Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.904787/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.268
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.904787/2011-11
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840839
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.268
nome_arquivo_s : Decisao_10580904787201111.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580904787201111_5840839.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7167300
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008307105792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 88 1 87 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.904787/201111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.268 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de fevereiro de 2018 Assunto PIS/PASEP Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 78 7/ 20 11 -1 1 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904787/201111 Resolução nº 3402001.268 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.020, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904787/201111 Resolução nº 3402001.268 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904787/201111 Resolução nº 3402001.268 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904787/201111 Resolução nº 3402001.268 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904787/201111 Resolução nº 3402001.268 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905348/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.055
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.905348/2012-61
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853767
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.055
nome_arquivo_s : Decisao_10283905348201261.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10283905348201261_5853767.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7220061
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008311300096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.905348/201261 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.055 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente MASA DA AMAZONIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 48 /2 01 2- 61 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10283.905348/201261 Acórdão n.º 3402005.055 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10283.905348/201261 Acórdão n.º 3402005.055 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.068, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10283.905348/201261 Acórdão n.º 3402005.055 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10283.905348/201261 Acórdão n.º 3402005.055 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10283.905348/201261 Acórdão n.º 3402005.055 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10283.905348/201261 Acórdão n.º 3402005.055 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10283.905348/201261 Acórdão n.º 3402005.055 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720038/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/2009 a 30/06/2010
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PONTO SOBRE O QUAL DEVERIA MANIFESTAR-SE. INEXATIDÃO MATERIAL COMPROVADA. RETORNO DOS AUTOS PARA INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE.
Comprovada inexatidão material por lapso manifesto na decisão de primeira instância, ao deixar de mencionar matéria expressamente impugnada capaz de, em tese, culminar na alteração do resultado do julgamento, sob pena de configurar supressão de instância, os autos devem retorna ao citado órgão julgador, para que novo julgamento seja realizado e nova decisão proferida, sem inexatidão material por lapso manifesto.
Decisão Primeiro Grau Anulada.
Numero da decisão: 3302-005.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão recorrido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2009 a 30/06/2010 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PONTO SOBRE O QUAL DEVERIA MANIFESTAR-SE. INEXATIDÃO MATERIAL COMPROVADA. RETORNO DOS AUTOS PARA INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Comprovada inexatidão material por lapso manifesto na decisão de primeira instância, ao deixar de mencionar matéria expressamente impugnada capaz de, em tese, culminar na alteração do resultado do julgamento, sob pena de configurar supressão de instância, os autos devem retorna ao citado órgão julgador, para que novo julgamento seja realizado e nova decisão proferida, sem inexatidão material por lapso manifesto. Decisão Primeiro Grau Anulada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11829.720038/2012-27
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5839650
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.145
nome_arquivo_s : Decisao_11829720038201227.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 11829720038201227_5839650.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7155683
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008335417344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1616; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 3.743 1 3.742 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11829.720038/201227 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.145 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria COMÉRCIO EXTERIOR PENALIDADES Recorrente SOTREQ S/A. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2009 a 30/06/2010 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PONTO SOBRE O QUAL DEVERIA MANIFESTARSE. INEXATIDÃO MATERIAL COMPROVADA. RETORNO DOS AUTOS PARA INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Comprovada inexatidão material por lapso manifesto na decisão de primeira instância, ao deixar de mencionar matéria expressamente impugnada capaz de, em tese, culminar na alteração do resultado do julgamento, sob pena de configurar supressão de instância, os autos devem retorna ao citado órgão julgador, para que novo julgamento seja realizado e nova decisão proferida, sem inexatidão material por lapso manifesto. Decisão Primeiro Grau Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 38 /2 01 2- 27 Fl. 3743DF CARF MF 2 Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 6/417), no valor total de R$ 142.223.071,65, correspondente ao somatório dos seguintes valores: a) R$ 2.492.565,95 de multa de 1% do valor aduaneiro, por omitir informação necessária ao controle aduaneiro, prevista no art. 69, § 1º, da Lei 10833/2003, combinado com o art, 84 da MP 2158/2001; b) R$ 12.923.367,70 de multa de 10% do valor aduaneiro, por cessão de nome em operação de importação, capitulada no art. 33 da Lei 11.488/2007; e c) R$ 126.807.138,00 de multa de 100% do valor aduaneiro, por conversão da pena de perdimento, aplicada com no art. 23, § 1°, do DecretoLei 1.455/1976. A razão da aplicação da multa de 1%, do valor aduaneiro, mencionada em “a”, deveuse ao fato de que nas declarações de importação realizadas com financiamento da autuada, onde constavam produtos da exportadora Caterpillar, não foi informado a condição de vinculação entre as duas empresas, uma vez que a autuada é representante exclusiva da Caterpillar no Brasil. O motivo da aplicação das multas mencionadas nas alíneas “b” e “c” foi a constatação de que a autuada, que detinha razão social de Cabo Empreendimentos, em 30/06/2009 incorporou a empresa SOTREQ S/A, doravante denominada SOTREQ, da qual, adotou o nome, passando a se chamar SOTREQ S/A. A autuada (incorporadora) mesmo com a incorporada extinta, continuou a utilizála para realizar importações, por ela financiada. Além da Incorporada, a autuada também financiou importações realizadas em nome das empresas SOIMPEX S.A. (empresa do Grupo da SOTREQ), e COTIA VITÓRIA SERVIÇOS E COMÉRCIO (trading), doravante denominadas SOIMPEX e COTIA, em que os despachos de importação eram feitos por conta e ordem, sendo indicada como adquirente das mercadorias a empresa incorporada (extinta). As irregularidades anteriormente relatadas conjugadas as informações obtidas nas Declarações de Informações Econômicos Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ), da incorporada e da incorporadora, referente ao período de julho a dezembro do ano de 2009, de que nenhuma das empresas informaram realizar operações de comércio exterior (importação e exportação), levaram a fiscalização a considerar que as importações realizadas com financiamento da autuada pela empresa incorporada (extinta) e pelas empresas SOIMPEX e COTIA, houve interposição fraudulenta e a proceder a lavratura do presente auto de infração. Foram indicados como responsáveis solidários pela infração os seguintes diretores e sócios da autuada: Responsável Solidário: Carl Alfred Orberg CPF 666.141.55849 Cargo na Autuada: Diretor Presidente (desde 28/10/2009 até a presente data) Cargo na Importadora: Acionista e Diretor Presidente (desde 19/07/2001 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Responsável Solidário: Laércio Brazil Lenz César CPF 031.054.07715 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 a 30/06/2011) Cargo na Importadora: Acionista e Diretor (desde 17/05/2004 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Responsável Solidário: Carl Vagn Orberg CPF 033.970.09804 Cargo na Autuada: Acionista e Diretor (desde 01/12/2004 até a presente data) Cargo na Importadora: Acionista Fl. 3744DF CARF MF Processo nº 11829.720038/201227 Acórdão n.º 3302005.145 S3C3T2 Fl. 3.744 3 Responsável Solidário: Jorge Delaura Meyer Neto CPF 352.705.94749 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 a 02/01/2012) Cargo na Importadora: Acionista e Diretor (desde 17/05/2004 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Responsável Solidário: Arthur Castilho CPF 247.502.80763 Cargo na Autuada: Cargo na Importadora: Acionista e Diretor (desde 17/05/2004 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Responsável Solidário: José Ricardo Martins Cordeiro CPF 617.962.20787 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 até a presente data) Cargo na Importadora: Diretor (desde 17/05/2004 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Responsável Solidário: Renato Pimentel Freitas CPF 709.986.98768 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 até a presente data) Cargo na Importadora: Diretor (desde 17/05/2004 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Responsável Solidário: Sybelle da Costa Oliveira Ban CPF 312.664.10759 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 até a presente data) Cargo na Importadora: Diretor (desde 17/05/2004 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Responsável Solidário: Fernando Curado CPF 295.671.49704 Cargo na Autuada: Diretor (desde 28/10/2009 até a presente data) Cargo na Importadora: Responsável Solidário: Kathryn Orberg Beek CPF 530.444.95768 Cargo na Autuada: Cargo na Importadora: Diretor (desde 17/05/2004 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Responsável Solidário: José Germano da Costa Silveira Filho CPF 754.632.780830 Endereço: Rua Zacarias de Bóis, 977/51 São Paulo SP Cargo na Importadora: Diretor (desde 12/11/2008 até a sua incorporação pela AUTUADA em 30/06/2009) Da ação fiscal em referência foi realizada outra autuação contra à recorrente, objeto do processo nº 10831.720.002/201231, na qual foi aplicada a multa prevista no art. 12 da Lei 8.218/1991, decorrente da infração enunciada no art. 11 da mesma Lei, por inobservância de manter em boa guarda e ordem os livros fiscais e apresentálos à fiscalização quando solicitado. As principais irregularidades apuradas pela fiscalização e as peças impugnatórias foram resumidas no relatório integrante da decisão recorrida, com os seguintes dizeres, in verbis: Com base nas constatações decorrentes da ação fiscal, a fiscalização chegou às seguintes conclusões: Que a partir de 31/06/2009, data da incorporação da importadora pela autuada, esta já se encontra com todas as condições para dar baixa da antiga SOTREQ, CNPJ 61.064.689/000102, no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica junto a Receita Federal do Brasil, e cumprir as normas determinadas na IN RFB n° 748/2007, vigente à época. Fl. 3745DF CARF MF 4 Entretanto, a mesma não o fez (art. 94 do Decreto=Lei n° 37/1966); Sendo assim, à época das operações de importação relacionadas neste auto de infração, a Importadora encontrava se sem as condições necessárias para exercer a mercancia no Mercado Internacional, a saber: não apresentava as condições legais para manter sua habilitação junto ao Sistema SISCOMEX, pois, a empresa incorporadora, a Autuada, deveria ter dado baixa a incorporada, a empresa usada indevidamente como Importadora; A forma como foi feito o registro dos atos referentes à incorporação na JUCESP , diferente da forma como foi feito na JUCERJA, contribuiu para gerar perante os cadastros da Receita Federal a aparência de uma realidade diferente da real, que infringir as normas de controle aduaneiro então existente. A respeito dos registros na JUCESP, cita a fiscalização que , não haveria a necessidade do arquivamento da Ata de Incorporação na Junta Comercial correspondente, pois para a RFB, a aprovação da incorporação pela AGE é o ato necessário e suficiente para peticionar solicitação de baixa da empresa incorporada junto ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ. Logo não se constata motivo justificável para a empresa Autuada não ter solicitado a baixa do registro da empresa incorporada, registro 61.064.689/000130, no CNPJ, junto à RFB. Mesmo sem a importadora/incorporada, apresentar condições legais para manter sua habilitação no Siscomex, a autuada realizou importações sob o CNPJ 61.064.658/000102 da incorporada, do período de 01/07/2009 à 30/06/2010. Portanto, exatamente dentro do período em que se manteve INERTE a respeito do seu DEVER de solicitar a baixa, junto à RFB, do registro (61.064.658/000102) no CNPJ da incorporada/Importadora. A fiscalização entendeu a forma de agir da Autuada injustificável, uma vez que mesmo baixado o CNPJ a mesma poderia continuar a exercer as atividades de comércio exterior com os seguintes procedimentos: 1 _ Solicitar junto a RFB a Habilitação, modalidade simplificada, para atuar no Comércio Exterior anteriormente à data da AGE de Incorporação da SOTREQ S/A; pois, esta modalidade é mais célere por considerar volumes transacionais menores. Após a AGE de 30/06/2009, a mesma solicitaria uma alteração da modalidade para nária, evitando assim interromper com a sua atividade; ou 2_ Solicitar junto à RFB a Habilitação, modalidade ordinária, para atuar no Comércio Exterior antes do da AGE de Incorporação, 30/06/2009, ou até mesmo no próprio dia. Entendeu a fiscalização que as operações de importação analisadas no período abrangido pelo presente procedimento fiscal, tratamse de Negócio Jurídico PRATICADO com vício, em razão da INEXISTÊNCIA do titular dos documentos de Fl. 3746DF CARF MF Processo nº 11829.720038/201227 Acórdão n.º 3302005.145 S3C3T2 Fl. 3.745 5 importação, já que as Declarações de Importação foram todas registradas sob um registro de CNPJ EXTINTO. Com base no levantamento comparativo dos valores das Declarações de Importação, ANEXO XIII, com os contratos de câmbio entregues e a contabilidade da empresa, ANEXO VI, ficou claro que a origem os recursos era da autuada. Que a autuada conhecia a legislação que disciplina a importação por conta e ordem de terceiros, uma vez nas operações realizadas pelas empresas SOIMPEX S/A e COTIA VITÓRIA S/A, nas quais a importadora/incorporada figurava como adquirente,. as importações eram feitas na forma prevista em lei. Este fato mostra de forma inequívoca o conhecimento do Representante Legal, SR. CARL ALFRED ORBERG, CPF 666.141.55849, DIRETOR PRESIDENTE DAS DUAS EMPRESAS, a Autuada (Incorporadora), CNPJ 34.151.100/000130, e a Incorporada, portanto Extinta, CNPJ 61.064.689/000102, sobre a correta aplicação dos dispositivos previstos na IN SRF 225/2002. Sobre a emissão de notas fiscais de entrada e saída em nome da autuada,, a fiscalização concluiu que As NF de entrada, em uma importação, devem conter o registro no CNPJ do importador. Ora, a Autuada, incorporadora e sucessora da empresa extinta, sabedora deste fato, registrou a sua própria inscrição no CNPJ para emitir as NFe de entrada, assumindo que o uso de CNPJ extinto não seria a prática correta. A fiscalização entendeu ainda que a utilização do CNPJ da empresa extinta, poderia estar ligada a intenção de ocultar a empresa autuada para obter os ganhos como a super estimativa do seu custo, com redução do IRPJ a recolher, e o não recolhimento do Imposto de Produtos Industrializados (IPI). Sobre as informações conflitantes entre o balanço patrimonial da autuada e a sua DIPJ ano calendário 2009, concluiu a fiscalização que houve omissão da Autuada em informar na DIPJ anocalendário 2009, que além de ter incorporado empresa controlada, absorvendo seus estoques, patrimônio e suas operações, tornouse contribuinte de IPI, PISImportação e COFINSImportação desde 30/06/2009. Em relação ao IPI, a fiscalização concluiu em tese, que houve a quebra da cadeia do IPI., caracterizando, crime de sonegação fiscal. Que no caso em tela, houve simulação fiscal, nos termos de Xavier, que entende que a SIMULAÇÃO FISCAL ocorre quando o terceiro enganado/prejudicado na operação é o Fisco, e que nessa situação o ato de enganar, pode recair sobre qualquer dos elementos da obrigação tributária: fato gerador, base de cálculo ou sujeito passivo. Uma vez simulado, tratase de ato jurídico nulo. Fl. 3747DF CARF MF 6 Que no caso em tela houve dano ao erário, aqui entendido num modo mais amplo, que abrange a violação dos bens jurídicos tutelados pela legislação aduaneira. Sobre isto é citado do RVF: A importação por Conta e Ordem de Terceiro é uma modalidade importante e deve ser devidamente respeitada em nome do cumprimento das normas legais e da transparência das operações de Comércio Exterior. Neste passo, a TRANSPARÊNCIA das operações de Comércio Exterior ante o Estado brasileiro tornase mais relevante do que o próprio recolhimento de tributos, por inserir em si mesmo os princípios máximos da Constituição Federal de 1988, a saber: SOBERANIA NACIONAL. Portanto, havendo registrado 716 (setecentos e dezesseis) Declarações de Importação, no valor total transacionado de R$ 126.807.138,00 (cento e vinte e seis milhões, oitocentos e sete mil, cento e trinta e oito reais), no período de 01/07/2009 a 30/06/2010, declarando como importador uma empresa EXTINTA, a AUTUADA agride de forma direta e profunda todos os princípios sob os quais esta nação encontrase alicerçada, como TRANSPARÊNCIA dos negócios jurídicos, SOBERANIA NACIONAL, COMPETIÇÃO JUSTA entre as indústrias nacionais, RESPEITO PELO MERCADO INTERNO e pelo CONSUMIDOR. Sem embargo, a Autuada simulou situação de realidade diversa diante do retardo da publicação da Ata da AGE de Incorporação da Controlada, a Importadora, em jornal de grande circulação, DOSP, em 15/07/2010; enquanto que a publicação em DORJ da Ata da AGE de Incorporação da Controladora, a Autuada, já havia ocorrido em 14/08/2009, sacramentandose a incorporação em Em relação a não informação sobre a vinculação entre as empresas exportadoras e a empresa importadora, concluiu que esta ocorreu, e uma vez não informada na declaração de importação, prejudicou a aplicação da Legislação que se refere ao Preço de Transferência. Impugnações apresentadas Impugnação da SOTREQ S/A A autuada inicia sua defesa com o item III – Do Direito onde argumenta: Que o auto de infração criou uma situação inexistente, quando sancionou a autuada com a infração prevista no inciso V do artigo 23 do Decreto Lei 1455/76, hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros. Que inexiste interposição fraudulenta de terceiro, uma vez que de início deveria haver uma terceiro, que não existiu no caso. Que em junho de 2009, a incorporadora antiga Cabo Empreendimentos S/A incorporou a SOTREQ S/A., adotando então a denominação social desta, e assim todo acervo patrimonial da empresa incorporada, passou a pertencer à impugnante incorporadora, cita o artigo 227 da Lei 6404/76. Cita que a partir de 30 de junho de 2009 não existiam duas Fl. 3748DF CARF MF Processo nº 11829.720038/201227 Acórdão n.º 3302005.145 S3C3T2 Fl. 3.746 7 pessoas jurídicas distintas, sendo a filial da SOTREQ S/A. de Sumaré que realizava as importações também foi incorporada, sendo as importações então realizadas passando a ser de titularidade da incorporadora. Que neste contexto fático, é impossível existir interposição de terceira pessoa entre empresa incorporadora e incorporada. Que o fato da Receita Federal do Brasil realizar a baixa do CNPJ da empresa incorporadora de forma retroativa, é prova do reconhecimento de que se tratava somente de uma pessoa jurídica. Que nos fatos abordados no auto de infração, não houve a existência de fraude, que é necessário para a caracterização de interposição fraudulenta de terceiros. Que o texto onde foi mencionado o vício de Simulação, apresentado no RVF, é equivocado e distorce toda a realidade. Que a Receita Federal do Brasil tomou conhecimento da incorporação com a entrega da DIPJ da empresa em 16/10/2009 e mesmo assim, sempre autorizou importação dos produtos por este mesmo estabelecimento incorporado pela autuada, e a manutenção da incorporada com as importações não ocasionou qualquer dano ao fisco, muito menos a quebra da cadeia do IPI. Que realizou todos os procedimentos necessários junto a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA. Que referente à Junta Comercial do Estado de São Paulo, teve que adotar todos os procedimentos previstos no artigo 12 da Instrução Normativa do DNRC no 88/01. Que para registrar na Junta Comercial seria necessário uma certidão atestando a incorporação que seria emitida pela JUCERJA, e que este procedimento não dependia apenas da boa vontade da impugnante. Que também houve a necessidade da liberação de uma certidão junto à JUCESP para regularizar a situação das 30 filiais da incorporada nos demais estados. Esta certidão somente saiu em 15/04/2010, quando então iniciou a regularização das filiais. Que o conjunto dos fatos mencionados, causou a demora da baixa do CNPJ 61.064.689/000102. Que desta forma não houve qualquer violação às regras do CNPJ, uma vez que a demora da baixa do mesmo decorreu da necessidade de antes regularizar as filiais e da demora para liberação de documentos delas juntas estaduais. Que o fato de não realizar importações com o CNPJ da autuada, seria um mero erro, mas nunca operação simulada ou fraudulenta. Fl. 3749DF CARF MF 8 Que o fato de quebra da cadeia do IPI deve ser ignorado, uma vez que as filiais sempre mantiveram o livro de apuração regularizado, recolhendo o tributo corretamente. Multa pela Cessão de Nome Referente a esta multa, de plano a impugnante pleiteia a nulidade do auto de infração, alegando como principal causa para o fato, que o fato de não mais existir o CNPJ da incorporada., e desta forma esta não poderia ceder o nome. Alega também que como sucessora da incorporada, ela é a própria dona do nome, então não há de se falar em cessão ou empréstimo do nome. Multa por Vinculação entre Importador e Exportador Vinculação entre impugnante e a Caterpilar. Afirma que não existe a vinculação mencionada no Termo de Verificação fiscal. Cita os artigos 4 , 5 e 15 do Acordo de valor aduaneiro e afirma que não existem as relações citadas nos artigos entre ela e a Caterpillar, relações estas necessárias para o reconhecimento de vinculação. Alega que nem a condição de revendedor exclusivo a empresa possui, uma vez que no Brasil existem outras empresas que comercializam os produtos fabricados pela Caterpillar. Também não existe vinculação sob a ótica do artigo 23 da Lei 9430/1996 Multa de 1% falta de comprovação da relação Contratual nas importações realizadas por conta e ordem. Alega que nas importações por conta e ordem realizada pelo importador SOIMPEX S/A. foram observadas as regras previstas na IN SRF 225/2002 e firmados os respectivos contratos de prestação de serviços. Quanto às importações realizadas pela Cotia Vitória S/A, alega que não foram por conta e ordem e sim por encomenda, sendo inaplicável as disposições da IN RFB 225/02. Sobre a referida multa, alega ainda que há erro no valor da mesma. Que no caso dos autos, a autoridade administrativa não apenas aplicou 1% sobre o valor aduaneiro, mas também agregou a este montante o valor de R$ 500,00 por adição, exigindo a multa ao final de R$ 2.492.565,95. Entende que a multa deve ser aplicada por declaração de importação e não por adição. Necessidade de Realização de Diligência A autuada afirma que a alegação quanto à quebra da cadeia do IPI é meramente teórica, sem qualquer embasamento de provas, razão pela qual o auto de infração deve ser declarado nulo. Fl. 3750DF CARF MF Processo nº 11829.720038/201227 Acórdão n.º 3302005.145 S3C3T2 Fl. 3.747 9 Requer diligência para comprovação da cadeia do IPI Ao final requer relevação da penalidade com base no artigo 736 do Regulamento Aduaneiro. Justifica seu pleito no argumento que não houve dano ao erário e em decisão do STJ – 2ª Turma. Impugnação dos Responsáveis Solidários As impugnações dos sócios e diretores, aos quais foi atribuída a responsabilidade solidária, tem uma parte comum a todas as impugnações, que será mencionada na seqüência, e alegações individuais referentes a posição da pessoa na empresa, geralmente o cargo que e as atividades que será apresentada na seqüência. Alegações comuns dos Responsáveis Solidários Todas as impugnações dos responsáveis solidários mencionam que: com base no artigo 135 do CTN é inaplicável a responsabilidade solidária ao mesmo, pois não se enquadra na situação do referente artigo; não há qualquer infração a legislação aduaneira por parte da SOTREQ S/A (autuada); o instituto da responsabilidade decorre de créditos correspondentes à obrigações tributárias e não a multas administrativas, decorrentes de infração ao controle aduaneiro. Uma vez que todos os tributos incidentes na importação foram devidamente recolhidos, não cabe a responsabilização solidária; a própria RFB assevera que as normas oriundas do descumprimento da legislação que rege o controle aduaneiro não tem natureza tributária, conforme dispõe a Solução de Consulta da SRRF/5ª Região Fiscal de 29.09.2009; também não pode ser aplicada a multa uma vez que não houve dolo e nexo causal entre a conduta dos impugnantes e as infrações imputadas a SOTREQ; o referido artigo 135 do CTN exige para a imposição da responsabilidade solidária a gestão “com excesso de poderes ou infração à lei ou ao contrato/estatuto social”, assim considerada a gestão fraudulenta com o intuito de lesar credor tributário deliberadamente. No caso não houve esta hipótese. Alegam que a infração a lei aduaneira não se enquadraria no conceito de Infração à Lei. infração a lei, seria uma infração a legislação societária, vinculada a administração que desencadeasse a inadimplência de tributos. Fl. 3751DF CARF MF 10 no caso em comento, a autoridade administrativa não indicou qual a disposição infringida, limitandose a responsabilizar os diretores. Cabe ao fisco provar; a autoridade administrativa também não provou que os diretores aos quais foi atribuída a responsabilidade solidária, agiram com dolo, deixando de apontar o nexo de causalidade entre a conduta destes e o ato infracional; afirma ainda que não tinha ingerência sobre as importações realizadas; Além das alegações sobre a ausência da responsabilidade individual, todos os impugnantes alegaram que não houveram as infrações que constam do auto de infração, com os mesmos argumentos apresentados pela SOTREQ, aqui já listados. As alegações individuais são apresentadas no quadro que segue: Responsável Solidário: Carl Alfred Orberg CPF 666.141.55849 Cargo na Autuada: Diretor Presidente (desde 28/10/2009 até a presente data) Alegação individual Não tinha ingerência nas importações realizadas. Responsável Solidário: Laércio Brazil Lenz César CPF 031.054.07715 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 a 30/06/2011) Alegação individual Não desenvolvia atividades relacionadas diretamente com a mportação, que foram alvo de fiscalização e que ensejaram a autuação, o impugnante sequer tinha ingerência sobre operações registradas no siscomex. Não sendo pessoa habilitada a operar no siscomex não há que se atribuir a ele a responsabilidade nas operações de comércio exterior Responsável Solidário: Carl Vagn Orberg CPF 033.970.09804 Cargo na Autuada: Acionista e Diretor (desde 01/12/2004 até a presente data) Alegação Individual Exercia a função de presidente do conselho da empresa, Não desenvolvia atividades relacionadas diretamente com a importação, que foram alvo de fiscalização e que ensejaram a autuação, o impugnante sequer tinha ingerência sobre operações registradas no siscomex. Responsável Solidário: Jorge Delaura Meyer Neto CPF 352.705.94749 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 a 02/01/2012) Alegação Individual O impugnante exercia a função de Diretor Responsável pela área de novos negócios, responsável por estruturar a Unidade de Energia e Petróleo Marítimo, bem como participava como membro do Conselho Consultivo da Empresa. Não desenvolvia atividades relacionadas diretamente com a importação, que foram alvo de fiscalização e que ensejaram a autuação, o impugnante sequer tinha ingerência sobre operações registradas no siscomex. Responsável Solidário: Arthur Castilho CPF 247.502.80763 Cargo na Autuada: Não tinha Alegação Individual: Não ocupava cargo de diretor ou gerente no período em que a empresa foi autuada. Responsável Solidário: José Ricardo Martins Cordeiro CPF 617.962.20787 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 até a presente data) Alegação Individual O impugnante exercia atividade de Diretor Financeiro e Contábil da empresa autuada, atividade essa que não está diretamente relacionada com as importações que foram alvo da fiscalização e que ensejaram a impugnação. O impugnante sequer tinha ingerência sobre as operações Fl. 3752DF CARF MF Processo nº 11829.720038/201227 Acórdão n.º 3302005.145 S3C3T2 Fl. 3.748 11 registradas no Siscomex ou constava como pessoa habilitada a operá lo. Responsável Solidário: Renato Pimentel Freitas CPF 709.986.98768 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 até a presente data) Alegação Individual: O impugnante exercia a função de Diretor Responsável pela área de mineração da empresa autuada, atividade que não está diretamente relacionada com as importações que foram alvo da fiscalização e ensejaram a autuação. O impugnante sequer tinha ingerência sobre as operações registradas no Siscomex ou constava como pessoa habilitada a operálo. Responsável Solidário: Sybelle da Costa Oliveira Ban CPF 312.664.10759 Cargo na Autuada: Diretor (desde 04/08/2009 até a presente data) Alegação Individual O impugnante exercia a função de Diretora do RH, estratégia e marketing da empresa autuada., atividade essa que não está diretamente relacionada com as importações que foram alvo da fiscalização e que ensejaram a impugnação. Responsável Solidário: Fernando Curado CPF 295.671.49704 Cargo na Autuada: Diretor (desde 28/10/2009 até a presente data) Alegação Individual: Exercia a função de conselheiro, atividade essa que não está diretamente relacionada com as importações que foram alvo da fiscalização e que ensejaram a impugnação. Responsável Solidário: Kathryn Orberg Beek CPF 530.444.95768 Cargo na Autuada: Não tinha Alegação Individual Não fazia mais parte da diretoria, tendo renunciado quando da incorporação, quando foi eleito um novo diretor para substituíla Ata da empresa SOTREQ DE 19.05.2009 DELIBEROU SUA RENUNCIA COMO Membro do Conselho Consultivo. A empresa foi incorporada posteriormente à sua saída. Responsável Solidário: José Germano da Costa Silveira Filho CPF 754.632.780830 Cargo na Autuada Não tinha Alegação Individual Que não pode ser responsabilizado uma vez que não tinha sequer o cargo de diretor. O autuado não ocupou nenhum cargo na empresa autuada. Diligência realizada Apresentadas as impugnações, o auto de infração foi enviado à DRJ para análise. Quando do início da análise do processo, não foi possível a abertura dos arquivos digitais, referentes aos anexos 2, 3, 6 e 7, que encontravamse compactados/zipados, motivo pelo qual, o processo retornou a Inspetoria da Alfândega de Viracopos para que se desse algum tipo de solução do problema. Ciente do problema, a Alfândega de Viracopos elaborou o Relatório Fiscal (fls. 2803 a 2828) que indicou os procedimentos técnicos a serem seguidos para a abertura dos referidos arquivos. Do relatório mencionado, tiveram ciência a autuada e os responsáveis solidários, que se manifestaram, conforme mencionado na seqüência. Fl. 3753DF CARF MF 12 Abertura dos Arquivos Digitais Compactados (Anexos 2, 3, 6 e 7) A partir da execução dos procedimentos indicados no Relatório Fiscal citado, foi possível a este julgador ter conhecimento dos arquivos mencionados, sendo possível então a completa análise do processo ora em foco. Ressaltese que para êxito do procedimento, contamos com o auxílio dos servidores do SAPOC da DRJ SPO que nos deu o devido suporte técnico. Manifestação da Autuada e dos Responsáveis Solidários sobre o Relatório Fiscal das fls 2803 a 2828. Manifestaramse mencionando que após várias tentativas de abertura dos arquivos digitais zipados, referentes aos anexos 2, 3. 6 e 7, não obtiveram sucesso, não sendo possível portanto o conhecimento dos mesmos. Desta forma o problema da abertura dos arquivos gerou um óbice a própria defesa dos autuados, logo o cerceamento de defesa. Este fato nos termos dos artigos 59 inciso II do Decreto 70235/1972 tornam uma possível decisão do auto de infração como um ato nulo, uma vez que é proferido com preterição ao direito de defesa. Que no caso em comento houve prejuízo do contraditório e ampla defesa dos autuados. Sendo assim em todas as manifestações, a autuada e os responsáveis solidários, requereram a nulidade da diligência realizada, bem como do auto de infração lavrado sob pena de violação aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. (grifos originais) Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 3317/3361), em que, por maioria de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 30/06/2009 a 30/06/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA SIMULAÇÃO. A utilização por empresa incorporadora, da habilitação no Siscomex de empresa incorporada, para realização de operações de importação onde a incorporadora tratase do real adquirente dos bens importados, não obedece o disposto no parágrafo 2º do artigo 15 da IN SRF 650/2006 e artigo 2º, assim como simula uma situação inexistente que dificulta o controle aduaneiro, ocultando a incorporadora, real adquirente, fato que se enquadra no disposto no Inciso V do artigo 23 do decreto 1455/1976, Infração de Interposição fraudulenta, punível com a pena de perdimento. FRAUDE SIMULAÇÃO BAIXA DO CNPJ Fl. 3754DF CARF MF Processo nº 11829.720038/201227 Acórdão n.º 3302005.145 S3C3T2 Fl. 3.749 13 A não adoção das medidas para baixa do CNPJ de empresa incorporada, prevista no artigo 28 da IN SRF 748/2007, e a utilização da empresa incorporada, já não mais existente em operações de comércio exterior, configura simulação prevista no Inciso V do artigo 23 do Decreto 1455/1976. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA INFRAÇÃO À LEI A responsabilização solidária de sócios prevista no artigo 135 do CTN, é devida sempre que houver infração à lei de qualquer natureza, onde fique caracterizada que a conduta do sócio se deu com culpa ou dolo. Este entendimento está amparado em decisões do STF, no artigo 85 do Decreto 37/66, RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA INFRAÇÕES ADUANEIRAS A responsabilidade solidária é aplicável a créditos originados a partir de lançamentos de multas administrativas de qualquer natureza, e portanto também as multas aplicadas a partir da infração à legislação aduaneira, por força do disposto no artigo 4º da Lei 6830/1980. MULTA DE 1% POR INFORMAÇÃO INCORRETA NA D.I. A aplicação da multa prevista no artigo 69 da Lei 10833/2003 é aplicada por adição, uma vez que o texto do artigo 84 da MP 215835/2001, menciona que a multa será aplicada por mercadoria, e não por declaração de importação. MULTA LANÇADA EM RAZÃO DE INFRAÇÃO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração por ela cometido em nome da sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária, mormente se incorporadora e incorporada encontravamse sob controle comum. Portanto, à luz da lei, da doutrina e da jurisprudência, não pode ser afastada a responsabilidade da sucessora em relação à multa lançada em razão de infração cometida em nome da sucedida. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido A autuada SOTREQ S/A. foi cientificada da decisão em 16/4/2014 (fl. 3419), enquanto que os responsáveis solidários, mantidos no pólo passivo da autuação, os Srs. Carl Alfred Orberg e José Ricardo Martins Cordeiro, foram cientificados, respectivamente, em 7/4/2014 (fl. 3427) e 10/4/2014 (fl. 3431). Os demais responsáveis solidários, afastados do polo passivo da autuação, foram cientificados nas seguintes datas: Fernando Curado, em 7/4/2014 (fl. 3425); Kathryn Orberg Beek, em 29/4/2014 (fl. 3621); Arthur Castilho, em 8/4/2014 (fl. 3426); Carl Vagn Fl. 3755DF CARF MF 14 Orberg, em 7/4/2014 (fl. 3428); Jorge Delaura Meyer Neto, em 8/4/2014 (fl. 3429); Laércio Brazil Lenz César, em 7/4/2014 (fl. 3433); Renato Pimentel Freitas, em 8/4/2014 (3434); José Germano da Costa Silveira Filho, em 4/4/2014 (fl. 3430) e Sybelle da Costa Oliveira Ban, em 11/4/2014 (fl. 3394). Em 30/4/2014, a autuada SOTREQ protocolou o recurso voluntário de fls. 3490/3527, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em 30/4/2014, os responsáveis solidários Carl Alfred Orberg e José Ricardo Martins Cordeiro protocolaram os recursos voluntário de fls. 3568/3598 e 3436/3466, em que reafirmaram as razões de defesa aduzidas nas respectivas peças impugnatórias. Em aditamento, em preliminar, alegaram a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que o referido julgado havia aperfeiçoado o lançamento ao alterar o fundamento da responsabilidade solidária do art. 135, III, do CTN, determinado pela fiscalização, para o art. 95, I, do Decretolei 37/1966, o que caracterizava mudança de critério jurídico, vedada pelo art. 146 do CTN. Enfim, no dia 16/2/2016, a recorrente protocolou a petição de fls. 3627/3628, acompanhada de extenso memorial e de parecer da lavra da exConselheira deste Conselho, a Drª Judith do Amaral Marcondes Armando. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os recursos são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. O acórdão recorrido contém erros materiais graves, que sem o devido saneamento, certamente, impossibilita o julgamento da lide por este Colegiado. No citado julgado, há erro material na ementa do acórdão, pois, nela consta “Impugnação Procedente”, em evidente contradição com o teor dos enunciados das ementas, os fundamentos do voto vencedor e o resultado do julgamento anotado no dispositivo julgado, onde há expressa menção que, por maioria de votos, a impugnação foi julgada improcedente. Também há erros materiais na redação do dispositivo. Um deles consiste na referência a apenas uma impugnação, quando nos autos foram apresentadas e apreciadas nos votos vencido e vencedor 1 impugnação da pessoa jurídica autuada e 11 impugnações das pessoas físicas responsáveis solidárias. Outro erro material, de natureza mais grave e, portanto insanável, no entendimento deste Relator, foi a omissão da não interposição de recurso de ofício em relação aos 9 responsáveis solidários excluídos do pólo passivo da autuação. Para essa hipótese, há obrigatoriedade de interposição de recurso de ofício por determinação do art. 34 do Decreto 70.235/1972 e por expressa determinação do art. 70, § 3º, do Decreto 7.574/2011, que segue transcrito: Art. 70. O recurso de ofício deve ser interposto, pela autoridade competente de primeira instância, sempre que a decisão Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 11829.720038/201227 Acórdão n.º 3302005.145 S3C3T2 Fl. 3.750 15 exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, bem como quando deixar de aplicar a pena de perdimento de mercadoria com base na legislação do IPI (Decreto no 70.235, de 1972, art. 34, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67). § 1o O recurso será interposto mediante formalização na própria decisão. § 2º Sendo o caso de interposição de recurso de ofício e não tendo este sido formalizado, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. § 3º O disposto no caput aplicase sempre que, na hipótese prevista no § 3º do art. 561, a decisão excluir da lide o sujeito passivo cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Ora, se o § 2º do art. 70 em destaque determina que o servidor que verificar falta da interposição de recurso de ofício representará perante a autoridade julgadora, no sentido de que seja observada a dita formalidade, com muito mais razão, se a autoridade julgadora constata tal irregularidade, inequivocamente, ela deve determinar o saneamento do vício, sob pena de grave prejuízo aos princípios basilares que regem o processo administrativo fiscal. E uma vez constados tais erros materiais, os autos devem retornar à Turma de Julgamento prolatora do acórdão, para que outro seja proferido em boa e devida forma, consoante determina o art. 21, § 1º, da Portaria MF nº 341/2011, a seguir reproduzido: Art. 21. As decisões serão assinadas pelo relator, pelo redator designado, sendo o caso, e pelo Presidente da Turma, e delas constarão o nome dos julgadores presentes, mencionandose, se houver, os impedidos, os ausentes, bem como os julgadores vencidos e a matéria em que o foram. § 1º Para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, será proferido novo acórdão. § 2º Nos casos de conversão do julgamento em diligência, a forma a ser adotada é a de resolução. (grifos não originais) 1 "Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 3o No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. [...]" Fl. 3757DF CARF MF 16 Por todo o exposto, votase pelo conhecimento do recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos ao órgão de julgamento de primeiro grau, para que seja proferido novo acórdão, em boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 3758DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720709/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2012
BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES.
Na forma do art. 8º, § 1º, letra c do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas devem ser acrescidos os royalties e direitos de licença, pagos direta ou indiretamente, desde que como condição de venda das mercadorias e a elas relacionados.
MULTA REGULAMENTAR
Se os parâmetros materiais e quantitativos de sua aplicação foram vazados por lei vigente, válida e eficaz, descabe à instâncias administrativas adentrarem em sua constitucionalidade. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira atributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito àincidência de juros demora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Precedentes da CSRF.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que apresentou declaração de voto lida em sessão.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2012 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES. Na forma do art. 8º, § 1º, letra c do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas devem ser acrescidos os royalties e direitos de licença, pagos direta ou indiretamente, desde que como condição de venda das mercadorias e a elas relacionados. MULTA REGULAMENTAR Se os parâmetros materiais e quantitativos de sua aplicação foram vazados por lei vigente, válida e eficaz, descabe à instâncias administrativas adentrarem em sua constitucionalidade. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira atributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito àincidência de juros demora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Precedentes da CSRF. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10314.720709/2016-11
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851655
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.983
nome_arquivo_s : Decisao_10314720709201611.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10314720709201611_5851655.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que apresentou declaração de voto lida em sessão. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7201631
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008342757376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1833; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 17.928 1 17.927 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.720709/201611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.983 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO II Recorrente C&A MODAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2012 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES. Na forma do art. 8º, § 1º, letra c do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas devem ser acrescidos os royalties e direitos de licença, pagos direta ou indiretamente, desde que como condição de venda das mercadorias e a elas relacionados. MULTA REGULAMENTAR Se os parâmetros materiais e quantitativos de sua aplicação foram vazados por lei vigente, válida e eficaz, descabe à instâncias administrativas adentrarem em sua constitucionalidade. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira atributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito àincidência de juros demora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Precedentes da CSRF. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que apresentou declaração de voto lida em sessão. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 07 09 /2 01 6- 11 Fl. 17932DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.929 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à diferença de tributos incidentes na importação (II, IPI e PIS/COFINS importação) decorrente da não inclusão no valor aduaneiro dos royalties pagos pelo importador, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Igualmente, foi feita exigência fiscal de multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro (art. 84 da MP 2.15835/2001) face a não inclusão dos royalties no campo "informações complementares" da DI. Segundo o relatório fiscal (fls. 2848/2950), o Serviço de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (SEPAC) da Delegacia Especial da RFB de Fiscalização de Comércio Exterior (DELEX/SPO) verificou que a C&A efetuou recolhimentos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), sob o Código de Receita 0422, cuja descrição é “IRRF – ROYALTIES E ASSISTÊNCIA TÉCNICA– RESIDENTES EXTERIOR”, no ano de 2012, e, ao mesmo tempo, realizou diversas importações no período. Com base nessas informações, a fiscalização promoveu procedimento para verificar a causa dos pagamentos dos royalties, a fim de determinar se seria o caso de os valores pagos a título de royalties serem incluídos no cômputo do valor aduaneiro das importações da empresa e, em caso positivo, aferir se os pagamentos a título de royalties foram efetivamente incluídos. Após a apresentação de ampla gama de documentos, a fiscalização concluiu que parte dos pagamentos sob o Código de Receita 0422 se referia à contraprestação por serviços de assistência técnica, tais como serviços de pesquisa de tendência de moda e criação e desenvolvimento de peças de vestuário e acessório, e outra parte das remessas, majoritária, relacionavase ao pagamento de royalties referentes à licença para uso de marca. Num segundo momento da auditoria, a fiscalização requereu que a contribuinte apresentasse, ”(...) para cada uma das marcas, os produtos/mercadorias importados de empresas vinculadas e não vinculadas, bem como aqueles obtidos no mercado interno. Foi solicitado ainda que a C&A informasse o valor correspondente aos royalties pagos por produto/mercadoria e período”. Após o detalhado exame dos contratos, cujas cópias encontramse no Anexo IV do auto de infração, e demais elementos de informação apresentados, a fiscalização concluiu (item 6.1 DOS CONTRATOS) que os royalties pagos pela interessada em razão da exploração das marcas objeto dos contratos firmados com as empresas MATTEL DO BRASIL LTDA, THE WALT DISNEY COMPANY (BRASIL) LTDA, WARNER BROS (SOUTH) INC., ITC AMERICA LATINA S/C LTDA (MARVEL); PLAYBOY ENTERPRISES INTERNATIONAL, COFRA HOLDING AG e GISELE INC caracterizavamse como condição de venda (item 6.2 DA CONDIÇÃO DE VENDA) das mercadorias importadas de Fl. 17933DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.930 3 terceiros fabricantes. Consequente, os valores relativos aos royalties deveriam ser adicionados ao cálculo do valor aduaneiro. As premissas que apoiaram a conclusão fiscal foram as seguintes: 1. Os direitos de licença e de uso da marca foram utilizados nos produtos importados, portanto, esses direitos estão relacionados às mercadorias importadas. 2. O pagamento dos direitos é condição para uso da marca, pois sem o pagamento dos royalties a contribuinte não poderá mais adquirir os produtos das empresas exportadoras. 3. A importadora não efetuou o ajuste ao valor aduaneiro conforme estabelecido no artigo 8, item 1, c, do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). 4. A autuada submeteu aos despachos aduaneiros diversos produtos cujos fornecedores estrangeiros estão a ela vinculados nos termos do artigo 15, item 4, do AVA. Entretanto, no campo da declaração de importação destinado a informar a condição de vinculação, a empresa declarouse “não vinculada”, conforme planilha Demonstrativa Multa Não Vinculadas, anexada aos autos. 5. Os dados referentes ao tipo de vínculo entre as partes contratantes são informações de natureza administrativotributária e, portanto, necessários à determinação do competente procedimento de controle aduaneiro, inclusive a valoração aduaneira dos produtos. 6. Prestando informação inexata, já que nos casos aqui tratados existe vinculação entre a importadora e os fornecedores, a empresa acabou por incorrer na penalidade prevista no § 1º do artigo 69, da Lei nº 10.833/2003. Intimada, a contribuinte apresentou impugnação, cujas alegações não foram acolhidas pela DRJ Curitiba (fls. 17686/17730), em julgamento de 31/01/2017. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 17762/17853), no qual alega, em síntese: (i) que a legislação aduaneira é clara ao determinar que o valor aduaneiro nem sempre conterá os royalties pagos em relação à mercadoria importada, mas visa ajustálo apenas e tão somente quando pagos como condição da venda imposta pelo vendedor, ao importador para a aquisição das mercadorias, a eliminar distorção causada pela cobrança de parte do preço sob a forma de royalties; (ii) que a condição de venda não é todo e qualquer elemento para a concretização da importação, mas constitui obrigação adicional ao pagamento do preço, imposta para a realização da venda, ou seja, pelo vendedor/fabricante, detentor da licença (1ª Condição estabelecida pelo CARF), para a venda dos produtos, pagamento este que deverá favorecer ao vendedor ou a terceiro a este necessariamente vinculado (2ª Condição estabelecida pelo CARF); (iii) que os royalties pagos ao Licenciante devem estar diretamente relacionados às mercadorias objeto de valoração, isto é, devem ser diretamente relacionados aos valores objeto da compra e venda. (3ª Condição estabelecida pelo CARF); Fl. 17934DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.931 4 (iv) nos casos analisados no presente auto de infração, o pagamento de royalties não é condição de venda para a importação das mercadorias, pois existem duas relações jurídicas independentes firmadas pela Recorrente. Uma com o Licenciante regulando a exploração da licença, outra com os fabricantes, terceiros absolutamente independentes dos Licenciantes, regulando a compra e venda das mercadorias. Inclusive, poderia a C&A optar pela fabricação própria das mercadorias (em território nacional ou estrangeiro); (v) que a análise de todos os contratos em questão deixa claro que os fabricantes (vendedores das mercadorias) não são titulares das licenças exploradas pela Recorrente e não tem qualquer relação comercial, financeira ou societária com os Licenciantes, razão pela qual não possui qualquer ingerência sobre o montante, a forma ou o prazo em que os royalties serão pagos da Recorrente às Licenciantes; (vi) que a obrigatoriedade de a Recorrente cessar a comercialização das peças licenciadas, bem como de os fabricantes cessarem, após comunicação, a produção de produtos com a marca licenciada, não implica, por óbvio, qualquer indício de vinculação entre fabricantes e detentores da marca. Na verdade, tratase de mera decorrência lógica do contrato de licença firmado, bem como do respeito às normas nacionais e internacionais que regulamentam a propriedade industrial; (vii) a forma pela qual o pagamento dos royalties é calculado na maioria dos contratos (parcela fixa, garantia mínima e/ou percentual da venda, antecipações de valores etc.) é mais um demonstrativo de que não existe “condição de venda” para inclusão dos royalties no valor aduaneiro das mercadorias importadas; (viii) especificamente com relação ao contrato firmado com a COFRA, importante destacar que (a) as empresas Mondial Hong Kong e C&A Sourcing Limited atuam, tão somente, como exportadoras das mercadorias adquiridas no Leste Asiático de diversos fabricantes de todas as marcas (assim, essas empresas não fabricam as mercadorias importadas); (b) aproximadamente 74% de todas as mercadorias comercializadas pela Recorrente (relacionadas às marcas detidas pela COFRA) são adquiridas de empresas nacionais; (c) os royalties, no montante de apenas 1% sobre a Receita Líquida de Vendas no mercado interno, são pagos pela Recorrente somente após 30 dias do encerramento do trimestre de vendas, o que demonstra, de maneira cristalina, a absoluta independência da operação de compra e venda firmada pela Recorrente com os fabricantes da operação de licenciamento firmada pela Recorrente com a COFRA; (ix) subsidiariamente, caso se entenda que os royalties devem compor o valor aduaneiro, o que sequer se admite como hipótese em razão dos argumentos acima, haverá o reconhecimento de que os tributos pagos na remessa dos royalties são indevidos, razão pela qual poderão ser recuperados pela Recorrente (compensandose com os valores exigidos no presente AIIM); (x) pede a exclusão da multa administrativa sobre o valor aduaneiro, por considerála abusiva, uma vez que somente o valor da mesma ultrapassa o valor dos tributos somados, pugnando pela sua redução ao patamar de no máximo 100% dos tributos exigidos; (xi) por fim, com relação à penalidade aplicada, não há dúvidas acerca da necessidade de, ao menos, afastarse a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício, nos termos da jurisprudência desse CARF. Fl. 17935DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.932 5 De fls. 17881/17926, contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando que seja negado provimento in totum ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. OS ROYALTIES NA VALORAÇÃO ADUANEIRA Entende a recorrente, em suma, que o pagamento dos royalties não era uma condição de venda na importação das mercadorias em cada um dos contratos por ela firmados com as empresa a que aludi no relatório, pois alega existirem duas relações jurídicas: uma com o licenciante regulando a exploração da licença, e outra com os fabricantes (em território nacional ou estrangeiro), terceiros independentes dos licenciantes, regulando a compra e venda da mercadoria. Com espeque nesse raciocínio, por não serem os fabricantes titulares das licenças por ela exploradas, e por não terem qualquer relação comercial ou societária com os licenciantes (os detentores das marcas), não possuem eles qualquer ingerência sobre o montante, a forma ou o prazo em que os royalties seriam pagos pela recorrente às licenciantes. o que afastaria a inclusão dos mesmos na valoração aduaneira dos produtos importados dos fabricantes estrangeiros. Entende, em suma, que para "inclusão dos royalties no valor aduaneiro é essencial que o dever de pagamento dos mesmos aflore e decorra do contrato de compra e venda, e que o pagamento deste seja feito a entidade vinculada ao vendedor/fabricante". De seu turno, a fiscalização entende que sem o pagamento dos royalties, não poderia a autuada ter direito às mercadorias produzidas no exterior, pelo que sem o pagamento daqueles não haveria a importação que deu azo à presente lide. Todavia, não se controverte sobre o fato de que os royalties pagos pela recorrente se relacionam com os direitos de imagem que são explorados pelas mercadorias objeto da presente autuação e que os mesmos não foram incluídos no valor da transação. Sem embargo, a questão nuclear, aparte da multa regulamentar, é definir se os pagamentos dos royalties constitui ou não uma condição de venda das mercadorias importadas de modo, então, a incidir o ajuste do valor da transação, nos termos do AVA GATT. O Acordo de Valoração Aduaneira, aplicado em mais de 180 países, não pode ser alterado pela vontade unilateral das partes, nem ter seus conceitos deturpados pela legislação nacional. Gizese que no Brasil, lamentavelmente, a legislação nacional chegou a tentar alterar o conteúdo da expressão "valor aduaneiro", alteração essa que acabou corretamente obstada pela suprema corte, no RE nº 559.607/SC. Certo que a expressão "valor aduaneiro" não pode significar no Brasil algo diferente do que significa nos demais países signatários do GATT, e membros da OMC, sob pena de tornar inócuo o acordo internacional uniformizador, e de ser o país acionado perante o Fl. 17936DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.933 6 Órgão de Solução de Controvérsias de tal organização. Aliás, a incorporação da expressão "valor aduaneiro" ao texto constitucional brasileiro (art. 149, § 2o, II, "a"), pela Emenda Constitucional nº 33/2001, obviamente se fez com a acepção que já estava consagrada internacionalmente. Assim, o conteúdo da expressão "valor aduaneiro" e dos elementos que o compõem deve ser buscado na legislação internacional, mormente no Acordo de valoração Aduaneira (AVA), somente se prestando a legislação nacional a complementar o AVA naqueles temas em que o acordo prevê faculdades às partes (artigo 8º, 2). O próprio AVA define a quase totalidade dos termos e expressões que emprega, justamente para evitar tratamento desigual pelos países signatários. E o tema sobre o qual estamos a tratar é disciplinado no Artigo 8º, 1, "c" do AVA: Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: (i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do país de importação; (ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou (iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias; (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo. E o artigo 8º do AVA GATT ( internalizado pelo Decreto nº 1.355/94), tem a seguinte dicção: Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: ... Fl. 17937DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.934 7 (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (grifei) Nota ao Artigo 8 1. Os royalties e direitos de licença referidos no parágrafo l (c) do Artigo 8 poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a patentes, marcas registradas e direitos de autor. No entanto, na determinação do valor aduaneiro, os ônus relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no país de importação não serão acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas. 2. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas. (grifei) Com efeito, para fins de valoração aduaneira, é imperativo perquirir se o pagamento destes royalties ou direitos de licença constitui condição para a produção ou a aquisição dos produtos objeto de importação. Ou seja, é preciso saber se esses royalties ou direitos de licença estão intrínseca e indissociavelmente ligados à possibilidade da comercialização dessas mercadorias no país de importação. Além de definir os termos e expressões que utiliza, o AVA estabelece "princípios" que norteiam a aplicação de todo o Acordo, em sua Introdução Geral: “Introdução Geral – 1. A base primeira para a valoração aduaneira, em conformidade com este Acordo, é o valor de transação...”; “Os membros, ...desejando elaborar normas para sua aplicação com vistas a assegurar maior uniformidade e precisão na sua implementação; reconhecendo a necessidade de um sistema equitativo, uniforme e neutro para a valoração de mercadorias para fins aduaneiros, que exclua a utilização de valores aduaneiros arbitrários ou fictícios; reconhecendo que a base de valoração de mercadorias para fins aduaneiros deve ser tanto quanto possível o valor de transação das mercadorias a serem valoradas; reconhecendo que o valor aduaneiro deve basearse em critérios simples e equitativos condizentes com as práticas comerciais e que os procedimentos de valoração devem ser de aplicação geral, sem distinção entre fontes de suprimento; reconhecendo que os procedimentos de valoração não devem ser utilizados para combater o dumping; acordam...” (grifos nossos). No corpo do acordo podem ainda ser apontados outros “princípios”, como o da leal concorrência, derivado do artigo 1º, pelo qual o valor aduaneiro deve ter como base um preço representativo de uma operação normal, não afetada por vínculos entre vendedor e Fl. 17938DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.935 8 comprador; o da compatibilização entre o sigilo das informações de caráter confidencial fornecidas pelo importador e a publicidade das regras e critérios utilizados para valoração aduaneira, previstos, respectivamente, nos artigos 10 e 12 do AVA/GATT, e o do direito de informação, previsto no artigo 16 do acordo, por meio do qual o importador tem direito de receber, por escrito, após solicitação, uma explicação da Aduana sobre como foi determinado o valor aduaneiro das mercadorias por ele importadas. Ademais, no Anexo I do AVA figuram as Notas Interpretativas do acordo, que o integram, conforme artigo 14, contendo explicações e exemplos para facilitar sua aplicação. O Anexo II detalha disposições sobre o Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA, ou “Comitê de Valoração de Bruxelas”), sob os auspícios do CCA/OMA, com a finalidade de conseguir, no nível técnico, uniformidade na interpretação e aplicação do acordo, podendo, o CTVA, emitir Opiniões Consultivas, Comentários e Notas Explicativas. Tal comitê foi criado pelo artigo 18 do AVAGATT. Compreendido o Acordo em visão sistêmica, há que se entender que os royalties e direitos de licença, qualquer que seja a denominação que lhes dê a legislação nacional (direitos, taxas, gravames, cânones...), devem ser acrescentados ao preço pago ou a pagar, para fins de valoração aduaneira, caso devam ser pagos pelo comprador, direta ou indiretamente, e constituam uma condição de venda das mercadorias. No caso em análise, a recorrente paga royalties às empresas licenciantes das marcas de roupas que serão fabricadas (na hipótese por terceiros no exterior) e os paga conforme disposto nos contratos, longamente dissecados no TVF e na decisão recorrida. Certo que não pagos esses royalties, todos indiretamente e de diferentes formas contratas com as diferentes licenciantes, haverá proibição de venda, e até mesmo, em certos casos, de distribuição/destruição das mercadorias. Igualmente, todos fabricantes no exterior, quer tenham eles vínculos com a importadorarecorrente ou não, estarão sujeitos, na forma contratada, à supervisão das licenciantes sob pena de variadas sanções. Assim, como pontuado, a questão posta a nosso julgamento é identificarmos, então, se o pagamento desses royalties são uma condição de venda, daí a ensejar o acréscimos daqueles na valoração aduaneira. E a interpretação do que seja uma condição de venda, por óbvio, não pode ser tão simples a ponto de que seja necessário que conste literalmente de contrato entre as partes, individualizadamente. A recorrente defende que há duas relações jurídicas distintas; uma com as licenciantes e outra com os fabricantes no exterior. Contudo, ao fazer tal afirmação, que não é falsa, se esquece que nos contratos que ela fez com as licenciantes é dado amplo, vasto direito de interferência da licenciante em relação à fabricação dos produtos, até mesmo veto de fabricante, escolha específica de fabricante, supervisão da fabricação, vistoria por designer apontado pela licenciante, etc. Dessarte, dúvida não resta que embora distintas as partes dos contratos, eles se imbricam de modo a interferirem os licenciantes diretamente na fabricação das roupas pelos fabricantes no exterior. Em consequência, afasto o argumento da recorrente quanto à necessidade de que os pagamentos de royalty estejam diretamente relacionados com os valores objeto de compra e venda. Há várias opiniões consultivas em sentido contrário. A fiscalização e a DRJ concluíram que a expressão “condição de venda” vem sendo entendida pela Comissão como circunstância apta a afetar a vontade do vendedor em realizar a transação comercial. As Opiniões Consultivas 4.1 e 4.11 reconheceram o pagamento dos royalties como condição de venda em situações em que as partes fabricante e licenciante eram pessoas jurídicas distintas e independentes. Fl. 17939DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.936 9 Sem embargo, da análise da legislação, podemos afirmar que os royalties somente comporão o valor aduaneiro se ocorrerem cumulativamente as seguintes condições: a) os valores pagos a título de royalties forem relativos às mercadorias objeto de valoração; b) o comprador tiver que pagálos, direta ou indiretamente, como uma condição de venda; c) os valores de royalties não estiverem incluídos no preço pago ou a pagar. Inconteste, nos contratos analisados, que restou caracterizado pela fiscalização que os royalties pagos pela impugnante são relativos às mercadorias objeto das autuações que compõem este processo. Para elucidar a questão de se os royalties pagos foram condição de venda nos contratos com as licenciantes, devese analisar as opiniões consultivas emitidas pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial do Comércio, que, como pontuado alhures, são parte do AVAGATT, pois, em que pese o título de “opiniões consultivas”, as mesmas compõem a legislação tributária, por força do artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 318 de 04 de abril de 2003. Passando à análise das opiniões consultivas, vale destacar que elas foram emitidas de acordo com contextos bem específicos, portanto, merecendo o devido cuidado em sua reprodução e aplicação a outros casos Por outro lado, a partir delas podese verificar a linha de raciocínio que o comitê aplica para caracterizar a condição de venda. Opinião consultiva 4.1: 1. Quando uma máquina, fabricada segundo um processo patenteado, for vendida para exportação para o país de importação por um preço que não compreende o direito da patente, que o importador, segundo as instruções do vendedor, deva pagar a um terceiro, titular da patente, o royalty deve ser adicionado ao preço pago ou a pagar com base no disposto no Artigo 8.1 c ) do Acordo? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira expressou a seguinte opinião: O royalty deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar, de conformidade com o disposto no Artigo 8.1 c), posto que o pagamento do royalty pelo comprador está relacionado com as mercadorias objeto de valoração e constitui uma condição de venda dessas mercadorias. Neste caso, o comitê entendeu que o fato do comprador pagar direitos de royalties em função das instruções do vendedor, mesmo este não sendo o detentor dos direitos, constitui uma condição de venda. Ou seja, para que o vendedor realize a transação comercial, este exige que sejam pagos o royalties para terceira pessoa detentora destes direitos. Portanto, o comitê considera que mesmo sendo pessoa diversa do detentor dos direitos de royalties, o vendedor, ao exigir que seja feito este pagamento, estabeleceu Fl. 17940DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.937 10 uma condição para que a venda fosse realizada, isto é, o comitê utiliza a seguinte linha de raciocínio: se os royalties não fossem pagos, em tese, a vontade do vendedor em concluir a transação comercial seria afetada, constituindo, assim, uma verdadeira condição de venda. Opinião consultiva 4.11: 1. O fabricante M de vestimentas esportivas e o importador I são ambos vinculados à matriz C, que possui os direitos de uma marca registrada afixada nessas vestimentas. O contrato de venda entre M e I não prevê o pagamento de royalty. Entretanto, I é obrigado a pagar um royalty a C, em virtude de um acordo distinto com este celebrado, para a obtenção do direito de uso da marca registrada afixada nas vestimentas que I adquiriu de M. O pagamento do royalty constitui uma condição de venda e está relacionado com os artigos de vestuário esportivos importados? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O contrato de venda entre M e I, cobrindo as mercadorias objeto da marca registrada, não contém cláusula que imponha expressamente o pagamento de um royalty. Entretanto, o pagamento em questão é uma condição de venda, uma vez que I é obrigado a pagar o royalty à matriz em razão da compra das mercadorias. I não está autorizado a utilizar a marca registrada sem o pagamento do royalty. A inexistência de contrato escrito com a matriz não anula a obrigação que I tem de efetuar o pagamento por ela exigido. Pelas razões expostas, o pagamento pelo direito de uso da marca referese às mercadorias objeto de valoração e a quantia correspondente deve ser acrescida ao preço efetivamente pago ou a pagar Nesta hipótese, o comitê entendeu que, apesar do pagamento dos royalties se dar em função de contrato diverso ao de venda, a existência de vinculo entre as partes é relevante, e acaba por determinar o acréscimo ao valor da transação. Em outras palavras, a vinculação entre as partes daria condições, para que, mesmo indiretamente, o detentor da licença pudesse impedir a venda, sob pena de ter o seu direito ao recebimento dos royalties frustrado. Ou seja, o pagamento ou não dos royalties afetaria, em tese, a vontade do vendedor (mesmo que indiretamente) em concluir a transação comercial, sendo por isso caracterizada a condição de venda. Sendo assim, a caracterização da condição de venda se dá pela analise das relações jurídicas estabelecidas entre as partes (detentor da marca, importador, vendedor, fabricante ) para que se afira se existe algum elemento que implique a seguinte questão: se os royalties não forem pagos, em tese, a vontade do vendedor em realizar a transação comercial será afetada? Pois bem, das análise feitas, quer pelo agente fiscal (fls. 2869/2910) quer pelo decisum a quo (fls. 17715/17729), que não reproduzo por desnecessário, mas que as tomo como razões de decidir (nos termos do § 1º do art. 50 da Lei 9.784/99), estreme de dúvidas que Fl. 17941DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.938 11 o pagamento dos royalties é condição de venda em todos os contratos que deram azo à presente exação, embora sob diferentes formas, pois avençados casuisticamente. Da análise da documentação apresentada pela C&A e das informações contidas nas declarações de importação (DI), concluise que as mercadorias importadas têm seus direitos autorais, quanto a desenhos e arte final, pertencentes a empresas sediadas no exterior, as quais cobram da C&A royalties pagos pela concessão da licença para produzir e comercializar mercadorias. Verificase ainda que as mercadorias são fabricadas por uma terceira empresa, também sediada no exterior, devidamente autorizada pela detentora dos direitos autorais. Para cada um dos contratos analisados, o produtor/fabricante da mercadoria deve ser informado à licenciante (dona da marca), com vistas a obter sua aquiescência. Do teor dos contratos, depreendese que são rígidos os controles que o dono da marca estabelece, mostrandose bastante rigoroso o processo de aprovação de um dado fabricante. Temse, assim, evidenciada a correlação entre licenciante e fabricante, ou seja, não é possível afirmar que o contrato de uso da marca é totalmente dissociado do contrato para fabricação das mercadorias (peças de vestuário, acessórios, etc). Sendo assim, correta a exigência fiscal ao incluir no valor aduaneiro os valores pagos a título de royalties. Nesse sentido, já se manifestou a CSRF em caso semelhante, consoante Acórdão 9303003.466, de 24/02/2016. Também não há que se falar em bitributação, tendo em conta o argumento da recorrente que ela já pagou o IRRF quando do envio dos royalties, porque se tratam de fatos geradores distintos, com hipóteses de incidência díspares, pelo que afasto tal articulação. A MULTA REGULAMENTAR Em relação à aplicação da multa regulamentar a que se refere o art. 84 da MP 2.15835/2001, a irresignação da recorrente (tópico II.vi do recurso) cingese ao argumento de que a mesma "toma como base valor que não o do crédito tributário exigido, mas sim a base de cálculo dos tributos (valor aduaneiro), resultando em montante praticamente 30 % superior ao montante de tributos exigidos pela Fiscalização" para concluir que a mesma tem natureza confiscatória, não adentrando no mérito da autuação. Assim, para análise do único fundamento recursal que afrontou a referida multa teríamos que adentrar no mérito da constitucionalidade do art. 84 da MP 2.15835/2001, o que é vedado aos julgadores no âmbito administrativo. No caso do CARF, em específico, a matéria encontrase sumulada. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, resta mantida a multa regulamentar aplicada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Fl. 17942DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.939 12 Nesse ponto, adoto o entendimento inserto no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF, julgado em 15/03/2013. Repiso o voto do relator, Henrique Pinheiro Torre, vazado nos seguintes termos, o qual tomo como fundamento de decidir. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. Ao seu turno o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 17943DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.940 13 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a Hermes ou a uma Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Para eliminar quaisquer dúvidas que ainda restassem, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento sobre a matéria, conforme AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 04/12/2012: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Embora o caso paradigmático aresto tratasse de exação de tributo estadual, asseverou o Ministro relator do Agravo: Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Assim, devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício. Essa é a remansosa jurisprudência da 3ª Turma da CSRF. CONCLUSÃO Fl. 17944DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.941 14 Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia ao Ilustre Relator para, a despeito das considerações versadas em seu voto, apresentar e fundamentar minha divergência, contribuindo para a construção do entendimento deste Colegiado. O cerne da divergência instaurada nesse voto diz respeito à possibilidade ou não da inclusão do valor pago a título de royalties no valor aduaneiro correspondente às importações efetuadas pela Recorrente. O Valor Aduaneiro (ou para fins alfandegários) é estabelecido, originalmente, no Artigo VII do GATT, e regulamentado através do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA GATT), ao determinar, em regra, que "1.O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação". Sobre isso, foi pontuado com precisão pelo Cons. Rosaldo Trevisan no acórdão CARF nº 3401003.194, que essa matéria é objeto de tratado internacional, não podendo ser objeto de interpretação à luz de conceitos hauridos da legislação e doutrina pátrias é dizer, o AVAGATT não pode ter seu alcance e conteúdo alterado unilateralmente pelo Estado Brasileiro, sendo vedado o treaty override por força do art. 26 da Convenção de Viena. Como pontua Mazzuoli: Vige aqui a regra pacta sunt servanda, universalmente reconhecida como norteadora dos compromissos exteriores do Estado, e expressamente estabelecida pelo art. 26 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969, segundo a qual todo tratado em vigor ‘obriga as partes e deve ser cumprido por elas de boa fé. (MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público, 7 ed.. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012, p.397) Desse modo, o conceito de "valor aduaneiro" no Brasil não pode ser diferente daquele praticado na França, na Argentina ou na Inglaterra pelo contrário, deve haver uma uniformidade conceitual entre os países signatários do GATT, de modo que o seu sentido deve Fl. 17945DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.942 15 ser construído à partir deste tratado e do Acordo de Valoração Aduaneira, bem como nas notas interpretativas, pareceres e comentários elaborados pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (criado pelo art. 18 do AVAGATT), que correspondem às orientações oficiais sobre a matéria. Esse Acordo, inclusive, deixa claro em sua "Introdução Geral" os princípios que devem orientar o estabelecimento do valor aduaneiro: Os Membros, Tendo em vista as negociações comerciais Multilaterais; Desejando promover a consecução dos objetivos do GATT 1994 e assegurar vantagens adicionais para o comércio internacional dos países em desenvolvimento; Reconhecendo a importância das disposições do Artigo VII do GATT 1994 e desejando elaborar normas para sua aplicação com vistas a assegurar maior uniformidade e precisão na sua implementação; Reconhecendo a necessidade de um sistema eqüitativo, uniforme e neutro para a valoração de mercadorias para fins aduaneiros, que exclua a utilização de valores aduaneiros arbitrários ou fictícios; Reconhecendo que a base de valoração de mercadorias para fins aduaneiros deve ser tanto quanto possível o valor de transação das mercadorias a serem valoradas; Reconhecendo que o valor aduaneiro deve basearse em critérios simples e eqüitativos condizentes com as práticas comerciais e que os procedimentos de valoração devem ser de aplicação geral, sem distinção entre fontes de suprimento; Reconhecendo que os procedimentos de valoração não devem ser utilizados para combater o dumping; Acordam o seguinte: Um dos principais princípios orientadores do AVAGATT é o da livre concorrência e proibição de discriminação no âmbito do comércio internacional, estabelecendo um tratamento uniforme e neutro para as operações de compraevenda nesse mercado, como forma de promover a redução de barreiras para importações e exportações. Desse modo, é preciso que o estabelecimento do valor aduaneiro não influencie a opção econômica entre a aquisição de um produto de estabelecimento no exterior ou no mercado nacional e tampouco deve ser utilizado como instrumento antidumping, sob pena de desvio de finalidade desse conceito. Um segundo princípio importante é o da aproximação com o valor da transação, estabelecendo assim que todos os acréscimos e reduções devam ser tratados como excepcionais. Como explica Tejada, o preço do contrato real não é o normal ou o valor aduaneiro, mas sim o ponto de partida para a sua determinação, podendo passar por acréscimos Fl. 17946DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.943 16 e diminuições na sua apuração, de acordo com a legislação vigente (TEJADA, Henrique Wills. Valor Aduaneiro Coleção Gerson Augusto da Silva. Brasília: ESAF, 1983, p.5758). Naturalmente, há diversas regras no AVAGATT acerca da composição do valor aduaneiro, fugindo muito do escopo deste voto a análise ampla desses elementos. Interessa aqui, especificamente, o Artigo VIII desse acordo, que trata de montantes que deverão ser acrescentados ao valor pago ou a pagar, para a composição final: Artigo 8 1.Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) os seguintes elementos na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias: (i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; (ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, parafins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; (iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mãodeobra e com materiais. (b) o valor devidamente atribuído dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar: (i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes incorporados às mercadorias importadas; (ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes empregados na produção das mercadorias importadas; (iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; (iv) projetos da engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de design e planos e esboços necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação. (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração que o comprador deve pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. (...) 4.Na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo será feito ao preço efetivamente pago ou a pagar se não estiver previsto neste Artigo. Fl. 17947DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.944 17 Mais especificamente, são pertinentes para o presente caso o item "1.c" e "4": 1.Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração que o comprador deve pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (...) 4.Na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo será feito ao preço efetivamente pago ou a pagar se não estiver previsto neste Artigo. Como se vê da literalidade do item "1.c", a inclusão dos royalties no valor aduaneiro se dá exclusivamente (por força do item 4, que estabelece o caráter numerus clausus desse rol de acréscimos) nas hipóteses em que esse pagamento seja condição de venda dessas mercadorias. Além disso, outra condição da inclusão é que os royalties não estejam incluídos no preço pago ou a pagar o que é óbvio, sob pena de se pagar duas vezes o mesmo valor. É dizer, a regra se aplica aos casos em que o fornecedor não tenha embutido no preço da mercadoria o custo correspondente aos royalties (a exemplo dos casos em que o fabricante seja, também, o detentor da propriedade intelectual sobre determinada marca utilizada no produto que produz). Por fim, exigese também que o comprador (importador) seja o devedor dos royalties, que podem ser pagos direta ou indiretamente. Quanto aos dois primeiros itens, parecenos que não há grandes problemas, já que dizem respeito à composição do preço contratualmente estipulado, que pode ou não incluir os royalties devidos também ao fabricante, e o pagamento dos mesmos por parte do importador. O maior problema parece ser determinar se o pagamento dos royalties, de forma direta ou indireta, é condição de venda das mercadorias. Por força do art. 109 do Código Tributário Nacional, é necessário recorrer ao conceito de condição existente no Direito Privado, versado expressamente no art. 121 do Código Civil, nos seguintes termos: Art. 121. Considerase condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Portanto, para que o pagamento de royalties seja tratado como condição da venda, é preciso que haja uma cláusula contratual entre o importador o e exportador que subordine o efeito translativo do negócio jurídico de compraevenda a este evento. Essa é a definição de condição. Nesse ponto, é pacífico no trabalho fiscal que não há nos contratos efetuados com os fornecedores qualquer exigência do pagamento de royalties. É preciso que se deixe absolutamente claro o que se refere por "venda" n a expressão "condição de venda". Verificando a operação do contribuinte, temse o seguinte gráfico de fls. 17.666: Fl. 17948DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.945 18 Como se vê, há três momentos diferentes: I) o contrato de licenciamento entre a Recorrente e os licenciantes; II) o contrato de fornecimento entre os fabricantes e a Recorrente; e, por fim, III) o fornecimento de mercadorias da Recorrente para os varejistas brasileiros. Desses três momentos, apenas dois deles envolvem operações de venda: II e III. Todavia, quando se fala em "condição de venda" no AVAGATT, estáse a referir à operação II, visto que se trata de uma operação de comércio internacional e, portanto, sujeita à regulamentação específica desse acordo. A venda interna não possui o valor aduaneiro, para fins tributários, de modo que a etapa III é irrelevante para a verificação das condições de inclusão ou não dos royalties no valor aduaneiro praticado na etapa anterior. Sobre isto, aduziu o relator que: Com efeito, para fins de valoração aduaneira, é imperativo perquirir se o pagamento destes royalties ou direitos de licença constitui condição para a produção ou a aquisição dos produtos objeto de importação. Ou seja, é preciso saber se esses royalties ou direitos de licença estão intrínseca e indissociavelmente ligados à possibilidade da comercialização dessas mercadorias no país de importação. Fl. 17949DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.946 19 Com a devida vênia, pareceme haver um salto lógico entre o pagamento dos royalties ser condição da importação (aquisição no mercado internacional) e a necessidade de pagamento deles para a comercialização no país que importou (venda no mercado nacional). Essa distinção, inclusive, restou esclarecida cabalmente na Nota Explicativa ao item 8.1 c) do AVAGATT, elaborada pela Organização Mundial de Aduanas OMA (World Customs Organization): Paragraph 1 (c) 1. The royalties and licence fees referred to in paragraph 1 (c)of Article 8 may include, among other things, payments in respect to patents, trademarks and copyrights. However, the charges for the right to reproduce the imported goods in the country of importation shall not be added to the price actually paid or payable for the imported goods in determining the Customs value. 2. Payments made by the buyer for the right to distribute or resell the imported goods shall not be added to the price actually paid or payable for the imported goods if such payments are not a condition of the sale for export to the country of importation of the imported goods. (WORLD CUSTOMS ORGANIZATION. Brief Guide to the Customs Valuation Agreement, 3ª ed. Bruxelas: WCO, 1996, p.26) Em tradução livre: Parágrafo 1 (c): 1. Os royalties e direitos de licença referidos no parágrafo 1(c) do Artigo 8 podem influir, entre outras coisas, pagamentos relativos a patentes, marcas e direitos autorais. Entretanto, as cobranças pelo direito de reproduzir os bens importados no pais da importação não devem ser adicionados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelos bens importados na determinação do Valor Aduaneiro. 2. Pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender os bens importados não devem ser adicionados ao preço pago ou a pagar pelos bens importados, se esses pagamentos não foram condição da venda para exportação para o país da importação dos bens importados. Como se vê, o fato dos royalties serem devidos ao titular da marca para que os bens importados seja distribuídos ou revendidos no mercado nacional não devem ser incluídos no valor aduaneiro na importação. Essa conclusão é de uma simplicidade franciscana: eles não são condição da importação do bem, mas sim exigência legal para a distribuição do bem no território nacional a Lei nº 9.279/96 enuncia diversos tipos penais para aqueles que utilizem marcas, desenhos industriais, patentes etc., sem a autorização dos titulares desses direitos, a exemplo dos seus arts. 189 e 190: CAPÍTULO III DOS CRIMES CONTRA AS MARCAS Art. 189. Comete crime contra registro de marca quem: I reproduz, sem autorização do titular, no todo ou em parte, marca registrada, ou imitaa de modo que possa induzir confusão; ou II altera marca registrada de outrem já aposta em produto colocado no mercado. Fl. 17950DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.947 20 Pena detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. Art. 190. Comete crime contra registro de marca quem importa, exporta, vende, oferece ou expõe à venda, oculta ou tem em estoque: I produto assinalado com marca ilicitamente reproduzida ou imitada, de outrem, no todo ou em parte; ou II produto de sua indústria ou comércio, contido em vasilhame, recipiente ou embalagem que contenha marca legítima de outrem. Pena detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa. A conclusão é matemática e, se formulada silogisticamente, evidencia a situação: I) Todas as vendas lícitas de produtos com marca, no mercado nacional, estão condicionadas à autorização do titular da marca (art. 189 da Lei nº 9.279/96). II) Todas as autorizações dos titulares das marcas (conforme contratos dos autos) tem como condição o pagamento de royalties. III) Ergo todas as vendas lícitas de produtos com marca, no mercado nacional, tem como condição o pagamento de royalties. Ora, resta absolutamente claro que o pagamento dos royalties ao licenciante é condição de venda da mercadoria no mercado interno, nada tendo a ver com o valor aduaneiro a ser calculado, mas sim o a precificação do produto no âmbito nacional. Na linha do comentário da OMA mencionado acima, esses pagamentos não são condição da importação, mas apenas da venda interna, o que corrobora a não inclusão dos royalties no valor aduaneiro. Mais ainda, a Instrução Normativa SRF nº 318/2003 internalizou no Direito Brasileiro diversos atos normativos proferidos pela OMA, dentro os quais uma série de opiniões consultivas que versam sobre a inclusão ou não de royalties no valor aduaneiro e que, conquanto casuísticas, devem ser analisadas com a finalidade de identificar parâmetros gerais de identificação. É o que tentaremos fazer na planilha a seguir Opinião Consultiva Produto Importado Pagamento dos royalties/licença Vinculação Resultado 4.1 Máquina produzida por um processo patenteado. Instrução do vendedor para pagar ao titular da patente os royalties. irrelevante Inclusão 4.2 Discos fonográficos com obra musical Após a venda dos discos no mercado nacional, em decorrência da legislação nacional, os royalties são pagos ao titular do direito autoral Não há vinculação nenhuma entre o detentor do direito autoral e o fabricante. Não inclusão Fl. 17951DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.948 21 4.3 Máquina idealizada especialmente para processo patenteado. Pagamento em contrato separado da máquina. Não há vinculação nenhuma entre o detentor do direito autoral e o fabricante. Não inclusão 4.4 Concentrado patenteado para ser diluído e vendido no mercado nacional Pagamento na compra, também para o fabricante o fabricante é o detentor da patente Inclusão 4.5 Ingredientes essenciais de cosmético com marca registrada. Pagamento de royalties sobre o volume de venda, para o fabricante o fabricante é o detentor da marca Inclusão 4.6 Concentrado de bebidas que pode ser diluído e vendido com ou sem a marca registrada do fabricante Pagamento de royalties sobre o volume de venda com a utilização da marca registrada. o fabricante é o detentor da marca Inclusão apenas sobre a parcela vendida com a marca. 4.7 Discos fonográficos importados de gravadora que possui contrato com o detentor dos direitos autorais (ambos no mesmo país). Pagamento sobre o volume de vendas, à gravadora, que paga posteriormente ao detentor os royalties dos direitos autorais. a gravadora e o artista possuem um contrato prévio de exploração da obra musical. Inclusão. 4.8 Sapatos fabricados no exterior por terceiro, mediante arte e design fornecidos pelo titular da licença. Pagamento ao titular da licença sobre o volume de vendas. Não há vinculação entre o fabricante, o importador e o titular da licença Não inclusão 4.9 Antiflamatório não patenteado importado para a fabricação de uma preparação veterinária, com exploração da patente e marca no fabrico e venda. Pagamento de royalties para remunerar o uso da marca e da patente no mercado nacional. O exportador é o detentor da marca. Não inclusão, pois a utilização da marca e da patente registrada não está vinculada às mercadorias objeto de valoração. 4.10 Objetos de vestuário fabricados pelo detentor da marca. Pagamento dos royalties sobre o valor de venda, separado do preço das mercadorias. O fabricante é o detentor da marca. Inclusão 4.11 Vestimentas esportivas, na qual o importador e o fabricante são PJs vinculadas à matriz, detentora dos direitos de marca. Pagamento de royalties à matriz sobre o volume de vendas. O fabricante, o importador e o detentor da marca são vinculados. Inclusão. 4.12 Equipamento de moagem com tecnologia incorporada que envolve processo patenteado. Pagamento de royalties é feito diretamente ao fabricante, que remete a totalidade ao titular da patente. Irrelevante. Inclusão Fl. 17952DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.949 22 4.13 Sacolas esportivas do fabricante, com a afixação de etiquetas com a marca X, de titularidade de empresa vinculada ao importador. Pagamento direto dos royalties à titular. O importador e o proprietário da marca são vinculados, mas ambos não tem relação com o fabricante. Não Inclusão. Analisando a planilha elaborada, verificase que um elemento comum de todos os casos em que a OMA entendeu que não se incluem os royalties no valor aduaneiro é o fato do detentor da licença ou patente ser desvinculado do fabricante vejase, por exemplo, que na Opinião 4.13 havia vinculação entre o detentor da licença e o importador, mas ambos eram desvinculados do fabricante/exportador, e ainda assim determinouse a não inclusão dos royalties. A única exceção fica por conta da Opinião 4.9, mas pela simples razão do produto importado ser um insumo comum, referindose os royalties pagos à utilização de processo fabril para a produção e comercialização de um produto industrializado, é dizer, os royalties não tem qualquer relação com a aquisição do bem. Da mesma forma, outro elemento comum a todas as Opiniões Consultivas da OMA sobre a matéria dizem respeito ao pagamento dos royalties: em todos os casos de não inclusão, os royalties são pagos diretamente ao titular da licença ou direito, através de contrato próprio, e não através do fabricante ou por meio de instrução dele. Portanto, dois critérios podem ser abduzidos das soluções dadas pela OMA, para a não inclusão dos royalties no valor aduaneiro: I) o detentor da licença deve ser pessoa distinta e desvinculada do fabricante; II) o pagamento dos royalties deve se dar diretamente ao titular do direito, através de contrato próprio, sem qualquer instrução do fabricante. A Fiscalização menciona também a Opinião Consultiva nº 4.15, que foi emitida na 36ª Sessão do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial do Comércio, realizada em 2013, e que ainda não consta no anexo único da Instrução Normativa SRF nº 318/2003. O texto pode ser obtido por meio do site da Organização Mundial de Comércio, e é transcrito abaixo: “ADVISORY OPINION 4.15 ROYALTIES AND LICENCE FEES UNDER ARTICLE 8.1 (c) OF THE AGREEMENT 1. Importer I of country S enters into a licence agreement with licensor L established in country R under which I is required to pay to L, for the right to use its trademark in connection with manufacture and importation of the goods, a royalty consisting of a fixed percentage calculated on the net income obtained by I from sales in country S of the products bearing such trademark. In the event that I fails to pay L the royalty, L will have the right to terminate the licence agreement. L and I are related under the terms of the Valuation Agreement. Additionally, L has signed a supply agreement with company M of country X in order for M to manufacture the goods bearing its trademark and then to sell them to I. Under this agreement, M must follow the specifications relating to quality, design and Fl. 17953DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.950 23 technology provided by L. The agreement specifically states that M undertakes to produce and to sell products with this trademark exclusively to I or to other companies determined by L. Company M is not related to L or to I. I enters into a sales contract with M under which M sells to I goods bearing the trademark of L. There is no requirement in that contract to pay the corresponding royalty. The price actually paid by I to M for the imported goods does not include the royalty payable from I to L. Is the payment of the royalty from importer I to licensor L a condition of sale of the goods that I purchases from supplier M, and is this royalty related to the goods being valued? 2. The Technical Committee on Customs Valuation expressed the following view. Since the goods imported by I bear the trademark of L, it can be stated that the royalties in question are related to the goods being valued. Furthermore, in this case, pursuant to the supply agreement, L controls the production relating to the goods bearing its trademark by authorizing the manufacture of the licensed goods, determining which companies M may sell to, and directly providing the designs and technology for manufacturer M. Since L authorizes I to use the trademark in connection with the manufacture and importation of the goods pursuant to the provisions of the license agreement, L further influences and controls the transaction between M and I by selecting what party may use the trademark and purchase the imported goods. The sales contract between M and I does not contain any clause requiring payment of a royalty. However, payment of the royalty is made as a condition of sale of the goods, because I would not be able to buy them if it failed to make that payment to L. Nonpayment of the royalty to L by I would cause not only the termination of the licence agreement but also the withdrawal of the authorization given to M to manufacture and sell to I the goods bearing such trademark. The royalties in question, therefore, should be added to the price actually paid or payable for the goods under Article 8.1(c) of the Agreement.” O caso tratado pela Opinião Consultiva nº 4.15 possui, de fato, diversas similaridades com os contratos realizados pela Recorrente, mas, como diversas vezes disse o fictício Sherlock Holmes, "os pequenos detalhes são sempre os mais importantes.". Atentemos, pois, aos pequenos detalhes dessa opinião: I) O licenciante (L) e o importador (I) são partes vinculadas; II) Há um contrato de fornecimento é assinado entre o licenciante (L) e o fabricante/exportador (M), através do qual o L determina expressamente para quem M poderá Fl. 17954DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.951 24 vender, incluindo aí o I e eventuais outros compradores. Somente após esse contrato entre L e M, que I poderá contratar com M a compraevenda das mercadorias. III) Através do contrato de suprimento, L controla a produção de M, através da autorização para que M manufature as peças com a marca, e também determinando para quem M poderá vender, além de fornecer diretamente os designs para M. IV) Como L autoriza I a utilizar a marca em relação à fabricação e à importação dos bens, em conformidade com as disposições do contrato de licença, L adicionalmente influencia e controla a transação entre M e I, selecionando as partes que podem utilizar a marca e comprar os bens importados. V) Mesmo que o contrato de compraevenda entre M e I não contenha a cláusula de pagamento dos royalties, esse pagamento é condição da exportação das mercadorias, já que a operação é controlada por L. Apesar das características desse caso analisado pela OMA, a conclusão pela inclusão dos royalties no valor aduaneiro não destoa dos critérios abduzidos pelos demais, casos, visto que resta caracterizado um controle do Licenciante sobre o fornecimento de mercadorias do Fabricante para o Importador controle esse que não decorre de vínculos societários, mas sim de contrato de fornecimento assinado entre Licenciante e Fabricante caracterizando assim a vinculação apta a alçar os royalties pagos à condição de importação das mercadorias. Nihil novi sub sole é a lição da Vulgata para a tentativa de apresentar esta Opinião Consultiva como inovadora e definitiva para o caso sob julgamento. Como se vê, sob a perspectiva das Opiniões Consultivas da OMA, é necessário que : I) o detentor da licença seja pessoa distinta e desvinculada (societariamente ou contratualmente) do fabricante; II) o pagamento dos royalties se dê diretamente ao titular do direito, através de contrato próprio, sem qualquer instrução ou exigência do fabricante. Vejamos agora o teor de algumas das Soluções de Consulta exaradas pela Receita Federal do Brasil, acerca do tema, e invocadas pela fiscalização no termo de verificação fiscal: “SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF08 nº 483, de 18/12/2009 Assunto: Imposto sobre a Importação II VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES RELATIVOS A USO DE MARCA E DIREITOS AUTORAIS. De acordo com o artigo 8, item 1(c), do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 1355, de 1994, na determinação do valor aduaneiro deve ser acrescentado ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de royalties ou direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, desde que tais royalties devam ser pagos, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias no país de importação e na medida em que não estejam incluídos em seu preço. São passíveis de tal acréscimo os royalties devidos e Fl. 17955DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.952 25 pagos pelo importador a empresa VINCULADA sediada no exterior, em virtude de contrato com essa celebrado, relativos ao uso de marca e direitos autorais, sobre produtos importados para serem comercializados no Brasil, ainda que estes produtos não sejam importados daquela empresa, titular dos referidos direitos, mas, sim de outra EMPRESA DO MESMO GRUPO ECONÔMICO , portanto, também vinculada ao importador. Entendese que, nessas circunstâncias, os royalties a serem pagos constituem condição de venda das mercadorias, pois estão intrínseca e indissociavelmente ligados à possibilidade de sua comercialização no País, não podendo esta ocorrer sem o pagamento daqueles direitos, sem os quais, por conseguinte, é também inviável sua importação com o objetivo de prática da mercancia.” “SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF10 nº 74, de 17/10/2011 Assunto: Imposto sobre a Importação II VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. DIREITOS DE LICENÇA. A base de cálculo do imposto de importação, quando a alíquota for ad valorem, corresponde ao valor aduaneiro apurado segundo as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio Gatt 1994. Na determinação do valor aduaneiro com base no método do valor de transação deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, entre outros elementos, os royalties e os direitos de licença relacionados com a mercadoria objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessa mercadoria, na medida em que tais valores não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar. O valor de transação é o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/Gatt). O preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição de venda das mercadorias objeto de valoração, PELO COMPRADOR AO VENDEDOR, OU PELO COMPRADOR A TERCEIRO, PARA SATISFAZER UMA OBRIGAÇÃO DO VENDEDOR. Para fins de apuração do valor aduaneiro, deverá ser acrescentado ao preço efetivamente pago ou a pagar o valor dos bens e serviços fornecidos, direta ou indiretamente, pelo comprador, para serem utilizados na produção da mercadoria importada. Os bens e serviços, aqui referidos, compreendem, entre outros, os materiais, componentes, partes e elementos semelhantes incorporados à mercadoria, os materiais consumidos na produção e os projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de design, e planos e esboços, realizados no exterior.” Como podemos ver nos campos grifados, a primeira consulta (Solução de Consulta DISIT/SRRF08 nº 483, de 18/12/2009) diz respeito a hipóteses em que o licenciante, Fl. 17956DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.953 26 o importador e o fabricante são partes vinculadas, componentes de um mesmo grupo econômico, ao passo que a segunda consulta (Solução de Consulta DISIT/SRRF10 nº 74, de 17/10/2011) diz respeito à hipótese em que os royalties são pagos diretamente ao exportador ou pagos a terceiro, por exigência do exportador. Portanto, é absolutamente claro que os critérios elencados nas soluções de consulta da RFB se encontram alinhados com aqueles por nós apresentados, à partir da análise de todas as opiniões consultivas da OMA, a respeito do tema. Verificada a concordância da Receita Federal com os critérios apresentados anteriormente, cabe agora verificar como a matéria tem sido tratada no âmbito do CARF, haja vista que por se tratar de uma matéria que depende eminentemente do caso concreto, a simples leitura da ementa ou do dispositivo não permite a assunção de conclusões seguras a respeito. I) Acórdão CARF nº 3402002.444 (Caso Pirelli), julgado em Agosto de 2014. Nesse caso, a Pirelli Pneus Ltda. realizada duas operações distintas e independentes com a sociedade Pirelli Tyre S.P.A (estrangeira): a) o pagamento dos royalties que se referem à transferência de tecnologia e Knowhow necessários à fabricação dos pneumáticos que serão produzidos e comercializados pela recorrente no mercado nacional; e b) o pagamento pelos insumos (borracha) utilizados para fabricação dos produtos nacionalmente (insumos estes que também eram adquiridos de diversos outros fornecedores estrangeiros). No julgamento, verificouse que os royalties pagos não eram condição de venda dos insumos (que inclusive eram adquiridos de diversas pessoas distintas), mas sim condição da industrialização deles em território nacional, razão pela qual os mesmos não deveriam ser considerados como condição de venda e incluídos no valor aduaneiro. Tratase de um caso absolutamente similar à opinião consultiva 4.9 da OMA, haja vista que apesar do exportador ser também o licenciante, o knowhow cedido não tem qualquer vinculação com o produto importado, mas sim com a etapa de industrialização e comércio que ocorrerá em território nacional. Andou bem, portanto, o Conselho, se alinhando à orientação internacional, a despeito do caso não ser similar àquele posto sob julgamento. II) Acórdão nº 3201002.050 (Caso Dow Brasil), julgado em Fevereiro de 2016. Neste caso, a empresa brasileira adquiria produtos licenciados da fornecedora estrangeira, que também era detentora da licença, sendolhe concedida autorização para revender tais produtos, mas também para produzilos em território nacional, para serem vendidos. No julgamento, o relator do caso entendeu que embora a licença tenha sido conferida à importadora para a produção, o uso e a venda dos produtos licenciados, o pagamento dos royalties só se tornou, no caso, devido quando houve a venda no mercado interno, razão pela qual não deveria ser considerado como condição de venda. Como fundamento, invocouse no acórdão a Opinião consultiva 4.2 a nosso ver de forma equivocada , fazendo a ressalva de que na hipótese tratada nela Fl. 17957DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.954 27 haveria uma distinção entre o licenciante e o exportador, para em seguida aplicar a sua conclusão pela não inclusão dos royalties. Data maxima venia, a decisão foi equivocada, pois tratou como irrelevante o principal aspecto do caso concreto a unipessoalidade do licenciante e do fabricante das mercadorias vendidas, já apontada anteriormente como um dos principais critérios para a verificação da inclusão ou não dos royalties no valor aduaneiro. Isso fica evidenciado compulsandose a Opinião 4.10, que trata de situação análoga às circunstâncias daquele caso, no qual o controle do licenciante sobre o fornecimento das mercadorias caracterizava os royalties como condição de venda, ainda que pagos apenas após a venda no mercado nacional. III) Acórdão nº 3301002.478 (Caso Iguasport), julgado em Novembro de 2014. Neste caso, a empresa brasileira era franqueada de empresa estrangeira (a ela vinculada), que lhe fornecia o Knowhow comercial e autorizava a publicidade em nome da marca, além de autorizar a venda de produtos importados daquela marca no território nacional. A aquisição desses produtos, por sua vez, era feita de fabricantes autorizados pela empresa detentora da Marca. Um ponto merece destaque, nesse caso: entre os exportadores, havia empresas vinculadas à detentora da marca, mas também empresas independentes (não fica claro no voto se há algum vínculo contratual entre a fabricante e a licenciante). Nesse caso, em relação àquelas mercadorias fornecidas da fabricante vinculada à licenciante, seria hipótese de aplicação da Opinião Consultiva 4.11 (com a inclusão dos royalties no valor aduaneiro), em razão do controle sobre o fornecimento das mercadorias, ao passo que em relação às demais, aplicarseia a Opinião 4.8, pois haveria somente o fornecimento da marca e design, por parte do importador, ao fabricante, com os royalties sendo devidos na venda da mercadoria no território nacional, o que implicaria na não inclusão desse valor na base de cálculo dos tributos aduaneiros solução esta aplicada pela Turma Julgadora ao caso. Além disso, caso houvesse um contrato específico entre a detentora da marca e os fabricantes, com a concessão da marca e designs, para posterior importação pelos franqueados espalhados por diversos países, seria caso de aplicação da Opinião 4.15, que prescreve a inclusão dos royalties. IV) Acórdão CARF nº 3402002.417 (Caso Fiat), julgado em Julho de 2014. Neste caso, a empresa brasileira contratou junto à licenciante a concessão do knowhow de fabricação de determinados veículos e o direito de utilização da marca na revenda dos veículos no território nacional, importando as partes e peças a serem utilizadas na industrialização de outras empresas (todas pertencentes ao mesmo grupo econômico da licenciante). Entretanto, nos autos fica claro que a importadora somente deveria pagar royalties sobre a receita líquida de venda dos veículos produzidos no país, mas não daqueles importados prontos, o que deixa claro que o valor remunerava especificamente o knowhow de fabricação. Nesse caso, não há nenhuma Opinião Consultiva que se adeque expressamente, mas há uma grande aproximação com a 4.9, visto que o que se Fl. 17958DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.955 28 importa são os insumos, ao passo que os royalties se referem ao fabrico e venda das mercadorias no âmbito nacional. V) Acórdão CARF nº 3401003.194 (Caso Alpargatas), julgado em Julho de 2016. Este é, sem dúvida, o mais abalizado acórdão a respeito da matéria no repositório de precedentes deste CARF, cujo voto vencedor foi elaborado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan. No caso concreto, a importadora brasileira era franqueada da licenciadora estrangeira (detentora da marca), estabelecendo contratualmente uma cláusula de "compra exclusiva", através da qual a empresa brasileira somente poderia importar as mercadorias de fabricantes afiliados da licenciadora ou terceiros designadas por esta (denominados de "fontes"). O que se verifica, portanto, é que todos os fornecedores são vinculados ao licenciante seja por vínculos societários, seja por vínculos contratuais, inclusive com possibilidade de obstar a exportação em caso de não pagamento dos royalties devidos. O relator invoca, em seu voto, a Opinião Consultiva 4.13, que absolutamente nada tem a ver com o caso concreto, pois diz respeito à afixação de etiquetas em produtos prontos, fabricados por empresa totalmente desvinculada da licenciante. Corretamente, o voto vencedor apontou uma proximidade muito maior com a Opinião Consultiva 4.11 especialmente em relação aos fornecedores afiliados do licenciante , mas também a 4.15, para os fornecedores que tem vínculo contratual com a licenciante para vender produtos somente para seus franqueados. Nesse caso, a inclusão dos royalties se justifica em razão do controle exercido pela licenciante sobre o fornecimento internacional de mercadorias, caracterizando o pagamentos dos royalties ainda que em contrato apartado como condição da venda dos produtos. Correto, pois, o abalizado entendimento do Conselheiro Trevisan, e alinhado às diretrizes da OMA, analisados anteriormente. Como se vê da sucinta análise feita dos acórdãos indicados, verificase que há casos em que: i) houve a exclusão dos royalties na esteira dos critérios internacionais; ii) houve a inclusão dos royalties na esteira dos critérios internacionais; iii) houve a exclusão dos royalties contrariamente aos critérios internacionais. Nos acórdãos se verificou com honrosas exceções um baixo apuro das circunstâncias concretas, cingindose à análise da existência de dois contratos apartados (com o licenciante e com o fabricante) quando, como já apontado, esse não é um critério suficiente para verificar se estes são ou não condições da venda. Isso se verifica, sobretudo, na remissão a opiniões consultivas que não possuem similaridade às circunstâncias concretas, ou não possuem similaridades no tocante às características relevantes para os critérios adotados pelas opiniões da OMA. Tratase, pois, de uma matéria que dificilmente possuirá uma jurisprudência consolidada no âmbito deste Conselho, visto que as peculiaridades concretas impactam diretamente a possibilidade ou não de inclusão dos royalties no valor aduaneiro. Feito essa exposição sobre os critérios de determinação dos royalties como condição de venda, cumpre agora analisar os contratos da Recorrente, um a um. Fl. 17959DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.956 29 I) Mattel do Brasil Ltda. Inicialmente, frisese que é reconhecido pela própria fiscalização que a Licenciante, a RecorrenteImportadora e a Fabricante não são partes vinculadas. Compulsando o contrato, se verifica que os royalties são devidos pela venda dos produtos com a marca discriminada, nas lojas da Recorrente, sujeitandose o pagamento conforme a taxa de royalties estabelecida em fl. 16454, além de se comprometer à realização de despesas com marketing e publicidade dos produtos licenciados (fl.16455): Além disso, a Licenciante exige que os materiais do produto seja fornecidos a ela para autorização, como forma de controlar a qualidade dos produtos nos quais a sua marca será integrada (fl. 16456): Tal ponto foi invocado pela Fiscalização para sustentar que a Licenciante teria controle sobre todo o fornecimento de bens, caracterizando assim o pagamento de royalties como condição de venda. Entretanto, laborou em equívoco a Fiscalização nesse ponto, ao confundir a vinculação contratual ou societária entre o licenciante e o fabricante (que é critério da OMA para a inclusão dos royalties no valor aduaneiro), com o direito do titular do registro de exercer a supervisão sobre a forma como a marca será utilizada. É preciso frisar que tal poder sequer decorre de contrato, mas sim de expressa determinação legal, constante no art. 139 da Lei nº 9.279/1996 (Lei da Propriedade Industrial), que assim prescreve: Art. 139. O titular de registro ou o depositante de pedido de registro poderá celebrar contrato de licença para uso da marca, sem prejuízo de seu direito de exercer controle efetivo sobre as especificações, natureza e qualidade dos respectivos produtos ou serviços. Tal poder do licenciante é reconhecido por lei, independente de previsão contratual e decorre da natureza específica do contrato de licença de uso, como expressado pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 1.387.244/DF, no voto do Min. João Otávio de Noronha: A marca, muito mais que mera denominação, traz em si o conceito do produto ou serviço que a carrega, identificandoo e garantindo seu desempenho e eficiência. Além disso, possui feição concorrencial: distinguea dos concorrentes; facilita o reconhecimento e a captação de clientes; diminui o risco para a Fl. 17960DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.957 30 clientela, que conta com a padronização dos produtos, serviços, atendimento e demais atributos que cercam a marca. Com a licença de uso, o licenciado comprometese, ex lege, com a integridade e reputação da marca, obrigandose a zelar por ela. (grifo nosso) (REsp 1387244/DF, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/02/2014, DJe 10/03/2014) Muito diferente é a situação fática invocada pela fiscalização que justificaria a aplicação da Opinião Consultiva 4.15, conforme a própria tradução feita pelo auditor (fl. 2918): Além disso, L assinou um acordo de fornecimento com a empresa M, do país X, a fim de que M fabrique os produtos que ostentem a sua marca e, em seguida, vendaos a I. Nos termos deste acordo, M deve seguir as especificações relacionadas com a qualidade, design e tecnologia fornecidas por L. O acordo prevê especificamente que M comprometese a produzir e vender produtos com esta marca exclusivamente a I ou a outras empresas determinadas por L. Nesse caso, há um vínculo contratual, através de um contrato de fornecimento, entre a licenciante e o fabricante, de modo que os produto seria fabricado de acordo com as especificações passadas diretamente pela licenciante (é dizer, não há mera supervisão, mas sim determinação), incluindo aí a determinação das pessoas para quem o produto poderia ser exportado nesse caso, há um claro controle do licenciante sobre todo o processo produtivo e sobre o fornecimento dos bens ao importador brasileiro, que pode ser imediatamente interrompido no caso de cessação do pagamento dos royalties. Novamente, no caso concreto, analisando os contratos dos autos, o que há é simplesmente a previsão do exercício de supervisão por parte do licenciante, de resto absolutamente cediço nos contratos de licenciamento e previsto na legislação pertinente não há qualquer prova de controle do licenciante sobre o fluxo de fornecimento entre o fabricante estrangeiro e a Recorrente. Ademais, aduziu a fiscalização: O item 5 (“Direitos de Aprovação e Controle da Licenciadora”) estabelece, dentre outras obrigações, que a “Licenciada deverá obter a Aprovação da Licenciadora em cada estágio do desenvolvimento e da criação de cada Produto (“Estágios de Desenvolvimento”)”. Ou seja, é imperioso o aval da Licenciadora para que ocorra a fabricação dos produtos e, por conseguinte, a comercialização dos mesmos entre a Fabricante e a Licenciada. A informação prestada pelo Fiscal está, no mínimo, imprecisa, visto que se contradiz com o que há no contrato e com seu próprio relatório fiscal: como se vê, licenciadora aprova cada estágio do DESENVOLVIMENTO e CRIAÇÃO, para se chegar ao modelo que será produzido. Após esse aval, não há qualquer controle sobre a comercialização dos bens entre a Fabricante e a Recorrente. Fl. 17961DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.958 31 Outro ponto aduzido pelo Fiscal é o seguinte: Por seu turno, o item 7 do anexo B4, “Contrato do Fabricante” – por determinação da MATTEL os fabricantes dos produtos licenciados estão sujeitos à celebração de um contrato, cujas disposições revelam uma sujeição destes fabricantes à Licenciante MATTEL – , estabelece que, na rescisão ou término do contrato entre a MATTEL e a C&A, o fabricante concorda em imediatamente interromper e desistir da fabricação de qualquer produto . Compulsando o referido anexo, se verifica novamente que a informação dada pelo fiscal foi imprecisa, pois o que há é o compromisso da Fabricante de atender a certos princípios globais de fabricação, como não utilizar trabalho infantil, manutenção de ambiente de trabalho hígido, não utilização de trabalho forçado ou presidiário, atendimento da legislação trabalhista local e vedação à prática de discriminação baseada em raça, religião, origem etc. O que o contrato prevê é a possibilidade da Licenciadora realizar inspeções nas instalações do Fabricante para verificar o atendimento a esses termos mencionados acima, o que se inclui no próprio direito de supervisão do titular da marca muito dista, tal direito, de uma submissão da Fabricante à Licenciadora, como quis induzir a fiscalização. A análise do contrato deixa claro que a situação é absolutamente análoga à Opinião Consultiva 4.8: ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8.1 c) DO ACORDO 1. O importador I conclui com o detentor da licença L, estabelecido no país X, um contrato de licença/royalty segundo o qual I aceita pagar a L uma quantia fixa, a título de royalty, relativa a cada par de sapatos, importado para o país de importação, que apresente a marca registrada de L. O titular da licença L fornece trabalhos de arte e de design relacionados com a marca registrada. O importador I conclui outro contrato com o fabricante M do país X para a compra de sapatos que apresentem a marca registrada de L afixada nos sapatos por M, entregando a este os trabalhos de arte e de design fornecidos por L. O fabricante M não está licenciado por L. Este contrato de venda não contém qualquer referência a pagamento de royalty. Não há vinculação entre o fabricante, o importador e o titular da licença.. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O importador é obrigado a pagar um royalty para a obtenção do direito de uso da marca registrada. Esta obrigação resulta de um contrato distinto que não se relaciona com a venda para exportação das mercadorias para o país de importação. As mercadorias são adquiridas de um fornecedor consoante outro contrato e o pagamento do royalty não é uma condição de venda destas mercadorias. Portanto, o pagamento do royalty, neste caso, não deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar. O caso analisado possui todos os elementos fáticos relevantes para aplicação dessa opinião: i) ausência de vinculação entre Importador, Licenciadora e Fabricante. Fl. 17962DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.959 32 ii) contrato de licença entre a Licenciadora e o Importador, para fornecimento de trabalhos de arte e design relacionados à marca registrada; iii) contrato de fornecimento entre o Importador e o Fabricante, para a produção das mercadorias de acordo com a arte e design fornecido pela Licenciadora; iv) O Fabricante não possui a licença e não consta no seu contrato qualquer referência ao pagamento de royalties; A decisão do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, na esteira da Nota Explicativa nº 2 ao item 8.1 c) do AVAGATT, citado anteriormente, entendeu que sob estas circunstâncias os royalties eram pagos como condição da distribuição ou revenda dos bens importados, razão pela qual não deveriam ser incluídos no valor aduaneiro. Senão vejamos sua disposição literal: 2. Pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender os bens importados não devem ser adicionados ao preço pago ou a pagar pelos bens importados, se esses pagamentos não foram condição da venda para exportação para o país da importação dos bens importados. Desse modo, não há nos autos qualquer prova que os royalties pagos à MATTEL sobre o valor líquido de vendas dos produtos licenciados seja condição de importação destes, tampouco estando presentes nesse caso quaisquer circunstâncias que identifiquem essa característica, razão pela qual deve ser dado provimento ao Recurso a respeito das mercadorias importadas com marcas dessa empresa. II) The Walt Disney Company (Brasil) Ltda; ITC América Latica S/C Ltda; Warner Bros (South) INC.; Playboy Enterprises Internacional; Compulsando esse contrato, se verifica que o contexto fático é absolutamente similar àquele da MATTEL, com a supervisão sobre o modelo dos produtos que serão produzidos, mas sem ingerência da Licenciadora sobre a Fabricante o que há, efetivamente, é o direito da Licenciadora de negar certos Fabricantes que não se adequem aos princípios internacionais que regem as relações de trabalho, até mesmo como forma de proteção da sua marca, na linha do art. 139 da Lei nº 9.279/96. Da mesma forma, os royalties são pagos diretamente à Licenciadora, por contrato próprio, e calculados sobre o valor líquido das vendas, sendo condição da distribuição desses bens no mercado nacional, mas não da importação deles. Ademais, há que se frisar que nos contratos de licenciamento há menção expressa quanto a liberdade da Recorrente de subcontratar a fabricação dos produtos ou partes desses produtos licenciados, o que demonstra que as Licenciadoras não possuem qualquer ingerência sobre as Fabricantes, para além do direito de supervisão. Além disso, em todos os casos o fiscal se apega à cláusula contratual na qual a Recorrente se compromete a fazer cessar as importações após o vencimento ou encerramento do contrato de licença, para concluir que isso caracterizaria que o pagamento dos royalties seria condição da importação. Na verdade, essa cláusula também é despicienda em vista do art. 190 da Lei nº 9.279/96, verbis: Fl. 17963DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.960 33 Art. 190. Comete crime contra registro de marca quem importa, exporta, vende, oferece ou expõe à venda, oculta ou tem em estoque: I produto assinalado com marca ilicitamente reproduzida ou imitada, de outrem, no todo ou em parte; ou II produto de sua indústria ou comércio, contido em vasilhame, recipiente ou embalagem que contenha marca legítima de outrem. Pena detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa. Ora, a cláusula simplesmente aduz que encerrado o contrato de licença, o Importador não poderá mais utilizar a marca, bem como designs e artes fornecidos pela Licenciado, de modo que a utilização para a composição de modelos que serão encomendados a um fabricante estrangeiro configuraria crime, nos termos do artigo citado. Dessa forma, o artigo simplesmente diz: "Recorrente, não cometa crimes contra a propriedade industrial" o que de resto já está assaz prescrito pela lei. Todos esses contratos parecem se subsumir claramente à Opinião Consultiva 4.8, já exposta anteriormente. III) Cofra Holding AG Em relação aos produtos licenciados pela Cofra, a situação é um pouco diferente, visto que recebeu um tratamento específico e bem mais detalhado que os demais contratos. Como informado pela fiscalização: a C&A é vinculada à COFRA (proprietária das marcas), conforme já mencionado em tópico específico deste relatório fiscal. conforme informado pelo próprio sujeito passivo, por meio da planilha “Mercadorias_Complementar_Gisele_Cofra.xlsx”, o fornecedor dos produtos licenciados, importados pela C&A, é também vinculado ao grupo COFRA: Nesse caso, aplicase o critério adotado pela OMA de vinculação entre o Fabricante e a Licenciadora para determinar que os royalties são condição de venda e devem ser incluídos no valor aduaneiro, na esteira da Opinião Consultiva 4.11: ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8.1 c) DO ACORDO Fl. 17964DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.961 34 1. O fabricante M de vestimentas esportivas e o importador I são ambos vinculados à matriz C, que possui os direitos de uma marca registrada afixada nessas vestimentas. O contrato de venda entre M e I não prevê o pagamento de royalty. Entretanto, I é obrigado a pagar um royalty a C, em virtude de um acordo distinto com este celebrado, para a obtenção do direito de uso da marca registrada afixada nas vestimentas que I adquiriu de M. O pagamento do royalty constitui uma condição de venda e está relacionado com os artigos de vestuário esportivos importados? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O contrato de venda entre M e I, cobrindo as mercadorias objeto da marca registrada, não contém cláusula que imponha expressamente o pagamento de um royalty. Entretanto, o pagamento em questão é uma condição de venda, uma vez que I é obrigado a pagar o royalty à matriz em razão da compra das mercadorias. I não está autorizado a utilizar a marca registrada sem o pagamento do royalty. A inexistência de contrato escrito com a matriz não anula a obrigação que I tem de efetuar o pagamento por ela exigido. Pelas razões expostas, o pagamento pelo direito de uso da marca referese às mercadorias objeto de valoração e a quantia correspondente deve ser acrescida ao preço efetivamente pago ou a pagar A ratio da opinião é exarada é justamente que a vinculação existente entre a Licenciadora e a Fabricante permite que aquele controle o fornecimento de mercadorias ao Importador, condicionando esse fornecimento ao pagamento de royalties. Nesse caso, a relação entre a Cofra e a Recorrente é irrelevante para o caso vejase, por exemplo, a Opinião Consultiva 4.13, na qual a vinculação entre Licenciadora e Importadora não implicou na consideração dos royalties devidos pela revenda dos bens nacionalmente como condição de importação dos bens. Nesse caso, portanto, correto o entendimento fazendário. IV) Gisele Inc. e Gisele Bündchen Este caso também possui certas peculiaridades, devendo ser tratado em separado. O contrato de licença assinado com a Gisele Inc., através do qual a modelo cede seu nome e imagem para "lançar, promover e comercializar, coleções de roupas femininas, acessórios e calçados que serão desenvolvidos e inspirados no estilo de vestir da Modelo e que comercializadas sob a designação Coleção Gisele Bündchen para C&A". Como se vê, a licença tem como objeto a imagem para fins de divulgação isto é, atrelando a imagem da modelo a determinadas roupas, como forma de estimular a compra das peças no mercado nacional em momento nenhum a imagem da modelo será utilizada nas peças vendidas pelo contrário, isso é expressamente vedado pelo contrato: Fl. 17965DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.962 35 Como se vê, em momento algum o contrato trata de licença de uso da marca "Gisele Bundchen" ou imagem da modelo nos produtos a serem importados, mas apenas para a produção de campanhas e materiais publicitários que irão alavancar as vendas nacionalmente. A única exceção é a possibilidade de fazer constar o nome "Gisele Bündchen" na etiqueta, para identificar a peça como pertencente à "Coleção GB" situação esta largamente distinta de, por exemplo, estampar um personagem da Disney ou da Marvel em uma camiseta. Reproduzo outros trechos do contrato: Como se vê, o cerne da licença é o direito de uso da imagem e do nome da modelo para impulsionar a venda das mercadorias, mas não para a confecção das mercadorias em si. Há no contrato também o estabelecimento de supervisão por parte da Licenciante, ficando claro que a Recorrente deverá contratar a estilista e consultora de moda responsável pela elaboração dos designs e artes da coleção, que serão posteriormente aprovados pela Licenciante: Fl. 17966DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.963 36 Em momento nenhum a Licenciante indica quem deverá ser o Fabricante, ou estabelece qualquer vínculo societário ou contratual com este. Por fim, resta absolutamente claro que os royalties são pertinentes à atividade publicitária e não à produção das mercadorias no item 5.6 (fl. 171734), no qual fica consignado que a Recorrente poderia vender os produtos mesmo após o término do contrato de licenciamento, mas restando vedada a possibilidade de utilização do material publicitário na divulgação, no prazo de 60 dias: Como se vê, os valores pagos à Gisele Inc. são relativos à utilização da marca na venda de mercadorias como participantes da "Coleção GB" (falase sempre em "veiculação das Campanhas") o produto em si não ostenta a marca ou a imagem da Licenciante (salvo na etiqueta, mediante permissão contratual específica), de modo que não há qualquer vinculação à produção e posterior exportação do bem, não devendo ser incluído no valor aduaneiro. No presente caso, os royalties não tem a menor possibilidade de serem tratados como condição de venda das mercadorias, já que são cobrados em razão de campanha publicitária realizada pela Recorrente para a venda dos produtos em território nacional. Desse modo, tem razão o contribuinte nesse ponto. Dos Juros sobre a multa de ofício Contesta o Recorrente a incidência de juros sobre multa de ofício. Sobre isto, entendo ter razão o contribuinte, pelo que tomo como os meus os fundamentos esposados pela Fl. 17967DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.964 37 Conselheira Thaís de Laurentiis no Acordão 3402003.148, em seu voto vencedor sobre esta matéria, reproduzido abaixo: Com relação à não incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, entendo que assiste razão à Recorrente. Isto porque inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência. Com efeito, o artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430, de 37 de dezembro de 1996 (“Lei n. 9.430/96) dispõe que sobre os “ “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, (...) não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora”, e que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora”. O comando do citado artigo, portanto, determina que sobre os débitos (tributos) será aplicada multa de mora quando pagos a destempo, e sobre os débitos aplicarseá, igualmente, os juros de mora. Contudo, a multa de ofício não foi incluída no débito tributário para fins de aplicação dos juros. Seria de fato “ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput”, nas palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Vêse, assim, que a literalidade do artigo separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Parece ter assim andado o legislador buscando estar em sintonia com as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional (“CTN”), com o status de lei complementar que tem ao dar cumprimento às funções estipuladas pelo artigo 146 da Constituição Federal. Efetivamente, o CTN além de claramente separar a natureza jurídica dos tributos (invariavelmente decorrente de condutas lícitas, segundo o artigo 3ª) e das multas (penalidades pela prática de ilícitos, ou seja, sanções aplicadas quando da ocorrência de infrações ao sistema tributário), em seu artigo 161 coloca que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” O artigo 161 do CTN, destarte, desintegra as penalidades do crédito tributário para fins de aplicação dos juros. Afinal, caso quisesse que as penalidades estivessem abarcadas pela locução “crédito”, no início do dispositivo, não as teria destacado e dado tratamento diferenciado ao final do mesmo dispositivo legal. Fl. 17968DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.965 38 Ressalto que não se está aqui a olvidar que a separação entre crédito tributário (do ponto de vista do Fisco, o que corresponde ao débito tributário, do ponto de vista do contribuinte) e penalidades, do artigo 161 do CTN, colide com outras normas trazidas pelo próprio CTN, vale dizer, o artigo 1131 combinado com o artigo 139,2 os quais, lidos conjuntamente, levam à conclusão de que o crédito tributário abarca toda a obrigação principal, composta tanto pelos tributos como pelas penalidades pecuniárias devidas pelo contribuinte aos Cofres Públicos. Tal incoerência, contudo, não é suficiente para afastar a dissociação entre crédito/débito tributário e penalidades, estampada tanto no artigo 161 do CTN como no artigo 61 da Lei n. 9.430/96, quando tratam especificamente a incidência dos juros sobre os valores devidos pelos contribuintes ao Fisco. Em ambos os dispositivos somente há autorização para a incidência de juros (no âmbito federal representado pela SELIC) sobre o crédito/débito, entendido como aquele decorrente de fatos gerados de tributos, mas não sobre as penalidades tributárias. As incoerências da legislação tributária são diversas, cabendo aos órgãos julgadores solucionálas da maneira mais lógica e justa possível, que é justamente o que aqui se pretende, chegando, das razões acima expostas, à conclusão pela não incidência de juros sobre a multa de ofício. Nesse sentido vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013; Acórdão 3402002.862, de 26 de janeiro 2016), porém ainda não consolidada. Assim, ao meu ver, é nesse sentido que deve ser interpretada a Súmula CARF n. 4,3 cujo teor impõe o reconhecimento como devida a SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. São sim devidos os juros SELIC, mas tão somente sobre os tributos no período de inadimplência, e não sobre eventuais multas de ofício cobradas no mesmo suporte documental (auto de infração). Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. Neste ponto, insta mencionar que não seria aplicável ao presente caso o art. 43, da Lei n.º 9.430/96, mencionado no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser Fl. 17969DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.966 39 formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifo nosso) Como se depreende do relatório, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de ofício sobre o valor do tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. Por fim, cumpre tecer alguns comentários sobre o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, que poderia ser citado como fundamento da posição em sentido contrário a aqui exposta. Tratase do AgRg no REsp 1.335.688PR, segundo o qual: "entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: 'É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.' (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." Com a devida vênia ao Egrégio Tribunal, entendo que a decisão ali alcançada não merece guarida. Para ser mais precisa, por uma análise acurada do teor do julgamento, entendo que o STJ ainda não se manifestou sobre a específica questão aqui discutida, pois no AgRg no REsp 1.335.688PR não foi trazido um único fundamento de decidir a respeito da diccção do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96, apresentada alhures, tendo sido a decisão calcada em acórdãos do próprio órgão que não resolvem ao tema. Explico. No Recurso Especial n. 1.335.688, bem como no Agravo de Instrumento de mesmo número, as razões de decidir do Ministro Relator Benedito Gonçalvez se limitam a afirmar que o acórdão do TRF da 4ª Região, objeto de reclame do contribuinte, ao decidir pela incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício espelhou a jurisprudência firmada pelas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, justamente como consta no trecho da ementa acima citado, quais sejam: o REsp 1.129.990/PR e o REsp 834.681/MG. Ocorre que no REsp 1.129.990/PR, segundo os dizeres do Ministro Castro Meira (Relator) "a questão devolvida a este Superior Tribunal de Justiça consiste em saber se a multa decorrente do inadimplemento de ICMS sujeitase à incidência de juros de mora, como defende o Fisco Estadual, ou sequer integra o crédito tributário e, portanto, não pode sofrer este Fl. 17970DF CARF MF Processo nº 10314.720709/201611 Acórdão n.º 3402004.983 S3C4T2 Fl. 17.967 40 acréscimo, conforme a tese adotada pelo acórdão hostilizado." Não são necessárias maiores digressões para chegar a conclusão de que se a matéria analisada pelo STJ nesse caso dizia respeito à tributo estadual (ICMS), de modo que não foi objeto de apreciação a legislação federal que fundamenta o presente voto (artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96). Com efeito, o r. acórdão teve como base unicamente as normas constantes dos artigos 113, 139 e 161 do CTN. Na mesma problemática incorre o REsp 834.681/MG, no qual discutiase, em primeiro lugar, a aplicabilidade da taxa Selic como índice legítimo de correção monetária e juros de mora para a correção de débitos do contribuinte perante a Fazenda Pública estadual (de Minas Gerais, in casu). Como segundo ponto enfrentado pelo STJ aparecia a incidência dos juros sobre a multa de ofício que, por óbvio, também se limitava ao âmbito da legislação estadual, provável razão pela qual mais uma vez o Tribunal silenciou sobre a exegese do artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Constatase, assim, que os precedentes utilizados como alicerce para a decisão do AgRg no REsp 1.335.688PR não tangenciaram especificamente os dizeres do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Por essa razão não vislumbro qualquer razão para alterar o posicionamento majoritário que vem sendo adotado por esse Colegiado, a respeito da falta de previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal. Portanto, procede o pleito da Recorrente quanto à exclusão dos juros sobre multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo a inclusão dos royalties no valor aduaneiro dos produtos licenciados pela empresa COFRA, nos termos da Opinião Consultiva 4.11 da OMA, e afastando a cobrança de juros sobre multa de ofício. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 17971DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.003604/93-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE (IRRF). COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtê-lo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega.
Numero da decisão: 9101-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE (IRRF). COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtê-lo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13805.003604/93-30
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5847471
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.437
nome_arquivo_s : Decisao_138050036049330.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 138050036049330_5847471.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7185566
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008371068928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13805.003604/9330 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.437 – 1ª Turma Sessão de 07 de fevereiro de 2018 Matéria RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DERSA DESENVOLVIMENTO RODORIÁRIO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE (IRRF). COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 36 04 /9 3- 30 Fl. 860DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre as formas possíveis para comprovação de retenções na fonte. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 130200.945, de 05/07/2012, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras coisas, admitir a possibilidade de comprovação de retenções na fonte mediante apresentação de documentos outros que não o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RENDIMENTOS PARCIALMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. PROPORCIONALIDADE. É direito do sujeito passivo computar, no saldo negativo apurado ao final do exercício, o imposto retido sobre as receitas de aplicação financeira efetivamente contabilizadas e reconhecidas na base de cálculo, pois o tributo não pode ser utilizado como sanção pela omissão parcial de receitas, nos termos do art. 3º do CTN, respeitado o princípio da proporcionalidade. IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos a seguir: Fl. 861DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 4 3 DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL o colegiado a quo aceitou como prova documentos diversos do comprovante de retenção apresentados em cópias; para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, é transcrito precedente que, diversamente do entendimento demonstrado nos autos, exige que o contribuinte comprove, para fins de restituição de IRPJ decorrente de IRRF retido, somente pela apresentação do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (informe de rendimentos): Acórdão 140100.115 Tributo/Matéria: IRPJ restituição e compensação. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 1999. Ementa COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. RETENÇÃO NA FONTE COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DA CSLL A pessoa jurídica poderá compensar o valor de até 1/3 da COFINS efetivamente pago, relativo aos meses do anocalendário, na apuração de 31/12/1999 (ajuste anual), sendo que o excesso não compensado no ajuste anual não poderá ser compensado e nem utilizado em períodos posteriores. quanto ao objeto de insurgência, assim se manifestou a decisão paradigma: [...]; o precedente acima citado comprova, de forma cabal, a necessidade de que o contribuinte comprove, de forma idônea e contundente, e somente pela apresentação do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (informe de rendimentos), o valor retido a título de IRRF; de acordo com a jurisprudência invocada, os aludidos comprovantes constituem exigência legal inafastável para a compensação do IRRF na apuração do imposto de renda devido ao final do ano; assim, fica comprovada a divergência sobre a matéria, tendo em vista que o acórdão recorrido, de modo diverso da decisão paradigma, aceitou os valores de IRRF no cálculo do imposto apurado no ajuste anual, sem a apresentação dos comprovantes de retenção; Fl. 862DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 5 4 demonstrada a divergência jurisprudencial diante dos acórdãos paradigmas acima transcritos, nos termos do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, afiguramse presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO a exigência de apresentação do comprovante de retenção emitido em nome da empresa pela fonte pagadora (informe de rendimentos) para fins de comprovação da retenção de IRRF decorre de expressa disposição legal: Lei nº 7.450/85 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. esta norma se encontra reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n º 3.000/99 (art. 943); o mesmo Regulamento ainda dispõe em seu art. 264 que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial; cumpre ressaltar que referidos preceitos também foram previstos no Decreto nº 85.450/1980 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda de 1980. Referida previsão se encontra nos arts. 89, §3º e 584 do Regulamento, que fazem referência ainda ao disposto na Lei n° 4.154/62, art. 13, § 3º (o RIR/1980 é anterior à Lei nº 7.450/85, art. 55). E a obrigação do contribuinte de conservar a documentação comprobatória ficou contemplada no art. 165 do RIR/80; da análise dos textos normativos acima explicitados temse clara a condição imposta pela lei para que o contribuinte possa compensar o valor retido a título de IRRF na declaração de pessoa jurídica, qual seja: a posse de comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora; desta forma, a não apresentação deste documento específico inviabiliza a compensação pretendida pelo contribuinte. Notese que o texto é claro ao exigir comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, mostrandose correta a decisão de 1ª instância, que glosou os valores do IRRF na apuração do saldo negativo pleiteado; ressaltese que não se trata de matéria que admite qualquer meio de prova, mas sim de matéria cuja comprovação contém forma específica e legalmente estabelecida, não podendo o Julgador se furtar à observância de tal preceito; além disso, a quase totalidade dos documentos apresentados pelo contribuinte com o fim de comprovar a retenção foi carreada por cópia ao processo; Fl. 863DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 6 5 não logrando êxito o contribuinte em comprovar a retenção na forma estabelecida pelo RIR/99, não poderá obter restituição de IRPJ decorrente de IRRF retido, por falta de atendimento dos requisitos legais, estando correta a conclusão da auditoria fiscal; diante de todo o exposto, temos por evidente que a decisão ora recorrida, merece ser reformada por total afronta à disciplina normativa da matéria. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 227/2013, de 12/06/2013, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor, verificase que seu entendimento é expresso no sentido de que o imposto de renda retido na fonte somente poderá ser compensado, na declaração de ajuste, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O Informe de Rendimentos seria considerado a prova legal da retenção admitida pela Receita Federal do Brasil. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação, ao dispor que o contribuinte que alega ter sofrido retenção de imposto pela fonte pagadora pode fazer prova de sua alegação por quaisquer outros meios ao seu dispor, e não exclusivamente mediante a apresentação do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Em 01/12/2016, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 130200.945, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 16/12/2016, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: a Primeira Turma Especial deste Conselho, ao julgar o recurso voluntário n. 11065.000211/200870, no Acórdão n. 1801001.687, decidiu que em virtude da diretiva da livre apreciação da prova, é possível a apreciação de outros meios de prova para apuração do direito creditório, e não somente o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, in verbis: “PER/DCOMP.ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DE RETENÇÃO DE IRPF. PROVA. LIVRE APRECIAÇÃO. DIRF. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 7 6 Não prevalece o entendimento de que a retenção de fonte somente se comprova pelo comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, em nome do beneficiário, eis que, no ordenamento processual pátrio, incide a diretiva da livre apreciação da prova, que autoriza o exame de outros documentos, como a DIRF. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Em declaração de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ, em que a DRF glosou parcelas de deduções de IRRF, havendo prova das retenções e compatibilidade entre os rendimentos correspondentes aos valores retidos e as receitas oferecidas à tributação, devem ser afastadas as glosas e reconhecido o crédito." grifo nosso assim, considerando que o Recurso Especial da Fazenda Nacional, desconsidera a validade de outros meios de prova, sendo mister ressaltar que inclusive tais documentos foram apreendidos pela Receita Federal, e estão em seu poder até a presente data; ora, se tais documentos não tivessem força probatória, não haveria razão de sua retenção, e até mesmo apreciação e consideração pelo próprio CARF, para fins de reconhecimento do direito ao crédito adicional, como, acertadamente, reconhecido pelo Conselheiro Relator; vejase o Termo de Apreensão de Documentos Fiscais abaixo: [...]; se tais documentos fossem inócuos para verificação do direito creditório da recorrida, certamente, não estariam em poder do Fisco. E mais, foram verificados pelo mesmo, dandose por plenamente verificados, conforme o Relatório de Diligência abaixo: [...]; a conduta do contribuinte está plenamente de acordo com os ditames e requisitos da Lei 8.383/91, em especial o disposto no artigo 39; isto porque, os documentos apresentados no processo administrativo foram fornecidos pelas empresas e órgãos competentes para a Recorrida de acordo com as normas Cíveis e de Direito Comercial na época; como é sabido, não cabe à legislação tributária alterar definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente para definir ou limitar competências tributárias, conforme preceitua o Art. 110 do CTN; ora, tais documentos obedeciam aos Institutos do Direito Civil e Direito Comercial, tinham validade jurídica para todos os atos de mercado e de direito, logo, estes devem ser aceitos no âmbito do direito tributário, como o foi, pelo Relator, eis que documento hábil a comprovar a retenção e justificar o pedido de direito ao crédito; os documentos apresentados não carecem de fé pública, afinal estes documentos, na presente data, têm mais de vinte anos, são documentos antigos que foram muito manuseados, é de se esperar que estejam em regular estado de conservação, mas isso não Fl. 865DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 8 7 lhes tira a sua autenticidade, conforme já reconhecido por este CARF, no v. acórdão recorrido pela Fazenda Nacional; ademais, segundo o Art. 106 do código Tributário Nacional, a legislação tributária se aplica ao fato pretérito, ou seja, a legislação tributária aplicável ao lançamento é aquela que estava vigente no anocalendário de 1992, a saber: a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 142 de 18 de dezembro de 1992; da análise do anexo “A”, o quadro I extraído de fls. 548 do processo administrativo, temse demonstrativo mês a mês das receitas financeiras contabilizadas e das diferenças apontadas, bem como no quadro II temse demonstrado os valores de despesas não contabilizadas. Todos os valores estão demonstrados e acompanhados de documentos hábeis no sentido de comprovar a pretensão creditória do contribuinte, ora recorrido; cabe ainda esclarecer que a Recorrida deixou de contabilizar os referidos valores em vista das informações trazidas nos extratos mensais, fornecidas pelas instituições financeiras. Quando recebeu os informes de rendimentos anuais, por cautela, a Recorrida aguardou o pronunciamento da Delegacia da Receita Federal, antes de fazer qualquer ajuste, uma vez que os valores não iriam reverter a base de cálculo de negativa para positiva; extraídas as informações do anexo 4 da declaração de ajuste anual de imposto de renda de pessoa jurídica, constante às fls. 322, demonstra que após a diligência da autoridade fiscal, mesmo a recorrida realizando os ajustes dos exercícios anteriores para fins de demonstrações financeiras em seu balanço patrimonial de exercícios futuros, e para fins fiscais restituídos seus saldos no Livro de Apuração do Lucro real – LALUR – instituído pela IN nº 28/1978, do exercício de 1992 para atender o princípio da competência, a Recorrida não penalizou aos cofres públicos; e não houve qualquer prejuízo ao Erário na medida em que a base de cálculo negativa e o prejuízo fiscal apresentado e evidenciado no imposto de renda retido na fonte foi descontado, mês a mês, de seus rendimentos auferidos; por fim, e não com menos razão o acórdão paradigma trazido pela Fazenda Nacional não se aplica in casu, pois se refere a período de competência distinto, e portanto, sujeito à diferentes exigências legais; o fato é que, para ser reconhecido o direito ao crédito, basta que existam documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência do mesmo, não necessariamente “comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora”; ademais, o próprio Fisco dispõe de diversos meios para verificação dos documentos, sistema interno, cruzamento de informações, e até mesmo, ofício ou diligências in loco para verificação do requerido pelo contribuinte; não há qualquer obrigação quanto à forma da comprovação, basta que o documento seja hábil e idôneo o suficiente para atestar o direito pleiteado, ainda que por meios indiretos de prova; diante de todo o exposto, requer seja julgado improcedente o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, mantendose na íntegra, o v. acórdão de n. 1302 00.945, que reconheceu o direito do contribuinte, ora recorrido, ao crédito adicional no Fl. 866DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 9 8 montante de 87.110,90 UFIR e homologou as compensações efetuadas até o montante do direito creditório reconhecido, na medida em que em consonância com o entendimento recente e majoritário, em especial junto a Primeira Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, Acórdão n. 1801001.687, que admite outros documentos hábeis para a comprovação do direito ao crédito, e não somente o comprovante de retenção da fonte pagadora, em prol da diretiva do ordenamento pátrio da livre apreciação da prova. Finalmente, é oportuno registrar que a contribuinte, além das contrarrazões acima mencionadas, também apresentou recurso especial contra a parte do Acórdão nº 1302 00.945 que lhe foi desfavorável, mas esse recurso não foi admitido, conforme o despacho exarado em 06/04/2017 pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Intimada do despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, a contribuinte apresentou agravo, mas esse recurso não foi conhecido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em razão de sua intempestividade. É o relatório. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ decorrente de IRRF retido no anocalendário de 1992, tendo em vista que a interessada apurou prejuízo fiscal no primeiro e no segundo semestre daquele ano calendário. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo/SP, que primeiro analisou os pedidos formulados pela interessada, os deferiu parcialmente, e as compensações vinculadas ao pedido de restituição foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o despacho decisório da Delegacia de origem (vol. 5 do e processo, efls. 148/153), a parte do direito creditório que foi reconhecida é relativa a retenções cujas receitas correspondentes foram integralmente oferecidas à tributação, e que constavam de "comprovantes de retenção" originais emitidos pelas fontes pagadoras. Ainda de acordo com o referido despacho, as razões para a glosa de parte do direito creditório foram: 1) a não contabilização, em todos os meses do período de janeiro a dezembro de 1992, de parte das receitas financeiras, o que implicou na glosa da integralidade do IRRF vinculado aos respectivos rendimentos informados pelas fontes pagadoras, conforme exigido pela legislação (art. 39, § 4º, c/c art 43 da Lei nº 8.383/1991; MAJUR/93, pág. 37); e 2) os documentos trazidos ao processo (quase todos cópias), objetivando comprovar o IRRF sobre rendimentos de Obrigações Eletrobrás e de levantamento de depósitos judiciais, para fins de compensação com o devido na Declaração, estão em desacordo com as normas de regência vigentes à época dos fatos (Art. 55 da Lei nº 7.450/1985, IN SRF nºs 09/1993 e 10/1993), tendo sido glosado o IRRF correspondente. A decisão de primeira instância administrativa manteve o mesmo entendimento da Delegacia de origem. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário para fins de afastar a glosa integral do IRRF em razão de as receitas financeiras não terem sido contabilizadas pelo seu valor total. Foi admitido o aproveitamento das retenções correspondentes às receitas de aplicação financeira efetivamente contabilizadas e reconhecidas na base de cálculo do imposto, respeitado o princípio da proporcionalidade (item "1" acima referido). E quanto ao item "2" acima referido, relativo ao IRRF sobre rendimentos de Obrigações Eletrobrás e de levantamento de depósitos judiciais, o acórdão ora recorrido admitiu a possibilidade de as retenções na fonte serem comprovadas mediante apresentação de Fl. 868DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 11 10 documentos outros que não o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. É especificamente esse segundo ponto que configura o objeto do recurso especial apresentado pela PGFN. Em sede de contrarrazões, a contribuinte alega que o acórdão paradigma trazido pela Fazenda Nacional não se aplica ao caso em pauta, pois se refere a período de competência distinto (anocalendário 1999), e portanto, sujeito a diferentes exigências legais. A preliminar de não conhecimento é improcedente, porque a diferença nos períodos de competência em nada afeta a caracterização da divergência jurisprudencial. É que a controvérsia gira em torno do art. 55 da Lei 7.450/85, que ainda hoje é a base legal do §2º do art. 943 do atual Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Portanto, o fato de o recorrido tratar de situação ocorrida no anocalendário de 1992 e do paradigma se referir ao anocalendário de 1999 não prejudica a divergência suscitada pela PGFN. Vislumbro uma outra questão em relação à admissibilidade do recurso, mais perceptível que aquela apontada pela contribuinte em sede de contrarrazões. Constato que o paradigma não tratou propriamente da questão sobre a possibilidade de se comprovar retenções na fonte mediante apresentação de documentos outros que não o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. Até porque a contribuinte, no caso do paradigma, não tentou comprovar essas retenções por outros meios de prova. Naquele caso, a insurgência da contribuinte voltouse mais para aspectos temporais relativos à extinção dos débitos que a contribuinte pretendia quitar por compensação com os alegados créditos, para questões referentes à homologação tácita de compensação, etc. Aliás, no relatório do paradigma consta inclusive a informação de que o direito creditório já havia sido parcialmente reconhecido pela Delegacia de origem não apenas com base nas cópias de comprovantes de retenção apresentados pela contribuinte, mas também a partir de telas de consulta ao sistema SIEFDIRF. O referido relatório, portanto, evidencia que nem sempre há correspondência entre essas duas fontes de informação. Ou seja, pode haver DIRF e não haver emissão do comprovante de retenção, e viceversa, e isso não prejudicou o reconhecimento do direito creditório pela Delegacia de origem naquele outro caso. De qualquer forma, o acórdão paradigma, ao tratar das parcelas adicionais de direito creditório que a contribuinte continuou reivindicando, afirmou taxativamente em sua parte conclusiva que "o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos", e em razão da literalidade da afirmação, penso que não há como deixar de reconhecer a divergência jurisprudencial suscitada pela PGFN. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 12 11 Assim, concluo que a divergência restou caracterizada e que o recurso deve mesmo ser conhecido. Quanto ao seu mérito, entretanto, penso que o recurso não deve obter o mesmo êxito. E a razão para isso é bem simples. Não há como prejudicar um contribuinte por falha/infração cometida por outro. No caso, negar o direito de aproveitamento de retenção na fonte sofrida pelo beneficiário de um rendimento em razão de a fonte pagadora descumprir o dever instrumental de emitir e lhe fornecer o respectivo comprovante de rendimentos e de retenção na fonte. Não há como impor um ônus para um contribuinte cujo atendimento depende única e exclusivamente de conduta a ser praticada por outro contribuinte (emissão de comprovante de rendimentos e de retenção na fonte). A imagem de um empregado/servidor que recebe pagamento descontado do IRFonte e que não pode computar essa retenção na sua declaração de rendimentos porque a fonte pagadora não emitiu o correspondente informe de rendimentos e de retenção na fonte ilustra bem o que está sendo dito. O sentido que se dá ao texto da lei não pode conflitar de forma tão flagrante com o sistema jurídico. Se a fonte pagadora não emite o referido comprovante, ou se o beneficiário do pagamento não tem como obter esse documento da fonte pagadora (e isso pode ocorrer em função de várias situações), não se pode negar ao beneficiário do pagamento o direito ao aproveitamento da retenção que este sofreu e que consegue comprovar com outros meios de prova. Correto o acórdão recorrido nesse aspecto. Não é o caso aqui de reexaminar elementos probatórios, até porque não é esse o escopo do recurso especial de divergência. Mesmo assim, vale reproduzir as razões pelas quais o acórdão recorrido admitiu o aproveitamento das retenções na fonte em questão: 2. Do IRRF retido sobre o levantamento de depósitos judiciais e os rendimentos de Obrigações da Eletrobrás [...] É fato que o contribuinte para ter direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período deve apresentar o comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme o disposto no art. 55 da Lei nº 7.450/1985, in verbis: [...] Todavia, essa exigência tem sido relativizada nas hipóteses em que o contribuinte não tenha recebido esse comprovante e/ou não tenha como obtêlo, desde que possa fazer prova, por outros meios ao seu dispor, de Fl. 870DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 13 12 que efetivamente sofreu as retenções que alega, conforme a jurisprudência deste CARF [...]. No que se refere ao IRRF sobre o levantamento de depósitos decorrentes de ações judiciais, o contribuinte apresentou diversos documentos que representam um robusto conjunto probatório do recebimento dos valores e da retenção na fonte realizada pelas instituições financeiras responsáveis pelo pagamento, além de estarem devidamente contabilizados conforme cópias do Livro Diário anexadas aos autos pela autoridade fiscal que realizou as diligências. A circunstância de terem sido apresentadas apenas em cópia reprográfica deve ser relativizada, ganhando especial relevo o fato das informações constantes dos documentos apresentados estarem detalhadamente registradas na contabilidade da recorrente e de não ter sido questionada sua autenticidade pela autoridade fiscal que realizou as diligências. De se observar que as ações judiciais se referem a ações de reparação de danos em face de acidentes em rodovias administradas pela recorrente e que diversas delas têm como parte indenizante (fonte pagadora) uma pessoa física, que não está obrigada a fornecer comprovantes de rendimentos. E ainda, nos casos de ações judiciais, por dever legal, o imposto é retido pela própria instituição financeira responsável pelo pagamento, por ordem da justiça. Assim, entendo que foram devidamente comprovadas a retenção do imposto na fonte e o reconhecimento das operações na contabilidade da recorrente, conforme quadro abaixo, no qual estão descritos os valores dos rendimentos e do respectivo IRRF, comprovantes apresentados e suas respectivas folhas nos autos, além das folhas dos autos na qual estão transcritos os lançamentos contábeis feitos no Livro Diário: [...] Assim, entendo que deve ser reconhecido o direito creditório da recorrente relativo ao IRRF retido, no montante de 23,19 UFIR no primeiro semestre e de 60,66 UFIR no segundo semestre, sobre os levantamentos de depósitos relativos a ações judiciais. Por fim, analiso a comprovação relativa ao imposto retido na fonte sobre o recebimento de Juros sobre Obrigações da Eletrobrás. A recorrente trouxe aos autos, em relação ao mês de abril/1992 cópias dos documentos denominados Resumo de Pagamento de Juros/Resgate de Obrigações emitidos pela Eletrobrás, nos quais estão descritos os rendimentos brutos e os valores descontados a título de IOF, IRRF, Adicional de IR e o valor líquido, com chancelas bancárias, que estão devidamente registrados no Livro Diário, cujas cópias constam dos autos. Com relação ao rendimento creditado no mês de agosto de 1992, apresentou cópia de Recibo de Pagamento de Juros e aviso de crédito do Banco Banespa, com o mesmo detalhamento de valores, devidamente registrado no Livro Diário. Não foram apresentados comprovantes do rendimento recebido no mês de dezembro de 1.992, no valor de Cr$ 260.05,98 e IRRF de Cr$ 65.126,50, conforme consta do Demonstrativo às fls. 43 dos autos. Embora o rendimento e respectiva fonte estejam contabilizados no livro Diário, entendo que esta operação não está suficientemente comprovada pela recorrente, devendo ser mantida a glosa do IRRF no pedido de restituição. Os valores dos rendimentos e do imposto retido e respectivas comprovações estão descritos no quadro abaixo: Fl. 871DF CARF MF Processo nº 13805.003604/9330 Acórdão n.º 9101003.437 CSRFT1 Fl. 14 13 [...] Assim, entendo que deve ser reconhecido o direito creditório no montante de 156,51 UFIR, relativo ao IRRF retido sobre rendimentos recebidos sobre Obrigações da Eletrobrás. [...] O acórdão recorrido não merece nenhum reparo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720555/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS.
As pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de Serviço Social Autônomo, sujeitam-se ao recolhimento de contribuições para o INCRA e para o Salário-Educação.
ISENÇÃO FISCAL. LEI 2.613/1955.
A isenção fiscal prevista na Lei nº 2.613/1955, não abrange as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais.
JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA. ATO DECLARATÓRIO.
A vinculação da Administração Tributária à jurisprudência pacífica dos tribunais superiores se dá apenas após a publicação de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda.
JURISPRUDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS E REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões desfavoráveis à Fazenda Nacional, se proferidas na forma prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC/1973 ou artigos 1.036 a 1.041 do CPC/2015, vinculam os membros das turmas de julgamento do CARF.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2401-005.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. As pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de Serviço Social Autônomo, sujeitam-se ao recolhimento de contribuições para o INCRA e para o Salário-Educação. ISENÇÃO FISCAL. LEI 2.613/1955. A isenção fiscal prevista na Lei nº 2.613/1955, não abrange as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA. ATO DECLARATÓRIO. A vinculação da Administração Tributária à jurisprudência pacífica dos tribunais superiores se dá apenas após a publicação de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. JURISPRUDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS E REPERCUSSÃO GERAL. As decisões desfavoráveis à Fazenda Nacional, se proferidas na forma prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC/1973 ou artigos 1.036 a 1.041 do CPC/2015, vinculam os membros das turmas de julgamento do CARF. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15586.720555/2014-19
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5846398
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.365
nome_arquivo_s : Decisao_15586720555201419.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 15586720555201419_5846398.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7177621
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008376311808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1792; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.258 1 1.257 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720555/201419 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. Recorrente SERVICO SOCIAL DA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. As pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de Serviço Social Autônomo, sujeitamse ao recolhimento de contribuições para o INCRA e para o SalárioEducação. ISENÇÃO FISCAL. LEI 2.613/1955. A isenção fiscal prevista na Lei nº 2.613/1955, não abrange as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA. ATO DECLARATÓRIO. A vinculação da Administração Tributária à jurisprudência pacífica dos tribunais superiores se dá apenas após a publicação de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. JURISPRUDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS E REPERCUSSÃO GERAL. As decisões desfavoráveis à Fazenda Nacional, se proferidas na forma prevista nos artigos 543B e 543C do CPC/1973 ou artigos 1.036 a 1.041 do CPC/2015, vinculam os membros das turmas de julgamento do CARF. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 55 /2 01 4- 19 Fl. 1258DF CARF MF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15586.720555/201419 Acórdão n.º 2401005.365 S2C4T1 Fl. 1.259 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição social para outras entidades e fundos (Incra e Salário Educação), incidente sobre a remuneração paga a empregados. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 59/75), as pessoas jurídicas constituídas sob a forma de Serviço Social Autônomo enquadramse no FPAS 523, devendo contribuir para o Incra e o Salário Educação. A base de cálculo é o salário de contribuição discriminado em GFIPs, das competências 01/11 a 12/12, inclusive 13º, nas quais o contribuinte informou o código de terceiros como zero, sendo que o correto é 0003. A fiscalização intimou o contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 1, a esclarecer o motivo de tal conduta. Em resposta, o SESI alegou que sempre se enquadrou no FPAS 507 por se tratar do código relacionado à atividade industrial. Afirmou que tal enquadramento já foi inclusive objeto de discussão judicial, como no processo nº 2007.50.01.0065157, tendo a Justiça Federal decidido que o SESIDR/ES possui isenção prevista pela Lei 2.613/1955, com relação aos tributos advindos da cobrança relativa a terceiros. Argumentou ainda que, de acordo com a jurisprudência e com a Instrução Normativa RFB nº 1.071/2010, os Serviços Sociais Autônomos são isentos da contribuição destinada a outras entidades e fundos. Contudo, a fiscalização concluiu que, de acordo com a legislação em vigor desde 2007, o enquadramento no FPAS 507 não está correto. Com a publicação da Instrução Normativa SRP nº 20/2007, que alterou a Instrução Normativa – IN SRP nº 03/2005, as pessoas jurídicas constituídas sob a forma de Serviço Social Autônomo enquadramse no FPAS 523, devendo recolher contribuições para o Incra e para o SalárioEducação. Tal entendimento em relação às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de Serviço Social Autônomo foi mantido na IN RFB nº 971/2009, em seu artigo 109, § 1º e anexo II, bem como na IN RFB nº 1.071/2010, artigo 109, § 1º, e artigo 109A, VII. A fiscalização informou, ainda, que o processo judicial nº 2007.50.01.0065157, TRF 2ª Região, citado pelo contribuinte em resposta ao questionamento feito por meio do TIF nº 1 (no qual está sendo discutida a isenção prevista na Lei 2.613/1955), não possuía nenhuma decisão transitada em julgado que pudesse alterar o lançamento. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que o Sesi não é contribuinte das contribuições para terceiros, pois é isento. Foi proferido o Acórdão 0267.451 8ª Turma da DRJ/BHE, fls. 1.224/1.232, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. Fl. 1260DF CARF MF 4 As pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de Serviço Social Autônomo, sujeitamse ao recolhimento de contribuições para o INCRA e para o SalárioEducação. ISENÇÃO FISCAL. LEI N.º 2.613/1955. A isenção fiscal prevista na Lei nº 2.613/1955, não abrange as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA. ATO DECLARATÓRIO. A vinculação da Administração Tributária (RFB) à jurisprudência pacífica dos tribunais superiores se dá apenas após a publicação de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. JURISPRUDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS E REPERCUSSÃO GERAL. NOTA EXPLICATIVA. As decisões desfavoráveis à Fazenda Nacional, proferidas na forma prevista nos arts. 543B e 543C do CPC, somente vinculam a RFB após a publicação de Nota Explicativa da PGFN com essa finalidade. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Sempre que constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, o auditor fiscal deve formalizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 19/3/16 (Aviso de Recebimento AR de fl. 1.238), o contribuinte apresentou recurso em 8/4/16, fls. 1.241/1.254, que contém, em síntese: Afirma que o "Senai" não é contribuinte dos Terceiros. Disserta sobre a natureza jurídica do "Senai", que é serviço social autônomo. Diz que a Lei 2.613/55, isentou os serviços sociais autônomos tanto dos impostos quanto das contribuições para Terceiros. Afirma que a matéria está pacificada nos tribunais superiores e cita jurisprudência. Diz ser imune, nos termos da CR/88, art. 150, VI, 'c'. Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 15586.720555/201419 Acórdão n.º 2401005.365 S2C4T1 Fl. 1.260 5 Entende que a expressão "bens e serviços" da lei não pode ter interpretação restritiva. Cita jurisprudência. Volta a afirmar que é isenta das contribuições para Terceiros e requer a desconstituição do crédito tributário. Requer seja reconhecida a nulidade do lançamento e arquivada a representação fiscal para fins penais. É o relatório. Fl. 1262DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PROCESSO JUDICIAL Nº 2007.50.01.0065157 Quanto ao processo nº 2007.50.01.0065157, tal ação judicial, em trâmite perante a 2ª Vara Federal de Execução Fiscal da Justiça Federal Seção Judiciária do Espírito Santo, referese a execução fiscal proposta pela União, e que o contribuinte apresentou embargos à execução, processo nº 000270474.2010.4.02.5001, o qual encontrase no Tribunal Regional Federal TRF da 2ª Região, sem decisão transitada em julgado até o momento e no qual se discute a desconstituição do crédito tributário objeto da execução fiscal, conforme se verifica dos extratos de consulta ao sítio mantido na rede mundial de computadores (internet) pelo TRF da 2ª Região. Portanto, além de não terem transitado em julgado, as decisões proferidas naqueles processos, nos quais o impugnante figura como parte, referemse à outros créditos tributários e não ao presente lançamento. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS ISENÇÃO/IMUNIDADE A recorrente alega que em decorrência de suas características e de seus objetivos voltados para assistência social, o SESI possui isenção, a teor de norma expressa contida na Lei 2.613/55 e imunidade tributária, nos termos da CR/88, artigo 150, VI, 'c'. Todavia, tal alegação não procede. No tocante à isenção fiscal, a Lei 2.613/55, ao autorizar a criação de uma Fundação denominada Serviço Social Rural (SSR), estabeleceu em seus artigos 11, 12 e 13, precisamente, o seguinte: Art 11. O S. S. R. é obrigado a elaborar anualmente um orçamento geral, cuja aprovação cabe ao Presidente da República, que englobe as previsões de receitas e as aplicações dos seus recursos e de remeter ao Tribunal de Contas no máximo até 31 de março do ano seguinte, as contas da gestão anual, acompanhadas de sucinto relatório do presidente, indicando os benefícios realizados. Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 15586.720555/201419 Acórdão n.º 2401005.365 S2C4T1 Fl. 1.261 7 Ou seja, a lei que autorizou a criação do Serviço Social Rural apenas previu que os serviços e bens da citada fundação gozassem de “ampla isenção fiscal” e estendeu esse benefício ao SESI, ao SESC, ao SENAI e ao SENAC. Contudo, tal previsão não inclui as contribuições que incidem sobre a remuneração paga aos empregados, a exemplo das exações que ora se exige, destinadas aos Terceiros. Ademais, a referida Lei 2.613/55 não foi recepcionada pela CR/88, pois não foi confirmada por lei, nos termos do art. 41 da ADCT: Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1º Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. Nesse mesmo sentido, a imunidade constitucional de que trata o artigo 150, inciso IV, alínea 'c' da CR/88, também se restringe apenas aos impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, e das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, desde que atendidos os requisitos da lei que disciplina referido benefício: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; [...] § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Ou seja, a imunidade tributária prevista na CR/88 referese a impostos destinados aos entes federativos, diferentemente do presente caso, no qual estão sendo cobradas contribuições destinadas a Terceiros, instituídas por legislação específicas (conforme consta no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, fls. 55/56). Logo, não assiste razão à recorrente ao afirmar que é imune/isenta das contribuições sociais destinadas aos Terceiros. Fl. 1264DF CARF MF 8 DECISÕES REITERADAS A recorrente alega que a matéria discutida nos autos referese a assunto reiteradamente julgado nos Tribunais Superiores, e que, de acordo com tais decisões, reconhecese que os Serviços Sociais Autônomos são detentores de ampla isenção, nos termos da Lei 2.613/55, artigos 12 e 13. A Lei 10.522/02, artigo 19, dispõe: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda;) [...] IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ou seja, a aplicação da Lei 10.522/02, artigo 19, inciso I, somente terá efeito em matéria objeto de ato declaratório da ProcuradorGeral de Fazenda Nacional. As hipóteses previstas nos incisos IV e V também não se aplicam ao caso. Além de não ter sido exarada decisão pelo STF, no âmbito de Repercussão Geral, ou pelo STJ, em sede de recursos especiais repetitivos, submetida à sistemática de julgamento do art. 543B e 543C do Código de Processo Civil CPC/1973 (vigente à época da publicação da Lei 10.522/02) ou artigos 1.036 a 1.041 do CPC/2015, a vinculação da RFB tais decisões deve obedecer ao disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, publicada no DOU de 17/2/2014: ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pela Portaria MF nº 257, de 23 de junho de 2009, e o inciso III do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no art. 42 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, nos Pareceres PGFN/CRJ Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 15586.720555/201419 Acórdão n.º 2401005.365 S2C4T1 Fl. 1.262 9 nº 492, de 22 de março de 2010, PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011, PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013, e na Portaria PGFN nº 294, de 22 de março de 2010, resolvem: Art 1º. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) cientificará a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) acerca das matérias de interesse da Fazenda Nacional submetidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) à sistemática de julgamento dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC). [...] Art. 2º A PGFN cientificará a RFB acerca das decisões de interesse da Fazenda Nacional proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática de julgamento dos arts. 543B e 543C do CPC, no prazo de 10 (dez) dias, contado da publicação do acórdão. [...] Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543B e 543C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013.(grifo nosso) § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos.(grifo nosso) § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543B e 543 C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput.(grifo nosso) § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. [...] Art. 6º Os atos normativos e interpretativos da PGFN e da RFB divergentes das Notas Explicativas de que trata esta Portaria deverão a elas se adequar.(grifo nosso) Fl. 1266DF CARF MF 10 Art. 7º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União.(grifo nosso) Devese observar que nos termos da legislação tributária atual, para fins de recolhimento da contribuição devida aos terceiros, as orientações relativas ao enquadramento no FPAS estão previstas na Instrução Normativa RFB nº 971/09, cujos artigos referentes à matéria são os a seguir reproduzidos: Art. 109. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação e cobrança da contribuição devida por lei a terceiros, ressalvado o disposto no § 1º do art. 111. (Redação dada pela IN RFB Nº 1.071, de 15/09/2010) § 1º Consideramse terceiros, para os fins deste artigo: (Redação dada pela IN RFB Nº 1.071, de 15 /09/2010) I as entidades privadas de serviço social e de formação profissional a que se refere o art. 240 da Constituição Federal de 1988, criadas por lei federal e vinculadas ao sistema sindical; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1071, de 15 de setembro de 2010) II o Fundo Aeroviário, instituído pelo DecretoLei nº270, de 28 de fevereiro de 1967; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1071, de 15 de setembro de 2010) III o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo, instituído pelo DecretoLei nº828, de 5 de setembro de 1969; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1071, de 15 de setembro de 2010) IV o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), criado pelo DecretoLei nº1.110, de 9 de julho de 1970; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1071, de 15 de setembro de 2010) V o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), gestor da contribuição social do salárioeducação, instituída pela Lei nº9.424, de 24 de dezembro de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1071, de 15 de setembro de 2010) Art. 109A. Não estão sujeitos à contribuição de que trata o art. 109: (Incluído pela IN RFB Nº 1.071, de 16 /09/2010) [...] VII as entidades a que se refere o inciso I, do art. 109, constituídas sob a forma de serviço social autônomo, exceto quanto à contribuição social do salárioeducação e à Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 15586.720555/201419 Acórdão n.º 2401005.365 S2C4T1 Fl. 1.263 11 contribuição adicional devida ao Incra. (Incluído pela IN RFB Nº 1.071, de 16/09/2010) [...] Quanto às contribuições apuradas para o Incra e Salário Educação, em que pese entendimento contrário do impugnante, como inexiste qualquer ato declaratório do ProcuradorGeral de Fazenda Nacional ou nota explicativa da PGFN que vincule a RFB, tem se que deve ser aplicada a legislação que rege a matéria, devendo ser mantido o lançamento. RFFP Quanto à representação fiscal para fins penais RFFP, não cabe a este órgão julgador qualquer manifestação. A Súmula CARF nº 28 (vinculante) dispõe que: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 1268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17933.720268/2012-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária.
Numero da decisão: 1001-000.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 17933.720268/2012-85
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856095
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.394
nome_arquivo_s : Decisao_17933720268201285.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 17933720268201285_5856095.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7243069
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008380506112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 48 1 47 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17933.720268/201285 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.394 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de março de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL INDEFERIMENTO DA OPÇÃO Recorrente MARIO SERGIO MARTINS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 93 3. 72 02 68 /2 01 2- 85 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 17933.720268/201285 Acórdão n.º 1001000.394 S1C0T1 Fl. 49 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Salvador (BA), mediante o Acórdão nº 1533.937, de 30/10/2013 (efls. 18/22), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de impugnação apresentada pela contribuinte contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional em face de atividades econômicas vedadas, código CNAE 78205/00 "Locação de mão de obra temporária" e 71197/01 "Atividades técnicas relacionadas à engenharia e arquitetura não especificadas anteriormente", alegando a interessada que, de acordo com as atividades descritas em seu objeto social, não se acha incluída em nenhuma das hipóteses de exclusão. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 OPÇÃO PELO SIMPLES. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Indeferese o Pedido de Inclusão no Simples Nacional quando a atividade econômica constar do Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 07/11/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 25, a recorrente apresentou recurso voluntário em 09/12/2013 (efls. 28/42), conforme carimbo à efl. 28. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de possuir atividade econômica vedada em seu objetivo social. A base legal do indeferimento foram os incisos XI e XII, ambos do art. 17, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Fl. 49DF CARF MF Processo nº 17933.720268/201285 Acórdão n.º 1001000.394 S1C0T1 Fl. 50 3 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (Revogado pela Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014) (efeitos: de 01/07/2007 a 31/12/2014) XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; No recurso interposto, a recorrente reitera a alegação de que houve erro no primeiro registro da empresa, no preenchimento do Documento Básico de Entrada, mas que fez a correção, e que por se tratar de erro material pode ser sanado a qualquer tempo. Cita jurisprudência judicial em casos de retificação de registros civis e doutrinas sobre as nulidades relativa e absoluta e outras. Anexa cópia dos Requerimentos de Empresário, com registro em 19/01/2010, e.fl. 39 (também anexada na manifestação de inconformidade) e em 14/12/2012 (e.fl. 40), nos quais constam os objetos sociais. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Para tornar objetiva a interpretação Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e dirimir dúvidas a respeito das atividades não permitidas para ingresso no sistema, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) publicou a Resolução nº 6, de 18 de junho de 2007, norma complementar a ser observada, que relaciona em seu Anexo I os códigos previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. A Resolução nº 06, de 18/06/2007, estabelece: Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ para verificar se as microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) atendem aos requisitos pertinentes, conforme previsto no art. 9º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007. Art. 2º O Anexo I relaciona os códigos de atividades econômicas previstos na CNAE impeditivos ao Simples Nacional. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 17933.720268/201285 Acórdão n.º 1001000.394 S1C0T1 Fl. 51 4 Art. 3º O Anexo II relaciona os códigos de atividades econômicas previstos na CNAE que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. Parágrafo único. A ME ou a EPP que exerça atividade econômica cujo código da CNAE conste do Anexo II não participará da migração prevista no art. 18 da Resolução CGSN nº 4, de 2007, podendo, entretanto, efetuar a opção de acordo com o art. 7º da mesma Resolução, sob condição de declaração de que exerce tão somente atividades permitidas no Simples Nacional. Por sua vez, a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, dispôs sobre a utilização do código CNAE para verificação quanto à atividade da contribuinte, nestes termos: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) § 1ºB O disposto no § 1ºA não se aplica às empresas em início de atividade. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008 ) II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação da regularidade da inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível; Fl. 51DF CARF MF Processo nº 17933.720268/201285 Acórdão n.º 1001000.394 S1C0T1 Fl. 52 5 (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) III os entes federativos deverão efetuar a comunicação à RFB sobre a regularidade na inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível: (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (...) IV confirmada a regularidade na inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível, ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III, sem manifestação por parte do ente federativo, a opção será deferida, observadas as demais disposições relativas à vedação para ingresso no Simples Nacional e o disposto no § 6º; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) V a opção produzirá efeitos: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) VI validadas as informações, considerase data de início de atividade: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, a da respectiva abertura. (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. (...) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 17933.720268/201285 Acórdão n.º 1001000.394 S1C0T1 Fl. 53 6 § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) (...) Art. 9º Serão utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, para verificar se as ME e as EPP atendem aos requisitos pertinentes. (...) Se houver no cadastro da empresa alguma atividade impeditiva, constante do Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, mesmo que não a exerça, estará impedida de optar por esse sistema diferenciado de tributação, e isso está bem claro no Perguntas e Respostas do Simples Nacional: 2.5. SE CONSTAR DO CONTRATO SOCIAL ALGUMA ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, AINDA QUE NÃO VENHA A EXERCÊLA, TAL FATO É MOTIVO DE IMPEDIMENTO Á OPÇÃO? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo II da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que não exerça tal atividade e declare, no momento da opção, esta condição. Este fato, por si só, já evidencia a procedência do Termo de Indeferimento da opção pelo Simples Nacional. Porém, devese destacar que a despeito de a interessada alegar a existência de equívoco entre o código CNAE e o efetivo exercício das atividades, vêse que as atividades descritas no Requerimento do Empresário (fl. 04) – “prestação de serviços de aluguel de máquinas, equipamentos e veículos em geral, serviços de limpeza e conservações em geral, terceirização de serviços e execução de projetos de construção civil, serviço de instalação, montagem e manutenção industrial, vistoria, fiscalização e manutenção de obras viárias e rodoviária” – guardam relação com os códigos CNAE utilizados (78205/00 " Locação de mão de obra temporária" e 71197/01 " Atividades técnicas relacionadas à engenharia e arquitetura não especificadas anteriormente"). (grifos acrescidos) Isto posto, voto por julgar improcedente a impugnação e indeferir o pedido de inclusão no Simples Nacional. Quanto à jurisprudência citada, não cabe ao agente do Fisco nem a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus Fl. 53DF CARF MF Processo nº 17933.720268/201285 Acórdão n.º 1001000.394 S1C0T1 Fl. 54 7 próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. O mesmo ocorre em relação às doutrinas citadas, a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Por todo o exposto, face à comprovada existência em seu objetivo social de atividade econômica vedada na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000802/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁ-FÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA.
Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontrava-se ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má-fé e tornando legítima a glosa dos créditos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.425
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁ-FÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontrava-se ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má-fé e tornando legítima a glosa dos créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15578.000802/2009-07
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849710
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.425
nome_arquivo_s : Decisao_15578000802200907.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15578000802200907_5849710.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7193714
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008396234752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000802/200907 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.425 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO Recorrente TRISTÃO COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁFÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontravase ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a máfé e tornando legítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 08 02 /2 00 9- 07 Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 3 2 Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 12059.359 da DRJ Rio de Janeiro I/RJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo Contribuinte para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem que, inicialmente, indeferira o pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa (PIS ou Cofins). Anteriormente, o contribuinte havia impetrado mandado de segurança e obtido liminar determinando que a repartição de origem procedesse à análise e proferisse decisão, no prazo de 30 dias, quanto aos pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas (PIS/Cofins) por ele formulados. Quando da análise do pedido de ressarcimento, a autoridade administrativa intimou o contribuinte a comprovar o crédito pleiteado, tendo sido constatadas diversas discrepâncias e inconsistências nos documentos apresentados, decorrendo daí a decisão denegatória do pleito, prolatada no prazo de 30 dias fixado pela decisão judicial. A decisão da Delegacia de Julgamento foi no sentido de não conhecer em parte a Manifestação de Inconformidade, em virtude da opção do contribuinte pela via judicial (relativamente à preliminar de nulidade e ao pedido de reexame dos autos pela repartição de origem), e, na parte conhecida, indeferir o pedido de diligência requerido. Cientificado da decisão de primeira instância, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Enquanto isso, na esfera judicial, o Contribuinte interpôs agravo de instrumento, em razão do seu entendimento de que o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, sem exame do mérito, deturpara a determinação judicial transitada em julgado, agravo esse provido, com a determinação de que o processo administrativo fosse devidamente instruído. Em atendimento à ordem judicial, a repartição de origem procedeu à realização de diligência, tendo solicitado ao interessado a apresentação de livros, planilhas e outros documentos necessários à análise e, ao final, decidido por reconhecer em parte o direito creditório pleiteado. No Parecer da autoridade fiscal, registrouse o seguinte: a) em 2009, a repartição de origem analisara diversos processos de ressarcimento, no prazo de 30 dias estabelecido em decisão judicial, análise essa ocorrida anteriormente à conclusão da operação fiscal denominada "Tempo de Colheita" (robustecida, posteriormente, pela “Operação Broca”), quando se detectou o uso de empresas laranjas para fins de geração de créditos fictícios, créditos esses utilizados pelo Contribuinte com base em notas fiscais emitidas por essas empresas, usadas como intermediárias na compra de café junto a produtores/maquinistas; Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 4 3 b) dentre os supostos fornecedores de café, Relacafé e Triscafé eram controladas pelo Contribuinte; c) a motivação da Operação "Tempo de Colheita" foi o flagrante descompasso entre as movimentações financeiras e os valores insignificantes das receitas declaradas pelos envolvidos, tendo sido detectado que a imensa maioria das pessoas jurídicas diligenciadas encontravase omissa na apresentação da DIPJ ou, mais comumente, inativa; d) ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupavam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispunham de funcionários para operar como atacadistas; e) os documentos apreendidos junto ao Contribuinte, bem como na outra empresa do Grupo (Realcafé), durante a aludida Operação, não deixavam a menor dúvida de que os dirigentes da empresa tinham total conhecimento da existência do esquema fraudulento, que proporcionava vantagens tributárias de créditos ilícitos do PIS/Cofins; f) algumas da empresas diligenciadas demonstraram o modus operandi do esquema; g) declarações prestadas por corretores e documentos apreendidos demonstraram a participação do Contribuinte na prática fraudulenta; h) os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudoempresas atacadistas usadas para guiar o café, pois negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança (corretores, maquinistas e empresas da sua região), sendo que, no momento da retirada do café, surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; i) a fraude e o seu modus operandi foram corroboradas nas oitivas colhidas no curso das investigações perante os produtores/maquinistas e corretores, juntamente com a vasta documentação apresentada por eles, inclusive documentos apreendidos durante a “Operação Broca” no próprio estabelecimento do Contribuinte e de outra empresa do grupo; j) o controle eletrônico do Contribuinte, intitulado “folha de compra”, extraído da mídia eletrônica apreendida durante a "Operação Broca", comprovava que ele tinha total controle e domínio do que compravam de cada produtor/maquinista e por qual empresa de fachada a negociação era falsamente documentada; k) as confirmações de pedidos anexadas identificam o maquinista por meio de anotação manuscrita em venda para o Contribuinte por meio de empresas laranjas. A Tristão exigia que os produtores/maquinistas, verdadeiros vendedores do café, assinassem as confirmações dos corretores, conforme comprovam os emails extraídos das mídias apreendidas na Tristão e reproduzidos; l) anexa tabela “Relatório de Vendas para Entrega Futura – TRISTÃO Cia de Comércio Exterior”, onde constam os dados das confirmações de pedidos e os dados das notas fiscais; m) são citados diversos depoimentos de corretores de café confirmando que as empresas do Grupo Tristão tinham conhecimento de que nas suas compras de café havia a interposição fictícia de empresa laranja; Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 5 4 n) no mesmo sentido foram citados depoimentos de produtores rurais contendo esclarecimentos sobre o esquema de troca de notas fiscais e outros detalhes da operação; o) Ricardo Schneider, comprador da Tristão, comunicava por email as compras diárias de café para os diversos setores do GRUPO TRISTÃO. Para cada pedido de compra, indicava, entre outros dados, o nome da empresa laranja seguido do nome do produtor/maquinista e o corretor. Foram dezenas de emails extraídos das mídias apreendidas, com data desde 2004. Alguns exemplos foram reproduzidos no parecer; p) os representantes da Colúmbia, Acádia, L&L e Do Grão, respondendo às indagações dos AuditoresFiscais, asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas dessas empresas laranjas eram operadas por exfuncionário das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências efetuadas em MG; q) foram efetuadas diligências nas cidades de Manhuaçu, Manhumirim, Divino e Espera Feliz, de MG. Repetindo o quadro constatado no ES, o que se viu foram hipotéticas empresas ocupando espaços acanhados situadas uma ao lado da outra, desprovidas de patrimônio e capacidade operacional necessários ao seu objeto, tentando transparecer atacadistas de café, só que próximas, às vezes lado a lado, dos escritórios de compras das grandes exportadoras e torrefadoras, o que tornou a moldura mais emblemática; r) o mesmo modus operandi foi constatado em diligências efetuadas em Varginha e outros municípios no sul de MG; s) a prática rotineira que consiste em guiar café do produtor para o comprador utilizando uma empresa fictícia é corroborada nos emails trocados pela direção da própria TRISTÃO, reproduzidos em parte no Parecer, demonstrando a verdade irrefutável de que era também de conhecimento da alta direção da empresa o esquema fraudulento de intermediação fictícia de empresa laranja na compra de café de produtor; t) os emails transcritos comprovam de forma incontestável o esquema montado no mercado de café que foi a inserção de empresas laranjas como intermediárias fictícias entre o produtor e o exportador; u) a verdade é que o modus operandi era sempre o mesmo, qualquer que fosse a região do país. TRISTÃO, portanto, tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento, como dele se beneficiou, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas, gerados por empresas atacadistas de fachada, o que afastava por completo a alegação de adquirente de “boafé” ; v) os AuditoresFiscais constataram, na escrituração contábil da TRISTÃO, infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas PIS (1,65%) e Cofins (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos pelas aquisições diretamente de pessoas físicas, produtores rurais, ou cerealistas; Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 6 5 w) foram elaboradas tabelas a partir das planilhas de memória de cálculo apresentadas pela TRISTÃO, consolidando as tais aquisições, cujos valores compõem a base de cálculo mensal para a glosa dos créditos integrais indevidamente apropriados; x) a TRISTÃO preenchia os requisitos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004; y) em sua resposta, a TRISTÃO reconheceu ter se apropriado indevidamente, por equívoco, de crédito presumido sobre operações de aquisições com fim específico de exportação (CFOP 1501), bem como notas fiscais de simples faturamento (CFOP 1922), conforme tabela no Parecer. Em relação às notas fiscais da Exprinsul Comércio Exterior e da Cocamar – Cooperativa agroindustrial, referentes a 12/2006 e 03/2008, tais valores deviam ser excluídos da base de cálculo do crédito integral, conforme memória de cálculo; z) analisando a Memória de Cálculo apresentada pela TRISTÃO, verificouse que a empresa incluiu indevidamente na base de cálculo do crédito presumido operações de venda com fim específico de exportação; aa) após análise da cópia das notas fiscais, constatouse que havia outras operações de venda com fim específico de exportação para as quais a empresa apropriara indevidamente de crédito integral, conforme citada Memória de Cálculo apresentada pela TRISTÃO. Foram relacionados os valores levantados pela fiscalização; bb) foi elaborado o Demonstrativo de Cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, anexo ao Parecer; cc) foram efetuadas as seguintes glosas de crtéditos: a) NF de empresas de fachada; b) aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido; c) apropriação indevida de crédito sobre NF emitida sem incidência de PIS/Cofins – fim específico de exportação; dd) o rateio dos créditos a descontar foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços: receita mercado interno (tributada) e receita de exportação; ee) demonstrouse que o Saldo de Crédito de Meses Anteriores sobre aquisições no mercado interno vinculado à receita de exportação era zero tanto para o PIS quanto para a Cofins; ff) a fiscalização limitou o valor do pedido de ressarcimento ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do mercado externo (crédito passível de ressarcimento); gg) conforme mostrado no demonstrativo de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, a recomposição dos créditos a descontar resultou no reconhecimento parcial do valor dos créditos pleiteados no pedido de ressarcimento. Cientificado do Parecer Fiscal e do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 7 6 1) o direito creditório objeto das DComps somente foi analisado em virtude da decisão proferida pela egrégia Turma do TRF da 2ª Região, no Agravo de Instrumento 2012.02.01.0070963. A ciência do Impugnante se dera em 05/07/2013, quando já decorridos mais de cinco anos, resultando na homologação tácita de parte dos créditos compensados; 2) não fora indiciado na denominada “Operação Broca”, o que retificava que as investigações realizadas não alcançaram suas operações, uma vez que não traduziam os atos comerciais praticados por ele rotineiramente; 3) na qualidade de adquirente de boafé, era exclusivamente o destinatário das mercadorias, não sendo provada a sua participação na prática de introdução de pseudo pessoas jurídicas na cadeia de comercialização; 4) em nenhum momento foi citado nos depoimentos colhidos na Operação Broca como estando envolvido na criação ou manutenção das pseudo pessoas jurídicas, mas apenas como destinatária do café, o que ratificava a sua boafé; 5) inexiste prova robusta e inequívoca nos autos, mas apenas meras alegações e conjecturas difusas e contraditórias entre si; 6) a conduta da fiscalização revelou a busca pelo acesso irrestrito às informações internas e gerenciais do impugnante, sem amparo em nenhuma autorização judicial para tal procedimento, o que transgride o direito fundamental ao sigilo de dados, insculpido no art. 5º, X e XII, da CF/88; 7) também não se verifica a aptidão das provas testemunhais juntadas aos autos, pois referidos testemunhos não comprovam qualquer vínculo do Impugnante, seus diretores, ou mesmo funcionários, nas práticas ilícitas imputadas às empresas consideradas como de fachada; 8) o art. 112 do CTN faz eco ao princípio universal do in dubio pro reo; 9) trouxe os seguintes elementos de prova que atestam a sua boafé: certidões que atestam a ausência de indiciamento em decorrência da Operação Broca; ação de cobrança por parte da W.G. Azevedo – Brazil Coffee; emails que comprovam a preocupação em realizar operações apenas com empresas em situação regular perante o Fisco; 10) cabe ao fisco o ônus da prova do fato tributário como também o da suposta conduta ilícita; 11) em momento algum a autoridade administrativa outorgou ao impugnante o direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, como legítimo exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa; 12) o conhecimento acerca da origem do café não é indício de que o Impugnante tenha agido de comum acordo com as empresas de fachada, mas sim a necessidade de que se tenha ciência do produtor rural e da região em que foi colhido o grão, para se atestar a qualidade do café adquirido; 13) o Impugnante sempre adotou todas as providencias legalmente exigidas para proceder aos créditos de PIS e Cofins decorrentes das aquisições de café; Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 8 7 14) devia ser considerado o que dispõe o parágrafo único do art. 82 da Lei 9.430/96. No caso, não restou qualquer dúvida quanto ao recebimento e pagamento das mercadorias por parte da Recorrente; 15) a boafé foi demonstrada pelo zelo de se fazerem consultas ao Sintegra e ao próprio banco de dados da RFB, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; 16) nesse sentido, a 5ª Turma da DRJ/RJOII já se pronunciou em situação idêntica, no processo 13771.000356/200315, Acórdão 1324.918, de 25/05/2009; 17) os atos que declararam as empresas como inapta, baixada ou nula ocorreram posteriormente às compras realizadas pelo Impugnante, sendo que para algumas das empresas sequer foi localizado qualquer procedimento neste sentido; 18) os lançamentos contábeis das operações também fazem prova em favor do Impugnante; 19) a atuação do fisco é contraditória, em afronta à segurança jurídica, uma vez que num primeiro momento assumiu a existência das agora “pseudo” empresas interpostas, inclusive cobrandoas, através da instauração de procedimentos administrativos fiscais e, agora, inovando sua ótica, questiona os seus documentos fiscais de venda de café para terceiros; 20) trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos. O direito fundamental do estado de inocência proíbe a antecipação dos resultados finais do processo criminal; 21) os mesmos auditores fiscais que prolataram o despacho decisório também lavraram o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, processo 15586.000956/201025, em face de outra empresa do Grupo Tristão, no caso a Realcafé Soluvel do Brasil, no qual afirmaram a possibilidade de crédito integral do PIS e da Cofins nas aquisições de cooperativas. Ao examinarem a mesma hipótese no presente pleito, adotaram posicionamento completamente oposto; 22) o Impugnante revende o insumo café cru em grão no mercado externo e, em alguns casos, também realiza o processo de rebeneficiamento. A atividade de revenda é preponderante; 23) em se tratando de compras para posterior revenda, o Recorrente apurou créditos integrais do PIS e da Cofins; 24) o impugnante sempre adquiriu o insumo de sociedade cooperativa que exercia a produção agroindustrial e a compra foi sempre feita com a incidência do PIS e Cofins; 25) nas aquisições de café cru em grão pelo Impugnante não há a suspensão obrigatória do PIS e Cofins, visto que as sociedades cooperativas fornecedoras exerceram atividade agroindustrial, na forma do § 6º do art. 8º da Lei 10.925/2004 e, portanto, estas é que possuem o direito ao crédito presumido, relativo à compra de café in natura; Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 9 8 26) não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da contribuição em duas etapas da cadeia produtiva do café; 27) por fim, requereu fosse reconhecida a homologação tácita de parte das compensações e, se superada a preliminar, requereu fosse reconhecido o direito creditório de modo integral com a homologação das compensações formalizadas nos autos. Em sua decisão, a DRJ Rio de Janeiro I/RF fundamentou o não reconhecimento do direito creditório (i) na desconsideração dos negócios fraudulentos, em decorrência da comprovação da ocorrência de fraude e dissimulação por meio de interpostas pessoas, (ii) na inocorrência de desqualificação do regime de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, beneficiadas com o crédito presumido, (iii) na inocorrência de homologação tácita da compensação e (iv) na preclusão das matérias não contestadas. No Recurso Voluntário, o Contribuinte reiterou os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.414, de 26/02/2018, proferido no julgamento do processo 15578.000805/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.4141): O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) Inicialmente, cumpre pontuar que o presente feito tem por objeto 3 (três) grupos de glosas: a) NF de empresas de fachada. Os valores consolidados mensalmente pela fiscalização constam das tabelas mostradas no item II.7.1; b) Aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido, conforme listado no item II.7.2; c) Apropriação indevida de crédito sobre NF emitida sem incidência de PIS/COFINS – fim específico de exportação. Valores consolidados no item II.7.3; 1 A decisão do acórdão paradigma reproduzida na sequência é composta da parte do voto da relatora originária que restou mantida, por unanimidade, no julgamento do Recurso Voluntário e do voto elaborado pelo redator designado, que se restringe à preliminar suscitada pelo Recorrente, afastada pelo voto de qualidade. Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 10 9 O Recurso apresentado é bastante extenso e dividido em diversos tópicos. Tendo em vista que as razões expostas em cada tópico repetemse e confundemse, passo a analisálos de acordo com a correlação existente entre estes, e não necessariamente na ordem apresentada pela recorrente. (...) "DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO, ACERCA DAS AVENTADAS OPERAÇÕES QUE ALEGA TEREM SIDO "AUSPICIADAS" PELA RECORRENTE" "DA ILEGÍTIMA INOVAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA GLOSA CONSUBSTANCIADA ATRAVÉS DA DECISÃO ORA RECORRIDA" "DA INSUBSISTÊNCIA DAS PROVAS APRESENTADAS PELA FISCALIZAÇÃO" "DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO ACERCA DA PARTICIPAÇÃO CONJUNTA DA RECORRENTE COM AS DENOMINADAS "EMPRESAS DE FACHADA"." "DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DE VALIDADE E CORREÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS AUFERIDOS PELA RECORRENTE" "A CONTABILIDADE (AQUISIÇÕES DEVIDAMENTE REGISTRADAS) COMO MEIO DE PROVA EM FAVOR DA RECORRENTE A ESSÊNCIA SOBRE A FORMA" "DAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS SOB A "OPERAÇÃO TEMPO DE COLHEITA". DA AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE PARA COM AS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA RECORRENTE" "DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO EM FACE DA RECORRENTE DOS EFEITOS DOS ATOS PRATICADOS NO ÂMBITO DA DENOMINADA "OPERAÇÃO BROCA"." Como relatado, a questão dos autos se refere à possibilidade de tomada de créditos integrais de PIS e COFINS sobre as aquisições de pessoas jurídicas tidas por fictícias, conforme operações Tempo de Colheita e Broca, realizadas de forma conjunta pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. Assim resume a DRJ: A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos integrais calculados pelo contribuinte em relação a aquisições de café de pessoas jurídicas. O cerne da controvérsia, com base no que os auditores afirmam pode ser resumido em dois pontos: (1) existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias indevidas, consistentes em creditamento ilícito de PIS e Cofins; (2) participação da contribuinte, ora manifestante, nesse esquema. Preliminarmente a interessada contesta os elementos de prova trazidos aos autos junto ao Parecer Fiscal. Argumenta que as provas são ilícitas porque as interceptações telefônicas e de dados só podem ser realizadas com autorização judicial, que as provas Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 11 10 testemunhais não são aptas e não comprovam vínculo da empresa interessada com o suposto esquema. Assim, a controvérsia se resume, efetivamente, à existência ou não de provas nos autos acerca da participação da Recorrente na criação das pessoas jurídicas fictícias vendedoras de café. Em diversas oportunidades já me manifestei acerca de situações bastante similares à presente, sempre no sentido de que, para que o contribuinte possa ser penalizado em razão das supostas fraudes identificadas, é necessária a comprovação de que esta participou das operações tidas por fraudulenta. Com base em jurisprudência já pacificada no âmbito do STJ, não vejo como imputar a terceiros quaisquer consequências advindas de operações fraudulentas das quais não participou. Até porque, é princípio básico constitucional que a pena jamais poderá ultrapassar a pessoa do condenado. O entendimento supra já foi por mim formalizado em sede de Declaração de Voto Vencido (Acórdão nº 3201.002.083, de 25/02/2016), em Voto Vencedor por unanimidade (Acórdão 3201003.038, de 25/07/207) e, mais recentemente, na condição de Relatora Designada para o Voto Vencedor (Acórdãos 3201003.202, 3201003.203 e 3201003.204, todos de 24 de outubro de 2017). Neste último, a mim incumbiu apresentar o entendimento vencedor da Turma quanto à questão: Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, fui designada para a redação do voto vencedor quanto às glosas dos créditos correspondentes às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inaptas, baixadas ou suspensas. Como já salientado pelo Relator, é sabido que, comprovada a efetividade das operações, o contribuinte, agindo de boafé faz jus a manutenção dos créditos fiscais. E como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça por meio da Súmula nº 509. Em outras palavras, a boa fé é sempre presumida, cabendo àquele que alega a existência de má fé a comprovação nesse sentido. Na hipótese dos autos a divergência se instaurou quanto à afirmação fiscal de que não teria sido comprovada a efetividade das operações realizadas junto às pessoas jurídicas tidas como inaptas, baixadas ou suspensas, em face das alegações e documentos trazidos aos autos pela Recorrente no intuito de comprovar as aquisições realizadas Entendeu a Turma Julgadora, por sua maioria, que, em fato, na logrou a Fiscalização demonstrar que a Recorrente teria qualquer participação nos atos que levaram às declarações de inidoneidade das Pessoas Jurídicas vendedoras das mercadorias passíveis de geração de crédito no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Desse modo, não se pode manter as glosas efetuadas pela Fiscalização, na hipótese específica dos autos, uma vez que ausente demonstração fiscal quanto à participação da Recorrente em qualquer ato ensejador da pretendida descaracterização das aquisições realizadas, devendo se manter a presunção de boa fé do adquirente. Assim, entendo que, para que a glosa pretendida pela Fiscalização tenha suporte, é necessário não apenas comprovar a existência de fraude na criação das empresas vendedoras de café o que efetivamente foi realizado por meio das Operações Tempo de Colheita e Broca. Se faz imprescindível que se comprove a ciência da Recorrente acerca desses fatos e a sua participação no dito "esquema". Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 12 11 Isso porque, não obstante a aparência de legalidade das operações, como alega a Recorrente, em razão de que (1) todas as empresas citadas como fictícias possuíam CNPJ válidos no momento da aquisição do café; (2) fora verificada a regularidade dessas empresas no CNPJ e no SINTEGRA, e nenhuma tinha sido declarada inapta; (3) as mercadorias adquiridas entraram no estoque da recorrente e foram pagas diretamente aos emitentes das notas fiscais, uma vez comprovada a máfé na realização desses negócios jurídicos, é plenamente válida a sua desconstituição. É o que dispõe o parágrafo único do art. 116 do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) E, não obstante o Relatório Fiscal não tenha mencionado expressamente o referido dispositivo legal, citado apenas no Acórdão da DRJ, não há falar em inovação. Os fundamentos de fato e de direito que levaram à desconsideração dos negócios jurídicos são os mesmos e deles decorre logicamente a aplicação do referido dispositivo legal. Não houve qualquer tentativa de alteração quanto à fundamentação legal do lançamento. Ademais, não compete a este CARF afastar a aplicação de disposição expressa de lei. Não obstante, entendo que a ausência de regulamentação do referido dispositivo legal não impede a sua aplicação. O dispositivo legal é autoaplicável, embora passível de regulamentação pela legislação ordinária. E, nesse sentido, tenho que a legislação processual tributária vigente no âmbito federal cumpre a necessária regulação do tema. Em conclusão desse aspecto, manifesto minha integral concordância com a tese defendida pela Recorrente no sentido de que, uma vez comprovada a ocorrência da operação de compra e venda, sendo que essas revestiamse da aparência de legalidade, o adquirente de boafé não pode ser penalizado pela posterior desconsideração do negócio jurídico. Todavia, a hipótese dos autos, como se verá, afasta a presunção de boafé da Recorrente. Não basta que a operação tenha a aparência de legalidade para que seja válida. Uma vez comprovado nos autos que a Contribuinte possuía ciência do fato de que as pessoas jurídicas eram criadas de modo fraudulento tão somente para legitimar a geração do crédito de PIS e COFINS, resta caracterizada a máfé do adquirente. Quanto ao argumento de que os emails que comprovam que a Tristão questionava a origem do café apenas para fins de averiguar a qualidade do produto, tenho que não prospera. Existem emails e mensagens trocadas que demonstram claramente a exigência de que as pessoas jurídicas estivessem regulares tão somente em razão da possibilidade de geração de crédito. Tanto é assim que em determinado momento, o comprador da Tristão se Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 13 12 nega a efetuar o pagamento de determinada compra exclusivamente em razão da irregularidade do CNPJ da empresa vendedora. Adentrando, portanto, ao cerne da controvérsia instaurada, entendo ser desnecessário tecer maiores comentários acerca da existência e funcionamento dos chamados esquemas de triangulação, criação dos "maquinistas". Nesse sentido, me reporto ao bem detalhado relatório fiscal e ao próprio acórdão proferido pela DRJ, que demonstram o funcionamento de tais empresas de fachada com o fito exclusivo de garantir ao adquirente a tomada de créditos de PIS e COFINS em valor integral, ao substituição ao crédito presumido que seria gerado na aquisição direta da pessoa física. É imprescindível, outrossim, analisar de forma detida as provas apresentadas de modo a averiguar a efetiva ciência e participação da Recorrente. Para tanto, remetome ao extenso Parecer Fiscal (...). Como de costume, o Parecer Fiscal relata de forma detalhada a criação e operacionalização dos esquemas, trazendo diversas informações e provas relativas aos Maquinistas, comprovando a existência do esquema. O Parecer Fiscal, ainda, cuidou de demonstrar diversos dados extraídos da operação e que tem ligação direta com a Recorrente, tais como: depoimentos de maquinistas que alegam ter vendido o café à Tristão com a ciência desta; registros de mensagens trocadas com dirigentes da Tristão; cópias de emails trocados com sócios, diretores e empregados da Tristão; Pedidos de Compra da Tristão com o nome das pessoas físicas produtoras, embora com notas fiscais emitidas pelas Pessoas Jurídicas fraudulentas, dentre outros. Ademais, a Tristão, na condição de adquirente, foi uma das empresas fiscalizadas durante a Operação Tempo de Colheita. Assim, grande parte dos elementos colhidos durante a operação, o foram diretamente obtidos da Recorrente. Logo, vêse que, na hipótese dos autos, há, efetivamente, robusta prova documental que comprova a participação, ou, quando menos, a plena ciência da Recorrente quando ao fato de que o café era adquirido de pessoas jurídicas inexistente de fato, criadas com o fim exclusivo de geração de crédito de PIS e COFINS. Nesse aspecto, pontuo, quanto às alegação da Recorrente no sentido de que não haveria prova da sua participação na Operação Broca, sendo que não foi indicada criminalmente no âmbito da referida, o que tornaria insubsistente toda a autuação fiscal. Com efeito, a maior robusteza probatória é relativa à Operação Tempo de Colheita. E, quanto à esta, a Recorrente não trouxe qualquer alegação. Não obstante, consta, sim, nos autos, provas de que a Recorrente estava ciente que nas operações descortinadas por meio da Operação Broca, o modus operandi era exatamente o mesmo daquelas objeto da Operação Tempo de Colheita. Existe nos autos cópia de nota fiscal guiada e emails trocados por funcionários da Tristão com corretores sabidamente operadores do esquema fraudulento, inclusive com a expressão "Como sabemos os cafés são guiados com nota de firma" (fl. 1251), dentre outros elementos. Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 14 13 Ademais, é cediço que a instrução criminal se dá de forma diversa da investigação tributária. Ainda que ambas devam se pautar no princípio da legalidade estrita, seus escopos são bastante distintos. E, nesse seara, cabe averiguar se os elementos apresentados pela Fiscalização são suficientes para fundamentar o lançamento tributário, o que, a meu ver, logrouse. Se, no âmbito criminal, entendeuse não haver elementos caracterizados de ilícito penal, não há influência direta no lançamento tributário. Os elementos do tipo penal são distintos dos elementos do tipo tributário. Ainda assim, as decisões judiciais trazidas aos autos como justificativa de invalidar o lançamento dizem respeito à ilegitimidade de colheita de prova testemunhal, e quando esta é o único meio de prova admitido na denúncia. Na hipótese dos autos, as provas testemunhais são apenas indiciárias. Há outros elementos que comprovam a ciência da Recorrente acerca das operações fraudulentas. E, quanto à alegação de que tais provas documentais foram obtidas com base em colheita ilegal, com a devida vênia às razões esposadas, compete ao Poder Judiciário a eventual declaração de ilegalidade na obtenção das provas. Inexistindo tal declaração, falece competência a este órgão administrativo para tal. Assim, o fato de a Recorrente não ter participado do processo investigativo realizado no âmbito das Operações Tempo de Colheita e Broca não contaminam o devido processo legal tributário, com o pleno exercício da ampla defesa. Com efeito, a ampla defesa no processo administrativo tributário é exercida a partir da apresentação da defesa (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), Recurso Voluntário e Recurso Especial. Ressalto, ainda, que, na hipótese dos autos, a ampla defesa foi inclusive assegurada por decisão judicial que determinou o refazimento do lançamento tributário original, que deixou de fundamentar a glosa de créditos. Quanto à alegação de que a Fiscalização não poderia ter equiparado as compras realizadas de cooperativas às compras procedentes de pessoas físicas, também não assiste razão à Recorrente. Não houve uma alteração acerca da forma de se apropriar os créditos oriundos de compras realizadas de cooperativas. Ou ainda, não houve a glosa dos créditos pelo fato de as vendedoras serem cooperativas. O que efetivamente ocorreu, e valido nesse voto, foi a exclusão da figura do "atravessador", seja este constituído na forma de sociedade comercial ou cooperativa, uma vez que se comprovou que sua criação se deu com o fim exclusivo de simular um negócio jurídico. A Recorrente ainda alega violação ao princípio da segurança jurídica pelo fato de a Fiscalização, alegadamente, ter pronunciado entendimento diverso em processos decorrentes da mesma operação, contudo em face de pessoas jurídicas distintas. Tal fato, a meu ver, apenas corrobora todo o exposto com relação à existência de prova efetiva em face da Recorrente. Não há como se pretender vincular esta decisão à processo formalizado em face de pessoa jurídica diversa, notadamente quando este é decorrente essencialmente de material probatório. Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 15 14 "DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA. DO RESTABELECIMENTO INTEGRAL DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA RECORRENTE" Nesse tópico aduz a Recorrente que a decisão recorrida teria declarado uma preclusão inexistente. Contudo, nesse mesmo tópico, reconhece que deixou de impugnar determinadas glosas visando dar celeridade ao procedimento. Desse modo, não vejo como prover qualquer alteração no acórdão recorrido nesse sentido. (...) Voto Vencedor O Presidente da Turma designoume para redigir o voto vencedor quanto ao afastamento da preliminar suscitada pela recorrente, relativa à homologação tácita de parte da compensação. A Conselheira Relatora entendeu que o primeiro Despacho Decisório restara nulo, porque o Poder Judiciário determinara a prolação de novo Despacho Decisório, e também, porque não haveria a devida motivação e fundamentação. E porque o primeiro seria nulo, o segundo Despacho Decisório seria posterior ao prazo hábil, de 5 anos, tendo como consequência a homologação tácita dos pedidos de compensação anteriores. Todavia, não se vislumbra a nulidade do primeiro Despacho Decisório. Com efeito, tratase de ato administrativo com todas os requisitos de validade, inclusive a motivação, a qual foi a falta de apresentação de arquivos digitais corretos, que fossem coerentes com as informações do Dacon e com as notas fiscais físicas. Vejase excerto do referido documento (...): De posse da mesma [documentação intimada], a primeira providência foi aferir a correção e consistência dos arquivos magnéticos e planilhas de apuração em confronto com os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) e livros fiscais. Desta verificação constatouse que as diferenças existentes entre eles são enormes, inviabilizando por completo o estabelecimento de um parâmetro de conferência. Observouse em cotejo perfunctório que os arquivos magnéticos também possuem inconsistências frente aos documentos fiscais que os maculam indelevelmente, ou seja, o arquivo eletrônico contendo rol de notas fiscais de aquisição não reflete com correção os dados constantes dos documentos físicos. Como exemplo, citemse as notas fiscais de venda com o fim específico de exportação, que não geram crédito da não cumulatividade, registradas como aquisição para revenda/insumo; aquisições de cooperativas, que tem tratamento tributário diferenciado a partir de abril/2006, registradas como efetuadas de pessoas jurídicas comuns; o arquivo eletrônico exigido pelo termo de intimação impunha a entrega da relação de toda as notas fiscais de entrada, independente de gerar crédito ou não, com a marcação daquelas aproveitadas no cálculo, todavia o arquivo apresentado não trouxe a integralidade de tais documentos; há casos em que constam aquisições no arquivo magnético e não foram apresentadas as notas fiscais, como exigido no termo; grande quantidade de notas fiscais de cerealistas e pessoas jurídicas agropecuárias com informação, em seu corpo, de saída com suspensão, entretanto, arroladas na relação eletrônica como garantidoras de crédito com cômputo integral; notas fiscais de Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 15578.000802/200907 Acórdão n.º 3201003.425 S3C2T1 Fl. 16 15 retorno de mercadoria computadas como aquisição de produtos; o arquivo apresentado não trouxe a indicação da filial onde ocorreu a operação. Ressalte se que todos os vícios detectados e acima apontados impedem a validação das informações perante os livros fiscais e o próprio DACON. Portanto, os arquivos digitais diferiam em grande medida das informações do Dacon, e assim, impedido de analisar o detalhamento dos créditos, e ainda, impedido de conceder prazo maior para que o contribuinte corrigisse tais arquivos, em vista da comando judicial no âmbito do Mandado de Segurança 2009.50.01.0049781, o qual determinara o prazo de 30 dias para conclusão da decisão, o Fisco, corretamente, não homologou as compensações. Verifico que essa decisão foi revista pelo Poder Judiciário, que determinou o aprofundamento da análise de mérito dos créditos. Não há, desse modo, a anulação do primeiro Despacho Decisório, mas o retorno do processo para sua correção. Tal procedimento é assaz comum em decisões do Carf, quando se ultrapassam questões preliminares e se determina a análise do mérito. Com esses fundamentos, afastei a preliminar suscitada, tese que restou vencedora por voto de qualidade. Registrese que os fatos apurados no processo paradigma correspondem aos mesmos fatos constantes dos processos dos recursos repetitivos, fato esse que possibilita o julgamento em conjunto. Além disso, destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar a preliminar de decadência parcial, relativamente à homologação tácita de parte da compensação declarada, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1779DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.940586/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 15/12/2004
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.874
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 15/12/2004 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.940586/2011-01
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830826
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-004.874
nome_arquivo_s : Decisao_10880940586201101.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880940586201101_5830826.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7125361
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008404623360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.940586/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.874 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 15/12/2004 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 05 86 /2 01 1- 01 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.940586/201101 Acórdão n.º 3302004.874 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.349. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.940586/201101 Acórdão n.º 3302004.874 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.940586/201101 Acórdão n.º 3302004.874 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.940586/201101 Acórdão n.º 3302004.874 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.940586/201101 Acórdão n.º 3302004.874 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.907590/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial..
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.907590/2009-12
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854878
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.260
nome_arquivo_s : Decisao_13971907590200912.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13971907590200912_5854878.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7234256
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008406720512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 167 1 166 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.907590/200912 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.260 – 3ª Turma Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Recorrente HENNINGS VEDAÇÕES HIDRÁULICAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 75 90 /2 00 9- 12 Fl. 188DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 340300.986, de 02/06/2011, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINACIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AnoCalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Intimada da decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados pelo presidente da 3ª Turma. Irresignada, insurgiuse contra o entendimento de que a DCTF retificadora é o documento hábil para comprovar oriundo do pagamento a maior. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 180300.250. O exame de admissibilidade do recurso encontrase à fl. 179. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 181/184) É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que, a despeito da retificação da DCTF, a Recorrente não logrou comprovar, mediante a entrega de documentação hábil, o crédito que pretendia compensar, o paradigma concluiu que, para a mesma situação (aqui, tratase de retificação de DIPJ), mas havendo a comprovação das retenções do imposto (origem do crédito lá reclamado), as compensações vinculadas deveriam ser homologadas. Vejam os seguintes parágrafos de cada qual: Acórdão recorrido: A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumente a ocorrência de equívoco no preenchimento da DCTF, sem apresentar provas documentais a comprovar as suas alegações. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13971.907590/200912 Acórdão n.º 9303006.260 CSRFT3 Fl. 168 3 A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes na DCTF. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Acórdão paradigma: A nosso juízo, portanto, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Os acórdãos confrontados tratam de situações diversas: num caso, houve a comprovação do crédito mediante a análise de documentos colacionados aos autos pelo contribuinte; no outro, não. Ante o exposto, não conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 190DF CARF MF 4 Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
