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Numero do processo: 10865.002581/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02.
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CO-TITULARES. INTIMAÇÃO.
Nos termos do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contas-correntes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Aplicação do Enunciado nº 29 da Súmula CARF.
Numero da decisão: 2102-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 1.315.128,15 (ano-calendário 2001), R$ 1.720.160,06 (ano-calendário 2002), R$ 712.541,51 (ano-calendário 2003) e R$ 143.568,80 (ano-calendário 2004). Realizou sustentação oral o Dr. Carlos Eduardo Pretti Ramalho, OAB/SP nº 317.714.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 13/02/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COTITULARES. INTIMAÇÃO. Nos termos do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contascorrentes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Aplicação do Enunciado nº 29 da Súmula CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 25 81 /2 00 6- 00 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 1.315.128,15 (anocalendário 2001), R$ 1.720.160,06 (anocalendário 2002), R$ 712.541,51 (anocalendário 2003) e R$ 143.568,80 (anocalendário 2004). Realizou sustentação oral o Dr. Carlos Eduardo Pretti Ramalho, OAB/SP nº 317.714. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/12 para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos entre os anos de 2001 e 2004, e o contribuinte dele foi cientificado em 19.12.2006. Nesta ocasião, apresentou a impugnação de fls. 475/525, na qual requereu, em síntese, que: fosse acolhida a preliminar de nulidade do lançamento; fosse decretada a ilegalidade da apuração da base de cálculo, determinando se: a) a exclusão dos valores oportunamente declarados e resultantes da venda de bens e direitos; b) a violação da capacidade contributiva e da alteração do conceito de renda; e c) a aplicação da capitulação mais benéfica lançando a obrigação como decorrente da atividade rural. fosse reduzida a multa aplicada. Na análise de tais alegações, os integral da DRJ em São Paulo decidiram pela integral manutenção do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE Fl. 657DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10865.002581/200600 Acórdão n.º 2102003.233 S2C1T2 Fl. 645 3 RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove ou apenas comprove em parte, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. EFEITO DA JURISPRUDÊNCIA As decisões judiciais e administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, matéria reservada ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO Não há qualquer impedimento legal à aplicação de multa de oficio. EXCLUSÃO DA PENALIDADE Não é possível alterar valor de multa ou cancelar penalidade imposta em auto de infração quando não existir lei autorizadora, visto que o lançamento não é ato discricionário e sim vinculado à previsão legal. Lançamento Procedente. Não tendo se conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 607 e seguintes, no qual requereu, em resumo: Diante de todo o exposto serve a presente para requerer desta Colenda Câmara Julgadora, que dela conheça e dignese lhe dar integral provimento, reformando da decisão administrativa guerreada para: a) reconhecer a ilegalidade do lançamento tributário ante a violação do princípios e garantias constitucionais elencadas, e face a violação das disposições dos Artigos 43 e seguintes e 142 do Código Tributário Nacional, por ausência da verificação da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária; b) reconhecer a ilegalidade do lançamento tributário ante a ausência de aplicação das 'disposições do Artigo ' ..112 do Fl. 658DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 4 Código Tributário Nacional para que a tributação fosse pela 'modalidade de exercício de atividade rural, mais benéfica ao contribuinte; c) reconhecer a ilegalidade do lançamento tributário ante a inexistência de acréscimo patrimonial à descoberto, conforme demonstrado nas planilhas anexas à impugnação; d) determinar a redução da multa punitiva ante a inequívoca ausência de caracterização do intuito de fraudar o Erário Público. Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 23.09.2008, como atesta o AR de fls. 625. O Recurso Voluntário foi interposto em 23.10.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo no qual se discute lançamento para exigência do IRPF em decorrência da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada. Em seu recurso, o Recorrente alega que o lançamento teria violado o conceito de renda previsto no CTN, e que teria sido desconsiderado o fato de que seus rendimentos eram decorrentes da atividade rural, razão pela qual eventual tributação dos valores depositados em suas contas deveria ter considerado a sistemática de tributação aplicável aos rendimentos da atividade rural, o que, porém, não foi feito. No que diz respeito a tal alegação, há que se esclarecer que a Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser revista contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Nestes casos, o ônus da prova não é mais da autoridade fiscal (no sentido de comprovar a ocorrência de eventual omissão) e sim do próprio contribuinte (de que não houve qualquer omissão). Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Neste sentido, este Conselho editou a Súmula nº 1, segundo a qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10865.002581/200600 Acórdão n.º 2102003.233 S2C1T2 Fl. 646 5 O mesmo se aplica à alegação de que não houve demonstração de variação patrimonial a descoberto, pois tal demonstração fica dispensada nos casos de lançamentos fundados no art. 42 da Lei nº 9.430/96, nos termos do Enunciado 26 da Sumula deste CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Por isso, e em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que determina a aplicação obrigatória das súmulas, deixo de acolher o pedido do Recorrente nesse sentido. Ainda com relação ao mérito do lançamento, o Recorrente defende que por ser a atividade rural a sua única fonte de rendimentos, deveria o lançamento ter levado em consideração a sistemática da tributação aplicável às receitas da atividade rural, e não ter sido efetuada nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Neste ponto, entendo que não assiste razão ao Recorrente. Com efeito, a tributação dos rendimentos auferidos com a atividade rural pode se dar de duas formas: i) tendo como base de cálculo o valor total das receitas assim auferidas, deduzido do valor das despesas efetivas com a mesma atividade; ou ii) tendo como base de cálculo o valor correspondente a 20% do total das receitas auferidas. Decorre daí que a tributação dos rendimentos auferidos com a atividade rural se dá de forma diferenciada dos demais rendimentos (ordinários), razão pela qual a sua utilização deve ser feita com muita cautela pelas autoridades fiscais. Isto significa que os rendimentos da atividade rural não se presumem, mas devem ser cabalmente comprovados como rendimentos desta natureza, sob pena de o contribuinte não poder se beneficiar das regras específicas de tal modalidade de tributação. Esta é a determinação legal contida no art. 71, § 1º do RIR/99, verbis: Art.71. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano calendário, observado o disposto no art. 66 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 5º). §1º Essa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas e despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. §2º O disposto neste artigo não se aplica à atividade rural exercida no Brasil por residente ou domiciliado no exterior (Lei nº 9.250, de 1995, art. 20, e §1º). Assim é que nos termos do parágrafo 1º acima transcrito, fica claro que caberia ao Recorrente ter demonstrado, de forma inconteste, que os valores depositados em sua conta eram decorrentes da atividade rural, sob pena de não poder tributálos conforme pretendido. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 6 Ainda que o Recorrente não exerça nenhuma outra atividade e se dedique exclusivamente à atividade rural – como alega – este fato não implicaria na necessária presunção de que a totalidade de seus rendimentos decorre da atividade rural. A omissão pode ser decorrente de qualquer outra fonte. Ademais, a decisão recorrida deixou de deferir este seu pedido pelo fato de que o Recorrente não declarara quaisquer rendimentos da atividade rural em sua DIRPF, verbis: Da mesma forma, na impugnação, o Contribuinte também não traz qualquer documento hábil a comprovar a origem dos depósitos listados pela Fiscalização nas citadas intimações e discriminados no Auto de Infração. Restringiuse a alegar de forma genérica que desenvolveu atividade rural e é possuidor de glebas de terras destinadas a produção agrícola e criação de gado bovino para corte, e nos anos bases, promoveu diversas operações de venda de bens integrantes de seu patrimônio. Apesar disso, em suas DIRPF's não declarou receitas com atividades rurais e nem tampouco o recebimento com vendas de bens de seu patrimônio, tal fato reconhecido pelo próprio Contribuinte. Ademais, em sua impugnação não apresentou qualquer documento hábil a comprovar suas alegações. Por fim, não bastassem as razões já aduzidas, é preciso ressaltar que se alguma presunção existe – e decorre de lei, esta é a de que os depósitos bancários de origem não comprovada devem ser considerados rendimentos omitidos; esta é a presunção legal aplicável à espécie. O Recorrente se insurge também contra a multa de ofício aplicada ao lançamento, a qual alega ter caráter confiscatório. Tal pedido, porém, esbarra também no enunciado nº 2 da Súmula deste CARF, já transcrito anteriormente. Neste último caso, apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Por fim, da análise dos autos existe uma outra questão que chama a atenção e deve ser aqui apreciada. Tratase do fato de que o Recorrente mantinha contas conjuntas com Ana Aparecida Dian e Fátima Regina Gobbo, conforme salientado pela própria autoridade fiscal, verbis: Auditados os extratos bancários e documentos enviados pelas Instituições Financeiras, confeccionamos planilha eletrônica contendo os valores líquidos a serem explicados pelo Contribuinte (v.f.37'1). Conforme se pode verificar desta planilha, o Sr. Walter possui duas contas conjuntas com as Sras. Ana Aparecida Dian e com Fátima Regina Gobbo. Esta última declara seu IRPF de forma conjunta com o Sr. Walter, sendo ele o responsável declarante. Assim, consideramos os depósitos nessa conta de forma integral. Sendo assim, em 10/11/2006 o Contribuinte foi intimado acerca desta planilha (v.f.n.), quando requisitamos a comprovação das origens dos depósitos em suas contascorrentes. O prazo expirou e não recebemos nenhuma resposta. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10865.002581/200600 Acórdão n.º 2102003.233 S2C1T2 Fl. 647 7 Por isso, estamos lançando de ofício neste Auto de Infração os valores líquidos dos depósitos apurados na referida planilha, descontadas as receitas declaradas em suas Declarações do IRPF nos anoscalendários de 2001, 2002, 2003 e 2004. Com efeito, às fls 405 dos autos resta comprovado que a conta 55611 do Banco do Brasil era conjunta entre o Recorrente e Ana Aparecida Dian e que a conta 68640 do mesmo banco era conjunta entre o Recorrente e Fátima Regina Gobbo. Além disso, os extratos do banco Banespa (fls. 351/373) demonstram que a conta mantida pelo Recorrente naquela instituição financeira também era conjunta com Fátima Regina Gobbo. Por outro lado, não consta dos autos qualquer informação acerca da intimação da Sra. Ana ou da Sra. Fatima para que comprovassem a origem dos depósitos efetuados nas contas das quais eram cotitulares, sendo certo que o Recorrente foi o único intimado a fazêlo. Tendo adotado tal postura, fica claro que a autoridade fiscal deixou de respeitar o que determina o art. 42 da Lei nº 9.430, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Isto porque, sendo conjuntas as referidas contascorrentes, deveriam todos os cotitulares das contas ter a oportunidade de apresentar documentos que comprovassem a origem dos valores lá depositados, previamente à efetivação do lançamento o que não ocorreu na hipótese em exame. Não existe a figura do “titular principal” da conta, todos os titulares são aptos a movimentar as contas bancárias conjuntas na forma que desejarem, razão pela qual se enquadram no conceito de “titular” constante do art. 42 acima transcrito e devem ser também intimados para fins de comprovação da origem dos depósitos efetuados, sob pena de não se configurar a presunção legal contida na mencionada norma. Neste sentido é o entendimento deste Conselho de Contribuintes a respeito da matéria, como se vê dos seguintes julgados: DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO CONHECIDA. CONTA CONJUNTA. ARTIGO 42, § 6º DA LEI 9.430, DE 1.996. Ausência de intimação do cotitular da mesma conta corrente bancária. Lançamento realizado sem a devida intimação do(s) co(s)titular(es) da conta corrente bancária contém erro material. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores creditados. Ausência de segurança quanto à base de cálculo e o valor do tributo cobrado. Hipótese de nulidade do lançamento. Embargos de Declaração acolhidos. (Ac. nº 10248.844, Rel. Cons. Silvana Mancini Karam) Fl. 662DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 8 Este entendimento acabou por se consolidar na Súmula CARF Nº 29, que assim dispõe: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, deve ser reconhecida a nulidade do lançamento em relação às contas em que há comprovada cotitularidade, mas os cotitulares não foram intimados. Os quadros de fls. 464/465 demonstram de forma consolidada o somatório dos depósitos considerados no lançamento em relação a cada conta bancária mantida pelo Recorrente. Deles é possível extrair os seguintes valores mantidos nas contas conjuntas já referidas: 2001 2002 2003 2004 Bradesco conjunta com Ana 2.260,06 0,00 0,00 0,00 Banespa conjunta com Fátima 0,00 247.500,00 272.450,77 94.947,80 Bradesco conjunta com Fatima 1.312.868,09 1.472.660,06 440.090,74 48.621,00 1.315.128,15 1.720.160,06 712.541,51 143.568,80 Tais somas anuais correspondem aos valores que devem ser excluídos da base de cálculo deste lançamento. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 1.315.128,15 (anocalendário 2001), R$ 1.720.160,06 (anocalendário 2002), R$ 712.541,51 (anocalendário 2003) e R$ 143.568,80 (anocalendário 2004). Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 663DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 10280.005329/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO ESPECIAL 993.164. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO.
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em Regime de Recursos Repetitivos, sistemática prevista no artigo 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização de Crédito Presumido do IPI descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. Por unanimidade de votos, para que (i) os cálculos do Crédito Presumido observem as conclusões registradas no Termo de Encerramento de Diligência de folhas 371 e 372 (e-Proc) e (ii) não seja reconhecido eventual direito a crédito adicional apurado pela Fiscalização Federal no curso do procedimento e não requerido à inicial pelo contribuinte. Pelo voto de qualidade, que a fração do crédito reconhecido depois do Despacho Decisório seja corrigida pela aplicação da Taxa Selic desde o protocolo do Pedido. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e o Conselheiro Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes, que admitiam a correção pela Taxa Selic para a totalidade do crédito reconhecido. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar votaram pelas conclusões em relação ao direito do contribuinte ao crédito adicional apurado pelo Fisco.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 04/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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PEDIDO ORIGINAL. EXCEDENTE APURADO PELA FISCALIZAÇÃO. CONCESSÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO. PRESCRIÇÃO. Deve ser reconhecido o direito ao crédito não requerido originalmente no pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte, mas apurado pela Fiscalização Federal na análise do pleito. Prescreve em cinco anos o direito de constituir o pedido de reconhecimento do crédito escriturado, na forma especificada pela Administração Tributária ou. Não sendo possível fazêlo na forma prescrita, atribuise o mesmo efeito à manifestação expressa apresentada pelo contribuinte no curso do procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO ESPECIAL 993.164. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em Regime de Recursos Repetitivos, sistemática prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização de Crédito Presumido do IPI descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 53 29 /2 00 6- 15 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. Por unanimidade de votos, para que (i) os cálculos do Crédito Presumido observem as conclusões registradas no Termo de Encerramento de Diligência de folhas 371 e 372 (e Proc) e (ii) não seja reconhecido eventual direito a crédito adicional apurado pela Fiscalização Federal no curso do procedimento e não requerido à inicial pelo contribuinte. Pelo voto de qualidade, que a fração do crédito reconhecido depois do Despacho Decisório seja corrigida pela aplicação da Taxa Selic desde o protocolo do Pedido. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e o Conselheiro Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes, que admitiam a correção pela Taxa Selic para a totalidade do crédito reconhecido. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar votaram pelas conclusões em relação ao direito do contribuinte ao crédito adicional apurado pelo Fisco. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 04/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, fundamentado no disposto na Lei nº 10.276, de 29 de novembro de 2001, referente ao segundo trimestre de 2005, no valor de R$ 847.091,31, juntamente com declarações de compensação (fls. 02/32). 2. Após diligência realizada pelo Serviço de Fiscalização (fls. 101/117), a DRF Belém reconheceu parcialmente o direito ao crédito, no montante de R$ 738.376,58, homologando até o limite deste a compensação efetivada. Foram objeto de glosa os itens constantes do Demonstrativo de fls. 109/111, sob a justificativa de que não estão enquadrados no conceito de insumo (matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem) previstos na legislação do IPI, cuja utilização é prevista no § 5º do art. 1º da Lei n° 10.276, de 2001. 3. Cientificada em 10.06.2008 (AR fl. 142v.) a interessada apresentou, tempestivamente, em 08.07.2008, manifestação de inconformidade (fls. 143/165), abaixo resumidos: a) Contesta a glosa sobre o item “Frete sobre matéria prima”, argumentando que tal medida distorce o conceito de custo da matériaprima e, portanto, o custo dos bens exportados, uma vez que “o custo da matériaprima não é o valor pago ao fornecedor tão somente, mas sim o custo dessa matériaprima no pátio de produção Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.005329/200615 Acórdão n.º 3102002.412 S3C1T2 Fl. 3 3 do exportador”. Anexa documentos de contratação do frete, ressaltando entendimento do Conselho de Contribuintes no sentido de que não seria possível o aproveitamento do frete apenas quando o exportador não consegue demonstrar evincular cada conhecimento de transporte a uma ou mais notas fiscais de entrada de matériaprima, o que não é o seu caso; b) Ainda sobre o mesmo tema (frete), cita doutrina e orientação contida no Perguntas e Respostas da DIPJ/2005, questão n° 785, e nas Orientações da DCP/2003; c) Já no item “Material de Embalagem”, os quais foram glosados sob a justificativa da Unidade de que não estariam especificados os tipos de insumos, alega que não há como melhor especificar o material de embalagem adquirido, que seria madeira de segunda para confecção de embalagens; d) Quanto aos “serviços de industrialização”, cuja glosa deuse pelo mesmo motivo do item acima, apresenta idêntica justificativa, afirmando que não há como melhor especificar os serviços, ressaltando o disposto no art. 1º, § 1º, II da Lei n° 10.276, de 2001, onde consta determinação para aproveitamento dos valores correspondentes aos serviços decorrentes de industrialização por encomenda; e) Solicita a atualização monetária do crédito pela taxa Selic, citando entendimentos nesse sentido do TRF da 4ª Região e do Conselho de Contribuintes, afirmando que a negativa afronta o princípio do não enriquecimento ilícito ou sem causa, bem como da razoabilidade e da moralidade da administração pública; f) Por fim, requer que seja considerada procedente sua manifestação, no sentido de ser reconhecido o direito ao crédito presumido do IPI, homologação da compensação efetuada, além da atualização da taxa Selic. Solicita também a possibilidade de juntada de novos documentos e informações comprobatórios da veracidade do alegado e a mais ampla produção de provas. 4. Em primeira análise, entendeuse ser necessária a realização de diligência para as seguintes providências (fls. 236/239): “a.1) rever a glosa sobre frete nas compras de matériasprimas, quando pago a terceiros, nos casos em que o transporte seja efetuado por pessoa jurídica contribuinte de PIS/Pasep e da Cofins, com o conhecimento de transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição; a.2) refazer o cálculo do crédito presumido, na forma alternativa estabelecida na Lei n° 10.276, de 2001, e na Instrução Normativa SRF n° 315, de 2003, caso sejam acatados valores de frete conforme alínea acima; a.3) consolidar, em relatório circunstanciado, as informações prestadas em atendimento à presente diligência; a.4) apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo;” 5. Em resposta, a DRF/Belém elaborou o Termo de fls. 256/258, no qual reviu as glosas sobre frete e refez os cálculos do crédito presumido, resultando no valor de R$ 787.456,30. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INSUMOS. O aproveitamento de insumos no cálculo do crédito presumido do IPI necessita da perfeita identificação dos memos e comprovação de sua aplicação no produto industrializado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisou parte dos argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Reiterou entendimento de que o transporte entre o fornecedor da matéria prima e o pátio de produção do exportador é custo da matéria prima. Protestou mais uma vez pela inclusão do material de embalagem e dos serviços de industrialização por encomenda. Requereu correção monetária dos valores a que tem direito. Acrescentou que “mesmo na nova diligência o agente fiscalizador deixou de observar fator de suma e vital importância que resultou na apuração a menor do crédito da ora Recorrente, qual seja, deixou de acumular os custos com frete relativos ao primeiro trimestre de 2005 que havia originalmente glosado e que foram objeto de Impugnação.” Ao final, requereu deferimento de prazo para complementação do pedido de ressarcimento tendo em vista os valores apurados como decorrência de diligência fiscal serem superiores ao pedido feito na origem. O Processo foi baixado em diligência para que a Unidade de Origem prestasse certos esclarecimentos necessários à adequada instrução processual. Assim constou no corpo da Resolução 3102000.178, de 02 de setembro de 2011. Pelo exposto, VOTO POR CONVERTER o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem esclareça se de fato deixou de incluir nos cálculos o valor das despesas com fretes incorridas pela empresa litigante no primeiro trimestre de 2005 e, se assim o fez, que justifique a razão para tal exclusão e, por fim, informe a respeito do reconhecimento do direito ao crédito em outro processo. Em atendimento à diligência, a Unidade de Origem manifestouse. Em consonância à diligência que nos foi determinada temos a esclarecer o seguinte: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.005329/200615 Acórdão n.º 3102002.412 S3C1T2 Fl. 4 5 1 De fato as despesas com fretes incorridas pelo sujeito passivo no primeiro trimestre de 2005 não foram incluídas nos cálculos referentes a este trimestre; 2 A não inclusão destas despesas se deu tendo em vista que em função das várias manifestações de inconformidade apresentadas pelo sujeito passivo à DRJ/BELÉM, gerou por conseqüência a determinação por essa DRJ de várias diligências, entretanto ao determinar tais diligências os processos não seguiram uma ordem cronológica dos trimestres, o que gerou o equívoco; 3 Informamos também que o frete não adicionado, foi devidamente reconhecido nos autos do processo 10280.005330/200640, no valor de R$ 500.750,03. Informamos ao sujeito passivo que lhe é concedido o prazo de 30 (trinta) dias para que se manifeste a respeito das informações aduzidas pela fiscalização. Em sua manifestação, o contribuinte, além de referirse ao fato de a Unidade de Origem ter reconhecido o erro cometido pela falta de inclusão das despesas com fretes no primeiro trimestre de 2005, refaz os cálculos com base nesses novos valores e, ao final, requer o reconhecimento do crédito adicional que não havia sido solicitado no pedido originalmente feito. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Que se diga de início que, perante o reconhecimento dos enganos cometidos pela Unidade Local em relação às despesas com fretes incorridas pelo sujeito passivo no primeiro trimestre de 2005, não resta mais controvérsia a esse respeito. Remanesce, portanto, discussão a respeito da inclusão dos serviços de industrialização e material de embalagem na base de cálculo do Crédito Presumido, da atualização monetária dos valores a que tem direito e do reconhecimento do saldo credor em valor superior ao que havia sido pedido à inicial. Tratamse de que matérias que, no todo ou em parte, já foram analisadas e decididas por este Colegiado, em processos do mesmo contribuinte, pelo menos nos Acórdãos 3102001.227, de 07 de outubro de 2011 e 3102001.946, de 24 de julho de 2013. Desta forma, não vejo razão para que a decisão neste tomada destoe da que foi proposta naqueles, a não ser por um acréscimo que deve ser feito nos elementos anteriormente levados em consideração na formação daquelas decisões, como a seguir se esclarecerá. Assim, reitero entendimento de que deve ser concedido ao contribuinte o valor do crédito adicional apurado no curso dos procedimentos de fiscalização. Como já expus em outras oportunidades, o fato constitutivo do direito ao crédito do contribuinte é a apresentação do pedido regularmente protocolada perante a Administração Federal, sem a qual não há que se falar em direito de compensação, restituição ou ressarcimento e tampouco se cogita a instauração de litígio em torno da pretensão do administrado. É uma situação análoga à especificada em lei como sendo o fato constitutivo do direito da Fazenda Nacional à exigência de crédito tributário: o lançamento. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 De fato, ao regulamentar a tramitação do processo de exigência do crédito tributário, a legislação determinou que, se em diligências posteriores houvesse agravamento da exigência inicial, deveria ser lavrado auto de infração complementar e dado ciência ao sujeito passivo. Por outro lado, até o momento presente, o legislador não se preocupou com a regulamentação dos casos nos quais, como o de que aqui se trata, a verificação de incorreções, omissões ou inexatidões resulte em ampliação do direito de crédito do contribuinte em relação aos valores inicialmente requeridos. Assim, a priori, me parece razoável pensar que, de forma semelhante ao que foi definido em lei nos casos de agravamento da exigência fiscal, uma vez que seja constatado acréscimo na expressão do direito de crédito do administrado, o valor adicional deve ser objeto de novo pedido, ato que, praticado, materializa a pretensão, sob condição do ulterior reconhecimento do crédito. Nestas circunstâncias, segundo entendo, é de se admitir que o pedido que constitui a pretensão do contribuinte foi feito quando da apresentação da manifestação ao resultado da diligência demandada por este CARF, na medida em que a empresa claramente consigna no corpo do documento o requerimento de que o crédito adicional seja reconhecido. E, também, creio que tampouco a formalidade pode ser oposta ao reconhecimento desse direito. É o que se depreende das disposições normativas presentes na Lei 9.784/99. Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. Seja por todas as razões até aqui expostas, ou seja, então, em prestígio à verdade material, ao princípio da economia processual ou da instrumentalidade das formas, entendo que deveria ser reconhecido o direito ao crédito do administrado até o valor total apurado pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, até mesmo porque não haveria mais como fazêlo nos moldes determinadas pela Administração Tributária. No caso vertente, conforme consta no Relatório que constitui a decisão de primeira instância, o contribuinte requereu, à inicial, o reconhecimento de crédito no valor de R$ 847.091,31. Desse valor foilhe concedido apenas R$ 738.376,58. Também informa o Relatório que, após a primeira diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o valor do crédito reconhecido foi ampliado para a expressão de R$ 787.456,30. De tudo isso, constatase que, se há crédito em valor superior ao pleiteado pelo contribuinte, ele decorre da diligência determinada por este Colegiado e foi requerido somente por ocasião da manifestação do Contribuinte em 21 de março de 2014. É neste ponto que se faz necessário observar a ocorrência de um evento que passou despercebido nas outras decisões. Há um prazo para que o contribuinte exerça o direito de requerer o ressarcimento/compensação/restituição dos tributos. Em regra geral1, esse prazo é de cinco anos, contados da data em que nasceu o direito. No caso concreto, o período de apuração ocorreu entre 01/04/2005 a 30/06/2005, restando, assim, incontroverso que o direito ao pleito está prescrito. 1 Excepcionados os pedidos apresentados até o dia 09 de junho de 2005 no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 566.621, de 04 de agosto de 2011. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.005329/200615 Acórdão n.º 3102002.412 S3C1T2 Fl. 5 7 Noutro giro, no que diz respeito à correção monetária, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, aplicase a decisão tomada no Recurso Especial nº 993.164, do Superior Tribunal de Justiça, decidido em Regime de Recursos Repetitivos. Para maior clareza, transcrevoo a seguir. RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.005329/200615 Acórdão n.º 3102002.412 S3C1T2 Fl. 6 9 sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Autorizada, portanto, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic no caso de pedidos baseados no benefício instituído pela Lei 9.363/96. Quanto a isso, imperioso sublinhar que a correção é devida desde a oposição do Órgão estatal, impedindo a utilização do direito ao crédito. No caso concreto, não houve oposição à concessão do valor reconhecido desde o Despacho Decisório. Por fim, no que se refere aos serviços de industrialização e material de embalagem adotase o mesmo critério que norteou a decisão tomada no Acórdão 3102 001.946. Qual seja, uma vez que desde o início o contribuinte resiste a fazer prova de que tais serviços são serviços de industrialização por encomenda, não há como reconhecêlos aptos à geração de créditos. Transcrevo a seguir fundamento da decisão de piso, que adoto como se meus fossem. Serviços de industrialização e materiais de embalagem 6. A DRF Belém glosou tais rubricas em virtude de não haver especificação do que seriam tais serviços. Na sua manifestação a empresa deixou de juntar qualquer tipo de comprovação de que os serviços seriam decorrentes de industrialização por encomenda, conforme inciso II do § Io , do art. I o da Lei n° 10.276, de 2001, ou quais seriam os materiais de embalagem, pelo que se vota no sentido de ser mantida a glosa. VOTO pelo parcial provimento ao Recurso Voluntário para que (i) que os cálculos do Crédito Presumido observem as conclusões registradas no Termo de Encerramento de Diligência de folhas 371 e 372 (eProc), com a inclusão do valor correspondente às despesas com fretes incorridas pelo sujeito passivo no primeiro trimestre de 2005 (ii) não seja reconhecido eventual direito a crédito adicional apurado pela Fiscalização Federal no curso do procedimento e não requerido à inicial pelo contribuinte e (iii) a fração do crédito reconhecido Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 depois do Despacho Decisório seja corrigida pela aplicação da Taxa Selic desde o protocolo do Pedido. Sala de Sessões, 20 de março de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10880.909798/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, Joao Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, Joao Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, Joao Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé. Relatório O presente processo consiste em Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 16442.44626.240504.1.7.026041, que retificou a PER/DCOMP de nº 30650.81838.280104.1.3.029922, por meio da qual o contribuinte pretende compensar crédito apontado como “saldo negativo de IRPJ” do 2º Trimestre de 2003, no valor de R$ 2.149.036,23, com débitos de IRPJ e CSLL do 4º Trimestre de 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 79 8/ 20 08 -1 6 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 02/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 03/06/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.909798/200816 Resolução nº 1102000.306 S1C1T2 Fl. 3 2 Utilizando o mesmo crédito o contribuinte enviou ainda as PER/DCOMP de nº 35671.26989.240504.1.7.022325 (débitos de PIS e COFINS de fevereiro de 2004) e 00998.37679.240504.1.7.027885 (débitos de PIS e COFINS de março de 2004). O direito creditório pleiteado não foi reconhecido, sob o fundamento de que a DIPJ aponta imposto a pagar no montande de R$ 2.190.552,68, e não saldo negativo, conforme despacho decisório de fls. 02. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando basicamente que: a) Reconhece não haver saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, mas sim imposto a pagar; b) Foram cometidos vários erros materiais no preenchimento da DIPJ, bem como na PER/DCOMP em questão, alegando que isso deveria ter sido constatado e retificado de ofício pela Administração Fazendária em atenção ao princípio da verdade material e aos princípios norteadores da administração pública (eficiência, moralidade, impessoalidade e vedação ao enriquecimento ilícito), bem como com base nos artigos 142, 145 e 149 do CTN; c) Ao preencher a DIPJ/2004, no que tange ao 2º Trimestre de 2003, se equivocou e deixou de informar o valor de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) a título de dedução na linha 13 da Ficha 12A sobre aplicações financeiras, no valor de R$ 2.149.036,23 como declarado na Ficha 53 e comprovado por Informes de Rendimentos Financeiros juntados, cuja receita afirma ter sido levada a tributação; d) Entende que, por não ter sido objeto de análise e questionamento pela Receita Federal, esse IRRF seria incontroverso; e) Afirma que errou ao preencher sua PER/DCOMP informando que o crédito compensável decorria de “saldo negativo de IRPJ”, quando em verdade seria “recolhimento indevido ou a maior de IRPJ”; f) Recompõe o cálculo do IRPJ do período considerando a dedução do IRRF, chegando a um imposto a pagar de R$ 41.516,45; g) Afirma que recolheu IRPJ do 2º Trimestre de 2003 no montante de R$ 2.190.000,00 quando em verdade deveria ter recolhido R$ 41.416,45, o que caracterizaria um recolhimento a maior de R$ 2.148.483,55 passível de compensação; h) Informa ainda que diversos erros materiais também foram cometidos no preenchimento do PER/DCOMP representativos dos pagamentos do próprio débito de IRPJ correspondente ao 2º Trimestre de 2003; i) Entende possuir crédito em seu favor decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 2.148.483,55 de IRPJ do 2º Trimestre de 2003, motivo pelo qual pugna pela homologação da compensação em questão. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 02/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 03/06/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.909798/200816 Resolução nº 1102000.306 S1C1T2 Fl. 4 3 Analisado o caso através do Acórdão de nº 1632.522 (Fls. 307 a 311), a 7ª Turma da DRJ/SP1 julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO DE SALDO NEGATIVO. A inexistência, admitida pelo próprio contribuinte, de saldo negativo de IRPJ utilizado como direito creditório nestes autos, havendo, na realidade, imposto a pagar, é motivo justo para a não homologação da compensação declarada. A extinção por compensação em outra DCOMP do imposto a pagar apurado na DIPJ não dá origem a crédito de “pagamento a maior” para utilização nestes autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificado do acórdão que julgou improcedente sua manifestação de inconformidade no dia 08/09/2011 (Fls. 355), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (Fls. 313 e seguintes) no dia 10/10/2011, rogando pela reforma decisão de 1ª instância, basicamente reiterando as razões da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais, razões pelas quais dele tomo conhecimento. Conforme relatado, analisase a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 16442.44626.240504.1.7.026041, que retificou a PER/DCOMP de nº 30650.81838.280104.1.3.029922, por meio da qual o contribuinte pretendeu compensar crédito apontado como “saldo negativo de IRPJ” do 2º Trimestre de 2003, no valor de R$ 2.149.036,23, com débitos de IRPJ e CSLL do 4º Trimestre de 2003. Segundo a recorrente, foi pago via PER/DCOMP seu IRPJ do 2º Trimestre de 2003 em valor maior que o devido, em decorrência de equívoco ao preencher a DIPJ/2004, não tendo sido informado, a título de dedução na linha 13 da Ficha 12A, o respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras do período. Nesse sentido, conforme se percebe nas fls. 157, Ficha 12A da DIPJ/2004, realmente a linha 13, referente ao IRRF, encontrase zerada, ou seja não foi levado em consideração qualquer valor de IRRF para a apuração do IRPJ do 2º Trimestre de 2003. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 02/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 03/06/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.909798/200816 Resolução nº 1102000.306 S1C1T2 Fl. 5 4 Segundo a recorrente, o IRRF não declarado consiste em retenções na fonte decorrentes de aplicações financeiras. Para comprovar isso, juntou planilha com a indicação das retenções (fls. 176) e Informes de Rendimentos Financeiros (Fls. 177, 178, 179 e 201). Informa ainda a recorrente que as receitas destas operações com retenção na fonte foram devidamente levadas à tributação. O que pode ser percebido pela análise da Ficha 6A da DIPJ/2004 (fls. 150), cuja linha 24 declara o montande de R$ 11.029.887,69 referentes a operações de “Outras receitas financeiras”. Assim, há fortes indícios de que, de fato, a recorrente sofreu retenção na fonte em operações financeiras devidamente levadas à tributação, sem que essas retenções fossem contabilizadas no cálculo do IRPJ a pagar no 2º Trimestre de 2003. O que realmente acarretaria um recolhimento a maior de IRPJ para o período. Vale ressaltar ainda que a recorrente erroneamente informou que o crédito pleiteado seria de saldo negativo, quando em verdade o crédito é de recolhimento indevido ou a maior. Nesta seara, é de se primar pelo princípio da verdade material, o qual permeia o processo administrativo fiscal, devendose sempre, quando possível, buscar os meios de prova necessários para comprovar o direito creditório do contribuinte. A conduta da administração, em matéria tributária, não pode ignorar os eventuais créditos existentes em favor do contribuinte, em respeito ao princípio da legalidade e da verdade real, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Sobre o tema, é clara e concisa a exposição do professor Hugo de Brito Machado Segundo: (...) nas demais situações em que o conhecimento dos fatos for possível, e o contribuinte simplesmente não conseguir comproválos a tempo, ou não lograr fazêlo através de meio que a Administração deseja, o Fisco não poderá valerse da sanável insuficiência dos elementos fornecidos pelo contribuinte para tributálo, ou por qualquer meio prejudicálo, em face apenas dessa sua falta de diligência na demonstração da verdade (MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo Tributário. São Paulo: Atlas, 2004, p.49). Desta forma, haja vista a verossimilhança das alegações do contribuinte, o qual comprovou a maior parte dos valores de IRRF retidos, bem como indicou na DIPJ que as respectivas operações foram levadas à tributação, proponho que o processo seja convertido em diligência para que restem respondidos os seguintes questionamentos, o que se faz imprescindível para o deslinde do feito: 1. Os informes de rendimentos financeiros trazidos aos autos pelo contribuinte totalizam qual valor de IRRF para o período do 2º Trimestre de 2003? 2. As respectivas operações financeiras que ocasionaram as retenções na fonte foram devidamente levadas à tributação do IRPJ no 2º Trimestre de 2003? Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 02/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 03/06/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.909798/200816 Resolução nº 1102000.306 S1C1T2 Fl. 6 5 3. Esse IRRF foi levado em consideração quando do cálculo do IRPJ do 2º Trimestre de 2003? 4. Caso tivesse considerado o IRRF, qual valor de IRPJ deveria ter sido recolhido para o período do 2º Trimestre de 2003? 5. Qual o valor de IRPJ recolhido por PER/DCOMP referente ao 2º Trimestre de 2003? 6. Qual o valor de IRPJ recolhido a maior para o 2º Trimestre de 2003 em decorrência da não declaração do IRRF? Devese promover ciência à recorrente acerca do relatório conclusivo e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 02/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 03/06/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10830.720371/2010-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/09/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 71 /2 01 0- 72 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.720371/201072 Acórdão n.º 3801005.239 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.720371/201072 Acórdão n.º 3801005.239 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830720371/201072, contra o acórdão nº 16051843, julgado pela 23ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I (DRJ/SP1), na sessão de julgamento de 21 de outubro de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: Trata o presente processo de auto de infração, fls. 02/09, por meio do qual é formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). A autoridade lançadora informa que a exigência em tela se deu por ter sido apurado registro de embarques intempestivos efetuados no mês de setembro e outubro de 2005. Constatou a fiscalização que a empresa de transporte internacional referenciada formalizou o registro dos dados de embarque de mercadorias no Siscomex após o prazo de 02 (dois) dias contados da data da realização do efetivo embarque, descumprindo, assim, a determinação prevista no artigo 37 da Instrução Normativa nº 28 de 1994, com nova redação dada pela Instrução Normativa n° 510/2005, conforme se depreende da planilha anexa às fls. 16. Entendeu a autoridade aduaneira que tal conduta configura infração prevista no artigo 107 do Decreto Lei nº 37/66, com as alterações introduzidas pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, com multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por embarque. Às fls. 10/15, encontrase o Termo de Constatação Fiscal ALF/VCP/EQDEX. Regularmente cientificada, às fls. 19, a autuada apresentou impugnação, fls. 20/41. (...) Cerceamento do direito de defesa e ausência de provas para a 35. Requer seja considerado nulo o auto de infração pelos seguintes motivos: a) inexiste o cumprimento das formalidades legais para a lavratura do auto de infração, o que cerceou o direito a ampla defesa e ao contraditório; b) o presente auto de infração está baseado na Instrução Normativa nº. 510/2005, que, além de ilegal, sequer estava em vigor á época dos fatos; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.720371/201072 Acórdão n.º 3801005.239 S3TE01 Fl. 5 4 c) o mero atraso na observância do prazo de dois dias não traz nenhum prejuízo à fiscalização que justifique a aplicação de multa tão elevada; d) deve ser considerado a denúncia espontânea, por parte da impugnante; 36. Requer, ainda, auditoria no Sistema da Receita Federal, vez que a planilha contida no auto de infração não possui valor probatório. A DRJ de São Paulo I (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/09/2005 Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela constitucionalidade de leis ou atos normativos. A exigência do cumprimento de uma obrigação acessória está estabelecida em uma lei e o prazo para seu cumprimento em uma norma autorizada pela própria lei. O ato do contribuinte deve atingir o objetivo, na forma e prazo prescritos na legislação pertinente à matéria. Descumprido o prazo previsto na norma, cabível a aplicação da penalidade proposta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 106/134, expondo que: 1 O auto de infração não foi instruído com documento que comprove a infração imputada, caracterizando a não ocorrência do fato gerador da multa, bem como a nulidade do auto de infração; 2 O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 3 O afastamento da penalidade pela suposta infração, uma vez que todas as informações de embarque de mercadorias no Siscomex foram inseridas espontaneamente, aplicandose assim o instituto da denúncia espontânea; 4 O Siscomex apresenta falhas técnicas, que por diversas vezes geram indisponibilidade por horas ou dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias; 5 Violação ao princípio da boafé, razoabilidade e proporcionalidade. Inexistência de embaraço à fiscalização, bem como necessária desoneração das exportações e também violação à finalidade do ato administrativo, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.720371/201072 Acórdão n.º 3801005.239 S3TE01 Fl. 6 5 sendo a multa, desvinculada do aumento à fiscalização ou arrecadação de tributos. É o sucinto relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.720371/201072 Acórdão n.º 3801005.239 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.720371/201072 Acórdão n.º 3801005.239 S3TE01 Fl. 8 7 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.720371/201072 Acórdão n.º 3801005.239 S3TE01 Fl. 9 8 isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, deixo de apreciar os demais argumentos trazidos pela recorrente. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a penalidade aplicada, em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10875.004914/2002-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 08/01/2001 a 23/02/2001
Ementa:
Aproveitamento de créditos - Lei 9779 - Tendo havido o estorno dos créditos acumulados até 12/1998, é legitimada a compensação descrita na norma.
Créditos para fabricação de produtos NT: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3301-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ângela Bordim Martinelli, OAB/DF nº 11.045
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
EDITADO EM: 05/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto de Couto Chagas, Sydney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Créditos para fabricação de produtos NT: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ângela Bordim Martinelli, OAB/DF nº 11.045 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. EDITADO EM: 05/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto de Couto Chagas, Sydney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 49 14 /2 00 2- 84 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento cumulado com pedido de compensação de créditos básicos de IPI, apresentado em março de 2002, relativo ao 1º Trimestre calendário de 2001. Os créditos objeto do mencionado pedido se originaram da aquisição, pelo proponente do pleito, de material de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem e foram apurados após janeiro de 1999, já sob a sistemática da Lei n. 9.779/99. O contribuinte, ao apresentar seu pedido de compensação, indicou que teria um crédito no valor de R$ 204.123,61 (cento e quatro mil, cento e vinte e três reais e sessenta e um centavos), dos quais R$ 49.242,93 (quarenta e nove mil, duzentos e quarenta e dois reais e noventa e três centavos) seriam compensados e a diferença de R$ 154.880,68 (cento e cinqüenta e quatro mil, oitocentos e oitenta reais e sessenta e oito centavos) deveria ser ressarcida ao contribuinte. Os créditos apurados pelo contribuinte, segundo planilha que anexa com o resumo dos créditos às fls. 21/43 são correspondentes ao período compreendido entre 08/01/2001 e 23/02/2001. O pedido foi indeferido por duas razões a saber: 1 – O aproveitamento do saldo credor do IPI na forma do art. 11 da Lei n° 9.779/1999 somente poderia ser admitido, por força do que determina o art. 5º, par. 3º. Da IN 33, após o esgotamento do saldo credor previsto na escrita fiscal de 31 de dezembro de 1998; 2 Segundo a autoridade, seria possível observar dos “demonstrativos de fls. (35 e 46) que a empresa fabrica produtos nãotributáveis (NT). Porém na sua escrituração fiscal, fls. 85 a 102 e 120 a 125, do 2° trimestre/1999, não consta a anulação, mediante estorno na escrita fiscal, do crédito originário do imposto relativo a matéria prima, a produto intermediário e a material de embalagem, empregados na industrialização de produtos NT(...)” Inconformada a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade trazendo novos documentos à lide e aduzindo o seguinte: Quanto ao estorno do saldo credor de IPI em 31/12/1998: 1 – Os valores foram lançados a débito no livro registro de apuração do IPI do contribuinte, no primeiro trimestre de 1999, nas competências fevereiro e março de 1999, nos respectivos valores: a) Referente aos créditos dos períodos de 08/95 a 12/97 foi lançado a débito o valor de R$ 481.754,65 na competência fevereiro de 1999, conforme se comprova com a cópia do livro registro de apuração do IPI apensada (doc. 01 e 02); b) Referente aos créditos dos períodos de 01/98 a 12/98 foi lançado a débito o valor de R$ 234.706,99 na competência março de 1999, conforme se comprova com a cópia do livro registro de apuração do IPI apensada (doc. 03 e 04). Fl. 684DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10875.004914/200284 Acórdão n.º 3301002.517 S3C3T1 Fl. 3 3 c) Houve, quanto aos valores sobre os quais se pleiteou a citada restituição, uma "sobra" no valor de R$ 21.465,41 que fora stornada na competência setembro de 2003, conforme se comprova com a cópia do livro registro de apuração do IPI apensada (doc. 5) Quanto ao esgotamento dos créditos até 31/12/1998: Não se sustenta, também, o argumento do não esgotamento dos créditos existentes em 31.12.1998 isto, face ao pedido de restituição, já consumado, perante a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, que liquidou o crédito até aquela data. Aliás, indiscutível que os valores também foram subtraídos do saldo credor acumulado do contribuinte através do lançamento a débito em sua escrita fiscal e, quanto à "sobra", de valor infinitamente insignificante face ao todo restituído, a empresa procedeu ao estorno conforme acima informado (doc. 01 ao 05). 2 – Quanto à alegação de que a empresa fabricava produtos não tributados pelo IPI, razão pela qual seria vedado o crédito atinente a entrada de embalagem, matéria prima e produtos intermediários para o fabrico de tais produtos, salvo se houver o estorno desses créditos na escrita, o contribuinte aduziu que: a) A utilização destes insumos na fabricação de produtos (NT), é uma questão estranha ao pleito da inconformada, vez que no pedido de ressarcimento/compensação, os créditos que se pretendia aproveitar estão apenas vinculados aos insumos utilizados na fabricação de produtos tributados à alíquota zero. b) por outro lado, os valores inerentes aos insumos utilizados na fabricação de produtos NT representam menos de um por cento do universo de produtos da empresa e os seus créditos estão devidamente apartados do valor sobre o qual se pleiteia o ressarcimento. O s valores referentes aos insumos na produção de produto NT ainda se encontram como saldo credor no livro de registro de apuração do IPI para serem estornados; c) A empresa não utilizou os créditos ora pleiteados para qualquer outro fim que não o presente. A DRJ, analisando as razões expostas, houve por bem desprovêlas por meio do aresto de fls. 607/, cuja ementa a seguir se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2001 a 31/03/2001 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR EXISTENTE EM 31/12/1998. ES GOTAMENTO. ESTORNO. O saldo credor da escrita fiscal existente em 31/12/1998 deveria ser escriturado à parte e esgotado com a compensação de débitos decorrentes da saída dos produtos acabados, existentes em 31/12/1998, e dos fabricados a partir de 10 de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos que deram origem aos créditos, sendo alternativa para o esgotamento o estorno do saldo credor residual; é possível, então, a Fl. 685DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 habilitação ao ressarcimento de créditos do IPI somente após a data do esgotamento ou do estorno do referido saldo credor. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. No aresto recorrido, o relator do processo na DRJ, no tocante às provas trazidas pela contribuinte no tocante ao estorno do saldo credor existente em 31/12/2008, menciona que esse saldo credor existente ao cabo do ano de 1998, não fora controlado margem da escrita fiscal nos termos do que preceitua a Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, ou, pelo menos, a manifestante não apresentou nada para comprovar isso, tendo ignorado intimação para exibição de demonstrativo de esgotamento do saldo credor oriundo de 1998. 0 referido saldo credor residual foi transferido para o 1° decêndio de janeiro de 1999 e permaneceu na escrita fiscal, sendo utilizado, provavelmente, para compensação no âmbito da própria conta gráfica do IPI ou então para ressarcimento e compensação com débitos de outros tributos. Entendeu, ainda a Turma Julgadora que o esgotamento dos créditos de 31/12/1998 poderiam ser esgotados mediante estorno dos mesmos na escrita fiscal, na forma determinada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF no. 15 de 25 de setembro de 2002. No entanto, esse esgotamento, mediante estorno na escrita, segundo reconheceu a própria contribuinte, ocorreu apenas em setembro de 2003, após o estorno do saldo de R$ 21.465,41, que remanesceu do saldo credor. Assim, segundo a Turma Julgadora, não seria possível acolher a compensação/restituição na forma da Lei 9.779 c/c IN 33, porquanto o pedido de compensação/restituição objeto desses autos referese a período anterior a setembro de 2003, quando se esgotou definitivamente o saldo credor de IPI atinente ao período anterior a 31/12/1998. Quanto às demais alegações, incluindo o aproveitamento dos créditos NT, concluiu a autoridade fiscal que não houve prova por parte da contribuinte dos alegados estornos de créditos relativos a matérias primas, embalagens e produtos intermediários para a industrialização desses produtos. Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte (fls. 629/665), mediante o qual pleiteia a reforma do julgado a quo, aduzindo o seguinte: Quanto ao estorno do saldo credor de IPI em 31/12/1998: A apontada "sobra" do saldo credor da escrita fiscal em 31/12/1998, no valor de R$ 21.465,41, na verdade fora estornada na competência setembro de 2003 por engano, porquanto já teria sido estornada no 3º. Trimestre de 2001, donde a alegação do acórdão recorrido de que o estorno dos créditos apenas se encerrou após o pedido de compensação/restituição não se sustentam, merecendo reforma, Para corroborar essa afirmativa traz a baila apenas uma planilha acostada à fl. 639. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10875.004914/200284 Acórdão n.º 3301002.517 S3C3T1 Fl. 4 5 Quanto ao esgotamento dos créditos até 31/12/1998: a) Por uma questão organizacional e de funcionamento, a contribuinte sempre teve saldo credor de IPI, razão pela qual não poderia jamais ter aproveitado o crédito anterior a 1999. Por essa razão, o simples fato de a contribuinte não têlo aproveitado, corresponde a sua não utilização e, por via de conseqüência, seu exaurimento para os efeitos da IN 33/99; b) A Instrução Normativa no. 33/99, ao eleger como requisito essencial ao aproveitamento do crédito previsto na Lei no. 9.779/99 que houvesse o exaurimento prévio do saldo credor de IPI acumulado até 31/12/1998 andou mal e inseriu no contexto normativo regra restritiva de direito inexistente na própria Lei de hierarquia superior. O fato de a norma outorgar à Secretaria da Receita Federal a pachorra de normatizar seus ditames não lhe outorga competência legislativa para eleger normas restritivas daquele direito posto. c) A Instrução Normativa no. 33/99 violou os princípios da isonomia e da nãocumulatividade; Quanto à alegação de que a contribuinte deixou de controlar o saldo credor de 31/12/1998 em escrita fiscal a margem, o contribuinte aponta que a planilha acostada à peça recursal serve de prova de que não é verídica a afirmação da autoridade julgadora; – Quanto aos créditos decorrentes de insumos para fabricação de produto NT, aduziu que a manutenção dos créditos de IPI referentes aos insumos aplicados na produção de produtos constantes na Tabela de Incidência do IPI — TIPI na conotação Não Tributado NT, pois, como acima exposto, os mesmos são de fato produtos isentos, haja vista se tratar de produtos industrializados e, na forma acima exposta, não poderiam ser considerados não tributados, sendo tal nomenclatura equivalente a conotação de produto isento. Traz, ainda, uma planilha (fl. 661) mediante a qual demonstra que os créditos pleiteados a esse título na presente lide são ínfimos e conclui que se há ressalvas da Fiscalização quanto a eles, é apenas quanto a essa parcela ínfima que poderia recair a glosa. Requer, nessa parte, a realização de diligência para o fim de se apurar o valor efetivamente pleiteado a título de créditos decorrentes de insumos para produtos NT. É o relatório. Voto Conselheira FÁBIA REGINA FREITAS Fl. 687DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. As questões em litígio nesses autos devem ser analisadas sob dois prismas, a saber: 1 – No caso concreto, tendo havido o estorno dos créditos acumulados até 12/97, em fevereiro de 1999, conforme exigido pela IN 33 (documentos juntados na Manifestação de Inconformidade), estaria suprida a exigência para o fim do aproveitamento dos créditos previstos na Lei n° 9.779/99, que autorizou as empresas a ressarcirse ou compensarse do crédito derivado da aquisição de insumos tributados pelo IPI aplicados a produtos nãotributados? ART 5º DA IN 33/SRF. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. Como se verifica da simples leitura do mencionado dispositivo, o artigo impôs para a utilização dos créditos da forma da Lei n° 9.779/99 o esgotamento integral dos créditos existente até 31 de dezembro de 1998, o que ocorreu, como se comprova dos autos (fls. 511/601). A exigência desse estorno se justificava na medida em que estes créditos anteriores não poderiam ser compensados com outros tributos ou ressarcidos. Assim, foi estabelecida a presunção de que os primeiros insumos que entraram integraram os primeiros insumos que saíram (sistema PEPS). Assim, tendo a contribuinte atendido à exigência estabelecida pela própria norma, não se justifica a resistência da fiscalização ao aproveitamento desses novos créditos Isso posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, reconhecendo o pedido de compensação formulado. Por outro lado, no tocante aos produtos NT, ainda que sejam parcelas mínimas dos valores que se pretendem compensar, a recorrente não tem razão, sendo aplicável ao caso o disposto na súmula 20 deste CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. CONCLUSÃO Em face do acima exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso da contribuinte apenas para NEGARLHE o direito ao aproveitamento dos créditos oriundos da aquisição dos bens para fabricação de produtos NT. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10875.004914/200284 Acórdão n.º 3301002.517 S3C3T1 Fl. 5 7 Brasília, 11 de dezembro de 2014. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora Fl. 689DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13888.004944/2010-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. .LANÇAMENTO. LEI VIGENTE.
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , eis que assim resta determinado na previsão do art. 144 do Código tributário Nacional- CTN.
PREVIDENCIÁRIO. .MULTA DE MORA.
Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
PREVIDENCIÁRIO. .RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
O inciso II, c do art.106, do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando até 11/2008 o recálculo da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 incluído pela Lei n °11.941/2009. Ressalte-se que são critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. .LANÇAMENTO. LEI VIGENTE. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , eis que assim resta determinado na previsão do art. 144 do Código tributário Nacional- CTN. PREVIDENCIÁRIO. .MULTA DE MORA. Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO. .RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O inciso II, c do art.106, do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , eis que assim resta determinado na previsão do art. 144 do Código tributário Nacional CTN. PREVIDENCIÁRIO. .MULTA DE MORA. Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO. .RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O inciso II, “c” do art.106, do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 49 44 /2 01 0- 40 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando até 11/2008 o recálculo da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 incluído pela Lei n °11.941/2009. Ressaltese que são critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Analisado o Relatório de Primeira Instância, o confrontei com os autos e tendo corroborado seu conteúdo, com grifos de minha autoria, o transcrevo na íntegra: “Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado (DEBCAD nº 37.281.3003), consolidado em 08/11/2010, no valor de R$ 231.406,09, referente às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos (Terceiros). Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2006 a 12/2009, apuradas em folhas de pagamentos. Outros fatos geradores foram verificados em livros contábeis, como pagamento ao sócio administrador a título de retirada pró labore, pagamento a pessoa física a título de prestação de serviço, fornecimento de cestas básicas e valerefeição em desacordo com a legislação vigente (sem adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT). Foram considerados como salários de contribuição os valores brutos das notas fiscais lançadas a título de vale refeição e cesta básica, tendo em vista que não havia participação dos empregados no custo da alimentação. Os lançamentos foram feitos nas competências dos respectivos lançamentos contábeis em conta de despesa, verificados na contabilidade da empresa. Foram utilizados/apropriados como crédito do contribuinte, todos os valores relativos as GPS constantes do contacorrente da empresa, bem como todos os valores declarados em GFIP, onde estão especificados pagamentos exclusivo para essa rubrica, e também créditos decorrentes de retenção sofridas pelo contribuinte, destacadas em notas fiscais de prestação de serviços, conforme detalhados nos anexos “DD – Discriminativo do Débito”, “RDA – Relatório de Documentos Apresentados” e “RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados”. DA IMPUGNAÇÃO ( Destaque de minha autoria) O sujeito passivo apresentou impugnação, acompanhada de documentos, na qual alega e requer, em suma, o seguinte: O Relatório Fiscal é extremamente sintético, não indica sequer o órgão que está emitindo o Auto de Infração, cita apenas o Ministério da Fazenda e Secretaria da Receita Federal o Brasil. Não consta sequer a Delegacia Jurisdicionante ou outra Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 qualquer autorizada pela Superintendência Estadual. Assim, o lançamento já começa nulo de pleno direito. O Relatório Fiscal também não aponta sequer os levantamentos e códigos. Não aponta os valores informados em GFIP e a diferença apurada em GFIP em relação à folha de pagamento. ( ARGUMENTOS SUPERADOS E NÃO REITERADOS EM GRAU DE RECURSO) Foi aplicada multa de 75%, retroativa, pela não inclusão de fatos geradores em GFIP, multa essa estabelecida apenas em dezembro/2008, pela Medida Provisória 409/2008, sem se comprovar que a mesma seria mais benéfica ao contribuinte, nos termos do artigo 106 do CTN. Levantamentos AU, W11 e W2 – Contribuinte Individual, Pessoa Física, com base em valores supostamente informados em escrituração contábil. Ocorre que não existe pagamento de autônomos. Os valores informados em DIRF dizem respeito a pagamento de alugueis, com incidência apenas de IRPF na fonte, não se tratando de serviços prestados. Levantamentos CB, W4 e W31 – Cesta Básica e Vale Refeição. O contribuinte fez sua inclusão no PAT antes do início da ação fiscal. Ademais, tratase de benefício social de aplicação obrigatória, constante de Acordo Coletivo de Trabalho devidamente homologado junto ao Ministério do Trabalho. Transcreve trecho de decisão do TST sobre o tema. ARGUMENTOS SUPERADOS E NÃO REITERADOS EM GRAU DE RECURSO Levantamentos DAL. Todo o período. Incorreta a cobrança, pois os acréscimos legais foram recolhidos regularmente, sendo fruto de inconsistência do sistema da Receita Federal. (ARGUMENTOS SUPERADOS E NÃO REITERADOS EM GRAU DE RECURSO) Levantamentos “LEV: FP FOLHA DE PAGAMENTO Período do Débito: 01/2006 a 10/2008 ; LEV: W6 FOLHA DE PAGAMENTO , Período do Débito: 12/2008 a 12/2009” ( destaque de minha autoria) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 4 5 FP e W6 – Todo o período. Não foram considerados os valores em GFIP, que deveriam ser expurgados do lançamento fiscal. O salário de contribuição não é informado, tendo sido lançado o valor bruto da folha de pagamento conforme escriturado e não o valor do salário de contribuição apurado pela folha de pagamento, sem a inclusão das verbas elencadas no artigo 28, item 9º da Lei de Custeio da Seguridade Social. Levantamentos PL, W8 e W71 – Pagamento de PróLabore – Foram incluídos valores que não poderiam ser considerados prólabore, sendo apenas conta de mútuo existente entre empresa e diretores, que haviam procedido a empréstimo à empresa. ( NÃO APRESENTOU OS CONTRATOS DE MÚTUO ) Os fatos jurídicos que se afiguram indispensáveis ao nascimento do liame obrigacional da contribuição do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 não estão presentes na notificação fiscal de lançamento de débito. No Relatório Fiscal não é apontado a qual rubrica se refere as diferenças de salário de contribuição apuradas pela autoridade fiscal. O Relatório Fiscal aponta apenas o valor correto do salário de contribuição apurado na ação fiscal, o valor devido à Previdência Social, deduzindo os valores retidos e recolhidos antes do inicio do procedimento fiscal, procedendo ao arbitramento do salário de contribuição com base nos valores informados em RAIS. O Auditor arbitrou o salário de contribuição através da suposta massa salarial contábil, sem deduzir dela as verbas rescisórias. E mesmo que o valor houvesse sido arbitrado, o arbitramento estaria incorreto, pois nos valores de salário de contribuição lançados foram incluídas as remunerações decorrentes da primeira e segunda parcela do décimo terceiro salário. Ocorre que foram incluídos os adiantamentos de décimo terceiro salário, exigidos nas competências do adiantamento e não na competência própria, quando foram recolhidas as exações, as quais não foram incluídas no resumo do salário de contribuição, porquanto não constituem remuneração fora da competência gratificação natalina, nos termos do artigo 22, I do Lei nº 8.212/91. A fiscalização de contribuições previdenciárias pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, por seus auditores, não tem legitimidade para arbitrar, nessas circunstâncias, eventual crédito relativo aos pagamentos efetuados pelo impugnante. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A tributação com base em presunção somente é cabível quando expressamente prevista em lei. Diante de eventuais indícios de omissão de remuneração, a fiscalização deve aprofundar os trabalhos fiscais de modo a comprovar ou não a ocorrência da irregularidade. A fiscalização procedeu ao arbitramento de contribuições previdenciárias, procedendo a uma aferição indireta com base nos valores supostamente existentes e contabilizados, sem apurar as parcelas que não compõem o salário de contribuição. O contrato de concessão ajustado apenas mascara a realidade contratual, com as empresas de transporte sendo apenas prestadoras de serviço, não tendo efetivamente concessão de serviços de transportes da Cidade de Rio Claro. O Contrato não atende o disposto na Lei nº 8.666/2003. A administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. O contrato existente não é de concessão e sim prestação de serviços, sendo responsabilidade do tomador de serviços proceder à retenção de 11% incidente sobre a nota fiscal de prestação de serviços, recolhendo os valores em favor das prestadoras. O auditor fiscal deixou de apropriar como crédito da impugnante valores que deveriam ter sido retidos pelo tomador de serviços. Com o advento da MP 449, convertida na Lei nº 11941/2009, as sobras de retenção deverão ser alocadas em todos os estabelecimentos, sendo que os valores não utilizados deverão ser considerados para as competências seguintes. Este saldo em favor da impugnante foi devidamente informado em GFIP. O auditor deveria proceder à emissão do auto de infração apenas com lançamento de glosa de compensação, pois não considerou os créditos que a impugnante tem direito. Ao proceder o lançamento com arbitramento de contribuições com base em outros elementos que não a folha de pagamento, sem considerar as GFIP com indicação da compensação, ocorre majoração indevida da multa, que é limitada a 20% nos casos de glosa de compensação, até a vigência da MP 449/2008. Os encargos moratórios aplicados caracterizam verdadeiro confisco. A multa deve ser reduzida do percentual de 30% para razoáveis 2%, sob pena de violação do princípio constitucional da vedação do confisco. A impugnante tem direito à redução da multa de mora em 50%, prevista para os casos da contribuição ter sido declarada em GFIP, uma vez que ela não pode ser prejudicada pela alteração da legislação em momento posterior a ocorrência da infração. É indevida a indicação dos sócios e procuradores da impugnante como responsáveis solidários, conforme consta da Relação de Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 5 7 CoResponsáveis, anexo da NFLD. A responsabilização deles somente poderia se dar nos casos previstos nos artigo 134 e 135 do Código Tributário Nacional, os quais não ocorreram na hipótese presente. O artigo 13 da Lei nº 8.620/93, que previa a responsabilidade solidária dos sócios pelos débitos junto à Seguridade Social, foi revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Requer a consideração das GFIP substituídas por GFIP emitidas com base em decisão judicial. Requer a desconsideração do arbitramento com base nas despesas de pessoal escrituradas sem o reconhecimento das parcelas não remuneratórias, pois todos os fatos geradores foram declarados em GFIP. Requer o reconhecimento do direito da impugnante proceder a compensação de créditos decorrentes da aplicação de 11% sobre o valor do faturamento, cujo recolhimento é de responsabilidade da tomadora de serviços. Esse crédito deve ser concedido a impugnante independentemente de constar em GFIP, tendo em vista o entendimento da PGFN. Requer o julgamento em conjunto dos lançamentos, ante a existência de conexão entre eles. É o relatório. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da então Impugnante, na forma do registro de fls.95 e seguintes, a 9ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO, em 04 de abril de 2012, exarou o Acórdão n° 1437.201, concedendo PROVIMENTO PARCIAL às interpostas alegações excluindo os levantamentos CB – CESTA BÁSICA VALE REFEIÇÃO (01/2006 a 10/2008), W31 – CESTA BÁSICA VALE REFEIÇÃO (07/2006 a 11/2008) e W4 –CESTA BÁSICA (12/2008 A 12/2009), nos termos do DADR. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.108 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Conforme registros de protocolo de fls. 108 e telas de fls. 123, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Às fls. 04, no Relatório denominado como DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, registraramse todos os levantamentos utilizados na ação fiscal: LEV: CB CESTA BÁSICA VALE REFEIÇÃO ( EXCLUÍDO) Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009 Período do Débito: 01 /2006 a 10/2008 LEV: W31 CESTA BÁSICA VALE REFEIÇÃO ( EXCLUÍDO) Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009 Período do Débito: 07/2006 a 11/2008 LEV: W4 CESTA BÁSICA VALE REFEIÇÃO (EXCLUÍDO) Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009 Período do Débito: 12/2008 a 12/2009 Consolidado em: 08/11/2010 CRÉDITOS MANTIDOS LEV: AU SERVIÇO PESSOA FÍSICA Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009 Período do Débito: 10/2006 a 12/2007 LEV: DAL Diferença de Ac. Legais Classificação: Período de Apuração: Período do Débito: 04/2008 a 05/2010 LEV: FP FOLHA DE PAGAMENTO Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009 Período do Débito: 01/2006 a 10/2008 LEV: PL PAGAMENTOS DE PRO LABORE Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 6 9 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01 /2006 a 12/2009 Período do Débito: 01/2006 a 10/2008 LEV: W11 SERVIÇO PESSOA FÍSICA Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01 /2006 a 12/2009 Período do Débito: 07/2006 a 03/2007 LEV: W2 SERVIÇO PESSOA FÍSICA Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009 Período do Débito: 02/2009 a 07/2009 LEV: W51 FOLHA DE PAGAMENTO Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01 /2006 a 12/2009 Período do Débito: 06/2006 a 11/2008 LEV: W6 FOLHA DE PAGAMENTO Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01 /2006 a 12/2009 Período do Débito: 12/2008 a 12/2009 LEV: W71 PAGAMENTOS DE PRO LABORE Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009 Período do Débito: 06/2006 a 11/2008 LEV: W8 PAGAMENTOS DE PRO LABORE Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009 Período do Débito: 12/2008 a 12/2009 DA CONDUÇÃO DO VOTO A QUO Enfrentando as alegações da Impugnante, referindose aos levantamentos abaixo destacados, todos NÃO DECLARADOS EM GFIP, o Julgador a quo manifestou seu entendimento na forma abaixo transcrita: “LEV: AU SERVIÇO PESSOA FÍSICA; W11 SERVIÇO PESSOA FÍSICA ; e LEV: W2 SERVIÇO PESSOA FÍSICA Períodos do Débito: 10/2006 a 12/2007; 07/2006 a 03/2007 e 02/2009 a 07/2009 ( destaque de minha autoria), respectivamente: Levantamentos AU, W11 e W2 – Contribuinte Individual A impugnante aduz que não houve pagamentos a autônomos, sendo que os pagamentos a pessoas físicas informados em DIRF Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 são relativos a alugueis, com incidência apenas de IRPF na fonte. O argumento não procede. De acordo com o Relatório Fiscal, consta da contabilidade da empresa (conta 40.9073) que os pagamentos a pessoas físicas foram efetuados a título de prestação de serviços. Por sua vez, a impugnante não comprovou nos autos a sua alegação. Levantamentos FP e W6 – Folha de Pagamento “LEV: FP FOLHA DE PAGAMENTO Período do Débito: 01/2006 a 10/2008 ; LEV: W6 FOLHA DE PAGAMENTO , Período do Débito: 12/2008 a 12/2009” ( destaque de minha autoria) A impugnante aduz que não foram deduzidos do lançamento os valores informados em GFIP, nem consideradas as GFIP substituídas por GFIP emitidas com base em decisão judicial. O argumento não procede. De acordo com o Relatório Fiscal, foram utilizados/apropriados como crédito do contribuinte, todos os valores relativos as GPS constantes do contacorrente da empresa, bem como todos os valores declarados em GFIP, onde estão especificados pagamentos exclusivo para essa rubrica, e também créditos decorrentes de retenção sofridas pelo contribuinte, destacadas em notas fiscais de prestação de serviços, conforme detalhados nos anexos “DD – Discriminativo do Débito”, “RDA – Relatório de Documentos Apresentados” e “RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados”. Por sua vez, a impugnante não comprovou nos autos as suas alegações. Levantamentos PL, W8 e W71 – PróLabore “LEV: PL PAGAMENTOS DE PRO LABORE Período do Débito: 01/2006 a 10/2008 ; LEV: W71 PAGAMENTOS DE PRO LABORE Período do Débito: 06/2006 a 11/2008 e LEV: W8 PAGAMENTOS DE PRO LABORE Período do Débito: 12/2008 a 12/2009 ( destaque de minha autoria)” A impugnante aduz que os pagamentos efetuados aos diretores são decorrentes de contrato de mútuo com empresa. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 7 11 O argumento não procede. De acordo com o Relatório Fiscal, consta da contabilidade da empresa (conta nº 33.2046) que os pagamentos ao sócio administrador foram realizados a título de retirada prólabore. Por sua vez, a impugnante não comprovou nos autos a sua alegação. Arbitramento A impugnante aduz que a autoridade lançadora arbitrou o salário de contribuição através da suposta massa salarial contábil. O argumento não procede. De acordo com o Relatório Fiscal, as remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais foram apuradas diretamente nas folhas de pagamentos e nos livros contábeis da empresa, tendo sido considerados como base de cálculo os valores lançados em contabilidade como retirada prólabore e como pagamentos a pessoa física. Eventual existência de arbitramento das remunerações pagas a título de fornecimento de valerefeição e cestabásica não será apreciada, uma vez que o crédito tributário relativo ao auxílio alimentação in natura está sendo excluído do presente lançamento. A impugnante aduz ainda que não foram deduzidas as verbas rescisórias, nem as parcelas que não integram o salário de contribuição constantes do artigo 28, item 9º da Lei nº 8.212/91, e que foram incluídos os adiantamentos de décimo terceiro salário nas competências do adiantamento e não na competência própria. Os argumentos não devem ser acatados, uma vez que a impugnante não comprovou quais parcelas, indicando a competência e o valor a elas relativo, não deveriam integrar o salário de contribuição para fins de apuração das contribuições lançadas, o que não ocorreu. Sem prejuízo disso, temse que as contribuições incidentes sobre as parcelas do 13º salário pago em razão de rescisão de contrato de trabalho, conforme informado nas folhas de pagamentos juntadas aos autos, são devidas na competência referente a rescisão. Retenção 11% Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 A impugnante aduz que o auditor fiscal deixou de apropriar como crédito valores que deveriam ter sido retidos pelo tomador de serviços, e que esse crédito deve ser concedido a impugnante independentemente de constar em GFIP. O argumento não procede. As normas que dispõem sobre a compensação de valores referentes à retenção de contribuições previdenciárias na cessão de mãodeobra e na empreitada estão previstas no artigo 48 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, cujo caput e incisos I e II (na redação vigente à época), transcrevese abaixo: Art. 48. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja: I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; e II destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. Assim, para que a empresa prestadora de serviço possa compensar o valor correspondente à retenção devida nos serviços prestados através de cessão de mão de obra ou empreitada, é necessário que ela efetivamente tenha sofrido a retenção e que essa retenção tenha sido declarada em GFIP, o que não ocorreu na hipótese alegada pela impugnante. Por outro lado, consta do Relatório Fiscal que foram utilizados/apropriados como crédito do contribuinte, no presente Auto de Infração, os créditos decorrentes de retenções sofridas pelo contribuinte, destacadas em notas fiscais de prestações de serviços, conforme detalhados nos anexos "DD Discriminativo do Débito", "RDA Relatório de Documentos Apresentados” e "RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados”. Multa de mora. Redução em 50%. A impugnante aduz haver direito à redução da multa de mora em 50%, cabível nos casos de as contribuições terem sido declaradas em GFIP, uma vez que ela não pode ser prejudicada pela alteração da legislação em momento posterior a ocorrência da infração. O argumento não procede A redução em 50% da multa de mora, quando as contribuições forem declaradas em GFIP, consta do artigo 35, §4º da Lei nº 8.212/91, que assim dispõe: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 8 13 § 4° Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 1 De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa não foi beneficiada com a redução da multa de mora para as contribuições lançadas porque deixou de declarar tais contribuições em GFIP, motivo da lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 37.281.3011.” DAS REITERADAS ALEGAÇÕES EM GRAU DE RECURSO Confrontando os argumentos do Acórdão, a Recorrente reitera as alegações colacionadas em sede de impugnação: “ DO LEVANTAMENTOS AU, W11 e W2‐ CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Ao contrário do quanto disposto no v. acórdão, não houve qualquer pagamento de autônomos a justificar a incidência das contribuições sociais. Isso porque os valores informados em DIRF dizem respeito, tão somente, ao pagamento de alugueres, de modo que incide apenas o Imposto de Renda Retido na Fonte, pois não se trata de prestação de serviços.A alegação de que a Recorrente não provou suas alegações não procede, tendo em vista que todos os documentos levantados durante a fiscalização já demonstram o quanto alegado.” Como se observa a contestação é genérica e não há registros de que se tenham colacionados eventuais documentos probantes das alegações que faz. “ DO LEVANTAMENTOS PL, W8 e W71 PRÓ LABORE Com relação aos supostos levantamentos de prólabore, ao contrário do disposto no v. acórdão, os pagamentos efetuados aos diretores diz respeito, exclusivamente, à conta de mútuo existente entre a empresa e os diretores. Dessa forma, a conta nQ 33.2046 constante da contabilidade da empresa é a conta de mútuo com os diretores, não havendo que se falar em prólabore. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Aliás, tais fatos são verificados da própria conta, de modo que a fiscalização teve acesso à documentação que demonstrou, efetivamente, se tratar de conta de mútuo.” Aqui também a contestação se regula pelo mesmo diapasão. A eficácia do alegado se materializaria na hipótese de colacionaremse eventuais contratos de mútuos bem como os devidos registros contábeis. Na seqüência, a Recorrente afirma que : “ Conforme se verifica do lançamento fiscal, os valores devidamente informados em GFIP não foram deduzidos, acarretando em valores de salários de contribuição superiores aos devidos.Isso porque, houve o lançamento do valor bruto da folha de pagamento, ao invés do salário de contribuição apurado pela folha de pagamento, desconsiderandose as verbas elencadas no artigo 28, §9Q, da Lei 8.212/91. (..) Embora conste no v. acórdão que as remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais tenham sido apuradas com base nas folhas de pagamento e nos livros contábeis, não houve qualquer dedução das verbas que não integram o salário de contribuição, o que resultou em um arbitramento do salário de contribuição sem qualquer fundamentação legal. Aliás, o acórdão recorrido deixa claro que, de fato, não houve a dedução das verbas rescisórias e, tampouco, das parcelas que não integram o salário de contribuição constantes no artigo 28, § 92, da Lei n9 8.212/91 e dos adiantamentos de 13e salário nas competências do adiantamento, ao invés da competência própria. Tanto que dispõe que a Recorrente deixou de comprovar quais seriam as parcelas e o valor a elas relativo que não deveriam integrar o salário de contribuição. Ou seja, houve o arbitramento do salário de contribuição sem as devidas deduções indicadas pela Recorrente.” Fica patente que persistindo na reiterada forma genérica de rebater o lançamento e o Acórdão, a empresa não oferece à analise cópias das folhas de pagamentos com efetiva indicação de quais verbas elencadas no artigo 28, § 9°, da Lei 8.212/91 seriam de ser expurgadas para se obter os valores líquidos em confronto aos rechaçados lançamentos supostamente assentados em valores brutos. Ao contrário, às fls 79, nos itens 4 e 8 do Relatório Fiscal, a autoridade autuante é efetiva e registra de onde obteve os fatos geradores que constituíram os créditos tributários, verbis: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 9 15 “ 4. O fato gerador ocorreu com o pagamento/crédito dos valores lançados em folhas de pagamentos a títulos de salários e ordenados aos seus empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa durante o período fiscalizado. 4.1 Outros fatos geradores de contribuições previdenciárias foram verificados nos livros contábeis, como pagamento ao sócio administrador a título de retirada pró labore (conta n° 33.2046), pagamentos a pessoa física, a título de prestação de serviço ( conta n° 40.9073) e também o fornecimento de Cestas Básicas (contas 50.0453 e 50.0470) e ValeRefeição (contas 40.6473 e 50.0470) em desacordo com a legislação vigente, visto o contribuinte não ter efetuado sua adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT, instituído pela Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, para o período citado acima e conforme informação obtida junto ao órgão do Ministério do Trabalho para o período de 01/2006 a 12/2009.” Em razão de tudo que foi encimado, NÃO DOU PROVIMENTO ao alegado. DA MULTA APLICADA Conforme fls. 01, a empresa sofreu multa de ofício e de mora quando autuada sobre fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 12/2009. “ Valor atualizado: 138.379,70 Juros: 33.393,13 Multa de ofício: : 38.856,07 Multa de mora: 20.777,19 Total: 231.406,09” A instância a quo, enfrentando a questão, motivou sua a decisão com registros colacionados em processo distinto. Com grifos de minha autoria, transcrevo sua manifestação tal qual o abaixo transcrito: “Multa aplicada A impugnante aduz que a autoridade lançadora não demonstrou ser mais benéfica ao contribuinte a multa de 75%, aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106 do CTN. O argumento não procede. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 No processo nº 13888.004947/201083, apensado a este por conexão, do qual o contribuinte foi devidamente notificado, tendo inclusive apresentado impugnação, a autoridade lançadora demonstrou, no Relatório Fiscal e anexos, a comparação entre as multas previstas na legislação anterior (multa do artigo 32, §5º da Lei nº 8.212/91 e multa moratória de 24% do artigo 35, II da Lei nº 8.212/91) e aquela de 75% estabelecida pela legislação vigente (MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009), para fins de aplicação da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo Por outro lado, e considerando que a multa de mora, pela sua natureza, é definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica ao sujeito passivo, sem prejuízo da comparação já efetuada quando da lavratura do presente Auto de Infração, será realizada novamente no momento do pagamento ou do parcelamento (artigo 2º, §4º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009).” Embora o acima , na forma do Acórdão de n° 1437.204, de relatoria do mesmo julgador do processo em tela, a matéria tratada no sobredito processo nº 13888.004947/201083 é diversa do presente tendo em vista que o crédito tributária daquela autuação fora constituído por descumprimento de obrigação acessória , verbis: “DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, Inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso I I (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373.” Ressaltese que por ocasião do encerramento da ação fiscal, 17/11/2010, o sobredito dispositivo legal , Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5, embora vigente á época dos fatos geradores que motivaram a autuação, já houvera sido revogado pela Lei n° 11.941, de 2009 verbis: “§ 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 10 17 anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)” Na forma supra, os argumentos desenvolvidos naquela condução do voto, além de não comportar multa de mora e de ofício não alcançam, por impossível, o processo em análise. Abaixo se transcreve parte daquele relatório aquo: “Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.281.3011), no valor de R$ 139.599,50, lavrado em 08/11/2010, em razão de a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, relativas às competências 01/2006 a 12/2009, com omissão de remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, infringindo assim o disposto no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91.” DOS LANÇAMENTOS Conforme preceitua o art. 9 do Decreto 70.235/72, a exigência do crédito tributário será formalizada em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, verbis: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ( Redação dada pela Lei n 11.941, ed 2009). ” No mesmo diapasão, compete a autoridade autuante propor a penalidade cabível e calcular o montante do tributo devido, em obediência ao comando do art. 142 do Código Tributário NacionalCTN , verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Face ao até aqui descrito, não se vislumbra apoio na legislação para aproveitamento de instrução de autos distintos exceto nos casos de prova emprestada que ainda assim requer severo cumprimento de específicas formalidades , que não é o caso em comento. No item 11 do Relatório Fiscal a autoridade fiscal registrou que:“A fundamentação legal para o fato gerador das contribuições objeto deste AI enquadrase na legislação vigente à época de sua ocorrência ..” verbis: “11. A fundamentação legal para o fato gerador das contribuições objeto deste AI enquadrase na legislação vigente à época de sua ocorrência e está descrita com detalhes no documento anexo ao AI intitulado "Fundamentos Legais do Débito FLD". O sobredito relatório de fundamentos legais – FLD , encontrase colacionado às fls, 42 em cujo item 601.09 constam relacionadas competências até 11/2008 que estariam sendo penalizadas com multa de mora com fulcro no art.35 , I, II, e III da Lei 8.212/91, verbis: “Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 01/2006 a 05/2006,10/2006, 12/2006, 05/2007 a 09/2007, 11/2007 a 12/2007, 01/2008 a 10/2008 , Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35,1, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); ” No mesmo relatório de fundamentos legais em comento, para as competências 06/2006 a 09/2006, 11/2006, 01/2007 a 04/2007,10/2007, 11/2008 a 13/2009 excetuadas do rol supra, aplicaramse o disposto no art. 35A da mesma Lei n° 8.212/91: 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 12/2008 a 13/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;’ Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 11 19 Analisado os autos, de fato, não se verificam planilhas de cálculo em que efetivamente se demonstre que as multas aplicadas pelo percentual de 75% tenham beneficiado o sujeito passivo nas competências 06/2006 a 09/2006, 11/2006, 01/2007 a 04/2007, 10/2007, 11/2008, ademais, considerando que na forma do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, somente seria de ser aplicada a penalidade prevista no art. 35A a partir da edição da MP 449 , de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Neste sentido, tendo em vista que o lançamento é omisso na definição dos parâmetros definidores da aplicação da sanção, DOU PROVIMENTO ao que fora alegado pelo contribuinte pra que sejam refeitos os cálculos da multa aplicada. Conforme registrado alhures a Recorrente fora notificada em 17/11/2010 em razão de inadimplir as obrigações vinculadas aos fatos geradores ocorridos no período 01/2006 a 12/2009. Aduz que na forma do registro de fls. 42, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. O artigo supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, determinando , tãosomente, que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Não há nos autos registro de que houvera sido efetuado quadro comparativo das imputações de penalidades revogadas com as atualmente previstas. A planilha supra haveria que permitir confrontar os valores calculados na forma do revogado artigo e respectivos incisos, 35, I, II, II da Lei n°8.212/91 com a nova redação no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( grifos de minha autoria) MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106, II, “c” do Código Tributário NacionalCTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004944/201040 Acórdão n.º 2403002.632 S2C4T3 Fl. 12 21 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que o recálculo da multa de mora se proceda nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 incluído pela Lei n °11.941/2009. Ressaltese que são critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10825.721166/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR DE NULIDADE. ENFRENTAMENTO TÓPICO DOS APONTAMENTOS DA RECORRENTE. DESNECESSIDADE.
Restando compreendido da análise da decisão recorrida que, ao rejeitar a defesa da contribuinte, a turma julgadora de primeira instância efetivamente enfrentou todos os temas relacionados ao caso - mesmo não o fazendo em tópicos, como pretendido pela recorrente -, descabe falar em qualquer nulidade daquele julgado.
SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105. INEXISTÊNCIA DE OFENSA. SÚMULA CARF 02.
Nos termos da Lei Complementar n. 105, não constitui violação do dever de sigilo, dentre outras, a obtenção e utilização, pelos representantes da Fazenda pública, de informações a respeito de movimentações financeiras realizadas pelo contribuinte fiscalizado.
Ademais, nos termos da Súmula n. 02 deste Conselho, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 42 DA LEI 9.430/96
Caracteriza omissão de receita ou de rendimento, a identificação, pelos agentes da fiscalização fazendária, da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CAPITULAÇÃO LEGAL NÃO CORRESPONDENTE COM OS FATOS APRESENTADOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Para que se verifique qualquer nulidade do Auto de Infração é necessário que, tanto a fundamentação legal, quanto os fatos narrados estejam em desacordo com o caso concreto. Além disso, é necessário ainda que a falha prejudique, efetivamente, o contribuinte de exercer sua defesa, o que, nos presentes autos, efetivamente não restou caracterizado.
Numero da decisão: 1301-001.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. ENFRENTAMENTO TÓPICO DOS APONTAMENTOS DA RECORRENTE. DESNECESSIDADE. Restando compreendido da análise da decisão recorrida que, ao rejeitar a defesa da contribuinte, a turma julgadora de primeira instância efetivamente enfrentou todos os temas relacionados ao caso - mesmo não o fazendo em tópicos, como pretendido pela recorrente -, descabe falar em qualquer nulidade daquele julgado. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105. INEXISTÊNCIA DE OFENSA. SÚMULA CARF 02. Nos termos da Lei Complementar n. 105, não constitui violação do dever de sigilo, dentre outras, a obtenção e utilização, pelos representantes da Fazenda pública, de informações a respeito de movimentações financeiras realizadas pelo contribuinte fiscalizado. Ademais, nos termos da Súmula n. 02 deste Conselho, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 42 DA LEI 9.430/96 Caracteriza omissão de receita ou de rendimento, a identificação, pelos agentes da fiscalização fazendária, da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CAPITULAÇÃO LEGAL NÃO CORRESPONDENTE COM OS FATOS APRESENTADOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Para que se verifique qualquer nulidade do Auto de Infração é necessário que, tanto a fundamentação legal, quanto os fatos narrados estejam em desacordo com o caso concreto. Além disso, é necessário ainda que a falha prejudique, efetivamente, o contribuinte de exercer sua defesa, o que, nos presentes autos, efetivamente não restou caracterizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Depóstios bancários Recorrente MINER MINERAÇÃO HOTELARIA E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. ENFRENTAMENTO TÓPICO DOS APONTAMENTOS DA RECORRENTE. DESNECESSIDADE. Restando compreendido da análise da decisão recorrida que, ao rejeitar a defesa da contribuinte, a turma julgadora de primeira instância efetivamente enfrentou todos os temas relacionados ao caso mesmo não o fazendo em tópicos, como pretendido pela recorrente , descabe falar em qualquer nulidade daquele julgado. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105. INEXISTÊNCIA DE OFENSA. SÚMULA CARF 02. Nos termos da Lei Complementar n. 105, não constitui violação do dever de sigilo, dentre outras, a obtenção e utilização, pelos representantes da Fazenda pública, de informações a respeito de movimentações financeiras realizadas pelo contribuinte fiscalizado. Ademais, nos termos da Súmula n. 02 deste Conselho, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 42 DA LEI 9.430/96 Caracteriza omissão de receita ou de rendimento, a identificação, pelos agentes da fiscalização fazendária, da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CAPITULAÇÃO LEGAL NÃO CORRESPONDENTE COM OS FATOS APRESENTADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 11 66 /2 01 1- 84 Fl. 911DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Para que se verifique qualquer nulidade do Auto de Infração é necessário que, tanto a fundamentação legal, quanto os fatos narrados estejam em desacordo com o caso concreto. Além disso, é necessário ainda que a falha prejudique, efetivamente, o contribuinte de exercer sua defesa, o que, nos presentes autos, efetivamente não restou caracterizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Do relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, destaco: De acordo com Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 344/348), durante a ação fiscal procedida na contribuinte acima identificada foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária: I Ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo do IRPJ e CSLL. Conforme informado no referido TVF, a fiscalizada, em parceria com seus sócios, em 04/11/2008, constituiu a empresa M&A Serviços de Mineração Ltda, CNPJ nº 10.476.878/000151, com capital inicial de R$ 1.000,00, participando com R$ 80%, conforme contrato registrado na Junta Comercial. Da análise do contrato social e alterações, o Fisco verificou que foram transferidos pela autuada à empresa M&A Serviços para Mineração Ltda, a título de aumento de capital, bens no valor de R$ 2.420.000,00, conforme Laudo de Avaliação Contábil, elaborado pela empresa Taxcont Assessoria Empresarial (conforme demonstrativo constante do TVF abaixo reproduzido), datado de 08/12/2008, que revela ganho de capital no valor de R$ 2.322.386,36, oriundo da reavaliação desses bens. Na segunda alteração contratual da empresa M&A Serviços para Mineração Ltda, datada de 09/12/2008, foi consolidado aumento de capital e também sua incorporação, pela ASB – Bebidas e Alimentos Ltda, com a saída dos sócios Antonio Carlos Esper Curiati, Adele Zarzur Curiati e Antonio Salim Curiati, além da fiscalizada, que detinha 80% do capital da incorporada, no valor de R$ 2.421.000,00. Tendo em vista que os bens reavalidados, alienados à M&A consolidou ganho de capital por parte da fiscalizada, e que este não fora adicionado à base de cálculo do Lucro Presumido na DIPJ relativa ao anocalendário de 2008, consoante o disposto no art 235, § 4º do RIR de 1999, o Fisco procedeu ao lançamento de ofício para exigência do respectivo Imposto de Renda e CSLL. II Omissão de receita caracterizada pela não comprovação da origem de depósitos bancários. Informa o TVF que, mediante solicitação do Fisco, as Instituições Bancárias com as quais a fiscalizada manteve movimentação financeira, apresentaram todos os extratos solicitados, em meio magnético e papel. Analisados os extratos, foram expurgados alguns créditos que, pela coincidência de datas e valores, foram identificados como transferências entre contas da própria empresa, restando os Fl. 913DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 créditos constantes da relação elaborada anexa ao Termo de Intimação, para que fosse comprovada, com documentação hábil e idônea, as respectivas origens (fls. 241/281). Todavia, até a data prevista para atendimento da intimação, nada foi apresentado, sendo protocolizada no “1º Oficial de Registro de Títulos e Documentos de Bauru”, correspondência subscrita pela procuradora da fiscalizada, onde questiona a exigência de comprovação da origem dos créditos e alega que não detinha tais extratos e que a obtenção desses por parte da Receita Federal não teria respaldo legal, por entendimento do STF, que teria declarado inconstitucional as normas legais em que o Fisco se baseou pra obter os extratos. Mediante nova intimação, com o intuito de preservar o direito de defesa da contribuinte, foilhe novamente solicitada a comprovação da origem dos depósitos relacionados às fls. 295/298. Transcorrido o prazo, sem ter a intimada apresentado qualquer comprovação, foi imputada a ocorrência de omissão de receita, determinada pela diferença entre os valores das receitas apontadas nas Dacon(s) e os créditos bancários de origem não comprovada, conforme demonstrativo contido no TVF à fl. 348. Diante das infrações constatadas, foram lavrados os autos de infração de fls. 312/343, que exigem crédito tributário no montante de R$ 3.709.240,13, relativo ao IRPJ e CSLL, ambos com base no Lucro Presumido, além de PIS e Cofins, conforme a seguir demonstrado (fl. 311): Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com as impugnações de fls. 449/483, 484/508, 509/549 e 550/575, mediante as quais refuta os lançamentos, em suma, sob as seguintes alegações: Nulidade do auto de infração Relativamente aos lançamentos a contribuinte contesta a quebra do sigilo bancário e considera ilegal a autuação. Considerou ilegalidade na quebra do sigilo dos dados bancários, sob alegação de que a Constituição Federal (CF) é clara ao assegurar a todos o direito à intimidade e à vida privada, declarando inviolável o sigilo da correspondência, das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, exceto par afins de investigação criminal por ordem judicial, conforme determina o art. 5º X e XII da CF. A autuada ressaltou que os agentes do Estado devem submeterse ao primado da lei e do direito, conforme disposto no art. 37 da CF e no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, obedecendo a princípios e critérios ali apontados e que a autoridade administrativa fundamentou o procedimento adotado no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo disposto no Decreto nº 3.724, de 2001, art. 4º § 6º. No entanto, em nenhuma das hipóteses previstas no art. 3º desse diploma legal, que determinam a indispensabilidade, teria a autoridade administrativa se embasado. Teria apenas questionado a origem dos créditos bancários, após o acesso aos extratos bancários. Aduziu que nenhum indício havia, da existência de tais créditos, tanto que o Fisco teria requerido a entrega de diversos outros documentos como o livro caixa, etc., assim não estariam presentes os requisitos necessários à autorização da quebra do sigilo bancário e que, sempre colaborou com a investigação, tendo apresentado documentos suficientes para a constatação da situação financeira da empresa. Não poderia a autoridade administrativa quebrar o sigilo dos dados bancários, assim, os documentos resultantes dessa “ilicitude” não poderiam instruir o processo administrativo, nem embasar lançamento tributário. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 4 5 Uma vez que o Regulamento do Imposto de Renda não pode ser fundamento autônomo do lançamento, impõese reconhecer que houve ofensa ao Decreto nº 70.235, de 1972, art.10 e ao art. 142 do CTN. Omissão de receita Alegou que a movimentação financeira não é fato gerador do Imposto de Renda, da CSLL, PIS ou Cofins. Isto porque os valores não constituem receita, lucro ou faturamento, como se pode observar das transferência de mesma titularidade. Além disso, que as provas foram obtidas por meios ilícitos, e alguns valores já tributados pela empresa, de sorte que sua inclusão no presente lançamento significa dupla cobrança, devendo ser excluído os valores que não constituem renda, lucro ou faturamento. Especificamente, quanto à autuação relativa ao PIS, alegou erro na aplicação da alíquota. Alegou que o art. 49 da Lei nº 10.833, de 2003, que determina a aplicação da alíquota de 2,5%, foi expressamente revogado pelo art. 42 da Lei nº 11.727, de 2008. Assim o lançamento deveria indicar o dispositivo aplicado no período de outubro de 2008 a dezembro de 2008 o que não ocorreu. Sobre o lançamento da CSLL, alegou também erro na aplicação da alíquota, tendo em vista que o art. 37 da Lei nº 10.637, 2002, que determina aplicação da alíquota de 9% foi revogado expressamente pelo art. 42 da Lei nº 11.727, de 2008. Isto, também seria motivo de nulidade da autuação, por ferir o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). No que diz respeito ao lançamento da Cofins, também contesta a alíquota aplicada, sob alegação de erro, pois o art. 49 da Lei nº 10.833, de 2003, que determinava a aplicação da alíquota de 11,90% foi revogada expressamente pelo art. 42 da Lei nº 11.727, de 2008. Assim deveria ser indicada no lançamento, conforme art. 10 do PAF o dispositivo aplicado no período de outubro a dezembro de 2008, o que não teria ocorrido. O art. 142 do CTN determina que no lançamento, além da matéria tributável, deverá determinar o montante do tributo, sendo imperativo que a alíquota esteja corretamente indicada. Ganho de Capital Quanto ao ganho de capital, alegou ser equivocada a tributação. Não haveria de se falar em prejuízos aos cofres públicos, pois, a M&A Serviços para Mineração Ltda. foi constituída pelos Sócios Sr. Antonio Carlos e a própria Miner, ou seja, R$ 2.420.000,00 passando o capital para R$ 2.421.000,00. Se não fosse as circunstâncias pessoais do Sr. Antonio Carlos, talvez não ocorresse, ou se ocorresse, seu valor seria outro bem maior. O fundo de comercio da Miner jamais precisou ser avaliado, daí se chamar profissionais competentes e reconhecidos no mercado para apurar o valor. Citou acórdão do 1º CC em que se baseou para concluir que “a opção pela avaliação, ainda que mais onerosa, se prestou para dar mais segurança ao valor do tributo recolhido.” Sobre a avaliação registrou que a marca da “Água Mineral Santa Bárbara” fora avaliada em apenas R$ 1.000,00 valor que, obviamente, não condizia com a realidade, mas que para fins de apuração do ganho de capital permite ser apurado tributo em valor superior ao que deveria ser pago se a avaliação dessa marca fosse condizente com os parâmetros de mercado. Não há qualquer óbice legal, moral ou ético que impeça uma empresa de integralizar em seu favor o capital social de outra com os próprios ativos. Não foram as quotas da Miner que vieram a integraliza a M&A, mas tão somente o seu fundo de comércio, de forma que não há de se falar em alienação da participação acionária da Miner. Uma vez integralizado o capital social da M&A suas cotas foram transferidas para essa empresa. Aduziu que de acordo com a Lei nº 8.981, art. 21, o ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos sujeitase à incidência de 15% e que o § 2º desse artigo dita que os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em Fl. 915DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos e não poderá ser deduzido do devido na declaração. A integralização do capital a partir dos próprios ativos, como ocorreu no caso, não é e não pode ser tributada, pois não se tem a aquisição de disponibilidade jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza (CTN, art. 43). Somente ocorreria a disponibilidade de renda para fins de tributação quando os ativos integralizados avaliados fossem transferidos, operação que seria capaz de gerar riqueza passível de ser tributada. Requer que as intimações sejam enviadas em nome e endereço do profissional que subscreve as impugnações. A partir dessas circunstâncias fáticas, a douta 3ª Turma da DRJ/RPO concluiu pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, apresentando, na ementa de seu acórdão, o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL A pessoa jurídica optante pela tributação com base no Lucro Presumido que tiver parte do seu patrimônio absorvido por outra e optar pela avaliação dos bens a valor de mercado, deve considerar como ganho de capital a diferença entre o valor reavaliado e o custo de aquisição diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, adicionandoo à base de cálculo do IRPJ e CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da escrituração. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal relativo à omissão de receita, em face da estreita relação de causa e efeito. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplicase à tributação decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal relativo ao ganho de capital, em face da estreita relação de causa e efeito. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicílio especial no processo administrativo. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 5 7 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu respectivo Recurso Voluntário, renovando todas as argumentações antes apresentadas em sua impugnação e, agora, pretendendo a efetiva reforma da decisão de primeira instância, promovendose a necessária desconstituição do lançamento, nos termos ali apontados. Eis os questionamentos apresentados pela recorrente: Nulidade da decisão: ausência de fundamentação e cerceamento do direito de defesa a) Quebra do sigilo de dados bancários e ilegalidade da autuação da autoridade fiscal b) Nulidade do lançamento do IR, PIS, COFINS e CSLLpor ausência de indicação precisa da disposição legal infringida (Art. 10, IV do Decreto 70.235/72) c) Nulidade do lançamento do PIS, COFINS e CSLL por utilização de Lei determinante das alíquotas já revogada d) Movimentação financeira não é fato gerador do Imposto de Renda, Contribuição Social, PIS e COFINS e) Equivocada tributação do Ganho de Capital IR e CSLL A quebra do sigilo dos dados bancários e os efeitos da decisão de inconstitucionalidade pelo STF Ausência do requisito da indispensabilidade para a quebra de sigilo violação do princípio da legalidade Nulidade do lançamento quanto ao IR, PIS, COFINS e CSLL Ausência da indicação específica da legislação infringida Nulidade do lançamento quanto ao IR com reflexo quanto ao PIS, COFINS e CSLL utilização de decreto para a fundamentar da exação Fl. 917DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Nulidade do lançamento quanto ao PIS, COFINS e CSLL erro na aplicação das respectivas alíquotas Movimentação financeira não é fato gerador do Imposto de Renda, Contribuição Social, PIS e COFINS A equivocada tributação do ganho de capital IR e CSLL Sendo esse o relatório, passo ao meu voto. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o Recurso Voluntário interposto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Tratase, no presente caso, de lançamento efetivado pelas doutas autoridades fiscais, partindo, especificamente, da verificação da prática de omissão de receitas identificada a partir das informações obtidas junto às respectivas Instituições Financeiras, em relação às quais, tendo sido a contribuinte regularmente intimada, por ela não fora apresentado qualquer comprovação a respeito dos referidos créditos que pudessem, validamente, afastar a aplicação da referida presunção. Além das considerações relativas ao apontamento a respeito da omissão de receita, verificase ainda a imputação da ocorrência de ganho de capital, não regularmente submetido à tributação. A contribuinte, desde a sua impugnação, tece longos arrazoados, com considerações técnicas que entende aplicáveis em relação à (in)validade da obtenção de dados bancários pelos agentes da fiscalização sem a necessária intervenção do Poder Judiciário, bem como, ainda, a respeito da invalidade da apuração dos montantes dos tributos devidos a partir, exclusivamente, daquelas informações, destacando, agora inclusive, em sede preliminar, o não enfrentamento, pela r. decisão de primeira instância, de "todas" as considerações por ela apresentadas. Para que fique devidamente assentado, importante destacar que, ao analisar os termos da defesa apresentada, apesar de não indicar especificamente cada um dos pontos destacados pela contribuinte, a decisão de primeira instância, ao apreciar as circunstâncias contidas nos autos, efetivamente enfrentou todas as considerações pertinentes, dando, assim, por integralmente tratadas as matérias trazidas ao debate. Na verdade, verificandose que, na decisão prolatada pela Turma Julgadora de primeira instância, restara pois devidamente enfrentadas as questões atinentes aos temas abordados mesmo sem o enfrentamento direto e específico de cada um dos tópicos abordados na impugnação , tal fato não caracteriza, por si só, qualquer nulidade da referida decisão, sobretudo em face da efetiva prejudicialidade de muitas das matérias ali tratadas. Assim, numa abordagem geral, a princípio, verificase que a simples inexistência de uma abordagem tópica de cada um dos argumentos expendidos pela contribuinte não impõe a conclusão de que a decisão não teria enfrentado os argumentos de defesa, e, da mesma forma, de que subsista qualquer nulidade naquele julgado. Ademais, os temas lançados no tópico preliminar, referemse, especificamente, àqueles mesmos indicados como sendo o mérito do recurso, de forma que, Fl. 919DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 afastando a nulidade apontada, passaremos às considerações próprias da matéria recursal regularmente deduzida pela recorrente. Diante do exposto, por não verificar qualquer cerceamento do direito de defesa, ou mesmo qualquer nulidade na decisão proferida em primeira instância, rejeito a preliminar suscitada no recurso. DO MÉRITO Sobre a inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias sem a prévia quebra do sigilo bancário por determinação judicial – inconstitucionalidade da LC 105/2001 A primeira ponderação trazida no recurso interposto, referese à discussão pretendida pela contribuinte a respeito da inconstitucionalidade das disposições da Lei Complementar no 105/2001, e, no caso, a obtenção, pelos agentes da fiscalização fazendária , de informações a respeito da movimentação bancária dos contribuintes sem a prévia determinação de quebra de sigilo bancário pelas respectivas autoridades judiciárias. Antes, entretanto, de qualquer consideração a respeito da matéria, cumpre aqui destacar então o que expressamente previsto na norma em referência, ressaltando, especificamente, a autorização legal de obtenção das referidas informações. Vejamos: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o §2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. (...) Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras Fl. 920DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 7 11 informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (Regulamento) § 1o Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV – resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive de poupança; V – contratos de mútuo; VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito; VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável; VIII – aplicações em fundos de investimentos; IX – aquisições de moeda estrangeira; X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional; XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior; XII – operações com ouro, ativo financeiro; XIII operações com cartão de crédito; XIV operações de arrendamento mercantil; e XV – quaisquer outras operações de natureza semelhante que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente. § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 3o Não se incluem entre as informações de que trata este artigo as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. A partir da análise dessas disposições, verificase que, sob o ponto de vista estritamente legal, não se configura a “quebra do sigilo bancário” a prestação de informações pelas instituições financeiras e bancárias aos agentes da Fiscalização Fazendária quando por eles requerido. A (in)constitucionalidade dessas disposições, é bem verdade, ainda hoje é tema debatido na doutrina e jurisprudência pátria, estando pendente ainda a apreciação da questão pelo Supremo Tribunal Federal, que, a respeito do assunto, já expressamente reconheceu a repercussão geral da matéria quando do destaque das disposições do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI). Fl. 921DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 Em que pese existirem, de fato, na jurisprudência daquele Colendo Tribunal, precedentes em que restou reconhecida a inconstitucionalidade das disposições da Lei Complementar n. 105, verificase que em todas aquelas ocorrências tratavamse de decisões que apenas se aplicariam às partes do processo, não existindo, ainda, qualquer comando jurisdicional de caráter geral, vinculante, a respeito da matéria. A obrigatoriedade de observância das decisões jurisdicionais, por certo, é tema tratado nas expressas disposições do Art. 62A do RICARF, que, a esse respeito, assim, inclusive, especificamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não se verificando, ainda, qualquer decisão daqueles Tribunais Superiores que se aplique à específica hipótese contida no comando, não se pode, aqui, impor ainda a observância daquele entendimento, da forma como pretendido pela recorrente. Nada obstante, considerando que a avaliação a respeito da constitucionalidade das normas é competência própria da atuação do Poder Judiciário, aplicandose, na atuação administrativa, a necessária presunção de validade dos comandos legais, destacase, a esse respeito, os dizeres específicos da Súmula CARF no 2 que assim, inclusive, especificamente já se pronuncia: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante dessas razões, afasto a análise a respeito da (in)constitucionalidade das disposições da LC no 105/2001 pretendida pelo recorrente e, com isso, presumindo válidas as informações contidas nos autos a partir da expedição das competentes Requisições de Movimentação Financeiras – RMF’s aqui então especificamente retratadas. Da aplicação da presunção de omissão de receitas Continuando suas razões, a contribuinte sustenta também a invalidade da aplicação de presunção de receitas na espécie, destacando, novamente, ofensa a princípios constitucionais como proporcionalidade, razoabilidade, legalidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, etc. A aplicação, no caso, da presunção de omissão de receitas, vale destacar, decorrem, especificamente, da aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, que, sobre a matéria, assim então especificamente destaca: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 8 13 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaques nossos) Por essas disposições, verificase que, obtendo os agentes da fiscalização as informações a respeito das movimentações financeiras realizadas nas contascorrentes da fiscalizada e não tendo ela apresentado, ao tempo e modo devido, os específicos e devidos registros dos respectivos montantes em sua contabilidade com a comprovação de sua origem e natureza, perfeitamente válida, mais uma vez, se mostra a aplicação da presunção de omissão de receitas, da forma como efetivada, não se podendo aqui, portanto, deixarse de observar a especifica determinação legal aqui apontada. À fiscalizada, insistase, assistiria o direito de efetivamente desconstituir as presunções aplicadas, apresentando, quando devidamente intimada para tanto, as respectivas comprovações a respeito da origem e natureza dos apontados recursos, o que, mais uma vez, não se verifica no presente caso. Diante disso, perfeitamente válida e regular, no caso, se verifica a aplicação da presunção de omissão de receitas promovida na atuação realizada, não se havendo falar aqui, absolutamente, em qualquer invalidade das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96 (Súmula CARF no 2) e, ainda, em qualquer ofensa a princípios da razoabilidade, proporcionalidade, contraditório, ampla defesa ou qualquer outra disposição constitucional apontada. A respeito da suposta da indispensabilidade para a quebra do sigilo Sob este tópico, sustenta a recorrente que a validade da obtenção de informações pelos agentes fazendários, sem a necessária intervenção judicial, somente poderia ser admitida nos casos em que se mostrasse "indispensável" para o desenvolvimento dos atos fiscalizatórios, sobretudo porque, nos presentes autos, Fl. 923DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 não se teria qualquer registro a respeito de negativa e/ou resistência da contribuinte em fornecer as informações solicitadas. Em que pese todos os esforços argumentativos apresentados, relevante observar que, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, a específica legislação de regência não impõe tal necessidade, não sendo válida, aqui, a sua exigência como requisito de validade para o desenvolvimento da fiscalização. Nos termos do art. 6o da Lei Complementar n. 105: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. A indispensabilidade mencionada pelo referidos dispositivo encontrase devidamente fundamentada nas disposições do Art. 3o do Regulamento (Decreto 3.724/2001), que, a esse respeito, assim inclusive especificamente aponta: Art. 3o Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país com tributação favorecida ou beneficiária de regime fiscal de que tratam os art. 24 e art. 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) XII intercâmbio de informações, com fundamento em tratados, acordos ou convênios internacionais, para fins de arrecadação e fiscalização de tributos. (Incluído pelo Decreto nº 8.303, de 2014) § 1o Não se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. § 2o Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Fl. 924DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 9 15 Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; II a ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. O Art. 33 da Lei 9.430/96, por sua vez, assim então destaca: Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; II resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; III evidências de que a pessoa jurídica esteja constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; IV realização de operações sujeitas à incidência tributária, sem a devida inscrição no cadastro de contribuintes apropriado; V prática reiterada de infração da legislação tributária; VI comercialização de mercadorias com evidências de contrabando ou descaminho; VII incidência em conduta que enseje representação criminal, nos termos da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária. § 1º O regime especial de fiscalização será aplicado em virtude de ato do Secretário da Receita Federal. § 2º O regime especial pode consistir, inclusive, em: I manutenção de fiscalização ininterrupta no estabelecimento do sujeito passivo; II redução, à metade, dos períodos de apuração e dos prazos de recolhimento dos tributos; III utilização compulsória de controle eletrônico das operações realizadas e recolhimento diário dos respectivos tributos; IV exigência de comprovação sistemática do cumprimento das obrigações tributárias; V controle especial da impressão e emissão de documentos comerciais e fiscais e da movimentação financeira. § 3º As medidas previstas neste artigo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, por tempo suficiente à normalização do cumprimento das obrigações tributárias. § 4º A imposição do regime especial não elide a aplicação de penalidades previstas na legislação tributária. § 5o Às infrações cometidas pelo contribuinte durante o período em que estiver submetido a regime especial de fiscalização será aplicada a multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 desta Lei, duplicandose o seu percentual. (Redação dada Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 925DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 16 No caso presente, apesar de regularmente intimada à apresentação das informações requeridas pelos agentes da fiscalização, estas, efetivamente, não foram apresentadas pela Contribuinte, mesmo após a prorrogação de prazo concedida, o que, no entender da fiscalização, mostravase já indevida resistência que, por si, viabilizava a adoção da medida e o envio das respectivas RMF's às Instituição Financeiras respectivas. Observese que, ao contrário do que sustentado pela recorrente, não se trata de "inexistência" de fundamentação da indispensabilidade. Esta existiu, e se encontra devidamente apontada no Auto de Infração. O que pretende ela, pelo que se verifica, é a pretensão de reconhecimento de insuficiências das razões determinantes da emissão das referidas requisições, o que, com a mais respeitosa vênia, aqui não merece ser acolhida. A Fiscalização regularmente intimou à contribuinte para a apresentação das referidas informações, em prazo razoável para a sua obtenção, e, após o pedido de prorrogação, concedeua em prazo que entendia suficiente para a obtenção dos registros. Ultrapassados todos os prazos sem que houvesse qualquer resposta da contribuinte, perfeitamente regular, verificase, é a emissão da Requisição de Movimentação Financeira RMF da forma como efetivado nos autos. Por essa razão, completamente inexistente a pretendida invalidade da obtenção das informações, pelas autoridades fazendárias, da informações bancárias mantidas pelas respectivas instituições financeiras, sobretudo ante a inequívoca observância da específica legislação em vigor sobre a matéria, e, sobretudo, a incontestável não apresentação, pela contribuinte, dos documentos e informações solicitadas pelas autoridades fazendárias. Da (suposta) nulidade do lançamento quanto ao IR, PIS, COFINS e CSLL em decorrência da nãoindicação específica da legislação infringida Ultrapassadas as considerações apontadas, pretende ainda a recorrente ver aqui apontada a invalidade do lançamento, tendo em vista a suposta ausência da adequada indicação da específica legislação de regência daqueles referidos tributos no corpo do auto de infração. Em relação a esse apontamento, antes mesmo de qualquer consideração, insta destacar que, em que pese a relevante importância da indicação adequada e suficiente dos fundamentos legais que sustentam a incidência dos tributos relacionadas, importante ressaltar que a eventual falha dessa indicação, por si só, nem de longe pode acarretar a nulidade do auto de infração. Isso porque, conforme se verifica, importante aqui se faz a adequada observância das disposições do Decreto 70.235/72, que, a respeito dessa matéria, inclusive, assim então expressamente indica em seu art. 59: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso presente, tendo a contribuinte regularmente compreendido os fatos a que se referiam o lançamento, e ainda, perfeitamente, os específicos e próprios tributos devidos, qualquer eventual consideração de incorreção, ou mesmo ausência, de algum dispositivo legal que por acaso pudesse a contribuinte entender como incidente na espécie não poderia, de forma alguma, acarretar aqui o reconhecimento da pretendida nulidade. A contribuinte, por certo, ataca os específicos pontos da autuação, defendendose, por certo, dos fatos apontados como inválidos e irregulares, e não, nunca, da fundamentação adotada pelo agente fiscal. A jurisprudência deste Conselho é assente no sentido de afastar a nulidade por qualquer eventual falha na indicação Fl. 926DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 10 17 da capitulação legal do auto de infração, conforme, inclusive, verificase no seguinte precedente, aqui colhido apenas a título de exemplificação: Número do Processo 19515.001319/200765 Contribuinte ELIANA REGINA SCATINHO Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 19/08/2009 Relator(a) Rayana Alves de Oliveira França Nº Acórdão 220100384 Tributo / Matéria IRPF ação fiscal Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CAPITULAÇÃO LEGAL NÃO CORRESPONDE COM OS FATOS APRESENTADOS CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA NULIDADE Para a nulidade do Auto de Infração é necessário que tanto a fundamentação legal, quanto os fatos narrados estejam em desacordo com o caso concreto. Além disso, é necessário ainda que a falha prejudique, efetivamente, o contribuinte de exercer sua defesa. Apesar do suposto defeito que apresenta o AI, o requerido apresentou sua impugnação dentro do prazo legal e atacando os argumentos aventados para o lançamento do crédito tributário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NO EXTERIOR DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. As offshore companies possuem personalidade jurídica própria e diferente de seus sócios e por isso devem responder por seus atos, devendo observar os requisitos legais para a desconsideração da pessoa jurídica, não havendo presunção de abuso de direito. De acordo com o artigo 50 do código civil é necessário para a desconsideração da personalidade jurídica que esta seja autorizada por decisão judicial e deste modo não seria possível para o fisco afastar a personalidade jurídica, devendo autuar a empresa e não seus sócios. Recurso provido. (Grifos nossos) Não fosse por essas considerações, relevante ainda observar que, além do fato de tratarse aqui de lançamento efetivado com fundamento na presunção de omissão de receita (Art. 42 da Lei 9.430/96), o que se verifica nos autos é a completa e total inexistência de qualquer incorreção do apontamento da fundamentação adotada na autuação, fato que, inclusive, fora devida e especificamente enfrentado pela r. decisão de primeira instância quando, então, especificamente destacou: Quanto ao alegado erro nas aliquotas aplicadas, isto não ocorreu. No caso da CSLL, embora tenha sido revogado o art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988 pela MP nº 413, de 2008, convertida na Lei nº 11.727, de 2008, a norma vigorou até a publicação do diploma legal que o revogou, vigendo a partir daí as novas normas, que também foram observadas na autuação e informadas no auto de infração. Art. 3o A alíquota da contribuição é de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Fl. 927DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 18 I – 15% (quinze por cento), no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII, IX e X do § 1o do art. 1o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001; e II – 9% (nove por cento), no caso das demais pessoas jurídicas. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Art. 4º São contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. MP Nº 413, DE 2008 (convertida na lei nº 11.727,de 2008: Art. 17. O art. 3 o da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com seguinte redação: "Art. 3º A alíquota da contribuição é de: I quinze por cento, no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, as de capitalização e as referidas nos incisos I a XII do § 1 o do art. 1 o da Lei Complementar n o 105, de 10 de janeiro de 2001; e II nove por cento, no caso das demais pessoas jurídicas." (NR) LEI Nº 11.727, DE 2008 : Art. 17. O art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 3º A alíquota da contribuição é de: I – 15% (quinze por cento), no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII, IX e X do § 1º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001 ; e II – 9% (nove por cento), no caso das demais pessoas jurídicas." (NR) No caso do PIS e Cofins. Da mesma forma, foram citadas as respectivas disposições legais vigentes para os períodos lançados. Observese que, a respeito desse assunto, o que aponta a recorrente como sendo o fundamento da invalidade apontada seria, unicamente, o fato de que algumas das disposições apontadas, quando da lavratura do auto de infração, encontravamse já revogadas. Entretanto, o fato de os dispositivos encontraremse eventualmente revogados quando da efetivação do lançamento em absolutamente nada impede a sua indicação, aliás, pelo contrário, pois, como bem se sabem, no direito tributário brasileiro vige a regra "tempus regit actum", expressamente estampada nas disposições do Código Tributário Nacional, que, inclusive, assim então objetivamente destaca: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 928DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 11 19 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (...) Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. A partir da leitura dessas disposições sobretudo dos comandos contidos no mencionado art. 144 do CTN , no lançamento tributário, a autoridade fiscal deve observar os fatos nos momentos em que efetivamente ocorridos, e, partindo dessa identificação, indicar e aplicar a especifica legislação então vigente (mesmo que posteriormente revogada), da forma, então, devidamente como efetivado nos presentes autos. Em face dessas considerações, descabe qualquer apontamento a respeito de eventual invalidade da autuação fundada nas considerações apresentadas pela recorrente a respeito de eventuais falhas ou erros da fundamentação jurídica registrada no auto de infração, e ainda do fato de ter indicado dispositivos que, apesar de já revogados na data do lançamento, eram pois perfeitamente vigentes na data da ocorrência dos respectivos fatos. Como se verifica, integralmente infundadas as razões sustentadas pela recorrente na pretensão de ver reconhecido qualquer invalidade (formal e/ou material) no auto de infração lavrado, aqui não podendo, portanto, de forma alguma ser admitido. Do Lançamento do Ganho de Capital A par de todas as considerações antes apontadas, relevante aqui ainda promover específica e própria análise a respeito do lançamento efetivado a título da identificação da ocorrência de Ganho de Capital não devidamente levado à tributação, e as apontadas considerações da recorrente. A respeito deste tópico, apesar das iniciais considerações a respeito da decisão proferida pela DRJ, a recorrente simplesmente reproduz os argumentos antes apresentados em sua impugnação, passando a promover considerações gerais a respeito da apuração de ganho de capital de pessoas físicas, o que, como bem dito pela r. decisão de primeira instância, em absolutamente nada se relacionada com a discussão travada nestes autos. Vejamos as considerações apresentadas pela Turma Julgadora de primeira instância: Inicialmente, ressaltese que não se trata de ganho de capital da pessoa física. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 20 Os bens transferidos para a empresa M&A, constituiam patrimônio da pessoa jurídica fiscalizada, não de pessoa física. Portanto, não há de se falar em ganho de capital a ser tributado com base no art. 21 da Lei nº 8.981, de 1995. O RIR de 1999, no art. 235, § 4º, que tem como base legal a Lei nº 9.249 de 1995, art. 21 e Lei nº 9.430, de 1996, art.1º, §§ 1º e 2º, dispõe: Art. 235. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico na data desse evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 1º). § 1º Considerase data do evento a data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão. § 2º No balanço específico de que trata o caput deste artigo, a pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão, poderá avaliar os bens e direitos pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21). § 3º O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º, § 1º, e 2º, § 3º). § 4º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto devido e da contribuição social sobre o lucro líquido (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, § 2º). § 5º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, § 3º). § 6º O imposto deverá ser pago no prazo estabelecido no art. 861 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, § 4º). § 7º A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, com observância do disposto no art. 810 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, § 4º). Da leitura dos contratos e alterações verificase que foram transferidos para a M&A, como aumento de capital, bens pertencentes ao patrimônio da fiscalizada, no valor de R$ 2.420.000,00, conforme Laudo de Avaliação Contábil, elaborado pela empresa Taxcont Assessoria Empresarial, datado de 08/12/2008, o que revela ganho de capital no valor de R$ 2.322.386,36, tendo em vista que o bem constava no patrimônio da empresa pelo valor de R$ 97.613,64. Sendo a contribuinte optante pelo Lucro Presumido e observadas as disposições legais acima citadas, reputase correto o lançamento que adicionou à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o valor correspondente ao ganho de capital. Ora, a clareza solar das disposições do mencionado Art. 235 do RIR/99 não deixam pairar qualquer dúvida a respeito da necessidade de apuração do ganho de capital na operação efetivada, o que, não tendo sido regularmente observada pela contribuinte (que se encontrava submetida, à época, à sistemática do Lucro Presumido), aponta, assim, para a plena e total regularidade do lançamento efetivado. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721166/201184 Acórdão n.º 1301001.765 S1C3T1 Fl. 12 21 Em face dessas considerações, rejeito aqui também as considerações apresentadas pela recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte, nos termos e fundamentos aqui, então, devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 931DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10530.000055/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/12/2008
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ATENDIMENTO PARCIAL. MULTA
A falta de atendimento à requisição de informações sobre movimentação financeira, ou a apresentação dos elementos solicitados de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa regulamentar prevista em lei para o caso específico. A citada multa tem o valor mínimo de R$50.000,00 quando o resultado obtido pela aplicação do percentual previsto na legislação, sobre o valor das operações objeto da RMF, apresenta-se inferior ao referido montante. A multa é majorada em 100%, no caso de exigência através de auto de infração.
Numero da decisão: 1401-001.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/12/2008 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ATENDIMENTO PARCIAL. MULTA A falta de atendimento à requisição de informações sobre movimentação financeira, ou a apresentação dos elementos solicitados de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa regulamentar prevista em lei para o caso específico. A citada multa tem o valor mínimo de R$50.000,00 quando o resultado obtido pela aplicação do percentual previsto na legislação, sobre o valor das operações objeto da RMF, apresenta-se inferior ao referido montante. A multa é majorada em 100%, no caso de exigência através de auto de infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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ATENDIMENTO PARCIAL. MULTA A falta de atendimento à requisição de informações sobre movimentação financeira, ou a apresentação dos elementos solicitados de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa regulamentar prevista em lei para o caso específico. A citada multa tem o valor mínimo de R$50.000,00 quando o resultado obtido pela aplicação do percentual previsto na legislação, sobre o valor das operações objeto da RMF, apresentase inferior ao referido montante. A multa é majorada em 100%, no caso de exigência através de auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 00 55 /2 00 9- 21 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10530.000055/200921 Acórdão n.º 1401001.305 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que integra a decisão recorrida, fls. 157159: Tratase de auto de infração de multa regulamentar por prestação incompleta de informação solicitada mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), tendo como enquadramento legal o art. 31, caput e parágrafo único, da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 1º, § 1º, da Lei Complementar nº 105, de 2001. Os fatos que motivaram o lançamento foram assim descritos pelo autuante: a interessada, solicitada a apresentar informações e documentos sobre a movimentação financeira do contribuinte Geraldo Oliveira, CPF nº 006.084.91500, no período de 01/01/2005 a 31/12/2006, por meio da RMF nº 0510200.200800016, informou que não houve movimentação nas contascorrentes no período; a instituição financeira, intimada a esclarecer e justificar as divergências entre as informações citadas e aquelas constantes nas DCPMF nºs 0103107, 0103111, 0103113, 0103116, 0103120, 0103129, 0103132 e 9035574, respondeu, em expediente datado de 24 de outubro de 2008, que foram identificadas movimentações vinculadas a depósitos judiciais e que estaria diligenciando ações para a conclusão do atendimento; decorrido aproximadamente um mês sem o atendimento por parte da instituição financeira, foi efetuado um contato telefônico com o setor responsável, que, em consequência, remeteu parte da documentação, acompanhada do expediente datado de 24 de novembro de 2008, no qual solicita prazo adicional de 15 dias úteis para o atendimento da requisição; em 6 de janeiro de 2009, 45 dias após o último expediente do banco, o autuante voltou a contatar a instituição, por telefone, inclusive alertandoa sobre a aplicabilidade da multa ora concretizada, obtendo novamente a simples resposta de que medidas estavam sendo adotadas para o atendimento da Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10530.000055/200921 Acórdão n.º 1401001.305 S1C4T1 Fl. 4 3 requisição, o que foi reafirmado por novo expediente da mesma data, acompanhado de 3 cópias de depósitos judiciais e solicitação de prazo adicional de 25 dias úteis; diante do comportamento adotado pela instituição financeira, no cumprimento do seu dever legal de prestar as informações necessárias às apurações fiscais, embaraçandoas e inviabilizandoas, foi recusada a nova dilação solicitada, restando configurada a infração prevista no art. 31 da Lei nº 10.637, de 2002; em face dos valores envolvidos, foi aplicada a multa mínima de R$50.000,00 (cinquenta mil reais), majorada em 100%, conforme o parágrafo único do citado dispositivo legal. A interessada tomou ciência do lançamento em 16/01/2009 e apresentou, em 13/02/2009, a impugnação de fls. 56/64, com as seguintes alegações, em síntese: • diante do desencontro das informações prestadas pela interessada, entre o expediente datado de 04/09/2008, que informou a inexistência de movimentação de contas correntes do contribuinte Geraldo Oliveira no período indicado, e as DCPMF produzidas pelo mesmo banco, com valores arrecadados de CPMF decorrentes de movimentações financeiras vinculadas ao mesmo contribuinte, a RFB solicitou esclarecimentos ao banco, que informou que as movimentações cotejadas se referiam a saques em contas de depósitos judiciais realizados pelo contribuinte investigado, na condição de advogado, e que diligenciaria cópias dos alvarás judiciais junto às diversas agências onde ocorreram os saques, o que de fato foi feito, só que por etapas, em razão da greve dos bancários ocorrida no mês de outubro de 2008 e também porque muitas agências não localizaram tais papéis, demandando a extração de cópias dos documentos junto aos processos no Fórum; • o lapso de tempo verificado – mais de 30 dias – sem que fosse concluído o atendimento, levou o auditor ao entendimento de que a demora estava criando embaraços às investigações em curso, decidindo por aplicar ao Banco do Brasil multa de R$50.000,00, majorada em 100%, com base no parágrafo único do art. 31 da Lei nº 10.637, de 2002; DA IMPUGNAÇÃO: • inicialmente, consignase a absoluta impossibilidade de dar atendimento à demanda da Receita, no que respeita aos saques efetivados em contas de depósitos judiciais em diversas agências, no período sob apuração; • embora o prazo para a prestação das informações esteja na lei, o não cumprimento desse prazo pela autuada não poderá jamais ser visto como um desapreço para com a requisição da Receita Federal, em razão da complexidade das informações solicitadas, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10530.000055/200921 Acórdão n.º 1401001.305 S1C4T1 Fl. 5 4 bem como em razão da greve dos bancários ocorrida entre os meses de outubro e novembro de 2008 e da necessidade de buscar cópias de documentos em processos judiciais; • a complexidade das informações requisitadas, associada ao curto prazo para a sua apresentação, foi o que impossibilitou o cumprimento da obrigação na data aprazada e apenas um forçoso entendimento pode considerar tal fato resistência ou embaraço à fiscalização, sendo que a presteza e a atenção que os funcionários do Banco do Brasil sempre dispensaram aos auditores da Receita Federal, no exercício de suas funções, não podem ser postas de lado; • portanto, ausente a conduta dolosa, ou seja, a vontade livre e manifesta de não atender ao pedido da Receita Federal, ou ainda um comportamento omissivo no sentido de postergar esse atendimento, não há como se caracterizar uma desobediência ao dever legal de atender ao Fisco, por parte da autuada; • por outro lado, no caso de se manter a cominação pecuniária aplicada, a autuada impugna também o valor da multa, tendo em vista que o montante lançado, de R$100.000,00, não se adéqua aos parâmetros legais fixados, havendo claros indícios de desvio de finalidade em face da opção pelo percentual máximo e não por outro menor, já que não foi alegado, nem efetivamente existiu, a conduta dolosa, intencional, por parte da autuada; • diante desse quadro, o valor arbitrado pela autoridade autuante se apresenta muito mais que uma penalidade e assume a natureza de confisco, violando, inclusive, a lei que lhe serviu de fundamento, impondo sua anulação; CONCLUSÃO: • diante dos sólidos argumentos de fato e de direito expendidos, demonstrando claramente que o autuado não violou o dispositivo legal apontado, requer seja declarado insubsistente o auto de infração, determinado o seu arquivamento. A 2ª Turma da DRJ Salvador, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 156: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/12/2008 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ATENDIMENTO PARCIAL. MULTA REGULAMENTAR. A falta de atendimento à requisição de informações sobre movimentação financeira, ou a apresentação dos elementos solicitados de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa regulamentar prevista em lei para o caso Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10530.000055/200921 Acórdão n.º 1401001.305 S1C4T1 Fl. 6 5 específico, no valor mínimo de R$50.000,00 quando o resultado obtido pela aplicação do percentual previsto na legislação, sobre o valor das operações objeto da RMF, apresentase inferior ao referido montante, sendo aplicável, ainda, a majoração de 100%, no caso de exigência através de auto de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. O afastamento da aplicabilidade de lei ou ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando a sua inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Cientificada do referido Acórdão em 05/12/2012 (fls. 169), a contribuinte apresentou em 07/03/2013 o recurso voluntário de fls. 170178, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, tratase de exigência de multa regulamentar em função da prestação incompleta, por parte da interessada, de informações solicitadas mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Consta como enquadramento legal da referida exigência o art. 31, caput e parágrafo único, da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 1º, § 1º, da Lei Complementar nº 105, de 2001. Em sua defesa, alegou a recorrente que o não cumprimento do prazo se deu em razão de: a) complexidade das informações solicitadas; b) greve dos bancários ocorrida entre os meses de outubro e novembro de 2008; c) necessidade de buscar cópias de documentos em processos judiciais. Repetindo o que foi alegado na fase impugnatória, a recorrente argumentou que não houve conduta dolosa ou omissiva no sentido de postergar o atendimento da requisição fiscal. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10530.000055/200921 Acórdão n.º 1401001.305 S1C4T1 Fl. 7 6 Importante frisar que a recorrente não nega a ocorrência do fato que ensejou a aplicação da presente penalidade, limitandose a apresentar justificativas para a prestação incompleta das informações solicitadas. Para melhor clareza, convém destacar que a Requisição de Movimentações Financeiras foi emitida em conformidade com o disposto na Lei Complementar nº 105/01, que assim dispõe sobre o tema: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Por sua vez, a penalidade em apreço foi aplicada em estrita conformidade com o disposto na Lei nº 10.637/02, verbis: Art. 31. A falta de apresentação dos elementos a que se refere o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa equivalente a 2% (dois por cento) do valor das operações objeto da requisição, apurado por meio de procedimento fiscal junto à própria pessoa jurídica ou ao titular da conta de depósito ou da aplicação financeira, bem como a terceiros, por mêscalendário ou fração de atraso, limitada a 10% (dez por cento), observado o valor mínimo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). Parágrafo único. À multa de que trata este artigo aplicase o disposto nos §§ 2º e 3º do art. 30. Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I R$ 50,00 (cinqüenta reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. § 1º O disposto no inciso II do caput aplicase também à declaração que não atenda às especificações que forem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quando exigida em meio digital. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10530.000055/200921 Acórdão n.º 1401001.305 S1C4T1 Fl. 8 7 § 2º As multas de que trata este artigo serão: I – apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II – majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 3º Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Os fatos ocorridos no caso concreto foram corretamente resumidos no voto condutor da decisão de piso, fls. 161: No caso, a RMF foi cientificada à contribuinte em 21/08/2008, sendo concedido um prazo, para o seu atendimento, de 20 dias. Como a interessada alegou que a pessoa física objeto da RMF, Sr. Geraldo Oliveira, não apresentou movimentação financeira no período solicitado (fl. 22), foi lavrado o Termo de Solicitação de Esclarecimentos de fls. 24/26, tendo em vista que as DCPMF transmitidas pelo próprio Banco do Brasil informavam o contrário, termo este cientificado à requerente no dia 08/10/2008. A interessada, então, através do expediente de fl. 34, lavrado no dia 24/10/2008, alegou que estava diligenciando no sentido de atender à requisição do Fisco. Um mês depois, no dia 24/11/2008, a instituição financeira, através do expediente de fl. 36, requisitou um prazo adicional de 15 dias úteis, sendo que, apenas no dia 06/01/2009, mais de quarenta dias depois, voltou a se pronunciar, solicitando nova prorrogação de prazo, dessa vez por mais 25 dias úteis, conforme expediente de fl. 38, prorrogação esta não aceita pelo autuante. Como o lançamento foi cientificado à contribuinte em 16/01/2009, verificase que, entre a data da ciência da RMF (21/08/2008) e a data da ciência do auto de infração (16/01/2009), foi disponibilizado à interessada um prazo de quase 5 (cinco) meses para o atendimento da solicitação fiscal, o que representa um tempo excepcionalmente longo, mesmo considerando a complexidade na obtenção dos documentos alegada pela requerente, ou a ocorrência de eventual movimento paredista, também por ela alegada. No que tange à alegação de que a contribuinte não agiu de forma dolosa, devese ter em conta que as normas legais aplicáveis (retrotranscritas) não exigem o dolo por parte da contribuinte como requisito para aplicação da presente penalidade. Na verdade, o simples atraso na entrega dos documentos solicitados, ou sua apresentação de forma inexata/incompleta já constitui motivo suficiente para aplicação da multa, sendo irrelevante a intenção do agente. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10530.000055/200921 Acórdão n.º 1401001.305 S1C4T1 Fl. 9 8 Conforme relatado, no caso concreto a instituição financeira atendeu apenas parcialmente à solicitação, mesmo após a concessão de um tempo bastante elástico para este fim. A ocorrência deste fato, conforme visto, não foi contestado pela recorrente. Consequentemente, revelase plenamente cabível a imposição da multa regulamentar prevista no art. 31 da Lei nº 10.637, de 2002. No que tange ao valor da penalidade, a aplicação dos percentuais legais resultou em montante inferior ao mínimo previsto na lei, de R$50.000,00. Consequentemente, deve ser exigido o aludido valor mínimo, em estrita conformidade com a norma legal. Considerando que a multa necessitou ser exigida mediante auto de infração, também se revela correta a majoração de 100%, conforme previsto no § 2º, inciso II, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o parágrafo único do art. 31 da referida Lei. Por fim, ressaltese que as autoridades administrativas de qualquer instância carecem de competência para pronunciarse a respeito de eventuais argüições de inconstitucionalidade, conforme expressamente sumulado por este CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 10830.720403/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2006, 2008, 2009
MULTA QUALIFICADA. 150%. CONDUTA REITERADA. FRAUDE. DOLO. PROVA.
A constatação da fraude, sendo decorrente de ação ou omissão dolosa, exige que se prove, sem sombra de dúvidas, a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da Lei 4.502/64 elenca como caracterizadores da fraude. A legislação não autoriza a presunção de fraude em razão de apresentação de DIRPFS seguidas, todas com deduções glosadas pelo Fisco Federal.
DECADÊNCIA. IRPF.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE.
Iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade e o direito de retificar a Declaração de Ajuste Anual, ficando sujeito ao lançamento de ofício para cobrança do imposto, com multa de oficio e juros de mora.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS
Apenas devem ser restabelecidas as despesas médicas comprovadas. Caso em que o contribuinte comprovou as despesas por meio de documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA.
No caso dos autos restou comprovado que os valores deduzidos eram referentes a plano VGBL (Vida Gerador Benefício Livre), não sendo permitido nenhum abatimento sobre a renda tributável.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75%, e para reconhecer a decadência referente ao ano calendário de 2005. Vencido o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres (Relator) que dava provimento parcial ao recurso em menor extensão. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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CONDUTA REITERADA. FRAUDE. DOLO. PROVA. A constatação da fraude, sendo decorrente de ação ou omissão dolosa, exige que se prove, sem sombra de dúvidas, a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da Lei 4.502/64 elenca como caracterizadores da fraude. A legislação não autoriza a presunção de fraude em razão de apresentação de DIRPF’S seguidas, todas com deduções glosadas pelo Fisco Federal. DECADÊNCIA. IRPF. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. Iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade e o direito de retificar a Declaração de Ajuste Anual, ficando sujeito ao lançamento de ofício para cobrança do imposto, com multa de oficio e juros de mora. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Apenas devem ser restabelecidas as despesas médicas comprovadas. Caso em que o contribuinte comprovou as despesas por meio de documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 03 /2 01 1- 11 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 309 2 DEDUÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA. No caso dos autos restou comprovado que os valores deduzidos eram referentes a plano VGBL (Vida Gerador Benefício Livre), não sendo permitido nenhum abatimento sobre a renda tributável. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75%, e para reconhecer a decadência referente ao ano calendário de 2005. Vencido o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres (Relator) que dava provimento parcial ao recurso em menor extensão. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP2 (acórdão nº 17.52672), em processo administrativo envolvendo o contribuinte Robson Bertho Garcia. Foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 08/13, no valor de R$ 43.510,22, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios 2006, 2007 e 2008. A fiscalização verificou que houve deduções indevidas com dependentes, despesas de instrução, despesas médicas e dedução indevida de previdência privada/Fapi. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 310 3 Considerando a extensão dos dados relativos ao procedimento fiscal, transcrevo o relatório contido no acórdão da Delegacia da Receita Federal: DA INFORMAÇÃO FISCAL O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário, acima referido, encontrase relatado nos autos, a(s) qual(is) expõe(m), em síntese: Tendo em vista que Declarações de Imposto de Renda dos exercícios 2006 a 2010, anos calendário 2005 a 2009 encontramse em análise devido a ação judicial 2009.63.03.0067920 verificamos e apuramos os fatos a seguir: I – DA AÇÃO JUDICIAL OBJETO Tratase o presente processo de ação de repetição de indébito impetrado contra a União, pleiteando a restituição das quantias indevidamente retidas na fonte sobre as férias proporcionais indenizadas e não gozadas na rescisão contratual, bem como as férias indenizadas e não gozadas (abono pecuniário), durante a vigência dos contratos de trabalho dos últimos 10 anos, com a devida incidência de correção monetária sobre estes valores, a partir dos pagamentos indevidos, devendo ser calculada conforme os índices da UFIR até dezembro de 1995 (Lei 8383/91), observando, ainda, a taxa SELIC a partir de janeiro de 1996 (Lei 9250/95). PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 27/05/2010 foi julgado parcialmente procedente o pedido, condenando a União a proceder ao realinhamento retificatório das declarações de ajuste anual de imposto de renda da parte autora, bem assim a apurar o valor devido e, conseqüentemente, a promover, no prazo e formas legais, a restituição da importância apurada, se a houver, com incidência do índice correspondente à aplicação da “taxa” do SELIC, desde a data das retenções indevidas durante os 5 anos que antecedem o protocolo da petição inicial. CÁLCULOS CONFORME SENTENÇA JUDICIAL Para os cálculos a seguir levamos em consideração as seguintes informações: • A decisão acima descrita; • DIRF (Declaração de imposto de renda retido na fonte); • Declaração de recebimento de honorário II – PROCEDIMENTO FISCAL Pelo exposto e considerando que nas declarações dos exercícios 2006 a 2010, apresentadas pelo contribuinte acima identificado, apresentavam algumas distorções, o mesmo foi INTIMADO a atender às seguintes solicitações: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 311 4 1. Comprovantes originais e cópias das despesas médicas com a identificação do paciente, bem como do seu efetivo pagamento; 2. Comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiário; 3. Contribuição à Previdência Privada; 4. Comprovante da relação de dependência dos dependentes declarados; 5. Comprovante de despesas com instrução; 6. Informes de rendimentos; 7. Informar se as declarações apresentadas foram efetuadas pelo próprio intimado ou por terceiros (contador ou outros), no caso de terceiros informar o nome completo, o endereço e o CPF. Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou cópias de documentos, que foram analisados. Em atendimento à intimação o contribuinte esclareceu que para o exercício 2010, a restituição não tinha sido efetuada. III – DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS 1 – DEPENDENTES Para os anos calendários revistos foram declarados os seguintes dependentes: Somente foi comprovado a dependência relativa à Sra. LIDIA MANEIRA BERTHO. 2 PAGAMENTO E DOAÇÕES 2005 Para o ano calendário 2005, o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem as deduções pleiteadas. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 312 5 2006 Para o ano calendário 2006, o contribuinte não comprovou as deduções referentes a PLANO DE SAÚDE, no total de R$ 10.317,26. 2007 Para o ano calendário 2007, o contribuinte não comprovou as despesas com INSTRUÇÃO, no total de R$ 4.961,32, as despesas com PLANO DE SAUDE, no total de R$ 13.843,78. A despesa com previdência Privada – CAIXA VIDA E PREVIDÊNCIA – não foi aceita tendo em de se tratar de plano VGBL, que é indedutível. 2008 Para o ano calendário 2008, o contribuinte não comprovou as despesas com PLANO DE SAUDE, no total de R$ 16.491,42 e de despesa com INSTRUÇÃO, no total de R$ 4.961,32. 2009 Para o ano calendário 2009, o contribuinte não comprovou as despesas com PLANO DE SAUDE e MÉDICAS, no total de R$ 26.245,42 e de despesa com INSTRUÇÃO, no total de R$ 5.417,88. Como o mesmo se encontra em MALHA FISCAL a restituição ainda não foi efetuada. Tendo em vista as deduções não comprovadas efetuamos o ajuste das declarações para demonstrar os valores a serem constituídos de ofício tendo em vista as seguintes irregularidades: DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA declarada e não comprovadas; Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2007 1.357,40 150,00 DESPESAS DE INSTRUÇÃO declaradas e não comprovadas; Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2005 2.198,00 150,00 31/12/2007 4.961,32 150,00 31/12/2008 5.184,58 150,00 DESPESAS MÉDICAS declaradas e não comprovadas. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2005 7.835,11 150,00 31/12/2007 13.843,78 150,00 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 313 6 31/12/2008 16.491,42 150,00 DEPENDENTES declarados e não comprovados. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2005 1.404,00 150,00 31/12/2007 1.584,60 150,00 31/12/2008 1.655,88 150,00 Esclarecemos que os valores considerandos não incidentes de imposto de renda na fonte, pela sentença judicial, foram devidamente deduzidos. Para o exercício 2007, ano calendário 2006 o contribuinte terá a restituir R$ 1.597,04 em valor original, que será restituído via Justiça Federal, processo 2009.63.03.0067920. Para o exercício 2010, ano calendário 2009, o contribuinte terá a restituir R$ 5.534,54 em valor original, que será restituído via Receita Federal, pelo sistema de MALHA FISCAL. IV – DA MULTA QUALIFICADA Foi constatado, no curso do procedimento, que o contribuinte vem sistematicamente fornecendo informações, que em tese são falsas, com objetivo de DEIXAR DE PAGAR IMPOSTO ou RECEBER RESTITUIÇÃO em valores superiores a que teria direito. As deduções foram majoradas para todos os anos revisados, sendo uma prática reiterada, como foi demonstrado, o que é suficiente para afastar a alegação de erro. V – DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Esclarecemos que juntamente com o presente auto de infração foi formalizado o processo de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, nº 1830.003578/201160. Por se tratar de procedimento de revisão interna de declaração, foi dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), com base no art. 10 inciso IV da Portaria RFB 11.371/2007. DA IMPUGNAÇÃO A ciência da autuação pelo(a) contribuinte ocorreu em 11/04/2011. O(a) contribuinte ingressou com a impugnação em 10/05/2011. Alegando, em síntese: • Multa Na iminência da existência de qualquer valor lançado de forma errônea, em momento algum, visou o declarante a fraudar o fisco, não agindo com má fé ou dolo, mas sim por ignorância e desconhecimento, acreditando sempre, na pessoa que fazia suas Declarações, visto que o declarante sempre contratou profissional capacitado para referido fim. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 314 7 Desta feita, resta claro, que eventual multa a ser aplicada, deverá ser de 50% sobre o tributo devido e, não os 150% informados no referido termos. • Deduções com Dependentes o Exercício 2006, 2008 e 2009 assiste razão a esse órgão visto que as informações prestadas acabaram por ser equivocadas. • Deduções com despesas com Instrução Exercício 2006 e 2008 assiste razão a esse órgão visto que as informações prestadas acabaram por ser equivocadas. • Deduções com despesas Médicas Exercício 2006 – com relação a glosa de R$ 7.835,11, conforme documentos ora acostados, demonstra o mesmo que teve um total de R$ 1.341,18 com despesas médicas referente ao plano de saúde da operadora Master Saúde Ltda em nome de sua avó e dependente Sra. LÍDIA MANEIRA GARCIA CPF 600.060.30882. Exercício 2007 – Razão não assiste a glosa efetuada Referida glosa ocorreu em face da Auditora Fiscal não ter considerado as despesas informadas na declaração de Imposto de Renda do declarante. No que tange a informação prestada quando ao Bradesco Saúde S/A razão assiste ao fisco, visto que, referida despesa fora oriunda do genitor do declarante e, por um equívoco fora informada na declaração do mesmo Conforme se atesta o valor referente ao Bradesco Saúde S/A é de R$ 5.136,56 o qual deverá ser recalculado corretamente. Igualmente ocorrido no ano de 2006 fora dosado a total importância declarada referente as despesas médicas referente a Master Saúde Ltda, em nome de sua avó e dependente Sra. LÍDIA MANEIRA GARCIA CPF 600.060.30882, os quais não foram aceitos no ato fiscalizatório Conforme os comprovantes que ora se acosta, demonstra o declarante, que efetuou o pagamento da importância de R$ 1.671,87 a referida operadora, a qual deverá ser considerada como efetiva despesa médica suportada pelo declarante. Exercício 2008 conforme se atesta pelos recibos acostados da operadora Master Saúde Ltda o declarante efetuou o pagamento da importância real de R$ 3.063,37 em nome de sua dependente LÍDIA MANEIRA GARCIA CPF 600.060.30882. Já com relação a informação prestada quando ao Bradesco Saúde S/A razão assiste ao fisco, visto que, referida despesa fora oriunda do genitor do declarante e, por um engano fora informada na declaração do mesmo. Exercício 2009 pelos recibos acostados da operadora Master Saúde Ltda o declarante efetuou o pagamento da importância Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 315 8 real de R$ 3.662,92 em nome de sua dependente LÍDIA MANEIRA GARCIA CPF 600.060.30882. Já com relação a informação prestada quando ao Bradesco Saúde S/A razão assiste ao fisco, visto que, referida despesa fora oriunda do genitor do declarante e, por um engano fora informada na declaração do mesmo. • Despesas não informadas na DIRPF No Exercício 2006 – por um equivoco, deixou o declarante de informar valores referentes o FAPI da empresa o qual na época o mesmo prestava seus serviços o que totaliza o importe de R$ 8.060,42. Conforme Informe de Rendimentos acostados o mesmo demonstra ser verídica a informação acima prestada a qual não fora considerada quando da elaboração da competente declaração de Imposto de Renda. Assim deverá a mesma ser considerada neste ato para que seja apurado a real situação do declarante a fim de se apurar o correto valor de sua Declaração de Imposto de Renda. o Exercício 2007 – por um descuido do declarante, deixou mesmo de informar os corretos valores contribuídos a título de FAPI, os quais conforme demonstra os Informes de Rendimentos ora acostados, totalizam a importância a diferença de R$ 3.960,00 contribuídos para a Dell Computadores do Brasil Ltda, devidamente inscrita no CNPJ 72.381.189/000110. o Exercício 2008 Ainda conforme se atesta pela declaração apresentada tempestivamente no ano de 2008 por um equivoco, deixou o declarante de informar valores referentes o FAPI da empresa o qual na época o mesmo prestava seus serviços o que totaliza o importe de R$ 25.516,87, referente aos fundos Mais Vida Prev. CNPJ 01.077.727/000130 e HSBC Fundo de Pensão CNPJ 30.459.788/000160. No Exercício 2009 os valores declarados a título de FAPI, foram provenientes de duas fontes, quais sejam, HSBC Fundo de Pensão CNPJ 30.459.788/000160 no importe de R$ 17.246,34 e do Mais Vida Prev. CNPJ 01.077.727/000130 no importe de R$ 9.164,22, totalizando a importância de R$ 26.410,56, conforme demonstra os Informes de Rendimentos neste ato acostados.” O Acórdão (fls.251/268) votou pela procedência em parte da impugnação. Em síntese foram aceitos alguns comprovantes relativos às despesas médicas para dedução de IRPF. Ainda, foi mantida a multa agravada imposta pela fiscalização, bem como não foi aceita a retificação da declaração de renda após o início do procedimento fiscal, por perda de espontaneidade. O cálculo do imposto devido foi o seguinte: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 316 9 O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls.276/302) reiterando as razões apresentadas em sua impugnação. Seu principal argumento é o de que não teriam sido analisados os documentos e argumentos levantados em relação ao ano de 2007. Por fim, requer desconto no percentual de 50% sobre a multa imposta pela fiscalização. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. Conheço do recurso voluntário (fls.276/282), visto que tempestivo e reunindo todas as condições de admissibilidade. Em primeiro lugar, o recorrente protesta pela aceitação das diferenças de valores contribuídos a título de previdência privada/FAPI referentes aos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, nos termos expostos na impugnação. Nesta, o contribuinte pretendeu alocar gastos com previdência privada que não teriam sido informados nas respectivas declarações anuais de ajuste. Pela leitura do Termo de Verificação Fiscal, é possível perceber que em relação à supostas deduções indevidas de previdência privada/Fapi, a fiscalização glosou apenas o valor de R$ 1.357,40 no exercício de 2008 (anocalendário 2007). A despesa (Caixa Vida e Previdência) era referente a plano VGBL, não sendo passível de dedução. O acórdão, ao analisar este ponto, refere que não foram trazidos aos autos comprovantes referentes a esta glosa, razão pela qual foi mantida. Em realidade, o contribuinte juntou o documento de fl. 105 (Extrato da Caixa Vida e Previdência), contudo este demonstra que os valores pagos eram efetivamente referentes a um plano de VGBL. Conforme é sabido, tal despesa não é aceita como dedução de previdência privada. Eventuais valores devem ser informados na Declaração de Bens e Direitos, com o código 97 Vida Gerador de Benefício Livre. Considerando que restou demonstrada a dedução indevida, mantenho a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto ao pedido do recorrente de alocar valores que não teriam sido incluídos no momento de entrega das declarações anuais de ajustes dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, entendo que tampouco deve prosperar. Não se demonstra cabível efetuar retificações neste momento. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 317 10 Não é permitida a retificação da Declaração após iniciado procedimento de ofício, sob perda da espontaneidade nos termos do art. 7º, §1º, do Decreto nº 70.235/72. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Demonstrase totalmente inviável, neste momento requerer ajustes nas declarações de renda apresentadas anteriormente, principalmente depois que o contribuinte sofreu procedimento fiscal em que foram apuradas diversas irregularidades em suas declarações, bem como crédito tributário a pagar. Neste mesmo sentido, Hugo de Brito Machado leciona que “o principal efeito do início da fiscalização é a exclusão da espontaneidade da denúncia apresentada pelo sujeito passivo para os fins do art.138 do Código Tributário Nacional”. (Curso de Direito Tributário. Editora Malheiros. 2010. pag.473) Ressaltese que as contribuições de previdência privada declaradas pelo recorrente foram devidamente aceitas pela fiscalização, conforme se denota dos cálculos apresentados no termo de verificação fiscal de fls.16/18. Desta forma, entendo que não é possível efetuar retificações na declaração de renda neste momento. Ainda a glosa relativa à dedução indevida de previdência privada/Fapi no valor de R$1.357,40 referente ao exercício de 2008 (anocalendário 2007) deve ser mantida. O recorrente aduz que o Acórdão da DRJ de São Paulo não teria apreciado os pontos alegados na impugnação em relação ao ano de 2007. Assim, em relação à dedução indevida de despesas médicas, refere que a informação prestada quanto ao Bradesco Saúde S/A no valor de R$ 5.136,56 não procede, visto que tal despesa fora oriunda do genitor do declarante e, por um equívoco, fora informada na declaração do mesmo Ainda, junta comprovante de despesas médicas de sua dependente, Sra.Lídia Maneira Garcia, expedidos por Master Sáude LTDA. no valor de R$1.671,87 requerendo que sejam consideradas neste momento. Por fim, afirma que, por descuido, deixou de informar os corretos valores contribuídos a título de FAPI, e junta “Informes de Rendimentos” que totalizam a importância a diferença de R$ 3.960,00 contribuídos para a Dell Computadores do Brasil Ltda., devidamente inscrita no CNPJ 72.381.189/000110. Conforme termo de intimação 591/2010, após a apresentação dos documentos pelo contribuinte, a fiscalização procedeu à seguinte análise: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 318 11 Efetivamente, foram juntados os comprovantes de pagamento (fls.196/204) do plano de saúde Master Saúde Assistência Médica Ltda. da Sra.Lídia Garcia no valor total de R$ 1.671,72. O art.80 do RIR/99 ao dispor sobre o tema, prevê: Art.80.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1ºO disposto neste artigo (Lei nº9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Desta forma, entendo que tal glosa deve ser afastada, considerando que existe previsão legal permitindo a dedução de tais despesas, bem como houve efetiva comprovação por meio dos recibos apresentados. A glosa relativa aos valores deduzidos de Bradesco Saúde deve ser mantida, tendo em vista que o pagamento foi realizado pelo Sr. Carlos Garcia, sendo que este não consta como dependente do contribuinte. Além disso, o próprio recorrente declarou que o valor foi lançado na declaração por equívoco. Ainda, o recorrente afirma que por descuido, deixou de informar os corretos valores contribuídos a título de FAPI no valor de R$ 3.960,00 contribuídos para a Dell Computadores do Brasil Ltda., bem como juntou comprovantes. Conforme mencionado anteriormente, com o início do procedimento fiscal, o recorrente perdeu a espontaneidade, não sendo aceitos ajustes em sua declaração de renda neste momento. Cabe ressaltar ainda, que pelo documento de fl.103, o valor mencionado foi descontado como Contribuição Previdenciária Oficial. Assim, por este motivo também não seria possível alocálo como contribuições previdenciárias privadas/Fapi. Por fim, em relação ao percentual da multa aplicada pela fiscalização, a Lei n°. 9.430, de 1996, em seu artigo 44, inciso II, autoriza a aplicação da multa agravada nos casos em que estiverem presentes o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº4.502, de 30 de novembro de 1964: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 319 12 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). (...). Neste ponto, mantenho o entendimento da Delegacia Regional de São Paulo. Restou comprovado por meio da documentação presente nos autos, o intuito de fraudar o Fisco pela inserção de deduções fictícias nas sucessivas declarações, de forma reiterada e continuada, sendo que tal prática teve objetivo de usufruir restituições indevidas ou pagamento a menor de imposto. Corroborando este entendimento, ao expedir o Termo de Verificação Fiscal, a autoridade responsável certificou que o contribuinte reiteradamente apresentou informações falsas com o intuito de deixar de pagar imposto ou de receber restituição em valores a que não teria direito. Ressaltese que foi formalizado processo de representação penal por crime contra ordem tributária; Assim, considerando que restou demonstrada a intenção de fraude ao fisco, bem como as disposições legais sobre o tema listadas acima, entendo que a multa de ofício de 150% aplicada pela fiscalização deve ser mantida. Apesar dos argumentos trazidos pelo recorrente, entendo que está comprovado o intuito de fraude no caso em tela, ensejando a majoração da multa. Por todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a glosa de R$ 1.617,87 relativa às despesas médicas comprovadas por meio de documentação hábil e idônea (Master Saúde Assistência Médica Ltda.). Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 320 13 Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão da aplicação da multa agravada, bem como quanto ao instituto da decadência. Quanto a aplicação da multa agravada de 150%, verifico que a fiscalização a lançou em virtude do entendimento de que houve ato ilícito em virtude de apresentação de Declarações de Ajuste Anual, inserindo pagamentos fictícios (deduções inexistentes), de forma reiterada e sistemática, com a finalidade de redução da base de cálculo do imposto de renda para reduzir o imposto a pagar ou receber restituições indevidas. Tenho o entendimento de que a constatação da fraude, sendo decorrente de ação ou omissão dolosa, exige que se prove, sem sombra de dúvidas, a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da Lei 4.502/64 elenca como caracterizadores da fraude. Entendo ainda que a legislação não autoriza a presunção de fraude em razão de apresentação de DIRPF’S seguidas, todas com deduções glosadas pelo Fisco Federal. Ademais, vejo que todas as deduções apresentadas pelo contribuinte são críveis; havendo, no meu entender apenas erros de declarações; tanto é verdade, que a fiscalização, a DRJ, e o próprio relator, trataram, cada um em seu turno, de acatar várias das deduções declaradas. Por estas razões, entendo que deve ser afastada a multa qualificada de 150%; reduzindoa para o patamar de 75%. Superada a questão da multa qualificada, cabe tratar da análise preliminar em relação a aspecto decadencial. Como se verifica nos autos, trata o caso, dentre outros, de lançamento de IRPF relativo ao ano calendário 2005; portanto, com fato gerador em 31/12/2005. Por seu turno, o IRPF ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 321 14 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 322 15 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, como houve pagamento antecipado, e como não há indicação de fraude, dolo, ou simulação, o lançamento relativo ao ano calendário de 2005 poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2010. Tendo sido notificado o contribuinte em 11/04/2011 (folha 09 dos autos), o foi após o período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, decaído estava o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário relativo ao ano calendário de 2005 (exercício 2006). Motivo pelo qual é dever afastar o lançamento referente ao ano calendário 2005. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75%, e para reconhecer a decadência referente ao ano calendário de 2005. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10830.720403/201111 Acórdão n.º 2801003.973 S2TE01 Fl. 323 16 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 15987.000315/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NT. SÚMULA CARF Nº 20.
Nos termos da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória por força do que dispõe o art. 72 do RICARF, não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional não integralmente recolhidos no prazo de vencimento incidem juros moratórios calculados com base na Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.ART. 100 DO CTN. Não incidem juros moratórios no período em que o sujeito passivo esteja aplicando entendimento expresso em ato normativo expedido pelas Autoridades Administrativas.
Numero da decisão: 3401-002.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima (Relator) e a Conselheira Angela Sartori. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos como redator.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente e redator designado.
BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA - Relator.
EDITADO EM: 05/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros Da Silva Nogueira E Bernardo Leite De Queiroz Lima
Nome do relator: Relator
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RESSARCIMENTO. PRODUTO NT. SÚMULA CARF Nº 20. Nos termos da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória por força do que dispõe o art. 72 do RICARF, não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional não integralmente recolhidos no prazo de vencimento incidem juros moratórios calculados com base na Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.ART. 100 DO CTN. Não incidem juros moratórios no período em que o sujeito passivo esteja aplicando entendimento expresso em ato normativo expedido pelas Autoridades Administrativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima (Relator) e a Conselheira Angela Sartori. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos como redator. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente e redator designado. BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 03 15 /2 00 6- 71 Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 EDITADO EM: 05/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros Da Silva Nogueira E Bernardo Leite De Queiroz Lima Relatório Tratase de pedido de ressarcimento e declarações de compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente sobre a aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos imunes à incidência do imposto, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea 'd' da Constituição Federal. O pedido foi realizado com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A DRF de Santos não homologou as compensações por entender que o aproveitamento dos créditos em questão não seria possível quando o produto industrializado enquadrase em imunidade objetiva. Pautou sua decisão em interpretação da Instrução Normativa SRF nº 33/99. A ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto, em acórdão cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que estas se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria: Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Recorrente interpôs o competente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 15987.000315/200671 Acórdão n.º 3401002.933 S3C4T1 Fl. 1.405 3 a) que a interpretação do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e da IN SRF nº 33/99 não autoriza o estorno dos créditos relacionados a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados; b) que o termo "inclusive", utilizado no art. 11 da Lei nº 9.779/99, não deve ser interpretado em um sentido taxativo, devendo a menção à alíquota zero e isenção ser interpretada como exemplificativa; c) que o entendimento esposado pela DRJ viola o princípio da não cumulatividade do IPI garantido constitucionalmente; d) que qualquer interpretação extensiva do art. 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06 viola o princípio constitucional da legalidade e que tal ato, por ser norma complementar, não pode inovar em matéria sob reserva legal; e) impossibilidade de aplicação de penalidade à Recorrente em razão do disposto no art. 76 da Lei nº 4.506/64, eis que até 2006 prevalecia o entendimento pela possibilidade de creditamento pelos contribuintes que comercializassem produtos com saída imune; f) ilegalidade da cobrança de juros de mora e da aplicação da Taxa SELIC. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A celeuma trazida a julgamento por este Egrégio Conselho decorre da interpretação que deve ser dada ao art. 11 da Lei nº 9.779/99, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 É incontroverso, no presente caso, que a Recorrente se encontra amparada pela norma de imunidade contida no art. 150, inciso VI, alínea 'd' da Constituição Federal, o que afasta a tributação pelo IPI na saída dos produtos enquadrados como livros, jornais e periódicos. Não se trata de hipótese de discussão acerca da aquisição de insumos imunes, mas de aproveitamento de créditos do IPI incidente sobre tais insumos utilizados na industrialização de produtos com saída imune. Neste passo, vale trazer à baila o art. 4º da IN SRF nº 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei nº 9.779/99: Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (negritamos) A referida norma infralegal, ao regulamentar o dispositivo da Lei nº 9.779/99, incluiu a hipótese de aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes de insumos aplicados na industrialização de produtos imunes. Vale frisar que tal dispositivo não menciona ou distingue o tipo de imunidade a que se refere, motivo pelo qual deve ser entendido que o aproveitamento pode ser feito em todas as situações em que o produto tem saída imune do estabelecimento industrial ou equiparado. Somente com a edição do ADI nº 05/06 é que a abrangência deste dispositivo foi reduzida, para permitir o aproveitamento somente nos casos em que a imunidade seja "subjetiva", ou seja, aquela em que o produto é tributado pelo IPI, mas, em circunstâncias específicas, está sujeito à imunidade, como é o caso dos produtos destinados à exportação. Assim dispõe o art. 2º do ADI nº 05/06: Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002 ; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Ora, antes de tal ato declaratório não havia distinção quanto à modalidade de imunidade, se é que se pode assim afirmar, que permitiria o aproveitamento dos créditos de IPI. Conquanto o ato declaratório, por ter natureza interpretativa, poderia retroagir nos termos do art. 106 do Código Tributário Nacional, é certo que tal dispositivo somente se aplica a leis Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 15987.000315/200671 Acórdão n.º 3401002.933 S3C4T1 Fl. 1.406 5 expressamente interpretativas, não abrangendo atos declaratórios, que são meras normas complementares à legislação tributária. Por outro lado, deve ser levado em consideração o que dispõe o art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. A IN SRF nº 33/99 é, sem sombra de dúvidas, um ato normativo expedido por autoridade administrativa, logo, se enquadra como norma complementar às leis tributárias. O Parágrafo Único do referido artigo dispõe que a observância de tais normas exclui a imposição de penalidades ao contribuinte e, o mais importante, a cobrança de juros de mora. A mens legis do Parágrafo Único do art. 100 do CTN é de resguardar o contribuinte de eventual abuso ou violação de direito quando agir em conformidade com as normas complementares da legislação tributária, garantindose, desta forma, a segurança jurídica. Não se trata apenas de impedir a aplicação de penalidades no sentido estrito do vocábulo, qual seja, aplicação de multas e cobrança de juros, mas a vedação de qualquer conduta que venha a ferir o direito do contribuinte. Não pode, portanto, a Recorrente ser prejudicada por ter seguido a IN SRF nº 33/99, que permitia o aproveitamento dos créditos de IPI sobre insumos utilizados em produtos com saída imune, sem fazer distinção do tipo de imunidade aplicável ao caso. O fato de ter sido editado o ADI nº 05/06 apenas corrobora o fato de que a aplicação da IN SRF nº 33/99 abrangia todas as hipóteses de imunidade, caso contrário, tal ato seria desnecessário. Destarte, a aplicação da IN SRF nº 33/99 pelo contribuinte, com base em interpretação que só foi oficialmente rechaçada posteriormente, com a publicação do ADI nº 05/06, não pode ensejar a cobrança de juros de mora. Tal entendimento deve ser aplicado em relação aos créditos que forem reconhecidos, por serem anteriores ao ADI, eis que a finalidade do dispositivo legal é incentivar a atuação do contribuinte em conformidade com as normas infralegais, quando agindo de boafé. No que tange aos juros remanescentes, deve ser adotada a Taxa SELIC, conforme entendimento já pacificado por este egrégio Conselho na Súmula CARF nº 04: Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, considerando que os créditos objeto do presente processo abrangem o período de 01/01/1999 a 30/06/2006, bem como considerando que o ADI nº 05/06 foi publicado em 17/04/2006, devem ser reconhecidos os créditos anteriores à data da publicação do ato declaratório. Em relação aos juros de mora relativos aos créditos reconhecidos, estes devem ser afastados, aplicandose o disposto no art. 100, Parágrafo Único do Código Tributário Nacional. Quanto à taxa aplicável para os juros mantidos, deve ser utilizada a Taxa SELIC, nos termos da Súmula CARF nº 04. Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 15987.000315/200671 Acórdão n.º 3401002.933 S3C4T1 Fl. 1.407 7 Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado Divergiu o colegiado, por sua maioria, do bem elaborado voto do i. relator no tocante à possibilidade de registrar e aproveitar créditos decorrentes de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem a serem utilizados na produção de produtos abrangidos por imunidade constitucional Consoante bem indicado no relatório, tratase de produtos (jornais e periódicos) abrangidos por não incidência constitucionalmente deferida e, como tal, constantes na Tabela de Incidência do IPI TIPI (posição 49.01) com a expressão NT. É provavelmente desnecessário dizer, mas o farei, que na TIPI aparecem com aquela expressão tanto os produtos amparados com imunidade incondicional caso dos produtos aqui discutidos como aqueles que não sejam considerados produtos industrializados para efeito daquele imposto. Mas não se passa o mesmo com todo e qualquer produto que, numa dada operação, não esteja sujeito ao imposto, seja por isenção, seja por imunidade. Nos casos de isenção (todos) e nos de imunidade condicionada _ como, por exemplo, o papel, que só imune quando aplicado nos produtos aqui considerados os produtos sempre constam na TIPI com a alíquota que deve ser adotada quando a isenção, por qualquer motivo, não se aplicar. A impossibilidade de creditamento nesses casos em que os produtos fabricados constem na TIPI como NT (todo e qualquer) é objeto de Súmula deste órgão. Refirome à Súmula CARF nº 20, assim redigida: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. As súmulas baixados pelo CARF são de observância obrigatória pelos seus conselheiros membros por força do que dispõe o art. 72 do seu Regimento Interno baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Destarte, ainda que algum de nós particularmente entenda que a IN SRF 33/99 realmente dera direito a créditos sobre produtos imunes, em geral, impossível aplicar tal entendimento particular em razão da norma regimental. Quanto a mim, especificamente, não partilho tal entendimento. Com efeito, a expressão "inclusive imunes" que nela aparece não consta do art. 11 da Lei 9.779, norma legal que estabeleceu o direito para os demais casos e já transcrita pelo dr. Bernardo. De outra banda, induvidoso que não cabe às Instruções Normativas em geral, e à IN 33 em particular, inovar sobre a legislação que estiverem a regular. No caso específico desta última, ela apenas Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 estava autorizada pela norma legal a regular as condições de aproveitamento para os casos já mencionados na Lei, que, repitase, não incluíam nenhum produto constante na TIPI como NT seja por imunidade seja por não ser produto industrializado. Forçoso concluir, pois, como veio a ser esclarecido por meio do Ato Declaratório posteriormente expedido, que tal expressão que, de resto, dela nem deveria ter constado somente poderia estarse referindo àquela imunidade para a qual já havia norma permitindo ressarcimento e compensação, isto é, aos casos de exportação. Notese, ademais, que não há qualquer antinomia entre os atos normativos e a Súmula CARF, na medida em que a imunidade decorrente da exportação não se refere a nenhum produto em particular: ela beneficia a operação em si e, por isso, alcança todo e qualquer produto industrializado. Por essa mesma razão também, não faz com que o produto exportado apareça na TIPI com a expressão NT. Não há, portanto, o direito pretendido nem mesmo enquanto não expedido o Ato Declaratório mencionado pelo dr. Bernardo, que não veio restringir o conteúdo da IN, mas, tãosomente, esclarecer o seu alcance. A indevida inclusão na IN da expressão "inclusive imunes", porém, induziu os contribuintes a entenderemna aplicável a toda e qualquer imunidade, o que atrai a incidência do art. 100 do CTN para afastar os juros de mora sobre os débitos que se pretendeu estarem compensados, como defendido pelo dr. Bernardo. Esse o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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