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Numero do processo: 16327.000348/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino Referese o presente processo a pedido de compensação de PIS e de Cofins período de fevereiro de 1999 a abril de 2002, no montante de R$ 805.404,93, para a quitação de débitos das referidas contribuições, apurados no período compreendido entre julho de 2002 e julho de 2005. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 34 8/ 20 03 -1 3 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 94 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 1318 a 1329, em que foram apreciadas as "Declarações de Compensação" (em papel e eletrônicas Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação PER/DCOMP) relacionadas às fls. 1318 e 1319. Por intermédio dos referidos PER/DCOMP, a contribuinte pretende compensar débitos da contribuição para o PIS, dos períodos de apuração de julho/2002 a janeiro/2003, maio e junho/2004 e maio/2005 a julho/2005, e Cofins, dos períodos de apuração de novembro/2002 a março/2003, maio e junho/2004 e maio a Julho/2005, com créditos provenientes dos recolhimentos de PIS e Cofins a maior que o devido nos períodos de apuração de fevereiro/99 a abril/2002 (fls. 02, 03 e 42). A autoridade competente para apreciação da pretendida compensação elaborou o Despacho Decisório que se encontra assim ementado (fl. 1318): PERÍODO DE APURAÇÃO: FEVEREIRO/99 A DEZEMBRO/2002. EMENTA: DCOMP. RETIFICAÇÃO. A retificação é permitida desde que a DComp a ser retificada se encontre pendente de decisão administrativa na data de envio do documento retificador. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR QUE O DEVIDO. Os pagamentos indevidos, ou a maior que o devido, de tributo ou contribuição administrado pela SRF podem ser objeto de restituição ou utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. As entidades fechadas de previdência complementar apuram o PIS e a Cofins com base na totalidade das receitas auferidas, ajustadas pelas exclusões e deduções permitidas legalmente. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Podem ser excluídos da base de cálculo os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates, ativos garantidores das provisões técnicas. Vedada a dedução de qualquer despesa administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Será considerada tacitamente homologada a compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 95 3 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORAS ADMITIDAS. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADAS TACITAMENTE. 2.1. No Despacho Decisório, a autoridade fiscal designada para apreciar o pedido primeiramente analisa a admissibilidade das DComps retificadoras, à luz dos artigos 6°, 7° e 8° da Instrução Normativa (IN) SRF n° 360/2003 e nas subseqüentes IN SRF n°376/2003 e 414/2004, e conclui que devem ser admitidas. 2.2. Passa então a autoridade administrativa a discorrer sobre o instituto da compensação de créditos tributários, com base na legislação de regência (art. 170 do Código Tributário Nacional; art. 66 da lei n° 8.303/1991; art. 58 da Lei n° 9.069/1995; art. 39 da Lei n° 9.250/1995; art. 74 da Lei n° 9.430/1996; IN SRF n° 210/2002; IN RFB n° 900/2008. 2.3. Considerando que a contribuinte declarou que o crédito é proveniente de pagamentos efetuados entre fevereiro/99 e dezembro/2002, a título de PIS e Cofins, a maior que o devido, em vista de erro na apuração das respectivas bases de cálculo, conforme a justificativa de fls. 203 a 206, a autoridade administrativa passa a focalizar a apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS das entidades de previdência complementar fechada, considerando as disposições contidas na IN SRF n° 170/2002 (fundamentada nas Leis n° 9.701/98 e 9.718/98 e MP 2.158 35/2001),posteriormente revogada pela IN SRF n° 215/2002 (art. 5°), a qual, com base na MP n° 66/2002 (art. 35), veio possibilitar novas exclusões não permitidas anteriormente. A IN SRF n° 247/2002 que revogou a IN SRF 215/2002, a partir de 21/11/2002, manteve a apuração da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS com a mesmas exclusões e deduções. Conclui assim que a apuração das bases de cálculo nesta análise deve ser feita com base na IN SRF n° 170/2002 para os períodos de apuração de fevereiro/99 a agosto/2002 e com base nas IN SRF n° 215/2002 e 247/2002 para os períodos de apuração de setembro a dezembro/2002. 2.4. Observou que a contribuinte recalculou as bases de cálculo do PIS e da Cofins para se beneficiar das modificações trazidas pela MP n° 66/2002, regulamentada pela IN SRF n° 215/2002, desde o período de fevereiro/99 (vide requerimento á fl. 205 e demonstrativos de fls. 230 a 260). 2.5. Consigna a autoridade fiscal a partir dos valores de PIS e COFINS apurados relativamente aos meses em que foram apresentados os balancetes, constatase que: diferenças nos valores apurados, devido à citada exclusão dos valores da conta de "receitas de aluguéis e rendimentos equiparados na carteira imobiliária" e a diferenças na aplicação do percentual do limite de exclusão da receita de investimento determinado pelo § 2°, art. 2°, da IN SRF n. 170102 e da IN SRF n. 215102 e pelo inciso I, § 1 °, art. 29, da IN SRF n° 2471/02, conforme os demonstrativo de fls. 1267 a 1270; Fl. 529DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 96 4 a partir do anocalendário de 2001, o contribuinte não aplicou tal limite nos seus "Demonstrativos de Apuração de PIS e Cofìns recálculo cf. IN 247102 s1 receitas administrativas" (fls. 241 a 299); os valores da conta 6.3.2.3.00.00 ou 6.4.2.3. 00. 00 "Remuneração dos Investimentos Administrativos" utilizados nos demonstrativos de apuração de PIS e Cofins dos anoscalendário de 2000 a 2002 são inferiores aos valores constantes nos balancetes correspondentes. 2.6. Tendo em vista as diferenças de valores das contas 6.3.2.3.00.00 ou 6.4.2.3.00.00 indicados nos Demonstrativos de apuração de 2000 a 2002 da interessada e aqueles constantes dos balancetes correspondentes, foi a contribuinte intimada a apresentar os balancetes de todos os períodos (fevereiro/1999 a dezembro/2002) e à esclarecer os motivos de tais divergências. Em relação à aplicação do limite de exclusão da receita de investimento, observou que nos demonstrativos apresentados em conformidade com a IN 170, o contribuinte aplicava o limite de exclusão, como se ve nos demonstrativos de fls. 210 a 233, deixando de fazê lo nos períodos de apuração de 2001 e 2002 pelos demonstrativos apresentados em conformidade com a IN 247, conforme fls. 241 a 256. À fl. 797, a contribuinte informou que "Os rendimentos das aplicações financeiras relacionadas ao Fundo Programa Previdencial, por serem garantidores da solvência econômicofinanceira e atuarial da Entidade, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e Cofins, não estando sujeito ao limite de exclusão do § 2% art. 2° da IN SRF n° 170/02 e IN SRF n° 215/02 e inciso I, § 1% art. 29 da IN SRF n° 247/02. Por questão técnica, o Fundo Programa Previdencial é destacado do Exigível Atuarial, mas seus resultados são contabilizados no mesmo Programa de Investimentos, formador dos Recursos Garantidores das Reservas Técnicas da Entidade". 2.7. Explica a autoridade administrativa que essa exclusão das bases de cálculo foi introduzida na Lei n° 9.718/98 pela MP n° 1.807, de 28/01199, e modificada com a edição da MP n° 1.99115, de 10/03/2000. O § 2% art. 2° da IN SRF n° 170/02 e da INSRF n° 215/02 regulamentam esse dispositivo, que foi mantido nos mesmos termos pelo inciso I, § 1o art. 29 da IN SRF n° 247/02. Conclui, assim, que os rendimentos financeiros dos fundos garantidores da solvência da entidade já são excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins. Porém, o contribuinte pretendeu excluir toda a receita financeira, independente da rubrica em que se enquadra, o que a legislação não prevê. 2.8. Quanto à utilização nos demonstrativos de apuração de PIS e Cofins, no período de 2000 a 2002, de valores da conta 6.3.2.3.00.00 ou 6.4.2.3.00.00 "Remuneração dos Investimentos Administrativos" inferiores aos valores constantes nos balancetes correspondentes, a autoridade administrativa entende que a resposta dada pela contribuinte à fl. 798, significa que ela considera que as receitas a serem tributadas devem ser líquidas de PIS e COFINS, entretanto não aponta nenhuma previsão legal ou amparo judicial para tal procedimento. Ao contrário do entendimento adotado pela Fl. 530DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 97 5 contribuinte, a Lei n° 9.701/98 determinou no caput do art. 1° que a base de cálculo do PIS e da Cofins era a receita bruta operacional e no seu § 1 ° vedou a dedução de qualquer despesa administrativa 2.9 Para verificar a existência de eventual pagamento a maior, a autoridade administrativa procedeu à apuração das bases de cálculo para todo o período(fevereiro/1999 a dezembro/2002) e os respectivos débitos (fls. 1271 a 1274), com base nos balancetes mensais apresentados, conforme detalhadamente descrito às s. 135 aplicou, então, as alíquotas correspondentes (fls. 1267 a 1274) para a verificar a possível existência dos alegados créditos e procedeu à imputação dos pagamentos efetuados (fls. 04 a 42 confirmados pelas consultas de fls. 1265 e 1266, discriminados nos demonstrativos de fls. 1279/1282 e 1295/1299) aos débitos apurados, discriminados no Demonstrativo de apuração de Débitos de PIS (fls. 1275/1278) e de COFINS (fls. 1291/1294). 2.10. Observou ter considerado a tempestividade dos recolhimentos efetuados dentro do prazo de 30 dias da ciência do resultado de consultas efetuadas sobre a interpretação da legislação tributária (considera que o recolhimento foi efetuado na data de vencimento nos demonstrativos de imputação). Além desses pagamentos, foi considerado que os valores dos débitos que a contribuinte informou em Declarações de Compensação, controlados neste mesmo processo, relativos ao PIS dos períodos de apuração de julho a dezembro/2002 e relativos a Cofins dos períodos de apuração de novembro e dezembro/2002, discriminados no item 01. Estes valores foram vinculados como "compensação sem Darf créditos a serem atualizados", conforme os demonstrativos de fls. 1283 e 1300. 2.11. As constatações da autoridade administrativa expendidas nos parágrafos 52 a 60 (fls. 1326/1327) resultaram na decisão de se: a) admitir as Declarações de Compensação retificadoras n. 04927.11657, n° 39042.37336, n° 13625.78962, n° 22411.57242, n° 19779.39806, n" 21498.23457, n. 01710.37468, n° 15442.24228, n° 22257.62372, n° 39278.87442, n.26372.65420, n° 19261.20842, n° 33723.15518, n° 19413.60168 e n° 21629.34916; b) reconhecer parcialmente o crédito de PIS, no valor atualizado para 3011012002, de R$ 35.446, 38 (fi. 1308), e parcialmente o crédito de Cofins, no valor atualizado para 30/10/2002, de R$ 267.921,44 (fl. 1309), utilizados integralmente para a compensação dos débitos do item "c"; c) homologar a Declaração de Compensação de fl. 01 e homologar parcialmente a Declaração de Compensação veiculada pelo processo n° 16327.0008781200353, de acordo com a Listagem de Débitos de fl. 1311; d) homologar tacitamente, por disposição legal, o débito parcial de Cofins do período de apuração de fevereiro12003, veiculada pelo processo n.16327.0008781200353, as Declarações de Compensação dos processos n.16327.00165012003 e n° 16327.0017541200395, além da DComp n° 37738.04582, em vista do transcurso do prazo de cinco anos desde a data do pedido; Fl. 531DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 98 6 e) considerar não homologadas as DComp n° 25011.92937, n° 26552.80686, n°22411.5 7242, n° 01710.3 7468, n° 22257.62372, n° 263 72.65420, n° 33723.15518 e n° 21629.34916. 3. A contribuinte foi cientificada a respeito do teor do despacho supracitado em 28/05/2009, conforme AR à fl. 1333. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 1336 a 1340), protocolizada em 26/06/2 09, a interessada apresenta as seguintes razões de defesa: nos termos da IN RFB n° 900/2005, a manifestação de inconformidade apresentada em 26/06/2009 é tempestiva porquanto a ciência do despacho que indeferiu o pleito ocorreu em 28/05/2009; com a publicação da IN SRF n° 247/2002 e pelo caráter interpretativo da mesma, a Recorrente recalculou a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, compreendendo o período de fevereiro de 1999 a julho de 2004. Esta interpretação teria sido confirmada por consulta formulada no P.A. no 16327.000891/200574; Refeitos os cálculos com base na IN 247/2002, apurouse crédito no valor de R$ 805.404,96, que foi objeto de pedido de restituição; referido crédito apurado passou a ser compensado, com débitos de PIS e COFINS, a partir de novembro de 2002 até julho de 2005, quando então esgotouse; o Demonstrativo de fls. 1356, em forma de conta corrente, em que se verifica a origem e consumo do crédito mês a mês até o seu esgotamento, evidencia que havia crédito a ser compensado para os períodos não homologados; Cópia dos Per/Dcomp (fls. 1357 a 1396) e das respectivas DCTF (fls. 1397 a 1456) confirmam a regularidade das informações prestadas. 4.1. Ao final de sua defesa, a interessada requer seja dado integral provimento à sua manifestação de inconformidade, com deferimento integral de seu pleito e homologação das compensações formalizadas. Também protesta, com fundamento no artigo 16, § 4% do Decreto n° 70.235/1972, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 PIS. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. DECLARAÇÃO . DE COMPENSAÇÃO. São devidos e não geram direito creditório, os recolhimentos efetuados com observância da base de cálculo determinada na legislação de regência e, ainda, em conformidade com declarações do contribuinte. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 99 7 A inexistência de direito creditório impede a homologação das compensações pretendidas pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 COFINS. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. São devidos e não geram direito creditório, os recolhimentos efetuados com observância da base de cálculo determinada na legislação de regência e, ainda, em conformidade com declarações do contribuinte. A inexistência de direito creditório impede a homologação das compensações pretendidas pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida, consignouse que a afirmação da Recorrente de que seu procedimento de adotar as exclusões e deduções previstas na IN n° 247/2002, estaria confirmada por meio da consulta formulada no PA n° 16327.000891/200574, não teria respaldo, pois em pesquisa nos sistemas da Receita Federal, verificou se que referida consulta foi considerada "ineficaz", de maneira que passou a adotar os fundamentos do despacho decisório. Com base no despacho decisório, portanto, luz do que acima se transcreveu, entendeuse não haver autorização para a adoção das exclusões e deduções previstas no § 5° da IN SRF n° 247/2002, em data anterior a de entrada em vigor das leis que amparam tais exclusões e deduções. Destarte, a conclusão da autoridade administrativa foi no sentido de que "a vigência a partir de 20/08/2002 dessas novas possibilidades de exclusões se refere à data de entrada em vigor da MP n° 66/2002, onde essas novas exclusões foram veiculadas". Deste modo, restaria afastada a argumentação apresentada pela Recorrente no sentido de que estaria autorizada desde fevereiro de 1999 o "recálculo" da base de cálculo das contribuições em apreço com base na IN 247/2002 e, consequentemente, os valores de base de cálculo apurados pela contribuinte de fevereiro de 1999 a agosto de 2002 não estariam corretos, prejudicando o prosseguimento da análise dos valores constantes da planilha de fls. 1356. Ademais, outras inconsistências e incongruências (exclusão de toda a receita financeira, independentemente da rubrica em que se enquadra; tributação de receitas líquidas de PIS e Cofins) apontadas no Despacho decisório de fls. 1318 a 1329, não foram teriam sido contestadas pela Recorrente. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação, argumentando, em síntese, que: i. entidade de previdência complementar fechada, a Recorrente recebe contribuições das empresas patrocinadoras e de seus funcionários, cujos recursos são aplicados em ativos diversos, especialmente no mercado financeiro, gerando receitas financeiras; ii. no período compreendido entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2003, parte desses rendimentos foi equivocadamente oferecido à tributação, quando na verdade tais receitas financeiras deveriam ter sido excluídas da base de cálculo das contribuições sociais; Fl. 533DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 100 8 iii.. os rendimentos de aplicações financeiras relacionados ao Fundo Programa Previdencial, por serem garantidores da solvência econômicofinanceira e atuarial da entidade, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins, consoante disposto na Medida Provisória nº 1.807/1999, posteriormente convertida na Medida Provisória nº 2.15835/01; iv. o direito à exclusão desses rendimentos financeiros da base de cálculo das contribuições já estava previsto desde a edição Medida Provisória nº 1.807/1999, sendo que a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, de caráter meramente interpretativo, apenas repetiu a previsão legal existente desde o ano de 1999, vez que tinha por fundamento de validade as mesmas normas que embasavam as instruções normativas anteriormente mencionadas. Junto ao recurso voluntário, estão diversas planilhas do direito creditório afirmado, bem como, nos memoriais de julgamento apresentados, demonstrativos dos cálculos dos valores pagos a maior. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tal como relatado, o cerne da presente controvérsia é a possibilidade de dedução da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, dos valores relativos a rendimentos originados de aplicações financeiras da Recorrente. A decisão recorrida fundamentouse no despacho decisório (fls.1418 e ss), que, por sua vez, negou o direito creditório decorrente de receitas financeiras, nos seguintes termos: 34. Em relação à aplicação do limite de exclusão da receita de investimento, observamos que nos demonstrativos apresentados em conformidade com a IN 170, o contribuinte aplicava o limite de exclusão, como se vê nos demonstrativos de fls. 210 a 233, deixando de fazêlo nos períodos de apuração de 2001 e 2002 pelos demonstrativos apresentados em conformidade com a IN 247, conforme fls. 241 a 256. 35. A esse respeito informou o seguinte no requerimento de fl. 797: "Os rendimentos das aplicações financeiras relacionadas ao Fundo Programa Previdencial, por serem garantidores da solvência econômicofinanceira e atuarial da Entidade, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e Cofins, não estando sujeito ao limite de exclusão do § 2 0, art. 2° da IN SRF n° 170/02 e IN SRF n° 215/02 e inciso I, § 1% art. 29 da IN SRF n° 247/02. Por questão técnica, o Fundo Programa Previdencial é destacado do Exigível Atuarial, mas seus resultados são contabilizados no mesmo Programa de Investimentos, formador dos Recursos Garantidores das Reservas Técnicas da Entidade". 36. Essa exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins foi introduzida na Lei n° 9.718/98 pela MP n° 1.807, de 28/01/99, e modificada com a edição da MP n° 1.99115, de 10/03/2000, passando a dispor: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 101 9 "§ 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5% poderão excluir ou deduzir: ... III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; ( ... ) § 7° As exclusões previstas nos incisos III e IV do parágrafo anterior restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas , limitados esses ativos ao montante das referidas provisões." 37. Esse é o texto legal em questão que permaneceu vigente, apenas com a alteração da redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35/2001, de "parágrafo anterior" para§ 6o . 38. O § 2% art. 2° da IN SRF n° 170/02 e da IN SRF n° 215/02 regulamentam esse dispositivo, que foi mantido nos mesmos termos pelo inciso I, § 1% art. 29 da IN SRF n° 247/02. 39. Dessa forma, os rendimentos financeiros dos fundos garantidores da solvência da entidade já são excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins. Porém, o contribuinte pretendeu excluir toda a receita financeira, independente da rubrica em que se enquadra, o que a legislação não prevê. Portanto, não se trata propriamente de negar a dedução dos valores relativos às rendimentos financeiros, como ventilado no recurso voluntário, mas reconhecêlos até o limite dos ativos garantidores das provisões técnicas ,conforme expressa disposição introduzida na Lei n° 9.718/98 pela MP n° 1.807, de 28/01/99, e modificada com a edição da MPn° 1.99115, de 10/03/2000, § 7° Em outras palavras, a dedução permitida pela Lei n. 9718/98, art.3o, §6o, III dos “rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates”, deve ser interpretado conjuntamente com a disposição do §7o: As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. Observese que, no memorial de julgamento apresentado pela Recorrente, esta traz demonstrativos de cálculos, exemplificativo para o período de apuração de fevereiro de 1999, em que afirma que, do universo de seus rendimentos financeiros, apenas excluiu da base de cálculo os rendimentos financeiros proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas. Assim, como da documentação acostada aos autos, não se pode apurar com certeza se as deduções observaram os limites determinados pela legislação em vigor, proponho Fl. 535DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 16327.000348/200313 Resolução nº 3201000.466 S3C2T1 Fl. 102 10 a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora demonstre se os valores excluídos da base de cálculo das contribuições e que geraram o direito de crédito em litígio, respeitaram os limites dos ativos garantidores das provisões técnicas. Após, deve ser dada ciência à Recorrente, para que, querendo, manifestese, no prazo de 30 dias e ademais, dêse vista à Procuradoria da Fazenda Nacional, devendo retornar os autos a esta Turma Julgadora, para que se prossiga ao julgamento do recurso. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 536DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 19515.720221/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE POR AFRONTA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 16)
AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO SUFICIENTE PARA APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E PROVAS. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não há vício de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que não foi concedido prazo suficiente para apresentação de provas, se demonstrado nos autos que a recorrente foi intimada e reintimada por duas vezes e, somado os prazos normais e das prorrogações foram-lhe concedido quase 150 (cento e cinquenta) dias de prazo para apresentação das provas que alegara possuir, especialmente, se nas fases de defesa, também não apresentou qualquer elemento probatório.
PEDIDO DILIGÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO DOS RQUISITOS LEGAIS. PROVA DOCUMENTAL EM PODER DA RECORRENTE. PRECINDIBILIDADE DA REALIZAÇÃO. CABIMENTO.
Não é passível de deferimento o pedido de diligência que não atende os requisitos legais, especialmente, quando se revela prescindível, por se tratar de prova documental referente à escrituração contábil e fiscal da recorrente, que, se existente, seria de fácil colação aos autos nas fases de defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALTA DE EMISSÃO EM NOME DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VÍCIO DE NULIDADE DO TERMO DE SOLIDARIEDAE PASSIVA. IMPOSSIBILIDADE.
1. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F) somente é obrigatória para fim de instauração de procedimento fiscal de fiscalização, sendo dispensável a sua emissão em nome dos responsáveis solidários decorrentes de constatação de fatos apurados no curso do referido procedimento.
2. Não é passível de nulidadade, por ausência de emissão de MPF-F, termo de solidariedade passiva lavrado em nome dos responsáveis solidários, em decorrência de fatos apurados no curso de procedimento fiscal de fiscalização regularmente instaurado perante o contribuinte autuado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e manter a responsabilidade/solidariedade das pessoas jurídicas e físicas arroladas no processo. A Conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões em relação à solidariedade por interesse comum. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a qualificação da multa imposta apenas sobre uma fração do crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator, vencidas as Conselheiras Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama que reduziam a integralidade da multa para o percentual de 75%. Pelo voto de qualidade, manter a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidas as Conselheiras Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que afastavam a incidência de juros.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE POR AFRONTA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 16) AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO SUFICIENTE PARA APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E PROVAS. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não há vício de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que não foi concedido prazo suficiente para apresentação de provas, se demonstrado nos autos que a recorrente foi intimada e reintimada por duas vezes e, somado os prazos normais e das prorrogações foram-lhe concedido quase 150 (cento e cinquenta) dias de prazo para apresentação das provas que alegara possuir, especialmente, se nas fases de defesa, também não apresentou qualquer elemento probatório. PEDIDO DILIGÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO DOS RQUISITOS LEGAIS. PROVA DOCUMENTAL EM PODER DA RECORRENTE. PRECINDIBILIDADE DA REALIZAÇÃO. CABIMENTO. Não é passível de deferimento o pedido de diligência que não atende os requisitos legais, especialmente, quando se revela prescindível, por se tratar de prova documental referente à escrituração contábil e fiscal da recorrente, que, se existente, seria de fácil colação aos autos nas fases de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALTA DE EMISSÃO EM NOME DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VÍCIO DE NULIDADE DO TERMO DE SOLIDARIEDAE PASSIVA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F) somente é obrigatória para fim de instauração de procedimento fiscal de fiscalização, sendo dispensável a sua emissão em nome dos responsáveis solidários decorrentes de constatação de fatos apurados no curso do referido procedimento. 2. Não é passível de nulidadade, por ausência de emissão de MPF-F, termo de solidariedade passiva lavrado em nome dos responsáveis solidários, em decorrência de fatos apurados no curso de procedimento fiscal de fiscalização regularmente instaurado perante o contribuinte autuado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECEITAS TRIBUTADAS À ALÍQUOTA ZERO. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. CABIMENTO. 1. O fato de a atividade da contribuinte indicar provável auferimento de receitas tributadas à alíquota zero ou da realização de despesas ou encargos que gerem crédito na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, não a exime da obrigação de, quando intimada pela fiscalização, comprovar a ocorrência dos valores das referidas receitas e dispêndios. 2. Não havendo provas nos autos de que a contribuinte auferiu o valor da receita tributada à aliquota zero ou que realizou os dispêndios utilizados como base de cálculo dos créditos da referida contribuição, mantémse a glosado dos respectivos valores apurados pela fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECEITAS TRIBUTADAS À ALÍQUOTA ZERO. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. CABIMENTO. 1. O fato de a atividade da contribuinte indicar provável auferimento de receitas tributadas à alíquota zero ou da realização de despesas ou encargos que gerem crédito na apuração da Cofins, não a exime da obrigação de, quando intimada pela fiscalização, comprovar a ocorrência dos valores das referidas receitas e dispêndios. 2. Não havendo provas nos autos de que a contribuinte auferiu o valor da receita tributada à aliquota zero ou que realizou os dispêndios utilizados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 21 /2 01 2- 78 Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 como base de cálculo dos créditos da referida contribuição, mantémse a glosado dos respectivos valores apurados pela fiscalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE OU SONEGAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL MAJORADO. POSSIBILIDADE. É devida a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) se comprovado o evidente intuito de fraude ou sonegação fiscal do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA TRIBUTADA À ALÍQUOTA ZERO E BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DO EVIDENTE DE FRAUDE. IMPOSSBILIDADE. A não comprovação da receita tributada à alíquota zero e da base de cálculo dos créditos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. EXTINÇÃO IRREGULAR DE SOCIEDADE. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Por revelarem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, os sócios de fato de pessoa jurídica extinta irregularmente são responsáveis solidários pelos débitos tributários lançados em nome da referida pessoa jurídica. EXTINÇÃO IRREGULAR DE PESSOA JURÍDICA. CONTINUAÇÃO DA EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PELOS SÓCIOS EM NOME DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA NOVA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. A extinção irregular de pessoa jurídica e continuação da exploração da sua atividade econômica por qualquer sócio remanescente, sob a mesma ou outra razão social, implica que a nova pessoa jurídica passa a ser responsável pelos tributos devidos até a data do ato de extinção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE POR AFRONTA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 16) Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 101 3 AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO SUFICIENTE PARA APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E PROVAS. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não há vício de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que não foi concedido prazo suficiente para apresentação de provas, se demonstrado nos autos que a recorrente foi intimada e reintimada por duas vezes e, somado os prazos normais e das prorrogações foramlhe concedido quase 150 (cento e cinquenta) dias de prazo para apresentação das provas que alegara possuir, especialmente, se nas fases de defesa, também não apresentou qualquer elemento probatório. PEDIDO DILIGÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO DOS RQUISITOS LEGAIS. PROVA DOCUMENTAL EM PODER DA RECORRENTE. PRECINDIBILIDADE DA REALIZAÇÃO. CABIMENTO. Não é passível de deferimento o pedido de diligência que não atende os requisitos legais, especialmente, quando se revela prescindível, por se tratar de prova documental referente à escrituração contábil e fiscal da recorrente, que, se existente, seria de fácil colação aos autos nas fases de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALTA DE EMISSÃO EM NOME DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VÍCIO DE NULIDADE DO TERMO DE SOLIDARIEDAE PASSIVA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) somente é obrigatória para fim de instauração de procedimento fiscal de fiscalização, sendo dispensável a sua emissão em nome dos responsáveis solidários decorrentes de constatação de fatos apurados no curso do referido procedimento. 2. Não é passível de nulidadade, por ausência de emissão de MPFF, termo de solidariedade passiva lavrado em nome dos responsáveis solidários, em decorrência de fatos apurados no curso de procedimento fiscal de fiscalização regularmente instaurado perante o contribuinte autuado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e manter a responsabilidade/solidariedade das pessoas jurídicas e físicas arroladas no processo. A Conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões em relação à solidariedade por interesse comum. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a qualificação da multa imposta apenas sobre uma fração do crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator, vencidas as Conselheiras Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama que reduziam a integralidade da multa para o percentual de 75%. Pelo voto de qualidade, manter a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidas as Conselheiras Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que afastavam a incidência de juros. (assinado digitalmente) Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzse a seguir o relatório encartado na decisão de primeira grau: Tratase de autos de infração referentes ao período de apuração de janeiro/2008 a dezembro/2008 lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 1611/1618), no montante total de R$ 2.633.859,85, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 1619/1626), no montante total de R$12.131.718,27. No Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Solidária juntado às fls. 1568/1586, os auditores fiscais assim fundamentaram a constituição de ofício do crédito tributário: Da confrontação dos livros razão com as DACON apresentadas pelo contribuinte, foram constatadas divergências, objeto do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 07/10/2011. No referido termo o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, os créditos utilizados na apuração do PIS e COFINS incidência não cumulativa declarados nas DACON relativas aos períodos de apuração mar/2008 a dez/2008. Com relação aos períodos de apuração jan/2008 e fev/2008 o contribuinte não utilizou qualquer crédito; porém, declarou como receita de vendas valores inferiores ao que foi contabilizado, conforme adiante demonstrado. Em 18/10/2011 o contribuinte solicitou prorrogação de 30 (trinta) dias para atendimento àquela intimação. Esta fiscalização concedeu um prazo adicional de 20 (vinte) dias. Decorridos os vinte dias, sem que o contribuinte apresentasse qualquer documento, foi lavrado novo Termo de Intimação Fiscal, em reiteração ao termo anterior, cuja ciência ao contribuinte se deu em 08/11/2011. Decorrido o prazo estabelecido para atendimento à intimação (vinte dias) o contribuinte nada apresentou. Assim, observando o princípio da ampla defesa do contribuinte, em 06/12/2011 foi lavrado novo Termo de Intimação Fiscal, em reiteração aos dois termos anteriormente lavrados, concedendo ao contribuinte mais Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 102 5 vinte dias para comprovação dos créditos declarados em DACON. Novamente, em 20/12/2011 o contribuinte solicitou um prazo adicional de 30 (trinta) dias para atendimento à intimação, prazo este concedido. Decorridos os trinta dias, o contribuinte nada apresentou. Somente em 02/02/2012 o contribuinte solicitou novo prazo para atendimento aos termos anteriormente lavrados, pedido este INDEFERIDO por esta fiscalização, tendo em vista o longo prazo decorrido desde a primeira intimação (aproximadamente 120 dias), bem como as prorrogações de prazo anteriormente concedidas e não cumpridas. Portanto, procedemos à glosa daqueles créditos declarados em DACON cuja efetividade não foi comprovada pelo contribuinte, conforme apuração realizada por esta fiscalização e demonstrada no ANEXO I (PIS – incidência não cumulativa) e ANEXO II (COFINS – incidência não cumulativa) do presente termo. Com relação aos meses jan/2008 e fev/2008 não houve glosa de créditos, ao contrário, foram considerados os créditos contabilizados nos livros razão e permitidos pela legislação. Porém, conforme demonstrado nos anexos I e II do presente termo, as receitas de vendas declaradas pelo contribuinte nas DACON são inferiores ao que está contabilizado (...) (...) Além da glosa dos créditos cuja efetividade não foi comprovada, foram considerados os demais créditos permitidos pela legislação vigente e devidamente contabilizados pelo contribuinte, conforme os livros razão apresentados. Após apuração do PIS e COFINS incidência não cumulativa efetuada por esta fiscalização, foram constatadas diferenças a serem lançadas (...). A seguir, os auditores fiscais fundamentaram a representação fiscal para fins penais e a aplicação da multa de ofício qualificada no fato de a contribuinte ter declarado nos Dacons relativos a janeiro/2008 e fevereiro/2008 valores inferiores ao que foi efetivamente contabilizado e ter declarado nos Dacons relativos aos períodos de apuração de março/2008 a dezembro/2008 créditos na apuração do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos cuja efetividade não foi comprovada. Segundo os autuantes, Tais fatos configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, previsto na legislação em vigor, cujo dolo se caracterizaria pelo fato de o contribuinte, de forma sistemática e continuada durante todos os meses do ano Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 calendário 2008, ter prestado à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento das DACON apresentadas, com a finalidade de reduzir aquelas contribuições. Os auditores fiscais consideraram ainda como responsáveis solidários em relação ao crédito tributário constituído de ofício as pessoas jurídicas Rio Vermelho Supermercados Ltda. e Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., bem como as pessoas físicas Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão, com o seguinte fundamento: • não tendo sido localizada a autuada no endereço constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, apurouse que o porteiro do prédio estava instruído a receber a correspondência destinada a ela e encaminhar a outra sala do mesmo edifício. Nessa outra sala havia uma pessoa de nome Antonio Aparecido Lopes que disse ser contratado pelo Escritório Naves de Contabilidade, localizado na cidade de AnápolisGO, para atender às fiscalizações que porventura ocorressem na Rio Vermelho. Posteriormente foi apresentada à fiscalização procuração habilitando esse senhor Antonio, bem como Ronan de Assunção Naves a representarem a fiscalizada; • por meio de pesquisas nos sistemas da RFB, verificouse que a Rio Vermelho Distribuidor Ltda. transferiu todos os funcionários para as empresas Rio Vermelho Supermercados Ltda. – CNPJ nº 12.149.165/000109 – e Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. – CNPJ nº 10.912.900/000169, ambas sediadas na cidade de AnápolisGO; • tendo sido constatado pela fiscalização que no domicílio fiscal da matriz não havia atividade administrativa ou operacional, elaborouse representação fiscal para alteração de ofício do domicílio fiscal do estabelecimento matriz para a cidade de AnápolisGO. Essa representação foi posteriormente alterada pela DRF Anápolis para Representação Fiscal para Fins de Nulidade de Atos Praticados Perante o CNPJ e Inaptidão do CNPJ da fiscalizada, cabendo destacar os principais fatos constatados pela DRF Anápolis naquele processo: A empresa Rio Vermelho Distribuidor Ltda. atuava nos ramos atacadista e varejista. Sua movimentação financeira foi de R$ 400 milhões em 2009 e R$ 513 milhões em 2010 etc. De acordo com informações da Previdência Social, sua folha de pagamento foi de R$ 8,3 milhões em 2009 (para 822 funcionários) e de R$ 10,9 milhões em 2010 (para 963 funcionários). Portanto, tratase de empresa de grande porte. No estabelecimento principal, CNPJ: 03.688.310/000643, sito à Rod BR 153, Km 52, nº 750, Jardim eldorado, em AnápolisGO, estão o prédio administrativo, onde funciona o depto. de compras, call center de vendas, depto. de Recursos Humanos, financeiro, tesouraria, além de um grande depósito de mercadorias, garagem para caminhões, e um ponto de venda do tipo autoserviço denominado “Rio Vermelho Cash and Carry”. Esse era o maior Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 103 7 estabelecimento da empresa, com movimento predominantemente em atacado. Este estabelecimento foi dividido de acordo com o ramo de atividade. O ramo de vendas no atacado é agora explorado através da filial da Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., CNPJ 10.912.900/000240, e o ramo de autoserviço pela filial da Rio Vermelho Supermercados Ltda., CNPJ 12.149.165/000290. No outro estabelecimento em Anápolis, CNPJ: 03.688.310/000724, sito à Av. Contorno da Mato Grosso, nº 354, Bairro Jundiaí, funciona desde 2003 um supermercado. Neste local está estabelecido agora o CNPJ 12.149.165/000370 da Rio Vermelho Supermercados Ltda. Outro estabelecimento atacadista e varejista em Goiânia, CNPJ 03.688.310/000996 (nome fantasia “Boca Quente Rio Vermelho”), sito à Rua José Hermano, nº 532, Setor Campinas, aberto em dezembro/2006, foi sucedido pelo CNPJ 12.149.165/000451 também da Rio Vermelho Supermercados, mas mantém ativo o CNPJ anterior. Essas novas empresas operam com o mesmo padrão visual (uniformes, logotipos, decoração) de suas antecessoras, e com os mesmos empregados, e ostentando o nome “Rio Vermelho”, de seu antecessor. Cabe ainda destacar que as empresas sucessoras foram constituídas durante o trâmite do processo administrativo nº 200900004028246 (SefazGO), a ser mais detalhadamente explicado adiante, coincidentemente 7 dias após a ciência da instauração do processo de cassação das inscrições estaduais. A Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. iniciou suas atividades em TaguatingaDF logo após a constituição, operando paralelamente à outra (Rio Vermelho Distribuidor Ltda.), e em novembro de 2010, quando o processo caminhava para conclusão final (pela cassação), foram deferidas as inscrições estaduais dos demais estabelecimentos, quando então passou a movimentar mercadorias nos mesmos patamares que sua antecessora (conforme pesquisa de Notas Fiscais Eletrônicas emitidas). De acordo com o que consta do banco de dados de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe), em dezembro de 2010, quando foi efetuada de fato a sucessão, houve a transferência do estoque de R$67,6 milhões da Rio Vermelho Distribuidor Ltda. (filial 0006) para a Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. (filial 0002). Corrobora a conclusão acima as informações fornecidas por uma funcionária que trabalha no grupo desde sua criação. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 Conforme Termo de Declarações feita em 08/09/2011, em anexo, colhido durante visita ao estabelecimento principal da empresa, sito à Rod. BR153, Km52, em AnápolisGO, a Gerente Administrativa Tânea Aparecida Ferreira de Moura, declarou entre outras coisas que: “Nesse estabelecimento são executados todos os procedimentos gerenciais, administrativos, RH e financeiros. A grande maioria dos funcionários antes registrados na Rio Vermelho Distribuidor Ltda. foram transferidos para a empresa Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., e apresentou como exemplo a cópia das anotações pertinentes de um funcionário. Apenas os funcionários que fossem aproveitados nas unidades de varejo (supermercado) tiveram a baixa no registro com pagamento de verbas rescisórias, para então registrar novo contrato de trabalho na Rio Vermelho Supermercados Ltda. Vários controles administrativos da Rio Vermelho Supermercados continuam sendo feitos no prédio administrativo da Rio Vermelho Distribuidor Ltda., como pagamento de fornecedores, e RH.” Porém, como as cassações promovidas pela Secretaria Estadual de Fazenda de Goiás haviam alcançado apenas os estabelecimentos de filial 0006 e 0007, a empresa continua operando através de outros estabelecimentos em diversas unidades da federação, mantendo inclusive a matriz no mesmo endereço onde já foi constatada como inexistente. Os demais estabelecimentos filiais, que juntos concentravam apenas 17% do movimento de NFe, são esses: Filial de Uberlândia (0002), que era responsável por 2,6% do movimento em dezembro/2010 (R$3,05 milhões), continua em operação, com movimento de R$3,44 milhões em julho de 2011. Filial de Ribeirão preto (0003), que era responsável por 5,3% do movimento em dezembro/2010 (R$ 6,20 milhões), continua em operação, com movimento de R$5,41 milhões em julho de 2011. Filial de Barra do GarçasMT (0008), que era responsável por 2,9% do movimento em dezembro/2010 (R$3,42 milhões), continua em operação, com movimento de R$ 3,85 milhões em julho de 2011. Filial de Goiânia (0009 citada no item 2.3), que era responsável por 1,7% do movimento em dezembro/2010 (R$2 milhões), continua em operação, com movimento de R$ 1,79 milhões em julho de 2011. Filial de Conceição do AraguaiaPA (0010), que era responsável por 3,0% do movimento em dezembro/2010 Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 104 9 (R$3,5 milhões), continua em operação, com movimento de R$ 2,31 milhões em julho de 2011. Filial de CorrentinaBA (0011), que era responsável por 1,6% do movimento em dezembro/2010 (R$ 1,84 milhões), não tem movimento atualmente. Outra filial tem inscrição estadual ativa, mas não possui movimento desde dezembro de 2010, outras 3 não possuíam cadastro estadual, e outras duas tinham o cadastro estadual baixado. Obtivemos junto à SefazGO, documentos produzidos pelo próprio contribuinte em que o mesmo reconhece que houve uma sucessão de fato, pois o mesmo pede o aproveitamento de créditos de ICMS para a Rio Vermelho Supermercados Ltda., de notas fiscais de aquisição de mercadorias que tinham como destinatária a Rio Vermelho Distribuidor. Fica claro, pelo excesso de provas acima expostas, que as empresas Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. (10.912.900/000169) e Rio Vermelho Supermercados Ltda. (12.149.165/000109) são sucessoras da Rio Vermelho Distribuidor Ltda. (03.688.310/000139). Quanto ao local onde é de fato atualmente administrada a Rio Vermelho Distribuidor Ltda. (relativamente às filiais remanescentes, citadas no item 2.12), não foi possível afirmar que ainda seja no prédio da atual filial 0002 da Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. (anterior filial 0006 da antecessora), embora a informação prestada pela funcionária citada no item 2.10 tenha indicado que houve uma continuidade no fluxo de trabalho. DA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO Obtivemos junto à Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás cópia integral do procedimento administrativo nº 2009.00004028246 (composto de 817 folhas), cujas principais peças juntamos ao presente processo, que foi instaurado para cassação das inscrições estaduais dos dois principais estabelecimentos da interessada, acima citados. No referido processo constam todas as alterações societárias da interessada, onde o quadro societário, inicialmente composto pelo Sr. Eder Abrahão e sua esposa Marlene Martins Abrahão, passou então a ser gradativamente substituído por interpostas pessoas. Constam também entrevistas lavradas em Termo com os integrantes do quadro societário, repletas de informações vagas e desencontradas, demonstrando total desconhecimento do funcionamento da empresa por parte dos mesmos. Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 A cada alteração societária era lavrada uma procuração pública onde os novos sócios conferiam poderes os mais amplos possíveis ao Sr. Eder Abrahão e à Sra. Marlene Martins Abrahão, para gestão administrativa, financeira, e patrimonial da empresa. Em todas as procurações observa se a expressão: “Esta procuração é feita em caráter irrevogável e irretratável, ficando o procurador isento de prestação de contas. Feita sob minuta fornecida pela outorgante”. A seguir narramos as condições econômicas em que os integrantes do quadro societário da empresa apresentaram: O Sr. Eder Abrahão (CPF: 039.658.21 172), cuja renda declarada sempre vem sendo como oriunda de produtor rural, foi o verdadeiro proprietário e administrador da empresa Rio Vermelho Distribuidor Ltda. desde sua constituição. Constituiu a empresa com sua esposa em 23/02/2000 com pequeno capital social, e em menos de um ano transfere suas cotas em parte para a esposa e outra parte para seu sobrinho, retirandose formalmente da empresa. Durante todo o tempo em que ficou formalmente fora do quadro societário, lhe foram outorgadas 7 procurações públicas, com totais poderes de gestão administrativa, financeira, e patrimonial, sempre isento de prestação de contas. No trâmite do processo administrativo da SefazGO, de cassação das inscrições estaduais, ele sempre negou exercer qualquer influência na empresa Rio Vermelho Distribuidor Ltda. desde sua retirada do quadro societário. Como decorrência do ato de cassação das inscrições estaduais de seus principais estabelecimentos operacionais, o que impediria a empresa de continuar em operação, Eder constituiu em seu nome e de sua esposa, tal qual era originalmente a Rio Vermelho Distribuidor Ltda, as duas novas empresas, uma para as filiais com atividade de supermercado varejista (Rio Vermelho Supermercados Ltda.), e outra para as filiais com atividade de atacadista (Rio Vermelho Distribuidor de Alimentos Ltda.). Embora não esteja explícito no processo de cassação das inscrições, conclui se que a aceitação de novos CNPJ e inscrição Estadual para continuidade da operações, sem interrupção (e consequente transferência do estoque de mercadorias), somente foi aceita pela SefazGO mediante a assunção por essas novas empresas da condição de responsável tributária pelos débitos de ICMS da empresa anterior. Tal assunção foi formalizada por Termo de Responsabilidade assinado em 30/11/2010, onde o Sr. Eder Abrahão também assina em nome da Rio Vermelho Distribuidor Ltda., exercendo os poderes que lhe foram conferidos por 5 procurações outorgadas na “gestão” da Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 105 11 Sra. Vitória Aidar Abrahão, última sócia administradora até então. Esse último ato só veio corroborar as conclusões a que chegou o fisco do Estado de Goiás em considerar que a empresa Rio Vermelho Distribuidor Ltda. tinha interpostas pessoas no seu quadro societário, e sempre pertenceu e foi administrada por Eder Abrahão. A Sra. Marlene Martins Abrahão (CPF: 291.095.66104), esposa de Eder, também fez parte do quadro societário da empresa, e se manteve nele por mais dois anos após a retirada de Eder. Transferiu (vendeu) suas cotas para sua sogra Vitória Aidar Abrahão em 2003, mas continuou exercendo atividades administrativas na empresa. Nas declarações prestadas aos AuditoresFiscais da Sefaz GO assumiu que exercia função de diretora financeira na empresa e de procuradora de Vitória Aidar Abrahão. Admitiu também que se aconselhava com Eder Abrahão para tomada de algumas decisões. Disse ainda que a sociedade Rio Vermelho Distribuidor foi iniciada pela Sra. Vitória “com capital próprio oriundo da soma de poupança, herança, e da venda de alguns imóveis”. Porém, os contratos sociais apontam que a Sra. Vitória adquiriu as cotas da própria Sra. Marlene em 13/01/2003 por mais de R$4 milhões em moeda corrente. Como a Sra. Marlene poderia ter se esquecido dessa tão vultuosa transação financeira com sua própria sogra ao prestar esclarecimentos ao fisco estadual? Entre os anos 2000 e 2003, declarava Imposto de Renda em valores condizentes a sua condição econômica, com patrimônio em torno de R$2milhões e evoluindo, e rendimentos da atividade rural em torno dos R$ 500 mil. Entre os anos base 2004 e 2006, coincidentemente após sua retirada da sociedade Rio Vermelho Distribuidor Ltda, não mais entregou Declarações de Imposto de Renda. Somente a partir do ano base 2007 é que voltou à condição de dependente de seu marido Eder Abrahão. O Sr. Michel Aidar Neto (CPF: 377.027.69149) é sobrinho do casal Eder e Marlene, e adquiriu de Eder Abrahão 50% das cotas do capital da empresa (que naquela época representava apenas R$ 10 mil), tendo posteriormente aumentado para R$ 50 mil, mas diminuída proporcionalmente sua participação para 1,23%, após aportes maiores de capital feitos pela sua tia Marlene. A Sra. Vitória Aidar Abrahão (CPF: 484.854.20144), mãe de Eder, é uma senhora que já tinha 75 anos quando ingressou na sociedade. Nas entrevistas que respondeu aos AuditoresFiscais de Tributos Estaduais de Goiás ficou evidenciado que ela nunca tomou efetivamente parte da Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 administração da empresa, nem mesmo sabe de informações básicas sobre sua magnitude. Na sua D1RPF do ano base 2003 (quando ingressou na sociedade), declarou R$2.760,00 de rendimentos recebidos da empresa Rio Vermelho, mas sem informar a aquisição das cotas na relação de bens e direitos, aliás, nenhum bem foi declarado naquele ano. E ainda, esta foi sua primeira Declaração de Imposto de Renda. Tudo leva a crer que a Sra. Vitória nunca na vida havia desempenhado atividades com objetivo de lucro. A DIRPF do ano base 2004 foi apresentada da mesma forma: rendimentos anuais de R$2.640,00 da Rio Vermelho, e R$12.100,00 de pessoas físicas, e nenhum bem declarado. Somente a partir do ano base 2005, apesar de continuar apresentando rendimentos anuais abaixo do limite de isenção do IRPF, declarou a propriedade das cotas da empresa Rio Vermelho por R$401 mil, lastreado por um empréstimo concedido pela própria empresa Rio Vermelho no valor de R$330 mil. O bem foi declarado por valor 10 vezes menor que o que consta dos contratos sociais. No ano base 2006, com aqueles mesmos rendimentos anuais abaixo do limite de isenção do IRPF, ela declara ter quitado seu empréstimo de R$ 330 mil com a empresa Rio Vermelho. E dessa forma se repetiram as declarações dos anos base 2007 e 2008. Somente no ano base 2009 é que a relação de bens é corrigida para o correto valor das cotas do capital social adquirido em 2003. Para o ano base 2010, ela se encontra omissa de entrega da DIRPF, coincidentemente após a cisão irregular da Rio Vermelho Distribuidor Ltda., quando foram criadas duas novas empresas para assumir a continuidade das operações. Face às constatações acima, fica claro que sua inclusão no quadro societário serviu apenas para ocultação dos verdadeiros donos, seu filho e nora, para proteção do patrimônio destes frente às obrigações tributárias sonegadas. O Sr. Benedito Martins Fontes (CPF: 169.945.15168), pai de Marlene e sogro de Eder, é um senhor cuja ocupação econômica durante o maior tempo de sua vida foi de tratorista, e já tinha 76 anos de idade quando ingressou na sociedade, mediante aquisição de R$ 50 mil em cotas de capital de Michel Aidar Neto. Em entrevistas que respondeu aos AuditoresFiscais de Tributos Estaduais de Goiás foram constatadas divergências de informações sobre a origem dos recursos utilizados para aquisição das cotas do capital da empresa. Benedito disse que ‘já possuiu caminhões, mas já vendeu todos”, e “que entrou para o quadro societário da empresa Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 106 13 com R$ 50 mil, que este valor foi pago através de uma chácara que foi dada como pagamento ao Sr. Michel”, e também que “nunca vendeu ou comprou caminhão com o Sr. Michel”. Porém, no decorrer do processo de atualização cadastral junto à SefazGO, foram apresentados pelo contador Ronan de Assunção Naves, recibos de transferência de dois caminhões datados de 06/11/2006, do Sr. Benedito ao Sr. Michel, por R$ 110 mil, para justificar a origem dos recursos para compra, tendo inclusive retificado a DIRPF de Benedito. Por outro lado, o contrato social informava que o pagamento havia sido feito em moeda corrente. Constatase que foi mais uma alteração meramente formal do quadro societário, dessa vez para que Benedito substitua Michel Aidar Neto na função de ocultar dos verdadeiros donos, o genro e a filha de Benedito, para proteção do patrimônio destes frente às obrigações tributárias sonegadas. Concluise, portanto, que todos os atos contratuais que objetivaram a alteração no quadro societário da empresa são materialmente falsos, pois o casal Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão nunca deixaram de ser os sócios e administradores de fato da empresa. Abaixo listamos os atos contratuais considerados materialmente falsos: Primeira alteração do Contrato Social, lavrada em 23/01/2001, registrado na junta Comercial do Estado de Goiás em 29/01/2001, sob o nº 52010091823. Retirase o sócio Eder Abrahão, admitese o sócio Michel Aidar Neto. Oitava alteração do Contrato Social, lavrada em 13/01/2003, registrado na Junta Comercial do Estado de Goiás em 29/01/2001, sob o nº 5290044280, e na JUCESP sob o nº 216.682/034. Retirase a sócia Marlene Martins Abrahão, admitese a sócia Vitória Aidar Abrahão. Décima segunda alteração do Contrato Social, lavrada em 23/11/2006, registrado na Junta Comercial do Estado de Goiás em 12/12/2006, sob o nº 52061304808, e na JUCESP sob o nº 294.426/061. Retirase o sócio Michel Aidar Neto, admitese o sócio Benedito Martins Fontes. Além do relatório fiscal acima transcrito, a nosso pedido, a DRF/Anápolis realizou diligência fiscal nas empresas do grupo Rio Vermelho, onde constatouse manobras empreendidas pela família que controla aquele grupo econômico, com o objetivo de blindar o patrimônio daquelas pessoas contra eventuais execuções fiscais. • destacase também os principais trechos da Representação Fiscal elaborada pela DRF Anápolis em decorrência da diligência fiscal realizada: Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 “DA BLINDAGEM PATRIMONIAL A seguir narramos as manobras empreendidas pelo grupo familiar do Sr. Eder Abrahão para proteger seu patrimônio do alcance de eventuais execuções fiscais: Transferência das cotas da empresa para pessoas de idade avançada e sem patrimônio pessoal, conforme demonstrado na Representação do processo 19515.720167/201180. Com essa medida, eventuais execuções fiscais redirecionadas aos sócios perderiam totalmente a efetividade. Transferência do patrimônio da empresa (veículos, terrenos, e ativos financeiros decorrentes de lucros acumulados) para outras empresas satélites que se dedicam a administrar o patrimônio, alugandoos de volta à empresa operacional. Assim, a empresa que opera na atividade principal, onde ocorrem os fatos geradores dos tributos federais, nunca acumulará de bens. Essas empresas satélites estão em nome de pessoas da família do Sr. Eder Abrahão, as quais relacionamos a seguir: MAN Logística e Transportes de Cargas Ltda. (CNPJ). Empresa criada em dezembro/2006, em nome de Michel Aidar Neto (99%), sobrinho de Eder Abrahão (que já figurou no quadro societário da Rio Vermelho Distribuidor Ltda.) em sociedade com Mariel dos Santos Gomes (1%), à época funcionário assalariado da Rio Vermelho. Estabeleceuse no mesmo endereço da Rio Vermelho, separando a ela o mesmo local onde já eram normalmente guardados os veículos da distribuidora, e pagando aluguel mensal de R$ 1.000,00 ao Sr. Eder Abrahão. Com capital social de apenas R$ 150 mil, que lhe permitiu adquirir apenas dois caminhões, a MAN adquiriu por contrato particular outros 10 caminhões (R$700 mil) da própria Rio Vermelho, em 36 parcelas mensais e fixas de R$19.444,44. MAN e Rio Vermelho firmaram “Contrato de Locação de Veículo para Prestação de Serviço de Transporte”, abrangendo todos os 10 caminhões recém adquiridos. O referido contrato é confuso, pois não define exatamente a natureza do contrato, se é simplesmente locar os caminhões, deixandoos à disposição da Rio Vermelho, ou se é de prestação de serviços de transporte, administrando os custos respectivos. A cláusula primeira indica inicialmente que o objeto do contrato é apenas LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. Em parágrafo seguinte já indica que os SERVIÇOS ora contratados sejam efetuados com regularidade, obrigando a TRANSPORTAR os produtos que a contratante julgar necessário. E mais a frente complementa que a MAN poderá subcontratar veículos de terceiros. Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 107 15 A cláusula quarta indica que a contratante Rio Vermelho é quem arcará com todos os custos do transporte: empregados (motoristas), combustível, manutenção dos veículos, impostos, taxas, pedágios, etc. O preço a ser pago pelos serviços é um percentual sobre o valor de nota fiscal dos produtos transportados (o percentual varia conforme região de destino das rotas). São várias incongruências nesse contrato. Ora falase de locação, depois de serviço, depois se estabelece que todos os custos com o transporte correm por conta da contratante (Rio Vermelho), e ainda pagase proporcional ao valor da mercadoria transportada. Da forma como o contrato de prestação de serviços foi feito, a MAN Logística está de fato apenas cedendo de volta à Rio Vermelho os mesmos caminhões que comprou dela mesma, e recebendo por pagamento um valor desproporcional ao que está efetivamente realizando. Ao longo dos anos 2007 a 2009 a MAN deveria ter recebido ao menos R$9,5 milhões pelo contrato (estimando 1,3% sobre R$ 250 milhões anuais de Notas Fiscais não se sabe ao certo os faturamentos porque a MAN Logística declara zero de receitas em DIPJ). Mesmo com esse faturamento teórico considerável, e quase sem custos associados (por força do contrato estes são suportados pela Rio Vermelho), a MAN Logística não adquiriu mais novos veículos, e o seu proprietário não experimentou relevante acréscimo patrimonial. Aonde foi parar todo esse dinheiro? Concluise que a empresa não adquiriu mais caminhões porque foi constituída para atender exclusivamente a Rio Vermelho, logo, não necessitava expandirse. Outra incongruência é a movimentação financeira da MAN Logística: R$ 228 mil em 2007, R$ 2,6 milhões em 2008, R$ 1,2 milhões em 2009. Vemos que ficou muito aquém do que deveria movimentar de fato, caso fossem MAN Logística e Rio Vermelho empresas realmente independentes entre si. Ocorre também, que todo esse patrimônio, uma frota que chegou a ter mais de 50 veículos, e toda aquela movimentação financeira, estiveram devidamente resguardados ao Sr. Eder Abrahão, pois ao mesmo foi outorgada uma procuração com os mais amplos poderes para gerir o patrimônio e a movimentação bancária da MAN Logística. Nessa procuração observase a expressão: “... do presente mandato que é em caráter irrevogável e irretratável, livre de prestação de contas, no presente e no futuro.” Atualmente a empresa está com pouca atividade, pois sua movimentação financeira reduziu a R$ 77 mil em 2010, e constam hoje apenas cinco caminhões como de sua Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 propriedade (fonte: Renavam). Se a empresa se desfez de sua frota, aonde também foi parar esse dinheiro? Dadas as condições em que a empresa foi constituída e operacionalizada, e tudo o que foi exposto neste item, nota se que a MAN Logística nada mais é que um instrumento de fachada utilizado pelo grupo Rio Vermelho para retirar formalmente a frota de veículos do seu patrimônio. M G Transportes de Cargas Ltda. (CNPJ 09.577.375/0001 93). Foi constituída em 2008, tendo como sócia majoritária (99%) a Sra. Marlene Martins Abrahão (já citada neste relatório). Apesar de o capital social aumentado de R$ 100 mil para R$ 5,1 milhões em 2010, o mesmo nunca constou da relação de bens na DIRPF da Sra. Marlene (exercícios 2009, 2010 e 2011). Aliás, a Sra. Marlene declara o 1RPF em conjunto com seu marido Eder. Consta das Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), que houve um crédito em conta da MG Transportes no valor de R$ 1,2 milhões no mês de constituição. Em 2009 a movimentação atinge a marca de R$2,2 milhões, patamar próximo ao da MAN Logística em 2008. Em 2010 a movimentação atinge a marca de R$ 5 milhões, que se mantida o mesmo percentual do contrato da Man Logística, representaria 1,3% sobre um movimento de R$ 380 milhões em mercadorias. Atualmente a MG logística possui 164 veículos registrados, sendo 3 veículos de luxo: um Mercedes Bens E350 ano 2006, um Kia Cadenza ano 2011, uma Toyota Hilux CD 4x4 SRV ano 2010, além de duas caminhonetes Mitsubishi L200 Outdoor ano 2010, dentre outros carros de passeio, todos estranhos à atividade da empresa. Observase no sítio da Rio Vermelho na internet que a empresa informa publicamente que possui frota própria, inclusive com instalações completas para manutenção dos veículos (http://www.riovermelho.net/estrutura.php e http: //www, rio vermelho.net/fotos.php?idFotoAlbum=0072&text=Transporte%20 e %20Logística, acesso em 27/07/2011). Em uma publicação interna da empresa “Rio Vermelho In Foco”, também é divulgado que a frota de caminhões é administrada pela própria Rio Vermelho. Durante procedimento de Diligência efetuado no estabelecimento filial da BR 153, em Anápolis, constatamos que toda a administração de transportes funciona dentro do escritório central da Rio Vermelho, como acerto de despesas de viagens, sinistros, compra e venda de veículos. Fica claro que a MG Transportes apenas substituiu a função que antes cabia à MAN Logística: manter a frota de veículos do grupo Rio Vermelho (inclusive veículos de uso Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 108 17 pessoal da família controladora) formalmente separada do patrimônio da empresa Rio Vermelho Distribuidor Ltda. Meta Administração e Participação Ltda. (CNPJ 05.035.131/000128). Foi constituída em maio/2002, tendo como sócios fundadores o casal Eder/Marlene Abrahão. O capital inicial da empresa foi integralizado na forma de imóveis que pertenciam ao patrimônio pessoal do casal (inclusive sua residência), em menos de um ano, as cotas da empresa foram transferidas para os filhos do casal, como doação. Outros imóveis foram sendo incorporados ao patrimônio da META, inclusive aqueles onde estão estabelecidas as filiais da Rio Vermelho, sendo que alguns já estavam em nome dos filhos do casal Eder/Marlene. A oportunidade em que esta empresa foi constituída revela os objetivos do grupo, pois na mesma época houve a transferência documental do estabelecimento matriz da empresa para a cidade de São Paulo. Futura Administração e Participação Ltda.: (CNPJ 08.920.171/000140). Esta empresa foi criada posteriormente (em 2007), mas possui as mesmas características da META: composta pelos filhos do casal Eder/Marlene, e dedicandose a acumular patrimônio imobiliário. No mesmo mês de abertura a empresa adquiriu dois imóveis, no valor de R$130 mil. Em 2009 voltou a adquirir mais dois imóveis (R$ 213 mil), até consumindo todo o capital inicial de R$ 300 mil. Em 2010, foram adquiridos mais 11 imóveis (R$ 1,4 milhões). Em 2011, até a presente data, foram adquiridos mais dois imóveis (R$ 300 mil). Os imóveis são, em grande maioria, situados em áreas nobres e comerciais de Anápolis, e vários são contíguos uns aos outros, (tudo conforme informações da DOI, cujo extrato está anexado). Os sócios, filhos do casal Eder/Mariene, trabalham nas empresas do Grupo Rio Vermelho, não apresentaram renda suficiente para emprestar dinheiro à empresa (que não recebeu aporte de capital), nem mesmo a própria empresa apresentou receitas ou outros resultados que lhe permitisse realizar tantas aquisições de imóveis. Temos como conclusão que todos os fatos aqui narrados configuram um complexo arranjo, iniciado quase à mesma época de fundação da Rio Vermelho, visando a sonegação fiscal de tributos federais e estaduais. Vejamos a sequência de eventos abaixo: Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 2000 • Eder e Marlene fundam a Rio Vermelho Distribuidor Ltda (com matriz em AnápolisGO, Rod. BR153, Km 52); 2001 • Eder Abrahão retirase irregularmente da Rio Vermelho; Matriz da Rio Vermelho é transferida para São PauloSP; 2002 • Eder e Marlene transferem boa parte de seu patrimônio para a empresa META; 2003 • Marlene retirase irregularmente da Rio Vermelho; Eder e Marlene doam a empresa META aos filhos; 2006 • Frota de caminhões é transferida (em condições favorecidas) à empresa MAN Logística, em nome de terceiros, porém funcionando dentro do estabelecimento principal da Rio Vermelho; 2007 • Criada a Futura Participações, nova empresa patrimonial em nome dos filhos do casal Eder e Marlene, e adquirindo vários imóveis, enquanto seus sócios continuam apresentando rendimentos incompatíveis. 2008 • Criada a MC Transportes, em nome de Marlene, para onde foi transferida a frota de veículos que estava em nome da MAN Logística. Esta empresa vem adquirindo uma frota maior e mais moderna, dependendo unicamente de supostos serviços de transporte prestados ao Grupo Rio Vermelho. 2010 • Cassação (pela SefazGO) das inscrições estaduais em Goiás da Rio Vermelho, por uso de interpostas pessoas no quadro societário. 2010 • Dissolução irregular da Rio Vermelho Distribuidor através da cisão em duas novas empresas que assumiram a continuidade das atividades: Rio Vermelho Distribuição de Alimentos, e Rio Vermelho Supermercados. Estas têm o quadro societário original da Rio Vermelho antecessora: Eder e Marlene. Este relatório, em conjunto com a Representação do processo 1951 5.720167/201180, reúne elementos robustos que provam que os verdadeiros sócios administradores da Rio Vermelho Distribuidor Ltda. sempre agiram com dolo na administração da empresa visando elidir o pagamento dos tributos federais, devendo os mesmos serem incluídos no pólo passivo das obrigações tributárias da empresa. Por essas razões, os auditores fiscais consideraram comprovada a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Rio Vermelho Supermercados Ltda. e Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., bem como das pessoas físicas Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão, pelo crédito tributário constituído por meio dos autos de infração objetos deste processo administrativo. Cientificada dos autos de infração em 06/02/2012, a contribuinte apresentou impugnação em 07/03/2012 (fls. 1641/1648), na qual alega que: Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 109 19 • a fiscalização, confrontando o livro Razão com os Dacons, entendeu que houve divergência quanto aos créditos considerados na apuração do PIS/Pasep e da Cofins. Foi lavrado Termo de Intimação Fiscal para que a contribuinte apresentasse as documentações que comprovassem em vinte dias o direito ao crédito. Logicamente tal solicitação não podia ser atendida em prazo tão exíguo, razão pela qual se pediu novos prazos, que chegaram a cento e vinte dias, mas, infelizmente, para providenciar vultosa quantidade de documentos seria necessário um prazo muito maior. Para se ter a noção da complexidade de se apresentar tal conjunto probatório, é só supor a dificuldade de juntar documentos para cujo transporte seriam necessários vários caminhões, pois a autuada realiza milhares de operações comerciais por dia; • não havendo razoabilidade em suas solicitações, os autuantes lavraram os autos de infração desconsiderando várias situações comerciais, tais como o fato de a contribuinte realizar operações com mercadorias tributadas com alíquota zero, a depreciação do ativo imobilizado, as despesas com aluguéis, as despesas com armazenagens e frete, e outras; • sua atividade econômica está voltada para o comércio atacadista de gêneros alimentícios, produtos de limpeza, artigos de armarinhos, ferragens e ferramentas, enlatados, papelaria, panificação e lanchonete, bem como perfumarias e bebidas (monofásicos) e cigarros (substituição tributária). A legislação federal concede aos contribuintes que comercializam com essas mercadorias a não cobrança dos tributos PIS/Pasep e Cofins, ou seja, alíquota zero. Citase o art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, que demonstra alguns dos produtos com aplicação zero. Para o caso em tela não poderia ser usada regra diferente. Dessa forma, verificase que os auditores fiscais não observaram o dispositivo legal, devendo ser considerada a receita tributada à alíquota zero da maneira como foi informada pelo sujeito passivo, em relação ao leite, arroz, com código 1006.20 da TIPI, feijão, códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99 da TIPI e farinha de trigo e outros; • no levantamento do fiscal, no Anexo I e II, de março a dezembro, foram desconsideradas as receitas com alíquotas zero. Além da própria atividade econômica já configurar meio de prova, as notas fiscais que visualizam a ocorrência de operações com os produtos constante do artigo acima transcrito; assim, requer seja acatado o valor da receita tributada com alíquota zero, monofásica e substituição tributária declarada pelo sujeito passivo na DACON. Por oportuno, esclarece que os documentos estão à disposição do fisco para comprovação; • outra falha cometida pela autoridade competente, foi somente aceitar parcialmente os valores que a empresa despendeu com frete. Todas as operações de frete devem ser acolhidas, pois foram efetivamente realizadas, sendo demonstradas com os conhecimentos de transportes, à disposição do fisco; Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 • por motivos desconhecidos, o fiscal autuante, ao realizar a autuação, não considerou que ao longo do tempo o ativo imobilizado da empresa autuada, bens móveis e imóveis, foi depreciado. Desta forma, de todo o período, foi ignorado o crédito referente à depreciação, a que faz jus o contribuinte. Mediante o demonstrativo de depreciação ora arrolado aos autos e o confronto com o Livro Razão, de posse do fisco, é possível ver que realmente existe direito ao crédito, conforme informou o contribuinte na DACON; • todos os créditos glosados pelo fiscal são legítimos e devem ser considerados. A documentação pertinente está à disposição do Fisco para comprovação. Anexamos as planilhas elaboradas pelo contribuinte, em que constam a apuração de PIS/COFINS não cumulativos que são retratos fiéis da realidade. Os meses de janeiro e fevereiro não lançados na DACON devem ter seus créditos, constantes da planilha anexa, aceitos por este Conselho, pois gozam de legitimidade. Assim, norteando todas as falhas cometidas pela autoridade competente, não há motivo para o presente auto de infração prevalecer; • o art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar dos crimes contra a ordem tributária, prevê que a representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida decisão final na esfera administrativa. A mera ausência de pagamento dos tributos pela contribuinte não pode ser considerada ilícito penal. A punição desta conduta por meio de uma aplicação de pena privativa de liberdade somente poderá ocorrer se a contribuinte obteve o resultado de redução ou supressão do tributo por meio de condutas ilícitas, previstas expressamente na legislação pátria e se houve o dolo de produzir aquele resultado. Diante do previsto no citado dispositivo da Lei nº 9.430, de 1996, o procedimento de representação fiscal deve ser sobrestado até o julgamento final do presente processo administrativo; • a multa agravada aplicada se mostra descabida, imoral e atenta contra os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade e, sobretudo, possui natureza confiscatória. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a proibição da fixação de multa fiscal com feições de confisco. Sendo assim, os presentes autos de infração devem ser declarados nulos, pois a penalidade proposta é abusiva e confiscatória; • quanto à alegação acerca do funcionamento da matriz em localidade diversa da atividade comercial desenvolvida pela empresa, tal alegação não tem nenhuma relevância, pois não existe nenhuma norma proibitiva para a manutenção da sede sem existência de loja propriamente dita. Além do que, existe negociação na matriz localizada em São Paulo. Ao final dessa impugnação, a contribuinte requer a declaração da improcedência dos autos de infração e, caso se entenda necessário, que seja determinada a realização de diligência para verificar a documentação pertinente. Às fls. 1671/1687, as empresas Rio Vermelho Supermercados Ltda. e Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., bem como Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 110 21 as pessoas físicas Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão, apresentaram impugnação, tendo em vista que também foram intimados, na qualidade de sujeitos passivos e responsáveis solidários, em relação aos autos de infração objetos deste processo administrativo. Nessa impugnação, por meio de seu preposto, eles alegam que: • a eleição dos impugnantes é indevida, tendo em vista que é totalmente desconhecida a ocorrência do fato gerador realizado pela autuada; • a pessoa jurídica de direito privado tem personalidade própria, não se confundindo com as dos sócios. Na sociedade limitada, os sócios respondem pelas dívidas tributárias da empresa até o valor da sua quota, conforme determina o art. 1052 do Código Civil, e somente quando ficar provado que o sócio praticou atos com excesso de poderes ou infração de lei ou do contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN, é que responderá com seu patrimônio particular; • no caso concreto, o sujeito passivo principal dos autos de infração é a empresa limitada Rio Vermelho Distribuidor, que tem em seu quadro societário a sócia Vitória Aidar Abrahão e Benedito Martins Fontes, como se verifica na 26ª Alteração Contratual; • o arrolamento da sujeição passiva nas pessoas de Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão é indevido, tendo em vista que não são sócios da empresa autuada, já que muito antes do período a que se refere o auto de infração já não faziam mais parte do quadro societário; • os Tribunais de Justiça, inclusive o Superior Tribunal de Justiça, tem o mesmo entendimento, ou seja, de que os exsócios, que se retiraram antes da ocorrência do fato gerador da autuação, não têm responsabilidade pela dívida tributária; • a retirada do senhor Eder Abrahão se deu em 03/03/2001, na segunda alteração contratual, e a da senhora Marlene Martins Abrahão, em 13/01/2003, na oitava alteração contratual. Dessa forma, a responsabilidade tributária é dos sócios da época da ocorrência dos fatos geradores (anocalendário 2008) e não dos retro mencionados; • mesmo que sejam lançados nos autos os atuais sócios da empresa, há de se ressaltar que a Súmula nº 07 do STJ preceitua que os bens da pessoa física não respondem pelas dívidas tributárias da pessoa jurídica; • a nomeação das empresas Rio Vermelho Distribuição Ltda. e Rio Vermelho Supermercados Ltda. se deu mediante a presunção da ocorrência de sucessão tributária. Tal afirmativa não é verdadeira e não foram apresentadas provas suficientes que confirmem a existência da sucessão. Os supostos responsáveis solidários não têm nenhum tipo de relação com a empresa Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 22 autuada, e somente com o presente auto de infração tomaram conhecimento dos fatos relatados pelo fiscal; • as empresas Rio Vermelho Supermercados Ltda. e Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. têm inscrições próprias na Receita Federal e na Receita Estadual, realizando cada qual sua atividade comercial, sem a existência de dependência com a Rio Vermelho Distribuidor Ltda., não sendo admissível a representação solidária; • os auditores fiscais, no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária, afirmam que todos os funcionários da empresa Rio Vermelho Distribuidor Ltda. foram transferidos para Rio Vermelho Supermercados Ltda. Porém, houve somente alegações, não estando devidamente demonstrado onde tais informações se encontram, não cuidando o fiscal de apresentar provas concretas de suas afirmativas. E mesmo que isso tivesse ocorrido, nenhum óbice normativo existe. A falta de esclarecimento sobre em que documentos se fundam tal afirmativa redunda em cerceamento do direito de defesa das pessoas caracterizadas como solidárias. A juntada de uma única CTPS não faz prova de transferência de todos os funcionários como querem entender os autuantes. Por essa razão, o auto de infração deve ser declarado nulo ab initio, com a devida exclusão dos supostos solidários, pois não houve incorporação, fusão ou transformação de empresas; • a autoridade competente se equivocou ao mencionar que aconteceu sucessão irregular. Observese que as firmas mencionadas têm seus próprios contratos sociais, exercendo separadamente suas atividades comerciais e econômicas, respondendo pessoalmente às obrigações tributárias, cada qual pagando seus tributos; • os auditores fiscais não foram felizes ou se equivocaram ao dizer que a empresa Rio Vermelho Distribuidor Ltda teria sido dividida de acordo com o ramo de atividade, pois logo a seguir relata, de forma diversa, que a empresa continua operando através de outros estabelecimentos em diversas unidades da federação; • em nenhum momento as empresas Rio Vermelho Ltda. e Rio Vermelho Supermercados Ltda. compraram o fundo de comércio de Rio Vermelho Distribuidor Ltda., e a veracidade de tal afirmativa é confirmada quando os autuantes afirmam que esta última continua ativa por meio de suas filiais; • não se pode admitir a eleição da responsabilização tributária, pois o caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 133 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, nem das previstas pelo art. 5º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977; • a abertura da Rio Vermelho Distribuição Ltda. não tem nenhuma ligação com a cassação da inscrição estadual nº 10.337.6089, que corresponde ao CNPJ 03.688.310/000643, tendo em vista que: Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 111 23 a) sua abertura se deu em 16/06/2009, não cabendo a alegação de que ocorreu por motivos advindos da cassação; b) somente tomou conhecimento do processo de cassação de inscrição no presente momento, ao ser intimado para manifestação em relação ao processo administrativo nº 19515.721719/201177; c) somente em 22/10/2009 recebeu a intimação da Sefaz para se manifestar e nesta data a empresa Rio Vermelho Distribuição Ltda. já há muito tempo estava em atividade; d) não houve transferência de estoque no valor de 67,6 milhões de reais da Rio Vermelho Distribuidor Ltda para a empresa Rio Vermelho Distribuição Ltda. O que aconteceu entre ambas foram apenas operações comerciais de compra e venda, ocorrendo os lançamentos contábeis e fiscais de forma correta. Anexamse algumas notas fiscais representando tais operações; • a declaração feita pela Srª. Tânea Aparecida Ferreira de Moura em relação ao quadro de funcionários não deve ser considerada, pois ela não tem conhecimento aprofundado com referência aos assuntos que lhe foram questionados, tendo em vista que a atividade que exerce é de gerente de vendas e não na área de recursos humanos. Ademais, é comum os funcionários terem certo temor na presença de auditores fiscais, quanto mais da Receita Federal do Brasil. Essa senhora, ao receber em sua sala três fiscais federais, sentiuse pressionada, assustada e insegura em responder questões que fogem de sua seara de conhecimento. Desta forma, as respostas aos questionamentos não podem ser consideradas como verdadeiras; • a autoridade lançadora competente confundiu ao mencionar que o aproveitamento de crédito de ICMS realizado por Rio Vermelho Supermercados Ltda. representa sucessão de fato, pois, a contabilização fora realizada tendo por base a própria legislação tributária; • qualquer comprador é cliente em potencial e sendo assim, não é estranho que Rio Vermelho Distribuidor Ltda. comercialize com o Rio Vermelho Supermercados Ltda., como realmente ocorreu, cópia de notas fiscais anexa, e desta operação, este contribuinte do ICMS aproveitou legalmente o crédito do imposto. Desta forma ficou acima devidamente explicado que, não caracteriza sucessão irregular o creditamento do imposto realizado por Rio Vermelho Supermercados; • o arrolamento ao presente processo administrativo de documentos produzidos pela SefazGO é ilícito, pois fere o princípio do contraditório e do devido processo legal, por não ter o fisco federal ouvido a contribuinte e outros interrogados quanto às informações do processo administrativo estadual. Ademais, as declarações e documentações colhidas naquele processo e aproveitadas neste estão eivadas de vício desde sua Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 24 constituição, pois foram obtidas de maneira arbitrária, com base em coação e chantagem. Uma das provas mais evidentes da ocorrência de imposição é vista quando o Sr. Eder Abrahão se sentiu obrigado a assinar o termo de responsabilidade constante do processo de cassação. O próprio fiscal federal (fl. 13 do Termo de Verificação Fiscal) observou que o Sr. Eder Abrahão foi pressionado a assinar documento que não condizia com a verdade dos fatos. Antes mesmo de fazer o requerimento de abertura de sua empresa, a SefazGO já estava montando um esquema para forçar o Sr. Eder Abrahão a assinar um termo de responsabilidade de sucessão, obrigandoo a assumir dívidas tributárias de empresa que não lhe pertencia, pois ele, bem como sua esposa, já tinham há anos saído do quadro societário; • todo o conteúdo do processo de cassação da inscrição estadual foi montado com fim coercitivo e vexatório, sendo os requeridos do processo amedrontados com a presença de policiais. Tal procedimento é imprestável para configurar como prova emprestada, pois foi realizado com base em ilegalidade, imoralidade e inverdades e consequentemente é impertinente o artifício utilizado para tentar enquadrar o art.133 do CTN às empresas Rio Vermelho Distribuição Ltda. e Rio Vermelho Supermercados Ltda.; • o Fisco não realizou inquirição, arrolamento de documentos ou qualquer outro procedimento que esclarecesse a situação, apenas carreou aos autos documentos e inquirições realizadas pelo Fisco Estadual, os quais são considerados ilegais por terem sido produzidos coercitivamente; • a afirmação da autoridade autuante de que o Sr. Eder Abrahão e a Srª. Marlene Martins Abrahão realizaram manobras para proteger o patrimônio de prováveis execuções fiscais é totalmente desprovida de verdade. Não existe impedimento ou proibição legal para a ocorrência de alteração contratual, e no caso concreto não poderia ser diferente; • equivocadamente a autoridade autuante considera como empresas satélites aquelas que se dedicam a administrar patrimônio. Fazendo uma análise no Código Civil, vêse que a administração de patrimônio é uma atividade franqueada às sociedades empresárias, regidas pelos arts. 1039 a 1092. Não há nenhuma ilegalidade em sua formação ou existência; • a Meta Administração e Participação Ltda. foi constituída em maio/2002, pelo Sr Eder Abrahão e pela Srª. Marlene Martins Abrahão, sendo posteriormente doada aos filhos do casal e a Futura Administração e Participação Ltda. foi constituída pelos seus próprios filhos. Independentemente de quem realizou a constituição, o que tem relevância jurídica é que as aberturas dessas sociedades empresárias foram feitas legalmente, as duas registradas como holdings, observando a legislação correlata. Os bens constantes nas administradoras são pessoais, advindos de recursos próprios e disponíveis; • a abertura da empresa Man Logística e Transportes de Cargas Ltda. se deu pelo Sr. Michel Aidar Neto e pelo Sr. Mariel dos Santos Gomes. Nunca o Sr. Eder Abrahão e a Srª. Marlene Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 112 25 Martins Abrahão participaram do quadro societário desta empresa, sendo que não há nenhuma proibição legal para que o sobrinho deles seja empresário; • mais impressionante ainda é dizer que há blindagem patrimonial quanto à empresa MG Transportes de Cargas Ltda. Não se entende o motivo para tal suspeita, visto que essa empresa foi constituída pela Srª. Marlene Martins Abrahão e nunca houve nenhuma alteração contratual, continuando ela no quadro societário da empresa. Os impugnantes concluem dizendo que não fazem parte da lide e que está configurado erro na sua identificação como responsáveis solidários. Requerem, ao final, que a impugnação seja recebida e provida, para julgar nulos os autos de infração, com base no erro de identificação deles como sujeitos passivos solidários, sendo, consequentemente, retirados do pólo passivo da lide. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1715/1748), em que, por unanimidade de votos, a impugnação apresentada pela autuada foi julgada improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário constituído, e a impugnação apresentada pelas pessoas jurídicas Rio Vermelho Supermercados Ltda. e Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., e pelas pessoas físicas Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão também foram julgadas improcedentes, mantendoos como responsáveis solidários do crédito tributário constituído, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECEITAS COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. GLOSA. O fato de a atividade da empresa indicar ser provável que ela aufira receitas tributadas à alíquota zero ou que tenha despesas que gerem crédito na apuração da contribuição não a exime de comprovar a ocorrência dessas receitas e dessas despesas e seus montantes, sob pena de ter glosado a totalidades desses valores no abatimento da base de cálculo. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 26 principal Responsabilidade solidária. Extinção. Continuação da exploração da atividade. No caso de extinção de pessoa jurídica de direito privado, se a exploração da atividade da empresa extinta é continuada por qualquer sócio remanescente, sob a mesma ou outra razão social, a nova empresa é responsável pelos tributos devidos até a data do ato de extinção. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao fisco federal valerse de informações e documentos colhidos por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento da Cofins, desde que guardem pertinência com os fatos relevantes para os seus próprios tributos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECEITAS COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. GLOSA. O fato de a atividade da empresa indicar ser provável que ela aufira receitas tributadas à alíquota zero ou que tenha despesas que gerem crédito na apuração da contribuição não a exime de comprovar a ocorrência dessas receitas e dessas despesas e seus montantes, sob pena de ter glosado a totalidades desses valores no abatimento da base de cálculo. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal Responsabilidade solidária. Extinção. Continuação da exploração da atividade. No caso de extinção de pessoa jurídica de direito privado, se a exploração da atividade da empresa extinta é continuada por qualquer sócio remanescente, sob a mesma ou outra razão social, a nova empresa é responsável pelos tributos devidos até a data do ato de extinção. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao fisco federal valerse de informações e documentos colhidos por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento da Cofins, desde que guardem pertinência com os fatos relevantes para os seus próprios tributos. Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 113 27 A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 5/6/2013 (fl.1784) e os responsáveis solidários em 29/5/2013 (fls. 1785/1787). Em 21/6/2013, protocolaram os recurso voluntários de fls. 1792/1810 e 1813/1829, respectivamente. A contribuinte Rio Vermelho Distribuidor Ltda., em síntese, alegou que, em preliminar, que a nulidade das autuações por violação aos princípios da legalidade e do devido processo legal, sob o argumento de que a ação fiscal fora realizada fora do estabelecimento da contribuinte e não lhe fora concedido prazo suficiente para organizar e apresentar os documentos comprobatórios dos créditos informados nos Dacon. No mérito, alegou: a) improcedência dos lançamentos, sob o argumento de que a fiscalização (i) desconsiderara as receitas tributados à alíquota zero e as sujeitas ao regime de substituição tributária, (ii) aceitara parcialmente os créditos oriundos dos dispêndios com frete e (iii) desconsiderara a totalidade dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação para todo o período da autuação; b) todos os créditos informados nos Dacon, e glosados pela fiscalização, efetivamente existiam e eram legítimos, o que poderia facilmente ser comprovado mediante simples relialização de diligência, a qual requereu, em homenagem ao princípio da verdade material; a fim de demonstrar a realidade dos fatos, bem como nortear a requerida diligência, havia juntado, por ocasião da impugnação, as planilhas de fls. 1659/1670, demonstrando a existência dos créditos, inclusive para os meses de janeiro e fevereiro; c) descabida a aplicação da multa de ofício qualificada, pois as autuações foram realizadas com base nos valores extraídos da sua escrituração contábil e fiscal, o que descareterizaria evidente intuito de fraude; ademais, a apresentação de declarações inexatas, mesmo reiteradamente, não era suficiente para caracterizar o tipo penal de sonegação fiscal descrito no art. 71 da Lei 4.502/1964; e d) não incidência de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, sobre a multa de ofício aplicada. Por sua vez, os responsáveis solidários Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., Rio Vermelho Supermercados Ltda., Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão, em síntese, alegaram, em preliminar, nulidade dos lançamentos em relação a eles, sob o argumento de que não fora emitido nenhum Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) em nome deles, peça inaugural e indispensável para o início e o desenvolvimento de qualquer procedimento fiscalizatório. No mérito, as pessoas jurídicas responsáveis solidárias Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. e Rio Vermelho Supermercados Ltda., aqui denominadadas de primeira e segunda recorrentes, respectivamente, alegaram que: a) não havia caracterização da alegada sucessão empresarial das recorrentes em relação a contribuinte Rio Vermelho Distribuidor Ltda., sob o argumento de que não ficou comprovado, nos autos, a ocorrência de transferência de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, conforme exige o art. 133 do CTN; b) não houve a alegada transferência de estoque no valor de R$ 67.600.000,00 para a primeira recorrente, mas apenas uma regular operação de venda e compra, operacionalizada dentro da mais absoluta normalidade, e que os créditos de ICMS postulados pela segunda recorrente não decorreram de sucessão, mas sim de aquisição de mercadoria da pessoa jurídica dita sucedida; e Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 28 c) por essas razões, logo não havia que se falar em responsabilidade tributária por interesse comum, já que nesses tipos de transações o interesse era contraposto, o que afastava a aplicação da regra prevista no art. 124, I, do CTN. Enfim, no mérito, as pessoas físicas responsáveis solidárias Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão, aqui denominadados de terceiro e quarta recorrentes, respectivamente, alegaram impossibilidade de indisponibilidade dos seus bens, baseados nos seguintes argumentos: a) deixaram de ser sócios da contribuinte Rio Vermelho Distribuidor Ltda. (devedora principal) nos anos de 2001 e 2003, conforme consta das informações do auto de infração; b) na qualidade de sócios das pessoas jurídicas ditas sucessoras, também não poderiam ser responsabilizados por débitos da empresa tida por sucedida, pois, nesse caso, eles não teriam como ter agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, tampouco contribuído para a dissolução irregular da referida pessoa jurídica, ainda que tivesse ocorrido a alegada sucessão, o que não era o caso; c) era descabida a imputação de sujeição passiva solidária, pois não havia nos autos qualquer prova robusta capaz de atestar que tivessem atuado em nome da devedora principal no tocante ao cumprimento ou descumprimento de obrigação tributária, mas tão somente meros indícios que, em última análise, servem para atestar que os recorrentes figuraram apenas como mandatários (procuradores); d) a prova indiciária só seria suficiente para referendar a sujeição passiva solidária se resultasse da soma de indícios convergentes, onde se desnudasse, com todas as luzes, o procedimento fraudulento consistente na utilização de interpostas pessoas sem existências fáticas e sem capacidade operacional, com vistas ao não pagamento dos tributos e contribuições devidos em operações perpetradas pela pessoa jurídica, o que restara comprovado no caso em tela; e) os indícios apontados pela fiscalização não comprovam a existência de interpostas pessoas, nem comprovava que a suposta interposição tenha carreado benefícios financeiros indiretos ou diretos aos terceiro e quarta recorrentes compatíveis com o montante dito sonegado; f) os indícios suscitados pelo agente autuante somente atestavam a existência de vínculo de parentesco, amizade e de confiança entre os recorrentes e os sócíos da contribuinte, o que não era suficiente para caracterizar interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, afastando, pois, a responsabilidade solidária de que trata o art. 124, inciso I, do CTN; g) a fiscalização não lograra comprovar que os recorrentes, na qualidade de procuradores, tivessem agido com excesso de poderes, logo, não havia se falar em responsabilização dos recorrentes somente pelo simples fato de ter sido procuradores da contribuinte; e h) Por fim, a singela alegação de blindagem patrimonial, como fizera fiscalização, não tinha o condão de transmutar ilações em verdades inabaláveis, sobretudo quando não havia provas robustas dos fatos, o que rechaçava todos os argumentos contidos nos autos de infração quanto a este mister. É o relatório. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 114 29 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Os recursos tratam de questões distintas. O recurso da contribuinte Rio Vermelho Distribuidor Ltda. visa desconstituir as autuações, enquanto que o recurso dos responáveis solidários têm por objetivo descaracterizar a responsabilidade solidária dos recorrentes. Por essa razão, eles serão analisados em tópicos distintos. I Do Recurso da Contribuinte No seu recurso, a contribuinte Rio Vermelho Distribuidor Ltda. alegou, em preliminar, a nulidade das autuações, e no mérito da improcedência das autuações. Da preliminar de nulidade das autuações A recorente alegou a nulidade das autuações por violação aos princípios da legalidade e do devido processo legal, sob o argumento de que a ação fiscal fora realizada fora do seu estabelecimento, o que contrariava o disposto no art. 904 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999 (RIR/1999) e não lhe fora concedido prazo suficiente para organizar e apresentar os documentos comprobatórios dos créditos informados nos Dacon. Sem razão a recorrente. O argumento de que ação fiscal não pode ser realizada fora do estabelecimnto do contribuinte não procede, primeiro porque o referido preceito regulamentar fixa competência das unidadades da Receita Federal e dos seus servidores encarregados do trabalho de fiscalização externa, assgurandolhe que o trabalho poderá ser desenvolvido no domicílio dos contribuintes. Ademais, além de não vedar que a fiscalização seja realizada no âmbito interno, com base nos dados informados pelo próprio contribuinte, há previsão expressa no art. 10 do Decreto 70.235/1972, doravante denominado de PAF, que lavratura do auto de infração pode ser feita no local da ocorrência da infração, o que, sabidamente, inclui a sede da unidade da Receita Federal da jurisdição do contribuinte. Aliás, nos termos do art. 9º, § 2º, do PAF, expressamente, asegura que os autos de infração serão válidos ainda que formalizados por servidor cmpetente de jurisdição diversa da do domicílio do sujeito passivo. Além disso, por força e em consonância com esses preceitos legais, a matéria encontrase pacificada na jurisprudência deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 6, a seguir transcrita: “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” Também não procede a alegação da recorrente de que não lhe fora concedido prazo suficiente para organizar e apresentar os documentos comprobatórios dos créditos informados nos Dacon, haja vista que fora intimada por três vezes – em 7/10/2011 (fls. 671/672), 8/11/2011 (fls. 674/675) e 6/12/2011 (fls. 1559/1560) – a discriminar e Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 30 comprovar os valores dos créditos informados nos Dacon, que foram sucessivamente prorrogados, o que foi novamente pleiteado pela recorrente, em 2/2/2012, que foi indeferido pela fiscalização, tendo em vista o longo prazo decorrido desde a primeira intimação (aproximadamente 120 dias), bem como as prorrogações de prazo anteriormente concedidas e não cumpridas. Além disso, se acrescido do prazo 30 (trinta) dias, contado da ciência da autuação até a data da apresentação da peça impugnatória, verificase que a recorrente teve, no total, em torno de 150 (cento e cinquenta) dias para apresentar os documentos comprobatórios dos créditos informados nos Dacon. Portanto, tratase de prazo suficiente, para que a recorrente apresentasse as provas que, de forma genérica, alegou possuir. Aliás, nenhuma prova foi acostada aos autos, inclusive, na fase recursal. Por essas razões, rejeitase preliminar nulidade suscitada pela recorrente, pois, não existiu alegada violação aos princípios da legalidade e do devido processo legal. Do pedido de diligência A recorrente alegou que os valores dos créditos informados nos referidos Dacon poderiam ser facilmente comprovados mediante simples relialização de diligência, a qual requereu, em homenagem ao princípio da verdade material. A fim de demonstrar a realidade dos fatos, bem como nortear a requerida diligência, alegou a recorrente que havia juntado, por ocasião da impugnação, as planilhas de fls. 1659/1670, demonstrando a existência dos créditos, inclusive para os créditos dos meses de janeiro e fevereiro. Nos termos do art. 16, § 1, do PAF, não se considera formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previsto no inciso IV do referido artigo, que exige o citado pedido deve vir acompanhado (i) dos motivos que justificam a realização de diligência e (ii) dos quesitos referentes aos exames desejados. No caso em tela, o pedido apresentado pela recorrente não atende tais requisitos, pois, além da ausência dos necessários quesitos, o motivo apresentado não justifica a realização da diligência pleiteada, haja vista que a comprovação dos fatos alegados poderiam ser feita mediante a apresentação de provas documentais em deveriam estar em poder da própria recorrente, o que não foi feito nas oportunidades em que a recorrente compareceu aos autos para se defender. Aliás, conforme já mencionado, durante a realização do procedimento fiscal, a recorrente foi por três vezes intimada a apresentar tais provas e, após sucessivas prorrogações, nenhum documento foi apresentado, limitandose a recorrente a apresentar, na fase impugnatória, as planilhas de fls. 1659/1670, que, sem respaldo na correspondente documentação contábil e fiscal hábil e idônea, induvidosamente, não tem nenhum valor probatório. Por essas razões, em conformidade com o disposto nos arts. 18 e 28 do PAF, por considerar não formulada e prescindível a realização da diligência pleiteada, propugnase pelo seu indeferimento. Do mérito. No mérito, a contribuinte alegou a improcedência dos lançamentos, sob o argumento de que a fiscalização (i) desconsiderara as receitas tributados à alíquota zero e as sujeitas ao regime de substituição tributária, (ii) aceitara parcialmente os créditos oriundos dos Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 115 31 dispêndios com frete e (iii) desconsiderara a totalidade dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação para todo o período da autuação. Não procede a alegação da recorrente, porque, embora por três vezes intimadas a comprovar as mencionadas receitas, a recorrente não atendeu nenhuma das intimações nem apresentou qualquer elemento probatório de que tais tipos de receitas integravam a base de cálculo das referidas contribuições. Ademais, na peça impugnatório e no recurso em apreço, ao invés de apresentar as provas documentais de que auferira tais tipos de receita, a recorrente limitouse simplesmente em alegar que revendia determinados produtos limitandose, simplesmente, em afirmar que exercia atividade econômica voltada para o comércio atacadista de gêneros alimentícios, produtos de limpeza, artigos de armarinhos, ferragens e ferramentas, enlatados, papelaria, panificação e lanchonete, bem como mercadorias sujeitas aos regimes monofásico (perfumaria e bebidas) e de substituição tributária (cigarros), sem contudo apresentar qualquer elemento probatória que confirmasse tal alegação. Além disso, os valores dos créditos glosados pela fiscalização foram apenas aqueles não comprovados pela recorrente, após reiterados pedidos de comprovação apresentados na fase do procedimento de fiscalização. Ademais, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos para se defender a recorrente mais uma vez negliciou e não trouxe aos autos as provas da existência dos créditos não acatados pelo fiscalização, por ausência de comprovação. Com base nessas considerações, mantém a glosa dos créditos realizada pela fiscalização, por ausência de provas da existência dos alegados créditos. Da multa qualificada. A contribuinte alegou que era descabida a aplicação da multa de ofício qualificada, pois as autuações foram realizadas com base nos valores extraídos da sua escrituração contábil e fiscal, o que descareterizaria evidente intuito de fraude. Ademais, a apresentação de declarações inexatas, mesmo reiteradamente, não era suficiente para caracterizar o tipo penal de sonegação fiscal descrito no art. 71 da Lei 4.502/1964. Previamente, cabe esclarecer que até a Sessão do mês de agosto do corrente ano este Relator, baseado em entendimento esposado por parte relevante da jurisprudência deste Conselho, especialmente, no teor do enunciado da Súmula CARF nº 14, vinha adotando o entendimento de que o valor a menor de receita ou rendimento prestada pelo sujeito passivo em declarações entregues à RFB, com nítido objetivo de evitar ou reduzir o valor do tributo devido, de forma reiterada e intencional, desde que corretamente escriturada nos documentos e livros contábeis e fiscais do sujeito passivo, não configurava as hipóteses de conluio, sonegação e fraude fiscal, definidos nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964, mas mera falta de declaração ou declaração inexata, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, sancionada com multa de ofício normal de 75% (setenta e cinco por cento), o que, de modo geral, conciliavase com o entendimento esposado pela recorrente. No entanto, após uma melhor reflexão sobre assunto, cheguei a concluão que esse entendimento não representava a melhor interpretação do enunciado da citada Súmula e de outra parte relevante da jurisprudência deste Conselho. Por força dessa nova compreensão, com a devida vênia aos que se filiam a citado entendimento, doravante passarei a adotar o entendimento externado pelo digno e competente Presidente desta Turma, o nobre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, no sentido de que, somente nas circunstâncias em que não comprovado o Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 32 dolo nas condutas praticadas pelo sujeito passivo é que deve ser aplicado o entendimento exarado na referida Súmula CARF nº 14, que tem o seguinte teor, ipsis litteris: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (grifos não originais) Melhor interpretando o enunciado em destaque, inferese que “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos” abrange apenas aquelas situações em que não comprovado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo, o que alcança apenas as situações de erro escusável ou sem comprovação de evidente intuito de fraude. No caso, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Solidária de fls. 1568/1586, informou a fiscalização que, partir do confronto dos valores informados no Dacon com os escriturados no livro Razão, (i) adicionara à base de cálculo das referidas contribuições os valores das receitas de vendas declaradas no Dacon inferiores aos que foram contabilizados no livro Razão e (ii) glosara os créditos declarados nos Dacon do período de março a dezembro de 2008, por falta de comprovação, e que os créditos tributários lançados eram provenientes da apuração de tais irregularidades. Para a fiscalização, tais fatos, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária, capitulado no art. 1º, I, da Lei 8.137/1990, cujo dolo estaria caracterizado diante do fato de o contribuinte, de forma sistemática e continuada, ter prestado nos Dacon entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil do Brasil (RFB) informações falsas, referentes a todos os meses do anocalendário 2008, com a finalidade de reduzir as contribuições devidas. Ainda em decorrência do cometimento de tais fatos, entendeu a fiscalização que a recorrente havia cometido fraude fiscal, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/1964, conduta sancionada com a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), conforme determinado no art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, que segue transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifos não originais) Por sua vez, o ilícito de fraude fiscal encontrase definido no art. 72 da Lei 4.502/1964, com os seguintes dizeres, in verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 116 33 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Da leitura do referido preceito legal, extraise que uma das possíveis tipificação de fraude fiscal é que a define como toda ação ou omissão dolosa tendente a evitar o pagamento de tributo devido. No caso em tela, em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2008, restou comprovado que o fato de a recorrente ter declarado no Dacon menos 0,5% (cinco décimos por cento) dos valores das receitas escrituradas no livro Razão subsomese a conduta dolosa fraudulenta definida no referido preceito legal, no sentido de evitar o pagamento das contribuições devidas, conforme dados extraídos da Tabela de fl. 1570, a seguir reproduzidos: RECEITA DE VENDAS DE BENS (R$) Por outro lado, a mesma conclusão não pode ser aplicada aos valores das receitas tributadas à alíquota zero e aos valores das despesas e encargos excluídos da base de cálculo dos créditos das referidas conribuições, relativos aos meses de março a dezembro de 2008, discriminados nos demonstrativos de fls. 1587/1610, cujo motivo da glosa foi a falta de comprovação, situação que, por si só, não constitui fato suficiente para configurar a conduta dolosa de evidente intuito de fraude da recorrente. No caso, embora a conduta atribuída a recorrente tenha sido de fraude fiscal, a recorrente se defendeu do ilícito de sonegação fiscal, que também se encontra relacionado no art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, e se encontra tipifica no art. 71, I, da Lei 4.502/1964, com seguinte dizeres, in verbis: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. De acordo com o preceito legal em destaque, a sonegação fiscal se materializa quando o contribuinte, de forma dolosa, omite da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. No caso em tela, o fato de a recorrente, de forma reiterada e intencional, nos meses de janeiro e fevereiro de 2008, ter informado no Dacon parcela ínfima dos valores das receitas escrituradas no livro Razão, inequivocamente, subsomese a figura típica da sonegação fiscal, caracterizada pela ação dolosa tendente a impedir o conhecimento pacial, por parte da autoriade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Mês/Ano Valor Declarado Valor Contabilizado Jan/2008 104.407,27 25.774.033,20 Fev/2008 116.054,54 24.77.751,86 Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 34 O mesmo não pode ser dito em relação aos débitos dos meses março a dezembro de 2008, cujo motivo da glosa foi a falta de comprovação dos valores das receitas tributadas à alíquota zero ou de parte dos valores das bases de cálculo dos créditos, situação que, por si só, não é suficiente para configurar a conduta dolosa de sonegação fiscal da recorrente. Por essas razões, fica demosntrada a procedência parcial da qualificadora da multa de ofício aplicada apenas em relação aos débitos das contribuições dos meses de janeiro a fevereiro de 2008. Da incidência de juros de mora sobre multa de ofício. A recorrente alegou que a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício/proporcional, quando da atualização do crédito tributário exigido, era inaplicável em razão da ausência de previsão legal, pois o art. 61, § 3º, da Lei 9.430/1996, bem como o artigo 161, do CTN, prevêem a incidência dos juros de mora, calculado com base na variação da taxa Selic, apenas sobre o montante do tributo devido, mas não sobre a penalidade pecuniária. Não assiste razão à recorrente. Com efeito, a cobrança da juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, alcança apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, conforme determina o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (destacouse) O débito atinente à multa de ofício decorre da aplicação da penalidade pecuniária, que, sabidamente, não tem a mesma natureza do tributo. Diferentemnte da multa, o tributo não constitui sanção de ato ilícito, conforme estabelecido no art. 3º do CTN. Em outras palavras, o valor da multa aplicada não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de apurálo ou pagálo. No entanto, há previsão legal expressa para cobrança de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, mas tal cobrança restrigese apenas às multas aplicadas isoladamente, nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir reproduzido: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 117 35 o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É pertinentes ressaltar que a cobrança dos juros moratórios sobre os débitos tributários foi instituída no art. 61, § 3º, enquanto que a cobrança do referido gravame sobre os débitos vencidos de multa isolada foi instituída no art. 43, parágrafo único. Tratase de preceitos legais constantes do mesmo diploma legal, no caso, a Lei nº 9.430, de 1966, o que evidencia que o legislador, deliberada e intencionalmente, conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico, ou seja, cobrança dos juros moratórios em ambas os casos. E a razão desse tratanto diferente é óbvia, pois, se a multa de ofício incide sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios, logo, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício proporcional . Em outras palavras, não são os juros que incidem sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios, portanto, este sempre comporá o valor da multa proporcional, calculada sobre a “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento”, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. No mesmo sentido, o entendimento explicitado no enunciado da ementa do julgado que segue transcrito: JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede ao argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (CARF. 1ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Ac. 1401 00.155, j. 28.01.2010, rel. Alexandre Antônio Allcmim Teixeira) – Grifos não originais. Por todas essas razões, fica demonstrado que os juros moratórios incidem diretamente sobre o valor da multa isolada e indiretamente sobre o valor da multa de ofício proporcional ao valor do tributo lançado. Portanto, em qualquer das hipóteses os juros moratórios são devidos. Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que não há amparo legal para cobrança dos juros moratórios sobre o valor da multa de ofício proporcional ao valor tributo lançado. Da conclusão parcial Com base no que foi exposto, fica demonstrada a improcedência parcial da autuação apenas em relação a imposição da multa de ofício qualificada e limitada aos débitos Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 36 das contribuições dos meses de março a dezembro de 2008, que deve ser reduzida de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). II Do Recurso dos Responsáveis Solidários Os responsáveis solidários Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., Rio Vermelho Supermercados Ltda., Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão alegaram, em preliminar, a nulidade dos lançamentos por falta de MPFF não emitido, especificamente, para eles, e, no mérito, alegaram a inexistência de responsabilidade tributária por interesse comum, por motivos diversos, conforme a seguir explicitado. Da preliminar de nulidade. Todos os responsáveis solidários alegaram, em preliminar, nulidade dos lançamentos em relação a todos eles, sob o argumento de que não fora emitido nenhum MPFF em nome deles. Sem razão os recorrentes. Em conformidade com o disposto no art. 2º, § 2º, do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a instituição do MPF foi atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Na data em que lavrado os autos de infração em apreço, o assunto estava disciplinado nos arts. 2º e 3º da Portaria RFB nº 11.3711, de 12 de dezembro de 2007, a seguir transcritos: Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I – Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II – Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital. (grifos não originais) 1 A referida Portaria foi revogada pela Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014, que substituiu o MPFF pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPFF). Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 118 37 Da leitura dos citados preceitos normativos, inferese que a emissão do MPF F somente é exigida para instauração de procedimento de fiscalização, perante o sujeito passivo, com o objetivo de verificação do cumprimento das obrigações tributárias. A contrário senso, não há exigência de emissão do MPFF para as hipóteses de apuração de responsabilidade solidária decorrentes de fatos apurados no âmbito de procediento de fiscalização já regularmente instaurado, como no caso em tela. Além disso, é pertinente ressaltar que a emissão do MPFF tem nítido objetivo de gerenciar e controlar a atividade de fiscalização exerna, especialmente, para informar ao fiscalizado sobre a instauração do procedimento de fiscalização, situação que foi devidamente atendida no caso em tela. Entretanto, ainda que assim não fosse, certamente, a ausência de emissão do MPF, por falta de previsão legal, não implicaria nulidade das questionadas autuações, haja vista que essa suposta irregularidade não se enquadra em nenhuma das hipótese de nulidade prevista no art. 59 do PAF. A uma, porque a falta do referido documento, evidentemente, não resultou em cerceamento do direito de defesa dos responsáveis solidários. A duas, porque o descumprimento dessa formalidade não implica nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora, matéria que se encontra, expressamente, definida em lei. Com efeito, dispõe o art. 142 do CTN, que compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento. Da mesma forma, no âmbito dos tributos federais, determina o art. 10 do PAF, que o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente. E no que tange aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tal competência foi atribuída ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), conforme expressamente estabelecido no art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Por sua vez, as normas sobre o MPF, instituídas em Decreto e atos normativos infralegais, estabelecem apenas requisitos para instauração dos procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB, portanto, não tratam da competência para realização do lançamento, matéria de reserva legal, conforme explicitado. Aliás, de acordo com os arts. 4º a 10 da Portaria RFB 11.371, de 2007, vigente na época da realização do procedimento fiscal em questão, é possível inferir que o MPF tem por objetivo principal o controle das atividades de fiscalização dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, permitindo também que o sujeito passivo confirme regulariade do procedimento fiscal contra ele instaurado, um vez que lhe é informado a natureza, a abrangência, o prazo e as pessoas designadas para a execução dos trabalhos fiscais, além do código de acesso ao sítio da Receita Federal na internet, para fim de confirmação da autenticidade do referido documento e regular instauração do procedimento. Por essas razões, entendese que o descumprimento de aspectos formais atinentes à expedição do MPF, certamente, não tem o condão de inquinar a higidez do auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente, com estrita observância do disposto no art. 142 do CTN e do art. 10 PAF. No mesmo sentido, o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no julgamento do Acórdão CSRF/0105.558, cuja ementa segue transcrita: Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 38 MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 – NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. CARF, CSRF. 1ª Turma. Ac. CSRF/0105.558, de 4/12/2006, Rel. Cons. José Henrique Longo) Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pelos responsáveis solidários. Das razões de mérito suscitadas pelas pessoas jurídicas (primeira e segunda recorrentes) Com base nos fatos relatados na Representação Fiscal para Fins de Nulidade de Atos Praticados Perante o CNPJ e Inaptidão do CNPJ da contribuinte (fls. 1327/1335), as autoridades fiscais autuantes, no tópico que trata da responsabilidade solidária do Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Solidária colacionado aos autos (fls. 1572/1586), concluíram que as recorrentes eram sucessoras da contribuinte e, nesta condição, revelavam interesse comum nas situações constitutivas dos fatos geradores das contribuições lançadas nas autuações em questão, conforme definido no art. 124, I, do CTN. No recurso em apreço, as responsáveis solidárias Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. e Rio Vermelho Supermercados Ltda., aqui denominadadas de primeira e segunda recorrentes, respectivamente, alegaram que não ficou caracterizada a alegada sucessão empresarial da contribuinte pelas recorrentes, sob o argumento de que não foi comprovado, nos autos, a ocorrência de transferência de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, conforme exige o art. 133 do CTN. Sem razão as recorrentes, porque, diferentemente do que entenderam, aqui não se trata de sucessão empresarial decorrente de aquisição/alienação de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, prevista no art. 133 do CTN, mas de extinção irregular de sociedade emprasarial com ininterrupa e imediata continuidade da exploração da atividade econômica por outras sociedades empresariais constituídas pelos mesmos sócios da anterior, irregularmente extinta. Com efeito, há fartas provas coligidas aos autos que a atividade da contribuinte continuou sendo explorada pelas recorrentes, cujos sócios são os mesmos sócios de fato da contribuinte. Os fatos narrados na Representação Fiscal para Fins de Nulidade de Atos Praticados Perante o CNPJ e Inaptidão do CNPJ (fls. 1327/1335), lastreados em provas documentais hábeis e idôneas, inequivocamente, comprovam a extinção irregular da contribuinte e a imediata sucessão pelas recorrentes, que, de forma ininterrupta, deram continuidade à atividade econômica anteriormente exercida pela contribuinte. Tais fatos foram sintezados nos excertos da decisão de primeiro grau, que seguem transcritos: 1. por meio de pesquisas nos sistemas da RFB, verificouse que a Rio Vermelho Distribuidor Ltda. transferiu todos os funcionários para as empresas Rio Vermelho Supermercados Ltda. – CNPJ nº 12.149.165/000109 – e Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. – CNPJ nº 10.912.900/0001 69, ambas sediadas na cidade de AnápolisGO; Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 119 39 2. o estabelecimento de CNPJ 03.688.310/000643, localizado na Rod. BR153, km 52, nº 750, Jardim Eldorado, Anápolis GO, era o maior estabelecimento da autuada, no qual funcionava o departamento de compras, call center de vendas, departamento de recursos humanos, financeiro, tesouraria, além de um grande depósito de mercadorias, garagem para caminhões e um ponto de venda do tipo auto serviço denominado “Rio Vermelho Cash and Carry”. Esse estabelecimento foi dividido de acordo com o ramo de atividade: o atacado agora é explorado pela filial da Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., CNPJ 10.912.900/000240, e o de autoserviço pela filial da Rio Vermelho Supermercados Ltda., CNPJ 12.149.165/000290; 3. na Avenida Contorno da Mato Grosso, nº 354, Bairro Jundiaí, também em AnápolisGO, funciona, desde 2003, um supermercado. Nesse ponto localizavase a filial da autuada de CNPJ 03.688.310/000724; agora ali está estabelecida a filial da Rio Vermelho Supermercados Ltda. de CNPJ 12.149.165/000370; 4. na Rua José Hermano, nº532, Setor Campinas, em Goiânia GO, havia outro estabelecimento atacadista e varejista da autuada, CNPJ 03.688.310/000996 (nome fantasia “Boca Quente Rio Vermelho”), aberto em dezembro/2006, mas agora está estabelecida a filial da Rio Vermelho Supermercados de CNPJ 12.149.165/000451, ainda que aquele outro CNPJ não tenha ainda sido cancelado; 5. as novas empresas estabelecidas nos mesmos locais dos antigos estabelecimentos da autuada em Anápolis e Goiânia operam com o mesmo padrão visual (uniformes, logotipos e decoração) e com os mesmos empregados da autuada, ostentando ainda o nome “Rio Vermelho”; 6. as novas empresas foram constituídas durante o trâmite do processo administrativo nº 200900004028246 (SefazGO), cujo objeto é a cassação das inscrições estaduais, coincidentemente sete dias após a ciência de sua instauração; 7. a Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. iniciou suas atividades em TaguatingaDF logo após sua constituição, operando paralelamente à autuada. Em novembro de 2010, quando o processo da SefazGO caminhava para conclusão final pela cassação, foram deferidas as inscrições estaduais dos demais estabelecimentos, quando então passou a movimentar mercadorias nos mesmos patamares que sua antecessora, conforme pesquisa de Notas Fiscais Eletrônicas emitidas; 8. de acordo com o que consta do banco de dados de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe), em dezembro de 2010, quando foi efetuada de fato a sucessão, houve a transferência do estoque de R$ 67.600.000,00 da Rio Vermelho Distribuidor Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 40 Ltda. (filial 0006) para a Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. (filial 0002); 9. conforme Termo de Declarações juntado aos autos, a Gerente Administrativa Tânea Aparecida Ferreira de Moura declarou que a grande maioria dos funcionários antes registrados na Rio Vermelho Distribuidor Ltda. foram transferidos para a empresa Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., e apresentou como exemplo a cópia das anotações na carteira de trabalho e previdência social de um funcionário. Apenas os funcionários que foram aproveitados nas unidades de varejo tiveram a baixa no registro com pagamento de verbas rescisórias, para então registrar novo contrato de trabalho na Rio Vermelho Supermercados Ltda. Ela também declarou que vários controles administrativos da Rio Vermelho Supermercados Ltda. continuam sendo feitos no prédio administrativo da Rio Vermelho Distribuidor Ltda., como pagamento de fornecedores e recursos humanos; 10. documentos obtidos com a SefazGO pedem o aproveitamento de créditos de ICMS para a Rio Vermelho Supermercados Ltda., decorrentes de notas fiscais de aquisição de mercadorias que tinham como destinatária a Rio Vermelho Distribuidor Ltda.; 11. para a liberação das inscrições estaduais da Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda. e da Rio Vermelho Supermercados Ltda. o Sr. Eder Abrahão assinou em 30/11/2010 Termo de Responsabilidade assumindo a responsabilidade tributária pelos débitos de ICMS da autuada. Em relação a esses fatos, devidamente lastreados em fartos elementos probatórios, a recorrente limitouse em alegar que não houve sucessão empresarial, nos termos do art. 133 do CTN, com base no argumento de que não houve aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, matéria estranha aos autos. Aliás, esse argumento das recorrentes apenas ratifica e corrobora o entendimento da fiscalização de que, de fato, as recorrentes sucederam a contribuinte e deram continuidade a atividade econômica por ela anteriormene exercida. E a razão da sucessão irregular tornase evidente diante do fato incontroverso de que logo após a cassação da inscrição da contribuinte perante a Sefaz/GO as recorrentes assumiram integralmente toda atividade econômica exercida pela contribuinte. As recorrentes alegaram ainda que a transferência de estoque, no valor de R$ 67.600.000,00, da contribuinte para a primeira recorrente tratavase de operação de compra e venda, operacionalizada dentro da mais absoluta normalidade, e que os créditos de ICMS postulados pela segunda recorrente não decorreram de sucessão, mas sim de aquisição de mercadoria da pessoa jurídica dita sucedida. Tratase de meras alegações, sem respaldo em qualquer elemento de prova que infirme os fatos e as robustas provas que serviram de base para as conclusões da fiscalização. Por essa razão, não há como serem acatadas. Com efeito, as provas obtidas pela fiscalização comprovam que a referida sucessão realizouse de forma irregular, merecendo destaque as seguintes: Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 120 41 a) o banco de dados de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) emitidas no mês de dezembro de 2010, quando ocorreu a sucessão de fato da contribuinte, comprovam que houve a transferência do estoque de R$ 67.600.000,00 da contribuinte (filial 0006) para a primeira recorrente (filial 0002); b) os documentos fornecidos pela Sefaz/GO confirmam que a segunda recorrente pediu aproveitamento de créditos de ICMS, referentes as notas fiscais de aquisição de mercadorias que tinham como destinatária a contribuinte; e c) o termo de responsabilidade assinado, em 30/11/2010, pelo Sr. Eder Abrahão, sócio de fato da contribuinte e direito das recorrentes, em que assumiu a responsabilidade pelos débitos de ICMS da contribuinte, para fim de liberação das respectivas inscrições estaduais das recorrentes, constitui prova irrefutável de que os sócios das recorrentes eram os mesmos da contribuinte. Por todas essas razões, na condição de sucessoras da contribuinte, as recorrente devem ser mantidas no polo passivo das autuações, pois revelam sim interesse comum em relação aos fatos geradores que deram ensejo a autuação, conforme previsto no art. 124, I, do CTN. Das razões de mérito suscitadas pelas pessoas físicas (terceiro e quarta recorrentes) Com base nos fatos relatados na Representação Fiscal para Fins de Nulidade de Atos Praticados Perante o CNPJ e Inaptidão do CNPJ da fiscalizada (fls. 1327/1335), as autoridades fiscais autuantes, no tópico que trata da responsabilidade solidária do Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Solidária colacionado aos autos (fls. 1572/1586), concluíram que os recorrentes eram sócios de fato da contribuinte e, nesta condição, revelavam interesse comum nas situações constitutivas dos fatos geradores das contribuições lançadas nas autuações em questão, conforme definido no art. 124, I, do CTN. No recurso em apreço, os responsáveis solidários Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão, aqui denominadados de terceiro e quarta recorrentes, respectivamente, alegaram impossibilidade de indisponibilidade dos seus bens, baseados vários argumentos a seguir analisados. O primeiro argumento suscitados pelos recorrentes foi que não eram sócios da contribuinte desde os anos de 2001 e 2003. Não procede esse argumento, haja vista que esse afastamento foi apenas formal e aparente. Deveras, por meio de interpostas pessoas e munidos de procuração, em caráter irrevogável e irretratável, com amplos e ilimitados poderes, os recorrentes continuaram gerindo e administrando a contribuinte como sócios proprietários, o que ficou sobejamente comprovado pelos fatos, respaldados em documentação idônea, relatados com riqueza de detalhes no tópico “DA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO” (itens 3 a 5) da Representação Fiscal para Fins de Nulidade de Atos Praticados Perante o CNPJ e Inaptidão do CNPJ da contribuinte (fls. 1330/1333). Em síntese, eis os fatos mais relevantes: Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 42 a) depois de formalmente deixarem o quadro societário da contribuinte, os novos sócios outorgaram aos recorrentes procurações públicas, em caráter irrevogável e irretratável, com amplos e gerais poderes para a gestão administrativa, financeira e patrimonial da contribuinte, ficando os procuradores isentos de prestação de conta; b) o Sr. Michel Aidar Neto, sobrinho dos recorrentes, adquiriu do Sr. Eder Abrahão 50% (cinquenta por cento) das cotas do capital da contribuinte, sendo que, posteriormente, o aumento de capital feito pela Sr.ª Marlene Martins Abrahão, diminuiu sua participação para apenas 1,23%; c) a Sr.ª Vitória Aidar Abrahão, com 70 (setenta e cinco anos), mãe do Sr. Eder Abrahão, adquiriu, em 13/01/2003, as cotas da Sr.ª Marlene Martins Abrahão por mais de R$ 4.000.000,00, sendo que em sua DIRPF do ano base 2003 declarou apenas R$ 2.760,00 de rendimentos recebidos da Rio Vermelho Distribuidor Ltda. e nenhum bem; d) nas entrevistas que concedeu aos auditores fiscais a Sr.ª Vitória Aidar Abrahão deixou evidenciado que nunca tomou efetivamente parte da administração da empresa, não sabendo nem mesmo de informações básicas a respeito da contribuinte; e) o Sr. Benedito Martins Fontes, pai da Srª. Marlene Martins Abrahão, é um senhor cuja ocupação econômica durante o maior tempo de sua vida foi de tratorista e já tinha 76 (setenta e seis) anos de idade quando teria adquirido por R$ 50.000,00 as cotas de capital do Sr. Michel Aidar Neto; f) em entrevistas concedidas aos auditores da Sefaz/GO, constataramse divergências na forma de pagamento dessas cotas, pois afirmou que havia pago por meio de uma chácara, sendo que o contador posteriormente apresentou recibos de transferência de dois caminhões ao Sr. Michel, para justificar a origem dos recursos para a compra, e o contrato social, por sua vez, informava que o pagamento havia sido feito em moeda corrente. Pelas razões anteriormente expostas, também não procede o argumento dos recorentes de que, na qualidade de sócios das pessoas jurídicas ditas sucessoras, também não poderiam ser responsabilizados por débitos da empresa tida por sucedida, pois, nesse caso, eles não teriam como ter agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, tampouco contribuído para a dissolução irregular da referida pessoa jurídica, ainda que tivesse ocorrido a alegada sucessão, o que não era o caso. No caso, ficou fartamente demonstrado que, na condição de procuradores com poderes ilimitados para gerir e administrar a contribuinte, os sócios adminitradores de fato da contribuinte foram os recorrentes, que agiram com excesso de poderes, infração de lei e contrato social, conforme comprovado nos autos. Também não procede o argumento dos recorrentes de que era descabida a imputação de sujeição passiva solidária, pois não havia nos autos qualquer prova robusta capaz de atestar que tivessem atuado em nome da devedora principal no tocante ao cumprimento ou descumprimento de obrigação tributária, mas tãosomente meros indícios que, em última análise, servem para atestar que os recorrentes figuraram apenas como mandatários (procuradores). Na verdade, contrariamente ao alegado, as procurações outorgadas, em caráter irrevogável e irretratável, com amplos e ilimitados poderes para gerir e administrar a Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720221/201278 Acórdão n.º 3102002.287 S3C1T2 Fl. 121 43 contribuinte, inclusive com isenção de qualquer prestação de contas, são suficientes o bastante para a comprovação de que os recorrentes sempre foram os sócios administradores de fato da autuada, até a sua irregular extinção. Além dessas procurações, suficientes para comprovar a condição de sócios de fato dos recorrentes, a demonstração cabal de que os sócios de direito, parentes dos recorrentes, não tinham capacidade financeira nem técnica para gerir e administrar a contribuinte, também corroboraram a conclusão da fiscalização de que eles eram apenas interpostas pessoas, incluídas como sócios da sociedade, com o fim dissimular a participação societária de fato dos recorrentes e, desta forma, eximilas da responsabilidade tributária decorrente dos atos praticados com excesso de poderes, infração de lei e do contrato social. Por fim, não procede a alegação dos recorrentes de que a singela alegação de blindagem patrimonial, como fizera fiscalização, não tinha o condão de transmutar ilações em verdades inabaláveis, sobretudo quando não havia provas robustas dos fatos, o que rechaçava todos os argumentos contidos nos autos de infração quanto a este mister. Tratase de alegação genérica, desacompanhada de qualquer elemento probatório que informem as graves imputações atribuídas aos recorrentes na Representação Fiscal de fls. 1557/1552, com o objetivo de proteger o patrimônio dos recorrentes dos efeitos de uma provável e iminente execução fiscal. Em síntese, eis os fatos mais relevantes que corroboram a acusão feita pela fiscalização: a) transferência das cotas da contribuinte para pessoas de idade avançada e sem patrimônio pessoal, com a finalidade de evitar a efetividade eventuais execuções fiscais redirecionadas aos sócios; b) transferência do patrimônio da empresa (veículos, terrenos, e ativos financeiros decorrentes de lucros acumulados) para outras empresas satélites que se dedicam a administrar o patrimônio, em seguida, alugandoos à empresa operacional e, dessa forma, evitando que a empresa que opera na atividade principal, onde ocorrem os fatos geradores dos tributos, acumule de bens para responder por suas dívidas tributárias; c) empresas satélites foram colocadas em nome de pessoas da família dos recorrentes, como forma de blindar o patrimônio dos recorrentes contra eventual execução fiscal, tais como a pessoa jurídica: i) MAN Logística e Transportes de Cargas Ltda, criada em dezembro de 2006, em nome de Michel Aidar Neto (99%), sobrinho de Eder Abrahão (que já figurou no quadro societário da Rio Vermelho Distribuidor Ltda) em sociedade com Mariel dos Santos Gomes (1%), à época funcionário assalariado da Rio Vermelho; ii) a Meta Administração e Participação Ltda, constituída em maio/2002, tendo como sócios fundadores os recorrentes, com capital inicial integralizado na forma de imóveis que pertenciam ao patrimônio pessoal do casal (inclusive sua residência), em menos de um ano, as cotas da empresa foram transferidas para os filhos do casal, como doação, em seguida novos imóveis foram incorporados ao seu patrimônio; e iii) Futura Administração e Participação Ltda, dedicada a acumular patrimônio imobiliário, foi criada posteriormente (em 2007), cujos sócios são os filhos dos recorrentes. Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A 44 Por todas essas razões, na condição de sócios de fato da contribuinte, os recorrentes revelam sim interesse comum em relação aos fatos geradores que deram ensejo a autuação, portanto, devem ser mantidos no polo passivo das autuações, como responsáveis solidários, nos termos do art. 124, I, do CTN. Da conclusão parcial Com base nessas considerações, uma vez comprovado o interesse comum dos recorrentes nos fatos geradores que deram origem aos débitos tributários objeto das presentes autuações, todos os recorrentes devem ser mantidos no polo passivo das autuações, como responsáveis solidários, nos termos do art. 124, I, do CTN. III Da Conclusão Final Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares suscitadas, para manter a responsabilidade/solidariedade das pessoas jurídicas e físicas arroladas no processo. No mérito, votase pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso voluntário da autuada Rio Vermelho Distribuidor Ltda., para reduzir a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento) apenas em relação aos débitos dos meses de março a dezembro de 2008, e NEGAR PROVIMNETO aos recursos voluntários dos responsáveis solidários Rio Vermelho Distribuição de Alimentos Ltda., Rio Vermelho Supermercados Ltda., Eder Abrahão e Marlene Martins Abrahão. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10580.008024/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Nos termos do art. 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas, pelo menos, por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu).
Caso os recibos não possam ser apresentados, tais despesas médicas podem ser comprovadas por outros documentos hábeis e idôneos que tornem irrefutáveis as despesas médicas, como, por exemplo, microfilmagem de cheques que serviram como meio de pagamento, extratos bancários indicando o saque em valores e datas coincidentes com os pagamentos (no caso de pagamento em espécie), cópias de exames necessários aos tratamentos e etc.
A simples indicação na Declaração de Ajuste Anual das despesas médicas por si só não autoriza a dedução, mormente quando o contribuinte, sob procedimento fiscal, deixa de apresentar a documentação hábil e idônea que comprove que cumpriu os requisitos determinados pela legislação de regência.
ROUBO OU FURTO DE DE DOCUMENTOS. NOTÍCIA CRIME.
A notícia crime de roubro ou furto de documentos, prestada em estabelecimento policial, deve especificar quais documentos foram objeto do crime.
Numero da decisão: 2102-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Nos termos do art. 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas, pelo menos, por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Caso os recibos não possam ser apresentados, tais despesas médicas podem ser comprovadas por outros documentos hábeis e idôneos que tornem irrefutáveis as despesas médicas, como, por exemplo, microfilmagem de cheques que serviram como meio de pagamento, extratos bancários indicando o saque em valores e datas coincidentes com os pagamentos (no caso de pagamento em espécie), cópias de exames necessários aos tratamentos e etc. A simples indicação na Declaração de Ajuste Anual das despesas médicas por si só não autoriza a dedução, mormente quando o contribuinte, sob procedimento fiscal, deixa de apresentar a documentação hábil e idônea que comprove que cumpriu os requisitos determinados pela legislação de regência. ROUBO OU FURTO DE DE DOCUMENTOS. NOTÍCIA CRIME. A notícia crime de roubro ou furto de documentos, prestada em estabelecimento policial, deve especificar quais documentos foram objeto do crime.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C1T2 Fl. 85 1 84 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.008024/200681 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.938 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente EVANDRO DIAS COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Nos termos do art. 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas, pelo menos, por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Caso os recibos não possam ser apresentados, tais despesas médicas podem ser comprovadas por outros documentos hábeis e idôneos que tornem irrefutáveis as despesas médicas, como, por exemplo, microfilmagem de cheques que serviram como meio de pagamento, extratos bancários indicando o saque em valores e datas coincidentes com os pagamentos (no caso de pagamento em espécie), cópias de exames necessários aos tratamentos e etc. A simples indicação na Declaração de Ajuste Anual das despesas médicas por si só não autoriza a dedução, mormente quando o contribuinte, sob procedimento fiscal, deixa de apresentar a documentação hábil e idônea que comprove que cumpriu os requisitos determinados pela legislação de regência. ROUBO OU FURTO DE DE DOCUMENTOS. NOTÍCIA CRIME. A notícia crime de roubro ou furto de documentos, prestada em estabelecimento policial, deve especificar quais documentos foram objeto do crime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 80 24 /2 00 6- 81 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10580.008024/200681 Acórdão n.º 2102002.938 S2‐C1T2 Fl. 86 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 62 a 66, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 57 a 59, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 11 a 15, relativo ao anocalendário 2002, lavrado em 13/07/2006, com ciência do RECORRENTE em 24/08/2006 (fl. 20). Em decorrência do presente processo administrativo originouse da revisão da declaração do RECORRENTE, oportunidade em que a fiscalização apurou saldo de imposto de renda a restituir no valor de R$ 4.373,23 em substituição ao valor da restituição declarada em pelo contribuinte de R$ 8.802,83, conforme demonstrativo de fls. 14 e 15. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 13, o presente lançamento decorreu da glosa de deduções relativas a despesas médicas, no valor de R$ 16.144,00, por falta de comprovação. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10580.008024/200681 Acórdão n.º 2102002.938 S2‐C1T2 Fl. 87 3 Em 11/09/2006, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 02 e 03. Em suas razões, afirmou o seguinte: I. De acordo com o Demonstrativo que acompanhou a presente notificação, a única alteração na Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2003 efetuada pela Secretaria da Receita Federal após a competente Revisão diz respeito à coluna de “Despesas Médicas”, que de R$ 21.931,00 de valor declarado passou a ser de R$ 8.787.00 de valor alterado; II. A exclusão da quantia de R$ 16.144,00 da dedução a título de despesas médicas teve como fundamento a falta de comprovação das despesas médicas procedidas, apesar das clínicas, hospitais, etc. onde elas ocorreram estarem devidamente identificados através dos seus respectivos CNPJs; III. O RECORRENTE estava efetuando a mudança de bens da sua residência em Salvador para a sua nova residência no município de Lauro de Freitas, conforme declaração de terceiro acostada à fl. 05, quando foi assaltado à mão armada por dois elementos ao chegar em sua nova residência; IV. Na ocasião, lavrou boletim de ocorrência (fl. 06) especificando que os assaltantes roubaram o seu veículo com todos os bens que estavam sendo transportados, inclusive uma pasta contendo documentos importantes como escrituras de compra e venda de imóveis, cópias de contratos de locação, bem assim cópias de Declarações de Ajuste Anual de imposto de renda com os respectivos recibos de despesas efetuadas, dentre eles as de despesas médicas do exercício de 2003 (anocalendário 2002); V. Alegou que, por tal motivo de força maior, estava impedido de apresentar os recibos das despesas médicas referentes à Declaração de Reajuste Anual do exercício de 2003 (anocalendário 2002); VI. Ademais, afirmou que a Receita Federal deveria considerar também o fato do RECORRENTE e de sua dependente serem pessoas idosas como mais de 70 anos de idade e que por isso mesmo são obrigados, a atender despesas médicas mais elevadas, inclusive com o tratamento de doenças como a Diabetes, Brancoectazia, Lombalgia crônica, Radiculopatia Sacra crônica, etc. de que são portadores, como faz prova a documentação acostada às fls. 07 a 10. Em decorrência do exposto, requereu fosse restituída a glosa da dedução efetuada no valor de R$ 16.144,00. DA DECISÃO DA DRJ Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10580.008024/200681 Acórdão n.º 2102002.938 S2‐C1T2 Fl. 88 4 A DRJ, às fls. 57 a 59 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil dos gastos efetuados, inclusive demonstração do efetivo pagamento, quando solicitado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, intimado da decisão em 27/05/2010, conforme AR de fl. 61, apresentou recurso voluntário de fls. 62 a 66, em 25/06/2010. Em sua defesa, o RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação. Adicionalmente, argumentou, resumidamente, que: I. Apesar de ter alegado e comprovado na impugnação que ficou impossibilitado de apresentar os recibos das despesas médicas que efetuou por motivo de força maior (assalto a mão armada), a autoridade julgadora de primeira instância não levou tal argumento em consideração. Tal fato foi comprovado por meio de documentação hábil, qual seja, o boletim de ocorrência II. De acordo com o art. 393, parágrafo único, do Código Civil, o RECORRENTE estaria exonerado de cumprir determinada obrigação em decorrência do acontecimento de força maior (assalto); III. Que o item 7 da sua Declaração de Ajuste Anual contém a indicação dos nomes e CNPJs de todas as 06 (seis) clínicas médicas com as quais realizou despesas, estando, portanto, todas elas regularmente identificadas, como exige a legislação em vigor; IV. As solicitações do fornecimento das segundas vias foram negadas ante a impossibilidade das Clínicas e Hospitais fornecerem estes documentos pelo fato de não se encontrarem mais nos seus registros os comprovantes oriundos de atendimentos efetuados há mais de 08 (oito) anos, conforme respostas aos pedidos formulados pelo RECORRENTE (fls. 67 a 69); Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10580.008024/200681 Acórdão n.º 2102002.938 S2‐C1T2 Fl. 89 5 Em razão do exposto, requereu fosse restituída a glosa da dedução efetuada no valor de R$ 16.144,00. Em 28/06/2010, apresentou aditamento ao seu Recurso Voluntário, apenas para anexar documento fornecido pelo Hospital São Rafael, comprobatório da impossibilidade de apresentação de segunda via dos recibos das despesas médicas (fls. 71 a 72). Ademais, requereu prioridade no julgamento pelo fato de ser idoso, nos termos do art. 71 da Lei nº 10.741/03. À fl. 76, foi juntada aos autos a procuração em que o RECORRENTE outorga poderes de representação nos presentes autos. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. O presente lançamento originouse da glosa de deduções com despesas médicas informadas pelo RECORRENTE em sua declaração de ajuste referente ao ano calendário 2002 (fls. 31 a 34). A autoridade fiscal efetuou glosa de deduções no valor de R$ 16.144,00 (de um total de R$ 24.931,00 pleiteada) por falta de comprovação de seu pagamento. Tal revisão na declaração do RECORRENTE resultou em ajuste do saldo de imposto de renda a restituir de R$ 8.812,83 para R$ 4.373,23. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que o RECORRENTE não logrou êxito em comprovar a efetividade das despesas médicas. Assim, manteve o lançamento. Sobre a dedução da base de cálculo do imposto de renda, o Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10580.008024/200681 Acórdão n.º 2102002.938 S2‐C1T2 Fl. 90 6 § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, o RECORRENTE afirma que estaria impossibilitado de apresentar os recibos médicos por motivos de força maior, pois teve toda a sua documentação roubada em decorrência do assalto consumado no dia 06/04/2005 quando estava efetuando a mudança para a sua nova residência, conforme boletim de ocorrência de fl. 06. Quando da apresentação de seu recurso voluntário, o RECORRENTE reiterou o argumento de que não poderia apresentar tais documentos por motivos de força maior. Ademais, acostou aos autos declarações prestadas pelas Clínicas/Hospitais (supostamente beneficiárias dos pagamentos) de que as cópias de documentos fiscais somente eram mantidas em arquivo físico por 05 (cinco) anos. Assim, não haveria como fornecer as segundas vias dos recibos e registros de atendimento, visto que solicitados pelo RECORRENTE apenas em 2010, quando decorridos mais de 8 (oito) anos da prestação do serviço (anocalendário 2002). O boletim de ocorrência indica que o RECORRENTE foi vítima de roubo de carro e dos demais pertences que se encontravam dentro do veículo (fl. 06). Segundo esse Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10580.008024/200681 Acórdão n.º 2102002.938 S2‐C1T2 Fl. 91 7 documento, foram furtados do RECORRENTE o automóvel e os seguintes pertences (nas palavras do RECORRENTE): · carteira de Procurador do Estado, · cartão Ipyranga, cartão Ponto do Pão, · óculos, · toca cds, · vários cds e equipamentos obrigatórios. É conhecimento comum que a notícia crime prestada em delegacia de polícia tem a finalidade de formalizar quais pertences/bens/documentos foram “tomados” ou subtraídos da posse da vítima, inclusive para servir de prova em situações como a do presente processo administrativo. No caso desses autos, o julgador fica impedido de considerar o citado boletim de ocorrência elaborado pelo RECORRENTE como capaz de suprir a apresentação dos recibos médicos ou de outros elementos a comprovar a efetividade dos serviços prestados, pois o RECORRENTE não fez constar tais documentos como roubados pelo criminoso que o atacou. Ademais, notese que houve despesas médicas do contribuinte que foram acatadas pela fiscalização, exatamente pela apresentação dos recibos médicos. É conhecimento comum que simples indicação na Declaração de Ajuste Anual das despesas médicas por si só não autoriza a dedução, mormente quando o contribuinte, sob procedimento fiscal, deixa de apresentar a documentação hábil e idônea que comprove que cumpriu os requisitos determinados pela legislação de regência. Nessa linha, estão os precedentes do CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. GLOSA. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não impugnada na decisão recorrida. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10580.008024/200681 Acórdão n.º 2102002.938 S2‐C1T2 Fl. 92 8 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Negado. (Processo nº 10735.003315/200833, julgado em 18 de março de 2014) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS NOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são, em regra, documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Hipótese em que a contribuinte traz documento que supre as lacunas apontadas no recibo e atesta a efetividade do tratamento e do valor pago. Recurso Voluntário Provido. (Processo administrativo nº 11080.722546/200935, julgado em 20 de fevereiro de 2014) Apesar de o RECORRENTE alegar que não possuía os recibos médicos, outros elementos também poderiam ter sido trazidos aos autos como comprovação do pagamento, tais como cópias de cheques e outros meios de prova (laudos de exames médicos, prescrições etc). Desta forma, pelo conjunto de fatos, considerando que não há sequer menção aos citados recibos médicos de despesas glosadas no boletim de ocorrência do crime de roubo trazido a estes autos, deve ser negado provimento ao recurso. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10580.008024/200681 Acórdão n.º 2102002.938 S2‐C1T2 Fl. 93 9 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904562/2008-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO DE ERRO NA INDICAÇÃO DOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DOS DÉBITOS CONFESSADOS.
Os procedimentos administrativos para revisão e correção de erro no preenchimento de PER/DCOMP, visando evitar duplicidade de débitos, não estão a cargo do CARF, mas sim das Delegacias da Receita Federal.
Numero da decisão: 1802-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO DE ERRO NA INDICAÇÃO DOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DOS DÉBITOS CONFESSADOS. Os procedimentos administrativos para revisão e correção de erro no preenchimento de PER/DCOMP, visando evitar duplicidade de débitos, não estão a cargo do CARF, mas sim das Delegacias da Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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CORREÇÃO DE ERRO NA INDICAÇÃO DOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DOS DÉBITOS CONFESSADOS. Os procedimentos administrativos para revisão e correção de erro no preenchimento de PER/DCOMP, visando evitar duplicidade de débitos, não estão a cargo do CARF, mas sim das Delegacias da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 45 62 /2 00 8- 60 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.904562/200860 Acórdão n.º 1802002.343 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que, ao examinar controvérsia sobre a declaração de compensação objeto destes autos, reconheceu parcialmente direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003. Além disso, a referida decisão não homologou a compensação de um débitos relacionados no PER/DCOMP, por se tratar de estimativa referente ao mesmo ano do saldo negativo reivindicado. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1527.596, às efls. 180 a 189: Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF Salvador, que, por meio do Despacho Decisório de n° de rastreamento 783761911 (fls. 28 a 31), indeferiu o PERCOMP de n° 17148.90470.130504.1.7.029300, de fls. 17 a 21, não homologando a compensação pleiteada. Por meio do referido PERDCOMP, a interessada compensou débitos tributários de IRPJ no valor original total de R$ 70.637,36 (setenta mil, seiscentos e trinta e sete reais e trinta e seis centavos) com saldo negativo de IRPJ de igual valor original, como segue: PERDCOMP retificadora de n° 17148.90470.130504.1.7.02 9300, transmitida em 13/05/2004. Origem do Direito Creditório (saldo negativo) declarado anocalendário do saldo negativo do IRPJ Valor (R$) Fl. 2003 70.637,36 18 Débito tributário a compensar Cod.Rec. PA Vencimento Valor (R$) Fl. 2362 12/2003 31/01/2004 19.424,93 20 2362 01/2004 29/12/2004 13.998,05 20 2362 02/2004 31/03/2004 37.214,38 20 A autoridade fiscal indeferiu a compensação pleiteada por meio do referido despacho decisório, emitido em 26/08/2008, isso porque a Contribuinte informou, em sua DIPJ retificadora de n° 1319385 relativa anocalendário de 2003, saldo de IRPJ no valor original de R$ 0,00 (zero reais), conforme fl.92. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.904562/200860 Acórdão n.º 1802002.343 S1TE02 Fl. 4 3 Vale aqui a transcrição da decisão proferida pelo referido Despacho Decisório, que, assim, afirma: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado (na PERDCOMP supracitada), constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: RS 70.637,36. Valor do crédito tributário na DIPJ: R$ 0,00. Ciente do despacho decisório em 01/09/2008 (fl. 35), no dia 19/09/2008, a Interessada protocoliza manifestação de inconformidade na Repartição competente onde alega, em síntese, que (fls. 01 a 02): a) foram registrados lançamentos contábeis relacionadas abaixo, conforme cópias do razão analítico, de fls. 06 a 14, referentes aos períodos de janeiro/2003 e dezembro/2003 que deram origem ao crédito no valor de R$ 70.637,36: 1) 113.01.0010 Imposto de Renda p/ Estimativa; 2) 113.01.0109 IRPJ a Recuperar; 3) 211.02.0061 Imposto de Renda p/ Estimativa a Recolher; e 4) 311.07.0116 Despesa IRPJ + AIR s/Lucro Real; e b) foi feita retificadora alterando o saldo do IRPJ a recuperar em 31/12/2003 para o valor original de R$ 86.446,19. Requer, então, a Contribuinte que tendo em vista os esclarecimentos prestados acima, onde se comprova a existência do crédito, solicita a V. Sas. que seja deferida a compensação pleiteada no referido PERDCOMP. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA reconheceu apenas parcialmente o direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003, e também não homologou a compensação de um dos débitos relacionados no PER/DCOMP, por se tratar de estimativa referente ao mesmo ano do saldo negativo reivindicado, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo apurado em 31 de dezembro somente poderá ser restituído ou compensado com o imposto ou contribuição devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, Fl. 224DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.904562/200860 Acórdão n.º 1802002.343 S1TE02 Fl. 5 4 observadas as condições estabelecidas na legislação de regência. ESTIMATIVA EFETIVAMENTE PAGA. VALORES RETIDOS NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Considerase como estimativa efetivamente paga, os valores recolhidos mediante DARF somados aos valores retidos na fonte, cuja receita tenha sido oferecida à tributação no decorrer do anocalendário de apuração, e às compensações de estimativas efetuadas por meio de PERDCOMP. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não reconheceu totalmente os valores deduzidos como IR retido na fonte. Primeiro porque não houve a confirmação integral dos mesmos nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Segundo, porque uma parcela das retenções correspondia a outros tributos, e não apenas ao IRPJ. Computando, então, os valores confirmados de IRfonte e também os valores quitados a título de estimativa mensal (tanto por DARF, quanto por compensação), a Delegacia de Julgamento reconheceu R$ 76.772,86 como saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003. A Contribuinte reivindicava o reconhecimento de R$ 86.446,19. Além disso, a Delegacia de Julgamento destacou que o saldo negativo de 2003 só poderia ser utilizado para compensar débitos a partir do mês de janeiro/2004, pelo que, embora reconhecendo a maior parte do crédito, não homologou a compensação do débito de estimativa de IRPJ de dezembro/2003. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/10/2011, a Contribuinte apresentou em 18/11/2011 o recurso voluntário de efls. 194/195, com os argumentos descritos abaixo: a questão a ser discutida no presente recurso está limitada aos períodos de apuração a serem compensados, já que o direito creditório foi reconhecido, com pequena redução; na forma corretamente relatada e votada no Acórdão da Delegacia de Julgamento, no PER/DCOMP de nº 17148.90470.130504.1.7.029300 (fls. 17 a 21), o débito tributário compensado seria do mesmo período de apuração do saldo negativo informado no PERD/COMP, ou seja, do anocalendário de 2003, o que é vedado pelo art. 6º, § 1º, da Lei 9.430/1996 e pelo Ato Declaratório do Secretario da Receita Federal nº 03 de 2000; evidentemente que o IRPJ por estimativa do período de apuração 12/2003 não poderia ser compensado com o crédito do anocalendário 2003. E isto não ocorreu, conforme será demonstrado a seguir; o fato é que houve equivoco ao ser consignado no PER/DCOMP os períodos de apuração 12/2003, 01/2004 e 02/2004, enquanto que os períodos corretos são 01/2004, 02/2004 e 03/2004, conforme demonstrado na tabela abaixo: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.904562/200860 Acórdão n.º 1802002.343 S1TE02 Fl. 6 5 Código do rec. Período de Apuração Vencimento Valor (R$) 2362 01/2004 29/02/2004 19.424,93 2362 02/2004 31/03/2004 13.998,05 2362 03/2004 30/04/2004 37.214,38 este equívoco foi retificado através do PERDCOMP nº 20002.57122.170309.1.7.025840, apresentado em 17/03/2009, consoante documento anexo; outro aspecto a ser destacado e que comprova as argumentações da Recorrente é que a estimativa do IRPJ do período de apuração 12/2003, no valor de R$ 15.046,89, foi recolhida no dia 30/01/2004, conforme cópia do DARF aqui anexado e extrato de recolhimento obtido no sistema ecac web, e ainda confirmado por integrar o montante do direito creditório da Recorrente no anocalendário 2003, consoante demonstrativo de fl. 5 do acórdão da Delegacia de Julgamento; concluise, portanto, que efetivado o recolhimento da estimativa do IRPJ do PA 12/ 2003, não haveria qualquer sentido em promover a sua compensação com os créditos originários do anocalendário 2003. Confirmase, assim, que foi um mero equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, já regularizado com a apresentação da correspondente declaração retificadora; considerando que não houve nenhum prejuízo para o erário e sim um erro material, requer deste E. Conselho a reforma da decisão do julgamento em 1ª instância, para homologar a compensação da estimativa do IRPJ relativa ao mês de janeiro/2004 no valor de R$ 19.424,93, com o seu reconhecido direito creditório do anocalendário de 2003. Este é o Relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.904562/200860 Acórdão n.º 1802002.343 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que ao examinar controvérsia sobre a declaração de compensação objeto destes autos, reconheceu parcialmente direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003, e também não homologou a compensação de um dos débitos relacionados no PER/DCOMP, por se tratar de estimativa referente ao mesmo ano do saldo negativo reivindicado. Dos R$ 86.446,19 de saldo negativo apurado pela Contribuinte, a Delegacia de Julgamento reconheceu R$ 76.772,86. Nessa fase processual, a Contribuinte não contesta a redução implementada no saldo negativo. Seu objetivo é apenas corrigir erro contido no PER/DCOMP objeto destes autos. Para tanto, ela argumenta: que os débitos a serem compensados não pertencem aos períodos de 12/2003, 01/2004 e 02/2004, mas sim 01/2004, 02/2004 e 03/2004; que apresentou um novo PER/DCOMP para corrigir o problema, com o nº 20002.57122.170309.1.7.025840, informando exatamente os mesmos débitos, mas com a indicação correta dos períodos de apuração; que a estimativa de IRPJ de dezembro/2003, no valor de R$ 15.046,89, foi recolhida no dia 30/01/2004 (DARF anexo), e computada inclusive na formação do saldo negativo de 2003 pela própria decisão de primeira instância, o que evidenciaria o erro no preenchimento do primeiro PER/DCOMP; que já tendo efetivado o recolhimento da estimativa de IRPJ do PA 12/2003, não haveria qualquer sentido em promover a sua compensação com os créditos originários do anocalendário 2003, o que também evidenciaria o erro no PER/DCOMP. O que a Contribuinte busca no presente recurso é apenas a correção dos períodos de apuração dos débitos confessados. Não remanesceu litígio sobre o valor do direito creditório, e nem mesmo sobre a existência dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação. Há evidências da ocorrência de erro no preenchimento do PER/DCOMP objeto destes autos, especificamente quanto à indicação dos períodos de apuração dos débitos confessados. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.904562/200860 Acórdão n.º 1802002.343 S1TE02 Fl. 8 7 Contudo, os procedimentos administrativos para a correção desse tipo de problema, mediante confrontação e composição dos dois PER/DCOMP que estão tratando da compensação dos mesmos débitos, não é atribuição do CARF, mas sim das Delegacias da Receita Federal. Desse modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso, porque os procedimentos para revisão e correção de erro no preenchimento de PER/DCOMP, visando evitar duplicidade de débitos, refogem às competências do CARF. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.911829/2009-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 11 82 9/ 20 09 -4 7 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911829/200947 Resolução nº 3801000.844 S3TE01 Fl. 181 2 Trata o presente processo de compensação declarada que, conforme apontado pela Recorrente, tem origem em crédito referente a valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 sobre remessas ao exterior para pagamento de licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador. A compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando os aspectos legais estabelecidos em conformidade com o artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a nãoincidência da referida contribuição a partir de janeiro de 2006 e informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos documentos fiscais e contábeis imprescindíveis à constatação da existência do crédito solicitado, fazendose o conjunto probatório incapaz de aferir certeza e liquidez do crédito pretendido, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório. O acórdão de fls. restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário fundamentandose no princípio da verdade material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o fito de demonstrar que foram devidamente registradas na Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911829/200947 Resolução nº 3801000.844 S3TE01 Fl. 182 3 contabilidade do sujeito passivo, ponderando serem suficientes para constatação da certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam: a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando o pagamento indevido no período de junho de 2006, instruído na PER/DCOMP; b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que se verifica o estorno do montante recolhido na subconta CIDE – Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP; c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de 2006, em que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006; d) Cópias das DCTFs original e retificadora. Requereu seja a presente compensação homologada. É o que importa relatar. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911829/200947 Resolução nº 3801000.844 S3TE01 Fl. 183 4 Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Primeiramente, é preciso apontar que não há impedimento para retificação da DCTF após o despacho decisório e antes de remessa dos créditos para inscrição em dívida ativa da União. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve : Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou, III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso. Conforme relatado, o ponto crucial da lide consiste na ausência de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado decorrente do suposto pagamento indevido a título de CIDE incidente sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela licença de uso ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20 e 21 da Lei 11.452/2007 que delimitou expressamente o campo de abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a nãoincidência da CIDE a partir de janeiro de 2006, assim expresso: Art. 20. O art. 2º da Lei n.º 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei n.º 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1º A: "Art. 2º ................................................................................. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911829/200947 Resolução nº 3801000.844 S3TE01 Fl. 184 5 § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (...) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. Certo é que a supracitada norma contempla a nãoincidência da CIDE para remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, fazse necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo que os pagamentos dos contratos relativos ao licenciamento de uso ou direito de software, não obrigam ao pagamento da CIDE, desde 1º de janeiro de 2006, sendo que, tendo havido tal pagamento a Recorrente possui indébito possível de creditamento. Entretanto, apesar da Recorrente ter juntado documentos e comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento, licença de uso de software ou documento semelhante é que essa Turma poderá evidenciar se o pagamento efetivamente se deu por esse motivo. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que apresente: 1. A cópia autenticada do Contrato referente de Licença de Uso ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o efetivo motivo do pagamento e cópia das notas fiscais (ou invoices, devidamente traduzidas) correspondentes; 2. Retorne o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.005037/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 03 7/ 20 08 -1 8 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório BEREL ZATZ, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 050.553.73890, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua Albuquerque Lins, n.º 574 – Apto. 32 Bairro Higienópolis, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 239/248, prolatada pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 259/268. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, em 27/08/2008, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 177/181), com ciência por AR, em 29/08/2008 (fl. 184), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 890.763,85 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2004 e 2005, correspondente aos anoscalendário de 2003 e 2004, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2004 e 2005 , onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, Termo de Verificação Fiscal, que faz parte deste Auto de Infração. Infração capitulada no art. 42 e parágrafos, da Lei nº 9.430, de 1996 com redação alterada pelo art. 4° da Lei nº 9.481, de 1997 e pelo artigo 58 da Lei nº 10.637, de 2002; art. 849 do RIR/99 e art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal, datado de 27/08/2008 (fls. 170/176), entre outros, os seguintes aspectos: que, no exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n°: 08.1.90.002008 003814, junto ao (a) contribuinte acima identificado (a), relativa à operação MFI " Movimentação Financeira Incompatível”, dos anoscalendário 2.003 e 2.004, verificamos o seguinte; que, em 28/03/2.008, isto é, já fora do prazo estabelecido na Reintimação, atendemos a procuradora do contribuinte, solicitando prorrogação de prazo, por mais 30 dias, para providenciar a documentação, o que não foi concedido, pois não havia mais prazo. Na ocasião, foi dito que traria documentos na semana seguinte e como não tivemos nenhuma resposta, em 14/04/2.008, lavramos Termo de Embaraço à ação fiscal, cuja ciência se deu em 18/04/2008; que na necessidade de darmos continuidade à ação fiscal, elaboramos a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira —RMF, destinadas às instituições financeiras que deram origem à movimentação financeira do Fl. 339DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 4 3 contribuinte no período determinado, listadas em nossos sistemas, com fundamento no inciso VII e XI do artigo 3° do Decreto n° 3.724, de 2.001; que com relação à movimentação financeira efetuada nos anoscalendário 2.003 e 2.004, comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, coincidente em data e valores, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários em seu nome, conforme planilha anexa (BANRISUL, BRASIL, BRADESCO E ALVORADA/BBV). que, transcorrido o prazo, não fomos atendidos e não havendo comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos depósitos/créditos, preparamos planilhas de valores referentes a cheques devolvidos que subtraídos dos valores dos depósitos efetuados nas contas correntes das instituições bancárias mencionadas, resultou no valor tributável de R$ 823.963,54, no anocalendário 2003 e R$ 618.243,51 no anocalendário 2004. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 29/09/2008, a sua peça impugnatória de fls. 193/204, instruído pelos documentos de fls. 205/222, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que, o auto de infração, MPF N° 0819000/00381/08 de 27/08/2008, veio acompanhado, tãosomente, de extratos bancários de diversas contas correntes, sem que indicasse a origem de tais documentos, utilizáveis, apenas, mediante ordem judicial expressa, ou, por ordem deste impugnante; que, em 30/07/2008, este impugnante estava reduzido à incapacidade absoluta de produzir qualquer prova documental e defenderse, situação decorrente, uma vez que o impugnante não foi devidamente notificado pela fazenda pública como de praxe; que, verificase assim, que a média de giro financeiro, nunca, repitase, nunca ultrapassou a média mensal do valor aportado, de origem licita, desde a Declaração de Imposto de Renda dos anos calendário de 2003/2004, o que, pode ser confirmado com uma observação mais detalhada dos extratos bancários inclusos nos autos; que, pelo suso esposado, não é difícil concluir que a Secretaria da Receita Federal teve sua conduta similar aos Tribunais de Exceção, com o fim préconstituído, não passando de mero ato formalizador de aplicação de absurda e abusiva pena pecuniária, ignorando o prazo decadencial, se considerado o lançamento mensal, será de cinco anos após o mês de lançamento, e se considerar a apuração anual, no caso incidente será de 01/01/2003 à 31/12/2003 anobase sofrendo a incidência do I.R; que, ainda que a norma processual, seja ela vinculada a norma administrativa ou penal, disponha sobre o prazo que deve mediar entre a citação e a data de entrega de documentos e peças de defesa, certamente, se o defendente encontrase impossibilitado de fazêlo em decorrência do óbice de ser o impugnante intimado e autuado pelo correio, sendo incerto o seu conhecimento ao ato formal imposto. Inegável também, que o constitucional direito de defesa é amplo, mas, desse modo resultou limitado e prejudicado, sem a verificação documental in locu pelo defendente, é medida meramente formal; que, verificase, por mera argumentação, se devido fosse algum tributo, é ilegal a adoção da Taxa SELIC para cálculo de juros de mora, conforme inúmeros julgados de Tribunais Superiores, tais como o Resp. 291.257 SC, 2ª. Turma Rel. Min. Eliana Calmon, Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 5 4 STJ, julgado em 23/04/2002. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, também considera inconstitucional e ilegal a cobrança da Taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, conforme decisão do CSRF – 1ª. Turma DOU 11.08.2003 Rec. N. 104 112474 Acórdão n. CSRF/01 03.620), sendo este, um motivo de nulidade processual administrativa. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Décima Primeira Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, a defesa é tempestiva, posto que foi protocolada dentro do prazo legal. Presentes na impugnação os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235, de 06/03/1972 e alterações posteriores, dela tomo conhecimento. A impugnação ao lançamento não tem o condão de elidilo ou reduzilo, porque não traz argumentos ou provas para tanto, pelos motivos expostos a seguir; que, preliminarmente, a matéria controversa se detém acerca da nulidade do lançamento fiscal, vez que a impugnante entende que seu direito constitucional à ampla defesa foi cerceado. Não merece prosperar tal assertiva, pois o lançamento fiscal atende às exigências estabelecidas pelo art. 42, da Lei n° 9430/1996, não contendo qualquer vício formal ou material; que, portanto, constatase que a autuação atende aos requisitos de validade, dado que não houve desrespeito aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, uma vez que foram possibilitados ao contribuinte, o contraditório e a ampla defesa, de acordo com a estrita legalidade administrativa; que, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal e no Auto de Infração consta a discriminação clara e precisa do suporte fático da autuação, que se deu através de ação fiscal e teve como base o exame dos extratos bancários do contribuinte, não comportando qualquer reparo o procedimento adotado pelo fisco; que, pretende o contribuinte invalidar o procedimento porque fundado em provas obtidas de forma ilícita, pelo fato de não haver autorização judicial ou pessoal para a requisição de extratos bancários; que, refutase, de pronto tal argumentação, noticiando, de plano, que o acesso do Fisco aos dados de movimentação financeira independe de autorização judicial, desde que haja procedimento de fiscalização em curso ou processo administrativo instaurado, encontrandose plenamente legitimado pelo ordenamento jurídico, como ficará demonstrado a seguir; que, com efeito, todos os contribuintes, pessoas físicas ou jurídicas, estão obrigados a prestar informações ao Fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras, tanto que apresentam regularmente declarações de ajuste, ficando sujeitos à auditoria das informações prestadas, ocasião em que lhes pode ser exigida a apresentação de documentação comprobatória. Pode ocorrer, no entanto, de o contribuinte negarse a apresentar tais comprovantes, ou até mesmo nem os possuir, restando ao Fisco buscálos nas instituições onde se deram as transações. Assim, o fornecimento de informações por instituições bancárias vem apenas substituir o dever ao qual estão sujeitos os contribuintes, por lei. Admitir o contrário Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 6 5 implicaria autorização ao contribuinte de nem mesmo apresentar a declaração de ajuste, alegando o sigilo e a privacidade de suas transações; que, assente está, nos Tribunais Superiores, que o sigilo bancário não é absoluto, e deve ceder em face de interesse público relevante. E, na sistemática estruturada pela Lei Complementar n° 105/2001, pela Lei n° 10.174/2001 e pelo Decreto n° 3.724/2001, as circunstâncias em que presentes esse interesse são especificadas, inexistindo discricionariedade. O ato administrativo é vinculado às determinações legais, e estas correspondem à concretização da vontade do legislador de, naquelas hipóteses específicas, submeter às informações bancários ao crivo fiscal; que, o posicionamento adotado pelo contribuinte de não fornecer os extratos solicitados no Termo de Início da Ação Fiscal de 08/02/2008 (fl.03) e no Termo de Reintimação datado de 05/03/20(58 (fl. 05) e cientificado da continuidade conforme o Termo de fl. 16, emitido em 07/04/2008, configurou a hipótese descrita no inciso I, do artigo 33 da Lei n° 9.430/1996, ou seja, embaraço à fiscalização pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira, o que motivou a lavratura do Termo de Embaraço à Ação Fiscal (fl. 19), do qual o interessado teve ciência em 18/04/2008 (AR fl. 20); que, o lançamento com base em depósitos ou i créditos bancários tem como fundamento legal o artigo 42 da Lei n.° 9.430 de 1996. Tratase de uma presunção legal de omissão de rendimentos contra o contribuinte titular da conta que não lograr comprovar a origem destes créditos; que, a função do Fisco, entre outras, comprovar o Crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações, esclarecimentos, com vista à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte; que, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal; que, com o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente d verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível; que, qualquer discussão em torno da constitucionalidade e legalidade de dispositivos legais dos quais tenha a Fiscalização lançado mão, deve ser proposta ao Poder Judiciário, que detém com exclusividade a prerrogativa de decidir sobre a matéria, conforme se infere dos artigos 97 e 102 da Carta Magna; que, a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumuladas Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 7 6 mensalmente, foi fixada pela Li n° 9.065, de 20 de junho de 1995, artigo 13, portanto sua cobrança não é ilegal. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o interessado, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve oportunidade de carrear aos autos documentos, informações, esclarecimentos, no sentido de elidir a tributação contestada. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO ILÍCITA. Improcede a alegação de obtenção ilícita de informações bancárias, porquanto a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira foi efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial. INTIMAÇÃO DA AUTUAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio do contribuinte, não sendo necessário que o recebimento seja pessoal. Inteligência do inciso II do artigo 23 do Decreto n.° 70.235/72. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ÔNUS DA PROVA. Os atos administrativos, incluindose o ato de lançamento de tributos, nascem com a presunção de legalidade, legitimidade e veracidade. IRPF. DECADÊNCIA. O fato gerador do imposto sobre dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração Idos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de ceda anocalendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. JURISPRUDÊNCIA. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 8 7 As decisões judiciais e administrativas não constituem normas, complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/05/2009, conforme Termo constante às fls. 249, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (09/06/2009), o recurso voluntário de fls. 259/268, instruído pelos documentos de fls. 269/288, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, ora Recorrente e Impugnante, em todo sumaríssimo trâmite processual administrativo fiscal, se viu acoimado pelos fiscais da RF por uma espécie de afasia atáxica jurídica, sabedores de que documentos essenciais, comumente pessoas físicas não guardam consigo documentos contábeis como se jurídica fossem; que, os Legisladores, Aplicadores do Direito clamam para que sejam respeitados e observados os princípios constitucionais, os direitos á garantias fundamentais, obedecendo as hierarquias das leis, algumas são cláusulas pétreas somente podendo ser alteradas por um novo poder constituinte, e outras para alteração somente através de Emendas Constitucionais, e não por leis complementares, leis ordinárias e decretos, como vemos nas fundamentações do acórdão; que, sendo a Carta Magna uma Lei Maior, inserido dentro dos Direitos e garantias fundamentais, por ser consideradas Cláusulas Pétreas conforme definição da Constituição em seu artigo, somente poderia ser alterada por um novo Poder Constituinte e ainda assim não sendo somente por Emenda Constitucional, pelo que a exigência de autorização judicial, mesmo após a LC 105/2001, temos várias ADIN APRESENTADAS NO STF; que, ainda que a norma processual, seja ela vinculada a norma administrativa ou penal, disponha sobre o prazo que deve mediar entre a citação e a data de entrega de documentos e peças de defesa, certamente, se o defendente encontrase impossibilitado de fazêlo em decorrência do óbice de ser o impugnante intimado e autuado pelo correio, sendo incerto o seu conhecimento ao ato formal imposto. Inegável também, que o constitucional direito de defesa é amplo, mas, desse modo resultou limitado e prejudicado, sem a verificação documental in locu pelo defendente ora Recorrente, é medida meramente formal; que, pelo suso esposado, não é difícil concluir que a Secretaria da Receita Federal teve sua conduta similar aos Tribunais de Exceção, com o fim préconstituído, não passando de mero ato formalizador de aplicação de absurda e abusiva pena pecuniária, ignorando o prazo DECADENCIAL, se considerado o lançamento mensal, será de cinco anos após o a ocorrência do fato gerador, mês de lançamento, e se considerar a apuração anual, no caso incidente será de 01101/2003 à 31/12/2003 anobase sofrendo a incidência do I.R; que, a aplicação de uma medida de confisco é algo totalmente diferente da aplicação de uma multa. Quando esta é tal que agride violentamente o patrimônio do cidadão contribuinte, caracterizase como confisco indireto e, por isso, é inconstitucional. É o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 170/176 do Termo de Verificação Fiscal os seguintes excertos: Em 28/03/2.008, isto é, já fora do prazo estabelecido na Reintimação, atendemos a procuradora do contribuinte, solicitando prorrogação de prazo, por mais 30 dias, para providenciar a documentação, o que não foi concedido, pois não havia mais prazo. Na ocasião, foi dito que traria documentos na semana seguinte e como não tivemos nenhuma resposta, em 14/04/2.008, lavramos Termo de Embaraço à ação fiscal, cuja ciência se deu em 18/04/2008. Na necessidade de darmos continuidade à ação fiscal, elaboramos a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira —RMF, destinadas às instituições financeiras que deram origem à movimentação financeira do contribuinte no período determinado, listadas em nossos sistemas, com fundamento no inciso VII e XI do artigo 3° do Decreto n° 3.724, de 2.001. Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 10 9 com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 11 10 TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 12 11 Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 13 12 se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar Fl. 349DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 14 13 o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator (a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Fl. 350DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 15 14 Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 714857 AgR, Relator (a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 16 15 Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos Fl. 352DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.005037/200818 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.403 S2C2T2 Fl. 17 16 dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 353DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 18471.001079/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
IRPJ - OMISSÃO DE RECEITA - FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVA ENTREGA DO NUMERÁRIO - PRESUNÇÃO RELATIVA - o ingresso de recursos em conta bancária do contribuinte, sem a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, implica presunção de omissão de Receitas.
Numero da decisão: 1101-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator.
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator. JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 79 /2 00 7- 90 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 18471.001079/200790 Acórdão n.º 1101001.929 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório TRANSPORTES ORIENTAL LTDA, contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 33.008.871/000100, com domicílio fiscal na cidade de Rio de Janeiro – Estado de Rio de Janeiro, à Av. Santa Cruz, nº 11220 – Bairro Santissimo, jurisdicionado a Delegacia Especial das Instituições Financeiras em Rio de Janeiro RJ, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 189/200, prolatada pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I RJ, recorre, da decisão que julgou o lançamento procedente consubstanciado nos autos de infrações de IRPJ, PIS, CSL e COFINS, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls.206/241. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia Especial das Instituições Financeiras em Rio de Janeiro RJ, em 20/08/2007, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ; Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 78/106), com ciência pessoal, em 21/08/2007 (fls. 78), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.929.226,68 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao período relativo ao exercício de 2003, correspondente ao ano calendário de 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de receitas caracterizada pela não comprovação de empréstimos, com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas). Infração capitulada no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, e 288, do RIR, de 1999. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do próprio Auto de Infração (fls. 78/106), cuja síntese é a seguinte: que o contribuinte foi intimado pelo Termo de Intimação de 31/07/2007, fls.69/7, a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, os valores recebidos de pessoas ligadas, depositados nas contas bancárias da empresa, a título de empréstimos; que pelo Termo de Intimação de 16/01/2006, fls. 60, o mesmo já tinha sido intimado a comprovar os créditos de Pessoas Ligadas (Fisicas/Juridicas). No Termo de 31/07/2007 os valores foram individualizados, com data, nome da conta, n° da conta, fls. do livro Razão e Valor; que tendo em vista a não comprovação da origem dos valores depositados nas contas da empresa, relacionados no Termo de Intimação, consideramos os valores como OMISSÃO DE RECEITA, recalculando o Lucro Real da empresa, com reflexos no cálculo da CSLL, PIS e COFINS. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 18471.001079/200790 Acórdão n.º 1101001.929 S1C1T1 Fl. 4 3 Irresignado com o lançamento a autuada apresenta, tempestivamente, em 20/09/2007, a sua peça impugnatória de fls. 110/118, instruído pelos documentos de fls. 120/127, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que tendo em vista que o período fiscalizado remete ao ano de 2002, e diante das mudanças ocorridas na empresa neste período, inclusive com a TRANSFERÊN SOCIETÁRIA de 100% do capital ocorrida, bem como a quantidade excessiva de documentos produzidos a serem analisados para instrução da presente impugnação, protesta a Impugnante pela eventual juntada superveniente de documentos e razões de defesa, no intuito de comprovar que não houve qualquer lesão ao Fisco; que o i. agente fiscal que efetuou a autuação cometeu ledo engano nas razões em que se baseou para aplicação da penalidade. Tal afirmativa se pertine no fato de que durante a ação fiscal o referido agente público sequer examinou com acuidade a documentação fornecida pela Impugnante, ou mesmo levou em consideração que a ação fiscal remetia a recuperação de documentos de mais de 04 anos, sem sobra de duvidas bastante difíceis de serem obtidos, haja vista a já citada TRANSFERENCIA DE 100% DO CAPITAL da empresa; que o i. Agente Fiscal, em sua autuação, se pautou em mera presunção para animar a acusação de suprimento ilegal de caixa; que o digno agente fazendário, na realidade acobertouse da presunção para transferir ao contribuinte, ora Impugnante, a incumbência de fazer prova da real existência dos empréstimos particulares. E mais, considerarseia impossível para a contribuinte, bem como para seus atuais sócios, forçar aos antigos sócios a apresentarem documentos que, a bem da verdade, violariam seu sigilo fiscal e financeiro; que o agente fiscalizador possui todos os meios necessários para obter, por meios próprios e em razão de suas atribuições e poderes como ente fiscalizar do Estado, as informações necessárias à comprovação da idoneidade dos empréstimos realizados, podendo inclusive, estender sua ação fiscal às pessoas físicas dos exsócios para efetuar as verificações necessárias ao cumprimento das suas obrigações regulares; que a fiscalização possui todos os meios necessários para fazer as verificações que achar conveniente, possui todas as informações ao seu alcance, além de os poderes e deveres legais de fiscalizar o cumprimento da legislação fiscal tanto no âmbito das Pessoas Jurídicas, quanto no das Pessoas Físicas; que se assim não procedeu, é obvio que o agente fiscalizador inviabilizou, "na raiz", o exercício do direito da Impugnante da ampla e irrestrita defesa; que i. julgadores, os aportes de caixa feitos pelos exsócios da Impugnante poderia ser facilmente verificado através observação dos lançamentos feitos em suas respectivas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, informação esta que somente o agente fiscal tem condição de obter. Portanto, ao se olvidar de diligenciar junto aos exsócios da empresa, o fazendário presumiu que os lançamentos da Impugnante seriam fictícios, numa presunção clara e totalmente intuitiva, nada mais que isso; que é de suma importância ainda observar que a Impugnante é CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PUBLICO DE TRANSPORTE, e como tal, quase 100% Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 18471.001079/200790 Acórdão n.º 1101001.929 S1C1T1 Fl. 5 4 de receita é oriunda do pagamento de VALESTRANSPORTE feito pelo Poder Publico Concedente, o que inviabilizaria totalmente a pretensa omissão de receita erroneamente interpretada pelo fazendário; que é cristalino que o suprimento se deu em 2002 pelo fato de que, nesta época, o setor de transporte coletivo passava por seria crise, oriunda das baixas tarifas, o que poderia ser comprovado facilmente pelas demonstrações financeiras as quais o fazendário teve acesso, havendo a necessidade real de os então sócios suprirem a insuficiência de caixa para satisfazer os compromissos financeiros da empresa autuada; que não podemos perder de vista que os sócios efetuaram aportes no caixa da empresa porque eram donos e legítimos proprietários desta, e portanto, podemos também PRESUMIR que por este motivo talvez não tivesse observado a necessidade da elaboração de um contrato formal. Talvez! Mais uma vez chegamos ao plano das presunções, do intangível, o que se admite tão somente por amor à controvérsia; que a compra e venda, por exemplo, quando pura, tornase perfeita e obrigatória, desde que as partes acordem no objeto e no preço (CC, Art. 482). O contrato já estará perfeito e acabado desde o momento em que o vendedor aceitar o preço oferecido pela coisa, independentemente da entrega desta. O pagamento e a entrega do objeto constituem outra fase, a do cumprimento das obrigações assumidas pelos contratantes (CC, Art. 481). Notese que não falamos aqui em formalização de contrato; que a eventual celebração de mutuo entre os exsócios, então proprietários da empresa, e esta, não dispositivo legal que exija a elaboração de contrato formal. Portanto, a exigência do Fisco, poderseia ser encarada como ilegal, pois, vis de regra, os contrato são consensuais, ou seja, dispensam a forma escrita; que lamentavelmente concluímos que o i. agente fiscal, no afã de lavrar o auto de infração ora combatido, e também muito preocupado em saber seu a contribuinte, ora Impugnante, esqueceuse, infelizmente que a sua função precípua não é a de autuar, e sim orientar o contribuinte quando são apurados eventuais equívocos, sendo a autuação o último recurso que deva ser utilizado, ainda mais, como in casu, não havendo qualquer infração cometida em face de qualquer dispositivo legal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 16/05/2008, os membros da Nona Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I RJ concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual; que para poder apresentar prova documental em outro momento processual é preciso que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, ou que ela refirase a fato ou direito superveniente, ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; que a meu pensar, a alegação de que no anocalendário de 2002 teria ocorrido 100% de transferência societária do capital e de que para instruir o processo haveria uma quantidade excessiva de documentos para serem analisados não se encaixa em nenhuma Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 18471.001079/200790 Acórdão n.º 1101001.929 S1C1T1 Fl. 6 5 das hipóteses que permitiriam a Interessada apresentar prova documental após a impugnação, uma vez que não se trata de motivo de força maior ou de fato ou direito superveniente, além do que não há que se cogitar de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; que tendo em vista que a Interessada preferiu não responder à referida Intimação, o Fiscal Autuante lavrou, em 20 de agosto de 2007, o Auto de Infração do IRPJ, e os dele decorrentes, tendo considerado cada um dos valores acima, depositados nas contas bancárias da empresa autuada, como omissão de receita, uma vez que ela não comprovou com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos mesmos. Registre se, também, que a Interessada foi intimada em 17/01/2006 (fl. 60) e reintimada em 15/03/2006 (fl. 61) e em 22/08/2006 (fl. 64) a apresentar comprovação do saldo, em 31/12/2002, da conta Crédito de Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas), no valor de R$ 2.313.636,36, e ela preferiu não responder; que a referida alegação da Interessada na Impugnação é incongruente com os seus próprios registros contábeis, o que, a meu ver, complica a sua situação porque normalmente a defesa procura comprovar a veracidade dos registros contábeis do contribuinte, enquanto aqui ela afirma que eles não refletem a realidade, isto é, que os empréstimos seriam dos sócios da Interessada, os senhores Jacques Ouriques de Oliveira e Luiz Gonzaga de Oliveira, e não das pessoas jurídicas JMG Advogados Associados, Viação Dedo de Deus Ltda., e Viação 10 de Março Ltda., como registrados na contabilidade; que conforme dispõe o § 1° do art. 90 do Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais; que em vista que a Interessada não trouxe qualquer documento que desse respaldo à referida escrituração, ela, por si só, não faz prova a favor da Interessada, como dispõe o § 1° do art. 9° do Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977; que, além de não trazer qualquer documento que dê sustentação aos registros contábeis em foco, referentes a empréstimos de pessoas jurídicas, a Interessada, na Impugnação, alega que os empréstimos não foram dessas pessoas jurídicas, mas, sim, de seus sócios, pessoas físicas, sem também apresentar qualquer documentação que dê suporte a sua alegação; que com relação aos débitos na conta de ativo Bancos não há litígio, isto é, não se discute que, de fato, ocorreram os ingressos de recursos em foco em contas bancárias da Interessada; que enganase a interessada ao querer transferir para o Fisco a obrigação de comprovar que os ingressos de recursos em suas contas bancárias advieram de empréstimos pessoais de seus sócios Jacques Ouriques de Oliveira e Luiz Gonzaga de Oliveira, pelo singelo motivo de que quem está alegando isto é ela e não o Fisco. Além disso, essa alegação, como já visto, vai de encontro a seus próprios registros contábeis, os quais afirmam que os empréstimos teriam sido feitos pela empresas JMG Advogados Associados, Viação Dedo de Deus Ltda. e Viação 1° de Março Ltda. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 18471.001079/200790 Acórdão n.º 1101001.929 S1C1T1 Fl. 7 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 INGRESSO INCONTROVERSO DE RECURSOS EM CONTA BANCÁRIA DO CONTRIBUINTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PRESUNÇÃO SIMPLES DE OMISSÃO DE RECEITAS. O ingresso incontroverso de recursos em conta bancária do contribuinte, com o correspondente registro contábil de débito na sua conta de ativo Bancos, sem que o mesmo comprove, por meio de documentos hábeis e idôneos, que a contrapartida contábil devesse ter sido feita a crédito de conta patrimonial, implica presunção lógica, denominada de presunção simples pela doutrina, de que esta contrapartida deveria ter sido feita a crédito da conta de resultado Receitas, caracterizando, assim, a omissão dessas Receitas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos decorrentes colhem a sorte daquele que lhe deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/06/2008, conforme Termo constante à fl. 204, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (15/07/2008), o recurso voluntário de fls. 206/241, instruído pelos documentos de fls. 242/250, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 18471.001079/200790 Acórdão n.º 1101001.929 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Relator JOSÉ RICARDO DA SILVA O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O conflito cingese à imputação pela Fiscalização à Contribuinte relativamente à omissão de receitas decorrente de suprimento de numerários cuja origem e efetiva entrega não foram devidamente comprovadas, conforme entendeu a decisão recorrida. A autoridade fiscal lançadora tributou, a título de omissão de receitas, os suprimentos de numerários cuja origem e efetiva entrega não foram devidamente comprovadas, correspondentes, conforme esclarecimentos, a recursos repassados à empresa pelos sócios a título de mútuo. (....) A jurisprudência Administrativa, desde há muito, está pacificada quanto aos requisitos necessários a elidir a presunção legal derivada da omissão de receita decorrente do suprimento de numerário por sócio. Para tanto, a parte deve apresentar documentação hábil e idônea da origem e/ou efetividade entrega do numerário, coincidente em datas e valores, em face da qualidade do supridor, sócio do sujeito passivo. Em não logrando elidir a presunção legalmente admitida, resta materializada a omissão de receita. Esta é a norma e assim aduz a jurisprudência. (....) A Recorrente, não apresenta nenhum elemento comprobatório idôneo, objetivo e preciso em dados ou elementos coincidentes em datas e valores que pudessem sanar a questão. (....) Como dito, A jurisprudência é mansa e pacífica no sentido que a ausência de prova da efetiva entrega dos recursos lançados como aporte de numerário no caixa da empresa pelo sócio, autoriza a presunção de omissão de receitas e justifica a tributação dos respectivos valores, sendo insuficiente para elidir a presunção de omissão de receitas a simples prova da capacidade financeira do supridor, conforme pode ser visto nas decisões abaixo mencionadas. Acórdão nº 10513.383 IRPJ SUPRIMENTOS DE CAIXA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E EFETIVIDADE DA ENTREGA DO NUMERÁRIO PELO SÓCIO SUPRIDOR A obrigação de comprovar o suprimento de caixa, quanto à origem dos recursos e a efetividade da entrega, é encargo que a lei atribui à pessoa jurídica suprida. Temse como comprovado quando exibidos os seguintes documentos: extrato bancário dos supridores com Fl. 281DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 18471.001079/200790 Acórdão n.º 1101001.929 S1C1T1 Fl. 9 8 coincidência de datas e valores, declaração do banco depositário da origem do valor do depósito, e, por último, quando o valor for depositado e creditado em conta bancária da empresa suprida e compensados ou descontados conforme assentamentos nos extratos emitidos pelos bancos do supridor. Acórdão nº 10514.741 SUPRIMENTO DE CAIXA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA FALTA DE PROVA DA EFETIVIDADE DA ENTREGA DO NUMERÁRIO PELOS SÓCIOS À SOCIEDADE Para afastar a presunção de omissão de receita, não basta a prova de que os sócios dispunham de origem regular para suprir o caixa da sociedade, sendo necessária, também, prova plena, objetiva e inquestionável, mediante documentação idônea e coincidente, da efetividade da entrega do numerário pelos sócios à sociedade. Acórdão nº 10807.777 OMISSÃO DE RECEITA – SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO – FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVA ENTREGA DO NUMERÁRIO – PRESUNÇÃO RELATIVA – A presunção legal do art. 229 do RIR/94 é considerada relativa, isto é, passível de prova em contrário pelo contribuinte. Não demonstrando a efetiva entrega ou a origem do numerário suprido, deve ser mantida a exigência. Acórdão nº 10706.525 IRPJ — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO AUMENTO DE CAPITAL — Os suprimentos de numerário realizados por parte dos sócios da pessoa jurídica, destinados ao aumento de capital, sem prova de que provieram de fontes externas à empresa e lhes foram efetivamente entregues, autoriza a presunção legal de omissão de receitas nos termos do disposto no artigo 229 do RIR//94. Acórdão nº 10321.429 IRPJ OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Para desfazer a presunção legal de omissão de receita derivada de suprimento de numerário por sócio, o contribuinte deve comprovar não só a efetiva entrega como também a origem dos recursos coincidente em datas e valores e a fonte dos recursos ser independente da empresa. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada a conteúdo dessa decisão. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 18471.001079/200790 Acórdão n.º 1101001.929 S1C1T1 Fl. 10 9 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/11/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE
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Numero do processo: 16004.001449/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 12259.000776/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 15/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - AUSÊNCIA DE RECURSO TEMPESTIVO - NÃO CONHECIMENTO
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972.
Não tendo sido o recurso interposto dentro do prazo normativo, e não tendo o recorrente apresentado motivos justificados por não tê-lo feito, as razões apresentadas não devem ser conhecidas.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 15/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - AUSÊNCIA DE RECURSO TEMPESTIVO - NÃO CONHECIMENTO É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972. Não tendo sido o recurso interposto dentro do prazo normativo, e não tendo o recorrente apresentado motivos justificados por não tê-lo feito, as razões apresentadas não devem ser conhecidas. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Não tendo sido o recurso interposto dentro do prazo normativo, e não tendo o recorrente apresentado motivos justificados por não têlo feito, as razões apresentadas não devem ser conhecidas. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 07 76 /2 00 9- 23 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12259.000776/200923 Acórdão n.º 2401003.613 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n.35.832.9140, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 05,deixou a empresa de informar em GFIP os seguintes fatos geradores: No anexo 1, na coluna Salário de Contribuição não declarado foram consideradas as informações constantes das folhas de pagamento na Rubrica Participação nos Lucros e Resultados levantada através da NFLD DEBCAD 35.832.9183 na referida ação fiscal. O anexo 2 relaciona todos os funcionários que receberam a PLR com seus respectivos valores e, quando não tinham sido descontados pelo limite máximo do salário de contribuição, a diferença do desconto do segurado e o seu valor máximo. Também foram considerados os valores dos pagamentos de despesas médicas e de veículos em benefício dos Diretores e Gerentes considerados salários indiretos constantes das NFLDs DEBCAD 35.890.7519 e 35.832.9205. Tais valores estão relacionados no anexo 3. O Salário de Contribuição pago a Contribuinte Individual não Declarado em GFIP corresponde a valores pagos às Pessoas Físicas constantes do anexo 4. Também foram considerados os valores dos pagamentos de despesas médicas e de veículos em benefício dos Diretores, quando deixaram de ser empregados da empresa, considerados salários indiretos constantes das NFLDs DEBCAD 35.890.7519 e 35.832.9205. Tais valores estão relacionados no anexo 5. Os Valores pagos às Cooperativas de Trabalhos e não foram informados nas respectivas Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social constam do anexo 6 (Cooperativas contratadas pela Unidade Fabril de Duque de Caxias), 7 (Cooperativas contratadas pela Unidade Fabril de Triunfo) e 8 (Cooperativas contratadas pela Unidade Fabril de Cabo de Santo Agostinho). Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 15/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 16/12/2005. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 147 a 148, alegando, sinteticamente: 3.2.1 o sobrestamento do feito, uma vez que o autodeinfração em tela depende de diversas NFLD, que ainda estão tramitando administrativamente.. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 3.2.2. que em relação aos fatos geradores decorrentes de reclamatórias trabalhistas, apesar de não terem sido informados em GFIP, houve os respectivos recolhimentos de contribuição previdenciária em guias da Previdência Social , motivo pelo qual não procede a autuação. O Processo foi baixado em diligência, considerando a correlação com a conversão em diligência também das obrigações principais, fls. 167. Após cumprimento da diligência, a empresa apresentou manifestação às fls. 194 a 198. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 263 a 278, considerando a procedência parcial das NFLD 35.832.9213 e 35.890.7500: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2005 Apresentação de GFIP com omissão nos dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5% da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97. Lançamento Procedente em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada em 28/04/2009, conforme fls. 305 e seguintes. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega a aplicação na multa mais benéfica: O contribuinte apresentou manifestação em 04/12/2008, nos seguintes termos: A Equipe de Assessoria da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária encaminhou o Ofício n 0 110/ 2008 à Requerente, para intimála acerca do acórdão n 0 1214.678, proferido pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (R301), o qual julgou procedente em parte o lançamento efetuado, retificando seu valor para R$ 746.529,56 (setecentos e quarenta e seis mil, quinhentos e vinte e nove reais e cinqüenta centavos), ficando estabelecido ainda o prazo de 30 (dias) para interposição de recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes. 2. No entanto, a intimação foi recebida, em 14.08.2008, por um porteiro da Requerente, maior produtora de borracha sintética da América Latina, e se extraviou internamente,' devido ao fato de se tratar de uma industria de grande porte, e receber centenas de correspondências todo dia. Quase 4 (quatro) meses após tal ocorrido, a Requerente veio a tomar conhecimento de que a intimação do acórdão foi enviada por via postal, sendo que nunca chegou às mãos dos seus representantes legais. 03. Como é notório, os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório são garantias constitucionais destinadas a todos os litigantes, inclusive nos procedimentos Fl. 397DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12259.000776/200923 Acórdão n.º 2401003.613 S2C4T1 Fl. 4 5 administrativos, e estão consagrados nos incisos LIV e LV do art. 5 0 da Constituição Federal: 10. Ademais, o artigo 26 da Lei 9.784/99, ao tratar da comunicação dos atos, estabelece que o órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação pessoal do interessado para ciência de decisão, que pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sob pena de nulidade, in verbis: Por todo exposto, e sendo certo que, no procedimento administrativo, a intimação pessoal dos interessados, em obediência aos postulados do contraditório e da ampla defesa, é expressamente assegurada no artigo 26 da Lei n 0 9.784/99 e realizase por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, ou outro meio idôneo, que assegure a certeza da ciência, a Requerente requer a devolução do prazo para apresentação de seu recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contrarazões. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o recibo de cientificação (Aviso de Recebimento), o mesmo foi cientificado, recebendo no dia 14 de agosto de 2008, conforme documento acostado a fl. 281., Assim, considerandose que o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, bem como que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 15 de setembro de 2008. Conforme informação na capa do recurso, fl 305, a notificada interpôs o recurso no dia 28 de abril de 2009, portanto fora do prazo normativo. Apenas, para reforçar a intempestividade, observase que o próprio recurso foi assinado em 28 de abril de 2009, ou seja, após ter vencido o prazo para interposição do mesmo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Contudo, considerando a data da lavratura do Auto de infração de obrigação principal a norma que rege a matéria é o Decreto 70.235/1972, que dispõe em seu artigo 56 acerca do prazo para interposição de recurso. Art. 54. O julgamento compete: III Em instância única, ao Coordenador do Sistema de Tributação, quanto às consultas relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e formuladas: (...) Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. (grifo nosso) Destaco que a manifestação do recorrente acerca do pedido de reabertura do prazo do recurso, considerando ter sido o AR recebido por pessoa incompetente, qual seja, porteiro da indústria não merece guarida. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do CARF, tendo inclusive sido publicada a súmula 09 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12259.000776/200923 Acórdão n.º 2401003.613 S2C4T1 Fl. 5 7 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do mesmo. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000330/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Constatada omissão quando a ponto levantado no recurso, os embargos devem ser acolhidos para supri-la.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA - MÉTODO MAIS FAVORÁVEL - A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização.
Numero da decisão: 1301-001.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos acolher os embargos de Declaração para suprir a omissão e ratificar a decisão. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/FG nº 26.345.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Constatada omissão quando a ponto levantado no recurso, os embargos devem ser acolhidos para suprila. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO MAIS FAVORÁVEL A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos acolher os embargos de Declaração para suprir a omissão e ratificar a decisão. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/FG nº 26.345. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 30 /2 01 0- 50 Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000330/201050 Acórdão n.º 1301001.485 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório Pelo Acórdão n ° 130101.232, de 12 de junho de 2013, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste CARF negou provimento ao recurso voluntário de Nokia do Brasil Tecnologia Ltda., confirmando a decisão de 1ª instância que julgou improcedente a impugnação formulada em face de autos de infração de IRPJ e CSLL exigidos, em razão de falta de adição ao lucro líquido da parcela do custo de bens importados que exceda ao preço parâmetro de transferência e compensação indevida de prejuízos fiscais. Ciente do acórdão, o sujeito passivo apresenta Embargos de Declaração alegando ter ocorrido omissão na apreciação na dos principais argumentos apresentados no recurso, a saber: “a) não seria necessário o ajuste de preços de transferência exigido pela fiscalização, no valor de R$ 4.972.405,63, porquanto a Embargante espontaneamente já havia realizado um ajuste de renda tributável daquele período, no valor de R$ 12.896.380,32; e b) o lançamento foi lavrado em desacordo com o art. 18, caput, da Lei nº 9.430/96, uma vez que a fiscalização não demonstrou que o método por ela utilizado para proceder aos ajustes seria o mais favorável à Embargante.”. Como primeira omissão, alega a Embargante que o Relator não se manifestou expressamente acerca do argumento de que os lançamentos realizados pela Embargante impactaram os ajustes da renda tributável promovidos pela Embargante em relação ao ano calendário de 2005, ou seja, não verificou se o ajuste espontâneo impactou sua renda tributável relativa ao anocalendário de 2005. Diz que essa questão necessitaria ser enfrentada, pois ainda que tais ajustes não digam respeito aos itens submetidos a ajuste pela fiscalização ou, tampouco, pudessem ser desfeitos, inevitavelmente impactariam o saldo de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, não só do anocalendário de 2005, mas também de 2006 e 2007. Nesse sentido, conclui que “os ajustes pretendidos pela Fiscalização não apenas não conduziriam a qualquer tributo devido, mas, pelo contrário, conduziriam á conclusão de que a Embargante efetuou pagamento a maior”. Como segunda omissão, diz que não há nada no voto do Relator acerca dos argumentos de que seriam improcedentes os autos de infração porque a Fiscalização não demonstrou que o método por ela adotado seria o mais vantajoso para a Embargante, ou que seria impossível a aplicação de outros métodos, ao arrepio do art. 18, caput, e § 4º da Lei nº 9.430/96, assim como da jurisprudência do CARF. Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000330/201050 Acórdão n.º 1301001.485 S1C3T1 Fl. 4 3 Os embargos tiveram seguimento parcial, alcançando apenas a questão relacionada com a escolha do método mais favorável. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Dispõe o art. 65 do Regimento Interno do CARF que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No item 3.2 do recurso voluntário (fls. 4114 a 4119), a ora Embargante desenvolve longa argumentação no sentido de que o lançamento foi lavrado em desacordo com o art. 18, caput e § 4º, da Lei nº 9.430/96, uma vez que a fiscalização não demonstrou que o método por ela utilizado para proceder aos ajustes seria o mais favorável ao contribuinte. Sobre esse ponto não houve referência, quer no relatório, quer no voto condutor. Acolho os embargos para suprir a omissão. Dispõe a Lei nº 9.430/96: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. (...)”. Como se vê, tratase de norma dirigida ao contribuinte, que impõe um limite de dedutibilidade dos custos, despesas e encargos relativos a bens e serviços e direitos importados em operações com pessoa vinculada, e facultalhe apurar esse limite por um dos três métodos expressos na lei, assegurandolhe o direito de optar pelo mais favorável. Não há uma imposição à fiscalização obrigandoa testar todos os métodos e aplicar o menos gravoso. Fl. 4285DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000330/201050 Acórdão n.º 1301001.485 S1C3T1 Fl. 5 4 No voto condutor do Acórdão CSRF nº 0106.073, inobstante não ter sido questionada a escolha do método aplicável pela fiscalização, o Conselheiro José Clóvis Alves tangencia a matéria ao interpretar a norma: “ A empresa submetida a procedimentos de fiscalização quando intimadas devem informar aos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, o método por ela adotado e fornecer a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo. Como a lei determina o ajuste, as memórias de cálculos de cálculos devem ser feitas por ocasião da apuração do lucro real. Se intimada a empresa apresentar as memórias de cálculo (planilhas), bem como os documentos que deram origem aos dados nela inseridos, cabe à fiscalização tão somente auditar o método utilizado, pois diferentemente de outras regras de limitação de custos que previam o menor valor encontrado, no caso de preços de transferência a empresa pode optar por aquele que revele maior custo, portanto menor ajuste, por isso, não seria possível a adoção pela autoridade de outro método que não o utilizado pela empresa. Não sendo indicado o método, e ou, não apresentados os documentos a que se refere o inciso que ancoraram os cálculos, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, o AFRF encarregado da verificação pode determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na lei.” No julgamento decidido pelo Acórdão 1103000.787, sessão de 04 de dezembro de 2012, a matéria foi, com muita propriedade, tratada pelo Conselheiro Relator Eduardo Martins Neiva Monteiro, a quem peço vênia para reproduzir o voto condutor: “ Da leitura do dispositivo legal, não se verifica qualquer imposição à fiscalização de cálculo dos preços parâmetros com base em cada um dos métodos previstos na lei brasileira, como pretende o Recorrente, para só então adotar o que resulte em menor ajuste das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O supracitado parágrafo quarto, por exemplo, bem como a integralidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96, dirigese ao contribuinte, a quem cabe primeiramente realizar os devidos ajustes. Quando o contribuinte estiver sob procedimento fiscal, a fiscalização deve obrigatoriamente indagálo a respeito de qual método empregou, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002: Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000330/201050 Acórdão n.º 1301001.485 S1C3T1 Fl. 6 5 II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa. Caso tenha calculado, sem irregularidades, os preços parâmetros por mais de um método, a lei garantelhe o ajuste menos oneroso, não podendo a fiscalização imporlhe outra opção. Esta é a dicção do art.18, §4º, da Lei nº 9.430/96, de forma que a expressão “Na hipótese de utilização de mais de um método” deve ser entendida como “Na hipótese de utilização[pelo contribuinte] de mais de um método”. Quando o contribuinte, ao revés, deixa de indicar o método ou não apresenta os documentos que lastrearam a sua opção, outra é a solução. O fato de não optar por um caminho que lhe seja supostamente menos oneroso, não implica que outrem o substitua em tal mister, o que na prática poderia inviabilizar a própria fiscalização, pois nem sempre é possível a coleta de dados que possibilitem o cálculo por todos os métodos. As seguintes decisões administrativas corroboram tal entendimento: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS. A Lei 9.430/96 não cria qualquer restrição para escolha do método de cálculo do preço parâmetro. PROVA DO PREÇO MÉDIO A fiscalização não está adstrita a provar o preço médio na forma prevista no artigo 21. Mas tem o ônus de provar que o preço por ela levantado não está distorcido. (1ºCC, 1ª Câmara, Acórdão nº 101 94.888, de 17/03/05, Rel. Cons. Sandra Maria Faroni) “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2000 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODOS DE AJUSTE Se o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta as memórias de cálculo do preço parâmetro apurado, a autoridade fiscal tem o direito de, com os elementos que dispuser, determinar o referido preço, não ficando obrigada, nesse caso, a verificar, dentre os métodos legalmente previstos, aquele que mais favorece o sujeito passivo (...)”. (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 105 16.711, de 17/10/07, Rel. José Clóvis Alves) Fl. 4287DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000330/201050 Acórdão n.º 1301001.485 S1C3T1 Fl. 7 6 “PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE CÁLCULO MAIS FAVORÁVEL. Não há prioridade de aplicação dos três métodos de preços de transferência que servem de parâmetro para o estabelecimento de custos de importação. Recai sobre o contribuinte o ônus de evidenciar, por um ou por mais de um desses métodos, a sua regularidade fiscal. Já o Fisco pode apurar o valor base do arbitramento do custo parâmetro por apenas um dos métodos existentes e, nessa hipótese, não há falar na adoção do método mais favorável ao contribuinte (...)” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 0106.014, de 14/10/08, Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima) “(...) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA ESCOLHA DO MÉTODO MENOS GRAVOSO DESNECESSIDADE Rejeitado por motivos legais o método de ajuste escolhido pelo contribuinte, pode o Fisco utilizar qualquer outro método previsto em lei, não havendo a necessidade de garantir que se trata do menos gravoso (...)” (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10517.103, de 26/06/08, Redator Designado Cons. Waldir Veiga Rocha) No voto condutor no acórdão nº 10194.888 destacase a seguinte passagem: “(...) Da mesma forma que a lei faculta ao contribuinte a adoção de qualquer dos métodos e, na hipótese de utilização de mais de um deles, a opção por adicionar ao lucro líquido o menor dos valores obtidos, a lei não prioriza qual o método a ser adotado pelo fisco na apuração de ofício do preço de transferência, nem obriga o fisco a determinar qual o método é mais favorável ao contribuinte.” (destaquei) Em resumo, não se identifica na legislação vigente norma que imponha ao Fisco a obrigatoriedade de adotar, na apuração do preço de transferência, o método que implique em menor ajuste às bases de cálculo tributárias, não podendo ser acolhida, portanto, a pretensão da defesa.” No Termo de Constatação Fiscal de fls. 3510 a 3535, a autoridade fiscal faz uma descrição minuciosa de como se desenvolveu o procedimento fiscal e como foram apuradas as infrações. Às fls. 3522 relata que, pelo Termo de Fiscalização nº 3, foi reiterada a solicitação, já constante do termo de Início de Fiscalização, para que o contribuinte, se assim o desejasse, apresentasse os documentos comprobatórios da utilização do método PIC, com a entrega, em papel, de cópias simples de cinco invoices por produto, além de demonstrativo analítico em formato Excel, no qual constassem todas as transações realizadas, no período, com partes independentes. Às fls. 3523 consta que o Contribuinte protocolizou documento (fls. 943 a 944) com os documentos solicitados (fls. 948 a 3178), acompanhados da informação de que os arquivos em meio óptico também já se encontravam devidamente corrigidos, o que foi aceito pela fiscalização. Fl. 4288DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000330/201050 Acórdão n.º 1301001.485 S1C3T1 Fl. 8 7 Ao tratar do cálculo dos ajustes, consigna o Termo de Constatação Fiscal (fls. 3526): Após a análise dos dados fornecidos pelo Contribuinte, esta Fiscalização selecionou, de acordo com o método PRL (PRL20 e PRL60), os itens passíveis de ajuste para fins de preços de transferência. Como o Contribuinte apresentou vasta documentação para comprovação do Método PIC (Preços Independentes Comparados), o tratamento dispensado pela fiscalização, no intuito de garantir, nos termos da lei, a aplicação do método mais favorável ao interessado, constou em analisar os documentos apresentados para cada item e verificar se o respectivo código havia sido selecionado pelo método PRL (PRL20 ou PRL60). (...) O Contribuinte apresentou, no total, documentação por amostragem e planilhas de cálculo para comprovação do Método PIC (Preços Independentes Comparados) para centenas de itens, conforme documentação anexa ao presente processo. Destaquese que t o d o s os itens e cálculos relativos ao método PIC foram aceitos e utilizados na apuração dos ajustes a título de preços de transferência, de acordo com os seguintes critérios: a) Nos casos em que os Preços Parâmetros demonstrados e calculados pelo Contribuinte, com a utilização do método PIC, acrescidos da margem de divergência de 5% (cinco por cento), foram superiores aos Preços Praticados apurados pela fiscalização, nenhum ajuste foi efetuado para os respectivos itens, nos exatos termos do mencionado artigo 18 da Lei n. 9.430/96; b) Nos casos em que os Preços Parâmetros demonstrados e calculados pelo Contribuinte, com a utilização do método PIC, acrescidos da margem de divergência de 5% (cinco por cento), ainda assim foram inferiores aos Preços Praticados apurados pela fiscalização, os ajustes foram efetuados, por item, conforme tais valores. Resta induvidoso, portanto, que a fiscalização não apenas aceitou os preços apurados pelo Contribuinte, por considerálos adequadamente comprovados, como também os adotou, por expressa determinação legal, para todos os itens demonstrados. Todavia, diversos itens passíveis de ajuste não foram objeto de comprovação, razão pela qual a fiscalização efetuou, para tais hipóteses, os cálculos relativos ao Método PRL. De se notar que, conforme a base de dados entregue pelo Contribuinte e certificada digitalmente, além de informações por ele mesmo prestadas, praticamente todos os itens relativos a insumos de produção foram importados de nãovinculadas, de Fl. 4289DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000330/201050 Acórdão n.º 1301001.485 S1C3T1 Fl. 9 8 tal sorte que os ajustes relativos aos itens adquiridos de pessoa vinculada ou país/dependência com tributação favorecida ficaram adstritos a produtos destinados a revenda, passíveis, portanto, da utilização do método PRL com margem de 20% (PRL20). Com base nas premissas expostas, foram detectados para fins de ajuste, conforme preços apurados pelos diferentes métodos e adotandose a sistemática de utilização do método mais favorável, 139 (cento e trinta e nove) itens, discriminados na tabela abaixo: E elabora tabela para os 139 itens, constante de oito colunas, com as seguintes discriminações: Dispõem os artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em sua impugnação a interessada não contestou a apuração feita pela fiscalização, embora tenha consignado que não teve tempo de verificálos, alegando que: “4.2 Ainda que a autuação tenha por fundamento dados fornecidos pela Impugnante, pode haver ocorrido problemas nos dados ou nos cálculos, inclusive por problemas no processamento digital. 4.3Assim, a Impugnante ressalva seu direito de, identificada qualquer inconsistência nos dados ou nos cálculos que embasaram a lavratura dos Autos de Infração, juntar a demonstração dessa inconsistência aos autos, em complementação à presente Impugnação, em atenção do princípio da verdade material e ao princípio do contraditório e da ampla defesa, que norteiam o processo administrativo.” A impugnação está datada de 06 de janeiro de 2011. Até a data do julgamento de primeira instância (11 de agosto de 2011), quando já decorridos mais de sete meses, a interessada nada aduziu à impugnação para contestar a apuração dos ajustes, minudentemente explicada pela autoridade fiscal. Com o recurso, protocolizado em 17 de novembro de 2011 (ou seja, passados mais três meses), a interessada limitase a afirmar que “em momento algum a Fiscalização Coluna Discriminação 1 Código do item 2 Quantidades Consumidas 3 Preço Parâmetro Unitário (R$) 4 Preço Parâmetro Unitário (R$) com margem de 5% 5 Preço Praticado Unitário (R$) 6 Ajuste Unitário (R$) 7 Ajuste Total (R$ 8 Método Fl. 4290DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000330/201050 Acórdão n.º 1301001.485 S1C3T1 Fl. 10 9 demonstrou, efetivamente, que o método adotado – PRL20 – seria mais vantajosos que o CPL ou mesmo o próprio PIC, ou que seria impossível a aplicação desses outros métodos na apuração dos ajustes a título de preços de transferência nas operações em questão.” Inicialmente, digase que o CPL é método inacessível ao Fisco por iniciativa própria, eis que não tem ele como conseguir os custos de produção no País de origem do bem importado. No mais, temse que o contribuinte foi intimado a apresentar, se assim o desejasse, planilhas e os documentos comprobatórios da utilização do método PIC. Em atendimento, apresentou documentação (por amostragem) e planilhas de cálculo do PIC para centenas de itens. Todos os itens e cálculos relativos ao método PIC foram aceitos e utilizados na apuração dos ajustes pela fiscalização. A fiscalização só efetuou os cálculos pelo Método PRL para os itens que não foram objeto de comprovação. E para esses itens, a fiscalização deve apurar o ajuste por um dos métodos previstos na lei, a partir dos elementos de que disponha, não estando obrigada a testar todos e utilizar o que implique menor ajuste. Isto posto, acolho os embargos para sanar a omissão, ratificando o decidido no Acórdão embargado. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 4291DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI
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