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Numero do processo: 13900.000104/2004-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 14/11/1995 a 15/03/1996
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 14/11/1995 a 15/03/1996 PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
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PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 0. 00 01 04 /2 00 4- 54 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 330100.242, de 18 de setembro de 2009 (efolhas 317 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/11/1995 a 15/03/1996 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior de PIS para os períodos de apuração até 30/09/1995, com base nos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.455 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contados a partir da edição da Resolução nº 49 do Senado, de 10/10/1995, que se encerra em 10/10/2000. Já para o período que vai de 01/10/1995 a 28/02/1996, o prazo decadencial conta se da data da publicação do ADin nº 1.417, que ocorreu em 13/08/1999 (até 13/08/2004). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecidos créditos financeiros a favor do contribuinte, compete à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais, efetuada por ele, mediantes entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), até o limite do montante dos créditos financeiros apurados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 4 3 A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 327 e segs) referese ao dies o quo do prazo decadencial/prescricional para repetição do indébito. O recorrido considerou a data da Resolução nº 49/95 do Senado Federal e da publicação do ADin nº 1.417. Os paradigma consideraram a data do pagamento antecipado. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 338 e 339. A contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Não há reparos a fazer no exame de admissibilidade. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. Mérito Discutese o dies a quo do prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito; se a data da Resolução do Senado nº 49/1995 ou da publicação do ADin nº 1.417 ou, então, a data do pagamento antecipado. A decisão, contudo, deve ser tomada à luz de outra premissa. O art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Desta forma, segundo o entendimento que prevaleceu, não há razão para discussão sobre os efeitos da Resolução n° 49/95 e do ADin nº 1.417 na contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição. O prazo contase, sempre, da data do pagamento do tributo/contribuição (ou do fato gerador, como adiante se verá). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 5 4 Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 6 5 qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. Neste mesmo sentido a Súmula CARF nº 91, abaixo transcrita: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 7 6 Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. O pedido de restituição de que se trata foi apresentado em 26/04/2004, como consta à efolha 220. Concluise que não está decaído/prescrito o direito à repetição do indébito dos recolhimentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos depois do dia 26/04/1994, que compreende toda matéria objeto dos autos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 350DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.900224/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 02 24 /2 00 9- 57 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10120.900224/200957 Acórdão n.º 3401004.029 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10120.900224/200957 Acórdão n.º 3401004.029 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.001293/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/07/2003
DECADÊNCIA
O prazo decadencial em questão é de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração de importação. O artigo 667 mencionado pela recorrente em seu recurso não se aplica para fins de contagem do prazo decadencial para exigência de diferença identificada em razão de erro na classificação fiscal adotada.
MULTA ADUANEIRA. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ADN COSIT Nº 12/1997.
Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/1997, somente é afastada a multa por falta de licença de importação nos casos em que a mercadoria é corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado.
MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SUBSUNÇÃO.
Já a multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória 2.158-35/2001, de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, deve ser aplicada de forma objetiva. Uma vez identificado o erro na classificação fiscal adotada, haverá subsunção do fato à norma.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.189
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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O artigo 667 mencionado pela recorrente em seu recurso não se aplica para fins de contagem do prazo decadencial para exigência de diferença identificada em razão de erro na classificação fiscal adotada. MULTA ADUANEIRA. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ADN COSIT Nº 12/1997. Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/1997, somente é afastada a multa por falta de licença de importação nos casos em que a mercadoria é corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SUBSUNÇÃO. Já a multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, deve ser aplicada de forma objetiva. Uma vez identificado o erro na classificação fiscal adotada, haverá subsunção do fato à norma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 12 93 /2 00 7- 15 Fl. 190DF CARF MF 2 José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 200 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 126/136 dos autos: A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro por meio da DI de nº 03/05532930, de 01/07/2003, as seguintes mercadorias: Adição 001 mercadoria descrita como “NISINA – BACTERICIDA PARA FABRICAÇÃO DE QUEIJOS, Nome Comercial: “NISAPLIN BRAND NISIN”, classificandoa no código NCM 2941.90.99 OUTROS ANTIBIÓTICOS (alíquotas de II e IPI de 0 (zero) % ; Adição 002 mercadoria descrita como “OUTRAS CERAS ARTIFICIAIS: Nome Comercial DIMODAN U/J (DISTILLED MONOGLYCERIDE), classificandoa no Código NCM 3404.90.19 OUTRAS CERAS ARTIFICIAIS (alíquota para o II de 15,50% e para o IPI 15%). O Laudo de análise da FUNCAMP de nº 3354.01 para Adição 01, fls. 32/33, concluiu que: “não se trata somente de um Antibiótico. Tratase de Preparação à base de Composto Aminado, Caseína, Lactoalbumina e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto de Sódio, uma Preparação a ser utilizada como preservativo em alimentos, na forma de pó”. Já para a Adição 002 o laudo de nº 3354.02, fls. 37/38, concluiu que “não se trata de Cera Artificial. Tratase de Mistura de Ésteres de Glicerol de Ácidos Graxos (gordos), com predominância em Oleato de Glicerila, um Outro Derivado de Ácido Graxo (gordo) Industrial, Um Produto Diverso das Indústrias Químicas não especificado e nem compreendido em Outras Posições, na forma de pasta. Concluiu a fiscalização que, de acordo com os Laudos de Análises, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 e n ° 6, e com a Regra Geral Complementar n ° 1, a mercadoria submetida a despacho, na Adição 001, classificase na posição da NCM 3808.90.29 e se sujeita à incidência de alíquota de 8 % para o I.I. e de 0% (zero) para o I.P.I., e a mercadoria submetida a despacho, na Adição 2, classificase na posição da NCM 3824.90.29 com alíquota de 15,50 % para o I.I. e de 10 % para o I.P.I. Em decorrência da reclassificação fiscal, foi lavrado, em 23/02/2007, o Auto de Infração ora impugnado, formalizando a exigência do crédito tributário no valor total de R$ 82.646,41 (oitenta e dois mil seiscentos e quarenta e seis reais e quarenta e um centavos), por: Item 001 – DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA; Item 002 – IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE; Item 003 – MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. Fl. 192DF CARF MF 4 Ciente do Auto de Infração em 20/03/2007, fls. 51, a interessada apresentou a impugnação de fls. 51/67 alegando: as exigências constantes dos autos de infração em combate são insubsistentes, motivo pelo qual impõemse o cancelamento dos mesmos, conforme se demonstrará a seguir; as exigências consubstanciadas no item 001 (diferença de II sobre adição 001/NISINA da Declaração de Importação n° 03/05532930) e parte do item 003 (multa de 1% sobre o valor aduaneiro Adição 001/NISINA da mesma DI dos presentes autos, foram objeto de autuação anterior por parte da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, que deu origem ao Processo n° 10314.007858/200457. Juntou folhas do processo citado; requer, com base no que dispõe os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, na redação atualmente vigente, que seja expedida notificação à Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, para que referida autoridade ateste a veracidade das afirmações ora realizadas; relativamente ao Auto de Infração relacionado ao Processo n° 10314.007858/200457, a IMPUGNANTE apresentou Defesa em 08/11/2004 (Doc. 08), estando o respectivo crédito tributário com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172/66; requer a Impugnante que seja cancelada a exigência contida no item 001 (diferença de II sobre adição 001/NISINA da Declaração de Importação n° 03/05532930) e parte do item 003 (multa de 1%) sobre o valor aduaneiro adição 001/NISINA da Declaração de Importação n° 03/05532930) dos presentes autos, vez que sua manutenção acarretará duplicidade de exigência na medida em que as respectivas matérias estão sendo discutidas nos autos relacionados ao Processo n° 10314.007858/200457; a revisão do lançamento do crédito tributário da forma como realizada pelas autoridades fazendárias não pode prevalecer; isso porque na vigência do atual Regulamento Aduaneiro RA/2.002 (que revogou o RA/85 e cuja vigência se deu a partir de 27/12/2.002, portanto, após o registro da Declaração de Importação n° 03/05532930), o direito de reclamação por classificação indevida extinguese em um ano, a partir do pagamento do tributo, para a pessoa que submeter a mercadoria a despacho aduaneiro. Cita os art.s 511 e 667 do Regulamento Aduaneiro; é indiscutível que a regra esculpida no art. 667 do Regulamento Aduaneiro se aplica tanto aos casos de cobrança de impostos (item 001 dos presentes autos), como na exigência de multas regulamentares (itens 002 e 003 dos presentes autos); a multa imposta com base no art. 633, II, "a", do RA, deve ser cancelada, vez que: (i) a própria Coordenação do Sistema de Tributação já se manifestou nesse sentido; e (ii) não existe tipicidade entre o tipo legal tido como infringido e a conduta praticada pela Impugnante; todos os produtos foram corretamente declarados na Declaração de Importação n° 03/05532930, inclusive com indicação de que se tratava de produtos com "NOME COMERCIAL: NISAPLIN" e "NOME COMERCIAL: DIMODAN"; no caso da Adição 002, da Declaração de Importação n° 03/05532930, relacionada com o produto DIMODAN, a Impugnante recolheu o Imposto de Importação mediante aplicação da alíquota de 15%, enquanto que para a classificação tida como correta pela fiscalização federal a alíquota desse imposto é Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 201 5 de 10%. Ora, a ausência de dolo ou máfé é cristalina, tanto que a alíquota do Imposto de Importação adotada pela Impugnante é 50% superior aquela tida como correta pela fiscalização, enquanto para o IPI houve identidade de alíquotas; em casos similares e até mais graves do que aqueles constantes dos presentes autos, como por exemplo, solicitação indevida de isenção ou extarifário, a orientação da Secretaria da Receita Federal é no sentido de que não se admite a aplicação da multa de oficio de 75%, conforme orientação constante do Ato Declaratório Interpretativo SRF 13/2.002; no caso discutido nos presentes autos houve a obtenção da Licença de Importação para a Adição 001 e a não obtenção desse documento para a Adição 002, vez que essa última importação se sujeitava ao licenciamento automático (dispensa de Licença de Importação); a fiscalização federal entendeu que em razão da aplicação das novas classificações fiscais, as importações relacionadas com as Adições 001 e 002, ambas da Declaração de Importação n° 03/05532930, devem ser tidas como não submetidas ao licenciamento, seja automático ou não automático; a multa prevista no artigo 84, da Medida Provisória n° 2.158/01 relativamente à Adição 001, da Declaração de Importação n° 03/05532930, deve ser cancelada de plano. Isso porque, conforme alegado em preliminar, essa exigência já consta do Processo n° 10314.007858/200457; à exigência relacionada com a Adição 002/DIMODAN, a multa igualmente merece ser cancelada. Isso porque, por óbvio, somente se pode cogitar da sua exigência nos casos em que ocorra dolo, fraude ou simulação, com intenção de causar prejuízo ao erário; no caso dos presentes autos existe razoável dúvida acerca da classificação fiscal a ser adotada, tanto que foi necessária a realização de laudo técnico para se definir se o produto DIMODAN (Adição 002) se enquadra na posição3404 ou na posição 3824; se existe essa dúvida acerca da correta classificação fiscal da mercadoria, não se pode cogitar da aplicação da multa de sobre o valor aduaneiro, mas apenas e tão somente cobrar eventual diferença de Imposto de Importação e IPI, conforme Ato Declaratório (Normativo) CST no 29, de 22 de dezembro de 1.980, Ato Declaratório (Normativo) n° 10, de 16 de janeiro de 1.997 e"Ato Declaratório Normativo n° 12, de 21 de janeiro de 1997; não houve qualquer prejuízo ao erário, tendo a Impugnante , inclusive, pago IPI mediante utilização de uma alíquota 50% superior aquela tida como correta pela fiscalização; se não houve falta de pagamento de imposto ao revés, houve pagamento a maior do IPI, em 50% tornase indevida a aplicação de qualquer multa relativamente ao desembaraço aduaneiro da mercadoria importada através da Adição 002, da Declaração de Importação n° 03/05532930 (DIMODAN), devendo, nesse contexto, ser cancelado o item 003 do auto de infração em combate; requer, no mérito, o cancelamento integral do auto de infração, para o fim de nada lhe ser exigido a titulo de imposto, multa e juros (item 001) e das multas ao controle administrativo das importações (itens 002 e 003). Fl. 194DF CARF MF 6 Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/07/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO O produto identificado por Laudo Técnico Oficial como sendo uma Mistura de Ésteres de Glicerol de Ácidos Graxos (Gordos), com predominância em Oleato de Glicerila, um Outro Derivado de Ácido Graxo (gordo) Industrial, encontra correta classificação tarifária no código NCM 3824.90.29, nos termos deste processo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO ADUANEIRA Não se considera alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, para os efeitos do art. 146 e 149 do CTN, a reclassificação fiscal do produto importado, com alteração da NCM informada na declaração de importação desembaraçada. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros, pelo importador no registro da declaração de importação, cabe o lançamento de ofício. DecretoLei nº 37/66, art. 54. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ADN COSIT Nº 12/1997. Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/1997, somente é afastada a multa por falta de licença de importação nos casos em que a mercadoria é corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O mero erro de classificação fiscal já torna aplicável a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades administrativas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 21/12/2012 (vide termo de ciência por decurso de prazo à fl. 142 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 18/01/2013 Recurso Voluntário (fls. 143/163), através do qual requereu: (i) o cancelamento da exigência da multa prevista no art. 705, I, "a", do Decreto 6.759/2009 (item 002 importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente); (ii) o cancelamento da multa remanescente prevista no art. 84 da Medida Provisória n. 2.15835/01 (item 003 mercadoria classificada incorretamente na nomenclatura comum do mercosul). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 202 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 143/163), através do qual requereu: (i) o cancelamento da exigência da multa prevista no art. 705, I, "a", do Decreto 6.759/2009 (item 002 importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente); (ii) o cancelamento da multa remanescente prevista no art. 84 da Medida Provisória n. 2.15835/01 (item 003 mercadoria classificada incorretamente na nomenclatura comum do mercosul). Ou seja, não se insurgiu o contribuinte acerca da classificação fiscal em si, a qual restou incontroversa nos presentes autos. Os únicos pleitos apresentados em seu Recurso Voluntário, portanto, referiramse às multas aplicadas, cujos fundamentos de combate serão devidamente abordados a seguir. 1. Preliminar de decadência De início, alega o contribuinte que teria se configurado no caso concreto ora analisado a decadência do direito de a Fazenda Pública reclamar eventual equívoco de classificação fiscal adotada pela recorrente. Argumenta que, na vigência do Regulamento Aduaneiro RA/2002 (cuja vigência se deu a partir de 27/12/2002, portanto, aplicável no momento do registro da DI n. 03/05532930), o direito de reclamação por classificação indevida extinguese em um ano, a partir do pagamento do tributo, para a pessoa jurídica que submeter a mercadoria a despacho aduaneiro (artigos 511 e 667 do RA/2002). Ocorre que, no caso concreto aqui analisado, o auto de infração apenas fora lavrado em 23/02/2007, quando decorridos mais de 03 anos do desembaraço aduaneiro, embora o Auditor Fiscal tivesse conhecimento do teor do laudo laboratorial realizado desde 31/12/2003. O referido art. 667 do RA/2002, assim dispunha: Art. 667. O direito de reclamação por erro, classificação indevida, ou outra qualquer irregularidade, cujas provas permanecerem em documento próprio, extinguese em um ano, a partir do pagamento do tributo, para a pessoa que submeter a mercadoria a despacho aduaneiro (Decretolei no 37, de 1966, art. 137, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 4o). Com base nesses fundamentos, requer que a totalidade da exigência em combate (itens 002 e 003 do Auto de Infração) seja cancelada. Sobre este ponto, a DRJ assim se manifestou: Alega a interessada que a revisão do lançamento do crédito tributário na forma como realizada não pode prevalecer, vez que já decorridos os prazos legais em que se admite referida revisão relativamente à classificação fiscal de mercadoria. Fl. 196DF CARF MF 8 Em consonância com o § 4º do artigo 150 do CTN está a Revisão Aduaneira, prevista no artigo 54 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, dispondo que a “apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração de importação.” Por sua vez, o art. 570 do Decreto nº 4.543/02, regulamentando o art. 54 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, vigente quando da ocorrência do fato gerador, definia a revisão aduaneira como sendo o “ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”. Portanto, por expressa autorização legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão aduaneira no prazo decadencial de cinco anos, a partir da data do registro da declaração de importação. Neste particular, entendo que não assiste razão ao contribuinte. Consoante bem asseverou a DRJ em sua decisão, é cediço que o prazo decadencial em questão é de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração de importação. O artigo 667 mencionado pela recorrente em seu recurso reportase, na verdade, ao prazo de reclamação a ser exercido pelo próprio contribuinte, e não ao prazo decadencial para fins de exigência de tributos e multas, como pretende fazer crer a Recorrente. Tanto que no art. seguinte, o mesmo RA/2002 trata sobre o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, consoante se extrai da transcrição a seguir: Art. 668. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (Decretolei no 37, de 1966, art. 135, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 4o, e Lei no 5.172, de 1966, art. 173): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1o O direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei no 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2o Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (Decretolei no 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 4o). Sendo assim, não resta dúvidas que a exigência ora analisada não restou fulminada pela decadência. Afasto, portanto, o pleito do contribuinte embasado em tal fundamento. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 203 9 2. Da multa prevista pelo art. 633, II, "a" do Decreto n. 4.543/2002 (correspondente ao art. 706, I, "a" do Decreto 6.759/2009) Item 002 do Auto de Infração A penalidade imposta pela fiscalização possuía a seguinte previsão legal: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e Alega o contribuinte que a cobrança da presente multa seria indevida, visto que: (i) a própria Coordenação do Sistema de Tributação já se manifestou nesse sentido; (ii) não existe tipicidade entre o tipo legal tido como infringido e a conduta praticada pela Recorrente; (iii) a jurisprudência da 3ª Seção do CARF já firmou entendimento no sentido de que é inaplicável a multa por exigência de novo licenciamento em decorrência de mudança de código tributário. Sobre este ponto, a DRJ assim se manifestou: A impugnante pleiteia seu afastamento em virtude do disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97, que assim disciplina: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.”(grifamos) Fl. 198DF CARF MF 10 Do acima exposto, depreendese que a classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque “ex”, que exija novo licenciamento, automático ou não, não constitui infração administrativa ao controle das importações; desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, não sendo constatado intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Constatamos assim que, para se aferir a legitimidade da imposição da penalidade combatida, é preciso avaliar se a descrição da mercadoria contemplou todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. Comprovada essa adequação, a classificação errônea das mercadorias deixa de ser considerada como infração para fins de aplicação da multa discutida, a teor do ADN 12/97. Uma vez que o produto foi descrito apenas com o nome comercial, inaplicável o Ato Declaratório Normativo COSIT 12/97, relativamente à exclusão das penalidades quando a descrição da mercadoria efetuada pelo contribuinte contiver todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário. Portanto, embora não se vislumbre, nos atos, elementos que demonstrem a existência de dolo ou máfé por parte da interessada, não há como afastar a conclusão de que a descrição incompleta efetuada por ela caracterizou a ocorrência da infração prevista no art. 526, inciso II, do RA/1985, entendimento que se extrai do próprio ADN COSIT nº 12/1997. Convém notar que o dispositivo reproduzido exige que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, ou seja, exclui da aplicação da multa, independentemente de se tratar de licenciamento automático ou não, apenas o produto descrito de tal forma que possa ser perfeitamente classificado no código NCM correto. Conforme já visto em detalhes, a descrição da mercadoria realizada pela importadora na DI não preenche os requisitos elencados acima, impossibilitando a classificação tarifária apropriada. Ou seja, entendeu a DRJ pela manutenção da multa aplicada pois, no seu entendimento, a condição para fins de aplicação da ADN n. 12/1997, qual seja, a correta descrição do produto, não teria sido observada. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ neste particular. Isso porque, entendo que no caso concreto aqui analisado o produto não estava corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Tanto que a correta identificação do produto só foi possível ser realizada através da realização de laudo técnico, após o que procedeu a fiscalização à reclassificação fiscal do produto em questão. Nesse contexto, ainda que não tenha sido ventilado em nenhum momento nestes autos qualquer intuito doloso ou de máfé por parte da declarante, verificase que a condição disposta na ADN em referência não foi atendida, o que afasta a sua aplicação ao caso concreto aqui analisado. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 204 11 De outro norte, discordo do fundamento apresentado pelo contribuinte em seu recurso no sentido de que não houve tipicidade no caso concreto aqui analisado, inexistindo correção entre o tipo legal tido como infringido e a conduta praticada pela Recorrente. Isso porque, entendo que, ao ter realizado a importação das mercadorias em relevo com a indicação da classificação fiscal incorreta, furtouse o contribuinte de sujeitarse ao devido controle aduaneiro que lhe seria aplicável, incorrendo, portanto, no tipo previsto no art. 633, II, "a" do Decreto n. 4.543/2002. Ademais, importante salientar que as decisões deste Conselho que concluem pela inexistência de tipicidade nos moldes pretendidos pelo contribuinte, tratam de casos em que a descrição indicada pela fiscalização não teria implicado na alteração da classificação fiscal realizada pelo contribuinte, tendo em vista que em tais casos não teria havido alteração da forma de controle aduaneiro, o que não foi o caso dos presentes autos. Sendo assim, com base nos fundamentos supra expendidos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte neste ponto. 3. Da multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001 Item 003 do Auto de Infração Insurgese o contribuinte, ainda, quanto à aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, com fulcro no art. 84 da MP n. 2.15835 de 24 de agosto de 2001. Alegou que somente se poderia cogitar da sua exigência nos casos em que ocorra dolo, fraude ou simulação, com intenção de causar prejuízo ao erário, o que não teria ocorrido no caso concreto sob análise, visto que o erro na classificação levou à utilização de uma alíquota 50% superior para o IPI. Segue dispondo que no presente caso havia razoável dúvida acerca da classificação fiscal a ser adotada, tanto que foi necessária a realização de laudo técnico para definir se o produto DIMODAN (Adição 002) se enquadra na posição 3404 ou na posição 3824. Entendo equivocada a fundamentação apresentada pelo contribuinte em seu recurso. Isso porque, a norma em pauta não exige que se faça qualquer análise acerca de dolo, fraude, simulação, ou mesmo de intenção de causar prejuízo ao fisco, para fins de aplicação da penalidade ali elencada. É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; In casu, não resta dúvidas que a interessada classificou a mercadoria por ela importada no NCM equivocado, tanto que sequer houve questionamento acerca deste tema, o qual tornouse incontroverso nos autos. Dessa forma, resta nítido o enquadramento da hipótese fática à norma acima transcrita, cuja aplicação apresentase imperativa à autoridade fiscal, uma vez verificada a sua ocorrência. Dessa forma, no que tange à multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, não há qualquer reforma a ser feita na decisão recorrida, a qual deverá ser mantida por seus próprios fundamentos. Fl. 200DF CARF MF 12 4. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11451.720016/2016-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 45 1. 72 00 16 /2 01 6- 16 Fl. 88DF CARF MF 2 Contra a contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 12 a 16, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 37.940,84, gerando assim saldo de imposto de renda a restituir de R$ 64,10. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o rendimento reputado omitido é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda, primordialmente porque o segundo laudo apresentado diverge do primeiro, restando assim flagrante divergência entre as supostas doenças. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação e junta novo laudo, cumprindo mais uma vez as exigências legais e esclarece que a contribuinte não possui apenas uma doença menta isolada. Uma teria se iniciado em 2001 e outra em 2004, conforme consta dos laudos, assinados por médicos competentes, sendo o primeiro um psiquiatra, Dr. Jayme Conde FIlho e o segundo um médico neurologista, Dr. Reinaldo Haddad. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11451.720016/201616 Acórdão n.º 2001000.231 S2C0T1 Fl. 3 3 A contribuinte apresentou DOIS laudos, entretanto entende a DRJ Brasília que, diante das flagrantes divergências dos Laudos apresentados e, especialmente, da não indicação peremptória de ambos os médicos de que o quadro de saúde da impugnante é de Alienação Mental, fica materializado o desatendimento de um dos requisitos exigidos, não apresentação de Laudo Médico Pericial hábil e idôneo para comprovar a moléstia, que é razão suficiente para a denegação da isenção. Mantida a infração lavrada, por conseguinte. Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Principalmente porque, em sede de recurso voluntário, explica a curadora da contribuinte que desde novembro de 2001, quando foi internada no Hospital Samaritano, em São Paulo, foi submetida a diversos exames , consultas com diferentes especialistas, tendo o psiquiatra, Dr. Jayme Conde Filho (CRM 75352) diagnosticado a contribuinte com um tipo de moléstia e o neurologista, Dr. Reinaldo Haddad ( CRM 35189) diagnosticado mais outro, em 2004. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 90DF CARF MF 4 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. Não entendo como razoável partir do pressuposto de que os médicos tenham cometido qualquer falsidade na emissão dos documentos e laudos por eles assinados. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a sua condição de isento para fins fiscais restando comprovada a sua condição de portadora de moléstia grave. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000911/2006-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96.
Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
Numero da decisão: 9303-006.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 09 11 /2 00 6- 33 Fl. 369DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3101001.341, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. O conceito de receita de exportação para os fins colimados pelo art. 6º da Lei nº 9.636/96, que trata de IPI, está plasmado nas Portarias do Ministro da Fazenda nºs 38/97, 64/2003 e 93/2004, todas mencionando que os produtos devem ser destinados à exportação para o exterior. Assim é que as vendas para a Zona Franca de Manaus/ZFM, ainda que equiparadas à exportação, não se incluem na receita de exportação, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. A Constituição da República/88 quando trata do IPI, diz que o imposto não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior, consoante inciso III do § 3º do art. 153.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Tratase de Pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e a Cofins, na forma do art. 1º da Lei 9.363/96 e Lei 10.276/01 – referentes a vendas para a Zona Franca de Manaus do período de 1.1.01 a 31.12.03; Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 371 3 · Tendo realizado operações de vendas para a Zona Franca de Manaus faz jus ao crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e Cofins, na forma do disposto no caput do art. 1º da Lei 9.363/96; · Conforme arts. 40 e 92 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a Zona Franca de Manaus é área de livre comércio, de exportação e importação e de incentivos fiscais; · Como as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação até o ano de 2023, como determinado pela norma constitucional, não há que se confundir com a situação diversa de vendas para empresas comerciais exportadoras. Requer, assim, o sujeito passivo a procedência do pedido de ressarcimento ao PIS e Cofins, amparado no art. 40 do ADCT e no art. 1º da Lei 9.363/96 relativos ao crédito presumido do IPI oriundo das receitas de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus, bem como seja declarado o direito à utilização de tais créditos mediante compensação com débitos do próprio do IPI e/ou outros tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive com atualização pela Selic, como medida de direito. Em Despacho às fls. 355 a 357, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · O recurso especial não deve ser conhecido pois o acórdão recorrido está fundamentado em legislação diversa daquela que orientou as decisões apresentadas como paradigmas; · A equiparação estabelecida pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/1967, entre as vendas à Zona Franca de Manaus e as exportações, não deve ser vista como perpétua e irrestrita. Aquele artigo 4º havia previsto essa equiparação para os efeitos fiscais decorrentes da legislação em vigor à época de sua edição. Estímulos fiscais Fl. 371DF CARF MF 4 concedidos às exportações em momento posterior não necessariamente devem ser estendidos automaticamente às operações realizadas com as empresas situadas na Zona Franca de Manaus. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 355 a 357. Ora, é de se constatar que no acórdão recorrido houve discussão se a receita auferida na venda de produtos à Zona Franca de Manaus poderia ser considerada como “receita de exportação”, para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº. 9.363/96. Nesse ínterim, recordase que o Colegiado, pelo voto de qualidade, não entendeu que tais receitas se equivaleriam como receitas de exportação, eis que entendeu que as vendas à ZFM não se equivaleriam à destinação ao exterior. O que, para melhor elucidar, importante ressurgir novamente com a ementa consignada naquela ocasião (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. O conceito de receita de exportação para os fins colimados pelo art. 6º da Lei nº 9.636/96, que trata de IPI, está plasmado nas Portarias do Ministro da Fazenda nºs 38/97, 64/2003 e 93/2004, Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 372 5 todas mencionando que os produtos devem ser destinados à exportação para o exterior. Assim é que as vendas para a Zona Franca de Manaus/ZFM, ainda que equiparadas à exportação, não se incluem na receita de exportação, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. A Constituição da República/88 quando trata do IPI, diz que o imposto não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior, consoante inciso III do § 3º do art. 153.” Os acórdãos indicados como paradigma de nºs 3403001.929 e 3403001.930, consignaram a seguinte ementa: “COFINS. VENDAS A ESTABELECIMENTO SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRATAMENTO EQUIVALENTE AO DISPENSADO ÀS EXPORTAÇÕES. DECRETOLEI 288/67 E MP 2.03725/00, ARTIGO 14. O artigo 4o do Decretolei no. 288/67 equiparou as vendas de mercadorias nacionais à Zona Franca de Manaus às exportações, no que se refere ao regime tributário aplicável, equiparação esta válida, inclusive, para benefícios e incentivos instituídos posteriormente à edição do próprio Decretolei nº. 288/67. A Medida Provisória no. 2.03725/00 e as demais que se lhe seguiram suprimiram a referência à Zona Franca de Manaus constante do artigo 14, nas primeiras edições do diploma e, desta maneira, evidenciaram a fruição do regime isencional, quanto à COFINS, às receitas de vendas a empresas ali estabelecidas, a partir de 21.12.2000. ” Sendo assim, vêse que, do confronto dos arestos, houve comprovação do dissenso de entendimento. O que, embora, os acórdãos indicados como paradigmas tenham analisado casos de isenção da Cofins, o cerne da divergência, que afeta igualmente o caso dos paradigmas e do recorrido, se resume na discussão se as receitas de vendas Fl. 373DF CARF MF 6 de produtos efetuadas para a ZFM equivalem ou não às receitas de exportação para o exterior. Vêse, assim, que as consequências do entendimento proferido após a análise da lide posta em recurso influenciaram na tomada ou não de crédito presumido do IPI quanto as contribuições ao PIS/Cofins. Tanto é assim que, no acórdão recorrido, o colegiado decidiu que as vendas efetuadas para a ZFM não equivalem às exportações para o exterior, não gerando crédito presumido de IPI. Enquanto os acórdãos indicados como os paradigmas, o colegiado entendeu que as vendas para a ZFM equivalem às exportações para o exterior para fins de fruição do benefício ora discutido à época. Proveitoso trazer ainda que em ambos os arestos – acórdão recorrido e indicado como paradigma, houve menção à MP 2.03735/00. Sendo assim, entendo que devo conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide – qual seja, se as receitas de vendas à ZFM devem ser consideradas como receitas de exportação, gerando na operação crédito presumido de IPI. No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e industrialização, possui o direito ao crédito fiscal, nos termos da Lei 9.363/96. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 373 7 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Sendo assim, resta somente a discussão acerca da caracterização ou não da receita decorrente de vendas à Zona Franca de Manaus como receita de exportação, para fins de fruição ao crédito presumido do IPI. Para melhor elucidar essa questão, importante trazer breve histórico da criação da Zona Franca de Manaus. Em junho de 1957, foi publicada a Lei 3.173/57, dispondo em seu art. 1º, que fica criada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, uma zona franca para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas. A Zona Franca de Manaus foi criada, a rigor, para fins de se incentivar o desenvolvimento daquela Região, bem como reduzir as desigualdades sociais. Posteriormente, foi publicado o Decreto 47.757/60, que regulamentou o disposto na Lei 3.173/57, trazendo, entre outros (com as alterações do Decreto 51.114/61) – Grifos Meus: “Art. V A Zona Franca de Manaus destinase a receber mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza de origem estrangeira, para armazenamento, depósito, guarda, conservação e beneficiamento, a fim de que sejam retirados para o consumo interno no Brasil ou para exportação observadas as prescrições legais. (Redação dada pelo Decreto nº 51.114, de 1961) Fl. 375DF CARF MF 8 § 1º A entrada dêsses produtos na Zona Franca, independerá de licença de importação ou documento equivalente. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 2º As mercadorias de origem e procedência brasileiras, depois de terem sido objeto de um processo regular de exportação perante a Carteira de Comércio Exterior e as demais autoridades do fisco federal e estadual, poderão utilizar o mesmo Tratamento outorgado às mercadorias estrangeiras e como tal serão consideradas, para efeito do presente Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961)” “Art. VI. A Zona Franca de Manaus gozará de extraterritorialidade em relação ao pagamento do impôsto de importação e taxa aduaneira, bem como quanto a quaisquer outros impostos, ágios e tributos federais, estaduais e municipais que incidam sôbre as mercadorias importadas do exterior enquanto estas permanecerem em seus depósitos.” Tais dispositivos deixam claro que as mercadorias de origem brasileira devem observar um processo regular de exportação. O que, por óbvio, há que se entender que as vendas de mercadorias efetuadas à ZFM devem ser consideradas puramente como operação de exportação como se exportação para o exterior. Continuando, posteriormente, tal Lei foi revogada pelo DecretoLei 288/67, conforme art. 48, § 2º (Grifos Meus): “Art 48. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir, pelo Ministério da Fazenda, o crédito especial de NCr$ 1.000.000,00 (hum milhão de cruzeiros novos) para atender as despesas de capital e custeio da Zona Franca, durante o ano de 1967. § 1º O crédito especial de que trata este artigo será registrado pelo Tribunal de Contas e distribuído automaticamente ao Tesouro Nacional. § 2º Fica revogada a Lei nº 3.173, de 6 de junho de 1957 e o Decreto nº 47.757, de 2 de fevereiro de 1960 que a regulamenta.” Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 374 9 Não obstante, tal DecretoLei ter revogado a Lei 3.173/57 e o Decreto 47.757/60, trouxe em seu art. 4º: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” O que resta concluir que as receitas das vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM, por expressa determinação do art. 4º do DecretoLei 288/1967 c/c o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT são equiparadas às exportações, de forma que as receitas delas decorrentes não devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins. Ora, sendo assim, desde a publicação do DecretoLei 288/1967, as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFN são equiparadas às exportações, gozando essa operação de benefícios/incentivos fiscais, inclusive da constituição de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à Cofins. Cabe trazer quem relativamente ao art. 14 da MP 2.03724/00, tem se que, por conta das mudanças legislativas, a exclusão da expressão “Zona Franca de Manaus” do art. 14, inciso I, do § 2º, da MP 2.03724/00, não vingou, eis que, com o advento do art. 11, inciso I, da MP 1.95231/00, a Zona Franca de Manaus voltou a ser considerada exportação. Ademais, vêse que, ainda que as Portarias MF 38/97, 64/03 e 93/04 conceituem exportação, para fins de que trata a Lei 9.363/96 somente a operação que destinar bens à exportação para o exterior, entendo que a Zona Franca de Manaus se equipara à exportação para o exterior. Fl. 377DF CARF MF 10 Frisese tal entendimento a jurisprudência pacificada nos tribunais, entendimento esposado pela 2ª Turma do STJ em recente julgado de 2.8.2016 quando da apreciação do REsp 874.887/AM (Grifos Meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DECRETOLEI 288/67. ISENÇÃO. SÚMULA 568/STJ. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem da Cofins sobre tais receitas. 2. O benefício de isenção das referidas contribuições alcança, portanto, receitas oriundas de vendas efetuadas por empresa sediada na Zona Franca de Manaus a empresas situadas na mesma região. Agravo interno improvido.” Reforçamos tal jurisprudência o entendimento proferido pelo também STJ quando da apreciação do REsp 691.708 AM: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EMPRESAS QUE VENDEM PRODUTOS PARA OUTRAS NA MESMA LOCALIDADE. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. MULTA. CABIMENTO. 1. À luz da interpretação conferida por esta Corte ao DecretoLei n. 288/1967, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS. 2 . "O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 375 11 para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócio regionais" (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012). 3. O recurso manifestamente improcedente atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. 4 . Agravo interno desprovido, com aplicação de multa.” Além do entendimento proferido pelos Tribunais superiores, não se pode ignorar o entendimento no mesmo sentido exarado pelos TRF´s. Eis o que traz o TRF da 1ª Região julgado em 19.9.2016 (Grifos meus): “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS E COFINS. ISENÇÃO SOBRE RECEITAS DECORRENTES DE OPERAÇÕES COMERCIAIS REALIZADAS NA ZONA FRANÇA DE MANAUS. POSSIBILIDADE. ART. 4º DO DL 288/67. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E DESTE REGIONAL. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PROVA PRÉCONSTITUÍDA REJEITADA. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. (...) 2. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para efeitos fiscais (art. 4º do DL 288/67), não devendo incidir sobre elas o PIS e a COFINS. Precedentes. (...)” (Apelação/Reexame Necessário nº 0001384 45.2014.4.01.3200/AM; 8ª Turma do TRF da 1ª Região; J: 19/09/2016; P: 14/10/2016) Fl. 379DF CARF MF 12 E, então, no mesmo sentido, o TRF da 2ª Região julgado em 08/04/2015: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA, PIS/COFINS. ISENÇÃO. ART. 40 DO ADCT, E ART. 4º DO DECRETOLEI Nº 288/67. EXTENDESE AOS PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRECEDENTES STJ. 1. Os arts. 4º do DL 288/67 e 40 do ADCT preservam a Zona Franca de Manaus, enquanto área de livre comércio, o que se aplica às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região, cujos benefícios fiscais compreendem as exportações ao estrangeiro. Desse modo, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. 2. 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da lei Complementar 70/91, autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS, respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Equiparandose os produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes do STJ (RESP 223.405MT) [...]” Proveitoso ainda trazer o que entende o TRF da 3ª Região “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4º DO DL 288/67). PRELIMINAR REJEITADA. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. APLICABILIDADE. REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDA. [...] Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 376 13 Cuidase de medida visando á compensação de crédito decorrente de indevido recolhimento da COFINS e do PIS, com base em legislação considerada inconstitucional pela Impetrante. O PIS e a COFINS NÃI INCDEM SOBRE AS RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS E SERVIÇOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA Zona Franca de Manaus, uma vez que se trata de receitas de exportação para o exterior em razão de equiparação legal, Jurisprudência, firmouse nesse mesmo sentido. [...] (Apelação/Reexame Necessário nº 001678327.2013.4.03.6100/SP; 4ª Turma)” Vêse que a jurisprudência, especificamente à discussão à caracterização das vendas à Zona Fanca de Manaus, já pacificou que se tratam de exportação PARA O EXTERIOR. O que entendo que tal discussão já se encontra pacificada. Tanto é assim, que a própria PGFN, por meio do Ato Declaratório PGFN 4/17 DECLAROU que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade. Eis: “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do Fl. 381DF CARF MF 14 art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do Decreto Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. FABRÍCIO DA SOLLER“ Tal Parecer, inclusive, já foi aprovado pelo Ministro da Fazenda. Vêse que, ainda que as decisões ora transcritas e o Ato da PGFN tratem de PIS e Cofins sobre receita de venda à aquela região, a discussão principal é a caracterização ou não da receita de vendas à Zona Franca de Manaus como receita de exportação para o exterior. Não há como entender que a equiparação às receitas de exportação somente seria aplicável ao PIS e Cofins, e não para a constituição de crédito presumido de IPI, eis que restaria instalada a insegurança jurídica – que tanto a administração tributária busca afastar. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 377 15 Sendo assim, considerando também a jurisprudência pacificada quanto à caracterização da receita ora em comento como receita de exportação para o exterior, entendo que não há como invocar as Portarias 38/97, 64/03 e 93/04 para se obstar o direito ao crédito presumido do IPI. Em vista do exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 383DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.904638/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Compensação.Valor pago a maior. Estimativa mensal.
Súmula CARF n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1402-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Compensação.Valor pago a maior. Estimativa mensal. Súmula CARF n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 46 38 /2 00 9- 03 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10983.904638/200903 Acórdão n.º 1402002.843 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A no qual inicialmente demonstra o direito a repetição de indébito nos casos em que há pagamento a maior, o que se extrai do art. 165 do CTN. Feitas essas considerações, alega que a interpretação conjunta dos arts. 51 e 74, ambos da Lei n. 9.430/96 autoriza a compensação dos pagamentos a maior dos recolhimentos realizados a título de estimativa mensal, independente da redação a ser eleita pelo Juízo para fundamentar o deferimento da compensação (redação originária do art. 74 da Lei n. 9.430/96 ou sua alteração com a Lei n. 10.637/02). Sustenta que o crédito adiantado através de estimativa mensal, corresponderia, exatamente, ao saldo negativo do tributo no final do ano calendário, para tanto anexou ao presente os documentos que demonstram a origem do crédito, através dos balancetes de suspensão e redução, e o saldo negativo que adviria na DIPJ do período caso não utilizados de tais créditos. Afirma que não se admitir a utilização desses valores seria ir de encontro ao espírito da normatização da matéria, que acarretaria em afronta aos princípios da capacidade contributiva, do nãoconfisco e do direito de propriedade. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.839, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.902987/200982. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.839): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10983.904638/200903 Acórdão n.º 1402002.843 S1C4T2 Fl. 4 3 Como se depreende da leitura do relatório a controvérsia cinge se na possibilidade ou não de se compensar via DCOMP os valores pagos a maior a título de estimativa mensal. Ocorre que, diferentemente do quanto decidido pela d. DRJ, este CARF tem entendimento sumulado quanto a possibilidade de compensação de valores recolhidos a título de estimativa mensal. Consultese o quanto disposto na Súmula Carf n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mesma conclusão chegou a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais ao julgar os autos do Processo Administrativo n. 10865.720290/200851, sintetizado no acórdão n. 9101003.030, de relatoria do Conselheiro RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230. A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorála. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Pelo exposto, entendo que merece reforma a decisão proferida pela e. DRJ ao que voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido. É como voto. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10983.904638/200903 Acórdão n.º 1402002.843 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.902003/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 20 03 /2 01 1- 38 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13227.902003/201138 Acórdão n.º 3301004.254 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.139. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13227.902003/201138 Acórdão n.º 3301004.254 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13227.902003/201138 Acórdão n.º 3301004.254 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.721141/2017-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. ISENÇÃO.
A isenção de imposto de renda por moléstia grave aplica-se aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando esta informação conste do laudo pericial.
Numero da decisão: 2002-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda por moléstia grave aplicase aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando esta informação conste do laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 11 41 /2 01 7- 12 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 15504.721141/201712 Acórdão n.º 2002000.055 S2C0T2 Fl. 90 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 5): Rubrica Valor em reais Imposto 9.401,42 Multa de ofício 7.051,06 Juros de mora 4.808,82 Total à época 21.281,30 A fiscalização identificou omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 147.690,62 recebidos pelo contribuinte, tendo como fonte pagadora a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (fl. 5 e ss). Segundo a descrição dos fatos (fl. 6): Contribuinte apresentou laudo pericial no qual consta apenas o ano em que a moléstia se iniciou (2011). Foi intimado complementarmente a apresentar laudo pericial que informasse o mês e ano em que a moléstia se iniciou o que não foi atendido. Apresentou apenas exames médicos, assim sendo, foi considerado como isento apenas o mês de dezembro/2011. Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 21/02/2017 (fls. 12/40) e protocolou sua peça no dia 14/02/2017 (fls. 38/40), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 2 e ss): em 23.04.2012 apresentou sua declaração de imposto de renda (DIRPF) do anocalendário 2011 na qual apurou R$ 12.682,32 de imposto a recolher, que foi pago em 8 parcelas. em 19.12.2016 apresentou declaração retificadora onde computou seus rendimentos como isentos a partir de janeiro de 2011, consoante laudo médico oficial expedido pelo Centro de Saúde Tia Amância PBH, que apontou o direito a isenção a partir de 2011. em janeiro de 2017 recebeu intimação fiscal para apresentar laudo oficial que contenha mês e ano em que a moléstia se manifestou. em 10.01.2017, em atendimento à intimação, apresentou: 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 15504.721141/201712 Acórdão n.º 2002000.055 S2C0T2 Fl. 91 3 1. Relatório de evolução médica; 2. Sumário de alta hospitalar; 3. Relatório de hemodinâmica; baseado na documentação acima, concluiu que não havia dúvida que a manifestação ocorreu em 06/2011, sendo desnecessária a substituição do laudo médico e requereu a retificação do pleito apresentado na declaração retificadora. em fevereiro de 2017 recebeu a presente notificação de lançamento onde a Receita Federa imputa um demonstrativo de crédito tributário da ordem de R$ 21.261,30. Alega ainda que: é servidor aposentado pelo INSS desde 31/01/1990 e portador de patologia grave nos termos da Lei 7.713/88 desde 2011 segundo a Lei 7.713/88, art. 6º, XIV e XXI e Lei 8.541/92, art. 47 e Lei 9.250/95, art. 30, § 2º: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por doença grave são considerados rendimentos isentos ou não tributáveis. igual direito preconiza a Instrução Normativa 15/01 em seu inciso XII e, mais além define que a isenção deverá ser reconhecida por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial. em 06/2011 e não em 12/2011 foi acometido de moléstia consoante laudo médico oficial, corroborado por relatório, exames e sumário de alta. Porque não fixar o direito a partir da documentação idônea apresentada que aponta o mês de junho de 2011? a sanção aplicada é excessiva, considerando que em nenhum momento o contribuinte se furtou a atender ao exigido pela Receita Federal, apresentando documentação idônea que corrobora a marcação em 06/2011. naquele exercício o contribuinte recolheu R$ 12.682,32 de imposto apurado na declaração original. Se pelo cálculo apresentado na notificação o mesmo deveria recolherer um imposto de renda de R$ 9.401,42 então caberia restituição da diferença. anexa procuração, cópia da carteira de habilitação da procuradora e cópia da notificação de lançamento. Por fim, pede o acolhimento de sua manifestação para que sua declaração seja processada com direito a isenção a partir do mês de junho de 2011, consoante documentação apresentada. Requer ainda o cancelamento do débito apurado na notificação de lançamento, por excessivo, com o consequente crédito da restituição a que tem direito com a prioridade concedida pelo art. 69A da Lei 9.784/99 e Estatuto do Idoso. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15504.721141/201712 Acórdão n.º 2002000.055 S2C0T2 Fl. 92 4 Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: cópia da notificação de lançamento (fl. 5 e ss); procuração (fl. 9); documento de identificação da procuradora (fl. 10); Dirpf anocalendário 2011 (fl. 11 e ss). Consta ainda dos autos requerimento de prioridade no andamento de processo pessoa física em razão do Estatuto do Idoso e por ser pessoa portadora de moléstia grave (fl. 44). Na fl. 46 consta o laudo pericial questionado pela fiscalização onde consta que o contribuinte é portador de cardiopatia grave desde 2011. Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação, contudo, a decisão está contraditória e não é possível compreendêla. A ementa referese ao exercício de 2013, contudo o lançamento trata do exercício 2012. Inicialmente o acórdão, fala em improcedência nos termos do voto do relator, mas o voto do relator conclui pela procedência parcial da impugnação para relativamente ao anocalendário 2013, exercício 2012, manter o IRPF 2013 suplementar apurado na notificação de lançamento (fls. 47 a 55). Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 06/07/2017 (fl. 61) e protocolou sua peça no dia 04/08/2017 (fl. 66 e ss), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 66 e ss): o objeto do processo é relativo ao exercício 2012 e não 2013 conforme constante do acórdão. A DRJ confundiuse quanto ao anocalendário e exercício. não haveria porque se considerar o início da isenção a partir de dezembro de 2011, pois existe documentação comprobatória que remete o início da patologia ao mês de junho 06/2011. Ademais, não existe nenhum fato médico ocorrido no mês de dezembro que pudesse sustentar tal decisão. Se fosse computado o mês de dezembro como marco inicial do direito, o imposto a recolher seria R$ 9.401,42 e não a quantia recolhida pelo contribuinte R$ 12.682,32. Caberia então a restituição da diferença, fato alegado em peça inicial e que não foi analisado pela DRJ. 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 15504.721141/201712 Acórdão n.º 2002000.055 S2C0T2 Fl. 93 5 a Constituição Federal garante o direito ao contraditório e ampla defesa. como o acórdão contém vícios, necessariamente teria que ser objeto de revisão. anexou cópia da procuração, da carteira de identidade do procurador, do acórdão e laudo médico retificado. Requer a anexação de novo laudo, providenciado pelo contribuinte junto à mesma perícia médica, desta feita, elencando as duas patologia que o acomete: cardiopatia grave desde 06/2011 e cegueira monocular desde 02/2011. Requer que seja considerado o início do direito à isenção o mês de fevereiro de 2011, mês de acometimento da cegueira com o competente recálculo do direito à restituição, baixandose o lançamento efetivado contra o contribuinte. À vista do exposto, requer que seja acolhida a sua manifestação, com o consequente processamento de declaração com direito a isenção a partir do mês de fevereiro de 2011, consoante laudo médico. Requer ainda o cancelamento do débito apurado em notificação de lançamento, por excessivo, com o consequente crédito da restituição a que tem direito com a prioridade concedida pelo art. 69A da Lei 9.784/99 e Estatuto do Idoso. Na sequência consta procuração (fl. 69), identidade do procurador (fl. 70), laudo pericial (fl. 71), cópia do acórdão da DRJ (fl. 72 e ss), requerimento para prioridade no andamento processual (fl. 82). Em 09/08/2017, o contribuinte manifestouse novamente nos autos, desta vez para discordar do encaminhamento dos autos ao Carf. Alega direito ao contraditório e ampla defesa, a previsão de alteração do lançamento por meio de impugnação (art. 145, I, CTN) e revisão de ofício do lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior (art. 149, VIII, CTN). Conclui dizendo que acredita que é dever de toda e qualquer autoridade administrativa revisar e anular os atos administrativos, quando estes se achem maculados por vícios formais ou materiais que os tornem imprestáveis. Assim, requer a revisão de ofício do ato administrativo, considerando o direito à isenção a partir do mês de fevereiro de 2011, mês este de acometimento da cegueira, com o competente recálculo do direito à restituição, baixandose o lançamento. Requer por fim o cancelamento do débito apurado em notificação de lançamento com o consequente crédito da restituição a que tem direito com a prioridade concedida pelo art. 69A da Lei 9.784/99 e Estatuto do Idoso. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15504.721141/201712 Acórdão n.º 2002000.055 S2C0T2 Fl. 94 6 Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: procuração (fl. 69); identidade do procurador (fl. 70); laudo pericial (fl. 71); cópia acórdão de impugnação (fl. 72 e ss); requerimento de prioridade processual (fl. 82); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Fungibilidade Em razão do princípio da fungibilidade, recebo a peça apresentada pelo sujeito passivo como recurso voluntário e passo a sua análise. Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 68, 69 e 87) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso e de moléstia grave. Assim, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Preliminar de nulidade O contribuinte alega diversos vícios na decisão da DRJ e pede a revisão de ofício do lançamento. De acordo com o art. 59 do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 15504.721141/201712 Acórdão n.º 2002000.055 S2C0T2 Fl. 95 7 A decisão da DRJ trata de exercício diverso daquele que é objeto dos autos, além de conter contradições. Este fato representa prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, configurandose pois a hipótese do inciso II supra. De acordo com o § 3º do mesmo artigo: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Assim, por força desta disposição prosseguirei na análise do mérito. Mérito Moléstia grave De acordo com as súmulas Carf 43 e 63: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em debate, os meses de janeiro e dezembro de 2011 são incontroversos nos autos, haja vista que Fisco e contribuinte concordam que os rendimentos de jan/2011 são tributáveis e os de dez/2011 são isentos. Dessa forma, a lide se limita aos meses de fevereiro a novembro de 2011. O lançamento ocorreu porque o contribuinte não comprovou o mês de 2011 no qual se iniciou a sua moléstia, haja vista que essa informação não constava do laudo inicialmente apresentado (fl. 46). Contudo, em 04/08/2017, o sujeito passivo juntou aos autos o laudo corrigido onde é atestado que ele é portador de cardiopatia grave desde 06/2011 e cegueira monocular desde 02/2011 (fl. 71). O art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72 prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Contudo, considerando que o segundo laudo apresentado é apenas a retificação do primeiro que já constava dos autos, entendo que, em respeito ao princípio da razoabilidade, neste caso, a verdade material deve prevalecer e o formalismo deve ser mitigado para que o laudo pericial retificado seja considerado na análise da questão. O laudo corrigido comprova que a falha que deu causa ao lançamento foi sanada. Como a fiscalização não tinha a informação do mês de início da moléstia, apenas o Fl. 95DF CARF MF Processo nº 15504.721141/201712 Acórdão n.º 2002000.055 S2C0T2 Fl. 96 8 ano, 2011, a isenção foi atribuída somente ao último mês do ano, lançandose os rendimentos dos demais meses como tributáveis. No entanto, agora consta dos autos a prova exigida pela norma, atestando que uma das moléstias que o contribuinte tem e que se enquadra no rol do art. 6º, XIV da Lei 7.713/88 iniciouse em 02/2011. Assim, diante da apresentação do laudo retificado, o lançamento deve ser modificado, a fim de considerar como isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos a partir de fevereiro de 2011. Do pagamento No mais, o contribuinte alega que pagou R$ 12.682,32 em virtude da entrega da declaração original e que só depois a retificou para declarar os rendimentos em questão como isentos. Tais pagamentos, caso confirmados nos sistemas informatizados da Receita Federal, devem ser considerados no recálculo do lançamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que o lançamento seja recalculado considerando como termo inicial da moléstia grave o mês de fevereiro de 2011 e para que seja considerado no recálculo, o valor de R$ 12.682,32 pago pelo contribuinte em razão da entrega da declaração original do anocalendário 2011, caso os respectivos pagamentos estejam confirmados nos sistemas informatizados da Receita Federal. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901789/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 01 78 9/ 20 11 -4 8 Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10735.901789/201148 Resolução nº 1302000.555 S1C3T2 Fl. 401 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1240.721, proferido pela DRJRJOI, em 08/09/2011, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da DRFNova Iguaçu/RJ que indeferiu parcialmente o Pedido de Compensação de Saldo Negativo de IRPJ, efetuado através dos PER/Dcomp nº 11982.03368.131106.1.7.027602 e 03808.68053.271106.1.7.021476, foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 09616.63899.150107.1. 3.024243 e não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP 30573.55856. 310107.1.3.029082, tendo em vista o crédito reconhecido ter sido insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não tenha sido informado em DIRF e, ainda, que não seja confirmado por comprovante de retenção. IRRF. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução do IRRF devidamente retido e recolhido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. Cientificada do acórdão recorrido em 29/11/2011 (fls. 294), a recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2011 (fls. 295/307), no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões recursais; i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10735.901789/201148 Resolução nº 1302000.555 S1C3T2 Fl. 402 3 ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv. a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10735.901789/201148 Resolução nº 1302000.555 S1C3T2 Fl. 403 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim dele conheço. A controvérsia instaurada gira em torno da comprovação de IRRF retido pelas fontes pagadoras, no montante informado pela recorrente em suas PER/Dcomp's, que compõe o saldo negativo de IRPJ pleiteado para utilização nas compensações declaradas. A autoridade administrativa que analisou o pleito entendeu que, no cotejo entre os valores informados pela contribuinte e as informações prestadas pelas fontes pagadoras em suas DIRF's, restou confirmado o montante retido de R$ 1.335.637,78, de um total pleiteado de R$ 1.235.551,61, resultando em uma glosa no valor de R$ 100.086,17, o que reduziu o saldo negativo apurado e declarado pela contribuinte de R$ 1.204.935,45 para 1.104.849,28. A recorrente apresentou junto com sua manifestação de inconformidade, além das notas fiscais emitidas com destaque dos tributos retidos na fonte (Anexo C, C1 e C2 fls. 62/259), diversas planilhas de controle que demonstram individualizadamente as retenções sofridas em cada operação e a data de recebimento de cada fatura de serviços (Anexo A fls. 48/51, Anexo B fls. 52/60). Além disso, verificase nas notas fiscais anexadas o valor líquido de cada operação e, em grande parte delas, os dados bancários para o pagamento das faturas. Embora a recorrente não tenha trazido aos autos os documentos previstos nas instruções normativas instituídas pela administração tributária federal, apresenta outros elementos, de forma sistematizada, que servem ao menos como início de prova a favor do sujeito passivo. Especialmente, levandose em consideração que grande parte delas, foi confirmada pela própria RFB por meio das DIRFs disponíveis no sistema. É fato que o contribuinte para ter direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período deve apresentar o comprovante de retenção,emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme o disposto no art.55 da Lei nº 7.450/1985, verbis: Art 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, essa exigência tem sido relativizada nas hipóteses em que o contribuinte não tenha recebido esse comprovante e/ou não tenha como obtêlo, desde que consiga fazer prova, por outros meios ao seu dispor, de que efetivamente sofreu as retenções que alega,conforme a jurisprudência deste CARF, verbis: Acórdão nº 130100.769, de 24/11/2011– 3ª Câmara/1ªTO Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10735.901789/201148 Resolução nº 1302000.555 S1C3T2 Fl. 404 5 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS.AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF. O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer outros meios ao seu alcance. Em assim não sendo,correta a decisão de primeira instância que considerou comprovados apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF. Acórdão nº 130200.945 – 05/07/2012 3ª Câmara/2ªTO IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração,ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. No caso em apreço, entendo que, embora não estejam devidamente comprovadas as retenções existem fortes indícios de sua ocorrência e, tendo em conta os princípios da razoabilidade e da verdade material, que é justificável a conversão do julgamento em diligência com vistas a permitir à recorrente a apresentação de elementos complementares que demonstrem a efetividade das operações. Com efeito, tem razão a recorrente quando aponta que não pode ser responsabilizada pela falta ou incorreção de informações nas DIRF's pelas fontes pagadoras, ou mesmo, pela falta de recolhimento dos tributo retidos, se comprovados por outros meios que efetivamente ocorreu a retenção. Conforme acima destacado, a recorrente apresentou a cópia de cada nota fiscal/fatura contendo os valores brutos e líquidos de cada operação e informou a data do recebimento de cada uma delas e, ainda, em muitos casos, a própria informação dos dados bancários para recebimento das faturas. Assim, entendo que é perfeitamente possível que esta possa identificar e comprovar o recebimento dos valores de cada operação pelos seus montantes líquidos, a denotar a efetividade da retenção dos tributos pelas fontes pagadoras. Tais comprovações podem ser feitas mediante extratos ou avisos bancários e ainda pelos registros contábeis dos respectivos recebimentos nos livros Diário/Razão. E, ainda, que a própria fiscalização possa intimar as fontes pagadoras a confirmar as operações e respectivas retenções na fonte. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10735.901789/201148 Resolução nº 1302000.555 S1C3T2 Fl. 405 6 Noutro giro, é possível até mesmo que, tendo decorrido um prazo razoável entre a data de prolação do despacho decisório e a interposição do presente recurso, que as próprias fontes pagadoras tenham apresentados DIRF's retificadoras, que possam comprovar total ou parcialmente os valores anteriormente glosados. Assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligências, encaminhandose os autos à unidade preparadora para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para: a.1) intimar a interessada a apresentar a comprovação do recebimento dos valores informados nas notas fiscais (conforme as planilhas por ele apresentadas Anexos A, B e C da manifestação de inconformidade) pelos valores líquidos dos tributos retidos, mediante a apresentação de extratos ou avisos bancários respectivos (quando for o caso) e dos respectivos registros contábeis (livros Diário e/ou Razão) nas contas pertinentes; a.2) intimar, se necessário, as fontes pagadoras a confirmar a retenção dos valores que deixaram de ser reconhecidos, em face da ausência de informação em Dirf e da ausência de Comprovantes de Rendimentos; a.3) efetuar outras averiguações que julgar convenientes, inclusive nos sistemas da RFB, com vistas a identificar o montante efetivo de imposto retido pelas fontes pagadoras à contribuinte, no período ora examinado; a.4) elaborar relatório circunstanciado, detalhando as apurações realizadas e informando os novos valores que tenham sido comprovados pela contribuinte ou pelas fontes pagadoras, indicando o saldo adicional passível de reconhecimento, se for o caso. a.5) dar ciência do relatório à interessada para que esta, querendo, se manifeste sobre suas conclusões no prazo de 30 (dias), findo o qual o processo deve retornar a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720298/2014-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO
A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida.
Numero da decisão: 1001-000.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida.
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ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 02 98 /2 01 4- 73 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13782.720298/201473 Acórdão n.º 1001000.367 S1C0T1 Fl. 315 2 Tratase de solicitação de reenquadramento no Simples Nacional, na forma de pedido de reconsideração da exclusão por comunicação obrigatória, interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Recife (PE), mediante o Acórdão nº 1152.595, de 19/04/2016 (efls. 274/283), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome de parte do voto elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) A empresa acima identificada comunicou alteração de dados cadastrais para modificar o rol de atividades econômicas. Nesta oportunidade, em 27/8/2014, informou ao cadastro CNPJ a atividade econômica cujo código CNAE é o de número 7119799 Atividades técnicas relacionadas à engenharia e arquitetura não especificadas anteriormente. Ao identificar a inserção de atividade incompatível, o sistema de processamento promoveu a exclusão automática da empresa do Simples Nacional, com data de efeito igual a 1º de setembro de 2014, de acordo com dispositivo legal regulamentado pela Resolução CGSN Nº 94, de 2011, art. 74, II. (...) (...) 2. Inconformado com a exclusão, o defendente solicita reenquadramento a partir de 27/8/2014, uma vez que cometeu erro na inserção do código CNAE citado. Também informa que já efetuou a devida correção no cadastro CNPJ. Por fim, ressalta que não possui tal atividade no contrato social registrado na Junta Comercial. 3. Diante das alegações acima, a autoridade administrativa da DRF/CGZ intimou a empresa a apresentar notas fiscais de prestação de serviços e o livro de registro dos serviços prestados, relativamente aos anoscalendário 2013 e 2014. (Termo de Intimação Fiscal à fl. 13). 3.1. As notas fiscais foram apresentadas (fls. 54 a 158). 4. Após análise da documentação apresentada (contrato social e alterações posteriores e notas fiscais), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campo dos Goitacazes (DRF/CGZ) indefere o pedido de reinclusão no Simples Nacional e confirma a exclusão da empresa do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de setembro de 2014, nos termos do Despacho Decisório Saort DRF/CGZ Nº 106, de 16 de setembro de 2015 (fls. 197 a 203). Em síntese, a autoridade fiscal concluiu que: a) o exame das notas fiscais eletrônicas de serviços apresentadas evidencia que, entre outros, o interessado presta o seguinte serviço: Elaboração de projeto contra incêndio e pânico; b) é inegável que os serviços de elaboração de projeto contra incêndio e pânico, prestados pelo interessado, enquadramse no impedimento do inciso XI do artigo 17 da LC 123/2006; c) podem haver atividades de natureza técnica que não são impeditivas ao Simples Nacional. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13782.720298/201473 Acórdão n.º 1001000.367 S1C0T1 Fl. 316 3 Contudo, a leitura dos §§ 5ºB e 5ºE do artigo 18 da LC nº 123/2006 evidencia que a elaboração de projeto contra incêndio e pânico não está entre as exceções estabelecidas em lei. Dessa forma, a atividade citada foi impeditiva até a revogação do inciso XI com efeitos a partir de 2015. 4.1. Por meio de documento denominado "Relatório Fiscal Saort/DRF/CGZ 30/2015", a autoridade fiscal agrava a situação excludente para dar efeito à decisão anterior a partir de 1º de maio de 2013, com base na seguinte argumentação (fls. 194 a 199 processo apensado 10725.720812/201548): Pelos documentos (NFe, fls. 46/150) obtidos no decorrer do Processo n° 13782720298/201473, o interessado exerce a atividade impeditiva desde 25/04/2013 (vide tabela mais acima). (...) Logo, constatase que o interessado não efetuou a comunicação obrigatória de sua exclusão do Simples Nacional; que, pelas NF e obtidas, deveria ter sido realizada até o último dia útil do mês de maio de 2013, co efeitos a partir de 01/05/2013, nos termos dos já abordados arts. 30, § 1º, inciso II, e 31, inciso II, da LC nº 123/2006. (...) CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento nos art. 2º, § 6º, art.17, inciso XI, art. 30, inciso II e § 1º, inciso II, e art. 31, inciso II, todos da LC nº 123/2006, no art. 15, inciso XXI, art.75, inciso I, e art. 76, §5º, todos da Resolução CGSN nº 94/2011, proponho a exclusão de ofício do interessado do Simples Nacional, com efeitos retroativos a partir de 01/05/2013 até 31/12/2014, sem prejuízo, obviamente, de exclusão ainda mais retroativa, caso eventuais novas averiguações constatem que o interessado exercia a atividade impeditiva antes mesmo de abril de 2013, ou em razão de outra situação impeditiva qualquer, prevista na legislação. 4.2. Dessa forma, foi expedido o Ato Declaratório Executivo Nº 14, de 23/9/2015 (DOU de 24/9/2015), para fins de comunicação à empresa ora reclamante sobre a exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de maio de 2013. A exclusão, que antes havia se limitado ao ato automático pela informação da CNAE no cadastro CNPJ, foi ampliada em função da análise das notas fiscais apresentadas. Essas informações constam do processo administrativo Nº 10725.720812/201548 (ADE fl. 200). 5. O defendente apresenta nova manifestação de inconformidade (fls. 209 a 216), na qual traz novos argumentos, em síntese: a) a informação da CNAE impeditiva 71197/99 em agosto de 2014 tratou se apenas de erro material. De fato, o código CNAE não representava o objeto social da empresa. Esse erro foi corrigido em novo pedido de alteração de dados cadastrais no dia 19/11/2014; Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13782.720298/201473 Acórdão n.º 1001000.367 S1C0T1 Fl. 317 4 b) o auditor fiscal em delegação de competência concluiu desfavoravelmente indeferindo o pleito, emitindo opinião particular incompatível com a referida delegação de competência de que o serviço prestado pela empresa se enquadrava no CNAE 7112/000 Serviços de engenharia, em flagrante interpretação extensiva de todo o contexto probatório; c) assim, por um erro material foi inserido a CNAE 71197/99, sendo que no instrumento que alterou não há evidências de atividade de engenharia (motivo da exclusão), basta verificar a atualização do CNPJ em momento posterior a exclusão, conforme documento anexado; d) nas notas fiscais emitidas não constam códigos de atividades impeditivas, sendo informada de forma clara o código de serviços de ISS 14.01. O espelho do cadastro econômico da recorrente comprova de forma irrefutável que as atividades oriundas dos códigos de atividades 7119799 e 7112000 somente se tornaram atividades habilitadas e passíveis de emissão de nota fiscal a partir de 12/2/2015; e) que o funcionário responsável pela emissão de notas fiscais na época transcreveu a palavra "elaborar" ao invés de "executar", O texto do histórico sempre foi livre no sistema de notas da Prefeitura. f) a vedação legal está voltada ao efetivo exercício da atividade e não à mera previsão no contrato social e muito menos interpretação extensiva em razão de opinião particular de que o serviço seria de engenharia; g) a exclusão fere os princípios da razoabilidade e da conservação da empresa, pelo simples fato de que a Recorrente se equivocou no preenchimento de formulário DBE do CNPJ, para alteração da CNAE, fato que em momento algum foi rejeitado pela Receita Federal, uma vez que tal atividade não fazia parte do objeto social da empresa. Ainda, a exclusão pode provocar a descontinuidade da empresa; A DRJ considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, cancelando o ADE referente à exclusão retroativa ao mês de maio de 2013 e mantendo a exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de setembro de 2014 e até dezembro de 2014. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013, 2014 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. A previsão de atividade vedada no objeto social, constante do contrato social da pessoa jurídica, é condição suficiente para exclusão do Simples Nacional. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. ATIVIDADE INCOMPATÍVEL. A alteração de atividade econômica que promova a inserção de CNAE impeditiva, equivale a comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional. NOTAS FISCAIS. DISCRIMINAÇÃO DOS SERVIÇOS. EFETIVO EXERCÍCIO. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13782.720298/201473 Acórdão n.º 1001000.367 S1C0T1 Fl. 318 5 A prova do efetivo exercício de atividade relativa à prestação de serviços poderá ser realizada pelo exame de notas fiscais, desde que a discriminação dos serviços estejam devidamente descritos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 02/05/2016, conforme Aviso de Recebimento à efl. 287, a recorrente apresentou recurso voluntário em 01/06/2016 (efls. 291/312), conforme carimbo à efl. 291. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera as alegações trazidas em sede de primeira instância, ou seja, que cometeu erro na inserção do código CNAE; que já efetuou a devida correção no cadastro CNPJ e que não possuía tal atividade no contrato social registrado na Junta Comercial. Alega que a RFB do Brasil passou a reconhecer o código 7119799 como não restritivo ao simples nacional, que o referido serviço não era prestado em períodos anteriores e alega que a ""própria Administração tributária em julgados administrativos e consultas, possui posicionamentos favoráveis a Recorrente, no sentido de que, para fins de verificação da ocorrência da vedação ao Simples Nacional, o importante e o efetivo exercício da atividade, e não sua mera previsão no contrato social". Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: (grifos constam do original) 8. Para elucidar a questão, recorremos à Lei Complementar Nº 123, de 2006, na sua versão anotada constante do Portal do Simples Nacional, aqui reproduzida nos trechos pertinentes: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (efeitos: a partir de 01/07/2007) Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13782.720298/201473 Acórdão n.º 1001000.367 S1C0T1 Fl. 319 6 (...) XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (Revogado pela Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014) (efeitos: de 01/07/2007 a 31/12/2014) (...) 8.1. Como se observa, pela leitura dos dispositivos acima transcritos, a empresa que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual (gênero), de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural (espécies) permaneceu vedada ao Simples Nacional até 31/12/2014. (...) 13.1. (...), não resta dúvida que a partir da alteração das atividades econômicas realizada em agosto de 2014, há intenção inequívoca de acrescer serviços que exigem mais qualificação técnica e científica. A expressão constante do objeto social após a 6a. alteração, qual seja, "serviço especializado p construção na elaboração ou execução de projetos de incêndio", indica envolver tarefas de planejamento, organização e feitura do projeto, além da própria execução técnica. 13.2. Neste ponto, vale ressaltar que os artigos. 968, 997 e 1.054 do Código Civil, ao estabelecer os requisitos do requerimento constitutivo dos empresários e sociedades, destaca o objeto como essencial. 13.3 Ora, sendo o objeto um elemento obrigatório do instrumento constitutivo da empresa, por expressa exigência legal, não é plausível admitirse que a menção de uma atividade econômica seja neutra ou inócua, sem qualquer conseqüência jurídica. A menção, na cláusula do seu objeto empresarial, da atividade econômica de serviços especializado na elaboração e execução de projetos tem sim o conteúdo do compromisso formalmente assumido perante os terceiros de que esta será exercida. Não tem lógica admitir que o texto contratual seja composto por expressões vazias de significado. 13.4. Para fins de enquadramento na vedação ao Simples Nacional, o texto legal também menciona a finalidade ou o objeto social da empresa e não propriamente ao exercício efetivo de determinada atividade. Vêse que a expressão utilizada no dispositivo de vedação se refere a "que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de .......". 13.5. Nesta linha de raciocínio, o Comitê Gestor do Simples Nacional já se posicionou. Para que o indeferimento da opção ou a exclusão do Simples Nacional seja admitida e processada, basta a existência de uma atividade vedada, ainda que exercida paralelamente a outras permitidas ou, ainda, o simples registro da atividade no contrato social. Essa é a orientação sobre o assunto contida no “Perguntas e Respostas”, disponível no Portal do Simples Nacional no sítio da Receita Federal do Brasil, que trata a respeito da empresa que possui em seu registro atividade impeditiva: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13782.720298/201473 Acórdão n.º 1001000.367 S1C0T1 Fl. 320 7 2.5. SE CONSTAR DO CONTRATO SOCIAL ALGUMA ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, AINDA QUE NÃO VENHA A EXERCÊLA, TAL FATO É MOTIVO DE IMPEDIMENTO Á OPÇÃO? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VII da Resolução CGSN nº 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que declare, no momento da opção, que exerce apenas atividades permitidas. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (Ver Pergunta 1.3). (...)grifos acrescidos (...) Quanto à alegação de que as regras do Simples foram alteradas, a recorrente não indica objetivamente o dispositivo da lei. Não obstante a vaga citação, cabe comentar que foi aplicado ao caso a lei vigente à época dos fatos (artigo 144 do CTN) e que vigeu até o 31 de dezembro de 2104. Outrossim, as alterações quantos às atividades impeditivas passaram a vigorar a partir de janeiro de 2015. Quanto à jurisprudência citada, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Quanto às citadas Solução de Consulta nº 320/2014 e Solução de Divergência nº 36/2013, a recorrente não as transladada para o recurso voluntário, apenas informa que as mesmas corroboram a tese da necessidade do efetivo exercício da atividade impeditiva. Não aponta onde está a concordância da sua tese, de forma clara e objetiva, para que seja possível a dialética recursal, ao mesmo tempo em que inova em relação a sua defesa, contrariando a regra prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, não fugindo ao diálogo, na leitura das mesmas, logo se percebe que ambas não se aplicam ao caso em tela. Enquanto os atos da Cosit tratam de "MONTAGEM. ESTRUTURAS NAVAIS" e de "INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO HIDRÁULICA, ELÉTRICA, SANITÁRIA, DE GÁS E DE SISTEMAS CONTRA INCÊNDIO", respectivamente, ao presente processo trata de elaboração de projeto contra incêndio e pânico. Cabe ressaltar que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13782.720298/201473 Acórdão n.º 1001000.367 S1C0T1 Fl. 321 8 Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose a exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de setembro de 2014, até dezembro de 2014. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 321DF CARF MF
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