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Numero do processo: 10240.001733/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: Pedro Anan Junior Relator
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 17 33 /2 00 7- 77 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente – Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.001733/200777 Acórdão n.º 2202002.979 S2C2T2 Fl. 296 3 Relatório O presente processo, trata de autuação contra o RECORRENTE SELINO PEREIRA, conforme auto de infração de fls. 10/20 e 181, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios de 2003, 2004 2005 e 2006, anoscalendários de 2002, 2003, 2004 e 2005, no valor de R$ 567.917,67 (quinhentos e sessenta e sete mil, novecentos e dezessete reais e sessenta e sete centavos), valor já acrescido dos juros de mora e multa de oficio, calculados de acordo com a legislação de regência. Intimado por edital, foi requerido os extratos bancários junto as instituições financeiras através de RMF. O lançamento de oficio decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo RECORRENTE, tendo sido constatado omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovados, conforme fls. 12/14, descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração. No dia 10/12/2007, foi juntada a impugnação de fls. 184/207, cujo teor, em suma foi o seguinte: 1) Cita farta doutrina e jurisprudência administrativa e dos tribunais; 2) Argui ofensa a princípios constitucionais e legais; 3) É nulo de pleno direito a quebra do sigilo fiscal e bancário, quando ausente a indispensável fundamentação, estabelecida a partir de fatos tidos, em tese, como ilícitos ou ilegais — Fl. 199; 4) Fls. 202/206. Argui a decadência dos fatos geradores ocorridos de janeiro de 2002 a outubro de 2002; 5) 0 simples fato de alguém efetuar depósitos em um banco não 6, por si só, comprobatório de que ele tenha auferido rendimentos tributáveis. E necessário o nexo da evidência do auferimento de rendimentos; 6) A autoridade fiscal não demonstrou utilização desses valores do depósito (presumido), como renda auferida, como gastos incompatíveis com o rendimento declarado ou até mesmo crescimento patrimonial injustificado; 7) A própria legislação determina que o dever de prova é do fisco, não bastando lançar sem o esteio da comprovação. Cabe a autoridade administrativa a prova da efetiva renda do recorrente com os supostos repasses. Estes não trazem nem uma presunção relativa, porque não se deposita somente renda; 8) Cabe ao fisco o ônus da prova; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 9) Imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicação no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários, cheques emitidos e aplicações financeiras não constitue fato gerador do imposto de renda, pois caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; 10) 0 RECORRENTE exercia a atividade de intermediação, compra e venda de madeira; 11) Requer o cancelamento do crédito tributário arbitrado, lavrado no auto de infração, por não encontrar respaldo para sua exigência, tendo como base apenas os extratos bancários por não ter sido comprovado sinais exteriores de riqueza. O art. 42 da Lei 9.430/96 acaba por atingir o que não é renda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDFADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improficuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre os rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de cada Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.001733/200777 Acórdão n.º 2202002.979 S2C2T2 Fl. 297 5 anocalendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos ao CamêLeão. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, recebendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de oficio e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares arguidas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ONUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. 0 ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Nesse passo, o Fisco deve comprovar regularmente seu direito ao crédito tributário provando o acréscimo patrimonial. Ja o contribuinte deve apresentar. Devidamente intimado desse decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de adentrarmos ao mérito devemos analisar as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.001733/200777 Acórdão n.º 2202002.979 S2C2T2 Fl. 298 7 (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.001733/200777 Acórdão n.º 2202002.979 S2C2T2 Fl. 299 9 contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade parcial suscitada pelo Recorrente. Decadência parcial anocalendário 2002 Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 304DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.001733/200777 Acórdão n.º 2202002.979 S2C2T2 Fl. 300 11 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não Fl. 305DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Fl. 306DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.001733/200777 Acórdão n.º 2202002.979 S2C2T2 Fl. 301 13 Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente aos anos calendários de 2002 a 2005, em que foi apurada omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, infrações sujeitas ao imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Para o anocalendário 2002, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.2002, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2007 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 11/2007, não há que se falar em decadência no presente caso. Diante do exposto, voto por não acolher a preliminar de decadência parcial suscitada pelo recorrente no que se refere ao anocalendário de 2002. Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.001733/200777 Acórdão n.º 2202002.979 S2C2T2 Fl. 302 15 Diante do exposto rejeito a preliminar de decadência parcial relativa ao ano calendário de 2002 e no mérito nego provimento ao recurso apresentado pelo Recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.001733/200777 Acórdão n.º 2202002.979 S2C2T2 Fl. 303 17 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 312DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908199/2011-75
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.498
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Ferreira Castellani - Relator
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 81 99 /2 01 1- 75Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 152 2 Carmen Ferreira Saraiva –Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Compensação (PER/DComp) 42523.75403.190106.1.2.048944, em 19.01.2006, fls. 0208, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$ 13.112,73, contido no DARF de valor total de R$ 11.934,90, recolhido em 31.03.2003, referente ao período de apuração de dezembro de 2002, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 03/01/2012, fls. 11, consta: Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 13.112,73 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Pelo entendimento exarado no despacho decisório, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, fls. 1623. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividade de análise clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica.” Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 153 3 Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 154 4 Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.207, de 22/08/2013, fls. 5461, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 155 5 líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 42523.75403.190106.1.2.048944, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 30/09/2002, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 156 6 Notificada em 04.11.2013, fl. 63, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013, fls. 6569. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito as regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Ferreira Castellani, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação, assim, o conheço. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 157 7 IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 158 8 A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 159 9 Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 160 10 proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 161 11 estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 162 12 O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908199/201175 Acórdão n.º 1803002.498 S1TE03 Fl. 163 13 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA
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Numero do processo: 13888.723869/2011-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
INCORREÇÕES, OMISSÕES OU INEXATIDÕES NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LAVRATURA DE NOVO AUTO DE INFRAÇÃO.
Nos termo do art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72, apuradas, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, é legítima a lavratura de auto de infração, para a exigência do crédito tributário não constituído.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E JUROS DE MORA.
Não se verifica a hipótese da denúncia espontânea, se não há prova nos autos da satisfação das condições impostas pelo art. 138, CTN.
MULTA QUALIFICADA. EMPRESAS FICTÍCIAS.
A utilização de empresas fictícias, com a finalidade de evitar a incidência da carga tributária, importa na aplicação do art. 72, da Lei nº 4.502/64, c.c. art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96.
PAGAMENTO SEM CAUSA. EMPRESAS FICTÍCIAS.
Caracteriza pagamento sem causa, previsto no art. 674, §1º, do RIR, os valores depositados em favor de empresas fictícias.
TAXA SELIC. O Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, determina a legalidade, neste Conselho, da exigência da Taxa Selic.
ARGUMENTO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto quando tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal ou na hipóteses de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (arts. 62 e 62-A, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa).
Numero da decisão: 1103-001.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar a preliminar, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata apenas acerca da qualificação da multa sobre o IRRF.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 INCORREÇÕES, OMISSÕES OU INEXATIDÕES NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LAVRATURA DE NOVO AUTO DE INFRAÇÃO. Nos termo do art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72, apuradas, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, é legítima a lavratura de auto de infração, para a exigência do crédito tributário não constituído. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E JUROS DE MORA. Não se verifica a hipótese da denúncia espontânea, se não há prova nos autos da satisfação das condições impostas pelo art. 138, CTN. MULTA QUALIFICADA. EMPRESAS FICTÍCIAS. A utilização de empresas fictícias, com a finalidade de evitar a incidência da carga tributária, importa na aplicação do art. 72, da Lei nº 4.502/64, c.c. art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96. PAGAMENTO SEM CAUSA. EMPRESAS FICTÍCIAS. Caracteriza pagamento sem causa, previsto no art. 674, §1º, do RIR, os valores depositados em favor de empresas fictícias. TAXA SELIC. O Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, determina a legalidade, neste Conselho, da exigência da Taxa Selic. ARGUMENTO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto quando tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal ou na hipóteses de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (arts. 62 e 62-A, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar a preliminar, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata apenas acerca da qualificação da multa sobre o IRRF. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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COAN & CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 INCORREÇÕES, OMISSÕES OU INEXATIDÕES NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LAVRATURA DE NOVO AUTO DE INFRAÇÃO. Nos termo do art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72, apuradas, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, é legítima a lavratura de auto de infração, para a exigência do crédito tributário não constituído. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E JUROS DE MORA. Não se verifica a hipótese da denúncia espontânea, se não há prova nos autos da satisfação das condições impostas pelo art. 138, CTN. MULTA QUALIFICADA. EMPRESAS FICTÍCIAS. A utilização de empresas fictícias, com a finalidade de evitar a incidência da carga tributária, importa na aplicação do art. 72, da Lei nº 4.502/64, c.c. art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96. PAGAMENTO SEM CAUSA. EMPRESAS FICTÍCIAS. Caracteriza pagamento sem causa, previsto no art. 674, §1º, do RIR, os valores depositados em favor de empresas fictícias. TAXA SELIC. O Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, determina a legalidade, neste Conselho, da exigência da Taxa Selic. ARGUMENTO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto quando tenha sido declarado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 38 69 /2 01 1- 09 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 3 2 inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal ou na hipóteses de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (arts. 62 e 62A, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar a preliminar, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata apenas acerca da qualificação da multa sobre o IRRF. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Em 08 de junho de 2009, a recorrente, escorada no art. 138, CTN, protocolou, na Delegacia da Receita Federal de Piracicaba, requerimento de denúncia espontânea (fls. 04/05). As obrigações tributárias teriam origem na relação jurídica que manteve com as empresas fictícias Carsena Representação Comercial Ltda., CNPJ nº 08.423.418/000113, e CJM Representação Comercial de Gêneros Alimentícios e Refeições Prontas Ltda., CNPJ nº 08.323.147/000124. Assim, tendo em vista que as aludidas empresas haviam optado pela tributação pelo sistema do Lucro Presumido, as notas fiscais emitidas pelas empresas fictícias eram utilizadas como “despesas” pela recorrente, de modo a diminuir a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Disse ainda a recorrente, no aludido documento, que as obrigações instrumentais seriam retificadas, de maneira a que fossem apurados devidamente os tributos Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 4 3 devidos, com a finalidade de inclusão do crédito tributário nos benefícios instituídos pela Lei nº 10.941/09. Em decorrência da petição protocolada, foi instaurado procedimento de fiscalização, que resultou na apuração das seguintes infrações, consoante “Termo de Verificação Fiscal nº 001”, (fls. 359/361), Proc. nº 13888.004358/201003, as seguintes razões: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, constatei as infrações abaixo descritas: PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO: DESPESAS OPERACIONAIS NÃO USUAIS OU NORMAIS NO TIPO DE TRANSAÇÕES. OPERAÇÕES OU ATIVIDADES DA EMPRESA. VERIFICAÇÃO DAS INFRAÇÕES: A presente fiscalização foi iniciada em 23/06/2009, em razão da empresa ter protocolado correspondência, onde, alegando amparo no art. 138 do CTN, denunciou espontaneamente que se utilizou de empresas fictícias de representação comercial para promover a redução das bases de cálculo de tributos federais e aduziu que os valores envolvidos foram efetivamente usados para o pagamento de outros fornecedores de forma geral. As empresas denunciadas foram: CARSENA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA CNPJ 08.423.418/000113 e CJM REPRESENTAÇÃO COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS E REFEIÇÕES PRONTAS LTDA CNPJ 08.323.147Q000124. Em correspondência posterior, protocolada em 04/09/2009, a empresa formalmente declara que os responsáveis legais pelas empresas denunciadas simplesmente emprestavam seus nomes e que desconheciam as operações das empresas "fantasmas" a quais, na verdade, eram geridas por Geraldo J. Coan & Cia Ltda. Em 25/06/06/2009, no atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, o contribuinte apresentou os originais e cópias das notas fiscais emitidas pelas empresas fictícias, quando constatamos que no período fiscalizado foram faturados R$ 30.064.987,11, por intermédio de nota fiscais inidôneas. PAGAMENTOS A CARSENA E CJM Em 27/08/2009, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal N° 0922/1, intimando o contribuinte para apresentar cópia frente e verso dos cheques utilizados para liquidação dos valores escriturados como pagos às empresas CARSENA, CJM e outros fornecedores selecionados por amostragem. Considerando, o atendimento parcial desta intimação, em 05/07/2010, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal N° 0922/2, quando, em 07/072010, o contribuinte apresentou relação definitiva, onde reconhece e relaciona todos os pagamentos referentes às notas fiscais Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 5 4 emitidas pelas empresas CJM Representação Comercial e CARSENA Representação Comercial, anexo 1. PAGAMENTOS A RODRIGUES GARCIA & MIRANDA FILHO ADVOGADOS Da análise dos elementos fornecidos pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal N° 0922/1, de 27/08/2009, verificamos que 60 cheques contabilizados como utilizados para liquidar duplicatas por serviços prestados pelo fornecedor Rodrigues Garcia & Miranda Advogados foram, de fato, depositados em contas correntes mantidas no Banco Nossa Caixa Nosso Banco pelas empresas fictícias denunciadas, conforme consta do verso dos respectivos cheques a seguir: (...) PAGAMENTO A PROFORMA CONSTRUÇÕES LTDA Durante o ano calendário de 2008, o contribuinte contabilizou como custos incorridos valores pagos por serviços prestados pela empresa Proforma Construções Ltda CNPJ 36.293.652/000109. Verificase, contudo, que o serviços prestados, conforme discriminado nas notas fiscais, abaixo mencionadas, referemse a execução de serviços de reforma em diversas escolas do município de Macaé, portanto não usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. (...)” Posteriormente, foi lavrado este lançamento de ofício, tendo em vista o erro no cálculo do tributo, relativamente ao IRRF, decorrente de pagamento sem causa, realizado nos autos do Proc. nº 13888.004358/201003. A recorrente ofertou impugnação (fls. 50/74), julgada improcedente, mantendose o lançamento de ofício (fls.95/111). Inconformada, interpôs recurso voluntário (fls. 129/156), aduzindo, em síntese: a) formação de dois processos distintos (art. 18, §3o, Decreto nº 70.235/72); b) ausência de provas nestes autos (art. 9o, Decreto nº 70.235/72); c) ofensa à competência (arts. 18, caput e 32 do Decreto nº 70.235/72), pois somente a DRJ poderia dar início a eventual procedimento de revisão do lançamento para agravamento da exigência. A DRF/Piracicaba não tinha competência para solicitar o processo à DRJ, nem para encaminhálo indevidamente ao AFRF de outra jurisdição (DRF/Osasco) para atuar no processo que culminou no lançamento tributário; d) ocorreu erro de direito (relacionado à determinação da base de cálculo), erro do critério jurídico (de fundamento), devendo ser declarada a nulidade do lançamento Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 6 5 complementar e da autuação complementada, já que não pode ser retificado ou complementado o citado erro de direito; e) não foi comprovado pela fiscalização que os pagamentos foram feitos a beneficiários não identificados. Não resta a menor dúvida de que os pagamentos foram para a própria recorrente. A contribuinte emitia cheques nominais a ela mesma, que fazia o saque deles; f) ilegalidade da multa, em face da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. PRELIMINARES – VÍCIOS PROCESSUAIS Inicio pelos vícios formais do lançamento, aduzidos pela recorrente. Diz o art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72: Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. §1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. §2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. §3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” Nos termo do art. 18, §3º, verificadas incorreções, há dois caminhos a seguir: a) lavratura de auto de infração; ou b) realização de lançamento complementar. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 7 6 Portanto, presente a falha, que pode ser denunciada por qualquer autoridade competente (art. 986, RIR/99), qualidade que possui o AFR autuante, é lícita a realização de lançamento complementar ou novo auto de infração: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 2003 ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA EXIGÊNCIA. COMPETÊNCIA. A alteração da fundamentação legal da exigência é atividade vinculada à autoridade fiscal detentora de poderes para constituir o crédito tributário. Verificada incorreção no lançamento de que resulte alteração da fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado Auto de Infração ou notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE Não há como prosperar o lançamento, cuja apuração do crédito tributário está em desacordo com a legislação de regência. Recurso Voluntário Provido.(CARF, AC. 2801003.290, Rel. Cons. TANIA MARA PASCHOALIN) O Fisco, no caso, optou por novo lançamento de ofício, tendo em vista que na correção da base de cálculo não se observou a regra prevista no art. 20, da INSRF nº 15/2001, aplicandose, equivocadamente, a alíquota de 1,5% (fls. 686/689, Proc. nº 13888004358/2010 03). É condição, a tanto, ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (art. 906, RIR/99), que se deu mediante a emissão do MPF nº 0812500/00812/11. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1991 a 31/07/2000 REEXAME DO MESMO PERÍODO OBJETO DE FISCALIZAÇÃO ANTERIOR. ART. 906 DO RIR. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. O Mandado de Procedimento Fiscal que expressamente autoriza a realização das verificações obrigatórias em relação aos cinco anos anteriores é instrumento que atende a exigência do art. 906 do RIR, configurando a ordem escrita necessária para autorizar o reexame de um mesmo período pela Fiscalização. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FUNÇÃO E EFEITOS. LANÇAMENTO. NULIDADE INEXISTENTE. O MPF é instrumento de controle da própria Receita Federal do Brasil em relação à atividade de fiscalização, proporcionando transparência e segurança ao contribuinte. A relevância do objeto e do momento do início da fiscalização, constantes no MPF, são relevantes para determinar a espontaneidade do contribuinte, mas não apresentam qualquer implicação em relação à validade do auto de infração. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, implicou na declaração de inconstitucionalidade do art. 45 e da Lei n° 8.212, de 1991, que fixava em 10 anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais. Na hipótese de lançamento por homologação, deve ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4° do CTN, de modo que o lançamento de ofício apenas pode alcançar os fatos geradores ocorridos nos 5 anos anteriores à constituição do crédito pela notificação do auto de infração. RECEITA. PAGAMENTOS A ITAIPU Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 8 7 BINACIONAL. RESERVA GLOBAL DE REVERSÃO (RGR). CUSTOS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. A interpretação do art. XII do Decreto Legislativo nº 23/73 c/c art. 43, I, do Decreto nº 4.525/2002, regulamentado pelo art. 44 da IN SRF nº 247/2002, deve ser de que os serviços abrangidos pela não incidência são apenas aqueles relacionados com a venda de materiais e equipamentos destinados aos trabalhos de construção e obras complementares e acessórios, não se aplicando à receita obtida pelo contribuinte, paga por Itaipú Binacional, pela utilização da rede do contribuinte para o transporte da eletricidade. Também a RGR configura custo da atividade, não existindo previsão legal autorizando sua exclusão. Recurso parcialmente provido.(CARF, AC. 3403002.516, Rel. IVAN ALLEGRETTI). Acrescentase que não se trata de notificação lançamento complementar, mas auto de infração complementar. Até aqui, nenhuma ilegalidade, na medida em que, evidenciada a deficiência do crédito constituído no Proc. nº 13888004358/201003. Ressaltase o fato, também, de que em que pese a quantidade de documentos que instruíram o lançamento ser parca, ela não impediu o conhecimento da imputação ao recorrente e possibilitou a sua defesa, daí porque não houve afronta ao art. 9º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não há qualquer nulidade no Proc. nº 13888.723869/201109. II. DA MULTA QUALIFICADA II.I DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente defende que realizou denúncia espontânea, na moldura do art. 138, CTN, tendo direito ao pagamento do tributo, sem o pagamento da multa. Conforme se lê do texto do art. 138, CTN, a denúncia espontânea se aperfeiçoa se realizada antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e acompanhada do pagamento dos tributos e juros de mora. A recorrente cumpriu uma das condições impostas pelo art. 138, CTN, pois confessou as infrações tributárias, antes da instauração de medida ou procedimento de fiscalização. Porém, o ato não veio acompanhado do pagamento dos tributos confessados, bem como seus consectários legais. Acrescentase que a adesão a parcelamento não tem o condão de satisfazer a exigência do art. 138, pois, nessa modalidade de satisfação do crédito tributário, o pagamento não se dá de maneira integral. A matéria não importa maiores digressões, pois o STJ, no REsp 1.102.577/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 18/05/2009, adjetivado com os efeitos do Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 9 8 art. 543C do CPC, decidiu nesse sentido, fato que vincula este Órgão de Julgamento, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. Daí porque afasto a espontaneidade regrada no art. 138, CTN. II.II QUALIFICAÇÃO DA MULTA Nos termos do art. 44, da Lei nº 9.430/96, a regra é aplicação da pena de 75%, em caso de cometimento de infração tributária, que deve ser qualificada, nas hipóteses de sonegação fiscal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A recorrente confessou ter se utilizado de empresas fictícias, com a finalidade de deixar de pagar tributos, fato que se encaixa nas hipóteses previstas no art. 72, da Lei nº 4.502/64: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Por outro lado, a recorrente se defende com a alegação de ter agido de boafé, pela realização da denúncia espontânea, sendo não razoável a exigência da penalidade nesse patamar (art. 2º, Lei nº 9.784/99). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 10 9 Observo que o instituto da denúncia espontânea não guarda relação com atos de boafé. Buscou o legislador conceder ao contribuinte faltoso a possibilidade de correção da sua falha, independentemente de boafé, sendo, por isso, premiado com a dispensa do pagamento da penalidade. Portanto, o exercício ao direito da denúncia espontânea não revela boafé da recorrente. Como consequência, mantenho a penalidade aplicada. III. IRRF – PAGAMENTO SEM CAUSA No que tange à exigência do IRFonte do pagamento sem causa ou a destinatários não identificados, o art. 674, do RIR vigente, determina que: Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). §3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).” Verificase nestes autos, “Relatório Fiscal a Agravo de Exigência”, fls. 12/17, Proc. nº 13888.723869/201109, a exigência do tributo, por pagamento a beneficiário não identificado, tem por motivação administrativa: PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Conforme declaração da própria empresa, o modus operandi utilizado foi a criação das empresas laranjas, Carsena e CJM, cujo objetivo era a emissão de notas fiscais frias, para com isso majorar seus custos e consequentemente reduzir seu lucro. Por outro lado, com a simulação dos pagamentos, através de saques em dinheiro na boca do caixa, tinha o caminho livre para desviar recursos da empresa, sabese lá para onde ou para quem. Certo, neste caso, é que está perfeitamente caracterizado o pagamento sem causa desde que a operação não existiu , bem como o pagamento a beneficiário não identificado. (...) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.723869/201109 Acórdão n.º 1103001.079 S1C1T3 Fl. 11 10 Estando confessado, pela recorrente, de que as empresas as quais os pagamentos foram realizados, gerando despesas artificiais, são fictícias, os pagamento realizados não possuem motivação mercantil. Nesse passo, fica caracterizado o pagamento sem causa, previsto no art. 674, §1º, do RIR. Portanto, o ato administrativo de lançamento de ofício foi corretamente motivado é deve ser mantido. IV. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS Quanto à ilegalidade da Taxa Selic e outros questionamentos de cunho inconstitucional, em razão do art. 62, do Regimento Interno deste Tribunal, Anexo, II, esta Corte Julgado é incompetente para afastála. V. CONCLUSÃO Diante do exposto, RECEBO o recurso interposto pela recorrente para NEGARLHE PROVIMENTO. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11065.002711/2007-65
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA POR PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do ordenamento jurídico pátrio, não há qualquer vedação à prestação de serviços de natureza personalíssima por pessoas jurídicas, especialmente em virtude do princípio da livre iniciativa, apenas sendo cabível o lançamento tributário nas hipóteses em que restar comprovada, cabalmente, a ocorrência de simulação no tocante à constituição do vínculo societário, ou, também, naquelas em que a prestação de serviços dissimula a existência de relação de emprego, na forma do art. 3° da CLT. Não havendo, assim, a comprovação de simulação em quaisquer dos casos, não merece subsistir o auto de infração.
Hipótese em que restou comprovada a inexistência de vínculo empregatício, bem como a affectio societatis existente entre os sócios, relativa à repartição proporcional dos lucros por ocasião da distribuição dos dividendos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros José Valdemir da Silva (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flávio Araújo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA POR PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. Nos termos do ordenamento jurídico pátrio, não há qualquer vedação à prestação de serviços de natureza personalíssima por pessoas jurídicas, especialmente em virtude do princípio da livre iniciativa, apenas sendo cabível o lançamento tributário nas hipóteses em que restar comprovada, cabalmente, a ocorrência de simulação no tocante à constituição do vínculo societário, ou, também, naquelas em que a prestação de serviços dissimula a existência de relação de emprego, na forma do art. 3° da CLT. Não havendo, assim, a comprovação de simulação em quaisquer dos casos, não merece subsistir o auto de infração. Hipótese em que restou comprovada a inexistência de vínculo empregatício, bem como a affectio societatis existente entre os sócios, relativa à repartição proporcional dos lucros por ocasião da distribuição dos dividendos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros José Valdemir da Silva (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 11 /2 00 7- 65 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 576 2 Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flávio Araújo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4a Turma da DRJ/.POA Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Através do Auto de Infração foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 227.666,50 relativos aos exercícios de 2003 a 2005 em decorrência da omissão de rendimentos relativos ao trabalho prestado por sóciogerente. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam do referido Auto. O total do crédito tributário é de R$ 505.214,38. Em sua defesa (fls. 365/412) o impugnante, através de suas procuradoras (fls. 413/416), preliminarmente, argúi que o lançamento é passível de nulidade por afrontar o disposto no inciso V do art. 149 do CTN e princípios constitucionais. Transcreve ementas de decisões administrativas a respeito de nulidade do lançamento. Quanto ao mérito argumenta, em síntese, que: a presente autuação foi baseada em presunções, o que é inadmissível face ao princípio da verdade material nos termos do art. 142 do CTN; a autoridade administrativa pretende inverter o ônus da prova dos fatos que alega, "a despeito de existir presunção legal para respaldar o procedimento fiscal no caso concreto, condicionado à comprovação material da dita omissão de receitas" (sic); não foi demonstrada a disponibilidade econômica e jurídica (fato gerador do IRRF) da suposta renda omitida; os documentos analisados pela fiscalização (notas fiscais, contratos de prestação de serviços da Policlínica Central Ltda. e MMZ Comércio e Participações Ltda. A despeito de eventuais Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 577 3 irregularidades formais e não materiais, fazem prova em favor do não faz prova em favor do próprio impugnante (v.g. declaração de terceiros); a autoridade fiscal jamais comprovou os valores pretensamente tributáveis na esfera do patrimônio pessoal do impugnante, por exemplo, efetivamente acresceram ao patrimônio deste mediante sinais exteriores de riqueza incompatíveis com sua renda declarada (não se noticia, na ação fiscal, nenhuma diligência para investigar contas correntes, de investimentos, registros imobiliários etc), ficando evidente a violação ao princípio da verdade material no procedimento fiscal; a prova no Processo Administrativo Fiscal de que tratam os arts. 15,16 29 do Decreto n° 70.235/72 somente deve ser providenciada pelo contribuinte quando o crédito tributário for líquido e certo, com todos os pressupostos de validade atendidos. as informações por ele prestadas na declaração de rendimentos se presumem verdadeiras e que "qualquer outra renda declarada como paga por terceiros é apenas o ponto de partida para novas investigações" (sic); inexiste comprovação material de omissão de receita no procedimento fiscal e passa a discorrer sobre meios de prova (diretos ou indiretos) transcrevendo ementas de decisões administrativas e a opinião de tributarista a respeito da matéria. Verificase que das fls. 381/385 o impugnante apenas reproduz a descrição dos fatos que embasaram o lançamento. Prossegue discorrendo sobre os meios de prova previstos no art. 332 e seguintes do Código de Processo Civil CPC (Lei 5.869/73) e conclui, após enumerar o que entende ser indícios de irregularidades apontados pela fiscalização, tais elementos não comprovam a disponibilidade econômica e jurídica da renda na pessoa física (fato imponível). Reforça que o imposto de renda deve tributar somente os acréscimos patrimoniais disponíveis econômica/juridicamente para o contribuinte, como exemplo, seria a faculdade de alguém consumir o acréscimo. Entende ser indevida a desconsideração da prestação de serviço por parte da empresa MMZ, tendo em vista que o disposto no art. 6481 do RIR/1999 se aplica a sociedade civil prestadora de serviços relativos a profissão legalmente regulamentada, o que não é o caso da referida empresa, a qual tem fins comerciais. Enfatiza que se os serviços não foram prestados, como declarados no contrato da MMZ, e que como sócio, recebeu pró labore; A empresa Policlínica Central poderia ser enquadrada como tendo praticado distribuição disfarçada de lucros em benefício de pessoas ligadas ou à sociedades por eles constituídas. Cita o Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 578 4 entendimento de renomados tributaristas acerca de princípios constitucionais e o caráter interpretativo do art. 129 da Lei 11.196/2005. Ao final, requer, preliminarmente, a nulidade do lançamento tendo em vista a violação do princípio da verdade material, nos termos do art. 142, caput do Código Tributário Nacional, por falta de comprovação da existência (v.g. certeza) do fato imponível. Na linha da eventualidade, pede a improcedência do lançamento, eis que: "a) não existe comprovação material da omissão receitas lançadas, conforme defendido no mérito; b) a prestação de serviço foi prestada pela pessoa jurídica MMZ, a ela sendo devida a correspondente remuneração, como lhe assegura a Constituição, o Código Tributário Nacional e art. 129 da Lei n° 11.196/2005; c) impõese a exclusão integral dos juros calculados à taxa SELIC, face à ilegitimidade de sua cobrança, senão, alternativamente, d) a exclusão integral dos juros de mora calculados sobre a multa de oficio proporcional, por ausência de previsão legal que autorize, visto que a norma do art. 61, § 3o da Lei n° 9.430/96, não serve para tanto. " Acompanham a impugnação os documentos em fls. 417/425. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de (fls.511/527numeração digital), assim ementado a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004,2005 Ementa: NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade fogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. "Súmula I o CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de leis tributárias. " OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 579 5 Os rendimentos auferidos pela prestação individual de serviços de natureza gerencial, que são prestados de forma pessoal, são tributados na pessoa física. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, par modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício, prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. "SÚMULA I o C C N° 4: A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, nos período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais ", Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 12.07.2011(fl.468numeração digital), a contribuinte, representado por seu inventariante, apresentou recurso em 09.08.2011( fls.470/508numeração digital). Em sua defesa sustenta os argumentos da impugnação e ao final pede: reforma do julgamento de primeiro grau para efeito de desconstituição do lançamento com extinção do crédito tributário, conforme razões recursais a)não existe comprovação material de b)serviço prestado pela pessoa jurídica MMZ, a ela sendo devida a correspondente remuneração, como lhe a asseguram a Constituição, o Código Tributário Nacional e art. 129 da Lei 11.196/2005, como lhe asseguram a lei societária e fiscal, c) consumouse errônea quantificação de rendimentos considerados prestação de serviços de natureza personalíssima; d) impõese a exclusão integral dos juros de mora calculados sobre a multa de ofício proporcional. É o Relatório Voto Vencido Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 580 6 Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente de Omissão de Rendimentos relativos ao trabalho prestado por sócio gerente(fls.356). Percebese dos autos que, essencialmente, a discussão centrase na possibilidade ou não de os rendimentos percebidos nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, em decorrência de prestação de serviços de natureza personalíssima, serem tributados na pessoa jurídica constituída para tal fim. Entende o Recorrente que sim, invocando inclusive o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, a seguir transcrito, o qual teria natureza interpretativa, à luz do disposto no art. 106, do CTN, aplicandose retroativamente. Art. 129 Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei n° O art. 50 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o Código Civil, estabelece: Art. 50 Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Por sua vez o art. 106, do CTN determina: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivo interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 581 7 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Ora, como bem exposto no acórdão recorrido o art. 129 invocado efetivamente criou direito novo, na medida em que cria as "empresas unipessoais" para fins de tributação como pessoas jurídicas, antes consideradas pessoas físicas perante a legislação tributária. O certo é que até a edição do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, os rendimentos decorrentes de prestação de serviços de natureza personalíssima, a exemplo do artista, por expressa previsão legal não poderiam ser considerados rendimentos de pessoa jurídica. Por oportuno, confirase a legislação compilada no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, art. 150: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto Lei n° 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2°). § 1° São empresas individuais: I As firmas individuais (Lei n°4.506, de 1964, art. 41, § 1 0, alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei n°4.506, de 1964, art. 41, § 1°, alínea "b"); III as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capitulo (Decreto Lei n° 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1° e 3°, inciso III, e Decreto Lei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2° O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 6°, alínea "a", e Lei n°4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3°); II profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (Decreto Lei n°5.844, de 1943, art. 6°, alínea "b"); III agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (Decreto Lei n°5.844, de 1943, art. 6°, alínea "c"); Fl. 581DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 582 8 IV serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (Decreto Lei n°5.844, de 1943, art. 6°, alínea "d" V corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (Decreto Lei n°5.844, de 1943, art. 6°, alínea "e") VI exploração individual de contratos de empreitada unicamente de favor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos,terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (Decreto Lei n°5.844, de 1943, art. 6°, alínea T); VII exploração de obras artísticas, didáticas, cientificas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (Decreto Lei n°5.844, de 1943 art. 6°, alínea "g")." Ou seja, à época dos fatos geradores aqui discutidos, os valores recebidos pelo interessada são decorrentes de prestação de serviços de natureza eminentemente pessoal, quer dizer, são resultados do fruto de seu desempenho pessoal e, por força da legislação então vigente, deveriam ser tributados na pessoa física. Assim sendo, incabível a aplicação da retroatividade benigna a que alude o inciso I, do art 106 do CTN, anteriormente transcrito, posto que o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 além de não ser expressamente interpretativo, representa introdução de nova norma no ordenamento jurídico. Assim, até 2005, os rendimentos decorrentes de prestação de serviços de natureza personalíssimas obrigatoriamente tinham que ser tributados na pessoa física. A partir daí, podem ser tributados em pessoa jurídica constituída para tal propósito. Quanto à retroatividade benigna a que alude o art. 106, inc. II, do CTN, anteriormente transcrito, também não se aplica ao caso, conforme se demonstrará a seguir. A alínea “a” se aplicaria quando a Lei nova deixa de definir o ato não definitivamente julgado como infração. Nos autos em apreço, a infração cometida pela recorrente foi omissão de rendimentos, infração essa que jamais deixou de ser considerada como tal ante a legislação em vigor em nosso ordenamento. A alínea “b” cuida de atos que deixam de ser tratados como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão e ressalva que estão excluídos os atos fraudulentos e os que tenham implicado em falta de pagamento de tributo. Já de pronto se verifica que a ressalva quanto à falta de pagamento impediria a aplicação do dispositivo. Portanto, seja pela regra geral esculpida na alínea “a” ou pela regra particular prevista na alínea “b”, a tese da contribuinte não encontra amparo. Em relação à alínea “c”, basta registrar que não houve edição de Lei nova prevendo penalidade menos severa para a infração omissão de rendimentos. Dessa forma, comprovado que à época dos fatos geradores aqui em discussão, por expressa previsão legal os rendimentos lançados deveriam ser tributados na Fl. 582DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 583 9 pessoa física, mostramse estéreis os demais argumentos do contribuinte inclusive quanto à não aplicação ao caso do disposto no § 4º do art. 3° da Lei n° 7.713, de 1988, ou no CTN (arts. 118, inc. I, 123 e 149, inc. VII). Inicialmente destaco que, a fiscalização decorreu de representação do Ministério Pública Federal relativa a fatos que teriam sido verificados na Empresa Policlínica Central Ltda da qual o Recorrente é proprietário com sua esposa Rita Carmen Zaduchliver. O Recorrente em depoimento ao Poder Judiciário (fl.18/28), afirmou que os rendimentos do trabalho que ele prestava à Policlínica relativos às atividades gerenciais próprias de um sóciogerente, seriam pagos pela Policlínica Central Ltda à MMZ Comércio e Participações Ltda sob as alegações que poderia ter suas despesas pessoais efetivadas no exercício de suas funções pagas pela MMZ, com intuito de reduzir a tributação incidente sobre os rendimentos pagos pela Policlínica Central Ltda. Aduz o Recorrente que os serviços prestados pela MMZ estão relacionados com atividade de natureza gerencial referentes à Gestão de saúde operados pela Policlínica Central, ou seja que a MMZ desenvolvia atividades gerenciais e não as atividades referenciadas nas notas fiscais emitidas. Alega ainda, que os serviços eram prestados pelo sr. Moacir Zaduchliver, ora Recorrente, que também se referia a serviços de diagnósticos por imagem realizados em “ equipamentos de propriedade da MMZ”, cedidos para a Policlínica Central (fl.108), conforme contrato firmado entre MMZ x Policlínica Central Ltda. Notese às(fls.53/57) a Policlínica Central Ltda informou que a MMZ prestou os seguintes serviços: –Responsável pela política de manutenção e credenciamento das empresas e prestadoras de serviços para Policlínica; –Responsável pela política de custos das assistências, envolvendo as negociações financeiras e operacionais com toda a base e credenciados; –Acompanhamento das atividades da Policlínica junto a órgão e entidades como, por exemplo, a Agência Nacional de Saúde; –Acompanhamento e análise das espécies de atendimento por especialidades; –Análises e assessoria aos gestores das áreas técnicas da Policlínica; Acompanhamento da central de guias; –Acompanhamento e orientação na formatação técnica de contratos de prestações de serviços assistenciais e ocupacionais; h) Orientações e acompanhamento das ações de auditorias. Verificase no Contrato de Gestão, Acompanhamento e Controle de Planos de Saúde(fls.97/98) firmado pela empresa MMZ e a Policlínica Central Ltda especifica que seriam prestados os seguintes: a)serviços de consultoria e assessoria na gestão de negócios e recursos humanos, b)análise de investimentos e contratos, assessoria de marketing, assessoria Fl. 583DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 584 10 em conferência de contas médicas, planejamento e implantação de projetos de prevenção em saúde, tal documento, a exemplo das informações prestadas pela Policlínica Central, indicam a prestação de atividades gerenciais na Policlínica Central. Diferentemente do contrato de .prestação de serviços, as notas fiscais emitidas pela empresa MMZ Comércio e Participações Ltda(fls.66 a 93),em nome da Policlínica Central Ltda, constam no campo descrição dos serviços prestados, a expressão “relação e interpretação de mamografias e impressão de laudos de Raio x e laboratoriais O Recorrente aduz que o depoimento pessoal atesta a intenção de efetivar uma elisão fiscal para pagar menos tributos, dentro da liberdade contratual que lhe reserva a ordem jurídica, bem como, as declarações de terceiros, em documentos particulares confrontados, indicam que a parte envolvida na prestação de serviços objeto de fiscalização, especialmente quanto à gestão de negócios da Policlínica, é a empresa MMZ Comércio e Participações Ltda, ainda que mediante subcontratação de outras empresas ( SDI, Agile Informática), mas nunca o Recorrente na condição de pessoa física. Afirma, ainda, em resposta a Intimação fiscal a empresa SDIServiço de Diagnóstico por Imagem, prestou serviços na condição de subcontatados a MMZ, o que está a corroborar que efetivamente era a MMZ que auxiliava, assessorava a Policlínica Central na consecução de seus negócios, e não o Recorrente, como pessoa física. Este elemento infirma a disponibilidade econômica e jurídica da renda na pessoa física(fato imponível). Portanto, analisando as informações prestadas pela Policlínica Central, verificase que os serviços prestados pela MMZ estão relacionados com atividade de natureza gerencial referentes à gestão dos planos de saúde operados pela Policlínica Central. Ou seja, a Policlínica informou que a MMZ desenvolvia "atividades gerenciais" e não as atividades referenciadas nas notas fiscais emitidas pela MMZ. Aduziu, entretanto, que também se referiam a serviços de diagnósticos por imagem realizados “ em equipamentos de propriedade da MMZ, cedidos para a Policlínica Central. No presente caso, a matéria fática é a mesma: Contrato de prestação de serviços, depoimento do Recorrente no Processo Judicial, nas respostas as intimações realizados no curso da ação fiscal, deixam claro que os serviços foram executados pela pessoa física do contribuinte, em caráter personalíssimo e individual. Os rendimentos devem ser tributados na pessoa física do efetivo prestador do serviço. Portanto, a decisão de piso não merece reparo. O Recorrente argumenta, ainda, que sobre a diferença de IRPF exigível não seriam devidos juros e/ou multa de ofício. Registrese por derradeiro, que a multa de ofício deve ser aplicada sobre a “totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”, conforme dicção do caput do art. 44 da Lei n. 9.430, de 1996. Ora, no caso, de uma forma ou de outra, parte do imposto já foi pago e, portanto, a multa deve incidir apenas sobre a diferença, in verbis: Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 585 11 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Pelo que diz o inciso VI do art. 97 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Por falta de previsão legal, as razões do Recorrente não afastam a sanção. Da mesma forma, não se pode dispensar os juros de mora. O art. 161 do CTN disciplina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Com referência ao pedido de compensação dos recolhimentos efetuados pela empresa MMZ Comércio e Participações Ltda a título de imposto de renda pessoa jurídica e contribuições, no sentido de deduzilos do valor do imposto apurado na pessoa física da autuada, razão assiste ao contribuinte. Com relação ao pedido de compensação, entendo indevido haja vista se trata de pessoas distintas. Diante dos fatos aqui esposados, entendo correto o lançamento dos valores como rendimentos recebidos pelo contribuinte pessoa física. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão de mérito. Conforme se verifica nos autos, a questão versa sobre Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente de Omissão de Rendimentos relativos ao trabalho prestado por sócio gerente(fls.356). Percebese dos autos que, essencialmente, a discussão centrase na questão de se saber se os rendimentos percebidos nos anos calendário 2002, 2003 e 2004 são ou não decorrentes de suposta prestação de serviços de natureza personalíssima, e se tais rendimentos poderiam ser tributados na pessoa jurídica do recorrente. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 586 12 A matéria em discussão já foi debatida diversas vezes no CARF; destaco em especial o voto do Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, no processo n 18471.001253/200532, que passo a adotar integralmente nas linhas abaixo. Antes de adentrar nos aspectos específicos do caso em tela, contudo, parece ser oportuna uma digressão jurídica a respeito do tema, de notável importância no cenário jurídico e econômico que se apresenta, hodiernamente, em especial quando se trata de serviços de natureza artística, como sói ocorrer in casu. Com efeito, a prática de constituição de sociedades para prestação de serviços de natureza personalíssima, em especial por artistas e desportistas, não constitui preocupação, no campo tributário, precipuamente, adstrita ao âmbito nacional, mas, igualmente, constitui notável importância internacionalmente. Nesse sentido, consoante salienta Martin Jau, em artigo destinado ao tema, muito embora existam, no cenário mundial, práticas abusivas na constituição de sociedades para prestação dos referidos serviços ("Star company" ou "RentAStart company"), em virtude de eventuais benefícios fiscais, especialmente nos casos de constituição de pessoa jurídica em paraísos fiscais, sem qualquer propósito negocial, em diversos casos a constituição de pessoas jurídicas atende a um propósito específico, sendo descabida a mera requalificação dos rendimentos (JAU, Martin. Star companies in international tax law. Disponível em http://www.schillerlegal.ch/tl_files/schillerlegal/images/Publikationen/Jau_Star_Companies.pd f acesso em 20.11.2010). As discussões atinentes ao tema, dada a dificuldade de seu tratamento, levou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico ("OCDE"), no que toca à redação de sua convençãomodelo para evitar a dupla tributação, a incluir um parágrafo específico em seu artigo 17, mais especificamente o parágrafo segundo, para abarcar as hipóteses de remuneração, pelos serviços artísticos ou de esportista, à pessoa jurídica. Demonstrada a relevância da questão, inclusive em seara internacional, passase à análise específica do ordenamento jurídico interno, a fim de perquirir a possibilidade de constituição da sociedade MMZ Comércio e Participações Ltda no caso ora objeto de análise. Nesse sentido, fazse mister assinalar, em um primeiro momento, um aspecto de fundamental importância para a análise jurídica que irá se desenvolver em seguida, qual seja, o conceito de personalidade jurídica. A este respeito, é preciso frisar que, de acordo com a orientação hoje dominante, representada pelo escólio de Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, a personalidade jurídica constitui realidade criada juridicamente, estabelecida, portanto, em estrita consonância com as regras gerais e abstratas deste campo do conhecimento (AMARAL, Antônio Carlos Rodrigues do. (et. al.) Apontamentos sobre a Desconsideração da Personalidade Jurídica e os Serviços de Natureza Intelectual. In: ANAN JR., Pedro (et. al.). Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas Aspectos Legais, Econômicos e Tributários. São Paulo: MP Editora, 2008, p. 298). Este aspecto específico, pois, constitui notável importância no exame dos casos concretos, eis que, como se observa na prática, e no presente caso não é diferente, a simples natureza do serviço prestado, seja artístico ou outros considerados de natureza Fl. 586DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 587 13 personalíssima, afigurase como único elemento analisado pela fiscalização para a requalificação dos rendimentos na pessoa física daquele que os presta pessoalmente, sem que se leve em consideração outros aspectos juridicamente indispensáveis. De fato, a realidade fática, decorrente da natureza das coisas, ao contrário do que vem ocorrendo nas fiscalizações, não pode se confundir com aquela desenvolvida abstratamente pelo legislador. Nesse sentido, assim, a análise da plausibilidade de constituição de pessoas jurídicas deve partir de um cenário jurídico, a partir do qual deverão ser analisados os elementos do caso concreto. Feita esta breve ressalva, de caráter introdutório, entendo que se deva recorrer ao texto da Constituição, com o propósito específico de verificar, desta sorte, os princípios e regras que norteiam a constituição e funcionamento das pessoas jurídicas. Nesse sentido, no que toca à Carta Magna, portanto, mais especificamente compulsandose os termos dos artigos 1°, IV, 5°, XIII e XVII e, igualmente, o texto do artigo 170, caput e parágrafo único, verificase, consoante aduz Alexandre Luiz Moraes do Rêgo Monteiro, "uma ampla proteção à liberdade econômica, cujos limites esbarram na própria função social da empresa, fundada na dignidade da pessoa humana e na valorização do trabalho. Dentro destes limites, assim, o ordenamento garante a plena liberdade de constituição e utilização de pessoas jurídicas para o desenvolvimento de atividade econômicas." (MONTEIRO, Alexandre Luiz Moraes do Rêgo. Caso Felipão e Caso Ratinho: O mito da impossibilidade de pessoas jurídicas prestarem serviços artísticos ou intelectuais e seus reflexos tributários. In: CASTRO, Leonardo Freitas de Moraes e. Planejamento Tributário: análise de casos. São Paulo, MP Editora, 2010, p. 238). Efetivamente, verificase, do texto constitucional, que o princípio da livre iniciativa e, bem assim, da liberdade de empresa, é alçado ao status de direito fundamental do contribuinte, ressaltando o constituinte originário, por duas oportunidades, a estrita observância ao referido preceito (art. 1°, IV e art. 170, caput da Constituição). Assim é que, sob o prisma constitucional, em um primeiro momento, não se pode apontar qualquer vedação à constituição de sociedades para a prestação de serviços de caráter personalíssimo. Com fundamento nas diretrizes de direito constitucional, o direito civil, profundamente influenciado pelo pensamento de juristas italianos até a primeira metade do século XX, houve por bem definir o contrato social como uma comunhão de interesses e de escopo, razão pela qual, segundo prelecionava Tullio Ascarelli, referido documento passou a ser reconhecido como espécie de negócio plurilateral, onde as partes têm o propósito de unir esforços para um objetivo comum (Vide: ASCARELLI, Tullio. Saggi di Diritto Commerciale. Milão: Dott. A. Giuffrè, 1955, p. 130). O Código Civil pátrio, por sua vez, acolheu expressamente os fundamentos reproduzidos supra, estatuindo, em seu artigo 981, que "celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício o de atividade econômica e a partilha dos resultados", não estabelecendo, assim,qualquer requisito, notadamente no que toca à prestação de serviços de caráter personalíssimo, para que se atribua personalidade jurídica à sociedade. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 588 14 Aliás, muito pelo contrário. Analisandose os termos do Código Civil, mais especificamente no que atine ao seu art. 966, parágrafo único, extraise que o legislador, como salienta Gustavo Tepedino, inclusive, previu expressamente a possibilidade de prestação de serviços intelectuais, supostamente de caráter personalíssimo, por pessoas jurídicas, ressalvando, apenas, que, via de regra, sua prestação não seria considerada elemento de empresa (TEPEDINO, Gustavo. Sociedade prestadora de serviços intelectuais: qualificação das atividades privadas no âmbito do Direito Tributário. In: TEPEDINO, Gustavo. Temas de Li cito Civil, Tomo III. Rio de Janeiro: Renovar, 2009, pp. 100101). Em razão de sua importância para a análise do presente caso, entendo oportuno trazer à baila referido dispositivo, verbis: "Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa." Com fundamento em tais premissas, pois, verificase que no campo do direito civil, previamente objeto de análise, não há qualquer óbice à constituição de sociedades para prestação de serviços de caráter personalíssimo, ressalvandose, apenas, as hipóteses em que o Fisco logre comprovar, à luz de uma minuciosa análise dos fatos, a ocorrência de simulação, na forma do art. 149 do CTN, no tocante à celebração do contrato social, evidenciando, em provas firmes e robustas, a inexistência de affectio societatis no caso concreto, isto é, ausência de comunhão de esforços para um objeto comum, na forma como requerido pelo art. 981 do CC/02. Vale ressaltar, no que toca a este aspecto, que resta insuficiente, para a determinação de sujeito passivo diverso, a aplicação da regra do art. 50 do Código Civil pátrio, como preconiza parte da doutrina, servindo referido dispositivo, apenas, como norte para a aplicação da regra do art. 149, VII, do CTN. E isto porque referido dispositivo legal, conquanto insuficiente para determinar a sujeição passiva no campo tributário, tarefa atribuída expressamente à lei complementar pelo art. 146, III, "a" da CF/88, igualmente se reporta a um espectro maior de casos, não se referindo, pois, necessariamente às hipóteses em que a constituição da pessoa jurídica deriva de ato simulado, mas àquelas em que, durante sua existência jurídica, se verificar, por parte de seus sócios, desvio da finalidade prevista no contrato social ou confusão patrimonial. Resta claro então que a legislação confere, de maneira ampla, a tutela ao princípio da livre iniciativa, afigurandose possível a organização de pessoas jurídicas para a prestação de serviços de natureza personalíssima. Contudo, no caso concreto, tenho o entendimento de que não se trata de serviços de natureza personalíssima. De fato, percebo que a pessoa jurídica MMZ Comércio e Participações Ltda subcontratou várias empresas, SDIServiço de Diagnóstico por Imagem e Agile Informática, para prestar os seus serviços para a Policlínica geral. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 589 15 Ora, por lógico, se o serviço poderia ser prestado por outras empresas, através de subcontratação, não há, no caso, a existência de serviço personalíssimo. Ms não é só, mesmo se o serviço prestado fosse de natureza personalíssima, ainda assim tenho o entendimento de que, no caso em tela a autuação estaria equivocada. É que além dos limites impostos pela legislação cível, analisada em conjunto com o Código Tributário Nacional, igualmente não se pode olvidar que o princípio da livre iniciativa encontra limites constitucionais na valorização do trabalho humano. Nesse sentido, retomando o teor da Carta Magna, observase, nos já citados artigos 1°, IV e, bem assim, no próprio art. 170, caput da Constituição, que o constituinte originário, ao garantir como fundamento da República Federativa do Brasil e da própria ordem econômica a livre iniciativa, impôs, ao mesmo tempo, a necessidade da valorização do trabalho humano. Confirase: "Art. 1° A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (...) IV os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; (... ) M. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:" De fato, como se percebe, o constituinte, ao elencar os princípios norteadores da ordem econômica e, da mesma maneira, ao dispor a respeito dos fundamentos da República, houve por bem conferir idêntico status hierárquico aos preceitos em referência, imprimindo, destarte, como autêntico limite constitucional à livre iniciativa, assim, a valorização do trabalho humano. Da exegese proposta decorre, desta feita, que a interpretação dos limites impostos ao exercício da livre iniciativa, em consonância com o texto da Lei Maior, esbarram nos princípios atinentes ao resguardo do direito do trabalhador, mormente nos casos em que configurada relação empregatícia. Reconhecese, portanto, já no texto da Lei Maior, por inferência, a desigualdade econômica entre empregador e empregado, estabelecendo, a partir desta premissa, a necessária observância pelo empresário, no exercício de sua livre iniciativa e da sua liberdade de empresa, dos direitos do trabalhador. Por esta razão precípua, assim, sendo certo que a legislação confere, de maneira ampla, a tutela ao princípio da livre iniciativa, afigurandose possível a organização de pessoas jurídicas para a prestação de serviços de natureza personalíssima, cumpriria à fiscalização, com espeque na norma contida no art. 149, VII do CTN, demonstrar que a constituição de sociedade, no caso em tela, teve por finalidade dissimular relação de emprego entre o sócio desta última e o tomador dos serviços, aplicando, destarte, para os fins tributários, Fl. 589DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 590 16 o princípio da primazia da realidade, encartado no texto da Consolidação das Leis do Trabalho, em seu art. 6°. Consoante salienta Alexandre Luiz M. do Rêgo Monteiro, contudo, para a comprovação da existência de vínculo empregatício em caráter incidenter tantum, de acordo com o texto do art. 3° da CLT, não basta "apenas a comprovação da relação de pessoalidade, (...) mas, sim, a cabal demonstração da ocorrência dos demais requisitos que pudessem descaracterizar a prestação dos serviços por meio de pessoas jurídicas", a saber, a não eventualidade, subordinação e remuneração mediante salário (Op. cit., p. 242). A verificação, assim, da existência conjunta dos elementos previstos pelo art. 3° da CLT, permite ao Fisco, com arrimo no princípio da primazia da realidade, considerar em caráter incidental a existência de vínculo empregatício que, em virtude especificamente do seu aspecto pessoal, já citado, impede que a tributação recaia sobre a pessoa jurídica ensejando, destarte, a aplicação do art. 149 do CTN. À guisa de todo o exposto, pois, podese concluir, em uma análise sistemática do ordenamento jurídico, que o Código Tributário Nacional, mais especificamente em seu art. 149, VII, admite o lançamento tributário, em hipóteses como a presente, desde que explicitamente demonstrado, pelo Fisco, (i) o caráter simulado do contrato de sociedade princípio da primazia da realidade, forma específica de simulação albergada no campo do direito do trabalho. É preciso observar, a este respeito, que a constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços artísticos, em diversos casos, constitui legítimo propósito negocial, consoante lembram Dick Molenaar, jurista holandês especialista no tema, e Harald Grams, em bulletin publicado em conjunto pela International Bureau of Fiscal Documentation (IBFD). Segundo demonstram os citados autores, especialmente nos casos de artistas de renomada fama, as despesas podem chegar a aproximadamente 70% da remuneração do artista, as quais poderiam ser divididas (i) no pagamento de comissão para agentes empresários, (ii) gastos com a produção do evento, tais como pagamento de vôos, viagens locais, hospedagem, seguros, valores estes que são incrementados em direta proporção com a fama do artista; e, por fim (iii) despesas indiretas com consultores, advogados, empregados (staff), dentre inúmeros outros gastos (MOLENAAR, Dick (et. al.). RentAStar the purpose of article 17(2) of the OECD Model. In: Irterratior Bureau of Fiscal Documentatiom Bulletin, vol. 56, number 10. Amsterdam: IBFD, oct/2002, p. 506), o que demonstra, conclusivamente, o descabimento da requalificação dos rendimentos em toda e qualquer hipótese. Com fundamento em todo o exposto, cumpre mover para a análise do caso vertente, para o fim de aferir a legitimidade de atribuição dos rendimentos à pessoa física do Recorrente. A este respeito, com a devida vênia do decisum guerreado, entendo inexistir fundamento para a requalificação dos rendimentos no caso vertente. Com efeito, compulsandose os termos do contrato social de MMZ Comércio e Participações Ltda., acostado aos autos às fl. 116, observase que o seu objeto “ o comércio, a importação e exportação de equipamentos cirúrgicos e médico hospitalares em geral, a representação comercial, a administração de bens próprios, a prestação de serviços de assessoria e consultoria em âmbito administrativo e econômico, a gestão de negócios e Fl. 590DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 591 17 serviços de consultoria médica e na área de saúde em geral. É permitida a participação em outras sociedades como acionista ou quotista”. Sob este prisma, verificase que, ao contrário do aduzido pela decisão a quo, os rendimentos auferidos por MMZ Comércio e Participações Ltda., atribuídos ao Recorrente em sua pessoa física constituem objeto da pessoa jurídica. O que efetivamente importa, assim, para a aferição da regularidade da constituição da sociedade é a verificação da existência de affectio societatis entre os sócios, demonstrando haver, de fato, uma comunhão de interesses, seja quais forem, para a prestação de determinada atividade social. No presente caso, portanto, não havendo a fiscalização demonstrado, de forma inolvidável, o caráter simulado do contrato social, não há que se falar em tributação na pessoa do Recorrente. Movendose à aferição de vínculo empregatício, apto a permitir o deslocamento da tributação da sociedade para o Recorrente, igualmente tenho para mim que não resta verificada in casu, haja vista que a fiscalização não logrou comprovar a existência cumulativa de subordinação, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade do serviço prestado pelo Recorrente. De fato, analisandose, primeiramente, os contratos celebrados junto à Policlínica Central qualquer relação de emprego entre as partes, mesmo porque cláusulas como a presente são comuns em contratos de prestação de serviços desta natureza. Além disso, consoante já dito, pessoa jurídica MMZ Comércio e Participações Ltda subcontratou várias empresas, SDIServiço de Diagnóstico por Imagem e Agile Informática, para prestar os seus serviços para a Policlínica geral; não havendo, portanto, exclusividade na prestação de serviços por parte da pessoa jurídica, o que reforça a inexistência de vínculo empregatício, na hipótese. Aliás, o próprio auto de infração reforça a inexistência de vínculo empregatício, na medida em que não capitulou, como infração, a ocorrência de omissão de rendimentos com vínculo empregatício, mas, de outra sorte, simples omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas que se revestiriam de um suposto caráter personalíssimo. Analisandose, nesta linha, os requisitos necessários à formação da relação de emprego, verificase, já de pronto, que a fiscalização não logrou comprovar a existência de habitualidade, ou não eventualidade, dos serviços prestados pelo Recorrente. Em virtude de tais fatos, portanto, ausente a precisa demonstração de cumprimento dos requisitos elencados pelo art. 3° da CLT, não há como se entender presente qualquer vínculo empregatício. Por todas as razões já longamente expostas, tenho para mim que deva ser dado provimento ao recurso do contribuinte. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11065.002711/200765 Acórdão n.º 2801003.875 S2TE01 Fl. 592 18 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 592DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SI LVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10120.725064/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO ILÍCITA.
Improcede a alegação de obtenção ilícita de informações bancárias, porquanto a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira foi efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 34.
Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-las nos moldes da legislação que a instituiu.
CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 02.
O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao órgão julgador administrativo negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo, sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro.
Numero da decisão: 2201-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento aos Recursos Voluntários.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 29/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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OBTENÇÃO ILÍCITA. Improcede a alegação de obtenção ilícita de informações bancárias, porquanto a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira foi efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 34. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicálas nos moldes da legislação que a instituiu. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 02. O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao órgão julgador administrativo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 50 64 /2 01 3- 37 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo, sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento aos Recursos Voluntários. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração, de fls. 1.016 e seguintes, lavrado em 14/06/2013, exigese do Contribuinte CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS o montante de R$ 7.571.681,13 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 11.357.521,70 de multa de ofício qualificada e R$ 1.195.772,29 de juros de mora (atualizados até a data da lavratura do auto de infração), totalizando um crédito tributário de R$ 20.124.975,12, referente aos anos calendários 2010 e 2011, decorrente de Omissão de Rendimentos caracterizados por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Devido à caracterização de responsabilidade solidária pela fiscalização, o crédito tributário anteriormente mencionado também foi atribuído ao Sr. GEOVANI PEREIRA DA SILVA. O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 1.026, relata que: · as infrações apuradas foram verificadas a partir da fiscalização da empresa Alberto & Pantoja Construções e Transportes LTDA (“Operação Monte Carlo”). Ao longo do referido procedimento, constatouse que a Alberto & Pantoja é inexistente de fato, e que era utilizada, única e exclusivamente, com o objetivo de permitir que o presente Contribuinte pudesse movimentar recursos financeiros próprios na rede bancária, sem oferecêlos à tributação. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.725064/201337 Acórdão n.º 2201002.641 S2C2T1 Fl. 3 3 · foi enviada Requisição de Movimentação Financeira ao HSBC Bank Brasil S/A. Pelos extratos bancários foi possível verificar que a conta bancária era alimentada pela empresa Delta Construções S/A. O banco encaminhou também cópia de uma procuração dando plenos poderes ao Sr. Geovani Pereira da Silva para representar a empresa Alberto & Pantoja “perante os bancos em geral”. · o Magistrado responsável a pela ação penal aponta que a organização se valia de interpostas pessoas, além de empresas de fachada, concluindo que o Sr. Geovani Pereira da Silva era pessoa de confiança do Contribuinte. Na sentença condenatória, o Exmo Sr. Juiz Federal Alderico Rocha Santos deixa claro que uma das empresas utilizadas pelo grupo é a Alberto & Pantoja Construções e Transportes LTDA. Destaca que outro trecho da sentença são reforçadas as evidências de que o Sr. Geovani Pereira da Silva agia sob o comando do Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos (Contribuinte), principalmente no tocante à movimentação financeira dos recursos oriundos das atividades deste último. · diante do exposto é possível asseverar que o Sr. Geovani Pereira da Silva movimentava os recursos financeiros de seu chefe, Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos, através de contas bancárias cadastradas em nome de empresas inexistentes de fato. Também, está claro que a empresa Alberto & Pantoja Construções e Transportes LTDA era uma das empresas utilizadas com esta finalidade. · o Contribuinte é o real beneficiário da conta nº 0416/0041654 cadastrada em nome da empresa Alberto & Pantoja Construções e Transportes LTDA no banco HSBC. Na verdade, o Contribuinte utilizou a referida conta para movimentar grandes somas de recursos próprios através do sistema bancário, devendo ser considerado o efetivo titular da conta analisada. · em 18/03/2013, foi encaminhado ao sujeito passivo um Termo de Constatação e Intimação Fiscal, com ciência em 25/03/2013, solicitando que justificasse a origem /natureza dos recursos que havia recebido pela conta bancária nº 0416/00416/54 no banco HCBC, da qual é titular de fato. Mais do que simplesmente a origem dos recursos, os quais já sabiase que eram provenientes da empresa Delta Construções, o Contribuinte foi intimado a esclarecer a natureza das operações que o fizeram receber mais de R$ 27.000.000,00 entre 21/05/2010 e 13/05/2011. · o Contribuinte informou que desconhece a origem de tais depósitos, posto que nunca teve acesso às mencionadas contas bancárias. · em 18/04/2013, foi encaminhado ao Sr. Geovani Pereira da Silva o Termo de Constatação, solicitando esclarecimentos sobre os depósitos efetuados na conta que movimentava no banco HSBC, em nome da empresa Alberto & Pantoja. O Sr. Geovani não ofereceu os esclarecimentos solicitados. · nem o Contribuinte nem seu procurador explicaram a origem dos valores creditados na conta bancária do HSBC e considerando o fato de que tais valores não foram declarados na DIRPFs do Contribuinte relativas aos anos calendários de 2010 e 2011, restou caracterizada a omissão de rendimentos, de acordo com o art. 42 da Lei nº 9.430/96. · se qualificou a multa com base no art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96, pois o Contribuinte utilizou intencionalmente conta bancária em nome de pessoa jurídica inexistente de fato Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 (interposta pessoa), para não aparecer como real beneficiários dos recursos que transitaram pela referida conta, agindo com evidente intuito de fraude. · o Sr. Geovani tinha interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária aqui evidenciada, pois era figura de destaque na organização citada pelo Juiz Federal, justamente com a função de cuidar das contas das empresas inexistentes de fato. Além disso, ao movimentar/administrar a conta bancária do Contribuinte, o Sr. Geovani fez dezenas de retiradas em espécie que totalizavam mais de R$ 13.500.000,00, demonstrando, assim, que também se beneficiava daquele dinheiro. · O Sr. Geovani Pereira da Silva, CPF nº 319.166.00115, é sujeito passivo solidário em relação ao crédito tributário lançado em desfavor do Sr. Carlos Augusto Almeida Ramos, de CPF nº 284.844.52115, em decorrência dos depósitos efetuados na conta cadastrada em nome da Alberto & Pantoja. Às fls. 1.038 foi lavado Termo de Sujeição Passiva Solidária ao sr. Geovani Pereira da Silva (responsável solidário). O Contribuinte tomou ciência do Termo de Encerramento da Ação Fiscal em 24/06/2013 (AR Postal fl. 1.064), enquanto o responsável solidário foi notificado em 21/06/2013 (AR Postal – fl. 1.063). Ambos apresentaram Impugnação em 19/07/2013, o Contribuinte às fls. 1.068 e o responsável solidário às fl.s 1.098, nas quais trouxeram as seguintes alegações: · Sigilo Bancário – Necessidade de Autorização Judicial o acesso às informações da sociedade empresária, seguradas por sigilo constitucionalmente qualificado, se deu mediante mera notificação à instituição bancária, fato que macula todo o lançamento fiscal, pois eivado de nulidade a importar seu encerramento. O Auto de Infração é nulo, pois viola a reserva constitucional de jurisdição para afastamento do sigilo bancário do contribuinte. Apenas o magistrado pode afastar o sigilo bancário, premissa que não fica afastada pelo fato de haver contra o Contribuinte sentença penal a estabelecer haver utilização de interposta pessoa para movimentação bancária. Apresentam jurisprudência no sentido de que o fato de haver sentença penal a estabelecer a existência de interposta pessoa não afasta o dever de a administração pública obter, pela via judicial, autorização para afastar seu sigilo bancário, pois as esferas de atuação são independentes. Alega que a proteção ao sigilo bancário constitui espécie do direito à intimidade, consagrado no art. 5º, X, da Constituição Federal, sendo uma das garantias do indivíduo contra o arbítrio do Estado e, apesar de não ser absoluta, sua relatividade deve guardar contornos com a própria lei, sob pena de abrir caminho para descumprimento da garantia à intimidade constitucionalmente assegurada. Se houve quebra de sigilo bancário sem ordem judicial, está maculado na origem, por inconstitucionalidade, o lançamento e se este foi obtido por meio de prova inválida, todas as demais dela decorrentes também o serão. · Depósito Bancário – Presunção Relativa, Arbitramento e Ônus da Prova O tributo tão só foi lançado com base em suposta discrepância entre os valores depositados na conta corrente da sociedade empresária e os valores expostos em declarações fiscais tanto do contribuinte principal, quanto do solidário. A obtenção dos dados não se deu pela entrega das informações pelo contribuinte originário, ou seja, a sociedade empresária, mas sim por ato forte da autoridade fazendária. · Inaplicabilidade da Multa Qualificada a sonegação, a fraude e o conluio são definidos, segundo os artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. A autuação ora impugnada entendeu ter ocorrido fraude, no entanto não é toda e qualquer ação praticada com o objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador que pode ser qualificada como fraude. O que caracteriza a fraude, do ponto de vista fiscal, é o dolo, questionando se a lei fiscal Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.725064/201337 Acórdão n.º 2201002.641 S2C2T1 Fl. 4 5 que define fraude como o ato doloso tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo está se referindo ao dolo civil ou penal. Entende a defesa que se trata do dolo definido pela lei penal. Fraude Fiscal é aquela caracterizada pela prática de uma ação ou omissão intencionalmente criminosa, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador, como a falsificação de um documento, emissão de nota fiscal espelhada ou calçada, é a adulteração de documentos contábeis, entre outros. A conduta do Contribuinte não almejou o impedimento da ocorrência do fato gerador. A acusação que lhe é feita é de omitir dados da movimentação financeira, que pode ser aferida mediante programa da Receita Federal, estando impossibilitado o aferimento da conduta dolosa. Não se pode falar em fraude à lei sem que exista dolo e não se pode falar em dolo onde não ocorra uma especial direção subjetiva e consciente da vontade do agente que possa caracterizar intenção fraudulenta e, por sua vez, não se pode falar em intenção fraudulenta toda vez que a autoridade fiscal tiver a possibilidade de rever as declarações prestadas pelo contribuinte, pois, assim, é impossível a consumação da suposta conduta, ante a eterna vigilância desta autoridade. O Contribuinte não agiu com o intuito de impedir, retardar, excluir ou modificar as características essenciais do tributo (art. 72 da Lei nº 4.502/64). No caso de a declaração de rendimentos não conter nenhum valor, não impede o fisco de obter por outros meios. · Inconstitucionalidade da Multa Qualificada se, apenas por argumentação hipotética, for mantida a autuação, a multa na forma em que foi estabelecida não pode prevalecer, pois se afigura confiscatória. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou sobre essa espécie de multa, que exorbita o valor do tributo. A limitação ao poder de tributar, art. 150, inciso IV, da Carta da República, se estende também às multas decorrentes de obrigações tributárias, ainda que não tenham elas natureza de tributo. O Contribuinte reproduz trechos do voto do relator Ministro Ilmar Galvão no âmbito da Adin 551 e do Ministro Marco Aurélio de Melo, concluindo que a parte do Auto de Infração que impôs a incidência de multa deve ser anulado, eis que tem essência confiscatória, uma vez que se amolda em exatidão no caso julgado pela suprema Corte, no qual se declarou a inconstitucionalidade do dispositivo que impôs multa confiscatória. A 21ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 04/12/2013, pelo Acórdão 1261.845, de fls. 1.134 e seguintes, julgou improcedente a Impugnação, nos seguintes termos: PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DISPENSABILIDADE. É lícito ao Fisco, na forma da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Inexistindo decisão do Supremo Tribunal Federal, estabelecendo efeito vinculante e/ou aplicação erga omnes em relação a julgado que considerou inconstitucional a quebra do sigilo bancário, deve a Autoridade Administrativa, em obediência ao princípio da legalidade, seguir os ditames da legislação vigente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. INTERPOSTA PESSOA. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta. MULTA QUALIFICADA (150%). INTERPOSTA PESSOA. É lícita a imposição da multa qualificada de 150% quando constatada a omissão de rendimentos apurados mediante depósitos bancários de origem não comprovada feitos por intermédio de interposta pessoa, diante da caracterização da fraude, na forma da Súmula Carf nº 34. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade da legislação que ampara a exigência fiscal. O Contribuinte foi notificado do acórdão em 16/12/2013, conforme documento dos correios de fls. 1.162, e o responsável no dia 18/12/2013 (AR. de fls. 1.159) vindo apresentar Recurso Voluntário às fl.s 1.164, em 10/01/2014, e o de fls. 1.218, em 13/01/2014, respectivamente, reafirmando as argumentações das Impugnações, em resumo: · Nulidade do Auto de Infração em razão do afastamento arbitrário do sigilo bancário, matéria sob reserva de jurisdição, ocorrendo em produção de prova ilícita. Aponta que o STF já decidiu, no seu órgão pleno, que ladeia e ofende a CRFB/88 a quebra de sigilo bancário do contribuinte, pela autoridade fazendária, sem a autorização constitucional para tanto. Cita RE 389.808, 555112, 387604. Independência da esfera penal e administrativa, fazendo com que a sentença em ação penal não induz a esfera administrativa. · Requer a reforma da decisão, pois, na forma do art. 142 do CTN, compete ao Agente Fazendário, como dever jurídico, determinar se os valores encontrados na conta corrente do Contribuinte são ou não receita tributável. Não incumbe ao contribuinte o dever jurídico de provar não auferir renda, mas incumbe à Autoridade Administrativa o dever jurídico de provar haver receita. Os depósitos em conta bancária deveriam ser apenas um marco, mesmo inicial, de investigação do Fisco, para se aferir ter ocorrido, ou não, renda, não podendo ela se desincumbir desse dever jurídico de perseguição da verdade material dos aspectos fáticos a autorizarem a incidência tributária. Cita jurisprudência administrativa Acordão 10417.494, CSFR 0102,741. Alegação de que depósito em conta corrente não é elegível a fato gerador do imposto de renda que é a obtenção econômica ou jurídica da renda. · Ilegalidade da majoração da multa a 150% inexistência de dolo ou fraude. · Inconstitucionalidade da multa aplicada em face de sua da natureza confiscatória. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.725064/201337 Acórdão n.º 2201002.641 S2C2T1 Fl. 5 7 Os recursos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Inicialmente, cabe pontuar que o processo em questão apresenta 02 defesas (Recurso Voluntário) em razão de ter sido atribuída responsabilidade solidária ao Sr. Geovani Pereira da Silva. Assim, é apresentada para apreciação do presente Colegiado a defesa do Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos e do Sr. Geovani Pereira da Silva (responsável solidário). Tendo em vista que os argumentos de defesa apresentados em ambos os Recursos Voluntários são os mesmos, a apreciação do mérito, no presente voto, será efetuada conjuntamente para ambas as defesas. Assim, a análise e conclusão aqui proferidos aproveitarão aos dois contribuintes (Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos e do Sr. Geovani Pereira da Silva), aqui conjuntamente denominados “Recorrentes”. I. DA PRELIMINAR I.1. Da Quebra do Sigilo Bancário Os Recorrentes alegam que as provas que embasaram o lançamento — extratos bancários — foram obtidas pelo Fisco com quebra de sigilo bancário sem autorização judicial em procedimento ilegal e inconstitucional tornando nulo o lançamento posto que fundado em provas ilícitas. Argumentam ainda que o fato de haver sentença penal, pendente de trânsito em julgado, não afasta o dever de a administração pública obter, pela via judicial, a autorização para afastar seu sigilo bancário, pois as esferas de autuações são independentes. Em princípio, cabe destacar que não foi a sentença penal que ensejou a quebra do sigilo bancário da Sociedade Alberto & Pantoja Construções e Transportes LTDA. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1.050, o procedimento fiscal decorreu da fiscalização da sociedade em questão. O Termo de Início do Procedimento Fiscal, de fls. 02, requereu à sociedade a apresentação dos livros e registros contábeis. Uma vez não encontrada a sociedade no endereço registrado no CNPJ, promoveuse a intimação dos sócios, que também não foram encontrados. Diante do referido cenário a Autoridade Fazendária, onde nem a sociedade e nem os sócios eram localizados, promoveu Requisição Sobre Movimentação Financeira (RMF) ao HSBC Bank Brasil S/A, solicitando não apenas os extratos, mas também ficha de cadastro do correntista, bem como instrumento de procuração outorgando poderes a terceiros para movimentar a conta. Os fatos acima foram descritos de forma detalhada no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1.050. Nesta senda, verificase que afirmação dos Recorrentes de que a quebra do sigilo bancário foi em decorrência da ação penal, não se sustenta, logo, a Administração Pública não se eximiu de apurar fatos e produzir provas que a viabilizassem a perseguir o crédito tributário, vindo os dados da ação penal apenas corroborar com as provas já apurada na esfera administrativa. Logo, no mesmo sentido não se sustenta a alegação dos Recorrentes quanto existência de interdependência no presente processo entre as esferas administrativa e jurisdicional. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Quanto argumentação de impossibilidade de Requisição de Movimentação Financeira sem prévia autorização judicial por parte da Administração Tributária, cabem as seguintes considerações. Embora a possibilidade de requisição às instituições bancárias já estivesse prevista no art. 197, II do Código Tributário Nacional (CTN), somente com edição da Lei Complementar nº 105/01, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01 foi autorizado à Receita Federal proceder à quebra do sigilo bancário no âmbito do processo administrativo fiscal, sem prévia autorização judicial. Código Tributário Nacional Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Lei Complementar nº 105/01 Art. 1ºAs instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) III – o fornecimento das informações de que trata o§ 2º do art. 11 da Lei no9.311, de 24 de outubro de 1996; Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. O teor do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 autoriza a busca de informações junto às instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, sempre que houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Conforme destacado acima, na hipótese dos autos, a Autoridades Lançadora, ao solicitar à instituição financeira os extratos bancários da pessoa jurídica, buscava identificar quem era o responsável pela movimentação financeira. Diante do exposto, não há qualquer irregularidade no presente procedimento administrativo fiscal já que o Auditor Fiscal estava se valendo de meios e instrumentos de Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.725064/201337 Acórdão n.º 2201002.641 S2C2T1 Fl. 6 9 fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal pudesse ter o resultado desejado pela sociedade. Dessa forma, agiu o Fisco dentro da legalidade ao requisitar as informações sobre a movimentação bancária às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/01. Os Recorrentes colacionam decisão do STF no RE 389.808/PR destacando que a o afastamento do sigilo bancário por parte da Receita Federal sem prévia autorização judicial conflita com a Carta da República. Em que pese a referida decisão socorrer o direito dos Recorrentes, a mesma não foi proferida sob a sistemática prevista no art. 543–B do Código de Processo Civil (CPC), não havendo, portanto, obrigatoriedade da presente Corte Administrativa em acompanhar a decisão do STF na forma do art. 62A do Anexo II da Portaria nº 256/09 (Regulamento do CARF RICARF): Lei nº 5.869/73 (CPC) Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. Portaria nº 256/09 RICARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No mesmo sentido, uma vez que a referida decisão foi proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade e não em sede de controle concentrado, procedimento legislativo negativo, a Lei Complementar nº 105/01 continua em vigor e com eficácia plena. Cabe observar que a matéria está em sede de recurso repetitivo no STF no RE 601.314/SP, Ministro Ricardo Lewandowski, pendente de julgamento e sem efeito suspensivo. Assim, até a manifestação do STF em sede de Recurso Repetitivo ou em controle concentrado a Requisição de Movimentação Financeira com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, sem prévia autorização judicial não fere o ordenamento jurídico pátrio. Neste diapasão a Administração Tributária jungida ao princípio da legalidade em sua atividade administrativa plenamente vinculada de cobrança do crédito tributário (art. 3º Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 do CTN), não pode, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de aplicar o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 que se encontra vigente e eficaz. Ante o exposto não acolhe a preliminar de nulidade por Requisição de Movimentação Financeira sem prévia autorização legal, bem como a consequente por violação do direito a privacidade e o sigilo de dados garantido no art. 5º da CRFB. II. DO MÉRITO II.1. Do Depósito Bancário Os Recorrentes alegam que compete a Autoridade Tributária o ônus de comprovar a existência da renda, afirmando que não existe o ônus ao contribuinte de provar se dado depósito é ou não renda. Assim, os depósitos em conta bancária deveriam ser apenas um marco, mesmo inicial, de investigação do Fisco, para se aferir ter ocorrido, ou não, renda, não podendo ela se desincumbir desse dever jurídico de perseguição da verdade material dos aspectos fáticos a autorizarem a incidência tributária. Assim, conclui que o fato elegível pela fiscalização, depósito em conta bancária não é elegível como fato gerador do imposto de renda, pois não representa obtenção econômica ou jurídica da renda. A argumentação levantada pelos Recorrentes não se sustenta a partir da vigência da Lei nº 9.430/96 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Quando o art. 42 da Lei nº 9.430/96 determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o art. 43 do CTN. Notese que os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.725064/201337 Acórdão n.º 2201002.641 S2C2T1 Fl. 7 11 Atentese que há uma distinção entre presumir a ocorrência do fato gerador e presumir a natureza de determinado fato. A existência do fato jurídico (depósito bancário) foi comprovada pela Fiscalização através dos dados bancários do contribuinte. Portanto não há presunção. O que a Autoridade Fiscal presume, com base em lei e em razão do contribuinte não se desincumbir de seu ônus, é a natureza de tal fato, ou seja, presumir que tal fato (o fato cuja ocorrência foi comprovada) seja gerador de rendimentos ou proventos de qualquer natureza. Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerado, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos) e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Isso posto, no presente caso, a fiscalização não se desincumbiu de aplicar o art. 142 do CTN, violando o seu dever de buscar os fatos que comprovam a existência do fato gerador, uma vez que buscou e juntou aos autos do processo os extratos bancários que comprovam a existência dos depósitos bancários. A função do Fisco é, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas. Procedimento este atendido no presente processo administrativo fiscal. Portanto, a Lei nº 9.430/1996, tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem), espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. O presente tema encontrase pacificado no âmbito do presente Conselho pela Súmula nº 26 do CARF, que permite a aplicação do dispositivo legal após o ano calendário de 1997. Súmula nº 26 do CARF A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A jurisprudência colacionada pelos Recorrentes é anacrônica, abordando entendimento jurisprudencial anterior a janeiro de 1997, início da eficácia da Lei ora em tela. Por exemplo, o Acórdão 10417.494 aborda o exercício de 1993 e 1994, enquanto o Acórdão CSRF/0102.741 aborda os exercícios de 1991 a 1993. Assim, tais julgados não são parâmetros Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 para embasar a pretensão dos Recorrentes, uma vez que o presente Auto de Infração apura omissão de rendimentos referente aos anos calendários de 2010 e 2011, ou seja, fatos geradores ocorridos sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, como os Recorrentes não apresentaram a origem/natureza dos depósitos bancários, a fiscalização, autorizada pelo disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96 entendeu que os referidos depósitos correspondem a renda não oferecido à tributação. II.2. Da Qualificação Multa de Ofício O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1.026, relata que houve ação intencional na interposição de pessoa jurídica para aparecer como real beneficiária dos depósitos. Confira se: Ao utilizar, intencionalmente, conta bancária em nome de uma pessoa jurídica inexistente de fato (interposta pessoa), para não aparecer como real beneficiário dos recursos que transitaram pela referida conta, o sujeito passivo agiu com evidente intuito de fraude, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), conforme art. 44,§1º, s Lei nº. 9.430/96. Já a 21ª Turma da DRJ/RJ1 reafirmou as conclusões da Fiscalização nos seguintes termos: Foi constatado pela fiscalização que Carlos Augusto de Almeida Ramos e Geovani Pereira da Silva se valeram de uma série de artifícios para esconder a ocorrência dos fatos geradores do Imposto de Renda, utilizandose da pessoa jurídica Alberto & Pantoja Construções e Transportes Ltda, constituída com sócios aparentes, empresa esta cuja sede não foi localizada no endereço cadastrado da Receita Federal do Brasil. Ademais, foi emitida procuração dos sócios dando amplos poderes para que Geovani Pereira da Silva movimentasse as contas, em benefício de Carlos Augusto de Almeida Ramos. Os Recorrentes argumentam que não é e qualquer ação praticada com objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador do tributo que pode ser qualificada como fraude, destacando que é o dolo que caracteriza a fraude. Portanto, destaca que a conduta, no caso da autuação, não almejou o impedimento da ocorrência do fato gerador. A acusação que é feita no sentido de omitir dados de movimentação financeira, pode ser aferida mediante Programa da Receita Federal. Desta feita, impossibilitada está o aferimento de conduta dolosa. A defesa dos Recorrentes não aborda os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal e reafirmados pelo Acórdão aquo – interposição de pessoa jurídica para omissão de imposto de renda sendo estranha ao presente ponto da autuação já que a multa não foi qualificada por omissão de dados da movimentação financeira. O fato descrito no Termo de Verificação Fiscal relata a conduta intencional dos Recorrentes de fraude. Conforme determinação do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a multa de ofício de 75% pode ter seu percentual duplicado em caso de fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.725064/201337 Acórdão n.º 2201002.641 S2C2T1 Fl. 8 13 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/64 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A Autoridade Lançadora caracterizou o dolo ao demonstrar que os Recorrentes, intencionalmente, utilizaram a conta bancária de pessoa jurídica inexistente, visando o não recolhimento do imposto (IRPF). Uma vez que a utilização da pessoa jurídica inexistente objetivava a mudança da sujeição passiva tributária do Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos para Alberto & Pantoja Construções e Transportes LTDA, no intuito de impedir a ocorrência do fato gerador do Imposto Sobre a Renda (IRPF) para aquele, resta comprovada a conduta dos Recorrentes para modificar o elemento subjetivo do fato gerador. Diante do exposto a Autoridade Lançadora demonstrou a ocorrência da conduta fraudulenta e o seu dolo, não havendo irregularidades na aplicação do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96. Frisese que a presente Corte Administrativa já pacificou entendimento pela Súmula do CARF nº 34: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. II.3. Da Natureza Confiscatória da Multa Qualificada Os Recorrentes argumentam que aplicação de multa ao percentual de 150% possui caráter confiscatório e, portanto, inconstitucional. Inicialmente, destacase que a vedação de confisco estabelecida na CRFB é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. A ponderação quanto a razoabilidade e o efeito confiscatório do inciso I e do §2º, ambos, do art. 44 da Lei nº 9.430/96 perpassa pela ponderação da constitucionalidade dos Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 referidos dispositivos em face do art. 150, IV da CRFB e do princípio constitucional implícito da razoabilidade. Já é posição consolidada nos tribunais administrativos o entendimento de que a arguição de inconstitucionalidade de lei não deve ser objeto de apreciação nesta esfera, a menos que já exista manifestação do Supremo Tribunal Federal, uniformizando a matéria questionada. No âmbito do presente órgão colegiado tal matéria já foi consolidada pela Súmula do CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isso posto, diante da atividade plenamente vinculada a qual está jungida a Administração Tributária, seja quanto a cobrança do tributo (art. 3º do CTN), seja quanto procedimento de lançamento do fato gerador (art. 142 do CTN), é poder dever da presente Corte Administrativa aplicar a legislação vigente ao tempo do fato gerador sob pena de responsabilidade funcional. Até a presente data não há notícia quanto existência de liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade para suspender a eficácia do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, bem quanto a existência de decisão proferida em sede de controlo concentrado ou sede de Recurso Repetitivo compreendendo ser confiscatório a multas previstas nos respectivos dispositivos legais. Neste senda, improcede o pleito dos Recorrentes para compreender confiscatória a qualificação da multa de ofício ao percentual de 150%. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento aos Recursos Voluntários. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10715.000019/2010-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/02/2006 a 28/02/2006
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/02/2006 a 28/02/2006 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido.
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 00 19 /2 01 0- 33 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.000019/201033, contra o acórdão nº 0728.207, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 45.000,00 para R$30.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 03/02/2006 a 28/02/2006 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 74/91, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 03/02/2006, 26/02/2006 e 28/02/206, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$30.000,00, para R$15.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 7 6 de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 9 8 Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 11 10 dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000019/201033 Acórdão n.º 3801004.879 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 12278.720095/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. Somente a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial, em face das normas do Direito de Família, pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis na declaração, no montante comprovado com documentação hábil.
Recurso provido parcialmente.
Numero da decisão: 2202-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o montante de R$ 8.940,00 como dedução de pensão alimentícia judicial.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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DEDUTIBILIDADE. Somente a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial, em face das normas do Direito de Família, pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis na declaração, no montante comprovado com documentação hábil. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o montante de R$ 8.940,00 como dedução de pensão alimentícia judicial. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 27 8. 72 00 95 /2 01 1- 71 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, LUIZ ALBERTO MASCHIETTO, foi lavrado lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física consubstanciado na Notificação de Lançamento, relativa ao exercício 2008 – ano calendário 2007, tendo sido apurado imposto suplementar no montante de R$ 3.542,45. De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a autoridade fiscal identificou omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 132,65, tendo sido compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 90,65. Adicionalmente foi glosado o valor da dedução tida como indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 21.184,64. Segundo a autoridade lançadora a Glosa do valor de R$ 24.184,64, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosa do valor de R$ 24.184,64, declarado a título de pagamento de Pensão Alimentícia, por falta de comprovação da efetivação da despesa: não apresentados os respectivos comprovantes do pagamento da Pensão Alimentícia declarada, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal Complementar nº 2008/137798370861670 de 09/05/2008. Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 02/06, alegando, em síntese, que: 1. Em relação à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, informa que os lançamentos foram efetuados corretamente, conforme documentos em anexo; 2. No que concerne à Omissão de Rendimentos de Alugueis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas, CNPJ 04.684.724/000152, aduz que concorda com essa infração; 3. Ao atender o Termo de Intimação Fiscal, o impugnante já apresentou todos os documentos comprobatórios. Conforme termos da separação, ficou acordado judicialmente que o impugnante pagaria mensalmente, a título de pensão alimentícia, e sem prazo final, o equivalente a 5 salários mínimos, sendo que desde a data da separação (07/06/1974) e até os dias atuais vem cumprindo a obrigação assumida; 4. A DIRPF/2008 de sua ex esposa, Maria Luiza Wiederin, CPF 675.463.23800, entregue em 24/04/2008 e a Retificadora entregue em 09/06/2011, retratam a veracidade dos fatos, pois comprovam que recebeu do impugnante a importância de R$ 24.184,84, seu único rendimento; 5. Anexa cópia do extrato bancário dos depósitos relativos à pensão alimentícia efetuados na conta da Caixa Econômica Federal em nome da ex esposa. Requer seja recebida a presente impugnação e reconhecida a pensão alimentícia paga a ex mulher no valor de R$ 24.187,64. Ao apreciar as razões do contribuinte, a DRJ julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12278.720095/201171 Acórdão n.º 2202002.895 S2C2T2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2007 Ementa: PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.GLOSA. Na declaração de ajuste anual do contribuinte poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, no montante efetivamente comprovado. Somente é dedutível o pagamento com pensão quando ele ocorre em função de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não sendo dedutíveis as pensões pagas por liberalidade. MATÉRIAS ACATADAS. As matérias expressamente acatadas na impugnação, portanto incontroversas, tem os créditos tributários a elas correspondentes definitivamente consolidados na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação. Afirma que os julgadores entenderam que conforme Ação de Desquite Amigável, o recorrente deveria pagar 2 salários mínimos ao mês, sendo que no ano em comento pagou além disso por mera liberalidade sem amparo legal. Indica que efetivamente pagou a importância para a qual pleiteia dedução no valor de R$ 24.184,64. Afirma que os julgadores não devem sempre aplicar a letra fria da lei, a boa intenção e o descompromisso com a má fé deve prevalecer. Indica que no pior dos cenários não poderia ter sido glosado a totalidade da pensão alimentícia, pois o valor de R$ 8.940,00, equivalente a dois salários mínimos lhe é assegurado pela sentença judicial. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O contribuinte não questiona a omissão de rendimentos, reconhecendo que deixou de declarar uma parcela dos rendimentos recebidos. O recorrente no seu recurso almeja comprovar a invalidade das glosas realizadas, especialmente a pensão alimentícia. A autoridade recorrida sintetiza a situação fática no seu arrazoado as fls. 116 a 117: O impugnante anexou cópia da Ação de Desquite Amigável de Luiz Alberto Maschietto e Maria Luiza Wiederin Nascimento, datada de 07/06/1974, cuja partilha foi homologada por sentença em 09/03/1977, fls. 15/34. Na fl. 21, consta o valor determinado de pensão alimentícia correspondente a 3 salários mínimos à única filha do casal e a 2 salários mínimos à ex esposa. As pensões alimentícias, tanto a da filha, quanto a da esposa, serão pagas até o dia 5 (cinco) de cada mês, a partir do próximo mês de julho de 1974, mediante depósito bancário em conta da esposa. Tão logo a esposa passe a dispor de ganho em trabalho remunerado que lhe garanta pelo menos, remuneração superior a 3 vezes o salário mínimo vigente nesta Capital, ficará o cônjuge varão dispensado da prestação alimentar a ela destinada. Outrossim, ocorrendo a hipótese de dispensa de pensão alimentar aqui prevista, persistirá a obrigação da prestação devida à filha, para os fins consignados na cláusula 4a., a qual na ocasião da dispensa será automaticamente reajustada para quantia equivalente a 4 salários mínimos então vigentes nesta Capital. Em consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verifica se que a filha do casal, Luciana Wiederin Maschietto, CPF 166.021.00890, nasceu em 07/07/1972 e estava com 35 anos em 2007. Nesse caso, o pai poderia continuar pagando pensão alimentícia à filha por liberalidade a qual não poderia ser deduzida da base de cálculo do Imposto de Renda por falta de previsão legal. Assim, de acordo com o estabelecido na Ação de Desquite Amigável, a ex esposa, Maria Luiza Widerin seria a única beneficiária da pensão alimentícia, no valor de 2 salários mínimos, enquanto não tivesse conseguido obter um trabalho que a remunerasse em valor superior 3 salários mínimos. A ex esposa informou na DIRPF/2008 que seus únicos rendimentos foram os recebidos de Pessoa Física. Verifica se que em 2007 o valor do salário mínimo era de R$ 350,00 até março e, a partir de abril, passou a ser de R$ 380,00. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12278.720095/201171 Acórdão n.º 2202002.895 S2C2T2 Fl. 4 5 Assim, o impugnante deveria pagar à ex esposa a título de pensão alimentícia judicial: De janeiro a março, R$ 700,00 mensais e de abril a dezembro, R$ 760,00 mensais. Assim, no ano de 2007, o impugnante deveria pagar R$ 8.940,00 a ex esposa. O contribuinte informou o valor de R$ 24.184,64. Nas fls. 35/45, o contribuinte apresentou cópia da DIRPF/2008 Original e Retificadora da ex esposa Maria Luiza Wiederin. Na DIRPF/2008 Retificadora, entregue em 09/06/2011, consta o valor de R$ 24.184,64 como sendo de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior pelo Titular. Consta na fl. 54 cópia de uma declaração de Maria Luiza Wiederin, em que informa que recebeu de Luiz Alberto Maschietto, a título de Pensão Alimentícia, valores em espécie e por meio de depósitos bancários. referentes aos anos 2007 e 2008. No ano calendário 2007 o total informado é de R$ 24.184,64. Constam os valores de R$ 2.026,33, para os meses de janeiro e fevereiro, de R$ 1.987,00, R$ 1.970,00 e R$ 1.900,00 para os meses de março a maio/2007. Para os outros nove meses o valor informado é de R$ 2.039,33 mensais. O impugnante apresenta cópias de extratos bancários da Caixa Econômica Federal, fls. 46/53 em que não é possível identificar o correntista do banco, nem o autor dos depósitos, pois somente consta o nome da agência, o código e o número da conta. Ademais, os valores creditados são superiores aos valores devidos a título de pensão alimentícia à ex esposa, de acordo com o disposto na Ação de Desquite Amigável, conforme visto acima. Segundo o entendimento da autoridade recorrida, a dedução da pensão alimentícia para ser válida exige como requisito evidências que comprovem o efetivo desembolso e pagamento dos valores declarados por meio de cheques nominais, transferências bancárias com identificação do beneficiário ou saques com coincidência de datas e valores em relação aos recibos apresentados, não pode e não deve prevalecer, porquanto segundo está previsto na lei brasileira, todo e qualquer meio de prova em direito pode ser aceito. Inobstante respeitável entendimento da autoridade recorrida, entendo que não assiste razão a mesma nesse ponto. Ao processo foram juntados documentos que demonstram a separação, homologada judicialmente, com a obrigação do Recorrente de pagar o referido benefício esposa no montante de dois salários mínimos, bem como declaração firmada pela mesma as fls.54 que informa que teria recebido valores do senhor Luiz Alberto Maschietto. A dedução com pensão alimentícia está tratada no artigo 78, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, cujo conteúdo é o seguinte: “Art. 78 Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais.” Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Uma vez que nos autos atestase a homologação judicial do acordo celebrado entre as partes, com a assunção da obrigação de pagar os alimentos, pelo Recorrente, bem como o reconhecimento pelo beneficiários de que recebiam a pensão alimentícia. Entendo que estão apresentadas provas robustas que atestam os referido pagamento. Caso a autoridade fiscal tivesse dúvidas sobre a validade dos recibos, caberia a esta diligenciar no sentido de invalidar a declaração ali firmada. Para fazer jus à dedução pleiteada, é indispensável que o contribuinte apresente documentos hábeis à comprovação tanta da obrigação de pagar pensão alimentícia judicial quanto de seu cumprimento. Ou seja, somente as importâncias cabalmente demonstradas como despendidas em decorrência de acordo ou sentença judicial proferida em face das normas do Direito de Família podem ser admitidas como dedução da base de cálculo do IRPF. Como na sentença judicial só havia a previsão do pagamento de dois salários mínimos, e considerando que o seu valor foi de janeiro a março de 2007, R$ 700,00 mensais e de abril a dezembro de 2007, R$ 760,00 mensais. Assim, no ano de 2007, o recorrente teve que pagar R$ 8.940,00 a ex esposa por força da sentença judicial, sendo este apenas o valor que poderia ter sido deduzido. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o valor da pensão alimentícia judicial ao montante de R$ 8.940,00 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000054/2003-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. DECISÃO. REFORMA. EFEITOS INFRINGENTES.
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando confirmada omissão a respeito de assunto sobre o qual o Colegiado deveria ter-se pronunciado.
Uma vez que a apreciação do assunto negligenciado modifica a decisão tomada, atribuem-se efeitos infringentes aos Embargos.
Embargos de Declaração Acolhidos
Acórdão Retificado
Numero da decisão: 3102-002.361
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luis Feistauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. DECISÃO. REFORMA. EFEITOS INFRINGENTES. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando confirmada omissão a respeito de assunto sobre o qual o Colegiado deveria terse pronunciado. Uma vez que a apreciação do assunto negligenciado modifica a decisão tomada, atribuemse efeitos infringentes aos Embargos. Embargos de Declaração Acolhidos Acórdão Retificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luis Feistauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Reproduzo uma vez mais Relatório no qual se baseou o Acórdão neste embargado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 54 /2 00 3- 85 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 186 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) que teriam sido recolhidos indevidamente no período entre 01/11/1995 e 01/02/1999, no valor de R$ 55.258.43, combinado com pedido de compensação com débitos vencidos e vincendos, sob a alegação de que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715, de 1998, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no 1.417–0, inexiste fato gerador da contribuição para aquele período. Instruem o processo o pedido de restituição de fl. 1 e as guias de recolhimento de fls. 2 a 14. Dando prosseguimento ao processo, a DRF/MaríliaSP emitiu Despacho Decisório de fls. 78 a 87, indeferindo o pedido de compensação, em parte pelo fato de os pagamentos efetuados até 10/04/1998 terem sido atingidos pela decadência, porquanto o pedido foi protocolizado em 10/04/2003. Quanto ao mérito, a autoridade a quo alegou que, com a declaração da inconstitucionalidade dos Decretoslei nºs 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, e do art. 15 da Medida Provisória (MP) no 1.212, de 1995 o PIS voltou a ser exigido com base na Lei Complementar (LC) nº 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações, entre outubro/1995 e fevereiro/1996 e, posteriormente, com base na MP no 1.212, de 1995, assim não há que se falar em inexistência do fato gerador nesses períodos. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 90/109, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do PIS, cumulada com a compensação com débitos vencidos e vincendos. Alegou, em resumo, que após a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Adin no 1417–0, em 02/08/1999, criouse um período de vacância da lei entre outubro de 1995 e fevereiro de 1999, até a entrada em vigor da Lei nº 9.715, de 1998. Tal fato teria ocorrido porque a MP nº 1.212, de 1995, não respeitou o prazo nonagesimal de cobrança (90 dias) e o art. 18 da Lei no 9.715, de 1998, cometeu o mesmo erro. Com a declaração de inconstitucionalidade do seu art. 18, essa lei somente teve vigência a partir de março de 1999, não havendo, portanto, fato gerador naquele período, assim os valores pagos seriam indevidos. Por outro lado, a cobrança com base na Lei n.º 7, de 1970, também seria incabível, pois não poderia haver dois diplomas legais normatizando o mesmo assunto no mesmo período e pelo fato de que não poderia haver a repristinação daquela lei complementar após a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei no 9.715, de 1998, por ser instituto vedado no Direito brasileiro. Quanto ao prazo para se postular a restituição, argumenta que, nos tributos lançados por homologação, como é o presente caso, a extinção do crédito estaria sujeita a uma condição resolutória, qual seja, a homologação, tácita, após cinco anos, ou expressa, por parte do Fisco; assim, o prazo para se pleitear restituição/compensação é de cinco anos, contados da homologação do pagamento, que é quando ocorreria a extinção do crédito; como neste caso não houve homologação expressa, na prática o prazo para se exercer o direito à restituição/compensação do indébito seria de dez anos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 187 3 Discorre ainda sobre o direito à compensação à luz da legislação de regência, bem assim dos seus fundamentos constitucionais, quais sejam, cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. A restituição de indébito fiscal relativo ao PIS está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. PIS. VIGÊNCIA. Suspensa a aplicação de medida provisória (MP 1.212/1995) durante o período de anterioridade nonagesimal e suspensa a execução de legislação declarada inconstitucional (Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, de 1988), aplicase o disposto na legislação então vigente (LC 7/1970). PIS. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições, somente terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Segunda Instância recebeu a seguinte ementa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999 PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 188 4 gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Recurso Voluntário Provido em Parte Considerando ter ocorrido omissão no Acórdão, este Relator apresentou Embargos de Declaração com os quais espera seja remediada a omissão. A seguir a exposição das razões que justificaram os Embargos, conforme Despacho no qual foram propostos. Na qualidade de relator do Recurso Voluntário apresentado por Supermercado DiSolé Ltda, processo administrativo nº 13832.000054/200385, julgado em 26 de setembro de 2012, Acórdão nº 3102001.631, venho apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO contra a referida decisão. O Recurso se justifica porque o Acórdão embargado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela parte, afastando a preliminar de decadência do crédito tributário, por força da decisão exarada em Regime de Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal, RE 566621, e determinando o retorno do processo à primeira instância para julgamento do mérito. Contudo, melhor avaliando a decisão recorrida, percebese que, embora tenha de fato considerado que o direito do contribuinte estava prescrito, adentrou ao mérito do litígio, decidindo pela improcedência do mesmo. Destarte, não faz nenhum sentido que o processo retorne à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para manifestação sobre o mérito, quando ele já foi objeto de exame e decisão. Restando caracterizada a omissão, deve o Acórdão ser retificado. É o Relatório. Voto A decisão tomada por este Colegiado, proposta por este Relator, foi no sentido de afastar a prejudicial de decadência dos tributos e remeter o processo à instância a quo para pronunciamento quanto ao mérito do litígio. VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar, nos termos do vertente Voto, a preliminar de prescrição do direito à repetição do indébito e determinar o retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem para apreciar os demais aspectos inerentes ao mérito do pedido. Ocorre que, melhor observando a decisão de piso, fácil perceber que, embora a decadência tenha sido decretada, o mérito foi analisado, vejase a ementa. PIS. VIGÊNCIA. Suspensa a aplicação de medida provisória (MP 1.212/1995) durante o período de anterioridade nonagesimal e suspensa a execução de legislação Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 189 5 declarada inconstitucional (Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, de 1988), aplicase o disposto na legislação então vigente (LC 7/1970). PIS. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições, somente terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Com efeito, o afastamento da prejudicial não favorece à Recorrente. De início, essencial sublinhar que não há que se falar em homologação tácita do pedido apresentado pela Recorrente, ainda que tenham passado mais do que cinco anos entre o protocolo do Pedido de Restituição (10/04/03) e o Despacho Decisório (18/08/08). Assim entendo, primeiro, porque o artigo 74 da Lei 9.430/96, parágrafo 5º, estabelece prazo para homologação apenas da compensação declarada pelo sujeito passivo. Não existe e não foi indicado pela Recorrente nenhuma disposição legal versando sobre prazo de homologação de pedido de restituição. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) É fato que os Pedidos de Compensação, por força dessas mesmas disposições normativas, converteramse em Declaração de Compensação, aplicandoselhes o prazo e o efeito previstos nos §§ 2º e 5º do artigo 741. Tratase, contudo, de uma regra inaplicável aos casos de pedidos de ressarcimento. De fato, a petição encontrada às folhas 17 e seguintes do Processo, provavelmente apresentada junto ao Pedido de Restituição, não pode ser considerada um Pedido de Compensação. Isso porque os pleitos dessa natureza estavam à época regulamentados pela Instrução Normativa nº 21/97, com alterações introduzidas pela Instrução Normativa nº 73/97, que, em seu Anexo III, definia o modelo próprio para os Pedidos de Compensação. 1 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 190 6 Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) § 10. Na hipótese do parágrafo anterior, a compensação será pleiteada por meio do formulário `Pedido de Compensação', de que trata o Anexo III." E nem se fale em aplicação do princípio da instrumentalidade das formas ou das disposições normativas encontradas no artigo 22 da Lei 9.784/992, conferindolhe status de norma legal. No caso concreto, primeiro, havia forma expressamente determinada em Lei e, ainda mais, a petição de folhas 17 e seguintes sequer indica os débitos que quer compensar. Observese. Isto posto requerse o reconhecimento do crédito a ser restituído, referente ao período de inexistência de fato gerador, de 01/11/95 a 01/02/99, e a imediata compensação com débitos vencidos, se houverem, e compensação com débitos futuros ou vincendos, a serem protocolizadas oportunamente, (...) Se não há a informação sobre débitos, como falarse em sua homologação tácita?! Quanto ao mérito, como se viu do relato dos fatos, a empresa deseja ter reconhecido direito credor em face de pagamentos realizados em período que, segundo entende, não haveria base lega para exigência da Contribuição para o PIS. Em apertada síntese, defende que, conforme Lei de Introdução ao Código Civil, não podem viger simultaneamente duas leis tratando do mesmo assunto. Que a Medida Provisória nº 1.212/95, editada para afastar o risco da vacatio legis decorrente da declaração de inconstitucionalidade dos Decretolei 2.445/88 e 2.449/88, não foi revogada pela ADI nº 1.417 0/DF, estando, por conseguinte, em vigor no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, razão por que não há que se falar em aplicação da Lei Complementar 07/70 neste período. Com a declaração de inconstitucionalidade parcial do artigo 18 da MP 1.212/95, se estabelece a impossibilidade de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade de aplicação da Lei Complementar 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP nº 1.212/95. Que a interpretação sugerida pela Secretaria da Receita Federal por meio da Instrução Normativa nº 6/2000 atribui efeito repristinatório, que “não se coaduna com a melhor interpretação do nosso direito positivo”. A tese da Recorrente, contudo, não resiste à interpretação criteriosa das ocorrências. A Contribuição para o PIS, até a entrada em vigor da MP nº 1.212/95, em fevereiro de 1995, estava regulamentada na Lei Complementar nº 07/70, uma vez que os 2 Lei 9.784/99 Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 191 7 Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 haviam sido declarados inconstitucionais pela Resolução n° 49/95 do Senado Federal. A questão atinente à declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 e os alegados efeitos repristinatórios foi muito bem abordada em primeira instância de julgamento, se não vejamos. Resumindo, a edição da Resolução n° 49, de 1995, do Senado Federal, após a declaração de inconstitucionalidade dos citados decretoslei, suspendeu a sua execução com efeito erga omnes e ex tunc. Desta forma, não há que se falar em repristinação da LC n° 7, de 1970, já que a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei resulta na sua não aplicação desde a publicação e, conseqüentemente, na vigência daquela lei complementar sem interrupção. Assim, como a LC não foi revogada, não poderia ter sido repristinada. O artigo 15 da MP, ao proclamála vigente a partir de 1º de outubro de 1995, não observou nem o princípio da anterioridade, já que a primeira edição da Medida se deu em de 28 de novembro de 1995, nem o prazo nonagesimal estabelecido no artigo 195, parágrafo 6º, da Constituição Federal3. MP 1.212/95, de 28 de novembro de 1995. Art. 15. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. Por esse motivo, o artigo 15 supra foi suspenso cautelarmente pelo Supremo Tribunal Federal, na ADI nº 1.417DF, Relator o Sr. Ministro Otávio Gallotti. O efeito da suspensão, contudo, foi exclusivamente o deslocamento da data de entrada em vigor da MP 1.212/95 para noventa dias depois da sua publicação. Por óbvio, uma vez que assim seja, até lá permanece em vigor a Lei anterior, no caso a LC 07/70. Também aqui, de maneira alguma há que se falar em repristinação. Tal referese à circunstância na qual uma lei formalmente revogada volta a viger quando a lei que a revogou for, agora ela, revogada. As circunstâncias neste caso; contudo, são outras. Apenas o prazo a partir do qual a Lei antiga (LC 07/70) deveria ser considerada revogada foi postergado, por força da exclusão do mundo jurídico da disposição legal que antecipava a vigência à Lei nova. E tratase de interpretação já chancelada por inúmeras decisões das mais altas Cortes do Poder Judiciário. A esse respeito, pela clareza, aprofundamento e pertinência, transcrevo excerto Voto condutor, Acórdão 1331.285, proferido em julgamento de primeira instância, de lavra do i. Julgador Ricardo Thadeu Bogado Carreteiro, o qual adoto neste particular. 3 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b". Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 192 8 Frisese ainda que tampouco a análise de mérito do direito creditório sustentado pelo impugnante pode socorrêlo, visto que, para isso, seria necessário que a simples edição de medidas provisórias tivesse o condão de revogar a lei anterior e que, cumulativamente, fosse negada total eficácia a todas as disposições contidas na MP nº 1.212, de 1995, bem assim nas sucessivas reedições posteriores, ocasionando, então, no período enfocado, a vacatio legis, na qual se assenta a pretensão ao crédito sustentada pelo interessado. Esta combinação de efeitos jurídicos, contudo, segundo jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal, não há como acontecer, sobretudo, se a ineficácia argüida reside na inconstitucionalidade da medida provisória. É que o regramento acoimado de inconstitucionalidade perde eficácia, desde a data de sua instituição, voltando a ser aplicado o ordenamento jurídico afetado pela norma inconstitucional, que é nula e, portanto, sem aptidão para gerar qualquer efeito jurídico, o que inclui revogar a legislação que pretendeu afetar. Neste mesmo sentido, colhese a lição expendida pelo Ministro Celso de Mello, quando do julgamento do RE nº 136.2154, em sessão plenária, de 28/02/1993, no STF, in verbis: “Impõese ressaltar que o valor jurídico do ato inconstitucional é nenhum. É ele desprovido de qualquer eficácia no plano do Direito. Uma conseqüência primária da inconstitucionalidade – acentua Marcelo Rebelo de Souza (O Valor Jurídico do Acto Inconstitucional, vol. 1/1519, 1988, Lisboa) – é, em regra, a desvalorização da conduta constitucional, sem a qual a garantia da Constituição não existiria. Para que o princípio da constitucionalidade, expressão suprema e qualitativamente mais exigente do princípio da legalidade em sentido amplo vigore, é essencial que, em regra, uma conduta contrária à Constituição não possa produzir cabalmente os exactos efeitos jurídicos que, em termos normais, lhe corresponderiam. A lei inconstitucional, por ser nula e, conseqüentemente, ineficaz, revestese de absoluta inaplicabilidade. Falecendolhe legitimidade constitucional, a lei se apresenta desprovida da aptidão para gerar e operar qualquer efeito jurídico. Sendo inconstitucional, a regra jurídica é nula.” Referido entendimento aplicase, da mesma forma, aos casos de inconstitucionalidade de medidas provisórias, a exemplo do que foi expendido pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento, em sede de cautelar da ADIn nº 1.786 MA, in verbis: “EMENTA – CONSTITUCIONAL ADMINISTRATIVO, PREVIDENCIÁRIO, CONTRIBUIÇÃO DOS SERVIDORES E JUÍZES AO P.S.S.S. RESOLUÇÃO 62, de 1997, que reduziu de doze para seis por cento a alíquota de contribuição dos servidores, Medida Provisória 560, de 26.7.94, reeditada sucessivamente. I – (...). II – No caso, o ato normativo acoimado de inconstitucional é no sentido de que, não convertida em lei a Medida Provisória nº 560, e as que lhe sucederam, perderam elas a sua eficácia, desde a sua edição, voltando a ter vigência plena o regime anterior que disciplinava a contribuição dos servidores para a Seguridade Social, e cuja alíquota era de seis por cento (Decreto nº 83.081/79, modificado pelo Decreto nº 90.817/85). Não considerou o ato normativo objeto da causa que as Medidas Provisórias foram reeditadas dentro nos (sic) prazos das Medidas Provisórias anteriores, desconsiderando também, o disposto no art. 62, parágrafo único da C.F. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 193 9 III – (...).” Ademais disso, no caso específico das medidas provisórias, é bom que se diga que a MP, além de ter eficácia imediata sequer revoga a lei anterior, mas provoca tãosomente a suspensão da vigência e eficácia da lei. Vale dizer, se a medida provisória for rejeitada, a lei anterior, então, será restaurada imediatamente, cabendo ao Congresso Nacional, nesta hipótese, disciplinar as relações jurídicas decorrentes da MP nãoconvalidada. Na verdade, apenas em caso de aprovação de medida provisória válida, pelo Congresso Nacional, haveria a revogação da lei anterior. Em todo o caso, dada a eficácia imediata das medidas provisórias, se a MP sequer é de todo declarada inconstitucional, mas apenas na parte dispositiva sobre a data em que passaria a produzir efeitos, então, preservada a anterioridade mitigada, não há que se falar em vacância da lei, eis que, mesmo durante o lapso de tempo em que a MP não pode ser aplicada, remanesce inafastável a regência da legislação anterior. No caso concreto, é certo que, a partir da edição da MP nº 1.212, de 1995, todas as reedições posteriores, incluindo a convalidação efetuada pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, reproduziram o dispositivo pelo qual se pretendia conferir aplicabilidade retroativa a esses atos normativos, de molde a reger fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. Todavia, declarada a inconstitucionalidade apenas dessas disposições, é de se respeitar a eficácia dos mencionados diplomas quanto ao demais, contandose o período de noventa dias, previsto no § 6º do art. 195 da Constituição Federal, a partir da veiculação da primeira medida provisória, in casu, a MP nº 1.212, de 28 de novembro de 1995. Este foi, aliás, o entendimento firmado no STF, em sede do RE 232.8963/PA, quando foi declarada a inconstitucionalidade do art. 15, in fine, da Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, e do art. 18, in fine , da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, nos termos do voto do Relator Ministro Carlos Velloso, onde pontificam os trechos abaixo reproduzidos, in verbis: “Esclareçase, primeiro que tudo, que a Med. Provisória nº 1.212, de 28.11.95, que dispõe sobre as contribuições para o PIS e o PASEP, após inúmeras reedições, foi convertida na Lei nº 9.715, de 25.11.98, estabelecendo, no seu artigo 18: ‘Art. 18. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995.’ Repetiuse, no ponto, portanto, o disposto no art. 15 da Med. Provisória 1.212, de 28.11.95, disposição repetida nas diversas reedições do citado diploma legal. Esclareçase, aliás, que o art. 17 da Med. Prov. 1.325, de 9.2.96, reedição da citada Med. Prov. 1.212, que dispunha exatamente como o art. 15 da Med. Prov. 1.212 –‘aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995’ – foi suspenso, cautelarmente, pelo Supremo Tribunal Federal, na ADIn 1.417DF, Relator o Sr. Ministro Otávio Gallotti (...). É dizer, o Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão cautelar da disposição inscrita no art. 17 da Med. Prov. 1.325, que dava efeito retroativo à cobrança. Isto esclarecido, examinemos o acórdão recorrido. Dois são os temas nele tratados que devemos apreciar: 1º) a questão da não observância do princípio da anterioridade nonagesimal; 2º) o acórdão decidiu, mais: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 194 10 não ocorrida a conversão legislativa, fica restaurada a eficácia jurídica dos diplomas legislativos afetados pela medida provisória, dado que a medida provisória não convertida em lei perde eficácia ex tunc. Examinemos a primeira questão, a da anterioridade nonagesimal. O acórdão, no ponto, é de ser mantido. No RE 168.421PR, Relator o Ministro Marco Aurélio, decidiu o Supremo Tribunal Federal: ‘CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ANTERIORIDADE MEDIDA PROVISÓRIA CONVERTIDA EM LEI. Uma vez convertida a medida provisória em lei, no prazo previsto no parágrafo único do artigo 62 da Carta Política da República, contase a partir da veiculação da primeira o período de noventa dias de que cogita o § 6º do artigo 195, também da Constituição Federal. A circunstância de a lei de conversão haver sido publicada após os trinta dias não prejudica a contagem, considerado como termo inicial a data em que foi divulgada a medida provisória.’ (...) O RE é de ser reconhecido e provido, no ponto, em parte, simplesmente para que seja observado o princípio da anterioridade nonagesimal, contados os noventa dias a partir da veiculação da Med. Prov. nº 1.212, de 28.11.95, pelo que declaro a inconstitucionalidade da disposição inscrita no seu artigo 15 – ‘aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995’. Examino a segunda questão. No ponto, decidiu o acórdão que, não ocorrida a conversão legislativa, fica restaurada a eficácia jurídica dos diplomas legislativos afetados pela medida provisória, que, não convertidos em lei, perdem eficácia ex tunc. O acórdão é de ser reformado no ponto. É que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido do decidido na ADIn 1.617MS, Relator o Ministro Otávio Gallotti: ‘não perde eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de outro provimento da mesma espécie, dentro de seu prazo de validade de trinta dias.’ (‘DJ’ de 15.8.97).” (Grifouse) No mesmo passo, foi também em sintonia com a mencionada exegese que o Secretário da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF nº 06, de 19 de janeiro de 2000, com a seguinte redação, verbis: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário Nº 232.8963PA, declarou a inconstitucionalidade do art. 15, in fine, da Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, e do art. 18, in fine, da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e, finalmente, considerando o que determina o art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, resolve: Art. 1º Fica vedada a constituição de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, baseado nas alterações introduzidas pela Medida Provisória Nº 1.212, de 1995, no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, inclusive. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 195 11 Parágrafo único. Aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplicase o disposto na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 8, de 3 de dezembro de 1970.” (Grifouse) Ainda na mesma trilha, confirmando o que já havia sido decidido em sede de Medida Cautelar, o Supremo Tribunal Federal julgou procedente a ADI nº 1.417 0/DF, para declarar a inconstitucionalidade tãosomente do termo in fine contido no art. 18 da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. Por todas as razões expostas, VOTO pelo provimento dos Embargos de Declaração, atribuindolhes efeitos infringentes. Com base nos fundamentos acima declinados, o Acórdão passa a ter ementa e dispositivo conforme segue. Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999 LEGISLAÇÃO NOVEL. ALTERAÇÃO. PRAZO NONAGESIMAL. ANTERIORIDADE. INOBSERVÂNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUICIONALIDADE. EFEITO EX TUNC. VIGÊNCIA DA LEI REVOGADA. REPRISTINAÇÃO. INCORRÊNCIA. O adiamento da entrada em vigor da MP 1.212/95 pela declaração de inconstitucionalidade do seu artigo 15 e a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88 têm efeitos ex tunc. No período durante o qual tais expedientes legais perderam eficácia, aplicase a legislação então vigente. A repristinação é fenômeno que se processa no âmbito legislativo. O direito pátrio não admite que a revogação da lei nova faça ressurgir os efeitos da lei por ela revogada. Na declaração de inconstitucionalidade de lei ou decreto, uma vez que seu efeitos sejam ex tunc, sequer ocorre a revogação da lei antiga. Dispositivo. VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 29 de janeiro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000054/200385 Acórdão n.º 3102002.361 S3C1T2 Fl. 196 12 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10925.001100/2006-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
MULTA. AUSÊNCIA DE INSTALAÇÃO DE MEDIDORES DE VAZÃO. CABIMENTO.
Constatada a falta de instalação de medidores de vazão por contribuinte que comprovadamente possua capacidade instalada de produção anual de cerveja superior 5 milhões de litros, aplica-se a penalidade prescrita no art. 38 da Medida Provisória (MP) n° 2.158-35/2001, incidente sobre o valor comercial das mercadorias produzidas em cada período de apuração.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA.
Tendo o legislador definido que a base de cálculo da multa o valor comercial das mercadorias produzidas em cada período de apuração, o uso de outro parâmetro pela autoridade fiscal, sem a apresentação de qualquer justificativa jurídica, implica a nulidade da autuação, por ilegitimidade do arbitramento.
Numero da decisão: 3102-002.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA. AUSÊNCIA DE INSTALAÇÃO DE MEDIDORES DE VAZÃO. CABIMENTO. Constatada a falta de instalação de medidores de vazão por contribuinte que comprovadamente possua capacidade instalada de produção anual de cerveja superior 5 milhões de litros, aplica-se a penalidade prescrita no art. 38 da Medida Provisória (MP) n° 2.158-35/2001, incidente sobre o valor comercial das mercadorias produzidas em cada período de apuração. BASE DE CÁLCULO DA MULTA. Tendo o legislador definido que a base de cálculo da multa o valor comercial das mercadorias produzidas em cada período de apuração, o uso de outro parâmetro pela autoridade fiscal, sem a apresentação de qualquer justificativa jurídica, implica a nulidade da autuação, por ilegitimidade do arbitramento.
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Recorrente CERVEJARIA KILSEN LTDA (ALIBRAS ALIMENTOS BRASILEIROS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA. AUSÊNCIA DE INSTALAÇÃO DE MEDIDORES DE VAZÃO. CABIMENTO. Constatada a falta de instalação de medidores de vazão por contribuinte que comprovadamente possua capacidade instalada de produção anual de cerveja superior 5 milhões de litros, aplicase a penalidade prescrita no art. 38 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835/2001, incidente sobre o valor comercial das mercadorias produzidas em cada período de apuração. BASE DE CÁLCULO DA MULTA. Tendo o legislador definido que a base de cálculo da multa o valor comercial das mercadorias produzidas em cada período de apuração, o uso de outro parâmetro pela autoridade fiscal, sem a apresentação de qualquer justificativa jurídica, implica a nulidade da autuação, por ilegitimidade do arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e José Luiz Feistauer de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 00 /2 00 6- 89 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada, para manter a autuação que exige a multa prescrita no art. 38 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835/2001. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 32/36, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multas regulamentares (código de arrecadação: 3738), aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na IN SRF n° 265, de 20 de dezembro de 2002, que dispôs sobre a instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros de que trata o art. 36 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente ao período de 01/2005 a 12/2005, atingiu o montante de R$ 2.416.974,03. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos artigos 36 a 38 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835/2001. O Relatório da Atividade Fiscal RAF de fls. 04/15 prestouse a relatar o procedimento fiscal e suas conclusões, realizado em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 09.2.03.002006000090, da DRF Joaçaba (fls. 01/02). Relata a autoridade fiscal que o procedimento decorreu das constatações realizadas durante diligências que objetivavam "a coleta de informações com vistas a verificar a obrigatoriedade do sujeito passivo quanto à instalação do Sistema de Medição de vazão à que estão sujeitos os estabelecimentos industriais envasadores de cerveja". O presente processo 19 cingiuse "às verificações e autuações relativas às multas disciplinares do IPI, no período de 01/01/2005 a 31/12/2005". As demais verificações e autuações fiscais foram objetos dos processos administrativos n°s 13982.000273/200693 e 13982.000274/200638. Para fins de verificar se a fiscalizada encontravase obrigada à instalação dos equipamentos medidores de vazão (que só se aplicava às empresas com capacidade instalada superior a 5 milhões de litros anuais, a teor do art. 5º do Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis n° 20/2003), foram utilizadas duas metodologias: 1) apuração do volume efetivamente produzido em períodos anteriores; 2) apuração da efetiva capacidade instalada, "com base em informações técnicas do processo produtivo e dos equipamentos fornecidas pelo contribuinte". Quanto ao segundo critério, a autoridade fiscal inicialmente esclarece que "a capacidade instalada referese somente aos equipamentos, às máquinas existentes e aptas a produzir, desconsiderando, portanto, os recursos humanos". Neste sentido, entende a autoridade que o legislador optou "por um critério Fl. 873DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10925.001100/200689 Acórdão n.º 3102002.351 S3C1T2 Fl. 16 3 técnico e estável, intrínseco a cada pessoa jurídica e, logo, não sujeito às vicissitudes do mercado, no curto prazo". Após obter as informações das quantidades efetivamente produzidas pelo contribuinte, nos anos de 2004 e 2005, conforme declaradas nas DIF Bebidas e registradas no Livro Registro de Controle de Produção e Estoques (modelo 3), a autoridade fiscal elaborou as planilhas que compuseram os Anexos I e II do RAF (fls. 16/30). A tabela 1 do referido relatório (fl. 10) consolida os valores mensais, assim como a sua projeção anual. A projeção anual das quantidades produzidas nos meses de jan/04, fev/04, abr/04, dez/04 e set/05, indicou que o contribuinte poderia ter produzido quantidades anuais superiores ao limite de 5 milhões de litros, embora a produção efetiva tenha sido inferior a este limite nos dois anos verificados. Com efeito, conforme esclarecimentos prestados pela própria fiscalizada, sua produção tem mesmo uma natureza sazonal, que varia com as condições da demanda, que sofre influências climáticas e de poder aquisitivo. A autoridade fiscal concluiu que "se houvesse demanda do mercado, a produção seria igual ou superior àquela obtida nos meses de maior volume". A autoridade fiscal ainda intimou a fiscalizada "a informar se houvera nos últimos cinco anos modificações nas linhas de produção que alterassem sua capacidade produtiva, bem como descrever e comproválas, conforme item 2 do Termo de Intimação n° 483/2005 (fls. 061). Em atenção a esta intimação a fiscalizada "afirma que houve mudanças no processo produtivo e na capacidade de produção, porém as exemplifica de modo prosaico, ... mas não informa e muito menos comprova quando surgiram e o quanto afetariam a capacidade de produção'. Informou, ademais, quesuas unidades situadas em Porto Alegre e Florianópolis foram desativadas e apenas atuavam na distribuição de seus produtos. A respeito destes esclarecimentos, a autoridade fiscal assim se pronunciou: “Notase, portanto, que as alegadas modificações não foram alterações nas instalações industriais, que reduzissem de fato a capacidade instalada de produção, mas sim meras alternativas operacionais para se adaptar às demandas do mercado no curto prazo, tais como paralisação – e não desativação – de uma determinada linha, além de redução de sua capacidade de distribuição. Destarte, concluise à luz dos fatos e considerações acima expostos que a fiscalizada possui uma capacidade instalada de produção superior a 5 milhões de litros anuais”. A fiscalizada foi, então, intimada a "descrever as linhas de produção de cervejas de todos seus estabelecimentos, informando, inclusive, a capacidade máxima de produção de cada linha e os respectivos pontos de gargalos (pontos de obstáculo, de limitação)", para fins de análise de sua efetiva Fl. 874DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 capacidade instalada, conforme segundo critério adotado no procedimento fiscal. E a partir das informações obtidas acerca da capacidade informada dos diferentes equipamentos que compõem a linha de produção (lavadora, enchedora, pasteurizador, rotuladora, encaixotadora e datador), foi elaborada a Tabela 2 do RAF (fl. 11), cujas informações permitiram a conclusão de que "todos os equipamentos permitem uma produção muito superior a 5 milhões de litros por ano, com exceção da etapa Transporte de garrafas, para a qual nada foi informado”. Observou a autoridade que esta etapa não foi considerada pela fiscalizada como "ponto de gargalo' ("processo de menor capacidade individual"). As etapas assim consideradas foram: a inspeção de garrafas (manual), a rotuladora e a encaixotadora. A primeira delas depende apenas da contratação de mais mão deobra, em função da demanda dos produtos, não sendo, assim, considerada no conceito de capacidade instalada. Considerando as informações de capacidade dos dois outros "pontos de gargalo', concluiu a autoridade fiscal que "a capacidade da linha de garrafas de vidro é dada pela Encaixotadora e corresponde a 11.059.200 litros/ano, ou seja, mais que o dobro do valor de corte de 5 milhões de litros anuais e praticamente o triplo daquela informada pelo contribuinte para a mesma linha". Posteriormente, "visando melhor interpretar as informações contidas nos referidos croquis e dirimir quaisquer dúvidas sobre os detalhes dos processos", a autoridade fiscal realizou uma entrevista com "o preposto da fiscalizada, assessorado pelo responsável técnico da planta, a qual consta reduzida a termo no Termo de Declaração de 31/01/2006 às fls. 69/70". E, após a análise de cada etapa do processo de produção, visando identificar os seus respectivos "pontos de gargalo", conclui a autoridade fiscal que estes sempre estiveram muito acima (pelo menos o dobro) do limite de 5 milhões de litros anuais. Em face das constatações obtidas de todo o procedimento de investigação fiscal, a autoridade fiscal concluiu que "a fiscalizada NÃO estava desobrigada da instalação do SMV no período fiscalizado'. E em decorrência desta conclusão, como os equipamentos não foram instalados, procedeuse à lavratura do auto de infração para exigência das multas aplicáveis à espécie, à razão de 50% do valor das mercadorias produzidas, conforme demonstrado no Anexo III do RAF (fl. 31). Quanto ao cálculo do valor das mercadorias produzidas, a autoridade fiscal informa que considerou "como verídicos os preços médios contidos na relação de fls. 77/125, apresentada pela fiscalizada em atendimento à intimação acima mencionada, os quais constam relacionados no Anexo II". O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 21/06/2006 (fl. 32), na pessoa de seu diretor, tendo protocolado sua impugnação em 19/07/2006, conforme peça de fls. 812/819, e anexos que a seguem, firmada por procurador regularmente estabelecido, na qual aduz, em síntese que: Fl. 875DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10925.001100/200689 Acórdão n.º 3102002.351 S3C1T2 Fl. 17 5 a) a convicção da autoridade fiscal, acerca da obrigatoriedade de instalação dos equipamentos, partiu da equivocada conclusão de que sua capacidade de produção supera os 5 milhões de litros, obtida a partir de arbitramento de valores "escolhendo como base o mês de maior produção, no caso setembro de 2005". Ademais, "sequer existem provas de efetiva produção em 2005 em quantidade que sujeita o contribuinte à instalação de tais equipamentos"; b) o arbitramento procedido, "inferindo dados a partir de um pico de produção no mês de setembro de 2005", ignorou "os dados contábeis efetivos existentes durante todo o ano de 2005"; c) "não bastasse o absurdo e a inconstitucionalidade de pretender via Medida Provisória criar uma nova base de cálculo não embasada na produção, na circulação ou no patrimônio, mas, pasmem, sobre a capacidade instalada, restou instituída, no presente auto, algo ainda mais grave como base de cálculo de tributos: a projetada capacidade virtual!!!". Neste caso, "a partir desta nova base de cálculo pouco importa a existência de produção ou comercialização, basta o arbitramento teórico da capacidade instalada projetada para ser imposta a sanção fiscal"; d) a própria fiscalização reconheceu que a produção real em 2005 "foi de meros 2,7 milhões" de litros. Entretanto, projetou sua capacidade instalada a partir da produção de um mês de pico (setembro), chegando a uma "virtual" capacidade de pouco mais de 5 milhões de litros anual; e) pelo absurdo critério adotado pela fiscalização "basta multiplicar o mês de maior produção do contribuinte para criar uma suposta capacidade de produção e sobre essa hipotética produção não somente cobrar o imposto pertinente à produção efetiva, mas, muito mais grave, impor multa equivalente a 50% do valor da mercadoria, tudo como ora pretendido"; f) bastaria a fiscalização considerar os dados do IBGE (www.ibge.g o v.br), para verificar que "as indústrias nacionais trabalham com 81% da capacidade instalada". Assim sendo, concluiria que sua "possível real capacidade de produção é muito inferior a 5 milhões de litros/ano", ainda que se considerasse a produção do mês de pico (ajustada em 80%); g) "excetuado este único mês de setembro de 2005 nenhum outro respalda esse sofisma do arbitramento criado pelos auditores fiscais". E isto prova, mais uma vez, "que a capacidade real de produção plena é limitada pelos fatos reais de uma fábrica; pelos fluxo produtivo travado existente na contribuinte e inferior ao limite legal". Portanto, as informações relativas à sua efetiva produção em 11 dos 12 meses de 2005 "resultariam em prova a favor dos informes legais históricos da contribuinte"; h) prestou os devidos esclarecimentos por ocasião do procedimento fiscal "no sentido de não tratarse de uma planta industrial previamente planejada e construída, mas sim do Fl. 876DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 pioneirismo em formar uma linha produtiva com esforço empreendedor e máquinas reformadas, retificadas ou de diferentes portes". Durante o procedimento fiscal "foram provados os diversos gargalos/restrições na linha de produção e as constantes limitações, afastados pela autoridade fiscal em prol da criação de uma capacidade virtual, absoluta, plena, como verdade única"; i) a legislação "em pauta" é manifestamente inconstitucional, mas este aspecto será levado ao Poder Judiciário, "no momento propício”; j) a multa aplicada, a par de ser inconstitucional, "está aviltada quando não desconsiderou do preço o valor dos impostos indiretos já embutidos, pois a norma legal se refere ao valor comercial da produção, não ao preço de revenda". Assim sendo, "requerse desde já seja expurgado da base de cálculo da multa o valor dos tributos, evitando, assim a cobrança como está a ocorrer , de multa sobre os impostos recolhidos e não, como determina a norma (mesmo inconstitucional, como deverá no poder judiciário ser julgada), sobre o valor comercial da mercadoria produzida (inciso I do artigo 38 da MP 2158 35/2001)". Referida norma "jamais cita preço médio, como lançado na autuação". E o julgador administrativo, deve obedecer o rigor da lei "restringindose não a buscar interpretações, mas a limitarse ao dispositivo legal vigente, o qual não elegeu, jamais, o preço médio como base da multa, ao contrário, expressamente o excluiu ao não citálo". Conclui a impugnante requerendo "seja declarada a improcedência total da pretensão de imposição de multa por suposta obrigação acessória, consubstanciada no presente Auto de Infração". A DRJ em Florianópolis julgou improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: INSTALAÇÃO DE MEDIDORES DE VAZÃO. FALTA. PENALIDADE. BASE DE CÁLCULO DA MULTA. Constatada a falta de instalação de medidores de vazão por parte de contribuinte sujeito a esta obrigatoriedade, aplicase a penalidade prescrita no art. 38 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835/2001, incidente sobre o valor comercial das mercadorias produzidas em cada período de apuração, o qual inclui os tributos indiretos. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10925.001100/200689 Acórdão n.º 3102002.351 S3C1T2 Fl. 18 7 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De acordo com o relato acima, foi imputado ao ora Recorrente a infração prescrita nos artigos 36 e 38, I, da Medida Provisória 2.158/01 c/c arts. 1º e 2º da Instrução Normativa SRF n° 265/2002, os quais assim dispõem: Medida Provisória 2.158/01 Art. 36. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. (Vide Lei nº 11.051, de 2004) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá: I credenciar, mediante convênio, órgãos oficiais especializados e entidades de âmbito nacional representativas dos fabricantes de bebidas, que ficarão responsáveis pela contratação, supervisão e homologação dos serviços de instalação, aferição, manutenção e reparação dos equipamentos; II dispensar a instalação dos equipamentos previstos neste artigo, em função de limites de produção ou faturamento que fixar. § 2º No caso de inoperância de qualquer dos equipamentos previstos neste artigo, o contribuinte deverá comunicar a ocorrência à unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre seu domicílio fiscal, no prazo de vinte e quatro horas, devendo manter controle do volume de produção enquanto perdurar a interrupção. [...] Art. 38. A cada período de apuração do imposto, poderão ser aplicadas as seguintes multas: I de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) Instrução Normativa SRF n° 265/2002 Art. 1 º A instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, de que trata o art. 36 da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a que estão obrigados os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n º 7.798, de 10 de julho de 1989, darseá em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 8 Art. 2 º A CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial da União (DOU), deverá estabelecer: I as condições de funcionamento, bem assim as características técnicas e de segurança dos equipamentos; II os procedimentos para homologação e credenciamento dos equipamentos e respectivos fabricantes dos mesmos; III os limites mínimos de produção ou faturamento, a partir do qual os estabelecimentos ficarão obrigados à instalação dos equipamentos; § 1 º A homologação e o credenciamento de que trata o inciso II do caput será efetuada pela Cofis, por intermédio de ADE publicado no DOU. § 2 º Os estabelecimentos industriais de que trata o art. 1 º estarão obrigados ao uso dos equipamentos no prazo de seis meses, contado a partir da primeira homologação e credenciamento de que trata o inciso II do caput , observado o disposto no § 1 º . § 3 º Órgãos oficiais especializados e entidades de âmbito nacional representativas dos fabricantes de bebidas poderão ser credenciados, mediante convênio, para, em conjunto com a Cofis, definir e participar dos procedimentos de que tratam os incisos I e II do caput , bem assim supervisionar e homologar os serviços de instalação, aferição, manutenção e reparação dos equipamentos. Referidas disposições normativas foram regulamentadas pelo Ato Declaratório Executivo nº 20, de 2003, que assim dispõe: Art. 5 º Ficam dispensados da instalação do SMV os estabelecimentos industriais envasadores pertencentes a empresa, cuja capacidade instalada de produção anual seja inferior a 5 (cinco) milhões de litros, computadas as capacidades das respectivas filiais, pessoas jurídicas associadas, coligadas, controladas e controladoras. Pois bem. Restou incontroverso nos autos que a empresa autuada não instalou o SMV (medidor de vazão) em seus estabelecimentos industriais. Sendo assim, a presente controvérsia voltase apenas para (i) a existência nos autos de elementos que permitam concluir que a capacidade instalada de produção anual da Recorrente é superior a 5 (cinco) milhões de litros; (ii) a correção da base utilizada para o cálculo da multa. Passemos à análise de cada uma delas. De acordo com as normas acima transcritas, os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI e cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 5 (cinco) milhões de litros ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos. À época da autuação, a legislação não trazia elementos objetivos para definir a capacidade instalada de produção anual. Assim, para concluir que a Recorrente tinha uma Fl. 879DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10925.001100/200689 Acórdão n.º 3102002.351 S3C1T2 Fl. 19 9 capacidade instalada de produção de cerveja acima do montante estabelecido para a dispensa de controle de vazão, a fiscalização se valeu de duas metodologias: (i) a primeira consistiu em apurar o volume de cerveja produzida pela pessoa jurídica nos períodos anteriores, como forma de identificar sua capacidade produtiva comprovada; (ii) a segunda foi levantar a efetiva capacidade instalada com base em informações técnicas do processo produtivo e dos equipamentos fornecidas pelo contribuinte. Para apurar o volume de cerveja produzido em períodos anteriores, a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar cópias das DIFBebidas (Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação Bebidas) e os Livros Registro de Controle de Produção e Estoques (modelo 3) referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2004 a junho de 2005. De posse dessas informações, verificou que a produção total anual de cerveja foi inferior a 5 milhões de litros em ambos os períodos de apuração analisados. Além disso, verificou forte efeito da sazonalidade (confirmada pela fiscalizada no documento de fl. 045), fazendo com que a produção em determinados meses fosse muito superior à de outros. Com base nesses elementos, concluiu que, a despeito de a efetiva produção dos anos imediatamente anteriores ser inferior a 5 milhões de litros, a capacidade de produção seria bastante superior a este patamar: Concluise, portanto, que se houvesse demanda do mercado, a produção seria igual ou superior àquela obtida nos meses de maior volume. Consequência disso é que, projetandose a produção de meses como janeiro, fevereiro, abril e dezembro de 2004 e setembro de 2005 para o horizonte de 12 meses, chegase a uma produção anual e, por conseguinte, uma capacidade de produção superiores a 5 milhões de litros, conforme se verifica na tabela acima. Já para apurar a efetiva capacidade instalada com base em informações técnicas do processo produtivo e dos equipamentos fornecidas pelo contribuinte, a fiscalização intimou a Recorrente a descrever as linhas de produção de cervejas de todos seus estabelecimentos, informando, inclusive, a capacidade máxima de produção de cada linha e os respectivos pontos de gargalo (pontos de obstáculo, de limitação). Também com base nas informações apresentadas pela Recorrente e levando em conta os pontos de gargalo concluiu a fiscalização que a capacidade de produção anual da Recorrente seria bastante superior a 5 milhões de litros. A Recorrente, todavia, contesta as conclusões da autoridade fiscal, alegando, em estreita síntese, que (i) foi mensurada sua capacidade produtiva "escolhendo como base o mês de maior produção, no caso setembro de 2005", ignorando os seus "dados contábeis" e a efetiva produção havida no período, inferior ao limite em referência; (ii) que foi "projetada capacidade virtual", indevidamente utilizada "como base de cálculo de tributos"; (iii) para o arbitramento procedido pela autoridade fiscal, deveria ter sido considerado que, segundo dados do IBGE, "as indústrias nacionais trabalham como 81% da capacidade instalada". Neste caso, sua produção atingiria nível inferior ao referido limite; (iv) a autoridade fiscal não considerou "os diversos gargalos/restrições na linha de produção e as constantes limitações", conforme esclarecimentos prestados durante a ação fiscal, limitandose a criar uma "capacidade virtual, absoluta, plena, como verdade única". Fl. 880DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 10 Como é possível perceber, a Recorrente não traz qualquer elemento de prova para afastar o trabalho fiscal. De fato, a fiscalização não levou em conta apenas a produção efetiva anual de cerveja da Recorrente, e nem o podia. Afinal, o que se procurou identificar é a capacidade de produção e não a efetiva produção. Sendo assim, entendo legítimas as metodologias utilizadas, haja vista que se valeu de dados técnicos concretos, em sua grande maioria fornecidos pelo próprio contribuinte com a assessoria do responsável técnico da planta, e em relação aos quais não foi apresentado qualquer elemento efetivo para infirmálos. Com efeito, diante da ausência de apresentação de fundamentos/provas em sentido contrário e diante do zelo da autoridade fiscal em discriminar e detalhar a metodologia utilizada, não há como infirmar o "arbitramento" procedido, para fins de estimar a capacidade de produção a partir dos dados da efetiva produção ocorrida no período de 2004 a 2005. Como bem pontuado pela decisão recorrida, se a empresa tem condições de produzir em um dado mês, por exemplo, um volume maior do que 430 mil litros de cerveja, daí decorre, logicamente, que poderá produzir um volume anual de 5.160.000 litros. E, diferentemente do que alega a impugnante, isto ocorreu em 5 meses (e não em um único mês), durante o período fiscalizado (4 deles no ano de 2004). Mas bastava que fosse em único mês, até porque os dados fornecidos pela fiscalizada dão conta de que a produção ocorreu em todos os meses do ano, tendo apenas se reduzido no período do inverno, por conhecidas questões de demanda. Para afastar a presente projeção, o contribuinte teria que ter apresentado fundamentos/provas de que sua capacidade de produção não seria idêntica em todos os meses, o que não o fez. Aliás, neste ponto, foi bastante criteriosa a fiscalização na medida em que oportunizou ao contribuinte trazer algum dado que indicasse alteração na sua capacidade de produção em face de possíveis alterações nas suas instalações industrias, sem obter, todavia, sucesso na diligencia. Isso fica bem evidente no TVF: E para que a fiscalizada não alegasse que sua capacidade instalada fora reduzida desde então, o que a impossibilitaria reproduzir aqueles volumes nos dias atuais, intimamola a informar se houvera nos últimos cinco anos modificações nas linhas de produção que alterassem sua capacidade produtiva, bem como a descrever e comproválas, conforme item 2 do Termo de Intimação n 0 483/2005 (fls. 061). Em resposta (fls. 062/065), afirma que houve mudanças no processo produtivo e na capacidade de produção, porém as exemplifica de modo prosaico dizendo "ora tava melhor para lata e se concentrava nisto a produção; ora melhorava o preço para garrafa e se apostava nisto; ou surgiam feiras; ou exportação; ou ainda; em tempos magros ou como na seca de 2004 simplesmente é paralisada uma ou outra linha e super freada/reduzida a produção". Informa também que as filiais de Porto Alegre e de Florianópolis foram desativadas e o quadro de funcionários reduzido. Discorre ainda sobre outras limitações em suas linhas produtivas, mas não informa e muito menos comprovando surgiram e o quanto afetariam a capacidade de produção. No que se refere às unidades de Porto Alegre e de Florianópolis, a contribuinte afirmou, posteriormente, no Termo que Declaração de fls. 069/070 (item 13), que se tratava apenas de unidades de distribuição e não unidades produtivas. Notase, portanto, que as alegadas modificações não foram alterações nas instalações industriais, que reduzissem de fato a capacidade instalada de produção, mas sim meras alternativas operacionais para se adaptar às demandas do mercado no curto prazo, tais como a paralisação e não desativação de uma determinada linha, além de redução de sua capacidade de distribuição. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10925.001100/200689 Acórdão n.º 3102002.351 S3C1T2 Fl. 20 11 Por fim, importa esclarecer que, ao contrário do que alega a Recorrente, o fato de as indústrias nacionais trabalharem com 81% da capacidade instalada, conforme dados do IBGE (segundo alega a impugnante), por si só, não é suficiente para comprometer a conclusão do Fisco. Afinal, tratase de dado genérico, estimado, que nada prova a respeito da sua capacidade de produção frente à sua efetiva produção. Neste contexto, não restam dúvidas de que houve investigação da efetiva capacidade instalada da empresa, baseada em dados técnicos fornecidos por ela própria, inclusive com a assessoria do "responsável técnico da planta", não havendo que se falar em capacidade anual "projetada" ou arbitramentos infundado. Assim, resta evidente que a capacidade anual de produção da Recorrente era superior a 5 milhões, não merecendo qualquer reparo a decisão recorrida neste ponto. A mesma conclusão, todavia, não se estende à base de cálculo utilizada. Como visto acima, a ausência de instalação de medidor de vazão pelas empresas que tenham capacidade instalada de produção anual seja superior a 5 (cinco) milhões de litros de cerveja implica a exigência de multa, a cada período de apuração do IPI, de cinquenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida: Art. 38. A cada período de apuração do imposto, poderão ser aplicadas as seguintes multas: I de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) A despeito de a regra ser clara no sentido de que a base de cálculo da multa é de cinquenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, a fiscalização a calculou utilizando o preço médio dos produtos no período. Ocorre que, nos termos do art. 142, do CTN, o ato de lançamento além de obrigatório, é vinculado. Assim, ciente da ocorrência de eventos tributários, impõese à Autoridade Administrativa o dever de realizálo, atendendo a todos os elementos que o tipo legal encerra, sem qualquer liberdade, seja no que se refere ao procedimento, seja no que toca ao conteúdo do ato, o que inclui, por óbvio, a sua base de cálculo. E, no caso concreto, a norma é clara ao definir a base de cálculo da multa como sendo valor comercial da mercadoria produzida, e não o preço médio dos produtos no período. Assim, ao desconsiderar este comando legal e arbitrar a multa sem a apresentação de qualquer justificativa para tanto, incorreu em manifesta nulidade. De fato, apenas em casos excepcionais é que poderá o aplicador da lei se valer de presunções e do arbitramento. Com efeito, apenas diante da prova concreta de que o contribuinte se negou ou não tenha os dados necessários para se apurar diretamente o que a lei determina é que surge autorização para se valer desses expedientes. Afinal, é pacífico na doutrina e jurisprudência que presunção e arbitramento não são penalidades, mas instrumentos para se averiguar indiretamente a ocorrência de fatos, diante da impossibilidade do seu conhecimento direto, o que definitivamente não é o caso dos autos. Isso fica bem evidente quando se constata do TVF que a utilização do preço médio dos produtos no período como base para o cálculo da multa decorreu de mera liberalidade do fiscal, não de qualquer entrave criado pela Recorrente: Fl. 882DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 12 No caso de estabelecimentos industriais, o valor da mercadoria produzida pode ser apurado com base nos preços médios de venda no atacado, que, por sua vez, são informados na DIF, no caso das indústrias de bebidas. Todavia, no presente caso, referidos preços foram informados amiúde de forma errônea nas DIF's, conforme fica claro na resposta ao item 4 do Termo de Intimação Fiscal n0 108/2006, à fl. 076. Em razão disso, consideramos como verídicos os preços médios contidos na relação de fls. 077/125, apresentada pela fiscalizada em atendimento à intimação acima mencionada, os quais constam relacionados no Anexo II. Como se vê, não há qualquer relato de entrave à fiscalização ou mesmo de dificuldade para se ter acesso ao efetivo valor das mercadorias produzidas. Assim, não tem qualquer sustentação jurídica a decisão recorrida quando afirma o seguinte: Da mesma forma, não vislumbro óbice quanto à utilização do preço médio dos produtos para fins de apuração dos valores das mercadorias. Ora, se as mercadorias foram comercializadas a preços variáveis durante o período de apuração, a utilização do preço médio é uma opção sensata e razoável. E o fato de a lei não mencionar o critério do preço médio, limitandose a se reportar ao valor das mercadorias, não implica que este tenha por ela sido excluído, como defende a impugnante. Evidentemente, não é papel da lei adentrar nestas minúcias. Ora, com a devida vênia, é completamente absurda a presente alegação. Sendo o direito tributário pautado pelo princípio da estrita legalidade, não se pode, sob qualquer color, tratar a definição da base de cálculo, seja do tributo, seja das multas tributárias, como mera minúcia que não precisaria ser tratada pela lei. Admitir interpretação em sentido contrario implica ruir toda a racionalidade do sistema. Assim, resta evidente que a fiscalização não aplicou a base de cálculo definida na lei para a apuração do débito em análise, tampouco apresentou qualquer justificativa legal para o uso de valor arbitrado, o que compromete a validade do presente lançamento. Em face do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar integralmente o presente auto de infração. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 883DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10580.728441/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançá-las, bem como quando ocorre o seu atingimento.
A ausência de especificação de metas bem como de registro no Sindicato competente do PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Ainda, devem ser excluídas do lançamento as competências até 11/2003, inclusive, pela homologação tácita expressa no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional.
Liege Thomasi Lacroix - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançá-las, bem como quando ocorre o seu atingimento. A ausência de especificação de metas bem como de registro no Sindicato competente do PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 263 1 262 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728441/200996 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.866 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria Programa de Participação nos Lucros e Resultados Recorrente RADIO FM BAHIA SOL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançálas, bem como quando ocorre o seu atingimento. A ausência de especificação de metas bem como de registro no Sindicato competente do PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 41 /2 00 9- 96 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 264 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Ainda, devem ser excluídas do lançamento as competências até 11/2003, inclusive, pela homologação tácita expressa no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Liege Thomasi Lacroix Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 265 3 Relatório Período de Apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 Data de Lavratura do AIOP: 17/12/2009 Data de Ciência do AIOP: 21/12/2009. Tratase de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal (AI 37.201.9277), lavrado em face de RADIO FM BAHIA SOL LTDA, do qual foi notificado em 28/10/2008, referente às contribuições do segurado empregado destinadas à Seguridade Social. De acordo com o Relatório Fiscal, foi realizado acordo coletivo para instituição do Programa de Participação e ResultadosPLR com o SERTEBSindicato das Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/BASindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade da Bahia, referentes aos exercícios de 2005, 2007 e 2008. Contudo, apenas em 03/03/2009 foi protocolado no SINTERP. Além dessa irregularidade, não foi estabelecida meta clara e objetiva, tendo sido escolhido o resultado operacional como meta, sem especificar valores. No tocante à multa, foi feita a comparação da sistemática anterior com a atual, instituída pela Lei nº 11.941/2009, verificando o valor menor entre a multa de ofício atual, de 75% sobre o valor do débito, e o somatório das penalidades anteriores (AI 68 + 24%), tendo se chegado à conclusão de que penalidade atual seria mais benéfica. Apresentada impugnação, esta foi julgada improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos, conforme prevê o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei n.° 8.212, de 1991. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados realizados, pela empresa, sem o cumprimento de todos os requisitos impostos pela Lei n.º 10.101/2000, tem se que tais verbas integram o salário de contribuição e sobre elas incidem as contribuições destinadas à Seguridade Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 266 4 Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) O acordo coletivo atribuiu às empresas à fixação, juntamente com seus empregados, dos termos de pagamento do PLR; b) A regra sempre esteve relacionada ao crescimento do faturamento da empresa ou ainda redução do prejuízo contábil; c) A legislação não determina o prazo para o registro do PLR no Sindicato; Subiram os autos através do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 267 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do programa de Participação nos Lucros ou ResultadosPLR A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, cuja redação à época dos fatos geradores assim dispunha: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 268 6 período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal, verificase que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas dos Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregar lhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, para que o espírito do Programa efetivamente seja alcançado. Esta deve ser a análise da fiscalização. Vejase que os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 devem ser rigorosamente observados, tanto para que o contribuinte não tenha que recolher a contribuição previdenciária quando houver PLR instituído na empresa, quanto para que somente as exigências nela contidas possam ser aplicadas. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 269 7 Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Por isso é que os programas de metas, resultados e prazos devem estar pactuados previamente, pois somente desta forma é que seria possível se ter certeza de que os empregados estão cientes das condições do PLR e que os esforços envidados serão recompensados com a distribuição dos valores. No caso dos autos, o auditor fiscal descaracterizou o PLR instituído pelo Recorrente por entender que não preenchia as exigências legais, tampouco a finalidade do Plano. Neste sentido, cabe analisar cada um dos fatos para que se verifique se deve ser mantida a autuação. De início, já se verifica a irregularidade no PLR da Recorrente. É que o Programa somente foi registrado no Sindicato muito depois dos pagamentos efetuados. Em determinadas situações, pode ser admitido o registro no curso do período de apuração, pois isso não retiraria a previsibilidade pelo empregado das metas e seu alcance. Contudo, o registro é uma das formalidades que permite a comprovação de que os pagamentos efetuados efetivamente decorreram do programa e nos termos pactuados. O registro permite inferir, ainda, que as cláusulas decorreram de negociação entre as categorias do empregador e dos empregados, de modo a atender aos interesses de ambas. Neste diapasão, o registro quase 4 anos depois do primeiro ano de apuração e de 2 anos do último demonstra que os pagamentos não foram realizados observandose um PLR instituído nos moldes legais. Outrossim, a não especificação de valores a serem considerados na meta demonstra que o trabalho realizado pelos empregados não tinha em vista uma remuneração decorrente do PLR. Retirouse dos empregados a previsibilidade do pagamento, já que o empregador passou a pagar unicamente a critério seu. Ademais, a bilateralidade do programa é essencial à sua validade, pois é a forma de permitir aos empregados a integração aos meios de produção, sendo condição essencial à validade do programa. Por estas razões, os valores pagos devem ser considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária, uma vez ausente o PLR invocado pelo Recorrente. Da multa aplicada Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 270 8 A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 8% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 24% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 60% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 271 9 contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 272 10 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 273 11 cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenham a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008 a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 274 12 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 275 13 §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 272DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 276 14 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.9277, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de 01/02/2007 a 31/08/2008. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 277 15 Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 278 16 estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 279 17 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 280 18 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 281 19 Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 282 20 nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 283 21 b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 284 22 crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando que o horizonte temporal do lançamento compreende o período de apuração de fevereiro/2007 a agosto/2008 e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra à retroatividade da lei tributária mais benigna insculpida no art. 106, II, ‘c’ do CTN. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728441/200996 Acórdão n.º 2302002.866 S2C3T2 Fl. 285 23 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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