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Numero do processo: 10680.901878/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 78 /2 01 2- 58 Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.030, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1871DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722333/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
PRELIMINAR. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO.
Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA.
A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART.173, I, DO CTN.
Mesmo em se considerando casos de dolo, fraude ou simulação é aplicável apenas a norma do art. 173, I, do CTN, considerando-se decaídos os créditos tributários constituídos a mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderiam ter sido lançados.
AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS DE DIREITO E DE FATO. INTERESSE NÃO COMPROVADO. IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIZAÇÃO.
São solidária e pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, com interesse comum evidenciado nos autos, os sócios de fato e de direito da empresa. Excluem-se da responsabilização apenas aqueles sujeitos apontados cuja acusação não tenha apresentado provas dos atos irregulares ou do benefício auferido.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS.
São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas receptoras de recursos dos sócios de fato e de direito da empresa.
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA.
Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO.
O imposto será determinado com base nos critérios do Lucro Arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA.
Em lançamento de ofício é devida multa agravada em 50,00%, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrado que o sujeito passivo não atendeu intimações para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA.
Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, constitui obrigação inseparável deste.
Numero da decisão: 1401-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e novembro de 2008. Também por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários dos apontados como responsáveis solidários, à exceção do Sr. LUIS ROBERTO SATRIANI e da Sra. SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, cujos recursos foram providos, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART.173, I, DO CTN. Mesmo em se considerando casos de dolo, fraude ou simulação é aplicável apenas a norma do art. 173, I, do CTN, considerando-se decaídos os créditos tributários constituídos a mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderiam ter sido lançados. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS DE DIREITO E DE FATO. INTERESSE NÃO COMPROVADO. IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIZAÇÃO. São solidária e pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, com interesse comum evidenciado nos autos, os sócios de fato e de direito da empresa. Excluem-se da responsabilização apenas aqueles sujeitos apontados cuja acusação não tenha apresentado provas dos atos irregulares ou do benefício auferido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS. São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas receptoras de recursos dos sócios de fato e de direito da empresa. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do Lucro Arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. Em lançamento de ofício é devida multa agravada em 50,00%, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrado que o sujeito passivo não atendeu intimações para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, constitui obrigação inseparável deste.
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 23 33 /2 01 4- 10 Fl. 2602DF CARF MF 2 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART.173, I, DO CTN. Mesmo em se considerando casos de dolo, fraude ou simulação é aplicável apenas a norma do art. 173, I, do CTN, considerandose decaídos os créditos tributários constituídos a mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderiam ter sido lançados. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS DE DIREITO E DE FATO. INTERESSE NÃO COMPROVADO. IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIZAÇÃO. São solidária e pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, com interesse comum evidenciado nos autos, os sócios de fato e de direito da empresa. Excluemse da responsabilização apenas aqueles sujeitos apontados cuja acusação não tenha apresentado provas dos atos irregulares ou do benefício auferido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS. São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas receptoras de recursos dos sócios de fato e de direito da empresa. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do Lucro Arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. Em lançamento de ofício é devida multa agravada em 50,00%, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.566 3 recolhido, quando demonstrado que o sujeito passivo não atendeu intimações para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, constitui obrigação inseparável deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e novembro de 2008. Também por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários dos apontados como responsáveis solidários, à exceção do Sr. LUIS ROBERTO SATRIANI e da Sra. SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, cujos recursos foram providos, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso sobre o caso. Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 23/09/2014 (fl. 1737), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Cofins, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2008, 2009 e 2010. Fl. 2604DF CARF MF 4 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 1492 a 1604) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1605 a 1694), a contribuinte cometeu a infração de omissão de receitas. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 966 a 1004): 3.1.1. Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada com base nos artigos 530, inciso III, e 537, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e 3º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.2. Receitas da Atividade – Receita Bruta Apurada com Base nos Valores Informados na DCTF com base no artigo 532 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), e 3º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.3. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 41.173.655,45. 3.2. CSLL (fls. 1538 a 1573) – com base na fundamentação legal indicada às fls. 1545 a 1547. 3.2.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 11.879.846,07. 3.3. COFINS (fls. 1574 a 1588) com base na fundamentação legal indicada às fls. 1581 e 1582. 3.3.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 12.393.775,02. 3.4. PIS/Pasep (fls. 1590 a 1604) com base na fundamentação legal indicada às fls. 1596 a 1598. 3.4.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 2.685.317,95. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, § 1º e 2º, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007 – infração de omissão de receitas por presunção legal – depósitos bancários – 225,00%), e o artigo 44, Inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007 – infração de omissão de receita da atividade – 75,00%); o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 1536, 1572, 1587 e 1603). 5. Às fls. 2069 a 2090 consta Extrato do Processo, com registro de processos de Representação Fiscal para Fins Penais (13896.722318/201463) e de Arrolamento de Bens (13896.722319/201416). Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.567 5 6. Irresignada com os lançamentos, em 17/10/2014 a empresa apresentou impugnação às fls. 1873 a 1920, instruída com os documentos às fls. 1921 a 1985, na qual alega, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pela recorrente): Decadência do Crédito Tributário 6.1. Em relação ao anocalendário de 2008, é evidente a decadência dos mencionados débitos, seja em função do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, ou até mesmo do artigo 173, inciso I, do CTN. 6.2. Se contada a decadência pelo artigo 150, § 4º (cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador), os fatos geradores ocorridos no ano de 2008 somente poderiam ser objeto de lançamento de ofício até o fim do ano de 2013. 6.3. Por outro lado, se contada a decadência segundo o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, o termo inicial da decadência passa a ser o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", ou seja, 1º de janeiro de 2009. Assim, o termo final da decadência seria o dia 1º de janeiro de 2014. 6.4. Desse modo, é evidente a ocorrência da decadência dos débitos relativos ao anocalendário 2008, uma vez que o AI foi lavrado em 04/09/2014, isto é, posteriormente aos termos finais da decadência, seja com fulcro no artigo 150, § 4º, ou no artigo 173, inciso I, do CTN. 6.5. No que tange ao anocalendário 2009, como a lavratura ocorreu em 04/09/2014, o Fisco, de acordo com o artigo 150, § 4º, do CTN, somente poderia constituir créditos tributários relativos aos fatos jurídicos ocorridos até 5 anos antes, ou seja, a partir de 04/09/2014. 6.6. Insta demonstrar a total inaplicabilidade da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. 6.7. Isso porque, conforme entendimento consolidado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o referido dispositivo somente é aplicável nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento do tributo, ou agiu de forma fraudulenta (transcreve jurisprudência à fl. 1876). 6.8. Assim, verificase que o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, não é aplicável, uma vez que no presente caso houve pagamento antecipado dos tributos federais incidentes no período fiscalizado, conforme se depreende dos anexos Comprovantes de Arrecadação. 6.9. Além disso, não há que se falar de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, como será cabalmente demonstrado em tópico posterior. Preliminarmente: Nulidade do AI As Múltiplas Nulidades do AI Fl. 2606DF CARF MF 6 Nulidade por Erro na Identificação do Sujeito Passivo 6.10. A autoridade fiscal se esforça para demonstrar que os recursos movimentados pela "empresa de fachada" não pertenceriam a ela própria, mas a terceiros. 6.11. A bem se ver, o que a autoridade fiscal defende é que a "empresa de fachada" teria sido utilizada por terceiros (embora ela também diga que ela teria se valido de "laranjas") para a movimentação de recursos financeiros. 6.12. Em um caso tal no qual a autoridade fiscal dá sinais de acreditar, piamente, ter comprovado as suas alegações não se justifica, em absoluto, a desconsideração do § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. 6.13. Ora, se os valores dos depósitos bancários pertencem, em última análise, somente a Adir e Marcello ou ainda que pertencessem a estes e a Sônia, Sandra e Luís Roberto, o que excluiria a possibilidade desses últimos serem "laranjas" dos primeiros , não podem pertencer, por imperativo da lógica, à Impugnante. Seria, sob tais circunstâncias, imperiosa a aplicação do § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, por força do qual os “interponentes” da pessoa jurídica deveriam reputarse contribuintes, não responsáveis tributários. 6.14. O equívoco da autoridade fiscal é injustificável. É longa e fatigante a tentativa de caracterizar a Impugnante como "empresa de fachada", ou seja, sociedade desprovida de substância econômica que nada mais faz que assumir a titularidade "formal" de dinheiro pertencente a terceiros. Por isso mesmo, não é compreensível a decisão de simplesmente ignorarse o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. 6.15. Curiosamente, a autoridade fiscal colaciona acórdãos da jurisprudência administrativa que tratam da aplicação da presunção de omissão de receitas, lastreada em depósitos bancários, em casos envolvendo a interposição de pessoas. Casos em que, como não poderia deixar de ser, foi aplicado o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Por qual motivo, então, seria admissível a desconsideração de tal comando normativo no caso vertente ? 6.16. O deslize que se acaba de denunciar implica a nulidade do AI em razão do erro na identificação do sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN. Nulidade por falta de Identificação do (s) Titular (es) da Conta de Depósito 6.17. A autoridade fiscal não poupou esforços para buscar demonstrar que a pessoa jurídica autuada seria uma "empresa de fachada" de Adir e Marcello, um simulacro, uma mentira, mas, ao mesmo tempo, deuse por satisfeita com a intimação das administradoras "de direito" desta ("laranjas", dentre outros) para a apresentação de provas sobre a origem dos montantes depositados, em atendimento ao que exige o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Mas, se a empresa é "de fachada", que sentido faria intimála para dizer algo sobre o dinheiro que, em última instância, não lhe pertence ? 6.18. É necessário integrarse o sentido do caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 com o dos seus parágrafos. Tal artigo, embora articulado em seções diversas, é portador de um sentido global que surge da conjunção lógicosemântica de suas partes componentes. Por isso mesmo, não há como se ler e interpretar o caput do referido dispositivo sem levar em conta o disposto em seu § 5º. Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.568 7 6.19. Diante deste cenário normativo, parece óbvio que o "titular" a que se refere o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 não pode ser diverso daquele indicado no § 5º do mesmo artigo. Deveras, como poderia ser um o titular sujeito às conseqüências da presunção de omissão de receitas, mas ser outro (o "laranja") o intimado para demonstrar a origem dos montantes depositados ? O § 5º, ao permitir a "desconsideração" da titularidade formal da conta de depósitos para fins de cobrança dos tributos eventualmente devidos, atrai o pressuposto de que os depósitos bancários devem ser "imputados" ao "efetivo titular". Há, neste dispositivo, mais que a extensão da presunção aos casos de simulação por interposição fictícia (artigo 167, inciso I, do Código Civil), a determinação de um regramento sobre como aplicála em tais casos. 6.20. Fica, assim, patente a nulidade do AI, ocasionada pelo desapego à interpretação sistemática da lei. A autoridade fiscal diz e repete, com marcante apego a "jargões populares", que a pessoa jurídica é "empresa de fachada", e que não passaria de um fantoche. Contudo, embora tenha adotado esta linha de acusação, a autoridade fiscal jamais intimou os Srs. Adir e Marcello, por exemplo, para, especificamente, demonstrarem ou comprovarem a origem dos montantes depositados em conta bancária mantida pela "empresa de fachada", e cuja titularidade lhe estava sendo imputada, diante da suspeita de ter ocorrido interposição fraudulenta. Nulidade do Erro na Identificação da Base de Cálculo e do Aspecto Temporal do Fato Gerador 6.21. A autoridade fiscal fez algo inexplicável: escreveu páginas e páginas sobre a tal "empresa de fachada", sobre o esquema de interposição fraudulenta supostamente adotado pelos seus "sócios de direito", ou apenas por Adir e Marcello as afirmações são contraditórias quanto a este particular , e, mesmo assim, calculou o IRPJ e a CSLL com base no lucro arbitrado da "empresa fantasma" termo utilizado em um dos documentos da investigação aludida pela autoridade fiscal. 6.22. Mas, vejase bem: como seria possível negar, a todo custo, a efetiva existência da "empresa de fachada", e, ao mesmo tempo, imputarlhe a titularidade das receitas omitidas, calculando o IRPJ com base no lucro arbitrado ? Na verdade, isto não é possível. Dilo, expressamente, o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 6.23. Se há uma coisa que a autoridade fiscal não admite é que o dinheiro depositado, e presumidamente correspondente a receitas omitidas, pertence à pessoa jurídica "empresa de fachada", como tantas vezes se lê no AI. Não é possível saber muito bem a quem o dinheiro pertenceria, segundo a autoridade fiscal: às vezes ela diz que seria de Adir e Marcello, outras vezes ela assevera que seria de titularidade de Adir, Marcello, Sônia, Sandra e Luís Roberto; mas, em outra passagem, Sônia e Sandra são descritas como "laranjas". Enfim, a confusão é generalizada, mas uma coisa fica clara no AI: a autoridade fiscal não admite que os valores depositados na conta da "empresa de fachada" seriam, efetivamente, de sua titularidade. Fl. 2608DF CARF MF 8 6.24. Em tal cenário, algo pode ser dito com certeza: a eleição do Lucro Arbitrado com base de cálculo do AI absolutamente ilegal, por contrariar gritantemente o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 6.25. A pergunta que deveria ser feita a seguir é: ora, se o lucro arbitrado é a base de cálculo errada, qual seria a correta ? 6.26. O problema decorrente da imprestabilidade material do AI, que se está a evidenciar é que não é possível responder esta pergunta. Quem dissesse que a base de cálculo correta seria o rendimento bruto anual de Adir e Marcello, provavelmente erraria, à luz de algumas passagens do AI em que estes são apontados como dois (dentre três) dos “interponentes” da "empresa de fachada". Do mesmo modo, quem afirmasse que a renda omitida deveria ser incluída no total de rendimentos de Adir, Marcello, Sônia, Sandra e Luís Roberto, também erraria, à luz de outros trechos do AI em que se afirma que o único mentor do suposto esquema de evasão fiscal seria Adir. Vale notar, registrese, que, ainda que assim não fosse, a tentativa de "ratear" as receitas omitidas entre os supranomeados supostos interponentes seria impossível, pois não há provas, nos autos, a respeito do percentual de participação de cada um quanto aos valores movimentados pela "empresa de fachada", e, ademais, seria aberrante a tentativa de submetêlos à obrigação solidária do artigo 124, inciso I, do CTN, porquanto não há interesse comum entre eles na verdade, se fosse procedente a tese da fiscalização, cada um teria interesse na sua parte do dinheiro, nunca no todo). 6.27. A falha do AI atinente à correta identificação do sujeito passivo, em consonância com o § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, também infirma a determinação do aspecto temporal do fato gerador realizada no trabalho fiscal. Como já foi dito, o AI impõe exigências a título de IRPJ/CSLL calculadas com base no Lucro Arbitrado. A incidência do IRPJ/CSLL sujeito ao Lucro Arbitrado, como se sabe, tem aspecto temporal trimestral. Tal aspecto temporal, porém, é completamente diferente daquele que haveria de ser levado em consideração caso fosse aplicado o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96: o imposto de renda seria calculado, neste caso, em periodicidade anual, considerandose os valores depositados auferidos e tributáveis na data do depósito, consoante dispõe o § 4º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Pelo exposto, vêse que o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 acarreta erro quanto à identificação do aspecto temporal do fato gerador. 6.28. O erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador justifica a declaração da nulidade material do AI, conforme jurisprudência administrativa (transcreve jurisprudência às fls. 1892 e 1893). Nulidade por Erro na Identificação da Alíquota 6.29. Analogamente ao que se deu com a identificação da base de cálculo, ao inadvertidamente deixar de aplicar o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o AI incorre em erro quanto à definição da alíquota aplicável. 6.30. As alíquotas do IRPJ aplicadas pela autoridade fiscal (15% mais o adicional de 10%) somente seriam corretas se a "empresa de fachada" pudesse ser considerada "efetiva titular" dos depósitos bancários autuados. Tal premissa, porém, é negada à exaustão pela autoridade fiscal. Assim sendo, deveria, se fosse o caso, terse aplicado as alíquotas adequadas aos "efetivos titulares" repetindose, Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.569 9 aqui, a problemática acerca da precisa identificação do(s) suposto(s) interponentes, derivada da contraditória linha de argumentação desenvolvida no AI. Nulidade por Erro na Identificação da Matéria Tributável e do Fato Gerador 6.31. Ao se chegar neste passo da exposição, não restam dúvidas do efeito devastador que a inobservância do § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 ocasionou ao AI. 6.32. A incorreta identificação do sujeito passivo (contribuinte) atestada a partir das próprias premissas do AI, como visto acima fez a autoridade fiscal cobrar tributos errados todos eles , incorrendo, assim, em grave erro relativo à identificação matéria tributável. 6.33. A renda da pessoa jurídica sujeitase ao IRPJ e à CSLL, e as receitas da pessoa jurídica submetemse ao PIS e à COFINS. Mas o que dizer da renda e das receitas de "empresa de fachada"? Que tributos incidem sobre os valores percebidos pela "empresa fantasma"? 6.34. Ora, nenhum! É o que diz, literalmente, o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Se a "efetiva titularidade" dos depósitos é atribuída a terceiros como já dito, a autoridade fiscal lutou arduamente para desenhar este cenário na peça acusatória a matéria tributável haveria de ser identificada considerandose o regime jurídicotributário pertinente àqueles. 6.35. Como, no presente caso, ainda que se abstraísse as contradições encontradas no AI, não seria possível nomear qualquer "efetivo titular" do dinheiro movimentado pela "empresa de fachada" que fosse pessoa jurídica, resta evidente que "omissão de receitas" é matéria tributável errada; poderseia, no máximo, cogitar de "omissão de rendimentos", mas a autoridade fiscal não se deu conta disso. Não há como se falar, diante dos próprios fundamentos do AI, em "renda da pessoa jurídica" ou "receitas da pessoa jurídica". 6.36. Houve, claro, inegável erro na identificação da matéria tributável, e, por conseguinte, equívoco acerca da identificação do fato gerador dos tributos cobrados todos erradamente – no AI. Nulidades – Conclusão: a Maior das Nulidades Decorre da Inconsistência Lógica do AI – Vício de Forma 6.37. Por todo o exposto, esperase sejam reconhecidas as graves nulidades que maculam o AI, as quais gravitam, como se demonstrou, em torno de uma motivação inacreditavelmente paradoxal. Indevido Uso de Informações Bancárias sem Autorização Judicial 6.38. Frisese que os extratos bancários utilizados pela Autoridade Fiscal para fundamentar a presente autuação foram obtidos diretamente das instituições bancárias mediante mera Requisição de Movimentação Financeira (RMF), sem qualquer autorização judicial para a quebra do sigilo bancário da Impugnante. Fl. 2610DF CARF MF 10 6.39. No entanto, consoante restará adiante demonstrado, o presente lançamento demonstrase nulo de pleno direito, tendo em vista que efetuado com base em prova ilícita decorrente da ilegal quebra de sigilo bancário não autorizada por ordem judicial específica. Aplicação do inciso I do § 6º do artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 6.40. O Decreto n° 70.235/72 prevê, em seu artigo 26A, a vedação à possibilidade de os órgãos de julgamento afastarem a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. 6.41. Pela leitura do inciso I, do § 6º, verificase que a despeito de ser vedada a discussão de cunho constitucional no âmbito do processo administrativo federal, tal vedação não se aplica aos casos em que a lei a que se pretende afastar tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal. 6.42. Cumpre esclarecer, por oportuno, que o plenário do Supremo Tribunal Federal, em julgamento do Recurso Extraordinário n° 389.808/PR, realizado em 15/12/2010, colocou fim à discussão quanto à quebra do sigilo bancário dos contribuintes para fins fiscais, afastandose a possibilidade de a RFB ter acesso direto aos dados bancários sem ordem emanada do Poder Judiciário. (transcreve ementa de Acórdão à fl. 1899). 6.43. Dessa forma, uma vez que o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a legislação que daria suporte ao indevido acesso obtido pela fiscalização a informações e documentos protegidos por sigilo bancário Lei complementar n° 105/01, regulamentada pelo decreto n° 3.724/01 deverão igualmente os órgãos julgadores administrativos reconhecer a nulidade do lançamento que embasou o presente AI, uma vez que, como se verá, fora fundado em provas ilícitas. 6.44. Uma vez evidenciada a possibilidade da discussão sobre a inconstitucionalidade da legislação atinente à quebra do sigilo bancário em esfera administrativa, passa a Impugnante a demonstrar as razões que inevitavelmente conduzirão ao cancelamento do presente AI. Inconstitucionalidade da Quebra do Sigilo Bancário. 6.45. Os extratos bancários foram obtidos sem qualquer autorização judicial, com base no disposto no artigo 6º da Lei Complementar n° 105/01. 6.46. Como se verá a seguir, à luz do acórdão de julgamento do Recurso Extraordinário n° 389.808/PR proferido pelo Tribunal Pleno do STF, o referido artigo que autorizou a quebra do sigilo bancário da Impugnante encontrase eivado de inconstitucionalidade, sendo nulo o presente AI, uma vez que lastreado em informações obtidas de forma ilegal junto às instituições financeiras. A Inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105/01 e do Decreto n° 3.724/01 face ao art. 5°, "caput" e inciso X, da Constituição Federal 6.47. O sigilo de dados de operações financeiras é um desdobramento do direito à privacidade, assegurado no art. 5º, X, da Constituição Federal, que constitui ainda Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.570 11 uma das formas de expressão da liberdade prestigiada no artigo 5º, "caput", só passível de flexibilização pela Administração Pública ou pelo Ministério Público por meio de ordem judicial. 6.48. O sigilo de dados bancários e operações financeiras constituindo, pois, uma espécie do direito à intimidade, jamais admitiria ruptura sem a provocação do Judiciário e na forma incondicional proclamada no art. 6º da Lei Complementar n° 105/01. Tanto mais quando se constata, repitase, que estes desencadeiam, ato contínuo, a quebra do sigilo, à margem de qualquer motivação, suspeita ou indícios, obrigando as Instituições Financeiras a transmitir à Administração, periodicamente, a integralidade dos dados da vida bancária e financeira dos seus usuários. 6.49. Dessa forma, não tendo a Autoridade Administrativa demonstrado a necessidade de quebra do sigilo bancário do Impugnante, que denote um interesse público prevalecente, somente com autorização do Poder Judiciário é que o referido sigilo poderia ser quebrado. 6.50. Assim, no caso em tela, resta clara a violação ao art. 5º, "caput" e inciso X, da Constituição Federal, devendo ser declarado nulo o presente lançamento, uma vez que fundado em ilegal quebra do sigilo bancário da Impugnante. A violação do art. 5°, XII, da Constituição Federal pela Lei Complementar n° 105/01 6.51. O artigo 5º da Constituição Federal prevê, em seu inciso XII, a inviolabilidade do sigilo de dados, inclusive os bancários, de qualquer cidadão, sigilo esse passível de flexibilização somente em casos excepcionais, autorizados por ordem judicial. 6.52. No presente caso, portanto, um dos requisitos essenciais para a quebra do sigilo bancário da Impugnante também não foi observado pela D. Autoridade Fiscal: a ordem judicial. 6.53. O Supremo Tribunal Federal, em mais de uma oportunidade, esclareceu a correta exegese do art. 5º, XII, da Constituição Federal, na certeza de que esse, em verdade, contempla apenas dois casos de inviolabilidade e, divididos em duas situações, e não quatro. A primeira: o sigilo de correspondências e das comunicações telegráficas, em princípio, absolutamente invioláveis. E a segunda englobando o sigilo de dados, inclusive os bancários, e de comunicações telefônicas, onde a inviolabilidade seria relativa, mas sempre dependente de ordem judicial. (transcreve ementas de julgados à fl. 1903). A violação do art. 145, § 1º, da Constituição Federal pelo art. 6° da Lei Complementar n° 105/01 6.54. Conforme destacado acima, qualquer órgão do Estado, qualquer Poder da República submetese, no exercício de suas prerrogativas constitucionais, às limitações impostas pela autoridade suprema da Constituição Federal. Fl. 2612DF CARF MF 12 6.55. Esta é a razão porque não há que se admitir, como querem alguns, que a obtenção direta de informações privadas pela administração tributária tenha fulcro no § Iº do art. 145 da CF/88. 6.56. Pela leitura do referido dispositivo observase a faculdade do Poder Público aferir a capacidade econômica do contribuinte para fins de graduação dos impostos, identificando o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, ressalvandose, expressamente, o respeito aos direitos individuais. 6.57. A Lei Complementar n° 105/01, em seu artigo 6º, sem cerimônia, ignora exatamente a condição estatuída na parte final do § Iº do art. 145, descartando a inviolabilidade da privacidade e de dados cristalizada nos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. (transcreve trecho do RE nº 389.808/PR às fls. 1905 e 1906). 6.58. Como visto, o poder fiscalizatório está, evidentemente, subordinado aos direitos e garantias individuais, de acordo com o previsto no artigo 145, § Iº da Constituição Federal. Portanto, o art. 6º da Lei Complementar n° 105/01 ofende este princípio constitucional ao autorizar a quebra do sigilo bancário sem determinação judicial. Nulidade do lançamento tributário fundamentado em provas ilícitas. Inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial prévia 6.59. Diante das inconstitucionalidades acima apontadas, o presente AI demonstra se nulo de pleno direito, visto estar fundamentado em provas obtidas ilicitamente, por meio da quebra de sigilo bancário desacompanhada de autorização judicial específica. (transcreve julgado à fl. 1907). Incorreta Aplicação da Presunção Necessidade de Desconsideração das Transferências entre Contas do Mesmo Titular 6.60. Não fosse pela ilegalidade das provas que lastreiam o auto de infração obtidas mediante ilegítima quebra de sigilo bancário a presunção de omissão de receitas de que lançou mão a autoridade fiscal merece ser rechaçada em razão da inobservância de um de seus pressupostos, descrito no § 3º do art. 42 da Lei n° 9.430/96. 6.61. A autoridade fiscal afirma que teria já desconsiderado as transferências provenientes de contas do mesmo titular quando da aplicação da presunção. Tal afirmação, porém, não resiste a uma análise mais detida, à luz do estatuto lógico que a própria autoridade fiscal impôs à dedução das acusações que formulou. 6.62. Com efeito, não fosse este um caso que envolvesse a acusação de interposição fraudulenta, não mereceria reparos ao trabalho fiscal. Como se pode ver no auto de infração, houve o cuidado de se desconsiderar as transferências eventualmente provenientes de outras contas de titularidade da própria Impugnante. 6.63. Nada obstante, a autoridade fiscal não se limitou a aplicar, de maneira simples e direta, a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Mais que isto, fez um grande esforço para tentar demonstrar que a pessoa jurídica autuada seria "empresa de fachada", "sociedade fantasma", e, portanto, não seria titular "efetiva" Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.571 13 dos valores movimentados nas contas que, apenas formalmente, seriam mantidas em seu nome. 6.64. Nesse cenário, causa espécie a fragilidade lógica que, com permissão da autoridade fiscal, passou a revestir o seu trabalho. Embora a Impugnante tenha sido expressamente e consistentemente tratada como "empresa de fachada", no momento em que foi aplicar o inciso I do § 3º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a autoridade fiscal "fez de conta" de que ela seria verdadeira e efetiva titular das contas bancárias mantidas "apenas formalmente" em seu nome, bem como dos valores que por ela transitaram. 6.65. A alegação de que existe um conglomerado de "empresas de fachada" traz consigo a conseqüência de que o dinheiro que entra em uma, e é transferido a outra, pode e ser o mesmo. Assim, a aplicação incorreta do inciso I do § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 poderia trazer graves prejuízos ao contribuinte, pois haveria a tributação em duplicidade dos montantes. Necessidade de Excluir os Valores já Tributados da Base de Cálculo do AI 6.66. Como se vê no Quadro 13 contido na página 28 do Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante declarou em DCTF os valores considerados devidos por ela. 6.67. Diante disso, resta evidente a necessidade de cancelamento dos débitos lavrados sob a rubrica "receita bruta apurada com base nos valores informados em DCTF", haja vista que, antes mesmo da lavratura em tela, os débitos nela exigidos já haviam sido declarados em DCTF. 6.68. A autoridade fiscal reconhece que houve montantes declarados como receitas nas DIPJ da empresa, e que sobre estes montantes foram calculados os tributos pertinentes, conforme consta das DCTF correspondentes aos períodos autuados. 6.69. Nada obstante, afirma a autoridade fiscal que não seria possível excluir tais montantes da base de cálculo do lançamento porque, não tendo a empresa autuada apresentado condições de disponibilizar os seus livros contábeis e fiscais, teria se tornado impossível realizar o cotejo entre as receitas supostamente omitidas, e aquelas espontaneamente declaradas. 6.70. Pouco importa se não se faz possível, nestes termos, o cotejo ou confronto entre as receitas consideradas para fins de arbitramento, e aquelas já declaradas pelo contribuinte. O fato é que a fiscalização, ao atuar sem levar em conta a escrituração do contribuinte ainda que isto decorra de uma falta imputável ao contribuinte deve fiscalizar e identificar o universo dos "fatos conhecidos" que darão origem ao lucro arbitrado. Isto, pois a ausência de apresentação dos livros em nada prejudica a fiscalização de todo o universo de receitas por exemplo , mormente quando a constatação destas é operada por meio de provas diretas e provas indiretas (presunções). 6.71. Dizer, enfim, que as receitas identificadas correspondem a apenas parte das receitas de modo, eventualmente, não se confundirem com aquelas já declaradas Fl. 2614DF CARF MF 14 espontaneamente equivaleria a uma confissão de trabalho feito pela metade, circunstância que, por si, acarretaria a insubsistência da exigência. Descabimento da Aplicação da Multa de Ofício Qualificada e Majorada Ausência de Comprovação do "Evidente Intuito de Fraude" 6.72. A autoridade fiscal fundamenta a qualificação da multa de ofício a partir de dois pressupostos: (i) a omissão de receitas; e (ii) a utilização de "laranjas". 6.73. Ocorre, todavia, que nenhum destes fundamentos é hábil a autorizar a exasperação da penalidade, como pretendido pela autoridade fiscal. 6.74. Em primeiro lugar, cabe notar que a simples omissão de receitas não é suficiente para concluir ter havido evidente intuito de fraude. (transcreve Súmula do CAR à fl. 1915). 6.75. Registrese, neste passo, que não há, no auto de infração, nem a afirmação, e muito menos a prova, de que a omissão de receitas teria sido prática reiteradamente adotada pela empresa autuada. 6.76. A bem se ver, não há, no auto de infração, a demonstração de qualquer conduta dolosa da própria "empresa de fachada". Tudo o que se diz que foi fraudulento, em última instância, teria sido, supostamente, cometido pelos responsáveis, não pela "empresa de fachada". Ausência de "Embaraço à Fiscalização" 6.77. Deve, ainda, ser cancelada a majoração da penalidade (aumento de 50% da penalidade imposta) em razão da ausência do alegado embaraço à fiscalização. 6.78. Em primeiro lugar, há de se notar que uma coisa é o embaraço à fiscalização entendido, pura e simplesmente, como a omissão do contribuinte diante da intimação fiscal , e a eventual insatisfação da autoridade fiscal em vista da resposta dada pelo contribuinte. 6.79. No caso presente, a autoridade fiscal afirma que a Impugnante noticiou, no curso da ação fiscal, que os livros fiscais e comerciais solicitados não existiriam, e que todos os demais documentos de que se poderia dispor houveram sido apreendidos pela Polícia Federal. 6.80. Não houve, assim, ausência de resposta embaraço à fiscalização em sentido próprio. Ocorreu, simplesmente, que a autoridade fiscal não gostou da resposta que recebeu, desaprovou o conteúdo do que lhe foi reportado. Mas não há, nisto, o elemento do embaraço, que permite o agravamento da penalidade. 6.81. Até porque eis o segundo dos aspectos antes mencionados diante da informação recebida, não poderia, jamais, a autoridade fiscal vislumbrar embaraço, mas um caminho certo para prosseguir com a ação fiscal : a via do arbitramento. 6.82. Ao dizer que os livros não existiam, a Impugnante, muito longe de embaraçar, criou as condições necessárias a que a autoridade fiscal prosseguisse com o arbitramento. Sob tais circunstâncias, é descabido cogitarse de embaraço à fiscalização. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.572 15 7. Ao final, requer que todas as intimações e notificações sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório na Capital do Estado de São Paulo, na Avenida Angélica, n° 2.163, conjunto 61, em atenção a Rafael Pinheiro Lucas Ristow, além de protestar por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. 8. Irresignado com os lançamentos, em 03/10/2014, o sujeito passivo solidário Sr. Luis Roberto Satriani, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1711 e 1712) a ele cientificado em 11/09/2014 (fl. 1739), apresentou impugnação às fls. 1811 a 1852, instruída com os documentos às fls. 1856 a 1858, na qual repisa as alegações apresentadas pela empresa autuada, nos quesitos decadência e múltiplas nulidades (erro na identificação do sujeito passivo, falta de intimação do titular da conta de depósito, erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, erro na identificação da alíquota e vício de motivação), e alega, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pelo recorrente): Ausência de responsabilidade solidária ou pessoal do impugnante 8.1. A D. Autoridade Fiscal sequer conseguiu manter a coerência interna do auto de infração, pois, ao fim da leitura do T.V.F, não fica claro quem era o verdadeiro alvo da fiscalização. 8.2. Entretanto, ainda que o presente auto de infração tivesse capacidade para ultrapassar uma primeira análise o que efetivamente não detém, e se admite apenas por cautela , também não teria logrado êxito em demonstrar os requisitos da solidariedade para que a pudesse ter imputado ao Impugnante. Inaplicabilidade do Artigo 124, inciso I, do CTN 8.3. De acordo com os julgados transcritos, em primeiro lugar, o "interesse comum" sempre será o "interesse jurídico", e este, por conseqüência, a existência de direitos e deveres iguais entre as partes solidárias. Em segundo lugar, até como conseqüência da primeira observação, afastase a solidariedade quando o interesse do agente for meramente econômico, no sentido de receber, de alguma forma, e sem ter colaborado para tanto, vencimentos ou dividendos oriundos, no todo ou em parte, de uma ação fraudulenta. Em terceiro lugar, exigese das partes solidariamente obrigadas que tenham agido em conjunto com o devedor principal naquele ato que deu ensejo ao lançamento essa leitura é a que se coaduna com o afastamento da solidariedade de diretores, gerentes etc, quando em seu exercício regular da função ou quando obedecendo ordem expressa, conforme CTN, art. 137, inciso I, segunda parte. Por fim, em quarto lugar, foi estabelecido, recentemente, que a solidariedade somente se confirma quando a fiscalização trouxer provas de que houve confusão patrimonial entre responsável e empresa contribuinte, pois esse seria o elemento caracterizador máximo do interesse comum. 8.4. A esse ponto, já deve ter principiado na cabeça da D. Autoridade Julgadora um questionamento, qual seja: como pode uma pessoa dada como laranja ter o mesmo Fl. 2616DF CARF MF 16 interesse (interesse comum) do suposto "administrador de fato" do negócio ? A resposta, a toda evidência, é que tais pessoas jamais poderiam ser solidariamente responsáveis pelo débito que ora se exige. 8.5. E essa resposta advém da própria construção ilógica feita no T.V.F, pois, se é verdade que o Impugnante é interposta pessoa dos Srs. Adir e Marcello, os recursos presumidamente furtados à tributação (i) não têm origem nele e (ii) nem foram destinados a ele. 8.6. A outro momento, afirma a D. Autoridade Fiscal que "outra linha adotada pela fiscalizada foi a utilização de 'laranjas' ou 'testas de ferro' como já amplamente conhecido no jargão popular, que se tratam de interpostas pessoas do verdadeiro sócio da sociedade" e que "os sócios de direito dessas empresas, geralmente, são de baixa capacidade econômica (...). Em troca de favores ou mediante pagamento, emprestam seus nomes para utilização escusa por parte de terceiros". 8.7. Mas o trecho em que o T.V.F deixa ainda mais claro a sua linha de raciocínio é o que consta à fl. 53, que consigna que “Abaixo iremos demonstrar através de várias provas colhidas que os Sr MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD são os verdadeiros sócios de fato desta empresa, e que contou com a participação ativa dos sócios: as irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e do empresário LUIS ROBERTO SATRIANI, na estrutura de sonegação aqui relatada." 8.8. A D. Autoridade Fiscal afirma que o Impugnante é responsável solidário pelo débito em discussão porque seria sócio administrador da pessoa jurídica autuada. E é só. 8.9. A questão é que nada disso leva ao "interesse comum" exigido no artigo 124, inciso I, do CTN, pois, como amplamente mencionado, não se trata de interesse genérico, mas, sim, interesse específico na prática dos atos que levaram ao fato gerador em comento. 8.10. Não há prova da existência de direitos e deveres iguais entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada, ou os Srs. Adir e Marcello, porquanto impossível aferir da documentação acostada ao processo que o Impugnante tinha direitos e deveres iguais aos dos supostos idealizadores do esquema e da pessoa jurídica autuada. Faltou à fiscalização provar, também, que o Impugnante recebeu da pessoa jurídica autuada valores incompatíveis com os dividendos a que teria direito. 8.11. O interesse do Impugnante na pessoa jurídica autuada era meramente econômico, todavia, vale ressaltar que não há qualquer prova de que sua gestão envolvia atividade ilícita. Na realidade, não há provas de atos de gestão do Impugnante, muito menos algo que o vincule à omissão de receitas imputada à pessoa jurídica autuada. 8.12. Não há prova de que o Impugnante agiu em conjunto com os Srs. Adir e Marcello em atos fraudulentos. 8.13. Não foi demonstrada a confusão patrimonial entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada, ou os Srs. Adir e Marcello. Inaplicabilidade do Artigo 135, inciso III, do CTN Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.573 17 No mínimo, a imputação de responsabilização pessoal deveria ter fundamentação diferente da solidariedade 8.14. Como já adiantado acima, as acusações de obrigação solidária e de responsabilidade pessoal são incompatíveis entre si, e ensejam o cancelamento do lançamento no caso de ter havido erro na identificação do sujeito passivo principal. 8.15. Mas mesmo na remota hipótese de se aceitar que a responsabilidade pessoal e a solidariedade podem subsistir, o auto de infração não poderia ser mantido. 8.16. Os trechos do auto de infração em que há responsabilização solidária e pessoal são, pasmem, os mesmos, isto é, a estória desenvolvida pela D. Autoridade Fiscal chega a essas duas conclusões, sem que tenha sido realizada qualquer delimitação de quais condutas levaram à responsabilização pessoal e quais levaram à responsabilização solidária. Efetiva Impossibilidade de Responsabilização Pessoal do Impugnante 8.17. Conforme se verifica da leitura do artigo 135, inciso III, do CTN, a responsabilização pessoal de diretores, gerentes ou mandatários depende de comprovação de conduta (i) com excesso de poderes ou (ii) fraude de lei. 8.18. Evidente que a conduta com excesso de poderes ou fraude à lei que teria de ter sido demonstrada pela D. Autoridade Fiscal deve estar intimamente relacionada ao fato gerador, ou seja, deveria constar do T.V.F a prova de ações do Impugnante que tivessem relação com os depósitos recebidos supostamente como omissão de receitas. 8.19. Nessa esteira, e de forma bem breve para que não se torne ainda mais repetitivo, devese verificar que o Impugnante foi apontado como interposta pessoa pela D. Autoridade Fiscal, o que, apenas por isso, seria suficiente à demonstração de que não poderia responder pessoalmente pelos tributos. 8.20. Além disso, não há qualquer prova de atos de gestão por parte do Impugnante, muito menos relacionados à suposta fraude relatada no presente auto de infração. 8.21. Jurisprudência do Carf consigna que a responsabilização pessoal (i) depende de prova logo, não se presume, a exemplo da solidariedade , e (ii) e tal prova deve ser de uma conduta diretamente relacionada ao surgimento da obrigação tributária exigida. Questões subsidiárias: impossibilidade de responsabilização do impugnante pelas multas aplicadas 8.22. Como exposto nos tópicos anteriores, não há como subsistir a autuação em relação ao Impugnante, seja por sua absoluta inconsistência interna, seja pela nítida inexistência de qualquer grau de responsabilidade. 8.23. Contudo, ainda que fosse mantida a solidariedade do Impugnante, o que se admite por cautela, devese mencionar que ele não pode arcar com as penalidades Fl. 2618DF CARF MF 18 aplicadas, muito menos com as quantias referentes ao agravamento e à qualificação por embaraço. O Impugnante não pode responder pela multa no presente caso Artigo 137 do CTN 8.24. Como foi evidenciado em tópico próprio, a responsabilização pessoal do Impugnante restou absolutamente descaracterizada diante da ausência de qualquer prova da existência de conduta com excesso de poderes ou fraude à lei que estivesse diretamente relacionada com o presente lançamento. 8.25. Do mesmo modo, a solidariedade do Impugnante acabou prejudicada pela ausência de comprovação do "interesse comum" requerido pelo CTN para tanto. 8.26. Entretanto, a despeito da ausência ou presença de tais requisitos, devese recordar que o artigo 124, inciso I, do CTN, diz respeito somente à responsabilidade pela obrigação principal, vale dizer, pelo tributo, mas nunca poderia autorizar a responsabilização solidária do Impugnante pela multa, que segue uma lógica própria estabelecida pelo artigo 5º, inciso XLV da Constituição Federal. 8.27. A Constituição Federal determina que as multas punitivas, na qualidade de penalidades, não podem atingir pessoa diversa daquela que cometeu a infração e foi por tal ato condenada, de maneira que nenhuma multa poderia ser objeto de responsabilização solidária do Impugnante. 8.28. Em consonância com o dispositivo constitucional, o artigo 137 do CTN também regula a matéria, esclarecendo que a responsabilidade pelas infrações é pessoal do agente que as comete. 8.29. Da análise do dispositivo, podese concluir que, embora a responsabilidade pela obrigação principal possa comportar a solidariedade, a responsabilidade pelas penalidades decorrentes de infrações será apenas do agente que as praticar, quando as infrações em questão constituam crime, ou ainda quando dependam de dolo específico. 8.30. Rememorese, neste ponto, que o T.V.F traz inscrito um suposto esquema fraudulento de omissão de receitas, o que o enquadra tanto no inciso I como no inciso II, do artigo 137 do CTN. 8.31. Considerandose, ainda, que o próprio T.V.F é contraditório ao definir quem seria o pretenso agente (as qualificações de interponente e "laranja" são caoticamente atribuídas às pessoas ali citadas, inclusive à própria empresa), evidente que existe uma dificuldade para a aplicação (correta) da norma inserta no artigo 137. Ainda que seja mantida a responsabilidade pela penalidade aplicada, o Impugnante não pode responder pelo agravamento. 8.32. Come exposto acima, a multa exigida no presente caso, ainda que se tratasse daquela de 75%, jamais poderia ultrapassar a figura do agente. Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.574 19 8.33. Todavia, em caráter ainda maior de subsidiariedade, devese dizer que, no mínimo, o agravamento e a qualificação da multa de ofício não poderiam ser objeto de solidariedade. 8.34. A qualificação da Multa de Ofício, que autoriza sua duplicação, está prevista no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, que faz remissão aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que descrevem os tipos penais referentes à sonegação, fraude e conluio. Ora, todas as condutas descritas constituem crimes tributários tipificados na Lei n° 8.137/90, de maneira que, em conformidade com o inciso I do artigo 137 do CTN, a penalidade gerada por qualquer dessas infrações não poderia passar da pessoa do agente que a cometeu e, portanto, não poderia ser objeto de responsabilização solidária do Impugnante. (transcreve jurisprudência do Carf). 8.35. De qualquer maneira, ainda que essas condutas não estivessem tipificadas como crimes, é essencial notar que, ainda assim, elas não permitiriam a responsabilização do Impugnante, pois também dependem do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137 do CTN. Extraise da leitura sistemática dos dispositivos acima transcritos que: (i) somente se aplica a multa de ofício agravada quando presente uma das hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; e (ii) as hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 requerem, para sua caracterização, a comprovação cabal do dolo específico. 8.36. Dessa maneira, tendo em vista que a qualificação da multa depende do dolo específico do agente, bem como que tal dolo não foi demonstrado com relação ao Impugnante, ao menos a penalidade agravada deve ser afastada, com base no artigo 137, incisos I e II, do CTN. Qualificação da penalidade por embaraço Impossibilidade de qualificação da multa por embaraço mesmo contra a pessoa jurídica autuada 8.37. Como se extrai do T.V.F, a penalidade aplicada à autuada foi agravada, nos termos do §1° e, posteriormente qualificada, conforme §2°, ambos do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. 8.38. Antes mesmo de mencionar que a qualificação da multa por embaraço não pode ser imputada ao Impugnante, devese notar que tal aumento da pena sequer poderia ter sido perpetrado contra a própria pessoa jurídica autuada. 8.39. Explicase. No presente caso, a D. Autoridade Fiscal alega que não foram atendidas as notificações para entrega de documentos exigidos e, por conta disso, utilizouse de (i) arbitramento e (ii) presunção de omissão de receitas. 8.40. Ocorre que quando a ausência de entrega de documentos já acarretar, por si, uma penalidade ao contribuinte, não poderá haver bis in idem com o agravamento por embaraço (transcreve jurisprudência). 8.41. Como se extrai dos julgados transcritos, toda vez que a inércia do contribuinte tiver alguma conseqüência agravante prevista na legislação, seja ela o Fl. 2620DF CARF MF 20 arbitramento ou a presunção de omissão de receitas, a multa não poderá ser agravada por embaraço, pois a conduta não gera prejuízo ao Fisco. 8.42. Por essa razão, requerse a redução da multa aplicada no que tange ao percentual equivalente ao embaraço (art. 44, §2°, da Lei n°. 9.430/96). O Impugnante não pode ser responsabilizado pela qualificação da multa por embaraço 8.43. Observandose o § 2º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, concluise que o embaraço à fiscalização também depende do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137, do CTN. 8.44. Por conta da necessidade de dolo específico prevista nos dispositivo transcrito acima, devese dizer que a referida multa qualificada por embaraço não é oponível ao Impugnante por três razões. 8.45. A primeira delas é conseqüência da própria narrativa do T.V.F, pois, se é verdade que o Impugnante não é administrador de fato da pessoa jurídica autuada, não poderia embaraçar a fiscalização. 8.46. A segunda razão para que tal agravamento não seja oponível ao Impugnante é que, quando do início da fiscalização, não constava como sócio da pessoa jurídica autuada. 8.47. Por fim, e principalmente, a terceira razão para que a multa qualificada não seja oponível ao Impugnante é o fato de que ele jamais recebeu qualquer notificação para apresentação de documentos referentes à fiscalização da pessoa jurídica autuada, o que demonstra a completa impossibilidade de não ter atendido a um chamado do Fisco. 8.48. Ante o exposto, ainda que se pudesse manter a qualificação da multa pelo não atendimento de intimação do Fisco, tal penalidade não poderia ser imputada ao Impugnante. 9. Ao final, o defendente requer que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório na Capital do Estado de São Paulo, na Avenida Angélica, n° 2.163, conjunto 61, em atenção a Rafael Pinheiro Lucas Ristow, bem como sejam enviadas cópias ao Impugnante, no endereço constante dos autos. Protesta, ainda, por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. 10. Irresignados com os lançamentos, em 03/10/2014, os sujeitos passivos solidários Sonia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago e Four´s Empreendimentos Imobiliários LtdaME, conforme Termos de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1706, 1707, 1701, 1702, 1731 e 1732) a eles cientificados em 11/09/2014 (fls. 1739, 1738 e 1748), apresentaram impugnação conjunta às fls. 1751 a 1796, instruída com os documentos às fls. 1799 a 1808 e 2055 a 2057, na qual repisam as alegações apresentadas pela empresa autuada, nos quesitos decadência e múltiplas nulidades (erro na identificação do sujeito passivo, falta de intimação do titular da conta de depósito, erro na identificação da base de cálculo e Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.575 21 do aspecto temporal do fato gerador, erro na identificação da alíquota e vício de motivação), acrescentam os tópicos específicos já descritos na defesa apresentada pelo Sr. Luis Roberto Satriani, e complementam, em síntese, com a seguinte alegação pertinente à Four´s Empreendimentos Imobiliários LtdaME: 10.1. Antes mesmo de demonstrar a completa impossibilidade de se imputar solidariedade à empresa Four's, devese dizer que, uma vez cancelada a exigência em relação à Sra. Sônia, automaticamente a acusação fiscal perderá todo o sentido no que tange à Four's. 10.2. Em primeiro lugar, o fato de a empresa ter sido constituída no mesmo endereço da empresa Rockstar (empresa alheia à presente lide) não denota qualquer espécie de fraude, pois nos casos de holdings patrimoniais familiares, é bastante comum que a empresa não seja "operacional", que se estabeleça em endereços de utilização mútua da família inclusive no local de trabalho de alguns dos membros , e que seus bens sirvam como passo inicial para a realização de outros negócios. Além disso, a empresa logo mudou de endereço. 10.3. Em segundo lugar, o fato de a Sra. Sônia ter doado o seu patrimônio para a Four's não caracteriza a ligação entre esta e a Rockstar. Como dito acima, a constituição de empresas por famílias que administrarão seu patrimônio em conjunto é muito comum e representa uma redução de diversos custos. 10.4. Quando muito, a D. Autoridade Fiscal poderia ter questionado a Sra. Sônia quanto à origem do patrimônio, o que ela teria demonstrado de pronto. 10.5. Ademais, não há qualquer alegação de vínculo entre a empresa Four's e a pessoa jurídica autuada. Ora, para que se pudesse mencionar o vínculo entre a Four's e a pessoa jurídica autuada, deveria a D. Autoridade Fiscal ter comprovado (i) que o resultado da suposta fraude teria gerado ganho à Sra. Sônia (algo que até agora não fez) e, (ii) posteriormente, que o patrimônio da Sra. Sônia transferido à Four's decorre, todo ele, de pagamentos fraudulentos recebidos pela Sra. Sônia da pessoa jurídica autuada. 10.6. Em terceiro lugar, a doação de quotas entre familiares é extremamente comum. Em quarto lugar, “a administração da empresa cujas quotas foram doadas aos filhos do antigo sócio geralmente resta ao doador, pois as holdings familiares são constituídas pelos mais diversos motivos, tais como adiantamento de herança, economia nos custos de administração etc, e faz sentido que o sócio constituidor, ainda que não conste formalmente da sociedade, permaneça com influência sobre seus familiares.” 10.7. Por fim, em quinto lugar, não procede a acusação de que a Four's foi engendrada para blindagem patrimonial das pessoas físicas, pois ela foi constituída em 2008, e a última operação com bens é datada de 24/02/2012. Ora, constatando se que a presente fiscalização se iniciou em 02/10/2012, a Four's somente poderia ter sido concebida para blindagem patrimonial se algum dos seus sócios tivesse a virtude de prever o futuro. 10.8. Mas, agora, a pergunta que não cala: como as acusações acima poderiam tornar a Four's responsável solidária da pessoa jurídica autuada ? Fl. 2622DF CARF MF 22 10.9. A resposta é no sentido de que, mesmo se configurassem alguma espécie de irregularidade as acusações acima, elas jamais teriam o condão de conferir à Four's o interesse comum exigido pelo artigo 124, inciso I, do CTN, para que ela fosse considerada responsável solidária dos débitos lançados contra a pessoa jurídica autuada. 10.10. As acusações acima, algumas vezes constatações, outras vezes meras ilações, nunca poderiam resultar na interligação dos interesses da Four´s com a pessoa jurídica autuada. 10.11. Percebese, aqui, mais uma vez, a "mania de perseguição" da D. Autoridade Fiscal: todo ato visa à burla, toda empresa é fraudadora, todo contribuinte é um ladrão em potencial... 11. Irresignado com os lançamentos, em 28/10/2014 o sujeito passivo solidário Sr. Adir Assad, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1716 e 1717) a ele cientificado em 02/10/2014 (fl. 1743), apresentou impugnação às fls. 1988 a 2011, instruída com os documentos às fls. 2012 e 2013, na qual alega, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pelo recorrente): Decadência 11.1. O Impugnante somente tomou ciência do referido auto de infração em 17 de setembro de 2014, portanto, há mais de cinco anos das ocorrências dos fatos geradores das obrigações exigidas no AI. 11.2. Com efeito, tratandose de lançamento por homologação, temse que o crédito tributário encontrase definitivamente extinto em função da homologação tácita, nos exatos termos do parágrafo 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. 11.3. Importante desde já enfrentar eventual alegação do Fisco no sentido de que em virtude do suposto intuito doloso da empresa autuada, o prazo decadencial a ser aplicado é o do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, que estipula como início do prazo decadencial o primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. 11.4. No caso em tela, no qual se consigna a cobrança de supostos débitos do ano calendário 2008, aplicandose o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, teríamos que o prazo decadencial, iniciado em janeiro de 2009, extinguirseia em janeiro de 2014, mantendose assim a ilegalidade do lançamento realizado em junho de 2014. 11.5. Por todo o exposto, resta demonstrado que em ambos os casos (art. 150 e 173) a decadência estava já consumada na data da ciência do AI em relação aos supostos débitos relativos ao ano calendário 2008, não mais podendo ser exigidos. Da impossibilidade de responsabilização tributária 11.6. Nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, para resumir o que se vê quando da apuração do interesse comum, em se tratando de crédito tributário, ele existe quando o agente (i) atuar em conjunto com o sujeito passivo e (ii) com o mesmo intuito específico em relação ao fato gerador. Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.576 23 11.7. Nos termos do art. 135, inciso III, o dispositivo é tanto mais claro que aquele alusivo à responsabilidade solidária. Nessa toada, temse responsabilidade pessoal quando o agente (i) praticar atos com excesso de poderes ou infração à lei e (ii) for diretor, gerente ou representante do sujeito passivo principal. 11.8. Mais uma vez, temse a necessidade do dolo específico do agente, em ato com excesso de poderes e na condição de gestor. 11.9. Delimitada a acusação feita ao Impugnante, muito mal formulada, aliás, com lacunas de fundamentação absolutamente intoleráveis ao instituto do lançamento tributário, passase à demonstração da imprestabilidade das afirmações e pretensas "provas" trazidas no termo de verificação fiscal. Da inexistência de quaisquer atos praticados pelo impugnante em 2009 e 2010 11.10. Como se verifica do termo de verificação fiscal, os supostos fatos geradores foram praticados em 2008, 2009 e 2010, todavia, das "provas" apresentadas, nota se se referem apenas aos anos de 2008, 2012 e 2013. Frisese: nada há de prova no tocante aos anoscalendários de 2009 e 2010 (registra que os email são de 2008, as correspondências bancárias e DARF são de 2008 e 2012, as guias da Previdência Social são de 2012, a lista de documentos enviada ao contador é de 2012, e os recortes da revista Veja são de 2012 e 2013). 11.11. Para não dizer que inexiste alguma "evidência" para o anocalendário 2010, notase do termo de verificação fiscal um email enviado pela Sra. Sandra ao Sr. Amauri sem querer tergiversar sobre o óbvio ululante, Sandra e Amauri não são nomes ou codinomes do Impugnante. 11.12. Em uma breve reflexão, ao verificar que as pífias "evidências" produzidas sequer se referem aos anoscalendários de 2009 e 2010, não há como manter a responsabilidade solidária ou pessoal do Impugnante neste caso. As pretensas "provas" trazidas não vinculam o Impugnante à pessoa jurídica autuada 11.13. Além de as "provas" expostas no termo de verificação fiscal não se referirem aos anoscalendários 2009 e 2010 e, portanto, não demonstrarem nada em relação a tais períodos, devese ter em mente que grande parte delas somente trata das empresas Rock Star Marketing Ltda e Legend Engenheiros Associados Ltda. 11.14. Supondo, em absurda hipótese, que as "evidências" trazidas no auto de infração pudessem comprovar algum vínculo do Impugnante com as empresas Rock Star Marketing Ltda e Legend Engenheiros Associados Ltda, qual seria a relevância dessas "provas" para a demonstração do vínculo entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada ? 11.15. É ainda mais manifesta a ausência de elo entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada quando se nota que a Fiscalização não foi capaz de trazer uma prova sequer de um contato entre ambos. Fl. 2624DF CARF MF 24 Efetiva ausência de provas da responsabilidade pessoal e solidária: O Termo de Verificação Fiscal traz assertivas e evidências imprestáveis a demonstrar qualquer fraude. Irrelevância das "evidências" trazidas no Termo de Verificação Fiscal 11.16. O Impugnante se utiliza das expressões "prova" e "evidência" entre aspas, e isso se faz justamente porque, como será demonstrado abaixo, tais "provas" ou "evidências" não passam de recortes inúteis à comprovação da gravíssima acusação perpetrada. 11.17. Notese que, depois de anunciar um final apocalíptico ao presente auto de infração, o termo de verificação fiscal traz apenas uma série de documentos, reportagens, faturas, enfim, um sem número de recortes "sem pé nem cabeça", que não só deixam de provar o que se alega, como demonstram a completa ausência de certeza do que consta do termo de verificação fiscal. Emails 11.18. Mencionese novamente que os emails recortados e colados no termo de verificação fiscal, (i) não se referem aos anos de 2009 e 2010, (ii) boa parte sequer envolve o nome do Impugnante e (iii) o domínio envolvido é "@rstar". 11.19. O primeiro email trazido tem título "confirmação de agendamento", e nele não há referência ao nome do Impugnante, nem a qualquer ato referente à fraude imputada à pessoa jurídica. Este email foi encaminhado, provavelmente, para uma agência de turismo. 11.20. O segundo email, sob título "valor para depósito", menciona de passagem o nome do Impugnante em uma aquisição de duas motocicletas uma Sundown Motard e uma Sundown Future. É notório que o valor dessas duas motocicletas, somados, não chegam a R$ 20.000,00. 11.21. Ora, a troca de emails entre pessoas que pertencem ao círculo de convivência do Impugnante, referentes aos mais diversos assuntos, tais como a compra de duas motocicletas, e não podem gerar a presunção de que o Impugnante é gestor da empresa. 11.22. Além disso, impossível aferir dessa comunicação algum ato praticado com excesso de poderes ou contra a lei frisese, as pessoas do email estão combinando a compra de duas motos! 11.23. O terceiro email, sob título "doido", foi enviado pelo Impugnante para Sônia Branco, e se refere a um depósito de R$ 1.000,00, aparentemente sobre uma aquisição de um "capacete do Heman". 11.24. As considerações feitas em relação às motocicletas também são válidas para este email, pois essa troca de mensagens não demonstra mais do que aparenta, ou seja, que o Impugnante tem contato informal com os atuais sócios da empresa Rock Star Marketing Ltda. 11.25. O montante envolvido na comunicação não corrobora qualquer fraude milionária, e o próprio conteúdo aponta para um possível brinquedo a ser comprado, certamente para presentear alguma criança. Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.577 25 11.26. Impossível extrair desse terceiro email algum ato de gestão do Impugnante, e muito menos um ato com excesso de poderes ou contra a lei. Também não é possível vislumbrar interesse comum em qualquer outro ato vinculado à fraude imputada à pessoa jurídica. 11.27. Por fim, o quarto email, sob título "conta do Bradesco Jesus", referese a uma palestra provavelmente ministrada por um professor da Faculdade Getúlio Vargas, em algum evento que tenha sido organizado pela Rock Star Marketing Ltda. 11.28. Nesse email, é solicitado ao Sr. Adir e à Sra. Sibely o depósito do valor referente à palestra, todavia, tendo o Impugnante sido sócio da empresa em questão em anos anteriores, e mantendo uma boa relação com os sócios atuais da empresa indicando clientes, muitas vezes nada mais natural que o próprio cliente se refira também a ele na comunicação. 11.29. Mesmo assim, é impraticável entender que esse quarto email demonstre que o Impugnante fosse gestor da empresa. Mas ainda que essa comunicação desse ensejo a alguma dúvida quanto à participação do Impugnante na gestão da empresa, falta a demonstração do dolo, do ato ilícito, com excesso de poderes, isto é, justamente aquele que ensejaria a responsabilidade. 11.30. Ainda nessa esteira, devese dizer da completa falta de demonstração de interesse comum do Impugnante em relação aos atos ilícitos. 11.31. Que não se faça, portanto, a confusão feita pela Fiscalização, que misturou simples comunicação entre amigos em responsabilidade pessoal; e comunicação de negócios em indício de ato ilícito. 11.32. Enfim, a título de conclusão acerca dos emails juntados, temse a sua completa irrelevância e imprestabilidade no sentido de atrelar o Impugnante a qualquer ato ilícito ensejador da fraude imputada à pessoa jurídica autuada. Correspondências bancárias, DARF e Guias da Previdência Social 11.33. Toda a documentação referida neste título também segue o padrão das demais "provas" trazidas no termo de verificação fiscal, ou seja, (i) não se referem aos anos de 2009 e 2010 e (ii) não tem qualquer relação com a pessoa jurídica autuada. 11.34. Quanto às correspondências bancárias recebidas em nome do Impugnante no mesmo endereço da Legend Engenheiros Associados Ltda, vale lembrar que ele foi sócio dessa empresas em períodos anteriores. 11.35. Além disso, esta constatação não traz consigo qualquer possibilidade de vincular o Impugnante à pessoa jurídica autuada, pois a Legend Engenheiros Associados Ltda. é outra empresa, com CNPJ e operações distintos. 11.36. Enfim, é de se indagar por mais essa vez como os endereços dessas correspondências vinculam o Impugnante à pessoa jurídica autuada, vez que não demonstram qualquer ato de gestão, e muito menos ato com excesso de poderes ou Fl. 2626DF CARF MF 26 contra a lei. Aliás, sequer se trata de conduta. E qual seria o interesse comum emanado pelo endereço constante da correspondência bancária do Impugnante? Nenhum. 11.37. Já no que tange aos DARF e Guias da Previdência Social, maior sucesso não logrou a Fiscalização em demonstrar como tais documentos poderiam levar à conclusão de que o Impugnante seria o gestor ou interessado nos atos pretensamente fraudulentos praticados pela pessoa jurídica autuada. 11.38. Ora, a seqüência de DARF e GPS aponta para existência de pagamentos de tributos do Impugnante pela empresa denominada Legend, inexistindo vínculo com a empresa autuada. 11.39. O pagamento de alguns tributos pela empresa Legend nada tem a ver com a fraude imputada à pessoa jurídica, e muito menos com a suposta gestão com excesso de poderes dela pelo Impugnante. 11.40. A juntada de um monte de recortes de documentos que provam alguns contatos entre o Impugnante e as empresas Rock Star Marketing Ltda e Legend Engenheiros Associados Ltda não é capaz de gerar responsabilidade solidária ou pessoal do Impugnante. 11.41. A responsabilização depende da demonstração cabal de dolo específico, de interesse em uma fraude ou um ato ilícito, enquanto as "provas" trazidas no termo de verificação fiscal tentam convencer pelo volume, mas falham miseravelmente no conteúdo. Lista de documentos enviada ao contador 11.42. Não se fala sobre quem enviou a lista, mas apenas que ela foi "enviada ao contador". Simples assim. Como se isso não fizesse diferença. 11.43. A documentação enviada ao contador, não se sabe por quem, tem aparentemente DARF, guias da Previdência e do INSS com vencimento em 2012, ou seja, completamente fora do período autuado. 11.44. Aparentemente, as empresas e o Impugnante seriam relacionados simplesmente por supostamente terem o mesmo contador. Se essa assertiva é verdadeira, todas as empresas do país que contratam contabilidade externa deverão, antes de fazêlo, proceder a uma auditoria para saber quais são os demais clientes do contador a ser contratado. 11.45. Entretanto, por boa vontade, ignorese o fato de que a documentação é absolutamente imprestável. Considerese, por hipótese, que ela realmente demonstra algum vínculo entre o Impugnante e as empresas em questão. 11.46. Ainda assim, faltará ao auto de infração a demonstração dos atos de gestão do Impugnante, do excesso de poderes, e do interesse comum. Recortes da Revista Veja 11.47. Como dito de início, se fosse mesmo verdade que existe uma fraude latente praticada pelo Impugnante, certamente não seria necessário colacionar nos autos um recorte de revista. Fl. 2627DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.578 27 11.48. Apenas por boa vontade, e não mais do que isso, o Impugnante analisa a seguir se (i) realmente as reportagens se referem ao que menciona a Fiscalização e (ii) se, por ela, demonstrase qualquer relação do Impugnante com atos fraudulentos. 11.49. As datas das reportagens foram mencionadas pela própria Fiscalização no termo de verificação fiscal (2012 e 2013), o que leva o Impugnante a novamente mencionar que nada há em relação aos anos de 2009 e 2010. 11.50. No que se refere ao conteúdo das reportagens, afirma a Fiscalização que o Impugnante admite que as empresas são suas, todavia, nas referidas reportagens não há assertiva alguma nesse sentido. Diferente disso, em uma delas consta que o Impugnante "não quis dar entrevista". 11.51. Refutase, também, de todo a fonte utilizada como prova, pois a Revista Veja é o veículo de comunicação que já condenou à forca o expresidente Luis Ignácio Lula da Silva, a Presidente Dilma Roussef, metade do Congresso Nacional, boa parte dos Governadores e Prefeitos do país, e todo e qualquer cidadão que tenha alguma tendência que não seja a extrema direita. 11.52. Ao final, devese realizar o juízo que vem sendo exercido desde o início da presente defesa, com o intuito de verificar se a "prova" colacionada serve para demonstrar (i) interesse comum, (ii) ato de gestão e (ii) conduta com excesso de poderes. Depósitos feitos pela empresa autuada ao Impugnante 11.53. Adiantese que, mais uma vez, nenhum depósito feito em favor do Impugnante foi constatado para os anoscalendários 2009 e 2010, ou seja, ainda que se tratasse de uma "evidência" portentosa, ela não poderia gerar efeitos em relação a esses períodos. 11.54. Mas não é só. Os depósitos em questão não trazem, por si, qualquer demonstração de que o Impugnante tem relação com a fraude imputada à pessoa jurídica. 11.55. Essa "prova" trazida sem qualquer contexto ou explicação é incapaz de demonstrar ato de gestão do Impugnante ou interesse comum, e muito menos a prática de atos de gestão com o dolo específico capaz de gerar responsabilização pessoa ou solidária. 11.56. Jamais se poderia falar em responsabilização do Impugnante por milhões de reais, em razão de depósitos que são ínfimos em relação à quantia exigida no auto de infração. Ausência de fundamentação da responsabilidade solidária e pessoal 11.57. O T.V.F registra que "Outros documentos que comprovam a subordinação das sócias e o vínculo com o Impugnante são os diversos emails apreendidos pela Polícia Federal na 'Operação Saqueador", e que comprovam de maneira cabal o poder de gerência, e de como este utiliza esta empresa de forma pessoal." Fl. 2628DF CARF MF 28 11.58. Como se nota, não se trata de fundamentação, mas de mera afirmação sem supedâneo algum. A Fiscalização afirma que há emails, e que estes provam algo, mas esquecese de explicar como e por quê. 11.59. Outro excerto do T.V.F consigna que "Podemos comprovar que todas as pessoas envolvidas nos emails acima que são:ADIR ASSAD, SÔNIA MARIZA BRANCO e SIBELY COELHO e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO utilizam a extensão @rstar em suas caixas de mensagem, que significa Grupo Rock Star, composto por várias empresas controladas pelo Impugnante (...)". 11.60. Impossível não notar a metodologia falaciosa utilizada pela Fiscalização para induzir o leitor a achar que algo está provado, quando efetivamente não está. 11.61. Há diversos saltos indutivos utilizados Fiscalização. 11.62. O primeiro deles é que o termo de verificação fiscal afirma que o domínio @rstar significa "Grupo Rock Star", todavia, essa assertiva não resta comprovada. Muito provavelmente, @rstar se refere à Rock Star Marketing, e não a um Grupo Econômico. 11.63. O segundo salto indutivo se verifica quando afirmado que esse suposto grupo seria composto por diversas empresas controladas pelo Impugnante. Pronto! Magicamente se chegou de um @rstar a um grupo econômico controlado pelo Impugnante. Tratase, efetivamente, de uma conclusão sem comprovação das premissas, um verdadeiro salto indutivo. 11.64. Como dito de início, não bastaria que o termo de verificação fiscal demonstrasse que o Impugnante tem algum contato com as pessoas jurídicas em questão, mas, sim, que agiu em conluio, com interesse comum, como gestor, com excesso de poderes ou contra a lei. Essas acusações seriam o centro da discussão sobre a responsabilidade solidária. Subsidiariamente, impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada 11.65. Na remota hipótese de ser mantida a responsabilização solidária do Impugnante, demonstrarseá a seguir a impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada, em homenagem ao princípio da eventualidade.! Inaplicabilidade da multa qualificada 11.66. De acordo com a Fiscalização, "há evidência nos autos deste processo de que a autuada ocultou a maior parte das suas receitas, furtando ao conhecimento do fisco a ocorrência do fato gerador do imposto" (grifos do Impugnante). 11.67. Ocorre que tal argumentação não pode ser mantida, haja vista o disposto na Súmula 14 do CARF, a qual atesta que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". 11.68. Analisando a referida súmula também é possível verificarse que a multa qualificada somente é cabível quando a Fiscalização demonstrar adequadamente o seu elemento subjetivo, qual seja, o dolo específico. Compreende o dolo dois Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.579 29 elementos: um elemento cognitivo (conhecimento do fato que constitui a ação típica sonegação, no caso) e outro volitivo (vontade de realizála). 11.69. No caso em tela, em momento algum foi demonstrado dolo específico por parte do Impugnante. Na realidade, como acima referido, a Fiscalização alegou apenas que "há evidência nos autos deste processo de que a autuada ocultou a maior parte das suas receitas". Ora, como se vê, o Fisco afirma que a empresa autuada teria agido com o intuito de ocultar suas receitas, mas em momento algum aduz que tal conduta foi tomada pelo Impugnante. Inaplicabilidade da multa agravada 11.70. Segundo o Fisco, a referida multa agravada seria devida uma vez que a empresa autuada não teria apresentado informações solicitadas durante o trâmite da fiscalização. 11.71. Ocorre que tal imputação de falta de prestação de informações não pode transcender a pessoa jurídica autuada. 11.72. Isso porque as intimações supostamente não respondidas foram encaminhadas somente à pessoa jurídica autuada. 11.73. Como se verifica da simples leitura dos seguintes trechos do termo de verificação fiscal, as intimações em questão não foram enviadas ao Impugnante, mas tão somente ao contribuinte (transcreve os itens 4.1 e 9.3.10 do T.V.F). 11.74. Na realidade, nem que as intimações tivessem sido encaminhadas ao Impugnante, ele poderia ser sujeito à multa em tela. 11.75. Não há dúvidas que somente a empresa autuada seria capaz de responder as intimações em questão, uma vez que objetivavam a apresentação de documentos que somente ela poderia possuir, tais como Livro Diário, Livro Caixa etc. 12. Ao final, o recorrente pleiteia o reconhecimento da decadência parcial dos créditos tributários e, caso assim não se entenda, no mérito, a exclusão do Impugnante do rol dos responsáveis solidários pelo débito em testilha. Protesta, ainda, pela juntada de novos documentos, em especial aqueles comprobatórios das razões pelas quais não seria cabível a exigência em questão, além da produção de quaisquer provas adicionais que se façam necessárias ao bom deslinde do feito. Conclui com pedido para que as intimações relativas ao presente processo administrativo sejam endereçadas ao Impugnante na Rua Armando Petrella, 431, torre 8, unidade 9, Jardim Panorama, São Paulo/SP. 13. Irresignado com os lançamentos, em 09/10/2014 o sujeito passivo solidário Sr. Marcello José Abbud, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1721 e 1722) a ele cientificado em 11/09/2014 (fl. 1744), apresentou impugnação às fls. 1861 a 1870, instruída com os documentos às fls. 2016 a 2018 e 2051 e 2052, na qual repisa os argumentos apresentados pelo Sr. Adir assad em relação à decadência, Fl. 2630DF CARF MF 30 inaplicabilidade das multas qualificada e agravada e acrescenta, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pelo recorrente): Da impossibilidade de responsabilização tributária 13.1. Nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, somente serão passíveis de responsabilidade dos débitos decorrentes da pessoa jurídica os diretores, gerentes ou representantes que tiverem agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. 13.2. Assim, nos termos da legislação poderão ser responsabilizados os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos ilegais dos quais tenham decorrido a cobrança tributária correspondente, tendo em vista que o sentido extraído da lei é de justamente punir quem tinha o condão de decidir ou não pelo pagamento do tributo. 13.3. Desta forma, considerando que o Impugnante nunca figurou no quadro sócios da empresa SM Terraplenagem Ltda, jamais poderia sequer ter concorrido para qualquer eventual ilegalidade relacionada ao não recolhimento do tributo, o que, de pronto, afasta a sua responsabilidade pessoal em relação aos débitos tributários ora sob comento. (transcreve julgado à fl. 1864). 13.4. Vale destacar que o Fisco não comprovou que, embora não constasse do quadro de sócios da empresa autuada, o Impugnante teria exercido quaisquer atos de gestão da mencionada empresa. 13.5. No T.V.F são reservados ao Impugnante apenas dois parágrafos (10.15.1 e 10.15.2), nos quais afirma que o Impugnante foi sócio da empresa Legend Engenheiros Associados Ltda (razão social diversa da empresa autuada) até 12/12/2007. Em outras palavras, não há qualquer prova de ingerência do Impugnante sobre a empresa autuada. 13.6. Notese que nem ao menos foi alegada tal condição por parte do Impugnante. A única alegação trazida pela Fiscalização é que o Impugnante, após sua retirada formal, seria "sócio de fato" da empresa Legend Engenheiros Associados. 13.7. É evidente a total falta de lógica do raciocínio desenvolvido pelo Fisco. Isso porque para saltar de "sócio da empresa Legend" a "responsável solidário pela empresa SM Terraplenagem Ltda", a Fiscalização apegouse ao invisível, e, como se sua criatividade fosse meio legal para a extração de conclusões de natureza jurídica, supôs que o fato de ser sócio de uma pessoa física seria suficiente para considerálo responsável solidário por outra totalmente distinta. 13.8. Por fim, deve ser enfatizado que o Impugnante, como reconhecido pelo próprio T.V.F, retirouse do quadro societário da empresa Legend em 12/12/2007, ou seja, anteriormente aos fatos geradores que deram origem à presente cobrança (2008). 14. Irresignada com os lançamentos, em 30/10/2014 a empresa arrolada como sujeito passivo solidário Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1726 e 1727) a ela cientificado em 02/10/2014 (fl. 1739), apresentou impugnação às fls. 2021 a 2038, Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.580 31 instruída com os documentos às fls. 2039 a 2047 e 2064 a 2067, na qual alega, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pela recorrente): Da equivocada e insubsistente inclusão da Impugnante no pólo passivo do auto de infração 14.1. Os pontos e razões constantes do relatório contábil não conseguem relacionar qualquer operação contábil, financeira entre as duas personalidades jurídicas. 14.2. Assim, não há como aduzir responsabilidade em razão do simples fato de que o pai das sócias supostamente teria vínculo com a empresa autuada; ora, a Impugnante foi constituída há 30 anos, “como iria blindar um patrimônio futuro de fatos futuros, só se o casal fosse vidente!” 14.3. O fato isolado de que uma outra pessoa jurídica, a Rock Star Produções, tenha pago uma conta de telefone no valor de R$ 309,39, jamais poderia justificar a sujeição passiva, posto que, imagine se as empresas autuadas pagassem conta de telefone, restaurante ou táxi de seus funcionários, eles ficariam sujeitos à responsabilidade solidária do débito da empresa ? Isto seria no mínimo um Absurdo! 14.4. Ademais, referido documento é incapaz de demonstrar qualquer evidência de relação comercial ou empresarial de interesse comum entre a Impugnante e a contribuinte autuada, o que seria insuficiente para caracterização de responsabilidade solidária de interesse comum. 14.5. Com efeito, a Impugnante não prestou qualquer serviço, venda mercantil, ou beneficiouse de qualquer espécie das operações narradas pelo auto de infração, o que torna incompatível sua inclusão no auto combatido. 14.6. Não bastasse isto a Impugnante não se beneficiou de qualquer bem, direito ou ativo em seu patrimônio, posto ter sido este constituído anteriormente, com origem completamente distinta e dissociada das atividades da contribuinte autuada. Da inexistência de relação jurídica tributária da Impugnante com o fato gerador objeto da ação fiscal 14.7. A empresa Santa Sônia, constituída há quase 30 anos, teve sua existência e constituição oriunda de patrimônio anterior constituído, sendo totalmente independente de relação comercial com a empresa fiscalizada. 14.8. Não há razão, portanto, que justifique a responsabilidade tributária; o fato isolado de o pai das sócias da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda ter sido funcionário, ou exercido suposta gerência sobre uma das empresas fiscalizadas, não apresenta base legal para extensão vertical indireta da sujeição passiva. Da insubsistência e ausência de razoabilidade na inclusão da Impugnante na condição de sujeito passivo Fl. 2632DF CARF MF 32 14.9. Todos os bens adquiridos pela empresa, constituída há quase 30 (trinta) anos, são frutos do trabalho lícito e de direitos do casal, de herança; e não de negócios das empresas referidas nos autos de infração que deram causa ao presente processo administrativo. 14.10. Ressaltase que a Impugnante é administrada de fato e de direito unicamente por suas sócias, inexistindo qualquer nexo, vínculo ou relação negocial com as empresas referidas. 14.11. O equivocado argumento de que haveria usufruto na doação das cotas pelos pais é inexistente, posto que o próprio Instrumento Contratual anexo comprova a inexistência da condição de usufruto narrado no Termo Fiscal. 14.12. O Termo de Vistoria Fiscal registra que em 20/04/2010 foi alterado o objeto social da sociedade para "incorporação de empreendimentos imobiliários e construções de edifícios"; entretanto, os fatos narrados não guardam relação com a empresa Impugnante, cujo objeto é patrimonial e sua atividade voltada única e exclusivamente para a administração de seus próprios bens. 14.13. Ademais a Impugnante, ou os pais das sócias da empresa Santa Sônia nunca figuraram como sócios da empresa autuada, não se enquadrando, portanto, como responsáveis solidários. Ilegitimidade passiva da Impugnante ao presente processo administrativo inocorrência de hipótese de responsabilidade solidária 14.14. Conforme já explanado, a sujeição passiva da sociedade Impugnante, com base no inciso I, do artigo 124 do Código Tributário Nacional, foi imposta à Impugnante sem qualquer direito de defesa ou conhecimento da realização de verificação fiscal, apenas por meio de um edital que houve seu conhecimento. 14.15. Não se aplica o disposto no art. 124, inciso I, do CTN, pois os bens imóveis de propriedade da Impugnante foram adquiridos e pagos antes da ocorrência do fato gerador, e antes da ação fiscal, além de inexistir vínculo entre as empresas e a Impugnante, não podendo se falar em "interesse comum". 14.16. Portanto, a simples presunção de que o exsócio da Impugnante teria suposto interesse nas operações realizadas pela empresa que sofreu fiscalização são insuficientes para sua validade, quais sejam: a prática direta ou em conjunto com o sujeito passivo, e o mesmo intuito na realização do fato gerador, o que incorreu. 14.17. Com efeito, o relatório fiscal traz como fundamento para caracterização da sujeição passiva o pagamento de uma conta telefônica, ou fatos e matérias jornalísticas falaciosas, que nada se relacionam com o real histórico da Impugnante. Da inexistência de relação jurídica entre a Impugnante e a contribuinte autuada 14.18. A condição de sujeito passivo da obrigação principal, não na qualidade de contribuinte, mas de terceiro responsável, não se configura no caso, pois a obrigação imposta não decorre expressamente de um dispositivo de lei, bem como não demonstrado e não produzido prova necessária à sua condição, e para Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.581 33 caracterização do elemento solidariedade há de ser demonstrada a concorrência para se sujeitar a dívida. 14.19. No caso presente nenhuma das hipóteses se configurou, nem a da lei, nem a da vontade, devendo portanto, ser excluída a Impugnante na qualidade de responsável solidária do auto de infração em tela. Questão de Ordem Pública Ilegalidade das provas colhidas inexistência de intimação no processo administrativo 14.20. A ação fiscal se baseou em documentos e informações colhidas por meios ilegítimos, da qual não teve ciência a Impugnante, bem como todo o processo administrativo afrontou os princípios constitucionais consignados no disposto artigo 5º, Inciso LV, da CF. Do posicionamento jurisprudencial acerca do tema 14.21. A Jurisprudência é pacífica no sentido de restrição da solidariedade tributária quando não comprovado o interesse comum ou a inexistência de participação da pessoa jurídica nas atividades da contribuinte autuada. (transcreve julgados às fls. 2034 e 2035). 14.22. In casu, faz se necessária a revisão do procedimento fiscal, para que a autoridade fiscal demonstre e motive de forma cabal e necessária o seu relatório fiscal, permitindo que a Impugnante exerça seu direito de defesa no processo administrativo, o que não ocorreu. Da ocorrência da decadência 14.23. Da ocorrência do fato gerador no período de 2008, constante do auto de infração, que consigna valores a título de IRPJ e seus reflexos, já se passaram mais de 5 anos até a data do lançamento, e tratandose de lançamento por homologação, temse que o crédito tributário encontrase definitivamente extinto em função da homologação tácita, nos exatos termos do parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. 15. Ao final, a defendente requer sua exclusão da responsabilidade solidária, que seja reconhecida a nulidade do processo administrativo em razão da inocorrência de intimação para exercício de pleno direito de defesa e afronta aos princípios constitucionais, e que seja reconhecida a decadência parcial do crédito tributário referente ao fato gerador ano base 2008. Analisando o teor da acusação em confronto aos argumentos de defesa a Delegacia de Julgamento proferiu decisão no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo a autuação e as sujeições passivas solidárias em todos os seus termos. Cientificados da decisão da DRJ, os seguintes impugnantes apresentaram recurso voluntário: Fl. 2634DF CARF MF 34 SM TERRAPLANAGEM fls. 2284 Apresenta as seguintes alegações: Estão em negrito as alegações identicas às da impugnação sem qualquer dialeticidade com o acórdão da impugnação DECADÊNCIA: Em relação ao anocalendário 2008 que por qualquer das regras de contagem da decadência estariam prescritos os débitos relativos ao ano de 2008 DECADÊNCIA: Em relação aos débitos de 2009 que estariam decaídos pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN e que não se aplicaria o art. 173, I, do CTN NULIDADES: Incorreta identificação do sujeito passivo. Que a empresa não seria a titular dos valores depositados, mas sim outros tratados no TVF como sócios de fato, laranjas, terceiros, etc. Alega que se os valores pertenceriam a terceiros então não poderiam ser atribuídos à empresa. NULIDADES: Falta de Intimação dos titulares das contas de depósito. Alega que a inexistência de intimação ao titular da conta bancária eiva de nulidade a autuação. NULIDADES: Erro na identificação da base de cálculo. Alega que como demonstrado os valores depositados não seriam da empresa, então a eleição do lucro arbitrado como base para a tributação do IRPJ e CSLL é inaplicável. NULIDADES: Erro na identificação da alíquota aplicável. Aduz os mesmos argumentos do item precedente. NULIDADES: Erro na identificação da matéria tributável. Alega, novamente que se a empresa é de fachada não pode auferir renda ou receitas tributáveis. NULIDADES: inconsistência lógica do auto de infração. Resume todas as alegações acima neste última para pleitear pela nulidade completa do auto. MÉRITO Indevido uso de informações bancárias sem autorização judicial. Alega que a inexistência de autorização judicial impede a utilização dos extratos bancários como prova e base de cálculo dos lançamentos. Alega que a expedição da RMF não foi precedida de intimação ao contribuinte e que não havia relatório para basear esta expedição. Alega que foi declarada pelo STF a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela Receita Federal e que, assim, poderia discutir em processo administrativo tal inconstitucionalidade. Alega inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001 por conflitar com os direitos e garantias individuais. Violação ao art. 145, § 1º, da CF/88 pelo art. 6º, d a Lei Complementar nº 105/2001. Nulidade pelo lançamento fundamentado em provas ilícitas. MÉRITO Incorreta aplicação da presunção Necessidade de desconsideração das transferências entre contas do mesmo titular. Alega que a autoridade diz que outras empresas do mesmo grupo também são de fachada, mas não cuidou de excluir as transferências entre estas empresas e a recorrente. MÉRITO Necessidade de exclusão dos valores já tributados da autuação. Alega que devem ser excluídas da autuação os débitos já confessados em DCTF. Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.582 35 DAS MULTAS Descabimento de aplicação da multa de ofício qualificada e majorada. Que não foi comprovado o evidente intuito de fraude. Alega que a qualificação da utilização de laranjas somente foi feita para tentar qualificar a autuação. Ausência de embaraço à fiscalização. LUIS ROBERTO SATRIANI fls. 2239 em diante Recurso Voluntário idêntico à impugnação SONIA MARIZA BRANCO, SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, FOUR'S EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA fls. 2340 Recurso Voluntário idêntico à Impugnação Estes sujeitos passivos apresentaram recursos voluntários idênticos nos quais são aduzidas alegações relativas à: decadência e nulidades de forma semelhante à recorrente SM TERRAPLANAGEM; Ausência de responsabilidade solidária ou pessoal. Inaplicabilidade das normas de responsabilização por falta de comprovação da participação dos recorrentes. Impossibilidade de responsabilização pela qualificação, agravamento e embaraço. MARCELLO JOSÉ ABBUD fls. 2391 Recurso Voluntário idêntico à Impugnação Suas alegações são: decadência; impossibilidade de responsabilização solidária; impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada; ADIR ASSAD fls. 2404 Recurso Voluntário idêntico à Impugnação Suas alegações são: decadência; impossibilidade de responsabilização solidária; inexistência de atos praticados em 2009 e 2010; as provas não vinculam o requerente à autuada; inexistência de prova da responsabilidade solidária; ausência de fundamentação legal da responsabilidade solidária e pessoal; impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada. SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA fls. 2431 Em relação a este recorrente o recurso e a impugnação tem conteúdo idêntico. Apenas neste caso, ao contrário dos demais recorrentes, este realizou adaptações no seu recuso alterando a ordem de apresentação das alegações. Ocorre, no entanto, que o conteúdo é exatamente o mesmo. Por esta razão devem se aplicar as mesmas razões acima para se reproduzir integralmente o decidido pela DRJ. Fl. 2636DF CARF MF 36 Alega que não subsiste a sua responsabilização ante a ausência de provas ; decadência; ausência de razoabilidade para responsabilização solidária; inexistência de relação jurídica entre o recorrente e a autuada; a solidariedade não pode ser presumida; É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Para a realização da análise do presente recurso voluntário, devemos iniciar com a apresentação do conteúdo material apresentado nas peças recursais. Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.583 37 Compulsando o teor do apresentado na impugnação e no recurso voluntário constatamos que os recursos apresentados pelos recorrentes reproduzem todo o conteúdo apresentado em suas impugnações. Nenhum argumento novo foi apresentado à colação em contraponto ao que foi decidido pela Delegacia de Julgamento. Ou seja, os recursos não estabeleceram nenhum tipo de diálogo ou contraponto aos argumentos da Delegacia de Julgamento na parte em que manteve integralmente a autuação e as responsabilizações solidárias. Ora, em sede de análise de recurso voluntário, este CARF deve fazer uma revisão do que foi decidido pelas Delegacia de Julgamento a fim de verificar se os argumentos e fundamentos utilizados na manutenção das autuações foram suficientes e se coadunaram com os fatos apresentados pela acusação fiscal. Assim, os recursos devem apresentar não os mesmos fatos apresentados na impugnação. O Recurso Voluntário, como segunda instância de julgamento do processo administrativo, tem o condão de se contrapor aos fundamentos e argumentos da decisão que não compartilharam com os elementos da impugnação. Ao não apresentar nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentar os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Fl. 2638DF CARF MF 38 Interessante notar que no presente caso poderiam ser apresentados diversos argumentos contra a decisão de Piso, no entanto, os recorrentes não cuidaram de atentar a estes detalhes. Ora, se os próprios interessados não se apresentam para discutir a decisão atacada não cabe a este CARF suprir o munus processual destes. Por estas razões e concordando com os termos e as conclusões apresentadas pela Decisão de Piso, entendo que a mesma deve ser mantida na íntegra e, assim, em cumprimento ao disposto no art. 57, § 3º do RICARF, transcrevo, abaixo, a íntegra da decisão de Piso. PRELIMINARES I Nulidade do Lançamento. 16. Preliminarmente, cabe ressaltar que é improcedente a preliminar de nulidade do lançamento fiscal arguida pela impugnante, porquanto assim estatuem os artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 17. Do exame do dispositivo supra extraise que, no tocante ao lançamento, só pode haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente (inciso I), uma vez que a hipótese do inciso II do mesmo artigo, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. 18. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 19. Não se evidencia nos autos a ocorrência de quaisquer das hipóteses mencionadas, tendo em vista que a descrição dos fatos é clara e precisa, não comportando qualquer dúvida quanto aos fatos imputados, bastando ler os históricos, os enquadramentos legais e os demonstrativos de apuração dos AI lavrados, para se ter presente as circunstâncias que envolveram o lançamento. 20. No contraditório apresentado a autuada pugna que ocorreu erro na correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária configurada no AI, com repercussões em erros na identificação da base de cálculo, matéria tributável e aspecto temporal do fato gerador, bem como na identificação da alíquota. 21. Neste tópico, e ainda como se verá nos detalhes da análise do mérito da autuação, a argumentação não se sustenta, porquanto não há como aplicar à autuação o art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/1996, como ela argumenta. 22. Portanto, não houve, enfatizese, qualquer cerceamento de defesa da interessada, e não há como prosperar a veiculada tese de nulidade, uma vez que o auto de infração foi lavrado por Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.584 39 pessoa competente e está perfeito do ponto de vista formal, consoante as disposições legais do artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972, e lavrado em conformidade com o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN). II – Quebra do sigilo bancário e das garantias constitucionais. 23. No tocante à premissa levantada pela litigante de violação de seu sigilo bancário, quando da obtenção dos dados utilizados na consecução do lançamento ora questionado, por ter sido efetuado sem a devida autorização judicial, há que se proceder ao exame de alguns dos artigos da Lei Complementar n.º 105, de 10 de janeiro de 2001. 24. A Lei Complementar n.º 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências, introduziu significativas modificações no instituto do sigilo bancário em relação a sua anterior disciplina, conferido pelo artigo 38 da Lei n.º 4.595, de 31 de dezembro de 1964, ora revogado. 25. Para facilitar o exame da matéria, serão reproduzidos, a seguir, alguns dispositivos da Lei Complementar supra mencionada que dizem respeito ao fornecimento de informações à administração tributária da União, mais precisamente à Secretaria da Receita Federal, atual Secretaria da Receita Federal do Brasil, senão vejamos: Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei n.º 9.311, de 24 de outubro de 1996; (...) VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar (...) Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. § 1o Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV – resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive de poupança; Fl. 2640DF CARF MF 40 V – contratos de mútuo; VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito; VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável; VIII – aplicações em fundos de investimentos; IX – aquisições de moeda estrangeira; X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional; XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior; XII – operações com ouro, ativo financeiro; XIII operações com cartão de crédito; XIV operações de arrendamento mercantil; e XV – quaisquer outras operações de natureza semelhante que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente. § 2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringir seão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...). § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.585 41 Art. 8º O cumprimento das exigências e formalidades previstas nos artigos 4º, 6º e 7º, será expressamente declarado pelas autoridades competentes nas solicitações dirigidas ao Banco Central do Brasil, à Comissão de Valores Mobiliários ou às instituições financeiras. (...) Art. 10. A quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente as informações requeridas nos termos desta Lei Complementar. Art. 11. O servidor público que utilizar ou viabilizar a utilização de qualquer informação obtida em decorrência da quebra de sigilo de que trata esta Lei Complementar responde pessoal e diretamente pelos danos decorrentes, sem prejuízo da responsabilidade objetiva da entidade pública, quando comprovado que o servidor agiu de acordo com orientação oficial. (grifos acrescidos) 26. Pela análise dos dispositivos transcritos, verificase que o artigo 1º, § 3º, reconhecendo a prevalência do interesse público e social sobre o interesse privado ou individual, excepciona, expressamente, da regra do sigilo bancário, os casos em que o fornecimento de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo. 27. Assim, assegura a aludida Lei Complementar, no seu artigo 1º, § 3º, inciso III, que o fornecimento de informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelas instituições financeiras, ou equiparadas, referentes à extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), necessárias à identificação dos contribuintes e dos valores das respectivas operações, nos termos do artigo 11, § 2º, da Lei n.º 9.311, de 24 de outubro de 1996, com redação dada pela Lei n.º 10.174/2001, não constitui violação do dever de sigilo bancário. 28. No mesmo sentido, prescreve a citada Lei, no seu artigo 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. 29. Temse que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, em face do disposto no parágrafo único do artigo 142 do CTN. Concomitantemente, a legislação retro transcrita excepciona o acesso às informações utilizadas pelo autuante, quando da lavratura dos autos de infração, à figura de quebra de sigilo bancário. 30. Portanto, se não houve, por todo o exposto, a quebra, mas a simples transferência à Secretaria da Receita Federal do Brasil e seus servidores do dever de preservar, sigilosamente, os dados financeiros da peticionária, não há que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. Fl. 2642DF CARF MF 42 31. Levandose em conta, por fim, que todas as determinações, precauções e garantias exigidas pela aludida Lei Complementar n.º 105/2001, com o intuito de garantir a mais perfeita inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários do defendente foram, e estão sendo adotadas, no curso do presente procedimento, há que se considerar a exigência realizada pela Fazenda Pública como perfeitamente lícita e respaldada na lei. 32. Salientese que a Administração Pública está sujeita à observância estrita do princípio constitucional da legalidade, previsto no artigo 37, caput, de nossa Carta Magna, cabendo a ela, simplesmente aplicar as leis de ofício. Ou seja, deve tãosomente obedecêlas, cumprilas, ou ainda, pôlas em prática. 33. Asseverese, e ainda como restará esclarecido nas questões de mérito, que a requisição de extratos bancários às instituições financeiras foi precedida da solicitação dos mesmos à contribuinte, com inteira observância das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal (PAF), no que particularmente se relaciona à forma e prazo para atendimento. 34. Quanto à alegação de que a LC nº 105/2001 não é compatível com a Constituição Federal/1988, é preciso delimitar a competência deste colegiado administrativo, ressaltando também o caráter vinculado da atividade fiscal. É o administrador um mero executor de Leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade e aplicabilidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de Leis é privativa do Poder Judiciário. Neste sentido, vejase o que dispõe o artigo 26 A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (grifos acrescidos) Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.586 43 35. Sobre este princípio vale transcrever as palavras do mestre Helly Lopes Meirelles: “O agente público fica inteiramente preso ao enunciado da Lei, em todas as suas especificações... a liberdade de ação do administrador é mínima, pois terá que se ater à enumeração minuciosa do Direito Positivo” (Meirelles, Helly Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 19ª edição, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1994, pág. 101). 36. Asseverase, ainda, o disposto no artigo 7º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 58, de 17 de março de 2006: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. 37. O artigo 116, inciso III, da Lei nº 8.112/1990 diz que é dever do servidor observar as normas legais e regulamentares. Neste contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade, como por exemplo, o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade, da vedação constitucional ao confisco em matéria tributária, do princípio da capacidade contributiva, eqüidade, do princípio da individualização da pena, do princípio da legalidade tributária, da irretroatividade da lei tributária, moralidade, conceito de renda, isonomia, do princípio da propriedade, da nãorepetição da sanção tributária e, por fim, da limitação constitucional ao poder de tributar. 38. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado ou em controle difuso, neste último caso desde que haja Resolução do Senado Federal retirando a norma inconstitucional do ordenamento jurídico. III – Juntada de documentos. 39. Protestam por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. 40. Sobre este pedido cabe examinar o que dispõem os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos Fl. 2644DF CARF MF 44 referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (...) (grifos acrescidos) 41. A prova documental, conforme se lê no caput do artigo 15 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser apresentada juntamente com a impugnação, a menos que fique demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses elencadas no § 4º do artigo 16. A verificação da ocorrência de uma destas hipóteses somente é possível com o exame do caso concreto, a saber: a juntada intempestiva de documentos nos termos do § 5º do mesmo artigo 16. Assim, não cabe a este órgão julgador se manifestar, acolhendo ou indeferindo juntada de documentos que ainda não ocorreu. Acrescentese, como se verá na análise do mérito da autuação, que o conjunto probatório acostado aos autos é suficiente para a elucidação de todas as questões suscitadas pelos recorrentes. Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.587 45 MÉRITO 42. Pugna a empresa autuada que em relação ao anocalendário 2008 é evidente a decadência, seja em função do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, ou até mesmo do artigo 173, inciso I, do CTN. Esclarece que se contada a decadência pelo artigo 150, § 4º (cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador), os fatos geradores somente poderiam ser objeto de lançamento de ofício até o fim de 2013. Acrescenta que se considerada a decadência segundo o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, o termo inicial da decadência passa a ser o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", ou seja, 1º de janeiro de 2009, o que implicaria em termo final da decadência em 1º de janeiro de 2014, o que igualmente decretaria a decadência dos créditos tributários em razão de o AI ter sido lavrado em 04/09/2014. 43. No que tange ao anocalendário 2009, assevera que o Fisco, de acordo com o artigo 150, § 4º, do CTN, somente poderia constituir créditos tributários relativos aos fatos jurídicos ocorridos até 5 anos antes, ou seja, a partir de 04/09/2009. Pugna pela inaplicabilidade da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado, em razão de o referido dispositivo somente ser aplicável nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento do tributo, ou agiu de forma fraudulenta. Acrescenta que no presente caso houve pagamento antecipado dos tributos federais incidentes no período fiscalizado, e não há que se falar de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, como será cabalmente demonstrado em tópico posterior. 44. Inicialmente, cabe ressaltar que a partir da edição da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, o IRPJ passou a ser devido, mensalmente, regra essa mantida pela Lei nº 8.541, de 23/12/1992. Mencionada periodicidade sofreu alterações a partir da Lei nº 9.430/1996, a qual passou a ser trimestral. Vale transcrever o disposto no art. 38, § 1º, daquela lei: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. 45. Tal disposição legal reforça a convicção de que a partir do anocalendário de 1992, o lançamento do imposto de renda é por homologação, entendimento esse manifestado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes em inúmeros acórdãos proferidos por suas diferentes câmaras. 46. A modalidade de lançamento denominada por homologação tem, no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), regra específica de contagem do prazo decadencial, a saber: Art. 150 – O lançamento por homologação que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.. (...) Fl. 2646DF CARF MF 46 § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 47. Em se tratando de exigência de tributo submetido ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, em ocorrendo pagamento do tributo. 48. No caso concreto, em razão de o lançamento ter sido conduzido de ofício, não há o que se homologar, aplicandose a regra geral da decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, a seguir transcrito, devendo, neste caso, ser considerado como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) 49. Nesse mesmo sentido, vai firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Recurso especial improvido.”(Resp 183.603/SP, Min. Eliana Calmon, DJ 13.08.2001, p. 88)(grifos acrescidos) 50. A doutrina corrobora com o entendimento da aplicação do art.173, inciso I, do CTN, nas hipóteses de lançamento de ofício motivado por omissão: O crédito extinguese, nos termos do art.156, VII, do CTN, ocorrida a homologação expressa, ou decorrido o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. No caso de dolo, fraude ou simulação e no caso de omissão comprovada, tendo o Fisco, então, cinco anos para procedêlo, conforme o art.173 do CTN, a contar do primeiro dia do exercício seguinte às respectivas ocorrências” (Tércio Sampaio Ferraz Júnior, sobre a Decadência do Crédito Tributário, em Revista de Direito Tributário nº 71), extraído do Livro de autoria de Leandro Paulsen – Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Fl. 2647DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.588 47 Luz da Doutrina e da Jurisprudência, pág.504, 2ª edição, ano 2000. 51. Cabe esclarecer que o termo exercício, a qual se refere o art.173, inciso I, do CTN, diz respeito ao exercício financeiro, expressão esta citada no art.9º, II, do referido código (Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda;) e em inúmeros dispositivos da Constituição da República, entre eles o art. 150, III, “b” (trata das limitações ao poder de tributar). Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III cobrar tributos: b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;(grifos acrescidos) 52. Já o art. 34 da Lei nº 4.320, de 17/03/1964 (Lei de Normas Gerais de Direito Financeiro) dispõe que o exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. 53. Dessa forma, a contagem de prazos decadenciais do art.173, I, do CTN diz respeito ao ano calendário (anocivil) e não a períodos de apuração, os quais podem ser mensurados por mês, trimestres ou outra forma, de acordo com a legislação de cada tributo ou contribuição. 54. Nesta situação, o anocalendário 2009 corresponde ao exercício em que poderia ser efetuado o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. Iniciando se a contagem do prazo quinquenal no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, no ano calendário 2010, o direito do Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento expirarseia em 31/12/2014. 55. Portanto, não cabe a alegação da contribuinte a respeito da decadência do lançamento tributário, uma vez que o ato administrativo, pelo qual tomou ciência em 23/09/2014, foi efetuado dentro do prazo previsto na legislação, qual seja, 5 anos a contar do ano seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, totalmente afastada a hipótese de decadência do presente lançamento tributário. 56. Esclareçase, no que se relaciona à aplicação da multa qualificada (150,00%) nos lançamentos ora discutidos, que o procedimento reforça a aplicação do art. 173, inciso I, do RIR/1999, como se verá nas questões de mérito. 57. No que diz respeito ao contraditório apresentado sujeito passivo solidário Sr. Adir Assad e pela Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, improcedente a alegação de que teria ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores apurados no anocalendário 2008, pelas mesmas razões acima expostas. Fl. 2648DF CARF MF 48 58. No que concerne ao contraditório apresentado pelos sujeitos passivos solidários Luis Roberto Satriani, Sônia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago e Fours´s Empreendimentos Imobiliários, são cabíveis as mesmas observações acima. OMISSÃO DE RECEITA – LUCRO ARBITRADO 59. Em relação ao cerne do presente litígio, para se apreciar o cabimento ou não dos lançamentos decorrentes de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e de omissão de receitas da atividade (apurada com base em valores informados em DCTF), devese verificar com atenção o que ocorreu durante o procedimento fiscal. INSTRUÇÃO PROCESSUAL 60. De plano, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1605 a 1694), documento que descreve a autuação que se examina, registra que a fiscalizada tinha como razão social na data de sua constituição (22/08/2005) “Legend Assessoria e Consultoria de Planejamento Estratégico de Marketing Ltda”, e objeto social “atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários”, que foi alterada em 04/09/2006 para S.M. Terraplenagem Ltda, com objeto social “construção de ferrovias, obras de terraplenagem, aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes”, conforme Ficha Cadastral na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp – fls. 1128 a 1130). 61. O Cadastro CNPJ da RFB registra que a empresa possui, desde 13/01/2009, endereço à Rua Alberto Frediani nº 107, Santana do Parnaíba/SP, estando anteriormente localizada à Avenida Ceci nº 1542, Planalto Paulista, São Paulo/SP. Encontrase Baixada de Ofício desde 21/05/2014, com efeitos a partir de 01/01/2008 (fl. 2105), e na condição de Inapta desde 14/04/2011, por localização desconhecida, conforme processamento do sistema CNPJ realizado em 12/09/2011 (fls. 2102 a 2106). 62. A administração da sociedade, segundo discrimina a 5ª Alteração Contratual, de 10/03/2009 (fls. 44 a 46), é exercida pelas sócias Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago. O Sr. Luis Roberto Satriani atuou como sócio e administrador, assinando pela empresa, no período de 15/08/2007 a 10/03/2009 (Jucesp – fls. 1128 a 1130). 63. A contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 6 e 7 – ciência em 18/12/2010), a apresentar em 20 (vinte) dias, relativamente ao Anocalendário 2008, Atos Constitutivos da Sociedade, Livros Comerciais e Fiscais, Contabilidade em Meio Magnético, Extratos Bancários e Planilhas em Excell com reprodução da movimentação Bancária. 64. Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (fl. 9) foi exarado para cientificar a interessada da continuidade do procedimento fiscal. Em razão do retorno do Aviso de Recebimento (fl. 10), emitiuse Edital (fl. 11) com data de afixação em 15/03/2011, tendo em vista que foram infrutíferas as três tentativas de entrega. 65. Tendo em vista o exposto e considerando que as retrocitadas sócias constam igualmente no sistema CNPJ da RFB na condição de administradoras (fl. 2106), foram enviados Termos de Intimação Fiscal para os respectivos domicílios tributários (fls. 18 e 20). O Termo pertinente à Sra. Sônia Mariza Branco retornou ao remetente (fl. 19), sendo o referente à Sra. Sandra Maria Branco Malago entregue em 02/06/2011 (fl. 21). Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.589 49 66. Termo de Intimação foi lavrado (fl. 12 – ciência por Edital afixado em 12/04/2011) para intimar a empresa a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias (anocalendário 2008), conforme relação em anexo (fl. 13 a 16). Acrescentouse que a não comprovação da origem ensejaria o lançamento de ofício a título de omissão de receita, nos termos do art. 849 do RIR/1999. Em razão da não manifestação da contribuinte, emitiuse Termos de Reintimação (fl. 22 – ciência por via postal em 11/07/2011 – e fl. 28 – ciência por Edital afixado em 30/08/2011, sendo este igualmente cientificado ao Procurador Sr. José de Oliveira (fl. 34) em 22/09/2011, conforme Procuração da Sra. Sandra Maria Branco Malago – fl. 39). Após solicitação de prazo adicional, em 28/10/2014, pela Sra. Sandra Maria Branco Malago (fl. 42), a fiscalizada foi reintimada (fl. 47), com ciência por Edital afixado em 18/10/2011 (fl. 52), tendo em vista sua condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB. Em 05/12/2011, em petição assinada por Procurador (fl. 53), conforme Procuração assinada pela Sra. Sandra Maria Branco Malago (fl. 54), a autuada assim se expressou: (...) O Contribuinte vem, manifestar que apesar de ter contratado escritório de contabilidade desde a constituição da empresa para realizar o controle contábil para cumprir todas as obrigações acessórias necessárias, realizando o controle das suas saídas e entradas, declara que não possui qualquer livro que comprove a sua movimentação até para defender o que não seria receita e apenas uma movimentação bancária. Por fim, declara que a ocasião de não ter respondido a intimação fiscal não foi embaraço, mas sim a impossibilidade de responder com documentos hábeis. (...)(grifos acrescidos) 67. Termo de Intimação foi exarado (fl. 60 – ciência por Edital afixado em 15/12/2011, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para intimar a empresa a apresentar Livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou Livro Caixa, com escrituração completa de sua movimentação financeira, bem como Bens e Direitos do Patrimônio sujeitos a Registro Público. Ressaltouse que a não apresentação dos Livros e documentos, que são necessários para a opção pelo Lucro Presumido (regime tributário adotado pela contribuinte em sua DIPJ), implicaria no lançamento pelo regime do Lucro Arbitrado. Acrescentouse solicitação para informar a natureza e origem dos valores relacionados no Anexo (fls. 61 a 64 – anocalendário 2008), depositados nas contascorrente e de investimentos, com documentação hábil e idônea, em termos de datas e valores. Esclareceuse que a comprovação de origem compreende a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu o valor, de modo que possibilite à fiscalização apurar se a natureza da transação é tributável ou não. Acrescentouse informação de que a fiscalização excluiu dos valores listados os estornos de débitos, créditos originados de resgates de investimentos efetuados em contacorrente, créditos que representam contrapartida meramente contábil de débitos em contacorrente, e transferências entre contascorrentes de titularidade do sujeito passivo, que assim puderam ser identificadas. Finalizouse com esclarecimento de que caberia à fiscalizada apontar, de forma justificada, outros créditos dessa natureza porventura não excluídos, e alertouse o sujeito passivo que a não comprovação da origem dos valores Fl. 2650DF CARF MF 50 creditados, na forma e prazo estabelecidos, caracterizaria a omissão de receitas ou rendimentos, nos termos do art. 849 do RIR/1999. 68. Termo de Constatação e Intimação Fiscal foi lavrado (fls. 66 e 67 – ciência por Edital afixado em 09/02/2012, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para, inicialmente, registrar que nenhum esclarecimento ou documento foi juntado aos autos, e para reintimála, nos mesmoS termos do T.I.F anterior, a apresentálos. 69. Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal foram lavrados (fls. 73, 75, 77 e 79) e cientificados à interessada consoante Editais afixados em 05/04/2012 (fl. 74), 01/06/2012 (fl. 76), 31/07/2012 (fl. 78) e 25/09/2012 (fl. 80). 70. Termo de Intimação Fiscal nº 1 foi emitido (fls. 121 e 122 – ciência por Edital afixado em 22/11/2012, tendo em vista sua condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para reintimá la em relação ao anocalendário 2008, e para intimála no que concerne aos anoscalendário 2009 e 2010, a disponibilizar Contrato constitutivo e Alterações, Livro Diário, Livro Caixa, Livros Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias, Livro Registro de Apuração do ICMS, Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou Serviços, Procuração, Arquivos Digitais de Notas Fiscais de Entrada e Saída, e Extratos Bancários. 71. Registra o autuante, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1610), que em 07/03/2013 o Sr. Adalberto Palhinha Martins compareceu à unidade de fiscalização, sem apresentar Procuração e com alegação de ser o contador da contribuinte, tendo informado verbalmente que a empresa não possuía os documentos solicitados, inclusive Livro Contábeis e Fiscais, o que comprovou, conforme enfatiza a fiscalização, a informação já retrotranscrita acima, prestada pelo Procurador Sr. Bruno Soares Alvarenga. 72. Em razão de a contribuinte não ter entregue a documentação, expediuse Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira (RMF), nos termos do Decreto nº 3.724, de 10/01/2001, e tendo em vista que as Instituições Financeiras informaram, por meio de Declaração de Informações Sobre Movimentação Financeira (Dimof), movimentação financeira de R$ 32.224.080,69, R$ 53.832.567,00 e R$ 71.763.437,00, respectivamente para os anoscalendário 2008, 2009 e 2010, tendo a fiscalizada declarado, em suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), receita de R$ 293.863,32, R$ 30.908.168,00 e R$ 50.187.965,60, respectivamente, para os mencionados anoscalendário. Os documentos produzidos no curso desta fase do procedimento fiscal encontramse às fls. 81 a 100, e 160 a 181. 73. Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal foram lavrados e cientificados à interessada consoante Editais afixados em 15/01/2013 (fl. 130) e 07/03/2013 (fl. 132). 74. Termo de Constatação e Reintimação Fiscal foi lavrado (fls. 133 a 135 – ciência por Edital afixado em 29/04/2013, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para, inicialmente, constatar que a recorrente foi intimada em razão de inúmeros Termos cientificados no período de dezembro/2010 a março/2013, não tendo a contribuinte se pronunciado a respeito, nem acostado documentos aos autos. Acrescentouse reintimação, para cumprimento em 20 dias, esclarecendoa que o não atendimento, no prazo marcado, para apresentar as informações requeridas a sujeitaria, no caso de lançamento de ofício, ao agravamento em 50% da multa a que se refere o art. 44, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, bem como em relação à multa por descumprimento de obrigações acessórias (não apresentação de documentos no prazo solicitado). Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.590 51 75. Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal foi lavrado e cientificado à interessada, consoante Edital afixado em 20/06/2013 (fl. 159). 76. Em decorrência dos documentos enviados pelas instituições financeiras, emitiuse o Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fls. 182 e 183 – ciência por Edital afixado em 30/07/2013, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB), para intimar a requerente a comprovar, em 20 dias, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, o créditos bancários constantes às fls. 184 a 206, pertinentes aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. Termo de Reintimação e Intimação de Procedimento Fiscal foi exarado (fls. 208 a 210 – ciência por Edital afixado em 10/09/2013, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para reintimála, enfatizandose a questão do agravamento da multa. Acrescentouse intimação para que a empresa apresentasse esclarecimentos acerca da não existência, na base de dados da RFB, de qualquer recolhimento de contribuição previdenciária ou informação, desde a sua constituição, de movimentação de segurados através da entrega das GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). Em continuidade, assinalouse que seu objeto social condigna "construção de rodovias e ferrovias, obras de terraplenagem e aluguel de máquinas e equipamentos para a construção sem operador, exceto andaimes", cabendo à interessada apresentar documentação pertinente ao uso das máquinas e equipamentos. Finalizouse com solicitação para apresentação de todas as Notas Fiscais e Contratos de Prestação de Serviços. 77. Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal foram lavrados (fls. 212, 214, 216 e 218) e cientificados à interessada consoante Editais afixados em 31/10/2013 (fl. 213), 19/12/2013 (fl. 215), 04/03/2014 (fl. 217) e 30/04/2014 (fl. 219). 78. Registra o autuante, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1614) que em 01/10/2013 a Polícia Federal deflagrou operação baseada nas investigações primárias da “CPMI do Cachoeira”, denominada "Operação Saqueador", com busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud em São Paulo, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP. As empresas estão registradas em nome de interpostas pessoas, todas com vínculos profissionais e pessoais com os retrocitados cidadãos. 79. A decisão do MM. Juiz Federal Substituto da 7ª Vara Federal Criminal da Capital/RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, de 17/09/2013 (fls. 137 a 156), autorizou a busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud em São Paulo, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP, assim como, em seu item 8, o compartilhamento dos dados obtidos na investigação com a RFB (cópia da Decisão às fls. 101 a 120). 80. Em 27/11/2013 a Polícia Federal entregou à RFB CD com toda a documentação apreendida no cumprimento do mandado de busca e apreensão (fl. 157). Dentre a documentação constavam Notas Fiscais emitidas pela contribuinte, de prestação de serviços (anoscalendário 2008 a 2010) – Anexo 2 (listagem às fls. 1095 a 1103). 81. Em 12/05/2014 compareceu à DRFB Barueri/SP o Sr. Adalberto Palhinha Martins, contador da contribuinte, que mesmo não possuindo Procuração, informou que "a empresa e o Sr ADIR ASSAD não poderiam atender a fiscalização devido ao fato de todos os documentos terem sido apreendidos pela Polícia Federal no seu escritório, e que a mesma estaria de posse desta documentação até a presente data". 82. Enfatiza a fiscalização que entre a ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal (18/12/2010) até a apreensão dos documentos passaramse 1.018 dias sem que a empresa Fl. 2652DF CARF MF 52 apresentasse os Livros Contábeis e Fiscais. Acrescenta que o próprio contador já havia comunicado à fiscalização a inexistência dos Livros. Esclarece que dentre os documentos apreendidos não havia qualquer Livro Contábil ou Fiscal. DA EMPRESA INEXISTENTE DE FATO E DAS NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS 83. Conforme já asseverado, dentre a documentação apreendida pela Polícia Federal e compartilhada com a fiscalização, constavam Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas pela fiscalizada, constantes do Anexo 2 (Notas Fiscais SM Polícia Federal – fls. 1095 a 1103). 84. A partir das informações coletadas nos documentos apreendidos pela Polícia Federal (Notas Fiscais) foram abertas diligências em 7 (sete) empresas que supostamente tomaram serviços da S.M. TerraplenagemEPP, com solicitação de apresentação de Notas Fiscais (os documentos fiscais apresentados pelas diligenciadas encontramse listados no Anexo 1 (fls. 1092 a 1094). Conforme citado, além das Notas Fiscais apresentadas pelos tomadores de serviços, outras empresas também tomaram serviços da SM, consoante Notas Fiscais apreendidas pela Polícia Federal e listadas no Anexo 2. Entretanto, apurou a fiscalização que as Notas Fiscais apresentadas pelos tomadores de serviços são distintas das Notas Fiscais apreendidas pela Polícia Federal. 85. Em razão do levantamento efetuado, as Notas Fiscais emitidas pela S.M. Terraplenagem EPP foram consideradas inidôneas, pois foram emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato e de direito apesar de constituída formalmente , declarada Inapta no sistema CNPJ, extinta ou baixada no órgão competente, não produzindo quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros, conforme dispõe o artigo 82 da Lei nº 9.430/1996. 86. Em razão da condição cadastral de Inapta desde o dia 14/04/2011 (cópia da tela do sistema CNPJ às fls. 2102 a 2106 e Ato Declaratório Executivo nº 12, de 08/09/2011 – fls. 237/238), com o motivo “Localização Desconhecida”, realizouse nova diligência, em 02/10/2012, ao local identificado como sendo o domicilio tributário do sujeito passivo nos sistemas da RFB e no cadastro da Jucesp Rua Alberto Frediani, 107, Jardim Frediani, Santana de Parnaíba SP. 87. No local encontrouse uma simples residência, sem placas ou identificação comercial (foto à fl. 168 do T.V.F), não tendo sido encontrada nenhuma pessoa para atender e prestar informações. Acrescentouse que este endereço é conhecido na DRFB/Barueri/SP como local que costumeiramente abriga "escritórios virtuais". Efetuouse pesquisa no sistema CNPJ, tendo sido encontradas diversas empresas domiciliadas neste endereço. Exemplo conexo é a Solu Terraplenagem LtdaME, que foi considerada Inapta por inexistência de fato, e cuja sócia é a Sra. Sônia Mariza Branco. Em 28/08/2013, em outra diligência a este endereço, a fiscalização foi atendida pela Sra. Daniela Rosa de Castro, que relatou que o endereço é a sua residência, e que a mesma é utilizada para sublocações para empresas interessadas em ter domicilio tributário em Santana de Parnaíba; que as correspondências são encaminhadas para o Sr. Adalberto Palhinha Martins (contador do contribuinte); que se trata apenas de um "endereço virtual", sendo que a empresa nunca se estabeleceu neste local, não tendo qualquer funcionamento ou presença de funcionário; que este é um local que abriga vários "escritórios virtuais". 88. Em 21/03/2014 foi formalizada Representação Fiscal para Baixa de Ofício, que culminou com a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SECAT Nº 31, de 29/08/2014 (fl. 241), que baixou de ofício a inscrição no CNPJ, com fulcro no art. 27, inciso II, alínea “a”, da Instrução Normativa nº 1.470, de 30/05/2014, e efeitos a partir de 01/01/2008, consoante elementos circunstanciados no processo 13896.720706/201167, (cópia de tela do sistema Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.591 53 CNPJ às fls. 2102 a 2106 – apesar de cientificada no processo, a empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos, nem adotou qualquer providência no sentido de regularizar sua situação cadastral): Art. 27. Pode ser baixada de ofício a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica: (...) II inexistente de fato, assim entendida aquela que: a) não dispuser de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; (...)(grifos acrescidos) 89. Enfatiza a fiscalização que apesar de a empresa ter apresentado elevada movimentação financeira, não consta, na base de dados da RFB, qualquer recolhimento de contribuição previdenciária ou informação, desde a constituição da empresa, de movimentação de segurados através da entrega das GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), ou mesmo retenção de imposto de renda na fonte declarada em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte), relativo à prestação de serviços por empregados ou prestadores de serviços pessoa física. Todas as RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) estão negativas, o que indica a inexistência de vínculos empregatícios ou prestadores de serviços pessoa física. 90. Sendo o objeto social do contribuinte "construção de rodovias e ferrovias, obras de terraplenagem e aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes", para materialização de seus objetivos é necessário a posse de máquinas e equipamentos. Intimada (ver acima) a apresentar documentação, nenhum documento foi apresentado. 91. Em Ofício ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), este informou, em 29/05/2013, que o único veículo encontrado nos seus registros é um automóvel marca I/Hyundai I30 2.0 (importado), adquirido em 24/03/2011 e transferido em 28/12/2012, o que evidencia que não se trata de veículo para execução de serviços de engenharia e terraplenagem (fls. 1131 a 1145). 92. Análise dos extratos bancários (fls. 955 a 1091, com planilhas nos Anexos 3 a 6 – fls. 1104 a 1127) comprovou que nos débitos efetuados pela fiscalizada não se encontram pagamentos efetuados para a manutenção operacional (pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, pagamento a escritórios de contabilidade, etc). Igualmente, não foram localizados pagamentos comuns a empresas de locação de máquinas e equipamentos (compra de combustíveis, peças e acessórios para manutenção, pagamento de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços). 93. Os fatos revelados pelo autuante, de que a fiscalizada é uma empresa de fachada, sem capacidade operacional, ou seja, pessoa jurídica inexistente de fato, o que motivou sua declaração de Inapta e baixa de ofício no cadastro da RFB, foram igualmente reconhecidos pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI do Cachoeira) e investigações conduzidas pela Polícia Federal. Em relação a este último órgão, a fiscalização reproduziu Fl. 2654DF CARF MF 54 trecho do relatório concernente às investigações conduzidas no âmbito da "Operação Monte Carlo", "Operação Vegas" e "Operação Saqueador", apresentado ao Juiz Federal da 7ª Vara Federal Criminal/RJ, que o motivou a autorizar a quebra do sigilo bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas ligadas aos empresários Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, bem como a busca e apreensão nas empresa que participaram deste esquema fraudulento, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP (fls. 1625 e 1626 do T.V.F): (...) 15. Conforme já mencionado, essas empresas se encontram vinculadas direta ou indiretamente aos empresários ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, que integraram formalmente os quadros societários da maior parte dessas empresas até os anos de 2009/2010. Posteriormente, paulatinamente foram sendo sucedidos, conjunta ou separadamente, por pessoas que lhes são próximas, a saber: i) MAURO JOSÉ ABBUD, irmão de MARCELLO ABBUD; e ii) as irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO, SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e SUELI MARIA BRANCO. 17. Devese dizer que boa parte dessas sociedades encontrase “sediada” em endereços coincidentes, todos invariavelmente incompatíveis com as atividades prestadas e os repasses milionários dos quais se beneficiaram. 18. Discriminamse, adiante, referidas sociedades “fantasmas” , agrupadas de acordo com o endereço social declarado. 2.8 S.M. TERRAPLENAGEM LTDA 2.9 SOLU TERRAPLENAGEM LTDA Endereço da “sede” social: Rua Alberto Frediani, 107, Jardim Frediani, Santana do Parnaíba/SP 27. Com relação à SM TERRAPLANAGEM LTDA, SÔNIA MARIZA BRANCO é a atual responsável, sendo que a sua irmã SÔNIA MARIZA BRANCO também integra o quadro social. 28. SÔNIA MARIZA BRANCO também figura como a responsável pela empresa SOLU TERRAPLANAGEM LTDA, em conjunto com a sua outra irmã, SUELI MARIA BRANCO. 29. Em ambas as empresas, LUIS ROBERTO SATRIANI foi sócio administrador por algum período (15.08.2007 a 10.03.2009 e 03.02.2009 a 29.07.2010, respectivamente). 30. Essas sociedades também não possuem qualquer funcionário registrado desde a sua constituição (RAIS = Zero). 31. ADALBERTO PALINHA MARTINS é o contador dessas empresas. (...)(grifos acrescidos) 94. Conforme acima relatado foram abertas diligências em 7 (sete) empresas que supostamente tomaram serviços da S.M. TerraplenagemEPP, tendo sido também solicitado documentação dos veículos, máquinas e equipamentos utilizados na prestação dos serviços. As empresas Consórcio Desenvolvimento Viário, PEM Engenharia Ltda, Setec Tecnologia S/A e Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.592 55 Telegráfica Energia S/A não apresentaram nenhum documento ou informação que pudessem identificar tais veículos, máquinas e equipamentos. Quanto às demais (Encalso Construções Ltda, Galvão Logística Ltda e UTC Engenharia S/A), apresentaram respostas, mas não lograram êxito em comprovar que os serviços foram prestados. 95. Concluiu a fiscalização que os documentos inidôneos emitidos pela S.M. Terraplenagem EPP jamais poderão servir para amparar saídas ou entradas de valores (receitas), ou mesmo sustentar despesas ou valores atribuídos aos custos operacionais de uma empresa optante pelo Lucro Real, sendo imprestáveis para se efetuar o lançamento de crédito tributário neste procedimento. LUCRO ARBITRADO 96. Tendo em vista que nenhuma resposta, esclarecimento ou documento para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes consta no processo, os valores creditados em contas bancárias da contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos às fls. 1104 a 1127, bem como totalização mensal no quadro a seguir, destacandose que a recorrente foi receptora de créditos bancários, nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, no valor de 161.849.152,49, diante de receita bruta informada em DIPJ (regime do Lucro Presumido) de R$ 81.389.996,92 (fls. 1611 e 1632), e em DCTF de R$ 50.983.041,85 (fl. 1646). 97. Em razão das informações disponibilizadas na DCTF (Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais), a autuação foi subdividida em Omissão de Receita da Atividade – Receita Bruta Apurada com Base nos Valores Informados em DCTF (base de cálculo: R$ 50.983.041,85 fl. 1639) e Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (base de cálculo: R$ 110.866.110,64 – fl. 1639): Fl. 2656DF CARF MF 56 98. Termo de Verificação foi lavrado (ciência da contribuinte em 23/09/21014, conforme Edital à fl. 1737), com esclarecimento de todas as fases do procedimento fiscal e fundamentação legal pertinente (fls. 1605 a 1694). 99. Sobre as obrigações acessórias das pessoas jurídicas não sujeitas ao Simples, assim dispõem os caputs dos artigos 258 e 259 (Lucro Real) e o artigo 527 (Lucro Presumido – regime por ela adotado em suas DIPJ) do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). (...) Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.593 57 Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). (...) Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). 100. Assim, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, o que não permite a apuração do montante tributável no regime do Lucro Real ou Presumido, agiu corretamente a autoridade autuante ao aplicar ao caso o art. 530, inciso III, do RIR/1999: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) 101. Cabe esclarecer que a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de acordo com o lucro arbitrado não é penalidade, sanção ou regime de exceção, mas simplesmente método de apuração. Isto é tão verdadeiro que o próprio contribuinte pode optar por esta forma de tributação se conhecida a receita bruta, conforme dispõe o artigo 531 do RIR/1999: Fl. 2658DF CARF MF 58 Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. 102. O arbitramento, quer seja realizado pelo contribuinte, quer pela fiscalização, quando conhecida a receita bruta, deve obedecer ao disposto no artigo 532 do RIR/1999: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). 103. No presente caso, o arbitramento, realizado pela fiscalização, foi parcialmente feito com base na receita bruta constatada por meio da presunção legal de omissão de receita, existente na legislação do imposto de renda, apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada, de acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração feita pela Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.594 59 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) (grifos acrescidos) 104. De acordo com o dispositivo acima transcrito, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. A movimentação bancária da defendente encontrase acostada às fls. 955 a 1091, com planilhas nos Anexos 3 a 6 – fls. 1104 a 1127. 105. Neste ponto devese esclarecer que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal, o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. 106. Outro ponto que importa distinguir é a distinção entre os métodos de apuração de omissão de receitas com as formas de tributação do lucro. 107. Em relação ao método de apuração, esclarecese que a caracterização de uma omissão de receitas pode darse por uma de duas vias: por uma presunção legalmente estabelecida ou, então, pela comprovação material, inequívoca, concludente da infração. 108. No primeiro caso, a lei estabelece, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos – baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade , que ocorrida determinada situação fática, podese presumir, até prova em contrário – esta a cargo do contribuinte –, a ocorrência da omissão de receitas. Foi este o método de apuração de omissão de receitas utilizado no lançamento ora discutido para a parcela relacionada aos depósitos bancários de origem não comprovada. No que se relaciona à parcela apurada pelas informações disponibilizadas nos valores declarados em DCTF (Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais), a omissão de receita foi apurada pela via direta. 109. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: Fl. 2660DF CARF MF 60 (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. 110. Já no segundo caso, a inexistência da presunção legal obriga a comprovação material do fato diretamente vinculado à subtração irregular das receitas, e não de outro que apenas indiretamente se relacione com o ilícito e que demande, por tal, cognição complementar para a caracterização da infração. 111. Em qualquer dos casos, no entanto, não se desobriga a autoridade de comprovar o(s) fato(s) que dá(ão) origem à omissão de receitas: ou aquele definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção juris tantum, ou aqueles outros concretamente evidenciadores da materialidade da infração. 112. Desta forma, observandose os critérios estabelecidos na legislação de regência, e intimado o contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram incomprovados, compete ao contribuinte e não ao fisco, provar a origem de cada um dos depósitos questionados se quiser eximirse da exação ou, caso fique constatada sua origem tributável, que os respectivos valores foram oferecidos à tributação. 113. Assim, caracterizada a receita omitida, os lançamentos foram corretamente e motivadamente realizados e os respectivos créditos tributários devem ser mantidos. Desta forma, os lançamentos não são nulos ou devem ser anulados. Ao contrário, são totalmente eficazes e legais, pois estão baseados em fatos constatados e demonstrados e em legislação plenamente vigente. 114. Como dos autos se infere, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de contas bancárias com expressiva movimentação (no presente caso, R$ 161.849.152,49, diante de receita bruta informada em DIPJ de R$ 81.389.996,92), intimoua a comprovar a origem de créditos efetuados em conta bancária. 115. Diante da falta de comprovação da origem dos mesmos depósitos bancários, o auditor fiscal não teve outra escolha senão formalizar o lançamento de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Na parcela apurada com base nas informações disponibilizadas nos valores declarados em DCTF, lavrouse o AI pela comprovação material, inequívoca, concludente da infração. 116. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. A responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 117. No lançamento ora impugnado, como já dito acima, a contribuinte está sujeita ao Lucro Arbitrado. Portanto, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários não escriturados, corresponde à receita bruta para fins de aplicação dos percentuais de arbitramento para definição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, e é o faturamento sujeito à incidência do PIS e da COFINS, de acordo com o disposto no caput do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, in verbis: Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.595 61 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (redação deste parágrafo vigente à época dos fatos geradores neste processo discutidos) MULTA 118. Registrese que em razão do desatendimento generalizado às intimações exaradas no curso do procedimento fiscal, a fiscalização agravou a multa de ofício, de 75,00% para 112,50%, para a parcela referente à Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, com fulcro no art. 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. 119. Além do agravamento supracitado, o autuante também qualificou a multa para 225,00%, igualmente para a parcela referente à Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, em razão de os valores constatados não terem sua origem esclarecida, com supedâneo no no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de Fl. 2662DF CARF MF 62 metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (...)(grifos acrescidos) 120. Diante da remissão realizada pelo artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cabe reproduzir o conteúdo dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que tratam das situações ensejadoras de aplicação da multa de ofício qualificada em 150%: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 121. No presente caso, o fato de a contribuinte não ter esclarecido a origem dos créditos bancários, no montante de R$ 110.866.110,84, configura o evidente intuito de sonegação, fraude e dolo descritos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual § 1º (antigo inciso II) do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Não é lógico, razoável ou proporcional afirmar que esta diferença tão grande entre o declarado (R$ 50.983.041,85) e o que realmente aconteceu (R$ 110.866.110,84) decorre apenas de erro. Não é lógico, razoável ou proporcional afirmar que esta diferença tão grande entre a ausência de declaração e o que realmente aconteceu é uma inocente declaração inexata ou erro de fato. 122. As circunstâncias que ampararam a qualificação da multa foram perfeitamente delineadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1642 a 1646). 123. A Lei n° 4.729, de 14 de julho de 1965, em seu art. 1°, I, esclareceu o conceito de sonegação fiscal ao dispor que: Art 1° Constitui crime de sonegação fiscal: Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.596 63 I prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; II inserir elementos inexatos ou omitir, rendimentos ou operações de qualquer natureza em documentos ou livros exigidos pelas leis fiscais, com a intenção de exonerarse do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública; (...)(grifos acrescidos) 124. Mais recentemente, a Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, definiu os fatos denominados por sonegação fiscal como crimes contra a ordem tributária ao estabelecer em seu inciso I do artigo 1°, e inciso I do artigo 2° que dispõe: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei n° 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Pena reclusão de 2 (dois) a 5(cinco) anos, e multa. (...). Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei n° 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...). Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. (...)(grifos acrescidos) 125. A ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica a multa qualificada. Assim, como neste caso, há evidência nos autos deste processo de que a autua ocultou a maior parte das suas receitas, furtando ao conhecimento do fisco a ocorrência do fato gerador do imposto. 126. Portanto, a ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica plenamente a multa qualificada, em razão da materialização das ações dispostas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. 126.A. A fiscalizada, optante pelo regime do Lucro Presumido, igualmente infringiu a lei, ao descumprir os ditames do art. 45 da Lei nº 8.981, de 20/01/1995 (base legal do art. 527 do RIR/1999), que preconiza norma para os contribuintes optantes do retrocitado regime de Fl. 2664DF CARF MF 64 tributação, atinente a obrigações relativas à escrituração, que não foram cumpridas pela fiscalizada: Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. 127. Conforme restou evidenciado no curso do procedimento fiscal, também não há amparo legal e é totalmente reprovável a conduta da contribuinte de sequer justificar a falta de atendimento à intimação fiscal. A contribuinte em nenhum momento do apresenta esclarecimentos para o não atendimento das intimações, que foram várias, o que autoriza, neste caso, o agravamento da multa de ofício em 50.00%, consoante dispõe o § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. 128. Assim, demonstrado que a multa de ofício foi correta e legalmente aplicada nos percentuais de 75% e 150% dos tributos devidos, descabem as afirmações da autuada em sentido diverso. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 129. Como já descrito anteriormente, o MM. Juiz Federal da 7ª Vara Federal Criminal da Capital/RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, autorizou a busca e apreensão nas empresas controladas pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud em São Paulo, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP, assim como, em seu item 8, o compartilhamento dos dados obtidos na investigação com a RFB. 130. Conforme Decisão prolatada pelo retrocitado magistrado, restou caracterizada a vinculação, direta ou indiretamente, de diversas empresas aos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud, bem como a participação ativa nos seus negócios das irmãs Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, além do empresário Luis Roberto Satriani (fl. 1652): (...) Quadro 19 Decisão Judicial Processo n° 080231542.2013.4.02.5101 1.2— Empresas criadas em São Paulo. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.597 65 Conforme já dito, em São Paulo as empresas criadas estão supostamente ligadas aos Senhores ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, tendo sido, até o momento, verificadas as seguintes empresas; 1. Empresas com sede na Rua Estados Unidos, 351 Jardim São Luiza, Santana de Parnaíba/SP 1.1 – S.P Terraplenagem Ltda (Recursos transferidos da Delta: mais de RS 46,4 milhões) 1.2 Power To Tem Engenharia Ltda (Recursos transferidos da Deita: mais de R$ 42,9 milhões) 2. Empresas com sede na Rua Padre Pompeu, 01, Centro, Santana do Parnaíba/SP 2.1 JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda (Recursos recebidos pela Delta: aproximadamente: R$ 40 milhões 2.2 S.B Serviços de Terraplenagem Ltda (Recursos Recebidos pela Delta: aproximadamente: R$ 7,7 milhões 2.3 WS Serviços de Terraplenagem Ltda (Recursos Recebidos da Delta: aproximadamente: R$ 7,6 milhões 2.4 B.W. Serviços de Terraplenagem Ltda (Recursos Recebidos da Delta: aproximadamente R$ 7,4 milhões 3. Empresa com sede na Estrada dos Romeiros, 6388, Centro, Santana do Paranaíba/SP 3.1 SOTERRA Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda (Recursos recebidos da Delta em montante aproximado de R$ 35,2 milhões 3.2 DREAM ROCK entretenimento Ltda (Recursos recebidos da Delta em montante aproximado de R$ 59,5 mil reais) 3.3 ROCK STAR MARKETING Promoções e Eventos Ltda 3.4 ROCK STAR PRODUÇÕES Comércio e Serviços Ltda 4. Empresas com sede na Rua Alberto Frediani, 107, Jardim Frediani, Santana do Parnaíba/SP 4.1 S.M Terraplenagem Ltda (Recursos recebidos da Delta em montante aproximado de R$ 31,4 milhões) 4.2. SOLU terraplenagem Ltda 397 mil reais) 5. Empresa com sede na Av. Marginal, 36, Centro, Santana do Parnaíba/SP. Fl. 2666DF CARF MF 66 5.1 ROCK STAR Marketing Comunicação Ltda (Recursos Recebidos da Delta no montante de R$ 9,3 milhões de reais). 8. Empresa com sede na Avenida Irai, 1292, Planalto Paulista, São Paulo/SP. 8.1— LEGEND Engenheiros Associados Ltda (Recebeu da Delta montante aproximado de R$ 26,9 milhões de reais) Conforme relatório apresentado, todas apresentam como contadores as mesmas pessoas, Srs. Adalberto Palhinha Martins e Amaury Pontalti e que em todas em algum momento de sua existência tiveram como sócios pessoas da família ABBUD (Mauro José e Marcelo) e/ou da família Branco (Sônia Maria, Sandra Maria e Sueli Maria). O Senhor Adir Assad aparece como sócio fundador de algumas das empresas acima apontadas. (...)(grifos acrescidos) 131. A fiscalização reproduziu, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1654 a 1656), diversas reportagens da mídia em geral sobre as empresas investigadas na CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Operação Saqueador, em que o próprio Adir Assad confirma ser o dono de fato destas empresas, e da vinculação do Sr. Marcello José Abbud. Assevera o autuante que as notícias veiculadas deixam claro toda a vinculação e engenharia montada pelos empresários acima citados, que em nenhum momento negaram que as empresas citadas são suas de fato. 132. Assim, constam nos autos, como se verá a seguir, um conjunto robusto de provas para demonstrar que os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud são os verdadeiros sócios de fato da autuada, e que contaram com a participação ativa dos sóciosadministradores que constam nos registros da Jucesp, as irmãs Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, e o empresário Luis Roberto Satriani. ADIR ASSAD 133. O Sr. Adir Assad recebeu repasses financeiros da empresa S.M. TerraplenagemEPP no ano 2008, mesmo sem pertencer formalmente ao seu quadro social e não sendo funcionário desta contribuinte, apenas recebeu estes valores por ser real administrador (Quadro demonstrativo dos valores à fl. 1657). 134. Diversos documentos comprovam a subordinação das sócias e o vínculo com o Sr. Adir Assad, compostos por diversos emails apreendidos pela Polícia Federal na "Operação Saqueador", e que comprovam de forma cabal o poder de gerência, e de como este utiliza a empresa de forma pessoal. 135. No primeiro email, de 09/01/2008, as sócias Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago trocam mensagens com a Sra. Sônia Regina Assad, esposa do Sr. Adir Assad, sobre o agenciamento de entrevista para obtenção de vistos para viagem ao exterior (fls. 1146 a 1148). 136 O segundo, de 28/01/2008, encaminhado pela Sra. Sueli Maria Branco para a sua irmã, Sra. Sônia Mariza Branco, informa que o Sr. Adir Assad autorizou um depósito para compra de um Motard e um Future no valor de R$ 11.055,75 (fl. 1149). 137. No terceiro, de 13/03/2008, o Sr. Adir Assad solicita à Sra. Sônia Mariza Branco depositar R$ 1.000,00 em nome do Sr. Jean Coloca (fl. 1150). Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.598 67 138. No quarto, de 30/09/2008, a Fundação Getúlio Vargas envia um email para o Sr. Adir Assad (em nome do Marketing da Rock Star), para Sônia Mariza Branco e para a Sra. Siberly Coelho (filha de Sônia Mariza Branco), com informações de uma conta para depósito do valor referente a uma palestra (fl. 1150). 139. Constatase que todas as pessoas envolvidas nos retrocitados email utilizam a extensão "@rstar" em suas caixas de mensagem, indicativo do Grupo Rock Star, composto por várias empresas controladas pelo Sr. Adir. 140. O Sr. Adir Assad constituiu com o Sr. Marcello José Abbud, em 18/01/2006, a Legend Engenheiros Associados Ltda. Adir Assad mantevese como sócio administrador desta empresa até 23/03/2009, sendo substituído por Sônia Mariza Branco. Importante salientar que mesmo depois de sua saída formal da empresa Legend Engenheiros Associados Ltda o Sr. Adir Assad continuou sendo o real administrador da empresa, conforme provas colhidas na CPMI do Cachoeira, nas investigações da Polícia Federal e na auditoria realizada pela DRFB/Barueri. O Sr. Marcello José Abbud mantevese na sociedade até 12/12/2007, sendo substituído por seu irmão Mauro José Abbud, e retornou em 05/02/2013. 141. A sociedade S.M. TerraplenagemEPP foi inicialmente constituída com a razão social Legend Assessoria e Consultoria de Planejamento Estratégico de Marketing Ltda (ver Ficha Jucesp), e teve como endereço cadastral a Avenida Ceci, 1542, Planalto Paulista, São Paulo/SP, mesmo endereço da sociedade Legend Engenheiros Associados Ltda. 142. As provas coletadas demonstram que os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud continuam sendo os administradores da Legend Engenheiros Associados Ltda, sendo que a S.M. TerraplenagemEPP utilizou, e ainda utiliza, o endereço da Legend Engenheiros Associados Ltda Rua Iraí, 1.292 Planalto Paulista São Paulo/SP para o recebimento de correspondências. O Sr. Adir Assad, sua esposa Sônia Regina Assad, e as sócias Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, também utilizam este endereço com o mesmo fim, sendo que a própria Polícia Federal considera este endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud (acostouse aos autos boleto de pagamento do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura em nome de Adir Assad (fl. 1152), Pagamento de seguro de Adir Assad (fls. 1153 a 1155), Extrato Bancário de Sônia Regina Assad (fl. 1156), pagamentos de Guia da Previdência Social pela Legend Engenheiros Associados Ltda em nome de Adir Assad (fls. 1157 a 1161), Extrato Bancário da S.M. TerraplenagemEPP (fl. 1162), boleto de pagamento em nome da S.M. TerraplenagemEPP (fl. 1163), todos com indicação do retrocitado endereço). 143. No material apreendido na retrocitada operação da Polícia Federal encontrouse relação de documentos enviados ao Sr. Adalberto Palhinha (fls. 1665 a 1667), contador comum das empresas do grupo, que demonstram a conexão entre os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, e envolvem as empresas Legend Engenheiros Associados Ltda, JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda, Power To Ten Engenharia Ltda ME, SM Terraplenagem Ltda ME, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda – ME, Rock Star Marketing Ltda, Rock Star Produção, Comércio e Serviços Ltda e Rock Star Marketing e Promoções Ltda. Constam, ainda, documentos pessoais do Sr. Adir Assad, e documentos de empresa do Sr. Marcello José Abbud, de nome "Marcello José Abbud Planejamento Est."(fls. 1164 a 1169). 144. Em email de 05/04/2010, a Sra. Sandra Maria Branco Malago, sócia administradora da SM Terraplenagem Ltda EPP, encaminha ao Sr. Amauri Pontalti, contador das empresas Fl. 2668DF CARF MF 68 administradas de fato pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, comunicado em que se refere às Notas Fiscais das empresas Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, Rock Star Marketing Ltda, Legend Engenheiros Associados Ltda., Rock Star Marketing Promoções e Eventos Ltda e SM Terraplanagem Ltda (fl. 1170): Rock Star Prod. NF 483 cancelada esta nota eu mandei o jogo todo para a gráfica ela vai ser cancelada. Rock Star Marketing NF 1468 foi emitida p/ Inst. Tomie Ohtake valor 6.300,00 e a nota 1482 p/ BMG 1.300,00 a Sueli vai tirar um Xerox e trazer as originais. O Marcelo deve ter comido as cópias ou...........e a 1470 e cancelada foi também um jogo completo da nota para gráfica que ela vai me mandar. Rock Star Promoções e Eventos as notas que você passou a relação estão todas canceladas a Sueli vai trazer. SM essas notas quando nos separamos os talões esse joguinho de notas sumiram não sei aonde foi parar não achamos revirei tudo e não encontramos. LEGEND 1232/1233/1235 canceladas a Sueli vai trazer. (grifos acrescidos) 145. Em relação às Sras. Sandra Maria Branco Malago e Sônia Mariza Branco, tramita processo na Sexta Vara Criminal Federal, especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e Lavagem de Valores, em que elas são investigadas em conjunto com o Sr. Adir Assad. Conforme oficio do MM. Juiz Federal Substituto, Dr. Marcelo Costenaro Cavali, este autorizou à RFB o compartilhamento e o uso dos depoimentos prestados por Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago (fls. 220 a 224). 146. No depoimento de Sônia Mariza Branco (fls. 225 a 227) à Polícia Federal, em 13/06/2012, esta relatou os seguintes fatos, entre outros: QUE conheceu ADIR ASSAD há cerca de trinta anos, QUE desde então, além de trabalharem juntos, construíram também uma amizade, inclusive entre as famílias da declarante e ADIR, QUE ele conseguia os eventos e, para tanto, trabalhava muito na rua, fazendo os contatos necessários, a declarante passou a tocar toda a parte de escritório e de organização de contas, das agendas, etc, QUE conforme as coisas foram tomando vulto, a declarante também chamou sua irmã Sandra Maria Branco Malago para auxiliála, QUE atualmente as empresas do ramo de eventos que estão ativas são a Rock Star Produções, Comércio e Serviços Ltda e a Rock Star Marketing Ltda, a primeira constituída em 2002 e a segunda em 2005, QUE as outras empresas que também já tiveram, a Rock Star Entertainment Ltda e a Star Marketing Ltda não operam mais, QUE a decisão de concentrar a prestação de serviços por meio da Rock Star Produções e Rock Star Marketing se deu em razão da desnecessidade de se ter quatro empresas abertas, sendo que estas duas foram escolhidas para continuar funcionando porque foram constituídas pela declarante e pelo ADIR, ao passo que as outras duas tinham sido adquiridas de outros empresários anteriores, QUE em que tange a atividade da empresa em si, trabalham efetivamente a declarante, sua irmã Sandra e Adir Assad, QUE a declarante tira mais ou menos por volta de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por mês, sendo este valor mais ou menos fixo, tendo a declarante a liberdade de retirar mais no caso de alguma ocorrência extraordinária, tudo combinado com o Adir, QUE tanto a declarante Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.599 69 Sônia como sua irmã Sandra e também Adir tem amplos poderes para movimentar as contas das empresas, QUE existe uma confiança muito grande entre eles, tudo é muito abertamente conversado e combinado, QUE a participação de Adir nos lucros é maior, devido a sua responsabilidade maior de trazer sempre novos negócios às empresas, QUE nem a declarante nem sua irmã Sandra participam de outras empresas, QUE a declarante tem outra irmã de nome Sueli que por vezes realiza algum trabalho para as empresas Rock Star, mas não é contratada, é como freelance, QUE Adir Assad possui sociedade em outras empresas, pelo que sabe, no ramo de engenharia, que é a formação dele, mas a declarante não tem qualquer função nestas outras sociedades ou conhecimento sobre as atividades delas. 147. No depoimento de Sandra Maria Branco Malago à Polícia Federal (fls. 228 e 229), em 13/06/2012, esta relatou os seguintes fatos, entre outros: QUE sua irmã Sonia conhece Adir Assad há mais de 30 anos, QUE Sonia começou a trabalhar com Adir no ramo de eventos um pouco depois de se conhecerem e também um pouco depois Sonia convidou a declarante para auxiliálos, QUE então a declarante também conhece, trabalha e tem amizade com Adir Assad há aproximadamente de 30 anos, QUE atualmente as empresas que estão ativas e operantes são Rock Star Marketing Ltda, da qual a declarante também é sócia, e a Rock Star Produções, Comércio e Serviços Ltda, QUE as empresas Rock Star Entertainment Ltda e a Star Marketing Ltda tiveram encerradas suas atividades há alguns anos, QUE a declarante não tem ingerência na formatação dos contratos com patrocinadores ou com terceirizados, não passam pela declarante, sendo mais atribuição de Adir, QUE por vezes a declarante realiza alguns pagamentos, por exemplo, pagamentos em espécie que são feitos no momento dos eventos para manobristas, garçons ou a compra de alguma coisa extraordinária, etc, mas em regra são Adir e Sônia que cuidam desta parte de pagamentos, QUE possui autorização para movimentar as contas bancárias das empresas, mas esclarece que somente assina estas movimentações quando é necessário, o que ocorre normalmente quando Adir ou Sônia não estão presentes para movimentar a conta por eles mesmos. 148. Por tudo que foi dito nos depoimentos prestados, a fiscalização considerou que não resta a menor dúvida da participação e gerência do Sr. Adir Assad na condução dos negócios comerciais e financeiros das sociedades em que estas senhoras configuram como sócias administradoras, restando comprovado que Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago nada mais são que interpostas pessoas do Sr. Adir Assad, para que este conduza seus negócios sem que seu nome apareça de forma legal. 149. Outro documento que comprova o vínculo societário e a subordinação das sócias Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago ao Sr. Adir Assad são as Procurações por elas concedidas a ele (fls. 1171 a 1189), que apesar de relacionadas a outras sociedades, verificase que as sócias são interpostas pessoas do Sr. Adir Assad, que as utiliza de forma freqüente, tentando se ocultar da responsabilidade dos atos praticados por estas empresas. MARCELLO JOSÉ ABBUD 150. Em conjunto com o Sr.Adir Assad, o Sr. Marcello José Abbud constituiu, em 18/01/2006, a Legend Engenheiros Associados Ltda e mantevese formalmente como sócio administrador desta empresa até 12/12/2007. Importante salientar que mesmo depois de sua saída formal da empresa Legend Engenheiros Associados Ltda o Sr. Marcello José Abbud continuou sendo o real administrador desta empresa, conforme provas (ver acima) colhidas na CPMI do Cachoeira e nas investigações da Polícia Federal. A própria Polícia Federal considera este Fl. 2670DF CARF MF 70 endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud. 151. Nos quadros abaixo podese confirmar a participação societária do Sr. Marcello José Abbud nas sociedades controladas por ele e pelo Sr. Adir Assad, e alvo das investigações da CPMI e da Polícia Federal: CONCLUSÃO – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ADIR ASSAD MARCELLO JOSÉ ABBUD 152. Em razão do exposto, concluise que os retrocitados sócios de fato da SM Terraplenagem LtdaEPP, em conjunto com os sóciosadministradores deste contribuinte, Sônia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago e Luis Roberto Satriani, são os responsáveis pela conduta da fiscalizada de omitir receitas à RFB com o intuito de não recolher tributos (omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis), pratica que contraria a lei, com fulcro nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, estando plenamente caracterizada a sujeição passiva solidária de ambos pelos créditos lançados no AI. SÔNIA MARIZA BRANCO 153. A Sra. Sonia Mariza Branco é apontada pela CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Saqueador da Polícia Federal, por relatos da mídia em geral e também em fiscalizações abertas na DRFB/Barueri/SP como interposta pessoa dos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud nas empresas SM Terraplenagem Ltda, Soterra Terraplenagem e Locação de Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.600 71 Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda, Rock Star Marketing Ltda, Rock Star Marketing Promoções e Eventos Ltda, Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda e Solu Terraplenagem Ltda. Estas empresas foram alvo de investigações pela retrocitada CPMI, que concluiu que todas são controladas pelo Sr. Adir Assad. Além disto, Sônia Mariza Branco é irmã de Sandra Maria Branco Malago e Sueli Maria Branco, e mãe de Sibely Coelho e Soiany Coelho, que também são interpostas pessoas do Sr. Adir Assad. Nos quadros apresentados às fls. 1673 e 1674 do T.V.F constam os nomes das mencionadas pessoas no quadro societário das citadas empresas. 154. No comprovante de endereço da Sra. Sônia Mariza Branco (Cartão de Crédito – fls. 1190 e 1191) podese confirmar que ela utiliza o endereço da sociedade Legend Engenheiros Associados Ltda (Rua Iraí, 1.292 Planalto Paulista São Paulo/SP), sendo que conforme já relatado a própria Polícia Federal considera este endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud. SANDRA MARIA BRANCO MALAGO 155. A Sra. Sandra Maria Branco Malago é apontada pela CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Saqueador da Polícia Federal, por relatos da mídia em geral e também em fiscalizações abertas na DRFB/Barueri/SP como interposta pessoa dos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud nas empresas SM Terraplenagem Ltda, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda e Rock Star Marketing Ltda, sendo que nesta última a sociedade foi constituída pela Sra. Sandra Maria Branco Malago e pelo Sr. Adir Assad. Estas empresas foram alvo de investigações pela retrocitada CPMI, que concluiu que todas são controladas pelo Sr. Adir Assad e Marcello José Abbud. Fato relevante é a Sra. Sandra Maria Branco Malago ter sido funcionária da empresa Star Marketing Comunicação Ltda ME, no período de 02/08/2004 a 11/2005, sociedade constituída pela sua irmã Sra. Sônia Mariza Branco. Conforme já exposto e de acordo com as Procurações constantes nos autos, a Sra. Sônia Mariza Branco é interposta pessoa do Sr. Adir Assad. Nos quadros apresentados à fl. 1675 do T.V.F observase a participação societária da Sra. Sandra Maria Branco Malago nas empresas controladas pelo Sr. Adir Assad. LUIS ROBERTO SATRIANI 156. O Sr. Luis Roberto Satriani, sócio formal da fiscalizada 15/08/2007 a 10/03/2009, é apontado pela CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Saqueador da Polícia Federal, por relatos da mídia em geral e também em fiscalizações abertas na DRFB/Barueri/SP como interposta pessoa dos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud nas empresas SM Terraplenagem Ltda e Solu Terraplenagem Ltda ME. Estas empresas foram alvo de investigações pela retrocitada CPMI, que concluiu que todas são controladas pelo Sr. Adir Assad e Marcello José Abbud. Nos quadros apresentados à fl. 1676 do T.V.F observase a participação societária do Sr. Luis Roberto Satriani nas empresas controladas pelo Sr. Adir Assad e Marcello José Abbud. 157. Outro fato que comprova a estreita relação do Sr. Luis Roberto Satriani com os empresários Adir Assad e Marcello José Abbud é o depoimento dado por ele para uma reportagem do Jornal Folha de São Paulo, de 08/07/2012, em que ele afirma “emprestar seu pátio para guardar de graça as máquinas de Abbud, que seriam seis ou sete escavadeiras". CACHOEIRAGATE Fl. 2672DF CARF MF 72 Firma ligada à Delta diz que atua para as maiores empreiteiras Representantes do setor de máquinas pesadas, porém, dizem nunca ter ouvido falar da Legend Engenheiros A empresa passou a ser investigada após a revelação de relatório do Coaf que indica repasses suspeitos DE BRASÍLIA DE SÃO PAULO O empresário Marcello Abbud, responsável por empresas suspeitas de atuar como "laranjas" da construtora Delta, disse à Folha que trabalha com "metade das grandes empreiteiras do país". A Delta é um dos principais alvos da CPI que investiga as relações do empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de corrupção e preso desde fevereiro pela Polícia Federal. Marcello Abbud disse alugar máquinas pesadas para grandes obras, como a Ferrovia NorteSul, o Rodoanel e o Metrô de São Paulo. Empresas ligadas a Abbud e seu parceiro Adir Assad viraram alvo das investigações após a revista "Veja" revelar relatório do Coaf (órgão de inteligência financeira federal) que indica repasse de R$ 47 milhões da Delta às firmas. Segundo a revista, elas participam de esquema de emissão de notas frias para simular prestação de serviços. Abbud nega o esquema. A Legend Engenheiros, da qual Assad é dono, e Abbud, engenheiro responsável, recebeu R$ 23,2 milhões da Delta, segundo o Coaf. Além da Legend, os dois têm ligações com outras 20 empresas. Abbud disse que a Legend fatura cerca de R$ 10 milhões por mês com a locação de máquinas pesadas: "Das maiores empreiteiras, metade delas são nossos clientes", afirmou. Seriam "em torno de 15 clientes". Ele não quis revelar os nomes alegando sigilo contratual. A Folha consultou seis das maiores empreiteiras do país. A Odebrecht nega ter contratos com a Legend. Quatro não se manifestaram (EIT, Galvão, Queiroz Galvão e UTC). A Andrade Gutierrez disse estar impossibilitada legalmente de se pronunciar. A Dersa, órgão do governo paulista responsável por obras citadas por Abbud, disse que não consta subcontratação de firmas ligadas a ele. "PARCEIROS" A Legend tem sede numa casa em São Paulo, sem placas. De acordo com uma vizinha, a única movimentação no local é a de carros de luxo em dias de festa e churrasco. Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.601 73 Abbud indicou um pátio em Parelheiros, zona sul de São Paulo, como espaço em que as máquinas ficam quando ociosas. No local, funciona outra firma, a Ativa Terraplenagem. O dono, Luís Roberto Satriani, disse emprestar seu pátio para guardar de graça as máquinas de Abbud, que seriam "seis ou sete escavadeiras". Satriani disse que não há nenhuma lá há dez meses e que ele não pergunta para quem elas são alugadas. Marcello Abbud afirmou ter "entre nossas e de parceiros, cerca de 90 máquinas". Isso sugere que ele alugaria equipamentos de terceiros para sublocálos. Empreiteiros estimam que o aluguel de uma máquina pesada custe cerca de R$ 200 por hora. Se trabalhassem o dia todo sem parar, as sete máquinas de Abbud faturariam R$ 1 milhão mensal. Dois empresários que alugam máquinas em São Paulo disseram "nunca ter ouvido falar" da Legend Engenheiros, de Abbud ou de Assad. (...)(grifos acrescidos) 158. Em 13/08/2014 o Sr. Luis Roberto Satriani, em resposta a Termo de Intimação, declarou (fls. 1195 a 1204) que não possui documentos da SM Terraplenagem Ltda, em razão de seu desligamento do quadro societário. Registrou, ainda, que jamais assinou documentos de abertura de conta corrente ou transação bancária, pois desconhecia qualquer movimentação financeira realizada pela empresa. 159. Os esclarecimentos acima não descaracterizam a responsabilidade solidária do Sr. Luis Roberto Satriani, pois além de o crédito tributário lançado contemplar os anoscalendário 2008 e 2009, quando este ainda era sócio administrador da autuada, a retrotranscrita reportagem demonstra a estreita relação profissional entre ele e os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud. As alegações que "jamais assinou documentos de abertura de conta corrente ou transações bancárias, pois inclusive desconhecia de toda e qualquer movimentação financeira realizada pela SM Terraplenagem", também não possuem validade jurídica, pois conforme Contrato Social e Alterações registrados na Jucesp (fls. 1128 a 1130), o Sr. Luis Roberto Satriani era sócioadministrador, assinando pela fiscalizada, ou seja, possuía o comando gerencial e financeiro da sociedade. Outro fato esclarecedor desta relação entre o Sr. Luis Roberto Satriani e os empresários Adir Assad e Marcello José Abbud é a sua condição de sócio de uma das empresas por eles controlada, a Solu Terraplenagem Ltda, atuando igualmente como sócio administrador e assinando pela empresa. CONCLUSÃO – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA SÔNIA MARIZA BRANCO – SANDRA MARIA BRANCO MALAGO – LUIS ROBERTO SATRIANI 160. Em razão do exposto, concluise que os retrocitados sócios administradores da SM Terraplenagem LtdaEPP, em conjunto com os administradores de fato deste contribuinte, Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, são os responsáveis pela conduta da fiscalizada de omitir receitas à RFB com o intuito de não recolher tributos (omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis), pratica que contraria a lei, com Fl. 2674DF CARF MF 74 fulcro nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, estando plenamente caracterizada a sujeição passiva solidária dos três pelos créditos tributários lançados no AI. SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA 161. A empresa Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda foi constituída em 19/12/1978, pelos sócios Adir Assad e sua esposa, Sônia Regina Assad. Em 01/08/2012, ocorreu alteração cadastral, com a saída dos mencionados sócios, tendo sido admitidas como sócias administradoras as filhas do casal, Nicole Ferreira Assad e Natalie Ferreira Assad (Ficha Jucesp às fls. 1205 a 1206). Importante frisar, que a grande maioria dos bens do casal Adir Assad e Sônia Regina Assad encontrase registrado nesta empresa, e todos eles, a exceção de um automóvel BMW, foram adquiridos antes desta última alteração cadastral (Quadro às fls. 1680 e 1681 do T.V.F ilustra, com pormenores, a transferência de 11 (onze) bens para a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme registros às fls. 1221 a 1305). 162. O Sr. Adir Assad utilizouse desta empresa para administrar seus bens, e quando da abertura das fiscalizações da Polícia Federal, em razão das operações Monte Carlo, Vegas e Saqueador, da CPMI do Cachoeira, e das fiscalizações efetuadas pela DRFB/Barueri/SP nas suas empresas de fachada, elaborou um plano para tentar blindar seu patrimônio por meio desta sociedade. 163. Em 20/01/2012 o Sr. Adir Assad iniciou o plano de blindagem patrimonial por meio de Escritura de Doação com Reserva de Usufruto (fls. 1207 a 1212) das quotas sociais às suas filhas. Neste mesmo dia também foi lavrada uma Procuração (fls. 1213 a 1220), tendo como outorgantes Nicole Ferreira Assad e Natalie Ferreira Assad, concedendo amplos poderes para que o Sr. Adir Assad e sua esposa, Sônia Regina Assad, pudessem exercer todos os atos de gerência da sociedade Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. 164. Assim, apesar de as filhas do Sr. Adir Assad aparecerem como sócias de direito da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, o Sr. Adir Assad é o sócio de fato, administrador e gerente dos negócios, que continua com poderes totais de gestão financeira e patrimonial da sociedade. As duas filhas do Sr. Adir Assad são solteiras e possuem como domicílio tributário o mesmo endereço de seus pais Avenida Giovanni Gronchi n° 5.021, Apartamento 12, Morumbi, São Paulo/SP. Às fls. 1306 e 1307 dos autos consta conta telefônica em nome da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda com endereço residencial e tributário do Sr. Adir Assad (Avenida Giovanni Gronchi n° 5.021, Apartamento 12, Morumbi, São Paulo/SP), sua esposa e filhas , conta que foi paga pela sociedade Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, empresa que tem como sócio de fato o Sr. Adir Assad. 165. Em razão do que restou extensamente provado, não resta dúvida da sujeição passiva da sociedade Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda em relação ao crédito tributário lavrado, com base no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), já que o produto da sonegação de tributos foi utilizado na aquisição e construção do patrimônio da sociedade, em beneficio do Sr. Adir Assad, que os transferiu para tentar blindar este patrimônio. FOURS EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA ME 166. A sociedade foi constituída em 29/07/2008 por Sibely Coelho e Soiany Coelho, com endereço à Avenida Ceci nº 1.542, Planalto Paulista, São Paulo/SP (Ficha Jucesp às fls. 1308 a 1309), sendo que este endereço foi domicilio tributário de várias empresas do Grupo Rock Star do Sr. Adir Assad, com participação da Sra. Sônia Mariza Branco e suas filhas Sibely Coelho e Soiany Coelho. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.602 75 167. Em 28/12/2012 ocorreu a última alteração cadastral, retirandose da sociedade Sibely Coelho e Soiany Coelho, sendo admitidas como sócias administradoras a filha de Sibely Coelho, Nathaly Coelho Adesso, e a outra filha da Sra. Sônia Mariza Branco, Simone Coelho Adesso. Importante frisar que a totalidade dos bens da Sra. Sônia Mariza Branco foram doados para a sociedade. 168. A Sra. Sônia Mariza Branco e suas filhas Sibely Coelho e Soiany Coelho utilizaramse desta empresa para administrar seus bens, e quando da abertura das fiscalizações da Polícia Federal, em razão das operações Monte Carlo, Vegas e Saqueador, da CPMI do Cachoeira, e das fiscalizações efetuadas pela DRFB/Barueri/SP nas suas empresas de fachada, elaboraram um plano para tentar blindar seu patrimônio por meio desta sociedade. O expediente foi o mesmo empreendido pelo Sr. Adir Assad por meio da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. (Quadro à fl. 1684 do T.V.F ilustra, com pormenores, a transferência de 6 (seis) bens para a Fours Empreendimentos Imobiliários Ltda). 169. Em 09/02/2012 foi lavrada Procuração (fls. 1310 a 1315) tendo como outorgante a Sra. Simone Coelho Guimarães, constituindo sua bastante Procuradora a Sra. Sônia Mariza Branco, sua mãe, com amplos poderes para gerir seu patrimônio. A seguir, em 04/01/2013 foi lavrada outra Procuração (fls. 1316 a 1360), tendo como outorgantes a Sra. Simone Coelho Guimarães e sua filha Nathaly Coelho Adesso, concedendo amplos poderes para que Sibely Coelho pudesse exercer todos os atos de gerência da sociedade Fours Empreendimentos Imobiliários Ltda. 170. Assim, apesar de sua irmã e filha aparecerem como sócias de direito desta sociedade, as reais sócias de fato, administradoras e gerentes dos negócios são a Sra. Sônia Mariza Branco (que disponibilizou a totalidade de seu patrimônio através de doação para esta sociedade) e sua filha Sra. Sibely Coelho, que continuam com poderes totais de gestão financeira e patrimonial da sociedade Fours Empreendimentos Imobiliários Ltda. 171. Em razão do que restou extensamente provado, não resta dúvida da sujeição passiva da sociedade Fours Empreendimentos Imobiliários Ltda em relação ao crédito tributário lavrado, com base no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), já que o produto da sonegação de tributos foi utilizado na aquisição e construção do patrimônio da sociedade, em beneficio das Sras. Sônia Mariza Branco Sibely Coelho, que o transferiu para tentar blindar este patrimônio. CONCLUSÃO – SUJEIÇÃO PASSIVA – INTERESSE COMUM SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA FOURS EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA ME 172. Em razão do exposto, concluise que as retrocitadas empresas, em conjunto com os administradores de fato e de direito deste contribuinte, Srs. Adir Assad e Sônia Maria Branco, respectivamente, tiveram interesse comum nos atos da fiscalizada de omitir receitas à RFB com o intuito de não recolher tributos (omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis), com fulcro nos arts. 124, inciso I, do CTN, estando plenamente caracterizada a sujeição passiva das retrocitadas empresas pelos créditos tributários lançados no AI. CONCLUSÃO – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 2676DF CARF MF 76 173. O comando contido no art. 124, inciso I, do CTN, indica que basta a existência do interesse comum em relação ao fato gerador para que automaticamente seja instalada a solidariedade passiva tributária: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)(grifos acrescidos) 174. Igualmente, o CTN, em seus artigos 121, inciso I, artigo 124, inciso I e artigo 135, inciso III, estabelece a responsabilidade pessoal, implicando a Sujeição Passiva Solidária dos sócios de direito e de fato, pelo cometimento de atos praticados com infração de lei: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; (...) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)(grifos acrescidos) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (...)(grifos acrescidos) 175. O artigo 135, inciso III, do CTN, pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato da empresa. Assim, ainda que o estatuto ou contrato social não configure poderes a um dos sócios para praticar atos de gerência, ou esta pessoa não pertença ao seu quadro social, se este é o administrador de fato da pessoa jurídica, deve ser igualmente responsabilizado pela prática de atos ilícitos. 176. Em razão dos exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária das pessoas acima relacionadas, tendo em vista os motivos nos autos destacados. 177. Em decorrência dos documentos enviados pelas instituições financeiras, emitiuse o Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fls. 182 e 183 – ciência por Edital afixado em 30/07/2013, Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.603 77 tendo em vista sua condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB), para intimar a requerente a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, o créditos bancários constantes às fls. 184 a 206. 178. Para que as pessoas físicas acima arroladas como responsáveis solidários pudessem se manifestar em relação aos fatos aqui relatados, os quais descrevem práticas que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, passíveis de Representação Fiscal para Fins Penais, e para que pudessem exercer o direito de defesa, foram enviados, para os endereços constantes no cadastro da RFB, Termos de Intimação (fls. 1386 a 1490), lavrados em 30/07/2014, para que os interessados comprovassem, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos créditos bancários constantes em planilha anexa aos Termos. Os sócios de direito da fiscalizada, Sra. Sônia Mariza Branco, Sra. Sandra Maria Branco Malago e Sr. Luis Roberto Satriani, foram cientificados em 31/07/2014, conforme Aviso de Recebimento (fls. 1386, 1412 e 1438). O sócio de fato da sociedade, Sr. Marcello José Abbud, foi cientificado igualmente em 31/07/2014 (fl. 1491). O outro sócio de fato, Sr. Adir Assad, foi cientificado por meio do Edital com data de afixação em 04/08/2014 (fl. 1465), em razão do retorno do AR com o registro ‘mudouse”. A exceção dos esclarecimentos apresentados pelo Sr. Luis Roberto Satriani (item 10.18 do T.V.F, que não justifica a origem dos depósitos bancários), não foi apresentado nenhum esclarecimento ou documentação por parte das pessoas físicas acima intimadas. DEFESA EMPRESA 179. Pugna a recorrente que houve a incorreta identificação do sujeito passivo no AI, porquanto a autoridade fiscal se esforça para demonstrar que os recursos financeiros movimentados pela "empresa de fachada" não pertenceriam a ela própria, mas a terceiros. Neste sentido, assevera que se os recursos financeiros não pertencem a ela, seria imperiosa a aplicação do § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, por força do qual os “interponentes” da pessoa jurídica deveriam reputarse contribuintes, não responsáveis tributários: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) (grifos acrescidos) Fl. 2678DF CARF MF 78 180. Enfatiza que houve erro na identificação do titular da conta bancária, pois o "titular" a que se refere o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 não pode ser diverso daquele indicado no § 5º do mesmo artigo. Assevera que o § 5º, ao permitir a "desconsideração" da titularidade formal da conta de depósitos para fins de cobrança dos tributos eventualmente devidos, atrai o pressuposto de que os depósitos bancários devem ser "imputados" ao "efetivo titular". Acrescenta que a autoridade fiscal jamais intimou os Srs. Adir e Marcello, por exemplo, para, especificamente, demonstrarem ou comprovarem a origem dos montantes depositados em conta bancária mantida pela "empresa de fachada" e cuja titularidade lhe foi imputada , diante da suspeita de ter ocorrido interposição fraudulenta. 181. Em continuidade ao raciocínio formulado, assinala que houve erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, em razão de a fiscalização ter apurado a base de cálculo com base nos rendimentos da "empresa fantasma", que não é titular das contas bancárias movimentadas. Esclarece que não é possível apurar a correta base de cálculo, porquanto há várias pessoas apontadas como “interponentes” da "empresa de fachada" – Adir, Marcello, Sônia, Sandra e Luís Roberto – e não há provas, nos autos, a respeito do percentual de participação de cada um nos valores movimentados. Complementa que também foi comprometida a correta identificação do aspecto temporal do fato gerador, tendo em vista que a incidência do IRPJ/CSLL sujeito ao Lucro Arbitrado tem aspecto temporal trimestral, diferente daquele que haveria de ser levado em consideração caso fosse aplicado o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 periodicidade anual, considerandose os valores depositados auferidos e tributáveis na data do depósito, consoante dispõe o § 4º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 182. Em conclusão aos questionamentos pertinentes à aplicação do artigo 42, § 5º, da Lei n° 9.430/96, registra que houve erro na identificação da alíquota, tendo em vista que as aplicáveis no AI 15% mais o adicional de 10% somente seriam corretas se a "empresa de fachada" pudesse ser considerada "efetiva titular" dos depósitos bancários autuados, sendo correta a aplicação das alíquotas pertinentes aos efetivos titulares das contas arroladas no AI. Em menção final, argumenta que houve erro na identificação da matéria tributável e do fato gerador, porquanto foram lavrados AI para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, considerandose as receitas da "empresa de fachada", devendo ter sido lavrados AI de acordo o regime jurídicotributário pertinente aos efetivos titulares das contas bancárias. 183. Neste quesito, cabe enfatizar, inicialmente, que o art. 42, “caput”, da Lei nº 9.430/1996, consigna que caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 184. Assim, em razão de a S.M. TerraplenagemEPP figurar como efetiva titular das constas bancárias investigadas no procedimento fiscal, a ela cabe o ônus de esclarecer que os recursos não lhe pertenciam, situação que não se caracterizou nos autos. 185. Quanto à aplicação do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/1996, pertinente, inicialmente, registrar que ele assevera que quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. 186. Nos caso dos autos, a fiscalização não menciona que os valores pertencem às pessoas mencionadas (rever T.V.F) pela defendente, nem esta agrega prova de que os recursos efetivamente pertencem a tais pessoas. Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.604 79 187. Assinalese, ainda, ao contrário do afirmado pela requerente, que todos os responsáveis tributários arrolados foram intimados (fls. 1386, 1412, 1438, 1464 e 1491) a se manifestarem acerca dos créditos bancários apurados, sem que nenhum deles tenha se pronunciado a respeito. 188. Assim, tendo em vista a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária configurada no AI, ficam sem sentido as demais alegações da contribuinte, concernentes a erros na identificação da base de cálculo, matéria tributável e aspecto temporal do fato gerador, bem como na identificação da alíquota. 189. Em raciocínio decorrente do argumento de que não é titular dos recursos movimentados, a Impugnante postula que a alegação de que existe um conglomerado de "empresas de fachada" traz consigo a conseqüência de que o dinheiro que entra em uma, e é transferido a outra, pode ser o mesmo. Acrescenta que a aplicação incorreta do inciso I do § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 poderia trazer graves prejuízos a ela, pois haveria a tributação em duplicidade dos montantes. 190. Neste tópico, como já esclareceu a fiscalização, foram excluídos do rol dos créditos bancários aqueles em que se contatou terem transitado entre as contas de mesma titularidade. 191. Quanto ao argumento relacionado às empresas “de fachada”, não há o que acrescentar em relação ao que já restou esclarecido. 192. Assevera a defendente que resta evidente a necessidade de cancelamento dos débitos lavrados sob a rubrica "receita bruta apurada com base nos valores informados em DCTF", haja vista que, antes mesmo da lavratura em tela, os débitos nela exigidos já haviam sido declarados em DCTF. 193. A questão já foi devidamente contemplada pelo autuante, que descontou os valores na rubrica “Deduções” constante no AI. 194. No quesito qualificação da multa, a requerente argumenta que não há, na autuação, afirmação, e muito menos a prova, de que a omissão de receitas teria sido prática reiteradamente adotada pela empresa autuada. Complementa que não foi comprovada qualquer conduta dolosa da "empresa de fachada", e conclui que tudo o que se diz que foi fraudulento, em última instância, teria sido, supostamente, cometido pelos responsáveis, não pela "empresa de fachada". 195. Pugna, igualmente, que deve ser cancelada a multa agravada (50%) em razão da ausência do alegado embaraço à fiscalização, tendo em vista que a autoridade fiscal afirma que a Impugnante noticiou, no curso da ação fiscal, que os livros fiscais e comerciais solicitados não existiriam, e que todos os demais documentos haviam sido apreendidos pela Polícia Federal. Assim, no seu entendimento, não houve ausência de resposta. 196. Neste tópico, o que já restou esclarecido anteriormente, e particularmente no quesito pertinente à análise da pertinência da multa qualificada, é suficiente para o correto entendimento da questão. Acrescentese que leitura atenta das intimações nas quais constou menção específica acerca do agravamento, e o não pronunciamento da fiscalizada, elucida a questão. Fl. 2680DF CARF MF 80 DEFESA – ADIR ASSAD TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E DE RESPONSABILIDADE PESSOAL – ARTS. 124, INCISO I, E 135, INCISO III, DO CTN Da impossibilidade de responsabilização tributária 197. Pugna o recorrente que na responsabilidade solidária, o interesse comum consignado no art. 124, inciso I, do CTN, exige que o agente atue em conjunto com o sujeito passivo e com o mesmo intuito específico em relação ao fato gerador. Acrescenta que no art. 135, inciso III, a responsabilidade pessoal requer que o agente pratique atos com excesso de poderes ou infração à lei, e que seja diretor, gerente ou representante do sujeito passivo principal. 198. Resume sua argumentação no sentido de que a responsabilidade tributária demanda o dolo específico do agente, em ato com excesso de poderes, e na condição de gestor. 199. A seguir, nos tópicos específicos adiante analisados, além de considerações específicas, assevera que não se delineou a responsabilidade tributária nos termos elencados. 200. Em razão do que já restou esclarecido anteriormente, estão plenamente caracterizadas as condições exigidas nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, para a imputação da responsabilidade tributária ao Impugnante. Da inexistência de quaisquer atos praticados pelo impugnante em 2009 e 2010 201. Pugna o recorrente que como se verifica do T.V.F, os supostos fatos geradores foram praticados em 2008, 2009 e 2010, todavia, das "provas" apresentadas, notase que se referem apenas aos anos de 2008, 2012 e 2013 (registra que os email são de 2008, as correspondências bancárias e DARF são de 2008 e 2012, as Guias da Previdência Social são de 2012, a lista de documentos enviada ao contador é de 2012, e os recortes da revista Veja são de 2012 e 2013). 202. Neste quesito, cabe inicialmente mencionar que o conjunto de provas acima relatadas, que culminaram com a consideração do Sr. Adir Assad como sócio de fato da fiscalizada, com sua responsabilização pessoal, com fulcro no artigo 124, inciso I, e artigo 135, inciso III, do CTN, pela prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis), foi alicerçada em ação fiscal que englobou os anos calendário 2008, 2009 e 2010. 203. Assim, o que restou demonstrado, de forma robusta, pela fiscalização, foi um conjunto de atos engendrados com o intuito de omitir receitas ao fisco no período considerado. 204. O Sr. Adir Assad foi considerado sócio de fato da empresa; portanto, plenamente consciente das operações encadeadas à margem da tributação. 205. No que se relaciona à questão específica das provas, que na visão do requerente, não abarcam os anoscalendário 2009 e 2010, o relevante a considerar é que os atos praticados em 2008 foram igualmente perpetrados nos anoscalendário 2009 e 2010, período em que o Sr. Adir Assad permaneceu como sócio de fato da empresa. 206. Não seria lógico e razoável imaginar que o Impugnante teria se desvinculado das operações da empresa em 2009 e 2010, pois, como já asseverado pela fiscalização, as atividades do grupo, conduzido por diversas pessoas, dentre elas o Sr. Adir Assad, teve continuidade para além do anocalendário 2008. 207. Fato relevante a considerar diz respeito aos documentos apreendidos pela Polícia Federal, em razão de comando judicial, que ocorreu em 2013, mas que gerou a autuação que se examina, relacionada a período anterior (2008, 2009, 2010). Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.605 81 208. Assim, as reportagens da imprensa, e também alguns documentos, relacionados a período posterior aos fatos geradores do AI, não maculam a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Adir Assad. As pretensas "provas" trazidas não vinculam o Impugnante à pessoa jurídica autuada 209. O requerente assevera que grande parte das provas somente trata das empresas Rock Star Marketing Ltda e Legend Engenheiros Associados Ltda, sendo que em absurda hipótese de comprovarem algum vínculo do Impugnante com elas, não haveria vínculo entre o Sr. Adir Assad e a S.M. Terraplenagem LtdaEPP. 210. Ao contrário do entendimento da interessada, o conjunto de provas se estende à S.M. Terraplenagem LtdaEPP, e demonstra o vínculo entre o Sr. Adir Assad e a S.M. Terraplenagem LtdaEPP. 211. Vejase, por exemplo, que em email de 05/04/2010, a Sra. Sandra Maria Branco Malago, sócia administradora da SM Terraplenagem Ltda EPP, encaminha ao Sr. Amauri Pontalti, contador das empresas administradas de fato pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, comunicado em que se refere às Notas Fiscais das empresas Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, Rock Star Marketing Ltda, Legend Engenheiros Associados Ltda., Rock Star Marketing Promoções e Eventos Ltda e SM Terraplanagem Ltda (fl. 1170). 212. No material apreendido na retrocitada operação da Polícia Federal encontrouse relação de documentos enviados ao Sr. Adalberto Palhinha (fls. 1665 a 1667), contador comum das empresas do grupo, que demonstram a conexão entre os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, e envolvem as empresas Legend Engenheiros Associados Ltda, JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda, Power To Ten Engenharia Ltda ME, SM Terraplenagem Ltda ME, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda e SP Terraplenagem Ltda – ME. Constam, ainda, documentos pessoais do Sr. Adir Assad, e documentos de empresa do Sr. Marcello José Abbud, de nome "Marcello José Abbud Planejamento Est."(fls. 1164 a 1169). Efetiva ausência de provas da responsabilidade pessoal e solidária: O Termo de Verificação Fiscal traz assertivas e evidências imprestáveis a demonstrar qualquer fraude Irrelevância das "evidências" trazidas no Termo de Verificação Fiscal Emails 213. No tópico pertinente ao email enviados, que já foram acima relatados, pertinentes a agendamento de visto, aquisição de motocicletas e capacete, bem como depósito referente a palestra, o defendente assinala, inicialmente, que estão relacionados somente ao anocalendário 2008, tendo como domínio exclusivo @rstar. 214. Neste quesito, como já exposto anteriormente, o fato de os email estarem relacionados a 2008 não compromete o lançamento e a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Adir Assad. Quanto ao endereço de origem @rstar, as provas acima relatadas esclarecem plenamente a vinculação da autuada como o grupo Rock Star liderado pelo Sr. Adir Assad. 215. Na sequencia, afirma que o email de agendamento não assinala seu nome, que os valores envolvidos na aquisição são reduzidos, que representam contatos informais entre amigos, que foi sócio da Rock Star Marketing Ltda em períodos anteriores (palestra), que não demonstram ato de gestão da empresa, que não revelam a prática de atos com excesso de poderes e infração à lei, com materialização do dolo e fraude e, finalmente, que não foi demonstrado o interesse comum necessário para responsabilizálo. Fl. 2682DF CARF MF 82 216. No que concerne ao significado da comunicações para a gestão da empresa, bem como as repercussões que o interessado aponta, os email em comento foram arrolados pelo autuante como prova de um dos elos de ligação do Sr. Adir Assad com a S.M. Terraplenagem Ltda – ME. 217. O conjunto probatório que culminou com sua responsabilização como sujeito passivo solidário é mais amplo e, como já relatado neste voto, culminou com a consideração do Sr. Adir Assad como sócio de fato da fiscalizada, pela prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis). Esta é uma prática que contraria a lei e, conforme dispõem os artigo 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, enseja responsabilização pessoal ao agente. Correspondências bancárias, DARF e Guias da Previdência Social 218. O Impugnante consigna, inicialmente, que a documentação referida neste título não se refere aos anos de 2009 e 2010 e (ii) não tem qualquer relação com a pessoa jurídica autuada. 219. Quanto à questão dos anoscalendário, cabem os mesmo esclarecimentos acima expostos. 220. Em relação à conexão com a pessoa jurídica autuada, há relação em razão de o conjunto probatório demonstrar que há um grupo, dentre os quais se insere a autuada. 221. De qualquer forma, o Extrato Bancário da S.M. TerraplenagemEPP (fl. 1162) registra claramente que ele foi enviado para o endereço da Legend Engenheiros Associados Ltda Rua Iraí, 1.292 Planalto Paulista São Paulo/SP , que é empresa do grupo conduzido pelo Sr. Adir Assad. O mesmo pode ser dito do Boleto Bancário à fl. 1664. 222. Ressaltese, como já esclarecido, que ficam sem sentido as alegações do Impugnante de que ele não tem conexão com a Legend Engenheiros Associados Ltda. Lista de documentos enviada ao contador 223. Pugna o requerente que não se fala sobre quem enviou a lista, mas apenas que ela foi "enviada ao contador", que a documentação têm correspondência com o anocalendário 2012, e que as empresas e o Impugnante seriam relacionados simplesmente por supostamente terem o mesmo contador. 224. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 1610) o autuante assevera que em 07/03/2013 o Sr. Adalberto Palhinha Martins compareceu à unidade de fiscalização e alegou ser o contador da contribuinte, tendo informado verbalmente que a empresa não possuía os documentos solicitados. 225. Acerca de quem enviou os documentos, a questão é irrelevante, pois somente alguém com associação com o grupo liderado, dentre outros, pelo sr. Adir Assad, poderia ter remetido um conjunto de documentos específicos, e claramente identificados com as empresas Legend Engenheiros Associados Ltda, JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda, Power To Ten Engenharia Ltda ME, SM Terraplenagem Ltda ME, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda – ME, Rock Star Marketing Ltda, Rock Star Produção Comércio e Serviços Ltda e Rock Star Marketing e Promoções Ltda. 226. No que se relaciona ao anocalendário 2012, valem as mesmas considerações já expostas. Recortes da Revista Veja 227. Pugna o recorrente que as datas das reportagens 2012 e 2013 – não encontram relação com os anos 2009 e 2010. Acrescenta, no que se refere ao conteúdo das reportagens, que a Fiscalização afirma que o Impugnante admite que as empresas são suas, todavia, no seu Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.606 83 entendimento, referidas reportagens não contém tal assertiva. Conclui que a mencionada revista não é digna de crédito por ser tendenciosa. 228. Quanto às datas das reportagens, por refletirem as operações da Polícia Federal à época, em cumprimento ao mandado judicial, têm, obviamente, conexão com os anos de 2012 e 2013, mas se referem a fatos que têm pertinência com os fatos gerados discutidos no AI que se examina (2008, 2009 e 2010). 229. Contrariamente ao entendimento do interessado, na reportagem de 06/07/2012 (fl. 1654 do T.V.F) o Sr. Adir Assad confirma a propriedade das empresas: 230. Por fim, quanto à fonte utilizada pela fiscalização, pesquisa em sítios da internet de outros órgão de imprensa igualmente noticiam as atividade do grupo, com se observa nas reportagens colacionadas às fls. 1655 e 1656 do T.V.F. Depósitos feitos pela empresa autuada ao Impugnante 231. O defendente afirma que nenhum depósito foi efetuado em seu favor nos anoscalendário 2009 e 2010. 232. Neste quesito, valem as mesmas observações já expostas. Ausência de fundamentação da responsabilidade solidária e pessoal 233. Assevera o Impugnante que os email não são suficientes para comprovar o seu poder de gerência sobre a empresa e de como ele a utiliza de forma pessoal. Diz que o T.V.F afirma que o domínio @rstar significa "Grupo Rock Star", assertiva que não restou comprovada porque, muito provavelmente, @rstar se refere à Rock Star Marketing, e não a um Grupo Econômico. Fl. 2684DF CARF MF 84 Conclui que tais afirmações não podem ser consideradas como fundamentação para considerá lo como sujeito passivo solidário. 234. De plano, a questão dos email já foi esclarecida neste voto, e integra um conjunto probatório robusto que permite, plenamente, arrolar o Sr. Adir Assad como sujeito passivo solidário. 235. Quanto ao domínio @rstar, a Fundação Getúlio Vargas enviou um email para o Sr. Adir Assad (em nome do Marketing da Rock Star), para Sônia Mariza Branco e para a Sra. Siberly Coelho (filha de Sônia Mariza Branco), com informações de uma conta para depósito do valor referente a uma palestra, sendo que todos os email dos destinatários contam com a expressão @rstar.com.br (fl. 1151). 236. Assim, tendo em vista que a Sra. Sônia Mariza Branco é sóciaadministradora da autuada, confirmase o interesse comum necessário à responsabilidade solidária. Subsidiariamente, impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada Inaplicabilidade da multa qualificada 237. O interessado registra que a Súmula 14 do CARF assevera que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude e dolo do sujeito passivo, questão que, na sua avaliação, não restou comprovada na autuação. 238. Os fundamentos para aplicação da multa qualificada foram exaustivamente expostos pelo autuante, bem como descritos e avaliados neste Acórdão, o que torna improcedente o pleito do contribuinte. Inaplicabilidade da multa agravada 239. Alega o recorrente que a fiscalização teria agravado a multa em razão de a empresa autuada não ter apresentado as informações requeridas, mas que tal imputação não pode transcender a pessoa jurídica autuada, em razão de que as intimações supostamente não respondidas foram encaminhadas somente à pessoa jurídica autuada, como se depreende dos itens 4.1 e 9.3.10 do T.V.F. Conclui que nem mesmo se as intimações tivessem sido encaminhadas ao Impugnante ele poderia ser sujeito à multa em tela, em razão de que somente a empresa autuada seria capaz de responder as intimações em questão, em razão de que somente ela poderia possuir a documentação solicitada. 240. A sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Adir Assad compreende todo o crédito tributário apurados nos autos, inexistido distinção entre a pessoa jurídica autuada e o recorrente. 241. No que se relaciona às intimações, e como já relatado anteriormente, ele foi intimado a comprovar a origem dos créditos bancários (fls. 1439 a 1463), com ciência em 19/08/2014 (fl. 1465), não tendo se manifestado a respeito. DEFESA – MARCELLO JOSÉ ABBUD TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E DE RESPONSABILIDADE PESSOAL – ARTS. 124, INCISO I, E 135, INCISO III, DO CTN 242. Em sua defesa, o recorrente, inicialmente, repisa os argumentos apresentados pelo Sr. Adir Assad em relação à decadência, inaplicabilidade das multas qualificada e agravada 243. Neste quesito, cabem os mesmo esclarecimentos já apresentados na análise do contraditório apresentado pelo Sr. Adir Assad. Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.607 85 244. Em tópico adicional, postula pela impossibilidade de sua responsabilidade tributária, com argumento de que nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, somente poderão ser responsabilizados os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos ilegais dos quais tenham decorrido a cobrança tributária correspondente, tendo em vista que o sentido extraído da lei, no seu entendimento, é de justamente punir quem tinha o condão de decidir ou não pelo pagamento do tributo. Acrescenta que tendo em vista que nunca figurou no quadro sócios da empresa SM Terraplenagem Ltda, jamais poderia sequer ter concorrido para qualquer eventual ilegalidade relacionada ao não recolhimento do tributo. Complementa que o Fisco não comprovou que, embora não constasse do quadro de sócios da empresa autuada, que ele teria exercido quaisquer atos de gestão na mencionada empresa. 245. Como já restou plenamente esclarecido no decorrer deste voto, o Sr. Marcello José Abbud foi sócio de fato da autuada no período considerado, tendo concorrido, portanto, para a realização dos atos de gestão que culminaram com a sonegação fiscal demonstrada nos autos. DEFESA – LUIS ROBERTO SATRIANI, SANDRA MARIA BRANCO MALAGO E SÔNIA MARIZA BRANCO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E DE RESPONSABILIDADE PESSOAL – ARTS. 124, INCISO I, E 135, INCISO III, DO CTN 246 De plano, quanto às alegações, nos quesitos decadência e múltiplas nulidades (erro na identificação do sujeito passivo, falta de intimação do titular da conta de depósito, erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, erro na identificação da alíquota e vício de motivação), cabe reportar ao que já restou esclarecido na análise da defesa da empresa. Ausência de responsabilidade solidária ou pessoal do impugnante Inaplicabilidade do artigo 124, inciso I, do CTN 247. Registra o recorrente que o T.V.F afirma que "outra linha adotada pela fiscalizada foi a utilização de 'laranjas' ou 'testas de ferro' como já amplamente conhecido no jargão popular, que se tratam de interpostas pessoas do verdadeiro sócio da sociedade" e que "os sócios de direito dessas empresas, geralmente, são de baixa capacidade econômica (...). Em troca de favores ou mediante pagamento, emprestam seus nomes para utilização escusa por parte de terceiros". Acrescenta que uma pessoa dada como laranja não pode ter o mesmo interesse (interesse comum) do suposto "administrador de fato" do negócio, nem ser interposta pessoa deste. 248. De plano, cabe melhor qualificar o que restou descrito no T.V.F. Apesar de o autuante realmente ter utilizado os termos “laranja” ou testa de ferro”, o fez com um qualificativo que os recorrentes não inseriram no retrotrancrito item do T.V.F: “(...) Em troca de favores ou mediante pagamento, emprestam seus nomes para utilização escusa por parte de terceiros. Este expediente foi amplamente utilizado por esta sociedade e seus sócios de fato e de direito caracterizando as ações dispostas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964.”(grifos acrescidos). 249. Assim, o Sr. Luis Roberto Satriani não seria “laranja” no sentido de possuir baixa capacidade econômica, situação em que o cidadão simplesmente empresta o seu nome que integrar o quadro societário de uma empresa. 250. Ainda no intuito de dirimir dúvidas acerca da questão, os Impugnantes reproduzem trecho de T.V.F que, de acordo com o seu entendimento, reforça o raciocínio por eles expostos: “Abaixo iremos demonstrar através de várias provas colhidas que os Sr MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD são os verdadeiros sócios de fato desta empresa, e que contou com a Fl. 2686DF CARF MF 86 participação ativa dos sócios: as irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e do empresário LUIS ROBERTO SATRIANI, na estrutura de sonegação aqui relatada." (grifos acrescidos). 251. Vejase que a fiscalização enfatizou que os mencionados sócios de direito tiveram participação ativa na sonegação engendrada, mais uma vez desconstituindo a idéia de que seriam meros “laranjas”, que emprestam seus nomes para que estes figurem no quadro societário. 252. Relevante para o deslinde da questão, e que já foi motivo de menção neste Voto, é que em outubro de 2013 a Polícia Federal deflagrou operação de busca e apreensão em diversas empresas controladas pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP. Entretanto, enfatizou a fiscalização que as empresas estão registradas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”), todas com vínculos profissionais e pessoais com os retrocitados cidadãos. 253. Assim, não se trata de simples alocação de nomes ao quadro societário, situação que claramente caracteriza a interposta pessoa (“laranja”), mas de pessoas, como Luis Roberto Satriani, Sonia Branco e Mariza Branco, que verdadeiramente tem conhecimento das atividades da empresa. 254. Na defesa apresentada os recorrentes asseveram que seu interesse na pessoa jurídica autuada era meramente econômico, todavia, não haveria qualquer prova de que sua gestão envolvia atividade ilícita, e que não haveria provas de atos de gestão de sua parte, muito menos algo que os vincule à omissão de receitas imputada à pessoa jurídica autuada. 255. A revelação de interesse econômico é prova de que o requerente tinha conhecimento das atividades da empresa, tendo os mesmos sido intimados (fls. 1387 a 1411, e 1413 a 1437) em 31/07/2014 (Aviso de Recebimento às fls. 1412 e 1438) a justificar, com documentação hábil e idônea, a origem dos créditos bancários lançados nas contas bancárias da empresa. Não houve resposta do Sr. Luis Roberto Satriani e da Sra. Sônia Branco, o que prova que eles estavam plenamente conscientes da questão, e não apresentaram esclarecimentos à fiscalização que justificasse que não tinham conhecimento e ligação com os negócios da fiscalizada. 256. A questão é definitivamente esclarecida em razão de entrevista do Sr. Adir Assad à Revista Veja, de 18/12/2013 (colacionada ao T.V.F à fl. 1655), na qual ele próprio reconhece que seus sócios são todos parceiros, seus funcionários há mais de vinte anos, não são laranjas, pois laranjas seriam, nas suas próprias palavras, se fossem carpinteiros: Qual a razão de as empresas do senhor não existirem nos endereços declarados e estarem, todas, em nome de laranjas ? Elas funcionam nesses endereços por uma razão simples: estão fora da cidade de São Paulo para pagar menos Impostos. Não sou só eu que faço isso. É planejamento fiscal. Grandes empresas e até bancos fazem a mesma coisa. Os impostos aqui na cidade de São Paulo são muito altos. Quanto aos sócios, são todos parceiros, funcionários meus de mais de vinte anos. Não são laranjas. O que é um "laranja" para o senhor ? Laranjas eles seriam se fossem carpinteiros, pedreiros. Não é o caso. (negritos do original e grifos acrescidos). 257. Assim, resta comprovado que os sócios de direito da autuada (Sônia, Sandra e Luis Roberto) não são “laranjas” no sentido popular do termo, mas atuaram em conjunto com o Sr. Adir Assad, estando plenamente caracterizado o interesse comum em atos praticados com infração à lei (sonegação fiscal) requerido para a aplicação da responsabilidade solidária Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.608 87 consubstanciada nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN. Inaplicabilidade do Artigo 135, inciso III, do CTN Efetiva Impossibilidade de Responsabilização Pessoal do Impugnante 258. Afirmam os defendentes que da leitura do artigo 135, inciso III, do CTN, a responsabilização pessoal de diretores, gerentes ou mandatários depende de comprovação de conduta (i) com excesso de poderes ou (ii) fraude de lei. Acrescentam que a conduta com excesso de poderes ou fraude à lei deveria ter sido demonstrada pela D. Autoridade Fiscal e estar intimamente relacionada ao fato gerador, com prova de ações do Impugnante relacionadas com os depósitos recebidos supostamente como omissão de receitas. 259. Como já exaustivamente discutido, os sócios de direito Luis Roberto, Sonia Branco e Sandra Branco fraudaram a lei ao cometer, em tese, crime de sonegação fiscal, conforme amplamente esclarecido no item de qualificação da multa deste Voto. Questões subsidiárias: impossibilidade de responsabilização dos impugnantes pelas multas aplicadas 260. Inicialmente, pugna os requerentes que não há como subsistir a autuação em relação a eles, seja por sua absoluta inconsistência interna, seja pela nítida inexistência de qualquer grau de responsabilidade, que restou absolutamente descaracterizada, diante da ausência de qualquer prova da existência de conduta com excesso de poderes ou fraude à lei que estivesse diretamente relacionada com o presente lançamento. 261. De plano, como já esclarecido anteriormente, a autuação é procedente e, igualmente, a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Luis Roberto Satriani e à Sra. Sônia Branco. 262. Prosseguem os interessados que, ainda que fosse mantida a solidariedade a eles imputada, o que admitem por cautela, afirmam que eles não podem arcar com as penalidades aplicadas, muito menos com as quantias referentes ao agravamento e à qualificação. O Impugnante não pode responder pela multa no presente caso Artigo 137 do CTN 263. Asseveram os recorrentes que o artigo 124, inciso I, do CTN, diz respeito somente à responsabilidade pela obrigação principal, vale dizer, pelo tributo, mas nunca poderia autorizar a responsabilização solidária do Impugnante pela multa. Acrescentam que o artigo 137 do CTN também regula a matéria, e esclarece que a responsabilidade pelas infrações é pessoal do agente que as comete e, ainda, quando as infrações em questão constituam crime, ou ainda quando dependam de dolo específico. Concluem que se o T.V.F é contraditório ao definir quem seria o pretenso agente as qualificações de interponente e "laranja" são, no seu entendimento, caoticamente atribuídas às pessoas ali citadas, inclusive à própria empresa , evidente que existe uma dificuldade para a aplicação (correta) da norma inserta no artigo 137. 264. Neste quesito, como já restou asseverado na análise da responsabilidade solidária atribuída aos Impugnantes, restou plenamente caracterizada a aplicação do artigos 124, Inciso I, e 135, inciso III, do CTN, tornado sem sentido o pleito de que não poderiam ser responsabilizados pela multa, que é parte integrante do crédito tributário. Ainda que seja mantida a responsabilidade pela penalidade aplicada, o Impugnante não pode responder pelo agravamento 265. Neste tópico, os recorrentes enfatizam que a multa exigida, ainda que se tratasse daquela de 75%, jamais poderia ultrapassar a figura do agente, mas assinalam, em caráter de subsidiariedade, que o agravamento e a qualificação da multa de ofício não poderiam ser objeto de solidariedade. Fl. 2688DF CARF MF 88 266. No que concerne à qualificação da Multa de Ofício, que autoriza sua duplicação, argumentam que o artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, faz remissão aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que descrevem os tipos penais referentes à sonegação, fraude e conluio, e afirma que em conformidade com o inciso I do artigo 137 do CTN, a penalidade gerada por qualquer dessas infrações não poderia passar da pessoa do agente que a cometeu e, portanto, não poderia ser objeto de responsabilização solidária dos Impugnantes. Complementam que ainda que essas condutas não estivessem tipificadas como crimes, é essencial notar que, ainda assim, elas não permitiriam a responsabilização dos Impugnantes, pois também dependem do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137 do CTN, tendo em vista que o dolo não foi demonstrado com relação a eles. 267. Tendo em vista a procedência da multa qualificada e, ainda, o que restou asseverado na análise da responsabilidade pessoal e solidária atribuída aos Impugnantes, que permitiu a aplicação plena dos artigos 124, Inciso I, e 135, inciso III, do CTN, não há procedência na reivindicação pela improcedência da multa qualificada incerta no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96. Qualificação da penalidade por embaraço Impossibilidade de qualificação da multa por embaraço mesmo contra a pessoa jurídica autuada 268. Neste tópico, os Impugnantes afirmam que a D. Autoridade Fiscal alega que não foram atendidas as notificações para entrega de documentos exigidos e, por conta disso, utilizouse de (i) arbitramento e (ii) presunção de omissão de receitas. Acrescentam que quando a ausência de entrega de documentos já acarretar, por si, uma penalidade ao contribuinte, não poderá haver bis in idem com o agravamento por embaraço (transcreve jurisprudência). 269. Não há procedência na reivindicação do Impugnante, pois tratamse de infrações distintas. O Impugnante não pode ser responsabilizado pela qualificação da multa por embaraço 270. O defendente alega que pela leitura do §2º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, concluise que o embaraço à fiscalização também depende do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137, do CTN. Acrescentam que se ele não são administradores de fato da pessoa jurídica autuada, não poderiam embaraçar a fiscalização. Complementam que quando do início da fiscalização, não constavam como sócios da pessoa jurídica autuada, e concluem que eles jamais receberam qualquer notificação para apresentação de documentos referentes à fiscalização da pessoa jurídica autuada. 271. Tendo em vista a procedência da multa agravada e, ainda, o que restou asseverado na análise da responsabilidade solidária atribuída aos Impugnantes, que permitiu a aplicação plena dos artigos 124, Inciso I, e 135, inciso III, do CTN, não há procedência na reivindicação pela improcedência da multa incerta no artigo 44, §2°, da Lei n° 9.430/96. 272. Ainda que não estivesse configurado nos autos a responsabilidade dos recorrentes, sócios de direito da autuada, mesmo assim seriam responsáveis pela multa que contestam. 273. A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. Transcrevemse, a seguir, trechos de artigos do CTN que interessam à solução da lide: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.(grifos acrescidos) Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.609 89 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...)(grifos acrescidos) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.(grifos acrescidos) 274. Enquanto, se o artigo 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (artigos 113, §1°, e 139), retrotranscritos, trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. 275. Portanto, aplicase às multas de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos. É a conclusão a que chega Celso Ribeiro Bastos (Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário, Saraiva, 2001, pp. 192 a 194): O § 1º do art. 113 recebe duras críticas da doutrina, devido à redação de sua parte final, onde diz que a obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária. É que o próprio art. 3º do Código Tributário Nacional determina que o tributo não pode consistir no pagamento de prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito. Há o estabelecimento, pelo menos aparente, de verdadeira contradição, por excluir aquele artigo, de maneira cabal, o pagamento das multas como prestação tributária. Com efeito, a afirmação de que a obrigação principal pode versar sobre penalidade pecuniária quadra mal com o anteriormente exposto. O § 3º do art. 113 visa estabelecer uma sanção destinada a punir aquele que descumpre a obrigação acessória. Escolhe a modalidade de uma penalidade de natureza pecuniária. Até esse ponto os tributaristas marcham concordes. Com efeito, nada mais apropriado do que impor uma sanção pecuniária àquele que descumpre com os deveres acessórios. Mas os mesmos críticos que há pouco encrespavam contra a possibilidade de que a obrigação principal pudesse ter por objeto tanto o pagamento de tributo quanto o de penalidade pecuniária, investem agora contra o fato de a obrigação acessória poder converterse em principal, quando não cumprida. Parece, com efeito, do estrito ponto de vista lógico, proceder a crítica destes autores. Não há que falarse em conversão da obrigação acessória em principal, mas sim em sanção. Contudo, a intenção do texto é tão manifesta que acaba por relevar este pecadilho de ordem lógica. É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável a tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo. (grifos acrescidos) 276. Portanto, sendo a multa parte integrante e inseparável do crédito tributário, impertinente qualquer reivindicação para destacála da obrigação principal. Fl. 2690DF CARF MF 90 DEFESA – FOURS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDAME TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – ART. 124, INCISO I, DO CTN 277. De plano, quanto às alegações, nos quesitos decadência e múltiplas nulidades (erro na identificação do sujeito passivo, falta de intimação do titular da conta de depósito, erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, erro na identificação da alíquota e vício de motivação), cabe reportar ao que já restou esclarecido na análise da defesa da empresa. 278. Assevera a recorrente que antes mesmo de demonstrar a completa impossibilidade de se imputar solidariedade à empresa Four's, uma vez cancelada a exigência em relação à Sra. Sônia, automaticamente a acusação fiscal perderá todo o sentido no que tange à Four's. 279. Neste tópico, como já esclarecido anteriormente, restou plenamente caracterizada a responsabilidade solidária e pessoal da Sra. Sônia pelo créditos discutidos nos autos, o que torna improcedente a alegação. 280. Prossegue a defendente que o fato de a empresa ter sido constituída no mesmo endereço da empresa Rockstar não denota qualquer espécie de fraude, pois nos casos de holdings patrimoniais familiares, é bastante comum que a empresa não seja "operacional", que se estabeleça em endereços de utilização mútua da família, complementado que ela logo mudou de endereço. 281. Os argumentos da Impugnante não se sustentam, pois como já foi explicitado neste Voto, houve a caracterização da conexão entre a autuada e a empresas do grupos Rockstar, em razão da ligação da Sra. Sônia Mariza Branco. Quanto à mudança de endereço, da Avenida Ceci nº 1.542, Planalto Paulista, São Paulo/SP, para Rua Domiciano Leite Ribeiro nº 51, Bloco 4, a Sra. Sônia reside à Rua Domiciano Leite Ribeiro nº 51, Bloco 3. 282. Igualmente, fica sem sentido o argumento de que o fato de a Sra. Sônia ter doado o seu patrimônio para a Four´s não caracteriza a ligação entre esta e a Rockstar. 283. Afirma a requerente que a doação de quotas entre familiares é extremamente comum, e que administração da empresa cujas quotas foram doadas aos filhos geralmente permanece com o doador 284. Neste tópico, cabe remeter ao item do Voto que trata, especificamente, da caracterização da responsabilidade solidária da Four´s que, como visto, indica que o conjunto de atos engendrados pela Sra. Sônia guardam perfeita relação com o objetivo específico de blindar o seu patrimônio. 285. Por fim, quanto à alegação de que a Four's foi constituída em 2008, a última operação com bens é de 24/02/2012 e a presente fiscalização se iniciou em 02/10/2012, o que, no entendimento da interessada, somente justificaria a criação da Four's para blindagem patrimonial se algum dos seus sócios tivesse a virtude de prever o futuro, registrese que os atos de sonegação revelados na autuação tiveram início em 2008, o depoimento da Sra. Sônia à Polícia Federal ocorreu em 2012, e a ação fiscal que se discute teve marco inicial em 18/12/2010. DEFESA – SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA 286. Pugna a requerente que o T.V.F é incapaz de demonstrar qualquer evidência de relação comercial ou empresarial de interesse comum entre a Impugnante e a contribuinte autuada, o que seria insuficiente, no seu entendimento, para a caracterização de responsabilidade solidária Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.610 91 de interesse comum. Acrescenta que não prestou qualquer serviço, venda mercantil, ou beneficiouse das operações narradas pelo AI, e que o fato isolado de o pai das sócias da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda ter sido funcionário, ou exercido suposta gerência sobre uma das empresas fiscalizadas, não apresenta base legal para extensão vertical indireta da sujeição passiva. 287. A motivação para a responsabilidade solidária (art. 124, inciso I, do CTN) atribuída à Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda não se reporta a operações comerciais e empresariais realizadas entre ela e a autuada S.M. Terraplenagem Ltda. 288. A caracterização do Sr. Adir Assad como efetivo condutor dos negócios da S.M. Terraplenagem Ltda, o que o posicionou no pólo passivo da autuação, e sua evidente relação com a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, exaustivamente delineada no tópico específico deste Voto, é que motivou o interesse comum exigido para a sujeição passiva solidária. 289. A recorrente afirma que a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda foi constituída há mais de 30 anos, o que não justificaria a intenção de blindagem futura de patrimônio, e que este foi constituído anteriormente, com origem completamente distinta das atividades da contribuinte autuada S.M. Terraplenagem Ltda. 290. A época da constituição a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda (1978) não é relevante; a questão primordial está centrada na transferência do controle da empresa (portanto, do patrimônio) para as filhas do Sr. Adir Assad em 2012 (época das operações da PF, e com a ação fiscal em andamento), por meio de lavratura de Escritura de Doação com Reserva de Usufruto ao Sr. Adir Assad, bem como Procuração das filhas para que ele exercesse a gerência da empresa. 291. Em tópico específico, a Impugnante consigna que há equívoco no argumento de que haveria usufruto na doação das cotas pelos pais, posto que o próprio Instrumento Contratual anexo comprova a inexistência da condição de usufruto narrado no Termo Fiscal. 292. Cabe esclarecer que no anexo acostado aos autos não consta o mencionado documento, o qual foi juntado pela fiscalização às fls. 1207 a 1212, e no qual consta claramente que “... pela presente escritura e nos melhores termos de direito, OS DOADORES, QUE RESERVANDO PARA SI O USUFRUTO VITALÍCIO, e a consequente livre administração da citada empresa...” (grifos e destaques do original). 293. Alega a requerente que a sujeição passiva a ela atribuída, com base no inciso I, do artigo 124, do CTN, foi imposta sem qualquer direito de defesa ou conhecimento da realização de verificação fiscal, apenas por meio de um edital é que houve seu conhecimento. 294. De plano, o próprio contraditório que se examina, no qual a defendente se expressa de forma articulada e consciente da responsabilidade tributária a ela atribuída, é prova inconteste do pleno exercício do direito de defesa. 295. No que concerne à ciência, enviouse, inicialmente, correspondência para o domicílio tributário da empresa (fls. 1745 e 1746), que retornou com a indicação “mudouse”. A seguir, emitiuse o pertinente Edital (fl. 1747), com data de ciência em 02/10/2014, tudo em perfeita consonância com as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal (PAF). Fl. 2692DF CARF MF 92 296. Esclareçase, no que concerne à afirmação da Impugnante, de que a ação fiscal se baseou em documentos e informações colhidas por meios ilegítimos, da qual não teve ciência, bem como de que todo o processo administrativo afrontou os princípios constitucionais consignados no disposto artigo 5º, inciso, LV, da CF (“aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”), de que não há qualquer mácula no procedimento fiscal que corrobore o que ela alega. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO 297. No que concerne aos requerimentos para que todas as intimações e notificações sejam encaminhadas aos procuradores, conforme endereços especificados, tal pedido deve ser indeferido pelos motivos a seguir: 298. O artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972, abaixo transcrito, disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 299. O inciso II, do citado artigo 23, determina que as intimações por Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.611 93 via postal ou por qualquer outro meio sejam feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este definido no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal, no qual não se enquadra o endereço requerido. Portanto, não sendo a intimação feita pessoalmente ou por meio eletrônico em endereço atribuído pela Administração e autorizado pelo sujeito passivo, não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. LANÇAMENTOS DECORRENTES 300. Cabe ressaltar que diante do fato de o lançamento principal (IRPJ) estar sendo considerado procedente, de não haver outras alegações específicas da contribuinte quanto aos lançamentos decorrentes (PIS, Cofins e CSLL), e de não existir nenhum motivo para que estes lançamentos decorrentes sejam declarados de ofício improcedentes, estes lançamentos decorrentes devem ser mantidos da mesma forma que o lançamento de IRPJ. 301. Ante o exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada contra os lançamentos discutidos neste processo, mantendo o crédito tributário exigido, bem como a imputação de responsabilidade solidária aos impugnantes Adir Assad, Marcello José Abbud, Sônia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago, Luis Roberto Satriani, Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda e Four´s Empreendimentos Imobiliários Ltda contra os lançamentos discutidos neste processo. ANÁLISE DAS POSSÍVEIS DISCORDÂNCIAS DA POSIÇÃO DA DRJ Diante da integral transcrição da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento na análise da impugnação e levando em consideração, conforme já destacado no início deste voto, que no manejo do recurso voluntário não foi acrescentado nenhum motivo de fato ou de direito pelos recorrentes a fim de infirmar o decidido, digase de passagem, com bastante fundamento, pela Decisão de Piso, adoto como fundamentos deste voto o decidido pela Delegacia de Julgamento na forma do art. 57, § 3º, do regimento interno do CARF. Da Petição Extemporânea Antes de dar por encerrado o voto cabe registrar que os interessados ADIR ASSAD e SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS apresentaram petição recente na qual pleiteiam a juntada de documentos relativos à ação penal promovida contra os mesmos pelo Ministério Público. Nesta petição argumentam que o próprio Ministério Público informa que dos valores ingressados nas contas da empresa e que foram utilizados como base dos lançamentos, apenas 16% ficariam efetivamente com a empresa, sendo o restante repassado a terceiros no cumprimento da lavagem de recursos ilícitos. Assim, pugna para que a autuação se restrinja apenas à parcela que efetivamente seriam da empresa. Fl. 2694DF CARF MF 94 Quanto a esta petição havemos de esclarecer ao requerente que, em direito tributário vige o princípio do non olet, pelo qual a incidência tributária recai sobre todos os rendimentos independentemente de sua origem lícita ou não. Não interessa, no caso do lançamento deste processo se os recursos ficaram em sua totalidade com a empresa ou não. O que interessa para fins de lançamento tributário é o fato de os recursos terem sido repassados à empresa e esta ter omitido a existência do mesmo do fisco. Na esfera criminal a informação de que apenas 16% teriam ficado com a empresa pode fazer sentido com vistas à redução das sanções de ressarcimento ao erário lesado pelas partes, mas ao direito tributário não há modificação dos efeitos. O tributo lançado incidiu sobre a renda omitida, rendta esta em toda a sua integralidade e não apenas na parte do esbulho ao qual os recorrentes afirmas ter usufruído. Assim, não merece guarida a sustentação apresentada, razão pela qual, apesar das considerações agora apresentadas, voto pelo seu conhecimento em atenção ao princípio da ampla defesa e, no mérito, negarlhe provimento pelas razões acima apresentadas. Da Revisão da Decadência Revendo meu posicionamento em relação a alguns pontos que foram levantados na sustentação oral e em razão de ter motivado minha decisão unicamente pelo fato de o Recurso voluntário não ter contestado nenhum ponto da decisão recorrida. Verifiquei, no entanto, que pode assistir razão aos recorrentes de alguma maneira, assim, acho por bem fazer uma nova interpretação destes pontos. DA DECADÊNCIA Inobstante a decisão prolatada pela Delegacia de Julgamento, havemos de rever a contagem do prazo decadencial de acordo com as normas pertinentes. IRPJ LANÇADO de 01/2008 a 12/2010 CSLL LANÇADA 01/2008 a 12/2010 PIS 01/2008 a 12/2010 COFINS 01/2008 a 12/2010 Em sua decisão a Delegacia de Julgamento baseou suas razões no fato de os fatos geradores de 2008 se referirem ao exercício 2009 e, assim, adotando a regra do art. 173 do CTN, a contagem da decadência somente se inicia em 01/01/2010, razão pela qual não estaria decaído o lançamento em nenhum hipótese. Discordo deste entendimento. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2008, o início da contagem do prazo decadencial ocorre em 01/01/2009 e, assim, esgota se em 31/12/2013. Como o lançamento somente foi efetivado em 2014, estariam alcançados os créditos tributários cujo fato gerados ocorre até 30/12/2008. Desta forma, revendo a decisão recorrida, entendo voto por considerar decaídos os créditos tributários abaixo relacionados. Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.612 95 IRPJ de 31/01/2008 a 30/11/2008 CSLL de 31/01/2008 a 30/11/2008 PIS de 31/01/2008 a 30/11/2008 COFINS de 31/01/2008 a 30/11/2008 Da Revisão da Sujeição Passiva Solidária Em relação à Sujeição Passiva Solidária deve ser revista a manutenção da responsabilidade solidária dos seguintes sujeitos passivos, pelos fatos e fundamentos agora expostos. LUIS ROBERTO SATRIANI fls. 2239 em diante Foi responsabilizado na forma do art. 124, I e 135, III do CTN. A responsabilização foi efetuada, tanto no TVF, quanto na Decisão de Piso em razão de o mesmo constar como sócio da empresa em parte do período lançado, ter sido citado nas investigações e reportagens de jornal e ter, em depoimento, afirmado que disponibilizava um terreno onde máquinas da empresa eram guardadas. Em relação à comprovação de condutas pessoais individuais não foi citado nenhum documento ou registro que asseverasse que o mesmo participou, efetivamente, da movimentação de recursos, da recepção de valores, etc. Também não houve a demonstração de um interesse comum além do fato de manter relações com os Srs. Adir Assad e Marcelo José Abbud. Do exposto, revendo o entendimento apresentado pela Decisão de Piso, voto no sentido de excluir a responsabilização solidária do Sr. Luis Roberto Satriani. SONIA MARIZA BRANCO Foi responsabilizado na forma do art. 124, I e 135, III do CTN. A imputação de responsabilidade pelo TVF e pela DRJ levaram em consideração, além da estreita relação entre a interessada e os Srs. Adir Assad e Marcelo José Abbud, o fato de ela constar como sócia em seis empresas ligadas ao grupo e, ainda, utilizar o endereço de uma empresa considerada a central de operações do esquema, como seu domicílio bancário. Inobstante o TVF ter citado inúmeras vezes o nome desta interessada, não foram mencionados nem elementos de prova de de realização de ato com infração à lei ou aos Fl. 2696DF CARF MF 96 estatutos. A participação no esquema ilegal é evidente, no entanto esta participação se refere apenas à responsabilização penal ou civil. Para fins tributários e responsabilização de terceiros sobre um determinado crédito tributário há de se demonstrar, de forma cabal, a efetiva participação da interessada em atos ilegais em matéria fiscal, seja no recebimento de valores, movimentação de contas bancárias, etc. Isto não foi caracterizado pela fiscalização em relação aos art. 135. No entanto, em relação à imputação do art. 124,I, penso que agiu com acerto a Decisão de Piso. O benefício auferido pela interessada pode ser demonstrado pela tabela abaixo, na qual se encontram os imóveis adquiridos pela mesma e a sua entrega, por meio de doação, à outra interessada Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme tabela abaixo. Demonstrase o interesse pela obtenção de patrimônio originado nas atividades ilícitas realizadas na empresa e, mais ainda, a tentativa de ocultação deste mesmo patrimônio com a sua doação à outra interessada Four's Empreendimentos imobiliários. Neste sentido voto por manter a responsabilização solidária deste sujeito passivo solidário. SANDRA MARIA BRANCO MALAGO Foi responsabilizado na forma do art. 124, I e 135, III do CTN. A imputação de responsabilidade pelo TVF e pela DRJ levaram em consideração, além da estreita relação entre a interessada e os Srs. Adir Assad e Marcelo José Abbud, o fato de ela constar como sócia em quatro empresas ligadas ao Inobstante o TVF ter citado inúmeras vezes o nome desta interessada, não foram mencionados nem elementos de prova de benefício ou de realização de ato com infração Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.613 97 à lei ou aos estatutos. A participação no esquema ilegal é evidente, no entanto esta participação se refere apenas à responsabilização penal ou civil. Para fins tributários e responsabilização de terceiros sobre um determinado crédito tributário há de se demonstrar, de forma cabal, a efetiva participação da interessada em atos ilegais em matéria fiscal, seja no recebimento de valores, movimentação de contas bancárias, etc. Isto não foi caracterizado pela fiscalização. O simples arbitramento e a participação em esquemas ilegais de desvio de dinheiro não pode ser transmutada para a esfera tributária sem que se provem os requisitos estabelecidos na norma acerca da demonstração dos atos, pelo art. 135, ou na demonstração do benefício auferido para o art. 124. Por isso voto no sentido de dar provimento neste ponto, excluindo a responsabilidade solidária deste sujeito passivo. FOUR'S EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA fls. 2340 Foi responsabilizado na forma do art. 124, I. Em relação à imputação do art. 124,I, penso que agiu com acerto a Decisão de Piso. O benefício auferido pela interessada pode ser demonstrado pela tabela abaixo, na qual se encontram os imóveis adquiridos pela interessada Sônia Maria Branco e a sua entrega, por meio de doação, à outra interessada Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme tabela abaixo. Demonstrase o interesse comum pela obtenção de patrimônio originado nas atividades ilícitas realizadas na empresa autuada e, mais ainda, a tentativa de ocultação deste Fl. 2698DF CARF MF 98 mesmo patrimônio com a sua doação à esta interessada. Neste sentido voto por manter a responsabilização solidária deste sujeito passivo solidário. SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA fls. 2431 Foi responsabilizado na forma do art. 124, I Em relação a este interessado, e de maneira semelhante ao interessado acima tratado, esta empresa foi utilizada como forma de tentativa de blindagem de patrimônio do Sr. Adir Assad. A empresa existia desde 1978 como empresa varejista e prestadora de serviços diversos. Apenas em 2010 alterou o seu objeto para incorporação de empreendimentos imobiliários. Posteriormente, em agosto/2012, foram admitidas como sócias da empresa as filhas do casal Adir Assad e Sônia Regina Assad. No entanto a evidência maior do interesse comum é a transferência e registro, na referida empresa de todos os bens do casal, conforme relatado no TVF. Para tanto a fiscalização acostou tabela com os bens adquiridos e/ou repassados a esta interessada no período. Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.614 99 Demonstrase o interesse comum pela obtenção de patrimônio originado nas atividades ilícitas realizadas pelo autuado e, mais ainda, a tentativa de ocultação deste mesmo patrimônio com a transferência ou colocação de sua propriedade no nome da interessada. Neste sentido voto por manter a responsabilização solidária deste sujeito passivo solidário. Quanto aos demais responsáveis solidários, Adir Assad e Marcelo José Abbud sua participação e beneficiamento com base no esquema realizado foram muito bem comprovados e demonstrados na decisão da DRJ. Assim, em relação a estes voto no sentido de manter a responsabilidade solidária. Pelo exposto voto por dar parcial provimento aos recursos voluntários do sujeito passivo e dos responsáveis solidários, no sentido de considerar decaídos os créditos tributários abaixo relacionados e excluir da responsabilidade solidária os sujeito passivos indicados Sandra Maria Branco Malago e Luis Roberto Satriani. Créditos Tributários decaídos IRPJ de 31/01/2008 a 30/11/2008 CSLL de 31/01/2008 a 30/11/2008 PIS de 31/01/2008 a 30/11/2008 COFINS de 31/01/2008 a 30/11/2008 Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2700DF CARF MF 100 Fl. 2701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000628/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS COMPROVADOS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INOCORRÊNCIA.
Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens:
I - os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos;
II - os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação;
III - as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte;
IV - os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meio-fio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel;
V - o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante;
VI - o valor da contribuição de melhoria.
Numero da decisão: 2401-005.266
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS COMPROVADOS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INOCORRÊNCIA. Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; IV os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI o valor da contribuição de melhoria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 06 28 /2 00 9- 83 Fl. 327DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 218/222, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 223/224, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 38.131,29, composto da seguinte forma: R$ 15.890,69 relativo ao Imposto; R$ 10.322,29 de Juros de mora (calculados até 30/04/2009); e R$ 11.918,01 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 220), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos adquiridos em reais cujo fato gerador teria ocorrido em 30/06/2004. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 223/224), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “O contribuinte foi intimado, em 28/01/2009, a apresentar cópia da escritura aquisição e alienação da Fazenda São José do Bomirar, Estrada de Penha Longa, Chiador, MG; esclarecer se as benfeitorias no valor de R$ 403.000,00 constantes do item 14 da DIRF 2005/2004 foram consideradas dedução da receita da atividade rural; e, comprovar os gastos com as benfeitorias. Em 12/02/2009, o contribuinte informou que as despesas declaradas como despesas efetuadas com benfeitorias na fazenda não foram consideradas como dedução da receita da atividade rural. Apresentou as escrituras solicitadas e não apresentou nenhuma comprovação de despesas com benfeitorias. Em 18/0212009, o contribuinte foi reintimado a comprovar as despesas com as citadas benfeitorias. Respondeu em 19/03/2009, entregando 6 documentos, sendo 4 documentos com probatórios e 2 (dois) referentes a outras fazendas. Os quatro comprovantes de despesas com benfeitorias constam do anexo, nas linhas de 1 a 4. Os outros dois não foram considerados como despesas de benfeitorias na Fazenda São José do Bomirar, pois se referiam à Fazenda Boqueirão em Vitória da Conquista e à Fazenda São Luiz da Boa Vista em Santana do Deserto, recibo este em nome de outra pessoa Angela Maria Ribeiro de Souza. Em 10/03/2009, pelo Termo de Intimação 04, o contribuinte foi reintimado a comprovar as despesas com as benfeitorias efetuadas em sua fazenda alienada em 21/06/2004. Em 17/03/2009 apresentou uma série de documentos descritos a seguir: Vinte notas fiscais constantes da planilha anexa, itens 5 a 24 que comprovam benfeitorias realizadas em sua Fazenda São José do Bomirar. Fl. 329DF CARF MF 4 Nove documentos que se referem a despesas operacionais e patrimoniais, como cocho para ração, transformador de solda, ensiladeira, disco de embreagem, balde, filtro de óleo, faca de broca, riscador, semeadeira, perfuradeira de solo, picadeira, dentre outras. Duas notas fiscais, com endereço do Centro do Rio de Janeiro, comprovando a aquisição de 3 matamoscas. Quatro cupons fiscais/notas fiscais relativos à aquisição de camas de casal, camas de solteiro, baú, fogão industrial, etc. Várias guias de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social dos empregados da fazenda que são claramente despesas de custeio. Duas notas fiscais com endereço do Centro do Rio de Janeiro relativas à aquisição de tijolos, cimento, etc. e Box blindex e espelhos de cristal, sem destino para Fazenda Bomirar. Oito comprovantes de doc bancário para Constop Topografia Ltda., sem especificação do serviço prestado, nem a que destinatário. Inúmeros documentos comprovando transferências bancárias na mesma situação acima. Portanto, da documentação acima, somente os 24 (vinte e quatro) itens da planilha anexa, comprovam despesas realizadas com benfeitorias na Fazenda São José do Bomirar, Chiador, MG que somam R$94.062,01. A documentação restante não é benfeitoria, logo, as despesas não podem ser incorporadas ao custo da propriedade para efeito de apuração de ganho de capital. Ganho de capital na alienação da Fazenda São José do Bomirar Anocalendário 2004 O contribuinte apresentou em sua Declaração de Ajuste do Exercício 2005, Anocalendário 2004 o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital 2005, referente à alienação da Fazenda São José do Bomirar, valor de alienação R$600.000,00, conforme escritura de promessa de compra e venda lavrada em 21/06/2004, no 24B Ofício de Notas, RJ, Livro 5404, Folhas 057/058, ato notarial 027 e custo de aquisição R$400.000,00, conforme escritura de aquisição lavrada em 10/01/2003, no 2º Ofício de Notas da Comarca de Três Rios, livro 172, folhas 164/167, ato 078. Como comprovou despesas de R$94.062,01 relativas a benfeitorias realizadas na fazenda, o custo de aquisição passou a ser R$ 494.062,01. Com isto, o ganho de capital na alienação da Fazenda São José do Bomirar foi de R$105.937,99 e está sendo tributado neste Auto de Infração, com imposto de 15% calculado sobre o ganho de capital, no valor de R$15.890,69 (15% de R$105.937,99).” Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls.232/234), alegando, resumidamente, o que segue: “Em primeiro lugar porque deixou de ser feita a correção do custo de aquisição. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 4 5 O imóvel foi adquirido em janeiro/03 e vendido em junho/04. Assim sendo, para que não houvesse tributação sobre o capital seria necessário atualizar o preço de compra, seja pelo referencial de 0,8287 previsto no art. 17 da Lei 9249/95, ou, o que seria mais correto, pela variação da taxa SELIC adotada como índice oficial de atualização monetária para todos os valores que afetam o pagamento do imposto expressos em moeda. 5. De acordo com o art. 43 do CTN o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial .advindo pelo suplicante no recebimento de renda ou proventos. Ora, para que exista tributação por conseguinte, é necessário a existência de um ganho efetivo real, sobre o qual .o imposto é calculado. Se não for expurgada a perda de poder aquisitivo da moeda será impossível apurar o beneficio. 6. Ora, se a taxa SELIC é utilizada como índice válido para a correção monetária do tributo devido (pelo fundamento de que deve ser calculado em moeda de poder aquisitivo constante) não há como deixar de fazêlo com relação ao custo de aquisição pois, em ambos os casos, a necessidade de afastar os efeitos da inflação para o cálculo do tributo devido, é idêntica. 7. A segunda das questões diz respeito ao cálculo das benfeitorias. A suplicante as comprovou e não houve qualquer dúvida da fiscalização com relação ao valor ou discriminação do gasto. 8. A questão ficou restrita à arguição de que certos gastos seriam despesas correntes e não se acresceriam ao custo do imóvel. 9. Ora, ativar ou não um gasto é decisão discricionária do contribuinte que transforma uma despesa corrente, dedutível no exercício em que foi incorrida, num gasto dedutível a prazo na proporção as quotas de depreciação ou amortização. 10. Por este motivo, tendo o suplicante adotado o critério mais favorável ao fisco, não pode ser penalizado por se entender que: a) Não pode aproveitar o beneficio na dedução do gasto comprovado porque a tributação sobre ganho de capital é exclusiva. b) Também não pode acrescentar o gasto ao custo do imóvel embora tivesse já feito uma declaração de rendimento neste sentido e esta alternativa fosse pela sua natureza de decisão unilateral do contribuinte. 11.Este último fato tem uma segunda consequência. Todos os gastos realizados até maio/2004e considerados como acréscimo ao custo, (o que representa quase a totalidade do que foi dispendido), não podem ser agora revertidos com custo por decadência, já que as declarações foram Fl. 331DF CARF MF 6 aceitas neste critério, há mais de 5 anos da data do auto que pretende revê los. 11.Por todos estes motivos está certo o suplicante de que melhor examinada a presente será conhecida e provida para se dar pela improcedência do auto.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1249.451 da 19ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 258/264, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. As despesas incorridas com benfeitoria do imóvel, passíveis de agregação ao custo de aquisição de venda, restringemse aos dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; aos dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; e aos dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel. A legislação tributária veda, expressamente, qualquer correção do valor do bem alienado, após 31 de dezembro de 1995. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 17/06/2014, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 271. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 274/279), argumentando o que segue: “Em primeiro lugar porque deixou de ser feita a correção do custo de aquisição. O imóvel foi adquirido em janeiro/03 e vendido em junho/04. Assim sendo, para que não houvesse tributação sobre o capital seria necessário atualizar o preço de compra, seja pelo referencial de 0,8287 previsto no art. 17 da Lei 9249/95, ou, o que seria mais correto, pela variação da taxa SELIC adotada como índice oficial de atualização monetária para todos os valores que afetam o pagamento do imposto expressos em moeda. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 5 7 4. De acordo com o art. 43 do CTN o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial .advindo pelo suplicante no recebimento de renda ou proventos. Ora, para que exista tributação por conseguinte, é necessário a existência de um ganho efetivo real, sobre o qual .o imposto é calculado. Se não for expurgada a perda de poder aquisitivo da moeda será impossível apurar o beneficio. 5. Ora, se a taxa SELIC é utilizada como índice válido para a correção monetária do tributo devido (pelo fundamento de que deve ser calculado em moeda de poder aquisitivo constante) não há como deixar de fazêlo com relação ao custo de aquisição pois, em ambos os casos, a necessidade de afastar os efeitos da inflação para o cálculo do tributo devido, é idêntica. 6. A decisão recorrida sustenta que tratandose de arguição de inconstitucionalidade fale competência à autoridade administrativa para tratar da questão. Data vênia não é o caso. O presente recurso não deseja impugnar a existência de qualquer disposição legal mantendo o cálculo do tributo tal como originalmente redigido. Apenas pretende dar aplicação no caso ao disposto no art. 43 do CTN limitando a incidência do imposto sobre ganho de capital ao efetivo acréscimo patrimonial consequente da alienação. Para isto se torna indispensável excluir da base de cálculo a incidência sobre o investimento original. Em suma, se não for excluído do custo o valor corresponde à correção monetária do preço de aquisição o imposto acabará sendo cobrado sobre o próprio capital. Para que isso não ocorra é preciso expurgar o valor do ganho apenas nominal, razão pela qual se impõe o provimento do presente recurso. 7. A segunda das questões diz respeito ao cálculo das benfeitorias. A suplicante as comprovou conforme relação anexa que desta faz parte integrante e complementar. A relação das despesas que afetam o custo de aquisição e portanto reduzem o lucro está abaixo referida: [...] 8. Como se vê o total das despesas que afetaram o custo de aquisição está integralmente comprovado. E nem se diga que o valor poderia ser considerado como custeio e não como investimento. 9. Ora, ativar ou não um gasto é decisão discricionária do contribuinte que transforma uma despesa corrente, dedutível no exercício em que foi incorrida, num gasto dedutível a prazo na proporção as quotas de depreciação ou amortização. 10. Por este motivo, tendo o suplicante adotado o critério mais favorável ao fisco, não pode ser penalizado por se entender que: a) Não pode aproveitar o beneficio na dedução do gasto comprovado porque a tributação sobre ganho de capital é exclusiva. Fl. 333DF CARF MF 8 b) Também não pode acrescentar o gasto ao custo do imóvel embora tivesse já feito uma declaração de rendimento neste sentido e esta alternativa fosse pela sua natureza de decisão unilateral do contribuinte. 11.Este último fato tem uma segunda consequência. Todos os gastos realizados até maio/2004e considerados como acréscimo ao custo, (o que representa quase a totalidade do que foi dispendido), não podem ser agora revertidos com custo por decadência, já que as declarações foram aceitas neste critério, há mais de 5 anos da data do auto que pretende revê los. 12.Por todos estes motivos está certo o suplicante de que melhor examinada o presente Recurso será conhecido e provido para se dar pela improcedência do auto.” Com o Recurso Voluntário vieram os documentos de fls. 283/322 (Notas Fiscais e Recibos) É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 17/06/2014 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 271, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 07/07/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Do ganho de capital. Cuidam os presentes autos de lançamento decorrente da apuração da infração de omissão de rendimentos decorrentes da alienação de bem imóvel, adquirido em real, em que a autoridade lançadora admitiu parte das despesas incorridas a título de benfeitorias, acrescidas ao custo de imóveis; e deixou de considerar despesas que não tinham essa característica. Inicialmente, registro que o Recorrente alega em seu recurso (fl. 276 – item 6) que “A decisão recorrida sustenta que tratandose de arguição de inconstitucionalidade falece de competência à autoridade administrativa para tratar da questão.” Observo, porém, que tal matéria não foi objeto da respeitável decisão recorrida, razão pela qual rejeito a alegação do Recorrente nesse sentido. Ultrapassada essa questão, passo a analisar as razões de recurso, e ao fazêla, verifico que o recurso não comporta provimento. O Recorrente se insurge no sentido de que a autoridade lançadora deixou de fazer a correção do custo de aquisição do bem objeto de análise. Aponta que o imóvel foi adquirido em janeiro de 2003 e vendido em junho de 2004, e, dessa forma, para que não houvesse tributação sobre o capital seria necessário atualizar o preço de compra, seja pelo referencial de 0,8287 previsto no artigo 17 da Lei nº 9.249/95, ou, “o que seria mais correto, pela variação da taxa SELIC adotada como índice oficial de atualização monetária para todos os valores que afetam o pagamento do imposto expressos em moeda”. Todavia, como bem apontado pela primeira instância administrativa, de acordo com o disposto no § 9º do artigo 123, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), “para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data”. Fl. 335DF CARF MF 10 Logo, não há se falar em atualização conforme pretendido pelo Recorrente. De outra banda, o Recorrente pretende que sejam consideradas as despesas glosadas a título de benfeitorias. Novamente sem razão. Diz o artigo 128, § 7º, da Lei nº 3.000/1999: “Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição. [...] § 7º Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; IV os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI o valor da contribuição de melhoria.” Da detida análise dos dispositivos transcritos acima, verificase que as despesas que se enquadraram na legislação supramencionada, foram acolhidas. Sobre o tema, o acórdão objurgado assim se manifestou: “10. A autoridade aceitou despesas enquadráveis no conceito de benfeitoria, à luz da legislação mencionada, no valor total de R$ 94.062,01; e deixou de acolher as demais despesas, sumariadas abaixo: a) Nove documentos que se referem a despesas operacionais e patrimoniais, como cocho para ração, transformador de solda, ensiladeira, disco de embreagem, balde, filtro de óleo, faca de broca, riscador, semeadeira, perfuradeira de solo, picadeira, dentre outras. b) Duas notas fiscais, com endereço do Centro do Rio de Janeiro, comprovando a aquisição de 3 matamoscas. c) Quatro cupons fiscais/notas fiscais relativos à aquisição de camas de casal, camas de solteiro, baú, fogão industrial, etc. d) Várias guias de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social dos empregados da fazenda que são claramente despesas de custeio. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 7 11 e) Duas notas fiscais com endereço do Centro do Rio de Janeiro relativas à aquisição de tijolos, cimento, etc. e Box blindex e espelhos de cristal, sem destino para Fazenda Bomirar. f) Oito comprovantes de doc bancário para Constop Topografia Ltda., sem especificação do serviço prestado, nem a que destinatário. 11. Com efeito, as despesas referidas no parágrafo anterior não se enquadram no conceito de benfeitoria, à luz da legislação citada. De outro lado, o contribuinte não logrou demonstrar que os pagamentos tenham natureza diversa do que fora apurado pela autoridade lançadora.” Verificase que as despesas listadas acimas, e que corretamente não foram aceitas pela fiscalização e pela DRJ de origem como dispendidos, são as mesmas contidas nas notas fiscais e recibos anexados com o Recurso Voluntário. Por fim, em relação à alegação de decadência tendo em vista que o fato gerador de ganho do bem é a data da alienação, não há que se falar em decadência para análise da documentação relativa ao custo de aquisição. Em que pese o esforço do Recorrente, a respeitável decisão encimada foi proferida com proficiência, e, por isso, merece ser confirmada pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Por tudo o quanto exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendose incólume a decisão recorrida. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do recorrente, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659064/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.321
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 06 4/ 20 12 -5 9 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10880.659064/201259 Resolução nº 3402001.321 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10880.659064/201259 Resolução nº 3402001.321 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10880.659064/201259 Resolução nº 3402001.321 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 569DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.722230/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora, a prolação da decisão administrativa irreformável nos PA 10425.720873/2011-66 e 10425.721069/2011-02, com colação das respectivas decisões, para prosseguimento deste feito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora, a prolação da decisão administrativa irreformável nos PA 10425.720873/2011-66 e 10425.721069/2011-02, com colação das respectivas decisões, para prosseguimento deste feito. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora, a prolação da decisão administrativa irreformável nos PA 10425.720873/201166 e 10425.721069/201102, com colação das respectivas decisões, para prosseguimento deste feito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência de multa isolada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10, no percentual de 50% (cinquenta por cento), decorrente de compensação não homologada por ausência do direito creditório apontado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 22 23 0/ 20 12 -3 1Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10530.722230/201231 Resolução nº 3401001.347 S3C4T1 Fl. 4 2 Segundo o relatório fiscal de autuação e os despachos decisórios colacionados (efls. 3/14 e 33), os pedidos de ressarcimento apresentados foram considerados não formulados e não homologadas as compensações atreladas, tratadas nas DCOMP 12650.25020.081111.1.3.016256 e 23363.32441.081111.1.3.016392, no PA 10425.720873/201166, e as DCOMP 11441.31998.251111.1.3.011661 e 28968.04834.281111.1.7.016806, no PA 10425.721069/201102. Em impugnação o contribuinte contestou a subsistência da autuação, informando que a compensação se deu com créditos de terceiros (DESTILARIA PAL LTDA.) e fundavase em decisão judicial válida e vigente, mesmo não transitada em julgado; que a Lei nº 11.051/2004 não poderia limitar o seu direito à compensação, operando efeitos somente após sua vigência; que a possibilidade de compensação com créditos de terceiros e antes da prolação da decisão judicial definitiva somente poderia ocorrer perante o Poder Judiciário; que as decisões judiciais devem ser cumpridas em seus exatos termos, consoante SD Cosit nº 38/08; que as restrições ao seu direito de compensação são ilegítimas; que houve violação aos princípios da autonomia dos poderes, irretroatividade das leis, segurança jurídica, direito adquirido e direito de petição; e, por fim, argüiu o caráter confiscatório da multa de 75% (setenta e cinco por cento). Citou doutrina e jurisprudência. A DRJ Juiz de Fora/MG manteve o lançamento através de decisão assim ementada: “COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. É devida a multa isolada no caso de não homologação da compensação de débitos. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.” O recurso voluntário aduziu a irregularidade formal do auto de infração, por falta de clareza e objetividade quanto à indicação do dispositivo infringido, e, no mais, reprisou os fundamentos da reclamação inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Nada obstante a identidade das defesas apresentadas neste feito e no PA 10480.721568/201046, julgados nesta mesma assentada, a solução para ambos é distinta, ao passo que são diversos os fatos sub examine. Aqui, não se cuida de compensação não declarada, como naqueloutro, mas sim de compensação não homologada, cujo recurso – manifestação de inconformidade – está sujeito às disposições do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual o exame da compensação erige Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10530.722230/201231 Resolução nº 3401001.347 S3C4T1 Fl. 5 3 se como matéria prejudicial ao cabimento da multa pela sua improcedência, consubstanciada neste processo. Com efeito, é pressuposto para aplicação da multa por compensação indevida a existência de decisão administrativa irreformável que mantenha a não homologação integral das declarações de compensação correspondentes. Não sem razão o próprio art. 18, § 3º da Lei nº 10.833/03 estabelece que, “ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente” – destacado –, justamente para se evitar decisões conflitantes. No caso dos autos, a predita reunião não ocorreu, muito provavelmente, porque as declarações de compensação foram examinadas em processos distintos. Seja como for, considerando que aludidos autos (10425.720873/201166 e 10425.721069/201102) ainda estão pendentes de julgamento administrativo em primeira instância, conforme consulta ao sistema eprocesso realizada na data de 21/08/2017, smj, entendo que não há como examinar apenas os aspectos formais do lançamento e o caráter confiscatório da penalidade, como proposto no voluntário, sem a decisão definitiva naqueles cadernos processuais. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que se aguarde, na unidade preparadora, a prolação da decisão administrativa irreformável nos PA 10425.720873/201166 e 10425.721069/201102, com colação das respectivas decisões, para prosseguimento deste feito. Robson José Bayerl Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.926567/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.336
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 26 56 7/ 20 13 -2 6 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.926567/201326 Resolução nº 3402001.336 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.926567/201326 Resolução nº 3402001.336 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.926567/201326 Resolução nº 3402001.336 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.999412/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/04/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.871
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 94 12 /2 00 9- 22 Fl. 110DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.148, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 112DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 114DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 116DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 118DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 120DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.001804/00-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 29/11/1998 a 21/01/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Comprovado a omissão no acórdão, cabe a admissibilidade dos embargos para esclarecer a decisão para refletir o voto condutor do Acórdão embargado.
DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPRABOTÓRIOS.
A comprovação pela Autoridade Fiscal em procedimento de diligência, de equívocos no lançamento fiscal determina a correção do lançamento fiscal para refletir os valores apurados na diligência fiscal.
Embargos Providos
Numero da decisão: 3201-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Fez sustentação oral o patrono Dr. Renato Gaspar Júnior, OAB/SP 273.190.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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OMISSÃO. Comprovado a omissão no acórdão, cabe a admissibilidade dos embargos para esclarecer a decisão para refletir o voto condutor do Acórdão embargado. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPRABOTÓRIOS. A comprovação pela Autoridade Fiscal em procedimento de diligência, de equívocos no lançamento fiscal determina a correção do lançamento fiscal para refletir os valores apurados na diligência fiscal. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Fez sustentação oral o patrono Dr. Renato Gaspar Júnior, OAB/SP 273.190. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 18 04 /0 0- 11 Fl. 24657DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração, interposto pela Unidade de Origem, em face do Acórdão nº 320100.426, que possui a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 29/11/1988 a 21/01/1999 JUROS DE MORA. DECRETOLEI N°. 2.433/88. DECRETO N°. 96760/88. ART. 161, § 1o, DO CTN. PROGRAMAS ESPECIAIS DE EXPORTAÇÃO. BEFIEX. Sobrevindo legislação especifica, não há que se falar na regulamentação genérica, posto que a norma especial contempla a hipótese na qual se insere o presente caso em tela os juros de mora devem ser calculados à base de 1% ao mês, incidente sobre todo o período constante do auto de infração mencionado, conforme inclusive estabelecida no CTN, em seu § 1o, do art. 161. ADIANTAMENTO DE CONTRATO DE CÂMBIO. BALANÇO DE DIVISAS. LANÇAMENTO. Os valores dos Adiantamentos de Contratos de Câmbio ACC devem ser registrados no Balanço de Divisas apenas na ocorrência do correspondente ingresso de divisas no Pais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.. As razões do embargo da Unidade de Origem, foram assim detalhadas no recurso: Cuida o processo de auto de infração lavrado em face da empresa VICUNHA TÊXTIL S/A, CNPJ nº 07.332.190/000193, encaminhado a esta Alfândega do Porto de Fortaleza após julgamento na segunda instância do contencioso administrativo, a fim de que seja dada ciência ao contribuinte do Acórdão em Recurso Especial (fls. 24.621 a 24.624), que encerrou a fase litigiosa do processo. Quando da operacionalização da cobrança administrativa, viu se que o julgamento foi precedido de diligências realizadas para apuração de incorreções apontadas pela empresa autuada, quando o CARF decidiu remeter os autos à unidade de. origem para que fossem apreciados os argumentos trazidos pela parte, em respeito ao direito à ampla defesa e na busca incessante pela verdade real. Resumidamente, as questões apreciadas pela Alfândega do Porto de Fortaleza foram condensadas no quadro de fls. 24.235, quando a autoridade fiscal, cotejando as informações contidas no auto de infração com os argumentos expendidos pela parte, concluiu pela existência de severos equívocos no lançamento efetuado. A fim de apresentar uma visão ampliada daquilo que foi apurado ao longo do tempo, relativamente aos valores contidos no auto Fl. 24658DF CARF MF Processo nº 11131.001804/0011 Acórdão n.º 3201003.387 S3C2T1 Fl. 3 3 de infração, foi elaborada a seguinte planilha, contendo rigorosamente os mesmos valores contidos nos documentos já citados: Apesar de ter apontado as inconsistências no auto de infração, corroborando o que argumentou a autuada, a autoridade fiscal corretamente remeteu o resultado ao CARF, a fim de que o julgamento pudesse ter seguimento e que fossem consignadas as divergências no acórdão de julgamento, que, no entanto, não traduziu de forma expressa a exoneração do crédito tributário legalmente constituído. ... Muito embora tenham sido constatadas incorreções no auto de infração, o crédito tributário foi regularmente constituído e somente pode ser modificado ou extinto nos casos legalmente previstos, conforme disposição do art. 141, do CTN, não cabendo ao setor de cobrança da Alfândega agir sem o devido comando que tenha exonerado o crédito tributário. Esclarecemos que não é objetivo deste recurso discutir as incorreções apontadas, que estão evidentes. A questão reside na diferença existente entre as situações de fato, onde qualquer pessoa pode constatar uma irregularidade, e as de direito, seara estreita onde o agente público está autorizado a atuar. Do pedido Deste modo, solicitamos o recebimento do presente recurso, a fim de que seja corrigida a inexatidão contida no Acórdão nº 320100.426, possibilitando a manifestação da Turma quanto às alterações do crédito tributário apontadas nas diligências. Alternativamente, caso entenda não ser o caso passível de apreciação pela via estreita do recurso proposto, que seja a questão conhecida de ofício. Fl. 24659DF CARF MF 4 Os embargos foram admitidos pelo Presidente desta Turma, diante da comprovação da omissão da decisão sobre as diligência realizadas pela Unidade de Origem. A conclusão do despacho de admissibilidade resume os procedimentos a serem adotados. Analisandose o vício apontado pela ALFFORCE, constato que, efetivamente, o resultado das diligências que precederam o julgamento do recurso nº 329.999, consubstanciado no Quadro Comparativo dos Valores Originais – R$, fls. 24.235, não se fez refletir no resultado do julgamento do embargado Acórdão nº 320100.426, inobstante as referências a ele feitas no voto condutor da decisão. Assim, para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os Embargos Inominados interpostos pela ALFFORCE, para que o Colegiado 3201 se manifeste sobre as alterações do crédito tributário apontadas nas diligências. Incluase o presente processo em lote a ser sorteado entre os conselheiros membros do Colegiados 3201. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da omissão pela ausência de manifestação expressa da Turma sobre as diligências realizadas pela Unidade de Origem que identificaram a existência de equívocos no lançamento. A posição da Turma de admitir e confirmar a redução do lançamento em razão da diligência fiscal restou consignada no voto condutor do Acórdão, conforme pode ser verificado nos trechos abaixo. Da revisão de ofício A revisão do lançamento deve, e pode, ser realizada, desde que observados os limites impostos pelo Código Tributário Nacional, no que se refere às hipóteses em que pode ser invocada. A revisão pode ser feita tanto de oficio, quanto através da apresentação de defesa do contribuinte. No presente caso, a revisão se deu em sede de impugnação apresentada pelo contribuinte e não em revisão de oficio propriamente dita. Se tratou de uma revisão provocada neste caso. O que temos aqui é que, em face da defesa apresentada pelo contribuinte, foram efetivamente realizadas diversas revisões no Fl. 24660DF CARF MF Processo nº 11131.001804/0011 Acórdão n.º 3201003.387 S3C2T1 Fl. 4 5 julgamento, mas não tomadas a efeito pela própria fiscalização, por sua própria vontade. Assim, a alegação de que também teria ocorrido decadência para revisar o lançamento em tela não procede, pois entendo que o caso não é de revisão de oficio. No que pertine à alegação de mudança do critério jurídico do lançamento, entendo que neste ponto também não assiste razão à recorrente. Isto porque, como já analisado anteriormente, não houve mudança de critério jurídico porque não houve revisão de lançamento de oficio. O que ocorreu no presente caso foi ajustes realizados em face das defesas apresentadas pela recorrente, o que, através das diversas diligências realizadas, apararam os valores originalmente lançados e chegaram a um montante final, ressalvada a discussão dos ACC”s que serão debatidas quando da análise do mérito. Desta feita, rejeito as preliminares de impossibilidade de revisão de oficio, de decadência no lançamento de oficio e de mudança de critério jurídico. A análise da admissibilidade do recurso voluntário identificou que o resultado da diligência não ficou efetivamente consubstanciado no Acórdão embargado. Analisandose o vício apontado pela ALFFORCE, constato que, efetivamente, o resultado das diligências que precederam o julgamento do recurso nº 329.999, consubstanciado no Quadro Comparativo dos Valores Originais – R$, fls. 24.235, não se fez refletir no resultado do julgamento do embargado Acórdão nº 320100.426, inobstante as referências a ele feitas no voto condutor da decisão. Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, para esclarecer a posição adotada no Acórdão embargado de reduzir o lançamento aos valores identificados pela Autoridade Fiscal nos procedimentos de diligência, conforme a tabela apresentada nos Embargos Inonimados pela Unidade de Origem e também nos autos às efls. 2435. Winderley Morais Pereira Fl. 24661DF CARF MF 6 Fl. 24662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.000664/2004-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Configurada a omissão no acórdão embargado acerca de matéria de ordem pública sobre a qual o Colegiado deveria ter se pronunciado, acolhem-se os embargos de declaração com efeitos infringentes para supri-la com a correspondente retificação do acórdão embargado. No caso, a reversão das glosas do crédito presumido pelo acórdão embargado não pode ser dissociada da sua forma de aproveitamento.
PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO. APROVEITAMENTO.
Anteriormente à restrição de aproveitamento veiculada pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido da agroindústria decorrente de operações de exportação, previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/2002, podia ser tanto utilizado para a dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; como para compensação com outros débitos da contribuinte; ou, se ainda restasse saldo de créditos no trimestre-calendário, também para ressarcimento em dinheiro mediante requerimento do contribuinte.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 3402-004.839
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Configurada a omissão no acórdão embargado acerca de matéria de ordem pública sobre a qual o Colegiado deveria ter se pronunciado, acolhem-se os embargos de declaração com efeitos infringentes para supri-la com a correspondente retificação do acórdão embargado. No caso, a reversão das glosas do crédito presumido pelo acórdão embargado não pode ser dissociada da sua forma de aproveitamento. PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO. APROVEITAMENTO. Anteriormente à restrição de aproveitamento veiculada pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido da agroindústria decorrente de operações de exportação, previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/2002, podia ser tanto utilizado para a dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; como para compensação com outros débitos da contribuinte; ou, se ainda restasse saldo de créditos no trimestre-calendário, também para ressarcimento em dinheiro mediante requerimento do contribuinte. Embargos acolhidos com efeitos infringentes
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Configurada a omissão no acórdão embargado acerca de matéria de ordem pública sobre a qual o Colegiado deveria ter se pronunciado, acolhemse os embargos de declaração com efeitos infringentes para suprila com a correspondente retificação do acórdão embargado. No caso, a reversão das glosas do crédito presumido pelo acórdão embargado não pode ser dissociada da sua forma de aproveitamento. PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO. APROVEITAMENTO. Anteriormente à restrição de aproveitamento veiculada pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido da agroindústria decorrente de operações de exportação, previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/2002, podia ser tanto utilizado para a dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; como para compensação com outros débitos da contribuinte; ou, se ainda restasse saldo de créditos no trimestrecalendário, também para ressarcimento em dinheiro mediante requerimento do contribuinte. Embargos acolhidos com efeitos infringentes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 06 64 /2 00 4- 48 Fl. 998DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo titular da DRF/POÇOS DE CALDAS em face do Acórdão nº 280100.013 — 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 10 de março de 2009, mediante o qual o Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para admitir, como base de cálculo para o ressarcimento, o somatório das aquisições abaixo do valor cuja comprovação foi solicitada, nesses termos: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP Permite a legislação tributária a solicitação, pela autoridade administrativa, de documentos para análise dos créditos solicitados pelo contribuinte, para convicção quanto ao reconhecimento do direito creditório. Presumida, pela autoridade, a inexistência de operações pela falta de prova de alguns pagamentos, conforme exigida, devem ser consideradas legitimas as que não foram submetidas a esta exigência, uma vez cumpridos os demais requisitos formais que dão validade às transações comerciais e vez que não contestadas as exportações efetuadas, o que autoriza pressupor incidência da contribuição nas aquisições. Recurso Voluntário Provido. (...) VOTO (...) Sem embargo do que está posto acima, não se pode deixar de considerar que há elementos no processo que permitem, desde o Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13656.000664/200448 Acórdão n.º 3402004.839 S3C4T2 Fl. 999 3 primeiro momento, uma decisão equânime, escolha e possibilidade olvidada pela DRFB/PSC. A contribuinte, no exercício de sua faculdade de peticionar ressarcimento de créditos apuráveis perante a Fazenda Nacional, anexou o demonstrativo DACON, todas as notas fiscais que, segundo seus cálculos, teriam gerado créditos, bem como cópia da escrituração fiscal destas. Declarou ter efetuado exportações, no cumprimento do seu objeto social, em razão das quais não lhe foi possível deduzir os créditos de PIS. Essas operações não foram contestadas nem inquinadas de macula pela Auditoria. Das operações não contestadas resulta admitir a aquisição de insumos ou produtos que receberam a incidência da contribuição para o PIS. Se a auditoria, no uso de sua competência, solicitou a quitação dos pagamentos apenas dos valores das aquisições acima de R$10.000,00, e estes não restaram comprovados em tempo hábil, do que presumiu a auditoria não serem verossímeis, não cabe estender a presunção para os demais valores de notas fiscais para os quais não solicitou a prova do pagamento. Em vista, pois, do premissa acima de que exportações houve, de que elas pressupõem a incidência da contribuição para o PIS, para ressarcimento da qual os §§ 10 e 11, I, do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002 atribuem o credito presumido correspondente à aplicação da alíquota de 70% de 1,65%, sobre o total das aquisições, a decisão equânime que haveria de ser proferida seria considerar como base de cálculo para o ressarcimento o somatório das aquisições que não alcançaram o marco estabelecido, R$10.000,00 [dez mil reais], fazendo incidir sobre esse valor total apurado a alíquota referida. Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, anulando o processo desde a origem, para que a DRF/PSC reconheça parcialmente o direito creditório do contribuinte, nos termos ora delimitados. (...) Sustenta a embargante o que se segue: (...) O Egrégio CARF/MFDF em vosso acórdão n° 280100.013 de folhas 968 a 972 dispôs conforme abaixo em relação ao crédito presumido de agroindústria para as notas fiscais de valor menos que R$ 10.000,00, in verbis: "Em vista da premissa acima de que exportações houve, de que elas pressupõem a incidência da contribuição para o PIS, para ressarcimento da qual os §§ 10 e 11, i, do art 3º da Lei n° 10.637/2002 atribuem o crédito presumido correspondente à aplicação da alíquota de 70% de 1,65%, sobre o total das aquisições a, a decisão equânime que haveria de ser proferida seria considerar como base de cálculo para o ressarcimento o somatório das aquisições que não alcançaram o marco estabelecido, R$ 10.000,00, fazendo assim incidir sobre esse valor total apurado a alíquota referida." Fl. 1000DF CARF MF 4 Ocorre que o crédito presumido acima reconhecido pelo Egrégio CARF é do período de apuração 1o trim/2003, logo não são créditos passíveis de ressarcimento, conforme disposição da Lei n° 10.637/2002, Lei n° 10.925/2004 e art. 56 A, da Lei n° 12.530/2010, ou seja, tal crédito só tem autorização legal de utilização como desconto do valor de PIS apurado a recolher. Isto posto a DRF PCSMG fará o reconhecimento do crédito presumido conforme disposto no acórdão do CARF todavia solicita ao Egrégio CARF que se manifeste sobre a manutenção do indeferimento do pedido da Empresa haja vista que o crédito ora reconhecido não tem autorização legal para ressarcimento para o período de apuração em questão. (...) Mediante despacho das efls. 987/989, o então Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF admitiu os embargos de declaração em face de omissões constatadas na decisão embargada, determinando a inclusão do processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de Julgamento, uma vez que a turma julgadora havia sido extinta, nestes termos: (...) Analisando o acórdão vergastado verificase a omissão alegada. Realmente, da análise do exposto no “decisum”, constatase que o Colegiado, em momento algum se manifestou sobre o cabimento do pedido de ressarcimento. Limitou seu âmbito cognitivo somente a análise da existência do crédito conforme se depreende do excerto trazido no dispositivo do acórdão “Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, anulando o processo desde a origem, para que a DRF/PSC reconheça parcialmente o direito creditório do contribuinte, nos termos ora delimitados.” Ora, resta, portanto, demonstrada a omissão alegada, haja vista que não se pode confundir o reconhecimento do crédito, com a forma com ele será posto a disposição do contribuinte para sua fruição. Vale atentar que o ressarcimento foi expressamente solicitado pelo contribuinte em todas as suas manifestações. (...) O processo foi distribuído a esta Conselheira em 26 de janeiro de 2017. Em 18 de maio de 2017, os autos foram encaminhados à DRF em Poços de Caldas para intimação à contribuinte acerca dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, o que foi atendido. Os autos retornaram ao CARF em 25/07/2017, mas sem qualquer manifestação da recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Diante da ausência nos autos da data da ciência do acórdão embargado pelo "titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13656.000664/200448 Acórdão n.º 3402004.839 S3C4T2 Fl. 1000 5 acórdão", os embargos de declaração devem ser considerados tempestivos e, tendo sido a omissão objetivamente apontada, deles se toma conhecimento. No caso, não obstante a forma de aproveitamento do crédito não tenha sido matéria discutida no recurso voluntário ou na decisão recorrida, tratase de matéria de ordem pública sobre a qual deveria o Colegiado ter se pronunciado, nos termos do caput do art. 65 do Regimento Interno do CARF1, vez que o pedido de ressarcimento e compensação da recorrente somente pode ser deferido pela autoridade administrativa quando autorizado pela legislação tributária. Conforme esclarecido no despacho de admissibilidade destes Embargos, "constatase que o Colegiado, em momento algum se manifestou sobre o cabimento do pedido de ressarcimento. Limitou seu âmbito cognitivo a análise da existência do crédito". Assim, a referida omissão no Acórdão embargado reclama saneamento por parte deste Colegiado, o que se passa a fazer abaixo. No que concerne à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria ao longo do tempo, aproveito dos bons ensinamentos do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, proferido no Acórdão nº 3403002.761– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 25 de fevereiro de 2014, transcritos abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009 (...) CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art.5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. (...) VOTO (...) O problema se resume em estabelecer se o crédito presumido dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 pode ser aproveitado na forma estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/03, quando decorrente de exportação. O art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 (e também o art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02) estabelecem que, no caso de exportação, o crédito da contribuição apurado na forma do art. 3º poderá ser utilizado para dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; para compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...) Fl. 1002DF CARF MF 6 administrados pela Receita Federal; e, se após essas duas formas de utilização ainda restar crédito ao final de cada trimestre calendário, o saldo poderá ser ressarcido em dinheiro a pedido do contribuinte. Entretanto, o § 1º assegurou essas formas de aproveitamento apenas em relação ao “(...) crédito apurado na forma do art. 3º (...)”, o que significa que apenas os créditos previstos nas diversas hipóteses relacionadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 podem ser utilizados na forma nos seus artigos 5º e 6º, respectivamente. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Acontece, que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. Percebese a nítida intenção do legislador de restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. (...) [negritei] Com efeito, no presente caso, o crédito presumido previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/20022 decorrente de operações de exportação, é relativo ao 3º trimestre de 2003, e, portanto, é anterior à restrição de aproveitamento veiculada pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Dessa forma o crédito presumido objeto do presente processo pode ser tanto utilizado para a dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; como para compensação com outros débitos da contribuinte; ou, se ainda restar saldo de 2 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) §10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) §11.Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) IIo valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13656.000664/200448 Acórdão n.º 3402004.839 S3C4T2 Fl. 1001 7 créditos no trimestrecalendário, para ressarcimento em dinheiro mediante requerimento da contribuinte; tudo em conformidade com o disposto no art. 5º, I e §§1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, abaixo transcrito: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [negritei] Desta feita, o provimento parcial do recurso voluntário contido no acórdão embargado3 não pode ser dissociado da forma de aproveitamento do crédito presumido prevista no art. 5º, I e §§1º e 2º da Lei nº 10.637/2002. Assim, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada, retificando o dispositivo do Acórdão nº 2801 00.013, nos seguintes termos: "Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, anulando o processo desde a origem, para que a DRF/PSC reconheça parcialmente o direito creditório do contribuinte, nos termos ora delimitados, observandose, em relação ao crédito presumido previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/2002, a forma de aproveitamento prescrita no art. 5º, I e §§1º e 2º da Lei nº 10.637/2002". É como voto. 3 Em vista, pois, do premissa acima de que exportações houve, de que elas pressupõem a incidência da contribuição para o PIS, para ressarcimento da qual os §§ 10 e 11, I, do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002 atribuem o credito presumido correspondente à aplicação da alíquota de 70% de 1,65%, sobre o total das aquisições, a decisão equânime que haveria de ser proferida seria considerar como base de cálculo para o ressarcimento o somatório das aquisições que não alcançaram o marco estabelecido, R$10.000,00 [dez mil reais], fazendo incidir sobre esse valor total apurado a alíquota referida. Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, anulando o processo desde a origem, para que a DRF/PSC reconheça parcialmente o direito creditório do contribuinte, nos termos ora delimitados. (...) Fl. 1004DF CARF MF 8 (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13656.000664/200448 Acórdão n.º 3402004.839 S3C4T2 Fl. 1002 9 Fl. 1006DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.720984/2011-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO
O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não ode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não-cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não-incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não ode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não-cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não-incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não ode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência nãocumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 09 84 /2 01 1- 18 Fl. 200DF CARF MF 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e nãoincidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 2ªTurma da DRJ/Porto Alegre (efl. 166 e ss): Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP), através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de COFINS nãocumulativa vinculados à receita do mercado interno relativos ao 4º trimestre de 2006. Houve transmissão de DCOMPs. A repartição fiscalizadora efetuou auditoria e produziu Parecer SAORT, tendo sido emitido Despacho Decisório em 09/09/2011. Nesse deferiuse parcialmente o pedido de ressarcimento relativo à COFINS nãocumulativa vinculada à receita de mercadointerno, homologandose declarações de compensação Restou crédito remanescente. Do Parecer e do Despacho Decisório a contribuinte apresentou, através de procurador, manifestação de inconformidade onde argumentou (de forma resumida): Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10820.720984/201118 Acórdão n.º 3001000.291 S3C0T1 Fl. 3 3 Aquisição de mercadorias para revenda não sujeitas ao pagamento das contribuições • a autoridade fiscalizadora constatou que a empresa adquiriu e revendeu mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições (sujeitas à alíquota zero). Excluiu, então, da base de cálculo dos créditos os valores das receitas de vendas daquelas mercadorias, cujas aquisições não se sujeitaram ao pagamento das contribuições. Mas as mercadorias adquiridas com alíquota zero não foram computadas na base de cálculo do crédito. Não caberia, portanto, nenhuma exclusão por parte do agente fiscalizador. Crédito presumido da agroindústria • a autoridade fiscalizadora alega que o crédito presumido não pode ser apropriado proporcionalmente às receitas de exportação. Disse que partir de agosto de 2004 esse crédito só pode ser utilizado para compensação das contribuições (PIS/COFINS) e que deveria ser informado integralmente na coluna de créditos vinculados ao mercado interno. Mas não há fundamento legal na legislação de regência do PIS/COFINS que impeça a apropriação do crédito presumido das atividades agroindustriais proporcionalmente à receita de exportação; • a autoridade fiscalizadora alega, ainda, que o crédito presumido das agroindústrias apurado após agosto de 2004, não pode ser utilizado para fins de ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela RFB. No entender do agente fiscalizador, somente são passíveis de ressarcimento os créditos previstos nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Como o crédito presumido agroindústria está previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não existe previsão para o ressarcimento do mesmo. Utilização do crédito presumido • com base no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a empresa, ao adquirir leite in natura dos produtores rurais, calculou o crédito presumido sobre estas aquisições. Considerando que a maioria das receitas de vendas é tributada à alíquota zero, esses créditos não são totalmente utilizados, o que acaba por gerar um saldo credor em conta gráfica; • o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2005, não só não impede o creditamento, mas textualmente garante a manutenção de crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas quando as vendas forem efetuadas à alíquota zero; • a autoridade fiscalizadora entendeu que o art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, previa o crédito apenas para dedução de débitos próprios de PIS/COFINS devidos em cada período de apuração, e que, portanto, não haveria previsão legal para o ressarcimento do crédito presumido; Fl. 202DF CARF MF 4 • a limitação do crédito presumido imposta pelo art. 9º da Lei n° 11.051, de 2004, aplicase somente aos bens recebidos de cooperados. Mas as operações da empresa (aquisição de leite in natura) são advindas de produtores e o restante são de produtores não associados. Daí a razão do acúmulo de créditos de PIS/COFINS. Assim, não há se falar em limitação de crédito presumido sobre as aquisições de leite in natura de pessoas físicas não associadas à empresa. A porcentagem de aquisição advindas dos cooperados não é suficiente para saldar o débito do imposto gerado em cada período. Portanto, todo o crédito presumido que sobra em conta gráfica é de terceiros não associados, razão pela qual dever ser mantido integralmente o direito ao crédito presumido sobre a aquisição de leite in natura de pessoas físicas não associadas. Rateio proporcional das receitas de vendas tributadas e não tributadas no mercado interno • a empresa identificou todos os insumos e despesas de produção que são vinculados diretamente à receita não tributada no mercado interno (como é o caso das embalagens do leite UHT), os tendo apropriado diretamente na coluna Não Tributadas no Mercado Interno. O mesmo foi feito com os custos e despesas vinculados à receita tributada; • como existem custos e despesas de uso comum (por exemplo, energia elétrica), esses foram rateados proporcionalmente à receita bruta auferida. Ocorre que a autoridade fiscalizadora, após fazer os ajustes na base de cálculo do PIS/COFINS, utilizou o critério de rateio para todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica, distorcendo assim o valor do crédito a ser ressarcido; • nas memórias de cálculo apresentadas para a autoridade fiscalizadora, foi demonstrado detalhadamente os critérios de rateio ou de apropriação direta de cada tipo de insumo. Portanto, o entendimento utilizado pelo Fisco além de não refletir a realidade, também contraria as orientações específicas para o preenchimento do DACON, razão pela qual não merece prosperar o critério de rateio utilizado pela autoridade fiscalizadora. A DRJ/Porto Alegre retrucou as alegações da Recorrente, confirmando o entendimento da autoridade lançadora. No Recurso Voluntário, a Recorrente, em suma, repete as alegações já expressas na Manifestação de Inconformidade. Preocupase, apenas, em explicitar as razões de uma alegada homologação tácita, que, anteriormente, havia exposto apenas nos “Pedidos”. É o relatório. Voto Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10820.720984/201118 Acórdão n.º 3001000.291 S3C0T1 Fl. 4 5 Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 51.188,06, (efl. 124), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Operações alcançadas pela alíquota zero (0%) Ao contrário do que alegado pela contribuinte, a autoridade fiscalizadora referiu textualmente que a contribuinte tem direito ao ressarcimento ou à compensação de saldos credores de créditos básicos de PIS e Cofíns, vinculados a receitas não tributadas (alíquota zero), obtidas no mercado interno, em relação aos insumos tributados que agregaram os valores das vendas de leite longa vida/pasteurizado, queijos tipo coalho, minas, prato, mussarela, ricota e requeijão. Assim, entendese correta a interpretação dada pela autoridade fiscalizadora. Apuração de créditos presumidos. Aquisições de leite in natura. Produtores não associados Disse a contribuinte, também, que as aquisições de leite in natura são advindas dos produtores, o restante são de produtores não associados à Impugnante, portanto, daí a razão do acúmulo do crédito de PIS e COFINS. Assim, não há se falar em limitação de crédito presumido sobre as aquisições de leite in natura de pessoas físicas não associadas à Impugnante. a verificação do Parecer produzido pela autoridade fiscalizadora permite inferir que ela referiu apenas aos casos de vendas com suspensão (art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004), no que tange à data de validade de tais operações (04/04/2006). Não consta que, no caso dos autos, tivesse havido glosa de créditos advindos de operações praticadas com pessoas jurídicas. Para contestar tal item, a contribuinte diz que o Fisco fez referência ao art. 9º da Lei nº 11.051, de 2004. Mas isso não procede, eis que tal artigo nada tem a ver com a situação exposta. Aquele artigo trata da apuração de eventual crédito presumido a ser apurado Fl. 204DF CARF MF 6 sobre bens recebidos de cooperados. Não consta que a manifestante (interessada) seja cooperativa, eis que, segundo o Parecer produzido pela repartição fiscalizadora, a empresa interessada é uma sociedade limitada, cujo objeto social é a fabricação de laticínios. Essa empresa é optante pelo Lucro Real (forma de tributação do IR), sujeitandose, portanto, à apuração de PIS/COFINS no regime nãocumulativo. Na verdade, a autoridade fiscal referiu ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, o que, evidentemente, não é a mesma coisa. Portanto, presumese correto o entendimento do Fisco quanto a este item. Regime nãocumulativo. Apuração de crédito presumido. Forma de utilização (Art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004) A forma de utilização do crédito presumido apurado de acordo com o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, constou claramente de disposições do ADI SRF nº 15, de 2005 (dispôs sobre o crédito presumido de que tratam os arts. 8º e 15 da citada Lei): Assim, o entendimento no âmbito da RFB, em regra, é de que o crédito presumido eventualmente existente não pode ser objeto de ressarcimento/compensação, o que, aliás, consta não só do precitado ADI nº 15, de 2005, mas, também, do art. 8º, § 3º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006. Devese atentar, ainda, que conforme o caso se mostra cabível a observação das disposições contidas na Lei nº 12.058, de 2009, com suas alterações, especialmente seu art. 33 e parágrafos com seus incisos, bem como na IN RFB nº 977, de 2009 (em especial os arts. 11, 12 e 13). Nesse passo, entendese correto o entendimento da autoridade fiscal. Rateio proporcional. Planilha Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, bem como da proporção a ser utilizada no rateio dos créditos básicos (fl. 181) Conforme assentou o agente fiscalizador em seu Parecer, procedeuse à separação dos valores de créditos básicos das contribuições relativos a insumos (bens e serviços), produtos adquiridos para revenda, energia elétrica, despesas de arrendamento mercantil e depreciação de bens, vinculados às vendas de leite longa vida, leite pasteurizado, leite cru refrigerado e queijos, daqueles vinculados às vendas dos demais produtos. a autoridade fiscal constatou, em consonância com os DACONs transmitidos pela contribuinte, que para o período objeto da verificação inexistiam créditos básicos vinculados a receitas obtidas no mercado externo, tendo confirmado a apuração de créditos Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10820.720984/201118 Acórdão n.º 3001000.291 S3C0T1 Fl. 5 7 básicos decorrentes de aquisições no mercado interno e vinculados a receitas obtidas no mercado interno, tributadas e não tributadas, e de créditos presumidos relacionados às atividades agroindustriais. Portanto, não poderia ela afirmar que o crédito presumido não pode ser apropriado proporcionalmente às receitas de exportação (não consta tal assentamento no Parecer que produziu). Dessa forma, entendemse corretos os cálculos feitos pelo Fisco. Ônus da Prova Em entendendo a autoridade fiscal que os documentos/informações produzidas pelos contribuintes durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, ou entendendo inexistente o crédito, em razão de que as operações demonstradas pela interessada não são enquadráveis nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a este negar direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. Homologação tácita. Inexistência O termo inicial da contagem do prazo de 05 (cinco) anos para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é a data da apresentação da DComp, no caso ocorrida em 13/09/2008 (efl. 2). A ciência do despacho decisório deuse em 12/09/2011 (efl. 143). Assim, não ocorreu homologação tácita. Logo, também não merece acolhida tal argumento. . Decisões Administrativas. Efeitos No que tange à decisão administrativa cuja ementa foi transcrita pela contribuinte, mostrase pertinente registrar que somente em casos especiais, devidamente expressos na CF ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. A regra geral é que as decisões administrativas tenham eficácia interpartes, não sendo lícito Fl. 206DF CARF MF 8 estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. Portanto, eventual julgado administrativo é inaplicável à presente lide. Pedido de Diligência/Perícia Devese indeferir o pedido de diligência/perícia, porquanto presentes nos autos os elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como por se tratar de matéria de prova que deveria ter sido apresentada juntamente com a peça de contestação. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 207DF CARF MF
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