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Numero do processo: 13748.720491/2016-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NEOPLASIA MALIGNA DE PRÓSTATA. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO.
De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física.
In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo o contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de Neoplasia Maligna, doença presente no rol da legislação, impõe-se admitir a isenção pretendida.
Numero da decisão: 2401-005.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NEOPLASIA MALIGNA DE PRÓSTATA. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo o contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de Neoplasia Maligna, doença presente no rol da legislação, impõe-se admitir a isenção pretendida.
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ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NEOPLASIA MALIGNA DE PRÓSTATA. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatandose que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo o contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de Neoplasia Maligna, doença presente no rol da legislação, impõese admitir a isenção pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 04 91 /2 01 6- 92 Fl. 58DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13748.720491/201692 Acórdão n.º 2401005.316 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório JAYRO DE CASTRO NEVES FILHO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0372.819/2017, às efls. 42/46, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de rendimentos considerados isentos por moléstia grave, em relação ao exercício 2012, conforme peça inaugural do feito, às fls. 24/28, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 22/09/2016, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, no decorrer da ação fiscal, constatouse o enquadramento de rendimentos indevidamente considerados com isentos por moléstia grave, em decorrência da não comprovação da moléstia ou da condição de aposentado, pensionista ou reformado, motivo da razão do lançamento fiscal e da manutenção pela decisão de primeira instância. Inconformado com a Decisão recorrida que julgou improcedente a impugnação, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 50, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, requerendo a isenção ao Imposto de Renda por ser portador de moléstia grave e os rendimentos serem proventos de aposentadoria, colacionando aos autos os documentos comprobatórios. Primeiramente, esclarece ter juntado o laudo médico na impugnação e este foi aceito pela DRJ. Afirma fazer prova, nesta oportunidade, de sua condição de aposentado, motivo pelo qual não foi dado provimento pela autoridade a quo. Acrescenta que a sua condição de portador de moléstia grave já foi julgada e aprovada nas duas fontes de renda de sua aposentadoria, quais sejam: Previdência Social e Fundação IBM. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura da presente notificação de lançamento se deu em virtude do contribuinte ter considerado como isentos os rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social e da Fundação Previdenciária IBM, sem contudo comprovar ser portador de moléstia grave ou sua condição de aposentado nos termos da legislação em vigor. Desde a impugnação, o notificado informou ser portador de moléstia grave, trazendo à colação laudo médico oficial, de fls. 07 e 35, junta também relatório da prostatectomia, fls. 10/12 e a Certidão do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica para comprovação do serviço medico oficial, fl. 40. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que "Compulsando os autos (fl. 0741), verificase que o impugnante, de fato, acosta novo Laudo Pericial (fl. 35), porém, este está desacompanhado do documento comprobatório de que é aposentado, reformado ou pensionista. Tal lacuna documental enseja, por si só, a denegação do benefício da isenção, sendo inócua a eventual comprovação da existência de moléstia grave prevista em lei, como já se esclareceu acima. Subsiste, portanto, a infração lavrada, por falta de comprovação hábil e idônea." Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, reafirmando as alegações da impugnação, suscitando que são considerados isentos os proventos de aposentadoria, haja vista ser portador de moléstia grave, colacionando aos autos novos documentos comprobatórios de sua condição de aposentado.. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004, nos termos abaixo: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13748.720491/201692 Acórdão n.º 2401005.316 S2C4T1 Fl. 4 5 hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Acerca do tema, o Decreto n° 3000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4° do mesmo artigo, assim dispõe: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ao interpretar a legislação acima transcrita, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. O primeiro reportase à natureza dos valores recebidos, devendo ser proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos autos, principalmente dos documentos comprobatórios, não restam dúvidas de que o recorrente é portador de Neoplasia Maligna de Próstata, desde 2000, motivo pelo qual lhe garante a isenção sobre proventos de aposentadoria. In casu, o ponto nodal da demanda se fixa em definir se os proventos recebidos são provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, conforme versa a legislação de regência. Fl. 62DF CARF MF 6 Com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, o contribuinte trouxe à colação, da ocasião do recurso voluntário, comprovante e carta de concessão que atestam a veracidade de sua alegação de aposentado, fls. 51/52. Não obstante as razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cabe ressaltar que o lançamento encontrase escorado em pura e simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal. Com relação ao laudo médico ser oficial ou não, o contribuinte primeiramente anexou aos autos um documento denominado "LAUDO OFICIAL" e neste consta um carimbo "HOSPITAL ALCIDES CARNEIRO", realmente o documento gera uma dúvida quanto a sua emissão ser por órgão oficial, porém para rechaçar essa eventual dúvida, foi juntado a ficha do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, onde consta o Hospital como vinculado ao Município de Petrópolis, ou seja, no entendimento deste Conselheiro, resta claro ser um laudo médico oficial. Já em relação aos rendimentos serem provenientes de aposentadoria, nesse aspecto, para rechaçar de vez quaisquer dúvidas quanto a sua condição de aposentado, o contribuinte anexa ao recurso, comprovante da previdência complementar atestando está aposentado desde 06/01/2005 e carta de concessão do INSS concedendo a aposentadoria por invalidez desde 17/10/2006, assim resta rechaçada a exigência da autoridade fazendária. Como se observa dos autos, está mais que provado ser o recorrente portador de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial e ter seus rendimentos provenientes de aposentadoria, cumulando assim os dois requisitos legais para fazer jus a isenção pleiteada. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.001708/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 12/09/2001
EMBARGOS. OMISSÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS.
Não se identificando as omissões alegadas, devem ser rejeitados os Embargos interpostos por contrariarem as disposições do art. 65, § 3º do Ricarf.
Numero da decisão: 3301-004.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento Por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos interpostos pelo Contribuinte, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini e Valcir Gassen.
.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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OMISSÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS. Não se identificando as omissões alegadas, devem ser rejeitados os Embargos interpostos por contrariarem as disposições do art. 65, § 3º do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento Por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos interpostos pelo Contribuinte, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 17 08 /2 00 6- 19 Fl. 286DF CARF MF 2 . Relatório Conselheiro José Henrique Mauri Relator Cuidase de Embargos Declaratórios, fls. 259/267, interpostos pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 3301002.693, por supostas omissões quanto à matéria de ordem pública e erro de fato relevantes para o deslinde da matéria. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/09/2001 EX TARIFÁRIO. MATÉRIAPRIMA DESTINADA À FABRICAÇÃO DE UÍSQUE. GRADUAÇÃO ALCOÓLICA IGUAL A 63,5%. Os destilados alcoólicos importados que constituem matériaprima destinada à fabricação de uísque e que apresentam graduação alcoólica superior a 61% Gay Lussac são tributados a titulo de IPI à aliquota de 70%, segundo o EX 003 do código NCM 2208.30.10 da TEC, sendo a falta de recolhimento, decorrente da declaração inexata da mercadoria, punível com a multa de oficio proporcional a 75% da diferença de tributo não recolhida, consoante expressa determinação legal. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ANÁLISE LABORATORIAL PRECEDÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. para fins de classificação da mercadoria o certificado emitido por solicitação da autoridade aduaneira revestese de força normativa capaz e suficiente para amparar a decisão da fiscalização, ainda que contrário à certificação de Inspeção Vegetal, cuja função, de controle administrativo, não se confunde com o controle fiscal, a cargo da fiscalização aduaneira Recurso Voluntário Negado A Embargante alega que ocorreu omissão em relação a (i) Necessidade de baixar os autos para diligência; e (ii) erro de fato. Apresenta argumentações onde procura demonstrar ocorrência das pretensas omissões. Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, na síntese oportuna. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10711.001708/200619 Acórdão n.º 3301004.234 S3C3T1 Fl. 8 3 Os Embargos foram admitidos por despacho do presidente da Turma, fls. 282/284, portanto, deles tomo conhecimento. A autuação deuse para exigir diferença de tributo em face de erro na classificação de mercadoria importada, ancoradas em Declaração de Importaçaõ. Segundo a fiscalização, tratase de "matériaprima obtida de cereal destinada à produção de uísque", com teor alcoólico de 63,5%, contrariamente às informações declaradas pelo importador, bem assim nos respectivos Certificados de inspeção Vegetal, expedidos pelo MAPA, onde constaram teor de 59,5%, para as mercadorias declaradas. Na decisão Embargada entendeu o colegiado, por negar provimento, cujo Acórdão foi assim ementado: O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/09/2001 EX TARIFÁRIO. MATÉRIAPRIMA DESTINADA À FABRICAÇÃO DE UÍSQUE. GRADUAÇÃO ALCOÓLICA IGUAL A 63,5%. Os destilados alcoólicos importados que constituem matériaprima destinada à fabricação de uísque e que apresentam graduação alcoólica superior a 61% GayLussac são tributados a titulo de IPI à aliquota de 70%, segundo o EX 003 do código NCM 2208.30.10 da TEC, sendo a falta de recolhimento, decorrente da declaração inexata da mercadoria, punível com a multa de oficio proporcional a 75% da diferença de tributo não recolhida, consoante expressa determinação legal. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ANÁLISE LABORATORIAL PRECEDÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. para fins de classificação da mercadoria o certificado emitido por solicitação da autoridade aduaneira revestese de força normativa capaz e suficiente para amparar a decisão da fiscalização, ainda que contrário à certificação de Inspeção Vegetal, cuja função, de controle administrativo, não se confunde com o controle fiscal, a cargo da fiscalização aduaneira Recurso Voluntário Negado Os Embargos apresentados sustentamse nas supostas omissões a seguir analisadas: 1 Das Omissões Alegadas 1.1 NECESSIDADE DE BAIXAR OS AUTOS PARA DILIGÊNCIA Alega a Embargante que o Acórdão embargado incorreu em omissão por ter deixado de baixar os autos em diligência para verificar o correto percentual de Fl. 288DF CARF MF 4 álcool das mercadorias, porquanto houve manifesta contradição entre laudos que vinculam, necessariamente, este E. CARF. Vislumbrase que os presentes embargos, nesse pormenor, sequer preenchem os requisitos para serem conhecidos, porquanto não há prequestionamento acerca da matéria. Pelo contrário, no Recurso Voluntário vêse que a própria embargante entende por suficientes os elementos acostados nos autos. Vejamos excerto do Recurso Voluntário: [...] 12. Referido entendimento fiscal, acolhido pela decisão que ora se recorre, contudo, não deve subsistir, haja vista que conforme já mencionado, laudos e certificados comprovam de forma cabal que as mercadorias importadas apresentam, de fato graduação alcoólica de 59,5 %. [...] 30. Assim, não pode prevalecer a r. decisão ao manifestar o posicionamento de que a RECORRENTE não apresentou provas que sustentem suas alegações, notadamente em relação ao teor alcoólico da mercadoria, pois, os CERTIFICADOS DE INSPEÇÃO VEGETAL apresentados, concluíram que os produtos importados tratamse de ceral uísque, corroborando as informações constantes dos CERTIFICADOS DE ANALISE. [...] III DO PEDIDO 48. Por todo o exposto, em razão de restar comprovada a regular utilização da classificação fiscal adotada pela Recorrente, requer seja reformada a r. decisão, dandose provimento integral ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, com a conseqüente anulação do lançamento e arquivamento dos autos, por ser esta medida de inteira Justiça. ..... Assim, inexistente prequestionamento quanto à necessidade de diligência não há que se falar em obrigatoriedade de manifestação do colegiado acerca dessa matéria, inexistindo, igualmente, a alegada omissão. 1.2 ERRO DE FATO. Alega a Embargante que a decisão afastou o laudo emitido pela MAPA, em favor do laudo emitido pelo LABOR, sob o argumento de que o primeiro teria sido emitido "antes do início do despacho aduaneiro", o que não representa a verdade, e que tal fato poderia alterar o entendimento do Relator em seu voto vencedor. A embargante sustenta que o Laudo não poderia ser emitido antes do início do despacho aduaneiro pois a própria legislação (Decreto 2.314/1997) determinava a necessidade de presença da mercadoria no território brasileiro e, por conseqüência, não seria possível a realização do referido laudo antes do início do despacho. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10711.001708/200619 Acórdão n.º 3301004.234 S3C3T1 Fl. 9 5 Eis excerto do Acórdão Embargado, nesse pormenor: No presente caso, houve emissão, por parte do MAPA, antes do início do despacho aduaneiro, de Certificado de Inspeção Vegetal, autorizando a importação e a comercialização das mercadorias. Posteriormente, a RFB, em procedimento fiscal, determinou a realização de análise laboratorial e emissão de respectivo Laudo Técnico para a mercadoria importada. A análise ficou a cargo do Labana, Laboratório de Análises da RFB. O que se vê é nítida confusão, por parte da Embargante, quanto à legislação aplicável. O Decreto citado referese a padronização, classificação, registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas, especialmente voltado à fiscalização do MAPA, cujos procedimentos (em relação aos produtos importados) são realizados, v.r., previamente ao início do despacho aduaneiro. Ressaltese que o Laudo do MAPA não guarda relação com o despacho aduaneiro, sendo emitido por aquela autoridade administrativo em momento oportuno, nos termos por ela normatizado. Ademais, não obstante a embargante alegar que referidos laudos tenham sido emitidos no curso do despacho, não apresentou elementos que demonstrem tal afirmativa, limitandose exclusivamente às alegações textuais. Assim, verificase que as omissões alegadas, nesse pormenor, não se encontram objetivamente apontadas, contrariando as disposições do art. 65, § 3º do Ricarf. 1.3 DISPOSITIVO Com essas considerações, voto por Rejeitar os Embargos interpostos pelo contribuinte. É como voto. José Henrique Mauri relator Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727381/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL CONSTATADO. SANEAMENTO.
Constatada a existência de erro material no resultado constante da ata de julgamento, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para fins de fazer registrar o resultado correto do julgamento realizado, formalizado através de resolução, conforme indicado a seguir: "Por unanimidade de votos, decidiu-se pelo sobrestamento do processo em face de sua conexão com o processo 14033.003573/2008-88, que retornou à DRJ para novo julgamento, nos termos do voto da relatora".
Numero da decisão: 3301-004.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos, sem efeitos infringentes, tão somente para fins de sanar o erro material identificado no acórdão embargado, fazendo-se o registro do correto resultado do julgado, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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Embargante RELATORA Interessado BRB BANCO DE BRASÍLIA S/A e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL CONSTATADO. SANEAMENTO. Constatada a existência de erro material no resultado constante da ata de julgamento, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para fins de fazer registrar o resultado correto do julgamento realizado, formalizado através de resolução, conforme indicado a seguir: "Por unanimidade de votos, decidiuse pelo sobrestamento do processo em face de sua conexão com o processo 14033.003573/200888, que retornou à DRJ para novo julgamento, nos termos do voto da relatora". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos, sem efeitos infringentes, tão somente para fins de sanar o erro material identificado no acórdão embargado, fazendose o registro do correto resultado do julgado, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 73 81 /2 01 2- 81 Fl. 762DF CARF MF 2 Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Acórdão n.º 3301004.193 S3C3T1 Fl. 763 3 Relatório Em sessão de julgamento realizada em 24/04/2017 foram julgados tanto o Proc. 14033.003573/200888 quanto o Proc. 10166.727381/201281, processos esses conexos. No primeiro processo (14033.003573/200888), foi declarada a nulidade da decisão proferida pela DRJ, tendo sido solicitada a remessa dos autos àquela instância de julgamento, para que fosse proferido novo julgamento, procedimento este que deveria ser formalizado através de acórdão. No segundo processo (10166.727381/201281), foi determinado o sobrestamento dos autos, para que se aguardasse em secretaria até o retorno ao CARF do Proc. 14033.003573/200888, para que fossem julgados em conjunto, em razão da conexão entre ambos. Neste segundo caso, a decisão deveria ser formalizada por meio de resolução. Acontece que, no momento da formalização dos respectivos acórdãos, verifiquei que a ata de julgamento indicou, por equívoco, a conclusão trocada de um e outro processo, tendo constado a conclusão do Proc. 14033.003573/200888 no Proc. 10166.727381/201281 e viceversa. É o que se extrai da transcrição da ata a seguir colacionada: Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Processo: 10166.727381/201281 Recorrente: BRB BANCO DE BRASILIA SA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 3301003.457 Decisão: Por unanimidade de votos, decidiuse pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora. Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Processo: 14033.003573/200888 Nome do Contribuinte: BRB BANCO DE BRASILIA SA Resolução 3301000.322 Decisão: Por unanimidade de votos, decidiuse pelo sobrestamento do processo em face de sua conexão com o processo 10166.727381/201281, que retornou a DRJ para novo julgamento, nos termos do voto da relatora. Sendo assim, esta Relatora, com fulcro no que lhe autoriza o art. 65, parágrafo 1º, inciso I, do Regimento Interno deste Conselho, interpôs embargos declaratórios, Fl. 764DF CARF MF 4 no intuito de que o erro material constante da ata de julgamento fosse devidamente sanado, fazendose constar de forma correta o resultado de julgamento realizado em um e outro caso. Os referidos embargos foram admitidos pelo presidente desta turma, conforme despacho de fls. 761 dos autos. É o que havia de relevante para relatar. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Acórdão n.º 3301004.193 S3C3T1 Fl. 764 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os embargos opostos foram admitidos conforme despacho constante dos autos, portanto, passo a apreciálos. Conforme acima relatado, houve um erro material na indicação na ata de julgamento, tendo constado de forma equivocada os resultados realizados no presente processo (10166.727381/201281) e no processo a ele conexo (14033.003573/200888). Indicase a seguir o resultado correto que deveria ter constado da ata de julgamento: Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Processo: 14033.003573/200888 Nome do Contribuinte: BRB BANCO DE BRASILIA SA Acórdão Decisão: Por unanimidade de votos, decidiuse pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora. Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Processo: 10166.727381/201281 Recorrente: BRB BANCO DE BRASILIA SA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Resolução Decisão: Por unanimidade de votos, decidiuse pelo sobrestamento do processo em face de sua conexão com o processo 14033.003573/200888, que retornou a DRJ para novo julgamento, nos termos do voto da relatora. Ou seja, quanto ao processo ora analisado (10166.727381/201281), deveria ter sido registrado, através de resolução, o seguinte resultado de julgamento: "Por unanimidade de votos, decidiuse pelo sobrestamento do processo em face de sua conexão com o processo 14033.003573/200888, que retornou a DRJ para novo julgamento, nos termos do voto da relatora". Sendo assim, os embargos declaratórios deverão ser acolhidos, sem efeitos infringentes, tão somente para fins de sanar o erro material identificado na ata de julgamento, fazendose o registro do correto resultado do presente julgado, conforme acima indicado, inclusive para que a secretaria possa cumprir o que fora julgado. É como voto. Fl. 766DF CARF MF 6 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000546/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. PRAZO PARA RESPOSTA A INTIMAÇÃO. EXIGÜIDADE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
A concessão de prazos exíguos para atendimento às intimações fiscais não tem o condão de configurar cerceamento do direito de defesa, tampouco nulidade do lançamento, tendo em conta a natureza inquisitiva do procedimento fiscal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
MULTA. ABUSIVIDADE. CARF. MANIFESTAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não possui competência para se manifestar sobre pretensa abusividade da norma, razoabilidade/proporcionalidade de critérios objetivos de sua aplicação ou mesmo sobre aspectos da constitucionalidade de lei tributária, ex vi do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72.
ARQUIVOS DIGITAIS. ART. 11 DA LEI Nº 8.218/91. FORMA DE APRESENTAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INOBSERVÂNCIA. MULTA. CABIMENTO.
Consoante disposto no art. 11 da Lei nº 8.218/91, cabe à RFB a expedição dos atos necessários para estabelecer a forma e prazo de apresentação dos arquivos digitais e sistemas eletrônicos utilizados pela pessoa jurídica para escrituração de livros e documentos contábeis e fiscais (IN SRF 86/2001 e ADE Cofins 15/01), de maneira que o seu descumprimento, inclusive quando apresentado em formato diverso, a critério da autoridade requisitante, rende ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 12 do mesmo diploma legal
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Suscitada da tribuna nulidade relativa à quantificação da multa, o colegiado, unanimemente, não conheceu da questão, por ser afeta a matéria preclusa.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. PRAZO PARA RESPOSTA A INTIMAÇÃO. EXIGÜIDADE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. A concessão de prazos exíguos para atendimento às intimações fiscais não tem o condão de configurar cerceamento do direito de defesa, tampouco nulidade do lançamento, tendo em conta a natureza inquisitiva do procedimento fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 MULTA. ABUSIVIDADE. CARF. MANIFESTAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não possui competência para se manifestar sobre pretensa abusividade da norma, razoabilidade/proporcionalidade de critérios objetivos de sua aplicação ou mesmo sobre aspectos da constitucionalidade de lei tributária, ex vi do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72. ARQUIVOS DIGITAIS. ART. 11 DA LEI Nº 8.218/91. FORMA DE APRESENTAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INOBSERVÂNCIA. MULTA. CABIMENTO. Consoante disposto no art. 11 da Lei nº 8.218/91, cabe à RFB a expedição dos atos necessários para estabelecer a forma e prazo de apresentação dos arquivos digitais e sistemas eletrônicos utilizados pela pessoa jurídica para escrituração de livros e documentos contábeis e fiscais (IN SRF 86/2001 e ADE Cofins 15/01), de maneira que o seu descumprimento, inclusive quando apresentado em formato diverso, a critério da autoridade requisitante, rende ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 12 do mesmo diploma legal Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Suscitada da tribuna nulidade relativa à quantificação da multa, o colegiado, unanimemente, não conheceu da questão, por ser afeta a matéria preclusa. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
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PRAZO PARA RESPOSTA A INTIMAÇÃO. EXIGÜIDADE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. A concessão de prazos exíguos para atendimento às intimações fiscais não tem o condão de configurar cerceamento do direito de defesa, tampouco nulidade do lançamento, tendo em conta a natureza inquisitiva do procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 MULTA. ABUSIVIDADE. CARF. MANIFESTAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não possui competência para se manifestar sobre pretensa abusividade da norma, razoabilidade/proporcionalidade de critérios objetivos de sua aplicação ou mesmo sobre aspectos da constitucionalidade de lei tributária, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. ARQUIVOS DIGITAIS. ART. 11 DA LEI Nº 8.218/91. FORMA DE APRESENTAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INOBSERVÂNCIA. MULTA. CABIMENTO. Consoante disposto no art. 11 da Lei nº 8.218/91, cabe à RFB a expedição dos atos necessários para estabelecer a forma e prazo de apresentação dos arquivos digitais e sistemas eletrônicos utilizados pela pessoa jurídica para escrituração de livros e documentos contábeis e fiscais (IN SRF 86/2001 e ADE Cofins 15/01), de maneira que o seu descumprimento, inclusive quando apresentado em formato diverso, a critério da autoridade requisitante, rende ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 12 do mesmo diploma legal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 05 46 /2 00 9- 21Fl. 452DF CARF MF 2 Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Suscitada da tribuna nulidade relativa à quantificação da multa, o colegiado, unanimemente, não conheceu da questão, por ser afeta a matéria preclusa. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Tratase de auto de infração para exigência de multa por inconsistências nos arquivos magnéticos apresentados, consoante arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, bem assim, multa por inobservância de obrigações acessórias diversas. Consoante relato fiscal a pessoa jurídica, por força de pedidos de ressarcimento de IPI, foi submetida a procedimento fiscal, especificamente o estabelecimento industrial localizado em Pindamonhangaba/SP, onde foi constatada vedação de acesso aos sistemas e bancos de dados na sede do estabelecimento, guarda de documentos fiscais fora do domicílio fiscal e indicação de funcionário lotado em outra localidade para acompanhamento da fiscalização. Relativamente aos arquivos digitais, verificouse que não obedeciam ao formato na IN SR 86/01, informando o contribuinte que, para o ajuste, necessitaria refazêlos por completo; que os registros de entradas não se baseavam nas respectivas notas fiscais, mas sim nas faturas comerciais, no tocante às importações, o que ocasionou discrepâncias, por exemplo, nas unidades de medidas adotadas; que, diante dessas inconsistências, aceitou a fiscalização a entrega de arquivo em formato “excel”, mas que também possuía vícios, como registros equivocados, ausência de registros, incompletude de informações, de modo que, para esses casos, foi exigida a multa prevista no art. 12, II da Lei nº 8.218/91, por ser mais benéfica ao contribuinte, enquanto que, para o anocalendário 2005, foi lançada a multa do art. 12, I do mesmo diploma, pela falta de apresentação, uma vez que o sujeito passivo não conseguiu validálos através do SINCO – Sistema Integrado de Coleta. Em impugnação o contribuinte asseverou que as conclusões da fiscalização não correspondiam à realidade dos fatos; que o lançamento padeceria de vícios insanáveis; que houve cerceamento de defesa; que o agente fiscal concedeu prazos exíguos para o Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16045.000546/200921 Acórdão n.º 3401004.371 S3C4T1 Fl. 11 3 cumprimento das intimações; que os arquivos digitais estão parametrizados para o fornecimento de relatórios e arquivos eletrônicos no formato previsto na legislação tributária, mas não segundo as determinações da fiscalização, que o exigiu no formato “excel”; que não lhe foi concedido o prazo de 20 (vinte) dias, prorrogáveis, para o fornecimento dos arquivos digitais; que, a despeito de se cuidar de exame de pedidos de ressarcimento, a autoridade fiscal exigiu informações e documentos que não guardariam relação com o assunto, tais como aquisições de bens para revenda; que a auditoria deveria se fixar nas aquisições de matérias primas, material intermediário e de embalagem que geraram créditos da não cumulatividade, objeto dos pedidos de ressarcimento; que boa parte das informações exigidas nos arquivos magnéticos já estava disponível nas PERDCOMP transmitidas; que as notas fiscais de revenda não guardavam pertinência com o pedido de ressarcimento, de modo que a exigência de sua inclusão nos arquivos em “excel” era desnecessária; que os questionamentos formalizados pela fiscalização, direcionados a respostas objetivas (“sim” ou “não”), não permitiram a inclusão de observações necessárias ao correto esclarecimento das indagações; que, uma vez que a fiscalização tenha desrespeitado o prazo e a forma de apresentação dos arquivos, ao exigir inicialmente sua entrega no formato “excel”, não poderia o contribuinte ter infringido o art. 318 do RIPI/02; que, ante a dúvida quanto à ausência de capitulação legal, aplicável o art. 112 do CTN; que as intimações apresentadas não especificaram os arquivos a serem entregues; que possuiria sistema de custos apto a fornecer as informações sobre as importações realizadas; e, por fim, foi requerida a realização de diligência. A DRJ Recife/PE julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: “VEDAÇÃO DO ACESSO AOS SISTEMAS E BANCO DE DADOS. CENTRALIZAÇÃO DA ESCRITA EM LOCAL DIVERSO DO ESTABELECIMENTO. GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS FORA DA FILIAL. MULTA BÁSICA PREVISTA NOS ARTS. 508 E 509 DO RIPI/2002. CABIMENTO. Cabível a exigência da multa básica prevista nos arts. 508 e 509 do RIPI/2002, aplicável a cada uma das infrações relativas à vedação do acesso aos sistemas e banco de dados, à centralização da escrita em local diverso do estabelecimento da empresa e à guarda de documentos fiscais fora do estabelecimento fiscalizado. ARQUIVOS DIGITAIS. ERROS/OMISSÕES. MULTA REGULAMENTAR PREVISTA NO INCISO II, DO ART. 12, DA LEI Nº 8.218/91. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa regulamentar prevista no art. 12, inciso II, da Lei n o 8.218/91 quando a contribuinte não comprova, na Impugnação, a inexistência dos erros/omissões, descritos no Relatório Fiscal, nos arquivos digitais entregues à Fiscalização. ARQUIVOS DIGITAIS. FALTA DE APRESENTAÇÃO, MULTA REGULAMENTAR PREVISTA NO INCISO III, DO ART. 12, DA LEI Nº 8.218/91. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa regulamentar prevista no art. 12, inciso III, da Lei n o 8.218/91 quando a contribuinte não comprova, na Impugnação, a oportuna entrega dos arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. Fl. 454DF CARF MF 4 A prova documental deve ser apresentada na Impugnação, precluindo o direito de a recorrente fazêlo em outro momento processual, exceto se demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIAS. IMPOSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DO ENCARGO PROCESSUAL DA RECORRENTE. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A realização de perícias se destina a esclarecer dúvidas da autoridade julgadora, não substituindo o ônus da recorrente em apresentar, quando da interposição da Impugnação, as provas que possuir. Além disto, a perícia é prescindível quando presentes todos de convicção necessários à adequada solução da lide, devendo nesta hipótese ser indeferida sua realização, ainda mais quando sequer indicado pela recorrente o nome, endereço e qualificação profissional de seu perito.” O recurso voluntário repetiu a argumentação atinente ao cerceamento de defesa, pela concessão de prazos exíguos para cumprimento das intimações; o comportamento intransigente e desrespeitoso por parte da autoridade fiscal; a abusividade da multa, que só deveria ser aplicada aos contribuintes que não se conduzem adequadamente no cumprimento de suas obrigações legais, o que não seria o caso; que não haveria correlação e proporcionalidade entre a multa e a conduta tida por infracional; e, que teria havido bis in idem na imposição da penalidade. Durante a sustentação oral foram suscitadas, da tribuna, nulidades referentes à quantificação das multas, matérias estas não questionadas nos recursos ordinários. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Relativamente às nulidades argüidas em sessão, entendo que as alegações não merecem prosperar, a uma, porque não foram contestadas no momento oportuno, quando da apresentação da impugnação, ex vi dos arts. 16, III, e 17 do Decreto nº 70.23572, não sendo o memorial o instrumento adequado a tal providência, o que implica na preclusão consumativa, e, a duas, porque ditos vícios foram apresentados de maneira genérica. Com efeito, o suposto erro na determinação do valor da multa não veio acompanhado de qualquer cálculo, realizado pelo reclamante, com a demonstração do montante que entendia correto, demais disso, o mesmo trecho do relatório fiscal destacado no memorial (efls. 410/415), como razão de defesa, é categórico em acentuar que “todos os arquivos de 2004, os que foram entregues, apresentaram erros e omissões (...)” (grifado/negritado), de modo que, alcançando a inconsistência a integralidade dos arquivos, a multa incidiria sobre todas as operações, daí a aplicação do percentual limitador de 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica. Quanto à suposta entrega dos arquivos relativos ao exercício 2005, em que pese reconhecer o fato, o autuante deixou claro que não ocorreu sua validação através do Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16045.000546/200921 Acórdão n.º 3401004.371 S3C4T1 Fl. 12 5 sistema SINCO – Sistema Integrado de Coleta, como relatado nessa decisão, o que os torna imprestáveis à utilização para finalidade fiscal, restando clara essa circunstância no relatório de autuação (efls. 20 e 26): (...) Ante o exposto, não acolho as preliminares contestadas exclusivamente em memorial. Na seqüência, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Respeitante ao cerceamento do direito de defesa pelo deferimento de prazos considerados curtos para o atendimento às exigências da autoridade fiscal, temse que os prazos legais para apresentação de livros e documentos à fiscalização tributária são estabelecidos pelo art. 19 da Lei nº 3.470/58, na redação dada pelo art. 71 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 dessa forma: “Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (...)” (destacado) No caso dos autos, o prazo para entrega dos livros e documentos fiscais seria de 05 (cinco) dias úteis, por se referirem a elementos que deveriam necessariamente estar registrados na escrituração do estabelecimento. Relativamente aos arquivos digitais e sistemas de escrituração eletrônica, por outorga da Lei nº 8.218/91, o prazo definido pela IN SRF 86/2001 é de 20 (vinte) dias, verbis: Fl. 456DF CARF MF 6 “Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei No 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1º, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. (...)” (destacado) Consoante exame já realizado pelo colegiado de primeiro grau administrativo, nada obstante os prazos iniciais de intimação serem inferiores àqueles assinalados pela legislação, a partir do exame do quadro confeccionado pelo recorrente, a concessão de dilação para atendimento acabou por alcançar os prazos regulamentares, de modo que não procede a reclamação. Outrossim, a inobservância desses prazos de resposta não acarreta a nulidade do lançamento, haja vista que é defeito que se verifica na fase inquisitiva, antecedente à instauração do litígio administrativo, momento em que o procedimento adquire natureza dialética, com prevalência do contraditório e da ampla defesa. Quanto à suposta intransigência ou desrespeito por parte da autoridade fiscal na condução dos trabalhos, entendo que não é tema sujeito a manifestação desse sodalício, que não detém poderes correicionais, ao passo que posturas dessa natureza, ou mesmo a animosidade na relação “fisco x contribuinte” não tem o condão de influenciar a validade do lançamento, uma vez demonstrada a ocorrência da infração à legislação tributária. En passant, como registro, ainda que já feito pela decisão recorrida, a negativa de uso de crachá, especificamente, encontrava respaldo no art. 434 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), então vigente, não configurando qualquer abuso, mas simples exercício de prerrogativa legal. Na seqüência, atinente à abusividade da multa, assevero que a sua imposição conta com respaldo em norma válida e vigente, como se extrai dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, mormente este último dispositivo: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16045.000546/200921 Acórdão n.º 3401004.371 S3C4T1 Fl. 13 7 § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)” Nesse diapasão, é assente neste sodalício o entendimento que às instâncias administrativas falece competência para formação de juízo axiológico sobre a “justiça” da lei, razoabilidade ou proporcionalidade, tampouco se manifestar sobre aspectos de sua constitucionalidade, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, sendo matéria, inclusive, de súmula de jurisprudência (Súmula CARF nº 2). Assim, imputada infração fiscal ao sujeito passivo, resta o exame da subsunção dos fatos narrados à norma pertinente e a legalidade do ato administrativo de lançamento, não se verificando, no caso vertente, qualquer vício que macule o auto de infração. Fl. 458DF CARF MF 8 Outrossim, diversamente do que preconiza o recorrente, a penalidade em apreço não é aplicável somente àqueles que se conduzem de maneira inapropriada perante a legislação tributária em outras palavras, nos casos de fraude , haja vista que, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Por derradeiro, concernente à pretensa duplicidade de penalidades, não vislumbro qualquer falha no cálculo, porquanto, em relação ao anocalendário 2004, diante das inconsistências verificadas e por ser mais benéfico ao contribuinte, a fiscalização considerou o arquivo entregue e aplicou a multa do art. 12, II da Lei nº 8.218/91. Já para o anocalendário 2005, considerando que o contribuinte não conseguiu validar os arquivos magnéticos no Sistema Integrado de Coletas – SINCO, aplicou a multa do art. 12, I do mesmo diploma. Portanto, não se trata de aplicação de duas penalidades sobre os mesmos fatos, como afirma o recorrente, mas sim inflingir as multas nos moldes determinados pelo parágrafo único do mencionado art. 12, ao prever que, “para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas”, de maneira que não há que se falar em duplicidade ou mesmo bis in idem, encontrandose a multa corretamente apurada. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso apresentado. Robson José Bayerl Fl. 459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900568/2008-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/12/2003
ERRO FORMAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Não basta para caracterizar o erro formal, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Shappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 19/12/2003 ERRO FORMAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não basta para caracterizar o erro formal, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não basta para caracterizar o erro formal, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Shappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 05 68 /2 00 8- 00 Fl. 142DF CARF MF 2 Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 4ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efl. 78 e ss): Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), a fls. 32 a 37, cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) referente a agosto de 2003. A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório de fl. 05, homologou parcialmente a compensação, porquanto o pagamento indicado no PER/DCOMP já teria sido utilizado em parte para liquidar a própria contribuição de agosto de 2003. Inconformada com a homologação parcial da compensação, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 1 a 4, onde alega, em resumo, que informou no PER/DCOMP, como origem do crédito, o Darf no valor total de R$ 14.062,81, mas na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do terceiro trimestre de 2003 apontava pagamento em excesso no Darf no valor de R$ 15.874,60. Para sanar tal problema, apresentou uma (DCTF) retiflcadora para o período, em 08/05/2008, onde informa que o pagamento em excesso teria origem no pagamento informado no Darf no valor de R$ 14.062,81, conforme documentos de fls. 38 a 40. Solicita também a retificação do PER/DCOMP em questão para se adequar a um outro apresentado posteriormente conforme documentos anexados a fls. 49 a 58. A DRJ/Florianópolis ementou da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, formulado na manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13888.900568/200800 Acórdão n.º 3001000.174 S3C0T1 Fl. 3 3 No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 86 e ss), basicamente, limitase a repetir sua argumentação de que teria sanado o problema por intermédio de uma DCTF retificadora em 08 de maio de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 13.246,45 (efl. 8), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A Recorrente, no Recurso Voluntário (efl. 87 e ss.), confirma que cometeu erros. No preenchimento da DCTF, que foi retificada em 08/05/2008. Ocorre, entretanto, que houve ciência do Despacho Decisório em 05/05/2008. Ou seja, a retificação ocorreu após o início do procedimento fiscal. Assim, as retificações em suas declarações só foram realizadas após o início do procedimento fiscal, quando já não mais subsistia a espontaneidade. Se o Fisco não tivesse descoberto a tempo o erro no PERDcomp, e o mesmo fosse homologado, nada impediria a Recorrente de tentar se creditar de eventuais saldos remanescentes do tributo no futuro. Além disso, o Princípio da Objetividade é basilar para o Direito Tributário. A eventual culpa do agente não é preceito fundamental para caracterizar a infração tributária. A ocorrência da infração, por si só, já é suficiente para a aplicação da punição. Além disso, a Recorrente deve trazer ao processo um conjunto robusto de provas para comprovar seu direito. Não encontrei nos autos documentação que corroborasse o alegado pela Recorrente. Entendo, assim, que a Recorrente não conseguiu comprovar seu alegado direito. Fl. 144DF CARF MF 4 Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900764/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarou-se impedido o Cons. Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarouse impedido o Cons. Tiago Guerra Machado. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 23186.43501.230410.1.3.046251, cujo fundamento foi a não comprovação documental da origem do crédito, consoante processo 10855.722095/201261. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 76 4/ 20 13 -1 1Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 13502.900764/201311 Resolução nº 3401001.339 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que, antes da emissão do despacho decisório eletrônico, no bojo do PA 10855.722095/201261, foi intimado a apresentar documentos que comprovassem a origem do crédito e que a autoridade fiscal, após exame da documentação entregue, concluiu que esse conjunto probatório não demonstrava a origem do pagamento indevido. Na seqüência, descreveu o equívoco verificado na apuração, sustentando que as retificações da DCTF e DACON foram efetuadas espontaneamente, antes da ciência do despacho decisório em comento, ostentando a mesma natureza da declaração original, de modo que a razão para a não homologação inexistiria. A DRJ Curitiba/PR julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada.” O recurso voluntário aduziu que foi promovida a revisão do cálculo do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, por errônea apropriação de créditos, o que resultou em valores recolhidos a menor e a maior, sendo essa a origem do indébito utilizado na compensação e que o julgador administrativo de primeiro grau, mesmo possuindo discricionariedade para solicitar a realização de diligência, preferiu julgar improcedente o recurso inaugural, sem qualquer averiguação. Foram detalhadas as modificações introduzidas na apuração das contribuições e anexado um vasto acervo documental, consistente, segundo descrito, nos resumos dos Livros Registro de Apuração de IPI e ICMS, CFOPs de cada operação, “rótulos de linha” e notas fiscais de entrada, extratos do Livro Razão, balancetes, demonstrativos, dentre outros documentos contábeis e fiscais. Por fim, discorreuse sobre o direito de crédito sobre serviços adquiridos para manutenção de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Consoante relatam recorrente e o julgador a quo, antes da expedição do despacho decisório eletrônico, que não homologou a compensação declarada, houve um procedimento de revisão do crédito indicado no PERDCOMP respectivo, ocorrido no PA 10855.722095/201261, tendo a autoridade fiscal, segundo consta, concluído pela sua improcedência, por ausência de comprovação. Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 13502.900764/201311 Resolução nº 3401001.339 S3C4T1 Fl. 5 3 Pois bem, em consulta ao sistema eprocesso, constatei que o PERDCOMP tratado neste processo foi trabalhado naqueloutro, conforme se extrai da Representação Fiscal DRF/SOR/SEORT nº 218/2012. Naqueles autos consta a Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1.912/2011, onde se determinou ao contribuinte que i) esclarecesse “o motivo que os recolhimentos da tabela anexa se tornaram indevidos” e ii) apresentasse “provas materiais para a justificativa” do item anterior. Em atendimento à requisição fiscal o contribuinte informou que, em 2008, alterou o método administrativo de apuração dos PIS/Pasep e Cofins e revisou os cálculos dos anos anteriores, promovendo a retificação das declarações correspondentes (DACON/DCTF), e, na mesma correspondência entregou “CD contendo a composição das DACON’s retificadoras referentes aos meses de fevereiro/2005, março/2006, maio/2006, dezembro/2006 e junho/2007” e cópia da Solução de Consulta nº 132/2009. Posteriormente, através da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 748/2012, a autoridade fiscal apresentou o seguinte questionamento: “Em face das informações prestadas por V Sa em 13/janeiro/2012, é necessário que sejam indicadas quais as classificações contábeis foram alteradas e comprovar que os reflexos destas alterações foram devidamente corrigidas, por exemplo, se foi reconhecido crédito de COFINS para partes e peças utilizadas na manutenção e funcionamento de máquinas de produção, em contrapartida, este mesmo valor deixou de figurar como “despesa”, assim ocasionou além da retificação da Dacon e da DCTF, a da DIPJ com o aumento da base de cálculo tributável.” Em 23/05/2012 o contribuinte respondeu que o valor do crédito a que se referia o ativo imobilizado fora contabilizado a débito das contas 130024 (PIS a compensar) e 13025 (COFINS a compensar), em contrapartida de crédito na rubrica 181021 (Ativo imobilizado); que não houve contabilização em contas de resultado a influenciar a DIPJ; que os créditos relativos a material de manutenção foram registrados a débito nas contas 130024 (PIS a compensar) e 13025 (COFINS a compensar) e crédito na rubrica 330002 (Despesas recuperadas); e, que em “relação aos anexos que demonstram valores contábeis, os mesmos foram contabilizados e oferecidos a tributação em 12/2009 no montante total do levantamento realizado, conforme demonstrativo no anexo 2”. Não existe qualquer outro despacho, intimação, correspondência, termo de verificação fiscal ou relatório nos autos, restringindose às manifestações acima listadas. Na seqüência, retornando ao presente processo, repitase, sem qualquer relatório ou termo de verificação fiscal, em 03/07/2013, foi emitido o despacho eletrônico ora combatido (efl. 07), que arrola o seguinte fundamento para não homologação da compensação: “A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 13502.900764/201311 Resolução nº 3401001.339 S3C4T1 Fl. 6 4 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho.” As informações complementares, por seu turno, trazem a seguinte observação: “Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Justificativa: AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA Observação: DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA NÃO COMPROVA ORIGEM DO PAGAMENTO INDEVIDO PROCESSO 10855.722095/201261.” Como se observa, não é possível saber quais verificações foram realizadas pela fiscalização, tampouco quais documentos não foram apresentados e eram necessários à comprovação/demonstração do direito creditório. Apensados à manifestação de inconformidade foram juntadas apenas cópias da PERDCOMP, DCTF e DACON. A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 13502.900764/201311 Resolução nº 3401001.339 S3C4T1 Fl. 7 5 crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolvem o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se esse crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 1987DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721814/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996.
Havendo comprovação da origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como da natureza dos pagamentos, não pode a presunção de omissão de receitas operar contra o contribuinte, sendo esta medida extrema que deve ser adotada apenas na falta de identificação do depositante ou de qualquer razoabilidade entre a documentação apresentada e a causa indicada para tal pagamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996. Havendo comprovação da origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como da natureza dos pagamentos, não pode a presunção de omissão de receitas operar contra o contribuinte, sendo esta medida extrema que deve ser adotada apenas na falta de identificação do depositante ou de qualquer razoabilidade entre a documentação apresentada e a causa indicada para tal pagamento. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996. Havendo comprovação da origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como da natureza dos pagamentos, não pode a presunção de omissão de receitas operar contra o contribuinte, sendo esta medida extrema que deve ser adotada apenas na falta de identificação do depositante ou de qualquer razoabilidade entre a documentação apresentada e a causa indicada para tal pagamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 18 14 /2 00 8- 17 Fl. 2711DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Por bem descrever os fatos passo a transcrever o relatório constante da Resolução 1401000.397: Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 1521.258 da 1ª Turma da DRJ/SDR (Salvador/BA) que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pela contribuinte contra Auto de Infração de IRPJ e reflexos no valor total de R$ 5.602.137,75. Os fatos geradores, no tocante ao IRPJ e à CSLL, remontam a 31 de dezembro de 2003, enquanto que, no tocante ao PIS e à COFINS, são dos períodos de fevereiro, abril, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2003. O contribuinte foi cientificado em 22/10/2008. A acusação é de omissão de receita operacional apurada por meio de depósitos bancários e cuja origem não foi comprovada. Em sua Impugnação, a contribuinte buscou comprovar a origem das receitas apontando operações de diferentes naturezas. A) Dos depósitos/créditos cuja origem foi atribuída ao contrato de conta corrente e gestão única de caixa (aplicável aos lançamentos "C" e "I") A Recorrente firmou contratos de conta corrente e gestão única de caixa com empresas do próprio grupo empresarial Odebrecht. Como se tratavam de empresas vinculadas, a Fiscalização aceitou que fossem apresentados os livros contábeis como parte do suporte para comprovação das operações. Parte dessas operações foram comprovadas, porém faltaram documentos para suportar outra parte delas. Foi feito, portanto, um ajuste de R$ 43.732.920,00 e 71.342,00 na base de cálculo do IRPJ, com acréscimos de juros e multa. A Impugnante alega que o valor de R$ 71.342,00 não se refere, em verdade, ao referido contrato, de modo que ele foi tratado em outro item. Além disso, ela alega que um dos depósitos, no valor de R$ 4.715.605,30, que fizeram parte da Autuação não foram vinculados ao contrato em questão, mas deveriam ter sido. Esse valor corresponderia à soma de dois créditos de R$ 4.704.119,15 e R$11.486,15 que lhes foram disponibilizados pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) por conta e ordem da Odebrecht Serviços de Infraestrutura S/A, que era parte no contrato aqui em análise. A Recorrente junta folhas do Livro Razão da Odebrecht Serviços (doc. 4 da Impugnação), nas quais constam os valores entregues a ela lançados na conta Créditos de Diversos C/C Coligadas e Controladas Odebrecht. Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.712 3 Ela junta também um aviso de pagamentos emitidos pela CCR em nome da Odebrecht Serviços no mesmo valor (doc. 05), o comprovante da TED realizada em 23/04/2003 (doc. 06) e o respectivo registro no Livro Razão dela (doc. 07). Quanto ao ingresso de R$ 43.732.920,00 em 12/2003, alega que decorreu de empréstimo no valor de USD 14.955.000,00, valor que corresponderia perfeitamente a tal quantia quando convertido pelo câmbio vigente: R$ 2,9243. Tal crédito foi realizado pela Tenenge Overseas Corporation por conta e ordem da OSI Overseas Ltd., que era parte do já mencionado Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa. A Recorrente juntou à sua Impugnação os seguintes documentos: a) folha do Livro Razão da OSI Overseas Ltd. demonstrando a baixa no passivo junto à Recorrente mediante débito na conta Affiliated Companies Odebrecht, antiga denominação dela, e operação registrada como "Remessa Ref Mutuo ODB" (doc. 08); b) folhas do Livro Razão da Tenenge Overseas Corporation em 12/2003, nas quais está registrado o valor entregue à Recorrente, lançado a crédito na conta Caixas / Bancos (Cash Assets / Bank Accounts) (doc. 09) e a débito na conta Valor Baica c/c Coligadas e Controladas Affiliated Companies OSI Overseas Ltd. (doc. 10); c) folha do Livro Razão da Recorrente na qual está registrado o recebimento do valor de R$ 43.732.920,00 mediante lançamento a crédito na conta Créditos Diversos com Coligadas e Controladas OSI Overseas Ltd. valor referente transf TOC (Tenenge Overseas Corporation) (doc. 11). B1) Reembolsos de despesas administrativas nos montantes de R$ 56.028,00, R$ 66.560,00 e R$ 71.324,00 (Aplicável aos lançamentos "A", "F" e "J") A Recorrente alegou que tais valores se refeririam a reembolsos de despesas pagos por empresas ligadas a ela. Na qualidade de holding do grupo, ela suportaria as despesas e depois as ratearia proporcionalmente. Quanto ao primeiro valor, de R$ 56.028,00, relativo a 02/2003, é composto por dois créditos no valor de R$ 21.350,00 e R$ 34.678,00 que se referem a despesas incorridas pela Construtora Norberto Odebrecht S.A. (CNO) no período de outubro a dezembro de 2002. A Recorrente junta como provas folhas do Livro Razão que demonstram o registro/débito (doc. 12) e a baixa/crédito (doc. 13) na conta Outras Contas a Receber Devedores Diversos CNO. Ela junta também folhas do Livro Razão (doc. 14) demonstrando que o recebimento dos valores foi registrado como crédito em contas diversas de despesas, indicando uma natureza de reembolso de despesas, e cópias dos Relatórios Gerenciais de Orçamento (doc. 15), nos quais há o acompanhamento desses gastos. No que toca aos valores de R$ 66.560,00 (10/2003) e R$ 71.342,00 (12/2003), a Recorrente também alega que eles são reembolsos de despesas pagas em nome de Construtora Norberto Odebrecht S.A (CNO). Os valores foram registrados no Livro Razão da Recorrente, à época denominada Odebrecht S.A., mediante lançamentos de R$ 90.795,00 e R$ 52.730,00 efetuados a débito na conta Outras Contas a Receber Devedores Diversos CNO (doc. 16). Fl. 2713DF CARF MF 4 Gerase dúvida, pois a soma dos dois valores autuados é menor do que a soma dos dois valores registrados e mencionados acima. Ocorre, no entanto, que foi feito o estorno da diferença de R$ 5.623,00 na conta referida anteriormente. Há um registro no Livro Razão de "Valor Estorno da Provisão Efetuada" no valor de R$ 11.722,00. A Recorrente buscou também comprovar que os valores foram lançados em contas diversas de despesas e junta os relatórios gerenciais de Acompanhamento de Orçamento (doc. 18). B.2 Dos dividendos recebidos pela Impugnante na competência abril de 2003, no importe de R$ 299.249,35 (Aplicável ao lançamento "B") A Recorrente recebeu, em 23/04/2003, quantia no valor de R$ 299.249,35 a título de dividendos pela participação na Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), tendo sido o referido valor lançado no Livro Razão dela como Dividendos e Lucros Recebidos Companhia de Concessões Rodoviárias (doc. 19). Ela alega, então, que o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 isentou os dividendos no Brasil, de modo que não são tributados pelo IRPJ e pela CSLL. B.3 Da transferência entre contas bancárias da quantia de R$ 10.000,00, efetuada na competência de julho de 2003 (Aplicável ao lançamento "D") O valor de R$ 10.000,00 se referiria, segundo a Recorrente, a uma transferência entre contas correntes de titularidade dela mesma no bancos Banrisul e Bradesco. Ela junta cópias de folhas do Livro Razão nas quais registrou a saída do numerário da conta Disponibilidade Bancos Movimento Banrisul (doc. 20) e registrou a entrada do mesmo valor na conta Disponibilidade Bancos Conta Movimento Bradesco (doc. 21). B.4) Do crédito em conta bancária no montante de R$ 403.660,00 em agosto de 2002 (aplicável ao lançamento "E") Foi alegado que se trata de receita de terceiros (Odebrecht Investimentos S/A), para quem o valor foi transferido no mesmo dia. Junta (doc. 22 da Impugnação) cópia do extrato bancário que aponta a entrada do valor e um DOC, na mesma data, para a empresa Odebrecht Investimentos S/A exatamente no valor em questão. Junta (doc. 23 da Impugnação) também cópia da folha do Livro Razão da Odebrecht Investimentos S/A na qual está registrado o recebimento do valor em tela. B.5) Origem do depósito bancário verificado no mês de novembro de 2003 no importe de R$ 125.969,28 (aplicável ao lançamento "F") Requereu a juntada posterior de documentos devido à dificuldade de encontrálos. B.6) Origem do depósito bancário verificado no mês de novembro de 2003 no importe de R$ 125.969,28 (aplicável ao lançamento "H") Foi alegado que esse valor se referia a resgate de aplicação financeira com desconto do Imposto de Renda Retido na Fonte. Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.713 5 Para comprovar tal alegação, junta cópias de folhas do Livro Razão (doc. 25 e 26). Dos R$ 132.461,60 resgatados, R$ 6.492,32 ficaram retidos a título de IRRF (20%) e o restante, no valor de R$ 125.969,28, ingressou na conta da Recorrente. B.7) Da origem do crédito de R$ 85.218,00 ocorrido em dezembro de 2003 (aplicável ao lançamento "K") A Recorrente fazia parte à época do Consórcio Construtor de Parques (CONSTRUPAR), que tinha como objeto a execução, gerenciamento, implantação e entrega de obras e serviços de melhoramento e construção de rodovias no Estado do Paraná. Nesse período, ela recebia e remetia numerários de e para o consórcio. Ela junta cópias de folhas do Livro Razão buscando comprovar que recebeu em 16/12/2003 o valor de R$ 85.218,00 a título de parte que lhe cabia do resultado positivo apurado pelo consórcio. Os docs. 29 e 30, juntados à Impugnação, buscam comprovar o recebimento do valor a débito de conta de ativo e a baixa do "a receber" a crédito da conta específica também no ativo do Balanço Patrimonial da Recorrente. Junta o doc. 31 (Balancete Analítico) para comprovar que as operações relativas ao consórcio eram registradas por ela e, portanto, afetavam o seu resultado. Junta também os docs. 32 e 33 (contrato) para comprovar a existência do consórcio e suas regras. O Acórdão da DRJ não aceitou os documentos juntados pela Recorrente após a apresentação da sua Impugnação. Ao analisála, entendeu que teriam ficado comprovadas as origens do valor de R$ 4.715.605,30, que havia reduzido o saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa de CSLL da Recorrente, além do valor de R$ 77.807.49 (PIS) e R$141.468,16 (COFINS). Deste modo, concluiu pela procedência em parte da Impugnação. Não houve Recurso de Ofício, de modo que esses valores não estão mais em discussão. Inconformada com parte do Acórdão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual repetiu os argumentos apresentados em sua Impugnação, agregando mais alguns fundamentos e documentos, como uma tela do SISBACEN que supostamente comprovaria a origem do valor de R$ 43.732.920,00, que serão cuidadosamente analisados à frente no Voto. Em 03/06/2016, quatro dias antes do julgamento, a Recorrente apresentou Memorial, por meio do qual: a) em relação ao valor de R$ 43.732.920,00, junta uma carta enviada por ela ao Credit Lyonnais, no Uruguai e no Brasil, confirmando a conversão em reais do valor depositado na conta do Credit Lyonnais em Nova Iorque e solicitando a transferência para a conta corrente dela; b) em relação ao valor de R$ 403.660,00, junta uma carta de autorização de transferência enviada ao Banrisul e cópia do TED dela para a Odebrecht Investimentos S/A; c) em relação ao valor de R$ 125.969,28, junta documentos societários para comprovar que a OSIPAR foi sucedida pela Recorrente. No referido Memorial, a Recorrente, baseada em precedentes do CARF, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, também alegou que as provas contábeis não podem ser afastadas, a menos que haja alguma razão concreta para tanto. Fl. 2715DF CARF MF 6 Caberia, então, à DRJ apresentar um "justo motivo" para que a contabilidade não fosse aceita. No tocante ao valor de R$ 43.732.920,00, a Recorrente rememora que ele decorre de um Contrato de Conta Corrente e traz algumas explicações sobre ele. Ela também reitera que juntou diversos documentos probatórios, mas, mesmo assim, anexa ao Memorial uma "carta endereçada a instituições financeiras dando conta da conversão, para reais, do valor que lhe remetido por ordem da OSI OVERSEAS LTD., bem como requerendo transferência do referido montante". A Recorrente rememora no Memorial muitos dos argumentos já apresentados ao longo do processo administrativo. Vale destacar que foram juntados novos documentos, obtidos no website da Companhia de Concerssões Rodoviárias (CCR) para comprovar que ela distribuiu dividendos em abril de 2003, o que supostamente reforçaria a sua tese de que o valor de R$ 299.249,35 resultou dessa distribuição. É o relatório. Intimada do acórdão 1521.258, da DRJ/SRD em 1o de março de 2010 (fl. 2.362) a contribuinte interpôs recurso voluntário em 12 de abril de 2010 (fl. 23632.407). Em 7 de junho de 2016, por meio da Resolução 1401000.397, esta turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que a Recorrente fosse "intimada a Recorrente a apresentar, dentro de 15 dias, outros documentos que comprovem as suas alegações e, se for o caso, somente novos fundamentos que sejam essenciais para esclarecer as questões aqui discutidas". Na época, o então relator procedeu à "análise das provas relativas a cada valor, considerando todas aquelas juntadas ao longo do processo administrativo, ao contrário do que fez a DRJ, considerando, inclusive, os documentos juntados em memorial, uma vez que complementares daqueles antes juntados". Diante disso, observou, ainda: "O fato é que a Recorrente apresentou uma série de documentos, os quais não satisfizeram totalmente o critério deste Relator de comprovação da omissão de receitas, porém que deixam dúvidas sobre a procedência ou não das suas alegações. Durante a sessão de julgamentos, apesar do voto inicial deste Relator pela manutenção do Acórdão da DRJ em relação a este ponto, os demais conselheiros da turma convenceramme de que uma diligência seria interessante para esclarecer tais dúvidas." Em maio de 2017 o contribuinte apresentou pedido de desistência parcial e, cumulativamente, de renúncia a quaisquer alegações de direito em que se funda parte do recurso voluntário apresentado, nos termos e para os efeitos do artigo 5º da Medida Provisória nº 766/17 e do artigo 5º da Instrução Normativa RFB nº 1687, de 31/01/2017. A petição de fls. 2.6672.670 informa que a desistência abrange parte dos débitos de PIS e Cofins, indicandoos nas seguintes tabelas: Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.714 7 O relatório de diligência (Informação Fiscal de fls. 2.6762.680), de junho de 2017, assim resume o procedimento de intimação e respostas apresentadas pelo contribuinte: 1. Da ciência e do atendimento à Resolução nº 1401000.397/2016 O Sujeito Passivo tomou ciência do teor da resolução em 26/07/2016, por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, mediante abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC). Tempestivamente, em 10/08/2016, o Sujeito Passivo apresentou documento em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, no qual, em síntese, afirma “que considera que a documentação juntada aos autos é suficiente para comprovar a origem dos depósitos ... ”, e tece várias considerações acerca do valor probante dos documentos contábeis, passando, em seguida, a analisar individualmente as movimentações financeiras que foram objeto da autuação fiscal. Ao final, requer o provimento do recurso voluntário e solicita prazo suplementar de vinte dias, a fim de providenciar o que mais for possível com vistas à demonstração de que a glosa é descabida. Diante do pedido de prorrogação de prazo acima referido, fezse necessária a edição do Termo de Intimação Fiscal nº 01, oportunizando ao Sujeito Passivo prazo para apresentação de novos documentos. Em atendimento, o Sujeito Passivo, apresentou o documento datado de 22/05/2017, em que informa não ter poupado esforços na busca de novos documentos e informações, mas que não foi possível localizar novos elementos de prova relativos às movimentações bancárias em discussão no presente processo. Em seguida, a Informação Fiscal de fls. 2.6762.680 assim conclui: Considerando que, não foram apresentados novos documentos junto à resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 01, passase então à análise conjunta do que fora apresentado em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N e no Recurso Voluntário. 3.1 Do crédito de R$ 43.732.920,00 Como dito acima, nenhum documento novo foi apresentado, restando analisar os documentos elencados na reposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N. São eles: Fl. 2717DF CARF MF 8 (i) Cópia do Contrato de Conta Corrente e Gestão única de Caixa; (ii) Tela do SISBACEN; (iii) Livro razão da OSI OVERSEAS LTD.; (iv) Livro razão da TENENGE OVERSEAS CORPORATION; (v) Livro razão da diligenciada; (vi) Carta endereçada a instituições financeiras dando conta da conversão. Ao se referir a essa operação no Recurso Voluntário apresentado, item (3.53.), o Sujeito Passivo argumenta: “O aludido crédito, que ingressou em conta corrente mantida pela Recorrente no Banco Santos S.A. (banco 702, agencia 19), em 15.12.2003, por um TED – como se nota do Termo de Verificação Fiscal que deu origem ao Auto de Infração em epígrafe foi efetuado pela empresa TENENGE OVERSEAS CORPORATION por conta e ordem da OSI OVERSEAS INC., que eram ambas partes do referido CONTRATO DE CONTA CORRENTE E GESTÃO ÚNICA DE CAIXA (doc. 05), no importe de US$ 14.955.000,00; ...”. Prosseguindo, no item (3.63.), o Sujeito Passivo tece o detalhamento da operação com o exterior: “Foi exatamente o que aconteceu com os R$ 43.732.920,00 de que aqui se trata! O crédito de tal valor (que corresponde a US$ 14.955.000,00, considerado o câmbio da época, fechado em R$ 2,9243) decorreu de uma TRANSFERÊNCIA INTERNACIONAL EM REAIS – TIR A TÍTULO DE RETORNO DE CBCP – EMPRÉSTIMO A RESIDENTE NO EXTERIOR, por conta e ordem da OSI OVERSEAS INC., efetuada no dia 15.12.2003; operação essa, que viabilizou a amortização do passivo que esta última possuía, em relação à Recorrente, por meio do encontro de contas com a TENENGE OVERSEAS CORPORATION, que, por sua vez, possuía um passivo, em relação à OSI OVERSEAS INC.”. Ao analisar o conjunto probatório apresentado pelo Sujeito Passivo, itens “i a vi”, acima relacionado, vêse que há expressiva lacuna documental, na medida em que deixaram de ser apresentados diversos documentos que poderiam emprestar lhes mais robustez, tais como: extratos bancários do remetente dos recursos comprovando a instituição financeira, conta bancária, agencia, valor e a data da saída dos recursos; documento em que foi firmada a ordem emanada pela OSI OVERSEAS INC., autorizando a TENENGE OVERSEAS CORPORATION a realizar a transferência em seu nome e, cópia do TED que efetivou a transferência no sistema bancário. Atentese que a existência do TED, as razões de sua utilização e a legislação pertinente a esse tipo de transferência já eram de conhecimento do Sujeito Passivo desde a época da realização da auditoria fiscal, conforme se constata da transcrição do item 3.53 do Recurso Voluntário, quando o Sujeito Passivo realiza a seguinte afirmação: “por um TED – como se nota do Termo de Verificação Fiscal que deu origem ao Auto de Infração”, grifouse. Mas, apenas quando da apresentação do Recurso Voluntário é que foram prestados alguns esclarecimentos acerca do modus operandi utilizado na transferência. Tais documentos, digase de passagem, eram de fácil obtenção, e caso fossem apresentados no decorrer dos trabalhos de auditoria teriam permitido que fossem realizadas as investigações necessárias ao esclarecimento de sua origem e natureza. Quando foi do interesse do Sujeito Passivo, este soube providenciar a cópia do TED, a exemplo que fez para comprovação da origem do crédito, conforme se constata no item 2.21, de sua impugnação ao Auto de Infração perante a DRJ. Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.715 9 Nesse caso, ressaltese que a empresa que realizou a transferência via TED, a CCR, sequer pertencia ao seu grupo empresarial, mas, mesmo assim, isso não se constituiu em obstáculo à sua obtenção. Assim, é inexplicável e inadmissível que o Sujeito Passivo não tenha reunido condições de obter cópia do TED durante todo esse tempo de uma empresa que pertencia ao seu grupo empresarial (OSI OVERSEAS INC), documento esse considerado imprescindível ao deslinde da questão. Pelo exposto, notase que o conjunto probatório disponibilizado pelo Sujeito Passivo não permite firmar convicção de que resta comprovada a origem dos recursos creditados em sua conta corrente bancária sob a alegação de transferência proveniente do exterior, por conta e ordem da OSI OVERSEAS INC, no valor de R$ 43.732.920,00, por lhe faltar os elementos capazes de estabelecer o liame entre a saída de recursos do remetente e o ingresso dos recursos na conta bancária do Sujeito Passivo. 3.2 Do crédito de R$ 56.028,00 (21.350,00+34.678,00), R$ 66.560,00 e R$ 71.342,00 Em relação aos valores acima relacionados o Sujeito Passivo pauta sua defesa argumentando que se tratam de reembolsos de despesas administrativas recebidas da CONSTRUTORA NORERTO ODERECHT S.A. (CNO). De forma resumida, elenca no item “3.126” do Recurso Voluntário, as razões que entende lhe serem favoráveis no sentido da comprovação da origem dos mesmos: “Por fim, em vista de todos os fatos e argumentos trazidos em relação aos supostos ingressos de numerários não comprovados nos valores de R$ 56.028,00, R$ 71.342,00 e R$ 66.560,00, restou devidamente comprovado que:”: a) referemse eles a reembolso de despesas; b) foram registrados contabilmente a crédito de contas diversas de despesas, influenciando, pois, o resultado do exercício; c) consequentemente, os valores já haviam composto as bases de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL, não havendo como persistirem as glosas procedidas de prejuízos fiscais e de ases de cálculo negativas da CSLL; d) por se tratarem de reembolso de despesas, não poderiam compor as bases de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não são receitas; e) ainda que absurdamente se entenda serem receitas, não poderiam os valores em destaque comporem a ase de cálculo da COFINS, uma vez que, sendo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (norma vigente a época da ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a autuação fiscal), a referida contribuição não poderia incidir sore qualquer receita que não decorresse da venda de mercadorias e/ou serviços. Na resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, não há a apresentação de nenhum argumento que seja diferente disso foi apresentado acima. Assim, a análise deve se restringir ao argumento de que os citados créditos nas contas correntes não deveriam ser considerados como receita pelo fato de que se tratam de reembolso despesas. Mas então, perguntase: que despesas? Ora, se não há documentos capazes de comprovar a origem das receitas e sendo esses os mesmos documentos que comprovariam as despesas, como se pode comprovar despesas sem documentos que lhes deem suporte? Obviamente, uma Fl. 2719DF CARF MF 10 despesa só existe se ela pode ser comprovada quanto a sua necessidade, efetividade e usualidade, e a avaliação disso só pode ser realizada à vista dos documentos capazes de comprovar o cumprimento das exigências estabelecidas nas normas vigentes. A rigor, a falta de apresentação de documentos capazes de comprovar a existência de uma despesa ensejaria a glosa da mesma. Portanto, se não resta comprovada uma despesa, por consequência, como no caso em exame, não fica comprovado que os créditos em contas correntes bancárias se referem ao seu reembolso. Portanto, os créditos permanecem sem comprovação da origem. 3.3 Do crédito de R$ 299.249,35 O sujeito Passivo esclarece que esse crédito tem por origem o recebimento de dividendos distribuídos pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), em face de sua participação de 2,66% no capital social. Para comprovar a origem desse crédito, alega no item 4 do documento apresentado em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, que esse fato é comprovado por documentos contábeis, declaração da corretora de ações, ata da assembleia e aviso aos acionistas quanto à distribuição de dividendos, sendo esses dois últimos documentos extraídos do website da CCR. Além desses documentos, aduz que há o registro contábil relativo ao recebimento de dividendos. Conforme já fora observado pela relatoria do CARF, o conjunto probatório apresentado pelo Sujeito Passivo não permite que seja comprovada a origem do crédito bancário de forma inequívoca. Aliado a isso, o fato de não terem sido apresentados novos documentos e fundamentos, fortalece a tese de que o crédito bancário de R$ R$ 299.249,35 não tem a sua origem comprovada. Também aqui são aplicáveis as mesmas observações que foram realizadas para o item 3.1 acima, com alterações apenas no tipo de documento bancário, na medida que se amoldam perfeitamente a esse caso, ou seja: Quando foi do interesse do Sujeito Passivo, este soube providenciar a cópia do TED, a exemplo que fez para comprovação da origem do crédito, conforme se constata no item 2.21, de sua impugnação ao Auto de Infração perante a DRJ. Ressaltese que a empresa (CCR) que realizou a transferência via TED, sequer pertencia ao seu grupo empresarial, mas, mesmo assim, isso não se constituiu em obstáculo à sua obtenção. Assim, é inexplicável e inadmissível que o Sujeito Passivo não tenha reunido condições de obter cópia do documento bancário correspondente ao crédito, durante todo esse tempo, de uma empresa que ainda está em operação no mercado, documento esse considerado imprescindível ao deslinde da questão. Portanto, o crédito permanece sem comprovação da origem. 3.4 Do crédito de R$ 10.000,00 Para comprovar a origem desse crédito, o Sujeito Passivo alega no item 5 do documento apresentado em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, que “... o extrato bancário da conta mantida pela Requerente junto ao Banrisul (fls. 289) demonstra o débito na conta bancária no valor de R$ 10.000,00 no dia 31.7.2003, representando a saída do valor da conta, exatamente conforme consta do livro razão (fls. 2265). Igualmente, no extrato da conta do Bradesco aparece o crédito de R$ 10.000,00 no dia 31.07.2003 (fls. 436), exatamente conforme o respectivo registro contábil (fls. 2265). Os documentos em questão comprovam que o crédito de R$ 10.000,00 representa transferência entre contas da própria pessoa jurídica.”. Analisando os extratos bancários acima informados, em confronto com as informações prestadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.755), podese observar que que o crédito no valor de R$ 10.000,00, na data de 31/07/2003, que consta do extrato bancário do Bradesco indicado como sendo de fls. 436, na Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.716 11 verdade fls. 435, não guarda nenhuma correspondência com o que foi informado no Termo de Verificação Fiscal, pois divergem quanto ao número da conta e número do documento. No Termo de verificação Fiscal consta a conta “0000117733” e documento “0003045341”, ao passo que no extrato bancário do Bradesco de fls. 435, consta a conta “119.5018” e documento “0003001”, assim, sem muito esforço, percebese que os documentos e argumentos apresentados pelo Sujeito Passivo não guardam relação com o crédito apontado pela fiscalização como sendo aquele cuja origem não foi comprovada. Diante disso, o crédito permanece sem comprovação da origem. 3.5 Do crédito de R$ 403.660,00 O Sujeito Passivo argumenta, em síntese, que “A quantia acima indicada, como demonstrada nos autos, constitui mero repasse de valores para a Odebrecht Investimentos S.A. isto porque, conforme comprovado pelos documentos acostados ao presente processo, o montante em questão foi transferido no mesmo dia em que entrou na conta bancária da Requerente.”. Argumenta também que “... colacionou aos presentes autos carta de autorização de transferência enviada ao Banco Banrisul e também o comprovante da TED que faz prova da movimentação do montante em questão, datada de 18.8.2003, para a Odebrecht Investimentos S.A., verdadeira titular destes recursos (fls. 2267). A Requerente também colacionou aos autos o livro razão da Odebrecht Investimentos S.A., comprovando o recebimento da quantia supracitada (fls. 2267).”. É notória a inadequação dos documentos e argumentos apresentados ao fato trazido pela autuação fiscal. O que está sendo objeto de discussão é a origem do crédito de R$ 403.660,00 na conta bancária mantida pelo Sujeito Passivo e não a destinação do mesmo valor para outra empresa, no caso a Odebrecht Investimentos S.A., ou seja, estamos lidando com duas operações distintas, uma relacionada ou ingresso de numerários na conta bancária e outra de saída de numerários dessa mesma conta bancária. Apoiado no parágrafo precedente, é possível afirmar que os documentos e argumentos apresentados poderiam se prestar a esclarecer sobre a segunda operação (saída de numerários da conta bancária), mas nunca para trazer a lume a origem e a natureza da primeira operação (ingresso de numerários da conta bancária). Diante disso, o crédito permanece sem comprovação da origem. 3.6 Do crédito de R$ 125.969,28 Diante dos documentos e argumentos apresentados pelo Sujeito Passivo a partir da peça impugnatória aos autos de infração, aliado ao fato de que com essas novas informações a DRJ logrou êxito em encontrar no Sistema SIEF/DIRF – Beneficiário, valores relativos ao rendimento obtido e de retenção na fonte, que se coadunam com a operação de resgate de investimentos, tenho que esse crédito, mesmo não tendo sido apresentado o extrato da aplicação financeira de origem do crédito, fica razoavelmente comprovado quanto a origem. Assim, há de se concordar com entendimento exposto na Resolução nº 1401 000.397 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, no sentido da procedência do Recurso Voluntário quanto a este item. Fl. 2721DF CARF MF 12 3.7 Do crédito de R$ 85.218,00 No documento apresentado em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, o Sujeito Passivo atribui esse crédito ao resultado positivo apurado pelo Consórcio Construtor Parques – Construpar, em decorrência da participação da empresa OSIPAR. Informa que a OSIPAR fora sucedida pelo Sujeito Passivo e que, por isso, passou a ser titular do montante creditado. Para comprovar suas alegações juntou páginas do Livro Razão (fls. 2274/2275), Balancete Analítico (2276/2303) e o respectivo contrato de empreitada (fls. 2453/2494). O exame dos documentos apresentados pelo Sujeito Passivo para comprovação da origem desse crédito, são inservíveis para esse fim, porque, apenas demonstram que ocorreu um registro contábil de um direito perante o Consórcio. Esse direito pode ter as mais diversas naturezas e o simples fato de existir um contrato de empreitada, de que faz parte, não exclui qualquer outra possibilidade de ingressos de numerários a títulos diversos em suas contas bancárias. O que está a se perseguir, são documentos que de maneira clara e inequívoca possam comprovar a origem do crédito em sua conta bancária, por exemplo: a cópia do TED que ensejou o crédito; documento, com firma reconhecida, emitido pelo Consórcio que informe o valor do crédito e a que título este foi efetuado; extrato bancário do Consórcio comprovando a saída do numerário em data e valor coincidente com o crédito. Tais documentos são de fácil obtenção, ainda mais considerando de que foi parceira das demais empresas participantes do consórcio, no entanto o Sujeito Passivo deixou de apresentálos, razão pela qual, diante do que foi apresentado não há como considerar que ocorreu a comprovação da origem do crédito. O contribuinte tomou ciência do resultado da diligência em 23 de junho de 2017 (fl 2.684), tendo apresentado manifestação em 10 de julho de 2017 (fls 2.6942.702). Nesta, observa que a DRJ se manifestou acerca de uma série de movimentações que não são mais objeto de discussão no presente processo, haja vista a regularização dos débitos operada no contexto da MP 766/2017. Afirma que os débitos regularizados são os seguintes: (i) Reembolso de despesas: R$56.028,00, R$66.560,00 e 71.342,00 (ii) Dividendos: R$299.249,35 (iii) Transferência de contas bancárias de mesma titularidade: R$10.000,00 (iv) Mero repasse: R$403.660,00 (v) Rendimento oriundo de consórcio: R$85.218,00 Em seguida, a Recorrente passa a se manifestar sobre os débitos em discussão, alegando, em resumo: (a) quanto ao valor de R$43.732.920,00, afirma que (i) a origem do depósito bancário é o contrato de conta corrente e gestão única de caixa firmado com as empresas que compunham seu grupo empresarial; (ii) não há contrato de câmbio em razão de a transferência ter sido realizada em moeda nacional, por meio de TIR (transferência internacional de reais); (iii) o relatório de diligência afirmou que a documentação juntada é insuficiente pois faltariam documentos que atestassem que o dinheiro teve como origem a conta bancária de outra Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.717 13 empresa do grupo, sem fazer qualquer ponderação acerca dos esclarecimentos prestados nas respostas às intimações. Ao assim proceder impõe "excessivo ônus à Recorrente, que se vê seguidamente compelida a colacionar novo documento comprobatório de movimentação ocorrida há mais de dez anos"; (iv) o conjunto probatório colacionado aos autos e os esclarecimentos acerca da operação são suficientes para desconstituir a presunção em que se baseia a autuação. (b) quanto ao resgate de aplicação financeira no valor de R$125.959,28, afirma que tanto a Resolução 1401000.397 quanto o relatório de diligência admitiram os esclarecimentos prestados, o que impõe "por decorrência lógica" o cancelamento da autuação. A repartição de origem transferiu a parte do crédito tributário objeto de desistência para o processo nº 10580725.224/201754 (fls. 2686 e 2.687). Recebi o processo em distribuição realizada em 17 de agosto de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado não excede R$2.500.000,00, não cabe recurso de ofício, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, e da Portaria MF 63/2017. Quanto ao recurso voluntário, conforme observou a Recorrente na manifestação de fls 2.6942.702, após o pedido de desistência parcial restaram duas matérias pendentes de discussão, das quais passo a tratar. Depósito no valor de R$43.732.920,00 em 12/2003 Em seu recurso voluntário a Recorrente sustenta que tal valor corresponde ao montante de USD 14.955.000,00 convertido pelo câmbio vigente (R$ 2,9243), o qual ingressou em sua conta corrente no Banco Santos S.A. em 15.12.2003 por meio de TED efetuada pela empresa Tenenge Overseas Corporation por conta e ordem da OSI Overseas Ltd., no contexto do Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa por elas firmado. Afirma, ainda, que o crédito "decorreu de uma TRANSFERÊNCIA INTERNACIONAL EM REAIS – TIR A TÍTULO DE RETORNO DE CBCP – EMPRÉSTIMO A RESIDENTE NO EXTERIOR, por conta e ordem da OSI OVERSEAS INC., efetuada no dia 15.12.2003; operação essa, que viabilizou a amortização do passivo que esta última possuía, em relação à Recorrente, por meio do encontro de contas com a TENENGE OVERSEAS CORPORATION, que, por sua vez, possuía um passivo, em relação à OSI OVERSEAS INC.” (fl. 2.387). Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresentou os seguintes documentos: a) folha do Livro Razão da OSI Overseas Ltd. demonstrando a baixa no passivo junto à Recorrente mediante débito na conta Affiliated Companies Odebrecht, antiga denominação dela, e operação registrada como "Remessa Ref Mutuo ODB" (doc. 08 da Fl. 2723DF CARF MF 14 impugnação); b) folhas do Livro Razão da Tenenge Overseas Corporation em 12/2003, nas quais está registrado o valor entregue à Recorrente, lançado a crédito na conta Caixas / Bancos (Cash Assets / Bank Accounts) (doc. 09 da impugnação) e a débito na conta Valor Baica c/c Coligadas e Controladas Affiliated Companies OSI Overseas Ltd. (doc. 10); c) folha do Livro Razão da Recorrente na qual está registrado o recebimento do valor de R$ 43.732.920,00 mediante lançamento a crédito na conta Créditos Diversos com Coligadas e Controladas OSI Overseas Ltd. valor referente transf TOC (Tenenge Overseas Corporation) (doc. 11 da impugnação); (d) tela do SISBACEN de seguinte teor (doc. 7 do Recurso Voluntário fl. 2.446): Alega que, por se tratar de empresas no exterior, a movimentação dos montantes no âmbito do Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa era formalizada como Empréstimo a Residente no exterior Capital Brasileiro de Curto Prazo, sendo os valores liquidados como retorno de CBCP Empréstimo a Residente no Exterior. Sobre o fato de a operação ter sido realizada via TED, a Recorrente explicou: Fl. 2724DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.718 15 Sustenta, ademais, que por ser uma TIR não há que se falar em contrato de câmbio eis que se trata de transferência em moeda nacional, não havendo compra de moeda. Analisando todo esse contexto entendo que o auto de infração não deve prosperar. De fato, a autuação teve como motivação a falta de apresentação de "documento hábil e idôneo, capaz de comprovar a origem dos recursos utilizados nestas operações, aliado ao fato de que não foram localizados os lançamentos correspondentes nos livros contábeis das empresas depositantes" (fl. 1.755 trecho do TVF), o que resultou em presunção de omissão de receitas nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) No curso do processo, a Recorrente logrou apresentar tais lançamentos contábeis, tendo contextualizado a operação e demonstrado o que alegou mediante esclarecimentos quanto à legislação que entendeu aplicável e apresentação de documentos como o contrato que fundamenta o depósito e a tela do SISBACEN que registra a transferência. Se a forma como a operação foi realizada estava ou não de acordo com a legislação cambial não cabe a essa esfera dizer. Mas fato é que a documentação e as Fl. 2725DF CARF MF 16 explicações apresentadas são hábeis a explicar a operação nos termos em que sustenta a Recorrente. No caso, portanto, há inequívoca comprovação da origem direta dos recursos (depositante Tenenge Overseas Corporation, por conta e ordem da OSI Overseas Ltd.), bem como da causa para tais pagamentos (Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa). Em tal hipótese, não pode a presunção de omissão de receitas operar contra o contribuinte, sendo esta medida extrema que deve ser adotada apenas na falta de identificação do depositante e/ou de qualquer razoabilidade entre a documentação apresentada e a causa indicada para tal pagamento. Neste sentido, considero que o conjunto probatório colacionado aos autos e os esclarecimentos acerca da operação são suficientes para desconstituir a presunção em que se baseia a autuação, razão porque voto por dar provimento ao recurso voluntário quanto a este item. Resgate de aplicação financeira no valor de R$125.969,28 Sobre tal depósito, a Resolução 1401000.397 assim observou (fl. 2.636): A Recorrente alega que o valor de R$ 125.969,28 corresponderia a resgate de aplicação financeira de sua titularidade, ocorrido em 04/11/2003, no montante de R$ 132.461,60, sendo que, deste valor, R$ 100.000,00 representava a quantia investida e R$ 32.461,60 se referiria aos rendimentos de aplicação. Sobre esse ganho, foi retido 20% em IRRF no valor de R$ 6.492,32, valor lançado na contabilidade da Recorrente. Ao analisar o item, a DRJ concluiu, por meio do Sistema SIEF/DIRF beneficiário, que realmente houve um recebimento do valor de R$ 32.461,60 pela Recorrente com retenção de IR no valor de R$ 6.492,32. Deste modo, entendo que a própria DRJ confirmou as alegações da Recorrente, mas não concluiu pela comprovação da origem da receita simplesmente porque o valor de R$ 32.461,60 não correspondia ao valor da receita supostamente de omitida: R$ 125.969,28. A origem parece estar bem explicada. O valor total de R$ 132.461,60 (R$ 100.000,00 investimento + R$ 32.461,60 rendimentos), quando descontado do IRRF no valor de R$ 6.492,32, totaliza exatamente o valor recebido pela Recorrente e tido por receita omitida: R$ 125.969,28. O relatório de diligência corroborou tais considerações, ponderando que "há de se concordar com entendimento exposto na Resolução nº 1401000.397 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, no sentido da procedência do Recurso Voluntário quanto a este item." De fato, não há que prevalecer o entendimento do acórdão recorrido de que a comprovação apenas poderia ser feita mediante apresentação de um "documento bancário (aviso de crédito) hábil para essas situações". Diante disso, mantenho o entendimento exposto na Resolução 1401000.397, por seus próprios fundamentos acima transcritos. Conclusão Fl. 2726DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.719 17 Oriento meu voto para, quanto à matéria para a qual não houve desistência, conforme exposto acima, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2727DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903163/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1229.677, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 03 16 3/ 20 08 -0 3 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 360 2 Versa o presente processo sobre a DCOMP eletrônica de n° final 3945 (fls.21/26), transmitida em 16/12/2004, através da qual a interessada declara a compensação de débito de estimativa mensal de Contribuição Social (período de apuraçãomar/2004, vencimento em 30/04/2004 e valor principal de R$ 9.140,95), com a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. O referido pagamento teria sido efetuado em 31/03/2004, sob o código 2484 (CSLL — Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal), no total de R$ 78.590,55 (fl.24). Através de Despacho Decisório (fl.170), a DRF Vitória não reconheceu a existência do crédito pleiteado, não homologando, em conseqüência, a compensação declarada, por ter sido verificado que o valor recolhido através do DARF indicado já fora integralmente utilizado. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 21/08/2008 (fl. 175), a interessada apresenta, em 22/09/2008, manifestação de inconformidade (fls.01/04), invocando, preliminarmente, a anulação do despacho decisório, em face das seguintes razões: a) o despacho decisório de que se trata é extremamente sucinto, carecendo de informações elementares para sua procedência, não atendendo as condições do art.9° do Decreto n° 70.235/1972; e b) a ausência de informações relevantes para a elaboração da manifestação de inconformidade restringe o direito à ampla defesa, consagrado na Lei n° 9.784/1999, art.2°. Quanto ao mérito, a interessada aduz que o despacho decisório em causa deve ser reformado, com a expressa homologação integral da compensação correspondente, em face das seguintes razões: a) a afirmação do auditor fiscal de que o crédito utilizado era de valor insuficiente para fazer frente ao débito compensado, devese exclusivamente a um erro material que a interessada cometeu no preenchimento da DCTF referente ao 1° trimestre de 2004; b) conforme pág.12 da DIPJ/2005 (anocalendário 2004) o valor original do débito de CSLL era de R$ 66.536,94 (fl.93); c) contudo, realizou a quitação do tributo mencionado por meio de um DARF no valor de R$ 78.590,55 (fl.155), apurando um crédito referente ao pagamento a maior da CSLL no valor de R$ 12.053,61; e d) no entanto, ao preencher a DCTF referente ao 1º trim/2004 (fl.64), em patente erro material, indicou, no campo onde deveria constar o valor do débito apurado de CSLL do mês de fevereiro/2004 (R$ 66.536,94), o valor referente ao DARF recolhido a maior, qual seja, R$ 78.590,55. É O RELATÓRIO Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 361 3 Anocalendário: 2004 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Uma vez atendidos os princípios do contraditório, do amplo direito de defesa e do devido processo legal, com obediência a todos os passos determinados pela legislação de regência, fica afastada a hipótese de ocorrência de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. CONDIÇÕES DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela pessoa jurídica junto à Fazenda Nacional, quando sejam atendidos os requisitos de liquidez e certeza. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. A partir da edição da INSRF n° 460/2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houvesse o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 362 4 No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Por outro lado, ainda que não se aceite a aplicação da regra estatuída no inciso "c", do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 ao caso presente, entendo que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa. Aceitandoas, privilegiase tanto o princípio da verdade material, como o princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do crédito pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 363 5 No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 364 6 Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados e colacionados juntamente com o recurso voluntário devem ser admitidos e apreciados, de forma a verificar se eles se prestam a comprovar o direito creditório alegado. Da Conversão do Julgamento em Diligência Consoante relatado, por meio de DCOMP eletrônica, o contribuinte informou a existência de crédito no valor de R$ 12.053,61, correspondente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, correspondente ao mês fevereiro/2004, em face de ter efetuado o recolhimento do tributo devido via DARF no valor de R$ 78.590,55, quando o correto deveria ser R$ 66.536,94. Da análise da decisão recorrida, verificase que a DRJ não homologou a compensação pleiteada sob dois fundamentos. O Primeiro: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 365 7 Na sua manifestação, a interessada afirma que a conclusão a que chegou a fiscalização deveuse a um erro material que ela, a interessada, cometera no preenchimento da DCTF referente ao 1° trimestre de 2004. Ocorre que a fiscalização efetua a análise e a validação dos créditos informados em PER/DCOMP, mediante o confronto dos dados desse PER/DCOMP com as informações constantes nos sistemas da RFB. Esses sistemas são alimentados pelas diversas declarações apresentadas pelos próprios contribuintes, que constituem obrigações acessórias, como DCTF, DIPJ, DIRF, etc, e pelos recolhimentos efetuados através dos documentos de arrecadação pertinentes, com o preenchimento de diversos dados, também pelos contribuintes, para a sua perfeita identificação. Tratandose de pagamentos declarados como indevidos ou a maior, pleiteados em restituição ou utilizados em declaração de compensação, a análise é realizada considerandose os saldos disponíveis dos pagamentos nos sistemas de cobrança. No presente caso, a interessada pleiteia, como crédito, o saldo remanescente de R$ 12.053,61, relativo ao recolhimento efetuado em 31/03/2004, a título de estimativa mensal de CSLL, correspondente a fevereiro/2004, código 2484, no valor de R$ 78.590,55, uma vez que o valor do débito seria de somente R$ 66.536,94. Acontece que não há saldo disponível relativamente ao pagamento informado, conforme pesquisa no sistema SIEF (fl.197), uma vez que o valor recolhido está totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF pela própria interessada, relativamente à estimativa mensal de CSLL ( código: 2484, PA: fevereiro/2004, débito apurado: R$ 78.590,55), fl.196. O fato de ter sido declarado, posteriormente, o valor de R$ 66.536,94, na DIPJ/2005 — AC 2004 (fl.179) não é suficiente para retificar a DCTF, uma vez que o procedimento correto para tal fim teria sido a apresentação oportuna de uma DCTF retificadora. (...) Dessa forma, entendo que o crédito pleiteado de CSLL sob análise não atende os requisitos de liquidez e certeza de que trata o art.. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: O Segundo: Além do mais, é relevante observar que o assunto de que se trata pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal e sua utilização em compensação pode ser, também, analisado sob outro aspecto, como se verá a seguir. A declaração de compensação foi instituída por intermédio da Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002, a qual alterou o artigo 74 da Lei 9.430/96. No plano infralegal, foi publicada a INSRF210/2002, a qual lançou as sementes para o sistema de restituição, ressarcimento e Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 366 8 compensação que se conhece atualmente. Após algumas mudanças ocorridas em matéria de restituição, ressarcimento e compensação, fezse necessária a aprovação de uma nova Instrução Normativa, que passou a consolidar a matéria, além de introduzir algumas novidades a esse cenário. Assim, em 29/10/2004, a INSRF n° 210/2002 foi revogada pela INSRF n° 460/2004. O artigo 10 da INSRF n° 460/2004 estabeleceu: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaque no original) Portanto, a partir de 29/10/2004, por força do dispositivo acima reproduzido, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que tivesse ocorrido o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, à época da transmissão da DCOMP de que se trata 16/12/2004 era vedada a compensação na forma como foi efetuada pela interessada, sendo esta mais uma razão para que a compensação em foco não possa ser homologada. Ou seja, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado teve como fundamento: i) não haver saldo disponível relativamente ao pagamento informado, uma vez que o valor recolhido foi totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF, relativamente à estimativa mensal de CSLL, PA: fevereiro/2004 e, por isso, o crédito pleiteado não atendeu aos requisitos de liquidez e certeza de que trata o art. 170 do CTN; ii) a impossibilidade do pleito, em face do dever de observar a vedação estabelecida no art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, que estabelecia que qualquer recolhimento a título de estimativa, fosse utilizado apenas para redução do CSLL devido no final do período, ou para composição do eventual saldo negativo. O contribuinte, por sua vez, se insurge quanto ao primeiro fundamento, sustentando ter ocorrido equívoco no preenchimento da DComp e divergência desta última com as informações contidas em DIPJ, além de entender que os documentos juntados comprova a ocorrência de recolhimento indevido aos cofres públicos, no valor do crédito pleiteado. Analisando as provas dos autos, verifico que a fiscalização desprezou completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte. Penso não ser possível negar validade a informações originadas de envio de DIPJ por mera divergência com as informações colhidas em DCTF, mesmo porque aquelas informações poderiam ter sido verificadas perante o sistema da RFB. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 367 9 A Fiscalização não pode se limitar, em sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp. e DCTF, já que existiam informações provenientes de outra declaração nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado, cabendo à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações transmitidas e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma delas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de ter sido intimado o contribuinte para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Por conseqüência lógica, também não existe prova nos autos que o contribuinte quedouse inerte, em face de eventual intimação para correção da divergência existente entre suas declarações. À propósito, o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp rejeitadas pelo sistema, tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram em DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias, contados do recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Acrescentese ainda que no caso de erro de fato no preenchimento de declarações, a própria Receita Federal tem se manifestado no sentido de que é possível rever de ofício lançamento ou despacho decisório na hipótese de ocorrência de erro de fato no preenchimento de declaração. Nesse sentido, transcrevo parcialmente ementa do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DEDÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam:quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 368 10 A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato nopreenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOUCOMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais– DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. [...]Assim, se a própria Administração Pública revisa de ofício atos que se basearam em declarações com erros de fato no preenchimento, não há porque se negar a adoção do mesmo critério em sede de julgamento do litígio administrativofiscal. Por outro lado, para negar reconhecimento ao crédito pleiteado, a DRJ utilizase de um outro fundamento consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (estimativa), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude desse entendimento, hoje superado em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, e aquele outro, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, pagamento a maior ou indevido. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na receita bruta. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na receita bruta ou com suporte em balanços ou balancetes de suspensão ou redução, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a estimativa era devida Obviamente, se o contribuinte Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 369 11 recolhe a estimativa com base na receita bruta e, em momento posterior, levanta um balanço de suspensão e redução que aponta para prejuízo fiscal no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de balanço de suspensão/redução). No caso vertente, embora o contribuinte tenha alegado recolhimento a maior, ele não informa qual teria sido esse erro ou equívoco. Por outro lado, as instâncias administrativas precedentes rejeitaram o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada, utilizandose de fundamentos, já apreciados, sem, portanto, examinarem a existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Assim, restando, entendo razoável oportunizar à interessada trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Conclusão Ante ao exposto, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Administrativa da Unidade de Origem: a) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa mensal de CSLL, PA: fevereiro/2004, facultando a oportunidade de apresentar outros documentos, conforme o caso. b) Elabore relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, seja quando da apresentação de sua impugnação, seja quando do seu recurso ou quando intimado em sede de diligências, manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior do que o devido de estimativa mensal de CSLL, PA: fevereiro/2004, além de apresentar outras considerações relevantes para o deslinde da questão. Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 369DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.000487/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL .
O artigo 173 do Código Tributário Nacional, determina regra geral para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento. Aplica-se a regra geral de contagem do prazo decadencial, constante do inciso I do mencionado artigo, para lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigação acessória.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE.
Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN.
PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA.
Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados.
Numero da decisão: 2201-004.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL . O artigo 173 do Código Tributário Nacional, determina regra geral para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento. Aplica-se a regra geral de contagem do prazo decadencial, constante do inciso I do mencionado artigo, para lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigação acessória. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE. Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN. PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 556 1 555 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.000487/200710 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.071 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente SAMARCO MINERAÇÃO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL . O artigo 173 do Código Tributário Nacional, determina regra geral para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento. Aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial, constante do inciso I do mencionado artigo, para lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigação acessória. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE. Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN. PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 87 /2 00 7- 10 Fl. 556DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ Belo Horizonte/MG que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo ao auto de infração por descumprimento do dever informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.126.4995 (fls. 3 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 736.266,81, em valores consolidados em outubro de 2007. Na mesma ação fiscal foram constituídos os créditos tributários cujos números de Debcad se encontram mencionados no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, TEAF (fls. 24) A ciência pessoal do AI, que contém o lançamento referente ao período de janeiro de 1997 a dezembro de 2006, ocorreu em 6 de novembro de 2007, conforme se verifica às folhas 03. Em 04 de dezembro de 2007, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.367). Em 13 de maio de 2008, a 7ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0217.752 (fls. 450), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 452): De acordo com o descrito às fls. 01 e. no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, foi aplicada a penalidade no valor. R$ 736.266,81 ..(setecentos e trinta e seis mil, duzentos e sessenta e seis reais e oitenta e um centavos), nos termos dos artigos 32, § 5º da Lei nº 8.2.12 de 1991, combinado com os artigos 284, inciso II, e 373 do Regulamento da Previdência. Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 1999 e Portaria N1PS n" 142, publicada no DOU de 12 de abril de 2007 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 557 3 O Auto de Infração foi lavrado em 31/10/2007, tendo a autuada dele tomado conhecimento em 06/11/2007, conforme assinatura aposta, às fls. 01. A ação fiscal foi comandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal 00411472.1 ,00 e complementares de fls. 07/09, para. o período de apuração janeiro de 1997 a dezembro de 2000. A documentação foi solicitada através dos Termo de. início da Ação Fiscal TIAF e do Teimo de Intimação pata Apresentação de Documentos – TIAD as fls.:10/12. O contribuinte leve ciência pessoal do Auto de Infração em 06/11/2007, conforme assinatura aposta no documento de folha 1,e, conforme informação prestada às folhas 114, apresentou impugnação tempestiva em 04/12/20(17, peca processual juntada aos autos sob fls. de nºs 362 a 442. Em suas alegações, o impugnante aduz, o.argumentos a seguir, relatados em síntese: faz um breve relato dos fatos que ensejaram a lavratura do presente Auto de Infração, diz que a autuação fiscal foi recebida em 06 de novembro de 2il07, e .sendo o prazo de defesa de 30 dias contados a partir do primeiro dia útil seguinte ao recebimento, e que protocolada na presente data (04 de dezembro de 2007), e, portanto, tempestiva a impugnação; que operouse os efeitos da decadência com relação às multas, cujos supostos fatos geradores ocorreram até. dezembro de 2001, sob o fundamento de que. o prazo decadencial das contribuições sociais e. das multas somente pode ser aquele previsto no Código Tributário Nacional, (artigo 173, inciso 1) lei materialmente complementar, o que afasta a incidência do prazo decadencial previsto na Lei nº 8.2.12. de 1991.(transcreve o artigo 146 da CF/88 e entendimento do Superior Tribunal de Justiça; No Mérito, alega que inexistiu fato gerador a ensejar a cobrança de contribuições sociais, não há que se talar que a impugnante deixou de arrecadar as contribuições dos segurados a seu serviço mediante desconto das remunerações, pois os valores que deixaram de ser arrecadadas não integram o salário de contribuição e conseqüentemente não constituem fato gerador da exação, conforme adiante se mostrará (...)" Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 11 de agosto de 2008 (AR fls 476), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.479) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação, a saber: · ocorrência de decadência; Fl. 558DF CARF MF 4 · a CF expressamente desvincula a PLR da remuneração, o que segundo jurisprudência que colaciona, garante a autoaplicabilidade do direito constitucional; · com o advento da MP794/94 vigente à época dos fatos mais ainda acertada a posição da recorrente, posto que explicita a desvinculação entre a remuneração e a PLR. · que o STF já decidiu que a participação dos sindicatos é imprescindível em qualquer negociação coletiva, o que inviabializa a exigência fiscal de constituição de comissão de empregados para negociar a participação nos lucros; · que a estipulação de parâmetros para a percepção da PLR é fruto da autonomia da partes, segundo a MP 794/94, posto que sua redação denota um rol exemplificativo de formas de fixação; · que os pagamentos foram realizados nos termos determinados no acordo coletivo firmado, sendo certo que a empresa tem acompanhamento mensal dos resultados; · que o pagamento mensal dos altos empregados decorre de expressa previsão do acordo coletivo firmado; · que o pagamento após o encerramento do exercício foi determinado pelo acordo coletivo; · que os valores pagos a título de premio Idéias não integra a remuneração posto que são eventuais e desvinculados do serviço prestado pelo empregado; · os valores pagos a título de Prêmio Idéia não decorrem de condições objetivas preestabelecidas, podendo o empregado apresentar a idéia e não ver o reconhecimento; · que as idéias não necessariamente se vinculam a produtividade do empregado o que, segundo a doutrina e jurisprudência trabalhistas, afasta o caráter remuneratório da verba; · desproporcionalidade das multas e juros aplicadas. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 558 5 O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DECADÊNCIA Alega o Recorrente a decadência do direito do Fisco a constituição do crédito tributário (fls. 481). "Porém, como passase a demonstrar, ao contrário do disposto na r. decisão recorrida, operouse os efeitos da decadência com relação às multas referentes ao período anterior a dezembro de 2001, razão pela qual merece reforma a r. decisão recorrida. Conforme ,já relatado, através do presente procedimento fiscal pretendese cobrar multa da recorrente, por ter a mesma apresentado o documento previsto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3º com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais supostamente devidas referentes ao período de janeiro de 1997 a dezembro de 2006. Ocorre que, considerando que a notificação do lançamento ocorreu no dia 06 de novembro de 2007, operouse os efeitos da decadência com relação às contribuições sociais, cujos supostos fatos geradores ocorreram antes de dezembro de 2001, pelas razões a seguir expostas. (...) Desta forma, o prazo decadencial das contribuições sociais e das multas a elas relacionadas somente pode ser aquele previsto no Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, o que a afasta a incidência do prazo decadencial decenal contido na Lei IV 8,212/91, conforme disposição contida na Súmula Vinculante 8, do STF. Assim, tratandose de multas lançadas de ofício pela autoridade administrativa, a regra aplicável é. aquela do art. 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional, que estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele, em que O lançamento podei ia fel sido efetuado. Considerando que a notificação do lançamento ocorreu no dia 06 de novembro de 2007, resulta claro que operouse a decadência das multas, cujos supostos fatos geradores ocorreram até dezembro de 2001." Assiste razão ao Recorrente. Houve decadência de parte dos valores lançados. Vejamos. Pacífico hoje na doutrina tributária que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendidos aqueles em que a Lei determina a antecipação do pagamento Fl. 560DF CARF MF 6 pelo sujeito passivo, se submetem à contagem do prazo decadencial pela regra contida no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Nacional Tributário, CTN. Porém, mister ressaltar, com tintas fortes, que a regra geral para contagem do prazo decadencial é aquela esculpida no artigo 173 do CTN que determina que o prazo de cinco anos para que o Fisco proceda a constituição do crédito por meio do lançamento é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. A regra excepcional, como dito, se aplica somente aos tributos nos quais a Lei determina a antecipação do pagamento, chamados de tributos sujeitos ao auto lançamento ou lançamento por homologação, que como cediço, são a maioria dos tributos existentes em nosso ordenamento jurídico hodiernamente. Logo, tal forma de contagem do prazo decadencial não se aplica no caso de descumprimento de obrigação acessória, o que ocorre no lançamento que se analisa, posto que decorrente do descumprimento do Recorrente do dever de reter e recolher as contribuições devidas pelos segurado a seu serviço. Em conclusão, aplicase a regra geral constante do artigo 173, inciso I, nos casos de descumprimento de obrigações acessórias. Logo, tendo o lançamento se aperfeiçoado com a ciência do sujeito passivo em 06 de novembro de 2007, e considerandose as disposições do inciso I do artigo 173 do Códex Tributário , verificase a decadência dos créditos tributário lançados anteriormente a novembro de 2001, inclusive. Não obstante o exposto, verifico no Relatório Fiscal (folhas 29), que a autuação, aqui discutida, decorre do descumprimento do dever de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Porém, como se verá abaixo, somente os valores pagos a título de PLR integram o salário de contribuição e, como mencionado no Anexo I do relatório fiscal, (fls. 32 a 129), tais valores foram pagos no período compreendido entre 01/1999 e 11/2000, lapso temporal que como demonstrado integra o período coberto pela decadência apontada. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR Constam do recurso voluntário, os seguintes argumentos sobre o pagamento dos valores a título de PLR e por via de consequência, sobre a inclusão de tais valores no salário de contribuição do segurado com a necessária obrigação do empregador de reter e recolher a contribuição devida pelos segurados sobre a remuneração percebida. Tais argumentos são construídos a partir de uma visão panorâmica da legislação e jurisprudência, sendo combatido posteriormente pontos específicos da legislação. Vejamos os pontos principais da argumentação ( fls. 486): "O Colendo Superior Tribunal de Justiça, acolhendo o entendimento esposado pela doutrina majoritária, vem entendendo que o dispositivo constitucional suscitado, na parte em que determina que a participação nos lucros ou resultados é desvinculado da remuneração, é autoaplicável, conforme julgado transcrito a seguir: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 559 7 'RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA 'A' :TRIBUTÁRIO SALÁRIO DECONTRIBUICÃO. VERBAS PERCEBIDAS PELOS EMPREGADOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCR0S, NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO, PREVIDENCIÁRIA, ARTIGO 7', INCISO XI, DA CONS77T1:71VÁO FEDERAL NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA, APENAS EM PARTE A RT 28 § 9º, LETRA ',I ', DA LEI N 8 212/91, RECURSO NÃO CONHECIDO. A questão merece ser apreciada no âmbito exclusivamente infraconstitucional, notadamente à luz do art. 28, § 9º, leira 'j', da Lei n. 8„ 212/91, com observância do inciso X/ do artigo 7º da Carta Magna, Deve prevalecer o entendimento segundo o qual a análise da aplicação de uma lei federal não é incompatível com o exame de questões constitucionais subjacentes ou adjacentes. A competência somente seria deslocado para a Máxima Corte se a v. decisão recorrida tivesse julgado o feito único e exclusivamente sob o prisma constitucional, o que se não verifica na espécie. A letra fria desse dispositivo da Carta Maior embora não totalmente autoaplicável ou de eficácia contida, é plenamente: eficaz num ponto, mesmo antes da Medida Provisória n. 794/94, de 29 de dezembro de 1994, ou seja, no que diz respeito à desvinculação entre participação nos lucros e remuneração do trabalhador. Recurso não conhecido." (Resp n'º 283.512, Rei, Min. Franciu1li Netto, D.1 de .31032003, p. 190)." No mesmo sentido o Resp nº 381.246RS, DJ de 2362003, p. 312 e Resp 438.712RS, D,r, de 1252003, p. 284, ambos de relatoria do mesmo Min. Franciulli Netto, Os Tribunais Regionais Federais em diversos julgados também adota! aro o mesmo entendimento, conforme ementas abaixo transcritas: (...) Constatase da .jurisprudência supra citada que diversos Tribunais pátrios, em relação à desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração, sustentam a auto aplicabilidade Desta forma, resta demonstrado que, mesmo antes da regulamentação feita pela Medida Provisória n° 794/94, a maioria da jurisprudência de nossos 'Tribunais já entendia pela autoaplicabilidade do dispositivo constitucional quanto à desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração. No entanto, como o período da presente autuação fiscal é posterior à regulamentação feita pela Medida Provisória o' 794/94, ainda que se acolha o entendimento da r. decisão agravada de que o dispositivo constitucional suscitado não é autoaplicável, o que se. admite somente para fins de argumentação, em razão da referida MP, dúvida não resta Fl. 562DF CARF MF 8 quanto à eficácia plena da determinação constitucional que determina a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração percebida pelos empregados. Destarte, é o próprio texto constitucional que exclui, de forma expressa, a natureza remuneratória das participações dos empregados nos lucros, ou resultados auferidos pela empresa. (...) Assentados tais pressupostos, passase a combater um a um. todos os argumentos expostos na r. decisão recorrida que, de forma equivocada, data máxima vênia levaram à manutenção do credito tributário exigido pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD) n° 37.126.5029. a) Da instituição da participação por acordo coletivo: As Medidas Provisórias, a exceção da primeira, não previam a possibilidade de fixação da participação nos lucros por meio de acordo coletivo. Destarte, baseada nessa questão a fiscalização entendeu que o fato da empresa não pagar a participação nos lucros com base em convenção rumada por meio de urna comissão de empregados, seria contrário ao diploma normativo regente da matéria. Ocorre que, o Supremo Tribunal Federal entendeu, liminarmente, que a disposição do art. 2', § 1' das MP's era inconstitucional, por violar o art, 8', VI da Carta Federai., que determina a imprescindibilidade dos sindicatos nas negociações coletivas. O acórdão da medida cautelar leva a seguinte ementa: (...) Constatase que, o Supremo Tribunal Federal, em decisão com eficácia erga omnes, entendeu que os acordos de participação nos lucros não poderiam ser pactuados por comissão interna. Portanto, a recorrente não poderia ter feito os acordos de participação nos lucros os através de comissão interna sem que incorresse em inconstitucionalidade e desrespeitasse a autoridade da decisão do Augusto Pretório. Vinculada que estava pela decisão da Corte Constitucional, a úmica solução que restou à recorrente foi fazer o acordo coletivo, Desse modo, não há como prevalecer a autuação, uma vez que a empresa respeitou a Constituição, as Leis e as decisões da Corte Suprema da República. In casu, a recorrente, ao pactuar a participação nos lucros através de acordo coletivo estava agindo no estrito cumprimento de dever legal. Em direito penal, o estrito cumprimento de dever legal é causa de excludente • ilicitude do fato típico , sendo que o mesmo, por analogia, deve se dar no direito tributário. Nas palavras de Fernando Galvão: (...) Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 560 9 As regras trabalhistas devem ser interpretadas favoravelmente ao empregado, nos termos do princípio da proteção. Segundo Maurício Godinho Delgado o princípio da proteção "seria inspirador amplo de todo o complexo de regras, princípios e institutos que compõem esse ramo jurídico especializado. Desse modo, a interpretação da regra do art, 2 0 das diversas MP's que regulam a matéria é no sentido de que a participação pode ser feita por acordo coletivo.. Não existe qualquer argumento legal para não se :aceitar a pactuação na participação nos lucros por acordo coletivo. Com eleito, se esse instrumento se presta a regular as relações de emprego de uma forma ampla, não há porque excluir do seu âmbito de normatividade a regulação da participação nos lucros.. Se o acordo coletivo pode suprimir vantagens trabalhistas, não existe motivo para lhe negar a possibilidade de instituílas. Quem pode o mais, pode o menos Ressaltese que o Tribunal Superior do Trabalho já decidiu diversas vezes tal como ora esposado, como no julgamento do Recurso de Revista n" 523.781, publicado no .Diário da Justiça de 06 de dezembro de 2002, entendendo que acordo coletivo, vigente entre setembro de 1996 a setembro de 1997, portanto anterior à Lei 10.10] /00, é instrumento hábil para fixação de regras para a participação de lucros. No mesmo sentido, ainda citase o RR. 792217 4" T. — Rel. Min, Antônio José de Barros Levenhagen I 12,12.2003. A doutrina não discrepa do entendimento jurisprudencial, Sérgio Pinto Martins, escrevendo sob a égide da Medida Provisória n° 1.619/97, entendia que: ".4 participação nos lucros pode ser decorrente de lei, do contrato de trabalho, do regulamento de eurresa, de acordos ou convenções coletivas ou outras determinações da empresa.' (...) b) Da não estipulação de critérios para participação dos empregados nos lucros: Conforme se depreende da r. decisão recorrida, a autoridade administrativa entende que para que o acordo de distribuição de lucros seja válido é necessário que ele estabeleça critérios como "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" ou que ele determine a criação de "programas de metas, resultados e prazos, pactuadas previamente" Cumpre dizer que inexiste na lei tal determinação. Em clara violação ao art. 5º, II e 37, caput da CF/88, a fiscalização transformou uma norma exemplificativa em cogente Conforme se depreende do art. §1º da Lei 10,101/00, que é o mesmo desde a primeira MP, o acordo que determina a forma de pagamento das participações no lucro devera ter regras claras, "podendo ser considerados, entre outros" os critérios que a fiscalização entende cogentes.. Fl. 564DF CARF MF 10 O que se depreende do §1º do art. 2º é que no acordo de participação nos lucros deverão constar regras claras referentes "à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A forma como tal dispositivo será cumprido, a lei deixa à autonomia das partes, sendo absolutamente certo que os critérios dos incisos 1 e II são meramente exemplificativos. (...) c) Pagamento das parcelas após o exercício a que se refiram: Tal argumento também é desprovido de razoabilidade, pois tal como demonstrado, a empresa efetuou o pagamento das participações FIOS lucros, nos termos do que ficou determinado no acordo coletivo, Certo que a empresa tem acompanhamento mensal de resultados, base sobre as quais determina as participações dos altos empregados, que por ocuparem a peculiar situação de comando na empresa, recebem sua parte mensalmente, Ressaltese que não existiria, a princípio, óbice para que os empregados, de urna maneira geral, recebessem segundo a mesma forma, contudo, o acordo coletivo que rege a matéria, negociado livremente entre a recorrente e os sindicatos de seus trabalhadores, determina de forma diferente. Dessa forma, a participação nos lucros é paga a esses empregados após o fechamento do exercício, porque assim determinam as regras do acordo coletivo pertinente. Não existe motivo para que se entenda essa forma de pagamento inválida. Mesmo porque não existe, em qualquer lugar do Direito Pátrio, norma que determine que a participação nos lucros deva ser paga no mesmo exercício de sua apuração ou que todos os empregados devem receber a participação segundo os mesmo critérios, In casu a Administração, data maxima venia não está cumprindo fielmente a lei, mas a criando. (...) d). Do pagamento de participação nos lucros segundo critérios próprios: Do procedimento fiscal, depreendese ainda que, no entendimento da i. fiscalização, apesar dos acordos coletivos, a recorrente teria pago participação dos lucros segundo critérios próprios a alguns empregados, dando a entender que a empresa desrespeita os acordos celebrados, pagando as participações nos lucros de forma diferente do que acordado. Data maxima venia, não é absolutamente disso que se trata. O que ocorre é que certos empregados, como o Diretor Presidente citado pela NFLD, recebem segundo critérios que lhes são próprios, não havendo motivo, de qualquer ordem, que invalide tal procedimento, mesmo porque albergado pela LSA. O que ocorre é que em frontal violação ao caput do art. 37, aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, a i. fiscalização criou uma regra .jurídica, que inexiste em qualquer Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 561 11 parte da legislação brasileira, segundo a qual todos os empregados da empresa devem receber segundo critérios semelhantes. O argumento da fiscalização, ora atacado, é inaceitável. "Não é possível que se aplique (não apenas quanto à participação nos lucros, como sobre qualquer prisma) o mesmo critério para trabalhadores operacionais e para o Diretor da empresa. Existe urna disparidade tão grande entre essas pessoas, de responsabilidade, envolvimento no negócio, etc., que é absurdo que se diga que a • empresa violou o Direito Pátrio por pagar, segundo critérios distintos, os trabalhadores operacionais e o Diretor Presidente." Recordemos a imputação fiscal que tratou do tema no processo que contém o crédito Debcad 37.126.5045 (fls. 150 do processo 15504.000490/200725): "2:1 Remunerações pagas a segurados empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS — PLR 2 1.1 Foram solicitados da empresa, através de TIAD — Termo de Intimação para Apresentação de Documentos especifico datado de 25/09/2007, os acordos específicos de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) A empresa apresentou apenas os Acordos Coletivos de Trabalho da categoria onde constam, entre outras, cláusula relativa ao pagamento de PLR. Em função destes acordos, e não dos específicos para o pagamento da PLR com todas as exigências legais, a empresa fez os pagamentos a seus empregados A seguir, citamos cláusulas referentes ao pagamento do PLR previstas em alguns dos acordos coletivos de trabalho firmados com os diversos Sindicatos: 2 1 11 — Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico no Estado do Espírito Santo ACORDO COLETIVO Assinado em 28/08/2000 Vigência: 01/08/2000 a 31/07/2001 Pagamento: 31/08/2000 (...) 2 1 2 Os valores pagos pela empresa a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS, no período de 02/1997 a 11/2000, integram o saláriodecontribuição, de acordo com o art 28, inciso I, e § 9° da Lei n.° 8212191, a seguir reproduzidos: (...) Fl. 566DF CARF MF 12 2 1 3 Pelos dispositivos transcritos acima, a participação nos lucros ou resultados da empresa somente é excluída do salário decontribuição quando concedida nos termos de lei especifica A partir de 29/12/94, em face da Medida Provisória .794/94 e das suas reedições é que o § 9° do art 28 da Lei n ° 8 212/91 passou a ter eficácia plena. Os artigos 1°c 2° da citada Medida Provisória e reedições dispõem: . "Art 1'. Esta Medida Provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7 0 , inciso XI, da Constituição Federal Art 2' Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados Parágrafo 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras objetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifamos) 2 1 4 A intitulada PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) foi paga no período citado em desacordo com os artigos transcritos acima, como se pode observar pela análise das cláusulas do "ARTIGO SÉTIMO, INCISO XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL" dos acordos coletivos mencionados no item 2 1 1 devido a: A empresa não convenciona com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados Em nenhum dos acordos mencionados no item 2 1 1 deste Relatório Fiscal foram estipulados critérios quanto à fixação de "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa", tampouco houve o estabelecimento de "programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente", tendo a empresa, para fins de pagamento da PER, se utilizado dos resultados já atingidos no exercício anterior; Os pagamentos das parcelas da "participação nos lucros ou resultados" foram efetuados quase sempre no mês da celebração dos acordos e após o encerramento do exercício a que se referiam; Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 562 13 Verificamos que, apesar dos acordos coletivos fixarem um valor para o pagamento da PER (geralmente 120% a 130% do valor do salário nominal acrescido de valor variável de R$500,00 a R$ 700,00) a empresa efetuou o pagamento da PLR de acordo com "critérios próprios" A título de exemplo citamos o pagamento da PER do segurado empregado Registro n° 549609 José Luciano Duarte Penido (Diretor Presidente), que apesar de possuir salário nominal em torno de R$23 000,00 no ano de 2000, recebeu em 0311997 (R$83 710,40), em 06/1998 (R$93 931,15), em 03/1999 (R$61 599,30), em 08/1999 (R$32 236,80), em 04/2000 (R$149.776,48) e 08/2000 (R$38 412,27) valores estes bem acima do estipulado nos acordos coletivos 2 1 5 Pelos fatos explicitados no item anterior, constatase que os pagamentos efetuados pela empresa a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados não observaram a legislação específica Dessa forma o referido pagamento constitui em parcela salarial integrante do saláriodecontribuição, consoante art 37, § 10 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto 356/91, com alterações do Decreto n° 612/92, reproduzido a seguir: (...) A leitura dos excertos acima demonstra os pontos de divergência a serem aplainados. Se os valores pagos a título de PLR cumpriram os requisitos legais no tocante ao: i) instrumento de formalização dos programas de participação nos lucros; ii) a existência de metas predeterminadas que ensejassem o pagamento dos valores a titulo de PLR. E mais, adequação dos pagamentos realizados às metas estipuladas quanto: iii) ao momento desse pagamento; e iv) valores estipulados. Analisemos. Antes porém mister algumas considerações. Vejamos a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Fl. 568DF CARF MF 14 Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 563 15 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a MP 794, de 29/11/1994, transformada na MP 1.982, e posteriormente na Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter Fl. 570DF CARF MF 16 remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 564 17 obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à norma legal que disciplina tal matéria, seja a MP 794 ou a Lei nº 10.101, de 2000, que dispõem sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos legais para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Da disposição legal hoje vigente, podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais Fl. 572DF CARF MF 18 obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos, os requisitos legais vigentes, que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da legislação de regência. Votemos ao caso concreto, após a necessária digressão. Vigia, no período da atuação a MP 794/94, que continha a seguinte redação: Art. 1º Esta medida provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal. Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente medida provisória, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. § 3º A periodicidade semestral mínima referida no parágrafo anterior poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de Fl. 573DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 565 19 dezembro de 1995, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias ou previdenciárias. § 4º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto. (destaquei) Tal medida provisória foi reeditada pela MP 860/1995, que assim se pronunciava: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição Federal, adota a seguinte medida provisória, com força de lei: Art. 1º Esta medida provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos dos arts. 7º, inciso XI, da Constituição Federal. Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente medida provisória, dentro do próprio exercício de sua constituição. Fl. 574DF CARF MF 20 § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. § 3º A periodicidade semestral mínima referida no parágrafo anterior poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 1995, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias ou previdenciárias. § 4º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto." (negritei) Com o advento da Lei nº 10.101/00, assim, textualmente, dispõe a legislação hoje de regência: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano Fl. 575DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 566 21 civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) A leitura da legislação aplicável nos demonstra a estabilidade de alguns requisitos e a ligeira alteração de outros. Observo, com clareza, que a forma da necessária e sempre presente exigência de negociação entre as partes oscilou entre as diversas normas legais, da exigência da negociação por instrumento coletivo, para a determinação da negociação por meio de comissão constituída especificamente para esse fim e chegando, posso dizer se assentando, na autodeterminação das partes entre um dos dois modelos e até mais, entre a utilização dos dois modelos, como hodiernamente se entende, quando se aceita que uma empresa firme mais de um programa de PLR com os segurados a seu serviço. Ora, por se tratar de uma legislação específica, claudicante ao longo do tempo no que toca a forma de negociação, se por instrumento coletivo ou se por comissão específica, forçoso reconhecer como faz a doutrina e a jurisprudências citadas no apelo que, havendo instrumento que comprove a existência de negociação entre as partes, há respeito às exigência legais existentes sobre esse ponto específico. Logo, necessário firmar que, no caso concreto, sendo o programa de PLR ajustado por meio de instrumento coletivos firmados com os sindicatos representativos das categorias profissionais dos trabalhadores da empresa, consoante se verifica às folhas 150 a 152 do relatório fiscal, houve cumprimento de tal requisito constante da legislação isentiva. Porém, a mesma razão não assiste ao recorrente quanto à determinação de metas. Não existem metas ajustadas nos instrumentos firmados entre a Recorrente e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Espírito Santo; do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana, e do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Belo Horizonte, Nova Lima, Sabará e Santa Luzia anexados às folhas 690 a 711 do mencionado processo 15504.000490/200725. Mister ressaltar que tal ponto não é refutado pelo Recorrente, que defende que a existência de metas é somente um dos critérios, restando à autonomia das partes a definição das regras claras referentes à "fixação dos direitos substantivos da participação". Vejamos a reprodução de seus argumentos, com o perdão da repetição (fls. 496): O que se depreende do §1º do art. 2º é que no acordo de participação nos lucros deverão constar regras claras referentes "à Nação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A forma como tal dispositivo será entupi ido, a lei deixa à autonomia das partes, sendo absolutamente certo que os critérios dos incisos 1 e II são meramente exemplificativos. Sérgio Pinto Martins entende que: "O próprio inciso TI (no caso das !til' • alínea 19) do § 1' do art. 2" menciona programa de metas, resultadas e prazos, que deveriam ser pactuados previamente, como um dos critérios de distribuição a serem previstos nos sistemas de negociação Fl. 576DF CARF MF 22 Outras critérios., porém, podem ser utilizados, pois o ,§ 1º do art. 2º, usa a expressão 'entre outros denotando ser exemplificativa a enumeração que faz, e não taxativa (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. .16a Ed., São Paulo: Ed. Atlas, 2002. p, 262) Os acordos coletivos trazidos à colação pela fiscalização estão plenamente de acordo com a referida regra legal, uma Ve7 que eles fixam os direitos substantivos dos empregados (recebimento de um percentual do salário, mais uma parcela fixa), as regra adjetivas (que estabelecem quando as verbas serão pagas), periodicidade da distribuição (uma vez por exercício social), período de. vigência (o período de vigência do acordo coletivo, via de regra, um ano) e prazo para revisão do acordo (quando da negociação do próximo acordo coletivo). Dessa forma, estando fixados todos os parâmetros os não há porque se exigir os critérios colocados na lei como exemplo para determinar a participação, dado que, em sede de negociação coletiva, outros foram adotados, que atendem perfeitamente ao comando legal." Não se pode concordar com tais argumentos no caso concreto. Ainda que se entendesse como o Recorrente o que se alega somente por amor ao debate qual seria o parâmetro adotado? O que, qual condição, qual resultado ou meta, deveria atingir o empregado para fazer jus à participação. Não esqueçamos que como dito acima os valores percebidos a título de PLR se ajustam, em tudo e por tudo, aos bônus ajustados, assim entendidos os valores pagos quando o empregado cumpre uma meta pactuado com o empregador. Logo, a inexistência de prévio ajuste sobre o desempenho ou tarefa a ser realizada pelos empregadores ofende a lei isentiva que rege o pagamento de participação nos lucros ou resultados. Essa é a determinação observada no texto legal vigente à época dos fatos: MP 794/94: Art. 2º; ....." Parágrafo 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras objetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente." (destaques nossos) Não há definição de regras claras e objetivas. Aliás, dos instrumentos acostados às folhas 690 a 711, não determinação de nenhuma regra, nenhum ajuste. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 567 23 Como explicitado acima, para que se goze do manto isentivo posto pela lei vigente sobre o tema, necessário que se cumpra as determinações constantes de tal diploma legal. O descumprimento de somente um dos requisitos para o gozo da isenção, afasta a norma tributária benéfica, atraindo 'in totum' a incidência tributária legalmente prevista. Esse é a inteligência do Código Tributário Nacional sobre o tema. Recordemos suas disposições: "Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração." Logo, despiciendo analisar as demais questões recursais no tocante às verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados. Existente o dever de informar, em GFIP, os valores das verbas pagas a título de PLR. Porém, como dito acima, os valores relativos a PLR foram pagos no período compreendido entre 01/1999 e 11/2000, consoante se comprova pelo Anexo I do Relatório Fiscal (fls 32 a 129). Tal lapso temporal integra como demonstrado o período coberto pela decadência apontada, o que enseja a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 173, I, do CTN, aplicável às obrigações acessórias. Recurso voluntário provido nessa parte. VALORES PAGOS A EMPREGADOS A TÍTULO DE PRÊMIO IDÉIAS Sobre o tema, assim se insurge o Recorrente (fls. 503): "Ocorre que não há como prevalecer a pretensão Fiscal também quanto a este ponto, merecendo reforma a r. decisão 'ocorrida. O Campo de Idéias é um programa de estímulo, reconhecimento e recompensa às idéias dos empregados da I ocorrente. Também podem participai.. do programa Os estagiários e os empregados das empresas contratadas. É considerada "idéia" qualquer mudança que traga benefício à organização e seja implementável, incluindo reaproveitamento de idéias entre processos Ou de Outras empresas, Após a produção da idéia, esta é cadastrada em um sistema informatizado que faz o gerenciamento de todo o processo do Campo de Idéias„ Na seqüência, elas serão avaliadas e classificadas,. Todas as idéias são avaliadas e classificadas pelo chefe imediato, tratandose de idéias simples e pelo superior do chefe imediato, no caso de idéias complexas. Fl. 578DF CARF MF 24 É realizado um evento anual denominado "Evento Anual Campo de Idéias", através do qual são reconhecidas e. recompensadas as melhores ideais implementadas no ano anterior nas duas unidades da recorrente em Germano c Ubu. Pelas características do programa acima descritas e pela forma como é feito o pagamento do prêmio pelas melhores idéias, constatase que, em hipótese alguma, tais valores podem ser considerados como parcela integrante do saláriode contribuição, assim como quer fazer crer a autoridade administrativa." Sobre o ponto, a Autoridade Fiscal assim se manifestou em seu relatório (fls. 155 do processo 15504.000490/200725): 2.2 Remunerações pagas a segurados empregados a título de PRÊMIO IDÉIAS. 21 1 Mencionados pagamentos, foram efetuados pela empresa e constatados pela auditoria fiscal, através das folhas de pagamento durante o período 12/1999 a 12/2006 (cód Rubrica 1926), e, através de lançamentos contábeis a titulo de Prêmio Idéias nas contas 912001 — Adiantamento S/Folha (período de 12/1999 a 12/2003) e 50414003 — Campo Idéias/Marcas e Patentes (período de 01/2004 a 12/2006) 2 2 2 A empresa dispõe de um programa de estímulo, reconhecimento e recompensa às contribuições (idéias), denominado "Campo de Idéias" De acordo com norma do programa, apresentado pela empresa à auditoria fiscal, pode participar do programa Campo de Idéias, todos os empregados da Samarco, seus estagiários e empregados de contratadas O programa Campo de Idéias define idéia, como qualquer mudança que traga benefícios à organização e seja implementável, incluindo o reaproveitamento de idéias entre processos ou de outras empresas A recompensa por parte da empresa aos empregados, estagiários e empregados de contratadas é reconhecida e expressa em espécie monetária através de valores préestabelecidos para idéias simples, idéias complexas e idéias de alto impacto, além de premiação extra também expressa em valores monetários às idéias consideradas e julgadas periodicamente como as melhores do ano anterior. 2 2.3 Verificamos que os lançamentos contábeis correspondentes às operações relacionadas a Prêmio Idéias são efetuados como despesas pagas diretamente aos beneficiários, despesas antecipadas por adiantamentos sobre folha e por baixas de provisões de despesas, o que permite entender, que a empresa considera tal dispêndio, um custo operacional constante, passível de adiantamentos ou provisões 224 Verificamos também, que a rubrica 1926 (Prêmio Idéias) durante o período de 12/1999 a 12/2006, é presente de forma constante e inclusive se repete para os mesmos beneficiários em períodos seqüenciais, como demonstra os exemplos a seguir, extraídos dos arquivos digitais da folha de pagamento: (...) Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 568 25 2 25 As constatações relatadas nos subitens 2 2.3 e 2 2.4 deste relatório permitem considerar que os valores remunerados a titulo de Prêmio Idéias não podem ser entendidos como eventuais tanto para a empresa quanto para os empregados." (destaques não constam do original) Assiste razão ao Recorrente. Não integra a remuneração valores pagos aos trabalhadores que visem recompensar idéias desses sobre o ambiente de trabalho, o meio ambiente do trabalho, os meios e modos de produção, a redução de desperdício de materiais ou matérias primas, etc... Discorri longamente, como nota teórica sobre o conceito de remuneração, antes de analisar as verbas pagas a título de PLR. Em resumo, asseverei que se observa que a verba paga tem natureza remuneratória quando: presentes: i) o caráter contraprestacional; ii) o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, iii) o caráter de interrupção do contrato de trabalho; iv) ou o dever legal ou contratual do pagamento. Nesses, e somente nesses casos, a verba recebida diretamente do empregador terá natureza salarial. A essa verba, se acresce a gorjeta, e teremos assim, as verbas remuneratórias. Todo o resto, remuneração não é. Não se pode admitir que um valor pago quando o trabalhador tiver uma idéia, qualquer idéia seja ela sobre seu trabalho ou não e sendo essa idéia considerada boa e útil pelo seu empregador, tenha natureza remuneratória. Nítido caráter premial. Nítido caráter de fomento criativo. Cristalino incentivo a participação do indivíduo na sociedade, na empresa, na coletividade. Não é pagamento pelos serviços prestados por força do contrato de trabalho. Recurso provido nessa parte. DESPROPORCIONAI IDADE DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS Alega o Recorrente (fls. 516): Ad argumentandum, caso por absurdo superadas todas as razões recursais até aqui aduzidas, merece reforma a r. decisão recorrida na parte em que fixou o valor da multa em R$ 735.690,82 nitidamente em desacordo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Constatase que o dispositivo legal que fundamentou a aplicação da multa estabeleceu uma progressão de alíquotas em [unção do tempo decorrido para o pagamento do tributo exigido pelo Cisco, sem qualquer proporção com a suposta infração cometida, o que atenta contra os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como contra os princípios do Fl. 580DF CARF MF 26 contraditório e da ampla defesa, sendo utilizado tal artifício para força a recorrente a pagar contribuições e multas que, como demonstrado, não são devidas. Desvirtuado, desta forma, o papel da multa que não tem a função de coagir o contribuinte a recolhimento de tributo, ainda mais no presente caso, onde as contribuições sociais pretendidas são notoriamente indevidas, ficando evidenciado o seu caráter confiscatório, Destarte, a aplicação da referida multa à recorrente se torna ilegal, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade." Não assiste razão à Recorrente. Como se observa no relatório fiscal houve a correta aplicação da legislação vigente, devidamente explicitada. Tal fato foi apontado pela decisão recorrida. Às folhas 473 encontro os argumentos da turma julgadora de primeira instância: Portanto, o fato de a empresa autuada não ter informado nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, GFIP, a parcela da remuneração paga aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação específica e contribuintes individuais, a título de "Prêmio Idéias", no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, caracterizou, indubitavelmente, infração ao disposto no artigo 32, Inciso IV, §§ 3º e 5º da Lei n 8 212 de l991, com a redação da Lei 9.528 de 1.997, combinado com o artigo 225, IV e §4% do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo _Decreto nº 3.048 de 1999 A multa foi aplicada de conformidade com o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212 de 1991, com a redação da Lei nº 9.528 de 1.997, artigo 283, inciso II e artigo 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999, e Portaria MPS nº 142, publicada no DOU de 12 de. abril de 2007. Portanto, não merece acolhida a alegação da impugnante de que não há como prevalecer o valor da multa aplicada nitidamente. ilegal, além de afrontar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois não compete à autoridade fiscal questionar a Lei. Porém, em análise das planilhas de calculo da multa, constatou se, nas competências 03/2003, 12/2004, 10/2005 e 11/2006, erros nos valores apurados, conforme a seguir demonstrado: (...)" Mister recordar que a função precípua do processo administrativo fiscal é o controle da legalidade do ato de lançamento, ou seja, se este se amolda à perfeição aos contornos legais. Verifico que tal exigência foi cumprida. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 569 27 Não obstante o exposto, como visto, não há crédito tributário remanescente no lançamento em tela, o que, por óbvio afasta os juros de mora e multa aplicados. CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Relator Carlos Henrique de Oliveira Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726058/2013-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA.
O suposto caráter confiscatório e não observância da capacidade contributiva, por ensejar análise de constitucionalidade de lei, está fora do âmbito de competência deste Conselho para fins de julgamento administrativo. Traduz o posicionamento a Súmula-CARF nº 2.
REINTIMAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. DESNECESSIDADE.
A inércia em apresentar impugnação ou, posteriormente, recurso voluntário, ou mesmo manifestar-se em relação às diligências realizadas é uma faculdade e, não exercida, não gera nulidade ao processo administrativo, notadamente porque a contribuinte, ao apresentar defesa, o fez de maneira plena, com o Recurso Voluntário, por exemplo, firmado por dois dos sujeitos passivos solidários, já intimados anteriormente.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
A omissão de receitas se constitui quando os valores creditados em conta de depósito ou de investimento em instituições financeiras não são declarados nem comprovados pelo contribuinte por intermédio de documentação hábil e idônea, notadamente quando regularmente intimado diversas vezes para esclarecer a origem de tais valores. Da mesma forma, valores em duplicidade devem ser excluídos da base de cálculo, sendo legítimo o valor remanescente em desfavor do contribuinte.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO. CABIMENTO.
Para que se apure os tributos devidos pela sistemática do lucro real, a contabilidade da empresa deve estar adequadamente escriturada, devidamente amparada em documentos que suportem os lançamentos contábeis efetuados. Correta a exclusão do Simples Nacional, quando o Livro Caixa não tem a escrituração compatível com as movimentações bancárias constatadas pela fiscalização.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. OCORRÊNCIA DE DOLO. REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES.
Havendo comprovação de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei por sócios administradores, correta a responsabilização solidária dos agentes, principalmente quando caracterizado e comprovado o dolo em suas condutas e regulares as intimações pessoais.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO.
Devida e legal é a qualificação da multa quando constatado e comprovado robustamente nos autos que o sujeito passivo agiu com dolo, sonegação, fraude e conluio na omissão de receitas.
AUTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se aos demais tributos, no que couber.
Numero da decisão: 1402-002.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base tributável do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins aos valores informados na planilha transcrita no bojo do voto condutor, deduzindo-se os valores pagos a título do SIMPLES. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente) Ausentes justificadamente os Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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INCOMPETÊNCIA. O suposto caráter confiscatório e não observância da capacidade contributiva, por ensejar análise de constitucionalidade de lei, está fora do âmbito de competência deste Conselho para fins de julgamento administrativo. Traduz o posicionamento a SúmulaCARF nº 2. REINTIMAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. DESNECESSIDADE. A inércia em apresentar impugnação ou, posteriormente, recurso voluntário, ou mesmo manifestarse em relação às diligências realizadas é uma faculdade e, não exercida, não gera nulidade ao processo administrativo, notadamente porque a contribuinte, ao apresentar defesa, o fez de maneira plena, com o Recurso Voluntário, por exemplo, firmado por dois dos sujeitos passivos solidários, já intimados anteriormente. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A omissão de receitas se constitui quando os valores creditados em conta de depósito ou de investimento em instituições financeiras não são declarados nem comprovados pelo contribuinte por intermédio de documentação hábil e idônea, notadamente quando regularmente intimado diversas vezes para esclarecer a origem de tais valores. Da mesma forma, valores em duplicidade devem ser excluídos da base de cálculo, sendo legítimo o valor remanescente em desfavor do contribuinte. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 60 58 /2 01 3- 77 Fl. 2689DF CARF MF 2 Para que se apure os tributos devidos pela sistemática do lucro real, a contabilidade da empresa deve estar adequadamente escriturada, devidamente amparada em documentos que suportem os lançamentos contábeis efetuados. Correta a exclusão do Simples Nacional, quando o Livro Caixa não tem a escrituração compatível com as movimentações bancárias constatadas pela fiscalização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. OCORRÊNCIA DE DOLO. REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES. Havendo comprovação de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei por sócios administradores, correta a responsabilização solidária dos agentes, principalmente quando caracterizado e comprovado o dolo em suas condutas e regulares as intimações pessoais. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Devida e legal é a qualificação da multa quando constatado e comprovado robustamente nos autos que o sujeito passivo agiu com dolo, sonegação, fraude e conluio na omissão de receitas. AUTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase aos demais tributos, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base tributável do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins aos valores informados na planilha transcrita no bojo do voto condutor, deduzindose os valores pagos a título do SIMPLES. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente) Ausentes justificadamente os Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.690 3 Relatório Adoto, integralmente, o relatório da Resolução nº 1402.000361, proferida em 03 de maio de 2016, pela 4ª Câmara, 2ª Turma do CARF, complementadoo ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Trata o presente processo dos autos de infração do Imposto de Renda IRPJ (fls. 2159 a 2161), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 2175 a 2176) e reflexamente autos relativos à COFINS (fls. 2186 a 2187) e ao PIS (fls. 2191 a 2192), tudo referente ao anocalendário de 2010, lavrados em 22/11/2013, cujo lançamento total foi de R$ 20.952.234,76. O procedimento fiscal revelou movimentação bancária incompatível com a receita declarada. No anocalendário de 2010, o contribuinte obteve movimentação financeira superior a R$ 50.000.000,00, todavia, na sua Declaração Anual do Simples Nacional de 2010, apresentou receita de R$ 1.256.120,36. Além da autuação fiscal, a autoridade promoveu a exclusão da empresa do SIMPLES, em virtude da ausência de documentos contábeis necessários para sua manutenção no regime. A exclusão se deu a partir de 01/01/2010, com fundamento na hipótese prevista no art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar n° 123, de 2006 e art. 5o, VIII, da Resolução CGSN n° 15, de 2007, que determinam a exclusão de ofício das empresas optantes do Simples Nacional quando houver a falta de escrituração do livrocaixa ou não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária. Segundo a fiscalização, o contribuinte, mesmo intimado, deixou de apresentar os extratos bancários, fazendo com que a autoridade requisitasse tais informações junto as instituições financeiras. A empresa apresentou também pedido de baixa de suas atividades na Junta Comercial do Paraná, contudo não logrou promover o encerramento em virtude de pendências tributárias. Consta ainda que o contribuinte, mesmo com as atividades encerradas, continuou movimentando sua conta corrente bancária. Também em razão da falta de escrituração fiscal e contábil idônea, o procedimento de apuração dos tributos se deu pelo Lucro Arbitrado. Às fls. 2273 a 2278, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/CTA 266, de 11/11/2013, que excluiu o Contribuinte do SIMPLES NACIONAL, alegando basicamente que as provas trazidas ao processo foram obtidas de forma ilegal e inconstitucional, posto que a quebra de sigilo bancário somente se viabiliza por ordem judicial. Ao impugnar os autos de infração alegou impossibilidade da utilização da SELIC como taxa de juros e do caráter confiscatório da multa aplicada. Em primeira instancia, a Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade, julgou improcedente ambas as defesas do contribuinte, mantendo a exclusão do simples bem como os valores lançados, cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: Fl. 2691DF CARF MF 4 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. É causa de exclusão do Simples Nacional a falta de escrituração do livro caixa ou que não seja possível a identificação da movimentação financeira da empresa, inclusive bancária. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. PREVISÃO ESTABELECIDA EM LEI. O arrolamento de bens e direitos encontrase previsto em lei e deve ser realizado pela autoridade fiscal competente sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do patrimônio conhecido do contribuinte que sofrer a autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não constitui caso de nulidade do lançamento quando nele encontramse presentes os requisitos previstos na legislação regente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Questionamentos dessa natureza não são apreciáveis na esfera administrativa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos por expressa disposição legal, inclusive a utilização da taxa SELIC. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Verificado comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para a qualificação da multa de ofício, correta a aplicação do percentual de 150%.” Da decisão acima, o contribuinte promoveu Recurso Voluntário (efolhas 23592396), alegando os mesmos argumentos suscitados em primeira instância, como também questiona: a) a opção pelo lucro arbitrado deveria ser a última opção por parte da fiscalização; b) a falta de intimação regular dos sócios, que foram apontados como devedores solidários pela fiscalização, e finalmente; c) a existência de erros de fato no lançamento do débito que não haviam sido observados em primeira instância, especialmente a não exclusão da receita arbitrada da movimentação bancaria entre contas do próprio contribuinte e a duplicidade de valores dos mesmos extratos, por ocasião da confecção dos demonstrativos da fiscalização. Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.691 5 Passo agora, a complementar o relatório acima colacionado: A análise do Recurso Voluntário resultou na conversão do julgamento em diligência, para que "1) a Unidade de Origem verifique se, de fato, houve duplicidade de lançamentos, bem como, se houve a inclusão de movimentação financeira entre contas do mesmo contribuinte, no calculo dos lançamentos efetuados. 2) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora cientificar o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011." Ato contínuo, o Relatório de Diligência Fiscal (efls. 25112513) concluiu que, mediante análise dos extratos já existentes no processo, havia de fato valores duplicados, os quais foram corrigidos pela agencia preparadora. Intimado, o contribuinte manifestou concordância em relação às conclusões do relatório fiscal, todavia, apontou outras duplicidades não corrigidas na diligência (efls. 25152519). Com retorno dos autos à agência preparadora, a fiscalização refez os seus cálculos, excluindo mais valores e produziu nova planilha com os débitos consolidados. Em seguida, o contribuinte apresentou "alegações finais", não discordou das novas exclusões, reiterando pela improcedência dos autos de infração, as quais recebi a título de memoriais. Por fim, no tocante ao trâmite processual, apenas registrese que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Fl. 2693DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço, exceto quanto às questões atinentes a confisco e a inconstitucionalidade de lei, conforme se abordará oportunamente. Saliento que os responsáveis solidários Ivan Quirino, CPF 009.045.06983, intimado à p. 2130; Fabiano Rafael Simões, CPF 018.013.34978, intimado à p. 2198; e, Ricardo Reale Luiz, CPF 005.107.13980, intimado, via postal, conforme AR de p. 2266, não apresentaram impugnação, nem recurso voluntário próprios. Foram, ainda, cientificados da baixa dos autos em diligência, conforme Resolução de p. 2438 a 2444 e das planilhas (p. 2447 a 2510 e 2595 a 2646) e encerramento de diligência (p 2511 a 2513 e 2647 a 2652), sobre as quais também não se manifestaram. A Recorrente, além de se manifestar acerca do encerramento de diligência (que ocorreu em duas etapas), apresentou alegações finais à p. 2665 a 2688. Em síntese, a Recorrente foi fiscalizada em decorrência da “Operação Movimentação Incompatível com Receita Declarada”, referente ao anocalendário de 2010, quando apresentou movimentação financeira superior a R$ 50 milhões e declarou receitas pelo SIMPLES Nacional de R$ 1.256.120,36. Constatada a omissão de receitas e a imprestabilidade das demonstrações contábeis por parte da fiscalização, a Recorrente foi excluída do Simples Nacional, a contar de 01.01.2010, bem como teve lavrados, contra si, autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sob a sistemática do arbitramento (RIR/99), a partir da obtenção, pela fiscalização, de informações sobre as movimentações bancárias da Recorrente (art. 42, Lei 9.430/96). A multa de ofício foi qualificada em razão da fiscalização ter entendido pela ocorrência dos fatos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, o que resulta na aplicação do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. Apresentada impugnação, foi a mesma julgada improcedente, razão pela qual o presente processo veio a este Conselho para julgamento do recurso voluntário interposto às p. 2359 a 2396. Reiterese que nenhum dos responsáveis tributários apresentou impugnação. A Recorrente, por sua vez, apresentou Manifestação de Inconformidade quanto a exclusão do Simples alegando unicamente como defesa que sua exclusão se deu provocada por violação constitucional ao sigilo bancário, por parte da autoridade fiscal. Apresentou ainda Impugnação, discutindo apenas dois argumentos: longamente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Taxa SELIC e sobre o caráter confiscatório da multa, defendendo sua redução de 150 para 2%. Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.692 7 Em sede de Recurso Voluntário, da mesma forma, nenhum dos solidários se manifestou, exceto o próprio contribuinte direto, trazendo novos argumentos de defesa, dentre os quais a alegação de que havia duplicidade de lançamentos. Numa primeira análise ao recurso em questão, este Julgador constatou que, de fato, haviam duplicidades de valores considerados como receitas pela autoridade fiscal, razão pela qual foi proposta a conversão do julgamento em diligência nos moldes da Resolução de p. 2438 a 2444. Cumpridas as diligências, voltaram os autos para fins de julgamento por esta Turma. Tendo em vista que a Recorrente não traz preliminares, passase a análise de mérito, na sequência trazida pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, conforme segue. 1. Duplicidade de valores considerados como receitas Este tema foi o objeto da Resolução de p. 2438 a 2444 e resultou na planilha de p. 2595 a 2646, devidamente justificada no termo de encerramento de p. 2647 a 2652, com manifestação adicional da Recorrente através de Alegações Finais de p. 2665 a 2688. Em resumo, os valores apontados na planilha de p. 2595 a 2646 foram corroborados pela Recorrente, de tal forma que as duplicidades apontadas em recurso voluntário foram devidamente sanadas. 2. Depósitos em contacorrente não equivalem a receitas Este tópico do recurso voluntário, em verdade, complementa o anterior e, conforme acima esclarecido, foi devidamente sanado com os ajustes perpetrados na planilha de p. 2595 a 2646. De qualquer forma, considerando os argumentos apresentados pela Recorrente, no sentido de que “é ilegítimo o lançamento do IR arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários” (Sumula TFR 182), mister algumas considerações deste Julgador. Esse posicionamento deve ser apreciado à luz do art. 42, da Lei 9.430/96, que fundamenta a própria autuação. Transcrevese, abaixo, apenas o caput: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se verifica do disposto na legislação, a autoridade fiscal e mesmo a autoridade julgadora, quando diante de uma autuação de IRPJ, decorrente de omissão de receita, com fundamento no art. 42, da Lei 9.430/96, não precisa fundamentar e motivar a Fl. 2695DF CARF MF 8 autuação além da comprovação da existência de depósitos bancários sem comprovação de origem, ou seja, sem uma justificativa do contribuinte para esclarecer qual a razão de sua realização, independentemente de quem seja o sujeito que o realizou. E, durante o processo fiscalizatório, foram formalizadas intimações pela autoridade fiscal para que a Recorrente esclarecesse a origem dos depósitos em vão (TVF p. 2134 e seguintes), de tal forma que, ao final, chegandose na planilha de p. 2595 a 2646, a própria Recorrente concordou com o seu teor (em relação à omissão de receitas) para fins de apuração, por arbitramento, dos tributos devidos. 3. Exclusão do Simples e efeitos no lançamento por arbitramento Com a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, esta afirma que a sistemática para a apuração da base de cálculo do IRPJ deveria obedecer a sistemática do lucro real, considerando as despesas passíveis de dedução. Sem razão a Recorrente. Para que se apure os tributos devidos pela sistemática do lucro real, a contabilidade da empresa deve estar adequadamente escriturada, devidamente amparada em documentos que suportem os lançamentos contábeis efetuados. No caso concreto, justamente por não ter uma contabilidade adequada a Recorrente foi excluída do Simples Nacional, já que seu Livro Caixa não tinha a escrituração compatível com as movimentações bancárias constatadas pela fiscalização. Desta forma, considerando o montante dos valores omitidos, a opção da fiscalização, pelo lançamento com base no lucro arbitrado foi a mais adequada, nos termos do art. 530, 532 e 536 do RIR/99. 4. Necessidade de intimação dos sujeitos passivos com devidas formalidades Alega a Recorrente que as intimações de p. 2130, 2198 e 2266 não atenderam ao disposto na legislação, na medida em que as pessoas físicas (sócios) não foram devidamente cientificadas que poderiam apresentar defesa acerca das acusações que estavam lhe sendo imputadas. Analisando os documentos citados, observase que são formulários padrões para a formalização da sujeição passiva solidária. De fato, não está escrito que o sujeito passivo solidário pode apresentar defesa em determinado prazo em face das imputações que estão lhe sendo feitas. Contudo, ao ocorrer a referida intimação, o sujeito passivo solidário recebe cópias do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, de tal forma que passa a ter conhecimento das atividades desenvolvidas pela fiscalização e as razões que serviram de fundamento para a lavratura dos autos de infração e a relação direta que os sujeitos passivos solidários têm com o fato gerador dos tributos constituídos, de tal forma a possibilitarlhes elementos para entender as acusações e providenciar as respectivas defesas. Não se vislumbra que o teor dos Termos de Sujeição Passiva Solidária tenha prejudicado as defesas dos sujeitos passivos solidários, de tal forma que se afasta qualquer Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.693 9 nulidade nesse sentido, inclusive porque, notadamente na fase de diligência, todos os atos praticados foram dados ciências aos três sujeitos passivos em questão. 5. Necessidade de instauração do processo administrativo Como explicitado acima, a partir do momento que os sujeito passivos solidários foram devidamente cientificados, instaurouse o processo administrativo em relação aos mesmos. A inércia em apresentar impugnação ou, posteriormente, recurso voluntário, ou mesmo manifestarse em relação às diligências realizadas é uma faculdade e, não exercida, não gera nulidade ao processo administrativo, notadamente porque a contribuinte, ao apresentar defesa, o fez de maneira plena, com o Recurso Voluntário, por exemplo, firmado por dois dos sujeitos passivos solidários, Srs. Ivan Quirino e Fabiano Rafael Simões. A Recorrente argumenta, em favor dos responsáveis solidários, que estes deveriam ser reintimados para que possam apresentar suas defesas administrativas, partindo do pressuposto que os Termos de Sujeição Passiva Solidária não teriam cumprido o seu desígnio. No caso concreto, entendo que a imputação de responsabilidade atribuída pela autoridade fiscal está em consonância com o disposto no art. 135, III, do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, fazse necessário a presença de dois elementos: Elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Tratase, na realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão; Elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Desse modo, “não basta ser sócio da empresa (pessoa jurídica), é indispensável que exerça função de administração no período contemporâneo aos fatos geradores”. Conforme já salientado, o art. 135, III, do CTN possibilita responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado desde que sejam os responsáveis pela ocorrência do elemento fático que ensejou o nascimento da obrigação tributária. O conceito de diretor é dado pelo art. 144 da Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas: o sócio ou administrador de uma organização é o que possui poderes Fl. 2697DF CARF MF 10 para representála, inclusive em juízo, bem como para praticar todos os atos necessários ao seu regular funcionamento.1 Já a definição de gerente é trazida pelo Código Civil (art. 1.172 e seguintes): considerase gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. Notese que na hipótese de lei não determinar poderes especiais, considerase o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados. Percebese que, para a caracterização da responsabilidade de que trata o dispositivo legal em questão, fazse necessária a coexistência de dois elementos essenciais em relação a um fato: que seja praticado por um representante legal de empresa e que denote excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica. Não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. Doutrina, ainda em que franca minoria, e farta jurisprudência, endossam tal entendimento. 1 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 125. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.694 11 O Juiz Federal, Zenildo Bodnar, assim se manifestou a respeito do inadimplemento tributário: Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos práticos com infração à lei”, é fácil concluir que o simples inadimplemento tributário da pessoa jurídica não autoriza a responsabilização do sóciogerente ou administrador, salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas, a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes.2 [grifos nossos] No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim: Art. 134: exigência de culpa, restrição da responsabilidade à obrigação tributária principal e limitação do montante ao valor do tributo, acrescido de juros de multa de mora; Art. 135: exigência de dolo, abrangência da responsabilidade para abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício. Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. O que não pode é a responsabilidade ser atribuída à pessoa física com supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de culpa ou dolo. Permitir que assim aconteça é substituir a responsabilidade subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico. Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). [...]3 [grifos nossos] Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] 2 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128. 3 DANTAS DE ASSIS, Emanuel Carlos. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158159. Fl. 2699DF CARF MF 12 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos nossos] NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter consequências tributárias. 56. Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. [grifos nossos] E a jurisprudência também caminho nesse mesmo sentido. Vejamos: Tribunal Regional Federal da 3ª Região: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. REDIRECIONAMENTO AO SÓCIOGERENTE. DECRETO LEI Nº 1.736/79. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E JULGAR PREJUDICADA A APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO. 1. Os embargos declaratórios somente podem ser utilizados quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou omissão acerca de ponto sobre o qual Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.695 13 deveria pronunciarse o Tribunal e não o fez, isso nos exatos termos do artigo 535 do Código de Processo Civil. 2. Assiste razão à embargante, pois efetivamente o acórdão embargado não apreciou detidamente a questão referente a aplicação do artigo 8º do Decreto lei nº 1.736, de 20/12/1979, sendo omissa nesta parte. 3. Os débitos em execução referemse a IRPJFonte, devendo ser aplicado o Artigo 8º do Decretolei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124, II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas expressamente designadas por lei... A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem). 4. É correto fixar a responsabilidade dos sóciosgerentes ou administradores nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o não pagamento revela mais que inadimplemento, mas também o descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário valores recebidos de outrem ou descontados de terceiros, tratandose de delito de sonegação fiscal previsto na Lei nº 8.137/90, o que atrai a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (infração a lei). 5. Recurso provido para dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação interposta pelo executado. (Embargos de Declaração em Apelação Cível Nº 0509878 53.1997.4.03.6182/SP, Relator Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO, Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) [grifos nossos] Tribunal Regional Federal da 4ª Região: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. A jurisprudência da 1ª Seção desta Corte firmouse, em consonância com entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o redirecionamento contra o sóciogerente somente tem lugar com início de prova de que o sócio agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou estatuto, não decorrendo da simples inadimplência no recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, é possível a responsabilização solidária dos sócios, pois configura infração expressa à lei, não em razão do mero inadimplemento, mas em virtude da prática, em tese, de infração penal (apropriação indébita de contribuições previdenciárias 168A do CP). (EMBARGOS INFRINGENTES Nº 2006.70.99.0020750/PR, Relatora Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão unânime, sessão de 04 de junho de 2009) [grifos nossos] Superior Tribunal de Justiça – STJ – Primeira Turma: Fl. 2701DF CARF MF 14 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIO GERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) [grifos nossos] Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária. Entendo ser desarrazoado pensar que o responsável pela administração da pessoa jurídica possa vir a ser responsabilizado penalmente, inclusive com restrições ao seu direito de ir e vir, e não possa, diante dos mesmos fatos, responder também pela obrigação tributária correspondente. Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Isso porque há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário, como, por exemplo, nos casos de apropriação indébita previdenciária (art. 168A do Código Penal) e na apropriação indébita de que trata como crime contra a ordem tributária pela art. 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90 (falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte e de IPI destacado na nota fiscal, por exemplo). Em tais hipóteses, basta o contribuinte declarar o Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.696 15 débito e não recolhêlo para que o administrador da pessoa jurídica, ao lado da própria empresa, passe a responder pelo débito correspondente, sem que haja necessidade sequer da realização do lançamento de ofício, e, muito menos, de penalidade qualificada. No presente caso, contudo, restou comprovado o intuito doloso (sonegação e fraude), razão mais do que suficiente para manutenção da multa qualificada, e por todo o exposto, a manutenção da coobrigação imputada aos sujeitos passivos solidários com base no art. 135, III, do CTN. 6. Da qualificação da multa de ofício Como esclarecido no tópico anterior, a constatação de conduta (sonegação e fraude) inserta nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica e, consequentemente, a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2º nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Fl. 2703DF CARF MF 16 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. A autoridade fiscal assim justifica a exasperação da penalidade: “Durante a fiscalização (...) ficou comprovada a infração à lei e ao contrato social, por atos cuja presença de dolo e abuso de direito foram evidenciados. Os sócios registraram o Termo de Distrato Social e afirmaram, no decorrer da fiscalização (...) que a empresa se encontrava TOTALMENTE INATIVA, não possuindo mais movimentação financeira desde novembro de 2011. Pela própria movimentação financeira da empresa, a partir da análise dos extratos bancários, verificamos que a mesma continuava atuando no comércio sem qualquer recolhimento de tributo.” Desta forma, é de rigor manterse a multa qualificada. 7. Regime aplicável em caso de omissão de receitas A Recorrente procura afastar a constituição do crédito tributário de IRPJ e CSLL sob a alegação de que “a base de cálculo do IRPJ, assim como da CSLL, não é a receita, mas o lucro calculado a partir dela: lucro real para o IRPJ e lucro líquido para a CSLL”. Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.697 17 O tema já foi tratado no item 3, acima. De qualquer forma, apenas para resposta aos argumentos da Recorrente, não se está apurando o IR e a CSLL sobre a “receita bruta”. A autoridade fiscal, antes de apurar o IRPJ devido, apurou a sua base de cálculo sob as regras do “lucro arbitrado”, conforme previsto no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3000/99). Vejase: SUBTÍTULO V LUCRO ARBITRADO CAPÍTULO I HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO Arbitramento pelo Contribuinte Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração Fl. 2705DF CARF MF 18 exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Quanto à CSLL, PIS e COFINS, há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída em suas bases de cálculo, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Diante do exposto, correto o lançamento do IRPJ e os lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. Devese, contudo, fazer uma ressalva: a fiscalização desconsiderou, na formação dos créditos tributários constituídos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS os pagamentos feitos pela Recorrente, no período de janeiro a julho de 2010, pelo SIMPLES Nacional. Esses valores deveriam ter sido considerados e, como não o foram, conforme comprovado em manifestação de p. 2665 a 2688, estáse, neste momento, sendo feita a correção nos respectivos créditos tributários constituídos, com a exclusão dos valores pagos a título de SIMPLES Nacional, conforme comprovante de recolhimento de p. 2688. CONCLUSÃO Por todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para: 1) ratificar as bases de cálculo apuradas conforme termo de diligência fiscal de efls. 2647 a 2652 (abaixo reproduzido), bem como; Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.698 19 2) na execução do presente julgado pela RFB, que dos créditos tributários constituídos acima sejam excluídos os valores pagos a título de SIMPLES Nacional, correspondentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme comprovante de recolhimentos de p. 2688, mantendose a multa qualificada de 150% dos valores devidos e a sujeição passiva solidária dos Srs Ivan Quirino, CPF 009.045.06983, Fabiano Rafael Simões, CPF 018.013.34978, e, Ricardo Reale Luiz, CPF 005.107.13980. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Sumario conclusivo do TDF (efls 2650) Fl. 2707DF CARF MF 20 Fl. 2708DF CARF MF
score : 1.0
