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Numero do processo: 10830.906119/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/07/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/07/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 61 19 /2 01 2- 11 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10650.000808/2005-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
TRIBUTÁRIO. COFINS. EMPRESA ATACADISTA COMERCIANTE DE CIGARROS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. LEI INTERPRETATIVA.
0 art. 29 da lei 10.865/04 faz remissão aos artigos 3º da LC 70/91 e 5º da Lei nº 9.715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que especificasse corno passaria a ser recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Manteve a base de calculo e as alíquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista.(...)
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.570
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D 'Amorim.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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COF1NS. EMPRESA ATACADISTA COMERCIANTE DE CIGARROS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. LEI INTERPRETATIVA. 0 art. 29 da lei 10.865/04faz remissão aos artigos .rda LC 70/91 e 5 0 da Lei nO 9.715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que especificasse corno passaria a ser recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Manteve a base de calculo e as aliquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista.(...) RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Heleno Trajano D 'Amorim. LUCIANO LOPE E. MEIDA MO S - Relator. Processo n" 10650 000808/2005-17 S3-C2T1 AcOrd5o ri " 3201-00570 Fl 519 FORMALIZADO EM: 25/11/10 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Atmando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice- presidente), Mércia Helena Trajano D'Amotim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Matiz Gudino. 2 Processo n" 10650 000808/2005-17 S3-C2T1 Fl. 520 Ac6R1110 n°3201-00370 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra o interessado foi lavrado auto de infração relativo a falta de recolhimento de COFINS, no valor total de R$ 321.298,6597 (fls. 04 a 08); A empresa apresenta impugnação (fls, 198 e seguintes), na qual alega que a substituição tributária para cigarros, no tocante ao PIS/Pasep e a COF1NS, sempre abrangeu os atacadistas, visto que sua exclusão era regulamentada por meio de decreto, o que se configura como inconstitucionalidade. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/JFA de n° 24/09/2008, de 24/09/2008, fls. 221/223: Assunto- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofias Exercício: 2000, 2001, 200.2, 2003, 2004 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTA RIA A substituição tributária Cnl relação ao comerciante atacadista de cigarro só entrou em vigor em maio de .2004. Lançamento Procedente. As fls. 226/v é intimado o contribuinte,que apresenta recurso voluntário de fls. 230/239, sendo encaminhados os autos são encaminhados para julgamento. o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Trata-se de auto de infração visando a exigência de PIS e COF1NS em face da inexistência da figura da substituição tributária na época dos fatos geradores ocorridos. 3 Processo 0' 10650 00080812005-17 S3-C211 AcOrdtio n " 3201-00.570 Fl 521 A recorrente, a seu turno, alega que à época já vigia a substituição tributária para as empresas comerciantes atacadistas de cigarro, motivo pelo qual não pode ser exigida sua cobrança. A celeuma juridica reside na análise do art. art. 29 de Lei 10.865104, que preceitua o seguinte: Art. 29. As disposições do art 3 ° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5° da Lei n" 9.715, de 25 c/c novembro de 1998, e do art 53 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcança», também o comerciante atacadista, A decisão recorrida entende que a substituição somente surgiu após a edição da referida lei, enquanto o contribuinte entende que esta se deu corn caráter meramente informativo/interpretativo, motivo pelo qual sempre vigeu Entendo que a recorrente possui razão em seu pleito . Primeiramente, porque o art. 29 da Lei 10.865/04, não instituiu nova modalidade de substituição tributária, pois lhe faltam todos os requisitos para determinação de como ela seria realizada. Em segundo lugar, porque esta norma é meramente informativa/interpretava de urna situação, qual seja, ela esclarece — expressamente - que a substituição tributária prevista no art 3° da Lei Complementar n° 70 alcança também o comerciante atacadista. A expressão "alcançam também o comerciante atacadista" não está instituindo nova forma de substituição tributária, mas sim aclarando que a jci existente sempre incluiu a figw a do comerciante atacadista de cigarros. Assim, tratando-se de norma expressamente interpretativa, deve sim retroagir, forte no art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, exchiida a aplicação de penalidade ã infração dos dispositivos inteipretados.(,..) (grifo nosso) Vemos que é permitido ao legislador, uma vez instaurada a divergência sobre a aplicacao de determinada legislacao, editar urna lei nova com o objetivo de esclarecer o sentido e o alcance da lei anterior, aplicando-se o entendimento consagrado na lei nova para a solução dos casos ocorridos desde o inicio da vigência da lei interpretada. Para que seja considerada lei interpretativa, basta que não estabeleça regra jurídica nova, limitando a atribuir urn sentido mais claro a dispositivo de lei anterior, como é o presente caso. Esta situação, inclusive, já foi acolhida por nossa jurisprudência, corno vemos no julgamento abaixo: 4 Processo n" 10650.000808/2005-17 S3-C2T1 Acórd5o n 3201-00.570 Fl 5 77 TRIBUTÁRIO,. COF1 NS. EMPRESA ATACADISTA COMERCIANTE DE CIGARROS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA,. LEI INTERPRETATIVA. O art. 29 da lei 10.865/04faz remissão aos artigos .3° da LC 70/91 e da Lei n° 9.715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que especificasse como passaria a ser recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Não o fez! Manteve a base de cálculo e as aliquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista.( ,.) (TRF 4a R - 2a T - AC n° 2003.71..11.002833-2/RS Des. Fed. Leandro Paulsen - DJU 29/U/2006). No voto, o Ilustre Relator bem resume a questão : A questão do pagamento de COFINS relativamente à produção e venda de cigarros foi disciplinada pelo art. 3" da Lei Complementar n"70/71 da seguinte forma: "Ail, 3 0 A base de cálculo da contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será obtida multiplicando-se o prep de venda do produto no varejo por cento e dezoito por cento". o art. .5" da Lei n" 9.715/98 assim dispôs. . "Art. So A contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos conterciantes vai ejistas, será calculada sobre o prep fixado para venda do produto no varejo, multiplicado por um virgula trinta e oito." A Lei n" 11.196/2005 aumentou o percentual para apuração da base de cálculo e o percentual da aliquota para 119% e 1,98%, respectivamente Vê-se que o legislador cuidou, em disposição ánica, do recolhimento pelo fabricante enquanto cmitribuinte e enquanto substituto tributário, abarcando, inclusive, expressamente, a receita dos comerciantes vai ejistas Dai a tese da Autora no sentido de que a intenção do legislador foi alcançar toda a cadeia económica, não havendo razão para excluir-se de tal substituição o comerciante atacadista, ainda que não expressamente referido 5 Processo n" 10650 000808/2005-17 S3-C2 Ti Acórdão n " 3201-00.570 Fl 523 O Fisco entende que a determinação, tanto da LC n" 70/91 quanto da Lei n" 9 715198, deve ser interpretada literalmente, dizendo respeito à contribuição do fabricante de cigarros, para satisfazei- a parte por ele devida como contribuinte, e contribuição do varejista. Diante dessa orientação, o comerciante atacadista estaria obrigado ao pagamento da COFINS pela regra get-al, posta nos arts. 1" e 2" da LC n" 70/91 e dos arts. 2" e 3" da Lei n" 9.718/98, o que teria restado esclarecido pelo Decreto n" 4.524/2002, ao dispor, no art. 4", parágrafo único, que "A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que esta obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização deste produto" Tenho que assume absoluta relevância, no caso, termos em consideração o art. 29 da Lei 10.865/04, que assim dispõe: Art. 29. As disposições do art, .3" da Lei Complemental- n" 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5' da Lei n°9,715, de 25 de novembro de 1998, e do art. 53 da Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcançam também o comerciante atacadista, Note-se que o artigo de lei transcrito dispõe no sentido de que as disposições relativas a substituição tributária "alcançam também o comerciante varejista", contrariamente ao que dispunha o Dec. 4.524/02 que, procurando dar interpreta cão inequívoca aos dispositivos legais dizia que "lido alcança o comerciante atacadista de cigarros" Eletivamente, o art, 29 da Lei 10.865/04 faz remissão aos artigos 3" da LC 70/91 e 5" da Lei n°9,715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que e.specificasse como passaria a ser. recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Não o fez! Manteve a base de cálculo e as aliquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista Cuida-se, assim, de tzarina expressamente interpretativa, à qual se deve dar aplicaçãotetroativa, nos termos do art. 106, inciso do CTN, sendo certo que 'Expressamente interpretativa', todavia, não quer dizer que o novo diploma empregue essas palavras sacramentais, apresentando-se como tal na ementa ou no contexto. Basta que, reportando-se aos dispositivos interpretados, lhes defina o sentido e aclare as dúvidas " (Aliontar Baleeiro, Direito Tributário Brasileiro, 11 ed., Forense, 1999, p, 670, atualizado por Misabel Abreu Machado Derzi) Vejamos o art. 106, I, do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 6 Process° rt" 10650.000808/2005-17 S3-C2TI Acóraio ri "3201-00.570 Fl 524 I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, exchtida a aplicação de penalidade infração dos dispositivos interpretados; Assim, deve ser julgado procedelite o pedido, para reconhecer, na vigência dos arts. 3" da LC 70/91 e 5' da Lei 9.715/98, a inexigibilidade da COFINS das atacadistas no que diz respeito à venda de cigarros, por estarem abrangidos pela substituição tributária em tais dispositivos previstas, conforme interpretação constante do art. 39 da Lei 10.865/04, sendo ilegal o parágrafo único do art. 4" do Decreto 11 04. 524/2002 Por fim, devemos lembrar que a própria PGFN possui este entendimento, de que lei interpretativa deve sim ser retroativa, corno bem podemos observar em recente caso quando da edição da LC n.° 118/05, que assim dispunha: Art. 3" Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 2.5 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a langamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ,sç lo do art. 150 da referida Lei. Para a PGFN, esta lei deveria ser aplicada de imediato, por ser de caráter interpretativo, afastando-se assim o entendimento do então vigente que determinava o prazo prescricional de repetição de indébito decenal. Assim, adotando o mesmo posicionamento que a PGFN, deve ser dado provimento ao recurso do contribuinte, já que a lei em debate, sendo interpretativa, retroage. Ante o exposto, voto po dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. LUCIANO LOPES MEIDA MORAES 7
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Numero do processo: 19647.010267/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2202-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JÚNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 02 67 /2 00 6- 31 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JÚNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente – Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 265 3 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 04/10, inclusive demonstrativos), mediante o qual foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (suplementar) no valor de R$ 187.600,79, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2006, relativamente aos exercícios de 2001 e 2002, anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente. Cabe registrar que os DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO (fl5.08/09) e o DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA (fls.10), o TERMO DE ENCERRAMENTO (fls.11), o RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL (fls.12/16), bem como todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos mencionados no Auto de Infração dele fazem parte integrante como se nele transcritos estivessem. O crédito tributário alcançou o montante de R$ 495.513,75. De acordo com a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls.05/07), que compõe o Auto de Infração, foram detectadas as infrações adiante especificadas. Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada e/ou FAPI, em 31/07/2000 e 31/01/2001, conforme Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf (fls. 28/30). Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anoscalendário de 2000 e 2001. Segundo a AuditoraFiscal autuante, esta infração caracterizouse "(...) por valores creditados em contas de depósito ou , de investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos 'quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme, anexo às fls. 12/16." No RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL, a AuditoraFiscal autuante relata os fatos seguintes. Após análise dos extratos bancários e levantamento dos depósitos, enviou ao contribuinte sob fiscalização, em 30/03/2006, o Termo de Intimação (fis.395/396), em que solicitou documentação hábil e idônea relativa à origem dos recursos depositados nas contas bancárias relacionadas, explicando que no demonstrativo elaborado já haviam sido excluídos os lançamentos relativos a cheques devolvidos, juros, correção monetária, estorno de CPMF e retiradas da conta "Poupmax". Esclareceu, ainda, ao contribuinte, naquele documento, que os valores que não fossem comprovados caracterizariam omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício para exigência dos tributos. Em resposta, o contribuinte encaminhou, em abril de 2006, demonstrativo das parcelas recebidas em decorrência de operação de venda de ações da pessoa jurídica COLETIVOS SANTINENSE, com as quais tentou justificar parte dos créditos nas contas do Banco Mercantil de São_Paulo e do Banco Santander. Entretanto tal alienação efetuada ao pai do contribuinte foi parcelada e em valor hem inferior (R$ 185.000,00) ao informado na DIRPF 2001 (R$ 500.937,48). Ademais, não há coincidência de valores, pois o contribuinte soma vários depósitos e acrescenta que o complemento foi recebido em dinheiro. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em 02/05/2006, 11/06/2006 e 01/11/2006, foram enviadas novas intimações ao contribuinte, em que se solicita a apresentação de documentos hábeis e idôneos com vistas à comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias e, até então, não justificados, consoante demonstrativos anexados. Em face de não terem sido atendidas, a autuante elaborou o QUADRO RESUMO COM A TOTALIZAÇÃO MENSAL DOS DEPÓSITOS (fls.17/19) e encerrou a ação fiscal. Nas D1RPF relativas aos anoscalendário 2000 e 2001, os rendimentos tributáveis declarados foram R$ 10.800,00, tendo o contribuinte, ainda, deixado de incluir em ambos os anos calendário os resgates do Fundo de Aposentadoria Individual FAPI do Banco Bradesco, sobre os quais houve retenção na fonte do imposto de renda. O contribuinte não efetuou, ele próprio, pagamentos de impostos. Em conclusão, detectouse omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada nos totais de R$ 452.859,33 e R$ 241.244,94, nos anoscalendário 2000 e 2001, respectivamente. E, também, omissão de rendimentos relativos a resgates do FAPI nas importâncias de R$ 9.817,83 e R$ 920,96, com retenções na fonte de R$ 2.339,00 e R$ 3,14, respectivamente, nos mesmos anoscalendário. Regularmente cientificado do lançamento em 24/11/2006 (fls.545), o contribuinte autuado apresentou, em 26/12/2006, por intermédio de seu procurador (instrumento de mandato às fis.566), impugnação (fls.547/565), apenas acompanhada de cópias de seu documento de identificação e do Auto de Infração (fls.567/572), alegando, em síntese, o que adiante se relata. Argüi preliminar de decadência, relativamente aos períodos de apuração anteriores a dezembro de 2001, sob o fundamento de o pagamento do imposto de renda ser mensal e, também, com base no disposto no § 40 do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), uma vez que a lavratura do Auto de Infração ocorreu em 16/11/2006. Transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que entende seremlhe favoráveis. Alega a inconstitucionalidade do art. 6° da Lei complementar n° 105 e do Decreto n° 3.724, ambos de 10 de janeiro de 2001, que cuidam da quebra do sigilo bancário pela autoridade fiscal, bem como do inciso II do § 1° e do § 2° do art. 198 do CTN, acrescentados pela Lei Complementar n° 104, também de 10 'de janeiro de 2001. Reproduz doutrina e acórdão do Supremo Tribrmal Federal STF.: Recláma não haver, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, inençãô ao relatório circunstanciado, imprescindível à expedição da Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, por expor a motivação dessa requisição. Assim,. teúdo a autuante ignorado a necessidade desse relatório, não agiu nos estritos termos do Decretô 'n° 3.724, de 2001, eivando de manifesta ilegalidade o procedimento administrativo e, em conseqüência, o lançamento. Alega ter demonstrado a origem dos depósitos mediante a venda das ações da pessoa jurídica COLETIVOS SANTINENSE e reclama não ter a fiscalização levado em conta as transferências realizadas automaticamente, quando necessário, pelos bancos, de contas de poupança para contas correntes. E acrescenta : "Demonstrase assim, extremamente necessária a realização de perícia contábil para que se apure os reais valores que transitaram na conta corrente do Defendente, onde restará claro que não houve qualquer omissão de receita, o que desde já se requer." Argúi o caráter confiscatório da multa de oficio exigida, o que é expressamente repudiado pela Constituição Federal, no art. 5°, inciso XXII, c/c o inciso IV do art. 150. Discorre longamente acerca de princípios e normas jurídicas, considerando violado o princípio da capacidade contributiva pela multa de ofício. E transcreve doutrina e acórdão do STF em feito em que se discutia a instituição de uma multa de 300%, que entende serem favoráveis à sua tese. Levanta, ainda, a impossibilidade e a inconstitucionalidade da cobrança de juros de mora calculados pela SELIC. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 266 5 Ao final, pelas razões que expôs, requer seja decretada a improcedência e a nulidade doclançamento, "(...) levado a efeito de modo manifestamente ilegal, embasado exclusivamente em informações relativas a depósitos bancários obtidos através da quebra de sigilo constitucionalmente assegurado, com apoio na aplicação retroativa da LC 105/2001 e com base nas informações da CPMF, atinente a período em que a utilização dessas informações era vedada expressamente pela lei." Requer, ainda, que, caso seja mantido o lançamento, sejam aplicados juros no percentual de 1% ao mês, consoante previsto no CTN. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Recife, DRJ/REC ao analisar a impugnação, decidiu por unanimidade de votos e manter o lançamento através do acórdão DRJ/REC 1125.055 de 12 de janeiro de 2009, consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. ' Tendoa ciência do Auto de Infração para exigência do IRPF ocorrido em 24/11/2006, acolhese a argüição de decadência no que concerne ao imposto de renda do anocalendário 2000, rejeitandoa relativamente ao anocalendário 2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei TIL' 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com_base_em_ depósitos _bancários _de_ origem,.não comprovada pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO BASEADO EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INFORMAÇÕES OBTIDAS CONFORME O DECRETO N° 3..7242, DE 20011. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 O fato de não se encontrar entre as peças processuais o relatório circunstanciado que deu base à expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) não implica em cerceamento ao direito de defesa do impugnante nem determina a ilegalidade da prova. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Como nos casos de presunção legal o ônus da prova é do contribuinte, cabelhe comprovar a origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. •MULTA DE OFICIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do nãoconfisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora que deverão ser exigidosjuntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 267 7 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia que não contiver os requisitos estabelecidos pelo inciso IV do art.16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e quando dos autos do processo constarem os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador. Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresente tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de adentrarmos ao mérito devemos analisar as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Gostaria de destacar que o recorrente não recorreu da parte do lançamento referente a atividade rural. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 268 9 relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 269 11 d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade parcial suscitada pelo Recorrente. Decadência parcial anocalendário 2000 Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 270 13 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 271 15 Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente ao ano calendário 2000, em que foi apurada omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, infrações sujeitas ao imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Para o anocalendário 2000, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.2000, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2005 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 11/2006, e há comprovação de pagamento havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Diante do exposto, voto por acolher a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente no que se refere ao anocalendário de 2000. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 272 17 Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC No que diz respeito ao argumento da indevida aplicação da SELIC como juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 prevê a sua aplicação sobre os tributos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Desta forma, como a cobrança em auto de infração dos juros de mora (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade Além do mais tendo em vista a Súmula n° 04 do CARF, a aplicação da SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil: Súmula 4º A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Desta forma, não procede o argumento apresentado pelo contribuinte no que diz respeito a essa matéria. Diante do exposto acolho a preliminar de decadência relativa ao ano calendário de 2000 e no mérito nego provimento ao recurso apresentado pelo Recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 273 19 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 696DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 274 21 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 697DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10882.720953/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/09/2003
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito-passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3201-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeitopassivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 09 53 /2 00 9- 18 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 320 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 0211 e 1222, nos quais são cobradas, respectivamente, a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativamente ao período acima indicado, para exigência dos créditos tributários a seguir detalhados (valores em reais): COFINS PIS Contribuição 396.640,78 86.112,79 Juros de Mora 246.216,72 53.454,93 Multa 0,00 0,00 Total 642.857,50 139.567,72 2. A autoridade fiscal expõe na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante dos mencionados autos de infrações, os elementos do procedimento fiscal que justificaram os lançamentos acima: "001 PIS (FATURAMENTO) INCIDÉNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS 001 COFINS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA FALTA/INSUFICIÉNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS" 3. Ainda das mencionada descrições, a autoridade fiscal consignou o detalhamento da ação fiscal levada a efeito, a seguir sintetizada: 3.1. que fora emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para a fiscalizada, com o objetivo de verificar a correspondência entre valores das contribuições do PIS e da Cofins declarados e os valores apurados na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, sendo expedidas as intimações de praxe para solicitação de livros e informações; 3.2.no. curso da ação fiscal, a empresa foi cientificada, em 24/09/2008, da constatação de apresentação de declaração de compensações entregues após o início da fiscalização; 3.3. em atendimento à intimação expedida em 08/01/2009, a empresa apresentou certidão acerca do processo judicial 2008.61.00.0142566, que tramita na 19 8 Vara da Justiça Federal em São Paulo (SP); 3.4. a autoridade fiscal consignou que em 23/11/2004 a empresa impetrou mandado de segurança (2004.84.00.0099784) com pedido de liminar, na 3ª Vara da Seção Judiciária da Justiça Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 321 3 Federal do Rio Grande do Norte, sob número 2004.84.00.0099784, com o objetivo de não ser compelido ao recolhimento do PIS e da Cofins sobre a receita composta pelos salários e encargos sociais pagos pelas empresas tomadoras do serviço aos empregados; 3.5. a segurança requerida foi denegada em 30/06/2005, tendo sido interposta apelação (AMS 92496RN) a qual teve provimento favorável pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região; 3.6. contra o mencionado acórdão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que não foram providos, e na seqüência foi interposto recurso especial (RESP 996524) e extraordinário e que, até o encerramento da ação fiscal, o processo judicial se encontrava concluso ao: ministro relator no Superior Tribunal de Justiça. 3.7. a autoridade fiscal apontou que a contribuinte não depositou, nem declarou nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) os valores do PIS e da Cofins incidentes sobre parcela da receita discutida judicialmente; 3.8. justificou ainda o auditorfiscal que, embora haja sentença favorável em sede de apelação do mandado de segurança, no sentido de que "os valores que as empresas tomadoras de serviço repassam às empresas de trabalho temporário para pagamento dos salários dos trabalhadores e dos respectivos encargos sociais não constituem receita destas empresas, não integrando a base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS e que pende de decisão o recurso especial interposto, foram os lançamentos efetuados, com exigibilidade suspensa e sem multa de oficio, em observância do disposto no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. 4. Cientificada das exigências em 25/11/2009 (fls. 03 e 13), a empresa autuada apresentou sua impugnação (fls. 235252) em 23/12/2009, por meio de seus procuradores (instrumento às fls. 253259) com os seguintes argumentos, em síntese: 4.1. informa que foi autuada pela Receita Federal tendo em vista o implemento de decisão judicial proferida pelo TRF5 nos autos do processo 2004.84.00.0099784, cujo provimento se deu para o fim de afastar o recolhimento do PIS e da Cofins sobre as despesas reembolsadas por terceiros e para garantir o direito à compensação das parcelas pagas indevidamente a título de PIS e Cofins com quaisquer tributos arrecadados pela Receita Federal; 4.2. afirma que o lançamento efetuado destinase a prevenir a decadência do crédito tributário, cuja exigibilidade está suspensa, mas que a autoridade fiscal laborou em grave erro, ao retirar da impugnante o direito à apuração da real quantia a ser recolhida a título de tributo e, o que é mais grave, olvidou por completo o teor da decisão por ela enfrentada; Fl. 321DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 322 4 4.3. discorre sobre a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, para apontar que exerce atividade de prestação de serviço de agenciamento e recrutamento de mão de obra de caráter temporário, não se caracterizando como prestadora de serviço de natureza comum, eis que regulada pela Lei n° 6.019, de 1974; 4.4. examina e tece comentários sobre as relações jurídicas entre empresa de trabalho temporário, trabalhador temporário e empresa tomadora de serviço, para concluir que a comissão recebida pela empresa agenciadora de mão de obra da empresa tomadora de serviço caracterizase como entrada e não receita bruta, uma vez que tais conceitos jurídicos são diversos, explicando ainda que entrada constitui gênero e receita bruta é espécie, o que conduz ao entendimento de que as entradas seriam valores que, embora transitando pela contabilidade da empresa, não integra seu patrimônio, ao passo que a receita corresponde ao beneficio efetivamente resultante do exercício da atividade profissional; 4.5. alega que os salários pagos à mãodeobra recrutada e os respectivos encargos sociais traduzem tão somente ressarcimentos feitos ao prestador de serviços de despesas havidas ao exclusivo interesse dos tomadores, não integram as bases de cálculos porque não se constituem receitas; 4.6. cita doutrina de Geraldo Ataliba e decisões judiciais e administrativas para amparar suas assertivas; 4.7. referindose à compensação, apesar de a exigibilidade do crédito lançado estar sob condição suspensiva do trânsito em julgado de decisão judicial, afirma que não permanecendo a decisão tornase indevida qualquer outra exação que incida sobre a parcela vertida em beneficio da impugnante decorrente_ da decisão ora questionada, ou seja, caso a decisão não permaneça assevera que é indevido o pagamento de qualquer outro tributo que incida sobre a parcela litigiosa; 4.8. afirma que a autoridade fiscal deixa certo, fora de qualquer dúvida, que o montante questionado jamais poderia ser objeto de qualquer outra exação, simplesmente orque não denota capacidade contributiva da impugnante; 4.9. ressalta que a autoridade fiscal poderia ter efetuado, desde então, o encontro de contas entre a parcela litigiosa dada à tributação (valor cobrado) e o valor pago pela impugnante a título de imposto de renda sobre a parcela litigiosa, em obediência aos princípios constitucionais da moralidade e da legalidade que obrigam a Administração a restituir, de ofício, tudo o que tenha recebido a título de tributo e que não lhe era devido; 4.10. ao final requer: (i) o julgamento pelas nulidades dos autos de infração; (ii) seja declarada a compensação do indébito acima demonstrado, de forma que apenas a diferença resultante do encontro de créditos seja efetivamente devida pela Fl. 322DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 323 5 impugnante; e (iii) provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a juntada de eventuais novos documentos que se fizerem necessários. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que decidiu, por unanimidade de votos, pelo não conhecimento da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 31112/2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Relativamente ao encontro de contas pleiteado pela impugnante, a autoridade julgadora esclareceu que não há como acolhêlo, por se tratar de matéria estranha a tratada neste processo. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, argüiu cerceamento ao seu direito de defesa, afirmando que a decisão recorrida deveria ingressar no mérito, mesmo este estando em discussão junto ao Poder Judiciário. Requer a nulidade da decisão recorrida. Por fim, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 324 6 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta a nulidade da decisão recorrida, decorrente de cerceamento ao seu direito de defesa. A decisão recorrida não conheceu da peça impugnatória por esta abranger matéria submetida a apreciação do Poder Judiciário, bem como por conter pleito não passível de apreciação pelo órgão julgador. Em análise aos autos, mostrase correta a decisão recorrida. É incontroverso que a impugnação apresenta questões que já se encontram em discussão na Justiça Federal, que apresentam o mesmo objeto da lide submetida ao Poder Judiciário. A identidade entre as demandas administrativa e judicial pode ensejar no proferimento de decisões divergentes sobre o mesmo objeto. O nosso sistema constitucional, contudo, adota um modelo de jurisdição no qual as decisões judiciais são soberanas, de forma que a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário não pode ser modificada por decisão em processo administrativo. Visando a evitar que uma decisão administrativa se sobreponha a uma decisão judicial, a Lei nº 6.830/80, em seu artigo 38, parágrafo único, determinou que “A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”. Desta forma, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária, o mesmo renuncia ao poder de recorrer na instância administrativa. Observase, todavia, que o impedimento de recorrer na via administrativa restringese à matéria em discussão na ação judicial, mantendo o contribuinte o direito de recorrer em relação à matéria diferenciada. Tal entendimento já se encontra sumulado neste Conselho: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A recorrente, contudo, em sua peça impugnatória, deixou de apresentar novos argumentos, requerendo apenas a compensação de um eventual débito com créditos referentes a outros tributos, que seriam decorrentes de uma decisão judicial definitiva contrária a seus interesses. Em relação a este pleito, contudo, conforme devidamente explicitado na decisão recorrida, o mesmo não é passível de julgamento administrativo neste processo, tendo Fl. 324DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 325 7 em vista não compor a lide. A recorrente, caso tenha interesse neste procedimento, deve obedecer ao rito processual previsto para a compensação de tributos. Posta assim a questão, entendo que a decisão recorrida foi correta ao não conhecer da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. No tocante as demais alegações postas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, pelas mesmas razões já expostas, tendo em vista tratarem de matéria já submetida ao Poder Judiciário, este Colegiado não pode apreciálos, na linha da Súmula Carf nº 01. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 10580.009355/99-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/04/1999 a 30/04/1999
COMPENSAÇÃO. Indeferimento do pedido de diligência. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito liquido e certo, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301002.516 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria Crédito Prêmio de IPI Recorrente Engepack Embalagens Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/04/1999 a 30/04/1999 COMPENSAÇÃO. Indeferimento do pedido de diligência. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito liquido e certo, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 93 55 /9 9- 84 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 407 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador BA: Para fundamentar o pleito, o contribuinte apresentou cópia do Livro de Apuração do IPI (fls.03/05), relativo ao 2° decêndio do mês de abril de 1999, e do Livro Registro de Entradas (fl.02), mês de março de 1999. Mediante Parecer n° 101/2000 de fls.17/18, o Chefe da Tributação da Delegacia da Receita Federal em Salvador indeferiu em parte o pedido de ressarcimento com base no relatório da fiscalização que, após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, constatou a inexistência de saldo credor no valor solicitado, propondo o indeferimento da compensação no valor de R$13.410,03, concedendo entretanto o direito ao contribuinte de estornar o valor do crédito lançado no LRAIPI (fl.04) no montante de R$468,49. Inconformado, as fls.19/31, o contribuinte contesta o Parecer n° 101/2000, alegando sua improcedência, em razão dos erros neste cometidos, ignorando a transferência de legítimos créditos. Argumenta que o requerimento fundamentavase no artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, sendolhe permitida a compensação de seus débitos a titulo da contribuição para o PIS com créditos relativos a créditoprêmio de IPI transferidos por empresa interdependente, a Pronor Petroquímica S/A. Informa que as referidas compensações foram inclusive devidamente informadas através de DCTF. Requer, preliminarmente a realização de diligencia para que seja comprovado o seu direito. Alega que a Pronor Petroquímica S/A, amparada pela legislação vigente no período compreendido entre outubro de 1988 e outubro de 1990, fez jus a beneficio fiscal denominado de creditopremio de IPI, ao proceder A exportação de produtos manufaturados nacionais, permitindolhe, em conseqüência, a manutenção e transferência dos créditos que escriturou no Livro de Apuração do IPI. Esclarece que o crédito fiscal em questão é um beneficio fiscal instituído pelo Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, regulamentado pelo art.3°, inciso II do Decreto n° 64.833, de 17 de julho de 1969, alterado pelo Decreto n° 67.031, de 10 de agosto de 1970, e Decreto n° 64.044, de 12 de janeiro de 1971, finalmente modificado pelo Decretolei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, amparado por medida judicial, com decisão favorável, pelo Mandado de Segurança registrado sob o n° 96.63328, em trâmite na 4a turma do TRF da 1ª Região. Discute o fato de ser a transferência do creditopremio de IPI para empresa interdependente um procedimento previsto no Decretolei n° 491, de 1969, no Decreto n° 64.833, de 1969, § 2°, inciso II, na Portaria GB Nº 14, de 14 de janeiro de 1970, e Pareceres Normativos CST nos 63/1970, 88/1970, 397/1970, 474/1970 e 75/1975, e que não cabe a afirmação de que o contribuinte não possui saldo credor, contida no citado Parecer SESIT. Por fim, analisa que tem direito a compensação prevista em lei, cuja abrangência é determinada pelo art. 2° da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, pela edição da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66, com alterações Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 408 3 introduzidas pela Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e pela Lei n° 9.250, de 26 de dezembro. de 1995. Prossegue afirmando que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seus artigos 73 e 74, regulamentados pelo Decreto n° 2.138, de 29 de janeiro de 1997, expressamente admite a compensação de créditos tributários com débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições, mesmo que não sejam da mesma espécie e nem tenham a mesma destinação constitucional, sendo este o entendimento reiterado pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997. Para reforçar seus argumentos, a interessada menciona e transcreve trechos de decisões sobre o assunto, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Conselho de Contribuintes, para concluir que à época das exportações efetivadas pela Pronor Proquimica S/A a legislação citada estava em vigor, haja vista a inconstitucionalidade dos artigos 1° e 5° do Decreto n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, e inciso I do art. 3° do Decretolei n° 1.894, de 1981. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 21/04/1999 a 30/04/1999 Ementa: COMPENSAÇÃO. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito liquido e certo, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para discutir ou declarar a inconstitucionalidade de lei. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA O contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando que legislação mencionada, relativa ao créditopremio de IPI encontravase ainda em vigor durante o período das exportações praticadas (out/88 a out/90) pelas empresas interdependentes Pronor Petroquímica S/A. e Nitrocarbono S/A., haja vista a inconstitucionalidade dos art. 1° e 5° do DecretoLei 1.724/79, bem assim a do inciso I do art. 3° do DecretoLei 1.894/81, que autorizaram o Ministro da Fazenda a suspender, aumentar, reduzir ou extinguir o crédito prêmio IPI, por invadir esfera reservada exclusivamente a lei. Requer, inicialmente, que seja determinada a realização da diligência fiscal solicitada, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Após a diligência, a Recorrente requer a reforma da decisão que indeferiu o Pedido de Compensação, homologando a compensação de créditos seus, transferidos através de Notas Fiscais e registro no Livro de Apuração do IPI, das empresas PRONOR PETROQUIMICA S/A Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 409 4 e NITROCARBONO S/A, provenientes do créditoprêmio IPI, com débitos seus a titulo da contribuição para o PIS e COFINS. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 410 5 Voto Preliminarmente o contribuinte requer a realização de diligência para que sejam verificados os procedimentos contábeis que podem ser comprovados através do Livro de Registro de Apuração do IPI, bem como das notas fiscais relativas à transferência do crédito prêmio e sua compensação. Verificase que a empresa não teve o seu direito de defesa cerceado, pois o processo seguiu os tramites legais quanto aos pedidos de ressarcimento e compensação. A fiscalização, na ação fiscal levada a efeito na sede da empresa, após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, verificou que a empresa não tinha créditos suficientes para realizar a compensação solicitada. Por outro lado, a manifestação de inconformidade do interessado demonstra o amplo conhecimento dos fatos apresentados, não sendo necessária a diligencia ao seu estabelecimento para verificar a origem dos créditos, tendo em vista que a informação foi prestada pelo próprio contribuinte. Desse modo, considerase protelatório e desnecessário o pedido de diligência solicitado, ao tempo em que afasto a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Em seguimento, verificase que o contribuinte não informou a origem do crédito solicitado no seu pedido e nem tampouco anexou aos autos os documentos comprobatórios do seu direito. Algumas questões foram apresentadas somente na manifestação de inconformidade do despacho decisório. Deste modo, não cabe ao interessado, nesta fase processual, alegar a improcedência do despacho decisório, em razão de supostos erros cometidos, pois o desconhecimento quanto à origem dos créditos foi decorrente da insuficiência de informações contidas no pedido e da falta de esclarecimento pelo próprio contribuinte durante a ação fiscal. Em casos de crédito por transferência, cabe ao estabelecimento que recebe o crédito escriturálo no livro de Registro de Apuração do IPI, a titulo de "Outros Créditos", fazendo constar a origem da transferência, a indicação do n° do CNPJ da empresa e o número da nota fiscal que o documenta. O contribuinte esclarece, na fase impugnat6ria, que o crédito solicitado tem fulcro no art. 10 do Decretolei n° 491, de 1969, e também no art. 1°, incisos I e II, do Decreto lei n° 1.894, de 1981, isto é, o créditopremio de IPI. Verificase que o recorrente alega, embora não tenha apresentado nenhuma comprovação, que fazia jus ao crédito solicitado, decorrente da transferência do crédito prêmio, cuja empresa titular do programa BEFIEX é a Pronor Petroquímica S/A. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 411 6 A interessada não logrou provar seu direito ao incentivo financeiro objeto do pleito, nem tampouco sua legitimidade, uma vez que está apoiada em argumentações e premissas incorretas, sem comprovação documental. Também, restou demonstrada a extinção de tais incentivos em época anterior ao período compreendido pelas alegadas exportações, consoante atos legais e normativos mencionados. Não bastassem todas estas argumentações, configurase ainda mais descabida a pretensão da interessada, pois quer efetuar a compensação de débitos da Fazenda Nacional com créditos que são ilíquidos e incertos, posto que os mencionados créditos tam sua apuração subordinada à futura obtenção do êxito em ação judicial proposta contra a Fazenda Nacional, por empresa estranha ao processo. Deste modo, verificase que o impugnante solicita a compensação sem a certeza e liquidez do crédito que alega possuir, não havendo nos autos prova de que houve sentença transitada em julgado que autorizasse à Pronor Petroquimica S/A a transferir supostos créditos, para que se desse a hipotética extinção do crédito tributário que pleiteou. Sendo assim, tendo em vista que o interessado não trouxe aos autos provas reconhecendolhe o direito creditório, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 411DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10215.720639/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO SE APLICA. MATÉRIA SUMULADA.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. RESPONSABILIDADE . ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA.
O proprietário responde pela incidência do imposto sobre o imóvel declarado enquanto não transferida a propriedade.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ADA GLOSA.
A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA).
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. POSTERIOR AO FATO GERADOR. GLOSA.
Cabe a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada/reserva legal somente quando averbadas à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO SE APLICA. MATÉRIA SUMULADA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. RESPONSABILIDADE . ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA. O proprietário responde pela incidência do imposto sobre o imóvel declarado enquanto não transferida a propriedade. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ADA GLOSA. A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. POSTERIOR AO FATO GERADOR. GLOSA. Cabe a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada/reserva legal somente quando averbadas à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 06 39 /2 00 9- 90 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi expedida a Notificação de Lançamento por falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2004 (fl. 5), relativo ao imóvel rural Terra Preta e Serrinha, NIRF 4.411.5539, localizado no município de Prainha (PA). A autuação se refere à glosa das áreas de preservação permanente (2.556,0 ha) e de reserva legal (20.448,0 ha), além do arbitramento do Valor da Terra Nua, que passou de R$ 90.000,00 (R$ 3,52/ha) para R$ 472.348,80 (R$ 18,48/ha), apurandose o imposto de R$ 92.669,76, com multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem juros de mora. A contribuinte apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim relatados no acórdão recorrido (fls. 77 a 84): de início, discorre sobre o procedimento fiscal, do qual discorda, pela glosa das áreas ambientais declaradas, destinadas à preservação do meio ambiente; a isenção do ITR, para essas áreas de preservação permanente e de reserva legal, independe de prévia comprovação, sendo o ADA desnecessário; ainda assim, 80% da área do imóvel está devidamente averbada como reserva legal, em obediência à legislação ambiental; o valor arbitrado não condiz com a realidade do imóvel, conforme laudo técnico, elaborado por profissional habilitado e trazido aos autos, comprovando também as áreas de reserva legal e preservação permanente; transcreve parcialmente a legislação de regência, acórdãos do STJ e do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, para referendar seus argumentos. Ao final, demonstradas a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, requer seja considerada procedente na totalidade sua impugnação, com o cancelamento do débito fiscal reclamado. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), por unanimidade de votos, consideraram o lançamento procedente. Cientificada em 13 de fevereiro de 2013 (fl. 90), a contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 12 de março de 2013 (fls. 91 a 103), no qual alega: a) prescrição intercorrente; b) desnecessidade do ADA para fins de comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente c) bloqueio da matrícula da propriedade em 14 de junho de 2006 e cancelamento em 08 de setembro de 2010. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Prescrição intercorrente Quanto à prescrição intercorrente, basta dizer que essa polêmica foi encerrada neste Conselho com a edição da Súmula CARF nº 11, que assim dispõe: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Cancelamento da matrícula do imóvel A contribuinte argui que não pode ser atribuído o fato gerador do imposto, uma vez que a matrícula do imóvel fora bloqueada em 14 de junho de 2006 e cancelada em 08 de setembro de 2010. Nos autos foram juntadas as seguintes certidões, emitidas a pedido verbal da parte interessada: a) Do Cartório Único de Ofício de Prainha (PA), de 2 de outubro de 2009, do, certificando que o imóvel rural denominado de "Terra Preta e Serrinha", registrado sob o n° 19, às fls. 19 do Livro 02A, matrícula 069, fls. 66 do Livro ata n° 02, anteriormente utilizado como livro de registro de imóveis, transportado para o Livro n° 02A, teve o bloqueio da matrícula determinado pela Corregedoria de Justiça do Estado em 31 de janeiro de 2006, por força da Portaria nº 44/2006, desta Comarca, de 14 de julho de 2006 (fl. 37); e b) Do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Monte Alegre (PA), de 19 de junho de 2001, certificando que o Mandado Judicial de 23 de abril de 1981, assinado pelo Juiz Federal Dr. Anselmo de Figueiredo Santiago, retifica o Mandado de 5 de maio de 1972, cuja área desapropriada em favor do INCRA seria de 36.000 hectares e não de 87.120 hectares. Os documentos acostados não certificam se a propriedade foi integralmente desapropriada antes do fato gerador, ou se a área declarada é remanescente da desapropriação, já que os quantitativos são divergentes. Na DITR a área declarada da propriedade é de 25.560,0 hectares, enquanto na desapropriação ratificada em 1972 a área era de 36.000,0 hectares. De qualquer forma, apesar de contestar, a contribuinte não juntou aos autos novas provas que confirmasse a afirmação de que a área declarada não estava em seu poder em 2005, ano em que apresentou a declaração de ITR. E, neste caso, entendese que a propriedade, pelo menos em 2005, pertence à contribuinte e deve ser submetida à tributação. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 4 5 Mesmo que o bloqueio ocorrido em 31 de janeiro de 2006, por determinação da Corregedoria de Justiça do Estado do Pará, seja por motivos de desapropriação, e que posteriormente tenha havido de fato o cancelamento da matrícula do imóvel, de acordo com o § 1°, do art. 1º, da Lei n° 9.393/96, o ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Assim, como sequer há nos autos as razões do bloqueio feito em 2006, ocorrido posteriormente ao fato gerador, está correta a apuração do imposto sobre a propriedade em nome da proprietária, em relação ao exercício 2004. Áreas de preservação permanente e reserva legal O contribuinte contesta a exigência do ADA para as áreas de preservação permanente e reserva legal. Não questionou no recurso voluntário a avaliação do VTN. Quando se trata de isenção, é de responsabilidade do interessado a prova para sua concessão, conforme determina a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifos nossos) [...]. Nos tributos cujo lançamento se efetiva por homologação, que é o caso do Imposto Territorial Rural, a responsabilidade pela prestação das informações sobre a matéria de fato é do sujeito passivo. Para o ITR essa obrigatoriedade está disciplinada nos artigos 8º e 10 da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Nos termos do § 1º e 7º, artigo acima transcrito, com redação estabelecida pela Lei n.º 11.428, de 22 de dezembro de 2006, é possível a exclusão das áreas de preservação permanente e de interesse ecológico, conforme se observa a seguir: Art. 10. [...]. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifos nossos). Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Ao contrário, impõe ao beneficiário do ônus da prova. Especificamente em relação às áreas de preservação permanente, temse que a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 1981, é exigida a apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (grifos nossos). Assim, resta claro que a partir do exercício 2001 a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente. Compulsando os autos, observase que não foi juntado o ADA para as áreas glosadas, fato confirmado pelo contribuinte ao argumentar a desnecessidade do ato para a comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente, implicando descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Por esse motivo, o lançamento, nesse item, deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Em relação às áreas de reserva legal, temse a exigência da averbação à margem da matrícula do imóvel, que foi inserida no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 1965 – o Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 5 7 chamado Código Florestal –, pelo artigo 1º da Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, in verbis: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: [...] § 8º A área de reserva local deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A averbação da Reserva Legal no registro de imóveis, nos termos da Lei de Registros Públicos (Lei n.º 6.015/1973, art. 167, inciso II, n.º 22), deve ser prévia, como decidido pela Primeira Sessão do STJ no EREsp n.º 1.027.051 (rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013). Nos termos do voto do relator, “a inércia do proprietário em não registrar a reserva legal de sua propriedade rural constitui irregularidade e, como tal, não pode ensejar a aludida isenção fiscal, sob pena de premiar contribuinte infrator da legislação ambiental.” A recorrente anexou uma Certidão de Averbação do Cartório Franco de Registro de Imóveis, de Prainha (PA), informando que, a pedido verbal da interessada, foi feita em 7 de abril de 2004 na “Matricula nº 069/2000, às fls. 66, do livro n° 3A, [...] a averbação da reserva legal equivalente a 80% (oitenta por cento) da área do imóvel em cumprimento à legislação ambiental vigente”. Entretanto, como a certidão do Cartório registra a averbação em 7 de abril de 2004, data posterior ao fato gerador do imposto, ocorrido em 1º de janeiro de 2004, também deve ser mantida a exigência fiscal em relação à glosa das áreas de reserva legal. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10314.005400/00-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1990
PEDIDO RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA
O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao voluntário, reconhecendo-se a decadência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos em suas fundamentações os conselheiros Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator) e Maria de Fátima Oliveira Silva, que entenderam que no caso concreto, o marco inicial da decadência seria a data do pagamento dos tributos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adélcio Salvalágio.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício e Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator), Francisco José Barroso Rios e Luis Cláudio Farina (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
Nome do relator: Relatorf
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1990 PEDIDO RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao voluntário, reconhecendose a decadência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos em suas fundamentações os conselheiros Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator) e Maria de Fátima Oliveira Silva, que entenderam que no caso concreto, o marco inicial da decadência seria a data do pagamento dos tributos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adélcio Salvalágio. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício e Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator), Francisco José Barroso Rios e Luis Cláudio Farina (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 54 00 /0 0- 50 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tendo sido designado como redatora ad hoc nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e dada a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O Contribuinte supraqualificado foi cientificado em 01/12/2003, fls. 34, da Decisão da Seção de Orientação e Análise Tributária da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP (DECISÃO/SAORT106/2003/IRF/SPO), fls. 32, 33, através do qual o Inspetor da citada Unidade, após apreciar o Pedido de Restituição dos valores pagos do Imposto de Importação – II e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e multa, fls. 10/12 (pagamentos referentes a Pedido de Regularização de Veículo, situação em que tal Pedido de Regularização foi indeferido e o Veículo foi apreendido, fls. 24), concluiu pelo indeferimento do Pedido de Restituição. Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: O Interessado apresentou, às fIs. 10, Pedido de Restituição de valores recolhidos em 10/05/1990, a título de II e IPI e multa referentes ao Pedido de Regularização de veículo no processo 10880.027175/8800. Os tributos foram pagos indevidamente, visto que não foram utilizados na regularização do veículo, pois o Pedido não foi deferido na esfera administrativa nem na judicial, tendo sido o veículo apreendido. O Pedido inicial de Restituição fora protocolizado em 08/02/1999, tendo sido o processo arquivado por falta de interesse do Postulante que não apresentou os documentos solicitados. Em 12/12/2000, foi protocolizado o presente processo, sendo desarquivado o de nº 10880.027175/8800. Conforme o artigo 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), o Sujeito Passivo tem direito, independente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: “I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da 1egislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. II .................................................” Todavia, devido ao disposto pelo Ato Declaratório 96, de 26/11/1999, fls. 33, o direito do Contribuinte à repetição do indébito está inequivocadamente decaído, conforme decidido pelo Acórdão DRJ/SPO 8, de 19/10/2001. Inconformado com a DECISÃO/SAORT/IRF/SPO, fls. 32, 33, da qual fora cientificado em 01/12/2003, fls. 34, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 29/12/2003, fls. 35/51, solicitando a restituição dos valores pagos do II e IPI, e demais acréscimos recolhidos, requerendo seja reformada a citada DECISÃO, incluindo o afastamento da alegação de decadência, a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, a apresentação de novos documentos, realização de diligências, perícia técnica e as demais que forem necessárias, argumentando em síntese: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Acórdão n.º 3802000.192 S3TE02 Fl. 177 3 A propositura do Pedido de Restituição estava a depender da solução de outro processo administrativo e de um processo judicial, que tratava da regularização do veículo, pois apenas com o indeferimento do Pedido de Regularização restou exteriorizado o indébito. Por tal motivo, no período que tramitou o processo judicial, cuja Decisão transitou em julgado em 07/12/1994, não corria o prazo decadencial, o qual se iniciou nessa data. Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, processo 10314.000659/9818, antes do transcurso de cinco anos do trânsito em julgado da Decisão Judicial, o Pedido não se encontra decaído. O processo administrativo 10880.027175/8800, cujo protocolo data de 12/08/1988, trata do Pedido de Regularização de automóvel de origem estrangeira, fundamentado pelo DecretoLei 2.446, de 30/06/1988. Tal DecretoLei possibilitava a regularização fiscal de bens de origem ou procedência estrangeira, que tivessem ingressado no território até a data de sua publicação, ou seja, 1º/07/1988, fls. 37, 38. O Pedido foi instruído com o recolhimento dos impostos realizados em 30/09/1987, acrescidos de encargos financeiros, de acordo com o art. 2º, § 1º, do DecretoLei 2.446, fls. 38, dados constantes às fls. 27 do processo administrativo 10880.027175/8800, verificado que o Requerente procedeu ao recolhimento da complementação dos tributos em 10/05/1990. Não obstante, o Pedido de Regularização foi indeferido pela Autoridade Administrativa, pelo que o Contribuinte ingressou com Ação Judicial. Ao final, o Superior Tribunal de Justiça julgou improcedente as Ações, tendo o Acórdão sido publicado no Diário da Justiça em 31/10/1994 e transitado em julgado em 07/12/1994, o que teve como conseqüência a aplicação da pena de perdimento do veículo. Devido ao indeferimento da regularização fiscal do veículo, em 08/02/1999 o Requerente ingressou com Pedido de Restituição dos impostos pagos com tal finalidade, porque o Pedido de Restituição dependia da conclusão dos processos administrativos e judiciais que visavam a regularização do veículo, a qual restara concluída em 11/12/1998, com a apreensão do mesmo. Sem a definição a respeito do Pedido de Regularização do veículo, não era possível o Pleito da restituição dos tributos com tal finalidade, conclusão ratificada por Acórdãos do Conselho de Contribuintes, fls. 40/47, e à luz dos arts. 156, 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Deste modo, como a contagem do prazo decadencial iniciou em 07/12/1994, data do trânsito em julgado da Ação Judicial, o Contribuinte tinha até 07/12/1999 para realizar o protocolo. Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, tal protocolo foi feito antes do transcurso do prazo de cinco anos, pelo que não se encontra decaído, o que implica a reforma da Decisão proferida pelo Inspetor da Receita Federal. Mister se faz salientar, ainda, que, além dos tributos, de acordo com o parágrafo 1º do artigo 2º do DecretoLei em questão, foram recolhidos encargos financeiros de valor equivalente ao veículo, cuja natureza, à evidência, é sancionatória, caracterizando, portanto, uma duplicidade de penalidade, tendo em vista a aplicação da pena de perdimento. O Pedido de Restituição, protocolado em 8 de fevereiro de 1999, não se encontra decaído, pois foi protocolado antes do transcurso do prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão proferida Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 nos autos da Ação Ordinária 92.00.012566, que ocorreu em 7 de dezembro de 1994. O prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial findava em 7 de dezembro de 1999 e o Pedido de Restituição foi protocolado em 8 de fevereiro de 1999. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacifica no sentido de que a contagem do prazo decadencial iniciase da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial. O Pedido de Restituição não poderia ser protocolado antes do julgamento definitivo do Pedido de Regularização fiscal do veículo, que se deu com o trânsito em julgado da Decisão Judicial, tendo em vista que foi a partir desse momento que houve a exteriorização do indébito. Com o indeferimento do Pedido de Regularização fiscal do veículo, OS tributos recolhidos tornaramse indevidos, devendo, portanto, serem restituídos. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0812449 de 11/12/2007, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1990 PEDIDO RESTITUIÇÃO. INSTITUTO DECADÊNCIA. O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1990 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência/perícia quando estas se revelam prescindíveis. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não compete à Autoridade Administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida. O julgamento foi no sentido de indeferir pedido de restituição, reconhecendo a decadência do direito creditório do pedido de restituição. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta pelo afastamento da decadência e que seu pedido não está decaído. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Acórdão n.º 3802000.192 S3TE02 Fl. 178 5 O processo digitalizado foi distribuído ad hoc para formalização do voto a esta Conselheira. É o Relatório Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano Damorim, redatora ad hoc designada para formalizar a decisão, uma vez que o Conselheiro Designado para redigir o voto vencedor Adélcio Salvalágio, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O recorrente, em 08 de fevereiro de 1999 apresentou o Pedido de Restituição de fl. 10, solicitando restituição de valores, segundo este, indevidamente recolhidos,a título de II e IPI e multas referentes ao Pedido de Regularização de veículo de procedência estrangeira, o que culminou com a apreensão do mesmo. Inicialmente, em sede de preliminar, analisase a questão do prazo para pleitear o seu pedido de restituição. Ressalvado o meu entendimento pessoal – no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso – reproduzo, abaixo, o voto objeto da decisão de primeira instância, já que inexiste qualquer memória sobre o julgamento do feito por este Conselho e que coincide com o resultado de negar o provimento, tendo em vista o reconhecimento da decadência. A Defesa apresentou em síntese os argumentos/questões a seguir descritos: Além dos tributos, foram recolhidos encargos financeiros de valor equivalente ao veículo, cuja natureza, à evidência, é sancionatória, caracterizando, portanto, uma duplicidade de penalidade, tendo em vista a aplicação da pena de perdimento. O Pedido de Restituição, protocolado em 8 de fevereiro de 1999, não se encontra decaído, pois foi protocolado antes do transcurso do prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão proferida nos autos da Ação Ordinária 92.00.012566, que ocorreu em 7 de dezembro de 1994. O prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial findava em 7 de dezembro de 1999 e o Pedido de Restituição foi protocolado em 8 de fevereiro de 1999. Ao se apreciarem tais argumentos/questões, verificase inicialmente que a questão em análise cuida da extinção do prazo para pleitear a restituição de indébito e antecede, inclusive, ao eventual mérito quanto ao exame do Pleito sob o aspecto da constitucionalidade, ou não, da norma que amparava a exação hostilizada. Outrossim, o Ato Declaratório da Receita Federal (AD SRF 96/1999), a teor do Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN/CAT) 1.538/1999, é cristalino ao dispor que, inclusive, na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, o prazo para que o Contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso de 5 (cinco) anos, contados da data da Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 extinção do crédito tributário – arts. 165, I, e 168, I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). No caso concreto, o crédito objeto do Pedido de Restituição, protocolizado em 08/02/1999, referese a pagamentos efetuados em 10/05/1990, pelo que estava, inequivocamente, decaído o direito do Contribuinte à repetição de indébito, pois já foram ultrapassados os cinco anos, de conformidade com o explicitado pelos artigos (arts.) 165 e 168, do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcritos: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” Ressaltese que, conforme ensinamento do tributarista Hugo de Brito Machado, ao comentar o supratranscrito art. 165 do CTN, as duas primeiras hipóteses referemse a tributos pagos sem que tenha havido litígio a respeito. A primeira, a rigor, abrange a segunda, pois na verdade se o indébito resultou de erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota, no cálculo, ou na elaboração de qualquer documento relativo ao pagamento do tributo, inegavelmente houve pagamento indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Já a terceira hipótese diz respeito aos casos em que o sujeito passivo pagou em face de decisão condenatória. Questionou e perdeu. Diante da decisão que o condenou ao pagamento, pagou. Mas continuou questionando e finalmente conseguiu o desfazimento daquela decisão. O CTN referese a reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Para efeitos práticos não importa a distinção entre esses diversos modos de desfazimento da decisão, pois conduzem ao mesmo resultado que é o de ensejarem a restituição do indébito. Não custa, porém, esclarecer o sentido de cada uma dessas expressões. Há reforma quando o desfazimento se dá por decisão de órgão superior, com exame de mérito; anulação, quando apenas por vício formal; revogação, quando o próprio órgão prolator da decisão modifica, em face de recurso que admita retratação; e finalmente, há rescisão quando a decisão já havia transitado em julgado e é desfeita mediante ação rescisória. Como a questão apreciada não se caracterizou como a terceira hipótese, pois não ocorreu reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o prazo de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguiuse após o transcurso de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I, e 168, I, e não 165, III, do CTN, considerando ademais que a Ação Judicial com que ingressou a Defesa referiuse à Regularização do Veículo e não a Pedido de Restituição. Pelos motivos supradescritos, descabem os argumentos apresentados pelo Contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade de fls. 35/51, inclusive de que, como a contagem do prazo decadencial teria sido iniciada em 07/12/1994, data do trânsito em julgado da Ação Judicial, o Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Acórdão n.º 3802000.192 S3TE02 Fl. 179 7 Contribuinte teria até 07/12/1999 para realizar o protocolo, e de que, à luz dos arts. 156, 165 e 168 do CTN, como o Pedido de Restituição fora protocolado em 08/02/1999, tal protocolo teria sido feito antes do transcurso do prazo de cinco anos, pelo que não se encontraria decaído, o que implicaria a reforma da Decisão proferida pelo Inspetor da Receita Federal. Alternativamente, considerando o lançamento por homologação (CTN, art. 150, § 4º), a extinção do crédito, por previsão expressa do CTN, ocorre quando do pagamento e não em outro momento: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (…) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (…) VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; (…)” (Grifouse) Quanto à condição resolutória, o art. 119 do Código Civil anterior (Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916), cujo conteúdo se encontra atualmente reproduzido pelos arts. 127 e 128 do atual Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), assim estabelecia: “Art. 119. Se for resolutiva a condição, enquanto esta não se realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercerse desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, verificada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe. Parágrafo único A condição resolutiva da obrigação pode ser expressa, ou tácita; operando, no primeiro caso, de pleno direito, e por interpelação judicial, no segundo.” (Grifouse) Para melhor se compreender o significado desse dispositivo, citese a lúcida lição de Alberto Xavier: “(...) a condição resolutiva permite a eficácia imediata do ato jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que ‘se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercerse desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe. Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, imediata é a extinção definitiva do crédito. O que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeitos retroativos se a condição se implementar.” (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário, Editora Forense, 1998, págs. 98/99). Ademais, é interessante apontarse trecho encontrado na doutrina jurídica, de autoria do mestre e doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP, professor Eurico Marcos Diniz de Santi, em sua tese de mestrado, cujo título é Decadência e prescrição no direito tributário – Aspectos teóricos, práticos e análise de decisões do STJ: “10.1 Improcedência da tese dos dez anos do direito de o contribuinte repetir o indébito tributário: A tese dos dez anos do direito de o contribuinte pleitear o débito do Fisco, que modificou o entendimento de matéria de prescrição no STJ, em função da interpretação das expressões extinção do crédito e pagamento antecipado, inscritos respectivamente nos Arts. 150, § 4º e 168, I do CTN, não procede em razão dos motivos seguintes. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 O pagamento antecipado do contribuinte não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente do ato de lançamento. Portanto, a data em que o contribuinte efetivamente recolhe o valor a título do tributo aos cofres públicos haverá de funcionar, a priori, como dies a quo do prazo de cinco, e não dez, de decadência e prescrição do direito do contribuinte. Interpretouse o ‘sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento’ de forma equivocada. Não se pode aceitar condição resolutiva como se fosse necessariamente uma condição suspensiva que retarda o efeito do pagamento para a data da homologação. A condição resolutiva não impede a plena eficácia do pagamento e, portanto, não descaracteriza a extinção no átimo do pagamento. Se o fundamento jurídico desta tese é que a extinção do crédito tributário pressupõe a homologação, o direito de pleitear o débito do fisco só surgiria ao final do prazo de homologação tácita, de modo que o contribuinte ficaria impedido de pleitear a restituição antes do prazo de cinco para homologação, tendo que aguardar a ‘extinção do crédito’ pela homologação.” De todo o exposto, resta claro que, ao indeferir o Pedido de Restituição em exame, reconhecendo a decadência do direito, a Decisão apreciada foi proferida em obediência e dentro dos limites da legislação que a fundamentou. Este, portanto, foi o entendimento dado pela primeira instância, que, como dito, é aqui reproduzido uma vez que não há memória concernente ao julgamento do feito pelo CARF. Pela mesma razão, a título de ementa do presente julgamento de segunda instância foi também reproduzida a ementa do acórdão recorrido. A título de informação, ressalto que esta conselheira votava, à época, no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como o II e IPI, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Redator ad hoc Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10325.000593/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.851
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 59 3/ 20 05 -1 8 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000593/200518 Resolução nº 3401000.851 S3C4T1 Fl. 993 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 1o trimestre de 2005. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 986/990), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência (fls.970/972), consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade razão pelo qual dele tomo conhecimento. Como já relatado, o objetivo da diligência era fazer uma análise nos demais documentos contábeis da Recorrente a fim de saber se ela realmente recebera a quantidade de carvão alegada e o valor do crédito existente. Cabe salientar que na primeira análise, no voto de relatoria deste Conselheiro ora relata, acolhido por unanimidade, foi consignado que em razão do Princípio do non reformartio in pejus não se poderia levar em consideração as novas fundamentações da DRJ para negar o direito creditório. Com base nisso, ficou definido que o julgamento do recurso ficaria limitado à analise do motivo que levou a delegacia de origem a não reconhecer o crédito, qual seja, irregularidades das notas fiscais da aquisição de carvão vegetal. Com a delimitação definida acima, também ficou decidido que a mera irregularidade da nota fiscal não é suficiente para indeferir o crédito, pois o que gera o crédito é a aquisição do insumo, de modo que bastaria verificar os demais documentos da Contribuinte, Fl. 993DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000593/200518 Resolução nº 3401000.851 S3C4T1 Fl. 994 3 dentre eles, as folhas do livrorazão anexado ao recurso, para saber se realmente houve a aquisição alegada. A diligência não deixou dúvida de que, com base nos documentos analisados, constatouse a aquisição do carvão, bem como a existência de crédito em quantidade superior ao declarado na DACON. A autoridade fiscal também destacou, acertadamente, que o reconhecimento do crédito deve estar limitado ao valor declarado na DACON e pleiteado no pedido de ressarcimento. Em suma, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado, razão pela qual o crédito deve ser reconhecido e as compensações homologadas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório até o limite pleiteado e homologar as compensações declaradas. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de direito creditório com base em ressarcimento de PIS não cumulativo exportação referente a dezembro de 2002. O pedido da contribuinte (a) foi glosado em virtude de irregularidades constatadas em notas fiscais complementares emitidas pela própria contribuinte relacionadas à aquisição de carvão como insumo e também (b) foi glosado da parcela de crédito proveniente de gastos com energia elétrica consumida no mês de dezembro de 2002. Os julgadores a quo não acolheram a contestação da peticionaria por que teria faltado comprovação dos gastos pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país e porque os gastos de energia elétrica em dezembro de 2002 somente geraria crédito se insumo para a produção de bens ou prestação de serviços. Em 03/02/2011 o julgamento desta lide foi convertido por este Colegiado em diligência, entendendo que o recurso do contribuinte se circunscreveu à glosa referente à aquisição de carvão. O Colegiado, naquela ocasião, determinou: "Como visto acima, a nota fiscal não é o único documento hábil à análise do crédito, podendo esse ser verificado, também , pelos livros e demais documentos. Portanto, podese concluir que não é a nota fiscal que gera o crédito, mas sim a atividade destacada na legislação tributária, ou seja, a aquisição de determinados produtos. Sendo assim, basta verificar se a recorrente adquiriu, deveras, a quantidade de carvão alegada e se procedeu à escrituração contábil, bem como o recolhimento correto. A recorrente juntou aos autos as folhas do livro razão e as fichas de controle do IBAMA, para provar a Fl. 994DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000593/200518 Resolução nº 3401000.851 S3C4T1 Fl. 995 4 veracidade das operações mencionadas nas notas fiscais complementares, de modo que, com fulcro na verdade material, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, a fim de que sejam cotejadas as folhas do livro razão apresentadas pela recorrente, a fim de verificar a quantidade de carvão adquirida e contabilmente registrada, bem como o valor do crédito por ela gerado. Ao fim da análise, devese fazer relatório pormenorizado, destacandose, se for o caso, a existência a aquisição de carvão na quantidade alegada pela recorrente e o valor de crédito a ser ressarcido." (grifos nossos) A diligência, em sua apuração, se limitou aos dados constantes dos extratos do livro razão e informações do IBAMA que instruíam os autos, e a contribuinte não atendeu a autoridade fiscal apresentando o registro por ela solicitado. A contribuinte, em sua manifestação em resposta a essa diligência, repisa os argumentos de sua contestação levada ao conhecimento dos julgadores a quo. Pede que sejam suas razões apreciadas pelos Conselheiros. Assim, essa lide retorna a este Colegiado. Malgrado a objetividade e a clareza dos votos do Relator, o Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, na sessão de 03/02/2011 e na sessão de hoje, ambas desta 1ª Turma Ordinária, ouso expressar minha carência por mais informações, não atendidas pela diligência anterior, e necessárias, a meu ver, para os Respeitáveis Conselheiros formarem sua convicção conclusiva. Portanto, proponho a este Colegiado converter esse julgamento em diligência para enviar este processo à unidade de jurisdição para: 1. identificar os motivos para a emissão das notas fiscais complementares, e segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os motivos; 2. segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os tipos de fornecedores (se pessoa jurídica ou se pessoa física) e se seu domicílio está ou não em território nacional; 3. identificar, consoante documentação comprobatória, os valores pagos referentes às operações constantes das notas complementares; 4. identificar o somatório dos valores das operações referidos nas notas complementares que possuam documentos e declarações, além do razão e das informações do IBAMA já apresentados, que concorram para comprovar a operação, e identificar o somatório dos valores das operações que não possuam tais comprovações, documentos e declarações. Que a contribuinte seja notificada desta decisão e do resultado da diligência e possa, em cada caso, se manifestar no prazo de 30 dias. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720008/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2006, 2007
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PARQUE NACIONAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Não há nos autos comprovação de que o imóvel se situa no parque nacional Saint-Hilaire Lange ou em seu entorno. Inclusive, a fim de comprovar a existência das áreas de preservação permanente e áreas cobertas por floresta nativa, deveria o contribuinte ter apresentado Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que demonstrasse a existência efetiva de tais áreas.
ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exige-se Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nubia Matos Moura - Presidente Substituta.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2006, 2007 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PARQUE NACIONAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Não há nos autos comprovação de que o imóvel se situa no parque nacional Saint-Hilaire Lange ou em seu entorno. Inclusive, a fim de comprovar a existência das áreas de preservação permanente e áreas cobertas por floresta nativa, deveria o contribuinte ter apresentado Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que demonstrasse a existência efetiva de tais áreas. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exige-se Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533. Recurso Negado
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PARQUE NACIONAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Não há nos autos comprovação de que o imóvel se situa no parque nacional SaintHilaire Lange ou em seu entorno. Inclusive, a fim de comprovar a existência das áreas de preservação permanente e áreas cobertas por floresta nativa, deveria o contribuinte ter apresentado Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que demonstrasse a existência efetiva de tais áreas. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 00 08 /2 01 2- 17 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 2 Nubia Matos Moura Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 20/01/2012 (fls. 58/64), contra o contribuinte acima qualificado, relativo à Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, Exercício 2007, 2008, que exige crédito tributário no valor de R$ 64.367,98, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até 30/12/2011, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Cabaraquara”, cadastrado na RFB sob o nº 1.190.7924, com área declarada de 435,6 ha., localizado no Município de Guaratuba/PR. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes às fls. 60/64, o lançamento de ofício decorreu dos seguintes fatos tributários: Área de Preservação Permanente e Área Coberta por Floresta Nativa: foi glosada respectivamente as áreas de 67,3 ha e 359,3 ha, declarada a título de APP e AFN nos Exercícios 2007 e 2008, com base nos seguintes fundamentos, extraídos do relatório fiscal: (...) Dessa forma, diante da não apresentação do Ato Declaratório Ambiental protocolizado no prazo legal para os exercícios de 2007 e 2008, não apresentação de elementos hábeis para comprovação do correto enquadramento das áreas cobertas por florestas nativas e áreas de preservação permanente originalmente declaradas, considerando o que dispõe o artigo 47 do Decreto n° 4.382/02, tendo em vista que os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal, são peças imprescindíveis, sendo solicitados para fins de comprovação do que foi informado pelo contribuinte nas declarações relativas aos exercícios objeto da presente revisão, e tendo em vista o disposto pelos arts. 111 § único, art. 142 e inciso III, art. 149 da Lei 5.172/66, foi procedida a glosa das áreas não tributáveis originalmente declaradas nos exercícios 2007 e 2008, com alteração da área tributável de 9,0 hectares para 435,6 hectares.(...) Valor da Terra Nua VTN: o contribuinte deixou de apresentar laudo técnico de avaliação do valor da terra nua, motivo pelo qual o valor declarado pelo sujeito passivo foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, com base nos seguintes fundamentos, extraídos do relatório fiscal: (...) No que se refere ao valor da terra nua originalmente declarado, tendo em vista a inexistência de elementos de comprovação do declarado e com base no disposto no Art. 47, Inciso II, art. 51 do Decreto n° 4.382/02, e Art. 14 da Lei n° 9.393/96, o valor da terra nua relativo aos exercícios de 2007 e 2008, foi arbitrado considerando as informações sobre preços de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11624.720008/201217 Acórdão n.º 2102003.266 S2C1T2 Fl. 120 3 terras constantes do Sistema de Preços de Terra, para o Município de Guaratuba, conforme informado pela Secretaria Estadual de Agricultura. Com base nestes dados, o valor adotado para fins de arbitramento foi de R$ 1.000,00/hectare no exercício 2007 e de R$ 1.100,00/hectares no exercício 2008 (valor para terras mistas inaproveitáveis), de acordo com a SEAB/DERAL/PR e Sistema de Preços de Terra. Nos termos do exposto acima, as retificações dos valores declarados alteraram o Valor da Terra Nua Tributável, de R$ 621,04 para R$ 435.600,00 no exercício 2007 e de R$ 621,04 para R$ 479.160,00 no exercício 2008 (...). Cientificado da exigência tributária em 24/01/2012 (fl. 68), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 16/02/2012, alegando o que segue. Em preliminar, suscita a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, alegando que não obteve resposta ao pedido de prorrogação de prazo para apresentação de documentos comprobatórios da localização do imóvel dentro do Parque Nacional Saint Hilaire Langue, apresentação de mapa georreferenciado e de laudo de avaliação. Ademais, alega que o auditor da Receita Federal não tem competência para desclassificar a natureza da área de interesse ambiental, pois são os órgãos ambientais que possuem capacitação específica e autorização legislativa para tanto. No mérito, alega que o imóvel está situado na Mata Atlântica, próximo ao mar (baía de Guaratuba) e que integra o Parque Nacional SaintHilaire Lange e seu entorno, sendo que, nessa condição, é área de preservação/conservação que não pode ser utilizada ou explorada, nos termos do Decreto 750/93 e Lei 11.428/2006, sendo, portanto, isenta de ITR. Alega que a área está em processo de desapropriação, conforme demonstra o ofício do Instituto Chico Mendes, em anexo. Informa que está providenciando a documentação necessária para isso e que contratou engenheiro para emitir mapa georreferenciado do imóvel, o qual efetuou duas amarrações, conforme documentos em anexo. Argumenta que, ainda que a União não tenha tomado posse do imóvel, nem o IBAMA nem o IAP permitem sua utilização, e, por conseguinte, entende que a área é inutilizável. Sustenta que as áreas de interesse ambiental de Utilização Limitada (APP, ARL) decorrem da lei e devem ser excluídas da tributação do ITR, nos termos do manual de Preenchimento fornecido pela RFB ((item 10), do Decreto 4.382/2002, art. 10, inciso II e art. 12 (aplicável retroativamente com base no art. 106 do CTN) e Código Florestal (Lei 4.771/65), sendo prescindível o ADA para que assim sejam reconhecidas. Informa que o Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou no sentido de o ADA ser prescindível para reconhecimento da isenção das áreas de interesse ambiental, bem como o TRF da 4ª Região. Argumenta que há muitos anos a área tem natureza de reserva legal e de preservação permanente e que a averbação da área de reserva legal está suspensa pelo menos até março de 2012 ou até a votação do novo código florestal brasileiro. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 4 Com base no exposto, pediu o cancelamento do crédito tributário lançado. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “NIRF: 1.190.7924 Cabaraquara VALIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA NÃO CONFIGURADO. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar e lançar o ITR. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. IMÓVEL LOCALIZADO EM PARQUE NACIONAL. TRIBUTAÇÃO. O Parque Nacional integra o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza SNUC e é de domínio público, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. O proprietário de área particular localizada em Parque Nacional é contribuinte do ITR até a data da perda da posse pela imissão prévia ou provisória do Poder Público na posse ou até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA COBERTA POR FLORESTA NATIVA. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A não incidência de ITR sobre as áreas de interesse ambiental depende da prova da existência dessas áreas, nos termos da legislação ambiental, e da prova da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambienta e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0432.555 da 1ª Turma da DRJ/CGE em 12/08/2013 (fl. 103). Sobreveio recurso voluntário em 10/09/2013, acompanhado dos documentos de fls. 114/117, quais sejam, procuração e certidão de óbito do contribuinte, uma vez que fora Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11624.720008/201217 Acórdão n.º 2102003.266 S2C1T2 Fl. 121 5 argüida em preliminar o falecimento do mesmo. Em suma, o recurso ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratase da exigência do ITR relativas aos exercícios de 2007 e 2008 do imóvel localizado no Município de Guaratuba/PR, com área de 435,6 ha, com alteração do valor da terra nua – VTN e glosa das áreas de preservação permanente – APP e áreas cobertas por floresta nativa AFN, pela presente autuação. Sustenta o recorrente que o imóvel está situado na Mata Atlântica, próximo ao mar (baía de Guaratuba) e que integra o Parque Nacional SaintHilaire Lange e seu entorno, sendo que, nessa condição, é área de preservação/conservação que não pode ser utilizada ou explorada, nos termos do Decreto 750/93 e Lei 11.428/2006, sendo, portanto, isenta de ITR. Alega que a área está em processo de desapropriação, bem como que ainda que a União não tenha tomado posse do imóvel, nem o IBAMA nem o IAP permitem sua utilização, e, por conseguinte, entende que a área é inutilizável. O contribuinte apresentou os seguintes documentos: a) Ato Declaratório Ambiental ADA do Exercício 2011, emitido em 31/08/2011, informando a existência no imóvel fiscalizado de Área de Preservação Permanente APP de 67,3 ha, Área coberta por Floresta Nativa AFN de 359,3 ha, e 9,0 ha de outras áreas, fls. 32/33. b) ofício do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, datado de 07/12/2010, fl. 34, noticiando ao contribuinte do processo de desapropriação de seu imóvel localizado no Parque Nacional de Saint Hilaire/Lange. c) matrícula no 21217 do CRI 2o Ofício São José dos PinhaisPR, fls. 37/39; d) mapa de localização do imóvel, fls. 41/42. A decisão recorrida manteve a autuação pela inexistência da desapropriação do imóvel, fundamentando que a responsabilidade pela entrega da declaração e pelo pagamento do ITR, em relação aos fatos geradores ocorridos até a data da imissão prévia ou provisória ou da incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público, é do expropriado. Argumenta ainda que os documentos apresentados não comprovam a existência no imóvel de Área coberta por floresta nativa, de Área de Preservação Permanente, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 6 de Área de Reserva Legal ou de Área de Interesse Ambiental, e fundamenta a obrigatoriedade de apresentação da ADA. Compulsando os autos, verificase que o Ofício do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (fl. 34), não confirma/comprova que o imóvel objeto da autuação localizase dentro ou no entorno do Parque Nacional SaintHilaire Lange, tampouco o referido documento comprova tratarse efetivamente do imóvel sob litígio. Ademais, em que pese o ADA – Ato Declaratório Ambiental acostado pelo interessado informe a existência de APP e AFN no imóvel, vislumbrase que tal documento referese ao exercício 2011, não guardando qualquer relação com a presente autuação, que limitase aos exercícios 2007 e 2008. Poderia o recorrente ter comprovado facilmente a existência das áreas declaradas de APP e AFN através de Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica ART, uma vez que este documento (laudo) corroboraria as informações declaradas, sendo documento hábil e idôneo a demonstrar a existência efetiva das áreas de preservação permanente e cobertas por floresta nativa no imóvel. Assim, deve ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco quanto à tais áreas. Por fim, passase à análise do Valor da Terra Nua. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja, o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: §1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11624.720008/201217 Acórdão n.º 2102003.266 S2C1T2 Fl. 122 7 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11.727, de 2008). O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, foi oportunizado ao Recorrente acostar Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica, devidamente anotada no CREA. No entanto, o recorrente, ainda que tivesse ampla oportunidade de acostar Laudo Técnico, seja na fase investigatória, na impugnação ou no presente recurso, não o fez, deixando de contrapor o valor arbitrado pelo Fisco. Inclusive, cabe registrar que o Mapa de Localização do Imóvel acostado em fls. 42/42, não informa o VTN, devendo portanto, ser mantido o valor arbitrado pelo Fisco. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.014796/2007-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES À TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. MULTA.
É cabível a aplicação de penalidade quando o contribuinte apresenta GFIP com dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e por a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, aplica-se o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011.
O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílio-alimentação pago in natura.
AUXÍLIOCRECHE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11/2008.
O Ato Declaratório nº 11/2008 autoriza a procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxílio-creche recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores.
Numero da decisão: 2403-002.961
Decisão: Recurso de Ofício Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, por ser matéria de ordem pública, retificar a decisão quanto à decadência, para aplicar a regra do art. 150, § 4º e com isso, considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2002, inclusive.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES À TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. MULTA. É cabível a aplicação de penalidade quando o contribuinte apresenta GFIP com dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e por a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílioalimentação pago in natura. AUXÍLIOCRECHE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11/2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 47 96 /2 00 7- 32 Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 O Ato Declaratório nº 11/2008 autoriza a procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores. Recurso de Ofício Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, por ser matéria de ordem pública, retificar a decisão quanto à decadência, para aplicar a regra do art. 150, § 4º e com isso, considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2002, inclusive. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1531.957 da 6ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES À TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. MULTA. É cabível a aplicação de penalidade quando o contribuinte apresenta GFIP com dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 5 anos. Tratandose de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias, sujeitas a lançamento de ofício, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte. Improcedem as multas lançadas após o transcurso deste prazo. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílioalimentação pago in natura. AUXÍLIOCRECHE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11/2008. O Ato Declaratório nº 11/2008 autoriza a procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche, recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores. Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. PEDIDO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de produção de prova pericial quando o deslinde das questões discutidas nos autos não exige conhecimento técnico especializado. As contribuições lançadas estão descritas nos relatórios anexos às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD. Os argumentos aduzidos pelo impugnante já foram analisados quando do julgamento de cada uma delas e, naquilo que comprovaram as suas alegações, os valores correspondentes foram excluídos dos lançamentos de obrigação principal e também excluídos do cálculo da multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No julgamento de primeira instância, foram excluídas as multas relativas às competências 01/1999 a 11/2001, por força da decadência; as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP); as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC); para retificar o valor a multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CDN. Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para excluir as multas relativas às competências 01/1999 a 11/2001, por força da decadência; para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP); para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC); para retificar o valor a multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CDN; e para manter a multa remanescente, no valor de R$ 1.492.714,84 (um milhão quatrocentos e noventa e dois mil setecentos e quatorze reais e oitenta e quatro centavos), nos termos do voto e de sua fundamentação e conforme discriminado na planilha contida no anexo deste acórdão. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 4 5 Tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) identificado pelo DEBCAD nº 37.056.9067, lavrado em nome da Real Sociedade Espanhola de Beneficência para cobrança de multa no valor de R$ 3.208.105,98 (três milhões duzentos e oito mil cento e cinco reais e noventa e oito centavos), decorrente da apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme exigido pelo § 5º e pelo inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, combinados com o inciso IV e § 4º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. De acordo com o Relatório Fiscal do AI, fls. 31 a 41, ao longo do procedimento de fiscalização, verificouse o pagamento aos segurados de parcelas de natureza remuneratória que a Real Sociedade Espanhola de Beneficência não considerava como integrantes base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual não as declarava na GFIP. As contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, incidentes sobre as referidas parcelas, foram apuradas e lançadas por meio dos Autos de Infração identificados pelos DEBCAD nº 37.056.9113 e 37.056.9105. A multa aplicada em função da não declaração em GFIP das contribuições previdenciárias acima mencionadas correspondeu a cem por cento do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada, a cada mês, aos valores previstos no § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. As contribuições não declaradas em GFIP, cujos valores foram considerados no cálculo da multa, foram inseridas nos seguintes levantamentos: AHD: Alimentação aferida da sede do hospital sem inscrição no PAT, não declarada em GFIP. AHP: Alimentação da sede do hospital declarada na planilha de custo sem inscrição no PAT e não declarada em GFIP. APA: Alimentação aferida do projeto da Prefeitura, sem inscrição no PAT e não declarada em GFIP. APP: Alimentação projeto prefeitura sem inscrição no PAT e não declarada em GFIP. AXC: Auxíliocreche sem comprovação de despesa não declarada em GFIP. BPI: Benefício previdenciário (saláriofamília) pago indevidamente, não declarado em GFIP. CDN: Contribuinte individual declarado na DIRF e não declarado em GFIP. Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 CIN: contribuinte individual declarado no relatório imposto por fornecedor e não declarado em GFIP. CIR: Contribuinte individual declarado no livro Razão e não declarado na GFIP. FPN: Folha de pagamento não declarada em GFIP. RES: Médicos residentes. A planilha contida no relatório fiscal indica, mês a mês, o valor das contribuições não declaradas em cada um dos levantamentos acima relacionados. O limite máximo da multa em cada mês correspondeu a vinte vezes o valor mínimo, uma vez que a empresa possui entre 500 e 1000 segurados. Como o valor mínimo mensal foi de R$ 1.195,13, o limite mensal para o valor da multa aplicada foi de R$ 23.902,60. Ou seja, em cada um dos meses, calculouse o valor correspondente a cem por cento das contribuições não declaradas, este valor foi comparado com o limite máximo da multa mensal, prevalecendo o menor dos valores. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração por via postal em 19/12/2007. Em 18/01/2008, apresentou impugnação, juntada às fls. 79 a 118, na qual alega em síntese o seguinte: Argúi a tempestividade da impugnação apresentada. Preliminarmente, alega a nulidade do lançamento no que toca ao levantamento FPN, uma vez que não foram apresentados os fatos que motivaram o lançamento neste particular. No que toca aos lançamentos relativos a supostos contribuintes individuais e médicos residentes, afirma que o Auto de Infração não menciona quem são estes profissionais cuja remuneração supostamente não foi declarada em GFIP. Ainda em preliminar, alega a decadência dos valores lançados referentes às competências até novembro de 2002, uma vez que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em dezembro de 2007. Em seguida, reitera as alegações de mérito apresentadas na NFLD de nº 37.056.9105 e requer a suspensão do julgamento deste Auto de Infração por descumprimento da obrigação acessória de declaração em GFIP, até que se decida administrativamente acerca da procedência das contribuições lançadas no Auto de Infração em referência. Argumenta que a ausência de inscrição da empresa no PAT não é suficiente para fazer integrar esses valores à parcela tributável. A empresa fornece alimentação por meio de refeitório próprio aos empregados que exercem as suas atividades na sede do hospital e de tickets, aos empregados que executam os programas externos. Ao fazer a referida parcela integrar a base de cálculo, a RFB despreza o princípio constitucional da valorização social do trabalho. A concessão da alimentação pelo contribuinte atingiu os objetivos do PAT, de modo que é justo que os incentivos lhe sejam aplicados. Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 5 7 A assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até os seis anos de idade em creches e préescolas é garantia constitucional. A lei exclui o auxíliocreche da base de cálculo das contribuições previdenciárias e não prevê que o descumprimento da obrigação de guarda dos documentos seja suficiente para anular o incentivo de não incidência sobre a parcela. A interpretação dada pela RFB ultrapassa os limites fixados em lei. Esta parcela não possui caráter remuneratório, pois serve para ressarcir ao trabalhador o prejuízo decorrente da não manutenção de creche pela própria empresa. A parcela encontrase prevista em todas as convenções coletivas que regularam as relações da empresa com os seus empregados. Em relação aos levantamentos nos quais são cobradas contribuições sobre os valores pagos aos funcionários a título de saláriofamília, a autuada afirma ter juntado aos autos os documentos que comprovam a regularidade da concessão do benefício aos seus trabalhadores. Em seguida, afirma que, tendo o lançamento se dado por aferição indireta, admitese a produção de provas em sentido contrário aptas a desconstituílo. A documentação não foi apresentada à fiscalização devido à impossibilidade de reunila em tempo hábil. Em seguida, afirma que negar a possibilidade de custeio do saláriofamília pela Previdência Social, por falta de apresentação dos documentos, não implica atribuir à parcela natureza remuneratória. O saláriofamília não perde a sua natureza pelos aspectos formais relativos à apresentação da documentação. No máximo, a Previdência pode recusarse a pagálo, mas não há que se considerálo parcela indenizatória. No que toca aos levantamentos CDN, CIN e CIR, afirma que não houve a prestação de serviços por nenhuma das pessoas qualificadas no Auto de Infração como contribuintes individuais. Existiram outras formas relação entre a impugnante e as referidas pessoas, mas nunca a prestação de serviços. Indica seis pessoas às quais a entidade teria pago valores em decorrência do aluguel de imóveis (Carlos Eugenio Oliveira Braga, Renato Farias dos Santos, Vitalina Guedes Santos, João Oliveira dos Santos, Nélia Maria Moreira Clemente Carvalho e Ivonice Azevedo Costa). Salienta que a entidade nunca manteve nenhuma relação com o sr. Paulo Renato Farias Santos, arrolado como sendo um dos contribuintes individuais. Certamente, deve ter havido algum equívoco, já que existe locador de imóveis para a entidade, cujo nome é Renato Farias dos Santos. Alega que foram incluídos ainda no rol dos contribuintes individuais três funcionários da entidade que eram responsáveis pelo fundo fixo da empresa (José Correia dos Reis, Lívia Regina Silva Oliveira e Vera Lúcia da Silva Cerqueira). Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Argumenta que o pagamento efetuado ao sr. Jorge Hasse decorreu de restituição de valores que haviam sido adiantados à entidade a título de depósito para internação de paciente. Afirma que os pagamentos efetuados a Maria Julieta Vianna Didier decorreram de pensão vitalícia paga por força de decisão da justiça do trabalho. Sobre o valor pago mensalmente à reclamante, a impugnante desconta o percentual de 11% e recolhe à Previdência em guia identificada com o código 2909. Aduz em seguida, que os médicos residentes não foram inseridos no rol dos segurados obrigatórios pela Lei nº 8.212, de 1991. A residência é uma modalidade de ensino de pósgraduação, sendo o pagamento feito com o objetivo de proporcionar ao médico a satisfação das necessidades básicas. Requer a impugnante a relevação da penalidade aplicada quanto ao levantamento FPN, uma vez que foram cumpridos os requisitos previstos no § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social. Afirma que encaminhou, à época dos fatos geradores, GFIP que incluíam as informações do levantamento FPN, mas não sabe por quais razões as informações enviadas não estavam registradas no site da Receita federal do Brasil. Alega ter retransmitido a informações, incluindo nos autos o documento de nº 08, com as cópias dos documentos apresentados. Argumenta que a multa aplicada fundamentase na Portaria nº 142, de 11 de abril de 2007. Os fatos geradores omitidos, entretanto, referemse às competências 01/1999 a 03/2007. Por esta razão, a aplicação da multa com base na mencionada Portaria implica retroação da norma em prejuízo do administrado. Requer a produção de prova pericial, a fim de que se possa promover o julgamento justo do lançamento. Indica o perito e enumera os quesitos. Por fim, requer seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, a suspensão do julgamento deste AI até que se dê o julgamento da NFLD nº 37.056.9105, a relevação da penalidade aplicada no levantamento FPN e a improcedência dos valores lançados neste Auto de Infração. Não houve apresentação de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Em obediência ao artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, este processo se submete a recurso de ofício. A autuação foi motivada por declarar GFIP sem a totalidade dos fatos geradores – CFL 68. Abaixo analisarei os pontos para os quais a decisão de primeira instância deu provimento parcial. DECADÊNCIA. A primeira instância decidiu pela aplicação da regra de decadência estipulada pelo artigo 173, I, do CTN, do que resultou em considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2001. A questão da decadência qüinqüenal estabelecida pelo CTN está pacificada. Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Quando do julgamento da obrigação principal, processo 10580.000370/2008 82, a primeira instância decidiu pela aplicação da regra do artigo 150, § 4º do CTN, do que resultaram decadentes as competências até 11/2002. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos a lançamento por homologação. O termo inicial da contagem do prazo decadencial, portanto, é a ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. O deslocamento do termo inicial para o primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do art. 173 I do CTN, se dá apenas nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, bem como nas hipóteses em que inexistam pagamentos a serem homologados. Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 No presente caso, as contribuições lançadas referemse às competências 01/1997 a 05/2007. O relatório RDA, fls. 174 a 198, indica a existência de recolhimentos de partes das contribuições devidas em cada uma das competências, logo, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador. Assim, a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo à competência 11/2002, consumouse em 30/11/2007. Tendo sido o lançamento cientificado ao contribuinte em 19/12/2007, verificase que as contribuições lançadas referentes às competências 01/1997 a 11/2002 já haviam sido extintas pela decadência quando do lançamento. São, portanto, improcedentes as contribuições lançadas referentes às competências 01/1997 a 11/2002, por já terem sido alcançadas pela decadência. Entendo que deva haver harmonia entre os critérios da obrigação principal e desta obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Pela existência de recolhimentos parciais e em obediência à súmula 99 do CARF, aplico a regra de decadência prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O período do lançamento é de 01/99 a 03/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 19/12/2007. Entendo decadentes as competências até 11/2002, inclusive. ALIMENTAÇÃO Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 7 11 A decisão recorrida foi por excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP). Concordo com a decisão e complemento registrando que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. AUXÍLIO CRECHE A decisão recorrida foi por excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC). Concordo com a decisão e com a motivação apresentada. Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 RETIFICAÇÃO DE VALORES Decidiuse, em primeira instância por retificar o valor da multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CIN. A retificação foi motivada com base nos documentos apresentados quando da impugnação da obrigação principal. Observo que no voto e na decisão, o levantamento CIN foi equivocadamente registrado como CID. O valor das contribuições lançadas nos levantamentos BPI, CID e CDN foi retificado, em função dos documentos apresentados pelo contribuinte juntamente com a sua impugnação à Notificação Fiscal de lançamento de Débito – NFLD nº 37.056.9105 (Processo Administrativo nº 10580.000370/2008 82). Concordo com a decisão. OMISSÃO DO ACÓRDÃO – LEVANTAMENTO FPN A decisão recorrida conclui pela manutenção de multa remanescente no valor de R$ 1.492.714,84, nos termos do voto e de sua fundamentação e conforme discriminado na planilha contida no anexo deste acórdão. Decisão: Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para excluir as multas relativas às competências 01/1999 a 11/2001, por força da decadência; para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP); para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC); para retificar o valor a multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CDN; e para manter a multa remanescente, no valor de R$ 1.492.714,84 (um milhão Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 8 13 quatrocentos e noventa e dois mil setecentos e quatorze reais e oitenta e quatro centavos), nos termos do voto e de sua fundamentação e conforme discriminado na planilha contida no anexo deste acórdão. Na planilha citada, os valores correspondentes ao levantamento FPN – Folha de Pagamento não declarada em GFIP, foram alterados para a competência 04/2004 e excluídos para as competências 05/2004, 06/2004, 08/2004, 09/2004 e 11/2004, em harmonia com o texto do voto condutor da decisão, porém sem menção a esses ajustes na conclusão e no texto da decisão. Voto: O valor das contribuições lançadas no levantamento FPN na competência 04/2004 foi retificado, em função dos documentos apresentados pelo contribuinte juntamente com a sua impugnação à Notificação Fiscal de lançamento de Débito – NFLD nº 37.056.9113 (Processo Administrativo nº 10580.014803/200704). De acordo com a planilha contida no Relatório Fiscal do Auto de Infração sob julgamento, foram consideradas no cálculo da multa aplicada as contribuições inseridas no levantamento FPN nas competências 04/2004, 05/2004, 06/2004, 08/2004, 09/2004 e 11/2004. Entretanto, só houve lançamento das contribuições devidas na competência 04/2004. Assim, tendo em vista que não há, nos relatórios das NFLD nº 37.056.9105 e 37.056.9113, nenhuma informação acerca das contribuições devidas no levantamento FPN nas competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004, os valores a elas relativos estão sendo excluídos no cálculo da multa aplicada neste Auto de Infração. O impugnante alega ter corrigido a falta no que toca ao levantamento FPN, requerendo em razão disso a relevação da penalidade aplicada. Entretanto, de acordo com o Discriminativo Analítico do Débito – DAD da NFLD nº 37.056.9113, o valor das contribuições não declaradas em GFIP foi de R$ 281.895,99. O Acórdão nº 1530.820, emitido por esta sexta Turma de Julgamento em 31/05/2012, reduziu a contribuição devida nesta competência e levantamento em R$ 806,13. Logo, o montante das contribuições não declaradas passou a ser de R$ 281.089,86. Consultandose a GFIP retificadora entregue pelo contribuinte em 16/01/2008, percebe se que o valor das contribuições declaradas foi de R$ 280.063,39. Logo, a nova GFIP não corrigiu a falta indicada no Auto de Infração, razão pela qual improcede o pedido de relevação da penalidade aplicada nesta competência Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Conclusão: Ante o exposto, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para excluir as multas relativas às competências 01/1999 a 11/2001, por força da decadência; para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP); para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC e ACN); para retificar a multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CDN, e para manter a multa remanescente no valor de R$ 1.492.714,84 (um milhão quatrocentos e noventa e dois mil setecentos e quatorze reais e oitenta e quatro centavos), nos termos do voto e de sua fundamentação e conforme discriminado na planilha contida no anexo deste acórdão. Concordo com a retificação efetuada na competência 04/2004. Para as competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004, o voto registra que “não há, nos relatórios das NFLD nº 37.056.9105 e 37.056.9113, nenhuma informação acerca das contribuições devidas no levantamento FPN nas competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004” e decide por excluir os valores relativos às citadas competências. Entretanto, só houve lançamento das contribuições devidas na competência 04/2004. Assim, tendo em vista que não há, nos relatórios das NFLD nº 37.056.9105 e 37.056.9113, nenhuma informação acerca das contribuições devidas no levantamento FPN nas competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004, os valores a elas relativos estão sendo excluídos no cálculo da multa aplicada neste Auto de Infração. Constatei que o relator se equivocou. Existem informações no processo 10580.014803/200704 (NFLD 37.056.9113) acerca do levantamento FPN para as competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004. Efetivamente não existe lançamento de obrigação principal para o levantamento FPN na NFLD 37.056.9113 (processo 10580.014803/200704) para as competência 05, 06, 08, 09 e 11/2004, porém o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, registra apropriações para as citadas competências, em montante suficiente para a quitação dos valores considerados devidos pelo fisco, isto é, os valores não foram informados em GFIP, porém foram recolhidos. Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 9 15 Entendo indevida a exclusão dos valores referentes ao levantamento FPN, relativos às competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício para retificar a decisão quanto à decadência, para aplicar a regra do artigo 150, § 4º e com isso, considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2002, inclusive. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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