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6113929 #
Numero do processo: 10855.002370/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 29/02/1996 Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Pagamento realizados entre 1989 e 1991. Restituição requerida apenas em 2007. Recurso voluntário negado provimento.
Numero da decisão: 3102-01.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F   2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra  de Castro  (presidente da  turma), Ricardo Paulo Rosa,   Winderley Morais Pereira,   Leonardo  Mussi e Álvaro Almeida Filho.  Relatório  O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 14­31.877  da 1ª Turma da  DRJ/RPO, que entendeu pela  improcedência da manifestação de inconformidade . Observando  o relato da decisão recorrida é possível constatar que:   O processo epigrafado foi  inaugurado para recepcionar pedido  de restituição de Finsocial, no montante de R$ 51.423,26 (fl. 01),  protocolado  em 10/08/2007,  "de  acordo  com a  petição  anexa".  Por  meio  da  referida  petição,  a  interessada  requereu  a  restituição  dos  indébitos,  relativos  aos  períodos  de  apuração  (PAs) 09/1989 a 02/1992, "com base no artigo 18,  inciso III da  Lei  10.522/02  e  artigo  2  o  da  Instrução  Normativa  32/97".  Instruiu  seu  pedido  com  uma  planilha  de  apuração  do  direito  creditório  (fl.  14),  atualizado  com  base  nos  índices  utilizados  pela Receita Federal, além de cópias dos DARFs (fls. 15/33).  Posteriormente,  transmitiu  as  Declarações  de  Compensação  (DCOMP)  a  seguir  relacionadas,  utilizando­se  do  crédito  informado no presente processo para compensar débitos de PIS  (6912) e Cofins (5856), apurados nos períodos de maio de 2006           Por meio do despacho decisório de fls. 50/52, a DRF Sorocaba  decidiu  NÃO  RECONHECER  o  direito  ao  crédito  e  NÃO  HOMOLOGAR  as  compensações  declaradas,  nos  termos  da  seguinte ementa:  EMENTA: O direito de pleitear a restituição extingue­se com o  decurso  do  prazo  de  05  (cinco)  anos,  contados  da  data  da  extinção do crédito tributário. Pedido INDEFERIDO.  Os  fundamentos  normativos  indicados  na  decisão  foram:  arts.  106,  I,  150,  §  Io  ,  156,  I  e  VII,  165,  I,  e  168,  I,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN);  art.  3  o  e  4o  da  Lei  Complementar  (LC)  n°  118/2005;  art.  26,  §  10,  da  Instrução  Normativa  (IN)  SRF n° 600/2005.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  DATA DE  TRANSMISSÃO  VALOR DOS  DÉBITOS (R$)  FOLHA(frente  e verso)    08972.06552  01/11/2007  2.683,76  35  16737.25336  01/11/2007  3.186,09  36  42730.61601  01/11/2007  3.853,91  37  13629.47717  01/11/2007  2.546,37  38  24582.48714  01/11/2007  2.472,84  39  10570.68926  01/11/2007  4.018,18  40  31360.73997  01/11/2007  5.401,84  41  41158.68976  01/11/2007  3.540,55  42  24065.98244  01/11/2007  4.145,11  43  19877.99025  01/11/2007  4.474,83  44  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F Processo nº 10855.002370/2007­69  Acórdão n.º 3102­001351  S3­C1T2  Fl. 415          3 Os  débitos  indevidamente  compensados  foram  cadastrados  no  sistema  de  controle  e  cobrança  da  Receita  Federal  (Profisc),  conforme extrato de fls. 46/48.  A  interessada  foi  cientificada  da  referida  decisão  por  meio  da  intimação  de  fl.  53,  que  também  se  prestou  à  cobrança  dos  débitos  indevidamente compensados,  recebida em seu domicílio  tributário em 04/06/2008 (fl. 54).  Em 23/06/2008, a  interessada encaminhou sua manifestação de  inconformidade pelos Correios (fl. 66), a qual foi anexada às fls.  55/65.  Por  meio  da  referida  peça  reclamatória,  aduziu,  em  síntese, os seguintes pontos;  a)  quanto  ao  crédito  requerido,  "o  pedido  formulado  pela  manifestante possui embasamento legal e constitucional, uma vez  que  as  leis  que  majoraram  a  alíquota  do  FINSOCIAL  foram  declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Os  artigos  citados  no  pedido  inicial  não  fazem  qualquer  alusão  a  uma possível repetição de indébito, ou a uma restituição, porém  provam  que  a  Secretaria  da  Receita  Federal  reconhece  a  sua  inconstitucionalidade";  b) o caso em análise, "trata­se de pedido de restituição baseado  na  declaração  de  inconstitucionalidade  em  controle  difuso  do  FINSOCIAL, no RE 150.764­1 in DJU de 02/04/1993";  c)  "diante  da  observação  de  que  a  prestação  pecuniária  não  constitui  tributo  a  ser  restituído,  por  ter  sido  declarado  inconstitucional,  mas  simples  indébito  auferido  pela  Fazenda  Pública, é equivocado, a rigor falar­se em restituição de tributo,  como faz o Código Tributário Nacional. Cuida­se na verdade, de  restituição de pagamento indevido, pois o espeque legal em que  se hasteava esvaiu­se do mundo jurídico".  Neste  caso,  "afasta­se  a  contagem  do  prazo  prescricional/decadencial para a repetição do indébito tributário  previsto  no  CTN,  tendo  em  vista  que  a  prestação  pecuniária  exigida  por  lei  inconstitucional  não  é  tributo,  mas  um  débito  genérico contra a Fazenda Pública";  d) como a declaração de  inconstitucionalidade do Finsocial  foi  proferida no controle difuso, o termo inicial para a repetição do  indébito há que ser contado da edição da Resolução do Senado  Federal,  que  viesse  a  "conferir  efeitos  erga  omnes  àquela  declaração". Assim  sendo,  "não há que  se  falar em decadência  do  direito  de  se  pleitear  a  restituição,  visto  que  o  prazo  prescricional  permanece  em  aberto,  pois  até  o  momento  não  houve edição da resolução pelo Senado Federal";  Concluiu requerendo a reforma da decisão recorrida.  É o relatório.    Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F   4 Analisada  a  impugnação  ao  auto  de  infração,  decidiu  a  1ª  Turma  da  DRJ/RPO,  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade,  conforme  demonstra  ementa abaixo:  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período  de  apuração:  01/09/1989  a  29/02/1996  FINSOCIAL.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.  DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO.  O direito de pleitear a restituição extingue­se com o decurso de  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  extinção  do  crédito  tributário  que,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de  que trata o § I  o do art. 150 do CTN,  inclusive na hipótese de o  pagamento  ter  sido  efetuado  com  base  em  lei  posteriormente  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  ação declaratória ou em recurso extraordinário.  Inconformada  com  a  decisão  acima  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário alegando   que  os  pagamentos  objeto  de  pedido  de  restituição,  foram  realizados  antes  da  lei  complementar  nº  118/2005,  pois  efetivados  no  período  de  1999,  e  assim  deve  permanecer o prazo de cinco mais cinco.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho  Conheço  do  presente  recurso  por  ser  tempestivo  e  tratar  de  matéria  de  competência da terceira seção.  Busca  a  recorrente  em  suas  razões  demonstrar  a  possibilidade  de  ser  reconhecida a existência do crédito de FINSOCIAL  a ser compensado com débitos de PIS E  COFINS, sob o argumento de que não prescreveu seu direito de pleitear a restituição, já que os  pagamentos  teriam sido  realizados em 1999, e  assim, não se  aplicaria a  lei  complementar nº  118/2005.  O  Pedido  de  Restituição  no  valor  de  R$  51.423,26(cinquenta  e  um  mil,  quatrocentos e vinte e três reais e vinte e seis centavos) formalizado em 10/08/2007, decorre de  recolhimentos de FINSOCIAL  relativos ao período de 03/10/1989 e 07/11/1991, os quais de  acordo  com  a  documentação  colacionada  aos  autos  foram  efetivamente  recolhidos  neste  período, e não em 1999, como alega a recorrente.  Pois bem, o art. 168, I, do CTN dispõe que o direito de pleitear a restituição  se extingue com o decurso de 05(cinco) anos contatos a partir da extinção do crédito tributário,  que  de  fato  na  verdade  se  dá  com  o  recolhimento  indevido,  já  que  o  crédito  tributário  teoricamente não  existia.  Já nos  casos de  reconhecida  inconstitucionalidade do  tributo ou de  reconhecida a não incidência prazo para requerer restituição tem início a partir declaração de  inconstitucionalidade ou do reconhecimento.  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F Processo nº 10855.002370/2007­69  Acórdão n.º 3102­001351  S3­C1T2  Fl. 416          5 No caso dos autos o pagamento do FINSOCIAL ocorreu entre 1989 a 1991,  enquanto  o  pedido  de  restituição  foi  realizado  apenas  em  2007,  ou  seja,  após  mais  de  16(dezesseis) anos. Percebe­se que sequer cabe discutir o posicionamento do STJ, proferido no  Resp 1.002.932 em sede procedimento de recurso especial repetitivo, nos termos do art. 543­C  do CPC, no qual  restou definido que  sobre os  pagamentos  indevidos  antes de 09/06/2005, o  prazo para  requerer a  repetição  é de cinco anos mais cinco; b)  sobre pagamento  indevidos  a  partir de 09/06/2005, o prazo é de cinco anexo contados da data do pagamento indevido;   Diante  do  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  manter  integralmente a decisão recorrida.  Sala de sessões 26 de fevereiro de 2012.    (assinado digitalmente)  Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho ­ Relator                                Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F

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6003917 #
Numero do processo: 11610.002038/2002-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos pagos após o vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. As reclamações e os recursos, nos termos da legislação reguladora do processo administrativo fiscal, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
Numero da decisão: 3803-006.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de mora exigida no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 76          1  75  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11610.002038/2002­25  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.905  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ MULTA  Recorrente  MADEPLAC CENTRAL DE MADEIRAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997  JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CONVERSÃO DE MULTA  DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.  Falece competência à autoridade administrativa julgadora para exigir a multa  de mora em substituição à multa de ofício originariamente lançada e por ela  cancelada com base na retroatividade em benigna.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Sobre os débitos pagos após o vencimento incidem juros de mora calculados  à  taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.  As  reclamações  e  os  recursos,  nos  termos  da  legislação  reguladora  do  processo  administrativo  fiscal,  suspendem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de mora exigida no acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 20 38 /2 00 2- 25 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.002038/2002­25  Acórdão n.º 3803­006.905  S3­TE03  Fl. 77          2  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  Paulo Renato  Mothes de Moraes e Demes Brito.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  São  Paulo  I/SP,  que  julgou  parcialmente  procedente  o  lançamento de ofício relativo à multa isolada exigida em razão do recolhimento em atraso de  tributo declarado em DCTF desacompanhado do pagamento da multa de mora.  O  auto  de  infração  abrangeu  os  1º  e  2º  trimestres  de  1997,  tendo  sido  o  lançamento da Cofins relativo ao 1º trimestre cancelado na repartição de origem em razão da  comprovação dos pagamentos efetuados e o lançamento referente ao 2º trimestre mantido por  se  referir  à exigência de multa  isolada decorrente do recolhimento em atraso da contribuição  devida no período.  A DRJ São Paulo  I/SP aplicou a  retroatividade benigna e cancelou a multa  isolada,  considerando  que  a  redação  então  vigente  do  dispositivo  legal  que  embasara  o  lançamento de ofício deixara de prever a referida penalidade, sendo exigida, a partir de então, a  multa de mora pelo atraso no recolhimento do tributo.  O acórdão da DRJ São Paulo I/SP restou ementado nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário:1997  DCTF. REVISÃO INTERNA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.  Em decorrência  da  nova  redação  dada  ao  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996 pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15 de  junho de  2007  e  do  Parecer  PGFN/CDA/CAT  nº  2237/2006,  o  valor  exigido  fica  limitado  ao  devido  na  forma  do  art.  61  da  Lei  nº  9.430/96.  Mantida  a  exigência  da  multa  e  juros  de  mora  por  falta  de  comprovação da sua improcedência.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  De  acordo  com  a  decisão  da  DRJ  São  Paulo  I/SP,  a  multa  de  ofício  foi  convertida em multa de mora, com base no princípio da retroatividade benigna, mantendo­se o  lançamento em relação aos juros de mora e à referida multa de mora.  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.002038/2002­25  Acórdão n.º 3803­006.905  S3­TE03  Fl. 78          3  Cientificado da decisão de primeira instância em 05/08/2014, o contribuinte  interpôs Recurso Voluntário  em 02/09/2014  e  requereu  o  cancelamento  do  auto  de  infração,  alegando a impossibilidade de substituição da multa isolada pela multa de mora por se tratar de  indevida inovação do lançamento.  Aduziu,  também,  que,  tendo  sido  comprovados  os  pagamentos  efetuados  e  extinta a multa  isolada, não se justificava mais a manutenção de qualquer parcela do auto de  infração e que,  tendo  transcorrido o prazo decadencial para o  lançamento de valores devidos  em  1997,  o  Fisco  encontrava­se  impossibilitado  de  lançar  qualquer  diferença  ou  mesmo  de  cobrar os valores declarados em razão da prescrição.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  De início, deve­se registrar que o auto de infração presente neste processo se  refere  aos  1º  e  2º  trimestres  de  1997,  encontrando­se  os  valores  lançados  discriminados  da  seguinte forma:  a)  1º  trimestre  –  lançamento  dos  valores  da  contribuição  e  dos  acréscimos  legais em razão da não localização dos DARFs informados em DCTF;  b) 2º trimestre – lançamento da multa isolada e dos juros de mora pelo fato de  os pagamentos terem sido efetuados após a data do vencimento.  O lançamento relativo ao 1º  trimestre de 1997 foi cancelado pela repartição  de  origem,  em  procedimento  de  revisão  do  lançamento,  em  razão  da  comprovação  pelo  contribuinte dos pagamentos efetuados.  O  lançamento do 2º  trimestre de 1997  foi  reduzido na DRJ São Paulo  I/SP  em  razão  da  aplicação  da  retroatividade  benigna,  com  a  substituição  da  multa  isolada  pela  multa de mora,  tendo  sido mantida,  também,  a parcela do  lançamento  referente aos  juros de  mora.  Em seu recurso, o contribuinte alega a incompetência da DRJ para proceder  ao lançamento substitutivo, bem como a impossibilidade de se lançar qualquer valor em razão  do transcurso do prazo decadencial e a impossibilidade de se cobrar qualquer crédito tributário  já constituído em decorrência da preclusão.  Feitas essas considerações, passa­se à análise do Recurso Voluntário.  A DRJ São Paulo I/SP promoveu a substituição da multa de ofício pela multa  de mora amparada no Parecer PGFN/CAT/CDA n° 799/2008.  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.002038/2002­25  Acórdão n.º 3803­006.905  S3­TE03  Fl. 79          4  Contudo,  a  autoridade  julgadora  procedeu  à  revelia  dos  dispositivos  legais  aplicáveis, pois à autoridade administrativa julgadora falece competência para converter multa  de ofício em multa de mora, tendo em vista que tais gravames possuem fundamentações legais  distintas,  sendo  passíveis  de  aplicação  somente  por  parte  da  autoridade  administrativa  competente para tal.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  não  pode  avançar  sobre  a  competência da autoridade administrativa lançadora, dado que a atividade de lançamento é da  competência privativa da autoridade fiscal regimentalmente definida, conforme preceitua o art  142 do Código Tributário Nacional (CTN), verbis:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  A Delegacia  de  Julgamento,  nos  termos  do  art.  25,  inciso  I,  do Decreto  nº  70.235, de 1972, é órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil,  sendo  sua  competência  definida  pelo  art.  203  do  Regimento  Interno  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil nos seguintes termos:  Art.  203.  Às  DRJ,  nos  limites  de  suas  jurisdições,  conforme  anexo V, compete:   I  ­  julgar,  em  primeira  instância,  após  instaurado  o  litígio,  processos administrativos fiscais de determinação e exigência de  créditos  tributários,  inclusive  os  decorrentes  de  vistoria  aduaneira,  e  de  manifestação  de  inconformidade  do  sujeito  passivo  contra  apreciações  dos  Inspetores  e  dos Delegados  da  Receita  Federal  em  processos  administrativos  relativos  ao  reconhecimento  de  direito  creditório,  ao  ressarcimento,  à  imunidade,  à  suspensão,  à  isenção  e  à  redução  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  SRF;  e   II  ­  desenvolver  as  atividades  de  tecnologia  e  de  segurança  de  informação, de programação e logística, e as relacionadas com  planejamento, organização, modernização e recursos humanos.   Portanto,  inexiste  preceptivo  normativo  que  autorize  a  autoridade  administrativa julgadora a substituir uma multa isolada por uma multa de mora que, até então,  sequer  fazia  parte  da  lide.  Sendo  a  atividade  administrativa  vinculada  aos  ditames  da  lei,  o  agente público não pode exorbitar de sua competência previamente definida.  Nesse sentido, deve­se cancelar a multa de mora exigida na DRJ São Paulo  I/SP, restando analisar a parcela do lançamento relativa aos juros de mora.  Os juros de mora calculados com base na taxa Selic se encontrarem previstos  no  §  3º  do  art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  sendo  aplicáveis  a  partir  do mês  subseqüente  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.002038/2002­25  Acórdão n.º 3803­006.905  S3­TE03  Fl. 80          5  sempre  que  os  débitos  forem  recolhidos  após  a  data  de  vencimento,  tratando­se  de matéria  sumulada neste CARF, conforme se verifica do teor da súmula a seguir transcrita:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Verifica­se,  portanto,  que  tendo  sido  os  débitos  do  2º  trimestre  de  1997  identificados  no  auto  de  infração  recolhidos  após  a  data  de  vencimento,  devem­se  exigir  os  juros de mora calculados com base na taxa Selic, inexistindo controvérsia nos autos quanto a  essa constatação.  O Recorrente  alega  que,  por  se  tratar  de valores  devidos  em 1997,  o Fisco  não poderia mais constituir qualquer crédito tributário, em razão da decadência (art. 173, I, do  CTN),  e  nem  exigir  qualquer  débito  em  razão  da  prescrição  prevista  no  art.  174  do Código  Tributário Nacional (CTN).  No entanto, de acordo com o art. 151, inciso III, do CTN, as reclamações e os  recursos, nos termos da  legislação reguladora do processo administrativo fiscal, suspendem a  exigibilidade do crédito tributário.  Dessa  forma,  encontrando­se  lançados  os  juros  de  mora  relativos  aos  pagamentos da Cofins devida no 2º trimestre de 1997 efetuados em atraso, tal parcela do auto  de  infração  deve  ser  mantida,  encontrando­se  sua  exigibilidade  suspensa  até  a  decisão  administrativa final a ser proferida neste processo.  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário, para cancelar a multa de mora exigida no acórdão recorrido, mantendo­se a parcela  do lançamento relativa aos juros de mora.  É como voto.  Assinado digitalmente  Hélcio Lafetá Reis – Relator                              Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 15586.001469/2008-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - NÃO INCIDÊNCIA A Jurisprudência é pacífica no sentido de definir que o pagamento efetuado "in natura" do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador .ASSISTÊNCIA MEDICA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR São tributáveis os benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da lei 8.212/91, ART. 17 DO DEC. 70.235172 - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Conforme o preceituado no art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está preclusa. MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35-A para então fazer prevalecer o menos gravoso RETROATIVIDADE BENÍGNA Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106,II, “c”, do Código Tributário Nacional - CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. PERÍCIA. Na exegese do art. 18 do Decreto n° 70.235 /72 , é prerrogativa do julgador considerar prescindível ou não o pedido para o deslinde da questão. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que sejam afastados os créditos sobre as parcelas do PAT e se aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na forma da redação dada pela Lei nº 11.941/2009, nos termos do art.61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2243; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1  1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.001469/2008­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.912  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de fevereiro de 2015  Matéria  LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  CENTRO EDUCACIONAL CASA DO ESTUDANTE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004  PREVIDENCIÁRIO.  PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  ­ NÃO  INCIDÊNCIA   A Jurisprudência é pacífica no sentido de definir que o pagamento efetuado  "in natura" do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da  contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não  no Programa de Alimentação ao Trabalhador  .ASSISTÊNCIA MEDICA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR   São tributáveis os benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da  lei 8.212/91,  ART. 17 DO DEC. 70.235172 ­ MATÉRIA NÃO IMPUGNADA  Conforme  o  preceituado  no  art.  17  do  Decreto  70.235/72,  a  matéria  não  expressamente impugnada está preclusa.   MULTA DE MORA.   É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado  da  aplicação  do  revogado  art.  35  da  Lei  n°  8.212/91  no  qual  se  baseou  o  lançamento; o  resultado do preceituado na nova  redação dada  ao  art.  35 da  sobredita  lei  pela  Lei  n°  11.941  e  finalmente  compará­los  com  os  valores  obtidos  nos  termos  do  novo  art.  35­A para  então  fazer  prevalecer  o menos  gravoso  RETROATIVIDADE BENÍGNA  Tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado,  lhe  comine  penalidade  menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo  106,II, “c”, do Código Tributário Nacional ­ CTN , observando princípio da  retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei.  PERÍCIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 69 /2 00 8- 65 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     2  Na exegese do art. 18 do Decreto n° 70.235 /72 , é prerrogativa do julgador  considerar prescindível ou não o pedido para o deslinde da questão.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso, determinando que sejam afastados os créditos sobre as parcelas do PAT e se  aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na forma da redação dada pela  Lei nº 11.941/2009, nos termos do art.61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vencido  o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees  Stringari na questão da alimentação.     Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente      Ivacir Júlio de Souza ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Marcelo Magalhães  Peixoto,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos, Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/2008­65  Acórdão n.º 2403­002.912  S2­C4T3  Fl. 3          3    Relatório  Li o Relatório a quo, compulsei com os autos, e por corroborar o texto, por  economia processual, com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo :  "Trata­se de Auto de Infração (AI n° 37.153.089­0) na qual são  exigidas  contribuições  destinadas  a  terceiros  (Art.  94  da  Lei  8.212/91  e  alterações)  2.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  74/89, constituem fatos geradores das contribuições lançadas na  presente  NFLD  as  parcelas  auferidas  pelos  segurados  empregados a título de alimentação sem a empresa estar inscrita  no  PAT;  assistência  médica  em  desacordo  com  a  legislação,  além  de  previdência  complementar  não  oferecida  à  totalidade  dos segurados e  folha de pagamentos, além de remuneração de  contribuintes individuais.  3.  Também  foram  lançados  pagamentos  de  salários  complementares não registrados na contabilidade.  4.  O  valor  do  presente  lançamento  é  de  R$  49.404,45,  consolidado em 18/09/2008.  DA IMPUGNAÇÃO  S.  Notificada  pessoalmente  do  lançamento,  em  18/09/2008,  a  interessada apresentou impugnação de fls. 119/142, aduzindo as  seguintes alegações:  Da Preliminar  S.  Em  sua  exordial,  a  empresa  ataca  o  ato  administrativo  de  constituição  do  crédito  tributário,  alegando  razões  de  ordem  formal apontando para a eiva de nulidade.   5.1. O Auto não cumpre o requisito da  formalidade, pois não é  descrita  a  conduta  ilícita  em  todas  suas minúcias:  É  apontada  apenas uma conduta abstrata.  •  5.2.  Foi  ferido  o  Art.  10  do Dec.  70.235/72.  Os  relatórios  e  anexos são uma afronta aos princípios formais de preenchimento  do Auto.  DO MÉRITO  Do PAT  5.3.A  convenção  coletiva  do  SINPRO/ES  e  do  SAAES/ES  determinam a concessão de Ticket Alimentação. Remete ao Art.  7', XXVI, da Constituição da República.  5.4.Tais valores têm caráter indenizatório de ajuda de custo.  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     4  5.5Transcreve arestos  jurisprudenciais e postula a anulação do  Auto.  Da  Assistência  Médica  e  Previdência  Complementar  5.6.  A  redação dada ao Art. 458 da CLT pela Lei 10.243/01 excluiu do  conceito de remuneração tais verbas.  5.7. Não  há  como  estabelecer  dois  conceitos  legais  a  cerca  de  um  mesmo  evento  jurídico,  a  remuneração.  Ambos  os  testos  normativos  (CLT  e  Lei  8.212/91)  tratam  do mesmo  conceito  e,  como a Lei 10.243/01 foi editada posteriormente à Lei 8.212/91,  derrogou esta.  ACOSTA ARESTOS DO TST.  Da Aferição Indireta  5.8. A aplicação do art. 148 do Código Tributário Nacional (Lei  5.172/66)  é  indevida,  pois  a  empresa  entregou  vários  documentos  e  livros  que  serviram  para  a  apuração do Crédito  Tributário.  5.9. Não há discricionariedade na escolha da base de cálculo.  5.10. Requer perícia.  5.11.É o relatório."  DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A  10ª  Turma  da  Delegacia  da  Receito  Federal  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro 1  ( RJ) DRJ/RJO 1,  em 11 de  fevereiro de 2009,  exarou Acórdão de n° 12­22.824  ,  fls.186, negando provimento.   DO RECURSO VOLUNTÁRIO.    Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. fls.215, onde reitera  as alegações que fizera em sede de impugnação  É o relatório.  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/2008­65  Acórdão n.º 2403­002.912  S2­C4T3  Fl. 4          5    Voto             Conselheiro Ivacir Júlio de Souza ­ Relator  O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto,  dele tomo conhecimento.  De  plano,  cumpre  registrar  que  este  foi  apensado  por  conexão  ao  processo  principal de n° 15586.001467/2008­76, também, analisado nesta mesma sessão de julgamento.  Aduz que as razões de recorrer são idênticas e o resultado daquele irradia à este.   PRELIMINAR DE NULIDADE  No  Recurso  de  fls.  186  a  Recorrente  reitera  que  o  auto  deva  ser  anulado  alegando que o mesmo não obedece requisitos formais :   "Devidamente  impugnado o  lançamento, onde em preliminar se  atacou a nulidade do auto de  infração e  foi  demonstrado que  esse não obedece a seus requisitos formais, eis que contrário à  forma prescrita na legislação competente    "Assim,  OBRIGATORIAMENTE,  um  Auto  de  Infração  deve  conter  requisitos  gerais  (agente  fiscal  capaz,  objeto  lícito  e  obediência  à  forma  prescrita  em  lei),  requisitos  específicos  (qualificação  do  autuado,  local­data­hora  da  lavratura,  descrição  material  do  fato,  transcrição  da  disposição  legal  aplicável  ao  caso,  penalidade  aplicável,  determinação  da  exigência,  assinatura,  cargo,  função  e  matrícula  do  autuante)."  Referindo­me ao encimado, cabe destacar que o Relatório Fiscal de fls. 74 foi  extremamente  bem  elaborado  registrando  as  irregularidades,  as  fundamentações  legais  e  colacionando elementos probantes cabais ao tempo que fez entrega dos vinculados anexos na  forma do documento  recebido e assinado pelo  contribuinte  às  fls  01. Tal  procedimento,  sem  dúvida,  subsumiu  o  ato  no  preceituado  no  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional­  CTN,  permitindo  eficaz  cumprimento  do  exercício  da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  direito  do  contribuinte. Portanto, não assiste razão ao contribuinte quanto a alegação de nulidade. NEGO  PROVIMENTO.  DO MÉRITO  DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO  Matéria guerreada e negada em sede de impugnação, retorna com os mesmos  argumentos  então  alegados. Reitera  que  o  benefício  concedido  tem  previsão  em  cláusula  de  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  equivalendo  ao  Programa  e  Alimentação  ao  Trabalhador  (PAT), instituído por Lei e que não se integraria ao salário:  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     6  "Não  incide  contribuições  previdenciárias  sobre  o  valor  pago,  ainda que em pecúnia, a título de auxílio­alimentação fornecido  com  a  finalidade  de  subsidiar  a  refeição  do  empregado  no  intervalo da jornada laboral, independentemente de inscrição da  empresa  ao Programa  de Alimentação  ao  Trabalhador  – PAT,  por possuir natureza indenizatória"  Nos  itens 2/2 do Relatório Fiscal de  fls. 74, a autoridade autuante  registrou  que  as  parcelas  concedidas  foram "in  natura",  e  ainda,  que os  cartões  de  crédito  utilizados  para  o  pagamento  aos  segurados  foram  negociados  pelas  administradoras  de  cartões  eletrônicos/magnéticos, Banco do Brasil Cartões e Banestik . :  "2. Alimentação  2.1. Levantamento de contribuições incidentes sobre parcelas in  natura fornecidas pela empresa a seus empregados por meio da  contratação de serviços de Alimentação­ Convênio.  2.2.  Na  análise  da  escrituração  contábil  e  das  notas  fiscais/faturas  apresentadas,  constatou­se  a  existência  de  pagamentos  a  empresas  (Banco  do  Brasil  Cartões  e  Banestik)  pelo  fornecimento  de  créditos  em  cartões  concedidos  aos  segurados, para o pagamento de alimentação."  Nos itens 2.6/2/7 registrou que autuara a empresa em razão de a mesma não  ter feita a adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador ­ PAT:  "2.6.  Foi  solicitado  ao  contribuinte,  por  meio  do  Termo  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos  ­  TIAD,  emitido  em 09/07/2008, o termo de adesão ao Programa de Alimentação  ao Trabalhador ­ PAT. Este documento não foi apresentado pela  empresa, em razão da mesma não estar inscrita.  2.7.  Desta  forma,  os  valores  despendidos  pelo  contribuinte  a  título  de  Alimentação­Convênio,  benefício­alimentação  concedido  aos  trabalhadores,  foram  considerados  parcelas  integrantes do salário­de­contribuição, uma vez que as parcelas  oferecidas in natura aos  trabalhadores foram efetuadas sem o  amparo da Lei no. 6.321, de14/04/1976. "  O Ministério  do  Trabalho  e  Emprego  (MTE),  através  da  Coordenação  do  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  (COPAT),  Site:  www.mte.gov.br/pat  –  E­mail:  pat@mte.gov.br  ,  editou  Cartilha  com  o Aval  das  autoridades  abaixo  relacionadas,  onde  no  item 9 do referido documento se descreve o que é uma empresa prestadora de serviços de  alimentação  coletiva  informando  que  é  a  empresa  que  administra  documentos  de  legitimação, sejam impressos ou na forma de cartões eletrônicos/magnéticos, para aquisição  de  gêneros  alimentícios  em  supermercados  (alimentação­convênio)  ou  para  refeições  em  restaurantes (refeição­convênio):    Presidente da República  Luiz Inácio Lula da Silva  Ministro do Trabalho e Emprego  Luiz Marinho  Secretário­Executivo  Marco Antonio de Oliveira  Secretária de Inspeção do Trabalho  Ruth Beatriz Vasconcelos Vilela  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/2008­65  Acórdão n.º 2403­002.912  S2­C4T3  Fl. 5          7  Diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho  Rinaldo Marinho Costa Lima  Coordenadora do Programa de Alimentação do Trabalhador  Maria Flor de Lys Sousa Lopes    Nos termos do Superior Tribunal de Justiça, a Jurisprudência é pacífica no  sentido  de  definir  que  o  pagamento  efetuado  "in  natura"  do  salário  alimentação  aos  empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a  empresa  inscrita  ou  não  no  Programa  de  Alimentação  ao  Trabalhador.  Outrossim,  na  forma  do  art.  62­A  do Regimento  de  ste Conselho  ,  RICARF,  as  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  nos  vincula.  "Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma  AgRg no REsp 1426319 / SC  06/05/2014  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  AUXÍLIO­ALIMENTAÇÃO  PAGO  IN  NATURA.  NÃO  INCIDÊNCIA.  PAGAMENTO  EM  PECÚNIA.  INCIDÊNCIA.  INSCRIÇÃO  NO  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO  DO  TRABALHADOR ­ PAT. DESNECESSIDADE. SÚMULA 83/STJ.  DECISÃO  MANTIDA.  1.  Não  incide  contribuição  previdenciária "em relação ao auxílio­alimentação, que, pago  in  natura,  não  integra  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária,  esteja  ou  não  a  empresa  inscrita  no  PAT.  Ao  revés,  pago  habitualmente  e  em  pecúnia,  há  a  incidência  da  referida  exação"  (REsp.  1.196.748/RJ,  Rel.  Min.  MAURO  CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 28.9.2010). 2. A  Súmula 83/STJ aplica­se aos recursos especiais interpostos tanto  pela  alínea  "a"  quanto  pela  alínea  "c"  do  permissivo  constitucional. Agravo regimental improvido."  Superior Tribunal de Justiça 1ª Turma  AgRg no Ag 1392454 / SC  17/11/2011  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO  DO  TRABALHADOR.  SALÁRIO  IN  NATURA.  DESNECESSIDADE  DE  INSCRIÇÃO  NO  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO  DO  TRABALHADOR  ­  PAT.  NÃO  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  AGRAVO  NÃO  PROVIDO.  1.  Nos  termos  da  jurisprudência  do  Superior  Tribunal de Justiça, o pagamento efetuado in natura do salário  alimentação  aos  empregados  não  sofre  a  incidência  da  contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa  inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador ­  PAT. 2. Agravo regimental não provido  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     8  Decisão  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  agravo  regimental,  nos  termos  do  voto  do  Sr.  Ministro Relator. Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho,  Benedito  Gonçalves  (Presidente)  e  Teori  Albino  Zavascki  votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o  Sr. Ministro Francisco Falcão.  "Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma  REsp 674999 / CE  05/05/2005  (..)  TRIBUTÁRIO.  AUXÍLIO­ALIMENTAÇÃO.  REFEIÇÕES  REALIZADAS  NAS  DEPENDÊNCIAS  DA  EMPRESA  E  DESCONTADAS,  PARTE,  DO  SALÁRIO  DO  EMPREGADO.  PAGAMENTO  IN  NATURA.  NÃO­INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PRECEDENTES.  1.  Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que entendeu ser  indevida  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  pagos  pela  empresa  a  título  de  alimentação  a  seus  empregados,  quando  efetuados  descontos  nos  salários  destes,  ainda que não esteja devidamente aprovado pelo Ministério do  Trabalho.  2. A jurisprudência do Superior Tribunal de  Justiça pacificou o  entendimento  no  sentido  de  que  o  pagamento  "in  natura"  do  auxílio­alimentação,  isto  é,  quando  a  própria  alimentação  é  fornecida  pela  empresa,  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  por  não  constituir  natureza  salarial,  esteja  o  empregador  inscrito  ou  não  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador ­ PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas,  proporcionar  o  aumento  da  produtividade  e  eficiência  funcionais. 3. Precedentes das 1ª, 2ª, 3 e 5ª Turmas desta Corte  Superior.  4.  Recurso  improvido."  (RESP  320185/RS,  Rel.  Min.  JOSÉ DELGADO, 1ª Turma, DJ de 03/09/2001) "PROCESSUAL  CIVIL  E  PREVIDENCIÁRIO.  EMBARGOS  À  EXECUÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  AUXÍLIO  ALIMENTAÇÃO.  PAGAMENTO EM ESPÉCIE.  LEGALIDADE  DA  COBRANÇA.  VINCULAÇÃO  AO  PAT.  MATÉRIA  DE  PROVA. SÚMULA 07/STJ. 1. Incabível o reexame da prova em  sede de recurso especial. 2. Apenas o pagamento  'in natura' do  auxílio­alimentação  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária.  3.  Recurso  especial  não  conhecido."  (RESP  180567/CE,  Rel.  Min.  FRANCISCO  PEÇANHA  MARTINS,  2ª  Turma, DJ de 23/04/2001) "Lei 6.321/76. Decreto 5/91. Não há  pagamento  "in  natura",  de molde  a  fazer  incidir  o  disposto  no  artigo 6º do Decreto 5/91, se esse se efetua mediante entrega de  tíquetes que propiciam a aquisição de bens." (RESP 112209/RS,  Rel.  Min.  EDUARDO RIBEIRO,  3ª  Turma,  DJ  de  03/05/1999)  "Reclamação  trabalhista.  Horas  extras.  Vale­alimentação.  Matéria  de  fato  (Súmula  nº  07/STJ).  Precedente  da  Corte.  1.  Decidindo  o  Tribunal  de  origem,  no  que  se  refere  à  contagem  Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/2008­65  Acórdão n.º 2403­002.912  S2­C4T3  Fl. 6          9  das  horas  extras,  com  base  na  prova  pericial,  a  passagem  do  especial encontra a barreira da Súmula nº 07 da Corte. 2. Como  assentado em precedente da Corte, o vale­alimentação integra o  salário, considerando que a legislação aplicável afasta, apenas,  a  parcela  in  natura,  isto  é,  quando  a  própria  alimentação  é  fornecida.  3.  Recurso  especial  conhecido,  em  parte,  mas  improvido."  (RESP  163962/RS,  Rel.  Min.  CARLOS  ALBERTO  MENEZES  DIREITO,  3ª  Turma,  DJ  de  24/05/1999)  "CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  ALIMENTAÇÃO  FORNECIDA  POR  EMPRESA.  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO  SALARIAL.  REEXAME  DE  PROVAS.  IMPOSSIBILIDADE  PELA  VIA  ELEITA  DO  ESPECIAL.  I  ­  AFIGURA­SE  ESCORREITO O  V.  ACÓRDÃO  VERGASTADO  AO DECIDIR  QUE  A  ALIMENTAÇÃO  PAGA,  ESTEJA  O  EMPREGADOR  INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO  TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO  E  SALÁRIO UTILIDADE, POR  ISSO QUE NÃO PODE, NUM  OU  NOUTRO  CASO,  HAVER  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  ADEMAIS,  NÃO  E  O  RECURSO  ESPECIAL  O  MEIO  HÁBIL  PARA  REEXAMINAR  PROVAS.  II  ­  RECURSO  NÃO  CONHECIDO."(RESP  85306/DF, Rel. Min. JOSE DE JESUS FILHO, 1ª Turma, DJ de  16/12/1996) 9. Recurso Especial improvido.  Decisão  Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros  da  PRIMEIRA  TURMA  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  conformidade dos votos e das notas  taquigráficas a  seguir, por  unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos  do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino  Zavascki,  Denise  Arruda  e  José  Delgado  votaram  com  o  Sr.  Ministro  Relator.  Ausente,  justificadamente,  o  Sr.  Ministro  Francisco Falcão "  Não obstante o acima, vinculando a administração , com a redação dada no  art 21 da Lei nº 11.033, de 2004, o art 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, passou a  vigorar  impedindo  de  a  Secretaria  da  Receita  Federal  constituir  os  créditos  tributários  nas  hipóteses abaixo:  "Art.  19.  Fica  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir  do  que  tenha  sido  interposto,  desde  que  inexista  outro  fundamento  relevante,  na  hipótese  de  a  decisão  versar  sobre:  (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)  II  ­  matérias  que,  em  virtude  de  jurisprudência  pacífica  do  Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça,  sejam  objeto  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral  da  Fazenda  Nacional,  aprovado  pelo  Ministro  de  Estado  da  Fazenda.  (..)  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     10  § 4° A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos  tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput  deste artigo.   (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) "  Relevante  ressaltar,  ainda,  o Ato Declaratório  n°  03/2011  da  Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional onde, nos casos idênticos ao em comento esta desiste de interpor  recursos bem como também dos já interpostos   Assim  DOU  PROVIMENTO  à  alegação  do  contribuinte  para  afastar  a  tributação dos créditos constituídos para esta rubrica.  PREVIDÊNCIA PRIVADA E PLANO DE SAÚDE  Nos  itens  3.5/3.8  do  Relatório  Fiscal  restou  claro  que  a  empresa  "disponibilzou" o direito de receber os benefícios mas não o fez para todos os segurados. As  cláusulas  15  e  16,  respectivamente  ,  dos  planos  de previdência  privada  e  do  plano  de  saúde  concedidos  pelo  contribuinte,  impõem  restrições  que  inibem  utilização  concomitante  dos  benefícios. A  restrição  em  si  caracteriza  que  os  planos  não  estão  exatamente  disponíveis  na  plenitude  posto  que  se  optar  por  um  perde  o  direito  ao  outro  e  a  legislação  define  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa  sendo  tributáveis  os  benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da lei 8.212/91:  "Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa;  (  Redação  dada  pela Lei n9.528, de 10.12.97) (..)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei,  exclusivamente:  (  Redação  dada  pela  Lei  n9.528,  de  10.12.97),(..)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; ( Alínea acrescentada pela  Lei n9.528, de 10.12.97) "  Relatório Fiscal   "3.6. Portanto, quanto aos empregados, ao optarem por um dos  dois  benefícios,  resultou  que  ficaram  descobertos  do  outro,  ficando  claro  que  há  uma  regra  estabelecida  para  que  o  empregado usufrua destes benefícios, qual seja, a de que decida  não receber o outro. Todavia, ambos os benefícios devem estar  Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/2008­65  Acórdão n.º 2403­002.912  S2­C4T3  Fl. 7          11  disponíveis a todos os trabalhadores, não devendo existir regras  ou condições que obstem esse acesso, para que estejam isentos.  3.7.  Quanto  aos  dirigentes  da  empresa,  constatou­se  que  os  mesmos  não  foram  contemplados  com  os  benefícios  de  previdência  privada  complementar  e  da  assistência  médica.  Assim,  também  neste  aspecto,  a  empresa  descumpriu  os  parâmetros  legais  exigidos  para  a  exclusão,  dos  valores  concedidos  aos  demais  segurados,  da  base  de  incidência  da  contribuição previdenciária.  3.8. Desse modo, a previdência privada e a assistência médica  não foram disponibilizadas a  todos os segurados da empresa ­  empregados  e  dirigentes  ­  não  atendendo,  portanto,  o  pressuposto  legal  da  não  incidência  tributária,  estes  valores  foram considerados  como  remuneração para  fins de  incidência  das contribuições prevídenciárias . "  Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO  DA AFERIÇÃO  Foram lançados por aferição indireta pagamentos de salários complementares  não  registrados  na  contabilidade,  prestação  de  serviços  de  frete  e  pró­labore.  A  recorrente  discorda da aferição realizada alegando ter disponibilizado toda a documentação solicitada pela  auditoria.  Neste  quesito  não  observou  que  o  procedimento  ocorreu  não  por  falta  de  apresentação  de  documentos, mas  pelo  contrário  justo  pela  apresentação  de  recibos  que  extrapolavam as folhas de pagamento normais, não integrando as mesmas, sendo constatado  também que a contabilidade não registrou o pagamento destas remunerações. Desse modo, as  bases de cálculo das contribuições previdenciária foram apuradas por meio de aferição indireta  em todo o período das ocorrências na forma do registro do item 6 e subitens do Relatório Fiscal  abaixo transcrito que , ressalte­se , não fora efetivamente contestado pelo contribuinte :  6.. Aferição ­ Lançamento arbitrado   6.1. Durante  a  auditoria,  ao  serem  examinados  os  documentos  relacionados  com  as  contribuições  previdencíárias  e Contratos  de  Prestação  de  Serviços,  foram  encontrados  recibos  de  pagamento  de  salário  a  vários  empregados,  que  extrapolam  as  folhas de pagamento normais, não integrando as mesmas, sendo  constatado  também  que  a  contabilidade  não  registrou  o  pagamento destas remunerações.  6.2.  Desse  modo,  as  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias serão apuradas por meio de aferição indireta em  todo o período fiscalizado, em razão dos motivos relatados nos  itens a seguir, revelando que a documentação examinada (folha  de  pagamento  e  contabilidade)  não  demonstra  a  remuneração  real dos segurados.  6.3. Nas  competências  outubro,  novembro  e  dezembro  de  2003  foram  apresentados  pela  empresa  diversos  recibos  avulsos  de  pagamentos aos funcionários, anexos, relacionados no anexo IX.  Estes  empregados  integram  quase  a  totalidade  dos  professores  contratados da matriz neste período.  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     12  6.4. Confrontados os  recibos,  que demonstram o pagamento de  "salário  complementar"  (nomenclatura  utilizada  pela  própria  empresa em tais documentos),  com as  remunerações constantes  das  folhas  de  pagamento,  constatou­se  que  nenhum  destes  valores  foi  registrado.  Para  exemplificar,  foram  selecionados  alguns  segurados  para  estademonstração,  conforme  quadros  abaixo.  (..)  6.8. Concernente à Contabilidade  da  empresa,  verificou­se que  os lançamentos são equivalentes às remunerações constantes das  folhas de pagamento, não sendo identificados registros de outros  valores  pagos  aos  funcionários  a  título  de  salário.  Logo,  quaisquer  pagamentos  de  salários  não  incluídos  em  folha  de  pagamento  também  estão  fora  dos  registros  contábeis  da  empresa.  Abaixo,  quadros  com  a  escrituração  das  folhas  de  pagamento  de  2003  (outubro  a  dezembro),  cujos  lançamentos  eram feitos apenas do valor líquido a pagar, demonstrando que  não há lançamentos contábeis de salários fora a folha   6.9.  Então,  os  recursos  aplicados  nos  pagamentos  de  salários  sem registro em folha não possuem respá  ldo contábil, ou seja,  ingressaram de  fato no "caixa real" da empresa,  sem, contudo,  terem sido lançados no "caixa contábil", levando a conclusão de  que não apenas as despesas como também as receitas não foram  completamente registradas.  6.10. Ao não refletir a situação real dos negócios da empresa, a  escrituração  contábil  i  fere,  ainda,  os  princípios  e  convenções  contábeis geralmente aceitos, conforme resoluções do Conselho  Federal  de  Contabilidade,  e,  por  conseguinte,  o  disposto  no  artigo 177 da Lei 6.404, de 15/12/76, determinando que a escrita  deve  observar  os  preceitos  da  legislação  comercial  e  os  princípios contábeis geralmente aceitos.  (..)  6.19.  Desse  modo,  agindo  a  empresa  no  sentido  de  ocultar  a  realidade econômica, com dispêndio tributário mais oneroso, as  remunerações  dos  segurados  (empregados  e  contribuintes  individuais) serão apuradas por aferição indireta, de modo a se  atingir  a  realidade  subjacente,  da  qual  não  se  tem  elemento  certo de avaliação, em razão da omissão do sujeito passivo. Tal  procedimento  visa  impedir  o  conluio  entre  as  partes  (empregador  e  empregado),  em  desproveito  do  fisco  federal,  e  encontra  respaldo  legal  no  artigo  148  da  Lei  5.172,  de  25  de  outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN) :   ­ Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome  em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória. administrativa  ou judicial  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/2008­65  Acórdão n.º 2403­002.912  S2­C4T3  Fl. 8          13  6.20.  No  mesmo  sentido,  assim  dispõe  a  Lei  8.212/1991,  nos  parágrafos do artigo 33:  Art.33. (..) ­  §1 ° É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS  e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade  da  empresa,  não  prevalecendo  para  esse  efeito  o  disposto  nos  arts.  17  e  18  do  Código  Comercial,  ficando  obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos e informações solicitados.  § 2°A empresa, o  servidor de órgãos públicos da administração  direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário  e  o  liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com as contribuições previstas nesta Lei.  § 3° ­ Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação, ou  sua  apresentação deficiente o  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS  e  o Departamento  da Receita Federal  podem,  sem prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário.  i § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  6.21.  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto 3.048/1999:  Art.  232.  A  empresa,  o  servidor  de  órgão  público  da  administração direta e  indireta, o egurado da previdência social,  o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o  comissário  e o  liquidante de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros  relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento.  Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  e  a  Secretaria  da  Receita  Federal  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível  nas  esferas  de  sua  competência, lançar de oficio importância que reputarem devida,  cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o  ônus da prova em contrário.  Parágrafo  único.  Considera­se  deficiente  o  documento  ou  informação  apresentada  que  não  preencha  as  fo.  malidades  legais,  bem  como  aquele  que  contenha  informação  diversa  da  realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.  Fl. 521DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     14  Art.  235.  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro documento da empresa, a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento real da remuneração dos  segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro,  esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as  contribuições  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  6.22.  Relativo  à  aferição  da  base  de  cálculo  dos  segurados  empregados, usou­se como parâmetro os valores constantes dos  recibos (anexos) de pagamento do salário  complementar,  discriminados  no  anexo  IX.  Estes  recibos,  em  comparação  com  a  remuneração  constante  da  folha  de  pagamento  destes  empregados,  demonstram  que  seus  salários  reais  representavam  mais  que  o  dobro  de  suas  remunerações  formalmente  registradas  (em  média  131%  superior  à  base  de  cálculo constante em folha de pagamento"  Em  razão  da  evidente  procedência  do  lançamento,  NEGO  PROVIMENTO      DO MÚTUO E DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA    Autuada,também,  por  prática  de  contrato  de  mútuo  feneratício  sem  onerosidade  aos  beneficiários,  em  sede de  recurso voluntário não guerreou  tais  lançamentos.  Ademais  não  fez  prova  contrária  à  verdade  constante  nos  autos  e  não  acostou  quaisquer  documentos que servissem de base às suas afirmações. Cumpre ressaltar que , há mandamento  expresso  no  art.  36  da  Lei  9.784/99  quanto  ao  ônus  probatório  preceituando  que  cabe  ao  interessado a prova dos fatos que tenha alegado.  Face  ao  exposto,  na  forma do  art.  17  do Decreto  70.235/72,  a matéria  não  expressamente impugnada está PRECLUSA.   DA PERÍCIA   Em  sede  de  impugnação  o  pedido  fora  negado  em  razão  de,  entre  outros  motivos, a então impugnante não ter nomeado o perito.  No presente, ao indeferir o pleito, me valho da exegese do art. 18 do Decreto  n. 70.235 /72 , em razão de considerar o pedido prescindível para o deslinde da questão:  "Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine"  Em face do encimando, NEGO PROVIMENTO  Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/2008­65  Acórdão n.º 2403­002.912  S2­C4T3  Fl. 9          15    DA MULTA  Relevante destacar que o lançamento constituiu créditos sobre fatos geradores  ocorridos no período 01/10/2003 a 31/12/2004   Aduz que no Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls 36, no  item,  601  – Acréscimos  Legais  da Multa,  a multa moratória  imputada  se  ateve  ao  comando  previsto nos então vigentes incisos I, II e II do art. 35 da Lei n° 8.212/91:  " 601 ­ ACRÉSCIMOS LEGAIS ­ MULTA  601.09 ­ Competências: 1012003 a 1212003, 01/2004 a 13/2004  Lei  n.  8  .212,  de  24  .07.91  ,  art.  35  ,  I,  li,  III  (com  a  redação  dada  pela  Lei  n.  9.876,  de  26.11.99);  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n.  3.048,  de  06.05.99, art. 239, 111,  "a",  "b" e  ­c­, parágrafos 6  .  e e 11, e  art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n.  3.265 , de 29. 11.99)."   DA NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N° 8.212  Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941,  de  2009,  às  obrigações  inadimplidas  anteriores  às  alterações  então  introduzidas,  seriam  acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro de 1996verbis :  “Art.35 . Os débitos com a União decorrentes das contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996” ( grifos do Relator)  Eis  que  o  caput  e  § 2º  da  Lei  no  9.430/96  determina  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso  limitada  ao  percentual  da multa  de  vinte  por  cento,  verbis:  “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...)    § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte  por cento.”  Também incluído pela mesma Lei n 11.941, de 2009, o art. 35­A apresenta  nova determinação na sua implementação uma vez que o art. 44 a que se remete foi introduzido  Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     16  pela Lei  n°  11.488,  de  2007  ,  contemporânea  e  posterior  ,  em  parte,  aos  fatos  geradores  do  presente lançamento.  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.( Incluído  pela Lei n° 11.941, de 2009)   Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas: ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)   DA COMPARAÇÃO DOS ARTIGOS  Tudo isto exposto, entendo que se deva verificar o resultado da aplicação do  revogado art. 35 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação  dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941 e finalmente compará­los com os valores  obtidos nos termos do novo art. 35­A para então fazer prevalecer o menos gravoso na forma da  lei.   Definido  pertinente  o  recálculo  da  multa,  este  se  observará  quando  a  liquidação do crédito  for postulado pelo  contribuinte,  de  acordo com o artigo 2° da Portaria  Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009:  “Art.  2° No  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento  do  débito  pelo  contribuinte,  o  valor  das  multas  aplicadas  será  analisado  e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos  da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de  outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional ­ CTN.”  DA JURISPRUDÊNCIA NO STJ   Alfim, apraz constatar que não estou solitário em  tal convencimento na medida em que o entendimento acima  desposado encontra amparo na jurisprudência pacífica do STJ cujos precedentes vêm consagrando tal convicção  desde alhures , verbis:  “PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – ART. 535 DO CPC –  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  –  EXECUÇÃO  FISCAL  –  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  –  AUSÊNCIA  DE  COTEJO  ANALÍTICO  –  MULTA  DO  ARTIGO  35,  LEI  N.  8.212/91  –  APLICAÇÃO  DE  LEI  MAIS  BENÉFICA  –  PRECEDENTES.  1.  Inexiste  violação  do  art.  535  do  CPC  quando  a  prestação  jurisdicional  é  dada  na medida  da  pretensão  deduzida.  2.  Não  configurada  a  divergência  suscitada,  pois  o  recorrente  não  realizou  o  necessário  cotejo  analítico,  bem  como  não  apresentou,  adequadamente,  o  dissídio  jurisprudencial.  3.  A  multa do artigo 35 da Lei n. 8.212/91 deve ser aplicada com as  alterações  impostas  pela  nova  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte. Princípio  da  retroatividade  da  lei mais  benéfica.  Precedentes. Agravo regimental parcialmente provido. (AgRg no  REsp  576.696/PR,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2009, DJe 21/10/2009)”  ( grifos de minha autoria)    “TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  À  EXECUÇÃO  FISCAL.  PRESUNÇÃO  DE  LIQUIDEZ  E  Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/2008­65  Acórdão n.º 2403­002.912  S2­C4T3  Fl. 10          17  CERTEZA DA CDA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.  DÉBITOS  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  CONTRAÍDOS  PELA  SOCIEDADE.  LEI  8.620/93,  ART.  13.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  INTERPRETAÇÃO.  MATÉRIA  PACIFICADA  NO  ÂMBITO DA 1ª SEÇÃO.  A  ausência  de  debate,  na  instância  recorrida,  da matéria  cuja  violação se alega atrai a incidência da Súmula 282/STF. 2. A 1ª  Seção  do  STJ,  no  julgamento  do RESP  717.717/SP, Min.  José  Delgado,  sessão  de  28.09.2005,  consagrou  o  entendimento  de  que, mesmo  em  se  tratando  de  débitos  para  com  a  Seguridade  Social, a responsabilidade pessoal dos sócios das sociedades por  quotas de  responsabilidade  limitada, prevista no art. 13 da Lei  8.620/93, só existe quando presentes as condições estabelecidas  no art. 135, III do CTN. 3. Aplica­se retroativamente a redução  da  multa  moratória  estabelecida  pelo  artigo  35  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  conferida  pela  Lei  nº  9.528/97,  por  ser  mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN), aos  débitos objeto de execução fiscal não definitivamente encerrada,  entendendo­se como tal aquela em que não foram ultimados os  atos  executivos  destinados  à  satisfação  da  prestação.  Precedentes:  REsp  491242/RS,  1ª  Turma, Min. Denise  Arruda,  DJ  de 06.06.2005;  EDcl  no RESP  332.468/SP,  2ª  Turma, Min.  Castro Meira, DJ  de 21.06.2004.  4.  Recurso  especial  a  que  se  nega  provimento.  (REsp  698.960/RS,  Rel.  Ministro  TEORI  ALBINO  ZAVASCKI,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  09/05/2006, DJ 18/05/2006, p. 185)”  DA PENALIDADE MENOS SEVERA  O artigo 106,II,“c”, do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado,  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.   “ Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;   c)  quando  lhe  comine penalidade menos  severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.”  Diante do motivos supra, CABE RECÁLCULO DA MULTA APLICADA.  Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     18    CONCLUSÃO  Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para no MÉRITO, DAR­LHE  PROVIMENTO PARCIAL determinando que sejam afastados os créditos constituídos sobre as  parcelas do PAT e se aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da  redação  dada  pela Lei  n°  11.941,  de 2009,  nos  termos  do  art.  61  da Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996 até a competência 11/2008.  É como voto    Ivacir Júlio de Souza.                              Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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5958822 #
Numero do processo: 10280.003596/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Numero da decisão: 3402-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para incluir os custos com serviços de terraplanagem no cálculo do crédito do PIS e da Cofins apurados no regime da não-cumulatividade e determinar que sejam homologadas as compensações até o limite do valor a ser ressarcido. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 204          1 203  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10280.003596/2006­58  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­002.568  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de dezembro de 2014  Matéria  COFINS  Recorrente  PARÁ PIGMENTOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004  Ementa:  NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMOS.   O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  denota  uma  abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado,  tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar  todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.  Sua justa medida caracteriza­se como elemento diretamente responsável pela  produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento  não  entre  em  contato  direto  com  os  bens  produzidos,  atendidas  as  demais  exigências legais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  4ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  terceira   SSEEÇÇÃÃOO  DDEE  JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para  incluir  os  custos  com  serviços  de  terraplanagem  no  cálculo  do  crédito  do  PIS  e  da  Cofins  apurados  no  regime  da  não­cumulatividade  e  determinar  que  sejam  homologadas  as  compensações até o limite do valor a ser ressarcido.    (assinado digitalmente)  GILSON  MACEDO  ROSENBURG  FILHO  –  Relator  e  Presidente  Substituto.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 96 /2 00 6- 58 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 205          2 Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  MARIA  APARECIDA  MARTINS  DE  PAULA,  FERNANDO  LUIZ  DA  GAMA  LOBO  D’EÇA,  FENELON  MOSCOSO  DE  ALMEIDA  (Suplente),  JOÃO  CARLOS  CASSULI  JUNIOR,  FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.  Relatório  Como  forma  de  elucidar  os  fatos  ocorridos,  colaciono  o  relatório  da  Resolução nº 3402­000472, de 23 de outubro de 2012:  Trata­se de Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição  para  a  Cofins  não­cumulativa  no  valor  de  R$  1.274.147,00,  conforme  PER  nº  24441.63133.040906.1.1.099603,  relativo  ao  2º trimestre de 2004, cumulado com apresentação de DCOMP nº  09330.00384.040806.1.3.090807.  A  DRF/Belém,  por  intermédio  do  Parecer/Despacho  de  fls.  161/165, resolveu:  a) Reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 127.900,00;  b)  Homologar  a  compensação  pretendia  na  DCOMP  nº  09330.00384.040806.1.3.090807,  até  o  limite  do  crédito  reconhecido.  Segundo  a  Informação  Fiscal  de  fls.  129/136,  procedeu­se  a  glosa  de  R$  102.104,14  e  R$  904.729,59  apurando­se  como  Receita  Bruta  Total  os  valores  de  R$  11.869.399,46  e  R$  12.743.618,51  e  não  R$  11.971.500,60  e  13.648.348,10  considerados  pela  empresa  nos  meses  de  abril/04  e  maio/04,  como  as  Receitas  de  Exportação  nesses  meses  são  R$  9.232.016,10  e  R$  9.636.286,62,  as  relações  percentuais,  calculadas com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03, são 77,78%  (registre­se  que  originalmente  o  auditor  informou  77,12%,  no  entanto na apuração utilizou o coeficiente 77.78%) e 75,62% e  não 82,61% e 82,25% adotadas pelo contribuinte.  Informa  ainda  que  apesar  de  não  haver  sido  incluído  indevidamente nenhum valor no  cômputo da  receita bruta  total  de junho/04, assim como não ter havido glosa que modificasse a  relação  entre  a  receita  total  e  de  exportação,  foi  apurado  coeficiente de 76,75%, tomando­se como receita total o valor de  R$ 18.857.470,85 e como de exportação R$ 14.473.835,41, e não  85,60% utilizado pela contribuinte.  Além disso, foram glosados:  a) os gastos com combustíveis e  lubrificantes, sob o argumento  de que os mesmos não podem ser considerados insumos por não  entrarem em contato com o produto fabricado (caulim);  b)  despesas  com  serviços  de  terraplenagem,  por  não  haverem  sido aplicados ou consumidos na produção do caulim.  Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 206          3 c) outros custos com direito a credito por serem computados em  duplicidade;  d)  créditos  apurados  sobre  depreciação  de  bens  do  ativo  imobilizado  adquiridos  a  partir  de  01/05/2004,  por  descumprimento do disposto no art. 31 da Lei nº 10.865/2004.  Cientificada  em  01.03.2011  (AR  fl.  184),  a  interessada  apresentou,  tempestivamente,  em  31.03.2011  ,  manifestação  de  inconformidade (fls. 185/318) na qual, em síntese:  a) Indica ser nulo o Despacho por inexistência de descrição dos  fatos e  enquadramento  legal. “A omissão é  tão patente que em  nenhum  dos  dois,  parecer  ou  despacho,  é  feita  sequer  menção  expressa  ao  RPF  n°  0210100/201000599  (!),  onde,  de  fato,  encontram­se os fundamentos que acarretaram na homologação  parcial do crédito da REQUERENTE.”;  b) “Com efeito, a REQUERENTE teve que fazer um verdadeiro  trabalho  investigativo  para  conseguir  vincular  o  Parecer  SEORT/DRF/BEL n°  028/2011  e  o  despacho decisório  ao RPF  n° 0210100/201000599. Ao analisar este último, verificou que (i)  possuía  o  mesmo  número  de  Processo  Administrativo  (PA  n°  10280.003596/200658) do parecer e do despacho decisório; (ii)  fazia  menção  à  mesma  PER/DCOMP  e  período  objeto  de  apuração  do  crédito  (PER/DCOMP  n°  24441.63133.040806.1.1.099603 / 2º Trimestre de 2004); e, por  fim,  (iii)  reconhecia  o mesmo  valor de  crédito  de COFINS  (R$  127.900,00).”;  c)  Entende  haver  feito  a  correta  apuração  da  base  da  contribuição,  não  tendo a  fiscalização  exposto  as  razões  que  a  levaram  a  apurar  suposto  erro  no  cálculo  dos  coeficientes  utilizados  pela  empresa,  o  que,  por  si  só,  inviabiliza  a  sua  defesa;  d) “Vê­se, pois, que a alteração dos coeficientes de cálculo pela  Fiscalização está eivada de nulidade, nos termos do art. 59, II,  Decreto  n°  70.235/1  972,  tendo  em  vista  que  a  mesma  não  discrimina os motivos da referida alteração, cerceando o direito  da  REQUERENTE,  por  ausência  de  elementos  para  se  defender.”;  e)  Defende  que  os  valores  pagos  na  aquisição  de  óleos  combustível  e  lubrificante,  e  os  despendidos  com  serviços  de  terraplanagem  geram  créditos  por  se  caracterizarem  como  insumo;  f)  Argumenta  que  a  definição  de  insumo  trazida  pelos  atos  normativos  da  Receita  Federal  foi  pega  de  empréstimo,  “de  modo flagrantemente impróprio”, das legislações do ICMS e do  IPI,  não  podendo  ser  utilizadas  para  a  Cofins,  uma  vez  que  a  materialidade  desta  última  é  muito  maior  que  a  dos  impostos,  devendo  a  possibilidade  de  creditamento  também  ser  mais  abrangente;  Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 207          4 g)  “Por  oportuno,  ressalte­se  que  no  RPF  n°  0210100/201000599  é  feita  remissão  ao  art.  66,  §  50,  II  da  IN/SRF no 247/2002, para  indeferir o creditamento dos valores  recolhidos  a  título  de  serviços  de  terraplanagem,  quando  o  correto  seria  a  indicação do  inciso  I  do  referido  artigo,  pois  é  este que cuida do creditamento de serviços prestados por pessoa  jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do  produto (o  inciso II  trata do serviço aplicado ou consumido na  prestação  de  serviço),  o  que,  por  si  só,  enseja  a  nulidade  do  despacho  decisório  quanto  aos  créditos  apurados  relacionados  com esse item.”;  h)  “Vê­se,  pois,  que,  o  conceito  de  insumo,  para  fins  de  apuração de crédito da COFINS, deve abranger todo e qualquer  bem ou  serviço utilizado na obtenção de  receita,  sendo  ilegais,  portanto,  as  restrições  contidas  no  art.  8°,  §  4°,  1,  “a”,  da  IN/SRF  n°  404/2004  e  no  art.  66,  §  50,  II,  “b”,  da  IN/SRF  n°  247/2002.”;  i) Cita a Solução de Divergência nº 37, de 2008, da Cosit, que  entende ser aplicável ao presente caso, na qual a administração  teria  concluído  que  os  óleos  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  ou  consumidos  no  processo  de  produção  de  bens  e  serviços geram créditos de Cofins, não havendo necessidade de  que  os  mesmos  ajam  diretamente  sobre  o  produto  fabricado.  Transcreve trechos do documento;  j)  Destaca  que  o  óleo  combustível  é  consumido  como  combustível no processo de evaporação do caulim. “Isso porque  o processo de evaporação, que tem por objetivo diminuir o teor  de  umidade  da  polpa  redispersa  para  níveis  de  30  35%.  O  sistema de evaporação é composto por um vaso cilíndrico, termo  compressor  e  conjunto  de  trocadores  de  calor  tipo  placas  e  de  uma  caldeira  flamotubular,  que  utiliza  óleo  BPF1  A,  como  combustível.”;  k)  “Como  se  isso  não  fosse  o  bastante,  na  secagem,  um  dos  processos  de  produção  do  'caulim',  o  gás  quente  responsável  pelo  aquecimento  do  ar  de  secagem  é  obtido  pela  queima  de  combustível em uma fornalha revestida com tijolos refratários.”;  l)  “Desse  modo,  pode­se  ainda  afirmar  que  não  só  os  óleos  lubrificantes  e  combustíveis  são  consumidos  no  processo  de  fabricação  do  produto,  como  também  atuam  diretamente  sobre  esse processo produtivo. De fato, como visto, o óleo combustível  atua  diretamente  no  processo  de  redução  de  umidade  do  caulim.”;  m)  “Com  relação  aos  serviços  de  terraplanagem,  esses  são  preparatórios  para  a  exploração  mineral,  visto  que  têm  como  objetivo aplainar o terreno, para que se possa iniciar a extração  do  'caulim',  restando  também  extreme  de  dúvida  a  sua  importância dentro do processo produtivo.”;  n) “No entanto, basta uma simples análise da DACON relativa  ao 2º  trimestre de 2004  (Doc. Nº 5),  para se  verificar que não  Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 208          5 houve  indicação  em  duplicidade  de  créditos  por  parte  da  REQUERENTE.  Ressalte­se  que  aqui,  mais  uma  vez,  a  Fiscalização  faz  afirmação  de modo  completamente  arbitrário,  sem  elencar  as  razões  pelas  quais  teria  chegado  a  essa  conclusão, repise­se, de todo absurda.”;  o) “Ora, a ‘interpretação’ dada pela Fiscalização ao art. 31 da  Lei  nº  10.865/2004  é  completamente  absurda.  Isso  porque  o  referido artigo não só não veda, como expressamente autoriza o  creditamento da COFINS sobre a depreciação de bens do ativo  fixo adquiridos a partir de 01.05.2004, in verbis:”.  p) Conclui:  “Nas  Seções  anteriores  encontra­se  devidamente  demonstrado  que  a  REQUERENTE  tem  direito  a  se  creditar  dos  valores  relativos  aos  óleos  combustível  e  lubrificante  e  ao  serviço  de  terraplanagem, tendo em vista que tratam­se de bens e serviços  utilizados para a obtenção de receita e, por conseguinte, podem  ser  classificados  como  insumos  passíveis  de  creditamento,  nos  termos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n°  10.833/2003.No  entanto,  caso  assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar,  a REQUERENTE requer a realização de perícia, nos termos do  art.  16,  IV,  do  Decreto  n°  70.235/1  972,  para  que  sejam  respondidos os seguintes quesitos:  a)  Os  óleos  combustíveis  e  lubrificantes  adquiridos  pela  REQUERENTE  são  utilizados  e/ou  consumidos  no  processo  de  fabricação  do  'caulim'  ou  de  qualquer  outro  produto  da  REQUERENTE?  b) Os serviços de terraplanagem são utilizados e/ou consumidos  no  processo  de  fabricação  do  'caulim'  ou  de  qualquer  outro  produto da REQUERENTE?  c)  Os  óleos  combustíveis  e  lubrificantes  adquiridos  pela  REQUERENTE  têm  ação  direta  no  processo  de  fabricação  do  “caulim” ou de qualquer outro produto da REQUERENTE OU,  ainda, os referidos bens integram de alguma forma o caulim ou  qualquer outro produto final da REQUERENTE?  Por  oportuno,  a  REQUERENTE  indica  o  Sr.  Anselmo  Duarte  Pereira,  engenheiro químico,  inscrito no Conselho Regional de  Química  sob  o  n°  03.302.662  6ª  Região,  para  atuar  como  seu  perito.  Por todo o exposto, a REQUERENTE requer a V.Sa. que seja:  a)  declarada  a  nulidade  do  parecer  SEORT/DRF/BEL  nº  028/2011 e do respectivo despacho decisório; ou  b)  caso  assim  não  entenda  que,  no  mérito,  seja  dado  integral  provimento à sua manifestação de inconformidade, para que, ao  final,  seja homologado  integralmente a  compensação objeto da  PER/DCOMP  nº  24441.63133.040806.1.1.099603  (DCOMP  nº  9330.00384.040806.1.3.090807).  Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 209          6 A  3ª  Turma  da  DRJ  Belém  (PA)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº  01­22576,  de  09  de  agosto  de  2011,  cuja  ementa  abaixo  transcrevo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. CRÉDITO.  Do  montante  apurado  para  a  contribuição,  a  pessoa  jurídica  pode  descontar  créditos  sobre  os  valores  das  aquisições  efetuadas  no  mês  de  bens  e  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados  como  insumos  na  produção  ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda.  COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.  Os  combustíveis  e  lubrificantes,  assim como a  energia  elétrica,  quando  participantes  do  processo  industrial,  caracterizam­se  como  insumos  indiretos  para  os  quais  há  determinação  específica  na  legislação  que  permite  o  aproveitamento  de  créditos.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte  Descontente com o deferimento parcial decidido pela instância a  quo,  o  sujeito passivo apresentou  recurso  voluntário ao CARF,  repisando  os  argumentos  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade,  exceto  quanto  ao  aproveitamento  dos  custos  com  combustíveis  e  lubrificantes  como  insumo  para  fins  de  creditamento da exação, pois essa matéria foi reconhecida como  seu direito pela instância a quo.  Termina  sua  peça  recursal  requerendo  integral  provimento  ao  seu  recurso  para  fins  de  que  seja  deferido  integralmente  o  pedido  de  ressarcimento  e  homologada  integralmente  a  compensação por ele efetuada.  Como  já  mencionado,  a  2ª  Turma  da  4ª  Câmara  da  3ª  Seção  do  CARF  converteu o julgamento em diligência para que fosse esclarecida a participação do serviço de  terraplanagem no processo produtivo da empresa.   A Unidade de Origem realizou o trabalho e emitiu seu parecer. O recorrente  teve ciência da informação fiscal e não se manifestou.  Os autos retornaram ao CARF para seguimento do rito processual.  É o brevíssimo relatório.    Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 210          7   Voto             Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos  demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo ao mérito.  NULIDADES  O recorrente alega cerceamento do direito de defesa em vista da dificuldade  de obter pleno conhecimento dos motivos que levaram à alteração dos coeficientes aplicados  no  cálculo  da  relação  entre  as  receitas  total  e  de  exportação,  motivo  pelo  qual  deveria  ser  considerado nulo o despacho decisório.  Ao meu sentir, não há razões para decretar a nulidade do despacho decisório,  uma vez que restou claro o procedimento da fiscalização na apuração da relação entre receitas  de  exportação  e  receita  total.  Como  mencionado  na  informação  fiscal,  não  foram  glosados  nenhum  valor  declarado  em DACON,  apenas  foi  feita  a  operação  aritmética  que  alterou  os  percentuais  utilizando  os mesmos  valores  de  receita  de  exportação  e  totais  informados  pelo  próprio recorrente.  Assim sendo, afasto a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente.   BENS E SERVIÇOS ­ INSUMOS  O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005­ 65  de  sua  relatoria,  enfrentou  o  tema  com  maestria,  profundidade  e  didática,  de  sorte  que  reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis:   O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e  Cofins  não  cumulativos  em  decorrência  do  termo  “insumo”  utilizado  pelo  legislador,  sem  a  devida  definição  de  sua  amplitude,  ou  seja,  se  o  insumo  a  ser  considerado  deva  ser  somente  o  “direto”  ou  se  o  termo  deve  abarcar,  também,  os  insumos “indiretos”.  Nesse contexto, torna­se necessária uma maior reflexão sobre o  tema. Os arts 3º,  inciso  II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03,  dispõem  sobre  a  possibilidade  de  a  pessoa  jurídica  descontar  créditos  relacionados  a  bens  e  serviços,  utilizados  como  “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.  Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou  as  Instruções  Normativas,  IN  SRF  nº  247/02,  art.  66,  §  5º,  no  caso  do  PIS  e  IN  SRF  nº  404/04,  art.  8º,  §  4º  para  a  Cofins.  Nelas,  o  fisco  limitou  a  abrangência  do  termo  “insumos”  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda,  à matéria­prima,  ao  produto  intermediário,  ao material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 211          8 tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação.  Em  se  tratando  de  serviços,  os  bens  aplicados ou consumidos na prestação de  serviços. Necessário,  ainda,  que  os bens  não estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado,  bem  assim,  os  serviços  sejam  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  sendo  aplicados  ou  consumidos  na  produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço.  De modo  a  esclarecer  o  alcance  de  tais  normas  em  relação  a  casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas,  por  vezes  conflitantes,  as  quais  acabaram  por  ensejar  a  elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência  dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das  leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa,  percebe­se  ser  cada  vez  mais  intenso  o  coro  a  rejeitar  a  não  cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos  moldes do IPI.  Nesse  sentido,  na  doutrina  preconizada  por  Fábio  Pallaretti  Calcini,  a  não  cumulatividade  vinculada  ao  produto  (IPI)  ou  mercadoria  (ICMS)  não  se  presta  a  fundamentar  a  não  cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita,  ensejando,  assim,  uma  maior  amplitude  para  a  obtenção  dos  créditos. A  falta  de  pertinência  se  evidencia  em  se  tratando de  prestador de serviços.  As  restrições  legalmente  impostas  cingem­se  ao  art.  3º,  §  2º,  incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de  vedação  de  crédito  decorrente  de  mão  de  obra  paga  a  pessoa  física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição.  Releva  observar,  em  conformidade  com o  art.  3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade  de  que,  tanto  os  bens  e  serviços  adquiridos,  como  também  os  custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como  destino pessoa jurídica domiciliada no País.  Desse modo,  proclama  o  referido  autor;  vez  que  as  restrições,  com  caráter  de  excepcionalidade,  estão  expressamente  consignadas  em  lei,  os  demais  dispositivos  normativos  não  poderiam ser elaborados de forma restritiva.  Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração  o  fato  de  que  no  caso  das  contribuições  para  o  PIS  e  para  a  Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e  não  somente  a  atividade  fabril,  mercantil  ou  de  serviços,  constata  que  há  a  eleição  de  ‘outras  hipóteses  creditórias  desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como  é  o  caso  das  despesas  financeiras  decorrentes  de  empréstimos,  financiamentos  e  contraprestações  de  operações  de  arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante  deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática  do PIS  e  da Cofins  não  guarda  simetria  com  aquele delineado  pelas  legislações  do  IPI  e  do  ICMS,  visto  não  estar  limitado  apenas  a  operações  realizadas  com  mercadorias  ou  produtos  Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 212          9 industrializados,  sendo,  inclusive,  aplicado  aos  prestadores  de  serviços.  Nessa  linha  registra  Pallaretti  Calcini  que  as  limitações  à  utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis,  não  comportando  acréscimos.  Assim,  sustenta  que  a  expressão  insumo  deve  estar  vinculada  aos  dispêndios  relizados  pelo  contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o  pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio  ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros  trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não  se  coaduando  com  o  disposto  nas  Leis  nos  10.637/02  e  10.833/03.  No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se  flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado  como  insumo.  Nesse  contexto,  relevantes  as  considerações  do  Conselheiro  Henrique  Pinheiro  Torres  no  voto  condutor,  na  CSRF,  do  acórdão  nº  9303­01.035  de  23/08/2010,  processo  nº  11065.101271/2006­47, conforme se observa de sua transcrição:  A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade  ou  não  de  se  apropriar  como  crédito  de Pis/Pasep  dos  valores  relativos  a  custos  com  combustíveis,  lubrificantes  e  com  a  remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o  alcance do termo insumo,  trazido no  inciso  II do art. 3º da Lei  10.637/2002.  A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do  termo insumo, previsto na legislação do IPI  (o conceito trazido  no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para  a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo  insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela  legislação  dessas  contribuições.  No  âmbito  desse  imposto,  o  conceito  de  insumo  restringe­se  ao  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  de  material  de  embalagem,  já  na  seara  das  contribuições,  houve  um  alargamento,  que  inclui  até  prestação  de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado  na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa  contribuições.  Neste  ponto,  socorro­me  dos  sempre  precisos  ensinamentos  do  Conselheiro  Julio  Cesar  Alves  Ramos,  em  minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003­61,  que,  com  as  honras  costumeiras,  transcrevo  excerto  linhas  abaixo:  “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que  restaria seria a confirmação da decisão recorrida.  Isso  a  meu  ver,  porém,  não  basta.  É  que,  definitivamente,  não  considero  que  se  deva  adotar  o  conceito  de  industrialização  aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a  restritiva  noção  de  matérias  primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  lá  prevista  para  o  estabelecimento  do  conceito  de  ‘insumos’  aqui  referido.  A  primeira  e  mais  óbvia  razão está na completa ausência de remissão àquela legislação  na Lei 10.637.  Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 213          10  Em segundo  lugar,  ao usar a  expressão  ‘insumos’,  claramente  estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que  ai  incluiu  ‘serviços’,  de  nenhum  modo  enquadráveis  como  matérias  primas,  produtos  intermediários  ou  material  de  embalagem.  Ora,  uma  simples  leitura  do  artigo  3º  da  Lei  10.637/2002  é  suficiente  para  verificar  que  o  legislador  não  restringiu  a  apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados  no  creditamento  de  IPI.  No  inciso  II  desse  artigo,  como  asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito  de  insumos  os  serviços  contratados  pela  pessoa  jurídica.  Esse  dispositivo  legal  também  considerou  como  “insumo”  combustível  e  lubrificante,  o  que,  no  âmbito  do  IPI,  seria  um  verdadeiro  sacrilégio.  Mas  as  diferenças  não  param  aí,  nos  incisos  seguintes,  permitiu­se  o  creditamento  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos  adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados  à  venda,  bem  como  a  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir  o  creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matérias­primas,  produtos  intermediários  e  ou material  de  embalagens  (alcance  de  insumos  na  legislação  do  IPI)  utilizados,  diretamente,  na  produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar  insumos  como  sendo  os  gastos  gerais  que  a  pessoa  jurídica  precisa  incorrer  na  produção  de  bens  ou  serviços  por  ela  realizada.  Vejamos o dispositivo citado:  (...)  As  condições  para  fruição  dos  créditos  acima  mencionados  encontram­se reguladas nos parágrafos desse artigo.  Voltando  ao  caso  dos  autos,  os  gastos  com  aquisição  de  combustíveis  e  com  lubrificantes,  junto  à  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  bem  como  as  despesas  havidas  com  a  remoção  de  resíduos  industriais,  pagas  a  pessoa  jurídica  nacional  prestadora  de  serviços,  geram  direito  a  créditos  de  Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima.  Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento  ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”.  Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 3202­00.226, em  08/12/2010, processo nº 11020.001952/2006­22, de relatoria do  Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer  diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar  decisões administrativas,  todas no sentido de que o conceito de  “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que  o  preconizado  pelas  normas  editadas  pelo  Fisco  Federal,  arremata:  Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 214          11 É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para  o  cálculo  do  PIS  e  COFINS  não  cumulativos  deve  necessariamente compreender os custos e despesas operacionais  da pessoa jurídica, na  forma definida nos artigos 290 e 299 do  RIR/99,  e  não  se  limitar  apenas  ao  conceito  trazido  pelas  Instruções  Normativas  n°  247/02  e  404/04  (embasadas  exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI).  No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos  a  valores  de  despesas  que  a  Recorrente  houve  por  bem  classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção  de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos  mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda.  Ora,  constata­se  que  sem  a  utilização  dos  mencionados  materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar  seus  produtos  à  venda,  haja  vista  a  inviabilidade  de  utilização  das  máquinas.  Frise­se  que  o  material  utilizado  para  manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo.  Em  virtude  doa  argumentos  expostos,  em  que  pese  o  respeito  pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de  Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de  créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que  tal  glosa  não  deve  prosperar,  uma  vez  que  os  equipamentos  adquiridos  caracterizam­se  como  despesas  necessárias  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades,  sendo  certo  o  direito  ao  crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para  o PIS e COFINS.  Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado:  [...]  REGIME NÃO CUMULATIVO.  INSUMOS. MATERIAIS  PARA  MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS.  O  conceito  de  insumo  dentro  da  sistemática  de  apuração  de  créditos  pela  não  cumulatividade  de  PIS  e  Cofins  deve  ser  entendido como  toda e qualquer  custo ou despesa necessária à  atividade  da  empresa,  nos  termos  da  legislação  do  IRPJ,  não  devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI,  uma  vez  que  a  materialidade  de  tal  tributo  é  distinta  da  materialidade das contribuições em apreço.  Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento  acerca da matéria.  Conforme  dito  anteriormente,  o  cerne  da  questão  reside  no  significado  e  abrangência  do  termo  “insumo”  consignado  nos  arts  3º,  inciso  II  das  Leis  nos  10.637/02  e  10.833/03,  cuja  semelhante redação assim dispõem:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:   [...]  Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 215          12 II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  TIPI;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei)  Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro  relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso  discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue:  “O  conceito  de  insumo  dentro  da  sistemática  de  apuração  de  créditos  pela  não  cumulatividade  de  PIS  e  Cofins  deve  ser  entendido como  toda e qualquer  custo ou despesa necessária à  atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...”  Trava­se aqui, a mesma discussão do crédito presumido de  IPI  de  que  trata  a  Lei  nº  9.363/96,  ou  seja,  se  o  insumo  deve  ser  compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e  qualquer matéria­prima e produto intermediário, cuja utilização  na  cadeia  produtiva  seja  necessária  à  consecução  do  produto  final, ou não.  O  art.  290  do  RIR/99  mencionado  no  acórdão  referencia  o  método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos  de  produção dos  bens,  sejam diretos  ou  indiretos,  variáveis  ou  fixos.  Assim,  o  custo  de  produção  dos  bens  ou  serviços  deverá  compreender  o  custo  de  aquisição  das  matérias­primas  e  secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos  gerais  de  fabricação,  inclusive  os  custos  fixos  tais  como  os  encargos de depreciação dos bens utilizados na produção.  Já  o  art.  299,  também  do  RIR/99,  trata  das  despesas  operacionais  dedutíveis  na  determinação  do  lucro  real  como  sendo  as  despesas  necessárias  à  atividade  da  empresa  e  à  manutenção da respectiva fonte produtora de receitas.  Suas matrizes legais são:  Decreto­Lei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99),  que assim dispõe:   Art.  13  ­  O  custo  de  aquisição  de  mercadorias  destinadas  à  revenda  compreenderá  os  de  transporte  e  seguro  até  o  estabelecimento  do  contribuinte  e  os  tributos  devidos  na  aquisição ou importação.    §  1º  ­  O  custo  de  produção  dos  bens  ou  serviços  vendidos  compreenderá, obrigatoriamente:    a) o custo de aquisição de matérias­primas e quaisquer outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção,  observado o disposto neste artigo;   Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 216          13  b)  o  custo  do  pessoal  aplicado  na  produção,  inclusive  de  supervisão  direta,  manutenção  e  guarda  das  instalações  de  produção;    c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de  depreciação dos bens aplicados na produção;    d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a  produção;    e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na  produção.    § 2º ­ A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não  exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício  social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo.  Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art.  47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor:   Art.  47.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  empresa  e  a manutenção da  respectiva fonte produtora.   §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da empresa   §  2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades  da  empresa.  Tendo  em  vista  a  extensa  redação  levada  a  efeito  no  caso  do  Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo  “insumo”  utilizado  na  norma  tenha  a  mesma  amplitude  do  citado  imposto.  Acaso  o  legislador  pretendesse  tal  alcance  do  referido  termo  teria  aberto  mão  deste  vocábulo,  “insumo”,  assentando  que  os  créditos  seriam  calculados  em  relação  a  “todo  e  qualquer  custo  ou  despesa  necessários  à  atividade  da  empresa  ou  à  obtenção  de  receita”.  Dispondo  desse  modo  o  legislador,  sequer,  precisaria  fazer  constar  “inclusive  combustíveis e lubrificantes”.  Creio  que  o  termo  “insumo”  foi  precisamente  colocado  para  expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME,  utilizados  pelo  IPI,  porém,  não  com o mesmo alcance  do  IRPJ  que  possibilita  a  dedutibilidade  dos  custos  e  das  despesas  necessárias  à  atividade  da  empresa.  Precisar  onde  se  situar  nesta escala é o cerne da questão.   De  se  registrar  que  o  próprio  fisco  vem  flexibilizando  seu  conceito  de  insumo. Como  exemplo  tem­se  que,  em  relação  ao  citado  acórdão,  o  qual  tratou  de  créditos  de  aquisições  de  materiais  para  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos,  a  própria  administração  tributária  já  havia  se  manifestado  favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução  de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade  Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 217          14 de  contato  direto  com  os  bens  que  estão  sendo  fabricados,  conforme segue:  17. Isso posto, chega­se ao entendimento, de que todas as partes  e  peças  de  reposições  utilizadas  em  máquinas  e  equipamentos  diretamente  responsáveis  pela  produção  dos  bens  ou  produtos  destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram  desgaste  ou  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  em  todo  o  processo de produção ou de  fabricação,  independentemente, de  entrarem  ou  não  contato  direto  com  os  bens  que  estão  sendo  fabricados  destinados  à  venda,  ou  seja,  basta  que  referidas  partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos  que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos  referidos  bens,  geram  direito  à  apuração  de  créditos  a  serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei)  Em conclusão a Solução registra:  18.Diante  do  exposto,  soluciona­se  a  presente  divergência  dando­se  provimento  ao  recurso  interposto,  orientando  à  recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes  e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  utilizadas  em máquinas  e  equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo  o  processo  de  fabricação  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de  1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004,  geram  direito  à  apuração  de  créditos  a  serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  respectivamente,  desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas  a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação  vigente.  Destarte,  entendo  que  o  termo  “insumo”  utilizado  pelo  legislador  na  apuração  de  créditos  a  serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  denota  uma  abrangência  maior  do  que MP,  PI  e ME  relacionados  ao  IPI.  Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso  do  IRPJ, a ponto de abarcar  todos os  custos de produção e as  despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida  caracteriza­se  como  elemento  diretamente  responsável  pela  produção  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  ainda  que  este  elemento  não  entre  em  contato  direto  com  os  bens  produzidos, atendidas as demais exigências legais.  Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira,  entendo  que  em  todo  processo  administrativo  que  envolver  créditos  referentes  a  não­ cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos”  e  o  seu  envolvimento  no  processo  produtivo,  para  então  definir  a  possibilidade  de  aproveitamento do crédito.  Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 218          15 Regressando à lide, a 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF entendeu  que os autos não estavam maduros para julgamento e retornou­os para fase instrutória com o  fim de sanar dúvidas que assombravam as mentes dos componentes do Colegiado.   A Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Belém realizou o  trabalho de  campo e ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência.  Reproduzo as conclusões da Autoridade Fiscal:  (...)  Em 03/abril/2014  o  contribuinte  deu  ciência  pessoal  ao  Termo  de  Início  de  Diligência,  no  qual  solicitamos  que  fosse  apresentado,  basicamente,  o  detalhamento  da  participação  dos  serviços  de  'terraplanagem'  no  processo  industrial  da  Pará  Pigmentos,  de  forma  a  ser  possível  comprovar  que  a  terraplanagem  integra  seu  processo  produtivo  na  extração  do  caulim,  bem  como  que  o  total  gasto  com  essas  despesas  de  terraplanagem  no  ano  fiscalizado  (2004)  coincide  com  o  montante informado em DACON.  3) A  empresa, após  solicitar prorrogação de prazo, apresentou  documentos, fotos, planilhas e demonstrativos que elucidam que  os  gastos  realizados  com  a  'terraplanagem'  foram  necessários  para  que  a  empresa  desse  prosseguimento  à  sua  rotina  operacional,  e  que  se  refere  a  uma  etapa  crucial  do  processo  produtivo.  Dentre  os  documentos  ressaltamos  as  notas  fiscais  relativas aos serviços pagos.  Observamos  que  'terraplanagem',  na  verdade,  é  um  processo  mais extenso do que o que supostamente o termo dá a entender.  No  caso  do  contribuinte  diligenciado,  a  'terraplanagem'  é  entendida,  vista  e  considerada  como  um  processo mais  amplo,  que é a própria lavra. Esta, por sua vez, significa o preparo da  terra para que a extração do mineral (o caulim) seja possível.  É possível observar, ainda, que o contribuinte não se credita de  PIS/COFINS num momento pela lavra e em outro momento pela  terraplanagem. O crédito é decorrente de um só processo,  seja  denominado  lavra  (mais  amplo  e  correto),  seja  denominado  'terraplanagem'.  Aliás,  verifica­se  que  no  campo  da  discriminação dos  serviços nas notas  fiscais que deram origem  aos créditos é possível ler: "serviços de terraplanagem referente  à lavra".  Além disso, a Lei 10.833/2003, em seu art. 3°, II, é transparente  ao  considerar que  valores pagos por bens  e  serviços utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda dão direito a  crédito  de  PIS/COFINS.  Ora,  o  bem  produzido/gerado  pelo  contribuinte  é  o  caulim.  Se  a  'terraplanagem'  (lavra)  é  necessária  e  indispensável  para  sua  exploração,  os  custos  advindos desse serviço dão, obviamente, direito ao crédito.  Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/2006­58  Acórdão n.º 3402­002.568  S3­C4T2  Fl. 219          16 Portanto,  salvo  melhor  juízo,  e  por  tudo  que  foi  possível  compreender/conhecer  a  partir  da  leitura  da  documentação  apresentada pelo  contribuinte,  e  respondendo objetivamente  ao  questionamento  levantado pelo CARF {qual a participação dos  serviços  de  terraplanagem  no  processo  produtivo  do  recorrente?),  entendo  que  terraplanagem  (termo  inadequado/incompleto utilizado pelo contribuinte) refere­se, na  verdade,  à  lavra  do  terreno  de modo  a  permitir  a  extração  do  caulim,  fazendo  partem  sim,  indubitavelmente,  do  processo  produtivo  da  empresa  no  que  se  refere  a  esse  produto,  com  evidente  direito  a  crédito  de  PIS/COFINS  proporcionalmente  aos custos despendidos, quando seguramente comprovados.  Diante das  informações prestadas pela Unidade de Origem, voto no sentido  de dar provimento parcial ao recurso para incluir os custos com serviços de terraplanagem no  cálculo  do  crédito  do  PIS  e  da  Cofins  apurados  no  regime  da  não­cumulatividade  e  para  determinar que sejam homologadas as compensações até o limite do valor a ser ressarcido.   É como voto.  Sala das Sessões, em 14/12/2014  Gilson Macedo Rosenburg Filho                                Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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6109297 #
Numero do processo: 10580.011802/2002-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1997 a 31/01/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. REP parcialmente provido e REC negado.
Numero da decisão: 9303-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I- Dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência no período de abril/97 a jan/99, pela regra do art. 173, do CTN e; II- Negar provimento ao recurso do contribuinte. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Maria Teresa martínez López - Relatora. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO     2 REP parcialmente provido e REC negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de votos,  em:  I­ Dar  provimento  parcial  ao  recurso  da Fazenda Nacional  para  afastar  a  decadência  no  período  de  abril/97  a  jan/99,  pela  regra  do  art.  173,  do  CTN  e;  II­  Negar  provimento  ao  recurso  do  contribuinte.    Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente.     Maria Teresa martínez López ­ Relatora.    EDITADO EM: 11/02/2015  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Conselheiros  Júlio  César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda,  Joel  Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa  (Substituto  convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo  (Presidente à  época do  julgamento).  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Henrique  Pinheiro  Torres,  a  teor  do  Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014.  Relatório    Trata­se de análise de dois recursos especiais.   Em sessão plenária de 18 de outubro de 2007, a Terceira Câmara do Segundo  Conselho  de Contribuintes  julgou  recurso  voluntário,  oportunidade  em  que  se  decidiu, "por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  conforme Acórdão  n°  203­12.516, sob a seguinte ementa:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/04/1997 a 31/08/1999,  01/07/2000 a 31/12/2001  Ementa: PIS. DECADÊNCIA.  O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS é de dez  anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45  da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4º do Código  Tributário Nacional.  PIS.  SUBSTITUIÇÃO  TRIBUTÁRIA.  RESPONSABILIDADE  PELO PAGAMENTO.  Fl. 956DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.011802/2002­95  Acórdão n.º 9303­003.051  CSRF­T3  Fl. 9          3 No período de 1° de fevereiro de 1999 a 30 de junho de 2000, as  refinarias de petróleo são responsáveis pelo pagamento do PIS  devido pelos  comerciantes  varejistas de  combustíveis derivados  de petróleo.  PIS.  COMERCIANTES  VAREJISTAS  DE  COMBUSTÍVEIS.  ALÍQUOTA ZERO.  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  1º  de  julho  de  2000, o PIS devido pelos comerciantes varejistas é calculado à  alíquota  zero,  exceto  quanto  à  receita  de  venda  de  produtos  importados.  Recurso provido em parte.  Consta do desfecho do voto da Conselheira SILVIA DE BRITO  (vencida apenas quanto à decadência)  Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para  cancelar o lançamento relativo aos fatos geradores:  1) anteriores a dezembro de 1997, por estar o crédito tributário  extinto pela decadência; (vencida)  2)  de  fevereiro  a  agosto  de  1999,  inclusive,  por  erro  na  identificação do sujeito passivo; e  3) de julho de 2000 a dezembro de 2001, inclusive, por tratar­se  de incidência do tributo à alíquota zero.  Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Requer o afastamento do prazo  decadencial de dez anos previsto no art. 45 da Lei 8.212/91. Pede a aplicação do art. 150, § 4º,  do CTN.   Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional.  Pede  para  que  seja  contado o início, pela regra do art. 173 do CTN.  Sob o entendimento de que os recursos apresentados atendem aos requisitos  legais,  por  meio  de  Despachos,  deu­se  seguimento  aos  recursos  interpostos  pela  Fazenda  Nacional e pelo contribuinte.   É o relatório        Voto             Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora    Fl. 957DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO     4 Trata­se de  análise de dois  recursos  especiais,  os  quais  tomo conhecimento  eis que cumpridas as formalidades de praxe.   Consta do relatório da decisão recorrida que a contribuinte foi cientificada do  auto de infração, em 6 de dezembro de 2002, para formalizar a exigência de crédito tributário  relativo  à  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  decorrente  de  fatos  geradores  ocorridos  nos  períodos  de  abril  de  1997  a  agosto  de  1999  e  de  julho  de  2000  a  dezembro de 2001, com a multa de oficio e os juros moratórios correspondentes.   A decisão recorrida afastou a decadência (aplicou o prazo de 10 anos) mas no  mérito,  por  unanimidade,  negou  provimento  ao  recurso  do  contribuinte  no  período  de  12/1997  a  01/1999, e concedeu provimento nos períodos de 02/1999 a 08/1999 e 07/2000 a 12/2001.  Em síntese:  Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Requer o afastamento do prazo  decadencial de dez anos previsto no art. 45 da Lei 8.212/91. Pede a aplicação do art. 150, § 4º,  do CTN.   Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional.  Pede  para  que  seja  contado o início do prazo decadencial pela regra do art. 173 do CTN.   Passo à análise em conjunto dos dois recursos, eis que a matéria em análise já  se encontra pacificada neste órgão julgador.  A decisão  recorrida  afastou  a decadência  sob  a  regra  estabelecida  no  então  art. 45 da Lei nº 8.212/1991.   O  Supremo  Tribunal  Federal  publicou  no  Diário  Oficial  da  União  do  dia  20/06/2008 o enunciado da Súmula vinculante nº 08, verbis:  Em sessão de 12 de  junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os  seguintes  enunciados  de  súmula  vinculante  que  se  publicam no  Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do §  4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006:  Súmula vinculante nº 8 ­ São inconstitucionais o parágrafo único  do artigo 5º do Decreto­Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da  Lei  nº  8.212/1991,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito tributário.  Precedentes:  RE  560.626,  rel.  Min.  Gilmar  Mendes,  j.  12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes,  j. 12/6/2008;  RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943,  rel.  Min.Cármen  Lúcia,  j.  12/6/2008;  RE  106.217,  rel.  Min.  Octavio  Gallotti,  DJ  12/9/1986;  RE  138.284,  rel.  Min.  Carlos  Velloso, DJ 28/8/1992.  Legislação:  Decreto­Lei  nº  1.569/1997,  art.  5º,  parágrafo  único  Lei  nº  8.212/1991,  artigos  45  e  46  CF,  art.  146,  III  Brasília,  18  de  junho de 2008.  A  adoção  de  súmula  vinculante  (art.  103­A  da CF,  introduzido  pela EC  nº  45/2004),  na  qual  se  afirma  que  determinada  conduta,  dada  prática  ou  uma  interpretação  é  Fl. 958DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.011802/2002­95  Acórdão n.º 9303­003.051  CSRF­T3  Fl. 10          5 inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade  proferida  em  sede  incidental  de  efeito  vinculante. A  súmula  vinculante,  ao  contrário  do  que  ocorre  no  processo  objetivo,  decorre  de  decisões  tomadas  em  casos  concretos,  no  modelo  incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser  editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões  repetidas  das Turmas.  Desde já, afigura­se inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral  e  vinculante  às  decisões  proferidas  pelo Supremo Tribunal  Federal  sem  afetar  diretamente  a  vigência  de  leis  declaradas  inconstitucionais  no  processo  de  controle  incidental.  E  isso  em  função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que  outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de  lei ou ato normativo declarado  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.  Não  resta  dúvida  de  que  a  adoção  de  súmula  vinculante  em  situação  que  envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais  o  já debilitado  instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá  interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada  inconstitucional  tenha sido eliminada formalmente do ordenamento  jurídico (falta de eficácia  geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Tem­se efeito vinculante da súmula,  que  obrigará  a  Administração  a  não  mais  aplicar  a  norma  objeto  da  declaração  de  inconstitucionalidade.  Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, não há  como considerar ser de dez anos o prazo para efetuar o lançamento.  Assim a fundamentação se verifica com respaldo no CTN, obrigatoriamente.  O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira  delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito  passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  já  poderia  ter  sido  efetuado,  quando  não  tiver  havido  antecipação  de  pagamento  ou  ainda  houver  sido  verificada  a  existência  de  dolo,  fraude  ou  simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não.  Com  relação  ao  mérito,  especificamente  quanto  ao  prazo  decadencial  para  lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é  de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na  sistemática  do  artigo  543­C  do  Código  de  Processo  Civil,  ou  seja,  através  da  análise  dos  chamados “recursos repetitivos”.  O precedente proferido tem a seguinte ementa:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  Fl. 959DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO     6 PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  Fl. 960DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.011802/2002­95  Acórdão n.º 9303­003.051  CSRF­T3  Fl. 11          7 7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,  julgado  em  12/08/2009,  DJe  18/09/2009)  (grifos  e  destaques  nossos)  Com  isso,  restou  consolidado  no  âmbito  do  Egrégio  Superior  Tribunal  o  entendimento  de  que,  nos  casos  de  tributos  cujo  lançamento  é  por  homologação  e  não  há  pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN,  e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código.  Tendo  em  vista  a  alteração  do  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62­A, no Anexo II, necessário  se  faz  que  este  colegiado  adote  o  posicionamento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  e  do  Supremo  Tribunal  Federal,  quando  a  matéria  tenha  sido  julgada  por  meio  de  Recurso  Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543­B e 543­C, do Código de Processo  Civil. Eis a redação do artigo 62­A do Anexo II, do Ricarf:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Neste passo,  a despeito do posicionamento que sempre adotei,  em razão da  atual  previsão  regimental  do  CARF,  manifesto­me  por  acolher  o  decidido  pelo  Superior  Tribunal de Justiça acerca da norma aplicável referente ao prazo decadencial.  Interpretando  de  forma  fidedigna  as  razões  de  decidir  do Recurso Especial  Representativo  de  Controvérsia  em  questão,  verifico  que  não  havendo  acusação  de  dolo  e  havendo pagamento parcial, de se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de  outra parte, não se verificando o pagamento parcial, deve ser aplicado o artigo 173, do Código  Tributário Nacional.  Compulsando  os  autos,  percebo  inexistir  pagamento  no  período  mantido  (4/97  a  1/99)  razão  pela  qual  entendo  que  deve  ser  dado  provimento  parcial  ao  recurso  da  Fazenda (não pela regra do art. 45, da Lei nº 8.212/91), eis que parte do período questionado  não se encontra decaído (art. 173, do CTN).    CONCLUSÃO  Por todo o exposto, voto no sentido de;  i)  negar provimento ao recurso do contribuinte, e;  ii)  dar  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional,  para  afastar  a  decadência  do  período  de  04/97  a  01/99,  pela  regra  do  art.  173,  do  CTN.   Fl. 961DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO     8     MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ                              Fl. 962DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO

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Numero do processo: 13053.000159/2007-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 11   SS33­­TTEE0011   MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO  DDAA  FFAAZZEENNDDAA   CCOONNSSEELLHHOO  AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO  DDEE  RREECCUURRSSOOSS  FFIISSCCAAIISS   TTEERRCCEEIIRRAA  SSEEÇÇÃÃOO  DDEE  JJUULLGGAAMMEENNTTOO      PPrroocceessssoo  nnºº   13053.000159/2007­35  RReeccuurrssoo  nnºº                Voluntário  AAccóórrddããoo  nnºº   3801­005.279  –  1ª Turma Especial   SSeessssããoo  ddee   18 de março de  2015  MMaattéérriiaa   PIS/PASEP ­ RESSARCIMENTO  RReeccoorrrreennttee   MITA LTDA  RReeccoorrrriiddaa   FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007  PIS/PASEP.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  GASTOS  COM  BENS  E  SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.  Gastos  com  bens  e  serviços  não  efetivamente  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  ou  produção  de produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão  direito a créditos da Cofins não cumulativa.  PIS/PASEP.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  GASTOS  COM  FRETES.  DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA.  Os  fretes  nas  operações  de  venda  somente  dão  direito  a  crédito  da  contribuição  se  contratados  para  a  entrega  de  mercadorias  vendidas  diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado  pelo vendedor.  PIS/PASEP.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  GASTOS  COM  ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO.  Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se  identificados e comprovados.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO  COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.  É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito  pleiteado.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 01 59 /2 00 7- 35 Fl. 976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 3          2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Cássio  Schappo  e  Paulo  Antônio  Caliendo  Velloso  da  Silveira  (Relator).  Designado  para  elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.     (assinatura digital)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.     (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani – Redator Designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flavio  de  Castro  Pontes,  Paulo  Sérgio  Celani, Marcos  Antônio  Borges, Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo   Fl. 977DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  13053.000159/2007­35, contra acórdão da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil  de  Porto  Alegre  (DRJ/POA),  de  8  de  novembro  de  2012,  que  julgou  improcedente  a  manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/POA, que assim relatou:    “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS não  cumulativo  referente  ao  segundo  trimestre  de  2007,  no  valor  de R$  41.675,49. O  pedido  eletrônico  (PER),  transmitido  de  acordo  com  as  orientações  normativas,  consta às fls. 05 a 09 dos autos. Com referência neste crédito, a empresa transmitiu  declaração de compensação (Dcomp), fls. 479 a 482.  O pedido de ressarcimento foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS) através do Despacho Decisório DRF/SCS  n  053/2012 (fl. 290), com base no Parecer DRF/SCS/Safis n  006/2012 (fls. 282 a  289).  Foi  reconhecido  parcialmente  o direito  creditório  no  valor  de R$ 13.965,70.  Foram  glosados  valores  em  dois  itens  da  apuração  dos  créditos  do  Dacon  (Demonstrativo de Apuração das Contribuições) entregue pela empresa. Da  Linha  3   ( serviços  utilizados  como  insumos )  foram  excluídos  os  valores  pagos  para  Tergrasa   Terminal Graneleiro  S/A,  referentes  a  armazenagem e  demais  serviços  prestados  no  porto  de  Rio  Grande  até  o  embarque  no  navio  para  a  remessa  ao  exterior,  por  encontrarem­se  em  desacordo  com  a  previsão  do  art.  3o  da  Lei  10.637/02. O auditor­fiscal responsável registra ainda que os gastos também não se  referem a armazenagem prevista no inciso IX do art. 3  da Lei 10.833/03, pois os  produtos  são  vendidos  após  a  prestação  do  serviço,  além  dos  pagamentos  não  contemplarem apenas gastos de armazenagem. Também foram glosados valores da  Linha 7 do Dacon ( despesas de armazenagem de mercadorias e  frete na operação  de  venda )  referentes  aos  pagamentos  para  Navegação  Aliança  que  transporta  os  cavacos de madeira de Taquari até Rio Grande, pois, neste, a carga é  formada por  produtos  acabados  e  é  depositada  em  nome  de  Mita  LTDA,  sendo  vendidos  posteriormente de acordo com as notas fiscais.  A  empresa  foi  cientificada  em  05/03/2012  (fl.  291),  tendo  apresentado  manifestação de inconformidade em 03/04/2012 (fls. 294 a 474), cujos argumentos  serão  relatados  logo abaixo. Com referência no deferimento parcial do crédito,  foi  homologada  parcialmente  a  compensação  e  indeferido  o  pedido  de  ressarcimento,  através do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n  156 (fls. 483 e 484), abrindo­se o  prazo  para  o  contraditório. A  ciência  se  deu  em  06/06/2012  (fl.  489). A  empresa  apresenta nova manifestação de inconformidade em 05/07/2012 (fls. 490 a 512).  Na  primeira  manifestação,  contesta  integralmente  a  glosa  do  crédito.  Preliminarmente, alega a tempestividade. Descreve a sua atividade, destacando que a  empresa  Mita  foi  formada  a  partir  de  acordo  de  joint  venture  entre  Mitsubishi  Corporation  (sediada  no  Japão)  e  Setapar,  com  objetivo  de  exportar  cavacos  de  madeira (acácia negra) para o Japão. Informa que o contrato era válido por 10 (dez)  anos,  com  cláusula  de  exclusividade.  No  mérito,  em  resumo,  aponta  que  a  mercadoria, por força do contrato, encontra­se vendida ao único comprador desde a  sua  saída  na  empresa  e  que  deve  ser  entregue  em  condições  para  embarcação  no  porto de Rio Grande. Em função do volume e condições, é necessário o transporte  Fl. 978DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 5          4 com a contratada Navegação Aliança até o porto, a armazenagem e a utilização de  outros  serviços  portuários  para  deixar  a  mercadoria  em  condições  de  embarque,  sendo  todas  as  despesas  suportadas  pela  vendedora.  A  emissão  da  nota  fiscal  é  posterior  por  obrigação  contratual,  questões  legais  e  pela  natureza  da  carga.  Em  apoio ao argumento, cita a IN SRF 28/94, arts. 27 e 49, que exigem que a pesagem  ou  arqueação  dos  navios,  nos  casos  de  mercadorias  a  granel,  deve  preceder  a  emissão  dos  documentos  de  embarque.  Sendo  todos  os  custos  decorrentes  da  operação de venda, entende plenamente enquadrada no art. 3 , IX, da Lei 10.833/03.  Cita  autores  e  solução  de  consulta  da  9a Região  Fiscal  da  RFB  que  forneceriam  suporte  à  tese.  Adicionalmente,  entende  que  as  operações  também  poderiam  ser  abarcadas  no  conceito  de  insumo  do  art.  3   da  referida Lei. Alega  que  as  INs  da  RFB restringem o conceito legal de insumo. Indica que a Lei não aplica o conceito  do  IPI e que a diferente materialidade da contribuição,  incidente quando se aufere  receitas,  implica  em  utilizar  o  conceito  de  custos  necessários.  Cita  doutrina  e  jurisprudência  sobre o  assunto. Argumenta que o  entendimento  adotado pela DRF  implica em resultados opostos ao esperado pela política de fomento às exportações.  Requer a reforma do despacho decisório para reconhecimento integral do crédito.  Na  segunda  manifestação  de  inconformidade  entregue,  a  empresa,  basicamente,  argumenta  no  mesmo  sentido  da  primeira.  Acrescenta  alegação  de  nulidade  do  Despacho  Decisório  DRF/SCS/Saort  n   156,  que  homologou  parcialmente  as  compensações  e  procedeu  a  cobrança  dos  valores  indevidamente  compensados,  uma  vez  que  lastreado  em  decisão  não  definitiva.  Indica  que  a  manifestação  anterior  referente  ao  crédito  encontra­se  pendente  de  apreciação,  devendo  o  processamento  das  compensações  aguardar  o  julgamento.  Requer  a  suspensão  da  cobrança  decorrente  da  não  homologação  das  compensações  até  julgado o recurso no processo de crédito, e, alternativamente, o reconhecimento da  existência integral do crédito e da homologação das compensações.  A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para  apreciação desta DRJ.”    A DRJ/POA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade.  Colaciono a ementa abaixo transcrita:    “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007  PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.  Demonstrado  que  a  decisão  administrativa  foi  formalizado  de  acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não  ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72,  não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado.  CRÉDITOS  A  DESCONTAR.  INCIDÊNCIA  NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO  PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.  Apenas  os  serviços  diretamente  utilizados  na  fabricação  dos  produtos  é  que  dão  direito  ao  creditamento  do  PIS  não  cumulativo incidente em suas aquisições.  POSSIBILIDADE  DE  CRÉDITO.  FRETE  DE  PRODUTOS  PRONTOS.  Fl. 979DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 6          5 Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar  do PIS não cumulativo sobre valores relativos a fretes realizados  entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes. Somente  os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a  entrega  de  mercadorias  vendidas  diretamente  aos  clientes  adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa  jurídica  vendedora,  é  que  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados do PIS devido.  NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARMAZENAGEM.  As  despesas  com  armazenagem  de mercadoria  na  operação  de  venda,  quando  o  ônus  for  suportado  pelo  vendedor,  só  geram  direito ao desconto de créditos na apuração não cumulativa do  PIS quando comprovadas de  forma  individualizada. Entende­se  por armazenagem estritamente a guarda de mercadoria, não se  incluindo nesse conceito operações portuárias diversas.”    Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a  contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que:    1­  A  recorrente  não  vende  apenas  cavados  de  madeira.  Ela  também  é  responsável por agregar­lhe todo o aparato logístico necessário para que os  mesmos sejam exportados para o Japão;   2­  As  operações  analisadas  na  decisão  recorrida  não  podem  ser  tidas  como  isoladas, mas compreendidas dentro de uma mega estrutura montada para  uma  finalidade  específica:  produzir  cavacos  de  madeira  para  serem  exportados para o Japão;  3­  As  despesas  glosadas  devem  ser  enquadradas  como  insumos  ou  como  inerentes à operação de venda;  4­  O conceito de insumo trazido como premissa para interpretar a legislação  invocada  e  discorrer  sobre  a  origem  da  não­cumulatividade  das  contribuições para PIS/COFINS;  5­  Entende­se  que  o  legislador  não  é  livre  para  definir  o  conteúdo  da  não­ cumulatividade  do  PIS/COFINS.  Deve,  sim,  ater­se  ao  que  determina  a  Constituição  Federal,  que  apenas  estabeleceu  a  definição  de  setores  econômicos a que seria  aplicável, não  fazendo qualquer  referência  a uma  possível restrição de insumos;  6­  A sistemática não­cumulativa do PIS/COFINS difere daquela aplicável ao  IPI e ao ICMS, eis que não se limita ao valor das contribuições recolhidas  na  operação  anterior,  mas  sim  permite  a  tomada  de  créditos  calculados  mediante aplicação das suas respectivas alíquotas sobre os custos com bens  e serviços utilizados como insumos na atividade principal da empresa.    É o sucinto relatório.  Fl. 980DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 7          6   Voto Vencido  Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  O  recurso  voluntário  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal,  reunindo  os  demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto.    Da existência de direito de crédito a ser pleiteado    O  pedido  de  compensação  formulado  pelo  Contribuinte  se  funda  em  matéria  polêmica na jurisprudência do CARF. No presente caso requer o aproveitamento das despesas  de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. O CARF tem adotado diversos  entendimentos  sobre  a matéria,  dentre  os  quais  três  posicionamentos  se  destacam:  o  insumo  como todo bem fisicamente integrado ao produto ou serviço; como necessários à atividade ou  como necessários à fabricação ou produção de bens e serviços.    Esse primeiro entendimento compreende que geram créditos de PIS e Cofins as  despesas com matéria­prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros  bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado.  Utiliza­se,  nesse  caso,  utilaza­se  o  IPI  como  modelo no aproveitamento de créditos.    O segundo entendimento adota­se uma perspectiva diversa. Podemos citar como  exemplo de decisão nesse sentido o Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária,  que  decidiu  que  o  aproveitamento  de  insumos  abrange  também  os  insumos  utilizados  na  produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de  bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção  da atividade produtiva. Aproxima­se este modelo daquele utilizado pelo Imposto de Renda.    Por  último,  partilhamos  do  entendimento  de  que  o  conceito  de  insumo  de  ser  buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os  tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS.    Diferencia­se  do  IPI  porque  a  base  de  cálculo  do  PIS  não  abrange  somente  atividades  de  industrialização,  nem  se  dirige  apenas  a  comercialização.  Esta  envolve  outras  atividades de produção, além da industrialização. De outro lado, não se identifica ao modelo de  tributação  pelo  Imposto  sobre  a  Renda  porque  esta  não  procura  verificar  disponibilidade  econômica ou  jurídica do contribuinte, o seu acréscimo patrimonial e nem  tampouco aferir a  sua capacidade contributiva.    Tampouco  se  admitiria  a  utilização  do  conceito  de  insumo  previsto  no  IPI,  ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada  Fl. 981DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 8          7 ampliação  da  base  de  cálculo  do  tributo.  Determina  o  art.  108  do  CTN  que:  “(...)  §  1º  O  emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”.     O  conceito  de  insumo utiliza  critério  de  aferição  diverso  da mera  verificação  dos  i)  gastos  necessários  à  industrialização  (IPI);  ii)  dos  bens  consumidos  ou  integrados  à  mercadoria ou iii) daqueles necessários à atividade (IR). Este conceito deve estar vinculado à  essência  do  tributo  em  questão,  ou  seja,  abranger  todos  os  bens  e  serviços  necessários  à  industrialização  ou  produção.  Os  gastos  de  materiais  de  escritório,  por  exemplo,  não  são  usualmente  necessários  à  produção  e,  portanto,  não  geram  créditos  de PIS/Cofins,  apesar de  necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR.    Nesse  sentido  entende  a  3a  Turma  da  CSRF  que  são  insumos  todos  os  dispêndios  “relacionados  diretamente  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  participem,  afetem,  o  universo  das  receitas  tributáveis  pela  referida  contribuição  social.”.  Veja­se  a  ementa do presente acórdão:    “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de  apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006  PIS.  INDUMENTÁRIA.  INSUMOS.  DIREITO  DE  CRÉDITO.ART. 3o LEI 10.637/02.  Os  dispêndios,  denominados  insumos,  dedutíveis  do  PIS  não  cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a  produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo  das  receitas  tributáveis  pela  referida  contribuição  social.  A  indumentária  imposta pelo próprio Poder Público na  indústria  de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser  obrigatoriamente  cumprida  é  insumo  inerente  à  produção  da  indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de  referido tributo.  Recurso Especial do Procurador Negado.” (grifou­se)  (Acórdão  no  9303­01.741,  P.A.  13053.000211/2006­72,  3a  Turma  da  CSRF,  Rel.  Com.  Nanci  Gama,  julgado  em  09.11.2011)      A  confusão  sobre  o  conceito  de  insumo  surge  com  a  edição  da  Instrução  Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03. Estas limitaram a extensão do referido  termo à interpretação conferida pela legislação do IPI. Cabe observar que não podem normas  infralegais limitar o alcance da aplicação das leis, sob pena de ofensa à legalidade.    De outro lado, deve prevalecer o entendimento de que inexistindo limitação por  parte da legislação, não se cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a  despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol  Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 9          8 do princípio da não­cumulatividade.    Cabe por fim afirmar­se que interpretar restritivamente este conceito implicaria  em  diversas  violações  normativas,  tais  como:  i)  ofensa  à  proibição  do  uso  de  interpretação  analógica (analogia com o IPI);  ii) proibição de  interpretação restritiva com redução de texto  (ao não se ler a expressão “produção”);  iii) proibição de interpretação restritiva com redução  de  texto  pelo  recurso  a  mens  legislatoris  (“intenção  do  legislador  em  restringir  o  uso  do  aproveitamento  de  créditos”)  e  iv)  proibição  de  interpretação  restritiva  com  base  em  interpretação  finalística, quando dentre as diversas  interpretações possíveis escolhe­se a mais  restritiva utilizando uma análise econômica não autorizada expressamente pelo texto.    O presente caso versa sobre a apropriação de créditos de fretes e armazenagem.  Entendemos  que  o  princípio  da  não­cumulatividade  permite  a  tomada  de  créditos  sobre  despesas  com  fretes  e  armazenagem,  quando  pagos  a  pessoas  jurídicas  compondo  valor  de  aquisição  de  tal  bem.  Estes  passam  a  compor  a  base  de  cálculo  do  crédito  decorrente  da  aquisição de bem. Poder­se­á admitir  igualmente o aproveitamento desses créditos, de frete e  armazenagem,  por  serem  insumos  necessários  no  contexto  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica.    Demonstra o contribuinte que as despesas de frete e armazenagem decorrem da  localização  geográfica  da  planta  industrial,  bem  como  da  logística  necessária  à  exportação.  Assim  deve­se  admitir  o  aproveitamento  desses  créditos,  tanto  pela  ótica  do  conceito  de  insumo, quanto por serem considerados como despesas de venda.      Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário.  É assim que voto.    (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator.  Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 10          9   Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado.  Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar.  Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº  10.637, de 2002.  A Lei nº 10.637, de 2002, determina:  “Art.  2º  Para  determinação  do  valor  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e  sessenta e cinco centésimos por cento).  (...)  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº  11.727, de 2008) (Produção de efeitos)  (...)  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  a) nos  incisos  III  e  IV  do §  3o do art.  1o desta Lei; e  (Incluído  pela Lei nº 10.865, de 2004)  b) no § 1o do art. 2o desta Lei;  (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  TIPI;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.”  Para  gerarem  crédito,  os  gastos  glosados  pela  fiscalização  deveriam  enquadrar­se no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002,  ou no inciso IX deste artigo.  Em  primeiro  lugar,  a  recorrente  defende  um  conceito  de  insumo  bem  abrangente,  que  seja mais  amplo  do  que  o  utilizado  na  legislação  do  IPI ou  do  ICMS,  pois,  segundo  ela,  todos  os  gastos  essenciais  ao  processo  produtivo  poderiam  ser  incluídos  no  cálculo  dos  créditos  a  serem  deduzidos  dos  valores  a  recolher,  seja  da  Cofins,  seja  da  Contribuição para o PIS/Pasep.  Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 11          10 Subsidiariamente, alega que os gastos glosados podem enquadrar­se no inciso  IX acima.  Sobre  a  abrangência  do  termo  “insumo”,  é  verdade  que  várias  turmas  de  julgamento do CARF adotam um entendimento para o conceito de “insumo” mais amplo para a  aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep  do que o adotado em relação aos créditos de IPI.  Entretanto,  esta  Turma,  por  voto  de  qualidade,  tem  decidido  em  sentido  contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos.  Conforme  o  art.  153,  IV,  §  3º  II,  da  CF/88,  o  imposto  sobre  produtos  industrializados (IPI), de competência da União, será não­cumulativo, compensando­se o que  for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.  E,  segundo  o  art.  155,  II,  §2º,  I,  da  CF/88,  o  imposto  sobre  operações  relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual  e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal,  será  não­cumulativo,  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada  operação  relativa  à  circulação  de  mercadorias  ou  prestação  de  serviços  com  o  montante  cobrado  nas  anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal.  Até  pouco  tempo  atrás,  apenas  a  estes  dois  tributos,  classificados  no  CTN  como impostos sobre a produção e a circulação, aplicava­se a não­cumulatividade.  Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam  crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de  modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles.  Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos  firmados  sobre  quais  bens  e  serviços  seriam  alcançados  pela  não­cumulatividade  própria  de  impostos incidentes sobre a produção e a circulação.  É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e  serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens  ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da  Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas.  Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por  certo,  admitiu  que  aquilo  que  se  tinha  como  o  seu  conteúdo  deveria  servir  para  nortear  a  concretização  do  comando  legal  bem  como  as  condutas  das  pessoas  a  quem  a  norma  se  destinava.  Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior  do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente.  Assim,  devem  ser  rechaçados  argumentos  segundo  os  quais  o  conceito  de  “insumo”  somente  poderia  ser  igual  ao  utilizado  pela  legislação  do  IPI  se  a  lei  assim  determinasse.  Pelo  contrário,  por  serem, Cofins  e PIS/Pasep,  contribuições  instituídas por  lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal não­cumulativo, pode e deve ser  utilizada para obtenção do conceito de “insumo”.  Também  não  deve  ser  aceito  argumento  segundo  o  qual  todos  os  gastos  dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluir­se­iam no conceito  de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição  Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 12          11 para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis  nºs.  10.637/2002  e  10.833/2003,  que  apresentam  rol  de  bens,  cujas  aquisições  podem  ser  incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições.  Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação  ou  prestação  de  serviços  ensejassem  o  direito  ao  crédito,  não  usaria  o  termo  “insumo”;  reproduziria  legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao  IRPJ dariam aquele direito.  Assim,  da  leitura  dos  dispositivos  que  trataram  da  não­cumulatividade  da  Cofins  e  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  com  base  no  que  foi  dito  acima,  aos  bens  conceituados  como  insumo  à  luz  da  legislação  do  IPI,  a  saber,  matérias­primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em  decorrência  de  contato  direto  com  estes,  devem  ser  acrescentados:  os  serviços  utilizados  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  e  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda;  outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens  destinados  à  venda;  outros  gastos  expressamente  citados  nas  Leis  nºs.  10.637/2002  e  10.833/2003.  Em  reforço  a  tal  entendimento,  vejam­se  alguns  trechos  da  Exposição  de  Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002:  “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação  na  cobrança  das  contribuições  sociais  incidentes  sobre  o  faturamento.  Após  a  instituição  da  cobrança  monofásica  em  vários  setores  da  economia,  o  que  se  pretende,  na  forma desta  Medida  Provisória,  é,  gradualmente,  proceder­se  à  introdução  da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o  PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o  Financiamento da Seguridade Social (Cofins).  3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do  sistema  tributário  brasileiro  sem,  entretanto,  pôr  em  risco  o  equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de  Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica  do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao  que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.  (...)  7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da  Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem  ou serviço, para o valor das aquisições realizadas.  (...)  9.  A  alíquota  foi  fixada  em  1,65%  e  incidirá  sobre  as  receitas  auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de  créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda  e  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado,  ademais  de,  entre  outras, despesas financeiras.  (...)  44.  Com  relação  ao  atendimento  das  condições  e  restrições  estabelecidas  pelo  art.  14  da  Lei  de  Responsabilidade  Fiscal,  cumpre  esclarecer  que:  a)  a  introdução  da  incidência  não  cumulativa  na  cobrança do PIS/Pasep,  prevista  nos  arts.  1º  a  7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a  Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 13          12 alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada,  precisamente,  para  compensar  o  estreitamento  da  base  de  cálculo; ...  (...)”  E,  na  Mensagem  de  Veto  nº  1.243,  de  30/12/2002,  a  razão  que  levou  o  Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais  se tentava alterar a MP,  foi  que,  se  fossem  sancionados,  romper­se­ia  a  premissa  sobre  a  qual  foi  construída  a  nova  modalidade  de  incidência  da  contribuição,  devidamente  acertada  com  a  comissão  especial  constituída  no  âmbito  da  Câmara  dos  Deputados  para  tratar  da  matéria,  a  qual  previa  neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação.  Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da  Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto  em risco pela  introdução da  cobrança não­cumulativa, e a carga  tributária correspondente  ao  que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida.  Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer  limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas.  É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos  todos  os  gastos  na  apuração  do  crédito  a  ser  descontado,  a  arrecadação  tributária  não  se  manteria,  o  que  nos  leva  a  concluir  que  o  conceito  de  insumo  não  poderia  ser  alargado  em  relação àquele então aceito.  Por  tudo  isso,  correto  o  entendimento  expressado  pela  RFB  ­  órgão  responsável  pela  administração  tributária  da  União,  a  quem  compete  interpretar  e  aplicar  a  legislação  tributária  federal,  ao  editar  os  atos  normativos  e  as  instruções  necessárias  à  sua  execução ­ que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF  nº 358/03, e a  IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com  base na concepção tradicional da legislação do IPI:  Cito a  IN/SRF nº 247, de 2/11/2002, com alterações da  IN SRF nº 358, de  9/9/2003, que dispôs sobre a incidência não­cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep:  Art.  66.  A  pessoa  jurídica  que  apura  o  PIS/Pasep  não­ cumulativo  com a  alíquota  prevista no  art.  60  pode  descontar  créditos,  determinados  mediante  a  aplicação  da  mesma  alíquota, sobre os valores:  I – das aquisições efetuadas no mês:  a)  de  bens  para  revenda,  exceto  em  relação  às mercadorias  e  aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19;  b)  de  bens  e  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados como insumos:  b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou  b.2) na prestação de serviços  (...)  § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 14          13 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo imobilizado;  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou consumidos na produção ou  fabricação do  produto; (grifei)  II ­ utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358,  de 09/09/2003)  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído  pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela  IN SRF 358, de 09/09/2003) (gn)  Esta  turma  decidiu  no  mesmo  sentido,  por  voto  de  qualidade,  conforme  acórdão nº 3801­002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes,  de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original:  “Com  efeito,  o  conceito  de  insumo  no  âmbito  do  direito  tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº  10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis:  Art. 1º (...)  §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos  seguintes  custos,  sobre  os  quais  incidiram  as  contribuições  referidas no caput:  I  de  aquisição  de  insumos,  correspondentes  a  matérias­ primas,  a  produtos  intermediários  e  a  materiais  de  embalagem,  bem  assim  de  energia  elétrica  e  combustíveis,  adquiridos  no  mercado  interno  e  utilizados  no  processo  produtivo.  Destarte,  em  tributos  não  cumulativos  o  conceito  de  insumo  corresponde  a  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  a  materiais  de  embalagem.  Ampliar  este  conceito  implica  em  fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo  e passivo.  Nesse  sentido,  recentemente  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  no  julgamento  do Recurso Especial  1.020.991 RS,  assim  se pronunciou:  PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS.  CREDITAMENTO.  LEIS  Nº  10.637/2002  E  10.833/2003.  NÃOCUMULATIVIDADE.  ART.  195,  §  12,  DA  CF.  MATÉRIA  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL.  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  SRF  247/02  e  SRF  404/04.  EXPLICITAÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMO.  BENS  E  SERVIÇOS  EMPREGADOS  OU  UTILIZADOS  DIRETAMENTE  NO  PROCESSO  Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 15          14 PRODUTIVO.  BENEFÍCIO  FISCAL.  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN.  1.  A  análise  do  alcance  do  conceito  de  não­cumulatividade,  previsto  no  art.  195,  §  12,  da  CF,  é  vedada  neste  Tribunal  Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional,  sob  pena  de  usurpação  da  competência  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2.  As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto  nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  3.  Possibilidade  de  creditamento  de  PIS  e  COFINS  apenas  em  relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente  sobre o produto em fabricação.  4.  Interpretação  extensiva  que  não  se  admite  nos  casos  de  concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes:  AgRg  no  REsp  1.335.014/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra  Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10.  5. Recurso especial a que se nega provimento.  (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio  Kukina)  Por  pertinente,  transcreve­se  o  seguinte  excerto  do  voto  proferido  pelo  Ministro  Relator  no  julgamento  deste  recurso  especial:  No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo  com a  edição das  Instruções Normativas SRF 247/02  e SRF  404/04, mas  apenas  a  explicitação  da  definição  deste  termo,  que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do  creditamento  é  que  os  bens  e  serviços  empregados  sejam  utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo,  não  se  relacionam  a  insumo  as  despesas  decorrentes  de  mera  administração interna da empresa.  Assim, a parte  recorrente não  faz  jus à obtenção de créditos de  PIS  e  COFINS  sobre  todos  os  serviços  mencionados  como  necessários  à  consecução do objeto da  empresa,  como pretende  relativamente  aos  valores  pagos  à  empresas  pela  representação  comercial  (comissões),  pelas  despesas  de  marketing  para  divulgação  do  produto,  pelos  serviços  de  consultoria  prestados  por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial,  jurídica,  contábil,  comércio  exterior,  etc),  pelos  serviços  de  limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços  não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto  na  legislação,  visto  não  incidirem  diretamente  sobre  o  produto em fabricação.  Quando  a  lei  entendeu  pela  incidência  de  crédito  nesses  serviços  secundários,  expressamente  os  mencionou,  a  exemplo  do  creditamento  de  combustíveis  e  lubrificantes  previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifou­se)”  Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 16          15   Gastos com fretes e armazenagem.  Os  gastos  com  fretes  e  armazenagem  em  discussão,  relativos  a  produtos  acabados, não se enquadram no conceito de insumo, conforme entendimento aqui adotado, pois  não  se  referem  a  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  consumidos na produção industrial de produtos.  Os argumentos subsidiários expostos no recurso voluntário também não são  suficientes  para  afastar  as  razões  que  conduziram  à  decisão  de  primeira  instância  administrativa, com as quais estou de acordo.  Conforme assentado na decisão recorrida, não foi comprovado que os gastos  que a contribuinte afirma serem relativos a serviços de armazenagem se referem apenas a estes  serviços.  Há evidências de que se referem também a despesas com serviços portuários  de movimentação  e  expedição  de mercadorias,  as  quais  não  podem  gerar  direito  ao  crédito  pleiteado.  Por  falta  de  individualização  e  comprovação  dos  gastos  com  armazenagem  propriamente dita, deve­se manter a decisão recorrida.  Despesas  com  fretes  de  bens  enquadrados  como  insumos  integram  o  custo  destes insumos e não necessitam do inciso IX para gerarem direito ao crédito.  Os fretes referentes a transporte de produtos acabados só dão direito a crédito  se vinculados  a operações de vendas,  ou  seja,  apenas os  gastos  com  transportes de produtos  contratados para a entrega ao comprador geram o crédito  Estabelecer  um  alcance  maior  para  o  enunciado  do  citado  inciso  IX  implicaria estender um direito além do previsto em lei, o que é vedado aos membro do CARF.  As  diversas  Soluções  de Consulta  citadas  no  acórdão  recorrido  amparam  a  conclusão  assentada  pela  turma  da  DRJ/POA  de  que  “somente  os  valores  da  despesas  realizadas  com  fretes  contratados  para  a  entrega  de  mercadorias  diretamente  aos  cliente  adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela vendedora e o pagamento feito para  pessoa  jurídica  no  país,  é  que  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados  da  Cofins  devida”.  Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani                      Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/2007­35  Acórdão n.º 3801­005.279  S3­TE01  Fl. 17          16   Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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5959905 #
Numero do processo: 10882.900422/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-10T18:21:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-03-10T18:21:43Z; Last-Modified: 2020-03-10T18:21:43Z; dcterms:modified: 2020-03-10T18:21:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:333703be-642d-423e-9128-4db880f2d4fa; Last-Save-Date: 2020-03-10T18:21:43Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-10T18:21:43Z; meta:save-date: 2020-03-10T18:21:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-10T18:21:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-03-10T18:21:43Z; created: 2020-03-10T18:21:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2020-03-10T18:21:43Z; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-10T18:21:43Z | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.900422/2009­07  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3801­004.959  –  1ª Turma Especial   Sessão de  24 de fevereiro de 2015  Matéria  Compensação PIS/Cofins  Recorrente  SHERWIN­WILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000  ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.  A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858­6, de 29 de Junho de 1999,  não  são  isentas  das  contribuições  PIS  e  Cofins  as  receitas  decorrentes  de  vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade  por  negar  provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel  (Relatora), Cassio  Schappo  e  Paulo Antônio Caliendo Velloso  da Silveira  que  convertiam  o  processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto  vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.  (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relator.  (assinado digitalmente)   Marcos Antonio Borges ­ Redator designado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 22 /2 00 9- 07 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 3          2 Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio  Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 4          3   Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP):  Trata­se de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a  contribuinte  pretendeu  extinguir  débito  com  pretenso  crédito  com  origem em pagamento indevido de contribuição social.   A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório  Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado:    [...]A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizadas  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.    (...)  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação declarada.   Cientificada do despacho, a  contribuinte manifestou sua  irresignação  argüindo  em  síntese  que  o  crédito  utilizado  na  compensação  teria  origem  em  pagamento  da  contribuição  na  parcela  calculada  sobre  vendas realizadas à Zona Franca de Manaus.   Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período  em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o  pagamento teria sido feito a maior.   Iniciando  essa  linha  de  argumentação,  assevera  que  o  art.  4°  do  Decreto­Lei  (DL)  n°  288,  de  1967,  equiparou,  para  todos  os  efeitos  fiscais,  as  vendas  realizadas  à  Zona  Franca  de  Manaus  a  uma  operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura  de  norma de  caráter  complementar, e  nesse  nível  de  hierarquia  teria  sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a  Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições  Constitucionais Transitórias (ADCT).   Defende  que  o  mesmo  tratamento  dado  às  exportações,  aplicável  às  venda realizadas à Zona Franca de Manaus,  seria  também extensível  às  vendas  efetuadas  para  destinatários  sediados  nos  municípios  integrantes das Areas de Livre Comércio.   O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.348­9, suspendeu a  eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso  I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.037­24, de 2000, que  discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao  PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 5          4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do  texto  legal, de modo o  tratamento  das  vendas  à  Zona  Franca  de  Manaus  acompanhou  o  entendimento do Supremo Tribunal Federal.   Ao  fim,  requer  o  recebimento  da  presente  manifestação  de  inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do  crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente  aos  recolhimentos'  indevidos  ou  a  maior  a  título  de  PIS  e  Cofins  incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca  de Manaus e a consequente a homologação da compensação.   Em análise à manifestação de  inconformidade apresentada pelo Recorrente,  aquela  douta  Delegacia  de  Julgamento  entendeu  por  bem  julgar  como  improcedentes  os  argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação:  Ementa:  INCONSTITUCIONALIDADE.  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.   As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade,  restringindo­se  a  instância  administrativa  ao  exame  da  validade  jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco.   RECEITAS  DE  VENDAS  A  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  TRIBUTAÇÃO.   A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória  n° 2.037­25, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.158­35, de 2001,  quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na  Zona Franca de Manaus, aplica­se às receitas de vendas enquadradas  nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo.  Referida  isenção,  contudo,  não  alcança  os  fatos  geradores  ocorridos  entre 1° de  fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em  que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14  da Medida Provisória no. 1.858­6, de 1999, e reedições (atual Medida  Provisória  nº  2.158­35,  de  2001).  Não  existindo  norma  de  desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se  homologa a compensação que dele se aproveita.   Repisando  os  argumentos  apresentados  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  Recorrente  apresenta  o  ora  analisado  Recurso  Voluntário,  acrescentando  que  não  foi  intimado pela  fiscalização,  em nenhum momento,  a  apresentar  comprovantes  da  origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado  nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos.   Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos  indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma  vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus.  É o relatório  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 6          5   Voto Vencido  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel  recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os  demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Conforme  mencionado  alhures,  a  manifestação  de  inconformidade  do  Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais  argumentos:  (i) de que a Recorrente não  faria  jus à  imunidade e/ou  isenção nas  remessas de  produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente  a origem de seus créditos.  O  primeiro  ponto  que  deve  ser  abordado  nesta  decisão  é  se  as  receitas  oriundas  das  vendas  destinadas  à  Zona  Franca  de  Manaus  estão  sujeitas  à  incidência  da  contribuição ao PIS e da COFINS.  De  pronto,  é  importante  destacar  que,  desde  o  advento  do  Decreto­Lei  288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para  todos os efeitos fiscais. Confira­se a redação do artigo 4º do mencionado decreto:  Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo  ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação brasileira  para  o  estrangeiro.   Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o  artigo  40  das  ADCT’s  –  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias  teve  a  seguinte  redação:  Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características  de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos  fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da  Constituição.  Como  se  percebe,  o  constituinte  de  1988  prorrogou  (garantiu)  o  benefício  concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013.  Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona  Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto­ Lei  288/67,  cumpre  analisar  se,  à  época  dos  fatos  geradores  dos  créditos  indicados  pelo  contribuinte como pagos  indevidamente, existia  isenção da COFINS nas  receitas decorrentes  de exportação.  Tal  ilação  não  é  difícil. O artigo  7º  da Lei Complementar 70/91,  vigente  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  determinava  expressamente  que  as  receitas  decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confira­se:  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 7          6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes:  I  ­  de  vendas  de mercadorias  ou  serviços  para  o  exterior,  realizadas  diretamente pelo exportador;  II  ­  de  exportações  realizadas  por  intermédio  de  cooperativas,  consórcios ou entidades semelhantes;   III  ­  de  vendas  realizadas  pelo  produtor­vendedor  às  empresas  comerciais exportadoras, nos termos do Decreto­lei nº 1.248, de 29 de  novembro de 1972, e alterações posteriores,  desde que destinadas ao  fim específico de exportação para o exterior;  IV  ­  de  vendas,  com  fim  específico  de  exportação  para  o  exterior,  a  empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior  do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo;  V ­ de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo  de  bordo  em  embarcações  ou  aeronaves  em  tráfego  internacional,  quando o pagamento for efetuado em moeda conversível;  VI ­ das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas  condições estabelecidas pelo Poder Executivo.  Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 2348­9, o Supremo Tribunal  Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da  Medida  Provisória  nº  2.037­24  (atual  Medida  Provisória  n.°  2.158­35,  de  2001).  Tal  julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus  são equiparadas, para fins fiscais, às exportações:  ZONA FRANCA DE MANAUS ­ PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL.  Configuram­se a relevância e o risco de manter­se com plena eficácia  o  diploma  atacado  se  este,  por  via  direta  ou  indireta,  implica  a  mitigação  da  norma  inserta  no  artigo  40  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias  da Carta  de  1988: Art.  40. É mantida  a  Zona  Franca  de  Manaus,  com  suas  características  de  área  livre  de  comércio,  de  exportação  e  importação,  e  de  incentivos  fiscais,  pelo  prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição.  Parágrafo  único.  Somente  por  lei  federal  podem  ser  modificados  os  critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos  projetos  na  Zona  Franca  de  Manaus.  Suspensão  de  dispositivos  da  Medida Provisória nº 2.037­24, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  07/12/2000,  DJ  07­11­2003  PP­00081  EMENT  VOL­02131­02  PP­ 00266)  O  que  não  se  pode  admitir,  data  venia,  é  a  interpretação  dada  pela  douta  Delegacia  de  Julgamento  de  Campinas,  no  sentido  de  que  a  “isenção  do  PIS  e  da  Cofins  prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.037­25, de 2000, atual Medida Provisória no.  2.158­35,  de  2001,  quando  se  tratar  de  vendas  realizadas  para  empresas  estabelecidas  na  Zona Franca de Manaus, aplica­se às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas  nos  incisos  IV,  VI,  VIII  e  IX,  do  referido  artigo.  Referida  isenção,  contudo,  não  alcança  os  fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em  que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no.  1.858­6, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)”.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 8          7 Ora, como demonstrado, desde o Decreto­Lei 288/67, as remessas para Zona  Franca  de  Manaus  são  consideradas  como  sendo  exportações,  o  que  foi  ratificado  pela  Constituição Federal de 1988.   Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação  da COFINS. A Medida Provisória nº 2.037­24 (atual Medida Provisória n.° 2.158­35, de 2001)  tentou  afastar  tal  isenção,  o  que  não  foi  recepcionado  pelo  ordenamento  jurídico  pátrio,  nos  termos da decisão  exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto,  não há que  se  falar em  isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia.  O Superior Tribunal de Justiça,  em reiteradas decisões,  já  se manifestou no  sentido  de  que  são  isentas  do  pagamento  da  COFINS  e  do  PIS  as  receitas  decorrentes  de  exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  ISENÇÃO.  PIS  E  COFINS.  PRODUTOS  DESTINADOS  À  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  PRESCRIÇÃO.  TERMO  INICIAL.  FATO  GERADOR.  PAGAMENTO  INDEVIDO.  ARTIGO  4º,  DA  LC  118/2005.  DETERMINAÇÃO  DE  APLICAÇÃO  RETROATIVA.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  CONTROLE  DIFUSO.  CORTE  ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA  1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O  REGIME DO ART. 543­C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC.  INOCORRÊNCIA.  1.  O  art.  4º  do  DL  288/67  e  o  art.  40  do  ADCT  "preserva  a  Zona  Franca  de  Manaus  como  área  de  livre  comércio,  estendendo  às  exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os  benefícios  fiscais  presentes  nas  exportações  ao  estrangeiro".  Consectariamente,  para  efeitos  fiscais,  a  exportação  de  mercadorias  destinadas  à Zona Franca  de Manaus  equivale  a  uma  exportação de  produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas  Turmas  de  Direito  Público  que:  "O  conteúdo  do  art.  4º  do  Dec.lei  288/67,  foi  o  de  atribuir  às  operações  da  Zona  Franca  de Manaus,  quanto  a  todos  os  tributos  que  direta  ou  indiretamente  atingem  exportações de mercadorias nacionais para essa região,  regime  igual  ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior."   2. O art.  5º da Lei 7.714/88,  com a  redação dada pela Lei 9.004/95,  bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão,  da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores  referentes  às  receitas  oriundas  de  exportação  de  produtos  nacionais  para o estrangeiro.  3.  Havendo  equiparação  dos  produtos  destinados  à  Zona  Franca  de  Manaus  com  aqueles  exportados  para  o  exterior,  infere­se  que  a  isenção  relativa  à  COFINS  e  ao  PIS  é  extensiva  à  mercadoria  destinada  à  Zona  Franca.  Precedentes:  REsp  681.395/SC,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO  CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009,  DJe  13/11/2009; RESP 223.405­MT, DJ de  01.09.2003, Relator Min.  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 9          8 Humberto  Gomes  de  Barros;  RESP  144.785­PR,  DJ  de  16.12,2002,  Relator Min. Paulo Medina).  4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº  2348­9,  suspendeu  a  eficácia  da  expressão  "na  Zona  Franca  de  Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.037­24, de  23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre  receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.  5.  Assim,  considerando  o  caráter  vinculante  da  decisão  liminar  proferida  pelo  E.  STF,  restam  afastados,  no  caso  concreto,  os  dispositivos  da  MP  2.037­24  que  tiveram  sua  eficácia  normativa  suspensa.  (...)  11.  Agravo  regimental  desprovido.  (AgRg  no  Ag  1292410/AM,  Rel.  Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe  07/04/2011)  E,  ainda,  com  a  promulgação  da  Emenda  Constitucional  nº  42,  de  19  de  dezembro de 2003,  foi concedida imunidade às  receitas decorrentes de exportação, o que fez  dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e  da COFINS sobre  as  receitas de vendas destinadas  à ZFM, posto que,  se  a  isenção deve  ser  interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima.  Dessa  forma,  conclui­se  pela  isenção  e,  agora,  imunidade,  das  receitas  decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em  relação à contribuição ao PIS e  à COFINS, devendo ser  reformada a decisão  recorrida neste  ponto.  Ocorre,  contudo,  que,  pelos  elementos  trazidos  aos  autos,  não  pode,  este  egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido  de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e  (ii) se são suficientes para liquidar os débitos.  Deve­se, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido,  a  Delegacia  de  Julgamento  de  Campinas  (SP)  poderia,  de  ofício,  independentemente  de  requerimento  expresso,  ter  realizado  diligências  para  aferir  autenticidade  dos  créditos  declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confira­se:  Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de  ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo  é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a  autenticidade  das  declarações  dos  contribuintes,  o  que, data  venia,  não  foi  feito  no  presente  caso.  Deve­se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado  por  diversos  princípios,  dentre  os  quais  se  destaca  o  da Verdade Material,  cujo  fundamento  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 10          9 constitucional  reside  nos  artigos  2º  e  37  da  Constituição  Federal,  no  qual  o  julgador  deve  pautar  suas  decisões. Ou  seja,  o  julgador deve perseguir  a  realidade dos  fatos,  para  que  não  incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre  Professor James Marins:  A  exigência  da  verdade  material  corresponde  à  busca  pela  aproximação  entre  a  realidade  factual  e  sua  representação  formal;  aproximação  entre  os  eventos  ocorridos  na  dinâmica  econômica  e  o  registro  formal  de  sua  existência;  entre  a  materialidade  do  evento  econômico  (fato  imponível)  e  sua  formalidade  através  do  lançamento  tributário.  A  busca  pela  verdade material  é  princípio  de  observância  indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades  procedimentais  e  processuais.  (grifou­se).  (MARINS,  James.  Direito  Tributário  brasileiro:  (administrativo  e  judicial).  4.  ed.  ­  São  Paulo:  Dialética, 2005. pág. 178 e 179.)  Sobre  o  princípio  da  verdade  material,  também  ensinam  os  ilustres  professores  Celso  Antônio  Bandeira  de  Mello  e  José  dos  Santos  Carvalho  Filho,  respectivamente:  Princípio  da  verdade material. Consiste  em  que  a Administração,  ao  invés de  ficar  restrita ao que as partes demonstrem no procedimento,  deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do  que os interessados hajam alegado e provado (...).  (...)  O  princípio  da  verdade  material  estriba­se  na  própria  natureza  da  atividade  administrativa.  Assim,  seu  fundamento  constitucional  implícito  radica­se  na  própria  qualificação  dos  Poderes  tripartidos,  consagrada  formalmente  no  art.  2º  da  Constituição,  com  suas  inerências.  Deveras,  se  a  Administração  tem  por  finalidade  alcançar  verdadeiramente  o  interesse  público  fixado  na  lei,  é  óbvio  que  só  poderá fazê­lo buscando a verdade material, ao invés de satisfazer­se  com a verdade formal,  já que esta, por definição, prescinde do ajuste  substancial  com  aquilo  que  efetivamente  é,  razão  porque  seria  insuficiente  para  proporcionar  o  encontro  com  o  interesse  público  substantivo.  Demais  disto,  a  previsão  do  art.  37,  caput,  que  submete  a  Administração  ao  princípio  da  legalidade,  também  concorre  para  a  fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...).  (BANDEIRA  DE  MELLO,  Celso  Antônio.  Curso  de  direito  administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007.  p. 489, 493 e 494)  ...................................................................................................................  É  o  princípio  da  verdade  material  que  autoriza  o  administrador  a  perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos  fatos que a constituíram. (...)  Pelo  princípio  da  verdade  material,  o  próprio  administrador  pode  buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 11          10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável,  e  não  apenas  a  que  ressai  de  um  procedimento meramente  formal.  Devemos  lembrar­nos  de  que  nos  processos  administrativos,  diversamente  do  que  ocorre  nos  processos  judiciais,  não  há  propriamente  partes, mas  sim  interessados,  e  entre  estes  se  coloca  a  própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração  em  alcançar  o  objeto  do  processo  e,  assim,  satisfazer  o  interesse  público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre  o  interesse  do  particular.  (CARVALHO  FILHO,  José  dos  Santos.  Manual  de  direito  administrativo.  21.  ed.  rev.  ampl.  atual.  Rio  de  Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934)  No  processo  administrativo  tributário,  o  julgador  deve  sempre  buscar  a  verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É  permitido  ao  julgador  administrativo,  inclusive,  ao  contrário  do  que  ocorre  nos  processos  judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre  buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento.  Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide  propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da  autoridade administrativa.  Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito  se posiciona no sentido de  que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material  para solução da lide. Confira­se:  IPI.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL.   Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao  sujeito  passivo  a  apresentação  de  elementos  probatórios  na  fase  impugnatória.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados  aos  autos  ainda  na  fase  de  impugnação,  antes,  portanto,  da  decisão,  fere  o  princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da  ampla  defesa.  No  processo  administrativo  predomina  o  princípio  da  verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente  ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da  tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de  reconhecer  tal  preceito.  Processo  anulado.  (13896.000730/00­99,  Recurso  Voluntário  n°.  132.865,  ACÓRDÃO  203­12338,  Relator  Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  ­  PROVA  MATERIAL  APRESENTADA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO  ­  PRINCÍPIO  DA  INSTRUMENTALIDADE  PROCESSUAL  E  A  BUSCA  DA  VERDADE MATERIAL  ­  A  não  apreciação de provas  trazidas aos autos depois da  impugnação e já na  fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da  instrumentalidade  processual  prevista  no  CPC  e  a  busca  da  verdade  material,  que  norteia  o  contencioso  administrativo  tributário.  "No  processo administrativo predomina o princípio da verdade material no  sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato  gerador,  pois  o  que  está  em  jogo  é  a  legalidade  da  tributação.  O  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 12          11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu  nascimento".  (Ac.  103­18789  ­  3ª.  Câmara  ­  1º.  C.C.).  Precedente:  Acórdão  CSRF/03­04.371  RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO.  (10950.002540/2005­65,  Recurso  Voluntário  n°.  136.880,  Acórdão  302­39947, Relatora Judith do Amaral Marcondes)  IRPJ  ­  PREJUÍZO  FISCAL  ­  IRRF  ­  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO ­ ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ ­  PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL  ­  Não  procede  o  não  reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo  negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi  oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração.  Recurso  provido.  (Número  do  Recurso:  150652  ­  Câmara:  Quinta  Câmara  ­  Número  do  Processo:  13877.000442/2002­69  –  Recurso  Voluntário: 28/02/2007)  COMPENSAÇAO  ­  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  E/OU  PEDIDO  –  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no  preenchimento  da  declaração  e/ou  pedido,  deve  a  verdade  material  prevalecer  sobre  a  formal.  Recurso  Voluntário  Provido.  (Número  do  Recurso:  157222  ­  Primeira  Câmara  ­  Número  do  Processo:10768.100409/2003­68  –  Recurso  Voluntário:  27/06/2008  ­  Acórdão 101­96829).  Assim,  in  casu,  a  fiscalização,  considerando  a  isenção/imunidade  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  nas  vendas  destinadas  à  Zona  Franca  de Manaus,  como  demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e  se  estes  créditos  são  suficientes  para  liquidar  os  débitos  consignados  no  pedido  de  compensação.  Tendo  em  vista  o  acima  exposto,  e  o  fato  de  que  não  constar  nos  autos  documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários  do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/Osasco­SP para:  (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo  de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus;  (ii)  Juntar  aos  autos  cópia  da  documentação  que  demonstre  a  origem  dos  créditos declarados;  (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados  no pedido de compensação;  (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim  desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência;  (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento.   (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora)    Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 13          12 Voto Vencedor  Conselheiro Marcos Antônio Borges,  Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar.  O  direito  creditório  pleiteado  teria  como  fundamento  a  isenção  das  contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na  Zona Franca de Manaus.   A  interessada  sustenta  que  a  isenção  das  contribuições  teria  como  fundamento legal o art. 4º do Decreto­Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito:  “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para  consumo  ou  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ou  reexportação  para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifou­se)  Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta  tese não pode  prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos  termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967.   Assim sendo, este diploma legal e o Decreto­Lei nº 356/1968, que estendeu  às áreas pioneiras,  zonas de  fronteira e outras  localidades da Amazônia Ocidental os  favores  fiscais  concedidos  pelo  Decreto­Lei  nº  288/67,  não  têm  o  condão  de  produzir  efeitos  em  relação à legislação superveniente.   É  certo  que  se  interpreta  literalmente  a  lei  que  dispõe  sobre  outorga  de  isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em  relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº  1.858­6, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição  cumulativa, in verbis:  Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º  de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  I  ­  dos  recursos  recebidos  a  título  de  repasse,  oriundos  do  Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e  dos  Municípios,  pelas  empresas  públicas  de  sociedades  de  economia mista;  II ­ da exportação de mercadorias para o exterior;  III ­ dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente  ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso  de divisas;  IV  ­  do  fornecimento  de  mercadorias  ou  serviços  para  uso  ou  consumo  de  bordo  em  embarcações  e  aeronave  em  tráfego  internacional,  quando  o  pagamento  for  efetuado  em  moeda  conversível;  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 14          13 V ­ do transporte internacional de cargas ou passageiros;  VI  ­ auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades  de construção, conservação, modernização, conversão e  reparo  de  embarcações  pré­registradas  ou  registradas  no  Registro  Especial Brasileiro  ­ REB,  instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de  janeiro de 1997;  VII  ­  de  frete  de  mercadorias  transportadas  entre  o  País  e  o  exterior pelas embarcações  registradas no REB, de que  trata o  art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997;  VIII ­ de vendas realizadas pelo produtor­vendedor às empresas  comerciais exportadoras nos termos do Decreto­Lei nº 1.248, de  29  de  novembro  de  1972,  e  alterações  posteriores,  desde  que  destinadas ao fim específico de exportação para o exterior;  IX ­ de vendas, com fim específico de exportação para o exterior,  a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio  Exterior  do  Ministério  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio;  X ­ relativas às atividades próprias das entidades a que se refere  o art. 13.  § 1º São  isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas  referidas nos incisos I a IX do caput.  § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não  alcançam as receitas e vendas efetuadas:  I  ­  a  empresa  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  na  Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;  II  ­  a  empresa  estabelecida  em  zona  de  processamento  de  exportação;  III  ­  a  estabelecimento  industrial,  para  industrialização  de  produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº  8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifou­se)  Este diploma  legal  foi ajustado na Medida Provisória nº 2.037­25, de 21 de  dezembro  de  2000,  em  razão  de  medida  cautelar  deferida  pelo  Excelso  Supremo  Tribunal  Federal ­ STF, na ADI n° 2.348­9, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto  ao  disposto  no  inciso  I  do  §  2º  do  artigo  14  da  Medida  Provisória  n°  2.037­24,  de  2000,  suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”.  Não  se  pode  perder  de  vista  que  o  Supremo  tribunal  federal  em  02  de  fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado.  Destarte,  da  inteligência  do  artigo  citado,  conclui­se  que  até  a  edição  da  Medida  Provisória  nº  2.037­25,  de  21  de  dezembro  de  2000,  em  relação  às  vendas  para  empresas  situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus,  não  havia  isenção  da  contribuição  e  posteriormente  a esta data  a  isenção  alcança  somente  as  receitas de vendas  enquadradas nos  incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 15          14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da  Receita Federal  por meio  da Solução  de Divergência Cosit  nº  22,  de 19  de  agosto  de  2002,  DOU  de  22/08/2002,  pacificou  no  âmbito  da  administração  a  tese  de  que  não  há  isenção  específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus.   SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002  Nº 22­ ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep  EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida  Provisória  nº2.037­25,  de  2000,  atual  Medida  Provisória  nº2.158­35, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para  empresas  estabelecidas  na  Zona  Franca  de  Manaus,  aplica­se  somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de  dezembro  de  2000,  e,  exclusivamente,  sobre  às  receitas  de  vendas  enquadradas  nas  hipóteses  previstas  nos  incisos  IV, VI,  VIII e IX, do referido artigo.   DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de  1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei  nº9.715,  de  1995;  Art.  14  da Medida  Provisória  nº1.858­6,  de  1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.037­25, de 2000,  atual Medida  Provisória  nº2.158­35,  de  2001; Medida  liminar  deferida  pelo  STF,  na  ADI  nº2.348­9;  e  Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002.  ASSUNTO: Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  EMENTA:  A  isenção  da Cofins  prevista  no  art.  14  da Medida  Provisória  nº2.037­25,  de  2000,  atual  Medida  Provisória  nº2.158­35, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para  empresas  estabelecidas  na  Zona  Franca  de Manaus,  aplica­se,  exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses  previstas  nos  incisos  IV,  VI,  VIII  e  IX,  do  referido  artigo.  A  isenção  da  Cofins  não  alcança  os  fatos  geradores  ocorridos  entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período  em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do  art.  14  da Medida  Provisória  nº1.858­6,  de  1999,  e  reedições,  (atual Medida Provisória nº2.158­35, de 2001).  DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei  Complementar nº85, de 1996; Art.  14 da Medida Provisória nº  1.858­6, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037­ 25,  de  2000,  atual  Medida  Provisória  nº2.158­35,  de  2001;  Medida  liminar  deferida  pelo  STF,  na  ADI  nº  2.348­9;  e  Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002.  Registre­se,  por  oportuno  que  as  jurisprudências  administrativas  e  judiciais  colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e  produzem  efeitos  apenas  em  relação  às  partes  que  integram  os  processos  e  com  estrita  observância do conteúdo dos julgados.   Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/2009­07  Acórdão n.º 3801­004.959  S3­TE01  Fl. 16          15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004,  com  vigência  em  16/12/2004,  que  estabeleceu  a  alíquota  zero  da  Cofins  incidentes  sobre  as  receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus:  “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição  para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  ­  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização na Zona Franca de Manaus ­ ZFM, por pessoa  jurídica estabelecida fora da ZFM.  §  1o  Para  os  efeitos  deste  artigo,  entendem­se  como  vendas  de  mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ­ ZFM as  que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham  utilizar  diretamente  ou  para  comercialização por  atacado ou a  varejo.  § 2o Aplicam­se às operações de que trata o caput deste artigo  as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de  30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei  no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”  Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção  das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à  Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese,  estava isenta, como defendeu a interessada.   Em suma,  a  receita de vendas de mercadorias destinadas  à Zona Franca  de  Manaus  no  período  de  apuração  em  discussão  não  era  isenta  ou  imune  da mencionada  nos  termos da legislação de regência.  Por  fim,  resta  evidente  que  as  alegações  sobre  o  direto  creditório  ficaram  prejudicadas.  Em  face  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges                    Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10830.000529/2006-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional-CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-005.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional-CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 3          2 EXIGÊNCIA  DO  IRPJ  E  DA  CSLL  ESTIMATIVA.  Passíveis  de  sanções  pelo inadimplemento da obrigação.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado:  I) Pelo voto de qualidade, não acatar a  tese  de  homologação  tácita. Vencidos  os  Conselheiros Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Cássio Schappo  (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado  para  elaborar  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Paulo  Sérgio  Celani;  II)  Por  unanimidade  de  votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria  de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do  relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o  instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio  de  Castro  Pontes;  V)  Por  unanimidade  de  votos,  manter  a  possibilidade  de  cobrança  dos  débitos  de  estimativa  de  IRPJ  e  CSLL.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  o  Dr.  Daniel  Borges Costa, OAB/SP 250.118.    (assinado digitalmente)  Flávio De Castro Pontes ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Cássio Schappo ­ Relator.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani – Redator Designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes,  Paulo  Sérgio  Celani, Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva Murgel, Marcos  Antonio  Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 4          3   Relatório  A  recorrente,  BENTELER COMPONENTES AUTOMOTIVOS  LTDA,  na  data  de  09/01/2006,  apresentou  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição  –  Declaração  de  Compensação  nº  19990.32488.090106.1.1.10­1929  (fls.  27  a  29),  no  montante  de  R$  773.958,70  decorrentes  de  operações  de  mercado  interno  ocorridas  nos  meses  de  outubro,  novembro e dezembro de 2005 (4º trimestre de 2005);   Na data de 30/01/2006  formalizou DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO,  através do formulário 1 do Anexo IV da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro  de  2005  (fls.  3),  requerendo  a  compensação  de  débitos  –  código  de  receita:  2362  (IRPJ  –  Estimativa Mensal) para o período de apuração 30/11/2005 e 8741 (CIDE) para o período de  apuração 31/12/2005, com a utilização do montante do crédito contido na PER/DCOMP antes  citada;  No  campo  “Outras  Informações”  da Declaração  de Compensação,  destaca:  “Nesta compensação utilizamos o  instituto da denúncia espontânea constante do Artigo 138  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  Segue  Petição  de  compensação  em  anexo”;  a  título  explicativo destaca­s a seguinte parte:  1.  Inicialmente,  cumpre  mencionar  que  a  requerente  é  Pessoa  Jurídica cujo objeto social abarca, preponderantemente, a fabricação  e comercialização dos produtos relacionados nos anexos I e II da Lei  10.485/2002. Outrossim, referida Sociedade também realiza execução  de  industrialização  por  encomenda  dos  referidos  produtos,  sujeitando, as respectivas receitas, à hipótese de redução a zero das  alíquotas das contribuições ao PIS e à COFINS.  2.  Goza,  outrossim,  da  não  incidência  das  contribuições  incidentes  sobre o faturamento, segundo o disposto nos artigos 5o e 6o das Leis  10.637/2002 e 10.833/2003, e, de acordo com o artigo 149, parágrafo  2o  ,  inciso  I,  da Constituição Federal,  decorrente  das  operações  de  exportação de mercadorias para o exterior, operação usual praticada  pela Sociedade.  3. Por conseguinte,  tendo em vista a realidade  fática apresentada, é  corriqueiro o acúmulo de créditos de PIS/COFINS, motivo pelo qual,  habitualmente, a Requerente recorre aos pedidos de ressarcimento e  compensação disponibilizados pela Secretaria da Receita Federal.  4. Nesse contexto, procedeu ao pedido de ressarcimento dos créditos  acumulados competentes aos segundo, terceiro e quarto trimestres do  exercício  de  2005,  nos  termos  das  disposições  da  novel  Instrução  Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. [...]  7. Posteriormente, como de praxe, a Requerente optou por realizar a  compensação dos créditos objeto do pedido de ressarcimento efetuado  outrora. [...]  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 5          4 Em  atendimento  ao  requerimento  da  Contribuinte,  o  SEFIS  –  Serviço  de  Fiscalização  da  DRF  de  Campinas/SP  implantou  procedimento  com  exame  documental  e  escritural, necessários à instrução do processo, pontuando o seguinte:  f)  Verificação  da  legitimidade  dos  créditos  registrados  no  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais  (DACON)  mediante  o  exame,  por  amostragem,  das  notas  fiscais,  contratos  e  documentos  referentes  aos  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  despesas  de  energia  elétrica,  despesas  de  aluguéis  de  máquinas,  equipamentos  e  prédios  locados  de  pessoas  jurídicas,  despesas  de  fretes,  bem  como  de  outros  créditos  previstos  na  legislação  de  regência;    Do exame  realizado  o  fisco  constatou  o  registro  de  créditos  do PIS/PASEP  sem amparo legal conforme relatado:    No  curso  das  verificações  ora  citadas,  identificou­se  que  o  contribuinte  inseriu  despesas  de  "manutenção  predial  corretiva  e  manutenção  predial  preventiva"  dentre  os  valores  que  compõem  a  base  de  cálculo  dos  créditos  relativos  a  "Serviços  Utilizados  como  Insumos".  Porém,  conforme  art.  3  o  da  Lei  n°  10.833/2003  não  há  previsão  legal  para  o  aproveitamento  de  créditos  decorrentes  de  despesas dessa natureza.    Dessa  forma,  devem  ser  excluídos  os  seguintes  valores  da  base  de  cálculo dos créditos da PIS/PASEP:    Discriminação  Outubro  Novembro  Dezembro  Manutenção Predial Corretiva  20.055,84  28.107,53  31.162,17  conta contábil 440206001        Manutenção Predial Preventiva  7.660,79  11.359,56  26.942,81  conta contábil 440206011        Total  27.716,63  39.467,09  58.104,98    Também  foi  identificado  que  o  contribuinte  inseriu  nas  despesas  de  fretes  de  entrada,  valores  de  fretes  de  transferência  de  produtos  do  estabelecimento  localizado  em  Campinas  ­  São  Paulo  para  o  outro  estabelecimento  da  empresa  na  cidade  de  Camaçari  ­  Bahia.  As  despesas  de  fretes  de  entrada  compuseram  a  base  de  cálculo  dos  créditos  relativos  a  "Serviços  Utilizados  como  Insumos".  Porém,  conforme art. 3o da Lei n° 10.833/2003, não há previsão legal para o  aproveitamento  de  créditos  decorrentes  de  despesas  de  fretes  de  transferência.    Dessa  forma,  devem  ser  excluídos  os  seguintes  valores  da  base  de  cálculo dos créditos da PIS/PASEP:    Discriminação  Outubro  Novembro  Dezembro  Fretes entrada  conta contábil 440214001  715.528,77  828.495,88  872.757,29  Fretes transferência  incluídos na conta 440214001  252.794,76  287.863,73  282.616,43  Valor a ser excluído da base  de cálculo  252.794,76  287.863,73  282.616,43  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 6          5   As folhas 45 apresentou planilha com o cálculo da glosa de tais valores no montante  de crédito peticionado pela contribuinte, conforme a seguir resumido e faz a seguinte conclusão:    Discriminação  Outubro  Novembro  Dezembro  Valor da glosa  4.489,58  5.112,55  5.456,06    Não  foram  identificadas  outras  exclusões  da  base  de  cálculo  da  contribuição  nem outros  créditos  apurados  de  forma  irregular  além  dos mencionados acima.    Assim, refazendo­se o cálculo do crédito devido, teremos a seguinte situação:  Informações sobre os créditos    Outubro  Novembro  Dezembro  Total  Crédito proc  10830.000529/2006­16  43.339,60  371.563,12  359.055,98  773.958,70  Crédito apurado pela  fiscalização  38.850,02  366.450,57  353.599,92  758.900,51    Tendo  sido  efetuadas  as  verificações  necessárias  à  apuração  da  contribuição para o PIS/PASEP, bem como do cálculo dos créditos da  referida  contribuição,  propõe­se  o  envio  do  presente  processo  ao  Seort / DRF Campinas para prosseguimento.  O  Serviço  de  Orientação  e  Análise  Tributária  –  SEORT  da  DRF  de  Campinas/SP proferiu despacho decisório (fls.50), com a seguinte fundamentação e decisão:  FUNDAMENTAÇÃO  O pedido de  ressarcimento  está amparado na Lei  n°  5.172,  de  25/10/66,  na  Instrução  Normativa  RFB  n°  900,  de  30/12/2008,  que  disciplina,  entre  outros,  o  ressarcimento  e  a  compensação  de  créditos  da  Contribuição  para  PIS/PASEP,  assim  como nas Leis n° 10.833/2003 e 11.033/2004.  A  exatidão  das  informações,  a  que  se  refere  o  artigo  65  da  IN  RFB  n°  900/2008,  foi  aferida  em  análise  efetuada  pelo  Serviço  de  Fiscalização  desta  DRF  e  resumida  na  Informação  Fiscal  à  fls.  40/43,  parte  integrante  e  inseparável  do  presente  despacho,  sendo  constatada  a  parcial  regularidade  das  operações  incentivadas,  do  que  resultou  a  glosa  de  R$  15.058,19  e  na  disponibilidade de crédito no valor de R$ 758.900,51.    DECISÃO  Assim,  pela  competência  a mim  delegada,  reconheço à  interessada,  em face do PER à fls.25/27, o direito creditório de R$ 758.900,51 e  homologo até esse  limite a  compensação declarada pela DCOMP à  fl. 01 de acordo com os demonstrativos SIEF à fls. 44/45 e o extrato  PROFISC à fl. 46.  Segue­se a ciência do presente Despacho Decisório e a exigência do  saldo devedor em aberto, facultando­se à interessada a apresentação  de manifestação  de  inconformidade  à Delegacia  da Receita Federal  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 7          6 do Brasil de Julgamento no prazo de 30 (trinta) dias contados da data  de ciência deste.  Conforme  decisão  do  SEORT,  o  extrato  PROFISC,  fls.48  do  processo,  discrimina os débitos declarados e a compensação com o crédito  reconhecido até o  limite de  R$  758.900,51  resultando  num  saldo  devedor  para  o  tributo  8741  (CIDE)  PA/EX:  12/2005  Vcto  IMPOSTO:  13/01/2006 no  valor  de R$ 57.825,46. O  fisco  não  reconheceu  a  denuncia  espontânea  alegada  pela  contribuinte  e  acrescentou  aos  valores  dos  impostos  declarados,  o  valor da multa e dos juros de mora, para após efetuar a compensação.  O  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  foi  intimado  a  recolher  o  saldo  devedor em aberto aos cofres da Fazenda Nacional, na data de 09/11/2010 (fls.53), facultada a  apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento.  No  prazo  legal  foi  apresentado  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE (fls.56/79), culminando com o seguinte pedido:  79.  Por  todo  exposto,  requer  a  Requerente  seja  julgada  procedente  a  presente Manifestação  de  Inconformidade,  a  fim  de  que  seja  reconhecida  a  decadência  do  direito  de  o  Fisco  analisar a procedência dos créditos de PIS­mercado interno apurados  em  outubro  de  2005,  bem  como  seja  reformado  o  r.  despacho  decisório,  devendo  ser  integralmente  reconhecido  o  montante  creditório  pleiteado  relativamente  às  operações  de mercado  interno  efetuadas  no  4o  trimestre  de  2005,  bem  como  para  que  seja  reconhecida a regularidade da denúncia espontânea dos débitos de  IRPJ,  afastando­se,  assim,  a  incidência  de multa  de mora  sobre  os  valores compensados, a fim de que sejam integralmente homologadas  as  compensações  efetuadas,  ante a  regularidade do crédito apurado  e, por conseguinte, seja cancelada a cobrança em razão de extinção  do  débito,  de  acordo  com  o  artigo  156,  II,  do  Código  Tributário  Nacional.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP)  julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP    Período de apuração: 01/10/2005 a 32/12/2005    REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS.  GASTOS  NÃO  CARACTERIZADOS  COMO  INSUMOS.  IMPOSSIBILIDADE.  MANUTENÇÃO  PREDIAL.  FRETES  DE  PRODUTOS EM ELABORAÇÃO.    Não geram créditos no  regime da não cumulatividade os dispêndios  com  bens  e  serviços  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  definido na legislação, como manutenção predial e fretes contratados  para transporte de bens em elaboração.    Manifestação de Inconformidade Improcedente    Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 8          7   Apesar  de não  fazer  parte  da  ementa  acima  transcrita  a DRJ  se  posicionou  também, sobre as teses de defesa relacionadas a decadência e denúncia espontânea, bem como,  sobre a compensação efetuada. Sobre estes temas a DRJ assim se manifestou:    De início, é importante registrar que os autos não  tratam de  lançamento  fiscal, ou seja, não há constituição de crédito  pela Fazenda Pública  que  chame a  aplicação do  prazo  decadencial  previsto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. Os débitos  que  eventualmente  venham  a  ser  objeto  de  cobrança  foram  confessados  pela  própria  contribuinte  nas  declarações  de  compensação, previamente a qualquer ação do Fisco.    Por  outro  lado,  o  prazo  que  corria  contra  a  Administração é tratado no art. 74, §5º da Lei nº 9.430, de 1996, e diz  respeito à homologação da compensação declarada pela contribuinte.  No caso em exame, a DCOMP que se aproveita do direito de crédito  pleiteado foi apresentada em 30/01/2006 (fl. 1). Por sua vez, a ciência  do  despacho  que  homologou  parcialmente  a  citada  declaração  de  compensação  se  deu  em  09/11/2010,  portanto,  na  guarda  do  prazo  tratado no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 1996.    Assim, a Administração Tributária agiu no sentido  de aferir, dentro do prazo que lhe cabia, a correção do procedimento  de  compensação.  A  nova  apuração  do  saldo  de  créditos  da  não  cumulatividade  é,  dessa  forma,  atividade  imprescindível  à  certificação da compensação e não está sujeita aos ritos e aos prazos  aplicáveis à constituição de crédito tributário pela Fazenda Pública.    [...]    No caso em tela, a repercussão tributária do saldo  credor  coincide  com  o  do  aproveitamento  do  crédito  em  DCOMP.  Não há portanto, a alegada expiração do prazo na ação da Fazenda  Pública.    [...]    Note­se  que  o  dispositivo  (art.  138  do  CTN)  condiciona  a  caracterização  da  denúncia  ao  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de  mora.  O  dispositivo  não  menciona  outras  formas de extinção do crédito como beneficiárias do instituto. Assim,  de  pronto,  tratando o  citado  artigo  de  regra  de  direito  excepcional,  sua interpretação deve ser estrita, o que coloca a compensação fora  dos efeitos da denúncia espontânea.    Além disso, ainda que se considere a compensação  como forma de extinção alcançada pelo disposto no art. 138, do CTN,  não ficaria afastada a multa de mora no caso.    Sustenta  a  contribuinte  que,  ao  declarar  a  compensação  de  tributos  vencidos,  ficou  ao  abrigo  do  instituto  da  denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.    Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 9          8 A  esse  respeito  deve­se  lembrar,  de  início,  rememorar  o  dever  legal  que  compele  o  contribuinte  a  extinguir  a  obrigação  tributária  no  prazo  de  vencimento.  Neste  sentido,  para  o  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento,  o  art.  161  do  CTN  determina o acréscimo de juros de mora, sem prejuízo da imposição  das  penalidades  cabíveis  e  da  aplicação  de  quaisquer  medidas  de  garantia previstas em lei tributária, dentre as quais insere­se a multa  de mora, estipulada na Lei nº 9.430, 1996.    Inconformada,  a  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário  onde  espera  ver  integralmente  reformado  o  acórdão  recorrido  e  homologada  por  completo  a  compensação  efetuada, sob os seguintes argumentos de defesa:     DA  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  ANALISAR  A  APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RELATIVO AO PERÍODO DE  OUTUBRO  DE  2005  ­  NULIDADE  DO  PROCEDIMENTO  ADOTADO  No presente caso, como os valores utilizados como  crédito  de  PIS­mercado  interno  para  compensação  apurados  em  outubro  de  2005,  somente poderia  ter  questionado até  o outubro de  2010, respeitando­se o prazo decadencial de cinco anos, em atenção  ao  disposto  no  artigo  150,  §  4°,  do  CTN,  porém,  não  foi  o  que  ocorreu,  pois  a  ora  Recorrente  somente  foi  intimada  acerca  do  Despacho  Decisório  no  dia  09/11/2010  (após  decurso  do  prazo  decadencial  de  cinco  anos).  Dessa  forma,  conclui­se  que  ocorreu  a  extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso V, do  CTN.  Portanto,  no  presente  caso,  não  se  poderia  ter  procedido  à  glosa  dos  créditos  de  PIS­mercado  interno,  realizando  verdadeira revisao da apuração do tributo, após o decurso do prazo  decadencial,  sem procedimento próprio e  inerente ao  lançamento de  ofício.  DO  DIREITO  AO  INTEGRAL  RESSARCIMENTO  DOS  VALORES PLEITEADOS  Assim,  os  valores  decorrentes  da  manutenção  de  prédios  e  instalações  fabris devem servir de base de  cálculo para o  cálculo dos créditos de PIS, sendo indevida a glosa procedida pelo i.  Auditor Fiscal  e  ratificada pelo acórdão ora  recorrido,  vez que  tais  gastos  influenciam  diretamente  na  fabricação  dos  produtos  da  Sociedade, porquanto depende das instalações prediais operando com  pleno  vigor  e  eficiência  para  fabricar  seus  produtos  e  desempenhar  sua  atividade,  configurando­se,  portanto,  em  efetivos  insumos  aplicados na produção de bens, ao contrário do afirmado no acórdão  recorrido.  Portanto,  o  que  se  pode  verificar  é  que  o  frete  utilizado pela Recorrente para composição de seu saldo credor de PIS  é  efetivamente  o  de  um  "serviço  utilizado  como  insumo",  haja  vista  que  a  transferência  de  um  produto  semi­elaborado  para  industrialização final em outro estabelecimento nada mais é senão um  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 10          9 insumo  na  cadeia  econômica  da  Recorrente  e  assim  deve  ser  considerado para fins de aproveitamento dos créditos.  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  IMPUTAÇÃO  DE  MULTA  DE  MORA ­ DENÚNCIA ESPONTÂNEA  De  fato,  a norma geral determina a aplicação de  multa  moratória  nos  casos  de  tributo  recolhido  fora  do  prazo  determinado. Entretanto, o artigo 138 do Código Tributário Nacional  traz  hipótese  de  exceção.  Tal  dispositivo  impõe  certas  condições,  conforme segue:  "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando  o  montante  do  tributo  dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou medida de fiscalização, relacionados com a infração."  Pelo  visto  acima,  duas  são  as  condições  a  serem  observadas  para  o  gozo  do  benefício  da  denúncia  espontânea.  A  primeira  refere­se  ao  pagamento  integral  do  débito  tributário,  devidamente acrescido dos juros de mora devidos. A segunda refere­ se ao pagamento antes de qualquer atividade de fiscalização.  No  presente  caso,  ambos  os  requisitos  foram  devidamente  preenchidos  pela  ora  Recorrente.  Dessa  forma,  uma  vez  que  a  ora  Recorrente  seguiu  à  risca  a  regra  imposta  pelo  Código  Tributário  Nacional,  é  de  se  concluir  que  o  pagamento  (compensação)  espontâneo  do  débito  em atraso  rechaçou  a  incidência  da multa  de  mora. Ademais, a indenização pelo mero atraso já resta satisfeita com  a  inclusão  dos  juros  de  mora,  condição  cumprida  pela  Recorrente  para a configuração da denúncia espontânea.    É o Relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Cássio Schappo, Relator.  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  Conforme relatado, as questões aqui discutidas se dividem em dois fatos:  1º)  o  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO  OU  REESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  –  PER/DCOMP  nº  19990.32488.090106.1.1.10­1929,  transmitida  em  09/01/2006,  que  trata  de  créditos  do  Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 11          10 PIS/PASEP  não­cumulativo  – mercado  interno  referente  aos meses  de  outubro,  novembro  e  dezembro de 2005, ou seja, 4º trimestre/2005;  2º)  a  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  recepcionada  pela  DRF  –  Campinas/SP na data de 30/01/2006, indicando os débitos de IRPJ – estimativa do período de  apuração  30/11/2005  e  CIDE  do  período  de  apuração  31/12/2005,  compensados  com  os  créditos dispostos no PER/DCOMP acima mencionado.  O  embate  fisco/contribuinte  se  dá  a  partir  do Despacho Decisório  SEORT  DRF/CPS/2303/2010, cientificado na data de 09/11/2010, o qual comunica:   que  foi  deferido  em  parte  o  pedido  de  ressarcimento  do  PIS­MERCADO  INTERNO relativo ao 4º  trimestre de 2005,  reduzindo o crédito declarado de R$ 773.958,70  para  R$  758.900,51  resultante  da  glosa  de  R$  15.058,19  correspondente  a  créditos  sem  previsão  legal,  relativos  a  “Serviços  Utilizados  como  Insumos”  inseridos  como  despesas  de  “manutenção  predial  corretiva  e  manutenção  predial  preventiva”  e  de  valores  de  fretes  de  transferência  de  produtos  em  processo  de  fabricação  do  estabelecimento  localizado  em  Campinas/SP para o outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari/BA;  que  foi  homologada  parcialmente  a  compensação  objeto  da  DCOMP  formalizada  no  processo  em  discussão,  resultante  da  glosa  de  crédito  da  PER/DCOMP  e  da  multa  de  mora  não  considerada  nos  cálculos  da  contribuinte  para  os  débitos  vencidos  relacionados na DCOMP;  dessa forma o contribuinte foi intimado a recolher o saldo devedor em aberto  aos  cofres  da  Fazenda  Nacional,  conforme  DARF  no  valor  de  R$  57.825,46  a  título  de  imposto, mais multa e juros de mora;  A  inconformidade  manifestada  pela  contribuinte  foi  julgada  improcedente  pela DRJ em Campinas/SP e por consequência não reconhecido o direito creditório nos termos  do Despacho Decisório SEORT/DRF/DSP e fundamentos já destacados no relatório.  O recurso voluntário foi instruído sem destaque de preliminares, expondo em  sequência as teses de defesa, que serão seguidas no encaminhamento do voto, começando pela  PER/DCOMP (questão 1):  1 ­    DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO ANALISAR A APURAÇÃO  DO SALDO CREDOR RELATIVO AO PERÍODO OUTUBRO DE 2005 – NULIDADE DO  PROCEDIMENTO ADOTADO.  A recorrente busca através dessa premissa, anular em parte a glosa do crédito  da COFINS  referente  ao  período  outubro  de  2005,  devidamente  declarado  ao  fisco,  por  não  estar  mais  sujeito  a  revisão,  uma  vez  ultrapassado  o  prazo  decadencial  de  5  (cinco)  anos  contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.  Cabe aqui esclarecer que a atividade do contribuinte de registrar os créditos  do  PIS/PASEP  para  o  período  outubro  de  2005,  já  havia  sido  declarada  ao  fisco  através  da  DACON e não pela PER/DCOMP como dito no julgamento pela DRJ.   O  prazo  decadencial  estabelecido  pelo  mencionado  dispositivo  do  CTN,  passa  a  contar  do  fato  gerador  declarado,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 12          11 homologação,  em  que  a  Fazenda  Pública  tomando  conhecimento  da  atividade  do  obrigado  expressamente  a  homologa.  E  não  o  fazendo,  deixando  transcorrer  esse  tempo,  considera­se  tacitamente homologado.   O Serviço de Fiscalização agiu em perfeita consonância com o estabelecido  no  art.  150  do  CTN,  porém,  concluiu  sua  análise,  dando  ciência  ao  contribuinte  sobre  a  atividade  declarada,  ou  seja,  sobre  o  montante  de  créditos  acumulados  do  PIS/PASEP  no  período  outubro  de  2005,  na  data  de  09/11/2010,  quando  já  homologado  tacitamente  por  decurso de prazo.  A DRJ em seu julgamento nem leva o assunto ao texto do art. 173, I do CTN,  restringindo ao fato do despacho da SEORT estar amparado no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de  1996, que trata do prazo para homologação da compensação declarada pela contribuinte. Além  do que, não existe lançamento de ofício para que se discuta eventual ocorrência de decadência  na presente exigência.  Os prazos aqui mencionados não se confundem e nem se complementam. O  prazo para homologação da atividade declarada, do tributo apurado e declarado é um e o prazo  de homologação da  compensação  requerida  é outro,  apesar de  serem atribuídos para os dois  casos o prazo de 5 (cinco) anos.  Excelente comentário sobre o tema envolvendo o art. 150, § 4º do CTN, da  lavra  de  José  Oleskovicz,  Ex­Conselheiro  do  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda, contribui e enriquece a discussão, destacando­se:  As  disposições  do  §  4º  do  art.  150  do  CTN,  têm  sido  utilizadas  para  considerar  que a  data  de  início  do  prazo  decadencial  de  5  (cinco) anos do direito de a Fazenda Pública efetuar o  lançamento  iniciar­ se­ia,  ao  contrário  do  que dispõe o  art.  173  do CTN,  a  contar  da  data  da  ocorrência do fato gerador do tributo.  Esse  entendimento,  entretanto,  não  encontra  respaldo  legal,  como  se  pode  constatar do § 4º do art. 150 do CTN, abaixo  transcrito, que,  literalmente, não  trata  de  decadência,  mas  tão­somente  de  constituição  e  extinção  do  crédito  tributário pela modalidade de lançamento por homologação tácita:  "Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade assim exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa"  "§ 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento  e  definitivamente  extinto  o  crédito,  salvo  se  comprovada  a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação.".  O prazo de 5 anos contado da data do fato gerador foi estabelecido pelo § 4º do  art.  150  do CTN para  delimitar  o  período  de  tempo  em  que  a  Administração  Tributária  deve constituir  o  crédito  tributário, mediante  homologação expressa  Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 13          12 da  atividade  apuratória  do  tributo  informada  pelo  contribuinte,  mesmo  na  hipótese de falta, total ou parcial, de pagamento.  Se  nesse  prazo  o  Fisco  não  homologar  expressamente  a  referida  atividade,  esta  se  considerará  tacitamente  homologada  e,  automaticamente,  efetuado  o  lançamento,  ou  seja,  constituído  o  crédito  tributário,  bem  como  extinto  este,  integral  ou  parcialmente,  na  proporção  do  que  houver  sido  pago  antecipadamente,  pois  o  que  se  homologa  é  a  atividade,  não  o  pagamento,  conforme farta doutrina e jurisprudência.  Desse ensinamento, conclui­se que existe uma clara distinção entre o prazo à  homologação  da  atividade  apuratória  do  tributo,  devidamente  declarada  ao  fisco  pelo  contribuinte, art. 150, § 4º do CTN e o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo,  art. 173, I do CTN.   No  primeiro  caso,  transcorridos  5  (cinco)  anos  do  fato  gerador  sem  que  houvesse pronunciamento pelo fisco, a atividade do contribuinte fica automática e tacitamente  homologada, tornando­se definitivos os valores declarados.   No segundo caso, do prazo decadencial para lançamento de ofício do tributo,  este se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  ai  considerados,  inclusive,  as  ocorrências  comprovadas  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  passíveis  de  aplicação  de  multa  qualificada.  Evidente que a atividade tacitamente homologada não mais estaria sujeita ao lançamento, este  só poderia atingir fatos não declarados.   A jurisprudência assente no STJ faz referência ao fato de haver pagamento,  mesmo  que  parcial,  com  relação  à  atividade  declarada  ao  fisco  pelo  contribuinte,  onde  a  contagem do prazo decadencial se dá na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN.   O entendimento firmado pelo STJ, de haver pagamento mesmo que parcial,  está relacionado ao fato de existir débito apurado e declarado, diferentemente do aqui exposto  que trata da existência de saldo credor no final do período declarado. Do contrário recairíamos  em  um  tratamento  desigual  para  casos  essencialmente  idênticos.  Basta  compararmos  dois  contribuintes com atividade industrial que apuram e declaram ao fisco o tributo de um mesmo  período,  só  que  um  apresentou  saldo  credor  e  outro  um  saldo  devedor  de  apenas  R$  10,00  recolhendo­os  rigorosamente  em  seu  vencimento.  Depois  de  transcorridos  5  (cinco)  anos  o  primeiro estaria sob a égide do art. 173, I do CTN e o segundo contribuinte estaria amparado  pela decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN.  Se a homologação tácita recai sobre a atividade de um determinado período  de apuração declarado ao fisco e não somente se homologa o pagamento que chegou aos cofres  públicos, após passados 5 (cinco) anos do fato gerador o credito fica extinto e a administração  tributária está impedida de questionar os fatos que contribuíram para a atividade declarada pelo  contribuinte, salvo os casos comprovados de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º do CTN).  Nos casos de lançamento por homologação, que se aplica ao PIS/PASEP, em  que o contribuinte tem a obrigação de fazer os registros fiscais de entrada, de saída e apurar o  imposto devido por períodos determinados, declarando essa atividade ao fisco, não só preenche  inicialmente  o  princípio  constitucional  da  não  cumulatividade  do  imposto,  como  também,  Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 14          13 define a data  inicial de contagem do prazo para que a administração  tributária a homologue,  expressamente ou tacitamente, decorridos o período quinquenal do fato gerador.  O dever de antecipar o pagamento, quando da existência de tributo a recolher,  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa  é  inerente  ao  processo  do  lançamento  por  homologação. Caso contrário recairia na hipótese da homologação apenas do pagamento e não  é essa a melhor exegese do art. 150, § 4º do CTN.  Diante desses fatos, acolho a pedido, considerando tacitamente homologado a  atividade do contribuinte para o período outubro de 2005, com base no art. 150, § 4º do CTN e  por  consequência  reabilitado o  crédito do PIS/PASEP  informado na PER/DCOMP para  esse  período.  2 ­    DIREITO AO CRÉDITO DO PIS/PASEP  2.1    MANUTENÇÃO PREDIAL.  Sobre os valores glosados pela SEFIS – Serviço de Fiscalização no curso das  verificações  sobre  créditos  do  PIS/PASEP  possuem  duas  questões  distintas  relacionadas  à  GLOSA.  Para  o  primeiro  caso  –  MANUTENÇÃO  PREDIAL  CORRETIVA  E  MANUTENÇÃO PREDIAL PREVENTIVA, a interpretação do fisco está correta e, portanto,  procedente a glosa praticada, caso não estivesse sujeito ao prazo de homologação como visto  no tópico anterior, para o período outubro de 2005.  No  aspecto  teórico  o  registro  fiscal  como  praticado  pela  contribuinte,  lançamento  como  insumo  de  produção  os  gastos  com  manutenção  predial  corretiva  e  preventiva,  contraria  as  melhores  formulações  conceituais  a  respeito  de  insumos  sujeitos  à  crédito  do  PIS/PASEP.  Porém,  fere  o  princípio  da  não  cumulatividade  do  tributo,  pois  os  gastos  de manutenção  do  prédio  do  setor  produtivo,  com  incidência  do  PIS/PASEP  em  sua  origem  e  que  participam  do  preço  de  venda,  também,  com  incidência  do  PIS/PASEP,  está  sendo excluído.  O que mais se aproximaria às justificativas da defesa seria o tratamento dado  ao item máquinas, equipamentos e demais bens incorporados ao ativo imobilizado, abrangidos  pelo inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, quando estiverem relacionados à  produção das mercadorias vendidas ou aos serviços prestados pela pessoa jurídica, abrangidos  pelo conceito de insumo, empregado pela legislação do PIS/PASEP e da COFINS.  Nesse  sentido  aponta­se  precedente  do  CARF,  conforme  se  verifica  pela  ementa do acórdão nº 3202­000.411, de 24/01/2012 da 2ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção, com  semelhante entendimento adotado por outras turmas, de outras câmaras, também da 3ª Seção:  CRÉDITO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  Devem  ser  considerados  insumos todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente  na  fabricação  do  bem  e  na  prestação  do  serviço  cuja  subtração  importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção,  isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em  substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.  Estender  esse  entendimento  a  manutenção  predial,  seja  corretiva  ou  preventiva,  com  classificação  de  insumo  imprescindível  à  produção,  foge  a  melhor  conceituação dada até agora a permissão de crédito do PIS/PASEP, no âmbito do CARF. Não  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 15          14 assiste  razão  ao  sujeito  passivo  pelo  crédito  praticado  sob  a  rubrica  de  manutenção  predial  corretiva e preventiva, para o período de novembro e dezembro de 2005.  2.2 ­     FRETES DE TRANSFERÊNCIA  Porém,  contrariamente  ao  entendimento  dado  pelo  fisco  e  pelo  julgamento  firmado pela DRJ em Campinas/SP,  razão assiste  ao  sujeito passivo pelo  crédito praticado a  título  “fretes  de  transferência”  de  peças  em  produção  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa, agregados a “Serviços Utilizados como Insumos”.  Os  valores  de  fretes  glosados  se  referem  a  transferência  de  produtos  inacabados,  do  estabelecimento  localizado  em  Campinas/SP  para  outro  estabelecimento  da  empresa na cidade de Camaçari/BA, que de acordo com a interpretação dada pelo fisco ao art.  3º da Lei nº 10.833/2003 não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes  de fretes de transferência.  Conforme  detalhado  pela  recorrente  as  folhas  120  a  124,  o  frete  de  transferência  refere­se  a  produto  semi­elaborado  para  industrialização  final  em  outro  estabelecimento, que nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Recorrente, assim  demonstrado:  A  Benteler  Componentes  Campinas,  fabrica  o  item  899500315AA  Eixo  Traseiro  BV226  e  o  item  899500316AA  Eixo  Traseiro  BV256,  onde  os  componentes  comprados  conforme  lista  técnica  abaixo  são  soldados e pintados:  [...]  Após  esse  primeiro  processo,  esses  itens  são  transferidos  para  a  Benteler Camaçari, onde o processo de Industrialização é finalizado.  A  partir  dos  Eixos  recebidos  de  Campinas,  a  planta  de  Camaçari  agrega  vários  outros  componentes,  conforme  lista  técnica  abaixo,  transformando­o em um Módulo de Suspensão o qual é Vendido para  a FORD.  Tecnicamente a conceituação de custo de aquisição compreende as despesas  de transporte, como previsto no art. 13, § 1º. “a” do Decreto­Lei nº 1.598/1977:  Art 13  ­ O custo de aquisição de mercadorias destinadas à  revenda  compreenderá  os  de  transporte  e  seguro  até  o  estabelecimento  do  contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação.       §  1º  ­  O  custo  de  produção  dos  bens  ou  serviços  vendidos  compreenderá, obrigatoriamente:       a) o custo de aquisição de matérias­primas e quaisquer outros bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção,  observado  o  disposto neste artigo;  Nesse sentido o CARF tem reconhecido o direito ao crédito no transporte de  produtos não acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, consoante acórdãos nº  3301­00.424 – 3ª S. 1ª T.O. 3ª C.; nº 3403­002.508 – 3ª S. 3ª T.O. 4ª C.; com destaque para  ementa do acórdão nº 3403­002.010 – 3ª S. 3ª T.O. 4ª C. data de 03/05/2013, da relatoria do  Cons. Marcos Tranchesi Ortiz:   Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 16          15 [...]COFINS.  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITO.  FRETE  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DO  PRÓPRIO  CONTRIBUINTE.  A  contratação  de  serviço  de  transporte  entre  estabelecimentos  do  próprio  contribuinte  somente  enseja  a  apropriação  de  crédito,  na  sistemática de apuração não­cumulativa do PIS e da COFINS, em se  tratando  do  frete  de  produtos  inacabados,  caso  em  que  o  dispêndio  consistirá de custo de produção e, pois,  funcionará como insumo da  atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos.  10.637/02 e 10.833/03. [...]  Neste processo, não há divergência quanto ao fato de que o frete envolvido  está integralmente relacionado com o transporte de produtos ainda em fase de elaboração entre  estabelecimentos industriais do sujeito passivo e nem tem como descaracterizá­lo como custo  de produção, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, inciso II da Lei nº 10.637/2002 e  10.833/2003. “In verbis”:  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços  e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2º  da Lei  nº10.485,  de  3  de  julho  de  2002, devido pelo fabricante ou  importador, ao concessionário, pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004).  3 ­    DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ART. 138 DO CTN  A contribuinte  efetuou a  compensação dos débitos de  IRPJ –  estimativa do  período  de  apuração  novembro/2005  e  CIDE  do  período  de  apuração  dezembro/2005,  cuja  declaração  foi  satisfeita  pela  transmissão  da  DCTF.  Para  novembro  através  de  DCTF  retificadora  transmitida  na  data  de  04/04/2006,  pois  na  DCTF  original  não  foi  declarado  nenhum valor de débito apurado a título de IRPJ estimava e para dezembro a DCTF original foi  transmitida na data de 07/02/2006.  Dessa  forma,  o  benefício  da  denúncia  espontânea  fica  respaldado  pelo  art.  138 do CTN, pleiteada pela recorrente, o qual encontra ressonância com os atos normativos da  RFB e a jurisprudência do CARF e STJ.   O  CARF  em  recente  julgado,  Acórdão  nº  1301­001.366  da  3ª  Câmara/1ª  Turma Ordinária, Sessão de 05/12/2013, tratou do assunto e firmou o seguinte entendimento:  Assim, entende­se por denúncia espontânea aquela que é feita  antes  de  a  autoridade  administrativa  tomar  conhecimento  da  infração  ou  antes  do  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização  relacionada  com  a  infração  denunciada.  Se  o  contribuinte,  espontaneamente  e  antes  do  início  de  qualquer  procedimento  fiscal  relacionado  com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o  caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos  juros  de  mora,  ficará  excluído  da  responsabilidade  pela  infração  à  legislação  tributária.  Ou  seja,  não  poderá  ser  dele  exigida a multa de mora ou de ofício.  Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 17          16   O objetivo do art. 138 do CTN é o de estimular o contribuinte  infrator  a  regularizar  a  sua  situação,  denunciando  fatos  desconhecidos  por  parte  do  Fisco,  sendo  certo  que  sua  conduta  –  denúncia  espontânea  –  tem  por  conseqüência  o  recolhimento  de  tributo  devido  acompanhado  dos  juros  de  mora,  cujo  recolhimento  não  fora  efetuado  dentro  do  prazo  legal e que não  fosse sua  iniciativa,  talvez nunca viesse a  lhe  ser exigido de ofício.    Por outro  lado, não configura denúncia espontânea a situação  em que o contribuinte apresenta declarações que constituem o  crédito  tributário,  tais  como DCTF, DIRPF,  Dcomp,  etc.  e  em  momento  posterior  quita  o  débito,  mediante  pagamento  ou  compensação.  O Superior Tribunal de Justiça – STJ em Recurso Especial representativo de  controvérsia tratou desse assunto e assim ementou sua decisão:  RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 ­ SP (2009/0134142­4)  RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX    EMENTA    PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­ C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IRPJ  E  CSLL.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  PARCIAL  DE  DÉBITO  TRIBUTÁRIO  ACOMPANHADO  DO  PAGAMENTO  INTEGRAL.  POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR  COM  A  RESPECTIVA  QUITAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA.  CABIMENTO.  1.  A  denúncia  espontânea  resta  configurada  na  hipótese  em  que  o  contribuinte,  após  efetuar  a  declaração  parcial  do  débito  tributário  (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo  pagamento  integral,  retifica­a  (antes  de  qualquer  procedimento  da  Administração  Tributária),  noticiando  a  existência  de  diferença  a  maior, cuja quitação se dá concomitantemente.  2. Deveras,  a  denúncia  espontânea  não  resta  caracterizada,  com  a  conseqüente  exclusão  da  multa  moratória,  nos  casos  de  tributos  sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte  e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente,  ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula  360/STJ)  (Precedentes  da  Primeira  Seção  submetidos  ao  rito  do  artigo 543­C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino  Zavascki,  julgado  em  22.10.2008,  DJe  28.10.2008;  e  REsp  962.379/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.10.2008, DJe 28.10.2008).  3.  É  que  "a  declaração  do  contribuinte  elide  a  necessidade  da  constituição  formal  do  crédito,  podendo  este  ser  imediatamente  inscrito em dívida ativa,  tornando­se exigível,  independentemente de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  de  notificação  ao  Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 18          17 contribuinte"  (REsp  850.423/SP,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008).  4.  Destarte,  quando  o  contribuinte  procede  à  retificação  do  valor  declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de  o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada  (e  quitada  à  época  da  retificação),  razão  pela  qual  aplicável  o  benefício previsto no artigo 138, do CTN.  5.  In  casu,  consoante  consta  da  decisão  que  admitiu  o  recurso  especial na origem (fls. 127/138):   "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou  diferenças  de  recolhimento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano­base 1995 e  prontamente  recolheu esse montante devido, sendo que agora,  pretende ver  reconhecida a denúncia espontânea em razão do  recolhimento  do  tributo  em  atraso,  antes  da  ocorrência  de  qualquer procedimento fiscalizatório.   Assim,  não  houve  a  declaração  prévia  e  pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida  e  pagamento  integral,  de  forma  que  resta  configurada  a  denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do  Código Tributário Nacional."  6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional,  tendo em  vista  a  configuração  da  denúncia  espontânea  na  hipótese  sub  examine.  7.  Outrossim,  forçoso  consignar  que  a  sanção  premial  contida  no  instituto  da  denúncia  espontânea  exclui  as  penalidades  pecuniárias,  ou  seja,  as  multas  de  caráter  eminentemente  punitivo,  nas  quais  se  incluem  as  multas  moratórias,  decorrentes  da  impontualidade  do  contribuinte.  8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo  543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  O instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, permite ao  devedor de um determinado tributo, antes do início de qualquer procedimento da fiscalização,  informar voluntariamente à Administração Tributária, sendo­lhe assegurado a não cobrança da  multa  de mora,  desde  que  acompanhado  do  pagamento  do  respectivo  tributo  e  dos  juros  de  mora. Confere o texto do dispositivo legal citado:  Art. 138 – A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da  infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido  e  dos  juros  de  mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante  do  tributo  dependa de  apuração.  Parágrafo  único  –  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou  medida de fiscalização, relacionados com a infração.  Conforme  disposto  na  Súmula  360  do  STJ,  não  é  a  situação  de  qualquer  tributo que lhe assegura o benefício da exclusão da multa: “o benefício da denúncia espontânea  não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos  a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do fisco.  Contrariamente  ao  entendimento  da  DRJ  nestes  autos,  a  Receita  Federal,  através  da  Nota  Técnica  nº  1  COSIT  de  18/01/2012,  com  fundamento  no  Ato  Declaratório  Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 19          18 PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconhece que a declaração de  compensação,  se  atendidos  os  demais  requisitos,  pode  configurar  denúncia  espontânea.  Isso  porque,  a  compensação  ou  quaisquer  outras  formas  de  adimplemento  de  obrigação  são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação.  Segue transcrita parte da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/12/2012, que trata  do assunto:  18.  Com  relação  à  aplicabilidade  da  denúncia  espontânea  na  compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento  e  compensação  se  equivalem;  ambos  apresentam  a mesma  natureza  jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito  tributário. Como consequência, a compensação também é instrumento  apto a configurar a denúncia espontânea.   18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de  2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei nº 8.218, de 29 de agosto  de  1991,  conferiu  à  compensação  o  mesmo  tratamento  dado  ao  pagamento  para  efeito  de  redução  das  multas  de  lançamento  de  ofício.  18.2  Essa  equiparação  do  pagamento  e  compensação  na  denúncia  espontânea  resulta da aplicação da analogia,  prevista  como método  de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN.  18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras  h e i do item 3 desta Nota Técnica:  a)  se o  contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a  compensação  desse  débito  na Dcomp,  sendo  os  atos  de  confessar  e  compensar  concomitantes  aplica­se  o  mesmo  raciocínio  previsto  no  item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea  prevista no art. 138 do CTN;  Pelas razões expostas, fica afastada a incidência de multa moratória sobre os  débitos compensados, até o  limite do crédito compensável,  em face da declaração via DCTF  retificadora  na  data  de  04/04/2006,  dos  débitos  apurados  em  novembro/2005  e  via  DCTF  original  na  data  de  07/02/2006 dos  débitos  apurados  em dezembro/2006,  por  terem  sido  em  data posterior a Declaração de Compensação requerida (30/01/2006), prevalecendo a denuncia  espontânea prevista no art. 138 do CTN que afasta a incidência da multa de mora.  4 ­    DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRPJ ESTIMATIVA.  Sobre  esse  ponto  e  da  forma  como  transcorrido  o  processo  desde  a  apresentação da DECOMP, improcedem os argumentos da recorrente, não merecendo nenhum  reparo às colocações dadas pelas DRJ em Campinas/SP. Trata­se de valores declarados, com  data  de  vencimento  estabelecidas  em  lei  e  sujeitos  a  sanções  pelo  inadimplemento  da  obrigação.  Esta  situação  não  se  altera  quando  ao  final  do  exercício  eventual  saldo  negativo  venha a ser apurado.  (assinado digitalmente)  Cássio Schappo  Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 20          19   Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado.  Apesar  do  excelente  voto  do  Conselheiro  Relator,  ouso  dele  discordar  em  relação  à  tese  de homologação  tácita  defendida  com base na  premissa de  que  a  contribuinte  declarou os créditos da contribuição social referente ao período de apuração em DACON e não  através do PER/DCOMP conforme havia dito a turma de julgamento da DRJ.  Diferentemente da DCTF e da DCOMP, o DACON não é documento hábil  para  a  constituição  de  crédito  tributário,  logo,  não  se  pode  dizer  que  seja  passível  de  homologação.  Os prazos para o Fisco proceder à homologação do lançamento, ao final dos  quais este se considera tacitamente homologado, estabelecidos nos arts. 150 e 173 do CTN não  se  aplicam  ao  presente  caso,  simplesmente,  porque  não  houve  lançamento  que  pudesse  ser  homologado  e  não  se  está  diante  de  lançamento  de  ofício  para  constituição  de  crédito  tributário.  Veja­se o O CTN:  “Art.  150. O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento.  §  2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.”    “Art.  173. O  direito  de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 21          20 I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.”  Aceitar  que  ocorreu  homologação  tácita  em  relação  aos  créditos  pleiteados  implicaria afastar a exigência de que o crédito deve ser líquido e certo, arts. 165 e 170 do CTN,  e negar à autoridade fiscal o poder/dever de apurar a liquidez e certeza do crédito.  Não  há  norma  que  diga  que  valores  informados  em  DACON  sejam  considerados homologados após determinado prazo.  Outra hipótese  de  homologação  é  a  prevista  no  art.  74  da Lei  nº  9.430,  de  1996, que também não se aplica ao caso, pois, conforme relatório do acórdão, a Administração  Tributária não extrapolou o prazo de cinco anos para decidir sobre a compensação declarada.  Cito esta norma:  “Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele Órgão.  (Redação  dada  pela Lei  nº  10.637,  de  2002)  (Vide Decreto  nº  7.212,  de  2010)  (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de  2013)  (...)  § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei  nº 10.833, de 2003)  § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833,  de 2003)  (...)”  Logo,  não  está  presente  nenhuma  das  hipóteses  previstas  em  lei  que  ensejariam  alguma  homologação  tácita,  motivo  pelo  qual,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso Voluntário quanto à alegação de que houve homologação tácita do crédito alegado.  (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani  Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/2006­16  Acórdão n.º 3801­005.225  S3­TE01  Fl. 22          21               Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 11128.000701/2001-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/12/2000 EQUIPAMENTO INCOMPLETO E DESMONTADO. CLASSIFICAÇÃO. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. REGRA Nº 02. Conforme Regra Geral nº 02 para Interpretação do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, qualquer referência a um artigo abrange esse artigo mesmo incompleto, desde que apresente as características essenciais do artigo completo. Aplica-se o mesmo critério para os artigos apresentados desmontados ou por montar. UNIDADE FUNCIONAL. SEÇÃO XVI. NOTA 4. CLASSIFICAÇÃO. CRITÉRIO. FUNÇÃO PRINCIPAL. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos de forma a desempenhar conjuntamente determinada função, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha. PARTES E PEÇAS. MÁQUINAS DESMONTADAS. APRESENTAÇÃO. QUANTIDADE EM NÚMERO SUPERIOR. REGIME PRÓPRIO. Os elementos em número superior ao necessário para formar uma máquina completa ou incompleta com as características da máquina completa seguem o seu próprio regime de classificação fiscal. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa

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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/12/2000 EQUIPAMENTO INCOMPLETO E DESMONTADO. CLASSIFICAÇÃO. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. REGRA Nº 02. Conforme Regra Geral nº 02 para Interpretação do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, qualquer referência a um artigo abrange esse artigo mesmo incompleto, desde que apresente as características essenciais do artigo completo. Aplica-se o mesmo critério para os artigos apresentados desmontados ou por montar. UNIDADE FUNCIONAL. SEÇÃO XVI. NOTA 4. CLASSIFICAÇÃO. CRITÉRIO. FUNÇÃO PRINCIPAL. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos de forma a desempenhar conjuntamente determinada função, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha. PARTES E PEÇAS. MÁQUINAS DESMONTADAS. APRESENTAÇÃO. QUANTIDADE EM NÚMERO SUPERIOR. REGIME PRÓPRIO. Os elementos em número superior ao necessário para formar uma máquina completa ou incompleta com as características da máquina completa seguem o seu próprio regime de classificação fiscal. Recurso Voluntário Provido

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 2          1 1  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11128.000701/2001­18  Recurso nº  137.495   Voluntário  Acórdão nº  3102­01.508  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de maio de 2012  Matéria  II ­ Classificação Fiscal  Recorrente  KIDDE RESMAT PARSCH LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 22/12/2000  EQUIPAMENTO  INCOMPLETO E DESMONTADO. CLASSIFICAÇÃO.  REGRAS  GERAIS  PARA  INTERPRETAÇÃO  DO  SISTEMA  HARMONIZADO. REGRA Nº 02.  Conforme Regra Geral nº 02 para Interpretação do Sistema Harmonizado de  Classificação de Mercadorias,  qualquer  referência  a um artigo  abrange  esse  artigo mesmo  incompleto,  desde  que  apresente  as  características  essenciais  do artigo completo. Aplica­se o mesmo critério para os artigos apresentados  desmontados ou por montar.  UNIDADE  FUNCIONAL.  SEÇÃO  XVI.  NOTA  4.  CLASSIFICAÇÃO.  CRITÉRIO. FUNÇÃO PRINCIPAL.  Quando  uma  máquina  ou  combinação  de  máquinas  seja  constituída  de  elementos  distintos  de  forma  a  desempenhar  conjuntamente  determinada  função,  o  conjunto  classifica­se  na  posição  correspondente  à  função  que  desempenha.  PARTES  E  PEÇAS. MÁQUINAS  DESMONTADAS.  APRESENTAÇÃO.  QUANTIDADE EM NÚMERO SUPERIOR. REGIME PRÓPRIO.  Os  elementos  em número  superior  ao  necessário  para  formar  uma máquina  completa ou incompleta com as características da máquina completa seguem  o seu próprio regime de classificação fiscal.  Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.     Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA     2 (assinado digitalmente)  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Relator.  EDITADO EM: 05/06/2012  Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra  de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro  Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.  Relatório  Transcrevo uma vez mais o Relatório da decisão de piso.  A empresa acima qualificada submeteu a despacho de importação, através da  D.I.  nºs.  00/1245414­6,  registrada  em  22/12/2000,  mercadorias  declaradas  nas  adições 001 a 005 como:  001  –  Outros  derivs.  Fluorados  dos  hidrocarbonetos  acíclicos,  descrição  detalhada: GAS FM 200;   002  –  Tubo  de  borracha  vulcan,  descrição  detalhada:  MANGUEIRA  DESCARGA 600 LBS;  003  –  Recipientes  de  ferro/aço,  p/gases  comprimidos/liquefeitos,  descrição  detalhada: CILINDRO VERTICAL FM­200 600 LBS;  004 – Painéis indicad.c/disp.cristais liq/diodos emiss.luz, descrição detalhada:  PAINEL SCORPIO 220 VAC;  005  –  partes  de  apar.eletr.  de  sinalização  acústica  ou  visual,  descrição  detalhada: FONTE ALIM. 4A.  Em ato de conferência física da mercadoria importada a fiscalização solicitou  assistência técnica, para a sua correta identificação.  De acordo com o Laudo SAT/145/SECOF (e aditamento) a mercadoria trata­ se,  em  síntese,  de  05  unidades  (05  sistemas)  para  supressão  de  incêndio,  que  em  outras palavras pode ser considerado um tipo de extintor de incêndio (de base fixa)  por ser a sua utilização final apagar incêndios localizados. Segundo referido Laudo,  as quantidades dos itens envolvidos não são compatíveis para a montagem final de  um número exato de sistemas, ou seja, há sobra de alguns itens, comparando­se com  a quantidade de outros.   Acrescentou ainda que  este  tipo de  sistema  funciona protegendo um  recinto  específico  em que  estiver  instalado e  é projetado  de  acordo  com as  dimensões do  mesmo; assim sendo, ele não funciona exatamente da mesma forma que extintores  de  incêndio manuais,  pois  além  dele  ser  automático  (controlado  eletronicamente),  não  tem  portabilidade  (é  de  base  fixa),  ou  seja  não  pode  ser  carregado  por  uma  pessoa para apagar incêndios em qualquer área que se faça necessário. De qualquer  forma,  destacou  o  Técnico  Certificante,  o  Sistema  pode  ser  classificado  como  extintor, pois todos têm a mesma finalidade.  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/2001­18  Acórdão n.º 3102­01.508  S3­C1T2  Fl. 3          3 E mais, se levar em consideração a montagem sugerida no diagrama funcional  incluído  no  Laudo,  composta  por  2  cilindros  com  gás,  poderiam  ser  formadas  5  unidades  (5  sistemas  apenas  na  essência),  que  englobariam  todos  os  itens  das  adições,  com  exceção  dos  Painéis  de  Controle  mod.  Scorpio  (adição  004);  estes  painéis foram importados em quantidade muito maior (l98). Portanto, utilizando­se 5  peças para formar essas 5 unidades de Extinção de incêndio, sobram 193 painéis.   Assim, em 09/02/2001 a fiscalização da Alfândega do Porto de Santos, lavrou  o Auto de Infração ora impugnado, para cobrança da diferença de tributos e multa de  ofício  e  multa  do  art.  526,  II  do  Regulamento  Aduaneiro  aprovado  pelo  Decreto  91.030/85.   Inconformado, o  interessado  impetrou Mandado de Segurança,  requerendo a  concessão  da  medida  liminar,  afim  de  que  fosse  possibilitada  a  Liberação  das  mercadorias objeto da Declaração de Importação de nº 00/1245414­6, fls. 120/125.  A  liminar  foi  deferida  nos  autos  do  Agravo  de  Instrumento  de  nº  2001.03.00.007670­5, fls. 129/131.  Ciente do Auto de Infração em 15/02/2001, fls. 01, a interessada apresentou a  impugnação de fls. 54 a 67, onde alegou:  ­  a  Impugnante  classificou  de modo  segregado,  em  posições  específicas  da  TEC,  as  peças  que  importou  (painéis,  gás,  cilindros,  mangueiras  e  fontes  de  alimentação),  que  são  utilizadas  na  composição  de  Sistemas(s)  de  Supressão  de  Incêndio; até porque, na TEC não existe posição especifica para o conjunto (ainda  que incompleto), ou seja, para Sistema de Supressão de Incêndio;  ­ não existe nada de errado na classificação em separado da Impugnante, uma  vez que as mercadorias foram importadas em número desigual,  indicando que, não  necessariamente, estariam destinadas a formar Sistema(s);  ­ o aditamento ao laudo equiparou um sistema de supressão de incêndio a um  extintor de incêndios, única e exclusivamente, por possuírem ambos os artefatos, a  finalidade de apagar incêndio. Observe­se, que o Sr. Engenheiro, no aditamento ao  laudo,  reformulou  completamente  a conclusão  do  seu  parecer  técnico  inicialmente  proferido e motivado;  ­  foi  com  base  no  laudo  e  respectivo  aditamento  que  a  fiscalização  reclassificou as mercadorias  importadas,  incluindo­as (com exceção de 193 painéis  modelo Scópio);  ­  a  reclassificação  das mercadorias  efetivada  pela  fiscalização  fundou­se  na  Regra 2.ª do SH­Sistema Harmonizado. Ocorre que a regra não encontra aplicação  no presente caso;  ­ a regra que serviu como fundamento para que a fiscalização reclassificasse a  mercadoria  importada  pela  Impugnante,  exige  que  o  artigo  importado,  ainda  que  incompleto,  como  é  o  caso  do  Sistema  de  Supressão  de  Incêndio,  apresente  as  características essenciais daquele artigo ao qual se refere a posição da TEC em que o  mesmo seria classificado, no caso, o Extintor de Incêndio, e não exige, ao contrário  do que pretende fazer crer o auto de infração, que a finalidade do artigo classificado  seja a mesma daquele a que se refere a posição da TEC;  ­  um  Sistema  de  Supressão  de  Incêndio,  completo  ou  incompleto,  não  apresenta qualquer  característica do artigo “extintor de  incêndio”, muito menos  as  Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA     4 suas características essenciais, como aliás constata o próprio  técnico que embasa o  auto de infração;  ­ as características essenciais de um extintor de incêndio pode ser extraída de  norma  originária  de  órgão  do  poder  público  competente  para  tanto,  sendo  este,  precisamente,  o  caso  da  Portaria  nº  237,  de  03  de  outubro  de  2000,  do  Instituto  Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO;  ­  referida  norma  define  o  extintor  de  incêndio,  em  seu  item  nº  6.6,  descrevendo­o  nos  seguintes  termos:  “6.6  Extintor  de  Incêndio  –Equipamento  de  acionamento  manual,  portátil  ou  sobre  rodas,  constituído  de  recipiente  e  componentes,  contendo  agente  extintor  destinado  a  combater  princípios  de  incêndio”;  ­ o exame, ainda que apenas visual, da mercadoria objeto da  reclassificação  permite notar que a mesma não se enquadra na definição supra descrita, eis que não  se trata de equipamento de acionamento manual, nem portátil e sequer sobre rodas,  de modo  que  não  apresenta  quaisquer  características  essenciais  de  um  extintor  de  incêndio, tal como tecnicamente definido pelo órgão competente;  ­ afora essa constatação, o que por si só evidencia o equívoco que incorreu a  fiscalização  aduaneira,  cumpre  apontar  o  “erro”  na  transcrição  (eis  que  o  texto  se  encontra entre aspas) constante às fls. 08 do auto de infração em questão. Tal “erro”  implica em alteração do sentido daquilo que foi atestado no aditamento ao laudo do  Engenheiro  Técnico  Certificante,  alteração  esta  que  favorece  a  opinião  da  fiscalização ao suposto erro de classificação adotada pela Impugnante, conforme se  pode averiguar da leitura de ambos os trechos reproduzidos mais abaixo;  ­  o  “erro”  em  foco  apenas  foi  por  ela  notado  em  razão  da  inexistência  de  lógica no texto que o fiscal fez constar no auto de infração, sob a máscara de uma  singela transcrição daquilo que o Sr. Engenheiro Técnico Certificante asseverou em  seu aditamento ao laudo. O aditamento, exclusivamente, não leva à conclusão de que  a  classificação  da  Impugnante  estaria  incorreta, mas  apenas  e  tão  somente,  que  o  Sistema  de  Supressão  de  Incêndio,  poderia  ser  classificado  como  extintor  de  incêndio, “pois todos têm a mesma finalidade”;   ­  existem  as  posições  específicas  para  cada  um  os  artigos  importados  pela  impugnante  e,  nos  termos  das  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado, em especial da Regra 3 e3.a, é a posição mais específica aquela que  deve ser adotada;  ­  finalmente,  protesta  pela  apresentação  de  todas  as  provas  em  direito  admissíveis,  especialmente,  pela  oportuna  realização  de  prova  pericial  para  a  definição da mercadoria importada, com a qual se poderá confirmar a inconsistência  da acusação fiscal.  Assim  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  sintetizou  sua  decisão na ementa correspondente.  Assunto: Classificação de Mercadorias  Data do fato gerador: 22/12/2000  Ementa: Sistema de Supressão de Incêndio desmontado. As peças e partes de  um Sistema de Supressão de Incêndio, ainda que desmontado, devem classificar­se  como Extintor de Incêndio, no código 8424.10.00, com fundamento nas Regras de  Interpretação  do  Sistema Harmonizado  e  na  identificação  técnica  efetuada,  sendo  cabíveis  as  multas  de  ofício  aplicadas  em  virtude  de  haver  ocorrido  declaração  inexata das mercadorias.  Fl. 348DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/2001­18  Acórdão n.º 3102­01.508  S3­C1T2  Fl. 4          5 No  Recurso  Voluntário  apresentado  a  este  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes,  o  contribuinte  reafirma  entendimento  de  que  as  mercadorias  importadas  estavam  corretamente  classificadas  no  código  NCM  originalmente  escolhido,  sustentando  sua  conclusão  nas  mesmas  razões  esposadas  em  sede  de  impugnação.  Considerando­se  necessários  maiores  esclarecimentos  acerca  do  assunto  objeto da  lide, o processo foi baixado em diligência,  retornando, agora, para decisão final de  mérito.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.  Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso  voluntário.  Por  bem  esclarecer  o  objeto  da  lide  e,  ainda mais,  versar  sobre  relevantes  questões de mérito sobre as quais este Colegiado deverá se pronunciar e decidir, pertinente que  se  reproduzam  algumas  das  considerações  aduzidas  no  voto  proferido  no  âmbito  deste  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que determinou a conversão do julgamento em  diligência.  De  plano,  é  preciso  deixar  claro  que  não  se  admite  a  sugestão  contida  na  defesa apresentada, no sentido de que "a referida Regra 2.a.  também não poderia  ser  utilizada  para  a  classificação  dos  produtos  na  mesma  posição  aplicável  ao  Sistema de Supressão de Incêndio como um todo, pelo simples motivo de não existir  essa posição na Tarifa Externa Comum".  É  da  essência  do  Sistema  Harmonizado  de  Classificação  de Mercadorias  a  possibilidade  de  que  toda  e  qualquer  mercadoria  possa  encontrar  em  suas  individualizações o correto enquadramento tarifário. Não sendo possível obter­se a  perfeita correspondência entre o bem importado e o texto da NCM, haverá sempre  uma  sub­posição  genérica,  destinada  à  classificação  de  "outras"  mercadorias  enquadradas naquela posição.  Assim, embora o objeto da  lide diga respeito à classificação fiscal escolhida  pela fiscalização e não à adotada pelo contribuinte, não há a menor possibilidade de  que  a mercadorias  sejam  classificadas  parte­a­parte  como  pretende  o  contribuinte.  Uma  vez  identificado  que  trata­se  de  um  produto  desmontado,  como  é  o  caso,  o  trabalho recai na escolha da correta classificação fiscal do todo, independentemente  de  suas  partes  poderem  ser  classificadas  individualmente  em  posições  mais  especificas.  O contribuinte protesta contra o fato de o auto de infração ter­se baseado em  laudo técnico que,  inicialmente, "concluía claramente que a mercadoria importada,  denominada "Sistema de Supressão de Incêndio", consiste em várias partes (painéis,  cilindros,  mangueiras,  fonte  de  alimentação  e  gás)  enquadrou­se  nas  descrições  e  classificações  feitas  na Declaração  de  Importação".  E mais,  que  "a mercadoria  (o  cilindro)  não  é  extintor  de  incêndio,  sendo  melhor  caracterizado  como  recipiente  armazenador  de  gás  ('agem  conteiner)"  e  que  "a  mercadoria  não  possui  as  Fl. 349DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA     6 características  de  um  extintor  de  incêndio"  assim  como,  que  "as  quantidades  dos  itens envolvidos não são compatíveis para a montagem final de um número exato de  sistemas".  No  que  concerne  às  quantidades  importadas,  fica  claro  no  processo,  que  apenas  os  Painéis  de  Controle  modelo  Scorpio  foram  importados  em  quantidade  muito superior, no mais, conforme consta no aditamento do laudo técnico solicitado  pela fiscalização, "se levarmos em consideração a montagem sugerida no diagrama  funcional  incluído  no  Laudo,  composta  por  2  cilindros  com  gás,  poderiam  ser  formadas  5  unidades  (5  Sistemas  apenas  na  essência),  que  englobariam  todos  os  itens das adições...".  De resto, embora os argumentos tenham respaldo na realidade fática, já que o  laudo originalmente  apresentado pelo  engenheiro  designado  continha,  de  fato,  tais  afirmações, eles, na verdade, não exercem qualquer influência no que diz respeito à  determinação da correta classificação fiscal da mercadoria.  É  que  as  manifestações  originais  do  perito  não  estavam  suficientemente  preocupadas  com  a  classificação  do  produto  examinado.  Do  ponto  de  vista  merceológico, o perito identificou um produto que não se confunde com um extintor  de incêndio tal qual ele é conhecido e mesmo definido pelo órgão responsável pela  certificação de segurança de mercadorias no pais ­ Instituto Nacional de Metrologia  Normalização  e Qualidade  Industrial —  INMETRO,  pois  a mercadoria  importada  não é de acionamento manual, portátil e nem está sobre rodas, como é exigido.  Diligente,  a  fiscalização  atentou  para  a  possibilidade  de  que  tais  assertivas  pudessem  estar  conduzindo  a  uma  decisão  equivocada,  já  que,  para  efeito  de  classificação fiscal de mercadorias, o essencial é que se observem as especificações  contidas  nas  posições  tarifárias  e  nas  notas  de  sessão  e  de  capitulo.  Se  lá  estiver  definido  que  objetos  de  fixação  de  para  construção  civil,  de  dimensões  absolutamente incomuns, especialmente produzidos para aquele fim, classificam­se  como parafusos e não como parte do todo (como poderia ser o caso), assim deve ser  feito, por mais que isso possa parecer estranho ao senso comum ou que pudesse ser  desconsiderado em uma análise técnica da mercadoria.  Desta  forma,  embora  os  equipamentos  importados  não  se  enquadrem  nas  especificações  do  INMETRO  e  nem  no  conceito  genericamente  aceito  para  extintores  de  incêndio,  o  que  é  preciso  saber  é  como  as  especificações  da  Nomenclatura tratam esse tipo de mercadoria.  Com  vistas  à melhor  instrução  processual,  o  contribuinte  carreou  aos  autos  novo  laudo  técnico  elaborado  pelo  Engenheiro  Civil  Mauricio  Feres,  CREASP:  0600960351,  membro  da  Comissão  de  Estudos  de  Extintores  de  Incêndio  da  ABNT/CB­24, Coordenador da Comissão de Estudo de Mangueira de  incêndio da  ABNT/CB­24, Coordenador da Comissão de Estudo de Liquido gerador de espuma  (LGE) p/ extinção de incêndio — ABNT/CB­24, Secretário da Comissão de Estudo  de Sistema de Hidrantes e mangotinhos para combate a incêndio da ABNT/CB­24 e  membro do Comitê Técnico de Certificação CTC­01/ABNT.  Segundo consta do documento, sua elaboração teve por objetivo "determinar  se um sistema de supressão de incêndio deve (ou não deve) ser considerado um tipo  de extintor de incêndio".  O novo laudo refere­se aos termos utilizados no laudo pericial que serviu de  base para a autuação. Afirma que a expressão naquele contida de que o equipamento  importado pode ser considerado um extintor, "segundo o documento ABNT — Parte  3 — 1995", Tabela C.9 mostrada  na  figura  ao  lado,  a  forma verbal  "pode"  indica  uma  ­possibilidade  de",  devido  a  existência  de  alternativas  ou  elemento  de  incerteza".  Fl. 350DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/2001­18  Acórdão n.º 3102­01.508  S3­C1T2  Fl. 5          7 Afirma  também  que  "conforme  NBR  13860:97  Glossário  de  termos  relacionados com a segurança contra incêndio, em definições Item 2.142 Extintor de  incêndio:  Aparelho  de  acionamento  manual  normalizado,  portátil  ou  sobre  rodas  destinado  a  combater  princípios  de  incêndio".  Assim,  quando  o  incêndio  desenvolve­se  e  deixa  de  ser  um  principio  de  incêndio,  passa  ser  necessário  um  sistema de supressão e não mais um extintor de incêndio.  As  Notas  Explicativas  para  a  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  de  Classificação de Mercadorias são bastante econômicas na definição das mercadorias  que devem ser enquadradas no código indicado pela fiscalização.  Estes  artefatos  apresentam­se  na  forma  de  blocos  mecânicos  homogéneos,  carregados ou não, e utilizam produtos químicos em espuma ou em outras formas.  Incluem­se nesta posição os extintores simples com torneiras, percutores, válvulas,  etc.   Excluem­se desta posição:  a)  As  bombas  e  granadas  extintoras,  bem  como  as  cargas  de  substituição  para extintores (posição 38.13).  b)  As  bombas  de  combate  a  incêndios,  do  tipo  automóveis  ou  não,  mesmo  providas de reservatórios (posições 87.05 ou 84.13, conforme o caso).  Não  restam dúvidas  de  que  o  equipamento  importado  pelo  contribuinte  não  pode  ser  classificado  no  capítulo  87,  destinado  aos  veículos.  Na  posição  8413  classificam­se as bombas para líquidos, mesmo com dispositivo medidor; elevadores  de líquidos. A NESH traz a seguinte especificação para a posição.  Esta posição compreende as máquinas e aparelhos – acionados manualmente  ou por uma  força motriz qualquer  ­  próprios para  elevar ou movimentar  líquidos  (incluídos metal fundido e concreto (betão) liquido), viscosos ou não. Classificam­se  também  nesta  posição  as  máquinas  e  aparelhos  deste  gênero  com  motor  incorporado, (motobombas, turbobombas, eletrobombas).  Incluem­se  ainda  nesta  posição  as  bombas  distribuidoras  de  líquidos  que  incorporem dispositivo medidor e contador, com ou sem determinação do preço de  venda,  tais  como as  bombas dos  tipos utilizados para distribuição de gasolina ou  óleo  nos  postos.  O  mesmo  se  aplica  às  bombas  especialmente  concebidas  para  serem  incorporadas  a  uma máquina,  a  um  veiculo,  etc.,  tais  como  as  bombas  de  água, de óleo ou de gasolina para motores de ignição por centelha (faisca) ou por  compressão e as bombas para máquinas de fabricar fios sintéticos e artificiais.  Parece­me  que  a  importação  diz  respeito  a  um  equipamento  completo,  destinado à  supressão de  incêndios  e não  a uma  "bomba provida de  reservatório".  Tudo isso remete à conclusão de que a posição correta para classificação fiscal do  produto  é  de  fato  a  8424,  embora  a  mesma  clareza  não  esteja  presente  quando  precisamos decidir sobre a subposição que deve ser escolhida.  Tenho que o conceito designado por blocos mecânicos homogêneos está por  afastar o equipamento importado da definição contida na NESH para extintores de  incêndio,  independentemente  de  como  ele  possa  ser  considerado  em  outras  elaborações  de  cunho  técnico­cientifico.  Contudo,  não  encontro  nos  autos  e  na  legislação aplicável elementos de convicção suficientes para decidir com segurança  quanto à correta classificação fiscal do produto.  Fl. 351DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA     8 Por  considerar  que  o  texto  das  posições  e  sub­posições  correspondentes,  assim como das Notas Explicativas não eram claros em relação aos conceitos neles veiculados,  foi  solicitado  à  COANA  –  Coordenação  Geral  de  Administração  Aduaneira  que  se  manifestasse sobre as questões suscitadas na continuação do voto acima transcrito.  Entendendo  “não  haver  previsão  legal  para  qualquer  manifestação  da  administração aduaneira” e que “uma eventual opinião oficial  de um órgão central como a  Coana  seria  ilegítima,  podendo  inclusive  ser  entendida  como  uma  quebra  do  principio  do  equilíbrio processual”,  a Coordenação devolveu  o processo  a este Colegiado,  sem exame de  mérito.  A  esse  respeito,  de  se  dizer que  em nenhum momento  intentou­se obter da  Coordenação uma opinião sobre a correta classificação fiscal das mercadorias, assunto que, no  presente processo, cabe exclusivamente a este Colegiado abordar. Em verdade, o processo foi  remetido  em  caráter  excepcional  à  Coordenação  com  vistas  à  elucidação  de  questões  relacionadas à correta  interpretação da  terminologia empregada no  texto da Nomenclatura. A  despeito  disso,  cabe  a  cada Unidade Administrativa  decidir  sobre  como  deve  se  pronunciar  quando instada a fazê­lo. Uma vez que a Coordenação entendeu por bem não manifestar­se a  respeito do assunto, o processo deve, agora, seguir o seu rito normal, adotando­se a decisão que  lhe é apropriada.  Entendo  que,  dada  a  complexidade  do  tema, muitos  aspectos  precisam  ser  considerados e interpretados.  Conforme Laudo Pericial, o equipamento importado, denominado Kidde FM  200,  embora não  se apresentasse completo,  é constituído de:  (i)  sensores  que enviam sinal  à  unidade de controle,  (ii) unidade de controle micro processada, que liga e desliga o Sistema,  soa alarmes e comanda a descarga do gás, (iii) mangueiras de borracha, (iv) cilindros verticais  de aço, pintado de vermelho, com válvula de latão e manômetro, para armazenamento do Gás  FM­200; (v) Gás FM­200 e (vi) fonte de alimentação.  Alguns  dos  argumentos  trazidos  pela  defesa  já  foram  examinados  e  rejeitados, tal como consta no voto que converteu o julgamento anterior em diligência, acima  reproduzido.  A  discussão  remanescente,  está  centrada  na  escolha  do  correto  enquadramento  tarifário  de mercadoria  que,  embora  tenha  a  função  principal  de  eliminar  focos  de  incêndio,  parece  identificar­se  melhor  como  um  sistema  de  supressão  de  incêndio,  como  é  de  fato  chamada, do que como um extintor de incêndio, na acepção normal do termo.  A fiscalização enquadrou a mercadorias no código 8424.10.00. Reproduzo a  seguir o texto da Posição como um todo.  84.24  ­  Aparelhos  mecânicos  (mesmo  manuais)  para  projetar,  dispersar  ou  pulverizar  líquidos  ou  pós;  extintores,  mesmo  carregados;  pistolas  aerográficas  e  aparelhos  semelhantes; máquinas  e  aparelhos  de  jato  de  areia,  de  jato  de  vapor  e  aparelhos de jato semelhantes (+).  8424.10 ­ Extintores, mesmo carregados  8424.20 ­ Pistolas aerográficas e aparelhos semelhantes  8424.30 ­ Máquinas e aparelhos de jato de areia, de jato de vapor e aparelhos  de jato semelhantes  8424.8 ­ Outros aparelhos:  8424.81 ­ ­ Para agricultura ou horticultura  8424.89 ­ ­ Outros  Fl. 352DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/2001­18  Acórdão n.º 3102­01.508  S3­C1T2  Fl. 6          9 8424.90 ­ Partes  O Dicionário Houaiss traz a seguinte definição para a palavra extintor.  que ou o que extingue  1.1  diz­se de ou qualquer dispositivo portátil de combate ao fogo, us. para  lançar jatos de uma substância inibidora na base das chamas (p.ex., água, dióxido de  carbono, espuma química, certos gases)  Extintor,  portanto,  tomado numa  acepção mais  genérica  do  termo,  é  aquilo  que extingue, conceito no qual, poder­se­ia inserir o equipamento importado. Contudo, extinto  de  incêndio,  especificamente,  parece  designar  um  dispositivo  portátil  de  combate  ao  fogo,  conceito no qual,  incontroversamente, a mercadoria não está compreendida. O próprio Laudo  cuida de excluí­lo desse conceito. Assim define.  O  extintor  de  incêndio  convencional  requer  portabilidade,  enquanto  que  o  cilindro carregado com a quantidade de gás FM­200 projetada pesa em tomo de 390  Kg.  Essa é a primeira constatação que deve ser feita. A mercadoria  importada é  constituída por diversas  componentes, dentre os quais cilindros de aço pintados de vermelho  que  armazenam  a  substância  inibidora  de  chamas.  Embora  esses  cilindros  tenham  aparência  muito próxima a de um extintor de incêndio, não podem ser assim considerados quando leva­se  em conta o senso comum.   Ainda mais, foram projetados para funcionar em conjunto com outras partes  que  integram  o  todo  e  junto  a  ele  operam  o  Sistema,  do  que  se  depreende  tratar­se  de  uma  unidade funcional, cujas regras de classificação encontram­se definidas pela Nota 4 da Seção  XVI. Transcrevo a seguir a Nota e as NESH correspondentes.  Quando  uma  máquina  ou  combinação  de  máquinas  seja  constituída  de  elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos  de  transmissão,  cabos  elétricos  ou  outros  dispositivos),  de  forma  a  desempenhar  conjuntamente  uma  função  bem determinada,  compreendida  em uma das  posições  do  Capítulo  84  ou  do  Capítulo  85,  o  conjunto  classifica­se  na  posição  correspondente à função que desempenha.  Aplica­se  esta Nota quando uma máquina ou uma combinação de máquinas  são  constituídas  por  elementos  distintos  concebidos  para  executar  conjuntamente  uma função bem determinada incluída em uma das posições do Capítulo 84 ou, mais  freqüentemente,  do  Capítulo  85.  O  fato  de  que,  por  razões  de  comodidade,  por  exemplo, estes elementos estejam separados ou interligados por condutos (de ar, de  gás comprimido, de óleo, etc.), dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros  dispositivos,  não  se  opõe  à  classificação  do  conjunto  na  posição  correspondente  à  função que este executa.  Na  acepção  da  presente  Nota,  a  expressão  “concebidos  para  executar  conjuntamente  uma  função  bem  determinada”  abrange  somente  as  máquinas  e  combinações de máquinas necessárias para realização da função própria ao conjunto,  que  forma  uma  unidade  funcional,  excetuando­se  as  máquinas  ou  aparelhos  que  tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto.  Fl. 353DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA     10 Resolvido  isso,  requer,  agora,  seja  identificada  a  função  bem  determinada  que a unidade desempenha, para que, após, seja encontrada o código tarifário correspondente.  Quanto a isso, deve­se acrescentar que não me parece que a melhor definição  do  Sistema  deva  considerá­lo  como  propriamente  destinado  a  extinguir  o  fogo  em  casos  de  incêndios. Em lugar disso, vejo duas funções precípuas, quais sejam, (i) detectar o aquecimento  do local acima de determinado nível de temperatura e, (ii) inibir o desenvolvimento das chamas  antes mesmo que elas tomem a proporção de um incêndio.  Assim, o que se deseja saber é qual a classificação tarifária correta para uma  unidade funcional destinada à identificação de focos de incêndio e acionamento automático de  dispositivo emissor de gases de combate a incêndio.  Liminarmente, é de ser observado que nem todos os produtos destinados ou à  extinção de incêndio ou ao seu controle estão classificados na Posição 84.24, se não vejamos.  Capítulo 87: os veículos­bombas, nos quais a bomba é geralmente acionada  pelo motor do veículo, como por exemplo os veículos de combate a incêndios.  Capítulo 38:  as  granadas  e bombas,  extintoras. Recipientes  carregados  com  produtos extintores que se utilizam diretamente,  sem necessidade de  serem  incorporados nos  aparelhos  extintores.  Trata­se  de  recipientes  de  vidro  ou  de  louça  que  se  quebram  quando  lançados sobre as chamas,  libertando o conteúdo, ou ainda de ampolas de vidro de que basta  partir uma das extremidades entre os dedos para fazer jorrar o produto extintor.  Posição 84.13: as bombas de combate a incêndios  Noutro vértice,  também se deve  levar em consideração que não somente os  extintores  de  incêndio  propriamente  ditos  classificam­se  na  Posição  84.24.  As  NESH,  da  Posição 84.81, ao definir certos produtos para incêndio que devem ser classificados na Posição,  esclarece que as cabeças e rampas contra incêndio classificam­se na Posição 84.24.  11)  As  bocas  e  tomadas  de  água,  para  incêndio,  respectivas  torneiras,  agulhetas de incêndio ou para rega, providas de um dispositivo regulador do jato.  As cabeças e  rampas, mecânicas, contra incêndios e os aparelhos mecânicos  para rega de jardins, classificam­se na posição 84.24.  Ainda  mais.  Inclusive  no  Capítulo  85  é  possível  encontrarem­se  equipamentos com função relacionada à prevenção de incêndios.  85.31  ­ Aparelhos  elétricos  de  sinalização  acústica  ou  visual  (por  exemplo,  campainhas, sirenes, quadros indicadores, aparelhos de alarme para proteção contra  roubo ou incêndio), exceto os das posições 85.12 ou 85.30.  F)  Os  aparelhos  de  alarme  para  proteção  contra  incêndio.  Os  aparelhos  automáticos  desta  espécie  possuem  também  um  órgão  detector  e  um  órgão  sinalizador (campainha, cigarra, visualizador etc.).  Existem também vários tipos de aparelhos desta espécie, tais como:  1)  Os  aparelhos  de  substância  fusível  (cera,  liga  especial,  etc);  quando  a  temperatura é superior ao ponto de fusão da substância, ela se funde e libera contatos  elétricos, que fecham o circuito e acionam o dispositivo de alarme.  2) Os aparelhos de dilatação, nos quais  a dilatação de um corpo apropriado  (lâmina bimetálica, líquido, gás, etc.) põe em funcionamento o avisador. Em alguns  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/2001­18  Acórdão n.º 3102­01.508  S3­C1T2  Fl. 7          11 destes  aparelhos,  o  efeito  da  dilatação  age  sobre  um  pistão;  uma  válvula  manométrica  insensível  a dilatações  lentas  pode  ser montada  no  cilindro  de modo  que  o  avisador  só  funcione  sob  efeito  de  dilatações  bruscas  que  resultem  de  elevações súbitas da temperatura.  3)  Os  aparelhos  cujo  funcionamento  se  baseia  na  variação  de  resistência  elétrica provocada, em certos corpos, pela elevação da temperatura.  4)  Os  aparelhos  de  célula  fotoelétrica,  nos  quais  o  sinalizador  põe­se  em  funcionamento quando a  fumaça  (fumo*) obscurece,  em uma medida previamente  determinada,  um  feixe  luminoso  concentrado  sobre  a  célula.  Os  aparelhos  desta  espécie providos de um indicador graduado ou de um registrador são classificados  no Capítulo 90.  Além dos aparelhos automáticos que ao mesmo tempo detectam o incêndio e  dão o alerta, são incluídos também neste grupo alarmes não automáticos, tais como  os que são colocados em vias públicas para alerta dos bombeiros.  A conclusão possível até aqui, é que a mercadoria importada, um Sistema de  Supressão de Incêndio, unidade funcional com a função detectar a presença de fogo e inibir a  ocorrência de  incêndio pode ou não estar  classificada na Posição 84.24,  devendo­se  admitir,  inclusive, sua classificação no Capítulo 85.  As  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  de  Mercadorias,  assim  definem o alcance do Capítulo 84.  De  forma  geral,  este  Capítulo  abrange  as máquinas  e  aparelhos mecânicos.  Todavia, não abrange todas as máquinas e todos os aparelhos desta espécie, alguns  são  indicados  nominalmente  no  Capítulo  85,  especialmente  os  aparelhos  eletromecânicos  de  uso  doméstico,  etc.  Por  outro  lado,  além  dos  aparelhos  mecânicos  propriamente  ditos,  o  presente Capítulo  compreende  certos  aparelhos  e  instrumentos não mecânicos,  tais como as caldeiras e seus aparelhos auxiliares, os  aparelhos para filtrar, etc.  Regra geral,  os  aparelhos  elétricos  incluem­se  no Capítulo  85. Todavia,  as  máquinas e aparelhos da espécie dos incluídos no presente Capítulo continuam nele  compreendidos, mesmo que sejam elétricos, principalmente se se tratar:  1) De máquinas ou aparelhos que utilizem a eletricidade como força motriz.  2) De máquinas ou aparelhos aquecidos eletricamente, tais como as caldeiras  elétricas para aquecimento central, da posição 84.03, os aparelhos da posição 84.19,  as calandras, as cubas de lavagem, de branqueamento ou semelhantes, utilizadas na  indústria têxtil, as prensas etc., equipados de dispositivos elétricos de aquecimento.  3)  De  máquinas  ou  aparelhos  de  funcionamento  eletromagnético  (válvulas  eletromagnéticas,  por  exemplo)  ou,  a  fortiori,  comportando  simples  dispositivos  eletromagnéticos,  tais  como  os  guindastes  providos  de  eletroímãs,  os  tornos  com  mandris  eletromagnéticos,  os  teares  para  tecidos  com  quebratramas  ou  quebra­ urdiduras eletromagnéticos, etc.  4)  De  máquinas  ou  aparelhos  de  funcionamento  eletrônico  (máquinas  de  calcular  e  máquinas  de  processamento  de  dados,  por  exemplo)  ou  comportando  simples dispositivos, fotoelétricos ou eletrônicos, tais como os laminadores providos  de  dispositivos  de  controle  com  célula  fotoelétrica,  as  máquinas­ferramentas  providas de dispositivos eletrônicos de controle.  Fl. 355DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA     12 E no que diz respeito à estrutura do Capítulo 84.  B.­ ESTRUTURA DO CAPÍTULO  (...)  2) As posições 84.02 a 84.24 agrupam outras máquinas e aparelhos que nelas  se classificam principalmente em razão da sua função.  3)  As  posições  84.25  a  84.78  agrupam  máquinas  e  aparelhos  que  nelas  se  classificam  principalmente  em  razão  da  indústria  ou  do  setor  de  atividade  que  os  utiliza.   Duas novas considerações devem ser anotadas.  A primeira, é que as mercadorias preferencialmente classificadas no Capítulo  84  são  aquelas  identificadas  como  máquinas  e  aparelhos  mecânicos;  contudo,  as  de  funcionamento  eletrônico,  (...)  ou  comportando  simples  dispositivos,  fotoelétricos  ou  eletrônicos,  tais  como  os  laminadores  providos  de  dispositivos  de  controle  com  célula  fotoelétrica, devem permanecer no Capítulo 84.   Relevante aqui, trazer também a consideração a informação contida na Nota  5 “e” do Capítulo 84.  E)  As  máquinas  que  exerçam  uma  função  própria  que  não  seja  o  processamento  de  dados,  que  incorporem  uma  máquina  automática  para  processamento  de  dados  ou  que  trabalhem  em  ligação  com  ela,  classificam­se  na  posição correspondente à sua função, ou caso não exista, em uma posição residual.  Ou  seja,  o  fato  de  a  unidade  funcional  conter  dispositivos  eletrônicos  de  detecção  de  fumaça  ou  de  temperatura  e  funcionar  com  base  em  unidade  de  micro­ processamento eletrônico, não constitui razão para retirá­la do Capítulo.  A  segunda,  diz  respeito  à  orientação  de  que  até  a  Posição  84.24,  as  mercadorias devem ser classificadas  segundo a  função que exercem, não devendo ser  levado  em consideração, a indústria ou setor de atividade que os utiliza.  Disso  decorre  que,  uma  vez  identificada  a  função  da  mercadoria,  menos  relevante o local onde, e, até certo ponto, a forma como vai ser empregada, pois o que importa  saber é, com se disse, a função que exerce.  Bom exemplo disso e, segundo me parece, com grande efeito sobre a decisão  da  presente  lide,  encontra­se  nas Notas Explicativas  do  Sistema Harmonizado,  no  texto  que  descreve um relação de unidades funcionais que devem ser classificadas com base na Nota 4 da  Seção XVI.  Constituem, por exemplo, unidades funcionais deste gênero, na acepção desta  Nota:  (...)  2) O material, máquinas e aparelhos para a produção de frio cujos elementos  não  formem  um  único  corpo  e  estejam  interligados  entre  si  por  tubos,  nos  quais  circule fluido refrigerante (posição 84.18).  A seguir, o texto da Posição 84.18 e algumas das NESH correspondentes.  Fl. 356DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/2001­18  Acórdão n.º 3102­01.508  S3­C1T2  Fl. 8          13 84.18  ­  Refrigeradores,  congeladores  (“freezers”)  e  outros  materiais,  máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro;  bombas  de  calor,  exceto  as  máquinas  e  aparelhos  de  ar­condicionado  da  posição  84.15.  8418.10  ­  Combinações  de  refrigeradores  e  congeladores  (“freezers”),  munidos de portas exteriores separadas  8418.2 ­ Refrigeradores do tipo doméstico:  8418.21 ­ ­ De compressão  8418.29 ­ ­ Outros  8418.30 ­ Congeladores (“freezers”) horizontais tipo arca, de capacidade não  superior a 800 litros  8418.40 ­ Congeladores (“freezers”) verticais tipo armário, de capacidade não  superior a 900 litros  8418.50  ­  Outros  móveis  (arcas,  armários,  vitrines,  balcões  e  móveis  semelhantes)  para  a  conservação  e  exposição  de  produtos,  que  incorporem  um  equipamento para a produção de frio  (...)  3)  Instalações  frigoríficas de  grandes  dimensões,  constituídas  por  elementos  não  montados  em  uma  base  comum  nem  agrupados  num  único  corpo,  porém  concebidos  para  funcionarem  juntos,  seja  por  expansão  direta  (os  elementos  que  utilizam  o  frio  incorporam,  neste  caso,  um  evaporador),  seja mediante  um  fluido  refrigerante  secundário  (“salmoura”),  que  é  arrefecido  por  um  grupo  frigorífico  e  circula nos tubos instalados entre este último e os elementos utilizadores (expansão  indireta).  Estas  instalações  são  especialmente  usadas  para  equipar  armazéns  frigoríficos  ou  para  fins  industriais:  fabricação  de  gelo,  congelação  rápida  de  produtos  alimentícios,  arrefecimento  de  pastas  de  chocolate,  desparafinagem  de  petróleos, indústrias químicas, etc.  Os  dispositivos  auxiliares  indispensáveis  para  a  utilização  do  frio  em  tais  instalações classificam­se nesta posição desde que apresentados juntamente com os  outros  elementos  destas  instalações:  seria,  por  exemplo,  o  caso  das  câmaras  de  prateleiras encaixáveis e dos túneis para congelação rápida, das mesas refrigerantes  para confeitaria ou indústrias de chocolate.  Incluem­se  também  na  presente  posição  os materiais  para  produção  de  frio  que funcionam por vaporização de gás liquefeito num espaço fechado e constituídos,  geralmente, por um ou mais recipientes para gases liquefeitos, um termostato, uma  válvula eletromagnética, uma caixa de controle e  interruptores elétricos e um  tubo  perfurado  de  vaporização.  Para  serem  incluídos  aqui,  estes  diferentes  elementos  devem ser apresentados conjuntamente.  Como  se  vê,  embora  a  posição  descreva  refrigeradores,  freezers  e  outros  materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, do que poderia se extrair a  idéia de  que  trate­se  de  classificação  destinada  a  equipamentos  de  uso  doméstico,  ao  contrário,  em  consonância com o disposto nas Notas do Capítulo 84, admite também uma Unidade Funcional  de grandes proporções usadas em armazéns frigoríficos ou fins industriais, como fabricação de  gelo,  congelação  rápida  de  produtos  alimentícios,  arrefecimento  de  pastas  de  chocolate,  desparafinagem de petróleos, indústrias químicas.  A  conclusão  insofismável  é  a  de  que  o  equipamento  importado,  digo mais  uma vez, uma Unidade Funcional para Supressão de Incêndio, com a função detectar o risco de  Fl. 357DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA     14 incêndio  e  inibir  automaticamente  sua ocorrência deve  classificar­se,  em  face da  função que  exerce, qual seja, a de ação mecânica e química de eliminação do foco de risco na Posição que  compreende equipamentos deste tipo, ainda que sua descrição contida no texto correspondente  sugira um equipamento um tanto diferente. Essa posição é a 84.24.  Com  relação  à  subposição,  item  e  subitem,  não  vejo  como  enquadrar  a  mercadoria  na  84.24.10.00  como  deseja  a  Fiscalização  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil.  O exemplo da Posição 84.18 é  também muito útil para que se entenda que,  uma vez que a mercadoria seja enquadrada em determinada Posição, deve encontrar descrição  própria em seus desdobramentos, como, no caso, 8418.10 para combinações de refrigeradores e  freezers,  8418.20  para  refrigeradores  do  tipo  doméstico,  8418.30  para  freezers horizontais  e  assim por diante.  Como  se  disse,  a  Unidade  Funcional  não  é  um  extintor  de  incêndio  propriamente  dito.  Assim,  na  ausência  de  sua  perfeita  identificação  nos  desdobramentos  subseqüentes, deve classificar­se no Código 8424.89.00.  A Solução de consulta nº 5/97, da Superintendência da Secretaria da Receita  Federal da 9ª Região Fiscal corrobora esse entendimento.  Decisão SRRF 9ª RF nº 5/97 (Nº original do Ato: 9E97A005) ­ Publicada no  DOU de 23/06/97   8424.89.00  Sistema  de  prevenção  e  extinção  de  incêndio  por  esguichos  de  água,  dotado  de  detectores  de  faíscas  e  de  fogo,  reservatório  de  água,  bomba  de  compressão, alarmes acústicos e visuais etc., conectados por fios e cabos elétricos e  condutos metálicos, formando uma unidade funcional   Finalmente,  os  painéis  importadas  em  quantidade  muito  superior  à  quantidade  de  unidades  funcionais  identificadas  pelo  Fisco  seguem  regime  próprio  de  classificação, mais uma vez conforme as NESH.  Por razões tais como necessidade ou comodidade de transporte, as máquinas,  às vezes, apresentam­se desmontadas. Embora se trate, de fato, de partes separadas,  o conjunto é classificado como máquina ou aparelho e não, quando a posição existe,  na  posição  relativa  às  partes.  Esta  regra  é  válida  mesmo  quando  o  conjunto  corresponde a  uma máquina  incompleta  com características  da máquina  completa,  na acepção da parte IV acima descrita (ver igualmente as Considerações Gerais dos  Capítulos 84 e 85). Por outro lado os elementos em número superior ao necessário  para  formar  uma  máquina  completa  ou  incompleta  com  as  características  da  máquina completa, seguem o seu próprio regime.  Uma vez que esteja equivocada a classificação determinada pela Fiscalização  Federal,  não  subsiste  a  exigência  de  tributos  nem  de multas.  Trata­se  de  uma  conseqüência  amplamente  aceita  e  adotada  pelos  Tribunais  Administrativos.  Como  entendo,  decorre  da  impossibilidade de que o julgamento determine novo procedimento de aplicação da legislação  de  tributária  ao  caso  concreto  e  de  formação  de  convicção  quanto  à  aplicação  das  multas  cabíveis,  situação  da  qual  resultaria  exigência  em  valor  incerto  e  sob  fundamento  não  conhecido.  Nestes  termos, VOTO POR DAR  INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso  Voluntário.  Sala de Sessões, 24 de maio de 2012.  Fl. 358DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/2001­18  Acórdão n.º 3102­01.508  S3­C1T2  Fl. 9          15 (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa – Relator.                                Fl. 359DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 10166.721589/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ARTIGO 173, II, DO CTN. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA NOVO EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. VICIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL PARA NOVO LANÇAMENTO. A Fazenda Pública readquiriu o direito de constituir o crédito tributário, dentro do prazo de cinco anos, contados a partir da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou os lançamentos efetuados anteriormente. Os novos lançamentos, por sua vez, devem ser restritos às matérias e provas contidas na acusação original. CONDUTA DOLOSA POR ATOS REITERADOS E POR LONGO PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE NÃO COMPROVAM A EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS OU MESMO PAGAMENTOS A SERVIÇOS NÃO PRESTADOS. Comprovada a reiterada conduta em incorrer em custos ou despesas sem comprovação hábil ou idônea, por todo o período fiscalizado, tem-se caracterizada uma série de atos ordenados com objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173 INCISO I DO CTN. Caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, aplica-se o prazo previsto no inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150, do CTN. DOLO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. O art. 44 da Lei nº 9.430, de1996 prevê, para as situações em que reste demonstrada a conduta dolosa, a aplicação de multa de ofício, para o percentual de 150%. DOCUMENTOS FISCAIS. INIDONEIDADE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO. A inidoneidade de documentos fiscais não tem origem exclusivamente da declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Constatando-se a ocorrência de situações no qual as empresas supostamente prestadoras de serviços inexistem de fato ou que os serviços não foram prestados, a documentação fiscal apresentada mostra-se tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão da emissora em ato oficial. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PROVA DA INVERACIDADE DOS FATOS REGISTRADOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Por sua vez, deixa a escrituração de fazer prova ao contribuinte quando a autoridade administrativa constata a ocorrência de ilícitos, e demonstra com provas contundentes que a escrituração não traduz os fatos efetivamente ocorridos e não se encontra lastreada por documentação probatória pertinente. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplica-se à CSLL a glosa das despesas ou custos deduzidos tendo em vista a falta de documentação para suportar o registro contábil desses. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. IRRF DE 35%. Constatado que não houve causa para o pagamento comprovadamente feito, que não há efetiva comprovação do serviços, a responsabilidade do imposto de renda retida na fonte recai sobre a fonte pagadora.
Numero da decisão: 1202-001.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa às exigências do IRPJ, CSLL e multa isolada em razão da ocorrência de parcelamento; quanto à exigência do IRRF, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento integral ao recurso; por maioria de votos, em afastar a apreciação ex officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente essa matéria. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente da Segunda Câmara (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Redator ad hoc. EDITADO EM: 09/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta (Relatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando: (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181); (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ARTIGO 173, II, DO CTN. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA NOVO EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. VICIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL PARA NOVO LANÇAMENTO. A Fazenda Pública readquiriu o direito de constituir o crédito tributário, dentro do prazo de cinco anos, contados a partir da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou os lançamentos efetuados anteriormente. Os novos lançamentos, por sua vez, devem ser restritos às matérias e provas contidas na acusação original. CONDUTA DOLOSA POR ATOS REITERADOS E POR LONGO PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE NÃO COMPROVAM A EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS OU MESMO PAGAMENTOS A SERVIÇOS NÃO PRESTADOS. Comprovada a reiterada conduta em incorrer em custos ou despesas sem comprovação hábil ou idônea, por todo o período fiscalizado, tem-se caracterizada uma série de atos ordenados com objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173 INCISO I DO CTN. Caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, aplica-se o prazo previsto no inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150, do CTN. DOLO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. O art. 44 da Lei nº 9.430, de1996 prevê, para as situações em que reste demonstrada a conduta dolosa, a aplicação de multa de ofício, para o percentual de 150%. DOCUMENTOS FISCAIS. INIDONEIDADE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO. A inidoneidade de documentos fiscais não tem origem exclusivamente da declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Constatando-se a ocorrência de situações no qual as empresas supostamente prestadoras de serviços inexistem de fato ou que os serviços não foram prestados, a documentação fiscal apresentada mostra-se tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão da emissora em ato oficial. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PROVA DA INVERACIDADE DOS FATOS REGISTRADOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Por sua vez, deixa a escrituração de fazer prova ao contribuinte quando a autoridade administrativa constata a ocorrência de ilícitos, e demonstra com provas contundentes que a escrituração não traduz os fatos efetivamente ocorridos e não se encontra lastreada por documentação probatória pertinente. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplica-se à CSLL a glosa das despesas ou custos deduzidos tendo em vista a falta de documentação para suportar o registro contábil desses. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. IRRF DE 35%. Constatado que não houve causa para o pagamento comprovadamente feito, que não há efetiva comprovação do serviços, a responsabilidade do imposto de renda retida na fonte recai sobre a fonte pagadora.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa às exigências do IRPJ, CSLL e multa isolada em razão da ocorrência de parcelamento; quanto à exigência do IRRF, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento integral ao recurso; por maioria de votos, em afastar a apreciação ex officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente essa matéria. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente da Segunda Câmara (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Redator ad hoc. EDITADO EM: 09/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta (Relatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando: (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181); (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015.

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1202­001.089  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de fevereiro de 2014  Matéria  IRPJ   Recorrente  POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004  ARTIGO  173,  II,  DO  CTN.  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO PARA NOVO EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO.  VICIO  FORMAL.  PRAZO  DECADENCIAL  PARA  NOVO  LANÇAMENTO.   A  Fazenda  Pública  readquiriu  o  direito  de  constituir  o  crédito  tributário,  dentro  do  prazo  de  cinco  anos,  contados  a partir  da data  em que  se  tornou  definitiva a decisão que anulou os  lançamentos efetuados anteriormente. Os  novos  lançamentos,  por  sua  vez,  devem  ser  restritos  às  matérias  e  provas  contidas na acusação original.  CONDUTA  DOLOSA  POR  ATOS  REITERADOS  E  POR  LONGO  PERÍODO  DE  UTILIZAÇÃO  DE  DOCUMENTOS  QUE  NÃO  COMPROVAM  A  EFETIVIDADE  DOS  SERVIÇOS  OU  MESMO  PAGAMENTOS A SERVIÇOS NÃO PRESTADOS.  Comprovada  a  reiterada  conduta  em  incorrer  em  custos  ou  despesas  sem  comprovação  hábil  ou  idônea,  por  todo  o  período  fiscalizado,  tem­se  caracterizada  uma  série  de  atos  ordenados  com  objetivo  de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir o seu pagamento.  DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173 INCISO I DO CTN.   Caracterizada nos  autos  a ocorrência de dolo,  aplica­se o prazo previsto no  inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150,  do CTN.   DOLO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 89 /2 01 0- 24 Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     2 O  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de1996  prevê,  para  as  situações  em  que  reste  demonstrada  a  conduta  dolosa,  a  aplicação  de  multa  de  ofício,  para  o  percentual de 150%.  DOCUMENTOS  FISCAIS.  INIDONEIDADE.  DESNECESSIDADE  DE  ATO DECLARATÓRIO.   A  inidoneidade  de  documentos  fiscais  não  tem  origem  exclusivamente  da  declaração  de  inaptidão  da  emitente  da  nota  fiscal.  Constatando­se  a  ocorrência  de  situações  no  qual  as  empresas  supostamente  prestadoras  de  serviços  inexistem  de  fato  ou  que  os  serviços  não  foram  prestados,  a  documentação  fiscal  apresentada  mostra­se  tributariamente  ineficaz,  independentemente da declaração de inaptidão da emissora em ato oficial.  ESCRITURAÇÃO.  DOCUMENTAÇÃO  HÁBIL.  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA.  PROVA  DA  INVERACIDADE  DOS  FATOS  REGISTRADOS.  A escrituração mantida  com observância das disposições  legais  faz prova  a  favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em preceitos  legais.  Por  sua  vez,  deixa  a  escrituração  de  fazer  prova  ao  contribuinte  quando  a  autoridade  administrativa  constata  a  ocorrência  de  ilícitos,  e  demonstra  com  provas  contundentes  que  a  escrituração  não  traduz  os  fatos  efetivamente  ocorridos  e  não  se  encontra  lastreada  por  documentação  probatória pertinente.  CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO.   Aplica­se à CSLL a glosa das despesas ou custos deduzidos tendo em vista a  falta de documentação para suportar o registro contábil desses.   DOCUMENTOS  INIDÔNEOS.  PAGAMENTOS  SEM CAUSA.  IRRF  DE  35%.  Constatado que não houve causa para o pagamento comprovadamente feito,  que não há efetiva comprovação do serviços, a responsabilidade do imposto  de renda retida na fonte recai sobre a fonte pagadora.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado:  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer  da  matéria  relativa  às  exigências  do  IRPJ,  CSLL  e  multa  isolada  em  razão  da  ocorrência  de  parcelamento;  quanto  à  exigência  do  IRRF,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade  do  lançamento  fiscal  e  de  decadência;  e,  no mérito,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  vencidos  os  Conselheiros  Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento  integral ao  recurso;  por maioria  de  votos,  em  afastar  a  apreciação  ex  officio  da  incidência  dos  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  oficio,  vencido  o  Conselheiro  Plínio  Rodrigues  Lima,  que  entendeu  arguída pela Recorrente essa matéria.  (documento assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araújo ­ Presidente da Segunda Câmara    Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 3          3 (documento assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima ­ Redator ad hoc.   EDITADO EM: 09/09/2015  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, Viviane  Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta (Relatora à época do julgamento), Geraldo  Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.  O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II  do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015,  publicada  no  DOU  em  10/06/2015,  formalizou  a  seguir  o  relatório  e  o  voto  do  presente  acórdão, considerando:  (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da  Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA  FINAMORE  HORTA  do  mandato  de  Conselheira,  representante  dos  Contribuintes,  junto  a  Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF;   (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad  hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181);  (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério  da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU  em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente,  representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do  CARF; e  (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da  Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015.    Relatório  Segundo a relatora:    "POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMACAO S/A (CNPJ 01.645.738/0001­79) teve contra  si  lavrados  os  autos  de  infração  em 20  de  julho de 2010,  referentes  aos  anos­calendários  de  2001 a 2004, conforme a seguir:     IRPJ (fl. 2058/2074) – Valor total: R$ 13.577.101,92.   Enquadramento legal: artigo 82 e parágrafo único, da Lei nº 9.430/96; artigos 217, 249, inciso  I, 251 e parágrafo único, 256, 289 e 290, inciso I, do RIR/99.  Enquadramento da multa: artigos 222 e 843 do RIR/99 com combinado com o artigo 44, § 1º,  inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07 com combinado com  o artigo106, inciso III, aliena “c” do CTN.  Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     4   CSLL (fl.2075/2092) ­ Valor total: R$5.028.437,42.    Enquadramento legal: artigo 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 19 da Lei nº 9.249/95; artigo 28  da Lei nº 9.430/96; artigo 273 do RIR/99; artigo 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas  reedições; artigo 37 da Lei nº 10.637/02.  Enquadramento da multa: artigos 222 e 843 do RIR/99 com combinado com o artigo 44, § 1º,  inciso  IV, da Lei nº 9.430/96 pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07 com combinado com artigo  106, inciso III, aliena “c” do CTN.    IRRF (fl. 2093/2120) ­ Valor total: R$42.378.311,56.    Somente para os anos­calendários de 2002, 2003 e 2004.  Enquadramento  legal:  artigo  61,  §§  1º,  2º  e  3º,  da  Lei  nº  8.981/1995;  artigo  674  §  1º,  do  RIR/99.    Referidos  autos  foram  lavrados  tendo em vista a anulação de procedimento  anterior,  determinado por Acórdão proferido pela 3ª Câmara do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  ­  CARF.  Transcrevo  os  fatos  como  narrados  pelo  acórdão  recorrido,  para  evitar repetições:  “Foram  lavrados  os Autos  de  Infração  em  epígrafe  para  refazer  os  lançamentos  de  IRPJ  e  CSLL  (Processo Administrativo nº 10120.002462/2007­33) e  IRRF  (Processo Administrativo  nº 10120.002463/2007­88),  anulados  em  razão de vício  formal,  nos  termos dos Acórdãos  nº  1301­00.036  e  1301­00.023,  proferidos  pela  3ª  Câmara  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF).    Na decisão administrativa de 2ª  instância,  foi acolhida a preliminar de nulidade de vício de  forma,  que  decorreu  da  falta  de autorização  escrita  antes  do  início  do  procedimento  fiscal,  para a realização do reexame de período já fiscalizado. Nesse contexto, conforme o art. 173,  inciso  II,  do CTN,  a Fazenda Pública  dispõe  do  prazo  de  cinco  anos  para  efetuar  um novo  lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornou definitiva  na  esfera administrativa. Tomou ciência a  contribuinte dos Acórdãos  proferidos pelo CARF  em 26/06/2009 (Acórdão nº 1301­00.036) e 30/07/2009 (Acórdão nº 1301­00.023).    Nesse contexto, teve início da presente ação fiscal com a ciência pessoal do Termo de Início  do Procedimento Fiscal em 09/11/2009, sendo que o sujeito passivo também foi cientificado da  ordem  assinada  pelo  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Brasília  autorizando  a  realização de novo exame fiscal, referente ao IRPJ, CSLL e IRRF do período de 01/01/2004 a  31/12/2004.  Posteriormente,  em  razão  de  mudança  do  Auditor­Fiscal  responsável  pela  elaboração  dos  novos  lançamentos,  foi  lavrada,  pelo  Delegado  da  DRF/Brasília,  uma  alteração modificando a autorização para a realização de novo exame fiscal para designar um  novo servidor, cuja ciência foi dada em 26/05/2010.    Esclarece a Fiscalização que como os novos lançamentos destinam­se apenas a sanar o vício  formal,  o  presente  procedimento  fiscal  não  comportou  fase  instrutória,  vez  que  foram  considerados os elementos de prova já levantados por ocasião dos lançamentos  anteriores.    Em  breve  síntese,  foi  provocado  o  procedimento  fiscal  anterior  por  Representação  Fiscal  elaborada pela DRF de Belo Horizonte­MG, que noticiou a ocorrência de um possível conluio  entre  a  fiscalizada  e  a  Prodados Company  Ltda,  no  qual  a  primeira  utilizou  notas  frias  da  última, com o objetivo de comprovar seus custos de serviços prestados.  Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 4          5   Nesse sentido, a fiscalizada, constituída em forma de sociedade em cotas de capital, e em abril  de  2007  transformada  em  sociedade  anônima,  foi  submetida  à  fiscalização  pela  DRF  de  Goiânia­GO a fim de verificar a efetiva ocorrência dos dispêndios declarados como serviços  prestados para a empresa, referente aos anos­calendário de 2001 a 2004.    Em diligências  realizadas  nas  empresas  supostamente  prestadoras  de  serviços,  quais  sejam,  Prodados  Company  Ltda,  Centaufor  Ltda,  Informática  Engelin  Ltda,  GTI  Systems  Ltda,  Dataflow Ltda, CONSIS Ltda (estas de Belo Horizonte­BH) e L&N Consultores Ltda (Brasília­ DF), foram identificados pela Fiscalização vários aspectos indicativos de irregularidades: “1)  modelo gráfico das notas  fiscais da maioria das empresas é muito  semelhante  (...) 2) várias  empresas  encontram­se  em situações de  inaptidão,  inativas ou  com CNPJ  inexistente  (...)  3)  empresas que constam no quadro social como sócio o Sr. Anair Cunha, também administrador  da Prodados Company Ltda (...)”.    Pelos  fatos  apurados  no  Relatório  de  Verificação  Fiscal,  a  Fiscalização  constatou  que  a  contribuinte  “utilizou­se  de  transações  fictícias  com  várias  empresas,  inexistentes  de  fato,  inaptas  ou  sem  capacidade  operacional,  para  realizar  a  prestação  de  serviços  contratada,  utilizando­se  de  notas  fiscais  inidôneas  emitidas  por  estas,  com  o  propósito  de  majorar  fraudulentamente os  seus custos operacionais, na verdade  inexistentes,  e,  conseqüentemente,  resultando na redução ou não pagamento dos tributos federais que têm como base de cálculo o  lucro”.    Dessa maneira, foram tipificadas três infrações.    A  primeira,  refere­se  à  comprovação  inidônea  dos  custos  de  bens  ou  serviços  vendidos,  ou  seja, constatou a autoridade tributária que a fiscalizada utilizou­se de notas fiscais inidôneas,  emitidas  por  empresas  inexistentes  de  fato,  inaptas  ou  sem  capacidade  operacional,  com  o  propósito de comprovar fraudulentamente os seus custos operacionais.    A  segunda  infração  decorre  da  falta  de  recolhimento  do  IRPJ  e  da  CSLL  sobre  a  base  de  cálculo estimada, uma vez que a contribuinte é optante do lucro real anual.  Assim,  a  partir  da  glosa  dos  custos  operacionais,  foram  apurados  valores  a  pagar  devidos  pela estimativa mensal.    A terceira, refere­se ao fato de que, apesar de a autoridade tributária ter constatado que não  ocorreu a efetiva prestação dos serviços discriminados nas notas fiscais emitidas, a fiscalizada  apresentou  documentação  probatória  (DOC,  TED  e  cópias  de  cheques)  dos  pagamentos  efetuados para as prestadoras de serviços. Nesse sentido, restou caracterizada a ocorrência de  pagamentos sem causa,  tendo em vista que restou demonstrado que não ocorreu a prestação  de  serviços.  Assim,  efetuou­se  o  lançamento  do  IRRF  sobre  cada  um  dos  pagamentos  efetuados.    Sobre os tributos lançados na primeira e terceira infrações, foi aplicada a multa qualificada  de 150%, conforme o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº  11.488, de 2007, vez que restou configurado o evidente intuito de fraude, consoante art. 72  da  Lei  nº  4.502,  de  1964,  caracterizado  pela  conduta  reiterada  da  contribuinte  em  contabilizar como custo, durante quatro exercícios consecutivos, notas fiscais inidôneas que  não  corresponderam  à  efetiva  prestação  de  serviços,  procedimento  que  objetivou,  dentre  Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     6 outras  coisas,  a modificação  das  características  essenciais  do  fato  gerador  do  IRPJ  e  da  CSLL visando reduzir o valor a recolher dos tributos.    Por  fim,  diante  dos  fatos,  foi  formalizado  processo  nº  14041.000199/2010­  84,  de  Representação Fiscal Para Fins Penais.”(grifamos)    Intimada,  a  contribuinte  apresentou  impugnação,  aqui  transcrita  como  no  acórdão recorrido:  “A empresa. A Politec é conceituada em todo o território nacional e no exterior, contribui de  forma  expressiva  em  tributos,  empregos  e  encargos  sociais,  nunca  teve  qualquer  problema  com  o  Fisco  de  qualquer  esfera,  os  serviços  autuados  no  presente  procedimento  foram  efetivamente  prestados  à  autuada  e  regularmente  pagos,  conforme  comprovantes  de  pagamentos e respectivas notas fiscais, e nas operações, se irregularidades existiram naquelas  empresas, a impugnante é vítima, pois sempre agiu de boa­fé nesses seus negócios comerciais.    A Boa­Fé da Politec. A autuada teve um comportamento de boa­fé para com o Fisco, sendo  que, além de prestar todas as informações e de fornecer os documentos, houve um outro ato de  boa­fé, pois, ao tomar conhecimento dos fatos apontados pela Fiscalização de Belo Horizonte  em  relação  ao  ocorrido  com  as  empresas  prestadoras  de  serviços,  apresentou  uma  DIPJ  retificadora, denunciando espontaneamente os fatos informados pela autoridade fiscal daquela  jurisdição.    O ato de boa­fé é faculdade legal outorgada pelo Direito Pátrio, em especial pelo art. 138 do  CTN e pelo art. 34 da Lei nº 9.249/95. Contudo, o Fisco aparentemente está com a pretensão  de  se utilizar  indevidamente  desse  fato  com a  intenção de  transformar  essa  atitude  em uma  confissão da autuada. Ocorre que tal entendimento do Fisco não tem base legal, pois, numa  comparação paralela, seria o mesmo caso em que a contribuinte paga o tributo para evitar a  denúncia  criminal,  conforme  art.34  da  Lei  nº  9.245/95  e  o  Juiz,  de  forma  idiossincrática,  aproveitando­se  desse  fato,  resolve  condená­lo,  sob  alegação  de  que  tal  ato  teria  sido  uma  confissão, quando, na realidade, a mens legis conduz exatamente ao contrário, ou seja, aquela  faculdade destina­se a excluir a imputabilidade e a punibilidade penal.    O  contribuinte  pode  agir  de maneira  preventiva,  ainda  que  não  seja  o  culpado,  recolhendo  tributos e evitando problemas, situação com amparo no Direito e com previsão na prevenção  do  litígio  como  oportunidade  da  fase  pré­processual  conciliatória.  Não  pode  o  Fisco  desconhecer os direitos do contribuinte, até porque o princípio da presunção de inocência, do  devido  processo  legal,  do  instituto  da  transação,  da  denúncia  espontânea,  e  de  que  a  condenação  só  pode  ocorrer  com  a  sentença  condenatória  transitada  em  julgado,  são  institutos e garantias constitucionais. O mundo processual se sustenta nas provas dos fatos e  são nelas que o Fisco deve buscar a guarida. Se o Fisco tivesse segurança e confiança no seu  trabalho,  não  necessitaria  do  artifício  de  considerar  como  confissão  da  autuada  a  apresentação da DIPJ retificadora.    Preliminares.  Nulidade.  Efeitos. Deve­se  verificar  os  efeitos  da  nulidade  por  vício  formal  previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Dispõe o art. 248 do Código de Processo Civil, aplicável  ao Processo Fiscal, que as nulidades correm para frente. Assim, em situações normais que são  autorizadas  pelo  art.  173,  inc.  II,  do  CTN,  quando  a  fiscalização  anterior  foi  instaurada  regularmente  (o  que  não  foi  o  caso),  o  novo  procedimento  corrige  o  vício  ocorrido  no  “lançamento”  (para  frente),  aproveitando­se  os  atos  anteriores  não  viciados.  Na  hipótese  vertente, a nulidade daquele procedimento fiscal ocorreu em momento precedente ao próprio  lançamento,  ou  seja,  a  fiscalização  somente  poderia  se  dar  com  a  autorização  especial  e  escrita  da  autoridade  fiscal  competente,  formalizada  antes  do  seu  início.  Logo,  como  não  Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 5          7 estava autorizada, sequer houve a fiscalização. Para todos os efeitos de direito, a fiscalização  somente se iniciou com a autorização dada em 09/11/2009, e, assim,  trata­se de fiscalização  nova e não da reabertura da anterior. Dessa forma, o ato autorizativo em 2009 não poderia  ser retroativo a 2006. Nesse sentido, cabe a nulidade dos lançamentos fiscais.    Da Falta de Motivação da Refiscalização. De acordo com os arts. 145,  inciso III, e 149, do  CTN,  inúmeras  são  as  hipóteses  que  se  prestam  a  fundamentar  o  procedimento  de  refiscalização, devendo todas elas estar devidamente comprovadas. Na hipótese vertente, não  se  contempla  a  realização de  nenhum dos  pressupostos,  previstos  nos  incisos  I  a  IX do  art.  149. Não há nenhuma referência dos dispositivos legais que serviram de base á refiscalização.  Não  obstante  a  decisão  consubstanciada  nos  Acórdãos  nº  1301­00.036  e  1301­00.023  do  CARF, decretando a nulidade do primeiro lançamento, não há nos autos, de forma expressa,  qualquer motivação para o procedimento de refiscalização.    A  Instrução  Normativa  INSS/DC  nº  80/2002  determina  que  a  Coordenação  Geral  de  Fiscalização  é  obrigada  a  emitir Despacho  fundamentando  a  necessidade  de  se  proceder  a  refiscalização. O  que  se  observa,  com  absoluta  segurança,  é  que  a  contribuinte  não  tomou  conhecimento  de  qualquer  Despacho,  fundamentado  na  realização  de  qualquer  dos  pressupostos  contemplados  no  art.  149  do  CTN.  Tendo  em  vista  que  o  Relatório  Fiscal  encontra­se totalmente omisso e impreciso quanto à refiscalização, vez que não descreveu de  forma  clara  e  precisa  a  motivação  do  lançamento,  foram  atropelados  os  princípios  da  legalidade  e  segurança  jurídica  do  ato  administrativo,  cerceando  o  direito  de  defesa  do  contribuinte, o que recomenda a improcedência do lançamento e a nulidade do feito.    Decadência.  IRPJ  e  CSLL.  Ano­Calendário  de  2001  e  2002.  Tendo  sido  a  contribuinte  notificada em 22/10/2007, a partir de quando o lançamento passou a produzir os seus efeitos  legais na forma do art. 145 do CTN, ocorreu decadência de períodos mensais a partir do ano­ calendário de 2001 até  setembro de 2002. Após o advento da  tributação em bases correntes  (dentro  do  próprio  ano  do  auferimento,  art.  38  da  Lei  8383/91,  art.  1º  da  Lei  8541/92  e  IN/SRF  98/93),  a  contagem  do  prazo  decadencial  no  Imposto  de  Renda  brasileiro  se  faz  a  partir  do  fato  gerador,  assim  considerado  o  mês,  e  não  o  ano­calendário,  como  antes.  Ademais, o imposto de renda é lançamento por homologação, onde o contribuinte tem a opção  de se antecipar ao Fisco e recolher os tributos (CTN, art. 150, § 4º). Assim, se for considerada  a  fiscalização  anterior,  estão  decaídos  os  períodos  anteriores  a  outubro  de  2002,  pela  contagem  do  fato  gerador  mensal.  Vale  observar  que  não  cabe  a  aplicação  do  art.  173  do  CTN, vez que o caso em tela não trata de sonegação, fraude ou simulação.    Decadência. IRRF. Ano­Calendário de 2002. O IRRF tem como fato gerador a data da  ocorrência da obrigação da retenção, conforme o § 2º do art. 674 do RIR/99.  E, da mesma forma do IRPJ e da CSLL, o art. 907 do RIR/99 autoriza o lançamento dentro do  próprio ano­calendário. Encontram­se decaídos, portanto, os períodos anteriores a outubro de  2002, vez que a notificação ao contribuinte, na fiscalização anterior, deu­se em 22/10/2007.    Espontaneidade. Multa  de  150%  Indevida. O  procedimento  da  autuada,  em  apresentar  as  DIPJ  retificadoras,  ao  tomar  conhecimento  que  estavam ocorrendo na  fiscalização  em Belo  Horizonte em relação às empresas que lhe prestaram serviços, afasta a sua responsabilidade  por sonegação ou fraude, porque houve a denúncia espontânea albergada no art. 138 do CTN.  Deveria  ao  Fisco,  se  fosse  o  caso,  apurar  e  lançar  apenas  as  diferenças  das  notas  fiscais  faltantes, pois houve denúncia espontânea dos fatos. Logo, não caberia no caso a aplicação da  multa de 150% e, tampouco, a aplicação do conceito de sonegação ou fraude, com o objetivo  Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     8 de alterar o prazo de decadência para o início do ano seguinte. É de se observar que, mesmo  no caso das notas fiscais que foram tributadas espontaneamente, estão sendo lançados o IRRF  com  a multa  de  150%. Em  situações  como  a  presente,  o  que  se  admitiria  seria  a multa  de  ofício de 75% ou a de mora de 20%.    Relatórios e Planilhas da Comprovação da Efetividade dos Serviços. O Auto de Infração se  omitiu  em  relação  aos  Relatórios  e  Planilhas  acostados  pela  autuada  que  comprovam  a  efetividade  dos  serviços  prestados.  No  Relatório  Fiscal  se  vê  o  apontamento  unilateral  da  situação das empresas que emitiram as notas fiscais, mas nada que pudesse dizer a respeito de  que  não  houve  a  efetivação  da  prestação  dos  serviços.  O  auditor  se  baseou  apenas  nas  alegações  do  Fisco  de  Belo  Horizonte,  como  se  fossem  absolutas  e  irrefutáveis,  e  não  examinou a documentação da autuada.    O Relatório Fiscal está carregado de grande subjetividade, sem qualquer critério técnico para  glosar os serviços, até porque serviços de informática são muito técnicos e são desenvolvidos  inclusive  de  forma  remota  ou  on  line.  O  lançamento  não  se  pode  apoiar  em  suposições,  conjecturas  e  muito  menos  em  presunções,  deve­se  fundamentar  em  fatos  concretos,  demonstrados,  suscetíveis  de  comprovação,  sobretudo  em  se  tratando  de  refiscalização.  Requer­se,  pois,  o  acatamento  das  preliminares  para  determinar  a  nulidade  integral  do  lançamento fiscal.    Mérito. Multa Isolada. Encerrado o exercício, não é possível a aplicação da multa isolada por  estimativa. No caso presente, a contribuinte recolheu regularmente, durante o exercício fiscal,  nos seus respectivos vencimentos,  todas as estimativas previstas em lei. Obviamente que não  poderia ter recolhido sobre o presente lançamento fiscal, porque decorreu de procedimento de  ofício. O antigo Conselho de Contribuintes firmou jurisprudência sobre a questão, no sentido  de que não cabe a  cobrança de multa  isolada em  lançamento  ex­offício. Por outro  lado, no  presente caso também ocorre a cobrança de multa isolada com a multa de ofício, situação que  não pode prevalecer conforme jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes.    Pagamentos Realizados Por Cheque, TED ou DOC. De acordo com o parágrafo único do art.  82 da Lei nº 9.430/96, quando existir a comprovação do pagamento dos serviços, não cabe a  acusação  de  utilização  de  documentos  inidôneos.  A  autuada,  junto  com  as  notas  fiscais  encaminhadas ao Fisco, anexou a comprovação do pagamento através de cheques nominais,  TED  ou  DOC.  Assim,  não  cabe  ao  pagador,  no  caso  a  autuada,  a  condição  de  responsabilidade  pela  inidoneidade  das  notas  fiscais,  havendo  inclusive  jurisprudência  do  Conselho de Contribuintes nesse sentido.    Inidoneidade  de  Documento  Fiscal.  Necessidade  de  Ato  Publicado.  A  inidoneidade  da  empresa  deve  ser  declarada  previamente  pela  Autoridade  Fiscal  e  o  ato  deve  ser  obrigatoriamente publicado para fins de sua eficácia, conforme previsto nos arts. 80, 81 e 82  da Lei nº 9.430/96. Portanto, por  força de lei, as notas  fiscais que  foram emitidas antes dos  referidos Atos Declaratórios não podem ser consideradas inidôneas. Para que terceiros tomem  conhecimento da inidoneidade de determinados contribuintes e para que possam produzir seus  efeitos  legais  é  necessária  a  publicação  formal  no  Diário  Oficial  da  União  do  Ato  Declaratório  da  referida  inaptidão,  pois  é  somente  a  partir  desse  momento  que  os  atos  de  comércio e as implicações fiscais podem ser imputadas a terceiros.  Conforme se verifica no presente processo, não houve a publicação de inaptidão em relação  às empresas que foram apontadas com irregulares neste processo, nem antes da emissão das  notas fiscais como exige a lei, e tampouco depois, por ocasião da autuação. Ademais, aquelas  empresas  continuam  ativas.  A  autuada  não  pode  sofrer  efeitos  da  inidoneidade  sem  o  cumprimento primeiro, pela Autoridade Fiscal, dos deveres lhes atribuídos pela lei, cujo poder  Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 6          9 de polícia é imanente. A autuada não pode sofrer efeitos da inidoneidade que pela fiscalização  realizada diz respeito tão somente às empresas emitentes das notas fiscais de serviços.    As Emitentes Das Notas Fiscais Apresentaram DIPJ ao Fisco. As empresas Centaufor e GTI  apresentaram DIPJ  com  o  oferecimento  à  tributação  de  todas  as  notas  fiscais  autuadas  no  Auto de Infração ora impugnado. As empresas apresentaram pedido de parcelamento que foi  homologado pela Delegacia  da Receita Federal  e  estão  recolhendo as  respectivas  parcelas.  Logo, as mencionadas empresas foram regularizadas e tiveram contas prestadas ao fisco, não  podendo ser classificada como inidônea. Assim, se houve tributação regular na Centaufor e na  GTI,  e,  no Auto de  Infração  impugnado, a autuada é  tributada novamente neste,  haverá  em  duplicidade de arrecadação  fiscal  (bis  in  idem)  especialmente em relação ao  IRRF de 35%,  pois essa retenção na fonte se apresenta, no caso, completamente irregular e anômala.    Serviços Efetivamente Prestados. Se irregularidades existiram a Politec é vítima, pois sempre  agiu  de  boa  fé  nos  seus  negócios  comerciais.  A  autuada  não  tem  condições  de  efetivar  um  controle  rigoroso  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviços.  As  subcontratações  decorrem  de  serviços  de  informática  e  são  inerentes  e  necessários  às  atividades  e  a  manutenção da fonte produtora de renda, sendo custos que estão previstos nos arts. 299 e 300  do RIR/99.  As  irregularidades  apontadas  pelo  Fisco  foram  todas  cometidas  pelas  empresas  subcontratadas, perfeitamente identificadas pela Fiscalização, sobre as quais devem recair as  responsabilidades tributárias. Ao lavrar o Auto de Infração contra a Politec, incorreu o Fisco  em erro de identificação do sujeito passivo, visto que a autuada não pode ser responsabilizada  por irregularidades cometidas por terceiros. O fato de a autuada ser uma empresa de destaque  deve ter influenciado o Fisco a cobrar de que tem capacidade financeira.  No caso da empresa Engelin, a Nota Fiscal 001.791 de 30/11/2000, valor de R$1.300.000,00,  refere­se  á  elaboração  do  software  SISPOLI,  e  foi  tempestivamente  lançada  na  conta  1.318.0098.1  –  Ativo  Imobilizado  –  Sistemas  Logicais.  Esse  sistema  está  hoje  implantado  e  funcionando na empresa, podendo a fiscalização constar a qualquer momento.  Evidente que tal situação não pode ser considerada sem causa.  Pelo  extrato  do  CNPJ  anexado,  a  Engelin  é  uma  empresa  que  sempre  esteve  ativa  e  apta  perante  a  Receita  Federal.  A  autuada  está  anexando  os  informativos  da  situação  cadastral  fiscal  na  Receita  Federal  das  empresas  apontadas  como  inidôneas,  onde  as  mencionadas  empresas encontram­se ativas e aptas, tanto na época, como atualmente.  A  defendente  não  pode  ser  responsabilizada  pela  situação  de  eventuais  irregularidades  que  aquelas empresas possam cometer, sendo esta posição do Conselho de Contribuintes. No caso,  a autuação deveria ocorrer contra as referidas empresas e pessoas a elas ligadas e não contra  a autuada, até porque, além de serem consideradas regulares para a ora autuada. A autuada é  ilegítima para receber tais tributações.  Por sua vez, os registros contábeis fazem prova plena a favor do contribuinte, nos termos do  Decreto­Lei nº 1.598/77 e do CPC. A contabilidade é submetida á auditoria externa realizada  por grandes empresas internacionais, como Boucinhas, Soteconti e Deloitte.  Eventuais  indícios,  suspeitas  ou  suposições,  não  autorizam  concluir  pela  ocorrência  de  sonegação fiscal, nesse sentido o 1º Conselho de Contribuintes. Os procedimentos fiscais não  observaram  a  legislação  e  os  auditores  tributários  não  se  desincumbiram  do  ônus  que  lhes  cabem de comprovar a irregularidade em relação à ora autuada, uma vez que o procedimento  centrou suas acusações e diligências nas empresas emitentes das notas fiscais, e, em nenhum  momento, houve o Ato declarando a inidoneidade das referidas empresas.  Desta  forma,  os  valores  desta  autuação  não  merecem  ser  glosados  porque  decorrem  de  serviços que foram efetivamente prestados, encontram­se devidamente escriturados, o que lhe  Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     10 faz  prova  plena  dos  seus  registros,  bem  como  estão  comprovados  os  seus  pagamentos  por  TED, DOC ou  cheques,  creditados  diretamente  nas  contas  bancárias  dos  fornecedores,  por  contratos  de  serviços  e  por  planilhas  e  relatórios  demonstrativos  da  execução dos  serviços,  relacionadas por nota fiscal.    A  Retenção  Realizada  Na  Fonte.  1,5%.  A  empresa  ao  realizar  os  pagamentos  aos  fornecedores de  serviços aplicou, quando cabível,  a  legislação  tributária  vigente para  essas  operações,  retendo  e  recolhendo  o  tributo  de  1,5%  previsto  no  art.  647  do  RIR/99.  A  tributação prevista neste preceito é realizada pelo contribuinte em suas operações normais por  exigência  legal  e  não  poderia  agora  submeter­se  também  àquela  de  35%.  Sequer  foram  compensados os 1,5% com os 35% o que gera uma superposição tributária (bis in idem).    O IRRF de 35%. Acumulação com Glosa de Despesas. No caso do IRRF, a legislação fiscal  apenas autoriza a retenção se o rendimento é tributável, conforme previsto no parágrafo único  do  art.  45  do  CTN.  Assim,  as  operações  fantasmas  não  podem  ser  tributadas,  porque  são  irreais  e  não  existem,  no  caso,  seria  imoral  tributar  algo  inexistente.  O  imposto  de  renda  permite apenas a  retenção  sobre  rendimentos  tributários que são  reais, porque o art.  43 do  CTN  tem como base a disponibilidade de  renda ou do acréscimo patrimonial,  sendo causas  reais  e  não  fantasmas.  A  IRRF de  35% no  caso  presente  traduz  em  tributação do  triplo  do  próprio rendimento, o que gera um confisco vedado pelo art. 150, IV, da CF e na extrapolação  da  capacidade  contributiva,  art.  145,  §  1º,  da  CF,  que  transforma  o  tributo  em  uma  penalização, também vedada pelo art. 3º do CTN.  Se o documento  é  realmente  inidôneo e  foi  desconsiderado para  fins  contábeis  e  tributários  pelo  Fisco,  ele  não  poderia  produzir  qualquer  efeito  jurídico.  Assim,  se  foi  excluído  da  contabilidade  e não produziu  efeito  contábil,  também não poderia  sofrer  retenção dos 35%.  Por  outro  lado,  se  o  procedimento  fiscal  considerou  as  operações  reais,  e  os  pagamentos  realizados,  não  se  trata mais de empresas  inexistentes  (fantasmas), mas  apenas,  inaptas,  ou  seja, apenas com irregularidade fiscal. A tributação dos 35% simultaneamente com a glosa de  custos,  conforme  realizado  nos  presentes  autos,  são  entre  si  incompatíveis  e,  portanto,  se  couber  uma,  não  cabe a  outra,  conforme Acórdão 01­7.278  da  1ª  Turma de  Julgamento  da  DRJ/BEL.  No  presente  caso,  estão  identificados  os  beneficiários  e  a  causa  que  se  refere  aos  serviços  contratados e prestados à autuada. Caso assim não seja, o Fisco estaria falando em operações  fantasmas  (frias)  e,  aí,  a  tributação  seria  incabível por outra  razão, a  falta de  fato gerador  tributário  do  art.  43  do  CTN.  Estando  os  beneficiários  identificados  e  sendo  as  operações  decorrentes da prestação de serviços subcontratados, aquelas empresas é que devem submeter  suas operações à  tributação. Portanto, a  tributação na  fonte aplicada à autuada merece ser  julgada  improcedente,  por  falta  de  fato  gerador  e  pela  ilegitimidade  da  autuada  que  não  emitiu documento inidôneo e também porque pagou a beneficiário identificado e com causa.  Mesmo que não tenha ocorrido a retenção na fonte pela empresa pagadora, mas o beneficiário  foi identificado, como no caso presente, a contribuinte será a empresa  subcontratada, que é a titular da renda (art. 45 do CTN), e não a fonte pagadora (art. 43 do  CTN). A  fonte,  quando muito,  tem uma mera obrigação de responsável  (parágrafo único do  art.  45  do CTN),  sendo  a  jurisprudência  abundante  nesse  sentido.  Se mantida  a  tributação,  haverá o bis in idem vedado pelo Direito Tributário.    Ausência  de  Materialidade  de  Sonegação  ou  Fraude.  A  autuada  no  caso  é  vítima  das  eventuais irregularidades cometidas pelas empresas e pessoas fornecedoras dos serviços, e o  procedimento  fiscal  não  apresenta  provas  de  que  a  autuada  tenha  cometido  algum  ilícito  tributário. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes afasta a responsabilidade em casos  como  o  presente.  Assim,  estando  ausente  a  materialidade  das  infrações  citadas,  torna­se  injustificável o procedimento ou representação contra o contribuinte ou os seus sócios.  Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 7          11   Impugnação  dos  Dados  e  Elementos  Autuados.  A  contribuinte  impugna  integralmente  os  valores utilizados no lançamento fiscal, bem como os demonstrativos e  relatórios  anexos,  e  respectivos  valores  e  datas,  porque  não  realizados  de  acordo  com  a  legislação fiscal. Ademais, no caso da autuação da CSLL, não cabe a exclusão da despesa do  lucro real como indedutível, vez que a base desta é o lucro líquido, conforme jurisprudência  do Conselho dos Contribuintes. O procedimento fiscal e o lançamento merecem ser declarados  nulos por não representares valores que devam submeter­se aa tributação do imposto de renda  e reflexos.    Do Pedido. A contribuinte impugna integralmente o procedimento fiscal e os levantamentos e  dados  neles  consignados,  bem  como  os  documentos  e  relatórios  fiscais  a  ele  anexados.  Protesta,  desde  já,  pelo  aditamento  à  presente  e  pela  juntada  de  outros  esclarecimentos  ou  documentos adicionais para o deslinde da questão.”    Em 31 de janeiro de 2014, a recorrente, mediante petição, informa que aderiu  ao  programa  de  parcelamento  aprovado  pela  Lei  nº11.941/2009  estendido  para  a  Lei  nº  12.865/2013, onde requer a desistência parcial do Recurso Voluntário interposto em relação ao  IRPJ  e  à  CSLL,  bem  como  renuncia  a  quaisquer  alegações  de  direito.  O  parcelamento  está  sendo quitado com base em utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL e  caixa,  somente  sobre  a  parcela  relativa  ao  IRPJ  e  CSLL,  continuando  o  litígio  referente  ao  IRRF.   Portanto,  daqui  para  frente  não mais  nos  referiremos  à  cobrança  do  IRPJ  e  CSLL, mas apenas do IRRF.  A 2ª Turma da DRJ/BSB ao julgar o feito no acórdão n. 03­40.107, houve por  bem  manter  integralmente  o  lançamento.  Destaca  que  ante  a  correlação  entre  as  matérias  preliminares e de mérito, haverá a análise em conjunto destas.  Aponta  que  houve,  em  outubro  de  2007,  a  lavratura  dos  autos  de  infração  anulados  por  vício  formal,  por  falta  de  autorização  escrita  antes  do  início  do  procedimento  fiscal para realização do reexame do período já fiscalizado, o que levou ao inicio da ação fiscal  sob discussão, com a ciência do sujeito passivo da ordem escrita e assinada pelo Delegado da  Receita Federal do Brasil, permitindo o novo exame fiscal, referente ao IRPJ, CSLL e IRRF do  período de 01.01.2004 a 31.12.04, sem que houvesse fase instrutória, já que sua finalidade era  tão  somente  sanar  o  vício  formal,  considerando­se  os  elementos  de  prova  anteriormente  levantados.  A contribuinte, todavia, entende que ainda persiste o vício formal de nulidade  de que trata o artigo 173 do CTN, não sendo possível aproveitar a fase instrutória anterior, que  resulta em cerceamento de defesa. A DRJ, por sua vez, explica que o Relatório de Verificação  Fiscal (fls 2031/2042) é claro sobre a reabertura da fiscalização e também os Acórdãos 1301­ 00.036  e  1301­00.023  explicam  que  se  trata  de  vício  formal.  Portanto,  a  autoridade  fiscal  readquire o direito de reconstituir o crédito tributário no prazo quinquenal nos termos do artigo  173,  II,  do CTN,  sendo que  “o novo  lançamento  eventualmente  feito deverá  se  restringir às  matérias e provas contidas na acusação original”. Logo, não há cerceamento algum à defesa  da contribuinte e afasta a preliminar de nulidade.  Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     12 Na avaliação da conduta dolosa imputada à contribuinte, diz que foi apurada  a  utilização  de  notas  fiscais  “frias”,  referentes  a  serviços  fictícios  prestados  por  empresas  inexistentes,  inaptas ou sem capacidade operacional, de modo a reduzir o  lucro  líquido. Para  melhor suportar sua decisão, o voto transcreve resultado da diligência, que aqui reproduzo:  “A  diligência  realizada  no  curso  da  ação  fiscal  promovida  pela DRF  de  Belo Horizonte  – MG,  na  empresa Prodados Company, apresentou, em síntese, as conclusões:    ­  A  empresa  foi  constituída  apenas  formalmente,  nunca  operou.  Inicialmente  teve  como  sócia  a  Sra.  Ângela  Gonçalves Lima, que declarou que apenas emprestou seus dados cadastrais para o Sr. Anair Cunha constituir a  empresa, posteriormente, a empresa foi transferida para interposta pessoa, o Sr. Mozart Ferreira Carvalho, que  teve sua documentação roubada em assalto(...);  ­ A empresa sempre apresentou declaração de inatividade;  (...)  ­  A  administradora  do  imóvel  (...)  informou  que  a  partir  de  julho/2003  o  imóvel  esteve  locado  em  nome  da  empresa Prodados Company Ltda, representada pelo Sr. Anair Cunha. Informações prestadas pelo síndico do Ed.  Veneza  (...)  diz  que  nunca  teve  conhecimento  e/ou  verificou  o  funcionamento  da  empresa  Prodados  no  local,  nunca verificou movimento de clientes, sempre as portas encontram­se fechadas e nunca foram colocadas placas  (...) informou ainda que as correspondências destinadas a empresa Prodados e os boletos do condomínio eram  encaminhados ao Sr. Anair Cunha;  ­  A  gerência  e  a  administração  da  empresa  foram  outorgadas  por  meio  de  procuração  pública  ao  Sr.  Anair  Cunha;  ­ Conforme esclarecimentos prestados, espontaneamente (...) pelo Sr. Anair Cunha, este informou, dentre outros,  que os contratos de prestação de serviços eram apenas ‘pro forma’, que as notas fiscais foram emitidas de favor,  não corresponderam a efetiva prestação de  serviços  e  seus  valores não  foram efetivamente  recebidos. O valor  recebido  corresponde  somente  a  parcela  relativa  á  comissão,  que  representa  1%  do  valor  das  notas  fiscais  emitidas, sendo este valor rateado entre ele e o Sr. Vicente Salgueiro;  ­  Posteriormente  o  Sr.  Anair  Cunha,  representado  por  seu  advogado,  desdisse,  em  retificação  de  Termo  de  Esclarecimento, grande parte do que havia afirmado em seu depoimento;  ­ O Sr. Vicente Salgueiro (...) apenas possuía um curso de informática de duração de 4 (quatro) meses disse que  coordenava  os  trabalhos  de  desenvolvimento  dos  softwares  objeto  das  notas  fiscais  emitidas  entre  os  anos  de  2001 e 2004 em valores vultuosos (...)  ­ Informações prestadas pela Secretaria da Fazenda de Minas Gerais e Prefeitura Municipal de Belo Horizonte –  MG,  informaram  que  não  foram  encontrados  registros  de  inscrição  ou  autorizações  para  impressão  de  documentos fiscais (AIDF’s);  ­ Em 21/09/2005, o Sr. Vicente Salgueiro (...) informou, dentre outros, que coordenava os trabalhos de software  contratados entre a empresa Prodados Company Ltda e a empresa Politec Ltda, não  teria como comprovar os  trabalhos,  pois  recebia  as  especificações  das  programações  em CD  ou  disquete  e  que  devolvia  os  programas  elaborados em CD;  ­ Efetuado o exame dos créditos/depósitos bancários através dos extratos bancários encaminhados pelo Sr. Anair  Cunha, verificou­se que grande parte é de valores expressivos feitos pela empresa Politec Ltda;  ­ Efetuado o exame das cópias dos cheques encaminhados a esta fiscalização pelo Sr. Anair Cunha, verificamos  que a maioria dos cheques foram nominais à própria empresa e/ou ao Sr. Anair Cunha, com endosso no verso,  e/ou  destinado  a pagamentos  á  vista  diretamente  no  caixa  do  banco,  inclusive  aqueles  vultosos,  o  que  escapa  totalmente  do  senso  comum  e,  pelo  contrário,  configura  prática  reiterada  daqueles  que  desejam  omitir  informações e sonegar tributos;  ­ Em atendimento à intimação desta fiscalização, a empresa Politec Ltda apresentou todos os documentos (Notas  Fiscais,  DOC’s,  TED’s,  escrituração  contábil  e  fiscal)  que  suportam  as  operações,  dando  aparências  de  verdadeiras;   ­ Pelos elementos/documentos apurados, e aliada à falta de patrimônio e capacidade operacional necessários á  realização do seu objeto social, conclui­se que a empresa Prodados Company Ltda não existe e nem existiu de  fato. As notas  fiscais não suportam, nem suportaram efetivamente as operações de prestações de serviços, pois  sua constituição fora feita apenas para fraudar o pagamento de tributos. (grifos nossos).    Registre ainda que, no curso da ação  fiscal, após entrega de parte da documentação solicitada pela  Fiscalização, um dos proprietários da Politec Ltda, adiantou que, com relação ás notas da Prodados  Company  Ltda,  antes  do  início  da  fiscalização,  a  empresa  já  havia  realizado  o  acerto  no  LALUR  adicionando os valores das Notas Fiscais emitidas por esta ao resultado, uma vez que havia tomado  conhecimento das irregularidades cometidas pela empresa Prodados.   A Fiscalização comprovou a correção dos valores após análise das DIPJ’s retificadoras entregues em  dezembro de 2005 e LALUR.  Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 8          13 A DRF de Belo Horizonte  realizou diligência no  endereço da empresa Dataflow Ltda constante das  Notas Fiscais, chegando às seguintes conclusões, em suma:  ­ O CNPJ informado na nota era falso. O verdadeiro número é referente a uma empresa denominada Dataflow  que operou na cidade de Belo/Horizonte era 01.654.742/0001­01;  ­  A  empresa  Dataflow  Ltda,  CNPJ  66.562.695/0001­91,  não  se  encontrava  inscrita  na  prefeitura  de  Belo  Horizonte, não constando, portanto, Autorizações para Impressões de Documentos Fiscais;  ­ Compareceu  ao  endereço  indicado nas Notas Fiscais  e  encontrou no  local  outra  empresa  Sollero  e Mourão  Advogados Associados. Um dos advogados da firma informou que há cerca de cinco anos funcionou no local uma  certa Dataflow (...)  ­ Por meio das  informações prestadas pela Prefeitura de Belo Horizonte, chegou­se ao atual endereço de uma  empresa denominada Dataflow, embora o CNPJ seja divergente do constante na Nota Fiscal  (...) a numeração  das AIDF’s concedidas pelas Secretarias de Fazenda Municipal e Estadual não coincide com a numeração das  notas fiscais emitidas;  ­  Intimou­se  a  empresa  Dataflow  Info­Sistemas  Ltda  a  informar  se  havia  emitido  notas  fiscais  tendo  como  beneficiária dos serviços a empresa Politec Ltda, bem como a apresentar cópia de uma das notas emitidas. Em  resposta, o responsável pela empresa  informou que o padrão gráfico e o  layout das notas da sua empresa são  diferentes  das  apresentadas  pela  fiscalização.  Que  desconhece  o  provável  autor  do  documento  e  que  não  participou e não participa de qualquer conduta de conivência com este tipo de atitude que, em termos práticos,  prejudica a empresa e sua imagem. Informou ainda que a Politec Ltda nunca foi sua cliente. (grifos nossos)    A diligência na empresa Consis Consultorias e Sistemas Ltda apresentou as seguintes conclusões:  ­ Ao oficiar a Secretaria da Fazenda do município  informação sobre a  inscrição da Consis e autorização para  emissão  de  notas  fiscais,  receberam  em  resposta  que  a  empresa  não  tem  cadastro  na  secretaria  e,  por  conseqüência, não constam AIDF’s autorizadas;  ­ Foi  realizada diligência no endereço constante nas Notas Fiscais emitidas  (...) no  local  foi encontrada outra  empresa (...) os funcionários desta desconheciam que a empresa Consis já tivesse funcionado naquele local;  ­ Em pesquisa no sistema CNPJ,  foi encontrada empresa com o nome de Consis, mas  também com número de  CNPJ  diverso.  No  cadastro  desta  empresa  consta  que  anos  atrás  ela  havia  funcionado  no  endereço  onde  foi  realizada a diligência anterior, encontrando­se agora em outro endereço, além de ter alterado a sua razão social  para BHZ Sistemas de Informática Ltda;  ­Em 06/11/2006, os Auditores (...) compareceram ao endereço da BHZ (antiga Consis). Foram apresentadas ao  contador e gerente da empresa as notas fiscais emitidas pela Consis Ltda, tendo como beneficiária a Politec Ltda,  ambos categoricamente afirmaram que tais notas não foram emitidas pela sua empresa. Apresentaram o modelo  de notas da empresa que diverge totalmente das notas que tiveram como beneficiária a Politec Ltda. Disseram  que jamais tiveram a Politec Ltda como cliente da empresa. (grifos nossos)    Tendo sido realizada a diligência na empresa Informática Engelin Ltda, o relatório informou, em  suma, o seguinte:    ­  (...)  a  Secretaria  de  Finanças  da  Prefeitura  de  Belo  Horizonte  informou  que  a  empresa  possui  cadastro  na  secretaria e apresentou as AIDF’s com a sequência de numeração das Notas Fiscais;   ­  Foi  realizada  diligência  no  endereço  constante  na  nota  fiscal  da  empresa,  entretanto  não  foi  encontrado  o  contribuinte no local. Segundo o proprietário do imóvel (...) a empresa funcionou no local até setembro de 2006;  ­  Intimaram­se  os  sócios  da  empresa  para  comparecerem  a Delegacia  da Receita Federal  (...) Compareceu  a  repartição  (...)  procuradora de  um dos  sócios,  a  qual  prestou  as  seguintes  informações:  a)  que  a Nota Fiscal  encaminhada pela DRF/Goiânia e tendo como suposta emissora a empresa Informática Engelin Ltda não confere  com  as  NF’s  da  empresa.  E  para  corroborar  com  sua  alegação,  apresentou  as  Notas  Fiscais  efetivamente  emitidas pela empresa ora declarante;  b)  tendo por base informações da proprietária da empresa, afirmou que a Informática Engelin Ltda não teve a  Politec Ltda como sua cliente;  ­ Constatou­se  também que numeração das  notas  fiscais da Engelin  que  tiveram como beneficiária a  empresa  Politec  não  estão  abarcadas  pelas  seqüências  de  numeração  nas  AIDF’s  apresentadas  pela  Secretaria  de  Finanças de Belo Horizonte. (grifos nossos)    A empresa Centaufor Ltda apresenta como sócio­gerente o Sr. Anair Cunha, o mesmo adminstrador da  Prodados Company Ltda. Registre­se a constatação da Fiscalização de que o modelo de impressão das  notas  fiscais  das  empresas  Centaufor  Ltda  e  Prodados  Company  Ltda  é  semelhante,  mudando­se  Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     14 apenas o logotipo da empresa, mesmo sendo impressas por gráficas diferentes. A diligência realizada  nesta empresa apresentou as seguintes conclusões:    ­ (...) a Secretaria de Finanças informou que a empresa Centaufor Ltda encontra­se com sua inscrição municipal  desativada por motivo de baixa  (...)  cuja concessão da baixa  foi em 18/07/1997. Bem como,  informou que não  foram encontradas AIDF’s (Autorização para emissão de documentos fiscais) para a empresa;  ­ Foi realizada diligência no endereço da empresa constante nas Notas Fiscais e constatou­se que a mesma nunca  funcionou naquele local, de acordo com informações prestadas pelo administrador do condomínio;  ­  Intimaram o  sócio Anair Cunha a  apresentar  comprovantes  da  efetiva  prestação  de  serviços, mas  este  nada  apresentou.(grifos nossos).    A empresa GTI Systems Ltda também apresenta como sócio o Sr. Anair Cunha, que também é sócio­ gerente da Centaufor Ltda e administrador da Prodados Company Ltda. Registre­se a constatação da  Fiscalização  de  que  o  modelo  de  impressão  das  notas  fiscais  é  semelhante  às  notas  da  Prodados  Company  Ltda,  mudando  apenas  o  logotipo  da  empresa,  mesmo  sendo  impressas  por  gráficas  diferentes. A diligência realizada nesta empresa apresentou as seguintes conclusões:    ­  (...)  a  Secretaria  de  Finanças  informou  que  a  empresa  GTI  Ltda  encontra­se  com  sua  inscrição  municipal  bloqueada  devido  ao  endereço  desconhecido  por  apuração  fiscal.  Bem  como,  informou  que  não  forma  encontradas AIDF’s (Autorização para emissão de documentos fiscais) para a empresa;  ­ Foi realizada diligência ao endereço da empresa constante nas notas fiscais e constatou­se que o ocupante atual  do  imóvel  jamais  ouviu  falar  no  funcionamento  da GTI  Ltda  no  local. O endereço  cadastral  da GTI Ltda  é o  mesmo que o da Prodados Ltda;  ­  Intimaram o  sócio Anair Cunha a  apresentar  comprovantes  da  efetiva  prestação  de  serviços, mas  este  nada  apresentou. (grifos nossos)    Constatou a Fiscalização que o modelo de  impressão das notas fiscais da empresa L&N Consultoria  Ltda  também  é  semelhante  às  notas  da  Prodados  Company  Ltda,  mudando  apenas  o  logotipo  da  empresa, mesmo  sendo  impressas por gráficas diferentes. Tendo  sido  realizada diligência na  referida  empresa, o relatório apresentou, em suma:    ­  Intimou­se  a  empresa  Tipogresso  Editora  e  Formulários  Contínuos  Ltda,  supostamente  responsável  pela  impressão  da  nota  fiscal,  conforme  consta  na  própria  nota. Em  resposta,  a  empresa  afirmou que  não  prestou  serviços de  impressão para a empresa L&N Consultoria Ltda, bem como,  informou que a empresa Tipogresso  Ltda encontra­se desativada desde 1997;  ­ (...) a Secretaria da Fazenda do GDF informou que a empresa L&N Consultores possui cadastro na Secretaria,  mas que a empresa somente uma vez solicitou a impressão de Notas Fiscais de Prestação de Serviços no ano de  1996, tendo sido autorizado (...) a confecção das Notas Fiscais modelo ‘3A‘ de 1 a 100. Como se pode observar  nas planilhas de Notas Fiscais inidôneas da L&N Consultoria Ltda, todas as notas frias estão fora da seqüência  01 a 100; e  ­ Realizou­se diligência no  endereço constante nas Notas Fiscais. A  empresa não  foi  encontrada no  local. Em  contato com a administradora do imóvel, por meio de intimação, esta respondeu que a L&N Consultoria nunca  foi locatária do imóvel constante no endereço. (grifos nossos)    Em  resumo,  diz  que  três  das  empresas,  Dataflow  Ltda.,  Consis  Consultoria  e  Sistemas  Ltda.  e  Informática Engelin Ltda.  dizem  não  terem  emitido  as  notas  fiscais  apresentadas  pela  contribuinte  à  fiscalização,  tendo  sido  verificado  divergências  de  layout  de  impressão  e  padrão  grafíco  das  notas.  Aponta ainda que, em relação à empresa Informática Engelin Ltda., fora verificado que a sequência de  numeração nas “Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais (AIDF) disponibilizadas pela  Secretaria de Finanças de Belo Horizonte, não conferem com as trazidas pela contribuinte, sendo que  as três empresas citadas afirmam que a contribuinte não era sua cliente.”  Prossegue, apontando que:    Por  sua  vez,  as  empresas  Prodados  Company  Ltda,  Centaufor  Ltda,  GTI  Systems  Ltda  e  L&N  Consultoria, apresentaram uma série de situações em comum, como (i) a presença do Sr. Anair Cunha  como administrador ou sócio, (ii) endereços fictícios, (iii) não existência de registros de inscrição ou  AIDF’s,  com  exceção da L&N Consultoria,  que,  contudo,  apresenta divergências  de numeração das  Notas  Fiscais  em  relação  áquelas  onde  consta  a  Politec  como  beneficiária,  ou  seja,  toda  uma  seqüência de fatos evidenciando uma ação conjunta e planejada.    Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 9          15 Mesmo  em  relação  à  Prodados  Company  Ltda,  beneficiada  pela  espontaneidade  em  razão  da  apresentação das  declarações  retificadoras,  não  se  pode  deixar  de  observar  que  o  responsável  pela  condução de complexos projetos de desenvolvimento da empresa declarou que  tinha como  formação  um  curso  de  duração  de  4  (quatro)  meses.  Ora,  projetos  de  sistemas  de  informação  envolvem  conhecimentos  de  gestão  avançados,  e  a  coordenação  de  equipes  responsáveis  por  atividades  como  modelagem  de  negócios,  dados  e  processos,  especificação,  programação,  homologação,  implementação,  dentre  outros,  demandam  uma  formação  muito  mais  sólida  e  consistente  do  que  a  informada pelo Sr. Vicente Salgueiro.    Registre­se ainda que se constitui em robusto indício a constatação da Fiscalização de que a maioria  dos cheques emitidos pela Politec foram nominais à própria Prodados e/ou ao Sr. Anair Cunha, com  endosso no verso, e/ou destinado a pagamentos á vista diretamente no caixa do banco.    Enfim, as empresas Centaufor Ltda e GTI Systems apresentam como sócio o Sr. Anair Cunha, o mesmo  administrador da Prodados Company Ltda, e que a Fiscalização constatou que o modelo de impressão  das  notas  fiscais  das  referidas  empresas  é  semelhante  ao  da  Prodados  Company  Ltda,  mudando­se  apenas o logotipo da empresa, mesmo sendo impressas por gráficas diferentes.    Ou seja, resta plenamente caracterizado que o sujeito passivo, para comprovar a ocorrência de custos  operacionais  fictícios,  utilizou­se  de  notas  fiscais  emitidas  por  várias  empresas  inexistentes  de  fato,  inaptas ou sem capacidade operacional.”    Logo, entende que está caracterizado que a contribuinte se utilizou das mencionadas  notas  fiscais  para  comprovar  a  ocorrência  de  custos  operacionais  fictícios.  Diz  que,  em  sede  de  impugnação,  há  diversas  contradições  apresentadas  pela  contribuinte. Ali,  indica  inicialmente  que  os  serviços  registrados  pelas  notas  fiscais  foram  efetivamente  apresentados,  mas  que  apresentou  anteriormente  DIPJs  retificadoras  e  acerto  no  LALUR,  excluindo  da  apuração  do  Lucro  Real  as  operações  realizadas  com  a  empresa  Prodados  Company  Ltda,  o  que  é  estranho,  pois,  se  houve  o  serviço, não haveria necessidade de retificação das declarações.   Nesse  sentido,  indica  ser  princípio  do  direito  que  ninguém  pode  beneficiar­se  da  própria torpeza e que a denúncia espontânea no caso, faz ter mais presente o elemento doloso no fato.  Ressalta  ainda  que  não  cabe  o  argumento  de  subjetividade  ou  ausência  de  materialidade nos trabalhos desenvolvidos nos procedimentos fiscais, destacando que é de se notar que  a  produção  probatória  realizada  pelo  Fisco  mostrou­se  ampla  e  meticulosa,  fundamentando  adequadamente as infrações imputadas, que, com as provas documentais trazidas, resultam em conjunto  probatório robusto e consistente, capaz de instruir o lançamento e apto a comprovar os ilícitos apurados.  Da  análise  de  tais  fatos,  entende  que  houve  clara  conduta  dolosa  da  contribuinte,  buscando impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária  principal ou ainda, excluir suas características essenciais, buscando reduzir o montante do imposto ou  dificultar  seu  pagamento. Ante  a  caracterização  do  dolo,  indica  que  se  torna  necessária  a  análise  da  contagem do prazo decadencial e a imputação da multa qualificada.  Quanto ao prazo decadencial, a conduta dolosa afasta a regra do artigo 150, §4º do  CTN, sendo cabível a contagem nos termos do artigo 173, I do mesmo diploma, pelo qual o início da  decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado, sendo que, no caso concreto, o  termo inicial para  fins de IRPJ e CSLL foi 1º de janeiro de  2003, transcorrido em 31.12.07, tendo em vista que o fato gerador mais antigo ocorreu em 31.12.01.  Diz que, para o IRRF, o lançamento poderia ser realizado pelo fisco no ano corrente.  Como o fato gerador mais antigo, 11 de janeiro de 2002, o lançamento poderia ter ocorrido já em 1º de  janeiro de 2003, sendo que a decadência também teria ocorrido em 31.12.07. Como a ciência dos autos  Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     16 de infração originais, referentes à primeira fiscalização, ocorreu em 11 de outubro de 2007, entende que  não houve a decadência para nenhum dos lançamentos.   Ainda, a caracterização do elemento doloso repercute, em relação ao IRPJ e CSLL,  nas glosas dos custos não comprovados e nos pagamentos sem causa, em relação ao IRRF, destacando  que tais ilícitos estão sintetizados no Relatório de Verificação Fiscal, transcritos no voto.  Diz  que  a  conduta  imputada  à  contribuinte  constitui  intuito  de  dolo,  buscando  impedir que a autoridade  tivesse ciência do  fato gerador, sendo sua conduta  reiterada, durante quatro  exercícios consecutivos, de contabilizar como custos notas fiscais que não tinham correspondência com  serviços  efetivamente  prestados.  Logo,  é  cabível  a  aplicação  de  multa  qualificada  de  150%,  com  previsão no artigo 44 da Lei nº 9430/96, para os casos de sonegação, fraude e conluio, conforme artigos  71,72 e 73 da Lei nº 4502/64.  Afasta também a necessidade de declaração de inidoneidade dos documentos fiscais  pela administração, para que terceiros tivessem conhecimento desta, por meio de publicação no Diário  Oficial da União. Destaca que, como se verifica de sua própria nomenclatura, os “Atos Declaratórios de  Inaptidão”, possuem natureza declaratória e assim, declaram situação irregular já existente no passado o  que resulta na retroatividade dos seus efeitos.  Especifica,  porém,  que  a  inidoneidade de documentos  não  é  resultado  somente da  declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Neste sentido, cita o §4º do artigo 48 da Instrução  Normativa RFB nº 568/2005 (em vigência durante a ação fiscal), mantido nas IN que a sucederam, a  saber, nº 748/2007 e nº 1005/2010, ao dispor que a inidoneidade de documentos em virtude de inscrição  declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação.  Disto, a partir da análise do caso concreto, entende que já há elementos suficientes  para  atestar  a  inidoneidade  da  documentação  fiscal  em  comento,  como  já  demonstrado  no  corpo  do  Acórdão  recorrido,  especialmente  no  tópico  “Conduta  Dolosa.  Repercussões.  Contagem  do  Prazo  Decadencial. Artigo  173  do CTN. Multa Qualificada”,  onde  a  partir  das  provas  colhidas,  reforçadas  pelas diligências realizadas, com a comprovação de situações como “inexistência de fato de empresas  prestadoras  de  serviços,  endereços  fictícios,  não  existência  de  registros  de  inscrição  ou  AIDFs,  divergências na numeração das Notas Fiscais, emissão de Notas Fiscais sem conhecimento da empresa  emitente”  ,  é  suficiente  para  considerar  a  documentação  fiscal  apresentada  tributariamente  ineficaz,  independente da declaração de inaptidão em ato oficial.  Prossegue, analisando a questão da escrituração, cita inicialmente, os parágrafos 1º e  2º do Decreto­Lei nº 1598/77, de onde entende que referidos dispositivos dispõem que a escrituração  mantida nos termos legais faz prova a favor do contribuinte em relação aos fatos nela registrados, desde  que haja sua comprovação por documentos hábeis, cabendo à autoridade a prova do contrário.       Aponta que, no caso, houve a comprovação pela fiscalização, como já mencionado, da  inidoneidade dos documentos fiscais, indicando ainda que “a escrituração da Nota Fiscal 001.791 de  30/11/2000,  valor  de  R$1.300.000,00,  conta  1.318.0098.1  –  Ativo  Imobilizado  –  Sistemas  Logicais,  referente  á  elaboração  do  software  SISPOLI,  carece  de  validade,  bastando  recordar  a  diligência  promovida à referida empresa, cujo relatório dispôs que tendo sido intimados “os sócios da empresa  para comparecerem a Delegacia da Receita Federal (...) Compareceu a repartição(...) procuradora de um  dos  sócios,  a  qual  prestou  as  seguintes  informações:  a)  que  a Nota Fiscal  encaminhada  pela DRF/Goiânia  e  tendo como suposta emissora a empresa Informática Engelin Ltda não confere com as NF’s da empresa. E para  corroborar com sua alegação, apresentou as Notas Fiscais efetivamente emitidas pela empresa ora declarante; b)  tendo  por  base  informações  da  proprietária  da  empresa,  afirmou  que  a  Informática  Engelin  Ltda  não  teve  a  Politec Ltda  como  sua  cliente;  constatou­se  também que  numeração  das  notas  fiscais  da Engelin  que  tiveram  como  beneficiária  a  empresa  Politec  não  estão  abarcadas  pelas  seqüências  de  numeração  nas  AIDF’s  apresentadas pela Secretaria de Finanças de Belo Horizonte”.    Quanto  a  isto,  indica  que não  se  discute  o  fato  da  empresa Engelin  constar  como  ativa nos sistemas de consulta da RFB, mas tem­se que, no relatório da diligência fiscal, a empresa é  clara  ao  afirmar  que  não  teve  a  contribuinte  como  sua  cliente,  somada  ao  fato  da  divergência  da  Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 10          17 numeração das notas fiscais emitidas e as apresentadas pela Secretaria de Finanças de Belo Horizonte, o  que, corroborado às provas trazidas pelo fisco, torna a escrituração da contribuinte ineficaz para a prova  a seu favor. Seguindo este raciocínio, a documentação fiscal apresentada pela autuada para comprovar  despesas operacionais para dedução para a apuração do IRPJ e CSLL é inidônea.  Discorrendo  sobre  a  argumentação  da  contribuinte,  de  que  houve  pagamentos  efetivados , por cheques nominais, TED ou DOC, o que nos termos do artigo 82, parágrafo único da Lei  nº  9430/96,  ante  a  comprovação  dos  pagamentos,  impossibilitaria  a  acusação  de  utilização  de  documentos inidôneos.  Da  análise  do  dispositivo  transcrito,  indica  que  a  comprovação  dos  pagamentos  é  condição necessária, mas não suficiente, sendo o dispositivo voltado para a preservação do adquirente  de boa­fé  (que mesmo em  face de  inidoneidade dos documentos  realizou os pagamentos),  não  sendo  este o caso dos autos. Foi demonstrado que não houve prestação de serviços pelas empresas Prodados  Company  Ltda.,  Centaufor  Ltda.,  Informática  Engelin  Ltda.,  GTI  Systems  Ltda.,  Dataflow  Ltda,  CONSIS Ltda. e L &N Consultores Ltda, sendo, no entanto, verificado a ocorrência de pagamento sem  causa, ou sem a efetiva comprovação da operação, sujeitando estes pagamentos ao §1º, artigo 61 da Lei  nº 8981/95.  Quanto à tributação do IRRF, afasta a pretensão da contribuinte, da impossibilidade  de aplicação concomitante dos artigos 43 e 45 do CTN, com tributação de 35% do IRRF com glosa de  custos  do  IRPJ  ou  CSLL,  devendo  optar  por  uma  delas.  De  sua  análise,  o  julgador  indica  que  a  tributação  do  IRRF  nos  pagamentos  sem  causa  e  do  IRPJ  e  CSLL  pela  glosa  de  custos  possui  tipificações e hipóteses de incidência distintas, sendo que, no caso concreto, enquanto optante do lucro  real, utilizou­se de notas  fiscais  inidôneas, com fulcro de  reduzir a base de cálculo de  IRPJ e CSLL,  resultando na hipótese legal que determina a glosa dos custos/despesas, gerando o lançamento de ofício  como contribuinte, sendo o valor deste o resultado da diferença do IRPJ e CSLL apurados em razão das  glosas  efetuadas.  Ainda,  efetuou  pagamentos  não  prestados,  para  a  saída  de  recursos  da  empresa,  incorrendo  em  fato  imponível  diverso,  de  saída  de  recursos  de  empresa  sem  que  houvesse  causa  determinada.  Prossegue,  indicando  que,  nos  casos  de  tributação  pela  fonte,  o  sujeito  passivo  é  eleito  pela  lei,  submetendo­se  ao  regime  de  responsabilidade  tributária,  mencionando  que  o  §1º  do  artigo  61  da  Lei  8981/95  ­  que  trata  de  tributação  de  beneficiários  dos  rendimentos  por  meio  da  cobrança  do  imposto  exclusivo  na  fonte  pagadora  (sendo  dela  a  responsabilidade),  por  ocasião  do  pagamento.  Com  a  comprovação  da  ocorrência  dos  pagamentos,  houve  o  lançamento  de  oficio  do  IRRF,  imputado  à  contribuinte  como  responsável  por  ser  a  fonte  pagadora,  ante  a  expressa  previsão  legal. Assim, não há de se falar em afronta ao conceito de renda do artigo 43 do CTN, pois cada uma  das infrações tem amparo em um diploma legal.   Sobre o tema, destaca o papel da autoridade fiscal de mera cumpridora de leis, não  cabendo a ela questionar a legalidade do comando, mesmo ante alegações de possíveis ilegalidades por  parte dos contribuintes, especialmente por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, cujo  descumprimento pode gerar responsabilidade funcional, nos termos do artigo 142 do CTN.   Ainda, diz que, nos julgamentos administrativos, sua atuação é  restrita aos estritos  termos  da  legislação  fiscal,  cabendo  à  observância  dos  atos  normativos  da  Secretaria  da  Receita  Federal, por ser a ela subordinada, nos termos do artigo 7º da Portaria – MF nº 58/2006.  Em  relação  às  empresas  Centaufor  Ltda  e  GTI  Systems,  ante  a  alegação  da  contribuinte  de  que  teriam  apresentado  DIPJ  e  com  parcelamento  de  dívidas  em  andamento,  com  recolhimento de 1,5% de tributação nas Notas Fiscais emitidas, o que geraria bis in idem na tributação,  destaca  de  início  que  as  empresas  não  existem  e  as  prestações  de  serviços  não  foram  realizadas,  apontando,  neste  sentido  os Relatórios  de Diligencias  efetuados  nestas,  destacando  ainda  que  ambas  empresas possuem como sócio o Sr. Anair Cunha, mesmo administrador da Prodados Company Ltda.,  Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     18 tendo a fiscalização descoberto que o modelo de impressões das primeiras empresas é idêntico ao desta  ultima, reforçando as conclusões descritas.  Pelo exposto, entende pela manutenção dos lançamentos da fiscalização.  Da análise daquele, entende que o Acórdão trazido diz respeito a “despesa que era  tão –somente indedutível na apuração do Lucro Real para fins de cálculo do IRPJ”, pelo que, como a  indedutibilidade não atinge a base de cálculo da CSLL, não sendo cabível o lançamento desta. No caso  concreto, esclarece que, se houvesse idoneidade das notas apresentadas, estas seriam dedutíveis para a  apuração  do  lucro  líquido,  pois  seriam  despesas  operacionais,  com  reflexos  nas  bases  de  cálculo  de  IRPJ e CSLL, pelo que a jurisprudência não se aplica ao caso destes autos.  Seguindo, analisa a questão da cobrança da multa  isolada após o encerramento do  ano­calendário,  destacando  as  disposições  contidas  no  artigo  44,  §1º,  II,  in  fine  da  Lei  nº  9430/96.  Deste, diz que, mesmo nos casos em que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa  de CSLL, a cobrança da multa persiste, não tendo havido alteração neste sentido com a introdução da  Lei nº 11.488/2007.  No  mais,  destaca  que  a  apuração  do  resultado  positivo  ou  negativo  da  pessoa  jurídica, no regime de tributação do lucro real anual, somente é possível após o encerramento do ano­ calendário correspondente, exceto  se houver  levantamento de balanços mensais  indicativos de não se  impor  à  contribuinte  o  recolhimento  mensal  obrigatório  das  antecipações,  por  sucessivos  resultados  negativos,  de  onde  se  conclui  pela  possibilidade  do  cabimento  da  aplicação  da multa  isolada  após  o  encerramento do ano­calendário.  Quanto  à  cumulatividade  da  multa  de  ofício  com  a  multa  isolada,  diz  ser  esta  possível, ante a natureza diversa dos dois institutos, inclusive com tratamento em incisos diferentes do  artigo 44 da Lei nº 9430/96, não havendo que se falar em ocorrência de concomitância.  São  penalidades  distintas  exigidas  sobre  bases  de  cálculo  diversas,  uma  sobre  o  tributo  ou  contribuição  apurados  no  fim  do  ano­calendário  e  outra  incidente  isoladamente  sobre  o  recolhimento por estimativa dos pagamentos que deixaram de ser efetuados.  Destaca que a jurisprudência administrativa acostada não possui eficácia normativa,  por ausência de lei que lhes atribua tal efeito de maneira expressa, conforme exigência do artigo 100, II,  do CTN.  Ainda,  quanto  ao  protesto  por  novas  provas  formulado  na  impugnação,  diz  que,  conforme determinação do artigo 16, §4 º do Decreto nº 70.235/72, devem as provas documentais ser  apresentadas na impugnação, operando­se a preclusão na ausência desta. Cabem exceções somente nas  hipóteses  em  que  há  a  demonstração  irrefutável  pela  contribuinte  de  que  estava  impossibilitada  de  apresentá­las  por  motivo  de  força  maior,  ou  por  estas  se  referirem  a  fato  superveniente  ou  para  contrapor  fatos  trazidos  em  momento  posterior,  destacando  que  no  caso  concreto  não  houve  a  comprovação de nenhum dos motivos, pelo que houve preclusão da faculdade.  No mais, aponta que houve negativa geral da impugnante em relação à matéria, pois  esta impugna “integralmente os valores utilizados no lançamento fiscal, bem como os demonstrativos e  relatórios anexos e respectivos valores e datas, porque não realizados de acordo com legislação fiscal”,  o que, conforme o artigo 16, III, do PAF, é inadmitida no processo administrativo fiscal.  Pelo exposto, mantém o crédito tributário exigido.  A  contribuinte  foi  intimada  em  22.11.10,  e  .  em  16.12.10,  apresentou  seu  Recurso Voluntário, repisando os argumentos colocados em sua Impugnação.   Em  14  de  novembro  de  2012,  a  contribuinte  peticionou  a  este  Conselho  trazendo  documentação  para  o  caso,  que  não  foi  regularmente  trazida  pela  autoridade  Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 11          19 lançadora.  Referidos  documentos  serviriam  para  comprovar  a  efetividade  da  tributação  dos  serviços prestados, objeto do lançamento, nos quais se especifica tais serviços e a competente  vinculação  às  receitas  operacionais  respectivas,  notas  fiscais  e  contratos  de  cada  um  dos  clientes.  Esclarece que não se  tratam de novos documentos, mas sim de documentos  originários e  integrantes do processo original,  referente à  fls. 2735 a 2906 daquele  feito, por  considerá­los indispensáveis para o deslinde da questão.  Ainda,  datada  de  15  de  abril  de  2013,  há  nos  autos  petição  da  recorrente  solicitando vista dos autos.   Outra  petição  informa  que  foram  juntados  documentos  do  Processo  nº  10.166.721.589/2010­24 ­ em em 24 de maio de 2013.  Este Processo foi colocado em pauta na sessão de novembro de 2013, quando  foi  solicitada  vista  de  conselheiro  da  Turma,  retornando  para  julgamento  em  dezembro  de  2013,  quando  esta  Conselheira  relatora  solicitou  vistas  para  analisar  documentação  que  foi  protocolada  em  outubro  de  2013,  como  comunicado  pelo  patrono  da  recorrente  em  sua  sustentação oral.   Protocolado em 30 de outubro de 2013, a petição explica que foi constatado  que deixou de juntar documentos do Processo de nº 10120.002.462/2007­33, fls. 2271 a 2733  de onde foram obtidos os elementos constantes do Processo sob análise. A recorrente esclarece  que  não  se  trata  de  novos  documentos  trazidos  à  colação  por  já  serem  parte  integrantes  do  processo original.  Os documentos agora apresentados são:  ­  Comprovante  de  inscrição  e  situação  cadastral  ­  CNPJ  ­  da  empresa Centafour, emitido em 4 de agosto de 2005, em 25 de  outubro de 2007, onde confirma a abertura em 1994 e que estava  ativa em 13 de setembro de 2004.  ­  o  mesmo  comprovante  da  empresa  GTI  SYSTEMS  LTDA,  emitido em 4 de agosto de 2005, em 25 de outubro de 2007, onde  confirma  a  abertura  em  1993  e  que  estava  ativa  em  16  de  outubro de 2004.  ­ o mesmo comprovante da empresa INFORMATICA ENGEL1N  LTDA,  emitido  em  23  de  outubro  de  2007,  onde  confirma  a  abertura em 1991 e que estava ativa em 3 de novembro de 2004.  ­  o  mesmo  comprovante  da  empresa  DATAFLOW  INFO­ SISTEMAS  LTDA,  emitido  em  25  de  outubro  de  2007,  onde  confirma a abertura em 1997 e que estava ativa em 21 de julho  de 2001;  ­  Foi  juntado  como  “DOC  6  –  Comprovante  de  aquisição  do  imobilizado  SISPOLI  da  empresa  ENGELIN”,  sendo  que  os  documentos  são  CNPJ,  nota  fiscal  de  prestação  de  serviços,  razões contábeis e outros;  Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     20 ­  Foi  juntado  como  “DOC  7  –  DARF  de  recolhimentos  pela  POLITEC em relação a Prodados” – são planilhas e DARFs de  recolhimento sob o código 2362, 2430 e 7485;  ­ Foi juntado como “DOC 8 – DIPJ, Pedido de Parcelamento e  DARFs das parcelas da GTI”;  ­ Foi juntado como “DOC 9 – – DIPJ, Pedido de Parcelamento  e DARFs das parcelas da Centafour”.  Em 5 de novembro de 2013,  foi protocolado petição requerendo  retirada de  pauta  do  Processo  pelo  patrono  da  recorrente,  quando  novamente  junta  os  documentos  entregues  junto  à  petição  datada  de  24/10/2013  e  que  constavam  as  fls.  2271  a  2733  do  Processo nº 10120.002.462/2007­33.   Como  dito  de  início,  em  31  de  janeiro  de  2014,  a  recorrente  informa  da  desistência  parcial  referente  ao  IRPJ  e  à  CSLL,  mediante  adesão  ao  programa  de  parcelamento".  Foi o relatório da Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta    Voto             Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator ad hoc  Segundo a relatora:  "Por  presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  inclusive  o  temporal,  tomo conhecimento. Tratam­se os autos de cobrança de:  ­  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  e  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido para os anos­calendários de 2001 a 2004,  devidos ao  final do ano­calendário,  bem como devido  sobre as  bases  estimativas  mensais,  por  ser  a  recorrente  optante  do  regime  do  lucro  real,  tendo  como  fundamento  a  não  comprovação  da  usualidade,  normalidade  e  necessidade  das  despesas ou custos incorridos. Esse item a recorrente informou,  em  31  de  janeiro  de  2014,  que  houve  desistência  parcial  e  renúncia a quaisquer alegações de direito, mediante adesão ao  programa  de  parcelamento  efetuando  o  pagamento  mediante  utilização do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL  e também caixa;   ­  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  ­  IRRF  para  os  anos­ calendários  de  2002  a  2004,  à  alíquota  de  35%,  sob  o  fundamento  de  pagamento  sem  causa,  quando  foi  apresentado  apenas as transferências financeiras (DOC, TED ou cheque) às  empresas, mas não a comprovação da efetividade da prestação  de serviços;  ­  aplicação  de  multa  de  150%  sobre  os  tributos  federais  exigidos,  exceto  para  as  antecipações  pelas  estimativas  mensais;e  Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 12          21 ­  cobrança  de  multa  isolada  decorrentes  dos  tributos  devidos  sobre as estimativas mensais.  DAS PRELIMINARES:  Em primeiro  lugar,  alega a contribuinte a nulidade do  lançamento por vício  formal  por  ter­se  iniciado  em  decorrência  de  nulidade  da  lavratura  dos  autos  de  infração  anterior, que foram cancelados por esse Colegiado (cientificados em 26/06/2009 ­ Acórdão nº  1301­00.036, e em 30/07/2009 ­ Acórdão nº 1301­00.023) em virtude de vício formal pela falta  de autorização escrita antes do início do procedimento fiscal, para a realização do reexame de  período já fiscalizado. Alega a recorrente que, como a autorização escrita para novo exame foi  concedida  em  9  de  novembro  de  2009,  a  documentação  da  fiscalização  anterior,  realizada  durante  o  ano  de  2006,  não  poderia  ser  aproveitada  para  os  lançamentos  objeto  do  presente  processo  administrativo;  que  a  autoridade  lançadora  não  teria  motivado  o  início  de  nova  fiscalização, resultando em cerceamento ao direito de defesa.   Ocorre que os novos lançamentos foram realizados com o único objetivo de  sanar  o  vício  formal,  não  necessitando de  fase  instrutória,  pois  foram  considerados  todos  os  documentos/elementos já carreados por ocasião do lançamento primeiro, como bem explicou a  autoridade fiscal de pronto.   A  recorrente está entendendo que continua sobre os efeitos da nulidade por  vício, o que não está correto com base no artigo 173, II, do CTN, a saber:  “Art.  173. O  direito  de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  (...)  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  (...)”.  Como bem esclareceu a turma julgadora de 1ª instância, o artigo 173, II, do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN,  dispõe  que  a  autoridade  fiscal  tem  5  anos  para  efetuar  novo  lançamento,  a  partir  da  data  em  que  a  decisão  declaratório  de  nulidade  se  tornou  definitiva. Com base nesse artigo, foi iniciada ação fiscal com a ciência pessoal do Termo de  Início  do  Procedimento  Fiscal  em  09/11/2009  da  ordem  assinada  pelo  Delegado  da Receita  Federal  do  Brasil  em  Brasília  autorizando  o  reexame  do  período  de  1º  de  janeiro  a  31  de  dezembro de 2004. Logo, não há o que se  falar em retroatividade de  lançamento anterior ou  falta de cumprimento de ato legal ou ilegitimidade do sujeito passivo ou mesmo contrariedade  do  lançamento  ao  disposto  nos  acórdãos  que  anularam  os  autos  anteriores  ou  também  cerceamento de defesa. A autoridade fiscal se valeu do disposto no artigo 173, II, do CTN para  iniciar procedimento fiscal e cumpriu, ao efetuar o lançamento, com o disposto no artigo 142  do mesmo CTN e artigo 10 do PAF – Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70235/1972).  Ora,  às  fls  2031/2042,  está  claro o motivo pelo  qual  foram  iniciadas novas  verificações  ou  fiscalização,  bem  como  a  utilização  das  mesmas  provas  carreadas  anteriormente.  Assim,  foi  feito  novo  lançamento  culminando  com  lavratura  de  autos  de  infração, nos termos do artigo 142 do CTN, dentro do prazo de cinco anos contados da data em  que  a  decisão  declaratória  de  nulidade  se  aperfeiçoou,  tornou­se  definitiva  na  esfera  administrativa.   Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     22 Acrescentamos  ainda  que  também  pelo  fato  da  recorrente  muito  bem  entender o que lhe foi cobrado, o que podemos verificar de sua Impugnação e de seu Recurso  Voluntário, não se pode acatar a alegação de cerceamento de defesa.  Desse  modo,  rejeitamos  essas  preliminares,  pois  a  nova  fiscalização  foi  devidamente motivada e também as matérias em discussão estão bastante esclarecidas.  O  segundo  item  levantado,  em  sede  de  preliminares,  foi  que  o  presente  lançamento é nulo porque contraria o Acórdão Anulatório e porque deveria abranger apenas os  períodos  até  2004  e,  não,  extrapolado  até  2006,  tendo  em  vista  a  decadência  quinquenal  do  novo lançamento fiscal. Novamente, a autoridade lançadora seguiu os ditames dos artigos 142  e  173,  II,  do  CTN,  bem  como  o  que  foi  objeto  de  decisão  no  julgamento  desse  colegiado  consubstanciado  nos  Acórdãos  que  serviram  de  base  para  essa  nova  fiscalização.  Não  há  extrapolação de sua atuação, portanto, rejeitamos também essa preliminar.  Em  terceiro  lugar,  trata  da  falta  de motivação  da  ‘refiscalização’  tendo  em  vista  a  não  comprovação  da  ocorrência  das  hipóteses  que  amparam  esse  procedimento,  segundo  o  artigo  149  e  incisos  do  CTN.  O  novo  procedimento  foi  sim  motivado  pelos  Acórdãos que identificaram o vício formal dos autos de infração anteriormente lavrados, além  do  que,  as  finalidades  e  objetivos  estão  também  devidamente  esclarecidos  no  Relatório  preparado  pela  autoridade  lançadora,  assim,  não há  o  que  se  falar  em  falta de motivação ou  contrariedade  ao  disposto  no  artigo  149  do CTN.  Foram  observados  devidamente  os  artigos  142 e 173 do CTN.  Essa questão foi muito bem enfrentada pela DRJ, que, corretamente, afastou  os pleitos de nulidade pela clareza no Relatório de Verificação Fiscal de fls. 2031/2042 onde  tem a justificativa da abertura de nova fiscalização, nos termos dos Acórdãos nºs 1301­00.036  e  1301­00.023  do CARF. Nesse Relatório  de Verificação  Fiscal,  a  autoridade  lançadora  cita  trechos desses Acórdãos, que tratam de vício de natureza formal. Novamente, o procedimento  de fiscalização segue o disposto no artigo 173, II do CTN, situação na qual a Receita Federal  readquire o direito de constituir o crédito tributário no prazo quinquenal. Como esclareceram  os  Acórdãos mencionados:  “o  novo  lançamento  eventualmente  feito  deverá  se  restringir  às  matérias  e  provas  contidas  na  acusação  original”,  valendo­se  a  autoridade  da  investigação  anteriormente realizada. Com base nesses procedimentos, foi feito o lançamento que culminou  com  a  lavratura  dos  presentes  autos.  Não  há  qualquer  irregularidade  aqui,  portanto,  essa  preliminar deve ser rejeitada.    Por todo o exposto, rejeito as preliminares levantadas.     DO MÉRITO:  Como  já  relatado,  a  fiscalização  teve  como  objetivo  verificar  a  efetividade  das despesas, encargos ou custos incorridos com os serviços prestados pela a recorrente durante  os  anos­calendários  de  2001  a  2004.  Durante  a  fiscalização,  além  da  análise  das  documentações  apresentadas  pela  empresa,  foram  feitas  diligências  nas  empresas  que  constavam como prestadoras de serviços da recorrente, quais sejam: Prodados Company Ltda,  Centaufor Ltda, Informática Engelin Ltda, GTI Systems Ltda, Dataflow Ltda, CONSIS Ltda e  L&N Consultores Ltda.  Nas  diligências  feitas  nessas  empresas,  a  autoridade  lançadora  não  obteve  qualquer  comprovação  dos  serviços  prestados  ou,  em  alguns  casos,  comprovação mesmo de  Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 13          23 existência  da  empresa  e  ,  portanto,  concluiu  que  foram  realizadas  transações  fictícias.  Em  outros casos, identificou que as empresas eram inaptas ou sem capacidade de prestar serviços à  recorrente.  Outras  constatações  foram  que  o  modelo  gráfico  das  notas  fiscais  semelhantes na maioria das empresas; e que as empresas possuíam um sócio comum, Sr. Anair  Cunha também administrador da Prodados Company Ltda.  Com  isso, a autoridade fiscalizadora concluiu pela cobrança do  IRRF tendo  em vista que houve pagamento sem causa.   A  autoridade  lançadora,  na  sua  investigação  de  levantamento  de  dados  e  constatação  de  fatos,  concluiu  que  as  ações  da  recorrente  demonstraram  que  o  não  recolhimento  dos  tributos  devidos  se  deu  de  forma  fraudulenta,  tendo  em  vista  que  foram  deduzidas despesas, encargos ou custos sem a devida comprovação da efetividade dos serviços  ou  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  inclusive  idoneidade  e  regularidade  das  pessoas  jurídicas  prestadoras  dos  serviços.  Repito  que,  como  consta  do  relatório,  a  recorrente  se  utilizou  de  documentação  que  não  satisfaz  e  não  demonstram  que  houve  efetivamente  uma  prestação  de  serviços.  Mesmo  as  diligências  feitas  com  fornecedores  da  recorrente,  comprovaram o que inicialmente vislumbrado pela fiscalização – que não havia comprovação  da necessidade, usualidade e efetividade das despesas, custos ou encargos, não foi apresentada  documentação que comprovasse os serviços.   É  importante  relembrar,  como  já  relatado,  e  aqui  remetemos  novamente  ao  relatório por muito bem esclarecer o contexto em que está inserido este lançamento, o seguinte:  ­ algumas das empresas diligenciadas afirmaram que nunca prestou serviços à  recorrente;   ­  no  caso  da  empresa  Informática  Engelin  Ltda  ficou  constatado  que  as  seqüências de numeração nas “Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais” (AIDF’s)  disponibilizadas  pela  Secretaria  de  Finanças  de  Belo  Horizonte  não  conferem  com  as  registradas nas Notas Fiscais apresentadas tendo a Politec como beneficiária;  ­ as empresas Prodados Company Ltda, Centaufor Ltda, GTI Systems Ltda e  L&N Consultoria, tinham o Sr. Anair Cunha como administrador ou sócio comum entre elas,  endereços  eram  fictícios  e  não  havia  registros  de  inscrição  ou  AIDF’s  (exceto  a  L&N  Consultoria)    ­  a  L&N  Consultoria  apresentou  divergências  de  numeração  das  Notas  Fiscais naquelas em que a recorrente era beneficiária;    ­ ainda em relação aos custos e despesas incorridos com a empresa Prodados  Company Ltda, os quais foram adicionados ao lucro real, é de se notar que o responsável pela  condução  de  complexos  projetos  de  desenvolvimento  da  empresa  esclareceu,  em  diligência,  que tinha como formação um curso de duração de 4 (quatro) meses, o que não coadunava com  os serviços e os valores pagos.  Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     24 Por todo o exposto, pelas diligências e verificações da autoridade lançadora  foi  constatado  indícios  de  ações  que  visam  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  dos  tributos  devidos  e  a  evitar  ou  retardar o seu pagamento.   Concordamos  que  nos  autos  foram  juntados  documentos  que  comprovam a  conduta de  não  cumprir  com a  obrigação  tributária: Notas  Fiscais, Duplicatas, Relatórios  de  Pagamentos  Bancários,  planilhas  demonstrativas,  cópias  de  declarações,  nas  planilhas  demonstrativas  de  Notas  Fiscais  Inidôneas,  documentos  de  transferência  financeira  (TED,  DOC, cheque nominal). Desse modo, não restou à autoridade lançadora outra atuação que não  aplicar multa de 150%, nos termos prevista na art. 44 da Lei nº 9.430/1996, para os casos de  sonegação, fraude e conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964). A autoridade fiscalizadora  executou os  seus  trabalhos de modo a obter  informações  e  comprovações da  efetividade das  despesas/custos  incorridos,  como  podemos  verificar  do  disposto  no  relatório,  realizou  seu  trabalho com diligência, mas não se confirmou, ao contrário,  identificou que a prática visava  não  esclarecer  a  efetividade  dos  serviços  ou mesmo  sua  necessidade  para  a manutenção  da  fonte pagadora.  Ainda, em relação à insurgência da recorrente contra a aplicação de multa de  150% uma vez que foram retificadas as DIPJs, tendo sido feito recolhimento de IRPJ e CSLL,  no montante total de R$8.654.666,91, em 2005, sendo que o início da fiscalização se deu em  março  de  2006.  Novamente,  vale  lembrar  o  contexto  dessa  fiscalização  que  começou  por  Representação  Fiscal  elaborada  pela DRF  de Belo Horizonte  – MG  tendo  em  vista  possível  conluio entre a recorrente e a empresa Prodados Company Ltda. Como muito bem relatado (no  relatório), a recorrente se utilizou de documentação inidônea e inábil para comprovar os custos,  encargos ou despesas com serviços, bem como não comprova a efetividade da prestação desses  serviços. Por essa razão, a autoridade lançadora efetuou diligências em outros fornecedores da  recorrente  e  também  apurou  documentação  incorreta,  pessoas  jurídicas  irregulares  ou  não  existentes, administração comum, notas fiscais em mesmo padrão e, por  fim, nenhuma prova  hábil e idônea de que os serviços foram efetivamente prestados. As ações da recorrente durante  o procedimento de  fiscalização contribuem para o  entendimento de que  é devida  a multa de  150%.  Mesmo a documentação trazida posteriormente, não comprova a efetividade  dos  serviços  prestados.  Aliás,  como  frisou  a  recorrente,  de  fato,  nenhuma  documentação  apresentada posteriormente é nova, foi feita sim reapresentação de documentos já à disposição  das autoridades fiscais, os quais não contribuem para melhorar as provas produzidas durante a  fiscalização.  Ainda,  o  fato  de  algumas  das  fornecedoras  ter  regularizado  sua  situação  e  recolhido, via parcelamento, os tributos devidos, não traz comprovação aos serviços prestados,  mas apenas comprova que as receitas foram tributadas por elas.   Acatando  que  houve  dolo,  fraude  ou  simulação,  para  o  prazo  decadencial,  aplica­se  o  artigo  173,  I,  do  CTN.  Para  o  IRRF,  o  lançamento  referente  ao  fato  gerador  ocorrido em 11/01/2002 tem como o primeiro dia do exercício seguinte o dia 1º de janeiro de  2003, para o lançamento mais antigo, tendo o prazo findado também em 31/12/2007. Como o  lançamento foi cientificado em 11/10/2007, não foi abarcado pela decadência.   Alega  a  recorrente,  em  seguida,  que  se  deu  a  denúncia  espontânea,  nos  termos do artigo 138 do CTN, uma vez que adicionou as despesas incorridas com a empresa  Prodados Company Ltda, antes do início da primeira fiscalização, em 17 de março de 2006. De  fato, em relação às despesas ou custos incorridos com essa empresa, não há o que se falar em  conduta dolosa ou de forma a evitar o  fato gerador dos  tributos em comento, mas não foram  Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.089  S1­C2T2  Fl. 14          25 somente esses despesas, custos ou encargos incorridos, há outras despesas ou custos incorridos  que não foram computadas ou objeto de retificação no LALUR – Livro de Apuração do Lucro  Real ou DIPJ. Ademais,  estamos diante de pagamentos não que  tem causa que os  justifique,  logo, estão ao IRRF de 35%. A falta de justificativa ou causa do pagamento resulta em estar  obrigado  ao  recolhimento  do  IRRF  à  alíquota  de  35%,  o  que  é  elidido  com  denúncia  espontânea. Aliás, o cômputo no cálculo da apuração do IRPJ ou CSLL, não descaracteriza a  qualificação da multa de 150% sobre o IRRF de 35%.  Alega ainda que as empresas Centaufor e GTI apresentaram DIPJs ao Fisco,  após  procedimentos  de  fiscalização,  portanto,  foram  regularizadas  e  não  são  consideradas  inaptas. Ocorre que  em  relação aos  fatos  sujeitos  aos  IRRF  aqui  sob  análise,  os pagamentos  continuaram  sem  justificativa  e  pagos  a  empresas  consideradas  inaptas  no  momento  do  pagamento ou crédito.  Além da denominada “denúncia espontânea” alegada pela recorrente por  ter  procedido  a  adição  das  despesas  ou  custos  com a Prodados Company Ltda.,  insistentemente  também  indica  que  não  foram  analisados  as  provas  e  documentos  trazidos  em  sede  de  impugnação ou recurso voluntário. Ora, mesmo os trazidos em 2012 ou 2013 não configuram  comprovação dos serviços prestados. Esses documentos são recibos confirmando o pagamento  por  serviços  prestados,  alguns  são  recibos  assinados  pela  própria  recorrente  esclarecendo  o  pagamento e outros da empresa beneficiária, notas fiscais, razões contábeis, recolhimentos de  tributos  outros,  mas  nada  que  comprove  a  efetividade  dos  serviços  aqui  sob  análise.  Não  podem  ser  considerados  documentos  comprobatórios  e  hábeis  para  suportar  a  efetividade  da  prestação de serviços ou a regularidade da conduta da recorrente. Essas provas não excluem a  multa  agravada  de  150%  ou  mesmo  comprovam  a  efetividade  dos  serviços  prestados,  são  documentos em alguns casos internos da empresa e em outros sem nenhuma representatividade  para comprovar os fatos.   A  recorrente  também  alega  que  há  provas  dos  pagamentos  efetuados  por  meio de cheques nominais, TED ou DOC, que estão de acordo com o disposto no artigo 82,  parágrafo  único,  da  Lei  nº  9430/1996,  portanto,  não  caberia  a  acusação  de  utilização  de  documentos inidôneos, também não tem como prosperar.   O  referido  artigo  82  e  parágrafo  único  dispõe  sobre  a  inidoneidade  de  documentos  emitidos  por  pessoa  jurídica  considerada  ou  declarada  inapta,  os  quais  não  produzem  efeitos  tributários  em  favor  de  terceiros  interessados,  inclusive  o  Fisco,  exceto  se  comprovado o pagamento  e o  recebimento de bens,  direitos  e mercadorias ou utilização dos  serviços. A glosa está correta uma vez que nos autos não restou comprovada a efetividade dos  serviços  prestados,  portanto,  os  pagamentos, mesmo  que  através  de  TED, DOC  ou  cheques  nominais feitos a pessoas  jurídicas inaptas, não comprovam que os serviços foram prestados,  apenas comprovam que houve transferência financeira, logo, não podem servir de documentos  comprobatórios.   Os TED, DOCs ou cheques nominais que foram trazidos aos autos se referem  aos  fornecedores:  Prodados  Company  Ltda,  Centaufor  Ltda,  Informática  Engelin  Ltda,  GTI  Systems  Ltda,  Dataflow  Ltda,  CONSIS  Ltda  e  L&N  Consultores  Ltda.  Portanto,  estamos  diante de comprovação do pagamento mas não do que  lhe deu causa, continua sem causa ou  sem  a  efetiva  comprovação,  sujeitos,  assim,  às  disposições  do  §  1º  do  art.  61  da  Lei  nº  8.981/1995.  Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     26 Nesse  tópico,  a  recorrente  traz os  artigos 43  e 45 do CTN que sustentam a  não  pertinência  da  tributação  pelo  IRRF  e  a  glosa  dos  custos  ou  despesas  na  apuração  do  cálculo do IRPJ e da CSLL. A cobrança de IRRF à alíquota de 35% pelo pagamento sem causa  é hipótese de incidência tributária que condiciona à comprovação da causa do pagamento.   Outra alegação da recorrente é que não houve declaração de inidoneidade dos  documentos,  contudo,  a  inidoneidade  de  documentos  não  advém,  exclusivamente,  da  declaração  de  inaptidão. Aliás,  o  §  4º  do  art.  48  das  Instruções Normativas  RFB  nº  568  de  08/09/2005  (em  vigência  no  curso  da  ação  fiscal),  dispositivo  mantido  nas  Instruções  Normativas  sucessoras,  nº  748  de  28/06/2007  e  nº  1.005  de  08/02/2010,  dispõe  que  a  inidoneidade  de  documentos  em  virtude  de  inscrição  declarada  inapta  não  exclui  as  demais  formas  de  inidoneidade  de  documentos,  previstas  na  legislação.  Ou  seja,  a  declaração  de  inaptidão é uma das hipóteses de inidoneidade de documentos prevista na legislação, mas não é  a única. Como já constante do relatório, constata­se dos autos que há elementos suficientes que  atestam a inidoneidade da documentação fiscal apresentada como emitida.  Por todo o exposto, entendemos que a autoridade lançadora trilhou o caminho  para  obter  documentos  comprobatórios  e  efetividade  da  prestação  de  serviços,  o  que  não  conseguiu obter. Com isso, concluiu seus trabalhos corretamente cobrança o IRRF à alíquota  de 35%, nos  termos artigo 61, parágrafo 1º da Lei nº 8981/1995 (transcrito no artigo 674 do  RIR/99).  Por  todo o exposto,  temos que o  sujeito passivo não comprovou que houve  prestação de serviços com documentação hábil e idônea, nem mesmo a efetividade dos serviços  prestados, conseqüentemente nem a causa para o pagamento ter sido efetuado. Assim sendo, o  voto é no sentido de negar provimento".  Foi como votou a relatora.  Plínio  Rodrigues  Lima                                Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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