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Numero do processo: 10855.002370/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 29/02/1996
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
DECADÊNCIA. Pagamento realizados entre 1989 e 1991. Restituição requerida apenas em 2007.
Recurso voluntário negado provimento.
Numero da decisão: 3102-01.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
1.0 = *:*
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 29/02/1996 Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Pagamento realizados entre 1989 e 1991. Restituição requerida apenas em 2007. Recurso voluntário negado provimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1460; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 414 1 413 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.002370/200769 Recurso nº 9.072.06 Voluntário Acórdão nº 3102001351 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2011 Matéria Declaração de Compensação Recorrente Cerâmica Irapua Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 29/02/1996 Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Pagamento realizados entre 1989 e 1991. Restituição requerida apenas em 2007. Recurso voluntário negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 16/02/2012 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Leonardo Mussi e Álvaro Almeida Filho. Relatório O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 1431.877 da 1ª Turma da DRJ/RPO, que entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade . Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: O processo epigrafado foi inaugurado para recepcionar pedido de restituição de Finsocial, no montante de R$ 51.423,26 (fl. 01), protocolado em 10/08/2007, "de acordo com a petição anexa". Por meio da referida petição, a interessada requereu a restituição dos indébitos, relativos aos períodos de apuração (PAs) 09/1989 a 02/1992, "com base no artigo 18, inciso III da Lei 10.522/02 e artigo 2 o da Instrução Normativa 32/97". Instruiu seu pedido com uma planilha de apuração do direito creditório (fl. 14), atualizado com base nos índices utilizados pela Receita Federal, além de cópias dos DARFs (fls. 15/33). Posteriormente, transmitiu as Declarações de Compensação (DCOMP) a seguir relacionadas, utilizandose do crédito informado no presente processo para compensar débitos de PIS (6912) e Cofins (5856), apurados nos períodos de maio de 2006 Por meio do despacho decisório de fls. 50/52, a DRF Sorocaba decidiu NÃO RECONHECER o direito ao crédito e NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas, nos termos da seguinte ementa: EMENTA: O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Pedido INDEFERIDO. Os fundamentos normativos indicados na decisão foram: arts. 106, I, 150, § Io , 156, I e VII, 165, I, e 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN); art. 3 o e 4o da Lei Complementar (LC) n° 118/2005; art. 26, § 10, da Instrução Normativa (IN) SRF n° 600/2005. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DATA DE TRANSMISSÃO VALOR DOS DÉBITOS (R$) FOLHA(frente e verso) 08972.06552 01/11/2007 2.683,76 35 16737.25336 01/11/2007 3.186,09 36 42730.61601 01/11/2007 3.853,91 37 13629.47717 01/11/2007 2.546,37 38 24582.48714 01/11/2007 2.472,84 39 10570.68926 01/11/2007 4.018,18 40 31360.73997 01/11/2007 5.401,84 41 41158.68976 01/11/2007 3.540,55 42 24065.98244 01/11/2007 4.145,11 43 19877.99025 01/11/2007 4.474,83 44 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F Processo nº 10855.002370/200769 Acórdão n.º 3102001351 S3C1T2 Fl. 415 3 Os débitos indevidamente compensados foram cadastrados no sistema de controle e cobrança da Receita Federal (Profisc), conforme extrato de fls. 46/48. A interessada foi cientificada da referida decisão por meio da intimação de fl. 53, que também se prestou à cobrança dos débitos indevidamente compensados, recebida em seu domicílio tributário em 04/06/2008 (fl. 54). Em 23/06/2008, a interessada encaminhou sua manifestação de inconformidade pelos Correios (fl. 66), a qual foi anexada às fls. 55/65. Por meio da referida peça reclamatória, aduziu, em síntese, os seguintes pontos; a) quanto ao crédito requerido, "o pedido formulado pela manifestante possui embasamento legal e constitucional, uma vez que as leis que majoraram a alíquota do FINSOCIAL foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Os artigos citados no pedido inicial não fazem qualquer alusão a uma possível repetição de indébito, ou a uma restituição, porém provam que a Secretaria da Receita Federal reconhece a sua inconstitucionalidade"; b) o caso em análise, "tratase de pedido de restituição baseado na declaração de inconstitucionalidade em controle difuso do FINSOCIAL, no RE 150.7641 in DJU de 02/04/1993"; c) "diante da observação de que a prestação pecuniária não constitui tributo a ser restituído, por ter sido declarado inconstitucional, mas simples indébito auferido pela Fazenda Pública, é equivocado, a rigor falarse em restituição de tributo, como faz o Código Tributário Nacional. Cuidase na verdade, de restituição de pagamento indevido, pois o espeque legal em que se hasteava esvaiuse do mundo jurídico". Neste caso, "afastase a contagem do prazo prescricional/decadencial para a repetição do indébito tributário previsto no CTN, tendo em vista que a prestação pecuniária exigida por lei inconstitucional não é tributo, mas um débito genérico contra a Fazenda Pública"; d) como a declaração de inconstitucionalidade do Finsocial foi proferida no controle difuso, o termo inicial para a repetição do indébito há que ser contado da edição da Resolução do Senado Federal, que viesse a "conferir efeitos erga omnes àquela declaração". Assim sendo, "não há que se falar em decadência do direito de se pleitear a restituição, visto que o prazo prescricional permanece em aberto, pois até o momento não houve edição da resolução pelo Senado Federal"; Concluiu requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F 4 Analisada a impugnação ao auto de infração, decidiu a 1ª Turma da DRJ/RPO, pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme demonstra ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 29/02/1996 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § I o do art. 150 do CTN, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário. Inconformada com a decisão acima a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que os pagamentos objeto de pedido de restituição, foram realizados antes da lei complementar nº 118/2005, pois efetivados no período de 1999, e assim deve permanecer o prazo de cinco mais cinco. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. Busca a recorrente em suas razões demonstrar a possibilidade de ser reconhecida a existência do crédito de FINSOCIAL a ser compensado com débitos de PIS E COFINS, sob o argumento de que não prescreveu seu direito de pleitear a restituição, já que os pagamentos teriam sido realizados em 1999, e assim, não se aplicaria a lei complementar nº 118/2005. O Pedido de Restituição no valor de R$ 51.423,26(cinquenta e um mil, quatrocentos e vinte e três reais e vinte e seis centavos) formalizado em 10/08/2007, decorre de recolhimentos de FINSOCIAL relativos ao período de 03/10/1989 e 07/11/1991, os quais de acordo com a documentação colacionada aos autos foram efetivamente recolhidos neste período, e não em 1999, como alega a recorrente. Pois bem, o art. 168, I, do CTN dispõe que o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso de 05(cinco) anos contatos a partir da extinção do crédito tributário, que de fato na verdade se dá com o recolhimento indevido, já que o crédito tributário teoricamente não existia. Já nos casos de reconhecida inconstitucionalidade do tributo ou de reconhecida a não incidência prazo para requerer restituição tem início a partir declaração de inconstitucionalidade ou do reconhecimento. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F Processo nº 10855.002370/200769 Acórdão n.º 3102001351 S3C1T2 Fl. 416 5 No caso dos autos o pagamento do FINSOCIAL ocorreu entre 1989 a 1991, enquanto o pedido de restituição foi realizado apenas em 2007, ou seja, após mais de 16(dezesseis) anos. Percebese que sequer cabe discutir o posicionamento do STJ, proferido no Resp 1.002.932 em sede procedimento de recurso especial repetitivo, nos termos do art. 543C do CPC, no qual restou definido que sobre os pagamentos indevidos antes de 09/06/2005, o prazo para requerer a repetição é de cinco anos mais cinco; b) sobre pagamento indevidos a partir de 09/06/2005, o prazo é de cinco anexo contados da data do pagamento indevido; Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente a decisão recorrida. Sala de sessões 26 de fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALVARO ARTHU R LOPES DE ALMEIDA F
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002038/2002-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Sobre os débitos pagos após o vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
As reclamações e os recursos, nos termos da legislação reguladora do processo administrativo fiscal, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
Numero da decisão: 3803-006.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de mora exigida no acórdão recorrido.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos pagos após o vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. As reclamações e os recursos, nos termos da legislação reguladora do processo administrativo fiscal, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de mora exigida no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade administrativa julgadora para exigir a multa de mora em substituição à multa de ofício originariamente lançada e por ela cancelada com base na retroatividade em benigna. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos pagos após o vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. As reclamações e os recursos, nos termos da legislação reguladora do processo administrativo fiscal, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de mora exigida no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 20 38 /2 00 2- 25 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.002038/200225 Acórdão n.º 3803006.905 S3TE03 Fl. 77 2 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo I/SP, que julgou parcialmente procedente o lançamento de ofício relativo à multa isolada exigida em razão do recolhimento em atraso de tributo declarado em DCTF desacompanhado do pagamento da multa de mora. O auto de infração abrangeu os 1º e 2º trimestres de 1997, tendo sido o lançamento da Cofins relativo ao 1º trimestre cancelado na repartição de origem em razão da comprovação dos pagamentos efetuados e o lançamento referente ao 2º trimestre mantido por se referir à exigência de multa isolada decorrente do recolhimento em atraso da contribuição devida no período. A DRJ São Paulo I/SP aplicou a retroatividade benigna e cancelou a multa isolada, considerando que a redação então vigente do dispositivo legal que embasara o lançamento de ofício deixara de prever a referida penalidade, sendo exigida, a partir de então, a multa de mora pelo atraso no recolhimento do tributo. O acórdão da DRJ São Paulo I/SP restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Em decorrência da nova redação dada ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 e do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 2237/2006, o valor exigido fica limitado ao devido na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mantida a exigência da multa e juros de mora por falta de comprovação da sua improcedência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte De acordo com a decisão da DRJ São Paulo I/SP, a multa de ofício foi convertida em multa de mora, com base no princípio da retroatividade benigna, mantendose o lançamento em relação aos juros de mora e à referida multa de mora. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.002038/200225 Acórdão n.º 3803006.905 S3TE03 Fl. 78 3 Cientificado da decisão de primeira instância em 05/08/2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 02/09/2014 e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando a impossibilidade de substituição da multa isolada pela multa de mora por se tratar de indevida inovação do lançamento. Aduziu, também, que, tendo sido comprovados os pagamentos efetuados e extinta a multa isolada, não se justificava mais a manutenção de qualquer parcela do auto de infração e que, tendo transcorrido o prazo decadencial para o lançamento de valores devidos em 1997, o Fisco encontravase impossibilitado de lançar qualquer diferença ou mesmo de cobrar os valores declarados em razão da prescrição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, devese registrar que o auto de infração presente neste processo se refere aos 1º e 2º trimestres de 1997, encontrandose os valores lançados discriminados da seguinte forma: a) 1º trimestre – lançamento dos valores da contribuição e dos acréscimos legais em razão da não localização dos DARFs informados em DCTF; b) 2º trimestre – lançamento da multa isolada e dos juros de mora pelo fato de os pagamentos terem sido efetuados após a data do vencimento. O lançamento relativo ao 1º trimestre de 1997 foi cancelado pela repartição de origem, em procedimento de revisão do lançamento, em razão da comprovação pelo contribuinte dos pagamentos efetuados. O lançamento do 2º trimestre de 1997 foi reduzido na DRJ São Paulo I/SP em razão da aplicação da retroatividade benigna, com a substituição da multa isolada pela multa de mora, tendo sido mantida, também, a parcela do lançamento referente aos juros de mora. Em seu recurso, o contribuinte alega a incompetência da DRJ para proceder ao lançamento substitutivo, bem como a impossibilidade de se lançar qualquer valor em razão do transcurso do prazo decadencial e a impossibilidade de se cobrar qualquer crédito tributário já constituído em decorrência da preclusão. Feitas essas considerações, passase à análise do Recurso Voluntário. A DRJ São Paulo I/SP promoveu a substituição da multa de ofício pela multa de mora amparada no Parecer PGFN/CAT/CDA n° 799/2008. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.002038/200225 Acórdão n.º 3803006.905 S3TE03 Fl. 79 4 Contudo, a autoridade julgadora procedeu à revelia dos dispositivos legais aplicáveis, pois à autoridade administrativa julgadora falece competência para converter multa de ofício em multa de mora, tendo em vista que tais gravames possuem fundamentações legais distintas, sendo passíveis de aplicação somente por parte da autoridade administrativa competente para tal. A autoridade julgadora de primeira instância não pode avançar sobre a competência da autoridade administrativa lançadora, dado que a atividade de lançamento é da competência privativa da autoridade fiscal regimentalmente definida, conforme preceitua o art 142 do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Delegacia de Julgamento, nos termos do art. 25, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, é órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo sua competência definida pelo art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil nos seguintes termos: Art. 203. Às DRJ, nos limites de suas jurisdições, conforme anexo V, compete: I julgar, em primeira instância, após instaurado o litígio, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive os decorrentes de vistoria aduaneira, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos ao reconhecimento de direito creditório, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; e II desenvolver as atividades de tecnologia e de segurança de informação, de programação e logística, e as relacionadas com planejamento, organização, modernização e recursos humanos. Portanto, inexiste preceptivo normativo que autorize a autoridade administrativa julgadora a substituir uma multa isolada por uma multa de mora que, até então, sequer fazia parte da lide. Sendo a atividade administrativa vinculada aos ditames da lei, o agente público não pode exorbitar de sua competência previamente definida. Nesse sentido, devese cancelar a multa de mora exigida na DRJ São Paulo I/SP, restando analisar a parcela do lançamento relativa aos juros de mora. Os juros de mora calculados com base na taxa Selic se encontrarem previstos no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo aplicáveis a partir do mês subseqüente Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.002038/200225 Acórdão n.º 3803006.905 S3TE03 Fl. 80 5 sempre que os débitos forem recolhidos após a data de vencimento, tratandose de matéria sumulada neste CARF, conforme se verifica do teor da súmula a seguir transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, portanto, que tendo sido os débitos do 2º trimestre de 1997 identificados no auto de infração recolhidos após a data de vencimento, devemse exigir os juros de mora calculados com base na taxa Selic, inexistindo controvérsia nos autos quanto a essa constatação. O Recorrente alega que, por se tratar de valores devidos em 1997, o Fisco não poderia mais constituir qualquer crédito tributário, em razão da decadência (art. 173, I, do CTN), e nem exigir qualquer débito em razão da prescrição prevista no art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN). No entanto, de acordo com o art. 151, inciso III, do CTN, as reclamações e os recursos, nos termos da legislação reguladora do processo administrativo fiscal, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Dessa forma, encontrandose lançados os juros de mora relativos aos pagamentos da Cofins devida no 2º trimestre de 1997 efetuados em atraso, tal parcela do auto de infração deve ser mantida, encontrandose sua exigibilidade suspensa até a decisão administrativa final a ser proferida neste processo. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a multa de mora exigida no acórdão recorrido, mantendose a parcela do lançamento relativa aos juros de mora. É como voto. Assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15586.001469/2008-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - NÃO INCIDÊNCIA
A Jurisprudência é pacífica no sentido de definir que o pagamento efetuado "in natura" do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador
.ASSISTÊNCIA MEDICA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
São tributáveis os benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da lei 8.212/91,
ART. 17 DO DEC. 70.235172 - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Conforme o preceituado no art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está preclusa.
MULTA DE MORA.
É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35-A para então fazer prevalecer o menos gravoso
RETROATIVIDADE BENÍGNA
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106,II, c, do Código Tributário Nacional - CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei.
PERÍCIA.
Na exegese do art. 18 do Decreto n° 70.235 /72 , é prerrogativa do julgador considerar prescindível ou não o pedido para o deslinde da questão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que sejam afastados os créditos sobre as parcelas do PAT e se aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na forma da redação dada pela Lei nº 11.941/2009, nos termos do art.61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NÃO INCIDÊNCIA A Jurisprudência é pacífica no sentido de definir que o pagamento efetuado "in natura" do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador .ASSISTÊNCIA MEDICA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR São tributáveis os benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da lei 8.212/91, ART. 17 DO DEC. 70.235172 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Conforme o preceituado no art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está preclusa. MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso RETROATIVIDADE BENÍGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106,II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. PERÍCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 69 /2 00 8- 65 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Na exegese do art. 18 do Decreto n° 70.235 /72 , é prerrogativa do julgador considerar prescindível ou não o pedido para o deslinde da questão. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que sejam afastados os créditos sobre as parcelas do PAT e se aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na forma da redação dada pela Lei nº 11.941/2009, nos termos do art.61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/200865 Acórdão n.º 2403002.912 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Li o Relatório a quo, compulsei com os autos, e por corroborar o texto, por economia processual, com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo : "Tratase de Auto de Infração (AI n° 37.153.0890) na qual são exigidas contribuições destinadas a terceiros (Art. 94 da Lei 8.212/91 e alterações) 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 74/89, constituem fatos geradores das contribuições lançadas na presente NFLD as parcelas auferidas pelos segurados empregados a título de alimentação sem a empresa estar inscrita no PAT; assistência médica em desacordo com a legislação, além de previdência complementar não oferecida à totalidade dos segurados e folha de pagamentos, além de remuneração de contribuintes individuais. 3. Também foram lançados pagamentos de salários complementares não registrados na contabilidade. 4. O valor do presente lançamento é de R$ 49.404,45, consolidado em 18/09/2008. DA IMPUGNAÇÃO S. Notificada pessoalmente do lançamento, em 18/09/2008, a interessada apresentou impugnação de fls. 119/142, aduzindo as seguintes alegações: Da Preliminar S. Em sua exordial, a empresa ataca o ato administrativo de constituição do crédito tributário, alegando razões de ordem formal apontando para a eiva de nulidade. 5.1. O Auto não cumpre o requisito da formalidade, pois não é descrita a conduta ilícita em todas suas minúcias: É apontada apenas uma conduta abstrata. • 5.2. Foi ferido o Art. 10 do Dec. 70.235/72. Os relatórios e anexos são uma afronta aos princípios formais de preenchimento do Auto. DO MÉRITO Do PAT 5.3.A convenção coletiva do SINPRO/ES e do SAAES/ES determinam a concessão de Ticket Alimentação. Remete ao Art. 7', XXVI, da Constituição da República. 5.4.Tais valores têm caráter indenizatório de ajuda de custo. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 5.5Transcreve arestos jurisprudenciais e postula a anulação do Auto. Da Assistência Médica e Previdência Complementar 5.6. A redação dada ao Art. 458 da CLT pela Lei 10.243/01 excluiu do conceito de remuneração tais verbas. 5.7. Não há como estabelecer dois conceitos legais a cerca de um mesmo evento jurídico, a remuneração. Ambos os testos normativos (CLT e Lei 8.212/91) tratam do mesmo conceito e, como a Lei 10.243/01 foi editada posteriormente à Lei 8.212/91, derrogou esta. ACOSTA ARESTOS DO TST. Da Aferição Indireta 5.8. A aplicação do art. 148 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) é indevida, pois a empresa entregou vários documentos e livros que serviram para a apuração do Crédito Tributário. 5.9. Não há discricionariedade na escolha da base de cálculo. 5.10. Requer perícia. 5.11.É o relatório." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 10ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1 ( RJ) DRJ/RJO 1, em 11 de fevereiro de 2009, exarou Acórdão de n° 1222.824 , fls.186, negando provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. fls.215, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação É o relatório. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/200865 Acórdão n.º 2403002.912 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. De plano, cumpre registrar que este foi apensado por conexão ao processo principal de n° 15586.001467/200876, também, analisado nesta mesma sessão de julgamento. Aduz que as razões de recorrer são idênticas e o resultado daquele irradia à este. PRELIMINAR DE NULIDADE No Recurso de fls. 186 a Recorrente reitera que o auto deva ser anulado alegando que o mesmo não obedece requisitos formais : "Devidamente impugnado o lançamento, onde em preliminar se atacou a nulidade do auto de infração e foi demonstrado que esse não obedece a seus requisitos formais, eis que contrário à forma prescrita na legislação competente "Assim, OBRIGATORIAMENTE, um Auto de Infração deve conter requisitos gerais (agente fiscal capaz, objeto lícito e obediência à forma prescrita em lei), requisitos específicos (qualificação do autuado, localdatahora da lavratura, descrição material do fato, transcrição da disposição legal aplicável ao caso, penalidade aplicável, determinação da exigência, assinatura, cargo, função e matrícula do autuante)." Referindome ao encimado, cabe destacar que o Relatório Fiscal de fls. 74 foi extremamente bem elaborado registrando as irregularidades, as fundamentações legais e colacionando elementos probantes cabais ao tempo que fez entrega dos vinculados anexos na forma do documento recebido e assinado pelo contribuinte às fls 01. Tal procedimento, sem dúvida, subsumiu o ato no preceituado no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, permitindo eficaz cumprimento do exercício da ampla defesa e do contraditório, direito do contribuinte. Portanto, não assiste razão ao contribuinte quanto a alegação de nulidade. NEGO PROVIMENTO. DO MÉRITO DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Matéria guerreada e negada em sede de impugnação, retorna com os mesmos argumentos então alegados. Reitera que o benefício concedido tem previsão em cláusula de Convenção Coletiva de Trabalho equivalendo ao Programa e Alimentação ao Trabalhador (PAT), instituído por Lei e que não se integraria ao salário: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 "Não incide contribuições previdenciárias sobre o valor pago, ainda que em pecúnia, a título de auxílioalimentação fornecido com a finalidade de subsidiar a refeição do empregado no intervalo da jornada laboral, independentemente de inscrição da empresa ao Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, por possuir natureza indenizatória" Nos itens 2/2 do Relatório Fiscal de fls. 74, a autoridade autuante registrou que as parcelas concedidas foram "in natura", e ainda, que os cartões de crédito utilizados para o pagamento aos segurados foram negociados pelas administradoras de cartões eletrônicos/magnéticos, Banco do Brasil Cartões e Banestik . : "2. Alimentação 2.1. Levantamento de contribuições incidentes sobre parcelas in natura fornecidas pela empresa a seus empregados por meio da contratação de serviços de Alimentação Convênio. 2.2. Na análise da escrituração contábil e das notas fiscais/faturas apresentadas, constatouse a existência de pagamentos a empresas (Banco do Brasil Cartões e Banestik) pelo fornecimento de créditos em cartões concedidos aos segurados, para o pagamento de alimentação." Nos itens 2.6/2/7 registrou que autuara a empresa em razão de a mesma não ter feita a adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT: "2.6. Foi solicitado ao contribuinte, por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, emitido em 09/07/2008, o termo de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. Este documento não foi apresentado pela empresa, em razão da mesma não estar inscrita. 2.7. Desta forma, os valores despendidos pelo contribuinte a título de AlimentaçãoConvênio, benefícioalimentação concedido aos trabalhadores, foram considerados parcelas integrantes do saláriodecontribuição, uma vez que as parcelas oferecidas in natura aos trabalhadores foram efetuadas sem o amparo da Lei no. 6.321, de14/04/1976. " O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), através da Coordenação do Programa de Alimentação do Trabalhador (COPAT), Site: www.mte.gov.br/pat – Email: pat@mte.gov.br , editou Cartilha com o Aval das autoridades abaixo relacionadas, onde no item 9 do referido documento se descreve o que é uma empresa prestadora de serviços de alimentação coletiva informando que é a empresa que administra documentos de legitimação, sejam impressos ou na forma de cartões eletrônicos/magnéticos, para aquisição de gêneros alimentícios em supermercados (alimentaçãoconvênio) ou para refeições em restaurantes (refeiçãoconvênio): Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho SecretárioExecutivo Marco Antonio de Oliveira Secretária de Inspeção do Trabalho Ruth Beatriz Vasconcelos Vilela Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/200865 Acórdão n.º 2403002.912 S2C4T3 Fl. 5 7 Diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho Rinaldo Marinho Costa Lima Coordenadora do Programa de Alimentação do Trabalhador Maria Flor de Lys Sousa Lopes Nos termos do Superior Tribunal de Justiça, a Jurisprudência é pacífica no sentido de definir que o pagamento efetuado "in natura" do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador. Outrossim, na forma do art. 62A do Regimento de ste Conselho , RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, nos vincula. "Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma AgRg no REsp 1426319 / SC 06/05/2014 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. DESNECESSIDADE. SÚMULA 83/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Não incide contribuição previdenciária "em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação" (REsp. 1.196.748/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 28.9.2010). 2. A Súmula 83/STJ aplicase aos recursos especiais interpostos tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. Agravo regimental improvido." Superior Tribunal de Justiça 1ª Turma AgRg no Ag 1392454 / SC 17/11/2011 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. SALÁRIO IN NATURA. DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o pagamento efetuado in natura do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Agravo regimental não provido Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Benedito Gonçalves (Presidente) e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. "Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma REsp 674999 / CE 05/05/2005 (..) TRIBUTÁRIO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. REFEIÇÕES REALIZADAS NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA E DESCONTADAS, PARTE, DO SALÁRIO DO EMPREGADO. PAGAMENTO IN NATURA. NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que entendeu ser indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a título de alimentação a seus empregados, quando efetuados descontos nos salários destes, ainda que não esteja devidamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento "in natura" do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. 3. Precedentes das 1ª, 2ª, 3 e 5ª Turmas desta Corte Superior. 4. Recurso improvido." (RESP 320185/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, 1ª Turma, DJ de 03/09/2001) "PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. LEGALIDADE DA COBRANÇA. VINCULAÇÃO AO PAT. MATÉRIA DE PROVA. SÚMULA 07/STJ. 1. Incabível o reexame da prova em sede de recurso especial. 2. Apenas o pagamento 'in natura' do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária. 3. Recurso especial não conhecido." (RESP 180567/CE, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, 2ª Turma, DJ de 23/04/2001) "Lei 6.321/76. Decreto 5/91. Não há pagamento "in natura", de molde a fazer incidir o disposto no artigo 6º do Decreto 5/91, se esse se efetua mediante entrega de tíquetes que propiciam a aquisição de bens." (RESP 112209/RS, Rel. Min. EDUARDO RIBEIRO, 3ª Turma, DJ de 03/05/1999) "Reclamação trabalhista. Horas extras. Valealimentação. Matéria de fato (Súmula nº 07/STJ). Precedente da Corte. 1. Decidindo o Tribunal de origem, no que se refere à contagem Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/200865 Acórdão n.º 2403002.912 S2C4T3 Fl. 6 9 das horas extras, com base na prova pericial, a passagem do especial encontra a barreira da Súmula nº 07 da Corte. 2. Como assentado em precedente da Corte, o valealimentação integra o salário, considerando que a legislação aplicável afasta, apenas, a parcela in natura, isto é, quando a própria alimentação é fornecida. 3. Recurso especial conhecido, em parte, mas improvido." (RESP 163962/RS, Rel. Min. CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, 3ª Turma, DJ de 24/05/1999) "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HÁBIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO."(RESP 85306/DF, Rel. Min. JOSE DE JESUS FILHO, 1ª Turma, DJ de 16/12/1996) 9. Recurso Especial improvido. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Denise Arruda e José Delgado votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão " Não obstante o acima, vinculando a administração , com a redação dada no art 21 da Lei nº 11.033, de 2004, o art 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, passou a vigorar impedindo de a Secretaria da Receita Federal constituir os créditos tributários nas hipóteses abaixo: "Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. (..) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 § 4° A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) " Relevante ressaltar, ainda, o Ato Declaratório n° 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional onde, nos casos idênticos ao em comento esta desiste de interpor recursos bem como também dos já interpostos Assim DOU PROVIMENTO à alegação do contribuinte para afastar a tributação dos créditos constituídos para esta rubrica. PREVIDÊNCIA PRIVADA E PLANO DE SAÚDE Nos itens 3.5/3.8 do Relatório Fiscal restou claro que a empresa "disponibilzou" o direito de receber os benefícios mas não o fez para todos os segurados. As cláusulas 15 e 16, respectivamente , dos planos de previdência privada e do plano de saúde concedidos pelo contribuinte, impõem restrições que inibem utilização concomitante dos benefícios. A restrição em si caracteriza que os planos não estão exatamente disponíveis na plenitude posto que se optar por um perde o direito ao outro e a legislação define que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa sendo tributáveis os benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da lei 8.212/91: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ( Redação dada pela Lei n9.528, de 10.12.97) (..) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ( Redação dada pela Lei n9.528, de 10.12.97),(..) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; ( Alínea acrescentada pela Lei n9.528, de 10.12.97) " Relatório Fiscal "3.6. Portanto, quanto aos empregados, ao optarem por um dos dois benefícios, resultou que ficaram descobertos do outro, ficando claro que há uma regra estabelecida para que o empregado usufrua destes benefícios, qual seja, a de que decida não receber o outro. Todavia, ambos os benefícios devem estar Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/200865 Acórdão n.º 2403002.912 S2C4T3 Fl. 7 11 disponíveis a todos os trabalhadores, não devendo existir regras ou condições que obstem esse acesso, para que estejam isentos. 3.7. Quanto aos dirigentes da empresa, constatouse que os mesmos não foram contemplados com os benefícios de previdência privada complementar e da assistência médica. Assim, também neste aspecto, a empresa descumpriu os parâmetros legais exigidos para a exclusão, dos valores concedidos aos demais segurados, da base de incidência da contribuição previdenciária. 3.8. Desse modo, a previdência privada e a assistência médica não foram disponibilizadas a todos os segurados da empresa empregados e dirigentes não atendendo, portanto, o pressuposto legal da não incidência tributária, estes valores foram considerados como remuneração para fins de incidência das contribuições prevídenciárias . " Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO DA AFERIÇÃO Foram lançados por aferição indireta pagamentos de salários complementares não registrados na contabilidade, prestação de serviços de frete e prólabore. A recorrente discorda da aferição realizada alegando ter disponibilizado toda a documentação solicitada pela auditoria. Neste quesito não observou que o procedimento ocorreu não por falta de apresentação de documentos, mas pelo contrário justo pela apresentação de recibos que extrapolavam as folhas de pagamento normais, não integrando as mesmas, sendo constatado também que a contabilidade não registrou o pagamento destas remunerações. Desse modo, as bases de cálculo das contribuições previdenciária foram apuradas por meio de aferição indireta em todo o período das ocorrências na forma do registro do item 6 e subitens do Relatório Fiscal abaixo transcrito que , ressaltese , não fora efetivamente contestado pelo contribuinte : 6.. Aferição Lançamento arbitrado 6.1. Durante a auditoria, ao serem examinados os documentos relacionados com as contribuições previdencíárias e Contratos de Prestação de Serviços, foram encontrados recibos de pagamento de salário a vários empregados, que extrapolam as folhas de pagamento normais, não integrando as mesmas, sendo constatado também que a contabilidade não registrou o pagamento destas remunerações. 6.2. Desse modo, as bases de cálculo das contribuições previdenciárias serão apuradas por meio de aferição indireta em todo o período fiscalizado, em razão dos motivos relatados nos itens a seguir, revelando que a documentação examinada (folha de pagamento e contabilidade) não demonstra a remuneração real dos segurados. 6.3. Nas competências outubro, novembro e dezembro de 2003 foram apresentados pela empresa diversos recibos avulsos de pagamentos aos funcionários, anexos, relacionados no anexo IX. Estes empregados integram quase a totalidade dos professores contratados da matriz neste período. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 6.4. Confrontados os recibos, que demonstram o pagamento de "salário complementar" (nomenclatura utilizada pela própria empresa em tais documentos), com as remunerações constantes das folhas de pagamento, constatouse que nenhum destes valores foi registrado. Para exemplificar, foram selecionados alguns segurados para estademonstração, conforme quadros abaixo. (..) 6.8. Concernente à Contabilidade da empresa, verificouse que os lançamentos são equivalentes às remunerações constantes das folhas de pagamento, não sendo identificados registros de outros valores pagos aos funcionários a título de salário. Logo, quaisquer pagamentos de salários não incluídos em folha de pagamento também estão fora dos registros contábeis da empresa. Abaixo, quadros com a escrituração das folhas de pagamento de 2003 (outubro a dezembro), cujos lançamentos eram feitos apenas do valor líquido a pagar, demonstrando que não há lançamentos contábeis de salários fora a folha 6.9. Então, os recursos aplicados nos pagamentos de salários sem registro em folha não possuem respá ldo contábil, ou seja, ingressaram de fato no "caixa real" da empresa, sem, contudo, terem sido lançados no "caixa contábil", levando a conclusão de que não apenas as despesas como também as receitas não foram completamente registradas. 6.10. Ao não refletir a situação real dos negócios da empresa, a escrituração contábil i fere, ainda, os princípios e convenções contábeis geralmente aceitos, conforme resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, e, por conseguinte, o disposto no artigo 177 da Lei 6.404, de 15/12/76, determinando que a escrita deve observar os preceitos da legislação comercial e os princípios contábeis geralmente aceitos. (..) 6.19. Desse modo, agindo a empresa no sentido de ocultar a realidade econômica, com dispêndio tributário mais oneroso, as remunerações dos segurados (empregados e contribuintes individuais) serão apuradas por aferição indireta, de modo a se atingir a realidade subjacente, da qual não se tem elemento certo de avaliação, em razão da omissão do sujeito passivo. Tal procedimento visa impedir o conluio entre as partes (empregador e empregado), em desproveito do fisco federal, e encontra respaldo legal no artigo 148 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) : Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória. administrativa ou judicial Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/200865 Acórdão n.º 2403002.912 S2C4T3 Fl. 8 13 6.20. No mesmo sentido, assim dispõe a Lei 8.212/1991, nos parágrafos do artigo 33: Art.33. (..) §1 ° É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2°A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. i § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 6.21. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o egurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as fo. malidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 6.22. Relativo à aferição da base de cálculo dos segurados empregados, usouse como parâmetro os valores constantes dos recibos (anexos) de pagamento do salário complementar, discriminados no anexo IX. Estes recibos, em comparação com a remuneração constante da folha de pagamento destes empregados, demonstram que seus salários reais representavam mais que o dobro de suas remunerações formalmente registradas (em média 131% superior à base de cálculo constante em folha de pagamento" Em razão da evidente procedência do lançamento, NEGO PROVIMENTO DO MÚTUO E DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Autuada,também, por prática de contrato de mútuo feneratício sem onerosidade aos beneficiários, em sede de recurso voluntário não guerreou tais lançamentos. Ademais não fez prova contrária à verdade constante nos autos e não acostou quaisquer documentos que servissem de base às suas afirmações. Cumpre ressaltar que , há mandamento expresso no art. 36 da Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório preceituando que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Face ao exposto, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está PRECLUSA. DA PERÍCIA Em sede de impugnação o pedido fora negado em razão de, entre outros motivos, a então impugnante não ter nomeado o perito. No presente, ao indeferir o pleito, me valho da exegese do art. 18 do Decreto n. 70.235 /72 , em razão de considerar o pedido prescindível para o deslinde da questão: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine" Em face do encimando, NEGO PROVIMENTO Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/200865 Acórdão n.º 2403002.912 S2C4T3 Fl. 9 15 DA MULTA Relevante destacar que o lançamento constituiu créditos sobre fatos geradores ocorridos no período 01/10/2003 a 31/12/2004 Aduz que no Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls 36, no item, 601 – Acréscimos Legais da Multa, a multa moratória imputada se ateve ao comando previsto nos então vigentes incisos I, II e II do art. 35 da Lei n° 8.212/91: " 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências: 1012003 a 1212003, 01/2004 a 13/2004 Lei n. 8 .212, de 24 .07.91 , art. 35 , I, li, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, 111, "a", "b" e c, parágrafos 6 . e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265 , de 29. 11.99)." DA NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N° 8.212 Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996verbis : “Art.35 . Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996” ( grifos do Relator) Eis que o caput e § 2º da Lei no 9.430/96 determina taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso limitada ao percentual da multa de vinte por cento, verbis: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Também incluído pela mesma Lei n 11.941, de 2009, o art. 35A apresenta nova determinação na sua implementação uma vez que o art. 44 a que se remete foi introduzido Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 pela Lei n° 11.488, de 2007 , contemporânea e posterior , em parte, aos fatos geradores do presente lançamento. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.( Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) DA COMPARAÇÃO DOS ARTIGOS Tudo isto exposto, entendo que se deva verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso na forma da lei. Definido pertinente o recálculo da multa, este se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” DA JURISPRUDÊNCIA NO STJ Alfim, apraz constatar que não estou solitário em tal convencimento na medida em que o entendimento acima desposado encontra amparo na jurisprudência pacífica do STJ cujos precedentes vêm consagrando tal convicção desde alhures , verbis: “PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – ART. 535 DO CPC – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO – EXECUÇÃO FISCAL – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL – AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO – MULTA DO ARTIGO 35, LEI N. 8.212/91 – APLICAÇÃO DE LEI MAIS BENÉFICA – PRECEDENTES. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida. 2. Não configurada a divergência suscitada, pois o recorrente não realizou o necessário cotejo analítico, bem como não apresentou, adequadamente, o dissídio jurisprudencial. 3. A multa do artigo 35 da Lei n. 8.212/91 deve ser aplicada com as alterações impostas pela nova legislação mais benéfica ao contribuinte. Princípio da retroatividade da lei mais benéfica. Precedentes. Agravo regimental parcialmente provido. (AgRg no REsp 576.696/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2009, DJe 21/10/2009)” ( grifos de minha autoria) “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001469/200865 Acórdão n.º 2403002.912 S2C4T3 Fl. 10 17 CERTEZA DA CDA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. DÉBITOS DA SEGURIDADE SOCIAL CONTRAÍDOS PELA SOCIEDADE. LEI 8.620/93, ART. 13. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPRETAÇÃO. MATÉRIA PACIFICADA NO ÂMBITO DA 1ª SEÇÃO. A ausência de debate, na instância recorrida, da matéria cuja violação se alega atrai a incidência da Súmula 282/STF. 2. A 1ª Seção do STJ, no julgamento do RESP 717.717/SP, Min. José Delgado, sessão de 28.09.2005, consagrou o entendimento de que, mesmo em se tratando de débitos para com a Seguridade Social, a responsabilidade pessoal dos sócios das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, prevista no art. 13 da Lei 8.620/93, só existe quando presentes as condições estabelecidas no art. 135, III do CTN. 3. Aplicase retroativamente a redução da multa moratória estabelecida pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela Lei nº 9.528/97, por ser mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN), aos débitos objeto de execução fiscal não definitivamente encerrada, entendendose como tal aquela em que não foram ultimados os atos executivos destinados à satisfação da prestação. Precedentes: REsp 491242/RS, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ de 06.06.2005; EDcl no RESP 332.468/SP, 2ª Turma, Min. Castro Meira, DJ de 21.06.2004. 4. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 698.960/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/05/2006, DJ 18/05/2006, p. 185)” DA PENALIDADE MENOS SEVERA O artigo 106,II,“c”, do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Diante do motivos supra, CABE RECÁLCULO DA MULTA APLICADA. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para no MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que sejam afastados os créditos constituídos sobre as parcelas do PAT e se aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. É como voto Ivacir Júlio de Souza. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003596/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Numero da decisão: 3402-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para incluir os custos com serviços de terraplanagem no cálculo do crédito do PIS e da Cofins apurados no regime da não-cumulatividade e determinar que sejam homologadas as compensações até o limite do valor a ser ressarcido.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
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INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para incluir os custos com serviços de terraplanagem no cálculo do crédito do PIS e da Cofins apurados no regime da nãocumulatividade e determinar que sejam homologadas as compensações até o limite do valor a ser ressarcido. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 96 /2 00 6- 58 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 205 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000472, de 23 de outubro de 2012: Tratase de Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição para a Cofins nãocumulativa no valor de R$ 1.274.147,00, conforme PER nº 24441.63133.040906.1.1.099603, relativo ao 2º trimestre de 2004, cumulado com apresentação de DCOMP nº 09330.00384.040806.1.3.090807. A DRF/Belém, por intermédio do Parecer/Despacho de fls. 161/165, resolveu: a) Reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 127.900,00; b) Homologar a compensação pretendia na DCOMP nº 09330.00384.040806.1.3.090807, até o limite do crédito reconhecido. Segundo a Informação Fiscal de fls. 129/136, procedeuse a glosa de R$ 102.104,14 e R$ 904.729,59 apurandose como Receita Bruta Total os valores de R$ 11.869.399,46 e R$ 12.743.618,51 e não R$ 11.971.500,60 e 13.648.348,10 considerados pela empresa nos meses de abril/04 e maio/04, como as Receitas de Exportação nesses meses são R$ 9.232.016,10 e R$ 9.636.286,62, as relações percentuais, calculadas com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03, são 77,78% (registrese que originalmente o auditor informou 77,12%, no entanto na apuração utilizou o coeficiente 77.78%) e 75,62% e não 82,61% e 82,25% adotadas pelo contribuinte. Informa ainda que apesar de não haver sido incluído indevidamente nenhum valor no cômputo da receita bruta total de junho/04, assim como não ter havido glosa que modificasse a relação entre a receita total e de exportação, foi apurado coeficiente de 76,75%, tomandose como receita total o valor de R$ 18.857.470,85 e como de exportação R$ 14.473.835,41, e não 85,60% utilizado pela contribuinte. Além disso, foram glosados: a) os gastos com combustíveis e lubrificantes, sob o argumento de que os mesmos não podem ser considerados insumos por não entrarem em contato com o produto fabricado (caulim); b) despesas com serviços de terraplenagem, por não haverem sido aplicados ou consumidos na produção do caulim. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 206 3 c) outros custos com direito a credito por serem computados em duplicidade; d) créditos apurados sobre depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos a partir de 01/05/2004, por descumprimento do disposto no art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Cientificada em 01.03.2011 (AR fl. 184), a interessada apresentou, tempestivamente, em 31.03.2011 , manifestação de inconformidade (fls. 185/318) na qual, em síntese: a) Indica ser nulo o Despacho por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal. “A omissão é tão patente que em nenhum dos dois, parecer ou despacho, é feita sequer menção expressa ao RPF n° 0210100/201000599 (!), onde, de fato, encontramse os fundamentos que acarretaram na homologação parcial do crédito da REQUERENTE.”; b) “Com efeito, a REQUERENTE teve que fazer um verdadeiro trabalho investigativo para conseguir vincular o Parecer SEORT/DRF/BEL n° 028/2011 e o despacho decisório ao RPF n° 0210100/201000599. Ao analisar este último, verificou que (i) possuía o mesmo número de Processo Administrativo (PA n° 10280.003596/200658) do parecer e do despacho decisório; (ii) fazia menção à mesma PER/DCOMP e período objeto de apuração do crédito (PER/DCOMP n° 24441.63133.040806.1.1.099603 / 2º Trimestre de 2004); e, por fim, (iii) reconhecia o mesmo valor de crédito de COFINS (R$ 127.900,00).”; c) Entende haver feito a correta apuração da base da contribuição, não tendo a fiscalização exposto as razões que a levaram a apurar suposto erro no cálculo dos coeficientes utilizados pela empresa, o que, por si só, inviabiliza a sua defesa; d) “Vêse, pois, que a alteração dos coeficientes de cálculo pela Fiscalização está eivada de nulidade, nos termos do art. 59, II, Decreto n° 70.235/1 972, tendo em vista que a mesma não discrimina os motivos da referida alteração, cerceando o direito da REQUERENTE, por ausência de elementos para se defender.”; e) Defende que os valores pagos na aquisição de óleos combustível e lubrificante, e os despendidos com serviços de terraplanagem geram créditos por se caracterizarem como insumo; f) Argumenta que a definição de insumo trazida pelos atos normativos da Receita Federal foi pega de empréstimo, “de modo flagrantemente impróprio”, das legislações do ICMS e do IPI, não podendo ser utilizadas para a Cofins, uma vez que a materialidade desta última é muito maior que a dos impostos, devendo a possibilidade de creditamento também ser mais abrangente; Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 207 4 g) “Por oportuno, ressaltese que no RPF n° 0210100/201000599 é feita remissão ao art. 66, § 50, II da IN/SRF no 247/2002, para indeferir o creditamento dos valores recolhidos a título de serviços de terraplanagem, quando o correto seria a indicação do inciso I do referido artigo, pois é este que cuida do creditamento de serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (o inciso II trata do serviço aplicado ou consumido na prestação de serviço), o que, por si só, enseja a nulidade do despacho decisório quanto aos créditos apurados relacionados com esse item.”; h) “Vêse, pois, que, o conceito de insumo, para fins de apuração de crédito da COFINS, deve abranger todo e qualquer bem ou serviço utilizado na obtenção de receita, sendo ilegais, portanto, as restrições contidas no art. 8°, § 4°, 1, “a”, da IN/SRF n° 404/2004 e no art. 66, § 50, II, “b”, da IN/SRF n° 247/2002.”; i) Cita a Solução de Divergência nº 37, de 2008, da Cosit, que entende ser aplicável ao presente caso, na qual a administração teria concluído que os óleos combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos de Cofins, não havendo necessidade de que os mesmos ajam diretamente sobre o produto fabricado. Transcreve trechos do documento; j) Destaca que o óleo combustível é consumido como combustível no processo de evaporação do caulim. “Isso porque o processo de evaporação, que tem por objetivo diminuir o teor de umidade da polpa redispersa para níveis de 30 35%. O sistema de evaporação é composto por um vaso cilíndrico, termo compressor e conjunto de trocadores de calor tipo placas e de uma caldeira flamotubular, que utiliza óleo BPF1 A, como combustível.”; k) “Como se isso não fosse o bastante, na secagem, um dos processos de produção do 'caulim', o gás quente responsável pelo aquecimento do ar de secagem é obtido pela queima de combustível em uma fornalha revestida com tijolos refratários.”; l) “Desse modo, podese ainda afirmar que não só os óleos lubrificantes e combustíveis são consumidos no processo de fabricação do produto, como também atuam diretamente sobre esse processo produtivo. De fato, como visto, o óleo combustível atua diretamente no processo de redução de umidade do caulim.”; m) “Com relação aos serviços de terraplanagem, esses são preparatórios para a exploração mineral, visto que têm como objetivo aplainar o terreno, para que se possa iniciar a extração do 'caulim', restando também extreme de dúvida a sua importância dentro do processo produtivo.”; n) “No entanto, basta uma simples análise da DACON relativa ao 2º trimestre de 2004 (Doc. Nº 5), para se verificar que não Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 208 5 houve indicação em duplicidade de créditos por parte da REQUERENTE. Ressaltese que aqui, mais uma vez, a Fiscalização faz afirmação de modo completamente arbitrário, sem elencar as razões pelas quais teria chegado a essa conclusão, repisese, de todo absurda.”; o) “Ora, a ‘interpretação’ dada pela Fiscalização ao art. 31 da Lei nº 10.865/2004 é completamente absurda. Isso porque o referido artigo não só não veda, como expressamente autoriza o creditamento da COFINS sobre a depreciação de bens do ativo fixo adquiridos a partir de 01.05.2004, in verbis:”. p) Conclui: “Nas Seções anteriores encontrase devidamente demonstrado que a REQUERENTE tem direito a se creditar dos valores relativos aos óleos combustível e lubrificante e ao serviço de terraplanagem, tendo em vista que tratamse de bens e serviços utilizados para a obtenção de receita e, por conseguinte, podem ser classificados como insumos passíveis de creditamento, nos termos do art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003.No entanto, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, a REQUERENTE requer a realização de perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1 972, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: a) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do 'caulim' ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? b) Os serviços de terraplanagem são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do 'caulim' ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? c) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE têm ação direta no processo de fabricação do “caulim” ou de qualquer outro produto da REQUERENTE OU, ainda, os referidos bens integram de alguma forma o caulim ou qualquer outro produto final da REQUERENTE? Por oportuno, a REQUERENTE indica o Sr. Anselmo Duarte Pereira, engenheiro químico, inscrito no Conselho Regional de Química sob o n° 03.302.662 6ª Região, para atuar como seu perito. Por todo o exposto, a REQUERENTE requer a V.Sa. que seja: a) declarada a nulidade do parecer SEORT/DRF/BEL nº 028/2011 e do respectivo despacho decisório; ou b) caso assim não entenda que, no mérito, seja dado integral provimento à sua manifestação de inconformidade, para que, ao final, seja homologado integralmente a compensação objeto da PER/DCOMP nº 24441.63133.040806.1.1.099603 (DCOMP nº 9330.00384.040806.1.3.090807). Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 209 6 A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0122576, de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. Do montante apurado para a contribuição, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando participantes do processo industrial, caracterizamse como insumos indiretos para os quais há determinação específica na legislação que permite o aproveitamento de créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Descontente com o deferimento parcial decidido pela instância a quo, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, exceto quanto ao aproveitamento dos custos com combustíveis e lubrificantes como insumo para fins de creditamento da exação, pois essa matéria foi reconhecida como seu direito pela instância a quo. Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para fins de que seja deferido integralmente o pedido de ressarcimento e homologada integralmente a compensação por ele efetuada. Como já mencionado, a 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que fosse esclarecida a participação do serviço de terraplanagem no processo produtivo da empresa. A Unidade de Origem realizou o trabalho e emitiu seu parecer. O recorrente teve ciência da informação fiscal e não se manifestou. Os autos retornaram ao CARF para seguimento do rito processual. É o brevíssimo relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 210 7 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo ao mérito. NULIDADES O recorrente alega cerceamento do direito de defesa em vista da dificuldade de obter pleno conhecimento dos motivos que levaram à alteração dos coeficientes aplicados no cálculo da relação entre as receitas total e de exportação, motivo pelo qual deveria ser considerado nulo o despacho decisório. Ao meu sentir, não há razões para decretar a nulidade do despacho decisório, uma vez que restou claro o procedimento da fiscalização na apuração da relação entre receitas de exportação e receita total. Como mencionado na informação fiscal, não foram glosados nenhum valor declarado em DACON, apenas foi feita a operação aritmética que alterou os percentuais utilizando os mesmos valores de receita de exportação e totais informados pelo próprio recorrente. Assim sendo, afasto a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente. BENS E SERVIÇOS INSUMOS O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 65 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 211 8 tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 212 9 industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 213 10 Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 214 11 É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 215 12 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 216 13 b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 217 14 de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 218 15 Regressando à lide, a 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF entendeu que os autos não estavam maduros para julgamento e retornouos para fase instrutória com o fim de sanar dúvidas que assombravam as mentes dos componentes do Colegiado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém realizou o trabalho de campo e ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência. Reproduzo as conclusões da Autoridade Fiscal: (...) Em 03/abril/2014 o contribuinte deu ciência pessoal ao Termo de Início de Diligência, no qual solicitamos que fosse apresentado, basicamente, o detalhamento da participação dos serviços de 'terraplanagem' no processo industrial da Pará Pigmentos, de forma a ser possível comprovar que a terraplanagem integra seu processo produtivo na extração do caulim, bem como que o total gasto com essas despesas de terraplanagem no ano fiscalizado (2004) coincide com o montante informado em DACON. 3) A empresa, após solicitar prorrogação de prazo, apresentou documentos, fotos, planilhas e demonstrativos que elucidam que os gastos realizados com a 'terraplanagem' foram necessários para que a empresa desse prosseguimento à sua rotina operacional, e que se refere a uma etapa crucial do processo produtivo. Dentre os documentos ressaltamos as notas fiscais relativas aos serviços pagos. Observamos que 'terraplanagem', na verdade, é um processo mais extenso do que o que supostamente o termo dá a entender. No caso do contribuinte diligenciado, a 'terraplanagem' é entendida, vista e considerada como um processo mais amplo, que é a própria lavra. Esta, por sua vez, significa o preparo da terra para que a extração do mineral (o caulim) seja possível. É possível observar, ainda, que o contribuinte não se credita de PIS/COFINS num momento pela lavra e em outro momento pela terraplanagem. O crédito é decorrente de um só processo, seja denominado lavra (mais amplo e correto), seja denominado 'terraplanagem'. Aliás, verificase que no campo da discriminação dos serviços nas notas fiscais que deram origem aos créditos é possível ler: "serviços de terraplanagem referente à lavra". Além disso, a Lei 10.833/2003, em seu art. 3°, II, é transparente ao considerar que valores pagos por bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda dão direito a crédito de PIS/COFINS. Ora, o bem produzido/gerado pelo contribuinte é o caulim. Se a 'terraplanagem' (lavra) é necessária e indispensável para sua exploração, os custos advindos desse serviço dão, obviamente, direito ao crédito. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003596/200658 Acórdão n.º 3402002.568 S3C4T2 Fl. 219 16 Portanto, salvo melhor juízo, e por tudo que foi possível compreender/conhecer a partir da leitura da documentação apresentada pelo contribuinte, e respondendo objetivamente ao questionamento levantado pelo CARF {qual a participação dos serviços de terraplanagem no processo produtivo do recorrente?), entendo que terraplanagem (termo inadequado/incompleto utilizado pelo contribuinte) referese, na verdade, à lavra do terreno de modo a permitir a extração do caulim, fazendo partem sim, indubitavelmente, do processo produtivo da empresa no que se refere a esse produto, com evidente direito a crédito de PIS/COFINS proporcionalmente aos custos despendidos, quando seguramente comprovados. Diante das informações prestadas pela Unidade de Origem, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para incluir os custos com serviços de terraplanagem no cálculo do crédito do PIS e da Cofins apurados no regime da nãocumulatividade e para determinar que sejam homologadas as compensações até o limite do valor a ser ressarcido. É como voto. Sala das Sessões, em 14/12/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10580.011802/2002-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/01/1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008.
Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional.
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
REP parcialmente provido e REC negado.
Numero da decisão: 9303-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I- Dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência no período de abril/97 a jan/99, pela regra do art. 173, do CTN e; II- Negar provimento ao recurso do contribuinte.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Maria Teresa martínez López - Relatora.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 18 02 /2 00 2- 95 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 REP parcialmente provido e REC negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I Dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência no período de abril/97 a jan/99, pela regra do art. 173, do CTN e; II Negar provimento ao recurso do contribuinte. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Maria Teresa martínez López Relatora. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014. Relatório Tratase de análise de dois recursos especiais. Em sessão plenária de 18 de outubro de 2007, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou recurso voluntário, oportunidade em que se decidiu, "por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, conforme Acórdão n° 20312.516, sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1997 a 31/08/1999, 01/07/2000 a 31/12/2001 Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.011802/200295 Acórdão n.º 9303003.051 CSRFT3 Fl. 9 3 No período de 1° de fevereiro de 1999 a 30 de junho de 2000, as refinarias de petróleo são responsáveis pelo pagamento do PIS devido pelos comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo. PIS. COMERCIANTES VAREJISTAS DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de julho de 2000, o PIS devido pelos comerciantes varejistas é calculado à alíquota zero, exceto quanto à receita de venda de produtos importados. Recurso provido em parte. Consta do desfecho do voto da Conselheira SILVIA DE BRITO (vencida apenas quanto à decadência) Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para cancelar o lançamento relativo aos fatos geradores: 1) anteriores a dezembro de 1997, por estar o crédito tributário extinto pela decadência; (vencida) 2) de fevereiro a agosto de 1999, inclusive, por erro na identificação do sujeito passivo; e 3) de julho de 2000 a dezembro de 2001, inclusive, por tratarse de incidência do tributo à alíquota zero. Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Requer o afastamento do prazo decadencial de dez anos previsto no art. 45 da Lei 8.212/91. Pede a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Pede para que seja contado o início, pela regra do art. 173 do CTN. Sob o entendimento de que os recursos apresentados atendem aos requisitos legais, por meio de Despachos, deuse seguimento aos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora Fl. 957DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 Tratase de análise de dois recursos especiais, os quais tomo conhecimento eis que cumpridas as formalidades de praxe. Consta do relatório da decisão recorrida que a contribuinte foi cientificada do auto de infração, em 6 de dezembro de 2002, para formalizar a exigência de crédito tributário relativo à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente de fatos geradores ocorridos nos períodos de abril de 1997 a agosto de 1999 e de julho de 2000 a dezembro de 2001, com a multa de oficio e os juros moratórios correspondentes. A decisão recorrida afastou a decadência (aplicou o prazo de 10 anos) mas no mérito, por unanimidade, negou provimento ao recurso do contribuinte no período de 12/1997 a 01/1999, e concedeu provimento nos períodos de 02/1999 a 08/1999 e 07/2000 a 12/2001. Em síntese: Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Requer o afastamento do prazo decadencial de dez anos previsto no art. 45 da Lei 8.212/91. Pede a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Pede para que seja contado o início do prazo decadencial pela regra do art. 173 do CTN. Passo à análise em conjunto dos dois recursos, eis que a matéria em análise já se encontra pacificada neste órgão julgador. A decisão recorrida afastou a decadência sob a regra estabelecida no então art. 45 da Lei nº 8.212/1991. O Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 o enunciado da Súmula vinculante nº 08, verbis: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. A adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC nº 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é Fl. 958DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.011802/200295 Acórdão n.º 9303003.051 CSRFT3 Fl. 10 5 inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a norma objeto da declaração de inconstitucionalidade. Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, não há como considerar ser de dez anos o prazo para efetuar o lançamento. Assim a fundamentação se verifica com respaldo no CTN, obrigatoriamente. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 959DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.011802/200295 Acórdão n.º 9303003.051 CSRFT3 Fl. 11 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II, do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste passo, a despeito do posicionamento que sempre adotei, em razão da atual previsão regimental do CARF, manifestome por acolher o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da norma aplicável referente ao prazo decadencial. Interpretando de forma fidedigna as razões de decidir do Recurso Especial Representativo de Controvérsia em questão, verifico que não havendo acusação de dolo e havendo pagamento parcial, de se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, não se verificando o pagamento parcial, deve ser aplicado o artigo 173, do Código Tributário Nacional. Compulsando os autos, percebo inexistir pagamento no período mantido (4/97 a 1/99) razão pela qual entendo que deve ser dado provimento parcial ao recurso da Fazenda (não pela regra do art. 45, da Lei nº 8.212/91), eis que parte do período questionado não se encontra decaído (art. 173, do CTN). CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de; i) negar provimento ao recurso do contribuinte, e; ii) dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a decadência do período de 04/97 a 01/99, pela regra do art. 173, do CTN. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 8 MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 962DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13053.000159/2007-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA.
Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO.
Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 11 SS33TTEE0011 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS TTEERRCCEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 13053.000159/200735 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3801005.279 – 1ª Turma Especial SSeessssããoo ddee 18 de março de 2015 MMaattéérriiaa PIS/PASEP RESSARCIMENTO RReeccoorrrreennttee MITA LTDA RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 01 59 /2 00 7- 35 Fl. 976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo Fl. 977DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13053.000159/200735, contra acórdão da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre (DRJ/POA), de 8 de novembro de 2012, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/POA, que assim relatou: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS não cumulativo referente ao segundo trimestre de 2007, no valor de R$ 41.675,49. O pedido eletrônico (PER), transmitido de acordo com as orientações normativas, consta às fls. 05 a 09 dos autos. Com referência neste crédito, a empresa transmitiu declaração de compensação (Dcomp), fls. 479 a 482. O pedido de ressarcimento foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS) através do Despacho Decisório DRF/SCS n 053/2012 (fl. 290), com base no Parecer DRF/SCS/Safis n 006/2012 (fls. 282 a 289). Foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 13.965,70. Foram glosados valores em dois itens da apuração dos créditos do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições) entregue pela empresa. Da Linha 3 ( serviços utilizados como insumos ) foram excluídos os valores pagos para Tergrasa Terminal Graneleiro S/A, referentes a armazenagem e demais serviços prestados no porto de Rio Grande até o embarque no navio para a remessa ao exterior, por encontraremse em desacordo com a previsão do art. 3o da Lei 10.637/02. O auditorfiscal responsável registra ainda que os gastos também não se referem a armazenagem prevista no inciso IX do art. 3 da Lei 10.833/03, pois os produtos são vendidos após a prestação do serviço, além dos pagamentos não contemplarem apenas gastos de armazenagem. Também foram glosados valores da Linha 7 do Dacon ( despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda ) referentes aos pagamentos para Navegação Aliança que transporta os cavacos de madeira de Taquari até Rio Grande, pois, neste, a carga é formada por produtos acabados e é depositada em nome de Mita LTDA, sendo vendidos posteriormente de acordo com as notas fiscais. A empresa foi cientificada em 05/03/2012 (fl. 291), tendo apresentado manifestação de inconformidade em 03/04/2012 (fls. 294 a 474), cujos argumentos serão relatados logo abaixo. Com referência no deferimento parcial do crédito, foi homologada parcialmente a compensação e indeferido o pedido de ressarcimento, através do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 156 (fls. 483 e 484), abrindose o prazo para o contraditório. A ciência se deu em 06/06/2012 (fl. 489). A empresa apresenta nova manifestação de inconformidade em 05/07/2012 (fls. 490 a 512). Na primeira manifestação, contesta integralmente a glosa do crédito. Preliminarmente, alega a tempestividade. Descreve a sua atividade, destacando que a empresa Mita foi formada a partir de acordo de joint venture entre Mitsubishi Corporation (sediada no Japão) e Setapar, com objetivo de exportar cavacos de madeira (acácia negra) para o Japão. Informa que o contrato era válido por 10 (dez) anos, com cláusula de exclusividade. No mérito, em resumo, aponta que a mercadoria, por força do contrato, encontrase vendida ao único comprador desde a sua saída na empresa e que deve ser entregue em condições para embarcação no porto de Rio Grande. Em função do volume e condições, é necessário o transporte Fl. 978DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 5 4 com a contratada Navegação Aliança até o porto, a armazenagem e a utilização de outros serviços portuários para deixar a mercadoria em condições de embarque, sendo todas as despesas suportadas pela vendedora. A emissão da nota fiscal é posterior por obrigação contratual, questões legais e pela natureza da carga. Em apoio ao argumento, cita a IN SRF 28/94, arts. 27 e 49, que exigem que a pesagem ou arqueação dos navios, nos casos de mercadorias a granel, deve preceder a emissão dos documentos de embarque. Sendo todos os custos decorrentes da operação de venda, entende plenamente enquadrada no art. 3 , IX, da Lei 10.833/03. Cita autores e solução de consulta da 9a Região Fiscal da RFB que forneceriam suporte à tese. Adicionalmente, entende que as operações também poderiam ser abarcadas no conceito de insumo do art. 3 da referida Lei. Alega que as INs da RFB restringem o conceito legal de insumo. Indica que a Lei não aplica o conceito do IPI e que a diferente materialidade da contribuição, incidente quando se aufere receitas, implica em utilizar o conceito de custos necessários. Cita doutrina e jurisprudência sobre o assunto. Argumenta que o entendimento adotado pela DRF implica em resultados opostos ao esperado pela política de fomento às exportações. Requer a reforma do despacho decisório para reconhecimento integral do crédito. Na segunda manifestação de inconformidade entregue, a empresa, basicamente, argumenta no mesmo sentido da primeira. Acrescenta alegação de nulidade do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 156, que homologou parcialmente as compensações e procedeu a cobrança dos valores indevidamente compensados, uma vez que lastreado em decisão não definitiva. Indica que a manifestação anterior referente ao crédito encontrase pendente de apreciação, devendo o processamento das compensações aguardar o julgamento. Requer a suspensão da cobrança decorrente da não homologação das compensações até julgado o recurso no processo de crédito, e, alternativamente, o reconhecimento da existência integral do crédito e da homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação desta DRJ.” A DRJ/POA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Colaciono a ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que a decisão administrativa foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo incidente em suas aquisições. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 6 5 Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS não cumulativo sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem de mercadoria na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, só geram direito ao desconto de créditos na apuração não cumulativa do PIS quando comprovadas de forma individualizada. Entendese por armazenagem estritamente a guarda de mercadoria, não se incluindo nesse conceito operações portuárias diversas.” Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 A recorrente não vende apenas cavados de madeira. Ela também é responsável por agregarlhe todo o aparato logístico necessário para que os mesmos sejam exportados para o Japão; 2 As operações analisadas na decisão recorrida não podem ser tidas como isoladas, mas compreendidas dentro de uma mega estrutura montada para uma finalidade específica: produzir cavacos de madeira para serem exportados para o Japão; 3 As despesas glosadas devem ser enquadradas como insumos ou como inerentes à operação de venda; 4 O conceito de insumo trazido como premissa para interpretar a legislação invocada e discorrer sobre a origem da nãocumulatividade das contribuições para PIS/COFINS; 5 Entendese que o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade do PIS/COFINS. Deve, sim, aterse ao que determina a Constituição Federal, que apenas estabeleceu a definição de setores econômicos a que seria aplicável, não fazendo qualquer referência a uma possível restrição de insumos; 6 A sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS difere daquela aplicável ao IPI e ao ICMS, eis que não se limita ao valor das contribuições recolhidas na operação anterior, mas sim permite a tomada de créditos calculados mediante aplicação das suas respectivas alíquotas sobre os custos com bens e serviços utilizados como insumos na atividade principal da empresa. É o sucinto relatório. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Da existência de direito de crédito a ser pleiteado O pedido de compensação formulado pelo Contribuinte se funda em matéria polêmica na jurisprudência do CARF. No presente caso requer o aproveitamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. O CARF tem adotado diversos entendimentos sobre a matéria, dentre os quais três posicionamentos se destacam: o insumo como todo bem fisicamente integrado ao produto ou serviço; como necessários à atividade ou como necessários à fabricação ou produção de bens e serviços. Esse primeiro entendimento compreende que geram créditos de PIS e Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Utilizase, nesse caso, utilazase o IPI como modelo no aproveitamento de créditos. O segundo entendimento adotase uma perspectiva diversa. Podemos citar como exemplo de decisão nesse sentido o Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, que decidiu que o aproveitamento de insumos abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção da atividade produtiva. Aproximase este modelo daquele utilizado pelo Imposto de Renda. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque a base de cálculo do PIS não abrange somente atividades de industrialização, nem se dirige apenas a comercialização. Esta envolve outras atividades de produção, além da industrialização. De outro lado, não se identifica ao modelo de tributação pelo Imposto sobre a Renda porque esta não procura verificar disponibilidade econômica ou jurídica do contribuinte, o seu acréscimo patrimonial e nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada Fl. 981DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 8 7 ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”. O conceito de insumo utiliza critério de aferição diverso da mera verificação dos i) gastos necessários à industrialização (IPI); ii) dos bens consumidos ou integrados à mercadoria ou iii) daqueles necessários à atividade (IR). Este conceito deve estar vinculado à essência do tributo em questão, ou seja, abranger todos os bens e serviços necessários à industrialização ou produção. Os gastos de materiais de escritório, por exemplo, não são usualmente necessários à produção e, portanto, não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. Nesse sentido entende a 3a Turma da CSRF que são insumos todos os dispêndios “relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social.”. Vejase a ementa do presente acórdão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3o LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado.” (grifouse) (Acórdão no 930301.741, P.A. 13053.000211/200672, 3a Turma da CSRF, Rel. Com. Nanci Gama, julgado em 09.11.2011) A confusão sobre o conceito de insumo surge com a edição da Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03. Estas limitaram a extensão do referido termo à interpretação conferida pela legislação do IPI. Cabe observar que não podem normas infralegais limitar o alcance da aplicação das leis, sob pena de ofensa à legalidade. De outro lado, deve prevalecer o entendimento de que inexistindo limitação por parte da legislação, não se cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 9 8 do princípio da nãocumulatividade. Cabe por fim afirmarse que interpretar restritivamente este conceito implicaria em diversas violações normativas, tais como: i) ofensa à proibição do uso de interpretação analógica (analogia com o IPI); ii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto (ao não se ler a expressão “produção”); iii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto pelo recurso a mens legislatoris (“intenção do legislador em restringir o uso do aproveitamento de créditos”) e iv) proibição de interpretação restritiva com base em interpretação finalística, quando dentre as diversas interpretações possíveis escolhese a mais restritiva utilizando uma análise econômica não autorizada expressamente pelo texto. O presente caso versa sobre a apropriação de créditos de fretes e armazenagem. Entendemos que o princípio da nãocumulatividade permite a tomada de créditos sobre despesas com fretes e armazenagem, quando pagos a pessoas jurídicas compondo valor de aquisição de tal bem. Estes passam a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem. Poderseá admitir igualmente o aproveitamento desses créditos, de frete e armazenagem, por serem insumos necessários no contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Demonstra o contribuinte que as despesas de frete e armazenagem decorrem da localização geográfica da planta industrial, bem como da logística necessária à exportação. Assim devese admitir o aproveitamento desses créditos, tanto pela ótica do conceito de insumo, quanto por serem considerados como despesas de venda. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, ou no inciso IX deste artigo. Em primeiro lugar, a recorrente defende um conceito de insumo bem abrangente, que seja mais amplo do que o utilizado na legislação do IPI ou do ICMS, pois, segundo ela, todos os gastos essenciais ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 11 10 Subsidiariamente, alega que os gastos glosados podem enquadrarse no inciso IX acima. Sobre a abrangência do termo “insumo”, é verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento para o conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 12 11 para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. (...) 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. (...) 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. (...) 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 13 12 alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... (...)” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 247, de 2/11/2002, com alterações da IN SRF nº 358, de 9/9/2003, que dispôs sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 14 13 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifei) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (gn) Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 15 14 PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 16 15 Gastos com fretes e armazenagem. Os gastos com fretes e armazenagem em discussão, relativos a produtos acabados, não se enquadram no conceito de insumo, conforme entendimento aqui adotado, pois não se referem a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos. Os argumentos subsidiários expostos no recurso voluntário também não são suficientes para afastar as razões que conduziram à decisão de primeira instância administrativa, com as quais estou de acordo. Conforme assentado na decisão recorrida, não foi comprovado que os gastos que a contribuinte afirma serem relativos a serviços de armazenagem se referem apenas a estes serviços. Há evidências de que se referem também a despesas com serviços portuários de movimentação e expedição de mercadorias, as quais não podem gerar direito ao crédito pleiteado. Por falta de individualização e comprovação dos gastos com armazenagem propriamente dita, devese manter a decisão recorrida. Despesas com fretes de bens enquadrados como insumos integram o custo destes insumos e não necessitam do inciso IX para gerarem direito ao crédito. Os fretes referentes a transporte de produtos acabados só dão direito a crédito se vinculados a operações de vendas, ou seja, apenas os gastos com transportes de produtos contratados para a entrega ao comprador geram o crédito Estabelecer um alcance maior para o enunciado do citado inciso IX implicaria estender um direito além do previsto em lei, o que é vedado aos membro do CARF. As diversas Soluções de Consulta citadas no acórdão recorrido amparam a conclusão assentada pela turma da DRJ/POA de que “somente os valores da despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos cliente adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela vendedora e o pagamento feito para pessoa jurídica no país, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida”. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 3801005.279 S3TE01 Fl. 17 16 Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.900422/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 22 /2 00 9- 07 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900422/200907 Acórdão n.º 3801004.959 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.000529/2006-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional-CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento.
MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço.
FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP).
EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-005.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional-CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário NacionalCTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 05 29 /2 00 6- 16 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 3 2 EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório A recorrente, BENTELER COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA, na data de 09/01/2006, apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação nº 19990.32488.090106.1.1.101929 (fls. 27 a 29), no montante de R$ 773.958,70 decorrentes de operações de mercado interno ocorridas nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2005 (4º trimestre de 2005); Na data de 30/01/2006 formalizou DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, através do formulário 1 do Anexo IV da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 (fls. 3), requerendo a compensação de débitos – código de receita: 2362 (IRPJ – Estimativa Mensal) para o período de apuração 30/11/2005 e 8741 (CIDE) para o período de apuração 31/12/2005, com a utilização do montante do crédito contido na PER/DCOMP antes citada; No campo “Outras Informações” da Declaração de Compensação, destaca: “Nesta compensação utilizamos o instituto da denúncia espontânea constante do Artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Segue Petição de compensação em anexo”; a título explicativo destacas a seguinte parte: 1. Inicialmente, cumpre mencionar que a requerente é Pessoa Jurídica cujo objeto social abarca, preponderantemente, a fabricação e comercialização dos produtos relacionados nos anexos I e II da Lei 10.485/2002. Outrossim, referida Sociedade também realiza execução de industrialização por encomenda dos referidos produtos, sujeitando, as respectivas receitas, à hipótese de redução a zero das alíquotas das contribuições ao PIS e à COFINS. 2. Goza, outrossim, da não incidência das contribuições incidentes sobre o faturamento, segundo o disposto nos artigos 5o e 6o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e, de acordo com o artigo 149, parágrafo 2o , inciso I, da Constituição Federal, decorrente das operações de exportação de mercadorias para o exterior, operação usual praticada pela Sociedade. 3. Por conseguinte, tendo em vista a realidade fática apresentada, é corriqueiro o acúmulo de créditos de PIS/COFINS, motivo pelo qual, habitualmente, a Requerente recorre aos pedidos de ressarcimento e compensação disponibilizados pela Secretaria da Receita Federal. 4. Nesse contexto, procedeu ao pedido de ressarcimento dos créditos acumulados competentes aos segundo, terceiro e quarto trimestres do exercício de 2005, nos termos das disposições da novel Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. [...] 7. Posteriormente, como de praxe, a Requerente optou por realizar a compensação dos créditos objeto do pedido de ressarcimento efetuado outrora. [...] Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 5 4 Em atendimento ao requerimento da Contribuinte, o SEFIS – Serviço de Fiscalização da DRF de Campinas/SP implantou procedimento com exame documental e escritural, necessários à instrução do processo, pontuando o seguinte: f) Verificação da legitimidade dos créditos registrados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) mediante o exame, por amostragem, das notas fiscais, contratos e documentos referentes aos bens e serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de máquinas, equipamentos e prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de fretes, bem como de outros créditos previstos na legislação de regência; Do exame realizado o fisco constatou o registro de créditos do PIS/PASEP sem amparo legal conforme relatado: No curso das verificações ora citadas, identificouse que o contribuinte inseriu despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva" dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, conforme art. 3 o da Lei n° 10.833/2003 não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas dessa natureza. Dessa forma, devem ser excluídos os seguintes valores da base de cálculo dos créditos da PIS/PASEP: Discriminação Outubro Novembro Dezembro Manutenção Predial Corretiva 20.055,84 28.107,53 31.162,17 conta contábil 440206001 Manutenção Predial Preventiva 7.660,79 11.359,56 26.942,81 conta contábil 440206011 Total 27.716,63 39.467,09 58.104,98 Também foi identificado que o contribuinte inseriu nas despesas de fretes de entrada, valores de fretes de transferência de produtos do estabelecimento localizado em Campinas São Paulo para o outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari Bahia. As despesas de fretes de entrada compuseram a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, conforme art. 3o da Lei n° 10.833/2003, não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas de fretes de transferência. Dessa forma, devem ser excluídos os seguintes valores da base de cálculo dos créditos da PIS/PASEP: Discriminação Outubro Novembro Dezembro Fretes entrada conta contábil 440214001 715.528,77 828.495,88 872.757,29 Fretes transferência incluídos na conta 440214001 252.794,76 287.863,73 282.616,43 Valor a ser excluído da base de cálculo 252.794,76 287.863,73 282.616,43 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 6 5 As folhas 45 apresentou planilha com o cálculo da glosa de tais valores no montante de crédito peticionado pela contribuinte, conforme a seguir resumido e faz a seguinte conclusão: Discriminação Outubro Novembro Dezembro Valor da glosa 4.489,58 5.112,55 5.456,06 Não foram identificadas outras exclusões da base de cálculo da contribuição nem outros créditos apurados de forma irregular além dos mencionados acima. Assim, refazendose o cálculo do crédito devido, teremos a seguinte situação: Informações sobre os créditos Outubro Novembro Dezembro Total Crédito proc 10830.000529/200616 43.339,60 371.563,12 359.055,98 773.958,70 Crédito apurado pela fiscalização 38.850,02 366.450,57 353.599,92 758.900,51 Tendo sido efetuadas as verificações necessárias à apuração da contribuição para o PIS/PASEP, bem como do cálculo dos créditos da referida contribuição, propõese o envio do presente processo ao Seort / DRF Campinas para prosseguimento. O Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT da DRF de Campinas/SP proferiu despacho decisório (fls.50), com a seguinte fundamentação e decisão: FUNDAMENTAÇÃO O pedido de ressarcimento está amparado na Lei n° 5.172, de 25/10/66, na Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, que disciplina, entre outros, o ressarcimento e a compensação de créditos da Contribuição para PIS/PASEP, assim como nas Leis n° 10.833/2003 e 11.033/2004. A exatidão das informações, a que se refere o artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, foi aferida em análise efetuada pelo Serviço de Fiscalização desta DRF e resumida na Informação Fiscal à fls. 40/43, parte integrante e inseparável do presente despacho, sendo constatada a parcial regularidade das operações incentivadas, do que resultou a glosa de R$ 15.058,19 e na disponibilidade de crédito no valor de R$ 758.900,51. DECISÃO Assim, pela competência a mim delegada, reconheço à interessada, em face do PER à fls.25/27, o direito creditório de R$ 758.900,51 e homologo até esse limite a compensação declarada pela DCOMP à fl. 01 de acordo com os demonstrativos SIEF à fls. 44/45 e o extrato PROFISC à fl. 46. Seguese a ciência do presente Despacho Decisório e a exigência do saldo devedor em aberto, facultandose à interessada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 7 6 do Brasil de Julgamento no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de ciência deste. Conforme decisão do SEORT, o extrato PROFISC, fls.48 do processo, discrimina os débitos declarados e a compensação com o crédito reconhecido até o limite de R$ 758.900,51 resultando num saldo devedor para o tributo 8741 (CIDE) PA/EX: 12/2005 Vcto IMPOSTO: 13/01/2006 no valor de R$ 57.825,46. O fisco não reconheceu a denuncia espontânea alegada pela contribuinte e acrescentou aos valores dos impostos declarados, o valor da multa e dos juros de mora, para após efetuar a compensação. O sujeito passivo da obrigação tributária foi intimado a recolher o saldo devedor em aberto aos cofres da Fazenda Nacional, na data de 09/11/2010 (fls.53), facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. No prazo legal foi apresentado MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls.56/79), culminando com o seguinte pedido: 79. Por todo exposto, requer a Requerente seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, a fim de que seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco analisar a procedência dos créditos de PISmercado interno apurados em outubro de 2005, bem como seja reformado o r. despacho decisório, devendo ser integralmente reconhecido o montante creditório pleiteado relativamente às operações de mercado interno efetuadas no 4o trimestre de 2005, bem como para que seja reconhecida a regularidade da denúncia espontânea dos débitos de IRPJ, afastandose, assim, a incidência de multa de mora sobre os valores compensados, a fim de que sejam integralmente homologadas as compensações efetuadas, ante a regularidade do crédito apurado e, por conseguinte, seja cancelada a cobrança em razão de extinção do débito, de acordo com o artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 32/12/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO PREDIAL. FRETES DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação, como manutenção predial e fretes contratados para transporte de bens em elaboração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 8 7 Apesar de não fazer parte da ementa acima transcrita a DRJ se posicionou também, sobre as teses de defesa relacionadas a decadência e denúncia espontânea, bem como, sobre a compensação efetuada. Sobre estes temas a DRJ assim se manifestou: De início, é importante registrar que os autos não tratam de lançamento fiscal, ou seja, não há constituição de crédito pela Fazenda Pública que chame a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. Os débitos que eventualmente venham a ser objeto de cobrança foram confessados pela própria contribuinte nas declarações de compensação, previamente a qualquer ação do Fisco. Por outro lado, o prazo que corria contra a Administração é tratado no art. 74, §5º da Lei nº 9.430, de 1996, e diz respeito à homologação da compensação declarada pela contribuinte. No caso em exame, a DCOMP que se aproveita do direito de crédito pleiteado foi apresentada em 30/01/2006 (fl. 1). Por sua vez, a ciência do despacho que homologou parcialmente a citada declaração de compensação se deu em 09/11/2010, portanto, na guarda do prazo tratado no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a Administração Tributária agiu no sentido de aferir, dentro do prazo que lhe cabia, a correção do procedimento de compensação. A nova apuração do saldo de créditos da não cumulatividade é, dessa forma, atividade imprescindível à certificação da compensação e não está sujeita aos ritos e aos prazos aplicáveis à constituição de crédito tributário pela Fazenda Pública. [...] No caso em tela, a repercussão tributária do saldo credor coincide com o do aproveitamento do crédito em DCOMP. Não há portanto, a alegada expiração do prazo na ação da Fazenda Pública. [...] Notese que o dispositivo (art. 138 do CTN) condiciona a caracterização da denúncia ao pagamento do tributo devido e dos juros de mora. O dispositivo não menciona outras formas de extinção do crédito como beneficiárias do instituto. Assim, de pronto, tratando o citado artigo de regra de direito excepcional, sua interpretação deve ser estrita, o que coloca a compensação fora dos efeitos da denúncia espontânea. Além disso, ainda que se considere a compensação como forma de extinção alcançada pelo disposto no art. 138, do CTN, não ficaria afastada a multa de mora no caso. Sustenta a contribuinte que, ao declarar a compensação de tributos vencidos, ficou ao abrigo do instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 9 8 A esse respeito devese lembrar, de início, rememorar o dever legal que compele o contribuinte a extinguir a obrigação tributária no prazo de vencimento. Neste sentido, para o crédito não integralmente pago no vencimento, o art. 161 do CTN determina o acréscimo de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária, dentre as quais inserese a multa de mora, estipulada na Lei nº 9.430, 1996. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário onde espera ver integralmente reformado o acórdão recorrido e homologada por completo a compensação efetuada, sob os seguintes argumentos de defesa: DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO ANALISAR A APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RELATIVO AO PERÍODO DE OUTUBRO DE 2005 NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO No presente caso, como os valores utilizados como crédito de PISmercado interno para compensação apurados em outubro de 2005, somente poderia ter questionado até o outubro de 2010, respeitandose o prazo decadencial de cinco anos, em atenção ao disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, porém, não foi o que ocorreu, pois a ora Recorrente somente foi intimada acerca do Despacho Decisório no dia 09/11/2010 (após decurso do prazo decadencial de cinco anos). Dessa forma, concluise que ocorreu a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN. Portanto, no presente caso, não se poderia ter procedido à glosa dos créditos de PISmercado interno, realizando verdadeira revisao da apuração do tributo, após o decurso do prazo decadencial, sem procedimento próprio e inerente ao lançamento de ofício. DO DIREITO AO INTEGRAL RESSARCIMENTO DOS VALORES PLEITEADOS Assim, os valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris devem servir de base de cálculo para o cálculo dos créditos de PIS, sendo indevida a glosa procedida pelo i. Auditor Fiscal e ratificada pelo acórdão ora recorrido, vez que tais gastos influenciam diretamente na fabricação dos produtos da Sociedade, porquanto depende das instalações prediais operando com pleno vigor e eficiência para fabricar seus produtos e desempenhar sua atividade, configurandose, portanto, em efetivos insumos aplicados na produção de bens, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido. Portanto, o que se pode verificar é que o frete utilizado pela Recorrente para composição de seu saldo credor de PIS é efetivamente o de um "serviço utilizado como insumo", haja vista que a transferência de um produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento nada mais é senão um Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 10 9 insumo na cadeia econômica da Recorrente e assim deve ser considerado para fins de aproveitamento dos créditos. DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DE MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA De fato, a norma geral determina a aplicação de multa moratória nos casos de tributo recolhido fora do prazo determinado. Entretanto, o artigo 138 do Código Tributário Nacional traz hipótese de exceção. Tal dispositivo impõe certas condições, conforme segue: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Pelo visto acima, duas são as condições a serem observadas para o gozo do benefício da denúncia espontânea. A primeira referese ao pagamento integral do débito tributário, devidamente acrescido dos juros de mora devidos. A segunda refere se ao pagamento antes de qualquer atividade de fiscalização. No presente caso, ambos os requisitos foram devidamente preenchidos pela ora Recorrente. Dessa forma, uma vez que a ora Recorrente seguiu à risca a regra imposta pelo Código Tributário Nacional, é de se concluir que o pagamento (compensação) espontâneo do débito em atraso rechaçou a incidência da multa de mora. Ademais, a indenização pelo mero atraso já resta satisfeita com a inclusão dos juros de mora, condição cumprida pela Recorrente para a configuração da denúncia espontânea. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Cássio Schappo, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, as questões aqui discutidas se dividem em dois fatos: 1º) o PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU REESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – PER/DCOMP nº 19990.32488.090106.1.1.101929, transmitida em 09/01/2006, que trata de créditos do Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 11 10 PIS/PASEP nãocumulativo – mercado interno referente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2005, ou seja, 4º trimestre/2005; 2º) a DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO recepcionada pela DRF – Campinas/SP na data de 30/01/2006, indicando os débitos de IRPJ – estimativa do período de apuração 30/11/2005 e CIDE do período de apuração 31/12/2005, compensados com os créditos dispostos no PER/DCOMP acima mencionado. O embate fisco/contribuinte se dá a partir do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS/2303/2010, cientificado na data de 09/11/2010, o qual comunica: que foi deferido em parte o pedido de ressarcimento do PISMERCADO INTERNO relativo ao 4º trimestre de 2005, reduzindo o crédito declarado de R$ 773.958,70 para R$ 758.900,51 resultante da glosa de R$ 15.058,19 correspondente a créditos sem previsão legal, relativos a “Serviços Utilizados como Insumos” inseridos como despesas de “manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva” e de valores de fretes de transferência de produtos em processo de fabricação do estabelecimento localizado em Campinas/SP para o outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari/BA; que foi homologada parcialmente a compensação objeto da DCOMP formalizada no processo em discussão, resultante da glosa de crédito da PER/DCOMP e da multa de mora não considerada nos cálculos da contribuinte para os débitos vencidos relacionados na DCOMP; dessa forma o contribuinte foi intimado a recolher o saldo devedor em aberto aos cofres da Fazenda Nacional, conforme DARF no valor de R$ 57.825,46 a título de imposto, mais multa e juros de mora; A inconformidade manifestada pela contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ em Campinas/SP e por consequência não reconhecido o direito creditório nos termos do Despacho Decisório SEORT/DRF/DSP e fundamentos já destacados no relatório. O recurso voluntário foi instruído sem destaque de preliminares, expondo em sequência as teses de defesa, que serão seguidas no encaminhamento do voto, começando pela PER/DCOMP (questão 1): 1 DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO ANALISAR A APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RELATIVO AO PERÍODO OUTUBRO DE 2005 – NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO. A recorrente busca através dessa premissa, anular em parte a glosa do crédito da COFINS referente ao período outubro de 2005, devidamente declarado ao fisco, por não estar mais sujeito a revisão, uma vez ultrapassado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Cabe aqui esclarecer que a atividade do contribuinte de registrar os créditos do PIS/PASEP para o período outubro de 2005, já havia sido declarada ao fisco através da DACON e não pela PER/DCOMP como dito no julgamento pela DRJ. O prazo decadencial estabelecido pelo mencionado dispositivo do CTN, passa a contar do fato gerador declarado, para os tributos sujeitos a lançamento por Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 12 11 homologação, em que a Fazenda Pública tomando conhecimento da atividade do obrigado expressamente a homologa. E não o fazendo, deixando transcorrer esse tempo, considerase tacitamente homologado. O Serviço de Fiscalização agiu em perfeita consonância com o estabelecido no art. 150 do CTN, porém, concluiu sua análise, dando ciência ao contribuinte sobre a atividade declarada, ou seja, sobre o montante de créditos acumulados do PIS/PASEP no período outubro de 2005, na data de 09/11/2010, quando já homologado tacitamente por decurso de prazo. A DRJ em seu julgamento nem leva o assunto ao texto do art. 173, I do CTN, restringindo ao fato do despacho da SEORT estar amparado no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 1996, que trata do prazo para homologação da compensação declarada pela contribuinte. Além do que, não existe lançamento de ofício para que se discuta eventual ocorrência de decadência na presente exigência. Os prazos aqui mencionados não se confundem e nem se complementam. O prazo para homologação da atividade declarada, do tributo apurado e declarado é um e o prazo de homologação da compensação requerida é outro, apesar de serem atribuídos para os dois casos o prazo de 5 (cinco) anos. Excelente comentário sobre o tema envolvendo o art. 150, § 4º do CTN, da lavra de José Oleskovicz, ExConselheiro do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, contribui e enriquece a discussão, destacandose: As disposições do § 4º do art. 150 do CTN, têm sido utilizadas para considerar que a data de início do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento iniciar seia, ao contrário do que dispõe o art. 173 do CTN, a contar da data da ocorrência do fato gerador do tributo. Esse entendimento, entretanto, não encontra respaldo legal, como se pode constatar do § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, que, literalmente, não trata de decadência, mas tãosomente de constituição e extinção do crédito tributário pela modalidade de lançamento por homologação tácita: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" "§ 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.". O prazo de 5 anos contado da data do fato gerador foi estabelecido pelo § 4º do art. 150 do CTN para delimitar o período de tempo em que a Administração Tributária deve constituir o crédito tributário, mediante homologação expressa Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 13 12 da atividade apuratória do tributo informada pelo contribuinte, mesmo na hipótese de falta, total ou parcial, de pagamento. Se nesse prazo o Fisco não homologar expressamente a referida atividade, esta se considerará tacitamente homologada e, automaticamente, efetuado o lançamento, ou seja, constituído o crédito tributário, bem como extinto este, integral ou parcialmente, na proporção do que houver sido pago antecipadamente, pois o que se homologa é a atividade, não o pagamento, conforme farta doutrina e jurisprudência. Desse ensinamento, concluise que existe uma clara distinção entre o prazo à homologação da atividade apuratória do tributo, devidamente declarada ao fisco pelo contribuinte, art. 150, § 4º do CTN e o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo, art. 173, I do CTN. No primeiro caso, transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador sem que houvesse pronunciamento pelo fisco, a atividade do contribuinte fica automática e tacitamente homologada, tornandose definitivos os valores declarados. No segundo caso, do prazo decadencial para lançamento de ofício do tributo, este se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ai considerados, inclusive, as ocorrências comprovadas de dolo, fraude ou simulação, passíveis de aplicação de multa qualificada. Evidente que a atividade tacitamente homologada não mais estaria sujeita ao lançamento, este só poderia atingir fatos não declarados. A jurisprudência assente no STJ faz referência ao fato de haver pagamento, mesmo que parcial, com relação à atividade declarada ao fisco pelo contribuinte, onde a contagem do prazo decadencial se dá na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN. O entendimento firmado pelo STJ, de haver pagamento mesmo que parcial, está relacionado ao fato de existir débito apurado e declarado, diferentemente do aqui exposto que trata da existência de saldo credor no final do período declarado. Do contrário recairíamos em um tratamento desigual para casos essencialmente idênticos. Basta compararmos dois contribuintes com atividade industrial que apuram e declaram ao fisco o tributo de um mesmo período, só que um apresentou saldo credor e outro um saldo devedor de apenas R$ 10,00 recolhendoos rigorosamente em seu vencimento. Depois de transcorridos 5 (cinco) anos o primeiro estaria sob a égide do art. 173, I do CTN e o segundo contribuinte estaria amparado pela decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Se a homologação tácita recai sobre a atividade de um determinado período de apuração declarado ao fisco e não somente se homologa o pagamento que chegou aos cofres públicos, após passados 5 (cinco) anos do fato gerador o credito fica extinto e a administração tributária está impedida de questionar os fatos que contribuíram para a atividade declarada pelo contribuinte, salvo os casos comprovados de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º do CTN). Nos casos de lançamento por homologação, que se aplica ao PIS/PASEP, em que o contribuinte tem a obrigação de fazer os registros fiscais de entrada, de saída e apurar o imposto devido por períodos determinados, declarando essa atividade ao fisco, não só preenche inicialmente o princípio constitucional da não cumulatividade do imposto, como também, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 14 13 define a data inicial de contagem do prazo para que a administração tributária a homologue, expressamente ou tacitamente, decorridos o período quinquenal do fato gerador. O dever de antecipar o pagamento, quando da existência de tributo a recolher, sem prévio exame da autoridade administrativa é inerente ao processo do lançamento por homologação. Caso contrário recairia na hipótese da homologação apenas do pagamento e não é essa a melhor exegese do art. 150, § 4º do CTN. Diante desses fatos, acolho a pedido, considerando tacitamente homologado a atividade do contribuinte para o período outubro de 2005, com base no art. 150, § 4º do CTN e por consequência reabilitado o crédito do PIS/PASEP informado na PER/DCOMP para esse período. 2 DIREITO AO CRÉDITO DO PIS/PASEP 2.1 MANUTENÇÃO PREDIAL. Sobre os valores glosados pela SEFIS – Serviço de Fiscalização no curso das verificações sobre créditos do PIS/PASEP possuem duas questões distintas relacionadas à GLOSA. Para o primeiro caso – MANUTENÇÃO PREDIAL CORRETIVA E MANUTENÇÃO PREDIAL PREVENTIVA, a interpretação do fisco está correta e, portanto, procedente a glosa praticada, caso não estivesse sujeito ao prazo de homologação como visto no tópico anterior, para o período outubro de 2005. No aspecto teórico o registro fiscal como praticado pela contribuinte, lançamento como insumo de produção os gastos com manutenção predial corretiva e preventiva, contraria as melhores formulações conceituais a respeito de insumos sujeitos à crédito do PIS/PASEP. Porém, fere o princípio da não cumulatividade do tributo, pois os gastos de manutenção do prédio do setor produtivo, com incidência do PIS/PASEP em sua origem e que participam do preço de venda, também, com incidência do PIS/PASEP, está sendo excluído. O que mais se aproximaria às justificativas da defesa seria o tratamento dado ao item máquinas, equipamentos e demais bens incorporados ao ativo imobilizado, abrangidos pelo inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, quando estiverem relacionados à produção das mercadorias vendidas ou aos serviços prestados pela pessoa jurídica, abrangidos pelo conceito de insumo, empregado pela legislação do PIS/PASEP e da COFINS. Nesse sentido apontase precedente do CARF, conforme se verifica pela ementa do acórdão nº 3202000.411, de 24/01/2012 da 2ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção, com semelhante entendimento adotado por outras turmas, de outras câmaras, também da 3ª Seção: CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. Devem ser considerados insumos todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Estender esse entendimento a manutenção predial, seja corretiva ou preventiva, com classificação de insumo imprescindível à produção, foge a melhor conceituação dada até agora a permissão de crédito do PIS/PASEP, no âmbito do CARF. Não Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 15 14 assiste razão ao sujeito passivo pelo crédito praticado sob a rubrica de manutenção predial corretiva e preventiva, para o período de novembro e dezembro de 2005. 2.2 FRETES DE TRANSFERÊNCIA Porém, contrariamente ao entendimento dado pelo fisco e pelo julgamento firmado pela DRJ em Campinas/SP, razão assiste ao sujeito passivo pelo crédito praticado a título “fretes de transferência” de peças em produção entre estabelecimentos da mesma empresa, agregados a “Serviços Utilizados como Insumos”. Os valores de fretes glosados se referem a transferência de produtos inacabados, do estabelecimento localizado em Campinas/SP para outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari/BA, que de acordo com a interpretação dada pelo fisco ao art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de fretes de transferência. Conforme detalhado pela recorrente as folhas 120 a 124, o frete de transferência referese a produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento, que nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Recorrente, assim demonstrado: A Benteler Componentes Campinas, fabrica o item 899500315AA Eixo Traseiro BV226 e o item 899500316AA Eixo Traseiro BV256, onde os componentes comprados conforme lista técnica abaixo são soldados e pintados: [...] Após esse primeiro processo, esses itens são transferidos para a Benteler Camaçari, onde o processo de Industrialização é finalizado. A partir dos Eixos recebidos de Campinas, a planta de Camaçari agrega vários outros componentes, conforme lista técnica abaixo, transformandoo em um Módulo de Suspensão o qual é Vendido para a FORD. Tecnicamente a conceituação de custo de aquisição compreende as despesas de transporte, como previsto no art. 13, § 1º. “a” do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Nesse sentido o CARF tem reconhecido o direito ao crédito no transporte de produtos não acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, consoante acórdãos nº 330100.424 – 3ª S. 1ª T.O. 3ª C.; nº 3403002.508 – 3ª S. 3ª T.O. 4ª C.; com destaque para ementa do acórdão nº 3403002.010 – 3ª S. 3ª T.O. 4ª C. data de 03/05/2013, da relatoria do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 16 15 [...]COFINS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. [...] Neste processo, não há divergência quanto ao fato de que o frete envolvido está integralmente relacionado com o transporte de produtos ainda em fase de elaboração entre estabelecimentos industriais do sujeito passivo e nem tem como descaracterizálo como custo de produção, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, inciso II da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. “In verbis”: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). 3 DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ART. 138 DO CTN A contribuinte efetuou a compensação dos débitos de IRPJ – estimativa do período de apuração novembro/2005 e CIDE do período de apuração dezembro/2005, cuja declaração foi satisfeita pela transmissão da DCTF. Para novembro através de DCTF retificadora transmitida na data de 04/04/2006, pois na DCTF original não foi declarado nenhum valor de débito apurado a título de IRPJ estimava e para dezembro a DCTF original foi transmitida na data de 07/02/2006. Dessa forma, o benefício da denúncia espontânea fica respaldado pelo art. 138 do CTN, pleiteada pela recorrente, o qual encontra ressonância com os atos normativos da RFB e a jurisprudência do CARF e STJ. O CARF em recente julgado, Acórdão nº 1301001.366 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 05/12/2013, tratou do assunto e firmou o seguinte entendimento: Assim, entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 17 16 O objetivo do art. 138 do CTN é o de estimular o contribuinte infrator a regularizar a sua situação, denunciando fatos desconhecidos por parte do Fisco, sendo certo que sua conduta – denúncia espontânea – tem por conseqüência o recolhimento de tributo devido acompanhado dos juros de mora, cujo recolhimento não fora efetuado dentro do prazo legal e que não fosse sua iniciativa, talvez nunca viesse a lhe ser exigido de ofício. Por outro lado, não configura denúncia espontânea a situação em que o contribuinte apresenta declarações que constituem o crédito tributário, tais como DCTF, DIRPF, Dcomp, etc. e em momento posterior quita o débito, mediante pagamento ou compensação. O Superior Tribunal de Justiça – STJ em Recurso Especial representativo de controvérsia tratou desse assunto e assim ementou sua decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 18 17 contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, permite ao devedor de um determinado tributo, antes do início de qualquer procedimento da fiscalização, informar voluntariamente à Administração Tributária, sendolhe assegurado a não cobrança da multa de mora, desde que acompanhado do pagamento do respectivo tributo e dos juros de mora. Confere o texto do dispositivo legal citado: Art. 138 – A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único – Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Conforme disposto na Súmula 360 do STJ, não é a situação de qualquer tributo que lhe assegura o benefício da exclusão da multa: “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do fisco. Contrariamente ao entendimento da DRJ nestes autos, a Receita Federal, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 19 18 PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconhece que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, pode configurar denúncia espontânea. Isso porque, a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Segue transcrita parte da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/12/2012, que trata do assunto: 18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes aplicase o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; Pelas razões expostas, fica afastada a incidência de multa moratória sobre os débitos compensados, até o limite do crédito compensável, em face da declaração via DCTF retificadora na data de 04/04/2006, dos débitos apurados em novembro/2005 e via DCTF original na data de 07/02/2006 dos débitos apurados em dezembro/2006, por terem sido em data posterior a Declaração de Compensação requerida (30/01/2006), prevalecendo a denuncia espontânea prevista no art. 138 do CTN que afasta a incidência da multa de mora. 4 DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRPJ ESTIMATIVA. Sobre esse ponto e da forma como transcorrido o processo desde a apresentação da DECOMP, improcedem os argumentos da recorrente, não merecendo nenhum reparo às colocações dadas pelas DRJ em Campinas/SP. Tratase de valores declarados, com data de vencimento estabelecidas em lei e sujeitos a sanções pelo inadimplemento da obrigação. Esta situação não se altera quando ao final do exercício eventual saldo negativo venha a ser apurado. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 20 19 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Apesar do excelente voto do Conselheiro Relator, ouso dele discordar em relação à tese de homologação tácita defendida com base na premissa de que a contribuinte declarou os créditos da contribuição social referente ao período de apuração em DACON e não através do PER/DCOMP conforme havia dito a turma de julgamento da DRJ. Diferentemente da DCTF e da DCOMP, o DACON não é documento hábil para a constituição de crédito tributário, logo, não se pode dizer que seja passível de homologação. Os prazos para o Fisco proceder à homologação do lançamento, ao final dos quais este se considera tacitamente homologado, estabelecidos nos arts. 150 e 173 do CTN não se aplicam ao presente caso, simplesmente, porque não houve lançamento que pudesse ser homologado e não se está diante de lançamento de ofício para constituição de crédito tributário. Vejase o O CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 21 20 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Aceitar que ocorreu homologação tácita em relação aos créditos pleiteados implicaria afastar a exigência de que o crédito deve ser líquido e certo, arts. 165 e 170 do CTN, e negar à autoridade fiscal o poder/dever de apurar a liquidez e certeza do crédito. Não há norma que diga que valores informados em DACON sejam considerados homologados após determinado prazo. Outra hipótese de homologação é a prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que também não se aplica ao caso, pois, conforme relatório do acórdão, a Administração Tributária não extrapolou o prazo de cinco anos para decidir sobre a compensação declarada. Cito esta norma: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Logo, não está presente nenhuma das hipóteses previstas em lei que ensejariam alguma homologação tácita, motivo pelo qual, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à alegação de que houve homologação tácita do crédito alegado. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000529/200616 Acórdão n.º 3801005.225 S3TE01 Fl. 22 21 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000701/2001-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 22/12/2000
EQUIPAMENTO INCOMPLETO E DESMONTADO. CLASSIFICAÇÃO. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. REGRA Nº 02.
Conforme Regra Geral nº 02 para Interpretação do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, qualquer referência a um artigo abrange esse artigo mesmo incompleto, desde que apresente as características essenciais do artigo completo. Aplica-se o mesmo critério para os artigos apresentados desmontados ou por montar.
UNIDADE FUNCIONAL. SEÇÃO XVI. NOTA 4. CLASSIFICAÇÃO. CRITÉRIO. FUNÇÃO PRINCIPAL.
Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos de forma a desempenhar conjuntamente determinada função, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha.
PARTES E PEÇAS. MÁQUINAS DESMONTADAS. APRESENTAÇÃO. QUANTIDADE EM NÚMERO SUPERIOR. REGIME PRÓPRIO.
Os elementos em número superior ao necessário para formar uma máquina completa ou incompleta com as características da máquina completa seguem o seu próprio regime de classificação fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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CLASSIFICAÇÃO. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. REGRA Nº 02. Conforme Regra Geral nº 02 para Interpretação do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, qualquer referência a um artigo abrange esse artigo mesmo incompleto, desde que apresente as características essenciais do artigo completo. Aplicase o mesmo critério para os artigos apresentados desmontados ou por montar. UNIDADE FUNCIONAL. SEÇÃO XVI. NOTA 4. CLASSIFICAÇÃO. CRITÉRIO. FUNÇÃO PRINCIPAL. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos de forma a desempenhar conjuntamente determinada função, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. PARTES E PEÇAS. MÁQUINAS DESMONTADAS. APRESENTAÇÃO. QUANTIDADE EM NÚMERO SUPERIOR. REGIME PRÓPRIO. Os elementos em número superior ao necessário para formar uma máquina completa ou incompleta com as características da máquina completa seguem o seu próprio regime de classificação fiscal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 05/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Transcrevo uma vez mais o Relatório da decisão de piso. A empresa acima qualificada submeteu a despacho de importação, através da D.I. nºs. 00/12454146, registrada em 22/12/2000, mercadorias declaradas nas adições 001 a 005 como: 001 – Outros derivs. Fluorados dos hidrocarbonetos acíclicos, descrição detalhada: GAS FM 200; 002 – Tubo de borracha vulcan, descrição detalhada: MANGUEIRA DESCARGA 600 LBS; 003 – Recipientes de ferro/aço, p/gases comprimidos/liquefeitos, descrição detalhada: CILINDRO VERTICAL FM200 600 LBS; 004 – Painéis indicad.c/disp.cristais liq/diodos emiss.luz, descrição detalhada: PAINEL SCORPIO 220 VAC; 005 – partes de apar.eletr. de sinalização acústica ou visual, descrição detalhada: FONTE ALIM. 4A. Em ato de conferência física da mercadoria importada a fiscalização solicitou assistência técnica, para a sua correta identificação. De acordo com o Laudo SAT/145/SECOF (e aditamento) a mercadoria trata se, em síntese, de 05 unidades (05 sistemas) para supressão de incêndio, que em outras palavras pode ser considerado um tipo de extintor de incêndio (de base fixa) por ser a sua utilização final apagar incêndios localizados. Segundo referido Laudo, as quantidades dos itens envolvidos não são compatíveis para a montagem final de um número exato de sistemas, ou seja, há sobra de alguns itens, comparandose com a quantidade de outros. Acrescentou ainda que este tipo de sistema funciona protegendo um recinto específico em que estiver instalado e é projetado de acordo com as dimensões do mesmo; assim sendo, ele não funciona exatamente da mesma forma que extintores de incêndio manuais, pois além dele ser automático (controlado eletronicamente), não tem portabilidade (é de base fixa), ou seja não pode ser carregado por uma pessoa para apagar incêndios em qualquer área que se faça necessário. De qualquer forma, destacou o Técnico Certificante, o Sistema pode ser classificado como extintor, pois todos têm a mesma finalidade. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/200118 Acórdão n.º 310201.508 S3C1T2 Fl. 3 3 E mais, se levar em consideração a montagem sugerida no diagrama funcional incluído no Laudo, composta por 2 cilindros com gás, poderiam ser formadas 5 unidades (5 sistemas apenas na essência), que englobariam todos os itens das adições, com exceção dos Painéis de Controle mod. Scorpio (adição 004); estes painéis foram importados em quantidade muito maior (l98). Portanto, utilizandose 5 peças para formar essas 5 unidades de Extinção de incêndio, sobram 193 painéis. Assim, em 09/02/2001 a fiscalização da Alfândega do Porto de Santos, lavrou o Auto de Infração ora impugnado, para cobrança da diferença de tributos e multa de ofício e multa do art. 526, II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030/85. Inconformado, o interessado impetrou Mandado de Segurança, requerendo a concessão da medida liminar, afim de que fosse possibilitada a Liberação das mercadorias objeto da Declaração de Importação de nº 00/12454146, fls. 120/125. A liminar foi deferida nos autos do Agravo de Instrumento de nº 2001.03.00.0076705, fls. 129/131. Ciente do Auto de Infração em 15/02/2001, fls. 01, a interessada apresentou a impugnação de fls. 54 a 67, onde alegou: a Impugnante classificou de modo segregado, em posições específicas da TEC, as peças que importou (painéis, gás, cilindros, mangueiras e fontes de alimentação), que são utilizadas na composição de Sistemas(s) de Supressão de Incêndio; até porque, na TEC não existe posição especifica para o conjunto (ainda que incompleto), ou seja, para Sistema de Supressão de Incêndio; não existe nada de errado na classificação em separado da Impugnante, uma vez que as mercadorias foram importadas em número desigual, indicando que, não necessariamente, estariam destinadas a formar Sistema(s); o aditamento ao laudo equiparou um sistema de supressão de incêndio a um extintor de incêndios, única e exclusivamente, por possuírem ambos os artefatos, a finalidade de apagar incêndio. Observese, que o Sr. Engenheiro, no aditamento ao laudo, reformulou completamente a conclusão do seu parecer técnico inicialmente proferido e motivado; foi com base no laudo e respectivo aditamento que a fiscalização reclassificou as mercadorias importadas, incluindoas (com exceção de 193 painéis modelo Scópio); a reclassificação das mercadorias efetivada pela fiscalização fundouse na Regra 2.ª do SHSistema Harmonizado. Ocorre que a regra não encontra aplicação no presente caso; a regra que serviu como fundamento para que a fiscalização reclassificasse a mercadoria importada pela Impugnante, exige que o artigo importado, ainda que incompleto, como é o caso do Sistema de Supressão de Incêndio, apresente as características essenciais daquele artigo ao qual se refere a posição da TEC em que o mesmo seria classificado, no caso, o Extintor de Incêndio, e não exige, ao contrário do que pretende fazer crer o auto de infração, que a finalidade do artigo classificado seja a mesma daquele a que se refere a posição da TEC; um Sistema de Supressão de Incêndio, completo ou incompleto, não apresenta qualquer característica do artigo “extintor de incêndio”, muito menos as Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 suas características essenciais, como aliás constata o próprio técnico que embasa o auto de infração; as características essenciais de um extintor de incêndio pode ser extraída de norma originária de órgão do poder público competente para tanto, sendo este, precisamente, o caso da Portaria nº 237, de 03 de outubro de 2000, do Instituto Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO; referida norma define o extintor de incêndio, em seu item nº 6.6, descrevendoo nos seguintes termos: “6.6 Extintor de Incêndio –Equipamento de acionamento manual, portátil ou sobre rodas, constituído de recipiente e componentes, contendo agente extintor destinado a combater princípios de incêndio”; o exame, ainda que apenas visual, da mercadoria objeto da reclassificação permite notar que a mesma não se enquadra na definição supra descrita, eis que não se trata de equipamento de acionamento manual, nem portátil e sequer sobre rodas, de modo que não apresenta quaisquer características essenciais de um extintor de incêndio, tal como tecnicamente definido pelo órgão competente; afora essa constatação, o que por si só evidencia o equívoco que incorreu a fiscalização aduaneira, cumpre apontar o “erro” na transcrição (eis que o texto se encontra entre aspas) constante às fls. 08 do auto de infração em questão. Tal “erro” implica em alteração do sentido daquilo que foi atestado no aditamento ao laudo do Engenheiro Técnico Certificante, alteração esta que favorece a opinião da fiscalização ao suposto erro de classificação adotada pela Impugnante, conforme se pode averiguar da leitura de ambos os trechos reproduzidos mais abaixo; o “erro” em foco apenas foi por ela notado em razão da inexistência de lógica no texto que o fiscal fez constar no auto de infração, sob a máscara de uma singela transcrição daquilo que o Sr. Engenheiro Técnico Certificante asseverou em seu aditamento ao laudo. O aditamento, exclusivamente, não leva à conclusão de que a classificação da Impugnante estaria incorreta, mas apenas e tão somente, que o Sistema de Supressão de Incêndio, poderia ser classificado como extintor de incêndio, “pois todos têm a mesma finalidade”; existem as posições específicas para cada um os artigos importados pela impugnante e, nos termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, em especial da Regra 3 e3.a, é a posição mais específica aquela que deve ser adotada; finalmente, protesta pela apresentação de todas as provas em direito admissíveis, especialmente, pela oportuna realização de prova pericial para a definição da mercadoria importada, com a qual se poderá confirmar a inconsistência da acusação fiscal. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 22/12/2000 Ementa: Sistema de Supressão de Incêndio desmontado. As peças e partes de um Sistema de Supressão de Incêndio, ainda que desmontado, devem classificarse como Extintor de Incêndio, no código 8424.10.00, com fundamento nas Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado e na identificação técnica efetuada, sendo cabíveis as multas de ofício aplicadas em virtude de haver ocorrido declaração inexata das mercadorias. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/200118 Acórdão n.º 310201.508 S3C1T2 Fl. 4 5 No Recurso Voluntário apresentado a este Terceiro Conselho de Contribuintes, o contribuinte reafirma entendimento de que as mercadorias importadas estavam corretamente classificadas no código NCM originalmente escolhido, sustentando sua conclusão nas mesmas razões esposadas em sede de impugnação. Considerandose necessários maiores esclarecimentos acerca do assunto objeto da lide, o processo foi baixado em diligência, retornando, agora, para decisão final de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Por bem esclarecer o objeto da lide e, ainda mais, versar sobre relevantes questões de mérito sobre as quais este Colegiado deverá se pronunciar e decidir, pertinente que se reproduzam algumas das considerações aduzidas no voto proferido no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que determinou a conversão do julgamento em diligência. De plano, é preciso deixar claro que não se admite a sugestão contida na defesa apresentada, no sentido de que "a referida Regra 2.a. também não poderia ser utilizada para a classificação dos produtos na mesma posição aplicável ao Sistema de Supressão de Incêndio como um todo, pelo simples motivo de não existir essa posição na Tarifa Externa Comum". É da essência do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias a possibilidade de que toda e qualquer mercadoria possa encontrar em suas individualizações o correto enquadramento tarifário. Não sendo possível obterse a perfeita correspondência entre o bem importado e o texto da NCM, haverá sempre uma subposição genérica, destinada à classificação de "outras" mercadorias enquadradas naquela posição. Assim, embora o objeto da lide diga respeito à classificação fiscal escolhida pela fiscalização e não à adotada pelo contribuinte, não há a menor possibilidade de que a mercadorias sejam classificadas parteaparte como pretende o contribuinte. Uma vez identificado que tratase de um produto desmontado, como é o caso, o trabalho recai na escolha da correta classificação fiscal do todo, independentemente de suas partes poderem ser classificadas individualmente em posições mais especificas. O contribuinte protesta contra o fato de o auto de infração terse baseado em laudo técnico que, inicialmente, "concluía claramente que a mercadoria importada, denominada "Sistema de Supressão de Incêndio", consiste em várias partes (painéis, cilindros, mangueiras, fonte de alimentação e gás) enquadrouse nas descrições e classificações feitas na Declaração de Importação". E mais, que "a mercadoria (o cilindro) não é extintor de incêndio, sendo melhor caracterizado como recipiente armazenador de gás ('agem conteiner)" e que "a mercadoria não possui as Fl. 349DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 características de um extintor de incêndio" assim como, que "as quantidades dos itens envolvidos não são compatíveis para a montagem final de um número exato de sistemas". No que concerne às quantidades importadas, fica claro no processo, que apenas os Painéis de Controle modelo Scorpio foram importados em quantidade muito superior, no mais, conforme consta no aditamento do laudo técnico solicitado pela fiscalização, "se levarmos em consideração a montagem sugerida no diagrama funcional incluído no Laudo, composta por 2 cilindros com gás, poderiam ser formadas 5 unidades (5 Sistemas apenas na essência), que englobariam todos os itens das adições...". De resto, embora os argumentos tenham respaldo na realidade fática, já que o laudo originalmente apresentado pelo engenheiro designado continha, de fato, tais afirmações, eles, na verdade, não exercem qualquer influência no que diz respeito à determinação da correta classificação fiscal da mercadoria. É que as manifestações originais do perito não estavam suficientemente preocupadas com a classificação do produto examinado. Do ponto de vista merceológico, o perito identificou um produto que não se confunde com um extintor de incêndio tal qual ele é conhecido e mesmo definido pelo órgão responsável pela certificação de segurança de mercadorias no pais Instituto Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial — INMETRO, pois a mercadoria importada não é de acionamento manual, portátil e nem está sobre rodas, como é exigido. Diligente, a fiscalização atentou para a possibilidade de que tais assertivas pudessem estar conduzindo a uma decisão equivocada, já que, para efeito de classificação fiscal de mercadorias, o essencial é que se observem as especificações contidas nas posições tarifárias e nas notas de sessão e de capitulo. Se lá estiver definido que objetos de fixação de para construção civil, de dimensões absolutamente incomuns, especialmente produzidos para aquele fim, classificamse como parafusos e não como parte do todo (como poderia ser o caso), assim deve ser feito, por mais que isso possa parecer estranho ao senso comum ou que pudesse ser desconsiderado em uma análise técnica da mercadoria. Desta forma, embora os equipamentos importados não se enquadrem nas especificações do INMETRO e nem no conceito genericamente aceito para extintores de incêndio, o que é preciso saber é como as especificações da Nomenclatura tratam esse tipo de mercadoria. Com vistas à melhor instrução processual, o contribuinte carreou aos autos novo laudo técnico elaborado pelo Engenheiro Civil Mauricio Feres, CREASP: 0600960351, membro da Comissão de Estudos de Extintores de Incêndio da ABNT/CB24, Coordenador da Comissão de Estudo de Mangueira de incêndio da ABNT/CB24, Coordenador da Comissão de Estudo de Liquido gerador de espuma (LGE) p/ extinção de incêndio — ABNT/CB24, Secretário da Comissão de Estudo de Sistema de Hidrantes e mangotinhos para combate a incêndio da ABNT/CB24 e membro do Comitê Técnico de Certificação CTC01/ABNT. Segundo consta do documento, sua elaboração teve por objetivo "determinar se um sistema de supressão de incêndio deve (ou não deve) ser considerado um tipo de extintor de incêndio". O novo laudo referese aos termos utilizados no laudo pericial que serviu de base para a autuação. Afirma que a expressão naquele contida de que o equipamento importado pode ser considerado um extintor, "segundo o documento ABNT — Parte 3 — 1995", Tabela C.9 mostrada na figura ao lado, a forma verbal "pode" indica uma possibilidade de", devido a existência de alternativas ou elemento de incerteza". Fl. 350DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/200118 Acórdão n.º 310201.508 S3C1T2 Fl. 5 7 Afirma também que "conforme NBR 13860:97 Glossário de termos relacionados com a segurança contra incêndio, em definições Item 2.142 Extintor de incêndio: Aparelho de acionamento manual normalizado, portátil ou sobre rodas destinado a combater princípios de incêndio". Assim, quando o incêndio desenvolvese e deixa de ser um principio de incêndio, passa ser necessário um sistema de supressão e não mais um extintor de incêndio. As Notas Explicativas para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias são bastante econômicas na definição das mercadorias que devem ser enquadradas no código indicado pela fiscalização. Estes artefatos apresentamse na forma de blocos mecânicos homogéneos, carregados ou não, e utilizam produtos químicos em espuma ou em outras formas. Incluemse nesta posição os extintores simples com torneiras, percutores, válvulas, etc. Excluemse desta posição: a) As bombas e granadas extintoras, bem como as cargas de substituição para extintores (posição 38.13). b) As bombas de combate a incêndios, do tipo automóveis ou não, mesmo providas de reservatórios (posições 87.05 ou 84.13, conforme o caso). Não restam dúvidas de que o equipamento importado pelo contribuinte não pode ser classificado no capítulo 87, destinado aos veículos. Na posição 8413 classificamse as bombas para líquidos, mesmo com dispositivo medidor; elevadores de líquidos. A NESH traz a seguinte especificação para a posição. Esta posição compreende as máquinas e aparelhos – acionados manualmente ou por uma força motriz qualquer próprios para elevar ou movimentar líquidos (incluídos metal fundido e concreto (betão) liquido), viscosos ou não. Classificamse também nesta posição as máquinas e aparelhos deste gênero com motor incorporado, (motobombas, turbobombas, eletrobombas). Incluemse ainda nesta posição as bombas distribuidoras de líquidos que incorporem dispositivo medidor e contador, com ou sem determinação do preço de venda, tais como as bombas dos tipos utilizados para distribuição de gasolina ou óleo nos postos. O mesmo se aplica às bombas especialmente concebidas para serem incorporadas a uma máquina, a um veiculo, etc., tais como as bombas de água, de óleo ou de gasolina para motores de ignição por centelha (faisca) ou por compressão e as bombas para máquinas de fabricar fios sintéticos e artificiais. Pareceme que a importação diz respeito a um equipamento completo, destinado à supressão de incêndios e não a uma "bomba provida de reservatório". Tudo isso remete à conclusão de que a posição correta para classificação fiscal do produto é de fato a 8424, embora a mesma clareza não esteja presente quando precisamos decidir sobre a subposição que deve ser escolhida. Tenho que o conceito designado por blocos mecânicos homogêneos está por afastar o equipamento importado da definição contida na NESH para extintores de incêndio, independentemente de como ele possa ser considerado em outras elaborações de cunho técnicocientifico. Contudo, não encontro nos autos e na legislação aplicável elementos de convicção suficientes para decidir com segurança quanto à correta classificação fiscal do produto. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Por considerar que o texto das posições e subposições correspondentes, assim como das Notas Explicativas não eram claros em relação aos conceitos neles veiculados, foi solicitado à COANA – Coordenação Geral de Administração Aduaneira que se manifestasse sobre as questões suscitadas na continuação do voto acima transcrito. Entendendo “não haver previsão legal para qualquer manifestação da administração aduaneira” e que “uma eventual opinião oficial de um órgão central como a Coana seria ilegítima, podendo inclusive ser entendida como uma quebra do principio do equilíbrio processual”, a Coordenação devolveu o processo a este Colegiado, sem exame de mérito. A esse respeito, de se dizer que em nenhum momento intentouse obter da Coordenação uma opinião sobre a correta classificação fiscal das mercadorias, assunto que, no presente processo, cabe exclusivamente a este Colegiado abordar. Em verdade, o processo foi remetido em caráter excepcional à Coordenação com vistas à elucidação de questões relacionadas à correta interpretação da terminologia empregada no texto da Nomenclatura. A despeito disso, cabe a cada Unidade Administrativa decidir sobre como deve se pronunciar quando instada a fazêlo. Uma vez que a Coordenação entendeu por bem não manifestarse a respeito do assunto, o processo deve, agora, seguir o seu rito normal, adotandose a decisão que lhe é apropriada. Entendo que, dada a complexidade do tema, muitos aspectos precisam ser considerados e interpretados. Conforme Laudo Pericial, o equipamento importado, denominado Kidde FM 200, embora não se apresentasse completo, é constituído de: (i) sensores que enviam sinal à unidade de controle, (ii) unidade de controle micro processada, que liga e desliga o Sistema, soa alarmes e comanda a descarga do gás, (iii) mangueiras de borracha, (iv) cilindros verticais de aço, pintado de vermelho, com válvula de latão e manômetro, para armazenamento do Gás FM200; (v) Gás FM200 e (vi) fonte de alimentação. Alguns dos argumentos trazidos pela defesa já foram examinados e rejeitados, tal como consta no voto que converteu o julgamento anterior em diligência, acima reproduzido. A discussão remanescente, está centrada na escolha do correto enquadramento tarifário de mercadoria que, embora tenha a função principal de eliminar focos de incêndio, parece identificarse melhor como um sistema de supressão de incêndio, como é de fato chamada, do que como um extintor de incêndio, na acepção normal do termo. A fiscalização enquadrou a mercadorias no código 8424.10.00. Reproduzo a seguir o texto da Posição como um todo. 84.24 Aparelhos mecânicos (mesmo manuais) para projetar, dispersar ou pulverizar líquidos ou pós; extintores, mesmo carregados; pistolas aerográficas e aparelhos semelhantes; máquinas e aparelhos de jato de areia, de jato de vapor e aparelhos de jato semelhantes (+). 8424.10 Extintores, mesmo carregados 8424.20 Pistolas aerográficas e aparelhos semelhantes 8424.30 Máquinas e aparelhos de jato de areia, de jato de vapor e aparelhos de jato semelhantes 8424.8 Outros aparelhos: 8424.81 Para agricultura ou horticultura 8424.89 Outros Fl. 352DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/200118 Acórdão n.º 310201.508 S3C1T2 Fl. 6 9 8424.90 Partes O Dicionário Houaiss traz a seguinte definição para a palavra extintor. que ou o que extingue 1.1 dizse de ou qualquer dispositivo portátil de combate ao fogo, us. para lançar jatos de uma substância inibidora na base das chamas (p.ex., água, dióxido de carbono, espuma química, certos gases) Extintor, portanto, tomado numa acepção mais genérica do termo, é aquilo que extingue, conceito no qual, poderseia inserir o equipamento importado. Contudo, extinto de incêndio, especificamente, parece designar um dispositivo portátil de combate ao fogo, conceito no qual, incontroversamente, a mercadoria não está compreendida. O próprio Laudo cuida de excluílo desse conceito. Assim define. O extintor de incêndio convencional requer portabilidade, enquanto que o cilindro carregado com a quantidade de gás FM200 projetada pesa em tomo de 390 Kg. Essa é a primeira constatação que deve ser feita. A mercadoria importada é constituída por diversas componentes, dentre os quais cilindros de aço pintados de vermelho que armazenam a substância inibidora de chamas. Embora esses cilindros tenham aparência muito próxima a de um extintor de incêndio, não podem ser assim considerados quando levase em conta o senso comum. Ainda mais, foram projetados para funcionar em conjunto com outras partes que integram o todo e junto a ele operam o Sistema, do que se depreende tratarse de uma unidade funcional, cujas regras de classificação encontramse definidas pela Nota 4 da Seção XVI. Transcrevo a seguir a Nota e as NESH correspondentes. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Aplicase esta Nota quando uma máquina ou uma combinação de máquinas são constituídas por elementos distintos concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada incluída em uma das posições do Capítulo 84 ou, mais freqüentemente, do Capítulo 85. O fato de que, por razões de comodidade, por exemplo, estes elementos estejam separados ou interligados por condutos (de ar, de gás comprimido, de óleo, etc.), dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos, não se opõe à classificação do conjunto na posição correspondente à função que este executa. Na acepção da presente Nota, a expressão “concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada” abrange somente as máquinas e combinações de máquinas necessárias para realização da função própria ao conjunto, que forma uma unidade funcional, excetuandose as máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 Resolvido isso, requer, agora, seja identificada a função bem determinada que a unidade desempenha, para que, após, seja encontrada o código tarifário correspondente. Quanto a isso, devese acrescentar que não me parece que a melhor definição do Sistema deva considerálo como propriamente destinado a extinguir o fogo em casos de incêndios. Em lugar disso, vejo duas funções precípuas, quais sejam, (i) detectar o aquecimento do local acima de determinado nível de temperatura e, (ii) inibir o desenvolvimento das chamas antes mesmo que elas tomem a proporção de um incêndio. Assim, o que se deseja saber é qual a classificação tarifária correta para uma unidade funcional destinada à identificação de focos de incêndio e acionamento automático de dispositivo emissor de gases de combate a incêndio. Liminarmente, é de ser observado que nem todos os produtos destinados ou à extinção de incêndio ou ao seu controle estão classificados na Posição 84.24, se não vejamos. Capítulo 87: os veículosbombas, nos quais a bomba é geralmente acionada pelo motor do veículo, como por exemplo os veículos de combate a incêndios. Capítulo 38: as granadas e bombas, extintoras. Recipientes carregados com produtos extintores que se utilizam diretamente, sem necessidade de serem incorporados nos aparelhos extintores. Tratase de recipientes de vidro ou de louça que se quebram quando lançados sobre as chamas, libertando o conteúdo, ou ainda de ampolas de vidro de que basta partir uma das extremidades entre os dedos para fazer jorrar o produto extintor. Posição 84.13: as bombas de combate a incêndios Noutro vértice, também se deve levar em consideração que não somente os extintores de incêndio propriamente ditos classificamse na Posição 84.24. As NESH, da Posição 84.81, ao definir certos produtos para incêndio que devem ser classificados na Posição, esclarece que as cabeças e rampas contra incêndio classificamse na Posição 84.24. 11) As bocas e tomadas de água, para incêndio, respectivas torneiras, agulhetas de incêndio ou para rega, providas de um dispositivo regulador do jato. As cabeças e rampas, mecânicas, contra incêndios e os aparelhos mecânicos para rega de jardins, classificamse na posição 84.24. Ainda mais. Inclusive no Capítulo 85 é possível encontraremse equipamentos com função relacionada à prevenção de incêndios. 85.31 Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes, quadros indicadores, aparelhos de alarme para proteção contra roubo ou incêndio), exceto os das posições 85.12 ou 85.30. F) Os aparelhos de alarme para proteção contra incêndio. Os aparelhos automáticos desta espécie possuem também um órgão detector e um órgão sinalizador (campainha, cigarra, visualizador etc.). Existem também vários tipos de aparelhos desta espécie, tais como: 1) Os aparelhos de substância fusível (cera, liga especial, etc); quando a temperatura é superior ao ponto de fusão da substância, ela se funde e libera contatos elétricos, que fecham o circuito e acionam o dispositivo de alarme. 2) Os aparelhos de dilatação, nos quais a dilatação de um corpo apropriado (lâmina bimetálica, líquido, gás, etc.) põe em funcionamento o avisador. Em alguns Fl. 354DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/200118 Acórdão n.º 310201.508 S3C1T2 Fl. 7 11 destes aparelhos, o efeito da dilatação age sobre um pistão; uma válvula manométrica insensível a dilatações lentas pode ser montada no cilindro de modo que o avisador só funcione sob efeito de dilatações bruscas que resultem de elevações súbitas da temperatura. 3) Os aparelhos cujo funcionamento se baseia na variação de resistência elétrica provocada, em certos corpos, pela elevação da temperatura. 4) Os aparelhos de célula fotoelétrica, nos quais o sinalizador põese em funcionamento quando a fumaça (fumo*) obscurece, em uma medida previamente determinada, um feixe luminoso concentrado sobre a célula. Os aparelhos desta espécie providos de um indicador graduado ou de um registrador são classificados no Capítulo 90. Além dos aparelhos automáticos que ao mesmo tempo detectam o incêndio e dão o alerta, são incluídos também neste grupo alarmes não automáticos, tais como os que são colocados em vias públicas para alerta dos bombeiros. A conclusão possível até aqui, é que a mercadoria importada, um Sistema de Supressão de Incêndio, unidade funcional com a função detectar a presença de fogo e inibir a ocorrência de incêndio pode ou não estar classificada na Posição 84.24, devendose admitir, inclusive, sua classificação no Capítulo 85. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias, assim definem o alcance do Capítulo 84. De forma geral, este Capítulo abrange as máquinas e aparelhos mecânicos. Todavia, não abrange todas as máquinas e todos os aparelhos desta espécie, alguns são indicados nominalmente no Capítulo 85, especialmente os aparelhos eletromecânicos de uso doméstico, etc. Por outro lado, além dos aparelhos mecânicos propriamente ditos, o presente Capítulo compreende certos aparelhos e instrumentos não mecânicos, tais como as caldeiras e seus aparelhos auxiliares, os aparelhos para filtrar, etc. Regra geral, os aparelhos elétricos incluemse no Capítulo 85. Todavia, as máquinas e aparelhos da espécie dos incluídos no presente Capítulo continuam nele compreendidos, mesmo que sejam elétricos, principalmente se se tratar: 1) De máquinas ou aparelhos que utilizem a eletricidade como força motriz. 2) De máquinas ou aparelhos aquecidos eletricamente, tais como as caldeiras elétricas para aquecimento central, da posição 84.03, os aparelhos da posição 84.19, as calandras, as cubas de lavagem, de branqueamento ou semelhantes, utilizadas na indústria têxtil, as prensas etc., equipados de dispositivos elétricos de aquecimento. 3) De máquinas ou aparelhos de funcionamento eletromagnético (válvulas eletromagnéticas, por exemplo) ou, a fortiori, comportando simples dispositivos eletromagnéticos, tais como os guindastes providos de eletroímãs, os tornos com mandris eletromagnéticos, os teares para tecidos com quebratramas ou quebra urdiduras eletromagnéticos, etc. 4) De máquinas ou aparelhos de funcionamento eletrônico (máquinas de calcular e máquinas de processamento de dados, por exemplo) ou comportando simples dispositivos, fotoelétricos ou eletrônicos, tais como os laminadores providos de dispositivos de controle com célula fotoelétrica, as máquinasferramentas providas de dispositivos eletrônicos de controle. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 12 E no que diz respeito à estrutura do Capítulo 84. B. ESTRUTURA DO CAPÍTULO (...) 2) As posições 84.02 a 84.24 agrupam outras máquinas e aparelhos que nelas se classificam principalmente em razão da sua função. 3) As posições 84.25 a 84.78 agrupam máquinas e aparelhos que nelas se classificam principalmente em razão da indústria ou do setor de atividade que os utiliza. Duas novas considerações devem ser anotadas. A primeira, é que as mercadorias preferencialmente classificadas no Capítulo 84 são aquelas identificadas como máquinas e aparelhos mecânicos; contudo, as de funcionamento eletrônico, (...) ou comportando simples dispositivos, fotoelétricos ou eletrônicos, tais como os laminadores providos de dispositivos de controle com célula fotoelétrica, devem permanecer no Capítulo 84. Relevante aqui, trazer também a consideração a informação contida na Nota 5 “e” do Capítulo 84. E) As máquinas que exerçam uma função própria que não seja o processamento de dados, que incorporem uma máquina automática para processamento de dados ou que trabalhem em ligação com ela, classificamse na posição correspondente à sua função, ou caso não exista, em uma posição residual. Ou seja, o fato de a unidade funcional conter dispositivos eletrônicos de detecção de fumaça ou de temperatura e funcionar com base em unidade de micro processamento eletrônico, não constitui razão para retirála do Capítulo. A segunda, diz respeito à orientação de que até a Posição 84.24, as mercadorias devem ser classificadas segundo a função que exercem, não devendo ser levado em consideração, a indústria ou setor de atividade que os utiliza. Disso decorre que, uma vez identificada a função da mercadoria, menos relevante o local onde, e, até certo ponto, a forma como vai ser empregada, pois o que importa saber é, com se disse, a função que exerce. Bom exemplo disso e, segundo me parece, com grande efeito sobre a decisão da presente lide, encontrase nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, no texto que descreve um relação de unidades funcionais que devem ser classificadas com base na Nota 4 da Seção XVI. Constituem, por exemplo, unidades funcionais deste gênero, na acepção desta Nota: (...) 2) O material, máquinas e aparelhos para a produção de frio cujos elementos não formem um único corpo e estejam interligados entre si por tubos, nos quais circule fluido refrigerante (posição 84.18). A seguir, o texto da Posição 84.18 e algumas das NESH correspondentes. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/200118 Acórdão n.º 310201.508 S3C1T2 Fl. 8 13 84.18 Refrigeradores, congeladores (“freezers”) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15. 8418.10 Combinações de refrigeradores e congeladores (“freezers”), munidos de portas exteriores separadas 8418.2 Refrigeradores do tipo doméstico: 8418.21 De compressão 8418.29 Outros 8418.30 Congeladores (“freezers”) horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros 8418.40 Congeladores (“freezers”) verticais tipo armário, de capacidade não superior a 900 litros 8418.50 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio (...) 3) Instalações frigoríficas de grandes dimensões, constituídas por elementos não montados em uma base comum nem agrupados num único corpo, porém concebidos para funcionarem juntos, seja por expansão direta (os elementos que utilizam o frio incorporam, neste caso, um evaporador), seja mediante um fluido refrigerante secundário (“salmoura”), que é arrefecido por um grupo frigorífico e circula nos tubos instalados entre este último e os elementos utilizadores (expansão indireta). Estas instalações são especialmente usadas para equipar armazéns frigoríficos ou para fins industriais: fabricação de gelo, congelação rápida de produtos alimentícios, arrefecimento de pastas de chocolate, desparafinagem de petróleos, indústrias químicas, etc. Os dispositivos auxiliares indispensáveis para a utilização do frio em tais instalações classificamse nesta posição desde que apresentados juntamente com os outros elementos destas instalações: seria, por exemplo, o caso das câmaras de prateleiras encaixáveis e dos túneis para congelação rápida, das mesas refrigerantes para confeitaria ou indústrias de chocolate. Incluemse também na presente posição os materiais para produção de frio que funcionam por vaporização de gás liquefeito num espaço fechado e constituídos, geralmente, por um ou mais recipientes para gases liquefeitos, um termostato, uma válvula eletromagnética, uma caixa de controle e interruptores elétricos e um tubo perfurado de vaporização. Para serem incluídos aqui, estes diferentes elementos devem ser apresentados conjuntamente. Como se vê, embora a posição descreva refrigeradores, freezers e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, do que poderia se extrair a idéia de que tratese de classificação destinada a equipamentos de uso doméstico, ao contrário, em consonância com o disposto nas Notas do Capítulo 84, admite também uma Unidade Funcional de grandes proporções usadas em armazéns frigoríficos ou fins industriais, como fabricação de gelo, congelação rápida de produtos alimentícios, arrefecimento de pastas de chocolate, desparafinagem de petróleos, indústrias químicas. A conclusão insofismável é a de que o equipamento importado, digo mais uma vez, uma Unidade Funcional para Supressão de Incêndio, com a função detectar o risco de Fl. 357DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 14 incêndio e inibir automaticamente sua ocorrência deve classificarse, em face da função que exerce, qual seja, a de ação mecânica e química de eliminação do foco de risco na Posição que compreende equipamentos deste tipo, ainda que sua descrição contida no texto correspondente sugira um equipamento um tanto diferente. Essa posição é a 84.24. Com relação à subposição, item e subitem, não vejo como enquadrar a mercadoria na 84.24.10.00 como deseja a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O exemplo da Posição 84.18 é também muito útil para que se entenda que, uma vez que a mercadoria seja enquadrada em determinada Posição, deve encontrar descrição própria em seus desdobramentos, como, no caso, 8418.10 para combinações de refrigeradores e freezers, 8418.20 para refrigeradores do tipo doméstico, 8418.30 para freezers horizontais e assim por diante. Como se disse, a Unidade Funcional não é um extintor de incêndio propriamente dito. Assim, na ausência de sua perfeita identificação nos desdobramentos subseqüentes, deve classificarse no Código 8424.89.00. A Solução de consulta nº 5/97, da Superintendência da Secretaria da Receita Federal da 9ª Região Fiscal corrobora esse entendimento. Decisão SRRF 9ª RF nº 5/97 (Nº original do Ato: 9E97A005) Publicada no DOU de 23/06/97 8424.89.00 Sistema de prevenção e extinção de incêndio por esguichos de água, dotado de detectores de faíscas e de fogo, reservatório de água, bomba de compressão, alarmes acústicos e visuais etc., conectados por fios e cabos elétricos e condutos metálicos, formando uma unidade funcional Finalmente, os painéis importadas em quantidade muito superior à quantidade de unidades funcionais identificadas pelo Fisco seguem regime próprio de classificação, mais uma vez conforme as NESH. Por razões tais como necessidade ou comodidade de transporte, as máquinas, às vezes, apresentamse desmontadas. Embora se trate, de fato, de partes separadas, o conjunto é classificado como máquina ou aparelho e não, quando a posição existe, na posição relativa às partes. Esta regra é válida mesmo quando o conjunto corresponde a uma máquina incompleta com características da máquina completa, na acepção da parte IV acima descrita (ver igualmente as Considerações Gerais dos Capítulos 84 e 85). Por outro lado os elementos em número superior ao necessário para formar uma máquina completa ou incompleta com as características da máquina completa, seguem o seu próprio regime. Uma vez que esteja equivocada a classificação determinada pela Fiscalização Federal, não subsiste a exigência de tributos nem de multas. Tratase de uma conseqüência amplamente aceita e adotada pelos Tribunais Administrativos. Como entendo, decorre da impossibilidade de que o julgamento determine novo procedimento de aplicação da legislação de tributária ao caso concreto e de formação de convicção quanto à aplicação das multas cabíveis, situação da qual resultaria exigência em valor incerto e sob fundamento não conhecido. Nestes termos, VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 24 de maio de 2012. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000701/200118 Acórdão n.º 310201.508 S3C1T2 Fl. 9 15 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10166.721589/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
ARTIGO 173, II, DO CTN. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA NOVO EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. VICIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL PARA NOVO LANÇAMENTO.
A Fazenda Pública readquiriu o direito de constituir o crédito tributário, dentro do prazo de cinco anos, contados a partir da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou os lançamentos efetuados anteriormente. Os novos lançamentos, por sua vez, devem ser restritos às matérias e provas contidas na acusação original.
CONDUTA DOLOSA POR ATOS REITERADOS E POR LONGO PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE NÃO COMPROVAM A EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS OU MESMO PAGAMENTOS A SERVIÇOS NÃO PRESTADOS.
Comprovada a reiterada conduta em incorrer em custos ou despesas sem comprovação hábil ou idônea, por todo o período fiscalizado, tem-se caracterizada uma série de atos ordenados com objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.
DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173 INCISO I DO CTN.
Caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, aplica-se o prazo previsto no inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150, do CTN.
DOLO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
O art. 44 da Lei nº 9.430, de1996 prevê, para as situações em que reste demonstrada a conduta dolosa, a aplicação de multa de ofício, para o percentual de 150%.
DOCUMENTOS FISCAIS. INIDONEIDADE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO.
A inidoneidade de documentos fiscais não tem origem exclusivamente da declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Constatando-se a ocorrência de situações no qual as empresas supostamente prestadoras de serviços inexistem de fato ou que os serviços não foram prestados, a documentação fiscal apresentada mostra-se tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão da emissora em ato oficial.
ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PROVA DA INVERACIDADE DOS FATOS REGISTRADOS.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Por sua vez, deixa a escrituração de fazer prova ao contribuinte quando a autoridade administrativa constata a ocorrência de ilícitos, e demonstra com provas contundentes que a escrituração não traduz os fatos efetivamente ocorridos e não se encontra lastreada por documentação probatória pertinente.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO.
Aplica-se à CSLL a glosa das despesas ou custos deduzidos tendo em vista a falta de documentação para suportar o registro contábil desses.
DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. IRRF DE 35%.
Constatado que não houve causa para o pagamento comprovadamente feito, que não há efetiva comprovação do serviços, a responsabilidade do imposto de renda retida na fonte recai sobre a fonte pagadora.
Numero da decisão: 1202-001.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa às exigências do IRPJ, CSLL e multa isolada em razão da ocorrência de parcelamento; quanto à exigência do IRRF, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento integral ao recurso; por maioria de votos, em afastar a apreciação ex officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente essa matéria.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente da Segunda Câmara
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Redator ad hoc.
EDITADO EM: 09/09/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta (Relatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando:
(I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF;
(II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181);
(III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e
(IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA NOVO EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. VICIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL PARA NOVO LANÇAMENTO. A Fazenda Pública readquiriu o direito de constituir o crédito tributário, dentro do prazo de cinco anos, contados a partir da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou os lançamentos efetuados anteriormente. Os novos lançamentos, por sua vez, devem ser restritos às matérias e provas contidas na acusação original. CONDUTA DOLOSA POR ATOS REITERADOS E POR LONGO PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE NÃO COMPROVAM A EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS OU MESMO PAGAMENTOS A SERVIÇOS NÃO PRESTADOS. Comprovada a reiterada conduta em incorrer em custos ou despesas sem comprovação hábil ou idônea, por todo o período fiscalizado, temse caracterizada uma série de atos ordenados com objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173 INCISO I DO CTN. Caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, aplicase o prazo previsto no inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150, do CTN. DOLO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 89 /2 01 0- 24 Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 O art. 44 da Lei nº 9.430, de1996 prevê, para as situações em que reste demonstrada a conduta dolosa, a aplicação de multa de ofício, para o percentual de 150%. DOCUMENTOS FISCAIS. INIDONEIDADE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO. A inidoneidade de documentos fiscais não tem origem exclusivamente da declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Constatandose a ocorrência de situações no qual as empresas supostamente prestadoras de serviços inexistem de fato ou que os serviços não foram prestados, a documentação fiscal apresentada mostrase tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão da emissora em ato oficial. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PROVA DA INVERACIDADE DOS FATOS REGISTRADOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Por sua vez, deixa a escrituração de fazer prova ao contribuinte quando a autoridade administrativa constata a ocorrência de ilícitos, e demonstra com provas contundentes que a escrituração não traduz os fatos efetivamente ocorridos e não se encontra lastreada por documentação probatória pertinente. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplicase à CSLL a glosa das despesas ou custos deduzidos tendo em vista a falta de documentação para suportar o registro contábil desses. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. IRRF DE 35%. Constatado que não houve causa para o pagamento comprovadamente feito, que não há efetiva comprovação do serviços, a responsabilidade do imposto de renda retida na fonte recai sobre a fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa às exigências do IRPJ, CSLL e multa isolada em razão da ocorrência de parcelamento; quanto à exigência do IRRF, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento integral ao recurso; por maioria de votos, em afastar a apreciação ex officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente essa matéria. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente da Segunda Câmara Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 3 3 (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Redator ad hoc. EDITADO EM: 09/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta (Relatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando: (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181); (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015. Relatório Segundo a relatora: "POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMACAO S/A (CNPJ 01.645.738/000179) teve contra si lavrados os autos de infração em 20 de julho de 2010, referentes aos anoscalendários de 2001 a 2004, conforme a seguir: IRPJ (fl. 2058/2074) – Valor total: R$ 13.577.101,92. Enquadramento legal: artigo 82 e parágrafo único, da Lei nº 9.430/96; artigos 217, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 256, 289 e 290, inciso I, do RIR/99. Enquadramento da multa: artigos 222 e 843 do RIR/99 com combinado com o artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07 com combinado com o artigo106, inciso III, aliena “c” do CTN. Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 CSLL (fl.2075/2092) Valor total: R$5.028.437,42. Enquadramento legal: artigo 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 19 da Lei nº 9.249/95; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; artigo 273 do RIR/99; artigo 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas reedições; artigo 37 da Lei nº 10.637/02. Enquadramento da multa: artigos 222 e 843 do RIR/99 com combinado com o artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07 com combinado com artigo 106, inciso III, aliena “c” do CTN. IRRF (fl. 2093/2120) Valor total: R$42.378.311,56. Somente para os anoscalendários de 2002, 2003 e 2004. Enquadramento legal: artigo 61, §§ 1º, 2º e 3º, da Lei nº 8.981/1995; artigo 674 § 1º, do RIR/99. Referidos autos foram lavrados tendo em vista a anulação de procedimento anterior, determinado por Acórdão proferido pela 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Transcrevo os fatos como narrados pelo acórdão recorrido, para evitar repetições: “Foram lavrados os Autos de Infração em epígrafe para refazer os lançamentos de IRPJ e CSLL (Processo Administrativo nº 10120.002462/200733) e IRRF (Processo Administrativo nº 10120.002463/200788), anulados em razão de vício formal, nos termos dos Acórdãos nº 130100.036 e 130100.023, proferidos pela 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Na decisão administrativa de 2ª instância, foi acolhida a preliminar de nulidade de vício de forma, que decorreu da falta de autorização escrita antes do início do procedimento fiscal, para a realização do reexame de período já fiscalizado. Nesse contexto, conforme o art. 173, inciso II, do CTN, a Fazenda Pública dispõe do prazo de cinco anos para efetuar um novo lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornou definitiva na esfera administrativa. Tomou ciência a contribuinte dos Acórdãos proferidos pelo CARF em 26/06/2009 (Acórdão nº 130100.036) e 30/07/2009 (Acórdão nº 130100.023). Nesse contexto, teve início da presente ação fiscal com a ciência pessoal do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 09/11/2009, sendo que o sujeito passivo também foi cientificado da ordem assinada pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Brasília autorizando a realização de novo exame fiscal, referente ao IRPJ, CSLL e IRRF do período de 01/01/2004 a 31/12/2004. Posteriormente, em razão de mudança do AuditorFiscal responsável pela elaboração dos novos lançamentos, foi lavrada, pelo Delegado da DRF/Brasília, uma alteração modificando a autorização para a realização de novo exame fiscal para designar um novo servidor, cuja ciência foi dada em 26/05/2010. Esclarece a Fiscalização que como os novos lançamentos destinamse apenas a sanar o vício formal, o presente procedimento fiscal não comportou fase instrutória, vez que foram considerados os elementos de prova já levantados por ocasião dos lançamentos anteriores. Em breve síntese, foi provocado o procedimento fiscal anterior por Representação Fiscal elaborada pela DRF de Belo HorizonteMG, que noticiou a ocorrência de um possível conluio entre a fiscalizada e a Prodados Company Ltda, no qual a primeira utilizou notas frias da última, com o objetivo de comprovar seus custos de serviços prestados. Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 4 5 Nesse sentido, a fiscalizada, constituída em forma de sociedade em cotas de capital, e em abril de 2007 transformada em sociedade anônima, foi submetida à fiscalização pela DRF de GoiâniaGO a fim de verificar a efetiva ocorrência dos dispêndios declarados como serviços prestados para a empresa, referente aos anoscalendário de 2001 a 2004. Em diligências realizadas nas empresas supostamente prestadoras de serviços, quais sejam, Prodados Company Ltda, Centaufor Ltda, Informática Engelin Ltda, GTI Systems Ltda, Dataflow Ltda, CONSIS Ltda (estas de Belo HorizonteBH) e L&N Consultores Ltda (Brasília DF), foram identificados pela Fiscalização vários aspectos indicativos de irregularidades: “1) modelo gráfico das notas fiscais da maioria das empresas é muito semelhante (...) 2) várias empresas encontramse em situações de inaptidão, inativas ou com CNPJ inexistente (...) 3) empresas que constam no quadro social como sócio o Sr. Anair Cunha, também administrador da Prodados Company Ltda (...)”. Pelos fatos apurados no Relatório de Verificação Fiscal, a Fiscalização constatou que a contribuinte “utilizouse de transações fictícias com várias empresas, inexistentes de fato, inaptas ou sem capacidade operacional, para realizar a prestação de serviços contratada, utilizandose de notas fiscais inidôneas emitidas por estas, com o propósito de majorar fraudulentamente os seus custos operacionais, na verdade inexistentes, e, conseqüentemente, resultando na redução ou não pagamento dos tributos federais que têm como base de cálculo o lucro”. Dessa maneira, foram tipificadas três infrações. A primeira, referese à comprovação inidônea dos custos de bens ou serviços vendidos, ou seja, constatou a autoridade tributária que a fiscalizada utilizouse de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas inexistentes de fato, inaptas ou sem capacidade operacional, com o propósito de comprovar fraudulentamente os seus custos operacionais. A segunda infração decorre da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, uma vez que a contribuinte é optante do lucro real anual. Assim, a partir da glosa dos custos operacionais, foram apurados valores a pagar devidos pela estimativa mensal. A terceira, referese ao fato de que, apesar de a autoridade tributária ter constatado que não ocorreu a efetiva prestação dos serviços discriminados nas notas fiscais emitidas, a fiscalizada apresentou documentação probatória (DOC, TED e cópias de cheques) dos pagamentos efetuados para as prestadoras de serviços. Nesse sentido, restou caracterizada a ocorrência de pagamentos sem causa, tendo em vista que restou demonstrado que não ocorreu a prestação de serviços. Assim, efetuouse o lançamento do IRRF sobre cada um dos pagamentos efetuados. Sobre os tributos lançados na primeira e terceira infrações, foi aplicada a multa qualificada de 150%, conforme o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, vez que restou configurado o evidente intuito de fraude, consoante art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, caracterizado pela conduta reiterada da contribuinte em contabilizar como custo, durante quatro exercícios consecutivos, notas fiscais inidôneas que não corresponderam à efetiva prestação de serviços, procedimento que objetivou, dentre Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 outras coisas, a modificação das características essenciais do fato gerador do IRPJ e da CSLL visando reduzir o valor a recolher dos tributos. Por fim, diante dos fatos, foi formalizado processo nº 14041.000199/2010 84, de Representação Fiscal Para Fins Penais.”(grifamos) Intimada, a contribuinte apresentou impugnação, aqui transcrita como no acórdão recorrido: “A empresa. A Politec é conceituada em todo o território nacional e no exterior, contribui de forma expressiva em tributos, empregos e encargos sociais, nunca teve qualquer problema com o Fisco de qualquer esfera, os serviços autuados no presente procedimento foram efetivamente prestados à autuada e regularmente pagos, conforme comprovantes de pagamentos e respectivas notas fiscais, e nas operações, se irregularidades existiram naquelas empresas, a impugnante é vítima, pois sempre agiu de boafé nesses seus negócios comerciais. A BoaFé da Politec. A autuada teve um comportamento de boafé para com o Fisco, sendo que, além de prestar todas as informações e de fornecer os documentos, houve um outro ato de boafé, pois, ao tomar conhecimento dos fatos apontados pela Fiscalização de Belo Horizonte em relação ao ocorrido com as empresas prestadoras de serviços, apresentou uma DIPJ retificadora, denunciando espontaneamente os fatos informados pela autoridade fiscal daquela jurisdição. O ato de boafé é faculdade legal outorgada pelo Direito Pátrio, em especial pelo art. 138 do CTN e pelo art. 34 da Lei nº 9.249/95. Contudo, o Fisco aparentemente está com a pretensão de se utilizar indevidamente desse fato com a intenção de transformar essa atitude em uma confissão da autuada. Ocorre que tal entendimento do Fisco não tem base legal, pois, numa comparação paralela, seria o mesmo caso em que a contribuinte paga o tributo para evitar a denúncia criminal, conforme art.34 da Lei nº 9.245/95 e o Juiz, de forma idiossincrática, aproveitandose desse fato, resolve condenálo, sob alegação de que tal ato teria sido uma confissão, quando, na realidade, a mens legis conduz exatamente ao contrário, ou seja, aquela faculdade destinase a excluir a imputabilidade e a punibilidade penal. O contribuinte pode agir de maneira preventiva, ainda que não seja o culpado, recolhendo tributos e evitando problemas, situação com amparo no Direito e com previsão na prevenção do litígio como oportunidade da fase préprocessual conciliatória. Não pode o Fisco desconhecer os direitos do contribuinte, até porque o princípio da presunção de inocência, do devido processo legal, do instituto da transação, da denúncia espontânea, e de que a condenação só pode ocorrer com a sentença condenatória transitada em julgado, são institutos e garantias constitucionais. O mundo processual se sustenta nas provas dos fatos e são nelas que o Fisco deve buscar a guarida. Se o Fisco tivesse segurança e confiança no seu trabalho, não necessitaria do artifício de considerar como confissão da autuada a apresentação da DIPJ retificadora. Preliminares. Nulidade. Efeitos. Devese verificar os efeitos da nulidade por vício formal previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Dispõe o art. 248 do Código de Processo Civil, aplicável ao Processo Fiscal, que as nulidades correm para frente. Assim, em situações normais que são autorizadas pelo art. 173, inc. II, do CTN, quando a fiscalização anterior foi instaurada regularmente (o que não foi o caso), o novo procedimento corrige o vício ocorrido no “lançamento” (para frente), aproveitandose os atos anteriores não viciados. Na hipótese vertente, a nulidade daquele procedimento fiscal ocorreu em momento precedente ao próprio lançamento, ou seja, a fiscalização somente poderia se dar com a autorização especial e escrita da autoridade fiscal competente, formalizada antes do seu início. Logo, como não Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 5 7 estava autorizada, sequer houve a fiscalização. Para todos os efeitos de direito, a fiscalização somente se iniciou com a autorização dada em 09/11/2009, e, assim, tratase de fiscalização nova e não da reabertura da anterior. Dessa forma, o ato autorizativo em 2009 não poderia ser retroativo a 2006. Nesse sentido, cabe a nulidade dos lançamentos fiscais. Da Falta de Motivação da Refiscalização. De acordo com os arts. 145, inciso III, e 149, do CTN, inúmeras são as hipóteses que se prestam a fundamentar o procedimento de refiscalização, devendo todas elas estar devidamente comprovadas. Na hipótese vertente, não se contempla a realização de nenhum dos pressupostos, previstos nos incisos I a IX do art. 149. Não há nenhuma referência dos dispositivos legais que serviram de base á refiscalização. Não obstante a decisão consubstanciada nos Acórdãos nº 130100.036 e 130100.023 do CARF, decretando a nulidade do primeiro lançamento, não há nos autos, de forma expressa, qualquer motivação para o procedimento de refiscalização. A Instrução Normativa INSS/DC nº 80/2002 determina que a Coordenação Geral de Fiscalização é obrigada a emitir Despacho fundamentando a necessidade de se proceder a refiscalização. O que se observa, com absoluta segurança, é que a contribuinte não tomou conhecimento de qualquer Despacho, fundamentado na realização de qualquer dos pressupostos contemplados no art. 149 do CTN. Tendo em vista que o Relatório Fiscal encontrase totalmente omisso e impreciso quanto à refiscalização, vez que não descreveu de forma clara e precisa a motivação do lançamento, foram atropelados os princípios da legalidade e segurança jurídica do ato administrativo, cerceando o direito de defesa do contribuinte, o que recomenda a improcedência do lançamento e a nulidade do feito. Decadência. IRPJ e CSLL. AnoCalendário de 2001 e 2002. Tendo sido a contribuinte notificada em 22/10/2007, a partir de quando o lançamento passou a produzir os seus efeitos legais na forma do art. 145 do CTN, ocorreu decadência de períodos mensais a partir do ano calendário de 2001 até setembro de 2002. Após o advento da tributação em bases correntes (dentro do próprio ano do auferimento, art. 38 da Lei 8383/91, art. 1º da Lei 8541/92 e IN/SRF 98/93), a contagem do prazo decadencial no Imposto de Renda brasileiro se faz a partir do fato gerador, assim considerado o mês, e não o anocalendário, como antes. Ademais, o imposto de renda é lançamento por homologação, onde o contribuinte tem a opção de se antecipar ao Fisco e recolher os tributos (CTN, art. 150, § 4º). Assim, se for considerada a fiscalização anterior, estão decaídos os períodos anteriores a outubro de 2002, pela contagem do fato gerador mensal. Vale observar que não cabe a aplicação do art. 173 do CTN, vez que o caso em tela não trata de sonegação, fraude ou simulação. Decadência. IRRF. AnoCalendário de 2002. O IRRF tem como fato gerador a data da ocorrência da obrigação da retenção, conforme o § 2º do art. 674 do RIR/99. E, da mesma forma do IRPJ e da CSLL, o art. 907 do RIR/99 autoriza o lançamento dentro do próprio anocalendário. Encontramse decaídos, portanto, os períodos anteriores a outubro de 2002, vez que a notificação ao contribuinte, na fiscalização anterior, deuse em 22/10/2007. Espontaneidade. Multa de 150% Indevida. O procedimento da autuada, em apresentar as DIPJ retificadoras, ao tomar conhecimento que estavam ocorrendo na fiscalização em Belo Horizonte em relação às empresas que lhe prestaram serviços, afasta a sua responsabilidade por sonegação ou fraude, porque houve a denúncia espontânea albergada no art. 138 do CTN. Deveria ao Fisco, se fosse o caso, apurar e lançar apenas as diferenças das notas fiscais faltantes, pois houve denúncia espontânea dos fatos. Logo, não caberia no caso a aplicação da multa de 150% e, tampouco, a aplicação do conceito de sonegação ou fraude, com o objetivo Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 de alterar o prazo de decadência para o início do ano seguinte. É de se observar que, mesmo no caso das notas fiscais que foram tributadas espontaneamente, estão sendo lançados o IRRF com a multa de 150%. Em situações como a presente, o que se admitiria seria a multa de ofício de 75% ou a de mora de 20%. Relatórios e Planilhas da Comprovação da Efetividade dos Serviços. O Auto de Infração se omitiu em relação aos Relatórios e Planilhas acostados pela autuada que comprovam a efetividade dos serviços prestados. No Relatório Fiscal se vê o apontamento unilateral da situação das empresas que emitiram as notas fiscais, mas nada que pudesse dizer a respeito de que não houve a efetivação da prestação dos serviços. O auditor se baseou apenas nas alegações do Fisco de Belo Horizonte, como se fossem absolutas e irrefutáveis, e não examinou a documentação da autuada. O Relatório Fiscal está carregado de grande subjetividade, sem qualquer critério técnico para glosar os serviços, até porque serviços de informática são muito técnicos e são desenvolvidos inclusive de forma remota ou on line. O lançamento não se pode apoiar em suposições, conjecturas e muito menos em presunções, devese fundamentar em fatos concretos, demonstrados, suscetíveis de comprovação, sobretudo em se tratando de refiscalização. Requerse, pois, o acatamento das preliminares para determinar a nulidade integral do lançamento fiscal. Mérito. Multa Isolada. Encerrado o exercício, não é possível a aplicação da multa isolada por estimativa. No caso presente, a contribuinte recolheu regularmente, durante o exercício fiscal, nos seus respectivos vencimentos, todas as estimativas previstas em lei. Obviamente que não poderia ter recolhido sobre o presente lançamento fiscal, porque decorreu de procedimento de ofício. O antigo Conselho de Contribuintes firmou jurisprudência sobre a questão, no sentido de que não cabe a cobrança de multa isolada em lançamento exoffício. Por outro lado, no presente caso também ocorre a cobrança de multa isolada com a multa de ofício, situação que não pode prevalecer conforme jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. Pagamentos Realizados Por Cheque, TED ou DOC. De acordo com o parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430/96, quando existir a comprovação do pagamento dos serviços, não cabe a acusação de utilização de documentos inidôneos. A autuada, junto com as notas fiscais encaminhadas ao Fisco, anexou a comprovação do pagamento através de cheques nominais, TED ou DOC. Assim, não cabe ao pagador, no caso a autuada, a condição de responsabilidade pela inidoneidade das notas fiscais, havendo inclusive jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido. Inidoneidade de Documento Fiscal. Necessidade de Ato Publicado. A inidoneidade da empresa deve ser declarada previamente pela Autoridade Fiscal e o ato deve ser obrigatoriamente publicado para fins de sua eficácia, conforme previsto nos arts. 80, 81 e 82 da Lei nº 9.430/96. Portanto, por força de lei, as notas fiscais que foram emitidas antes dos referidos Atos Declaratórios não podem ser consideradas inidôneas. Para que terceiros tomem conhecimento da inidoneidade de determinados contribuintes e para que possam produzir seus efeitos legais é necessária a publicação formal no Diário Oficial da União do Ato Declaratório da referida inaptidão, pois é somente a partir desse momento que os atos de comércio e as implicações fiscais podem ser imputadas a terceiros. Conforme se verifica no presente processo, não houve a publicação de inaptidão em relação às empresas que foram apontadas com irregulares neste processo, nem antes da emissão das notas fiscais como exige a lei, e tampouco depois, por ocasião da autuação. Ademais, aquelas empresas continuam ativas. A autuada não pode sofrer efeitos da inidoneidade sem o cumprimento primeiro, pela Autoridade Fiscal, dos deveres lhes atribuídos pela lei, cujo poder Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 6 9 de polícia é imanente. A autuada não pode sofrer efeitos da inidoneidade que pela fiscalização realizada diz respeito tão somente às empresas emitentes das notas fiscais de serviços. As Emitentes Das Notas Fiscais Apresentaram DIPJ ao Fisco. As empresas Centaufor e GTI apresentaram DIPJ com o oferecimento à tributação de todas as notas fiscais autuadas no Auto de Infração ora impugnado. As empresas apresentaram pedido de parcelamento que foi homologado pela Delegacia da Receita Federal e estão recolhendo as respectivas parcelas. Logo, as mencionadas empresas foram regularizadas e tiveram contas prestadas ao fisco, não podendo ser classificada como inidônea. Assim, se houve tributação regular na Centaufor e na GTI, e, no Auto de Infração impugnado, a autuada é tributada novamente neste, haverá em duplicidade de arrecadação fiscal (bis in idem) especialmente em relação ao IRRF de 35%, pois essa retenção na fonte se apresenta, no caso, completamente irregular e anômala. Serviços Efetivamente Prestados. Se irregularidades existiram a Politec é vítima, pois sempre agiu de boa fé nos seus negócios comerciais. A autuada não tem condições de efetivar um controle rigoroso dos seus fornecedores e prestadores de serviços. As subcontratações decorrem de serviços de informática e são inerentes e necessários às atividades e a manutenção da fonte produtora de renda, sendo custos que estão previstos nos arts. 299 e 300 do RIR/99. As irregularidades apontadas pelo Fisco foram todas cometidas pelas empresas subcontratadas, perfeitamente identificadas pela Fiscalização, sobre as quais devem recair as responsabilidades tributárias. Ao lavrar o Auto de Infração contra a Politec, incorreu o Fisco em erro de identificação do sujeito passivo, visto que a autuada não pode ser responsabilizada por irregularidades cometidas por terceiros. O fato de a autuada ser uma empresa de destaque deve ter influenciado o Fisco a cobrar de que tem capacidade financeira. No caso da empresa Engelin, a Nota Fiscal 001.791 de 30/11/2000, valor de R$1.300.000,00, referese á elaboração do software SISPOLI, e foi tempestivamente lançada na conta 1.318.0098.1 – Ativo Imobilizado – Sistemas Logicais. Esse sistema está hoje implantado e funcionando na empresa, podendo a fiscalização constar a qualquer momento. Evidente que tal situação não pode ser considerada sem causa. Pelo extrato do CNPJ anexado, a Engelin é uma empresa que sempre esteve ativa e apta perante a Receita Federal. A autuada está anexando os informativos da situação cadastral fiscal na Receita Federal das empresas apontadas como inidôneas, onde as mencionadas empresas encontramse ativas e aptas, tanto na época, como atualmente. A defendente não pode ser responsabilizada pela situação de eventuais irregularidades que aquelas empresas possam cometer, sendo esta posição do Conselho de Contribuintes. No caso, a autuação deveria ocorrer contra as referidas empresas e pessoas a elas ligadas e não contra a autuada, até porque, além de serem consideradas regulares para a ora autuada. A autuada é ilegítima para receber tais tributações. Por sua vez, os registros contábeis fazem prova plena a favor do contribuinte, nos termos do DecretoLei nº 1.598/77 e do CPC. A contabilidade é submetida á auditoria externa realizada por grandes empresas internacionais, como Boucinhas, Soteconti e Deloitte. Eventuais indícios, suspeitas ou suposições, não autorizam concluir pela ocorrência de sonegação fiscal, nesse sentido o 1º Conselho de Contribuintes. Os procedimentos fiscais não observaram a legislação e os auditores tributários não se desincumbiram do ônus que lhes cabem de comprovar a irregularidade em relação à ora autuada, uma vez que o procedimento centrou suas acusações e diligências nas empresas emitentes das notas fiscais, e, em nenhum momento, houve o Ato declarando a inidoneidade das referidas empresas. Desta forma, os valores desta autuação não merecem ser glosados porque decorrem de serviços que foram efetivamente prestados, encontramse devidamente escriturados, o que lhe Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 faz prova plena dos seus registros, bem como estão comprovados os seus pagamentos por TED, DOC ou cheques, creditados diretamente nas contas bancárias dos fornecedores, por contratos de serviços e por planilhas e relatórios demonstrativos da execução dos serviços, relacionadas por nota fiscal. A Retenção Realizada Na Fonte. 1,5%. A empresa ao realizar os pagamentos aos fornecedores de serviços aplicou, quando cabível, a legislação tributária vigente para essas operações, retendo e recolhendo o tributo de 1,5% previsto no art. 647 do RIR/99. A tributação prevista neste preceito é realizada pelo contribuinte em suas operações normais por exigência legal e não poderia agora submeterse também àquela de 35%. Sequer foram compensados os 1,5% com os 35% o que gera uma superposição tributária (bis in idem). O IRRF de 35%. Acumulação com Glosa de Despesas. No caso do IRRF, a legislação fiscal apenas autoriza a retenção se o rendimento é tributável, conforme previsto no parágrafo único do art. 45 do CTN. Assim, as operações fantasmas não podem ser tributadas, porque são irreais e não existem, no caso, seria imoral tributar algo inexistente. O imposto de renda permite apenas a retenção sobre rendimentos tributários que são reais, porque o art. 43 do CTN tem como base a disponibilidade de renda ou do acréscimo patrimonial, sendo causas reais e não fantasmas. A IRRF de 35% no caso presente traduz em tributação do triplo do próprio rendimento, o que gera um confisco vedado pelo art. 150, IV, da CF e na extrapolação da capacidade contributiva, art. 145, § 1º, da CF, que transforma o tributo em uma penalização, também vedada pelo art. 3º do CTN. Se o documento é realmente inidôneo e foi desconsiderado para fins contábeis e tributários pelo Fisco, ele não poderia produzir qualquer efeito jurídico. Assim, se foi excluído da contabilidade e não produziu efeito contábil, também não poderia sofrer retenção dos 35%. Por outro lado, se o procedimento fiscal considerou as operações reais, e os pagamentos realizados, não se trata mais de empresas inexistentes (fantasmas), mas apenas, inaptas, ou seja, apenas com irregularidade fiscal. A tributação dos 35% simultaneamente com a glosa de custos, conforme realizado nos presentes autos, são entre si incompatíveis e, portanto, se couber uma, não cabe a outra, conforme Acórdão 017.278 da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BEL. No presente caso, estão identificados os beneficiários e a causa que se refere aos serviços contratados e prestados à autuada. Caso assim não seja, o Fisco estaria falando em operações fantasmas (frias) e, aí, a tributação seria incabível por outra razão, a falta de fato gerador tributário do art. 43 do CTN. Estando os beneficiários identificados e sendo as operações decorrentes da prestação de serviços subcontratados, aquelas empresas é que devem submeter suas operações à tributação. Portanto, a tributação na fonte aplicada à autuada merece ser julgada improcedente, por falta de fato gerador e pela ilegitimidade da autuada que não emitiu documento inidôneo e também porque pagou a beneficiário identificado e com causa. Mesmo que não tenha ocorrido a retenção na fonte pela empresa pagadora, mas o beneficiário foi identificado, como no caso presente, a contribuinte será a empresa subcontratada, que é a titular da renda (art. 45 do CTN), e não a fonte pagadora (art. 43 do CTN). A fonte, quando muito, tem uma mera obrigação de responsável (parágrafo único do art. 45 do CTN), sendo a jurisprudência abundante nesse sentido. Se mantida a tributação, haverá o bis in idem vedado pelo Direito Tributário. Ausência de Materialidade de Sonegação ou Fraude. A autuada no caso é vítima das eventuais irregularidades cometidas pelas empresas e pessoas fornecedoras dos serviços, e o procedimento fiscal não apresenta provas de que a autuada tenha cometido algum ilícito tributário. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes afasta a responsabilidade em casos como o presente. Assim, estando ausente a materialidade das infrações citadas, tornase injustificável o procedimento ou representação contra o contribuinte ou os seus sócios. Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 7 11 Impugnação dos Dados e Elementos Autuados. A contribuinte impugna integralmente os valores utilizados no lançamento fiscal, bem como os demonstrativos e relatórios anexos, e respectivos valores e datas, porque não realizados de acordo com a legislação fiscal. Ademais, no caso da autuação da CSLL, não cabe a exclusão da despesa do lucro real como indedutível, vez que a base desta é o lucro líquido, conforme jurisprudência do Conselho dos Contribuintes. O procedimento fiscal e o lançamento merecem ser declarados nulos por não representares valores que devam submeterse aa tributação do imposto de renda e reflexos. Do Pedido. A contribuinte impugna integralmente o procedimento fiscal e os levantamentos e dados neles consignados, bem como os documentos e relatórios fiscais a ele anexados. Protesta, desde já, pelo aditamento à presente e pela juntada de outros esclarecimentos ou documentos adicionais para o deslinde da questão.” Em 31 de janeiro de 2014, a recorrente, mediante petição, informa que aderiu ao programa de parcelamento aprovado pela Lei nº11.941/2009 estendido para a Lei nº 12.865/2013, onde requer a desistência parcial do Recurso Voluntário interposto em relação ao IRPJ e à CSLL, bem como renuncia a quaisquer alegações de direito. O parcelamento está sendo quitado com base em utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL e caixa, somente sobre a parcela relativa ao IRPJ e CSLL, continuando o litígio referente ao IRRF. Portanto, daqui para frente não mais nos referiremos à cobrança do IRPJ e CSLL, mas apenas do IRRF. A 2ª Turma da DRJ/BSB ao julgar o feito no acórdão n. 0340.107, houve por bem manter integralmente o lançamento. Destaca que ante a correlação entre as matérias preliminares e de mérito, haverá a análise em conjunto destas. Aponta que houve, em outubro de 2007, a lavratura dos autos de infração anulados por vício formal, por falta de autorização escrita antes do início do procedimento fiscal para realização do reexame do período já fiscalizado, o que levou ao inicio da ação fiscal sob discussão, com a ciência do sujeito passivo da ordem escrita e assinada pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, permitindo o novo exame fiscal, referente ao IRPJ, CSLL e IRRF do período de 01.01.2004 a 31.12.04, sem que houvesse fase instrutória, já que sua finalidade era tão somente sanar o vício formal, considerandose os elementos de prova anteriormente levantados. A contribuinte, todavia, entende que ainda persiste o vício formal de nulidade de que trata o artigo 173 do CTN, não sendo possível aproveitar a fase instrutória anterior, que resulta em cerceamento de defesa. A DRJ, por sua vez, explica que o Relatório de Verificação Fiscal (fls 2031/2042) é claro sobre a reabertura da fiscalização e também os Acórdãos 1301 00.036 e 130100.023 explicam que se trata de vício formal. Portanto, a autoridade fiscal readquire o direito de reconstituir o crédito tributário no prazo quinquenal nos termos do artigo 173, II, do CTN, sendo que “o novo lançamento eventualmente feito deverá se restringir às matérias e provas contidas na acusação original”. Logo, não há cerceamento algum à defesa da contribuinte e afasta a preliminar de nulidade. Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 Na avaliação da conduta dolosa imputada à contribuinte, diz que foi apurada a utilização de notas fiscais “frias”, referentes a serviços fictícios prestados por empresas inexistentes, inaptas ou sem capacidade operacional, de modo a reduzir o lucro líquido. Para melhor suportar sua decisão, o voto transcreve resultado da diligência, que aqui reproduzo: “A diligência realizada no curso da ação fiscal promovida pela DRF de Belo Horizonte – MG, na empresa Prodados Company, apresentou, em síntese, as conclusões: A empresa foi constituída apenas formalmente, nunca operou. Inicialmente teve como sócia a Sra. Ângela Gonçalves Lima, que declarou que apenas emprestou seus dados cadastrais para o Sr. Anair Cunha constituir a empresa, posteriormente, a empresa foi transferida para interposta pessoa, o Sr. Mozart Ferreira Carvalho, que teve sua documentação roubada em assalto(...); A empresa sempre apresentou declaração de inatividade; (...) A administradora do imóvel (...) informou que a partir de julho/2003 o imóvel esteve locado em nome da empresa Prodados Company Ltda, representada pelo Sr. Anair Cunha. Informações prestadas pelo síndico do Ed. Veneza (...) diz que nunca teve conhecimento e/ou verificou o funcionamento da empresa Prodados no local, nunca verificou movimento de clientes, sempre as portas encontramse fechadas e nunca foram colocadas placas (...) informou ainda que as correspondências destinadas a empresa Prodados e os boletos do condomínio eram encaminhados ao Sr. Anair Cunha; A gerência e a administração da empresa foram outorgadas por meio de procuração pública ao Sr. Anair Cunha; Conforme esclarecimentos prestados, espontaneamente (...) pelo Sr. Anair Cunha, este informou, dentre outros, que os contratos de prestação de serviços eram apenas ‘pro forma’, que as notas fiscais foram emitidas de favor, não corresponderam a efetiva prestação de serviços e seus valores não foram efetivamente recebidos. O valor recebido corresponde somente a parcela relativa á comissão, que representa 1% do valor das notas fiscais emitidas, sendo este valor rateado entre ele e o Sr. Vicente Salgueiro; Posteriormente o Sr. Anair Cunha, representado por seu advogado, desdisse, em retificação de Termo de Esclarecimento, grande parte do que havia afirmado em seu depoimento; O Sr. Vicente Salgueiro (...) apenas possuía um curso de informática de duração de 4 (quatro) meses disse que coordenava os trabalhos de desenvolvimento dos softwares objeto das notas fiscais emitidas entre os anos de 2001 e 2004 em valores vultuosos (...) Informações prestadas pela Secretaria da Fazenda de Minas Gerais e Prefeitura Municipal de Belo Horizonte – MG, informaram que não foram encontrados registros de inscrição ou autorizações para impressão de documentos fiscais (AIDF’s); Em 21/09/2005, o Sr. Vicente Salgueiro (...) informou, dentre outros, que coordenava os trabalhos de software contratados entre a empresa Prodados Company Ltda e a empresa Politec Ltda, não teria como comprovar os trabalhos, pois recebia as especificações das programações em CD ou disquete e que devolvia os programas elaborados em CD; Efetuado o exame dos créditos/depósitos bancários através dos extratos bancários encaminhados pelo Sr. Anair Cunha, verificouse que grande parte é de valores expressivos feitos pela empresa Politec Ltda; Efetuado o exame das cópias dos cheques encaminhados a esta fiscalização pelo Sr. Anair Cunha, verificamos que a maioria dos cheques foram nominais à própria empresa e/ou ao Sr. Anair Cunha, com endosso no verso, e/ou destinado a pagamentos á vista diretamente no caixa do banco, inclusive aqueles vultosos, o que escapa totalmente do senso comum e, pelo contrário, configura prática reiterada daqueles que desejam omitir informações e sonegar tributos; Em atendimento à intimação desta fiscalização, a empresa Politec Ltda apresentou todos os documentos (Notas Fiscais, DOC’s, TED’s, escrituração contábil e fiscal) que suportam as operações, dando aparências de verdadeiras; Pelos elementos/documentos apurados, e aliada à falta de patrimônio e capacidade operacional necessários á realização do seu objeto social, concluise que a empresa Prodados Company Ltda não existe e nem existiu de fato. As notas fiscais não suportam, nem suportaram efetivamente as operações de prestações de serviços, pois sua constituição fora feita apenas para fraudar o pagamento de tributos. (grifos nossos). Registre ainda que, no curso da ação fiscal, após entrega de parte da documentação solicitada pela Fiscalização, um dos proprietários da Politec Ltda, adiantou que, com relação ás notas da Prodados Company Ltda, antes do início da fiscalização, a empresa já havia realizado o acerto no LALUR adicionando os valores das Notas Fiscais emitidas por esta ao resultado, uma vez que havia tomado conhecimento das irregularidades cometidas pela empresa Prodados. A Fiscalização comprovou a correção dos valores após análise das DIPJ’s retificadoras entregues em dezembro de 2005 e LALUR. Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 8 13 A DRF de Belo Horizonte realizou diligência no endereço da empresa Dataflow Ltda constante das Notas Fiscais, chegando às seguintes conclusões, em suma: O CNPJ informado na nota era falso. O verdadeiro número é referente a uma empresa denominada Dataflow que operou na cidade de Belo/Horizonte era 01.654.742/000101; A empresa Dataflow Ltda, CNPJ 66.562.695/000191, não se encontrava inscrita na prefeitura de Belo Horizonte, não constando, portanto, Autorizações para Impressões de Documentos Fiscais; Compareceu ao endereço indicado nas Notas Fiscais e encontrou no local outra empresa Sollero e Mourão Advogados Associados. Um dos advogados da firma informou que há cerca de cinco anos funcionou no local uma certa Dataflow (...) Por meio das informações prestadas pela Prefeitura de Belo Horizonte, chegouse ao atual endereço de uma empresa denominada Dataflow, embora o CNPJ seja divergente do constante na Nota Fiscal (...) a numeração das AIDF’s concedidas pelas Secretarias de Fazenda Municipal e Estadual não coincide com a numeração das notas fiscais emitidas; Intimouse a empresa Dataflow InfoSistemas Ltda a informar se havia emitido notas fiscais tendo como beneficiária dos serviços a empresa Politec Ltda, bem como a apresentar cópia de uma das notas emitidas. Em resposta, o responsável pela empresa informou que o padrão gráfico e o layout das notas da sua empresa são diferentes das apresentadas pela fiscalização. Que desconhece o provável autor do documento e que não participou e não participa de qualquer conduta de conivência com este tipo de atitude que, em termos práticos, prejudica a empresa e sua imagem. Informou ainda que a Politec Ltda nunca foi sua cliente. (grifos nossos) A diligência na empresa Consis Consultorias e Sistemas Ltda apresentou as seguintes conclusões: Ao oficiar a Secretaria da Fazenda do município informação sobre a inscrição da Consis e autorização para emissão de notas fiscais, receberam em resposta que a empresa não tem cadastro na secretaria e, por conseqüência, não constam AIDF’s autorizadas; Foi realizada diligência no endereço constante nas Notas Fiscais emitidas (...) no local foi encontrada outra empresa (...) os funcionários desta desconheciam que a empresa Consis já tivesse funcionado naquele local; Em pesquisa no sistema CNPJ, foi encontrada empresa com o nome de Consis, mas também com número de CNPJ diverso. No cadastro desta empresa consta que anos atrás ela havia funcionado no endereço onde foi realizada a diligência anterior, encontrandose agora em outro endereço, além de ter alterado a sua razão social para BHZ Sistemas de Informática Ltda; Em 06/11/2006, os Auditores (...) compareceram ao endereço da BHZ (antiga Consis). Foram apresentadas ao contador e gerente da empresa as notas fiscais emitidas pela Consis Ltda, tendo como beneficiária a Politec Ltda, ambos categoricamente afirmaram que tais notas não foram emitidas pela sua empresa. Apresentaram o modelo de notas da empresa que diverge totalmente das notas que tiveram como beneficiária a Politec Ltda. Disseram que jamais tiveram a Politec Ltda como cliente da empresa. (grifos nossos) Tendo sido realizada a diligência na empresa Informática Engelin Ltda, o relatório informou, em suma, o seguinte: (...) a Secretaria de Finanças da Prefeitura de Belo Horizonte informou que a empresa possui cadastro na secretaria e apresentou as AIDF’s com a sequência de numeração das Notas Fiscais; Foi realizada diligência no endereço constante na nota fiscal da empresa, entretanto não foi encontrado o contribuinte no local. Segundo o proprietário do imóvel (...) a empresa funcionou no local até setembro de 2006; Intimaramse os sócios da empresa para comparecerem a Delegacia da Receita Federal (...) Compareceu a repartição (...) procuradora de um dos sócios, a qual prestou as seguintes informações: a) que a Nota Fiscal encaminhada pela DRF/Goiânia e tendo como suposta emissora a empresa Informática Engelin Ltda não confere com as NF’s da empresa. E para corroborar com sua alegação, apresentou as Notas Fiscais efetivamente emitidas pela empresa ora declarante; b) tendo por base informações da proprietária da empresa, afirmou que a Informática Engelin Ltda não teve a Politec Ltda como sua cliente; Constatouse também que numeração das notas fiscais da Engelin que tiveram como beneficiária a empresa Politec não estão abarcadas pelas seqüências de numeração nas AIDF’s apresentadas pela Secretaria de Finanças de Belo Horizonte. (grifos nossos) A empresa Centaufor Ltda apresenta como sóciogerente o Sr. Anair Cunha, o mesmo adminstrador da Prodados Company Ltda. Registrese a constatação da Fiscalização de que o modelo de impressão das notas fiscais das empresas Centaufor Ltda e Prodados Company Ltda é semelhante, mudandose Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 apenas o logotipo da empresa, mesmo sendo impressas por gráficas diferentes. A diligência realizada nesta empresa apresentou as seguintes conclusões: (...) a Secretaria de Finanças informou que a empresa Centaufor Ltda encontrase com sua inscrição municipal desativada por motivo de baixa (...) cuja concessão da baixa foi em 18/07/1997. Bem como, informou que não foram encontradas AIDF’s (Autorização para emissão de documentos fiscais) para a empresa; Foi realizada diligência no endereço da empresa constante nas Notas Fiscais e constatouse que a mesma nunca funcionou naquele local, de acordo com informações prestadas pelo administrador do condomínio; Intimaram o sócio Anair Cunha a apresentar comprovantes da efetiva prestação de serviços, mas este nada apresentou.(grifos nossos). A empresa GTI Systems Ltda também apresenta como sócio o Sr. Anair Cunha, que também é sócio gerente da Centaufor Ltda e administrador da Prodados Company Ltda. Registrese a constatação da Fiscalização de que o modelo de impressão das notas fiscais é semelhante às notas da Prodados Company Ltda, mudando apenas o logotipo da empresa, mesmo sendo impressas por gráficas diferentes. A diligência realizada nesta empresa apresentou as seguintes conclusões: (...) a Secretaria de Finanças informou que a empresa GTI Ltda encontrase com sua inscrição municipal bloqueada devido ao endereço desconhecido por apuração fiscal. Bem como, informou que não forma encontradas AIDF’s (Autorização para emissão de documentos fiscais) para a empresa; Foi realizada diligência ao endereço da empresa constante nas notas fiscais e constatouse que o ocupante atual do imóvel jamais ouviu falar no funcionamento da GTI Ltda no local. O endereço cadastral da GTI Ltda é o mesmo que o da Prodados Ltda; Intimaram o sócio Anair Cunha a apresentar comprovantes da efetiva prestação de serviços, mas este nada apresentou. (grifos nossos) Constatou a Fiscalização que o modelo de impressão das notas fiscais da empresa L&N Consultoria Ltda também é semelhante às notas da Prodados Company Ltda, mudando apenas o logotipo da empresa, mesmo sendo impressas por gráficas diferentes. Tendo sido realizada diligência na referida empresa, o relatório apresentou, em suma: Intimouse a empresa Tipogresso Editora e Formulários Contínuos Ltda, supostamente responsável pela impressão da nota fiscal, conforme consta na própria nota. Em resposta, a empresa afirmou que não prestou serviços de impressão para a empresa L&N Consultoria Ltda, bem como, informou que a empresa Tipogresso Ltda encontrase desativada desde 1997; (...) a Secretaria da Fazenda do GDF informou que a empresa L&N Consultores possui cadastro na Secretaria, mas que a empresa somente uma vez solicitou a impressão de Notas Fiscais de Prestação de Serviços no ano de 1996, tendo sido autorizado (...) a confecção das Notas Fiscais modelo ‘3A‘ de 1 a 100. Como se pode observar nas planilhas de Notas Fiscais inidôneas da L&N Consultoria Ltda, todas as notas frias estão fora da seqüência 01 a 100; e Realizouse diligência no endereço constante nas Notas Fiscais. A empresa não foi encontrada no local. Em contato com a administradora do imóvel, por meio de intimação, esta respondeu que a L&N Consultoria nunca foi locatária do imóvel constante no endereço. (grifos nossos) Em resumo, diz que três das empresas, Dataflow Ltda., Consis Consultoria e Sistemas Ltda. e Informática Engelin Ltda. dizem não terem emitido as notas fiscais apresentadas pela contribuinte à fiscalização, tendo sido verificado divergências de layout de impressão e padrão grafíco das notas. Aponta ainda que, em relação à empresa Informática Engelin Ltda., fora verificado que a sequência de numeração nas “Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais (AIDF) disponibilizadas pela Secretaria de Finanças de Belo Horizonte, não conferem com as trazidas pela contribuinte, sendo que as três empresas citadas afirmam que a contribuinte não era sua cliente.” Prossegue, apontando que: Por sua vez, as empresas Prodados Company Ltda, Centaufor Ltda, GTI Systems Ltda e L&N Consultoria, apresentaram uma série de situações em comum, como (i) a presença do Sr. Anair Cunha como administrador ou sócio, (ii) endereços fictícios, (iii) não existência de registros de inscrição ou AIDF’s, com exceção da L&N Consultoria, que, contudo, apresenta divergências de numeração das Notas Fiscais em relação áquelas onde consta a Politec como beneficiária, ou seja, toda uma seqüência de fatos evidenciando uma ação conjunta e planejada. Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 9 15 Mesmo em relação à Prodados Company Ltda, beneficiada pela espontaneidade em razão da apresentação das declarações retificadoras, não se pode deixar de observar que o responsável pela condução de complexos projetos de desenvolvimento da empresa declarou que tinha como formação um curso de duração de 4 (quatro) meses. Ora, projetos de sistemas de informação envolvem conhecimentos de gestão avançados, e a coordenação de equipes responsáveis por atividades como modelagem de negócios, dados e processos, especificação, programação, homologação, implementação, dentre outros, demandam uma formação muito mais sólida e consistente do que a informada pelo Sr. Vicente Salgueiro. Registrese ainda que se constitui em robusto indício a constatação da Fiscalização de que a maioria dos cheques emitidos pela Politec foram nominais à própria Prodados e/ou ao Sr. Anair Cunha, com endosso no verso, e/ou destinado a pagamentos á vista diretamente no caixa do banco. Enfim, as empresas Centaufor Ltda e GTI Systems apresentam como sócio o Sr. Anair Cunha, o mesmo administrador da Prodados Company Ltda, e que a Fiscalização constatou que o modelo de impressão das notas fiscais das referidas empresas é semelhante ao da Prodados Company Ltda, mudandose apenas o logotipo da empresa, mesmo sendo impressas por gráficas diferentes. Ou seja, resta plenamente caracterizado que o sujeito passivo, para comprovar a ocorrência de custos operacionais fictícios, utilizouse de notas fiscais emitidas por várias empresas inexistentes de fato, inaptas ou sem capacidade operacional.” Logo, entende que está caracterizado que a contribuinte se utilizou das mencionadas notas fiscais para comprovar a ocorrência de custos operacionais fictícios. Diz que, em sede de impugnação, há diversas contradições apresentadas pela contribuinte. Ali, indica inicialmente que os serviços registrados pelas notas fiscais foram efetivamente apresentados, mas que apresentou anteriormente DIPJs retificadoras e acerto no LALUR, excluindo da apuração do Lucro Real as operações realizadas com a empresa Prodados Company Ltda, o que é estranho, pois, se houve o serviço, não haveria necessidade de retificação das declarações. Nesse sentido, indica ser princípio do direito que ninguém pode beneficiarse da própria torpeza e que a denúncia espontânea no caso, faz ter mais presente o elemento doloso no fato. Ressalta ainda que não cabe o argumento de subjetividade ou ausência de materialidade nos trabalhos desenvolvidos nos procedimentos fiscais, destacando que é de se notar que a produção probatória realizada pelo Fisco mostrouse ampla e meticulosa, fundamentando adequadamente as infrações imputadas, que, com as provas documentais trazidas, resultam em conjunto probatório robusto e consistente, capaz de instruir o lançamento e apto a comprovar os ilícitos apurados. Da análise de tais fatos, entende que houve clara conduta dolosa da contribuinte, buscando impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou ainda, excluir suas características essenciais, buscando reduzir o montante do imposto ou dificultar seu pagamento. Ante a caracterização do dolo, indica que se torna necessária a análise da contagem do prazo decadencial e a imputação da multa qualificada. Quanto ao prazo decadencial, a conduta dolosa afasta a regra do artigo 150, §4º do CTN, sendo cabível a contagem nos termos do artigo 173, I do mesmo diploma, pelo qual o início da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que, no caso concreto, o termo inicial para fins de IRPJ e CSLL foi 1º de janeiro de 2003, transcorrido em 31.12.07, tendo em vista que o fato gerador mais antigo ocorreu em 31.12.01. Diz que, para o IRRF, o lançamento poderia ser realizado pelo fisco no ano corrente. Como o fato gerador mais antigo, 11 de janeiro de 2002, o lançamento poderia ter ocorrido já em 1º de janeiro de 2003, sendo que a decadência também teria ocorrido em 31.12.07. Como a ciência dos autos Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 16 de infração originais, referentes à primeira fiscalização, ocorreu em 11 de outubro de 2007, entende que não houve a decadência para nenhum dos lançamentos. Ainda, a caracterização do elemento doloso repercute, em relação ao IRPJ e CSLL, nas glosas dos custos não comprovados e nos pagamentos sem causa, em relação ao IRRF, destacando que tais ilícitos estão sintetizados no Relatório de Verificação Fiscal, transcritos no voto. Diz que a conduta imputada à contribuinte constitui intuito de dolo, buscando impedir que a autoridade tivesse ciência do fato gerador, sendo sua conduta reiterada, durante quatro exercícios consecutivos, de contabilizar como custos notas fiscais que não tinham correspondência com serviços efetivamente prestados. Logo, é cabível a aplicação de multa qualificada de 150%, com previsão no artigo 44 da Lei nº 9430/96, para os casos de sonegação, fraude e conluio, conforme artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4502/64. Afasta também a necessidade de declaração de inidoneidade dos documentos fiscais pela administração, para que terceiros tivessem conhecimento desta, por meio de publicação no Diário Oficial da União. Destaca que, como se verifica de sua própria nomenclatura, os “Atos Declaratórios de Inaptidão”, possuem natureza declaratória e assim, declaram situação irregular já existente no passado o que resulta na retroatividade dos seus efeitos. Especifica, porém, que a inidoneidade de documentos não é resultado somente da declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Neste sentido, cita o §4º do artigo 48 da Instrução Normativa RFB nº 568/2005 (em vigência durante a ação fiscal), mantido nas IN que a sucederam, a saber, nº 748/2007 e nº 1005/2010, ao dispor que a inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação. Disto, a partir da análise do caso concreto, entende que já há elementos suficientes para atestar a inidoneidade da documentação fiscal em comento, como já demonstrado no corpo do Acórdão recorrido, especialmente no tópico “Conduta Dolosa. Repercussões. Contagem do Prazo Decadencial. Artigo 173 do CTN. Multa Qualificada”, onde a partir das provas colhidas, reforçadas pelas diligências realizadas, com a comprovação de situações como “inexistência de fato de empresas prestadoras de serviços, endereços fictícios, não existência de registros de inscrição ou AIDFs, divergências na numeração das Notas Fiscais, emissão de Notas Fiscais sem conhecimento da empresa emitente” , é suficiente para considerar a documentação fiscal apresentada tributariamente ineficaz, independente da declaração de inaptidão em ato oficial. Prossegue, analisando a questão da escrituração, cita inicialmente, os parágrafos 1º e 2º do DecretoLei nº 1598/77, de onde entende que referidos dispositivos dispõem que a escrituração mantida nos termos legais faz prova a favor do contribuinte em relação aos fatos nela registrados, desde que haja sua comprovação por documentos hábeis, cabendo à autoridade a prova do contrário. Aponta que, no caso, houve a comprovação pela fiscalização, como já mencionado, da inidoneidade dos documentos fiscais, indicando ainda que “a escrituração da Nota Fiscal 001.791 de 30/11/2000, valor de R$1.300.000,00, conta 1.318.0098.1 – Ativo Imobilizado – Sistemas Logicais, referente á elaboração do software SISPOLI, carece de validade, bastando recordar a diligência promovida à referida empresa, cujo relatório dispôs que tendo sido intimados “os sócios da empresa para comparecerem a Delegacia da Receita Federal (...) Compareceu a repartição(...) procuradora de um dos sócios, a qual prestou as seguintes informações: a) que a Nota Fiscal encaminhada pela DRF/Goiânia e tendo como suposta emissora a empresa Informática Engelin Ltda não confere com as NF’s da empresa. E para corroborar com sua alegação, apresentou as Notas Fiscais efetivamente emitidas pela empresa ora declarante; b) tendo por base informações da proprietária da empresa, afirmou que a Informática Engelin Ltda não teve a Politec Ltda como sua cliente; constatouse também que numeração das notas fiscais da Engelin que tiveram como beneficiária a empresa Politec não estão abarcadas pelas seqüências de numeração nas AIDF’s apresentadas pela Secretaria de Finanças de Belo Horizonte”. Quanto a isto, indica que não se discute o fato da empresa Engelin constar como ativa nos sistemas de consulta da RFB, mas temse que, no relatório da diligência fiscal, a empresa é clara ao afirmar que não teve a contribuinte como sua cliente, somada ao fato da divergência da Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 10 17 numeração das notas fiscais emitidas e as apresentadas pela Secretaria de Finanças de Belo Horizonte, o que, corroborado às provas trazidas pelo fisco, torna a escrituração da contribuinte ineficaz para a prova a seu favor. Seguindo este raciocínio, a documentação fiscal apresentada pela autuada para comprovar despesas operacionais para dedução para a apuração do IRPJ e CSLL é inidônea. Discorrendo sobre a argumentação da contribuinte, de que houve pagamentos efetivados , por cheques nominais, TED ou DOC, o que nos termos do artigo 82, parágrafo único da Lei nº 9430/96, ante a comprovação dos pagamentos, impossibilitaria a acusação de utilização de documentos inidôneos. Da análise do dispositivo transcrito, indica que a comprovação dos pagamentos é condição necessária, mas não suficiente, sendo o dispositivo voltado para a preservação do adquirente de boafé (que mesmo em face de inidoneidade dos documentos realizou os pagamentos), não sendo este o caso dos autos. Foi demonstrado que não houve prestação de serviços pelas empresas Prodados Company Ltda., Centaufor Ltda., Informática Engelin Ltda., GTI Systems Ltda., Dataflow Ltda, CONSIS Ltda. e L &N Consultores Ltda, sendo, no entanto, verificado a ocorrência de pagamento sem causa, ou sem a efetiva comprovação da operação, sujeitando estes pagamentos ao §1º, artigo 61 da Lei nº 8981/95. Quanto à tributação do IRRF, afasta a pretensão da contribuinte, da impossibilidade de aplicação concomitante dos artigos 43 e 45 do CTN, com tributação de 35% do IRRF com glosa de custos do IRPJ ou CSLL, devendo optar por uma delas. De sua análise, o julgador indica que a tributação do IRRF nos pagamentos sem causa e do IRPJ e CSLL pela glosa de custos possui tipificações e hipóteses de incidência distintas, sendo que, no caso concreto, enquanto optante do lucro real, utilizouse de notas fiscais inidôneas, com fulcro de reduzir a base de cálculo de IRPJ e CSLL, resultando na hipótese legal que determina a glosa dos custos/despesas, gerando o lançamento de ofício como contribuinte, sendo o valor deste o resultado da diferença do IRPJ e CSLL apurados em razão das glosas efetuadas. Ainda, efetuou pagamentos não prestados, para a saída de recursos da empresa, incorrendo em fato imponível diverso, de saída de recursos de empresa sem que houvesse causa determinada. Prossegue, indicando que, nos casos de tributação pela fonte, o sujeito passivo é eleito pela lei, submetendose ao regime de responsabilidade tributária, mencionando que o §1º do artigo 61 da Lei 8981/95 que trata de tributação de beneficiários dos rendimentos por meio da cobrança do imposto exclusivo na fonte pagadora (sendo dela a responsabilidade), por ocasião do pagamento. Com a comprovação da ocorrência dos pagamentos, houve o lançamento de oficio do IRRF, imputado à contribuinte como responsável por ser a fonte pagadora, ante a expressa previsão legal. Assim, não há de se falar em afronta ao conceito de renda do artigo 43 do CTN, pois cada uma das infrações tem amparo em um diploma legal. Sobre o tema, destaca o papel da autoridade fiscal de mera cumpridora de leis, não cabendo a ela questionar a legalidade do comando, mesmo ante alegações de possíveis ilegalidades por parte dos contribuintes, especialmente por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, cujo descumprimento pode gerar responsabilidade funcional, nos termos do artigo 142 do CTN. Ainda, diz que, nos julgamentos administrativos, sua atuação é restrita aos estritos termos da legislação fiscal, cabendo à observância dos atos normativos da Secretaria da Receita Federal, por ser a ela subordinada, nos termos do artigo 7º da Portaria – MF nº 58/2006. Em relação às empresas Centaufor Ltda e GTI Systems, ante a alegação da contribuinte de que teriam apresentado DIPJ e com parcelamento de dívidas em andamento, com recolhimento de 1,5% de tributação nas Notas Fiscais emitidas, o que geraria bis in idem na tributação, destaca de início que as empresas não existem e as prestações de serviços não foram realizadas, apontando, neste sentido os Relatórios de Diligencias efetuados nestas, destacando ainda que ambas empresas possuem como sócio o Sr. Anair Cunha, mesmo administrador da Prodados Company Ltda., Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 18 tendo a fiscalização descoberto que o modelo de impressões das primeiras empresas é idêntico ao desta ultima, reforçando as conclusões descritas. Pelo exposto, entende pela manutenção dos lançamentos da fiscalização. Da análise daquele, entende que o Acórdão trazido diz respeito a “despesa que era tão –somente indedutível na apuração do Lucro Real para fins de cálculo do IRPJ”, pelo que, como a indedutibilidade não atinge a base de cálculo da CSLL, não sendo cabível o lançamento desta. No caso concreto, esclarece que, se houvesse idoneidade das notas apresentadas, estas seriam dedutíveis para a apuração do lucro líquido, pois seriam despesas operacionais, com reflexos nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL, pelo que a jurisprudência não se aplica ao caso destes autos. Seguindo, analisa a questão da cobrança da multa isolada após o encerramento do anocalendário, destacando as disposições contidas no artigo 44, §1º, II, in fine da Lei nº 9430/96. Deste, diz que, mesmo nos casos em que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, a cobrança da multa persiste, não tendo havido alteração neste sentido com a introdução da Lei nº 11.488/2007. No mais, destaca que a apuração do resultado positivo ou negativo da pessoa jurídica, no regime de tributação do lucro real anual, somente é possível após o encerramento do ano calendário correspondente, exceto se houver levantamento de balanços mensais indicativos de não se impor à contribuinte o recolhimento mensal obrigatório das antecipações, por sucessivos resultados negativos, de onde se conclui pela possibilidade do cabimento da aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário. Quanto à cumulatividade da multa de ofício com a multa isolada, diz ser esta possível, ante a natureza diversa dos dois institutos, inclusive com tratamento em incisos diferentes do artigo 44 da Lei nº 9430/96, não havendo que se falar em ocorrência de concomitância. São penalidades distintas exigidas sobre bases de cálculo diversas, uma sobre o tributo ou contribuição apurados no fim do anocalendário e outra incidente isoladamente sobre o recolhimento por estimativa dos pagamentos que deixaram de ser efetuados. Destaca que a jurisprudência administrativa acostada não possui eficácia normativa, por ausência de lei que lhes atribua tal efeito de maneira expressa, conforme exigência do artigo 100, II, do CTN. Ainda, quanto ao protesto por novas provas formulado na impugnação, diz que, conforme determinação do artigo 16, §4 º do Decreto nº 70.235/72, devem as provas documentais ser apresentadas na impugnação, operandose a preclusão na ausência desta. Cabem exceções somente nas hipóteses em que há a demonstração irrefutável pela contribuinte de que estava impossibilitada de apresentálas por motivo de força maior, ou por estas se referirem a fato superveniente ou para contrapor fatos trazidos em momento posterior, destacando que no caso concreto não houve a comprovação de nenhum dos motivos, pelo que houve preclusão da faculdade. No mais, aponta que houve negativa geral da impugnante em relação à matéria, pois esta impugna “integralmente os valores utilizados no lançamento fiscal, bem como os demonstrativos e relatórios anexos e respectivos valores e datas, porque não realizados de acordo com legislação fiscal”, o que, conforme o artigo 16, III, do PAF, é inadmitida no processo administrativo fiscal. Pelo exposto, mantém o crédito tributário exigido. A contribuinte foi intimada em 22.11.10, e . em 16.12.10, apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos colocados em sua Impugnação. Em 14 de novembro de 2012, a contribuinte peticionou a este Conselho trazendo documentação para o caso, que não foi regularmente trazida pela autoridade Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 11 19 lançadora. Referidos documentos serviriam para comprovar a efetividade da tributação dos serviços prestados, objeto do lançamento, nos quais se especifica tais serviços e a competente vinculação às receitas operacionais respectivas, notas fiscais e contratos de cada um dos clientes. Esclarece que não se tratam de novos documentos, mas sim de documentos originários e integrantes do processo original, referente à fls. 2735 a 2906 daquele feito, por considerálos indispensáveis para o deslinde da questão. Ainda, datada de 15 de abril de 2013, há nos autos petição da recorrente solicitando vista dos autos. Outra petição informa que foram juntados documentos do Processo nº 10.166.721.589/201024 em em 24 de maio de 2013. Este Processo foi colocado em pauta na sessão de novembro de 2013, quando foi solicitada vista de conselheiro da Turma, retornando para julgamento em dezembro de 2013, quando esta Conselheira relatora solicitou vistas para analisar documentação que foi protocolada em outubro de 2013, como comunicado pelo patrono da recorrente em sua sustentação oral. Protocolado em 30 de outubro de 2013, a petição explica que foi constatado que deixou de juntar documentos do Processo de nº 10120.002.462/200733, fls. 2271 a 2733 de onde foram obtidos os elementos constantes do Processo sob análise. A recorrente esclarece que não se trata de novos documentos trazidos à colação por já serem parte integrantes do processo original. Os documentos agora apresentados são: Comprovante de inscrição e situação cadastral CNPJ da empresa Centafour, emitido em 4 de agosto de 2005, em 25 de outubro de 2007, onde confirma a abertura em 1994 e que estava ativa em 13 de setembro de 2004. o mesmo comprovante da empresa GTI SYSTEMS LTDA, emitido em 4 de agosto de 2005, em 25 de outubro de 2007, onde confirma a abertura em 1993 e que estava ativa em 16 de outubro de 2004. o mesmo comprovante da empresa INFORMATICA ENGEL1N LTDA, emitido em 23 de outubro de 2007, onde confirma a abertura em 1991 e que estava ativa em 3 de novembro de 2004. o mesmo comprovante da empresa DATAFLOW INFO SISTEMAS LTDA, emitido em 25 de outubro de 2007, onde confirma a abertura em 1997 e que estava ativa em 21 de julho de 2001; Foi juntado como “DOC 6 – Comprovante de aquisição do imobilizado SISPOLI da empresa ENGELIN”, sendo que os documentos são CNPJ, nota fiscal de prestação de serviços, razões contábeis e outros; Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 20 Foi juntado como “DOC 7 – DARF de recolhimentos pela POLITEC em relação a Prodados” – são planilhas e DARFs de recolhimento sob o código 2362, 2430 e 7485; Foi juntado como “DOC 8 – DIPJ, Pedido de Parcelamento e DARFs das parcelas da GTI”; Foi juntado como “DOC 9 – – DIPJ, Pedido de Parcelamento e DARFs das parcelas da Centafour”. Em 5 de novembro de 2013, foi protocolado petição requerendo retirada de pauta do Processo pelo patrono da recorrente, quando novamente junta os documentos entregues junto à petição datada de 24/10/2013 e que constavam as fls. 2271 a 2733 do Processo nº 10120.002.462/200733. Como dito de início, em 31 de janeiro de 2014, a recorrente informa da desistência parcial referente ao IRPJ e à CSLL, mediante adesão ao programa de parcelamento". Foi o relatório da Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator ad hoc Segundo a relatora: "Por presentes os pressupostos de admissibilidade, inclusive o temporal, tomo conhecimento. Tratamse os autos de cobrança de: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para os anoscalendários de 2001 a 2004, devidos ao final do anocalendário, bem como devido sobre as bases estimativas mensais, por ser a recorrente optante do regime do lucro real, tendo como fundamento a não comprovação da usualidade, normalidade e necessidade das despesas ou custos incorridos. Esse item a recorrente informou, em 31 de janeiro de 2014, que houve desistência parcial e renúncia a quaisquer alegações de direito, mediante adesão ao programa de parcelamento efetuando o pagamento mediante utilização do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL e também caixa; Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF para os anos calendários de 2002 a 2004, à alíquota de 35%, sob o fundamento de pagamento sem causa, quando foi apresentado apenas as transferências financeiras (DOC, TED ou cheque) às empresas, mas não a comprovação da efetividade da prestação de serviços; aplicação de multa de 150% sobre os tributos federais exigidos, exceto para as antecipações pelas estimativas mensais;e Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 12 21 cobrança de multa isolada decorrentes dos tributos devidos sobre as estimativas mensais. DAS PRELIMINARES: Em primeiro lugar, alega a contribuinte a nulidade do lançamento por vício formal por terse iniciado em decorrência de nulidade da lavratura dos autos de infração anterior, que foram cancelados por esse Colegiado (cientificados em 26/06/2009 Acórdão nº 130100.036, e em 30/07/2009 Acórdão nº 130100.023) em virtude de vício formal pela falta de autorização escrita antes do início do procedimento fiscal, para a realização do reexame de período já fiscalizado. Alega a recorrente que, como a autorização escrita para novo exame foi concedida em 9 de novembro de 2009, a documentação da fiscalização anterior, realizada durante o ano de 2006, não poderia ser aproveitada para os lançamentos objeto do presente processo administrativo; que a autoridade lançadora não teria motivado o início de nova fiscalização, resultando em cerceamento ao direito de defesa. Ocorre que os novos lançamentos foram realizados com o único objetivo de sanar o vício formal, não necessitando de fase instrutória, pois foram considerados todos os documentos/elementos já carreados por ocasião do lançamento primeiro, como bem explicou a autoridade fiscal de pronto. A recorrente está entendendo que continua sobre os efeitos da nulidade por vício, o que não está correto com base no artigo 173, II, do CTN, a saber: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...)”. Como bem esclareceu a turma julgadora de 1ª instância, o artigo 173, II, do Código Tributário Nacional – CTN, dispõe que a autoridade fiscal tem 5 anos para efetuar novo lançamento, a partir da data em que a decisão declaratório de nulidade se tornou definitiva. Com base nesse artigo, foi iniciada ação fiscal com a ciência pessoal do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 09/11/2009 da ordem assinada pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Brasília autorizando o reexame do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2004. Logo, não há o que se falar em retroatividade de lançamento anterior ou falta de cumprimento de ato legal ou ilegitimidade do sujeito passivo ou mesmo contrariedade do lançamento ao disposto nos acórdãos que anularam os autos anteriores ou também cerceamento de defesa. A autoridade fiscal se valeu do disposto no artigo 173, II, do CTN para iniciar procedimento fiscal e cumpriu, ao efetuar o lançamento, com o disposto no artigo 142 do mesmo CTN e artigo 10 do PAF – Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70235/1972). Ora, às fls 2031/2042, está claro o motivo pelo qual foram iniciadas novas verificações ou fiscalização, bem como a utilização das mesmas provas carreadas anteriormente. Assim, foi feito novo lançamento culminando com lavratura de autos de infração, nos termos do artigo 142 do CTN, dentro do prazo de cinco anos contados da data em que a decisão declaratória de nulidade se aperfeiçoou, tornouse definitiva na esfera administrativa. Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 22 Acrescentamos ainda que também pelo fato da recorrente muito bem entender o que lhe foi cobrado, o que podemos verificar de sua Impugnação e de seu Recurso Voluntário, não se pode acatar a alegação de cerceamento de defesa. Desse modo, rejeitamos essas preliminares, pois a nova fiscalização foi devidamente motivada e também as matérias em discussão estão bastante esclarecidas. O segundo item levantado, em sede de preliminares, foi que o presente lançamento é nulo porque contraria o Acórdão Anulatório e porque deveria abranger apenas os períodos até 2004 e, não, extrapolado até 2006, tendo em vista a decadência quinquenal do novo lançamento fiscal. Novamente, a autoridade lançadora seguiu os ditames dos artigos 142 e 173, II, do CTN, bem como o que foi objeto de decisão no julgamento desse colegiado consubstanciado nos Acórdãos que serviram de base para essa nova fiscalização. Não há extrapolação de sua atuação, portanto, rejeitamos também essa preliminar. Em terceiro lugar, trata da falta de motivação da ‘refiscalização’ tendo em vista a não comprovação da ocorrência das hipóteses que amparam esse procedimento, segundo o artigo 149 e incisos do CTN. O novo procedimento foi sim motivado pelos Acórdãos que identificaram o vício formal dos autos de infração anteriormente lavrados, além do que, as finalidades e objetivos estão também devidamente esclarecidos no Relatório preparado pela autoridade lançadora, assim, não há o que se falar em falta de motivação ou contrariedade ao disposto no artigo 149 do CTN. Foram observados devidamente os artigos 142 e 173 do CTN. Essa questão foi muito bem enfrentada pela DRJ, que, corretamente, afastou os pleitos de nulidade pela clareza no Relatório de Verificação Fiscal de fls. 2031/2042 onde tem a justificativa da abertura de nova fiscalização, nos termos dos Acórdãos nºs 130100.036 e 130100.023 do CARF. Nesse Relatório de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora cita trechos desses Acórdãos, que tratam de vício de natureza formal. Novamente, o procedimento de fiscalização segue o disposto no artigo 173, II do CTN, situação na qual a Receita Federal readquire o direito de constituir o crédito tributário no prazo quinquenal. Como esclareceram os Acórdãos mencionados: “o novo lançamento eventualmente feito deverá se restringir às matérias e provas contidas na acusação original”, valendose a autoridade da investigação anteriormente realizada. Com base nesses procedimentos, foi feito o lançamento que culminou com a lavratura dos presentes autos. Não há qualquer irregularidade aqui, portanto, essa preliminar deve ser rejeitada. Por todo o exposto, rejeito as preliminares levantadas. DO MÉRITO: Como já relatado, a fiscalização teve como objetivo verificar a efetividade das despesas, encargos ou custos incorridos com os serviços prestados pela a recorrente durante os anoscalendários de 2001 a 2004. Durante a fiscalização, além da análise das documentações apresentadas pela empresa, foram feitas diligências nas empresas que constavam como prestadoras de serviços da recorrente, quais sejam: Prodados Company Ltda, Centaufor Ltda, Informática Engelin Ltda, GTI Systems Ltda, Dataflow Ltda, CONSIS Ltda e L&N Consultores Ltda. Nas diligências feitas nessas empresas, a autoridade lançadora não obteve qualquer comprovação dos serviços prestados ou, em alguns casos, comprovação mesmo de Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 13 23 existência da empresa e , portanto, concluiu que foram realizadas transações fictícias. Em outros casos, identificou que as empresas eram inaptas ou sem capacidade de prestar serviços à recorrente. Outras constatações foram que o modelo gráfico das notas fiscais semelhantes na maioria das empresas; e que as empresas possuíam um sócio comum, Sr. Anair Cunha também administrador da Prodados Company Ltda. Com isso, a autoridade fiscalizadora concluiu pela cobrança do IRRF tendo em vista que houve pagamento sem causa. A autoridade lançadora, na sua investigação de levantamento de dados e constatação de fatos, concluiu que as ações da recorrente demonstraram que o não recolhimento dos tributos devidos se deu de forma fraudulenta, tendo em vista que foram deduzidas despesas, encargos ou custos sem a devida comprovação da efetividade dos serviços ou mediante documentação hábil e idônea, inclusive idoneidade e regularidade das pessoas jurídicas prestadoras dos serviços. Repito que, como consta do relatório, a recorrente se utilizou de documentação que não satisfaz e não demonstram que houve efetivamente uma prestação de serviços. Mesmo as diligências feitas com fornecedores da recorrente, comprovaram o que inicialmente vislumbrado pela fiscalização – que não havia comprovação da necessidade, usualidade e efetividade das despesas, custos ou encargos, não foi apresentada documentação que comprovasse os serviços. É importante relembrar, como já relatado, e aqui remetemos novamente ao relatório por muito bem esclarecer o contexto em que está inserido este lançamento, o seguinte: algumas das empresas diligenciadas afirmaram que nunca prestou serviços à recorrente; no caso da empresa Informática Engelin Ltda ficou constatado que as seqüências de numeração nas “Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais” (AIDF’s) disponibilizadas pela Secretaria de Finanças de Belo Horizonte não conferem com as registradas nas Notas Fiscais apresentadas tendo a Politec como beneficiária; as empresas Prodados Company Ltda, Centaufor Ltda, GTI Systems Ltda e L&N Consultoria, tinham o Sr. Anair Cunha como administrador ou sócio comum entre elas, endereços eram fictícios e não havia registros de inscrição ou AIDF’s (exceto a L&N Consultoria) a L&N Consultoria apresentou divergências de numeração das Notas Fiscais naquelas em que a recorrente era beneficiária; ainda em relação aos custos e despesas incorridos com a empresa Prodados Company Ltda, os quais foram adicionados ao lucro real, é de se notar que o responsável pela condução de complexos projetos de desenvolvimento da empresa esclareceu, em diligência, que tinha como formação um curso de duração de 4 (quatro) meses, o que não coadunava com os serviços e os valores pagos. Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 24 Por todo o exposto, pelas diligências e verificações da autoridade lançadora foi constatado indícios de ações que visam impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos e a evitar ou retardar o seu pagamento. Concordamos que nos autos foram juntados documentos que comprovam a conduta de não cumprir com a obrigação tributária: Notas Fiscais, Duplicatas, Relatórios de Pagamentos Bancários, planilhas demonstrativas, cópias de declarações, nas planilhas demonstrativas de Notas Fiscais Inidôneas, documentos de transferência financeira (TED, DOC, cheque nominal). Desse modo, não restou à autoridade lançadora outra atuação que não aplicar multa de 150%, nos termos prevista na art. 44 da Lei nº 9.430/1996, para os casos de sonegação, fraude e conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964). A autoridade fiscalizadora executou os seus trabalhos de modo a obter informações e comprovações da efetividade das despesas/custos incorridos, como podemos verificar do disposto no relatório, realizou seu trabalho com diligência, mas não se confirmou, ao contrário, identificou que a prática visava não esclarecer a efetividade dos serviços ou mesmo sua necessidade para a manutenção da fonte pagadora. Ainda, em relação à insurgência da recorrente contra a aplicação de multa de 150% uma vez que foram retificadas as DIPJs, tendo sido feito recolhimento de IRPJ e CSLL, no montante total de R$8.654.666,91, em 2005, sendo que o início da fiscalização se deu em março de 2006. Novamente, vale lembrar o contexto dessa fiscalização que começou por Representação Fiscal elaborada pela DRF de Belo Horizonte – MG tendo em vista possível conluio entre a recorrente e a empresa Prodados Company Ltda. Como muito bem relatado (no relatório), a recorrente se utilizou de documentação inidônea e inábil para comprovar os custos, encargos ou despesas com serviços, bem como não comprova a efetividade da prestação desses serviços. Por essa razão, a autoridade lançadora efetuou diligências em outros fornecedores da recorrente e também apurou documentação incorreta, pessoas jurídicas irregulares ou não existentes, administração comum, notas fiscais em mesmo padrão e, por fim, nenhuma prova hábil e idônea de que os serviços foram efetivamente prestados. As ações da recorrente durante o procedimento de fiscalização contribuem para o entendimento de que é devida a multa de 150%. Mesmo a documentação trazida posteriormente, não comprova a efetividade dos serviços prestados. Aliás, como frisou a recorrente, de fato, nenhuma documentação apresentada posteriormente é nova, foi feita sim reapresentação de documentos já à disposição das autoridades fiscais, os quais não contribuem para melhorar as provas produzidas durante a fiscalização. Ainda, o fato de algumas das fornecedoras ter regularizado sua situação e recolhido, via parcelamento, os tributos devidos, não traz comprovação aos serviços prestados, mas apenas comprova que as receitas foram tributadas por elas. Acatando que houve dolo, fraude ou simulação, para o prazo decadencial, aplicase o artigo 173, I, do CTN. Para o IRRF, o lançamento referente ao fato gerador ocorrido em 11/01/2002 tem como o primeiro dia do exercício seguinte o dia 1º de janeiro de 2003, para o lançamento mais antigo, tendo o prazo findado também em 31/12/2007. Como o lançamento foi cientificado em 11/10/2007, não foi abarcado pela decadência. Alega a recorrente, em seguida, que se deu a denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, uma vez que adicionou as despesas incorridas com a empresa Prodados Company Ltda, antes do início da primeira fiscalização, em 17 de março de 2006. De fato, em relação às despesas ou custos incorridos com essa empresa, não há o que se falar em conduta dolosa ou de forma a evitar o fato gerador dos tributos em comento, mas não foram Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 1202001.089 S1C2T2 Fl. 14 25 somente esses despesas, custos ou encargos incorridos, há outras despesas ou custos incorridos que não foram computadas ou objeto de retificação no LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real ou DIPJ. Ademais, estamos diante de pagamentos não que tem causa que os justifique, logo, estão ao IRRF de 35%. A falta de justificativa ou causa do pagamento resulta em estar obrigado ao recolhimento do IRRF à alíquota de 35%, o que é elidido com denúncia espontânea. Aliás, o cômputo no cálculo da apuração do IRPJ ou CSLL, não descaracteriza a qualificação da multa de 150% sobre o IRRF de 35%. Alega ainda que as empresas Centaufor e GTI apresentaram DIPJs ao Fisco, após procedimentos de fiscalização, portanto, foram regularizadas e não são consideradas inaptas. Ocorre que em relação aos fatos sujeitos aos IRRF aqui sob análise, os pagamentos continuaram sem justificativa e pagos a empresas consideradas inaptas no momento do pagamento ou crédito. Além da denominada “denúncia espontânea” alegada pela recorrente por ter procedido a adição das despesas ou custos com a Prodados Company Ltda., insistentemente também indica que não foram analisados as provas e documentos trazidos em sede de impugnação ou recurso voluntário. Ora, mesmo os trazidos em 2012 ou 2013 não configuram comprovação dos serviços prestados. Esses documentos são recibos confirmando o pagamento por serviços prestados, alguns são recibos assinados pela própria recorrente esclarecendo o pagamento e outros da empresa beneficiária, notas fiscais, razões contábeis, recolhimentos de tributos outros, mas nada que comprove a efetividade dos serviços aqui sob análise. Não podem ser considerados documentos comprobatórios e hábeis para suportar a efetividade da prestação de serviços ou a regularidade da conduta da recorrente. Essas provas não excluem a multa agravada de 150% ou mesmo comprovam a efetividade dos serviços prestados, são documentos em alguns casos internos da empresa e em outros sem nenhuma representatividade para comprovar os fatos. A recorrente também alega que há provas dos pagamentos efetuados por meio de cheques nominais, TED ou DOC, que estão de acordo com o disposto no artigo 82, parágrafo único, da Lei nº 9430/1996, portanto, não caberia a acusação de utilização de documentos inidôneos, também não tem como prosperar. O referido artigo 82 e parágrafo único dispõe sobre a inidoneidade de documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, os quais não produzem efeitos tributários em favor de terceiros interessados, inclusive o Fisco, exceto se comprovado o pagamento e o recebimento de bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. A glosa está correta uma vez que nos autos não restou comprovada a efetividade dos serviços prestados, portanto, os pagamentos, mesmo que através de TED, DOC ou cheques nominais feitos a pessoas jurídicas inaptas, não comprovam que os serviços foram prestados, apenas comprovam que houve transferência financeira, logo, não podem servir de documentos comprobatórios. Os TED, DOCs ou cheques nominais que foram trazidos aos autos se referem aos fornecedores: Prodados Company Ltda, Centaufor Ltda, Informática Engelin Ltda, GTI Systems Ltda, Dataflow Ltda, CONSIS Ltda e L&N Consultores Ltda. Portanto, estamos diante de comprovação do pagamento mas não do que lhe deu causa, continua sem causa ou sem a efetiva comprovação, sujeitos, assim, às disposições do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 26 Nesse tópico, a recorrente traz os artigos 43 e 45 do CTN que sustentam a não pertinência da tributação pelo IRRF e a glosa dos custos ou despesas na apuração do cálculo do IRPJ e da CSLL. A cobrança de IRRF à alíquota de 35% pelo pagamento sem causa é hipótese de incidência tributária que condiciona à comprovação da causa do pagamento. Outra alegação da recorrente é que não houve declaração de inidoneidade dos documentos, contudo, a inidoneidade de documentos não advém, exclusivamente, da declaração de inaptidão. Aliás, o § 4º do art. 48 das Instruções Normativas RFB nº 568 de 08/09/2005 (em vigência no curso da ação fiscal), dispositivo mantido nas Instruções Normativas sucessoras, nº 748 de 28/06/2007 e nº 1.005 de 08/02/2010, dispõe que a inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação. Ou seja, a declaração de inaptidão é uma das hipóteses de inidoneidade de documentos prevista na legislação, mas não é a única. Como já constante do relatório, constatase dos autos que há elementos suficientes que atestam a inidoneidade da documentação fiscal apresentada como emitida. Por todo o exposto, entendemos que a autoridade lançadora trilhou o caminho para obter documentos comprobatórios e efetividade da prestação de serviços, o que não conseguiu obter. Com isso, concluiu seus trabalhos corretamente cobrança o IRRF à alíquota de 35%, nos termos artigo 61, parágrafo 1º da Lei nº 8981/1995 (transcrito no artigo 674 do RIR/99). Por todo o exposto, temos que o sujeito passivo não comprovou que houve prestação de serviços com documentação hábil e idônea, nem mesmo a efetividade dos serviços prestados, conseqüentemente nem a causa para o pagamento ter sido efetuado. Assim sendo, o voto é no sentido de negar provimento". Foi como votou a relatora. Plínio Rodrigues Lima Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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