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Numero do processo: 10980.910835/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano calendário:2003
RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. O disposto no artigo 149,
parágrafo único, do CTN, prevendo que a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública também se aplica ao sujeito passivo. Decorridos mais de cinco anos do lançamento original, não cabe retificação do mesmo, por iniciativa do sujeito passivo, para inclusão de elementos não constantes desse. Assim como a Fazenda Pública não pode fazer lançamento em relação a fatos ocorridos em período atingido
pela decadência, igual restrição se faz ao sujeito passivo.
O prazo decadencial de 5 anos opera-se tanto para o Fisco, quanto para o contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.690
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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O disposto no artigo 149, parágrafo único, do CTN, prevendo que a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública também se aplica ao sujeito passivo. Decorridos mais de cinco anos do lançamento original, não cabe retificação do mesmo, por iniciativa do sujeito passivo, para inclusão de elementos não constantes desse. Assim como a Fazenda Pública não pode fazer lançamento em relação a fatos ocorridos em período atingido pela decadência, igual restrição se faz ao sujeito passivo. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco, quanto para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 283DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 140200.690 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório RIO DOS POÇOS PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: O presente processo referese a despacho decisório emitido por processamento eletrônico, em que é nãohomologada a compensação declarada por meio da DCOMP nº 16887.89588.301006.1.7.020303, em razão de divergência entre o valor do saldo negativo de IRPJ declarado no PER/DCOMP e o declarado em DIPJ. 2. A fundamentação da decisão do referido despacho decisório constituise do seguinte, em síntese: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 84.306,28. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 37.537,73. 3. O contribuinte fora intimado, ainda, para retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deveriam ser sanadas, ainda, pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. 4. O contribuinte foi cientificado do despacho em 04/09/2008. Em 03/10/2008, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que se insurge contra o decidido no despacho, alegando o segue, em síntese: 5. Para compor o valor de R$ 37.537,73, a DRF adotou critério no qual utilizou apenas algumas informações da DIPJ. Na linha 46, ficha 9 A, e linha 01, ficha 11, apurou lucro real de R$ 115.418,00 durante 2003, tendo apurado R$ 17.312,70 de IRPJ. Deste valor, R$ 5.569,75 já havia sido antecipado no mês de fevereiro de 2003, restando um saldo de IRPJ a pagar de R$ 11.742,95 ao final do ano. Na ficha 50 A, foi indicado o pagamento de juros sobre o capital próprio e o IRRF no valor de R$ 40.991,67. Na ficha 53 foi apontado juros sobre capital próprio recebido e a retenção de IRRF sofrida no montante de R$ 90.272,35. No entanto, o despacho deve ser reformado, já que o recorrente efetivamente possuía à época créditos suficientes. 6. O contribuinte passa então a especificar a composição dos créditos que julga possuir, oriundos de 2000 a 2003. Por equívoco, a recorrente deixou de informar na DIPJ 2004 as retenções de IRRF no total de R$ 2.442,15, decorrentes de serviços por ela prestados, mas elas existiram. O nãofornecimento do informe de rendimentos pelo tomador não obsta a apropriação dos créditos. Feita a apropriação das compensações, constatase a existência de um saldo credor de R$ 95.684,23, que, atualizado, correspondia, em 30/06/2005, a R$ 115.541,03. Em que pese a Fl. 284DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 140200.690 S1C4T2 Fl. 0 3 recorrente ter demonstrado a suficiência do crédito, cometeu uma série de equívocos no cumprimento de suas obrigações acessórias. Impõese a aplicação dos princípios da verdade real e da essência sobre a forma. 7. A recorrente utilizou seu crédito de saldo negativo de IRPJ para a compensação de débito de IRPJlucro presumido do 4º trimestre de 2004, ao qual acresceu juros Selic e multa de mora de 20%. Porém, tal multa não era aplicável. A recorrente transmitiu à RFB, em 15/02/2005, a DCTF original do 4º trimestre de 2004, informando que não havia IRPJ a pagar. Todavia, em junho de 2005, constatou que, ao contrário, havia sim débito a pagar, pelo que efetuou a quitação por meio de DCOMP, com a inclusão de juros e também da multa e, após, efetuou a retificação da DCTF, incluindo o débito. Do exposto, requer seja o valor da multa de mora excluído do débito compensado na DCOMP. 8. Em homenagem ao princípio da eventualidade, requer a homologação parcial, pois o despacho aponta a existência de créditos a compensar. 9. Ao final, requer reconsiderar a decisão que não homologou a DCOMP, que seja reconhecida a inexigibilidade de multa de mora sobre o débito compensado e, ainda, ao menos a compensação parcial. A decisão recorrida está assim ementada: PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1º. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN, ao §14 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, e à Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/ Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Tendo o contribuinte sido intimado a regularizar a divergência, e quedandose inerte, a divergência impede que o Fisco proceda à análise do direito creditório informado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. No voto condutor do acórdão de primeira instância destacamse os seguintes fundamentos: 10. Conforme fls. 193/196, foi feita a devida intimação solicitando providências, como determinado pela Norma de Execução. Em verdade, foram feitas duas intimações, em 12/09/2007 e 12/03/2008, respectivamente. Conforme se verifica nas fls. 197/198, o contribuinte de fato retificou sua DIPJ em 22/04/2008, porém, essa retificação alterou a linha 19 da ficha 12 A para apurar um saldo negativo de R$ 37.537,73, exatamente o valor que é apontado pelo despacho decisório, e que é divergente do valor informado no PER/DCOMP. Isto é, permaneceu divergência mesmo após a retificação. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 140200.690 S1C4T2 Fl. 0 4 11. A alegação do contribuinte de que a DRF adotou apenas algumas informações da DIPJ, desconsiderando outras, não subsiste em razão de existir o lugar próprio na DIPJ para a informação específica do IRPJ a pagar (ou o respectivo saldo negativo, se for o caso). A DRF não fez cálculos para apurar o valor devido ou a compensar, apenas utilizouse especificamente da informação contida na ficha 12 A, linha 19, prestada pelo contribuinte. 12. Quanto à questão sobre a “denúncia espontânea”, resta prejudicada, na medida em que a nãohomologação integral da compensação declarada aconteceu em razão da impossibilidade de aferição do saldo negativo em razão da divergência de informações entre a DIPJ e a DCOMP. A compensação é não homologada por uma razão que veda, ab initio, a consideração feita pelo contribuinte, no ponto. Por outro lado, não é cabível impugnação do débito cobrado por meio do despacho decisório, já que a competência da DRJ limitase a julgar a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Não existe lançamento nem constituição de crédito tributário nos autos. A cobrança é mera decorrência da nãohomologação, espécie de “cartacobrança”, que não desafia impugnação à DRJ. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/02/2011, fls. 306 e seguintes, alegando, em síntese, que: Ao apreciar o Manifesto de Inconformidade, a r. autoridade julgadora se apegou em um único fato para justificar seu entendimento pela não homologação da compensação, qual seja, a divergência entre o valor do saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ retificadora de 2004 e o saldo negativo de IRPJ informado na Declaração de Compensação em questão. os créditos da Recorrente são líquidos e certos, conforme exige o artigo 170 do CTN, pois decorreram do saldo negativo de IRPJ oriundo de retenções de IRRF nos anoscalendários de 2000, 2001, 2002 e 2003, o que foi demonstrado pelos documentos anexados ao Manifesto de Inconformidade. por força do que dispõem os artigos 165 e 168 do CTN6 , o direito de repetição de indébito começa a contar a partir da data do pagamento indevido. Assim, 6 patente que o Código Tributário Nacional está reconhecendo que o direito do contribuinte ao crédito surge neste momento. não pode persistir a alegação constante na r. decisão recorrida de que a ausência da retificação do saldo negativo de IRPJ na DIPJ 2004 ou na DCOMP, quando da intimação para fazêlo, enseja a não homologação da DCOMP. Tal afirmação não tem qualquer pertinência. A verdade material — a efetiva existência do crédito — deve prevalecer sobre erros formais, os quais, no caso da Recorrente, estão submetidos a sanções próprias (art. 7, IV, da Lei n° 10.426/02). A verdade material é o principio que rege o processo administrativo. É este o posicionamento assentado por outras Delegacias de Julgamento e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao final requer seja reconsiderada a r. decisão que não homologou a DCOMP diante da demonstrada existência de Saldo Negativo de IRPJ suficiente à compensação declarada, dos comprovados erros formais praticados pela Recorrente, e da aplicação dos princípios da verdade real, da essência sobre a forma, da razoabilidade e da moralidade administrativa, para o fim de homologar a compensação pleiteada. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 140200.690 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio o reconhecimento de direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (SNRIRPJ), anocalendário de 2003, no valor de R$ 89.921,08 (fl. 6), para fins de DCOMP, que não foi homologada, posto que na DIPJ/2004, apresentada pelo contribuinte, consta crédito de 37.537,73, valor que foi integralmente aproveitado (vide despacho de fl. 1). A contribuinte alegou erro no preenchimento da DIPJ/2004, original, objeto de verificação no aludido despacho, muito embora tenha enviado retificadora em 22/04/2008, porém, essa retificação alterou a linha 19 da ficha 12 A para apurar um saldo negativo de R$ 37.537,73, exatamente o valor que é apontado pelo despacho decisório). Na decisão de 1a. instância prevaleceu o entendimento de que a contribuinte não mais poderia ter apresentado a DIPJ Retificadora após a ciência do despacho decisório. No Recurso voluntário, a contribuinte contesta o entendimento da DRJ. Verificase de plano, que a nova retificação da DIPJ/2004 pretendida pela contribuinte em seu recurso não pode mesmo ser acolhida, mas por outros fundamentos. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF, bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do autolançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar “pagamentos indevidos”, passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Não se trata aqui de contagem do prazo para repetição de indébito do IR Fonte ou estimativas mensais, seja 5 anos contados do pagamento, ou 5 anos da homologação (que ocorre 5 anos após o pagamento). A restituição ou reconhecimento do direito creditório se dá em relação ao saldo negativo de recolhimentos, vinculado ao Imposto de Renda devido no ajuste anual. Portanto, passados 5 anos da apuração original, decaí o direito do contribuinte retificála da mesma forma de o direito do Fisco exigir eventual diferença a menor. Repito: o prazo é o mesmo para ambos, nos termos dos artigos 149, 150 e 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 140200.690 S1C4T2 Fl. 0 6 No presente caso, a contribuinte teve não uma, mas duas oportunidades para apresentar as declarações retificadoras corretas (intimações, em 12/09/2007 e 12/03/2008, respectivamente, conforme se verifica nas fls. 197/198), dentro do prazo hábil e legal para que a Autoridade Tributária pudesse realizar os procedimentos de sua alçada , mas não aproveitou. Não se trata aqui de contagem do prazo para repetição de indébito, seja 5 anos do pagamento, ou 5 anos da homologação (tese dos 5 + 5). Repitase o indébito somente afloraria caso o lançamento original tivesse sido retificado no prazo estabelecido em lei. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 288DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 140200.690 S1C4T2 Fl. 0 7 Declaração de Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza O entendimento manifestado no presente processo foi referendado pela Colegiado deste turma em diversos julgados, a exemplo do Acórdão 140200.706 de 5/08/2011, cuja ementa dispõe: IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF, bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do autolançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar “pagamentos indevidos”, passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado Provimento. Tal qual asseverado pelo ilustre conselheiro Relator Moises Giacomelli, não se trata aqui de contagem do prazo para repetição de indébito, pois o direito creditório somente afloraria caso o lançamento original tivesse sido retificado no prazo estabelecido em lei. De igual forma, após transcorrido o prazo decadencial ou da homologação do lançamento original também não pode a Fazenda Pública realizar auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, para fins de reduzir o direito creditório regularmente apurado e declarado na DIPJ. Cumpre aqui registrar o entendimento majoritário deste Colegiado quanto a matéria, expresso dentre outros no acórdão 140200.454, de 25/02/2011, cuja ementa elucida: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 140200.690 S1C4T2 Fl. 0 8 Naquele processo o contribuinte apurou o Lucro Real e o Imposto de Renda devido na forma da legislação e, em face dos recolhimentos por estimativa e retenções e fonte, no ajuste anual aflorou Saldo Negativo de Recolhimentos e não saldo de imposto a pagar. De igual forma, também apresentou a DIPJ no prazo, levando à Receita Federal o conhecimento de suas apurações. A seguir, a contribuinte apresentou de DCOMPs pleiteando a compensação de seus créditos com débitos de períodos de apuração seguintes. Passados mais de 5 anos da ocorrência do encerramento do período de apuração do IRPJ que gerou o crédito, inclusive da apresentação de algumas DCOMP, a Autoridade Tributária proferiu despacho não reconhecendo o crédito sob o argumento de que parte das receitas correspondentes às retenções em fonte não teriam sido integrado o resultado tributável. Uma vez que já havia transcorrido o prazo para o lançamento de oficio, bem como para a revisão do lançamento original, o Fisco subtraiu a parcela do IRFonte cujo rendimento não teria sido tributado, ou seja, utilizouse de um subterfúgio para revisar o lançamento. Tal prática foi considerada irregular por este Colegiado, que interpretou como sendo uma revisão de oficio efetuada após o prazo decadencial, por isso deu provimento ao recurso. Essa declaração de voto tem por objetivo confrontar esses dois julgados, demonstrando a coerência e correção desta Turma: após o transcurso do prazo decadencial, contado do lançamento original, não pode mais o contribuinte retificar o lançamento para aflorar indébito; de igual forma, após esse prazo, também não pode a Autoridade Tributária efetuar revisão de oficio ou auditoria fiscal para elevar o valor do tributo devido (seja para lançamento de oficio da diferença, seja para reduzir o direito creditório). Registrese outrossim, que na hipótese de o contribuinte retificar seu lançamento original dentro do prazo, o Fisco passa a ter 5 anos para homologar/revisar essa retificação, pois, do contrário, bastava ao contribuinte retificar seu lançamento no apagar das luzes do prazo decadencial para impedir que o Fisco pudesse revisálo com fulcro no art. 149 do CTN. (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza Fl. 290DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16045.000386/2010-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ASSISTÊNCIA À SAÚDE. DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS.
Os valores relativos a assistência médica integram o salário-de-contribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados.
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS. Os valores relativos a assistência médica integram o saláriodecontribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 86 /2 01 0- 53 Fl. 233DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 240202.857, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 21/06/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: “ASSISTÊNCIA MÉDICA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente à assistência médica não integra o salário de contribuição apenas quando disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STF. O valor do auxílio transporte pago habitualmente em pecúnia tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo a plano educacional não integra o salário de contribuição quando vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. MULTA DE MORA. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16045.000386/201053 Acórdão n.º 9202006.483 CSRFT2 Fl. 234 3 Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte." Insurgese a União (Fazenda Nacional): 1) despesas médicas; 2) auxílio educação; relativo aos cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. O aludido julgado ainda determinou o recálculo da multa pela regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Admissibilidade somente quanto à 1. Assistência Médica acórdão paradigma 20601.352 2. Multa acórdão paradigma 230100283 e 240100120 O contribuinte pugna genericamente pelo não conhecimento do recurso e manutenção do recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo presentes os pressupostos de admissibilidade no processo em referência. Das despesas médicas: Fl. 235DF CARF MF 4 O empregador pode conceder assistência médica aos empregados como beneficio adicional, além do salário contratual. Para que o valor correspondente à assistência médica não seja considerado salário de contribuição pela Previdência Social. Conforme o artigo 458, V, da CLT, a assistência médica, hospitalar e odontológica prestada diretamente ou mediante seguro saúde, concedida pelo empregador, não será considerada salário utilidade, não havendo assim incorporação ou contribuição a ser recolhida. Nesse sentido, o valor correspondente à assistência médica, hospitalar e odontológica prestada diretamente pelo empregador ou mediante seguro saúde ao empregado não integra a base de cálculo do FGTS. As despesas médicas é uma verba recebida pelo empregado que não caracteriza uma contraprestação de um trabalho prestado, pois é apenas um ressarcimento, conforme artigo 214, § 9o, do Decreto n" 3.048, de 6 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social. A par deste assunto o Superior Tribunal de Justiça reiterou o entendimento de que é indevida a contribuição previdenciária sobre o reembolso das despesas médicas (...). [cita o Resp n° 381.181/RS] Contudo, diante do Decreto, o valor da assistência médica concedida aos dependentes do empregado integra o salário de contribuição para todos os fins, caso diverso do relatado nos autos, somente funcionários obtinham tal beneficio. Mais uma vez, claro que não houve o fato gerador de tal tributo imputado a empresa, não havendo assim valores devidos a Previdência diante de tal circunstância. Do acórdão recorrido: Embora todos os segurados e dirigentes da recorrente disponham de assistência médica e odontológica, alguns dispõem de seguro saúde diferenciado. Por essa razão, a decisão recorrida ratificou o entendimento da fiscalização. Tratase de interpretação da expressão “desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” da regra de isenção: § 9o Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; A matéria foi objeto de exame pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF que se pronunciou pela possibilidade de o benefício ser diferenciado por categorias ou classes da empresa, sem que com isso tornasse o benefício sujeito à incidência da contribuição previdenciária: Acórdão nº 920200.295, de 22/09/2009 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16045.000386/201053 Acórdão n.º 9202006.483 CSRFT2 Fl. 235 5 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA —PLANO DE SAÚDE. EXTENSÃO/COBERTURA À TOTALIDADE DO EMPREGADOS/FUNCIONÁRIOS. REQUISITO LEGAL ÚNICO. De conformidade com a legislação previdenciária, mais precisamente o artigo 28, § 9°, alínea "q", da Lei n° 8.212/91, o Plano de Saúde e/ou Assistência Médica concedida pela empresa tem como requisito legal, exclusivamente, a necessidade de cobrir, ou seja, ser extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, para que não incida contribuições previdenciárias sobre tais verbas. A exigência de outros pressupostos, como a necessidade de planos idênticos à todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos. Recurso especial negado. Ressaltase que parcela das despesas com os planos de saúde são custeadas pelos segurados da recorrente mediante desconto em folha de salários. Por essa sistemática, haveria um maior comprometimento da renda dos segurados com menor capacidade econômica para suportar o ônus com o benefício. Retroatividade Benigna Já quanto a multa, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Feita tal digressão, aqui sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendo se as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). Fl. 237DF CARF MF 6 § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16045.000386/201053 Acórdão n.º 9202006.483 CSRFT2 Fl. 236 7 dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de Fl. 239DF CARF MF 8 da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16045.000386/201053 Acórdão n.º 9202006.483 CSRFT2 Fl. 237 9 em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de Fl. 241DF CARF MF 10 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16045.000386/201053 Acórdão n.º 9202006.483 CSRFT2 Fl. 238 11 Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade Fl. 243DF CARF MF 12 primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16045.000386/201053 Acórdão n.º 9202006.483 CSRFT2 Fl. 239 13 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora designada. Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, apenas no que tange à tese defendida no acórdão recorrido, no sentido de que, para que não integre o saláriode contribuição, basta que a assistência médica esteja disponível para todos os empregados da empresa, sem obrigatoriedade de que a cobertura seja a mesma todos. Fl. 245DF CARF MF 14 A respeito do tema, o art. 28, da Lei nº 8.212, de 199, assim dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (grifei) Como se pode constatar, a condição para que o valor relativo à assistência médica não integre o saláriodecontribuição é que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. No presente caso, verificouse a existência de planos de saúde distintos, contemplando de forma desigual os segurados. Assim, não foi cumprido o requisito legal no sentido de que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes, de sorte que a verba deve integrar o saláriodecontribuição. Oportuno remarcar que a interpretação de dispositivo legal que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal, conforme o art. 111, II, do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.658709/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
A homologação do direito creditório somente poderá ser deferida quando cabalmente comprovadas nos autos a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado por PER/DCOMP. Uma vez não comprovado o crédito de Saldo Negativo de CSLL, não se pode, portanto, homologar o pedido de compensação.
Numero da decisão: 1402-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. A homologação do direito creditório somente poderá ser deferida quando cabalmente comprovadas nos autos a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado por PER/DCOMP. Uma vez não comprovado o crédito de Saldo Negativo de CSLL, não se pode, portanto, homologar o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 87 09 /2 01 1- 55 Fl. 422DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10880.658709/201155 Acórdão n.º 1402002.830 S1C4T2 Fl. 423 3 Relatório Adoto, integralmente, o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 1661.014, proferido pela 4ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, em 29 de agosto de 2014, por sua completude, atualizandoo, ao final, com a inovações fático processuais pertinentes. A Interessada transmitiu o PER/DCOMP nº 04221.69453.260208.1.7.03 1070 (com demonstrativo do crédito), em que foi apontado crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL (SNCSLL), relativo ao anocalendário (AC) de 2000, no montante de R$8.561.587,87 (fls. 02 a 06). 2. A DERAT/SP exarou Despacho Decisório DD, em 02/12/2011 (fl. 07), em que não foi reconhecido direito creditório, relativo ao SNCSLL apurado no AC 2000, e não homologada a compensação pleiteada no PER/DCOMP apresentado, visto que o valor do saldo negativo disponível apurado foi zero. 2.1. No DD foi relatado que (Estim. Comp. SNPA = Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores): Fl. 424DF CARF MF 4 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório – DD, em 19/12/2011 (AR; fls. 08 e 09), e dele recorreu a esta DRJ, em 18/01/2012, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 13 a 23): II. Dos Fatos. 3.1. Conforme comprovam os atos societários anexos, a Impugnante é sucessora por incorporação da IBA Nordeste Indústria de Bebidas Antárctica do Norte Nordeste S.A., anteriormente inscrita no CNPJ/MF sob o n° 15.182.652/000161 (doc. 4). A referida incorporação ocorreu em outubro de 2001 sendo que até esta data foram entregues anualmente as Declarações Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) referentes, inclusive, a 2000 e 2001, períodos estes objeto da presente impugnação. 3.2. Como contribuinte da citada contribuição social, nos anos de 1999 e 2000 apurou e declarou SNCSLL nos montantes de R$6.165.610,06 e R$8.561.587,87, respectivamente. A Impugnante ainda detinha saldo remanescente de prejuízo fiscal, mesmo que pequeno, de períodos anteriores. Em decorrência da apuração dos citados saldos negativos nos AC 1999 e 2000, procedeu à compensação destes créditos com outros débitos durante os AC subsequentes. O débito a ser compensado com o citado crédito era de R$5.718.864,87. 3.3. A Receita Federal do Brasil (RFB) pretende a cobrança de valor total de R$11.631.137,36 (principal mais multa e juros). Contudo, tal como restará demonstrado, a citada cobrança é incabível, devendo ser homologada a compensação pleiteada uma vez que, consoante argumentos a seguir expostos, está demonstrada a existência do crédito que autoriza a compensação, nos termos dos artigos 170, do Código Tributário Nacional (CTN) c/c 74, caput, da Lei nº 9.430/96. Vejamos. III. Do Direito. III.l. Do direito da Impugnante de efetuar as compensações decorrentes da existência de Saldo Negativo de CSSL 3.4. Como mencionado, quando verificada a existência de crédito tributário, é outorgada ao contribuinte a possibilidade de reaver este montante por meio da compensação, nos termos do artigo 170, do CTN e nos termos do artigo 74, caput, da Lei n° 9.430/96, consoante transcrição, in verbís: (...) 3.5. Para a compensação é necessário um encontro de contas, de débitos e créditos. No caso concreto, efetivamente havia um crédito oriundo de SNCSLL. Este crédito poderia ser compensado com tributos vincendos administrados pela RFB. E, desta forma procedeu a Impugnante. 3.6. Conforme consta do PER/DCOMP apresentado em 26/02/2008, a Impugnante pleiteou a compensação de débito no valor de R$5.718.864,87 com parte do crédito decorrente da apuração de saldo negativo do AC 2000, no valor de R$8.561.587,87. O pedido foi indeferido porque o Fisco Federal entendeu que não havia suficiência de saldo de crédito para realização da postulada compensação. 3.7. Consoante consta do despacho decisório ora impugnado, foi informado pagamento de CSLL no AC 2000 no valor de R$9.072.373,79. Deste montante, somente foram Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10880.658709/201155 Acórdão n.º 1402002.830 S1C4T2 Fl. 424 5 confirmados valores no montante total de R$1.590.944,59, sendo que foi apurada uma diferença de R$7.481.429,20. 3.8. Contudo, não há que se falar nesta diferença uma vez que o saldo negativo foi apurado integralmente pela Impugnante, o que justifica o pedido de compensação outrora apresentado pela Impugnante como se passa da demonstrar. 3.9. Consoante informação constante da DIPJ 2001, referente ao AC 2001 (sic), cópia anexa (doc. 06), ficha 17, no cálculo da CSLL foram apurados os seguintes valores, de forma resumida: 3.10. Ou seja, no AC 2000 a Impugnante efetuou pagamento de CSLL por antecipação no valor total de R$9.072.373,79. O valor apurado na linha 36, da ficha 17 corresponde ao valor efetivamente devido pela Impugnante naquele ano, ou seja, R$510.785,92. 3.11. Realizado o encontro de contas entre o que foi efetivamente recolhido antecipadamente por estimativa com o que efetivamente devido, apurouse saldo negativo de R$8.561.587,87, ou seja, crédito que poderia ser compensado pela Impugnante com outros débitos. É uma conta matemática, simples. 3.12. Demonstra agora a Impugnante como foi apurado o valor da linha 38, de CSLL mensal paga por estimativa no AC 2000. 3.12.1. Durante o AC 2000 a Impugnante utilizou SNPA para o pagamento da CSLL mensal por estimativa. Ou seja, como havia saldo negativo acumulado a título de CSLL de períodos anteriores, como por exemplo, 1999, a Impugnante utilizou estes créditos para pagamento da CSLL devida em cada mês de 2000, por estimativa. 3.12.2. Primeiramente, no mês de janeiro de 2000 a Impugnante efetuou o pagamento por estimativa mediante compensação realizada no valor de R$1.590.744,04. Este crédito foi devidamente compensado em decorrência do Processo Administrativo (PA) n° 13502.000074/0038. 3.12.3. O valor referente ao período de fevereiro de 2000, de R$1.370.954,56 foi apurado da seguinte forma: 3.12.3.1. R$54,56 foi recolhido por meio de DARF, deferido pela RFB, consoante cópia anexa (doc. 7) e 3.12.3.2. R$1.370.900,00 foi pago por meio de compensação Fl. 426DF CARF MF 6 contábil com saldo negativo apurado em 1999, consoante cópia da conta contábil 11320007 Antecipação CSLL e na conta n° 11320014 CSLL a compensar (doc. 8); 3.12.4. O valor referente ao período de março de 2000, de R$1.131.956,68 foi apurado da seguinte forma: 3.12.4.1. R$56,68 foi recolhido por meio de DARF, deferido pela RFB, consoante cópia anexa (doc. 7) e 3.12.4.2. R$1.131.900,00 foi pago por meio de compensação contábil com saldo negativo apurado em 1999, consoante cópia da conta contábil 11320007 Antecipação CSLL e na conta n° 11320014 CSLL a compensar (doc. 8); 3.12.5. O valor referente ao período de abril de 2000, de R$1.151.044,08 foi apurado da seguinte forma: 3.12.5.1. R$44,08 foi recolhido por meio de DARF, deferido pela RFB, consoante cópia anexa (doc. 7) e 3.12.5.2. R$1.151.000,00 foi pago por meio de compensação contábil com saldo negativo apurado em 1999, consoante cópia da conta contábil 11320007 Antecipação CSLL e na conta n° 11320014 CSLL a compensar (doc. 8); 3.12.6. O valor referente ao período de maio de 2000, de R$846.962,20 foi apurado da seguinte forma: 3.12.6.1. R$12,20 foi recolhido por meio de DARF, deferido pela RFB, consoante cópia anexa (do. 7) e 3.12.6.2. R$846.950,00 foi pago por meio de compensação contábil com saldo negativo apurado em 1999, consoante cópia da conta contábil 11320007 Antecipação CSLL e na conta n° 11320014 CSLL a compensar (doc. 8); 3.12.7. O valor referente ao período de junho de 2000, de R$1.210.170,29 foi apurado da seguinte forma: 3.12.7.1. R$10,29 foi recolhido por meio de DARF, deferido pela Receita Federal do Brasil, consoante cópia anexa (doc. 7) e 3.12.7.2. R$1.210.160,00 foi pago por meio de compensação contábil com saldo negativo apurado em 1999, consoante cópia da conta contábil 11320007 Antecipação CSLL e na conta n° 11320014 CSLL a compensar (doc. 8); 3.12.8. O valor referente ao período de julho de 2000, de R$839.442,74 foi apurado da seguinte forma: 3.12.8.1. R$12,74 foi recolhido por meio de DARF, deferido pela RFB, consoante cópia anexa (doc. 7) e 3.12.8.2. R$839.430,00 foi pago por meio de compensação contábil com saldo negativo apurado em 1999, consoante cópia da conta contábil 11320007 Antecipação CSLL e na conta n° 11320014 CSLL a compensar (doc. 8); e Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10880.658709/201155 Acórdão n.º 1402002.830 S1C4T2 Fl. 425 7 3.12.9. O valor referente ao período de agosto de 2000, de R$931.099,20 foi apurado da seguinte forma: 3.12.9.1. R$10,00 foi recolhido por meio de DARF, deferido pela RFB, consoante cópia anexa (doc. 7) e 3.12.9.2. R$53.538,41 foi pago por meio de compensação contábil com saldo negativo apurado em 1999, consoante cópia da conta contábil 11320007 — Antecipação CSLL e na conta n° 11320014 — CSLL a compensar (doc. 8); 3.12.9.3. R$877.550,79 foi compensado em decorrência do Processo judicial n° 97.00594084, no qual se discutiu PIS Semestralidade, demonstrado contabilmente na conta contábil n 22139001 Provisões Contingenciais PIS e o Lançamento n° 1900001454, consoante cópia anexa (doc. 10). Este valor de compensação já foi deferido e homologado pela RFB. 3.13. Ou seja, aproveitandose de saldos negativos apurados em 1999 e alguns valores restantes de anos anteriores, é possível comprovar o valor de R$9.072.373,79 pago a título de CSLL por estimativa no ano de 2000. 3.14. Apurado o valor efetivamente devido no ano de 2000 de R$510.785,92, deduzido o montante pago por estimativa no valor de R$9.072.373,79 através de compensações, apurouse o valor de saldo negativo (recolhimento a maior a título de CSLL no ano de 2000), que fundamentou a apresentação do PER/DCOMP em 26/02/2008. 3.15. Ou seja, pelo quadro abaixo é possível visualizar o valor de cada compensação realizada com o saldo negativo apurado em 1999 e com saldo remanescente de anos anteriores, que compuseram o valor total da CSLL paga mensalmente por estimativa em 2000: Fl. 428DF CARF MF 8 3.16. As demonstradas compensações ocorridas nos meses de fevereiro a agosto de 2000 foram realizadas com o saldo negativo apurado em 1999, no valor de R$6.165.610,06 (doc. 9) e com saldo remanescente de períodos anteriores, totalizando R$7.481.629,75 que constam do despacho decisório como não reconhecidas. Contudo, como consta da relação anexa e dos documentos acostados aos autos, é possível verificar a existência deste crédito, que deve ser reconhecido. 3.17. Portanto, pela verificação dos DARF's anexos, pelas contas contábeis e contas CSLL a pagar ora apresentadas, pelas cópias do Processo Judicial n° 97.00594084 e pelas cópias do PA n° 13502.000074/0038 (que se pleiteia juntada posterior ou determinação de ofício para juntada pela equipe responsável) é possível apurar o valor da CSLL paga por estimativa no AC 2000, confirmando, assim, o crédito de CSLL. 3.18. Pela análise das alegações da Impugnante comprovase, inclusive, que o SNCSLL apurado em 2000 não foi utilizado integralmente quando da apresentação do PER/DCOMP em 26/02/2008, existindo saldo remanescente. 3.19. Assim, considerando que: (i) foi apurado SNCSLL no AC 1999; (ii) que a CSLL referente ao AC 2000 foi paga por estimativa mensal: (ii.i) com a utilização do saldo negativo de períodos anteriores que foram compensados, de acordo com contas contábeis; (ii.ii) com a compensação realizada através do PA n° 13502.000074/0038, já deferido; (ii.iii) com a compensação realizada em decorrência de decisão judicial favorável transitada em julgado no Processo n° 97.00594084, compensação esta já deferida; (ii.iv) mediante pagamento de valores através de DARFs; (iii) foi deduzido do valor total pago por estimativa o valor efetivamente devido a título de CSLL em 2000 (R$510.785,92); comprova se a existência do crédito decorrente de saldo negativo no valor de R$8.561.587,87, devendo, desta forma, ser integralmente homologado o PER/DCOMP n° 04221.69452.260208.1.7.03 1070 de 26/02/2008, cancelandose, consequentemente, o a cobrança ora impugnada. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10880.658709/201155 Acórdão n.º 1402002.830 S1C4T2 Fl. 426 9 IV. Do pedido 3.20. Diante do exposto, postula a Impugnante seja julgada totalmente procedente a presente Impugnação, para homologar integralmente a compensação realizada no PER/DCOMP n° 04221.69453.260208.1.7.031070. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada de novos documentos. Requer seja resguardado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer documento pela fiscalização ou de qualquer outro fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. O pedido da fiscalizada foi julgado improcedente pela 4ª Turma da DRJ/SPO, com fundamento na não comprovação da existência de crédito líquido e certo disponível em favor da Recorrente. Restouse mantida, portanto, a decisão da autoridade administrativa. Veja se a ementa da decisão da DRJ: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. O contribuinte não logrou provar direito creditório disponível em relação ao saldo negativo referente ao anocalendário 2000, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efolhas 335418) que foi distribuído a esta Colenda Turma. Contudo, não há inovações na argumentação da Recorrente. Ainda, no tocante ao trâmite processual, registrese que não há Contrarrazões apresentadas pela PGFN. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte ingressou com pedido de compensação de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2000, DIPJ 2001, de empresa incorporada pela Recorrente. O crédito tributário pleiteado, a título de saldo negativo de CSLL, foi parcialmente confirmado no despacho decisório de p. 7, 1011 (R$ 1.590.944,59), mas não foi suficiente para gerar crédito para fins de compensação nos termos da PER/DCOMP de p. 2 a 6, uma vez que, do crédito originário de R$ 8.561.587,87, apenas R$ 4.561.518,04 remanescia no momento de transmissão da PER/DCOMP de p. 2 a 6, objeto deste processo administrativo. O despacho decisório foi mantido integralmente no v. acórdão recorrido, conforme Acórdão 1661.014, da 4ª Turma da DRJ/SPO, de tal forma que, em razão da interposição do recurso voluntário, está pendente de apreciação a totalidade dos créditos informados pelo contribuinte na PER/DCOMP nº 04221.69453.260208.1.7.031070, transmitido em 26.02.2008, retificador da PER/DCOMP nº 18701.91135.190105.1.3.038070. Os créditos informados pela contribuinte no PER/DCOMP nº 04221.69453.260208.1.7.031070 não foram reconhecidos, excluindose o primeiro valor, no importe de R$ 1.590.744,04 e os DARF’s pagos, basicamente, em razão de não confirmação de compensações de saldo negativo de CSLL apurados no AC 1999, DIPJ 2000, com estimativas devidas de CSLL pela contribuinte no AC 2000, a saber (quadro disposto pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, p. 21): O contribuinte, através do documento de p. 145 a 147 – excerto da DIPJ 2000, AC 1999, aponta a apuração de saldo negativo de CSLL no importe de R$ 6.165.610,06, Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10880.658709/201155 Acórdão n.º 1402002.830 S1C4T2 Fl. 427 11 o qual teria sido compensado com as estimativas devidas, a título de CSLL, no AC 2000 (quadro acima). No entanto, como se observa do r. despacho decisório de p. 7, essas compensações não foram confirmadas pela DRF de origem, de tal forma que o saldo negativo apurado na DIPJ 2001, AC 2000, no importe de R$ 8.561.587,87 (excerto DIPJ 2001, p. 132 a 134), também não restou comprovado. Na época de formação dos saldos negativos de CSLL acima indicados, como bem disposto no v. acórdão recorrido, ainda não havia a sistemática de compensação via declaração de compensação. Ou seja, as informações de compensação eram prestadas através das DCTF’s, e o contribuinte deveria apresentar, quando solicitado, os documentos hábeis a fundamentar o quanto informado em DCTF. Vejase o entendimento correto exarado no v. acórdão recorrido: Consultando a DIPJ/2001 e as DCTF’s apresentadas pela contribuinte no AC 2000, vejase o quadro apresentado pela DRJ na p. 329 dos autos, ressaltandose que, a compensação referente a Jan/2000 foi reconhecida já no despacho decisório: O quadro acima demonstra, objetivamente, que as DCTF’s apresentadas pela contribuinte sequer informaram a compensação da CSLL devida por estimativa nos períodos de abril a agosto/2000 e, no período de fevereiro e março, embora informe a compensação, como ressalvou a DRJ na p. 330, os créditos utilizados teriam sido oriundos de compensação com Fl. 432DF CARF MF 12 pagamento indevido ou maior que o devido e o outro teria sido pago com DARF, o que não condiz com a realidade, sequer com as alegações formuladas em recurso voluntário pela Recorrente. Verificase, em verdade, que os únicos documentos apresentados pela Recorrente, ainda em sede de manifestação de inconformidade, foram um excerto do Razão, conta contábil 1132007 – Antecipação Contribuição Social (p. 142) e conta contábil 11320014 – CSLL a compensar (p. 143), bem como informações acerca de um processo judicial no qual foi discutida a “semestralidade do PIS”. Inicialmente, como já posto pela DRJ, os documentos de p. 142/143 não se referem a todo o período em análise no presente processo administrativo; ademais, ainda que se tente considerar os valores lançados no razão contábil, não há documentos que sustentem os números em questão. Quanto ao processo judicial, ainda que tenha sido reconhecido um direito de crédito, a sua utilização dependeria de informações a serem prestadas à Receita Federal, através de DCTF e, pelo que foi constatado, tais informações não foram prestadas. Em suma, o contribuinte não comprovou a origem do crédito apurado na DIPJ 2000, referente ao AC 1999 e, desta forma, se o crédito original não foi comprovado e as compensações dele decorrentes não foram homologadas, não há como admitir os créditos apurados na DIPJ 2001, AC 2000, que são o objeto deste processo administrativo, notadamente porque a Recorrente, embora cite em seu recurso voluntário que apresentará novas provas, não o fez. Vejase (p. 340, parte final): Da mesma forma, o suposto crédito de PIS, se não foi devidamente informado para fins de compensação, também não possibilitou a homologação da respectiva compensação e, desta forma, não há a comprovação do pagamento, por compensação, da CSLL devida, por estimativa, no AC 2000. Assim, não reconhecidos os créditos do contribuinte, o crédito tributário devido, apontado para fins de compensação na PER/DCOMP é confissão de dívida, conforme se denota do disposto nos §§ 1º e 6º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Ou seja, não verificada a existência dos créditos do contribuinte, a não homologação da compensação é suficiente para que a autoridade fiscal dê sequência para a cobrança dos valores confessados. Esta cobrança, contudo, é suspensa enquanto houver “reclamação ou recurso” pendente de julgamento em relação aos créditos em discussão. Contudo, não tem o condão de suspender, ou autorizar o sobrestamento de processo administrativo até que outro seja julgado. Assim, embora o contribuinte tenha apontado uma aparente conexão deste processo administrativo com o de nº 13502.000074/0038, a certeza e liquidez dos créditos levados à compensação, nos moldes do art. 170, do CTN, é uma obrigação do contribuinte que, não atendida, justifica o indeferimento da compensação. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10880.658709/201155 Acórdão n.º 1402002.830 S1C4T2 Fl. 428 13 Por todo o exposto, tendo em vista que a Recorrente não comprovou o seu direito creditório, nego provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo íntegro o v. acórdão recorrido. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907008/2010-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 70 08 /2 01 0- 60 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.907008/201060 Acórdão n.º 3201003.287 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.398, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.907008/201060 Acórdão n.º 3201003.287 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.907008/201060 Acórdão n.º 3201003.287 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.907008/201060 Acórdão n.º 3201003.287 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724638/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010
IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA. NOVA DECISÃO. DRJ.
Considerando-se tempestiva a impugnação, deve ser prolatada nova decisão pela DRJ.
Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3302-005.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em considerar a impugnação tempestiva, anulando-se o acórdão recorrido, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro José Renato P. de Deus para redigir o voto vencedor.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
(assinatura digital)
José Renato Pereira de Deus - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010 IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA. NOVA DECISÃO. DRJ. Considerando-se tempestiva a impugnação, deve ser prolatada nova decisão pela DRJ. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em considerar a impugnação tempestiva, anulando-se o acórdão recorrido, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro José Renato P. de Deus para redigir o voto vencedor. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora (assinatura digital) José Renato Pereira de Deus - Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
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NOVA DECISÃO. DRJ. Considerandose tempestiva a impugnação, deve ser prolatada nova decisão pela DRJ. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em considerar a impugnação tempestiva, anulandose o acórdão recorrido, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro José Renato P. de Deus para redigir o voto vencedor. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora (assinatura digital) José Renato Pereira de Deus Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 38 /2 01 5- 91 Fl. 8787DF CARF MF 2 Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase o relatório da DRJ/Juiz de Fora, fls. 8682 e seguintes1: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, fls. 02 a 10, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$ 8.540.006,21, acrescido da multa de ofício de R$ 12.810.009,29 e dos juros de mora (calculados até 12/2015) de R$ 4.544.229,81, totalizando a exigência de R$ 25.894.245,31, cuja motivação fática encontra se no próprio documento e no TERMO DE CIÊNCIA E DE VERIFICAÇÃO FISCAL DO IPI, às fls. 11/34, dos quais, pela pertinência, reproduzemse os seguintes trechos: AUTO DE INFRAÇÃO PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL INFRAÇÃO: SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI UTILIZAÇÃO DE "MEIA NOTA" Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) do estabelecimento de produto(s) tributado(s), mediante emissão de nota(s) fiscal(is) com valor(es) diferenciado(s) do efetivamente praticado, "meia nota", conforme descrito no TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENCERRAMENTO PARCIAL DA AÇÃO FISCAL, o qual é parte integral deste Auto de Infração. TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENCERRAMENTO PARCIAL DA AÇÃO FISCAL Constatouse, da análise das notas fiscais, sejam as apresentadas no formato do ADE, sejam as eletrônicas da empresa que divergência expressiva de valores de saída de produtos idênticos quando a autuada documentava uma venda direta a comerciais atacadista e quando registrava operações com CFOPs 5119 e 6119 (vendas à ordem) tendo como “intermediárias” diversas empresas com razão social iniciando por “Distribuidora de Pneus”, cujo administrador sempre é o Sr. Luiz Bonacin Netto, CPF nº 024. 561.86940, filho de sócio administrador da autuada, sr. Luiz Bonacin Filho, CPF nº 086.350.30982. (...) Assim, o que se verificou foi que, ao dar saída de produtos diretamente ao mercado atacadista, os valores praticados pela autuada eram mais que 100% superiores aos valores praticados em saídas para suas interdependentes. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 8788DF CARF MF Processo nº 10980.724638/201591 Acórdão n.º 3302005.146 S3C3T2 Fl. 3 3 Deparouse aí com esquema fraudulento a seguir detalhado. As mercadorias importadas davam saída do estabelecimento da autuada com destino aos estabelecimentos atacadistas, quando então a autuada emitia duas notas fiscais: 1) a primeira, de venda CFOP nº 5.119 ou 6.119 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem, em cujo campo destinatário constava uma das distribuidoras de pneus listadas adiante, com incidência de IPI; 2) e a segunda, de remessa CFOP nº 5.923 ou 6.923, Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem , a uma das comercias atacadistas, em sua grande maioria sem qualquer vínculo societário com a fiscalizada, sem incidência de IPI, com valor das mercadorias mais de 100% (cem por cento) superior ao da primeira. Acontece que tais pessoas jurídicas, as Distribuidoras de Pneus a diante listadas, com Capital Social insuficiente (R$ 50.000,00) para realizar o montante de operações comerciais que as Notas Fiscais de Saída da autuada demonstram, sequer tiveram movimentação financeira no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2010, conforme se constatou em diligência. 3.3 Da relação de interdependência entre industrial e o distribuidor dos produtos no mercado atacadista. 3.4. Conclusão. 3.5. Da determinação do valor tributável. 3.6. Da Multa Qualificada. 3.7. Da decadência. 4. Do Crédito Tributário. 5. Do Encerramento Parcial do Procedimento de Fiscalização. A ciência do Auto de Infração foi feita por via postal, com Aviso de Recebimento (AR) juntado às fls. 8.568, confirmando a ciência pelo Representante Legal da empresa em 31/12/2015. Em 04 de fevereiro de 2016, o contribuinte formalizou a sua impugnação por intermédio do arrazoado de fls. 8.576/8.627, no qual alega, em síntese, que: IMPUGNAÇÃO ao Auto de Infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0910100.2014.00142, com base nas razões de fato e de direito que passa a expor. (...) O fato é que, após procedimento de fiscalização (0910100.2014.00142) por parte da Receita Federal do Brasil Fl. 8789DF CARF MF 4 em Curitiba, para verificação de possíveis irregularidades no qual, vale registar (sic), sempre foram apresentas as devidas respostas, esclarecimentos e documentação, diligentemente no dia 31/12/2015, a Impugnante foi surpreendida com o recebimento da do Auto de Infração expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, por meio do qual o Fisco Federal constituiu créditos tributários de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e além de juros e multa, relativamente ao anocalendário 2010, que totalizam R$ 25.894.245,31 (vinte e cinco milhões oitocentos e noventa e quatro mil duzentos e quarenta e cinco reais e trinta e um centavos).(...) Aplicandose a regra de contagem decadencial estabelecida pelo artigo 150, §4°, do CTN, chegase à constatação de que a totalidade do crédito tributário objeto do lançamento fiscal está extinta pela decadência, eis que o último fato gerador considerado ocorreu em 31/12/2010, e a Impugnante tomou ciência do Auto de Infração no dia 05/01/2016.(...) Ademais, a própria lavratura do Auto de Infração, por parte da R. Autoridade Fiscal, nesse dia [31/12/2015], às 03:21hs, portanto fora do horário de expediente, já foi irregular. Isso porque no dia 31/12/2015 sequer houver expediente na Receita Federal do Brasil em Curitiba, Ademais, o anexo rastreador dos correios demonstra que a Impugnante só recebeu o Auto de Infração, tendo sido intimada do mesmo, no dia 05/01/2016. Por tudo isso, devese considerar que o crédito tributário só foi constituído em 05/01/2016, quando já estava fulminado pela decadência, conforme aplicação do artigo 173, I, do CTN. O acórdão da DRJ/Juiz de Fora não conheceu da impugnação por considerá la intempestiva, vide ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INTEMPESTIVIDADE. Caracterizada, preliminarmente, a intempestividade da impugnação, resta prejudicada a análise do mérito nela suscitada, pelo que se mantém o lançamento de ofício. A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário, repisando os argumentos da impugnação e demonstrando que a impugnação administrativa foi apresentada de modo tempestivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. Fl. 8790DF CARF MF Processo nº 10980.724638/201591 Acórdão n.º 3302005.146 S3C3T2 Fl. 4 5 1. Quanto à tempestividade da impugnação A Recorrente afirma que teve ciência em 05 de janeiro de 2016, quando recebeu correspondência remetida pela Receita Federal, ressaltando que anexou à impugnação o rastreador dos correios, fls. 8639, e, que, portanto, a apresentação da impugnação é tempestiva, pois ocorreu em 04 de fevereiro de 2016. Afirma que como a empresa encontrase ativa e com endereço na Rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel, n º 4459, Bloco A, conjunto 01, Bairro Jardim Primavera, Piraquara/PR, por conseguinte, não é válida a intimação enviada ao domicílio do sócio, que no caso em análise, sequer é o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Quanto aos fatos que ocorrem no trâmite do processo administrativo, importante transcrever o que está contido no Termo de Informação Fiscal, fls. 8569: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e com base no art. 94, e seu parágrafo único, e art. 95, ambos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; e de acordo com os arts. 383, 386, 389, 394, 509, 511 e 513, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, efetuouse diligência no contribuinte em epígrafe com intuito de realizar a ciência do Auto de Infração, e do correspondente Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, que instrui o PAF nº 10980.724638/201591, e relatase o ocorrido: 1) Compareceuse no endereço cadastral do contribuinte às 10h, da data de 31 de dezembro de 2015, e ali não se localizou nenhum dos responsáveis ou administradores da pessoa jurídica autuada; 2) Tentouse, na mesma data, 31 de dezembro de 2015, ciência pessoal no domicílio dos sócios administradores da pessoa jurídica autuada, igualmente sem sucesso, em razão dos referidos sócios não se encontrarem em seu domicílio; 3) Considerando o termo decadencial (31/12/2015), optouse pela ciência postal, tendo em vista que a ciência via DTE representava risco de não se realizar a tempo. 4) Assim, enviouse vias do Auto de Infração, acompanhado do Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento da Ação Fiscal e das Planilhas “AI valor efetivo.pdf”, “Saídas CFOP 5119 e 6119 janeiro.pdf” “Saídas CFOP 5119 e 6119.pdf” em meio magnético (CD), documentos comprobatórios do lançamento fiscal, para o domicílio tributário da pessoa jurídica bem como dos sócios administradores, únicos a responderem no curso da fiscalização pela autuada. Informase, por fim, que a ciência via postal realizouse a tempo, no dia 31, de dezembro de 2015, conforme Aviso de Recebimento juntado ao processo administrativo fiscal. Fl. 8791DF CARF MF 6 A partir da informação da fiscalização, houve o efetivo comparecimento ao domicílio fiscal eleito pela Recorrente, ocorre que não se localizou nenhum responsável ou administrador da pessoa jurídica. Posteriormente, tentouse ciência pessoal no domicílio dos sócios administradores, mas a fiscalização não obteve êxito, sendo que enviou documentos para o domicílio tributário e para os sócios administradores da pessoa jurídica. Houve a ciência via postal em 31 de dezembro de 2015, fls. 8568, na residência do sócio administrador da pessoa jurídica. Percebese que a fiscalização tentou por dois momentos ciência pessoal, mas como não obteve êxito, então, enviou via correios documentos para o domicílio tributário e para os sócios administradores da pessoa jurídica. Retirase da legislação: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Quanto ao domicílio tributário, prevê o Código Tributário Nacional Código Tributário Nacional Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; Fl. 8792DF CARF MF Processo nº 10980.724638/201591 Acórdão n.º 3302005.146 S3C3T2 Fl. 5 7 II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior (negritos não constam no original) A alegação de que a notificação deve ser realizada no domicílio tributário do contribuinte apresentase como a regra geral, ocorre que, no caso em análise, estáse diante de um situação excepcional, na qual a fiscalização tentou notificar a Recorrente em seu domicílio tributário, mas não conseguiu. Pela leitura do § 2º, do artigo 127, do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa pode recusar o domicílio tributário, que é exatamente o que aconteceu no presente caso, quando tal eleição resulte em dificuldade de arrecadação ou fiscalização. Assim, ela tem a prerrogativa de eleger o domicílio e, no caso, tal eleição foi no endereço do sócio com a respectiva confirmação do recebimento do AR em 31 de dezembro de 2015. Sendo a ciência ocorrida em 31 de dezembro de 2015, começase a correr o prazo em 04 de janeiro de 2016 segundafeira e conforme a regra do art. 5º, do Decreto n° 70.235/1972, o prazo legal para interposição da impugnação venceu em 03 de fevereiro de 2016 quartafeira , devendose considerar intempestiva a impugnação, uma vez que protocolada apenas em 04 de fevereiro de 2016. Portanto, considerase intempestiva a impugnação, mantendose a decisão da DRJ/Juiz de Fora e, se conhece parcialmente do presente Recurso Voluntário. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Voto Vencedor José Renato Pereira de Deus, Redator Designado. Conforme observamos das razões e conclusões do voto apresentado pela N. Conselheira Relatora, a decisão de piso restou mantida, pois no seu sentir a impugnação apresentada pelo contribuinte, teria sido realizada fora do prazo concedido pela legislação processual administrativa tributária. Entretanto, com a devida vênia, ouso discordar do posicionamento da N. Relatora, apresentando as razões para tanto logo abaixo. Fl. 8793DF CARF MF 8 Pois bem. Segundo a decisão de piso, a contribuinte devidamente notificada apresentou seu inconformismo, representado em uma impugnação, fora do prazo para estipulado em lei. Por entender ser pertinente ao o que se pretende analisar, transcrevese abaixo parte do Termo de Informação Fiscal, fls. 8569: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e com base no art. 94, e seu parágrafo único, e art. 95, ambos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; e de acordo com os arts. 383, 386, 389, 394, 509, 511 e 513, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, efetuouse diligência no contribuinte em epígrafe com intuito de realizar a ciência do Auto de Infração, e do correspondente Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, que instrui o PAF nº 10980.724638/201591, e relatase o ocorrido: 1) Compareceuse no endereço cadastral do contribuinte às 10h, da data de 31 de dezembro de 2015, e ali não se localizou nenhum dos responsáveis ou administradores da pessoa jurídica autuada; 2) Tentouse, na mesma data, 31 de dezembro de 2015, ciência pessoal no domicílio dos sócios administradores da pessoa jurídica autuada, igualmente sem sucesso, em razão dos referidos sócios não se encontrarem em seu domicílio; 3) Considerando o termo decadencial (31/12/2015), optouse pela ciência postal, tendo em vista que a ciência via DTE representava risco de não se realizar a tempo. (destaquei) Conforme podemos observar, segundo o relato da própria autoridade fiscal que afirma ter comparecido ao domicílio da contribuinte para promover a sua intimação, contudo não encontrando no local nenhum de seus responsáveis, tal fato se deu no dia 31/12/2015, último dia do ano, data em que não há, por exemplo, expediente bancário, e muitas empresas aproveitam para promover um recesso de suas atividades. Desta forma, a ausência de responsáveis pela empresa em referida data, não pode ser utilizada como razão para se promover a sua cientificação na pessoas de seus sócios, nos domicílios destes (pessoas físicas). Vale ressaltar que não foi relatado durante a fiscalização qualquer fato que impossibilitasse o encontro da contribuinte ou de seus responsáveis, sendo certo que todas as intimações para entrega de documentos se deram no endereço cadastral da empresa, sendo certo ainda que tais intimações foram atendidas. No que tange ao domicílio tributário fiscal devemos pontuar algumas considerações. Referido domicílio é o local em que o contribuinte receberá notificações e intimações com efeito legal. Este é de extrema importância, uma vez que o art. 23, inc. II, do Dec. 70.235/72. considera como realizada a intimação " por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo". Fl. 8794DF CARF MF Processo nº 10980.724638/201591 Acórdão n.º 3302005.146 S3C3T2 Fl. 6 9 Nos termos do art. 127 CTN, pode o contribuinte eleger seu domicílio, desde que não impossibilite ou dificulte a fiscalização e a arrecadação, hipótese em que a autoridade administrativa poderá recusálo com a devida motivação. Salvo melhor juízo, não é essa a situação que se apresenta nos presentes autos. Conforme relatado acima, em nenhum momento da fiscalização a autoridade fiscal relatou qualquer tipo de embaraço quanto a possibilidade ou não de se intimar a contribuinte no domicílio eleito por ela. Pelo contrário, o que se viu foi o atendimento de todas as solicitações que lhe foram feitas, e tais solicitações foram realizadas por notificações encaminhadas para seu domicílio tributário, eleito e cadastrado nos sistema da RFB. Assim, não estão configuradas as exceções previstas no art. 127, § 2º, do CTN, que em tese autorizariam a eleição de outro domicílio tributário pela autoridade fiscal à contribuinte, motivo pelo qual entendo que a disciplina do art. 23 do Dec. 70.235/72, haveria de ser observada. Seguindo o raciocínio acima, a autoridade fiscal, para a notificação da contribuinte recorrente, poderia se socorrer de uma das alternativas estampadas no art. 23 e seus incisos, não sendo uma delas, a possibilidade de notificação da pessoa jurídica no domicílio fiscal da pessoa física responsável pela empresa. Desta forma, devemos considerar como data de intimação o dia 05/01/2016, conforme o aviso de recebimento dos correios, e por conseguinte tempestiva a impugnação apresentada em 04 de fevereiro de 2016. Portanto, considerase tempestiva a impugnação, conhecendo por conseguinte o Recurso Voluntário, dandolhe provimento e anulandose a decisão da DRJ/Juiz de Fora. É como voto. José Renato Pereira de Deus. Fl. 8795DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.020568/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Numero da decisão: 2201-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 68 /2 00 9- 90 Fl. 6674DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.675 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente MUNICÍPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL contra Acórdão n° 0229.423 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de: Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA n° 37.229.8710 (CFL34) com valor consolidado de R$ 13.291,66; nas competências 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração n°. 37.229.871 0, Código de Fundamentação Legal CFL 34 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99., no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal, a Recorrente: Na análise dos livros contábeis e dos arquivos digitais gerados pelo próprio sistema de contabilidade do MUNICIPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL, a fiscalização encontrou dificuldades para a verificação da correta contabilização de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias dentro do período fiscalizado, dificuldades estas relacionadas com a estrutura e procedimentos de contabilização adotados pelo MUNICiP10 DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL, conforme será explanado a seguir. A USÊNCIA DE CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS Foi verificado que embora exista o elemento de despesas "33903600 OUT.SERV.TERC P.FISICA " que deveria ser utilizado apenas para classificar as liquidações relacionadas com o pagamento de serviços prestados por pessoas físicas, o mesmo continha lançamentos sem nenhuma relação com essa natureza de despesa. como restituição de impostos e taxas para contribuintes da Prefeitura, pagamento de aluguéis para os proprietários, pagamentos judiciais, adiantamento e reembolso de despesas para servidores, dificultando assim a apuração dos fatos geradores relacionados com os contribuintes individuais. Existia um único elemento de despesas ("31901100VENC.E VANT.FIXASPESSOAL CIVIL"), utilizado para classificar as liquidações relacionadas com as folhas de pagamentos do quadro de pessoal, sendo que o registro acontecia apenas pelos totais líquidos das folhas e os históricos das liquidações registravam apenas descrições genéricas como "Relatório de Folha de Pagamento Comissionados Janeiro/04”, inexistindo Fl. 6675DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.676 3 portanto, separação entre as parcelas principais da remuneração trabalhista como, salário, férias, indenizações, etc. e tampouco separação entre as parcelas remunerat6rias inclusas e não inclusas na base de cálculo previdenciária e parcelas patronais e contribuição de segurados. dificultando verificação da correta contabilização da folha de pagamentos. Os pagamentos das Guias da Previdência Social foram registrados, em sua maioria, no elemento de despesas "319013000BRIGACOES PATRONAIS", no entanto, foram encontrados registros de recolhimentos previdenciários classificados em elementos de despesas inapropriados como "33903900OUT.SERV.TERCP.JURIDICA", sendo que o uso de históricos genéricos não possibilitavam a vinculação do recolhimento a um fato ou grupo de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Isto posto, considera a fiscalização que deixou a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. O valor da Multa aplicada foi R$ 13.291,66 reajustado pela Portaria Interministerial MPS/MF N° 48, de 12 de Fevereiro de 2009 DOU de 1310212009 A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Na defesa de fls. 21/24, o contribuinte alega que foi fiscalizado em outras épocas, anteriores a essa e nunca houve nenhum questionamento por parte dos auditores fiscais quanto à classificação do elemento de despesa — 339036 ( Out. Serv. Terceiros Pessoa Porém, as despesas tais como: restituição de impostos e taxas, pagamentos judiciais, adiantamento para despesas, reembolsos etc, foram corretamente classificados nos exercícios posteriores. Fl. 6676DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.677 4 O Município de Nova Lima, sempre procurando a transparência de seus atos tem proporcionado cursos de reciclagem e atualização para a sua equipe técnica. Existiam vários elementos de despesa para liquidação das folhas de pagamento do quadro de pessoal , porém o elemento de despesa 319011 (Venc e Vant. Fixas —Pessoal Civil) é o que englobava as remunerações , conforme balancete de despesa anexo. Prossegue discorrendo acerca da forma de contabilização, alegando que a mesma pode ser facilmente verificada e por fim, solicita o cancelamento da autuação. A primeira instância julgou improcedente a autuação, nos termos do Acórdão n° 0229.423 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de piso, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação: foi fiscalizado em outras épocas, anteriores a essa e nunca houve nenhum questionamento por parte dos auditores fiscais quanto à classificação do elemento de despesa — 339036 ( Out. Serv. Terceiros Pessoa Física. Porém, as despesas tais como: restituição de impostos e taxas, pagamentos judiciais, adiantamento para despesas, reembolsos etc, foram corretamente classificados nos exercícios posteriores. Existiam vários elementos de despesa para liquidação das folhas de pagamento do quadro de pessoal , porém o elemento de despesa 319011 (Venc e Vant. Fixas —Pessoal Civil) é o que englobava as remunerações , conforme balancete de despesa anexo. Discorre acerca da forma de contabilização, alegando que a mesma pode ser facilmente verificada e por fim, solicita o cancelamento da autuação. Fl. 6677DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.678 5 A Resolução nº 2403000.275 decidiu pela conversão do julgamento em diligência, de forma a serem sanadas as seguintes dúvidas: (i) Se o conjunto de provas documentais apresentadas pelo contribuinte em sede de Impugnação e em sede de Recurso Voluntário corrigem totalmente a falta que ensejou a autuação fiscal; (ii) Em quais competências o contribuinte corrigiu a falta que ensejou a presente autuação; (iii) Em quais competências o contribuinte não corrigiu as faltas que ensejaram a presente autuação; (iv) Considerandose o art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999, se o contribuinte corrigiu a falta que ensejou a presente autuação fiscal. Informações prestadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (fls. 6502/6506) concluem que a documentação que instrui o Recurso Voluntário não é capaz de sanar as faltas que motivaram a autuação em questão. O contribuinte alega que as contas públicas são regidas pela Lei Federal 4.320/64, não se aplicando normas de registros contábeis ao município. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Depreendese que o recorrente busca, através da apresentação de novos documentos, corrigir a falha.Todavia, impende observar que o sujeito passivo reconhece expressamente o erro apontado pela fiscalização, tanto que alega que exercícios posteriores as despesas foram corretamente classificadas, verbis: Porém, as despesas tais como: restituição de impostos e taxas, pagamentos judiciais, adiantamento para despesas, reembolsos etc, foram corretamente classificados nos exercícios posteriores. Os novos documentos apresentados pelo contribuinte não são capazes de retificar os vícios apontados pela fiscalização e mesmo que fossem não seriam capazes de afastar a penalidade aplicada, tendo em vista que o artigo Art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 foi revogado explicitamente pelo Decreto Nº 6.727/09. Ressaltase, ainda, alguns trechos das informações prestadas pela RFB, no sentido de destacar que a autuação em apreço não se trata de rigidez da fiscalização e sim do claro descumprimento da obrigação prevista na legislação acima citada: Dos 1831 lançamentos registrados no elemento de despesas em questão no exercício de 2004, a fiscalização estima que cerca de 18% eram indevidos, não se tratavam de serviços prestados. (...) Não se trata aqui de um excesso de zelo ou rigor fiscal, o objetivo da fiscalização é apenas conseguir apurar pela Fl. 6678DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.679 6 contabilidade os totais das bases de cálculo previdenciárias, o que não foi possível pelos motivos expostos. As informações contidas nos autos do presente processo são claras quanto ao descumprimento da legislação tributária, assim como a ineficácia da conduta de retificar os documentos considerados irregulares pela fiscalização para efeitos de alteração do lançamento. Acrescente a tudo o que foi exposto, que o reconhecimento da falha que ensejou a autuação, por si só, torna a matéria incontroversa. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 6679DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679904/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 15/12/2004
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.863
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/12/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 04 /2 00 9- 02 Fl. 104DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.135, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 106DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 108DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 110DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 112DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 114DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.001160/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Interessado CARBONÍFERA METROPOLITANA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Carbonífera Metropolitana S.A., ora embargante, face ao Acórdão 3803003.382, de 21/08/2012, por suposta omissão, contradição e obscuridade da decisão. O acórdão embargado possui a seguinte ementa e dispositivo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 60 /2 00 9- 29 Fl. 538DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Segundo o entendimento da embargante, a decisão acima indicada estaria eivada de vícios que a levariam a omissão, contradição e obscuridade, conforme se depreende das efolhas 452 e seguintes do processo, conforme trecho abaixo colacionado: Consoante o objetivamente exposto na fundamentação e conclusão dispositiva dos votos decisórios proferidos, acolhido e assegurado o direito ao crédito, no regime de apuração não cumulativo das contribuições COFINS e PIS, em relação aos insumos assim entendidos e compreendidos como sendo os itens direta ou indiretamente vinculados e necessários ao processo produtivo como um todo (materiais e serviços em geral com tal precisa vinculação e indispensabilidade), como condição para o funcionamento da empresa e assim afetando e sendo responsável Fl. 539DF CARF MF Processo nº 11516.001160/200929 Acórdão n.º 3302005.360 S3C3T2 Fl. 3 3 pela concreta geração e possibilidade de auferir as receitas sujeitas a tributação por tais mesmas contribuições sociais (...) Ocorre que (...) demais relevantes itens vinculados e intrínsecos a este processo produtivo e ensejador de decorrente receita da aqui embargante foram igualmente desconsiderados e assim indevidamente vedados, para fins de creditamento, como embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, etc; (...) também incluindo serviços e materiais de terraplenagem em decorrentes recuperações e conservações de natureza ambiental. Destarte impõese que também tais itens sejam especificamente considerados e declarados para fins de regular creditamento no regime de apuração não cumulativa das contribuições COFINS e PIS, sanando tal omissão no respeitável e colegiado decisum ora proferido, visto que, como afirmado pelo próprio e derradeiro acórdão proferido, insumo dedutível é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social! Ademais, especificamente em relação aos gastos com mão de obra contratados e pagos com/a terceiras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da COFINS e do PIS, considerando que as leis de regência expressamente vedam somente o creditamento de valores de mão de obra pagos a pessoa física e não a pessoa jurídica e ainda configurando os mesmos obrigações expressamente definidas em decisões judiciais homologatórias proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho (de observância assim impositiva pelas empresas carboníferas como os TACs ambientais com o Ministério Público Federal), configura, com a máxima vênia, contradição e obscuridade, não acolher respectivo e postulado creditamento também sobre os valores de tais precisos itens igualmente direta ou indiretamente vinculados ao processo produtivo de forma notória e absoluta (iguais obrigações, de natureza trabalhista, impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, que geram significativas e correspondentes despesas, assim impositivas, necessárias e imprescindíveis a esse mesmo funcionamento e operação empresariais). Pede, pois, que especificamente se manifestem e esclareçam adicional e de maneira integrativa, acerca da contradição e obscuridade em tais termos fundamentada e arguida (...) Este imprescindível e obrigatório enfrentamento de tais expressamente alegados itens e argumentos e de seus supedâneos legais correspondentes restou, com a máxima vênia, ainda assim omitido e/ou não completa e claramente realizado, o que se faz impositivo seja ora formalizado pelos Eminentes Julgadores com e no pertinente acolhimento e julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 540DF CARF MF 4 O exercício de admissibilidade do recurso se deu por meio do despacho de e folhas 532/536 ocorrendo de forma parcial, com o consequente encaminhamento desse para deliberação e julgamento dessa Turma, nos seguintes termos: Não obstante, entendo que houve omissão quanto à apreciação dos outros insumos. Explico. O acórdão de manifestação de inconformidade mantém as glosas efetuadas pela autoridade autuante segundo dois fundamentos: i) o conceito do termo “insumos” mais restrito que o considerado pelo contribuinte, e ii) a falta de provas quanto ao pertencimento de alguns insumos ao processo produtivo. No recurso voluntário o embargante suscita a questão do ônus da prova, argumentando que não lhe cabe a instrução probatória sobre a efetiva compra dos insumos e sobre sua vinculação com a produção (efolha 307 e seguintes). Reproduzo apenas o primeiro parágrafo dessa argumentação (efolha 307): Também já de início, com incisiva veemência, cumpre ora contestar observação/fundamento consignado neste acórdão de primeira instância, consistente na suposta assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados pela empresa contribuinte, antes de todo o, demais, arguido. Todavia, o acórdão embargado não trata dessa questão. Com efeito, não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais não se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção. Por exemplo, os materiais elétricos, um dos insumos suscitados nos presentes embargos, podem pertencer ou não ao conceito de insumos que geram crédito, a depender de estarem efetivamente vinculados à produção. Portanto, entendo que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Fl. 541DF CARF MF Processo nº 11516.001160/200929 Acórdão n.º 3302005.360 S3C3T2 Fl. 4 5 Os presentes Embargos de Declaração foram devidamente admitidos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme acima descrito a embargante suscitou omissão, contradição e contrariedade do acórdão embargado e, segundo o nobre Conselheiro que recebeu o recurso para a análise dos requisitos de admissibilidade, teria havido omissão quanto a questão do ônus da prova e efetiva compra de insumos e sua vinculação ao processo produtivo. Para o Conselheiro "não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção." E dessa forma entendeu "que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão." Não obstante, compulsando os autos não entendo tenha havido falta de provas, ou até mesmo que a fiscalização tenha deixado de analisar os documentos trazidos pela contribuinte embargante, explico. Do Despacho Decisório/Informação Fiscal encartado às fls. 213/222 do e processo, podemos verificar de forma clara que a fiscalização observou e analisou todos os documentos colacionados pela contribuinte, inclusive realizando inspeção in loco em uma das unidades da embargante, que teve por finalidade entender de forma exata a atividade da empresa para se ter por base qual tipo de material/prestação de serviços poderia ser considerado como insumo. Destaco trecho da informação fiscal, com inicio à fl. 220 do eprocesso: 4 Do Direito Creditório Em fiscalização realizada no estabelecimento do contribuinte verificouse que há um elevado número de insumos e serviços aplicados no processo de extração, beneficiamento e venda do carvão mineral. Impende informar que o processo produtivo de uma mineradora é totalmente diferente das demais empresas, pois nela as instalações para a extração do carvão são transferidas para dentro da mina, como máquinas, transformadores, cabos elétricos, luminárias, etc. Há também o apoio externo para o desenvolvimento das atividades lá dentro, como ventilador para inserir ar puro e exaustor para extrair ar contaminado. Para o desenvolvimento do trabalho de identificação dos insumos e serviços prestados na extração do carvão, que dão origem ao crédito do PIS e da COFINS, visitouse uma mina do contribuinte em plena atividade de extração. Com isso, podese visualizar de forma precisa todo o processo produtivo da empresa. A verificação fiscal dos documentos que deram origem ao crédito ora analisado, efetuada pelo método de amostragem, Fl. 542DF CARF MF 6 abrangeu o período de julho de 2004 a dezembro de 2007. Foram apreciadas as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída, além das informações contidas nos registros contábeis fornecidos pela empresa, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 61 a 115, nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), fls. 21 a 38 e 116 a 150, e nos PERDCOMP e respectivas DCOMP, relacionados no DEMONSTRATIVO DOS PERDCOMPs, fls. 05 a 24. Além desses, a empresa forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas fiscais utilizadas como "Compras de Insumos" Ao analisar os arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do COFINS, vários produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme definido no art. 8º da IN SRF nº404, de 12 de março de 2004. Tais produtos estão arrolados na planilha juntada às fls. 177 a 195, e foram excluídos quando do cálculo da referida contribuição. Destaquese que os insumos não considerados na apuração do COFINS referemse a produtos e serviços que não estão ligados diretamente à produção (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, serviço hospitalar, etc). Há também a exclusão de alguns produtos baseado nos atos expedidos pela RFB, como é o caso das aquisições de bens usados — ex, aquisição de motores retificados. Segundo o I, § 3º, art. 1° da IN SRF no 457/2004 é vedada a utilização de crédito decorrente da aquisição de bens usados. Outra exclusão diz respeito às instalações, máquinas ou motores novos que a empresa incluiu indevidamente no crédito de insumos, pois tais produtos estão sujeitos ao crédito de suas amortizações ou depreciações, conforme estabelece a legislação, e não do seu valor total quando da construção ou aquisição. Impende esclarecer, ainda, que os créditos decorrentes dos encargos de amortizações e depreciações que a empresa deixou de considerar na apuração das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos podem ser efetuadas dentro do prazo de 5(cinco) anos da construção ou amortização, conforme o caso. Nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte, fls. 174 a 176, verificouse que foram incluídos, no rol de créditos a serem descontados na apuração do PIS e da COFINS, serviços e produtos que não estavam relacionados nas "Compras de Insumos". Como esses "insumos" não estavam devidamente discriminados, intimouse a empresa a apresentar arquivo magnético contendo todas as informações necessárias à análise desses dados. Em atendimento à referida intimação, o contribuinte encaminhou arquivo contendo relação com nome completo do fornecedor e seu CNPJ, o no do documento, as Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11516.001160/200929 Acórdão n.º 3302005.360 S3C3T2 Fl. 5 7 datas de emissão e entrada, a discriminação de cada produto/serviço e seu valor. Apurouse que alguns desses dispêndios não podem ser considerados como crédito na apuração do PIS e da COFINS, como é o caso das comissões de vendas, da assessoria fiscal e contábil, dos diversos cursos, das despesas com alimentação dos trabalhadores, do transporte dos empregados, das despesas com vigilância e limpeza, dentre outros. Diante disso, emitiuse novas memórias de cálculo, considerando apenas os insumos que dão direito ao crédito das contribuições em análise. Nelas inseriuse, também, os faturamentos da empresa, fls. 198 a 200. Destaquese, ainda, que os pagamentos efetuados a empresa GR TERRAPLENAGEM LTDA, inseridos nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte,contêm valores que não fazem parte do conceito de insumo, conforme planilha de custo dos serviços, fls. 196 a 197, motivo pelo qual excluiuse tais valores nas novas memórias de cálculo, supra mencionadas. Por sua vez, o contribuinte incluiu em alguns meses no cômputo dos valores tributários, de forma indevida, as receitas financeiras. Tais valores foram extraídos dos cálculos das contribuições, conforme se verifica nessas novas memórias de cálculo. As fls. 201, contém demonstrativo em que são apresentados o crédito de cada mês, o montante do trimestre, o valor solicitado de ressarcimento e o valor concedido. É importante ressaltar nesse momento que vários dos itens elencados no despacho parcialmente transcrito, já foram objeto de decisão, indicados inclusive quando da analise de admissão dos presentes Embargos de Declaração, havendo nesse momento deliberação somente sobre outros insumos que, a despeito de terem sido indicados pelo contribuinte, não foram objeto de análise do acórdão embargado. Assim, temos que o despacho decisório deve ser analisado conjuntamente com as planilhas de fls. 188 a 206 do eprocesso, onde podemos verificar de forma precisa quais itens indicados como insumo pela contribuinte embargante, foram objeto de glosa pela fiscalização. Analisando item a item de referidas planilhas, excluindo aqueles já tratados na decisão que não são objeto dos presentes embargos, podemos verificar que os eventuais créditos sobre insumo relacionados a embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, não constam como itens glosados pela fiscalização, assim não haveria que se falar em impossibilidade de fruição dos créditos relacionados à aquisição desses itens, e, como consequência, não esta configurada a omissão alegada pela embargante. Dessa forma, entendo que não se trata de omissão, pois como podemos verificar dos autos do processo, em que pese não terem sido elevados à condição de "insumos", Fl. 544DF CARF MF 8 os produtos e materiais relacionados no parágrafo anterior, não foram, pelo menos é o que se depreende das planilhas trazidas pela fiscalização, objeto de glosa do crédito. Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.006726/93-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES.
Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tal vício.
DECISÃO JUDICIAL. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO.
Constatada existência de decisão judicial que declara insubsistente o lançamento, sem que haja recurso atacando suas conclusões, cancela-se a exigência correspondente.
Numero da decisão: 1402-002.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar omissão no acórdão 1402-002.198, rerratificando o teor da decisão lá proferida.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES. Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para sanar tal vício. DECISÃO JUDICIAL. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. Constatada existência de decisão judicial que declara insubsistente o lançamento, sem que haja recurso atacando suas conclusões, cancelase a exigência correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar omissão no acórdão 1402002.198, rerratificando o teor da decisão lá proferida. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 67 26 /9 3- 23 Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 697 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 698 3 Relatório Transcrevo excertos da informação em embargos prestadas pelo então relator e acatadas pelo ilustre Presidente deste colegiado quando da admissão dos embargos: Tratase de embargos de declaração opostos por ABBOTT LABORATÓRIOS DO BRASIL LTDA. (fls. 618624) em face do acórdão nº 1402002.193, julgado na sessão de 05 de maio de 2016. A exigência diz respeito a auto de infração lavrado para prevenção de decadência em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais realizados pelo contribuinte no bojo de Mandado de Segurança. Além da CSLL lançada, houve ainda a cominação de multa de ofício e cobrança de juros moratórios. Apresentada impugnação, os membros da 4ª Turma da DRJ em São Paulo julgaram improcedente a impugnação. Apresentado recurso voluntário, este colegiado proveuo, cancelando a exigência. A ementa do julgado recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP. Recurso Voluntário Provido. A embargante tomou ciência do acórdão em 03/08/2016 (uma quartafeira – fl. 616), iniciandose o prazo recursal para a apresentação dos embargos no primeiro dia útil seguinte (04/08/2016, uma quintafeira). Logo, temse que Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 699 4 prazo fatal para sua oposição se deu em 08/08/2016 (segundafeira). Tendo os embargos sido opostos em 08/08/2016 (fl. 617), os mesmos mostramse tempestivos. Alega a Embargante que o acórdão, embora tenha provido o recurso voluntário, foi omisso em relação ao primeiro argumento aduzido em recurso voluntário, qual seja, existência de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 91.06745440 que expressamente teria tornado insubsistente o auto de infração, questão prejudicial a qualquer outra discussão e que seria suficiente para cancelar a exigência, evitandose, inclusive, desnecessário julgamento pela Câmara Superior do Recurso Especial já interposto pela Fazenda Nacional. Aduz ainda a Embargante que embora o acórdão embargado tenha reconhecido a existência de decisão judicial que tornava insubsistente o lançamento com a ressalva de que não se poderia cancelar o lançamento por aquela razão, naquele momento, porque não haveria nos autos elementos suficientes para se afirmar se houve ou não interposição de recursos da PGFN com vistas à reforma de tal decisão – fora anexado aos autos inteiro teor da demanda judicial (fls. 84455), inexistindo qualquer petição da Fazenda Nacional atacando tal decisão, mas tão somente interpondo recurso especial e recurso extraordinário discutindo o mérito da demanda, sem qualquer rediscussão quanto à decisão de cancelar a presente exigência. Passo à análise do preenchimento dos pressupostos para sua admissibilidade. DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS Nos termos do art. 65, § 2º, do Regimento Interno do CARF – RICARF (Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) fui designado para me pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos opostos. Pois bem, dispõe o art. 65 do RICARF que “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Os embargos opostos mostramse tempestivos, conforme já abordado. Compulsando os autos, de fato, assiste razão à Embargante: consta às fls. 84 455 [efolhas 90498] inteiro teor do Mandado de Segurança nº 91.06745440, e, assim sendo, deveria o voto vencedor ter analisado o argumento da então Recorrente a respeito da decisão judicial que cancelava a presente exigência. Isso posto, proponho ao Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF que os embargos sejam ADMITIDOS, retornandome os autos para relato e posterior inclusão em pauta de julgamentos. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 700 5 Por meio do despacho de efl. 692, o Presidente deste colegiado aprovou na íntegra a proposta de admissão dos embargos. Em virtude da saída do eminente relator, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, desta turma julgadora para a presidência de outra turma desta mesma 1ª seção do CARF, os presentes autos foram a mim distribuidos para relatoria. É o relatório. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 701 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os embargos já admitidos pelo ilustre Presidente do colegiado (fl. 692). 2 OMISSÃO A SUPRIR A exigência diz respeito a auto de infração lavrado para prevenção de decadência em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais realizados pelo contribuinte no bojo de Mandado de Segurança. Além da CSLL lançada, houve ainda a cominação de multa de ofício e cobrança de juros moratórios. Por meio do acórdão 1402002.193 este colegiado deu provimento ao recurso em razão da desnecessidade lançamento em caso de depósito do montante integral, conforme já pacificado pelo STJ no REsp 1.140.956/SP, julgado sob o rito do art. 543C do antigo CPC. Os embargos dizem respeito ao primeiro argumento da Recorrente, no sentido de que havia decisão judicial que já houvera tornado insubsistente o lançamento ora em litígio. A esse respeito, assim consta no voto condutor do acórdão embargado: Além disso há de ressaltar que havia decisão judicial expressa já cancelando a presente exigência: às fls. 5960 dos presentes autos consta cópia de decisão judicial exarada no bojo do Mandado de Segurança em questão em que, de maneira taxativa, o magistrado deferiu o pedido do contribuinte para tornar insubsistente o presente lançamento. Certa ou errada tal decisão, há de se cumprila. Caso a Fazenda Nacional discordasse de tal entendimento, deveria ter buscado sua reforma nos tribunais competentes. [referência à numeração eletrônica dos autos] Tal fundamento, contudo, não seria suficiente, nesse momento, para firmar convicção definitiva sobre o cancelamento da exigência por decisão judicial, uma vez que não há nos autos elementos suficientes para se afirmar se houve não interposição de recursos da PGFN com vistas a reforma de tal decisão. Contudo, conforme bem apontado pela Embargante, já consta dos autos o inteiro teor dos autos (efls. 90498), devendo o colegiado manifestarse a seu respeito. Compulsando a cópia integral da demanda judicial, constatase o trânsito em julgado da decisão (efl. 483). Vejase: Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 702 7 Pois bem, ultrapassado tal óbice, pela importância do tema, reproduzo a decisão de efls. 5960: Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 703 8 Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 704 9 Analisando os autos, em especial a íntegra da lide judicial em questão, não identifiquei qualquer decisão posterior que reformasse a decisão de tornar insubsistente o auto de infração ora em análise. Por essas razões, reafirmando os termos do voto do relator, no sentido de que há decisão judicial expressa já cancelando a presente exigência: de maneira taxativa, o magistrado deferiu o pedido do contribuinte para tornar insubsistente o presente lançamento. Certa ou errada tal decisão, há de cumprila. Caso a Fazenda Nacional discordasse de tal Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 705 10 entendimento, deveria ter buscado sua reforma nos tribunais competentes, o que, efetivamente, não ocorreu. Assim sendo, além da desnecessidade de lançamento em razão do depósito do montante integral – conforme já afirmado no acórdão embargada – há um segundo motivo para que a exigência não se mantenha: o Poder Judiciário já a declarou insubsistente em decisão transitada em julgado. Isso posto, voto por acolher os embargos para sanar omissão no acórdão 1402002.198, rerratificando a decisão de dar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978911/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE.
1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido.
2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.931
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE. 1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido. 2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015). Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 11 /2 01 2- 81 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trato presente processo de declaração de compensação (DComp) em que foi informada a compensação de pagamento indevido ou a maior de COFINS, com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. O Despacho Decisório proferido pelo titular da unidade da Receita Federal unidade de origem não homologou a compensação declarada porque não havia crédito disponível, uma vez que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação do débito vinculado ao correspondente pagamento.. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que fazia jus a homologação integral da compensação declarada, uma vez que o crédito informado era proveniente de recolhimento da multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea da infração. Para a recorrente, como cumprira, espontaneamente, o dever de recolher o tributo devido, a referida multa de mora recolhida era indevida, nos termos do art. 138 do CTN. Em decorrência, o valor do crédito informado era passível de compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 14 053.295. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que não cabe a exclusão da Multa de mora em casos de denúncia espontânea, devendo o Pagamento extemporâneo ser feito com os acréscimos legais. A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância e inconformada, protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, após discorrer sobre o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN, alegou que a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.927, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.688913/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.927): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O motivo da não homologação da compensação em apreço foi a inexistência do valor do crédito informado para compensar o débito confessado e as razões foram consignadas no despacho de decisório colacionado aos autos (fls. 5/6). Segundo o citado despacho, a partir das características do DARF discriminado na PER/DCOMP nº 16516.34621.310306.1.3.041964 o sistema localizara o valor do pagamento informado, mas ele encontravase integralmente vinculado à quitação da correspondente parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003, logo não restava crédito disponível para compensação dos débitos informado na citada PER/DCOMP. Na peça impugnatória, a recorrente alegou que o valor do crédito informado referiase a pagamento indevido da multa de mora incidente sobre a parcela do débito complementar da citada contribuição do mês de outubro de 2003, que fora paga antes da retificação da DCTF do período, o que configurava denúncia espontânea da infração. Com base no entendimento de que a multa de mora não era passível da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, por não ter natureza punitiva e sim natureza indenizatória, o órgão julgador a quo manteve a não homologação da compensação, baseada no entendimento de que não havia crédito disponível para compensação, uma vez que o valor informado na citada PER/DCOMP fora integralmente utilizado no pagamento da multa de mora de devida em decorrência do pagamento em atraso da parcela complementar da contribuição do citado mês. De outro parte, a recorrente alegou a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. Com base no breve resumo dos dois entendimentos distintos ficam evidenciadas as duas divergências. Uma de cunho jurídico, referente a natureza da multa de mora, ou seja, se a multa moratória tem natureza indenizatória ou punitiva. A segundo de cunho fáticoprobatório, isto é, se a denúncia realizada pela recorrente atende os requisitos do art. 138 do CTN, de modo a isentála da cobrança do tributo. Até a decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ no julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, tais questões Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 5 4 geraram ampla controvérsia no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Para facilitar a compreensão, o enunciado da ementa do referido julgado segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.1 A partir da referida decisão definitiva, por força do que determina o art. 62, § 2º, do RICARF/2015, o entendimento manifestado no referido julgado passou a ser de adoção obrigatória nos julgamentos deste Conselho. Dessa forma, a controvérsia em torno da questão jurídica restou dirimida, haja vista o entendimento esposado no citado julgado definiu que, na seara tributária, o instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias ou multas e que estas têm natureza punitiva, inclusive, as multas moratórias decorrentes do atraso ou impontualidade no pagamento dos tributos. No que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que há declaração e pagamento parcial dos débitos, o referido julgado também definiu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração decorrente da mora ou impontualidade no pagamento do tributo. E neste caso, as condições objetivas configuradoras da denúncia espontânea são as seguintes: a) o prévio pagamento da diferença a maior do tributo acrescidos dos juros moratórios; e b) a apresentação concomitante ou posterior da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, em que informada a parcela do tributo a maior paga e ainda não declarada. Após a referida decisão, a PGFN passou a adotar o mesmo entendimento manifestado no referido julgado, conforme se lê no enunciado da ementa do Parecer PGFN/CRJ nº 2.124/2011, que segue reproduzido: A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 1 BRASIL. STJ. REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 7 6 No caso, há provas nos autos (fls. 80/82), que a recorrente declarou na DCTF e pagou dentro do prazo de vencimento a Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003 no valor de R$ 2.994.807,61. Em seguida, no dia 27/2/2004, após o prazo de vencimento, realizou o pagamento complementar da referida contribuição no valor de R$ 266.755,76, acrescido de juros moratórios de R$ 9.709,91. Após o referido pagamento e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, no dia 18/6/2004, a recorrente apresentou a DCTF retificadora com acréscimo do referido valor complementar (fls. 83/84). Em seguida, no dia 20/7/2004, a recorrente realizou o pagamento da multa de mora, referente ao referido valor complementar recolhido fora do prazo de vencimento (fl. 78), objeto do presente do procedimento de compensação. Assim, resta demonstrado que a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumpriu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumprindo as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido.. Fl. 186DF CARF MF
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