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Numero do processo: 10680.932852/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente e Relator
documento assinado digitalmente
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator “documento assinado digitalmente” Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 32 85 2/ 20 09 -5 6 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 209 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior efetuado sob o código 2362 (ESTIMATIVA MENSAL – IRPJ), relativamente ao período de apuração de abril de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, unidade administrativa que primeiro apreciou o pedido formulado pela contribuinte, decidiu pela não homologação da compensação (Despacho Decisório nº 848544198, de 07/10/2009 – fls. 30). No Despacho Decisório acima mencionado resta consignado: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 09), momento em que argumentou: que apurou o IRPJ Estimativa Mensal no mês de abril/2005 no montante de R$ 5.882.244,10, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente, mas, posteriormente, constatou erro na referida apuração; que apurou uma nova estimativa de IRPJ para o período em referência no valor de R$5.568.688,47, gerando, assim, um recolhimento indevido no montante de R$ 313.555,63; que a DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ; que o indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP; que o entendimento esposado no Despacho Decisório destoa dos pronunciamentos do então Conselho de Contribuintes sobre a matéria; que não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada; que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria Receita Federal em relação ao tema em questão. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 210 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0226.058, de 17 de março de 2010, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 77/97, em que, em apertada síntese, sustentou a nulidade do acórdão recorrido, em razão de uma suposta confusão sobre o período de ocorrência do fato gerador do tributo e erro na indicação da fundamentação; e a necessidade de reforma da decisão de primeira instância e o conseqüente cancelamento da cobrança, haja vista a regularidade da compensação efetuada. Esclarece que fez um pedido alternativo em sua manifestação de inconformidade com o intuito de preservar o seu direito à restituição do indébito, caso a compensação não fosse homologada, e que, por meio da peça recursal, reitera tal pedido. Em uma primeira apreciação, esta Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem, tomando por base documentos colhidos junto à contribuinte, informasse se efetivamente estarseia diante de erro na apuração da antecipação obrigatória recolhida. Em caso positivo, que fosse informado o montante que deveria ser considerado como PAGAMENTO INDEVIDO (Resolução nº 1301 000.224, de 24/09/2014). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte aportou ao processo a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 194/196, da qual releva reproduzir os seguintes fragmentos: [...] para cumprir estas determinações exaradas pelo colegiado, o contribuinte foi, pelo Termo de intimação datado de 14/05/2015, com ciência via postal em 18/05/2015, intimado a: Apresentar cópia dos Balanços/Balancetes de suspensão/redução transcritos nos Livros fiscais, que demonstrem a apuração dos resultados do ano calendário de 2005, em especial o do mês de abril de 2005, cujo resultado serviu de base para a empresa considerar a maior o valor de R$ 313.555,63, efetuado a título de pagamento da estimativa deste mês, com recolhimento original de R$ 5.568.688,47. (GRIFO DO ORIGINAL) Em 29/05/2015 o contribuinte apresentou sua resposta e juntou os documentos probatórios abaixo relacionados, que passaram a fazer parte integrante do presente processo: Cópia do Termo de Intimação Fiscal (doc 01); Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 211 4 Balancete do mês de abril de 2005 (doc 02); Cópia do Livro de Apuração do Lucro real – Lalur do ano calendário de 2005 (doc 03), sendo anexadas somente as fls. referentes a apuração do mês de abril; Memória de cálculo e ficha 11 da DIPJ/2006 retificadora – Cálculo do Imposto de renda Mensal por estimativa, anocalendário 2005 (doc 04); Darf do valor de R$ 5.882.244,10, referente ao mês de abril de 2005 (doc 05); DCTF retificadora e original referente a informação do IRPJ, código 2362, (doc 06). Diante de todo o exposto e das informações e documentação apresentadas, procedi a análise das mesmas e cheguei ao seguinte entendimento: O contribuinte, como documentação comprobatória de seus argumentos, apresentou o balanço CEMIG – Geral – Tributos do mês de abril de 2005, onde está demonstrado que o fechamento do lucro líquido até este mês totalizava R$ 204.039.546,97. Ainda, pela cópia do Lalur – Livro de Apuração do Lucro Real do ano calendário de 2005 apresentada, constou registrado como Lucro Real, no fechamento de 30 de abril de 2005, após os ajustes das adições e exclusões, o montante de R$ 248.957.826,25. Este lucro resulta no IRPJ apurado de R$ 37.343.673,94 e adicional de R$ 24.887.782,63. Também, na memória de cálculo das apurações do anocalendário de 2005 apresentada, que espelha fielmente a transcrição das fichas 11 e 12A da DIPJ/2006, cópia anexa, foi assinalado como valor devido da estimativa do IRPJ do mês de abril, após as deduções permitidas, o montante de R$ 5.568.688,47. Cabe ressaltar que o contribuinte, na apuração do ajuste anual, incluiu somente como pagamento de estimativa deste mês de abril de 2005 o valor considerado devido em suas apurações ajustadas de R$ 5.568.688,47, valor este integralmente recolhido. Assim, ficou justificado o pedido de compensação realizado pelo contribuinte através do PerDcomp sob apreciação, onde o crédito pleiteado de R$ 313.555,63, teve origem no recolhimento da estimativa do mês de abril de 2005, no montante de R$ 5.882.244,10, efetuado de forma equivocada a maior, cuja apuração demonstrada no presente processo traduziu em um valor a recolher de R$ 5.568.688,47. De forma acertada, a empresa transmitiu a DIPJ/2006 com as apurações de estimativas e resultado final atualizados, pois já havia ajustado as informações das estimativas prestadas à RFB, via entrega de DCTF mensais retificadoras. A DCTF referente ao mês de abril/2005, transmitida em 07/06/2005, arquivada sob o nº 100.0000.2005.1850003910, que continha como valor devido da estimativa de abril do IRPJ o montante de R$ 5.882.244,10, foi retificada em 02/10/2008, arquivada sob o nº 100.0000.2008.1810400981, registrando o valor devido de IRPJ de R$ 5.568.688,47. Finalizando, após a análise da documentação e sistemas da RFB necessárias à conclusão da solicitação do colegiado, restou comprovado que o contribuinte efetuou recolhimento a maior de forma indevida. Houve, portanto, incorreção na apuração inicial da estimativa do IRPJ do mês de abril de 2005. Assim, deve ter seu direito de crédito reconhecido pelo valor da diferença recolhida a maior, no montante de R$ 313.555,63. (GRIFEI) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 212 5 Seguindo as orientações do Acórdão nº 1402001.903 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 03/02/2015, o contribuinte deverá ser cientificado do teor deste relatório fiscal e, reaberto o prazo para manifestação para, se assim desejar, aditar razões. Embora cientificada do resultado da diligência, conforme aviso de recebimento de fls. 200, não identifico pronunciamento da contribuinte acerca do resultado da diligência realizada. É o Relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 213 6 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Durante a discussão na sessão de julgamento a maioria do colegiado concluiu pela necessidade conversão do julgamento em diligência, com vistas à oportunizar à recorrente a apresentação de elementos que possam comprovar, efetivamente, a ocorrência do erro de fato na apuração da base de cálculo das estimativas recolhidas, que deram ensejo ao presente pedido de restituição/compensação. Tendo sido designado para redigir o voto vencedor, passo a análise dos fatos. O ilustre relator, Conselheiro Wilson Guimarães, apresentou em seu voto (vencido) uma breve contextualização da querela, da qual me valho por bem retratar a discussão que levou o colegiado a decidir converter o julgamento em diligências, verbis: Cuida o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior efetuado sob o código 2362 (ESTIMATIVA MENSAL – IRPJ), relativamente ao período de apuração de abril de 2005. O indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude do entendimento nas instâncias precedentes de que o aproveitamento de antecipações obrigatórias só pode ser feito na apuração final do resultado fiscal, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, PAGAMENTO A MAIOR ou INDEVIDO. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na RECEITA BRUTA. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na RECEITA BRUTA ou com suporte em BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a ESTIMATIVA era devida. Obviamente, se, exemplificadamente, o contribuinte recolhe a ESTIMATIVA com base na RECEITA BRUTA e, em momento posterior, levanta um BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO que aponta para PREJUÍZO FISCAL no período acumulado ou para um montante inferior ao que foi recolhido, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 214 7 legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de BALANÇO DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO). No caso vertente, embora a decisão de primeira instância tenha assinalado que "o contribuinte apurou o IR a antecipar, a titulo de "estimativa mensal" através do levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução", tendo encontrado "no mês de abril/2005 um IRPJ a pagar no valor de R$ 5.882.244,10", não foram identificados elementos capazes de confirmar essa assertiva, isto é, não foram reunidos ao processo elementos capazes de indicar que o pagamento de R$ 5.882.244,10 foi efetuado com base em balanço de suspensão ou redução. Não custa ressaltar que o registro feito na decisão a quo no sentido de que a regra geral na determinação da estimativa é a aplicação de percentual sobre a receita bruta e de que a apuração com base em balanços/balancetes de suspensão deve ser efetuada até a data do vencimento da obrigação, em um primeiro momento, conduz à conclusão de que efetivamente não estaríamos diante de PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO, mas, sim, de reapuração de estimativa, promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Diante dessas circunstâncias, na sessão realizada em 24 de setembro de 2014 esta Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1301000.224) para que a unidade administrativa de origem informasse, com base no acervo contábil e fiscal da contribuinte, se efetivamente houve ERRO na apuração da antecipação obrigatória recolhida. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte aportou ao processo Relatório Fiscal, no qual afirma ter havido erro por parte da contribuinte no recolhimento da estimativa de IRPJ correspondente ao mês de abril de 2005. Tal conclusão foi, nos termos do referido relatório, amparada na análise empreendida nos seguintes documentos: balancete do mês de abril de 2005; cópia do Livro de Apuração do Lucro real – Lalur do ano calendário de 2005 (mês de abril); memória de cálculo e ficha 11 da DIPJ/2006 retificadora – Cálculo do Imposto de renda Mensal por estimativa, anocalendário 2005; DCTF retificadora e original referente a informação do IRPJ, código 2362. A diligência requerida objetivou aclarar se, de fato, houve pagamento a maior, ou, ao contrário disso, a contribuinte refez os cálculos de modo a igualar os recolhimentos por estimativa ao efetivamente devido, de modo que os valores recolhidos a maior, mas efetivamente devidos, ao invés de constituírem saldo negativo, passaram a representar pagamentos indevidos. Tais valores, ao serem considerados como tal (pagamento indevido), passam a render juros a partir do mês seguinte ao que foram recolhidos. O resultado da diligência retratado no documento de fls. 194/196, entretanto, a meu ver, embora conclua pela existência de pagamento indevido, não aponta o suposto erro cometido na determinação do valor que foi objeto de recolhimento e nem indica documentos que poderiam comprovar tal ocorrência. O referido documento, inclusive, faz referência à "incorreção na apuração inicial da estimativa do IRPJ do mês de abril de 2005", porém, não traz um único documento que permita conhecer essa "apuração inicial", de modo a evidenciar o "erro" alegado pela Recorrente. Do ponto de vista documental, seria essencial a apresentação da DIPJ original, devidamente acompanhada da memória de cálculo da estimativa de abril de 2005. Se o recolhimento foi efetuado, com o alegado "erro", com base em balanço de suspensão ou redução, teria sido fundamental, também, a comprovação de que a já referenciada Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 215 8 apuração inicial foi, nos termos da legislação de regência, retratada em balanços ou balancetes devidamente transcritos no Livro Diário até a data fixada para o pagamento do imposto. A diligência foi requisitada dentro do contexto de que, em termos fáticos, efetivamente poderia ter havido ERRO capaz de caracterizar a ocorrência de PAGAMENTO INDEVIDO, embora, como se verá adiante, os elementos reunidos ao processo, considerados na situação em que nem mesmo por meio de diligência fiscal houve comprovação de "erro", possam levar à convicção de que não estamos diante de pagamento indevido. [...] Como bem retratado pelo d. relator, as instâncias administrativas precedentes haviam rejeitado a homologação da compensação pleiteada sob o fundamento de que a legislação somente admitia a compensação de estimativas ao final do período de apuração (compondo eventual saldo negativo). As decisões proferidas, portanto, não examinaram o mérito da existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Em assentada anterior, este colegiado, superou o entendimento quanto a impossibilidade de compensação de estimativas pagas a maior e houve por bem determinar a conversão do julgamento em diligências para que a unidade de origem verificasse a comprovação do suposto erro de apuração da estimativa que originou o pedido de compensação. A autoridade fiscal responsável pela diligência, intimou a interessada (efls. 142) a apresentar "cópia dos Balanços/Balancetes de suspensão/redução transcritos nos Livros fiscais, que demonstrem a apuração dos resultados do anocalendário de 2005, em especial o do mês de abril de 2005, cujo resultado serviu de base para a empresa considerar a maior o valor de R$ 313.555,63, efetuado a título de pagamento da estimativa deste mês, com recolhimento original de R$ 5.568.688,47". Ao concluir a diligência (efls. 176/177), a autoridade fiscal considerou satisfatórios os elementos apresentados para comprovar o pagamento a maior e reconhecer a diferença dele advinda como pagamento indevido. Ocorre que não foram trazidos aos autos elementos que demonstrassem o alegado erro de fato que deu origem à diferença, com indicação dos valores da apuração original que foram retificados e demonstração de que a revisão do valor não decorre da mudança critério de apuração utilizado inicialmente (estimativas com base na receita bruta x balanço/balancete de suspensão ou redução). Diante deste quadro, o d. relator entendeu não existirem nos autos os necessários elementos de comprovação do erro de fato cometido que justificaria a restituição de indébito de estimativa e não de eventual saldo negativo ao final do período. Desta feita, a maioria do colegiado, divergindo do encaminhamento do voto do relator, considerou que, como a discussão original se restringira à possibilidade legal de reconhecimento de indébito de estimativas, sem examinar os fatos, e que, diante dos elementos apresentados pela recorrente em sede de diligência, a autoridade fiscal manifestouse pela existência do indébito, seria razoável oportunizar à interessada a trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar cabalmente o erro alegado. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 216 9 Ante ao exposto, resolveu o colegiado, converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem: a) junte aos autos cópia integral da DIPJ, original, do anocalendário 2005 apresentada pela recorrente; b) intime a recorrente a: b.1) informar o método de apuração da estimativa mensal (Receita Bruta x Balanço de Suspensão/Redução) do mês de 04/2005, utilizado nos cálculos dos valores originalmente declarados e dos valores retificados; b.2) demonstrar e comprovar o erro de fato cometido na apuração do valor devido a título de estimativas no período de apuração 04/2005, com precisa indicação nos elementos documentais apresentados; b.3) apresentar outros elementos que entender cabíveis com vistas a comprovação do erro de fato alegado. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os novos elementos apresentados e elaborar Relatório Fiscal conclusivo, do qual deve ser cientificada a recorrente para que, desejando, se manifeste a respeito, observandose o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. É como voto. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. "documento assinado digitalmente" Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 217 10 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 11060.002877/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RETROATIVIDADE. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO JURÍDICO QUANTO À ISENÇÃO.
É legítima a suspensão da isenção de IRPJ e CSLL quando caracterizado que a entidade aplicou recursos em atividades diversas da manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, prestou serviços dissociados das finalidades para as quais foi instituída, e, ainda, remunerou dirigentes por serviços prestados. O ato declaratório que suspende a isenção tem eficácia meramente declaratória, e não constitutiva, e possui expressa previsão legal, de modo que sua expedição não representa alteração de critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento.
ISENÇÃO. SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O delegado da Receita Federal do Brasil que tem jurisdição sobre o domicílio do contribuinte é competente para suspender isenção tributária de IRPJ e CSLL.
LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
No lucro presumido e arbitrado, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é apurada mediante a aplicação de percentuais sobre a receita bruta auferida. O preço dos serviços prestados corresponde ao montante da responsabilidade contratualmente assumida.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS E COFINS.
No lucro presumido e arbitrado, as contribuições para o PIS e a COFINS são apuradas na forma cumulativa. Na ausência de argumentos específicos, aplica-se a esses tributos o quanto decidido com relação ao IRPJ.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Sujeita-se à incidência do Imposto de Renda, exclusivamente na fonte, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a terceiros, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
JUROS E MULTA ISOLADOS - FALTA DE RETENÇÃO E PAGAMENTO DO IRRF SOBRE BOLSAS
A falta de retenção e recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF que tiver a natureza de antecipação do devido, quando constatada após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de beneficiário pessoa física, enseja a cobrança, da fonte pagadora, de multa isolada e de juros isolados, calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. No caso, as bolsas de estudo não eram isentas porque demonstrado pela fiscalização que configuravam contraprestação por serviços prestados ou, ainda, produziam resultados econômicos quer para o doador direto (a fundação), quer para o doador indireto (financiador dos recursos e tomador dos serviços contratados à fundação). Afasta-se a cobrança dos consectários no caso de decisão judicial transitada em julgado que reconheça a isenção de determinada bolsa auferida.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. No caso, restou demonstrado que a fundação, valendo-se de sua condição de entidade isenta, contratou irregularmente (com burla à legislação que prevê a dispensa de licitação) com entidades públicas para a prestação de serviços comuns, em completo desvirtuamento das finalidades e objetivos institucionais que justificariam a própria concessão de isenção, efetuando ainda o pagamento de vultosos valores a terceiras empresas por serviços que não foram prestados, de modo a possibilitar o ilegal desvio de dinheiro público.
Numero da decisão: 1201-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para: (i) cancelar os lançamentos relativos à cobrança de juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas pagas às pessoas de Melania de Melo Casarin e de Andre Krusser Dalmazzo; (ii) cancelar a imputação fiscal de responsabilidade solidária em nome de Ronaldo Etchechury Morales.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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SUSPENSÃO DA ISENÇÃO E LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Recorrente FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA E CIÊNCIA FATEC E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF no 72) FUNDAÇÕES. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. As fundações podem ser sujeitos passivos de obrigações tributárias, e respondem por exigências tributárias decorrentes de atos praticados pelos seus administradores, prepostos e empregados, no exercício de suas funções. A eventual responsabilização solidária desses agentes não afasta a contribuinte do polo passivo da relação jurídica tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. DOLO. BENEFÍCIO ECONÔMICO. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. A responsabilidade das referidas pessoas é subjetiva e decorre da prática de ato ilícito e da caracterização do dolo, as quais devem ser provadas pelo Fisco. Afastase a imputação de responsabilidade à pessoa cuja participação dolosa nos atos ilícitos, assim como o suposto benefício econômico direto advindo daqueles atos, não restaram comprovados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 28 77 /2 00 8- 11 Fl. 5548DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 3 2 Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INCORREÇÕES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções neste instrumento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. O ato administrativo de lançamento é plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. No caso, o MPF sequer continha qualquer incorreção, tendo sido regularmente prorrogado, nos termos das normas infralegais de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE PARTICIPAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS NO PROCEDIMENTO FISCAL E NA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. Somente o contribuinte é parte legítima para contestar o ato declaratório que suspendeu o benefício fiscal de isenção tributária. Nos termos da legislação processual tributária, a garantia do contraditório, para os responsáveis tributários, se inicia somente com a apresentação da impugnação tempestiva ao lançamento do qual tenha sido regularmente cientificado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RETROATIVIDADE. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO JURÍDICO QUANTO À ISENÇÃO. É legítima a suspensão da isenção de IRPJ e CSLL quando caracterizado que a entidade aplicou recursos em atividades diversas da manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, prestou serviços dissociados das finalidades para as quais foi instituída, e, ainda, remunerou dirigentes por serviços prestados. O ato declaratório que suspende a isenção tem eficácia meramente declaratória, e não constitutiva, e possui expressa previsão legal, de modo que sua expedição não representa alteração de “critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento”. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O delegado da Receita Federal do Brasil que tem jurisdição sobre o domicílio do contribuinte é competente para suspender isenção tributária de IRPJ e CSLL. LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. No lucro presumido e arbitrado, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é apurada mediante a aplicação de percentuais sobre a receita bruta auferida. O preço dos serviços prestados corresponde ao montante da responsabilidade contratualmente assumida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS E COFINS. Fl. 5549DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 4 3 No lucro presumido e arbitrado, as contribuições para o PIS e a COFINS são apuradas na forma cumulativa. Na ausência de argumentos específicos, aplicase a esses tributos o quanto decidido com relação ao IRPJ. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda, exclusivamente na fonte, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a terceiros, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. JUROS E MULTA ISOLADOS FALTA DE RETENÇÃO E PAGAMENTO DO IRRF SOBRE BOLSAS A falta de retenção e recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF que tiver a natureza de antecipação do devido, quando constatada após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de beneficiário pessoa física, enseja a cobrança, da fonte pagadora, de multa isolada e de juros isolados, calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. No caso, as bolsas de estudo não eram isentas porque demonstrado pela fiscalização que configuravam contraprestação por serviços prestados ou, ainda, produziam resultados econômicos quer para o “doador direto” (a fundação), quer para o “doador indireto” (financiador dos recursos e tomador dos serviços contratados à fundação). Afastase a cobrança dos consectários no caso de decisão judicial transitada em julgado que reconheça a isenção de determinada bolsa auferida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. No caso, restou demonstrado que a fundação, valendose de sua condição de entidade isenta, contratou irregularmente (com burla à legislação que prevê a dispensa de licitação) com entidades públicas para a prestação de serviços comuns, em completo desvirtuamento das finalidades e objetivos institucionais que justificariam a própria concessão de isenção, efetuando ainda o pagamento de vultosos valores a terceiras empresas por serviços que não foram prestados, de modo a possibilitar o ilegal desvio de dinheiro público. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para: (i) cancelar os lançamentos relativos à cobrança de juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas pagas às pessoas de Melania de Melo Casarin e de Andre Krusser Dalmazzo; (ii) cancelar a imputação fiscal de responsabilidade solidária em nome de Ronaldo Etchechury Morales. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Fl. 5550DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 5 4 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos pelo contribuinte em epígrafe e pelos responsáveis solidários pelo crédito tributário, conforme a seguir se especificará, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto AlegreRS, que, por unanimidade de votos, afastou as preliminares de nulidade da decisão que suspendeu a isenção de IRPJ e CSLL no período de 2003 a 2007, indeferiu a impugnação contra a mesma decisão, indeferiu as solicitações de perícia e diligências, afastou as preliminares e julgou improcedentes as impugnações apresentadas, mantendo integralmente os créditos tributários exigidos, bem como a responsabilidade solidária dos sujeitos passivos elencados pela fiscalização. O caso foi assim relatado pela instância a quo: “Esta decisão analisará as impugnações apresentadas pela interessada a ato declaratório de suspensão de isenção tributária (fls. 1393 e 1398/1415) e a autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS/Pasep (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e de multa e juros isolados por falta de retenção de IRRF (fls. 2830/3060). Julga também as ímpugnações às sujeições passivas solidárias imputadas a Ronaldo Etchechury Morales, Luiz Carlos de Pellegrini e Silvestre Selhorst (fls. 4061/4083, 4097/4123 e 4288/4407), ocupantes dos seguintes cargos na contribuinte: o primeiro, diretorpresidente, no período de 1/1/03 a 21/1/04; o segundo, diretor financeiro, de 4/1/06 a 26/5/06, e diretorpresidente, de 26/5/06 a 20/12/07; e o terceiro, secretário executivo, de 1/1/03 a 12/12/07. A isenção tributária objeto da suspensão está prevista no art. 15 da Lei 9.532/97. É direcionada às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e para as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. É exclusiva para IRPJ e CSLL (Lei 9.532/97, art. 15, § 1°). A exigência dos autos de infração é a seguinte: [...segue demonstrativo dos valores lançados, totalizando R$165.730.332,52] O processo administrativo tem suas raízes em trabalho conjunto de investigação promovido pelo Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Polícia Federal e Secretaria da Receita Federal do Brasil em operação denominada Rodin. Os investigadores constataram diversos ilícitos penais, cíveis e tributários, os quais teriam como modelo e foco central uma fraude envolvendo a Fl. 5551DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 6 5 autarquia gaúcha Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RS), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e duas fundações vinculadas à universidade: a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec, ou Fateciens, como posteriormente designada) e a Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae). Segundo consta, o Detran/RS contratava as fundações, mediante dispensa de licitação, supostamente amparado no art. 24, XIII, da Lei 8.666/93 e no artigo 1 ° da Lei 8.958/94, ora transcritos: Lei 8.666/93: Art. 24. É dispensável a licitação: XIII — na contratação de instituição nacional sem fins lucrativos, incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, científico ou tecnológico, desde que a pretensa contratada detenha inquestionável reputação ético profissional; Lei 8.958/94; Art. 1o As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei n° 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. A fiscalização entendeu que a contratação da Fatec pelo Detran/RS teria ocorrido com burla à legislação (fl. 2536): A dispensa de licitação promovida pelo artigo 1° da Lei n°. 8.958/94, nos termos do artigo 24, inciso XIII da Lei n °. 8.666/93, veio no sentido de viabilizar a mobilização mais facilitada de recursos públicos e privados destinados ao fomento e ao financiamento das atividades de pesquisa, ensino e extensão junto às universidades, regra que JAMAIS poderia ser interpretada de maneira aberta, de modo a albergar situações fáticas nãodecorrentes, estritamente, das precipitas modalidades de "ensino, pesquisa e extensão". Entretanto, através de um ajuste prévio, pessoas com grande influência política (lobistas) conseguiram fazer com que o DETRAN/RS contratasse a FATEC e a FUNDAE para a execução de serviços diversos, cuja realização acabou sendo atribuída a terceiros, aos quais era repassada em torno de 40% da remuneração percebida, urna vez que no preço dos serviços eram embutidos, além do próprio serviço, a "remuneração" dos lobistas, pela obtenção do contrato, bem como a 'propina" destinada a corromper funcionários públicos. Segundo documentos juntados ao processo — inclusive a decisão judicial que recebeu denúncia contra diversas pessoas, na ação penal no 2007.71.02.0078728, promovida junto à 3a Vara da Justiça Federal de Santa Maria (fls. 2806/2869) —, a Fatec subcontratava com terceiros a realização de diversas atividades, a quem repassava expressiva parcela da remuneração recebida, em contrapartida de serviços reputados como pífios, a indicar superfaturamento. Tais repasses beneficiavam os responsáveis pela contratação (titulares ou responsáveis pelos órgãos públicos) e pela subcontratação (integrantes das fundações de apoio), além dos lobistas que conseguiam captar os negócios. Fl. 5552DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 7 6 Os terceiros subcontratados eram sociedades empresariais, que receberam a alcunha de sistemistas. Destacamse entre elas: 1. Carlos Rosa Advogados Associados; 2, Newmark Tecnologia da Informação, Logística e Marketing Ltda.; 3. Pensant Consultores Ltda.; 4. Rio del Sur Auditoria & Consultoria Ltda.; S. Doctus Consultores Ltda.; 6. Geplan/Getplan — Gestão, Capacitação e Planejamento Ltda.; 7. Hoher & Cioccari Advogados S/S; 8. IGPL — Inteligência Em Gestão Pública Ltda.; 9. Laboratório Nacional de Perícias Documentoscópicas Oto Rodrigues Lida; 10. Nachtigall Luz Advogados Associados; e 11. Pakt Excelência Em Projetos SIS Ltda. Em 24/7/08, a fiscalização da DRF Santa Maria expediu termo de notificação fiscal e relatório de fiscalização (fls. 01/37), por meio dos quais descreveu as irregularidades praticadas pela contribuinte que ensejariam suspensão do benefício de isenção fiscal de IRPJ e CSLL nos períodos relativos de 2003 a 2007. As regras básicas da legislação e as infrações apontadas são consolidadas no quadro seguinte: Fl. 5553DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 8 7 Na sequência, em 25/8/08, em oportunidade prevista para apresentação de alegações e provas, nos termos do art. 32, § 2º, da Lei 9.430/96 (fls. 1315/1338), a fundação se defendeu. Eis o resumo de seus argumentos: a) é nulo o ato fiscalizatório que motiva a suspensão da isenção já que o mandado de procedimento fiscal (MPF) não estipula lapso temporal para sua validade; b) é nula a utilização de documentos cujo acesso não foi permitido à interessada; c) inexiste legislação substantiva que permita a suspensão do benefício de isenção fiscal a que a fundação faz jus; d) ausência de portaria atribuindo competência à autoridade que determinou a suspensão da isenção; e) prejudicialidade externa: a suspensão da isenção somente poderia ser apreciada após a solução de três processos de matéria previdenciária, pendentes de decisão administrativa, e de controvérsias judiciais, eis que há provas e matéria de fato envolvidas que estão sendo discutidas nessas searas; f) a Fatec é vítima e não pode ser responsabilizada pelos atos ilegais, abusivos e contra seus próprios interesses, praticados por gestores e prepostos, mancomunados com terceiros, pois haveria que se considerar a condição jurídica especial das fundações, a inexistência de dispositivo legal que lhe atribua responsabilidade e a nulidade ou anulabilidade dos atos referidos, por conterem vício de consentimento ou fraude criminal – a responsabilidade é exclusiva dos infratores, sem qualquer solidariedade da fundação; Fl. 5554DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 9 8 g) os pagamentos diretos ou indiretos realizados a diretores administrativos não decorreram da atividade diretiva, mas de bolsas de estudo e pesquisa ou do trabalho para desenvolvimento de softwares; h) José Fernandes nunca teve competência para obrigar a fundação perante terceiros, ainda que eventualmente tivesse poderes administrativos na gestão de um dos projetos, o Trabalhando pela Vida, ao qual vinculouse o acordo com o Detran/RS; i) as fundações não têm objetivos sociais; por isso não se aplica à Fatec a prescrição do art. 12, § 2% b, da Lei 9.532/97; j) o caput do art. 15 da Lei 9.532/97 não exclui a possibilidade da isenção para entidades que, além de prestarem serviços sem fins lucrativos para os quais foram instituídas, realizem outros, ainda que rendosos (rendoso é diferente de lucrativo — as fundações não tem objetivo de lucro, pois não têm sócios a remunerar); k) a Fatec não terceirizou a prestação de serviços ao Detran/RS, o que foi terceirizado aos sistemistas — sem a responsabilidade da Fatec — era uma parte do resultado financeiro; 1) a fraude que lesou a fundação em razão do contrato com o Detran/RS não tem o condão de contaminar a validade desse instrumento; m) se pagamentos sem causa houve, é porque foram realizados mediante fraude contra a interessada, que foi vítima; n) não há provas de que a interessada tenha aplicado seus recursos, por ato válido, em atividades que não fossem relacionadas aos seus fins, salvo quanto a atividadesmeios efetuadas para aumentar seus recursos — o que é lícito; o) a fundação cumpriu a exigência de manter a escrituração completa de suas receitas e despesas em livros fiscais revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão pois até mesmo a fraude foi adequadamente contabilizada; p) a concessão de bolsas de ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica, ainda que o estudo desenvolvido venha a irradiar efeitos práticos em benefício da Fatec ou de seus tomadores de serviços não constitui remuneração tributável; os casos das bolsas ilegais ou fraudulentas não podem gerar efeitos fiscais sobre a interessada. Os fatos e as alegações contidos no processo foram analisados pelo Parecer DRF/STM/Saort 1046, de 29/9/08 (fls. 1381/1397). Inicialmente, foram afastadas as questões preliminares, sendo consignada a regularidade do procedimento fiscal no que se refere ao MPF e suas prorrogações, à aplicabilidade da legislação invocada e à inexistência de prejudicialidade externa. Relativamente às exceções indiretas de mérito, o parecer ressaltou a existência de responsabilidade da Fatec, uma vez que era contribuinte e porque efetivamente beneficiouse do contrato com o Detran/RS. No mérito, não foram acatadas as alegações da fundação, salvo quanto à questão da remuneração indireta a dirigente de fato, entendendo inexistirem provas suficientes para tal constatação. Diante do analisado, os pareceristas opinaram pela suspensão da isenção do IRPJ e da CSLL. Em 30/9/08, o Delegado da Receita Federal em Santa Maria expediu o Ato Declaratório Executivo DRF/STM 25, suspendendo o benefício da isenção tributária de IRPJ e CSLL da Fatec, relativamente ao período de jan/2003 a dez/2007, conforme o art. 32, § 3°, da Lei 9.430/96 (fl. 1393). Fl. 5555DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 10 9 O ato declaratório foi cientificado à contribuinte em 3/10/08 (fl. 1394), sendo a respectiva impugnação apresentada em 24/10/08 (fls. 1398/1415). Neste documento, a contribuinte reforça as teses anteriormente apresentadas, acrescentando: a) inexistência de legislação que embase a suspensão da imunidade: o STF suspendeu a vigência do art. 14 da Lei 9.532/97 e, com isso, impossibilitou a aplicação da norma processual regulamentadora da suspensão, conferida pelo art. 32 da Lei 9.430/96; b) validade do contrato com o Detran/RS: a contratação está de acordo com a legislação, inclusive conforme apreciação do Poder Judiciário; toda a renda que a fundação recebe não é revertida para o enriquecimento de seus diretores, mas para o investimento em projetos que visem ao bemestar da sociedade; o Estado do Rio Grande do Sul manifestouse pela validade e legalidade do contrato; c) inexistência de desvirtuamento do objetivo da fundação: o contrato com o Detran/RS possui vínculos com atividades regulares da fundação, gerando renda inclusive para outros projetos desenvolvidos em benefício à comunidade; d) não houve responsabilidade da fundação (culpa in vigilando e in elegendo): o princípio constitucional da presunção da inocência impede falarse em culpa antes do trânsito em julgado da ação de improbidade administrativa, que corre na 3' Vara da Justiça Federal de Santa Maria; a Fatec sequer é ré no processo, atua como colaboradora na coleta de provas e peticionou para ser assistente da condenação; as fundações são entes abstratos, ficções jurídicas; os diretores da Fatec não foram escolhidos por ela, mas pelo conselho da fundação e as pessoas envolvidas com o projeto Detran/RS foram indicadas pelo coordenador do projeto; e) remuneração aos diretores: bolsas de estudo e pesquisa consistem em doação civil, com caráter de incentivo e não de remuneração; a lei não impede que diretores exerçam ministério profissional diverso da função diretiva e não proíbe que recebam remuneração por isso; f) sobre suposta aplicação de recursos em desacordo aos objetivos da fundação: • a Fatec prestou serviços de alta qualidade e a contraprestação pecuniária foi lhe subtraída por pessoas que tinham o dever de zelar pela fundação — a Fatec foi vítima e não artífice das irregularidades; • os documentos apreendidos e os depoimentos prestados à Polícia Federal não apontam para culpa ou qualquer vantagem auferida pela fundação; • as informações técnicas do Ministério Público de Contas sobre a subcontratação dos sistemistas e os pagamentos a eles realizados não podem ser utilizadas contra a fundação, que foi vítima; os contratos são nulos de pleno direito pois decorrentes de ilícito/fraude; • as notas fiscais entendidas como "frias" são perfeitas dentro do plano jurídico da validade; entretanto, não adentram no plano da eficácia, pois os contratos seriam nulos; • os recursos aplicados pela Fatec, oriundos de atos válidos, foram investidos em atividades relacionadas aos seus objetivos: o apoio a projetos de pesquisa, extensão, etc. Fl. 5556DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 11 10 Além de pedir a nulidade e revogação do ato declaratório, com o acolhimento das razões da defesa prévia, a impugnante solicita o recebimento do recurso nos efeitos devolutivo e suspensivo, com o respectivo despacho ocorrendo antes que se esgote o prazo de opção do regime de tributação, e concessão do prazo de mais vinte dias para complementar sua impugnação. Os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IRRF e de multa e juros isolados foram lavrados em 8/6/09 (fls. 2684/2758), sendo acompanhados do relatório de fiscalização (fls. 2506/2551), onde constam os critérios adotados para a tributação com base no lucro presumido nos anoscalendários 2003 e 2004 e no lucro arbitrado nos períodos seguintes. A utilização do lucro presumido deveuse à opção da contribuinte e a do lucro arbitrado, à sua omissão em apresentar Lalur com apurações trimestrais, balanços patrimoniais, demonstrações de resultados trimestrais e demonstrações de lucros e prejuízos acumulados, necessários para a apuração do lucro real, consoante arts. 260, I11, e 274 do RIR/99. O lucro real é o regime exigido pelo art. 14, I, da Lei 9.718/99 (alterada pelo art. 46 da Lei 10.637/02). O relatório fiscal tece considerações acerca das bases de cálculo adotadas para os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins exigidos pela insuficiência de recolhimentos, de IRRF incidente sobre pagamentos sem causa aos sistemistas e de multa e juros isolados aplicados pela falta de retenção de IRRF sobre bolsas de pesquisas concedidas. A fiscalização identificou a existência de fraude nas ações dos sujeitos passivos e, por isso, lavrou os autos de infração com a multa de 150%. Os autos de infração foram cientificados à Fatec em 17/6/09 (fls. 2685, 2692, 2700, 2711, 2722 e 2749). Os responsáveis solidários indicados no processo foram intimados por meio de termos de sujeição passiva solidária: Ronaldo Etchechury Morales e Luiz Carlos de Pelegrini, em 17/6/09 (fls. 2761/2762); Silvestre Selhorst, em 18/6/09 (fl. 2763). Todos os sujeitos passivos impugnaram: os que foram intimados em 17/6 09 apresentaram suas impugnações em 17/7/09 (fls. 2830/3060, 4061/4083 e 4097/4123); quem intimado em 18/6/03 protocolou sua defesa em 20/7/09 (fls. 4288/4407). Em sua impugnação (fls. 2830/3060), a Fatec pede a nulidade dos autos de infração em razão de: a) pendência de eficácia do ato declaratório de suspensão da isenção em virtude de impugnação (infração ao princípio da irretroatividade); b) responsabilização indevida da fundação em razão de supostas irregularidades cometidas pelos exdirigentes; c) arbitramento ilegal de lucro; e d) alteração do entendimento jurídico da RFB quanto à isenção da impugnante, aplicada com efeitos retroativos. No caso de não serem aceitas as nulidades, a contribuinte postula o julgamento da suspensão da isenção antes dos autos de infração. No mérito, além da prejudicial de decadência dos créditos anteriores a 17/6/04, a fundação pleiteia a total improcedência dos autos de infração. Na defesa, tece considerações sobre a própria entidade, suas finalidades e funcionamento; sobre Fl. 5557DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 12 11 as espécies de projetos realizados, seus registros e pagamento de bolsas; sobre os regimes jurídicos das leis 8.958/94 e 10.973/04 e as bolsas de inovação tecnológica; sobre as limitações ao poder de tributar, conceituação da base de cálculo e do lucro; sobre sua versão a respeito do caso Detran; sobre o lucro das fundações; e sobre a ilegalidade da majoração da multa. No caso do IRRF, a contribuinte aduz: a) o auto de infração baseouse em MPF inválido, extinto pelo tempo e/ou encerrado; b) a autuação teve como fundamento, segundo o relatório de fiscalização, irregularidades cometidas pelos exdirigentes, os quais devem ser responsabilizados por substituição; c) as bolsas de estudo e pesquisa pagas pela fundação não se sujeitam à incidência do imposto; e d) a base de cálculo não considerou a exclusão das contribuições previdenciárias e a dedução por dependente. Na hipótese de serem mantidos os autos de infração, a contribuinte pede que eles sejam considerados parcialmente procedentes, de modo a: a) excluir sua responsabilidade pela multa (mediante a responsabilização dos exdirigentes) ou reduzir o percentual para 75%, tendo em vista que a fundação não cometeu fraude, conluio ou sonegação; b) afastar o arbitramento do lucro, c) excluir os créditos decaídos; d) reduzir as bases de cálculo dos tributos federais a zero, por inexistir o conceito de lucro em seu âmbito, caso não acatado, que as bases de cálculo sejam reduzidas ao valor das taxas de administração já declaradas, com dedução dos valores pertencentes a terceiros, notadamente os valores imunes, definidos como públicos de acordo com os critérios do Acórdão 2731/2008 do Plenário do TCU; e supletivamente, que a tributação se realize com base no lucro real, expresso nos superavits declarados e reconhecidos no anexo 1 do relatório de fiscalização. e) recalcularse a multa sobre o IRRF, considerando a exclusão das contribuições previdenciárias e dedução por dependente na base de cálculo do tributo; f) afastar a taxa Selic no auto de multa e juros isolados, por ausência de previsão legal. A Fatec pede também a produção de provas, como a juntada de documentos, tal como um índice de referência a provas que já constam nos autos, a ser apresentado no prazo de 30 dias da entrega da impugnação. Além disso, requer (1) a realização de perícia ou diligência para exame de todos os 696 contratos firmados de jan/03 a dez/07 e comprovação ou não da utilização de recursos humanos da UFSM, ou de outra instituição federal de ensino superior, e (2) a confirmação de a contratações terem ocorrido sob a égide das leis 8.958/94 ou 10.973/04. Solicita ainda sejam juntados todos os documentos relativos à colaboração da Receita Federal do Brasil com a forçatarefa da Operação Rodin, especialmente os Fl. 5558DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 13 12 requerimentos do Ministério Público Federal sugerindo ou requisitando a atividade fiscal. O expresidente da fundação no período de 1/1/03 a 21/1/04 (ou 13/1/04), Ronaldo Etchechury Morales, apresentou sua impugnação em 17/7/09 (fls. 4097/4123). Morales requer a improcedência dos autos de infração como um todo, defendendo a insubsistência do feito fiscal. A impugnação destaca os antecedentes, a forma de atuação da Fatec e sua versão para os fatos que fundamentaram a conclusão fiscal, sustentando, em síntese: a) as garantias do devido processo foram concedidas apenas ao devedor principal, deixando de lado aqueles que poderiam e deveriam alcançar informações e razões indispensáveis à correta fiscalização; b) o presidente da fundação exerceria apenas caráter representativo institucional ao assinar contratos vinculados a projetos de prestação de serviços especializados — tais acertos, ajustes e consertos seriam realizados anteriormente pela reitoria da UFSM e as instituições públicas ou privadas; c) a decadência em relação ao exercício de 2003; d) a falta de definição do período em que a sujeição passiva solidária lhe é imputada; e) a inclusão de valores diferentes das taxas de administração no montante de receitas operacionais da Fatec, ocasionando o arbitramento do lucro; f) o arbitramento só se justifica em circunstâncias especiais, enquanto a Fatec mantém a escrituração contábil ampla e consistente em todos os aspectos; g) as contratações com sistemistas eram exigências do Detran/RS no que respeita à segurança do cumprimento contratual; h) os pagamentos aos sistemistas não poderiam ensejar exigência além da glosa de sua dedutibilidade como custos operacionais; i) os preços constantes do contrato com o Detran/RS foram definidos pelo órgão estatal e aceitos pela UFSM, sendo estabelecidos por unidade de serviço prestado ou objeto de prestação: eram mais baratos, à época, do que os ajustados e pagos a outra fundação; e j) a inexistência de dolo em suas ações e nas da Fatec: sendo isenta a fundação, não haveria motivação para ocultamento e dissimulação das receitas operacionais; além do mais, o impugnante foi excluído da denúncia na ação penal, por inexistência de indícios suficientes de autoria. A impugnação de Luiz Carlos de Pellegrini foi apresentada em 17/7/09 (fls. 4061/4083). Pellegrini foi diretor financeiro da Fatec, de 4/1/06 a 26/5/06, e diretor presidente, de 26/5/06 a 20/12/07 e, por isso, contesta a atribuição de responsabilidade solidária por atos praticados de jan/03 a dez/05. Reclama por não ter tido participação e oportunidade de defesa quanto à suspensão da isenção da fundação. Pede a insubsistência do termo de sujeição passiva solidária que o inclui no polo passivo das exigências tributárias, desobrigandoo das infrações que lhe foram imputadas. Aduz ainda que: a) a fundação sempre manteve seu propósito inicial, não visando a lucro, não distribuindo patrimônio e não remunerando seus dirigentes; Fl. 5559DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 14 13 b) sempre agiu com zelo e decoro enquanto dirigente da fundação, observando a legislação, os estatutos e os acordos firmados pela entidade; c) a própria fiscalização declara que os administradores da fundação não praticaram atos com excesso de poderes e não constituíram vícios de consentimento (fl. 2548); d) não haveria motivos para o impugnante deixar de cumprir contratos que foram assinados por administrações anteriores, de acordo com as regras estatutárias; e) a legislação civil é clara quando estabelece que a responsabilidade solidária não pode ser presumida: ou decorre da lei ou é definida em contrato — não se pode atribuir ao impugnante responsabilidade solidária por atos legais, perfeitos e legítimos, praticados nos períodos em que foi diretor financeiro ou diretor presidente; f) o impugnante não tinha vínculo com a fundação à época do nascedouro dos contratos atacados pela Fiscalização: não exercia cargo diretivo e não era conselheiro; portanto, não pode vir a ser responsabilizado por débitos fiscais daí decorrentes; g) não há decisão que declare o requerente culpado por ato seu praticado como dirigente da Fatec, nem insinuação de que tenha abusado da personalidade jurídica da fundação; h) a Fatec gozava de isenção fiscal no período fiscalizado; assim, a falta de recolhimento dos tributos lançados não caracteriza irregularidade que possa ser atribuída aos dirigentes; i) a Fatec trabalha basicamente como administradora ou gestora de recursos de terceiros que transitam por sua contabilidade — esses valores não são ganhos da fundação, mas depósitos transitórios que permanecem sob sua administração durante a execução dos projetos; j) o rendimento da Fatec decorre exclusivamente de taxas de administração que cobra pela gestão dos projetos, e sobre esses rendimentos é que calcula e recolhe seus tributos; k) os valores lançados não têm a certeza e liquidez exigida pela legislação, porque não houve distinção da origem dos recursos ou diferenciação entre as fontes de projetos administrados pela fundação e as provenientes de atos sobre os quais exista incidência de tributos; 1) a má fé não se presume, há de ser provada; m) a sujeição de alguém a processo sem provas da condução irregular da instituição que dirigia viola os princípios constitucionais do devido processo legal e da dignidade da pessoa humana; n) os cargos de diretor financeiro e de diretorpresidente da fundação constituem serviços voluntários e não são remunerados. A última impugnação foi apresentada pelo secretário executivo Silvestre Selhorst em 20/7/09 (fls. 4288/4407). Com o documento, Selhorst apresenta esclarecimentos sobre a fundação, suas origens e constituição, natureza jurídica, finalidades estatutárias, atuação como fundação de apoio da UFSM, organograma, Fl. 5560DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 15 14 competências, gestão e responsabilidades dos coordenadores nos projetos. Requer e alega, em síntese, além da juntada da impugnação: a) preliminarmente, a nulidade do processo administrativo fiscal, tendo em vista o descumprimento sistemático de disposições legais formais, como as preconizadas no art. 196 do CTN, art. 7°, I e art. 8° do Decreto 70.235/72 e art. 21 da Portaria RFB 11.371/07, decorrentes de ilegitimidade na representação das pessoas que atuaram como representantes da fundação (os diretores anteriores foram impedidos de exercer seus mandatos), intimações realizadas no processo recebidas por quem não teria poderes de representação, falta de notificação do requerente quanto a coleta de informações e documentos a seu respeito e apuração dos débitos fiscais com base em ilações sobre a conduta moral dos dirigentes da Fatec; b) no mérito, o reconhecimento da improcedência de sua sujeição passiva solidária, sob a alegação de que não se enquadra nas disposições legais que propiciam o reconhecimento da sujeição passiva solidária na forma dos arts. 124, I, e 135 do CTN, haja vista a inexistência de interesse comum nos fatos geradores, bem como de excesso de mandato, infração de lei, contrato ou estatuto por parte do impugnante em todo o tempo que exerceu a função de Secretário Executivo da Fatec e considerando que: • sempre exerceu suas funções nos limites legais e estatutários; • não há comprovação no procedimento fiscal de fato que caracterize ilícito fiscal de sua responsabilidade; • não há falar em excesso de mandato, pois o secretário executivo não detém poderes de representação e nunca lhe foram delegados poderes; • a alegação de excesso de mandato e/ou ilegalidade embasouse apenas em informações da atual direção da FATEC e de seu advogado, sem a comprovação documental necessária e sem a coleta da palavra daqueles que participaram, na época, do Conselho Superior, da Diretoria Executiva e da Secretaria Executiva; • em nenhum momento foi apontado prejuízo patrimonial à fundação; • as contas da entidade foram aprovadas pelo Ministério Público Estadual mesmo após o alarido na imprensa da operação Rodin em 2007; c) ainda no mérito, caso admitida a sua sujeição passiva solidária, requer: • seja reconhecido o cerceamento do direito de defesa, por não ter sido devidamente notificado do processo administrativo fiscal e não lhe ter sido oportunizada manifestação; • a concessão do prazo mínimo de 120 dias para impugnação integral ao relatório fiscal — basicamente quanto à obrigação solidária em cada tributo exigido — visando ao contraditório e à ampla defesa; • sejam fornecidos planilhas e arquivos eletrônicos de texto utilizados pelos auditores fiscais que participaram das autuações e demais fases do processo administrativo fiscal; • a devolução do valor cobrado pelo fornecimento de cópia do processo ao requerente por afrontar o direito constitucional de ampla defesa; d) protesta pela produção de provas admitidas em direito, em especial: Fl. 5561DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 16 15 • que se oficie à UFSM para que informe como ocorrem as concessões de bolsas isentas aos seus servidores no âmbito dos projetos apoiados pela Fatec, com base na Lei 8.958/94 (prova considerada relevante, já que a irregularidade na concessão de bolsas seria um dos fundamentos das autuações); • todos os registros contábeis originais da FATEC que foram objeto de análise da fiscalização para formalização dos autos de infração, para que se demonstre o tratamento fiscal e contábil dado aos diferentes projetos na fundação; • seja oficiado ao Ministério Público Estadual para que se manifeste quanto à irregularidade da posse dos diretores que compõem a atual direção da fundação — a direção de 2007 não foi regularmente destituída, o que geraria a nulidade de todos os atos praticados pela atual direção (a prova é absolutamente relevante para estabelecer a abrangência e as consequências institucionais dos atos irregulares praticados no âmbito da fundação, para posterior apreciação da repercussão dos mesmos no âmbito do processo administrativo fiscal); e) solicita a concessão de prazo para que sejam juntados os documentos mencionados. A impugnação de Silvestre Selhorst ainda traz ponderações sobre a suspensão da isenção. Ataca alegações da fiscalização e da atual direção da Fatec. Diz serem temerárias afirmativas de fiscalização utilizadas para suspender a isenção: que a Fatec não pode prestar serviços técnicocientíficos, que seria ilegal a dispensa de licitação para contratação da Fatec pelo Detran/RS, que seria ilegal a contratação de sistemistas para o projeto Detran e que os serviços dos sistemistas seriam superfaturados. Além do mais, considera que certas questões preliminares não foram levadas em conta na fundamentação da suspensão da isenção por não apresentarem lastro fático e por carecerem de diligências para o conhecimento da verdade, em oposição aos argumentos impróprios apresentados pela direção ilegal da Fatec ou pela fiscalização. Selhorst redargúi sobre as premissas de que a suspensão da isenção fundamentarseia essencialmente em ilegalidades na relação entre a Fatec e o Detran/RS, alegando: • a Procuradoria Geral do Estado já atestou em juízo no processo Rodin a inexistência de irregularidades nos contratos firmados entre o Detran e as fundações; • a contratação de serviços para execução de projetos da Fatec é de responsabilidade do coordenador, como definido em Resolução da UFSM, Regimento Interno e Manual de Gestão da Fundação; • nenhum procedimento formal foi promovido pela direção ilegal para que fosse ouvido o coordenador do projeto Detran, tendo a direção atual se pronunciado açodadamente e sem conhecimento de causa sobre a legalidade, utilidade e pertinência dos serviços contratados; • há evidente parcialidade na argumentação sobre eventuais ilícitos apontados no âmbito da operação Rodin: de um lado, se aceita como fato julgado algumas imputações; de outro, se nega outras imputações no mesmo âmbito; • estando pendente de decisão judicial, nenhum argumento pode fundamentar se nos fatos apurados na operação Rodin; • a utilização para qualquer fim de tal fundamentação constitui violação de direito constitucional assegurado a todas as pessoas de que ninguém será Fl. 5562DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 17 16 considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória (art; 5o, LVII, da Constituição Federal); • todo o material da operação Rodin usado pela fiscalização constitui peça da acusação apresentada pelo Ministério Público a partir de investigação policial sem contraditório em defesa dos acusados (art. 5o, LV, da Constituição Federal) Selhorst também traz esclarecimentos e alegações pertinentes ao pagamento de bolsas, defendendo serem objeto de isenção. Em suma, afirma que os projetos envolvidos sempre são de ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento institucional da Universidade Federal de Santa Maria, conforme previsto na Lei 8.958/98, sendo executados nos moldes de planos de trabalhos estruturados de acordo com as normas da Secretaria do Tesouro Nacional (IN STN 1/97). Os planos de trabalho indicariam as equipes técnicas atuantes nos projetos, sempre constituídas por servidores da UFSM, com funções e cargas horárias definidas, dentro do horário normal do servidor em decorrência do cargo público. Pela participação em projeto, o servidor poderia receber uma bolsa isenta, cujo montante constaria no plano de trabalho. As bolsas seriam pagas pela Fatec, por determinação dos coordenadores dos projetos, supervisionados por gestor, sendo ambos da UFSM. No entanto, a Fatec não teria ingerência sobre os projetos desenvolvidos no ambiente da UFSM, não definiria os valores das bolsas, não teria controles sobre a prestação de serviços de servidores a terceiros, se os serviços seriam inerentes às atividades de extensão, graduação ou pósgraduação da universidade ou se seriam necessários ao desenvolvimento de pesquisas científicas da universidade. Finalmente, diz que a Fatec não auferiria vantagens pelo pagamento das bolsas. Os fundamentos que conduziram a 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto AlegreRS, a julgar improcedentes as impugnações estão sinteticamente apresentados na ementa do Acórdão 1027.068, de 31 de agosto de 2010, que a seguir se transcreve: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. Como regra geral, a apresentação da prova documental deve ocorrer junto com a impugnação, sob pena de preclusão. PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIAS. Indeferese o pedido de perícia ou diligências quando ele se demonstrar desnecessário ao deslinde do processo. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. NULIDADE. FALTA DE CONHECIMENTO DE PROVAS ACESSADAS PELA FISCALIZAÇÃO. O procedimento de fiscalização tem caráter inquisitorial. As provas válidas para o processo administrativo devem estar nele documentadas. O acesso da fiscalização a documentos que não foram incluídos nos autos não apresenta interesse processual e não implica cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO E FALTA DE PARTICIPAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS NO PROCEDIMENTO FISCAL E NA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A Constituição Federal não assegura o contraditório para o procedimento de fiscalização. É o contribuinte quem tem a Fl. 5563DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 18 17 legitimidade para participar do processo administrativo que suspende isenção tributária, apresentando alegações, provas e impugnando. NULIDADE. INAPLICABILIDADE DA LEI 9.532/97. SUSPENSÃO DE VIGÊNCIA PELO STF. A suspensão da vigência de alguns dispositivos da Lei 9.532/97 pelo Supremo Tribunal Federal não afastou a possibilidade de a administração pública suspender isenção tributária condicionada. NULIDADE. INTIMAÇÕES. TEORIA DA APARÊNCIA. É válida a intimação pessoal provada pela assinatura de preposto ou mandatário da pessoa jurídica, assim como por quem se encontrava em seu domicílio fiscal e se apresentou como seu representante, recebendo a citação sem qualquer ressalva quanto à inexistência de poderes para representála. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA. O delegado da Receita Federal do Brasil que tem jurisdição sobre o domicílio do contribuinte é competente para suspender isenção tributária de IRPJ e CSLL. NULIDADE. PREJUDICIALIDADE EXTERNA. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PROCESSUAL. Os processos judiciais e os administrativos de cunho previdenciário não são prejudiciais à análise da suspensão da isenção, nem autorizam sobrestar o julgamento desta. A autonomia dos processos administrativos afasta a necessidade da juntada aos processos previdenciários. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de tributo sujeito a homologação extinguese após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, se houve pagamento do tributo. No caso de inexistência de pagamento ou de dolo fraude ou simulação, aplicase o mesmo prazo, mas contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEITO PASSIVO. FUNDAÇÕES. As fundações podem ser sujeitos passivos de obrigações tributárias, têm capacidade plena e podem responder por exigências tributárias. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. O descumprimento de uma das exigências legais é suficiente para a suspensão de isenção condicionada. E legítima a suspensão da isenção de IRPJ e CSLL quando caracterizado que a entidade remunerou dirigentes por serviços prestados, aplicou recursos em atividades diversas da manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais e prestou serviços dissociados das finalidades para as quais foi instituída. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É legítima a exigência tributária, sem benefício de ordem, de contribuinte e de terceiros que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal. FATO GERADOR. VALIDADE E EFICÁCIA DOS ATOS JURÍDICOS. O nascimento da obrigação tributária independe da validade ou eficácia do ato jurídico, bastandolhe a existência do fato previsto na hipótese de incidência. BOLSA DE ESTUDOS, PESQUISA, EXTENSÃO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. ISENÇÃO. As bolsas de estudos, pesquisa, extensão e de incentivo à inovação não são isentas quando representarem pagamento de contraprestação por serviços prestados ou produzirem resultados econômicos para o doador (direto ou indireto). Fl. 5564DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 19 18 IRPJ E CSLL. LUCRO ARBITRADO. Justificase o arbitramento do lucro quando o contribuinte, obrigado à tributação pelo lucro real em razão do volume da receita bruta, opta pelo lucro presumido e deixa de apresentar os livros e a documentação exigida pelo lucro real. IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. O lucro presumido é calculado com base no resultado da aplicação de percentuais determinados sobre a receita bruta, adicionado a outros valores especificados em lei, auferidos no mesmo período. O lucro arbitrado pode ser calculado sobre base idêntica. A receita bruta das vendas e serviços consiste no produto da venda nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, consideradas ainda algumas exclusões previstas na lei. O preço dos serviços prestados pela contribuinte corresponde ao montante da responsabilidade contratualmente assumida. PIS E COFINS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A suspensão da isenção relativa ao imposto de renda sujeita a pessoa jurídica ao recolhimento de PIS e Cofins com base no faturamento, devendo o lançamento de ofício considerar os valores já recolhidos. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas cuja operação ou causa não for comprovada está sujeito à incidência de IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, cabendo reajustamento do respectivo rendimento bruto. IRRF. TABELA PROGRESSIVA. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de recolhimento de IRRF no prazo determinado pela lei enseja a cobrança de juros de mora sobre o período compreendido entre o vencimento da obrigação e a data prevista para a entrega da declaração da pessoa física ou jurídica. Os juros de mora são calculados com base na Selic e aplicáveis sobre o valor do tributo. MULTA MAJORADA. É devida a multa de 150% quando identificado o dolo na fraude tributária descrita no art. 72 da Lei 4.502/64. A identificação de prejuízo ao fisco basta à majoração, independentemente da configuração de benefício próprio ao contribuinte ou responsáveis solidários. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS, Cofins e IR Fonte. As considerações e resultados aplicáveis ao IRPJ aplicamse aos demais tributos no que for pertinente. Devidamente cientificados da referida decisão, o contribuinte e os responsáveis tributários interpuseram tempestivamente recurso voluntário, cujos fundamentos são a seguir sintetizados. O recurso do contribuinte (FATEC), em síntese, reprisa os argumentos expendidos na impugnação, à exceção de alguns pontos com relação aos quais não houve mais contestação específica, a saber: ilegalidade do arbitramento, alegações específicas relativas ao PIS e à COFINS (isenção da COFINS, tratamento diferenciado quanto ao PIS, exclusão de determinadas receitas das bases de cálculo), ilegalidade da Selic. Por outro lado, agrega uma alegação de nulidade da decisão recorrida ao fundamento de que nenhuma das preliminares formuladas na impugnação foram conhecidas pelo órgão julgador de primeira instância, que sequer se deu ao trabalho de apreciálas com o devido afinco, detendose um pouco mais apenas na questão da existência de irregularidade no MPF. Fl. 5565DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 20 19 Os responsáveis tributários também reprisaram, em linhas gerais, os argumentos esposados nas respectivas impugnações, em especial no que toca às suas respectivas exclusões do polo passivo da autuação. O processo foi originalmente sorteado a este relator na sessão de março de 2014, contudo, nem todas as suas peças haviam sido digitalizadas. Após a completa digitalização e anexação das peças faltantes ao sistema eprocesso, já em 2015, este retornou a este relator, sendo ora incluído em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Inicialmente, observo que o contribuinte, no início do contencioso, apresentara impugnação específica ao Ato Declaratório Executivo DRF/STM no 25, de 30 de setembro de 2008, que determinara a suspensão da isenção (fls. 1399 e seguintes), bem como impugnações específicas para cada um dos tributos ou consectários exigidos nos autos (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF, e multa isolada) conforme se verifica às fls. 2830 e seguintes, fls. 2867 e seguintes, fls. 2906 e seguintes, fls. 2952 e seguintes, fls. 2998 e seguintes, e fls. 3025 e seguintes, respectivamente. Contudo, por ocasião do recurso apresentou uma única peça de defesa, a qual, a julgar pelo quanto contido no seu preâmbulo, abordaria exclusivamente o IRRF, verbis: “A autuação sob análise tem como objeto a cobrança de IRRF — Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre pagamentos sem causa ou operações não comprovadas, nos moldes do art. 61, § 1o, da Lei 8.981/95. Após exaustivo trabalho de fiscalização, o qual beira a abusividade, a fiscalização entendeu que pagamentos feitos a supostos prestadores de serviços, vinculados ao trabalho desenvolvido junto ao DETRAN/RS, não encontram justificativa, de modo que ficam sujeitos ao recolhimento na fonte de Imposto de Renda, à alíquota de 35%.” De toda sorte, entremeado nas razões de defesa, assim como no pedido ao final formulado, encontramse referências aos demais tributos e, em alguns casos, a argumentos expendidos na(s) impugnação(ões), motivo pelo qual entendemos por considerar como reprisados os pontos (matérias) de defesa, à exceção daqueles expressamente referidos no relatório ao norte. Dito isto, passase à análise das preliminares invocadas pelos recorrentes. Fl. 5566DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 21 20 Preliminares Responsabilidade da Fundação A Fundação sustenta que não seria responsável pelos ilícitos praticados. Afirma que as suas manifestações volitivas são severamente limitadas em face de sua natureza jurídica, sendo ela incapaz de dolo, forma refinada de manifestação volitiva maligna somente atribuível a quem não sofre qualquer limitação no seu poder de decidir, ou seja, os seus administradores. Diz que foi vítima de seus dirigentes. Assim, toda a responsabilidade pelos atos ilícitos deve recair sobre os administradores da Fundação, com a sua consequente exclusão do polo passivo. O argumento não se sustenta. As fundações, nos termos da legislação civil pátria, são pessoas jurídicas de direito privado com plena capacidade para os atos da vida civil, e os atos dos seus administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo, a obrigam (Código Civil, arts. 44 a 52, e 62 a 69). Ademais, há de se ressaltar que, nos termos do art. 126 do Código Tributário Nacional – CTN, a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil, verbis: Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: I da capacidade civil das pessoas naturais; II de acharse a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Ademais, a tese da responsabilidade exclusiva dos administradores ou representantes (em substituição à pessoa jurídica), quando estes ferem a lei ou o estatuto, defendida pela recorrente, vai na contramão do que determina o art. 128 do CTN, que exige expressa previsão legal para que seja excluída a responsabilidade do contribuinte. Ora, o art. 135 do CTN, referido e transcrito pela recorrente, não contém tal disposição. Além disto, a interpretação conferida por esta tese da recorrente viria de encontro ao próprio sentido da norma, ao diminuir a garantia do crédito tributário, em vez de aumentála. Logo, não há qualquer fundamento para a exclusão da Fatec do polo passivo, pois ela é a própria entidade fiscalizada, a contribuinte de praticamente todos os impostos aqui exigidos. Apenas com relação ao IRRF é que sua condição não é de contribuinte, mas sim de responsável, mas, no caso, a sua responsabilidade decorre diretamente da lei, pois, sendo a fonte pagadora, é responsável pela retenção e recolhimento do tributo, quando devido. Decadência Fl. 5567DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 22 21 A Fatec suscita a decadência dos créditos anteriores a 17/06/2004, em face da aplicação da regra do art. 150, § 4o, do CTN. Afirma ainda que a decisão de primeira instância simplesmente ignorou o argumento apresentado na impugnação referente à decadência, de tal sorte que a decisão seria nula, ou, no mínimo, revelaria uma conduta incompatível com os deveres do julgador de apreciar todas as matérias que lhe são apresentadas. Diz que a autuação tem como origem a divergência entre o entendimento do fiscal e os valores declarados pelo contribuinte como devidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e IRRF, e que houve, portanto, declaração do contribuinte, a qual é agora revista de ofício pela auditoria fiscal, motivo pelo qual devese aplicar a regra do art. 150, § 4o, do CTN. Em primeiro lugar, registrese a desnecessidade de que o julgador enfrente, um a um, todos os argumentos apresentados pela parte. O que não pode haver é omissão sobre ponto (matéria) a ser decidida, e nem tampouco ausência de fundamentação. No caso, a instância a quo apreciou a matéria trazida ao debate de forma suficiente e completa, apresentando os fundamentos utilizados para a tomada de decisão, motivo pelo qual inexiste qualquer vício, neste sentido, naquela decisão. Em síntese, esclareceu a autoridade julgadora a quo que, no caso de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contase o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, em sendo mantida a multa qualificada lançada (ponto cuja apreciação se fará mais adiante), de fato não ocorreu a decadência com relação a quaisquer dos tributos aqui discutidos. Os fatos geradores mais antigos do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, ocorreram em 31/12/2003; do IRRF, em 07/01/2004; e da multa isolada, na última semana de 2003. Assim, todos seriam passíveis de lançamento apenas em 2004, deslocandose a contagem do prazo para o dia 01/01/2005. A ciência dos lançamentos ocorreu em 17/06/2009. Vícios relativos ao MPF A Fundação alega a nulidade da autuação por não ter sido informada sobre o prazo do procedimento fiscal, e, ainda, por ter sido lavrado auto de infração com objeto diverso daquele constante do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal. Não lhe assiste razão. Conforme bem pontuou a decisão recorrida, o MPF que respaldou o procedimento de fiscalização foi regularmente emitido em 24/01/2008, e cientificado à contribuinte. A data originária para encerramento (23/05/2008) sofreu alterações que preservaram a continuidade do procedimento, sem interrupções, todas as quais observaram as normas internas expedidas pelo órgão fiscalizador (Portaria RFB 11.371/07). De posse do número do MPF e do código de acesso, informado no próprio Termo de Início de Fiscalização, a contribuinte pode consultar todas as alterações e Fl. 5568DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 23 22 prorrogações do MPF no sítio eletrônico da Secretaria da Receita Federal, sendo esta uma garantia que lhe é dada no sentido de que está sendo efetivamente fiscalizada por agentes competentes. Com relação à inclusão do IRRF, feita na alteração promovida em 08/10/2008, conforme esclareceu a decisão recorrida, tal procedimento (inclusão expressa do tributo no MPF) sequer era necessária, nos termos da citada Portaria. Portanto, inexistentes quaisquer vícios no MPF. Ademais, o MPF, instituído originariamente pela Portaria SRF nº 3.007, de 2001, constitui mero instrumento de controle da administração tributária, de sorte que eventuais falhas ou irregularidades que porventura tivessem ocorrido quanto à observância das regras estabelecidas na regulamentação interna do órgão fiscalizador poderiam, quando muito, suscitar responsabilidade administrativa do AuditorFiscal da Receita Federal; nunca, porém, teriam força para retirar daquela autoridade a competência para efetuar o lançamento, que lhe é assegurada por lei (art. 6o da Lei no 10.593, de 2002). Esta é, também, a posição majoritária do CARF, conforme se verifica no seguinte precedente (decisão unânime) da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferida na sessão de 15 de agosto de 2012: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. (Acórdão nº 9101001.457, relator Valmir Sandri, sessão de 15 de agosto de 2012) Alteração de entendimento jurídico relativo à isenção Entre os pedidos ao final formulados na peça recursal, requer ainda a Fundação “que seja o Auto de Infração anulado, por estar entre suas causas determinantes a alteração de entendimento jurídico da RFB com efeitos retroativos quanto à isenção da Impugnante”. Tal pleito não veio acompanhado de nenhuma exposição ao longo da peça recursal, provavelmente fruto da já mencionada circunstância de que o recurso interposto, à toda evidência, estava intimamente ligado à peça de impugnação apresentada especificamente contra o IRRF lançado. De qualquer sorte, a questão da suposta “alteração de entendimento jurídico da RFB” foi adequadamente resolvida pela decisão de piso, no excerto que a seguir transcrevo, onde também fica claro qual era o argumento que estava por trás da referida alegação: “A fundação alega a mudança do entendimento jurídico sobre o direito da isenção, uma vez que fora intimada em 31/5/01, nos termos do MPF 1010300 2001 000714, para verificação do cumprimento das obrigações fiscais e sequer foi Fl. 5569DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 24 23 autuada. Sustenta ter havido fiscalização sobre os mesmos fatos analisados pela presente autuação, sem que fosse apontada a suposta irregularidade ora lançada. Equivocase a autuada quanto ao propósito do procedimento fiscal mencionado, eis que ele não se direcionava à verificação do cumprimento de suas obrigações fiscais, mas à realização de diligência (fl. 4500). A natureza do mandado de procedimento fiscal para diligência é diferente do mandado de procedimento fiscal para fiscalização, conforme se comprova pela Portaria SRF 1.265/99 (...) Não é possível criar ilação de que uma não autuação em período anterior consista em prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa capaz de criar norma complementar à lei.(...) No presente caso, não há falar em revisão de lançamento, porquanto não houve lançamento; nem é o caso de revisão.” Quanto à retroatividade dos efeitos relativos à suspensão da isenção, tratase de expressa disposição legal, contida no art. 32 da Lei no 9.430/96. O ato declaratório que suspende a isenção tem eficácia meramente declaratória, e não constitutiva, ou seja, apenas reconhece que determinado contribuinte não poderia aproveitarse do benefício fiscal, desde a data da prática da infração, porque descumpriu condições exigidas pela lei. Cerceamento de defesa Luiz Carlos de Pellegrini, Silvestre Selhorst, e Ronaldo Etchechury Morales reclamam por não ter tido participação e oportunidade de defesa quanto à suspensão da isenção da fundação, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa e/ou violação a princípios constitucionais, notadamente o do devido processo legal. Não lhes assiste razão. No âmbito da legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, o direito ao contraditório está assegurado a partir da ciência, pelo contribuinte, da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Neste sentido, é claro o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, que assim determina: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” No caso do procedimento de suspensão da isenção, é apenas a Fundação, na condição de titular do benefício fiscal, quem possui legitimidade para contestar o ato declaratório que suspendeu o benefício, assim como os fatos e os fundamentos nos quais o referido ato se amparou. E o direito ao contraditório nesta fase encontrase expressamente previsto em lei (art. 32 da Lei no 9.430/96), contudo, somente para a própria entidade interessada. Portanto, no caso dos responsáveis tributários, a sua garantia de contraditório somente se inicia com a impugnação tempestiva ao lançamento do qual tenha sido regularmente cientificado, não havendo, portanto, qualquer violação ao princípio do devido processo legal ou cerceamento do direito de defesa. Fl. 5570DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 25 24 Incompetência da Receita Federal Silvestre Selhorst alega a nulidade do procedimento fiscal por incompetência da Receita Federal do Brasil. Afirma que quem tem a competência para verificar se a atividade executada pela Fundação é adequada aos seus fins, é exclusivamente o Ministério Público do Estado onde está situada. Assim, caso os auditores tenham a presunção de que alguma atividade da Fundação tenha contrariado os seus fins, poderiam, apenas, ingressar com uma ação junto ao Ministério Público Estadual para que tal atividade fosse, em procedimento com o devido contraditório, declarada contrária aos seus fins, abstendose, até lá, de emitir qualquer juízo de valor a esse respeito, por não ser de sua competência. Não lhe assiste razão. A Receita Federal do Brasil é o órgão responsável pela fiscalização do imposto de renda da pessoa jurídica, assim como de diversos outros tributos federais, e o Auditor Fiscal da Receita Federal é a autoridade competente para executar os procedimentos de fiscalização e lavrar, quando o caso, os autos de infração. A legislação tributária aplicase indistintamente a todas as pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal, nos termos do art. 194 do CTN. No caso das pessoas jurídicas que gozem da isenção de tributos condicionada ao cumprimento de determinados requisitos, o art. 32 da Lei no 9.430/96 estabelece o competente rito para a suspensão da isenção, reforçando a competência da Receita Federal, verbis (grifei): “Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. (...) § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. (...) § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, Fl. 5571DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 26 25 quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência.” Mérito Isenção e forma de atuação da Fundação No mérito, defende a Fundação ser ela uma entidade sem fins lucrativos, que tem como objetivo básico apoiar o desenvolvimento da tecnologia, das ciências e das artes, pelo apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão da Universidade Federal de Santa Maria — UFSM, pelo assessoramento à elaboração de projetos e administração dos recursos obtidos. Discorre acerca de seus objetivos estatutários, para afirmar que os desempenha principalmente através da celebração de convênios, contratos , ajustes e acordos, com entidades públicas ou privadas, sempre com atuação dentro dos estritos limites da lei, e que, na consecução dos seus projetos, está prevista a participação de servidores da UFSM mediante o pagamento de bolsas, conforme autoriza a Lei no 8.958/94. Diz que o resultado das pesquisas e estudos assim desenvolvidos não reverte para a Fundação, que funciona como mera gestora dos recursos necessários para a execução do estudo e da pesquisa, não havendo qualquer contraprestação de serviço para a Fundação. O objetivo da bolsa não é a prestação de um serviço, mas sim o aprimoramento profissional dos participantes, em benefício próprio e da instituição da qual é funcionário, ou a realização de projetos de pesquisa científica e tecnológica. Luiz Carlos de Pellegrini afirma que a fundação sempre manteve seu propósito inicial, não visando a lucro, não distribuindo patrimônio e não remunerando seus dirigentes. Também endossa o argumento de que a Fatec trabalha basicamente como administradora ou gestora de recursos de terceiros necessários à execução dos projetos, e que o rendimento da Fatec decorre exclusivamente de taxas de administração que cobra pela gestão desses projetos. Silvestre Selhorst afirma que o lançamento fiscal tem por fundamento quatro supostos fatos: “a) a contratação por dispensa de licitação entre o DETRAN/RS e a FATEC teria sido ilegal; b) a FATEC não poderia prestar serviços que não sejam de ensino, pesquisa, extensão ou desenvolvimento institucional; c) a FATEC teria pago por serviços não prestados, ditos pelos auditores como "serviços de papel"; e d) a FATEC teria deixado de recolher tributos sobre bolsas não isentas.” Contesta os fundamentos acima, sustentando que os contratos firmados pela Fundação dispensam licitação, que a RFB não seria competente para avaliar o tipo de serviço Fl. 5572DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 27 26 que a Fatec poderia prestar (argumento já analisado), que os serviços foram efetivamente prestados, que a Fatec teve suas contas aprovadas, mesmo após o alarido na imprensa acerca da “operação Rodin” (envolvendo o Detran/RS), e que as bolsas foram regularmente concedidas e são isentas, não representando tampouco qualquer vantagem para a Fatec. Ronaldo Etchechury Morales reforça que as receitas operacionais próprias da Fatec estão restritas às taxas de administração cobradas, e, nesta conformidade, alega que a base de cálculo do lucro presumido relativas aos anoscalendários de 2003 e 2004, a prosperarem, devem ter por base o regime do lucro presumido, segundo opção que a entidade, na condição de contribuinte, fez ao ser intimada a se manifestar a respeito. Especificamente com relação ao caso tratado pela “operação Rodin”, esclarece que o Detran/RS “já vinha de um contrato sob o mesmo estilo com a Fundação Carlos Chagas e que teve no episódio da contratação da FATEC a aprovação da situação de dispensa de licitação por parte da Procuradoria Geral do Estado, como está estampado no processo”. E que a Fatec não subcontratou terceiros para realizar, por delegação, os fins dos contratos que assumiu, pois os objetos estipulados nos instrumentos não se confundia com o objeto dos serviços contratados com o Detran/RS. Para confrontar todos os argumentos acima, há que se reprisar alguns dos pilares centrais da acusação fiscal, também endossados pela decisão recorrida, e, nesta oportunidade, pelo presente voto. Com relação à irregular participação da fundação em contratos com dispensa de licitações, a autoridade julgadora a quo fez minuciosa exposição, a qual, pela sua clareza e precisão, peço vênia para transcrever: “Os tribunais de conta são os principais órgãos de controle das contas do Estado. Eles é que são responsáveis pelas diretrizes e orientações quanto à contratação pública. A jurisprudência assente do Tribunal de Contas da União, aplicável para outros casos, evidencia que a Fatec participava irregularmente de processos licitatórios, uma vez que: a) não tinha capacidade de executar objetos contratuais com estrutura própria estrutura e de acordo com sua competência: ... observe nas dispensas de licitação, com base no inciso XIII do art. 24, da Lei n° 8,666/93, a necessidade de ficar demonstrado nos autos que a entidade contratada, além de ser brasileira, sem fins lucrativos, detentora de inquestionável reputação éticoprofissional e incumbida regimental e estatutariamente do ensino, da pesquisa ou do desenvolvimento institucional, tem capacidade de executar. com sua própria estrutura e de acordo com suas competências, o objeto do contrato. (TCU Processo n ° 017.5371967. Decisão n ° 88111997. Plenário) ... se abstenha de dispensar licitação com fundamento no art. 24, inciso XIII, da Lei 8.666/93, quando restar comprovado que a instituição de que trata o referido dispositivo não tem condições de desempenhar as atribuições para qual foi contratada, uma vez que nesse caso é inadmissível a subcontratação. (TCU. Processo n° 019.3651950. Decisão n° 13811998 — Plenário) (Sublinhei); Fl. 5573DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 28 27 b) objetos licitados não se relacionavam claramente com a natureza e os objetivos da instituição: ... evite contratar, sem licitação, entidades de natureza privada para a realização de concurso vestibular, inclusive fundação de apoio (art. 3° da Lei n.o 8.666/93);... (TCU. Acórdão 1388/2006. Plenário) ... esclarecer que a dispensa de licitação com fundamento no art. 24 da Lei n° 8.666/93 só pode ser aplicada para execução de serviços, desde que os objetivos da pessoa jurídica a sei, contratada guardem estreita correlação com o objeto... (TCU. Processo n° 004.265120039. Acórdão n ° 506/2004. Plenário) ... a dispensa de que trata o inciso apenas é admitida quando, excepcionalmente, houver nexo entre este dispositivo, a natureza da instituição e o objeto a ser contratado. (TCU. Processo n° 018.021/20000. Acórdão n° 61/2003. Plenário) Enfim, a contratação direta com base no art. 24, XIII, da Lei de Licitações, para ser considerada regular, não basta que a instituição contratada preencha os requisitos contidos no citado dispositivo legal, ou seja, ser brasileira, não possuir fins lucrativos, deter inquestionável reputação ético profissional e ter como objetivo estatutárioregimental a pesquisa, o ensino ou o desenvolvimento institucional, há que observar também que o objeto do correspondente contrato guarde estrita correlação com o ensino a pesquisa ou o desenvolvimento institucional, além de deter reputação ético profissional na estrita área para a qual está sendo contratada." (TCU, Processo n° 018743/960, Decisão 908/99, DOU de 17/12/99,p. 70) ...a dispensa de que trata o inciso apenas é admitida quando, excepcionalmente, houver nexo entre este dispositivo, a natureza da instituição e o objeto a ser contratado. (TCU. Processo n° 018.021/20000. Acórdão n° 61/2003 Plenário) ... a dispensa do procedimento licitatório só seria devida caso o objeto do contrato fosse compatível com os objetivos fins da Fundação de Apoio. Interpretar diferente seria permitir que as Fundações de Apoio e Pesquisa prestassem todo e qualquer serviço em detrimento dos concorrentes privados. O objetivo do dispositivo legal foi ementar e divulgar a pesquisa e não desvirtuar sua área de atuação o que por certo ocorreria caso essas entidades passassem a ser fornecedoras de serviços diversos para as entidades públicas que pretendessem se esquivar do certame licitatório (TCU Decisão 414/99, Ata 29/99. Plenário; Voto do MinistroRelator Adhemar Ghisi, item 2); c) a finalidade desenvolvimento institucional, prevista no art. 1° da Lei 8.958/94 como requisito para as entidades de apoio às instituições federais de ensino superior (IFES) e no art. 24, XIII, da Lei 8.666/93 para possibilitar a dispensa de licitação, foi aplicada contrariamente à lei: “... o desenvolvimento institucional não pode significar, simplesmente, ao menos no contexto do inciso XIII, melhoria ou aperfeiçoamento das organizações políticas (cf voto condutor da Decisão n. 830/1998). Segundo ali registrado, uma interpretação larga da lei, nesse ponto, conduziria, necessariamente, à inconstitucionalidade do dispositivo, uma vez que os valores fundamentais da isonomia, da moralidade e da impessoalidade, Fl. 5574DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 29 28 expressamente salvaguardados pela Constituição, estariam sendo, por força de norma de hierarquia inferior, relegados..." (TCU. Processo n. 017.029/20012. Decisão n, 655/2002. Plenário.) ... É de se destacar, por fim, que a jurisprudência desta Corte vem repudiando a utilização de dispensa de licitação, fundada no art. 24, inciso XIII, da Lei n° 8.666/93, quando o objeto licitado não se encontra claramente relacionado com o desenvolvimento cientifico e tecnológico da instituição sendo esses últimos termos as reais acepções da expressão desenvolvimento institucional. A titulo exemplificativo, citemse decisões n°s 657/1997, 612/1998, 830/1998, 252/1999 e 316/1999, todas do Plenário, relativas a prestação de serviços de informática e, com maior pertinência ao presente caso, o Acórdão 1306/2003 — Primeira Câmara. Esta deliberação decidiu pela impossibilidade de contratação de fundação de apoio para que a entidade gerencie a realização de obras de ampliação em hospital vinculado à Universidade... (TCU. Processo n° 005.023/20016. Acórdão n° 1.481/2004. Plenário); O Tribunal de Contas da União (TCU) revela, em diversas decisões, a participação específica da Fatec em atividades que não representavam sua finalidade institucional. A Decisão 1140/2002, prolatada pelo Plenário em sessão de 4/9/02 (fls. 2428/2438), já consignou que a UFSM contratava a Fatec para atividades que não podem ser consideradas típicas de ensino, pesquisa e extensão, ou essenciais ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico. Na oportunidade, o tribunal determinou a rescisão do contrato firmado entre a universidade e a fundação para prestação de serviços de elaboração e publicação de livros, revistas técnico científicas, cadernos didáticos, com recursos gráficos e computacionais, visto que, na prática, tratavamse de pontos de xerox. Na mesma decisão, proibiu a subcontratação ou execução indireta de serviços nos contratos com a Fatec firmados com base em dispensa de licitação, nos termos do art. 24, XIII, da Lei 8.666/93. Em outra decisão do TCU, no Acórdão 1273/2006 da Segunda Câmara, julgado em 30/5/06, no julgamento de agravo proposto pela UFSM em processo de 2005, constou no voto do ministro relator (fl. 2445): 5. Ora, a UFSM tenta rediscutir o mérito da questão e, com isso, defender a necessidade de insubsistência da determinação contida no subitem 8.1.18 da Decisão n° 1.140/2002 — Plenário, por meio da subversão do instituto da dispensa prevista no mencionado dispositivo da Lei de Licitações. Destaco que o inciso XIII do art. 24 da Lei n° 8.666/1993 prevê que a contratada — a fundação de apoio, no caso — esteja, ela própria, investida de todos os condicionantes que tornam legal o afastamento da licitação (existência de nexo entre o dispositivo, a natureza da instituição contratada e o objeto contratual, este necessariamente relativo a ensino, a pesquisa ou a desenvolvimento institucional), A Decisão n° 30/2000 — Plenário deixou claro esse entendimento no âmbito da Corte de Contas. 6. A aplicação do art. 24, inciso XIII, da Lei n° 8.666/1993 exige que a própria fundação de apoio desincumbase das tarefas contratadas junto a ela pela instituição apoiada. Especialmente a partir da prolação da Decisão n° 138/1998 – Plenário, firmouse entendimento que a subcontratação pretendida pela Universidade não encontra amparo na legislação vigente. 7. Além disso, vem o Tribunal se posicionando quanto à correta atuação das fundações de apoio em diversos aspectos para que não seja extrapolada a inteligência da Lei n° 8.958/1994 e do Decreto n° 5.205/2004, que a Fl. 5575DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 30 29 regulamenta, quando confrontadas tais normas com os mandamentos da Lei de Licitações. (Sublinhei) O Acórdão 2259/2007, resultante de sessão plenária do TCU, apontou que a Fatec estava sendo utilizada indevidamente para serviços que não poderiam ser executados em caráter personalíssimo e que não eram compatíveis com a sua área de atuação ou que resultariam em subcontratação de terceiros, configurando mera intermediação da fundação, a exemplo das contratações para aquisição de equipamentos e contratação de obras (fl. 2446). A propósito de contratação de obras, verificase que foi exatamente o que a Fatec fez nos projetos que envolveram a construção de unidades administrativas e laboratórios, aquisição de mobiliário, equipamentos e materiais permanentes e implementação de bibliotecas para o Centro de Educação Superior NorteRS/UFSM (Cesnors) e cinco campi da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) (fls. 1682 a 1698). No plano de aplicação referente ao projeto do Cesnors, verificase a estimativa de 32% do total aplicado no projeto, e na construção dos cinco campi, 29% (fl. 1696). Daí exsurge o questionamento: onde está o elo dessas atividades com o objeto da fundação, que é o desenvolvimento da tecnologia, da ciência e das artes? O Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (MPC), examinando possíveis irregularidades em contrato firmado entre o Município de Pelotas e a Fatec, relativamente à contratação por dispensa de licitação para prestação de apoio tecnológico para o desenvolvimento e implantação do software denominado SIM — Sistema de Informação Municipal, revelou que a fundação subcontratou parte ou a integralidade do objeto a outras empresas, dentre as quais a SIG Soluções em Informática e Gestão. Nesta eram sócios diversos servidores da UFSM, como Jornandes Almeida, que também foi diretor administrativo da Fatec (fls. 2493/2505). Os pagamentos efetuados pela Fatec à SIG referiamse a cessão de direito de uso do software e prestação de serviços de implantação, manutenção e suporte do programa, o que era o próprio objeto do contrato. Apesar de não ter elaborado ou produzido o software, a SIG detinha seus direitos autorais e propriedade, estando esta registrada em seu nome no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) (fls. 411 e 451). A informação técnica do MPC indica a utilização da FATEC como viabilizadora da contratação indireta da SIG pelas municipalidades, com indícios de que as negociações tenham sido realizadas diretamente pela SIG. Serviços do SIM também foram fornecidos a outras prefeituras mediante dispensa de licitação, com base no art. 24, XIII, da Lei 8.666/93, tais como as dos municípios de Santa Maria (RS), Uruguaiana (RS), Sorocaba (SP), Campinas (SP) e Anápolis (GO) (fls. 2016/2026). Os relatórios de fiscalização destacam diversos outros projetos em que a Fatec participou irregularmente para propiciar a burla de licitações. É o caso da Anvisa, Anatel e Detran/RS.” Pelo acima exposto, resta claro que houve a irregular participação da Fundação em contratos firmados com entidades públicas com dispensa de licitação, e não somente com relação ao caso mais emblemático (Detran/RS, no âmbito da “Operação Rodin”), mas em diversas situações, conforme restou acima sucintamente delineado. A Fundação buscou utilizarse, de forma deturpada e contrária à lei, dos dispositivos legais que preveem a possibilidade de dispensa de licitação, na verdade subvertendo o instituto da dispensa prevista na Lei de Licitações (Lei n° 8.666/1993), conforme destacou o relator do Acórdão TCU Fl. 5576DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 31 30 1273/2006, da Segunda Câmara (fls. 2445), em caso que se analisava justamente a irregular subcontratação ou execução indireta de serviços pela Fatec nos contratos firmados entre esta e a UFSM com dispensa de licitação. A jurisprudência do TCU, portanto, é muito clara no sentido de que as Fundações de Apoio devem ter capacidade de executar, com sua própria estrutura e de acordo com suas competências, o objeto do contrato, sendo vedada a subcontratação, e que, ademais, o objeto do correspondente contrato deve guardar estrita correlação com o ensino, a pesquisa, ou o desenvolvimento institucional, não sendo admissível que referidas Fundações prestem todo e qualquer tipo de serviço, em detrimento dos concorrentes privados. Além de clara, a mencionada jurisprudência do TCU é anterior aos eventos alcançados pela autuação em litígio, e sequer poderia ser tida por desconhecida pela Fundação, pois ela própria, conforme visto, já havia sido alertada a respeito, pelo menos desde 2002 (vide Decisão 1140/2002, acima mencionada). Com relação especificamente à denominada “Operação Rodin”, caso mais emblemático que permeou todo o procedimento de fiscalização, é conveniente transcrever partes da decisão judicial (fls. 28062869):que recebeu as denúncias na ação penal n° 2007.71.02.0078728, promovida junto à 3a Vara da Justiça Federal de Santa Maria, para melhor compreender os fatos: “A presente ação penal, resultado da denominada "Operação Rodin" tem como foco central supostos ilícitos penais verificados no âmbito das relações contratuais entabuladas entre a FATEC, e posteriormente a FUNDAE – ambas fundações de apoio à UFSM –, e o DETRAN/RS, para fins de prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul. As condutas ilícitas verificadas giram em torno de uma fraude central, qual seja a da contratação, por órgãos públicos, mediante dispensa de licitação, das Fundações de Apoio vinculadas a Universidade Federal de Santa Maria, supostamente amparada no art. 24, XIII, da Lei 8.666, para a realização de atividades diversas, cuja realização, todavia, é incumbida a terceiros, aos quais se repassa praticamente toda a remuneração percebida (muitas vezes valores expressivos, em contrapartida por serviços pífios, a indicar superfaturamento), repasse este que beneficia financeiramente, de forma direta ou indireta, os próprios responsáveis pela contratação (titulares ou responsáveis pelos órgãos públicos) e subcontratação (integrantes das Fundações de Apoio) e, ainda, lobistas que conseguem obter o contrato. Em outras palavras, ocorre um ajuste prévio, no qual pessoas com grande influência política (lobistas) conseguem obter junto a órgãos públicos, para as Fundações de Apoio, contratos para prestação de determinados serviços. Contratadas, sem licitação, as Fundações subcontratam empresas e pessoas para realização dos serviços, superfaturados, de forma a beneficiar, primeiramente, os próprios lobistas, e, ainda, também os dirigentes do órgão contratador e das fundações. É evidente o mecanismo de burla à regra geral de licitação para as contratações a serem estabelecidas pelo Poder Público, especialmente quando se vê a criação de mecanismos de triangulação do dinheiro público obtido nas relações contratuais em questão de forma a acabar nas mãos dos próprios responsáveis pela Fl. 5577DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 32 31 mesma. Verificase que o "lobby" se vale do recurso à reputação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), irradiada sobre suas Fundações de Apoio, para obtenção dos contratos públicos, em cujo preço são embutidos, além do valor do próprio serviço, a "remuneração" dos lobistas, pela obtenção do contrato, e, em muitas situações, o superfaturamento, também destinado a corromper funcionários públicos. Notase, por outro lado, que após a contratação das fundações de apoio, e direcionamento da atividade para a subcontratação e empresas privadas, poucas eram as atividades por estas desempenhadas, não obstante absorvessem parcela substancial dos recursos. Há fortes indícios de que ditas empresas destinavam os recursos para a manutenção do esquema criminoso, com pagamento de valores a título de "propina" para servidores públicos estaduais e federais responsáveis pela efetivação e operacionalização do esquema, no âmbito do DETRAN/RS e da Universidade Federal de Santa Maria, bem como para o locupletamento ilícito dos demais envolvidos. Registrase, ainda, a grande ingerência das empresas subcontratadas dentro das próprias Fundações de Apoio, revelandose nítida sobreposição de interesses privados sobre o interesse público, chegando mesmo a ditar a forma de sua contratação e os valores de sua remuneração. A partir de tal ilicilude central (crimes contra licitações), diversas outras se irradiam, tangenciando especialmente crimes contra a administração pública e contra o patrimônio. A primeira fase da operação do esquema iniciase, assim, com a contratação, sem licitação, da Fatec para a prestação de serviços ao Detran/RS. Conforme deflui dos autos, até o ano de 2003, o Detran Rio Grande do Sul efetuava seus exames por intermédio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), contratada para prestar serviços de "exames práticos e teóricos de direção veicular". Todavia, mesmo na iminência do término do contrato, e dispondo de tempo suficiente para licitar o serviços, a autarquia, na época presidida por Carlos Ubiratan dos Santos, e tendo como diretor administrativofinanceiro Hermínio Gomes Júnior, deixou de efetivar o devido procedimento licitatório. Foi contratada, então, sem licitação (com base no art. 24, IV, da Lei 8.666/93 – "casos de emergência ou calamidade pública"), a Fatec (hoje Fateciens), fundação de apoio à UFSM, em cuja administração a Reitoria de tal instituição universitária tinha grande relevo, especialmente por intermédio de seu Reitor, na época Paulo Jorge Sarkis. Obtido o contrato, assume como seu coordenador, na FATEC, Dario de Almeida Trevisan, que desenvolveu o projeto intitulado "Trabalhando pela Vida", junto à UFSM, que dá suporte ao Projeto Detran. Esgotado o prazo para a contratação emergencial, de 180 dias, foi firmado novo contrato entre o DETRAN e a FATEC, também com dispensa de licitação, desta vez amparada no art. 24, XIII da Lei 8.666, que a possibilita quando em favor de instituição brasileira incumbida regimental e estatutariamente da pesquisa, do ensino, ou do desenvolvimento institucional. Constam nos autos elementos que indicam que, por detrás dessa contratação, estaria desenhada a seguinte situação: 1) A família Fernandes (sob a liderança de José Antônio Fernandes, diretamente assessorado por seus filhos Ferdinando Francisco Fernandes, além da Fl. 5578DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 33 32 participação ativa de sua nora Denise Nachtigall Luz, esposa de Ferdinando, e ciência e participação de sua filha Francene Fernandes, de sua esposa Lenir Beatriz da Luz Fernandes), valendose de seus contatos políticos, oferecia vantagem ilícita a gestores públicos responsáveis pela contratação de serviços mediante dispensa de licitação, com a condição de que a contratação realizasse em favor da fundação de apoio à UFSM. 2) Os contatos iniciais, para tanto, deramse com Lair Antônio Fersi, empresário lobista que tinha grande poder junto ao DETRAN/RS, por conta de sua vinculação a seu diretorpresidente, Carlos Ubiratan dos Santos. Lair também mantinha vinculação com Carlos Dahlem da Rosa. 3) A proposta de contratação, nos moldes relatados, envolvia a subcontratação dos serviços das empresas vinculadas, direta ou indiretamente, aos envolvidos (que faziam parte da estrutura criminosa). 4) A atividade contava com a participação do então Reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Jorge Sarkis, que apresentava a instituição como parceira da Fatec na prestação dos serviços, a garantirlhe assim credibilidade técnica para a contratação. 5) À frente da participação da Fatec, situavase seu Secretário Executivo, Silvestre Selhorst, que mantinha vinculação de amizade com Paulo Jorge Sarkis e José Antônio Fernandes, contando com o apoio dos servidores públicos da UFSM que atuaram, no período, como presidentes e diretores da fundação, Ronaldo Etchechury Morales e Luís Carlos de Pelegrini. Estabelecido o modus operandi, a efetivação do esquema criminoso, iniciada em meados do ano de 2003, teria envolvido a oferta, por José Antônio Fernandes, unido a Lair Ferst, de vantagem ilícita a Paulo Jorge Sarkis e Dario Trevisan de Almeida, para que praticassem atos administrativos necessários a que a UFSM pudesse dar suporte e participar da contratação da Fatec pelo Detran. Em seguimento, prometeram vantagem indevida a Carlos Ubiratan dos Santos e Hermínio Gomes Júnior, para a obtenção da contratação. Contratada a Fatec, em julho de 2003, a fundação terceirizou boa parte da execução do Projeto, subcontratando quatro empresas chamadas sistemistas, que juntas perceberam em torno de 40% dos valores brutos obtidos no contrato entabulado com o Detran, quais sejam: 1) A empresa Pensant Consultores, pertencente à família Fernandes, tendo como sócios José Antônio Fernandes e seus filhos Ferdinando Fernandes e Fernando Fernandes. Percebia 9,59% dos recursos. 2) A empresa Rio del Sur, que tem como sócias, dentre outros, Rosana Cristina Ferst e Cenira Maria Fersi Ferreira, irmãs de Lair Ferst. Percebia 9,45% dos recursos. 3) A empresa Newmark Tecnologia da Informação, Logística Marketing que tem dentre seus sócios Elci Terezinha Ferst, irmão de Lair Ferst, e Alfredo Pinto Telles, seu cunhado (companheiro de Elci). Percebia 13,77% dos recursos. 4) A empresa Carlos Rosa Advogados Associados, que tem como sócio Carlos Dahlem da Rosa, e que tinha vinculação com Luiz Paulo R. Germano (conhecido como Buti), dentre outros (escritório de advocacia e pessoas que, como Fl. 5579DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 34 33 indicam os documentos e áudios, mantinham grande vinculação com o antigo diretor do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos. Percebia 5,67% dos recursos. A despeito, todavia, da contratação das sistemistas para execução do contrato, sua efetiva operação foi atribuída à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição com estrutura para suportar adequadamente o objeto do contrato. De fato, a Fatec contratou a UFSM para, por intermédio de um projeto institucional, vinculado à Reitoria, fornecer o suporte necessário para a realização de atividades que o Detran havia exigido na contratação (conforme dois contratos, contemporâneos ao primeiro contrato emergencial do Detran com a Fatec, em julho de 2003, e ao segundo, em dezembro de 2003). Relevante sinalar que valores expressivos foram revertidos, pela FATEC, às empresas sistemistas. Segundo dados fornecidos pela Receita Federal, entre os anos de 2002 a 2006, os valores foram os seguintes: SISTEMISTA REPASSE R$ NEW MARK TECNOLOGIA 10.083.905,75 PENSANT 8.996.867,12 RIO DEL SUR ENGENHARIA 8.241.975,67 CARLOS ROSA ADVOGADOS 4.146.626,67 Valores similares são apontados pela Informação Técnica MP/TC n° 74, onde constam tabelas descritivas dos valores pagos pela Fatec às sistemistas. Cabe destacar: 1) que todas as empresas sistemistas tiveram uma expressiva participação nos recursos vinculados à contratação em questão, sendo que entre 2003 e 2006 receberam, em conjunto, R$ 31 milhões. 2) a UFSM teria gastos, entre 01/2005 e 12/2008, da ordem de R$ 953.664,00 para desenvolver o projeto em questão, portanto valores extremamente menores que os percebidos pelas quatro sistemistas. 3) nada obstante tendo recebido muito menos que as sistemistas, as atribuições da UFSM eram sobremaneira mais importantes que as das primeiras (já que os serviços destas, de consultoria e supervisão, eram acessórios). Afigurase, pois, extremamente alta a probabilidade de que tais empresas somente tenham sido contratadas pela FATEC para a "execução" do Projeto DETRAN para alimentar um esquema de pagamentos aos lobistas (família Fernandes e Lair Ferst) e, ainda, de propinas (pela via do escritório de advocacia com vínculos com o então presidente do DETRAN, Carlos Ubiratan, e ainda por triangulação de valores cruzando por empresa sistemista). (...)” Todo o quanto acima exposto desconstitui de forma cabal o argumento de que não teria havido desvio de finalidade na atuação da Fatec. Consoante bem observou a decisão recorrida, não há qualquer relação entre o desenvolvimento das ciências e da tecnologia, que a Fundação deveria promover (e razão de ser da isenção tributária que lhe era concedida), e a prestação de serviços para a aplicação de provas práticas destinadas à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação para condução de veículos automotores, serviço absolutamente comum, e que poderia ser prestado por qualquer entidade de natureza privada, desde que, contudo, mediante a devida licitação. Fl. 5580DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 35 34 É fato, entretanto, que, especificamente com relação ao mencionado contrato assinado com o Detran/RS, a dispensa de licitação foi aprovada por parte da Procuradoria Geral do Estado, conforme mencionou o recorrente Ronaldo Etchechury Morales. Porém, diante de todo o exposto na retromencionada jurisprudência do TCU, só resta considerar desconexo da realidade o entendimento manifestado por aquele órgão. De qualquer sorte, ressaltese que a PGE, no caso, apenas atestou a possibilidade da dispensa de licitação segundo o critério do art. 24, XIII, da Lei 8.666/93, por entender ser o objeto do contrato com o Detran/RS compatível com os objetivos da fundação. Mas não se pronunciou expressamente sobre o contrato em si, consoante destacou em um de seus parágrafos finais, verbis (fls. 4441/4444): “Deixo de examinar, por ora, a minuta de contrato em face de, não ter acompanhado o expediente”. Ainda sobre o mencionado contrato celebrado com o Detran/RS, esclarece o relatório fiscal que, verbis: “Assim que foi assinado o contrato com o DETRAN/RS, em 01/07/03, a direção da.FATEC já tinha conhecimento de que deveria compensar os lobistas LAIR FERST, e JOSÉ FERNANDES por seu tráfico de influência com a subcontratação das empresas por eles designadas, o. que demonstra que a contratação da FATEC pelo DETRAN/RS foi "casada" com a subcontratação, por parte da referida Fundação, das empresas denominadas "sistemistas"; cujos contratos foram celebrados em 30/06/03, um dia antes da assinatura do Contrato no 34/2003 entre a FATEC e o DETRAN/RS, tamanha a pressa em malversar os recursos públicos.” Neste contexto, as alegações de que os serviços “terceirizados” não correspondiam ao núcleoobjeto do contrato firmado com o Detran/RS, tornamse irrelevantes, pois o que sobressai é a obrigatoriedade da subcontratação das empresas ditas “sistemistas”, que servem aos interesses pecuniários escusos. A propósito dos “serviços terceirizados” em si, a alegação recursal de que tais serviços não seriam meramente “de papel”, isto é, não prestados ou simplesmente inexistentes, não se faz acompanhada de nenhuma prova concreta, enquanto que os elementos contidos nos autos, em sentido contrário, ratificam inteiramente a acusação fiscal. Peço vênia para transcrever excerto do voto condutor da decisão recorrida, que bem sintetiza a questão: “(...) há evidências suficientes no processo para se concluir que os serviços prestados pelos sistemistas não ocorreram de fato ou, se ocorreram, geraram resultados pífios e desconexos com os preços praticados. Não houve comprovação de sua efetividade. Os relatórios apresentados continham prestações que não foram comprovadas. Nesse sentido, são contundentes as informações técnicas do Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul ao detalhar sobre os relatórios de serviços de quatro sistemistas, revelando que os acordos produziram remunerações irreais, abusivas e desproporcionais e demonstrando que (fls. 727/763): a) o contrato da Fatec com a Pensant Consultores previa a prestação de serviços técnicos de supervisão e gerência das obrigações decorrentes do contrato Fl. 5581DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 36 35 firmado entre o Detran/RS e a Fatec, mas os relatórios mensais do fornecimento dos serviços, que consistiam basicamente em reprodução das informações contidas nos relatórios de outros sistemistas e da equipe da Fatec responsável pela aplicação do exames, sequer correspondiam efetivamente ao objeto contratual; sequer foram utilizados como ferramentas de apoio à gestão (fls. 734/739); b) o contrato da Fatee com a Carlos Rosa Advogados previa a prestação de consultoria jurídica nas relações decorrentes do contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec; entretanto, os relatórios dos serviços e atividades prestados praticamente não tinham respaldo em documentação (fls. 748/753); c) o contrato da Fatec com a Rio del Sur — Auditoria e Consultoria previa a prestação de auditoria das obrigações e procedimentos decorrentes do contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec revelou remuneração elevadíssima considerando que consistia basicamente em serviços contábeis (fls. 727/733); d) o contrato da Fatec com a Newmark — Tecnologia da Informação, Logística e Marketing previa a prestação de serviços técnicos especializados de apoio às atividades de inteligência no âmbito dos Centros de Formação de Condutores, Ciretrans e postos do Detran, com o objetivo de obter e analisar informações para garantir integridade e segurança no desenvolvimento dos trabalhos de aplicação de provas práticas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação para condução de veículos automotores no Estado do Rio Grande do Sul de acordo com o contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec; inexplicavelmente sequer previa a periodicidade da realização dos trabalhos, que ficavam a critério exclusivo da prestadora (fls. 740/747).” Portanto, fica evidente que não apenas a obtenção, mas também a aplicação dos recursos obtidos pela fundação se deu em finalidades diversas daquelas para as quais foi instituída, não se podendo acatar o argumento de que não tenha distribuído patrimônio. Ao contrário, diante da falta de comprovação da prestação dos serviços (fato que motivou ainda o lançamento do IRRF por pagamentos sem causa, os quais representaram o desvio de cerca de 40% dos valores recebidos), fica evidenciada a não aplicação integral dos recursos da fundação na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Enfim, apenas pelo quanto até aqui exposto, já não haveria que se falar em “atuação dentro dos estritos limites da lei”, posto que completamente desvirtuada a sua condição privilegiada de instituição sem fins lucrativos. A fiscalização demonstrou ainda, contudo, que a Fundação remunerava seus dirigentes por serviços prestados, o que ocorria, em alguns casos, mediante o pagamento de bolsas de pesquisas e/ou estudos. Assim constou na decisão recorrida: “Nilza Luiza Venturini Zampieri foi diretora administrativa da Fatec de 27/4/95 a 24/5/04 e Jornandes Oliveira Almeida exerceu o mesmo cargo de 24/5/04 a 26/5/06. Ambos receberam pagamentos da entidade a título de bolsas de pesquisa nos períodos em que ocupavam seus cargos (fls. 38 e 340/405). (...) Uma análise preliminar dos documentos relativos aos projetos dos quais os dois diretores administrativos constariam como participantes sugere dúvidas quanto Fl. 5582DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 37 36 à vinculação do pagamento das bolsas aos respectivos projetos. A diretora Nilza Zampieri participa de dois projetos no período compreendido pela suspensão da isenção (fls. 346/351). Um termina um ano antes do outro e, mesmo assim, a bolsa mensal percebida sempre foi de R$ 2.700,00 (fls. 340/341). Os pagamentos para ela encerraramse um mês antes da transmissão do cargo para o sucessor. O diretor Jornandes Almeida já vinha recebendo valores mensais de R$ 1.500,00 em todo o ano de 2003 e continuou recebendo até julho de 2004. De agosto/2004 a dezembro/2006 passa a receber R$ 1.350,00 (fls. 342/345), valor que corresponderia à bolsa pelo projeto SIEIFES (fls. 380 e 389), cujo contrato somente foi assinado em 28/1/05 (fl. 373). Em outro documento, a universidade informa sua participação no projeto pelo período de 1/10/04 a 17/1/08 (fl. 404).” A este respeito não constatei contestação expressa nos recursos manejados, à exceção de esparsas manifestações, de cunho genérico, no sentido de que os serviços de dirigentes seriam voluntários e não remunerados, ou então específicas, no caso dos responsáveis elencados pela fiscalização, acerca da não remuneração pelos serviços por eles próprios (recorrentes) prestados, na condição de dirigentes. Assim, tomo por corretas as observações feitas pela decisão recorrida quanto a este aspecto, ao menos no que toca à remuneração dos dois citados dirigentes (Nilza Luiza Venturini Zampieri e Jornandes Oliveira Almeida). Tendo sido suspensa a isenção da Fundação, por meio do competente ato declaratório expedido pela autoridade fiscal com jurisdição sobre o contribuinte, a sua tributação se fez de acordo com as regras a que são submetidas as demais pessoas jurídicas em geral. Apuração dos tributos devidos – IRPJ, CSLL, PIS e COFINS Conforme já antes relatado, nos anos de 2003 e 2004 foi adotado o lucro presumido, em face da opção da contribuinte, quando intimada a se manifestar a respeito. Já nos anos seguintes a tributação se deu pelo lucro arbitrado, pois o contribuinte não apresentou a escrituração necessária para a tributação pelo lucro real, e havia excedido o limite para permanecer no lucro presumido. A Fundação alega ser mera gestora dos recursos de terceiros necessários à execução dos projetos. Luiz Carlos de Pellegrini e Ronaldo Etchechury Morales endossam o argumento, e sustentam que o rendimento da Fatec decorreria, portanto, exclusivamente das taxas de administração que cobra pela gestão desses projetos. Este argumento já foi devidamente enfrentado pela decisão de piso, cujos fundamentos aqui subscrevo: “Não se pode aceitar que somente as comissões integrem a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O lucro presumido ou o lucro arbitrado são calculados com base no resultado da aplicação de percentuais determinados sobre a receita bruta, adicionado a outros valores especificados em lei, auferidos no mesmo período (arts. 25 e 27 da Lei 9.430/96). A receita bruta das vendas e serviços consiste no produto da venda nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, consideradas ainda algumas exclusões previstas na lei (art. 31 da Lei 8.981/95). Fl. 5583DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 38 37 Os contratos de prestação de serviços da Fatec demonstram que ela não operava como agenciadora de serviços de terceiros, mediante pagamento de uma comissão (operação de conta alheia). O preço cobrado correspondia ao montante da responsabilidade da prestação de bens e serviços que contratou. A operação era toda desenvolvida e consumada em nome e por conta da fundação. Era a Fatec que responderia por eventual inadimplência.” Nenhum reparo merece portanto, a autuação, no que toca às exigências de IRPJ e seus reflexos CSLL, PIS e COFINS. No caso do PIS e da COFINS, conforme antes relatado, não foram constatadas quaisquer alegações específicas relativas a esses tributos, tais quais haviam sido feitas na impugnação. A apuração destas contribuições, tanto no lucro presumido quanto no lucro arbitrado, se faz pela apuração cumulativa. IRRF – pagamentos sem causa No que toca à autuação relativa ao IRRF sobre os pagamentos tidos por sem causa, o lançamento se fez sob a égide do art. 61, § 1o, da Lei 8.981/95: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Os serviços, no caso, não foram efetivamente prestados, conforme já aqui se disse; já os pagamentos, por outro lado, foram comprovados. Assim, materializouse a hipótese prevista em lei (pagamento sem causa). Consoante já exposto no presente voto ao norte, tratase de hipótese de responsabilidade por substituição expressamente prevista em lei, cabendo à fonte pagadora a retenção e recolhimento do imposto de renda devido, com o reajustamento da base de cálculo sobre a qual deve incidir o imposto, nos moldes do § 3o acima transcrito. Portanto, não tem procedência o argumento manejado pela Fundação, no sentido de que os pagamentos foram identificados e devidamente contabilizados, e que, portanto, não teria efetuado pagamentos sem causa. A contabilização ou não dos pagamentos é irrelevante para a caracterização do pagamento sem causa, consoante expressamente consta do § 1o acima transcrito. Fl. 5584DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 39 38 Tampouco cabe, pelos motivos já expostos, a alegação de que não teria sido a entidade que agiu fora da lei ou com excesso de poderes, mas sim, supostamente, os seus ex dirigentes em nome próprio, de modo que a Fatec não poderia ser por isso responsabilizada. Juros e multa isolados – IRRF sobre bolsas No que toca à autuação relativa aos consectários legais sobre a falta de retenção do IRRF devido sobre as bolsas de estudo, esta tem por pressuposto o entendimento do fisco de que determinadas bolsas pagas pela Fatec, as quais a fiscalização discriminou nos anexos 30 a 32, e a respeito das quais discorreu no seu relatório, não fariam jus à isenção de imposto de renda que a Fundação entendeu aplicável. Assim, a par do eventual lançamento de ofício que a fiscalização efetivamente tenha feito ou venha a fazer, para cobrar o imposto de renda devido sobre essas bolsas, diretamente dos seus beneficiários, foram lançados de ofício, no presente processo, os juros e multas isolados, calculados sobre a falta de retenção do imposto, que incumbia à fonte pagadora fazer. Tal procedimento tem amparo na lei, notadamente no art. 9° da Lei n° 10.426/2002, art. 43 da Lei n° 9.430/96, e no Parecer Normativo, Cosit n° 1, de 24/09/2002. Este último (PN Cosit 1/2002), estabelece que, quando constatada, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, a falta de retenção do imposto de renda, que tiver a natureza de antecipação do devido, devem ser exigidos da fonte pagadora tão somente a multa isolada e os juros isolados, calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. A Fundação, contudo, em entendimento endossado por outros recorrentes, sustenta que o resultado das pesquisas e estudos desenvolvidos não reverte para a Fundação, e que as bolsas pagas pela Fatec, portanto, são isentas do imposto de renda, pelo que descabe falar em falta de retenção, e, consequentemente, de multa e juros isolados, no caso. Acrescenta no recurso que as pessoas que receberam bolsas da Fatec, e que foram cobradas pela Receita Federal pelo não recolhimento do IRPF, socorreramse do Poder Judiciário, tendo como resultado que “todas as ações judiciárias acerca de bolsas concedidas pela Fatec já julgadas anularam o auto de infração lançado”. Referese, no caso, a três decisões judiciais que anexa ao recurso, das quais, à época, uma já fora confirmada em segunda instância (esclareço que, no presente momento, as outras duas já foram também confirmadas pela 1ª. Turma Recursal dos Juizados Especiais da Seção do Estado do Rio Grande Do Sul). Faz referência também a uma decisão do Conselho de Contribuintes (Processo n° 10840.0001111200258, julgado em 13 de junho de 2007, Acórdão n° 104 22.488), relativa a contribuinte e fonte pagadora diversos, em que também foi reconhecida a existência dessa modalidade de doação para fins tributários e sua inatingibilidade no que tange ao imposto de renda (com relação a esta, contudo, observo que a mesma foi objeto de reforma pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n° 920200687, de 13 de abril de 2010, para decidir pela tributação da bolsa em questão pelo imposto de renda). Há que se definir, portanto, em que circunstâncias uma bolsa é (ou não) tributável. É o que se passa a fazer. Fl. 5585DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 40 39 As bolsas, mesmo as de estudo e pesquisa, são, em regra, tributáveis, conforme estabelecido no art. 43 do RIR/99, que consolida a legislação até então editada (grifei): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769, de 1998, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários;” As condições que determinam a não tributação das bolsas de estudo e de pesquisa, ou seja, a exceção à regra, constam, por sua vez, do art. 39 do mesmo RIR: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei n° 9.250, de 1995, art. 26);” Após alentado estudo sobre toda a legislação anterior e posterior ao RIR/99 acerca da matéria, feito pela autoridade julgadora a quo, e o qual inclui a legislação citada pela recorrente na peça de defesa, conclui aquela autoridade que, em síntese, foram preservadas, ao longo do tempo, as mesmas exigências que constam nos artigos acima transcritos, ou seja, para que uma bolsa (de estudo, pesquisa, extensão ou estímulo à inovação) seja isenta, é necessário o cumprimento cumulativo de três condições: (a) a bolsa deve ser caracterizada como doação; (b) a bolsa deve ser recebida exclusivamente para proceder a estudos, pesquisa, extensão ou inovação; e (c) os resultados das atividades não podem representar vantagens para o doador, nem importar contraprestação de serviços. Por concordar com a análise jurídica feita pela DRJ acerca da matéria, transcrevo a seguir a síntese feita pela DRJ do quanto contido na acusação fiscal, adotandoo como razões de decidir: “A fiscalização relacionou 31 projetos em que foram pagas bolsas isentas de IRRF (anexo 30 — fls. 2671/2672). Os autuantes analisaram as situações e concluíram que as bolsas pagas não constituíam doação civil porque seus valores foram cotados nos custos dos projetos, sem ônus ao patrimônio da UFSM ou da Fatec, demonstrando a perda do caráter de liberalidade, essencial à doação civil. As bolsas seriam utilizadas para o pagamento de mãodeobra especializada e necessária ao cumprimento dos compromissos avençados com os financiadores dos projetos, o que caracteriza contraprestação de serviços. Os projetos não cumpriam condição para o gozo do benefício fiscal ou porque representavam pagamento de contraprestação por serviços prestados ou porque produziam resultados econômicos quer para o "doador direto" (fundação), quer para o "doador indireto" (financiador dos recursos e tomador dos serviços). Fl. 5586DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 41 40 O processo contempla partes ou a integralidade textual de quase todos os contratos vinculados aos projetos listados no anexo 30 (fls. 3125, 3530, 3532, 3547, 3549, 3552, 3559, 3563, 3568/3569, 3571/3572, 3574, 3578, 3580, 3603, 3616/3617, 3636, 3640, 3664, 3669, 3673/3675, 3743, 3752, 3803, 3840, 3914/3923). Verificase invariavelmente que a Fatec se obriga à "prestação de serviços necessários para a execução" ou, simplesmente, à execução de serviço. Ora, isso demonstra a exigência de contraprestação a cargo da fundação, que utiliza servidor da UFSM para a execução do serviço a ser adimplido, ou ainda terceiriza, descaracterizando o caráter de liberalidade de qualquer bolsa vinculada. A fiscalização faz uma análise mais detida sobre o projeto 95934, referente à criação do Centro de Educação Superior NorteRS/UFSM (Cesnors), cujas considerações também são válidas para o projeto 95955, destinado à criação da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), já que ambos previam a construção de unidades administrativas e laboratórios, aquisição de mobiliário, equipamentos e materiais permanentes, e implementação de bibliotecas. A execução e o plano de aplicação dos projetos explicitam evidente caráter contraprestacional: não há o objetivo de produzir estudos, pesquisas, extensão ou inovação, mas mera administração e execução de obras (fls. 1710/1714 e 1729/1731). O Acórdão 2259/2007 do TCU respalda essa constatação ao entender que a UFSM estaria transferindo à Fatec atos de competência exclusiva da universidade, relativos a serviços que não poderiam ser executados em caráter personalíssimo pela fundação, que configurassem mera intermediação, que resultassem em subcontratação de terceiros ou que não fossem compatíveis com a área de atuação da fundação (fl. 2446). Outros exemplos enfatizados no relatório fiscal foram os projetos 81410 e 95355, vinculados a contratos em que houve financiamento de empresas de engenharia civil e indústrias alimentícias, interessadas na prestação de serviços de consultoria e geotecnia e nos resultados de estudos sobre o efeito da adição da fitase na alimentação de frangos de corte. Também aqui há forte conteúdo contraprestacional, com ganhos econômicas ao financiador. Com as mesmas características, destaco os projetos 20106, 95516, 95809, 95815, cujos financiadores e beneficiários dos resultados são a Cia. Energética Rio das Antas (fls. 3914/3923), Ralfe Oliveira Romero (fl. 3125) e a Companhia Estadual de Energia Elétrica (fls. 3568 e 3574). Os projetos 95355, 95357, 95801 e 95819 fazem constar em seus contratos que a fonte de recursos seria resultante da arrecadação que a Fatec faria diretamente de clientes ou de inscrições realizadas (fls 3616, 3636, 3572 e 3840). Mais uma vez há evidências de retributividade.” Diante do exposto, concluo que a fiscalização reuniu elementos suficientes de prova de que as bolsas relacionadas pela fiscalização nos anexos 30 a 32 deveriam ter sofrido a retenção do imposto de renda na fonte, motivo pelo qual está correto o lançamento efetuado pelo fisco, que, no caso, exigiu da Fatec tão somente os juros e multa isolados decorrentes da falta de retenção. O Anexo 30 (fls. 2671 e seguintes) discrimina as bolsas de estudo e pesquisa por projeto da Fatec, o Anexo 31 (fls. 2673 e seguintes) discrimina as bolsas pagas por beneficiário, e o Anexo 32 (fls. 2680 e seguintes) apresenta o cálculo da multa isolada e dos juros isolados pela falta de retenção do IRRF. Fl. 5587DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 42 41 Analisando o Anexo 31, verifico que dele constam os nomes das três pessoas referidas nas decisões judiciais antes mencionadas. Nos casos de Melania de Melo Casarin (processo no 2010.71.52.0012237) e de Andre Krusser Dalmazzo (processo no 2010.71.52.0012249), já houve o trânsito em julgado favorável aos autores. Neste caso, por força da prevalência da decisão judicial, devem ser cancelados, no presente processo, os lançamentos relativos à cobrança de juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas pagas a estas pessoas. No caso de Andrea Tonini (processo no 500306029.2010.4.04.7102), nada obstante a decisão a ela favorável na segunda instância, o processo encontrase atualmente no STJ, com agravo em recurso especial da Fazenda Nacional, ainda sem decisão até o presente momento (consulta ao sítio www.stj.jus.br efetuada em 21/08/2015), motivo pelo qual mantenho a posição defendida no presente voto, ou seja, pela manutenção, no caso, dos juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas a ela pagas. Multa qualificada A Fundação argumenta que as ilegalidades foram supostamente cometidas pelos exdirigentes, motivo pelo qual sobre eles deveria recair a multa, mas que, acaso seja mantida a sua cobrança, deveria ao menos ser reduzida para o percentual de 75%, pois a Fundação apenas interpretou a legislação tributária de modo diverso ao que fez o fisco, não tendo ela cometido, como pessoa jurídica de direito privado, nenhum ato criminoso. A tentativa de eximirse de toda e qualquer responsabilidade, não apenas da multa, mas de fato, de toda a exigência fiscal que lhe foi feita, já foi aqui enfrentada, e não pode ser acolhida. Ademais, por tudo o quanto já exposto no presente voto, resta claro que o caso não é de mera inadimplência, ou de divergência quanto à interpretação da legislação tributária em tese. Tratase de toda uma forma de se autoorganizar e de agir, com o intuito de fraude, conforme definida no art. 72 da Lei no 4.502/64: “Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Consoante restou aqui demonstrado, a Fundação valeuse de sua condição de entidade isenta para, com isto, agindo de forma deturpada e contrária à lei, subvertendo o instituto da dispensa de licitações, previsto na Lei n° 8.666/1993, obter contratos para a prestação de serviços, junto ao poder público, serviços os quais, em muitos casos, em nada se assemelham ao tipo de atividades das quais uma Fundação de Apoio a uma Universidade Federal deveria se ocupar. Fl. 5588DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 43 42 Houve, portanto, o completo desvirtuamento das finalidades e objetivos institucionais que justificariam a concessão de isenção. Ao prestar serviços comuns, e que poderiam ser prestados, em tese, por qualquer entidade de natureza privada, a Fundação, além de burlar a exigência de prévia licitação, ainda se beneficiou indevidamente pela sua condição de isenta, em detrimento dos concorrentes privados, que não gozam deste benefício. E, para macular de vez a sua forma de agir, temse ainda que celebrou contrato com órgão público por meio do qual houve o desvio de dinheiro público para fins ilícitos, por meio de contratação “casada” de diversas empresas que abocanhavam substancial parte do contrato celebrado com o órgão público, sem que sequer tenham efetivamente prestado qualquer serviço que justificasse os pagamentos feitos em tamanha proporção. Deve ser mantida, portanto, a multa qualificada. Responsabilidade solidária dos dirigentes Todos as três pessoas físicas imputadas como responsáveis pelo crédito tributário lançado (Silvestre Selhorst, Luiz Carlos de Pellegrini e Ronaldo Etchechury Morales) contestam a imputação que lhes foi feita. Analisarseá cada uma separadamente. Silvestre Selhorst Silvestre Selhorst afirma que em nenhum momento foi apresentada qualquer prova de que tenha participado de algum ilícito fiscal, e que não preenche os requisitos legais necessários à sujeição passiva solidária, fixada no art. 124 CTN. Diz ainda que exercia na FATEC apenas a função de Secretário Executivo, e que, nesta condição, não houve qualquer excesso de mandato ou infração da lei, do contrato ou do estatuto em todo o tempo que exerceu esta função, não podendo ser responsabilizado nos termos do art. 135 do CTN. Não lhe assiste razão quanto aos argumentos manejados. No que toca à ausência de mandato, há que se observar que o art. 135 do CTN prevê a responsabilização não apenas dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, mas também dos seus mandatários, prepostos e empregados. O que importa, no caso, para que se verifique a condição de responsável, é a constatação da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, sendo certo que não é qualquer infração à lei que enseja a coresponsabilidade dessas pessoas. Nos termos da reiterada jurisprudência do STJ, de cujo teor é exemplo a ementa abaixo transcrita, é necessário provar que houve o dolo, que houve fraude: Fl. 5589DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 44 43 “PROCESSUAL. CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SÓCIOGERENTE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. NATUREZA SUBJETIVA. É dominante no STJ a tese de que o nãorecolhimento do tributo, por si só, não constitui infração à lei suficiente a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios, ainda que exerçam gerência, sendo necessário provar que agiram os mesmos dolosamente, com fraude ou excesso de poderes.” (Resp 898168, Rel. Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ 05.03.08) Por tudo o quanto já exposto no presente voto, a fraude restou plenamente configurada no caso concreto, motivo pelo qual, aliás, mantevese a multa qualificada. E, no caso, o Sr. Silvestre Selhorst, na condição de Secretário Executivo, foi identificado como um dos principais responsáveis pelas fraudes praticadas pela Fatec. Peço vênia para mais uma vez transcrever excerto do voto proferido no âmbito da decisão recorrida, pela síntese e clareza de sua exposição: “Silvestre Selhorst foi o secretário executivo da Fatec durante todo o período correspondente aos fatos geradores dos lançamentos efetuados. Foi reconhecido como réu nos processos judiciais de crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, corrupção ativa, peculatodesvio e locupletamento em dispensa de licitação, acrescidos da agravante de direção da atividade criminosa dos demais agentes (fls. 2806/2869). Segundo revela a decisão da denúncia criminal e diversos testemunhos (fls. 642/647 e 650/670), foi um dos principais responsáveis pela articulação das operações irregulares vinculadas ao contrato como Detran/RS e a outras avenças. Uma das evidência das participação consciente e dolosa de Selhorst foi representada pelas planilhas que produziu para pagamento às empresas sistemistas, demonstrando o quanto elas iriam receber, independentemente da efetividade da prestação de serviços. Seu depoimento à Polícia Federal também demonstrou seu conhecimento acerca da subcontratação aos sistemistas, bem como de seu reconhecimento quanto à impossibilidade de aferição da qualificação e justeza da remuneração à sistemista Pensant, ainda que houvesse relatórios formais de prestação de serviços (fls. 618/636). A decisão da denúncia criminal consignou sobre Silvestre Selhorst: ‘Tratase de funcionário contratado pela FATEC. No curso das investigações, revelouse como um dos envolvidos com maior destaque na organização criminosa, articulando as formas de atuação dos agentes (conhecedor do funcionamento das fundações, tendo assessorado todos os diretores que por ela passaram, inclusive, em alguns casos, o sentido de realizar, omitir ou encobrir irregularidades ou crimes). Nos áudios resultantes das interceptações telefônicas, exsurgem indícios de sua ciência e voluntária participação no esquema. O mesmo pode ser extraído de provas documentais e, ainda, de seu próprio depoimento perante a Polícia Federal.’ ” Portanto, a atuação do Sr. Silvestre Selhorst na prática dos condenáveis ilícitos praticados restou suficientemente caracterizada, sendo procedente a sua imputação como responsável pelo crédito tributário lançado. Fl. 5590DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 45 44 Já se disse, no presente voto, que não encontra guarida na lei a tese (defendida pela Fatec) de que a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN fosse entendida como sendo por substituição, ou seja, pessoal e exclusiva, das pessoas listadas no referido artigo. Contudo, há ainda duas outras correntes de pensamento, que qualificam a referida responsabilidade como sendo subsidiária, ou então solidária. Conforme já em diversas outras oportunidades me manifestei, entendo que a responsabilidade prevista no referido artigo deva ser tratada como solidária. Neste sentido, também manifestouse a PGFN, no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, verbis: “Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio.” De fato, a tese da responsabilidade subsidiária peca por trazer implícita no art. 135 do CTN a condição de “impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte”, condição esta que só está expressa no art. 134 do CTN, mas não no art. 135. Assim, a responsabilidade solidária é de fato a mais consentânea com o texto legal, além de atender perfeitamente ao objetivo da norma, que é conferir uma maior garantia ao crédito tributário constituído. Pelo exposto, deve ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Silvestre Selhorst. Luiz Carlos de Pellegrini Luiz Carlos de Pellegrini afirma que sempre agiu com zelo e decoro enquanto dirigente da fundação, observando a legislação, os estatutos e os acordos firmados pela entidade, e que a própria fiscalização declara que os administradores da fundação não praticaram atos com excesso de poderes e não constituíram vícios de consentimento. Afirma ainda que não tinha vínculo com a fundação à época do nascedouro dos contratos atacados pela Fiscalização, não exercia cargo diretivo e não era conselheiro, portanto, não pode vir a ser responsabilizado pelos débitos fiscais daí decorrentes. Fl. 5591DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 46 45 Os elementos trazidos aos autos, contudo, desmentem completamente suas alegações no sentido de não participação nos atos ilícitos. Neste sentido, mais uma vez, peço vênia para transcrever excerto do acórdão recorrido, que bem sintetiza os fatos: “Luiz Carlos de Pelegrini foi diretorpresidente da Fatec. Foi responsável pela assinatura de diversos contratos em detrimento da lei de licitações e do objeto da fundação, como é o caso do contrato com a Prefeitura Municipal de Torres para a elaboração de base cartográfica do município, firmado em 4/10/06 (fls. 3392/3395). Pelegrini foi admitido como réu nos processos judiciais por crime de formação de quadrilha, corrupção passiva, corrupção ativa, falsidade ideológica, peculatodesvio, supressão de documento e locupletamento em dispensa de licitação (fls. 2806/2869). Ficou evidenciado que Pelegrini tinha ciência dos fatos e contribuiu positivamente para sua perpetração, omitindose no dever de fazer cessar as ilicitudes. Teria firmado diversos documentos que sabia ideologicamente falsos no período de transição do contrato do Detran/RS com a Fatec para a Fundae e endossado documentos que deram suporte à criação da empresa de fachada Pakt Excelência em Projetos S/S Ltda. Transcrevo a parte da decisão que admitiu a denúncia criminal de Pelegrini: ‘Foi DiretorPresidente da Fatec, em momento contemporâneo ao da ocorrência dos supostos fatos criminosos, sendo também servidor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ao longo das investigações, elementos demonstram ter potencialmente contribuído para a perpetração dos crimes, omitindose no dever de fazer cessar as práticas criminosas. Nos áudios resultantes das interceptações telefônicas exsurgem elementos que indicam sua ciência e voluntária participação no esquema. Outrossim, firmou diversos documentos relativos aos contratos em questão, também havendo possibilidade de que tenha endossado documentos que deram suporte à criação da empresa Pakt.’ ” Portanto, pelos elementos coligidos, em conjugação com o quanto exposto acerca do instituto da responsabilidade tributária no subitem precedente, deve ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Luiz Carlos de Pellegrini. Ronaldo Etchechury Morales Ronaldo Etchechury Morales afirma que foi denunciado sem qualquer prova ou menção de culpa, que teve a denúncia rejeitada e que, na reiteração desta, por decisão em grau superior, foi julgado e absolvido, o que cristaliza e reafirma que não agiu no interesse comum e muito menos se beneficiou financeiramente durante o curto espaço de tempo em que presidiu a Fatec, enquanto esta gestou o contrato com o DetranRS. Diz ainda que não teve qualquer acréscimo patrimonial no período, ou movimentação financeira estranha aos seus proventos, conforme restou comprovado na quebra de sigilo bancário e financeiro a que se expôs voluntariamente perante a Justiça Federal. Fl. 5592DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 47 46 A decisão recorrida manteve a responsabilidade do Sr. Ronaldo Etchechury Morales ao fundamento de serem independentes as instâncias administrativa e judicial, e que, no caso, a despeito da decisão judicial que o absolvera da acusação criminal, haveria nos autos provas suficientes de sua responsabilidade. Neste sentido, assim constou da decisão recorrida: “Ronaldo Morales foi diretorpresidente da Fatec. Foi responsável pela assinatura de diversos contratos em detrimento da lei de licitações e/ou do objeto da fundação, como é o caso do contrato com a Anatel, firmado em 18/12/03, para execução de serviços de apoio a atividades de fiscalização, onde Fernando Fernandes, um dos principais lobistas e beneficiário no caso Detran, aparece como testemunha (fls. 2124/2135); do contrato com o Município de Canoas, firmado em 7/3/01, para elaborar projeto, capacitar e emitir recomendações visando à modernização administrativa; de contratos firmados em 25/2/03 e 10/3/03 para análise de produtos farmacêuticos e verificação de equivalência de medicamentos genéricos, cujas fontes seriam provenientes de empresas da indústria farmacêutica interessadas nos serviços específicos (fls. 2197/2203 e 2224/2238); e do contrato com o Detran/RS e com os sistemistas (fls. 467/482 e 533/562). Em sua gestão também foram pagas bolsas de estudos e pesquisa sem a devida retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte. (...) Apesar do decisão penal favorável a Morales, pareceume evidente sua responsabilidade no caso do Detran/RS. A assinatura em duas oportunidades, como diretorpresidente, afasta eventual possibilidade de erro e demonstra a existência de consciência e vontade na execução dos atos. Não é crível que uma pessoa com a formação elevada de um professor de administração da UFSM não soubesse o nível de sua responsabilidade ao apor assinatura em dois contratos com o Detran e em quatro contratos casados com empresas sistemistas, confortandose com a justificativa de que o "pacote já estava pronto" e que sequer haveria irregularidade. O vulto do negócio jurídico com a Fatec já seria suficiente para que despertasse em Morales o devido interesse pela operação. (...)” De se observar que, quando da prolação do acórdão recorrido, o processo judicial em que se apurava a prática de ilícitos penais por parte do referido aguardava ainda o julgamento da apelação submetida ao Tribunal. Contudo, em 12/12/2012, o tribunal, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso interposto pelo Ministério Público Federal, mantendo a sentença proferida em 14/10/2009 que absolvera sumariamente o réu nos termos do artigo 397, III, do CPP. Ronaldo fora acusado de associação em quadrilha ou bando (art. 288 do Código Penal), locupletamento em dispensa de licitação (art. 89, parágrafo único da Lei nº 8.666/93), e peculatodesvio (art. 312 do Código Penal). Transcrevo a seguir excertos do acórdão proferido no âmbito da Apelação Criminal nº 000184977.2009.404.7102/RS (disponível em www.trf4.jus.br/): “Consoante bem referido na sentença, do farto acervo probatório constante dos autos não se afere a existência de conduta dolosa de Ronaldo, quer de maneira Fl. 5593DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 48 47 direta, quer em participação no cometimento dos graves crimes cometidos em detrimento do erário estadual. Vejase a bemlançada sentença: Deflui, da leitura de tais excertos, que ao réu, em síntese, foi imputado o fato de ser Presidente da Fatec em parte do período no qual ocorreram os fatos narrados na denúncia, e, nesta condição, ter assinado o contrato entabulado entre Detran/Fatec e entre a Fatec e as empresas chamadas de "sistemistas". De fato, Ronaldo Etchechury Morales era Presidente da Fatec na época de sua primeira contratação pelo DETRAN. Em tal condição, firmou referido contrato. Não obstante, revendo os autos, considero que nada foi apresentado, à exceção do próprio contrato, que pudesse indicar que, de fato, tenha tido participação direta e consciente sobre os fatos delituosos aqui versados. Efetivamente, seu nome não figura em trechos das escutas telefônicas, tampouco é referido nos depoimentos dos indiciados e denunciados em relação aos quais há indícios de autoria. Outrossim, não era o ordenador de despesas do Projeto, tampouco dava operacionalidade aos comandos a ele relativos. Vejase que, em seu depoimento à Polícia Federal, o denunciado em questão foi bastante claro, dando conta de que, na condição de presidente da Fatec, simplesmente firmou o contrato com o DETRAN e com as chamadas "sistemistas", não tendo, todavia, participação decisiva, seja nas negociações, seja no desenrolar posterior, relativo ao seu cumprimento: (...) Tal conduta (assinatura dos contratos Fatec/Detran e Fatec/empresas prestadoras de serviço), contudo, evidentemente não constitui crime, pois ausente um dos elementos dos tipos imputados ao denunciado, qual seja, o dolo. Vale lembrar que nenhum dos delitos pelos quais o réu foi denunciado é punido a título de culpa. Portanto, estando ausente o dolo, excluise o tipo penal, impondose a absolvição sumária do réu. Cabe registrar que não há, nos autos, elementos que possam infirmar a versão que o réu atribui aos fatos e, assim, permita o prosseguimento da pretensão acusatória contra o denunciado. Nessa linha, inexistente liame subjetivos mínimos, descabe a invocação do princípio in dubio pro societate. Seguem precedentes do STF e STJ: (...) a) Do locupletamento em dispensa de licitação e do peculatodesvio: (...) Em verdade, o único indício de que Ronaldo Etchechury Morales teria concorrido para a consecução de tais delitos seria sua condição de Presidente da Fatec. Não há, na investigação que embasou a denúncia, qualquer outro elemento (seja decorrente das interceptações telemáticas e telefônicas, ou de documentos apreendidos e depoimentos Fl. 5594DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 49 48 prestados) que corrobore, de forma mais densa, a tese de que teria concorrido no desvio de recursos públicos e na dispensa indevida de licitação, beneficiandose posteriormente deste ato. Sua simples condição de membro da presidência da Fatec não é suficiente para se reconhecer, de forma objetiva, sua potencial participação nos delitos, especialmente quando dos autos defluem outros indícios probatórios dando conta da possível existência de outras pessoas que teriam conduzido as negociações com o Detran e, ainda, seriam responsáveis por sua operação após a contratação. Outrossim, devese gizar que não foi colhido nenhum elemento, em dados bancários ou fiscais, que possa indicar algum tipo de vantagem financeira indevida que lhe tenha sido repassada. (...) b) Da formação de quadrilha: No caso, todavia, considero, pelos mesmos motivos expendidos nos tópicos anteriores, que efetivamente não existem elementos probatórios mínimos que indiquem que o réu tivesse ciência da potencial existência de reunião consciente de pessoas para a finalidade da prática de crimes determinados. Não se pode presumir, de sua condição de Presidente da Fatec, tivesse ciência de que a fundação poderia estar sendo utilizada, em projeto supostamente levado a cabo por uma série de pessoas, com finalidade criminosa, para fins ilícitos, envolvendo o contrato Detran. Não havendo prova da vinculação subjetiva entre o réu Ronaldo Etchechury Morales e os demais réus para a prática voluntária de delitos, bem como de sua ciência de que supostamente seriam praticados ilícitos penais, descabe buscar, ao menos neste momento, via ação penal, qualquer consequência em âmbito criminal. (...) Como bem expendido, inexistem elementos robustos e contundentes dando conta de que, primeiramente, Ronaldo integrava quadrilha formada com o específico fim de apropriação indevida de recursos públicos; de que se beneficiou de dispensa irregular de licitação, bem como de que tenha agido de forma a cometer quer diretamente, em coautoria ou em participação, o crime de peculatodesvio. (...) In casu, a peça acusatória parte do pressuposto de que a conduta de Ronaldo era de cumplicidade e conivência com as dos demais réus, tendo se locupletado e possibilitado a ocorrência da fraude que resultou em grave prejuízo ao erário. (...) Do exame minudente da resposta à acusação e da grande quantidade de documentos colacionados nos 39 volumes dos autos, inferese que embora Ronaldo Morales exercesse o cargo de Presidente da FATEC, não se envolvia diretamente na administração da fundação, principalmente, na parte executiva. Este encargo ficava sob a responsabilidade do Diretor (Secretário) Executivo, que à época de sua gestão, bem como nas anteriores e na posterior, era Silvestre Selhorst que tendo larga experiência e recebendo total confiança do Conselho Superior da Fundação, bem Fl. 5595DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 50 49 como da própria Universidade se encarregava de levar os documentos prontos para o Presidente da FATEC assinálos. (...) A propósito, da investigação levada a cabo pela Polícia Federal, não há indicação (ainda que de forma minguada) de que estivesse Ronaldo mancomunado com os demais diretores da entidade que presidia (FATEC), com a reitoria da UFSM, com o pessoal do DETRAN ou mesmo com os representantes legais da empresas prestamistas, para o fim de cometimento de delitos. (...) Releva apontar, ainda, que ao tempo de seu mandato na FATEC, Ronaldo Morales dirigia o Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM, reservando a quase totalidade de seu laboro para esta atividade. Sua ida à FATEC ocorria, basicamente, para assinar documentação providenciada pelos outros dirigentes da entidade. Sobre este ponto, trago à colação excerto de algumas declarações prestadas no Inquérito Administrativo realizado pela UFSM, verbis: (...) Igualmente, consoante bem elencado na sentença, não exsurgiram da investigação, quaisquer dados bancários ou fiscais, filmagens ou interceptações telefônicas que apontassem alguma ligação de Ronaldo com os fatos criminosos narrados na denúncia. Tampouco há notícia de ter ele recebido qualquer vantagem financeira, quer a título de propina, ou mesmo em bônus pelas assinaturas dos contratos. Outro dado que permite concluir não ter Ronaldo agido com dolo, foi o de que, espontaneamente, se colocou à disposição das autoridades públicas (Polícia Federal, Ministério Público e também da Assembléia Legislativa CPI do DETRAN) para colaborar no sentido de que fossem apurados os fatos e identificados os verdadeiros responsáveis pela usurpação do dinheiro público, em tese ocorrida. Aliás, perante tais órgãos, o recorrido prontamente abriu mão de suas garantias constitucionais, tais como os sigilos bancários, fiscal, telefônicos e outros. Embora as esferas cíveis e penais sejam independentes, é importante ressaltar que na condição de réu na Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa tombada sob nº 20098.71.02.0025467/RS, Ronaldo Etchechury Morales teve rejeitadas as imputações a si feitas na inicial, em razão da ausência do elemento subjetivo a caracterizar seus atos, na condição de Presidente da FATEC, como ímprobos. Tal decisão, inclusive, foi mantida por esta Corte quando do julgamento do Agravo de Instrumento nº 001164405.2011.404.0000/RS, ajuizado pelo Estado do Rio Grande do Sul e DETRAN/RS. Desse modo, diante da correta análise efetuada pela magistrada a quo, é perfeitamente possível afirmar, com base nos fatos descritos na denúncia e nos elementos existentes nos autos de plano que a conduta de Ronaldo não foi dolosa, o que descaracteriza a tipificação dos delitos a si imputados. (...)” Analisandose o teor da acusação fiscal contra o imputado Ronaldo Etchechury Morales, corroborada pela decisão recorrida, consoante o resumo contido no Fl. 5596DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 51 50 excerto do voto da referida decisão – ao norte transcrito – vêse que esta nada acresce em relação ao quanto foi constatado no âmbito da ação penal ajuizada contra esta mesma pessoa. A acusação gira basicamente em torno da atuação do imputado como diretorpresidente da Fatec ao apor sua assinatura, em duas ocasiões, nos contratos celebrados com o Detran/RS, bem como nos contratos “casados” com as empresas sistemistas. E, apesar de a fiscalização afirmar, ainda, que tanto a Fatec quanto os seus exgestores, dentre eles Ronaldo Etchechury Morales, teriam interesse comum nos resultados econômicos advindos dos fatos geradores debatidos nos autos, na medida em que todos se beneficiariam com a lucratividade da contribuinte, o fato é que não há nos autos um único elemento, sequer indiciário, que aponte o benefício econômico direto do imputado em decorrência dos referidos contratos. Por outro lado, temse que a apuração feita na ação penal foi bastante abrangente, ao levar em consideração todo o conjunto de filmagens, interceptações telefônicas, investigações bancárias e fiscais, e depoimentos de terceiros, entre outros, de modo a se poder concluir, com segurança, que, ao menos com base nos elementos até então coletados (a sentença é de 12/12/2012), não há qualquer indício de dolo, por parte de Ronaldo Etchechury Morales, nos atos por ele praticados na condição de diretorpresidente da Fatec, e, ainda, não há qualquer indício de seu proveito econômico próprio em razão da fraude detectada na operação dos contratos com o Detran/RS e as empresas sistemistas. A decisão judicial faz ainda referência à Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa nº 2008.71.02.002546 7/RS, na qual Ronaldo Etchechury Morales teve “rejeitadas as imputações a si feitas na inicial, em razão da ausência do elemento subjetivo a caracterizar seus atos, na condição de Presidente da FATEC, como ímprobos”. Nada obstante seja possível debaterse acerca da independência das instâncias, entendo que a manifestação exarada pelo Poder Judiciário é suficientemente clara no sentido da inexistência de dolo, bem como de interesse comum, por parte de Ronaldo Etchechury Morales. E não há nenhum elemento nos presentes autos, que porventura não tivesse sido objeto de análise no âmbito da ação penal, e que possa conduzir a entendimento diverso. Pelo exposto, deve ser cancelada a imputação fiscal de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, em nome de Ronaldo Etchechury Morales, ressalvandose a competência e a possibilidade de a Procuradoria da Fazenda Nacional futuramente vir a redirecionar a execução contra o mesmo, se o caso, em razão de novos fatos que porventura venham a ser apurados. Conclusão Pelo exposto, dou parcial provimento aos recursos voluntários apresentados para: (i) cancelar os lançamentos relativos à cobrança de juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas pagas às pessoas de Melania de Melo Casarin e de Andre Krusser Dalmazzo; (ii) cancelar a imputação fiscal de responsabilidade solidária em nome de Ronaldo Etchechury Morales. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5597DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 52 51 Fl. 5598DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15540.720199/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26.
Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários.
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO.
Correto o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, em especial os livros Razão, para registro de inventário e de Apuração do Lucro Real - LALUR, e entregou Livro Diário registrado em partidas mensais, e não diárias.
LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS E COFINS. MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática.
Recurso Conhecido em Parte.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1401-001.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26. Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Correto o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, em especial os livros Razão, para registro de inventário e de Apuração do Lucro Real - LALUR, e entregou Livro Diário registrado em partidas mensais, e não diárias. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS E COFINS. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Recurso Conhecido em Parte. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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COFINS. Omissão de receitas. Multa qualificada. Recorrente M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 LIMITES DA LIDE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Como o contribuinte não discutiu, em sua impugnação, a qualificação da multa de ofício, tal matéria deixou de compor a lide, não podendo ser conhecida em sede de recurso voluntário. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO PELO FISCO. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, está prevista no art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, dispositivo em plena vigência, apto a embasar procedimento fiscal. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil CPC, pois somente as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62A do anexo II do RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que seguiu todas a determinações legais, fundamentando corretamente o arbitramento dos lucros e compensando os tributos já pagos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 01 99 /2 01 2- 06 Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.098 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF nº 26. Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Correto o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, em especial os livros Razão, para registro de inventário e de Apuração do Lucro Real LALUR, e entregou Livro Diário registrado em partidas mensais, e não diárias. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS E COFINS. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Recurso Conhecido em Parte. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.099 3 Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/Rio de Janeiro I) que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), relativos ao ano de 2009, que totalizaram, respectivamente, R$ 6.194.432,71 e R$ 1.341.999,16, incluindo principal, multa de 150% e juros de mora calculados até maio de 2012 (fls. 5, 6 e 31 a 50). Nessas autuações, constatouse a infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Esclareçase que os lançamentos constantes do presente processo são reflexos e complementares daqueles contidos no processo nº 15540.720195/201210, o qual, a partir dos mesmos fatos, consubstanciou os lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, bem como da COFINS e do PIS referentes aos anos de 2007 e 2008. Por isso, sua distribuição para esta 1ª Seção do CARF. Por bem narrar os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 2033 a 2040): Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.100 4 a) A ação fiscal originouse em seleção interna da SAPAC da DRF/Niterói, inicialmente para o anocalendário de 2007, tendo em vista a expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29) confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando, assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40; b) Ademais, apenas os valores de compras da empresa informados por terceiros eram da ordem de R$ 9.257.185,55 equivalente a 5,4 vezes a receita bruta declarada, tendo ainda a contribuinte apresentado a DCTF tomando como base a reduzida receita bruta declarada e aprasentando sua DIPJ na modalidade Lucro Presumido; c) No decorrer da ação fiscal, foi recebida na DRF denúncia realizada pelo Sr. Antonio da Silva Duarte, CPF 034.602.74700 e seu filho Cláudio Lopes Duarte, CPF 397.570.05720, contra Hugo G. de Carvalho, CPF nº 397.570.05720, cuja acusação versava sobre diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA, com a utilização de outras empresas, dentre elas a M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA.; d) Conforme constatado pela Sapac desta DRF diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM); e) Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros, etc.; f) Na denúncia constam empresas de diversos ramos de atuação, entre os quais distribuidoras de carnes e alimentos, administração e serviços de transporte de cargas, revenda de combustíveis, locadora de veículos e comércio de gás; g) Tendo em vista a existência à época, de ação fiscal já iniciada para o anocalendário de 2007, foram analisadas pela SAPAC, no que se refere à MJ LAGOS, as informações relativas aos anos calendário de 2008 e 2009; h) Das análises realizadas verificouse que a empresa apresentou DIPJ relativa ao anocalendário de 2008 na modalidade lucro presumido, com receita bruta declarada de R$ 3.858.912,34, totalmente discrepante da movimentação financeira constante na DIMOF – crédito (R$ 91.152.624,65) e as compras declaradas (R$ 75.301.188,53); Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.101 5 i) Quanto ao anocalendário de 2009, a empresa apresentou DIPJ de Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), aparentemente compatível com a movimentação financeira constante na DIMOFCRÉDITO (R$ 93.689.813,12) e as compras declaradas (R$ 74.973.327,84); j) Assim, foi proposta a ampliação da ação fiscal já em andamento, incluindo os anoscalendário de 2008 (movimentação financeira incompatível com a Receita Declarada) e 2009 (LR – Comércio – Compras); k) Em face das inúmeras tentativas em obter os extratos bancários e de várias respostas, onde a interessada informara que apresentaria em breve os respectivos documentos solicitados, sem que o fizesse a contento, foi emitida pelo Fisco a RMF (Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira) ao UNIBANCO e BRADESCO; l) Também foi intimada a prestar esclarecimentos sobre diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS; GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009; m) O fisco intimou ainda o sócio destas empresas, Sr. Antonio da Silva Duarte, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a elas; n) A contribuinte, representada por seus sócios, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco, em resposta à intimação, informou que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. referemse a distribuição de lucros da fiscalizada MJ LAGOS, depositados a ordem do Sr. Antonio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ LAGOS. Afirmaram ainda que “a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos Srs. Antonio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém os reais donos são eles”. Quanto aos pagamentos efetuados a favor do Sr. Peter Malheiros Maciokas, informa que o “mesmo era funcionário dos Srs. Antonio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte e os depósitos feitos por ordem destes; o) Já o Sr. Antonio Silva Duarte informara que não teria qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa MJ LAGOS; p) Constatouse ainda que a contribuinte não apresentou quaisquer elementos, livros e/ou documentos solicitados através do Termo de Intimação Fiscal, de 02/02/2012, ou seja: com relação ao ano de 2009, livros Diário, Razão, Apuração do Lucro Real, Registro de Inventário e livros auxiliares da escrituração, declaração de rendimentos do titular, administradores e dirigentes; demonstrativo da composição do passivo referente à conta Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.102 6 fornecedores, devidamente preenchido e acompanhado da documentação comprobatória; q) Com referência ao anocalendário de 2008, os extratos bancários do Banco Bradesco; r) Com referência ao ano de 2007, a comprovação da origem dos recursos creditados nas contas 549347 do Bradesco e 1229672 do Unibanco; s) De posse dos extratos bancários a fiscalização, após exame dos documentos, elaborou Termo de Intimação Fiscal, no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para fins de serem apuradas as origens dos recursos que possibilitaram os referidos depósitos; t) Em 18/04/2012, o fisco retornou ao estabelecimento da interessada e entregou a intimação fiscal, no qual foi solicitada a apresentação, no prazo de 10 dias, da comprovação dos recursos vinculados às operações bancárias efetuadas a crédito nas contas correntes nºs. 1229672 – UNIBANCO e 54.9347 – BRADESCO, realizadas no ano de 2007, conforme relação de 125 páginas rubricadas e anexas ao referido Termo. u) Os créditos relacionados foram os que efetivamente deveriam representar a receita da empresa, eis que se excluiu os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque; v) Ficou constatado ainda que a fiscalizada se sujeitava ao arbitramento dos lucros, uma vez que não cumpriu até aquela data e continua não cumprindo até esta, as intimações lavradas em 02/02/2012, 18/04/2012 e inclusive a intimação lavrada em 17/05/2012; w) A seguir, demonstrase os valores dos créditos bancários, as receitas declaradas e a correspondente omissão de receitas, lançadas mês a mês, com base nos extratos bancários, nas DIPJ, DCTF e DACONs apresentadas pela fiscalizada; x) A seguir, demonstrase os valores dos créditos bancários, as receitas declaradas e a correspondente omissão de receitas, lançadas mês a mês, com base nos extratos bancários, nas DIPJ, DCTF e DACONs apresentadas pela fiscalizada; MÊS/ANO RECEITA APURADA RECEITA DECLARADA RECEITA OMITIDA MAIO/2007 2.016.745,26 212.460,18 1.804.285,08 JUNHO/2007 4.478.776,24 215.412,87 4.263.363,37 JULHO/2007 5.680.912,81 210.718,40 5.470.194,41 AGOSTO/2007 6.021.116,94 205.415,49 5.815.701,45 SETEMBRO/2007 5.336.888,19 208.363,00 5.128.525,19 OUTUBRO/2007 6.990.911,76 214.386,00 6.776.525,76 Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.103 7 NOVEMBRO/2007 6.546.020,88 225.487,69 6.320.533,19 DEZEMBRO/2007 7.384.409,73 230.612,00 7.153.797,73 JANEIRO/2008 10.221.838,49 228.488,00 9.993.350,49 FEVEREIRO/2008 7.875.529,61 226.981,93 7.648.547,68 MARÇO/2008 6.257.505,49 242.987,61 6.014.517,88 ABRIL/2008 6.540.286,14 268.286,37 6.271.999,77 MAIO/2008 6.741.188,87 294.283.16 6.446.905,71 JUNHO/2008 6.585.383,25 307.964,08 6.277.419,17 JULHO/2008 7.349.095,53 7.349.095,53 AGOSTO/2008 6.968.031,44 6.968.031,44 SETEMBRO/2008 8.298.088,75 8.298.088,75 OUTUBRO/2008 7.981.788,45 7.981.788,45 NOVEMBRO/2008 6.901.166,61 6.901.166,61 DESEMBRO/2008 9.600.292,92 9.600.292,92 TOTAIS 135.775.977,36 3.291.846,78 132.484.130,58 y) Conforme demonstrativo acima, apurouse o total de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificase omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Para o período de janeiro a dezembro de 2008, apurouse o total de R$ 91.320.195,55, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor declarado de R$ 1.568.991,15, verificase omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. Toda a omissão apurada será lançada de ofício, através do presente auto de infração. z) Oportuna se toma a explanação de que, como de conhecimento, a regra geral é a de que cabe à fiscalização comprovar os fatos que sustentam a acusação fiscal. Por sua vez, a presunção legal em favor do Fisco, prevista na Lei 9.430/96, em seu art. 42, cuida de inverter o ônus da prova quanto à descaracterização do fato presumido omissão de rendimentos, que é do sujeito passivo. Assim, em tendo havido a intimação ao contribuinte, como de fato houve, para comprovar a origem dos créditos em conta de depósito mantida junto às instituições financeiras, perfeita está a situação fática que se subsume ao antecedente da norma presuntiva, que, por sua vez, autoriza a afirmar que os depósitos se originam de recursos próprios gerados pela atividade da empresa; aa) As denúncias, contradenuncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. CNPJ 32.245.888/000119, onde encontram se instaladas várias outras empresas, dentre elas a Empresa M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., objeto desta fiscalização, estão formalizadas, oficialmente, nos processos n°s. 001515868.2011.8.19.0014 (inquérito policial), 1.30.009.000160/201064 (procedimento investigatório na 2a Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goytacazes ) em andamento nas esferas do Ministério Público, Polícia e Justiça e 10730.011316/201016 (Receita Federal do Brasil), estando os volumes, por cópias, anexados ao presente auto de infração, nos Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.104 8 quais se encontram relatos, documentos e identificação de pessoas, supostamente responsáveis e/ou beneficiárias dos valores sonegados, cuja imputação às pessoas denunciadas somente poderá ser confirmada através dos órgãos citados, dada a necessidade de investigações policiais, acareações, buscas e apreensões, que, neste caso fogem à alçada da fiscalização, mormente quando já existem tais procedimentos em andamento em outros órgãos públicos competentes. A seguir se relacionam as pessoas sócias da fiscalizada, procuradores, denunciadas e acusadas através dos processos mencionados: Nome : M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. MANOEL GONÇALVES COSTA MOREIRA 188.415.03734 CARLOS JORGE DA SILVA FRANCISCO 003.056.06751 CLAUDIO LOPES DUARTE 905.396.48787 ANTÔNIO SILVA DUARTE 034.602.74700 HUGO CECÍLIO DE CARVALHO 397.570.05720 MARIA NILZA M. C. DE CARVALHO 580.709.23768 LUIZ FELIPE DA C. RODRIGUES 286.175.09791 OSNILDO DAGOBERTO BIGHI 357.496.44987 MIGUEL LOPES FILHO 003.494.35871 MARIANA NEVES PEREZ 083.309.32745 DEMERVAL BUSQUET BASTOS 452.706.19768 FRANCISCO CARLOS MACHADO AIROSO 426.275.24704 ELUANA PEREIRA TERRA DE CASTRO 056.218.26752 ANA PAULA DE CARVALHO LEITÃO 047.682.00737 JULIO DA SILVA DE JESUS 099.116.25796 MARCOS ANDRÉ NASCIMENTO VIANNA 004.898.74762 JOELMO PEREIRA RODRIGUES 789.902.03791 PETER MALHEIROS MACIOKAS 285.964.55787 LUIZ CLÁUDIO MONTEIRO DOS SANTOS 522.837.20753 PAOLA MARTINS PEREIRA DE MIRA 511.703.02220 Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.105 9 MÁRCIA VALÉRIA VIEIRA CEZÁRIO 001.940.46702 ROGÉRIO LOURENÇO DA SILVA 015.116.48783 CARLOS DOMINGOS DE OLIVEIRA 477.369.41734 Do arbitramento do Lucro Tendo em vista que a fiscalizada apresentou para o anocalendário de 2009 declaração com opção pelo lucro real e, devidamente intimado e reintimado não logrou apresentar à fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, Razão, de Inventário, Apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda, apresentando elevados saldos de caixa sem registro, e diante da omissão da Empresa quanto à entrega dos livros e documentação contábil e fiscal que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada, ensejou assim, a tributação com base nos critérios do lucro arbitrado, em conformidade com o artigo 530, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, considerada para efeito de cálculo a receita bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON, apurandose a base de cálculo para a cobrança do Imposto de Renda, Contribuição Social, trimestralmente e para a cobrança mensal do PIS e COFINS, de acordo como a seguir demonstrado. Demonstrativo das Receitas de 2009 MESES VENDAS DEVOLUÇÕES VENDAS LÍQ. VEND LÍQ/TRIM. JAN 8.805.566,13 185.790,18 8.619.775,95 FEV 7.794.033,07 237.380,73 7.556.652,34 MAR 6.084.228,04 44.951,59 6.039.276,45 22.215.704,74 ABR 6.623.968,13 50.027,35 6.573.940,78 MAI 5.893.051,17 78.146,68 5.814.904,49 JUN 6.153.140,91 97.635,58 6.055.505,33 18.444.350,60 JUL 6.197.908,70 94.846,80 6.103.061,90 AGO 5.320.952,49 65.730,80 5.255.221,69 SET 5.888.965,01 88.978,76 5.799.986,25 17.158.269,84 OUT 6.507.489,77 139.061,82 6.368.427,95 NOV 5.587.496,88 88.876,40 5.498.620,48 DEZ 8.936.509,88 325.301,84 8.611.208,04 20.478.256,47 TOTAL 79.793.310,18 1.496.728,53 78.296.581,65 78.296.581,65 Demonstrativo dos débitos lançados em DCTF MESES IR DECL. CSLL DECL. PIS DECL. COFINS DECL. JAN 2.837,36 13.095,48 FEV 3.147,20 14.496,18 MAR 23.121,80 13.873,08 3.447,27 15.878,33 ABR 3.497,44 16.109,44 MAI 3.180,70 14.650,50 JUN 43.246,39 17.728,70 JUL 3.213,38 14.801,03 AGO 3.050,66 14.051,52 Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.106 10 SET OUT NOV 3.199,72 14.738,10 DEZ TOTAL 66.368,19 31.601,78 25.573,73 117.820,58 Do Crime Fiscal Por essas ações e/ou omissões e tudo mais constante deste Termo, bem como dos processos aqui relacionados, caracterizada está a transgressão aos artigos 71 inciso I e 73, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Através dos fatos aqui relatados, ficam claros os indícios da sonegação e do conluio, crimes contra a ordem tributária que se caracteriza pelo ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando os efeitos da sonegação e da fraude fiscal, de que trata a Lei n° 4.502, de 30/11/1964 art. 73, que, neste caso, indiciam serem os agentes os efetivos donos do negócio, ocultos até o momento atual, e as interpostas pessoas, os supostos sócios da empresa, conforme declarados por eles próprios, em documento assinado e anexo ao presente. Concluindo, tendo em vista a existência do Inquérito Policial n° 0015158 68.2011.8.19.0014 e do procedimento investigatório criminal n° 1.30.009.000160/201064 e que a ação fiscal se ampliou conforme solicitação do Ministério Público Federal, através do Ofício n° 510/2010MPF/PRMSPA/GAB02, e, em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remetera todo o material disponível ao Ministério Público Federal, para as providências que o caso requer, dispensada a formalização de processo específico, nos termos do § 3o do art. 3o, da Portaria RFB n° 2439, de 21/12/2010. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1957 a 1976), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância na parte em que descreve os termos desse recurso (fls. 2040 a 2043): Da Preliminar – Nulidade da Notificação a) A notificação resta eivada de nulidades, pois em conformidade com o que preconiza o ordenamento jurídico, o auto de infração relata que o arbitramento se faz, tendo em vista que o contribuinte não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este inverídico, visto que a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram devidamente e tempestivamente entregues ao fiscal, como podese verificar do termo de informação fiscal datado de 12/04/2012 (documento 01; 03; 04 e 05), o que faz cair por terra a informação de que a interessada, à época da fiscalização, não havia apresentado livros e documentos; Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.107 11 b) O próprio Termo de Devolução de Livros e Documentos desmente a afirmação do auto de infração, no que tange ao arbritramento do lucro; c) Verificase que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado redundaram em erro do fisco, conforme demonstrativo apresentado no auto de infração; d) A igualdade constitucional que previsiona a Ampla Defesa, faz ver que os lançamentos devem contar com a devida clareza o que não ocorreu neste caso, restando, assim, nula a notificação aqui objeto, dado que deixa de informar os valores corretos da pretensa infração e que geraram o valor cobrado por arbitramento, cerceando a plena defesa; Do Mérito Termo Complementar à Descrição dos Fatos – Anexo ao Auto de Infração a) A presunção legal a favor do Fisco resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos e a não consideração de tais provas, configurando, assim, a nulidade do auto de infração; b) O artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 constitui uma presunção legal a favor do Fisco; entretanto, esta não é absoluta; c) É comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.; d) Esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento, para fins de cobrança do imposto de renda; e) É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração; f) O fato meramente alegado de cuja ocorrência não é demonstrada, não tem o condão de obrigar o contribuinte; g) A quebra do sigilo bancário pelo Fisco sem autorização judicial deve ser reconhecida à ilicitude da prova; Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.108 12 h) Ao contrário do que afirma o fisco, todos os documentos estavam a sua disposição e mesmo assim o fiscal alega não ter recebido sem nenhuma explicação, quebrando ainda o sigilo bancário do impugnante sem mandado judicial a respaldalo; i) Entende a fiscalizada que a comprovação mais idônea, mais perfeita, mais regular da origem dos depósitos é certificada pela própria fiscalização ao cotejar os extratos e livros contábeis, não cabendo, destarte, qualquer exigência por falta de comprovação de sua origem ou desacordo com o que foi declarado, visto que, como já demonstrou e a própria fiscalização o certificou, a mesma não se deu ao trabalho de ver os livros e documentos, conforme descrito no próprio auto de infração; j) O conflito entre os poderes da fiscalização (necessários à efetividade dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva) e os direitos individuais do contribuinte fiscalizado (intimidade, privacidade, propriedade, livre iniciativa etc.) questão de grande relevo diz respeito ao sigilo bancário e à sua quebra por autoridades administrativas asseguradas pela LC nº 105/2001; k) Se for certo que o direito ao sigilo não é absoluto, devendo ser conciliado com as atribuições de uma fiscalização a fim de prestigiar os princípios da capacidade contributiva e da isonomia, é igualmente certo que as atribuições dessa fiscalização também não são absolutos, e não podem suprimir o direito ao sigilo de que se cuida; l) A regra é o respeito ao sigilo, sendo exceção a sua quebra, em face de circunstâncias que justifiquem a atribuição de maior peso aos princípios que justificam a fiscalização que os protegem a intimidade do fiscalizado; m) É inconstitucional o dispositivo que praticamente torna esse sigilo inexistente, ao determinar que o poder Executivo disciplinar (Por Decreto) a periodicidade e os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços (LC n° 105/2001, art. 5°); n) Com efeito, citado artigo não apenas relativisa o direito ao sigilo, possibilitando sua conciliação com outros à luz do caso concreto. O citado artigo transforma a "quebra" do sigilo em uma regra sem exceções; o) E, mesmo que assim não fosse, o artigo padeceria de outra inconstitucionalidade (que também vicia o art. 6° da mesma lei complementar) porquanto deixa nas mãos da administração, parte interessada e não do poder judiciário, em tese imparcial, o juízo acerca da presença das circunstâncias que justificam a quebra; p) Não se venha invocar, ainda na defesa dos dispositivos da LC n° 105/2001, o chamado "sigilo fiscal" que procedeu a alterações no art 198 do CTN que praticamente aboliram o dever de sigilo fiscal Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.109 13 autorizando a "divulgação" de informações relativas a uma série de situações que enumera; q) Esses fatos podem justificar, no todo ou parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como "rendimento", para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido; r) A interpretação integrada do art. 197 do Código Tributário Nacional com o art. 38, § 5°, da Lei n° 4.595/64, conduz à conclusão de que os Auditores Fiscais somente poderão ter acesso às informações sobre a movimentação bancária de qualquer pessoa física ou jurídica quando houver processo instaurado e as mesmas forem consideradas indispensáveis pela autoridade competente, desde que haja autorização judicial nesse sentido; s) Não pode simplesmente o Fisco arbitrar o lucro da empresa e cobrar as contribuições e impostos com base meramente nos extratos bancários não só por sua inconstitucionalidade como também por não ter esgotado todos os meios persecutórios para obtenção dos livros e documentos da empresa. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 2031 a 2051): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 DELIMITAÇÃO DA LIDE. MULTA QUALIFICADA. A interessada, ao deixar de trazer argumentos acerca da aplicação da multa qualificada à época impugnatória, faz com que o assunto fique excluído dos limites da lide. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontra se perfeita e dentro das exigências legais. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. EXAME DE EXTRATOS. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não se configura quebra de sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.110 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu artigo 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS E DOCUMENTOS FISCAIS. Para o ano que se pretende conferir as informações prestadas pelo contribuinte na sua declaração de rendimentos, necessário se torna a apresentação para aquele ano específico dos livros da contabilidade e dos documentos que lhes dão suporte, de forma tal, que seja possível a apuração do lucro conforme devidamente declarado. Caso contrário, não restará alternativa ao fisco senão o arbitramento do lucro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu artigo 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS E DOCUMENTOS FISCAIS. Para o ano que se pretende conferir as informações prestadas pelo contribuinte na sua declaração de rendimentos, necessário se torna a apresentação para aquele ano específico dos livros da contabilidade e dos documentos que lhes dão suporte, de forma tal, que seja possível a apuração do lucro conforme devidamente declarado. Caso contrário, não restará alternativa ao fisco senão o arbitramento do lucro. Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) correto o arbitramento do lucro em 2009, pois o Livro Diário apresentado estava em partidas mensais, e não diárias, e não foi apresentado Livro Razão do período, tendo o contribuinte sido intimado e reintimado por diversas vezes a apresentálos; b) correto o lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo sido cumpridos todos os requisitos da lei, sendo que os argumentos de defesa são vagos e genéricos, não servindo para comprovar a origem da movimentação bancária; Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.111 15 c) impossível se descontar da tributação os tributos já recolhidos, já que o contribuinte não demonstrou quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam as apuradas durante o procedimento fiscal; d) o direito à quebra do sigilo bancário pelo Fisco decorre de lei, não cabendo a apreciação sobre a inconstitucionalidade arguida na esfera administrativa; e) quanto às demais bases da autuação, até mesmo sobre a aplicação da multa qualificada, o contribuinte não se manifestou em sua impugnação. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância em 14/1/2013 (fl. 2055), o contribuinte apresentou, em 4/2/2013, o recurso voluntário de fls. 2058 a 2089, onde afirma que: a) o lançamento é nulo, pois (i) o auto de infração relata que o arbitramento se fez tendo em vista que o contribuinte não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato esse inverídico, visto que a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização, que foram devidamente e tempestivamente entregues ao fiscal, conforme comprovam termos de intimação e de devolução de documentos; (ii) os impostos já pagos não foram deduzidos; b) o Sr. Antonio Silva Duarte, um dos denuciantes do esquema ao Fisco, e o Sr. Claudio Lopes Duarte eram os verdadeiros sócios ocultos da empresa autuada, devendo o lançamento ser a eles redirecionado. Já os denunciados, os Srs. Manoel Gonçalves Cota Moreira e Hugo Cecílio de Carvalho, eram seus empregados; c) a presunção legal em favor do Fisco, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, não é absoluta; d) é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores à conta correspondente e etc. Esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a Fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração; e) o Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula 182, e a Câmara superior de Recursos Fiscais não admitem a tributação com base em depósitos bancários. É necessário demonstrar os sinais exteriores de riqueza; f) não é possível a quebra do sigilo bancário sem ordem judicial; g) o arbitramento de lucro mediante desclassificação da escrita contábil é uma medida extrema a ser adotada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.112 16 imposto. Quando as receitas omitidas podem ser identificadas e quantificadas não servem como fundamento para o arbitramento de lucro; h) o 1° C.C. tem decidido que, estando os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registros em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento dos lucros (ac. 10322.409/2006 no DOU de 06.06.06); i) improcede o abandono da escrita quando a escrituração do Diário é feita de forma global em partidas mensais, mas a prova acostada aos autos nos dá conta de que, embora realizadas no final de cada mês, os lançamentos contábeis são feitos a débito e a crédito, com destaque, documento a documento, operação a operação, indicação de números de cheques, com existência de balancetes analíticos, permitindo a identificação da conta utilizada no lançamento, com sua nomenclatura (ac. n° 101.10192.946/00 do C.C. no DOU de 140300); j) quando a Fiscalização glosa a totalidade dos custos e das despesas operacionais e mantém a tributação com base no lucro real, as Delegacias de Julgamento têm dado provimento para as impugnações e o 1° C.C., por unanimidade de votos, tem negado provimento aos recursos de ofício; k) no arbitramento de lucro da empresa, deveria terse aplicado o percentual de 9,6% sobre a receita bruta; l) para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita; m) o art. 538 do RIR/99 dispõe que o arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis, o que significa que é uma forma ou regime de tributação, não constituindo em penalidade. Com isso, se a iniciativa do arbitramento for do Fisco, sobre o imposto de renda devido será aplicada a multa de ofício de 75%, o que se contesta a aplicação da multa de 150% prevista no art. 44, da Lei n° 9.430/96; n) não houve a comprovação de interposição de pessoa, devendose desqualificar a multa de ofício; o) o 1o C.C. tem decidido que não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. p) não é lícita a majoração da multa de ofício de 75% para 150% em face da previsão legal estatuída no artigo 47 da Lei nº 9.430/96, a qual prevê a possibilidade de pagamento espontâneo de tributos e contribuições no prazo de vinte dias após iniciado o procedimento fiscal, porque a redação daquele dispositivo dizia “tributos e contribuições já lançados ou declarados”, enquanto que a redação atual diz “tributos e contribuições já declarados”. É o relatório. Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.113 17 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, os lançamentos contidos no presente processo são reflexos e complementares daqueles contidos no processo nº 15540.720195/201210. Enquanto que este processo abriga a COFINS e o PIS do ano de 2009, aquele outro possuiu uma amplitude maior, qual seja, atinge o IRPJ e a CSLL dos anos de 2007, 2008 e 2009, bem como a COFINS e o PIS dos anos de 2007 e 2008. Nada obstante, ambos os processos tratam dos mesmos fatos, possuem idênticas acusações (mesma autoridade fiscal e mesmo “Termo Complementar à Descrição dos Fatos – Anexo do Auto de Infração”), acórdãos de primeira instância (mesma relatora e turma julgadora) e impugnações/recursos voluntários (mesmo patrono). Com efeito, aquele processo foi objeto de julgamento pela extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção, mediante o Acórdão nº 1102001.255, de 26 de novembro de 2014, com relatoria do Conselheiro José Evande Carvalho Araújo. Na ocasião, decidiuse, por maioria de votos, em não conhecer do recurso na parte em que se pleiteava a desqualificação da multa de ofício, vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que conhecia desta matéria e prosseguia no exame do mérito, e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Considerando a plena conexão entre os processos, peço vênia para adotar as razões do voto que inspirou aquela decisão (alertese que, no voto, as referências sobre folhas tratam daquele processo, apesar disso, os elementos de prova são idênticos aos do presente caso, estando apenas contidos em folhas distintas neste processo): Os lançamentos sob análise tratam de: a) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a qualificação da multa pela prática de sonegação e conluio, nos anos de 2007 e 2008. b) arbitramento do lucro com base na receita conhecida, nos termos do art. 530, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, com a qualificação da multa pela prática de sonegação e conluio, no ano de 2009. Em sua defesa, o recorrente levanta diversas preliminares de nulidade do lançamento, bem como ataca o mérito da autuação. Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.114 18 1 – PRELIMINARES DE NULIDADES DO LANÇAMENTO O recorrente defende que o lançamento é nulo, pois (i) o auto de infração relata que o arbitramento se fez tendo em vista que o contribuinte não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato esse inverídico, visto que a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização, que foram devidamente e tempestivamente entregues ao fiscal, conforme comprovam termos de intimação e de devolução de documentos; e (ii) os impostos já pagos não foram deduzidos. O primeiro vício diz respeito ao próprio fundamento utilizado para se arbitrar os lucros da empresa, e, nesse sentido, confundese com o mérito da autuação, devendo ser junto a ele analisado, não sendo possível seu enfrentamento em sede preliminar. Já o segundo vício apontado, caso constatado, não levaria à anulação do lançamento como um todo, mas apenas ao provimento parcial do recurso para a dedução dos valores não aproveitados. Contudo, uma simples análise das autuações revela que, de fato, a Fiscalização aproveitou os tributos já pagos. Para a infração de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada, a tabela de fl. 514, no Termo Complementar à Descrição dos Fatos, demonstra que a autoridade fiscal descontou, das receitas apuradas, os rendimentos declarados nas DIPJs, DCTFs e DACONs, e tributou apenas a diferença (fls. 33 e 34, para o IRPJ). Assim, apesar de correto o argumento da decisão recorrida de que não seria necessário descontar os valores declarados se o contribuinte não fizesse uma relação direta com a movimentação bancária, a Fiscalização optou por fazer a dedução, o que significa que excluiu do lançamento as receitas já oferecidas à tributação. Já para o auto de infração relativo ao arbitramento dos lucros, os demonstrativos de fls. 81 a 82 e 88 a 89 comprovam que foram deduzidos tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL, os tributos já pagos. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade. 2 – DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 2.1 – A Previsão Legal O lançamento tributou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Transcrevo o dispositivo legal que embasou o lançamento: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.115 19 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Nesse sentido, sem razão a defesa quando afirma que seria Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.116 20 ônus da Fiscalização a demonstração de que cada depósito correspondia a uma receita omitida. Para afastar a presunção legal, não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas, como os trazidos pela defesa, que afirma ser normal que valores sejam sacados da contacorrente para realização de negócios, mas novamente depositados quando o negócio não se concretiza, sem apresentar quaisquer provas de que situações semelhantes ocorreram. No caso, verifico que o procedimento fiscal atendeu os termos da lei, pois o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários; com a não apresentação eles foram obtidos diretamente dos bancos; depois da totalização dos créditos, intimouse o sujeito passivo a justificar sua origem; e só após foi lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. 2.2 – Necessidade de Comprovação do Consuma da Renda O recorrente defende a impossibilidade de tributação de extratos bancários, e afirma que a movimentação bancária não é receita, sendo necessário que se faça comprovação da utilização dos valores depositados, de forma a evidenciar os chamados “sinais exteriores de riqueza”. Contudo, a jurisprudência e argumentos citados se referiam à legislação anterior ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que o novo regramento tem sua aplicação pacificamente aceita nos moldes acima exposto. De qualquer modo, a matéria não comporta mais discussão administrativa desde a publicação da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 2.3 – Quebra do Sigilo Bancário pelo Fisco O recorrente afirma não ser possível a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF. Inicio com a transcrição do dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6o da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.117 21 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Esse artigo de lei está em plena vigência, não possuindo este CARF competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil – CPC. Isso porque apenas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Acrescentese que a Portaria GMF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do anexo II do RICARF, acabando assim com a possibilidade de sobrestamento de julgamentos no CARF até a decisão definitiva do STF. Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. 3 – ARBITRAMENTO DOS LUCROS A Fiscalização também arbitrou os lucros do ano de 2009 pela não apresentação dos livros contábeis e fiscais, tais como Diário, Razão, de Inventário, Apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, nos termos do art. 530, inciso I, do RIR/99, a seguir transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...) O recorrente afirma que tal acusação é inverídica, pois os termos de intimação e devolução de documentos comprovam que apresentou seus livros à Fiscalização. A decisão recorrida considerou correto o arbitramento, pois o Livro Diário apresentado estava em partidas mensais, e não diárias, e não foi entregue Livro Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.118 22 Razão do período, tendo o contribuinte sido intimado e reintimado por diversas vezes a apresentálos. Antes de prosseguir na análise desses argumentos, devese verificar quais são os documentos que a legislação aponta como necessários para considerar que a escrituração se deu na forma das leis comerciais e fiscais. Tais disposições se encontram nos arts. 251 a 263 do RIR/99, que listam a obrigatoriedade dos Livros Diário e Razão, bem como dos livros para registro de inventário, para registro de entradas (compras) e de Apuração do Lucro Real – LALUR. Com relação ao Livro Razão, o § 2o do art. 259 é explícito ao afirmar que a sua ausência implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. Ora, o próprio documento apresentado pela defesa indica que não foi apresentado o Livro Razão do ano de 2009, fato que, por si só, autoriza o arbitramento do lucro. Já o documento de fl. 608, atesta a apresentação do Livro Diário de 2009 em 18/5/2011. Mas, no Termo de Intimação Fiscal nº 0003, cientificado em 14/6/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão de acordo com o art. 258 do RIR/99, contendo lançamentos dia a dia (fl. 628). Assim, mesmo o Livro Diário apresentado não atendia à legislação, pois estava registrado em partidas mensais, e não diárias, sendo, portando, considerado imprestável. Não localizei, nos autos, cópias do citado Livro Diário, nem o contribuinte as trouxe no recurso, não sendo possível verificar se a ele se aplicam as jurisprudências citadas pela defesa, que admitem a escrituração mensal desde que seja possível se identificar os lançamentos diários. De qualquer modo, a ausência dos livros Razão, para registro de inventário e de Apuração do Lucro Real – LALUR já justifica o arbitramento, que deve ser considerado como corretamente motivado. Além disso, o contribuinte foi por diversas vezes intimado a apresentar seus livros contábeis e fiscais, com tempo razoável para tanto, não sendo possível se furtar da obrigação com a alegação de que deveria ter sido previamente intimado a providenciar a regularização da escrita. Finalmente, não procede o argumento de que o art. 538 do RIR/99, ao afirmar que o arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis, estaria obrigando a aplicação da multa de ofício de 75%, e não a de 150%, já que a lei simplesmente determina a aplicação das penalidades cabíveis, não excluindo quaisquer de suas modalidades. A defesa trouxe também algumas alegações que não se aplicam ao caso. Isso aconteceu quando afirmou que as receitas omitidas não servem como fundamento para o arbitramento de lucro quando puderem ser identificadas e quantificadas, pois o arbitramento não se deu em decorrência da omissão de rendimentos, mas pela não apresentação da escrituração. Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.119 23 Do mesmo modo, não há sentido quando se postulou que deveria ter sido aplicado o percentual de 9,6% sobre a receita bruta, pois foi justamente esse o percentual de arbitramento utilizado (fl. 80). Não procede, também, o argumento de impossibilidade de glosa da totalidade dos custos e das despesas operacionais, ou de concomitância das multas de ofício e isolada, já que tais infrações não constam dos autos de infração. Por fim, vale ressaltar que não alteram o lançamento as alegações de que as pessoas que fizeram a denúncia ao Fisco são, de fato, os verdadeiros proprietários da pessoa jurídica autuada, devendose redirecionar a autuação para elas. Como relatado pela autoridade fiscal, não foi possível se firmar convicção sobre quais pessoas realmente participavam da sonegação fiscal, e por isso se optou por incluir como sujeito passivo apenas a pessoa jurídica, deixando para que as autoridades policiais e judiciais apurassem a participação de cada envolvido. Observase, inclusive, que os nomes dos denunciantes também foram incluídos entre aqueles que deveriam ser investigados. Por todo o exposto, mantenho o arbitramento dos lucros do ano de 2009. 4 – MULTA QUALIFICADA O recorrente alega que não é possível a qualificação da multa, porque não foi comprovada a interposição de pessoas. Contudo, como atestado pela decisão recorrida, tal matéria não constou da impugnação (fls. 2.963 a 2.982), e por isso deixou de compor a lide, restando consolidada na esfera administrativa. Nesse sentido, não conheço do recurso quanto a essa matéria. 5 CONCLUSÕES Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Voltando ao presente voto, cumpre apenas alertar que o recurso voluntário apresentado para este processo possuiu apenas uma alegação a mais do que o do processo nº 15540.720195/201210. Tratase, justamente, do que foi suscitado no item “p” do relatório acima, qual seja, a alegação de que não é lícita a majoração da multa de ofício de 75% para 150% em face da previsão legal estatuída no artigo 47 da Lei nº 9.430/96, a qual prevê a possibilidade de pagamento espontâneo de tributos e contribuições no prazo de vinte dias após iniciado o procedimento fiscal, porque a redação daquele dispositivo dizia “tributos e contribuições já lançados ou declarados”, enquanto que a redação atual diz “tributos e contribuições já declarados”. Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.120 24 Nada obstante, não há qualquer relação entre as hipóteses de qualificação da multa de ofício e a de pagamento espontâneo no prazo de vinte dias após iniciado o procedimento fiscal. São situações absolutamente independentes. Portanto, não há o menor cabimento no quanto alegado. Assim, diante de todo o exposto, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10840.722967/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA.
Em se tratando de não apresentação de impugnação ao lançamento, não chega a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). A não apresentação da defesa, não instaura a fase litigiosa do procedimento.
ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. ADMINISTRADOR
O terceiro, que for mandatário e administrador e cometer o ato ilícito no exercício do mandato e da administração da sociedade empresária, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário.
Numero da decisão: 1301-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica autuada em razão de intempestividade; b) NÃO CONHECER os recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos, em virtude de ausência de instauração de litígio (falta de apresentação de impugnação); e c) NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto por responsável solidário Francisco Claro Berbem Filho.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. Em se tratando de não apresentação de impugnação ao lançamento, não chega a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). A não apresentação da defesa, não instaura a fase litigiosa do procedimento. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. ADMINISTRADOR O terceiro, que for mandatário e administrador e cometer o ato ilícito no exercício do mandato e da administração da sociedade empresária, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica autuada em razão de intempestividade; b) NÃO CONHECER os recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos, em virtude de ausência de instauração de litígio (falta de apresentação de impugnação); e c) NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto por responsável solidário Francisco Claro Berbem Filho. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. Em se tratando de não apresentação de impugnação ao lançamento, não chega a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). A não apresentação da defesa, não instaura a fase litigiosa do procedimento. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. ADMINISTRADOR O terceiro, que for mandatário e administrador e cometer o ato ilícito no exercício do mandato e da administração da sociedade empresária, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica autuada em razão de intempestividade; b) NÃO CONHECER os recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos, em virtude de ausência de instauração de litígio (falta de apresentação de impugnação); e c) NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto por responsável solidário Francisco Claro Berbem Filho. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 29 67 /2 01 1- 79 Fl. 20920DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 20921DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.921 3 Relatório TRANSBANDEIRANTE TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA E OUTROS, já qualificados nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e procedente os lançamentos de ofício. Pelos Autos de Infração (AIs) de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS constituiuse créditos tributários nos valores de R$ 1.828.072,78, R$ 1.133.585,71, R$ 3.159.895,63 e R$ 684.644,09, respectivamente, às seguintes razões, consoante os trechos abaixo do Termo de Conclusão Fiscal TCF, fls. 20.141 20.172: 23. A Fiscalizada não apresentou nenhum livro contábil nem os livros fiscais relativos a diversas de suas filiais, apesar de [...] intimada [...] e reintimada, por três vezes [...]. Só foram apresentados os livros fiscais Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração de ICMS relativos aos estabelecimentos Matriz de CNPJ [...] 000117 e a Filial de CNPJ [...] 000893. A empresa, também, apresentou apenas parte dos CTRC escriturados nos livros fiscais apresentados. 24. [...] em função dos documentos apresentados ao Fisco pelos tomadores de serviços da fiscalizada e dos valores registrados nos livros fiscais dos estabelecimentos de CNPJ [...]000117 e [...]000893, constatamos que a empresa auferiu receitas a título de prestação de serviços de transporte de carga, em todos os estabelecimentos abaixo relacionados, nos valores sintéticos discriminados no quadro abaixo (em referência à matriz e as filiais 0002 a 0008). [...] 25. [...] incluiu no cálculo dos tributos e contribuições devidos, durante todo o ano de 2006, valores parciais de receitas auferidas pelos estabelecimentos Matriz e a Filial de CNPJ [...] 000893. [...] apesar de ter auferido receitas de prestação de serviço de transporte de carga durante todo o AnoCalendário de 2006, em seus diversos estabelecimentos, [...], reiteradamente, mês após mês, apurou os tributos devidos sobre apenas dois de seus estabelecimentos e, ainda assim, sobre uma pequena parcela dos rendimentos recebidos por estes estabelecimentos durante todo o ano de 2006. 26. [...] os valores totais declarados [...] na DIPJ2007 são diferentes daqueles registrados nos livros fiscais dos estabelecimentos de CNPJ [...] 000117 e [...] 000893, conforme pode ser visto no quadro abaixo. [...] 27 – [...] não declarou em DCTF nem recolheu aos cofres públicos quaisquer valores a título de [...] (IRPJ), [...] (CSLL), [...] (PIS) e [...] (COFINS) referentes ao primeiro semestre de 2006. 28. Com relação ao segundo trimestre de 2006, [...] declarou os valores dos tributos e contribuições referidos no item 26 em DCTF. Para este período, apuramos a Omissão de Receita através da subtração dos valores das receitas apuradas pelo Fisco pelos valores das receitas efetivamente declaradas pela empresa. Fl. 20922DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 29. [...] a conduta dolosa de não oferecer à tributação os valores das receitas efetivamente auferidas no AnoCalendário de 2006 é a mesma que foi utilizada no AnoCalendário de 2005. Em fiscalização encerrada no ano de 2010, o Fisco efetuou procedimento fiscal junto à contribuinte que culminou com a lavratura Auto de Infração e de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme pode ser visto nos processos administrativos cadastrados sob os números 10840.720084/201043 e 15956.000039/201095. [...] 30. [...] a Transbandeirante, de forma reiterada, em todos os meses do ano calendário de 2006, escriturou e ofereceu à tributação apenas parte das receitas auferidas e, conseqüentemente, deixou de declarar ao Fisco todas as receitas auferidas com a intenção dolosa de alimentar os sistemas de cobranças da Receita Federal do Brasil com valores inferiores aos devidos e assim pagar menos impostos e contribuições à Receita Federal do Brasil. Às fls. 20.455 20.468, impugnação de FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO, excertos abaixo, em face do qual foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária TSPS de fls. 20.254 20.255: 10. [...] nunca foi administrador da pessoa jurídica fiscalizada, sendo responsável, por força de procuração, tão somente pela parte comercial da atividade desenvolvida pela Transbandeirante. [...] 15. [...] não havendo a mínima prova de fatos que permitissem a aplicação do art. 124, I, do CTN, resta ilegal o ato administrativo de sujeição passiva solidária [...]. 16. Também não está no inciso II do art. 124 do CTN a motivação para a sujeição passiva [...]. 17. [...] há patente cerceamento de defesa ao impugnante porque [...] o Sr. Auditor Fiscal não indicou qual dos incisos é aplicável ao caso dos acusados, impedindo o conhecimento real da acusação [...] conforme prevê o art. 59, II do Decreto 70.235/72. [...] 26. [...] imprescindível que o responsável tivesse poder de gestão com relação às receitas declaradas ou não ao fisco, em suma, necessário que o eleito como responsável tivesse poder de administração sobre as obrigações contábeis e fiscais da pessoa jurídica. 27. [...] o IMPUGNANTE representava os interesses da fiscalizada unicamente com relação aos aspectos comerciais da atividade empresarial, inexistindo qualquer relação sua com o fato gerador que se pretende cobrar. [...] 29. O agente lançador fundamentou sua decisão em informações prestadas por instituições financeiras [...] mera suposição sua, uma vez que as informações prestadas pelos bancos não são capazes de comprovar o pretendido. [...] 30. As mencionadas informações são, na verdade, cópia de Ficha Cadastral da pessoa jurídica fiscalizada, bem como cópia de procurações outorgadas pela mesma Fl. 20923DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.922 5 ao IMPUGNANTE, a qual lhe confere plenos poderes para representála junto à instituição financeira ou, ainda, para "tratar de todos os seus negócios comerciais e bancários". [...]. 32. Analisando as procurações outorgadas, verificamos que a fiscalizada outorgou poderes ao IMPUGNANTE "com o fim especial de gerir e administrar a firma outorgante". [...] 36. Em nenhum momento a empresa fiscalizada lhe outorgou poderes para administrála do ponto de vista contábil ou fiscal, em razão do que não poderá agora, ser responsabilizado por qualquer infração à legislação contábil e fiscal. 39. [...] não possui conhecimento do conteúdo de seus livros e escritas fiscais e, tampouco, de suas obrigações nessas áreas. [...] 45. [...] os documentos fornecidos pelas instituições bancárias, não possuem condições de provar o pretendido com relação ao período fiscalizado [...]. [...] 48. [...] conforme apuração realizada [...] e constantes das razões que ampararam o auto de infração [...], os clientes citados [...] representam apenas 15% da receita supostamente auferida pela [...] fiscalizada. Assim, diferentemente do que quer fazer crer, os nomes citados nem de longe representam os principais clientes da fiscalizada. 49. Assim, em um universo de clientes (100%), qual a força probatória que possui as afirmações por estes (15%) proferidas? Nenhuma ou, certamente, muito pouca! [...] 54. [...] a responsabilidade meramente comercial, não está dentre aquelas ensejadoras da responsabilização pessoal prevista no artigo 135, III, do CTN [...]. Às fls. 20.26320.289, impugnação da contribuinte protocolada em 21/12/2011 e intermediada por procuradores; razões de defesa abaixo articulada, por excertos: "2.1 CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE INTIMAÇÃO DE PROCURADOR REGULARMENTE CONSTITUÍDO NOS AUTOS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO [...] 2.2 CERCEAMENTO DE DEFESA POR INTIMAÇÃO DE PESSOA DIVERSA DO CONTRIBUINTE, DE SEUS REPRESENTANTES LEGAIS OU DE SEU PROCURADOR REGULARMENTE CONSTITUÍDO NOS AUTOS, NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO [...] Fl. 20924DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 2.3 DA IMUNIDADE SOBRE AS RECEITAS ORIUNDAS DE PRODUTOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO [...] há inúmeras, que se referem a prestação de serviços de transporte de produtos em exportação, o que a imuniza do recolhimento das contribuintes destinadas ao PIS/COFINS e CSLL (em alusão aos CTRC). 2.4 DA INEXISTÊNCIA DE RECEITA OMITIDA O Sr. Auditor de posse dos mesmos extratos bancários, conhecimentos de transporte fornecidos pela Impugnante e por seus clientes, computou no total das receitas do contribuinte, aqueles valores decorrentes de serviços de exportação, serviços cancelados, prestados por terceiros, empréstimos por Bancos e demais Instituições Financeiras e aqueles valores que foram transferidos de contas de titularidade do contribuinte para outras contas de sua própria titularidade. [...] 2.5 DA IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO [...] não existe respaldo legal para o arbitramento do lucro [...] 2.6 DO ARBITRAMENTO [...] [...] 2.7 DA DESCARACTERIZAÇÃO DO DEPÓSITO EM CONTA CORRENTE COMO MEIO A DEFLAGRAR A OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA [...] 2.8 DA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150% AUSÊNCIA DE SONEGAÇÃO FISCAL [...] Em seu 3. DO PEDIDO é requerida realização de perícia para apuração da real base de cálculo dos tributos. A DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, mantendo os lançamentos de ofício. sendo o respectivo acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. ADMINISTRADOR O terceiro, que for mandatário e administrador e cometer o ato ilícito no exercício do mandato e da administração da sociedade empresária, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Fl. 20925DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.923 7 Cumpridos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. Mantémse o lançamento de receitas de atividade omitidas, dado que não foram contabilizadas, não declaradas em DIPJ e em DCTF, nem recolhidas ou compensadas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. APLICABILIDADE. No caso de evidente intuito de sonegação e fraude, além de conluio, ainda que em tese, será aplicada a multa de cento cinqüenta por cento, calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Uma vez que os lançamentos de PIS, COFINS e CSLL decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidenciase o caráter reflexivo, impondose a eles, mudando o que deve ser mudado, o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. Através da Edital SECAT Nº 053/2013 (fls. 20.662), foi dada ciência ao Contribuinte em 23/12/2013 do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Desta forma, o prazo para interposição de Recurso Voluntário findou em 22/01/2014, sem que o interessado interpusesse recurso. Somente em 21/02/2014 fora protocolizado o referido recurso, portanto, intempestivo. Em 14/02/2014, através do Edital Eletrônico de nº 000637914, com fundamento no artigo 23, § 1º, inciso I, e § 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelas Leis nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 e nº 11.941, de 27 de maio de 2009, foi cientificado do inteiro teor do acórdão o responsável solidário FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO. Em 31/01/2104, através dos Avisos de Recebimento de fls 20.697 e 20.700, os responsáveis solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos foram devidamente cientificados do inteiro teor do acórdão da DRJ/JFA. É o relatório. Fl. 20926DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo Como tratamse de recursos distintos apresentados pela contribuinte e pelos pessoas físicas que foram tidas como solidariamente responsáveis, passo a analisar cada um dos recursos individualmente: TRANSBANDEIRANTE TRANSPORTE E SERVIÇOS LTDA O Recurso Voluntário é intempestivo, portanto dele não poderia conhecer. Através da Edital SECAT Nº 053/2013 (fls. 20.662), foi dada ciência ao Contribuinte em 23/12/2013 do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. A data da ciência por Edital foi considerada como tendo ocorrido em 23/12/2013. O Recurso Voluntário foi protocolizado em 21/02/2014, portanto o mesmo é intempestivo, razão pela qual não o conheço. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. MARCOS ROBERTO CLARO ROSSAFA FÁBIO LUÍS CLARO DOS SANTOS Os Recursos Voluntários são tempestivos. Todavia, face à não apresentação da manifestação de inconformidade, atestada na certidão de fl. 20.830, foram lavrados Termos de Revelia para os senhores Fábio Luís Claro dos Santos (fl. 20.791) e Marcos Roberto Claro Rossafa (fl. 20.792). Assim, passa a ser fundamental a discussão nestes autos sobre a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo quando o(s) interessado(s) não apresentam a manifestação de inconformidade. A Fiscalização confirmou a não apresentação da impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, bem como da notificação da infração, além de ter corroborado o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo. É o que se infere da lavratura dos termos de revelia juntados aos autos. Com efeito, os arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/721, assim regulam o efeito e o prazo para a impugnação à notificação da infração em sede de procedimento administrativo fiscal. 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 20927DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.924 9 Destarte, pelo que se pode depreender da interpretação aos citados dispositivos legais, a falta da impugnação da exigência no prazo de trinta dias obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. Diante do exposto, porque não protocolizada a Manifestação de Inconformidade, entendo que não houve a formação da lide, razão pela qual deixo de conhecer os Recursos Voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Fábio Luís Claro dos Santos e Marcos Roberto Claro Rossafa. FRANCISO CLARO BERBEM FILHO Passo agora a analisar o recurso voluntário do responsável solidário Francisco Claro Berbem Filho. O recurso é tempestivo, portanto, dele conheço. Alega, inicialmente, não ser sócio da pessoa jurídica fiscalizada (seja de direito ou de fato). Contudo, valendose de informações prestadas pelo BankBoston (Itaú/Unibanco), pelo Banco Safra, pelo Banco do Brasil e pelo Banco Bradesco, bem como por três clientes da pessoa jurídica fiscalizada, quais sejam, Mosaic Fertilizantes do Brasil Ltda., Martins Comércio e Serviços de Distribuição S/A e Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia, supôs o agente lançador ter o interessado "exercido, de fato, no período fiscalizado, as funções de mandatário e responsável pela fiscalizada. Diz ainda que o agente lançador presumiu que o interessada tenha atuado como administrador da pessoa jurídica fiscalizada e, com fundamento nos artigos 124, II, 135, II e 137, I do CTN, responsabilizouo pessoalmente pelos fatos tidos por praticados pela pessoa jurídica. Ocorre que, nos dizeres do ora recorrente, a autuação contra si não se sustenta, na medida em que este nunca foi administrador da fiscalizada, sendo responsável, por força de procuração, tão somente pela parte comercial da atividade desenvolvida pela Transbandeirante. Aduz que as referidas procurações, que serviram de substrato para a autação, deixa consignado, claramente, que os poderes outorgados ao recorrente se limitam à poderes comerciais. Por fim, alega que a fiscalização não fez qualquer prova de que o recorrente tivesse poder de gerência sobre os fatos geradores da obrigação tributária constituída no auto de infração em epígrafe. Vejamos então o que diz o Termo de Conclusão Fiscal quanto à responsabilização solidária do Sr. Francisco Claro Berbem Filho, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 20928DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 10 [...] 37. Com base nos fatos acima expostos, constatamos que o Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.67149, é: 1) procurador da Fiscalizada junto ao Banco Unibanco possuindo pleno poderes para gerenciar e administrar a Fiscalizada, conforme citado no item 40.a; 2) Avalista de Crédito da Fiscalizada em relação a Todos os Contratos de Créditos realizados com o Banco Safra, inclusive sua esposa a Sra. Maria Zila Ferreira C Berbem CPF 194.741.80172 também avalizou alguns contratos, conforme citado no item 40.b; 3) procurador da Fiscalizada junto ao Banco do Brasil possuindo pleno poderes para gerenciar e administrar a Fiscalizada, conforme citado no item 40.c; 4) procurador da Fiscalizada junto ao Banco Bradesco possuindo pleno poderes para gerenciar e administrar a Fiscalizada, conforme citado no item 40.d. O Banco Bradesco nos encaminhou uma procuração a qual o Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.67149 aparece na condição de sócio da Fiscalizada outorgando poderes ao Sr. Roberto Carlos da Silva, a qual juridicamente está errado pois contratualmente ele não é sócio de direito. VIII.2 – INFORMAÇÕES COLHIDAS JUNTO AOS CLIENTES DA CONTRIBUINTE: 48. Através de Intimações fiscais, buscamos identificar o responsável pela Empresa Transbandeirante – Transp. Serviços Bandeirante Ltda junto a alguns dos maiores clientes da Fiscalizada, cujo resultado foi o seguinte. 48.1 MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA, CNPJ 61.156.501/000156: Apuramos através dos documentos apresentados pela empresa uma receita obtida pela fiscalizada pelos serviços prestados a esta empresa no valor de R$ 1.430.989,37. A empresa nos informou através de carta resposta que o responsável pela empresa Transbandeirantes é o Sr. Francisco Claro Berbem Filho. 48.2 MARTINS COMÉRCIO E SERVIÇOS DE DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 43.214.055/000107: Apuramos através dos documentos apresentados pela empresa uma receita obtida pela contribuinte pelos serviços prestados a esta empresa no valor de R$ 1.912.554,48. O Sr. Francisco Claro Berbem Filho assinou o contrato de prestação de serviços celebrado com a referida empresa. 48.3 COOPERATIVA DOS AGRICULTORES DA REGIÃO DE ORLÂNDIA, CNPJ 53.311.361/000115: Apuramos através dos documentos apresentados pela empresa uma receita obtida pela Transbandeirante pelos serviços prestados a esta empresa no valor de R$ 637.014,02. Foram firmados 13 (treze) contratos de prestação de serviço com esta empresa. O Sr. Francisco Claro Berbem Filho assinou todos os contratos de prestação de serviços celebrados com a referida empresa em nome da Transbandeirante. Nos contratos ele assina representando o “Prestador”. 49. Podemos concluir, com base nos fatos expostos acima, através das informações fornecidas pelas Instituições Financeiras e por alguns dos principais clientes de fiscalizada, que o Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.671 49, exerceu de fato, no período fiscalizado, as funções de mandatário e responsável pela Fiscalizada. Constatamos que lhe foram outorgados poderes amplos e irrestritos nas Procurações da empresa junto aos Bancos e que ele deve responder por todos os atos da contribuinte, sendo, portanto qualificado como pessoalmente responsável, Fl. 20929DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.925 11 conforme previsto no inciso II do artigo 135 do CTN, e solidariamente obrigado, de acordo com o disposto inciso II do artigo 124 do CTN. 50. Transcrevemos a seguir os mandamentos legais contidos nos artigos 124, II, 135, II, 137, I da Lei nº. 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN), cujos teores permitem enquadrar o sócio Francisco Claro Berbem Filho como solidário pela obrigação tributária da Transbandeirante. Art. 124. São solidariamente obrigadas: ... II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... II os mandatários, prepostos e empregados; Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; ............... IX – TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: 51. Será enviado ao Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.67149, na condição de sujeito passivo solidário, cópia dos Autos de Infração lavrados, juntamente com cópias dos demonstrativos citados neste Termo, assim como o respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária, em função do disposto no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº. 5.172, de 25 de Outubro de 1966, para que possa exercer normalmente os seus direitos de defesa garantidos pela Constituição Federal. X. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS: 52. A Lei nº. 8.137, de 27 de dezembro de 1990, definiu como crimes contra a ordem tributária os fatos descritos em seus artigos 1º, incisos I e II e 2º, inciso I, a seguir transcritos. “Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Fl. 20930DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 12 (...)”. “Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...).” 53. No curso da ação fiscal ficou comprovado que a contribuinte deixou de contabilizar e declarar os valores das receitas correspondentes nas operações comerciais mantidas com as empresas tomadoras de serviços. Ou seja, restou caracterizada a prática reiterada de omissão dolosa, tendente a excluir as características essenciais do fato gerador do imposto e das contribuições devidos, com o propósito deliberado de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil e evitar o seu pagamento. 54. Portanto, foram identificadas situações que, em tese, configuram os crimes definidos nos artigos 1º, incisos I e II, e 2º, inciso I, da Lei nº. 8.137, de 27 de dezembro de 1990, abaixo relacionadas: 1 supressão ou redução de tributos proveniente da prática reiterada de omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; 2 omissão de receitas proveniente da prática reiterada de omissão de operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; 3 – omissão de declaração sobre rendas para eximirse de pagamento de tributo. 55. Desta forma esta fiscalização representará ao Ministério Público Federal, através de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS acompanhada dos respectivos elementos de prova, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº. 2.439, de 22/12/2010, os sócios da Fiscalizada à época dos fatos, Marcos Roberto Claro Rossafa, CPF 330.885.35153 e Fabio Luis Claro dos Santos, CPF 611.869.96153e o Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.67149, que atuou como mandatário e responsável pela Fiscalizada, pois formou convicção, pelos motivos já expostos, que são eles os responsáveis pela prática perpetrada pela fiscalizada de sonegação fiscal (omissão de receitas em declaração de informações fiscais à RFB e a conseqüente falta de pagamento de contribuições e impostos devidos). No caso destes autos, não vejo como acolher a pretensão do recorrente! Encontrase acostado farto e inequívoco conjunto probatório, que converge para a sintonia entre a realidade fática e sua tipificação no art. 124, inciso I e 135, III, do CTN, cujos detalhes, por demais importantes, encontramse transcritos acima. De um lado, é revelador que, os documentos apresentados pelas Instituições Financeiras revelam um padrão de procuração, pela qual a contribuinte, representada pelo sócio MARCOS ROBERTO CLARO ROSSAFA, outorga ao ora recorrente amplos e gerais poderes, para o fim especial de gerir e administrála, tratar de todos os seus negócios comerciais e bancários; podendo comprar e vender mercadorias de seu ramo de comércio; celebrar contratos comerciais, pagar e receber contas, representála junto a quaisquer agências bancárias, abrir e Fl. 20931DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.926 13 movimentar contas correntes, a prazo fixo, de caução e outras modalidades, emitir cheques, tomar saques, fazer financiamentos, requisitar talonários, fazer transferência de numerários, assinar sua correspondência bancária, emitir, endossar e descontar cheques, duplicatas, notas promissórias e outros títulos de valores, liquidar, encerrar e abrir novas contas, dar e aceitar quitação, etc. Ademais, das informações colhidas junto aos clientes da fiscalizada dá conta de que a Mosaic Fertilizantes do Brasil Ltda, a Martins Comércio e Serviços de Distribuição S/A e a Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia, das quais a contribuinte obteve receitas pela prestação de serviços contratados nos importes de R$ 1.430.989,13, R$ 1.912.554,48 e R$ 637.014,02, respectivamente, informaram que o Sr. FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO foi quem assinou os respectivos contratos em nome da contribuinte. Até aqui, não vejo nenhuma razão para responsabilização, pois, de fato, restaria dúvida, pelo menos no que tange ao convencimento deste julgador, se estamos diante de responsável de fato, ou se eram apenas poderes estritamente comerciais como alegado pelo interessado em suas razões recursais. Representar empresas perante bancos e perante clientes, podem sim ser atos de uma gestão tida como comercial, o que, a meu ver, levantaria dúvida quanto ao real alcance dos poderes do Sr. Francisco junto à Fiscalizada. Levantada tal dúvida, não restaria a este julgador se não aplicar o Princípio do in dubio pro reu. Ocorre que há um elemento que é capaz de afastar cabalmente qualquer dúvida: o fato do interessado, conjuntamente com sua mulher, ser avalista de várias operações de crédito da fiscalizada. Aqui, diferentemente do alegado, não vejo como afastar a hipótese de que o Sr. Francisco tinha interesses que iam muito além de uma representação para fins estritamente da gestão comercial das atividades da fiscalizada. Ao assumir, ainda que na qualidade de avalista, dívida da empresa, vejo que seus interesses iam muito além daqueles que estavam manifestados nos documentos de procuração. A meu ver, este é o elemento que derruba a hipótese construída pela defesa. Assim, minha compreensão, em síntese, é de que FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO é, sim, sujeito passivo solidário em face do crédito tributário constituído, com franco interesse comum nos termos do tipo previsto no inciso I do artigo 124 do CTN. Nesse sentido, o ensinamento abaixo transcrito, da lavra de Maria Rita Ferragut (Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, 1ª ed. São Paulo: Noeses, 2005, p 69) sobre o fato típico e antijurídico previsto no inciso I do artigo 124 do CTN: O artigo 124, I e II, do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo da solidariedade passiva entre os devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário; e (ii) designação expressa em lei. Iniciemos com o interesse comum. Muito embora o direito positivo não tenha elucidado o conteúdo semântico desse critério, entendemos como sendo a ausência de interesses jurídicos opostos na situação que constitua o fato jurídico tributário, somada ao proveito conjunto dessa situação. Não é necessário que os sujeitos encontremse no mesmo pólo da relação jurídica de direito privado, para que se obriguem mutuamente pelo pagamento da dívida tributária (tal como ocorre com o alienante do imóvel, que deseja vendêlo, e do adquirente que pretende comprálo). Fl. 20932DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 14 [...] Já o inciso II do artigo 124 do CTN prescreve que serão solidárias as pessoas expressamente designadas por lei. A regra não apresenta qualquer novidade, pois, em função do princípio da estrita legalidade, somente essa poderia ser a prescrição (não só para a solidariedade, mas para qualquer espécie de sujeição passiva). Qual a diferença, então, entre os incisos I e II do artigo 124? Entendemos que, no inciso II, as pessoas solidariamente obrigadas não têm interesse comum no fato jurídico tributário, já que, se tivessem, enquadrarseiam na hipótese contemplada no inciso I. Ainda o mesmo sentido, a síntese conclusiva a que chegou MARCOS VINICIUS NEDER em sua abordagem sobre o “Conceito de interesse comum” (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, 1 ed. São Paulo: Dialética, 2007, p. 47): 6) interesse é uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (v.g., econômica, moral, social, de proteção) e, no campo obrigacional, o interesse situase na proteção de deveres e direitos subjetivos existentes em uma situação jurídica ampla ou restrita; 7) as pessoas portadores de interesses comuns são vinculadas por circunstâncias externa formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que as une; enquanto, nos interesses coincidentes, o vínculo pessoal visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa); [...] 9) a situação a despertar o interesse comum referido no art. 124 do CTN é aquela consubstanciada na relação jurídica privada subjacente ao fato gerador do tributo; 10) o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direitos e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. Resta dizer sobre a responsabilidade tributária daquele senhor, atribuída pelo fisco com suporte no art. 135 do CTN transcrito abaixo: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O recorrente, sujeito passivo solidário amoldase ao elemento pessoal do tipo previsto no caput daquele artigo, vez que, se não foi seu executor material, foi partícipe ou mandatário das infrações encontradas pelo fisco, tamanha sua representação em nome da sociedade empresária, notadamente, perante terceiros, os quais assim o legitimaram com esteio na aparência e na boa fé. Fl. 20933DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.927 15 No entanto: a) não se ajusta ao tipo subjetivo do inciso I (as pessoas referidas no artigo anterior), essencialmente, porque não há prova nos autos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte de que tratou o caput do art. 134 do CTN. b) ajustase ao tipo subjetivo descrito no inciso II, na condição de mandatário, por ter agido como mandante, no entanto, enquanto nos limites das procurações outorgadas a ele pela contribuinte; c) ajustase ainda ao tipo subjetivo do inciso III, ao ter suplantado os limites objetivos conferidos, por várias condutas dolosas: c.1) aparentou ser o representante em face de clientes; c.2) figurou, vejam só, como um dos avalistas à frente dos vários contratos de abertura de crédito e de outras tantas cédulas de crédito bancário, junto ao Banco Safra, mesmo ante de vultosas quantias; c.3) embora possa não ter extrapolado os poderes amplos e gerais de que tratou a primeira procuração a ele outorgada pela contribuinte, representada pelo sócio MARCOS ROBERTO CLARO ROSSAFA (Bradesco), na segunda procuração o fez, com excesso de poderes, como se fosse dirigente da sociedade, ao outorgar procuração, de idêntico conteúdo ao daquela, a terceira pessoa física, ROBERTO CARLOS DA SILVA. Enfim, não foi diligente e probo no trato da administração, revelando o menosprezo com o propósito negocial da contribuinte insculpidos em seus atos constitutivos. A circunstância acima revela ainda verdadeiro conluio entre a contribuinte, nas pessoas dos sócios de direito e FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO. Assim, sua inegável administração da sociedade coloca aquele senhor no mesmo patamar dos diretores a que aludem os incisos II e III do art. 135 do CTN. Diante do acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do responsável solidário, Sr. Francisco Claro Berbem Filho, mantendo, desta forma, sua sujeição passiva solidária. CONCLUSÕES Em conclusão, voto no sentido de: (i) NÃO CONHECER o Recurso Voluntário da contribuinte, por ser o mesmo intempestivo; (ii) NÃO CONHECER também dos Recursos Voluntários dos Responsáveis Solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos, porque não protocolizadas a Manifestações de Inconformidade pelos mesmos, de tal sorte que não houve a formação da lide em relação a estes dois responsáveis; e Fl. 20934DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 16 (iii) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do responsável solidário, Sr. Francisco Claro Berbem Filho, mantendo, desta forma, sua sujeição passiva solidária. Sala de Sessões, 01 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 20935DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 18471.000506/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/05/2000 a 31/03/2002
INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A VENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS INSTALADAS EM ESTABELECIMENTOS DE CLIENTES. LEGITIMIDADE. FATO GERADOR DO ISSQN. IRRELEVÂNCIA.
A negociação, no mercado interno, de produtos importados, equipara o importador a estabelecimento industrial. Legítima, portanto, a exigência do IPI sobre a venda de mercadorias importadas, ainda que a instalação das mesmas em estabelecimentos de clientes seja fato gerador do ISSQN.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/05/2000 a 31/03/2002 INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A VENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS INSTALADAS EM ESTABELECIMENTOS DE CLIENTES. LEGITIMIDADE. FATO GERADOR DO ISSQN. IRRELEVÂNCIA. A negociação, no mercado interno, de produtos importados, equipara o importador a estabelecimento industrial. Legítima, portanto, a exigência do IPI sobre a venda de mercadorias importadas, ainda que a instalação das mesmas em estabelecimentos de clientes seja fato gerador do ISSQN. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 06 /2 00 4- 70 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 18471.000506/200470 Acórdão n.º 3301002.758 S3C3T1 Fl. 548 2 Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 504/509), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento formalizado contra o sujeito passivo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/05/2000 a 31/03/2002 IPI. IMPORTAÇÃO.ESTABELECIMENTO EQUIPARADO. EFEITOS. A equiparação do importador a estabelecimento industrial prevalece ainda que a saída dos bens se dê a título de locação, comodato, uso, doação ou qualquer outro título, e mesmo que o importador não seja comerciante (PN 367/71). IPI. FATO GERADOR. NÃO VINCULAÇÃO. ISSQN. A ocorrência do fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados independe de estar ou não a atividade objeto do negócio jurídico prevista na lista de incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A lavratura do auto de infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Em julgamento o auto de infração de fls. 20/35, lavrado diante da seguinte situação fática narrada pelo autuante na DESCRIÇÃO DOS FATOS: “A fiscalizada importa produtos tais como Thermalastic e Painéis Anti chamas, que são posteriormente vendidos para serem aplicados e afixados em instalações industriais de seus clientes, como vedação antichamas. Ao dar saída a estes produtos, a autuada está na realidade promovendo a revenda de produtos de importação própria, tributável pelo IPI por ser equiparado a estabelecimento industrial conforme o art. 9°, inciso I do RIPI/98. Ao emitir as notasfiscais de saída destes produtos, no entanto, a fiscalizada deixa de efetuar o devido destaque de IPI. Verificouse também, em sua DIPJ/2002, que apenas são oferecidas à tributação do IRPJ as receitas provenientes das notas fiscais de serviço emitidas, e que não consta naquela declaração nenhuma receita proveniente das referidas revendas de produtos importados. Efetuado o lançamento de ofício do IPI em auto de infração, consta na planilha em anexo à relação das notas fiscais que serviram de base a este lançamento, com as respectivas alíquotas, bem como as cópias destas notas fiscais, do livro Registro de Saídas e do Livro Registro de Apuração do IPI do período em tela. O livro Registro de Saídas demonstra que não houve lançamento de IPI nas referidas notas fiscais de saída, fato este também demonstrado pelo exame do livro RAIPI, mod. 8... Fl. 563DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 18471.000506/200470 Acórdão n.º 3301002.758 S3C3T1 Fl. 549 3 No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo." A contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 336/351), que assim vai resumida: “(..) ... a operação realizada pela Impugnante traduzia operação de simples remessa de mercadoria de seu estabelecimento a outro, não configurando, assim, fato típico a ensejar o recolhimento do IPI, seja pela ausência de proveito econômico, seja ainda pela inexistência de industrialização. ... a Impugnante adquire produtos estrangeiros de proteção contra fogo e recolhe, habitualmente, os tributos incidentes sobre a importação, dentre eles o IPI. No entanto, parte das produtos por ela importados são devidamente alienados a terceiros. Outra parte, objeto da autuação, utilizada na prestação de serviços de instalação de sistema antifogo. A partir desta constatação, resta fora de dúvida que a parte utilizada na prestação dos serviços é remetida diretamente pelo prestador ao estabelecimento tomador dos serviços, razão pela qual a mercadoria transportada é acompanhada de nota fiscal de simples remessa, tal como se comprova dos documentos constantes em anexo. O que se vê, portanto, é a atividade preponderante de prestação de serviços, inexistindo revenda das mercadorias importadas, onde, repitase, foi recolhido o IPI por ocasião do desembaraço. Clara a relação existente entre prestador e tomador dos serviços, assim como, a principalmente, acerca da efetiva operação realizada, onde não se constata a venda de qualquer mercadoria, tampouco a saída de mercadoria com fins comerciais. O IPI, segundo a doutrina e jurisprudência predominantes, pressupõe a configuração de dois requisitos inafastáveis, quais sejam: a industrialização e a venda da mercadoria industrializada no mercado interno. Restam, portanto, suficientemente evidenciadas as hipóteses onde poderia ser validamente cobrado o IPI, não se enquadrando a presente em nenhuma delas... O inciso I do art. 9º do RIPI/98 foi infeliz na caracterização da operação obrigatoriamente sujeita ao IPI, uma vez que a expressão “saída” pode ser entendida de forma muito genérica, a englobar a operação vislumbrada do caso concreto, frisese, despida de qualquer intuito comercial. Se não existe industrialização das mercadorias importadas remetidas do estabelecimento da Impugnante para o estabelecimento de terceiro e, igualmente, se não existe operação de venda a vincular sua saída, obviamente não há proveito econômico em tal operação, pelo que a cobrança de IPI é evidentemente desarrazoada. DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA ... poderseia defender a violação ao princípio da capacidade contributiva, na medida em que, caso procedente a autuação, se exigirá da Impugnante o pagamento de tributo sobre receita inexistente, ou seja, se houve uma simples remessa de bens de um estabelecimento para outro, não se materializou revenda e a Impugnante não auferiu qualquer valor por essa operação. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA ... vem a Impugnante requerer que o presente feito seja convertido em diligência para o fim de se proceder à verificação de sua escrituração fiscal a à análise (sic) da documentação que confirma o fato de que as mercadorias Fl. 564DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 18471.000506/200470 Acórdão n.º 3301002.758 S3C3T1 Fl. 550 4 remetidas a estabelecimento de terceiro não configuraram operação de revenda no mercado interno, porquanto o objeto contratado restringiase à prestação de serviços de instalação de sistema antifogo.” Tendo em vista a diligência de fls. 467, foram considerados pela fiscalização os créditos a que o contribuinte fazia jus em decorrência do disposto no art. 164, inciso V do RIPI/98. Por força do princípio constitucional da nãocumulatividade, e do disposto no artigo 147, inciso V, do RIPI/981, o acórdão recorrido reconheceu os créditos do IPI vinculado pago por ocasião do desembaraço das mercadorias. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 21/01/2011 (fls. 510v) uma sextafeira. Inconformada, a mesma apresentou, em 22/02/2011 (fls. 512), o recurso voluntário de fls. 512/531, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância em desfavor da legitimidade do crédito tributário formalizado contra si, eis que este foi constituído sobre as mercadorias utilizadas na prestação de serviços de instalação de sistema antifogo, sujeita à incidência do ISS. É o relatório. 1 Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): [...] V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; Voto O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A lide gira em torno da legitimidade ou não da incidência do IPI sobre mercadorias importadas instaladas em estabelecimentos de clientes, operação que, segundo a reclamante, estaria sujeita apenas ao ISS, não sendo devido, portanto, o IPI. Nesse diapasão, entendo ser legítima a exigência do IPI sobre as mercadorias importadas e posteriormente negociadas com seus clientes, mediante a instalação de sistemas antifogo em estabelecimentos industriais. Com efeito, como bem ressaltado pela instância a quo, os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira que dão saída a esses produtos se equiparam a estabelecimento industrial, como preconiza o artigo 9º, inciso I, do Regulamento do IPI à época vigente, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25/06/1998. E as notas fiscais acostadas aos autos, fls. 48/124, comprovam, efetivamente, a venda a terceiros dos produtos importados pelo sujeito passivo. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 18471.000506/200470 Acórdão n.º 3301002.758 S3C3T1 Fl. 551 5 Houve, no caso, uma comercialização do produto, ainda que sua instalação nas dependências dos clientes também seja fato gerador do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISSQN. Não obstante, mesmo em tal hipótese, ou seja, em que o negócio jurídico também é fato gerador do ISSQN, tal é irrelevante para fins de exigência do IPI, como, aliás, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o Decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. (Processo nº 10855.000135/200591. Acórdão nº 9303002.265. CSRF. 3ª Turma. Data da sessão de julgamento: 09/05/2013. Relator: Júlio César Alves Ramos) Correta, portanto, a formalização do crédito tributário, uma vez demonstrada a legitimidade da exigência do IPI em vista da equiparação da interessada a estabelecimento industrial, pela negociação, no mercado interno, dos produtos pela mesma importados. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10980.004865/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELO EMPREGADOR. PERÍODO DE 1989 A 1995.
No período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 o imposto de renda não incidia sobre os resgates de contribuições recolhidas aos planos de previdência privada cujo ônus tivesse sido exclusivamente dos participantes, não abrangendo, contudo, as contribuições vertidas pelo empregador.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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RESGATE. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELO EMPREGADOR. PERÍODO DE 1989 A 1995. No período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 o imposto de renda não incidia sobre os resgates de contribuições recolhidas aos planos de previdência privada cujo ônus tivesse sido exclusivamente dos participantes, não abrangendo, contudo, as contribuições vertidas pelo empregador. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 48 65 /2 00 3- 63 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 164 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância administrativa (fl. 120 deste processo digital), reproduzido a seguir: Trata o presente processo de pedido de restituição do imposto de renda referente a rendimentos provenientes de resgate de benefícios de previdência privada, originalmente declarados como tributáveis e que foram reclassificados como isentos, mediante DIRPF retificadora. A autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, por meio do despacho decisório retificador de fls. 100/101, indeferiu o pedido de restituição. Fundamentou na assertiva de que somente são isentos os benefícios oriundos do resgate relativos às contribuições cujo ônus tenha sido do participante e este, apesar de intimado, não comprovou que os resgates eram referentes às suas próprias contribuições. Regularmente cientificado do despacho decisório retificador de fls. 100/101, em 17/10/2011 (fl. 105), o interessado, por meio de representante (procuração à fl. 89), ingressou, em 27/10/2011, com a manifestação de inconformidade de fls. 106/110. Informa que conta com mais de sessenta anos e requer prioridade na tramitação do processo. Discorre sobre os fundamentos da decisão impugnada, inquinandoa de equivocada. Alega que a decisão “oculta, maliciosamente, o disposto no inciso VIII, do artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que confere isenção a verbas desta natureza, mesmo quando o ônus tenha sido do empregador”, transcrevendo o dispositivo e asseverando que “pouco importa se a contribuição foi vertida pelo Impugnante ou por seu empregador”. Acrescenta que a isenção, quando o ônus da contribuição foi do impugnante, está prevista no artigo 6º, inciso VII, alínea ‘b’ da Lei 7.713, de 1988, e, quando foi do empregador, no citado inciso VIII desse mesmo artigo. Por fim, requer o processamento regular da manifestação de inconformidade, a prioridade no julgamento e, no mérito, “seja julgada totalmente procedente a presente impugnação, reformandose a decisão denegatória impugnada para, por ato declaratório, ser reconhecida a isenção das verbas recebidas à título de previdência privada, das contribuições ocorridas no período de 05.11.1993 a 06.10.1995, independentemente de quem tenha suportado a contribuição para a formação do fundo – empregador ou empregado/Impugnante (art. 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, incisos VIII e VII, b, respectivamente)”. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 165 3 A Manifestação de Inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 119/122 deste processo digital, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RESGATES. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ISENÇÃO. Os resgates de benefícios da previdência privada são tributáveis, exceto o valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/12/2011 (fl. 125), o Interessado interpôs, em 12/01/2012, o recurso de fls. 126/134. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Optou pela adesão a um plano de previdência privada firmado entre o conglomerado BAMERINDUS e a Prever S/A Seguros e Previdência. Tal plano foi instituído mediante permissivo contido nas Leis n.°s 6.919 e 8.036, de 02/06/81 e 15/05/90, respectivamente, tendo recebido a denominação de Plano Especial de Garantia de Tempo de Serviço Bamerindus, consistindo na substituição do depósito mensal do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS em conta vinculada pela aplicação em um fundo denominado Fundo Gerador de Benefícios FGB, mantido o percentual legal de 8% (oito por cento) da remuneração percebida por cada participante do plano, a título de prólabore, ou seja, o mesmo va1or base para o cálculo do então FGTS. Nessas condições, passou a recolher ao FGB como se fosse ao FGTS, com todas as suas particularidades, inclusive benefícios fiscais e tributários. Se insere numa categoria de exfuncionários alçados ao cargo de diretores que, em razão desta relação jurídica empregatícia preexistente, passaram a ter seu patrimônio acrescido, como todo e qualquer empregado, pelas quantias mensalmente depositadas pelo seu empregador (BAMERINDUS) a um fundo equiparado, por lei, ao FGTS. Aplicandose o princípio constitucional da isonomia, da mesma forma como não se podia tributar o saque do FGTS de qualquer trabalhador, uma vez que todos gozam de isenção legal (Art. 39, inciso XX, do Decreto nº 3.000, combinado com o artigo 28, da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990 e artigo 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988), não se poderia, também, tributar aquelas quantias resultantes da migração, ou seja, que foram sacadas do FGTS e foram depositadas no FGB. A própria Receita Federal, ao editar o Regulamento do Imposto de Renda, reconheceu a não incidência destas verbas (RIR/1999, art. 623, caput c/c art. 39, XXXVIII). Os depósitos efetuados pelo BAMERINDUS, beneficiando o Recorrente em período anterior a vigência da Lei 9.250/1995 (01/01/1996), não poderiam, não podem e não Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 166 4 poderão ser tributados (gozam de isenção legal), diante do permissivo inciso VIII do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ao final, requer: a) prioridade na tramitação do presente recurso, conforme art. 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso); b) seja julgado totalmente procedente o presente recurso, reformandose a decisão recorrida para, por ato declaratório, ser reconhecida a isenção das verbas recebidas a título de previdência privada, das contribuições ocorridas no período de 05.11.1993 a 06.10.1995, independentemente de quem tenha suportado a contribuição para a formação do fundo empregador ou empregado/Impugnante (art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, incisos VIII e VII, b, respectivamente); c) seja deferida a retificação da declaração do Recorrente, com a necessária restituição do imposto indevidamente retido, corrigido monetariamente. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Tratase de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte pela entidade de previdência privada PREVER S/A Seguros e Previdência, cujo resgate foi solicitado pelo Recorrente em 20/10/1995, conforme “Informativo de Pagamento de Resgate” acostado aos autos em fl. 16 e “Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte” de fl. 17. Observo, por primeiro, que não merece acolhida a tentativa do Recorrente de equiparar, para fins de isenção de imposto de renda, o resgate de contribuições destinadas a regime de previdência privada ao recebimento do FGTS. São institutos jurídicos distintos. O FGTS é um fundo criado por lei, destinado ao aporte de contribuições compulsórias, a cargo do empregador, ao passo que a previdência privada tem natureza complementar e facultativa, sendo regida por contrato de natureza civil. Pois bem. O Interessado pretende seja reconhecida a isenção dos valores recebidos a título de resgate de previdência privada independentemente de quem tenha suportado a contribuição para a formação do fundo empregador ou empregado. Para tanto, sustenta que seu pleito encontra amparo no art. 6º da Lei nº 7.713/1988, incisos VIII e VII, “b”. Afastase, de logo, a aplicação, ao caso concreto, da isenção prevista no art. 6º, VII, “b”, da Lei nº 7.713/1988, haja vista que o próprio Recorrente informa, na peça recursal, que as quantias vertidas ao fundo eram suportadas pelo seu empregador. Confira: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 167 5 Temse, portanto, em relação aos depósitos efetuados pelo BAMERINDUS beneficiando o Recorrente, em período anterior a vigência da Lei n.° 9.250/95 (01011996) não poderiam, não podem e não poderão ser tributados (gozam isenção legal), diante do permissivo inciso VIII, do artigo 6o da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Em outras palavras: a isenção prevista no art. 6º, VII, “b”, da Lei nº 7.713/1988, na redação vigente à época dos fatos, alcançava apenas os rendimentos percebidos por pessoas físicas de entidades de previdência privada relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus era do participante, desde que os rendimentos produzidos pelo patrimônio da entidade tivessem sido tributados na fonte. Na espécie, as contribuições vertidas ao fundo eram suportadas pelo empregador, de modo que não se pode cogitar da aplicação do referido dispositivo legal ao caso em análise. Também não se aplica ao caso concreto, em meu entendimento, a hipótese prevista no inciso VIII do mesmo dispositivo, cujo teor é o seguinte: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) VIII as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes; A leitura do trecho em destaque evidencia que a isenção ali prevista referese às contribuições vertidas pelos empregadores para o fundo de previdência dos seus empregados e dirigentes. Justamente por isso é que a tributação ocorre no momento dos resgates das contribuições ou benefícios. Em poucas palavras: a isenção contempla os aportes efetuados pelo empregador, e não os resgates feitos pelos beneficiários do plano. A jurisprudência do STJ é pacífica em relação a esse tema. Confira: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ARTIGO 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELO EMPREGADOR. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. A Corte de origem decidiu as questões devolvidas na apelação de forma fundamentada, não subsistindo no aresto omissão, contradição ou obscuridade. Conforme jurisprudência assente, incide o imposto de renda quando do resgate de contribuições vertidas pelo empregador às entidades de previdência privada. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1202549 / SC, julgado em 02/08/2011) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. RATEIO DO PATRIMÔNIO DE Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 168 6 ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUIÇÕES COM ÔNUS DO PARTICIPANTE, EFETUADAS NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 7.713/88. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA. GANHOS ORIUNDOS DE INVESTIMENTOS DA ENTIDADE. INCIDÊNCIA. 1. O imposto de renda não incide sobre a complementação de aposentadoria quanto aos resgates e benefícios decorrentes de contribuições cujo ônus tenha sido exclusivamente dos participantes do plano de previdência privada, sob o regime da Lei 7.713/88 (janeiro de 1989 a dezembro de 1995), não abrangendo, todavia, as contribuições vertidas pelo empregador e os ganhos oriundos de investimentos e lucros da entidade, ex vi do artigo 6º, VII, "b", da referida lei. 2. Precedentes do STJ: EREsp 510.118/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ 13.08.2007; AgRg no AgRg nos EDcl no Ag 865.743/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJ 03.04.2008; AgRg no REsp 989.062/GO, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, DJ 25.02.2008. 3. Impende salientar que, quer se trate de resgates e benefícios decorrentes de contribuições, quer de rateio do patrimônio de extinta entidade de previdência privada, somente não há incidência do Imposto de Renda sobre o resgate de valores decorrentes das contribuições efetuadas pelo participante sob a égide da Lei 7.713/88. Quanto aos montantes pagos pelo empregador e aos ganhos provenientes de investimentos e lucros da entidade, há a incidência da exação. Precedente: AgRg nos EREsp 608.357/PR, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 908732 / DF, julgado em 16/09/2008) Em resumo: no período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 o imposto de renda não incidia sobre os resgates de contribuições recolhidas aos planos de previdência privada cujo ônus tivesse sido exclusivamente dos participantes, não abrangendo, contudo, as contribuições vertidas pelo empregador. Nesse contexto, voto por negar provimento recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 169 7 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10950.721738/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR ERRO DE FATO PRESENTE.
Constatado erro de fato, acolhem-se os embargos para fins sanar a decisão exarada em decorrência de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1402-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e, no mérito, provê-lo com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à matéria objeto dos embargos e ratificar o teor do acórdão 1402-001.530 quanto às demais matérias, nos termos do relatório que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ACOLHIMENTO PARA SANAR ERRO DE FATO PRESENTE. Constatado erro de fato, acolhemse os embargos para fins sanar a decisão exarada em decorrência de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e, no mérito, provêlo com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à matéria objeto dos embargos e ratificar o teor do acórdão 1402001.530 quanto às demais matérias, nos termos do relatório que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 17 38 /2 01 1- 90 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 425 2 Relatório Trata o presente de EMBARGOS INOMINADOS interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, contra o Acórdão 1402001.530, proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que deu parcial provimento ao recurso voluntário. Designado para pronunciarme sobre a admissibilidade dos embargos, assim me pronunciei: "Sr. Presidente da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção do CARF. Na apreciação do recurso voluntário interposto pela interessada K S TELECOMUNICACOES LTDA, esta turma julgadora prolatou o Acórdão 1402 001.530, de fls. 385/415, com resultado transcrito a seguir: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as receitas financeiras da base tributável dos lançamentos do PIS e da Cofins. Ao tentar implementar o resultado do julgamento, a unidade de origem percebeu que não havia lançamento relativo a receitas financeiras para o PIS e a Cofins. Em decorrência, lavrou o despacho de fl. 422 retornando o processo ao CARF para verificação. De fato, apenas o lançamento de IRPJ (fls. 108/119) contempla omissão de rendimentos de aplicações financeiras (infração 004, fl. 117). Nos decorrentes relativos ao PIS e à Cofins, respectivamente às fls. 120/129 e 130/142, não há lançamento contemplando omissão de rendimentos de aplicações financeiras. Com efeito, prescreve o art. 65 do Regimento Interno do CARF: "Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." No presente caso, entretanto, tratase de erro de fato. Não obstante, de acordo com Didier Junior “há uma tendência jurisprudencial de ampliação do cabimento dos embargos de declaração, admitindoos para dar ensejo à correção de 'equívocos manifestos', além do erro material, tais como o erro de fato e até decisão ultra petita” (Didier Junior, Da Cunha e Carneiro in Curso de Direito Processual Civil. Meios de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. 8a ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2010, vol. 3, p. 182) O Ministro Sydney Sanches muito bem definiu erro de fato: De todos os ensinamentos se pode extrair a conclusão: o erro de fato a que alude o texto brasileiro (art. 485, n. IX), colhido do italiano, decorre de inadvertência do juiz, que, lendo os autos, neles vê o que não está, ou não vê o que está. Erro dos sentidos, de percepção, eventualmente de reflexão, de raciocínio, mas nunca de interpretação ou valoração da prova. (SANCHES, Fl. 425DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 426 3 Sydney, in Da Rescisória por Erro de Fato. Revista dos Tribunais n° 501. 1977. p. 1531.) Ante o exposto, venho requerer a Vossa Senhoria que admita os presentes embargos para sanar o erro de fato ora detectado, devolvendome os presentes autos para relato e inclusão em pauta de julgamento." O I. Presidente desta Turma aprovou o despacho, admitindo os embargos na forma apresentada acima, retornando os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. Dessa forma, passo à análise do caso, transcrevendo, por oportuno, o relatório do acórdão recorrido. "K.S. Telecomunicações Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos (fls. 108/151), relativos ao ano calendário 2008, decorrentes de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 06/15: Quanto ao lançamento do IRPJ: Omissão de Receitas. Receitas de Prestação de Serviços: no período de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal no art. 528 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Receitas da Atividade. Receita Bruta Mensal sobre Prestação de Serviços: nos períodos de 03/2008, 06/2009, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 224, 518, §1°, inciso III, “a”, e §§ 4° a 7°, e 519 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Receitas da Atividade. Receita de Revenda de Mercadorias: nos períodos de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 224 e 518 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Rendimentos de Aplicações Financeiras de Renda Fixa: nos períodos de 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos art. 521 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Outras Receitas. Receitas de Bonificação Recebida: nos períodos de 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos art. 521 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Quanto ao lançamento da CSLL: Falta de Recolhimento da CSLL: no período de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§, e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 427 4 CSLL sobre Receitas não Operacionais: no período de 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§, e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art 29, inciso II da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. CSLL – Prestadora de Serviços: no período de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Quanto ao lançamento do PIS: Falta de recolhimento do PIS: nos períodos de 01/2008 a 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2°, inciso I, “a”, e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. PIS sobre omissão de receita – Falta de recolhimento do PIS: nos períodos de 02/2008, 03/2008, 05/2008 a 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2°, inciso I, “a”, e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Quanto ao lançamento da Cofins: Falta/insuficiência de recolhimento da Cofins: nos períodos de 01/2008 a 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2°, inciso II e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Omissão de Receitas: nos períodos de 02/2008, 03/2008, 05/2008 a 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2°, inciso II e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Cientificada dos lançamentos, apresentou tempestivamente impugnação de fls. 154/204 trazendo os seguintes argumentos: DOS CONTRATOS CELEBRADOS COM A EMPRESA CLARO S.A. · Quanto aos contratos firmados com a empresa CLARO S.A., esclarece que, em 16 de maio de 2008, foram celebrados (i) o Termo de Investimento Parceria Comercial e o (ii) Contrato de Constituição de Relações Comerciais. O primeiro regulamenta as condições técnicas e comerciais para a venda de produtos e serviços da CLARO no Estado do Paraná; já o segundo, disciplina as relações comerciais estabelecidas entre os pactuantes; · Em relação ao primeiro contrato (Termo de Investimento Parceria Comercial), explica que alguns dos itens desse instrumento referemse às despesas que devem ser arcadas unicamente pelo agente autorizado no caso, a Impugnante, v.g., itens 1.1 e 4, verbis: Item 1.1: “O Agente Autorizado obrigase a obter todas as licenças necessárias para regularização da fachada comodatada pela CLARO, arcando com todos os custos necessários para obtenção das licenças e autorizações necessárias junto aos órgãos públicos competentes”; Item 4: “O Agente Autorizado obrigase a pagar as despesas de conservação necessárias para uso e gozo dos móveis comodatados, não sendo tais despesas reembolsáveis pela CLARO”; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 428 5 · Acrescenta que o item 1.1 ainda estipula que o agente autorizado (Impugnante) deve, obrigatoriamente, "manter durante toda a vigência do Contrato de Constituição de Relações Comerciais, no mínimo 7 (sete) pontos de vendas ativos para comercialização de produtos e serviços da CLARO." · Segue narrando que o investimento inicial da parceria (custo para produção) foi concedido pela CLARO sob a rubrica de bonificação com cláusula de condição suspensiva, e transcreve os seguintes trechos: (c): “Em razão da parceria comercial estabelecida entre as partes, a CLARO cederá ao Agente Autorizado, em comodato, conjuntos de mobiliário para os Pontos de Vendas (lojas) do Agente Autorizado, além de conceder uma bonificação equivalente à quantia bruta de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais) na forma prevista no presente instrumento.” ... 6: “O Agente Autorizado, por força do presente instrumento, obrigase a cumprir uma meta mínima de vendas de 100.800 (cem mil e oitocentos) acessos no prazo de vigência do Contrato de Constituição de Relações Comerciais (60 meses) firmado entre as partes nesta mesma data, devendo cumprir, no mínimo, 20% (vinte por cento) em ativações de pós pago.” ... 14: “O Agente Autorizado fornece à CLARO, no ato da assinatura do presente instrumento, 01 (uma) nota promissória, no valor global de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), única e exclusivamente para a garantia do cumprimento da meta mínima de venda de 100.800 (cem mil e oitocentos) acessos por parte do Agente Autorizado na forma prevista no presente instrumento.” 14.1: “A nota promissória será devolvida ao Agente Autorizado somente mediante o cumprimento integral da meta mínima de vendas mencionada no item 14 acima; · Infere que, embora já tenha sido concedida, a bonificação de R$ 2.300.000,00 somente integrará efetivamente o patrimônio (receita) da Impugnante se as metas estipuladas no termo de parceria forem cumpridas no prazo estipulado (60 meses a serem contados a partir da assinatura do contrato); e que, no mesmo sentido, o implemento da bonificação dos funcionários está atrelado ao preenchimento de certos requisitos, consoante se verifica do item 12: 12: “A CLARO promoverá, ainda, a título de incentivo, durante o prazo de vigência do Contrato de Constituição de Relações Comerciais, uma campanha exclusiva para os Pontos de Vendas do Agente Autorizado, mediante condições expressamente deliberadas pela própria CLARO, tais como fornecimento de aparelhos celulares adicionais, brindes promocionais, viagens, dentre outros, a critério único e exclusivo da CLARO. A CLARO disponibilizará ao Agente Autorizado a participação no projeto de bonificação por atingimento de metas da CLARO denominado ‘Premium’"; · Aduz que todas essas disposições foram inteiramente repisadas no Contrato de Constituição de Relações Comerciais item (ii). No que se refere à bonificação com cláusula de condição suspensiva, por exemplo, o referido instrumento assim dispôs, em sua cláusula oitava: 8.1.1: “Caso o Agente Autorizado denuncie, rescinda ou dê causa à rescisão do presente contrato, por qualquer motivo, antes do prazo inicial de 60 (sessenta) meses de vigência do mesmo, deverá ressarcir à CLARO a quantia de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), além das demais penalidades previstas no presente instrumento e demais termos firmados entre as partes, bem como perdas e danos a que, eventualmente, vier a dar causa.” Fl. 428DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 429 6 8.1.2: “Nas hipóteses previstas no item 8.1.1 e sem prejuízo das demais penalidades previstas contratualmente, o Agente Autorizado deverá, também, ressarcir à CLARO o valor das ativações não realizadas considerando a meta mensal de 100.800 (cem mil e oitocentas) ativações e o efetivamente realizado pelo Agente Autorizado. O valor será calculado com base na diferença a ser cumprida, multiplicada por R$ 21,30 (vinte e um reais e trinta centavos) por cada acesso.”; · Afirma que o Capítulo V desse contrato estipulou, também, as metas anuais de habilitação; o Capítulo VI, por sua vez, reiterou a obrigação da Impugnante em manter, no mínimo, sete pontos de vendas ativos para a comercialização de produtos e serviços da CLARO. Conclui que, da análise das mencionadas cláusulas contratuais (bem como dos itens do Termo de Investimento ) verificase que o cumprimento de muitas das obrigações celebradas pela Impugnante independe do exercício de suas atribuições. De fato, a manutenção de sete pontos de vendas, ou o alcance de 10.800 acessos decorre muito mais da competitividade da CLARO no mercado do que do trabalho realizado por agentes autorizados (caso da Impugnante); · Alega que, como a preferência dos consumidores está voltada para outras duas empresas de telefonia móvel (TIM e VIVO), está tendo reais dificuldades em honrar o que foi compactuado. Para tanto, cita a seguinte matéria de jornal (doc 4): “Claro muda foco para recuperar crescimento. Espremida pela concorrência da TIM, a operadora de telefonia móvel Claro anunciou ontem uma mudança em seu posicionamento. (...) A estratégia é ocupar um meiotermo entre a imagem de operadora com serviços mais sofisticados, explorada pela Vivo, e a identidade popular que a TIM construiu com sua aposta no prépago. (...) (*, Claro muda foco para recuperar crescimento, B2 Valor Sextafeira e fim de semana, 17,18 e 19 de junho de 2011).” MÉRITO. Das Infrações Da Anulação dos Autos de Infração (AnoCalendário 2008). Receitas Escrituradas (e supostamente) Não Declaradas. RECEITA DA REVENDA DE MERCADORIA E RECEITA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS IRPF, CSLL, PIS E COFINS · Contesta o entendimento do fiscal, que fundamentou o lançamento com base no “Valor da receita bruta não declarada, caracterizada pela diferença entre a receita contabilizada e o valor da receita declarada”; · Discorda do posicionamento da fiscalização, segundo o qual os impostos sob comento (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) devem ser calculados sobre a receita bruta; · Tece comentários doutrinários acerca dos conceitos de receita bruta e faturamento; · Infere que o vínculo obrigacional entre o contribuinte e o ente fazendário somente restará estabelecido se preenchidas as hipóteses previstas no antecedente da norma pertinente (descrição normativa dos fatos). Uma vez ocorrido tal evento, passase a falar no nascimento do fato jurídico tributário. Aplicando as mencionadas premissas ao caso vertente, temse que os impostos em análise possuem diferentes hipóteses de incidência; mas nenhuma delas se coaduna com o aferimento da receita bruta (ao contrário do disposto nos autos de infração); · Anota que, no caso do PIS e da COFINS, que têm por hipótese de incidência (e base de cálculo) o faturamento mensal da empresa, esse termo faturamento é advindo do direito privado, cujo conceito pode ser assim sumarizado: o valor total recebido com a venda de produtos ou serviços de uma empresa; entram ainda nesta conta os ganhos obtidos com aplicações financeiras ou Fl. 429DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 430 7 venda de ativos. Essa definição não se coaduna com o instituto da receita bruta, que compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o resultado auferido nas operações de conta alheia e o preço dos serviços prestados. (RIR/1999, art. 279 e parágrafo único). A diferenciação dos referidos termos é de tal forma palmar que o próprio Constituinte, ao modificar a redação do art. 195 (CF/88), espancou quaisquer dúvidas remanescentes. É que a redação primitiva do citado dispositivo previa que a Seguridade Social seria custeada (apenas) pela folha de salários, pelo faturamento e pelo lucro. Com o advento da EC n.° 20/98, entretanto, a CF/88 passou a admitir a instituição de nova contribuição, a ser baseada na receita bruta/resultado da comercialização da produção; · Resume que o PIS e a COFINS tem como base de cálculo o faturamento; a nova contribuição, a ser (ainda) instituída e regulamentada pelo legislador (infraconstitucional), poderá ser calculada sobre a receita bruta. Se os conceitos de faturamento e receita bruta fossem realmente equivalentes, o legislador constituinte não deveria ter tido o trabalho de editar a sobredita Emenda n.° 20; · Lembra que ao intérprete e ao aplicador da lei tributária é defeso alterar o conceito de termos próprio de direito privado, sob pena de afronta ao art. 110, do CTN; · Cita doutrina e jurisprudência; · No que se refere ao IRPJ e à CSLL, contesta o cálculo dos supostos créditos embasada na sobredita base de cálculo (receita bruta), alegando que tanto a hipótese de incidência quanto a base imponível desses impostos subsumemse à renda disponibilizada (jurídica/economicamente) e ao lucro líquido (apurado antes de realizado o aprovisionamento para o recolhimento do IR), respectivamente (cf. art. 43 do CTN e art. 195, I, c, da CF/88). Vale dizer, a receita bruta não se coaduna com a base de cálculo próprias do IRPJ nem da CSLL, de forma que não pode basear as mencionadas exações; · Conclui que, por qualquer ângulo que se analise a questão, as cobranças não devem prosperar, uma vez que afrontam, a um só tempo, a sistemática constitucional atinente ao tema (cf. edição da EC n.° 20/98), a letra dos arts. 43 e 110, do CTN e do art. 195, I, c, da CF/88; Receita (supostamente) Omitida. RECEITA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E RECEITA DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. · Questiona o lançamento de créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com as "informações constantes das Declarações de Imposto de Renda na Fonte (DIRF), apresentadas pelas fontes pagadoras" (TIM Celular S/A, CLARO S/A, Itaú Unibanco S/A e Banco Bradesco S/A); · Entende que os tributos pertinentes a essas operações já foram recolhidos pelas fontes pagadoras, na forma retida. Com efeito, são elas (e não a Impugnante) que têm a responsabilidade de proceder ao mencionado adimplemento como de fato foi realizado, consoante se verifica dos documentos anexados nesse processo administrativo; · Pugna pela improcedência do vertente auto de infração, a fim de que as exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes à suposta omissão de receita (prestação de serviços e aplicações financeiras de renda fixa) sejam declaradas inexigíveis; RECEITA DE BONIFICAÇÃO RECEBIDA IRPJ E CSLL Fl. 430DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 431 8 · Discorda do entendimento disposto no Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual a Impugnante teria se "apropriado à razão de 1/60 (um sessenta avos) por mês, referente à bonificação recebida decorrente do Contrato de Constituição de Relações Comerciais e do Termo de Investimento Parceria Comercial, celebrados com a empresa CLARO S/A., com prazo de duração de 60 (sessenta) meses, contados a partir de 16/05/2008."(fl. 03); · Remete ao exposto no início da defesa, e afirma que a empresa CLARO S/A. disponibilizou uma bonificação no valor de R$ 2.300.000,00, a fim de auxiliar no custeio do empreendimento da Impugnante; · Enfatiza que esse benefício somente será efetivamente pago se preenchidos alguns pressupostos contratuais: (i) alcance de meta mínima de venda de 100.800 acessos; (ii) 20% (mínimo) em ativações de póspago (ambos no prazo de 60 meses); (iii) vigência do contrato por mais de 60 meses, contados de 16/05/2008 (docs.03); · Pondera que isso significa dizer que o sobredito montante não estará econômica ou juridicamente disponível à Impugnante, até que sobrevenha o atendimento dos requisitos acima enumerados (fato que deverá ocorrer apenas no ano de 2013). Em outras linhas, essa bonificação possui natureza jurídica de pagamento sob condição suspensiva (evento futuro e incerto): caso a Impugnante não obedeça às determinações contratuais, será compelida à devolução do valor estipulado; · Repisa a cláusula 8.1.1 do Contrato de Constituição de Relações Comerciais e do item 14 do Termo de Investimento (docs. 03), cujos teores comprovam os argumentos acima expostos; 8.1.1: “Caso o Agente Autorizado denuncie, rescinda ou dê causa à rescisão do presente contrato, por qualquer motivo, antes do prazo inicial de 60 (sessenta) meses de vigência do mesmo, deverá ressarcir à CLARO a quantia de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), além das demais penalidades previstas no presente instrumento e demais termos firmados entre as partes, bem como perdas e danos a que, eventualmente, vier a dar causa. “ ... 14: “O Agente Autorizado fornece à CLARO, no ato da assinatura do presente instrumento, 01 (uma) nota promissória, no valor global de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), única e exclusivamente para a garantia do cumprimento da meta mínima de venda de 100.800 (cem mil e oitocentos) acessos por parte do Agente Autorizado na forma prevista no presente instrumento.” 14.1: “A nota promissória será devolvida ao Agente Autorizado somente mediante o cumprimento integral da meta mínima de vendas mencionada no item 14 acima, (grifou se)”; · Assevera que seria inviável sustentar a exigibilidade da cobrança de Imposto de Renda sobre o referido bônus, uma vez que, de acordo com o art. 43 do CTN, a hipótese de incidência desse tributo é justamente a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda; · Salienta que o IRPJ simplesmente não incide sobre a renda que esteja indisponível, embaraçada; isso é, que não tenha, de fato, composto o patrimônio do contribuinte. Esse, como visto, é exatamente o quadro que se afigura no caso dos autos, já que o montante de R$ 2.300.000,00 somente passará à titularidade da Impugante se ocorridos os eventos futuros e incertos aduzidos nos contratos firmados com a empresa CLARO S/A; · Acrescenta que esses fundamentos abarcam, inclusive, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, porque, como bem disposto no sítio da Receita Federal, "aplicamse à CSLL as Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 432 9 mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas"; · Argumenta que, inexistindo a configuração de receita (antes da ocorrência dos requisitos impostos pelos contratos firmados), também não há que se falar em lucro líquido, já que, de que forma poderseia cogitar do valor do suposto lucro líquido se o montante de 2.300.000,00 ainda nem foi integralizado ao patrimônio da Impugnante?! Este fato impede, portanto, a incidência da CSLL; · Cita decisão do TRF4, para concluir que, considerando que o montante de R$ 2.300.000,00 somente poderá ser objeto de tributação se as condições contratuais foram integralmente atendidas ou seja, quando o pagamento se tornar certo e definitivo; e, tendo em vista que esses eventos somente ocorrerão em 2013 (60 meses a partir da assinatura dos contratos), evidencia se a impossibilidade jurídica de ser perfazer à cobrança de IRPJ e de CSLL sobre tais valores, ante a patente nãoincidência dos impostos, nos termos do art. 195, I, c, e do art. 43, do CTN; · Anota que o fato de a Impugnante ter deixado de realizar a contabilização desse valor (como recebimento condicional, v.g.) não pode implicar na exação dos referidos impostos (obrigação principal). É que neste caso, como a bonificação não pode ser classificada com uma receita ou como lucro líquido, a ausência de escrituração deve, no máximo, acarretar o lançamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória; Princípio da eventualidade. Multa. Confisco · Argumenta que as sanções administrativas têm finalidade educativa e punitiva, de forma que a respectiva fixação deve levar em conta esses dois parâmetros, a fim de que o suposto infrator entenda a necessidade do cumprimento das regras estabelecidas, e, ao mesmo tempo, sintase desencorajado a reincidir; · Por outro lado, entende que a autoridade administrativa deve pautarse na proporcionalidade ao aplicar a pena, sob pena de ocasionar um gravame excessivo ao patrimônio do infrator; · Cita decisão do STJ; · Reclama que os auditores fiscais aplicaram multa de 75% a todas as supostas infrações cometidas pela Impugnante, de forma que o valor dos créditos tributários lançados foi majorado de forma exorbitante (v.g. IRPJ, imposto...R$ 232.725,88; multa (75%)...R$ 174.544,39); · Anota que, num sistema em que há previsão de juros (para indenizar) e correção monetária (para manter o cunho liberatório da moeda), a imposição de multas elevadas como as presentes leva a verdadeiro confisco do patrimônio da Impugnante; · Com base em doutrina, defende que o princípio da capacidade contributiva do contribuinte e a vedação do confisco são hoje princípios constitucionais expressos em matéria tributária (art. 145, § 1.°, e art. 150, IV, da CF/88). Embora dirigidos literalmente aos impostos (princípio da capacidade contributiva) e aos tributos (vedação de utilizálos com efeito de confisco), tais postulados se espraiam por todo o sistema tributário, atingindo por inteiro o crédito tributário na sua acepção mais lata, como conceituado pelo art. 133 e seus parágrafos do Código Tributário Nacional. Em síntese: eles atingem tanto as penas fiscais quanto os tributos; · Pugna pela exclusão dessas multas vultosas, por infringir o princípio da capacidade contributiva e, por via indireta tornar um confisco, comprometendo fatalmente a Reclamante, ou, alternativamente, pela sua redução ao mínimo legal (máximo 2%); Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 433 10 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS · Menciona o art. 151, III, do Código Tributário Nacional, que preceitua que a exigibilidade dos créditos deve restar suspensa quando houver protocolo de impugnações ou recursos administrativos: · Cita decisão do STJ, no sentido de que, uma vez protocoladas reclamações em sede administrativa, os créditos não podem ser cobrados, até que a decisão seja definitiva; · Acrescenta que, além da suspensão da exigibilidade dos créditos, a apresentação de impugnação administração também acarreta na concessão de certidões positivas com efeito de negativa (cf. art. 206, do CTN); · Pugna pela suspensão da exigibilidade dos créditos e pela concessão da referida certidão, uma vez que todos os termos dos autos de infração foram impugnados, nos termos dos artigos 151, III e 206, ambos do CTN; DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS · Ao final, pede, com relação à primeira infração, i) o cancelamento dos créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, uma vez que embasados na receita bruta, tem total afronta à letra do art. 195, I, c, da CF/88 e dos artigos 43 e 110, do CTN. Com relação à segunda, ii) julgar improcedentes os Autos de Infração, uma vez que os créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS são inexigíveis, ante aos recolhimentos efetuados pelas fonte pagadoras (TIM Celular S/A, CLARO S/A, Itaú Unibanco S/A e Banco Bradesco S/A); iii)julgar improcedentes os Autos de Infração, tendo em vista que a bonificação concedida pela empresa CLARO S/A ainda não foi integralizada ao patrimônio da Impugnante, inexistindo, portanto, a configuração dos fatos jurídicos tributários do IR e da CSLL, nos termos do art. 195, I, c, da CF/88 e do art. 43, do CTN; · Pede ainda: iv) o cancelamento da multa aplicada ou reduzila (ao limite de 2%), uma vez que excessiva e nitidamente confiscatória; · Requer a suspensão da exigibilidade dos créditos e, por conseguinte, a concessão de certidão positiva com efeito de negativa, nos termos dos arts. 151, III e 206 do CTN. A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 0637.310 (fls. 324351) de 14/06/2012, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. Correto o lançamento do IRPJ, lucro presumido, com Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 434 11 base de cálculo obtida mediante simples cotejo entre as receitas escrituradas e as declaradas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DIRF. Correto o lançamento do IRPJ, com base em omissão de receitas, identificada por informações constantes em DIRFs, de fontes pagadoras por prestação de serviços e de rendimentos financeiros. RECEITA DE BONIFICAÇÃO. FATO GERADOR DO IRPJ. PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. O fato gerador do IRPJ alcança os proventos de qualquer natureza que venham a acrescer o patrimônio do contribuinte, independentemente da denominação que se atribua ao valor recebido, ou da forma de recebimento, o que legitima o lançamento com base em receita de bonificação, prevista contratualmente. RECEITA DE BONIFICAÇÃO. LIVRE DISPONIBILIDADE E EXERCÍCIO DO DIREITO SOBRE A COISA. AQUISIÇÃO SOB CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INCOMPATIBILIDADE. Se o contribuinte recebe receita de bonificação, sobre a qual tem livre disponibilidade e exerce direitos, então é titular da coisa recebida, o que torna insustentável a alegação de aquisição sob condição suspensiva, em que a parte só pode exercer direitos após o advento da condição. RECEITA DE BONIFICAÇÃO. CLÁUSULA PENAL. INDENIZAÇÃO EM VALOR COINCIDENTE. AQUISIÇÃO SOB CONDIÇÃO SUSPENSIVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Cláusula penal prevendo o ressarcimento de valor coincidente ao recebido a título de receita de bonificação, em caso de inadimplemento ou rescisão contratual, não é apta para justificar aquisição do rendimento sob condição suspensiva, eis que tal cláusula possui natureza punitiva e reparatória, destinada, inclusive, a ressarcir o credor dos investimentos realizados. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 21/06/2012 (A.R. de fl. 357) a interessada interpôs recurso voluntário em 20/07/2012 (fls. 358374) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação." É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 435 12 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar A questão diz respeito a erro de fato cometido no acórdão embargado, que deu provimento parcial ao recurso para excluir as receitas financeiras da base tributável dos lançamentos do PIS e da Cofins. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão embargado, na parte de interesse, fls. 399/404. "... Das receitas escrituradas e não declaradas. O crédito tributário lançado decorre do cotejo entre as receitas escrituradas no Livro Diário e aquelas declaradas em DIPJ pela contribuinte. As diferenças são apresentadas nas tabelas constantes no TVF às fls. 06/07. A Recorrente não questiona diretamente o levantamento elaborado pela Fiscalização. Para o IRPJ e a CSLL, alega que tanto a hipótese de incidência quanto a base imponível desses tributos subsumemse, respectivamente, à renda disponibilizada, jurídica/economicamente (art. 43 do CTN) e ao lucro líquido, apurado antes de realizado o aprovisionamento para o recolhimento do IR (art. 195, I, c, da CF/88). Há que se esclarecer, de início, que o fato gerador do IRPJ é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, de renda ou proventos de qualquer natureza (art. 43 e incisos do CTN) e que a correspondente base de cálculo é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou proventos tributáveis (art. 44 do CTN). Para o regime do lucro presumido, do qual a Recorrente é optante, o legislador definiu a base de cálculo mediante a aplicação de percentual sobre a receita bruta, auferida em cada trimestre. No caso da Contribuinte, foram utilizados os percentuais de 8% para a revenda de mercadorias e de 32% para a prestação de serviços, conforme os correspondentes artigos 518 e 519 do RIR/99. Nesse sentido, não merece reparos o levantamento elaborado pelo Fisco, constante do demonstrativo de apuração presente no auto de infração IRPJ à fl. 108. Já a CSLL tem como fato gerador a auferição de lucro, com previsão expressa diretamente na Constituição Federal (art. 195, inciso I, “c”). A base de cálculo é composta pelo percentual de doze por cento da receita bruta, para a revenda de mercadorias, e trinta e dois por cento da receita bruta, para a prestação de serviços, conforme prescrito no art. 29 da Lei n° 9.430/96 c/c arts. 15 e 20 da Lei n° 9.249/1995. Também aqui entendo não merecer reparos o lançamento, conforme demonstrativo de apuração constante do auto de infração CSLL à fl. 140. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 436 13 Quanto ao PIS e a Cofins, constatase, do enquadramento legal trazido nos autos de infração, que o lançamento se deu, quanto ao conceito de base de cálculo utilizada, sob a égide do art. 10 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, in verbis. Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º, Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º, e Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º). [...] (grifei) Nessa esteira, a base de cálculo dos lançamentos do PIS e da Cofins teria como suporte legal o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e seria o “valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas”. A Recorrente, em resumo, alega que essas contribuições têm como base de cálculo o faturamento, e que apenas uma nova contribuição, a ser ainda instituída e regulamentada pelo legislador infraconstitucional, poderia ser calculada sobre a receita bruta; e que, se os conceitos de faturamento e receita bruta fossem realmente equivalentes, o legislador constituinte não deveria ter tido o trabalho de editar a Emenda Constitucional n.° 20/98. Vêse, nesse caso, que a Recorrente traz aos autos a discussão travada no STF quando do reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prescrita no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC nº 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto que deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4º, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei nº 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 437 14 ressaltese, da EC nº 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009, veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 438 15 seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF nº 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Conseqüentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Ocorre que a autuação, quanto a esse ponto, se deu pelo levantamento de receitas escrituradas e não declaradas referentes a revenda de mercadorias e a prestação de serviços, receitas essas operacionais da Autuada. Por todo o exposto, entendo descabidas as razões de defesa quanto a esse ponto. Da omissão de receitas de prestação de serviços e omissão de receitas financeiras. A interessada questiona o lançamento de créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com as "informações constantes das Declarações de Imposto de Renda na Fonte (DIRF), apresentadas pelas fontes pagadoras" (TIM Celular S/A, CLARO S/A, Itaú Unibanco S/A e Banco Bradesco S/A). Entende que os tributos pertinentes a essas operações já foram recolhidos pelas fontes pagadoras, na forma retida. Com efeito, são elas (e não a Recorrente) que têm a responsabilidade de proceder ao mencionado adimplemento como de fato foi realizado, consoante se verifica dos documentos anexados ao processo. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 439 16 Pugna pela improcedência dos autos de infração, a fim de que as exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes à suposta omissão de receita (prestação de serviços e aplicações financeiras de renda fixa) sejam declaradas inexigíveis. Quanto à omissão de receitas de prestação de serviços, constatase do TVF ter sido apurada com base nos dados informados em DIRF, por duas tomadoras de serviço do contribuinte: A Tim Celular S/A e a Claro S/A. ... Quanto à omissão de receitas financeiras, constatase do TVF ter sido apurada como decorrência de o contribuinte ter deixado de declarar rendimentos financeiros, identificados em dados extraídos das DIRFs enviadas pelas fontes pagadoras Itaú Unibanco e Banco Bradesco, nos seguintes montantes: ITAÚ 3426 BRADESCO 3426 TOTAIS MESES RECEITA IRF RECEITA IRF Receita IRF abr/08 35,87 7,97 35,87 7,97 mai/08 21,87 4,80 21,87 4,80 jun/08 36,10 8,00 36,10 8,00 jul/08 594,49 133,40 594,49 133,40 ago/08 5.191,69 1.167,97 5.191,69 1.167,97 set/08 3.711,40 834,89 7.555,36 1.699,95 11.266,76 2.534,84 out/08 55,26 12,31 4.082,14 918,48 4.137,40 930,79 nov/08 84,07 18,73 84,07 18,73 dez/08 138,55 31,02 138,55 31,02 TOTAL 9.869,30 2.219,09 11.637,50 2.618,43 21.506,80 4.837,52 Alega a Recorrente que os tributos pertinentes a essas operações já teriam sido recolhidos pelas fontes pagadoras por retenção na fonte e que seriam das instituições financeiras, e não da Defendente, a responsabilidade pelo pagamento. De se esclarecer, nesse ponto, que as retenções efetuadas pelos tomadores de serviço e pelas instituições financeiras são simples antecipações do imposto de renda da Fiscalizada, de modo que não se configuram como tributação definitiva. Os respectivos rendimentos, tendo sido auferidos pela Contribuinte, devem fazer parte da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, conforme as previsões legais citadas no item anterior. Como observado na decisão recorrida, as retenções pagas foram devidamente deduzidas, conforme demonstrativo de fl. 110. Assim, não tendo sido oferecido tais rendimentos à tributação, corretos os lançamentos, efetuados com a devida dedução das retenções. A jurisprudência desse Conselho é assente nestes casos. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 440 17 IRPJ E DECORRENTES OMISSÃO DE RECEITAS CONFRONTO DIRF X DIRPJ – Remanescendo diferença entre os valores efetivamente recebidos pela empresa e aqueles que ela consegue provar a contabilização, mantémse parcialmente as exigências derivadas da acusação de omissão de receitas (Acórdão 10709.282, de 24/01/2008) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Não comprovado pelo interessado que a DIRF apresentada pela fonte pagadora era incorreta, devese manter o lançamento de omissão de rendimentos. (Acórdão 10249.282, de 11/09/2008) Por fim, quanto ao lançamento do PIS e da Cofins, há que se considerar, conforme análise anterior, que não é legítima a exigência dessas contribuições sobre receitas outras que não as da atividade, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das omissões de receitas financeiras. ... CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado para excluir da base tributável dos lançamentos do PIS e da Cofins as infrações relativas à omissão de receitas de aplicações financeiras, mantendo os demais lançamentos conforme constituídos nos autos de infração." (sublinhei). Ao tentar implementar o resultado do julgamento, a unidade de origem percebeu que não havia lançamento relativo a receitas financeiras para o PIS e a Cofins. Em decorrência, lavrou o despacho de fl. 422 retornando o processo ao CARF para verificação. De fato, apenas o lançamento de IRPJ (fls. 108/119) contempla omissão de rendimentos de aplicações financeiras (infração 004, fl. 117). Nos decorrentes, relativos ao PIS e à Cofins, respectivamente às fls. 120/129 e 130/142, em que pese haver alegações de defesa quanto à matéria, não há lançamento contemplando omissão de rendimentos de aplicações financeiras. Com efeito, prescreve o art. 65 do Regimento Interno do CARF: "Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." No presente caso, entretanto, tratase de erro de fato. Não obstante, de acordo com Didier Junior “há uma tendência jurisprudencial de ampliação do cabimento dos embargos de declaração, admitindoos para dar ensejo à correção de 'equívocos manifestos', além do erro material, tais como o erro de fato e até decisão ultra petita” (Didier Junior, Da Cunha e Carneiro in Curso de Direito Processual Civil. Meios de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. 8a ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2010, vol. 3, p. 182) O Ministro Sydney Sanches muito bem definiu erro de fato: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 441 18 De todos os ensinamentos se pode extrair a conclusão: o erro de fato a que alude o texto brasileiro (art. 485, n. IX), colhido do italiano, decorre de inadvertência do juiz, que, lendo os autos, neles vê o que não está, ou não vê o que está. Erro dos sentidos, de percepção, eventualmente de reflexão, de raciocínio, mas nunca de interpretação ou valoração da prova. (SANCHES, Sydney, in Da Rescisória por Erro de Fato. Revista dos Tribunais n° 501. 1977. p. 1531.) Assim, caracterizado o erro material aventado, entendo pela necessidade de sanálo, pelo que encaminho meu Voto no sentido de acolher os embargos de declaração para, no mérito, provêlo com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso voluntário apresentado, quanto à matéria embargada. Ratificase o acórdão embargado quanto às demais matérias, por não terem sido objeto de embargos. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 441DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13839.003026/00-36
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1991 a 30/09/1995
PIS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGOS 150, § 4º e 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso conhecido e provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Carlos de Lima Junior e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e, no mérito, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto que integra o presente julgado.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes , Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGOS 150, § 4º e 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso conhecido e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 30 26 /0 0- 36 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 2 ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Carlos de Lima Junior e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e, no mérito, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto que integra o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes , Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso extraordinário de fls. 340/344, ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, em face do Acórdão CSRF/0105.615 (fls. 275/282), que por maioria de votos, afastou a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Traz como paradigma cópia da ementa do Acórdão CSRF/0201.722. A matéria objeto do recurso especial referese ao prazo decadencial do PIS, estando o julgado ora vergastado assim ementado: "PIS/PASEP DECADÊNCIA – Frente à Constituição, o prazo de decadência das contribuições sociais é de 5 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no art. 150, par. 4. do CTN, não se lhes aplicando o art. 45 da Le n°. 8.212/91. A Primeira Turma da CSRF ao apreciar o tema, entendeu ser de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, operando pela modalidade de lançamento por homologação, prevalecendo a disposição ínsita no artigo 150, § 4°, do CTN. Fundamenta a Recorrente que no Acórdão CSRF/0201.722, acostado por cópia da respectiva ementa, decidiuse pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei n° 8.212/91 (dez anos), para as contribuições destinadas à seguridade social. Invoca divergência jurisprudencial na interpretação do comento. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ Processo nº 13839.003026/0036 Acórdão n.º 9900000.857 CSRFPL Fl. 7 3 A ementa do acórdão paradigma possui a seguinte redação: "COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. " O acórdão recorrido afastou a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, adotando o prazo decadencial de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, previsto no CTN e, especificamente, o § 4 °, do artigo 150. O paradigma, por sua vez, entende que o prazo decadencial das contribuições para a seguridade social e de 10 anos, previsto no artigo 45, da Lei 8.212/91, tendo como termo de início o primeiro dia útil do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter ocorrido (art. 173). Por meio do Despacho 040/2008, de fls. 294, sob o entendimento de ter sido comprovado o dissídio jurisprudencial, deuse seguimento o recurso interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ, Relatora A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com a decisão prolatada no Acórdão CSRF/0105.615 que, por maioria de votos negou provimento ao recurso especial de sua autoria, com amparo no art. 9 ° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007, retorna aos autos, tempestivamente, com o recurso extraordinário, instruído com cópia da ementa do Acórdão CSRF/0201.722, apresentado ao dissídio, objetivando a reforma do acórdão recorrido em sede de Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Data da ciência do auto de infração: 30 de novembro de 2000. Data dos Fatos Geradores: 01/01/91 a 30/09/95. A controvérsia cingese em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado “lançamento por homologação”, deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei nº 8.212/91. No mais, superada essa questão, qual a regra que deverá prevalecer (art. 150, § 4º ou a do art. 173, do CTN). Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal editou o seguinte enunciado da súmula vinculante nº 8, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006, em 20 de junho de 2008: “Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e Fl. 377DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 4 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” A adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC nº 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a norma objeto da declaração de inconstitucionalidade. Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, não há como considerar ser de dez anos o prazo para efetuar o lançamento. Assim a fundamentação legal passa a ser com base no CTN, obrigatoriamente. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ Processo nº 13839.003026/0036 Acórdão n.º 9900000.857 CSRFPL Fl. 8 5 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). (...) (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem o seguinte comando nos seu artigo 62A : Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 6 Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso dos autos, deverá a autoridade competente, verificar os meses em que houver inexistência de pagamento, para a aplicação do prazo previsto no art. 173 do CTN, motivo pelo qual Voto pelo provimento parcial do recurso. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda em face da jurisprudência consolidada. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ
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Numero do processo: 10907.721803/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Marcelo Freitas e Castro, OAB/RJ nº 129.036 e Oscar Freitas e Castro, OAB/RJ nº 32.641.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Marcelo Freitas e Castro, OAB/RJ nº 129.036 e Oscar Freitas e Castro, OAB/RJ nº 32.641. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de procedimento fiscal de revisão aduaneira que culminou na lavratura dos autos de infração para exigência das diferenças dos tributos devidos nas importações do produto cujo nome comercial é MICROVIT D3 PROMIX 500. O contribuinte tomou ciência dos autos de infração por via postal em 26/12/2012, conforme AR de fl. 1964, em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 30/05/2008 e 30/01/2012. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, foi realizada perícia técnica em uma amostra da mercadoria denominada comercialmente como MICROVIT D3 PROMIX 500, importada por meio da DI nº 11/12903587 Adição 02, registrada em 13/07/2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 07 .7 21 80 3/ 20 12 -9 3 Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 6 2 O contribuinte vinha classificando esse produto sob o código NCM 2936.2921, informando que se tratava de VITAMINA D3 (COLECALCIFEROL), NÃO MISTURADA, alíquota do Imposto de Importação de 2%. Segundo a fiscalização, a perícia revelou que o produto não é uma vitamina D3 isolada, mas sim uma preparação constituída de Vitamina D3 contendo excipientes orgânicos, sendo: óleo, amido, gelatina e sacarose, além do excipiente inorgânico a base de dióxido de silício, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração (fl. 1942). A fiscalização afirmou que em resposta ao quesito 8 do laudo, o perito designado afirmou que os excipientes foram adicionados à vitamina D3 para um fim específico, qual seja, o de tornar o composto uma preparação para entrar na composição de ração animal. Segundo a fiscalização, a adição dos excipientes amido e sílica possui a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem de vitaminas nas rações animais e proteger química e fisicamente as vitaminas durante o processo de mistura com outros componentes na formulação final a que se destina (prémistura ou ração animal). Diante do que foi constatado no laudo técnico, concluiu a fiscalização que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado à posição 2936 não autorizam a classificação deste tipo de preparação como uma simples vitamina, uma vez que a adição de substâncias inorgânicas à base de sílica e outras substâncias orgânicas, tornaram o produto apto para um fim específico de preferência à sua aplicação geral, a saber: a utilização exclusiva na produção de ração animal, e, assim sendo, os excipientes encontrados não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas na NESH da posição 2936, in verbis: "Os produtos da presente posição [da posição 2936] podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de antioxidante, por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas, ou por absorção em susbtâncias apropriadas (ácido sílico, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral." Prossegue a fiscalização narrando que as Notas Explicativas à posição 2309 esclarecem que nela se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação de alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Tais preparações, designadas comercialmente de prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Conclui a fiscalização que segundo a NESH, uma preparação constituída de vitamina e excipientes é suscetível de Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 7 3 enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos "completos" ou "complementares" para nutrição animal: Esta posição [2309] compreende não só as preparações forrageiras adicionadas de melaço ou de açúcares, como também as preparações empregadas na alimentação de animais, constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos, destinados: 1) quer a fornecer ao animal uma alimentação diária racional e balanceada (alimentos completos); 2) quer a completar os alimentos produzidos na propriedade agrícola, por adição de algumas substâncias orgânicas ou inorgânicas (alimentos complementares); 3) quer a entrar na fabricação dos alimentos completos ou dos alimentos complementares. Incluemse nesta posição os produtos dos tipos utilizados na alimentação dos animais, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais e que, por esse fato, perderam as características essenciais da matéria de origem, por exemplo, no caso dos produtos obtidos a partir de matérias vegetais, os que tenham sido sujeitos a um tratamento, de forma que as estruturas celulares específicas das matérias vegetais de origem já não sejam reconhecíveis ao microscópio. (...) C. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS “COMPLETOS” OU “COMPLEMENTARES” DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comercialmente prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados “aditivos”), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; 2) os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir quer em uma ou mais substâncias orgânicas nutritivas (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, farelos, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), quer em substâncias inorgânicas (por exemplo: magnesita, cré, caulim, sal, fosfatos). A concentração, nestas preparações, dos elementos referidos em 1) acima e a natureza do suporte são determinadas, especialmente, de Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 8 4 forma a conseguirse uma repartição e uma mistura homogêneas desses elementos nos alimentos compostos a que essas preparações serão adicionadas. (...)" Com base na RGI nº 1; na RGC nº 1, na Nota 1 do Capítulo 23, nos textos da posição 2309 e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado às posições 2936 e 2309, a fiscalização concluiu que o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 deve ser classificado sob o código NCM 2309.9090 outras preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, tributada pelo Imposto de Importação com alíquota de 8%. A partir dessa constatação, a fiscalização levantou todas as Declarações de Importação registradas pelo contribuinte que continham importações consignado o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 com a mesma descrição e, com base na presunção relativa do art. 68 da Lei nº 10.833/2003, efetuou o lançamento de ofício das diferenças dos tributos incidentes sobre a importação com os acréscimos legais pertinentes ao lançamento de ofício. Foi lançada a multa regulamentar de 30% do valor aduaneiro em virtude das importações terem ocorrido ao desamparo de licença de importação. Segundo a fiscalização, a análise laboratorial passou a exigir uma nova licença de importação porque a licença obtida pelo contribuinte amparava a mercadoria descrita nas DI (Vitamina D3 isolada) e não a preparação que foi efetivamente importada. Tendo em vista que o contribuinte omitiu das descrições nas DI o termo "PREPARAÇÃO", entendeu o fisco ser inaplicável ao caso concreto o Ato Declaratório COSIT nº 12/97. Foi lançada a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão das mercadorias terem sido classificadas incorretamente pelo importador no código NCM 2936.29.21 VITAMINA D3 (COLECALCIFEROL). Tendo em vista que a perícia permitiu o reenquadramento da mercadoria importada no código NCM 2302.90.90, ficou comprovado o erro de classificação fiscal. Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: 1) Os autos de infração são improcedentes porque a classificação utilizada pelo contribuinte nas importações estava correta. A classificação da vitamina D3 no código NCM 2936 foi chancelada pela DINON por meio da Decisão COANA nº 004, de 29 de abril de 1999, proferida em processo de consulta formulada pelo SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL SINDIRAÇÕES; 2) A revisão da importação foi efetuada muitos anos após as importações, sendo que no momento do despacho aduaneiro nenhum questionamento foi levantado quanto a qualquer irregularidade nas importações. Se houve algum erro na classificação da mercadoria no momento da importação, tratouse de erro de direito e não de fato. Sendo assim, a revisão aduaneira não poderia ter sido efetuada neste caso, pois o art. 149 do CTN não autoriza a revisão de ofício por erro de direito e a Súmula 227 do TFR veda ao fisco a revisão do lançamento por mudança de critério jurídico; 3) Atacou a multa regulamentar imposta com base no erro de classificação fiscal. Disse que mesmo na hipótese de constatação de erro de direito na classificação fiscal da mercadoria, a multa não pode ser imposta sem que seja verificada a culpabilidade do Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 9 5 contribuinte. Se não for comprovado o dolo do importador por esse erro, não há como se impor legitimamente a multa; 4) As multas aplicadas são confiscatórias porque chegam a 120% do valor do tributo lançado, violando o art. 150, IV, da Constituição Federal. Por meio do Acórdão nº 53.925, de 10 de dezembro de 2013, a 23ª Turma da DRJ São Paulo1, julgou a impugnação improcedente. Entendeu a Turma de Julgamento a quo que o produto que foi objeto de consulta formulada pelo SINDIRAÇÕES era diferente do produto que foi reclassificado pela fiscalização neste processo, sendo inaplicável ao caso concreto o enquadramento preconizado pela COANA. No que tange à classificação fiscal propriamente dita, entendeu a DRJ que o laudo técnico comprovou que o produto é uma preparação contendo a vitamina D3 e não a vitamina D3 isolada. A DRJ chancelou a reclassificação fiscal com base nas mesmas regras e justificativas utilizadas pela fiscalização. A DRJ entendeu que no caso concreto foi cabível a revisão aduaneira, com base no art. 149, IV, do CTN, pois houve erro do contribuinte quanto a elemento definido como de declaração obrigatória. As multas foram mantidas, sob a justificativa de que não cabe a análise de alegação de inconstitucionalidade em sede de julgamento administrativo. Entendeu a DRJ que as multas não podem ser revistas com base em juízos de razoabilidade e proporcionalidade entre a infração e a intensidade da pena, pois a lei não permite a dosimetria da pena em matéria tributária. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 24/01/2014 (fl. 2061), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/02/2014 alegando, em síntese, o seguinte: 1) Não existe diferença essencial entre o produto objeto da Decisão COANA nº 04/1999 e o produto importado por meio da DI autuada. Nos dois casos o composto Vitamina D3 é protegido por uma mistura, por uma preparação, um revestimento de gelatina, carboidratos e antioxidantes, sempre contendo no mínimo 500.000 unidades de Vitamina D3. Os produtos apresentam o mesmo componente ativo (a vitamina D3) e diferem apenas em relação aos revestimentos que são ligeiramente diferentes, mas ambos se destinam ao mesmo objetivo, que é estabilizar o componente ativo. Portanto, é insustentável a decisão recorrida quando tenta manter a autuação, sob o fundamento de se tratarem de produtos diferentes; 2) No momento da importação o fisco não levantou qualquer questionamento. Apenas muitos anos depois resolveu a Fazenda Nacional imputar ao contribuinte o cometimento de infrações em relação a fatos geradores efetivamente consumados. Na pior das hipóteses houve erro de direito, e não erro de fato. A revisão do lançamento por erro de direito é vedada não só pelo art. 149 do CTN, mas também pela Súmula 227 do TFR; 3) Quanto à imposição das multas, reiterou que diante da hipótese de erro de direito e da falta de verificação da culpabilidade do contribuinte, é ilegal a imposição de qualquer multa. Contestou a decisão recorrida na parte em que não aplicou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para a exclusão ou redução das multas, pois no caso concreto a penalidade excessiva afronta os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do nãoconfisco. Para melhor instrução do processo, e com base no disposto nos arts. 36 e 37 da Lei nº 9.784/99, este relator obteve no Sistema Decisões a Decisão COANA nº 04/1999, que ora se junta aos autos. Muito embora a defesa tenha feito referência ao nome do autor da Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 10 6 consulta, este relator, em homenagem ao art. 198 do CTN, apagou os dados do cabeçalho da referida decisão, os quais permitiam a identificação do consulente. É o relatório. Voto Conforme relatado, a fiscalização desenquadrou o MICROVIT D3 PROMIX 500 da posição 2936, específica para vitaminas, para a posição 2309 destinada a preparações para alimentação animal. A principal razão de mérito lançada pela defesa contra o auto de infração foi a Decisão da COANA nº 4, de 29/04/1999, por meio da qual um produto semelhante teria sido classificado na mesma posição adotada pelo contribuinte quando realizou as importações. Comparandose as composições do MICROVIT D3 PROMIX 500 (laudo técnico) com os produtos MICROVIT D3 PROSOL 500 e ROVIMIX D3 500, submetidos à consulta da COANA, constatase de plano que não existe diferença significativa que permita afirmar com segurança que os produtos são diferentes. A DRJ São Paulo afirmou que os produtos são diferentes, em razão dos nomes comerciais serem diferentes, com o que não se pode concordar. Recordando das aulas de química básica do longínquo segundo grau, considero temerária a razão de decidir utilizada pela DRJ com base nos nomes comerciais dos produtos. Os elementos de discrímen para se aferir a existência de semelhança ou de diferença entre dois produtos químicos não pode recair no nome comercial, mas sim no que efetivamente são os produtos. Em outras palavras: a comparação deve recair sobre os nomes técnicos e científicos dos produtos. Observem senhores conselheiros que na Decisão COANA nº 04/1999, os produtos denominados MICROVIT D3 PROSOL 500 e ROVIMIX D3 500, apesar de serem originados de fabricantes distintos e de possuírem nomes comerciais completamente diferentes, possuem exatamente os mesmos nomes técnicos e os mesmos nomes científicos: Nome técnico: Colecalciferol ou 7dehidrocolesterol ativado. Nome científico: 9,10 secocholesta 5,7,10 (19)trien3betaol. Além disso, a comparação da composição dos produtos submetidos à consulta da COANA é muito semelhante à composição química encontrada no laudo trazido aos autos pela fiscalização. Com efeito, na fl. 20 do processo, o laudo técnico relaciona os seguintes componentes e percentuais em peso do MICROVIT D3 PROMIX 500: Vitamina D3, 1,64%; óleo, 4,55%; BHT, 0,50%; Amido, 65,49%; Gelatina + sacarose, 23,96%; e óxido de silício SiO2, 3,86% Já a Decisão COANA nº 04/1999 relaciona para o MICROVIT D3 PROSOL 500 a seguinte composição: Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 11 7 "No mínimo 500.000 unidades internacionais de vitamina D3 (cada unidade internacional desta vitamina correspondente a 0,025 mg) o que equivale a 12,5 mg por grama de sólido. Isto significa que há, no mínimo, 1,25% em peso de vitamina D3 (composto químico puro) e, evidentemente, 98,75% em peso de revestimento protetor/antioxidante. Ou de outra forma: 3,45% de vitamina D3 (na forma oleosa), 0,75% do oxidante butilhidroxitolueno (BHT) e 95,8% de uma mistura de gelatina e lactose." (Grifei) Observem senhores conselheiros que os percentuais de vitamina D3, BHT e de gelatina e lactose, do MICROVIT D3 PROSOL 500 são muito semelhantes ao do MICROVIT D3 PROMIX 500, que foi submetido à perícia pela fiscalização. A mesma constatação pode ser feita em relação ao ROVIMIX D3 500, onde a COANA descreveu o seguinte: "No mínimo 500.000 unidades internacionais de vitamìna D3 por grama de sólido, o que equivale a 1,25% em peso da vitamina D3 (composto químico puro) e 98.75% em peso do sólido protetor, composto por amido de milho, maltodextrina e etoxiquina (6etoxi1 ,2 dihidro2,2.4trimetilquinolina)." Ou seja, cerca de 98% de cada um dos produtos é constituído pelos excipientes e menos de 2% constitui o princípio ativo, ou seja, a vitamina D3. Na solução de consulta da COANA ficou entendido que os produtos objeto da consulta não podiam ser classificados na posição 2309 (pretendida pela fiscalização neste processo) pelos seguintes motivos: 1) porque eles não seriam uma mistura de diversos elementos nutritivos; e 2) porque os dois produtos seriam insumos para a produção de pré misturas e os revestimentos adicionados não modificam o caráter da vitamina D3 e nem o tornaram particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação original. A fiscalização, partindo das constatações do laudo técnico, principalmente da resposta ao quesito 8, tentou enquadrar o MICROVIT D3 PROMIX 500 em uma ressalva existente em uma hipótese de exclusão das vitaminas da posição 2936. O texto onde as vitaminas são excluídas expressamente da posição 2903 é o seguinte: Excluemse da presente posição: (...) e) As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36). (Grifei) Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 12 8 Ou seja, se os excipientes adicionados à vitamina D3 tornaremna apta para um uso específico, ela não poderia ser classificada na posição 2936. A fiscalização considerou que o produto em questão poderia ser enquadrado na ressalva acima grifada com base na resposta ao quesito nº 8 do laudo técnico, cujo teor é o seguinte: Entendo que a resposta do Senhor Perito não foi conclusiva, pois ao tentar explicar o "sim", ele acabou justificando a adição dos excipientes com a mesma justificativa que permite a classificação do produto na posição 2936. As Notas Explicativas são claríssimas quando afirmam que os produtos da posição 2936 podem estar misturados a outros produtos (excipientes), desde que estes excipientes não alterem as vitaminas e nem torne a preparação particularmente apta para usos específicos. Ao dizer que os excipientes presentes na amostra periciada garantem a estabilidade da vitamina D3 e facilitam o controle da dosagem do produto, o Senhor Perito aparentemente, reafirmou o que já tinha afirmado na resposta ao quesito 7, quando definiu o que são e para que servem os excipientes. Ora, se o papel desempenhado pelos excipientes encontrados na amostra é apenas a garantia da estabilidade da vitamina D3 e a facilitação do controle da dosagem do produto, garantido seu melhor aproveitamento, então a resposta ao quesito 8 deveria ter sido negativa e não afirmativa, pois esses excipientes não tornaram a vitamina D3 especificamente apta para aplicação em rações para animais. As garantias da estabilidade e da facilitação do controle de dosagem se prestam às mais variadas aplicações da vitamina D3 e não especificamente à sua aplicação na fabricação de rações para animais. Reforça este entendimento o conteúdo da Decisão mº 04/1999 da COANA, onde o parecerista deixou claro seu entendimento no sentido de que os excipientes não modificaram a vitamina D3 e nem a tornaram apta para um uso específico. Portanto, diante da semelhança da composição do produto periciado e do que foi submetido à consulta da COANA e diante das respostas dadas pelo Senhor Perito aos quesitos 1 a 7, considero obscura a resposta dada ao quesito 8 do laudo técnico, pois no meu entendimento essa resposta não permite enquadrar de forma conclusiva o produto na ressalva contida na alínea "e" das exclusões à posição 2903 das Notas Explicativas à posição 2903. Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 13 9 Com esses fundamentos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que a Autoridade Administrativa solicite ao Senhor Perito que complemente o laudo técnico presente nos autos, de modo a eliminar a obscuridade da resposta ao quesito 8, mediante a resposta aos seguintes quesitos complementares: 1) Solicitase ao Senhor Perito que informe o nome técnico e o nome científico do produto MICROVIT D3 PROMIX 500, objeto do LTA 15/11 (26/08/2011), se isso for possível com os dados existentes no referido laudo técnico. 2) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se as quantidades ou as espécies de excipientes discriminados na resposta ao quesito 3, do referido laudo técnico, modificam ou não o caráter da vitamina D3. 3) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se as espécies de excipientes discriminados na resposta ao quesito 3, do referido laudo técnico, possuem alguma propriedade nutritiva que se agrega à vitamina D3. Este órgão de julgamento deseja saber se o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 é uma preparação constituída pela mistura de vários elementos nutritivos ou se apenas a vitamina D3 é o elemento nutritivo. 4) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se as quantidades dos excipientes discriminados na resposta ao quesito 3, do referido laudo técnico, superam ou não as quantidades normalmente necessárias para a conservação ou o transporte da vitamina D3. 5) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se as quantidades ou as espécies de excipientes discriminados na resposta ao quesito 3, do referido laudo técnico, são suficientes para tornar o MICROVIT D3 PROMIX 500 de uso exclusivo e específico para a fabricação de rações destinadas à alimentação animal. A forma como a Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 14 10 vitamina D3 se encontra preparada no referido produto fez com que ela perdesse seu caráter geral de uso? 6) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se o produto MICROVIT D3 PROMIX 500, da forma como apresentado, possui outras aplicações que não exclusivamente a produção de rações para animais. 7) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se duas substâncias que apresentem o mesmo nome técnico podem ou não serem consideradas iguais. 8) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se duas substâncias que apresentem o mesmo nome científico podem ou não serem consideradas iguais. 9) A autoridade administrativa deverá intimar o contribuinte a apresentar a comprovação de que se encontra vinculado ao SINDIRAÇÕES. Este colegiado esclarece que não está requerendo ou determinando uma nova perícia no produto, apenas está solicitando uma complementação dos quesitos formulados pela fiscalização no laudo original, com o fim de enquadrar o produto na Nomenclatura com melhor precisão. As respostas aos quesitos acima deverão ser fornecidas apenas com base nas informações já obtidas no laudo técnico anexado pela fiscalização. O perito deverá ser informado dos quesitos complementares acima e do laudo técnico original ao qual se referem. O contribuinte deverá ser notificado do inteiro teor desta resolução e das respostas aos quesitos complementares acima formulados, abrindoselhe o prazo de trinta dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Após o atendimento das providências acima solicitadas, os autos deverão retornar a este colegiado para que se prossiga no julgamento da lide. Antonio Carlos Atulim Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10725.003161/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Demonstrado através de documentação hábil e idônea que o contribuinte não auferiu a totalidade dos rendimentos informados pela Fonte Pagadora na DIRF, não subsiste a omissão de rendimentos apurada.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior Presidente
Alice Grecchi Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Demonstrado através de documentação hábil e idônea que o contribuinte não auferiu a totalidade dos rendimentos informados pela Fonte Pagadora na DIRF, não subsiste a omissão de rendimentos apurada. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior – Presidente Alice Grecchi – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 31 61 /2 00 8- 07 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de Notificação de Lançamento nº 2005/607451018384124, lavrada em 09/06/2008 (fls. 03/07), contra a contribuinte acima qualificada, resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2005, anocalendário de 2004, que implicou o lançamento de imposto suplementar de R$ 1.199,55, a ser acrescido da multa de oficio e dos juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, no valor tributável de R$ 3.952,01, relativo a fonte pagadora Macaé Prefeitura, conforme descrição dos fatos, à fl. 05 e b) glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 410,00, relativa ao estabelecimento Pechal Empre. Esportivos Ltda, conforme descrição dos fatos, à fl. 04. Cientificada da exigência tributária em 18/12/2008, através de Edital (fls. 18/28), e irresignada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a interessada apresentou impugnação (fl. 01), recepcionada na unidade local da SRFB, em 12/12/2008, aduzindo o que se segue: “Eu, Vera Lúcia Vasconcelos, CPF: 00196224730, venho por meio desta, apresentar solicitação de impugnação para a Notificação de Lançamento, n° 2005/607451018384124, apesar de não estar de posse dos documentos exigidos por esta Delegacia. O recibo da Projex está sendo retificado e o comprovante de rendimento da Prefeitura Municipal de Macaé, foi solicitado com as devidas alterações. Comprometome a apresentar a documentação exigida assim que estiver pronta. Esclareço ainda, que em 28 de março de 2008, me apresentei a esta Secretaria para apresentar documentação do mesmo período, ou seja, exercício 2005, ano calendário 2004, conforme Termo de Intimação n° 2005/607270263881108 (anexo). Nesses termos, pede deferimento.” A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos do voto abaixo transcrito: “[...]No mérito, a defesa não logrou demonstrar a improcedência da ação fiscal. Com efeito, a interessada limitou se, em sua impugnação, a alegar que não estava de posse dos documentos necessários à comprovação de suas alegações, requerendo a posterior entrega dos mesmos. Não obstante, decorridos de 32 (trinta e dois) meses, contados da data da apresentação da impugnação, a interessada não providenciou a juntada aos autos de nenhum documento apto a comprovar suas alegações. Do exposto, considerando ainda o disposto no art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), a exigir que a impugnação seja instruída com a documentação em que se fundamenta, constatase a improcedência da impugnação. [...]” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1336.741 da 3ª Turma da DRJ/RJ2 em 29/09/2011 (fl. 38). Sobreveio Recurso Voluntário em 19/10/2011 (fls. 40/41), acompanhado dos documentos de fls. 42/64. Em síntese, a contribuinte alegou que: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10725.003161/200807 Acórdão n.º 2301004.501 S2C3T1 Fl. 88 3 “Desde 2004 a requerente tem tido sérios transtornos e dissabores em sua vida, em virtude de tal vínculo empregatício. A requerente começou a desempenhar função pública junto ao Município de Macaé, em março de 1997, quando assumiu o cargo público de professor C, e a exerceu regularmente até março de 2004, quando foi acometida de doença grave que a impediu de continuar se deslocando de sua residência no município de Campos dos Goytacazes, até seu local de trabalho no município de Macaé. Tal enfermidade não foi reconhecida pelo município empregador, a partir de 04/2004, que em várias oportunidades no decorrer de um longo processo administrativo, negou concessão de licenças médicas à requerente. A divergência (R$ 3.952,01) objeto do lançamento fiscal, consiste no valor declarado de R$ 3.942,67, referente aos valores recebidos pelos meses de janeiro/2004 (R$ 2.192,73), fevereiro/2004 (R$ 1.199,82) e março de 2004 (R$ 609,89), conforme contra cheques e extrato bancário juntos, e o valor informado pelo município pagador de R$ 7.894,08, que além dos meses supra mencionados, ainda leva em conta valores pagos referentes aos meses de maio/2004 (R$ 1.029,94), junho/2004 (R$ 347,05) e julho/2004 (R$ 1.952,99) e agosto/2004 (765,21), que efetivamente não foram pagos à requerente, como se pode observar através do já mencionado extrato bancário do ano de 2004 em anexo e declarações também em anexo de que a requerente não exerceu suas atividades no período. Ou seja, desde o mês de abril de 2004, cujo contra cheque foi emitido zerado (em anexo) que a requerente nada mais recebeu do Município de Macaé. [...]a desorganização do órgão municipal responsável pelas informações à RFB, fica patente ao se verificar que a princípio foi informado no exercício 2004 o montante de R$ 11.778,69 (doc. J) a título de rendimentos tributáveis, tendo sido corrigido depois de reclamações da requerente para R$ 7.894,68 (doc. J). Pelo exposto requer a Vossa Senhoria que seja reconsiderada a decisão proferida no Acórdão e seja desconstituído o crédito tributário ora atacado.” Em sessão realizada em 15 de abril de 2014, o presente julgamento foi convertido em diligência, Resolução nº 2102000.186, conforme excertos do voto proferido por esta relatora na ocasião: "[...] Alega a recorrente que a divergência concernente ao valor de R$ 3.952,01, se dá pelo valor declarado de R$ 3.942,67, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, respectivamente nos valores de R$ 2.192,73, 1.199,82 e 609,89, e que o valor informado pela Prefeitura Municipal de Macaé de R$ 7.894,08, inclui além dos rendimentos supracitados, os meses de maio, junho, julho e agosto de 2004, os quais afirma que não foram pagos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Dá análise dos documentos acostados no presente recurso, verificase que os extratos bancários relativos ao período de janeiro/julho, constantes em fls. 52/56, apontam tão somente “crédito vencimentos” depositados nos meses de janeiro à março, exatamente nos valores informados pela interessada no recurso (jan. R$ 2.192,73 fev. R$ 1.199,82 mar. R$ 609,89). Ademais, a fim de corroborar suas alegações, a recorrente acosta aos autos “FOLHA INDIVIDUAL DE PONTO” da Prefeitura Municipal de Macaé, RJ, (fls. 59/60), relativa aos meses de maio e julho de 2004, que não constam anotação alguma de freqüência da contribuinte. No que concerne ao mês de agosto, o qual não está compreendido nos extratos bancários e anotação de folha ponto, a declaração de fl. 61, da Secretária Municipal de Educação, comunica que a contribuinte, Professora C, não exerceu as suas funções durante o mês de agosto/2004. O documento de fl. 62, expedido pela Coordenador do RH – SEMAD, denota que a recorrente estava em situação irregular por não gozar de condições plenas de saúde, pois estava impossibilitada de viajar com freqüência da cidade de Goytacazes à Macaé, vindo a requerer em diversas oportunidades licença saúde. Cabe esclarecer que o mês de abril, conforme costa do “Demonstrativo de Pagamento de Salário” em fl. 47, foi emitido zerado, conforme alegou a contribuinte no presente recurso. Verificase que a declaração de fl. 42 foi retificada pela de fl. 43, alegando a recorrente que houve equívoco da Prefeitura de Macaé, RJ, ao declarar rendimentos pagos em valor superior ao efetivamente recebido, e para corroborar tais alegações, a contribuinte acosta aos autos cartões ponto, contracheques e especialmente declaração da secretaria de educação de fl. 61, que contradiz a declaração de fl. 43 em relação ao mês de agosto. Salientase ainda, que na declaração de fl. 43, em relação ao mês de janeiro está incluído junto aos rendimentos o 13º salário que tem tributação exclusiva (fl. 44), ocorre que no mês de julho, esse mesmo 13º foi excluído (conforme contracheque de fl. 50), portanto resta comprovado que também há equívocos na declaração de fl. 43. Assim, considerando que nos extratos bancários trazidos pela recorrente não há comprovação do efetivo recebimento dos rendimentos relativos aos meses de maio à agosto, nesse sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Prefeitura de Macaé seja intimada a esclarecer as controvérsias no que concerne aos valores pagos à contribuinte. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja intimada a Prefeitura de Macaé, RJ, para apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos informados na DIRF à fl. 43, relativo ao anocalendário de 2004." Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10725.003161/200807 Acórdão n.º 2301004.501 S2C3T1 Fl. 89 5 A Prefeitura de MacaéRJ foi cientificada da Resolução através de Carta A.R. em 03/09/2014 (fl. 77), e reintimada em 03/11/2014 (fl. 83), no entanto, deixou de atender a referida diligência, conforme despacho de fl. 85, de modo que, retornaramse os autos a esta relatora para julgamento do recurso. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratase a controvérsia acerca da apuração de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício, no valor tributável de R$ 3.952,01. Alega a recorrente que a divergência concernente ao valor de R$ 3.952,01, se dá pelo valor declarado de R$ 3.942,67, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, respectivamente nos valores de R$ 2.192,73, 1.199,82 e 609,89, e que o valor informado pela Prefeitura Municipal de MacaéRJ de R$ 7.894,08, inclui além dos rendimentos supracitados, os meses de maio, junho, julho e agosto de 2004, os quais afirma que não foram pagos pela Prefeitura. A fim de buscar a verdade material no presente julgamento, fora convertido o feito em diligência para que a Prefeitura de MacaéRJ fosse intimada à apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos informados pela mesma na DIRF, constante em fl. 43, relativamente ao anocalendário de 2004. Todavia, conforme extraise do Despacho de fl. 85, embora intimada e reintimada acerca da Diligência requerida por esta Turma, a Prefeitura de MacaéRJ, deixou de atender a mesma. Assim, diante do não atendimento da diligencia requerida, passase ao exame do mérito, com base nos documentos constantes dos autos. Embora esta julgadora tenha entendido à época que, para o devido deslinde do feito, seria essencial a Prefeitura de MacaéRJ apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos informados na DIRF (fl. 43), relativamente à contribuinte fiscalizada (ano calendário 2004), verificase a partir da documentação acostada pela Recorrente que, assiste razão à mesma. Com efeito, vislumbrase que os extratos bancários relativos ao período de janeiro/julho, constantes em fls. 52/56, apontam tão somente “crédito vencimentos” depositados nos meses de janeiro à março, exatamente nos valores informados pela contribuinte no recurso (jan. R$ 2.192,73 fev. R$ 1.199,82 mar. R$ 609,89). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Ademais, a fim de corroborar suas alegações, a recorrente acostou aos autos “FOLHA INDIVIDUAL DE PONTO” da Prefeitura Municipal de MacaéRJ, (fls. 59/60), relativamente aos meses de maio e julho de 2004, que não constam anotação alguma de freqüência da contribuinte. No que concerne ao mês de agosto, o qual não está compreendido nos extratos bancários e anotação de folha ponto, a declaração de fl. 61, da Secretária Municipal de Educação, comunica que a contribuinte, Professora C, não exerceu as suas funções durante o mês de agosto/2004. O documento de fl. 62, expedido pela Coordenador do RH – SEMAD, denota que a recorrente estava em situação irregular por não gozar de condições plenas de saúde, pois estava impossibilitada de viajar com freqüência da cidade de Goytacazes à Macaé, vindo a requerer em diversas oportunidades licença saúde. Cabe esclarecer que o mês de abril, conforme costa do “Demonstrativo de Pagamento de Salário” em fl. 47, foi emitido zerado, conforme alegou a contribuinte no presente recurso. Ademais, verificase que a declaração de fl. 42 foi retificada pela de fl. 43. Afirma a recorrente que houve equívoco da Prefeitura de MacaéRJ, ao declarar rendimentos pagos em valor superior ao efetivamente recebido, e para corroborar tais alegações, a contribuinte acosta aos autos cartões ponto, contracheques e especialmente declaração da secretaria de educação de fl. 61. Salientase ainda, que na declaração de fl. 43, em relação ao mês de janeiro está incluído junto aos rendimentos o 13º salário que tem tributação exclusiva (fl. 44), ocorre que no mês de julho, esse mesmo 13º foi excluído (conforme contracheque de fl. 50), portanto resta comprovado que também há equívocos na declaração de fl. 43, informada pela Prefeitura de MacaéRJ. Assim, considerando que a documentação acostada aos autos corrobora as alegações da Recorrente, a qual não auferiu rendimentos nos meses de maio, junho, julho e agosto de 2004, é de ser provido o presente recurso. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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