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Numero do processo: 10925.000659/2005-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO.
A análise do contexto fático exposto no Recurso Voluntário é discrepante àqueles argumentos apresentados em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor (Súmula CARF n° 02). De igual forma, não cabe ao e. CARF a análise de eventual incidência do princípio da insignificância.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise do contexto fático exposto no Recurso Voluntário é discrepante àqueles argumentos apresentados em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor (Súmula CARF n° 02). De igual forma, não cabe ao e. CARF a análise de eventual incidência do princípio da insignificância. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 06 59 /2 00 5- 19 Fl. 207DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 152 à 162) interposto contra o Acórdão n° 0712.212, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (efls. 136 à 141), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação do Contribuinte, mantendo o lançamento creditório; decisão essa assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001 Compensação de Base Negativa de CSLL. Limite de 30%. A partir do ano calendário de 1995, as bases de cálculo negativas de CSLL somente podem ser compensadas com o lucro liquido ajustado até o limite de 30%. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001 Legislação Tributária. Exame da Legalidade/Constitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Lançamento Procedente Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Por meio do Auto de Infração de fls. 02 a 05, exigiuse da contribuinte acima identificada o pagamento da quantia de R$ 10.083,37, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, acrescida de juros de mora e multa de oficio, referente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2000 e 31/12/2001. A origem da autuação é a compensação de bases de cálculo negativas de CSLL em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado, conforme relatado na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do Auto de Infração (fl. 04). As bases legais da exigência estão elencadas à f.05. Na impugnação (fls. 92/108), a autuada questionou a improcedência do Auto de Infração, com alegações de variada ordem, centradas na inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária que limitou a compensação de prejuízos Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10925.000659/200519 Acórdão n.º 1002000.692 S1C0T2 Fl. 208 3 fiscais e/ou bases de cálculo negativas de CSLL em 30% do lucro real, que a impossibilidade de se compensar integralmente as bases negativas de CSLL constitui afronta à vários princípios constitucionais (arts. 145, §1° e 195, I, "c" da CF), por afronta ao conceito de renda (acréscimo patrimonial), alegando, ainda, que a natureza jurídica da vedação à compensação integral caracterizaria na verdade em um empréstimo compulsório, cuja instituição afrontou o disposto no art.148 da CF. Na sequência, a essência do teor meritório do Acórdão de piso se resume em afirmar que o Contribuinte não respeitou o limite de compensação (30% do lucro líquido ajustado); asseverouse, ainda, a impossibilidade de argüir inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação tributária na instância administrativa. Em seu Recurso Voluntário o Recorrente sustenta preliminar de nulidade do Acórdão da DRJ, por malferimento aos princípios do direito tributário; aborda, ainda na preliminar, os seguintes tópicos: a) aduz nulidade por ofensa aos arts. 97 e 100 do CTN, por entender pela modificação de critério jurídico no lançamento; b) irretroatividade da lei tributária (Lei n° 8.981/95) e direito adquirido; c) nulidade derivada da caracterização de empréstimo compulsório, e do conceito constitucional de renda. Já no mérito, busca expor a regularidade das compensações efetuadas. Para representar estreita acurácia, transcrevo aqui os principais trechos da indigitada peça: DAS PRELIMINARES 1. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O lançamento tributário efetuado e o acórdão de primeira instância têm em comum a ofensa da busca da verdade real; da irretroatividade da lei tributária; do princípio da capacidade contributiva e vedação de confisco, e, a dispositivos legais tributários expressos, inquinando de nulidade o lançamento. Com efeito, o procedimento executado pela fiscalização cujo controle de legalidade deveria ter sido exercido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, passou ao largo de princípios basilares e elementares do direito tributário. 1.1 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR OFENSA AOS ARTIGOS 97 E 100 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO. CORREÇÃO ATRAVÉS DE MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Embora o lançamento de ofício tenha sido constituído com base em legislação tributária vigente (art. 58 da Lei n° 8.981/85 e art. 19 da Lei n° 9.249195), deixou de observar legislação tributária complementar, imprescindível para a validade do lançamento. (...) Fl. 209DF CARF MF 4 Ora, o saldo de base negativa de CSLL que não pode ser utilizado em determinado período em virtude da denominada "trava" de 30%, pode ser utilizado em qualquer ano calendário posterior, desde que haja a ocorrência de lucro, ponto de partida para apuração do lucro real e a base de cálculo da Contribuição Social s/Lucro Líquido. A jurisprudência administrativa alberga a hipótese de que nos casos de inobservância da "trava" de 30% na compensação de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL, devem ser observados os efeitos da postergação, entre o período em que houve a compensação indevida e os períodos posteriores, desde que anteriores à data do lançamento de ofício. (...) A única hipótese válida para a legalidade do lançamento seria realizálo como postergação de imposto, fato que caracteriza a mudança de critério jurídico do lançamento, procedimento vedado, em virtude do preconizado pelo art. 146 do Código Tributário Nacional. A mudança de critério jurídico para o lançamento tributário somente é possível em relação ao mesmo contribuinte, para fatos geradores posteriores, não albergando a legislação tributária, a mudança em relação aos fatos geradores que já foram objeto do lançamento já realizado. (...) Diante do exposto, é defeso ao Conselho de Contribuintes alterar o critério jurídico do lançamento, convertendo a exigência do imposto para postergação, devendo ser declarada a insubsistência e nulidade do lançamento de ofício ora recorrido. 1.2 — DA NULIDADE DO LANÇAMENTO — IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. A Constituição da República consagrou o princípio da irretroatividade da lei tributária, conforme art. 150, inciso III que respalda os artigos 104 a 106 do Código Tributário Nacional. A Lei 8.981/95 impôs uma trava de 30% para compensação dos prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL, a partir do ano calendário 1994, sendo que os saldos de prejuízos então existentes não tem mais limite temporal para serem compensados. Os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL da recorrente foram gerados grande parte em períodos anteriores a 1994. Por conseqüência os prejuízos gerados antes de 31/12/1994, não podem ser atingidos pelas disposições da Lei n° 8.981/95, por malferimento do princípio da irretroatividade da lei tributária e o direito adquirido igualmente protegido pela Carta Magna brasileira. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10925.000659/200519 Acórdão n.º 1002000.692 S1C0T2 Fl. 209 5 1.3 — DA NULIDADE POR CARACTERIZAR EXIGÊNCIA DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA. Conforme já exposto na impugnação apresentada, a impossibilidade de compensação integral de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, caracteriza cobrança de empréstimo compulsório, fora das situações previstas para sua instituição, consoante o art. 148 da CF/88. Por outro turno, viola o conceito constitucional de renda e de lucro para efeitos de IRPJ e CSLL. Reportase a recorrente à impugnação em todos os seus termos no que se refere a estes tópicos. DO MÉRITO 2. — DA EXIGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSIDERANDO OS EFEITOS DA POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO/CONTRIBUIÇÃO. Embora notórios os vícios que maculam por completo, a validade do lançamento, levandose em conta a hipótese de que este seja mantido considerando os efeitos da postergação da contribuição nos períodos seguintes, apresenta a recorrente os elementos para sua retificação. Conforme demonstrativo às fls. 04 do processo foram objeto de glosa por inobservância do limite de 30%, as bases de cálculo negativas de CSLL conforme segue: (...) Considerando as disposições do art. 6° do DL 1.598/77 e o Parecer Normativo CST 02/96, constatase que foi gerado lucro nos anos anteriores ao lançamento (17/03/2005), suficiente para absorver integralmente as bases negativas de CSLL que foram objeto de glosa no lançamento. Impõese, portanto retificar o lançamento para o montante equivalente aos juros e multa de mora incorridos entre a data da utilização indevida de base negativa de CSLL (excesso sobre os 30%) e a data em que houve a possibilidade de utilização destas bases negativas pela geração de lucro, conforme segue: (...) Conforme exposto no quadro acima, o crédito tributário mantido deve corresponder apenas aos juros e multa de mora, calculados sobre a CSLL de R$ 721,08 .no período de 30/03/2001 a 30103/2004, para o ano 0110 calendário 2000. Já para o ano calendário 2001 o crédito tributário mantido deve corresponder apenas aos juros e multa de mora calculados sobre a CSLL de R$ 1.779,06, entre o período de 28/03/2002 a Fl. 211DF CARF MF 6 30/03/2004 e sobre a CSLL de R$ 7.583,23, entre o período de 28/03/2002 a 30/04/2005. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo; contudo, conforme será exposto a seguir, não cumpre todos os requisitos intrínsecos de admissibilidade, portanto, dele conheço parcialmente. Passo à análise dos pontos suscitados na peça recursal. De início, em sede preliminar, o Contribuinte sustentou a ocorrência de violações aos princípios do direito tributário; aborda, ainda, os seguintes tópicos: a) aduz nulidade por ofensa aos arts. 97 e 100 do CTN, por entender pela modificação de critério jurídico no lançamento; b) irretroatividade da lei tributária (Lei n° 8.981/95) e direito adquirido; c) nulidade derivada da caracterização de empréstimo compulsório, e do conceito constitucional de renda. Já no mérito, busca expor a regularidade das compensações efetuadas. De todos esses argumentos, apenas o ponto adstrito à existência de Empréstimo Compulsório foi abordado na exordial defensiva. Compulsando os autos, percebo de imediato que os temas abordados no Recurso Voluntário (exceto a questão da constitucionalidade do Empréstimo Compulsório) não foram objeto de análise na DRJ de origem. Tampouco constaram nas razões de Impugnação (efl. 94 à 110) em primeira instância, as quais abordam quase que exclusivamente a intelecção do Contribuinte sobre a inconstitucionalidade dos preceitos normativos utilizados na autuação. Transcrevo os principais trechos da exordial defensiva: II DO MÉRITO II.1 — DA ILEGALIDADE E INCONST1TUCIONALIDADE DA LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DAS BASES NEGATIVAS DA CSSL A 30% DO LUCRO TRIBUTÁVEL II.1.1. DA TRIBUTAÇÃO SOBRE LUCRO FICTO — PATRIMÔNIO —VIOLAÇÃO AO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA —OBSERVÂNCIA DA SUPREMACIA DO TEXTO CONSTITUCIONAL A impossibilidade de compensar integralmente as bases negativas constitui afronta direta os capacidade contributiva (145, § 1° CF) e sobretudo viola a tipicidade da CSSL (195, I, "c"), pois enseja tributação sobre lucro ficto, qual seja, sobre um lucro irreal, não auferido, recaindo a tributação sobre o patrimônio da empresa e distanciandose da base de incidência do tributo constante do texto constitucional. (...) Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10925.000659/200519 Acórdão n.º 1002000.692 S1C0T2 Fl. 210 7 Sobrepensados esses aspectos, convém retornarmos ao ponto inicial do presente tópico, qual seja, a exata expressão "lucro” contida no art. 195, I, c) da Constituição Federal. Cabe assim, perquirir o significado exato de tal autorização impositiva, tendo sempre como balizadoras as considerações acima colocadas acerca da supremacia do texto constitucional e suas implicações na órbita da hermenêutica. Sem se permitir a compensação do prejuízo integral observado no exercício anterior, haverá tributação incidente sobre a recomposição do patrimônio, mas jamais sobre o seu efetivo acréscimo. (...) Por tais razões, revelase inconstitucional e ilegal a limitação 110 da compensação das bases negativas a 30% do lucro liquido, razão pela qual deve ser considerada indevida a glosa de compensação levada a efeito no lançamento atacado. II.1.2 INCONSTITUCIONALIDADE POR CRIAÇÃO DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO FORA DAS SITUAÇÕES PREVISTAS PARA A SUA INSTITUIÇÃO (ART. 148 DA CF188). Além da violação aos princípios constitucionais e legais já anunciados, questionase qual seria a natureza jurídica da vedação à compensação das bases negativas de exercícios anteriores. O valor correspondente ao aumento da contribuição de que se cuida, em razão do impedimento instituído pelas leis 8981/95 e 9249/95, isto é, o de que os lucros de um período base, somente poderão ser reduzidos em 30% a título de compensação com prejuízos de um exercício para outro, na verdade impõe a todos os contribuintes nesta situação a verdadeira antecipação de tributos. Ora, se não se pode compensar a totalidade dos estoques de bases negativas, o que ocorre é que, sob o manto de norma tributária de imposto de renda e contribuição social, se institui empréstimo compulsório. (...) Na espécie, a importância apurada de CSLL, em decorrência da vedação de redução do lucro com estoques de prejuízos de exercícios anteriores advindo pelas Leis 8981/95 e 9065/95, embora rotulada de norma tributária pertinente ao imposto de renda e contribuição social, não passa de instituição de um empréstimo compulsório cuja instituição afrontou o disposto no art. 148 da CF188. (...) Fl. 213DF CARF MF 8 Em decorrência do que foi exposto, tem a Impugnante o direito líquido em compensar 100 % das bases negativas com lucros gerados em exercícios posteriores, conforme foi sua precisa conduta no caso em exame. Notase, pois, que o instrumento recursal não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, o Contribuinte detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer; mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo à preclusão consumativa que se operou quanto às matérias não apresentadas em impugnação e constante no Recurso Voluntário. Portanto, não conheço de parcela do Recurso Voluntário, deixando de apreciar as referidas matérias inovadas, inclusive, para evitar supressão de instância. Logo, só será passível de avaliação da arguição de eventual existência de empréstimo compulsório. Ressalto, pois, que a possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a exordial defensiva, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10925.000659/200519 Acórdão n.º 1002000.692 S1C0T2 Fl. 211 9 tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). 2. Da suposta ilegalidade do tributo e existência de Empréstimo Compulsório Quanto ao pedido da Recorrente tocante à suposta ilegalidade do tributo e sua equiparação à Empréstimo Compulsório, destaco que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade, ainda que reflexo. Logo, não há que se arguir nessa instância os eventuais predicados decorrentes da multa aplicada. Existe, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.908332/2011-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 83 32 /2 01 1- 64 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10735.908332/201164 Acórdão n.º 1003000.640 S1C0T3 Fl. 149 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 05455.31677.280508.1.3.041244, em 28.05.2008, efls. 1626, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior efetuado pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, do mês de outubro do anocalendário de 2004 no valor de R$2.199,09 contido no DARF de R$6.891,02 arrecadado em 10.11.2004, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 33, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 7.123,57 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1956 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPO/SP nº 1659.511, de 17.07.2014, efls. 3845: DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 30.09.2014, efl. 50, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.10.2014, efls. 61110, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: A motivação dessa compensação devea exclusão por OFÍCIO da empresa pelo Simples Nacional movido por uma a Ação Fiscal onde foi lavrados Autos de Infração pela DEFIS/RJO, PROCESSO nº 18471.001472/200783 Exclusão do Simples Nacional Portaria SRF 6129/2005 (anexo II), onde a fiscalização retroagiu a opção do Simples Nacional dos anoscalendário de 2004 até 30/06/2007 e notificou a empresa apresentar as Declarações de Imposto de Renda pelo Lucro Presumido ou Real e as DCTF's, mas a empresa somente conseguiu transmitir as DCTF's e não transmitir as Declarações de Imposto de Renda (DIPJ's), pois havia declarações de Simples Nacional processadas. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10735.908332/201164 Acórdão n.º 1003000.640 S1C0T3 Fl. 150 3 Devido a essa ao Auto de Infração de exclusão, a empresa apresentou defesa através do Processo nº 18471.001400/200736 e que, tem despacho decisório do Acórdão 1228.52 da permanência no Simples Nacional, conforme decisão (Anexo III). No que concerne ao pedido conclui que: Já que a empresa não conseguiu transmitir as declarações de DIPJ's e não consegue compensar os débitos declarados em DCTF's, então, que a DCTF transmitida nesse período seja cancelada e conseqüentemente o débito em questão (anexo IV). À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida o presente Recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente diz que "não conseguiu transmitir as declarações de DIPJ's e não consegue compensar os débitos declarados em DCTF's, então, que a DCTF transmitida nesse período seja cancelada e conseqüentemente o débito em questão". O Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03 de setembro de 2014, prevê: Conclusão 81. Em face do exposto, concluise que: a) a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; b) a retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10735.908332/201164 Acórdão n.º 1003000.640 S1C0T3 Fl. 151 4 c) a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; d) compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as revisões relativas à tributação previdenciária; e) o despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada; f) a revisão de ofício nas hipóteses aqui tratadas não se insere nas reclamações e recursos de que trata o art. 151, III, do CTN, regulados pelo Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco a ela se aplica a possibilidade de qualquer recurso, uma vez que, ainda que possa ser originada de uma provocação do contribuinte, é procedimento unilateral da Administração, e não um processo para solução de litígios; g) todavia, para os casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório que tenha implicado prejuízo ao contribuinte, em atenção ao devido processo legal, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, enquadrandose o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. Por conseguinte, a revisão de ofício cabe a autoridade administrativa, nos termos do caput do art. 149 do Código Tributário Nacional, do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10735.908332/201164 Acórdão n.º 1003000.640 S1C0T3 Fl. 152 5 Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10735.908332/201164 Acórdão n.º 1003000.640 S1C0T3 Fl. 153 6 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a alocação para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação. Verificase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observese que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPO/SP nº 1659.511, de 17.07.2014, efls. 3845, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débito para o IRPJ (código 236201 (PJ em geral obrigada ao Lucro Real/Estimativa Mensal; Período de Apuração: Outubro/2005 (R$ 2.199,09); data de vencimento: 30/11/2005) e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do pretendido crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fl. 33). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10735.908332/201164 Acórdão n.º 1003000.640 S1C0T3 Fl. 154 7 6.1. O referido DD aponta como causa da não homologação o fato de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Por oportuno, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. 8. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório, que não homologou a compensação, alegando que foi excluída do Simples Federal, sendo pertinente o aproveitamento dos débitos devidos pela tributação do Lucro Presumido. 8.1. Efetuada pesquisa no sistema Sief/Fiscel da RFB constatouse que o DARF indicado no DD (nº 4747738188 – R$ 6.891,02) foi devidamente processado, tendo seu valor totalmente alocado ao débito do Simples Federal referente ao Período de Apuração outubro/2004 (R$ 6.891,02), não restando crédito a ser aproveitado no PERD/COMP [...] 8.2. Assim, encontrase correto o Despacho Decisório, ao consignar que o crédito reivindicado pela contribuinte no DARF, no valor de R$ 6.891,02 (período de apuração – 31/10/2004; data de arrecadação – 10/11/2004; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte – Simples)), foi integralmente utilizado (R$ 6.891,02) para pagamento do débito do Simples Federal relativo ao Período de Apuração encerrado em 31/10/2004. 8.3. No contraditório apresentado a recorrente alega que foi excluída do Simples Federal, sendo pertinente o aproveitamento dos débitos devidos pela tributação do Lucro Presumido. 8.4. Em pesquisa efetuada no sistema CNPJ constatouse que a defendente foi incluída no Simples Federal com efeitos a partir da data de início do regime (01/01/1997), sendo excluída apenas em 30/06/2007, quando ocorreu o encerramento desta sistemática de tributação. Referido sistema também informa que a empresa entregou sua Declaração Simplificada para o anocalendário 2004, inexistindo recepção de Declaração em outro regime de tributação para o mencionado anocalendário [...] 8.6. Ademais, conforme o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato da Administração finda no mesmo prazo para a apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. 9. Além disso, cabe asseverar que a Autoridade Julgadora vêse livre quanto ao convencimento quando da apreciação das provas trazidas aos autos, consoante previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10735.908332/201164 Acórdão n.º 1003000.640 S1C0T3 Fl. 155 8 9.1. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no Despacho Decisório, com documentação hábil, idônea e suficiente, afigurase correto o não reconhecimento do direito creditório pleiteado e, consequentemente, a não homologação da compensação requerida. Conforme os registros internos da RFB copiados fielmente no voto condutor da decisão de primeira instância, o suposto direito creditório pleiteado foi integralmente utilizados para quitação de débitos, que se encontram extintos. O processo nº 18471.001472/200783 de exclusão do Simples encontrase no Arquivo Geral da SAMF/RJ desde 24.06.2009 e o processo nº 18471.001400/200736 de Auto de Infração do Simples encontrase no Arquivo Digital Órgãos Centrais RFB/MF desde 09.09.2015, efls. 137147, de modo que as respectivas decisões são definitivas. Ainda restou comprovada a inclusão da Recorrente na sistemática do Simples (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996) no período 01.01.1997 a 30.06.2007, bem como pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada no anocalendário de 2004. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000400/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS.
Nega-se provimento ao Recurso Especial que, por lapso, não se contrapõe ao julgamento levado a cabo pelo Colegiado a quo mas sim a situação estranha aos autos, em que a inidoneidade dos recibos fora comprovada pela Fiscalização.
Numero da decisão: 9202-007.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. Negase provimento ao Recurso Especial que, por lapso, não se contrapõe ao julgamento levado a cabo pelo Colegiado a quo mas sim a situação estranha aos autos, em que a inidoneidade dos recibos fora comprovada pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 00 04 00 /2 00 8- 11 Fl. 143DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2007, anocalendário de 2006, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas. Em sessão plenária de 18/04/2018, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2001000.388 (efls. 100 a 115), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento." O processo foi encaminhado à PGFN em 14/06/2018 (Despacho de Encaminhamento de efls. 116) e, em 15/06/2018, foi interposto o Recurso Especial de efls. 117 a 125 (Despacho de Encaminhamento de efls. 126), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir o critério de comprovação de despesas médicas. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 29/06/2018 (efls. 129 a 132). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: não há como considerar como comprovadas, para fins de dedução, as despesas médicas glosadas pela auditoria fiscal, dadas as particularidades do caso concreto examinado; Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16370.000400/200811 Acórdão n.º 9202007.802 CSRFT2 Fl. 141 3 não obstante, a princípio, admitamse recibos para fins de deduções, é possível a exigência, pelo Fisco, de documentos adicionais para a comprovação da efetividade do tratamento e do real desembolso pelo contribuinte (ônus a cargo deste), sem os quais o recibo não é bastante para justificar o abatimento; tal linha de raciocínio encontrase colmatada pela jurisprudência administrativa, assente na necessidade de demonstração da efetiva prestação dos serviços médicos e do real dispêndio do contribuinte, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda; observese que a glosa objeto da controvérsia foi devidamente justificada pelo fiscal autuante, que desconsiderou os recibos apresentados por haver fortes indícios no sentido de sua inidoneidade; tratase de situação diferenciada em que a autoridade fiscal trouxe aos autos razões para a exigência de comprovação do efetivo pagamento e não obstante a intimação específica e fundamentada para tanto, o Contribuinte deixou de apresentar a prova necessária; em análise da questão, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE concluiu no seguinte da inidoneidade dos recibos; não obstante os indícios constantes dos autos, o julgado recorrido entendeu que a mera apresentação de recibos é suficiente para afastar a glosa das despesas, desacompanhada de qualquer prova documental idônea do efetivo desembolso. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida e restabelecendose o lançamento. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 135/136). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a glosa de despesas médicas, referente ao anocalendário de 2006, no total de R$ 32.321,00, a saber: Suzana Myszkowski R. Gameiro (R$ 756,00); Giovanna Machado Rizzo (R$ 10.200,00); Fernanda Vieira Veronez (R$ 8.965,00); Fl. 145DF CARF MF 4 Ariana Giacomini da Fonseca (R$ 3.500,00); Nely Sanae Nakamura (R$ 3.000,00); Jorge Nakamura (R$ 3.000,00); e Renata Mayumi Tan (R$ 2.900,00). No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose a dedução das despesas médicas, ao argumento de que os recibos seriam suficientes, uma vez que teriam faltado indícios que os desabonassem. A motivação para a glosa, constante da Notificação de Lançamento, foi a seguinte (fls. 13): "Glosa do valor de R$ ********33.489,02, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Recibos de Nely S. Nakamura, Giovanna M.Rizzo, Fernanda V.Veronez, Ariana G.Fonseca, Jorge Nakamura, Renata M. Tan e Suzana M.Gameiro (total: R$32.321,00) desconsiderados por não apresentar qualquer documento para comprovação do pagamento das despesas." Como se pode constatar, não consta da autuação que os recibos apresentados pelo Contribuinte tenham sido considerados inidôneos. Entretanto, as razões de recurso esposadas pela Fazenda Nacional levam à conclusão de que tratarseia de caso diferenciado, em que a Fiscalização teria colacionado provas da inidoneidade dos recibos. A leitura dos trechos que a Fazenda Nacional atribui à autuação e à decisão de Primeira Instância (que ela diz ser a DRJ em Recife/PE, porém tratase da DRJ em Curitiba/PR) mostram que houve equívoco de sua parte, trazendo caso estranho aos presentes autos. Confirase os citados trechos, com a omissão dos nomes do contribuinte e profissional citados, por não dizerem respeito ao presente processo: "Observese que a glosa objeto da controvérsia foi devidamente justificada pelo fiscal autuante que desconsiderou os recibos apresentados por haver fortes indícios no sentido de inidoneidade destes. Eis Eis a fundamentação do lançamento acerca do ponto: '(2) XXXXXX: R$ 8.500,00 – Tendo em vista que consta no sistema dossiê da SRF apenas recibo emitido por esta profissional para o próprio Contribuinte no ano e o fato de que o valor envolvido ser elevado, solicitamos que o Contribuinte provasse o pagamento como condição única para aceitação desta despesa, mas, no caso, o mesmo apresentou apenas os simples recibos e uma declaração da profissional neste sentido, já que não foi apresentado nenhuma prova do efetivo pagamento, seja em cheque ou extrato de conta corrente bancária comprovando saques para pagamento em dinheiro (uma média de R$ 700,00 por mês), desconsideramos esta despesa com base nos argumentos acima de que a mesma só emitiu recibos para ele neste ano.' Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16370.000400/200811 Acórdão n.º 9202007.802 CSRFT2 Fl. 142 5 Ora, tratase de situação diferenciada em que a autoridade fiscal trouxe aos autos razões para a exigência de comprovação do efetivo pagamento. Todavia, não obstante a intimação específica e fundamentada para tanto, o contribuinte deixou de apresentar a prova necessária. Em análise da questão, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE concluiu no seguinte sentido: '10. Reltivamente as despesas médicas em nome da Sra. YYYYYY, no valor total de R$ 8.500,00, o contribuinte anexou cópias dos recibos de fls. 56 a 68 e declaração de fl. 68. 11. Estes recibos não especificam em que teriam sido realizadas as sessões psicoterápicas, em prejuízo do disposto no art. 8°, §2°, II, da Lei n° 9.250/95, e art. 80, §1°, II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000/1999). 12. A declaração de fl. 68, datada de 17/06/2005, e emitida em TeresinaPI, também de emissão da Sra. XXXXXX, não contém endereço da profissional, mas, por seu turno, informa que foi o próprio contribuinte que submeteu as sessões de tratamento psicológico, e esclarece que não pode fornecer as fichas de acompanhamento das sessões psicológicas a que o contribuinte, que tem domicilio em MaceióAL, foi submetido, por se tratar de material não mais existente, pois seu acompanhamento foi encerrado em dezembro/2003 e de acordo com o 'art. 60 & 3' do Código de Ética Profissional dos Psicólogos em caso de extinção do serviço psicológico, os arquivos serão incinerados pelo profissional responsável e isso foi o que fez. 13. A Sra. XXXXXX declarou rendimentos de pessoa física no anocalendário de 2002 apenas no valor de R$ 8.500,00, conforme informação da sua declaração entregue a Receita Federal no dia 28/04/2003, fls. 17 e 18, valor que coincide com o declarado pelo contribuinte como pago a mesma, em 29/04/2003, conforme fls. 73 a 76. 0 contribuinte, na sua impugnação, demonstrou conhecer da declaração da XXXXXX, ao assegurar que esta ofereceu tais rendimentos de R$ 8.500,00 a tributação. 14. É estranho que o contribuinte tenha conhecimento da declaração da Sra. XXXXXX, inclusive, já constando cópia da DIRPF 2003/2002 da mesma entre os documentos que acompanham a impugnação, e que no ano de 2002 a Sra. XXXXXX somente declarou como rendimentos de pessoa física os mesmos R$ 8.500,00, do que decorre que a Sra. XXXXXX teria prestado serviços de psicologia apenas ao contribuinte em todo o ano de 2002, ou seja, embora o tratamento não seja barato, o que requer uma qualidade de tratamento e de profissional de nível compatível, é de se estranhar que a referida profissional somente tenha prestado serviços ao contribuinte e não tenha tido outro cliente. 15. De toda sorte, o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento como condição única para aceitação das despesas, conforme descrito à fl. 84, ou seja, foi intimado a Fl. 147DF CARF MF 6 comprovar a efetiva transferência dos numerários constantes dos recibos, não tendo realizado tal comprovação, o que poderia ser feito através de extratos bancários que demonstrassem operações de compensação de cheques ou saques nos mesmos valores e datas próximas aos que constam dos recibos e declarações. 16. Por todos estes aspectos, os recibos se mostram frágeis e mesmo insuficientes A comprovação das despesas e ao convencimento do julgador, tendo em vista o disposto no art. 29 do Decreto 70.235/72.' Reiterese que, não obstante os indícios constantes dos autos, o julgado ora recorrido entendeu que a mera apresentação de recibos é suficiente para afastar a glosa das despesas, desacompanhada de qualquer prova documental idônea do efetivo desembolso." (grifei) Nessas condições, não há como sequer analisar as razões de recurso, tendo em vista que estas não foram focadas no caso em julgamento mas sim em situação estranha aos autos. Partindo de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tratarseia de caso diferenciado, em que a autuação teria fundamentado a inidoneidade dos recibos, a Fazenda Nacional deixou de se contrapor às razões esposadas no acórdão recorrido, que trataram de situação diversa daquela retratada no Recurso Especial. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901619/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.840
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901619/201374 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.840 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente TIM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 19 /2 01 3- 74 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16682.901619/201374 Acórdão n.º 3302006.840 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.986. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16682.901619/201374 Acórdão n.º 3302006.840 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16682.901619/201374 Acórdão n.º 3302006.840 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16682.901619/201374 Acórdão n.º 3302006.840 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16682.901619/201374 Acórdão n.º 3302006.840 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 348DF CARF MF
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Numero do processo: 13639.720353/2017-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 72 03 53 /2 01 7- 21 Fl. 54DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 23 a 27), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação por suposta omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 22 dos autos, que conforme decisão da DRJ, o contribuinte alega que: Foi efetuada notificação de lançamento de fls. 18/22, em decorrência de apuração da infração de omissão de rendimentos tributáveis no exercício de 2013, anocalendário 2012. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 22/11/2017 (fl. 36) e, em 29/11/2017, apresentou a impugnação de fl. 06, alegando em síntese que o rendimento lançado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria recebido por portador de moléstia grave. A impugnação foi apreciada na 91ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, em 14/05/2018, no acórdão 1298.277, às efls. 39 a 41, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 18/06/2018, apresentou recurso voluntário, às efls. 44 a 50, no qual alega, em resumo, que é aposentado e portador de moléstia grave, motivo pelo qual seus rendimentos são isentos de IRPF. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 07/06/2018, efls. 43 , e interpôs o presente Recurso Voluntário em 18/06/2018, efls. 44, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: No presente processo, o impugnante apresentou, à fl. 12, declaração do Órgão Pagador que atesta que o ato de aposentadoria foi publicado em setembro de 2013. Todavia, o Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13639.720353/201721 Acórdão n.º 2002001.022 S2C0T2 Fl. 55 3 presente lançamento reportase ao anocalendário de 2012. Assim, concluise que o rendimento que o contribuinte reputou isento não possui natureza de provento de aposentadoria, reforma ou pensão, mas sim de trabalho assalariado. Assim, a decisão não questionou o laudo apresentado pelo contribuinte, apenas o ano de sua aposentadoria. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, Fl. 56DF CARF MF 4 cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13639.720353/201721 Acórdão n.º 2002001.022 S2C0T2 Fl. 56 5 Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Às efls. 46, há documento juntado pelo contribuinte, porém ilegível. Assim, há que se considerar o documento de efls. 12, vez que emitido pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, constatando que o contribuinte aposentouse em 04/11/2013. Como o ano calendário é 2012, o contribuinte não faz jus a isenção de seus rendimentos. Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.008387/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP.
O pagamento em valor maior que o devido, efetuado por meio de DARF, poderá ser requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação - PER/DCOMP.
Numero da decisão: 2401-006.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente JOSÉ MILTON FRIZEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. O pagamento em valor maior que o devido, efetuado por meio de DARF, poderá ser requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 83 87 /2 01 0- 29 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15504.008387/201029 Acórdão n.º 2401006.245 S2C4T1 Fl. 104 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição, fls. 3/6, de imposto de renda pessoa física IRPF, anocalendário 1998, com retificadora apresentada em 6/12/04, em razão de tratarse de contribuinte acometido de doença prevista em lei, com isenção de IR sobre a pensão por morte deixada por seu pai falecido em 1989. Conforme Informação Fiscal de fls. 32 e seguintes, foi apresentada DIRPF original apurando saldo de imposto a restituir, no valor de R$ 1.424,87 (fl. 28), já restituído. Posteriormente, em 6/12/04, a DIRPF em questão foi retificada (fl. 30), informando devidamente como isentos os rendimentos recebidos a título de pensão durante o ano calendário 1998. Embora não informe na DIRPF retificadora o valor do IRRF, a retenção foi de R$ 2.998,35 (fl. 31). Ocorre que de acordo com a Solução de Consulta Interna Cosit nº 11, de 14 de julho de 2006, com base nos artigos 147, 168, inciso I, 150, §§ 1° e 4° e artigo 173 todos da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), o prazo para retificação de declaração de imposto de renda pessoa física do exercício 1999 extinguiu em 31/12/2003. Em impugnação apresentada à fl. 2, o contribuinte afirma que declarou por erro como imposto complementar na declaração retificadora o imposto calculado e pago na declaração original. Na declaração retificadora excluíra os proventos de aposentadoria pagos pelo INSS. Seriam rendimentos isentos por ser portador de moléstia incluída na respectiva lei. Apresenta laudo pericial para comprovar esta condição (fl. 10). Nos termos da Instrução Normativa RFB n° 1061/2010, o lançamento foi submetido à revisão da autoridade lançadora (fls. 62/63), que o manteve integralmente Despacho Decisório de fl. 64. A restituição de imposto pago indevidamente não poderia ser pleiteada como imposto complementar na declaração de ajuste anual. Deveria ser objeto de PER/DCOMP. O contribuinte apresentou impugnação, fl. 71, na qual diz comprovar seu direito à isenção com laudo pericial oficial, que pagou imposto maior que o devido e que não poderia mais pedir a restituição por PER/DCOMP pois já transcorrera o prazo de cinco anos. A DRJ/SDR, julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 15 40.575 de fls. 83/84, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IMPOSTO NORMAL. IMPOSTO COMPLEMENTAR. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. Não pode ser compensado como imposto complementar o imposto pago na declaração de ajuste anual retificada. Impugnação Improcedente Fl. 104DF CARF MF Processo nº 15504.008387/201029 Acórdão n.º 2401006.245 S2C4T1 Fl. 105 3 Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 8/7/16 (Aviso de Recebimento AR de fl. 91), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/8/16, fl. 95, que contém, em síntese: Diz que pagou imposto complementar, mas que retificou as declarações para receber restituição, pois possui laudo pericial que o isenta do imposto de renda, por ser portador de moléstia grave. Aduz que não é justo pagar ainda mais imposto por ter perdido o prazo de restituição através de PER/DCOMP. Requer seja cancelado o débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO O contribuinte pagou o imposto devido, apurado na Declaração de Ajuste Anual DAA original (fls. 20/25), em oito parcelas, no valor originário total de R$ 8.762,17. Apresentou a primeira declaração retificadora (fls. 34/38), excluindo os rendimentos de aposentadoria recebidos do INSS dos rendimentos tributáveis (incluindoos nos isentos), apurando o imposto devido de R$ 3.148,43. Apresentou nova declaração retificadora (fls. 43/48), excluindo os rendimentos de aposentadoria dos rendimentos tributáveis (incluindoos nos isentos) e declarando o imposto pago de R$ 8.762,17 como imposto complementar, objetivando a restituição do imposto de renda pago a maior no valor de R$ 5.613,74 (R$ 8.762,17 R$ 3.148,43). Ocorre que, conforme já esclarecido ao sujeito passivo, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, vigente à época dos fatos, dispõe que o pedido de restituição deverá ser efetuado mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP): Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15504.008387/201029 Acórdão n.º 2401006.245 S2C4T1 Fl. 106 4 [...] Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Portanto, correto o procedimento fiscal que efetuou a glosa do imposto complementar declarado e apurou o imposto devido, conforme Demonstrativo de Apuração de fl. 7, excluindo dos rendimentos tributáveis o valor de aposentadoria recebido do INSS, pois, de fato, segundo o laudo pericial emitido pelo INSS de fl. 10, o contribuinte é portador de moléstia grave desde julho de 2005, sendo os rendimentos recebidos do INSS no ano calendário de 2008 isentos de imposto de renda. Apurouse, assim, o imposto suplementar devido de R$ 3.148,43. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900950/2009-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA DE IRPJ. AUSÊNCIA DE PROVA DE VALOR DEVIDO INFERIOR AO VALOR PAGO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não havendo prova de que o débito de estimativa era inferior ao pagamento efetuado, não há como aceitar o pagamento como indevido.
Numero da decisão: 1001-001.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA DE IRPJ. AUSÊNCIA DE PROVA DE VALOR DEVIDO INFERIOR AO VALOR PAGO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não havendo prova de que o débito de estimativa era inferior ao pagamento efetuado, não há como aceitar o pagamento como indevido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA DE IRPJ. AUSÊNCIA DE PROVA DE VALOR DEVIDO INFERIOR AO VALOR PAGO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não havendo prova de que o débito de estimativa era inferior ao pagamento efetuado, não há como aceitar o pagamento como indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 09 50 /2 00 9- 70 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13227.900950/200970 Acórdão n.º 1001001.226 S1C0T1 Fl. 77 2 O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 20/12/2005 através do PER/DCOMP nº 28602.12472.201205.1.3.041402. Tem por objeto pagamento indevido de estimativa de IRPJ efetuado pela empresa em 31/07/2003, no valor de R$ 36,93. O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ji Paraná – RO, com fundamento no Despacho Decisório eletrônico de nº 835774878, de 25/05/2009 (fl. 07). O Despacho Decisório informou que havia sido localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP, no valor original de R$ 36,93. mas este encontravase integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Que, diante da inexistência do crédito, não homologava a compensação declarada. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 9 e 10, alegando que o crédito indicado referese a pagamento da estimativa mensal do período de apuração de 06/2003. Que os recolhimentos mensais foram superiores ao imposto apurado no encerramento do anocalendário. Que nas DCTF foram informados como devidos os valores pagos mensalmente por estimativa, superiores aos devidos. Que, por isso, em abril de 2009 retificou as DCTF, excluindo o débito de estimativa de IRPJ de 06/2003, o que julgava solucionar o problema. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, no Acórdão às fls. 37 a 40 do presente processo (Acórdão 0120.472, de 25/01/2011), negou provimento à manifestação da empresa. Sobre a alegação do contribuinte de ter retificado a DCTF antes do despacho decisório, argumentou que tal retificação é condição necessária mas não suficiente para o reconhecimento do direito creditório. Que o contribuinte possui o ônus da prova da existência do direito, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal, e respectiva documentação de suporte. Argumentou ainda que, por força do art. 30 da lei nº 9.430/1996, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer do ano calendário, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Que somente ao final do ano, caso apurasse saldo negativo, o contribuinte poderia alegar direito de crédito, nos termos do art. 6º, § 1º, da citada lei nº 9.430/1996. Concluiu que sendo o recolhimento da estimativa mensal exatamente no valor calculado segundo os critérios determinados pela lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a princípio, como indevido ou a maior, mesmo que haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Que apenas o saldo negativo anual seria passível de repetição. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/03/2011 (Aviso de Recebimento à fl. 43), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/04/2011 (fls. 44 a 48), e anexou a seguinte documentação comprobatória, referente ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2003: DARF do crédito pleiteado (fl. 61); folha do Livro Razão, acompanhada dos termos de abertura e encerramento do livro (fls. 62 a 64); folha do Livro Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13227.900950/200970 Acórdão n.º 1001001.226 S1C0T1 Fl. 78 3 Diário, acompanhada dos termos de abertura e encerramento (fls. 65 a 67), Demonstração do Resultado do Exercício (fl. 68); Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (fls. 69). O recurso, além do já havia alegado na Manifestação de Inconformidade, alega que: (i) conforme planilha no corpo do recurso, ao fim do anocalendário de 2003 havia pagado, a título de estimativas de IR, o valor total de R$ 461,02, tendo apurado valor a pagar de apenas R$ 8,75, o que resultava num saldo negativo de R$ 452,27; (ii) apesar disso, no processo pleiteia apenas o crédito referente ao DARF recolhido em 31/07/2003, relativo à estimativa do mês de 06/2003, no valor de R$ 36,93; (iii) anexou cópias dos registros contábeis do tributo a recuperar. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 2º (em parte abaixo transcrito, na redação vigente à época), disciplina o cálculo da estimativa mensal do IRPJ: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13227.900950/200970 Acórdão n.º 1001001.226 S1C0T1 Fl. 79 4 § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Assim, as estimativas apuradas e pagas conforme a lei devem ser deduzidas do imposto devido apurado em 31/12 do anocalendário, resultando em imposto a pagar ou saldo negativo. Pelos elementos constantes no processo, parece ser o que aconteceu no presente caso. No mês de junho foi apurada estimativa no valor de R$ 36,93, paga no vencimento. Segundo informação do contribuinte em seu recurso voluntário, da apuração anual resultou um saldo negativo de R$ 452,27, que não é o crédito objeto da DCOMP aqui analisada, e sobre sua utilização não há qualquer informação no processo. Haveria o excesso de pagamento alegado caso o valor da estimativa apurada, na forma da lei, fosse inferior ao do pagamento efetuado. Não sabemos se é o caso. O contribuinte não apresentou o cálculo da estimativa do mês de junho, muito menos elementos que o comprovassem. O que vemos nos documentos contábeis acostados aos autos é, no Livro Razão (fl. 63), na conta IRPJ a Recuperar, o valor de R$ 36,93 provisionado como estimativa do mês de junho. O saldo final dessa conta, de R$ 1.287,48, coincide com o do Balanço Patrimonial do Livro Diário (IRPJ a Recuperar, fl. 66). Então, só o que se sabe é que o contribuinte provisionou a estimativa do mês de junho, declarou em DCTF e quitou o débito. Posteriormente, retificou a DCTF, excluindo a estimativa de IRPJ. Ora, a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172/1966). Compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, sua efetiva comprovação. No caso concreto, o DARF pago foi alocado ao débito. Não há cálculo da estimativa apurada, nem prova de que seja inferior ao valor pago. Assim, não há disponibilidade do pagamento. Conclusão Concluise que, uma vez que não há prova de que o débito da estimativa era inferior ao pagamento efetuado, não há como aceitar o pagamento como indevido. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13227.900950/200970 Acórdão n.º 1001001.226 S1C0T1 Fl. 80 5 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.906501/2014-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. RETENÇÕES NÃO INFORMADAS EM DIRF. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA.
Na compensação, a lei exige, para comprovação do imposto retido na fonte, a confirmação da fonte pagadora.
Numero da decisão: 1001-001.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. RETENÇÕES NÃO INFORMADAS EM DIRF. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. Na compensação, a lei exige, para comprovação do imposto retido na fonte, a confirmação da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 65 01 /2 01 4- 77 Fl. 792DF CARF MF Processo nº 11065.906501/201477 Acórdão n.º 1001001.139 S1C0T1 Fl. 793 2 Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 25/07/2013 através da PER/DCOMP nº 14206.55872.250713.1.3.028018. Tem por objeto o Saldo Negativo de IRPJ apurado pela empresa no anocalendário de 2012, no valor de R$ 28.572,94. O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo – RS, com fundamento no Despacho Decisório, eletrônico, de nº 093343425, de 08/10/2014 (fls. 697 a 706). O Despacho Decisório informou que, analisadas as informações prestadas nos PER/DCOMP, dos R$ 58.027,86 informados como retenção na fonte, apenas R$ 48.551,22 haviam sido confirmados pelos sistemas da Receita Federal. Que o valor original do saldo negativo informado na PER/DCOMP, confirmado na DIPJ, era de R$ 28.572,94. Que, considerandose apenas os valores de retenções na fonte confirmados, o saldo negativo disponível era de R$ 19.096,30. Que, diante do exposto, homologava parcialmente a compensação declarada. As retenções de imposto não confirmadas, no valor total de R$ 9.476,64 (R$ 58.027,86 R$ 48.551,22), são detalhadas no quadro constante às fls. 700 a 704, denominado Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 9, alegando anexar cópia de todas as notas fiscais cuja retenção na fonte não foi confirmada pelo Despacho Decisório (Doc A, às fls. 20 a 691). Ainda, anexou planilha de conciliação das informações (Doc. B, às fls. 692 a 695). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 753 a 763 do presente processo (Acórdão 1680.718, de 21/11/2017), deu provimento parcial à manifestação da empresa, reconhecendo o direito creditório de R$ 1.159,61. Argumentou que, conforme art. 55 da Lei nº 7.450, de 23/12/1985, o comprovante emitido pela fonte pagadora é documento necessário para a utilização do crédito. Que, além disso, é necessário que o interessado tenha ofertado à tributação os rendimentos percebidos das fontes pagadoras. Que as notas fiscais juntadas pelo contribuinte não são documentos imparciais, uma vez que não têm o aceite de recebimento, da mercadoria ou do serviço, lançado pelo terceiro em seu canhoto. Que nas notas fiscais eletrônicas juntadas, apontamse retenções de tributo, mas sem especificação de sua natureza. Ainda assim, consultando os sistemas informatizados da Receita Federal, o julgador de primeira instância detectou retenções na fonte, feitas a nome do contribuinte ou de suas filiais, que não haviam sido consideradas no Despacho Decisório. Confirmou a retenção de R$ 49.710,83, enquanto o Despacho Decisório havia considerado apenas R$ 48.551,22. Além disso, em consulta à DIPJ, comprovou que o contribuinte havia oferecido à tributação valores que comportavam todos os rendimentos informados como objeto desse valor de retenção na fonte. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 11065.906501/201477 Acórdão n.º 1001001.139 S1C0T1 Fl. 794 3 Concluiu que como a DRF de origem já havia reconhecido o montante de R$ 48.551,22 a título de fonte, a decisão lhe acresceria o importe de R$ 1.159,61 (49.710,83 48.551,22). Como não estavam em discussão as estimativas devidas que também compunham o saldo negativo, o acréscimo no IRRF era o exato valor acrescido ao saldo negativo. Assim, considerou parcialmente procedente o pedido do contribuinte, para lhe acrescer o direito creditório de R$ 1.159,61. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/03/2018 , o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10/04/2018 (fls. 773 a 779), novamente anexado às fls. 782 a 788. Nele alega: (i) que o argumento da DRJ de que somente o comprovante de retenção, emitido pela fonte pagadora, pode provar que houve a retenção do IR na fonte é contrário ao princípio da legalidade tributária, sendo possível a produção da prova por outros meios, quando a fonte pagadora não cumpre sua obrigação acessória; (ii) que, juntamente com a manifestação de inconformidade, anexou documentação idônea e hábil à comprovação do IRRF, qual seja: todas as notas fiscais correspondentes, e relatório de conciliação com o respectivo IRRF. Ainda, cita jurisprudência do CARF, toda na mesma direção do Acórdão 9101003.437, da CSRF, Sessão de 07/02/2018, do qual transcreve alguns trechos, que decidiu que “o sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega”. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Quanto ao mérito, a empresa argumenta que, na ausência de DIRF e comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, é possível a prova da retenção na fonte por outros meios. Transcrevo, abaixo, ementa do acórdão citado pela recorrente (Acórdão 9101003.437, da CSRF, de 07/02/2018) que defende a ideia contida em toda a jurisprudência mencionada no recurso: Fl. 794DF CARF MF Processo nº 11065.906501/201477 Acórdão n.º 1001001.139 S1C0T1 Fl. 795 4 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE (IRRF). COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. É perfeito, em sua argumentação e conclusões, o acórdão citado. Ele nos leva, contudo, a uma difícil questão, ali não enfrentada por não ser o tema em debate. A questão é: descartada a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) da fonte pagadora, que homologaria automaticamente a compensação pretendida, e descartado o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, que documentos comprovam efetivamente a retenção sofrida? Para responder à pergunta, é prudente observar o que decidiu o legislador. O art. 55 da Lei 7.450/85, abaixo transcrito, era a base legal do §2º do art. 943 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), e permanece sendo a base legal do art. 988 do Decreto nº 9.580/2018 (RIR/2018): Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A confirmação do art.55 no RIR/2018 demonstra que o legislador permanece elegendo o comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora dos rendimentos, como documento destinado a comprovar a retenção, necessário à compensação. Ainda que se questione a obrigatoriedade do documento formal, a ideia contida na lei é de que, para a compensação, é necessária a informação prestada pelo terceiro que efetuou a retenção. Embora não caiba a esse colegiado emitir juízo de valor sobre a decisão do legislador, que parece considerar haver maior segurança no cruzamento de informações entre contribuintes diferentes, penso que agiu com sabedoria o legislativo, nessa questão, ao dar a diretriz do que se deve exigir como comprovação, porque a indefinição sobre a prova necessária ao pleito da compensação traria insegurança jurídica prejudicial à Fazenda Pública e à sociedade. Por isso, embora a contabilidade faça prova a favor do contribuinte, contraria a lei a ideia de que o sujeito passivo possa pleitear compensação comprovando a retenção na fonte apenas com documentos emitidos por ele próprio, ainda que sejam documentos contábeis e fiscais. Há que haver a confirmação da outra parte, que efetuou o pagamento e a retenção na fonte. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 11065.906501/201477 Acórdão n.º 1001001.139 S1C0T1 Fl. 796 5 No caso concreto, a recorrente juntou aos autos, como provas, os documentos às fls. 20 a 691, que, segundo seu recurso voluntário, consistem em cópias da totalidade notas fiscais, de emissão da recorrente no anocalendário de 2012, cuja retenção de IR na fonte não foi confirmada pelo Despacho Decisório Às fls. 692 a 695, juntou planilha de conciliação dos valores. Então, temos apenas as notas fiscais emitidas pela recorrente. Tratase de documentos fiscais de sua emissão. Na lógica do art. 55 da Lei 7.450/85, documentos que não habilitam o contribuinte a pleitear a compensação. Conclusão Concluise que notas fiscais da pessoa jurídica beneficiária do rendimento não habilitam ao pleito da compensação referente ao imposto retido na fonte. A lei exige, para comprovação da retenção, a confirmação da fonte pagadora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 796DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904442/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 06/09/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 06/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 42 /2 00 8- 40 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.904442/200840 Acórdão n.º 2201004.863 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro de fato, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.904442/200840 Acórdão n.º 2201004.863 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904442/200840 Acórdão n.º 2201004.863 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.901274/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE, POR VIA POSTAL, DEVIDAMENTE RECEPCIONADA NOS AUTOS. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO.
Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada.
Numero da decisão: 3301-005.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO. Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 12 74 /2 01 5- 21 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10640.901274/201521 Acórdão n.º 3301005.981 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER, de créditos de COFINS, cujo pleito não foi integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. A requerente foi cientificada do Despacho Decisório, e apresentou manifestação de inconformidade, via postal. Em função de tal apresentação de manifestação da requerente, por via postal, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG enviou Ofício, ao requerente, onde se comunicava que : 2. Cumpre esclarecer que a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013 em seu artigo 2º, §1º, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.629/2016, estabelece que “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a entrega de documentos será realizada obrigatoriamente no formato digital”. A citada Instrução Normativa estabelece ainda as peculiaridades e procedimentos necessários para se efetivar a apresentação das manifestações de inconformidade em cada processo digital. 3. Diante do exposto, tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados. 4. Por último cumpre esclarecer que a empresa pode, ainda que intempestivamente, fazer a apresentação dos questionamentos digitalmente na forma da Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013. Em caso de discordância quanto à intempestividade, a empresa pode fazer as alegações preliminares que entender cabíveis. A requerente teve ciência deste Ofício, por acesso á sua caixa postal eletrônica,. Em resposta, a requerente apresentou sua Manifestação de Inconformidade por via eletrônica, acompanhada de Declaração de Tempestividade, nos seguintes termos: ' o contribuinte acima identificado vem solicitar a recepção pela Receita Federal da Manifestação de Inconformidade na forma digital (...), uma vez que a mesma fora encaminhada fisicamente pelos correios, tempestivamente, em face da autorização que consta no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997. Desta forma, ciente que apresentou sua irresignação tempestivamente, e considerando que eventual vício de forma não pode mitigar seu direito constitucional de petição e de ampla defesa, direito material, mormente ao considerarmos o princípio do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal, roga pela recepção e regular processamento da Manifestação de Inconformidade em epígrafe.” Diante destes documentos, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG encaminhou os autos á DRJ/FUIZ DE FORA com o seguinte despacho : “O contribuinte inicialmente apresentou Manifestação de Inconformidade pelos correios dentro do prazo legal porém Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10640.901274/201521 Acórdão n.º 3301005.981 S3C3T1 Fl. 4 3 em desacordo com o que determina a IN 1.412/2013. Em seguida a empresa foi instada a apresentar o questionamento da forma como é determinada a legislação, o que ocorreu intempestivamente. Em seu protocolo porém a empresa alega preliminarmente a tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto encaminho o presente processo à SECOJ/DRJ/JFA/MG para apreciação das preliminares, e julgamento se for o caso.” A DRJ/JUIZ DE FORA exarou o Acórdão de nº 09064.388, que julgou intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o entendimento da unidade de origem. Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, contesta a declarada intempestividade da manifestação de inconformidade, alegando : a Recorrente não pode concordar com o acórdão recorrido, o qual não conheceu da Manifestação de Inconformidade por entender ter sido a mesma apresentada intempestivamente. A autoridade preparadora, que detém competência legal para a instrução do processo, por sua vez acolheu a juntada digital dos documentos e enviou os autos para a Delegacia de Julgamento. entende a Recorrente que a tempestividade de sua Manifestação de Inconformidade é evidente, principalmente por conta das peculiaridades acerca da intimação que recebeu – sem instruções alguma sobre apresentação “eletrônica” da mesma confia e espera a Recorrente, lastreada na proficiência dos membros deste I. Órgão Judicante, na anulação da decisão que não conheceu de impugnação regularmente interposta, com a expressa determinação para que a Delegacia de Julgamento profira decisão de mérito sobre a irresignação tempestivamente ofertada, É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.974, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10640.901267/201529, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.974): "13 A questão central destes autos está centrada na tempestividade ou não da manifestação de inconformidade Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10640.901274/201521 Acórdão n.º 3301005.981 S3C3T1 Fl. 5 4 apresentada, que restou não conhecida pela decisão de piso. 14. Entretanto, a principal questão a ser enfrentada é a recepção de documento não entregue por meio digital, carreado aos autos como documento válido, pois que no momento de sua inclusão nos autos, devidamente numerado, tornouse documento devidamente recepcionado pela Administração Tributária. 15. O próprio julgador da DRJ enfrentou o problema ao afirmar “ Registro, de plano, que reputo correta a informação contida no ofício expedido pelo titular da ARF Cataguases quando vem dizendo que "tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados". Diante desse quadro, devo registrar que a ação, do mesmo servidor, de juntar ao processo os documentos dos quais informara que não tomaria conhecimento colide frontalmente com o disposto no diploma regulador e com a própria conclusão estampada no ofício. Ora, não se junta ao processo documento do qual não se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a atitude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. Temos então os seguintes fatos: a ciência do Despacho Decisório se deu em 22/06/2016; a postagem da Manifestação de Inconformidade se deu em 22/07/2016 e a apresentação, da mesma peça de defesa, na forma preconizada pela Instrução Normativa RFB n° 1.412/2013 se deu em 17/11/2016. Lembrando que esta última somente foi apresentada após a recepção do ofício expedido pelo titular da Agência da RFB em Cataguases, fato que nos permite concluir que o procurador da requerente ignorava a regra que estabelecia que a apresentação da manifestação de inconformidade deveria ser por meio eletrônico (digital). “ 12. Correto o julgador ao afirmar que não se junta ao processo documento do qual n~çao se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a titude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. 13. Entretanto, a contrario sensu, o documento foi efetivamente recepcionado e consta presente nos autos, e mais, foi entregue, mesmo que por via postal, tempestivamente, o que garante ao requerente que o documento seja analisado in totum. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10640.901274/201521 Acórdão n.º 3301005.981 S3C3T1 Fl. 6 5 14. Verificase, também, que, após a ciência do ofício emitido pela Agência da Receita Federal, a impugnante apresentou o mesmo documento, e seira claramente intempestivo, pois o ofício que comunicou a não aceitação da manifestação de inconformidade foi enviado após o transcurso de prazo legal para a apresentação da citada manifestação. 15. Desta forma, temos que o impugnante teve conhecimento do Despacho Decisório em 04/07/2016, apresentou manifestação de inconformidade em 03/08/2016, portanto tempestivamente, recebeu um ofício da Administração Tributária em 13/10/2016, comunicando lhe que não seria aceita sua manifestação de inconformidade pois que não entregue em meio digital, contrariando regra normativa em vigor e que poderia ser providenciada a apresentação, mesmo que intempestivamente, da manifestação de inconformidade, de forma digital de acordo com o ato normativo. Foi o que a impugnante fez. Apresentou sua manifestação de inconformidade, de forma digital, em 16/11/2016, intempestivamente, que não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento, pelo mesmo motivo, intempestividade 16. Diante destes fatos, entendemos que dois fatos são extremamente relevantes para o deslinde da questão : um a juntada aos autos de documento que declaradamente foi considerado não recepcionado, dois a informação dada ao impugnante, de que poderia ser apresentada mesmo que intempestivamente a manifestação de inconformidade. 17. Estes dois fatos analisados conjuntamente trazem a convicção de que houve ferimento ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, insculpido no inciso LV da Constituição Federal de 1988, que estabelece ; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 18. O princípio do contraditório é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há que ser ouvida a outra, dandolhe oportunidade de resposta. 19. Eivada, portanto, de nulidade a decisão de piso, pois que feriu o direito de defesa do impugnante ao não conhecer da manifestação de inconformidade, constante dos autos, devidamente recepcionada tempestivamente, Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10640.901274/201521 Acórdão n.º 3301005.981 S3C3T1 Fl. 7 6 incidindo no disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 19. Portanto, diante de todo o exposto, entendemos que deva ser analisada a manifestação de inconformidade apresentada, pois que tempestiva. Conclusão 20. Neste norte, voto pela nulidade do Acórdão DRJ, devendo ser os autos devolvidos á DRJ/JUIZ DE FORA para que emita novo Acórdão, analisando a manifestação de inconformidade apresentada, decidindo seu mérito." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e determinar a realização de um novo julgamento, enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
