgamento não julga recurso voluntário, pois a competência é do CARF, tampouco julga qualquer recurso de decisão proferida pela Superintendência. 15. Em 25.06.2013 a 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Sessão de Julgamento do CARF analisou o processo, e por meio do Acórdão nº 3101001412 (fls. 560562) não conheceu o Recurso Voluntário, conforme transcrevemos a seguir: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 O CARF é órgão de julgamento de 2° instância administrativa. A leitura correta do provimento jurisdicional é no sentido de que no caso presente aplicase o Decreto n. 70.235/72 e não a Lei 9.784/.1999. Fungibilidade significa, no conceito jurídico, a substituição de uma coisa por outra. Assim, o recurso voluntário deve no caso ser recebido como manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário para determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento do "recurso voluntário” como manifestação de inconformidade.” (grifei) 16. É o relatório. Recepcionado o recurso como Manifestação de Inconformidade, a 9ª Turma da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso apresentado, conforme Acórdão nº 1651.216, datado de 30/09/2013, cuja ementa reproduzo a seguir: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 RECURSO. CONHECIMENTO EM OBEDIÊNCIA A MANDADO DE SEGURANÇA. Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.272 11 Conhecese o recurso interposto em obediência à decisão proferida em Mandado de Segurança. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. COMPENSAÇÃO. LEI Nº 8.383/91. LEI Nº 9.430/96. DIFERENTES SISTEMÁTICAS. A sistemática de compensação na forma da lei nº 8.383/91 possuía requisitos próprios, tais como a exigência de ser efetuada entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, não se confundindo com a declaração de compensação instituída no art. 74 da lei 9.430/96, com a alteração dada pela MP 66/2002, convertida na lei 10.637/2002. Da mesma forma, institutos próprios da declaração de compensação (como a homologação tácita) não podem ser atribuídos à compensação na forma da lei nº 8.383/91. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há motivo para constituição em auto de infração de débitos declarados em DCTF pelo contribuinte, razão pela qual não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não corre o prazo para cobrança do crédito tributário enquanto permanecer suspensa a sua exigibilidade por força de decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignada com o julgamento, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes alegações: a) Decadência: Os débitos objeto do presente processo administrativo foram alcançados pela decadência, eis que "... as declarações apresentadas pela Recorrente foram entregues antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que atribuiu à declaração de compensação, a competência para constituição de débitos". Deveras, somente o art. 17 da Lei n° 10.833/2003 incluiu os §§ 6°, 7° e 8° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que tratam sobre confissão de dívida e constituição de débitos por meio de DCTF: Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.273 12 No presente caso, não há que se falar em constituição de débitos por DCTF já que a compensação foi formalizada perante a Administração Tributária em 1995, muito antes da Lei n° 10.833/03. Com efeito, antes da entrada em vigor da redação dos §§ 6°, 7° e 8° da Lei n° 9.430/96, com redação da Lei n° 10.833/03, havia a necessidade de o Fisco realizar o lançamento de oficio, nos termos do art. 142 do CTN, para cobrança do crédito tributário declarado em DCTF decorrente de compensação indevida. Tanto é assim, que àquela época, havia determinação expressa para que os valores apurados, ainda que em DCTF, fossem objeto de lançamento de oficio, nos moldes do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 45/1998 e art. 90, da Medida Provisória n. 2.158354, de 2001. Cita jurisprudências administrativas e judiciais que, segundo entende, corroboram seus argumentos. A Receita Federal do Brasil possuía prazo inexorável de 05 (cinco) anos para efetuar o lançamento do crédito tributário que entendesse exigível em virtude da não homologação da compensação levada a efeito pela Recorrente. A compensação, no entanto, efetuada entre abril a agosto de 1995, foi somente objeto de indeferimento em 06.03.2007, mais de 11 anos depois de iniciado o prazo para lançamento. À propósito, ante o tempo decorrido, sequer cabe a análise de qual a data de início do prazo para contagem do prazo decadencial já que tanto pela aplicação do art. 150, §4° do quanto do art. 173, inciso I, ambos do CTN, é patente a ocorrência da decadência nos termos do artigo 156, V, do Código Tributário Nacional. Desta feita, considerando que não houve a constituição dos débitos objeto do presente processo administrativo no prazo legal, deve reconhecida a ocorrência da decadência. b) Nulidade da decisão recorrida / verdade material O acórdão é nulo por não haver analisado as provas carreadas aos autos, limitandose a afirmar que estas foram apresentadas a destempo, e que a Recorrente não teria atendido ao item 2 da Intimação nº 180, "(...) pois não apresentou os elementos que comprovem os valores das bases de cálculo indicados no Demonstrativo apresentado. Ou seja, a r. decisão não justificou por qual motivo os documentos apresentados não seriam suficientes para comprovar o crédito pleiteado, tampouco porque não foram considerados na decisão ora recorrida. O art. 16, §4º, "a", do Decreto nº 70.235/72 contempla hipótese, a ser aplicada neste caso, de apresentação após o protocolo da impugnação ou manifestação de inconformidade dos documentos solicitados, justificada pela impossibilidade de apresentação no tempo ofertado, já que os documentos solicitados referiamse a períodos que alcançavam até 18 (dezoito) anos passados até a intimação. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.274 13 Mostrase evidente que a Recorrente estava impossibilitada de apresentar a vasta documentação pleiteada no exíguo prazo disponibilizado para o protocolo de sua defesa. Por sua vez, ignorar os documentos apresentados pela Recorrente, como fez a D. Autoridade Julgadora a quo, representa notória ofensa ao princípio da razoabilidade, norteador do processo administrativo fiscal. Cita lições doutrinárias quanto aos princípios da razoabilidade e da verdade material que deveriam nortear o presente processo, para concluir que " tendo em vista que a r. decisão recorrida se imiscuiu de analisar a documentação apresentada nos presentes autos, deve o julgamento do presente recurso ser convertido em diligência para verificação da documentação acostada aos presentes, o que certamente ensejará o reconhecimento da existência do crédito utilizado na compensação". Destarte, tendo em vista que a r. decisão recorrida se imiscuiu de analisar a documentação apresentada nos presentes autos, deve o julgamento do presente recurso ser convertido em diligência para verificação da documentação acostada aos presentes, o que certamente ensejará o reconhecimento da existência do crédito utilizado na compensação. c) Suficiência da documentação apresentada Foram juntadas todas as guias de pagamento realizadas pela Recorrente a título de PIS calculados com base nos inconstitucionais DecretosLeis n's 2.445/88 e 2.449/88, sendo esses os documentos aptos a comprovar a origem do crédito tributário. Os documentos contábeis solicitados pela D. Autoridade Fiscalizadora apenas refletem as informações contidas nas guias e planilhas apresentadas nos presentes autos, sendo secundários para o fim de comprovar a existência do crédito decorrente do recolhimento indevido. Até porque, a própria sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00312433, reconheceu o direito da Recorrente em apurar e recolher o PIS com base na LC n° 7/70 e não como pretendiam os Decretos Leis nos 2.445/88 e 2.449/88, homologando os créditos indicados através das guias e planilhas juntadas aqueles autos. Ou seja, da leitura do trecho acima transcrito verificase que a própria sentença reconheceu a existência dos créditos utilizados pela Recorrente para a quitação dos débitos exigidos no presente processo administrativo, não demandando que esses fossem objeto de nova apuração no âmbito da esfera administrativa, sob pena de ofensa a coisa julgada. E nem se alegue que a liminar concedida nos autos daquele processo judicial reservou ao Fisco o direito de realizar a conferência dos atos praticados pelo contribuinte. O direito concedido ao Fisco resumese à possibilidade de verificar se o procedimento de compensação adotado pela Recorrente foi realizado com Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.275 14 base na sentença proferida ou não, mas não de glosar os créditos por ela homologados. Tivesse essa intenção, deveria têlos impugnado dentro do prazo legal naqueles autos. Além disso, não só houve o reconhecimento judicial, como os pagamentos realizados pela Recorrente a título de PIS, nos moldes dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88 foram homologados pela própria D. Autoridade Administrativa já que decorridos 05 anos do seu recolhimento. d) Conclusões deve ser reconhecida a decadência do direito de constituir os supostos débitos de PIS relativos aos períodos de abril a agosto de 1995, já que não realizado o seu lançamento dentro do prazo legal; a r. decisão recorrida é nula, pois deixou de apresentar fundamentação suficiente para não analisar a documentação apresentada aos autos pela Recorrente; em homenagem ao princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal, devem ser levados em consideração para a prolação da decisão todos os documentos carreados aos autos, independentemente do momento em que apresentados, principalmente considerando as peculiaridades do caso; e os documentos apresentados nos presentes autos são aptos e suficientes a comprovar a existência dos créditos pleiteados na presente ação, inclusive porque já reconhecidos pela r. sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n°95.00312433. e) Pedido reconhecer a decadência dos débitos relativos aos períodos de apuração compreendidos entre abril e agosto de 1995, nos termos do art. 156, V do CTN; ou que seja reconhecida a nulidade da r. decisão recorrida em razão da ausência de fundamentação para não analisar os documentos acostados aos presentes autos; determinando, em homenagem ao princípio da verdade material seja convertido o julgamento do presente recurso voluntário em diligência para apuração dos créditos a que a Recorrente faz jus, com base na documentação apresentada e sentença judicial; ou, considerando o já reconhecimento judicial dos créditos, seja reconhecida a sua legitimidade, para homologar as compensações objeto dos presentes autos. É o relatório. Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.276 15 Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. 1 Admissibilidade do Recurso A rigor, à discussão travada nestes autos não se aplicaria o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06/03/1.972, pois este seria aplicado caso houvesse declaração de compensação, nos moldes estipulados pelo art. 74, §§ 2º e 11, da Lei nº 9.430, de 27/12/1.996, e também porque tal determinação não se encontrava em vigor à época em que os débitos foram declarados/compensados. No entanto, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0023012, perante a 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, no curso do qual obteve liminar para determinar o regular processamento do recurso voluntário apresentado pela impetrante nos autos do procedimento administrativo nº 13657.000322/200507, com efeito suspensivo e os consectários daí decorrentes (art. 151, III, do CTN). À data da liminar, a questão destes autos não havia sido posta sob apreciação da primeira instância administrativa (DRJ). Por essa razão, este Conselho exarou o Acórdão nº 3101001.412, datado de 25/06/2013, no qual recepcionou o recurso apresentado como Manifestação de Inconformidade e baixou os autos à DRJ, para que o rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, fosse adequadamente observado. A fundamentação para tanto baseouse no princípio da fungibilidade. Com decisão desfavorável perante a DRJ, os autos retornam a este CARF para, agora, apreciação do correspondente Recurso Voluntário. Quanto à medida judicial favorável à Recorrente, pesquisas atuais às páginas da internet dos órgãos judiciais por onde a ação tramitou/tramita dão conta de sua vigência: a) Em 01/08/2011, sentença julgou o pedido procedente, conforme consulta processual às fls. 2.2092.210; b) A União apelou e, em 08/05/2015, foi exarada decisão monocrática terminativa, no âmbito do TRF/3, pelo não provimento do recurso, como se vê às fls. 2.2112.212; c) O TRF/3 negou provimento ao Agravo Regimental/Legal da Fazenda Nacional, conforme acórdão às fls. 2.2132.219, publicado em 13/11/2015; d) A Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial, admitido no TRF/3, conforme decisão datada de 11/05/2016, às fls. 2.2202.221; e e) O Recurso Especial, nº 1632541/SP, encontrase pendente de apreciação perante o STJ, conforme prova a consulta processual às fls. 2.2222.223. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.277 16 Assim, tomo conhecimento do Recurso Voluntário em observância ao provimento judicial, em vigor, concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0023012/SP. 2 Decadência O presente processo tem o objetivo de controlar os débitos de PIS do período de abril a agosto de 1995. Segundo a Recorrente, estes valores estariam decaídos, pois "as declarações apresentadas pela Recorrente foram entregues antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que atribuiu à declaração de compensação, a competência para constituição de débitos". Entende ela que "somente o art. 17 da Lei n° 10.833/2003 incluiu os §§ 6°, 7° e 8° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que tratam sobre confissão de dívida e constituição de débitos por meio de DCTF. Assim, assevera que "no presente caso, não há que se falar em constituição de débitos por DCTF já que a compensação foi formalizada perante a Administração Tributária em 1995, muito antes da Lei n° 10.833/03", ou seja, antes de 31/10/2003. A Recorrente, em seus argumentos, misturou os tratamentos referentes à Declaração de Compensação e à DCTF. Vejamos o que dizem os dispositivos da Lei nº 9.430/96 citados pela Recorrente: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.278 17 Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme §6º acima reproduzido, a declaração de compensação passou a constituir confissão de dívida para efeitos de exigência relativamente aos débitos indevidamente compensados, não necessitando, portanto, de lançamento de ofício por parte da autoridade fiscal. Até aqui, correto o raciocínio do Recorrente. Porém, os dispositivos acima não tratam de débitos declarados em DCTF, nem mencionam que eles devam ser constituídos por lançamento de ofício na hipótese de compensação indevida. Por conta própria, a Recorrente fez essa relação equivocada entre o início de vigência do caráter confissional (de dívida) da declaração de compensação e a DCTF, como se os débitos informados em ambas as declarações somente a partir de 31/10/2003 vigência da MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 fossem considerados confessados. Não é essa, todavia, a interpretação adequada aos dispositivos acima. Eles somente se aplicam à declaração de compensação, a qual, até então, não tinha o condão de representar instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente nela compensados. Este assunto, inclusive, encontrase sumulado no CARF, por meio da Súmula nº 52, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 52 Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10617.020, de 07/08/2008 Acórdão nº 10195.949, de 24/01/2007 Acórdão nº 10195.950, de 24/01/2007 Acórdão nº 10422.409, de 23/05/2007 Acórdão nº 10615.764, de 17/08/2006 (grifouse) Em outras palavras, desde que não exigíveis a partir de DCTF, os débitos constantes de declaração de compensação ou pedido de compensação apresentados até 31/10/2003, quando indevidamente compensados, necessitam de lançamento de ofício para sua regular constituição. Da mesma súmula, extraise a contrario sensu, que os tributos exigíveis a partir de DCTF não exigem lançamento de ofício. A DCTF é consagradamente instrumento de confissão de dívida e suficiente para inscrição de seus débitos em Dívida Ativa da União. Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.279 18 Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no rito dos recursos repetitivos, decidiu, em caráter definitivo, que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário, conforme ementa cujos trechos transcrevo abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. PECULIARIDADE: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS QUE NÃO PREVÊ DATA POSTERIOR DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DECORRIDO O PRAZO PARA PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. [...] 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." [...] 19. Recurso especial provido, determinandose o prosseguimento da execução fiscal. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1120295/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010) E, sendo a DCTF documento no qual são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos, desnecessário lançamento ou outro procedimento a ser executado pela Fazenda Pública à formalização do valor declarado. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.280 19 Enfim, a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–Lei nº 2.124, de 13/06/1984, representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, Assim, improcede a alegação de decadência. 3 Nulidade do Acórdão DRJ/SP1 e Conversão do Julgamento em Diligência 3.1 Nulidade do Acórdão DRJ/SP1 Alega a Recorrente a nulidade do acórdão por não haver analisado as provas carreadas aos autos, limitandose a afirmar que estas foram apresentadas a destempo, e que a Recorrente não teria atendido ao item 2 da Intimação nº 180, "(...) pois não apresentou os elementos que comprovem os valores das bases de cálculo indicados no Demonstrativo apresentado. Segundo a Recorrente, a r. decisão não justificou por qual motivo os documentos apresentados não seriam suficientes para comprovar o crédito pleiteado, tampouco porque não foram considerados na decisão ora recorrida Quanto a esta alegação, importa primeiramente transcrever os trechos da decisão recorrida relacionados à análise da documentação apresentada posteriormente ao protocolo da Manifestação de Inconformidade: 25. Apenas em 28.10.2010 e 08.12.2010 a contribuinte juntou aos autos DARFs para comprovar o recolhimento do PIS no período de outubro de 1988 a dezembro de 1995 (fls. 506 a 531 e Volumes Anexos I a VIII), e planilhas demonstrativa dos pagamentos (fls. 532 a 539). 26. Além da apresentação totalmente a destempo (§4º do art. 16 do PAF), cabe observar que a contribuinte juntou aos autos apenas parte dos documentos que lhe foram solicitados na Intimação nº 180 (fl. 254). A contribuinte não atendeu ao item 2 da Intimação nº 180, pois não apresentou os elementos que comprovem os valores das bases de cálculos indicados no Demonstrativo apresentado (cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registro contábeis). Sem tais elementos não é possível aferir a base de cálculo da contribuição devida de PIS e, consequentemente, o valor recolhido indevidamente. 27. Conforme o art. 264 do Decreto n° 3.000, de 26.03.1999, o contribuinte tem a obrigação de conservar em ordem, e em boas condições, a documentação, os livros e papéis, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n° 486, de 03.03.1969, art. 4°).” 28. Vale lembrar que, no presente caso, submetese o interessado à regra geral do ônus da prova do processo civil que serve como fonte subsidiária ao Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.281 20 Decreto n.º 70.235/72 e alterações. Incumbe ao interessado o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito, isto é, cabe ao interessado provar – o que não fez – a existência dos alegados pagamentos indevidos ou a maior utilizados na respectiva compensação. Aplicase, desta forma, o disposto no Código de Processo Civil, transladado abaixo: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] 29. Cabe observar ainda o art. 36 da Lei nº 9.784/99, que prescreve que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado (pagamento indevido ou a maior), o que não foi feito pelo contribuinte. Da leitura acima, percebese claramente a motivação da DRJ quanto à análise dos documentos juntados pela Recorrente após o protocolo de seu recurso. Considerou aquele colegiado, além do desrespeito ao disposto no §4º do art. 16 do PAF, a deficiência na documentação apresentada, pois não foi atendido o item 2 da Intimação Diort nº 180/2006, à fl. 257 (fl. 254 do processo físico), ou seja, não foram apresentados os elementos que comprovem os valores das bases de cálculos indicados no demonstrativo apresentado (cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registro contábeis). Assim, sem tais elementos não seria possível aferir a base de cálculo da contribuição devida de PIS e, consequentemente, o valor recolhido indevidamente. Por tais razões, concluiu a DRJ que a Recorrente não provou, quando lhe incumbia o ônus de provar, conforme art. 333, I, do antigo CPC, a existência dos alegados pagamentos indevidos ou a maior utilizados na respectiva compensação. Ademais, sabese que as causas de nulidades são estipuladas art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não foram contatadas nesses autos, entretanto, quaisquer das hipóteses acima previstas. Assim, deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que a decisão foi devidamente fundamentada em análise dos documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. 3.2 Conversão do Julgamento em Diligência No que diz respeito ao pedido para conversão do julgamento em diligência, as manifestações da Recorrente nos autos permitem concluir por sua desnecessidade. Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.282 21 Conforme resposta à Intimação Diort nº 180/2006, às fls. 270271, e informações em seus recursos (Manifestação e Inconformidade e Recurso Voluntário), a Recorrente deixou claro que não logrou êxito em localizar os elementos essenciais que permitam verificar as bases de cálculo do tributo indicadas em suas planilhas. Não foi por ela apresentada a documentação contábil e fiscal, cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registro contábeis, sem o que se torna impossível confirmar os valores de PIS devidos consoante provimento judicial. Não faz qualquer sentido baixar agora os autos em diligência sabendose que o resultado de tal diligência será improfícuo, até mesmo porque já foram oferecidas à Requerente diversas oportunidades para apresentar a documentação pertinente à comprovação de seu pedido, e não o fez. Assim, deve ser indeferido o pedido de conversão do julgamento em díligência. 3.3 Prescrição Embora não trazida esta alegação no bojo do Recurso Voluntário, sobre ela vou me pronunciar, por entender tratarse de matéria de ordem pública, podendo ser conhecida ex offício, ex vi do art. 487 do Código de Processo Civil. Por outro lado, este ponto foi enfrentado pela DRJ, que o rechaçou. Dessa forma, ratifico o posicionamento da decisão de piso, adotando os seus respectivos trechos como razão de decidir, consoante § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: Da alegação de Prescrição. 49. Alega a impugnante que, mesmo que se entenda que o lançamento foi feito quando da entrega da DCTF, assim estaria extinto o referido crédito em razão da ocorrência de prescrição, nos termos do art.174 do CTN. E que nem se alegue, como pretendeu a decisão recorrida, que o prazo prescricional esteve suspenso até o trânsito em julgado da medida judicial ajuizada pela Recorrente, já que não há previsão legal de tal hipótese de suspensão da prescrição. 50. Não é cabível cogitar a fluência do prazo para a cobrança do crédito tributário, enquanto suspensa a sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, inciso IV, do CTN: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ... IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. “ 51. No presente caso a exigibilidade fora suspensa por força das decisões proferidas nos autos do Mandado de Segurança nº 95.00312433. Estando a recorrente municiada de decisão judicial favorável, proferida em Mandado de Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.283 22 Segurança, não poderia a Fazenda Nacional encaminhar para a execução fiscal o referido débito sob pena de descumprimento de decisão judicial. 52. Desse modo, enquanto a Fazenda Nacional estiver impedida de efetivar a cobrança dos tributos devidos pelo contribuinte, não há de se cogitar da fluência do prazo prescricional. 53. Portanto não procede a alegação de prescrição, pois a exigibilidade do crédito tributário em questão ficou suspenso até a ocorrência do trânsito em julgado do MS nº 95.00312433, que se deu em 08.10.2002 (fl. 102). Acrescento que a ciência do Despacho Decisório DIORT/DERAT/SP ocorreu em 06/03/2007, à fl. 383, contra o qual foi apresentada Manifestação de Inconformidade em 16/03/2007, à fl. 394. Portanto, fica clara a inocorrência da prescrição, visto que o seu dies a quem seria 08/10/2007, de acordo com o art. 151, IV, c/c 174 do CTN. Com base no acima exposto, afasto a prescrição dos débitos em análise. 4 Mérito No mérito, alega a Recorrente que as guias de pagamento realizados a título de PIS, calculados com base nos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, são aptos a comprovar a origem do crédito tributário e que os os documentos contábeis solicitados pela D. Autoridade Fiscalizadora apenas refletem as informações contidas nas guias e planilhas apresentadas nos presentes autos, sendo secundários para o fim de comprovar a existência do crédito decorrente do recolhimento indevido. Isso porque a própria sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00312433/SP, reconheceu o direito da Recorrente em apurar e recolher o PIS com base na LC n° 7/70 e não como pretendiam os DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, homologando os créditos indicados através das guias e planilhas juntadas naqueles autos. Para a Recorrente, a própria sentença reconheceu a existência dos créditos utilizados para a quitação dos débitos exigidos no presente processo administrativo, não demandando que esses fossem objeto de nova apuração no âmbito administrativo, sob pena de ofensa à coisa julgada. Sendo assim, continua, o direito concedido ao Fisco resumese à possibilidade de verificar se o procedimento de compensação adotado pela Recorrente foi realizado com base na sentença proferida ou não, mas não de glosar os créditos por ela homologados. Conclui afirmando que, não só houve o reconhecimento judicial, como os pagamentos realizados pela Recorrente a título de PIS, nos moldes dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449/88 foram homologados pela própria D. Autoridade Administrativa já que decorridos 05 anos do seu recolhimento. Também aqui não assiste razão à Recorrente. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.284 23 O Poder Judiciário não quantificou o crédito decorrente dos pagamentos realizados a maior de PIS com base nos DLs 2.445/88 e 2.449/88, nem homologou as compensação efetuadas com base nesse crédito. Tal tarefa restou reservada ao Fisco, como asseverado em todo o curso da ação judicial. Vejamos a parte dispositiva e principais trechos dos pronunciamentos judiciais exarados no curso a ação judicial em comento: Mandado de Segurança nº 95.00312433/SP Liminar Concedo parcialmente a liminar lamentada, presentes os pressupostos do artigo 7, II, da Lei nº 1.533/51, residindo o "fumus boni iuris" na declaracão de inconstitucionalidade que o Colendo STF proclamou no tocante aos D.Leis n2 2.445 e 2.449/88 (RE 140.754 2 RJ Rel. designado o Min. FRANCISCO REZEK j. de 24.06.93 DJU de 04.03.94, p. 3.290) e o "periculum in mora" na submissão prevalecente da impetrante aos aludidos diplomas 1egais, que só pode levar a um recolhimento contraverso e iminente de parte da prefalada exacão. Autorizoa, bem por isso, a recolher as contribuições destinadas ao PIS, tal como determina a Lei Complementar nº 7/70, com o prazo assinado pela Lei nª 8.383/91. [...] De fora parte isso, não se pode impedir o fisco de, verificando a incorreta aplicação do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, mesmo que se reconheça haver crédito em favor da impetrante, autuála, constituindo o crédito tributário por meio de lançamento, nas linhas do artigo 142 do CTN. (grifouse) *** Sentença Com efeito, não se trata aqui de homologação de lançamento, posto que a compensação pretendida, nos termos da lei e nas condições vigentes por ocasião do pedido, é feita pela Impetrante, ficando a atividade administrativa do Fisco preservada a fim de que após regular conferência, homologue ou não o lançamento efetuado. (grifouse) [...] Em face de todo exposto e de tudo o mais que dos autos consta, julgo parcialmente procedente o pedido, concedendo a ordem para reconhecer indevidos os pagamentos feitos pela Impetrante na forma dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449/88, tal como comprovado nos autos, bem como para afastar as exigências decorrentes da Instrução Normativa n.° 67/92, que impeçam a pretensão de compensação, a qual deverá ser realizada por conta da Impetrante na forma da motivação. Torno definitiva a liminar concedida. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.285 24 *** TRF/3 (Voto do Relator) [...] o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, ao analisar o cabimento do mandado de segurança coma meio processual adequado para veicular pretensão deste jaez, pacificou entendimento jurisprudencial, o qual encontrase cristalizado no enunciado contido na Súmula 213, cujo teor transcrevo a seguir: "0 mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito a compensação tributária." [...] Ante o exposto, meu voto é no sentido de homologar a desistência do agravo retido, rejeitar a matéria preliminar e, quanto ao mérito, negar provimento A apelação da União e dar parcial provimento remessa oficial, tida como ocorrida, e A apelação da impetrante. Observase que o Poder Judiciário sempre reservou ao Fisco a regular conferência dos atos praticados pelo contribuinte, possibilitando à Administração Pública, à vista de tal procedimento, validálos ou não. Logo, aquele órgão judicante não quantificou o crédito da Recorrente nem homologou as compensações, tarefas reservadas ao Fisco. Foi com o objetivo de dar cumprimento à decisão judicial que autorizou a Recorrente a recolher as contribuições destinadas ao PIS, tal como determina a Lei Complementar nº 7/70, reconheceu indevidos os pagamentos feitos pela Impetrante na forma dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88 e autorizou a compensação do crédito decorrente destes pagamentos com o próprio PIS que foi expedida a Intimação Diort nº 180/2006, para que a Recorrente apresentasse elementos (documentos contábeis e fiscais) que permitissem apurar o valor devido de PIS conforme provimento judicial, o que levaria à adequada apuração de seu saldo credor usado nas compensações destes autos. INTIMAÇÃO 180 No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal e considerando o disposto nos artigos 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999, fica o contribuinte acima identificado intimado a apresentar os documentos abaixo especificados no prazo de 20 dias. 1. Cópias dos DARF de recolhimento do PIS (3885 ou 8109) relativamente ao período de outubro de 1988 à setembro de 1995 feito pela matriz e por cada uma das filiais de forma a comprovar os recolhimentos informados na planilha de fls. 79/81; 2. Demonstrativo da apuração das bases de cálculo relativamente ao período acima citado, discriminando matriz e uma a uma das filiais, inclusive acompanhado de elementos que Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.286 25 comprovem esses valores (cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registro contábeis) de forma a comprovar os valores devidos conforme sentença judicial informada na planilha de fls. 79/81. No entanto, a Recorrente não apresentou toda a documentação solicitada, sob a justificativa de que, em razão do tempo decorrido, não detinha mais sua guarda e também por entender que não estaria mais obrigada a mantêla. Aqui, importa esclarecer que, diferentemente do que entende a Recorrente, deveria ela manter os referidos documentos enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, consoante regramento a seguir, vigente à epóca: CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 03.03.1969, art. 4º). Sabese que pertence à contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, mediante apresentação de planilhas, desacompanhadas de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar o pagamento a maior decorrente da apuração do PIS com base em legislação declarada inconstitucional. Nesse mesmo sentido é o que dispõe o art. 36 da Lei nº 9.784/99, que estabelece caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assim, sendo a Recorrente intimada pela RFB a apresentar a documentação base de seu pleito perante o Poder Judiciário, a alegação de que dela (documentação) não mais dispunha impediu a atuação da RFB de exercer seu dever de ver a correção dos registros que efetuou com relação ao período discutido judicialmente, bem como dos valores utilizados em compensação, razão pela qual, acertadamente, o Despacho Decisório exarado na repartição de origem não admitiu as compensações vinculadas ao crédito alegado. Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.287 26 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 2287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.905708/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.580
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 57 08 /2 00 9- 22 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13819.905708/200922 Acórdão n.º 3402006.580 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior, tendo em vista a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus e apresenta suas razões para o acolhimento da compensação efetuada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 05036.559. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando a juridicidade do seu crédito, uma vez que as operações de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus seriam equiparadas à operações imunes. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.574, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.905701/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.574): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. A imunidade das operações de venda à ZFM e a impertinência da discussão no presente caso 6. Para a devida compreensão do presente tópico deste voto, mister se faz destacar que o despacho decisório que Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13819.905708/200922 Acórdão n.º 3402006.580 S3C4T2 Fl. 4 3 denegou o pedido de compensação do contribuinte o fez ao fundamento de que o contribuinte já havia compensado o crédito vindicado com outro débito, o que fez nos seguintes termos: 7. Em outros termos, em momento algum a motivação do aludido ato administrativo trata da (in)juridicidade do crédito do contribuinte, mas sim pelo fato do crédito vindicado ter sido integralmente utilizado para previamente saldar outro débito (pagamento n. 3005660928; cód. 2172, PA de 31/05/2001) que não o aqui tratado 8. Acontece que, tanto em sua manifestação de inconformidade quanto em seu recurso, o contribuinte alega que seu crédito seria válido, haja vista que as operações de venda para Zona Franca de Manaus seriam equiparadas a operações imunes. 9. Nesse sentido, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 10. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.905708/200922 Acórdão n.º 3402006.580 S3C4T2 Fl. 5 4 Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 11. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904686/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado.
Numero da decisão: 3402-006.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 46 86 /2 01 2- 12 Fl. 548DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de pedido de compensação relacionado a crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS Não cumulativo (código de receita 6912) relativo ao período de apuração de 31/03/2010. Após a transmissão de despacho decisório não homologando a compensação pleiteada, sob a justificava do crédito pleiteado ter sido utilizado para quitar débito de PIS Não cumulativo do período, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade informando que teria cometido um erro material no preenchimento da PER/DCOMP, por ter transmitido duas declarações, solicitando o crédito duas vezes para uma só guia DARF. Sustenta que o crédito pleiteado é válido, tendo como origem operações da Zona Franca de Manaus e operações de venda de sucata. Como comprovante, apresentou planilhas que demonstrariam o valor do crédito pleiteado. Esta defesa foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento, em acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" (efl. 32) Intimada desta decisão em 24/06/2013 (efl. 109), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 24/07/2013 (efls. 111/117) afirmando que procedeu com a retificação dos DACONs e das DCTFs, tendo apresentado ainda os documentos contábeis que respaldariam as retificações. Sustenta, subsidiariamente, a impossibilidade de utilização da SELIC para atualização dos valores devidos. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13603.904686/201212 Acórdão n.º 3402006.593 S3C4T2 Fl. 549 3 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido apenas em parte, quanto aos argumentos não preclusos. Com efeito, pela leitura da Manifestação de Inconformidade (efls. 3/6) e da r. decisão recorrida, possível confirmar que não foram aventados em primeira instância argumentos subsidiários pela empresa. Com efeito, aquela defesa administrativa se pautou a desenvolver a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo e o erro material no preenchimento da PER/DCOMP, afastando a exigência de multa e juros em razão da necessidade de se homologar a compensação pleiteada. Como indicado no relatório da r. decisão recorrida, ao tratar especificamente dos argumentos aventados na Manifestação de Inconformidade: "Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que ocorreu erro material no procedimento de compensação realizado. Informa que deveria enviar um PerDcomp solicitando o total do crédito pago a maior e gerar um débito na mesma declaração de valor inferior e informar o número do PerDcomp enviado anteriormente. Entretanto, enviou um PerDcomp solicitando crédito parcial, gerou débito de valor igual ao crédito e gerou uma nova declaração com novo número de PerDcomp solicitando crédito parcial referente ao pagamento a maior da mesma guia já enviada anteriormente. Portanto, seu erro foi enviar duas declarações solicitando o crédito duas vezes para uma só guia. Acrescenta que não consegue enviar declaração retificadora, pois o sistema não permite a retificação para processo que já foi objeto de decisão administrativa. Para comprovar suas alegações, apresenta planilha de apuração da Cofins e PIS. Requer a reavaliação do Despacho Decisório." (efl. 33) Desta forma, a Recorrente não instaurou discussão administrativa neste processo quanto ao tópico "IV Dos acréscimos e a consequente lesão aos princípios constitucionais da cumulação de juros e taxa SELIC" do Recurso Voluntário (efls. 115/117). Com isso, esta matéria trazida no Recurso Voluntário, por não ter sido trazida em sede de Manifestação de Inconformidade, restou preclusa na forma do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. E, não se tratando de matéria passível de ser conhecida de ofício por este colegiado, por não constar do rol do art. 342 do CPC/20152, aplicável de forma subsidiária ao presente processo, dela não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." 2 "Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I relativas a direito ou a fato superveniente; II competir ao juiz conhecer delas de ofício; III por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição." Fl. 550DF CARF MF 4 "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Nesse sentido, não tomo conhecimento do tópico "IV Dos acréscimos e a consequente lesão aos princípios constitucionais da cumulação de juros e taxa SELIC" do Recurso Voluntário (efls. 115/117), passando à análise do mérito quanto à validade do crédito pleiteado. I DO CRÉDITO PLEITEADO Atentandose para o presente caso, observase que a Recorrente não consegue demonstrar, com clareza, a origem e validade do crédito pleiteado. Primeiramente, essencial novamente3 firmar que o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de restituição, ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19724. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) 3 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 4 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13603.904686/201212 Acórdão n.º 3402006.593 S3C4T2 Fl. 550 5 Atentandose para o presente caso, não se vislumbra um fundamento fático ou jurídico concreto trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. Com efeito, em sua Manifestação de Inconformidade, a empresa afirma que seu crédito teria origem em vendas de sucata (CFOP 5.102) e vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus (CFOP 6.109), tendo cometido erro no preenchimento do PER/DCOMP que impediria a visualização do crédito. Para respaldar sua alegação, acosta aos autos planilhas com uma relação de notas fiscais envolvidas nestas operações: · Planilha "Relação pagamentos indevido PIS/COFINS Sucata ano 2010" e fl. 08 · Planilha "Valores de Crédito Pagamento indevido Zona Franca" efl. 09 Fl. 552DF CARF MF 6 Contudo, observase que em qualquer momento nestes autos foi apresentado sequer um levantamento exemplificativo das referidas notas fiscais que respaldariam o crédito. Acrescese que a empresa não esclarece o que seriam essas operações e quais as razões jurídicas para gerarem créditos, além de não demonstrar como esses valores teriam refletido em sua apuração do PIS do período. Ainda que a apuração do PIS seja centralizada, a simples análise da planilha não demonstra qual estabelecimento da empresa teria realizado as operações que supostamente dariam direito a crédito e quais os fundamentos jurídicos que respaldariam o crédito. Em seu Recurso Voluntário, a empresa apresentou um livro auxiliar de apuração do PIS e da COFINS de distintos períodos, acompanhados de declarações DCTF e DACON retificadoras. Contudo, esses documentos não confirmam a validade do crédito pleiteado pelo contribuinte, não servindo sequer como indício de sua existência. Atentandose primeiramente para os livros contábeis de apuração do PIS do período envolvido no presente pedido (março/2010 efls. 509/510), observase que (i) as operações identificadas com o CFOP 5.102, incorridas apenas no estabelecimento matriz (R$ 474.410,58) alcançaram montante inferior àquele identificado na planilha apresentada originariamente pela empresa (R$ 513.674,58); (ii) os valores correspondentes às operações identificadas com o CFOP 6.109 (R$ 122.779,70) superam o valor identificado na planilha de composição do crédito apresentado pela empresa na manifestação de inconformidade (R$ 35.289,74): · Apuração matriz (CNPJ 07.770.721/000120 efl. 509) Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13603.904686/201212 Acórdão n.º 3402006.593 S3C4T2 Fl. 551 7 · Apuração filial (CNPJ 07.770.721/000200 efl. 510) Vislumbrase, portanto, que este livro de apuração do PIS apresentado pelo contribuinte não confirma os dados do crédito informado nas planilhas anexadas à manifestação de inconformidade, não sendo possível confirmar com clareza a efetiva origem do crédito. Acrescese que o livro de apuração de PIS anexado aos autos alcança um valor devido de PIS que distingue daquele que foi declarado no DACON e na DCTF retificadores apresentados. Com efeito, considerando os valores indicados no resumo final dos livros, alcançase um montante de PIS a pagar de R$ 39.410,53 considerando o saldo credor apurado pela matriz (R$ 81.007,04) e o saldo devedor apurado na filial (R$ 120.417,57). Contudo, no DACON e na DCTF retificadoras apresentadas no Recurso Voluntário, a empresa indica um valor de PIS devido distinto, inicialmente de R$ 38.998,20 (DCTF transmitida em 19/07/2013 efl. 172 e DACON transmitido em 18/07/2013 efl. 434) e depois de R$ 38.108,31 (DACON transmitido em 19/07/2013 efl. 431). Ademais, em qualquer momento o contribuinte esclarece a razão pela qual este valor diferente daquele originariamente declarado em seu DACON e em sua DCTF (de R$ 40.217,66). Fl. 554DF CARF MF 8 Assim, nos presentes autos a Recorrente traz um conjunto de provas contraditórias, que além de não identificarem um valor único de PIS devido no período, não corroboram as alegações trazidas pela Recorrente de existência de pagamento indevido. Não é possível confirmar sequer qual apuração está correta, aquela originariamente apresentada pelo contribuinte, aquela apresentada nos livros de apuração contábeis ou aquela apresentada por meio de retificadoras posteriores. As planilhas, livros e DACON e DCTF retificadores, portanto, não conseguem demonstrar, com clareza, a origem do crédito como pretendido pela Recorrente. Uma vez que os documentos apresentados não trazem um indício do crédito entendido como devido pelo sujeito, não trazendo uma aproximação uníssona quanto à apuração do PIS devido no período e quanto ao crédito que seria eventualmente passível de compensação, entendo ser prescindível a realização de diligência no presente caso. Inclusive, como visto, os documentos apresentados não respaldam o valor trazido no DACON e na DCTF retificadores, como exigido por este Conselho, consoante bem explanado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034: "Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos [redação semelhante ao do art. 11, da Instrução Normativa n.º 590/2005, vigente à época dos fatos do presente processo5], estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo 5 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados no Dacon, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada, pela Secretaria da Receita Federal, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo. § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. § 5º A retificação de Dacon não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de demonstrativo anteriormente apresentado. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13603.904686/201212 Acórdão n.º 3402006.593 S3C4T2 Fl. 552 9 retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. Fl. 556DF CARF MF 10 A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." (grifei) Assim, no presente caso, entendo ser prescindível a diligência, vez que a Recorrente trouxe elementos de prova contraditórios, que não infirmam a existência de crédito no presente caso. Face a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito, entendo que deve ser negado provimento ao recurso. II DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 557DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.730320/2015-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por unanimidade, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1519; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.730320/201543 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.665 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de maio de 2019 Assunto IRPJ e CSLL Recorrente SMAFF AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por unanimidade, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Da Necessária Conversão em Diligência 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ e CSLL, no montante de R$16.376.319,00, referente aos anoscalendário de 2010, 2011, 2012, conforme o quadro abaixo: Imposto/Contribuição Juros de Mora Multa de 150% Multa isolada Total IRPJ 3.406.298,04 1.448.409,15 5.109.447,07 20.58399,73 12.022.553,99 CSLL 1.223.561,21 519.612,5 1.835.341,82 775.249,48 4.353.765,01 16.376.319,00 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 30 32 0/ 20 15 -4 3 Fl. 3804DF CARF MF Processo nº 10166.730320/201543 Resolução nº 1201000.665 S1C2T1 Fl. 3 2 2. Cumpre consignar que as exigências de PIS e COFINS, decorrentes do mesmo procedimento fiscal, são objetos do Processo Administrativo Fiscal de nº10166.730321/201598. Conforme consta no relatório da decisão de piso, quando julgado pela 2ª Turma da DRJ/POA, foram mantidas integralmente os lançamentos do referido processo. 3. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls.3000/3036), a contribuinte teria praticado planejamento tributário abusivo, transferindo parte de suas receitas de comissões de financiamento de veículos para empresa diversa do mesmo grupo econômico, a SMAFF Locadora de Veículos Ltda, que seria uma empresa fictícia dentro da estrutura do grupo. A fiscalização constatou que as receitas da contribuinte teriam sido transferidas para a Locadora, enquanto os custos e as despesas eram mantidos na SMAFF Automóveis Ltda. 4. Tais conclusões partiram dos seguintes fatos constatados pela fiscalização, conforme sintetizado no item 3 do TVF: “3 DA FRAUDE 18. Em sucinta síntese, relatamse várias constatações que, em seu conjunto, comprovam o planejamento tributário abusivo efetuado pelo GRUPO SMAFF com a utilização da LOCADORA: • inexistência de contratos de prestação de serviços de correspondente bancário, mas com a emissão de notas fiscais de prestação de serviço de correspondente bancário (serviço regulado pelo BACEN); • e, mesmo com a existência de alguns contratos, há a constatação plena das incapacidades técnicooperacional e técnicoprofissional para a execução desses poucos contratos pela LOCADORA; • transferência de recursos financeiros recebidos pela LOCADORA das Instituições Financeiras, pelo pretenso serviço prestado, para a propriedade das empresas do GRUPO SMAFF; • Sócios com mais de 24% do capital social, em conjunto, não receberam nada, não obstante o contrato social ditar a proporcionalidade de distribuição de lucros referente à participação societária; • Os sócios/administradores da fiscalizada e da LOCADORA são os mesmos; • A LOCADORA tem sede coincidente com a da SMAFF; • A LOCADORA não tem sede própria, mas também não paga aluguel; • em certo período, a LOCADORA tem automóveis, mas, não os aluga, também, não tem espaços (terreno, prédio...) nem incorre em despesas escriturados na contabilidade, para guardar esses bens. • a SMAFF arca com diversas despesas que deveriam ser da LOCADORA; • incorre em despesa de processamento de dados de impressos e material de escritório, mas não tem patrimônio escriturado que gerasse essas despesas. (fls. 1838/1842) Fl. 3805DF CARF MF Processo nº 10166.730320/201543 Resolução nº 1201000.665 S1C2T1 Fl. 4 3 • conforme escrituração contábil, a LOCADORA não utiliza água, luz e telefone para seu funcionamento. (fls. 2188/2243)”. 5. Por economia processual e por bem retratar as circunstâncias que levaram a fiscalização ao ajuste da base tributável e a apuração do IRPJ e da CSLL a pagar, transcrevo abaixo trechos do Termo de Verificação Fiscal: “5 DA TRIBUTAÇÃO DE IRPJ E CSLL 83. Como se verificou, este “planejamento tributário” de transferência de receitas do GRUPO SMAFF, especificamente neste Termo, a parcela da fiscalizada, para a LOCADORA, permitiu a redução do Lucro da SMAFF, tributada pelo Lucro Real, posto que parcela de suas receitas foram direcionadas à LOCADORA, tributada pelo Lucro Presumido. 84. Por este motivo, esta fiscalização procedeu à inclusão das operações da suposta empresa, na tributação da SMAFF (Lucro Real Anual), de modo a se tributar as operações considerando resultado da SMAFF, conforme rateio explicitado. Nesse sentido, o julgado administrativo no Acórdão do CARF de n.º 10195.208 (19/10/2005): "IRPJ CSL CONSTITUIÇÃO DE EMPRESA COM ARTIFICIALISMO – DESCONSIDERAÇÃO DOS SERVIÇOS PRETENSAMENTE PRESTADOS – MULTA QUALIFICADA – NECESSIDADE DA RECONSTITUIÇÃO DE EFEITOS VERDADEIROS Comprovada a impossibilidade fática da prestação de serviços por empresa pertencente aos mesmos sócios, dada a inexistente estrutura operacional, resta caracterizado o artificialismo das operações, cujo objetivo foi reduzir a carga tributária da recorrente mediante a tributação de relevante parcela de seu resultado pelo lucro presumido na pretensa prestadora de serviços. Assim sendo, devem ser desconsideradas as despesas correspondentes. Todavia, se ao engendrar as operações artificiais, a empresa que pretensamente prestou os serviços sofreu tributação, ainda que de tributos diversos, há de se recompor a verdade material, compensandose todos os tributos já recolhidos." 85. Para efetuar essa recomposição, a LOCADORA foi intimada a apresentar discriminação mensal por concessionária das receitas de financiamento de veículos. A LOCADORA apresentou a seguinte explicação: (fls.1415/1428) “... sobre as receitas de financiamento a forma de controle usada na época eram planilhas nas quais mostram o montante total da operação sendo discriminados por empresa dentro da planilha”. 86. Ao perscrutar as citadas planilhas (fls. 2870 Anexo) constatouse que nelas englobavam todas receitas oriundas da prestação de serviços de intermediação de financiamento bancário de todo GRUPO SMAFF sem a discriminação correta de qual parcela foi supostamente executada pela LOCADORA. 87. As informações contidas nessa planilha corrobora mais ainda com a constatação de que o negócio empresarial, a prestação de serviços de Fl. 3806DF CARF MF Processo nº 10166.730320/201543 Resolução nº 1201000.665 S1C2T1 Fl. 5 4 intermediação de financiamento bancário, é, verdadeiramente, executado por todo o GRUPO SMAFF (SMAFF, ÚNICA, IMPORT e NORDESTE) no momento da venda de veículos, nas suas concessionárias e é controlado por essa planilha. 88. Assim, essa fiscalização, conforme tabelas abaixo, não obstante a LOCADORA ter sido intimada para fornecer a discriminação correta e específica de cada receita, supostamente executada pela LOCADORA, por concessionária, resolveu atribuir as parcelas de receitas (fls. 1843/2187), despesas (fls. 2188/2243), DCTF (fls. 1431/1566) e retenções (fls. 1567/1603), proporcionais ao critério racional da distribuição do lucro feita pela LOCADORA para as quatro empresas do grupo. (fls. 2244/2246) 89. Pois: 1. elas foram as únicas beneficiárias desses receitas/lucros da LOCADORA; 2. essa distribuição de lucro serviu para liquidar os ativos denominados Empresa Ligada da LOCADORA, conforme já demonstrado; 3. por meio de resultado de equivalência patrimonial e das transferências financeiras, o efeito econômicocontábil da distribuição de resultado já se integrou incondicionalmente6 ao patrimônio do GUPO SMAFF e, consequentemente, ao dos seus sócios. (...) 90. Desta forma, fezse necessário recompor a base tributável do IRPJ e CSLL da SMAFF (fls 260/503), nos anos calendários de 2010 a 2012, com adição do rateio do resultado atribuído à LOCADORA, conforme demonstrado no quadro abaixo: 91. Feitos os ajustes e com a Base Tributável Ajustada, calculouse o IRPJ e CSLL a pagar, levando em consideração, para o levantamento, os valores dos tributos retidos na fonte (fls. 1014/1125), os valores informados em DCTF (fls. 504/1013), saldos negativos declarados em PERD/COMP (fls. 1126), referentes à SMAFF, e os declarados em DCTF (fls. 1431/1566) e os retidos pelas fontes pagadoras (fls. 1567/1603) relativos à LOCADORA proporcionais ao critério de rateio supracitado”. Fl. 3807DF CARF MF Processo nº 10166.730320/201543 Resolução nº 1201000.665 S1C2T1 Fl. 6 5 6. A empresa autuada optou pela forma de tributação do Lucro Real Anual, com cálculo de IRPJ e CSLL por estimativa. Entretanto, para a fiscalização, o uso da empresa Locadora garantiu à empresa autuada a diminuição das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Em decorrência da constatação de falta de recolhimento das referidas estimativas mensais, nos anoscalendário de 2010 a 2012, foi aplicada multa isolada nos termos do artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº11.488/07. 7. Ademais, foi aplicada multa de ofício qualificada, nos termos do artigo 44, §1º, da Lei nº9.430/96, diante da conclusão da fiscalização de que a empresa SMAFF Locadora foi criada única e exclusivamente com o intuito de evitar tributação mais onerosa na empresa principal, configurando fraude. 8. Foram responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário (artigo 124, I, do CTN) as seguintes pessoas jurídicas: (i) Única Brasília Automóveis Ltda; (ii) Smaff Import Veículos Ltda; e (iii) Smaff Nordeste Veículos Ltda, em razão da caracterização de grupo econômico de fato (Grupo Smaff) com interesse comum de suas empresas na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. 9. Foram responsabilizados pessoalmente pelo crédito tributário (artigo 135, inciso III, do CTN) as seguintes pessoas físicas: (i) Marcio Antônio Carlos Machado; (ii) Fernanda Accioly Carlos Machado Farah; (iii) Marcelo Acioly Carlos Machado; e (iv) Marcio Antônio Carlos Machado Júnior, em razão de serem responsáveis pela fraude constatada, configurando descumprimento à lei. 10. Ademais, foi lavrada Representação Fiscal para fins penais em face dos responsáveis da contribuinte (Marcio Antonio Carlos Machado, Fernanda Accioly Carlos Machado Farah, Marcelo Accioly Carlos Machado e Marcio Antonio Carlos Machado Júnior), diante da constatação de fatos que, em tese, configuram a prática de ilícito previsto na legislação tributária (artigo 1º, inciso II, da Lei nº 8.137/90). 11. Devidamente intimados (Avisos de Recebimento em 10/12/2015 e 11/12/2015, fls.2985/2990) a Contribuinte e todos os responsáveis solidários apresentaram, individualmente, Impugnações ao lançamento (fls. 3030/3066; 3182/3225; 3351/3394; 3135/3178; 3234/3277; 3338/3381; 3280/3323; e 3077/3120). Fl. 3808DF CARF MF Processo nº 10166.730320/201543 Resolução nº 1201000.665 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Em sessão de 10 de janeiro de 2017, a 1ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou improcedentes as impugnações, nos termos do voto relator, Acórdão nº1057.627 (fls. 3415/3435), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE AUTOS DE INFRAÇÃO. Não é nulo o lançamento que obedeceu ao art. 10 do Decreto n. 70.235, de 1972, e ao art. 142 do Código Tributário Nacional, e cujo termo de verificação descreve de forma clara os fatos e as acusações imputadas ao sujeito passivo de forma a permitirlhe o pleno exercício de seu direito de defesa. DECADÊNCIA. A prática de sonegação e fraude afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do referido Código, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRAUDE. A constituição de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido com a finalidade da transferência ficta de parte das receitas auferidas por pessoa jurídica tributada com base no lucro real caracteriza fraude e autoriza a neutralização dos efeitos tributários advindos da conduta dolosa. O fato da pessoa jurídica tributada pelo lucro real arcar com as despesas e custos inerentes às receitas transferidas configura prova robusta da ilicitude da transferência. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Incide a multa isolada sobre a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de imposto, consequência das infrações à legislação tributária, concomitantemente com multa proporcional incidente sobre o valor devido ao final do período de apuração anual, por se tratarem de penalidades por infrações distintas. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Agravase a multa de ofício nos casos em que o contribuinte busca de forma dolosa benefícios tributários. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício integra o crédito tributário, sobre o qual incide juros de mora, calculados com base na taxa Selic, a partir do seu vencimento. Fl. 3809DF CARF MF Processo nº 10166.730320/201543 Resolução nº 1201000.665 S1C2T1 Fl. 8 7 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIZAÇÃO. Respondem também pelo crédito tributário as pessoas (físicas ou jurídicas) que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica que praticaram os atos e negócios jurídicos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 13. Cientificada da decisão (AR em 25/01/2017, fl.3456), a contribuinte, SMAFF Automóveis Ltda, não interpôs Recurso Voluntário, razão pela qual foi lavrado Termo de Perempção (fl. 3457) em face da empresa autuada. 14. Cientificados da decisão (ARs de 09/08/2017 e 10/08/2017, fls. 3533/3535) as seguintes pessoas (físicas e jurídicas) interpuseram, individualmente, Recurso Voluntário: (i) Marcelo Accioly Carlos Machado (fls. 3570/3617); (ii) Marcio Antônio Carlos Machado Júnior (fls. 3621/3668); e (iii) SMAFF Import. Veículos Ltda (fls. 3674/3721). 15. Contudo, embora figurem como responsáveis solidárias, não constam dos autos as intimações e os respectivos avisos de recebimento das seguintes pessoas físicas e jurídicas: Marcio Antônio Carlos Machado, Fernanda Accioly Carlos Machado Farah, SMAFF Nordeste Veículos e Única Brasília Automóveis. No mais, evidencio que essas pessoas não interpuseram Recurso Voluntário. 16. Em de tais circunstâncias e para fins de evitar a nulidade da decisão a ser proferida por esta relatoria por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, considero necessária a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a douta autoridade preparadora: (i) junte aos presentes autos cópia das intimações e dos respectivos avisos de recebimento que deram ciência da decisão proferida pela r. DRJ, Acórdão nº 1057.627 (fls. 3415/3435), aos seguintes responsáveis solidários: Marcio Antônio Carlos Machado, Fernanda Accioly Carlos Machado Farah, SMAFF Nordeste Veículos e Única Brasília Automóveis (ii) caso se constate que os referidos responsáveis não foram devidamente intimados, tal vício deve ser sanado para que tenham a faculdade de apresentar Recurso Voluntário, no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/72. A prova de tais providências também deverá ser juntada aos presentes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 3810DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907046/2008-74
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1640.510, de 26 de julho de 2012, da 10ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 07 04 6/ 20 08 -7 4 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.907046/200874 Resolução nº 1003000.044 S1C0T3 Fl. 3 2 Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no Relatório do r. acórdão, passo a transcrevêlo abaixo: O presente processo trata dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/ Declaração de Compensação – PER/DCOMP discriminados abaixo, relativos à compensação de diversos débitos com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004: 08828.77675.120105.1.7.020048 12543.84006.130206.1.7.028364 28583.91122.130206.1.7.021280 38241.47942.130206.1.7.020940 10935.94962.130206.1.7.026047 04067.40753.130206.1.7.024816 34504.14538.130206.1.7.020674 13793.65123.120207.1.3.026398 33728.78974.130307.1.3.026733 No despacho decisório de fls. 10, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, no valor de R$381.543,21. Entretanto, verificou que o crédito foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados nos PER/DCOMP acima relacionados. Assim, foram (i) homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP de finais 0048, 8364, 1280, 0940 e 6047; (ii) homologadas parcialmente as compensações declaradas no PER/DCOMP de final 4816 e (iii) não homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP de finais 0674, 6398 e 6733. Cientificada da decisão em 02/10/2008 (fls. 2), a contribuinte apresentou, em 16/10/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3 a 5, acompanhada dos documentos de fls. 6 a 136. A requerente alega que a insuficiência do crédito decorreu de erro no preenchimento do PER/DCOMP de final 0048. Alega que o débito de IRRF compensado no valor de R$278.154,98 foi informado como sendo da 2ª semana de dezembro de 2004, quando o correto seria 4ª semana de dezembro de 2004. Acrescenta que também houve erro no preenchimento da DCTF. Ante o exposto, requer seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário até a decisão final no presente processo. Requer também o acolhimento da manifestação de inconformidade para que sejam retificados de ofício o PER/DCOMP e a DCTF, cancelandose a cobrança ora contestada. Foram juntadas cópias dos seguintes documentos à manifestação de inconformidade: atos societários e documento de identificação do subscritor da manifestação de inconformidade; despacho decisório; DIPJ 2005; PER/DCOMP nº 08828.77675.120105.1.7.020048; Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.907046/200874 Resolução nº 1003000.044 S1C0T3 Fl. 4 3 DCTF do 4º trimestre de 2004; PER/DCOMP de números 04067.40753.130206.1.7.024816, 34504.14538.130206.1.7.020674, 13793.65123.120207.1.3.026398 e 33728.78974.130307.1.3.026733. É o relatório.. A DRJ/SP1 julgou a manifestação de inconformidade improcedente, e não reconheceu o crédito informado pela contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO. PROVA. O erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP deve ser comprovado mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, constituindo ônus do sujeito passivo apresentálos juntamente com a manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) Que o Despacho Decisório nº 791219720 (fl. 10) reconheceu integralmente o crédito no valor de R$ 381.543,21, contudo afirmou que tal crédito seria insuficiente para compensar integralmente os débitos informados nos PER/DCOMP apresentados; (ii) Na manifestação de inconformidade, a ora Recorrente esclareceu que houve erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP de final 0048, pois o débito compensado no valor de R$ 278.154,98 foi informado como sendo na 2ª semana de dezembro de 2004, quando o correto seria 4ª semana de dezembro de 2004, acrescentando ter igualmente havido erro na DCTF do 4º trimestre de 2004; (iii) A DRJ, quando da análise da impugnação; fundamentou sua decisão na ausência de comprovação de que o período de apuração referente a IRRF incidente sobre juros sobre capital próprio tenha sido a 4ª semana de 2004, bem como destacou que a DCTF do período não menciona débito de IRRF; (iv) Que é facultado ao contribuinte a juntada de novos documentos antes da decisão final do processo administrativo, nos moldes do art. 38 da Lei 9.784/99, em razão do necessidade do exercício da ampla defesa e colaciona decisões do CARF nesse sentido. Nesse sentido, a Recorrente colaciona, junto ao recurso voluntário, documentos que comprovariam o pagamento de juros sobre capital próprio, que teria ocorrido no dia 31/12/2004, a saber: cópias autenticadas do Livro Diário e cópia do Livro Razão; . Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.907046/200874 Resolução nº 1003000.044 S1C0T3 Fl. 5 4 Ao final, requereu que os documentos juntados no recurso voluntário sejam apreciados e, ao final, sejam homologadas as compensações de final 4816, 0647, 6398 e 6733. É o Relatório. VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente declarou no PER/DCOMP nº 08828.77675.120105.1.7.020048 o direito creditório no importe de R$381.543,21, em razão de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004. A DRF, através de Despacho Decisório às fls. 138 a 141 do eprocesso, a DRF reconheceu o crédito integralmente, porém o valor era insuficiente para compensar todos os débitos apontados nos PER/DCOMP apresentados pela Recorrente. Na sua manifestação de inconformidade, a Recorrente informa ter ocorrido erro no preenchimento do PER/DCOMP de final 0048, pois o débito compensado no valor de R$ 278.154,98 foi informado como sendo na 2ª semana de dezembro de 2004, quando o correto seria 4ª semana de dezembro de 2004, também informou que igualmente errou na DCTF do 4º trimestre de 2004. A DRJ, ao analisar a defesa da Recorrente, acertadamente, destacou não ter a mesma colacionado provas capazes de comprovar o fato alegado, reconhece que a DIPJ 2005 indica a dedução de despesas relativas a juros sobre capital prórpio no montante de R$ 1.854.366,53, na linha 45 da ficha 06B, porém tal informação não é suficiente para comprovar a data do pagamento dos juros e, na DCTF, a Recorrente também não declarou débitos de IRRF de código 5706. Diante de tais razões, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A Recorrente, em grau de recurso voluntário, acostou novos documentos ao processo, os quais, segundo defende, são suficientes para comprovar que a dedução das despesas relativas a juros sobre capital próprio ocorreu no dia 31/12/2004, o que embasaria a prova de ter havido erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP e DCTF. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.907046/200874 Resolução nº 1003000.044 S1C0T3 Fl. 6 5 Logo, havendo qualquer discrepância nas informações cantantes na PER/DCOMP com as demais declarações fornecidas pelo contribuinte, é acertado o Despacho Decisório e demais decisões que não reconhecem o crédito. Contudo, a decisão da DRJ baseouse primordialmente na ausência de comprovação do erro cometido por parte do contribuinte e, em razão desse posicionamento, a Recorrente acostou novos documentos contábeis e fiscais da empresa para comprovar suas alegações. A autoridade julgador deve se orientar pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. A Recorrente acostou no Recurso voluntário cópias do Livro Razão e do Livro Diário para complementar as demais provas já acostadas na manifestação de inconformidade. Tais informações e provas fornecidas pela Recorrente nesta oportunidade são novos no processo e não foram analisados e discutidos pela DRF e pela DRJ. Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, verificase que a não comprovação do erro de fato foi ventilada apenas no acórdão recorrido, tendo aquela, desde o primeiro momento nos autos, apresentando defesas e documentos para buscar comprovar o que alega em suas peças. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões trazidas no recurso voluntário não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à DRF para que seja possível analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração do erro de fato apontado, através da análise dos documentos juntados nesta oportunidade. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito, a título de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2005, que seja realizada as compensações possíveis em relação às DCOMP nºs 04067.40753.130206.1.7.024816; 34504.14538.130206.1.7.020674; 13793.65123.120207.1.3.026398 e 33728.78974.130307.1.3.026733. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestarse sobre os resultados alcançados. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.004207/2004-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREGO DE MERCADORIAS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A utilização do coeficiente de 8% para apuração do lucro presumido exige a comprovação da efetiva prestação de serviços de construção civil e de emprego de mercadorias, por meio de documentos hábeis e idôneos.
DIRF. NOTAS FISCAIS. DIVERGÊNCIAS. NÃO COMPROVAÇÃO
A alegação de divergências entre notas fiscais e contratos de prestação de serviços, em relação a DIRFs de fontes pagadoras, sem a apresentação dos respectivos documentos, não autoriza a utilização de supostas antecipações de tributos, sob o argumento de que as DIRFs foram retificadas indevidamente.
Numero da decisão: 1302-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS (DIRF, DIPJ, DCTF). DIVERGÊNCIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Recorrente SERVITIUM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREGO DE MERCADORIAS. NÃO COMPROVAÇÃO. A utilização do coeficiente de 8% para apuração do lucro presumido exige a comprovação da efetiva prestação de serviços de construção civil e de emprego de mercadorias, por meio de documentos hábeis e idôneos. DIRF. NOTAS FISCAIS. DIVERGÊNCIAS. NÃO COMPROVAÇÃO A alegação de divergências entre notas fiscais e contratos de prestação de serviços, em relação a DIRFs de fontes pagadoras, sem a apresentação dos respectivos documentos, não autoriza a utilização de supostas antecipações de tributos, sob o argumento de que as DIRFs foram retificadas indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 42 07 /2 00 4- 18 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19647.004207/200418 Acórdão n.º 1302003.491 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nr. 0217.965 de 03/06/2008 da 2a. Turma da DRJ de Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de cerceamento de defesa, indeferiu o perdido de perícia e julgou improcedente a impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício; 2001, 2002,2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, observado ainda os tramites legais previstos no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO COMPROVAÇÃO Deve ser mantida a base de cálculo do lançamento quando a fiscalização aponta objetivamente, em demonstrativos próprios, todas as parcelas que a compõem e o contribuinte não comprova erro algum no levantamento assim empreendido. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de oficio, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo, quando constatada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração e declaração inexata. JUROS DE MORA TAXA SELIC É legitima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lançamento procedente O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade, por entender que não há, no caso, cerceamento de defesa; indeferiu o pedido de perícia contábil, por entender que não há divergência entre os valores informados pela recorrente à Receita Federal e os valores utilizados pela autoridade fiscal para a apuração do lucro; e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, devido à falta de demonstração do motivo pelo qual teria havido divergências de informações em obrigações acessórias (DIRF, DIPJ e DCTF), comparandoas com registros contábeis e notas fiscais. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19647.004207/200418 Acórdão n.º 1302003.491 S1C3T2 Fl. 4 3 A impugnação apresenta os seguintes fatos e fundamentos (03/06/2004, fls. 132/147): Cerceamento de Defesa os autos de infração seriam nulos, pelo fato de a autoridade fiscal não haver indicado os prestadores de serviços, sobre os quais se referem as exigências, bem assim pelo fato de que não haveria como se verificar se foram considerados os valores pagos pela recorrente; afirma que os termos dos autos são genéricos e não permitem identificar sobre quais funcionários e prestadores poderiam estar se referindo a autuação e que isso caracterizaria cerceamento de defesa; CSLL. Divergências entre DIRFs e Notas Fiscais alega que os valores indicados em notas fiscais estariam divergentes às DIRFs apresentadas por prestadores de serviços pelo fato de tais prestadores haverem retificado suas DIRFs; Pedido de Perícia alega a necessidade de perícia por entender que a autoridade fiscal não teria examinado suficientemente os documentos que comprovariam rendimentos tributáveis em valores divergentes, em relação à apuração realizada pelo auditor fiscal; Selic não caberia Selic, como juros moratórios; Multa de Ofício (75%) seria confiscatória a multa; A recorrente, tendo como atividade principal a seleção e agenciamento de mão de obra, foi regularmente intimada do acórdão recorrido (17/07/2008, fl. 197) e protocolou recurso voluntário, tempestivamente (24/07/2008, fls. 200/212), cujas razões reprisam os fatos e fundamentos sustentados na impugnação, destacandose os seguintes enfoques acrescentados em recurso voluntário: Cerceamento de Defesa ressaltou que a DRJ não poderia confirmar a conclusão da autoridade fiscal e considerar como corretas somente as informações constantes das DIRFs dos tomadores de serviços e desprezar as escritas e informações prestadas pela recorrente; as divergências entre as DIRFs e as notas fiscais teriam origem no fato de as fontes pagadoras haverem retificado suas DIRFs; Perícia apresenta dois exemplos por meio dos quais pretende demonstrar que o fiscal teria se equivocado na análise dos documentos e não teria verificado que as informações prestadas pela recorrente estariam comprovando que houve meses em que recebeu rendimentos e que foram oferecidos à tributação, com a respectiva antecipação de CSLL fonte. Todavia, a autoridade fiscal e a DRJ teriam se limitado a considerar tão somente as DIRFs retificadas das fontes pagadoras. Com isso reforça o pedido da impugnação, quanto à necessidade de perícia para a apuração dos efetivos valores de IR antecipados por retenção na fonte e recolhimento. Citou ementas de acórdãos judiciais, por meio dos quais reconheceuse o direito a perícia, sob pena de cerceamento de defesa. Citou o art. 5o., inc. LV da CF/88; Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Multa de 75% defende que o Carf seria competente para analisar o pedido de inconstitucionalidade e de ilegalidade da multa de 75%, sob o argumento de que seria confiscatória; afirma que o Carf está obrigado a cumprir as normas constitucionais, em especial o princípio da capacidade contributiva, para afastar a multa de 75%; cita o doutrinador, Alberto Xavier; cita decisões sobre multa em processos relativos a ICMS para requerer a redução da multa para patamares constitucionais Selic reforça seus argumentos relativos à inaplicabilidade da Selic; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19647.004207/200418 Acórdão n.º 1302003.491 S1C3T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Rogério Aparecido Gil Relator À vista da tempestividade do recurso voluntário e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Preliminar Nulidade. Cerceamento de Defesa A recorrente alegou nulidade dos autos de infração e que teria havido cerceamento de defesa, devido aos seguintes aos fatos: a) os autos de infração indicaram somente os rendimentos que não teriam sido corretamente tributados. Não há indicação das respectivas fontes pagadoras, sobre os quais se referem as exigências; b) não haveria como verificar se foram a fiscalização considerou na apuração do lucro os valores pagos pela recorrente e os valores de IR retidos e recolhidos pelos substitutos tributários tomadores de serviços; c) os autos de infração seriam genéricos e não permitiriam identificar sobre quais funcionários e prestadores poderiam estar se referindo a autuação; d) a autoridade fiscal não poderia considerar como corretas as informações constantes das DIRFs dos tomadores de serviços e desprezar as escritas contábeis, notas fiscais e informações prestadas pela recorrente; e) as divergências entre as DIRFs e notas fiscais teriam origem no fato de as fontes pagadoras haverem retificado suas DIRFs; e f) não haveria clareza no procedimento fiscal realizado. Sobre as exigências formais dos procedimentos fiscais e dos lançamentos do crédito tributário, vejamse os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 24 e 25: A empresa foi intimada pessoalmente a apresentar a documentação necessária para fiscalização, conforme "termo de início de fiscalização" anexo. ...a empresa apresentou os seguintes documentos: 01) Demonstrativo das receitas de vendas de serviços dos meses 01/2000 a 12/2003; 02) cópia do contrato social e suas alterações; 03) pasta das DCTF's do 3o trimestre/2001 ao 4o trimestre/2003; 04) pasta com as declarações DIRPJ entregue a SRF e declaração em que afirma que os livros contábeis da empresa estão desatualizados e que está tentando viabilizar a regularização dos mesmos. O contribuinte apresentou as declarações dos Impostos de Renda Pessoa Jurídica pelo Lucro Presumido nos anos calendários: 1999 até a presente data, conforme extrato do sistema CNPJCONSULTA. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19647.004207/200418 Acórdão n.º 1302003.491 S1C3T2 Fl. 6 5 Observamos que as receitas informadas nos "Demonstrativos dos faturamentos" informados pelo contribuinte estão compatíveis com os rendimentos brutos informados pelos tomadores de serviços, através das DIRFs (Declaração dos impostos de renda retido na fonte). Com base nas receitas de vendas de serviços informadas pelo contribuinte, elaboramos as planilhas anexas constando as "receitas de vendas de serviços dos períodos de apurações 01/2000 a 12/2003", com a finalidade de se determinar a base de cálculo da COFINS, PIS, CSLL e o Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No levantamento feito foram calculados os impostos acima devidos e deduzidos os impostos pagos ou declarados, sendo apuradas as diferenças de impostos não pagos, e as respectivas bases de cálculos. Para o cálculo IRPJ apurados foram deduzidos os IRPJ pagos ou declarados e os Impostos de Renda Retidos na Fonte informados pelos tomadores de serviços. Assim sendo, constituímos o crédito tributário, referente aos tributos acima citados, sendo lavrados os seguintes Autos de Infrações: IRPJ e CSLL calculados pelo lucro presumido (conforme opção do contribuinte); Autos de Infrações de PIS e COFINS. Referidos autos de infrações serão protocolados apartados, e correspondem aos seguintes valores: IRPJ LUCRO PRESUMIDO R$ 1.427.212,80 CSLL LUCRO PRESUMIDO R$ 183.395,08 COFINS R$490.433,76 PIS R$106.361,21 Total R$2.207.402,85 O acórdão recorrido rebate tais alegações preliminares, nos seguintes termos: Tendo por base o auto de infração, o Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, os demonstrativos fiscais e os demais documentos que compõem o processo, colacionados como prova da infração cometida, podese afirmar que foram observados todos os quesitos atinentes à formalização da exigência fiscal previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, notadamente quanto à descrição dos fatos, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, demonstração do cálculo do imposto devido, além da apuração da multa de ofício e dos juros de mora. E importante ressaltar que a autuação decorreu da constatação de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados em DCTF e DIRPJ, tendo sido considerados os demonstrativos "Informações Prestadas à SRF" (fis. 28/39). Este documento serviu de base para a confecção das planilhas "Apuração de Débito" (fis. 24/27), nas quais foi feita a apuração da CSLL, segundo as regras do lucro presumido. A autoridade fiscal levou ainda em consideração, na determinação da contribuição devida, os valores retidos na fonte, apurados em demonstrativo próprio (fl. 40), com base nas DIRF apresentadas pelos clientes do autuado (doc. de fis. 42/74). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19647.004207/200418 Acórdão n.º 1302003.491 S1C3T2 Fl. 7 6 Portanto, no caso em comento, contrariamente às alegações do impugnante, não se vislumbra nenhum traço de obscuridade ou imprecisão no trabalho fiscal capaz de macular o lançamento regularmente constituído. Notese ainda que o contribuinte, além da ciência do auto de infração, teve vistas do processo e recebeu cópia dos documentos que solicitou, conforme atesta a documentação de fis. 117/120, tudo em prol do exercício pleno de sua defesa. Ademais, a situação aventada pelo defendente não se assenta nos casos de nulidade definidos no art. 59 do citado Decreto n° 70.235, de 1972, segundo o qual são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, constatada a infração, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional (art. 142 do CTN), está obrigada a proceder ao lançamento de ofício das diferenças de contribuição encontradas, sujeitandose ainda o contribuinte às penalidades cabíveis e aos juros de mora regulamentares. Não há, portanto, razão para a alegação de cerceamento de defesa. Não há que se falar em necessidade de indicação dos prestadores de serviços nos autos de infração, sobre os quais se referem as exigências. Os referidos demonstrativos anexos ao auto de infração indicam de forma individualizada os tributos declarados e pagos e os tributos antecipados pela recorrente (IRRF). Tanto o TVF como o acórdão recorrido registraram que os tributos pagos e recolhidos foram devidamente considerados pela fiscalização na apuração do lucro. Não cabe a alegação de que os autos seriam genéricos. A fiscalização consignou que analisou as informações prestadas pela recorrente e as comparou com as respectivas DIRFs, concluindo que os valores eram compatíveis. À recorrente foi assegurada a oportunidade de demonstrar qual seria a mencionada divergência entre a sua escrita contábil e as DIRFs. No entanto, a recorrente limitouse a declarar (fl. 45) que sua contabilidade estava desatualizada. Também não cabe a alegação de divergências, em relação a suas notas fiscais, pois, como registrou a DRJ, não há notas fiscais nos autos. Não há falta de clareza no procedimento fiscal adotado. A exigência fiscal em questão, cumpriu as determinações do Decreto n° 70.235/1972. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19647.004207/200418 Acórdão n.º 1302003.491 S1C3T2 Fl. 8 7 Do Mérito Pedido de Perícia A recorrente sustenta que o ponto central da discussão residiria em discrepâncias entre os valores por ela apurados, com base em contratos de prestação de serviços e notas fiscais, e os valores informados por seus tomadores de serviços (DIRF). Ressalta que essa situação exigiria a realização de perícia, pois haveria erro na apuração do lucro realizada pela autoridade fiscal. Para assim demonstrar, citou, como exemplo, os meses janeiro, fevereiro, março e abril do ano calendário 2000, em relação aos quais, alega que a fiscalização não teria verificado os corretos rendimentos oferecidos à tributação, conforme quadro abaixo reproduzido: RENDIMENTO BRUTO AC 2000 DADOS APRESENTADOS PELA RECEITA FEDERAL DADOS CONTIDOS NA ESCRITA FISCAL JANEIRO 0,00 40.427,40 FEVEREIRO 0,00 52.127,11 MARÇO 65.742,63 56.415,32 ABRIL 17.956,05 50.819,69 A recorrente ainda sustenta que a divergência de valores devese a retificações indevidas realizadas pelas fontes pagadoras e que os valores corretos seriam aqueles constantes de suas escritas e de notas fiscais. No entanto, não há nos autos documentos que comprovem os valores indicados pela recorrente na coluna: "dados contidos na escrita fiscal". Não há escrita fiscal nos autos. A recorrente declarou que sua contabilidade estava atrasada e em momento algum regularizou tal situação. Limitouse a apresentar demonstrativos de valores que informou à RFB e a juntar contratos de prestação de serviços. Não juntou, portanto, os livros contábeis e não juntou notas fiscais que poderia ser início de prova da efetiva prestação de serviços. Sobre tais alegações e pedido, o acórdão recorrido ressaltou os seguintes fatos e fundamentos: não há erro no levantamento fiscal. A autoridade fiscal considerou, para fins de levantamento da base de cálculo da CSLL, os demonstrativos "Informações Prestadas à SRF" (fis. 28/39). Com base nesse documento, fornecido pelo próprio contribuinte, tendo por signatária a sócia administradora da empresa, Erika Virgínia Mendes Alves, CPF 908.157.694¬15, foram elaboradas as planilhas "Apuração de Débito" (fis. 24/27), nas quais foi feita a apuração da CSLL, observadas as regras do regime de tributação pelo lucro presumido, a que estava sujeito o autuado nos períodos abrangidos pela ação fiscal: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19647.004207/200418 Acórdão n.º 1302003.491 S1C3T2 Fl. 9 8 no aspecto formal o contribuinte deixou de atentar para os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação do art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, notadamente quanto ao nome, endereço e qualificação profissional do seu perito, além da formulação de quesitos referentes aos exames desejados. E bom lembrar que, de acordo com o § Io da referida norma, considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos acima explicitados. as DIRFs, cujas telas de processamento foram juntadas às fis. 42/74, fundamentalmente, serviram para o aproveitamento, em favor do contribuinte, dos valores retidos pelas fontes pagadoras contratantes dos serviços do autuado, conforme tabela específica juntada à fl. 40. Estes valores compuseram o levantamento fiscal nos demonstrativos de apuração constantes do auto de infração, a título de "Val. Comp.", reduzindo o valor da contribuição devida. subsidiariamente, os rendimentos brutos informados pelos tomadores de serviços também evidenciaram a compatibilidade dos valores declarados na Dirf com o faturamento informado pelo contribuinte, conforme foi anotado no termo fiscal de fis. 22/23. não há correção alguma a ser operada no lançamento, uma vez que não ficou demonstrado nenhum erro no levantamento empreendido pela autoridade fiscal, seja com base nas informações obtidas do próprio autuado (base de cálculo), seja em relação aos dados das Dirf (valores retidos na fonte), sendo relevante observar também que o impugnante nem sequer juntou uma única cópia de nota fiscal ou qualquer outro documento para demonstrar a irregularidade sugerida em sua peça defensória. Observase, portanto, que à vista da declaração da recorrente de que sua contabilidade estava atrasada e da não regularização dessa situação, a autoridade fiscal baseou se nas informações que a recorrente prestou à Receita Federal. Não se verifica discrepância entre tais informações da recorrente e a apuração realizada pela fiscalização, parcialmente reproduzida acima. A recorrente ainda asseverou que, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, a fiscalização não poderia ter considerado as DIRFs de fontes pagadoras tomadoras de serviços e sim as respectivas notas fiscais. Todavia, como registrou a DRJ, não há nos autos nenhuma nota fiscal. Registrouse, também, que os contratos de prestação de serviços não seriam suficientes para a demonstração de que prestou serviços às empresas indicadas. Pois, a recorrente não apresentou os livros contábeis exigidos dos contribuintes optantes do Lucro Presumido. Limitouse a declarar que suas escritas contábeis estavam desatualizadas. Não apresentou os livros contábeis posteriormente, nem mesmo apresentou as respectivas notas fiscais. A fiscalização registrou que havia divergências entre as informações registradas em DIPJ e DCTF, em relação aos rendimentos que a recorrente informou à Receita Federal. Todavia, a recorrente, em momento algum defendeuse de tal constatação. Também, não apresentou suporte documental, nem escrita contábil, a respeito. Por tais fatos e fundamentos, não vejo como acolher o pedido de perícia contábil. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19647.004207/200418 Acórdão n.º 1302003.491 S1C3T2 Fl. 10 9 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nesse ponto. Da inconstitucionalidade da multa de ofício de 75%. Caráter confiscatório e da Taxa Selic como juros de mora A recorrente requereu a declaração de inconstitucionalidade da multa de 75% sobre o suposto débito, pois caracterizaria confisco e infringiria o princípio da capacidade contributiva. Também requereu a declaração de inconstitucionalidade quanto à aplicação da Selic, a título de juros moratórios incidentes sobre os valores autuados. Já está consagrado na Súmula CARF nº 2, que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto aos juros de mora cobrados com base na Selic, da mesma forma, a Súmula CARF nº 4, determina que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Por fim, a Súmula CARF nº 108, estabelece que, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, não assiste razão à recorrente quanto às alegações apresentados nesse tópico. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, também nesse ponto. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 223DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720354/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO. NULIDADE. DISCRIMINATIVO DE DÉBITOS
Não há nulidade do lançamento efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa. Eventuais omissões em um Demonstrativo específico não resultam em nulidade do lançamento se a informação consta de outro instrumento que compõe o auto de infração, sobretudo se matéria tributável foi plenamente entendida pelo contribuinte.
MULTA QUALIFICADA.
Não ficando claramente evidenciada a ocorrência de dolo ou atuação contrária à lei ou com excesso de poder, deve ser excluída a qualificação da multa de ofício.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais..
Numero da decisão: 2201-005.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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NULIDADE. DISCRIMINATIVO DE DÉBITOS Não há nulidade do lançamento efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa. Eventuais omissões em um Demonstrativo específico não resultam em nulidade do lançamento se a informação consta de outro instrumento que compõe o auto de infração, sobretudo se matéria tributável foi plenamente entendida pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA. Não ficando claramente evidenciada a ocorrência de dolo ou atuação contrária à lei ou com excesso de poder, deve ser excluída a qualificação da multa de ofício. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 03 54 /2 01 4- 66 Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.276 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, valhome do relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância: Do lançamento O Auto de Infração Debcad nº 51.061.6569 referese ao lançamento nas competências 01/2011 a 12/2011 das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O relato fiscal de fls. 11 a 36 informa que a auditoria detectou indícios de irregularidades nas informações prestadas pelo sujeito passivo relativas à massa salarial das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, quando comparadas com as remunerações aos segurados empregados, código 0561 (rendimentos do trabalho assalariado), constantes das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Questionados, os responsáveis pela empresa declararam que a diferença de aproximadamente 169% a maior na DIRF em 2011 referiase à premiação a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, e que, a partir da implantação do novo regime de tributação previdenciária, com a contribuição incidente sobre a receita bruta operacional, deixou de utilizar este sistema de remuneração. Com base nos elementos analisados, a fiscalização constatou que no exercício de 2011 a BRQ utilizou o esquema de fazer pagamentos mensais aos empregados, contabilizados sob a forma de empréstimos, e semestralmente lançava tais valores na DIRF, assim como nos resumos das folhas de pagamento de salários de março/2011 e setembro/2011, a título de Participação nos Resultados, com o intuito de dissimular o cumprimento do § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000: Art. 3º. A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.277 3 A diferença desproporcional entre o salário nominal destacado nas GFIPs em comparação com os rendimentos informados na DIRF levou a auditoria fiscal a concluir que os valores efetivamente pagos aos segurados substituem e complementam a remuneração devida a qualquer empregado, fato que infringe o artigo 3º da Lei nº 10.101/2000. O Anexo 06 ao Relatório Fiscal (fls. 209 a 333) contém 6.114 registros e consiste em uma planilha comparativa, por beneficiário, entre a DIRF dos meses de 04/2011 e 10/2011 e as GFIPs das competências 03/2011 e 09/2011. Dos registros do Anexo 06, 1.519 se referiam a segurados com rendimentos no código 0561 da DIRF que não constavam nas GFIPs transmitidas pela BRQ. Por amostragem, a fiscalização identificou tratarse em muitos casos de exempregados da BRQ que, mesmo sem qualquer vínculo empregatício ativo, recebiam remunerações retributivas da prestação de serviços, conforme informado na DIRF/2011. Estes trabalhadores estão relacionados na planilha de fls. 334 a 361 (Anexo 7), de onde devem ser excluídos os estagiários cuja remuneração está contabilizada na conta contábil 0000.4.1.1.010. O Anexo 02 ao Relatório Fiscal (fls. 40 a 170) contém 12.240 lançamentos contábeis referentes a empréstimos mensais feitos individual e nominalmente aos segurados empregados da empresa, obtidos do cotejo entre as contas contábeis código 00001.1.3122, denominada Mútuo a Funcionários – Folha, e sua contrapartida no passivo, conta contábil 00002.1.22099 – Conta Transitória. Com relação aos Acordos Coletivos de Participação nos Resultados, a fiscalização verificou que, apesar de estarem assinados por uma comissão de empregados, a BRQ não apresentou quaisquer documentos que comprovassem que estes tivessem sido eleitos ou escolhidos para esta representação. Observou ainda: a) no acordo firmado com o SINDPDSP, que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que o Sindicato evidenciou interesse financeiro ao impor a cobrança de taxa negocial de todos os participantes do quadro de lotação da BRQ, deixando de lado sua principal função, que é a proteção do trabalhador; que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 02/2011 e 08/2011, mas os pagamentos foram lançados nas folhas de pagamento de 03/2011 e 09/2011; que uma das representantes, Sra. Núbia Paula Galvão, tinha apenas um dia de serviço quando assinou o acordo coletivo; b) no acordo firmado com o SINDPDRJ, que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 03/2011 e 09/2011, requisito que foi cumprido formalmente, mas que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que dois dos representantes foram admitidos em 01/06/2010, ou seja, 30 dias antes da vigência proposta na Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.278 4 cláusula contratual, e que como o acordo coletivo não tem data de assinatura, não há como afirmar se estes empregados tinham realmente o poder de representação de todo o grupo; c) no acordo firmado com o SINDPDPR, que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 03/2011 e 09/2011, requisito que foi cumprido formalmente, mas que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que um dos representantes foi admitido somente em 13/10/2010, ou seja, 105 dias após a data do acordo coletivo. A fiscalização concluiu que as partes não observaram os interesses de sua própria coletividade, não obedeceram aos critérios legais para pagamento semestral do PLR, não deixaram clara a participação e concordância dos empregados envolvidos e deixaram registrado, no item 3.1, que as regras definidas foram resultado da livre negociação entre a empresa e o Sindicato, atuando em prejuízo da Previdência Social e dos próprios segurados empregados. Outro ponto destacado no Relatório Fiscal foi a análise de documentos oriundos da Justiça do Trabalho. A fiscalização relata que em uma sentença trabalhista a própria reclamada sustentou que o valor pago bimestralmente como adiantamento correspondia à participação nos resultados, fixado em acordo coletivo, segundo critérios de assiduidade e performance do empregado. No texto da sentença, a justiça trabalhista relata sobre a confirmação do não cumprimento do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000 e sobre as conseqüências nocivas aos trabalhadores com a forma de retribuição adotada pela BRQ. A conclusão da fiscalização à vista dos fatos e documentos coletados é que a freqüência e o número exagerado de remunerações pagas a título de adiantamentos ou empréstimos, muito superior aos salários informados nas folhas de pagamento e GFIPs, indica que, na realidade, tratase de parcelamento mensal de salários disfarçado de mútuo e lançado somente nas folhas de pagamento de 03/2011 e 09/2011, sob a rubrica PLR. Estes valores não foram incluídos pela autuada na base de cálculo das contribuições devidas a terceiras entidades. A utilização de procedimentos contábeis irregulares demonstra a intenção da empresa de ocultar fatos geradores de contribuições previdenciárias e simular como distribuição de lucros as remunerações feitas a segurados empregados, contratados para prestar serviços inerentes à sua atividadefim. Diante da constatação da conduta de sonegação, a multa de ofício foi majorada para 150%, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. O montante do crédito, consolidado em 03/12/2014, corresponde a 12.029.244,49 (doze milhões, vinte e nove mil, duzentos e quarenta e quatro reais e quarenta e nove centavos). Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.279 5 Da impugnação Cientificado da autuação por via postal em 09/12/2014, o sujeito passivo apresentou impugnação em 07/01/2015 (fls. 476 a 515), alegando, em síntese: 1) a nulidade do auto de infração em razão da falta de clareza e precisão do relatório fiscal e do discriminativo de débito. Consta no 1.1 do relatório que o processo se refere a contribuições previdenciárias patronais (20% e SAT), assim como ocorreu no processo 15956.720318/201401, atribuindo para este outro processo as contribuições a outras entidades. A confusão retrata bis in idem, e é contraditória com o discriminativo de débito, onde constam contribuições a “terceiros” sem apresentar as bases de cálculo, as alíquotas e as contribuições que comporiam esses “terceiros”; 2) a nulidade absoluta da autuação por apresentar vício material insanável, em razão do equívoco no fato gerador e na base de cálculo eleitos pela fiscalização, sob pena de violação direta e frontal ao artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN e aos artigos 5º, LIV e LV e 37 da Constituição Federal. Diz que a fiscalização afirmou que os planos de PLR da empresa infringiram a lei de regência e se prestavam apenas para substituir parcela remuneratória devida aos empregados, inclusive com o adiantamento de valores (mensal ou bimestralmente) por meio de mútuos/empréstimos, mas que por esse raciocínio não haveria outra conclusão lógica senão a de desconsiderar integralmente todos os planos de PLR da empresa firmados com três entidades sindicais distintas, caracterizando todos os valores pagos a título de PLR aos empregados como parte do salário, o que não ocorreu. Citando o artigo 142 do CTN, sustenta que não poderia a autoridade administrativa criticar uma matéria (PLR) e eleger como fato gerador e base de cálculo outra matéria (mútuos/empréstimos), até porque nesse caso o contribuinte tem seu direito de defesa prejudicado, não sabendo se deve se defender de um ponto ou de outro. Questiona a motivação para ter a fiscalização considerado legítima uma parte do PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros, na ordem de R$ 74.000.000,00 para R$ 92.000.000,00. Entende que o valor dos empréstimos, feitos a cada dois meses aos empregados interessados, jamais poderia ter sido eleito como fato gerador ou base de cálculo de contribuições previdenciárias por não representar vantagem econômica definitiva dos empregados. Afirma que, como comprovam os contratos de mútuo, os empréstimos eram feitos na forma da lei, com incidência de juros, taxa administrativa e data de vencimento, quando eram integralmente quitados pelos empregados, não integrando o seu patrimônio. Como apenas o valor da Participação nos Lucros e Resultados era creditado aos empregados definitivamente, esse seria o único pagamento que poderia, em tese, ser objeto de discussão pelo AuditorFiscal; Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.280 6 3) contextualiza o mercado dos profissionais de tecnologia da informação (TI) com o objetivo de demonstrar a necessidade e legalidade dos mútuos feitos pela empresa em favor de boa parte de seus empregados. Afirma que no seu caso os profissionais de TI eram contratados nos termos estritos da legislação trabalhista (CLT), estabelecendose cargos e níveis de remuneração mensal de acordo com a senioridade e especialidade, além de outros benefícios in natura, tais como assistência médica, assistência odontológica, seguro de vida, valerefeição, valealimentação e previdência privada. Além desses benefícios, também negociava anualmente com a Comissão de Empregados e com Sindicatos de três diferentes estados da federação os programas de PLR que permitam o recebimento de valores decorrentes da performance da empresa e da performance individual dos empregados, com metas que variam desde as margens de lucro dos projetos até as competências e habilidades dos profissionais como elementos importantes na obtenção dos resultados da empresa como um todo. Frisa que nunca reduziu salários ou pagou benefícios em dinheiro para deixar de pagar contribuições sociais e FGTS, que nunca suprimiu bônus, gratificações habituais ou quaisquer outros benefícios, nem comissões ou outras verbas salariais para que fosse instituído o programa de PLR, agindo sempre em conformidade com a CLT e com a Lei nº 8.212/1991. Relata que a figura do mútuo/empréstimo somente foi utilizada pela empresa em razão de necessidade e pedido de muitos empregados, que precisavam de maior fluxo de caixa em razão de compromissos pessoais. Esses profissionais, que outrora prestavam serviços a diversas empresas sem exclusividade, estavam se adaptando ao regime CLT e a ter seu desempenho medido semestralmente, e por isso a empresa permitiu que aqueles que necessitassem de empréstimos pudessem ter acesso a uma linha de crédito bimestral. Destaca que não havia pagamentos mensais, pois os empréstimos eram concedidos apenas nos meses pares (fevereiro, abril, etc), sendo que apenas algumas exceções foram feitas nos meses ímpares, notadamente para empregados recém admitidos. Informa que recolhia os impostos devidos pelas receitas recebidas dos empregados (IOF), e que nem todos os empregados solicitavam o mútuo/empréstimo, conforme comprova a amostragem dos contracheques, em que consta o pagamento da PLR dos empregados e não consta qualquer desconto de mútuo; 4) a legalidade do seu programa de PLR, que observou a irredutibilidade da remuneração dos empregados, a elegibilidade de todos os empregados, a formalização em documento escrito e único, a existência de regras objetivas e claras, a negociação e assinatura logo no início do período de apuração e antes de qualquer pagamento, a periodicidade semestral, a participação do Sindicato da categoria de cada base territorial e o arquivamento no Sindicato. As acusações fiscais de que os Sindicatos, em especial o de São Paulo, não protegeram os interesses dos empregados e visaram interesses financeiros, são indevidas, seja porque os acordos contam com metas bastante detalhadas e com fórmula matemática de aferição do valor da PLR, seja porque nenhum Sindicato recebeu Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.281 7 nada por isso. Com o advento da legislação de desoneração da folha de pagamento, a empresa não se desfez do instrumento de incentivo à produtividade que é a PLR, tanto é que pagou a esse título em 2010 R$ 48.620.297,33, em 2011 R$ 91.022.106,46, em 2012 R$ 104.331.193,16 e em 2013 R$ 67.696.566,27. Os empréstimos de mútuo eram feitos mediante solicitação do empregado, não eram obrigatórios e não tinham seu valor vinculado direta ou indiretamente ao valor da PLR. A PLR dependia do atingimento de metas mensais mas de apuração semestral, nesta também avaliadas habilidades e competências individuais, não sendo possível antecipar valores relativos a resultados não sabidos e impossíveis de prever. A forma de comparação entre os valores informados em DIRF (que incluem a PLR) e os informados em GFIP (sem PLR) foi indevida, pois deixou de descontar o valor do próprio salário que está na DIRF e ignorou que o valor informado em DIRF corresponde a seis meses de apuração de PLR, enquanto que o valor da GFIP corresponde a apenas um mês de salário. Se fosse o caso, deveria ter sido comparada a PLR (semestral) com seis meses de salário dos empregados, mas esta questão não tem relevância jurídica, pois a Lei nº 10.101/2000 não impõe qualquer limitação aos valores da PLR, de modo que não existe vedação legal para o pagamento de participações relevantes aos empregados, bastando que decorra de regras claras e objetivas; 5) que na reclamatória trabalhista cuja sentença foi mencionada pela fiscalização não houve sequer a oitiva de testemunhas, tendo havido grave cerceamento do direito de defesa da empresa, o que foi objeto da medida cautelar juntada aos autos. Existem outras decisões judiciais, inclusive do Tribunal Regional do Trabalho, no sentido de reconhecer que os empregados recebiam seu salário corretamente, recebiam mútuos bimestralmente – se fosse de seu interesse – e recebiam valores variáveis, conforme metas atingidas, a título de PLR. Estas decisões destacam que a PLR paga pela empresa não tem natureza salarial, fato que, por si só, considerando a coisa julgada e a força das decisões judiciais, devem acarretar na nulidade das presentes autuações; 6) que com relação à nomeação dos membros da Comissão de Empregados que negociavam e assinavam os acordos de PLR, os planos foram implementados mediante acordo coletivo de trabalho, o que dispensaria a existência da Comissão; que ainda que houvesse a exigência de que o Plano tivesse sido negociado via Comissão, não há obrigação de eleição formal ou mesmo elaboração de ata de escolha da comissão, sendo certo que todos os subscritores dos acordos eram empregados e foram assistidos pelo Sindicato de cada localidade, não havendo qualquer irregularidade nesse sentido; que a Sra. Janaína de Paula Cavalheiro, após ser admitida, juntouse à Comissão e complementou as assinaturas do Plano, não havendo dispositivo legal que proíba esta situação; 7) que a postergação da data de pagamento da participação no estabelecimento de São Paulo, que havia sido pactuada para Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.282 8 02/2011 e 08/2011 mas ocorreu em março e setembro daquele ano, deuse em virtude das negociações havidas com os Sindicatos de outras localidades, para que se mantivesse uma isonomia entre os pagamentos; 8) que os exempregados que tiveram o contrato de trabalho rescindido no curso do período de apuração da PLR tiveram que aguardar as datas previstas nos acordos para receber o pagamento, pois não havia nenhuma previsão de adiantamento de valores na ocasião da rescisão, até porque nesta data ainda não haviam sido apuradas todas as metas estabelecidas; 9) a ilegalidade da multa de 150%, fundamentada pela fiscalização na omissão de informações e fatos geradores, e que por isso teria incorrido no crime previsto no artigo 337A do Código Penal. Sustenta que não houve cometimento de qualquer ato ilícito pela empresa, muito menos doloso, no sentido de se elidir do recolhimento de contribuições sociais. Tanto é que o próprio fiscal pode localizar, com clareza, os mútuos registrados no Livro Razão. Caso mantida a autuação, o que admite apenas para argumentar, a multa de ofício não pode ultrapassar 75%; 10) a necessidade de exclusão dos representantes legais e dos contadores da empresa, indicados no Relatório de Vínculos: Roberto Gennaro Mannarino, Andréa Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros; 11) o descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais, que não deve prosseguir, tendo em vista a ausência de infração por parte da impugnante. Ao final, a impugnante requer: a) o julgamento da improcedência dos Autos de Infração e a extinção dos créditos tributários; b) a não aplicação da multa qualificada de 150%; c) o sobrestamento da Representação, a teor do disposto no artigo 83 da Lei nº 9.430/1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 12.350/2010; d) a produção de todas as provas admitidas em direito, prova documental, notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material; e) que todas as notificações sejam também expedidas ao seu patrono, no endereço que indica. No julgamento da impugnação, acordaram os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos que podem ser assim resumidos: Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.283 9 Da ausência de impugnação A fase litigiosa do procedimento não foi instaurada com relação ao responsável solidário Benjamin Ribeiro Quadros, que não apresentou impugnação à exigência. Das alegações de vícios no procedimento fiscal (...) No âmbito do processo administrativo fiscal, os requisitos obrigatórios que devem fazer parte do Auto de Infração estão dispostos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972. Efetivamente, como salientou a impugnante, a autoridade lançadora cometeu uma inversão na descrição dos processos originados da mesma ação fiscal no início do Relatório Fiscal deste processo nº 15956.720354/201466, como se demonstra a seguir: 1 INTRODUÇÃO 1.1 Este relatório é parte integrante do AI Auto de Infração n°. 15.956.720.354/201466, referente aos lançamentos das contribuições previdenciárias patronais e tem por objetivo informar ao notificado a origem do débito que motivou o lançamento fiscal em referência, assim como propiciar adequada análise do processo de débito decorrente do mesmo e compreende os seguintes Debcad: 1.2 Nesta mesma ação fiscal foi lavrado outro Auto de Infração, com processo Comprot n°. 15.956.720.318/201401, referente aos lançamentos das contribuições destinadas a Outras Entidades (FNDE, Sesc, Senac, Incra e Sebrae), cujos relatórios seguem separadamente e compreendem o Debcad n°. 51.061.6550 Verificase que, apesar da descrição ter sido invertida, a tabela logo abaixo demonstra com exatidão o nº do Debcad, o tipo de processo, o período, o valor e a espécie de contribuição lançada. Creio que esta inversão não tem o condão de tornar nulo o lançamento, pois o próprio contribuinte a percebeu e compreendeu o que aconteceu. Tanto é que, na folha 5 da impugnação (fls. 480 dos autos), consta sua descrição dos processos, corretamente efetuada: Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.284 10 O Auto de Infração DEBCAD nº 51.061.6569 (COMPROT: 15956.720354/2014 66), é equivalente a R$ 12.029.244,49 (R$ 4.292.324,42principal; R$ 1.298.433,41 – juros; R$ 6.438.486,66 – multa de ofício), autalizado até 03.12.2014. O outro Auto de Infração lavrado, DEBCAD nº 51.061.6550 (COMPROT: 15956.720318/201401), por sua vez, é equivalente a 36.358.523,57 (R$ 12.930.002,30 principal; R$ 4.033.517,78 – juros; R$ 19.395.003,49 multa de ofício), atualizado até 03.12.2014. (...) Portanto, tendo o Auto de Infração sido lavrado de acordo com as disposições legais e normativas que regem a matéria, não há motivos para a declaração da nulidade do lançamento, sendo improcedentes os argumentos do sujeito passivo neste ponto. Do mérito (...) O sujeito passivo questiona a motivação para ter a fiscalização considerado legítima uma parte do PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros, na ordem de R$ 74.000.000,00 para R$ 92.000.000,00. Na realidade, não se identifica qualquer legitimação da PLR nos autos, tanto é que a fiscalização examinou os acordos coletivos e apontou as inconsistências que neles identificou, assim como fez referência ao descumprimento do artigo 3º e § 2º da Lei nº 10.101/2000. No entanto, o objeto deste lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração que foi paga aos segurados empregados e contabilizada no ano de 2011 como se empréstimo fosse, quando na realidade não o era. Assim, a discussão, em tese, se as contribuições deveriam incidir sobre todo o valor da PLR não aproveita a este lançamento. Os documentos juntados aos autos não deixam dúvidas quanto aos fatos relatados e a conclusão da fiscalização a respeito das irregularidades cometidas pela empresa autuada. A própria impugnante, nas ações trabalhistas, admitiu que efetuava adiantamentos bimestrais relativos à participação nos lucros e resultados. Cito como exemplo excertos extraídos das decisões: (...) Além dos fatos já relatados, concorreu para a convicção da fiscalização de que os valores pagos aos segurados desta forma substituíam e complementavam a remuneração devida a enorme quantidade de empregados envolvidos, a freqüência dos pagamentos, o alto valor dos pretensos empréstimos constantes da conta contábil 0000113122 – Mútuo a Funcionários – Folha, em comparação com a remuneração do segurado, e o fato de que Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.285 11 tais “empréstimos” eram compensados nos meses de pagamento da participação nos lucros. Para ilustrar a disparidade entre o valor da remuneração do empregado e o valor do empréstimo, citase o exemplo do segurado Haroldo Ricceto Filho, que, conforme consta da GFIP, recebeu em 03/2011 R$ 2.869,66, e em 09/2011 R$ 3.084,91. Já de acordo com o item 3.4 do Relatório Fiscal, este segurado firmou os seguintes contratos de mútuo: DATA DO CONTRATO VALOR CONTRATADO DATA DO PAGAMENTO 09/08/2010 R$ 15.756,65 31/03/2011 09/10/2010 R$ 15.693,38 31/03/2011 09/12/2010 R$ 22.975,04 31/03/2011 09/02/2011 R$ 22.683,77 30/09/2011 08/04/2011 R$ 67.734,86 30/09/2011 09/07/2011 R$ 67.734,96 30/09/2011 (...) Consta da contabilidade da empresa autuada que foram efetuados empréstimos em todos os meses de 2011, ainda que não estivessem abrangidos todos os empregados em todos os meses. É o que se verifica, por exemplo, em relação ao empregado Haroldo Ricceto Filho, já mencionado neste voto, cujos contratos apresentados pelo sujeito passivo tinham como data 09/08/2010, 09/10/2010, 09/12/2010, 09/02/2011, 08/04/2011 e 09/07/2011. (...) Por todo o exposto, concluise que os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo disfarçados de adiantamentos/empréstimos tratavamse, na realidade, de remuneração destinada a retribuir o trabalho. Não se inserindo em nenhuma hipótese de exceção da Lei nº 8.212/1991, os valores pagos aos segurados nesta condição constituem base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros). Da multa qualificada A multa qualificada de 150% está definida na legislação tributária, conforme detalha o Relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 7 e 8). O artigo 35A da Lei nº 8.212/1991 remete ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cujo caput, , inciso I e § 1º assim dispõem: (...) No caso sob exame, restou constatado que a empresa BRQ agiu intencionalmente com o objetivo de impedir ou retardar o Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.286 12 conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais, e com isso evitou o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados que lhe prestavam serviços, incorrendo na prática de sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. (...) Considerando o conjunto de elementos trazidos aos autos, justificase a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições não recolhidas pela autuada. Do pedido para exclusão das pessoas relacionadas no Relatório de Vínculos O sujeito passivo entende necessária a exclusão de Roberto Gennaro Mannarino, Andrea Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros do Relatório de Vínculos, juntado às fls. 39 dos autos, e que traz a seguinte redação: (...) Como se verifica neste texto reproduzido, a inclusão no Relatório de Vínculos não implica automaticamente na co responsabilização pelo crédito lançado, tendo caráter meramente informativo. (...) Pelo exposto, indeferese o pedido do sujeito passivo. Da Representação Fiscal para Fins Penais A análise de questões relacionadas à Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, que tramita em processo próprio, não é de competência da DRJ, pois não faz parte das atribuições definidas no artigo 233 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, publicada no DOU de 17/05/2012. (...) O que se pode informar ao contribuinte é que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) tem por dever formalizar representação fiscal para fins penais perante o Delegado ou o InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social, entre outros. Os procedimentos estão definidos na Portaria RFB nº 2.439/2010 que, em seu artigo 4º, § 1º, determina que a representação fiscal, nestes casos, deverá permanecer no âmbito da unidade de controle até a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente ou na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 5º, respeitado o prazo legal para cobrança amigável, caso o processo seja formalizado em meio papel. Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.287 13 Da produção de provas O sujeito passivo requer genericamente a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, prova documental, realização de perícias e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material. Em relação a este pedido, salientase que a produção de provas deve obedecer às disposições do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Não se conhece, portanto, do protesto do impugnante pela produção de provas além daquelas já arroladas neste processo, exceção feita, à evidência, ao disposto nos parágrafos 4º a 6º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Da intimação do procurador Por fim, indeferese o pedido para que as intimações e notificações sejam enviadas em nome dos procuradores da impugnante, no endereço que indica na impugnação, já que não há previsão na legislação para tal procedimento. O inciso II do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que as intimações feitas por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via devem ter prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Conclusão Nestes termos, voto por julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ciente do Acórdão da DRJ em 29/07/2015, conforme termo de ciência eletrônica de fl. 915, ainda inconformado, o contribuinte juntou o Recurso Voluntário de fl. 917 a 963, em 13 de agosto de 2015, no qual reiterou as razões expressas em sede de impugnação. Submetido à apreciação pelo Colegiado de 2ª Instância, esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, da 2ª Seção, exarou, em sessão de 09 de maio de 2017, o Acórdão nº 2201003.594, fl. 974 a 1003, o qual concluiu, por voto de qualidade, vencido este Conselheiro Relator, por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade da autuação em razão por erro na quantificação da base de cálculo, já que a Autoridade Fiscal calculou o tributo devido a partir de valor equivalente àqueles que foram antecipados mediante empréstimos e não propriamente o montante total pago a título de PLR, do que resultou um lançamento a menor que o devido. Cientificada de tal decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional formalizou os Embargos de Declaração de fl. 1005 a 1008, os quais não passaram pelo crivo da admissibilidade, conforme despacho de fl. 1056 a 1058. Cientificada das conclusões do despacho de admissibilidade, a representação da Fazenda Nacional formalizou o Recurso Especial de fl. 1060 a 1072, que teve seguimento regular, conforme despacho de fl. 1127 a 1133, do quê foi cientificado o sujeito passivo em 27/11/2017, conforme Termo de fl. 1145, que apresentou as contrarrazões de fl. 1148 a 1178. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.288 14 O Julgamento do Recurso Especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deu origem ao Acórdão nº 9202007195, fl. 1245 a 1264, cujo dispositivo analítico restou assim expresso: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à ausência de nulidade, vencida a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que conheceu integralmente do recurso. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º,do Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Ana Paula Fernandes na reunião anterior. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Inicialmente, cumpre delimitar o objeto deste novo julgamento na Câmara baixa e, para tanto, relevante citar excerto do voto condutor do Acórdão exarado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, da lavra da Ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira: (...) Como se vê dos trechos transcritos, houve concordância no colegiado de que o pagamento realizado pelo contribuinte a título de PLR, contraria as disposições legais, contudo, a parte da qual discordou o redator do voto vencedor diz respeito a suposta irregularidade da base de cálculo do lançamento: " Há flagrante e reconhecido erro na determinação do critério quantitativo do tributo devido pelo sujeito passivo. Houve equívoco da autoridade na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária." (...) Ou seja, claramente a empresa concedia valores aos empregados e os compensava posteriormente sob a denominação de PLR, todavia, tal prática, não se coaduna com as hipóteses previstas na lei 10,101 que expressamente prevê a vedação de antecipações. Fazer antecipações com a denominação de mútuos ou sob qualquer outra nomenclatura, cujo valor não demonstrou o recorrente ser sido devolvido, mas pelo contrário pago com PLR, acaba por estabelecer Conforme já restou esclarecido, o que realmente foi objeto de divergência é o entendimento do redator no sentido de que o Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.289 15 lançamento efetuado por valores aquém do que poderia ter sido lançado está eivado de vício de nulidade. (...) Não é possível concordar com a tese apresentada pelo redator que levou à nulidade do lançamento. (...) Cumpre ressaltar que no acórdão recorrido, tanto o relator como o redator concordaram no sentido de que a PLR paga pelo contribuinte foi em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Entretanto, afastada a nulidade, vêse que outras questões, embora enfrentadas pelo relator, não foram chanceladas na decisão ou houve qualquer manifestação do redator do voto vencedor. São elas: arguição do contribuinte sobre a qualificação da multa, a sujeição passiva solidária e outras, conforme trazido no próprio acórdão recorrido: (...) 9) a ilegalidade da multa de 150%, fundamentada pela fiscalização na omissão de informações e fatos geradores, e que por isso teria incorrido no crime previsto no artigo 337A do Código Penal. Sustenta que não houve cometimento de qualquer ato ilícito pela empresa, muito menos doloso, no sentido de se elidir do recolhimento de contribuições sociais. Tanto é que o próprio fiscal pode localizar, com clareza, os mútuos registrados no Livro Razão. Caso mantida a autuação, o que admite apenas para argumentar, a multa de ofício não pode ultrapassar 75%; (...) 11) a necessidade de exclusão dos representantes legais e dos contadores da empresa, indicados no Relatório de Vínculos: Roberto Gennaro Mannarino, Andréa Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros; 12) o descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais, que não deve prosseguir, tendo em vista a ausência de infração por parte da impugnante. Assim, é necessário o retorno dos autos à 2ª Câmara para complementação do julgamento, apenas com relação aos tópicos acima descritos, tendo em vista que o mérito da irregularidade de PLR encontrase devidamente enfrentada pelo relator e redator. Portanto, a seguir serão novamente trazidas à balha, exclusivamente em relação aos temas pendentes de julgamento, as conclusões expressas por este Conselheiro Relator no voto originário, já que inexistem elementos supervenientes a justificar a alteração do que lá foi expresso. Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.290 16 NULIDADE ABSOLUTA: FALTA DE CLAREZA E PRECISÃO DO RELATÓRIO FISCAL No presente item de defesa, o contribuinte busca a declaração de nulidade do lançamento em razão de equívoco do Fiscal no momento da elaboração do Relatório, onde teria cometido um erro ao relacionar débitos lançados aos respectivos processos. Teria o fiscal invertido a correlação entre os débitos e seus processos. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É importante ressaltar que o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente aquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada nula pela autoridade julgadora. Com efeito, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Toda a manifestação do contribuinte nos presente autos, bem assim no processo em que foi lançada a exigência relativa à parte patronal, não deixa dúvidas de que a autuação foi devidamente entendida, demonstrando, inequivocamente, que o erro do Auditor Fiscal não causou qualquer prejuízo à recorrente. Assim, nesta parte, entendo que não merece retoques a decisão recorrida DA ILEGALIDADE DA MULTA DE 150% O Recorrente, sustentando que não cometeu qualquer ato ilícito, muito menos doloso, insurgese contra a qualificação da multa de ofício, alegando que não teria havido omissão de informações e fato geradores, que pudessem justificar a ocorrência de crime contra a ordem tributária alegada pela Fiscalização, em particular porque tudo consta como devidamente contabilizado e em razão da fiscalização ter tido livre acesso e tranqüilidade para executar o seu mister. Questiona a decisão recorrida por não ter refutado seus argumentos, limitandose, exclusivamente, a tratar a questão de forma genérica apontando a constatação de ação intencional com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador. Vejamos os argumentos da Fiscalização para levar a termo a qualificação da multa de ofício: 10.1.5 Demonstrouse ao longo desta auto e pelos recortes legais, aqui em destaque, que a contribuinte sob fiscalização, na pessoa de seu representante legal, cometeu, em tese, crime de sonegação de contribuições previdenciárias, incorrendo na prática de sonegação fiscal, ao não declarar à RFB a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, com a finalidade de eximirse do pagamento de contribuintes federais (art.334A, no DecretoLei nº 2.848/1940 Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.291 17 (Código Penal) (acrescentados pela lei nº 9.983/2000 e art. 2º, I, da lei 8.137) e, desta forma, aumentar seus lucros, com a redução de despesas como os recolhimentos das contribuições devidas; 10.1.6 A prática de omissão de salários pagos sob o disfarce de PLR, foi evidenciada a partir do exame da escrituração contábil, dos documentos fiscais apresentados pela própria fiscalizada, em face dos quais, formase a convicção de que a linha de sonegação adotada pela contribuinte foi: suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante a condutas de omissão de remunerações pagas ma segurados empregados nas folhas de pagamentos e nas GFIP, para eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, respectivamente, na linha do art. 337 A, do DecretoLei nº 2.848/1940 inciso I, art. 1º da Lei 8.137/90. 10.1.7 Diante de todos os fator comprovados nos autos, em que ficou clara a prática de crime contra a previdência social e a ordem tributária na modalidade de sonegação fiscal, e tendo em vista o Inciso II do art.44 da Lei 9.430, de 27/12/1996, a multa de ofício apurada, referente à infração de omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, deverá ser majorada para 150%. Em relação à qualificação da multa de ofício, entendo oportuno destacar que se trata de medida de exceção, já que a regra é a aplicação do percentual de 75%, razão pela qual é necessário buscar apoio na legislação de regência: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez a Lei 4.502/64 prescreve: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.292 18 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A leitura integrada dos dispositivos legais supracitados evidencia que, seja no caso de sonegação, fraude ou conluio, indispensável que, inequivocamente, esteja presente o elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71 e 72 da Lei 4.502/64. Ainda que seja difícil aferir o ponto a partir do qual uma conduta deixa de constituir mera infração à legislação tributária e passa ser uma conduta dolosa, punível com a qualificação da multa de ofício, é certo que, no caso em tela, a Autoridade Fiscal apenas justificou a duplicação do percentual da penalidade pelo fato de ter constatado que a empresa não declarou à RFB a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, sem, contudo, dedicar uma única linha parar demonstrar que tal fato foi resultado de ação dolosa, praticada pelo contribuinte com o objetivo de reduzir o tributo devido ou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Como se vê nos autos, o lançamento lastreouse unicamente pelas informações devidamente registradas na contabilidade do recorrente, plenamente franqueadas ao Agente Fiscal e informadas à Receita Federal do Brasil. Os institutos relacionados à infração (mútuos e PLR) nada têm de ilegal, restando o lastro do lançamento na convicção de que foram utilizados indevidamente ao considerar seus efeitos sobre o cálculo das contribuições previdenciárias, importando infração à legislação tributária, situação que, por si só, não justifica a qualificação da multa de ofício. Ora, nada impede que o contribuinte institua programas de PLR em sua empresa e que o pagamento de tais valores possam ser feitos até semanalmente, seja diretamente ou através de mútuos. O que não tem amparo legal é a exclusão da natureza de salário de contribuição e, consequentemente, do campo de incidência da Contribuição Previdenciária, dos valores pagos a este título que não tiverem observado as restrições legais para gozar do benefício fiscal. Assim, entendendo que a descrição realizada pela Autoridade Fiscal está limitada à infração à legislação tributária, não demonstrando a conduta fraudulenta dolosa, entendo que merece reparo a decisão recorrida, excluindose a qualificação da multa de ofício, que deve ser alterada para 75% DA EXCLUSÃO DO REPRESENTANTES LEGAIS DA EMPRESA Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.293 19 Neste tema, o contribuinte limitase a requerer a aplicação da Súmula Carf nº 88, cujo teor destaco abaixo: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sobre tal matéria, assim se manifestou a Decisão Recorrida: Como se verifica neste texto reproduzido, a inclusão no Relatório de Vínculos não implica automaticamente na co responsabilização pelo crédito lançado, tendo caráter meramente informativo. Desta forma, considerando que o requerido está exatamente alinhado ao que já foi objeto da manifestação da Delegacia de Julgamento, entendo que não há objeto a ser tratado, sendo certo de que os conteúdo da Súmula Carf. nº 88 se aplica integralmente ao caso em tela. DO DESCABIMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O recorrente pleiteia a suspensão do andamento da Representação Fiscal para Fins Penais pelas razões que enumera. Contudo, como já pontuado pela DRJ, a citada Representação não tem seu curso externo à RFB antes que o crédito tributário lançado seja considerado definitivamente constituído e, ainda assim, se o contribuinte não promover sua extinção. Por outro lado, quanto ao mérito do procedimento administrativo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, quanto ao pedido de ciência de termos e atos processuais na pessoa do patrono do requerente, não há reparos a serem feitos na decisão de 1ª instância, posto que regular a ciência do contribuinte em qualquer uma das hipóteses descritas no art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão: Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201005.069 S2C2T1 Fl. 1.294 20 Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 1294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901607/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2012 a 31/08/2012
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.837
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 07 /2 01 3- 40 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16682.901607/201340 Acórdão n.º 3302006.837 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.974. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16682.901607/201340 Acórdão n.º 3302006.837 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16682.901607/201340 Acórdão n.º 3302006.837 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16682.901607/201340 Acórdão n.º 3302006.837 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16682.901607/201340 Acórdão n.º 3302006.837 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101374/2008-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO.
As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só podem ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.
Numero da decisão: 9202-007.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só podem ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.
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DESPESAS MÉDICAS. ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só podem ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 13 74 /2 00 8- 79 Fl. 115DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2006, anocalendário de 2005, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas. Em sessão plenária de 17/05/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2802001.615 (efls. 89 a 95), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS DE INTERNAÇÃO EM ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE. Se comprovado que a paciente necessita de cuidados integrais de enfermagem, por laudo médico, os gastos com estabelecimento geriátrico são dedutíveis. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Sidney Ferro Barros." O processo foi encaminhado à PGFN em 31/01/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 96) e, em 11/03/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 97 a 105 (Despacho de Encaminhamento de efls. 106), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a dedução de despesas com estabelecimento geriátrico não qualificado como hospital. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 27/05/2016 (efls. 107 a 109). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a legislação que disciplina a matéria não ampara para a dedução de despesas médicas com estabelecimento geriátrico, quando esse local não for qualificado como hospital; tendo em vista que as despesas médicas reduzem o Imposto de Renda, as normas de regência devem ser interpretadas literalmente, não cabendo conferirlhes efeito extensivo para autorizar deduções que não estão expressamente previstas; tal linha de raciocínio encontrase colmatada pela jurisprudência administrativa, assente na necessidade de expressa previsão legal, para fins de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11065.101374/200879 Acórdão n.º 9202007.813 CSRFT2 Fl. 116 3 diante dessas considerações, o acórdão merece ser reformado, tendo em vista a correção da glosa de despesas deduzidas a título de internação para tratamento geriátrico em estabelecimento não qualificado como hospital, por falta de amparo de tal dedução no corpo normativo que disciplina a matéria. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 112). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a glosa de despesas médicas, referente ao anocalendário de 2005. No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose a dedução das despesas de internação em estabelecimento geriátrico, referentes à genitora do Contribuinte, uma vez que estaria comprovada nos autos a necessidade de assistência de enfermagem de forma contínua. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja restabelecida a glosa, ao argumento de que não há amparo para a dedução de despesas médicas com estabelecimento geriátrico, quando este não for qualificado como hospital. A possibilidade de dedução de despesas médicas da base de cálculo do IRPF tem previsão na alínea “a”, do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250, de 1995, que assim dispõe: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;" (grifei) O § 4º, do art. 80, do RIR/1999, define de forma claríssima o alcance da isenção tributária relativamente às despesas de internação geriátrica, ao estipular que estas são dedutíveis a título de hospitalização, somente quando o referido estabelecimento estiver qualificado como hospital pelo Ministério da Saúde: Fl. 117DF CARF MF 4 "Art.80.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) §4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica." (grifei) No caso em exame, conforme bem pontuou a decisão de Primeira Instância, foram apresentados pelo Contribuinte Alvará da Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo, Licença da Secretaria Municipal da Saúde de Novo Hamburgo e Certidão de Responsabilidade Técnica do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul, porém ditos documentos não comprovam a qualificação do Lar Santa Ana como hospital. Quanto ao alvará, dele apenas consta que se trata de associação sem fins lucrativos. No que tange à licença concedida pela Secretaria Municipal da Saúde, esta informa que a concessão é para o ramo "Instituição de Longa Permanência para Idosos". Finalmente, quanto à certidão expedida pelo Conselho Regional de Enfermagem, esta simplesmente atesta a designação/contratação de enfermeiro para a chefia do serviço/unidade de enfermagem. Com efeito, nenhum desses documentos logrou comprovar que o Lar Santa Ana, instituição mantida pela Associação de Exalunos das Irmãs de Santa Catarina, tem qualificação hospitalar, condição prevista pelo art. 80, § 4°, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, para que as despesas possam ser deduzidas pelo Contribuinte. Destarte, ainda que o estabelecimento geriátrico conte com profissionais que atuam na área de saúde e que se dedique a tratamentos recomendados por profissionais da área médica, as despesas decorrentes dos serviços por ele prestados não são alcançadas pela isenção prevista na alínea “a”, do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250, de 1995, a menos que esteja enquadrado como hospital, o que não ocorreu no presente caso. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720051/2016-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE. PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA.
Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1301-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares argüidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2011, 2012 NULIDADE. PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares argüidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
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PAGAMENTO SEM CAUSA/OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Recorrente ZONI SUPERMERCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012 NULIDADE. PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares argüidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 51 /2 01 6- 91 Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.336 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0281.120, proferido pela 7ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração – AI de fls. 1.196/1.212, com exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no montante de R$11.928.920,64, valor atualizado até 01/2016, relativo aos exercícios 2013 e 2012, anoscalendário 2012 e 2011. Infração. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 1.156/1.174 e anexos, fls. 1.175/1.194 e no Auto de Infração AI, fls. 1.196/1.212, foram apuradas as seguintes infrações: Pagamento sem causa ou beneficiário não identificado. IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Fato gerador 15/9/11 a 31/12/2012. Fundamento legal, art. 674 e 675 do RIR/99. Do TVF, fls. 1.156/1.174 e anexos, fls. 1.175/1.194, extraemse, em síntese, as seguintes informações: A pessoa jurídica autuada é constituída sob a forma de sociedade de responsabilidade limitada e tem como objeto social a atividade econômica de supermercado e afins. A forma de tributação adotada, nos exercícios 2013 e 2012, foi pelo lucro real anual. A contribuinte foi intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, durante o procedimento fiscal e, após análise dos documentos e fatos, a fiscalização constatou irregularidades na apuração do IRPJ e contribuições, conforme a seguir relatado. Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.337 3 I Receita com deságio na compra de títulos (R$6.415.498,13). A contribuinte teve negado, em sede de segunda instância, seu pedido de compensação de créditos não relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal e de terceiros (processo 13971.723466/201293). De acordo com o contrato formalizado entre as partes, de 14/12/2012, apresentado à fiscalização, os créditos de R$10.000.000,00 foram adquiridos pela fiscalizada da Brazilian Landbank Empreendimentos, Incorporações e Representação Comercial Ltda, CNPJ 08.030.342/000166. Os créditos seriam utilizados para habilitação e homologação junto a SRF e extinção de débitos tributários da cessionária (Zoni). As cláusulas do contrato estabeleciam que a fiscalizada deveria pagar 20% do valor do crédito adquirido de R$5.000.000,00 (o correspondente a R$1.000.000,00), mais R$2.813.540,95 e mais R$3.750.000,00 pela cessão dos outros R$5.000.000,00 em direitos creditórios. Afirma a fiscalização que os valores previstos no contrato não correspondem aos registros contábeis da fiscalizada. Conforme a seguir relatado (fls. 1.159 do TVF): É aí que reside a aparente contradição entre o contrato apresentado e os registros contábeis: não houve o reconhecimento contábil do valor a pagar pela fiscalizada de R$4.750.000,00. Mas este reconhecimento da dívida não aconteceu porque estava atrelado ao reconhecimento do direito creditório nas compensações levadas a efeito no âmbito da Receita Federal. Na contabilidade de 2013 não foi localizado lançamento da obrigação descrita no contrato. A fiscalizada, independentemente do caminho escolhido para obter os créditos adquiridos, teria de reconhecer o deságio na aquisição dos créditos pelo regime de competência, visto ser este o regime de escrituração vigente. Relata a autoridade fiscal que o deságio total da operação foi de R$7.186.459,05. Deste valor, somente R$770.960,92 foi oferecido à tributação. O deságio de R$6.415.498,13 = (R$7.186.459,05 R$770.960,92) não foi tributado, motivo pelo qual foi lançado como receita e multa de ofício, com apuração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. II Ganho de Capital na venda de terreno Madre Paulina. A fiscalizada não apurou o ganho de capital do terreno situado no município de Gaspar/SC, na rua Madre Paulina. A fiscalização descreve os motivos pelos quais os custos apropriados não estão corretos. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.338 4 Foi considerado, no cálculo do ganho de capital, que houve a venda de duas frações do terreno, sendo dez mil metros quadrados em 19/10/11 e o restante (13.949,35 m²) em 3/2/12. Elabora a tabela constante das fls. 1.162, do TVF, com os valores das receitas não operacionais auferidas pela venda do terreno em duas etapas, adicionadas de ofício ao lucro líquido para o cálculo do lucro real, sendo: R$737.119,11 (19/10/11) e R$371.877,72 (3/2/12). III Despesas não dedutíveis. Pagamento realizado em 2012 de despesas referentes ao ganho de capital dos sócios do Supermercado Hack no total de R$90.317,69 (Darf de R$22.281,76 e de R$68.035,93), deduzido como despesa em 02/2012. De acordo com o histórico dos lançamentos, foi uma parcela assumida na aquisição da empresa, devendo fazer parte do custo de aquisição e escriturado no ativo da fiscalizada. Os valores estão escriturados nas contas: 04.2.3.02.001 Juros e 04.2.3.02.003 Multas e foram glosados pela fiscalização. Os valores escriturados como despesa do exercício, referente à multa por descumprimento de contrato com o Citibank, julho/2012 (R$35.962,20 conta 04.2.4.02.003 Multas) não são dedutíveis na apuração do imposto e foram adicionados de ofício ao lucro líquido para apuração do lucro real. IV Glosa de juros na aquisição de terrenos. As despesas financeiras na aquisição de vários terrenos, em 2011 e 2012 e vendidos posteriormente, não são consideradas dedutíveis. A compra e venda de terrenos não é atividade constante do contrato social da fiscalizada, portanto, as referidas despesas não são necessárias às transações e operações da empresa, não são usuais e normais à atividade desenvolvida ou à manutenção de sua fonte produtiva. As despesas foram escrituradas na conta 04.2.3.01.001 Variação Monetária Passiva, tabela 2 do TVF, fls. 1.163 e Anexo 1 Despesas Financeiras na aquisição de terrenos, fls. 1.175/1.177. As despesas foram adicionadas ao lucro líquido para apuração do lucro real. V Glosa despesas desnecessárias contrato Sérgio Waldich. De acordo com o contrato de mútuo apresentado, não há previsão de pagamento de juros no ano de 2012. Os pagamentos realizados em 2012, supostamente de juros, correspondente a R$66.837,00 (28/6/12) e R$5.529,00 (31/7/12), lançados na conta 04.2.3.01.001 Variação Monetária Passiva, tratase de mera liberalidade, não se enquadrando em despesas obrigatórias, consideradas não dedutíveis. As despesas financeiras foram adicionadas ao lucro líquido. VI Juros parcelamento IRPJ e CSLL. Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.339 5 Acréscimos legais incidentes sobre parcelamento de IRPJ e CSLL não podem ser deduzidos como custo ou despesa na determinação do lucro real (art. 41, §2º da Lei nº 8.981/95, art. 2º da Lei nº 7.689/88 e art. 1º da Lei nº 9.316/96. Glosada a despesa lançada a título de juros de IRPJ e CSLL apropriada em 01/2012, conta 04.2.3.02.006 Juros Tributos de 31/1/2012, conforme tabela 3, fls. 1.165. As despesas financeiras foram adicionadas ao lucro líquido para apuração do lucro real. VII Lançamentos estornados. a) Lançamentos na conta Caixa, realizados mensalmente, duas vezes ao mês em 2011 (setembro a novembro) e nove lançamentos mensais em 2012, totalizando 166 lançamentos, que foram estornados, conforme anexo ao TVF, fls. 1.178/1.182. A fiscalização relata que os lançamentos estornados não são considerados equívocos, mas sim estornos intencionais, feitos após o início do procedimento fiscal e após os dados terem sido questionados (arquivos entregues em 30/7/14). Tais estornos não produzem efeito na contabilidade de 2011 e 2012 e os lançamentos não possuem lastro documental. b) Lançamentos estornados da conta fornecedores (a crédito). Estorno de inclusão de obrigações na conta fornecedores contra a conta caixa. Este grupo de lançamentos estornados é composto por créditos na conta Caixa e débitos na conta Fornecedores, conforme valores constantes na tabela 4, fls. 1.168. Os pagamentos efetuados por fornecedores constituem receitas não oferecidas à tributação e foram lançados como presunção de omissão de receitas. c) Lançamentos estornados da conta caixa. Estornos realizados em 2013, referentes aos anos de 2011 e 2012, de pagamentos supostamente efetuados com despesas de aterro de dois terrenos (terreno penha e terreno br470) e adiantamento para futura compra de imobilizado. Incluídos os pagamentos a fornecedores efetuados em 2011, cuja saída do caixa não tem justificativa nem amparo documental. Os valores discriminados na tabela 5, fls. 1.168, foram considerados pagamentos sem causa, e não houve recolhimento do imposto de renda na fonte. Lançamento foi feito considerando o valor pago líquido do imposto, cuja alíquota é de 35%, conforme art. 674 do RIR/99. VIII Distribuição de lucros. Em 2012, a fiscalizada transferiu para a conta 02.3.2.02.004 Reserva de Lucros a Distribuir (R$214.830,00 em 1/1/12), considerando o saldo inicial da conta (R$71.097,14), o valor de R$285.927,14, saldo final em 31/12/2012, foi distribuído a título de lucros. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.340 6 Em 2/1/12 houve transferência de R$770.960,92 da conta contábil 02.3.4.04.003 Ajustes de Exercícios Anteriores para a conta 02.3.4.03.002 Prejuízos Acumulados, valor que a fiscalizada disse se referir ao ano de 2011 nas transações com o Brazilian Landbank. Concluiu a fiscalização que, se houve prejuízo em 2011 (diferença entre R$770.960,92 e R$214.830,00) e mesmo assim foi distribuído lucro (R$285.927,14), o pagamento foi considerado sem causa e tributado na fonte (IRRF lançado neste processo nº 13971.720051/201691). IX Multas isoladas. a) Estimativas calculadas e não pagas. Na DIPJ 2012, anobase 2011, a fiscalizada calculou as estimativas de IRPJ e CSLL com base em balancetes de suspensão, mas recolheu as estimativas em valores diferentes. A tabela 6, fls. 1.170 do TVF, descreve os valores declarados em DIPJ/DCTF e os recolhidos/compensados em Dcomp, bem como o valor da multa isolada lançada. b) Multas isoladas calculadas. Valores das multas sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, considerando as infrações que apuraram IRPJ e CSLL, conforme art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 e discriminadas na tabela 8, fls. 1.172 do TVF. X Ajuste anual tributos calculados e não pagos. Pela falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL no ano de 2011, os tributos calculados no ajuste anual, constantes da DIPJ, não foram declarados em DCTF e nem recolhidos ou compensados, sendo R$184.821,43 (IRPJ) e R$72.065,32 (CSLL). A multa de ofício aplicada nos lançamentos foi no percentual de 75%, art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Os registros do sistema SAPLI foram atualizados para os valores do LALUR apresentado durante a fiscalização. O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 15/1/2016, conforme Termo de ciência por abertura de mensagem, fls. 1.220, por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico DTE perante a RFB, nos termos do art. 23, §2º, III, alínea "b" do Decreto nº 70.235/72. Foi apresentada, em 16/2/16, a impugnação de fls. 1.223/1.236. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou improcedente a impugnação apresentada, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2011, 2012 Ementa: Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.341 7 NULIDADE. PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. PERÍCIA. PROVA POSTERIOR. INDEFERIMENTO. A realização de perícia darseá quando a autoridade julgadora entendêla necessária, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. As provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de apresentação posterior, a não ser nos casos previstos em lei, que não foram atendidos. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do acórdão recorrido em 02/04/2018 (fl. 1295), e com ele inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário em 25/04/2018 (fl. 1296), pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.342 8 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Das Preliminares O contribuinte aduz as seguintes preliminares: i) nulidade do lançamento por fundamento legal equivocado erro de direito; ii) presunção da existência de supostos pagamentos, sem indicação do fundamento legal que autoriza a presunção Equivocase a recorrente, pois de acordo com o AI e TVF correlato, constituiuse o lançamento sobre a infração "IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada", cuja capitulação está prevista nos artigos 674 e 675 do RIR/99, e estes artigos foram expressamente nos autos lavrados. Com efeito, de acordo com tais normas, sujeitase à incidência do IRRF, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. No caso dos autos, o lançamento evidenciouse pelo fato de existirem na escrita contábil do contribuinte lançamentos contábeis estornados em 02/01/13 (a débito na conta caixa), sem apresentar qualquer justificativa. Intimada a justificar eventuais pagamentos, limitouse a dizer que se tratava de equívocos. Ora, sem justificativa para os pagamentos, concluiu a fiscalização, sem utilizarse de presunções, a propósito, que eles foram efetuados pela pessoa jurídica sem comprovação da operação ou a causa, ou a beneficiário não identificado, conforme expressa previsão dos artigos 674 e 675 do RIR/99. Vejase que, in casu, a fiscalização elaborou demonstrativos que, combinado com os termos de intimações e a descrição dos fatos no corpo da autuação e do TVF, restou identificada a forma como foi apurado e calculado o crédito tributário, sendo, ainda, devidamente identificados todos os elementos do fato jurídico tributário. Seja como for, é pacifico neste Conselho o entendimento de que eventual insuficiência do enquadramento legal é suprida com a correta descrição dos fatos e das irregularidades apuradas, vez que a autuação fiscal não se limita a indicar dispositivos legais infringidos, mas, essencialmente, detalhar todo o contexto do lançamento, dando amplo conhecimento dos fatos motivadores da exigência, permitindo, por conseguinte, o exercício pleno da defesa dos interessados. Objetivamente, como se vê, não há nenhuma falha no enquadramento legal, pois os artigos 674 e 675 do RIR/99 foram expressamente citados no lançamento, não havendo que se falar em nulidade do lançamento por falta de fundamentação legal ou subsunção do fato à norma. Rejeitase as preliminares alegadas. Do Mérito Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.343 9 Dos Supostos Pagamentos Sem Causa ou a Beneficiário Não Identificados: Lançamentos Estornados da Conta Caixa Quanto ao tópico, alega a recorrente que os lançamentos efetuados não podem prosperar. Aduz que os estornos na conta caixa e fornecedores, realizados em 02/01/2013, decorreram de equívocos na escrituração contábil dos anos de 2011 e 2012 e foram necessários para expressar a real situação patrimonial da empresa. Como se disse, o lançamento na rubrica "IRRF sobre pagamento sem causa ou de operação não comprovada" foi efetuado por ter sido constatado estornos na escrituração contábil do contribuinte, em razão da ausência de esclarecimentos e documentos que pudessem respaldar os estornos. Vejase que não é o caso de prova de fato negativo, impossível de se fazer, como alega a recorrente. No caso, como já alertado, deveria trazer provas de eventuais desfazimento de operações ou não realização de serviços nos terrenos que especifica, enfim, documentos que lastreassem os lançamentos contábeis questionados pela fiscalização, em observância ao dever de colaboração do sujeito passivo e do disposto no inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. De acordo com o que dispõe o artigo 923 do Decreto nº 3.000/99, apenas fatos registrados na escrituração contábil e fiscal, devidamente comprovados por documentos hábeis, que devem fazer prova a favor do contribuinte. Vejase: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Adicionalmente, como bem notado pela decisão recorrida, é o fato da escrituração digital (ECD), no SPED Contábil, ter sido transmitida à Receita Federal, referente ao anocalendário de 2013 (com os estornos que se fez referência), somente em 30/07/2014, conforme tela ReceitanetBX, fl. 1260, como também que a DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário 2013 foi entregue apenas em 25/07/2104 (tela de fls. 1261/1264). Logo, correta a assertiva de que os arquivos com os estornos procedidos na contabilidade do contribuinte foram informados à RFB após o início da ação fiscal, que se deu em 07/04/2014 (fls. 2/4), o que, só por este motivo, evidenciase que os estornos efetuados não devem mesmo produzir os efeitos desejados pelo contribuinte. Como já dito anteriormente, a fiscalização solicitou justificativa e documentos para comprovar os lançamentos estornados em 02/01/2013, contudo, o contribuinte respondeu à intimação sem juntar documentos que lastreassem os lançamentos questionados, e alegou tãosomente que os estornos decorriam de equívocos. Ora, se o contribuinte tivesse verificado equívocos em sua escrituração contábil do anocalendário de 2012, no dia 02/01/2013, antes, portanto, da entrega das declarações pertinentes ao ano de 2012, por exemplo, poderia ter retificado sua contabilidade, estornando os lançamentos no próprio ano de 2012, e não o fez. Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.344 10 Desta forma, com esses fundamentos, entendo correto o lançamento nesse ponto. Distribuição de Lucros Em relação à distribuição de lucro no valor de R$ 285.927,14, apurada em 31/12/2012, a fiscalização constatou que o contribuinte distribuiu lucros, mesmo tendo prejuízos acumulados, o que levou de que se travava de pagamento sem causa. A defesa requer seja reconhecida receita nãooperacional auferida decorrente de venda de terreno, no valor de R$ 737.119,11, no resultado do anocalendário de 2011, a título de ganho de capital. Sustenta que se o valor da receita for reconhecido no lançamento, haveria lucro em 2011, o que regularizaria, sob sua ótica, a distribuição do lucro que se efetivou em 31/12/2012. Ao analisar estes argumentos e documentos carreados aos autos, a DRF fez as seguintes constatações: Distribuição de Lucros. A fiscalização entendeu que, no anocalendário de 2012, não haveria lucros a distribuir, em virtude do prejuízo acumulado no encerramento do anocalendário de 2011. A impugnante fez, em 2/1/12, ajuste de exercício anterior, configurado pela transferência de R$770.960,92 da conta Ajustes de exercícios anteriores para a conta Prejuízos acumulados, valor que a impugnante atribui às transações com o Brazilian Landbank. Com a escrituração do ajuste, a sociedade não teria lucro a ser distribuído em 31/12/12, motivo pelo qual a distribuição de lucros de R$285.927,14 foi considerada pagamento sem causa pela fiscalização. A impugnante requer seja reconhecida a receita não operacional auferida na venda do terreno Anezia de R$737.119,11, no resultado do anocalendário de 2011, a título de ganho de capital, conforme consta da planilha de fls. 1.162 do TVF. Se o valor da receita for reconhecido no lançamento, haverá lucro em 2011 apto a ser distribuído em 31/12/2012, como foi feito pela autuada. A receita não operacional de R$737.119,11, fato gerador de 19/10/11, infração lançada no AI de nº 13971.720052/201636, é o resultado da venda do terreno da Rua Madre Paulina, que foi adicionado de ofício pela auditoria ao lucro líquido do ano de 2011, para fins de cálculo do lucro real. Analisando a conta Reserva de Lucros a Distribuir, Razão de fls. 1.021, verificase a seguinte situação: Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.345 11 No presente lançamento, a fiscalização considerou que houve uma transferência no valor de R$770.960,92, da conta Ajustes de exercícios anteriores para a conta Prejuízos acumulados, conforme relatado pela fiscalização, fls. 1.169 do TVF, informação registrada no Balancete de Verificação, fls. 205. No entanto, em 02/01/2012, houve a transferência de R$ 770.960,92 da conta contábil 02.3.4.04.003 Ajustes de Exercícios Anteriores para a conta 02.3.4.03.002 Prejuízos Acumulados, valor que a fiscalizada disse se referir ao ano de 2011 nas transações com o Brazilian Landbank (item 3.1). Assim sendo, entendo que mesmo que se reconheça a receita não operacional, infração constituída pela fiscalização no processo 13971.720052.201636, pela venda de imóvel realizada em 19/10/11, no montante de R$737.119,11, a empresa continuará com prejuízo na data da distribuição do lucro (31/12/2012, fls. 1.021). Cumpre observar que a distribuição de lucros ocorre após apuração, demonstrada contabilmente, e desde que comprovada a existência de lucro com base em escrituração contábil regular e satisfeitas todas as determinações legais. Nos termos do art. 182 da Lei nº 6.404/76, a Reserva de lucros é constituída pela apropriação de lucros da sociedade empresária. Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. [...] § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. Destaquese que os lucros podem ser distribuídos no ano calendário subsequente (e nos seguintes) com base em saldos da conta de lucros a distribuir. Também pode ser distribuído no próprio anocalendário, com base em um balanço intermediário, que deverá estar previsto no contrato social, conforme consta no art. 204 da Lei nº 6.404/1976. Para efetuar a distribuição de lucros é necessário que haja lucro ou reserva de lucro suficientes para serem distribuídos. Analisando o LALUR, parte A e B Demonstração do Lucro Real, fls. 354/356, percebese que a impugnante operava com prejuízo em todos os meses do ano de 2012. Em janeiro/2012, registrou um prejuízo de (R$536.287,84), fls. 343 e em 12/2012 o prejuízo acumulado era de Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.346 12 (R$6.101.773,57), conforme LALUR, fls. 354. Este valor também informado em sua DIPJ do exercício 2013, anocalendário 2012, fls. 1.265/1.266, Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, Lucro Líquido do Período de Apuração negativo (R$6.101.773,57). Mesmo que se adicione a receita não operacional de R$737.119,11, incorrida em 19/10/11, a autuada continuará com prejuízo acumulado ao final do ano base de 2012. Se o resultado do anocalendário foi negativo, este prejuízo deveria, obrigatoriamente ter sido absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem, é o que determina o art. 189 da Lei nº 6.404/76. Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. A impugnante somente tinha reserva de lucro de R$285.927,14, valor inferior ao prejuízo acumulado em 31/12/2012 (R$6.101.773,57), data em que o lucro foi distribuído (conforme Razão fls. 1.021). Conforme previsto no art. 189 da Lei nº 6.404/76, o prejuízo do exercício deveria ter sido obrigatoriamente absorvido pela reserva de lucro existente, portanto, não sobraria nenhum valor de reserva de lucro a ser distribuído aos sócios, motivo pelo qual deve ser mantida a infração lançada a título de pagamento sem causa no montante de R$285.927,14. Não há reparos a fazer a esta decisão, pois analisou com desvelo cada um dos argumentos mencionados no recurso. Portanto, adoto seus fundamentos como razões de decidir, nos termos do §1º do art. 50 da Lei 9.784/99. De fato, mesmo que se reconhecesse e adicionasse a receita não operacional reclamada pela recorrente, a empresa continuaria com prejuízos acumulados ao final do ano calendário de 2012. Assim, se não há lucro a ser distribuído aos sócios, quanto ao tópico, também deve ser mantida a infração lançada a título de pagamento sem causa. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 13971.720051/201691 Acórdão n.º 1301003.816 S1C3T1 Fl. 1.347 13 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1347DF CARF MF
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