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Numero do processo: 11080.928420/2009-72
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 04369.09870.290307.1.3.044069, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 20 /2 00 9- 72 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11080.928420/200972 Acórdão n.º 1003000.653 S1C0T3 Fl. 212 2 em 29.03.2007, fls. 1820, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 6012, do terceiro trimestre do anocalendário de 2006 no valor de R$10.121,39 contido no DARF de R$787.899,72 arrecadado em 28.12.2006, apurado pelo regime de tributação do lucro presumido, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 10.066,05 Valor do crédito original reconhecido: 3.423,13 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1956 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BSB/DF nº 0357.496, de 28.11.2013, efls. 3338: DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11080.928420/200972 Acórdão n.º 1003000.653 S1C0T3 Fl. 213 3 Notificada em 10.01.2014, efls. 4041, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.02.2014, efls. 43208, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II DO MÉRITO II.1 DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO Conforme anteriormente explanado, existe uma diferença de R$ 6.606,63 entre o crédito disponível para compensação informado pela ora Manifestante e o valor confirmado pela fiscalização. No entanto, diferentemente do que afirma o acórdão recorrido, o crédito informado no pedido de restituição [...] é líquido e certo e está embasado em documentos contábeis e fiscais, conforme a seguir se demonstrará. Em um primeiro momento, para o 3º trimestre de 2006, a ora Manifestante apurou um saldo a pagar de Imposto de Renda no valor de R$ 3.016.897,84 [...], conforme informado na [...] DCTF de setembro de 2006. De acordo com o informado na DCTF, uma parte do referido valor foi pago através de uma compensação no valor de R$ 700.000,00 [...] e o restante foi pago em 3 quotas, através de DARF's que, posteriormente, deram origem ao pedido de compensação. No entanto [...] em 09 de novembro de 2006, a ora Recorrente efetuou uma retificação da DCTF, alterando o valor da CSLL a pagar, que passou a ser de R$ 3.006.831,79 [...], ou seja, R$ 10.254,28 [...] a menos que o valor inicialmente apurado, exatamente o mesmo valor utilizado na PER/DCOMP em análise. O valor de R$ 3.006.831,79 também foi informado na DIPJ 2007, ano calendário 2006 [...], a qual foi analisada pela fiscalização, não havendo qualquer discussão a respeito de tal valor. Ocorre que, apesar de retificar tanto a DCTF quanto a DIPJ, ao realizar o pagamento das quotas referentes ao valor da CSLL apurado no 3º trimestre de 2006, conforme disposto no artigo 856 do Decreto 3.000 de 26 de março de 19991 a ora Recorrente efetuou os pagamentos das quotas com base no valor inicialmente apurado, gerando um pagamento a maior exatamente na diferença entre o valor inicialmente apurado (R$ 3.016.897,84) e o retificado (R$ 3.006.831,79), qual seja R$ 10.254,28. Conforme informado na DCTF o valor de R$ 3.016.897,84 foi pago através de uma compensação no valor de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) e três DARF's de pagamento em anexo [...], no valor de R$ 772.299,28 [...], totalizando R$ 2.316.897,84 [...] Desta forma, ao analisar o pedido de compensação, o fisco apenas homologou o valor referente à DARF informada, qual seja, R$ 3.423,13 [...]. Apesar disso, conforme acima explanado, o restante do valor R$ 6.606,63 é existente e decorre dos pagamentos efetuados através das demais DARF's de pagamentos juntadas ao presente processo [...]. Apenas, devido a uma limitação do Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11080.928420/200972 Acórdão n.º 1003000.653 S1C0T3 Fl. 214 4 programa PER/DCOMP, tais DARF's não foram informadas no pedido de compensação. O restante do crédito, no valor de R$ 6.606,63, decorrente dos pagamentos a maior efetuados pela ora Manifestante nos meses de outubro e novembro de 2006, não pode ser simplesmente desconsiderado pelo Fisco. Ademais, para que não restem dúvidas sobre a existência e legitimidade do crédito, a ora Recorrente anexa novamente ao presente processo administrativo a DIPJ 2007, ano calendário2006 [...], constando na ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, um lucro líquido antes do CSLL de R$ 33.037.603,25, uma base de cálculo de CSLL de 33.409.242,08 e uma CSLL a pagar de R$ 3.006.831,79. Tal valor também se encontra informado na Ficha 17. Além disso, também seguem em anexo ao presente recurso voluntário os balancetes dos meses de março, junho, setembro e dezembro de 2006 [...], o razão contábil [...], o livro diário do período e o balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2006 [...]. Desta forma, comprovase que no terceiro trimestre de 2006 a ora Recorrente apurou um lucro líquido antes do CSLL de R$ 33.037.603,25, sendo que após as adições e exclusões resultou um valor a pagar de R$ 3.006.831,79, tais valores encontramse informados na DIPJ, razão contábil, livro diário e balancetes do período. Ante ao exposto, resta comprovado de forma cabal, por todos os documentos fiscais e contábeis que a empresa dispõe que o CSLL devido no 3º trimestre de 2006 é de R$ 3.006.831,79, sendo que, conforme comprovado, foi realizado o pagamento de R$ 3.016.897,84. Essa diferença paga a maior de R$ 10.254,28 é o valor pleiteado na PER/DCOMP em análise, sendo incontestável a existência do direito creditório. Abaixo, para facilitar a visualização do alegado, segue uma planilha com os valores constantes nos balancetes de março, junho, setembro e dezembro de 2006, bem como um planilha com os valores de cada trimestre individualizados. [...] O simples fato da ora Recorrente ter inicialmente informado na DCTF de setembro de 2006, de forma equivocada, o valor de CSLL para o 3º trimestre de 2006 no valor de R$ 3.016.897,84, não impede que esse erro seja corrigido através de uma declaração retificadora, sendo que a ora Recorrente comprova através da DIPJ, do razão contábil, livro diário e dos balancetes do período que o valor de CSLL no 3º trimestre de 2006 é de R$ 3.006.831,79. Sendo que, uma vez pago o valor a maior do que o efetivamente devido, é direito da ora Recorrente buscar a restituição/compensação deste valor pago indevidamente, portanto, se mostra legítimo o crédito pleiteado no valor de R$ 10.254,28, que corresponde exatamente ao valor inicialmente apurado, e indevidamente pago, e valor efetivamente devido. Ademais, conforme já referido anteriormente, os valores constantes na DIPJ 2007, ano calendário 2006, já foram fiscalizados e homologados pela própria Receita Federal, não havendo mais como questionar os valores constantes na DIPJ. [...] Desta forma, não só em respeito da verdade material, princípio que norteia os processos administrativos, mas em observância dos princípios da moralidade e da Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11080.928420/200972 Acórdão n.º 1003000.653 S1C0T3 Fl. 215 5 eficiência administrativa consagrado no art. 37 da Constituição da República é razoável e proporcional que o r. acórdão recorrido seja reformado, para o fim de reconhecer a legitimidade dos créditos informado no PER/DCOMP [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: III DO PEDIDO: Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim do deferimento total das compensações realizadas, bem como determinar sua baixa e arquivamento, haja vista, a comprovação de direito creditório em valor suficiente para comportar todas as compensações. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal e afirma que deve ser reconhecido o direito creditório de CSLL, código 6012, no valor de R$6.642,92 contido no DARF de R$787.899,72 arrecadado em 28.12.2006. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11080.928420/200972 Acórdão n.º 1003000.653 S1C0T3 Fl. 216 6 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11080.928420/200972 Acórdão n.º 1003000.653 S1C0T3 Fl. 217 7 Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Com a finalidade de comprovar o erro material de que provém o pagamento a maior de CSLL, código 6012, pleiteado no Per/DComp, pelos documentos de comprovação de arrecadação (DARF), efls. 120122, e com dos dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) Retificadora, fl. 04, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) Retificadora, efl. 108110, no Livro Razão na Conta Provisão para CSLL, efl. 192 e no Livro Diário, efl. 195, é possível verificar o que se segue no Demonstrativo a seguir: Descrição Valor Contribuição Social Devida do 3º Trim/2006, conforme DIPJ e DCTF 3.006.831,79 Compensação com crédito de PIS PER/DCOMP nº 09274.54526.311006.1.3.087247 700.000,00 Saldo a Pagar 2.306.831,79 Pagto DARF 1ª Parcela Vencimento 31/10/2006 772.299,28 Pagto DARF 2ª Parcela Vencimento 31/11/2006 772.299,28 Pagto DARF 3ª Parcela Vencimento 31/12/2006 772.299,28 Total de Pagtos do Valor Principal Efetuado 2.316.897,84 Pagto. Efetuado a maior = Crédito 10.066,05 Valor Reconhecido no Despacho Decisório 3.423,13 O alegado engano se subsume no conceito de erro material. Verificase que a informação de que houve pagamento a maior de CSLL, código 6012, no valor de R$6.642,92 contido no DARF de R$787.899,72 arrecadado em 28.12.2006 pode ser considerada, pois foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciam as alegações constantes no Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11080.928420/200972 Acórdão n.º 1003000.653 S1C0T3 Fl. 218 8 recurso voluntário, conforme Demonstrativo (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907079/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado
Numero da decisão: 1402-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 70 79 /2 00 9- 46 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10480.907079/200946 Acórdão n.º 1402003.836 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o relatório apresentado na sessão de julgamento de 21 de março de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019). Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife que decidiu por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Adoto o relatório da r. DRJ em sua integralidade, complementandoo ao final no que entender necessário. A contribuinte acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. [...], por meio da qual compensou crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurada por estimativa em [...], com débito da contribuição apurada por estimativa em [...]. O crédito pleiteado importa em [...]. Através do Despacho Decisório eletrônico de fl. [...], a Delegacia da Receita Federal do Recife – DRF/Recife não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor a maior pago por estimativa ao final do período de apuração. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. [...]), alegando, em síntese: preliminar de prescrição do direito de cobrança do crédito tributário indevidamente compensado com base no art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN); apura seus resultados com base em balancetes mensais de suspensão e tendo verificado recolhimento de estimativa indevido entregou PER/DCOMP para compensação com base no art. 74 da Lei nº 9430/1996; não concorda com a decisão prolatada porque a compensação foi elaborada com base no seu balanço anual e nas disposições normativas tributárias vigentes. A r. DRJ em São Paulo proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. IN RFB N° 900/2008. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 19/2011. CARÁTER INTERPRETATIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19, de 05/12/2011, a revogação da vedação do uso de estimativa de Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10480.907079/200946 Acórdão n.º 1402003.836 S1C4T2 Fl. 4 3 IRPJ/CSLL como crédito, instituída pela IN RFB n° 900/2008, tem caráter interpretativo, sendo tal tipo de crédito permitido, mesmo para fatos geradores anteriores à publicação daquela instrução normativa. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário alegando preliminarmente a prescrição do débito pretendido. No mérito, sustenta que utilizou crédito de CSLL recolhido, incluindo juros e multa, para compensar com débito o mesmo imposto vencido posteriormente, através de PER/DCOMP. Afirma que a compensação carreada está em linha com a legislação tributária vigente. É o relatório. Voto (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o voto apresentado na sessão de julgamento de 16 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019.) 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. – PRELIMINAR PRESCRIÇÃO A Recorrente alega que teria prescrito o direito de a Fiscalização cobrar o crédito definitivamente constituído. Ocorre que, in casu, a prescrição é instituto que visa a preservação da segurança jurídica, impedindo que o fisco exerça sua pretensão de cobrança após se manter inerte pelo prazo de 5 anos. No caso em análise, o contribuinte pleiteou a compensação, cujo prazo para homologação é de 5 anos contados da data da entrega da declaração, nos termos do §5 do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Além disso, o próprio art. 174 do CTN em seu inciso IV determina que interrompe a prescrição qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10480.907079/200946 Acórdão n.º 1402003.836 S1C4T2 Fl. 5 4 Nessa senda, ante o reconhecimento do débito, nos termos nos termos o § 6 do art. 74 da Lei 9.430/96, não há como se aplicar o instituto da prescrição ao caso em espécie, como bem observou a r. DRJ. Por esse motivo, afasto a preliminar suscitada. 3. DO MÉRITO Em que pese o inconformismo da Recorrente, razão não lhe assiste. O levantamento realizado pela DRJ em sua fundamentação de decidir mostram tanto a ausência de liquidez e certeza do crédito quanto a ausência do próprio crédito. Por essa razão, adoto os fundamentos da r. DRJ como razão de decidir: Assente a possibilidade, em tese, de promoverse a compensação na forma dos autos, cumpre averiguarse os requisitos de liquidez e certeza previstos no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Conforme consta do Despacho Decisório, fl. [...], foi recolhido em [...], CSLL relativa à estimativa apurada em [...], no valor total de [...], pagamento confirmado no sistema SIEF, encontrando¬se disponível, sem alocações, reservas ou bloqueio. Também no sistema IRPJConsulta, se verifica que a contribuinte, em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais– DIPJ retificadora entregue em 15/09/2005, não apurou CSLL por estimativa em [...], nada declarando a tal título na DCTF, conforme consulta no sistema DCTF (DCTF retificadora ativa entregue em [...]). No entanto, a contribuinte declarou em DCTF o valor total de CSLL por estimativa código 2484 de R$ 362.224,15 enquanto que para apuração da CSLL no ajuste anual (DIPJ retificadora entregue em 15/09/2005) deduziu CSLL mensal paga por estimativa na Ficha 17 linha 43 no valor de R$ 492.466,92, portanto, valor superior em R$ 130.242,77 à soma dos valores efetivamente declarados em DCTF o que conduziria, caso homologada a compensação em análise, ao duplo aproveitamento do crédito. Logo, se utilizou de R$ 130.242.77 maior do que declarado em DCTF, conforme se demonstra. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10480.907079/200946 Acórdão n.º 1402003.836 S1C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, constatase que o valor das estimativas deduzidas no ajuste anual é superior à soma das estimativas declaradas mensalmente em DCTF, o que leva à conclusão de que o excesso de estimativa no montante de R$ 130.242,77 já foi utilizado ao final do anocalendário. Essa diferença é superior ao pagamento de estimativa feito a maior (ou indevidamente) relativo ao período de apuração [...], crédito oferecido na presente compensação, [...]. Isto posto, voto por afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso aduzido. É como voto. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora ad hoc Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003748/2008-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-001.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
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MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 37 48 /2 00 8- 23 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10510.003748/200823 Acórdão n.º 2002001.054 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 63/64) contra decisão de primeira instância (fls. 57/59), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju emitiu em nome do contribuinte acima identificado Notificação de Lançamento (fls. 26/29), referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2005 ; anocalendário 2004. Foi lançado imposto suplementar de R$2.120,92. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$43.603,83, com base em Dirf (fl. 43) apresentada pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social — Petros, CNPJ 34.053.942/000150. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou inicialmente Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), indeferida pela DRF/AJU. Irresignado, o apresentou impugnação (fl. 01), alegando, em síntese, que é isento de imposto de renda porque seus rendimentos são proventos de aposentadoria e é portador de moléstia grave. Requer o cancelamento do débito fiscal. Reapresenta os mesmos documentos (fls. 04/07) apresentados quando da SRL (fls. 37/40) para comprovar a condição de aposentado e de portador de moléstia grave. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Para efeito do reconhecimento das isenções decorrente de moléstia grave, somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10510.003748/200823 Acórdão n.º 2002001.054 S2C0T2 Fl. 4 3 Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 19/03/2009 (fl. 62); Recurso Voluntário protocolado em 09/04/2009 (fl. 63), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Relata o Sr. AFRF que: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********43.603,83. A r. decisão revisanda, entendeu que: O contribuinte atende à primeira condição — proventos de aposentadoria (fl. 06), mas quanto à segunda condição — estado de moléstia grave —, os documentos anexados (fls. 04/05 e 07) não são hábeis para a comprovação porque não atendem ás exigências legais. O pedido de isenção de desconto de imposto (fl. 07) protocolado na Petros, em 17/12/2007, não é laudo médico, e não identifica o citado "laudo pericial em anexo". Quanto aos dois documentos denominados relatórios médicos, um (fl. 04), de 01/07/08, elaborado em papel com logotipo "SIM" não tem discriminado o órgão emissor, nem qual o vinculo do médico emitente com o serviço médico oficial. Este relatório atesta que o emitente é médico do impugnante desde 06/12/2007. O outro relatório (fl. 05) elaborado em receituário do Sistema Único de Saúde (SUS) com timbre da Prefeitura de Aracajú, não identifica se o emitente é responsável pelo serviço médico oficial da Secretaria Municipal de Saúde. Ressaltase que os documentos apresentados de qualquer forma não isentariam os proventos de aposentadoria no anocalendário 2004 porque a isenção só poderia ser concedida a partir do mês da emissão do laudo que reconhecesse a moléstia conforme disposto no art. 39, §5°, inciso II do RIR, a saber, dezembro de 2007. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Alega razões preliminares, que se confundem com o mérito, e com esse serão analisadas. Diz o recorrente que deu entrada junto ao Instituto Nacional de Seguro Social, a um pedido de perícia médica a fim de demonstrar o seu direito. Requer a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10510.003748/200823 Acórdão n.º 2002001.054 S2C0T2 Fl. 5 4 Pois bem o documento trazido aos autos, pelo recorrente às fls. 68, dá conta de tratarse de uma declaração do INSS, não de um “laudoMédico”, onde o recorrente é portador da condição CID G 20 desde 06/12/2007, (segundo laudo médico anexo). Nesta quadra de entendimento, a declaração não serve ao fim que se destina, por dois motivos: a) não é laudo; b) está em descompasso com o tempo. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.938926/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Presidente em Exercício
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
RELATÓRIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA – Presidente em Exercício (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. RELATÓRIO Por bem ralatar os fatos do Processo Administrativo Fiscal, transcrevo o relatório da DRJ: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 38 92 6/ 20 13 -9 8Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 10880.938926/201398 Resolução nº 3201001.967 S3C2T1 Fl. 1.602 2 Tratase de Pedido de Ressarcimento eletrônico (PER no 32476.81523.260712.1.5.080460) pelo qual a contribuinte pretendeu o reconhecimento de direito creditório relativo ao PIS vinculado à receitas de exportação apurado no 2o trimestre de 2011. no valor de R$ 4.977.575,24. Ao direito creditório pleiteado a contribuinte vinculou Declarações de Compensação (Dcomp). A DRF de origem proferiu Despacho Decisório deferindo parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 165.953,54, homologando parcialmente as compensações declaradas até esse limite (efls. 1.463/1.464). Conforme Termo de Informação Fiscal acostada aos autos (TIF e fls.1.294/1.353), as razões do deferimento parcial do crédito, consistem, fundamentalmente, em: (i) glosa de créditos não comprovados; (ii) glosa de créditos relativos a: bens e serviços utilizados como insumos; bens cujas aquisições não são sujeitas a tributação (alíquota zero e suspensão); bens adquiridos de pessoas físicas; (iii) fretes e despesas de armazenagem; (iv) devoluções de vendas. Consignouse ainda que houve instauração de procedimento fiscal para apurar a regularidade de pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins relativos aos 2o e 4o trimestres de 2010, 1o a 4o trimestres de 2011 e de 2012. Cientificada do Despacho Decisório em 12/04/2017 (efls. 1.471), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 12/05/2017 (efls. 1.355/1.404), requerendo, em síntese e fundamentalmente, a nulidade da decisão tendo em vista inconsistências nas planilhas de cálculo em que a fundamentaram, e o reconhecimento integral do direito de crédito pleiteado. As razões do deferimento parcial dos créditos explicitadas pela auditoria fiscal e as respectivas razões de defesa apresentadas pela contribuinte serão detalhadas no V oto. Seguindo a marcha processual normal, foi proferido acórdão pela DRJ que assim restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 10880.938926/201398 Resolução nº 3201001.967 S3C2T1 Fl. 1.603 3 Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de diligência/perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade e quando todos os elementos dos autos são suficientes a formação da convicção do julgador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não gera créditos a aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero ou não tributados. com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; APURAÇÃO NÃO CUMULA TIV A. CRÉDITOS PRESUMIDOS. REGULAÇÃO. A partir de 01/01/2011 o crédito presumido que pode ser aproveitado pelas pessoas jurídicas fabricantes dos produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, e pelas pessoas jurídicas que adquiram esses mesmos produtos para industrialização ou venda a varejo é aquele regulado pela Lei no 12.350, de 2010 e Instrução Normativa RFB no 1.157, de 2011, não mais se aplicando as disposições do art. 8o e 9o da Lei no 10.925, de 2004. APURAÇÃO NÃO CUMULA TIV A. CRÉDITOS. FRETE. ARMAZENAGEM. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete e de armazenagem, somente dará direito à apuração de crédito aquelas despesas relacionadas a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 10880.938926/201398 Resolução nº 3201001.967 S3C2T1 Fl. 1.604 4 venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados das contribuições para o PIS e a Cofins. Também não geram créditos da não cumulatividade os fretes incorridos na compra de bens não considerados como insumos. Dispêndios diversos efetuados para manter as mercadorias mais próximas ao porto ou mesmo no porto para aguardar a efetivação da venda/exportação, muito embora possam ser indispensáveis pelas características das mercadorias, não se caracterizam como armazenagem em efetiva operação de venda. Inconformado com o respectivo julgado a Contribuinte pede reforma repisando os termos da Manifestação de Inconformidade no seguinte sentido: (i) Divergência entre os valores apresentados em DACON e as memórias de cálculo apresentadas à Fiscalização. Os valores não demonstrados nos memoriais de cálculo foram glosados. (ii) Bens e serviços utilizados como insumos (combustíveis e lubrificantes, produtos utilizados na movimentação e armazenagem de carga, produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento, serviços prestados, produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho, serviços de despachante, monitoramento e movimentação de material interno); (iii) Bens adquiridos com alíquota zero; (iv) Produtos adquiridos de pessoa física; (v) Insumos adquiridos com suspensão; (vi) Crédito presumido da Agroindústria; (vii) Serviços de frete; (viii) Despesas com armazenagem; (ix) Devolução de vendas sujeitas às alíquotas de 7,6%. É o relatório. VOTO Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo. Inicialmente é de trazer a baila que tratase de Pedido de Ressarcimento eletrônico, no qual, obtendo glosas de crédito relativo a bensa e serviços utilizados como insumos. Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 10880.938926/201398 Resolução nº 3201001.967 S3C2T1 Fl. 1.605 5 Ressaltase que com o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça este CARF, passou adotar o posicionamento conforme abaixo ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Nessa sentido, este Conselho vem adotando o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, contudo, sendo necessário analisar o processo produtivo. Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 10880.938926/201398 Resolução nº 3201001.967 S3C2T1 Fl. 1.606 6 Compulsando os autos, não é compreensível o processo produtivo do Contribuinte, uma vez, que não ficou evidenciando pela Fiscalização e nem pelos argumento do Contribuinte. Na resolução de no. 3201 000.569, de Relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira, o assunto foi enfrentado por essa Turma, envolvendo o mesmo Contribuinte: Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração da COFINS não cumulativa; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 10880.938926/201398 Resolução nº 3201001.967 S3C2T1 Fl. 1.607 7 Ademais, à Fiscalização deverá observar os critérios estabelecidos REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018 e Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) Fl. 1610DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000202/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
INCONSTITUCIONALIDADES.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA
Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12.
PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL.
O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73.
A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base no acordo homologado na Justiça do Trabalho, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
(Súmula CARF nº 73)
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2401-006.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 INCONSTITUCIONALIDADES. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão. ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12. PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL. O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73. A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base no acordo homologado na Justiça do Trabalho, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão. ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12. PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL. O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 02 /2 00 6- 15 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 3 2 A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base no acordo homologado na Justiça do Trabalho, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1126.184 (fls. 85/99): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO. São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença condenatória ou acordo, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 5 4 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Não pode a autoridade administrativa negar se a aplicar multa de ofício prevista em lei vigente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito, quando este não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Lançamento Procedente Este processo trata de Auto de Infração (fls. 05/09), lavrado em 29/03/2006, relativo ao anocalendário de 2001, decorrente de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, no qual é exigido R$ 29.852,11 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 22.436,75 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 20.389,08 de Juros de Mora, calculados até 24/02/2006, ficando o Crédito Tributário no montante total de R$ 72.677,94. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06/07), temos que: 1. O contribuinte recebeu em 20/04/2001 o valor de R$ 116.567,22 referente à decisão trabalhista, tendo sido descontado o valor de R$ 5.828,36 referente a honorários advocatícios, dessa forma recebendo o valor tributável líquido de R$ 110.738,86, conforme documento de fls. 20/26; 2. Os rendimentos recebidos foram indevidamente declarados como "Isentos e Não Tributáveis", em face da decisão da Juíza Gláucia Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 6 5 Maria Gadelha Monteiro, nos termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 30/31). Nesse mesmo Provimento consta do item 01 "a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores de reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condenatórias"; 3. Em razão deste contraditório foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional o Ofício nº 262/2005/SORAT/DRF/MOS (fls. 14/19) a fim de que fosse emitido Parecer Jurídico; 4. A Fazenda Nacional emitiu o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006 (fls. 32/34) onde conclui que a decisão acerca da não incidência do Imposto de Renda não tem fundamento jurídico; 5. Assim, de acordo com o Parecer da Fazenda Nacional, foi feito o lançamento dos rendimentos classificados indevidamente com os devidos acréscimos legais. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 12/04/2006 (AR fl. 39) e, em 10/05/2006, apresentou sua Impugnação de fls. 41/62, instruída com os documentos nas fls. 63 a 83. O Processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1126.184, em 14/05/2009 a 1ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, pela PROCEDÊNCIA do Auto de Infração. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC, via Correio, em 08/06/2009 (AR fl. 103) e, inconformado com a decisão prolatada, em 08/07/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 104/145, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta: 1. Preliminarmente sobre: a. A inexigibilidade de depósito prévio ou de arrolamento de bens para interposição de recursos ao conselho de contribuintes (fls. 105/106); b. O alcance da capacidade contributiva obrigado no Art. 145 § 1° da CF (fls. 106/111); 2. Em relação ao Mérito sobre: a. A responsabilidade tributária (fls. 112/124); b. A natureza tributária das verbas recebidas decorrente de acordo judicial (fls. 124/131); c. A suposta incoerência no Provimento CG/TST nº 01/96, alegada pelo Julgador de 1ª Instância (fls. 131/134); d. A discriminação das parcelas do credito recebido (fls. 134/138); Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 7 6 e. O erro no cálculo do Imposto devido (fls. 138/139); f. A inaplicabilidade da Multa de Ofício por tratarse de "Erro Escusável" (fls. 139/141); g. O Reajustamento da Base de Cálculo do Imposto (fls. 141/143). Finaliza seu RV requerendo: 1. Que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva, e por conseguinte, a nulidade do procedimento fiscal e consequente arquivamento do mesmo; 2. Que sejam acolhidas as preliminares levandose em consideração os argumentos o Princípio da Capacidade Contributiva do Contribuinte e a progressividade tributária; 3. Que se reconheça a não incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida, quer seja por sua natureza indenizatória, quer seja por se tratar de valor recebido em virtude de acordo homologado na Justiça do Trabalho; 4. Na remota hipótese do não acolhimento de uma das alternativas acima, seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o Débito Fiscal reclamado. Em 09/06/2011 foi determinado, pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o sobrestamento do julgamento do Recurso Voluntário apresentado em razão deste ter como pano de fundo a tributação de rendimento recebidos acumuladamente e esta matéria estar em debate em Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida pelo STF RE 614232 e RE 614406 (fl. 147). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 8 7 Inconstitucionalidades Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, conforme se destaca do enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nulidade da decisão de primeira instância O Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos defensivos apresentados pelo contribuinte. No entanto, entendo que não lhe assiste razão. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Em que pese a irresignação do contribuinte, foram enfrentados todos os argumentos defensivos apresentados em sede de impugnação e, consoante os elementos de fato e de direito contidos nos autos do processo administrativo o julgador formou seu livre convencimento, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas. Ademais, cabe destacar que o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas sim sobre a matéria debatida e sobre os pontos que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. 1 Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Ilegitimidade passiva O Recorrente alega a impossibilidade jurídica de figurar no polo passivo da relação tributária, tendo em vista ser a fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda retido na fonte, passando a ser o único devedor do tributo. Importa observar que no presente caso não se está discutindo a falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagador, mas sim, o fato de o contribuinte ter omitido da tributação, na Declaração de Ajuste Anual DAA, rendimentos auferidos no anocalendário de 2001, em virtude de classificação indevida de rendimentos na DIRPF. 1 EDcl no AgRg no AREsp 575.844/GO, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 22/11/2018 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 9 8 Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Destarte, esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim não procede o argumento do Recorrente. Mérito Com relação ao mérito, deve ser examinado, inicialmente, se ocorreu ou não o fato gerador do Imposto de Renda e, para tanto, necessário se faz a análise da natureza jurídica dos rendimentos recebidos. Com efeito, conforme se constata dos autos do processo administrativo, as verbas recebidas decorrem de reclamação trabalhista ajuizada contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 (setenta) empregados, na qual se pleiteou o recebimento da diferença correspondente ao índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989. Consoante estabelecido no art. 43 do CTN, o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto, o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Destarte, é pacífico tanto na doutrina como na jurisprudência dos tribunais superiores o entendimento de que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, pois é, na realidade, mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda e seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação. No caso, foi justamente a inflação que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URP. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Cabe ainda ressaltar que questão dessa natureza já foi trazida, em 10/08/2017, à esta 1ª Turma, no Acórdão 2401005.031. Naquela ocasião, acompanhei o voto do Relator Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 10 9 Rayd Santana Ferreira, entendendo tratarse de verba de natureza indenizatória, e por isso peço vênia para trazer os argumentos acrescentandoos como razão de decidir: (...) o STF ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução encimada, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, entende este Conselheiro, que outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros da Magistratura e Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia, e, terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. (...) Neste diapasão, entendo dever ser afastada a incidência do imposto de renda da pessoa física em relação aos valores recebidos a título de diferenças de URV por ter natureza indenizatória, conforme encimado. (Grifamos). Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 11 10 Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pela Recorrente à título de "diferenças de URP", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas, restando clara a sua natureza indenizatória. Ademais, o lançamento sequer poderia prosperar, haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto, conforme Tema 368 do STF: Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Dessa forma, não pode prevalecer a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença à I. Relatora para discordar do seu voto quanto ao mérito do julgamento do recurso voluntário. Por outro lado, manifesto conformidade com a rejeição das questões preliminares. Tratase de lançamento do imposto de renda incidente sobre valores correspondentes ao pagamento do índice de 26,05% fixado para a Unidade de Referência de Preços (URP) do mês de fevereiro/1989, conforme acordo homologado pela Justiça do Trabalho. Segundo a autoridade fiscal, o contribuinte classificou indevidamente os rendimentos na sua declaração anual como isentos e/ou não tributáveis (fls. 05/09 e 35/37). A parcela recebida pelo recorrente no ano de 2001 possui nítida conotação salarial, caracterizando rendimento tributável e submetido à incidência do imposto de renda. Ainda que recebida em atraso, a verba é decorrente de pagamento de diferença salarial resultante de plano econômico instituído pelo Governo Federal, reconhecida como devida em virtude de ação judicial. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 12 11 Para concluir pela natureza indenizatória da parcela recebida pela pessoa física, a I. Relatora fez um paralelo com os valores do reajuste de 3,17% relativos à Unidade Real de Valor (URV). Contudo, em uma e outra hipótese os valores não escapam à tributação do imposto de renda, visto que são destinados à recomposição salarial e representam acréscimo patrimonial para o beneficiário dos rendimentos. No tocante à URV, inclusive, a atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é firme no sentido da natureza remuneratória de tais pagamentos.2 A renúncia ao direito de incorporação do percentual de 26,05% ao salário do contribuinte, que havia sido pleiteado na petição inicial, não converte o rendimento pago em caráter indenizatório (fls. 64/65). Com efeito, por meio de acordo de conciliação, o recorrente e os demais autores da ação trabalhista aceitaram receber apenas parte das verbas salariais reclamadas, com a finalidade específica de chegar ao fim o longo processo judicial em curso, bem como incorporar as quantias já reconhecidas e depositadas em juízo pela Caixa Econômica Federal ao seu patrimônio. Quanto às importâncias vincendas, havia tão só a expectativa de incorporação do índice da URP de fevereiro/1989 aos salários dos trabalhadores, quando da decisão definitiva executória favorável aos reclamantes, após esgotados os meios recursais para discussão da matéria. Por cuidar de direito patrimonial disponível, os exeqüentes simplesmente optaram em ganhar menos, em prol da imediata liberação financeira, de maneira que o valor efetivamente pago na ação trabalhista não configura recomposição patrimonial e/ou compensação pela perda do direito à incorporação salarial do índice de 26,05% com base na URP. Conforme antes esclarecido na análise da preliminar, a constituição do crédito tributário se deu corretamente em nome da pessoa física beneficiária dos rendimentos (Súmula CARF nº 12). É certo que a falta de retenção do imposto sobre os rendimentos pagos poderia implicar o reajustamento da base de cálculo. No entanto, tal hipótese não produz efeitos sobre o polo passivo da relação tributária, apenas que o beneficiário dos rendimentos deveria oferecer o montante reajustado à tributação do imposto de renda. A decisão judicial acerca da não incidência do imposto de renda não obriga a Fazenda Pública, em atenção aos limites subjetivos do julgado, que vincula somente os acordantes. É dizer que a decisão homologatória produz efeitos "inter partes", de um lado, empregados e exempregados, via atuação do respectivo sindicato, e, de outro, a Caixa Econômica Federal. 2 Por exemplo, o Acórdão nº 920207.070, de 25/07/2018, cuja ementa está reproduzida parcialmente a seguir: (...) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 13 12 Por sua vez, no que toca ao afastamento da multa de ofício, merece reforma a decisão de piso. A falta de recolhimento do imposto de renda deuse pela natureza da classificação dos rendimentos na declaração de ajuste da pessoa física, a partir de informação prestada pela fonte pagadora e respaldada no acordo homologado em juízo. A documentação fornecida pela Caixa Econômica Federal, através do comprovante de rendimentos, foi decisiva para a conduta do recorrente, que nada mais fez do que declarar os valores relativos a exercícios anteriores de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora (fls. 13). Mais que isso, a fonte pagadora confiou na orientação da Justiça do Trabalho, que a desobrigou de efetuar a retenção, na medida em que a juíza da 1ª Vara do Trabalho de Mossoró deixou consignado a não incidência do imposto de renda sobre os valores homologados no termo de conciliação, numa interpretação, data vênia, equivocada do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 76/82). Em que pese a falta de recolhimento e/ou declaração do imposto, punível com sanção pecuniária, é cabível a exoneração da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora à natureza dos rendimentos, com respaldo nas palavras do Poder Judiciário quando procedeu à homologação do acordo de conciliação entre as partes. Nesse sentido, é oportuna a reprodução do entendimento do verbete sumular nº 73 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Diferentemente, os juros de mora não possuem caráter de penalidade, incidindo sobre o crédito tributário que deixou de ser pago. Os efeitos da mora sobre o crédito tributário são automáticos, bastando a falta de pagamento no vencimento. Confirase o prescrito no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Como não incidiu desconto do imposto na fonte por ocasião do recebimento dos rendimentos, o contribuinte utilizou dinheiro alheio, devendo, sob pena de enriquecimento 3 Quanto à incidência dos juros de mora, ressalvase a hipótese de depósito do crédito tributário, conforme a Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 14 13 sem causa, compensar a falta de disponibilidade dos recursos pelo Poder Público, mediante os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto originário devido e não pago. Para fins de cobrança dos juros de mora, tornase indiferente o motivo que determinou a ausência do pagamento. Por derradeiro, assinalo que os rendimentos recebidos pelo contribuinte no anocalendário de 2001 são relativos a anoscalendário anteriores, vinculados ao reajustamento salarial com base no índice de 26,05% fixado para a URP, aplicado sobre prestações vencidas até a efetivação do pagamento na ação trabalhista. Em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte admitiu a invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto de renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em 09/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS transitou em julgado, tornando definitiva a decisão. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. O entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13433.000202/200615 Acórdão n.º 2401006.149 S2C4T1 Fl. 15 14 Desse modo, a unidade da RFB encarregada da liquidação e execução deste acórdão deverá manter a incidência do imposto de renda no mês de recebimento, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, realizandose a apuração de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para: (i) excluir a aplicação da multa de ofício; e (ii) determinar o recálculo do imposto de renda tomando como base as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.720139/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.912
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 13 9/ 20 10 -2 7 Fl. 635DF CARF MF Processo nº 11080.720139/201027 Resolução nº 3402001.912 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11080.720139/201027 Resolução nº 3402001.912 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11080.720139/201027 Resolução nº 3402001.912 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11080.720139/201027 Resolução nº 3402001.912 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11080.720139/201027 Resolução nº 3402001.912 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11080.720139/201027 Resolução nº 3402001.912 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11080.720139/201027 Resolução nº 3402001.912 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 642DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005307/2002-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/1999
CERCEAMENTO DE DEFESA. DESÍDIA DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando os documentos que instruíram a autuação são disponibilizados ao patrono do contribuinte após a regularização da sua representação e em tempo hábil para a apresentação da correlata defesa.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, INCISO III DO CTN. PROVA DE MÁ-FÉ. CONDUTA DOLOSA PASSÍVEL DE REPREENSÃO EM PREJUÍZO DO ADMINISTRADOR DA EMPRESA.
Provada a má-fé da pessoa jurídica, aqui retratada pela tomada de créditos básicos de IPI com base em notas fiscais sabidamente inidôneas, é possível responsabilizar o administrador da empresa, exatamente como prevê o art. 135, inciso III do CTN.
CORREÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA N. 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 3402-006.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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DESÍDIA DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando os documentos que instruíram a autuação são disponibilizados ao patrono do contribuinte após a regularização da sua representação e em tempo hábil para a apresentação da correlata defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, INCISO III DO CTN. PROVA DE MÁFÉ. CONDUTA DOLOSA PASSÍVEL DE REPREENSÃO EM PREJUÍZO DO ADMINISTRADOR DA EMPRESA. Provada a máfé da pessoa jurídica, aqui retratada pela tomada de créditos básicos de IPI com base em notas fiscais sabidamente inidôneas, é possível responsabilizar o administrador da empresa, exatamente como prevê o art. 135, inciso III do CTN. CORREÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA N. 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 53 07 /2 00 2- 21 Fl. 469DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego parte do relatório desenvolvido no acórdão n. 1674.050 (fls. 588/599), desenvolvido pela DRJ de São Paulo/SP, o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). O presente processo trata de auto de infração de fls. 92/100, relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, nos períodos de janeiro a novembro de 1999, para cobrança do crédito tributário de R$ 858.356,81 (oitocentos e cinqüenta e oito mil, trezentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e um centavos), a ser acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação de regência. 2. A infração imputada ao sujeito passivo, discriminadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 85/91, em síntese, está relacionada a divergências entre os valores declarados e os valores escriturados. 3. Cientificada da exigência tributária através do Edital n° 4.0613/2002, de fl. 101, afixado em 11/12/2002, a autuada traz às fls. 105/115, impugnação firmada por representante legal, conforme instrumento particular de procuração de fl. 116, onde alega que o auto de infração é nulo no que tange à cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, por ser tal índice ilegal. 4. São notificados também os Srs. Lincoln Lafaiete da Silveira Bueno, CPF 521.414.89849 e João Franco da Silveira Bueno, CPF 053.735.65849, como responsáveis de acordo com o art. 135, III do Código Tributário Nacional (CTN), por ter a fiscalização constatado que a administração e gerência da empresa Elite Distribuidora de Alimentos Ltda. era por eles exercidas. 5. Em arrazoado de fls. 125/146, firmado por procurador conforme instrumento particular de procuração de fl. 147, os Srs. Lincoln Lafaiete da Silveira Bueno e João Franco da Silveira Bueno discordam da responsabilidade atribuída no processo, aduzindo o seguinte: (...). Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10280.005307/200221 Acórdão n.º 3402006.608 S3C4T2 Fl. 469 3 2. A empresa autuada e os responsabilizados apresentaram suas impugnações, respectivamente, as fls. 116/125 e 144/165 (impugnação conjunta de Lincoln Lafayete da Silveira Bueno e João Franco da Silveira Bueno), as quais foram julgadas improcedentes pelo sobredito acórdão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins • Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/1999 Ementa: JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A utilização da taxa Selic decorre da observância à legislação tributária pertinente, cujo controle de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário. EMPRESAS DE FACHADA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Procede o lançamento tributário que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas por empresas de fachada e atribui aos verdadeiros empreendedores dos negócios a responsabilidade pelos encargos tributários respectivos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/1999 Ementa: DIPJ. CONFISSSÃO DE DÍVIDA. Os saldos a pagar de tributos e contribuições informados na DIPJ, a partir do anocalendário de 1999, não se revestem dos requisitos necessários para a sua inscrição em Dívida Ativa, não sendo, portanto, confissão de dívida. MULTA DE OFÍCIO. Não tendo o sujeito passivo utilizado o instituto da espontaneidade previsto na legislação tributária, cabe a imposição da multa de ofício sobre os lançamentos constituídos de ofício. Lançamento Procedente. 3. Diante deste quadro todos os autuados interpuseram conjuntamente o recurso voluntário de fls. 608/6162, oportunidade em que repisaram os fundamentos invocados desenvolvidos nas impugnações, bem como apresentaram novos fundamentos. 4. Tais recursos não foram recebidos por ausência de arrolamento válido de bens, o que foi afastado por meio da decisão judicial de fls. 432/438, a qual determinou o processamento do sobredito recurso. Fl. 471DF CARF MF 4 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 6. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Preliminarmente (i) Da pretensa nulidade absoluta por cerceamento de defesa 7. A análise da suposta ofensa ao due process of law perpassa, primeiramente, pela análise do documento de fl. 223, qual seja, petição do contribuinte solicitando cópia dos autos e protocolizada em 10/11/2003. Em tempo, convém registrar que tal petição foi apresentada depois de já transcorrido 19 (dezenove) dias do início do prazo recursal. 8. Em 11/11/2003 (fl. 199) o patrono do contribuinte juntou cópia dos documentos pessoais do procurador legal, para que este pudesse então receber cópias de documentos sujeitos ao sigilo fiscal, bem como do comprovante do recolhimento da taxa necessária para tal fim. 9. Diante deste quadro, em 13/11/2003 (fl. 223), a repartição promoveu a entrega das cópias solicitadas pelo contribuinte, quando ainda remanescia prazo de 08 (oito) dias para a interposição de recurso voluntário. 10. Percebese, portanto, que o que de fato existe aqui não é ofensa ao devido processo legal, mas sim inércia do contribuinte na defesa dos seus interesses, já que este só apresentou pedido de cópias dos autos depois de 19 (dezenove) dias depois de iniciado seu prazo recursal, cópias essas que lhe foram entregues em 48 (quarenta e oito) horas após a apresentação dos documentos necessários para esse fim, oportunidade em que o recorrente ainda gozava de 08 (oito) dias para o encerramento do seu prazo. 11. Repitase: aqui não é o caso de ofensa ao devido processo legal, mas de notório abuso no pretenso exercício desta garantia fundamental, o qual se perfaz sob o pretexto de suplantar a desídia do recorrente. 12. Logo, rechaço a suposta nulidade aventada nos autos. (ii) Da ilegitimidade passiva dos administradores de fato da empresa autuada 13. Não obstante, outra questão preliminarmente aventada em sede recursal diz respeito a ilegitimidade passiva dos administradores de fato da empresa autuada, i.e., as pessoas de Lincoln Lafayete da Silveira Bueno e João Franco da Silveira Bueno. 14. Segundo apurado pela fiscalização, a empresa autuada foi criada com o propósito de sonegar tributos, tanto que os responsabilizados teriam se valido de "laranjas" Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10280.005307/200221 Acórdão n.º 3402006.608 S3C4T2 Fl. 470 5 para atuarem como sócios da mesma. De forma sumária, assim destacou a fiscalização no termo de verificação fiscal (fls. 96/102): Fl. 473DF CARF MF 6 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10280.005307/200221 Acórdão n.º 3402006.608 S3C4T2 Fl. 471 7 15. Assim, segundo o apurado pela fiscalização, os sócios de direito da empresa autuada, em verdade, atuavam como "laranjas" dos responsabilizados, sócios de fato da pessoa jurídica que, dotados da procuração pública, efetivamente exerciam a administração da empresa em questão, inclusive promovendo a abertura de contas, emissão de cheques, dentre outras operações. 16. Ressaltese, inclusive, que até o ano de 1996 o sócio de direito Valdecy de Souza Oliveira constava na RAIS como empregado da empresa autuada. Aliás, em declaração prestada perante a RFB, Valdecy afirma ser funcionário da empresa Maprifar Distribuidora de Alimentos, empresa esta que tem como sócios os responsabilizados. 17. Tratase, portanto, de típica hipótese de incidência do disposto no art. 135, inciso III do CTN, cabendo a responsabilização tributária dos representantes da pessoa jurídica em razão de prática infracional que implicou a sonegação fiscal aqui detectada pela fiscalização. 18. Neste diapasão, também refuto a pretensa ilegitimidade dos responsabilizados. II. Mérito (i) Da suposta injuridicidade da SELIC como fator de correção dos créditos tributários 19. No que diz respeito à incidência da SELIC como juros moratórios sobre créditos tributários é caso de aplicação da Súmula n. 4 deste Tribunal Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 20. Logo, não há como se esquivar da incidência da referida Súmula, sob pena, inclusive, de configurar hipótese de perda do mandato deste Conselheiro, conforme previsto no art. 45, inciso. VI do RICARF1. 21. Ademais, a questão é mais do que pacificada também no âmbito dos Tribunais judiciais em sentido desfavorável à pretensão do contribuinte, razão pela qual nego provimento ao presente recurso neste tópico. Dispositivo 22. Ante o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto. 23. É como voto. 1 "Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: (...). VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; (...)." Fl. 475DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.905392/2015-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.528
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 92 /2 01 5- 89 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13839.905392/201589 Acórdão n.º 3402006.528 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.533. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13839.905392/201589 Acórdão n.º 3402006.528 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13839.905392/201589 Acórdão n.º 3402006.528 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13839.905392/201589 Acórdão n.º 3402006.528 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13839.905392/201589 Acórdão n.º 3402006.528 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13839.905392/201589 Acórdão n.º 3402006.528 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.723438/2016-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÕES DE SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. MANIFESTO LAPSO QUANTO À INEXISTÊNCIA DE DEFESAS. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/72. NULIDADE.
A carência da apreciação de Impugnações ofertadas por sujeitos passivos solidários, em razão manifesto lapso que levou à errônea conclusão de sua inexistência nos autos, culminando na manutenção de sua responsabilização, implica em preterição do direito de defesa, o que configura a sua nulidade.
Diante de tal ocorrência, deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de nova decisão, suprindo tal nulidade processual, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
Numero da decisão: 1402-003.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários, para reconhecer a nulidade do v. Acórdão recorrido, determinando a prolatação de nova decisão pela DRJ competente.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÕES DE SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. MANIFESTO LAPSO QUANTO À INEXISTÊNCIA DE DEFESAS. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/72. NULIDADE. A carência da apreciação de Impugnações ofertadas por sujeitos passivos solidários, em razão manifesto lapso que levou à errônea conclusão de sua inexistência nos autos, culminando na manutenção de sua responsabilização, implica em preterição do direito de defesa, o que configura a sua nulidade. Diante de tal ocorrência, deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de nova decisão, suprindo tal nulidade processual, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários, para reconhecer a nulidade do v. Acórdão recorrido, determinando a prolatação de nova decisão pela DRJ competente. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÕES DE SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. MANIFESTO LAPSO QUANTO À INEXISTÊNCIA DE DEFESAS. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/72. NULIDADE. A carência da apreciação de Impugnações ofertadas por sujeitos passivos solidários, em razão manifesto lapso que levou à errônea conclusão de sua inexistência nos autos, culminando na manutenção de sua responsabilização, implica em preterição do direito de defesa, o que configura a sua nulidade. Diante de tal ocorrência, deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de nova decisão, suprindo tal nulidade processual, retomandose, posteriormente, o curso natural do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários, para reconhecer a nulidade do v. Acórdão recorrido, determinando a prolatação de nova decisão pela DRJ competente. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 34 38 /2 01 6- 19 Fl. 11418DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.418 2 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 11419DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.419 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários (fls. 10571 a 11255) interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador/DF (fls. 10340 a 10419) que: A) deu provimento parcial à Impugnação apresentada pelo i) Contribuinte, apenas para afastar a multa agravada; B) deu provimento às Defesas dos sujeitos passivos solidários ii) Dipalma Comércio Distribuição e Logística de Produtos Alimentícios Ltda.; iii) Roldão Auto Serviço Comércio de Alimentos Ltda.; iv) Barcelona Comércio Varejista e Atacadista S/A; v) Procter & Gamble Industrial e Comercial Ltda.; vi) Mondelez Brasil Ltda. e vii) Nestlé Brasil Ltda., para excluílos do polo passivo da exação; C) negou provimento às Impugnações dos sujeitos passivos solidários viii) Newred Distribuidora Importação e Exportação Ltda.; ix) Ipanema Sul Comércio Distribuição e Logística de Produtos Alimentícios Ltda.; x) 707 AutoServiço de Alimentos; xi) Multimarcas Comércio e Atacado de Produtos Industrializados Ltda. – ME; xii) Sr. Ali Charif Saleh; xiii) Sr. Anuar Khaled Saleh; xiv) Sr. Jamal Kaled Omram; xv) Sr. Nassif Mourad; xvi) Sr. Karin Philipp e xvii) Allan Sanches Saleh, para mantêlos no polo passivo, e D) atestou o não oferecimento de Defesa pelos sujeitos passivos solidários xviii) Laviga Comércio Atacadista Eireli; xix) Mega Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios Eireli; xx) Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda.; xxi) Diageo Brasil Ltda.; xxii) Bacardi Martini do Brasil Indústria e Comércio Ltda.; xxiii) Sr. Said Ibrahim Mansur, xxiv) Sr. Eliedabes Costa Pereira; xxv) Sr. Ricardo Lúcio Corteletti e xxvi) Sra. Sandra da Penha Corteletti. Em resumo, a contenda tem como objeto lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 02 a 248 e TVF às fls. 250 a 309), acompanhados de multa de ofício qualificada, na monta de 150% e multa agravada, na monta de 50%, em face da apuração de suposta infração de omissão de receitas, tendo sido procedido ao arbitramento do lucro, com base em receita bruta conhecida, nos termos dos arts. 530 e 532 do RIR/99. Fl. 11420DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.420 4 Além da Contribuinte, também procedeuse à responsabilização solidária de empresas de seu Grupo econômico, bem como de outras companhias com que manteve relações comerciais no período, com arrimo no art. 124, inciso I, do CTN. Também houve a responsabilização das pessoas dos sóciosadministradores de algumas das empresas, com base no art. 135, inciso III, do CTN, totalizando 25 (vinte e cinco) Sujeitos Passivos solidários, além da Contribuinte. Por bem resumir o início da contenda, adotase, a seguir, trecho do objetivo relatório empregado pela DRJ a quo: Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 02 a 71, no valor de R$23.256.057,70 (vinte e três milhões, duzentos e cinquenta e seis mil, cinquenta e sete reais e setenta centavos); de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 73 a 143, no valor de R$10.497.625,94 (dez milhões, quatrocentos e noventa e sete mil, seiscentos e vinte e cinco reais e noventa e quatro centavos); de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, às fls. 145 a 196, no valor de R$6.318.015,48 (seis milhões, trezentos e dezoito mil e quinze reais e quarenta e oito centavos); e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, às fls. 198 a 248, no valor de R$29.160.072,09 (vinte e nove milhões, cento e sessenta mil, setenta e dois reais e nove centavos), acrescidos da multa de ofício qualificada e agravada, no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), e de juros de mora. O Auto de Infração do IRPJ foi realizado na modalidade de tributação do lucro arbitrado – abrangendo os quatro trimestres dos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, com base no art. 530, inciso III, do RIR/1999 –, que foi calculado a partir de: 1) omissão de receitas com base em contas de depósitos e/ou investimentos bancários de origem não comprovada, conforme relatório fiscal, em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995; e art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 537 do RIR/1999. 2) receita bruta oriunda da revenda de mercadorias, conforme relatório fiscal, em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995; e art. 532 do RIR/1999. Além da Contribuinte, foram incluídos no rol dos sujeitos passivos – solidariamente responsabilizados pelo crédito tributário lançado – outras 15 (quinze) pessoas jurídicas e 10 (dez) pessoas físicas, todas relacionadas no Auto de Infração, às fls. 02 a 06, e consoante termos individualizados lavrados, denominados Demonstrativos de Responsáveis Solidários, às fls. 08 a 42. Fl. 11421DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.421 5 Os Auto de Infração relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS, os dois últimos sob a sistemática da incidência cumulativa, decorreram das mesmas infrações apontadas para o IRPJ. A Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal constam, respectivamente, às fls. 114 a 117, 186 a 187 e 239 a 240. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 250 a 309, o Autuante declara, em síntese, que: 1 – DO CONTEXTO – a presente fiscalização se originou de representação realizada na empresa “Supermix Atacadista”, CNPJ nº 03.016.122/0001 64, caracterizandose a prática de grupo econômico fraudulento, interposição fraudulenta de pessoas, sonegação e fraude fiscal. Naquela ocasião, a “Super Mix”, ora fiscalizada, foi enquadrada como responsável solidária, com outros 14 responsáveis, pelas infrações cometidas pela “Supermix Atacadista”, minuciosamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal anexo ao processo nº 10882.722077/201413. No procedimento pretérito, corroborado na representação fiscal, a autoridade fiscal produziu robusto arcabouço probatório em desfavor da “Super Mix”, demonstrando sua participação ativa em um grupo econômico fraudulento, responsável pela prática de inúmeros ilícitos fiscais, que envolveram atos praticados nos anos de 2011 a 2013, sintetizados a seguir: A) apesar de a “Super Mix” apresentar volume expressivo de aquisições e alienações, entregou, reiteradamente, DIPJ zeradas, ou seja, sem quaisquer informações preenchidas; B) a “Super Mix” emitiu notas fiscais eletrônicas, nos códigos e operações relacionados a vendas (CFOP 5102, 5405, 6102 e 6403), no montante de R$965.848.436,63, nos anos de 2011 a 2013 (planilha anexa ao processo); C) verificouse que a fiscalizada nada informou em DCTF, no mesmo período; D) a fiscalizada nada declarou em DACON, no mesmo período; E) em consulta ao sistema “Dossiê Integrado”, verificouse que a “Super Mix” não recolheu, desde o anocalendário 2011, qualquer tributo federal, conforme telas que reproduz, as quais informam os dados do sistema de pagamento da RFB; F) verificouse, através das DIMOF, que a “Super Mix” movimentou vultosas quantias, desde o anocalendário de 2011, conforme telas que faz reproduzir; G) segundo as DIMOF, os recursos movimentados a crédito pela fiscalizada foram de R$247.779.565,39 em 2011, R$385.355.445,84 em 2012, R$151.773.476,16 em 2013, totalizando R$784.908.487,39; Fl. 11422DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.422 6 H) assim, de 2011 a 2013, a “Super Mix” recebeu mais de 780 milhões de reais, sem, contudo, recolher qualquer valor a título de tributos federais; I) a autoridade fiscal constatou ainda que o titular (possuidor de 100% do capital social) da “Super Mix”, em todo o período, foi o Sr. Ali Charif Saleh, CPF nº 608.822.98887; J) conforme apurado nos autos do processo nº 10882.722077/201413, o Sr. Ali Charif Saleh atuou como mentor de um grupo econômico fraudulento, formado por inúmeras pessoas físicas e jurídicas, cujo objeto principal sempre foi obter expressivos ganhos financeiros às custas da sonegação plena e contumaz; K) concluiu a fiscalização anterior não pairar qualquer dúvida do vínculo maléfico existente entre a “”Super Mix” e as demais empresas integrantes do grupo econômico de Ali Charif Saleh, as quais foram solidarizadas no Auto de Infração lavrado no âmbito do processo nº 10882.722077/201413; – de posse de um vigoroso conjunto probante, envolvendo a prática de formação de grupo econômico, movimentação financeira incompatível, sonegação e fraude fiscal, passase, então à fase de execução desta fiscalização; 2 – DO PROCEDIMENTO FISCAL – em 05/09/2014, a fiscalizada foi cientificada do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), sendolhe requisitado uma série de documentos para serem apresentados em 20 dias. Em 30/09/2014, a empresa respondeu, apresentando cópia de ficha da JUCESP, de solicitação de extratos bancários junto a uma instituição financeira e pedido de prorrogação do prazo, por mais 60 dias, para cumprimento da documentação faltante. Em 07/10/2014, a Contribuinte foi cientificada de que lhe foi concedido apenas o prazo de mais 20 dias. Em 28/10/2014, ela apresentou a entrega de somente um dos itens faltantes (planilha com a relação das notas fiscais de entrada, de 2011 a 2013) e renovou o pedido de prorrogação do prazo, o que foi tacitamente atendido pela fiscalização. Em 05/11/2014, venceu o prazo de 60 dias, sem, contudo, a Interessada se manifestar. Em 24/11/2014, a “Super Mix” fez outra solicitação para dilação do prazo por mais 60 dias. Assim, mesmo havendo evidente intuito de protelar o cumprimento dos itens requisitados no TIPF, esta fiscalização concedeu tacitamente o prazo solicitado; – em 08/01/2015, a fiscalizada respondeu à intimação, apresentando apenas os extratos bancários da empresa referentes aos anos de 2012 e 2013. Em 28/01/2015, passados 144 dias da ciência do TIPF, a empresa apresentou, tão somente, a complementação dos extratos bancários, ou seja, dos relativos ao ano de 2011. Em 05/02/2015, o representante legal da empresa foi pessoalmente cientificado do Termo de Intimação nº 0012015, que indicou algumas operações com indícios de fraude, sendolhe requisitadas: Fl. 11423DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.423 7 1 – a comprovação da origem dos recursos, os quais deram entrada em contas de depósito ou de investimento mantidas pela fiscalizada junto a instituições financeiras, nos anoscalendário de 2011 a 2013; 2 – a comprovação da natureza das operações que motivaram a saída de recursos financeiros das contas da empresa, no período acima mencionado. – em 25/02/2015, a fiscalizada solicitou prorrogação do prazo, por 45 dias, para cumprir a intimação, o que foi tacitamente deferido. Em 09/03/2015, o representante legal da “Super Mix” respondeu à intimação de forma incompleta, desprovida de coerência, carente das informações requisitadas, sendo, portanto, incapaz de qualquer comprovação a seu favor. Assim, para identificar os reais beneficiários das operações, tornouse essencial rastrear os recursos movimentados nas contas das quais a fiscalizada é titular. Destarte, em 12/05/2015, esta fiscalização solicitou a emissão de requisição de informação sobre movimentação financeira (RMF), que, em 20/05/2015, foram encaminhadas para o Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Citibank e Banco ABC Brasil; – com base nos extratos bancários enviados pelas instituições financeiras, esta fiscalização identificou movimentação a crédito, nas contas da “Super Mix”, nos anos de 2011 a 2013, no montante de R$1.112.004.731,30. A fim de apurar o valor líquido que adentrou às contas da empresa, como receitas auferidas, foram expurgados os valores relativos aos cheques devolvidos, aos lançamentos de estorno e redução do saldo devedor e às transferências entre contas de mesma titularidade, para evitar o cômputo de qualquer movimentação em duplicidade ou que não caracterize recursos efetivamente recebidos. Com isso, restou constatado que a empresa recebeu a crédito de suas contas bancárias, nos anos de 2011 a 2013, o montante de R$682.267.978,46, conforme tabelas inseridas, contendo os valores mensais recebidos. Apesar da vultosa quantia auferida, não foi encontrado qualquer pagamento de tributos federais; em 02/12/2015, a “Super Mix” foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal nº 27112015, contendo uma planilha com os referidos créditos bancários, para que fossem comprovadas as origens dos recursos recebidos, e que tal comprovação deveria ser realizada por meio de demonstrativo com indicação individualizada da origem de todos os depósitos listados, devidamente acompanhada de documentação hábil e idônea. Em 16/12/2015, a empresa pediu prorrogação do prazo, por 60 dias, pedido este que foi tacitamente deferido. Até o momento, passados mais de 330 dias do pedido, a empresa não se manifestou ou justificou a não comprovação dos depósitos. Dessa forma, o que se tem são valores creditados advindos de receitas não oferecidas à tributação. Nesse sentido, encerramse os procedimentos junto à “Super Mix” e passase à análise dos documentos e informações obtidos por intermédio das RMF; Fl. 11424DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.424 8 3. DA REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA 3.1 Dos recursos financeiros recebidos – os principais clientes da “Super Mix”, nos três anos fiscalizados, foram as empresas listadas a seguir, juntamente com os valores totais registrados nas notas fiscais emitidas: Roldão Auto Serviço Comércio de Alimentos Ltda: R$154.303.359,10; Dipalma Com. Dist. e Logist. Prod. Alimentícios Ltda: R$107.692.083,55; Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios: R499.727.833,66; e 707 Auto Serviço de Alimentos Ltda: R$85.306.666,92. A despeito das vultosas emissões de notas fiscais de vendas da fiscalizada para as citadas empresas, ao longo do período analisado, grande parte dessas transações não ocorreu de fato, tratandose de mera movimentação contábilfinanceira entre empresas do mesmo grupo econômico. Os valores efetivamente recebidos dessas empresas, constantes nas contas bancárias da fiscalizada foram, respectivamente: R$4.196.085,82; R$392.879,13; R$156.057.367,55; R$17.983.411,12. 3.2 Dos recursos financeiros pagos – os principais fornecedores da “Super Mix” e os totais registrados nas notas fiscais, nos três anos fiscalizados, foram os seguintes: Multimarcas Comércio e Atacado de Produtos Industrializados Ltda – ME: R$282.398.714,02; Laviga Comércio Atacadista Eireli: R$130.666.583,70; e Mega Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios Eireli – ME: R$77.613.009,49. Seguindo a mesma sistemática de comparação, verificouse que o volume de compras foi muito superior ao montante pago no período, evidenciando que parte das operações não ocorreu de fato, tratandose de mera movimentação contábilfinanceira entre empresas do mesmo grupo econômico. Os valores efetivamente pagos a tais empresas, conforme constatado nos extratos bancários foram, respectivamente: R$124.625.357,82; R$63.135.336,06; e 0,00 (zero); – tendo em vista as divergências entre os valores contábeis e financeiros apurados, sobretudo em operações envolvendo empresas com fortes indícios de estarem atuando em conjunto, além da necessidade de obter informações e documentos adicionais, esta fiscalização resolveu diligenciar as empresas supracitadas; 4 – DAS PRINCIPAIS DILIGÊNCIAS VINCULADAS – em 28/07/2016, foram requisitadas dos contribuintes citados no item 3 acima (principais clientes e fornecedores) as seguintes informações: 1) a relação das notas fiscais (NF) que acobertaram as operações de compra e venda, contendo nº da NF, data de emissão, valor da NF, data de pagamento, forma de pagamento, CPF/CNPJ do cedente (quem efetivamente recebeu os valores), dados bancários do favorecido (banco, agência e conta); 2) documentos comprobatórios dos recebimentos ou, no Fl. 11425DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.425 9 caso dos clientes, os pagamentos realizados; 3) nos pagamentos/recebimentos realizados por boletos/duplicatas, apresentar, além dos comprovantes, as cópias dos títulos; 4) os conhecimentos de transporte utilizados nas operações. Passase agora para as análises individuais: LAVIGA COMÉRCIO ATACADISTA EIRELI – CNPJ Nº 09.109.322/000148 – DOSSIÊ DIGITAL 10010.044849/071637 – Em 29/07/2016, foi encaminhado o TIPF para a “Laviga”, não sendo possível realizar a ciência da empresa, pois o endereço constante no cadastro da Receita Federal estava incompleto. Em 19/09/2016, a fiscalização enviou o TIPF para outro endereço encontrado nas notas fiscais emitidas pela diligenciada. Da mesma forma que na intimação anterior, os Correios devolveram a correspondência com o status “firma desconhecida”. A “Laviga” tomou ciência do TIPF – Diligência, em 27/09/2016, por edital eletrônico. Contudo, mesmo devidamente intimada, a empresa não se manifestou até o presente momento; – diante da inércia da “Laviga”, esta fiscalização realizou pesquisas nos sistemas da RFB, apurando que a empresa foi aberta em 2007 e, desde 04/04/2011, tem como titular o Sr. Ali Charif Saleh, CPF nº 608.822.98887. Apurou ainda que a “Laviga” vendeu para a “Super Mix” mais de R$130 milhões (insere tabela), entre os anos de 2011 e 2013, conforme planilha “Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável – Entradas – 2011 a 2013” acostada aos autos. Assim, verificase um vultoso volume comercial entre as duas empresas, que atuam no mesmo ramo de atividade e de mesma titularidade, ou seja, o Sr. Charif detém 100% do capital social de ambas; – pesquisa no site de busca Google mostra que a “Laviga” tem sede no mesmo endereço da “Super Mix” (acrescenta imagem). Observando a ficha cadastral da “Super Mix” na Jucesp, constatase a averbação de abertura de filial da empresa, exatamente no mesmo endereço da “Laviga” (Rodovia BR 262, Km 08, Box 2, Guaritas, Viana – ES, CEP 29135000). Comprovado o vínculo entre as empresas, passouse a analisar suas operações comerciais, detectandose inúmeros indícios de infrações e fraudes fiscais; – primeiramente, verificase que a “Laviga”, assim como as demais empresas do grupo econômico, apresenta o mesmo modus operandi, isto é, realiza um vultoso volume contábil de vendas, aufere grande quantidade de recursos financeiros, sem recolher qualquer tributo, inexiste “de fato”, não apresenta capacidade operacional e o patrimônio de seu sócio é incompatível com o porte da empresa. A fiscalização verificou que a empresa adquire suas mercadorias de grandes indústrias multinacionais, localizadas nas regiões Sul e Sudeste do país, sobretudo em São Paulo e, estranhamente, revendeas para as empresas do grupo econômico de Ali Charif localizadas em São Paulo, mormente para a fiscalizada, “Super Mix”. Por sua vez, esta, ao receber as mercadorias da “Laviga”, atua como Fl. 11426DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.426 10 revendedora para os grandes atacadistas do país, localizados principalmente no Estado de São Paulo; – esta fiscalização selecionou dois exemplos que retratam o ocorrido em todas as operações de vendas entre as empresas “Laviga” e “Super Mix”, sintetizandoos em duas tabelas que faz inserir (exemplos 1 e 2 – “Laviga”), contendo data, fornecedor, cliente, quantidade, unidade e preço. As notas fiscais que lastrearam tais operações estão acostadas ao processo. Descreve que, nesses exemplos, três situações saltaram aos olhos: 1) primeiramente, a empresa “Laviga” vende o produto a um valor menor que o valor pago, ou seja, há prejuízo na operação; 2) as notas fiscais possuem datas de emissão muito próximas, o que demonstra a inviabilidade logística de a mercadoria ter saído de São Paulo, ido para o Espírito Santo retornado a São Paulo, em um curto espaço de tempo; 3) estando a “Super Mix” localizada no mesmo município da multinacional “Procter & Gamble”, os custos de uma venda direta, em situações normais, seriam substancialmente menores. Outra questão importante é que grandes atacadistas como a “Sonda Supermercados” e “Roldão Atacadista” não adquirem as mercadorias diretamente da gigante “Procter & Gamble”, o que será esmiuçado mais adiante; – por todos os dados apurados após investigação, não resta dúvida da participação ativa da “Laviga” no grupo econômico de Ali Charif Saleh. A empresa está estrategicamente localizada no Espírito Santo, que possui benefício de redução de alíquota de ICMS em operações de compras realizadas de empresas localizadas nos estados das regiões Sul e Sudeste. Nesse sentido, em razão do Termo de Acordo Sefaz ES nº 065/2012, o recolhimento do ICMS por substituição tributária (ICMS ST), ao invés de ser responsabilidade da indústria localizada em São Paulo, passa a ser da adquirente, no Espírito Santo, o que contribuiu em muito para que o grupo estruturasse um sistema capaz de fraudar o ICMS, assim como os tributos federais. Em tese, ao receber as mercadorias no Espírito Santo, a “Laviga” as reenvia (em forma de operação de venda), para a “Super Mix”, em São Paulo, destacando nas notas fiscais o ICMS (próprio), PIS e Cofins. Nessa configuração, a responsabilidade pela retenção a título de substituição tributária passa para a “Super Mix”. Como a “Laviga” é uma sonegadora contumaz, pois foi criada com o objetivo de praticar e propiciar a fraude fiscal, nenhum dos mencionados tributos destacados foi efetivamente recolhido aos cofres públicos. Destaquese que essa sonegação foi praticada em todas as operações de vendas realizadas pela “Laviga”, que atingiram cifras de centenas de milhões de reais no período analisado; – ao receber as mercadorias em São Paulo, a “Super Mix” as “revende” para os grandes atacadistas, com o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) 5405 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituído), ou seja, informando que o ICMS ST Fl. 11427DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.427 11 fora cobrado em operações anteriores, o que de fato não ocorreu. Assim como fez a “Laviga”, a “Super Mix” não recolheu nenhum valor, seja para o Estado de São Paulo ou para a União, nem da parte que lhe cabe, tampouco como substituta tributária da cadeia produtiva. Tal sistemática de sonegação fiscal possibilitou e ainda possibilita ao grupo econômico vender seus produtos a preços inferiores aos praticados pelas fabricantes multinacionais, localizadas no topo da cadeia. Do apurado, esta fiscalização conseguiu estabelecer todos os elos do esquema fraudulento, tornando cristalinos os motivos pelos quais os grandes atacadistas adquiriram os produtos da “Super Mix”, ao invés de comprarem diretamente das próprias indústrias multinacionais; – sob o prisma contábilfiscal, voltando ao primeiro exemplo, o esquema funcionou da seguinte forma: no dia 15/02/2013, a “Laviga” adquiriu 1.640 caixas do produto “det liq ariel líquido 1000mlx12it”, da empresa “Procter & Gamble”, ao preço de R$61.795,20, ou seja, sobre o custo do produto está contido o valor do ICMS com alíquota de 7%, do PIS e da Cofins recolhidos pela “Procter & Gamble” e embutidos no valor da venda. A parte referente ao ICMS ST, conforme mencionado, ficou por conta da “Laviga”. De posse das mercadorias no Espírito Santo, no dia 16/02/2013, a “Laviga” efetuou venda para a “Super Mix”, localizada em São Paulo, ao preço de R$61.008,00 (menor que o de compra), com destaque de ICMS, PIS e Cofins, além do frete por sua conta. Dessa forma, a “Super Mix” passou a ter em seu estabelecimento, em São Paulo, as 1.640 caixas adquiridas da “Procter”, ao custo de R$61.008,00. No mesmo dia 16, a “Super Mix” vende as mercadorias ao atacadista “Sonda Supermercados”, localizado em São Paulo, ao preço de R$80.491,20. Conforme já mencionado, a “Super Mix” utilizou o CFOP 5405, código utilizado quando o ICMS por substituição tributária fora cobrado em operações anteriores. O fato descrito traduz a fraude sob o prisma contábilfiscal, mas não o efetivamente ocorrido, sobretudo em razão da inviabilidade logística da mercadoria ir de São Paulo ao Espírito Santo em apenas um dia, evidenciando que essa carga partiu da “Procter & Gamble” diretamente para a “Super Mix”. No exemplo 2, a operacionalidade foi a mesma, inclusive com o mesmo produto, salvo quanto ao adquirente atacadista que, ao invés da “Sonda Supermercados”, foi o “Roldão Auto Serviço”, sob um valor de venda de R$81.672,00; – outro fato relevante é que, em meio às pesquisas realizadas, esta fiscalização verificou que, no documento de venda emitido pela “Procter & Gamble” à “Laviga”, foi informado endereço de correio eletrônico que liga esta contribuinte a outra empresa, a “Newred”, através do sócioadministrador Ricardo Lúcio Corteletti, CPF nº 024.501.71789, conforme imagem que reproduz. Ao longo do procedimento, outras partes do quebra cabeça foram descobertas, mostrando que o esquema irregular foi, e está sendo, praticado de moldes a beneficiar diversas empresas, sobretudo grandes potências econômicas, localizadas no topo da cadeia produtiva; Fl. 11428DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.428 12 NEWRED DISTRIBUIDORA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – CNPJ nº 02.408.091/000124 – em vista da estranha ligação existente entre a “Laviga” e a “Newred”, aliado ao fato do robusto volume de notas fiscais de vendas emitidas, no período, pela “Newred” para as empresas do grupo econômico de ALI CHARIF, esta fiscalização resolveu aprofundar as investigações. Nesse ínterim, constatouse que a “Newred” está localizada no município de Vila Velha, no Espírito Santo, é uma das maiores empresas de distribuição de alimentos e bebidas quentes do país e, conforme veremos, teve participação ativa no esquema de sonegação fiscal objeto desta fiscalização. Tratase de uma empresa que atuou em parceria com o grupo econômico de ALI CHARIF, exercendo a mesma função da “Laviga”, ou seja, adquirindo mercadorias direto das indústrias localizadas nos estados das regiões sul e sudeste e, na sequência, enviandoas de volta para as empresas do grupo, localizadas principalmente em São Paulo/SP, com a sonegação de todos os tributos incidentes na operação. A movimentação da “Newred” nos anos de 2011 a 2013 mostra que, assim como ocorre com a “Laviga”, a diferença entre os valores de compras e vendas é incapaz de suprir os custos operacionais de uma empresa. No caso da “Newred”, as receitas de vendas nos três anos totalizaram R$ 629.439.192,24, enquanto as compras somaram R$ 580.903.600,31, com uma diferença de apenas 8,4%. – esta fiscalização verificou que, no ano de 2013, foi deflagrada uma operação denominada “Sanguinello”, realizada pelas Secretarias de Fazenda, Ministérios Públicos e Polícias Civis dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Nessa ocasião, as autoridades desarticularam um esquema de sonegação fiscal envolvendo empresas atacadistas de alimentos e bebidas. Os sóciosadministradores da “Newred”, Sandra da Penha Corteletti, CPF nº 046.119.02730 e Ricardo Lúcio Corteletti, CPF nº 024.501.71789, foram presos e, posteriormente, denunciados por crime contra a ordem econômica e formação de quadrilha. A empresa foi apontada como mentora da organização criminosa responsável pelo esquema fraudulento de sonegação fiscal. Em síntese, utilizandose da prática de sonegação, a empresa “Newred” vendia mercadorias a preços abaixo do valor de mercado, expandindo artificialmente sua participação no setor, numa clara violação do princípio constitucional da livre concorrência. A mesma prática foi utilizada pela “Newred”, em parceria com as empresas do grupo econômico de Ali Charif. Nesse esquema, constatouse que a “Newred” adquiriu, no período fiscalizado, centenas de milhões de reais em mercadorias de grandes indústrias localizadas, mormente, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e, ato contínuo, retornou com essas mercadorias para as empresas de Ali Charif (em forma de revenda), localizadas em São Paulo. Por sua vez, de posse das mercadorias, o grupo econômico realizou as vendas dos produtos aos grandes atacadistas, a preços mais atrativos que os praticados pelas indústrias em operações internas ou interestaduais. A fiscalização selecionou dois Fl. 11429DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.429 13 exemplos das operações realizadas pela “Newred”, destacando os em tabelas que faz reproduzir. As notas fiscais que lastrearam as operações se encontram acostadas ao processo (Exemplos 1 e 2 – Newred); – analisando sob o prisma contábilfiscal, no dia 26/06/2012, a “Nestlé Brasil”, CNPJ nº 60.409.075/000152, localizada no Estado de São Paulo, vendeu 1.344 caixas do produto “Bombom Especialidades Nestlé” para a “Newred”, localizada no Espírito Santo, ao valor total de R$ 189.705,35. Destarte, quando a “Nestlé Brasil” efetua vendas de mercadorias de São Paulo para contribuintes localizados no Espírito Santo, temse a incidência dos seguintes tributos destacados em nota fiscal: ICMS (com alíquota reduzida de 7%), PIS (alíquota de 1,65%) e COFINS (alíquota de 7,6%). Na operação do exemplo 1, a “Nestlé Brasil” destacou o ICMS, o PIS e a COFINS, respectivamente, nos valores de R$13.143,90, R$3.098,20 e R$14.270,52. Esses tributos foram apurados e recolhidos pela “Nestlé Brasil”, no total de R$30.512,62, e integraram o preço de venda. O convênio realizado entre os Estados de São Paulo e Espírito Santo dispõe que caberá ao adquirente capixaba a realização do procedimento de substituição tributária do ICMS. O grupo econômico comandado por Ali Charif Saleh entra em cena nas três etapas seguintes: 1) a “Newred” recebeu os produtos e, na sequência, vendeuos (as 1.344 caixas) à empresa “Multimarcas”, localizada em São Paulo, pertencente ao grupo econômico de Ali Charif, pelo valor total de R$199.584,00. Os valores destacados de ICMS, PIS e COFINS na operação foram de R$23.950,08, R$3.293,14 e R$15.168,38, respectivamente, totalizando R$42.411,60. Observandose os dados acima descritos, verificase que a “Newred” teve prejuízo na operação, haja vista que, apenas incluindo os três tributos não cumulativos (compensase o devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores), a diferença a recolher foi de R$11.898,98, ou seja, maior que o montante agregado pela “Newred” na operação. Isso sem contar os demais custos envolvidos como frete, seguro, despesas normais de operação e lucro; 2) A “Multimarcas” recebe os produtos e, ato contínuo, revende os, na mesma quantidade, para a “Super Mix”, pelo valor total de R$190.512,00, ou seja, menor que o valor de compra. Ressaltese que a “Multimarcas” dá saída nas mercadorias utilizando o CFOP 5405, ou seja, aplica irregularmente esse código fiscal, uma vez que a substituição tributária não ocorreu em etapa anterior. Dessa forma, a “Multimarcas” destaca apenas os tributos PIS e COFINS, nos valores respectivos de R$1.238,33 e R$5.715,36 (sem recolhêlos), apresentando, tanto o ICMS próprio como o ICMS ST com valor zero (como se tivessem sido retidos e recolhidos em operação anterior); 3) em seguida, a empresa fiscalizada, “Super Mix”, revende as mercadorias, na mesma quantidade de 1.344 caixas, à empresa “Atacadão”, CNPJ nº 75.315.333/000109, pelo valor total de Fl. 11430DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.430 14 R$211.680,00, destacando os tributos PIS e COFINS (sem recolhimento); através das três etapas descritas acima, o grupo econômico de Ali Charif consegue, sem pagar qualquer tributo, disponibilizar aos grandes atacadistas do país a possibilidade de comprarem produtos a preços ainda mais baixos que os praticados pelas indústrias fabricantes dentro do Estado. Tal situação é possível pelo fato de a alíquota de ICMS incidente nas operações realizadas dentro do Estado de São Paulo ser de 18%, enquanto a incidente nas vendas realizadas por contribuintes de São Paulo para contribuintes do Espírito Santo ser de apenas 7%. Somada a isso, temse a fraude relativa à substituição tributária do imposto estadual, no qual as empresas do grupo econômico utilizam irregularmente o CFOP 5405, como se o ICMS tivesse sido cobrado anteriormente, além do não pagamento de PIS e COFINS. Do exposto no exemplo 1, constatouse que a mesma carga de 1.344 caixas de “Bombom Especialidades Nestlé”, em tese, saiu de São Paulo, foi para o Espírito Santo, retornou a São Paulo, foi vendida dentro do estado e revendida para a empresa “Atacadão” ao valor de R$211.680,00. Esta fiscalização apurou que o preço praticado pela “Nestlé” nas vendas desse mesmo produto, na mesma quantidade (1.344 caixas), sob as mesmas condições, no mesmo mês/ano, ficou entre R$224.352,49 e R$277.155,87, ou seja, mesmo que o “Atacadão” adquirisse essa carga no menor preço praticado pela “Nestlé Brasil”, ainda assim, a diferença seria bastante ampla. Verificase então que não só as empresas do grupo econômico são beneficiadas com a sonegação, mas também as indústrias localizadas no topo da cadeia e os grandes atacadistas. Os atacadistas obtêm vantagem por adquirir produtos abaixo do valor de mercado e as indústrias obtêm vantagem econômica na medida que seus produtos atingem o consumidor final a um valor artificialmente menor; – no exemplo 2, assim como no anterior, o grande atacadista localizado em São Paulo (“Sonda Supermercados”) não adquire as mercadorias diretamente da empresa multinacional Diageo Brasil Ltda., CNPJ nº 62.166.848/000142, líder mundial na venda de bebidas alcoólicas destiladas, com sede no Rio de Janeiro, tendo em vista a atuação do grupo econômico de Ali Charif, o qual, utilizandose da fraude fiscal, disponibiliza o produto à “Sonda Supermercados” a um valor substancialmente menor que aquele vendido pela “Diageo” diretamente para empresas localizadas em São Paulo. Ocorre que a alíquota de ICMS nas operações realizadas entre contribuintes localizados nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo é de 12%, enquanto que a incidente nas vendas realizadas por contribuintes do Rio de Janeiro com destino aos localizados no Espírito Santo é de 7%. Assim, a Substituição Tributária é diferida, passando a responsabilidade da retenção para a empresa localizada no Espírito Santo que, por sua vez, repassa essa responsabilidade para a empresa do grupo econômico localizada em São Paulo, além de não recolher suas próprias obrigações tributárias aos cofres públicos; Fl. 11431DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.431 15 – fazendo uso desse esquema estruturado, o ganho indevido não ocorre somente para as empresas do grupo econômico. Além disso, os grandes atacadistas são favorecidos, na medida que adquirem seus produtos a preços abaixo dos de mercado, e sobretudo, as potências econômicas (multinacionais), as quais conseguem fazer com que seu produto chegue muito mais competitivo ao consumidor final, logrando grande vantagem econômica. No caso do exemplo 2, selecionado apenas como amostra do todo, a carga de 1.320 caixas de “Vodka Smirnoff RED 998 ml” que, em tese, saiu do Rio de Janeiro, chegou ao Espírito Santo, foi encaminhada para São Paulo e, ato contínuo, foi vendida dentro do Estado e revendida para a “Sonda Supermercados”, ao valor unitário de R$217,20 cada caixa, caso fosse vendida da “Diageo” diretamente à “Sonda Supermercados”, o valor unitário não sairia por menos de R$247,56/caixa (este foi o menor preço praticado pela “Diageo”, vendendo o mesmo produto, na mesma data, na mesma quantidade, para um atacadista de São Paulo, ou seja, sob as mesmas condições, conforme página 21 a 25 do anexo Exemplo 2 Newred). O esquema fraudulento trazido à baila nos dois exemplos foi praticado em todas as operações realizadas entre as empresas “Newred” e o grupo econômico de Ali Charif, nos anos de 2011 a 2013, e promoveram, além da sonegação de centenas de milhões de reais, o cometimento de infrações contra a ordem econômica, sobretudo, através da prática de abuso de poder econômico; MULTIMARCAS COMERCIO E ATACADO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS LTDA. – CNPJ nº 08.965.847/000112 – Dossiê Digital nº 10010.002094/081666 – em 29/07/2016, foi enviado TIPF para a empresa “Multimarcas”, por via postal, para o endereço constante no cadastro da RFB, assim como na Jucesp. Contudo, a correspondência foi devolvida com o status de “mudouse”, incluindo a observação “imóvel vago para alugar”. Ato contínuo, publicouse o edital de ciência eletrônica, tendo o contribuinte sido considerado ciente em 14/09/2016. Mesmo assim, até o presente momento, ele não se manifestou, tampouco apresentou justificativa para o não cumprimento. Em face da inércia do diligenciado, esta fiscalização passou à coleta de informações por outros meios. – a “Multimarcas” faz parte do grupo econômico de ALI CHARIF, sendo responsável por movimentação de compra e venda de mercadorias, sobretudo nos anos de 2011 e 2012, que atingiu centenas de milhões de reais, sem, contudo, recolher qualquer valor a título de pagamento de tributos. O modus operandi é exatamente o mesmo da fiscalizada, seja porque suas declarações são entregues “zeradas”, ou em razão das emissões vultosas de notas fiscais de venda, com recebimentos em contas bancárias extremamente elevados, sem recolher qualquer tributo, seja também pela incompatibilidade do patrimônio de seus sócios quando comparado com o porte da empresa, seja em razão da não existência de fato (incapacidade operacional). O Fl. 11432DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.432 16 endereço da “Multimarcas” é o mesmo da empresa “Supermix Atacadista”, importante empresa do grupo de Ali Charif, que foi autuada pelo Fisco (PAF nº 10882.722077/201413), por sonegação fiscal e formação de grupo econômico fraudulento. Além da “Supermix Atacadista”, a sócia da fiscalizada, “Ila Participações”, empresa que Ali Charif detém 100% do capital social, também está localizada no mencionado endereço (copia imagem), o que demonstra o vínculo e a confusão patrimonial entre as empresas do grupo. No citado endereço, esta fiscalização constatou um imóvel de esquina, cuja rua frontal é a Antonio Inojosa, 31, e a rua lateral é Estrada do Alvarenga, 1398. No local há um pequeno galpão vazio, com destaque para uma faixa contendo o nome da empresa “Multimarcas” (junta fotos); – esta fiscalização apurou que, em 2011 e 2012, o fluxo das mercadorias vindas da “Laviga e da “Newred”, localizadas no Espírito Santo, passavam, antes de chegar à “Super Mix”, pela “Multimarcas”. Até o mês de outubro de 2012, a sistemática ocorria dessa maneira. Depois, as empresas capixabas passaram a enviar os produtos diretamente à “Super Mix”, ou a outras empresas do grupo, sem passar pela “Multimarcas”, conforme planilhas Entradas e Saídas – Laviga e Entradas e Saídas – Newred, anexas ao processo. Apenas em 2011 e 2012, a “Multimarcas” vendeu o montante de R$296.703.591,84, sendo R$271.044.179,53 em vendas para a fiscalizada “Super Mix”, o que correspondeu a 91,35% do total, conforme planilhas de saídas acostadas aos autos “Entradas e Saídas – Multimarcas (2011 e 2012)”. O total de compras da “Multimarcas” no mesmo período foi de R$322.119.040,28, o que deixa evidente a prática de vender com prejuízo, comumente utilizada por empresas que atuam na parte intermediária dos grupos econômicos, cuja função é apenas emitir notas de entradas e saídas. Complementando, outras duas empresas do grupo econômico, Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda. – ME, CNPJ nº 10.602.229/000150, e Ipanema Sul Comércio Distribuição e Logística de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ nº 12.770.701/000199, adquiriram no período analisado o montante de R$17.965.510,80 e R$7.417.044,82, respectivamente, o que somado ao montante comercializado com a “Super Mix” atinge 99,9% do total de vendas da “Multimarcas” no período. Nesse sentido, restou clara a participação da “Multimarcas” no grupo econômico fraudulento de Ali Charif Saleh e que sua atuação se deu de duas formas: primeiro, aumentando a cadeia produtiva, dificultando a ação fiscal; em segundo, atuando como “uma empresa reserva”, para o caso de a “Super Mix” vir a sofrer alguma ação que a impeça de dar andamento ao esquema ardil; MEGA COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS – CNPJ nº 17.837.869/000198 – Dossiê Digital nº 10010.020331/111685 – no dia 29/07/2016, foi enviado TIPF à empresa “Mega”, por via postal, para o endereço constante no cadastro da RFB, assim Fl. 11433DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.433 17 como na Jucesp. Contudo, a correspondência foi devolvida em razão de a empresa não mais estar localizada ali. Pesquisa no sistema CNPJ da RFB constatou que ela teve sua inscrição baixada por “inexistência de fato”, em 05/08/2015. Ato contínuo, o TIPF foi enviado, por via postal, ao sócio administrador da empresa, o senhor Said Ibrahim Mansur, CPF nº 105.982.64965. Foram realizadas três tentativas de cientificálo, por via postal, contudo, sem sucesso. Em 17/11/2016, foi publicado o edital eletrônico, com ciência a partir de 02/12/2016. Esta fiscalização apurou que a diligenciada foi constituída em 28/03/2013, tendo por titular o senhor Eliedabes Costa Pereira, CPF nº 039.669.52564. Em 19/07/2013, a empresa passa a ter como titular o senhor Said Ibrahim Mansur; – o total de compras realizados pela “Mega”, nos 8 meses do ano de 2013, foi de R$70.146.086,52. Desse montante, R$24.953.000,06 vieram da “Laviga”, ao passo que outros R$7.956.067,20 foram comprados da “Newred”. No que tange às vendas no mesmo período, dos R$83.455.677,20 vendidos, R$77.215.602,89 foram para a “Super Mix”, o que representa 92,5% do montante. Insta frisar que nos extratos bancários da “Super Mix” não foram encontrados quaisquer valores recebidos a título de pagamento referentes às transações realizadas com a “Mega”. Esta possui o mesmo modo de operação das demais empresas do conglomerado, qual seja: apresenta grande volume de vendas, sequer entrega DIPJ ou DCTF, não recolhe tributos federais e não apresenta capacidade operacional (foi baixada em 2015 por “inexistência de fato”), além de haver fortes evidências de interposição fraudulenta de pessoas, na medida que o patrimônio do titular apresentase incompatível com o porte da empresa (a única DIRPF entregue pelo titular ocorreu no anocalendário 2012, com valor tributário declarado de R$41.900,00 e sem apresentar bens). Nesse sentido, a empresa “Mega” exerceu no grupo econômico a mesma função da “Multimarcas”, ou seja, sua atuação deuse, primeiramente, aumentando a cadeia produtiva e dificultando a ação fiscal. Em segundo plano, atuou como “uma empresa reserva” para o caso de a “Super Mix” sofrer alguma baixa que inviabilizasse a continuidade do esquema de sonegação; IPANEMA SUL COM. DISTR. E LOG. DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS – CNPJ nº 12.770.701/000199 – Dossiê Digital nº 10010.020395/111686 – em 29/07/2016, foi enviado TIPF para a empresa “Ipanema”, por via postal, para o endereço constante no cadastro da RFB e repetido na Jucesp. Contudo, a correspondência foi devolvida com o status de “mudouse”. Ato contínuo, foi publicado edital de ciência eletrônica, considerandose a ciência dada em 14/09/2016. Até o presente momento, nenhum documento foi entregue e tampouco qualquer justificativa foi apresentada. Em face da inércia do contribuinte, passouse à coleta de informações por outros meios; Fl. 11434DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.434 18 o modus operandi utilizado pela “Ipanema” foi o mesmo praticado pelo grupo, seja porque ela não entregou qualquer DIPJ desde 2011 até os dias atuais, seja pelas emissões vultosas de notas fiscais, com recebimento de elevados valores em contas bancárias, sem realizar qualquer recolhimento de tributos (sonegação contumaz), seja também pela incompatibilidade do patrimônio de seus sócios quando comparado com o porte da empresa, seja em razão da não existência de fato (incapacidade operacional). O endereço atual da “Ipanema” foi utilizado, por longo período, como endereço da “Supermix Atacadista”, importante empresa do grupo de Ali Charif, que foi autuada pelo Fisco pela prática de sonegação fiscal e formação de grupo econômico fraudulento, como dito acima. O sócioadministrador “Ipanema” é o Sr. Anuar Khaled Saleh, CPF nº 322.147.36808, residente na Rua Cel. Antonio Inojosa, nº 31 (endereço da maior parte das empresas do grupo), e qualificado, nos autos do processo nº 10882.722077/201413, como responsável pessoal por sua atuação gerencial no grupo econômico fraudulento de Ali Charif; – a fiscalização verificou que o total de compras realizada pela “Ipanema” no período foi de R$14.910.238,33, sendo sua principal fornecedora, a “Multimarcas”, importante elo do grupo, com R$7.702.352,12 (planilha Ipanema – Fornecedores 2011 a 2013, anexa ao processo). No que tange às saídas, constatouse que o montante ficou em apenas R$4.454.958,73 no mesmo período, sendo sua principal cliente a “Super Mix”, com R$961.844,00 (planilha Ipanema – Clientes 2011 a 2013, anexa ao processo). Ao reverso do item anterior, analisando os extratos bancários da fiscalizada, constatouse que houve transferências financeiras da ordem de R$69.038.436,20, no mesmo período, da “Super Mix” para as contas da “Ipanema”. Nesse sentido, concluise que o grupo econômico utilizou a “Ipanema” para a retirada de recursos financeiros do esquema, tendo em vista o robusto volume financeiro que adentrou às contas dessa empresa, sem lastro contábil capaz de justificar os recebimentos. Outrossim, evidenciase que as operações acobertadas por notas fiscais ocorreram apenas no mundo contábil, haja vista o improvável prejuízo obtido pela empresa, na medida que o total de aquisições superou os 14 milhões de reais, enquanto o montante vendido dessas mercadorias atingiu pouco mais de 4 milhões. Dos fatos apurados, não restou dúvida acerca da participação da “Ipanema” no grupo econômico de Ali Charif Saleh; 707 AUTOSERVICO DE ALIMENTOS LTDA. – CNPJ Nº 12.539.517/000132 – Dossiê Digital nº 10010.044785/071674 – em 14/09/2016, a empresa “707 AutoServiço” protocolou na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco resposta à intimação, pedindo prorrogação de prazo para cumprimento do requisitado, por 60 dias. Nessa ocasião, foi apresentada somente uma diminuta parte do solicitado em um dos itens, não agregando em nada às informações de que o Fisco já dispunha (número, data e valor das notas emitidas pela “Super Mix” nas Fl. 11435DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.435 19 vendas realizadas para a “707 AutoServiço”). Mesmo com a dilação de prazo, a “707 AutoServiço”, até o presente momento, não apresentou qualquer documento ou informação complementar. Diante da inércia do contribuinte e na busca por evidências do vínculo existente entre a empresa e o grupo econômico, esta fiscalização constatou que o principal fornecedor para a empresa, no período, foi justamente a “Super Mix”, no montante de R$85.306.666,92. Embora o total de compras realizadas tenha sido superior a 85 milhões de reais, o valor efetivamente pago à “707 AutoServiço” foi de apenas R$17.983.411,12, ou seja, apenas 21% do valor das notas fiscais entraram nas contas da fiscalizada (dado obtido através dos extratos bancários anexos ao processo). Ao se analisar as vendas da “707 AutoServiço”, contatouse que, em sua grande maioria, os produtos são destinados à venda no varejo; – apurouse que a “707 AutoServiço” tem como sócios, desde a época dos fatos, a Sra. Karin Philipp, CPF nº 757.901.57815, e a pessoa jurídica “KNPP Participações”, CNPJ nº 12.484.295/000106. Consulta ao sistema CNPJ mostrou que Karim Philipp é detentora de 100% do capital social da “KNPP Participações”. Portanto, Karim Philipp possui (direta e indiretamente) 100% do capital social da “707 AutoServiço”. Verificouse que Karin Philipp é tia de Mariane Philipp Saleh, CPF nº 270.685.27809, que, por sua vez, é casada com Allan Sanchez Saleh, CPF nº 248.540.60816, filho de Ali Charif Saleh (comandante do grupo econômico) e, conforme autos do PAF nº 10882.722077/201413, sócio, “de fato”, da empresa “707 Auto Serviço”. Destaquese que, no ano de 2010, Karin Philipp e Allan Sanchez Saleh foram sócios da empresa LDS Participações Ltda., CNPJ nº 12.455.781/000198. Em consulta ao sistema da Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo – ARISP (inseriu imagem), constatouse que Allan Sanchez Saleh hipotecou alguns de seus imóveis ao Banco Santander S/A, como garantia de uma dívida assumida através de empréstimo pela “707 AutoServiço” (título de crédito com data de 29/01/2013), no valor de R$2.930.000,00. Conforme o registro, ainda figurou como avalista a Sra. Karim Philipp, CPF nº 757.901.57815, que, juridicamente, detém 100% do capital social da “707 Auto Serviço”; – em face do apurado, não restam dúvidas do estreito vínculo existente entre as empresas “707 AutoServiço” e “Super Mix”, assim como da participação efetiva da “707 AutoServiço” no grupo econômico, ficando a seu cargo a venda a varejo das mercadorias recebidas de outras empresas do conglomerado, atuando, sobretudo, através da gerência, “de fato”, de Allan Sanchez Saleh, filho de Ali Charif Saleh. Consultando o sistema CNPJ (reproduz extrato), constatouse que, até 24/04/2014, o endereço de Allan Sanchez Saleh era Estrada do Alvarenga, nº 1.394, no bairro de Pedreira, São Paulo/SP, exatamente o mesmo de grande parte das empresas do grupo econômico, bem como dos sóciosadministradores, conforme consta neste TVF. Tratase de um pequeno imóvel de esquina utilizado como sede de várias empresas do grupo, além de domicílio de sócios. Fl. 11436DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.436 20 Algumas empresas do grupo eram cadastradas no endereço de frente, enquanto outras tinham como endereço cadastral o lateral, conforme as imagens registradas às fls. 27 e 28 deste Termo. Por todo conjunto probatório coligido, concluise que Allan Sanchez Saleh é, efetivamente, sócio “de fato” da “707 AutoServiço” e exerce poder de gerência nas demais empresas do grupo econômico. Por sua vez, a “707 AutoServiço” integra o grupo econômico de Ali Charif, ficando a seu cargo à venda de mercadorias no mercado de varejo; FITE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E GENEROS ALIMENTICIOS LTDA. – CNPJ Nº 10.602.229/000150 – Dossiê Digital nº 10010.044806/071651 – Em 19/09/2016, a empresa “Fite” pediu dilação de prazo, por 60 dias, para cumprimento do requisitado no TIPF. Mesmo tendo sido deferido o pedido, a empresa não apresentou qualquer dos documento ou informação solicitados. Pesquisa no sistema CNPJ, constatou que Ali Charif Saleh é sócio administrador da “fite”, detendo 98% de seu capital social. Verificouse que o total de compras realizada pela empresa no período foi de R$128.112.758,68, sendo sua principal fornecedora justamente a fiscalizada “Super Mix”, com R$99.727.833,66 em compras, valor correspondente a 78% do total. Logo depois vem a “Multimarcas”, também integrante do grupo de Ali Charif, com R$20.315.825,63, o que corresponde a 15,6% do total. Do exposto, notase que a “Fite”e fetuou mais de 93% do total de suas compras, no período, diretamente de suas parceiras no grupo econômico. Embora chame a atenção o montante de mercadorias adquiridas da “Super Mix”, maior ainda foi o total de recursos financeiros transferidos a ela, atingindo o montante de R$156.057.367,55, no mesmo período (dado obtido através dos extratos bancários anexos ao processo); – quanto às vendas efetuadas no triênio analisado, constatase que a “Fite” foi responsável pelo montante de R$166.666.442,10. Desse total, nada menos que 98,6% (R$164.402.761,64) das mercadorias foram vendidas à atacadista Barcelona Comércio Varejista e Atacadista S/A, CNPJ base nº 07.170.943, o que demonstra que as empresas do grupo atuaram sob encomenda, ou seja, a empresa “Barcelona”, ciente da sistemática de sonegação praticada pelas empresas de Ali Charif, realizava seus pedidos e recebia as mercadorias alguns dias depois. Ao avançar as investigações, fica clara a participação da “Fite” no conglomerado, porquanto utiliza exatamente a mesma sistemática de operação, seja por apresentar vultoso volume de venda sem recolher qualquer tributo, seja por entregar as DIPJ “zeradas”, seja por não apresentar capacidade operacional ou, sobretudo, por ter juridicamente como sócioadministrador o próprio Ali Charif Saleh, mentor do esquema. Logo, concluise que o grupo econômico utilizou a “Fite” como o último elo do grupo nas vendas realizadas para a “Barcelona”. Assim, em todas as encomendas realizadas por esta empresa, as mercadorias saíram Fl. 11437DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.437 21 das grandes indústrias, “foram” para o Espírito Santo, “retornam” a São Paulo para uma das empresas do grupo (“Super Mix” ou “Multimarcas”), foram “vendidas” para a “Fite”, e desta partiram para a atacadista “Barcelona”; 5 – DAS GRANDES INDÚSTRIAS – conforme apurado, a movimentação do grupo econômico de Ali Charif atingiu cifra bilionária, considerandose apenas o período analisado. Tal esquema, caso não gerasse qualquer vantagem econômicofinanceira para as grandes indústrias, não conseguiria prosperar por tanto tempo. Esta fiscalização, em consulta aos arquivos de notas fiscais eletrônicas, apurou as cinco maiores fornecedoras de mercadorias para a “Laviga” e a “Newred”, nos anos de 2011 a 2013, e que somente essas cinco indústrias venderam, nesse período, mais de 450 milhões de reais para as duas empresas citadas, conforme quadros demonstrativos que insere. Passase, então, a trazer à baila os verdadeiros benefícios econômicos que essas grandes indústrias lograram (e logram) com a prática deste esquema de sonegação fiscal. O que, a princípio, parece ser um esquema realizado tão somente por um grupo econômico, que fatura bilhões às custas da sonegação fiscal e, por conseguinte, lesa o Estado e seu povo, mostra outras facetas tão nefastas quanto a sonegação: a concorrência desleal e crimes tipificados no direito penal econômico. A Constituição Federal de 1988 trouxe um título todo dedicado à ordem econômica e financeira e, logo em seu primeiro capítulo, destacou os princípios gerais da atividade econômica (transcreve o art. 170 da CF); 5.1 Da Livre concorrência (inciso IV) – o princípio da livre concorrência (inciso IV do art. 170 da CF) tem como objetivo prover a criação e observância de um mercado ideal, caracterizado por um estado de concorrência livre de abusos econômicos (concorrência desleal e abuso de poder). Nesse ponto transcreve fragmentos de obras de alguns doutrinadores. Não obstante, tal como os demais princípios constitucionais, a livre concorrência não é ilimitada, cabendo ao Estado corrigir as possíveis distorções no exercício da atividade econômica pelo particular, consoante determina o art. 173, §4º, da CF (transcreve). Assim é que a intervenção do Estado na econômica é medida essencial para assegurar o perfeito funcionamento dos mercados, preservandose os princípios fundamentais e estruturantes da ordem econômica. Nesse sentido, no que diz respeito à atuação para coibir as condutas abusivas, temse a denominada Lei Antitruste (Lei nº 12.529, de 30/11/2011), que estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência; dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações; contra a ordem econômica; e dá outras providências, da qual transcreve o art. 1º e seu parágrafo único. – cabe destacar que são duas as formas de concorrência que o Direito busca evitar e reprimir, a fim de prestigiar a livre concorrência: a desleal e a perpetrada com abuso de poder. Fl. 11438DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.438 22 Para coibir essas práticas, o ordenamento traz como principal diploma infraconstitucional, a Lei Antitruste, responsável por elencar e tipificar algumas condutas, sem esgotálas, que se apresentam como infrações à ordem econômica, e geram ao ofensor o dever de reparação do dano por ele causado. O art. 36 dessa lei dispõe acerca das infrações à ordem econômica puníveis, independentemente de culpa, sendo que sequer é exigido que se obtenha o resultado para a configuração da infração. Aliás, é o que se infere da própria norma, que qualifica a infração como a conduta que tenha por objeto ou que simplesmente possa produzir efeitos indesejados. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADÊ) bem define quando uma conduta infringe a ordem econômica, assim dispondo:“De acordo com o artigo 36 da Lei 12.529/11, uma conduta é considerada infração à ordem econômica quando sua adoção tem por objeto ou possa acarretar os seguintes efeitos, ainda que só potencialmente: limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência; aumentar arbitrariamente os lucros do agente econômico; dominar mercado relevante de bens ou serviços; ou quando tal conduta significar que o agente econômico está exercendo seu poder de mercado de forma abusiva”. Ressaltese que a Lei nº 12.529/11 referese a toda e qualquer atividade econômica que extravase os limites do regular exercício do poder econômico, e as pessoas a elas sujeitas são aquelas dispostas nos artigos 31 a 35 (transcreve); – por derradeiro, além das implicações administrativas previstas na Lei Antitruste, existem sanções penais que aplicam pena privativa de liberdade àqueles que cometem crimes contra a ordem econômica. Conforme restou bem demonstrado, não pairam dúvidas de que as grandes multinacionais mencionadas foram demasiadamente beneficiadas, primeiramente em razão de seus produtos chegarem, artificialmente, aos consumidores a preços muito baixos, alavancando seus lucros e/ou reduzindo seus preços; em segundo, por destruírem ou prejudicarem em demasia seus concorrentes, conquistando fatias cada vez maiores do mercado, de forma ilícita; e, por fim, o consumidor final é altamente lesado com tal prática, pois, embora possa acreditar estar sendo favorecido – uma vez que paga um preço menor pelo produto ofertado, na realidade sofrerá as consequências nefastas da sonegação, pois o capital deixará de estar à disposição da Administração Pública para a consecução de medidas de cunho social. É nessa seara que o inciso I do art. 4º da Lei nº 8.137/1990 (com redação dada pela Lei 12.529/2011) tem plena aplicabilidade (transcreve). Importa destacar que o nefasto esquema de sonegação e fraude fiscal, o qual esta fiscalização trouxe à tona, não se efetivaria sem a participação ou o consentimento de todas as partes beneficiadas; 6 – DA CONCLUSÃO – nesse esquema sofisticado, absolutamente todos os elos da cadeia obtiveram ganhos relevantes. No topo da pirâmide de benefícios estão as grandes indústrias (“Nestlé Brasil”, “Procter & “Gamble”, “Diageo”, “Mondelez” e “Bacardi”), as quais Fl. 11439DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.439 23 lograram resultados financeiros expressivos, na medida que os seus produtos chegaram aos consumidores finais a preços muito inferiores aos praticados em operações normais, dentro de uma concorrência leal, quando os tributos fazem parte do custo real de toda a cadeia produtiva. O ganho econômicofinanceiro neste caso foi astronômico, uma vez que o recurso artificial de redução de custos, proporcionado pelo uso indireto de sonegação plena e contumaz de tributos federais e estaduais, inviabilizou a disputa regular, ocasionando grandes prejuízos às empresas concorrentes. Na sequência, aparecem as empresas do grupo econômico de Ali Charif Saleh, as quais, utilizandose da prática direta de sonegação fiscal, provocaram uma redução substancial e artificial dos custos, resultando em uma grande “vantagem competitiva” ilicitamente obtida, a qual viabilizou o desenvolvimento desse agente econômico em prejuízo dos concorrentes e, mormente da coletividade, na medida que tal criminalidade solapou a concretização dos direitos sociais e a consecução da justiça social. O grupo não é formado por empresas eficientes, ao revés, essas empresas apenas conseguem vender por um preço competitivo se basearem a sua matriz de custos no não pagamento de tributos. Por último, aparecem os grandes atacadistas, clientes das empresas de Ali Charif, que agiram irregularmente de modo volitivo, adquirindo, por encomenda, produtos genuinamente fabricados pelas multinacionais. Não há que se falar em clientes de boafé, ao contrário, sabem que o grupo econômico atua à margem de suas obrigações fiscais e, com isso, consegue vender mercadorias abaixo do preço de mercado. Adquirem centenas de milhões de reais em mercadorias e, utilizando a seu favor os frutos da sonegação, majorando seus lucros e/ou prejudicando os seus concorrentes diretos; – as perguntas a serem feitas são: os grandes atacadistas não sabiam que estavam adquirindo mercadorias produzidas pelas empresas “Nestlé Brasil”, “Procter & “Gamble”, “Diageo”, “Bacardi” e “Mondelez” por preços bem abaixo dos cobrados pelas próprias multinacionais em vendas diretas? Não seria, no mínimo, estranho o fato de uma empresa denominada “Super Mix Perfumaria”, possuidora de um capital social extremamente baixo, sem existência “de fato”, conseguir vender tais produtos a preços substancialmente mais baixos que as próprias indústrias? A questão não envolve somente conflitos particulares, mas corresponde a casos de indiscutível interesse econômico e social, em que há necessidade de adoção de medidas voltadas à repressão da prática de evasão fiscal contumaz. De fato, essas empresas, por meio de práticas ilegais, oferecem ao mercado preços artificialmente reduzidos e, com isso, privam os cofres públicos da arrecadação necessária ao fomento de programas e iniciativas de interesse social/ público. Ao contrário, em um sistema em que preponderam condições saudáveis de concorrência, o consumidor é favorecido, pois a competição leva a constantes reduções de preços (ainda que não tão drásticas e repentinas quanto às verificadas pelos devedores contumazes) e investimentos em tecnologia e aperfeiçoamento, tanto do bem em si, quanto da cadeia produtiva em geral. Fl. 11440DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.440 24 Concluise, assim, que condutas de tal gênero violaram direitos, esbarraram nos princípios constitucionais que garantem a ordem econômica e indiretamente atacaram a defesa do consumidor. Assim, cumprida se torna a etapa em que esta fiscalização demonstra a participação efetiva de todos os elos do esquema fraudulento, passando, neste momento, para a apuração da receita bruta omitida pela empresa “Super Mix”, que será base de cálculo deste Auto de Infração; 7 – DAS NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS EMITIDAS – em que pese a contabilidade da “Super Mix” não ser capaz de expressar sua efetiva situação, nos anos fiscalizados, verificou se que, a partir de 01/04/2010, ela estava obrigada a realizar suas operações com utilização de nota fiscal eletrônica. Então, foram extraídos os arquivos de NFe do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e realizado um modelo analítico dinâmico (MAD), contendo todas as notas fiscais emitidas no período fiscalizado (anexos: Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável – Entradas 2011 a 2013 e Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável – Saídas 2011 a 2013). Com o objetivo de apurar a Receita Bruta auferida de 2011 a 2013, fezse uma relação das notas fiscais, cujos CFOP referemse a operações de venda, cuja planilha eletrônica encontrase acostada aos autos. Os CFOP utilizados foram: 5102 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (Venda Interna); 5405 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituído; 6102 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (Venda Interestadual); e 6403 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituto. Conforme apurado, a “Super Mix” emitiu somente em operações de venda de mercadorias, através de NFe, nos anos de 2011 a 2013, o montante de R$965.848.436,63, conforme demonstrado na “Tabela 2”, que faz reproduzir, contendo as receitas brutas mensais e anuais, de 2011 a 2013; 8 – DO ARBITRAMENTO DO LUCRO – a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido que deixar de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, terá o seu imposto (devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário) apurado com base no lucro arbitrado, conforme art. 530, III, do RIR/1999 (transcreve). Em cumprimento a esse dispositivo, temse que o arbitramento do lucro se faz necessário, haja vista que o contribuinte, tendo sido notificado, deixou de apresentálos; 9 – DAS IRREGULARIDADES FISCAIS E DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 9.1 – Da Omissão de Receitas da Atividade apurada pelas notas fiscais de venda Fl. 11441DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.441 25 – de acordo com o art. 537 do RIR/99 (transcreve), a receita omitida será computada para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente. Conforme preliminarmente demonstrado, o contribuinte apresentou suas DIPJ “zeradas”, nos três anos fiscalizados. Como a receita bruta é conhecida, primeiramente pelo somatório dos valores apurados nas notas fiscais eletrônicas de venda e, complementarmente, pelos depósitos bancários de origens não comprovadas, passase a apuração do lucro arbitrado, com base no disposto no art. 532 do RIR/99 (transcreve); 9.2 – Dos Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada – segundo o artigo 42 da Lei 9.430/96 (transcreve), os depósitos/créditos de origem não comprovada são considerados rendimentos omitidos no respectivo mês de sua efetivação. A receita total apurada através das notas fiscais de venda foi superior à receita apurada através dos extratos bancários. Tal fato se deu em razão da maior parte dos recursos financeiros terem sido desviados diretamente para outras empresas do grupo econômico, sem passar pelas contas bancárias da fiscalizada, como bem demonstrado ao longo deste trabalho. Nesse sentido, como a maior parte da receita apurada é oriunda de notas fiscais eletrônicas de venda, apenas a diferença mensal entre os valores dos depósitos de origens não comprovadas e das notas fiscais será lançada como “omissão por presunção legal”. Tal situação se dará somente quando os depósitos superarem o montante de notas fiscais no mês; 10 – DA BASE DE CÁLCULO PARA O LANÇAMENTO – a seguir, demonstramos a receita bruta e os demais valores utilizados para constituição do lançamento de ofício. A alíquota do IRPJ será de 9,6%, em conformidade com os arts. 518 e 532 do RIR/99, e a receita bruta para o arbitramento será a receita omitida da atividade, apurada por intermédio das notas fiscais eletrônicas, salvo no período em que a receita omitida por depósito sem origem comprovada apresentar montante superior à omissão de receita da atividade, ocasião em que a receita bruta será o somatório da receita omitida da atividade com a diferença a maior entre receita omitida por depósitos sem origem comprovada e a receita omitida da atividade. Não há débitos declarados em DCTF, a título de IRPJ, razão pela qual não há valores a serem descontados do imposto devido; 11 – DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA/DECORRENTE – caracterizada a omissão de receita, procedemos ao lançamento de ofício de todos os tributos federais cuja regra matriz de incidência compreende o mesmo conceito legal (CSLL, PIS, COFINS), dado o disposto no art. 24, §2º da Lei nº 9.249 (transcreve). Salientese que o PIS e a COFINS, decorrentes do IRPJ foram apurados conforme a Lei 10.637/2002, artigo 8º, inciso II, e Lei 10.833/2003, artigo 10, inciso II (transcreve), que determina que as empresas com tributação do Imposto de Renda Fl. 11442DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.442 26 Pessoa Jurídica apurado pelo lucro arbitrado, estarão sujeitas ao regime cumulativo. A base de cálculo da CSLL será de 12% da receita bruta. Não há valores de débitos declarados em DCTF, nos anoscalendário 2011 a 2013, a título de CSLL, PIS e COFINS, razão pela qual não há valores a serem descontados do valor do imposto devido; 12 – DOS TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE – em consulta aos sistemas de controle da RFB verificouse a inocorrência de retenções na fonte em benefício do contribuinte, a título de Imposto de Renda, relativo às suas atividades desenvolvidas, não havendo, com isso, qualquer valor a ser abatido do lançamento ora efetuado; 13 – MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA Transcreve o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007,e os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. De acordo com tais dispositivos legais, sendo lançadas de ofício diferenças de tributos ou contribuições não pagas, deverá ser aplicada, em princípio, a multa de 75%. Contudo, na hipótese de o fato ser, em tese, enquadrado em alguma das circunstâncias previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a infração é qualificada e o percentual da multa será de 150%. Conforme informado anteriormente, o contribuinte apresentou as DIPJ “zeradas”, nos três anos fiscalizados. Após analisar as notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada, nos CFOP de venda, constatouse que a receita bruta de vendas foi de R$965.848.436,63. Além do vultoso montante apurado através das notas fiscais, há um total de R$682.267.978,46 de depósitos nas contas bancárias do contribuinte, para os quais o fiscalizado, quando regularmente intimado, não foi capaz de comprovar as origens. Ao reverso, a “Super Mix” permaneceu inerte, sem nada recolher a título de tributos. Tal situação, aliada a outras demasiadamente demonstradas nesta peça fiscal, não deixando dúvidas da ocorrência de infrações fiscais que se configuram em sonegação e fraude, capituladas nos artigos nº 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (e legislação conexa); no direito tributário penal, é possível reconhecer dois tipos de conduta e, consequentemente, de ilícitos fiscais. Os decorrentes de erro justificável, aos quais deve ser imputada a multa de ofício de 75%, e aqueles decorrentes de dolo, da conduta em que se vislumbre a existência da mens rea, aos quais se imputa a multa de ofício qualificada de 150%. O termo "fraude" aplicase a atos voluntários de omissão e manipulação de transações e operações, adulteração de documentos, registros, relatórios e demonstrações contábeis, tanto em termos físicos quanto monetários. Enquanto isso, o termo "erro" aplicase a atos involuntários de omissão, desatenção, desconhecimento ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e demonstrações contábeis, bem como de transações e operações da Entidade, tanto em termos físicos quanto monetários. Fl. 11443DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.443 27 Percebese, assim, que os chamados erros escusáveis se distinguem daqueles cometidos intencionalmente. O contribuinte, ao omitir receitas de sua atividade na declaração de Imposto de Renda, em evidente contradição com a movimentação de numerário em suas contas bancárias, afasta a possibilidade de desatenção eventual, enquadrandose no tipo descrito nos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei n.º 4.502, de 1964; – do apurado, não se pode admitir uma omissão de receitas comprovadamente auferidas na atividade da empresa sem que o contribuinte não tivesse a intenção de realizála. Nesse sentido, não se vislumbra possível a descaracterização da conduta dolosa da empresa autuada. Ressaltese que a majoração aqui justificada, com a aplicação da multa qualificada de 150%, em relação às infrações verificadas nos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, nos termos do disposto no artigo 44 da Lei 9.430/96, será acompanhada de devida Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no PAF nº 10882.723518/2016 66, nos termos e na forma da legislação em vigor; 15 – DA MULTA AGRAVADA – o contribuinte fora intimado e reintimado por diversas vezes ao longo do procedimento fiscal. Ocorre que, desde o início, ele vem protelando a entrega de livros e documentos, sendo que em resposta ao último termo de intimação realizado, foi solicitada a prorrogação de prazo para cumprimento por 60 dias e, até o presente momento, passados mais de 330 dias, nada foi apresentado ou justificado. De acordo com o § 2º, inciso II, do art. 44 da Lei 9.430/96 (transcreve), as multas de 75% ou de 150% serão aumentadas de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 (transcreve) a 13 da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, razão pela qual a multa foi agravada; 16 – RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS – o Art. 124, I, do CTN (transcreve), determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso das pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico, empresas estas responsáveis, cada qual, pelo desempenho de funções relevantes na organização, as quais foram minuciosamente demonstradas, restaram comprovados os seus interesses comuns. Nesse diapasão, encontramse também as cinco multinacionais que obtiveram grandes ganhos econômicofinanceiros às custas da prática de abuso de poder econômico, seja atuando em prejuízo de seus concorrentes, seja majorando os seus lucros por intermédio de sonegação fiscal ao longo da cadeia produtiva. No mesmo sentido, solidarizamse os maiores atacadistas (clientes do grupo econômico) que, conforme demonstrado, adquiriram, por encomenda, mercadorias das empresas do grupo econômico de Ali Charif, por valores abaixo dos de custo, sabendo tratarse de produtos Fl. 11444DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.444 28 genuínos de grandes indústrias multinacionais. Tais produtos somente teriam a possibilidade de serem comercializados aos preços praticados em razão de sonegação fiscal. Com base nos fatos constatados, concluise que são responsáveis solidários pelos créditos tributários lançados (art. 124, I, do CTN), em razão do interesse comum que têm nos fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, as empresas abaixo qualificadas: MULTIMARCAS COMÉRCIO E ATACADO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS LTDA. – ME, CNPJ nº 08.965.847/0001 12, estabelecida na Estrada do Alvarenga, nº 1398, Bairro Mar Paulista, São Paulo/SP, CEP 04.462000; MEGA COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS EIRELI – ME, CNPJ nº17.837.869/000198, estabelecida na Rua do Capão Bonito, nº 1.758, Bairro das Pimentas, Guarulhos/SP, CEP 07.263010; LAVIGA COMÉRCIO ATACADISTA EIRELI, CNPJ nº 09.109.322/000148, estabelecida na Rodovia BR101 Norte Contorno, Rod. BR 262, s/nº, km 08, box 02, s/nº, Bairro Guaritas, Viana/ES, CEP 29135000; NEWRED DISTRIBUIDORA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ nº 02.408.091/000124, Avenida João Mendes, nº 772, Galpão A, Bairro Santa Mônica, Vila Velha/ES, CEP 29105200; FITE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA. – ME, CNPJ nº 10.602.229/000150, estabelecida na Rua Barão de Jundiaí, nº 149, sala 09, Bairro Lapa, São Paulo/SP, CEP nº 05.073010; 707 AUTOSERVIÇO DE ALIMENTOS, CNPJ nº 12.539.517/000132, estabelecida na Av. Robert Kennedy, nº 707, Bairro Socorro, São Paulo/SP, CEP 04.768000; IPANEMA SUL COMÉRCIO DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, CNPJ nº 12.770.701/000199, estabelecida na Rua Doutor Luís Arrobas Martins, nº 730, Vila Friburgo, São Paulo/SP, CEP 04.781001; PROCTER & GAMBLE INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA., CNPJ nº 01.358.874/000188, estabelecida na Professor Zeferino Vaz, nº 737, galpão A, Bairro Vila Arapuã, São Paulo/SP, CEP 04258000; DIAGEO BRASIL LTDA., CNPJ nº 62.166.848/000142, estabelecida na Rua Olimpíadas, nº 205, 14º andar, conj. 141, Bairro Vila Olímpia, São Paulo/SP, CEP 04551000; NESTLÉ BRASIL LTDA., CNPJ nº 60.409.075/000152, estabelecida na Av. Doutor Chucri Zaidan, nº 246, Bairro Vila Cordeiro, São Paulo/SP,CEP 04583110; Fl. 11445DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.445 29 BACARDI MARTINI DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ nº 59.104.737/000105, estabelecido na Rua MARTINI, nº 292, BAIRRO Rudge Ramos, São Bernardo do Campo/SP, CEP 09623030; MONDELEZ BRASIL LTDA., CNPJ nº 33.033.028/000184, estabelecida na Av. Presidente Kennedy, nº 2.511, Bairro Água Verde, Curitiba/PR, CEP 80610010; ROLDÃO AUTO SERVIÇO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ nº 05.800.256/000105, estabelecida na Av. Corifeu de Azevedo Marques, nº 3.672, Bairro Butantã, São Paulo/SP, CEP 05.340000; DIPALMA COMÉRCIO DISTR. E LOG. DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., CNPJ nº 07.721.579/000120, estabelecida na Rua Tabapuã, nº 841, 6º andar, sala 607, Bairro Itaim Bibi, São Paulo/SP, CEP 04.533013; BARCELONA COMÉRCIO VAREJISTA E ATACADISTA S/A, CNPJ nº 07.170.943/000101, incorporada por SENDAS DISTRIBUIDORA S/A, CNPJ nº 06.057.223/000171, estabelecida na Rua João Antonio Sendas, nº 286, Bairro José Bonifácio, São João de Meriti/RJ, CEP 25565330; – por outro lado, tendo sido lançada a multa qualificada, em função da caracterização de sonegação e fraude, na tentativa do contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas em sua atividade operacional, sem prejuízo das consequências atinentes à esfera penal, impõe se a responsabilização dos sócios ou terceiros nãosócios com poderes de gestão à época dos fatos geradores, em conformidade com o disposto no art. 135, III, do CTN (transcreve). Resta, pois, a esta fiscalização responsabilizar pessoalmente os sócios administradores das empresas acima mencionadas, em razão dos atos praticados, conforme o dispositivo acima mencionado. Nesta seara, o art. 135, III, do CTN tem plena aplicabilidade, ao determinar a responsabilização de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, em razão de créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Seguem abaixo as respectivas qualificações dos administradores: ALI CHARIF SALEH, CPF nº 608.822.98887, sócio administrador das empresas SUPER MIX COMÉRCIO DE PRODUTOS DE PERFUMARIA LTDA., CNPJ nº 02.696.867/000159, e LAVIGA COMÉRCIO ATACADISTA EIRELI, CNPJ nº 09.109.322/000148, residente na Av. Mahatma Gandhi, nº 222, Bairro Interlagos, São Paulo/SP, CEP 04.789000; KARIN PHILIPP, CPF nº 757.901.57815, sóciaadministradora “de direito” da empresa 707 AUTOSERVIÇO DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ nº 12.539.517/000132, residente na Rua Biazzo Fl. 11446DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.446 30 Savino, nº 96, conj. 1, Bairro Capela do Socorro, São Paulo, CEP 04.782110; ALLAN SANCHEZ SALEH, CPF nº 248.540.60816, sócio administrador “de fato” da empresa 707 AUTOSERVIÇO DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ nº 12.539.517/000132, residente na Rua Biazzo Savino, nº 96, conj. 1, Bairro Capela do Socorro, São Paulo, CEP 04.782110; NASSIF MOURAD, CPF nº 034.873.81966, sócio administrador da empresa MULTIMARCAS COMÉRCIO E ATACADO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS LTDA. ME, CNPJ nº 08.965.847/000112, residente na Rua Coronel Antonio Inojosa, nº 31, ap. 3, Bairro Jardim Pedreira, São Paulo/SP, CEP 04.462000; JAMAL KALED OMRAM, CPF nº 164.110.10838, sócio administrador da empresa MULTIMARCAS COMÉRCIO E ATACADO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS LTDA. ME, CNPJ nº 08.965.847/000112, residente na Rua Coronel Antonio Inojosa, nº 31, ap. 3, Bairro Jardim Pedreira, São Paulo/SP, CEP 04.462000 (mesmo endereço de NASSIF MOURAD); ELIEDABES COSTA PEREIRA, CPF nº 039.669.52564, sócio administrador da empresa MEGA COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS EIRELI, CNPJ nº 17.837.869/000198, residente na Rua Carlos Pedro Firmo, nº 232, Taboão, Guarulhos/SP, CEP 07142410; SAID IBRAHIM MANSUR, CPF nº 105.982.64965, sócio administrador da empresa MEGA COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS EIRELI, CNPJ nº 17.837.869/000198, residente na Rua Internacional, nº 450, Jd das Nações, São Paulo/SP, CEP 09921300; ANUAR KHALED SALEH, CPF nº 322.147.36808, sócio administrador da empresa IPANEMA SUL COMÉRCIO DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, CNPJ nº 12.770.701/000199, residente na Rua Coronel Antonio Inojosa, nº 31, ap. 4, Bairro Jardim Pedreira, São Paulo/SP, CEP 04.462000; RICARDO LÚCIO CORTELETTI, CPF nº 024.501.71789, sócioadministrador da NEWRED DISTRIBUIDORA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ nº 02.408.091/000124, residente na Av. Gil Veloso, nº 3.580, ap. 601, Bairro Itapoã, Vila Velha/ES, CEP 29101080; SANDRA DA PENHA CORTELETTI, CPF nº 046.119.02730, sóciaadministradora da NEWRED DISTRIBUIDORA IMPORTACAO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ nº 02.408.091/000124, residente na Av. Gil Veloso, nº 3.580, ap. 801, Bairro Itapoã, Vila Velha/ES, CEP 29101080; Fl. 11447DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.447 31 – pelo exposto, lavrase Termo de Sujeição Passiva Solidária, cuja ciência e cópia serão encaminhadas aos qualificados, juntamente com cópia do Auto de Infração e do presente Termo. 17 – ENCERRAMENTO – encerrase nesta data a ação fiscal, determinada por meio do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.00 2014025379, tendo sido apuradas irregularidades que resultaram na lavratura do Auto de Infração – IRPJ e seus reflexos, formalizado no PAF nº 10882.723438/201619, referente à omissão de rendimentos. Na esteira das verificações empreendidas foram constatadas as infrações detalhadas no Termo de Verificação Fiscal, culminando na apuração do crédito tributário a seguir especificado: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ: R$ 85.299.797,06 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL: R$ 38.504.289,28 CONTRIBUIÇÃO P/FINANCIAMENTO DA SEG. SOCIAL – COFINS: R$ 107.166.107,38 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP – PIS: R$ 23.219.322,49 – Diante da identificação de situações que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária e econômica, capitulados no artigo 1°, incisos I e II, art. 2º, I, e art. 4º, inciso I, da Lei n° 8.137/90, e em cumprimento ao que estabelece a Portaria RFB n° 2.439, de 21/12/2010, foi providenciada à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, em processo próprio, a ser encaminhada ao Ministério Público Federal. Às fls. 1.028 a 1.085, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: I – DOS FATOS foram lavrados Autos de Infração e realizados lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, acrescidos de multa qualificada e agravada no percentual de 225% e juros, fundados em suposta omissão de receitas apurada pelas notas fiscais de venda e, ainda, através de depósitos bancários de origem não comprovada. Para a apuração dos valores lançados, o Fisco procedeu ao arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999. Todavia, como se verá adiante, o Fisco não faz jus ao crédito tributário pretendido, devendo ser julgados improcedentes os lançamentos, pelas razões de direito a seguir aduzidas 2 – DO DIREITO II.1. Da inexistência do “grupo econômico” arbitrariamente presumido pelo Fisco Federal Fl. 11448DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.448 32 sustenta o Fisco que o sócio administrador da Impugnante, Sr. Ali Charif Saleh, seria o mentor de um grupo econômico fraudulento, formado por inúmeras pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de obter expressivos ganhos financeiros às custas da sonegação plena e contumaz. Aduz ainda não pairar dúvida do vínculo maléfico entre a “Super Mix” e as demais empresas integrantes do grupo econômico de Ali Charif, mas não faz prova dessas irresponsáveis afirmações, sendo inexistente o imaginário “grupo econômico fraudulento”. A tentativa de atribuir débitos tributários a terceiros sob o argumento de pertencerem ao mesmo grupo econômico do contribuinte parece fazer parte da política de arrecadação da Administração Tributária e dos órgãos de representação judicial da Fazenda Pública, especialmente estimulados com arbitrário procedimento semelhante ao utilizado na Justiça do Trabalho. Sobre o assunto, transcreve trecho de artigo de Maria Rita Ferragut; o artigo 265 da Lei nº 6.604/76 prevê a figura do grupo econômico convencional, que deve ser constituído pela manifestação formal de vontade de seus integrantes, com a intenção de unir esforços para o bem comum das sociedades envolvidas. São também considerados grupos econômicos aqueles nos quais o arranjo de sociedades apresenta preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, sendo o controle decisório elemento essencial para tal caracterização. Daí se conclui que a tentativa de considerar sociedades distintas como integrantes de um grupo econômico deve ser precedida de uma minuciosa análise, o que não ocorreu no caso em questão. Compulsando o TVF, vêse que o Fisco sustenta fazerem parte de um mesmo grupo econômico as seguintes pessoas jurídicas, além da ora Impugnante: “Laviga”, – CNPJ 09.109.322/000148; “Multimarcas” – CNPJ 08.965.847/000112; “Fite” – CNPJ 10.602.229/000150; “Ipanema” – CNPJ 12.770.701/000199; “Mega” – CNPJ 17.837.869/000198; “707 AutoServiço” – CNPJ 12.539.517/000132. Passase, portanto, a analisar as alegações do Fisco pela existência de um grupo econômico, relativamente a cada uma das empresas acima listadas; diz o Fisco que a participação da “Laviga” estaria comprovada pelos seguintes fatos: (i) coincidência de sócio administrador, o Sr. Ali Charif Saleh; e (ii) a “Laviga” teria sido uma das fornecedoras da Impugnante no período fiscalizado. Observase que o vínculo existente entre a Impugnante e a “Laviga” decorre, na verdade, apenas da identidade do mesmo sócioadministrador, o que, por si só, não caracteriza a existência de interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos devidos por quaisquer delas. O fato de duas empresas estabelecerem entre si relações e acordos comerciais não autoriza o reconhecimento de grupo econômico e tampouco serve como indício da existência de interesse jurídico comum; visando convencer da participação da “Multimarcas” no suposto “grupo econômico” do qual também participaria a Fl. 11449DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.449 33 Impugnante, o Fisco alega: (i) a empresa tem como hábito entregar à RFB as suas declarações “zeradas” e sem recolhimento de tributos; (ii) o seu endereço seria o mesmo de uma terceira empresa, a “Supermix Atacadista” – CNPJ 03.016.122/00164; (iii) a empresa “Laviga”, nos anos de 2011 e 2012 seria uma das fornecedoras da “Multimarcas”, a qual, por sua vez, fornecia mercadorias à Impugnante. Ora, nenhuma dessas alegações é apta para sustentar a existência de um grupo econômico com a participação da “Multimarcas” e da ora Impugnante. Consoante já discorrido acima, seria indispensável a prova consistente da existência de uma unidade diretiva comum, com o controle de uma empresa pela outra e, ainda, a comprovada confusão patrimonial entre as empresas, o que não foi sequer mencionado pelo Fisco. O CARF é firme ao se posicionar pela necessidade da comprovação da existência dos requisitos necessários para que seja configurado o grupo econômico (transcreve ementa de acórdão); sustenta o Fisco que a participação da “Fite” no mesmo “grupo econômico” estaria comprovada pelos fatos: (i) coincidência de sócioadministrador, qual seja, o Sr. Ali Charif Saleh; (ii) a ora Impugnante teria sido uma das maiores fornecedoras da “Fite” no período fiscalizado; (iii) a “Multimarcas” também seria uma importante fornecedora da “Fite” no mesmo período. A simples circunstância das empresas terem um sócio em comum não constitui prova e nem mesmo indício de que integrem o mesmo grupo econômico, conforme já decidiu os nossos tribunais (transcreve trecho de Agravo de Petição do TRT2); em relação à “Ipanema”, o Fisco alega que: (i) ela não teria entregue à RFB as suas DIPJ e nem recolhido os tributos devidos; (ii) o seu endereço atual teria sido utilizado, no passado, por outra empresa, qual seja, a “Supermix Atacadista”; (iii) a “Multimarcas” seria uma das fornecedoras da “Ipanema”; (iv) a “Ipanema” teria realizado vendas para a Impugnante, que teria feito transferências para a conta bancária daquela, com a intenção de “retirar recursos financeiros do esquema”. Destaquese que o fato da “Ipanema” não cumprir as suas obrigações tributárias, como alega o Fisco, configura apenas a prática de infrações fiscais pela referida empresa, tratandose de alegação imprestável sequer como indício para a caracterizar um grupo econômico. As demais alegações se referem a relações estritamente comerciais entre esta empresa e suas fornecedoras e clientes, bem como faz alusão a transferências bancárias realizadas como pagamento de tais operações comerciais; no que se refere à” “Mega”, diz o Fisco: (i) a empresa foi constituída aos 28/03/2013 tendo como sócio o Sr. Eliedabes Costa Pereira, depois substituído pelo Sr. Said Ibrahim Mansur; (ii) a “Laviga”, em 2013, teria sido uma das fornecedoras da “Mega”, a qual, por sua vez, fornecia mercadorias à Impugnante; (iii) a empresa não teria entregue à RFB as suas DIPJ e DCTF e não teria recolhido os tributos devidos. Fl. 11450DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.450 34 Primeiramente, é de se esclarecer a inexistência de vínculo entre as pessoas que já integraram o quadro societário da “Mega” com a ora Impugnante e também com o seu sócioadministrador, Sr. Ali Charif Saleh. Em segundo, as relações comerciais entre pessoas jurídicas não têm o condão de caracterizar a existência de um grupo econômico. Por fim, o eventual descumprimento de obrigações tributárias pela “Mega” não guarda relação com a Impugnante e, tampouco, com os fatos alegados, revelandose uma afirmação descontextualizada do que pretende o Fisco demonstrar; de acordo com o TVF, a participação da “707 AutoServiço” no grupo econômico estaria comprovada pelos fatos: (i) a ora Impugnante seria sua principal fornecedora; (ii) o valor que a “707 AutoServiço” teria pago à Impugnante, através de instituições bancárias, teria sido inferior ao volume das compras realizadas; (iii) a sócia da “707 AutoServiço” é a Sra. Karin Philipp, tia de Mariane Philipp Saleh, que, por sua vez, é casada com Allan Sanchez Saleh, filho de Ali Charif Saleh; (iv) Allan Sanchez Saleh seria sócio de fato da “707 AutoServiço”. O Fisco pretende, arbitrariamente e no afã arrecadatório, caracterizar como “grupo econômico” empresas autônomas e distintas que possuem entre si apenas relações comerciais, sendo fornecedoras e clientes umas das outras. E também está a utilizar um suposto vínculo de parentesco para convencer da participação da “707 AutoServiço” neste fantasioso grupo econômico, juntamente com a ora Impugnante. Ao contrário da pretensão fiscal, transcreve trecho do acórdão do TRF da 3ª Região (transcreve); II.2. Vícios nos lançamentos de ofício lavrados com base em meras e equivocadas presunções. Notória arbitrariedade fiscal. Nulidade das autuações fiscais. sustenta o Fisco que a ora Impugnante faria parte de um “grupo econômico fraudulento”, cujo mentor seria o Sr. Ali Charif Saleh, visando permitir às empresas integrantes do grupo vender seus produtos aos grandes atacadistas a preços inferiores aos praticados pelas fabricantes multinacionais, que estariam localizadas “no topo da cadeia”. Através deste “esquema”, a Impugnante compraria mercadorias de outras participantes do “grupo econômico”, com destaque nas notas fiscais dos impostos devidos, e as revenderia para os grandes atacadistas, sem recolher os tributos devidos. Diz ainda o Fisco que as compras feitas pelas fornecedoras da Impugnante, tal como a “Laviga”, sequer chegavam ao estabelecimento físico desta, já que as mercadorias seguiam direto das fabricantes multinacionais para o estabelecimento da Impugnante; vejase, contudo, as operações comerciais realizadas entre a Impugnante e a “Laviga”, nos anoscalendário 2011, 2012 e 2013: No TVF, o Fisco afirma que a “Laviga” seria uma das principais fornecedoras da Impugnante no período autuado, sendo que as NFe de vendas emitidas pela “Laviga”, neste período, correspondem a um total de R$130.666.583,70. Alega o Fl. 11451DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.451 35 Fisco que, em virtude das aquisições realizadas, estaria comprovado o pagamento pela Impugnante à “Laviga” do total de R$63.135.336,06. Ora, ao admitir tal comprovação, o Fisco reconhece a efetividade – no mínimo parcial – das operações comerciais realizadas entre as referidas empresas, caindo por terra a alegação de que tais transações não teriam ocorrido de fato. Ademais, em 10/07/2011, a Impugnante e a “Laviga” celebraram um “Contrato de Conta Corrente e Gestão de Caixa Único”, com cópia em anexo, pelo qual se obrigaram: a) a abrir conta corrente entre si, para registrarem seus débitos e créditos recíprocos; b) a, durante a vigência do contrato, não exercerem qualquer direito ao reconhecimento dos valores que lhes foram creditados em conta corrente, sendo vedado exigir pagamentos nas datas de vencimento de créditos transferidos para a respectiva conta corrente, como também cobrar o saldo dessa conta que lhes for favorável anteriormente ao término do contrato; c) à constituição de um Caixa único a ser mantido pela Impugnante, que seria identificado pelo saldo líquido das contas correntes mantidas entre as duas empresas; d) manterem os recursos financeiros que compõem o caixa único em poder da Impugnante, a qual deve prestar contas à “Laviga” sempre que solicitada; o referido contrato objetivou unir forças e poder de negociação de ambas as empresas, melhorar o fluxo de caixa e demais obrigações de cada uma delas, visando a uma otimização de gestão financeira. Como a Impugnante era uma empresa com mais tradição e solidez no mercado em que atuam, restou acordado que ela assumiria a gestão do caixa único. Sendo a “Laviga” uma importante fornecedora da Impugnante e em razão do citado contrato, convencionouse que várias das operações de aquisição realizadas pela “Laviga” junto aos seus fornecedores seriam pagas através do caixa único, sendo certo que tais pagamentos sempre foram levados a débito no conta corrente da “Laviga”, impactando negativamente o seu saldo. Por outro lado, as constantes vendas feitas pela “Laviga” para a ora Impugnante compensam esta negativação no saldo. Da mesma forma que ocorre com a “Laviga”, ao usar o caixa único para pagar as aquisições, a Impugnante gera crédito para a “Laviga”, a débito no seu próprio saldo de conta corrente. A diferença indicada no TVF entre o valor total das NFe de venda emitidas pela “Laviga” para a Impugnante (R$130.666.583,70) e a soma dos valores pagos à “Laviga” diretamente através das contas bancárias da Impugnante (R$63.135.336,06) foi quitada através das compensações dos débitos e créditos destas empresas, autorizadas pelo contrato celebrado entre as partes. Assim, é de se afastar a presunção defendida pelo Fisco. Visando não deixar dúvidas, segue em anexo, por amostragem e de forma exemplificativa, inúmeros Conhecimentos de Transporte que comprovam a efetiva e real circulação física das mercadorias adquiridas da empresa “Laviga” pela Impugnante; o Fisco sustenta mais uma suposta forma de atuação do “grupo econômico”, envolvendo a Impugnante e a empresa “707 Auto Serviço”, da qual a Impugnante seria a principal fornecedora, Fl. 11452DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.452 36 constatando, através dos extratos bancários da Impugnante, que nem todas as aquisições de mercadorias teriam sido pagas pela “707 AutoServiço”, cuja atividade principal seria a venda no varejo, concluindo que “grande parte dessas transações não ocorreu de fato”. Daí, fantasia o Fisco que a “707 Auto Serviço” integraria o “grupo econômico fraudulento”, com a missão da “venda a varejo das mercadorias recebidas de outras empresas do conglomerado”. Todavia, quanto às operações realizadas entre a Impugnante e sua cliente “707 AutoServiço”, razão não assiste ao Fisco, já que o verdadeiro vínculo existente entre as duas é a sua estreita relação comercial, através da qual uma adquire da outra mercadorias, para posterior revenda no mercado. Ao contrário do que alega o Fisco, a “707 Auto Serviço” sempre efetua o pagamento das compras à Impugnante através das instituições financeiras ou em espécie, sendo certo que as mercadorias saem, inclusive fisicamente, do estabelecimento da Impugnante com destino ao estabelecimento da “707 AutoServiço”; para comprovar a efetividade das operações, seguem em anexo, por amostragem, documentos que comprovam as vendas da Impugnante para a sua cliente “707 AutoServiço”, tais como a NFe de venda, o respectivo Conhecimento de Transporte, o boleto bancário referente à cobrança do valor devido e o extrato bancário da Impugnante que comprova o efetivo pagamento. Esclareçase que, não raro, as empresas comerciais possuem vários boletos de cobrança com vencimento na mesma data e, mormente quando a empresa se utiliza de contas bancárias, no extrato bancário consta o valor total dos boletos pagos em determinada data, que pode corresponder ao somatório do pagamento de várias notas fiscais. A Impugnante já requereu às instituições financeiras as comprovações detalhadas de cada boleto e cobrança, razão pela qual requer a concessão de prazo para juntar as respectivas respostas das instituições financeiras e para apresentar a vasta documentação que comprova todas as operações comerciais realizadas entre a Impugnante e a “707 AutoServiço”; quanto às demais empresas supostamente integrantes do “grupo econômico fraudulento”, percebese, in casu, a fragilidade do trabalho fiscal. O Fisco menciona uma fantasiosa participação das “grandes indústrias”, que teriam logrado “resultados financeiros expressivos”, mas não demonstra uma só ação por parte de qualquer delas (“Nestlé Brasil”, “Procter & Gamble”, “Diageo”, “Mondelez” e “Bacardi”) que fosse ilegal, irregular, fraudulenta ou ilícita. Apenas elabora uma “tese” de que as grandes indústrias, na qualidade de fabricantes das mercadorias, devem ter se beneficiado por questões estritamente mercadológicas e concorrenciais. É nítido que a arbitrária imputação de corresponsabilidade tributária solidária tem exclusivo interesse arrecadatório. Em relação aos “grandes atacadistas”, o Fisco, em momento algum, deixa de reconhecer a efetividade das operações comerciais realizadas entre a Impugnante e tais empresas. A alegação fiscal se restringe à indagação dos motivos pelos quais essas empresas teriam Fl. 11453DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.453 37 preferido comprar da Impugnante e não diretamente das “grandes indústrias”, em ofensa ao princípio do livre exercício da atividade econômica. reproduz trecho do item “6 – DA CONCLUSÃO” do TVF e diz que nada de concreto existe no trabalho fiscal que comprove os inverídicos fatos ali sustentados. O ordenamento jurídico brasileiro repudia o lançamento baseado em meras presunções (transcreve o art. 9º do Decreto nº 70.235/72). Sobre a desconsideração de negócios jurídicos, transcreve trecho de julgado do TRF da 3ª região, e colaciona também acórdão do CARF sobre a aplicação do princípio da tipicidade, nos casos de superficialidade da investigação fiscal; II.3. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AFASTADA A PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RECEITA. INSUBSISTÊNCIA DOS LANÇAMENTOS QUE TOMARAM COMO BASE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS REALIZADOS NAS CONTAS BANCÁRIAS DA IMPUGNANTE. PRECEDENTES DO CARF. os lançamentos foram lavrados sob a acusação de “omissão de receitas por presunção legal”, apurada pelas notas fiscais de venda e pelos supostos depósitos bancários de origem não comprovada. Após ser intimada para comprovar a origem desses recursos nos anos de 2011, 2012 e 2013, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 0012015, a Impugnante protocolou resposta, de fls. 623 e seguintes, apresentando: (1) demonstrativos comprobatórios da origem dos recursos em 2011, 2012 e 2013; (2) demonstrativos comprobatórios da natureza das operações que motivaram as saídas de recursos de suas contas bancárias, nos anos de 2011, 2012 e 2013. Destarte, isso foi ignorado pelo Fisco, que achou por bem, com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, autuar a Impugnante, invertendo o ônus da prova para o contribuinte. Portanto, uma vez comprovada a origem dos depósitos, descabe a tributação com fundamento no referido dispositivo legal. Este é o entendimento do CARF (transcreve ementas de acórdãos e fragmento de um voto). II.4. DESCONSTITUIÇÃO DOS LANÇAMENTOS POR VÍCIO INSANÁVEL NO PROCEDIMENTO FISCAL. ERRO PROCEDIMENTAL NA APURAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. DEPÓSITOS E TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS BANCÁRIAS DE MESMA TITULARIDADE NÃO CONFIGURAM RECEITAS OMITIDAS. BITRIBUTAÇÃO. como exposto no tópico anterior, a Impugnante comprovou a origem dos recursos que deram entrada em contas de depósito ou investimento mantidas junto às instituições financeiras. Comprovou também que vários ingressos de valores se referiam à meras transferências entre contas de titularidade da própria Impugnante, o que foi, todavia, ignorado pelo Fisco. Embora o Fisco sustente, no TVF, que teria expurgado os valores correspondentes aos cheques devolvidos, aos lançamentos de Fl. 11454DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.454 38 estorno e redução de saldo devedor e às transferências entre contas de mesma titularidade, não é isso que se verifica na prática, analisando detidamente o trabalho fiscal. Ao contrário, verificase que o Fisco classificou como “receita” da Impugnante – presumidamente omitida – valores que se referem a contratos de empréstimos para capital de giro, bem como, e especialmente, transferências e depósitos realizados entre contas bancárias de sua titularidade, os quais, obviamente, não podem ser considerados como faturamento e receita da pessoa jurídica. o CARF já firmou o entendimento de que as transferências bancárias que não caracterizam efetivo ingresso de receita não configuram omissão de receitas (transcreve ementa de acórdão). Tratar a soma algébrica dos depósitos e transferências bancárias como receita omitida macula o lançamento de ofício e fere o Princípio da Verdade Material. Mesmo havendo a possibilidade de a Administração arbitrar o valor do tributo, não se pode confundir arbitramento com arbitrariedade. Demonstrado o erro na apuração da receita omitida por presunção legal, que distorce a base de cálculo dos tributos exigidos, eivando de vício insanável todo o procedimento fiscal e, portanto, tornandoo nulo de pleno direito, imperioso seja julgada procedente a impugnação e desconstituídos os lançamentos; II.5. EQUÍVOCOS E INCONGRUÊNCIAS DO LANÇAMENTO FISCAL. VENDAS CANCELADAS. DEVOLUÇÕES. DESCONTOS INCONDICIONAIS – BONIFICAÇÕES. ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E EXCESSO DE EXAÇÃO. NULIDADE. de acordo com o TVF, e com o objetivo de apurar a receita bruta da Impugnante, de 2011 a 2013, o Fisco relacionou todas as NFe relativas às operações de venda, considerando como receita bruta o somatório dessas notas e, complementarmente, os depósitos bancários de origens não comprovadas. Todavia, o Fisco não deduziu da base de cálculo dos tributos as vendas canceladas, devoluções e descontos concedidos incondicionalmente. Sobre estes últimos, cabe mencionar as várias operações de bonificações que arbitrariamente foram incluídas nas bases de cálculo dos lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A bonificação é uma figura do Direito Comercial utilizada como forma de incentivar as vendas. Tratase de desconto comercial dado dentro do documento fiscal (desconto incondicional) e consiste em vantagem concedida a quem compra, mediante a entrega de uma quantidade maior do produto ao invés da redução do valor da venda. Os descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior. Sobre o tema, transcreve o art. 3º da IN RFB nº 1.515/2014 e ementas da Solução de Consulta Cosit nº 212, de 05/08/2015 e da Solução de Consulta 157, de 15/07/2011 – 8ª RF; Fl. 11455DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.455 39 tais equívocos incorridos pelo Fisco trazem implícito o vício da iliquidez do crédito tributário, diante da impossibilidade de a Autoridade Julgadora retificar o lançamento, sem afrontar o artigo 142 do CTN (transcreve), que estabelece que a competência para efetuar o lançamento é privativa da Autoridade Fiscal, impedindo assim que se altere o quantum devido, mormente quando o expurgo das parcelas indevidas não se resume a mero cálculo aritmético. O que se verifica comumente é que alguns órgãos administrativos, no afã de corrigir erros contidos em lançamentos imperfeitos ou inadequados, promovem um verdadeiro novo lançamento, para o quê não têm competência. Transcreve trecho de voto dado pelo então Conselho de Contribuintes, no sentido de que “descabe o aperfeiçoamento do auto de infração após a impugnação da exigência pelo sujeito passivo, sendo nulo o auto complementar assim lavrado”. Há que se reconhecer a iliquidez do crédito tributário e a consequente nulidade dos lançamentos, em razão de suas inconsistências e equívocos, por fugir à competência deste respeitável órgão julgador a sua retificação; II.6. LANÇAMENTOS DE PIS E COFINS QUE DESCONSIDERAM A EXISTÊNCIA DE MERCADORIAS SUJEITAS À RETENÇÃO MONOFÁSICA. BIS IN IDEM. com a criação do regime de retenção monofásica do PIS e da Cofins, alguns produtos passaram a ter a sua tributação concentrada na saída do estabelecimento industrial ou importador, desonerandose a comercialização e a distribuição, que ficam sujeitas à incidência dessas contribuições à alíquota zero. O objeto social da Impugnante é o comércio atacadista de diversos produtos, incluindo bebidas como cerveja, refrigerante, bebidas lácteas, energéticos, sucos, refrescos em pó (insere tabela com a classificação fiscal desses produtos). Grande parte das mercadorias comercializadas pela Impugnante se sujeitava à retenção monofásica do PIS e da Cofins, enquanto os respectivos Autos de Infração exigem valores sobre operações tributadas à alíquota zero, em afronta ao princípio da legalidade. Transcreve os arts. 58A e 58V da Lei nº 10.833/2003, cujos arts. 58A a 58T foram introduzidos pela Lei nº 11.727/2008, alterada pela MP nº 436/2008 – vigentes nos anoscalendário 2011 a 2013 –, sujeitando as operações com bebidas frias (cerveja, refrigerantes, refrescos, isotônicos e energéticos) à retenção monofásica do PIS e da Cofins. Reproduz ementas de julgados da DRJ/BH e do CARF sobre casos semelhantes e conclui pedindo o cancelamento dos lançamentos de PIS e Cofins ou, no mínimo, o expurgo dessas parcelas do crédito tributário; II.7. INAPLICABILIDADE DA MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. LANÇAMENTOS COM BASE EM PRESUNÇÃO FISCAL. os Autos de Infração foram lavrados a partir da presunção fiscal de omissão de receitas da atividade, apuradas tanto pelas notas fiscais de venda como através de depósitos bancários de origem não comprovada, ou seja, com base em prova indireta, Fl. 11456DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.456 40 como prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, e que, por ser uma presunção, não pode sustentar legalmente a aplicação da multa qualificada. A imposição da multa qualificada depende de procedimento fiscal que identifique e comprove a ocorrência do dolo, fraude ou simulação, não se sustentando no caso de lançamento fundamentado em presunção relativa. Neste sentido, já decidiu o CARF (transcreve ementa). Sobre o ônus da prova, quando de alegação fiscal de dolo, fraude ou simulação, reproduz ensinamento de Paulo de Barros Carvalho e diz que tal imputação de multa por infração qualificada exige que o dolo, fraude ou simulação estejam provados, de maneira inequívoca, pelo Fisco, sendo incabível a utilização de presunções, índices e ficções. Portanto, demonstrada a inaplicabilidade da multa qualificada, imperioso o seu afastamento, mantendose a multa de ofício no percentual de 75%; II.8. DESCABIMENTO DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO PELA SUPOSTA NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. OMISSÃO DO CONTRIBUINTE QUE TEM COMO CONSEQUÊNCIA LEGAL O ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO NA LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. VEDAÇÃO AO BIS IN IDEM. sob o fundamento de que a Impugnante estaria “protelando a entrega de livros e documentos”, o Fisco agravou a multa de ofício, na forma do artigo 44, 2º, II, da Lei nº 9.430/96: Ocorre que a ausência de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais tem como consequência jurídica o arbitramento do lucro, por força do inciso III do artigo 530 do RIR199. Desse modo, com base no Princípio da Vedação ao Bis in Idem, é descabido o agravamento da multa de ofício quando o contribuinte não exibe à fiscalização livros e documentos e fiscais, motivando o arbitramento do lucro por parte do Fisco. A jurisprudência no âmbito do CARF (transcreve ementas) avaliza a tese esposada pelo Impugnante. Salientase que a falta de atendimento às intimações para apresentação de documentos não trouxe qualquer prejuízo à ação fiscal, que dispunha de elementos suficientes para concretizar a autuação – razão a mais para se desagravar a multa de oficio, sob pena de bis in idem; II.9. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA. PENALIDADE LIMITADA A 100% DO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. EFEITO VINCULANTE E EFICÁCIA ERGA OMNES DAS DECISÕES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. os Autos de Infração exigem multa de ofício qualificada e agravada, correspondente a 225% do valor dos tributos lançados, de modo que o acessório alcança valor muito superior ao principal, revelando seu caráter confiscatório, contrariando o art. 150, IV, da Constituição Federal. O STF, na sessão realizada em 25/11/2014, pacificou o entendimento de ser inconstitucional a penalidade pecuniária cujo valor exceda o do Fl. 11457DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.457 41 tributo devido, citando como precedentes a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 551/RJ e o Recurso Extraordinário (Rext) nº 582.461/SP. Em outro caso análogo, ventilado na ADI nº 1.075/DF, o STF reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo legal que cominava pena de 300% na hipótese de não emissão de nota fiscal. Ora, consoante o disposto no artigo 102, §2º, da Constituição Federal, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF nas ADI produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública Direta e Indireta. Desse modo, rechaçados os demais argumentos, deve ser, no mínimo, determinada a redução da multa tendo como limite máximo o valor do imposto pretendido; III – DOS PEDIDOS: ante o exposto, requer a total procedência da presente Impugnação, para que seja declarada a nulidade dos lançamentos. Sucessivamente, requer seja reconhecida a insubsistência dos lançamentos que tomaram como base os depósitos nas contas bancárias da Impugnante, uma vez que houve a efetiva comprovação de suas origens, o que foi desconsiderado pelo Fisco, que sequer expurgou das bases de cálculos dos tributos exigidos os valores que não correspondem a um efetivo ingresso de receita. Requer sejam deduzidos das bases de cálculo os valores referentes às vendas canceladas, devoluções, bonificações e demais descontos concedidos incondicionalmente. Requer também que sejam excluídas das bases de cálculo do PIS e da COFINS as receitas auferidas com a venda de mercadorias submetidas, nos anoscalendário 2011 a 2013, ao regime de retenção monofásica, tendo em vista que, nestas hipóteses, as operações praticadas pela Impugnante estavam sujeitas à alíquota zero. Requer ainda, caso mantidos os lançamentos, sejam afastados a qualificação e o agravamento da multa, ou, ao menos, seja reduzida a multa, tendo como limite máximo o valor do tributo pretendido, em observância ao efeito vinculante e eficácia erga omnes das decisões proferidas pelo STF. Por fim, requer a produção de prova pericial contábil, bem como o direito de apresentar provas documentais e técnicas em momento posterior, tal como lhe faculta o artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72, bem como em atenção ao princípio da verdade material. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 1.086 a 1.131. Das 15 (quinze) pessoas jurídicas apontadas nos Autos de Infração como responsáveis solidários, 10 (dez) apresentaram impugnação e acostaram documentação comprobatória, o mesmo acontecendo em relação a 6 (seis) das 10 (dez) pessoas físicas igualmente responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário lançado. Todas as pessoas físicas e jurídicas impugnantes solicitaram, exclusivamente, seu afastamento do rol Fl. 11458DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.458 42 de sujeitos passivos discriminados nos “Demonstrativos de Responsáveis Solidários”, às fls. 08 a 42. As pessoas jurídicas impugnantes foram as seguintes: 1) “Dipalma” (fls. 1.134 a 3.539); 2) “Roldão” (fls. 3.561 a 3.620); 3) “Nestlé Brasil” (fls. 3.625 a 4.010); 4) “Newred” (fls. 4.016 a 4.394); 5) “707 – AutoServiço” (fls. 4.399 a 8.488); 6) “Mondelez” (fls. 8.494 a 8.927); 7) “Ipanema” (fls. 8.931 a 8.947); 8) “Procter & Gamble” (fls. 8.952 a 9.429); 9) “Multimarcas” (9.495 a 9.523); e 10) “Sendas”, incorporadora da “Barcelona” (fls. 9.919 a 10.141). Impugnaram os lançamentos as seguintes pessoas físicas: 1) Ali Charif Saleh, sócioadministrador da “Super Mix” e da “Laviga” (fls. 3.543 a 3.557); 2) Anuar Khaled Saleh, sócio administrador da “Ipanema” (fls. 9.433 a 9.443); 3) Jamal Kaled Omram, sócioadministrador da “Multimarcas” (fls. 9.446 a 9.460); 4) Allan Sanchez Saleh, sócioadministrador “de fato” da “707 – AutoServiço” (fls. 9.463 a 9.492); 5) Karin Philipp, sócia administradora “de direito” da “707 – Auto Serviço” (fls. 9.533 a 9.555); e 6) Nassif Mourad, sócio administrador da “Multimarcas” (fls. 9.558 a 9.575). Processado o feito, a 2ª Turma da DRJ/SDR proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que os Autos de Infração foram lavrados por pessoa que detém a respectiva competência e em consonância com a legislação vigente. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio e as que não atendam aos requisitos previstos na legislação de regência. IMPUGNAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE. A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais, ressalvada a hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 11459DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.459 43 Anocalendário: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. INOCORRÊNCIA. Diante da presença de dolo, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito, ou seja, tanto para os tributos com fatos geradores trimestrais, ocorridos nos três primeiros trimestres de 2011, quanto para aqueles com fatos geradores mensais, ocorridos de janeiro a novembro de 2011, que poderiam ter sido lançados ainda em 2011, o prazo teve início em 01/01/2012 e se encerraria apenas em 31/12/2016, quando todos os sujeitos passivos já tinham sido cientificados dos lançamentos, assegurando, assim, que a decadência não se operou. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas, juridicamente independentes, mantendo direção e patrimônio próprios, sujeitamse a uma coordenação geral, de sentido econômico (não formal), visando a um objetivo comum, sendo que os grupos econômicos de fato não possuem estrutura organizacional, prescindem de critérios legais e podem ser definidos pelas relações jurídicas de interesses comuns, subordinação, aceitandose, quase sempre, presunções da sua existência. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE JURÍDICO COMUM. COMPROVAÇÃO. São solidariamente obrigadas ao pagamento do crédito tributário lançado contra o contribuinte as demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico ou ainda as que tenham participado das práticas ilícitas apuradas, desde que comprovado o interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, cabendo, entretanto, afastar a imputação de solidariedade nos casos de ausência de provas capazes de configurar o necessário interesse comum. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Comprovada a existência de atos praticados com infração de lei, é correto atribuir aos administradores, de direito ou de fato, tanto da empresa autuada como de outras do mesmo grupo econômico, que tenham atuado em conjunto na realização de tais práticas ilícitas, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado de ofício, durante o período em que detinham poder de gerência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 Fl. 11460DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.460 44 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. RECEITA BRUTA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso presente, e em sua maior parte, nas notas fiscais de vendas emitidas pelo próprio contribuinte, bem como em créditos bancários cuja origem não foi comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores depositados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica, quando regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. A omissão deliberada e sistemática das receitas auferidas, nas DIPJ e nos Dacon, bem como dos débitos apurados, nas respectivas DCTF, aliada à total falta de pagamento dos tributos, configura procedimento doloso, visando a impedir ou retardar que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador e demonstra o objetivo de sonegar tributos, sujeitando a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO. Descabe o agravamento da multa de ofício quando não perfeitamente caracterizada a recusa do sujeito passivo em atender às intimações, mormente quando esta falta de apresentação motivou o arbitramento do lucro da pessoa jurídica por parte da autoridade tributária e não resultou em efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento, ressaltandose que a Impugnante não logrou comprovar que teria auferido receitas provenientes da comercialização de algumas mercadorias sujeitas, em função do Fl. 11461DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.461 45 regime monofásico, à alíquota zero, o que determinaria a exclusão de tais receitas da base de cálculo do PIS e da Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Verificase que a Empresa Mega Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios Eireli não foi intimada do referido v. Acórdão. Em face de tal revés, i) a Contribuinte e os Sujeitos Passivos solidários ii) Newred Distribuidora Importação e Exportação Ltda.; iii) Ipanema Sul Comércio Distribuição e Logística de Produtos Alimentícios Ltda.; iv) Multimarcas Comércio e Atacado de Produtos Industrializados Ltda. – ME; v) Sr. Ali Charif Saleh; vi) Sr. Anuar Khaled Saleh; vii) Sr. Jamal Kaled Omram; viii) Sr. Nassif Mourad; ix) Sr. Karin Philipp e x) Allan Sanches Saleh, xi) Laviga Comércio Atacadista Eireli e xii) Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda.; interpuseram os Recursos Voluntários, ora sob análise, basicamente reiterando suas alegações de Manifestação de Inconformidade, apontando os motivos para a reforma do v. Acórdão e, em alguns desses, acostouse nova documentação probatória. Os Sujeitos Passivos Laviga Comércio Atacadista Eireli e Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda., em seus Apelos, apontam que, diferentemente da conclusão da DRJ a quo, foram, efetivamente, apresentadas as suas respectivas Impugnações. Às fls. 11267 a 11340 a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional oferta Contrarrazões a tais Recursos, pugnando pela sua total improcedência. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 11462DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.462 46 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Os Recursos Voluntários são manifestamente tempestivos e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Verificando a integralidade dos autos, bem como os termos preliminares dos Recursos Voluntários dos Sujeitos Passivos Laviga Comércio Atacadista Eireli e Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda., constatase ocorrência processual que merece apreciação antes de qualquer outra análise ou juízo, em face de sua prejudicialidade. Como consta do relatório, tais Sujeitos Passivos apontam em seus Apelos que, diferentemente do que afirmou e concluiu a DRJ a quo, teriam sido, efetivamente, apresentadas Impugnações contra os lançamentos de ofício. Nesse sentido, no v. Acórdão recorrido assim restou registrado: As pessoas jurídicas “Bacardi”, “Diageo”, “Fite”, “Laviga” e “Mega”, como também as pessoas físicas Said Ibrahim Mansur, Eliedabes Costa Pereira, Ricardo Lúcio Corteletti, e Sandra da Penha Corteletti não impugnaram a responsabilidade solidária que lhes foi atribuída. Entretanto, nos termos do artigo 7º, caput, da Portaria RFB nº 2.284, de 29/11/2010, “a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais”. Isso significa que a impugnação apresentada pela Contribuinte “Super Mix” foi bastante para suspender a exigibilidade do crédito tributário atribuído a todos os sujeitos passivos indicados no Auto de Infração (Contribuinte e Responsáveis), mesmo àqueles que não ingressaram com impugnação. (destacamos) E, por conseqüência, assim se decidiu: Fl. 11463DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.463 47 Observar ainda que foi mantida a responsabilidade tributária solidária em relação às pessoas jurídicas Laviga Comércio Atacadista Eireli, CNPJ nº 09.109.322/000148; Mega Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios Eireli – ME, CNPJ nº 17.837.869/000198; Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda. – ME, CNPJ nº 10.602.229/000150; Diageo Brasil Ltda., CNPJ nº 62.166.848/000142; e Bacardi Martini do Brasil Indústria e Comércio Ltda., CNPJ nº 59.104.737/000105; e em relação às pessoas físicas Said Ibrahim Mansur, CPF nº 105.982.649 65, e Eliedabes Costa Pereira, CPF nº 039.669.52564, ambos sóciosadministradores da empresa “Mega”; Ricardo Lúcio Corteletti, CPF nº 024.501.71789 e Sandra da Penha Corteletti, CPF nº 046.119.02730, ambos sócios administradores da empresa “Newred”, que não apresentaram impugnação (...) (destacamos) Contudo, analisando os autos, confirmando o alegado pelas referidas Partes, encontrase entre as fls. 9528 e 9531 arquivo, em formato pdf., com as razões de Impugnação apresentada pela Empresa Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda.. E, ao seu turno, entre as fls. 9603 e 9915, encontrase o arquivo, também em formato pdf., com as razões da Defesa oposta pela Empresa Laviga Comércio Atacadista Eireli. Ainda que estejam classificados pelo software do eprocesso como "arquivo não paginável", tal fato não se equipara à revelia ou mesmo a qualquer causa de inépcia. Tais peças são totalmente legíveis, sendo o formado pdf. padrão devidamente aceito no processo administrativo digital para as manifestações postulatórias das partes. Além disso, a maioria dos documentos que instruem tais peças estão normalmente acostados aos autos digitais, devidamente numerados, o que evidencia tratar os documentos que lhes precedem das correspondentes Impugnações dos Sujeitos Passivos. Não se está, aqui, diante de rejeição das Defesas, mas, claramente e sem margem para dúvidas, data maxima venia, de lapso da DRJ a quo na identificação da presença de tais Impugnações nos autos, levando à equivocada conclusão de que as Partes em questão não combateram as Autuações o que, ulteriormente, motivou sua manutenção no polo passivo das exações. Fl. 11464DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.464 48 É certo que deveriam ter sido analisadas tais peças. Tal falha, ainda que manifestamente involuntária, acabou por ocasionar a nulidade do v. Acórdão, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/721, na medida em que houve a supressão do direito de defesa e ao contraditório inaugural dessas Partes envolvidas. Ainda que o §3º do mesmo art. 59 excetue a declaração de nulidade quando a causa puder ser, integralmente, julgada em favor da pretensão do contribuinte prejudicado, sem adiantar qualquer juízo sobre a presente contenda, tendo em vista a ocorrência de total negativa de prestação jurisdicional pela DRJ a quo para tais Sujeitos Passivos, considerando também a garantia republicana ao duplo grau de jurisdição administrava, bem como a presença de múltiplas Partes arroladas como responsáveis solidários, sob fundamentos individuais, entendese como prudente a repetição do Ato Administrativo decisório, agora identificado como nulo garantindo, assim, para todos os fins, a derradeira validade do presente processo administrativo tributário. Frisese, também, que não poderia agora, esta 2ª Instância, fragmentar o julgamento da causa, passando a apreciar os Recursos Voluntários dos demais Sujeitos Passivos (ainda que o lapso causador de nulidade não guarde relação direta com suas defesas) e o Recurso de Ofício (também não afetado pelo ocorrido), sob pena de se criar profundo anacronismo processual, revestindose de vício tão severo quanto à nulidade já identificada. Muito menos, em absoluto conflito com as mencionadas garantias outorgadas aos contribuintes litigantes na esfera administrativa, poderseia proceder agora, diretamente, à análise do conteúdo meritório dos Recursos Voluntários das Empresas Laviga Comércio Atacadista Eireli e Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda., ainda que presente em suas razões. Por fim, registrese que a eventual procedência de alegação contida nas Impugnações não apreciadas (cuja a apreciação está fora da competência jurisdicional recursal deste E. CARF), que se relacionem às características materiais dos lançamentos de ofício, aproveitaria a todos, tanto ao contribuinte, como aos demais Sujeitos Passivos arrolados, reforçando a necessidade de novo julgamento. 1 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 11465DF CARF MF Processo nº 10882.723438/201619 Acórdão n.º 1402003.854 S1C4T2 Fl. 11.465 49 Posto isso, é imperioso que a C. 1ª Instância administrativa proceda a novo julgamento, analisando as Impugnações juntadas aos autos pelos Sujeitos Passivos Laviga Comércio Atacadista Eireli e Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda.. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial aos Recursos Voluntários das Empresas Laviga Comércio Atacadista Eireli e Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda., reconhecendo a nulidade do v. Acórdão recorrido, para determinar a prolatação de novo Acórdão pela DRJ competente, apreciando as Impugnações acostadas aos autos. Deverá ser retomado o curso natural e ordinário do presente processo administrativo após tal nova decisão, procedendose regularmente a todos os atos processuais subsequentes. Resta prejudicado o conhecimento e o julgamento dos demais Recursos Voluntários e do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 11466DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.902870/2009-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: verifique a autenticidade dos livros anexados; anexe a DIPJ referente ao ano-calendário de 2007; verifique nos sistemas da Receita Federal o valor do prejuízo fiscal do ano-calendário de 2005 e sua utilização; verifique se o prejuízo fiscal apurado no ano-calendário de 2005 decorre da exploração da atividade rural.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: verifique a autenticidade dos livros anexados; anexe a DIPJ referente ao anocalendário de 2007; verifique nos sistemas da Receita Federal o valor do prejuízo fiscal do anocalendário de 2005 e sua utilização; verifique se o prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2005 decorre da exploração da atividade rural. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 28/07/2008 através da PER/DCOMP nº 10358.55953.280708.1.3.045661. Tem por objeto o crédito de pagamento indevido de IRPJ, recolhido pela empresa em 30/05/2008, no valor de R$ 18.397,10. Transcrevo, abaixo, trecho do relatório da decisão de primeira instância, que bem resume o pleito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .9 02 87 0/ 20 09 -3 1 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13830.902870/200931 Resolução nº 1001000.095 S1C0T1 Fl. 91 2 Por intermédio do despacho decisório de fl. 08, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 10358.55953.280708.1.3.045661, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 12/13, na qual alega, em síntese, que referido crédito é originário de recolhimento a maior de IRPJ, no valor de R$ 18.397,10, sendo que ocorreu divergência de informação em DCTF, que foi regularizada e retificada em 17/11/2009. Ao final, requer o acolhimento integral da manifestação de inconformidade, promovendo a reforma do despacho decisório epigrafado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 50 a 53 do presente processo (Acórdão 1435.643, de 26/10/2011), negou provimento à manifestação da empresa. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/05/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. No voto, a decisão esclareceu que o contribuinte, em 30/05/2008, efetuou o recolhimento, no montante principal de R$ 18.397,10, mais multa e juros de mora (comprovante à fl. 46). Que em 24/07/2008 apresentou DCTF na qual informou débito no valor de R$ 18.281,02 (fl. 44), vinculando pagamento no mesmo valor. E em 14/05/2009 apresentou DCTF retificadora, informando débito de R$ 18.397,10, vinculando pagamento no mesmo valor (fl. 45). Que, por isso, o pagamento encontrase alocado ao débito informado. Informou que em 17/11/2009, após ciência do despacho decisório, o contribuinte apresentou nova DCTF retificadora, reduzindo o débito de IRPJ de R$ 18.397,10 para R$ 0,00. Argumentou que o reconhecimento de direito creditório exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Especialmente porque a contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao regime do lucro real, para a qual a lei exige contabilidade regular. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13830.902870/200931 Resolução nº 1001000.095 S1C0T1 Fl. 92 3 Concluiu que o indébito não continha os atributos necessários de liquidez e certeza, imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/12/2011 (Aviso de Recebimento à fl. 79), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 05/01/2012 (carimbo aposto no próprio recurso, de fls. 57 a 78). Em resposta à afirmação da DRJ de que faltavam provas, lastreadas em registros contábeis e fiscais, da existência do crédito, anexou ao recurso os seguintes documentos, com o objetivo de comprovar que o valor de IRPJ devido na apuração anual de 2007 é zero: (i) cópia do Balancete Analítico, Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício extraídos do Livro Diário nº 25, referentes ao anocalendário de 2007 (fls. 63 a 78); (ii) cópia de folhas do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR referente ao anocalendário de 2007 (fls. 60 a 62). É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Como dito no relatório, a DRJ afirmou que faltavam provas contábeis e fiscais do valor do IRPJ devido no ano, para que se soubesse o valor do crédito (pagamento a maior). Por isso a empresa juntou ao recurso a documentação contábil e fiscal acima descrita, que passo a analisar. As folhas do LALUR anexadas (fls. 60 a 62), referentes aos ajustes do lucro líquido (Parte A, à fl. 61), informam que foi apurado, no ano de 2007, um lucro real de R$ 1.090.698,35, do seguinte modo: Resultado do Exercício 890.679,09 Adições 242.039,25 Exclusões (42.019,99) Lucro Real 1.090.698,35 A Parte B do LALUR (fl. 62) informa que a empresa utilizou prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2005 para compensar o lucro real do ano de 2007, em 31/12/2007: Compensação 327.209,51 Complementação de Compensação 763.488,84 Total 1.090.698,35 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13830.902870/200931 Resolução nº 1001000.095 S1C0T1 Fl. 93 4 No Termo de Abertura do Livro Diário nº 25 (fl. 63) vêse que ele possui 378 folhas, das quais foram anexadas as páginas 364 a 378 (fls. 64 a 78). Na Demonstração do Resultado do Exercício (fl. 69), extraída do Livro Diário, consta o Resultado do Exercício, antes das provisões da CSLL e do IR, no valor de R$ 890.683,66, muito próximo ao lançado no LALUR. A diferença, R$ 4,57, corresponde ao resultado não operacional contabilizado no diário. Concluise, da documentação apresentada, que o Livro Diário confirma o valor de Resultado do Exercício lançado no LALUR. E que, no LALUR, todo o lucro real apurado foi compensado com prejuízo fiscal do ano de 2005, não restando, no ano de 2007, valor de base de cálculo do IR. Ocorre que o art. 42 da Lei nº 8.981/1995 estabeleceu a limitação máxima de 30% para redução do lucro líquido ajustado, na apuração do lucro real, por compensação de prejuízo fiscal anterior. A Lei nº 9.065/1995, em seu art. 15, confirma a limitação: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Essa redação é repetida no art. 510 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99, vigente à época), que nele se baseava. Porém, o art. 512 do RIR/99, com base no art. 14 da Lei nº 8.023/1990, excepcionou do limite de compensação o prejuízo fiscal decorrente da exploração de atividades rurais; Art. 512. O prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite previsto no caput do art. 510. No mesmo sentido, o art. 35, § 4º, da IN SRF nº 11/1996: Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. (...) § 4º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais, bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981 com a redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13830.902870/200931 Resolução nº 1001000.095 S1C0T1 Fl. 94 5 Então, conforme art. 512 do RIR/99, comprovandose que o prejuízo fiscal apurado pela empresa no anocalendário de 2005 e o lucro real apurado pela empresa no ano calendário de 2007 decorreram da atividade rural, seria possível a compensação de prejuízos efetuada, sem a limitação de 30% do lucro real. Como dito acima, a empresa juntou ao recurso voluntário seu Livro Diário nº 25 (fls. 63 a 78). À fl. 69, a Demonstração do Resultado do Exercício explicita a natureza das atividades que geraram receita no ano de 2007: vendas de produtos para abate e para recria, vendas de soja, cana de açúcar, milho e trigo. Tais atividades enquadramse no conceito de atividade rural determinado no art. 2º da Lei nº 8.023/1990, que regula a matéria. Resta saber se, no anocalendário de 2005, quando foi apurado o prejuízo fiscal utilizado em 2007, o resultado apurado também decorreu exclusivamente de atividade rural. Portanto, para reconhecimento do crédito, é necessário confirmar a autenticidade dos documentos e informações anexados, bem como a natureza do prejuízo fiscal compensado com o lucro real de 2007. Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para que esta: (i) verifique, junto ao contribuinte, a autenticidade do LALUR e do Livro Diário cujas cópias foram aqui anexadas; (ii) verifique, nos sistemas de controle da Receita Federal (inclusive na DIPJ), se consta a informação do prejuízo fiscal apurado no ano de 2005, bem como sua utilização no ano de 2007, nos valores lançados no LALUR da empresa; (iii) anexe ao processo a DIPJ referente ao anocalendário de 2007; (iv) verifique, junto ao contribuinte, com base em seus livros contábeis, se o prejuízo fiscal apurado no anocalendário 2005 decorre da exploração da atividade rural. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 94DF CARF MF
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