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Numero do processo: 13888.901422/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.356
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 22 /2 01 4- 11 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901422/201411 Acórdão n.º 3402003.356 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901422/201411 Acórdão n.º 3402003.356 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901422/201411 Acórdão n.º 3402003.356 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901422/201411 Acórdão n.º 3402003.356 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000031/2005-10
Turma: Segunda Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS - IRRF
Exercício: 2003
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF.
A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes.
Acórdão que trate de exigência de multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refira-se a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Precedentes.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD -TRIBUTAÇÃO - São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD, conforme Súmula CARF n° 39, de 22/12/2009.
Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9202-000.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS - IRRF Exercício: 2003 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes. Acórdão que trate de exigência de multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refira-se a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Precedentes. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD -TRIBUTAÇÃO - São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD, conforme Súmula CARF n° 39, de 22/12/2009. Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte negado.
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Numero do processo: 10670.720048/2007-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. APRESENTAÇÃO DE ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DISPENSA.
Considera-se dispensável o protocolo do ADA - Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da Área de Interesse Ecológico da tributação do ITR, quando dita área ambiental é assim reconhecida por órgão credenciado junto ao Ibama.
Numero da decisão: 9202-005.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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APRESENTAÇÃO DE ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DISPENSA. Considerase dispensável o protocolo do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da Área de Interesse Ecológico da tributação do ITR, quando dita área ambiental é assim reconhecida por órgão credenciado junto ao Ibama. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 48 /2 00 7- 83 Fl. 225DF CARF MF 2 Relatório Tratase de exigência de ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativa à Fazenda Cajueiro, NIRF nº 0.335.2064, localizado no Município de Matias Cardoso/MG. No julgamento em Primeira Instância o lançamento foi considerado procedente em parte, restabelecendose a Área de Interesse Ecológico e de Servidão Florestal de 5.945,0 ha, sendo que a área total é de 5.965,0 ha (fls. 98 a 105). A decisão foi assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA INTERESSE ECOLÓGICO. Cabe excluir de tributação á área do imóvel comprovadamente localizada dentro dos limites de Parque Estadual, nos termos da legislação de regência. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1 0/01/2004), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Lançamento procedente em parte" A fundamentação para a reversão da glosa foi assim registrada: "Apesar de a autoridade fiscal ter exigido a comprovação da protocolização, em tempo hábil, do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, para justificar a exclusão de tais áreas de tributação, entendo que tal exigência não se faz necessário, quando comprovado nos autos que a área ambiental em questão está localizado dentro dos limites de um Parque, seja ele Nacional, Estadual ou Municipal. Isto em razão das restrições de uso das terras localizadas dentro dos limites de tais unidades de conservação ambiental, impostas pelo poder público. No caso, são admitidas apenas as medidas necessárias à recuperação de seus sistemas alterados e as ações de manejo para recuperação e preservação do equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos naturais, conforme estabelecido em seu plano de manejo. Até mesmo as pesquisas científicas, quando autorizadas pelo órgão responsável pela sua administração, estão sujeitas às condições Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 226 3 e restrições determinadas por este, bem como ao que for definido em seu plano de manejo. É de ressaltar que o Conselho de Contribuintes tem esse mesmo entendimento, conforme manifestado no Acórdão n° 30236.980, Sessão de 10/08/2005, cuja ementa ora se transcreve: "DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. Não é, cabível a exigência da apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, para fins de exclusão do ITR, quando comprovado que as áreas estão localizadas dentro dos limites dos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais". Para justificar a exclusão da área ora tratada da incidência do ITR foi apresentada a Certidão do Instituto Estadual de Florestas IEF, às fls. 11/12, e o Laudo da Comissão Especial Mista para Regularização Fundiária das Unidades de Conservação do Jaíba/MG, doc. de fls. 82/88, comprovando que a área total do imóvel Fazenda Cajueiro está incluída dentro dos limites do Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, (criado pelo Decreto Estadual 39.954, de 08 de novembro de 1998, doc. de fls. 89/92/110, portanto, antes da data do fato gerador do ITR12004), e reconhecendo essa área como de interesse ecológico exigência aplicada a partir do exercício de 1997 e prevista no art. 10, § 1°, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.393/1996, a seguir transcrito: 'Art. 10 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: (...) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso prevista na alínea anterior'. (sublinhouse). Também consta dessa 'Certidão', de fls. 11/12, que a referida propriedade está sendo objeto de desapropriação administrativa, nos moldes do art. 10, do DecretoLei n° 3.365/41, conforme Decreto de Utilidade Pública, publicado no DO em 31/01/2007. Consta, ainda, que essa 'Certidão' possui fépública, vez que emanada do órgão estadual capaz e competente, conforme diretrizes constitucionais e estaduais instituídas, órgão este, credenciado junto ao IBAMA, conforme acordo de cooperação para Gestão Compartilhada entre esses dois órgãos ambientais (IEF e IBAMA). Especificamente no que se refere ao Instituto Estadual de Florestas (IEF), temse que tal entidade é uma autarquia estadual integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente, tendo por missão propor, coordenar e executar a política Fl. 227DF CARF MF 4 florestal no Estado de Minas Gerais, promovendo a preservação e a conservação da flora e da fauna, o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais renováveis, bem como a realização de pesquisas em biomassa e biodiversidade. Portanto, é inegável a competência do Instituto Estadual de Florestas (IEF) para emitir tal Certidão, certificando que o imóvel tratado nos autos, denominado 'Fazenda Cajueiro', está totalmente localizado dentro dos limites do referido Parque Estadual. Dessa forma, cabe acatar o pleito da requerente e restabelecer as áreas ambientais declaradas, 5.945,0 ha de interesse ecológico e servidão florestal." O crédito tributário exonerado acarretou Recurso de Ofício ao CARF, julgado em sessão plenária de 07/02/2012, prolatandose o Acórdão nº 220201.603 (fls. 113 a 120), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir as áreas de utilização limitada da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente." Cientificada do acórdão em 07/05/2012 (fls. 133), a Contribuinte opôs, por meio de correspondência postada em 10/05/2012 (envelope de fls. 159), os Embargos de Declaração de fls. 141 a 149, rejeitados conforme o despacho de fls. 165. Intimada da rejeição de seus Embargos de Declaração em 06/06/2013 (fls. 167), a Contribuinte interpôs, por meio de correspondência postada em 19/06/2013 (envelope de fls. 172), o Recurso Especial de fls. 169 a 211, visando a rediscussão da obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, para exclusão de Área de Interesse Ecológico localizada dentro de parque estadual, da tributação do ITR. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade de 16/10/2015 (fls. 213 a 215). No apelo, a Contribuinte alega, em síntese: a Lei n. 9.393, de 1996, que dispõe sobre o ITR, sequer menciona o ADA, muito menos impõe a obrigatoriedade de apresentação de tal documento para fixação das áreas não tributáveis; diante disso, interpretar o termo "declaração para fim de isenção de ITR" utilizado na parte inicial do art. 10, § 7o da Lei n. 9.393/96, como sendo a declaração feita pelo contribuinte na qual se baseia o ADA (conforme expresso no v. acórdão embargado), extrapola os limites da razoabilidade; Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 227 5 com efeito, a regulamentação de aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob o regime de servidão florestal ou ambiental foge totalmente ao objeto e à finalidade da Lei n. 9.393, de 1996; tais aspectos, quando da inserção do § 7o ao art. 10 da Lei n. 9.393/96, pela Medida Provisória n. 2.16667, de 2001, já eram inclusive regulamentados pelo IBAMA, inexistindo necessidade de novo dispositivo legal no mesmo sentido e com propósito idêntico; desta forma, a simples declaração do contribuinte, na própria DITR, é suficiente para determinação da área rural não tributável, ficando sujeito ao pagamento do imposto correspondente, com juros e multa, somente nos casos em que for comprovado que a declaração não é verdadeira, nos termos do art. 10, § 7º, da Lei n. 9.393, de 1996; por consequência lógica, como o próprio dispositivo não restringe a prova da veracidade das declarações à apresentação do ADA, são admitidos todos os meios legais de prova (cita o Acórdão nº 2201001.851); no caso específico, toda a área objeto da tributação situase em Parque Estadual, criado pelo Decreto Estadual nº 39.954, de 08/10/1998, para proteção e preservação permanente da área em razão dos excepcionais atributos da natureza (art. 2o do Decreto Estadual nº 21.724, de 23/11/981), conforme certidão expedida pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais já juntada aos autos, órgão estadual responsável pela administração dos Parques Estaduais (art. 5o do Decreto Estadual n. 21.724, de 1981); além disso, para perfeita interpretação do art. 170, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981 (em que se fundamenta a suposta obrigatoriedade do ADA para redução do ITR) é necessário contextualizálo; de fato, o caput do art. 170, da Lei nº 6.938, de 1981, dispõe que:; "Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.9,60. de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." a simples leitura do dispositivo em questão permite concluir que existem hipóteses em que os proprietários rurais podem se beneficiar da redução do valor do ITR sem apresentação do ADA, o que demonstra, por si, que o ADA não é documento indispensável para determinação da área não tributável para fins de cálculo do ITR; assim, o art. 170, § 1º, da Lei n. 6.93, de 1981, referese muito mais à obrigatoriedade de apresentação do ADA, nos casos em que este foi solicitado ao órgão ambiental pelo contribuinte, do que propriamente sua imprescindibilidade para redução do ITR; de fato, sempre que solicitado o ADA, este deve obrigatoriamente servir como base para a redução do ITR, afastandose a possibilidade de obtenção de declaração equivalente em órgão estadual de competência concorrente, como autoriza a Lei n. 9.393, de 1996, o que não quer dizer que o ADA é o único documento apto a permitir a redução do ITR (cita o Acórdão nº 2201001.851) Fl. 229DF CARF MF 6 o Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro, assim como as demais Unidades de Conservação, foi criado para preservar o ecossistema natural ainda existente naquela região, por ser de grande relevância ecológica, tanto é verdade que, desde sua criação em 1998, foi vedado o desmate de áreas de vegetação nativa (art. 6º do Decreto nº 39.954, de 1998) assim como a utilização econômica da área pelo proprietário (art. 12,1, do Decreto nº 21.724, de 1981); esse simples fato, na pior das hipóteses, gera a presunção legal de que as propriedades inseridas neste parque estadual são de "interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas" e, portanto, não integram a área tributável que serve de base de cálculo para o ITR (art. 10, II, b, da Lei nº 9.393, de 1996); sendo assim, não é cabível a exigência de ADA e esse é inclusive o entendimento do CARF (cita o Acórdão nº 30236.980); mais que a presunção legal, no caso concreto jamais houve questionamento quanto ao fato de que a área objeto da autuação encontrase efetivamente preservada e é de interesse ecológico, ou seja, não existe nenhum indício sequer de que a declaração feita pelo contribuinte, para recolhimento do ITR, não é verdadeira; as áreas englobadas pelas presentes fazendas são ainda, por força da letra b, inciso II, § Io do art. 10 da Lei Federal nº 9.393, de1996, cumulada com o art. 3o da lei federal 4.771, de 1965, isentas do recolhimerto do imposto territorial rural desde agosto de 1998, por ser área não tributável após a decretação da Unidade de Conservação, ou após a averbação de sua respectiva reserva legal; diante destas constatações, não é razoável penalizar o contribuinte pelo descumprimento de uma determinada formalidade, quando há documentação suficientemente apta a comprovar que as declarações por ele feitas são verdadeiras e que a integralidade de sua propriedade rural não é tributável pelo ITR, por ser de relevante interesse ecológico para a preservação do ecossistema em que se insere; com efeito, a não apresentação do ADA, por si, não altera o fato de que a área objeto da autuação realmente não deva compor a base de cálculo do ITR (cita o Acórdão nº 920201.901); por tudo isso, como não há dúvidas de que a Fazenda Cajueiro inserese integralmente em Unidade de Conservação Estadual Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro, a totalidade de sua área não é tributável e, portanto, não compõem a base de cálculo do ITR, nos exatos termos do art. 10, II, b da Lei n. 9.393/96. Assim, a verdade material deve prevalecer sobre a mera formalidade de apresentação do ADA; o último ponto que merece atenção é o Grau de Utilização da Fazenda Cajueiro, isso porque em obediência ao princípio da função social da propriedade, as alíquotas do ITR são progressivas, variando entre 0,45% do VTNt e 20% do VTNt, dependendo do Grau de Utilização da área total; no caso concreto, a autuação fiscal utilizou a alíquota máxima para cálculo do ITR devido Como se sabe, o Grau de Utilização é a relação percentual entre área aproveitável do imóvel rural e a área efetivamente utilizada; de acordo com o art. 10. IV da Lei n. 9.393, de1996, a área aproveitável é toda aquela "que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal", e no caso o imóvel se insere integralmente nos limites do Parque Estadual da Lagoa Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 228 7 do Cajueiro, não lhe sendo permitida qualquer forma de exploração das riquezas e dos recursos naturais, conforme determina o art. 12, I do Decreto n. 21.724, de 1981; em virtude disso, não há área aproveitável, segundo definição da própria Lei n. 9.393/96 e, por consequência lógica, na pior das hipóteses, a alíquota aplicável ao caso seria a de 0,45% do VTNt; com efeito, a progressividade das alíquotas do ITR visa punir os contribuintes que não respeitam a função social da propriedade e, muitas vezes, utilizam áreas para simples especulação imobiliária ou outro fins não produtivos, mas esse não é o caso, a Fazenda Cajueiro cumpre sua função social justamente por não utilizar as áreas de relevante interesse ecológico, assim declaradas pelo Decreto n. 39.954, de 1998 Ao final, a Contribuinte pede o provimento do recurso, ou que se determine a aplicação da alíquota de 0,45% do VTN. O processo foi encaminhado à PGFN em 19/10/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 216), e, em 22/10/2015 ofereceu as Contrarrazões de fls. 217 a 223 (Despacho de Encaminhamento de fls. 224). Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional reitera os argumentos contidos no acórdão recorrido e ao final pede o não provimento do recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de provimento de Recurso de Ofício, restabelecendose a glosa da Área de Interesse Ecológico e de servidão florestal, por falta de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental, ou do respectivo protocolo. Examinandose a legislação de regência, verificase que o direito à exclusão, da base de cálculo do ITR, das áreas ambientais em tela, está garantido na Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 10, com a redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 231DF CARF MF 8 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal. (...)" (grifei) A Lei n° 4.771, de 1965, com a redação das Leis nºs 6.938, de 1981, e 10.165, de 2000, por sua vez, assim estabelecia, à época do fato gerador: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (...) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 229 9 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. No presente caso, a única motivação para a glosa da área em questão foi a ausência do ADA, conforme o Auto de Infração (fls. 04): "Analisando a declaração de ITR de 2004, podese constatar que o contribuinte informa praticamente a totalidade da Área do imóvel como sendo área de interesse ecológico e de servidão florestal (5.945,0 ha). Para exclusão das áreas de interesse ecológico e de servidão florestal da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, que as áreas sejam assim declaradas mediante ato do órgão competente, Federal ou Estadual, e que atendam ao disposto na legislação vigente. Verificando a documentação apresentada pelo contribuinte, nela não foi encontrada o ADA requerido pela legislação." (grifei) Embora a legislação efetivamente acoberte a exigência do ADA Ato Declaratório Ambiental, a Contribuinte apresenta documentação que, no entender desta Conselheira, supre a necessidade do citado ato, a exemplo do que ocorre com a averbação na matrícula do imóvel, no caso da Reserva Legal, considerado como suficiente para reconhecer o benefício. Tratase da Certidão de fls. 11/12, emitida pelo Instituto Estadual de Florestas: "A Diretoria de Pesca e Biodiversidade/DPB IEF/MG certifica para os fins específicos da declaração de I.T.R. (Imposto Territorial Rural), que se encontra inclusa dentro do PARQUE ESTADUAL LAGOA DO CAJUEIRO, criado pelo Decreto Estadual 39.954 de 08 de Novembro de 1998, com área aproximada de 20.500,00 ha, (vinte mil e quinhentos hectares) abarcando a totalidade da seguinte área: • Imóvel Rural com área registrada de 6.900,00ha. (seis mil e novecentos hectares) registrada sob o n.° M R08101 Lv. 2L, fls. 101, registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Manga Minas Gerais, de propriedade da empresa Agropecuária CHS S/A. • Ocorre que do referido imóvel após o processo de medição oficial, para fins de desapropriação e avaliação, realizado pelo Instituto de Terras de Minas Gerais fora apurada a área georreferenciada (com base na Lei Federal 10.267/00) de 6.053,25,85 ha (seis mil e cinqüenta e tits hectares, vinte e cinco ares e oitenta e cinco centiares).(destaque no original) O Instituto Estadual de Florestas certifica que a área total do imóvel está inserida na unidade de proteção integral acima exposta, e que a presente propriedade está sendo objeto de desapropriação administrativa, nos moldes do art. 10 do Decreto lei 3.365/41 conforme Decreto de Utilidade Pública sem número, Fl. 233DF CARF MF 10 publicado no Diário Oficial em 31/01/2007, já contendo laudo fundiário, mapa georreferenciado, memorial descritivo, laudo de avaliação oficial, certificação enquanto domínio e a posse do imóvel, havendo desde já, a aceitação prévia do proprietário à cerca dos valores avaliados para a propriedade. Da presente forma, as áreas englobadas pelas presentes fazendas são ainda, por força da letra b, inciso II, §1° do art. 10 da Lei Federal 9.393/96, cumulada com o art. 3° da lei federal 4771/65, isentas do recolhimento do imposto territorial rural, desde agosto de 1998, por ser área não tributável após a decretação da Unidade de Conservação, ou após a averbação de usa respectiva reserva legal. (destaquei) (...) O Instituto Estadual de Florestas vem ainda informar à Receita Federal que, a propriedade em tela cumpre a sua função ambiental constitucional, sendo de inteira relevância para proteção do Bioma de Mata Seca em estágio primário, possuindo inclusive proteção legal conforme disposto na lei federal 11.428/06. A presente certidão possui fépública, vez que emanada do órgão estatal capaz e competente, conforme diretrizes constitucionais e estaduais instituídas, órgão este, credenciado junto ao IBAMA, conforme acordo de cooperação para Gestão Compartilhada celebrado entre o D.D. Secretário Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável juntamente com o D.D. Presidente do IBAMA, publicado no Diário Oficial em 31 de agosto de 2004." Assim, tratandose de certidão emitida por órgão credenciado junto ao Ibama, atestando tratarse de Área de Preservação Permanente desde 1998, portanto antes do fato gerador, tornase dispensável a apresentação do ADA, que teria de ser protocolado junto ao Ibama. Ademais, foi apresentado laudo, também emitido pelo Instituto Estadual de Florestas, preparado pela Comissão Especial Mista para Regularização Fundiária das Unidades de Conservação do Jaíba/MG (fls. 82 a 88), comprovando que a área total do imóvel Fazenda Cajueiro encontrase dentro dos limites do Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, criado pelo Decreto Estadual nº 39.954, de 1998. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 230 11 Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721756/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO.
Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(Assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 17 56 /2 01 5- 16 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 69 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 70 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 8 a 11) no valor de R$ 20.701,40 referente à Imposto de Renda Retido na fonte pagadora Basf Sociedade de Previdência Complementar do contribuinte, em razão de compensação indevida. Com esse lançamento, o imposto de renda a restituir pleiteado pelo contribuinte, no valor de R$ 11.256,70 foi ajustado para R$ 5.488,90. Inconformado com o teor da autuação o contribuinte apresentou impugnação administrativa (fl.. 2) alegando em síntese: Anexa documentos (fls 05 a 36) quais sejam: a notificação de lançamento, o protocolo de entrega PERDCOMP, declaração de IR ano calendário 2011, comprovante de rendimentos 2010, comprovante de rendimentos BASF complementar 2010 e demonstrativo de contribuições BASF complementar. Por fim, a 08ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o crédito tributário exigido conforme inferese da ementa do Acórdão nº 1055.583 abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS PAGOS POR ENTIDADES DEPREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. IRRF. OPÇÃO PELA TABELAREGRESSIVA.TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA/DEFINITIVA. O imposto de renda retido na fonte de que trata o artigo 1° da Lei n° 11.053, de 29 de dezembro de 2004, será definitivo. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 71 4 Intimado da decisão no dia 08/09/2015 (fls. 54) o contribuinte protocolou no dia 08/10/2015 Recurso Voluntário (fls. 56/58), onde traz as mesmas alegações da impugnação, acrescentando o argumento de que não merece prosperar a negativa de seu direito creditório, eis que julgado por órgão não competente. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Inicialmente cumpre analisar a exegese contida na Instrução Normativa 1343/2013 consoante excerto abaixo transcrito: Art. 1º Esta Instrução Normativa estabelece normas e procedimentos relativos ao tratamento tributário a ser aplicado na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. (...) CAPÍTULO II DO TRATAMENTO A SER APLICADO AOS BENEFICIÁRIOS QUE SE APOSENTARAM ENTRE OS ANOS DE 2008 E 2012 Seção I Do Tratamento a Ser Aplicado aos Beneficiários sem Ação Judicial em Curso Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 73 6 forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (...) II observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma:(grifado) (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) a) excluir o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular” ou da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelos Dependentes”, se for o caso; b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e c) manter, na declaração retificadora, as demais informações constantes da declaração original que não sofreram alterações. (...) Pois bem. A partir da leitura do dispositivo acima, extraise que, poderia ser excluído o montante das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 dos rendimentos tributáveis pagos ou creditados por entidade de previdência complementar informados na Declaração de Ajuste Anual – DAA. O contribuinte trouxe ao processo o documento apresentado pela Basf Sociedade de Previdência Complementar, informando o saldo atualizado das contribuições em 31/12/2009, no valor de R$ 43.341,12. (fls. 15/16) No mais, o documento informa a data do início do benefício – 01/10/2009 – bem como os valores recebidos de complementação de aposentadoria nos anoscalendário 2009 a 2012 sob o regime de tributação da tabela regressiva. (fl. 17) Em relação a tributação dos planos de benefícios de caráter previdenciário, assim dispõe a Lei n° 11.053 de 29 de dezembro de 2004: Art.1° É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 74 7 valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos. § 1o O disposto neste artigo aplicase: I aos quotistas que ingressarem em Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI a partir de 1o de janeiro de 2005; II aos segurados que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência em relação aos rendimentos recebidos a qualquer título pelo beneficiário. § 2 O imposto de renda retido na fonte de que trata o caput deste artigo será definitivo. (grifado) (...) Art. 2º É facultada aos participantes que ingressarem até 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, a opção pelo regime de tributação de que trata o art. 1o desta Lei. (...) Deste modo, conforme documento apresentado pela entidade de previdência (fl. 17) sobressai a circunstância de que no anocalendário de 2010 foram pagos rendimentos tributáveis no valor total de R$ 82.805,54 e que o contribuinte optou pelo regime de tributação Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 75 8 pela tabela regressiva. Nesse tipo de tributação, a incidência de IR ocorre de forma definitiva e exclusiva na fonte, ou seja, não se sujeita a recálculo na declaração de ajuste anual. No mais, constatou a DRJ, através de pesquisa aos registros da Receita Federal do Brasil – RFB, que os valores foram informados pela Basf Sociedade de Previdência Complementar no código 5565 (tributação exclusiva na fonte) com os mesmos valores constantes do documento apresentado (fl. 17). O Comprovante de Rendimentos emitido (fl. 32) confirma, de fato, a informação de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva no valor de R$ 62.104,14 (rendimento líquido). Na DAA Retificadora (fl. 43), o contribuinte, por sua vez, incluiu a informação da fonte pagadora Basf Sociedade de Previdência Complementar, CNPJ 56.995.624/000140, no campo de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Titular, com rendimentos no valor de R$ 59.751,29 e com imposto de renda retido na fonte – IRRF, no valor de R$ 20.701,40. Como constatado pela DRJ, acertado o lançamento fiscal (fl 10) que excluiu o rendimento declarado de R$ 59.751,29 (sendo que havia R$ 82.805,58 de rendimento sujeito à tributação definitiva) reduzindo a base de cálculo do imposto de renda para R$ 51.339,72 e glosou a compensação do IRRF no valor de R$ 20.701,40, por se tratar de tributação exclusiva na fonte quando do recebimento dos benefícios ao anocalendário de 2010. Dessa forma, correto o procedimento do contribuinte ao apresentar Pedido de Restituição ou Ressarcimento (fl. 12/14) conforme prevê a Instrução Normativa RFB N° 1343/2013, que assim dispõe: Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (...) § 8º A restituição relativa ao abono anual pago a título de décimo terceiro salário e ao regime de que trata a Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004, no período a que se refere o caput, deverão ser pleiteadas por meio de apresentação do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a ser protocolado na unidade do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) Todavia, não cabe a este colegiado a apreciação do Pedido de Ressarcimento do ora recorrente, o qual deverá obedecer trâmite próprio e ser analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil competente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 76 9 Assim, deve ser negado provimento ao recurso voluntário do recorrente, sem que a presente decisão incorra em prejuízos à análise do mencionado Pedido de Ressarcimento, o qual será objeto de análise e apreciação pelo órgão competente, não sendo possível a sua apreciação e/ou aplicação de efeitos no julgamento do recurso voluntário ora em análise. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, sem prejuízo de futura análise do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte pela Delegacia de origem competente. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008865/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1999
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO. CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1999 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO. CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 88 65 /2 00 7- 79 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.008865/200779 Acórdão n.º 2402005.501 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 37.116.4532 (fls. 2/16), referente à obrigação tributária acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso I e § 9°, do Decreto 3.048/99, do período de 04/1997 a 06/1999. A instância recorrida assim resumiu os termos do lançamento: De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 15/17), a empresa autuada não incluiu nas folhas de pagamento alguns segurados que lhe prestaram serviço, conforme descrito nos itens abaixo: a) foram encontrados recibos de pagamento de remuneração do Sr. Jair Alexandre Lopes, empregado registrado na empresa Mazana Ltda, do mesmo grupo econômico, por serviços prestados em shows na função de técnico de som e iluminação, nos meses de 09 e 11/1997, 11 e 12/1998, 03, 05 e 06/1999, não incluídos nas folhas de pagamento mensais e também não declarados nas GFIP. b) foram encontrados recibos de pagamento de salário do funcionário Sérgio Nepomuceno, relativos aos meses l 1/ 1998 e 2” parcela do 13° salário do mesmo ano, no cargo Segurança, sem inclusão em folha de pagamento. c) foram encontrados recibos de pagamento de remuneração de Erivaldo da Anunciação e Antônio Femando Neves, dos meses 03 e 06/1999, respectivamente, sendo que nos recibos assinados não há discriminação do tipo do serviço prestado. d) não há inclusão em folha de pagamento da parcela paga através do cheque 656702, no mês 01/1998, no valor de RS 50.000,00 (cinqüenta mil reais), decorrente do Acordo entre as partes nos autos da Reclamatória Trabalhista 0l2.97.198301, movida pelo empregado Carlos Alves. e) as remunerações mencionadas anteriormente, não incluídas em folhas de pagamento, não se encontram também escrituradas nos livros Diário dos respectivos Exercícios Sociais, e foram identificadas em recibos de pagamento e processos de reclamatória trabalhista. Í) os segurados autônomos Luís Assis, Marcelo Machado e Nildão perceberam remuneração por serviços prestados como backing vocal, técnico e produtor de discos, respectivamente, e não foram incluídos em folha de pagamento. As remunerações foram identificadas às folhas 08 e 15, do livro Diário 06; e n° 20, do livro Razão 06. Os pagamentos mensais dos segurados incluídos em folha são contabilizados a débito da conta Salários e Ordenados a pagar que, por sua vez, recebe os lançamentos dos valores líquidos das folhas cujas despesas são escrituradas nas contas salários e ordenados, férias, horas extras, adicional noturno. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 O contribuinte em sua impugnação alegou, em síntese (fls. 130/132): que a infração constatada não trouxe qualquer tipo de prejuízo à arrecadação e fiscalização do INSS, bem como os fatos articulados não ocorreram por culpa ou dolo da empresa na tentativa de evasão de recursos; que a autuação deveria ser apreciada concomitantemente ou após a decisão prolatada na NFLD nº 37.116.4516, uma vez que o julgamento do AI depende diretamente da análise dos fatos, provas e argumentações articuladas na impugnação da referida NFLD. que estava decaído o prazo para lançamento da infração. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 147/156), o autuado interpôs recurso voluntário em 11/3/2008 (fls. 172/175), defendendo a nulidade do julgamento contestado dada a necessidade de apreciação conjunta com Notificação de Lançamento nº 37.116.4516, referente à obrigação principal, e reiterando, no mais, os argumentos da impugnação. Em petição protocolizada em 3/7/2008 (fls. 177/182), postula o recorrente, ainda, a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF ao caso vertente. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.008865/200779 Acórdão n.º 2402005.501 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Merece ser observado, de início, não prosperar no caso a alegação de necessidade de observância à Súmula Vinculante STF nº 8, visto que a multa em comento é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, em nada se confundindo com tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa feita, submetese ao prazo de cinco anos contados nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Nesse compasso, contudo, deve ser reconhecido que quando o contribuinte foi, em 4/9/2007, cientificado dos termos do lançamento, já estava decaído o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, pois os fatos que deram ensejo à multa aplicada referemse a períodos compreendidos entre os anoscalendário 1997 e 1999. Registrese, outrossim, que no processo 10580.008859/200711, foi declarada a decadência do DEBCAD nº 37.116.4516, relativo à obrigação principal. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento, declarando a decadência do lançamento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720094/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PROVAS. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES E LANÇAMENTO ANTE A AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS. LEGALIDADE.
Não há nulidade do lançamento por ausência de provas quando o contribuinte é reiteradamente intimado e, esquivando-se de atender às intimações da fiscalização, deixa de prestar esclarecimentos e provas acerca da natureza dos rendimentos declarados em DIRPF.
MULTA AGRAVADA. Comprovado nos autos o descaso do contribuinte para com as intimações da autoridade fiscal, retardando o procedimento fiscal, cabível o agravamento da multa conforme par. 2 do art. 44 da Lei 9430/1996.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS.
Se declarado pelo contribuinte em DIRPF que recebeu rendimentos isentos de pessoa jurídica e, iniciada a fiscalização que solicite documentos e provas de que tais rendimentos efetivamente foram pagos e referem-se a rendimentos isentos, não sendo apresentadas provas suficientes para comprovação do que declarado em DIRPF, deve ser mantido o lançamento e afastada a natureza de rendimentos isentos declarados pelo contribuinte.
MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do mútuo deve ser inequívoca e não comportar interpretações múltiplas. No caso dos autos, não há a comprovação inequívoca de que os recursos do indicado mutuante teriam sido entregues ao contribuinte. Tampouco o contrato de mútuo contém qualquer indicação oficial inequívoca de que tenha sido produzido na data constante do documento.
MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
A simples omissão de receitas, como reconhecido pela própria fiscalização, não enseja a qualificação da multa de ofício (150%), nos exatos termos da Súmula CARF nº. 14.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário, para, no mérito: a) quanto ao rendimento recebido a título de dividendos, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário; b) quanto ao rendimento decorrente dos contratos de mútuo, por voto de qualidade, negar provimento recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; c) por maioria, dar provimento ao recurso, para excluir a multa qualificada, vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; d) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao agravamento da multa, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortaro (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; e e) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Assim, dá-se provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindo-a ao percentual de 75%, agravada para 112,5%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PROVAS. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES E LANÇAMENTO ANTE A AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS. LEGALIDADE. Não há nulidade do lançamento por ausência de provas quando o contribuinte é reiteradamente intimado e, esquivandose de atender às intimações da fiscalização, deixa de prestar esclarecimentos e provas acerca da natureza dos rendimentos declarados em DIRPF. MULTA AGRAVADA. Comprovado nos autos o descaso do contribuinte para com as intimações da autoridade fiscal, retardando o procedimento fiscal, cabível o agravamento da multa conforme par. 2 do art. 44 da Lei 9430/1996. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS. Se declarado pelo contribuinte em DIRPF que recebeu rendimentos isentos de pessoa jurídica e, iniciada a fiscalização que solicite documentos e provas de que tais rendimentos efetivamente foram pagos e referemse a rendimentos isentos, não sendo apresentadas provas suficientes para comprovação do que declarado em DIRPF, deve ser mantido o lançamento e afastada a natureza de rendimentos isentos declarados pelo contribuinte. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do mútuo deve ser inequívoca e não comportar interpretações múltiplas. No caso dos autos, não há a comprovação inequívoca de que os recursos do indicado mutuante teriam sido entregues ao contribuinte. Tampouco o contrato de mútuo contém AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 94 /2 01 3- 01 Fl. 511DF CARF MF 2 qualquer indicação oficial inequívoca de que tenha sido produzido na data constante do documento. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A simples omissão de receitas, como reconhecido pela própria fiscalização, não enseja a qualificação da multa de ofício (150%), nos exatos termos da Súmula CARF nº. 14. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário, para, no mérito: a) quanto ao rendimento recebido a título de dividendos, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário; b) quanto ao rendimento decorrente dos contratos de mútuo, por voto de qualidade, negar provimento recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; c) por maioria, dar provimento ao recurso, para excluir a multa qualificada, vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; d) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao agravamento da multa, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortaro (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; e e) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Assim, dáse provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindoa ao percentual de 75%, agravada para 112,5%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de recurso voluntário e de ofício em decorrência do acórdão nº. 0435.285 (410/428) da 3ª Turma da DRJ/CGE, que julgou parcialmente procedente a impugnação do ora recorrente, sendo proferido o acórdão assim ementado: COMPETÊNCIA PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INRFAÇÃO É válido o auto de infração formalizado por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. INTIMAÇÃO PESSOAL. Comprovado está que o contribuinte foi intimado por outros meios que não o pessoal. Não obstante, se a autoridade lançadora dispuser de todos os elementos necessários ao lançamento e entender dispensável a intimação para prestar esclarecimentos, o processo de lançamento de ofício será iniciado sem a ciência do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Cabe ao contribuinte a apresentação de documentos comprobatórios, idôneos e capazes, com a finalidade de comprovar a inocorrência de omissões de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, identificadas pela autoridade fiscal. Impugnação procedente em parte Crédito tributário mantido em parte Trata o presente lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fl. 148/161) que, nos termos da DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls. 150 a 152), assim disposto: Fl. 513DF CARF MF 4 Segundo o termo de verificação fiscal (fls. 162/184), temos que: Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 4 5 Fl. 515DF CARF MF 6 Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 5 7 Apresentada a impugnação (fls. 186/192), esta foi apreciada e foi proferido o acórdão nº. 0435.285 cuja ementa acima já reproduzimos e julgou parcialmente procedente a impugnação, apenas para afastar o lançamento como receita tributável o valor transitado em conta bancária do recorrente, por se tratar de valor de terceiros, tendo sido mantidas as demais. Fl. 517DF CARF MF 8 Notificado deste acórdão em 14/07/2014 (AR fl. 433), apresentou, tempestivamente, o seu recurso voluntário de fls. 435/455 em 11/08/2014, alegando, em síntese: a) ausência de prova das alegações quanto a omissão de receitas, por se tratar de presunção do AFRFB ante o não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, o que teria o condão de invalidar todas as informações contidas nos documentos contábeis e fiscais do ora recorrente; b) foram desconsiderados os valores recebidos a título de empréstimo informados nas DIRPFs do recorrente (mutuário) e das mutuantes (Sra. Catarina de Souza e Sra. Nathalia Rudek de Souza); c) em todo o curso do procedimento fiscal e no conteúdo do Termo de Verificação Fiscal, o AFRFB não demonstra de fato que teriam ocorrido: simulações, erros nos cálculos dos tributos das empresas como dividendos e valores incongruentes entre o que foi declarado de mútuo pelos mutuantes e pelo mutuário; d) as DIRPFs das pessoas envolvidas (Souza Junior Auditoria e SR Comércio de Produtos de Informática e Serviços) e do Recorrente já demonstram claramento o quanto foi apurado de lucro, quanto foi o valor tributado sobre o mesmo e o quanto foi distribuído em cada período de 2007 a 2010; e) foram apresentados os DRE´s da empresa Souza Junior Auditoria dos anos 2007 a 2010 (docs. 02 a 05), onde são demonstradas as distribuições de lucro feitas por esta ao Recorrente após a devida tributação com base no lucro presumido; f) foram apresentadas as DREs da empresa SR Comércio de Produtos e Serviços que a empresa apurou lucro líquido nos 4 trimestres de 2007 e que justificam às distribuições de lucros; g) alega que não haveria simulação dos empréstimos recebidos para acobertamento de rendimentos tributáveis (mútuos entre a irmã e filha do recorrente para com o mesmo), conforme resta evidenciado pelos documentos comprobatórios das operações de mútuos realizadas entre o recorrente e as mutuantes; h) destaca que os contratos de mútuo atendem a todos os seus requisitos (fls. 494 e ss.), onde se evidencia: 1) os valores contratados; 2) as retiradas de lucros das empresas "SR Comercio" pelas sócias que seria repassada em moeda corrente ao recorrente; 3) o vencimento do contrato; 4) a forma de quitação dos mútuos via pagamento em moeda ou em despesas de responsabilidade das mutuantes; i) para comprovar as movimentações financeiras em seu favor, junta informe de rendimentos financeiros do anocalendário 2009 em seu nome, emitido pela Metropolitan Life Seguros e Previdência Privada S/A ("Met Life") e comprovantes de aporte no valor de R$ 150.200,00 (31/07/2009); R$ 80.000,00 e R$ 25.000,00 datados de (28/12/2009), o que confirma que a somatória dos mútuos no valor de R$ 480.000,00 foi aplicada pelo recorrente num Plano Vida Gerador de Benefícios Livres VGBL em tal instituição financeira; j) contesta a ausência de dolo, fraude ou máfé a justificar a aplicação da multa qualificada de 150% e o seu agravamento em 50%. É o relatório. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Da nulidade por ausência de provas para comprovação de omissão de receitas No ponto específico, entendo que não assiste razão ao recorrente quanto a alegação de que não deveria prosperar o Auto de Infração por ausência de comprovação da alegada omissão de receitas. O fato da AFRFB tentar diligenciar, diversas vezes, junto ao contribuinte para que esclarecesse os valores recebidos e declarados e, não obtendo respostas do contribuinte, não invalidam o lançamento. Tampouco entendo que o AFRFB tenha, pelo simples fato de não ter suas intimações respondidas, despendido força intelectual exacerbada para realizar o lançamento. O convencimento fiscal está claro (se certo ou errado, é outra questão) razão pela qual não o vejo que tenha sido realizado com exagero ou tampouco consubstanciado em documentos e provas que estejam contidas no processo, fazendo sobre tais, a sua valoração e aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso. Dos rendimentos recebidos a título de dividendos Alega o recorrente que as declarações de IRPJ das pessoas jurídicas envolvidas demonstram o seu lucro apurado, a tributação sobre tal e a sua distribuição nos períodos de 2007 a 2010. Traz, ainda, nas fls. 460 e ss. os documentos contábeis daquelas empresas que atestariam as suas razões. Entendo que, a partir do momento em que intimado o contribuinte para demonstrar e comprovar o efetivo recebimento de valores declarados em sua DIRPF, ainda que tais valores estejam mencionados nas declarações (somente declarações) das pessoas jurídicas tidas como aquelas que fizeram a distribuição de lucros, cabe a ele comprovar, ou apresentar elementos que levem a compreensão à comprovação, de que tais valores foram efetivamente distribuídos. No presente caso, traz em seu recurso voluntário os documentos que seriam a as comprovações contábeis que atestariam a referida distribuição dos lucros. Em que pese o esforço do contribuinte, entendo que os documentos de fls. 460 e ss. não são suficientes para atestar a veracidade dos fatos por ele alegados. Tais documentos (DRE´s, planilhas contábeis, Balancete Patrimonial) sequer se revestem de Fl. 519DF CARF MF 10 requisitos mínimos de validade, nos termos da legislação comercial, por exemplo no Código Civil: Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1o Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Assim, os documentos apresentados não estão sequer assinados pelo contabilista responsável, o que, digase, é o próprio recorrente. Nesse contexto, tratase de cotejar a seguinte situação: DECLARAÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA E JURÍDICAS que atestam uma determinada realidade e, realidade esta, que não pode ser comprovada por meio de outros documentos, em especial os contábeis, nos termos da legislação de regência, que atestem a primeira situação. Isto posto, no tocante aos rendimentos declarados como isentos e recebidos de pessoa jurídica, entendo que o contribuinte não restou comproválos e, por isso, nego provimento ao recurso voluntário. Dos mútuos realizados Ainda segundo o recorrente, não há que se falar em simulação de empréstimos recebidos para acobertamento de rendimentos tributáveis, quais sejam, os mútuos entre a irmã e a filha do Recorrente para com o mesmo. Traz o recorrente os documentos comprobatórios que atestariam a realização dessas operações: a) Mútuo entre Recorrente e a Sra. Catarina de Souza, no valor de R$ 350.000,00; b) Mútuo entre o Recorrente e a Sra. Nathalia Rudeck de Souza, no valor de R$ 130.000,00. Os referidos contratos de mútuo encontramse às fls. 494 e ss. Para a comprovação da capacidade da Sra. Catarina de Souza repassar o montante de R$ 350.000,00 ao recorrente, traz à fl. 498 a Declaração do Portador Controle de Transação em Espécie do Banco Real, datada de 23/12/2009, onde a mencionada Sra. saca em Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 7 11 seu nome, pessoa física, valores de titularidade da empresa SR COMÉRCIO PRODUTOS INFORMÁTICA E SERVIÇOS LTDA, acompanhado do respectivo recibo de saque à fl. 499. Para corroborar o repasse do valor de R$ 130.000,00 pela sócia Sra. Nathalia Rudek de Souza, junta o extrato de conta corrente (fl. 500) do Banco Unibanco da empresa SR Comércio de Produtos e Serviços referente à movimentação financeira de 01 a 31 de julho de 2009, onde se verifica a compensação de cheque no valor de R$ 150.200,00 em 31/07/2009. Traz ainda às fls. 502 e ss. um Informe de Rendimentos Financeiros Ano Calendário 2009, em seu próprio nome, que comprovam aportes no valor de R$ 150.200,00 (datado de 31/07/2009) e outros nos valores de R$ 80.000,00 e R$ 25.000,00, datados de 28/12/2009 à "Met Life". Isto posto, ante o conjunto fático e documental probatório apresentado pelo recorrente, entendo que restou comprovada a efetiva realização dos empréstimos, consubstanciados e formalizados contratos a título de mútuo e que, por outros meios de prova, ainda (saques, transferências e investimentos) corroboram as alegações do contribuinte e fazem o convencimento deste relator para o fim de, quanto ao presente tópico, dar provimento ao recurso voluntário. Das multas qualificada e agravada A autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto de infração em comento entendeu que este deveria ser acompanhado da multa qualificada, nos termos do art. 44, I, § 1º e § 2º, da Lei nº. 9.430/96, no total de 225%. Segundo a fiscalização, a multa de ofício qualificada se aplica pela "prática de conduta tendente a reduzir ou suprimir tributo", e o agravamento da mesma pelo fato "do contribuinte não cumprir as obrigações que lhe foram impostas, mantendose em silêncio". Entendo que, restando claro pela fiscalização que a qualificação da multa (150%) se dá somente pela não comprovação das receitas declaradas como isentas e tidas como omitidas pela fiscalização, que não é cabível a aplicação da súmula pois, o fato concreto, amoldase claramente ao disposto na Súmula CARF nº. 14, assim disposta: Súmua CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autorizada a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, não sendo comprovado qualquer intuito doloso de fraude NA PRÁTICA DE OMISSÃO DE RECEITAS, entendo que deve ser afastada a multa qualificada no presente caso. No tocante à multa agravada ante o não atendimento às obrigações que lhe foram impostas, entendo que faltou o AFRFB fazer a devida imputação do fato à norma, ou seja, a subsunção do fato ao dispositivo legal infringido. Vejase o que dispõe o parágrafo segundo do art. 44 da Lei nº. 9.430/96: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de Fl. 521DF CARF MF 12 não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. No Auto de Infração em epígrafe, eis a fundamentação legal do AFRFB (fl. 160): Assim, sem a identificação específica de qual o inciso violado, entendo que o agravamento da multa também deve ser afastado. Do Recurso de Ofício O recurso de ofício se fez necessário pela exclusão, pela DRJ, dos valores tido como omissão de receita por depósitos bancários, que não teriam sido comprovados pelo contribuinte. No presente caso, entendo que devem ser mantidas as razões da DRJ, com as quais concordo, ante que devidamente demonstrado pelo contribuinte a origem e a identidade dos numerários, os quais reproduzo: Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 8 13 Assim, ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 523DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins – Redatora Designada Em que pese os argumentos apresentados pelo ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para discordar sobre a exoneração dos valores comprovados com supostos mútuos. Entendo que a matéria é de prova e o contribuinte não conseguiu se desincumbir da tarefa de demonstrar a existência do mútuo de forma inequívoca. O fato da parente do contribuinte ter um comprovante de saque bancário, de valor em espécie, não necessariamente comprova que tal valor fora depositado na conta corrente do contribuinte (tendo em vista que o objeto do lançamento é o depósito bancário cuja origem se está questionando). Pelo princípio da precaução, o contribuinte deveria ter adotado procedimentos que provassem, de forma definitiva, tanto a transferência do valor da conta do mutuante para a sua, quanto com relação a garantir a veracidade das operações de mútuo. No caso desta segunda possibilidade probatória, um documento sem qualquer registro oficial, que poderia ter sido produzido a qualquer tempo, se constitui numa prova muito frágil da alegação do contribuinte de que teria havido um mútuo naquele momento. Adicionalmente, conforme documentos dos autos, (como exemplo, a intimação à efl. 13), que provam de forma inconteste o embaraço à fiscalização, entendo que a penalidade de agravamento da multa de ofício deve ser mantida, conforme art. 44 da Lei 9430/96, a seguir transcrito. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 9 15 de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifei) Desta forma, voto por negar provimento à exoneração dos valores cuja justificativa de origem seria o contrato de mútuo, e também para manter o agravamento da multa por estar comprovado nos autos o embaraço á fiscalização, oposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.008207/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APD. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE CONDICIONADO À DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DO ANO ANTERIOR.
O Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem fato gerador complexivo, compreendendo todos os fatos geradores ocorridos no ano civil, porém, apurado no ajuste anual, ocasião em que o Contribuinte deve oferecer à tributação, via DAA, toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do ano-calendário e oportunizando-lhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis.
Somente poderá ser aproveitado no ano subsequente, o saldo de disponibilidade que constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem, de molde a impedir a geração espontânea de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente-Substituto
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APD. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE CONDICIONADO À DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DO ANO ANTERIOR. O Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem fato gerador complexivo, compreendendo todos os fatos geradores ocorridos no ano civil, porém, apurado no ajuste anual, ocasião em que o Contribuinte deve oferecer à tributação, via DAA, toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do ano-calendário e oportunizando-lhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis. Somente poderá ser aproveitado no ano subsequente, o saldo de disponibilidade que constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem, de molde a impedir a geração espontânea de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2.241 1 2.240 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.008207/200611 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.274 – 2ª Turma Sessão de 19 de julho de 2016 Matéria IRPF Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARLOS ALBERTO GONÇALVES DE CASTRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APD. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE CONDICIONADO À DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DO ANO ANTERIOR. O Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem fato gerador complexivo, compreendendo todos os fatos geradores ocorridos no ano civil, porém, apurado no ajuste anual, ocasião em que o Contribuinte deve oferecer à tributação, via DAA, toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do anocalendário e oportunizandolhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis. Somente poderá ser aproveitado no ano subsequente, o saldo de disponibilidade que constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem, de molde a impedir a “geração espontânea” de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 82 07 /2 00 6- 11 Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.242 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício que resultou na constituição do crédito tributário de Imposto de Renda de Pessoa Física, exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, relativo aos anos de apuração de 2001, 2002, 2003 e 2004, exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005, no valor de R$ 81.176,44, acrescido de multa proporcional de 150%, no valor de R$ 121.764,65, e mais juros de mora calculados com base na taxa SELIC. De acordo com o Termo de Conclusão Fiscal, a efls. 14/66, houvese por imputada em desfavor do Contribuinte as seguintes infrações: TERMO DE CONSTATAÇÃO DO CONTRIBUINTE CARLOS ALBERTO GONÇALVES DE CASTRO. Há relato, por parte da fiscalização, do conteúdo de todos os Termos de Intimações lavrados durante o procedimento fiscal e as diversas respostas enviadas pelo contribuinte, resultando nas seguintes conclusões: ALUGUÉIS PAGOS. Que, apesar de intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou qualquer resposta em relação aos valores pagos a título de aluguel a Vilma Rudge Ortenblad. Assim, a fiscalização intimou o Escritório Imobiliário Adelino Alves Ltda (fls. 494), responsável pela administração do imóvel sito à Rua Pintassilgo, 185, apto 163, a apresentar relação dos valores brutos de aluguel, condomínio e impostos. Como respostas foram apresentados (fls. 501/503), além do instrumento de rescisão contratual, os valores pagos no período de janeiro de 2000 a fevereiro de 2002 (encaminhados por cópia ao contribuinte), conforme relação discriminada em fls. 21, cujos totais mensais foram lançados no fluxo financeiro elaborado pela fiscalização; DO INVESTIMENTO NA SCP VISCONDE DE ITAMARACÁ. Diz a fiscalização que, como o contribuinte também nada informara ao questionamento mencionado no item 5.5. do Termo de Constatação (a forma e as datas do aportes realizados no investimento Village de Itamaracá, município de' ValinhosSP), a fiscalização intimou a empresa Alfieri's Participações e Incorporações Ltda, CNPJ 04.950.107/000151, responsável pelo referido investimento (fl. 243). Em resposta, a empresa intimada apresentou as datas e os valores despendidos pelo fiscalizado, demonstrativo a fl. 22, os quais foram devidamente considerados no fluxo financeiro mensal elaborado; HSBC SEGUROS BRASIL E HSBC VIDA E PREVIDÊNCIA. Esclarece a fiscalização que, considerando ainda que os comprovantes apresentados pelo fiscalizado, referente a aportes em previdência privada/FAPI, junto às instituições citadas, de valores R$ 1.732,79 (fl. 269) e R$ 3.649,84 (fl. 270), respectivamente, não informavam a data de tal dispêndio, a Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 fiscalização encaminhou em 15/08/2006, Solicitação Fiscal para obtenção desses dados (fls. 504). Em 30/08/2006, carta subscrita pela diretoria Técnica de Previdência e Capitalização da instituição (fls. 507/509) informou datas e valores de desembolsos, fl. 23, também lançados no fluxo financeiro do contribuinte; Observa, ainda, a fiscalização, nos extratos bancários do fiscalizado, que este realizou inúmeros saques de numerários nos terminais de auto atendimento do Banco do Brasil S/A, nos totais de R$ 2.100,00, R$ 29.500,05, R$ 59.979,00, R$ 24.100,00, respectivamente, nos anos de 2000, 2002, 2003 e 2004 (total geral de R$ 113.579,05), conforme demonstrativo de fls. 23 e 24. Que até a lavratura do Auto de Infração referidos saques não foram tratados como dispêndios, e deixaram de ser considerados nos fluxos financeiros mensais do contribuinte, uma vez que esta Fiscalização não logrou êxito em determinar onde e como se deu a aplicação desses valores; DO FLUXO FINANCEIRO MENSAL. Além das considerações feitas até aqui das origens e aplicações realizadas pelo fiscalizado, a fiscalização elaborou planilhas auxiliares denominadas "Aplicações Financeiras, "Débitos/Créditos Identificados", "Rendimento do Anocalendário...", "Planilhas de Saldos Bancários", "Gastos Cheques pagos/Compensados" com o objetivo de facilitar a compreensão. Em fls. 24 e 25 a fiscalização explica e localiza cada planilha mencionada; RESULTADOS LÍQUIDOS DO CÔNJUGE. Considerando que quando da fiscalização de contribuintes casados em comunhão total ou parcial de bens que declaram em separado, a variação patrimonial deve ser apurada num dos cônjuges, computandose os rendimentos líquidos, as aquisições e aplicações financeiras do outro cônjuge (nota Cosit/Cotir n° 617/99), e que na pessoa física da esposa do fiscalizado também se desenvolve fiscalização por determinação contida no MPF n° 0819000 2006004104 (fls. 516), os resultados apurados naquela fiscalização foram integralmente considerados no fluxo financeiro do contribuinte em epígrafe; Que, alocados todos os valores no fluxo financeiro, verificouse que o contribuinte apresentou gastos em montantes não respaldados pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis ou de tributação exclusiva, em vários meses dos anoscalendário de 2001 a 2004, conforme demonstrativo de fl. 26; TERMO DE CONSTATAÇÃO DA CONTRIBUINTE ANA CRISTINA RIBEIRO DE CASTRO esposa. Há relato, por parte da fiscalização, do conteúdo de todos os Termos de Intimações lavrados durante o procedimento fiscal e as diversas respostas enviadas pela contribuinte, fls. 27 a 36, resultando as seguintes conclusões: DO IMÓVEL DA RUA DENTISTA BARRETO. Diz a fiscalização que, apesar de a fiscalizada haver declarado em sua DIRPF 2002 (fls. 798), a aquisição do imóvel onde atualmente reside (Rua Dentista Barreto, n° 310 casa 95 'Tipo E', Vila Carrão, nesta capital) pelo valor de R$ 180.000,00, mantendoo inalterado até a presente data, informações colhidas pela fiscalização indicam que tal informação não corresponde à realidade; Que à época da construção, a empresa Waled Incorporadora Ltda, responsável pelo empreendimento, Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.243 5 anunciava em seu "site" http://www.grupowaled.com.br , imóveis do porte do adquirido pela fiscalizada e seu esposo (451,57m2) pelo valor de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a "preço fechado"; Que, nesse valor encontrase embutida a margem de lucro da empreendedora, entretanto, sua discrepância para com o valor de R$ 180 mil declarado pela contribuinte ainda é gritante. Anexa em fls. 37 a 47 publicidade extraída do referido site acerca do Condomínio Colonial Granville, onde se situa a residência da fiscalizada; Que, dada a discrepância apurada pela fiscalização, esta efetuou diligência nas dependências da Waled Incorporadora Ltda (fl. 72) questionandoa acerca da alienação do referido imóvel. Em resposta de 28/09/2006 (fl. 724), complementada em 16/10/2006 (fl. 731, essa empresa afirma que o imóvel fora alienado inacabado, ficando sua conclusão a cargo dos adquirentes. Segundo a empresa, haviam sido executadas em blocos cerâmicos, lajes armadas preenchidas de concreto, revestimentos da alvenaria externa em argamassa areia e cimento, assentamento de tijolinhos à vista no embasamento externo e em detalhes das fachadas, contra piso interno em argamassa de areia e cimento nas salas, dormitórios, hall das escadas além de tubulações secas para instalações elétricas e hidráulicas, sem acabamentos. Com sua resposta vieram o Memorial Descritivo (fl. 729) e a Planta do Módulo E, aprovada pela Prefeitura do Município de SP (fl. 730); Que, como a contribuinte nada declara em suas DIRPF, além do valor de R$ 180.000,00, a fiscalização elaborou e encaminhou lhe, em 16/10/2006, o termo de Intimação fiscal n° 04 para que fossem apresentados "todos os recibos de pagamentos a profissionais e notas fiscais de aquisição de materiais/serviços, referentes aos custos/despesas efetuados" na edificação/conclusão do imóvel; DADOS OBTIDOS NO 9° CRI DE SÃO PAULO. A fiscalização, através do Ofício n° 032/2006 (fl. 701) também solicitou ao 9° Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo, os documentos arquivados naquela Serventia, acerca do Condomínio Granville. Em resposta de 22/09/2006 (fl. 702), foram apresentadas além de certidão atualizada da matrícula 127.377 (fls. 703/711), cópias dos Quadros I a VIII (fls. 712/721) relativamente à previsão dos custos globais e individuais dos imóveis do condomínio. Depreendese, da análise do documento, que os módulos (leiase: padrão "E", abstraindose o valor terreno, teriam custo de construção previsto de R$ 238.921,24. Ressalte se que esse não seria o valor para venda, mas, uma simples projeção, em 1997, de quando custaria para a incorporadora apenas a construção desse imóvel (sem terreno); LAUDO DE AVALIAÇÃO DA CEF. O Laudo de Avaliação elaborado pela Caixa Econômica Federal para imóvel do padrão/Tipo "E" do Condomínio Residencial Colonial Granville, tipo do adquirido pela fiscalizada e seu esposo, atribuilhe, para a data de 19/07/2006, o valor de mercado da ordem de R$ 1.580.000,00 (fls. 740/792). Esse documento além de dar Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 confiabilidade aos valores constantes do "site" da Incoporadora Waled à época da comercialização dos imóveis, também se coaduna com as informações contidas em periódicos atuais sobre os valores dos imóveis daquele Condomínio. Em recente reportagem sobre discussão, o noticioso "proitaici", assim descreve os imóveis nele situados "mansões, avaliadas em mais de R$ 1,5 milhão cada uma" (fl. 739); DO ARBITRAMENTO DO CUSTO DA EDIFICAÇÃO/CONCLUSÃO DA OBRA. Conforme já alertado à contribuinte no Termo de Intimação Fiscal n° 04 e como não foram apresentados os documentos comprobatórios dos gastos na construção/conclusão do imóvel em comento, à fiscalização não restou alternativa senão o arbitramento de tal dispêndio com base nos índices publicados por entidades reconhecidas (SINDUSCON Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). Os critérios e cálculos do arbitramento encontramse no Termo de Conclusão e seus resultados foram transportados para o fluxo financeiro da fiscalizada, resumo em fls. 49 e 50; DO FLUXO FINANCEIRO MENSAL. Além das considerações feitas até aqui das origens e aplicações realizadas pelo fiscalizado, a fiscalização elaborou planilhas auxiliares denominadas "Aplicações Financeiras", "Débitos/Créditos Identificados", "Rendimento do Anocalendário...", "Planilhas de Saldos Bancários", "Gastos Cheques pagos/Compensados" com o objetivo de facilitar a compreensão. Em fls. 51 e 52 a fiscalização explica e localiza cada planilha mencionada; RESULTADOS LÍQUIDOS DO CÔNJUGE. Considerando que quando da fiscalização de contribuintes casados em comunhão total ou parcial de bens que declaram em separado, a variação patrimonial deve ser apurada num dos cônjuges, computandose os rendimentos líquidos, as aquisições e aplicações financeiras do outro cônjuge (nota Cosit/Cotir n° 617/99), e que na pessoa física do esposo do fiscalizado também se desenvolve fiscalização por determinação contida no MPF n° 0819000 2006004090, os resultados apurados na presente fiscalização foram integralmente considerados no fluxo financeiro do esposo, linha 9 "rendimentos líquidos do cônjuge"; Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 1165/1332. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1724.117 – 7ª Turma da DRJ/SPOII, a efls. 1798/1863, julgando parcialmente procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário na forma do Demonstrativo a efl. 1863. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a efls. 1873/2040, requerendo, ao fim, a reforma da decisão de 1ª Instância administrativa. O Colegiado da 4ª Turma Especial da 2ª SEJUL/CARF proferiu o Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, dando, por maioria de votos, provimento ao Recurso Voluntário (i) para reconhecer Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.244 7 que os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, devem integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte; e (ii) para reconhecer que a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram que o preço de alienação foi o declarado, sendo descabido o lançamento de ofício com base em arbitramento, eis que inexistiu recusa ou sonegação de documentos e informações por parte do Contribuinte, tampouco se houve por constatada irregularidade na escrita contábil da sociedade empresária alienante, consoante ementa que se vos segue: Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. REQUISIÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). A obtenção de dados e informações bancárias, sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei Complementar 105/2001, em dispositivo ainda em vigor. A Secretaria da Receita Federal é obrigada a resguardar o sigilo das informações, facultando sua utilização para seguir em procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 constata que o mesmo conhece minuciosamente a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PATRIMÔNIO COMUM DO CASAL. OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA QUE NÃO COMPORTA BENEFÍCIO DE ORDEM. CTN ART. 124. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O casal, nestes autos, enquadrase nessa situação, ambos interessados na aquisição de bem comum e no patrimônio, e sua variação, auferido na constância da sociedade conjugal. Na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu polo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados. Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem pela dívida integral. MOTIVAÇÃO PARA A ABERTURA DE FISCALIZAÇÃO. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES. QUESTÃO QUE EXTRAPOLA A LIDE TRIBUTÁRIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXIGÊNCIA FISCAL. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação. Os critérios e métodos adotados pela Receita Federal para a seleção de contribuintes a serem fiscalizados não são oponíveis, no curso deste processo, para desconstituir crédito tributário. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas, sujeito ao ajuste anual, ocorre em 31 de dezembro do ano calendário, sendo o tributo sujeito a lançamento por homologação. O prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorrido o fato gerador periódico anual em 31 de dezembro de 2001 e regularmente cientificado do lançamento em 09 de dezembro de 2006, não há que se falar em decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. RATEIO MENSAL. O arbitramento dos rendimentos mensais, com a utilização de sistemática de distribuição, por rateio, pela qual os valores constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte são distribuídos equitativamente pelos meses do ano, constitui presunção dos recursos a serem considerados em cada mês no cálculo do acréscimo patrimonial, quando o contribuinte, Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.245 9 regularmente intimado, não informa os valores mensais (RIR/99, art. 845, incisos I e II). (Acórdão 10421.615) ARBITRAMENTO DE PREÇO DE VENDA DE IMÓVEL. CRITÉRIOS. PROVAS. ESCRITURA. A Escritura goza de fé pública e deve ser considerada, salvo quando se verifica, através de evidências claras, que o negócio não transcorreu na forma ali prescrita. Não é o caso dos autos, em que se verifica a Impossibilidade de arbitramento quando a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram claramente que o preço de alienação foi o declarado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. PLANILHAS DE FLUXO FINANCEIRO. ELABORAÇÃO. APURAÇÃO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL. Para apuração de variação patrimonial a descoberto devem ser elaboradas planilhas de fluxo financeiro mensal, considerando se as origens e aplicações de recursos existentes em cada mês, computandose os saldos positivos de um no mês seguinte. Deve o contribuinte fazer prova concreta em contrário para alterar as planilhas elaboradas pela Fiscalização a partir de documentos e da declaração de ajuste anual do mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA ADMINISTRATIVA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, sob pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. (conforme Acórdão nº 2801003.544 1ª Turma Especial, de 14 de maio 2014) Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que acolhiam a preliminar de diligência e, no mérito, davam provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros.“ Em desfavor do Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, insurgiuse a Fazenda Nacional interpondo Recurso Especial, a fls. 2153/2158, no qual alega contrariedade do acórdão recorrido com outras decisões do CARF, em dois aspectos: (a) no tocante à transferência de saldos entre anosbase e (b) no que se refere à validade da escritura de compra e venda de imóvel. O Recurso Especial interposto pela PGFN houvese por parcialmente admitido, pugnando pela rediscussão, no âmbito administrativo, tão somente, da matéria referente ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto: Saldo remanescente do ano anterior – ACT 106.074.008, sendo obstado o seguimento quanto à Validade da escritura de compra e venda de imóvel, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 30/06/2015, a fls. 2209/2218, ratificado pelo Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 01/07/2015, a fls. 2219/2220. As contrarrazões apresentadas pelo Contribuinte às fls. 2225/2230 destacam: · Eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização e utilizando os valores corretos de resgates de aplicações financeiras, inexiste variação patrimonial a descoberto, mesmo sem utilizar a transferência entre anos base. · Os acórdãos apresentados pela PGFN não são divergentes, mas apenas tratam de materias distintas. · Nos acórdãos paradigmas os contribuintes tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas pelos mesmos em suas DIRPF, enquanto que no recorrido não existem novas receitas trazidas ao conhecimento da fiscalização que já não estivessem declaradas na DIRPF. O que na verdade existe são despesas arbitradas pela fiscalização não reconhecidas pelo recorrido: despesas com construção, com cheques ao portador É o relatório. Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.246 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 30/06/2015, a fls. 2209/2218. Temse em pauta Recurso Especial de Divergência, a fls. 2153/2158, interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, que, por maioria de votos, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário (i) para reconhecer que os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, devem integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte; e (ii) para reconhecer que a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram que o preço de alienação foi o declarado, sendo descabido o lançamento de ofício com base em arbitramento, eis que inexistiu recusa ou sonegação de documentos e informações por parte do Contribuinte, tampouco se houve por constatada irregularidade na escrita contábil da sociedade empresária alienante. Contudo, ressaltese que apenas em relação a omissão de rendimentos APD saldo remanescente do ano anterior, ou seja, transferência de saldos de um ano para outro deuse seguimento ao recurso. Com relação ao conhecimento do recurso, merece apreciação dois pontos trazidos pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões: · Eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização e utilizando os valores corretos de resgates de aplicações financeiras, inexiste variação patrimonial a descoberto, mesmo sem utilizar a transferência entre anos base. · Os acórdãos apresentados pela PGFN não são divergentes, mas apenas tratam de matérias distintas. · Nos acórdãos paradigmas os contribuintes tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas pelos mesmos em suas DIRPF, enquanto que no recorrido não existem novas receitas trazidas ao conhecimento da fiscalização que já não estivessem declaradas na DIRPF. O que na verdade existe são Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 despesas arbitradas pela fiscalização não reconhecidas pelo recorrido: despesas com construção, com cheques ao portador Quanto à alegação de suposta perda de objeto, já que, segundo o sujeito passivo, eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização, inexiste variação patrimonial a descoberto, entendo que não compete a este colegiado realizar a liquidação do julgado para que se confirme a inexistência da suposta variação. No caso, a competência restringese tão somente a apreciar se o resultado proferido encontrase em consonância com os dispositivos legais e a jurisprudência dominante deste Conselho em relação a matéria devolvida por meio do recurso especial. É seguindo essa mesma linha de raciocínio, que também não acato a alegação de impossibilidade de conhecimento, alegando que os paradigmas apresentados tratam de situação fática diversa. No caso, indica o sujeito passivo que o paradigma referese a casos que tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto, trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas. Essa argumentação, deixa claro que são situações similares. Entendo ser justamente esse a linha de raciocínio do redator do voto vencedor na decisão que deseja a recorrente (PGFN), ver reformada. Senão vejamos: Passo então a julgar a forma de apuração de recursos de um ano calendário para o subseqüente. Este Colegiado em diversas decisões tem manifestado o entendimento no sentido de que as disponibilidades do contribuinte no final do exercício devem ser expressas na declaração de bens e direitos, na forma de dinheiro, saldos bancários, investimentos, etc. No entanto, estas disponibilidades apenas se efetivamente comprovadas, devem ser consideradas como recursos para o exercício seguinte. Verificase que, no presente caso, a própria fiscalização apurou saldos positivos de recursos nos meses de dezembro dos anos calendários, os quais foram desconsiderados ao iniciar o exame do mês seguinte (janeiro dos anos calendários), pela simples mudança do ano calendário. Ocorre que não existe nenhuma regra jurídica e nem fundamento ou interpretação razoável a justificar a transferência de valores de um mês para o outro, dentro do ano calendário e não considerálos do mês de dezembro para o mês de janeiro. Vale registrar que outro não foi o entendimento da 2ª Turma da CSRF, conforme julgamento unânime referente ao Processo de nº 10825.000618/9636, Acórdão nº 920200.521, proferido em 09 de março de 2010: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO QUE SE ESTENDE POR MAIS DE UM ANOCALENDÁRIO SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.247 13 Assim, os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, deve integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte. Ou seja, resta claro que a tese adotada pelo acórdão recorrido é que mesmo nos casos em que a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto, em período que se estende por mais de um ano calendário, o saldo apurado em dezembro deveria ser transferido. Nesse sentido, vislumbro clara diferença entre a tese que fundamentou o acórdão recorrido e aquela adotada pelo acórdão paradigmático. Ao contrário do argumento do sujeito passivo, o fundamento para que se possa aproveitar as receitas do ano anterior, dado pelo redator, não foi o fato de que encontravamse já declaradas (como devidamente demonstrado na transcrição acima), mas que sempre seria cabível o seu aproveitamento. Assim, entendo encontrase correto o despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN. DO MÉRITO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: SALDO REMANESCENTE DO ANO ANTERIOR – ACT 106.074.008. Alega o Recorrente que o Acórdão Recorrido, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para desconsiderar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Aduz que o entendimento adotado pela 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF tem esteio na tese de que o saldo ao final do anobase não se presume consumido, podendo, assim, ser transferido ao anocalendário seguinte. Pondera a PGFN que a decisão aviada no Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF diverge da jurisprudência majoritária do CARF, conforme ilustrado no Acórdão Paradigma nº 104021.631 – 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Com efeito, o voto vencedor do Acórdão Recorrido encampou o entendimento de que “os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, deve integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte.” Contudo, entendo não ser a interpretação dada pelo acórdão recorrido a melhor analisando os dispositivos legais que aplicamse ao caso. Com efeito, o inciso XIII do art. 55 do RIR/99 estatui que são também tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Regulamento do Imposto de Renda Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): [...] Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] A Legislação Tributária estabeleceu hipótese iuris tantum de omissão de rendimentos sempre que o acréscimo patrimonial declarado for superior à soma dos rendimentos líquidos. O Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD decorre, pois, de presunção lógica no sentido de que, se o patrimônio do Contribuinte aumentou em montante além dos rendimentos declarados ao Fisco, esse aumento decorreu, necessariamente, de rendimentos omitidos pelo Obrigado em sua Declaração de Ajuste Anual DAA. Registrese que outra não é a razão de ser da Declaração de Bens e Direitos integrante da DAA que não o controle, pelo Fisco, da situação patrimonial do Contribuinte Pessoa Física. É certo que, em muitos casos, a parcela do acréscimo patrimonial a descoberto é apenas aparente, eis que, em regra, decorrem de erros de preenchimento da Declaração de rendimentos ou da Declaração de Bens e Direitos integrantes da DAA, competindo ao Contribuinte a retificação da Declaração, no caso de erro de preenchimento da DAA, ou a comprovação da origem do patrimônio não declarado, mediante documentos hábeis e idôneos. Dessarte, para que os recursos disponíveis em moeda ao final de cada ano calendário (dezembro/XX) constituamse lastro para eventuais acréscimos patrimoniais no ano civil imediatamente seguinte (janeiro/XX+1), devem eles constar, de maneira precisa, já na Declaração de Bens e Direitos da DAA do AnoCalendário (XX) e, cumulativamente, como todos os dados ali declarados, ter a sua origem devidamente comprovada mediante documentos hábeis e idôneos com aptidão de fornecer o indispensável amparo jurídico. Não se prestam para tal fim supostas sobras decorrentes da confrontação entre rendimentos financeiros e aplicações declaradas, pois este hipotético saldo não se constitui prova cabal da efetiva posse do bem no último dia do anocalendário anterior. Assim, os recursos disponíveis no final de cada anocalendário só podem ser aproveitados no ano seguinte mediante prova inconteste de sua existência. A comprovação de existência e montante de recursos econômicos e financeiros no anocalendário anterior é de crucial importância para quem alega a posse/titularidade de tais haveres para fins de elisão de lançamento tributário por Acréscimo Patrimonial a Descoberto relativo ao ano subsequente, uma vez que a falta de apresentação de documentos comprobatórios esbarra, justamente, no óbice da presunção legal há pouco aludida, a qual impede a “geração espontânea” de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte em sua DAA. Registrese que o entendimento acima sufragado não obstaculiza o aproveitamento de eventuais saldos resultantes de uma competência para a seguinte, quando no horizonte temporal de um mesmo anocalendário, sem ultrapassalo, uma vez que inexiste obrigatoriedade de entrega de declaração mensal de bens, direitos e rendimentos, pelo Contribuinte ao Fisco. Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.248 15 Ora, tratandose como de fato se trata de lançamento de ofício decorrente de Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD, avulta que tal patrimônio tributável somente passa a ser do conhecimento da Administração Tributária quando da entrega pelo Contribuinte ao Fisco da competente Declaração de Ajuste Anual, ocasião em que a totalidade dos rendimentos auferidos pelo Obrigado são informados e se terão, então, calculados tanto a base de cálculo do tributo quanto o montante devido a título de Imposto de Renda. Tal situação decorre da circunstância de o fato gerador do Imposto de Renda da pessoa física qualificarse como espécie de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, assim considerado aquele cujo aspecto material se completa após o transcurso de um determinado lapso de tempo, conglobando um conjunto de fatos jurígenos tributários e circunstâncias materiais que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Nesse contexto, a matéria tributável informada na DAA abrange toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelas pessoas físicas em determinado ciclo, o qual se completa no último dia do ano civil, considerandose nascida a obrigação tributária no dia imediatamente seguinte, 1º de janeiro. Nada obstante, por uma questão de política tributária, o fato jurídico tributário somente se considera consumado por ocasião da entrega da Declaração de Ajuste Anual, ainda que compreenda somente os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro e que o imposto seja devido à medida que os rendimentos forem percebidos e que as despesas tenham sido pagas no ano correspondente. Não por outra razão, o lançamento e/ou qualquer outro pronunciamento por parte da Fazenda Pública só poderão ocorrer após a data em que se instaure a possibilidade jurídica de assim se proceder, ou seja, após a efetiva entrega da Declaração de Ajuste Anual ou após o prazo limite estipulado para a sua entrega. Somente após esse prazo é que se tem como verificado o descumprimento da obrigação tributária principal, pressuposto jurídico para a lavratura do lançamento de ofício. Escapa, portanto, à lógica da estrutura jurídica montada pela Legislação Tributária a possibilidade de se exigir do Contribuinte o tributo supostamente devido antes da sua manifestação, via Declaração de Ajuste Anual, oferecendo à tributação toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do anocalendário e oportunizandolhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis. Dessarte, por não prever, a Legislação Tributária, a obrigação do Contribuinte de apresentar Declaração Mensal de Bens e Direitos, delimitando no horizonte temporal de cada mês.competência os contornos substanciais do patrimônio do Obrigado, a eventual sobra de disponibilidade econômica verificada em um determinado mês pode ser aproveitada no mês imediatamente seguinte, desde que, obviamente, não sejam ultrapassados os limites cronológicos do mesmo anocalendário. Por tais razões, entendo que somente poderão ser aproveitados no ano calendário subsequente os eventuais excedentes de disponibilidade econômica ou jurídica adquiridos pelas pessoas físicas que constar na Declaração de Bens e Direitos constantes na DAA do ano anterior, devidamente lastreados em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem. Caso seja correta a alegação do sujeito passivo de que após a exclusão dos valores apurados pela fiscalização, face a decisão da câmara a quo, só remanesceram os Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 valores efetivamente declarados, a situação do caso concreto estará em perfeita consonância com o presente julgado. Por tais razões, pugnamos pela reforma, nesse específico particular, da decisão aviada no Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, restabelecendose o lançamento referente à parcela relativa ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, cujos fatos geradores consistirem no aproveitamento de sobras de disponibilidade econômica ou jurídica adquiridas pelo Sujeito Passivo, que não constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreadas em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Procurador para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10183.727783/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente. Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente. Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior
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DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente. Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 77 83 /2 01 5- 10 Fl. 75DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10183.727783/201510 Acórdão n.º 2402005.539 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida , tratase de Notificação de Lançamento de fls. 11/15, resultante de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário de 2013, que considerou ausentes os requisitos para a dedução de Despesas Médicas, no valor de R$ 8.563,20. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 04/05, trazendo o documento de fls. 09/10, afirmando ter declarado despesa médica com plano de saúde no total de R$ 17.024,44, sendo que do total deste valor, R$ 8.461,24 (referiamse a despesa própria, e o restante (R$ 8.563,20) despesa de seu cônjuge e dependente do plano de saúde. A decisão de primeira instância (fls. 44/46) julgou improcedente a impugnação, sob o argumento de que as despesas do cônjuge da contribuinte, Cristiano Jeová Campos, não podem ser deduzidas dos rendimentos tributáveis para apuração da base de cálculo do imposto devido, porquanto aquele não foi declarado na condição de dependente tributário da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/04/2016 (fl. 49/50), o interessado interpôs, em 27/05/2016, o recurso de fls. 52/54. Nas razões recursais, a recorrente afirma que as despesas médicas realizadas em favor de seu marido podem ser por ela declaradas, pois o cônjuge pode figurar como dependente à luz da legislação tributária, sendo a certidão de casamento documento hábil para comprovar a relação de dependência. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF 4 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 28/05/2016, interpôs recurso voluntário no dia 27/05/2016, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. DA DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Em analise ao caso, verificase que uma vez que o contribuinte declarou despesa com seu plano de saúde no valor de R$ 17.024,44, comprovou apenas parte mesma, procedendo a autoridade fazendária, corretamente, à glosa da diferença não comprovada, no valor de R$ 8.563,20. Alegou a contribuinte que o restante se trata de valores de seu dependente, entretanto, não consta dependentes em sua declaração (fls. 22/29). Ao exame da Declaração de Ajuste Anual, constatase que o senhor Cristiano Jeová Campos não foi informado como dependente, conforme havia sido explicitado pela DRJ. Assim, sabese que quanto a dedução de despesa médica dos rendimentos tributáveis para a apuração da base de cálculo do imposto devido, o art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda/99 estabelece: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Entendo, na mesma linha que o julgador originário, que a despesa relativa a Cristiano Jeová Campos não pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis para apuração da base de cálculo do imposto devido, pois o art. 80, § 1º, inciso II, prevê a dedução das despesas médicas relativas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para seu próprio tratamento e dos dependentes. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10183.727783/201510 Acórdão n.º 2402005.539 S2C4T2 Fl. 4 5 Como tal dependente não foi declarado na condição de dependente tributário a despesa a ele correspondente não é dedutível em razão da ausência de previsão legal. Firme no entendimento exposto, voto por CONHECER, mas NEGAR PROVIMENTO ao recurso de forma a manter o Crédito Tributário. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.005350/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/09/2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL.
O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados.
INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da análise das peças de defesa depreende-se não ter prejudicado a defesa.
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO.
Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstra-se ter sido alcançado, presta-se a comprovação do ilícito.
MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os artigos. 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL.
O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados.
INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da análise das peças de defesa depreende-se não ter prejudicado a defesa.
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO.
Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstra-se ter sido alcançado, presta-se a comprovação do ilícito.
MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os artigos 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 30/09/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL. O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da análise das peças de defesa depreendese não ter prejudicado a defesa. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO. Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstrase ter sido alcançado, prestase a comprovação do ilícito. MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os artigos. 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 53 50 /2 00 8- 31 Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.663 2 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL. O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da análise das peças de defesa depreendese não ter prejudicado a defesa. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO. Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstrase ter sido alcançado, prestase a comprovação do ilícito. MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os artigos 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.664 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 1025/1033 e 1034/1039, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos períodos de fevereiro de 2003 a setembro de 2004 e abril a setembro de 2004, respectivamente, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$1.241.644,82. O enquadramento legal encontrase às fls. 1028 e 1032, 1036 e 1038. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 967/1054, a fiscalização apurou que a contribuinte, localizada em Rio das Pedras (SP), teria simulado operações comerciais com o produto denominado "Preparado Composto Não Alcoólico — PCNA", supostamente adquirido de fornecedores localizados em Manaus (AM), Paulínia (SP) e Botucatu (SP), apropriandose indevidamente de créditos de P1S/Pasep e Cofins gerados com as aquisições deste produto. Segundo o autuante, o esquema fraudulento funcionaria da seguinte forma: a) A empresa adquiria dos fornecedores Coema, Stratus e Nuvem de Prata, grande quantidade do referido PCNA, creditandose de IPI, ICMS, PIS/Pasep e Cofins. b) O PCNA não passaria de "solução aquosa inservível e imprestável como insumo intermediário destinado à fabricação de bebida refrigerante de guaraná, desprovido de utilidade econômica e de valor comercial". Tal fato teria sido constatado em exames laboratoriais promovidos a pedido do Fisco Estadual e também da Receita Federal. c) Por meio de vendas ao mercado externo, com imunidade de impostos e contribuições, os créditos eram mantidos e utilizados para dedução dos tributos incidentes sobre suas outras operações. Analisando a documentação e as justificativas apresentadas pela Interessada, o autuante descreve uma série de irregularidades: falta de comprovação das aquisições (ausência de comprovantes de pagamentos e conhecimentos de transporte); incoerências nos valores declarados pelos fornecedores; incapacidade de produção das empresas fornecedoras, declaração de inatividade em período coincidente com suposta venda à autuada; irregularidades das empresas fornecedoras de extrato de guaraná para os fornecedores de PCNA da contribuinte (divergência entre os valores declarados, empresas inativas, etc.); Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.665 4 irregularidade quanto ao transporte do produto (transportadora "sem movimento", inativa, conforme declaração do contador com base em informação do próprio gerente, inexistência de pagamentos de frete para outra transportadora); movimentação financeira inexistente ou incompatível, de empresa fornecedora, enquanto a contribuinte registrou pagamento milionário em sua contabilidade; lapso temporal incompatível entre a saída do produto de fornecedor e sua entrada na autuada, considerando a distância entre as duas empresas; fornecedor com declaração de inaptidão, por inexistência de fato, em período coincidente às compras registradas pela contribuinte. Esse mesmo fornecedor foi flagrado, pela Receita Federal, tentando exportar PCNA, que ao final verificouse ser uma solução com 98% de água, sendo o produto apreendido por falsidade documental no documento instrutivo do despacho (superfaturamento); irregularidades quanto aos clientes da autuada (incompatibilidade entre a capacidade operacional com as transações declaradas venda com fim de exportação , práticas de fraude na exportação, vendas não confirmadas nos registros das clientes); falta de comprovação do recebimento de suas vendas, contratos de câmbio incompatíveis com as datas de exportação. Considerando o conjunto probatório, que inclui ainda auto de infração do Fisco Estadual, a fiscalização glosou os créditos referentes ao PCNA, constituindo o crédito tributário no qual se inclui multa de 150% por ter se configurado, em tese, crime contra a ordem tributária. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1043/1092. Nela, suscitou "nulidade do auto de infração pela abstrata capitulação legal", pois "o enquadramento legal citado nada tem que ver com o relatório fiscal e com as circunstância (sic) da autuação". Discorreu longamente sobre o tema, transcrevendo jurisprudência e doutrina, para concluir que houve prejuízo aos direitos de ampla defesa e do contraditório. Quanto ao "direito de crédito decorrente do PIS/Cofins", alegou que o autuante não observou os próprios dispositivos por ele elegidos para fundamentar o lançamento, dentre os quais o art. 5º, I e II, combinados com § 1°, I, da Lei n° 10.637, de 2002, que possibilitou à contribuinte a manutenção dos créditos no caso de vendas para o exterior ou com fim específico de exportação. Discorreu sobre decretosleis, citados no termo de verificação fiscal, que tratam do Imposto sobre Produtos Industrializados, concluindo que o autuante não comprovou que a empresa deixou de industrializar o produto e, por conseguinte, não faria jus ao crédito. Nesse tópico, escreveu sobre os conceitos de isenção e nãoincidência, contestando a argumentação do Fisco quanto à não incidência de imposto sobre produto isento e o condicionamento do direito de crédito ao efetivo recolhimento em fases anteriores. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.666 5 Alegou ter havido utilização de presunção e de prova emprestada com fundamento da autuação, violando o art. 42 do Código Tributário Nacional — CTN. O autuante teria adotado o mesmo relatório do auto de infração do Fisco Estadual, que ainda está sub judice. Argumentou não existir nenhuma perícia, e que "tampouco foram considerados os documentos oferecidos pela impugnante à fiscalização, tais como comprovantes de pagamento, de transporte, etc.". Aduziu que as operações efetivamente existiram, pois houve produção, transporte e pagamento, tudo dentro dos limites legais. O produto existe, está registrado no Ministério da Agricultura e "todos os lotes adquiridos pela IBP possuem certificação prévia, ou seja, foram inspecionados e liberados pelos órgãos competentes". Prosseguiu criticando o trabalho da fiscalização, que não teria apresentado comprovação de suas alegações, reiterando o uso indevido de prova emprestada, a propósito "um laudo (objeto de discussão judicial) produzido ilegalmente pelo Fisco do Estado de São Paulo", porquanto sem "observar o contraditório e a ampla defesa". Transcreveu jurisprudência que corroboraria sua argumentação. Dissertou sobre a "Teoria dos Motivos Determinantes" e o "ônus da prova em matéria fiscal", assentando que caberia ao Fisco a comprovação da afirmação de que o produto é imprestável e inservível. Refutando tal afirmação da fiscalização, citou nota técnica da Superintendência da Zona Franca de Manaus sobre a "Situação operacional das empresas do segmento de Concentrado na Zona Franca de Manaus", segundo a qual outras duas empresas lá sediadas teriam faturado, em 2006, cifras da ordem de R$ 480 milhões e R$ 2,43 bilhões com o PCNAA, o que comprova a falsidade da alegação do autuante. Alegou decadência do lançamento referente aos "meses de Fevereiro de 2003 até o primeiro decênio de Dezembro de 2003", a teor do art. 150, § 4° do CTN, uma vez que a ciência da autuação ocorreu em 12/12/2008. Ressaltou ser improcedente uma possível alegação de que o lançamento estaria amparado pela parte final do dispositivo citado, pois não há qualquer comprovação das alegações do Fisco. Também teria ocorrido violação ao art. 118 do CTN, pois o Fisco pretendeu desconstituir a ocorrência do fato gerador, conforme trecho que reproduziu à fl. 1071. Inaplicável ainda o art. 116, parágrafo único do mesmo Código, pois ele serve para casos de dissimulação. À pretensão do Fisco de desconstituir o fato gerador, indagou a impugnante: "O recolhimento efetuado ao Fisco do AM a título de PIS, Cofins, CSLL, IRRI o que representa? Os laudos emitidos pelo Ministério da Agricultura atestando a regularidade do produto, também serão desconstituídos pelo Fisco? O transporte do produto, nada representa?". Argumentou ter havido violação à legislação de regência, qual seja, a que trata dos critérios de padronização e estabelece competências específicas para os procedimentos de inspeção e fiscalização, todos relativos ao comércio de bebidas. Segundo tal i legislação, teria havido ilegalidades no procedimento do Fisco de São Paulo quando da I produção do laudo sobre o PCNA. Assim, sendo a prova emprestada utilizada na presente autuação ilícita, não poderia subsistir o lançamento. Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.667 6 Contestou a aplicação da multa agravada, nos termos do inciso II do art. 80 da Lei n°4.502, de 1964, em razão da revogação do dispositivo pelo art. 13 da Lei n° 11.488, de 2007. Além disso, o dolo, elemento essencial do tipo conluio (citado pelo autuante), não se presume, deve ser provado e de forma convincente, o que não é o caso dos autos. Também não se pode falar em conluio, pois para sua ocorrência deve estar configurado um dos dois outros tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei n°4.502, respectivamente sonegação e fraude; na falta de comprovação dos mesmos, não há que se falar em conluio. Reclamou a impossibilidade de arrolamento fiscal antes do término do processo administrativo, conforme fls. 108711089. Por fim, requereu perícia, formulando os quesitos de fl. 1090, bem como "diligências outras, em especial a oitiva dos agentes federais que realizam os exames em Manaus", para confirmarem "que o produto vendido pela Stratus é compatível com as normas federais", fazendo cair por terra as afirmações em contrário e o próprio lançamento. A DRJ/RPO julgou, em 06/03/2009, improcedente (fl. 1998/2007) a impugnação. Não resignada com a r. decisão, a autuada interpôs recurso voluntário (2016/2068), no qual, em suma, alega: 1 que houve um concerto entre os fiscos estadual de São Paulo (SP) e federal na consecução da exação sob exame, "notadamente no empréstimo ilegal de provas", consoante ofício, que transcreve (fl. 2018), do DRF Piracicaba ao Delegado Regional Tributário de Campinas/SP; 2 alega a nulidade do auto de infração porque o mesmo baseouse em "provas emprestadas e num abusivo trabalho fiscal realizado pela Fazenda Estadual". Acresce que o enquadramento legal é divergente com o relatório constante nos autos, e que por isso houve cerceio ao seu direito de defesa; 3 consigna que "adquiriu os produtos da Zona Franca de Manaus, os industrializou e em seguida os exportou", sendo que a manutenção dos créditos em sua escrita fiscal decorre da desoneração das receitas de exportação, com arrimo nas Leis 10.637/2003 e 10.833/2003; 4 que a autuação não reflete a verdade material dos fatos, porque houve a operação, houve pagamento, houve transporte, o produto existe e está registrado no Ministério da Agricultura. Tais fatos, argui, afasta a alegação fiscal da "imprestabilidade" do produto, e aduz que o laudo no qual se baseia esta afirmação "foi efetuado com o produto fora do prazo de validade e ainda à revelia da legislação de regência", discorrendo longamente sobre a legislação que trata da padronização das características físicoquímicas das bebidas, concluindo que a fiscalização não teria observado os procedimentos que dela constam. Em função disso, mais uma vez pugna pela nulidade do auto de infração, acrescendo que o produto não poderia ter sido periciado "em laboratório determinado pelos agentes fiscais de renda, que não é oficial nos termos do Decreto". Em sequência, discorre acerca de quem tem competência para proceder a fiscalização do produto e os métodos que devem ser utilizados, de modo a concluir que o laudo pericial apresentado pelo fisco paulista não pode produzir efeitos jurídicos, "posto que eivado de ilegalidade"; Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.668 7 5 que o auto de infração está baseado na alegação de que o produto PCNA é inservível, mas não logrou o Fisco federal provar tal afirmação, pois teria se baseado em laudo produzido pelo fisco estadual, prova emprestada, o que, a seu juízo, seria ilegal. Acresce que a "utilização da prova emprestada neste caso não pode ser convalidada", pois careceria da observância do contraditório e ampla defesa. Sendo, continua, o laudo o fundamento do lançamento, pela teoria dos motivos determinantes, "não podendo ser convalidada a prova emprestada" vez que "a lavratura foi do fisco paulista sob o manto da assinatura do agente federal", o lançamento é inválido; 6 por fim, argui a decadência, alegando que sendo o auto de infração cientificado em 12/12/2008, incluindo os meses os períodos de fevereiro ao primeiro decênio de dezembro de 2003, este período estaria alcançado por aquela. Em seu entendimento, não demonstrada a fraude ou simulação, aplicase ao caso o art. 150, § 4º, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. I OS FATOS Registrese, inicialmente, que a recorrente está cadastrada no CNPJ com o código CNAE 1111901 FABRICAÇÃO DE AGUARDENTE DE CANA DE AÇÚCAR, sendo a empresa, conforme consta nos autos, "fabricante e comercializadora da tradicional aguardente de cana marca "CANINHA DA ROÇA". O que fica patente nas peças de insurgência da autuada em relação ao lançamento, é que ela foge ao fatos, restringindose às questões de natureza processual. Ela em nenhum instante contraditou o consistente Termo de Verificação Fiscal (fls. 1657/1690), restringindo sua defesa à arguição de nulidade do lançamento como se este tivesse por único elemento o laudo produzido pelo Fisco paulista, o que falseia sobremaneira os fatos narrados no libelo fiscal. Por isso, passo a análise dos mesmos, resumindo o que consta do relato fiscal. O PCNAA ou PCNA, segundo a fiscalizada, seria submetido, em suas dependências industriais, de tal maneira a configurar um segredo industrial, a um “processo de industrialização” em que haveria a adição de xarope de açúcar invertido (gludex) – 0,0025 a 0,0035% – e corante de caramelo – 0,0002 a 0,00035%: um produto adquirido com um custo de cerca de R$ 100,00 por litro para o emprego como matéria prima na fabricação de refrigerantes com preço de varejo de R$ 1,00 o litro. A adição dos referidos ingredientes foi iniciada somente em 18/09/2004, consoante o controle contábil de estoque da empresa, e teria durado até 15/12/2004. Tratase, segundo o Fisco Estadual, de uma solução aquosa, sem utilidade econômica intrínseca e sem valor comercial, destinada à fabricação de refrigerantes e que não pode ser enquadrada nos parâmetros fixados pela legislação federal (Portaria nº 544, de 1998, do Ministério da Agricultura) no que concerne a “preparado ou concentrado líquido para refrescos ou refrigerantes”. O concentrado de guaraná legítimo, com código NCM/SH Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.669 8 2106.90.10, não se caracteriza como insumo para a indústria de bebidas, mas um produto pronto para consumo, destinado à preparação de refrigerantes em máquinas “prémix” ou “postmix”. O PCNAA ou PCNA constante das notas fiscais emitidas não figura como produto pronto para consumo, mas destinado a ulterior processo industrial. Não é, pois, um produto adequado à mistura em máquinas próprias do qual resulte bebida refrigerante apta ao consumo imediato. “MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO GABINETE DO MINISTRO PORTARIA Nº. 544, DE 16 DE NOVEMBRO DE 1998. O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 159, inciso I, alínea "a" e II do Regulamento da lei n° 8.918, de 14 de julho de 1994, aprovado pelo Decreto n° 2.314, de 4 de setembro de 1997, resolve: Art. 1° Aprovar os Regulamentos Técnicos para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade, para refresco, refrigerante, preparado ou concentrado líquido para refresco ou refrigerante, preparado sólido para refresco, xarope e chá pronto para o consumo, em anexo. Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. FRANCISCO SÉRGIO TURRA” No anexo, que traz, entre outros, o “Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Preparado ou Concentrado Líquido para Refresco ou Refrigerante”, assim estão estabelecidos alguns tópicos de interesse: “1. ALCANCE 1.1. Objetivo: Fixar a identidade e as características mínimas de qualidade a que deverá obedecer o Preparado ou Concentrado Líquido Para Refresco ou Refrigerante. 1.2. Âmbito de Aplicação: O presente Regulamento se aplica ao Preparado ou Concentrado Líquido para Refresco ou Refrigerante. 2. DESCRIÇÃO 2.1. Definição 2.1.1. (...) 2.1.2. Preparado ou Concentrado Líquido para Refrigerante é a bebida que contiver suco de fruta, extrato vegetal ou de parte do vegetal de sua origem, açúcar e água potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento de consumo. (...) 2.1.6. Preparado ou Concentrado Líquido para Refrigerante (sem açúcar) é a bebida que contiver suco, extrato vegetal ou de parte do vegetal de sua origem, açúcar e água Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.670 9 potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento de consumo. (...)”(g.m.) A Indústria de Bebidas Paris (IBP), indagada a respeito da composição química da substância PCNAA ou PCNA, informou a existência de segredo industrial e afiançou a respectiva conformidade com o art. 60 do Decreto nº 2.314, de 1997: “DECRETO Nº 2.314, DE 4 DE SETEMBRO DE 1997. Regulamenta a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, DECRETA: Art. 1º Fica aprovado o Regulamento da Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas, que com este baixa. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Ficam revogados os Decretos nº 73.267, de 6 de dezembro de 1973, 96.354, de 18 de julho de 1988, e 1.230, de 24 de agosto de 1994. Brasília, 4 de setembro 1997; 176º da Independência e 109º da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Arlindo Porto” O referido art. 60 é vazado nos seguintes termos: “Art. 60. Extrato de guaraná é o produto resultante da extração dos princípios ativos da semente de guaraná (gênero Paullinia), com ou sem casca, observados os limites de sua concentração previstos em ato administrativo próprio”. Nada esclarecido: a realidade é diversa da declarada, escamoteada nos meandros da legislação que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. O produto em tela, nas aquisições (469.160 kg), foi contabilizado pela IBP como “preparo composto não alcoólico”. Com uma quebra contabilizada de 340 kg, uma parte da substância (180.950 kg) foi transferida para uma conta de estoque correspondente a “preparado não alcoólico padronizado”, e, sem a mediação de nenhuma operação industrial, outra parcela (174.660 kg) foi vendida a empresas do exterior, OU TAIVER e CINKOLL, por R$ 69,21/kg, em média, sendo as notas fiscais emitidas com o CFOP 7.101, que diz respeito a “venda de produto industrializado para o exterior”; o restante (113.210 kg) permaneceu registrado no estoque até o final do ano de 2004. Com o acréscimo de 649 kg, no total, de xarope de açúcar invertido (gludex) (420 kg), corante de caramelo (49 kg) e de água (180 litros), a maior parte (180.000 kg) da Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.671 10 substância “preparado não alcoólico padronizado” foi transferida para a conta de estoque correspondente a “preparo não alcoólico”, que teria sido destinado às empresas PROAD e SWISSFARMA à vista de notas fiscais com CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros para exportação) ou CFOP 6.949 (outras saídas não especificadas), com um preço médio de R$ 68,58 por kg. Como se pode observar, tratase de vendas com indiscutível prejuízo: preço médio de R$ 90,00/kg nas compras e de R$ 68,50 nas vendas. A IBP alega que, considerados os créditos nas aquisições, haveria um lucro operacional bruto na faixa de 5%. Os ingredientes “gludex” e corante de caramelo são normalmente empregados na padronização de aguardente de cana industrializado pela IBP, o que explicaria a existência de notas fiscais de compra desses aditivos. Uma das supostas fornecedoras da substância para a IBP, a NUVEM DE PRATA, foi pilhada pela Receita Federal de Santos/SP tentando exportar água à guisa de “preparado composto não alcoólico”, com superfaturamento; um composto com diluição em 98% de água, com composição semelhante à dos preparados refrigerantes prontos para consumo, usuais no mercado, mas com o valor declarado em nota fiscal de cerca de R$ 76,92 por litro, bem acima do valor dos preparados existentes no mercado – R$ 1,00 por litro. A pretextada empresa fornecedora STRATUS, instalada em um galpão mal ajambrado, alugado de terceiros, em área degradada de Manaus, dotada de tanques obsoletos e com objetos acomodados no chão (bombonas, caixas, estrados, sacos e latas), preparava o refrigerante de guaraná (PCNAA) por meio de um processo artesanal (agregação de água filtrada e elementos químicos a extrato líquido de guaraná) e teria vendido à IBP, de junho de 2003 a novembro de 2004, 385.860 kg de PCNAA, no valor de R$ 34.302.954,00. Cerca de 80% do valor das compras teria sido pago no período de 2005 a 2008, sem que a fornecedora tivesse tomado providências de protesto contra a demora. O extrato de guaraná teria sido adquirido pela STRATUS, de maio de 2003 a agosto de 2004, do produtor rural João Pazini Filho por um preço entre R$ 13,10/l e R$ 33,10/l (sendo que o preço de mercado, em 2006, girava em torno de R$ 1,60/L). O preço médio de venda do PCNAA para a IBP teria sido de R$ 88,90. Vale dizer, uma diferença brutal para uma simples adição de água filtrada e elementos químicos. Além do mais, é de clareza hialina que o refrigerante de guaraná (PCNAA) vendido pela STRATUS, pronto para consumo em máquinas adequadas (“postmix” ou “prémix”), prescindiria totalmente de uma etapa intermediária, representada pela IBP, na qual seria produzido um “concentrado” especial com uma quantidade de água maior que a do extrato de guaraná, mas menor que a quantidade presente no produto final. Em 2 anos, somente com esse processo rudimentar, a STRATUS teria faturado R$ 247.000.000,00. São os seguintes os valores, de compras e de vendas de extrato de guaraná, respectivamente, declarados em DIPJ, pela STRATUS e por João Pazini: a) anocalendário de 2003: R$ 18.876.951,20 e R$ 376.949,83; b) anocalendário de 2004: R$ 11.425.840,64 e R$ 935.587,80. Diferenças avassaladoras, tendo sido o produtor rural João Pazini Filho o único fornecedor de extrato de guaraná da STRATUS em 2003 e o segundo maior em 2004. Em 2003, João Pazini Filho emitiu notas fiscais para a STRATUS totalizando 58.411 kg de extrato de guaraná, o que representaria uma produção de PCNAA pela STRATUS de 292.055 kg (sendo utilizado o extrato de guaraná na proporção 1:5). Contudo, a Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.672 11 produção da STRATUS sustentada pela documentação fiscal emitida teria sido de 405.762 kg de PCNAA. No ano de 2004, a STRATUS vendeu 1.142.973 kg de PCNAA, ao passo que teria condições de vender apenas 404.600 kg à luz das aquisições documentadas de extrato de guaraná. A principal fornecedora do extrato de guaraná para a STRATUS em 2004, a JRFF Comércio e Indústria Ltda., com R$ 24.187.075,19 em vendas, conforme o relatório, declarou inatividade no tocante ao anocalendário de 2004, com ausência de empregados ou autônomos a seu serviço em 2004, e com movimentação financeira desprezível no mesmo ano. Essa empresa, instalada em exíguo espaço, segundo diligência aludida pelo Fisco Estadual, teria permanecido com as portas fechadas durante todo o período de pagamento da locação do imóvel. A empresa transportadora, PB Transportes Ltda., incumbida dos fretes nas vendas para a IBP, segundo declaração prestada pela pessoa responsável pela respectiva contabilidade, não teria operado nos anos de 2003 e 2004. Com efeito, a despeito de que a aludida empresa tivesse efetuado o transporte de meia tonelada de PCNAA de Manaus até Rio das Pedras, SP, sede da IBP, não teve movimento em 2003 e declarou inatividade para o ano de 2004, e possuía apenas um empregado registrado de junho de 2004 a janeiro de 2005. Outra suposta fornecedora, a COEMA, com sede em Paulínia, SP, tinha como CNAEFiscal, no cadastro do sistema de processamento de dados relativo ao CNPJ da Receita Federal, o código 5154399, referente a “comércio atacadista de produtos químicos”, isto é, nada a ver com a atividade de comércio atacadista de bebidas, cujo CNAE é 46354. A COEMA teria vendido à IBP, de fevereiro a agosto de 2003, 63.300 kg de PCNA “Coema”, no valor de R$ 6.140.500,00, por um preço médio de R$ 97,01/kg, à vista de notas fiscais com IPI destacado no importe de R$ 1.657.935,00. Cerca de 60% do valor das compras teria permanecido sem pagamento no período de 2004 a 2007, sendo que, repentinamente, em março de 2007, teria sido quitada a dívida de R$ 4.549.553,30, conforme os registros contábeis da IBP. Todavia, apesar dos pagamentos parciais que teriam sido realizados de maio de 2003 a abril de 2004, a conta corrente do Banco Banespa teria sido movimentada somente até 2004, e, mesmo para o ano de 2004, com uma quitação no montante de R$ 589.051,44 de dívida com a IBP, a movimentação financeira teria sido de R$ 509.492,32. Com apenas um pagamento registrado de R$ 3.600,00 em fevereiro de 2003, conforme o relatório, a empresa ADAGA Transportes Ltda. teria efetuado os fretes para a IBP em prazos incompatíveis com a distância das cidades (Paulínia a Rio das Pedras, em SP: 100 km): 6 a 25 dias. A empresa, inativa em 2003, conforme DIPJ, não teria tido movimento desde 2002, nos termos do depoimento prestado pelo respectivo sócio. Mais outra empresa fornecedora, a NUVEM DE PRATA, de Botucatu, SP, foi declarada INAPTA, por inexistência de fato, em procedimento que culminou no Ato Declaratório Executivo nº 25, de 11/02/2007 (fl. 909), com efeitos operantes quanto aos fatos ocorridos desde 01/01/2003, sendo que, supostamente, teria vendido à IBP, de 25 a 28 de agosto de 2003, 20.000 kg de “Concentrado Não Alcoólico Nuvem de Prata – CNANP”, no importe de R$ 1.941.600, com preço médio de R$ 97,08 e IPI destacado nas notas fiscais de R$ 524.232,00. Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.673 12 As informações quanto ao pagamento pelas aquisições (apenas pouco mais de 30% do montante quitado), frete, DIPJ, remuneração de empregados ou autônomos, além do flagrante superfaturamento de exportação realizado pela Alfândega de Santos, sendo suficiente a declaração de inaptidão retroativa a janeiro de 2003 para a empresa em comentário ser reputada como “de fachada”. Todas as pretensas empresas fornecedoras do preparado ou concentrado não alcoólico, STRATUS, COEMA e NUVEM DE PRATA, têm como sócios alguém da família Hadad (Miguel Haddad, Antonio José Haddad Neto e Wady Haddad Neto). Uma das empresas que teria adquirido a substância revendida pela IBP, a SWISSFARMA, de Anápolis, GO, tem como CNAE Fiscal o código 211060, concernente a “fabricação de produtos farmoquímicos”, e foi declarada INAPTA por inexistência de fato (Ato Declaratório Executivo nº 09, de 17/04/2008). A aquisição de 60.000 kg da substância “preparo não alcoólico”, no valor de R$ 4.114.800,00, com preço médio de R$ 68,58/kg, sem destaque de IPI nas notas fiscais emitidas com o CFOP 6.502, relativo a “remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação” (vendas feitas em dezembro de 2004, com vencimento para abril de 2005, mas com os efetivos pagamentos efetuados somente de novembro de 2005 a maio de 2006, sem o protesto da credora). O detalhe é que a movimentação financeira registrada para a SWISSFARMA durante todo o ano de 2004 foi de R$ 4.534.056,86. A outra suposta empresa destinatária do “preparo não alcoólico”, a PROAD, com sede em Vitória, ES, tem atualmente a situação cadastral suspensa e o CNAEFiscal como 5102600, referente a “comércio atacadista de mercadorias não especificadas anteriormente”. A IBP adquiriu 120.000 kg daquela no montante de R$ 8.229.600, com preço médio de R$ 68,58/kg, sem destaque de IPI; tampouco, nas notas fiscais emitidas também com o CFOP 6.502, relativo a “remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação” As vendas à IBP foram feitas de setembro a novembro de 2004, com o recebimento referente a apenas menos da metade do total em 2005 e 2006, com o restante sem quitação até agora, e sem o protesto da credora, a recorrente. Na DIPJ de 2004, apenas o registro da aquisição de R$ 1.982.240,00 da substância e sem registro de empregados ou autônomos no ano de interesse. Em 03/07/2003, a IBP teria exportado 23.460 kg da substância PCNA para a empresa OU TAIVER, domiciliada na Estônia, com a emissão de uma nota fiscal no importe de R$ 1.579.475,00, com vencimento em 04/07/2003. Conforme o relatório, quase um ano depois foi recebido menos de um terço do valor e, em 2006, três anos depois da venda, menos de dois terços do valor da transação, tendo sido o restante baixado como abatimento na contabilidade. Como comprovantes, foram exibidos pela IBP contratos de câmbio no montante de R$ 317.263,11 celebrados três anos após a venda! A mercadoria supostamente exportada foi baixada, na contabilidade, diretamente do estoque de PCNA, referente à idêntica conta contábil em que haviam sido contabilizadas as aquisições de PCNAA. Ou seja, teria havido revenda e não industrialização. Custo unitário na venda (exportação): R$ 67,32; custo unitário das aquisições do “produto” das empresas COEMA e STRATUS (fevereiro a julho de 2003): R$ 93,42; resultado: prejuízo comercial superior a R$ 600.000,00. Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.674 13 De setembro de 2003 a janeiro de 2004, a IBP teria exportado 151.200 kg da substância PCNA para a empresa CINKOLL, domiciliada no Uruguai, com a emissão de nove notas fiscais no montante total de R$ 10.508.664,00, com último vencimento em 22/07/2004. De dezembro de 2003 a julho de 2006, foi recebido cerca de 80% do valor, tendo sido o restante baixado como abatimento na contabilidade. Tendo ocorrido o último embarque em 28/01/2004, à guisa de comprovantes foram apresentados pela IBP contratos de câmbio, sendo o último de 12/07/2006. Da mesma forma, a mercadoria pretensamente exportada foi baixada, na contabilidade, diretamente do estoque de PCNA, referente à mesma rubrica contábil em que haviam sido contabilizadas as aquisições de PCNAA: ora, também, teria ocorrido revenda e não industrialização. Custo unitário nas vendas (exportações): R$ 69,50; custo unitário das aquisições do “produto” da empresa STRATUS: R$ 88,90; resultado: prejuízo comercial superior a R$ 3.000.000,00. Instada a esclarecer a razão para a apropriação dos créditos, a empresa invocou a isenção prevista no Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, no tocante às aquisições da STRATUS. Quanto aos fornecimentos de NUVEM DE PRATA e COEMA, foi suscitado o Decretolei nº 1.894, de 16 de dezembro de 1981, art. 1º, I, sendo que o direito ao crédito assegurado por este ato teria sido restabelecido pela Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, III. Até 18/09/2004, a IBP teria revendido diretamente, sem o acréscimo dos ingredientes (gludex e corante de caramelo), ou seja, sem o singelo “processo industrial”, 174.660 kg de PCNA com o direito ao crédito pelas entradas estribado no Decretolei nº 1.894, de 1981. Subsequentemente, até 15/12/2004, período em que teria acontecido o “processo produtivo”, as vendas foram promovidas com as notas fiscais emitidas sob o código CFOP 6.502, correspondente a “remessa de mercadoria de terceiros para exportação”, e com o direito ao crédito pelas aquisições arrimado no Decretolei nº 1.435, de 1975. Vale dizer, em todos os períodos teria havido simples revenda. Nos termos da resposta ao termo de intimação de fl. 99, as supostas vendas de PCNAA da STRATUS para a IBP teriam acontecido de junho de 2003 a novembro de 2004, com a invocação da isenção do Decretolei nº 1.435, de 1975; já, as vendas de PCNA da COEMA para a IBP teriam sido promovidas de fevereiro a agosto de 2003; e, por fim, as vendas do “concentrado” não alcoólico” da NUVEM DE PRATA para a imputada: agosto de 2003. Em ambos os últimos casos foi indicado o Decretolei nº 1.894, de 1981. Há uma discrepância ululante nesses dados: compras de “produto” de junho de 2003 a novembro de 2004 da STRATUS com o direito ao crédito vinculado a vendas realizadas de setembro a dezembro de 2004 de um “produto” que teria sofrido “processo industrial”, mas com notas fiscais emitidas com CFOP relativo a “remessa de mercadoria de terceiros para exportação”; e compras de “produto”, de 03/02/2003 a 20/08/2003, da COEMA, e, de 25 a 28/08/2003, da NUVEM DE PRATA, com o direito ao crédito jungido às vendas efetuadas de julho de 2003 a setembro de 2004. Em resumo: vendas pela IBP do “produto” submetido a “processo industrial”, de 19/09/2004 a 15/12/2004, com toneladas do “insumo” principal (PCNAA) adquirido da STRATUS desde junho de 2003 (mais de um ano antes !), com o necessário armazenamento; Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.675 14 revenda pela IBP, sob a denominação de PCNA, até 18/09/2004, do “preparado não alcoólico” ou “concentrado não alcoólico” adquiridos, também às toneladas, da COEMA e da NUVEM DE PRATA, somente até 28/08/2003 (também mais de uma ano antes!), igualmente com os imprescindíveis e adequados acondicionamento, estocagem e refrigeração de composto que seria bebida refrigerante pronta para o consumo (por período superior a um ano). Esses, em essência, são os fatos narrados e comprovados na peça fiscal. MÉRITO Ora, diante dessa verdadeira avalanche de informações detalhadamente coletadas pela fiscalização, criteriosamente examinadas, conformandose em um robusto quadro de elementos indiciários cuja dissociação remete ao inimaginável, não há como acolher as alegações vertidas no recurso voluntário no sentido de que “o dolo não se presume”, ou que não haja nos autos “além de meras suposições fantasiosas do fisco”. O fato é que a recorrente não apresentou nenhum elemento de prova sequer (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.) para alicerçar a argumentação vertida na peça de defesa” , deixando passar in albis a oportunidade para a ampla defesa representada pela apresentação das peças impugnatória e recursal. Neste mesmo diapasão devem ser consideradas as alegações tendentes a demonstrar que a análise laboratorial que prestouse à identificação do produto na autuação procedida pelo Fisco Estadual tenha sido feita com produto fora do prazo de validade. Tratase de uma questão acessória em um cenário repleto de elementos dando conta de operações simuladas com o fito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS de forma fraudulenta. Fosse constatado qualquer equívoco nas informações técnicas oferecidas pelo laudo pericial e isso não haveria de ter nenhum efeito na decisão final da lide. Dito isso, afasto, desde logo, a realização de qualquer tipo de perícia técnica com vistas a melhor instrução processual posto que absolutamente prescindível ao desfecho da lide. Demais disso, gizese que poderia a recorrente ter produzido prova técnica a seu favor, mas não o fez por evidente motivo. A fiscalização atesta que: A autuada recebeu amostras testemunhas, mas não se interessou em providenciar análises laboratoriais que pudessem afastar os resultados obtidos pelos exames procedidos pelo fisco. (...) A defesa não apresentou sequer um documento, laudo ou parecer técnico que pudesse fundamentar sua pretensão de desqualificar as análises laboratoriais promovidas pelo fisco. Quanto ao fato de o laudo ter sido produzido em função de solicitação Fisco estadual paulista, é questão de somenos importância. Primeiro, porque o laudo, ao contrário do que a defesa afirma inveridicamente, diante dos fatos acima arrolados e provados no curso da ação fiscal e sobre os quais a recorrente não os contraditou, é peça absolutamente prescindível para se concluir que estamos diante de uma fraude tosca. E, segundo, porque a anexação daquele a estes autos foi corretamente processualizada pois ela decorreu de correspondência do Delegado da RFB em Piracicaba ao Fisco paulista, com arrimo em convênio então vigente. Portanto, de acordo com os preceitos do art. 199 do CTN. De igual forma, o enquadramento legal foi escorreito, de forma alguma afrontando os termos do Decreto 70.235/72. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.676 15 Assim, rechaço qualquer nulidade no procedimento fiscal e no consequente lançamento tributário, pois não houve qualquer ilegalidade na prova produzida, nem tampouco qualquer cerceio ao direito de defesa da recorrente. O robusto arsenal probatório e o criterioso, convergente e analítico trabalho fiscal me dão a plena convicção da fraude perpetrada. Aliás, fraude grotesca, com o flagrante intuito de sonegar tributos, em caso PIS/COFINS, e ainda produzir saldo credor para sair a compensarse com outros tributos, como dito pela fiscalização, embora fora da fronteira da exação sob comento. Portanto, concluindo pela fraude, afastase a postulada decadência, uma vez que presente aquela incide o art. 173, I, do CTN, pelo que não ocorreu a decadência. Da mesma forma, restando comprovado à exaustão o dolo específico de sonegar tributo, escorreita a multa aplicada no percentual de 150%. Em suma, sem reparos ao lançamento e à r. decisão. Forte em todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 2676DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720413/2011-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009, 2010
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009, 2010 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 13 /2 01 1- 90 Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.085 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.086 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.087 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.088 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.089 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.090 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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