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Numero do processo: 10580.720256/2009-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 56 /2 00 9- 53 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720256/200953 Acórdão n.º 9202004.030 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720256/200953 Acórdão n.º 9202004.030 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720256/200953 Acórdão n.º 9202004.030 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720256/200953 Acórdão n.º 9202004.030 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720256/200953 Acórdão n.º 9202004.030 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720256/200953 Acórdão n.º 9202004.030 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10768.720180/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutiveis do IRPI
apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. 0 pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITORIO. ANALISE
INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. lnexiste
reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, urna vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade
administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos e recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise mérito pela autoridade preparadora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencido o relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que negava provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Edeli Pereira Bessa para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Edeli Pereira Bbessa
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutiveis do IRPI apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. 0 pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITORIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. lnexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, urna vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. FRANCISCO RIBEIRO DE, QUEIROZ — Presidente Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar proviment parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos e recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise mérito pela . atitoridade preparadora, nos termos do relatório e voto que integram o present julgado.Vencido o relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que negava provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Edeli Pereira Bessa para redigir o voto vencedor. CARLOS EDUARDO DE<-A-LMEIDA GUERREIRO - Relator Otb: EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada EDITADO EM: 1 0 SET 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Shelley Henrique Dalcamim. 2 fr P rocesso n° 10768.720180/2007-14 SI-C1T1 Fl. 253 Acórffio n." 1101-00329 Relatório Trata-se dede decisão administrativa que não homologou compensação, por »ão reconhecer o direito creditório. 0 direito creditório não reconhecido afeta, além da compensação controlada no presente processo, compensações controladas nos processos 10768.720230/2007-56, 10768.72032712007-68, 1534.725533/2008-92 e 1534.725534/2008- 37. Em 30/06/2005 o contribuinte apresentou declaração, pretendendo compensar seu débito de antecipação do IRPJ, referente ao mês de maio de 2005, no montante de R$ 38.706.956,38, com crédito de pagamento da antecipação de IRPJ, referente ao mês de dezembro de 2004 (proc. fls. 3 a 7). Consta da declaração que efetuou um recolhimento total de RS 86.729.499,25, em janeiro de 2005 (referente a dezembro de 2004), sendo que RS 41.767.504,54 eram indevidos. Documento da Receita Federal confirma o recolhimento dos RS 86.729.499,25 (proc. fl. 15). A DCTF do 4 0 trimestre de 2004, posteriormente cancelada, informa o debito apurado de IRPJ do mês de dezembro de R$ 86.729.499,25, extinto por pagamento (proc. fl. 16). Dados da RFB informam que existiram 3 DIPJ retificadoras para o ano-calendário de 2004 (proc. 11. 18). Na última, entregue em 29/1212005, é informado que não haveria antecipação a ser feita relativa a dezembro de 2004, pois o balancete de suspensão/redução registra IRPJ a pagar negativo e na apuração anual fica consignado um saldo negativo de IRPJ de R$ 15.451.761,59 (proc. fls. 19 a 24). Parecer conclusivo confirma os dados acima mencionados e, coin base no art. 10 da IN SRF n°.. 460, de 2004, diz que as estimativas mensais pagas a maior não podem ser consideradas como indébito tributário, só sendo aproveitáveis via apuração final ou como saldo negativo de IRPJ, propondo a não homologação da compensação (proc. fls. 40 a 44). No parecer, é argumentado que as . estimativas a maior não são consideradas Pagamento a maior, passível de compensação, porque não representam créditos líquidos e certos. Despacho decisório confirma a não homologação (proc. fl. 45) e, em 08/01/2009, é dado ciência ao contribuinte (proc. fl. 61). Ern 06/02/2009 é apresentada manifestação de inconformidade (proc. fls. 79 a 85). 0 contribuinte alega que o único fundamento para a não homologação foi o art. 10 da IN SRF n'. 460, de 2004. Diz que o art. 11 da IN RFB n°. 900, de 2008, aboliu a vedação existente nas IN SRF n'. 460, de 2004, permitindo o imediato aproveitamento de pagainentos a maior de estimativas. Adiciona que, mesmo ao tempo da IN SRF 460, de 2004, a compensação que fez era admitida, pois a regra do art. 10 visava apenas restringir a compensação de recolhimentos referentes As estimativas durante o ano, mas não pagamentos a maior de estimativas. Salienta haver diferença entre antecipação que vem se mostrar maior do que o imposto devido ao fim do período e recolhimento indevido de estimativa. Dá exemplos das duas situações. 0 contribuinte diz que, no caso concreto, apurou a antecipação do mês de dezembro de 2004, por meio de balanço de suspenção/redução, encontrando R$ 86.729.499,25 a pagar, que recolheu em janeiro de 2005. Adiciona que posteriormente reviu sua escrituração, constatando seu o erro, pois encontrou saldo negativo. Informa que retificou sua DCTF onde - reduziu o valor do débito para zero e considerou todo o pagamento como indevido. Conclui que não é caso de compensação de estimativa pagas a maior, mas sim de compensação dc pagamento indevido de estimativa, e que a IN SRF n°. 460, de 2004, não veda a compensação que fez. Em 12/03/2009, a DRJ entendeu aplicável o art. 10 da IN SRF n'. 640, de 2004, e decide pela não homologação do pedido de compensação (proc. fls. 167 a 175). A decisão foi por maioria, fi cando vencido o relator original que votou pela improcedência do despacho decisório, por considerar que o art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004, afrontava o art 165 do CTN. 0 voto vencedor destaca que a regra existente no art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004, é de observância obrigatória, que produziu seus efeitos enquanto não revoada e que a IN SRF n°. 900 não pode retroa2,ir. 0 contribuinte tomou ciência (proc. fl. 179), em 01/04/2009, e apresentou recurso voluntário (proc. fl. 199 a 205), em 04/05/2009. Repete os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, dizendo que: o art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004, é regra de aproveitamento de estimativas e não de compensação de pagamento indevido; e a IN SRF n'. 900, de 2008, revogou a 11\I SRF 460, de 2004. Acrescenta que se a IN SRF n'. 460, de 2004, realmente obstasse a compensação efetuada, a Administração não poderia simplesmente indeferir o pedido, mas deveria retificá-lo de oficio para a forma que entendesse correta, tratando o caso como compensação de saldo negativo, como orienta o § 2° do art. 147 do CTN. Insiste que o caso ern concreto "nib o é de compensação de valores de estimativas pagas a maior, mas sim de pagamento indevido da estimativa apurada em dezembro de 2004" e que "a compensação de saldo negativo, ainda que sua composição seja de estimativas pagas, e a compensação de pagamento indevido de estimativa mensal não se confundem". Indica jurisprudência administrativa favorável a compensação que pleiteia. Propugna que, se não for admitida a compensação como pagamento indevido, a compensação deve ser tratada como de saldo negativo, pois isso não traria prejuízo ao Fisco. Diz que "o que não se pode tolerar é a desconsideração pura e simples dos créditos da empresa", pois isso implicaria em "enriquecimento ilícito por parte da Fazenda Pública". Conclui pedindo o cancelamento do despacho decisório e a homologação da compensação ou, subsidiariamente, a conversão em compensação de saldo negativo. É o relatório. 2 4 Processo n° I 0768.720 I 50/2007-14 AcOrd:ion.° 1101-00329 SI-C1T1 Fl. 254 Voto Vencido O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A lide versa sobre a determinação das regras aplicáveis a pedido de compensação, quando o crédito do contribuinte decorre de pagamento a titulo de estimativa mensal, que ele alega ser indevido ou maior do que o devido. De um lado a DRF e a DRJ entendem que é aplicável o art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004, e que este artigo não admite repetição de estimativa indevida ou a maior. De outro o contribuinte entende que tal dispositivo não se aplica ao caso, quer por ter alcance diverso, quer por ter sido revogado pela IN SRF 900, de 2008, e sustenta ter direito a compensação pleiteada. Deste modo, é preciso identificar e analisar a legislação aplicável. Entendo que a legislação aplicável as compensações tributárias é aquela vigente no momento em que o contribuinte efetua o pedido de compensação. Afinal, somente neste momento é que fica explicitado o destino que o contribuinte vai dar ao seu crédito, que poderia alternativamente ter pedido em restituição. IA o direito a repetir o indébito esse sim é determinado, nos seus aspectos materiais, conforme as regras vigentes no momento em que se caracteriza como pagamento indevido. No presente caso, o pedido de compensação foi feito em 30/06/2005 e refere- se a um crédito que o contribuinte disse ser decorrente de um pagamento indevido efetuado em 31/01/2005, referente a antecipação de IRPJ de dezembro de 2004. Assim, quanto ao direito de repetição vale as regras vigentes em janeiro de 2005 e quanto b. compensação vale as vigentes em junho de 2005. Portanto, são aplicáveis: os arts. 165, 170 e 170-A do Código Tributário Nacional (CTN); o art. 74 da Lei n'. 9.430, com as atualizações; e a IN SRF n'. 460, de 18 de outubro de 2004, que entrou em vigor na data da publicação conforme seu art. 77. Corno dito acima, o cerne da questão está no art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004, que trata do direito de repetição e que precisa ter sua aplicabilidade ao caso analisada. Ele estabelece o seguinte (grifei): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a ntaior de imposto de renda ou de CSLL sabre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do MKT ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de .1RPJ ou de CSLL do período. O mesmo texto foi adotado no art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005. Porém, a IN RFB IV. 900, de 2008, não existe mais a regulamentação de pagamento indevido estimativa. Dessarte, tendo em conta a argumentação trazida no recurso voluntário inicialmente, é necessário analisar se a alteração posta pela IN RFB n°. 900, de 2008, atinge os fatos ocorridos ao tempo da vigência da IN SRF n°. 460, de 2004. Entendo que o fato da IN RFB n°. 900, de 2008, não mais tratar da questão apenas retrata uma opção normativa diferente, corn efeitos a partir da sua vigência e que não retroagem. Ou seja, ao contrário do que sustentou o contribuinte, o fato da IN RFB n°..900, de 2008, não mais repetir as restrições estabelecidas no art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004, e da IN SRF n'. 600, de 2005, não retira a eficácia normativa destas aos fatos ocorridos no período em que elas tiveram vigência. Isso porque urna eventual aplicação retroativa de norma só seria admissivel se esta fosse expressamente interpretativa, o que não é o caso, pois não há na IN RFB n°. 900 nenhuma regra expressamente interpretativa do art. 10 da IN SRF ri 0 460, de 2004, ou da IN SRF n°. 600, de 2004. Também, me parece muito dificil sustentar que a alteração de conteúdo nas instruções normativas retrate uma mudança de interpretação da Administração, quanto ao correto tratamento legal de eventuais pagamentos indevidos das estimativas mensais, revelando uma ilegalidade da IN SRF nr) . 460, de 2004. Ao contrário, corno as instruções normativas declaram que regulamentam a repetição de indébito e a compensação, s6 se node afirmar que as alterações de conteúdo retratam uma alteração da regulamentação dada a essas matérias. Nessa linha, uma alteração da regulamentação não traz, por si só, nada que indique uma ilegalidade da IN SRF n°. 460, de 2004, que afastasse sua eficácia normativa. Assim, o art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004, é a regra vigente e aplicável. Resta analisar o seu alcance: se é o afirmado pela DRF e DRJ; ou se é o sustentado pelo contribuinte. Como se depreende da transcrição acima, o artigo 10 da IN SRF n°. 460, de 2004, literalmente determina que os pagamentos de estimativas indevidos ou a maior só podem ser utilizados ou na dedução do tributo devido na apuração anual (IRPJ ou CSLL), ou para compor o saldo negativo (de IRPJ ou CSLL). Deste modo, a interpretação defendida pela DRF e pela DRJ parece congruente com a literalidade do dispositivo e, portanto, correta. De outra banda, a interpretação do contribuinte (de que a regra não alcança pagamentos indevidos ou a maior, mas, sim, as estimativas regularmente calculadas) so seria aceitável em decorrência de uma mitigação da literalidade do texto da instrução normativa para sua adequação A lei. 0 que leva a indagar se existiria alguma inconformidade da instrução com a lei, caso a instrução normativa regulamentasse a repetição corno se depreende da sua leitura imediata. Para buscar resposta a esta pergunta, é preciso primeiro considerar as regras relativas ao IRPJ e A. CSLL. Conforme estas regras, os sistemas de apuração do IRPJ são o do lucro real, presumido ou arbitrado. A opção por cada um desses sistemas determina sistemática similar para a CSLL. O período de apuração dos 3 sistemas de quantificação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL é trimestral. Excepcionalmente, na sistemática do lucro real é possível a opção por período de apuração trimestral ou anual, sendo que no caso de apuração anual, a pessoa jurídica fica obrigada a antecipações mensais, que serão consideradas na apuração anual do tributo (IRPJ ou CSLL). Registrada a excepcionalidade do período de apuração anual e do seu mecanismo de antecipações, com base em estimativas ou balancetes de suspensão ou redução, Proces.so n" 10768.7201S0/2007-14 SI-CITI Acórao n. 0 1101-00329 J FL 255 e • computadas na apuração anual do tributo, e considerando a complexiddde do sistema e a necessidade de administração da tributação, me parece razoável e necessária a regulamentação da repetição de antecipações indevidas. Principalmente se a repetição ocorre após o encerramento do período de apuração. De fato, se a repetição ocorrer após a apuração final, caso seja admitida a repetição da estimativa, seria preciso o recálculo da apuração anual e demais providências indispensáveis ao acerto. Nessa situação, é mais simples que todo o ajuste seja feito na apuração final e que a repetição seja limitada a eventual saldo negativo. Além disto, podem existir situações em que a estimativa, na hora de seu cálculo, seja correta, mas que sua quantificação possa vir a ser reduzida em decorrência de evento futuro e posterior a apuração anual. Nessas situações, não seria adequado dizer que o recolhimento da estimativa foi indevido, no momento em que foi feito, e seria razoável liquidar a situação na apuração anual. Assim, existem razões de ordem operacional que justificam a regulamentação da repetição de pagamento indevido de estimativa nos moldes em que estabelece a letra do art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004. Inclusive, o art. 5° da In SR_F n°. 460, de2004, regulamenta a restituição do saldo negativo do IRPJ e da CSLL: Art. 5' Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) e da. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (Cal) poderão ser objeto de restituição: — na hipótese de apuração anual, a partir do IllêS de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II — na hipótese de apuração trin7e.stral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Além disto, como acima consignado, a regra posta pela instrução normativa não afeta o conceito de paarifento indevido de tributo veiculado no art. 165 do CTN, pois se tratam de antecipações e não do tributo apurado ao fim do período. De sorte que não vejo razão para diminuir o alcance do disposto no art. 10 da IN SRF IV. 460, de 2004. Ademais, o próprio Decreto 3.000, de 1999, repetindo o já estabelecido em lei, admite a regulamentação da repetição do indébito do IRPJ pela Receita Federal, como estabeleceu art. 895, in verbis (grifei): Art 895. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá optar pelo pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior, observado o disposto nos arts. 892 e 900 (Lei n2 8.383, de 1991, art. 66, §s 22, e Lei n 2 9.069, de 1995, art. 58). § ls) Entende-se por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior aquele proveniente de: I - cobrança ou pagamento espontâneo de imposto, quando efetuado por erro, ou em duplicidade, ou sent que haja débito a em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstancias materiais do fito gerador efetivamente ocorrido,. - erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao recolhimento ou pagamento,. III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria. sç 22 A Secretaria da Receita Federal expedirá instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo (Lei n2 8.383, de 1991, art. 66, § 42, e Lei n 2 9.069, de 1995, art. 58). Corn base no exposto, entendo estar dentro do poder de regulamentação e sem lesão ao conceito de pagamento indevido a vedação feita no art. 10 da IN SRF n°. 460, de 2004. Deste modo entendo que o dispositivo proibe a repetição de antecipações indevidas ou maior que o devido c obriga que seu aproveitamento seja na apuração final e, se houver saldo negativo, via repetição deste. Quanto ao pedido do contribuinte para que alternativamente sua declaração fosse retificada de oficio para ser considerada como repetição de saldo devedor, é preciso consignar que: 1 0) o § 2' do art. 147 do CTN versa sobre urna das modalidades de lançamento do crédito tributário prevista no CTN, feita com base na declaração apresentada pelo contribuinte, e não sobre as declarações solicitando restituição ou compensação; 2°) os pedidos de compensação, conforme o § 1 0 do art. 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, e art. 3° da IN SRF n". 460, de 2004, estão a cargo do contribuinte no prazo e forma determinados na legislação; 3 0) o recurso voluntário não se presta como instrumento de retificação e está fora da competência do CARF promover retificações em declarações do contribuinte, conforme art. 1° do Anexo I e art. 1° do Anexo E do Regimento Interno do CARF. Portanto, entendo que não se deve conhecer este pedido. Por estas razões, voto por julgar negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada, bem como por não conhecer do pedido de retificação de oficio da declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. CARLOS EDUARDO' E ALMEIDA GUERREIRO r; SI-CIT1 FL 256 Proccsso n" 10768.72018012007-14 Acárd5o fl. 0 1101-00329 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Divirjo do I. Relator quanto à eficácia dos atos normativos que vedaram a compensação de estimativas, pois neles não vislumbro a regulamentação de procedimentos para utilização de indébitos de estimativas, mas sim a interpretação das normas materiais -que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda 1 RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5 ° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430196 pela Medida Provisória n" 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei 77" 10.637, de 2002) [---] § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto a fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n" 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem-se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim lido a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço Para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituirem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximando-se, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, poren -i., exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que ha questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do ano-calendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n°460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB a' 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de calculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do ERRI ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do Período. Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPI ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SEE n° 03/2000, seria atualizado com juros a taxa SELIG a partir do mês subseqüente ao do encerramento do ano-calendário: . 0 SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4° do art. 39 da Lei N° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1' c 6° da Lei N° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei N° (6r.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre 1 0 Processo n" 10768.720180/2007-14 SI-C ITI Acórao n." 1101-00329 Fl. 257 ;'? zL) q a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre._ o_Lucfo- Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de Janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIFL De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n" 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admile somente aquelas recolhidas em conformidade COW caput de seu art. 2°: Art.2° A pessoa jurídica sujeita a tributação corn base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, ern cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1 0 e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. §1 ° 0 imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da aliquota de quinze por cento. §2° A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a RS 20.000,00 (vinte mil reais)ficara sujeita à incidência de adicional de imposto de renda h aliquota de dez por cento. §30 A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1° e 2° do artigo anterior. §40 Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4° do art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; H -dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados corn base no lucro da exploração; III -do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV -do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negrejou-se) Diante deste contexto, tem-se por .formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a 772aiOr não poderiam ser deduzidas na apura cão anual do 1RPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado coin faros à taxa SELIG a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo ano-calendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. 1/4-) I '■ Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na fon -na do art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do ano-calendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não so em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido corn base na receita bruta e acréscimos, pretenda corno indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos corn base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. 0 art. 35 da Lei n° 8.981, de 1995, referenciado no art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, atravês de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado coin base no lucro real do período em curso. ssç 1° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2' 0 Podei- Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: 6f) 12 Processo n° 10768.720180/2007-14 SI-CIT1 Acórao rl." 1101-00329 FL 258 c31221 Art. 10. A pessoa juridica poderá: - suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pogo, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o baking() on balancete levantado. 11 - reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § I" A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pogo a niaioi; no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqiientes do mesmo ano- calendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3°a 6". § Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro inês do mesmo ano-calendtirio, deverá levantai - novo balanço ou balancete. Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: L.] § 1° 0 resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2" 0 disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3" Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover. ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação especifica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". ,sç 4" A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto corn a contagem física, ao final do ano-calendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5 0 0 balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais,- b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6" Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para .fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano-calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, observando-se o seguinte: - a cada balanço ou balancete levantado pat-a fins de suspensão OH redllçii0 do. imposto de renda, o contribuinte deverá determinar uni novo lucro real para período em curso, desconsiderando aqueles apurados cm meses ((17 tenores mesmo ano-calendário. II - as adições, exclusões e compensações, computadas na apuragdo do lucro i-cal correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro i-cal do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31 /01/2005 para compensações corn outros tributos, posteriormente, inclusive, A apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIRT originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 corn base em balancete de suspensão/redução. Imperioso. portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do credito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito dk sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimento. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve-lhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitando-lhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos A. jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. ED I08/ PEREIRA BESSA — Redatora designada. 14 CARF Processo nr. 10768.720180/2007-14 FLA a S'21 Acórdão nr. 1101-00.329 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 °. do art. 81, anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de 'Recursos Fiscais-CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nr. n'. 256, de 22 de junho de 2009 (D.6.11. de 23.06.2009), intime-se o(a) Senhor(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto ao CARF, a tomar ciência do Acórdão nr. 1101-00.329. Brasilia - DF, em 5 s ET 20Ia 4 Jose i-ii.)nitfp.t.cSif-i):-va cie Equine da Prirrzc' -', C=1--13-q da 1....onv ::.?ix.Iticlininistalivc: de -::.:cufsos Fiscais - NU: Ciente, com a observação abaixo: { } Apenas com ciência Corn Recurso Especial { Corn Embargos de Declaração / . •• ./. Patr104 -14alelt0sa Pr4curaciotpa Fazenda Naborok. 07,fai 05114 )z,2010. Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10882.900431/2009-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 31 /2 00 9- 90 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 9303003.994 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.960, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 9303003.994 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 9303003.994 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 9303003.994 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 9303003.994 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 9303003.994 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 9303003.994 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10120.006573/2005-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
IRPF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN.
Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, deve-se aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Súmula 555 do Superior Tribunal de Justiça.
Numero da decisão: 9202-004.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para afastar a decadência, com retorno ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IRPF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, deve-se aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Súmula 555 do Superior Tribunal de Justiça.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para afastar a decadência, com retorno ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 883 1 882 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.006573/200557 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.413 – 2ª Turma Sessão de 25 de agosto de 2016 Matéria IRPF. DECADÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALLEX ROLDÃO APOLINÁRIO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IRPF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Súmula 555 do Superior Tribunal de Justiça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para afastar a decadência, com retorno ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 65 73 /2 00 5- 57 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de auto de infração relativo ao IRPF, exercícios 2000 a 2004, lavrado em função de depósitos bancários de origem não comprovada. O Acórdão nº 220200.741, proferido pela 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária deste Conselho, acolheu a arguição de decadência suscitada pelo Contribuinte para o ano calendário 1999 e deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do ano calendário 2001, valor que foi devidamente comprovado. O acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4.° do CTN). IRRETROATIVIDADE DE LEI As disposições da Lei Complementar n° 105 e da Lei n° 10.174, ambas de 2.001 referentes à matéria em litígio, são normas procedimentais e regidas pelas regras do art. 144, § lo. do CTN. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL Desatendidas as intimações da fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar n°. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitamse, igualmente, ao sigilo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de I o de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.006573/200557 Acórdão n.º 9202004.413 CSRFT2 Fl. 884 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial para afastar a decadência referente ao anocalendário 1999 argumentando para tanto que na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial é aplicado segundo a regra do art. 173, I do CTN. O sujeito passivo apresentou contrarrazões e também recuso especial ao qual foi negado seguimento. O Contribuinte defende como correta a aplicação do art. 150, §4º do CTN, primeiro por ser o IRPF imposto sujeito ao lançamento por homologação e segundo pelo fato de que o que se homologa não é o pagamento, mas sim a atividade de apuração exercida pelo sujeito, destaca que no presente caso ocorreu a declaração dos rendimentos e somente não procedeu ao recolhimento antecipado do tributo exatamente porque não foi apurado imposto a pagar. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche, nos exatos termos do despacho de admissibilidade, os requisitos formais exigidos razão pela qual dele conheço. Para o Recorrente o acórdão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, §4º e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. Neste aspecto, entendo que os argumentos do Procurador devem ser acolhidos e aqui transcrevo o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado no livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Calmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do Fl. 885DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Referida posição foi ratificada por aquele tribunal por meio da Súmula nº 555 a qual dispõe: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para melhor esclarecer, vale citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves no AgRg nos EREsp 1.199.262, um dos paradigmas que deu origem a referida súmula: Pois bem, a decisão da Primeira Seção, tomada em recurso especial representativo da controvérsia em comento, para a contagem do prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, leva em consideração, apenas, a existência, ou não, de pagamento antecipado, pois é esse o ato que está sujeito à homologação pela Fazenda Pública, nos termos do art. 150 e parágrafos do CTN. Assim, havendo pagamento, ainda que não seja integral, estará ele sujeito à homologação, daí porque deve ser aplicado para o lançamento suplementar o prazo previsto no § 4º desse artigo (de cinco anos a contar do fato gerador). Lado outro, não havendo pagamento algum, não há o que homologar, motivo porque deverá ser adotado o prazo previsto no art. 173, I, do CTN. Portanto, ao contrário do argumentado pelo Recorrido e em que pesem os debates ainda existentes sobre o tema, entendo que o STJ definiu no sentido de que o que se homologa é o pagamento. Assim, na ausência dolosa ou culposa do pagamento ou na ausência de declaração constitutiva do débito, resta ao Fisco identificar o tributo devido mediante procedimento fiscal que culminará com um lançamento de ofício e como tal será esse lançamento regido pelo art. 173, inciso I. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.006573/200557 Acórdão n.º 9202004.413 CSRFT2 Fl. 885 5 Como afirmado pelo próprio Contribuinte, no presente caso não houve o pagamento do imposto e nem declaração com força constitutiva de débito, afinal a Declaração de Ajuste Anual (fls. 365) erroneamente não apurou imposto a pagar. Assim, mesmo sendo o imposto em sua essência classificado como de "lançamento por homologação", o que ocorreu de fato foi que o lançamento se deu de ofício, após a realização do trabalho de fiscalização. Portanto, se não há pagamento a ser homologado, não há que se falar em aplicação do art. 150, §4º do CTN. Logo, no caso em tela, o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento, nos moldes do art. 173, I do CTN, foi o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 1999 temos como termo final do prazo decadencial a data de 31/12/2005. Tendo o Contribuinte sido notificado do lançamento em 01/11/2005 (fls. 321), devese afastar a decadência. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para afastar a aplicação da decadência em relação ao ano calendário de 1999 e consequentemente determino o retorno dos autos à instância a quo para a análise das demais questões apresentadas pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 887DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13502.000392/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Trata o presente de trata de pedido de restituição, formulado em 08/06/2005, de parcelas pagas a título de PIS de fevereiro de 1999 a maio de 2000 (fls. 01 a 02). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 27 a 38, tendo sido apontado como razão de decidir: 1. decadência pelo o transcurso do prazo máximo de cinco anos previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. (para recolhimentos anteriores a 08/06/2000); 2. impossibilidade da administração tributária se manifestar quanto aos argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade levantados pela contribuinte; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 39 2/ 20 05 -1 1 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 3 2 3. Não houve a alteração da base de tributação da contribuição social, conforme alegado pela contribuinte, com a lei n. 9.718/1998 e a EMC 20/1998; 4. a base de tributação da contribuição social é a totalidade das receitas da contribuinte, e não o faturamento, conforme assumido pela requerente; 5. a não caracterização de pagamento a maior que o devido (para recolhimentos anteriores a 08/06/2000): (a) por que, ao contrário do que argumenta a contribuinte, as receitas que ela pretendeu excluir da base de incidência da contribuição não o podem, pois essa base inclui todas as receitas obtidas pela empresa e não somente as provenientes de vendas de serviços e mercadorias; falta de elementos para demonstrar seu direito ("não junta aos autos cópias dos DARFs referentes aos valores efetivamente recolhidos a título de PIS relativos aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a maio de 2000."). 6. Não observou os requisitos formais pertinentes à implementação do respectivo pleito (Pedido de Restituição gerado através do programa PER/DCOMP (meio eletrônico). Ao final, o Despacho Decisório esclarece e firma seu dispositivo nos seguintes termos: Dessa forma, constata-se que o interessado não observou os requisitos formais pertinentes à implementação do respectivo pleito, a teor do prescrito na legislação de regência, uma vez que, em razão da natureza do crédito utilizado, o Pedido de Restituição apresentado à SRF deveria ter sido gerado através do Programa PER/DCOMP (meio eletrônico). Assim sendo, diante de todo o exposto, proponho que seja reconhecida a decadência do direito da interessada de pleitear a restituição dos valores supostamente recolhidos a maior a título de PIS anteriormente a 08/06/2000, bem como seja considerada a não caracterização de pagamento a maior, a título de PIS, sob código de receita: ..., para os períodos de apuração: fevereiro de 1999 a abril de 2000, cujos recolhimentos foram anteriores a 08/06/2000, para, ao final, INDEFERIR o pedido de restituição referente a estes períodos. Relativamente aos valores recolhidos a título de PIS a partir de 08/06/2000, referentes ao período de apuração de maio de 2000 (recolhimentos em 15/06/2000), proponho que seja considerado não formulado o Pedido de Restituição de fl. 01/02, pelo não cumprimento dos requisitos formais necessários à implementação do presente procedimento. Proponho, ainda, que o contribuinte seja cientificado do presente despacho decisório para, se assim entender, apresentar manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), tão- somente em relação à parte indeferida (referente aos recolhimentos anteriores à 08/06/2000), no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência, nos termos do art. 15 do Decreto n.° 70.235/72 c/c o art. 48 da IN SRF n.°460, 18/10/2004. A Ementa dessa decisão ficou assim redigida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 4 3 Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. DECADÊNCIA. FORMULÁRIO EM PAPEL. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS FORMAIS. Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, na hipótese de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim entendida a data de pagamento do tributo. A restituição, entretanto, será requerida peio sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PERDCOMP (meiodetrôníco) Assunto: PIS. Ementa: PIS. RECOLHIMENTO COM BASE NA LEI N.º 9.718/98. BASE DE CÁLCULO: TOTALIDADE DAS RECEITAS AUFERIDAS. PROCEDÊNCIA. PAGAMENTO A MAIOR POR INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A Lei n.° 9.718/98 autoriza a exigência da PIS, tendo como base de calado o faturamento, correspondente à receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Não há decisão do STF, a ser observada pela Administração Tributária Federal nos termos do art 1°, caput e §§s 1o a S°, do Decreto n.º 1346, de 1997, que declare de forma inequívoca e definitiva a inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 no que diz respeito à fixação da base de cálculo da PIS. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. A contribuinte contestou, com as seguintes alegações, em resumo: · seu direito ao crédito tem base na indevida alteração da base de cálculo que passou de faturamento para a totalidade das receitas através da MP 1.724/1998, transformada na Lei n.º 9.718/98, pois em descompasso com inciso I do art. 195 da CF/1988, que consiste na diferença entre os cálculo do faturamento e da totalidade das receitas; · A EMC n. 20/98 não convalidou o vício da Lei n. 9.718/98; esta lei era desconforme com o ordenamento ao pretender alterar o conceito de faturamento previsto no inciso I do art. 195 da CF/1988. · o prazo para restituição deve ser contado contando o prazo para homologação para esse tipo de lançamento (tese dos cinco mais cinco); o disposto na Lei Complementar n. 118/2005 deve ser interpretada em seu favor; · não há óbice para utilização de pedido de restituição, ao invés do meio eletrônico, caso contrário haveria ofensa aos direitos do contribuinte de obter restituição; deve prevalecer o princípio da instrumentalidade das formas; não pode usar o pedido por meio eletrônico por que ele não aceitava registrar para fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos; O Colegiado da DRJ não acolheu as razões da contestação da contribuinte e manteve o indeferimento. A Ementa do Acórdão n. 09.803 traz o seguinte conteúdo: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 5 4 Processo 13502.000392/200511 Acórdão DRJ SDR 09.802, de 17 de março de 2006 INTERESSADO: Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A. CNPJ/CPF: 13.546.353/000133 Assunto: Contribuição para o PIS Data do fato gerador: 08/06/2005 Ementa: PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TERMO INICIAL O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Solicitação Indeferida A contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio do qual repisou os argumentos já apresentados na instância anterior. Acrescentou a necessidade da aplicação do entendimento proferido pelo STF (cita RE 191.9060/SC, RE 357.950, RE 358.273, RE 390.840, RE 346.084) a respeito da inconstitucionalidade do alargamento da base das contribuições sociais. Cita jurisprudências judiciais e administrativas favoráveis quanto ao prazo máximo de requere restituição e quanto à possibilidade de ser considerado válido o pedido de restituição que desrespeitou a forma prevista na legislação. Os Julgadores de 2º piso firmaram o entendimento de que já havia se passado o prazo máximo para o pedido de restituição de recolhimentos anteriores a 08/06/2000, e que o recolhimento de 15/06/2000 situação aquém desse prazo fatal não poderia ser submetido a análise de mérito pelo fato do pedido de restituição não ter sido originalmente conhecido. Vejamos a justificativa dado por este Colegiado no acórdão: A matéria remanescente, portanto, é a que trata do pedido de restituição relacionado ao pagamento efetuado no dia 15 de junho de 2009. Não obstante a DRF tivesse observado que a Manifestação de Inconformid noderia apenas versar sobre a parte do pedido atingido pela decadência, ou seja, não poderia a mesma se referir à parte do pedido por ela considerado como "não formulado", a interessada submeteu tal matéria à DRJ, que a conheceu e sobre ela deliberou, no que foi contestada no Recurso Voluntário. Todavia, a vedação à interposição de Manifestação de Inconformidade nesses casos, em que o pedido fora considerado não formulado nos termos do artigo 31 da IN SRF n° 160, de 29/12/2004, está implícita no artigo 48 da mesma instrução normativa, de sorte que as argumentações trazidas pela Recorrente nesta fase não devem ser conhecidas por este Colegiado. Conclusão Em face do exposto, não conheço do recurso na parte em que o mesmo versa sobre o Pedido de Restituição considerado como "Não Formulado", prejudicada, portanto, a matéria de mérito relacionada ao alargamento da base de cálculo da contribuição, e, na parte conhecida do Recurso Voluntário, nego provimento em face da decadência do direito de repetir os valores pagos antes de 08 de junho de 2000. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 6 5 O elevado colegiado não conheceu de parte do recurso voluntário e negou na parte conhecida. A ementa desse acórdão ficou assim redigida: Processo n° 13502.000392/2005-11 Recurso n° 135.577 Voluntário Acórdão n° 2201-00.305 - 2a Câmara / Ia Turma Ordinária Sessão de 4 de junho de 2009 Matéria Pedido de Restituição de Cofins recolhida a maior Recorrente ACRINOR ACRILONITRILA DO NORDESTE S/A Recorrida DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/03/1999, 15/04/1999, 14/05/1999, 15/05/2000 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Extingue-se em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA "PER/DCOMP". PEDIDO NÃO FORMULADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O título "Discussão Administrativa", constante do artigo 48 da IN SRF n° 460, de 29/12/2004, não contempla a possibilidade de se interpor Manifestação de Inconformidade contra decisão da autoridade administrativa que, na forma do artigo 31 do mesmo ato infralegal, considerou o pedido de restituição como "não formulado". Recurso Voluntário que não se conhece. Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte e na Parte Conhecida, Negado Provimento. O contribuinte, insatisfeito, apresentou recurso especial que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deu provimento, para reconhecer que o prazo limite para pedir restituição não é de cinco anos, mas, sim, de 10 anos para fatos geradores anteriores a 09/06/2000. A ementa resumiu essa decisão no texto a seguir: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos "cinco mais cinco" (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Especial do Contribuinte Provido. Em seu dispositivo, este acórdão afirma, in verbis: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 08/06/2005, de parcelas pagas a título de COFINS de fevereiro de 1999 a maio de 2000 (fls. 01 a 02). Aplicandose a tese dos "cinco mais cinco", depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em fevereiro de 2009 e maio de 2010, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 08/06/2005, considerando a tese dos "cinco mais cinco", e tendo em vista especificamente as parcelas referentes a fevereiro de 1999 a maio de 2000, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial para afastar a prescrição do direito à repetição de indébito e determinar o retorno dos autos ao órgão julgador a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso, devendo o pedido de restituição ser analisado na sua plenitude, considerandose o respectivo pleito tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda É o relatório. VOTO Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Como podemos ver, este processo retorna a este Colegiado para que ele analise as demais questões trazidas pelo recurso voluntário quanto às parcelas referentes a fevereiro de 1999 a maio de 2000 objeto do pedido de restituição, além do questionamento da sua tempestividade. Os argumentos trazidos pelo contribuinte em seu recurso voluntário seriam, em resumo, os seguintes: 1. seu direito ao crédito tem base na indevida alteração da base de cálculo que passou de faturamento para a totalidade das receitas através da MP 1.724/1998, transformada na Lei n.º 9.718/98, pois em descompasso com inciso I do art. 195 da CF/1988, que consiste na diferença entre os cálculo do faturamento e da totalidade das receitas; 2. A EMC n. 20/98 não convalidou o vício da Lei n. 9.718/98; esta lei era desconforme com o ordenamento ao pretender alterar o conceito de faturamento previsto no inciso I do art. 195 da CF/1988. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 8 7 3. o prazo para restituição deve ser contado contando o prazo para homologação para esse tipo de lançamento (tese dos cinco mais cinco); o disposto na Lei Complementar n. 118/2005 deve ser interpretada em seu favor; 4. não há óbice para utilização de pedido de restituição, ao invés do meio eletrônico, caso contrário haveria ofensa aos direitos do contribuinte de obter restituição; deve prevalecer o princípio da instrumentalidade das formas; não pode usar o pedido por meio eletrônico por que ele não aceitava registrar para fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos. 5. a necessidade da aplicação do entendimento proferido pelo STF (cita RE 191.9060/SC, RE 357.950, RE 358.273, RE 390.840, RE 346.084) a respeito da inconstitucionalidade do alargamento da base das contribuições sociais. Cita jurisprudências judiciais e administrativas favoráveis quanto ao prazo máximo de requere restituição e quanto à possibilidade de ser considerado válido o pedido de restituição que desrespeitou a forma prevista na legislação Analise das questões postas pelo recurso voluntário: Quanto à alegação de que teria direito ao crédito devido à indevida alteração da base de cálculo que passou de faturamento para a totalidade das receitas e que a EMC 20/1998 não convalidou a Lei n. 9.718/1998: Como vimos, repetidamente, a contribuinte alega que seu direito ao crédito: tem base na indevida alteração da base de cálculo que passou de faturamento para a totalidade das receitas através da MP 1.724/1998, transformada na Lei n.º 9.718/98, pois em descompasso com inciso I do art. 195 da CF/1988, vigente na ocasião. E que a EMC 20/1998,. que alterou esse dispositivo constitucional, não teve o poder de afastar esse vício original da Lei 9.718/1998. Vejamos em suas palavras, na petição: Em 29 de outubro de 1998 (DOU de 30/10/98) foi adotada a Medida Provisória n° 1.724, convertida, em 27 de novembro de 1998 (DOU de 28/11/98), na Lei n° 9.718, cujos artigos 2o e 3o pretenderam alterar a bases de cálculo da Cofins para a totalidade das receitas. A ampliação da base de cálculo da PIS pretendida ofende de maneira irrecuperável o disposto no artigo 195, inciso I da Constituição Federal vigente, que determinava, à época da edição da medida provisória e da lei em comento, fossem as contribuições sociais calculadas com base no faturamento, folha de salários e lucro. Como se pode observar, a base de cálculo da PIS, conforme disposto na Constituição vigente à época da edição da lei não permitia a incidência da PIS sobre as a totalidade das receitas. Somente com a promulgação da Emenda Constitucional n° 20, aprovada em sessão do Congresso Nacional de 1o de dezembro de 1998 e publicada no DOU de 16/12/98, é que foi modificado o artigo 195, inciso I da CF/88, ampliando a competência para instituição de contribuições sociais sobre a totalidade das receitas. A exigência das referidas contribuições com base no valor da totalidade das receitas, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999 (90 dias contados da edição da Medida Provisória n° 1.724, com pretendida Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 9 8 observância do princípio da anterioridade mitigada inscrito no § 6o do artigo 195 da CF/88), ofende o ordenamento jurídico do país, principalmente porque a vigência e a eficácia das leis estão subordinadas a uma condição prévia de existência e validade em nível jurídico. ..... Somente com a nova redação do inciso I do art. 195 da CF, dada com a promulgação da EC n° 20 (DOU de 16.12.98), é que passou a ser possível a instituição de contribuição social sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sem a necessidade de observância do art. 154,1 (lei complementar, etc), aplicável por remissão expressa do § 4o do art. 195 da CF (competência residual) para os casos de fontes de custeio não previstas no inciso I. .... II. 2 - A promulgação da EC n° 20 não convalidou o vício da Lei n° 9.718 A compatibilidade da Lei n° 9.718 com o ordenamento jurídico vigente deve ser aferida no momento de sua existência (no dia 27.11.98), à luz do art. 195, I da CF/88, antes da promulgação da EC n° 20 (16.12.98). Além disso, ela argüi que há decisão do Supremo Tribunal e dos Superiores Tribunais declarando a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998. Como consta de seu recurso: A ampliação da base de cálculo pretendida pela Lei n° 9.718 citada foi rejeitada pelo e. Supremo Tribunal Federal que, recentemente, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 357950, 390840, 358273 e 346084, em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade § Io do artigo 3o, em razão de ofensa ao disposto no artigo 195, inciso I da Constituição Federal vigente, que determinava, à época da edição da medida provisória e da lei em comento, fossem as contribuições sociais calculadas com base no faturamento, folha de salários ou lucro. Como se pode observar, a base de cálculo do PIS, conforme disposto na Constituição vigente à época da edição da lei não permitia a incidência sobre a totalidade das receitas. Esses argumentos não me levaram a concluir favoravelmente à contribuinte. Exponho brevemente as razões para esse meu posicionamento, e os submeto aos Senhores Conselheiros. Estamos a tratar de fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 1999 e maio de 2000. São eles posteriores à Emenda Constitucional EMC 20/1998 e posteriores, s.m.j., ao aludido (pela recorrente) período de início da sua eficácia. Não há dúvida de que o prazo nonagesimal corre a partir da primeira publicação da medida provisória que alterar as condições de incidência das contribuições sociais (RE 232.896 /PA , AgRg noRE n. 315.681 1, RE 197.790/MG 1997 eRE 181.6643/RS1997) Talvez pudesse ter visão distinta se esses fatos geradores fosse anteriores a fevereiro de 1999, mas não é o caso. Por isso, concluo que o prazo nonagesimal não prejudicou a validade da lei que dispôs sobre a contribuição social, ao contrário do que propôs a contribuinte. Continuando, vejamos o próximo argumento. Nele também não encontro base para uma decisão favorável à contribuinte. Notem, senhores conselheiros, que o próprio contribuinte afirma: a Emenda Constitucional veio definir que as contribuições sociais Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 10 9 incidiriam sobre a totalidade das receitas, e não somente do faturamento, como seria posto pela ordem jurídica anterior. Ora, se após a Emenda Constitucional não há dúvida a respeito de que a base de cálculo é a totalidade das receitas, falece, a meu ver, a argumentação de que houve pagamento a maior que o devido, pois eles foram feitos pela contribuinte sobre a totalidade da receita. Embora eu deva sublinhar que, em minha visão, não foi a partir da Emenda Constitucional que passou a incidir as contribuições sociais sobre a totalidade das receitas, e nem que antes seria somente sobre faturamento; antes da Emenda a base de tributação dessas contribuições sociais se resumia ao faturamento e às receitas da venda de produtos e serviços. Por esse entendimento é que, a meu ver, não pode receber guarida neste contraditório a afirmação de que a Emenda Constitucional EMC 20/1998 não teria convalidado o vício da Lei n. 9.718/1998 (por que em meu entender não havia vício). Nessa análise, afilio me ao exposto pela autoridade de administração de jurisdição local, em seu despacho decisório, quando analisou essa temática, e da qual reproduzo parte para compor este voto: Despacho Decisório: Em relação ao conceito de faturamento, não pode prosperar o argumento aduzido pela interessada, no sentido de que a Lei n° 9.718/98 contrariou o art. 195, I da Constituição Federal, por ter levado a efeito uma reformulação conceituai, ao determinar que a receita bruta deve ser entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Deve-se ressaltar que o termo "faturamento" não pode ser entendido de modo tão restritivo quanto pretende a requerente e nem foi essa a intenção do legislador constitucional. Quando a Carta Magna, em seu art. 195, inciso I, dispõe que as contribuições sociais dos empregadores incidirão sobre o faturamento, significa que as mesmas irão incidir sobre a receita bruta da atividade exercida pelo contribuinte, independentemente do ramo de atividade econômica, ou seja, sobre a contraprestação, em geral pecuniária, paga pelo produto oferecido, seja ele mercadoria ou prestação de serviços, bem como pelas demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. A respeito do tema, cabe transcrever trecho do voto do eminente Ministro Carlos Velloso, em Embargos Declaratórios interpostos no Recurso Extraordinário n° 144.971-3/DF, que versou acerca da contribuição para o PIS, nos seguintes termos: "Dizíamos que a alegada contradição não existe. É que está dito. no voto que serve de base ao acórdão embargado, que a contribuição para o PIS incide sobre o faturamento', que, por constituir resultado global, abrangente de inúmeras operações (venda de mercadoria, venda de serviços, venda de bens que não configuram mercadorias ou serviços, etc), distinguese das operações que constituem hipótese de incidência do imposto único sobre combustíveis'. É dizer, a hipótese de incidência do PIS é o faturamento. O faturamento, que Já se disse confundir com a receita bruta, constituise de uma série de operações, operações diversificadas e não somente operações sobre minerais. Na renda bruta, assim no que a empresa faturou, estão, inclusive, os rendimentos obtidos no que, pitorescamente, era designado por 'ciranda financeira'. A hipótese de incidência, portanto, do PIS, não recai, especificamente sobre operações em torno de minerais, mas sobre o conjunto das operações diversificadas realizadas pela empresa. (...) Ora, o § 3o do art 155, da CF, há de ser interpretado em consonância com os princípios constitucionais outros, principalmente com o que está disposto no art 195, caput, da mesma Carta, que estabelece que 'a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei'. (...)" Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 11 10 Verifica-se, portanto, que o conceito de faturamento, antes mesmo da publicação da Lei n° 9.718/98, já abrangia todas as receitas obtidas pela empresa, incluindo, até mesmo, como bem asseverado pelo Ministro Carlos Velloso, receitas obtidas em aplicações financeiras. Deve-se observar que o voto coloca como exemplo de faturamento as vendas de mercadorias, vendas de serviços, vendas de bens que não constituem mercadorias ou serviços, e que o termo "etc." deixa explícito que todas as demais operações de que decorram receitas para a empresa estão incluídas no conceito de faturamento. Dessa forma, a Lei n° 9.718/98 veio, apenas, esclarecer um conceito de faturamento que já era utilizado pela jurisprudência, conforme verificamos no pronunciamento anteriormente transcrito, emanado do Supremo Tribunal Federal, e que inclui todos os ingressos financeiros obtidos pelas pessoas jurídicas. Ademais, toda a polêmica acerca do conceito de faturamento perde sentido à luz das modificações promovidas pela Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998. no artigo 195,1, da Constituição FederaL o qual passou a ter a seguinte redação: "Art 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: II a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregaticio; III a receita ou faturamento;" Depreende-se das modificações promovidas pela Emenda que as empresas estão sujeitas à PIS, incidente sobre a totalidade das receitas por elas auferidas, prevista na Lei n° 9.718/98, seja qual for o entendimento do conceito de faturamento, uma vez que a contribuição abrange a receita bruta da pessoa jurídica, seja ela comercial ou civil. A Lei n° 9.718/98, assim como a Emenda Constitucional n° 20/98, explicitaram o que já dispunha o art. 195 da Lei Maior, de modo a dirimir os constantes conflitos de entendimento, levados ao Judiciário, quanto à abrangência do termo "faturamento". Muitas empresas prestadoras de serviço entendiam que a receita bruta por elas auferida não estaria englobada no conceito de faturamento, pois o mesmo se aplicaria apenas às empresas comerciais que emitem fatura. Diante desta polêmica, dentre outras, foi editada a Lei n° 9.718/98, para esclarecer e eliminar qualquer dúvida acerca da base de cálculo da PIS, prevista no art. 195 da Constituição Federal de 1988. Assim sendo, não há que se falar em retroatividade da Emenda Constitucional n° 20/98 para convalidar a Lei n° 9.718/98, uma vez que esta já era válida ao tempo de sua edição, apresentando-se em harmonia com o texto constitucional àquela época. A Emenda Constitucional n° 20, da mesma forma que a Lei n° 9.718/98, veio apenas colocar um ponto final na controvérsia acerca da base de cálculo das Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 12 11 contribuições sociais, deixando claro que estas podem incidir sobre a receita das pessoas jurídicas, sem qualquer restrição quanto à sua abrangência. Por outro lado, ainda que não se aceite a tese de mera explicitação do conceito de faturamento pela Lei n° 9.718/98, não merece prosperar a súplica da peticionaria. Isto porque, apesar de publicada em 27 de novembro de 1998, a Lei n° 9.718, relativamente aos artigos 2° a 8o, somente produziu seus efeitos a partir de 1o de fevereiro de 1999, conforme expressa disposição contida no artigo 17: "Art 17. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação aos artigos 2aa 8o, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999." Depois de percorremos esses argumentos discutidos neste processo, chegamos àquele que trata da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998, e a sua confrontação com o vocábulo "faturamento" invocado recorrentemente pela contribuinte para afirmar que houve pagamento indevido nesses períodos de apuração. Esse é um tema delicado e polêmico, que vem submetendo este tribunal administrativo às exigências de tentar olhálo sem preconceitos, sem automatismos, considerando as peculiaridades de cada caso, e observando a evolução do entendimento firmado pelos Supremo e Superiores Tribunais. Peço a compreensão dos Senhores Conselheiros para com a minha lentidão em lidar com esse problema e lograr chegar a conclusões pacificadoras. Quanto a essa questão, preliminarmente, entendo o que já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § 1º, redação da Lei n° 11.232/2005). Entretanto, essa declaração de inconstitucionalidade, face a diversidade de atividades das pessoas jurídicas, não definiu quais atividades cujas receitas dela decorrentes estão incluídas ou não nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Não me parece pacificado que a base de cálculo das contribuições sociais seria definida pelo vocábulo "faturamento", conceituado como a receita resultante da venda de mercadorias e de serviços. O debate entre os excelsos Ministros ainda não concluiu, e ele lida com esses vocábulos e expressões (faturamento, receita bruta, receita operacional, receita de atividades do objeto social, etc.), com as significações a eles atribuídas, e com os respectivos processos de interpretação. Ao ler as manifestações nesses debates na alta corte que vêm tratando desses temas, podemos verificar que não há um posicionamento definitivo de que a base de incidência das contribuições sociais se resume às vendas de mercadorias e serviços. Tanto é assim, que, à Suprema Corte têm sido endereçados novos pedidos, questionamentos e argumentações para se obter o esclarecimento pacificador para se saber que Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 13 12 receitas são as que devem ser tributadas. Portanto, afirmar que o § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, é inconstitucional não supre a necessidade de estabelecer os critérios e o significado do texto que descreve a hipótese de incidência. Também não é suficiente, para atender essa necessidade, afirmar que a base da incidência é o faturamento, simplesmente interpretado como a receita da venda de mercadorias e serviços. E, a meu ver, este é o caso da contribuinte, que entende que houve pagamento a maior que o devido por que a contribuição social deveria ser recolhida somente sobre a receita de venda de mercadorias e serviços. Por isso, não procede, a meu ver, as alegações da contribuinte de que: (a) seria, sem sombra de dúvida, devida a contribuição social apenas sobre seu faturamento (= venda de mercadorias e serviços); (b) a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998 implicaria que ela teria recolhido a mais que o devido, pois deveria têlo feito somente sobre a venda de mercadorias e de serviços. Faço notar, em adição, que a contribuinte, em seu pedido original, ao afirmar que houve recolhimento a maior que o devido apresenta planilha onde aponta, período por período de apuração, os valores de receita bruta e os valores de faturamento (venda de mercadorias e serviços), mas não esclarece o que foi excluído da receita bruta para se chegar ao faturamento. Seu argumento se cinge, simplesmente, na conjugação de que a alteração da base de tributação foi inconstitucional e de que a base correta seria o faturamento (venda de mercadorias e serviços). A meu ver, não procede a argumentação, como a meu ver sugere a contribuinte, de que "toda e qualquer receita independente da classificação contábil", ou seja, o texto do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, já declarado inconstitucional, além da venda de mercadorias e de serviços, sem antes verificar a que tipo de atividade essa receita se refere, seria mais um caso de submissão ao indigitado alargamento da base de tributação. Quanto ao pedido de reconhecimento de direito creditório sem usar os meios eletrônicos: O Despacho Decisório, desde de seu início, aponta e adota como uma das suas razões de decidir a impropriedade na forma utilizada pela contribuinte para solicitar a restituição que deveria ser feita mediante PER/DCOMP, e não formulário em papel. E por conseqüência, um tal pedido deve ser considerado como não formulado, não abrindo possibilidade do exercício do contraditório nos termos do Decreto n. 70.235, de 1972. Como fundamento legal, a autoridade de administração local indica a IN SRF n. 460, de 2004, artigos 2º, 3º, § 1º e artigo 31. Os julgadores de 1º piso bem como, posteriormente, os de 2º piso acompanharam esse entendimento, apenas acrescentando que ele teria base no disposto no § 12 do artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996, acrescido pelo artigo 17 da Lei n. 10.833/2003. A contribuinte contraditao, e justifica que não conseguiu usar o meio eletrônico por que ele se tornara inviável pelo fato de que o respectivo sistema informatizado da Receita Federal não finalizava o pedido para indébitos anteriores ao prazo de cinco anos. Nesse sentido, o despacho decisório reconhece: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 14 13 Registre-se, de pronto, a impropriedade na forma utilizada pelo contribuinte para solicitar a restituição pretendida, vez que esta deveria ser requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), disponível no sítio da Receita Federal na Internet. E se não o fez, foi porque referido programa foi concebido a partir do entendimento da Administração Tributária, como se verá, da impossibilidade da solicitação de eventual indébito, cuja origem se reporta a recolhimentos efetuados há mais de cinco (05) anos do pedido. (grifos acrescidos) Quanto a essa questão, entendo que a razão não socorre as decisões da administração e dos colegiados neste processo. Como já expus em outros votos neste colegiado, esposo a visão de que a constatação do indébito, o reconhecimento do direito creditório e as procedências para efetivar a restituição (ou ressarcimento, ou compensação) encontram nas formas apenas uma instrumentalidade, necessária de fato , mas cujos equivocos na sua adoção, construção ou uso, não deveriam se constituir em obstáculos intransponíveis para a dimensão material da situação, qual seja, reconhecer o indébito e darlhe uma solução. Estou convicto que não concorre ao interesse do Estado, nem ao interesse público, manter no Tesouro o tributo indevidamente recolhido. Ademais, ponho em relevo que a própria administração reconhece que o sistema informatizado punha limites para se registrar pedido de restituição com fatos geradores superiores a cinco anos. A meu ver, não havia alternativa para a contribuinte se não fazer sua petição uma vez que se trata de um direito previsto na Constituição Federal através do formulário em papel, modelo dado pela própria IN SRF 460/2004 para situações excepcionais. Não logrei encontrar no texto da lei dispositivo que tenha imposto o uso da PER/DCOMP em meio eletrônico para que se considere efetivo o pedido de restituição de indébito tributário. Não creio que a Instrução Normativa que disciplina a matéria tenha pretendido criar restrição que a lei não o fez; nem imagino que se pretenda negar eficácia ao direito de peticionar (CF/1988 e Lei n. 9.784/1999). E em minha opinião, respeitosamente, o § 12 do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996 não atribuiu à Receita Federal a missão de estabelecer a proibição de se fazer pedido de restituição por formulário em papel. Por essas considerações é que proponho a este colegiado seja adotado esse entendimento na condução da decisão neste contraditório. Ou seja, que não seja o descumprimento da formalidade por meio eletrônico razão: (1º) para se indeferir o pedido; (2º) para se declarar como pedido não formulado; (3º) para não se apreciar as alegações das partes. Caso esse entendimento seja adotado pelo Colegiado, preciso ressaltar que será necessário, ainda em minha visão, afastar contradições na formulação de uma decisão de 2º grau para este contraditório. Aponto que desde a autoridade de jurisdição as decisões têm considerado que o processo tem duas partes: (1ª parte) os fatos geradores anteriores a 08/06/2000, que receberam tratamento em contraditório, mas foram indeferidos pela razão do decurso do prazo de cinco anos para pedir restituição e pela razão de que não houve indébito com fundamento na alteração da definição legal da base de tributação; (2ª parte) o fato gerador do pagamento de 15/06/2000, que foi considerado como pedido não formulado e não foi apreciado pela 1ª e pela 2ª instância até o momento como parte do contraditório. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13502.000392/200511 Resolução nº 3401000.954 S3C4T1 Fl. 15 14 Minha proposta é que a nossa decisão reforme a anterior deste colegiado de 2º piso, e inclua todos os fatos geradores e períodos de apuração na decisão desta sessão. Assim o acho necessário, para que não haja contradição neste acórdão e neste processo. Conclusão Com essas considerações, propus a este colegiado que, após apreciar as razões postas pelas partes neste contraditório, fosse mantida a causa do indeferimento da não caracterização de pagamento a maior a consubstanciar a repetição de indébito, e fosse negado o recurso voluntário por que nos períodos de apuração em tela a contribuição social incide sobre a totalidade das receitas, e não exclusivamente sobre aquelas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Este Colegiado aprovou todas as proposições feitas neste voto, considerandoas como parte da decisão deste órgão nesta ocasião. Ocorre que este Colegiado foi informado, em sessão, através de consulta ao sistema eprocesso, da existência dos processos 13502.000526/200331 e 13502.000527/200386 aguardando julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais, que tratam de autuações exatamente para as contribuições sociais e que abrangem os períodos de apuração e os fatos objetos deste processo, havendo, a priori, evidência da estreita relação de inter dependência entre eles. Sendo assim, o Colegiado, por unanimidade, decidiu converter este julgamento em diligência para que este processo seja encaminhado à unidade da administração tributária local da jurisdição da contribuinte para aguardar a decisão definitiva a ser proferida em cada um daqueles processo e trazer sua cópia para instruir este, para em seguida devolvêlo ao CARF. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.902453/2011-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 53 /2 01 1- 32 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902453/201132 Acórdão n.º 9303003.950 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3803003.941, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902453/201132 Acórdão n.º 9303003.950 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902453/201132 Acórdão n.º 9303003.950 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902453/201132 Acórdão n.º 9303003.950 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902453/201132 Acórdão n.º 9303003.950 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902453/201132 Acórdão n.º 9303003.950 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902453/201132 Acórdão n.º 9303003.950 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000280/2004-77
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2000
Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela
denúncia espontânea se refere á. obrigação principal. 0 instituto não é aplicável ás obrigações acessórias, de acordo com o artigo 138 do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. O CARF
não é competente para se pronunciar a respeito de eventuais incongruências entre a legislação fiscal e os princípios constitucionais tributários.
Numero da decisão: 1803-000.632
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2000 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere á. obrigação principal. 0 instituto não é aplicável ás obrigações acessórias, de acordo com o artigo 138 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. O CARF não é competente para se pronunciar a respeito de eventuais incongruências entre a legislação fiscal e os princípios constitucionais tributários. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ne Ferreira de Moraes — -/ BenedictoFelso 4en cio Major — Relator EDITADO E I 2 NOV 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocencio dos Santos, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedicto Celso Benicia Júnior. Processo n° 13678.000280/2004-77 S1-1E03 Acórdão n,° 1803-00.632 Fl. 2 Relatório Contra a interessada acima identificada foi lavrado o auto de infração de if 29, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas aos quatro trimestres do ano-calendário de 1999, no valor total de R$ 4300,50. Como enquadramento legal, foram citados: § 3' do art. 113 e art. 160 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); art. 4°, combinado com o art. 2°, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2° e 6° da Instrução Normativa SRF no 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5° do Decreto-lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7° da Medida Provisória no 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. A ciência do lançamento se deu em 14/10/2004 (AR, fl. 40). Em 09/11/2004 (fl. 30), foi postada a impugnação de fls. 01 a 13. Nela, pediu-se que o auto de infração fosse julgado improcedente. Alegou-se que a multa imposta era indevida, tendo em vista a denúncia espontânea e a ofensa ao principio da razoabilidade. arrazoado que fundamentou o pedido é a seguir resumido: (1) Existência de denuncia espontânea - a entrega da DCTF se deu antes de qualquer intimação ou procedimento da Receita Federal; - deve ser aplicado o art. 138 do CTN, excluindo-se a multa exigida; - o art. 138 se aplica a obrigação acessória ou a deveres instrumentais; - o art. 138 emprega o termo infração, sem fazer distinção entre infração de obrigação principal e infração de obrigação acessória; não cabe ao intérprete distinguir aquilo que o legislador não fez; - o mesmo dispositivo diz que a denuncia espontânea sera acompanhada do pagamento do tributo, se for o caso; - ao empregar a expressão "se for o caso", o art. 138 não deixa dúvida de que é aplicável à hipótese de denúncia de infração de obrigação acessória; - as decisões do Conselho de Contribuintes endossam a pretensão da impugnante; (2) Em relação aos dois trimestres de 1999, houve a decadência, perfazendo o lapso quinquenal, de conformidade com o art 150 e 173 do CTN; (2tli Processo n° 13678.0D0280/2004-77 S1-TE03 FL. .3 Acórci5o n.° 1803-00.632 (3) Foram violados os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art, 5 0, inciso LIV, da CF) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV, da CF); - o princípio da razoabilidade é uma norma jurídica constitucional que impõe ao legislador, quando do exercício da discricionariedade legislativa, urn limite negativo h. sua liberdade de aplicação da Constituição, vedando a criação de leis desarrazoadas, arbitrarias e desproporcionais; - a multa imposta viola o princípio da razoabilidade, em virtude de três razões especificas; - a primeira razão decorre do fato de que a lei impõe urna sanção para cada mês de atraso: a) o descumprimento de urna obrigação acessória não pode ser visto corno urn somatório de desobediência à legislação fiscal; b) o STJ já decidiu que não é razoável efetuar urn somatório de sanção pecuniária para cada mês de atraso; c) o auto deve ser cancelado, por se tratar de multa desarrazoada e não existir, na lei, outra forma de lançar referido descumprimento; - a segunda razão diz respeito ao fato de que a lei utiliza como base de cálculo da sanção os valores declarados em DCTF: a) o descumprimento da obrigação acessória não tem pertinência lógica corn os valores apurados de tributo em determinado trimestre; b) tal critério é desarrazoado, porque o contribuinte que apura valor alto de tributo tem multa enorme, enquanto que o contribuinte que não apura valor de tributo ou apura tributo de valor baixo terá multa pequena; c) a mesma conduta infratora terá medidas distintas; - a terceira razão é que o valor da multa imposta não tem relação de adequação e proporcionalidade com a conduta praticada, sendo muito alto: a) trata-se de verdadeiro confisco, conforme decisão do STF. A 3" TURMA — DIU EM BELO HORIZONTE — MG, ao julgar a impugnação anexada, preservou, in tot um, o lançamento da multa, nos seguintes moldes: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999 DCTF.. MULTA POR ATRASO. si -IE03 Processo n° 13678000280/2004-77 Acórdão n. 1803-00.632 H. 4 O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF se sujeita às penalidades previstas na legislaçâo vigente, quando deixar de apresentá-la ou apresentá-la em atraso." Cientificado da decisão em 02/05/2007, interpôs o contribuinte, em 22/05/2007, recurso a este conselho, aventando razões similes às anteriores, deixando de postular pela decadência de parcela dos lançamentos e afirmando, ainda, a ilegalidade da sanção debatida, em virtude de a obrigação de entrega de DCTF não estar prescrita em lei stricto sensit. o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. (I) Da aplicaçâo da denúncia espontânea ao descumprintento de obrigações acessórias O contribuinte aduziu, primeiramente, a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Segundo sua exegese, o mecanismo denuncista deveria incidir, indistintamente, ás infrações derivadas do descumprimen.to de obrigações principais, de um lado, e 'as transgressões oriundas da inobservância de deveres instrumentais, de outro . Assim seria em decorrência de o artigo 138 do crN jamais ter diferenciado entre contravenções, na medida em que indicara a necessidade de pagamento de tributo e de juros moratórios "somente se este fosse o caso". Nesse cenário, muito embora tivesse apresentado a DCTF/01, não poderia a autuada, em sua visão, ser penalizada, uma vez que a infração comentada teria sido sanada voluntariamente, antes de qualquer procedimento fazendário de oficio. A multa cominada deveria ser afastada, ema vez ter inocorrido prejuízo ao erário. Pois bem. A despeito das ilações trazidas na peça recursal, entendo inagasalhável o entendimento proposto. De fato, a interpretação do artigo 138 do CTN não pode ser levada a efeito de maneira tal que torne inócua a previsão de prazo à apresentação da DM. Caso as penas derivadas do atraso na entrega desta declaração s(5 pudessem ser impingidas depois de começado rito administrativo correlato, estaria sendo esvaziada a definição de interregnos máximos para o cumprimento de tais obrigações acessórias, tão caras à arrecadação. A leitura mais correta do estresido artigo 138 é aquela que o antevê aplicável apenas ás infrações derivadas da inobservância dos chamados deveres fiscais principais. Assim 6, afinal, porquanto a razão de ser do instituto denuncista está posta no estimulo dado ao Proems° no 13678,00028012004-77 SI-TE03 Acórd5o n ° 1803-00.632 Fl 5 contribuinte para o recolhimento, aos cofres públicos, do valor de tributo devido, antes que a Fazenda tenha que dar andamento a procedimentos destinados à cobrança atinente. Ora, tendo em conta que as obrigações acessórias, por definição, não tocam ao pagamento da exação em si, não haveria razão para que o legislador privilegiasse seu cumprimento extemporâneo voluntário, eximindo a multa correspondente. Não entregue a DCTF, ou apresentada ela fora do prazo, cabe, por força de lei, a irnpingencia da penalidade debatida, não sendo caso de subsunção à figura da denúncia espontânea. Nesse sentido já se posicionou este colegiado, consoante as exeniplificativas ementas abaixo copiadas: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere obrigação principal. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, de acordo com o artigo 138 do C771T, (Ac. 3' CC — 302-39.878/08)." "DCTF- DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega da DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente. A responsabilidade acessória autônoma não é alcançada pelo art. 138 do CTN. (Ac. 3° CC — 302-39.974/08)" Assim, remanesce em aberto somente o tratamento das arguições principiológicas feitas pelo contribuinte. Passemos a isso. (2) Da ofensa a princípios constitucionais Também declinou a peticionária, em suas razões recursais, longa explanação a respeito dos motivos que, em sua visão, implicariam na incongruência entre a aplicação da multa debatida, de urn lado, e a preservação de variados'principios constitucionais regentes da função tributante, de outro. A respeito do tópico, temos para nós a desnecessidade da ereção de considerações mais aprofundadas. A atividade julgadora deste Conselho, por sua natureza administrativa, não é permitido o questionamento da validade das normas legais e infralegais positivadas, ainda que sob adução de inconstitucionalidade. O entendimento ora exposto se encontra consolidado, na forma da Súmula CARF n° 02, in verbis: "Súmula CARF n° 02: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Benedict° Celso B 'cio Junior Processo n° 13678.00028012004-77 ST-TE03 AcórdEio n.° 1803-00.632 Fl 6 6
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Numero do processo: 10980.721417/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2009
CONTRIBUIÇÕES DO SEGURADO. MÚLTIPLAS FONTES. PAGADORAS. Na hipótese de o segurado empregado, ou contribuinte individual, possuir mais de um vínculo empregatício, deverá comunicar a todos os seus empregadores, para que o empregador possa apurar corretamente o salário-de-contribuição,se não foi atingido o seu teto máximo.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não cabe a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento de direitos de defesa.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. COMPETÊNCIAS 02/2005 A 05/2005. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito: i) dar provimento parcial para reconhecer a decadência nas competências 02 a 05/2005 (art. 150, § 4°, do CTN). Vencido o Conselheiro Cleberson Alex Friess que não constatou nos autos prova do pagamento antecipado; ii) dar-lhe provimento parcial, devendo a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2009 CONTRIBUIÇÕES DO SEGURADO. MÚLTIPLAS FONTES. PAGADORAS. Na hipótese de o segurado empregado, ou contribuinte individual, possuir mais de um vínculo empregatício, deverá comunicar a todos os seus empregadores, para que o empregador possa apurar corretamente o salário-de-contribuição,se não foi atingido o seu teto máximo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não cabe a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento de direitos de defesa. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. COMPETÊNCIAS 02/2005 A 05/2005. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito: i) dar provimento parcial para reconhecer a decadência nas competências 02 a 05/2005 (art. 150, § 4°, do CTN). Vencido o Conselheiro Cleberson Alex Friess que não constatou nos autos prova do pagamento antecipado; ii) dar-lhe provimento parcial, devendo a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) André Luis Marsico Lombardi - Presidente (Assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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MÚLTIPLAS FONTES. PAGADORAS. Na hipótese de o segurado empregado, ou contribuinte individual, possuir mais de um vínculo empregatício, deverá comunicar a todos os seus empregadores, para que o empregador possa apurar corretamente o saláriodecontribuição,se não foi atingido o seu teto máximo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não cabe a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento de direitos de defesa. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. COMPETÊNCIAS 02/2005 A 05/2005. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 14 17 /2 01 0- 57 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito: i) dar provimento parcial para reconhecer a decadência nas competências 02 a 05/2005 (art. 150, § 4°, do CTN). Vencido o Conselheiro Cleberson Alex Friess que não constatou nos autos prova do pagamento antecipado; ii) darlhe provimento parcial, devendo a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) André Luis Marsico Lombardi Presidente (Assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10980.721417/201057 Acórdão n.º 2401004.154 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2009 Data de lavratura(AI): 21/06/2010 Data de ciência (AI): 25/05/2010 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba (PR) que julgou parcialmente procedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do AI DEBECAD n° 37.135.2142– Obrigação Principal –constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a prestação de serviços remunerados à entidade, por segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP e não recolhidas – Valor Total: R$ 350.323,23, no período de 02/2005 a 06/2009. A Recorrente Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba – SEB constituise atualmente em entidade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, beneficente, religioso e educacional, contribuindo para a seguridade social, no FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social 639, que abriga as Entidades Filantrópicas e Entidades Beneficentes de Assistência Social. O Auto de Infração em comento foi lavrado para apurar e constituir o crédito relativo às contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB, relativas à parte dos segurados, no período de 02/2005 a 06/2009. A Recorrente é isenta da contribuição patronal em face de sua isenção, entretanto, é obrigada a recolher as contribuições descontadas dos segurados que lhe prestam serviços nos termos do Parágrafo 4º do Artigo 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3048 de 06/05/1999. Os valores lançados não foram calculados por alíquotas e sim, obtidos do cálculo da tabela do Anexo V do Relatório Fiscal, a qual é resultante das tabelas dos Anexos I, II, III e IV, cujos valores foram obtidos diretamente das informações dos arquivos digitais fornecidos pela entidade. O Levantamento fiscal observou que, tendo em vista a entrega, na rede bancária, de GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com omissão de informações e incorreções, e em face das alterações introduzidas na Lei nº 8.212/91, pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, considerando ainda o disposto no inciso II, “c”, do artigo 106 do CTN Código Tributário Nacional, foi comparada, em relação às competências 02/2005 a 11/2008, a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente, conforme relatório COMPMULTA que intera p Relatório Fiscal. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a SOCIEDADE EVANGÉLICA BENEFICENTE DE CURITIBA apresentou Impugnação a fls. 708/714, acompanhada dos documentos juntados às Fls. 715/817. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) incialmente baixou os autos em diligência para que a DRF/Curitiba se pronunciasse sobre a veracidade da documentação acostada com a Impugnação apresentada pela empresa; após retorno da diligência e nova manifestação do Contribuinte, lavrouse a Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0637.173 Turma da DRJ/CTA, às fls. 834/843, julgando parcialmente procedente o lançamento para excluir R$ 12.357,23 do montante lançado, referente à dedução de salário maternidade, conforme planilha de fls. 827 e mantendo o crédito tributário excedente. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 24/07/2012, conforme Aviso de Recebimento às fls. 870. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 872/886, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Em sede de preliminar alega inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens conforme declarado na ADIN 1976, julgada procedente pelo Supremo Tribunal Federal; requer ainda, a anulação da r. decisão recorrida em razão de suposto cerceamento de defesa, por ter sido indeferido o pedido de produção de novas provas nos autos; No mérito alega que a SOCIEDADE EVANGÉLICA BENEFICIENTE DE CURITIBA a desnecessidade de informação em GFIP por ausência de Fato Gerador de Contribuição Previdenciária e Gozo de Imunidade Constitucional pela Recorrente; Tece considerações a respeito da regularidade das Deduções de Salário Maternidade do 13º salário, que fora reconhecida como devida pele primeira instância, conforme previsão Contida na IN RDB nº 971/2009; declara que houve a devida declaração em GFIP e o crédito só não foi recolhido por conta da compensação, portanto, não caberia multa por ausência de declaração, uma vez que a declaração teria se dado de forma correta; que a atuação foi irregular, pois o Auditor fiscal não analisou os Documentos entregues, e portanto, houve presunção de irregularidades; que há um bis in idem, na cobrança de multa por ausência de declaração em GFIP, por ser objeto de processo Administrativo Fiscal nº 10980.721629/201034; Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 06 37.173, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10980.721417/201057 Acórdão n.º 2401004.154 S2C4T1 Fl. 4 5 Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 24/07/2012, conforme AR juntado às fls.870, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 23/07/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DE ARROLAMENTO Como o recurso sobrou reconhecido sem a exigibilidade do arrolamento, como é pratica comum no presente Conselho Administrativo, não há o que ser refutado na citada preliminar. 2.2. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Em face do pedido de reconhecimento de nulidade da r. decisão recorrida em razão de suposto cerceamento de defesa, não assiste razão à o recorrente. Cabe neste ponto reproduzir as disposições do Decreto 70.235, de 1972, que tratam da apresentação da impugnação e das provas que devem ser produzidas. Recordese: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93). ... §4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos,a ocorrência de uma das condições Fl. 915DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10980.721417/201057 Acórdão n.º 2401004.154 S2C4T1 Fl. 5 7 previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Extraise da disposição legal transcrita que as provas devem ser juntadas aos autos com a impugnação. Isto para que o julgador possa efetuar a necessária análise das razões da defesa, em face das provas existentes. Não restou demonstrada a necessidade de juntada posterior de provas, nos termos dos parágrafos 4° e 5° acima reproduzidos. Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo, tem sim, por disposição legal, que produzilas, de forma concentrada, já em sede de impugnação, sob pena, de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Nesse contexto, na hipótese do Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do artigo 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria,negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim com ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não cabe a arguição de nulidade do r. acórdão por cerceamento de defesa. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa. 2.3 DECADÊNCIA Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 8 É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já o artigo 150, § 4º do CTN, dispõe o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10980.721417/201057 Acórdão n.º 2401004.154 S2C4T1 Fl. 6 9 Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Diante disso, acatase parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas nas competências 02 a 05/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, passo ao exame de mérito. 3. DO MÉRITO 3.1. DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP A Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, determinava com relação ao segurado empregado e contribuinte individual que possuía múltiplos vínculos empregatícios: “Art. 78. O segurado empregado, inclusive o doméstico, que possuir mais de um vínculo, deverá comunicar a todos os seus empregadores, mensalmente, a remuneração recebida até o limite máximo do salário de contribuição, envolvendo todos os vínculos, a fim de que o empregador possa apurar corretamente o salário de contribuição sobre o qual deverá incidir a contribuição social previdenciária do segurado, bem como a alíquota a ser aplicada. § 1º Para o cumprimento do disposto neste artigo, o segurado deverá apresentar os comprovantes de pagamento das remunerações como segurado empregado, inclusive o doméstico, relativos à competência anterior à da prestação de serviços, ou declaração, sob as penas da lei, de que é segurado empregado, inclusive o doméstico, consignando o valor sobre o qual é descontada a contribuição naquela atividade ou que a remuneração recebida atingiu o limite máximo do salário de contribuição, identificando o nome empresarial da empresa ou empresas, com o número do CNPJ, ou o empregador doméstico que efetuou ou efetuará o desconto sobre o valor por ele declarado. § 2º Quando o segurado empregado receber mensalmente remuneração igual ou superior ao limite máximo do salário de contribuição, a declaração prevista no § 1º poderá abranger várias competências dentro do exercício, devendo ser renovada após o período indicado na referida declaração ou ao término do exercício em curso, ou ser cancelada caso houver rescisão do contrato de trabalho, o que ocorrer primeiro. [...] § 4º Aplicase, no que couber, as disposições deste artigo ao trabalhador avulso que, concomitantemente, exercer atividade de segurado empregado. [...] Fl. 918DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 10 Art. 81. O contribuinte individual que prestar serviços a mais de uma empresa ou, concomitantemente, exercer atividade como segurado empregado, empregado doméstico ou trabalhador avulso, quando o total das remunerações recebidas no mês for superior ao limite máximo do salário de contribuição deverá, para efeito de controle do limite, informar o fato à empresa em que isto ocorrer, mediante a apresentação: I do comprovante de pagamento ou declaração previstos no § 1º do art. 78, quando for o caso; II do comprovante de pagamento previsto no inciso V do art. 60, quando for o caso. § 1º O contribuinte individual que no mês teve contribuição descontada sobre o limite máximo do salário de contribuição, em uma ou mais empresas, deverá comprovar o fato às demais para as quais prestar serviços, mediante apresentação de um dos documentos previstos nos incisos I e II do caput. [...]” A recorrente limitase a declarar que não incorreu em infração ao deixar de informar em GFIP os salários pagos, porque são relativos a prestadores de serviço sem vínculo empregatício, tendo alcançado o teto máximo da contribuição previdenciária com outros tomadores de serviço. Na hipótese de o segurado empregado, ou contribuinte individual, possuir mais de um vínculo empregatício, deverá comunicar a todos os seus empregadores, a fim de que o empregador possa apurar corretamente o saláriodecontribuição sobre o qual deverá incidir a contribuição social previdenciária do segurado, bem como a alíquota a ser aplicada, senão foi atingido o teto máximo de contribuição. O empregador, por sua vez, deverá informar na GFIP a existência de múltiplos vínculos ou múltiplas fontes pagadoras, com relação aos empregados e/ou contribuintes individuais. Como não constam nos autos quaisquer provas de que os segurados arrolados nos autos são contribuintes de múltiplas fontes pagadoras que já contribuíam sobre o teto máximo nas outras fontes pagadoras, há que se manter os lançamentos referentes. Nesse sentido, no tocante a aplicação de multa por ausência de declaração, é perfeitamente cabível. Por outro giro, comparando a tabela elaborada no auto de infração (fl. 110)com a nova tabela resultante da diligência, com valores comprovados (fl. 827), permanecem sem justificativa os valores deduzidos a maior em GFIP: R$ 39,53, referente à competência 06/2008, para o CNPJ: 76.575.604/000209; e R$ 9.004,00 referente à competência 200510, para o CNPJ: 76.575.604/000390. Não havendo nos autos provas que demonstrem que as compensações são devidas, deve ser mantido o lançamento. Já em relação à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o presente lançamento de ofício, a mesma deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Ressaltese ainda que a aplicação do já revogado artigo 35, inciso II, só se aplica até a Fl. 919DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10980.721417/201057 Acórdão n.º 2401004.154 S2C4T1 Fl. 7 11 competência 11/2008; assim, como o presente lançamento tem competências de 2009, para essas, aplicase o disposto no artigo 35 A da Lei nº 8.212/91. Por fim, no tocante ao Processo Administrativo nº 10980.721629/201034, este será apreciado em momento oportuno, mediante emissão do seu respectivo Acórdão. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL nos termos do voto e relatório que integram o presente julgado. É como voto. (Assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002311/2004-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2004
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
Numero da decisão: 9303-004.559
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2004 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
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MULTA Recorrente INDÚSTRIAS REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO 3 FAZENDAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2004 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 11 /2 00 4- 59 Fl. 639DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 340200.943, de 9/12/2012, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: No Recurso Especial, por meio do qual pleiteouse, ao final, a nulidade do acórdão recorrido ou, alternativamente, a sua reforma integral, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto às seguintes matérias: a) competência para afastar a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, de onde resultou na inclusão de outras receitas na base de cálculo da Cofins e b) conceito de insumo (a decisão recorrida teria interpretado o conceito de insumo, considerando, para tanto, apenas os custos incorridos na etapa de produção da mercadoria, excluindo aqueles custos posteriores à produção, como despesas bancárias, fretes com terceiros, combustíveis etc.). Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13888.002311/200459 Acórdão n.º 9303004.559 CSRFT3 Fl. 640 3 A respaldar o recurso, cita o Acórdão nº 20217.529, no qual se entendeu, em virtude de decisão proferida pelo STF reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que a base de cálculo do PIS/Cofins é o faturamento, compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, e o Acórdão nº 930301.035, por meio do qual se entendeu que a lei ampliou o conceito de insumos para abarcar os gastos gerais que a pessoa jurídica tem para produzir os bens e serviços. A preliminar de nulidade da decisão recorrida fundamentase no fato de que, nesta, teria sido debatida matéria estranha à lide. Diz a Recorrente que, como se poderia observar das infrações referidas no auto de infração, em nenhum momento terseia questionado "a base de cálculo do crédito da Cofins na sistemática cumulativa", de sorte que a parte da decisão que trata do conceito de insumo na guardaria relação com o tema tratado nos autos. Também deixou de analisar os demais itens da autuação, o que lhe teria prejudicado o direito de defesa. As contrarrazões ofertadas pela PFN estão anexadas às fls. 618/628. E o exame de admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 613/614, no qual se admitiu o recurso apenas quanto à segunda divergência. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não é de ser conhecido. Conforme alegado no recurso ora em exame, o il. relator do acórdão recorrido enveredou por tema cuja apreciação não se reclamava (o conceito de insumos), pois não constituiu fundamento para o auto de infração nem tampouco foi suscitado, como matéria de defesa, pela Recorrente, no recurso especial, conforme comprova o seguinte parágrafo do relatório do acórdão de impugnação da DRJ (fl. 321): Destarte, os motivos de fato e de direito que embasaram a autuação facilmente comprovam que esta decorre tão só da exclusão indevida de valores da base de cálculo da contribuição apurada nos regimes cumulativo e não cumulativo, como o ICMS devido na operação de venda e os descontos financeiros obtidos. Todavia, como fundamento jurídico à inclusão realizada no lançamento, consignou o Relator do acórdão recorrido: Fl. 641DF CARF MF 4 O fato de a fundamentação tratar de “créditos” das contribuições apuradas no regime não cumulativo, não da exclusão indevida de valores de suas “bases de cálculo” (venda de selo de controle, descontos financeiros obtidos, receitas financeiras etc.), levou a Recorrente a propor, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido. Contudo, o conceito de insumo próprio do PIS/Cofins não cumulativo que fora adotado no acórdão recorrido é semelhante ao acolhido no acórdão paradigma, uma vez que, enquanto naquele entendeuse que o conceito de insumos abarcaria cada um dos elementos necessários ao processo de produção de bens e serviços, neste compreendeuse que, no mesmo conceito, estariam todos os gastos gerais que a pessoa jurídica precisaria incorrer para produzilos (este caso tratou da exclusão, pela fiscalização, de gastos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais). Malgrado tenham diferentes redações, no fundo apresentam a mesma tese: o que for necessário à produção da mercadoria ou à prestação do serviço deve ser considerado insumo para o efeito de creditamento do PIS/Cofins. A nosso juízo, portanto, não há divergência a justificar, também quanto a esta matéria, a admissibilidade do recurso. E não sendo o recurso especial admitido, não há como apreciar a alegação de nulidade do acórdão recorrido, em face do equívoco em sua fundamentação. E ainda que de ordem pública se tratasse o vício apontado, não sendo conhecido, não se verificaria o efeito translativo próprios dos recursos. Assim sendo, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13888.002311/200459 Acórdão n.º 9303004.559 CSRFT3 Fl. 641 5 Fl. 643DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.000971/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005
DA DECADÊNCIA. ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO
Ante a ausência de pagamento do imposto relativamente ao exercício de 2004, aplica-se a regra geral prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), para efeito de contagem do prazo decadencial.
RAZÕES DE RECURSO. MATÉRIAS ESTRANHAS À AUTUAÇÃO.
Não se toma conhecimento de alegações acerca de matérias estranhas à autuação.
ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO.
Considera-se não impugnada, bem como não contestada no recurso a matéria que não tenha sido expressamente combatida na impugnação e no recurso voluntário, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72.
ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não comprovada a existência de rebanho, bem como a área declarada não confere com a constante do Laudo, deve ser mantida a glosa.
ÁREA DE REFLORESTAMENTO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a existência das áreas reflorestamento declaradas por meio de documentação idônea, tais áreas devem ser consideradas no cálculo do ITR.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT).
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a alegação de decadência quanto ao ano de 2004, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para (a) restabelecer o valor declarado de área de reflorestamento de 3.000,0 ha e (b) atribuir o valor de R$12,98/ha para 2004 e R$15,63/ha para 2005.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004, 2005 DA DECADÊNCIA. ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Ante a ausência de pagamento do imposto relativamente ao exercício de 2004, aplica-se a regra geral prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), para efeito de contagem do prazo decadencial. RAZÕES DE RECURSO. MATÉRIAS ESTRANHAS À AUTUAÇÃO. Não se toma conhecimento de alegações acerca de matérias estranhas à autuação. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO. Considera-se não impugnada, bem como não contestada no recurso a matéria que não tenha sido expressamente combatida na impugnação e no recurso voluntário, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72. ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a existência de rebanho, bem como a área declarada não confere com a constante do Laudo, deve ser mantida a glosa. ÁREA DE REFLORESTAMENTO. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência das áreas reflorestamento declaradas por meio de documentação idônea, tais áreas devem ser consideradas no cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Provido em Parte
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ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Ante a ausência de pagamento do imposto relativamente ao exercício de 2004, aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), para efeito de contagem do prazo decadencial. RAZÕES DE RECURSO. MATÉRIAS ESTRANHAS À AUTUAÇÃO. Não se toma conhecimento de alegações acerca de matérias estranhas à autuação. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO. Considerase não impugnada, bem como não contestada no recurso a matéria que não tenha sido expressamente combatida na impugnação e no recurso voluntário, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72. ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a existência de rebanho, bem como a área declarada não confere com a constante do Laudo, deve ser mantida a glosa. ÁREA DE REFLORESTAMENTO. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência das áreas reflorestamento declaradas por meio de documentação idônea, tais áreas devem ser consideradas no cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 09 71 /2 00 9- 67 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a alegação de decadência quanto ao ano de 2004, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para (a) restabelecer o valor declarado de área de reflorestamento de 3.000,0 ha e (b) atribuir o valor de R$12,98/ha para 2004 e R$15,63/ha para 2005. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza. Relatório Contra a recorrente acima qualificada foi lavrado em 08/06/2009, o Auto de Infração de fls. 02/16, a contribuinte foi intimada a recolher o crédito tributário, no montante de R$1.375.549,61, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercícios de 2004 e 2005, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda S. Domingos, Almecegas, Rib. De Areia, Rib. Lavado”, cadastrado na RFB sob o nº 5.730.3533, com área declarada de 23.123,8 ha, localizado no Município de Januária/MG. O Termo de Início da Ação Fiscal (às fls. 37/39), foi recebida em 04/11/2008 (“AR” de fls. 40), exigindose que fossem apresentados, no prazo de 20 (vinte) dias, os seguintes documentos de prova: Cópia do(s) titulo(s) de domínio, ou cópia da(s) matricula(s), ou certidão atualizada do cartório de registro imobiliário; Cópia da planta e memorial descritivo, relativos ao imóvel rural, assinado por profissional habilitado, acompanhado da ART e de acordo com as normas da ABNT (o Departamento de Cartografia do INCRA também pode ter cópia da planta do imóvel), contendo, inclusive, as benfeitorias com identificação das respectivas áreas, ou escritura pública ou documento particular de compra e venda onde estejam discriminadas as benfeitorias com a respectiva área; Para fins de comprovação das áreas declaradas como de Reserva legal, apresentar laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal acompanhado da ART e de acordo com as normas da ABNT; Certidão do IBAMA ou de outro órgão público ligado à preservação florestal, ambiental ou ecológica, se for o caso; Fl. 788DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10670.000971/200967 Acórdão n.º 2301004.782 S2C3T1 Fl. 788 3 Ato Declaratório Ambiental (ADA) ou protocolo do mesmo junto ao IBAMA. Observar que a Lei n°6.938/81, art. 170, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165/00, tornou obrigatória a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR; Certidão do registro ou cópia da matricula dos imóveis, com a averbação da reserva legal (art. 16 e 44 da Lei n° 4.771/65 c/ a redação dada pela Lei nº 7.803/89); Para fins de comprovação da área: 11.200,0 ha de pastagem e 3.000,0 ha de área de reflorestamento (essências exóticas ou nativas) e 6.123,8 ha de produtos vegetais no exercício de 2004 e 4.123,8 ha de produtos vegetais, 3.000,0 ha de área com reflorestamento (essências exóticas ou nativas) e 11.200,0 ha de pastagem no exercício de 2005, apresentar laudo técnico descritivo emitido por engenheiro agrônomo ou civil acompanhado da ART e de acordo com as normas da ABNT, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais (Secretarias Estaduais de Agricultura, Banco do Brasil, Bancos e Órgãos Regionais e Estaduais de Desenvolvimento), nos quais deverão estar discriminadas as culturas e atividades desenvolvidas e as áreas com elas utilizadas, juntamente com os documentos que serviram de base para a elaboração do laudo, tais como notas fiscais de produtor; notas fiscais de aquisição de vacina,demonstrativo de movimentação de gado/rebanho (documento exigido pela fazenda Estadual), certificados de deposito (nos casos de armazenagem do produto); contratos ou cédulas de crédito rural para comprovação da área; outros, como por exemplo Declaração de Produtor Rural entregue ao fisco estadual, e Notas Fiscais de venda de Produtos. Apresentar cópia do projeto do plano de manejo florestal sustentado, acompanhado de aprovação ou autorização (ofício/certidão) emitido pelo IBAMA, bem como todas as autorizações para extração; Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN), o valor das culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas e o valor das benfeitorias, apresentar laudo técnico de avaliação emitido por perito (engenheiro agrônomo, florestal) acompanhado da ART e de acordo com a NBR 14.653, parte 3,da ABNT, que trata da avaliação de imóveis rurais, demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, como publicações/revistas especializadas locais ou regionais com valores de comercialização de terras; escritura pública; contrato de Promessa de Compra e Venda, avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater. Informo que na falta do laudo serão utilizados os valores de terras constante do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme art. 14 da Lei nº 9.393/1996, referente ao município sede do imóvel que são para: o exercício de 2004: R$350,00 para pastagem/pecuária, R$410,00 para cultura/lavoura, R$60,00 para campos e R$370,00 para matas e no exercício de 2005: R$400,00 ha para pastagem/pecuária, R$460,00 para cultura/lavoura, para campos R$70,00 e R$410,00 para matas. Em resposta à intimação inicial, a contribuinte apresentou a correspondência de fls. 41/42, acompanhada dos documentos de fls. 44/65. Após análise, a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração, glosando integralmente as áreas declaradas como utilizadas com produtos vegetais de 6.123,8 ha (2004) e de 4.123,8 ha (2005), com reflorestamento de 1.500,0 ha (2004 e 2005), para pastagens de 11.200,0 ha (2004 e 2005), alterando, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que passou de R$33.000,00 (R$1,43/ha), declarado nos exercício de 2004 e de 2005, para R$1.387.428,00 (R$60,00/ha), no exercício de 2004 e para R$1.618.666,00 (R$70,00/ha), no exercício de 2005, Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 além de glosar o valor das culturas/pastagens/florestas utilizado no cálculo do VTN, de R$350.000,00 (2004 e 2005), com consequente redução da área utilizada na atividade rural e do Grau de Utilização e aumento do VTN tributável e da alíquota aplicada sobre os novos VTN tributados, disto resultando o imposto suplementar de R$277.337,10 (2004) e R$323.584,70 (2005), respectivamente, conforme demonstrativos de fls. 06/07 e 08/09. Resumo da autuação 2004 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 09. Produtos Vegetais e Área de Descanso 6.123,8 0,0 10. Área com Reflorestamento 3.000,0 0,0 11. Pastagens 11.200,0 0, 0 12. Exploração Extrativa 0,0 0,0 13. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 14. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 15. Área Utilizada (09 + 10 + 11 + 12 + 13+ 14) 20.323,8 0,0 16. Grau de Utilização (15 /18) *100 87,9 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 17. Valor Total do Imóvel 383.000,00 1.387.428,00 18. Valor das Benfeitorias 0,00 0,00 19. Valor das Culturas, Pastagens e Florestas 350.000,00 0,00 20. Valor da Terra Nua (17 18 19) 33.000,00 1.387.428,00 Resumo da autuação 2005 Declarado Apurado 10. Produtos Vegetais 4.123,8 0,0 11. Área de Descanso 1.500,00 1.500,00 12. Área com Reflorestamento 3.000,0 0,0 Fl. 790DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10670.000971/200967 Acórdão n.º 2301004.782 S2C3T1 Fl. 789 5 13. Pastagens 11.200,0 0,0 14. Exploração Extrativa 0,0 0,0 15. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 16. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 17. Área Utilizada (10 + 11 + 12 + 13 + 14 + 15 + 16) 19.823,8 1.500,0 18. Grau de Utilização (17 /09) *100 85,7 6,5 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 19. Valor Total do Imóvel 383.000,00 1.618.666,00 20. Valor das Benfeitorias 0,00 0,00 21. Valor das Culturas, Pastagens e Florestas 350.000,00 0,00 22. Valor da Terra Nua (19 20 21) 33.000,00 1.618.666,00 A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora, encontramse descritos às fls. 05, 10, 12/16. Cientificada do lançamento, em 18.06.2009 mediante Aviso de Recebimento AR (fl. 69), a contribuinte protocolou, em 20.07.2009 (segundafeira), a impugnação de fls. 71/82, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: que considera que o ITR é imposto cuja declaração se faz através de lançamento por homologação, regido pela regra do art. 150, § 4°, do CTN e discorre sobre esse tipo de lançamento para concluir que, para o exercício de 2004, teria o fisco até 01.01.2009 para efetuar o lançamento, o que ocorreu somente em 18.06.2009, conforme AR nos autos; que entende ser ilegal a cobrança relativa ao ITR/2004, não podendo prosperar o crédito tributário apurado no demonstrativo de imposto, multa e juros; totalizado em R$ 660.589,23, por estar atingido pelo instituto da decadência; ressalta que as DITR/2004 e 2005 foram confeccionadas erroneamente, e que esta defesa as desprezará, tomando como base o constatado no Laudo Técnico confeccionado exclusivamente para esta finalidade, homenageando o principio da verdade material; Fl. 791DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 que dentre a área total do imóvel de 23.123,8 ha, temse que 4.767,02 ha. foi destinada à reserva legal e 1.191,75 ha destinado a área de preservação permanente, conforme discriminado no quadro 9 do Laudo Técnico; considera que a doutrina e a jurisprudência já sedimentaram entendimento de que inexiste base legal, que determine a averbação das áreas de reserva legal e de preservação permanente, como condição para exclusão da tributação do ITR; que no caso de haver algum tipo de infração ao Código Florestal, esta somente poderá acarretar sanção punitiva, mas que não atinge o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas, se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei nº 4.771/65 (Código Florestal); que os atos normativos da RFB que pretendem desconsiderar a isenção de áreas de reserva legal ou de preservação permanente baseado em Instrução Normativa, não encontram em nosso ordenamento nenhuma sustentação legal; que o Laudo Técnico, emitido por profissional devidamente habilitado, atendidas as normas da ABNT, é documento capaz de provar a existência da área de reserva legal, com 4.767,0256 ha e a área destinada à preservação permanente em 1.191,7564 ha, informando que o profissional esteve in loco e atesta a existência física da área; que ainda que não declaradas, mas com base em direito protegido legalmente, sejam incluídas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, como áreas existentes e isentas para fins de apuração do ITR; que quanto a área de reflorestamento, que o imóvel, até 2003, pertencia a Liasa (Ligas de Alumínio S/A), que efetuou a plantação de eucalipto em uma área de 12.426,0000 ha, sendo explorada por muitos anos, até a madeira para corte se findar, portanto, existe parte da área se regenerando, para após este intervalo de descanso, de crescimento, que por sua vez demanda muitos anos, chegando a ponto de efetuar novamente o corte; que outra parte da área se encontra ainda sem corte, o que foi devidamente comprovada e delimitada no Laudo e, portanto, não se pode descaracterizar uma área que fisicamente existe para tal destinação; que a área de 5.385,3462 ha é de pastagem nativa, conforme consta no Laudo Técnico, informando que parte desta área foi cedida a terceiros, conforme contratos de comodatos constante dos autos; que quando da confecção das DITR/2004 e 2005, houve um equivoco também no que tange ao VTN, razão pela qual foi contratado o engenheiro para determinar o VTN naquela época; que a lei aparelhou a fiscalização com um instrumento, tipo tabela de preços de terras, para arbitrar a base de cálculo do ITR, quando o VTN tiver sido subavaliado, sendo assim, caso o Fisco discorde do VTN declarado, cabe a ele o ônus da prova; que o princípio constitucional da legalidade, considerando que a Constituição da República homenageou o cidadão, ao definir que somente através de lei as pessoas estão sujeitas ao pagamento de tributo, vedando esta competência aos órgãos do poder executivo, conforme previsto no art. 150 da Constituição da República; que o art. 10 da Lei nº 9.393/96 estabeleceu que a base de cálculo do ITR é o VTN, entretanto, não fixou a forma para estabelecer a cifra aritmética da base de cálculo, já Fl. 792DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10670.000971/200967 Acórdão n.º 2301004.782 S2C3T1 Fl. 790 7 no art. 14 da mesma lei, conferiu poderes ao executivo para que em procedimento de fiscalização utilizasse tabela de preços de terras para fins de lançamento de oficio, quando a base de cálculo declarada pelo contribuinte fosse inferior a esta tabela;ressalta que a RFB vem utilizando a referida tabela, instituída por meio de Portaria, como se fosse instrumento legal, ou seja, a valoração da base de cálculo do ITR, ferindo o principio constitucional da legalidade e para corroborar essa tese, cita e transcreve o art. 97 da Lei nº 5.172/66 (CTN); que a Portaria/SRF nº 447/2002 não está apenas complementando a norma que estabelece a base de cálculo do ITR, ao contrário, ela está fixando o VTN, base de cálculo do imposto; que o VTN é um dos componentes que definem a base de cálculo do ITR, sendo este apurado em 01 de janeiro de cada ano, portanto, se o legislador outorgou poderes para o executivo legislar matéria privativa de lei, estará a dita lei eivada de inconstitucionalidade, assim o art. 14 da Lei nº 9.393/96 fere a Constituição da República; que qualquer lançamento, especialmente o de oficio, cuja base de cálculo esteja fundamentada em ato emanado por autoridade administrativa é ilegal, por conseguinte é ato nulo; que a Portaria/SRF nº 447/2002 restringe à publicidade da Tabela SIPT e que a fiscalização arbitrou o VTN para os anos 2004 em R$60,00/ha e para 2005 em R$70,00/ha., alegando que o fez com base nos valores do SIPT, para os anos declarados no município de Januária, entretanto, não consta do Auto de Infração e nem do Termo de Verificação Fiscal a tabela SIPT, tão somente, se faz menção da sua existência; que seria da fiscalização a obrigação de carrear aos autos todos os documentos que serviram de base ao arbitramento do VTN, documentos estes, expedidos pelas Secretarias de Agricultura ou pelos Municípios, conforme preceitua a lei, assim não procedendo, a glosa do VTN deve ser declarada improcedente; que partindo da possível legalidade da tabela SIPT, ainda assim o equívoco não estaria sanado, pois, o município de localização do imóvel é o de Bonito de Minas, emancipado em 1995 por meio da Lei nº 12.030/95, diverso de Januária, parâmetro do SIPT utilizado pela fiscalização; que o sujeito passivo tem direito a conhecer antes da ocorrência do fato gerador a base de cálculo pretendida pelo órgão arrecadador, na qualidade de preposto do Estado, sendo imprescindível que se divulgue antes do prazo de entrega da DIAT a tabela de preços de terra que servirá de base para o arbitramento do VTN e procedimento contrário fere os princípios da publicidade, legalidade, moralidade, da anterioridade; entende que, por todas as razões anteriormente ditadas, o Auto de Infração deverá ser julgado nulo; que o art. 14 da Lei nº 9.393/96, estabelece que as informações sobre preços de terra observem os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, II, da Lei n° 8.629/93 e que a ilegalidade da apuração do SIPT, também, neste sentido é gritante, pois, o SIPT baseia a apuração do VTN de acordo com o disposto na Lei nº 8.629/93, art. 12, que abrange para apurar o valor do imóvel todos os seus componentes; florestas, benfeitorias, matas, e diversamente do disposto para fins de apuração do VTN no ITR, que excluem da base de cálculo, florestas, benfeitorias, etc;argumenta, em continuidade que se o SIPT apura o VTN com base na Lei nº 8.629/93, incluindo benfeitorias, por exemplo, é lógico que o valor Fl. 793DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 encontrado ali será superior àquele apurado pelo contribuinte, que exclui da apuração do imposto valor das benfeitorias, dentre outras exclusões legais, conforme preceitua a Lei nº 9.393/96; que o SIPT é instrumento para fins de aplicação do arbitramento, quando provado que o contribuinte reduziu o tributo indevidamente, subavaliando o VTN, contudo, se verifica que a tabela foi utilizada para finalidade diversa daquela definida em lei, sendo ilegal; que a fiscalização utilizou a tabela tanto para provar a subavaliação do imóvel quanto para o arbitramento, procedimento este ilegal, passível de nulidade e, portanto, também, por este motivo o Auto de Infração encontrase viciado na sua constituição, pois a subavaliação não foi detectada de forma legal, com critérios válidos e legais, conforme preceitua a legislação; que a fim de provar o VTN do imóvel, o Laudo Técnico observou todas as suas particularidades que justificam um valor abaixo do arbitrado, e discorre sobre alguns itens dessas particularidades nele contidas; que para reforçar a verdade das provas quanto ao VTN do Laudo, o imóvel foi adquirido em 2003 e a Prefeitura Municipal de Bonito de Minas o avaliou por R$383.000,00, para fins de ITCD, conforme consta da escritura de compra e venda, em anexo; que já foi sedimentado pela doutrina e jurisprudência que o Laudo Técnico emitido por engenheiro legalmente habilitado, atendendo as normas da ABNT, é prova capaz de contrapor o Auto de Infração; solicita que, em observância a legislação vigente e ao Laudo Técnico apresentado, sejam consideradas para fins de apuração do ITR as áreas do imóvel; quais sejam: 1) preservação permanente: 1.191,7564 ha; 2) reserva legal: 4.624,7600 ha; 3) reflorestamento: 12.426,0000 ha; 4) pastagens: 4.816,2836 ha e 5) VTN 2004 e 2005: R$16,60/ha; requer, preliminarmente, que seja decretada a nulidade do Auto de Infração e o reconhecimento da decadência referente ao ITR/2004; no mérito, requer a procedência da impugnação pelas razões expostas e, alternativamente, requer sejam ajustadas as áreas constatadas no Laudo Técnico e o VTN, para fins de apuração do imposto. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação apresentada, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004, 2005 DA DECADÊNCIA. ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO No caso de falta de pagamento ou pagamento em atraso da quota única ou da 1ª quota do ITR, após o exercício de apuração do imposto, aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), para efeito de contagem do prazo decadencial. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Contendo o Auto de Infração todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando Fl. 794DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10670.000971/200967 Acórdão n.º 2301004.782 S2C3T1 Fl. 791 9 ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DO MUNICÍPIO DE LOCALIZAÇÃO DO IMÓVEL. CADASTRO DE IMÓVEIS RURAIS (CAFIR) As informações cadastrais de imóveis rurais integram o Cadastro de Imóveis Rurais (CAFIR), administrado pela Receita Federal do Brasil. As alterações de dados cadastrais de imóvel rural inscrito no CAFIR, informadas na DITR, somente é possível quando constatada a ocorrência de erro de fato, comprovado por meio de prova documental hábil. DO EXAME DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. INADMISSIBILIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO Não compete à autoridade administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto à distribuição das áreas do imóvel, que não são objeto da lide. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além da averbação tempestiva das áreas de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DAS ÁREAS COM REFLORESTAMENTO As áreas utilizadas com reflorestamento cabem ser devidamente comprovadas com documentos hábeis, conforme exigido pela autoridade fiscal. DA ÁREA DE PASTAGEM A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado Fl. 795DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. DO VALOR DA TERRA NUA VTN SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão 0351.302 1 ª Turma da DRJ/BSB em 16/05/13, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 201). Em 14/06/2013 conforme fls. 217 o contribuinte encaminhou por via postal o recurso voluntário (fls. 203/213). Como passa a expor: que houve erro do fiscal ao atribuir o VTN no município de Januária quando a localização do imóvel é do município de Bonito de Minas; sendo os dados informados da DIRT passíveis de revisão, conforme efetuado e lavrado o auto de infração. Consequentemente, os outros dados também deveriam ser revisados pelo órgão fiscal; cita os dispositivos legais aplicáveis ao valor da terra nua, sendo eles: Lei 9.393/96 e seus artigos 8° e 14°, Lei 8.629/93 art. 12, IN SRF 256/2002 arts. 32 e 46 e Portaria SRF 447/2002 arts. 1° ao 4°; se reporta também a Constituição Federal no artigo 150, I, alegando que é inconstitucional a fixação da base de cálculo através de instrução normativa, também relatando que nem a regra geral ou as exceções alcançam o ITR e outros impostos; alega que “o art. 10 da Lei n° 9393/96 estabeleceu que a base de cálculo do ITR é o valor da terra nua, entretanto não fixou a forma para estabelecer a cifra aritmética da base de cálculo”; e acrescenta “ocorre que a Receita Federal vem utilizando sistematicamente as tabelas de preços de terras instituídas através de Portaria, como se fossem os instrumentos legais, ou seja, a valoração da base de cálculo do ITR, ferindo o princípio da legalidade. ”; sobre o uso da tabela SIPT, “vale lembrar que foi instituída pela SRF, determinar o lançamento do ofício do ITR, no caso de falta de entrega do Diac ou do Diat, e de subavaliação do VTN ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. ” expõe que o contribuinte tem o direito de conhecer antes da ocorrência do fato gerador a base de cálculo pretendida pelo órgão arrecadador, fato que não ocorre na Fl. 796DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10670.000971/200967 Acórdão n.º 2301004.782 S2C3T1 Fl. 792 11 utilização da tabela SIPT, pois somente durante o decorrer da autuação que o contribuinte tem acesso ao valor da tabela do ano de exercício; que em se tratando das Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, nada impede que sejam reconhecidas nesta oportunidade, uma vez que a verdade real deve prevalecer; traz jurisprudência do TRF da 1ª Região, pautado em precedentes do Superior Tribunal de Justiça, que pacificou o entendimento de que a exclusão da base de cálculo do ITR das referidas áreas, não é necessária a averbação delas na matrícula do imóvel nem a apresentação do ADA, sendo o Laudo Técnico um instrumento hábil a comprovar a existência das áreas (AC 002040796.2004.4.01.3500 / GO, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, SÉTIMA TURMA, eDJFI p.856 de 10/05/2013) sobre as áreas de pastagem e reflorestamento e VTN, argumenta que a DRJ tem tratado de forma simplista "e como se técnicos no assunto fossem."[...] Pede que: seja julgado improcedente o auto de infração, e por conseguinte a improcedência do auto de infração por todas as razões acima expostas. Juntou documentos, localizados nas fls. 500/777 sendo esses: Laudo Técnico de Avaliação do ano base 2004 (fls. 501/566), documentação fotográfica (fls. 568/580), pesquisa de mercado (fls. 581/603), escrituras fls. (608/625), memorial descritivo (fls. 626/635), Anotação de Responsabilidade Técnica – ART/CREA 2004 (fls. 636/638), Laudo Técnico de Avaliação do ano base 2005 (fls. 639/704) e Anotação de Responsabilidade Técnica – ART/CREA 2005 (fls. 775/777). É o relatório. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Passo a análise das preliminar de mérito arguida pela recorrente: Da Decadência A recorrente, em sede de preliminar, alegou que estaria decaído o direito da Fazenda Pública à constituição do crédito tributário, referente ao exercício de 2004, com base no art. 150, § 4º, do CTN, posto que teria tomado ciência do lançamento em 18.06.2009 (AR de fls. 69) No caso em exame, não consta registro de pagamento, ainda que parcial ou em atraso do imposto relativo a 2004. Portanto, não tendo havido pagamento, o termo Fl. 797DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 inicial do prazo decadencial seria aquele previsto no art. 173, inciso I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) O fato gerador do ITR, o mesmo encontrase previsto no caput do art. 1º da já referida Lei nº 9.393/96, que assim dispõe: “Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano”. (GRIFEI) Assim, contando o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, no caso em análise, relativamente aos fatos geradores ocorridos no exercício de 2004, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2005, de forma que o prazo decadencial se esgotaria em 31/12/2009. Assim, considerando que o Recorrente foi cientificado do lançamento em 18/06/2009, verificase que não havia decaído o direito do Fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento em relação ao ano de 2004. Dessa forma, deve ser rejeitada a preliminar de decadência. NO MÉRITO Inicialmente, cumpre registrar que a autuação cingese à glosa das áreas de produtos vegetais e área de descanso, área de reflorestamento e de pastagens, conforme descrição abaixo, e à rejeição do VTN declarado e arbitramento, com base no VTN/ha apontado no SIPT, de novo VTN, conforme consta da “Descrição dos Fatos”, (fls. 12/16). 2004 09. Produtos Vegetais e Área de Descanso 6.123,8 10. Área com Reflorestamento 3.000,0 11. Pastagens 11.200,0 2005 10. Produtos Vegetais 4.123,8 12. Área com Reflorestamento 3.000,0 13. Pastagens 11.200,0 A recorrente alega que o procedimento fiscal nada mais é do que revisão da sua declaração e que, portanto, se há alteração nos dados informados, pode haver inclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal que não foram devidamente declaradas. Impende consignar que, quanto à possibilidade de retificar os dados declarados nas DITR de 2004 e de 2005, a contribuinte já perdeu a direito a espontaneidade para fazer estas retificações, após o início da ação fiscal. A possibilidade de retificação dos valores declarados pressupõe estar o contribuinte amparado pela espontaneidade, prevista no art. 138 da Lei nº 5.172/1966 – Código Fl. 798DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10670.000971/200967 Acórdão n.º 2301004.782 S2C3T1 Fl. 793 13 Tributário Nacional (CTN). Entretanto, a espontaneidade em apresentar a declaração retificadora termina com o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do art. 7º, do Decreto 70.235/72. Concluise então, que a partir do momento em que a contribuinte tomou ciência do procedimento fiscal, fica excluída a espontaneidade a que teria direito para a pretendida retificação dos dados declarados em suas DITR. Dito isso, passo a analisar a matéria constante do Auto de Infração. Área de Produtos Vegetais e de Descanso No que tange à glosa da área de produtos vegetais e de descanso de 6.123,8 ha (2004) e a de produtos vegetais de 4.123,8 ha (2005), a matéria não foi expressamente impugnada, tampouco carreou aos autos qualquer documento de prova que pudesse ser levado em consideração para justificar o restabelecimento dessas áreas. Assim, considerase não impugnada e nem combatida em recurso essa matéria, vez que não foi expressamente contestada, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Portanto tratase de matéria preclusa. Área de Pastagens A glosa da área de pastagens de 11.200,0 ha, declarada igualmente nos exercícios de 2004 e 2005, se deu pelo fato de a fiscalização ter considerado não comprovada a quantidade de animais de grande e de médio porte existentes no imóvel no ano de 2003 (exercício 2004) e no ano de 2004 (exercício 2005), para efeito de aplicação do índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), no caso, 0,25 (zero vinte e cinco) cabeça de animais de grande porte por hectare (0,25 cab/hec), fixado para a região onde se situa o imóvel, nos termos da Instrução Especial INCRA nº 019, de 28.05.1980, observada o art. 25 da IN/SRF nº 256/2002 e seu Anexo I, conforme previsto na alínea “b”, inciso V, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96. A autoridade fiscal não aceitou o Laudo Técnico apresentado pela contribuinte, por entender que não se constitui em documento hábil a comprovar a existência da área de pastagem. A recorrente acostou Laudo Técnico, onde consta às fls. 97 e 112, informação quanto a existência de 4.816,2836 ha de pastagem nativa, relativamente aos anos de 2004 e 2005, respectivamente. O Laudo teve como responsável técnico o Engenheiro Agrônomo Fernando Flávio Bernardes, com devida Anotação de Responsabilidade Técnica às fls. 135. No que concerne à alegação de área cedida a terceiros por contrato de mútuo, não fora constatado nos autos prova do alegado, tampouco houve prova da existência de animais. Portanto, em que pese o Laudo acostado informe a existência da área de pastagem, tal documento não tem o condão de mostrar de forma inequívoca a existência de rebanho. No caso, se constitui em documento hábil para comprovação do rebanho, por exemplo: ficha de registro de vacinação e movimentação do gado, ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira, piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritórios vinculados à Fl. 799DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Secretaria de Agricultura; notas fiscais de aquisição de vacinas; declaração/certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; anexo da atividade rural (DIRPF); laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural, dentre outros. Ademais, a área declarada não confere com a área constante do Laudo. Portanto, neste ponto, ratifico o Auto de Infração. Área de Reflorestamento No que tange às áreas de reflorestamento de 3.000,0 ha, informadas igualmente para os anos de 2004 e 2005, a fiscalização efetuou a glosa, pois entendeu que não houve comprovação das áreas utilizadas com reflorestamento. Por sua vez, a contribuinte alega quanto a área de reflorestamento, que o imóvel, até 2003, pertencia a Liasa (Ligas de Alumínio S/A), que efetuou a plantação de eucalipto em uma área de 12.426,0000 ha, sendo explorada por muitos anos, até a madeira para corte se findar, portanto, existe parte da área se regenerando, para após este intervalo de descanso, de crescimento, que por sua vez demanda muitos anos, chegando a ponto de efetuar novamente o corte. A decisão "a quo", consignou que: Notese que nem mesmo nos “Laudos Técnicos” acostados aos autos, às fls. 80/94 e 95/109, respectivamente, de 2005 e 2004, com ART anotada no CREA, às fls. 145/146, trazem informação sobre eventual área de reflorestamento no imóvel, não obstante afirmativa em contrário da impugnante. No entanto, temse que os Laudos Técnicos mencionados pela própria DRJ, confirmam a alegação da contribuinte, mais precisamente às fls. 97 e 112, onde consta a informação de que existe área de 12.426,00ha de culturas temporárias (eucalipto). Assim, deve ser restabelecida a área declarada de 3.000,0 ha. Do Valor da Terra Nua A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o imóvel na DITR/2004 e DITR/2005, alterando o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que passou de R$33.000,00 (R$1,43/ha), declarado nos exercício de 2004 e de 2005, para R$1.387.428,00 (R$60,00/ha), no exercício de 2004 e para R$1.618.666,00 (R$70,00/ha), no exercício de 2005, com base no menor VTN/ha SIPT da Receita Federal. A Turma Julgadora de Primeira Instância, entendeu que o laudo técnico apresentado não preenchia os requisitos da NBR 14.6533 da ABNT, mantendo a tributação do imóvel com base no VTN de (R$60,00/ha), no exercício de 2004 e (R$70,00/ha), com base na SIPT. Com efeito, o parágrafo 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A auto avaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Fl. 800DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10670.000971/200967 Acórdão n.º 2301004.782 S2C3T1 Fl. 794 15 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Confirase a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e cessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 801DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola, da respectiva área. Ainda que conste às fls. 19 e 28 (Tela SIPT CONSULTA) não há como saber se foram atendidos todos os parâmetros legais para o cálculo do VTN, de modo que não pode ser utilizado para proceder o arbitramento do valor da terra nua. Ainda que o VTN do imóvel tenha sido atribuído com base nas informações da Secretaria Estadual da Agricultura, verificase que o preço médio por aptidão agrícola não corresponde à realidade da propriedade em questão. No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. A utilização da tabela SIPT poderia ser válida e utilizada pelo Fisco, desde que ficasse comprovado que efetivamente as características de aptidão agrícola estão sendo levadas em conta para a área que está sendo fiscalizada, estando de acordo com o que a lei determina (existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc). O preço médio por aptidão agrícola, ainda que fornecidos pela Secretaria da Agricultura é só um parâmetro inicial, de modo que, de regra, não reflete a realidade do imóvel. Nesse sentido, cabe transcrever o julgado abaixo, acórdão nº 2102003.137, da 1ª Câmara da 2ª Turma da 2ª Seção deste Egrégio Conselho, o qual ratifica o entendimento desta relatora. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido Na mesma esteira trilha o Acórdão 220201.269, Processo 10.183.005183/200525, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, do qual subtraio apenas excerto da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] Fl. 802DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10670.000971/200967 Acórdão n.º 2301004.782 S2C3T1 Fl. 795 17 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). INCABÍVEL AUTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO NA DITR. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. [...] Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência. Verificase que contribuinte juntou Laudo Técnico de Avaliação do ano base 2004 (fls. 501/566), documentação fotográfica (fls. 568/580), pesquisa de mercado (fls. 581/603), escrituras fls. (608/625), memorial descritivo (fls. 626/635), Anotação de Responsabilidade Técnica – ART/CREA 2004 (fls. 636/638), Laudo Técnico de Avaliação do ano base 2005 (fls. 639/704) e Anotação de Responsabilidade Técnica – ART/CREA 2005 (fls. 775/777). Do Laudo acostado, extraio excerto que elucida as peculiaridades da área em questão: "No imóvel em questão, as terras são de classe V de áreas planas com declives suaves praticamente livres de erosão, mas impróprias para serem exploradas com culturas anuais, podendo, com segurança, ser apropriadas para pastagens, florestas, ou mesmo para algumas culturas permanentes, sem a aplicação de técnicas especiais. Embora se apresentem planas e não sujeitas à erosão, não são adaptadas para exploração com culturas anuais comuns, em razão de impedimentos permanentes, tais como muito baixa capacidade de armazenamento de água, encharcamento (sem possibilidade de ser corrigido)bem como adversidades climáticas."(grifei) Fl. 803DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 Como conclusão, consta à fl. 564 que o Valor da Terra Nua para o ano de 2004 era de R$ 12,98/ha e para o ano de 2005 consta à fl. 702, foi atribuído Valor da Terra Nua de R$ 15,63/ha. Assim, entendo que deve ser atribuído o valor de R$12,98/ha e de R$15,63/ha como valor da Terra Nua VTN para os anos de 2004 e 2005, respectivamente. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR de decadência para o ano de 2004 e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para: a) restabelecer o valor declarado de área de reflorestamento de 3.000,0 ha; b) atribuir o valor da terra nua de R$12,98/ha para 2004 e de R$15,63/ha para 2005. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 804DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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