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Numero do processo: 10380.721600/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO.
O sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, caput, e no inciso II, do seu § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à. pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO.
Havendo processo administrativo instaurado para discutir a procedência das compensações efetuadas por meio das DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa à declarante, descabe (re)discutir se houve ou não homologação tácita das compensações declaradas, no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL.
Constatada a participação, conluio na simulação e na fraude que ensejou o crédito que se pretendia compensar, correta a lavratura de Auto de Infração exigindo multa isolada qualificada no percentual de 150%, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003, sobre as DCOMPs não homologadas.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
A Lei 10.833/2003 não foi alterada, não havendo que se falar em retroatividade benigna.
Numero da decisão: 1402-002.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em . rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonlçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO. O sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, caput, e no inciso II, do seu § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à. pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO. Havendo processo administrativo instaurado para discutir a procedência das compensações efetuadas por meio das DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa à declarante, descabe (re)discutir se houve ou não homologação tácita das compensações declaradas, no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL. Constatada a participação, conluio na simulação e na fraude que ensejou o crédito que se pretendia compensar, correta a lavratura de Auto de Infração exigindo multa isolada qualificada no percentual de 150%, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003, sobre as DCOMPs não homologadas. RETROATIVIDADE BENIGNA. A Lei 10.833/2003 não foi alterada, não havendo que se falar em retroatividade benigna. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 16 00 /2 01 0- 11 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10380.721600/201011 Acórdão n.º 1402002.474 S1C4T2 Fl. 336 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em . rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonlçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10380.721600/201011 Acórdão n.º 1402002.474 S1C4T2 Fl. 337 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão, que manteve a aplicação de multa isolada qualificada no percentual de 150% sobre R$ 2.166.304,77, com base nos pedidos de compensação não homologados no processo 10380.901897/200611. O autuado apresentou, apresentou, em 08/06/2005, Declarações de Compensação (DCOMP) recepcionadas com os nos 12741.71288.080605.1.3.047604 e 32445.03714.080605.1.3.048056, cujos débitos confessados corresponderam a R$ 1.083.152,38 e R$ 1.083.152,39 respectivamente. Em tais compensações, o sujeito passivo informou estar utilizando suposto crédito de pagamento indevido ou a maior, posteriormente retificado para, a priori, saldo negativo do IRPJ, anocalendário 1999. As Declarações de Compensação ora referidas foram analisadas nos autos do processo administrativo no 10380.901897/200611. Em decisão administrativa proferida em 19/05/2010, as fls. 751/762 do citado processo, tais compensações NÃO FORAM HOMOLOGADAS, em razão da caracterização de fraude e conluio (Lei no 4.502/64, arts. 72 e 73), correspondendo falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Na Decisão de não homologação, consta que o suposto crédito apontado pelo sujeito passivo inexiste, é fictício, conforme as conclusões reveladas nos atos investigatórios ou de diligência realizados por autoridade competente deste orgão, materializados através do respeitável Relatório de Análise Tributária de fls.195/269, daquele processo. Na Decisão de não homologação, consta que o suposto crédito apontado pelo sujeito passivo inexiste, fictício, conforme as conclusões reveladas nos atos investigatórios ou de diligência realizados por autoridade competente deste orgão, materializados através do Relatório de Análise Tributária, daquele processo final 200611, aprovado pela Delegada da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE. Naquele processo de final 200611, restou comprovado no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de 11/05/2010, um esquema de fraude, simulação e conluio entre empresas, com origem remota em negócios fictos de compra e venda de imóveis, geradores de créditos inexistentes de tributos federais e subsequente celebração de contratos simulados entre as empresas dos grupos empresariais CEC Internacional S/A e Grupo Marquise, com o fim de auferimento de vantagens fiscais ilícitas em prejuízo da fazenda nacional. Segundo consta do Relatório de Análise Tributária da SAPAC, o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, "tais créditos" eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10380.721600/201011 Acórdão n.º 1402002.474 S1C4T2 Fl. 338 4 Restou comprovado também nos autos do processo final 200611, que os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Ao Grupo CEC, estão ligadas as empresas: Sul Diesel S/A; Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda e Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP; Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda; Xingu Administração e Participação S/A; à RCA International Commodities S/A estão ligadas as empresas BEX Internacional S/A; Canavieira Florestamento e Reflorestamento S/A e Panagra do Brasil S/A; Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A e quanto ao Grupo capitaneado pela Construtora Marquise S/A a Capitalize Fomento, Comercial Ltda, Construtora Marquise S/A e Ecofor Ambiental S/A. Diante dos fatos, e em cumprimento ao disposto no art. 18, § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com redação dada pe_a. Lei n° 11.051/04, alterada pela Lei n° 11.488/07, combinado com o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.034/96, onde se manteve a mesma previsão da multa aplicável, constituise, pelo presente Auto de Infração, a multa isolada regulamentar nos valores abaixo demonstrados, que corresponde a aplicação em dobro do percentual de 75% (setenta e cinco por cento) o que equivale a 150% sobre a totalidade dos débitos indevidamente compensados de R$ 2.166.304,77. Inconformada com a lavratura do Auto de infração, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 116/130. Foi proferido v. acórdão de fls. 180/200, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO. 0 sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, caput, e no inciso II, do seu § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO. Havendo processo administrativo instaurado para discutir a certeza e liquidez do direito creditório postulado nas DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa à declarante, Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10380.721600/201011 Acórdão n.º 1402002.474 S1C4T2 Fl. 339 5 descabe (re)discutir essa matéria no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários á. formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indicidrios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em sta que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas da infração. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO. PROVA. Cada ato ilícito contém uma determinada carga de lesão á. ordem tributária, de modo que determinadas condutas são tão graves a ponto de, por si sós, imediatamente consubstanciarem o intuito doloso. Outros procedimentos, de menor poder ofensivo, se analisados individualmente, não caracterizam a ação premeditada, no entanto, podem evidenciar o dolo pela forma como foram executados, de onde emergem os subterfúgios utilizados pelo contribuinte para lesar o Fisco. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL. Age com dolo no mínimo, eventual a pessoa jurídica que transmite DCOMP para extinguir débitos próprios, a despeito dos indícios graves, precisos e concordantes que apontam para a inexistência do direito creditório reclamado, havido por sucessão empresarial. Nesse caso, a Declarante assumiu o risco de produzir o resultado delituoso (compensar débitos próprios com créditos inexistentes), circunstância suficiente para a configuração do dolo. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO. EXISTÊNCIA DE RELATÓRIO DE TERCEIRO QUE ATESTA A MATERIALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. INAPTIDÃO PARA AFASTAR A CULPABILIDADE. É ineficaz, para atuar como excludente do dolo da pessoa jurídica que transmitiu DCOMP inquinada de falsidade, o fato Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10380.721600/201011 Acórdão n.º 1402002.474 S1C4T2 Fl. 340 6 de existir relatório elaborado por terceiro, atestando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado na Declaração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, foi interposto Recurso Voluntário pela Construtora Maequise incorporadora, descrevendo os fatos ocorridos, requerendo basicamente a reforma do v. acórdão recorrido, reiterando as alegações da impugnação e basicamente alegando erro na identificação do sujeito passivo, que não pode ser responsabilizada por atos ilícitos praticados por suas sucedidas e terceiros, eis que agiu de boafé e não pode ser responsabilizada pelo multa após a incorporação da empresa RCA. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10380.721600/201011 Acórdão n.º 1402002.474 S1C4T2 Fl. 341 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e foi interposto por seu representante com poderes para tanto, motivo pelo qual deve ser admitido. Da alegação de nulidade, por erro de sujeição do sujeito passivo. Tal alegação não deve ser provida. Vejamos. 1 Ficou constatado nos autos, que a Recorrente incorporou a parte cindida da empresa RCA que transportou o saldo negativo de IRPJ, objeto da compensação do processo de final 200611. 2 Quem fez o pedido de compensação, foi a empresa incorporadora Capitaliza Recorrente. 3 Restou comprovado que a Recorrente, pertencia ao grupo empresarial Marquise, que juntamente com o grupo CEC, criaram um sistema de geração de créditos indevidos, que foram utilizados nos pedidos de compensação do processo com final 200611, que fundamentou a lavratura deste Auto de Infração. 4 A Recorrente e o grupo empresarial o qual pertencia, participaram e trabalharam em conjunto com as empresas do Grupo CEC, para criar um sistema fraudulento de créditos e compensálos, por meio de simulação de contratos/promessas de compra e venda de terrenos. 5 O objetivo final, era fraudar o erário e reduzir, ou deixar de pagar imposto. Tais constatações da auditoria da fiscalização, estão muito bem descritas na Informação Fiscal de fls. 20/30, que se fundamentou no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de 11/05/2010 e nas provas juntadas nestes autos e nos outros ligados aos grupos CEC e Marquise mais a frente colacionados. Sendo assim, como quem praticou o ato de pedir as compensações dos créditos indevidos, que não foram homologados devido a constatação de fraude, simulação e conluio em sua criação; foi a Recorrente, entendo que a sujeição passiva do Auto de Infração está correta, coesa e precisa. Em relação as alegações de que a sucessão da empresa RCA, não poderiam prejudicar a Recorrente Construtora Marquise, também entendo que não devem ser providas. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10380.721600/201011 Acórdão n.º 1402002.474 S1C4T2 Fl. 342 8 No presente caso, restou configurado tanto nestes autos em epígrafe, como nos autos do processo de compensação de final 200611, que a empresa RCA e a Recorrente Construtora, pertenciam aos dois grupos empresariais CEC e Marquise, que criaram um sistema, por meio de simulação e conluio, de promessas/contratos de compra e venda de terrenos, para gerar créditos indevidos e compensálos ente as empresas de ambos grupos, com a finalidade de reduzir a tributação e fraudar o erário. Alias, todos os processos abaixo indicados, tem como sujeito passivo empresas ligadas aos dois grupos empresarias, que se uniram para criar o sistema que gerou os créditos indevidos. 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A Sendo assim, entendo que independentemente da cisão parcial da RCA e incorporação desta parte pela Capitalize, não é possível acolher a alegação da Recorrente, de que não tinha conhecimento das ilegalidades do crédito e que não poderia ser responsabilizada pelos atos praticados pela IRACEMA e RCA, eis que também participou do sistemas de geração de créditos indevidos, constatados pela Fiscalização por meio de um vasto conteúdo de provas e relatórios. Ou seja, restou comprovado nos autos que a Recorrente tinha conhecimento das irregularidades dos créditos que pretendia compensar. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10380.721600/201011 Acórdão n.º 1402002.474 S1C4T2 Fl. 343 9 Assim, em relação ao Auto de Infração de multa isolada, aplicada pela não homologação da compensação, em tramite nos autos deste processo final 201011, tendo em vista a constatação da fraude, simulação e conluio nas operações que criaram os créditos, entendo que deve ser mantido em seus termos. O Auto de Infração foi lavrado exigindo multa isolada qualificada no percentual de 150% ,sobre o valor de R$ 2.166.304,77, que foi o total dos débitos indevidamente compensados, informados nas compensações que não foram homologadas no processo principal 10380.901897/200611, com base no parágrafo segundo do artigo 18 da Lei 10833/03. O dispositivo e a legislação que fundamentaram a multa acima apontados, não foram alterados até o momento, não se aplicando o pedido de retroatividade benigna da Recorrente, que trata de multa disposta no artigo 74 da Lei 9.430/99. Em relação a impossibilidade de aplicação da multa de ofício em casos de sucessão, entendo que tal pedido também não pode ser acatado, eis que existe a Sumula 47 do CARF/MF, cujo colaciono seu verbete abaixo. Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Acrescentando ao entendimento sumulado acima, como foi constatado dolo, fraude, simulação e conluio, a multa foi agrava para o percentual de 150%. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo integralmente o Auto de Infração. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.014884/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza ocultação do real adquirente da mercadoria importada o modus operandi de interpor pessoas jurídicas para realização das operações, na modalidade de importação direta ou por conta e ordem de terceiros, omitindo o efetivo adquirente destas mercadorias, que, no caso dos autos, possui exclusividade de importação/distribuição/comercialização no país.
SUBFATURAMENTO. CONFIGURAÇÃO.
Configura subfaturamento o procedimento de informar valores inferiores àqueles negociados, ocasionando insuficiência de recolhimento dos tributos efetivamente devidos, o que se verifica quando são apreendidos documentos que, pelo contexto das operações de importação realizadas, demonstram a improcedência das justificativas para a discrepância de preços.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, (a1) para afastar a ocorrência de subfaturamento nas DI no 04/1066069-2, 05/0275982-2, 05/0276041-3, 05/0303162-8, 05/0655178-9, 05/0849738-2 e 06/0217586-5 ("esquemas 01 e 02") e, por via reflexa, os tributos lançados, as multas proporcionais respectivas e a multa do art. 633, I do Decreto no 4.543/2002, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; (a2) para manter a multa prevista no art. 631 do Decreto no 4.543/2002 nas DI no 04/1066069-2, 05/0275982-2, 05/0276041-3, 05/0303162-8, 05/0655178-9, 05/0849738-2 e 06/0217586-5 (esquemas 01 e 02), vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que manifestaram a intenção de apresentar declaração de voto conjunta; (a3) para manter a multa citada no item "a2" sobre os valores originais declarados, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida, que defendiam a manutenção nos patamares fixados pela fiscalização, sendo que os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que defendiam inicialmente o não cabimento de tal multa, aderiram, em votação sucessiva, na forma regimental (art. 60 do RICARF) à tese externada pelo relator, sobre o tema; e (a4) para manter a multa prevista no art. 631 do Decreto no 4.543/2002, incidente sobre os valores arbitrados no lançamento, em relação às DI no 06/0581052-9, 06/0877931-2 e 06/0921013-5 (esquema 03), vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por unanimidade de votos, (b1) para manter os tributos e demais multas correspondentes em relação às DI no 06/0581052-9, 06/0877931-2 e 06/0921013-5 (esquema 03), incidentes sobre os valores arbitrados no lançamento, inclusive a multa prevista no art. 633, I do Decreto no 4.543/2002; e (b2) para excluir da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação as parcelas referente ao ICMS e às próprias contribuições, como determinava a redação original do art. 7o, I da Lei no 10.865/04, por força do RE no 559.937/RS, julgado com repercussão geral reconhecida.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza ocultação do real adquirente da mercadoria importada o modus operandi de interpor pessoas jurídicas para realização das operações, na modalidade de importação direta ou por conta e ordem de terceiros, omitindo o efetivo adquirente destas mercadorias, que, no caso dos autos, possui exclusividade de importação/distribuição/comercialização no país. SUBFATURAMENTO. CONFIGURAÇÃO. Configura subfaturamento o procedimento de informar valores inferiores àqueles negociados, ocasionando insuficiência de recolhimento dos tributos efetivamente devidos, o que se verifica quando são apreendidos documentos que, pelo contexto das operações de importação realizadas, demonstram a improcedência das justificativas para a discrepância de preços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 48 84 /2 00 8- 65Fl. 1550DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, (a1) para afastar a ocorrência de subfaturamento nas DI no 04/10660692, 05/02759822, 05/02760413, 05/03031628, 05/06551789, 05/08497382 e 06/02175865 ("esquemas 01 e 02") e, por via reflexa, os tributos lançados, as multas proporcionais respectivas e a multa do art. 633, I do Decreto no 4.543/2002, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; (a2) para manter a multa prevista no art. 631 do Decreto no 4.543/2002 nas DI no 04/10660692, 05/02759822, 05/02760413, 05/03031628, 05/06551789, 05/08497382 e 06/02175865 (“esquemas 01 e 02”), vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que manifestaram a intenção de apresentar declaração de voto conjunta; (a3) para manter a multa citada no item "a2" sobre os valores originais declarados, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida, que defendiam a manutenção nos patamares fixados pela fiscalização, sendo que os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que defendiam inicialmente o não cabimento de tal multa, aderiram, em votação sucessiva, na forma regimental (art. 60 do RICARF) à tese externada pelo relator, sobre o tema; e (a4) para manter a multa prevista no art. 631 do Decreto no 4.543/2002, incidente sobre os valores arbitrados no lançamento, em relação às DI no 06/05810529, 06/08779312 e 06/09210135 (“esquema 03”), vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por unanimidade de votos, (b1) para manter os tributos e demais multas correspondentes em relação às DI no 06/05810529, 06/08779312 e 06/09210135 (“esquema 03”), incidentes sobre os valores arbitrados no lançamento, inclusive a multa prevista no art. 633, I do Decreto no 4.543/2002; e (b2) para excluir da apuração da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação as parcelas referente ao ICMS e às próprias contribuições, como determinava a redação original do art. 7o, I da Lei no 10.865/04, por força do RE no 559.937/RS, julgado com repercussão geral reconhecida. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 10314.014884/200865 Acórdão n.º 3401003.834 S3C4T1 Fl. 11 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem sintetizar os fatos consubstanciados nestes autos, adoto o relatório da Resolução 3101000.322, de 29/01/2014, na composição deste aresto, verbis: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/12/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS/COFINS, acrescidos de juros de mora e multa, além de multa de controle administrativo, em virtude de procedimento fiscal derivado da Operação Dilúvio. A OPERAÇÃO DILÚVIO consistiu de um conjunto de procedimentos adotados pela Policia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias sob controle de MARCO ANTÔNIO MANSUR. Tratavase de um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas que atuavam, de forma dissimulada, como importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais adquirentes destas mercadorias, estes sim, reais importadores que adquiriam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como importadores, tampouco como adquirentes, perante os controles administrativos e aduaneiros. Conforme consta do Relatório de Auditoria às fls. 95 a 169, tendo em vista o fato de que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizavamse como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem de terceiros, (reais adquirentes), a metodologia adotada pelos AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento fiscal focouse no adquirente, restringindo se às importações registradas pelas empresas relacionadas no Relatório de Auditoria por conta e ordem da empresa ‘SALVAPE PRODUTOS ORTOPÉDICOS LTDA.’, notadamente as referentes aos produtos: Monitores de Pressão, Termômetros e Balanças Digitais. Foram também incluídas as importações desses produtos realizadas pela empresa COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., CNPJ (...), por conta e ordem da SALVAPE PRODUTOS ORTOPÉDICOS LTDA., uma vez que nelas verificouse a mesma prática de subfaturamento encontrada nas importações realizadas por intermédio das empresas do GRUPO MAM. A fiscalização tratou de proceder a vinculação das operações registradas no SISCOMEX Fl. 1552DF CARF MF 4 com as efetivas compras efetuadas pela empresa adquirente, apropriandose àquelas os elementos de fato das operações comerciais. A fiscalização dividiu as importações destinadas à empresa SALVAPE em 5 fases distintas: (i) Importações regulares anteriores; (ii) Importações irregulares — Esquema 01; (iii) Importações irregulares — Esquema 02; (iv) Importações irregulares — Esquema 03; e (v) Importações regulares posteriores. A empresa SALVAPE PRODUTOS ORTOPÉDICOS LTDA., foi cientificada do auto de infração, via Aviso de Recebimento (fls. 470), em 06/01/2009 e protocolizou impugnação de forma, tempestiva. Foram arrolados como responsáveis solidários a empresa COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., CNPJ (...), a empresa LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ (...), e a empresa OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA, CNPJ (...). A empresa COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. protocolizou impugnação de forma tempestiva (fls. 479 a 494), onde alegou resumidamente que nenhum fato, ou sequer indício, que embasam a presente autuação poderia ser lançado como praticado (ou com a participação) dela, por não estar vinculada às empresas e à prática apurada pela Operação Dilúvio, e que somente registrou três únicas Declarações de Importação daquelas objeto de lançamento, nas quais figurou como importador, e que identificou o real adquirente/encomendante; também questiona a solidariedade em relação a fatos que desconhecia. A empresa SALVAPE PRODUTOS ORTOPÉDICOS LTDA. apresentou impugnação, onde alegou ofensa ao principio da legalidade estrita; a incongruência do contexto da autuação com a realidade fática vivida pela impugnante; questiona as infrações relacionadas às operações relacionadas no auto de infração; o desconhecimento das infrações praticadas pelo Grupo MAM, alegando boa fé; que utilizou apenas dos serviços das tradings; a falta de previsão legal para a solidariedade; a não ocorrência de subfaturamento inexistindo o dolo; questiona a aplicação das penalidades; alega a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da racionalidade na aplicação das multas; e alega a vedação ao confisco e ao bis in idem. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução No. 17.001070, de 16/02/2012, para a autoridade lançadora esclarecesse se havia fatos, evidências e indícios da participação da empresa COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, ou de seus sócios, antes do Esquema 03, que justifiquem sua responsabilidade solidária pelo crédito tributário total exigido no auto de infração, ou se a participação da empresa COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA se limitaria a importação das DI nºs 06/05810529, 06/08779312 e 06/09210135. A autoridade preparadora forneceu suas respostas às folhas 1.216. A 23ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, em sessão de julgamento datada de 12 de dezembro de 2012, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 10314.014884/200865 Acórdão n.º 3401003.834 S3C4T1 Fl. 12 5 impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O acórdão 16042.448 foi assim ementado: PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIAS NÃO ENCONTRADAS. INCIDÊNCIA DA MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. Foi demonstrado a conveniência do modus operandi descrito à empresa que deve figurar no pólo passivo da presente autuação. O real valor aduaneiro de transação foi apurado pela fiscalização, cabendo a empresa autuada suportas os efeitos previstos na Lei. Compete às DRJ tão somente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. A responsabilidade solidária de um dos atuados fica delimitada apenas ao valor das importações que processou. Impugnação Improcedente.” A decisão em tela manteve a responsabilidade da pessoa jurídica COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. restrita às DIs nºs 06/05810529, 06/08779312 e 06/09210135, que, devidamente cientificada, não apresentou recurso voluntário. SALVAPE Produtos Ortopédicos Ltda. apresentou recurso onde contestou a conclusão da decisão de primeiro grau asseverando a inexistência de simulação ou fraude nas importações, a impossibilidade de utilização de escutas telefônicas sem a devida autorização, o equívoco na contextualização das mensagens telemáticas captadas e a ausência de vantagens econômicas a justificar a utilização do esquema fraudulento descrito. Na oportunidade, discorreu sobre valoração aduaneira e pugnou pela improcedência das multas aplicadas. Em 29/01/2014, através da Resolução 3101000.322, a 1ª TO/1ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF converteuse o julgamento em diligência para esclarecimentos sobre a adequada notificação do lançamento aos sujeitos passivos arrolados. Cumprida a diligência, foram os autos devolvidos para julgamento. Em razão das modificações estruturais promovidas pela Portaria MF 343/15, com a extinção de colegiados deste sodalício, foram os autos redistribuídos mediante sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário aviado pelo contribuinte SALVAPE Produtos Ortopédicos Ltda., único apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 1554DF CARF MF 6 Preliminarmente, cumpre acentuar que a diligência determinada pela turma julgadora original apontou a localização dos instrumentos de ciência por ela questionados. No caso, o colegiado pretendia fosse esclarecida a forma de ciência adotada para notificação das empresas LANSARET COM. DE INFORMÁTICA LTDA. e OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA., quanto à autuação, uma vez que a ciência postal restara infrutífera, explicando a unidade preparadora que, frustrada a via postal, adotouse a ciência editalícia, conforme documentos de efls. 606 e 1.190. Nesse passo, as providências adotadas estão em consonância com as disposições do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Antes de adentrar o mérito, propriamente dito, registro que a argüição de inconstitucionalidade das “escutas telefônicas”, segundo o recorrente, patrocinada pela Receita Federal, foram aludidas interceptações devidamente autorizadas por ordem judicial, como exige a Carta Magna e a legislação de regência, e, diversamente do que aduz o contribuinte, não foi capitaneada pela RFB, mas sim pela Polícia Federal, conforme se verifica da decisão acostada às efls. 13/15, exarada nos autos da Ação Penal nº 2006.70.00.0224356. Portanto, a priori, não haveria qualquer inconstitucionalidade ou mesmo ilegalidade em ditas interceptações telefônicas e telemáticas empreendidas pelas autoridades competentes. Todavia, por dever de ofício, fincado nos princípios da oficialidade e da verdade material, vetores do processo administrativo fiscal, e, porque não, por lealdade processual, não posso me furtar de trazer aos autos a notícia do que decidido no HC 142.045/PR, impetrado por um dos integrantes do denominado “Grupo MAM”, alvo da “Operação Dilúvio”, cuja decisão acabou por influenciar todos os processos, judiciais e administrativos, dela decorrentes, ao reconhecer a invalidade das indigitadas interceptações para além do prazo inicial de 60 (sessenta) dias. Esse Habeas Corpus veio ao conhecimento deste Relator por intermédio do exame de outros processos administrativos de sua relatoria, originários da mesma operação policial, como é caso, e.g., do PA 10830.720919/200860, julgado por esse colegiado na sessão de 28/09/2016. A data de início válida das interceptações telefônicas foi obtida do votovista do Min. Og Fernandes, prolatado na já citada medida judicial: “No caso dos autos, observo que o início da interceptação é de 25/5/2005 e o seu encerramento, de 12/9/2006. (...).” Fixado o seu dies a quo, temse que o interregno em que permaneceram hígidas as “escutas” situase entre 25/05/2005 a 23/07/2005, de maneira que, nestes autos, todas as mensagens citadas são anteriores ao período em epigrafe, razão porque nenhuma delas será tomada como prova válida na apreciação do lançamento/recurso, pelas razões já expostas. Feitas as considerações iniciais, prossigo. Nessa toada, temse que a alegação de inexistência de simulação ou fraude nas importações, feita pelo recorrente, é claramente desdita pela documentação coligida aos autos, inclusive aquela por ele próprio juntada. Destarte, o contribuinte informa logo no início de seu recurso que é o importador exclusivo dos produtos da MICROLIFE CORPORATION no país desde 2000, de modo que não seria possível às pessoas jurídicas COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA e OPUS TRADING Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 10314.014884/200865 Acórdão n.º 3401003.834 S3C4T1 Fl. 13 7 AMÉRICA DO SUL LTDA. figurarem perante o Fisco Federal como importadores diretos ou por conta e ordem, como efetivamente ocorreu. A interposição fraudulenta nesse caso é patente, haja vista que referidas empresas nunca indicaram, nas declarações de importação registradas, que a mercadoria destinavase ao recorrente – SALVAPE –; pelo contrário, o seu nome permaneceu encoberto durante todo o processo de despacho aduaneiro, sendo revelado sua participação nas operações de importação apenas com a documentação apreendida em operação policial. A meu sentir, diversamente do que entendem alguns, a configuração da interposição fraudulenta não ocorre tãosomente pela prova de antecipação de numerário necessário à realização da importação, mas também pela demonstração da ativa participação do real adquirente nas transações comerciais, antecedente e/ou contemporânea ao registro da declaração de importação. Notese, a importação realizada por intermediário comercial não é vedada pelo ordenamento, ao contrário, é prevista e devidamente regulada pela legislação fiscal, que reconhece as figuras da importação por conta e ordem e a encomendante predeterminado, de tal sorte que pouco importa às autoridades o modelo de negócio adotado pelos intervenientes, desde que prestadas todas as informações necessárias aos controles administrativos, fiscal e de comércio exterior. Todavia, quando informações comerciais importantes, como o efetivo adquirente da mercadoria, são ocultadas da Administração Tributária, o negócio jurídico passa a ostentar caráter simulatório, com o intuito de dissimular a verdadeira transação comercial. No caso vertente, as empresas OPUS e COMMAR registraram DIs na modalidade de importação direta e/ou por conta e ordem do “distribuidor” LANSARET, quando, na verdade, as mercadorias, desde o início, eram destinadas ao recorrente SALVAPE, que tinha pleno conhecimento de todo esse modus operandi, como se constata pelas solicitações de numerário para cobertura das despesas de despacho aduaneiro a ela endereçadas pela LANSARET (efls. 231/232), as planilhas de fluxo financeiro das importações (efls. 234) e os demonstrativos de custo de importação (efls. 236/237). Evidenciando o pleno conhecimento do esquema fraudulento, as planilhas de fluxo financeiro (efls. 282), os relatório de custo de importação (efls. 300/304) e as solicitações de numerário (efls. 307/320) realizados também pela OPUS à SALVAPE. Como não bastasse, o recorrente SALVAPE faz juntar certidão de tradução juramentada de correspondência encaminhada por MICROLIFE CORPORATION atestando que as mercadorias importadas por OPUS TRADING e COMMAR tinham como destinatário a própria SALVAPE (efls. 1.419/1.419). Ou seja, se as mercadorias eram desde sempre endereçadas à SALVAPE, porque essa circunstância foi omitida do Fisco? Porque as “importadoras” declararam tratarse de importação por conta própria ou por conta e ordem da empresa LANSARET? Como resposta a essas indagações, o recorrente aduz as dificuldades inerentes à atividade empresarial, como entraves burocráticos e a variação do dólar. Entretanto, essas dificuldades, que, de fato, existem, não são justificativas plausíveis para a burla ao ordenamento jurídico. Fl. 1556DF CARF MF 8 As dificuldades impostas pela lei nunca foram e nunca serão salvaguarda para sua inobservância. Se todos os administrados resolverem desobedecer as leis, argumentando dificuldade em seu cumprimento, a balbúrdia e o caos estarão instalados. Outrossim, a tese que a ocultação do real adquirente da mercadoria não resultaria em qualquer proveito econômico, a meu ver, não tem qualquer influência no aspecto fiscal da infração, haja vista que a interposição dispensa prova nesse sentido, não importando qual a intenção dos envolvidos, se aumentar os lucros, promover a lavagem de recursos ou qualquer outra. Da mesma forma, o fato de constar o código da ANVISA nos produtos importados e esse registro possuir, como titular, o recorrente (SALVAPE), não pode ser admitido como indicativo de inexistência de ocultação ou de boafé, porquanto a demonstração do importador de fato deve ser feita através da adoção dos modelos de importação por conta e ordem ou a encomendante predeterminado, como regulados pelos atos normativos próprios, não por indução. Assim, entendo que está sobejamente demonstrado que houve, sim, ocultação do real adquirente, in casu a recorrente SALVAPE, nas importações relacionadas no auto de infração. Na seqüência, seguese a verificação da valoração aduaneira e a procedência das diferenças constituídas no lançamento. A fiscalização desconsiderou os preços informados nas declarações de importação, lastreada nos fortes indícios de não refletirem o valor real de transação, e promoveram o arbitramento dos valores das operações, amparada no art. 88 da MP 2.158 35/2001 e IN SRF 327/2003, aplicando o primeiro método de valoração, a partir das informações colhidas no cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão. Individualmente, temse que no denominado “Esquema 01 – DI nº 04/10660692”, a fiscalização tomou como parâmetro de valoração aduaneira os preços unitários constantes de diversas mensagens telemáticas trocadas entre representantes da SALVAPE e operadores do “Grupo MAM”, constatando que a redução de preço, em relação às importações regulares, realizadas pela própria SALVAPE, atingia 50% (cinqüenta por cento). Ocorre que estas mensagens, como já referenciado, não podem servir de prova à configuração da conduta infracional, por conta de sua parcial invalidade, sendo que, nesta infração, todas as correspondências digitais foram trocadas fora do intervalo admitido pelo HC 142.045/PR. Os elementos restantes, planilhas estimativas de custos de importação e solicitações de numerário, isoladamente considerados, não são suficientes para suportar o arbitramento dos valores, pois não conduzem às conclusões pretendidas pela fiscalização. Por decorrência, não há como admitir a prova do subfaturamento nesta situação. No “Esquema 02 – DIs nº 05/02759822, 05/02760413, 05/03031628, 05/06551789, 05/08497382 e 06/02175865”, mais uma vez, as mensagens telemáticas desempenham papel crucial na configuração da infração e definição dos valores reais da operação, repetindo o problema anterior. Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 10314.014884/200865 Acórdão n.º 3401003.834 S3C4T1 Fl. 14 9 Decotadas estas mensagens, remanescem planilhas de estimativa de custo de importação, relatórios de custo de importação e solicitações de numerário, que servem de fundamento para demonstração da interposição fraudulenta, não, porém, para a o subfaturamento e conseqüente definição do valor real de transação. No “Esquema 03 – DIs 06/05810529, 06/08779312 e 06/09210135” há uma diferença em relação aos demais, isso porque a fiscalização apresentou faturas idênticas, ambas emitidas e visadas por representante do exportador estrangeiro (MICROLIFE), onde todos os dados coincidem, à exceção dos preços praticados, que em uma delas – IPF630006C – corresponde a 50% (cinqüenta por cento) da outra – IPF630006, o que chama a atenção pela discrepância de preço, sendo que os valores constantes deste último documento são bem próximos daqueles praticados por ocasião das importações realizadas pela própria recorrente SALVAPE, no período de março/2003 a agosto/2004 (efls. 171/201) antes que houvesse a intermediação das empresas do “Grupo MAM” e também a partir de dezembro/2007, quando o recorrente voltou a realizar, diretamente, as importações. Outra estranha coincidência reside no fato que, a partir da deflagração da parte ostensiva da “Operação Dilúvio”, ocorrida em 16/08/2006, os preços praticados voltarem a se assemelhar àqueles vigentes em 2003/2004, como dito, antes da intermediação do “Grupo MAM”, sem que se tenham deduzidas explicações convincentes, uma vez que, mantidos os mesmos fornecedor/cliente e produtos, sendo que no período 2005/2006, os valores têm uma redução repentina de 50% (cinqüenta por cento). A justificativa apresentada pelo recorrente estaria na variação do dólar no período 2001/2003, que, segundo alega, após uma abrupta elevação, majorou em demasia os custos de importação e, se mantida a situação, inviabilizaria o negócio no país, o que exigiu uma renegociação junto ao fornecedor, que, por seu turno, reconheceu o problema e cedeu um desconto temporário. Como prova desta negociação, o recorrente remete a uma correspondência enviada pelo fornecedor, onde afirma que os valores vigentes no 2º trimestre/2004 ao 1º trimestre/2006, seriam promocionais, na forma de incentivo de vendas como compensação da variação das taxas de câmbio. Até se poderia admitir este documento como aferidor da procedência do argumento e da situação econômica assinalada, não fosse o fato de estar datada de 27/11/2007, quase 18 (dezoito) meses após as supostas negociações. A mesma peculiaridade se observa no documento de efls. 697/701, que provaria a prática dos preços vigentes no período, eis que, também, datado de 27/11/2007. Não há nos autos qualquer outro elemento que referende a existência dessas pretensas “tratativas comerciais”, sejam correspondência ou mensagens eletrônicas, o que levanta suspeitas de sua existência. Assim, pelo contexto em que verificadas as operações de importação no intitulado “Esquema 03”, mesmo que abstraídas as mensagens telemáticas, em minha visão, é possível concluir que houve, sim, subfaturamento, havendo elementos suficientes à demonstração desta ocorrência. Fl. 1558DF CARF MF 10 Por via reflexa, presentes documentos que indicam o real valor da transação comercial, o método de valoração a ser empregado é o primeiro, como utilizado pelas autoridades fiscais. Assim, relativamente aos “esquemas” irregulares descritos pela fiscalização, após examinar o acervo probatório específico de cada um, concluo que apenas as operações envolvendo a COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, nas DIs 06/05810529, 06/08779312 e 06/09210135, apresentam consistência suficiente à manutenção dos tributos e multas respectivas, pelo subfaturamento, devendo ser mantidos no lançamento. Como dito linhas atrás, os aspectos relacionados à pretensa ausência de ganhos econômicos não se afigura como defesa sustentável do ponto de vista fiscal, porquanto está provado que, em parte das operações de importação foi ocultado, o real adquirente e destinatário das mercadorias importadas, no caso, a SALVAPE, pouco importando que o modus operandi empregado nessas transações tenha propiciado, ou não, algum lucro ou outra espécie de ganho de eficiência. Concernente à improcedência das multas, ao argumento de desproporcionalidade, vedação ao confisco e bis in idem, temse que a sua imposição encontra respaldo na legislação de regência, não competindo às instâncias administrativas aquilatar a onerosidade das penalidades previstas no ordenamento, à luz da Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária), em consonância com o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. A multa qualificada de 150 % (cento e cinqüenta por cento) tem cabimento e incidência nos casos mantidos no lançamento, ao passo que o subfaturamento, configurado pela informação de valores inferiores àqueles efetivamente praticados, como demonstrado nos autos, emoldurase à figura prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64, devendo ser mantida em sua integralidade. Pela mesma razão, deve ser mantida a multa correspondente a 100% (cem por cento) da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, nos termos do art. 633, I do Decreto nº 4.543/2002, então vigente, para estes casos. Já em relação à multa prevista no art. 631 do Decreto nº 4.543/02 (Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso destacado), uma vez provada a interposição fraudulenta e o subfaturamento, deve incidir sobre todo o conjunto das importações catalogadas neste lançamento, porém, com alguns ajustes no seu valor, como passo a explicitar. Nas DIs nºs 04/10660692, 05/02759822, 05/02760413, 05/03031628, 05/06551789, 05/08497382 e 06/02175865 (“esquemas 01 e 02”), cujos intervenientes são as empresas OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA. e LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, houve ocultação do real adquirente da mercadoria importada (SALVAPE), porém, foi rejeitada a ocorrência de subfaturamento, de maneira que a multa do Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 10314.014884/200865 Acórdão n.º 3401003.834 S3C4T1 Fl. 15 11 art. 631 do Decreto nº 4.543/02 deve incidir sobre os valores originais registrados nas respectivas declarações de importação. Quanto às DIs nºs 06/05810529, 06/08779312 e 06/09210135 (“esquema 03”), não houve interposição fraudulenta, porque a recorrente SALVAPE, real adquirente das mercadorias, figurou nas declarações de importação nesta condição (efls. 322/343), sendo a empresa COMMAR COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., o importador por conta e ordem. Todavia, mesmo ausente a interposição fraudulenta, verificouse o subfaturamento das mercadorias importadas, motivo pelo qual deve ser aplicada a multa do referido art. 631 sobre os valores arbitrados pela fiscalização no auto de infração. Por derradeiro, mesmo que não pugnado pelo recorrente, porém, em estrita observância ao princípio da oficialidade e também aos já mencionados art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do RICARF/15, aplico ao presente processo o precedente firmado no RE 559.937/RS, julgado sob o rito da repercussão geral, que determina a exclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PasepImportação e CofinsImportação, tendo em vista a inconstitucionalidade da redação original do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, verbis: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era Fl. 1560DF CARF MF 12 utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” A decisão em comento transitou em julgado em 29/10/2014, de modo que sua observância neste sodalício é impositiva. Com estas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: 1) Afastar a ocorrência de subfaturamento nas Declarações de Importação nºs 04/10660692, 05/02759822, 05/02760413, 05/03031628, 05/0655178 9, 05/08497382 e 06/02175865 (“esquemas 01 e 02”) e, por via reflexa, os tributos lançados, as multas proporcionais respectivas e a multa do art. 633, I do Decreto nº 4.543/2002; 2) Manter a multa prevista no art. 631 do Decreto nº 4.543/2002 sobre os valores originais declarados nas DIs nºs 04/10660692, 05/02759822, 05/02760413, 05/03031628, 05/06551789, 05/08497382 e 06/02175865 (“esquemas 01 e 02”); 3) Manter os tributos e as multas correspondentes em relação às DIs 06/05810529, 06/08779312 e 06/09210135 (“esquema 03”), incidentes sobre os valores arbitrados no lançamento, inclusive as multas previstas nos arts. 631 e 633, I do Decreto nº 4.543/2002; Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 10314.014884/200865 Acórdão n.º 3401003.834 S3C4T1 Fl. 16 13 4) Excluir da apuração do PIS/PasepImportação e CofinsImportação as parcelas do ICMS e das próprias contribuições, como determinava a redação original do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, por força do RE 559.937/RS, julgado na sistemática a repercussão geral. É como voto. Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Com as vênias de estilo ao bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator Robson José Bayerl, apresentamos nas linhas abaixo os motivos pelos quais divergimos do seu entendimento no que diz respeito ao cabimento da penalidade que fora aplicada ao caso em exame. Pela leitura do relatório, verificase que o lançamento decorre de constatações realizadas pela Receita Federal no âmbito da denominada Operação Dilúvio, descritas conforme abaixo: “A OPERAÇÃO DILÚVIO consistiu de um conjunto de procedimentos adotados pela Policia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias sob controle de MARCO ANTÔNIO MANSUR. Tratavase de um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas que atuavam, de forma dissimulada, como importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais adquirentes destas mercadorias, estes sim, reais importadores que adquiriam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como importadores, tampouco como adquirentes, perante os controles administrativos e aduaneiros”. (grifos nossos) Fl. 1562DF CARF MF 14 Como se percebe, a Fiscalização entendeu ter ocorrido a prática de fraudes aduaneiras e tributárias, com as seguintes características: (i) ocultação dos reais adquirentes, sujeitos passivos das operações de importação; (ii) mediante a utilização de interpostas pessoas, terceiros em relação à verdadeira relação travada entre os reais atores da operação de importação, ou seja, entre os reais adquirentes e o exportador; (iii) prática realizada de forma dissimulada, pois apareciam como importadores perante os controles administrativos e aduaneiros as interpostas pessoas e nunca os verdadeiros adquirentes. Nesse contexto fático, a Fiscalização cominou a multa prevista no artigo 631 do Decreto nº 4.543/02 (“Regulamento Aduaneiro de 2002”), que tem como fundamento legal o artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, e assim estava disposta no Regulamento então vigente: “Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª)”. Essa multa, dentre outras hipóteses, tem como núcleo do tipo (i) a entrega a consumo ou o próprio consumo; (ii) de mercadoria de procedência estrangeira; (iii) importada irregular ou fraudulentamente. Atualmente, essa multa está prevista no artigo 704, do Decreto nº 6.759/2009 (“Regulamento Aduaneiro de 2009”), cujo caput é idêntico ao veiculado no ato regulamentar anterior, porém, o artigo vem acompanhado de parágrafo único, com a seguinte determinação: “Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto”. Esse mandamento do regulamento atual consagra a regra da especificidade, também chamada de "princípio da especialidade", que deverá governar e orientar a aplicação da multa. Assim, cominase a multa igual ao valor da mercadoria, salvo diante de tipificação "(...) mais específica" de disposição jurídica de caráter sancionatório. Contudo, no presente caso, as características da prática de fraudes aduaneiras e tributárias constatadas pela autoridade fiscal e por ela utilizadas como fundamento do lançamento apontam para uma penalidade mais específica que a multa genérica para importação irregular ou fraudulenta de mercadoria prevista no artigo 631 do Decreto nº 4.543/02, eis que, restaria configurado, no caso vertente, pelas próprias características expostas pela Fiscalização para fundamentar o lançamento, o dano ao erário, na forma tipificada pelo artigo 23, inciso V, § 3º, do DecretoLei 1.455/1976, com as alterações da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 12.350/2010, que apresenta a seguinte redação: DecretoLei 1.455/1976 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 10314.014884/200865 Acórdão n.º 3401003.834 S3C4T1 Fl. 17 15 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. E aqui duas observações merecem ser feitas. Primeiro, as características da situação fática descrita no relatório se amoldam perfeitamente aos requisitos previstos em abstrato no artigo 23, inciso V, § 3º, do DecretoLei 1.455/1976 para a cominação da multa (ocultação do sujeito passivo, utilização de interposta pessoa, mediante simulação). Segundo, a multa do artigo 23, inciso V, § 3º, do DecretoLei 1.455/1976 não se confunde com a multa do artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, posto que suas hipóteses de incidência se traduzem em práticas distintas, não tendo sequer a mesma base econômica para cálculo e aplicação, eis que a primeira se volta contra o valor aduaneiro da mercadoria e a segunda se volta contra o valor da mercadoria. Além disso, não há como se pretender aplicar a determinação contida no parágrafo único do artigo 704, do Decreto nº 6.759/2009, apenas para os fatos geradores ocorridos após a sua vigência, tendo em vista que o Regulamento Aduaneiro, como ato regulamentar que é, não se destina a criar, restringir ou modificar direitos e obrigações, mas se presta a detalhar, pormenorizar, o direito veiculado pela Lei, com uma função de interpretação e orientação aos operadores do Direito. Assim, como os fatos geradores que ensejaram o lançamento ocorreram já na vigência de dispositivo legal que prevê a cominação de multa específica para a infração descrita no lançamento, é esta a multa aplicável, a do artigo 23, inciso V, § 3º, do DecretoLei 1.455/1976, e não a multa genérica do artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, sendo certo que o dispositivo do Regulamento Aduaneiro sobreveio apenas para deixar clara uma orientação interpretativa já existente sobre o ordenamento jurídico posto, que pareceu ao Poder Executivo adequada, ante a existência de potencial conflito na aplicação das duas penalidades. Nesse sentido, também entendeu o Acórdão CARF nº 3202000.721, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara desta Seção, em sessão de julgamento de 24/04/2013, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior: "A questão a ser decidia nos autos cingese à incidência ou não da multa regulamentar do IPI por produto estrangeiro em situação irregular de que trata o artigo 83, I da Lei nº 4.502/64. Aduz a fiscalização que (i) houve a declaração inexata do valor da mercadoria, tendo em vista que os Fl. 1564DF CARF MF 16 preços dos produtos declarados da Declaração de Importação (DI) foram subfaturados em relação aos preços efetivamente praticados; e (ii) houve ocultação dos reais vendedores com o intuito de fraudar a origem das mercadorias com vistas a fugir do pagamento de direitos antidumping. Tendo em vista que a Recorrida ocultou os reais vendedores com o intuito de fraudar a origem das mercadorias, a fiscalização entendeu por bem aplicar multa regulamentar do IPI, disposta no inciso I do artigo 83 da Lei nº 4.502/64.A multa disposta no artigo 83 da Lei nº 4.502/64 aplicase na hipótese de introdução clandestina de produto ou importação irregular ou fraudulenta. A fiscalização aplicou a multa de introdução clandestina sob o seguinte fundamento: (...) o fato punível neste caso específico ocorrem em momento posterior à importação, nas saídas das mercadorias, ou seja, quando as mesmas são consumidas ou entregues a consumo, embora seja elemento determinante para a aplicação desta penalidade as irregularidades ou as fraudes praticadas nas importações. (fls.106). Ainda, a fiscalização reconhece que houve a ocultação do real vendedor, hipótese que por si só já ensejaria a configuração de dano ao Erário, conforme determina o artigo 23, V e §§, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 (...). Como visto, a conduta descrita pela fiscalização moldase ao menos em um dos incisos do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, dispositivo esse que comina penalidade mais específica para a situação constatada pela fiscalização. Todavia, embora reconheça que a penalidade aplicada tenha lugar apenas nas hipóteses em que for constatada irregularidade ou fraude praticada na importação e, como deflui do artigo 83 da Lei nº 4.502/64, as irregularidades e fraudes na importação de que trata a lei são aquelas nela previstas, preferiu a fiscalização impor a sanção prevista nesse dispositivo, em detrimento da sanção aplicável à situação por ela narrada, prevista no artigo 23 do Decreto lei nº 1.455/76. Ainda, irreparável o entendimento da DRJ/FNS manifestado em declaração de voto, o qual, a título de arremate, adoto como razão de decidir: 'Como bem disse a fiscalização aduaneira, a infração de “ocultação do real vendedor” configura “Dano ao Erário”. Desse modo, uma vez que para tal infração existe uma penalidade específica, esta é a que deve ser aplicada, afastandose a norma geral. Ou seja, no caso de Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 10314.014884/200865 Acórdão n.º 3401003.834 S3C4T1 Fl. 18 17 interposição fraudulenta de terceiros, a partir da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, art. 59, aplica se a pena de perdimento da mercadoria, convertendose em multa equivalente ao valor aduaneiro caso a mesma não seja localizada ou tenha sido consumida. Portanto, uma vez que foi aplicado ao caso presente um tipo legal mais genérico (art. 83, I, da Lei nº 4.502, de 1964) em prejuízo do mais específico (art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976), devese afastar a exigência da multa regulamentar do IPI no valor de R$ 9.018.112,25'. Para a aplicação de penalidade é necessária a observância do Princípio da Tipicidade, adequando corretamente o fato concreto ao tipo escolhido pelo legislador no texto legal que a explicita" (seleção e grifos nossos). Pelo exposto, diante da existência de penalidade específica, sobremaneira diante de determinação expressa, como é o caso do parágrafo único do artigo 704, do Decreto nº 6.759/2009, e não se admitindo a alteração do critério jurídico do lançamento, de substituição de uma multa por outra (artigo 146, do CTN), afastase a implicação sancionatória geral. Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 1566DF CARF MF
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Numero do processo: 13820.000075/2003-30
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano calendário: 2001
Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, SALDO NEGAT1V0 DE IRPJ COMPENSAÇÃO,COMPROVAÇÃO
No pedido de restituição/compensação, a prova habit para comprovar os rendimentos obtidos e o imposto retido na fonte (IRRF) d o comprovante de que trata a especifica legislação tributária, mormente quando não há prova inefintivel que os rendimentos foram oferecidos à tributação,
Numero da decisão: 1802-000.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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GMACPS (anterior razão social: GENERA!, MOTORS PRISTADORA DF SERVIÇOS LIDA) Recorrida 7t TURMA/DRj - SAO PAULO/SI Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - TRPJ Ano calendário: 2001 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, SALDO N17,GAT1V0 DE IRPJ COMPENSAÇÃO,COMPROVAÇÃO No pedido de restituição/compensação, a prova habit para comprovar os rendimentos obtidos e o imposto retido na fonte (IRRF) d o comprovante de que trata a especifica legislação tributária, mormente quando não há prova inefintivel que os rendimentos foram oferecidos à tributação, Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos lermos do relatório- -e-VOTo—q-die integram o presente .julgado. t tS-fer Mai-i-iiies=1Ti dc Sousa - PresidenteJo nL l'l / ti i".. - +/ 20 H i , EDITADO EM: L , 1 L ,i ,---- ,.--- .---- , Participaram d,a-st"Ssão de julgamento Os conselheiros: Ester Marques Emus de Sousa, José de Oliveira Ferraz-torrea, :Fdwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichcl, André Almeida Blanco e kiii0 Francisco 'Branco Relatório Por economia processual e bem descrever os latos adoto o relatório da decisdo recorrida (f1.221) que a seguir transcrevo: Ern 05/02/2003, a pessoa juridic(' acima identificada protocolizou Declaração de Compensação !)COMP de débito.s (IND do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica , e Conlribuição Social .sobre o lucro Liquido — CSLL de 31/01/2003, no total dc 1/$ 208.486,96, com crédito (/Ls 2) oriundo .saldo negativo do IR?.! (R$ 145.740,77) e da C'SLL (RS 62 546,19) relativos (10 alto calendário de 2001, no montante de R$ 208..286,96. Consta apenso o processo administrativo.s de compensação n" 10880.720137/2007-54, bem corno copias (mesas de LK.:011/11) eletninicas (fi..s.64/94), inclusive relativas a crédito do .saldo negativo do 1RPJ do ano calendário de 2000, por terem sido vinculadas pela corm' ibuinte ao presente proces.so Em 01/0212007, 0 órgão competente para apre(lar (1.5 flATida.S DCOMP, por meio de despacho decisório( ls.167/171), homologou (ts. compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, na imporkincia do R$ 726.523,78 para o .siddo credor do MP!, .sendo: R$ 178.906,63 relativo ao ano calendário de 2000 e R$ 547.617,15, ao ano calendário de 2001. 0 raio reconhecimento pela autoridade "0 quo" do saldo credor da CSLL infOrmada 11(1 DCOMP devert-.se pela inexist.Oncia de .saldo erector daquela contribuição no DIP1/2002 (/Is 154) e o reconhecimento a IMHOF do .saldo do IRP1 do ano calendario cio 2001, comparado cam aquele infirrmado pela interessada na Declaração de In/or] ai,..oes EconCimico- — DIRI/2002 (fis.109), decorreu de glosa do valor de R$ 13 031,75 a titulo de Imposto de Renda Rctido ria Ponte dcduzido na declaração„ pot- não comJ)101)mhz iributa(ão dos rendimento.s comie sponclenfes. Cientificada do dospacho decisório, por via postal, em 15/0312007 (lis .186-verso), a interessada apresentou nurnifoshroo de inconfivinidade contra a decisão em 28/03/2007 VA 187/1.90), solicitando o reconhecimento integral do saldo erector do MP! apurado ma D1E1/2002, no valor de R$ 560..6.38,90. E117 substancia, alt-Ta a manifestante que a divergéncia de R$ 13 031,75 entre o 11/RI' infOrmado ern DIRE pelos fiznios pagadoras e o IRRF deduzido na DIP1/2002, deveu-se à fOrma como a Ionic pagadora (General Motors' do BM S1-1 Lida) 2 Processo 11" 13820 000075/2003-30 Si-I E02 Acórdiio ii 1802-00.744 li 259 declar OH o IRRE em DIRE, relativo a duas Notas Fiscais (NO, uma no valor de KS' 422.048,08 e a outra de R$ 446.7.35,02, cl/as retenções de IRRE totalizaram RI 13.031,75. que, enquanto a . fimte pagadora considerou .somente os valores (fetivantente pagos Aranie o ano de 2001, a interessada considerou-os pelo regime de competencia, tendo 08 referidos valores das NE integrado o lucro teal, conto one contas contóheis citadas na manilestação, sendo, dessa . forma, procedente a utilização do IRRE dessas WV Alega ainda que no informe de rendimentos emitido pela General Motors do Brasil .Ltda, do ano de 2002, cm; janeiro, encontra-se incluído o valor de 11$ 13.031,75 fls..209) A 7'. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DR.I/São Paul.o/SPOI) negou provitnento à mani festação de inconformidade em decisao proferida no venerando Acórdão n° 16-19.669, de 26/11/2008 (11s.220/223), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE .4 RE NDA DE PESSOA - 1171DOKA - I R P.J Ano-calendr.'irio - 2001 D(Y)MP SALDO NEGATIVO DO IRPJE C,SLL O 1RRF a ser deduzido na apuração do saldo final do imposto de renda é aquele cujos rendimentos integraram 0 Nero real .segundo o regime de competência. Mantém-.se a decisão que não reconheceu o credito por não comprovada a tributaccio dos rendimentos. A empresa interessada foi cientificada da decisão proferida no Acórdão acima mencionado, em 12/01/2009, conforme o Aviso de Recebimento (AR), 11.225, e, interpôs rceurso ao Conselho de Contribuintes em 10/02/2009, Ils.226/229, Essencialmente, alega a recorrente que a inconsistência de .R$ 13.031,75 apontada pela Receita Federal entre o IRRF in Ibrmado em DIRF pelas fontes pagadoras e o IRRF deduzido na DIPJ/2002, &cone da -forma como a fonte pagadora (General Motors do .1..tda) declarou o IRRF em DI.R.F; relativo a duas Notas Fiscais (NF), uma no valor de R$ 422.048,08 e a outra de R$ 446.735,02, no montante de R.$ 868.783,10 cujas retenções de IRRF de 1,5% totalizaram R$ 13„031,75 Isso porque enquanto a fonte pagadora considerou somente os valores efetivamente pagos durante o ano de 2001, a recorrente considerou-os na forma do Regime de Competência, lançando na DIPJ/2002 os valores de IRRF referente As duas notas ticais emitidas em Novembro e Dezembro/2001. A recorrente insiste que, no ano calendário de 2001 faz jus ao crédito não reconhecido de R$ 13.031,75, vez que o montante objeto desta reterwilo tbi efetivamente lançado pela recorrente naquele ano calendário, no que lhe autoriza a sua utilização; e que, o valor de R$ 594.219,39, referente aos i.nformes das fontes pagadoras Banco Fiat S/A e Fiat Leasing S/A, compõe a linha 30 Outras I.Z.eceitas Operacionais da DIP.1/2002, sendo objeto-da conta contábil 7.1.7..99.00 875020-4, conforme consta nos documentos anexos (doc..02), Aduz i reconente que, o Razao de Coutas da sociedade 'hem demonstra quo houve efetivamente o lançamento dos valores, bem como a retençao de IR na fonte no ano calendário de 2001, por pane da ora recorrente, de forma que privá-la de se utilizar do crédito auferido consistiria cm nítida apropriaçao indébita. Por fim, requer seja integralmente acolhido o presente recurso para o rim de reconhecer efetivamente o direito da recorrente de se valer do credito reclamado É. o relatório. Process() FL' 13820 000075/2003-30 I E02 Ac6r(Eio ti3O 1802-00.744 Fl. 2.60 Voto Conselheira Relatora, Ester Marques Lins de Sousa 0 recurso voluntário apresentado é tempestivo . Delc conheço, Tratam os autos de Declaração de Compensação dc débitos de IRRI (código 2362) e CM, (código 2484) apurados em 31/12/2002, nos valores de R$ 145..740,77 e R$ 62.546,19, respectivamente, coin créditos relativos a saldo negativo de IRPJ e CSI I. do ano calendário de 2001, (11s.01/02), bein corno compensações de débitos de PIS e CO-FINS não- cumulativos, no valor total de R$ 894.288,97, através dos PERDCOMP's (fls..64/94), apresentados em 2005, relacionados no despacho decisório, f1.167, A Delegacia da Receita. Federal de Administração Tributária em Sao Paulo (DERAT/SPO) ern despacho decisório (fls.167/171) deferiu parcialmente o pedido de restituição/compensação, no valor de 1R$ 726.523,78, sendo, R$ 178.906,63 referente ao IRPJ/2000 e R$ 547..617,15 referente ao IRP.I/2001, e, no reconheceu o saldo negativo de CSLI, de 31,12.2001.. 0 reconhecimento a menor do saldo do [R P.! do ano cal endario de 2001, comparado corn aquele informado pela interessada na Declaração de InfOrmações Econômico- Fiscais •-• DIPI/2002 (fi109), decorreu de glosa do valor d.e R.$ 13,031,75 a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF por na.o comprovada a tributação dos rendimentos correspondentes. Con forme relatado a pessoa jurídica apenas se insurge contra o valor de R$ 547.617,15 reconhecido como saldo credor do IRP1 do ano caleadario de 2001, por entender que o constante na DIPJ/2002, é no montante de R$ 560.638,90. Portanto, tanto na primeira instancia quanto na fase recursal, o litígio restringe-se ao valor de R$ 1.3031,75, que é o montante do 1RRF glosado pela autoridade administrativa tributaria.. Essencialinente, alega a recorrente que a inconsistência de R$ 13..031,75 apontada pela Receita Federal entre o IRRF informado em D1RF pelas fontes pagadoras e o IRRF deduzido na DIPJ/2002, decorre da forma como a. fonte pagadora (General Motors d.o Brasil Lida) declarou o IRRF em IMF; relativo a duas Notas Fiscais (NO, urna no valor de R$ 422,048,08 e a outra de R$ 446,735,02, no montante de R$ 868..783,10 cujas retenções de IRRF de 1,5% totalizaram R$ 13.031,75. Justifica que, enquanto a. fonte pagadora considerou somente os valores efetivamente pagos durante o ano de 2001, a recorrente considerou-os na forma do Regime de Competência, lançando na DIPJ/2002 os valores de IRRU referente as duas notas ficais emitidas em Novembro e Dezembro/2001. 5 A quest5o que merece relevo diz respeito ao art 55 da Lei n" 7.450/85 que assim prescreve: o impost() de renda relido na finite sobre quaisquer ft.'ndimentos .somente podera .ser compensado na deelaraçiio de pes.soa fisica ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retencrio emitido ern sea nome pela 'brae pagadora dos rendimentos (GR1FEI) Indubitavelmente, o Comprovante Anual de Rendimentos Paws ou Creditados e de Retencao de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica, referente ao imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos da fonte pagadora GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA., CNPI 59..275..792/0001-50, no ano calendario de 2001(11.130), tem corno rendimentos o montante de R$ 4.488.506,91 e o IRRE no valor de R$ 67.327,60 em perfeita consonância corn a DIRE retiticadora apresentada em 22/11.12005 (if 1.17).. Nessa toada, r1.50 se pode reconhecer como pagamento indevido de tributo passível de restituicao/compensaciio, valor que se baseia apenas na escriturayao contabil do contribuinte ou declara.yao (DIPI/2002 ), mas nao se encontra lastreado no comprovante de tetenyao emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (11.130) nem tampouco na DIRE (OA Considerando-se que o IR retido na Forne só pode Ser deduzido do IR devido se o contribuinte possuir comprovante de retencao emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, nao se pode acatar outros valores dito escriturados que nulo tenham respaldo no comprovante e DIRE em comento.. Aceitar os argumentos da recorrente seria tazer tábua rasa do preceito legal.. -No que tange it tributacao das receitas colhe-se da decisio dc primeiro grau o seguinte fundamento (11223): Ver//leu -se que o total do.s rendimentos informado.s pela contribuinte na ficha 43 (Ils 114) da DiP112002, .seL,nindo o regime de c..onipetência confbrme ela (mum:hi, per/re o montante de R$ 56 917.650,00. Este, poi-tor/1o, o valm a tributar, visto que a interessada utilizou-se na deduedo do imposto devido de todo o IR//E relativo a esses rendimentos Por sua vez, o total tributado na ficha 06A (11s 192) foi de R$ 5 6 322 071,01. A diferença, segundo a interessada, ocotreu poi tributar o valor de R$ 594 219,39, relativo its . fontes pagadoras Banco Fiat S/A e Fiat Leasing S/A na linha 30 (Outras Receitas Operacionais) da fie/ia 06A sim, em Lace da interes.sada possuir o ônu.s. da prova do direito alegado, caberia a ela demonstrar de Jima inequívoca essa tributaçrío, disci iminando a composiçâo do valor informado em "Outras Receitas Operacionais", mostrando efetivamente a inclusao, daquela diferença naquela linha, o que maio logrou a empresa ,faz,e.Llo, pois limitou-se a apresentar o lançamento isolado a débito da conta 7.1.7 99..00.875020-4 (fls 197), onde nem mesmo é passive/ a//rir-..se pelo histórico as. operações envolvidas com aquelas fontes pagadoras razao pela qual mantém-se a decisao da autoridade "a quo" nos termos em que foi proferida 6 Processo ii 13820.000075/2003-30 S1-1E02 AccircEio n '1802-0(1.744 H 201 A recorrente juntou aos autos, como prova habil para comprovar contabilização de tais rendimentos, copia de demonstrativos intitulados de "Razão de contas" do ano calendario de 2001, extraídos em 2007 (f1s.196/209) como se "Razão" fosse indicando "recebimentos de rendas de prestação de serviços" sem identificação das lOntes beneficiárias do serviço prestado, Desnecessario dizer que, o Razão é o livro que controla separadamente o movimento de cada conta para se conhecer o seu saldo e elaborar demonstrações contábeis, como balancetes, balanços e outras, de sorte que, os demonstrativos intitulados de "Razão de contas", cm si, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do credito a recuperar, hem como a escrituração das receitas, e, não substituem a necessária comprovação com o livro Razão, na medida em que seus lançamentos (do Razão) são, via de regra, extraídos do Livro As provas contábeis trazidas aos autos (demonstrativos como se "razão" fosse) apenas relaciona valores, portanto são consideradas insuficientes para que se poss a. avaliar com certeza que os rendimentos decorrentes das notas fiscais alegadas pela recorrente tenham sido computados no lucro real,. Sobre a mencionada DIFERENÇA de R$ 594.21_9,39 considerada como não tributada na rtcha 06A (ii,192), aduz a reconente que embora todos os documentos comprobatórios do quanto informado estejam anexos, apresenta a planilha elaborada corn base nos valores creditados mensalmente à Conta contábil da empresa. (Doc..03), facilitando a visualização dos direitos da recorrente. Ora, a "planilha" (11.243), em nada acrescenta ao já alegado pela recorrente, pois, apenas relaciona os valores mensais no total de R$ 594.219,39, persistindo a impossibilidade de se aferir as operações envolvidas nos lançamentos contábeis. 0 contribuinte não trouxe aos autos sequer o balanço patrimonial, evidenciando a situação do ativo a recuperar, em 31/12/2001, levantado a partir dos resultados contábeis do seu livro Razão . Na verdade, pela. infima documentação apresentada é impossível afirmar-se que os rendimentos relativos à fonte pagadora General Motors do Brasil Ltda foram escritinados como receita e que o fR .R.F também fora escriturado como parcela do ativo circulante para o reconhecimento do direito creditório alegado. Não vejo como, diante das inconsistências verificadas e da falta de escrituração contábil hábil e idônea, reconhecer o direito da recorrente à repetição de indébito além do valor já reconhecido pela DERAT/SPO. Dessarte, considera-se que o IR retido na Fonte só pode ser deduzido do IR devido no limite do valor comprovado e, se Os respectivos rendimentos forem oferecidos tributação.. Não comprovado que tbi declarado valor: superior ao já aceito pela Autoridade Administrativa, não há alteração a ser efetuada no valor do saldo negativo -já - reconhecido. 7 - - _—EStet Marcitten_,insAie:Si)usa.- Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso VO1 LIF1:10 8
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Numero do processo: 16327.001879/2008-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-005.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 79 /2 00 8- 20 Fl. 231DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 240102.252, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n.º 37.195.8466, em desfavor da recorrente, tendo por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, mais especificamente salário educação, relativa ao período de 03/2003 a 04/2004, levantados sobre os valores de apoio financeiros concedido aos segurados empregados a título de abono único. As contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, inclusive o adicional de 2,5% previsto no § 1 0 do artigo 22 da Lei n° 8.212/91 e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, para o período 01/2003 a 02/2005, foram objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Debito NFLD n° 35.808.7694, constituída em 03/08/2005, durante o curso do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09211157 e prorrogações. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 74 a 80. Foi exarada a Decisão Notificação – DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 90 a 96. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto Recurso Voluntário pela notificada, fls. 100, contendo em síntese, os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos destacar, em síntese: que o STF já reconheceu que o prazo de decadência para constituição do crédito previdenciário é de 5 anos previsto no CTN, ao reconhecer a inconstitucionalidade do art. 45, da Lei nº 8.212/91, pacificando a matéria ao editar a Súmula Vinculante n° 8; o prazo é sempre de 5 anos, podendo ter início na data do fato gerador (quando houver antecipação do tributo, no lançamento por homologação) ou no primeiro dia do exercício seguinte, quando o sujeito passivo deixar de antecipar o tributo que lhe competia; (...). Ainda, que não há dúvida quanto ao recolhimento antecipado da Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.001879/200820 Acórdão n.º 9202005.199 CSRFT2 Fl. 606 3 contribuição previdenciária, já que houve o recolhimento, em todas as competências autuadas, mas sobre base de cálculo apurada a partir das verbas por ele consideradas salariais, razão pela qual deve ser cancelado em parte o lançamento, tendo em vista que decaíram os supostos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2003 a novembro de 2003, já que a ciência de sua lavratura ocorreu somente em 18 de dezembro de 2008, ou seja, há cinco anos contados do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 128/142, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, votando pela declaração de decadência para o período de 03/2003 a 11/2003, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 18/12/2008. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO INDIRETO ABONO ÚNICO NATUREZA SALARIAL FNDE AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2004 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento em relação a outros fatos geradores ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4º do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às fls. 146/157, alegando divergência entre as decisões em relação à regra decadencial a ser aplicada, afirmando que o acórdão recorrido entendeu que, existindo pagamento antecipado do tributo como um todo, considerandose guia de recolhimento genérica para contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no art. 150, § 4.º, do CTN. Diversamente, afirma que os paradigmas entendem que não havendo recolhimento antecipado das contribuições previdenciárias referentes às rubricas lançadas, individualmente consideradas, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regese pelo contido no art. 173, I do CTN. Às fls. 160/162, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO em relação à única divergência arguida (matéria relativa à regra decadencial), Fl. 233DF CARF MF 4 uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. Às fls. 179/184, o Contribuinte interpôs contrarrazões, rebatendo tão somente matéria de mérito. Realizadas as devidas cientificações das decisões acima transcritas vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n.º 37.195.8466, em desfavor da recorrente, tendo por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, mais especificamente salário educação, relativa ao período de 03/2003 a 04/2004, levantados sobre os valores de apoio financeiros concedido aos segurados empregados a título de abono único. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à decadência, onde o acórdão recorrido entende que, existindo pagamento antecipado do tributo como um todo, considerase guia de recolhimento genérica para contribuições previdenciárias e a contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no art. 150, § 4.º, do CTN. Diversamente, afirmou que os paradigmas entendem que, não havendo recolhimento antecipado das contribuições previdenciárias referentes às rubricas lançadas, individualmente consideradas, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regese pelo contido no art. 173, I do CTN. O Recurso Especial insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão, necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.001879/200820 Acórdão n.º 9202005.199 CSRFT2 Fl. 607 5 Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733 SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...)3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Fl. 235DF CARF MF 6 Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Ou seja, delimitar o significado e abrangência do termo início de pagamento. O Contribuinte alega que assiste razão ao acórdão paradigma que contrariando o acórdão recorrido decidiu que o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de salário caracteriza a antecipação de pagamento, devendo, assim, ser utilizada a regra prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. Enquanto que a Fazenda Nacional entende que o pagamento deve ser realizado para fatos geradores específicos. Registro aqui meu posicionamento de que o adiantamento do pagamento não se verifica pelo recolhimento de contribuições sobre qualquer rubrica, mas tão somente aquelas cujo fato gerador seja equivalente. Sendo assim mister se faz observar discriminadamente a que tipo de levantamento o auto de infração se refere para então analisar se há ou não início de pagamento para cada uma delas ou para todas se for o caso, sendo: * contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, mais especificamente salário educação, relativa ao período de 03/2003 a 04/2004, levantados sobre os valores de apoio financeiros concedido aos segurados empregados a título de abono único. Deste modo, considerando que as contribuições devidas referemse aos segurados empregados, observo que há pagamento das diferenças, e que os demais recolhimentos da folha os aproveitam, face a súmula 99 – salário indireto. Considero a existência de pagamento antecipado capaz de atrair a aplicação do art. 150, § 4, do CTN. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.001879/200820 Acórdão n.º 9202005.199 CSRFT2 Fl. 608 7 Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 16832.000662/2009-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA - AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011
Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deu-se na modalidade "in natura", o lançamento enquadra-se na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida in natura, sob a forma de utilidades.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011 Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deuse na modalidade "in natura", o lançamento enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, sob a forma de utilidades. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 62 /2 00 9- 73 Fl. 249DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.240.4448, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 06/08/2009, no valor de R$ 2.217,79, acrescidos de juros e multa de mora, referentes às contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados, no período de 01/2005 a 09/2005. Conforme informações contidas no relatório fiscal, o lançamento teve por fatos geradores: a) os valores de despesa com alimentação fornecida aos funcionários, apurada no Livro Diário 155 e 156, conta contábil 4.1.2.02.01.00808 – DESP. De lanches e refeições, eis que não foi apresentado o comprovante de adesão ao PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador; b) os pagamentos referentes às verbas trabalhistas contabilizadas na conta contábil 4.1.2.02.01.00256 – Indenizações Trabalhistas e constantes dos Termos de Acertamento e Conciliação Trabalhistas realizadas no Núcleo Intersindical de Conciliação trabalhista no estado do Rio de Janeiro. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 20/06/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.110, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR – PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT – Programa de Fl. 251DF CARF MF 4 Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA. ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009. RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 20/09/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 07/10/2013, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 24001130/2013, da 4ª Câmara, de 08/11/2013. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403002.110, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 19/08/2014, o Fl. 252DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 4 5 contribuinte apresentou, antes mesmo de receber a intimação pelos Correios, em 01/07/2014, contrarrazões e Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 24000/2015, da 4ª Câmara, de 10/11/2015. Em seu recurso, o contribuinte, preliminarmente, registra a ocorrência de relevante erro material no acórdão recorrido, consistente da afirmação de que o fornecimento de alimentação, no presente caso, teria sido feito em espécie e não in natura. Argumenta que uma vez corrigido o erro existente, o acórdão recorrido deve ser reformado para que se aplique o entendimento adotado por outra Turma do CARF (acórdão 2402003.308) que reconheceu a desnecessidade de inscrição no PAT, inclusive com a aplicação do Ato Declaratório nº 03/2011 da PGFN. Acrescenta que, mesmo que se entenda que o fornecimento de alimentos ocorreu em espécie – o que contraria a verdade material – ainda assim deve ser reconhecida a não incidência da contribuição previdenciária sobre esses valores, independentemente de adesão da recorrente ao PAT, uma vez que, nos termos do art. 62A do RICARF, deve ser aplicada a jurisprudência consolidada do STJ, já decidida sobre a sistemática do recurso repetitivo (art. 543C, do CPC), que entendeu que o fornecimento de alimentos pelo empregador aos seus empregados, seja in natura ou através de pagamento em espécie, não enseja o recolhimento de contribuição previdenciária, independentemente de a empresa ter ou não aderido ao PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que: · apesar de os precedentes invocados pela Fazenda Nacional como paradigmas referiremse à aplicação das multas estabelecidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96, da leitura do inteiro teor de ambos os acórdãos, verificase que cada um dá uma solução distinta à aplicação da retroatividade benigna, além de tratarem de casos diferentes do tratado no presente processo. · no presente caso, o acórdão recorrido determinou “que se recalcule a multa de mora com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte”; enquanto que no primeiro paradigma apresentado restou consignado que a autoridade fiscal deveria comparar a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, com a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/2009; e no segundo paradigma invocado, o caso trata da divergência entre a aplicação da multa prevista nos artigos 32A e 35A, ambos com redação dada pela Lei 11.941/2009. · a tese sustentada pela Fazenda Nacional está em desacordo com o entendimento do primeiro paradigma invocado , uma vez que a recorrente sustenta que a aferição da penalidade mais benéfica deveria ser verificada da seguinte forma: “se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei 8.212/91, Fl. 253DF CARF MF 6 introduzida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009” e o paradigma determinou que se compare a multa prevista no art. 35, da Lei 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, com a multa prevista no art. 35A, da Lei 8.212/91 – o que por si só já demonstra a improcedência do recurso especial. · o pedido formulado pela Fazenda Nacional não corresponde ao que restou consignado nos acórdãos paradigmas. Em seu pedido final, a Fazenda não requer seja aplicado o entendimento consignado no primeiro paradigma – aplicação do art. 35A, da Lei 8.212/91, se mais benéfico que a multa prevista o antigo art. 35 da mesma lei – e nem o entendimento do segundo paradigma – aplicação do art. 35A, da Lei 8.212/91 se mais benéfico que o art. 32A, da Lei 8.212/91; e sim, que “seja dado total provimento ao presente recurso com a conseqüente reforma do acórdão recorrido, a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a IN SRF nº 1.027/2010”, afirmando, equivocadamente, que a autoridade fiscal teria efetuado os lançamentos nos exatos termos da IN citada – que determina o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal e das multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória e sua comparação com a multa do art. 35A, da Lei 8.212/91 – razão pela qual deveria ser mantida a multa na forma constante no auto de infração de obrigação principal. · não foi isso que ocorreu no presente caso, já que além da lavratura de três autos de infração por descumprimento de obrigação principal (DEBCAD 37.256.6545, 37.240.4448 e 37.240.4456), foi lavrado um auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória (DEBCAD 27.240.4464), e que tal fato demonstra o equívoco da tese da Fazenda Nacional, pois caso tivesse a autoridade fiscal observado a aplicação da penalidade mais benéfica, não teria sido lavrado o auto de infração para cobrança da multa por descumprimento de obrigação acessória, mas tão somente os autos de infração por descumprimento de obrigação principal. · o acórdão recorrido, ao determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, a fim de prevalecer a mais benéfica ao contribuinte, apenas aplicou o princípio da retroatividade benigna, insculpido no art. 106, II, “c”, do CTN, princípio esse que, ao contrário do que afirma a Fazenda Nacional, não foi observado pela autoridade fiscal quando da lavratura dos autos de infração. Cientificada do Recurso Especial do Contribuinte em 11/11/2015, a Fazenda Nacional apresentou em 20/11/2015, portanto, tempestivamente, contrarrazões, onde alega o seguinte: § que os valores fornecidos aos empregados a título de auxílio alimentação integram o saláriodecontribuição quando pagos em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, ou seja, os valores fornecidos em forma de pecúnia, inclusive desconto em folha, valerefeição e ticket aos empregados a título de auxílio Fl. 254DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 5 7 alimentação integram o saláriodecontribuição, já que não se enquadram como prestação in natura. § que, ainda que o contribuinte alegue que os empregados foram descontados dos valores pagos a título de alimentação, e por isso não incidiria contribuição previdenciária, essa tese deve ser rechaçada, pois, conforme o Relatório Fiscal, tais valores de despesa de alimentação foram apurados com base nos lançamentos contábeis da própria empresa, na conta contábil 4.1.2.02.01.00808 Desp. De lanches e refeições, ou seja, eram despesas habituais com os empregados em retribuição ao contrato de trabalho. § que o art. 28 da Lei n ° 8.212/91, determina que, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: · Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: · I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; § que a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas que existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, e que tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, que na alínea “c” determina que a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovadas pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não integram o saláriodecontribuição. Portanto, para a não incidência da Contribuição Previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura”, o que não abrange desconto em folha, ticket, valerefeição ou espécie. § que o Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia, consoante se depreende do art. 4º do decreto nº 5/1991 que regulamenta o programa: · Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador; a pessoa jurídica Fl. 255DF CARF MF 8 beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis e sociedades cooperativas. § que a alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, independ § ente de estar a empresa inscrita ou não no Programa. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Recurso Especial do Sujeito Passivo O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 236. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Para que possamos apreciar o mérito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o fornecimento de lanches e refeições, convém trazer a baila a argumentação do relatório fiscal : O acórdão recorrido utilizou como fundamento para negar provimento ao recurso voluntário: Ademais, ainda que a Recorrente alegue que os empregados foram descontados dos valores pagos a título de alimentação, afastase tal alegação pois, conforme o Relatório Fiscal, os valores de despesa de alimentação foram apurados com base nos lançamentos da conta contábil 4.1.2.02.01.00808 Desp. De lanches e refeições. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na verba paga a título de alimentação recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. Quanto ao mérito toda a argumentação do recorrente fundase em um único ponto. Ocorrência de erro material, j A alimentação in natura, mesmo que fornecida sem adesão ao PAT não constitui salário de contribuição. Assim, argumentou o recorrente: · registra a ocorrência de relevante erro material no acórdão recorrido, consistente da afirmação de que o fornecimento de alimentação, no presente caso, teria sido feito em espécie e não in natura. · Argumenta que uma vez corrigido o erro existente, o acórdão recorrido deve ser reformado para que se aplique o entendimento adotado por outra Turma do CARF (acórdão 2402003.308) que reconheceu a desnecessidade de inscrição no PAT, inclusive com a aplicação do Ato Declaratório nº 03/2011 da PGFN. · Acrescenta que, mesmo que se entenda que o fornecimento de alimentos ocorreu em espécie – o que contraria a verdade material – Fl. 257DF CARF MF 10 ainda assim deve ser reconhecida a não incidência da contribuição previdenciária sobre esses valores, independentemente de adesão da recorrente ao PAT, uma vez que, nos termos do art. 62A do RICARF, deve ser aplicada a jurisprudência consolidada do STJ, já decidida sobre a sistemática do recurso repetitivo (art. 543C, do CPC), que entendeu que o fornecimento de alimentos pelo empregador aos seus empregados, seja in natura ou através de pagamento em espécie, não enseja o recolhimento de contribuição previdenciária, independentemente de a empresa ter ou não aderido ao PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador. O art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, assim específica as condições para exclusão do valor da alimentação fornecida ao empregado da conceito de salário de contribuição. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. Embora tenha a autoridade fiscal seguido a estrita observância legal, que define claramente nos limites da lei 6.321/76, quanto a inscrição da empresa no PAT, convém analisar a questão de forma, um pouco mais aprofundada, inclusive quanto aos atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional, seguindo o entendimento jurisprudencial a respeito do tema. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com Fl. 258DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 7 11 entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes desses outros pontos. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Destaco, por fim, que, ao contrário do entendimento traçado pelo acórdão recorrido e pela PGFN em sede de contrarrazões, não vislumbro o pagamento em pecúnia no presente lançamento, já que a única informação contida nos autos que poderia levar a esse raciocínio é que os valores foram apurados na conta Despesas com Lanches e refeições. A leitura da decisão de primeira instância também reforça essa idéia, já que enfatizou o julgador que o fundamento para a manutenção foi o descumprimento da adesão ao PAT. Senão vejamos: Do Fornecimento de Refeições e Lanches 14. Consoante Relatório Fiscal, a empresa forneceu Refeição e Lanches aos seus empregados, não tendo providenciado sua inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. Fl. 259DF CARF MF 12 14.1. Afirma a interessada que a auditoria está a confundir o fornecimento de lanches e refeições com salário in natura e que para o caso concreto a adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT, não é compulsória, mas facultativa, vez que os empregados não recebiam gratuitamente essas refeições e lanches. 15. A legislação previdenciária ao expressar o conceito de saláriodecontribuição, destacou: "... os ganhos habituais sob a forma de utilidades", adequandose ao texto constitucional, que diz: "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei" (CF/88, art. 201, § 4o). 16. No caso em tela, a empresa efetuou pagamento a título de "Refeições e Lanches" aos seus segurados sem que estivesse inscrita no PAT, caracterizandose este uma vantagem econômica, benefício para o empregado, integrandoo ao saláriodecontribuição por não estar abrangido pelas hipóteses legais de exclusão da incidência previdenciária (§ 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/1991). 17. O artigo 214 do Decreto n° 3.048/1999, em seu § 10, determina a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de refeições e lanches, quando pagos em desacordo com a legislação de regência. 18. Da mesma forma, o artigo 28, § 9o , alínea "c" da Lei n° 8.212/1991, excluiu do salário de contribuição somente a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; (Atualmente Ministério do Trabalho e Emprego MTE, conforme a MP n° 103, de 01/01/2003, convertida na Lei n° 10.683, de 28/05/2003). 19. A Lei n° 6.321/1976 regula o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e estabelece em seu artigo 3o: Art. 3o Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, (grifei) 20. Portanto, a Lei n° 6.321/1976, estabeleceu verdadeira isenção de contribuições previdenciárias sobre a parcela de alimentação in natura concedida aos trabalhadores, condicionada, entretanto, à participação da empresa no mencionado Programa, com prévia aprovação do Ministério do Trabalho, assim entendida a apresentação pelo participante de documento hábil a ser definido em Portaria Ministerial, conforme § 4o , do artigo Io , do Decreto n° 5/1991. 21. A referida adesão passou a ser feita por prazo indeterminado para os formulários apresentados, via postal, a partir de 03/12/1999, data da publicação da Portaria MTE/MF/MS n° 05/1999, posteriormente, modificados pela Portaria MTE n° 66 de 19/12/2003, que assim, dispõe: Fl. 260DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 8 13 Art. Io As pessoas jurídicas beneficiárias do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) deverão recadastrarse, no período de 1" de março a 30 de maio de 2004. Art 3a O nãorecadastramento no Programa de Alimentação do Trabalhador no prazo estipulado implicará o cancelamento automático do registro ou inscrição. Art. 4" A cópia do comprovante de recadastramento deverá ser mantida nas dependências da empresa, à disposição da Fiscalização Federal. 22. Tratase, por conseguinte, de isenção que exige para sua concessão procedimento formal perante a autoridade administrativa, por meio do qual 0 interessado atesta o preenchimento das condições e o cumprimento dos requisitos exigidos pelo PAT, devendo ser interpretada de forma não extensiva, a teor do disposto no artigo 111, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966): Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 23. Portanto, somente goza da isenção, a que se refere o artigo 3 o , da Lei n° 6.321/1976, a empresa que comprove sua filiação ao PAT. De acordo com o item 4 do Relatório Fiscal, o autuante esclarece que o contribuinte não é inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, a partir de 01/2004. 24. Considerando, que a interessada não comprovou a adesão ao PAT no período correspondente aos fatos geradores, resta, evidenciada a regularidade do lançamento das contribuições previdenciárias sobre a vantagem patrimonial representada pelo fornecimento de alimentação, apurado mensalmente, eis que, não houve o cumprimento integral das condições estabelecidas na legislação de regência para a sua exclusão do campo de incidência do tributo em comento. Considerando restar demonstrado que a alimentação foi fornecida in natura, na forma de fornecimento de lanches e reeições, assiste razão ao recorrente quanto a exclusão da rubrica “lanches” razão pela qual DOU PROVIMENTO AO RECURSO. Recurso Especial da Fazenda Nacional O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 124. Contudo, considerando a argumentação pela ausência de similitude fática, convém analisar um pouco melhor a questão. Ao contrário do argumentado pelo sujeito passivo, o recurso da procuradoria visa demonstrar que o acórdão recorrido aplicou a tese da retroatividade de forma isolada, sem considerar a natureza da multa aplicada, determinando o cálculo de acordo com a nova Fl. 261DF CARF MF 14 sistemárica do art. 35 enquanto os acórdãos paradigmas entendem pela aplicação da tese a retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ou seja, segundo a tese prevista na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 não há como aplicar as teses isoladamente, como proposto no acórdão recorrido, mas sua análise, para apuração da norma mais benéfica, presume o somatório das multas decorrentes de obrigação principal e acessória (pela não informação em GFIP) em confronto com o novo dispositivo do art. 35_A. Dessa forma, entendo que existe similitude fática e conseqüentemente interpretações distintas, o que enseja o cumprimento dos pressupostos para conhecimento o Resp. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 9 15 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito Fl. 263DF CARF MF 16 NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 10 17 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 265DF CARF MF 18 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 266DF CARF MF Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 9202005.259 CSRFT2 Fl. 11 19 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Fl. 267DF CARF MF 20 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER dos recursos Especiais do Sujeito passivo e da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.004313/2004-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2002 Exclusão. Sócio Partícipe com mais de 10% do Capital de Outra Empresa, e que a Receita Bruta Global Ultrapasse o Limite Legal. Possibilidade Não pode optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, e que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
Numero da decisão: 1802-000.735
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002 Exclusão. Sócio Partícipe com mais de 10% do Capital de Outra Empresa, e que a Receita Bruta Global Ultrapasse o Limite Legal. Possibilidade Não pode optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, e que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Alfredo Henrique Rebello Brandão. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima qualifica contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Campinas/SP. O recorrente fora excluído do Simples Federal (Lei n° 9.317/96), com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2003, pelo Ato Declaratório Executivo DFR/CPS n° 561.225, de 02 de agosto de 2004 (fl. 02). Devidamente notificado, o recorrente apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (fl. 01). Referida solicitação foi rejeitada (fls. 56 57). Ao fundamento (coincidente ao da exclusão) de que o sócio (Sr. Dennis Chia Chun Chan, CPF n° 002.075.278 49) com participação superior a 10% (dez por cento) no capital social de outras pessoas jurídicas (Indústria e Comércio Taurus Ltda., CNPJ sob n° 60.624.046/000103, e Hotel Pousa Lá Ltda., CNPJ sob n° 52.704.012/000109), e cuja receita bruta global teria ultrapassado, no ano calendário 2002, o limite estipulado no inciso II, do art. 2°, da Lei n° 9.317, de 1996. Assentouse ainda, que em contradita à argumentação do recorrente, a DRF de origem anotou que a exclusão poderia, sim, ter efeitos retroativos à data do evento. Cientificado da decisão (fl. 60) o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 97), na qual pondera que "efetuou as modificações necessárias conforme apresentado em Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples". A 1ª Turma da DRJ de Campinas, nos termos do acórdão e voto de folhas 117 a 118, indeferiu a solicitação, assentando para tanto, ser vedada a opção pelo SIMPLES de pessoa jurídica que disponha de sócio com participação superior a 10% (dez por cento) no capital social de outra pessoa jurídica, e cuja receita bruta global ultrapassa o limite estipulado no inciso II, do art. 2°, da Lei n° 9.317/96, é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples Federal. Notificado (fl. 120), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 121 – 122), insistindo que as irregularidades foram sanadas. É o relatório. Voto Fl. 155DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10830.004313/200450 Acórdão n.º 180200.735 S1TE02 Fl. 2 3 Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de admissibilidade, admitoo. Depreendese dos autos, de maneira inconteste, que no ano calendário 2002 somadas as receitas brutas do recorrente com aquelas percebidas pelas pessoas jurídicas Indústria e Comércio Taurus Ltda. (CNPJ sob n° 60.624.046/000103) e Hotel Pousa Lá Ltda. (CNPJ sob n°52.704.012/000109), das quais o Sr. Dennis Chia Chun Chan (CPF sob n° 002.075.27849), era, à época, sócio da recorrente e dispunha de participação nas demais em patamar superior a 10% do respectivo capital social, chegase ao montante de R$ 1.614.707,78 (fl. 18), importe flagrantemente superior ao apregoado no art. 2°, inciso II, da Lei n° 9.317/96, que à época era de R$ 1.200.000,00. Sendo assim, na esteira do que afirmou a decisão recorrida de acordo com consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil a receita bruta somada das três pessoas jurídicas em consideração, no ano calendário 2002, alcançou R$ 1.614.707,78 e o fato de no ano calendário 2002, o Sr. Dennis Chia Chun Chan (CPF sob n° 002.075.27849) figurar no quadro societário do Interessado (situação que se modificou apenas em 21/02/2006 de este deter mais de 10% do capital social das outras duas pessoas jurídicas aqui referenciadas (fls. 106 115), afigurase de fato a situação impeditiva de opção pelo regime do SIMPLES. Diante desses aspectos fáticos para atingirse essa conclusão se faz imperiosa a perquirição no quadro normativo vigente à época, e nesse aspecto não se pode olvidar o que dispunha a Lei nº 9.317/96, que em seu artigo 9º tratava dos casos de exclusão do regime e das impossibilidades de optar por ele, no ponto pertinente ao caso concreto, é de bom alvitre reproduzir o caput do artigo 9º e seu inciso IX, litteris: Artigo 9º. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°; [...]. Em termos do panorama jurídico/normativo, portanto, é incontestável que na vigência da referida lei, não poderia optar pelo SIMPLES a empresa que tivesse em seu quadro societário pessoa física com participação superior a dez por cento no capital social de outra empresa cuja receita bruta ultrapassasse o limite de opção pelo regime discutido. Destarte, a conclusão da ilustrada Turma da DRJ não merece reparos, eis que se observa a correta imputação dos fatos à vedação de opção pelo SIMPLES. No que toca aos efeitos da exclusão, sem prejuízo dos argumentos da recorrente, mas em estrita observância da legalidade, vale registrar como já o fez a decisão recorrida o que dispunha o artigo 15 da tantas vezes referida lei: Art. 15.[ ...] § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a Fl. 156DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 157DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907334/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 34 /2 00 9- 67 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13896.907334/200967 Acórdão n.º 1402002.587 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.907334/200967 Acórdão n.º 1402002.587 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.907334/200967 Acórdão n.º 1402002.587 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.907334/200967 Acórdão n.º 1402002.587 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.907334/200967 Acórdão n.º 1402002.587 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 338DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720225/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
CONTROLE REPRESSIVO DE CONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.)
REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 - vinculante.)
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO.
São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8.212, de 1991.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% no período posterior à vigência da MP 449/2008 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interposta pessoa jurídica.
Numero da decisão: 2301-005.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, NÃO CONHECER das questões acerca (a) das inconstitucionalidades de lei, (b) do processo administrativo de representação fiscal para fins penais, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 CONTROLE REPRESSIVO DE CONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 - vinculante.) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO. São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8.212, de 1991. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% no período posterior à vigência da MP 449/2008 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interposta pessoa jurídica.
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CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 vinculante.) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO. São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8.212, de 1991. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 02 25 /2 01 4- 54 Fl. 1685DF CARF MF 2 Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% no período posterior à vigência da MP 449/2008 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interposta pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, NÃO CONHECER das questões acerca (a) das inconstitucionalidades de lei, (b) do processo administrativo de representação fiscal para fins penais, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1050.088, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Porto Alegre (efls. 1594 a 1603). O processo administrativo é constituído pelo auto de infração Debcad 51.035.3207, atinente às competências 01/2009 a 13/2011, o qual constitui créditos tributários referentes às contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados. O montante do crédito tributário lançado, consolidado em 04/02/2014, é de R$900.878,13. Consta do relatório fiscal (efls. 736 a 758) que: (a) diante da relação simulada entre as sociedades SANTA CATARINA INFORMÁTICA Ltda. (doravante denominada SCI) e DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS PARA INFORMÁTICA SANTA CATARINA Ltda. (doravante nominada DI), CNPJ n° 73.423.600/000136, com o objetivo de reduzir os encargos previdenciários incidentes sobre as remunerações dos seus empregados, entendeu a autoridade lançadora restar caracterizada relação de emprego prestada pelos sócios e empregados da sociedade DI à sociedade SCI; (b) a SCI tem como objetivo social a exploração do ramo de (a) locação e cessão de direitos de uso de sistemas (software) personalizados; (b) produção de vídeos para a internet, comerciais, televisão, cinema e afins; (c) produção de programas para a televisão; e (d) produções cinematográficas; o contrato social da DI descreve como objeto social, a partir de 2005, (1) a exploração do ramo de comércio atacadista e varejista de produtos para informática e (2) a prestação de serviços de processamento de dados e digitalização; (c) a família Marçal detinha o controle societário da SCI e da DI, que funcionavam no mesmo endereço; em 03/01/2012, após a edição da MP 540, de 2011, convertida na Lei 12.546, de 2011, que desonerou a folha de pagamentos das sociedade que Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 13971.720225/201454 Acórdão n.º 2301005.078 S2C3T1 Fl. 3 3 tinham como objeto social a tecnologia da informação (efeitos a partir de 1º/12/2011), a SCI incorporou a DI; (d) de acordo com a autoridade lançadora, a DI concentrava as despesas com mãodeobra para o desenvolvimento e manutenção de softwares e a SCI concentrava o faturamento com a comercialização, com o objetivo de reduzir os encargos previdenciários incidentes sobre a remuneração dos seus empregados; a DI era optante pelo Simples e apresentava um índice bem superior de despesas com empregados, em comparação com seu faturamento – entre 1999 a 2011 a relação entre despesas com empregados e receita bruta variou entre 79,55% a 277,27% para a DI e entre 1,85% e 13,21% para a SCI (relação maior do que 100% significa que a receita bruta é insuficiente para pagar as despesas com empregados): ANO SCI DI FT RB * DE** DE/RB ME FT RB* DE** DE/RB ME 1999 LP 183.394,01 5.771,18 3,15% 1 S 32.931,87 85.474,02 259,55% 12 2000 LP 318.656,83 8.790,60 3,15% 1 S 51.688,39 143.317,76 277,27% 16 2001 LP 355.810,55 9.152,31 2,57% 1 S 252.285,53 200.685,73 79,55% 21 2002 LP 405.147,08 7.828,61 1,93% 2 S 370.675,90 298.723,02 80,59% 27 2003 LP 641.227,17 11.889,67 1,85% 2 S 363.532,81 352.325,16 96,92% 27 2004 LP 831.079,71 32.529,13 3,91% 3 S 517.397,49 501.746,21 96,97% 29 2005 LP 1.130.058,48 91.214,26 8,07% 8 S 520.525,57 581.634,52 111,74% 32 2006 LP 1.348.427,68 156.626,18 11,62% 11 S 669.146,51 752.961,78 112,53% 52 2007 LP 1.553.511,39 205.182,83 13,21% 12 S 770.146,22 864.704,29 112,28% 42 2008 LP 1.943.658,78 235.896,97 12,14% 12 S 1.059.436,45 1.132.979,10 106,94% 51 2009 LP 2.890.909,17 251.108,36 8,69% 12 S 1.713.339,82 1.443.519,72 84,25% 62 2010 LP 5.148.076,33 276.176,97 5,36% 13 S 1.935.245,96 1.773.148,93 91,62% 72 2011 LP 9.758.714,77 344.461,96 3,53% 11 S 2.058.455,81 2.287.694,86 111,14% 78 Forma de Tributação (FT) – Lucro Presumido (LP) ou Simples (S); Receita Bruta (RB); Despesas com Empregados (DE); relação entre Despesas com Empregados X Receita Bruta (DE/RB) e Média anual de Empregados (ME) (e) o faturamento da DI no período de 2009 a 2011 é resultante da prestação de serviços quase que exclusivamente para a SCI (receitas com outras sociedades: 2009, 1,07%; 2010, 0,00%; 2011, 0,79%); (f) os empregados da DI atuavam predominantemente no desenvolvimento e manutenção de softwares, conforme análise das folhas de pagamento; (g) no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) da DI, elaborado a partir de avaliações ambientais realizadas em 14/07/2011, realizado pela Servimed – Clínica de Medicina do Trabalho Ltda., cujo contrato foi assinado em 10/06/2010, são descritos as áreas físicas dos setores, o número de funcionários por cargo e suas respectivas atividades desenvolvidas, evidenciandose a vinculação desses serviços à atividadefim da SCI; (h) praticamente todos os documentos referentes a admissões e demissões dos 44 empregados desligados da DI no período analisado, foram assinados pelo Sr. Everton Oliveira Marçal, sócio majoritário da SCI e ausente do quadro societário da DI, constando, inclusive, seu nome como “diretor” em carimbo da DI; além da assinatura, algumas destas rescisões também foram pagas pela SCI; Fl. 1687DF CARF MF 4 (i) na análise da escrita e dos documentos contábeis apresentados pelas sociedades DI e SCI, ficou evidenciado que a grande maioria das despesas, encargos, contribuições e benefícios trabalhistas mensais, contabilizados pela DI no período de 01/2009 a 12/2011, foram pagos por meio de movimentações nas contas bancárias da SCI no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal, na Cooperativa de Crédito Vale do Itajaí e no Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil; no caso da conta do Banco do Brasil, que era a mais utilizada, consta nos comprovantes de pagamentos que as transações foram efetuadas por Everton Oliveira Marçal, sócio majoritário da empresa SCI, evidenciandose assim sua total ingerência na DI. São exemplos: 1. recolhimentos das contribuições previdenciárias e para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos empregados da DI; 2. recolhimentos do Simples Nacional; 3. pagamentos do plano de saúde dos empregados da DI; 4. pagamentos de auxíliotransporte (valetransporte) dos empregados da DI; 5. pagamentos mensais da Contribuição Sindical dos empregados da DI para o Sindicato dos Empregados nas Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina; 6. pagamentos de despesas dos empregados da DI em farmácias, por meio de convênios com o Serviço Social da Indústria (farmácia SESI) e com a DIMEP S.A. Distribuidora de Medicamentos (Panvel Farmácia); 7. pagamentos à Servimed – Clínica de Medicina do Trabalho Ltda, responsável pela elaboração do PPRA da DI; 8. pagamentos a CCVI/South América Administradora de Cartões Ltda; 9. pagamentos de seguro de vida em grupo dos empregados da DI; 10. pagamentos a LC Salvador Serviços Contábeis Ltda, empresa responsável pela escrita contábil da SCI e da DI; 11. assinatura de Everton Oliveira Marçal, sócio majoritário da SCI, em cheques emitidos pela DI. A conclusão da fiscalização é de que: (a) os serviços prestados pelos empregados da Distribuidora de Produtos para Informática Santa Catarina Ltda. estão diretamente vinculados à atividadefim da Santa Catarina Informática Ltda., caracterizando terceirização ilegal e, conseqüentemente, formando se o vínculo empregatício dos trabalhadores da DI diretamente com a SCI, conforme ficou assentado pelo TST ao editar o Enunciado n° 331/2002; (b) a situação fática é completamente divergente da situação jurídica, existindo simulação na contratação da pessoa jurídica, cujos empregados e sócios atuam, na verdade, como empregados da contratante; existe interdependência econômica e interligação administrativa e financeira, com unicidade de comando exercida, na prática, pela família Marçal nas sociedades, sendo a DI (optante pelo Simples) apenas uma sociedade interposta na contratação formal da mãodeobra utilizada, efetivamente, em benefício da SCI, com o principal objetivo de redução de encargos previdenciários. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 13971.720225/201454 Acórdão n.º 2301005.078 S2C3T1 Fl. 4 5 O lançamento foi efetuado com a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, em razão da caracterização das práticas de sonegação e conluio previstas nos artigos 71 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária relativos aos sócios administradores Everton Oliveira Marçal e Eliton Oliveira Marçal, com poderes de gestão da SCI e da DI, respectivamente, que foram chamados a responder pelo crédito tributário nos termos dos artigos 124 e 135 da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). A DRJ julgou a impugnação improcedente, e seu acórdão recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71 e 73 da Lei nº 4.502/1964. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AI Debcad nº 51.035.3207 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. SIMULAÇÃO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A DRJ é incompetente para decidir quanto a pedidos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais. A ciência dessa decisão ocorreu em 28/07/2014 (efl. 1605). Em 27/08/2014, foi apresentado longo recurso voluntário conjunto entre a contribuinte e os responsáveis solidários (efls. 1607 a 1651), sendo alegado, em apertada síntese: Fl. 1689DF CARF MF 6 1) a impossibilidade jurídica da caracterização de fraude por privilégio tributário inexistente e descumprimento de lei futura, uma vez que o relacionamento entre as sociedades existe desde 1993 e benefícios tributários somente vieram a existir a partir da edição da Lei 9317, de 1996; o laço de parentesco entre os administradores das duas sociedades sempre existiu, sendo que parte dos ingressos e saídas de sócios das sociedades tiveram origem em acontecimentos não planejados, como falecimento de um sócio e separação judicial de outro; a tipicidade característica de formação de parcerias para soluções tecnológicas e de terceirização das sociedades que atuam neste ramo; a incorporação da DI pela SCI deuse por razões exclusivamente comerciais (forte concorrência da pirataria e migração de clientes para outro tipo de tecnologia); cada sociedade tem fornecedores e clientes diferentes uma da outra; 2) a falta de análise dos documentos apresentados e da imputação infundada de existência de fraude: não concorda com a decisão da DRJ/POA, que limitouse a uma decisão lacônica, sumária, que não enfrentou concretamente as alegações dos recorrentes; ainda que o art. 149, VII, do CTN, regulamentasse o art. 116, parágrafo único, do CTN, não se caracterizaria a fraude sem a minudente análise dos fatos que ensejam a manutenção da autuação e o agravamento da multa para 150%, a representação fiscal para fins penais e a desconsideração de uma das pessoas jurídicas; houve errônea valoração da conduta por meio de contexto legal superveniente; a imputação generalizada e superficial de existência de fraude não é permitida pela legislação, pelo Carf, pelo Poder Judiciário, razão pela qual deve ser reformada a decisão da DRJ/POA; 3) ausência de base legal na decisão da DRJ para a desconsideração da pessoa jurídica efetuada: o art. 116 do CTN prevê a necessária edição de lei que estabeleça os critérios para que possa haver desconsideração da pessoa jurídica para fins tributários; o entendimento de que tal regulamentação seria dada pelo art. 149, VII, do CTN está à margem de todos e quaisquer estudos mais aprofundados sobre o tema, parece pretender criar um novo doutrinamento à matéria e vai de encontro às duas únicas correntes doutrinárias que dão orientação à interpretação do referido dispositivo, quais sejam, ser o mesmo auto aplicável e depender de edição de lei que o regulamente; uma decisão deve abarcar concretamente o teor das alegações do contribuinte, notadamente quando tais alegações estão diretamente relacionadas ao mérito da situação litigiosa; no caso concreto, isso não foi feito; 4) os novos entendimentos relativos à apuração da licitude das condutas dos contribuintes, consistentes na exigência de que exista "racionalidade jurídica" nos atos negociais para que eles tenham validade jurídicotributária, por afrontarem entendimentos anteriores nos quais a liberdade de organização era expressamente permitida, não podem ser utilizados de forma retroativa e irrestrita; 5) não há ilicitude na escolha de um caminho fiscalmente menos oneroso no âmbito do planejamento tributário, mesmo que a menor onerosidade seja a única razão da escolha desse caminho, sob pena de se ter de admitir o absurdo de que o contribuinte seria sempre obrigado a escolher o caminho de maior onerosidade fiscal; 6) na nossa ordem jurídica, o que vale é a liberdade de organização, ou seja, em razão dos princípios da legalidade estrita, da tipicidade fechada e da proibição da analogia em matéria tributária, não se tem base jurídica para a desconsideração de atos negociais que se revistam de formas lícitas e que não estejam eivados de simulação; 7) não há base legal para a adoção, no Brasil, da teoria da "interpretação econômica"; Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 13971.720225/201454 Acórdão n.º 2301005.078 S2C3T1 Fl. 5 7 8) não se pode atribuir a um contribuinte, mesmo em tese, a prática de conduta fraudulenta, caracterizável como crime contra a ordem tributária e ensejadora da aplicação de multa de ofício majorada, em situações que envolvem matéria doutrinária e jurisprudencialmente controvertida como a que compõe o conteúdo do ato administrativo aqui contestado; 9) ao longo do tempo, as sociedades SCI e Dl acabaram se aproximando, desde 1995, em razão dos laços de parentesco que uniam seus sócios, das necessidades operacionais circunstanciais e de endereços empresariais contíguos, mas isto não se deu com o intuito de fraudar o Fisco ou de tentar simular ou dissimular uma situação de fato do ponto de vista jurídico; 10) as duas pessoas jurídicas acabaram criando laços que fizeram que atuassem de forma aparentemente complementar: a DI criando softwares (sistemas personalizados) e comercializandoos (assim como comercializava outros produtos ligados à área de informática), e prestando serviços de tecnologia em geral; a SCI também criando softwares (sistemas personalizados) e comercializandoos, mas com objeto social voltado à produção de vídeos e programas para internet, comerciais, televisão, cinema e afins; 11) SCI e DI possuíam, em sua grande maioria, fornecedores e clientes diferentes; enquanto os fornecedores da DI eram fornecedores de jogos, games, aplicativos, formulários, disquetes e equipamentos, os fornecedores da SCI eram fornecedores de serviços (como Celesc, Brasil Telecom, Unimed, Restaurantes, etc); 12) muitos negócios aconteceram com a DI confeccionando produtos e vendendoos integralmente para SCI, e essa, adquirindoos, comercializavaos para terceiros; 13) como SCI era a que detinha uma visão de mercado mais clara, acabou por determinar padrões de produção de softwares que eram seguidos pela DI, chegando a desenvolver os próprios produtos que, depois, eram produzidos pela DI; 14) isso, ao longo do tempo, foi se desenvolvendo de uma forma cada vez mais informal, apesar da preservação dos registros contábeis próprios, do cumprimento regular das obrigações de cada uma e da participação societária diversa; 15) as duas jamais tentaram camuflar a existência uma da outra, tanto assim é que as denominações sociais e comerciais são semelhantes; 16) Elinton Marçal ingressou na DI em julho/1997, não em razão de qualquer espécie de planejamento, mas devido ao término de seu casamento com Ana Luiza Viana da Silva Marçal (até então sócia da DI e detentora de 50% das quotas) e em decorrência da partilha de bens na separação judicial; Elinton Marçal, que foi um dos sócios fundadores da SCI, retirouse desta em agosto/1993, ingressando novamente somente em julho/2000, devido ao falecimento de seu pai Tomás Variei Vieira Marçal (até então sócio detentor de 50% das quotas da SCI) e do término do respectivo inventário, pelo qual passou a ser sócio quotista minoritário (9%); 17) os clientes da SCI eram bastante diferentes dos clientes da DI; Fl. 1691DF CARF MF 8 18) a incorporação da DI pela SCI em janeiro/2012 deuse por razões exclusivamente comerciais; os produtos que a DI comercializava sofriam forte concorrência da pirataria (jogos, games, aplicativos, formulários, disquetes e equipamentos), o que praticamente a inviabilizou; além disso, as duas possuíam desenvolvimento de tecnologias completamente diferentes: enquanto a DI desenvolvia tecnologia em Windows, a SCI desenvolvia em DOS, sendo que a migração de clientes de uma tecnologia para outra foi o fator determinante e natural que resultou na incorporação; 19) em razão da proximidade física entre as duas e da existência de fortes laços de parentesco entre seus administradores, essas uniram forças, desde 1995, para reduzir custos em todos os aspectos comerciais, de onde decorreram os fatos descritos no relatório fiscal (como convênios em conjunto com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Cooperativas de Crédito, Unimed, Sesi, Farmácias, etc); 20) resultou disso que as diversas exigências destes fornecedores necessitavam ser cumpridas como se uma empresa só fosse, como pagamentos por uma única conta corrente (em se tratando de contas correntes que só podiam ser abertas na instituição bancária ou cooperativa de crédito que estava concedendo o crédito ou o benefício); assinatura por um só representante (razão pela qual Everton Marçal detinha procuração da DI para representála perante tais fornecedores); e realização de convênios médicos/hospitalares e com farmácias (reuniase o maior número de pessoas para obtenção dos melhores benefícios); 21) não há viabilidade legal para a desconsideração da existência da DI em razão de que ela só existiria com o objetivo de que grande parte das receitas que seriam, na realidade, da SCI, fossem nela tributadas sob o regime do Simples e, com isso, não houvesse a incidência de contribuições sociais patronais; 22) o lançamento deve ser cancelado, pelo alto grau de desvirtuamento da descrição do quadro fático, pela errônea interpretação do mesmo, e porque a desconsideração da existência da DI não encontra guarida na nossa ordem jurídica; 23) os novos entendimentos relativos à apuração da licitude das condutas dos contribuintes, consistentes na exigência de que exista "racionalidade jurídica" nos atos negociais para que eles tenham validade jurídicotributária, por afrontarem entendimentos anteriores nos quais a liberdade de organização era expressamente permitida, não podem ser utilizados de forma retroativa e irrestrita; 24) na nossa ordem jurídica, vale a liberdade de organização, ou seja, em razão dos princípios da legalidade estrita, da tipicidade fechada e da proibição da analogia em matéria tributária, não se tem base jurídica para a desconsideração de atos negociais que se revistam de formas lícitas e que não estejam eivados de simulação; 25) não há base legal para a adoção, no Brasil, da teoria da "interpretação econômica" (que tem como corolários as teses da necessidade de "racionalidade econômica" e do "propósito negocial" para a validação de atos negociais para fins tributários); 26) não se pode atribuir a um contribuinte, mesmo em tese, a prática de conduta fraudulenta, caracterizável como crime contra a ordem tributária e ensejadora da aplicação de multa de ofício majorada, em situações que envolvem matéria doutrinária e jurisprudencialmente controvertida como a que compõe o conteúdo do ato administrativo aqui contestado; Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 13971.720225/201454 Acórdão n.º 2301005.078 S2C3T1 Fl. 6 9 27) mesmo considerandose, apenas a título argumentativo, que a interpretação acerca da necessidade de exigência de "racionalidade econômica" (e da aplicabilidade da teoria que lhe dá sustentação, a "interpretação econômica" do Direito) tivesse algum assento na nossa ordem jurídica, não devem os órgãos fiscalizadores e os órgãos julgadores administrativos analisar fatos praticados em períodos nos quais vigia a "doutrina formalista" (a que não se preocupa com a "racionalidade econômica" dos atos negociais ou de organização das pessoas jurídicas) com base na referida nova visão; 28) deve o lançamento ser cancelado porque apesar de todo o cenário traçado pela autoridade fiscal, as duas pessoas jurídicas fiscalizadas (a autuada, SCI, e a desconsiderada, DI) estavam regularmente constituídas na forma da legislação empresarial e não se pode dizer que incorreram em simulação de qualquer espécie; 29) diante do quadro fático descrito de forma tão parcial, de interpretação tão desvirtuada, e de situação jurídica tão polêmica, tão objeto de divergências doutrinárias e jurisprudenciais como a que aqui se tem, mostramse excessivas e despropositadas a ampliação da multa de ofício de 75% para 150%, a desconsideração da pessoa jurídica da empresa DI, a lavratura de representação fiscal para fins penais e a lavratura de Termos de Sujeição Passiva Solidária; 30) Os Conselhos de Contribuintes já se manifestam no sentido de que não há fraude diante condutas associadas a temas polêmicos, divergentes, como no Acórdão n.° 10195537; 31) a sujeição passiva dos sócios, por atribuição aos mesmos de Responsabilidade Solidária, deve ser anulada, em razão de descabimento e de sua inconstitucionalidade, em face dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: AgRg no Ag 1359231/SC e AgRg no AREsp 504349/RS e do Supremo Tribunal Federal: RE 562.276/PR e RE 567.932/RS. Foram feitos os seguintes pedidos: a) anulação do auto de infração e dos Termos de Sujeição Passiva; b) cancelamento do agravamento da multa de ofício, com a redução do percentual de 150% para 75%; c) arquivamento da representação fiscal para fins penais; d) cancelamento e anulação dos termos de sujeição passiva solidária lavrados em desfavor dos sócios; e) alternativamente, que sejam deduzidos do valor principal lançado os valores que foram recolhidos pela sociedade declarada inexistente de fato (DI) no âmbito do Simples, com os respectivos reflexos de diminuição nos valores da multa e dos juros também lançados; tais valores montam a R$100.162,10 em 2009, R$137.962,16 em 2010 e R$157.124,92 em 2011, somando o total de R$395.249,18 (sem correção), o qual deverá ser corrigido desde as datas dos recolhimentos realizados, ao final, expurgado do valor principal supostamente devido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior Fl. 1693DF CARF MF 10 O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Da alegações de inconstitucionalidade de normas No que tange às alegações de inconstitucionalidade, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), plasmada em sua Súmula 02, são claros ao impedirem o controle repressivo de constitucionalidade por parte deste Carf (com a ressalva das exceções a seguir descritas, não aplicáveis ao caso concreto): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Desse modo, neste voto não serão apreciadas as alegações de vícios de inconstitucionalidade. Da representação fiscal para fins penais Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 13971.720225/201454 Acórdão n.º 2301005.078 S2C3T1 Fl. 7 11 As controvérsias referentes ao processo administrativo de representação fiscal para fins penais não podem ser conhecidas por este Carf, por falta de competência, forte na Súmula Carf 28 (vinculante): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Caracterização de segurados empregados da Santa Catarina Informática Ltda. O lançamento das contribuições previdenciárias decorre de restar caracterizada relação de emprego prestada pelos sócios e empregados da sociedade DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS PARA INFORMÁTICA SANTA CATARINA LTDA. (DI) à sociedade SANTA CATARINA INFORMÁTICA LTDA. (SCI), diante da relação simulada entre ambas, com o objetivo de reduzir os encargos previdenciários incidentes sobre as remunerações dos seus empregados. A livre apreciação das provas é ínsita ao processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que positiva tal dispositivo no art. 29: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. A meu entender, estamos diante de diversos indícios concordantes da simulação ocorrida entre as duas sociedades. Tal simulação, ao que me convenci, tem por escopo a redução dos encargos previdenciários incidentes sobre as remunerações dos seus empregados. O conjunto probatório que me convenceu da relação simulada entre a autuada (SCI) e a DI consta dos seguintes fato, já referidos no relatório: 1) a família Marçal detinha o controle societário da SCI e da DI, que funcionavam no mesmo endereço; 2) a DI, cujo seu objetivo social, a partir de 2005, era a exploração do ramo de comércio atacadista e varejista de produtos para informática e prestação de serviços de processamento de dados e digitalização concentrava as despesas com mãode obra para o desenvolvimento e manutenção de softwares (objeto social da SCI) e a SCI concentrava o faturamento com a comercialização; 3) a DI era optante pelo Simples e apresentava um índice bem superior de despesas com empregados, em comparação com seu faturamento (entre 1999 a 2001 a relação entre despesas com empregados e receita bruta variou entre 79,55% a 277,27% para a DI e entre 1,85% e 13,21% para a SCI); 4) o faturamento da DI no período de 2009 a 2011 é resultante da prestação de serviços quase que exclusivamente para a SCI (receitas com outras sociedades: 2009, 1,07%; 2010, 0,00%; 2011, 0,79%); Fl. 1695DF CARF MF 12 5) no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) da DI, elaborado a partir de avaliações ambientais realizadas em 14/07/2011, realizado pela Servimed – Clínica de Medicina do Trabalho Ltda., cujo contrato foi assinado em 10/06/2010, são descritos as áreas físicas dos setores, o número de funcionários por cargo e suas respectivas atividades desenvolvidas, evidenciandose a vinculação desses serviços à atividadefim da SCI; 6) praticamente todos os documentos referentes a admissões e demissões dos 44 empregados desligados da DI, no período analisado, foram assinados pelo Sr. Everton Oliveira Marçal, sócio majoritário da SCI e ausente do quadro societário da DI, constando, inclusive, seu nome como “diretor” em carimbo da DI; além da assinatura, algumas destas rescisões também foram pagas pela SCI; 7) a grande maioria das despesas, encargos, contribuições e benefícios trabalhistas mensais, contabilizados pela DI no período de 01/2009 a 12/2011, foram pagos por meio de movimentações nas contas bancárias da SCI no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal, na Cooperativa de Crédito Vale do Itajaí e no Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil; no caso da conta do Banco do Brasil, que era a mais utilizada, consta nos comprovantes de pagamentos que as transações foram efetuadas por Everton Oliveira Marçal, sócio majoritário da empresa SCI. A defesa do contribuinte, longe de ilidir tal convicção, vem a reforçála, ao afirmar que ambas as sociedades agiam “como se uma empresa só fosse, com pagamentos por uma única conta corrente”, “assinatura por um só representante”: Evidentemente, resultaram daí que as diversas exigências destes fornecedores necessitavam ser cumpridas como se uma empresa só fosse, com pagamentos por uma única conta corrente (principalmente em se tratando de contas correntes que só podiam ser abertas na instituição bancária ou cooperativa de crédito que estava concedendo o crédito ou o benefício); assinatura por um só representante (razão pela qual Everton Marçal detinha procuração da empresa Dl para representar a empresa perante tais fornecedores); e realização de convênios médicos/hospitalares e com farmácias (onde reuniase o maior número de pessoas para obtenção dos melhores benefícios). (Grifouse.) Tais indícios concordantes são prova, na lição do paradigmático Acórdão CSRF/0102.743, que, evocando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal citada por Hely Lopes Meirelles, demonstra a um só tempo o entendimento doutrinário, judicial e administrativo acerca da matéria: “Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado”. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22a ed., 1997, p. 97.) (Grifouse.) Não bastasse o reconhecimento implícito à legislação tributária de utilizar dos indícios e presunções como prova, a legislação previdenciária, pelo Decreto 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), arts. 229, § 2º, é explícita quanto à possibilidade da fiscalização desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 13971.720225/201454 Acórdão n.º 2301005.078 S2C3T1 Fl. 8 13 empregado, quando constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições para ser considerado empregado: Decreto 3.048, de 1999 Art 229. (...) § 2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999) O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, a relação real entre as sociedades e entre essas e seus empregados, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária, desde que haja elementos probatórios apontado o real sujeito passivo da obrigação tributária. Valhome dos fundamentos expostos pelo conselheiro Ronaldo de Lima Macedo sobre o tema, no Acórdão 2402004.380, cujas razões de decidir adoto: De mais a mais, a legislação tributária, expressamente, confere atribuição à autoridade fiscal para impor "sanções" sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, conforme regras previstas nos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. (...) Além da outorga de poderes explícitos ao Fisco para identificar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, nos termos do art. 142 do CTN, supõe que se reconheça, ainda que por implicitude, à autoridade responsável pelo lançamento fiscal a titularidade de meios destinados a viabilizar a concretude da regra prevista no art. 149, inciso VII, do CTN, permitindo, assim, que se confira efetividade aos fins legais nessa empreitada de caracterizar a real sujeição passiva da obrigação tributária decorrente de fraude ou simulação objetiva. Se assim não fosse esvaziarseiam, por completo, as atribuições legais expressamente concedidas ao Fisco em sede de lançamento Fl. 1697DF CARF MF 14 fiscal de ofício oriundo do fato de que o sujeito passivo agiu com fraude ou simulação.. Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil – já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. Assim, agiu corretamente a fiscalização; as considerações sobre a desconsideração da personalidade jurídica da DI não elidem o lançamento, que está amparado pela legislação retrocitada. Em suma, os elementos fáticosprobatórios dos autos não foram afastados pela recorrente e são suficientes para demonstrar que está correta a caracterização da relação de emprego prestada pelos sócios e empregados da sociedade DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS PARA INFORMÁTICA SANTA CATARINA LTDA. à sociedade SANTA CATARINA INFORMÁTICA LTDA., diante da relação simulada entre ambas, com o objetivo de reduzir os encargos previdenciários incidentes sobre as remunerações dos seus empregados. Dos Termos de Sujeição Passiva Solidária É alegado que a sujeição passiva dos sócios, por atribuição aos mesmos de Responsabilidade Solidária, deve ser anulada, em razão de descabimento e de sua inconstitucionalidade, em face dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: AgRg no Ag 1359231/SC e AgRg no AREsp 504349/RS e do Supremo Tribunal Federal: RE 562.276/PR e RE 567.932/RS. Não há qualquer termo de sujeição passiva solidária vinculado ao presente processo, Debcad 51.035.3207, pelo que entendo que tal matéria não deve ser conhecida. Da multa qualificada A recorrente ataca a aplicação da multa qualificada de 150%, por falta de comprovação de dolo, fraude ou simulação, pela ausência de ilicitude em face da liberdade de organização, em razão dos princípios da legalidade estrita, da tipicidade fechada e da proibição da analogia em matéria tributária, por estar se tratando de situação que envolve matéria doutrinária e jurisprudencialmente controvertida, uma vez que as duas pessoas jurídicas fiscalizadas (a autuada, SCI, e a desconsiderada, DI) estavam regularmente constituídas na forma da legislação empresarial. Cita diversos acórdãos dos conselhos de contribuintes para defender sua tese. A multa de ofício recebeu a seguinte fundamentação: A aplicação da multa qualificada se dará a partir da competência 01/2009, tendo em vista que os dispositivos acima Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 13971.720225/201454 Acórdão n.º 2301005.078 S2C3T1 Fl. 9 15 citados aplicamse as contribuições previdenciárias a partir da edição da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008. (...) Numa análise objetiva dos fatos relatados nos itens 5 a 41 acima, frente aos dispositivos legais em comento, não há como não enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente de interpor, FORMALMENTE, a empresa DI (optante pelo SIMPLES) na contratação da mão de obra utilizada, de fato, em proveito da empresa SCI, com o evidente intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre as remunerações de seus segurados, nas definições de sonegação e conluio contida no arts. 72 e73 da Lei 4.502/64, já transcritos. (...) A base legal do multa qualificada é o art. 44, I, § 1º, da Lei 9430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse.) Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 dispõem: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 1699DF CARF MF 16 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Grifouse.) De acordo com Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177), dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa: § 177. Conceito de dolo Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o agente atua e contraria a direito: quer que o ato contrarie a direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o ato (ou omissão) contraria a sua promessa, viola o direito, a pretensão, a ação ou exceção do seu credor, e pratica o para contrariar a direito. A lei vedalhe algum ato, ou omissão, e quer violála, praticandoo, ou omitindo. Não é preciso que o agente queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse. Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito. Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235, de 1972). Assim se dá com a prova do dolo. Dada uma determinada infração tributária, não há outra possibilidade de que tenha ocorrido: (a) mero erro, evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo. Entendo que a sistemática de utilizar a sociedade DI para a contratação de mão de obra que era utilizada, de fato, pela SCI, evidencia a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias sobre as remunerações de seus segurados (art. 72 da Lei 4.502, de 1964), impondo à autoridade lançadora, por conseguinte, o dever de aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I, § 1º, da Lei 9430, de 1996. Nesse mesmo sentido já decidiu esta Turma: MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% no período posterior à vigência da MP 449/2008 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interposta pessoa jurídica. Registro que nenhum doa acórdãos citados pela recorrente dizem respeito às contribuições previdenciárias devidas em face das remunerações dos segurados das contribuintes, não sendo aplicável ao caso concreto seus entendimentos. Da compensação com os valores recolhidos na sistemática do Simples pela DI É pedido que sejam deduzidos do valor principal lançado os valores que foram recolhidos pela DI no âmbito do Simples. Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 13971.720225/201454 Acórdão n.º 2301005.078 S2C3T1 Fl. 10 17 O atendimento a tal pleito não pode ser deferido, pelas seguintes razões: 1) a sociedade não foi declarada inexistente de fato; tão somente considerou se que foi utilizada como intermediária na contratação de empregados pela SCI; ou seja, as receitas auferidas pela DI não foram consideradas como percebidas pela SCI, para nenhum fim (como por exemplo, verificar se a SCI se enquadrava no montante de receitas que lhe permite calcular o lucro na sistemática do lucro presumido); 2) a sistemática da compensação é regrada por legislação que não permite sua efetivação em decorrência de pedido em recurso a processo administrativo contencioso decorrente de lançamento, mas, tão somente do preenchimento de pedido de restituição e declaração de compensação (Vide IN SRF 460, de 2004, IN SRF 600, de 2005, IN 900, de 2008 e 1300 de 2012); 3) mesmo que superados tais obstáculos, o montante arrecadado na sistemática do Simples é distribuído em decorrência da composição dos tributos que lhe compõem, os quais possuem destinações constitucionais distintas; apenas uma pequena parcela é destinada a Previdência Social e apenas essa parcela é que poderia ser aproveitada na compensação de recolhimentos do Simples com tributos previdenciários. Conclusão Voto, portanto, por NÃO CONHECER das questões acerca (a) das inconstitucionalidades de lei, (b) do processo administrativo de representação fiscal para fins penais, e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013852/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Esteve presente ao julgamento o representante da embargante, Dr. Ravi Caiê de Medeiros Nolasco, OAB/DF 46.025.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Esteve presente ao julgamento o representante da embargante, Dr. Ravi Caiê de Medeiros Nolasco, OAB/DF 46.025. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Esteve presente ao julgamento o representante da embargante, Dr. Ravi Caiê de Medeiros Nolasco, OAB/DF 46.025. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, sob o pressuposto de omissão do Colegiado no julgamento embargado. O processo administrativo em questão foi objeto de acurado despacho de admissibilidade (fls 811 s 814), proferido pelo então Presidente deste Colegiado (Conselheiro Antonio Carlos Atulim), cujo conteúdo reproduzo a seguir, por bem delimitar o histórico do caso bem como o ponto ainda sob litígio: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 13 85 2/ 20 05 -2 1 Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10680.013852/200521 Resolução nº 3402001.020 S3C4T2 Fl. 112 2 AVIÁRIO SANTO ANTÔNIO LTDA invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3402001.602, de 24 de janeiro de 2012, fls. 671 a 6841. Os embargos foram conhecidos e rejeitados, nos termos do Acórdão nº 3402002.039, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Tratase de omissão o vício da autoridade julgadora, e um error in procedendo, na medida em que o julgador desatende o comendo legal regulador da sua atuação à frente do processo. Esse defeito do pronunciamento traz em si ultraje à sadia regra de correlação entre a demanda e a decisão. Identificado que toda a matéria posta na lide foi analisada pelo Órgão julgador, não resta caracterizada a omissão e os embargos devem ser desprovidos. Consta do dispositivo do acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaração. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Irresignado, AVIÁRIO SANTO ANTÔNIO LTDA, volta novamente aos autos para, nos termos do arrazoado de fls. 737 a 742, insurgirse contra o decidido pelo Acórdão nº 3402002.039, alegando “...ser imprescindível que este eg. CARF se volte para as razões expostas pela Embargante acerca da glosa do saldo de crédito declarado a maior na DCOMP em face da suposta não dedução de parcela utilizada na DACON.” Entende que a ilegitimidade da glosa de R$ 19.037,99 está totalmente comprovada. São esses os fatos. Passo à análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Com a ciência da decisão embargada ocorrendo em 22/08/2014 (cfe. A.R., fls. 734), a apresentação do recurso em 29/08/2014 (cfe. carimbo de protocolo às fls. 737) é francamente tempestiva. A propósito dos vícios apontados, recorro à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos2 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10680.013852/200521 Resolução nº 3402001.020 S3C4T2 Fl. 113 3 ofício. Humberto Theodoro Junior3 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. (...) Compulsando as peças processuais, constato que o próprio Relatório da decisão do recurso voluntário, Acórdão nº 3402001.602, assinalou que, no apelo, o sujeito passivo argumentou que: a) a decisão de 1ª instância não se manifestou sobre a alegação de que a fiscalização deveria ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Essa omissão é suficiente para declarar a nulidade da decisão combatida; e b) não houve erro de preenchimento do DACON ou de qualquer outro formulário. E que, existindo o crédito, o mero erro de preenchimento não poderia servir de razão para o indeferimento do pedido de indébito tributário. Assinalouse também que o então recorrente terminou sua petição recursal, requerendo a anulação da decisão de 1ª instância em decorrência dessas omissões e, alternativa e sucessivamente, deixese de pronunciar a nulidade, reformandose a decisão a quo para: 1) Em relação ao suposto saldo credor declarado a maior na Dcomp, seja reconhecido a totalidade do crédito no montante de R$ 19.037,99, ou, quando menos seja determinada a recomposição dos créditos de períodos anteriores que foram utilizados para dedução dos valores devidos a título de PIS no período de outubro a novembro de 2004; 2) Em relação ao crédito presumido sobre a aquisição de produtos sujeitos a alíquota zero, seja reconhecida a ausência de prejuízo ao fisco e mantidos os créditos, ou quando menos, sejam os autos baixados em diligência para refazer a apuração e sejam glosados apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. A propósito da argüição de nulidade, o voto condutor da decisão recorrida repisou os fatos descritos nos autos e concluiu que a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, baseandose no parecer produzido pela Fiscalização, o que permitiria concluir que não houve a omissão reclamada, pois as glosas efetuadas foram explicitadas no Parecer Sefis nº 20/2009 e ratificadas pela DRF e pela DRJ. No mérito, o Acórdão recorrido decidiu sobre a irradiação das modificações introduzidas pela Lei nº 10.924, de 23 de julho de 2004, no regime da não cumulatividade do PIS, concluindo que o legislador não fez alteração, nem previu na própria Lei outra forma de aproveitamento do crédito presumido que não a dedução da própria Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10680.013852/200521 Resolução nº 3402001.020 S3C4T2 Fl. 114 4 contribuição devida em cada período. Ainda, quanto à possibilidade de compensar os créditos do PIS não cumulativo com débitos da CSLL, com base no art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, a decisão aduziu que a pretensão carecia de previsão legal. Como se vê, embora o recorrente tenha insistido no recurso, entendo que a decisão embargada não se pronunciou categoricamente sobre a argüição referente ao suposto saldo credor declarado a maior na Dcomp, razão pela qual os aclaratórios devem ser acolhidos parcialmente, para integração do julgado relativamente a essa matéria. Incluase o presente processo em lote a ser sorteado a um dos conselheiros da 2ª TO/4ª C/3ª S/CARF. É o relatório. VOTO Os Embargos já tiverem suas condições de admissibilidade anteriormente avaliadas e acolhidas, de modo que passo à análise dos argumentos apresentados pela Embargante sobre a omissão do acórdão embargado. A Embargante alega que o indeferimento do crédito de PIS não cumulativo se deu por duas razões distintas: i) crédito presumido decorrente da aquisição de ovos in natura (alíquota zero), no valor de R$ 2.246,43; ii) crédito declarado a maior em DCOMP em face da não dedução de parcela utilizada na DACON, cujo valor é de R$ 19.037,99. Contudo somente a primeira glosa foi objeto de análise tanto pela DRJ/BHE como pelo CARF no julgamento de seu recurso voluntário. De fato, o Parecer SEFIS 20/2009 (fls 117 a 124) coloca que na execução dos procedimentos fiscais para a apuração dos créditos pleiteados pela Contribuinte e utilizados em DCOMP apresentada em papel as alterações efetuado que ensejam a glosa dos respectivos créditos: Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10680.013852/200521 Resolução nº 3402001.020 S3C4T2 Fl. 115 5 (...) Por sua vez, o Despacho decisório 1.778, de 9 de junho de 2009 (fls 133 e 134) simplesmente se remeteu ao conteúdo do Parecer, propondo a homologação parcial da DCOMP. Na manifestação de inconformidade (fls 137) a Contribuinte apresentou tópico específico sobre ambos os itens objeto de glosa, repito, i) crédito presumido decorrente da aquisição de ovos in natura alíquota zero (fls 142); ii) crédito declarado a maior em DCOMP em face da não dedução de parcela utilizada na DACON (fls 139). Sobre esse segundo item, afirma e documenta que nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004 teria apurado créditos da Contribuição ao PIS no montante de 47.660,84, além de possuir saldo de meses anteriores no valor de R$ 62.702,46. Apresenta então suas explanações sobre os valores que foram devidamente declarados na DACON, concluindo que os valores de R$ 8.587,08, R$9.295,30 e R$ 1.155,61 foram devidamente abatidos do total de créditos disponíveis em cada mês. Finalmente, lembra que a Lei n. 10.637/02 permite expressamente o aproveitamento de créditos em meses subsequentes, apresentando assim pedido subsidiário de que, caso entendase que as glosas estão corretas, seja feita a recomposição dos créditos de períodos anteriores que foram utilizados para a dedução dos valores devidos a título de PIS no período de outubro a dezembro de 2004 (fls 141). Em julgamento datado de 17 de dezembro de 2009, a DRJ/BHE (fls 250 258) bem relatou que a Contribuinte manifestouse sobre o saldo credor declarado a maior da DCOMP em face da não dedução de parcela utilizada na DACON (fls 252). A questão foi devidamente julgada pela instância a quo, nos seguintes termos: Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10680.013852/200521 Resolução nº 3402001.020 S3C4T2 Fl. 116 6 O argumento da interessada é de que possuía saldo de meses anteriores no montante de R$62.702,46, informado na linha 28 do Dacon — "saldo de crédito do mês anterior", relativo ao mês de outubro/04 (fl. 73v), que daria suporte ao crédito solicitado. Afirma que os créditos glosados pela fiscalização foram devidamente abatidos, no Dacon, do total de créditos disponíveis em cada mês, em vista do preconizado no art. 3º, § 4º, da Lei 10.637/02 ("o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes"). Tal argumento não procede. Inicialmente, o preenchimento do formulário "Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Interno" (fl. 02), detalhando o crédito informado na Dcomp, não foi feito corretamente, omitindose os valores que foram descontados no Dacon. Além disso, o precitado formulário pede em sua linha "A) Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Apurado no Trimestre (art. 16 da Lei n" 1 1.116, de 2005)" (grifei) e não o saldo acumulado de meses anteriores. Observada a legislação específica, a pessoa jurídica está autorizada a compensar saldo credor de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep com débitos próprios de tributos e contribuições administrados pela RFB se atender ao prescrito pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005 (...) No caso tratado neste processo, verificase que o saldo credor alegado pela interessada é proveniente de períodos anteriores a 9 de agosto de 2004, não poderia ser utilizado, mesmo com o preenchimento de vários formulários a cada trimestre, dada a restrição imposta pelo art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, em seu parágrafo único, qual seja, a existência de saldo credor acumulado somente a partir de 9 de agosto de 2004. Assim, os saldos credores a partir dessa data não utilizados, poderão sêlo preenchendose os formulários "Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Interno" a cada trimestre de sua ocorrência, o que no caso não aconteceu. Quanto a alegação final de que "caso a glosa dos créditos seja mantida pela fiscalização, ... a contribuinte entende que deverá ser feita a recomposição dos créditos de períodos anteriores que foram utilizados para dedução dos valores devidos a título de PIS no período de outubro a dezembro de 2004", a própria autoridade fiscal assevera", a própria autoridade fiscal assevera à fl. 111 (Parecer Sefis): "O resultado desse trabalho foi a comparação e reconstituição dos Dacon apresentados pelo contribuinte à RFB, cujas divergências em relação à legislação de regência da matéria encontramse demonstradas em quadro adiante intitulado 'Créditos de PIS/Pasep Passíveis de Compensação', elaborados parir o trimestre. " (quadro de fl. 116). Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por não ter apreciado o ponto. Porém, entendo que não há sentido no entendimento abraçado pelo julgamento a quo. Isto porque a Embargante não precisava se utilizar saldo credor acumulado anterior a Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10680.013852/200521 Resolução nº 3402001.020 S3C4T2 Fl. 117 7 agosto de 2004, uma vez que os saldos credores de outubro a dezembro de 2004 eram suficientes para deduzir os débitos dos mesmos períodos. A Embargante apresenta quadro que sintetiza a situação declarada em sua DACON, com o seguinte quadro: Portanto, a discussão sobre o alcance da restrição imposta pelo artigo 16 da Lei n. 11.116/2005 não tem espaço no presente processo, no qual não foi feito pedido de crédito anterior a agosto de 2004, mas sim dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004. Foi justamente nesse sentido que veio a defesa, por meio de recurso voluntário de fls 265 e seguintes, na qual a Contribuinte repisa que o entendimento firmado na decisão recorrida merece reforma, a medida que: a) não houve, erro de preenchimento do DACON ou de qualquer outro formulário; b) mesmo que erro houvesse, existindo o crédito, o mero erro de preenchimento não é razão para o não reconhecimento do crédito; c) não houve utilização crédito anterior à de agosto de 2004. Pois bem. As alegações da Recorrente são verossímeis e condizentes com os valores declarados nas DACONs constantes do presente processo, tudo no sentido de que, realmente, a Recorrente possuía saldo credor suficiente para compensar os débitos devidos no 4º trimestre de 2004, sem que fosse necessário utilizar os créditos apurados nesse mesmo trimestre. Portanto, esses últimos créditos seriam líquidos, certos e passíveis de pedido de compensação, como determinada a legislação tributária. Ocorre que, no sentir dessa relatora, o ponto principal da presente controvérsia não foi devidamente destrinchado pela Fiscalização no momento de glosar o crédito requerido, tampouco pela Recorrente ao defenderse: os créditos pleiteados via DCOMP foram deduzidos da DACON no momento em que tal pedido foi enviado à Receita Federal (09/2005)? Ou em algum outro momento? Nos presentes autos somente constam as DACONs de 2004, sendo impossível tal averiguação de pronto. Afinal, como é consabido, no período em questão as informações constantes nas declarações eram praticamente todas manuais, além de os campos existentes na DACON serem demasiadamente restritos e, por conseqüência, incapazes de demonstrar todo tipo de realidade fática, como aquela pela qual briga a Recorrente (ter adimplido seu débito mensal com saldo credor da contribuição, e não com o crédito apurado naquele próprio mês, além de ter em algum momento feito constar a baixa dos créditos pleiteados em DCOMP). Por fim, não havia nenhum restrição para que a Recorrente adotasse o procedimento que alega ter optado, vale dizer, abater o débito de um período com saldo credor oriundo de meses anteriores. Assim, havendo indícios fortes sobre o direito da Recorrente, porém não elementos suficientes para um julgamento final do processo administrativo, entendo que o Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10680.013852/200521 Resolução nº 3402001.020 S3C4T2 Fl. 118 8 julgamento deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: 1. Intime a Recorrente a apresentar a documentação fiscal e contábil pertinente para demonstrar que o crédito pleiteado na DCOMP originária deste processo foi abatido do saldo credor da Contribuição ao PIS (R$ 19.037,99); 2. Analise a documentação apresentada pela Recorrente, confirmando, em parecer circunstanciado, se os créditos pleiteados na DCOMP (R$ 19.037,99) foram devidamente abatidos do saldo credor da Recorrente, seja no próprio período de 2004 (período de apuração dos créditos), de 2005 (período em que foi enviada a DCOMP), ou em algum momento posterior; 3. Seja aberta vista para a Procuradoria da Fazenda Nacional, para se manifestar a respeito do conteúdo das alegações da Recorrente e sobre o resultado da diligência, haja vista o potencial efeito infringente dos embargos de declaração; 4. Dê ciência do resultado da diligência à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação. Cumpridas tais providências, sejam devolvidos os autos para o julgamento deste Colegiado. É como voto. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 822DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000094/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTAS BÁSICAS. TÍQUETE.
O auxílio-alimentação in natura (cestas básicas ou tíquetes) não integra o salário de contribuição, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
Numero da decisão: 2401-004.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que davam provimento parcial para excluir do lançamento apenas o valor relativo às cestas básicas.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTAS BÁSICAS. TÍQUETE. O auxílio-alimentação in natura (cestas básicas ou tíquetes) não integra o salário de contribuição, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
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Recorrente AUTO VIAÇAO TRIANGULO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTAS BÁSICAS. TÍQUETE. O auxílioalimentação in natura (cestas básicas ou tíquetes) não integra o salário de contribuição, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 00 94 /2 01 0- 83 Fl. 252DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que davam provimento parcial para excluir do lançamento apenas o valor relativo às cestas básicas. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10970.000094/201083 Acórdão n.º 2401004.950 S2C4T1 Fl. 253 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição de segurados, incidente sobre a remuneração paga a empregados a título de alimentação, não declarada em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 28/31), o fato gerador foi o fornecimento de cesta básica, bem como tíquete alimentação a todos os empregados. Assim, o lançamento foi efetuado sobre o valor total das notas fiscais de aquisição de cestas básicas e das notas fiscais de repasse dos tíquetes alimentação/refeição, quando a empresa não estava devidamente cadastrada no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Consta ainda do Relatório Fiscal que: A apuração teve início com a apresentação, pela empresa, de inscrição no PAT do ano de 2001. Verificando a situação da empresa junto ao Ministério do Trabalho e Educação, através do site, fomos informados, que não consta cadastro atual da empresa no PAT. Ou seja, ela manteve cadastro no PAT até 2003, porém não efetuou o recadastramento conforme disposto na Portaria n° 66, de 19/12/2003, ou mesmo na Portaria n° 81, de 27/05/2004, que prorrogou o prazo para o recadastramento de pessoas jurídicas beneficiárias. (grifo nosso) Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega nulidade do MPF, que os valores dos tíquetes alimentação e das cestas básicas (alimentação in natura) não têm natureza salarial e questiona a multa aplicada. Foi proferido o Acórdão 0930.553 5ª Turma da DRJ/JFA, fls. 185/202, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇAO PRINCIPAL. NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. SEGURADOS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SALARIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO. EORNECIDA EM DESACORDO COM O PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR _ PAT. MULTA. PRINCÍPIOS DO NÃO CONEISCO, DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. Não há como declarar nulidade, quer material quer formal, do lançamento tributário que atende aos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, formalizado por autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto n° 70.235/72. Fl. 254DF CARF MF 4 Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91, não declaradas na forma do seu art. 32, será lavrado o respectivo auto de infração. Entendese por saláriodecontribuição para o empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o saláriodecontribuição para os fins da Lei n° 8.212/91. Não caracteriza ofensa aos princípios do não confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade, a aplicação de multa fundamentada na legislação que a rege e em plena vigência no mundo jurídico. A Administração Pública está sujeita ao principio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Não é possível, em sede administrativa, afastarse a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em vigor. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 9/11/10 (Aviso de Recebimento AR de fl. 207), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 7/12/10, fls. 211/246, que contém os mesmos argumentos da defesa, em síntese: Preliminarmente, alega nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e diz demonstrar as irregularidades. Disserta sobre a matéria. No mérito, diz que o fato de não ter feito o recadastramento no PAT, em nada influencia a natureza da alimentação fornecida, pois a inscrição ou não no PAT, não retira a natureza “in natura” dos alimentos fornecidos, seja através de cestas básicas ou tíquetes alimentação. Afirma que a recorrente forneceu aos seus empregados cestas básicas e ticketalimentação por força das Convenções Coletivas de Trabalho CCT, nos anos de 2006/2007, 2007/2008, 2008/2009 e 2009/2010. Cita acórdãos do STJ no sentido que não incide contribuição previdenciária sobre a alimentação paga in natura. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10970.000094/201083 Acórdão n.º 2401004.950 S2C4T1 Fl. 254 5 Questiona a multa aplicada no percentual de 75% e afirma que ela ofende aos princípios do não confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade, sendo, portanto, inconstitucional. Requer seja acolhida a preliminar de nulidade do MPF anulando o lançamento ou, no mérito, reformar a decisão exarada, julgando improcedente a autuação fiscal. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE DO MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implica dizer que eventuais irregularidades no texto, prorrogações ou seu vencimento não constituem, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal e com a espontaneidade suspensa, não há que se falar em vício de forma se foram seguidas as disposições legais pertinentes ao lançamento e à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – e no art. 10 do Decreto 70.235/72. Assim, tendo o auditor fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais demonstra o entendimento do CARF, conforme se vê no Acórdão 9202003.956 – 2ª Turma, de 22/4/16, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades ou vencimento do MPF. MÉRITO ALIMENTAÇÃO IN NATURA Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10970.000094/201083 Acórdão n.º 2401004.950 S2C4T1 Fl. 255 7 Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. O art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre alimentação fornecida in natura: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; [...] Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. No caso da alimentação, a isenção apenas acontece se os pagamentos forem efetuados de acordo com a lei específica, no caso, Lei 6.321/76, que dispõe: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Referida lei foi regulamentada pelo Decreto nº 05/1991 que define como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho: Art. 1° A pessoa jurídica poderá deduzir, do Imposto de Renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre a soma das despesas de custeio Fl. 258DF CARF MF 8 realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social MTPS, nos termos deste regulamento. [...] § 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. A Portaria 03/2002 do MTE, assim dispõe: Art. 1º O Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, instituído pela Lei n.º 6.321, de 14 de abril de 1976, tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais. Assim, conforme se observa na legislação, o auxílio alimentação somente não integra o salário de contribuição se for pago in natura e de acordo com Programas de Alimentação do Trabalhador (PAT), previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Acontece, porém, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisões reiteradas, tem firmado o entendimento de que o auxílioalimentação, fornecido in natura, não possui natureza salarial, não sendo, portanto, passível de incidência de contribuição previdenciária. Desta forma, de acordo com o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação. Ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Cabe observar que o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117 aponta que o auxílio alimentação “pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.” Quanto ao que seja pagamento “em espécie”, o REsp 476.194/PR (citado no Parecer nº 2.117), informa que se o “auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária". Diante do Parecer PGFN/CRJ nº 2.117, foi emitido o Ato Declaratório nº 3, de 20/12/2011, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, publicado no DOU, página 00036 em 22/12/2011, nos seguintes termos: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10970.000094/201083 Acórdão n.º 2401004.950 S2C4T1 Fl. 256 9 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24/11/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/ 11/ 2007). De acordo com o disposto no art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, os pareceres aprovados pelo Ministro de Estado obrigam todos os órgãos autônomos e entidades vinculadas. Ademais, segundo dispõe a Lei nº 10.522/2002, artigo 19, §§ 4º e 5º, a Secretaria da Receita Federal não constituirá créditos tributários e, ainda, deverá rever de ofício os lançamentos já efetuados relativos às matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, como no presente caso. No caso em tela, a fiscalização esclarece que o auxílio alimentação foi fornecido por meio de cestas básicas e tíquetes alimentação/refeição, ou seja, o fornecimento do auxílio não foi nem em dinheiro e nem por meio de depósito em conta corrente. Além disso, o fornecimento de alimentação por meio de tíquetes ou cartão próprio para esse fim não afasta o caráter in natura da alimentação, haja vista a utilização do cartão estar vinculada à compra de alimentação, aceitos exclusivamente em estabelecimentos comerciais que revendem tais produtos. O fornecimento de tal instrumento facilita a logística empresarial, evitandose o manuseio de cestas básicas, além de dar maior liberdade de escolha ao empregado, que pode adquirir o alimento de sua escolha na qualidade que desejar. Sendo oferecido um ou outro – cesta básica ou cartão/tíquete alimentação – o fim almejado será o mesmo, prover o empregado de víveres, não havendo que haver discriminação somente pela forma de seu fornecimento. Acrescentese que, conforme relatado, a empresa tinha convênio com o PAT, mas não efetuou o recadastramento. Vêse, portanto, que o lançamento ocorreu pela ausência do cadastro na empresa do PAT. Ora, a empresa já vinha fornecendo alimentação por meio de tíquetes. A mera ausência do recadastramento no PAT não tem o condão de alterar a natureza da verba que vinha sendo paga, como previsto em CCT. Desta forma, os valores relativos a alimentação in natura fornecidos aos empregados na forma de cestas básicas ou tíquete alimentação/refeição não integram o Fl. 260DF CARF MF 10 conceito de remuneração e, por conseguinte, não devem compor o salário de contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias. Assim, uma vez que o fato gerador de que trata o presente lançamento é relativo a contribuições que incidiriam sobre alimentação in natura (cestas básicas e tíquetes) fornecida pela empresa e tendo em vista que conforme atos normativos citados tais contribuições não são mais exigíveis, deve ser excluído o lançamento. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
