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Numero do processo: 10980.938341/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 41 /2 01 1- 88 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.938341/201188 Acórdão n.º 3401005.258 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o PISem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PISdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.938341/201188 Acórdão n.º 3401005.258 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.938341/201188 Acórdão n.º 3401005.258 S3C4T1 Fl. 5 4 apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.938341/201188 Acórdão n.º 3401005.258 S3C4T1 Fl. 6 5 Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720702/2017-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016
IPI. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. INCLUSÃO DO ICMS.
Não há amparo legal para exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI. Não há qualquer afronta ao disposto no art. 47, II, a, do CTN, compondo o ICMS o valor da operação de que decorre a saída do produto. Nesse sentido, a jurisprudência do STJ, REsp nº 610.908/PR, REsp nº 462.262/SC e REsp n° 675.663/PR.
IPI. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE INSUMOS DESONERADOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 18.
Nas operações desoneradas (alíquota zero, isenção ou não-incidência), como não há cobrança de IPI, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da não-cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Precedentes: STF, RE nº 370.682/SC, RE nº 353.657/PR e RE nº 566.819/RS. STJ, REsp nº 1.134.903/SP (recurso representativo de controvérsia). Aplicação da Súmula CARF n° 18.
CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DE IMUNIDADE NAS OPERAÇÕES DE VENDAS. ART. 150, VI, D, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do gozo da imunidade tributária em contraposição ao lançamento.
IPI. CREDITAMENTO. BENS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia).
MULTA AGRAVADA, ART. 80, § 6º, I C/C ART. 68, § 1º DA LEI Nº 4.502/1964. PRESSUPOSTOS DE APLICAÇÃO.
É devido o agravamento da multa de ofício, pois no caso examinado: a) houve a utilização de créditos não autorizados na legislação do IPI; b) os créditos eram fictos, pois não havia qualquer destaque nas notas fiscais de entrada; c) a escrituração teve uma média de 5 vezes mais créditos de IPI do que era permitido pela legislação; d) a conduta foi a mesma durante todo o período fiscalizado e e) houve a redução indevida do IPI a recolher.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2112; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 312 1 311 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.720702/201743 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.084 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria NÃOCUMULATIVIDADE E CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI Recorrente PAULISPELL INDÚSTRIA PAULISTA DE PAPÉIS E PAPELÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016 IPI. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. INCLUSÃO DO ICMS. Não há amparo legal para exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI. Não há qualquer afronta ao disposto no art. 47, II, a, do CTN, compondo o ICMS o “valor da operação” de que decorre a saída do produto. Nesse sentido, a jurisprudência do STJ, REsp nº 610.908/PR, REsp nº 462.262/SC e REsp n° 675.663/PR. IPI. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE INSUMOS DESONERADOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 18. Nas operações desoneradas (alíquota zero, isenção ou nãoincidência), como não há cobrança de IPI, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Precedentes: STF, RE nº 370.682/SC, RE nº 353.657/PR e RE nº 566.819/RS. STJ, REsp nº 1.134.903/SP (recurso representativo de controvérsia). Aplicação da Súmula CARF n° 18. CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DE IMUNIDADE NAS OPERAÇÕES DE VENDAS. ART. 150, VI, D, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do gozo da imunidade tributária em contraposição ao lançamento. IPI. CREDITAMENTO. BENS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE. Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 07 02 /2 01 7- 43 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 313 2 são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia). MULTA AGRAVADA, ART. 80, § 6º, I C/C ART. 68, § 1º DA LEI Nº 4.502/1964. PRESSUPOSTOS DE APLICAÇÃO. É devido o agravamento da multa de ofício, pois no caso examinado: a) houve a utilização de créditos não autorizados na legislação do IPI; b) os créditos eram fictos, pois não havia qualquer destaque nas notas fiscais de entrada; c) a escrituração teve uma média de 5 vezes mais créditos de IPI do que era permitido pela legislação; d) a conduta foi a mesma durante todo o período fiscalizado e e) houve a redução indevida do IPI a recolher. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de impugnação contra auto de infração lavrado para cobrança de IPI, no montante total de R$ 14.568.172,43 (inclusos juros de mora e multa de ofício agravada). Aponta a fiscalização que a empresa escriturou créditos de IPI com a denominação "Outros Créditos", referente a: crédito de IPI sobre a exclusão do ICMS faturamento; crédito de IPI sobre aquisição de mercadorias com alíquota zero; crédito de IPI decorrente de imunidade nas operações de vendas, conforme art. 150, VI, d, da Constituição Federal e crédito de IPI sobre ativo imobilizado. Entendeu a fiscalização que a escrituração desse grupo de créditos está em desacordo com a legislação do IPI. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 314 3 Adoto o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza os detalhes do litígio: Conforme Termo de Constatação Fiscal, foram escriturados como créditos e deduzidos dos valores do saldo devedor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, valores sem nenhuma consistência jurídica, criados apenas com a finalidade de diminuir o saldo devedor do IPI. Constatouse que o valor lançado na rubrica “outros créditos” é sempre bem próximo do saldo devedor de IPI, restando apenas um saldo devedor de aproximadamente R$ 2.000,00. A origem dos créditos, conforme está descrito são: a) crédito de IPI sobre a exclusão do ICMS faturamento; b) crédito de IPI sobre aquisição de mercadorias com alíquotas zero %; c) credito de IPI imunidade de operações vendas conforme art. 150, VI, d, da Constituição Federal e d) credito de IPI sobre ativo imobilizado. Diante dos fatos acima expostos, foram glosados os valores escriturados como outros créditos na apuração do IPI no período de 11/2012 a 04/2016, por falta de previsão legal, resultando na lavratura do Auto de Infração em epígrafe, no montante original de R$ 5.932.705,57, acrescido de multa agravada no valor de R$ 6.674.293,58 e juros de R$ 1.961.173,28, totalizando R$ 14.568.172,43. A multa aplicada no presente auto de infração foi majorada em 50%, passando para 112,50%, em decorrência da circunstância agravante, conforme dispõe o art. 80, caput e § 6º, inciso I, da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 13, da Lei 11.488/07, combinado com artigo 68, § 1º , inciso IV, da mesma Lei e Decretolei nº 34, de 1966, artigo 2º. Regularmente cientificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação aduzindo, em sua defesa, as razões sumariamente expostas a seguir. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO ... para fins de incidência do IPI, o “valor da operação” é o somatório do preço do produto (valor mercantil negociado), acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias que circunscrevem o negócio de compra e venda. Paralelamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, temos o Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior – ICMS, cuja base de cálculo segue descrita por meio da Lei Complementar nº 87/96: Assim, verificase que nas operações e prestações internas no País o ICMS é calculado "por dentro" de tal forma que o imposto integra sua própria base de cálculo. A referida citação ao ICMS é de suma importância, uma vez que tal imposto integra o “preço” dos produtos, que por sua vez é a base tributável do IPI, de modo que esta inclusão na base de cálculo do IPI onera demasiadamente o contribuinte que arcará com um imposto (IPI) exigido sobre uma base composta por outro imposto (ICMS). Desta feita, o montante do ICMS não pode compor a base de cálculo do IPI, uma vez que, nos termos da competência constitucional e do Código Tributário Nacional, o “valor da operação” – instituto jurídico, constitucional e legalmente delimitado , para fins de apuração do IPI, traz o preço do produto industrializado, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias que circunscrevem o Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 315 4 negócio de compra e venda, e nada mais, não podendo se confundido com “valor da operação” para fins de ICMS. Não obstante, é prática o ICMS compor o “valor da operação”, incorporando se ao preço do bem, sendo, via de consequência, exigível na tributação pelo IPI. O fato é que, o valor de operação para fins de IPI e o “valor da operação” para fins de ICMS são institutos diversos, de modo que o ICMS não integra o preço do produto mas sim somente o “valor da operação” para fins de tributação do ICMS não podendo sofrer a incidência do IPI. Portanto, para fins de tributação, “valor da operação” com produtos industrializados, “valor da operação” de circulação de mercadorias e preço não consubstanciam um mesmo instituto, não se confundindo, não possuindo os mesmos efeitos, não possuindo os mesmos alcances e, principalmente, não possuindo o mesmo regime jurídico. Neste contexto, evidenciase que o montante do ICMS não se incorpora ao valor da operação para fins de tributação pelo IPI. “Valor da operação” é conceito jurídico, voltado, neste caso, para delimitação de base de cálculo de tributos, enquanto “preço” é conceito econômico, voltado ao aspecto da negociação. O ICMS compõe, portanto, o valor da operação para fins de ICMS, e não o valor da mercadoria ou do produto industrializado. Ademais, admitir que o ICMS componha o preço do produto industrializado é alargar indevidamente a hipótese constitucional e legal do IPI, incorporando montante estranho à operação com produtos industrializados, em manifesta violação ao art. 47, do Código Tributário Nacional. INSUMOS ALÍQUOTA ZERO .... a regra da nãocumulatividade do IPI, constitui mecanismo constitucional com vistas a minimizar a sobreposição tributária ou cobrança em duplicidade, de modo a permitir a compensação do tributo devido em uma operação com o que foi cobrado na fase anterior da linha de produção. Desta feita, a prevalecer a possibilidade do crédito em razão da aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. Nesse contexto, caso a entrada do insumo não seja tributada a qualquer título – nãoincidência, alíquota zero ou isenção , há o direito ao crédito de IPI, consoante o melhor entendimento exarado pelas Supremas Cortes. Dessa forma, há o entendimento no sentido de assegurar aos contribuintes do IPI o direito ao creditamento do mencionado imposto nos casos em que os insumos e matérias primas sejam adquiridos sob o regime de isenção, não tributação ou alíquota zero. IMUNIDADE OPERAÇÕES DE VENDAS ... a IMPUGNANTE, nos moldes de seu objeto social, é responsável pela industrialização de chapas e de embalagens de papelão ondulado, assim como de embalagens de cartolina e papel cartão, sendo certo que parte de sua produção é destinada às gráficas e editoras, as quais utilizam esse "insumo" para a composição de livros, jornais e periódicos. O fato é que, a imunidade conferida nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "d", da Constituição Federal/88, deve receber uma interpretação extensiva e não Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 316 5 restritiva, de modo a alcançar livros, jornais e períodos de forma ampla e total, englobando produtos, maquinários e insumos. Dessa feita, se os impostos não incidem sobre o bem final (livro, jornal e periódico) e, também sobre o papel destinado à sua impressão, também não devem incidir sobre os insumos necessários à sua confecção, pois tributar insumos essenciais à impressão de livros, jornais e periódicos significa frustrar a finalidade da desoneração constitucional, consoante o melhor entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal. Dessa forma, há o entendimento no sentido de assegurar a imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea “d”, da CF/88, em favor dos insumos consumidos imediatamente no processo de composição de livros, jornais e periódicos. AQUISIÇÕES ATIVO IMOBILIZADO Os bens destinados ao ativo imobilizado, como máquinas e instrumentos industriais, recolhem IPI, no momento da aquisição dos referidos bens, e, são os necessários à manutenção da atividade produtiva, com prazo de vida útil superior a um ano. Assim, consoante as disposições contidas nos arts. 153, § 3º, II da Constituição Federal e 49 do Código Tributário Nacional, que tratam especificamente do princípio da nãocumulatividade, não há qualquer tipo de limitação ao direito de creditamento do IPI destacado na operação anterior. Nesse sentido, quaisquer normas infraconstitucionais que vedem esse aproveitamento decorrente da aquisição de bens e materiais integrantes do ativo imobilizado, são inválidas desde o seu nascedouro, pois destoantes do princípio instituído pela Carta Magna. Outrossim, a possibilidade de dedução do valor da depreciação dos bens do ativo imobilizado representa o reconhecimento de que os mesmos são economicamente consumidos e incorporados às mercadorias industrializadas, ainda que indiretamente, depreendendose que fatalmente ao longo de sua existência, os bens do ativo imobilizado são consumidos e perdem gradativamente seu valor, até a sua total depreciação, de sorte que essa depreciação deva ser contabilizada como despesa operacional ou custo. Diante deste cenário, há que ser o direito ao creditamento do IPI incidente sobre a aquisição de bens destinados para o ativo imobilizado, visto que tal tributo também integra o preço do produto vendido. DO PERÍODO DE 28/02/2016 A 30/04/2016. ANÁLISE CONCEITUAL E DOUTRINÁRIA A empresa PAULISPELL é produtora de papel reciclado em bobinas, nas qualidades Capa e Miolo, e Chapas de Papelão Ondulado, nas qualidades Branco, Kraft Liner, Capa e Miolo. Assim, a empresa se enquadra no conceito de estabelecimento industrial que é aquele que executa qualquer das operações consideradas industrialização, pois, utilizandose de aparas de papel, fabrica nova folha de papel comercializada para diversos usos, principalmente, na fabricação de embalagem. No IPI e no ICMS, segundo o modelo constitucional vigente, a não cumulatividade se aplica por expressa previsão e se exerce pelo método do “imposto Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 317 6 contra imposto”, ou seja, do imposto devido abatese o imposto cobrado nas operações anteriores (CF, art. 153, §3º, II, e 155, § 2º, I). Ao instituir o princípio da nãocumulatividade, o constituinte visou favorecer o contribuinte de direito, atenuando os custos de produção, o que, consequentemente, reflete no contribuinte de fato, com a atribuição de preços menos onerados pela carga tributária. Esse também é o entendimento jurisprudencial quanto ao assunto. O Crédito de IPI tem sua origem na aplicação do princípio da não cumulatividade, pois, ao possibilitar a compensação do tributo incidente na operação anterior, nasce o direito ao crédito, conforme previsto no CTN. Desta forma, a empresa PAULISPELL poderá apurar créditos de IPI sobre as aquisições de insumos, assim entendidos, as matériasprimas, material secundário e materiais de embalagem. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE 112,50% ... não há como validar a imposição da multa majorada nos moldes como requerido pela IMPUGNADA, haja vista que inexiste nos autos elementos que levem a concluir que houve artifício doloso na prática da infração, a pena deve ser aplicada no percentual mínimo. Outrossim, o CARF vem afastando a qualificação e/ou agravação das multas, nos casos em que o contribuinte vier a agir por intermédio de erro de proibição, situação em que o sujeito passivo acredita estar agindo de acordo com a norma legal. A jurisprudência do CARF aduz que o dolo é elemento específico para caracterização da sonegação, fraude ou conluio e deve estar devidamente comprovado no planejamento para que ocorra a aplicação da multa qualificada: (...) Válido ressaltar como aplicáveis ao presente caso, os princípios constitucionais de vedação ao confisco, assim como razoabilidade e proporcionalidade. O princípio da vedação do confisco tem como escopo preservar a propriedade dos contribuintes, ante a voracidade fiscal do Estado. Se a instituição do tributo pode vir a ser considerada confiscatória, por não respeitar o mínimo para a existência digna e produtiva do particular, é evidente que a cobrança de multa em valores desarrazoados também se subsome à mesma teleologia. Neste sentido, o expresso texto do inciso IV do art. 150 da Constituição Federal in verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; A vedação constitucional do confisco tributário nada mais representa senão a coibição, pela Lex Legum, de qualquer aspiração estatal que possa levar, na seara da fiscalidade, à injusta apropriação pelo Estado, no todo ou em parte, do patrimônio ou das rendas dos contribuintes, de forma a comprometerlhes, em razão da insuportabilidade da carga tributária, o exercício do direito a uma existência digna, Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 318 7 ou, também, a prática de atividade profissional lícita ou, ainda, a regular satisfação de suas necessidades vitais básicas. Desta feita, os tribunais vêm consignando, especialmente no que se refere às penalidades, que esta seja examinada proporcionalmente ao tributo, tendo em vista a qual foi imposta. Toda vez que a multa, cotejada com a prestação do tributo em si, seja em relação a este desproporcional, não razoável, fazse mister a subsunção do fato à norma constitucional, o princípio da proporcionalidade e razoabilidade, princípio consagrado na Carta Magna. Posição dominante no Colendo Supremo Tribunal Federal, a quem cabe a última palavra sobre o assunto, quando, instado a interpretar e aplicar o princípio, vem determinando a exclusão da multa sempre que se revestir de caráter confiscatório. Já, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade representam verdadeiros parâmetros de aferição de constitucionalidade material dos atos estatais, na medida em que, ao serem empregados na análise de colisão entre direitos, neutralizam os abusos do Poder Público contra os direitos fundamentais do cidadão. Por esse motivo, possuem importante papel na aplicação do Direito. Por tais razões, os princípios em comento exigem dos julgadores uma conduta marcada pelo equilíbrio e pela moderação na quantificação de multas vinculadas à tributos, tudo na busca da aplicabilidade de um direito justo. Notadamente não resta demonstrado o intuito doloso, ou mesmo a vontade da IMPUGNANTE em praticar a sonegação, fraude ou conluio, razão esta para não se falar em incidência de multa majorada. Ora, não há no caso concreto, a presença de fatos que justifiquem a aplicação da multa de 112,50% (cento e doze e cinquenta por cento), sobretudo a comprovação pela fiscalização de qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, que importe em agravar as suas consequências ou em retardar o seu conhecimento. Acertadamente o TRF da 4ª Região, assim se posiciona: “A postulação de direitos junto aos órgãos administrativos e judiciais compreende direito constitucional, não podendo o interessado ser punido por exercêlo dentro dos limites legais. Não havendo abuso ao exercício do direito ou má fé de sua parte, inexiste motivo para penalizálo.” (Apelação/Reexame Necessário nº 5005302 50.2013.404.7006/PR, 2ª Turma, Rel. Rômulo Pizzolatti, j. em 11.11.2014). Pode se perceber que as reiteradas decisões visando limitar dentro de um razoável as penalidades tributárias evidencia o repúdio das cortes judiciais e administrativas ao uso abusivo e indiscriminado pelas autoridades fiscais de multas com valores exorbitantes, desproporcionais e eminentemente confiscatórias!!! A 8ª Turma da DRJ/RPO, acórdão nº 1468.140, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do IPI é o valor total da operação de saída que pode se traduzir no preço do produto acrescido do frete e demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas do comprador, incluindo, o ICMS. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 319 8 IPI.CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. ALÍQUOTA ZERO. NT. Insumos ingressados no estabelecimento ao amparo de isenção ou tributados à alíquota zero% não rendem ensejo ao crédito do imposto. IPI. IMUNIDADE OBJETIVA. PAPÉIS. OPERAÇÕES DE VENDAS. Interpretase literalmente a imunidade de livros, jornais e periódicos que alcança somente os papéis usados em sua impressão. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. IPI. CRÉDITO. BENS DO ATIVO. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse do imposto relativo à matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. MULTA QUALIFICADA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. O percentual de multa de ofício, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante. São circunstâncias agravantes (i) a reincidência; (ii) o fato de o imposto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; (iii) a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sôbre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo e (iv) qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas consequências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. PENALIDADES APLICADAS. ARGÜIÇÃO DE EFEITO DE CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Em seu recurso voluntário, a Recorrente ratifica todos os argumentos de sua impugnação. Ao final, requer: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 320 9 a) o acolhimento e o provimento de todas as alegações e das provas colacionadas pela RECORRENTE, especialmente, para determinar o cancelamento das referidas exigências fiscais, bem como, por consequência da multa imputada; b) o imediato cancelamento total da exigência (imposto, correção monetária, juros de mora e multa) e consequente determinação do arquivamento do processo administrativo instaurado; ou, c) caso não seja esse o entendimento relativo a multa de ofício, que a mesma seja totalmente relevada, por afrontar cabalmente os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco insculpido pelo inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal ou, no mínimo a determinação da aplicabilidade somente da multa moratória de 20% (vinte por cento), em relação a glosa dos créditos tidos como indevidos, uma vez não demonstrado nos autos, qualquer conduta da RECORRENTE que possa ser aferida como dolo, fraude, falsificação ou máfé, tudo por ser da mais colimada JUSTIÇA !!! É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a fiscalização procedeu à auditoria dos valores lançados na rubrica “outros créditos” de IPI na Escrituração Fiscal Digital da Recorrente. As origens desses “outros créditos” são as seguintes: · Crédito de IPI sobre a exclusão do ICMS faturamento; · Crédito de IPI sobre aquisição de mercadorias com alíquota zero; · Crédito de IPI decorrente de imunidade nas operações de vendas, conforme art. 150, VI, d, da Constituição Federal; · Crédito de IPI sobre o ativo imobilizado. I. Crédito de IPI sobre a exclusão do ICMS faturamento Aponta a Recorrente o equívoco da inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Entende que essa inclusão afronta o disposto no art. 47, II, a, do CTN, não compondo o “valor da operação” de que decorre a saída do produto. Não há razão no argumento, porquanto não há amparo legal para tal pretensão. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 321 10 A base de cálculo do IPI foi estabelecida pela Lei nº 7.798/89, cujo art.15 alterou a redação do art. 14 da Lei nº 4.502/1964: Art. 15. O art. 14 da Lei nº 4.502, com a alteração introduzida pelo art. 27 do DecretoLei nº. 1.593, de 21 de dezembro de 1977, mantido o seu inciso I, passa a vigorar a partir de 1° de julho de 1989 com a seguinte redação: Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: I .......................................... II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. Tal prescrição está replicada no art. 190 do Decreto n° 7212/2010 (RIPI/2010). Logo, a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI está respaldada em documentos normativos válidos e vigentes. É pacífico no STJ o entendimento de que não é possível a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI. Nesse sentido, confirase o REsp 675.663/PR, DJ 30/09/2010: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. Nº 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp. Nº 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2. Recurso especial não provido. Por fim, ressaltese que os argumentos que envolvem o afastamento da legislação vigente e válida por afronta à Constituição ou ilegalidade esbaram na vedação do disposto no art. 62 do RICARF e na Súmula CARF n° 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 322 11 II. Crédito de IPI sobre aquisição de mercadorias com alíquota zero A empresa tomou crédito de aquisições de insumos com alíquota zero, aplicando a alíquota de 5%, que é aquela que incide sobre os produtos por ela industrializados. Não há razão no argumento, pois a legislação tributária não permite a apropriação de créditos escriturais na aquisição de matériasprimas desoneradas aplicadas na industrialização, como a seguir se expõe. A nãocumulatividade estabelecida no art. 153, § 3º, II, da CF, implica que os produtos que tenham sido tributados pelo IPI geram créditos na entrada em estabelecimentos contribuintes para fins de compensação com o que for devido a título desse mesmo imposto em saídas tributadas realizadas num período de apuração, confrontados os créditos e débitos no RAIPI. Com isso, voltase à quantificação tributária nas várias etapas de processo produtivo plurifásico, com a finalidade de evitar que a última etapa da cadeia (venda ao consumidor final) seja onerada pelo que se agregou em cada fase anterior. Disso decorre que se não houver recolhimento de IPI na operação precedente, não há que se falar em creditamento, assim, se a entrada de matériaprima for não tributada (alíquota zero, isenção ou não incidência), então não haverá direito a crédito escritural correspondente à entrada. O STF, ao contrário do que alega a Recorrente, nos RE nº 370.682SC e nº 353.657PR, decidiu de modo contrário à sua pretensão: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido.RE 370.682SC, DJ 19/12/2007. E IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. RE 353.657PR, DJ 07/03/2008. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 323 12 Em seguida, o STF, no julgamento do RE nº 566.819, alinhou a negativa da possibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, assentando que insumo isento não dá direito a crédito de IPI: IPI. CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO. INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566.819, DJ 10022011. No mesmo sentido, o STJ, em recurso repetitivo, no REsp nº 1.134.903 SP, DJ 24/06/2010, consignou a impossibilidade de creditamento nas entradas isentas: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (...) 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. (...) 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em suma, nas operações desoneradas, como não há cobrança de IPI, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação do princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. E ainda, citese a Súmula CARF n° 18, a qual prescreve que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. III. Crédito de IPI decorrente de imunidade nas operações de vendas, conforme art. 150, VI, d, da Constituição Federal Relata a fiscalização que a empresa apresentou uma planilha referente aos anos 2009 e 2010 relacionando empresas adquirentes de seus produtos que seriam imunes, nos termos do art. 150, VI, d, da Constituição Federal (imunidade de livros, jornais, periódicos e o Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 324 13 papel destinado à sua impressão), cujo crédito resultou em R$ 2.999.688,47. Todavia, as atividades dessas empresas no cadastro da Receita Federal do Brasil, nada teriam a ver com a atividade de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão, glosando, por conseguinte, os créditos. A Recorrente aduz que é responsável pela industrialização de chapas e de embalagens de papelão ondulado, bem como de embalagens de cartolina e papel cartão, sendo certo que parte de sua produção é destinada às gráficas e editoras, as quais utilizam esse "insumo" para a composição de livros, jornais e periódicos. E que, por isso, se os impostos não incidem sobre o bem final (livro, jornal e periódico) e, também sobre o papel destinado à sua impressão, também não devem incidir sobre os insumos necessários à sua confecção, pois tributar insumos essenciais à impressão de livros, jornais e periódicos significa frustra a finalidade da desoneração constitucional. Entretanto, como bem apontou a decisão de piso, não há nos autos prova apta a comprovar que a Recorrente dá saída a produtos cobertos pelo manto da imunidade, além do que, se o estabelecimento der saída a papel destinado à impressão de livros, periódicos ou jornais, deve ter a imunidade reconhecida e cumprir todas as exigências dispostas na legislação, inclusive quanto à destinação do produto imune, mantendo registro especial na RFB, instituído pela Lei nº 11.945/2009. O ônus de prova recai a quem alega o fato ou o direito, conforme o prescrito no art. 373 do CPC/15. Dessa forma, depois de realizado o lançamento com base nos dados fornecidos pelo próprio contribuinte, tornase dever deste apresentar as provas e fazer a demonstração pontual dos erros em que porventura teria incorrido a Fiscalização na lavratura do auto. IV. Crédito de IPI sobre o ativo imobilizado Sustenta a empresa que tem direito ao creditamento do IPI incidente sobre a aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado, visto que tal tributo também integra o preço do produto vendido. E, nesse sentido, quaisquer normas infraconstitucionais que vedem esse aproveitamento, são inválidas por afronta ao texto constitucional. Entendo que mais uma vez não assiste razão à Recorrente, pois descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal (art. 226, I, do RIPI/2010): Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo à matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Prescreve a legislação do IPI, que o direito a créditos básicos se restringe às hipóteses relacionadas nos art. 226, 227 e 237 do RIPI/2010. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 325 14 Outrossim, nem todo produto consumido no processo de industrialização pode ser considerado como insumo, sem que isso implique em violação ao princípio da não cumulatividade. Os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Assim, o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, e ainda que o bem não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Observese o teor do REsp 1.0755.08/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, julgado na sistemática dos recursos repetitivos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 326 15 componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão do REsp nº 1.075.508, representativo de controvérsia, vincula este colegiado, de acordo com a prescrição do art. 62, §2º do RICARF (Portaria n° 343/2015). V. Inaplicabilidade da multa de 112,50% Defende a contribuinte que inexiste nos autos elementos que levem a concluir que houve artifício doloso na prática da infração e que a pena deve ser aplicada no percentual mínimo (20% multa de mora). A capitulação da multa deuse com base no art. 80, § 6º, I da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 1° No mesmo percentual de multa incorrem: I os fabricantes de produtos isentos que não emitirem ou emitirem de forma irregular, as notas fiscais a que são obrigados; II os remetentes que, nos casos previstos no artigo 54, deixarem de emitir, ou emitirem de forma irregular, a guia de trânsito a que são obrigados; III os que transportarem produtos tributados ou isentos, desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência; IV os que possuírem, nas condições do inciso anterior, produtos tributados ou isentos, para fins de venda ou industrialização; V os que indevidamente destacarem o imposto na nota fiscal, ou o lançarem a maior. (...) § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; Por sua vez, o art. 68, § 1º da Lei nº 4.502/1964 dispõe: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 327 16 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo § 1º São circunstâncias agravantes: I a reincidência; II o fato de o impôsto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; III a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sôbre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo; IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. A fiscalização fundamentou o agravamento da multa, nesses termos: São créditos fictícios, cujas bases legais apresentadas no documento anexo, não tem nenhuma consistência jurídica, criados apenas com a finalidade de diminuir o saldo devedor do IPI. Notase que o valor lançado na rubrica “outros créditos” é sempre bem próximo do saldo devedor de IPI, restando apenas um saldo devedor de aproximadamente R$ 2.000,00. Observese trecho da planilha acostado ao auto de infração: Diante disso, entendo como devido o agravamento da multa de ofício, em virtude de: a) utilização de créditos não autorizados na legislação do IPI; b) os créditos eram fictos, pois não havia qualquer destaque nas notas fiscais de entrada; c) a escrituração teve uma Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10865.720702/201743 Acórdão n.º 3301005.084 S3C3T1 Fl. 328 17 média de 5 vezes mais créditos de IPI do que era permitido pela legislação; d) a conduta foi a mesma durante todo o período fiscalizado e e) houve a redução indevida do IPI a recolher. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Cumpre salientar que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente de 112,50%. O afastamento de dispositivo legal, bem como o pleito de confisco implicam em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice no art. 62 do RICARF e na Súmula CARF n° 2. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 328DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.909846/2011-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 12/11/2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.211
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 12/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 46 /2 01 1- 30 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.909846/201130 Acórdão n.º 9303007.211 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.499, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 12/11/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909846/201130 Acórdão n.º 9303007.211 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909846/201130 Acórdão n.º 9303007.211 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909846/201130 Acórdão n.º 9303007.211 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909846/201130 Acórdão n.º 9303007.211 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.900567/2006-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE CANCELAMENTO DE PER/DCOMP E DE AVALIAÇÃO APENAS DE EXISTÊNCIA DE DÉBITO NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ.
Correto o entendimento da DRJ em declinar da análise do pedido de cancelamento de Per/Dcomp por falta de competência (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010)
Numero da decisão: 1001-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que conheceu parcialmente. Acordam ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. Correto o entendimento da DRJ em declinar da análise do pedido de cancelamento de Per/Dcomp por falta de competência (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que conheceu parcialmente. Acordam ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 05 67 /2 00 6- 43 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10840.900567/200643 Acórdão n.º 1001000.689 S1C0T1 Fl. 60 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório O presente feito tratase de Recurso Voluntário (fl. 38) interposto contra o Acórdão nº 1421.616, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 33 a 36), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 09/13, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito (IRPJ: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fl. 01, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP ". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 05, na qual alega, em síntese, que em 26/09/2002, no processo administrativo n° 10840.003522/200203, efetuou pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação, no qual pleiteou a restituição de valor pago a maior a título de IRPJ, no valor de R$ 3.928,79, compensandose referido montante com outros tributos, dentre eles, o IRPJ (código: 2089), relativo ao período de março/2002, no valor de R$ 1.331,38, tendo sido referido pedido deferido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais, informa que, em 25/09/2003, transmitiu a PER/Dcomp n° 08508.l858l.250903.l.3.049647, na qual efetuou a compensação do mesmo débito. Assim, solicita 0 cancelamento do despacho decisório de fl. 01, do presente processo, bem como da PER/Dcomp acima identificada, em face da duplicidade de pedidos. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade para cancelamento do débito fiscal reclamado." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10840.900567/200643 Acórdão n.º 1001000.689 S1C0T1 Fl. 61 3 Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme já narrado, a Recorrente alegou que por erro de fato transmitiu a DCOMP em tela compensado os mesmos débitos que já haviam sido compensados em procedimento anterior, ou seja, a compensação foi realizada em duplicidade. Consequentemente, o débito a que se tentou quitar por esta via já estaria quitado, logo não haveria razão para ser cobrado novamente, devendo ser cancelado. Por sua vez, a DRJ de origem exarou decisão em sentido oposto, determinando que a ela só caberia a análise da eventual existência ou não de crédito suficiente para suportar a compensação pretendida pela DCOMP, a eventualidade de o débito já estar quitados antes da compensação e a consequente inexistência de saldo a ser cobrado seria matéria alheia a sua competência. Ora, inicialmente há que se dizer que eventual erro de fato, como narrado pela Recorrente, no tocante ao objeto principal sobre o qual o despacho decisório SEORT se debruçou, evidentemente, é objeto passível de conhecimento por via de Manifestação de Inconformidade. Notese, que o art. 74 do Decreto 70.235, estabelece a possibilidade de Manifestação de Inconformidade contra a Não Homologação da compensação. Em momento algum tal dispositivo determina quais os pleitos ou situações que poderiam ser abrangidas na Manifestação. Estabelecem, dessa forma, o meio pelo qual o contribuinte exerce o contraditório para esclarecimento acerca de qualquer discordância que tenha do despacho decisório, no caso prático, quanto a inexistência do débito cobrado. Tratase de norma de direito processual que estabelece, apenas, o procedimento e não o direito processual material, mesmo porque, a existência de despacho decisório que expressamente não homologa a suposta compensação vincula a necessidade de apresentação da defesa prevista nos dispositivos acima citados, não havendo a possibilidade de que o contribuinte a impugne por outro meio que não a manifestação apresentada. Em outras palavras, se há despacho decisório a respeito da compensação, há direito a manifestação de conformidade, simples assim. A interpretação do dispositivo supracitado não pode ser feita de forma restritiva, criandose limitações onde a lei não o fez. De outra forma, restringir o conhecimento da Manifestação de Inconformidade à apenas o pleito específico de homologação, não considerando todo o universo de outras circunstâncias possíveis, tais como o presente caso, é um flagrante atentado aos já conhecidos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10840.900567/200643 Acórdão n.º 1001000.689 S1C0T1 Fl. 62 4 Desta forma, discordo do posicionamento da decisão de piso e entendo que se o contribuinte comprova o erro de fato na ocasião da transmissão da DCOMP em que tentou compensar débito já anteriormente compensado não há que se falar em nova cobrança. Em síntese, a Recorrente alega que em data de 26/09/2002 procedeu a compensação do valor de R$ 3.928,79 por meio do Processo Administrativo nº 10840.003522/200203 (fls. 8 e 9). Posteriormente, em data de 25/09/2003 teria transmitido a PER/DCOMP nº 08508.l858l.250903.l.3.049647, (fls. 9 a 14) buscando a compensação do mesmo débito, cuja nãohomologação originou a presente lide. Compulsando a PER/DCOMP em tela notase que o débito indicado para ser quitado por via da compensação era o IRPJ referente ao período de apuração de Março de 2002, no importe de R$ 1.331,38. Por sua vez, a análise do Processo Administrativo realizado um ano antes indica que dentre os tributos a serem compensados também está o IRPJ de Março de 2002, no mesmo importe de R$ 1.331,38. Do cotejo de ambos os instrumentos, me parece demonstrado que está se compensando o mesmo débito que já fora compensado um ano antes. Ora, a confissão de dívida decorrente da não compensação de débito indicado pelo próprio contribuinte em DCOMP não se traduz em presunção absoluta, isto é, ainda que permita ao fisco promover a cobrança imediata do valor, tal exigência não pode persistir após comprovada a sua insubsistência. De outra forma, o mero erro do contribuinte em declarar um débito já quitado por meio de compensação anterior não justifica a sua cobrança em duplicidade, sob pena de frontal infração ao princípio da legalidade. Assim, uma vez que o contribuinte comprova o erro de fato no oferecimento da DCOMP em tela, afastase qualquer presunção de débito, e deve ser cancelada as exigências em duplicidade. Em face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente reforma da decisão de origem para determinar a inexistência de débitos a serem cobrados da Recorrente em razão da não homologação da compensação em tela. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10840.900567/200643 Acórdão n.º 1001000.689 S1C0T1 Fl. 63 5 No recurso voluntário, a recorrente reitera as alegações apresentadas em sede de primeira instância, ou seja, relata que os pedidos de compensação, que foram feitos em duplicidade e que a presente PER/DCOMP deve ser cancelada, motivo pelo qual alega ser improcedente a decisão da DRJ. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: De início, cumpre esclarecer que o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 095, de 30 de abril de 2007, no que se refere ao caso em exame, dispõe em seu artigo 174, inciso III, que às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento compete julgar os processos administrativos nos quais tenha sido instaurado, tempestivamente, o contraditório, inclusive os referentes à manifestação de inconformidade do contribuinte quanto à decisão dos Delegados da Receita Federal do Brasil relativa ao indeferimento de pedido de restituição e compensação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O Decreto n° 70.235/72, no seu artigo 14, dispõe que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso de indeferimento de pedidos de compensação ou de restituição, isso significa que o impugnante discorda da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, verificandose, então, uma lide, um conflito de interesses entre o Fisco e o contribuinte. Convém também consignar que a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Assim, em síntese, quando a contribuinte transmite uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um indébito tributário contra a Fazenda Nacional, para extinguir um crédito tributário (débito fiscal) constituído em seu nome, de forma que, o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Conforme relatado, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (fl. 01) não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de n° 08508.18581.250903.1.3.049647. Contra esse Despacho a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 05, acompanhada dos documentos de fls. 06/23, na qual informa que, previamente, em 26/09/2002, protocolizou um processo administrativo, sob n° 10840003522/200203, no qual requereu a restituição do valor pago a maior a titulo de IRPJ (código: 2089), do mês de dezembro de 2001, no valor de R$ 3.928,79, cumulado com o pedido de compensação do IRPJ (código: 2089), período de apuração: março/2002, no valor de R$ 1.331,38. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10840.900567/200643 Acórdão n.º 1001000.689 S1C0T1 Fl. 64 6 Ou seja, segundo a própria manifestação de inconformidade em análise, estaria descaracterizado o objeto da DCOMP formalizada às fls. 09/13, vez que a contribuinte assente que na realidade inexistem o indébito e o débito nela discriminados, tendo sido um equívoco a transmissão, em 25/09/2003, da PER/Dcomp n° 08508.l858l.250903.1.3.049647. Dessa forma, a alegação da interessada objetiva tãosomente o cancelamento da P R/Dcomp de n° 08508.18581.250903.1.3.049647 para evitar a cobrança de seu débito, pois, segundo a interessada, tanto o indébito, como o débito, foram objetos de restituição e compensação, respectivamente, no processo administrativo n° 10840003522/200203. Portanto, no que atine aos autos, não há correção a ser feita no despacho decisório de fl. 01, tendo em conta a inobservância de requisito básico para sua formalização, qual seja, a existência de um indébito tributário junto à Fazenda Nacional. Por outro lado, a solicitação da contribuinte de cancelamento do débito de IRPJ (código de receita: 2089), período de apuração: março de 2002, no valor de R$ 1.331,38, traduz um pedido de cancelamento da própria PER/DCOMP de fls. 09/13, cuja apreciação, a teor do art. 174 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal e do art. 74, § 9°, da Lei n° 9.430, de 27/12/96, não compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Inclusive, outro óbice, é o fato do débito de IRPJ, objeto de cobrança no presente processo, encontrarse declarado em DCTF como compensado mediante a PER/Dcomp de n° 085081858l.250903.1.3.049647, que é, em verdade, o objeto do despacho decisório de fl. 01, conforme quadro de n° 2, denominado “Identificador do PER/DCOMP”. Em virtude dessas considerações, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Outrossim, ao CARF também falece competência para apreciar pedido de cancelamento da Declaração de Compensação, dado que a apreciação deve ser feita pela unidade local, cabendo a este órgão de julgamento se manifestar em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito já proferida. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000372/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 03 72 /2 00 8- 12 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 14337.000372/200812 Acórdão n.º 2402006.387 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 14337.000372/200812 Acórdão n.º 2402006.387 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 14337.000372/200812 Acórdão n.º 2402006.387 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001311/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
1. A PLR exercício 2005 estava calcada numa Convenção Coletiva de 2004 e a fiscalização poderia examiná-la, o que poderia fazer prova a favor do sujeito passivo.
2. O § 3º do art. 7º da Portaria vigente à época, a Portaria RFB 11.371/2007, esclarecia a possibilidade de verificação de documentos de outros períodos, com vista a verificar os fatos relacionados ao período de apuração correspondente.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
O lançamento foi realizado em 14/12/2009, quando ainda não havia transcorrido prazo superior a cinco anos nem do fato gerador da competência mais pretérita (01/2005), tampouco do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nem mesmo havendo necessidade de cogitar-se de qual seria o prazo decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou o art. 173, I, do CTN).
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ABUSO DE FORMA OU SIMULAÇÃO. DESNECESSIDADE DE VERIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10101/2000.
1. Verificado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições, tendo em vista o pagamento de remuneração, e não de PLR, pode sim o agente autuante fazer o lançamento, o que prescinde de demonstração de abuso de forma, de simulação, etc.
2. A desvinculação da PLR da remuneração dos trabalhadores está incondicionalmente atrelada ao cumprimento dos requisitos legais, conforme determina o inc. XI do art. 7º da CF e a Lei 10101/00.
PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL.INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título.
PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS.
Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão, minimamente, vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CCT. OBSERVÂNCIA. ACORDO PRÓPRIO 2004. INOBSERVÂNCIA.
1. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas.
2. As cláusulas das CCTs, as quais se repetiram no transcorrer dos anos, eram claras o suficiente para serem interpretadas e aplicadas pela empresa, sendo igualmente claras para serem interpretadas pela administração fiscal.
3. O plano próprio 2004 não contém regras claras e objetivas, o que infringe o disposto no § 1º do art. 2º da Lei, de forma a viabilizar a incidência das contribuições lançadas a seu respeito, negando-se provimento ao recurso neste particular.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FIXA MÍNIMA. POSSIBILIDADE.
O pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa, sendo que a pré-determinação de um valor, sobretudo em valor irrisório (como o foi), não invalida o efetivo pagamento da participação.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. MONTANTE DOS VALORES PAGOS E FORMA DE PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
1. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. Nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital.
2. Quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. A desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO INTEGRAL ANTES NO PRÓPRIO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O § 2º do art. 3º da Lei 10101/2000 permite, por via transversa, o pagamento de antecipação ou distribuição de valores, mas não a antecipação ou distribuição de todo o valor, mormente porque o lucro ou o resultado somente é calculado e apurado ao final do ano-base.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO.
1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09.
2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35-A da Lei 8212/91.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2402-006.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados em relação às convenções coletivas de trabalho dos anos 2004 a 2008. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimentos parcial em maior extensão, e os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima que negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados em relação às convenções coletivas de trabalho dos anos 2004 a 2008. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimentos parcial em maior extensão, e os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima que negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A PLR exercício 2005 estava calcada numa Convenção Coletiva de 2004 e a fiscalização poderia examiná-la, o que poderia fazer prova a favor do sujeito passivo. 2. O § 3º do art. 7º da Portaria vigente à época, a Portaria RFB 11.371/2007, esclarecia a possibilidade de verificação de documentos de outros períodos, com vista a verificar os fatos relacionados ao período de apuração correspondente. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O lançamento foi realizado em 14/12/2009, quando ainda não havia transcorrido prazo superior a cinco anos nem do fato gerador da competência mais pretérita (01/2005), tampouco do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nem mesmo havendo necessidade de cogitar-se de qual seria o prazo decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou o art. 173, I, do CTN). CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ABUSO DE FORMA OU SIMULAÇÃO. DESNECESSIDADE DE VERIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10101/2000. 1. Verificado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições, tendo em vista o pagamento de remuneração, e não de PLR, pode sim o agente autuante fazer o lançamento, o que prescinde de demonstração de abuso de forma, de simulação, etc. 2. A desvinculação da PLR da remuneração dos trabalhadores está incondicionalmente atrelada ao cumprimento dos requisitos legais, conforme determina o inc. XI do art. 7º da CF e a Lei 10101/00. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL.INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título. PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão, minimamente, vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CCT. OBSERVÂNCIA. ACORDO PRÓPRIO 2004. INOBSERVÂNCIA. 1. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas. 2. As cláusulas das CCTs, as quais se repetiram no transcorrer dos anos, eram claras o suficiente para serem interpretadas e aplicadas pela empresa, sendo igualmente claras para serem interpretadas pela administração fiscal. 3. O plano próprio 2004 não contém regras claras e objetivas, o que infringe o disposto no § 1º do art. 2º da Lei, de forma a viabilizar a incidência das contribuições lançadas a seu respeito, negando-se provimento ao recurso neste particular. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FIXA MÍNIMA. POSSIBILIDADE. O pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa, sendo que a pré-determinação de um valor, sobretudo em valor irrisório (como o foi), não invalida o efetivo pagamento da participação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. MONTANTE DOS VALORES PAGOS E FORMA DE PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. 1. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. Nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. 2. Quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. A desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO INTEGRAL ANTES NO PRÓPRIO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE. O § 2º do art. 3º da Lei 10101/2000 permite, por via transversa, o pagamento de antecipação ou distribuição de valores, mas não a antecipação ou distribuição de todo o valor, mormente porque o lucro ou o resultado somente é calculado e apurado ao final do ano-base. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO. 1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09. 2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35-A da Lei 8212/91. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A PLR exercício 2005 estava calcada numa Convenção Coletiva de 2004 e a fiscalização poderia examinála, o que poderia fazer prova a favor do sujeito passivo. 2. O § 3º do art. 7º da Portaria vigente à época, a Portaria RFB 11.371/2007, esclarecia a possibilidade de verificação de documentos de outros períodos, com vista a verificar os fatos relacionados ao período de apuração correspondente. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O lançamento foi realizado em 14/12/2009, quando ainda não havia transcorrido prazo superior a cinco anos nem do fato gerador da competência mais pretérita (01/2005), tampouco do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nem mesmo havendo necessidade de cogitarse de qual seria o prazo decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou o art. 173, I, do CTN). CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ABUSO DE FORMA OU SIMULAÇÃO. DESNECESSIDADE DE VERIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10101/2000. 1. Verificado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições, tendo em vista o pagamento de remuneração, e não de PLR, pode sim o agente autuante fazer o lançamento, o que prescinde de demonstração de abuso de forma, de simulação, etc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 11 /2 00 9- 90 Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 517 2 2. A desvinculação da PLR da remuneração dos trabalhadores está incondicionalmente atrelada ao cumprimento dos requisitos legais, conforme determina o inc. XI do art. 7º da CF e a Lei 10101/00. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL.INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título. PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão, minimamente, vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CCT. OBSERVÂNCIA. ACORDO PRÓPRIO 2004. INOBSERVÂNCIA. 1. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas. 2. As cláusulas das CCTs, as quais se repetiram no transcorrer dos anos, eram claras o suficiente para serem interpretadas e aplicadas pela empresa, sendo igualmente claras para serem interpretadas pela administração fiscal. 3. O plano próprio 2004 não contém regras claras e objetivas, o que infringe o disposto no § 1º do art. 2º da Lei, de forma a viabilizar a incidência das contribuições lançadas a seu respeito, negandose provimento ao recurso neste particular. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FIXA MÍNIMA. POSSIBILIDADE. O pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa, sendo que a prédeterminação de um valor, sobretudo em valor irrisório (como o foi), não invalida o efetivo pagamento da participação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. MONTANTE DOS VALORES PAGOS E FORMA DE PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. 1. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. Nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 518 3 2. Quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. A desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO INTEGRAL ANTES NO PRÓPRIO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE. O § 2º do art. 3º da Lei 10101/2000 permite, por via transversa, o pagamento de antecipação ou distribuição de valores, mas não a antecipação ou distribuição de todo o valor, mormente porque o lucro ou o resultado somente é calculado e apurado ao final do anobase. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO. 1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09. 2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35A da Lei 8212/91. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados em relação às convenções coletivas de trabalho dos anos 2004 a 2008. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimentos parcial em maior extensão, e os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima que negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente Fl. 518DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 519 4 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/SP1 fez um relato preciso do lançamento e da impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: DA AUTUAÇÃO Tratase de crédito debcad n° 37.235.8080, lançado pela fiscalização em 06.12.2009, contra o contribuinte acima identificado, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 39/78, referese a diferenças de contribuições previdenciárias decorrentes de pagamentos efetuados pela empresa a seus segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados, correspondentes à parte da empresa relativa ao adicional de 2.5% (dois e meio por cento) instituído pelo parágrafo 1° do artigo 22, da Lei 8.212/91. O crédito lançado corresponde a R$ 7.844.817,41 (sete milhões, oitocentos e quarenta e quatro mil, oitocentos e dezessete reais e quarenta e um centavos), consolidado em 06.12.2009, abrangendo o período de janeiro, julho a novembro de 2005; janeiro a agosto e outubro de 2006; janeiro a fevereiro, maio a julho e outubro de 2007, janeiro a maio, julho, setembro a outubro e dezembro de 2008. O Relatório Fiscal informa ainda que: A empresa ajuizou em 21.12.2001, mandado de segurança (MS n° 2001.61.00.0292958) junto à 3ª. Vara da Justiça Federal em São Paulo buscando afastar a cobrança do adicional de 2,5 (dois e meio por cento), instituído pelo disposto no parágrafo 1° art. 22, da Lei 8.212, de 24.07.1991 e, também a compensação dos valores indevidamente recolhidos. O pedido de liminar foi indeferido e em 24.05.2006 expedida sentença julgando improcedente o pedido e extinguindo o processo com julgamento do mérito. A impugnante interpôs recurso de apelação que também foi negado pelo Tribunal Fl. 519DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 520 5 Regional Federal da 3º Região. Em 20.06.2008 foi interposto pela empresa recurso extraordinário, encontrandose este pendente de julgamento em 27 de outubro de 2009. Foram examinados durante a ação fiscal os seguintes documentos: Livros Diário e Razão, Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS, Convenções Coletivas, Regulamentos de Distribuição da Participação nos Lucros ou Resultados, Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, ocasião em que se constatou o não recolhimento das contribuições sociais sobre as rubricas relacionadas à “Participação nos Lucros ou Resultados” pagas aos empregados em desacordo com a legislação vigente. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados”, nos períodos acima discriminados, sobre as quais não foram recolhidas as devidas contribuições sociais, sendo que os valores apurados foram obtidos de dados constantes em planilha formato “excel” fornecida pela empresa notificada por meio de arquivo em meio magnético (CD), entregue em 13 de novembro de 2009 e que foram extraídos e confirmados a partir da contabilidade e das folhas de pagamento do sujeito passivo, entregues, na mesma data, no formato de arquivos magnéticos com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD. Conforme se depreende da legislação de regência: art. 7°, XI da Constituição Federal, art. 28 e parágrafo 9° da Lei 8.212/91, art. 214 do Decreto 3.048/99 e também do contido no art. 150, parágrafo 6° da Constituição Federal, verificase que a participação nos lucros, como prevista constitucionalmente, é desvinculada da remuneração, não possuindo natureza jurídica salarial e não integrando o salário de contribuição, desde que paga em conformidade com lei específica. A regulamentação da matéria deuse com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29.12.1994, e as que se lhe seguiram reeditando a matéria, as quais foram finalmente convertidas na Lei n° 10.101 de 19.12.2000, que disciplina a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa, estabelecendo os requisitos necessários para que a desvinculação da participação da remuneração ocorra. Assim, há necessidade de serem analisadas as condições em que esta verba é ajustada e paga, a fim de que se possa concluir se a mesma corresponde ou não à citada norma de regência. No presente caso, a Participação nos Lucros ou Resultados aos segurados da impugnante foi paga durante os exercícios de 2005 a 2008 e regida por diferentes instrumentos a saber: (i) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008; Fl. 520DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 521 6 (ii) Acordo decorrente de negociação entre a impugnante e seus empregados, com vigência por prazo indeterminado a partir de 1° de janeiro de 2001; (iii) Plano de Participação nos Lucros ou Resultados, celebrado entre a impugnante e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência entre 01.01.2005 e 31.12.2006; (iv) Plano de Participação nos Resultados, celebrado entre a impugnante e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência entre 01.01.2007 e 31.12.2007; (v) Plano de Participação nos Resultados, celebrado entre o Banco Merrill Lynch e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência entre 01.01.2008 e 31.12.2008. Foram encontrados na contabilidade da empresa nas contas patrimoniais 4.4.3.15.00.0023, 4.9.3.l5.00.0042, 4.9.3.l5.00.0043, 4.9.3.l5.00.0044 e nas contas de resultado 8.l.7.33.00.0028, 0052, 0060, 0080, 0081 e 0083, bem como em suas folhas de pagamento (rubricas 0007, 0030 e 0018), remunerações a título de PLR nas competências de janeiro, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2005; janeiro a agosto e outubro de 2006; janeiro, fevereiro, maio a julho e outubro de 2007; janeiro a maio, julho, setembro, outubro e dezembro de 2008. Das Convenções Coletivas de Trabalho Pactuação prévia Foram celebradas Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos bancos para os exercícios de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, das quais participaram a Federação Nacional dos Bancos e os diversos Sindicatos dos Empregados em estabelecimentos bancários. Tais convenções foram assinadas nas seguintes datas: Ano base 2004 (pagamento em 2005): 11 de novembro de 2004; Ano base 2005 (pagamento em 2006): 17 de outubro de 2005 Ano base 2006 (pagamento em 2007): 18 de outubro de 2006 Ano base 2007 (pagamento em 2008); 18 de outubro de 2007; e Ano base 2008 (pagamento em 2008): 03 de novembro de 2008 Observa o auditor fiscal notificante que os instrumentos utilizados para o adimplemento do beneficio em questão foram todos assinados retroativamente ao inicio de seus anos base. O dispositivo legal de regência determina que a participação será objeto de negociação prévia e que suas regras serão Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 522 7 previstas no instrumento decorrente dessa negociação. O pagamento de PLR tem como essência uma retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou realização de um resultado previamente pactuado. Assim, deve haver negociação entre as partes, concedendo a empresa o pagamento àqueles segurados que atingirem a meta pré' estabelecida. Obviamente, esses objetivos ou metas devem ser pactuados previamente, com um tempo razoável entre o acordo, o conhecimento das regras e o pagamento. Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. No caso presente, todas as convenções coletivas apresentadas foram celebradas no último trimestre de seus anos calendário. Devem constar também dos instrumentos decorrentes das negociações, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba desvinculada da remuneração. A assinatura do acordo e o consequente conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreram muito após o inicio de vigência dos mesmos e, desta forma, já haviam ocorrido diversos fatores que poderiam ou não contribuir para o atingimento das metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa. Conclui que os instrumentos de acordo em tela não objetivaram incentivar a produtividade, uma vez que o citado resultado já havia sido definido. Das regras claras e objetivas Da análise das convenções coletivas apresentadas, constatase que nenhuma se coaduna com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal beneficio, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. Somente foram estipulados o montante e o prazo de pagamento da PLR, não existindo nexo entre os valores ganhos pelo empregado e os resultados da empresa. O único critério existente é a admissão do empregado antes do inicio do ano base. Da parcela fixa Também não cumpre a finalidade da lei a previsão de pagamento em parcela fixa. Lucro ou resultado é um superávit Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 523 8 verificado no final do exercício financeiro, em face do movimento empresarial do ano findo. É a partir deste que se apura aquele, que não se pode prever antes do fechamento contábil e, seguindose as regras do PLR, distribuise então uma parcela sua para os empregados, sendo esta não tributável. No entanto, prever, já antes da apuração do lucro ou resultado, quanto será devido a título de participação neste lucro ou resultado é subverter a norma de benefício ao trabalhador. Os instrumentos de acordo apresentados não possuem qualquer objetivo a ser cumprido, nem critério de aferição. A participação nos lucros já aparece como um fato consumado, inclusive em termos de valores, o que afasta qualquer possibilidade de cumprimento e aferição de objetivos. Independentemente de qualquer atitude tomada pelo empregado após a assinatura do acordo, ele receberia a participação nos lucros. Os valores recebidos não dependiam da obtenção de quaisquer resultados, haja vista que as determinações citadas nas convenções determinam um valor fixo independentemente do alcance de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, sendo regras que afastam o objeto da Lei. O pagamento de um valor previamente fixado, sem qualquer condição, ainda que a título de participação nos lucros ou resultados, consiste, na verdade, no pagamento de uma espécie de prêmio ou gratificação, uma mera liberalidade da empresa. O pagamento em questão afastouse do objetivo da lei, de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a participação nos lucros não integre o salário de contribuição. Conclui que as convenções coletivas de trabalho sobre participação nos lucros ou resultados dos bancos não cumprem as disposições legais para afastarem a natureza salarial dessa parcela, tendo em vista que: (i) foram negociadas e assinadas somente ao final dos anos base, sendo retroativas aos períodos de participação; e (ii) não contam com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros e Resultados em 2004 Da comissão escolhida entre as partes e do representante sindical Em 07 de março de 2001 foi celebrado um “Acordo Decorrente da Negociação entre Banco e Empregados para a Participação nos Lucros e Resultados”, tendo como partes, de um lado o Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 524 9 Banco Merrill Lynch e de outro seus empregados, com vigência retroativa a 1° de janeiro de 2001 por prazo indeterminado. Da análise da cláusula 2 do acordo acima citado, verificase que o Banco Merril Lynch deveria ser representado por uma comissão quando, no entanto, em nome deste temse a presença somente do Sr. Paulo César Pimental Raffaelli, que além disso na função de procurador, não possuía poderes para individualmente representar a empresa em atos que importassem em responsabilidade ou obrigações à impugnante. De outro modo, a mesma cláusula 2 determina que os empregados serão representados por uma comissão escolhida por eles e integrada por um representante indicado pelo Sindicato dos Bancários em São Paulo. Ocorre que não houve participação de um representante sindical nessas negociações, o que se constata da própria “Ata da Reunião para Exame e Aprovação do Instrumento (Acordo) para Participação dos Trabalhadores nos Lucros e/ou Resultados”, assinada em 07.03.2001. Foi apresentada, durante a ação fiscal, carta datada de 01 de março de 2001, dirigida ao Sindicato dos Bancários e Funcionários de São Paulo, Osasco e Região, na qual a empresa solicita a indicação de um representante do sindicato para integrar a comissão de empregados a fim de alterar o acordo de PLR de 26 de novembro de 1998, avisando a data, horário e local da futura reunião. O contribuinte apresentou também cópia do jornal Gazeta Mercantil, de 2, 3 e 4 de março de 2001, onde fez publicar uma convocação ao sindicato visando a indicação de um representante para integrar a comissão de empregados em reunião, que seria realizada em 07 de março de 2001, para acordo de PLR. Ressaltou que tal convocação estava sendo feita pela imprensa, tendo em vista a recusa do Sindicato em receber carta do mesmo teor. Em expediente de 31 de agosto de 2009 a empresa informa que o sindicato se recusou a receber tal correspondência. No entanto, ao ser solicitada uma prova de tal recusa, a empresa disse não possuir. Em outra carta de 16 de junho de 2009, o contribuinte admite que o plano em tela não teve a participação de um representante sindical e alega que o sindicato se recusou a participar. Nessa mesma ocasião assevera não possuir o registro e arquivamento do plano de PLR na entidade sindical por idêntico motivo. Ainda, numa terceira carta de esclarecimentos, de 07.08.2009, a empresa informa que quando tentou protocolar o plano no sindicato, este teria se recusado a aceitar o protocolo, não tendo fornecido um documento dessa recusa. Assim, temse que o Acordo de PLR para o período de 2004 foi negociado entre o Banco (por um procurador que não tinha plenos poderes para o fazer individualmente) e os empregados, sem a devida participação do sindicato e, ainda, esse acordo não se encontra registrado e arquivado na competente entidade Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 525 10 sindical. Desta forma, verif1case que não foram cumpridos os requisitos da Lei l0.l0l/00. No presente caso a negociação foi realizada sem a participação de um representante sindical e o acordo não está devidamente registrado e arquivado no sindicato, o que retira a possibilidade de adequação à legislação específica. Lembra ainda, o Auditor autuante, que a empresa já havia sido autuada anteriormente pelo mesmo acordo próprio de PLR em diversos exercícios. Reproduz trecho do voto vencedor (Acórdão 206.00.853 da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de 09 de maio de 2008). Destaca ainda o contido no Acórdão 1616.249 da 12a Turma da DR]/SPOl, de 30.01.2008. Das regras claras e objetivas No acordo de PLR em vigência em 2004 não foram estipuladas regras claras e objetivas para avaliação do desempenho individual dos trabalhadores, assim como não é nem descrito o processo de avaliação. É apenas citado um Processo de Avaliação que não integra o acordo firmado. Ademais, não pode fazer parte do Acordo de PLR, o Sistema de Avaliação de Desempenho Profissional e Programa de Metas utilizado pela empresa, por este se caracteriza pela imposição e não pela negociação, como determinado no parágrafo 2° da Lei n° 10.101/00. Não foi possível identificar nos instrumentos decorrentes da negociação as regras claras e objetivas pertinentes à fixação e cumprimento do acordado. Não foi possível identificar, inclusive, qual o valor deveria ser pago aos empregados a título do PLR, caso as metas e objetivos fossem atingidos, desobedecendo, por consequência, o estabelecido na Lei 10.101/00. A escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o parágrafo 1°, do art. 2° da Lei n° 10.l0l/00, também descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. O quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, sem depender de critérios subjetivos de avaliação. Como pode haver clareza e objetividade no que se refere aos direitos substantivos estabelecidos num acordo que diz que os valores estabelecidos no anexo representam um mínimo, sendo facultado, possível e legal o pagamento superior, a título de P. L. R., nos casos em que o desempenho individual ultrapasse o esperado ou negociado? No que tange às avaliações de desempenho apresentadas pela empresa, temse que elas não demonstram como cada resultado obtido se converte em valor, cabendo observar, ainda, que não foi verificado qualquer documento que componha e explique os Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 526 11 valores pagos a título de PLR com relação à fixação de direitos previstos nos instrumentos de negociação. Mais um fato a ressaltar é o mecanismo de compensações e substituições, constantes da cláusula 6 do instrumento, que traz a afirmação de tal acordo compensa e substitui eventuais programas existentes anteriormente, que tenham a mesma causa de concessão, inclusive bônus, e/ou produtividade. Uma estipulação nesse sentido demonstra que a empresa entende que os valores aqui analisados como tendo a mesma causa de concessão de bônus, ou seja, como uma substituição desses. Sabese, contudo, que os bônus possuem natureza salarial e devem integrar o salário de contribuição dos segurados. Ora, se a chamada “participação nos lucros” substitui e tem a mesma causa de concessão dos bônus, independentemente a que título seja paga, deve igualmente fazer parte do salário de contribuição de quem a recebe. Eventuais programas de bônus de incentivo vinculados a metas de desempenho individual não podem ser confundidos com a Participação nos Lucros ou Resultados paga de acordo com a lei. Observase ainda que quanto ao conhecimento das regras, estas não foram previamente informadas aos empregados, embora tenha se constatado que não eram claras, nem tampouco objetivas. A empresa apresentou expediente, datado de 31 de agosto de 2009, para explicar o plano de PLR, histórico das negociações, os “direitos substantivos” e as “regras adjetivas” utilizadas. Através de relatórios pretendia demonstrar, por amostragem de 14 empregados, a base de composição de cálculo dos valores pagos a título de PLR, bem como os demonstrativos gerenciais de avaliação da empresa e dos empregados. Através desta amostragem foi constatado que os “objetivos” a serem cumpridos individualmente não eram aprovados previamente. Exemplos: Marcos Honda (n° 4 do expediente) teve seus objetivos aprovados em 09 de dezembro de 2004; Oswaldo T. Lopes (n° 8) em 28 de dezembro de 2004; Robert Kozmann Júnior (n° 12) em 16 de dezembro de 2004 e Silvia Wulkan Halperin (n° 13) em 07 de dezembro de 2004. A estipulação de objetivos ao final do ano base retira desse pagamento qualquer possibilidade de adequação à legislação específica. Afinal, datas como as mencionadas no item precedente possibilitavam pouca ou nenhuma ação por parte dos destinatários para o cumprimento das metas. Ademais, sabese que a regulamentação dessa matéria dáse no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação seja justa. Um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema é aquele que determina que a participação nos lucros e resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, o que demonstra a preocupação do legislador em não permitir que o PLR fosse utilizado em substituição de parcela salarial. Nesse sentido, foram retirados do Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 527 12 Demonstrativo Pagamento de PLR por Beneficiário alguns exemplos apontados no Comparativo Salário Anual x PLR Anual, anexos ao AI principal. Dessa amostragem verificase a existência de duas “castas” de empregados no que tange ao recebimento da PLR. A primeira delas é constituída de funcionários que trabalham na área administrativa, cujas PLR representaram entre 10% e 45% de seus salários anuais (PLR/Salário Anual). Em contrapartida, a segunda “casta” é composta dos empregados da área de negócios, que receberam como PLR entre 100% e 775 %. Mesmo tomandose como base a empresa de forma global, constatase que no exercício de 2005 (pagamento do ano calendário de 2004), enquanto o total de PLR foi de R$ 19.296.986,12, o da remuneração sem PLR foi de R$ 18.414.988,75 (informação constante da GFIP), o que resulta numa PLR de 105% (cento e cinco por cento) do total dos salários pagos durante o exercício, ou seja, a empresa remunerou seus funcionários, sendo mais da metade na forma de PLR, apesar de se saber que tal participação não deve substituir ou complementar a remuneração dos empregados. Quando a participação nos lucros ou resultados paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante de que o próprio salário contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de parcela salarial. E, assim, percebese claramente que as verbas pagas pela empresa a título de participação nos lucros ou resultados, nada mais são do que instrumento de premiação, gratificação, ou bonificação, qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com o nítido caráter retributivo em substituição salarial. No presente caso, a maior parte do valor total distribuído foi destinada a um grupo seleto e reduzido de empregados. Não se evidencia aqui base legal que justifique o pagamento de valores tão altos de PLR, nem para uma distribuição de forma tão desigual entre os empregados, sendo que tais discrepâncias indicam que os valores referemse de fato a um tipo de premiação, bonificação ou gratificação ajustada por desempenho individual, descaracterizando completamente o instituto da Participação nos Lucros ou Resultados. Ressalta que a Participação nos Lucros ou Resultados não admite critérios subjetivos de distribuição, haja vista que não visa premiar determinados empregados em detrimento de outros, a não ser por critérios objetivos de aferição. Conclui acerca da legalidade do plano próprio de Participação nos Lucros em 2004: (i) a comissão do banco foi integrada somente por uma pessoa, a qual, como procurador, não detinha poderes para representar sozinho a empresa e atos dessa monta; Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 528 13 (ii) não houve a participação de um representante do sindicato nas negociações; (iii) o plano não foi registrado e arquivado na entidade sindical; (iv) o acordo não conta com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação; (v) os valores pagos substituem os bônus; (vi) não houve conhecimento prévio das metas (ainda que não claras e objetivas); e (vii) o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do beneficio da PLR. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados em 2005 Em 07 de março de 2001 foi celebrado um “Acordo Decorrente da Negociação entre Banco e Empregados para a Participação nos Lucros e Resultados”, tendo como partes, de um lado o Banco Merril Lynch e de outro seus empregados, com vigência retroativa a 1° de janeiro de 2001 por prazo indeterminado, estando ainda em vigor no ano base de 2005. Tal acordo apresenta diversas irregularidades, como pode sr visto na extensa análise conforme acima exposto. Mesmo na vigência do acordo tratado nos itens precedentes, em 19 de maio de 2006, o banco celebrou com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo um novo “Plano de Participação nos Lucros ou Resultados”, o qual, segundo sua cláusula sexta, possuía vigência de dois anos retroativa a 01 de janeiro de 2005. Da análise do citado plano conclui o Auditor Fiscal que: (i) o acordo assinado em 07 de março de 2001, ainda em vigor em 2005, apresenta diversas irregularidades descritas ao tratar do acordo de 2004; (ii) o novo plano, negociado com o sindicato somente em 19 de maio de 2006, e retroativo ao período base da participação; (iii) não houve conhecimento prévio das metas; (iv) o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do benefício do PLR. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados em 2006 O acordo para o ano base de 2006 foi firmando somente em l9 de maio desse ano. Portanto, somente nesse momento houve certeza de que regras seriam utilizadas para esse ano calendário. Tal data contraria frontalmente o próprio acordo que prevê em sua cláusula quarta, item 2, que as metas Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 529 14 individuais, locais e globais sejam divulgadas até o final do primeiro trimestre de cada ano, bem como a própria legislação específica que determina o conhecimento prévio por negociação. O acordo foi celebrado quase na metade do ano base a que se refere o que impossibilitou o pleno conhecimento prévio de todas as regras que deveriam ser cumpridas para que o empregado fizesse jus à participação. Conclui acerca do Plano Próprio de Participação nos Lucros em 2006: (i) o plano, negociado com o sindicato somente em 19 de maio de 2006, é retroativo ao período base da participação; e (ii) o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do beneficio da PLR. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados em 2007 Em 31 de agosto de 2007, o banco celebrou, com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, um “Plano de Participação nos Resultados”, o qual, segundo sua cláusula sexta, possua vigência de um ano, retroativo a 01 de janeiro de 2007. Tal plano possui a mesma redação do anteriormente assinado em 19 de maio de 2006 e que regia os anos calendário de 2005 e 2006. Para o ano base de 2007, o acordo foi firmado ainda mais tarde, ou seja, no segundo semestre de 2007, ao final do mês de agosto. Somente nesta época é que os empregados tomaram conhecimento da vigência de um plano de resultados e suas regras. Logo, somente a partir de então sabiam como seriam avaliados para o recebimento desse beneficio. Verificase do Demonstrativo dos Pagamentos de PLR realizados em 2007, anexo ao AI principal, que o contribuinte efetuou pagamentos em janeiro, fevereiro, julho e outubro de 2007, em desobediência à vedação de qualquer antecipação ou distribuição de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Conclui acerca do Plano Próprio de Participação nos Lucros de 2007: (i) o plano, negociado com o sindicato somente em 31 de agosto de 2007, é retroativo ao período base da participação; (ii) O montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do beneficio da PLR; e (iii) ocorreram mais de dois pagamentos durante o mesmo ano civil. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados em 2008 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 530 15 Em 09 de dezembro de 2008, o banco celebrou com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo um “Plano de Participação nos Resultados”, o qual, segundo sua cláusula 6ª, possuía vigência de um ano, retroativa a 01 de janeiro de 2008. Tal plano possui a mesma redação do anteriormente assinado em 19 de maio de 2006 e que regia os anos calendário de 2005 a 2007. Para o ano base de 2008, o acordo foi firmado ainda mais tarde, pois somente em dezembro é que os empregados tomaram conhecimento da vigência de um plano de resultados e suas regras. Também nesse ano houve o aparecimento de valores extremamente vultosos, tendo a empresa contratado altos executivos e para eles desembolsou uma PLR em montante bastante expressivo. Tais valores foram tão expressivos que foram objeto de observação acurada da imprensa, por intermédio de uma notícia publicada no Wall Street Joumal. A empresa pagou valores a titulo de PLR nos meses de julho, outubro e dezembro, ou seja, antes do final do ano base, sem a prévia apuração dos resultados com relação ao cumprimento ou não das supostas metas fixadas. Se tais concessões foram feitas antes da apuração de resultados fica claro que esses valores em nada se relacionam com os pagamentos que deveriam ser efetuados em razão do acordo de PLR. Verificase do Demonstrativo dos Pagamentos de PLR realizados em 2008, anexo ao AI principal, que o contribuinte efetuou pagamentos em janeiro, julho, outubro e dezembro, em desobediência à vedação de qualquer antecipação ou distribuição de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Conclui quanto ao Plano de 2008: (i) o plano, negociado com o sindicato somente em 09 de dezembro de 2008, é retroativo ao período base da participação; (ii) o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do benefício da PLR; (iii) o pagamento ocorreu integralmente dentro do ano base e, portanto, antes da apuração dos resultados; e (iv) ocorreram três pagamentos durante o mesmo ano civil. Do Cálculo da Multa A partir da edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida em 27 de maio de 2009, na Lei n° 11.941, a multa em lançamento de ofício sobre a totalidade ou diferença das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos (terceiros), simultaneamente nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração e no de declaração Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 531 16 inexata, passou a ser regida pelo art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A multa prevista no inciso I do citado art. 44, é única, de 75% (setenta e cinco por cento) e visa apenar de forma conjunta, tanto o não pagamento seja ele parcial ou total do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou sua apresentação de forma inexata. Assim, citada multa, a partir da competência dezembro 2008, não pode conviver com outra penalidade da mesma natureza e sobre o mesmo fato, ou seja, para a conduta de não pagar e não declarar os valores relativos às contribuições previdenciárias e de terceiros, ou de declará los de forma inexata. Para os fatos geradores até novembro de 2008, devese obedecer ao disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, o qual prevê a aplicação de nova lei a um fato pretérito quanto lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Assim, a partir da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, no que se refere aos fatos geradores até novembro 2008, a lavratura em casos de falta de recolhimento e de declaração inexata, como no presente caso, deve ser realizada com a penalidade menos severa resultante da comparação entre a aplicação da multa de oficio estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e a soma da multa de mora prevista pela alínea “a”, do inciso II, do art. 35 da Lei n° 8.212/91 (24%) com a multa prevista no inciso IV, parágrafo 5° do art. 32 do mesmo diploma legal, aplicandose a que for mais benéfica ao sujeito passivo. Os valores autuados não foram declarados em GFIP (competências até 11/2008), originando a lavratura do Auto de Infração de Obrigações Acessórias n° 37.235.8101, por esta omissão. Para determinação da multa mais benigna a ser aplicada utilizouse a comparação apresentada no Demonstrativo da Multa Final Aplicada, anexo ao AI principal. Salienta que para as competências 01, 07 e 10/2005, 01, 07 e 10/2006, 01, 02, 07 e 10/2007; 01, 07 e 10/2008, a penalidade anterior à publicação da MP n° 449/2008 mostrouse menos severa que a utilização da multa de lançamento de oficio (75%), sendo assim, utilizada no AIOA acima citado nessas competências. Nas demais competências, quais sejam: 08, 09 e 11/2005; 02 a 06/2006, 08/2006, 05 a 06/2007, 02 a 05/2008 e 09/2008, nas quais ocorreu a mesma infração, a multa mais benéfica resultou ser a multa de oflcio (75%), cobrada neste AIOP. O presente lançamento constituise dos seguintes levantamentos: PL1 Valores pagos aos empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados multa anterior à Lei n° 11.941/2009 mais benéfica; Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 532 17 Z2 Valores pagos aos empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados multa de oficio da Lei n° 11.941/2009 mais benéfica; e Z1 Valores pagos aos empregados a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados após 11/2008 multa de ofício da Lei n° 11.941/2009. Foram lavrados Autos de Infração de obrigações principais distintos para cada gênero de contribuições sociais, relativos à Participação nos Lucros ou Resultados: AI n° 37.235.8080 AI relacionado à contribuição de 2,5%, objeto de ação judicial; AI n° 37.235.8071 relativo às contribuições da parte da empresa (20%) e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT; AI n° 37.235.8098 relativo às contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE (Salário Educação) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA. Como os valores autuados não foram declarados em GFIP, foi lavrado o Auto de Infração de Obrigações Acessórias n° 37.235.8101. Por se tratarem do mesmo fato gerador em relação ao mesmo sujeito passivo, os atos constitutivos e respectivas alterações, bem como os documentos comprobatórios do crédito, foram incluídos somente na 1ª via do AI n° 37.235.807. DA IMPUGNAÇÃO A empresa foi cientificada do lançamento fiscal em 14.12.2009, fls. 389 e apresentou defesa tempestiva em 13/01/2010, através do instrumento de fls. 524/615, alegando em síntese que: [...]. Do Mandado de Procedimento Fiscal e da Autuação Fiscal Empreendida. A auditoria fiscal foi embasada pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n° 08.1.66002009000139, cujo objeto era a fiscalização de contribuições previdenciárias do período de 01/2005 a 01/2007. Diversas alterações foram promovidas pela autoridade administrativa resultando na extensão do objeto e do período fiscalizado (contribuições previdenciárias, IRPJ, PIS e COFINS período de 01/2005 a 12/2008). No entanto, o procedimento adotado pela fiscalização que resultou na lavratura do auto de infração ora impugnado, Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 533 18 extrapolou seus limites quando exigiu o recolhimento de contribuições previdenciárias do ano de 2005. Embora tenha prestado todas as informações solicitadas, inclusive aquelas relativas aos planos de PLR negociados e celebrados em 2004 e que ensejaram os pagamentos realizados em 2005, entende que a auditoria empreendida não tinha autorização para fiscalizar documentos relativos ao ano de 2004 com o condão de exigir o recolhimento de tributos. Afirma que o fato gerador dos pagamentos realizados em 2005 foram os Planos de PLR negociados e celebrados no ano de 2004, período não albergado pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Logo, a fiscalização descuidou do limite temporal previsto no Mandado de Procedimento Fiscal, eivando de vício a presente autuação. Na verdade, o procedimento adotado pela fiscalização buscou salvar o pretenso crédito tributário já alcançado pela decadência, conforme determina a Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal. Reafirma tratarse de vicio insanável, que macula a atuação fiscal como um todo, não podendo esta subsistir, devendo ser declarada a nulidade do presente Auto de Infração, em obediência aos princípios fundamentais que regem o ato administrativo e a tributação em nosso ordenamento jurídico. Da injustificada descontextualizarão negocial dos Planos de Participação nos Lucros Fiscalizados Afastamento do Princípio da Legalidade e da Finalidade do Ato Administrativo Atendeu a todas as solicitações de entrega de documentos feitas durante procedimento de auditoria de fiscalização extrapolando, inclusive, aquilo que lhe foi solicitado; tudo no intuito de devidamente esclarecer os acordos de participação nos lucros e resultados firmados com seus empregados ou com o Sindicato representativo da categoria. Em se tratando de planos de participação de empregados nos lucros e resultados da empresa, tão ou mais importante do que esclarecer seu funcionamento, é dar a conhecer ao fiscal o contexto negocial no qual eles se inserem. Esclarece que é um banco de investimentos que atua no mercado de capitais, de acordo com as regras previstas na Resolução CMN n° 2.624/99, que não possui contas correntes. Assim, sua atividade primordial é realizada por aquilo que denomina área de negócios, que congrega aqueles empregados encarregados de identificar, trazer clientes e negócios ao banco. São eles os encarregados e responsáveis por desenvolver as atividades do banco. Ao lado dessa área, está aquela que lhe dá suporte, incumbida de providenciar com a segurança e eficiência necessária todo o aparato técnico de suporte para os negócios que serão trazidos e desenvolvidos pela área de negócios. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 534 19 Há, pois, uma diferença marcante entre essas duas áreas, um enorme degrau entre elas em matéria de responsabilidade e de riscos. Deste modo, os empregados e o sindicato da categoria, sabedores dessas características, negociaram acordos de participação nos lucros e resultados que possibilitem a repartição do eventual lucro que será produzido pelo esforço comum de todos. Sendo o lucro o objetivo comum do Impugnante e de seus empregados, que se fizeram representar por seu sindicato, a repartição do lucro que produzirem deve observar as regras que eles estabeleceram. Assim, não deve causar nenhuma estranheza o fato de que os acordos coletivos previram como se deve gerar o lucro a ser repartido, e as regras de distribuição, atribuindose pesos e respectivos valores de acordo com as respectivas áreas de atuação: negócios e apoio, havendo uma enorme diferença entre os valores percebidos pelos empregados. No entanto, a d. fiscalização, mesmo esclarecida sobre as características do ambiente de negócios de um banco de investimento, com os sucessivos esclarecimentos prestados, de dossiê cuidadosamente preparado pelo Impugnante para esclarecer e documentar o funcionamento e o contexto dos acordos de PLR por ela adotados, surpreendeuse com a lavratura do presente auto de infração, fundamentado em fatos e argumentos absolutamente fora do contexto negocial do Impugnante. Interpretar um negócio jurídico fora de seu contexto, tal como ocorreu no caso presente, equivale a afastarse da finalidade da lei e do ato administrativo, maculando o resultado por inteiro, como ocorreu no caso presente. Deveras, a autuação fiscal levada a efeito entendeu que não se configuraria divisão de participação nos lucros e resultados os valores distribuídos debaixo das Convenções Coletivas dos bancários, por serem fixos. E também entendeu que haveria vícios nos acordos coletivos firmados. A Sra. Agente Fiscal desconsiderou a natureza dos pagamentos realizados pelo Impugnante em virtude do seu valor, ou ainda em virtude da discrepância dos valores distribuídos entre os trabalhadores, sem fazer qualquer menção ao fato de que tais pagamentos observam as regras e os limites previamente estabelecidos para a sua realização. Ignorou, outrossim, que o impugnante é uma instituição financeira, e por isso, submetida às negociações coletivas que envolvem os empregadores e os empregados da categoria, assim como o sindicato representativo de classe, que decidiram que o pagamento de um percentual do lucro líquido do banco, dividido em valores fixos iguais para cada empregado, corresponderia ao anseio da categoria para cumprimento do direito social previsto pelo art. 7, XI, da CF. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 535 20 A extensa documentação apresentada à Sra. Agente Fiscal comprova as negociações realizadas no transcorrer do tempo, cuja finalidade era a de unir os interesses do Banco e de seus empregados. Teria, inclusive, esclarecido que as negociações com Sindicatos de categorias tão expressivas, como são os bancários e os metalúrgicos, podem até levar a greves por melhorias dos direitos. Devido à grande dificuldade das negociações, elas perduram por longos períodos durante o ano, podendo ser resolvidas ao final dos períodos, não havendo que se estranhar, pois, que convenções e acordos coletivos sejam datados de épocas finais do ano. Ora, se as Convenções Coletivas de Trabalho, que dependem de negociações ocorridas entre empregador e sindicato de classe dos seus empregados, possuem trâmites burocráticos que inviabilizam a sua assinatura nos primeiros meses do ano, porque um Acordo de PLR que conta com a participação do empregador, dos seus empregados e do respectivo sindicato de classe poderia/deveria ser assinado em prazo inferior? Esperar (ou pior, exigir) que Acordos de PLR sejam assinados nos primeiros meses do ano é fruto do pleno desconhecimento de como ocorrem as negociações, de como elas são importantes e complexas. Reafirma que independente do momento em que as Convenções Coletivas ou os Acordos de PLR foram assinados, os seus termos foram previamente negociados entre as partes, em conformidade com o que exige a Lei n° 10.101/2000. Ademais, em face da teoria hoje dominante no sentido de que os negócios jurídicos devem ser escrutinados para verificar se possuem propósito negocial, se possuem substância, requer do intérprete aqui incluída a fiscalização o esforço de compreender o contexto no qual os negócios foram e são realizados pelo contribuinte, para que se conclua de maneira fundamentada a respeito da sua essência. Tratase, pois, de uma maneira aprofundada de se buscar a aplicação daquilo que é o espírito da lei, que dela não se dissocia. E a expressão mais aprofundada do principio da legalidade. No caso presente, se está diante de um direito social constitucionalmente garantido aos trabalhadores, que se incorpora ao patrimônio desses, e que impõe aos empregadores a correspectiva responsabilidade por cumprimento, como uma das expressões de solidariedade social. A Constituição Federal, em manifesto incentivo do cumprimento do direito social instituído, dispõe que a lei apoiará e estimulará as empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado a participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho, repetindose aqui o alerta contido no art. 7, XI da CF: desvinculada do salário. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 536 21 Assim é que o Impugnante pratica a participação de seus empregados nos lucros desde 1998, observando tanto o que resulta das negociações coletivas, quanto os acordos firmados com seus empregados. Todos os seus empregados estão cientes de que participam de lucros gerados por uma instituição financeira que tem características próprias. E a ciência a respeito da dificuldade das negociações entre empregadores e empregados está no dia a dia dessas pessoas, que recebem em suas mesas a "folha bancária", que noticia o andamento das diversas negociações que se estabelecem ao longo do ano. Não existe, pois, espaço para nada "imposto" no que pertine a PLR. Não há espaço para a pura discricionariedade do empregador, como entendeu a fiscalização, em seu equivocado arrazoado em prol da desconsideração das distribuições feitas a título de PLR. Não se tratam de pagamentos de bônus, ou premiações sem a correspondente carga fiscal, NÃO! Tal interpretação decorre, certamente, de desavisada interpretação acerca do segmento no qual se encontra inserido o Impugnante, com afastamento do ato administrativo do espírito da lei, maculando, pois, a autuação, de manifesta ilegalidade e ausência de finalidade. A essência do negócio jurídico praticado pelo Impugnante com seus empregados foi desprezada, dado que interpretada em desprezo ao contexto negocial, o que não se pode admitir. O afastamento da finalidade do ato administrativo e da legalidade é facilmente depreendida da contraditória justificativa da autuação fiscal, em que se verifica a ausência de compreensão de conceitos de direito, do que se entende por PLR, de institutos próprios do direito do trabalho (exemplo: confusão entre PLR por comissão e PLR por acordo coletivo, que abaixo será descrita), bem como de toda a extensa fundamentação de fatos levada ao conhecimento da fiscalização pelo Impugnante. Diante desse quadro, o Impugnante requer o acolhimento das presentes razões, para desconstituir integralmente o auto de infração, o que ora se requer. Da insegurança jurídica inerente à imotivada modificação dos critérios utilizados na desconstituição dos planos de participação nos lucros fiscalizados Especificamente no que concerne à autuação dos valores distribuídos por meio de Convenções Coletivas, a d. fiscalização cometeu novamente o erro que foi objeto de reforma na autuação fiscal anteriormente lavrada, conforme se verifica da decisão notificação n° 21.003.0/0394/2006, proferida nos autos da NFLD n° 35.842.42l6 (transcreve o item 6.3.7). Questiona acerca de quantas vezes haverá de sofrer autuação fiscal por interpretação individual e equivocada sobre um mesmo fato. Ressalta que na autuação fiscal lavrada no ano de Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 537 22 2005 (NFLD 35.842.4216), por intermédio da qual se exige o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR no período de 1999 até 2004, o principal problema apontado pela fiscalização foi a ausência de participação de um representante do Sindicato dos Bancários nas negociações. Aduz que, questões como (i) a suposta ausência de negociação da PLR em razão da data de assinatura das Convenções Coletivas e dos Planos Próprios e (ii) a suposta natureza remuneratória dos pagamentos de PLR, decorrente da comparação entre o montante distribuído de PLR e a remuneração distribuída no mesmo período, JAMAIS foram apontadas como ensejadores da desconsideração da natureza dos pagamentos realizados pelo Impugnante. Afirma que tal fato sempre foi de conhecimento da Sra. Agente Fiscal, que inclusive citou no Relatório do Auto de Infração a decisão proferida pelo então Conselho de Contribuintes nos autos da NFLD n° 35.842.4216 (a qual, aliás, pende de julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, por isso, jamais poderia ser utilizada como fundamento ou paradigma para a autuação fiscal impugnada). Assim, ao inovar o entendimento recentemente exarado pela fiscalização previdenciária, em caso análogo ao presente, a Sra. Agente Fiscal afastou a segurança jurídica que deveria permear o ato administrativo, conforme previsto no artigo 20 da Lei n° 9.784/1999. Como pode o Impugnante saber qual é o tratamento legal que será dispensado ao seu negócio jurídico celebração de acordos de PLR se a Administração Pública o interpreta em cada momento de uma maneira? Se os novos critérios jurídicos de apuração apresentados pela Sra. Agente Fiscal decorressem de alteração legislativa (o que não ocorreu), nada poderia ser contestado pelo Impugnante. No entanto, tal expediente decorreu única e exclusivamente do fato de que os "problemas" evidenciados nos planos de PLR objeto da autuação não se repetiram nos planos celebrados entre 1999 e 2004. Os novos apontamentos da Sra. Agente Fiscal, na verdade, foram o único meio por ela encontrado para justificar mais uma cobrança de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de PLR realizados pelo Impugnante. E, não bastasse a plena insegurança jurídica do lançamento fiscal para justificar o julgamento de sua total improcedência, há que ressaltar que o entendimento exarado pela Administração em procedimento de fiscalização anterior (que resultou na lavratura de autuações fiscais, dentre elas a NFLD n° 35.842.4216) foi estritamente observado pelo Impugnante (mesmo que sem a sua concordância), razão pela qual, nos termos do artigo 100, incisos I e Il e parágrafo único do Código Tributário Nacional, impedem a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 538 23 Sem embargo do exposto, o Impugnante deduz abaixo, novamente, todas as razões que motivaram a adoção de acordos de participação nos lucros e resultados, conforme já havia feito à saciedade no curso da fiscalização, esperando que, desta feita, seja compreendido que não paga remuneração a seus empregados, não paga bônus, não comete fraude alguma para evitar a incidência de contribuições previdenciárias, mas pratica, isso sim, aquilo que a Constituição Federal e a legislação ordinária prevê. Da motivação do impugnante para implantação dos planos de Participação nos Lucros fiscalizados. A realidade em detrimento da presunção. Faz um breve relato acerca das relações de trabalho buscando determinar o papel da Participação nos Lucros ou Resultados, diante da constatação da separação entre o capital e o trabalho, na aproximação dos interesses dos empregadores e empregados com intuito de se obter os desejados resultados empresariais, que podem ser vinculados a lucratividade ou a outros critérios desejados pelas partes. Nesse sentido, conceitua a participação nos lucros ou resultados como um modalidade negocial na qual um empregador (quer diretamente, quer por meio de seu sindicato) negocia junto a seus empregados (representados por comissão ou por seu próprio sindicato) a distribuição de valores atrelados ao atingimento de metas empresariais, e não à execução dos contratos de trabalho propriamente ditos. Argumenta que essa é a diferença entre salário (ou remuneração) e participação nos lucros ou resultados: enquanto o salário (ou remuneração) é a contraprestação devida ao trabalhador pela execução do objeto de seu contrato de trabalho, a participação nos lucros ou resultados é uma parcela distribuída aos trabalhadores em razão do atingimento de metas empresariais, decorrente de um contrato "sui generis", celebrado entre empregador e comissão de trabalhadores ou sindicato. E, compreendendose essa diferença essencial entre remuneração e participação nos lucros ou resultados, resta natural e evidente a desvinculação estabelecida na legislação. A participação nos lucros ou resultados não integra a remuneração dos trabalhadores porque não trata de contraprestação pelo trabalho prestado, sua natureza é outra, é de fomento à integração entre capital e trabalho. Dentro deste cenário se ajustam os acordos de participação nos lucros ou resultados celebrados e observados pelo Impugnante, haja vista a sua finalidade ser o envolvimento dos trabalhadores com o sucesso de seus pares de área, com as demais áreas da empresa e, consequentemente, com o sucesso da empresa propriamente dita. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 539 24 Os planos de PLR não se assemelham, equiparam ou confundem com as obrigações decorrentes do contrato de trabalho. Enquanto o pagamento de PLR depende de prévias negociações e de fatores adicionais ao desempenho individual de cada trabalhador e da vigência do contrato de trabalho, o salário depende unicamente da vigência do contrato de trabalho. Sendo assim, não há espaço para se permitir a incidência de contribuições previdenciárias sobre um fato jurídico (PLR) não adequado ou mesmo adequável àqueles previstos na legislação (artigos 22 e 28 da Lei n° 8.212/91) como ensejadores de tal expediente, mesmo que, como no presente caso, tenha a sua natureza desconsiderada. Nesse diapasão, nunca é demais lembrar que a desconsideração dos planos de PLR do Impugnante, por si só, jamais denotaria a realização de pagamentos com natureza remuneratória. Reproduz jurisprudência. Ademais, a desconsideração de determinado ato jurídico (tal qual os planos de PLR do Impugnante) dependia da comprovação da sua prática com abuso de forma (ou finalidade evasiva) e mediante simulação, conforme descrito no parágrafo único, do artigo 116 do Código Tributário Nacional (com a redação dada pela Lei Complementar n° 104/2001). Contudo, a Sra. Agente Fiscal não se atentou para os fatos de que (i) não há lei regulamentando a previsão legal acima citada (o que basta para impedir a tributação dos valores pagos a título de PLR) e (ii) jamais comprovou que os pagamentos realizados se tratam de remuneração, apenas presumiu nesse sentido. Por tudo isso, as expressões utilizadas pela Sra. Agente Fiscal para descrever os planos de PLR do Impugnante, que também traduzem o seu convencimento sobre a questão, são, além de presunçosos e tendenciosos, desprovidos de finalidade e motivação jurídicas. Noutro passo, verificarseá que a desconsideração dos planos de PLR do Impugnante, levada a efeito pela Sra. Agente Fiscal, carece de validade. Impossibilidade de desconsideração do negócio jurídico de Participação nos Lucros ou Resultados Alega a Sra. Agente Fiscal que, no presente caso, a forma jurídica adotada (Participação nos Lucros ou Resultados PLR) não estaria em conformidade com o "objetivo da lei", motivo pelo qual as verbas pagas teriam natureza salarial, tais como a premiação, a gratificação ou a bonificação. Reproduz trechos do Relatório Fiscal. Afirma que as alegações transcritas demonstram a nítida tentativa da Sra. Agente Fiscal de desqualificar a forma jurídica adotada pelo Impugnante (PLR), em face de uma suposta substância econômica dos referidos pagamentos (verbas Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 540 25 salariais, tais como premiação, gratificação ou bonificação). Tratase, portanto, de uma tentativa de qualificação do negócio jurídico realizado no presente caso (PLR) como sendo um abuso de forma jurídica. Ou seja, a forma jurídica adotada para os pagamentos realizados no presente caso (PLR) não possui natureza salarial e não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias previstas no artigo 195 da CF/88. Contudo, desconsiderandose a forma jurídica adotada, chegase a uma suposta substância econômica (verba salarial), esta sim sendo fato gerador das referidas contribuições. Contudo, referido entendimento não poderá prosperar, motivo pelo qual essa E. Turma Julgadora deverá cancelar integralmente o presente auto de infração. lsto porque, o abuso de formas jurídicas só ocorre nos casos de (i) adoção de estruturas negociais que (ii) não são adequadas à substância econômica dos atos praticados. Portanto, no abuso de formas jurídicas, os agentes adotam e realizam determinada forma jurídica prevista em lei (como no presente caso), mas essa forma jurídica não é adequada aos pressupostos econômicos para os quais ela foi adotada (o que não se aplica ao Impugnante). Com efeito, nas hipóteses de abuso de formas, verificase que a forma jurídica adotada existiu efetivamente, não foi uma mera hipótese de simulação. O abuso de formas trata da adoção de formas jurídicas válidas, mas que não são as mais adequadas à substância econômica dos atos praticados. Inicialmente, é importante destacar que não haveria que se falar em abuso de formas no direito brasileiro. Conforme bem observa Luis Eduardo Schoueri, o abuso de formas seria de antemão vedado em nosso ordenamento jurídico, uma vez o seu controle se daria por meio da tributação por analogia. Ocorre que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 108 veda expressamente o uso da analogia gravosa para fins de tributação. Portanto, o abuso de formas logo de plano deveria ser afastado, por não ser passível de aplicação em nosso ordenamento jurídico. No presente caso, pretendese a tributação do PLR (que não é fato gerador das contribuições previdenciárias) à sua suposta substância econômica de verbas salariais, as quais são fato gerador das referidas contribuições. Contudo, mesmo que se admita a aplicabilidade do abuso de formas no direito brasileiro para fins de tributação, o que se admite apenas a título argumentativo, ressaltese que referido instituto não é aplicável ao presente caso concreto. Isto porque, conforme demonstrado nesta impugnação, todos os atos praticados pelo Impugnante (substância econômica) estão em total conformidade com a forma jurídica adotada (PLR). Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 541 26 Esclarece ainda que: (i) A PLR é um negócio jurídico típico, regulamentado pela Lei n° 10.101/00, que tem como objeto a participação nos lucros ou resultados da empresa, sem natureza salarial (desvinculada da remuneração, nos termos do inciso XI do artigo 7º da CF/88). Esta natureza jurídica distinta tem como consequência, por exemplo, a inaplicabilidade das rígidas regras decorrentes da legislação do trabalho (CLT); (ii) As verbas salariais, por outro lado, são a remuneração decorrente do negócio jurídico de contrato do trabalho, regido pela CLT. Essas verbas salariais são rigidamente regulamentadas pela legislação trabalhista e consubstanciam direitos ao trabalhador, na qualidade de hipossuficiente na relação de emprego. Tais regras de proteção não são aplicáveis a outras modalidades de pagamento feitas pela empresa. De fato, poderia haver casos de abuso na utilização do instituto do PLR, que poderia dar ensejo à desconsideração do negócio jurídico (como nos casos em que há simulação). Isto ocorreria, por exemplo, na hipótese em que uma determinada empresa contratasse seus funcionários com o salário oficial de um salário mínimo, e um PLR de R$ 130.000,00 ao ano, independentemente de sua lucratividade, e pagos em 12 prestações mensais de R$ 10.000,00 e urna prestação adicional de R$ 10.000,00 em dezembro. Neste caso, verificase que os pagamentos a título de PLR não decorrem efetivamente da participação nos lucros decorrente de um programa de incentivo à produtividade. Tratase, sim, de uma remuneração mensal fixa que não guarda qualquer relação com o negócio jurídico de PLR, conforme já demonstrado (pagamento de salário de forma simulada). Este, contudo, não é o caso dos autos. No presente caso, conforme já demonstrado, os pagamentos efetuados estão em total conformidade com a legislação de regência, com nítido caráter de um "instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade”. Portanto, ante o exposto, verificase que não há subsídios no presente caso para que a Sra. Agente Fiscal pudesse ter desconsiderado a forma adotada pelo Impugnante para os pagamentos feitos a seus empregados (PLR), para considerálos como uma suposta substância econômica de verba salarial, sujeita à incidência das contribuições previdenciárias previstas no artigo 195 da CF/88, motivo pelo qual deverá essa E. Turma Julgadora cancelar integralmente o presente auto de infração. Contudo, sem prejuízo do até aqui exposto (que deve ser considerado apto e suficiente para embasar o julgamento de total improcedência do auto de infração impugnado), o Impugnante refutará cada um dos aspectos apresentados pela Sra. Agente Fiscal para a invalidação dos seus planos de PLR. Da insubsistência dos argumentos apresentados pela sra. Agente Fiscal em relação aos Planos celebrados sob a forma de convenções coletivas de trabalho. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 542 27 A Lei 10.101/2000 veio dar seqüência às Medidas Provisórias que, desde 1994, regulamentavam o disposto no artigo 7°, XI da Constituição Federal. O artigo 1° da Lei 10.101/2000, em continuidade ao conceito aportado pela Constituição Federal, disciplina a participação nos lucros ou resultados um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, além de forma de incentivo à produtividade. Quanto a esse aspecto, importa esclarecer que o incentivo a produtividade mencionado na Lei 10.101/2000 deve ser compreendido dentro do conceito próprio de participação nos lucros ou resultados, isto é, de integração entre capital e trabalho: ao aproximar os interesses do empregador aos dos empregados, gerase um natural ganho de produtividade, ainda que a participação não contenha meta específica de produtividade. O artigo 2° da Lei 10.101/2000 estabelece as formalidades para implementação da participação nos lucros ou resultados, incluindo tanto os aspectos formais quanto os aspectos materiais dessa modalidade negocial. Do ponto de vista formal, a participação é sempre objeto de negociação entre empresa e seus empregados, a qual pode ocorrer de forma direta (entre empresa e comissão escolhida pelas partes e integrada também por um representante indicado pelo sindicato) ou de forma indireta (por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho). Do ponto de vista material, o instrumento decorrente da negociação (acordo de comissão, acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho) deve conter regras claras e objetivas que possibilitem às partes o conhecimento e o acompanhamento de seu conteúdo. De fato, a letra de lei demanda o seguinte conteúdo obrigatório nos instrumentos decorrentes da negociação para participação nos lucros ou resultados: a) regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação; b) regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Adicionalmente, e de modo meramente exemplificativo, o § l° do artigo 2° da Lei 10.101/2000 apresenta alguns critérios que podem ser considerados, dentre outros, para a elaboração dos instrumentos decorrentes da negociação: (a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 543 28 b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Vejase, a esse respeito, que a norma legal estabelece, quanto aos itens inseridos no texto do §1°, a obrigatoriedade de sua previsão no instrumento (conteúdo obrigatório), utilizando~se para tanto do verbo "dever" ('Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas). Diferentemente, ao tratar dos incisos ao § l°, a norma se utiliza do verbo "poder" ('podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições, deixando clara sua natureza eletiva, isto é, não obrigatória. Em uma análise mais detalhada do texto legal, portanto, conclui se que o incentivo à produtividade deve ser considerado de formal geral, Isto é, como reflexo natural da integração entre capital e trabalho, e não como um critério obrigatório a ser inserido em acordos de participação nos lucros ou resultados. E, uma vez celebrado o acordo, o instrumento dele decorrente será arquivado na entidade sindical representativa dos trabalhadores. Apresenta a seguir quadro com os elementos para formalização da participação nos lucros e resultados. Reafirma que negociação de participação nos lucros ou resultados pode se dar através dos seguintes procedimentos: negociação com comissão, convenção coletiva ou acordo coletivo. Negociação com comissão Na negociação com comissão, a norma exige apenas que exista uma "comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ". No tocante à formação da comissão de negociação, o texto legal apenas exige o adimplemento aos seguintes critérios: (a) escolha pelas partes, e (b) integração por representante indicado pelo sindicato. Na prática, a maior parte das empresas que elabora PLR por comissão de negociação opta pela formação de comissão paritária, com igual número de representantes indicados pela empresa e eleitos por seus empregados. No entanto, não há exigência legal nesse sentido. Não há, sequer, necessidade de representantes exclusivos dos empregadores, de forma que o requisito legal estaria integralmente cumprido caso a empresa simplesmente concordasse com a formação de comissão exclusivamente pelos eleitos por seus empregados. De novo, o texto legal apenas diz que a comissão deve ser "escolhida pelas partes", não exigindo representantes de um e outro lado, necessariamente, nem que o número desses representantes seja idêntico. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 544 29 Quanto a seu conteúdo, a participação nos lucros ou resultados estabelecida por meio de negociação com comissão de trabalhadores tem a peculiaridade de se adequar mais precisamente à realidade econômica do grupo específico. Ninguém melhor que os trabalhadores e o empregador para, conjuntamente, definirem quais os aspectos da vida empresarial e da realidade laboral podem acarretar a desejada integração entre capital e trabalho. Assim, em casos nos quais a negociação de participação nos lucros ou resultados é realizada por meio de comissão de trabalhadores, as regras e as metas a serem definidas poderão ser concretas, abrangendo a especificidade do trabalho realizado pelos diferentes segmentos de trabalhadores. Acordo coletivo de trabalho Já na negociação por acordo coletivo de trabalho exigese a presença do sindicato representativo dos trabalhadores em substituição à comissão. As formalidades para estabelecimento de acordo coletivo de trabalho são integralmente exigíveis, inclusive a existência de edital de convocação, a realização de assembléia e o arquivamento perante a Delegacia Regional do Trabalho. No tocante a seu conteúdo, em razão da participação do sindicato representativo dos trabalhadores, a participação nos lucros ou resultados formalizada por meio de acordo coletivo de trabalho tende a ser mais abrangente, e consequentemente mais genérica, que aquela resultante de negociação com comissão de trabalhadores. Isso porque o sindicato representativo dos trabalhadores representa toda uma categoria profissional, e a consistência nas relações coletivas de trabalho por vezes demanda a inserção ou exclusão de determinadas cláusulas negociais. Assim, muitos sindicatos adotam posicionamento no sentido de exigir a inserção de certas cláusulas ou de não aceitar a inserção de outras, limitando o conteúdo negocial. Ainda que naturalmente vinculada à especificidade de determinada empresa, a negociação realizada perante o sindicato representativo dos trabalhadores tende a resultar em conteúdo menos específico que aquele decorrente de negociação por comissão. Convenção Coletiva de Trabalho Por fim, a negociação por convenção coletiva de trabalho segue também as regras próprias referentes à modalidade negocial, sendo nesse aspecto similar ao acordo coletivo de trabalho. Diferentemente do que ocorre quando negociada por meio de acordo coletivo de trabalho, entretanto, a participação nos lucros ou resultados negociada em convenção coletiva de Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 545 30 trabalho tem como característica primordial a ausência de especificidade em seu conteúdo. A convenção coletiva de trabalho, tal como preconizado no artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho, é o "acordo de caráter normativo pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho". Na categoria bancária, a convenção coletiva de trabalho é firmada por nada menos que 111 sindicatos, 6 federações e 1 confederação, representativos de trabalhadores em todo o Brasil, além de 1 federação e 7 sindicatos representativos de empregadores espalhados também por todo o Brasil. Tais entidades representam empresas e trabalhadores do segmento financeiro, bancário de varejo e bancário de investimento, cada qual com suas peculiaridades. É simples constatar, da vastidão do documento mencionado acima, que a participação a ser formalizada por tal documento não poderá em termos práticos veicular metas individualizadas por trabalhador. A imensa gama de situações fáticas abrangidas pelo acordo impossibilita essa modalidade de métrica. Em razão de tal característica, verificase uma tendência, em situações de definição de participação por meio de convenção coletiva de trabalho, do estabelecimento de métricas meramente financeiras, como por exemplo lucratividade. Tais métricas, aplicáveis a qualquer empresa, são adequadas ao caráter genérico de que se revestem as convenções coletivas de trabalho. Ao mesmo tempo, a métrica de lucratividade reflete, ainda que indiretamente, o fruto do trabalho do empregado, a produtividade, visto que ela é um fator essencial para o lucro, o resultado financeiro. Ante o exposto, constatase que, se a prática mais comum em situações de negociação com comissão é de estabelecimento de participação nos resultados (isto é, participação distribuída em razão de metas individualizadas por trabalhador ou segmento de atividade), o oposto ocorre em situações de convenção coletiva de trabalho, na qual a praxe é pelo estabelecimento de participação nos lucros. Da autuação referente à Participação paga em razão de Convenções Coletivas de Trabalho. O Banco Merrill Lynch foi autuado em razão do pagamento de PLR a seus empregados na forma do disposto nas convenções coletivas de trabalho dos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. Os fundamentos apresentados para tanto são: Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 546 31 (a) assinatura ao final do anobase, de forma retroativa; (b) ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação. Especificamente, o Sr. AuditorFiscal entendeu que a assinatura de Convenção Coletiva de Trabalho no último trimestre do ano excluiria dos trabalhadores a possibilidade de conhecimento prévio das metas e seu comprometimento para atingimento, como incentivo à produtividade. E, ao entender dessa forma, o Sr. AuditorFiscal violou a Constituição Federal e a legislação ordinária, desde o reconhecimento aos acordos firmados com sindicatos até as regras específicas aplicáveis às convenções coletivas de trabalho e o conteúdo da Lei 10.101/2000. A Constituição Federal, em seu artigo 7º, XXVI, estabelece o princípio do reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho, pelo qual conferese validade tanto aos instrumentos firmados mediante negociação com o sindicato representativo dos trabalhadores quanto ao conteúdo veiculado nesses instrumentos. Transcreve decisão judicial. Por sua vez, a própria Lei 10.101/2000 estabelece a possibilidade de fixação de participação nos lucros ou resultados por meio de convenção coletiva de trabalho (art. 20, II), sendo, portanto, válida e eficaz essa modalidade negocial. Ocorre que a natureza da convenção coletiva de trabalho é significativamente diferente daquela dos acordos coletivos de trabalho: enquanto os acordos coletivos de trabalho têm abrangência restrita a uma empresa podendo, portanto, estabelecer regras e critérios específicos para a realidade daquela empresa ou setor negocial as convenções coletivas de trabalho têm abrangência ampla, incluindo uma pluralidade de empresas realidades negociais. Nesse sentido, vale especificar que a convenção coletiva de trabalho referente aos bancários é aplicável a uma vasta gama de empreendimentos, incluindo bancos de varejo, bancos de investimento e outros em todo o Brasil. Recordese aqui o impressionante número de envolvidos na convenção coletiva de trabalho para PLR bancária: 111 sindicatos, 6 federações e 1 confederação, representativos de trabalhadores em todo o Brasil, além de 1 federação e 7 sindicatos representativos de empregadores espalhados também por todo o Brasil. Não se duvida, por óbvio, que as realidades experimentadas por trabalhadores e empregadores em todas essas localidades e segmentos de negócios sejam extremamente díspares. Quaisquer metas e critérios adotados para um banco de varejo na região Norte do Brasil não poderão ser simplesmente reproduzidos por um banco de investimentos na região Sul: as realidades de trabalho são tão profundamente diferentes que um acordo assim estabelecido jamais poderia subsistir. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 547 32 É por esse motivo, decorrente da natureza específica das convenções coletivas de trabalho, que os acordos de participação em lucros ou resultados assim firmados têm como característica primordial o estabelecimento de metas ligadas ao único ponto de conexão entre as realidades negociais: a lucratividade setorial. Repisese esse ponto por relevante: as metas inseridas em um acordo de participação nos lucros ou resultados devem ser similares para todos os envolvidos, garantindose assim a consistência do acordo. E, ante a ampla abrangência das convenções coletivas de trabalho (tal como insculpido no artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho), o único critério possível de utilização é a lucratividade. E esse, justamente, é o critério reconhecido nas convenções coletivas de trabalho referentes aos bancários: a lucratividade do setor econômico. O valor a ser distribuído depende exclusivamente do percentual de lucratividade do banco, com variações decorrentes das métricas de 0 e 15% do lucro liquido do banco em cada exercício financeiro, bem como do percentual de crescimento do lucro líquido em comparação com o exercício anterior. Transcreve diversas cláusulas das convenções coletivas de trabalho, relativas ao estabelecimento de participação nos lucros ou resultados dos anos de 2004 a 2008 e apresenta sumários de métrica, na forma constante das citadas convenções. Conclui que se trata de convenção para participação nos lucros, pautada exclusivamente em critérios de lucratividade. Em sendo assim, não há que se falar, como pretende a autoridade fiscal, em inserção de metas individualizadas. Também o argumento da autoridade fiscal no sentido de inexistência de metas, resultados e prazos, ou ainda de critérios passíveis de aferição cai por terra ao se analisar as planilhas apresentadas. As sucessivas convenções coletivas de trabalho trazem, pormenorizadamente, metas, métricas, critérios e regras absolutamente objetivos e que permitem aferição mediante simples consulta aos balanços do Banco Merrill Lynch, balanços esses auditados e publicados, na forma das sociedades por ações. Mais ainda, periodicamente o Banco Merrill Lynch informava a seus empregados sua situação financeira, os ganhos e o nível de lucratividade atingidos, de forma a permitir a todos o acompanhamento dos níveis de atingimento de metas (vide exemplificativamente os documentos juntados). Trimestralmente, inclusive, havia reunião de todos os empregados do Banco Merrill Lynch na qual as lideranças internacionais comunicavam os resultados alcançados em todos os âmbitos e linhas de negócios. Dessa reunião todos os empregados do Banco Merrill Lynch eram convidados a participar. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 548 33 Com base no exposto, concluise que os motivos apresentados pela autoridade fiscal para decidir pela invalidade das convenções coletivas e, consequentemente, fazer incidir natureza salarial sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados não coadunam com a lei e com a realidade fática. Motivo (i): segundo a autoridade fiscal, as convençoes coletivas de trabalho "foram negociadas e assinadas somente ao final dos anos base sendo retroativas aos periodos de participação". Primeiramente, devese considerar que as convenções coletivas de trabalho seguem as regras próprias contidas nos artigos 611 e seguintes da Consolidação das Leis do Trabalho, inclusive época de negociação e garantias ao período anterior à sua conclusão (garantia de database). O argumento de invalidação do conteúdo do acordo em razão de a database ser no segundo semestre simplesmente vai contra toda a regulamentação pertinente às convenções coletivas de trabalho, inclusive a Consolidação das Leis do Trabalho (artigos 611 e seguintes) e a Constituição Federal (artigo 7°, XXVI). Mais ainda, e ao contrário do aludido pela autoridade fiscal, as convenções coletivas de trabalho não são negociadas ao final do ano, quando de sua assinatura. A data de assinatura corresponde, apenas, ao momento de conveniência das várias entidades sindicais considerandose inclusive a dificuldade de viabilização de um documento com quase 200 assinaturas não correspondendo à finalização da negociação. Vejase, inclusive, que as metas e critérios para concessão da participação nos lucros estabelecida nas sucessivas convenções coletivas de trabalho são conhecidas previamente por todos os trabalhadores da categoria. Tal conclusão salta aos olhos ao se avaliar que, em todo o período fiscalizado, não houve a menor alteração em tais critérios (lucro liquido anual). Assim, não há que se falar em invalidação do conteúdo das convenções coletivas de trabalho em razão de sua assinatura por ocasião da finalização das negociações de database. Motivo (ii): segundo a autoridade fiscal. as convenções coletivas de trabalho “não contam com regras claras e objetivas quanto à fixacão dos direitos subjetivos e adjetivos de participação" Este motivo apresentado pela autoridade fiscal é simplesmente alheio àquilo que está inserido nas convenções coletivas de trabalho. As regras quanto aos direitos subjetivos e adjetivos de participação estão ali inseridas de forma clara e objetiva, ou melhor, de forma matemática, vinculando todos os trabalhadores e empresas. Evidentemente, por se tratar de convenção coletiva de trabalho com abrangência nacional, não existem metas individualizadas. Mas tratase de acordo de participação nos lucros e, consoante Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 549 34 autorizado pela Lei 10.101/2000, tal modalidade negocial demanda apenas métricas de lucratividade e não metas individualizadas. Dessa forma, também este motivo apresentado pela autoridade fiscal não se sustenta antes urna análise jurídica mais detida, devendo, portanto, ser reconhecida a validade do conteúdo das convenções coletivas de trabalho e a natureza não salarial das verbas pagas em seu cumprimento. Da autuação referente à Participação paga em razão de Plano Próprio (2004). O Banco Merrill Lynch foi autuado em razão do pagamento de PLR a seus empregados na forma do disposto no acordo de participação nos lucros ou resultados firmado com comissão de trabalhadores. Os fundamentos apresentados para tanto são os que seguem: (i) a comissão do Banco Merrill Lynch teria sido integrada somente por uma pessoa, a qual, como procurador, não detinha poderes para representar sozinho a empresa e atos dessa monta; (ii) não teria havido participação de representante do sindicato nas negociações; iii) o plano não teria sido registrado e arquivado na entidade sindical; (iv) o acordo não contaria com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação; (v) os valores pagos substituiriam os bônus; (vi) não teria havido conhecimento prévio das metas pelos trabalhadores; e (vii) montante dos valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção da PLR. Consoante abordado acima, os acordos de participação em lucros ou resultados são procedimentos formais, que demandam o atendimento ao conteúdo determinado em lei quanto à forma e conteúdo. E o acordo referente ao ano de 2004, com pagamento em 2005, atende a todos esses requisitos, senão vejamos. No tocante a seu conteúdo, o acordo mencionado atende integralmente à finalidade legal, na medida em que proporciona efetiva integração entre capital e trabalho. De fato, o plano está pautado em metas individuais de produtividade e performance, as quais são previamente estabelecidas, por escrito, para cada empregado e área, sendo ao final do exercício avaliadas também por escrito. Adicionalmente metas de negócios (lucratividade) Fl. 549DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 550 35 definem o total a ser distribuído, vinculando assim o plano a lucros e resultados do Banco Merrill Lynch. As regras referentes a direitos substantivos constantes do acordo de participação nos lucros ou resultados são claras e objetivas, com pisos e tetos claramente delineados, bem como métricas matemáticas para cálculo das participações individuais (cláusula 4 do plano). Também as regras adjetivas, relacionadas à aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, são estabelecidas de forma clara e objetiva no plano (cláusula 5), autorizando a todos os trabalhadores o acompanhamento de seu atingimento. Quanto ao acompanhamento, vale lembrar, o Banco Merrill Lynch divulga periodicamente a todos os seus trabalhadores os níveis de atingimento financeiro, tanto por emails quanto em reunião trimestral consoante anteriormente abordado, de modo que é a todos franqueada a aferição periódica do cumprimento ou não das metas inseridas no plano. Do ponto de vista formal, também o plano atende a todos os requisitos legais. A forma adotada é de negociação com comissão de empregados consoante abordado anteriormente, a Lei 10.101/2000 não exige a formação de comissão paritária, mas, unicamente, de comissão escolhida pelas partes. E é essa a forma adotada pelo plano: um representante indicado pelo Banco e outros eleitos por seus empregados. Quanto à participação sindical, este foi devidamente convidado a integrar a comissão de negociação, recusandose, entretanto, à solicitação de tal convocação, especificando que "durante a auditoria o sujeito passivo apresentou uma carta, datada de 01 de março de 2001, dirigida ao Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, na qual informa que pretende alterar o acordo de PLR aprovado e assinado pelas comissões (Banco e empregados) em 26 de novembro de 1998 e para tanto, solicita a indicação de um representante do sindicato para integrar a comissão de empregados. Avisa ainda a data, horário e local da futura reunião para discussão e aprovação do acordo. O contribuinte apresentou, ademais, cópia do jornal Gazeta Mercantil, de 2, 3 e 4 de março de 2001, onde fez publicar uma convocação ao sindicato visando a indicação de um representante para integrar a comissão de empregados em reunião, que seria realizada em 07 de março de 2001, para acordo de PLR. Ressalta nesta que a convocação estava sendo feita pela imprensa tendose em vista a recusa do Sindicato em receber carta do mesmo teor, encaminhada diretamente à entidade sindical ". De fato, conforme comprovam os documentos exemplificativamente juntados aos autos, o sindicato Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 551 36 representativo dos trabalhadores do Banco Merrill Lynch adotou, historicamente, entendimento no sentido da não realização de acordos de participação nos lucros ou resultados que não por meio de acordos coletivos de trabalho e convenções coletivas de trabalho. E, como conseqüência de sua postura ideológica, negouse repetidas vezes a integrar comissões de negociação. A negativa incluía também qualquer formalização, desde o recebimento da cartaconvite até o recebimento do plano negociado e seu arquivamento. Tratase de um impasse anterior a qualquer negociação. Ocorre que a Lei 10.101/2000 apenas aporta mecanismos de resolução para situações de impasse em negociação (artigo 4°), não tratando da situação de simples recusa sindical. E não o faz porque, de fato, as partes envolvidas no estabelecimento de participação nos lucros ou resultados são empresa e seus empregados. Estes são os legítimos titulares do direito aqui debatido. Nesse sentido é claro o artigo 2° da Lei 10.101/2000: participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Ocorre que, não apenas a Lei 10.101/2000 é silente quanto a meios para solução do impasse prénegociação por meio de comissão, mas também a Consolidação das Leis do Trabalho o é. O texto consolidado apenas aporta critérios para solução de impasse ou recusa à negociação coletiva (isto é, à participação em convenções ou acordos coletivos de trabalho). Para a situação específica de recusa sindical à integração de comissão de trabalhadores não há previsão legal. Mas, evidentemente, os trabalhadores não podem ter seu direito ao recebimento de participação nos lucros ou resultados eliminado pelo posicionamento sindical de não integrar comissão de negociação. Tal direito é constitucionalmente assegurado e deve ser respeitado. Ante o impasse formado, não reconhecido nem solucionado pela legislação vigente, optou o Banco Merrill Lynch por atender a finalidade do texto legal e, reconhecendo o direito constitucionalmente garantido a seus empregados, realizar diretamente a negociação com a comissão. Assim, devidamente comprovada a recusa sindical (carta enviada e publicação no jornal Gazeta Mercantil consoante reconhecimento da autoridade fiscal), bem como a legitimidade do procedimento adotado para garantia do direito constitucionalmente assegurado, e o cumprimento aos critérios de conteúdo do acordo firmado, têmse por integralmente cumpridas as exigências legais, devendo, portanto, ser reconhecida a validade do acordo e a natureza não salarial do pagamento efetuado. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 552 37 No tocante especificamente aos motivos apresentados pela autoridade fiscal para a autuação referente a este acordo, nenhum deles apresenta fundamento na norma ou na realidade aplicável. Motivo (i): a comissão do Banco Merrill Lynch teria sido integrada somente por uma pessoa, a qual, como procurador, não detinha poderes para representar sozinho a empresa e atos dessa monta. A Lei 10.101/2000 não demanda a existência de comissão paritária, muito menos de comissão formada por idêntico número de representantes de empresa e empregados. Apenas exigese que a comissão seja escolhida pelas partes, o que de fato ocorreu. Quanto à existência de procuração e à exigência societária de dupla assinatura, o artigo 653 do Código Civil prevê que o mandato pode ser inclusive verbal, consistente na determinação, por parte do outorgante, de que determinada pessoa o represente em certo negócio jurídico. Mas, ainda que o empregado mencionado pela autoridade fiscal não possuísse, originalmente, poderes em extensão suficiente para a assinatura do acordo o que consoante parágrafo acima não reflete a realidade , seus atos seriam regidos pelo teor do artigo 662 do Código Civil, o qual claramente especifica a possibilidade de ratificação por ato inequívoco, a qual retroage à data do ato. Ou seja, ao dar cumprimento ao acordo firmado mediante negociação com comissão de trabalhadores, o Banco Merrill Lynch ratificou os atos praticados pelo procurador, sendo que tal ratificação retroagiu para conferir validade a tais atos. Portanto, o motivo (i) apresentado pela autoridade fiscal não se sustenta juridicamente. Motivo (ii): entendeu a autoridade fiscal que não teria havido participação de representante do sindicato nas negociações e Motivo (iii): entendeu a autoridade fiscal que o plano não teria sido registrado e arquivado na entidade sindical. Tal como explicitado acima, a negativa sindical à indicação de representante em comissão de negociação não pode ser de forma a excluir aos trabalhadores o direito constitucionalmente assegurado de recebimento de participação nos lucros ou resultados. Mais ainda, em se considerando que os titulares da negociação, consoante o caput do artigo 2° da Lei 10.101/2000 são empresa e empregados, bem como que nenhuma norma aparta procedimentos para solução desse tipo de impasse, o procedimento adotado pelo Banco Merrill Lynch é juridicamente Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 553 38 embasado, não havendo que se falar em qualquer irregularidade. Motivo (iv): entendeu a autoridade fiscal que o acordo não contaria com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação. Ao contrário do entendimento apresentado pela autoridade fiscal, o acordo de participação nos lucros e resultados referente ao ano 2004 possuía regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação. Tais regras foram estabelecidas no plano e em seu anexo de forma matemática, com pisos de pagamento e vinculação a resultados financeiros. A estrutura básica do plano foi delineada junto aos trabalhadores em negociação direta, resultando nos seguintes critérios: a) Montante para distribuição: no mínimo 5% do lucro liquido contábil. O valor efetivo a ser distribuído depende do desempenho global, do desempenho na América latina, do desempenho no Brasil e do desempenho das áreas específicas de atuação do Banco Merrill Lynch; b) Valores individuais: os valores a serem individualmente distribuídos variam em razão dos segmentos de negócios em que os trabalhadores atuam e em razão do atingimento de metas de desempenho individual em decorrência do processo de avaliação vigente. Os segmentos de negócios são divididos em três categorias, em razão das funções desempenhadas: (i) operacionais e administrativas; (ii) funções de média gerência; (iii) funções de direção. As categorias de desempenho individual observam a seguinte gradação: (i) metas parcialmente cumpridas; (ii) metas cumpridas; e (iii) metas excedidas e são formalizadas em avaliações periódicas. O montante para distribuição, definido consoante índices de desempenho acima, é estabelecido no plano como um mínimo de 5% do lucro líquido contábil. Consoante demonstração financeira juntada, o lucro líquido contábil no ano de 2004 foi de US$ 16.054.000,00. O valor distribuído pelo Banco Merrill Lynch no período foi de R$ 18.126.293,87, ou seja, dentro do patamar estabelecido no acordo. Junta planilhas. Com relação aos montantes mínimos anuais a serem recebidos individualmente por cada trabalhador, com relação a este plano, estes são calculados de acordo com a tabela anexa ao instrumento. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 554 39 Vale esclarecer que, na forma do plano de participação nos lucros e resultados vigente, não existe teto de valor a ser distribuído nos termos da cláusula 4 do plano. De forma a auxiliar na compreensão do funcionamento das metas e critérios acima indicados, apresentase abaixo uma listagem exemplificativa de trabalhadores ocupantes de funções das três categorias antes descritas com os cálculos das participações recebidas, comprovandose o exato cumprimento do teor do acordo vigente. Em razão de problemas de sistema, especialmente de arquivos de avaliação que foram corrompidos em determinado momento, apresenta amostragem que representa uma população de 14 pessoas que trabalham em áreas de apoio e de negócios, preferencialmente que tenham recebido participação durante o período fiscalizado. Verificase da análise das regras e valores acima especificados que, com relação ao ano de 2004, não apenas foram estabelecidos critérios objetivos para definição e acompanhamento de metas, mas ainda houve integral cumprimento do conteúdo do acordo: (a) o valor mínimo de distribuição geral foi observado; (b) os valores mínimos de distribuição individual foram observados, pelo que a motivação apresentada pela autoridade fiscal não se sustenta. Motivo (v): entendeu a autoridade fiscal que não teria havido conhecimento prévio das metas pelos trabalhadores. Ao contrário do que defende a autoridade fiscal, as metas eram de conhecimento prévio por todos os trabalhadores do Banco Merrill Lynch. Quanto às metas financeiras existentes no plano, estas foram negociadas e definidas já em 2001, muito antes do anobase aqui tratado. Recordese que o plano foi mantido integralmente desde essa data. Quanto às metas individuais, conforme comprovam os documentos juntados, estas fazem parte do programa de desenvolvimento humano do Banco Merrill Lynch sendo discutidas e definidas conjuntamente pelo empregado e seu gestor antes do início do anobase. Todas essas métricas, repisese, são objeto de acompanhamento e avaliação conjunta. As métricas financeiras são de acompanhamento periódico durante o ano e as métricas de desenvolvimento individual são objeto de reavaliação, conjuntamente realizada entre empregado e gestor. Dessa forma, não há que se falar em desconhecimento de metas por parte dos trabalhadores. Motivo (vi): entendeu a autoridade fiscal que os valores pagos substituiriam os bônus e Motivo (vii): o montante dos valores Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 555 40 pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção da PLR. Novamente incorre em erro a autoridade fiscal ao apresentar entendimento no sentido de que a participação distribuída substituiria um bônus anual, justificandoo em uma alegada desproporção entre saláriobase e PLR e no fato de que nem todos os empregados recebem o mesmo múltiplo de salários. Inicialmente devese considerar que nem a Constituição Federal nem a Lei 10.101/2000 estabelecem limite para a participação dos trabalhadores em lucros ou resultados das empresas. Referidas normas tampouco exigem que todos os trabalhadores recebam idênticos valores, ou, menos ainda, que a participação seja calculada como um número determinado de salários. E, ante o princípio da legalidade, onde a norma não estabelece limite, não cabe ao fiscal fazêlo. Um segundo elemento de evidente relevância é a diferença gritante existente entre os conceitos de participação nos lucros ou resultados e de remuneração. A remuneração tem por finalidade compensar o trabalhador pelo serviço prestado a seu empregador, a participação nos lucros ou resultados tem como finalidade diminuir a distância entre essas partes, integrando capital e trabalho. Analisando o plano referente ao ano 2004, constatase que nenhum empregado da impugnante possuía, como objeto de seu contrato de trabalho, a geração de determinado patamar de lucro. Também as metas individuais diziam respeito unicamente ao desenvolvimento humano e, em se tratando de metas meramente comportamentais, estas não poderiam ser consideradas objeto dos contratos de trabalho. Em suma, o próprio teor do plano e as metas nele inseridos demonstram que os valores distribuídos a título de participação nos lucros ou resultados não eram gerados com base em produção ou em qualquer item relacionado à execução dos contratos de trabalho. Ao contrário, eram metas pautadas em lucratividade geral e desenvolvimento pessoal, não correspondendo, sequer de longe, às obrigações nos contratos de trabalho. Quanto à alegada desproporção entre salários anuais e participação distribuída, devese considerar, primeiramente, que o banco paga e sempre pagou a seus empregados salários compatíveis com a média de mercado. Se o salário pago pela impugnante é compatível com aquele pago por seus pares, resta evidente a inocorrência da alegada substituição de salário por participação nos lucros e resultados. Ao contrário, em suas análises estatísticas, a autoridade fiscal esqueceuse de comparar os elementos justificadores dos valores distribuídos: os resultados financeiros do Banco no período. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 556 41 Em sendo a finalidade da participação nos lucros ou resultados a integração entre capital e trabalho, como justificar que, em um ano de excelente resultado financeiro, os empregados do banco não recebessem participação também significativa? Lembrando apenas que o lucro liquido contábil no ano de 2004 foi de US$ 16.054.000,00. Por fim, alega ainda a autoridade fiscal que haveria desproporção entre o número de múltiplos de salários recebidos pelos diferentes segmentos do banco, o que, em seu entendimento, descaracterizaria a natureza de participação nos lucros ou resultados. Mais uma vez sem razão a autoridade fiscal, pois o acordo de 2004 é permeado pela firme crença no sentido de que somente a integração do colaborador ao negócio é que pode trazer a satisfação indivíduo, mas não a via inversa. Dentro deste contexto, de política global de integração entre capital e trabalho, que a comissão de negociação definiu métricas específicas com a finalidade de tornar cada um dos empregados em um participante do negócio, promovendo sua contribuição individual e coletiva no empreendimento. O Banco Merrill Lynch é um banco de investimentos. Em razão disto, o exercício de sua atividade empresarial se dá por meio da atuação de suas áreas de negócios, as quais são: renda fixa, renda variável, investimentos diretos, banco de investimentos (IBK) e pesquisas econômicas (área híbrida). São essas as áreas que trarão os negócios para o banco, prospectarão novos clientes, e é nelas que estão concentradas as metas mais agressivas a serem atingidas por seus integrantes. É deles que se cobrará mais, pois eles é que poderão influenciar de maneira efetiva no sucesso do empreendimento. Entretanto, para a realização de suas atividades, as áreas de negócios não são suficientes. São as áreas de suporte que garantem a possibilidade de as áreas de negócios realizarem seus trabalhos. As áreas de suporte são, entre outras: processamento de operações, controladoria, tecnologia de sistemas, auditoria, crédito de mercado, risco de crédito, risco operacional, serviços corporativos, jurídico, gerenciamento de projetos e recursos humanos. Essas áreas estão obrigadas a fornecer o suporte para as áreas de negócios, permitindo o melhor e mais eficiente funcionamento do banco, para atingimento das metas das áreas de negócios. Aqui os colaboradores possuem as metas menos agressivas do negócio, posto que a potencialidade de sua contribuição para a formação do resultado desejado é infinitamente menor do que aquela dos integrantes das áreas de negócios. Assim, a comissão de negociação, ao definir os critérios para o acordo de PLR do ano 2004, optou por estabelecer diferentes múltiplos para as diversas áreas de atuação. E esses múltiplos, Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 557 42 negociados e definidos pela comissão de negociação, são os diretos geradores dos valores distribuídos aos empregados. Apresenta quadro comparativo. De todo o exposto, conclui que o PLR 2004, firmado por meio de negociação com comissão de trabalhadores, encontrase totalmente inserido nos critérios legais, de forma que a natureza não salarial das parcelas pagas há de prevalecer. Da autuação referente à Participação paga em 2005 e em 2006, sob a forma de Plano Próprio O Banco Merrill Lynch foi autuado em razão do pagamento de PLR a seus empregados na forma do disposto no acordo de participação nos lucros ou resultados firmado com comissão de trabalhadores. Os fundamentos apresentados para tanto são os que seguem: (i) com relação ao pagamento realizado em 2006 (referente ao acordo de 2005), entende a autoridade fiscal estar ele atrelado ao plano anterior, firmado por negociação com comissão de trabalhadores, motivo pelo qual apresentaria as mesmas irregularidades mencionadas no tópico acima; (ii) ainda com relação ao pagamento realizado em 2006 (referente ao acordo de 2005), entende a autoridade fiscal não ter havido conhecimento prévio das metas por parte dos trabalhadores; (iii) com relação aos pagamentos realizados em 2006 e 2007, a autoridade fiscal entende que como o plano foi negociado com o sindicato somente em 19 de maio de 2006, ele seria retroativo ao período base da participação; e (iv) com relação aos pagamentos realizados em 2006 e 2007, o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção do beneficio da PLR. Consoante abordado acima, os acordos de participação em lucros ou resultados são procedimentos formais, que demandam o atendimento ao conteúdo determinado em lei quanto à forma e conteúdo. E o acordo referente aos anos de 2005 e 2006, com pagamentos em 2007 e 2008, respectivamente, atende a todos esses requisitos. Primeiramente, há que se consignar a incorreção na análise da Sra. Agente Fiscal, o qual considerou que o teor do acordo firmado em 2001 fora aplicado para os fins da participação referente ao anobase 2005. Ao contrário, com o início das negociações com o sindicato, o que ocorrera já em 2005, referido plano não mais foi aplicado, não tendo sido base de qualquer participação a partir dessa data. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 558 43 De fato, o plano aplicado para o anobase 2005, com pagamento em 2006, foi aquele firmado juntamente com a entidade sindical, o qual abrange os anosbase 2005 e 2006. Esclarecido esse ponto, passase à analise dos requisitos de validade do plano firmado. No tocante aos aspectos formais, retomando o conteúdo da tabela inserida às fls. 21 desta defesa, entendemse como elementos obrigatórios: (a) a modalidade legal de negociação, seja por comissão, seja por acordo coletivo ou convenção coletiva de trabalho; e (b) o arquivamento do instrumento no sindicato representativo dos trabalhadores. Ambos os elementos foram cumpridos no plano de participação nos lucros ou resultados dos anosbase 2005 e 2006. Mais ainda, mesmo não se tratando de exigência da Lei 10.101/2000, o sindicato representativo dos empregados do Banco Merrill Lynch levou o acordo coletivo de trabalho a registro perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Assim, todas as formalidades legais para o estabelecimento de participação nos lucros ou resultados foram cumpridas pelo acordo aqui tratado. No tocante aos aspectos materiais, isto é, relacionados ao conteúdo do plano, as exigências legais são de: (a) objeto de integração entre capital e trabalho, não correspondente a uma contraprestação pelo serviço prestado; (b) existência de regras claras e objetivas quanto à fixação do objeto da participação (“direitos substantivos da participação"); (c) existência de regras claras e objetivas quanto à fixação das regras para distribuição do montante entre trabalhadores regras adjetivas da participação"), incluindo mecanismos para aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Todos esses requisitos também foram cumpridos pelo plano. Da mesma forma como ocorreu com relação ao acordo de 2004, mas de modo muito mais abrangente e significativo, as partes envolvidas na negociação, neste caso o Banco Merrill Lynch e o sindicato representativo de seus empregados, definiram métricas específicas com a finalidade de tornar cada um dos empregados um participante do negócio, promovendo sua contribuição individual e coletiva ao empreendimento. Especificamente com relação às regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e das regras adjetivas, estas estão discriminadas no plano e em seus anexos de forma matemática, inserindose ali todas as variáveis que permitem o cálculo exato do montante a ser distribuído, individualmente, a cada empregado mínimos e máximos. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 559 44 Nesse sentido, vale analisar o conteúdo do Anexo I ao Plano de Participação nos Resultados Metas e Critérios de Apuração. Referido anexo aparta todos os conceitos e metas, descritos individualizadamente, bem como a fórmula de cálculo da participação. O Anexo II ao Plano de Participação nos Resultados Critérios de Apuração Área de suporte e o Anexo III ao Plano de Participação nos Resultados Critérios de Apuração Área de Negócios trazem as regras adjetivas para avaliação individual e múltiplos a serem pagos a cada trabalhador. Também discriminam, esses anexos, as categorias de avaliação de desempenho e as metas de performance individual utilizadas para a realização dessa avaliação de desempenho. De fato, o plano de participação nos lucros ou resultados dos anos 2005 e 2006 aprimorou as regras anteriormente existentes relativas à participação dos empregados em lucros e resultados de forma a contemplar as diferenças entre duas grandes áreas do Banco Merrill Lynch, a saber, as áreas de suporte e de negócios, as quais possuem características bastante distintas, com potencialidade de influenciar o resultado final local proporcional às suas atribuições. Nesse sentido, o novo Acordo Coletivo de Trabalho prevê a necessidade de divulgação das metas locais, regionais e globais no primeiro trimestre de cada ano, prevê valores mínimos e máximos a serem recebidos, prevê a fórmula de cálculo das respectivas participações, bem como a maneira pela qual serão aferidas as colaborações de cada indivíduo, vide plano anexo. Os valores mínimos a serem recebidos são aqueles constantes da Convenção Coletiva de Trabalho acrescidos de R$ 200,00 (Anexo I, Cláusula 2). Os valores máximos a serem recebidos individualmente pelos trabalhadores do Banco Merrill Lynch são determinados pela aplicação da fórmula abaixo: Assim, 50% da participação devida aos trabalhadores ficam vinculados ao alcance de metas globais (uma vez atingidas as metas, abrese a possibilidade de recebimento dessa parcela de participação), sendo que os 50% restantes estão vinculados ao alcance de metas locais. Alcançadas as metas globais e locais, a participação de cada trabalhador é calculada com base na multiplicação do nível de Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 560 45 alcance de metas individuais com seu salário "anualizado", ou seja, 13 vezes o saláriobase bruto do empregado. Adicionalmente, situações excepcionais são tratadas diferenciadamente no acordo de participação nos resultados, podendo acarretar incremento na participação individual, são as chamadas "regras especiais". Essas regras foram inseridas no acordo para autorizar a correção de eventuais desvios e distorções que a aplicação da regra geral poderia acarretar. Exemplificativamente, como a participação individual é calculada com base no valor de salário em 31 de dezembro do ano de referência do acordo, juntamente com o nível hierárquico de cada trabalhador, eventuais promoções no correr no ano poderiam acarretar, não fossem as regras especiais, injustiças para trabalhadores envolvidos. Por esse motivo, e para permitir o ajuste desse tipo de situação e a acomodação do trabalhador à sua nova função, é que se prevê na "Regra Especial 1” na possibilidade de incremento excepcional da participação para empregados promovidos. Quanto à “Regra Especial 2”, esta contempla a população de empregados que possui atribuições não apenas locais, mas também regionais. Essas pessoas têm seu tempo dividido entre diferentes locais, de modo que a simples avaliação consoante a regra geral poderia levar a situação de injustiça, comparandose com os trabalhadores focados em uma única região. O mesmo ocorre com a "Regra Especial 3", a qual contempla população que divide suas atribuições regional e globalmente, também estando sujeitas a potenciais necessidades de acomodação. A título exemplificativo, apresenta alguns cálculos de participações distribuídas em relação aos anosbase 2005 e 2006. Conclui que da demonstração apresentada os valores pagos individualmente aos trabalhadores do Banco encontram se discriminados e justificados pelo conteúdo do Acordo Coletivo de Trabalho e, portanto, todas as regras legais atinentes a tais planos de participação nos lucros ou resultados foram devidamente cumpridas. Especificamente em relação aos motivos apresentados pela Sra. Agente Fiscal, estes não devem prosperar: Motivo (i) entendeu a autoridade fiscal, com relação aos pagamentos realizado em 2006 (referente ao acordo de 2005), que ele estaria atrelado ao plano anterior, firmado por negociação com comissão de trabalhadores. motivo pelo qual apresentaria as mesmas irregularidades mencionadas no tópico acima. Diferentemente do entendimento adotado pela autoridade fiscal, a PLR ano base 2005 foi estabelecida, calculada, apurada e paga consoante Acordo Coletivo de Trabalho firmado com a entidade sindical representativa dos trabalhadores envolvidos. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 561 46 Assim, não há que se falar em aplicação ou extensão das alegadas mas inexistentes, consoante já comprovado irregularidades do plano anterior. Motivo (ii) entendeu a autoridade fiscal, com relação ao pagamento realizado em 2006 (referente ao acordo de 2005) que não teria havido conhecimento prévio das metas por parte dos trabalhadores. A contrário do entendimento apresentado pela autoridade fiscal, as metas foram previamente comunicadas aos trabalhadores, os quais possuíam, ainda, métodos para aferição de seu atingimento. As metas individuais são aquelas utilizadas ordinariamente pelo banco para avaliação de seus trabalhadores. Essas metas são discutidas e definidas conjuntamente pelos empregados e seus gestores, antes do início de cada ano, sendo que os empregados tomam ciência de suas metas e as aprovam no sistema informatizado do banco. As metas de lucratividade são divulgadas por emails aos empregados, os quais recebem, ainda, relatórios periódicos da evolução da lucratividade do banco, de forma a poderem atuar no sentido de seu atingimento. Portanto, não há que se falar em ausência de conhecimento de metas. Motivo (iii): entendeu a autoridade fiscal, com relação aos pagamentos realizados em 2006 e 2007, que como o plano foi negociado com o sindicato somente em 19 de maio de 2006, ele seria retroativo ao período base da participação. Motivo (iv): entendeu a autoridade fiscal. com relacão aos pagamentos realizados em 2006 e 2007. que o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizam a natureza e intenção do benefício da PLR. Novamente arvorase em erro a autoridade fiscal ao apresentar entendimentos pautados em requisitos que a legislação não exige para fins de PLR. Com relação à data de assinatura do acordo, tratase apenas da ocorrência da formalização do documento, o qual já fora negociado e informado aos empregados anteriormente. A assinatura de acordo coletivo de trabalho com vigência retroativa, inclusive, é praxe decorrente do próprio conceito de database, em que as panes negociam cláusulas e condições e estabelecem sua vigência para a mesma data todos os anos, independentemente da demora na negociação. A demora na negociação e a vigência retroativa de cláusulas de cunho econômico são realidade inerente aos acordos e convenções coletivas de trabalho. Negar sua aplicação às situações em que esses acordos e convenções tratam de PLR Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 562 47 seria recusar validade aos dispositivos da própria Lei n° 10.l01/2000. Com relação ao argumento da autoridade fiscal no sentido de que a participação distribuída substituiria um bônus anual, o qual justificaria, em sua interpretação, numa alegada desproporção entre saláriobase e PLR, devese considerar que nem a Constituição Federal, nem a Lei 10.101/2000 estabelecem limite para a participação dos trabalhadores em lucros ou resultados da empresa. Também, citadas normas tampouco exigem que todos os trabalhadores recebam idênticos valores, ou, mesmo ainda, que a participação seja calculada com um número determinado de salários. E, ante o princípio da legalidade, onde a norma não estabelece limite, não cabe ao fiscal fazêlo. Portanto, a argumentação da autoridade não deve prosperar. Da autuação referente à Participação Paga em 2007 e em 2008, sob a forma de Plano Próprio O banco foi autuado em razão do pagamento de PLR a seus empregados na forma do disposto nos acordos de participação nos lucros ou resultados firmado com o sindicado representativo de seus trabalhadores, sob os seguintes argumentos: (i) os planos, firmados na segunda metade de cada ano base (31/08/2007 e 09/ 12/2008, respectivamente), seriam retroativos ao período base da participação. (ii) os valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção do beneficio da PLR. (iii) quanto ao acordo referente ao ano base 2008, os valores ali previstos teriam sido pagos integralmente dentro do ano base e, portanto, antes da apuração dos resultados; e (iv) quanto ao acordo referente ao ano base 2008, teria havido três pagamentos durante o ano civil. Assevera que os acordos referentes aos anos base 2007 e 2008 atendem integralmente os requisitos legais, apresentando a seguir os argumentos já trazidos em sua impugnação em relação aos aspectos formais, materiais e às regras claras e objetivas. Argumenta que os motivos apresentados pelo Sr. Auditor Fiscal para a autuação realizada não merecem prosperar. Motivo (i): entendeu a autoridade fiscal que os planos firmados na segunda metade de cada ano base (31/08/2007 e 09/12/2008, respectivamente), seriam retroativos ao período base de participação. Motivo (ii): entendeu a autoridade fiscal, com relação aos pagamentos realizados em 2008 e 2009, que o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção do benefício da PLR. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 563 48 [...]. Reportase às alegações acerca do assunto trazidas em sua impugnação, para a vigência retroativa e também quanto ao argumento da autoridade fiscal no sentido de que a participação distribuída substituiria um bônus anual. Motivo (iii): entendeu a autoridade fiscal, quanto ao acordo referente ao ano base 2008, que os valores ali previstos teriam sido pagos integralmente dentro do ano base e, portanto, antes da apuração dos resultados. Motivo (iv): entendeu a autoridade fiscal, quanto ao acordo referente ao ano base 2008, que teria havido três pagamentos durante o mesmo ano civil. Relativamente ao motivo (iii), o pagamento de valores dentro do ano base e antes da apuração de resultados, devese considerar que a Lei 10.101/2000 autoriza a antecipação do pagamento da PLR, desde que as partes constatem a realidade de que, ao final do plano, haverá o efetivo atingimento das metas e desde que realizada em periodicidade superior a um semestre civil, ou em até duas vezes no mesmo ano civil. Assim, não existe vedação legal à realização de antecipação, desde que entre a antecipação e o efetivo pagamento respeitese a regra da semestralidade. Quanto à constatação de efetivo atingimento das metas, essa é facilmente atingível mediante os instrumentos de aferição do cumprimento de metas, estes já exaustivamente tratados nesta defesa. O motivo (iv) também diz respeito à regra da semestralidade. Com relação a esta regra, temse que ela é estabelecida para garantir que o empregador não se utilize da figura da PLR para manter seus empregados. Em outras palavras, para que não haja substituição de remuneração por participação o que não é o caso presente impedese o pagamento mensal de participação, impossibilitando assim sua utilização para manutenção do “fluxo de caixa” dos trabalhadores. Logo, a regra da semestralidade diz respeito aos efetivos pagamentos de participação recebidos por trabalhadores, e não aos desembolsos realizados pelo empregador. Apenas considerase violadora de regra da semestralidade a hipótese de determinado empregado receber mais de um pagamento de PLR em um semestre civil ou mais de dois durante o ano civil. Aduz que nenhuma das situações mencionadas pelo agente fiscal diz respeito a essa hipótese. Com relação aos anos de 2007 e 2008, devese constatar que cada um os empregados do banco apenas recebeu um pagamento a título de PLR própria de cada um desses anos. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 564 49 As divergências alegadas pela autoridade fiscal dizem respeito ao pagamento da proporcionalidade a desligados (rescisão), o que está embasado nos respectivos planos e na melhor jurisprudência trabalhistas. Também ocorreram divergências de data de pagamento quanto a“ana1istas de negócios”. Esses profissionais recebem a PLR própria no mês de julho, mas ainda em um único pagamento anual. Em relação aos supostos três pagamentos durante o ano civil, afirma que não houve tal prática quanto a nenhum dos beneficiários: a PLR própria foi sempre paga em uma única parcela anual (quer janeiro, julho, dezembro, sendo este último apenas relativo ao ano de 2008). Quanto à PLR sindical, nos anos de 2007 e 2008 há obrigação de pagamento de parcela adicional até o mês de março (paga em fevereiro), justificandose assim todos os pagamentos encontrados pela autoridade fiscal. Subsidiariamente, entretanto, vale tratar que acaso tivesse ocorrido, quanto a algum beneficiário, o pagamento incorreto de mais de duas parcelas de PLR em determinado ano civil, esse erro não seria de forma a invalida: todo plano de PLR. Ao contrário, apenas a parcela violadora da norma, isto é, o terceiro pagamento efetuado para aquele beneficiário durante o ano civil é que estaria a descoberto do texto legal. Apresenta julgados relativos ao PLR para corroborar seus argumentos trazidos em sua defesa. Da necessidade de revisão do valor da multa aplicada Não há motivo legal que permita que a cobrança da multa de mora aplicada no lançamento ocorra nos moldes pretendidos pela sra. Agente fiscal. [...], a sra. Agente Fiscal levou em consideração, para apuração do valor da multa “mais benéfica” a ser aplicada, os valores vinculados às obrigações principais somandoos aos valores vinculados às obrigações acessórias. [...] Reforça o entendimento do impugnante o fato de que as multas vinculadas ao descumprimento de obrigações principais e acessórias são totalmente distintas e não se comunicam (em hipótese alguma). [...] Logo, o procedimento adotado pela Sra. Agente Fiscal é ilegal e, portanto, o valor da multa aplicada (acaso seja julgada procedente, o que se admite apenas a título de argumentação) deve ser calculado de acordo com as antigas disposições do Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 565 50 artigo 35 da Lei n° 8.212/91, desconsiderandose o valor das multas relacionadas a obrigações acessórias. Da ilegalidade da majoração da multa pelo decurso do tempo Não há motivo legal que permita que a cobrança de multa de mora seja majorada no tempo. Isso porque, ao determinar a progressão do percentual da multa de mora lastreada em fatores diversos da gravidade da ilicitude in casu , a mora e a prática de atos administrativos ao longo do tempo (tais quais a apresentação de defesa ou recurso administrativo, o pagamento parcial ou integral do tributo, a inscrição em dívida ativa, o ajuizamento de execução fiscal e etc.) o artigo 35 da Lei n. 8.212/91 acabou por fazer com que a multa de ofício assumisse a função compensatória que é própria exclusiva dos juros de mora, o que acaba por configurar o malfadado “bis in idem”. [...] E, nem se alegue que a aplicação do artigo 35 da Lei n. 8212/91 se justificaria pelo fato de se tratar de ato vinculado da Administração (oriundo do princípio da legalidade), pois a aplicação de um princípio (no caso, o da legalidade) deve ser ponderado em relação à aplicação de princípios como o da razoabilidade, e, principalmente, o da proporcionalidade. Apresenta doutrina. Aponta que a cobrança de multa de mora progressiva no tempo (tal como estava prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/91) restou revogada com a edição da MP 449/08. Reproduz o artigo 24 da citada medida provisória. No mesmo sentido, reproduz o artigo 61 da Lei n. 9430/96 argumentando que tais disposições, atreladas à norma contida no artigo 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, conduz à conclusão de que a multa de mora exigida no presente caso não pode ser superior ao 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade. Do descabimento da Taxa Selic Insurgese quanto a aplicação da Taxa Selic considerandose a sua natureza remuneratória, sua inconstitucionalidade, bem como a ilegalidade em sua aplicação, com a natureza de juros de mora. Reproduz doutrina e jurisprudência. Da ilegal imputação de responsabilidade tributária Refuta a imputação de responsabilidade solidária aos seus sócios e administrador, com fundamento nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, uma vez que não ocorreram as hipóteses previstas nesses dispositivos legais. Reproduz jurisprudência. Insurgese também quanto a possível alegação de que a falta de recolhimento de contribuições previdenciárias poderia Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 566 51 configurar infração à legislação para fins de imputação de responsabilidade tributária. Reproduz jurisprudência. Ressalta ainda que de acordo com o artigo 13, parágrafo único da Lei n. 8.620/93, a responsabilidade solidária dos sócios ou gerentes darseá somente quando provado pelo fisco o inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados. Reproduz jurisprudências. Conclui que jamais poderão ser exigidos quaisquer valores por parte de pessoas distintas da impugnante, sob pena de ilegalidade, motivo pelo qual deverão ser excluídos do presente processo administrativo. Pedidos (i) seja julgado integramente improcedente o Auto de Infração, com a consequente extinção do crédito tributário nele consubstanciado, para os devidos fins de direito, e; (ii) independentemente do acolhimento do pedido acima, sejam imediatamente excluídas as pessoas arroladas no “Relatório de Vínculos” do pólo passivo da autuação fiscal. A DRJ/SP1 julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. A propositura de ação judicial antes do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. Não há que se falar em ilegalidade da cobrança da multa de mora quando aplicada nos estritos termos da legislação vigente. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Não cabe em sede de processo administrativo a discussão sobre legalidade ou constitucionalidade de lei. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 567 52 TAXA SELIC. LICITUDE. É lícita a aplicação da taxa SELIC para as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal, em atraso, incluídas em Auto de Infração. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. FINALIDADE. O relatório denominado “Vínculos” tem por finalidade tão somente listar as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas pelo pagamento do crédito. Intimado da decisão em 06/09/2010, através de aviso de recebimento, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 27/09/2010, no qual basicamente reafirmou os mesmos fundamentos da sua impugnação, com exceção do ponto atinente aos coresponsáveis, que não foi objeto de recurso. Sem manifestação ou contrarrazões pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A propósito, a controvérsia submetida a este Conselho é distinta da matéria suscitada no mandado de segurança nº 2001.61.00.0292958, da 3ª Vara Federal de São Paulo. Na ação judicial questionase a legalidade do adicional de 2,5% instituído pelo § 1º do art. 22 da Lei 8212/91, enquanto que neste PAF discutese a legalidade dos planos de participação nos lucros ou resultados da contribuinte. Exemplificativamente, caso o sujeito passivo seja sucumbente na ação judicial, ainda assim ele poderia ser exonerado do crédito tributário lançado neste PAF, caso fosse reconhecida a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração dos seus trabalhadores. É aplicável, assim, a parte final da Súmula CARF nº 1, segundo a qual é cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso vertente, toda a matéria constante do PAF é distinta daquela ventilada na ação mandamental, de tal forma que o recurso deve ser totalmente conhecido. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 568 53 2 Do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Como o MPF tinha como objeto a fiscalização das contribuições relativas ao período de apuração de 01/2005 a 01/2007, a recorrente entende que não poderiam ter sido analisados os documentos relativos ao ano de 2004. Ela ainda entende que houve decadência parcial. Sem razão o sujeito passivo. Das informações constantes dos autos, depreendese, exemplificativamente, que a PLR exercício 2005 estava calcada numa Convenção Coletiva de 2004 (CCT), de tal maneira que é óbvio que a fiscalização poderia examinála. Tal convenção, a propósito, poderia fazer prova a favor do sujeito passivo e não faria o menor sentido impedir a sua averiguação. A par disso, e como bem pontuado pela DRJ, o § 3º do art. 7º da Portaria vigente à época, a Portaria RFB 11.371/2007, contemplava expressamente a situação, para esclarecer a possibilidade de verificação de documentos de outros períodos, com vista a verificar os fatos relacionados ao período de apuração correspondente. A alegação de decadência deve ser igualmente rejeitada, pois o lançamento foi realizado em 14/12/2009, quando ainda não havia transcorrido prazo superior a cinco anos nem do fato gerador da competência mais pretérita (01/2005), tampouco do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nem mesmo havendo necessidade de cogitarse de qual seria o prazo decadencial aplicável (se a homologação tácita de que cuida o art. 150, § 4º, ou o prazo de lançamento de ofício de que trata o art. 173, I, do CTN). Passase, portanto, à análise de mérito. 3 Dos esclarecimentos iniciais Com exceção do ponto relativo ao MPF, o qual tem natureza preliminar e está relacionado à nulidade da autuação, e abstraindose a questão da decadência, a qual já foi rejeitada, o mérito e o controvertido dos autos residem em saber se a recorrente descumpriu a legislação da PLR, para efeito de viabilizar ou não a incidência das contribuições lançadas pela autoridade fiscal. Verificado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições, tendo em vista o pagamento de remuneração, e não de PLR, pode sim o agente autuante fazer o lançamento, o que prescinde de demonstração de abuso de forma, de simulação, etc. A verificação da ocorrência do fato gerador dispensa o exame da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente e o inc. I do art. 118 do Código Tributário Nacional preleciona que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo se da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 569 54 Em comentário ao citado preceito legal, o prof. Hugo de Brito Machado afirma, com precisão, que "ao Direito Tributário importa a realidade. Não a forma jurídica"1, significando dizer que basta a existência do fato, e "não se há de indagar a respeito da validade do ato ou negócio jurídico"2. À autoridade administrativa compete verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, ex vi do art. 142 do Código, o qual, a propósito, não contém qualquer disposição atinente à licitude ou ilicitude do fato que consubstancia a hipótese de incidência. Ao tratar da jurisprudência administrativa deste Conselho, em tópico atinente à elisão e evasão tributárias, a prof. Maria Rita Ferragut menciona a existência de "negócios lícitos mas não oponíveis ao Fisco"3, corroborando a importância da substância do fato, em detrimento de sua forma de exteriorização. Logo, o que importa para o direito tributário é a realidade, e não a aparente verdade resultante dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente. É irrelevante a nomenclatura do instrumento negocial ou mesmo a eventual fatura, importando, sim, identificar a materialidade da hipótese de incidência e sua efetiva ocorrência no mundo real. O princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal4. De outro modo, a desvinculação da PLR da remuneração dos trabalhadores está incondicionalmente atrelada ao cumprimento dos requisitos legais, conforme determina o inc. XI do art. 7º da CF e a Lei 10101/00. Feitos esses esclarecimentos, passase à análise das matérias suscitadas em grau recursal, não necessariamente observando a ordem das matérias colocadas no recurso e nem mesmo na acusação fiscal. 4 Dos planos Diante da grande quantidade de planos, vale transcrever a tabela abaixo, para fins de facilitar o presente julgamento: Planos Período Aquisitivo Assinatura Pagamento Acusações CCT 2004 novembro de 2004 2005 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa CCT 2005 outubro de 2005 2006 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa 1 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao código tributário nacional, volume II. São Paulo: Atlas, 2004, p. 396. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Obra citada, p. 388. 3 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 115. 4 STF, RE 346084 / PR. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 570 55 CCT 2006 outubro de 2006 2006 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa CCT 2007 outubro de 2007 2008 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa CCT 2008 novembro de 2008 2008 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa Acordo Próprio 2004 março de 2001 (i) inexistência de comissão da empresa; (ii) não participação no representante sindical; (iii) falta de registro de arquivamento do plano no sindicato; (iv) inexistência de regras claras e objetivas; (v) valores pagos substituem bônus; (vi) não houve conhecimento prévio das metas Acordo Próprio* 2005 março de 2001 ou maio de 2006** Idem ao item anterior , pois seria o mesmo plano Acordo Próprio* 2006 maio de 2006 (i) assinatura ao final do período; (ii) montante dos valores pagos e forma de distribuição desnaturam o benefício Acordo Próprio* 2007 agosto de 2007 (i) assinatura ao final do período; (ii) montante dos valores pagos e forma de distribuição desnaturam o benefício; (iii) mais de dois pagamentos durante o ano Acordo Próprio* 2008 dezembro de 2008 2008 (i) assinatura ao final do período; (ii) montante dos valores pagos e forma de distribuição desnaturam o benefício; (iii) pagamento integral antes da apuração do lucro; (iv) três pagamentos durante o ano civil * Ao contrário do que afirma a acusação, tratase de acordos coletivos, e não de planos próprios. ** Segundo a recorrente, o pagamento teria sido feito com base no plano assinado em maio de 2006. 5 Da data de assinatura dos planos Com exceção dos acordos próprios relativos aos períodos de aquisição de 2004 e 2005, uma acusação comum a todos os demais é que eles foram assinados somente no término do período aquisitivo a que se refeririam. Pois bem. A não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 571 56 competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; E diferentemente do que costumeiramente se afirma, a PLR não é apenas um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando a incrementar a produtividade, mas sobretudo um direito social do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no qual ele está inserido, não deixam margem para dúvidas. Essa circunstância tem passado despercebida, mormente porque a lei regulamentadora parece têla deixado em segundo plano, nem mesmo fazendo menção à expressão direitos sociais. Por outro lado, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois atribuiu à lei a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. No plano infraconstitucional, a regulamentação foi feita pela Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, assim, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Todavia, a lei realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização dessa negociação. É compreensível que não o tenha feito, pois as normas de experiência comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas, sendo por vezes acirradas e conflituosas e envolvendo diversos sindicatos de diversas categorias. É óbvio, contudo, que os trabalhadores têm conhecimento das diretrizes gerais dos planos, pois participam direta ou indiretamente das negociações via comissão paritária ou sindicatos. Como bem pontuado em sede de impugnação e recurso, no ponto atinente às CCTs, o que igualmente se aplica aos planos próprios e às convenções coletivas, "a data de assinatura corresponde, apenas, ao momento de conveniência das várias entidades sindicais considerandose inclusive a dificuldade de viabilização de um documento com quase 200 assinaturas não correspondendo à finalização da negociação". E mais (v. fl. 868): [...] as metas e critérios para concessão da participação nos lucros estabelecida nas sucessivas convenções coletivas de trabalho são conhecidas previamente por todos os trabalhadores da categoria. Tal conclusão salta aos olhos ao se avaliar que, em todo o período fiscalizado, não houve a menor alteração em tais critérios (lucro líquido anual). Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 572 57 Não compete ao aplicador da lei criar prérequisito não previsto na norma, sobretudo para reduzir a eficácia de regra jurídica constitucional. A lei prevê que a participação será objeto de negociação, e não que a formalização tenha que ocorrer previamente ao período de aquisição. A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderesdeveres prevista no art. 2º da Lei Maior, que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República. Uma interpretação restritiva, com a criação de exigências não previstas legalmente, apenas tem o condão de dificultar a efetiva concretização do direito social do trabalhador à participação nos lucros ou resultados da empresa, inibindo a concessão dos planos, em conflito com as finalidades constitucionais. Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais" (Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277). Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal." Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 573 58 (Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181 182) Deve ser abandonado, pois, o eventual rigor interpretativo, para compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a primeira e rápida compreensão da lei infraconstitucional pudesse sugerir que o plano devesse ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e o seu comprometimento. A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, cria, no entender deste relator, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação – “será objeto de negociação”) e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular a concessão da PLR e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Como se vê, não se está declarando qualquer inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, mas sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegendose aquela mais adequada ao texto constitucional. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), antes da atual composição, vinha adotando entendimento semelhante, conforme se infere do acórdão nº 9202003.370: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, sessão de 17 de setembro de 2014) Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 574 59 Esta 2ª Turma/4ª Câmara/2ª Seção do CARF também vinha trilhando esse mesmo caminho, conforme se vê no acórdão nº 2402005.262, de minha relatoria. Não pode passar despercebido, ainda, no tocante às CCTs, o fato incontroverso de que elas foram firmadas por 111 sindicatos, 6 federações e 1 confederação, representativos de trabalhadores em todo o Brasil, além de 1 federação e 7 sindicatos, representativos de empregadores, sendo obviamente precedidas de acirradas e acaloradas negociações, como demonstram (i) as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e (ii) os fatos públicos e notórios anualmente noticiados na imprensa nacional. Outro ponto relevante a ser destacado é que, enquanto a remuneração é devida pela mera execução do contrato de trabalho, aí pouco ou nada importando os lucros ou resultados da empresa, a PLR deve ser considerada como um pacto acessório, por meio do qual se negociam, a par daquele contrato, questões relativas à produtividade, qualidade, lucratividade, metas, resultados, etc. Ou seja, a remuneração é devida em função do contrato laboral, enquanto que a participação é devida em decorrência de um contrato acessório, que não se constitui, por expressa disposição legal, em pagamento de remuneração. Tal contrato acessório, ademais, viabiliza a partipação do trabalhador em rubricas a que ele não teria direito, por serem decorrentes do capital do qual ele não é dono. Diante do exposto, concluise que o fato isolado de a formalização ter ocorrido no próprio período aquisitivo da PLR não desnatura o plano, devendo serem sopesados e analisados os demais requisitos legais e as circunstâncias e peculiaridades de cada plano. 6 Da inexistência de regras claras e objetivas Com exceção dos acordos relativos aos períodos de aquisição 2006, 2007 e 2008, uma acusação comum a todos os demais é que eles não teriam regras claras e objetivas. 6.1 DAS CCTS Iniciandose o julgamento pelas CCTs (e todos os instrumentos possuem os mesmos termos), observase que a partipação dos trabalhadores estava atrelada à lucratividade da empresa, possibilidade esta expressamente constante do inc. I do § 1º do art. 2º da Lei, segundo o qual podem ser considerados os critérios e condições de lucratividade. Vejase com destaques: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 575 60 § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; A lei é expressa e textual ao afirmar que dos instrumentos decorrentes da negociação (CCTs, planos próprios ou acordos coletivos) podem constar critérios de lucros, o que, no entender deste relator, é bastante óbvio, pois a lei está regulamentando exatamente a participação dos trabalhadores nos lucros ou nos resultados, conforme o caso. Como constam das CCTs, e como bem pontuado pela recorrente, o valor distribuído aos seus trabalhadores dependia do seu percentual de lucratividade e havia variações em função do lucro líquido de cada exercício e também do percentual de seu crescimento em comparação com o exercício anterior. Havia, ainda, uma disposição bem importante e de inegável clareza: a eventual existência de prejuízo implicava o não pagamento da partipação, corroborandose, assim, a existência de um pacto acessório ao pacto de remuneração e afastandose a acusação de que a participação estaria substituindo o pagamento de salários. Quer dizer, se a participação fosse realmente substitutiva da remuneração, ela seria paga independentemente da obtenção de lucros ou resultados pela empresa, o que não ocorreu no caso concreto. Nesse contexto, entendese que as cláusulas das CCTs, as quais se repetiram no transcorrer dos anos, eram claras o suficiente para serem interpretadas e aplicadas pela empresa, sendo igualmente claras para serem interpretadas pela administração fiscal. 6.2 DO ACORDO PRÓPRIO PERÍODO DE AQUISIÇÃO 2004 Neste ponto, sem razão o sujeito passivo. O plano, em si, não contém nenhuma meta em suas doze cláusulas. Já o anexo de fls. 200/203, PAF 16327.001310/200945, embora preveja o percentual mínimo de lucro líquido a ser distribuído em função do desempenho do banco em diversas localidades e do desempenho individual dos seus profissionais em três categorias (v. quadro II REGRAS BÁSICAS), não estabelece quais seriam as metas a serem cumpridas. Diferentemente do que alegou o sujeito passivo em sua impugnação e em seu recurso, não há qualquer precisão matemática nas metas que sequer foram prédefinidas. Trazendose à colação a tabela abaixo, extraída do anexo ao citado plano vigente para o período de aquisição 2004, o que se visualiza é que não é possível determinar se, nem mesmo subjetivamente, o que se poderia compreender por metas parcialmente cumpridas, cumpridas e excedidas, tendo em vista a total inexistência de qualquer conceituação a esse respeito. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 576 61 Realmente, portanto, tal plano não contém regras claras e objetivas, o que infringe o disposto no § 1º do art. 2º da Lei, de forma a viabilizar a incidência das contribuições lançadas a seu respeito, negandose provimento ao recurso neste particular. Como esta infringência é suficiente para manter a autuação, e como esta matéria é exclusivamente de mérito, e não de natureza preliminar, deixase de analisar as demais acusações fiscais relativas à inexistência de comissão da empresa; à falta de participação do representante sindical; à falta de registro de arquivamento do plano no sindicato; a valores pagos que substituiriam bônus; e à falta de conhecimento prévio das metas por parte dos trabalhadores. 7 Do pagamento de parcela fixa Acusação comum a todas as CCTs é que teria havido o pagamento de parcela fixa. O recurso voluntário não traz maiores digressões a esse respeito, mas a inexistência de controvérsia fática não dispensa este órgão recursal de analisar a matéria, mormente porque este ponto foi decidido pela DRJ e porque a recorrente defende a legalidade dos planos. Realmente, as CCTs previam o pagamento de um valor fixo. No entanto, e conforme já explicitado em tópico precedente, o pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa, sendo que a prédeterminação de um valor, sobretudo em valor irrisório (como o foi), não invalida o efetivo pagamento da participação. Exemplificativamente, vejase que em relação à CCT de 2004, a parcela fixa acrescida à participação era de apenas R$ 705,00, o que obviamente não descaracteriza a distribuição dos lucros. 8 Conclusão parcial 1 Do que foi exposto até o momento, já se conclui que os pagamentos realizados com base nas CCTs foi totalmente regular e conforme a lei e a Constituição, de tal maneira que o lançamento deve ser cancelado neste tocante. Também se conclui que os pagamentos realizados com base no plano próprio relativo ao período aquisitivo 2004 foram irregulares e em desacordo com a lei, o que conduz à manutenção do lançamento neste particular. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 577 62 Cabe analisar, assim, os "acordos próprios" (ou acordos coletivos) atinentes aos períodos de aquisição 2005, 2006, 2007 e 2008. 9 Do Acordo Coletivo Período de Aquisição 2005 Como visto nos tópicos anteriores, este relator organizou seu voto iniciando se pelas acusações (ex.: data de formalização dos acordos, existência ou não de regras claras e objetivas, etc) para então analisar os planos em si (ex.: CCTs, acordos próprios, etc). Este plano, todavia, será analisado em tópico próprio, diante das peculiaridades envolvendo a acusação fiscal e o recurso voluntário. A recorrente vem reiteradamente pontuando que o acordo próprio firmado em 2001 não serviu de base para o pagamento atinente ao período de 2005. Vejase (v. fl. 884 do PAF 16327.001310/200945): Primeiramente, há que se consignar a incorreção na análise da d. fiscalização, o qual considerou que o teor do acordo firmado em 2001 fora aplicado para os fins da participação referente ao anobase 2005. Ao contrário, com o início das negociações com o sindicato, o que ocorrera já em 2005, referido plano não mais foi aplicado, não tendo sido base de qualquer participação a partir dessa data. De fato, o plano aplicado para o anobase 2005, com pagamento em 2006, foi aquele firmado juntamente com a entidade sindical, o qual abrange os anosbase 2005 e 2006. De fato, o instrumento de fls. 218/221 do PAF 16327.001310/200945, firmado em 19 de maio de 2006, expressamente prevê sua vigência para 01/01/2005 a 31/12/2006, o que passou despercebido à autoridade autuante e à própria DRJ. Vejase: Ademais, os planos de 2005, 2006, 2007 e 2008 foram formalizados através de acordos coletivos, não se tratando, portanto, de planos próprios negociados através de comissão paritária. Com efeito, tais acordos foram celebrados entre o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo e o próprio banco, e não por comissão escolhida pelas partes, na qual a citada entidade sindical tenha figurado como mera representante. Ou seja, a fiscalização equivocouse quando desconstituiu a legalidade dos pagamentos relativos ao período de aquisição 2005 com base na análise do plano firmado em março de 2001, pois este plano não deu origem àqueles pagamentos. Devem ser sopesadas, portanto, as acusações pertinentes ao instrumento datado de maio de 2006, mais precisamente as seguintes: (i) assinatura ao final do período; e Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 578 63 (ii) o montante dos valores pagos e a forma de distribuição desnaturariam o benefício. Quanto à data de assinatura do instrumento, o que se observa é que o pagamento relativo ao período de aquisição 2005 foi realizado com base num documento firmado apenas em maio do ano seguinte (maio de 2006). Quer dizer, no ano de 2005, sequer havia um documento que desse base à aferição dos valores da PLR, ainda que o adimplemento tenha ocorrido somente em 2006, como alega a recorrente. O que foi exposto no tópico 5 sobre a data da assinatura dos planos está de acordo com uma interpretação razoável, mas a inexistência total de um plano dentro do período de aquisição não tem qualquer razoabilidade e ademais afasta qualquer possibilidade de aferição e de previsibilidade por parte do trabalhador e da própria empresa. Tratase, enfim, de uma evidente ilegalidade que impede a caracterização dos pagamentos como distribuição efetiva de lucros ou resultados ao trabalhador. De outro vértice, e até porque a formalização somente ocorreu quase que no segundo semestre do ano seguinte ao período de aquisição, a recorrente não se dignou de demonstrar que tal participação realmente tenha sido objeto de negociação dentro do período a que se referiria, em evidente violação ao art. 2º da Lei. Para que se tivesse um pacto acessório ao contrato de trabalho, com validade e legalidade, seria necessário um mínimo de previsibilidade às partes envolvidas, até para se concretizar não apenas os direitos sociais, mas também para incentivar a produtividade do trabalhador e tornar justificável tal pacto adjunto. Nesse contexto, deve ser negado provimento ao recurso neste particular. Como tal infringência é suficiente para manter a autuação, e como esta matéria é exclusivamente de mérito, e não de natureza preliminar, deixase de analisar a acusação segundo a qual o montante dos valores pagos e a forma de distribuição desnaturariam o benefício (acusação última, de toda forma, que se repetiu no tocante aos anos seguintes, conforme adiante será julgado). 10 Do montante dos valores pagos e da forma de distribuição Acusação que se repetiu acerca dos acordos coletivos de 2006 a 2008 é que o montante dos valores pagos e a forma de distribuição desnaturariam o benefício. Neste particular, sem razão o agente autuante. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. A contrario sensu, nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 579 64 O que a legislação determina é que a participação não pode substituir ou complementar a remuneração (art. 3º), mas a autoridade autuante não demonstrou que a recorrente estivesse pagando salários inferiores à média de mercado e complementandoos ou substituindoos por intermédio de lucros ou resultados. Quer dizer, não há qualquer demonstração nos autos de efetiva substituição de remuneração por participação. Quanto à desproporção entre os valores pagos entre as diversas categorias de trabalhadores, parece intuitivo que, quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. Portanto, a desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros. A Constituição e a lei regulamentadora também não vedam o pagamento de valores diferentes entre as diversas categorias de empregados, o que exalta a aplicação do princípio da autonomia da vontade das partes, que consiste justamente "no poder de estipular livremente, como melhor lhes convier, mediante acordo de vontades, a disciplina dos seus interesses, suscitando efeitos tutelados pela ordem jurídica"5. Em sendo assim, são válidas as seguintes justificativas trazidas em sede de impugnação: O Banco Merrill Lynch é um banco de investimentos. Em razão disto, o exercício de sua atividade empresarial se dá por meio da atuação de suas áreas de negócios, as quais são: renda fixa, renda variável, investimentos diretos, banco de investimentos (IBK) e pesquisas econômicas (área híbrida). São essas as áreas que trarão os negócios para o banco, prospectarão novos clientes, e é nelas que estão concentradas as metas mais agressivas a serem atingidas por seus integrantes. É deles que se cobrará mais, pois eles é que poderão influenciar de maneira efetiva no sucesso do empreendimento. Entretanto, para a realização de suas atividades, as áreas de negócios não são suficientes. São as áreas de suporte que garantem a possibilidade de as áreas de negócios realizarem seus trabalhos. As áreas de suporte são, entre outras: processamento de operações, controladoria, tecnologia de sistemas, auditoria, crédito de mercado, risco de crédito, risco operacional, serviços corporativos, jurídico, gerenciamento de projetos e recursos humanos. Essas áreas estão obrigadas a fornecer o suporte para as áreas de negócios, permitindo o melhor e mais eficiente funcionamento do banco, para atingimento das metas das áreas de negócios. Aqui os colaboradores possuem as metas menos agressivas do negócio, posto que a potencialidade de sua contribuição para a formação do resultado desejado é infinitamente menor do que aquela dos integrantes das áreas de negócios. 5 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro Teoria das Obrigações Contratuais e Extracontratuais. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 32. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 580 65 Assim, a comissão de negociação, ao definir os critérios para o acordo de PLR do ano 2004, optou por estabelecer diferentes múltiplos para as diversas áreas de atuação. E esses múltiplos, negociados e definidos pela comissão de negociação, são os diretos geradores dos valores distribuídos aos empregados. Apresenta quadro comparativo. 11 Conclusão parcial 2 Do que foi exposto até o momento, observase que também os pagamentos efetuados com base no acordo coletivo do período aquisitivo de 2006 estão em conformidade com a lei, a par das participações distribuídas com base nas CCTs, conforme já retratado na conclusão parcial 1. 12 Da periodicidade dos pagamentos Sobre os acordos coletivos de 2007 e 2008, ainda resta analisar a acusação sobre a periodicidade dos pagamentos. Quanto ao acordo de 2007, afirmou a acusação que ocorreram de três a quatro pagamentos durante o ano, ao passo que em relação ao acordo de 2008, pontuou que houve três pagamentos e que o valor foi integralmente pago antes da apuração do lucro. Na impugnação e no recurso, a contribuinte afirmou que cada um de seus empregados recebeu apenas um pagamento a título de PLR em cada um desses anos e que as divergências apontadas diriam respeito ao pagamento da proporcionalidade devida a rescisões (v. fl. 917 do PAF 16327.001310/200945) e que os analistas de negócios teriam recebido a PLR própria no mês de julho, diferentemente dos demais, mas ainda assim em um único pagamento anual e em respeito à semestralidade. 12.1 DO ACORDO COLETIVO PERÍODO DE AQUISIÇÃO 2007 Vejase que o relatório fiscal arvorase no Anexo IV do lançamento, o qual demonstraria que o contribuinte teria pago antecipações de PLR em janeiro, fevereiro, julho e outubro de 2007. Para ilustrar, vale trazer à colação uma parte do citado anexo: Fl. 580DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 581 66 Pois bem. Nem a impugnação e nem o recurso estão instruídos com os documentos que comprovariam a veracidade das alegações do contribuinte acerca das rescisões e dos analistas de negócios, embora, quanto a estes últimos, realmente nem todos os seus empregados tenham sido contemplados com pagamentos em julho de 2007 (vejase acima). Mas mesmo aqueles contemplados com pagamentos em tal mês também receberam pagamentos em janeiro, julho e outubro, o que, de qualquer forma, implica o descumprimento da regra legal. Daí se depreende que a contribuinte infringiu o disposto no § 2º do art. 3º da Lei (§ 2º vigente à época), segundo o qual era vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A norma, entretanto, em nenhum momento dispôs que o descumprimento da periodicidade permitiria a descaracterização de todo o plano, nem mesmo por empregado. Ademais, o que se disse em tópico anterior, quanto à máxima eficácia da norma constitucional, é igualmente aplicável nesse contexto. Em sendo assim, apenas as parcelas tidas por irregulares, por empregado, devem sofrer a tributação, e não todas as parcelas. O STJ já enfrentou essa matéria, tendoo feito nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO. [...] 7. O Banco realizou pagamentos aos empregados de modo absolutamente contínuo durante nove meses, de outubro de 1995 a junho de 1996, o que implica submissão à contribuição previdenciária, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) c/c o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991. [...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). (REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Fl. 581DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 582 67 Deste Colegiado, podem ser citados os seguintes precedente: [...] PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000. [...] (CARF, PAF 16327.721264/201208, Acórdão 2402005.011, sessão de 17 de fevereiro de 2016, Relator Kleber Ferreira de Araújo). ......................................................................................................... [...] PLR. COMISSÃO PARITÁRIA. AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. RECUSA SEM MOTIVOS PLAUSÍVEIS. 1. O Sindicato foi intransigente e, mesmo após cientificado e intimado, simplesmente se recusou a indicar um representante para participar da comissão paritária. 2. A recusa jamais poderia obstaculizar os direitos dos trabalhadores ao recebimento da PLR e, por consequência, servir de fundamento para a tributação. PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei 10101/00. [...] JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. [...] (PAF16327.720237/201552, BANCO ABC BRASIL S.A., Sessão de 07/06/2017, Relator RONNIE SOARES ANDERSON, Acórdão 2402005.872) Fl. 582DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 583 68 Expressandose de outra forma, neste caso concreto devem ser excluídos da autuação os primeiros pagamentos efetuados em cada semestre civil. 12.2 DO ACORDO COLETIVO PERÍODO DE AQUISIÇÃO 2008 O relatório fiscal assevera que ocorreram três antecipações de pagamentos (julho, outubro e dezembro v. fl. 509 do PAF 16327.001310/200945) e que o total da participação foi integralmente adimplido dentro do próprio período aquisitivo. Como foi feito no tópico anterior, vale colacionar a tabela demonstrativa dos pagamentos realizados em 2008 Anexo VI: Aí se observa que foi descumprida a regra da periodicidade, o que conduziria à aplicação do entendimento exposto no tópico anterior. Todavia, é fato expressamente admitido pela recorrente que a participação foi integralmente paga dentro do próprio período aquisitivo. No seu entender, não haveria óbice legal a essa prática e a lei teria previsão acerca da possibilidade de antecipação. Ocorre que o § 2º encimado permite, por via transversa (ao vedar o pagamento de antecipação dentro das condições que especifica, o dispositivo permite o pagamento em outras condições), o pagamento de antecipação ou distribuição de valores, mas Fl. 583DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 584 69 não, obviamente, a antecipação ou distribuição de todo o valor, mormente porque o lucro ou o resultado somente é calculado e apurado ao final do anobase. Isto é, não se pode afirmar que tenha havido a distribuição de lucros ou resultados aos trabalhadores, porque a empresa sequer tinha como apurálos antes do término do período base, negandose, pois, provimento ao recurso neste ponto. 13 Da multa e da ilegalidade de sua majoração pelo decurso do tempo A recorrente questiona o comparativo da multa mais benéfica elaborado pela fiscalização, que somou as multas devidas pelo descumprimento das obrigações principais e acessórias, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores, e comparou com a multa de ofício vigente à época do lançamento. Ela também questiona a majoração da multa de mora pelo decurso do tempo. Pois bem. Este relator vinha manifestando o entendimento segundo o qual a sanção pelo descumprimento da obrigação principal e a sanção pelo descumprimento da obrigação acessória têm naturezas totalmente diferentes e que a comparação, para efeito de aferição da legislação mais benéfica, deveria ser feita entre sanções de igual natureza; e que a metodologia utilizada pela fiscalização partiria do pressuposto equivocado de que o art. 35A da Lei 8.212/1991 sempre sanciona o descumprimento de obrigação acessória, o que não é verdade, pois o descumprimento isolado de tal obrigação é apenado pelo art. 32A. Expressandose de outra forma, adimplida a obrigação principal, mas não a acessória, é cabível a aplicação deste último dispositivo. Exemplificativamente, reportome ao acórdão 2402005.450, de 17 de agosto de 2016, ocasião em que meu voto, neste tocante, foi vencido pelo voto dos demais conselheiros. Desde então, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando à presente discussão as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09, segundo a qual: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Isto é, no entender da CSRF, deveria haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação Fl. 584DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 585 70 anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35 A da Lei 8212/91. Vejase: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (CSRF, Recurso Especial do Procurador, PAF 19647.019537/200831, acórdão 9202005.667, relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 26/07/2017, por unanimidade) Como as decisões da CSRF têm sido tomadas por unanimidade, não havendo, por outro lado, nenhuma decisão do STJ proferida em sede de recurso repetitivo, e como tem se notícia de que as próprias Turmas Ordinárias do CARF vêm igualmente aplicando a Portaria, este Conselheiro, para evitar insegurança jurídica e até mesmo a lavratura de votos vencedores numa questão que parece consolidada ao menos no âmbito administrativo, nega provimento ao recurso voluntário quanto à multa. 14 Da ilegalidade da Selic A insurgência do sujeito passivo acerca da ilegalidade da taxa Selic é rechaçada pela Súmula CARF nº 4. Desde 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 15 Conclusão final Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação (a) os valores pagos com base nas CCTs 2004 a 2008; (b) os valores pagos com base no acordo coletivo 2006; (c) os primeiros pagamentos efetuados em cada semestre civil com base no acordo coletivo 2007. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 586 71 Voto Vencedor Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado. Não obstante as, como de praxe, muito bem articuladas razões do Relator, delas ouso a dissentir, como a diante abordado. No que toca à assinatura do acordo ao longo do período aquisitivo, penso, alinhandome, até então, as razões do voto condutor e voto divergente da lavra do I. Conselheiro Ronnie Soares Anderson nos acórdãos, respectivamente, 2402006.026 e 2402 006.068, de 04.10.2017 e 03.04.2018, em função de julgados desta turma, que para aqueles acordos onde não consta minimamente o estabelecimento/previsão de uma conduta individualizada, ou por departamento/setor, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Confirase do excerto a seguir, extraído dos votos acima citados. (...) Não acompanho esse entendimento, contudo, no tocante aos planos de PLR nos quais os pagamentos acordados estão desvinculados de um comportamento volitivo comprometido com o alcance de determinados objetivos. Por exemplo, quando se estabelece que os empregados de uma empresa perceberão dado PLR se aquela atingir determinados índices de lucratividade. Vejase que não há como estabelecer um liame minimamente concreto entre a prestação de serviço realizada pelo trabalhador e a lucratividade alcançada pela pessoa jurídica, tanto mais quando se trata de uma instituição financeira com milhares de funcionários. Vale dizer que nesses casos, em geral, são conduzidas negociações ao nível de convenção ou acordo coletiva, tem em vista a amplitude dos agentes envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Notase da fundamentação acima, que há, in casu, uma interpretação literal do dispositivo, já que o texto da Lei, ao dispor sobre a necessidade de que houvesse um "ajuste prévio", fez menção apenas aos programas de metas, seus resultados e prazos. Confirase, novamente. Não por acaso, a própria Lei 10.101/000, quando se refere objetivamente à necessidade de ajuste prévio, o faz com Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 587 72 referência aos programas de meta, resultados e prazos especificados no inciso II do artigo, de maneira apartada, assim, da menção aos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, referidos no seu inciso I. Nesse rumo, abraçando e adotando, por ora, o entendimento exporto naqueles votos encimados e ao considerar que, à exceção das Convenções Coletivas de Trabalho, todos os demais instrumentos de acordos previam, ainda que en passant, a existência de metas/avaliação individual ou por setor/departamento, tenho que a assinatura desses acordos, quando já iniciado o período de aquisição, desnaturaria a PLR tal como prevista na Lei 10.101/00, fazendose necessária sua inclusão na base imponível da exação. Por sua vez, no que tange à existência de valor fixo, tenho que tal circunstância, por si só, não descaracterizaria a PLR paga, quando o instrumento de acordo traz uma meta a ser atingida, sem a qual o pagamento não seria realizado, consoante assentou o Relator no trecho a seguir colacionado: Realmente, as CCTs previam o pagamento de um valor fixo. No entanto, e conforme já explicitado em tópico precedente, o pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa ...(destaquei). Isso porque, no caso das CCT, a fixação de valor a ser recebido, conforme denotado pelo Relator, estaria atrelado à aferição de lucro pela empresa, presente, portanto, o incentivo à produtividade preconizado pela Lei. A seu turno, no que diz respeito à periodicidade de pagamentos, tenho que, nos casos identificados e apontados pelo Fisco exemplificados pelo Relator em seu voto em que houve pagamentos em desacordo com o § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, com a redação da época dos fatos geradores, toda a PLR paga ao respectivo trabalhador deve ser levada à tributação, independentemente do motivo e/ou instrumento de acordo que teria amparado referidos pagamentos. É esse o entendimento posto no voto condutor daquele acórdão 2402 006.026, de 04.10.2017, com o qual me filio e adoto como razões de decidir neste voto. Vejase: Pois bem, de pronto, há que se ressaltar que, na aferição do cumprimentos das regras de periodicidade, devem ser examinados todos os pagamentos efetuados a título de PLR, como bem firmado no § 2º mais acima transcrito, ainda que se verifique não possuam efetivamente tal natureza, como dantes foi constatado com relação aos pagamentos vinculados aos programas próprios/específicos e similares do contribuinte. A partir dessa premissa, deve ser apurado se houve pagamentos com base nos instrumentos coletivos em descumprimento do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 588 73 Diante de tais situações, e com a devida vênia dos entendimentos em sentido diverso, devese aplicar dito critério legal, claro e objetivo, segundo o qual, efetuados mais de dois pagamentos de PLR em dado ano civil, ou com espaçamento inferior a um trimestre, não há falar em aplicação da norma em tela, com relação ao empregado beneficiado. Como bem observado nos seguinte trecho de recente decisão da CSRF, Acórdão nº 9202004.342 (j. 24/8/2016): (...) não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE parcial provimento para excluir do lançamento, com relação a cada trabalhador, os valores pagos em observância à periodicidade que dispunha o § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000 e que tenham se dado ao amparo das Convenções Coletivas de Trabalhado. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Declaração de Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Com a maxima venia, divirjo quanto à possibilidade de pactuação do acordo de PLR após iniciada a sua execução e quanto ao seu pagamento em valor fixo. Da negociação prévia Antes de considerações outras, vejamos, primeiramente, o que dispõe a Lei 10.101, de 19/12/2000: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 589 74 § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Segundo se extrai dos dispositivos transcritos acima, a PLR se constitui não só em um instrumento de integração entre capital e trabalho, mas também um incentivo à produtividade. Dessa forma, seu pagamento deve estar sujeito a mecanismos de aferição da produtividade, da qualidade e da lucratividade da empresa, mediante programas de metas e resultados. Nesse contexto, temse por condição necessária a avaliação do desempenho da empresa e de seus empregados, e o comprometimento destes com o atingimento das metas. Ora, se o pagamento da PLR está sujeito ao atingimento de metas e a Lei 10.101/00 estabelece, expressamente, em seu art. 2º, § 1º, inciso II, que os “programas de metas, resultados e prazos” devem ser “pactuados previamente”, por decorrência lógica, o acordo tem que ser definido e assinado antes de começar a execução do programa, ou seja, antes de iniciar do período de avaliação, o que não ocorreu no presente caso. Ademais, não se trata de “interpretação criativa” ou de “rigor interpretativo”, segundo as palavras do Relator, mas sim de interpretação literal, que é a interpretação que deve ser empreendida no caso em análise, segundo dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, pois o que está em jogo é a outorga de isenção. Vejase: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Nesse particular, trazemos à baila a seguinte lição de Hugo de Brito Machado6: Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a ampliação do alcance, como sua restrição. 6 MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 32ª edição, Malheiros, São Paulo, 2011, p. 114. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 590 75 Sendo assim, não cabe nem a interpretação teleológica e nem a interpretação axiológica, com “norte” nos “direitos sociais”, segundo pretende o Relator, mas apenas a aplicação pura do texto legal. Até por que, seguindo esse caminho hermenêutico, daremos mais segurança aos direitos sociais, pois, se aceitarmos, contra legem, que determinado acordo possa ser assinado após iniciado o período de avaliação, na expectativa de que os trabalhadores tenham tido ciência do acordo que seria assinado futuramente, poderemos, sim, estar colocando em risco os direitos sociais, uma vez que estaremos abrindo mão de uma regra clara e objetiva da lei para decidirmos com base nas subjetividades afetas ao quadro fático que envolve a PLR. Por outro lado, se o acordo for assinado previamente à execução do programa de PLR, ou seja, antes do início do período de avaliação, estará em perfeita consonância com o art. 2º, § 1º, inciso II, da Lei 10.101/00, no aspecto temporal, o que reduzirá, enormemente, a possibilidade de desconhecimento, por parte dos empregados, das regras referentes ao plano, quando da sua execução. Nessa perspectiva, se conclui, portanto, que a pactuação prévia produz duplo efeito protetivo: (a) protege o crédito previdenciário contra o gozo de isenções indevidas e (b) protege o trabalhador quanto à possibilidade de ser surpreendido, durante a execução do programa, por uma regra decidida unilateralmente pelo empregador. Se a Administração Tributária não se curvar à flexibilização dessa regra tão importante, as empresas que adotam programas de PLR passarão a pactuar previamente à execução desses programas, o que dará maior garantia aos tão aclamados direitos sociais dos trabalhadores. No caso em tela, as convenções foram assinadas no final do período avaliativo, segundo se observa no seguinte excerto do relatório fiscal, fl. 46: Logo, como os acordos referentes às Convenções Coletivas de Trabalho de 2004 a 2008 não foram assinados previamente à execução dos programas de PLR, voto por manter o lançamento, na forma como operado pela fiscalização. Do pagamento em valor fixo Quanto ao pagamento da PLR em valor fixo, vejamos, de início, o que restou consignado no relatório fiscal, fls. 51 e 52: 7.22 Os instrumentos de acordo apresentados não possuem qualquer objetivo a ser cumprido, nem critério de aferição. Ao contrário, a participação nos lucros já aparece como um fato consumado, inclusive em termos de valores, o que afasta qualquer possibilidade de cumprimento e aferição de objetivos. Independentemente de qualquer atitude tomada pelo empregado após a assinatura do acordo, ele receberia a participação nos lucros. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 591 76 7.23 Os valores recebidos não dependiam da obtenção de quaisquer resultados, haja vista que as determinações citadas nas convenções determinam um valor fixo independentemente do alcance de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, assim são regras que afastam o objeto da Lei. O pagamento de um valor previamente fixado, sem qualquer condição, ainda que a título de participação nos lucros ou resultados, consiste, na verdade, no pagamento de uma espécie de prêmio ou gratificação, uma mera liberalidade da empresa. A desnecessidade de se atingir índices de produtividade ou metas previamente estabelecidas afasta qualquer possibilidade de se vislumbrar na parcela paga a qualificação que lhe outorgou a autuada. 7.24 Em suma, o pagamento em estudo afastouse do objetivo da lei, qual seja, o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a participação nos lucros não integre o saláriodecontribuição. Como se vê, o pagamento de valor fixo de PLR, mesmo que a empresa tenha tido lucro, desnatura a função precípua do programa que é integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Convém trazermos à baila, também, as considerações do julgado de primeiro grau, a esse respeito, fls. 464 e 465: Conforme estabelecido no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nos instrumentos de negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Porém, não foi o que se verificou na Auditoria Fiscal, não podendo a impugnante sob a alegação da natureza de abrangência ampla da Convenção Coletiva, usar como único critério para pagamento da PLR a lucratividade do setor econômico, deixando de observar todos os requisitos contidos na Lei 10.101/00. A própria impugnante em sua defesa afirma: “o valor a ser distribuído depende exclusivamente do percentual de lucratividade do banco, com variações decorrentes das métricas de 0 a 15% do lucro líquido do banco em cada exercício financeiro, bem como do percentual de crescimento do lucro líquido em comparação com o exercício anterior”. E, ainda, ao estabelecer o montante a que cada empregado teria direito sobre o lucro obtido pela instituição financeira, o fez fixando percentual sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial, acrescido de um valor fixo em reais, para cada um dos anos, ou seja, 2.004, 2005, 2006, 2007 e 2008, como se Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16327.001311/200990 Acórdão n.º 2402006.432 S2C4T2 Fl. 592 77 verifica das próprias cláusulas transcritas pela impugnante em sua defesa. Ora, o valor da PLR a ser pago foi estabelecido previamente, consubstanciandose num valor fixo, utilizandose como único critério para tanto a obtenção de lucro pelo banco, sem que nenhuma meta tenha sido estabelecida para que o empregado tivesse direito a seu recebimento, o pagamento a título de PLR feito desta forma, não se coaduna ao espirito da Lei 10.101/00 que a instituiu, consistindo em prêmio ou gratificação, sofrendo, pois, incidência de contribuições previdenciárias. Como se nota, a decisão recorrida demonstra, de forma acertada, que uma vez tendo sido estabelecido um valor fixo, o único critério adotado para a distribuição da PLR foi a obtenção de lucro pelo banco, sem o estabelecimento de nenhuma meta que devesse ser atingida para que o empregado tivesse direito ao recebimento, o que afasta a PLR, em análise, dos reais objetivo da Lei 10.101/00. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 592DF CARF MF
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Numero do processo: 37284.001274/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. CO-RESPONSÁVEIS. ILEGITIMIDADE. ENUNCIADO Nº 88 DA SÚMULA CARF.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
DECADÊNCIA. MULTA. TERMO INICIAL.
O lançamento de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória dá-se necessariamente de ofício, de forma que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido realizado.
AGENTE FISCAL. LEGITIMIDADE. AFRFB. ENUNCIADOS Nº 6 E 8 DA SÚMULA CARF.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade com competência para realizar o lançamento do crédito tributário federal, não se lhe aplicando qualquer exigência quanto a registro em órgão de classe ou limitação com base em critério territorial.
MULTA. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. RETROATIVIDADE BENÉFICA.
Em caso de alteração nas normas que estabelecem sanção ao sujeito passivo de obrigação tributária e tratando-se de lançamento não definitivamente julgado, deve ser aplicada a penalidade mais benéfica.
Numero da decisão: 2201-004.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários formulados pelos co-responsáveis. Em relação ao recurso voluntário do contribuinte, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para reconhecer extinta a penalidade lançada para as competências compreendidas no período de janeiro a novembro de 1999. Quanto ao mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, foi substituído pela Conselheiro Suplente Virgílio Cansino Gil.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para os impedimentos).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. CO-RESPONSÁVEIS. ILEGITIMIDADE. ENUNCIADO Nº 88 DA SÚMULA CARF. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. DECADÊNCIA. MULTA. TERMO INICIAL. O lançamento de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória dá-se necessariamente de ofício, de forma que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido realizado. AGENTE FISCAL. LEGITIMIDADE. AFRFB. ENUNCIADOS Nº 6 E 8 DA SÚMULA CARF. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade com competência para realizar o lançamento do crédito tributário federal, não se lhe aplicando qualquer exigência quanto a registro em órgão de classe ou limitação com base em critério territorial. MULTA. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em caso de alteração nas normas que estabelecem sanção ao sujeito passivo de obrigação tributária e tratando-se de lançamento não definitivamente julgado, deve ser aplicada a penalidade mais benéfica.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. CORESPONSÁVEIS. ILEGITIMIDADE. ENUNCIADO Nº 88 DA SÚMULA CARF. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. DECADÊNCIA. MULTA. TERMO INICIAL. O lançamento de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória dá se necessariamente de ofício, de forma que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido realizado. AGENTE FISCAL. LEGITIMIDADE. AFRFB. ENUNCIADOS Nº 6 E 8 DA SÚMULA CARF. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade com competência para realizar o lançamento do crédito tributário federal, não se lhe aplicando qualquer exigência quanto a registro em órgão de classe ou limitação com base em critério territorial. MULTA. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em caso de alteração nas normas que estabelecem sanção ao sujeito passivo de obrigação tributária e tratandose de lançamento não definitivamente julgado, deve ser aplicada a penalidade mais benéfica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 4. 00 12 74 /2 00 6- 91 Fl. 346DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários formulados pelos coresponsáveis. Em relação ao recurso voluntário do contribuinte, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para reconhecer extinta a penalidade lançada para as competências compreendidas no período de janeiro a novembro de 1999. Quanto ao mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, foi substituído pela Conselheiro Suplente Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para os impedimentos). Relatório Tratase da análise de recurso voluntário (fls. 86/112) interposto em face da DecisãoNotificação nº 23.401.4/080/2006 (fls. 71/81), que considerou procedente o AI Debcad nº 35.963.9816, pelo qual foi constituído crédito tributário relativo à multa por ter a empresa apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o relatório fiscal da infração (fls. 15/19), nas competências compreendidas no período de 01/1999 a 10/2004, a empresa teria deixado de informar em GFIP o valor da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural própria do produtor rural pessoa jurídica (venda de bovinos), bem como do valor da comercialização de produtos adquiridos de produtores rurais pessoas físicas (compra de milho), agora na condição de subrogado das obrigações fiscais desses contribuintes. Impugnando o lançamento realizado, a empresa autuada alegou, em síntese, que: 1. O auto de infração é nulo por não descrever suficientemente as razões pelas quais a penalidade está sendo exigida. 2. O agente fiscal é incapaz, uma vez que a fiscalização deveria ocorrer na matriz da empresa, bem como por não estar o agente fiscal inscrito no Conselho Regional de Contabilidade. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 37284.001274/200691 Acórdão n.º 2201004.636 S2C2T1 Fl. 347 3 3. O lançamento é improcedente, uma vez que decorrente da exigência de tributo improcedente. 4. É inaplicável e inconstitucional a Lei nº 8.870, de 1994, já que a autuada não seria agroindústria e a lei em questão teria sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal. 5. Houve decadência do direito de lançar os créditos cujos fatos geradores ocorreram no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, já que a empresa teve ciência do lançamento em 23/12/2005. 6. É incompatível a base de cálculo da multa, já que considera o número de empregados da autuada, mas a omissão foi na prestação de informações relativas a terceiros que não necessariamente têm o mesmo número de empregados. 7. O cálculo da multa seria equivocado já que se trata de infração continuada. 8. É indevida a cobrança de juros com base na taxa Selic. 9. Ilegalidade da cobrança da multa. Os argumentos de defesa não foram acatados pela decisão de piso, que considerou procedente a autuação. A contribuinte foi cientificada dessa decisão em 13/03/2006 (fls. 82/83) e apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 12/04/2006 (fls. 86/112). Em sede recursal, a empresa limitouse a reprisar os argumentos apresentados em primeira instância. O Sr. José Batista Sobrinho e a Sra. Flora Mendonça Batista, na qualidade de sócios indicados como coresponsáveis, também apresentaram recurso voluntário (fls. 142/166) com idênticos argumentos. Neste CARF, o processo compôs lote sorteado em sessão pública para esta Conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado pela contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A mesma sorte não merece, entretanto, o recurso apresentado pelos co responsáveis, conforme evidencia o texto do seguinte enunciado da Súmula CARF: Fl. 348DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Preliminar nulidade Segundo defende a recorrente, o auto de infração seria nulo por não descrever suficientemente as razões pelas quais a penalidade está sendo exigida. Não lhe assiste razão, entretanto. Com efeito, as peças que compõem o lançamento identificam adequadamente as normas que lhe dão suporte, os fatos que deram origem à autuação (fls. 15/19), bem como resta demonstrada a metodologia adotada para o cálculo da penalidade. Ou seja, foi demonstrada a ocorrência do fato gerador através da descrição dos eventos do mundo fenomênico que correspondem à descrição normativa, foi determinada a matéria tributável pela identificação dos fatos econômicos que lhe dão suporte e imposta a penalidade aplicável. Neste caso, houve plena observância do que preceitua o Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Portanto, não se identifica nesses documentos qualquer obscuridade ou omissão que pudesse justificar a alegada nulidade. Preliminar Incapacidade do Agente Fiscal A empresa também invoca a incapacidade do agente fiscal, uma vez que a fiscalização deveria ocorrer na matriz da empresa, bem como por não estar o agente fiscal inscrito no Conselho Regional de Contabilidade. Quanto a esse aspecto, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é identificado pelo Código Tributário Nacional como a autoridade administrativa com competência para a realização do lançamento fiscal. Essa norma é reforçada pelo que dispõe a Lei nº 10.593, de 2002, em seu art. 6º. Por outro lado, não existe qualquer limitação territorial para o exercício dessa competência. Ademais, essa linha de argumentação é superada pelos seguintes enunciados da Súmula CARF: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 37284.001274/200691 Acórdão n.º 2201004.636 S2C2T1 Fl. 348 5 Súmula CARF nº 8 O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Súmula CARF nº 6 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Preliminar de mérito decadência Segundo a recorrente, teria havido decadência do direito de lançar os créditos cujos fatos geradores ocorreram no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, já que a empresa teve ciência do lançamento em 23/12/2005. Quanto a esse aspecto, é necessário reconhecer a parcial procedência de seus argumentos. A partir do enunciado nº 8 da Súmula Vinculante do STF, foi declarada a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5º do DecretoLei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Como resultado disso, o prazo para constituição dos créditos previdenciários e para terceiros passa a ser regido pelos artigos 173, inciso I, e 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 350DF CARF MF 6 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ocorre que, em se tratando da aplicação de penalidade, não há que se falar em lançamento por homologação. Nesse caso, a regra a ser aplicável é a do art. 173, I, do Código Tributário Nacional: Súmula CARF nº 101 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Com a aplicação dessa regra e considerandose que o lançamento se aperfeiçoou pela ciência do sujeito passivo em 23/12/2005 (fl. 2), nesta data já estavam atingidas pela decadência as competências compreendidas no período de janeiro de 1999 a novembro de 1999. Para estas últimas, o prazo decadencial teve sua contagem iniciada em 1º de janeiro de 2000 e se encerrou em 31/12/2004. Assim, dáse parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário relativo às obrigações acessórias correspondentes às competências compreendidas no período de janeiro de 1999 a novembro de 1999, esta inclusive. Mérito Adentrando ao mérito do lançamento, a autuada alega a sua improcedência seja porque decorrente da exigência de tributo inexigível, seja porque seria inaplicável e inconstitucional a Lei nº 8.870, de 1994, já que a autuada não seria agroindústria e a lei em questão teria sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal. No que diz respeito a essas alegações, a empresa não foi autuada como agroindústria, mas sim como pessoa jurídica produtora rural e adquirente de produtores rurais pessoas físicas. Portanto, é impertinente sua alegação quanto ao fato de não ser enquadrada como agroindústria. Por outro lado, a análise de argumentos relativos à inconstitucionalidade da norma tributária esbarra no seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Apesar disso, no processo em que lançados os tributos que deram origem à multa discutida nesse processo, qual seja o Processo nº 37284.001275/200635, foi reconhecida a improcedência parcial do lançamento no que diz respeito às operações de aquisição de milho de produtor rural pessoa física realizadas até a data de 07 de outubro de 2001, bem como a decadência de parte do lançamento. Nesse caso, devem ser analisados os reflexos dessa decisão sobre o cálculo da multa aplicada. Ainda em relação ao mérito, a recorrente alega erro na apuração da base de cálculo da multa, seja porque foi considerado no cálculo do limite o número de seus empregados, seja porque a infração seria continuada. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 37284.001274/200691 Acórdão n.º 2201004.636 S2C2T1 Fl. 349 7 A penalidade em questão está prevista no art. 32, § 4º da Lei nº 8.212, de 1991, estabelecendo como um dos critérios para cálculo do valor a pagar um multiplicador variável conforme o número de segurados. A fiscalização adotou para esse cálculo o número de segurados da fiscalizada e esta defende que o critério deveria levar em consideração o número de segurados das pessoas físicas empregadoras de quem comprou a produção rural. Considerandose que a penalidade é aplicada à autuada em função de omissão praticada por ela, o critério que propõe não tem qualquer razoabilidade. Até porque, se fosse o caso de adotálo, deverseia considerar o somatório do número de empregados de todos os terceiros com quem se relacionou nas operações em que incorreu em omissão. Na forma que defende, sua penalidade seria apurada tendo como parâmetro não a própria capacidade econômica revelada pelo número de pessoas que emprega, mas a capacidade de pessoas com quem se relaciona, o que é contrário ao princípio da capacidade contributiva e da pessoalidade da pena. Por outro lado, não há no direito tributário a mitigação da penalidade em função da natureza continuada da conduta. Embora haja certa semelhança entre as regras do direito tributário e do penal, há uma profunda diferença entre eles no que diz respeito à natureza da responsabilidade, já que naquele se atinge o patrimônio dos indivíduos e neste, em regra, a sua liberdade. Dessa forma, as regras de um não podem ser transplantadas automaticamente para o outro. Ademais, a penalidade ora discutida diz respeito à conduta que ofende um interesse específico, que é a obtenção de informações acerca de contribuições que afetarão a fruição de direitos por segurados da previdência oficial. E esse interesse é ofendido em cada conduta omissiva praticada. Considerandose o interesse tutelado, não pode ser adotado o critério proposto pela autuada. A despeito de tudo o que se afirmou acima, é necessário reconhecer que houve modificação nas normas em comento, o que pode eventualmente se mostrar favorável à contribuinte. Com efeito a MP 449 introduziu profundas alterações nas penalidades estabelecidas em sede previdenciária e, na hipótese em que a aplicação das novas regras seja mais favorável ao contribuinte, a própria administração tributária já reconheceu a necessidade de que haja retroação dessas regras. Este é o conteúdo do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, in verbis: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: Fl. 352DF CARF MF 8 I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. Portanto, concluise esse tópico reconhecendo a necessidade de que seja verificada a penalidade mais benéfica à contribuinte, considerandose nesse cálculo o resultado do Processo nº 37284.001275/200635, pelo qual deuse parcial provimento ao recurso voluntário apresentado. Taxa Selic Resta afastado tal tópico com a aplicação do seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ilegalidade da cobrança da multa Sob esse título, a recorrente alega que a multa tem caráter confiscatório, argumento que equivale à declaração de inconstitucionalidade da lei aplicada e, por isso mesmo, tem sua análise obstada pelo já transcrito enunciado nº 2 da Súmula CARF. Conclusão Fl. 353DF CARF MF Processo nº 37284.001274/200691 Acórdão n.º 2201004.636 S2C2T1 Fl. 350 9 Com base no exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do crédito tributário relativo às obrigações acessórias correspondentes às competências compreendidas no período de janeiro de 1999 a novembro de 1999, esta inclusive. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925315/2016-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2014 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 15 /2 01 6- 89 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10680.925315/201689 Acórdão n.º 3301004.940 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.521. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.925315/201689 Acórdão n.º 3301004.940 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10680.925315/201689 Acórdão n.º 3301004.940 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.925315/201689 Acórdão n.º 3301004.940 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10680.925315/201689 Acórdão n.º 3301004.940 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001465/2006-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE.
Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº43.
Numero da decisão: 2002-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento, reconhecendo a isenção para os rendimentos pagos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº43.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento, reconhecendo a isenção para os rendimentos pagos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REFORMA REMUNERADA. Recorrente MANOEL LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº43. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, reconhecendo a isenção para os rendimentos pagos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 14 65 /2 00 6- 43 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10840.001465/200643 Acórdão n.º 2002000.273 S2C0T2 Fl. 55 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da DRJ/BSA, que considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada (fls.39/42): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS RECEBIDOS PELO MILITAR DA RESERVA. Somente é reconhecida a isenção, quando comprovado que o sujeito passivo, no período de apuração do imposto, preenche os requisitos estabelecidos pela legislação. A isenção motivada pela existência de moléstia grave atinge apenas os proventos recebidos da reforma. Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 7/12, relativa ao anocalendário 2004, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apontou que o sujeito passivo teria informado indevidamente rendimentos como isentos por moléstia grave, no valor de R$60.843,67, bem como compensado indevidamente IRRF no valor de R$2.637,51. A autuação consigna: LAUDO NÃO ACEITO. ELABORADO EM RECEITUÁRIO MÉDICO E NÃO EM FORMULÁRIO ESPECÍFICO DE LAUDO PERICIAL. OBSERVAMOS QUE NO CARIMBO DO MÉDICO NÃO INFORMA SE O MESMO É MEDICO PERITO DO SUS OU DA PREFEITURA MUNICIPAL DE RIBEIRÃO PRETO. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$12.145,77, para saldo de imposto a restituir de R$3.458,84. Cientificado da notificação (fls.15), o representante legal do espólio do contribuinte impugnou a exigência fiscal em 18/5/2006 (fls. 2/14). Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 6/4/2009 (fl. 44), o representante legal do espólio do contribuinte apresentou recurso voluntário em 6/5/2009 (fls. 45/52), em que alega os seguintes argumentos de defesa: o sujeito passivo já se encontrava reformado no ano de 2004, uma vez que, em 1988 completou 62 anos e não poderia mais ser considerado oficial da reserva. Cita o Decretolei nº260, de 1970, do Estado de São Paulo, artigo 25. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10840.001465/200643 Acórdão n.º 2002000.273 S2C0T2 Fl. 56 3 indica a juntada de publicação do DOE de 2006, onde a Polícia Militar reconhece a moléstia do sujeito passivo, e outro, de 2007, onde consta sua reforma ex officio a partir de 1991. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.11). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10840.001465/200643 Acórdão n.º 2002000.273 S2C0T2 Fl. 57 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide Tanto na impugnação, quanto em seu recurso, o representante legal do espólio do contribuinte limitase a suscitar o seu direito à isenção, sem contestar a glosa parcial do IRRF declarado. Dessa forma, não cabe pronunciamento deste colegiado acerca da compensação indevida de IRRF. Mérito O litígio recai sobre o alegado direito do sujeito passivo à isenção para os portadores de moléstia grave. A decisão do colegiado de primeira instância consigna: Analisando a documentação, trazida aos autos pela impugnante, mais especificamente o documento de fl. 07, verificase que o documento atende aos requisitos da legislação para atestar a moléstia do interessado. No entanto, não há nos autos comprovação de que o contribuinte era, no exercício em questão, militar reformado. ... Dessa forma, consoante o Código, quando a lei 7.713 dispõe quanto à isenção de IRPF sobre proventos de aposentadoria ou reforma, não se permite supor que esse beneficio seja extensivo a outra espécie de provento como o decorrente da Reserva remunerada recebida pelo militar, ainda que ele fosse portador de moléstia grave diagnosticada antes da data da reforma. Embora alguns doutos pretendam dar a interpretação de que Reserva e Reforma têm o mesmo sentido e objetivo, qual seja, a da aposentadoria do militar, em face da limitação imposta pelo Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10840.001465/200643 Acórdão n.º 2002000.273 S2C0T2 Fl. 58 5 art. 111 do CTN, tendo a lei restringido os eleitos da isenção aos proventos da reforma e não da reserva, não se pode dizer que a isenção aqui examinada atinja também os proventos recebidos nesta última condição. Sendo assim, a pretensão da impugnante não encontra amparo na legislação aqui reproduzida. Da leitura da decisão, verificase que não há questionamento quanto à existência da moléstia grave, tendo sido considerado procedente o lançamento por se tratar de rendimentos decorrentes da transferência do sujeito passivo para a reserva remunerada. Nesse tocante, cabe observar o que dispõe a Súmula CARF nº 43, de observância obrigatória por este Colegiado: "Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda." Assim, considerando o entendimento manifestado na súmula, de que a reserva remunerada equivale a reforma ou aposentadoria para reconhecimento da isenção por moléstia, é de se cancelar a inclusão na base de cálculo do IR dos rendimentos no montante de R$60.843,67. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, reconhecendo a isenção para os rendimentos pagos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722701/2016-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/07/2011
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. ART. 150, §4º CTN.
O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário na sistemática de homologação extingue-se a partir da contagem de 5 anos em relação aos fatos geradores das contribuições, quando o tributo declarado tiver sido recolhido (Recurso Especial n.º 973.733, Superior Tribunal de Justiça, julgado sob o rito dos recursos representativos de controvérsia - art. 62, §2º do RICARF).
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-005.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TOME ENGENHARIA SA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/07/2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. ART. 150, §4º CTN. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário na sistemática de homologação extinguese a partir da contagem de 5 anos em relação aos fatos geradores das contribuições, quando o tributo declarado tiver sido recolhido (Recurso Especial n.º 973.733, Superior Tribunal de Justiça, julgado sob o rito dos recursos representativos de controvérsia art. 62, §2º do RICARF). Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 27 01 /2 01 6- 83 Fl. 2568DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face do Acórdão 10058.394 da 2ª Turma da DRJ/POA que reconheceu a decadência de parte do débito objeto do Auto de Infração de PIS e COFINS lavrado, relativo ao período de janeiro a julho de 2011. O auto de infração foi lavrado em razão do desenquadramento da empresa de construção civil do regime cumulativo, implicando no recolhimento à menor das contribuições sociais. As demais competências autuadas (08/2011 a 12/2011) foram mantidas, não sendo objeto de Recurso Voluntário, sendo os débitos transferidos para processo de controle específico (PTA n.º 13819722.337/201755 efls. 2560/2561). Quanto à decadência, o acórdão recorrido foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2011 A 31/12/2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário na sistemática de homologação extinguese a partir da contagem de 5 anos em relação aos fatos geradores das contribuições, quando o tributo declarado tiver sido recolhido. (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2011 A 31/12/2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário na sistemática de homologação extinguese a partir da contagem de 5 anos em relação aos fatos geradores das contribuições, quando o tributo declarado tiver sido recolhido." (efl. 2536) Uma vez que o valor exonerado ultrapassa o limite fixado na Portaria n.º 63/2017, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Com fulcro no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.º 63/2017, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. Como relatado, a discussão trazida à análise desse Conselho se restringe à decadência dos valores autuados relativos às competências de 01/2011 a 07/2011, reconhecida pelo acórdão a quo com fulcro no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN. E esta decisão não merece qualquer reparo. Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 13896.722701/201683 Acórdão n.º 3402005.548 S3C4T2 Fl. 2.569 3 Com efeito, a autuação fiscal foi lavrada para a exigência do recolhimento das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática não cumulativa, evidenciando a fiscalização que houve recolhimento parcial realizado anteriormente pelo contribuinte com base na sistemática cumulativa, conforme se depreende das tabelas acostadas ao Termo de Verificação Fiscal, às efls. 40/42. E, conforme Aviso de Recebimento acostado às efls. 73, a empresa autuada foi notificada do Auto de Infração apenas em 31/08/2016, restando fulminada pela decadência os valores lançados relativos aos fatos geradores ocorridos até a competência de julho/2011, vez que transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 150, §4º do CTN. A aplicação do art. 150, §4º, do CTN na hipótese de declaração prévia do débito e de pagamento antecipado dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (como o são o PIS e a COFINS) foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 973.733, julgado sob o rito dos recursos representativos de controvérsia previsto à época pelo atualmente revogado art. 543C do CPC/73, que deve ser aplicado por este CARF à luz do art. 62, §2º do RICARF. Reproduzse abaixo este julgado: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. Fl. 2570DF CARF MF 4 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009 grifei) Nesse sentido que não merece qualquer reparo o r. acórdão recorrido, que bem identificou a existência de pagamento anterior do PIS e da COFINS, ainda que sob o enquadramento equivocado feito pelo Recorrente das receitas no regime cumulativo, bem como evidenciou a manutenção da competência de agosto/2011 em razão da notificação do lançamento ter ocorrido em 31/08/2016. Vejamos os exatos termos daquela decisão: "O impugnante alega que ocorreu a decadência para os períodos de janeiro a agosto de 2011, tendo em vista que a notificação do lançamento se deu em 31/08/2016, em razão da aplicação do prazo para homologação definido no § 4º, do art. 150, do CTN, ou seja, 5 anos contados da ocorrência do fato gerador. O lançamento por homologação, que é o caso do PIS e da Cofins, é aquele em que o contribuinte faz o pagamento do tributo para uma posterior homologação tácita ou expressa por parte da fazenda pública. Nesse tipo de lançamento a decadência pode ser analisada por duas óticas, ou seja, com ou sem o pagamento do tributo: a) com pagamento do tributo, mesmo que a menor, aplicase a regra disposta no § 4º, do art. 150, do CTN, sendo que a fazenda pública tem 5 anos para homologar esses pagamentos em relação aos seus fatos geradores; b) sem pagamento do tributo, temos a aplicação do inciso I, do art. 173, do CTN, tendo a contagem dos 5 anos início a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte. Temos, então, primeiramente, que identificar em qual situação se encontra o aqui impugnante. Constatase nos autos que ocorreram pagamentos de PIS e de Cofins para o ano de 2011. Na verdade não está o lançamento baseado em não pagamento dessas contribuições, mas sim no pagamento feito equivocadamente pelo contribuinte na sistemática cumulativa e não na nãocumulativa, o que redundou no reenquadramento de ofício pela fiscalização. Pesquisa no Sistema Sief Débitos Apurados (com batimento) demonstra que para todos os períodos ocorreram pagamentos de Cofins (alguns no sistema cumulativo, outros no nãocumulativo – tela juntada aos autos). Cabe, ainda, dizer que referentemente aos valores devidos do mês de junho existe declaração de compensação de nº 16444.71546.050712.1.7.034109 homologada em 05/04/2013 pela Receita Federal com créditos de CSLL para os respectivos valores devidos de PIS e de Cofins (extrato juntado aos autos). O pagamento realizado pela sistemática errada por compreender o impugnante que estaria enquadrado num outro tipo de regime (cumulativo em vez de não cumulativo) não tem o mesmo condão legal do “não pagamento do tributo” ensejado no art. 173, do CTN, visto ambos tipos de sistemática tratarem dos mesmos tributos – PIS e Cofins, e ter ocorrido o pagamento das receitas em análise, em que pese em Código de Receita errôneo. Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 13896.722701/201683 Acórdão n.º 3402005.548 S3C4T2 Fl. 2.570 5 Tanto isso é a realidade que em planilha do Termo de Verificação Fiscal são abatidos os valores a maior do regime cumulativo dos valores apurados no não cumulativo. Sendo assim tudo aponta para que o contribuinte se sujeitasse as regras do art. 150, do CTN, o qual assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (gn) Um fato, porém, poderia mudar essa situação, conforme esse mesmo artigo dispõe, ou seja, quando da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No entanto, isso não ocorreu nesse processo, conforme se depura da própria formalização dos Autos de Infração pela fiscalização, pois, inclusive, a multa de ofício aplicada é de 75 %, não tendo ocorrido sua qualificação. Esclarecido esse ponto, observase que a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 31/08/2016, sendo que os fatos objetos de análise do procedimento fiscalizatório e os lançamentos lavrados incluem as competências de janeiro a dezembro de 2011. Dessa forma, entendese que o instituto da decadência ocorreu para os meses de janeiro a julho de 2011. O contribuinte inclui indevidamente a competência de agosto de 2011 em seu pedido. No entanto, o fato gerador correspondente a esse mês tem sua ocorrência no seu último dia, ou seja, 31/08/2011, do qual contados 5 anos teríamos o prazo final para lançamento de ofício em 31/08/2016, exatamente a data da ciência ao contribuinte. O mês de agosto, portanto, não se encontra decaído. Mantémse, assim, nesse tópico, os lançamentos das competências de agosto a dezembro de 2011, não alcançados pela decadência. Considerase nesse tópico procedente em parte a alegação do contribuinte, ou seja, decaídos os períodos de apuração de janeiro a julho de 2011." (efls. 2.541/2.543 grifei) Esse raciocínio está em conformidade, inclusive, com o ratio da Súmula CARF 991. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. 1 "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Fl. 2572DF CARF MF 6 É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 2573DF CARF MF
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