Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.722768/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.722768/2014-11
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5649971
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-000.574
nome_arquivo_s : Decisao_10166722768201411.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10166722768201411_5649971.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6546799
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691811549184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 107 1 106 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722768/201411 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.574 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de setembro de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 76 8/ 20 14 -1 1 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 108 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO, que julgou procedentes autos de infração de obrigações tributárias principais referentes às contribuições previdenciárias, sendo o DEBCAD.51.038.4153 atinente ao levantamento patrocínio de futebol profissional, e o DEBCAD 51.038.4161, referente a pagamento de PLR em desacordo com a legislação, além de 3 (três) autos de infração relativos ao descumprimento de obrigações acessórias, DEBCADs nos 51.038.4170, 51.038.4188, e 51.038.4196, respectivamente CFLs 30, 34 e 83 (fls. 2/198). O relatório da decisão contestada (fls. 567/569) bem descreve os termos da autuação e da correspondente impugnação: O presente processo administrativo referese a contribuições devidas à Seguridade Social: Art. 22, III e §§ 6º, 7º e 9º da Lei 8.212/91. 2. Tais exações são incidentes sobre: valores pagos a contribuintes individuais, dirigentes da empresa, a título de participação nos resultados. pagamentos de patrocínios efetuados pela impugnante em favor das associações de futebol profissional Club de Regatas Vasco da Gama, CNPJ 33.617.650/000145 e América Futebol Clube (NATAL RN), CNPJ 08.333.783/000137. 2.1. A retenção de 5%, sobre os valores brutos repassados a título de patrocínio, não foi efetuada, conforme verificação dos lançamentos contábeis efetuados na conta 2113181600 – C. PrevINSS Retido Fonte Terc. P. Jurídica, e nem recolhidos em GPS, código 2500. Também não foram informados em GFIP. 2.2. Em relação ao pagamento de PLR a contribuintes individuais, dirigentes não empregados, constam dos Termos de Pactuação (e seu complementar) a previsão dessa verba aos dirigentes da empresa, conforme Cláusula 9ª, item 91.1, desde que houvesse Autorização em AGO. Tais autorizações foram concedidas pela 51ª e 52ª Assembléia Geral Ordinária. 3. As contribuições previdenciárias foram apuradas através do exame dos seguintes elementos de prova: [omissis] 4. As contribuições previdenciárias lançadas não foram declaradas em GFIP. 5. Também houve a lavratura de autosdeinfração por descumprimento de deveres jurídicotributários instrumentais, a saber: CFL 30 Art. 32, I, da Lei no 8.212/91 e art. 225, I e § 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 109 3 CFL 34 Art. 32, II, da Lei no 8.212/91 e art. 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. CFL 83 Art. 22, §9º, da Lei no 8.212/91 e art. 205, § 3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Da Impugnação 6. Notificado pessoalmente do lançamento dos Créditos Tributários em 30/04/2014 (fls. 03), apresenta o sujeito passivo suas impugnações em 21/05/2014 (fls. 427 e 560), com as seguintes razões, em apertada síntese: 6.1. Indevida inclusão em dívida ativa. 6.2. O patrocínio ao Vasco, através dos desembolsos, foi por ordem judicial, em ações ajuizadas pelo sindicato dos empregados em face do Vasco, dada a natureza alimentar de tais pagamentos. 6.3. Os desembolsos foram pagos a credores das obrigações trabalhistas contraídas pelo Vasco. Ainda que a Eletrobrás entendesse que a retenção deveria ser feita, haveria preterição do credor trabalhista em prol do crédito tributário, ferindo o Art. 186 do Código Tributário Nacional. Os depósitos foram em favor de terceiros que não o Vasco, afastando os §§ 6º e 9º do Art. 22 da Lei 8.212/91. 6.4. Se o recebimento não foi pela associação desportiva, não há subsunção à hipótese de incidência. 6.5. O §11 do mesmo artigo estabelece que a referida substituição tributária só se aplica às sociedades empresárias, o que não é o caso do Vasco. 6.6. Para o contrato envolvendo o América – RN, aponta normas do Ministério dos Esportes e fala sobre captação mínima, o que não houve, conforme a informação do próprio Ministério, descaracterizando o patrocínio. O que houve foi a liberação para a conta vinculada ao contrato. 6.7. O objeto do contrato não foi atendido e a marca Eletrobrás não foi exposta. Reafirma a questão das sociedades empresárias. Menciona que o contrato era voltado para financiamento das categorias de base e a incidência é para os patrocínios ao futebol profissional. Elenca requisitos. Remete ao Art. 22, §11A e aponta requisitos da Lei 9.615/98. 6.8. Se a contribuição previdenciária não incide sobre o pagamento de PLR aos trabalhadores, não há como se exigila sobre o pagamento aos Diretores não empregados. A Constituição Federal de 1988 e a Lei não fazem distinção entre trabalhador com ou sem vínculo. Remete à Lei 10.101/00 e ao Art. 176 do CTN. Cumpridos os requisitos do Art. 28, §9º, “j”, da Lei 8.212/91. Aponta os mesmos requisitos para o AIOA 51.038.4170 6.9. Em relação ao AIOA 51.038.4188 (Vasco e América), a obrigação da empresa era de lançar mensalmente os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Ocorre que não existiram os fatos geradores, conforme demonstrado. 6.10. Não havendo a obrigação tributária, não pode a Eletrobrás ser autuada por descumprimento de dever imposto à substituta tributária, pois não o é. Improcedente o AIOA 51.038.4196. A instância de primeiro grau manteve a exigência (fls. 564/576), motivando a interposição de recurso voluntário em 2/6/2015 (fls. 597/769), no qual são repisadas as razões vertidas na impugnação e argumentado, ainda, que na decisão que determinou a penhora das Fl. 813DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 110 4 cotas de patrocínio destinada ao Vasco, foi prescrita a preferência dos créditos trabalhistas sobre os tributários, sendo que seu cumprimento estendido no tempo dada a insuficiência daquelas cotas para pagamento dos citados créditos. É o relatório. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 111 5 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Parte da autuação versa, como narrado mais acima, sobre verbas de patrocínio destinadas pela contribuinte ao Clube de Regatas Vasco da Gama, conforme contrato de fls. 688/703 . Alega a recorrente que tais desembolsos teriam sido pagos a credores de obrigações trabalhistas daquele clube, por força de ordem judicial, nos autos do processo nº 000061748.2010.5.01.0036, que tramitou na 36ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro/RJ. Compulsando os autos, temse que, efetivamente, existe decisão naquele processo de execução (fls. 718/724), na qual o magistrado assevera: DETERMINO A PENHORA DAS COTAS DE PATROCÍNIO VENCIDAS, até o limite do crédito apurado, devendo a ELETROBRÁS ser intimada por mandado a não proceder a qualquer pagamento do valor das referidas cotas ao Vasco, e colocar à disposição deste Juízo quantia que basta a solver a dívida do executado, conforme a conta já elaborada (fls. 131). Observese que a disposição alude a cotas já vencidas, ou seja, anteriores à prolação da sentença em 18/8/2010, enquanto os fatos geradores das contribuições previdenciárias objeto de lançamento são posteriores, compreendendo os anoscalendário 2011 e 2012. Entretanto, a empresa argumenta que ordens judiciais posteriores de penhora ultrapassavam o valor das cotas de patrocínio, assim, "antes mesmo da fatura poder ser lançada o valor já estava comprometido ao Juízo. Suprida aquela ordem judicial, quase que de imediato já existia outra formando uma sequência contínua de mandados de penhora, bloqueio e avaliação, considerando, inclusive, liberações futuras". Para comprovar tais explicações, colacionou alguns documentos de sua lavra ("Memorandos"), que fazem referências a ordens judiciais, emanadas daquele processo (fls. 712, 715) e também de outro, nº 003703200.2007.8.19.0001 (fl. 710). Juntou também guias de pagamentos associados a esses processos e ao processo nº 0000123.05.2012.5.01.0008 (fls. 705/709, 711/717). Não resta claro, contudo, a abrangência de tais ordens judiciais, relacionadas à fl. 704 pela contribuinte, até mesmo por serem, em parte, atinentes a outros processos que não o que tem sua sentença juntada nos autos, como mencionado. Assim, ainda que haja indícios relevantes de que os valores penhorados compreendam todas as cotas de patrocínio a serem pagas ao clube em evidência no período, sem a cópia das ordens judiciais (ofícios, mandados, etc.), bem como das decisões (sentença ou Fl. 815DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 112 6 acórdão) prolatadas nos processos de nº 003703200.2007.8.19.0001 e 0000123.05.2012.5.01.0008 que estão relacionadas com tais penhoras, está prejudicada a compreensão adequada dos fatos sob exame. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem intime a contribuinte a apresentar cópia dos documentos judiciais por ela discriminados na tabela à fl. 704 (eprocesso) dos autos, bem como as decisões exaradas nos processos de nº 003703200.2007.8.19.0001 e nº 0000123.05.2012.5.01.0008, que estejam vinculadas a tais ordens judiciais, devendo na sequência a fiscalização manifestar se se os valores comprovadamente retidos abrangem todos os que foram objeto do lançamento veiculado neste processo, facultandose ao sujeito passivo prazo legal para se pronunciar sobre a manifestação do Fisco. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001380/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13161.001380/2007-83
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5653317
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.267
nome_arquivo_s : Decisao_13161001380200783.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13161001380200783_5653317.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6554751
ano_sessao_s : 2016
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691814694912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 48 1 47 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.001380/200783 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.267 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Matéria PIS/COFINS RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA E INDUSTRIAL COOAGRI "Em Liquidação". Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 80 /2 00 7- 83 Fl. 351DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 353DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.267. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 355DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 357DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 359DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 361DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 363DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 365DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 367DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 369DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 371DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 373DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 375DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 377DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 379DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 381DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 383DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 385DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 387DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 389DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 391DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 393DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 395DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 397DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720906/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PIS - OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO CUSTOS DA REDE PRÓPRIA.
Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
PIS - RETENÇÃO NA FONTE - DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA.
Os valores de PIS retidos na fonte são considerados como antecipação do devido pelo contribuinte ao final do período de apuração, podendo ser deduzidos da contribuição devida, relativa aos fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Sustentou pelo Contribuinte o Dr. Silvio Augusto Campos Mesquita, OAB-SP nº 119.076.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: Domingos de Sá Filhio
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PIS - OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO CUSTOS DA REDE PRÓPRIA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. PIS - RETENÇÃO NA FONTE - DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. Os valores de PIS retidos na fonte são considerados como antecipação do devido pelo contribuinte ao final do período de apuração, podendo ser deduzidos da contribuição devida, relativa aos fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16682.720906/2012-02
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5645713
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.258
nome_arquivo_s : Decisao_16682720906201202.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Domingos de Sá Filhio
nome_arquivo_pdf_s : 16682720906201202_5645713.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Sustentou pelo Contribuinte o Dr. Silvio Augusto Campos Mesquita, OAB-SP nº 119.076. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6521436
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691829374976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2030; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 15 1 14 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720906/201202 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302003.258 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de julho de 2016 Matéria COFINS/PIS Recorrente GOLDEN CROSS ASSISTÊNCIA INTERNACIONAL DE SAÚDE. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PIS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO CUSTOS DA REDE PRÓPRIA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98 entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. PIS RETENÇÃO NA FONTE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. Os valores de PIS retidos na fonte são considerados como antecipação do devido pelo contribuinte ao final do período de apuração, podendo ser deduzidos da contribuição devida, relativa aos fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Sustentou pelo Contribuinte o Dr. Silvio Augusto Campos Mesquita, OABSP nº 119.076. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 06 /2 01 2- 02 Fl. 5478DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício em razão do provimento da impugnação, consequentemente, pelo fato da exoneração total do crédito tributário constituído por meio de lançamento, afastando à exigência da exação consignada por meio do auto de infração relativo ao PIS/COFINS. Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar bem a situação dos autos: “Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência de PIS, incidência cumulativa, relativo aos períodos de apuração 01/2008 a 12/2009 (fls. 5.191 a 5.200), totalizando R$ 29.385.708,93, com multa de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 10/2012, sendo R$ 13.941.184,31 correspondentes à contribuição. Também foi lavrado auto de infração para exigência da Cofins relativa aos mesmos períodos de apuração e com os mesmos acréscimos legais, totalizando R$ 139.599.070,10, sendo R$ 66.196.361,01 correspondentes à contribuição (fls. 5.201 a 5.208). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.182 a 5.190) a autoridade lançadora informa, em resumo, que: O contribuinte tem por objetivo o desenvolvimento, a administração e a comercialização de planos de saúde para cobertura médica, hospitalar e odontológica, a ser prestada por terceiros aos contratantes desses planos; A autuada opera com planos de assistência à saúde, apurando, nos períodos lançados, o PIS e a Cofins sobre o faturamento, nos termos da Lei nº 9.718/98, alterada pela MP nº 2.15835/2001; A partir da documentação apresentada pelo contribuinte no curso da fiscalização (demonstrativos de apuração das contribuições e balancetes), verificouse: a não inclusão das receitas financeiras (conta 340000000), a exclusão de valores contabilizados a título de “Eventos Ocorridos Efetivamente Pagos” (conta 212119000000) e a exclusão de valores relativos à variação da provisão de eventos ocorridos e não avisados (conta 414000000) Em relação ao segundo item, o art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, alterado pela MP nº 2.15835/2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base Fl. 5479DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 16 3 de cálculo das contribuições as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes); Tal entendimento foi acatado em soluções de consultas formuladas junto à RFB (SRRF/7ªRF/Disit nº 316/2002, SRRF/6ªRF/Disit nº 58/2007 e Cosit nº 6/2010); Da análise dos balancetes apresentados não foram encontrados registros em contas específicas, de acordo com o plano de contas da ANS, que comprovassem transações operacionais com outras operadoras de planos de saúde com o objetivo de justificar as exclusões efetuadas na apuração das contribuições, relativas a despesas e custos operacionais relacionados com atendimentos médicos a título de responsabilidade assumida; Tais contas seriam as seguintes: “Contraprestações de Corresponsabilidade Assumida de Assistência Médico hospitalar” (Grupo 3113), “Contraprestação de Corresponsabilidade Assumida de Assistência Odontológica” (Grupo 3114), “Eventos em Co rresponsabilidade Assumida de Assistência Médicohospitalar” (Grupo 4115) e “Eventos em Corresponsabilidade Assumida de Assistência Odontológica” (Grupo 4116); Intimado a esclarecer as questões acima, o contribuinte, em relação à não inclusão das receitas financeiras na apuração das contribuições, anexou decisões em RE nos processos 1999 61.00.0196470 (Cofins) e 199961.00.0257457 (PIS), nas quais o STF reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não cabendo, portanto, a inclusão de outras receitas que não fizessem parte da atividadefim da empresa; Em relação à exclusão de valores relativos à variação da provisão de eventos ocorridos e não avisados, apresentou cópia da RN nº 209/2009, por meio da qual a ANS, em seu art. 9º, determina que as operadoras de planos de saúde constituam, mensalmente, entre outras provisões técnicas, a Provisão para Eventos/Sinistros Ocorridos e Não Avisados –RJ RIO DE JANEIRO DRJ; PEONA, estimada atuarialmente para fazer frente ao pagamento dos eventos/sinistros que já tenham ocorrido e que não tenham sido registrados contabilmente pela empresa; Em pesquisa realizada no site da ANS, a RN nº 209/2009 revogou e substituiu a RN nº 160/2007, nela a determinação para que as operadoras de planos de saúde constituíssem a provisão para eventos ocorridos e não avisados está prevista em seu art. 12; Em relação à dedução dos pagamentos relativos a indenizações correspondentes a eventos ocorridos, efetivamente pagos, a título de responsabilidade assumida, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo; Fl. 5480DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Posteriormente, o contribuinte complementou sua resposta, apresentou relação mensal das indenizações correspondentes aos eventos, efetivamente pagos, ocorridos entre jan/2008 e dez/2009, e cópia do Livro Razão, demonstrando os correspondentes lançamentos no período citado, além de tecer comentários sobre a legislação que autorizou a dedução destas despesas; Analisando tal documentação, verificouse que a informação apresentada se referia a pagamentos de indenizações relacionadas a despesas médicas com seus próprios clientes, informação diferente da solicitada por meio de anterior intimação, a qual se referia a indenizações correspondentes a eventos ocorridos a título de responsabilidade assumida; A Solução de Consulta COSIT nº 6/2010 trata da questão, entendendo que o disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, alterado pela MP nº 2.158 35/2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo das contribuições as despesas e custos operacionais relacionados com atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento mensal, e não sobre o resultado; Tal dispositivo somente autoriza as operadoras a deduzir o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes a outra operadora, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade; Tal entendimento é adotado pacificamente pela jurisprudência do CARF, conforme acórdãos citados; Assim, concluise que os valores referentes a indenizações, efetivamente pagas, correspondentes a eventos relacionados com os atendimentos médicos realizados com seus próprios clientes devem ser glosados da apuração das contribuições do período entre jan/2008 e dez/2009; Diante do exposto, foi efetuado o presente lançamento, com a finalidade de glosar os valores excluídos indevidamente da apuração do PIS e da Cofins, no referido período, conforme planilha anexa; Dos valores apurados foram deduzidos os declarados em DCTF. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 29/10/2012 (fls. 5.191 e5. 201) e apresentou conforme doutrina citada, segundo o princípio da legalidade tributária, a Administração Pública não pode criar, alterar ou extinguir direitos, deveres e obrigações, mas apenas regulamentar, disciplinar, orientar e explicitar condutas impostar e delimitadas em lei; impugnação tempestiva em 26/11/2012 (fl. 5.214), alegando, em resumo, que: Nos termos do art. 3º, § 9º, inciso III da Lei nº 9.718/98, alterado pela MP nº 2.15835/2001, a base de cálculo das contribuições Fl. 5481DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 17 5 sobre o faturamento das operadoras de planos de saúde, desde dez/2001, deve ser ajustada por meio da dedução dos valores por elas pagos em razão dos eventos passíveis de cobertura nos termos dos planos comercializados, valores esses correspondentes ao quanto destinado aos prestadores de serviços de saúde consumidos pelos titulares de planos; Não se identifica no texto normativo a aplicação restritiva que pretende dar a Fiscalização, pois nada no texto legal permite concluir que a dedução voltase apenas aos valores pagos em decorrência de atendimento de clientes de outras operadoras de planos de saúde, em lugar dos pagamentos realizados em razão da atuação empresarial do contribuinte, ou seja, voltados aos seus clientes; Conforme se conclui pela leitura da Exposição de Motivos que justificou a edição da MP nº 2.15835/2001, o próprio legislador identificou, como forma de dar efetividade à medida determinante da constituição de reservas técnicas, o tratamento tributário equivalente entre as operadoras de planos de saúde e as seguradoras que operam segurossaúde; Esta vontade legislativa de implementar a igualdade de tratamento tributário entre as operadoras de planos de saúde e as seguradoras de saúde impõe a transcrição da norma voltada a estas sociedades, contida na MP nº 2.15835/2001, por meio da inserção do inciso II ao § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; Neste dispositivo também não se identifica a restrição pretendida pela Fiscalização; A fim de viabilizar a continuidade de instituições financeiras voltadas à exploração de seguros e das empresas operadoras de planos de saúde, similares daquelas em sentido econômico, o legislador permitiu a dedução dos valores necessários ao custeio dos atendimentos médicos e hospitalares demandados por sua clientela, ao mesmo tempo em que impôs a ambas a constituição de determinadas reservas técnicas (para suportar essa demanda, e não a eventual demanda de clientes de terceiros); As demonstrações financeiras da impugnante demonstram que, no período da autuação, o próprio lucro auferido mostrase ínfimo em face do valor do tributo lançado, sem considerar os encargos; A interpretação da norma dada pela Fiscalização não se compatibiliza com a premissa de “crescimento sustentado do setor”, baseado este no princípio da legalidade tributária; O posicionamento fazendário destoa da explícita previsão legal e ofende o conteúdo do dispositivo e o princípio da legalidade, afastandose da vinculação da atividade administrativa à vontade legislativa; O posicionamento fiscal busca inserir na regra expressões, reduções ou ampliações não desejadas pelo legislador; Fl. 5482DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Citase entendimento doutrinário e jurisprudencial sobre a questão; A previsão normativa tem sido deturpada por interpretação dada pela RFB, conforme soluções de consulta mencionadas pela Fiscalização; É de se notar que a SRRF/4ºRF (processo de consulta 01/07, decisão publicada em 20/03/2007 e processo de consulta 27/11, decisão publicada em 07/04/2011) manifestouse sobre a questão; As respostas às citadas consultas, bem como o lançamento em análise, não trazem qualquer outro conteúdo normativo para exame senão aquele já mencionado, concluindose que o posicionamento fazendário deriva da adoção de leitura segundo a qual a base de cálculo das contribuições, por corresponder ao faturamento, não poderia ser afetada por elementos que configurem o custeio da própria atividade da empresa, sob pena de desvirtuamento do conceito de faturamento para atingir o do resultado da operação; Para desempenhar seu objetivo social, a impugnante celebra contratos cujas características aleatórias aproximamse daquelas de contrato de seguro, pois recebe valores dos contratantes em troca da obrigação de cobrir eventuais riscos futuros, decorrentes de assistência médicohospitalar que venha a ser prestada por terceiros (rede credenciada); Ou seja, a impugnante custeia, em favor de sua clientela, as despesas médicohospitalares e laboratoriais quando da ocorrência de tais eventos, nos termos do art. 1º, incisos I e II da Lei nº 9.656/98; Assim, as receitas auferidas pela empresa não decorrem de serviços por ela prestados, mas da assunção de riscos de suportar o adimplemento de obrigação alheia, correspondendo à definição contida no art. 757 do CC de 2002; Desta forma, concluise que cabe à administradora, ou seja, à impugnante, o custeio ou o reembolso, nos limites do contrato firmado, das despesas realizadas pelo titular de plano de saúde em virtude da contratação de profissionais ou estabelecimentos prestadores de serviços médicos; Citase doutrina acerca da questão; Os valores percebidos pela impugnante na qualidade de receitas de planos de saúde, possuindo característica e definição legais próprias, não podem ser integralmente atingidos pelas contribuições, sendo certo que a observância da obrigação contratual em nada se aproxima do pretendido conceito de custo da atividade empresarial, conceito aplicável às entidades que venham a prestar serviços médicohospitalares; Citase jurisprudência do STF e do STJ, relativa à incidência do ISS; Fl. 5483DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 18 7 Delimitada materialmente a receita passível de oneração pelo ISS, é de se concluir que os montantes correspondentes aos eventos suportados pela impugnante em razão dos atendimentos demandados por sua clientela não podem guardar relação com o conceito de custos da atividade empresarial, caindo por terra o obstáculo identificado pela Fiscalização à admissão das deduções em questão; A Fiscalização deu excessiva relevância ao trecho final do ato legal, sobrepujando a parte inicial do mesmo inciso, que expressamente possibilita a dedução pretendida; A impugnante sustenta que o conteúdo normativo concentrase na parte inicial do texto legal, entendimento que atende à sua estrutural gramatical e à coerência lógica que deve nortear a produção normativa; Quanto ao aspecto gramatical, destaquese o emprego do verbo “deduzir” no particípio, concluindose que cabe ao contribuinte promover a dedução do valor correspondente às indenizações pagas em razão dos eventos derivados dos planos de saúde que opera; Já sob o prisma da consistência lógica, concluise que o verbo “deduzido” atrelase ao texto anterior da frase, caracterizando elemento redutor da grandeza apurada a título de indenizações pagas; O objetivo do legislador fica claro com a leitura da Exposição de Motivos, como já dito anteriormente; A ordem lógica da norma se manifesta pela compreensão de que um mesmo inciso cuida de um mesmo e único assunto, tratado no caput do artigo; Não é viável supor, como faz a Fiscalização, que apenas na parte final do último inciso do nono parágrafo do dispositivo legal pretendesse o legislador delimitar apenas aos casos de custeio de atendimentos de saúde dirigidos a beneficiários de outras operadoras de planos a hipótese de dedução tratada ao longo de todo o dispositivo; Cita decisão judicial que fundamentaria seu entendimento; Outra questão diz respeito aos valores das contribuições retidos na fonte, os quais não foram considerados pela autoridade fiscal, uma vez que dos valores apurados deduziu apenas aqueles declarados em DCTF, que correspondem ao valor líquido; Tais retenções (informes anexos) correspondem a pagamentos antecipados, devendo ser considerados efetivamente pagos, assim como aqueles informados em DCTF. Em 03/04/2013, por meio da Resolução nº 12000.208 (fls. 5.325 a 5.332), esta 16ª Turma de Julgamento determinou a realização de diligência junto à unidade local, nos seguintes termos: Fl. 5484DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 1. Apurar as retenções na fonte de PIS e Cofins sofridas pelo contribuinte passíveis de utilização no período fiscalizado; 2. Apurar os valores referentes a tais retenções efetivamente utilizados pelo contribuinteara fins de dedução na apuração do PIS e da Cofins, considerando os correspondentes registros contábeis; 3. Verificar a natureza das “Outras Deduções” informadas pelo contribuinte no DACON nos meses de abril, julho, agosto, outubro e novembro de 2009; 4. Efetuar novo cálculo das contribuições devidas, considerando as deduções relativas à retenção na fonte apurada conforme acima e, se for o caso, as demais deduções informadas em DACON (item anterior); 5. Dos valores apurados no item anterior excluir aqueles declarados em DCTF; 6. Dar ciência ao contribuinte do resultado da diligência solicitada, abrindo prazo de trinta dias para se manifestar, se assim desejar, especificamente em relação a tal procedimento; 7. Retornar o processo a esta DRJ para julgamento. Em 02/07/2013 (fls. 5.403 a 5.407) a empresa apresentou petição nos seguintes termos: A impugnante entende conveniente trazer aos autos o Acórdão nº 3403 002.049, proferido em 23/04/2013 pelo CARF, cuja ementa se mostra explícita quanto à acolhida dos fundamentos postos na impugnação: “PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. APLICAÇÃO. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. CONCEITO. ALCANCE. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.” Tratase de julgado que acolhe integralmente o quanto sustentado pela impugnante, em reforço ao posicionamento doutrinário e oriundo do Poder Judiciário já trazidos na impugnação; A identidade fática e de enquadramento normativo entre o julgado ora trazido e a motivação das autuações em análise fica Fl. 5485DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 19 9 evidente a partir do seguintes trecho, exraído do relatório adotado naquele acórdão: “A motivação da exigência fiscal, conforme o mesmo Termo de Constatação Fiscal (...) é dividida nas seguintes partes: A) Exclusão indevida da base de cálculo do PIS e da COFINS dos custos e despesas da empresa: (...) Da análise dos demonstrativos e informações apresentadas, constatase que no período de (...) o contribuinte deduziu da base de cálculo do PIS e da COFINS todos os valores pagos aos associados e conveniados/fornecedores (hospitais, laboratórios) relacionados ao atendimento dos clientes de todos os planos de saúde da própria UNIMED, (...), ou seja, a empresa acabou deduzindo da base de cálculo do PIS e da COFINS os custos e despesas da empresa, sem previsão legal. De acordo com a empresa, as referidas exclusões foram realizadas com base no inciso III, § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001, (...).” O posicionamento fazendário empregado nestes autos e naqueles relativos ao acórdão trazido mostrase consentâneo, conforme trecho abaixo, extraído do relatório proferido pelo CARF: O posicionamento fazendário empregado nestes autos e naqueles relativos ao acórdão trazido mostrase consentâneo, conforme trecho abaixo, extraído do relatório proferido pelo CARF: “Destacamos que os valores passíveis de dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS com base no inciso III, do § 9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, são relativos aos eventos pagos em relação ao atendimento de clientes/associados de outras operadoras de plano de saúde e não os custos e despesas relacionados aos eventos pagos em relação ao atendimento dos associados/clientes de planos de saúde da própria UNIMED, como pretende a empresa.” A situação analisada pelo CARF é em tudo similar àquela ora submetida a julgamento, tendo aquele colegiado decidido nos termos em que defendido pela autuada, conforme trecho destacado, extraído do voto condutor do acórdão em exame; Tratase de valioso precedente decisório que retrata a posição do CARF acerca da integralidade dos argumentos de defesa trazidos na impugnação nestes autos, razão pela qual junta também os acórdãos nºs 3403001.989 e 3403001.986, reiteração da decisão trazida. Em resposta à diligência solicitada, foi elaborado pela DEMAC/RJ, em 04/04/2014, o relatório de fls. 5.396 a 5.398, com as seguintes informações: O contribuinte foi intimado a, em relação aos valores informados no DACON (fichas 15 A e 25 A, linhas 08 e 18), Fl. 5486DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 referentes aos anos calendário de 2008 e 2009, identificar aqueles que compõem cada parcela deduzida mensalmente, bem como a empresa responsável pela retenção e o mês em que esta ocorreu, comprovando tais valores por meio dos registros constantes das folhas do Livro Razão das contas “PIS a Compensar” e “Cofins a Compensar”; Em resposta, a empresa apresentou planilhas contendo os valores deduzidos do PIS e da Cofins apurados nos meses de jan/2008 a dez/2009, demonstrando aqueles que compõem as parcelas mensais deduzidas, bem como a identificação da empresa responsável pela retenção e o mês do evento; Também foram apresentadas cópias do Livro Razão das contas acima mencionadas, referentes áqueles valores deduzidos; Em relação aos valores de PIS retidos na fonte por órgãos públicos, o contribuinte informa que a retenção foi realizada de acordo com a apuração da época, ou seja, a empresa se encontrava amparada por liminar, assegurando a apuração da referida contribuição nos moldes da LC nº 7/70 (5% do IRPJ apurado); Informa, ainda, que desistiu da ação para fins de adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. Desta forma, na apuração do PIS conforme a Lei nº 9.718/98, foram deduzidas as parcelas retidas pelos órgãos públicos, no período de janeiro a outubro de 2008; Em relação ao período entre nov/2008 e dez/2009, informa a empresa que aderiu ao parcelamento ordinário para quitar o débito de PIS e que, na apuração desta contribuição apenas foram considerados os valores retidos nos meses de novembro e dezembro de 2008; Observa, por fim, que, conforme orientação da DEMAC/RJ, os respectivos DACON não foram retificados com relação às compensações dos órgãos públicos, uma vez que na data de sua entrega estes espelhavam as apurações vigentes nos períodos citados; As planilhas apresentadas pelo contribuinte foram conferidas e confrontadas com os documentos apresentados na impugnação (fls. 5.299 a 5.318), sendo, em conseqüência, refeita a apuração da base de cálculo das contribuições (fls. 5.390 a 5.395), de onde os valores retidos por órgãos públicos demonstrados foram deduzidos das contribuições apuradas, conforme sugerido pela autoridade julgadora. Cientificado do resultado da diligência em 02/05/2014 (fl. 5.444), o contribuinte apresentou na mesma data a petição de fls. 5.438 a 5.441, em complemento à impugnação anteriormente apresentada, com as seguintes alegações: Da análise do termo de encerramento da diligência informa a requerente ter havido a adequação dos critérios de apuração da base de cálculo das contribuições dos períodos lançados, tendo havido a devida observância dos valores retidos por órgãos públicos, restando acatada a pretensão trazida na impugnação, Fl. 5487DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 20 11 na qual a empresa sustenta, por cautela, a consideração do quanto retido na fonte ao longo do período lançado; Ainda assim, destaca a requerente que em 25/10/2013 foi publicada a Lei nº 12.873, da qual transcreve o artigo 19; A inclusão do § 9º A ao artigo 3º da Lei nº 9.718/98 traz solução à presente demanda, na medida em que torna ilegal toda a premissa adotada como fundamento do lançamento combatido, pautado no entendimento de que “o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, (...) não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo do PIS e da COFINS as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários”, como consta no termo de verificação fiscal que instrui os autos de infração lavrados; Destaquese que o texto de lei citado explicita tratarse de norma editada “Para efeito de interpretação”, atraindo o conteúdo do art. 106 do CTN; Assim, em que pese restar acolhida a pretensão subsidiária manifestada na impugnação, reitera a requerente os argumentos trazidos naquela peça, os quais se mostram agora reforçados pela inafastável aplicação da Lei nº 12.873/2013, explicitamente interpretativa e, portanto, de aplicação retroativa, impondo o imediato cancelamento das exigências combatidas. É o relatório.” Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso de Ofício, atende os requisitos necessários, pois o valor do crédito tributário exonerado é superior ao valor de alçada, por essas razões deve ser conhecido. A contenda centra em deduções permitidas para as operadoras de plano de saúde com espeque no inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, que autoriza a dedução da base de cálculo das contribuições sociais os valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, o julgado ampliou o entendimento para abarcar o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários dos planos de saúde, incluindo os custos da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Em síntese o único ponto de discórdia dirimido pelo julgador de primeira instância: exclusão de valores relativos à variação de provisão de eventos ocorridos e não avisados – conta 41400000. Fl. 5488DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 O lançamento ocorreu em razão da informação prestada pelo contribuinte de que deduziram da base de cálculo todos os pagamentos e indenizações relacionados a despesas médicas com seus próprios clientes e beneficiários. Sendo assim, entendeu a fiscalização de proceder ao lançamento consubstanciado pelo entendimento pacificado no seio da Receita Federal do Brasil, que os custos relacionados com atendimento dos beneficiários em unidades próprias ou pela rede credenciada não podem ser excluídos da base de cálculo, dando ao dispositivo, precisamente, o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, uma interpretação restritiva. A autorização de dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, na visão do Fisco se reduz as indenizações efetivamente pagas por uma operadora referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora, deduzidas das importâncias recebidas a mesmo título, por essa razão decorreu as glosas objeto do lançamento. O julgado, a meu sentir, deu contorno jurídico acertado ao caso, essa Turma vem caminhando no sentido de assentar entendimento em relação a essa matéria após o evento da Lei nº 12.995/2014. A novel legislação alterou substancialmente a interpretação dispensada ao inciso III do parágrafo 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, estendendo autorização de dedução aos custos incorridos pelos atendimentos dos beneficiários da própria operadora. Como se vê do brilhante voto proferido pelo Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledé, dessa Turma, ao apreciar essa matéria nos autos do processo de nº 10380.004529/200622: “... Por fim, em sua última manifestação, efls. 676/677, a recorrente pugnou novamente pela dedução dos valores previstos no §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, em vista da alteração promovida pelo artigo 19 da Lei nº 12.873/2013, ao incluir o §9ºA, imprimindo interpretação autêntica da expressão "valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos", conforme transcrito abaixo: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) [...] § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 5489DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 21 13 § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013.) A interpretação promovida na lei relativa àquela expressão alterou substancialmente o entendimento da Receita Federal quanto à base de cálculo das operadoras de planos de assistência à saúde, expressa, por exemplo, na Solução de Consulta COSIT nº 6/2010, cuja ementa transcrevese: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Dispositivos Legais: §§ 2º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Cofins, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a Fl. 5490DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 deduzirem da base de cálculo da Cofins o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Dispositivos Legais: §§ 2º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Este entendimento restritivo foi modificado pela inclusão do §9ºA, nos termos do artigo 106, inciso I do CTN1, pois enquanto este determinava que as indenizações por eventos efetivamente pagos se restringia aos efetuados em beneficiários de outra operadora de plano de saúde, o novo parágrafo dispôs que a expressão referese ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, alargando a possibilidade de deduções permitidas.” Como se vê do texto extraído do voto acima mencionado, a interpretação trazida pela novel norma se aplica aos casos anteriores ao ingresso da lei ao mundo jurídico. Sendo assim, andou bem o julgador de piso, motivo pelo qual deve ser mantida intacta a decisão submetida ao exame dessa corte. No que concerne a utilização dos valores retidos pelo tomador de serviços, também não cabe reforma, haja vista, estar à decisão coerente com as normas vigentes. Os valores de PIS/COFINS retidos na fonte são considerados como antecipação pelo que é devido pelo contribuinte ao final do período de apuração, podendo ser deduzidos da contribuição devida, relativa aos fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Portanto, o julgado não merece qualquer reparo, devendo ser mantido pelos seus próprios fundamentos jurídicos. Assim sendo, nego provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (grifei) Fl. 5491DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 22 15 Fl. 5492DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721020/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Robson Jose Bayerl Presidente
Augusto Fiel Jorge d' Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.721020/2012-17
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5651917
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-000.952
nome_arquivo_s : Decisao_16327721020201217.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16327721020201217_5651917.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Robson Jose Bayerl Presidente Augusto Fiel Jorge d' Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
dt_sessao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6549498
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691834617856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 297 1 296 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721020/201217 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.952 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de setembro de 2016 Assunto COFINS Recorrente MAPFRE VERA CRUZ VIDA E PREVIDÊNCIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Robson Jose Bayerl – Presidente Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relatório: Em 23/08/2012, foi lavrado Auto de Infração para a cobrança de valores a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ("COFINS"), cujos fatos geradores teriam ocorrido nos meses de Novembro e Dezembro de 2008, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, em razão de suposta "insuficiência de declaração e recolhimento da Cofins em razão do valor informado em DACON (R$21.202.383,26) estar superior ao informado em DCTF (R$18.428.796,98) ou superior ao valor recolhido em R$2.773.586,28". O contribuinte foi cientificado do lançamento em 27/08/2012, apresentando Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I ("DRJ/SP1"), na sessão do dia 07/02/2013, conforme decisão de fls. 209 e seguintes, que possui a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 02 0/ 20 12 -1 7 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Resolução nº 3401000.952 S3C4T1 Fl. 298 2 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2008, 31/12/2008 EMPRESA DE SEGUROS E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. A realização de investimentos e a administração da alocação dos recursos em diferentes aplicações financeiras constituem atividade empresarial típica desse ramo de negócios, sendo inerentes ao desenvolvimento das atividades que compõem o objeto social. Assim, as receitas decorrentes de aplicações financeiras devem compor a base de cálculo da Cofins. EMPRESA DE SEGUROS E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS PROVENIENTES DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. A locação de bens imóveis não se caracteriza como atividade empresarial típica das sociedades seguradoras e de previdência complementar, estando as respectivas receitas excluídas da incidência da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2008, 31/12/2008 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial importa em renúncia à discussão na via administrativa da matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação em relação à matéria não discutida no processo judicial." Como se depreende da leitura da decisão em referência, parte das matérias de defesa suscitadas pela contribuinte não foram conhecidas, em razão de ter o contribuinte ingressado com medida judicial para a sua discussão no âmbito do Poder Judiciário. São elas: "i) inconstitucionalidade da base de cálculo da Cofins prevista nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98; ii) isenção de Cofins prevista no art. 11, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/91 e iii) interpretação do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91 relativamente à definição da base de cálculo da Cofins para as seguradoras e entidades de previdência privada" (fls. 210). Porém, quanto às matérias não discutidas no Poder Judiciário e impugnadas pelo contribuinte na esfera administrativa, as mesmas foram conhecidas para "julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, exonerando o crédito tributário relativo às receitas de aluguel de imóveis e mantendo o crédito tributário referente às receitas financeiras" (fls. 210). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Resolução nº 3401000.952 S3C4T1 Fl. 299 3 Nessa parte da impugnação que foi conhecida, a decisão recorrida expôs a seguinte fundamentação para determinar a exclusão do crédito tributário relativo às receitas de aluguel e a manutenção do crédito tributário relativo às receitas financeiras: "Como já citado, a impugnante exerce atividades de previdência complementar e de seguros de vida. Assim, a locação de imóveis não está entre suas atividades empresariais típicas, devendo ser excluídas as respectivas receitas na apuração da base de cálculo da contribuição, o que resulta na exoneração de créditos tributários nos valores de R$2.059,21 em novembro/2008 e R$2.059,21 em dezembro/2008. Em relação às aplicações financeiras, cabe observar que a realização de investimentos financeiros e sua administração cotidiana são atividades inerentes às sociedades seguradoras e de previdência complementar, que recebem recursos de seus clientes (prêmios de seguros e contribuições para previdência) e têm o dever de, eventual e/ou futuramente, pagar os valores contratados. Assim, tratandose de operações típicas da atividade empresarial da impugnante, as receitas financeiras devem compor a base de cálculo da Cofins, excetuandose a exclusão já tratada neste voto". (grifos nossos) Contra essa decisão, a contribuinte, ora Recorrente, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 225236, pelo qual pediu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) ilegitimidade da cobrança da COFINS das instituições financeiras na forma prevista pelos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998; (ii) impossibilidade de inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores recebidos a título de rendimentos de aplicações financeiras, pois somente poderiam ser incluídos na base de cálculo da referida contribuição as receitas de atividades inerentes ao objeto social da Recorrente, que seriam apenas as operações com apólices de seguro e previdência complementar, operações que compõem a atividadefim da Recorrente, de acordo com o seu Estatuto, sendo as receitas financeiras meramente acessórias, secundárias; (iii) a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) deveria ser cancelada, tendo em vista que o crédito tributário lançado estaria com a exigibilidade suspensa (artigo 151, V, do CTN), por força de medidas judiciais ingressadas pela Recorrente. Às fls. 275276, a Recorrente apresenta petição, na qual informa a extinção do crédito tributário discutido e pede a extinção do presente processo administrativo, com o seu arquivamento definitivo. Em seguida, os autos foram distribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 17/03/2016. É o relatório. Voto: Como relatado, após a interposição do Recurso Voluntário, a Recorrente noticia que o crédito tributário discutido nos autos deste processo administrativo estaria extinto, nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN, tendo em vista que: (i) a Recorrente teria optado pelo pagamento à vista, com os benefícios do artigo 39 da Lei nº 12.865/20131, de crédito tributário 1 Art. 39. Os débitos para com a Fazenda Nacional relativos à contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, de que trata o Capítulo I da Lei no Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Resolução nº 3401000.952 S3C4T1 Fl. 300 4 discutido nos autos de outro processo administrativo de interesse da Recorrente, o de nº 16327.721227/201372; e (ii) este outro processo administrativo, de nº 16327.721227/201372, decorreria de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para a cobrança da COFINS relativa aos meses de Outubro de 2008 a Dezembro de 2008, incluindo, dessa maneira, o crédito tributário discutido nos autos deste processo administrativo, de nº 16327.721020/2012 17, que trata da COFINS dos meses de Novembro e Dezembro de 2008. Em seguida, a Recorrente pede "a extinção do presente feito e seu arquivamento definitivo". Desse modo, em princípio, o presente caso poderia ser resolvido à luz do disposto no artigo 78 do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), que prevê o seguinte:"Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente". (grifos nossos) Isso porque, a hipótese de extinção do crédito tributário após a interposição de Recurso Voluntário implica a desistência do recurso, por ausência de interesse recursal, e leva ao seu não conhecimento. Por outro lado, não reconhecida a extinção do crédito tributário, não há que se falar em desistência de recurso, sendo o caso de conhecimento do recurso apresentado, com a apreciação das matérias de defesa suscitadas pela Recorrente. No presente caso, contudo, não há nos autos informação da autoridade competente a respeito da extinção do crédito tributário discutido nesses autos. Tampouco, a Recorrente desiste expressamente de seu Recurso Voluntário, limitandose a afirmar que a extinção do crédito tributário levaria à desistência do recurso administrativo, de acordo com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 08/2013, que regulamentou o artigo 39 da Lei nº 12.865/2013, fundamento legal dos benefícios de que teria se utilizado a Recorrente para pagamento do crédito tributário. Dessa maneira, entendo que o processo não está apto a julgamento no presente momento, sendo essencial que se confirme a informação trazida pela Recorrente, a respeito da extinção do crédito tributário aqui discutido. 9.718, de 27 de novembro de 1998, devidos por instituições financeiras e equiparadas, vencidos até 31 de dezembro de 2013, poderão ser: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) I pagos à vista com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 80% (oitenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; ou I pagos à vista com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de cem por cento das multas isoladas, de cem por cento dos juros de mora e de cem por cento sobre o valor do encargo legal; ou (Redação dada pela Medida Provisória nº 627, de 2013) I pagos à vista com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 100% (cem por cento) das multas isoladas, de 100% (cem por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; ou (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Resolução nº 3401000.952 S3C4T1 Fl. 301 5 Diante disso, proponho a esse Colegiado a conversão do julgamento em diligência à unidade administrativa de jurisdição, para determinar que se manifeste a respeito da informação trazida pela Recorrente às fls. 275 e seguintes, com o objetivo de (i) informar a relação existente entre o crédito tributário lançado nos autos do processo administrativo nº 16327.721227/201372 e o lançado nos autos deste processo administrativo, de nº 16327.721020/201217; (ii) confirmar a extinção ou subsistência do crédito tributário discutido nos autos do processo administrativo ora em julgamento, assim como prestar as demais informações que entender relevantes. Após, a Recorrente deverá ser intimada do teor da informação fiscal para que, querendo, se manifeste dentro do prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos ao CARF, para julgamento. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724850/2013-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO PREVIAMENTE À LAVRATURA DO AUTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESE DE NULIDADE NÃO CONFIGURADA. SÚMULA 46 CARF.
O procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade, no qual a autoridade fiscal reúne o acervo fático-probatório suficiente à formação de seu convencimento acerca da infração. Desta forma, não há obrigatoriedade da notificação do responsável tributário nesta fase preparatória. Não obstante, o recorrente foi notificado do lançamento, teve acesso ao processo e apresentou impugnação e o presente recurso, não caracterizando o alegado cerceamento de defesa. Ademais, a Súmula nº 46 do CARF desobriga o Fisco de proceder à referida notificação.
ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NO PERCENTUAL DE 150%. OCORRÊNCIA DE FRAUDE FISCAL. CORRETO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO.
Restou comprovada a existência de dolo do recorrente nas infrações praticadas tanto no período em que administrava a empresa, quanto à partir de 01/2009, período de seu afastamento e oportunidade em que se tornou administrador de fato da mesma. Logo, correta a qualificação da multa prevista no artigo 44, § 1º da Lei n.º 9.430/96, por restarem configuradas as hipóteses de sonegação fiscal, fraude e conluio, ínsitos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64.
EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. QUESTÃO CONCERNENTE À CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA N.º 02 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÓCIO. INTERPOSTA PESSOA DE SÓCIO DE FATO. CONSCIÊNCIA E CONIVÊNCIA. ESQUEMA.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O recorrente, mesmo após sua aparente saída de direito do quadro da empresa, continuou a promover atos de gestão no comando gerencial da sociedade, na qualidade de sócio de fato. Assim, resta configurado seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação. Desta forma, responde solidariamente pelo débito.
DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Sendo comprovado que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
EXTRATOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. BASE
DE CÁLCULO. NOTAS FISCAIS.
Incabível a alegação de que o contribuinte foi autuado tão somente por conta dos extratos bancários quando, da leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos constantes dos autos, se verifica que os valores utilizados para o arbitramento da base de cálculo dos tributos foi o somatório das notas fiscais emitidas pelo contribuinte.
EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL ACERCA DOS LANÇAMENTOS DE PIS/COFINS.
O ingresso judicial de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, e desistência do recurso interposto.
Numero da decisão: 1302-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade por falta de notificação do responsável tributário (recorrente) antes da lavratura do auto de infração. No mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário: 1 - para manter a qualificação da multa de ofício; 2 - para manter a imputação de responsabilidade solidária em face do recorrente Miceno Rossi Neto; 3 - para afastar a alegação de decadência; 4 - para manter a base do arbitramento; e 5 - para não conhecer as alegações relativas ao PIS e COFINS, por existência de concomitância com ação judicial., nos termos do voto do Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO PREVIAMENTE À LAVRATURA DO AUTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESE DE NULIDADE NÃO CONFIGURADA. SÚMULA 46 CARF. O procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade, no qual a autoridade fiscal reúne o acervo fático-probatório suficiente à formação de seu convencimento acerca da infração. Desta forma, não há obrigatoriedade da notificação do responsável tributário nesta fase preparatória. Não obstante, o recorrente foi notificado do lançamento, teve acesso ao processo e apresentou impugnação e o presente recurso, não caracterizando o alegado cerceamento de defesa. Ademais, a Súmula nº 46 do CARF desobriga o Fisco de proceder à referida notificação. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NO PERCENTUAL DE 150%. OCORRÊNCIA DE FRAUDE FISCAL. CORRETO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO. Restou comprovada a existência de dolo do recorrente nas infrações praticadas tanto no período em que administrava a empresa, quanto à partir de 01/2009, período de seu afastamento e oportunidade em que se tornou administrador de fato da mesma. Logo, correta a qualificação da multa prevista no artigo 44, § 1º da Lei n.º 9.430/96, por restarem configuradas as hipóteses de sonegação fiscal, fraude e conluio, ínsitos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. QUESTÃO CONCERNENTE À CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA N.º 02 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÓCIO. INTERPOSTA PESSOA DE SÓCIO DE FATO. CONSCIÊNCIA E CONIVÊNCIA. ESQUEMA.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O recorrente, mesmo após sua aparente saída de direito do quadro da empresa, continuou a promover atos de gestão no comando gerencial da sociedade, na qualidade de sócio de fato. Assim, resta configurado seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação. Desta forma, responde solidariamente pelo débito. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Sendo comprovado que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. EXTRATOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. BASE DE CÁLCULO. NOTAS FISCAIS. Incabível a alegação de que o contribuinte foi autuado tão somente por conta dos extratos bancários quando, da leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos constantes dos autos, se verifica que os valores utilizados para o arbitramento da base de cálculo dos tributos foi o somatório das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL ACERCA DOS LANÇAMENTOS DE PIS/COFINS. O ingresso judicial de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, e desistência do recurso interposto.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.724850/2013-19
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5632953
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.953
nome_arquivo_s : Decisao_10830724850201319.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10830724850201319_5632953.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade por falta de notificação do responsável tributário (recorrente) antes da lavratura do auto de infração. No mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário: 1 - para manter a qualificação da multa de ofício; 2 - para manter a imputação de responsabilidade solidária em face do recorrente Miceno Rossi Neto; 3 - para afastar a alegação de decadência; 4 - para manter a base do arbitramento; e 5 - para não conhecer as alegações relativas ao PIS e COFINS, por existência de concomitância com ação judicial., nos termos do voto do Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6489795
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691851395072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 7.295 1 7.294 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.724850/201319 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.953 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente MICENO ROSSI NETO (RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO DA EURO PETROLEO DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO PREVIAMENTE À LAVRATURA DO AUTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESE DE NULIDADE NÃO CONFIGURADA. SÚMULA 46 CARF. O procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade, no qual a autoridade fiscal reúne o acervo fáticoprobatório suficiente à formação de seu convencimento acerca da infração. Desta forma, não há obrigatoriedade da notificação do responsável tributário nesta fase preparatória. Não obstante, o recorrente foi notificado do lançamento, teve acesso ao processo e apresentou impugnação e o presente recurso, não caracterizando o alegado cerceamento de defesa. Ademais, a Súmula nº 46 do CARF desobriga o Fisco de proceder à referida notificação. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NO PERCENTUAL DE 150%. OCORRÊNCIA DE FRAUDE FISCAL. CORRETO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO. Restou comprovada a existência de dolo do recorrente nas infrações praticadas tanto no período em que administrava a empresa, quanto à partir de 01/2009, período de seu afastamento e oportunidade em que se tornou administrador “de fato” da mesma. Logo, correta a qualificação da multa prevista no artigo 44, § 1º da Lei n.º 9.430/96, por restarem configuradas as hipóteses de sonegação fiscal, fraude e conluio, ínsitos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 48 50 /2 01 3- 19 Fl. 7296DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.296 2 EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. QUESTÃO CONCERNENTE À CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA N.º 02 DO CARF. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” SÓCIO. INTERPOSTA PESSOA DE SÓCIO DE FATO. CONSCIÊNCIA E CONIVÊNCIA. ESQUEMA.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O recorrente, mesmo após sua aparente saída de direito do quadro da empresa, continuou a promover atos de gestão no comando gerencial da sociedade, na qualidade de sócio de fato. Assim, resta configurado seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação. Desta forma, responde solidariamente pelo débito. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Sendo comprovado que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. EXTRATOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. BASE DE CÁLCULO. NOTAS FISCAIS. Incabível a alegação de que o contribuinte foi autuado tão somente por conta dos extratos bancários quando, da leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos constantes dos autos, se verifica que os valores utilizados para o arbitramento da base de cálculo dos tributos foi o somatório das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL ACERCA DOS LANÇAMENTOS DE PIS/COFINS. O ingresso judicial de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, e desistência do recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade por falta de notificação do responsável tributário (recorrente) antes da lavratura do auto de infração. No mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário: 1 para manter a qualificação da multa de ofício; 2 para manter a imputação de responsabilidade solidária em face do recorrente Miceno Rossi Neto; 3 para afastar a alegação de decadência; 4 para manter a base do arbitramento; e 5 para não conhecer as alegações relativas ao PIS e COFINS, por existência de concomitância com ação judicial., nos termos do voto do Relator. Fl. 7297DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.297 3 LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Para a devida síntese do presente processo, adoto trechos do relatório da DRJ, relativos às alegações do responsável MICENO ROSSI NETO, complementandoo ao final, a fim de que o presente relato abarque todos os fatos ocorridos até o presente momento. Vejamos: “Cuidase de impugnações, apresentadas pelo contribuinte Euro Petróleo do Brasil e responsáveis solidários com o fito de ver desconstituídos Autos de Infração (AI), fls. 2 a 184, através dos quais foram lançados créditos tributários relativos ao Imposto de Renda (IRPJ), no valor original de R$ 25.763.502,80; à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor original de R$ 11.625.976,24; à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor original de R$ 111.672.446,00; e à Contribuição para o PIS/Pasep (PIS), no valor original de R$ 24.265.623,30, aos quais se somam juros de mora e multa de ofício qualificada, perfazendo, na data da consolidação, o total de R$ 493.658.051,17. Os AI foram lavrados em face da pessoa jurídica Euro Petróleo do Brasil Ltda., na qualidade de contribuinte, e de dois outros responsáveis solidários: José Luis Ricardo (a quem também chamaremos de primeiro responsável solidário) e Miceno Rossi Neto (a quem também chamaremos de segundo responsável solidário). O AuditorFiscal responsável pelo lançamento lavrou Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 103 a 181, no qual afirma que a Contribuinte é uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada e tem por objeto social o comércio atacadista de combustíveis líquidos, derivados de petróleo e álcoois, lubrificantes, participação no capital de outras sociedades nacionais ou estrangeiras, na qualidade de acionista ou sócia cotista, armazenamento de combustíveis líquido em geral, locação do espaço útil a terceiros para depósito de combustíveis de qualquer natureza, bem como a prestação dos serviços de recebimento, armazenamento e carregamento dos produtos. Fl. 7298DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.298 4 Afirma que a composição do quadro societário da Contribuinte registrado na JUCESP seria composto como segue: Além disso, de acordo com os contratos sociais registrados na JUCESP, no período fiscalizado a administração da sociedade foi exercida conforme segue: No que tange à situação de regularidade das declarações apresentadas pela empresa dispõe o AuditorFiscal autuante: 4. A fiscalizada apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no ano calendário de 2008, pela sistemática do Lucro Real Anual, com prejuízo fiscal de R$ 329.612,41. Para os anos calendário de 2009 e 2010 a fiscalizada encontrase omissa na entrega da DIPJ. 5. Em relação às Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a fiscalizada deixou de declarar os valores referentes ao IRPJ e CSLL de 2008 a 2010, bem como não declarou os valores referentes ao PIS e COFINS referentes aos anoscalendário de 2008 a 2011. Em seguida narra um esquema fraudulento que teria sido engendrado e executado pelos dirigentes da Contribuinte. Aponta como motivo para a fiscalização a constatação de discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, bem como a omissão na entrega de DCTF comparandose com os valores constantes dos relatórios anuais da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Discorre sobre os fatos que ocorreram no desenvolvimento da ação fiscal, destacando os termos apresentados, as respectivas respostas, bem como os dados obtidos a partir das informações bancárias, incluindo cheques e informações cadastrais obtidas nas instituições financeiras em que a Contribuinte mantinha contas. Fl. 7299DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.299 5 Transcreve trechos de depoimentos do Sr. José Luis Ricardo, sócio da Contribuinte, e da Sra. Regina Reiko Tanaka, apontada como responsável pelo setor financeiro da Contribuinte e procuradora com amplos poderes para prestar e complementar os necessários esclarecimentos, trazendo em seguida comentários e impressões sobre os depoimentos. No que tange à apuração do crédito tributário, afirma que apurou o IRPJ e a CSLL, referente aos anoscalendário de 2008 a 2010, pela sistemática do lucro arbitrado, considerando como receitas conhecidas os valores contidos nas notas fiscais apresentadas e o PIS e a Cofins referentes aos anoscalendário de 2008 a 2011, no regime cumulativo, tendo sido consideradas na apuração da base de cálculo apenas as receitas correspondentes à comercialização de álcool para fins carburante (etanol hidratado). Qualifica a multa de ofício aplicada em função de entender que o sujeito passivo teria incorrido nas situações previstas em lei para a sua aplicação. Atribui a José Luis Ricardo, sócio da Contribuinte, e a Miceno Rossi Neto, sócio da Contribuinte até 09/12/2008 e, em seu entender, sócio de fato a partir dessa data, a responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário, sob a alegação de que teriam praticado atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, caracterizados pela existência de cheques da Contribuinte assinados por Miceno Rossi Neto após a 09/12/2008, bem como abertura de contas bancárias e envio de declarações com a sua assinatura eletrônica. Por essa razão lavrou os correspondentes Termos de Sujeição Passiva Solidária. [...] O responsável solidário Miceno Rossi Neto foi cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 6.487 e 6.488, no dia 23/09/2013, que corresponde ao 15º contado da data da publicação do Edital DRF/CPS/SEFIS 10830/174/2013, ocorrida no dia 06/09/2013, conforme se lê às fls. 6.491 e 6.492, e apresentou impugnação no dia 21/10/2013, fls. 6.571 a 6.628, na qual apresentou as alegações já constantes da impugnação da empresa fiscalizada e do responsável solidário José Luis Ricardo e outras que ora passamos a discorremos resumidamente: Preliminarmente alega a nulidade do auto de infração em função de não lhe ter sido expedida nenhuma notificação, seja noticiando o início do procedimento de fiscalização instaurado contra o contribuinte Euro Petróleo do Brasil Ltda., seja durante o procedimento fiscal que lhe resultou em atribuição de responsabilidade tributária, fatos que, eu seu entender, vão de encontro aos princípios que informam o processo administrativo tributário e a dispositivos da Lei nº 9.784/1999 e do Decreto 70.235/1972. No que tange aos argumentos apresentados pelo AuditorFiscal autuante em seu TVF afirma: Toda a descrição dos fatos pelo Auditor Fiscal no Termo de Verificação Fiscal denota que a intenção da fiscalização desde o início era atribuir ao Sr. Miceno Rossi, a responsabilidade pelos débitos da empresa Autuada Euro Petróleo do Brasil Ltda., no entanto, não lhe foi notificado o procedimento fiscal. Fl. 7300DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.300 6 […] Consta, ainda, no Termo de Verificação Fiscal que a motivação da ação fiscal foi a omissão na entrega da DIPJ e DCTF nos anoscalendário 2008 a 2010, e ter havido movimentação financeira incompatível com tal procedimento, bem como o fato da contribuinte (Euro Petróleo do Brasil Ltda.) ter sido incluída conjuntamente ao Sr. Miceno Rossi Neto no processo criminal nº 05004.0151786/00, em trâmite pela 10ª Vara Criminal do Foro Regional da Barra Funda, na Comarca de São PauloCapital, por fraudes na compra e distribuição de álcool. A respeito desta citada ação penal, cumpre destacar que além de não ter sido instaurada contra o ora Impugnante, ela foi julgada improcedente, conforme indica pesquisa realizada no site do TJ/SP. Logo, esta conduta fraudulenta não é verdadeira. Sustenta que, por força do art. 3º, II, da Lei nº 9.784/1999, todo administrado tem o direito de ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas. No que se refere à alegação de inexistência de simulação, dolo ou fraude que justificasse a aplicação da multa agravada, acrescenta às alegações apresentadas pelos outros devedores a menção de que, em relação à inadimplência da Euro Petróleo do Brasil Ltda. da Cofins e do Contribuição do PIS, existia ação judicial declaratória (proc. Nº 2007.61.05.0147940, em trâmite pela 6ª Vara Federal de Campinas/SP), ajuizada em 06/12/2007, cujo objeto era ver reconhecido o direito de reduzir a zero as alíquotas da Contribuição do PIS e da Cofins incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool etílico hidratado carburante, realizada por distribuidor e revendedor varejista, conforme dispõe o dispositivo legal, mas que a ação foi julgada improcedente e está em fase de julgamento de recursos extraordinário e especial. Assim, conclui: Ora, se a empresa exerceu um direito constitucionalmente garantido de discutir judicialmente a aplicação de uma norma benéfica tributária, entendendo fazer jus, é porque jamais pretendeu omitir ou procrastinar o crédito tributário. Não pode ser considerado doloso o ato de não recolher o tributo se entende cabível um benefício legal e, ainda por cima, discutilo judicialmente. Não pode ser considerada uma ação tendente a retardar ou impedir o conhecimento pela autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador. Ressaltese que até 12/2008, data em que o Impugnante deixou de ser administrador da contribuinte autuada, a base de cálculo do crédito tributário estava devidamente informada nas obrigações tributárias acessórias, razão pela qual é completamente indevida a aplicação da multa agravada no período. Fl. 7301DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.301 7 No mérito, o Impugnante em tela afirma que, apesar de têlo qualificado como “verdadeiro beneficiário das receitas e rendas havidas pela Euro Petróleo do Brasil Ltda.”, em momento algum, o AuditorFiscal autuante teria indicado quais “benefícios” teria obtido após a venda da empresa em 09/12/2008. Em seu entender o AuditorFiscal autuante não teria apresentado nenhum documento que comprovasse que ele teria recebido algum valor da empresa após a venda, direta ou indiretamente, nem teria se preocupado com tal prova, essencial para vinculálo à prática do ilícito tributário imputado. Assim seria evidente a nulidade do AI, pois da narrativa dos fatos aduzidos pela Autoridade Fiscal não decorreria a sua conclusão de que o Impugnante fora beneficiado pela receita do sujeito passivo originário da obrigação tributária. Adiante aponta que: A simples inferência de que o Impugnante teria se beneficiado das receitas advindas do descumprimento da obrigação tributária da primeira autuada, a empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda., não pressupõe que este tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a fim de lhe ser atribuída a responsabilidade solidária. Em seguida, após discorrer sobre o instituto da responsabilidade tributária, assevera: A responsabilidade tributária de terceiro passa a ser direta e pessoal, independente da impossibilidade de exigir a obrigação tributária do contribuinte, nas hipóteses descritas no caput do art. 135 do Código Tributário Nacional, ou seja, quando as obrigações tributárias decorrerem de “excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. Não se trata, portanto, de solidariedade tributária, mas de responsabilidade direta do administrador na hipótese de pratica de conduta ilegal ou que infrinja as disposições societárias. […] Portanto, a responsabilidade pessoal do administrador prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional, tratase, na realidade, de um instituto jurídico aplicável em casos específicos, em que tenha havido fraude ou abuso de direito, cometidos por meio da personalidade da sociedade. É preciso que haja o desvirtuamento da personalidade jurídica para que seja diretamente responsabilizado o administrador da empresa. E este desvirtuamento, necessariamente, significa a utilização da pessoa jurídica não para a sua finalidade de exercício de uma atividade empresarial, mas, sim, para o prejuízo de terceiros e enriquecimento indevido daqueles que dela se utilizam para tal mister. […] Após apresentar o seu entendimento sobre a matéria, conclui que haveria inúmeros erros nos argumentos aduzidos pelo AuditorFiscal. Isso porque nem os cheques Fl. 7302DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.302 8 assinados por Miceno Rossi Neto nem o fato de os cadastros junto à ANP e à SEFAZ/SP terem ficado em seu nome seriam capazes de comprovar que ele seria um dos beneficiários das receitas da empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda. Por um lado porque emitir cheque não é crime, nem infração tributária, muito menos denotaria que o Impugnante obteve vantagens de qualquer natureza da contribuinte. De outro lado, seria certo que era do comprador da empresa o dever de atualizar os cadastros junto aos bancos, ANP, certificado digital, etc., não podendo, contudo, responsabilizar o Impugnante Miceno Rossi Neto pelo fato de o comprador não tê lo realizado. Voltando aos cheques emitidos sustenta que, conforme narrado no depoimento da Sra. Regina, teria assinado cheques em branco antes da venda da empresa para cumprimento de obrigações da empresa com fornecedores no ano de 2009. O fato de cheques terem sido assinados não implicaria que ele teria vínculo com o fato gerador da obrigação tributária, que não é aquisição de combustíveis, mas a sua revenda. Assim, qualquer responsabilidade imputada ao Impugnante, só poderia lhe ser atribuída até a data da venda da empresa, ou seja, data do efetivo registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo. Alega ser incontestável não ter havido fraude, eis que nos autos não se encontra tal prova, restando comprovado apenas o não pagamento de tributo devido. Discorre sobre o conceito de fraude, afirmando que todo o crédito tributário apurado tem por base as informações lançadas em DCTF, ou seja, dívida fiscal declarada. Argumenta que o AuditorFiscal autuante não teria apresentado nenhuma prova plausível de que teria havido transferência patrimonial da empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda. para o seu patrimônio. Transcreve parte do depoimento de Regina Reiko Tanaka salientando sua afirmação de que foi por decisão do sócio José Luis Ricardo que os cadastros da empresa junto a instituições bancárias não foram alterados e os cheques assinados por Miceno Rossi Neto continuaram sendo utilizados. Afirma que, apesar de estar fiscalizando a empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda., ao colher o depoimento de Regina Reiko Tanaka, o AuditorFiscal autuante questionou apenas sobre José Luis Ricardo e os cheques assinados pelo Impugnante Miceno Rossi Neto, utilizados após a sua saída da sociedade. Assim, não haveria qualquer dúvida de que seu único e exclusivo objetivo seria inquirila sobre os fatos em que pretendia fundamentar a desconsideração da operação societária em que o Impugnante Miceno Rossi Neto se retirou da sociedade. Isso apontaria para um desvirtuamento pela autoridade fiscal da finalidade da intimação e real intenção, o que tornaria nulo de pleno direito o ato inquisitório. Destaca o fato de que Regina Reiko Tanaka teria afirmado que quando assumiu a administração dos assuntos bancários da empresa fiscalizada já havia cheques assinados em branco pelo Impugnante Miceno Rossi Neto e que questionou José Luis Fl. 7303DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.303 9 Ricardo sobre a questão e foi por ele orientada a utilizar os cheques para pagar as despesas e fornecedores da empresa. Além disso, ao ser questionada sobre a participação de Miceno Rossi Neto na administração da empresa fiscalizada e da Euro Representações Comerciais de Combustíveis Ltda. afirmou que nunca mais o viu na empresa. Conclui que os fatos apurados pela fiscalização denotariam que o Impugnante Miceno Rossi Neto não participou de forma alguma da administração das empresas Euro Petróleo do Brasil Ltda. e Euro Representações Comerciais de Combustíveis Ltda. após a sua saída da empresa que se deu em 09/12/2008. Conclui também que teria havido a utilização irregular pela administração da empresa fiscalizada de cheques em branco assinados por ele após a sua saída da sociedade e que o sócio José Luis Ricardo deliberadamente adotou esse procedimento. Partindo dessas conclusões questiona: Se o Impugnante não participou da administração da Euro Petróleo do Brasil Ltda., não foi comprovado qualquer fato ou ato que denotem ter ele se beneficiado, direta ou indiretamente, das receitas oriundas da atividade da empresa, como pode a conclusão do Auditor Fiscal estar de acordo com a Lei para lhe atribuir a responsabilidade tributária solidária? Adiante assevera: As conclusões da fiscalização são completamente falaciosas, pois partem da premissa de que o Impugnante é o “cabeça” de um esquema de sonegação fiscal, sem, contudo, lastro factual. O único fato levantado é que o Sr. José Luis Ricardo era quem tomava as decisões e ordenava pagamento, assim como foi quem decidiu utilizar cheques assinados pelo Impugnante e não atualizar os cadastros da empresa junto aos bancos. Ora, se houve a quebra do sigilo bancário da empresa, e não foram encontradas pela fiscalização operações bancárias que demonstrassem que o Impugnante recebeu valores indevidamente, não há uma prova plausível que de guarida ao argumento do Auditor Fiscal. Alega que o AuditorFiscal não tem competência para inquirir testemunhas, acrescentando que os depoimentos foram tomados sem observância ao direito de ampla defesa e contraditório, sem a presença de nenhuma testemunha, bem como ao direito do contribuinte de se fazer representar e ser assistido por um advogado, conforme previsão do art. 3º da Lei nº 9.784/1999. Sendo assim, tais depoimentos não podem ser considerados como prova. No que tange à transação de compra da participação societária, assim dispõe o Impugnante: Da mesma forma, que não há um elemento consistente no auto de infração que demonstre que a venda da empresa não aconteceu em 2008. Aliás, os documentos mostram o contrário, que a venda de fato e de direito ocorreu em sua plenitude. Vejamos. Fl. 7304DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.304 10 Em 10/08/2008, o Impugnante firmou com o Sr. José Luis Ricardo um contrato pelo qual vendeu 1.369.863 quotas da empresa EURO REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS DE COMBUSTÍVEIS LTDA., que, dentre outros negócios, detém participações de controle societário da empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda., tendo sido ajustado o pagamento do preço de R$ 1.510.000,00 (um milhão, quinhentos e dez mil reais), sendo R$ 252.200,00 (duzentos e cinquenta e dois mil e duzentos reais) pela cessão de um crédito representado numa apólice da dívida pública, e R$ 1.251.800,00 (um milhão, duzentos e cinquenta e um mil e oitocentos reais), por um cheque. O cheque dado em pagamento retornou sem fundos, razão pela qual o Impugnante moveu uma ação de execução com base no contrato contra o Sr. José Luis Ricardo, processo n° 002203567.2010.8.13.0647, que tramitou pela 1ª Vara Cível da Comarca de São Sebastião do Paraíso/MG, na qual as partes acordaram o pagamento parcelado da dívida em 34 (trinta e quatro) parcelas de R$ 44.500,00 (quarenta e quatro mil e quinhentos reais). De fato, o acordo foi homologado por sentença judicial e cumprido pelo devedor que efetuou os pagamentos convencionados, conforme denotam os comprovantes que o Sr. José Luis Ricardo apresentava ao Impugnante a cada pagamento realizado. Portanto, resta comprovado que o Sr. José Luis Ricardo firmou um contrato de aquisição das quotas sociais sem ter recursos disponíveis para pagar o preço ajustado. Fica claro também que o negócio entabulado foi verdadeiro e cumprido, inclusive comprovado pelas operações bancárias correspondentes. Assim, não há que se falar em fraude ou simulação. Deste modo, não há que se falar em responsabilidade de terceiros pelo crédito tributário, eis que inexiste qualquer fundamento ou comprovação de que houve fraude tributária ou sonegação fiscal. No que tange ao arbitramento da base de cálculo, apresenta os argumentos que a seguir transcrevemos: Do processo em questão podemos extrair que o Auditor Fiscal utilizou como fonte para arbitramento da base de cálculo dos tributos, a suposta movimentação bancária da empresa no período fiscalizado. Porém, tal conduta está eivada de vícios e leva forçosamente ao entendimento de que o arbitramento e, consequentemente, o suposto crédito tributário está errado. Observe que o próprio auditor reconhece que as notas fiscais apontadas na escrita fiscal estariam adequadas à movimentação bancária. Fl. 7305DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.305 11 Ora, se as notas fiscais estão de acordo com a escrita fiscal, o auditor não poderia simplesmente desconsiderar a contabilidade e não acolher a escrita contábil, seja no que tange aos recebimentos, seja no que tange às despesas da distribuidora, o que foi desconsiderado, tanto que o auditor fiscal arbitrou a suposta disponibilidade financeira da empresa autuada sem considerar as despesas por ela efetivadas para a compra de combustíveis que ela posteriormente revendia. E, caso se considerassem as despesas com aquisição dos combustíveis, a fiscalização teria condições de verificar que o "lucro tributável" seria menor que o utilizado pela fiscalização para lavratura do auto de infração. Portanto, o crédito tributário aqui discutido não se reveste de certeza nem liquidez, razão pela qual deve ser anulado o presente lançamento. Sobre o crédito de Contribuição do PIS e da Cofins referente ao período de janeiro a novembro de 2008, alega que a empresa ajuizou ação para discutir a vigência do art. 91 da Lei 10.833/2003 e, estando a questão sub judice, não há que se falar em lançamento e constituição do crédito tributário. Por fim requer, o conhecimento da impugnação para acolher os argumentos apresentados e decidir pela improcedência da autuação, declarando a nulidade do AI. Sucessivamente requer: redução da multa qualificada; limitação da eventual responsabilidade ao período de janeiro a novembro de 2008; afastamento da responsabilidade solidária; exclusão do lançamento dos créditos tributários referentes a Contribuição do PIS e a Cofins; aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. Também requer que as intimações para quaisquer atos sejam realizadas em nome do seu advogado.” No julgamento das impugnações mencionadas, o colegiado da DRJ Salvador acordou na parcial procedência da impugnação, apenas para excluir a responsabilidade solidária de José Luis Ricardo referente ao crédito tributário da Contribuição do PIS e da Cofins do período de janeiro a novembro de 2008, bem como do IRPJ e CSLL do 1º, 2º e 3º Trimestres de 2008, sendo mantido o auto de infração em face das demais alegações. Destarte, procedeuse ao envio do resultado do julgamento aos interessados por AR, porém, todos retornaram sem que houvesse sucesso na cientificação do contribuinte e responsáveis, por motivos de desatualização do endereço, ou mesmo, por desconhecimento do mesmo. Infrutíferas as intimações pela via postal, determinouse a cientificação via edital eletrônico, os quais após 15 (quinze) dias tiveram sua ciência registrada automaticamente (fls. 6865/6867). Paralelamente ao processo administrativo, foram propostas duas ações judiciais: uma medida cautelar fiscal proposta pela União, e um mandado de segurança proposto pelo responsável solidário Miceno Rossi Neto. A medida cautelar fiscal, ajuizada na 3ª Vara Federal de Campinas (fls.6909/6931) obteve decisão favorável à inclusão dos responsáveis JOSE LUIS Fl. 7306DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.306 12 RICARDO e MICENO ROSSI NETO no polo passivo da CDA. Inscrição esta posteriormente procedida. No entanto, um dos responsáveis, o Sr. Miceno Rossi Neto impetrou mandado de segurança alegando a irregularidade da notificação da decisão da DRJBA, posto que, desde o dia 10/01/2014 é optante do domicílio tributário eletrônico (DTE), regulamentado pela Portaria SRF 259/2006 e Portaria MF 527/2010, e que o referido edital eletrônico nunca foi enviado à sua caixa postal eletrônica, o que impediu a regular ciência do v. acórdão 1536.729. Desta feita, o Sr. Miceno Rossi Neto obteve liminar (fls. 6945/6948) e teve devolvido o prazo para apresentação do recurso voluntário, e, consequentemente, procedeuse o cancelamento das inscrições anteriormente procedidas (fl. 7058). Em sede de recurso voluntário, o responsável solidário MICENO ROSSI NETO alegou, preliminarmente, nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa em razão de ausência de notificação do recorrente, responsável solidário, previamente à lavratura do auto de infração. Ainda em sede de preliminar, aduz a nulidade da multa de ofício qualificada no percentual de 150%, pois, a seu sentir, não houve apuração de sonegação fiscal, fraude ou conluio, bem como tece considerações sobre o efeito confiscatório da multa. No mérito, sustenta a nulidade das provas obtidas; a impossibilidade de imposição de responsabilidade tributária com fulcro no artigo 124, inciso I, do CTN por falta de demonstração do interesse comum e dos benefícios auferidos pelo recorrente/responsável, além de não ser possível a incidência do PIS e da COFINS no presente caso por conta do benefício do art.91 da Lei n. 10.833/2003 e, por fim, a aplicação do prazo decadencial previsto no parágrafo 4, do art. 150 do CTN. A PGFN manifestouse em contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 7224/7249). É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Tendo em vista a reabertura do prazo para interposição de Recurso Voluntário, motivada por decisão judicial (fls. 6945/6948), afigurase a tempestividade do presente recurso interposto no dia 30/06/2015, portanto, dele conheço. Importante ressaltar, também, que devidamente notificados os integrantes do polo passivo da relação jurídica tributária EURO PETRÓLEO DO BRASIL LTDA., JOSÉ LUIZ RICARDO e MICENO ROSSI NETO, acerca do Acórdão exarado pela DRJBA, apenas este último apresentou Recurso Voluntário. Fl. 7307DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.307 13 Com relação à preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, a recorrente alega que, em função da ausência de sua notificação previamente à lavratura do auto de infração, esta restaria tolhida em seu direito de produzir provas. Neste âmago, é preciso estabelecerse a distinção entre o procedimento administrativo, enquanto caminho para consecução do ato de lançamento (inclusive fiscalização tributária e imposição de penalidades); e o processo administrativo, como meio de solução administrativa dos conflitos fiscais. Pois bem, o procedimento administrativo culmina com o ato de lançamento, que contém em seu bojo a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e, se for o caso, a aplicação da penalidade cabível, conforme determina o art. 142 do CTN. Para que o ato administrativo venha revestido de tais atributos, fazse necessária uma série de expedientes determinados. Ao conjunto de tais expedientes dá se o nome de procedimento administrativo. Este procedimento que, como vimos, é preparatório do ato de lançamento é governado por princípios próprios que conferem aos órgãos da Administração fiscal um conjunto de poderesdeveres e também limitações. Dentre esses, está o princípio do inquisitório, que confere o caráter investigatório ao procedimento. E, dependendo do quanto se apure nesta investigação, o procedimento pode vir a tornarse um processo, ou não. Assim, o princípio do inquisitório permite uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, sendo de sua faculdade a requisição de colaboração do contribuinte. Neste sentido, James Marins (DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 2005), preceitua que: “Então, o procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade no sentido de que os poderes legais investigatórios (princípios do dever de investigação) da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares (princípios do dever de colaboração) que não atuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. Conquanto a função fiscalizatória fiscal se apresente como atividade ex officio conduzida sob a égide do princípio da inquisitoriedade, dáse sob o signo da legalidade objetiva; além disso, caráter inquisitório não se confunde com caráter arbitrário, pois a arbitrariedade não se concilia com o Direito.” Logo, concluise que o procedimento administrativo é inquisitório, mas o processo administrativo não o é. Fl. 7308DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.308 14 Isto posto, curial lembrar no caso em voga, o procedimento de fiscalização foi instaurado contra o contribuinte EURO PETRÓLEO DO BRASIL LTDA., para análise da discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, bem como a omissão na entrega de DCTF comparandose com os valores constantes dos relatórios anuais da Agência Nacional do Petróleo (ANP). No momento do início da fiscalização, não se tinha certeza sobre todos os envolvidos nas infrações, nem mesmo se podia garantir que havia de fato alguma infração. Por este motivo, foram colhidos documentos para devida instrução, até que ficasse clarividente a participação dos integrantes do polo passivo do processo. Sendo assim, a ausência de notificação do recorrente, previamente à lavratura do auto de infração, não é motivo apto a ensejar a nulidade dos autos, pelo fato de a administração tributária dispor de liberdade em sua tarefa de fiscalização e apuração dos eventos de interesse tributário. Ademais, o próprio CARF dispõe de entendimento sumulado nesse sentido, senão vejamos: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade em decorrência da falta de notificação do recorrente, anteriormente à lavratura do auto de infração. Com relação à alegação de nulidade da multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), e seu respectivo efeito confiscatório, a recorrente afirma não ter ocorrido sonegação fiscal, fraude ou conluio, ademais, pelo fato de ser responsabilizada por infrações datadas de período em que, sequer, fazia parte da empresa. Porém, diante de tudo quanto consta nos autos, resta claro que a infração se deu mediante fraude. Nesta senda, importante cabe destacar a seguinte passagem constante no Termo de Verificação Fiscal (fls. 103/181), na qual o Auditor autuante conclui: “Assim, em suma, a Contribuinte: • não entregou a DIPJ dos anoscalendário 2009 e 2010, apesar de, no mesmo período, ter movimentado em contas bancárias que mantinha junto à instituições financeiras montante próximo a um bilhão de reais; • não entregou a DCTF com os débitos de IRPJ e CSLL dos anos calendário 2008 a 2010, bem como não declarou os valores referentes à Contribuição do PIS e à Cofins referentes aos anoscalendário de Fl. 7309DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.309 15 2008 a 2011. Porém, no mesmo período, emitiu notas fiscais e declarou à ANP receitas que somavam quase um bilhão e meio de reais; • não foi capaz de justificar os valores que informou à RFB na DIPJ do ano calendário 2008 e nem comprovar a apuração do prejuízo fiscal nela veiculado; • deixou de elaborar e apresentar a escrituração contábil (Diário e Razão), referente aos anoscalendário 2008 a 2011; • entregou as Dacon dos anoscalendário 2008 a 2011 “zeradas.” Ciente das constatações acima elencadas, o Auditor fiscal formou seu convencimento e entendeu, corretamente, a meu ver, que os gestores da contribuinte deliberaram, de forma consciente, utilizar dos meios necessários para evitar que o Fisco Federal tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos. Isto fica comprovado com o fato existência de cheques da Contribuinte assinados por Miceno Rossi Neto após a 09/12/2008, bem como abertura de contas bancárias e envio de declarações com a sua assinatura eletrônica. Portanto, à luz de toda documentação colhida na fase instrutória, reputo existir dolo por parte do recorrente, tanto no período em que administrava a empresa, quanto à partir de 01/2009, período de seu afastamento e oportunidade em que se tornou administrador “de fato” da mesma. Razão pela qual entendo pela necessidade de qualificação da multa prevista no artigo 44, § 1º da Lei n.º 9.430/96, por restarem configuradas as hipóteses de sonegação fiscal, fraude e conluio, ínsitos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. Por último, relativamente à atribuição de caráter confiscatório à presente multa, ressaltase que a instância administrativa não é a via adequada para se perquirir a excessividade ou a proporcionalidade de multa decorrente de imposição legal, sob pena de se incidir em análise vedada de inconstitucionalidade da norma, conforme preceitua Súmula nº 02 do CARF. “Súmula 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em se tratando do mérito deste recurso, o recorrente sustenta a nulidade das provas obtidas e afirma a impossibilidade de imposição de responsabilidade tributária com fulcro no art. 124, inciso I, do CTN por falta de demonstração do interesse comum e dos benefícios por si auferidos. Primeiramente, com relação à nulidade das provas, é necessário lembrar que o sistema de valoração de provas adotado pelo nosso sistema é o do livre Fl. 7310DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.310 16 convencimento motivado, não admitindo arbitrariedade na produção da prova e na sua apreciação. Pressupõe, também, razoabilidade entre o conteúdo das provas e a conclusão obtida a partir delas. O Fisco tem de provar, primeiramente, a autoria da infração, a partir da premissa de que o infrator não é apenas aquele que praticou materialmente o fato, mas também os que com ele colaboraram (partícipes) e os que determinaram a execução da conduta (mandantes). Assim, não basta indicar o nome de todos os sócios constantes do contrato social, imperioso que se individualize o autor das irregularidades, demonstrando ao menos qual o sócio geria a sociedade, e decidia pela prática dos negócios empresariais tipificados como fatos jurídicos tributários (ou que, de alguma forma, pudessem resultar em obrigações tributárias). E para tanto comprovar, admitem se as provas diretas e indiretas. Com efeito, a autoridade fiscal apurou que o Sr. Miceno Rossi Neto, apesar de aparentemente terse desligado da empresa EURO PETROLEO LTDA., continuou atuando na mesma, razão pela qual ostentou a qualificação de sócio de fato da mesma, conforme consta no item V.V do TVF. Vejamos: 68. Diante dos elementos e fatos apurados no curso do procedimento fiscal, verificamos que a fiscalizada atuou nos anoscalendário de 2008 a 2011 no comércio atacadista de combustíveis. Suas atividades, como constatado, foram realizadas sob a gestão de seus administradores: Miceno Rossi Neto e José Luis Ricardo. 69. Conforme exaustivamente demonstrado, de posse das cópias dos cheques dos bancos Bradesco S/A e Unibanco, verificamos que os mesmos foram assinados pelo Sr. Miceno Rossi Neto, o que corrobora que ele, administrou de fato a fiscalizada mesmo após a sua venda ao Sr. José Luis Ricardo em 10/12/2008. Registrese ainda que no Banco Bradesco S/A, o Sr. Miceno consta como responsável pela fiscalizada, com ficha de proposta de abertura de conta assinada em 05/01/2009. Tal situação enseja caracterizálo como sócioadministrador de direito até 09/12/2008 e sócio de fato a partir de 10/12/2008 . Sendo assim, entendemos que sua participação como sócio administrador deva ser considerada para os anoscalendário de 2008 a 2010. 70. Ressaltamos ainda que além do acima exposto, conforme DACON ( Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais) entregues pela fiscalizada no período de 01/2008 a 04/2010, aponta que o Sr. Miceno Rossi Neto permaneceu na gestão da mesma na condição de responsável legal, assinando os respectivos demonstrativos pela fiscalizada por meio de certificação digital, como exemplo que segue referente a 04/2010: Fl. 7311DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.311 17 Sr. Miceno Rossi Neto, a responsabilidade tributária pela sua participação como sócio de fato da fiscalizada, com base no disposto do Art. 124, inciso I, da Lei 5.172 de 1966 (CTN), e pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, com base no Art. 135, inciso III do CTN c/c Art. 137 do CTN. 72. Seguindo no mesmo diapasão, conforme documentação apresentada e depoimentos tomados a termo, concluímos que o Sr. José Luis Ricardo é interposta pessoa no quadro societário da fiscalizada, porém demonstrou estar conivente e consciente da situação ora apresentada. O início de sua participação como sócio administrador de acordo com a 13ª Alteração do Contrato Social da fiscalizada foi em 10/12/2008. 73. Desta forma, entendemos que deva ser atribuída em face do contribuinte Sr. José Luis Ricardo, a responsabilidade tributária tendo em vista a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, com base no Art. 135, inciso III do CTN c/c Art. 137doCTN. 74. Ressaltamos que a fiscalizada não só deixou de recolher os tributos, mas também está omissa na DIPJ 2009 e 2010 e em relação às Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a fiscalizada deixou de declarar os valores referentes ao IRPJ/CSLL/PIS/COFINS de 2008 a 2011. Referindose ainda ao PIS e COFINS, a fiscalizada entregou Demonstrativos de Apuração de Fl. 7312DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.312 18 Contribuições Sociais (DACON) no período de 01/2008 a 04/2010 "ZERADAS" e no período de 05/2010 a 12/2011 está omissa na entrega. Registrese que para os anoscalendário de 2008 a 2011 a fiscalizada apresentou o seguinte faturamento, com base nas notas fiscais: Consoante o exposto, fica claro que o afastamento do Sr. Miceno Rossi Neto foi apenas uma tentativa de elidirse de responsabilidade, de forma que continuou a promover atos de comando gerencial da sociedade, na qualidade de sócio de fato. De outro bordo, apurouse que o depoimento do Sr. José Luiz Ricardo veio carregado de indícios que fizeram a autoridade fiscal chegar à conclusão de tratar se de interposta pessoa. Com base nisso, recorro à lógica jurídica para esclarecer que a comprovação indireta é formada por indícios, vestígios, indicações, sinais, circunstâncias e fatos conhecidos aptos a nos levar, por meio do raciocínio indutivo, ao conhecimento de outro fato, não conhecido diretamente. A prova indireta remete a um fato conhecido, fazendo referência objetiva de tempo e espaço a um evento, também conhecido. No entanto, da perspectiva fática, o evento, em que pese ser provável, é sempre presumido. Em outras palavras, só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não há como ser alcançado de forma objetiva: independentemente de a prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo juridicamente certo e fenomenicamente provável. Esta, é a realidade impondo limites ao conhecimento jurídico. Voltando ao caso em espeque, existentes cheques emitidos pelo Sr. Miceno Rossi Neto, após o período em que supostamente desligouse da empresa, além da abertura de conta e cartão de assinaturas no Banco Bradesco em nome da fiscalizada Euro Petróleo desacompanhado de outros sócios ou administradores. Bem como a fragilidade demonstrada no depoimento do Sr. José Luis Ricardo, ao não saber indicar alguns dos principais fornecedores, ou mesmo a composição de sua própria renda mensal, geraram no Auditor responsável, a clareza necessária a ensejar a autuação. Logo, há que se distinguir a responsabilidade da pessoa jurídica, contribuinte decorrente de fato jurídico tributário propriamente dito (ato lícito – evento Fl. 7313DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.313 19 econômico: faturamento, lucro, circulação de riquezas, entre outros). De outro lado, a responsabilidade que emerge para os responsáveis tributários (de fato ou de direito). Emerge em razão da ocorrência de uma infração à lei ou excesso de poderes (ato ilícito), conforme se depreende do artigo 135 do CTN. Configuram, portanto, obrigações autônomas em sua origem, mas dependentes entre si, posto que o pagamento extingue ambas. Portanto, no tocante a Miceno Rossi Neto, entendo perfeitamente aplicável a exegese adotada pela União, no sentido que a responsabilidade tributária atribuída deve ser pela participação como sócio de fato da fiscalizada, consoante estatuído no art. 124, inciso I, do CTN, bem como pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, por exemplo a sonegação de impostos, com base no art. 135, inciso III do CTN c/c Art. 137 do CTN. Consequentemente, configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como aqui está demonstrada, aplicase a disposição do artigo 173, inciso I, que determina como termo inicial da contagem do prazo de decadência, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Logo, o IRPJ e a CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2008 e a Contribuição do PIS e de Cofins referente aos meses de janeiro a novembro de 2008 poderiam ser lançados até o dia 31/12/2013, enquanto que a Contribuição do PIS e a Cofins referente ao mês de dezembro e o IRPJ e a CSLL referente ao 4º Trimestre de 2008 poderiam ter sido lançados até o dia 31/12/2014. Ocorrendo a cientificação do lançamento em 05/09/2013, não assiste razão, portanto, ao recorrente. Também, não se admite a alegação do recorrente de que incabível a alegação de que fora autuado tão somente por conta dos extratos bancários quando, da leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos constantes dos autos, se verifica que os valores utilizados para o arbitramento da base de cálculo dos tributos foi o somatório das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. Com relação ao tópico da particularidade no lançamento de PIS/COFINS, em que o recorrente pleiteia o reconhecimento do benefício fiscal estabelecido no artigo 91 da Lei nº 10.833/2003. Em outras palavras, requer que seja reconhecido o seu direito de aplicar as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS reduzidas a zero sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool etílico hidratado carburante, realizada por distribuidor e revendedor varejista. Pois bem, a ação judicial declaratória em trâmite na 6ª Vara Federal de Campinas/SP (proc. Nº 2007.61.05.0147940) atualmente registrada sob o nº 0014749 24.2007.4.03.6105, compete frisar que a sentença julgou improcedente o pedido do autor e, na mesma linha, a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação da contribuinte. Os autos encontramse aguardando admissibilidade dos recursos interpostos aos tribunais superiores naquele TRF. À vista disso, não conheço deste tópico recursal posto estar pendente de apreciação judicial, o que importa a renúncia à jurisdição administrativa. Fl. 7314DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.314 20 Por tudo exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade por falta de notificação do responsável tributário (recorrente) antes da lavratura do auto de infração. No mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário: 1 para manter a qualificação da multa de ofício; 2 para manter a imputação de responsabilidade solidária em face do recorrente Miceno Rossi Neto; 3 para afastar a alegação de decadência; 4 para manter a base do arbitramento; e 5 para não conhecer as alegações relativas ao PIS e COFINS, por existência de concomitância com ação judicial. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 7315DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13642.720171/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico e uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico e uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13642.720171/2015-30
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5645808
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.486
nome_arquivo_s : Decisao_13642720171201530.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13642720171201530_5645808.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6522943
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691895435264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1963; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13642.720171/201530 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.486 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2016 Matéria IRPF. DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente KLEBER JOSELITO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico e uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 72 01 71 /2 01 5- 30 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta Notificação de Lançamento (fls. 4/9) para a exigência de crédito tributário apurado no valor de R$ 7.126,02, relativo ao anocalendário 2011, tendo sido apurado pela auditoria: · omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 30.997,87, pagos pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, indevidamente declarados como isentos por moléstia grave. De acordo com o laudo médico apresentado, a doença foi contraída em 06/04/2015. Assim, somente a partir desta data o declarante teria direito à isenção; · compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 377,08, referente à fonte Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ: 05.461.142/0001 70. O imposto retido sobre o décimo terceiro salário não pode ser recuperado se o contribuinte não comprova as condições para usufruir de isenção por moléstia grave. Na impugnação (f. 2), o sujeito passivo alega, em síntese, que a retificação da Declaração de Ajuste Anual (DAA) foi feita de maneira incorreta pois ele não sabia que as deduções ora lançadas deveriam permanecer na DAA. A impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão no 1672.555 17a Turma da DRJ/SPO, fundamentado nos seguintes termos: O laudo médico de fls. 10 e 11, emitido pela Diretoria de Perícias Médicas do Hospital da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais em 21/05/2015, traz a informação que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015, posteriormente, portanto, ao anocalendário objeto desta Notificação de Lançamento (Anocalendário 2011). Sendo assim, tendo em vista o acima exposto, concluise que a documentação anexada aos autos não atende aos requisitos legais para a concessão da isenção, e a tributação dos rendimentos e a respectiva glosa do imposto retido na fonte, correspondente ao 13º salário serão mantidas. Há que se concluir, finalmente, que a mera alegação do interessado de que errou no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual não tem o condão de refutar o lançamento em análise. Diante do exposto, voto por considerar IMPROCEDENTE a impugnação de fl. 02. Cientificado da decisão em 11/05/20116 (f. 32), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 34/36), em 08/06/2016, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 1. que jamais omitiu rendimentos ou tentou usar laudos médicos para confundir ou tentar requerer, de forma indevida, a restituição, mas foi orientado, por funcionário da RFB, de maneira equivocada; 2. foram lançadas na declaração as informações que o contribuinte possuía em mãos, nada mais além da verdade, a qual ainda considera despesas dedutíveis do imposto de renda; 3. não há dúvida de que o laudo informa que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015. O que se solicita não é a validação do laudo pericial, mas a possibilidade de nova entrega de DAA; 4. a solicitação inicial do contribuinte é a de poder ter considerada, pela Receita Federal, a declaração original transmitida em 19/03/2012, onde as receitas foram devidamente lançadas, para que a multa seja considerada indevida. Requer o acolhimento do recurso e cancelamento do débito fiscal. Juntou documentos (fls. 37/59). É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. O contribuinte admite, no recurso, que o laudo médico somente diagnosticou sua enfermidade a partir de 06/04/2015. Logo, somente teria direito à isenção a partir desta data. Argumenta, no entanto, que cometeu um erro, e que não pretendia confundir ou requerer restituição de forma indevida. No entanto, a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente, como estabelece o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, ao contrário do que aduz no recurso, as informações apresentadas na Declaração de Ajuste Anual (DAA, fls. 14/19) retificadora, entregue em 03/06/2015, e que serviu de base para o lançamento, não correspondem à realidade, eis que declara como isentos os rendimentos no valor de R$ 30.997,87, recebidos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, quando o sujeito passivo não preenchia os requisitos para o exercício do benefício fiscal. Fica, assim, caracterizada a omissão de rendimentos apontada na notificação de lançamento. O recorrente alega, ainda, que foi incorretamente orientado por funcionário da Receita Federal do Brasil (RFB). No entanto, não comprova tal alegação, pelo que resulta impossível de ser acolhida. Quanto à possibilidade de apresentação de nova declaração de ajuste, não teria repercussão sobre a notificação de lançamento sob exame. Acontece que, uma vez iniciado o procedimento fiscal, está excluída a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do §1o, do art. 7o, do Decreto no 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifouse) Desse modo, a apresentação de nova Declaração de Ajuste Anual não excluiria a responsabilidade pela infração, consoante dispõe o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse sentido foi pacificada a jurisprudência deste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Resulta, portanto, rejeitado o pedido para apresentação de nova declaração de ajuste para a finalidade de afastar o lançamento. No tocante à declaração retificadora, assim estabelece a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014 (DOU 30/10/2014): Art. 82. Eventuais erros ou omissão de informações verificados na DAA, depois de sua apresentação, devem ser retificados pelo contribuinte por meio de declaração retificadora, desde que não esteja sob procedimento de ofício, independentemente de autorização administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida no caput: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso; e II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. (grifouse) Desse modo, também é impossível considerar a declaração original, transmitida em 19/03/2012, dado que a retificadora substituiua integralmente, conforme parágrafo único, do art. 82, da Instrução Normativa RFB nº 1500/2014. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 5 7 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914821/2012-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.282
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.914821/2012-41
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647893
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.282
nome_arquivo_s : Decisao_11080914821201241.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11080914821201241_5647893.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6545070
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691936329728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.914821/201241 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.282 – 3ª Turma Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria Contribuições. Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.821, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 21 /2 01 2- 41 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914821/201241 Acórdão n.º 9303004.282 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914821/201241 Acórdão n.º 9303004.282 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002313/98-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993
PROVAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
No caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova dos fatos ali alegados é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento, é deste o ônus da prova quanto à existência de suas razões.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 07/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1993 PROVAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova dos fatos ali alegados é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento, é deste o ônus da prova quanto à existência de suas razões. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10283.002313/98-50
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5646862
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.723
nome_arquivo_s : Decisao_102830023139850.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LIVIA DE CARLI GERMANO
nome_arquivo_pdf_s : 102830023139850_5646862.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6526487
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691965689856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 252 1 251 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.002313/9850 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.723 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente Recauchutadora Elo Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 PROVAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova dos fatos ali alegados é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento, é deste o ônus da prova quanto à existência de suas razões. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 23 13 /9 8- 50 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, nos valores históricos totais de R$ 22.582,95 e R$ 20.983,07 respectivamente, incluindo encargos legais. As infrações apuradas pela fiscalização, originadas de revisão de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 1993 (DIRPJ/94) e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, decorreram de transporte a menor do lucro líquido do período base para as demonstrações do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Conforme relatado no acórdão da DRJ: Inconformado com a exigência, apresentou o contribuinte, através de seu representante legal, impugnação em 16.04.98, fls. 01/05, alegando, em síntese, o seguinte: 1) ICMS SOBRE VENDAS: O primeiro erro referese ao esquecimento de fazer constar no Anexo 1, Quadro 04, Linha 07, em todos os meses do anocalendário de 1993, os valores pertinentes ao ICMS sobre vendas e demais impostos sobre vendas, conforme demonstrativo às fls. 13/15. 2) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS: Alega que desde o períodobase de 1991, passou a acumular prejuízos fiscais, conforme resumo do LALUR às fls. 09/10. Novos erros de preenchimento foram constatados na declaração IRPJ do anocalendário de 1993, no Anexo 2, Quadro 04, Linhas 41,42,43 e 44, abaixo demonstrados: 3)BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: Aduziu a autuada que em todos os meses do anocalendário de 1993 observouse base de cálculo negativa da CSLL, sendo, portanto, indevida a cobrança da contribuição social nos meses autuados. Corrobora seu entendimento sobre "erro de fato", transcrevendo ensinamentos de tributaristas sobre o assunto. 4) PROVA PERICIAL: Solicitou a realização de perícia, indicando como perito o Sr. MARCOS EDUARDO COSTA PIMENTEL, brasileiro, casado, auditor contábil independente, residente e domiciliado à Rua 4, Casa 17, Conjunto Celetramazon, nesta cidade de Manaus (AM), inscrito no CRCAM n° 35560/4, formulando os seguintes quesitos: a) Há erros formais no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/94? Se a resposta for positiva, identificálos. b)Houve realização a maior de Lucro Inflacionário? Se a resposta for positiva, qual o valor. c)Há Prejuízos Fiscais acumulados em períodosbase anteriores? Se a resposta for positiva, demonstrar por período base. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 253 3 A DRJ/MANAUS, à época, verificou, pelo exposto, que não havia elementos suficientes para o deslinde do litígio, assim, nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 (com as alterações da Lei nº 8.748/93), foi proposto o encaminhamento do presente processo à DRF/Manaus (AM) para que, em procedimento de diligência junto aos assentamentos contábeis e fiscais da empresa, fossem tomadas as seguintes providências: Verificar a veracidade do demonstrativo de fls. 13/15, em especial quanto ao valor do ICMS e demais impostos sobre vendas; Analisar qual. o valor dos prejuízos fiscais e respectivas compensações a partir do períodobase de 1991, procedendo as alterações cabíveis no SAPLI; Verificar a ocorrência de erro na Base de Cálculo Negativa da CSLL, a partir do anocalendário de 1992, considerandose o demonstrativo de fls. 06/07 e 11/12 e o demonstrativo SAPLI de fls. 69/73; Persistindo total ou parcialmente, as irregularidades objeto da revisão da declaração, calcular qual o valor do IRPJ e a CSLL remanescente. Ao final, elaborar relatório conclusivo, inclusive, carreando informações outras que sejam de interesse para o deslinde do presente processo. A DRF/MANAUS elaborou o seguinte relatório acerca do assunto: Para fins instrução no processo em epígrafe e em atendimento ao despacho exarado às suas fls. 81/82, pela DRJ, à época dos fatos sediada em Manaus, temos a informar o que segue: 1 No tocante a verificação da veracidade das informações contidas nas fls. 13/15, não pode ser comprovada, pelo exame procedido nos livros comerciais da interessada, do anocalendário de 1993, visto os mesmos não apresentarem valores compatíveis com os informados nas planilhas, mormente, os relativos aos ICMS e demais impostos sobre venda, o que, inclusive, pode ser comprovado pelas cópias dos balancetes mensais da pessoa jurídica, anexos a esta; 2 Quanto aos prejuízos fiscais e respectivas compensações, em decorrência de não haver correspondência entre os registros contábeis, elementos essenciais para a apuração dos lucros reais dos períodos, visto serem os supedâneos para apuração do lucro real, e os demonstrativos apresentados pela impugnante, deixase de fazer as alterações cabíveis no SAPLI. Reforçando, entendese que só se poderia proceder alterações no aludido sistema se existisse correspondência entre os dados que o alimentariam e a escrita comercial da pessoa jurídica, o que não é o caso como restou constatado na diligência; 3 O item 3 do despacho da DRJ, também não pode ser atendido em virtude de não terem sido disponibilizados os livros comerciais dos anoscalendário de 1991 e 1992. Foram apresentados apenas cópias de balanços gerais, sem a indicação das fls. do Diário onde estariam registrados os mesmos, ademais a cópia do balanço do anocalendário de 1993, não está assinada, nem pelo profissional responsável pela contabilidade, nem pelo representante legal da pessoa jurídica. 4 Considerando então, não terem sido apresentados na diligência, os elementos necessários a corroboração dos demonstrativos Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 apresentados pela pessoa jurídica impugnante, entendese não ser mister recalcular o valor do IRPJ e da CSLL, visto que, do crédito tributário levantado em desfavor da mesma, nada pode ser alterado. É a informação. Assim, o processo fora retornado ao contencioso, desta vez à DRJ/BELÉM, para seu deslinde. Ocorre, entretanto, que o objetivo da ciência ao interessado, descrito no Decreto 70.235/72, visa a que o mesmo tenha conhecimento dos fatos do processo, a ele pertinentes. Após a instauração do contencioso é necessário, para não cercearmos o direito de defesa do impugnante, que, a cada inserção de informações por parte da fiscalização, haja a ciência do interessado, bem como abertura de prazo para .que este se manifeste sobre aquilo que tomara conhecimento. Desta forma, fora solicitado, através do Despacho nº 37 da DRJ/Belém, encaminhamento à unidade de origem para que se procedesse à ciência do resultado da diligência ao impugnante, incluso o despacho da unidade de origem nas fls.85/86, e que a este fosse concedido o prazo para a apresentação de novos argumentos, caso assim deseje. Atentouse, ainda, que fosse aposto no processo documentação demonstrando tanto a ciência como o conteúdo desta ciência ao impugnante. Em atenção ao solicitado pela DRJ/Belém, foi efetivada a citação, conforme fl. 177. Não houve manifestação do interessado no tocante às informações contidas na citação. Em 23 de junho de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) manteve o lançamento, proferindo o acórdão 0129.434, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 PROVAS. COMPENSAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No que concerne às provas, temos que no caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova é do fiscal “autuante”; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento o ônus da prova é deste quanto à existência de suas razões. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 22/10/2014, o contribuinte então apresentou recurso voluntário tempestivamente em 19/09/2014, alegando, em síntese (fls. 197 a 218): (i) nulidade da decisão de primeira instância por comprovação do erro de fato: sustenta que o poder que a Receita Federal tem de examinar livros e documentos não a Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 254 5 exime de proceder ao levantamento criterioso das deduções do ICMS e outras deduções de vendas constantes dos sistemas informatizados e declarados pela Recorrente. (ii) a legislação garante o direito às deduções de vendas canceladas, que não se incluem na receita bruta. (iii) o contador da Recorrente se equivocou ao deixar de informar as deduções restou saldo a pagar de IRPJ e CSLL, porém a empresa possuía prejuízo fiscal e saldo negativo de CSLL, o que compensaria os valores devidos. (iv) é falácia da autoridade fiscal que conduziu o julgamento que a Recorrente não comprovou com documentação hábil e idônea os seus argumentos na peça impugnatória; a autoridade fiscal carece de conhecimento técnico para proceder à análise necessária, não tendo acessado os sistemas da Receita Federal para ter certeza de que a Recorrente possuía no sistema SAPLI estoque elevado de prejuízo fiscal. (v) ofensa ao princípio da moralidade administrativa pois a empresa não foi cientificada das inúmeras prorrogações a que se submeteu o MPF originário. (vi) falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação. Junta à peça recursal planilhas e demonstrativos que, conforme ressalta a fls. 219, já constam dos autos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como relatado, a impugnação apresentada foi julgada improcedente tendo em vista que, mesmo após a conversão do julgamento em diligência, a empresa não logrou demonstrar a efetividade dos erros em sua escrituração ali apontados. Em nenhum momento se negou a possibilidade, em tese, de dedução das despesas ou do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, ou seja, a controvérsia no caso concreto não é de direito mas de fato. A diligência apurou que (i) os livros comerciais do anocalendário de 1993 não apresentaram valores compatíveis com os informados nas planilhas anexadas aos autos; e (ii) não foram apresentados os livros fiscais dos anoscalendário de 1991 e 1992 para fins de comprovação do alegado prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Em seu recurso voluntário a empresa não traz qualquer argumento novo capaz de alterar o quanto decidido na decisão da DRJ. Neste sentido, entendo que esta deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Vejamos: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 No caso concreto: a impugnante alega suas contrarazões mas não traz provas quanto ao alegado em sua impugnação; existe um “iter” na apuração do crédito tributário: a) os fatos econômicos acontecem na vida quotidiana; b) os fatos econômicos são descritos nos documentos que retratam e comprovam as situações específicas; c) uma vez documentados, os fatos são registrados na “contabilidade” das empresas, seguindo as técnicas legalmente aceitas; d) as informações, registradas e condensadas nos registros contábeis, são levadas às declarações fiscais para, nestas, serem calculados os valores de tributos; Assim, se há “erro” em alguma etapa desta seqüência, cabe ao impugnante, pois fora ele quem alegou, que apresente o “locus” do erro, e as provas deste erro; Não basta, ainda, simplesmente, apresentar documentos, ou a própria contabilidade, é necessário que estes elementos estejam concatenados de forma a demonstrar os fatos corretos que deveriam ter sido tributados; A impugnante não logrou demonstrar em sede de impugnação, nem nas diligências que houve no presente processo, as razões que alegou em sua impugnação! Destarte, diante da ausência de provas robustas e mais detalhadas, que deveriam ter sido apresentadas pela recorrente, sobre o direito pleiteado, aliado às declarações, e aos controles dos sistemas internos da Receita Federal, alimentados pelo próprio recorrente, que demonstram a ocorrência dos fatos geradores dos tributos cobrados no lançamento. Vale notar que não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de que a autoridade fiscal não acessou os sistemas da Receita Federal para ter certeza de que a Recorrente possuía no sistema SAPLI estoque elevado de prejuízo fiscal. Tanto este sistema foi consultado que, conforme relatado, a diligência apurou que não havia correspondência entre os dados que o alimentariam e a escrita comercial da pessoa jurídica. Assim, novamente a empresa não se desincumbiu de provar, com sua escrita comercial, os fatos que alega terem ocorrido. Os capítulos finais da peça impugnatória sustentam argumentos inovadores que, mesmo que se ignorasse a sua preclusão, não mereceriam acolhimento. Nomeadamente, a alegação de que teria havido ofensa ao princípio da moralidade administrativa pelo fato de a empresa não ter sido cientificada das inúmeras prorrogações a que se submeteu o MPF originário não parece ser o caso, pois não consta dos autos que o MPF tenha sido prorrogado. Por sua vez, no capítulo intitulado "falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação", a Recorrente se limita a discorrer sobre o conceito de erro de direito e sobre a impossibilidade de se alterar o critério jurídico do lançamento, sem indicar especificamente como tal argumento se encaixa em seu caso. Pois tais razões, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 255 7 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901420/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10675.901420/2009-72
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5675905
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.296
nome_arquivo_s : Decisao_10675901420200972.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10675901420200972_5675905.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6639946
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692054818816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.901420/200972 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.296 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente AGROCAFÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 20 /2 00 9- 72Fl. 1075DF CARF MF 2 Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 14774.04210.291105.1.3.040190, cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida da Cofins sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.112, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: “Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que ‘procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10675.901420/200972 Acórdão n.º 3401003.296 S3C4T1 Fl. 11 3 Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuinte é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.” Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Fl. 1077DF CARF MF 4 Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 1078DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000974/00-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1995
CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LIMINAR EM AÇÃO CAUTELAR. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa por medida liminar em ação cautelar e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Aplicação da retroatividade benigna em matéria de penalidade.
Numero da decisão: 1301-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1995 CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LIMINAR EM AÇÃO CAUTELAR. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa por medida liminar em ação cautelar e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Aplicação da retroatividade benigna em matéria de penalidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.000974/00-51
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5674237
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.189
nome_arquivo_s : Decisao_163270009740051.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 163270009740051_5674237.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6634086
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692069498880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 798 1 797 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000974/0051 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1301002.189 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria IRPJ Exigibilidade Suspensa Multa de Ofício Recorrente SUDAMERIS ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1995 CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LIMINAR EM AÇÃO CAUTELAR. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa por medida liminar em ação cautelar e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Aplicação da retroatividade benigna em matéria de penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 74 /0 0- 51 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 799 2 Relatório SUDAMERIS ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 10.766.095,12, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 2. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foram lavrados, em 25/05/2000, contra a contribuinte acima identificada, os Autos de Infração, a seguir discriminados, decorrentes de EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA – DIFERENÇA I.P.C./O.T.N. – PLANO VERÃO (IRPJ) e APURAÇÃO INCORRETA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: [...] 2. No Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 124 a 128), os Auditores Fiscais autuantes explicitam: 2.1. que a fiscalizada, (nos meses calendário de junho e julho de 1994 quanto ao IRPJ e, ainda, nos meses de agosto de 1994 e setembro de 1997 quanto à CSLL), excluiu do lucro líquido as parcelas da correção monetária calculadas, de acordo com o quadro demonstrativo de fls. 03 e 04, pela aplicação do percentual de 70,28%, no mês de janeiro de 1989, equivalente às diferença IPC integral, para efeito da correção monetária de balanço do exercício de 1990, ano base 1989, ou do percentual de 51,73% considerando a OTN de NCZ$ 6,92 ao invés de NCZ$ 6,17; 2.2. que, em atendimento à intimação fiscal, a contribuinte apresentou: a) Cópia da Medida Cautelar Inominada distribuída sob o nº 93.00195190 à 18a. Vara da Justiça Federal, pleiteando a aplicação do índice de 70,28% (doc. fls. 21 a 55); b) Cópia do despacho, de 29/07/1993, do MM. Juiz da 18a Vara da Justiça Federal em São Paulo, concedendo a Liminar junto ao processo acima mencionado (doc. fls. 56 e 57); c) Cópia da inicial da “Ação Declaratória Sob o Rito Ordinário” – Processo 93.00240722 – distribuída em 26/08/1996, por dependência à 18a Vara da Justiça Federal em São Paulo (doc. fls. 58 a 90); d) Cópia da sentença de 21 de maio de 1996 junto aos processos 93.00195190 e 93.00240722 julgando procedente o postulado nas iniciais da Medida Cautelar Inominada e da Ação Declaratória (doc. fls. 91 a 97); e) Despacho recebendo o recurso de Apelação da sentença proferida em 21 de maio de 1996, “em seus regulares efeitos” (doc. fls. 98); Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 800 3 f) Cópia do Acórdão relativo à Apelação Cível nº 96.03.093556 5/SP, tendo como apelado o Banco Sudameris Brasil S/A. (doc. fls. 99 a 109) 2.3. que pela decisão de primeira instância, de 21 de maio de 1996, o pedido inicial foi julgado procedente, “estritamente para declarar a existência de relação jurídica que obrigue o contribuinte à aplicação de índices defasados em suas demonstrações financeiras, no exercício que indica, com os seus imanentes consectários e consequentemente, por igual, procedente a cautelar, confirmando a liminar anteriormente deferida”; 2.4. que considerando que o Recurso de Apelação foi recebido “em seus regulares efeitos”, o despacho de 29 de julho de 1993 que deferiu a Liminar junto ao processo 93.00195190 da 18a Vara da Justiça Federal em São Paulo – Medida Cautelar Inominada – permanecerá com todos os seus efeitos até decisão judicial com trânsito em julgado. Assim, a instituição financeira está judicialmente autorizada a deduzir a partir do período base de junho de 1993 a correção monetária correspondente à diferença entre a OTNFiscal e o IPC, ocorrida em janeiro de 1989, utilizandose, para tanto, o índice de 70,28%, ou do percentual de 51,73% considerando a OTN de NCZ$ 6,92 ao invés de NCZ$ 6,17; 2.5. que no anocalendário de 1999, usufruindo dos benefícios da Lei nº 9.779 e IN/SRF 26/99, o contribuinte recolheu a título de I.R.P.J. e C.S.L.L. os valores relacionados na tabela abaixo. Os valores referemse à diferença entre o índice utilizado pelo contribuinte para apuração do saldo devedor da correção monetária de janeiro de 1989 e o índice admitido pela Justiça Federal, conforme demonstrado na planilha de fls. 03/04 elaborada pelo contribuinte: Data Pagto. Vr. I.R.P.J. Pago VR. C.S.L.L. Pago 26/02/99 131.992,60 9.880,52 31/03/99 131.992,60 9.880,52 30/04/99 131.992,60 9.880,52 31/05/99 131.992,60 9.880,52 30/06/99 131.992,60 9.880,52 30/07/99 131.992,60 9.880,52 Totais 791.955,60 59.283,12 2.6. que, por outro lado, em 08 de março de 2.000, a instituição financeira efetuou os seguintes depósitos junto ao processo 93.0015190 da 18a Vara da Justiça Federal em São Paulo, relativamente aos valores controversos do I.R.P.J. e da C.S.L.L.: Tributo Valor: R$ I.R.P.J. 6.307.159,91 C.S.L.L. 488.310,20 2.7. que, contrariando a disposição contida no art. 196 do RIR/94, porém amparado por Liminar em Medida Cautelar Inominada Processo 93.00195190 junto à 18a Vara de Justiça Federal em São Paulo, o contribuinte procedeu, em junho e julho de 1994, e em dezembro de 1997 os ajustes fiscais, em razão da utilização do percentual de 70,28% como índice de correção monetária de suas demonstrações financeiras do mês de janeiro de 1989, excluindo, conseqüentemente, de seu lucro real e da base de cálculo da C.S.L.L. os valores abaixo relacionados que foram adicionados, de ofício, ao lucro líquido: Data I.R.P.J. C.S.L.L. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 801 4 30/06/1994 8.290.762.268,00 0,00 31/07/1994 3.435.742,00 0,00 31/08/1994 0,00 908.664,00 31/12/1997 0,00 1.757.168,07 2.8. que em razão da Liminar em Medida Cautelar Inominada (item 3), bem como dos depósitos judiciais relativamente ao I.R.P.J. e à C.S.L.L. (item 1.9) realizados em 08 de março de 2.000 junto ao Processo 93.00195190 da 18a Vara da Justiça Federal de São Paulo, procedeuse à lavratura do competente Auto de Infração para constituir o crédito tributário em litígio, cuja exigibilidade ficará suspensa nos termos do inciso II do artigo 151 do C.T.N. 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seus advogados e procuradores (Procuração à fl. 290), apresentou, em 15/06/2000, a impugnação de fls. 144 a 162, acompanhada dos documentos de fls. 163 a 378. 3.1. Em preliminar, alega que a impugnação apresentada deve ser conhecida porquanto versa sobre matéria divergente daquela levada à discussão na esfera judicial. Para tanto, faz ponderações sobre as disposições contidas no Decretolei nº 1.737/1979 e no artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980, bem como, transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes sobre o assunto. 3.2. Também, em preliminar, argúi a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento quanto aos fatos geradores ocorridos nos meses de junho e julho de 1994, defendendo que o imposto e a contribuição em apreço estão sujeitos ao regime de lançamento por homologação, devendo, portanto, regerse pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, que estabelece o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Reportase, para embasar seu entendimento, a julgados administrativos. Pondera que, ainda que se entendesse que o fato gerador do tributo em questão é o denominado “complexivo”, no caso em tela o mesmo se consubstanciaria até 31.12.1994, razão pela qual o lançamento deveria ser efetivado até 31.12.1999, eis que, após esta data, haveria a homologação tácita. 3.3. Questiona também o lançamento da multa de ofício e dos juros de mora, argumentando: 3.3.1. a inaplicabilidade da multa de ofício, por força do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430, de 30/12/1996, citando excerto de ementa de julgado administrativo, nesse sentido; 3.3.2. que a inaplicabilidade da multa de ofício, ‘in casu’, decorre unicamente da inexistência de infração à legislação tributária, vez que o recolhimento não foi efetuado por força da medida liminar concedida nos autos da Medida Cautelar nº 93.00195190, a qual suspendeu a exigibilidade do crédito até a prolação de decisão final nos autos da Ação Declaratória nº 93.00240722, em atenção ao disposto no artigo 151, II, do CTN; 3.3.3. que, com o advento da decisão que deu provimento ao Recurso Especial da União Federal, interposto face ao acórdão que havia negado provimento ao seu Recurso de Apelação e dado parcial provimento ao recurso da Impugnante, esta efetuou o depósito integral das quantias em discussão, conforme exposto no tópico anterior, DENTRO DO PRAZO DE 30 DIAS ESTABELECIDO PELO ARTIGO 63, § 2º, DA LEI Nº 9.430/96. 3.3.4 que o crédito apenas será exigível após decorrido o prazo para seu recolhimento, sem que este seja efetuado. Entretanto, na hipótese como a Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 802 5 presente, em que o crédito tributário tem sua exigibilidade suspensa, o crédito só se torna exigível a partir da prolação de decisão final na esfera judicial, não havendo que se falar em atraso no pagamento e, conseqüentemente, na possibilidade de imposição de multa; 3.3.5. que a disposição contida no § 3º do artigo 953 do Decreto nº 3.000, de 17/06/1999 (RIR/99) é eivada de inconstitucionalidade, conflitando, ademais, com a Lei 9.430/96. Deveras, a Constituição consagra o princípio de amplo aceso ao Poder Judiciário, tal como se verifica no art. 5º, inciso XXXV 3.3.6. que equiparar o contribuinte inadimplente àquele que, lidimamente, exercita o direito ao livre acesso ao Judiciário, com a aplicação de juros de mora, é malferir a Constituição Federal; 3.3.7. que tal efeito (extinção da caracterização da mora até 30 dias após a decisão que cassar a liminar), a par do artigo 63 da Lei nº 9.43096 referirse explicitamente à multa, espraiase também sobre os juros de mora, pela óbvia razão que a incidência dos mesmos depende da verificação da mora; 3.3.5. que não podem surtir, para a Impugnante que até tem a exigibilidade de seu crédito suspensa, os efeitos da mora dada a não verificação de todos os requisitos fundamentais ao seu nascimento (vencimento da dívida, culpa do devedor e a viabilidade do cumprimento tardio), citando, para embasar seu argumento, lições de diversos doutrinadores. 4. Em 24/07/2000, considerando que em data anterior à da autuação (08/03/2000), a interessada efetuou depósitos judiciais nos valores de R$ 488.310,20 , para a CSLL (fl. 123) e de R$ 6.307.159,91, para o IRPJ (fl. 122) e tendo em vista as disposições contidas nos artigos 151, II, do Código Tributário Nacional e 63 da Lei nº 9.430/1996, o processo foi encaminhado à DEINF/SPO para verificarse se os depósitos efetuados foram suficientes para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (doc. de fls. 381 a 383). 5. Por meio da Informação Fiscal de fls. 401, datada de 03/03/2004 foi respondida a diligência solicitada, nos seguintes termos: Efetuamos planilha no sistema “SICALC”, fls. 386 a 389 (“Planilha 1”), na qual constatamos que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte em epígrafe não são suficientes para suspender a exigibilidade de todos os créditos tributários constituídos neste auto de infração. Nesta planilha foram considerados a multa e os juros de mora devidos entre a data de vencimento até a data dos recolhimentos citados. Efetuamos ainda outra planilha no mesmo sistema, fls. 390 a 393 (“Planilha 2”), na qual constatamos que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte em epígrafe também não são suficientes para suspender a exigibilidade de todos os créditos tributários constituídos considerandose o § 2º, do art. nº 63 da Lei nº 9.430 de 1996. Informamos, por último, que os recolhimentos apresentados pelo contribuinte, efetuados de acordo com o art. nº 17 da Lei nº 9.779 de 1999, já foram considerados no momento da lavratura do auto de infração em comento. (...) Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 803 6 A 8ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 05.690, de 05/08/2004 (fls. 409/425), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/1994, 31/07/1994 Ementa: PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. A propositura de ações judiciais resulta em renúncia à discussão na via administrativa das matérias levadas à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação, quando são distintos os objetos do processo judicial e do processo administrativo. IRPJ. DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ decai após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. LIMINAR EM MEDIDA CAUTELAR. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Por aplicação retroativa da norma que deixa de definir como infração ou que comina penalidade menos severa, é de se exonerar a multa de ofício quando a exigibilidade do crédito tributário encontravase suspensa por liminar em medida cautelar. JUROS DE MORA O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/08/1994, 31/12/1997 Ementa: CSLL. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo à contribuição CSLL decai em dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ implica a manutenção das exigências fiscais dele decorrentes. Esclareço, por relevante, que a procedência parcial se deu em face do afastamento da multa de ofício. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 804 7 Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal e multas) em montante superior ao limite de alçada (R$ 500.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 375/2001. À fl. 787 encontro despacho da Unidade Preparadora, datado de 17/11/2008, com o seguinte teor: Tendo em vista o acórdão DRJ/SPOI n° 05.690, que julgou o lançamento procedente em parte e o recurso de oficio interposto, foi efetuado o desmembramento deste dando origem ao processo 16327.001685/200824, que terá prosseguimento na cobrança do crédito tributário mantido. Diante do exposto, proponho o encaminhamento do presente ao E. Primeiro Conselho de Contribuintes para julgamento do recurso de oficio. Como se vê, nos presentes autos somente remanesce pendente de julgamento o recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 425), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de ofício permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, cuidase de verificar a correção, ou não, do acórdão que afastou as multas de ofício aplicadas ao lançamento, nas condições descritas no relatório. Os fundamentos da decisão se encontram no voto vencedor do acórdão recorrido, cujos excertos transcrevo a seguir. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 805 8 1. Com a devida vênia dos dignos julgadores desta 8ª Turma de Julgamento, e ante os respeitáveis argumentos expostos no voto da relatora, venho singelamente expor os fundamentos pelos quais dela divergi, votando pela procedência parcial do lançamento, com a exoneração da multa de ofício aplicada. [...] 4. Divergência relevante surge, contudo, com relação ao cabimento da multa de ofício. A relatora considerou cabível a multa de ofício, pois os depósitos judiciais foram insuficientes (não podem ser considerados integrais) e porque a liminar em medida cautelar não afastava a aplicação de penalidade, consoante a legislação vigente à época da autuação. 4.1. De fato, previa o CTN (Lei nº 5.172/66) em seu art. 151: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I – moratória; II – o depósito do seu montante integral; III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV – a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Parágrafo único. (omissis) 4.2. A Lei nº 9.430/96, por sua vez, estatuiu (grifos incluídos): “Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” 4.3. É inegável, portanto, que se a exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do CTN, ou seja, mediante a concessão de medida liminar em mandado de segurança, a multa de ofício haveria de ser cancelada, em face da determinação legal contida no art. 63 da Lei nº 9.430/96. Ocorre que, não obstante, a liminar foi obtida em Medida Cautelar, fato que, no entendimento esposado pela relatora, impossibilitaria a aplicação de tal norma. 4.4. Observa a relatora, em seu voto, que houve alterações posteriores na legislação de regência. A Lei Complementar nº 104, de 10.01.2001, dispôs (grifei): Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 806 9 Art. 1º A Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, passa a vigorar com as seguintes alterações: ................................................. "Art. 151. ................................................ ............................................................." "V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;" (AC) "VI – o parcelamento." (AC) ................................................. 4.5. Em seguida, a Medida Provisória nº 2.15834, de 27.07.2001, determinou que (grifos incluídos): Art. 70. O caput do art. 63 da Lei nº 9.430, de1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Artigo 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício" (NR) 4.6. A partir de então, a lei expressamente determinou que a multa de ofício não será cabível quando a exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar concedida em qualquer espécie de ação judicial. 4.7. Cumpre anotar que o lançamento foi efetuado antes de tais alterações na legislação tributária, de sorte que o autuante, ao aplicar multa de ofício, não infringiu a determinação legal acima referida, por inexistente àquela época. 4.8. Sucede que o CTN, em seu art. 106, preceitua: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista em lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 807 10 4.9. É de se concluir, portanto, que após as alterações havidas no art. 151 do CTN e no art. 63 da Lei nº 9.430/96, a legislação tributária deixou de considerar como infração os casos em que a suspensão de exigibilidade ocorre mediante liminar concedida em medida cautelar, de maneira a impor o cancelamento da multa de ofício para atos ou fatos pretéritos não definitivamente julgados, nos termos da alínea a, inc. II, do art. 106 do CTN. Ou ainda, caso não se aceite que a lei deixou de definir o ato como infração, forçosamente teríamos que admitir que tais alterações determinaram uma efetiva redução da penalidade (de 75% para zero), ensejando a aplicação retroativa da nova lei por força da alínea c, do referido inciso II. 4.10. Destarte, pela aplicação retroativa da norma do art. 63, da Lei nº 9.430/96, consoante prescrito no art. 106, inc. II, alíneas a e c, do CTN, entendo que a multa de ofício deve ser cancelada. 5. Sendo assim, voto no sentido de considerar procedente em parte o lançamento, havendo que ser exonerada a multa de ofício aplicada, [...] Penso que a decisão recorrida se sustenta por seus próprios fundamentos. Com efeito, é incontroverso nos autos que antes de iniciada a fiscalização a interessada já se encontrava protegida por liminar em medida cautelar, diante do que procedeu conforme autorizada pela medida protetiva. O Fisco efetuou o lançamento para assim constituir o crédito tributário, o qual, no entanto, teve sua exigibilidade suspensa. Quanto à multa de ofício, a legislação então vigente somente autorizava seu afastamento se a suspensão fosse decorrente de medida liminar em mandado de segurança, o que não era o caso. A multa de 75%, portanto, acompanhou o principal lançado. Alteração legislativa superveniente trouxe para o amparo da exclusão de penalidade também as medidas liminares ou tutelas antecipadas em outras espécies de ação judicial, com o que o Colegiado a quo entendeu aplicável a retroatividade benigna em matéria de penalidades (CTN, art. 106), entendimento com o qual concordo. No âmbito administrativo, esse entendimento se encontra pacificado, a ponto de resultar na Súmula CARF nº 17, vinculante não apenas aos integrantes deste Conselho mas também a toda a administração tributária federal, a teor da Portaria MF n.º 383/2010, publicada no DOU de 14/07/2010. Eis o teor da referida súmula: Súmula CARF n° 17 (VINCULANTE): Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 808 11 Fl. 808DF CARF MF
score : 1.0
