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6511413 #
Numero do processo: 16004.720511/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PIS - OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE APURAÇÃO - Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-003.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     2   Relatório  Cuida­se de Recurso de Ofício visando modificar a decisão de piso referente  lançamento de contribuição para o PIS e a COFINS, período de 01.10.2010 a 31.12.2012.  O  lançamento  decorre  de  deduções  da  base de  cálculo  com  fundamento  no  artigo 3º, parágrafo 9º, inciso I, II e III da Lei de nº 9.718/98.  A  fiscalização  após  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  concluiu  pela  incidência das  contribuições  sobre  as  receitas no período de  janeiro de 2010 a  dezembro de 2012, nos termos a seguir:  “Utilizando  o  Speed  contábil  elaboramos  o  razão  contábil  da  conta 58471 e 59588 do calendário de 2011 e não constatamos  diferenças nos tipos de receitas contabilizadas nessas contas nos  meses  de  março  e  abril  de  2011  e  após  abril  de  2011,  sendo  assim, concluímos que as  receitas contabilizadas nessas contas  são tributadas pelo PIS/COFINS de janeiro de 2010 a dezembro  de 2012.”  A  fiscalização  considerou  incorretas  as  deduções  da  base  de  cálculo  os  custos/despesas referentes contas do ativo, do passivo e das receitas, por não estar elencado no  rol previsto pelo inciso 9º do art. 3º, ressaltando que as operadoras de planos de saúde, que é o  caso  da  empresa  fiscalizada,  são  beneficiadas  com  fundamento  em  regras  próprias  especificadas no parágrafo 9º do art. 3º da lei nº 9.718/98. Em síntese concluiu que o inciso III  não  contempla  os  custos  e  despesas  relativos  aos  eventos  com  os  usuários  da  empresa  operadora,  entendo  que  somente  os  custos/despesas  efetivamente  pagos,  com  os  eventos  ocorridos com usuários de outras operadoras, desde que, deduzido das importâncias recebidas  das outras operadoras, a título de transferência de responsabilidade.  Transcrevo nesse diapasão o relatório da decisão recorrida por refletir bem a  situação dos autos:   “Trata  o  presente  processo  de  exigência,  mediante  autos  de  infração, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social  (COFINS),  no  valor  de  R$  7.074.945,37,  e  da  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS/Pasep),  no  valor  de  R$  1.532.904,86,  acrescidos  de  multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos ao período de  apuração de janeiro de 2010 a dezembro de 2012.  A descrição dos fatos e os dispositivos legais infringidos constam  dos respectivos autos de infração (folhas 108 a 130) e do Termo  de  Constatação  Fiscal,  integrante  dos  autos  de  infração  (folhas 131 a 164). Da leitura da Descrição dos Fatos (folhas  110 e 120)  Observa­se que o lançamento é decorrente da dedução indevida  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  –  PIS/Pasep  e  Cofins.  No Termo de Constatação Fiscal o atuante, após a descrição  do  procedimento  fiscal,  com  base  na  documentação  e  Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16004.720511/2013­74  Acórdão n.º 3302­003.339  S3­C3T2  Fl. 11          3 declarações  apresentadas,  concluiu  que  a  contribuinte  deduziu  indevidamente  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  contas  do  ativo  e  do  passivo  e  de  despesas.  O  auditor  fundamenta  que,  de  acordo  com  a  legislação,  as  receitas  de  operadoras  de  planos  de  saúde  estão  sujeitas  a  incidência  integral  das  contribuições  e  segue  o  regime  de  apuração  cumulativo,  ou  seja,  com  base  no  faturamento  e  não  no  resultado.  Explica a autoridade fiscal que apesar de as receitas decorrentes  da  atividade  de  operadoras  de  planos  de  saúde  serem  beneficiadas  com  algumas  exclusões  específicas,  com  regras  próprias,  além  daquelas  comuns  às  demais  sociedades,  não  comporta  exclusão  pura  e  simples  de  seus  custos,  despesas,  valores do ativo e passivo e receitas.  Após a citação da legislação tributária pertinente, a autoridade  fiscal descreve as exclusões efetuadas pela contribuinte na base  de  cálculo  das  contribuições.  No  que  se  refere  às  exclusões  comuns  a  todas  as  sociedades,  o  autuante  identificou  nos  Demonstrativos das Receitas das Deduções e da Base de  Cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  elaborado  pela  contribuinte,  relativo ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, as  vendas  canceladas,  nas  contas  códigos  28955  e  29802  (contas  redutoras  das  receitas).  Já  no  que  concerne  às  exclusões  específicas  das  operadoras  de  planos  de  saúde,  o  autuante  identificou no citado demonstrativo contas de provisões técnicas  – conta código 20209 (conta de despesa) e corresponsabilidade  cedidas – conta 3.1.1.7, sendo código 30159 para o ano de 2010,  código 30053 para os anos de 2011 e 2012 (conta redutora de  receita).  A  autoridade  fiscal  esclarece,  ainda,  que,  de  acordo  com  os  demonstrativos  apresentados  pela  contribuinte,  foram  contabilizados nas contas 3.1.1.3 código 28783 e 4.1.1.5 código  47125, respectivamente, as receitas e os custos com beneficiários  de  outras  operadoras  de  planos  de  saúde,  ou  seja,  as  citadas  contas  se  referem  à  corresponsabilidade  assumida  –contas  de  outras  operadoras.  Para  os  anos  calendário  2011  e  2012,  a  contribuinte informou a conta 3.1.1.3 como 3.1.1.1.9. Assim, na  conta 3.1.1.3 (e 3.1.1.1.9) a contribuinte contabilizou as receitas  do  plano,  cuja  obrigação  do  atendimento  lhe  foi  transferida,  sendo que os valores desta conta  integraram a base de cálculo  das contribuições. Na conta 4.1.1.5, a contribuinte contabilizou  os custos do atendimento de contratos assumidos, deduzindo os  valores correspondentes da base de cálculo das contribuições.  Em relação à conta contábil 4.1.1.5 – código 47125, relativa a  deduções  de  corresponsabilidade  assumida  de  assistência  médico hospitalar, ou seja, de usuários de outras operadoras, a  autoridade fiscal afirma que a dedução é indevida, uma vez que  a legislação prevê regras próprias para operadoras de planos de  saúde,  porém,  não  comporta  exclusão  pura  e  simples  da  totalidade  de  seus  custos.  O  auditor  explica  que  somente  a  diferença  positiva  entre  (a)  o  valor  efetivamente  pago,  pela  Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     4 operadora  de  plano  de  saúde  concessionária,  aos  seus  conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente a  eventos  realizados  com  associados  de  outras  operadoras  (as  cedentes)  e  (b)  a  quantia  correspondente  às  importâncias  recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a título de  transferência de responsabilidade ou intercâmbio é que pode ser  deduzida  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  Isto  porque, se o valor for negativo, os recebimentos da cessionária  já  cobrem  os  dispêndios  com  os  eventos  praticados  com  associados das cedentes. Em outras palavras, somente os valores  positivos apurados no Demonstrativo de Eventos Realizados  com  Associados  de  Outra  Operadoras  de  Planos  de  Saúde,  podem  ser  considerados  como  dedução  na  base  de  cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.  Do mesmo modo, a autoridade  fiscal afirma que a contribuinte  deduziu  indevidamente  da  base  de  cálculo  das  contribuições  valores  registrados  nas  seguintes  contas,  os  quais  foram  expurgados da apuração da base de cálculo no lançamento:  (a)  conta  do  ativo  circulante  –  9188  –  adiantamento  a  fornecedores –eventos médicos; (b) conta do passivo circulante –  código  10761  –  provisões  técnicas  de  operação  de  assistência  médicohospitalar; (c) conta de despesa – código 20327 – eventos  conhecidos –indenização/aviso de assistência odontológica.  O autuante  fundamenta que, em relação à exclusão da base de  cálculo das contribuições prevista no inciso III do §9º do artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98  –  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pago,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  título  de  transferência de  responsabilidades a contribuinte deduziu a  soma  dos  valores  correspondentes  a  todos  os  eventos  contabilizados,  ou  seja,  contas  de  ativo,  passivo  e  despesas  decorrentes  de  prestação  de  serviços  médicos  ou  auxiliares,  relativos  aos  seus  clientes,  incorridos  ou  pagos  a  seus  fornecedores  e  associados  pela  retribuição  dos  serviços.  E,  segundo  entendimento  da  jurisprudência  administrativa,  tal  dispositivo  não  contempla  custos  e  despesas  relativos  aos  eventos  com  os  associados  da  fiscalizada,  mas  sim,  o  valor  efetivamente  pago,  correspondente  aos  eventos  ocorridos,  com  associados  de  outras  operadoras  (cessionárias),  deduzido  das  importâncias  recebidas,  das  outras  operadoras,  a  título  de  transferência de responsabilidade.  A autoridade fiscal esclarece, ainda, que a contribuinte apurou e  declarou  em  DCTF  parcialmente  os  débitos  de  PIS/Pasep  e  Cofins  sobre  o  faturamento  –  mercado  interno  no  período  de  apuração  de  janeiro  de  2010 a  dezembro  de  2012. E,  que  tais  valores  declarados,  foram  considerados  no  lançamento  em  litígio.  5 Ainda no Termo de Constatação Fiscal, a autoridade fiscal  relata que, ao confrontar os valores das receitas informadas nos  demonstrativos  apresentados  pela  contribuinte  com  os  declarados  no  Dacon,  constatou  divergências  nos  anos  calendário  2011  e  2012,  conforme  Planilha  Apuração  Diferença Dacon, às  folhas 89 a 91, sendo que a contribuinte  Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16004.720511/2013­74  Acórdão n.º 3302­003.339  S3­C3T2  Fl. 12          5 esclareceu, em 23 de julho de 2013, que as diferenças decorrem  da  data  de  encerramento  da  contabilidade.  E,  informa  a  autoridade fiscal que a contribuinte incluiu no demonstrativo (a)  receita no valor de R$ 3.267.108,90, relativo a janeiro de 2010  ou  (b)  outras  contabilizadas  nas  contas  58471  e  59588  no  período de janeiro de 2010 a março de 2011.  Ciente do lançamento, em 15 de outubro de 2013, a contribuinte  apresentada  impugnação,  às  folhas  168  a  173,  em  06  de  novembro  de  2013,  na  qual,  após a descrição dos  fatos,  expõe  suas razões de contestação, em síntese:  1 – Das deduções legais:  A  contribuinte  alega  que  as  deduções  da  base  de  cálculo  das  contribuições sociais foram efetivadas em estrita observância ao  disposto no artigo 3º, §9º, incisos I, II e III, da Lei nº 9.718/98,  com  redação  que  lhe  foi  dada  pela  Medida  Provisória  nº  2.15735, de 2001.  Argumenta a interessada que, para uniformizar a interpretação  acerca da dedução prevista no  inciso  III,  do citado dispositivo  legal, a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, em seu artigo  19,  acrescentou  o  §9ºA  ao  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98.  Este  dispositivo,  explica  a  contribuinte,  dispõe  que,  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  é  legalmente permitida a dedução de todos os custos assistenciais,  sejam eles com beneficiários próprios ou de outras operadoras.  Prossegue  a  fiscalizada  defendendo  que,  ainda  que  a  Lei  nº  12.873/2013 tenha vigência posterior ao período autuado, por se  tratar  de  lei  interpretativa  acerca  das  deduções  da  base  de  cálculo das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – aplica­ se o seu teor ao presente caso, nos termos do inciso I, do artigo  106  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  A  contribuinte  ressalta  que  a  interpretação  autêntica,  oriunda  da  vontade  do  próprio  legislador  por  meio  de  lei  interpretativa,  não  admite  qualquer juízo de valor acerca do seu conteúdo. Em sua defesa,  a  contribuinte  cita  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça (STJ).  2 Da multa de ofício de 75%:  A  contribuinte  requer  que,  na  hipótese  de  que  seja  mantido  o  lançamento  de  ofício,  a  multa  de  75%,  que  tem  caráter  confiscatório seja reduzida.  3 – Dos juros de mora sobre a multa de ofício:  A contribuinte alega que não procede a  incidência de  juros de  mora sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição,  se  os  juros  remuneram  o  credor  pela  privação  do  uso  de  seu  capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido  recolhido no prazo legal e não foi, ou seja, apenas sobre o valor  do tributo.  Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     6 Da  mesma  forma,  defende  a  interessada,  o  parágrafo  3º  do  artigo 61 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a incidência de juros  sobre  a multa  de  ofício,  pois  o  dispositivo  prevê  que  sobre  os  “débitos”  incidirão  juros de mora,  sendo que a  referência aos  “débitos” diz respeito ao valor principal da dívida. E, ainda, que  não  incide  neste  caso  o  artigo  113,  §3º  do  CTN,  em  que  a  obrigação  acessória  converte  se  em  obrigação  principal  pelo  simples fato de sua inobservância.”  Em  decorrência  de  a  Impugnante  ter  alegado  tão­só  que  as  deduções  praticadas encontravam albergadas pelo § 9º­A do artigo 3º da Lei 9.718/98, incluído pela Lei  nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, por ser interpretativo, além disso, questionou aplicação da  multa de 75% e, deixado de contestar a divergência apontada pela fiscalização entre os valores  informados nos demonstrativos elaborados pelo contribuinte aos valores consignados no auto  de infração, entendeu considerou para todos os efeitos aceitos os ajustes efetuados na base de  cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS.  Entendeu  Autoridade  julgadora  que  o  inciso  III  contempla  os  custos  e  despesas relativos aos eventos com os usuários da empresa operadora, entendo que somente os  custos/despesas  efetivamente  pagos,  com  os  eventos  ocorridos  com  usuários  de  outras  operadoras, desde que, deduzido das importâncias recebidas das outras operadoras, a título de  transferência  de  responsabilidade,  deduções  tidas  por  indevidas  estão  incluídas  dentro  dos  limites do parágrafo 9º­A da Lei nº 9.718/1998, afastou a exigência das contribuições para o  PIS  e  a  COFINS  relativa  às  glosas  dos  valores  das  deduções  à  base  de  cálculo  dos  custos  contabilizados nos títulos:  “(a)  10761 – Prov. Técnicas de Oper. De Assist. MédicoHosp,  nos anoscalendário 2010 a 2012;  (b)  20327  –  Eventos  Conhecidos/Ind.  Avis.  De  Assist.  Odontológica, nos anoscalendário 2010 a 2012;   (c) 9188 – Adiantamentos para Fornecedores Eventos Médicos,  no ano calendário 2010.”  É o que tinha a relatar.  Voto             Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator.  Cuida­se de Recurso de Ofício, atende os  requisitos necessários, o valor do  crédito tributário exonerado é superior ao valor de alçada por essas razões deve ser conhecido.  A  contenda  centra  em  deduções  permitidas  para  as  operadoras  de  plano  de  saúde com espeque no inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, que autoriza a dedução  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  os  valores  referentes  às  indenizações  correspondentes aos eventos ocorridos, o julgado ampliou o entendimento para abarcar o total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  dos  planos  de  saúde,  incluindo  os  custos  da  própria  operadora  e  os  beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título de transferência de responsabilidade assumida.  O lançamento ocorreu em razão das deduções dos custos e despesas relativos  aos eventos com os usuários da empresa operadora.  Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16004.720511/2013­74  Acórdão n.º 3302­003.339  S3­C3T2  Fl. 13          7 Em  sendo  assim,  entendeu  a  fiscalização  de  proceder  ao  lançamento  consubstanciado  pelo  entendimento  pacificado  no  seio  da  Receita  Federal  do Brasil,  que  os  custos  relacionados  com  atendimento  dos  beneficiários  em  unidades  próprias  ou  pela  rede  credenciada, portanto, não poderia ser excluída da base de cálculo, dando ao dispositivo, inciso  III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, interpretação restritiva.  A autorização de dedução da base de cálculo na visão do Fisco se reduz as  indenizações  efetivamente  pagas  por  uma  operadora  referente  a  atendimentos  médicos  efetuados  em  beneficiários  pertencentes  à  outra  operadora,  deduzidas  das  importâncias  recebidas a mesmo título, daí decorreu as glosas objeto do lançamento.  O julgado, a meu sentir, deu contorno jurídico acertado ao caso, essa Turma  vem caminhando no sentido de assentar entendimento em relação a essa matéria, após evento  da  Lei  nº  12.995/2014,  que  novel  legislação  alterou  substancialmente  a  interpretação  dispensada ao inciso III do parágrafo 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, passando a considerar os  custos de beneficiários da própria operadora.  Como se vê do voto brilhante do Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledé  ,  ao apreciar essa matéria nos autos do processo de nº 10380.004529/2006­22:  “...Por  fim,  em  sua  última  manifestação,  e­fls.  676/677,  a  recorrente  pugnou  novamente  pela  dedução  dos  valores  previstos  no  §9º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  em  vista  da  alteração  promovida  pelo  artigo  19  da Lei  nº  12.873/2013,  ao  incluir o §9º­A, imprimindo interpretação autêntica da expressão  "valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos", conforme transcrito abaixo:  Art.  3o  O  faturamento  a  que  se  refere  o  art.  2o  compreende  a  receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto­Lei no 1.598, de  26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de  2014) (Vigência)  [...]§  9o  Na  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  COFINS,  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde  poderão  deduzir:  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)  I  ­  co­responsabilidades  cedidas;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)   II  ­  a  parcela  das  contraprestações  pecuniárias  destinada  à  constituição  de  provisões  técnicas;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)  III  ­  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias  recebidas  a  título  de  transferência  de  responsabilidades.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  §  9o­A.  Para  efeito  de  interpretação,  o  valor  referente  às  indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata  o  inciso  III  do  §  9o  entende­se  o  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     8 oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se  neste  total  os  custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência  de  responsabilidade  assumida.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.873,  de  2013.)  A  interpretação  promovida  na  lei  relativa  àquela  expressão  alterou  substancialmente  o  entendimento  da  Receita  Federal  quanto  à  base  de  cálculo  das  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde,  expressa,  por  exemplo,  na  Solução  de  Consulta Cosit nº 6/2010, cuja ementa transcreve­se:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep O disposto no inciso III  do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, não permite que as  operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de  cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos  operacionais  relacionados  com  os  atendimentos  médicos  realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de  estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de  profissionais  e  empresas  da  área  de  saúde,  visto  que  tais  contribuições  incidem  sobre  o  faturamento  (receita  bruta)  mensal e não sobre o resultado.  O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente  autoriza  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde  a  deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep  o valor correspondente às  indenizações efetivamente pagas por  uma  operadora,  referente  aos  atendimentos  médicos  efetuados  em  beneficiários  (clientes)  pertencentes  à  outra  operadora  de  plano  de  assistência  à  saúde,  deduzido  das  importâncias  recebidas a título de transferência de responsabilidade.  Dispositivos  Legais:  §§  2º  e  9º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº  2.158­35, de 2001.  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei  nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória  nº 2.158­35, de 2001, não permite que as operadoras de planos  de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Cofins, as  despesas  e  custos  operacionais  relacionados  com  os  atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários  (clientes),  por  meio  de  estabelecimento  próprio  ou  pela  rede  conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de  saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento  (receita bruta) mensal e não sobre o resultado.  O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente  autoriza  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde  a  deduzirem da base de cálculo da Cofins o valor correspondente  às  indenizações  efetivamente  pagas  por  uma  operadora,  referente  aos  atendimentos médicos  efetuados  em beneficiários  (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência  à  saúde,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  título  de  transferência de responsabilidade.  Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16004.720511/2013­74  Acórdão n.º 3302­003.339  S3­C3T2  Fl. 14          9 Dispositivos  Legais:  §§  2º  e  9º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº  2.158­35, de 2001.  Este entendimento restritivo foi modificado pela inclusão do §9º­ A, nos termos do artigo 106, inciso I do CTN1, pois enquanto este  determinava que as indenizações por eventos efetivamente pagos  se restringia aos efetuados em beneficiários de outra operadora  de  plano  de  saúde,  o  novo  parágrafo  dispôs  que  a  expressão  refere­se  ao  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se  neste  total  os  custos  de  beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência  de  responsabilidade  assumida,  alargando  a  possibilidade  de  deduções permitidas.”  Como  se  vê  do  texto  extraído  do  voto  acima  mencionado,  a  interpretação  trazida pela novel norma se aplica aos casos anteriores ao ingresso da lei ao mundo jurídico.  Portanto, o  julgado não merece qualquer reparo, devendo ser mantido pelos  seus próprios fundamentos jurídicos.  Assim sendo, nego provimento ao recurso.  É como voto.  Domingos de Sá Filho                                                                1 Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos  dispositivos interpretados; (grifei)                              Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     10     Fl. 323DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 10930.903674/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/05/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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3402­003.641  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de dezembro de 2016  Matéria  COFINS ­ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO  Recorrente  WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do Fato Gerador: 30/05/2006  COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.  Não  se  reconhece  o  direito  à  repetição  do  indébito  quando  o  contribuinte,  sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que  teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma  oportunidade processual para fazê­lo, não se justificando, portanto, o pedido  de diligência para produção de provas.   COFINS  ­  IMPORTAÇÃO SERVIÇOS.  PER.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RECOLHIMENTO  VINCULADO  A  DÉBITO  CONFESSADO.  Correto  o  Despacho  Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  por  inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado  como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação  de débito confessado.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso e negar­lhe provimento.  (Assinado com certificado digital)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente e Relator.   Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Antônio  Carlos  Atulim,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Maria     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 74 /2 01 2- 62 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 3          2  Aparecida Martins  de  Paula,  Diego Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz  e Waldir  Navarro Bezerra.  Relatório  Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a  Recorrente  solicita  a  restituição  do  crédito  decorrente  do  pagamento  de  COFINS  ­  IMPORTAÇÃO.  No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR,  indeferiu  o  pleito  da  interessada,  uma  vez  que  o DARF  informado  como  origem  do  crédito  estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando  crédito disponível para restituição".  Inconformada  com  a  decisão  proferida,  a  empresa  apresentou manifestação  de  inconformidade  na  qual  esclarece  tratar­se  de  pessoa  jurídica  de  direito  privado  que  tem  como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi.   Consigna  que  a  Lei  nº  10.865/2004  instituiu  as  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  a  importação  de  bens  e  serviços, mas  não  foi  clara  em  relação  à  incidência  sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre  vendas,  o  que  fez  com  que  a  Recorrente  optasse  por  recolher  as  contribuições  sobre  essas  operações.  Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita  duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a  representantes  comerciais  residentes  ou  domiciliados  no  exterior,  não  estão  sujeitas  à  incidência do PIS e da COFINS ­ Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações  não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique.   Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à  restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional  ­ CTN, devidamente  corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado  o débito em DCTF".  Sobreveio,  então,  o  Acórdão  nº  06­046.014,  da  DRJ  em  Curitiba  (PR),  negando provimento à Manifestação de Inconformidade.  Irresignada  com  a  referida  decisão,  foi  interposto  o  presente  recurso  voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes:   (i)  diferente  do  que  entendeu  a  autoridade  julgadora,  a  empresa  recorrente  comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria,  comércio e exportação de couros de boi;  (ii)  que  demonstrou  que  a  Lei  n°  10.865,  de  2004,  que  instituiu  as  contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao  determinar  a  incidência  sobre  as  quantias  pagas,  ou  remetidas  ao  exterior,  a  representantes  comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas;  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 4          3  (iii)  para  não  sofrer  sanções,  optou  por  recolher  as  contribuições  sobre  as  quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior)  incidentes sobre  comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados;  (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas  a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a  representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência  da COFINS/PIS­Importação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou  cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta.   (v)  que  o  processo  administrativo  sempre  deve  buscar  a  verdade  real  ou  material  relativa  aos  fatos  tributários,  em  decorrência  da  estrita  legalidade  tributária,  que  devem  nortear  todos  os  atos  da  administração  fiscal.  Com  isto,  não  basta  simplesmente  argumentar que "prova alguma  foi  trazida aos autos que comprovassem de que  teria havido  pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório;  (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados  de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN.  (vii)  que  seja  reconhecido  que  os  valores  indevidamente  recolhidos  a  este  título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC,  na forma da Lei n° 9.250/95;  (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a  fim  de  que  seja  oportunizada  apresentação  de  elementos  considerados  necessários  à  complementação  da  prova  ou  esclarecimento  de  dúvidas  relativas  aos  fatos  trazidos  neste  processo.  À vista do exposto, espera e requer seja  julgado  integralmente procedente o  presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição  das quantias recolhidas indevidamente.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­003.529, de  13  de  dezembro  de  2016,  proferido  no  julgamento  do  processo  10930.903656/2012­81,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­003.529):  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 5          4  Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem  como  fundamento  o  indébito  de  PIS/Pasep  sobre  comissão  de  venda  paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior.  No  referido Despacho Decisório  restou  consignado que,  "(...) A  partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte, não restando crédito disponível para restituição".  Consta  dos  autos  que  o  Despacho  Decisório  questionado  está  respaldado  em  informações  prestadas  pela  própria  interessada  em  DCTF, que encontra­se ativa até o momento no sistema informatizado da  Receita Federal  do Brasil. Ou  seja,  ao  que  tudo  indica,  o  contribuinte  não  retificou  a DCTF  no  que  pertine  ao  pleito  em questão,  por  isso  a  conclusão  do  despacho  decisório  vestibular  que  o  valor  sob  pedido  de  ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos  do contribuinte".   Por  outro  lado,  a  Recorrente  tenta  demonstrar  em  seu  recurso,  que não há  incidência de contribuições para o PIS  ­  Importação sobre  remessas  realizadas  para  o  exterior  para  pagamento  de  comissões  à  agentes  no  exterior  a  título  de  comissões  ali  realizadas,  por  não  configurarem hipótese  de  serviço  prestado  no Brasil  ou  cujo  resultado  aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título  são  restituíveis  e  em  montantes  devidamente  acrescidos  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  SELIC,  na  forma  da  Lei  n°  9.250/95.  Tudo  com  base  na  Lei  nº  10.865,  de  2004  e  Soluções  de  Consultas  emitidas pela RFB que cita.  Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que  "(...)  como  se  vê  uma  das  hipóteses  de  ocorrência  do  fato  gerador  das  contribuições  ao  PIS  e  a  COFINS,  sobre  importação  de  serviços,  é  a  remessa  de  valores  a  residentes  ou  domiciliados  no  exterior  como  contraprestação  pelo  serviço  prestado",  como  alega  a  peticionante,  por  outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria  da ora Recorrente, nos seguintes termos:  "(...)  Mas,  para  a  verificação  se  os  valores  remetidos  ao  exterior  atendem  às  condições  estabelecidas  em  lei  para  a  incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não  se  caracterizando  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  há,  de  fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha  em  mãos  documentos  que  demonstrem  a  real  situação  aventada,  como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de  remessa  de  valores  ao  exterior,  cópias  de  notas  fiscais,  recibos,  dentre  outros,  além  da  própria  escrituração  contábil  da  empresa  que reflita essas operações.  Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi  trazida aos  autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou  indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois  de  iniciado  qualquer  procedimento  fiscal,  que  seja  retificada  declaração  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  a  não  ser  mediante  a  comprovação  do  erro  em  que  se  funde.  É  o  que  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 6          5  determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como  visto,  o  Despacho  Decisório  questionado  está  respaldado  em  informações  prestadas  pela  própria  interessada  em  DCTF,  que  encontra­se  ativa  até  o  momento  no  sistema  informatizado  da  Receita Federal do Brasil. (sublinhei)  E conclui a decisão a quo:  "(...)  Assim,  instaurado  o  contencioso  administrativo,  as  alegações  quanto  ao  suposto  crédito  decorrente  de  recolhimento  indevido  ou  a  maior,  como  no  caso  em  análise,  devem  estar  comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido  indevidamente, mediante  a  apresentação de  documentação hábil  e  idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte.  Dessa  forma,  uma  vez  que  a  conclusão  emitida  pela  autoridade  administrativa  teve  como  pressuposto  as  informações  prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a  produzir efeitos na data da  emissão do Despacho Decisório  e não  havendo  prova  hábil  que  contrarie  as  informações  prestadas  espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é  de se manter o indeferimento da restituição pleiteada".  Portanto,  a  lide  se  resume  na  questão  de  atendimento  de  condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos,  pois  para  o  deslinde  do  litígio  é  crucial  que  se  tenha  em  mãos  documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando  o pedido versa sobre suposto pagamento indevido.   No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem  estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido  indevidamente,  mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente.   Documentação  essa,  frise­se,  de  posse  da  recorrente  por  determinação  legal,  como contratos  firmados  com  os  agentes  externos,  comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais,  recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa  que reflita essas operações.  É  de  conhecimento  que  a  regra  fundamental  do  sistema  processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova,  encontra­se  cravada  no  art.  373  do  novo Código  de Processo Civil,  in  verbis:  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II  ­  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor.  Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova  cabe a quem dela  se aproveita. E  esta  formulação  também  foi,  com as  devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto  que  a  obrigação  de  provar  está  expressamente  atribuída  para  o  Fisco  quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando  formula pedido de repetição de indébito.  Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 7          6  E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos  pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou  indevido,  embora  ela  tenha  tido mais  de  uma  oportunidade  processual  para fazê­lo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais  disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a  falta de prova.   Mas,  contrariando  os  ditames  do  ônus  da  distribuição  da  prova  para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  a  fim  de  que  seja  oportunizada  apresentação  de  elementos  considerados  necessários  à  complementação da prova".   Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está  em seu poder, deveria  ter a Recorrente produzido  tal prova quando da  manifestação  de  inconformidade,  ou  mesmo  em  sede  de  recurso  voluntário, o que não ocorreu.  Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora  de ser mantida pelos seus próprios fundamentos.  Conclusão  Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos,  ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito.   Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim                                Fl. 61DF CARF MF

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6554756 #
Numero do processo: 13161.001939/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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3302­003.270  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de agosto de 2016  Matéria  PIS/COFINS ­ RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  COOPERATIVA AGROPECUÁRIA E INDUSTRIAL COOAGRI ­ "Em  Liquidação".  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007  CRÉDITO  BÁSICO.  GLOSA  POR  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  PROVA  APRESENTADA  NA  FASE  IMPUGNATÓRIA.  RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.  Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos,  que  comprovam  o  custo  de  aquisição  de  insumos  aplicados  no  processo  produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da  pessoa jurídica, restabelece­se o direito de apropriação dos créditos glosados,  devidamente comprovados.  REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE  DE  BENS  SEM  DIREITO  A  CRÉDITO  OU  DE  TRANSPORTE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE  Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  os  gastos  com  o  frete  relativo  ao  transporte  de  mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com  frete  relativo  às  operações  de  compras  de  bens  que  não  geram  direito  a  crédito das referidas contribuições.  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL.  BENEFICIAMENTO  DE  GRÃOS.  INOCORRÊNCIA.  A  atividade  de  beneficiamento  de  grãos,  consistente  na  sua  classificação,  limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade  de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.  COOPERATIVA  DE  PRODUÇÃO  AGROPECUÁRIA.  APROPRIAÇÃO  DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 39 /2 00 7- 75 Fl. 330DF CARF MF     2 Por  expressa  determinação  legal,  é  vedado  às  cooperativas  de  produção  agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.  CRÉDITO  PRESUMIDO  AGROINDUSTRIAL.  UTILIZAÇÃO  MEDIANTE  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  APURADO  A  PARTIR  DO  ANO­CALENDÁRIO  2006.  SALDO  EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.  1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011  e  apurados  a  partir  ano­calendário  de  2006,  além  da  dedução  das  próprias  contribuições, pode ser utilizado  também na compensação ou  ressarcimento  em dinheiro.  2. O  saldo  apurado  antes  do  ano­calendário  de  2006,  por  falta  de  previsão  legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro,  mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.  COOPERATIVA  DE  PRODUÇÃO  AGROPECUÁRIA.  RECEITA  DE  VENDA  COM  SUSPENSÃO.  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Por  expressa  determinação  legal  (art.  8º,  §  4º,  II,  da  Lei  10.925/2004),  é  vedado a manutenção de créditos vinculados às  receitas de venda efetuadas  com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica  que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.  COOPERATIVA  DE  PRODUÇÃO  AGROPECUÁRIA.  RECEITA  DE  VENDA  EXCLUÍDA  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Por  falta  de  previsão  legal,  não  é  permitido  à  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos  da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados  às  receitas de venda  excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.  VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO  ARTIGO 15,  INCISO  II DA MP Nº  2.158­35/2001. CARACTERIZAÇÃO  DE  ATO  COOPERATIVO.  LEI  Nº  5.764/1971,  ARTIGO  79.  NÃO  CONFIGURAÇÃO  DE  OPERAÇÃO  DE  COMPRA  E  VENDA  NEM  OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA  LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO  DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.  As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo  nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações  em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a  sistemática  de  recursos  repetitivos  e  de  observância  obrigatória  nos  julgamentos deste Conselho,  conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte  não  podem  ser  consideradas  como  vendas  sujeitas  à  alíquota  zero  ou  não  incidentes,  mas  operações  não  sujeitas  à  incidência  das  contribuições,  afastando  a  aplicação  do  artigo  17  da  Lei  11.033/2004  que  dispôs  especificamente  sobre vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações  não incidentes.  CRÉDITO  ESCRITURAL DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  PIS/PASEP  E  COFINS.  DEDUÇÃO,  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 49          3 Independentemente  da  forma  de  utilização,  se  mediante  de  dedução,  compensação ou ressarcimento, por expressa vedação  legal, não está sujeita  atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de  crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o  PIS/Pasep e Cofins.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  reconhecer  o  direito  ao  crédito  básico  correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e  o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as  notas fiscais 27643, 987063 e 541925.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos  e  nas  compras  sem  direito  a  crédito,  vencidos  os  Conselheiros  Domingos  de  Sá,  Relator,  Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir  o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os  Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria  do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o  Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos  de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o  voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação  às  glosas  referentes  ao  direito  de manutenção  dos  créditos  vinculados  às  receitas  de  vendas  com  suspensão  e  de  vendas  excluídas  da  base  de  cálculo,  vencido  o  Conselheiro  Domingos  de  Sá,  Relator,  que  dava  provimento.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em  relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos  comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo  ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os  Conselheiros  Domingos  de  Sá,  Relator,  e  o  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento.  Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido  o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para  redigir o voto  vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Fl. 332DF CARF MF     4 (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Domingos de Sá Filho ­ Relator  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Redator Designado.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Redator Designado.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Lenisa  Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de  Souza e Walker Araújo.  Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao  crédito  pleiteado  referente  aos  anos  calendários  de  2004,  2005,  2006  e  2007,  e,  manteve  o  indeferimento  parcial  da  pretensão  do  reconhecimento  do  direito  creditório  relativo  ao  PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto.  Em  sede  de  Embargos  Declaratórios  foram  acolhidos  os  argumentos  da  Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua  plenitude,  diante  de  omissão  quando  da  análise  procedida  que  resultou  num Acórdão  da  2ª  Turma da DRJ/CGE.   Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302­003.270.  O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal,  o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos  realizados pela contribuinte:  “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição  de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes  e aquisições do imobilizado, (Tabela 04);  II.  Glosa  integral  do  valor  referente  ao  crédito  presumido  da  atividade  agroindustrial  por  NÃO  restar  comprovado  que  a  contribuinte  exerceu  atividade  agroindustrial,  bem  como,  pela  ausência de comprovação da destinação à alimentação humana  ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela  04);  III.  Estorno  dos  créditos  decorrentes  das  saídas  com  suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins  (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 ­ Tabela 03 e  04);  Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 50          5 IV.  Glosa  integral  dos  créditos  decorrente  da  proporção  de  saídas  sujeita  a  alíquota  zero,  considerando  que  as  operações  realizadas  estavam efetivamente  sujeitas à exclusão da base de  cálculo  e,  por  decorrência,  inexiste  suporte  legal  para  a  manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela  03 e 04);  V.  Glosa  integral  dos  créditos  decorrentes  da  proporção  de  saídas  não  tributadas  decorrentes  de  operações  sujeitas  à  exclusão  de  base  de  cálculo,  considerando  a  matéria  circunscreve­se  a  questão  se  Recorrente  é  considerada  agroindustrial  ausência  de  suporte  legal  para  a  manutenção  de  crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04);  VI.  Deferimento  dos  créditos  básicos  vinculados  às  operações  de  exportações realizados no período.”  Do relatório fiscal constatas as razões das glosas:  1.  CRÉDITO BÁSICO   1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS   No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais  da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins  sobre  as  compras  de  pessoa  jurídica.  Através  do  Termo  de  Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias  das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo  do Dacon.   O  contribuinte  não  logrou  êxito  em apresentar  parte  das  notas  fiscais registradas (Tabela 04 e 05).  1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM   O  contribuinte  apurou  créditos  da  contribuição  para  Pis  e  da  Cofins  sobre  os  fretes  de  operações  de  venda/armazenagem,  transferência e compras de mercadorias.  Conforme  será  demonstrado,  apenas  os  fretes  vinculados  a  operações  de  venda  geram  direito  a  apuração  de  crédito  da  contribuição para Pis e da Cofins.    1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM  Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao  crédito da não­cumulatividade das contribuições para o Pis e da  Cofins  se  for  comprovado  que  o  ônus  foi  suportado  pelo  vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso  II e art. 93)  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003  a  contribuinte  foi  intimada  a  apresentar  cópia  digitalizada  dos  comprovantes  de  pagamento  a  título  de  fretes  sobre  venda/despesa  de  armazenagem as pessoas jurídicas.   Fl. 334DF CARF MF     6 Pela  análise  da  documentação  solicitada,  a  contribuinte  comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de  2007,  foi  a  responsável  pelo  pagamento  dos  serviços  de  fretes  contratados.   Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou  seja, o ônus foi suportado pela vendedora.    1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA  As  transferências  de  mercadorias  entre  estabelecimentos  da  contribuinte  implicam  em mero  deslocamento  das  mercadorias  com  o  intuito  de  facilitar  a  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores.  Portanto,  não  integram  a  “operação  de  venda”  referida no art. 3º,  inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o  valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para  o  consumidor  final,  desde  que  o  ônus  seja  suportado  pelo  vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins.  Cumpre  registrar  que  somente  os  valores  das  despesas  realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias  diretamente  aos  clientes  adquirentes  é  que  geram  direito  a  créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep  e da Cofins, consoante entendimento da Coordenação­Geral de  Tributação  (Cosit)  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  exarado  na  Solução  de  Divergência  nº  11,  de  27  de  setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB  na internet.  A  exclusão  das  transferências  de  mercadorias  foi  realizada  a  partir das informações prestadas através do Termo de Intimação  Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06).    1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA  Os  fretes  sobre  compras,  quando  por  conta  do  comprador,  integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito  de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra  dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens  não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará  direito ao crédito.  As  mercadorias  transportadas  nos  fretes  das  operações  de  compra  foram  fertilizantes  e  sementes,  sujeitos  à  alíquota  zero  (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto,  nos  fretes  de  operações  de  compra  não  existe  a  apuração  do  crédito.   A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada  a  partir  das  informações  prestadas  através  do  Termo  de  Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06).  1.3 ENERGIA ELÉTRICA  Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 51          7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade  da  contribuição  para  Pis  e  da  Cofins  contratadas  com  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  incorridas  a  partir  do  período  de  apuração de  fevereiro de 2004  (Lei nº 10.833/2003, art. 3º,  inciso  III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput).  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003,  foram  solicitadas  cópias  das  notas  fiscais  de  aquisição  conforme  os  registros  da  memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O  contribuinte  não  logrou  êxito  em  apresentar  parte  das  notas  fiscais registradas (Tabela 04 e 05).  1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA  É  permitida  a  apropriação  de  créditos  da  não­cumulatividade  da  contribuição  para  o Pis  e  da Cofins  sobre os  valores  relativos  as  despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Pais,  utilizados  na  atividade  da  empresa  (Lei  nº  10.833/2003, art. 3º,  inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º,  inciso  IV).  Através  do Termo  de  Intimação Fiscal  003,  foram  solicitados  todos  os  comprovantes  relativos  aos  créditos  decorrentes  de  despesa  com  aluguéis.  A  análise  da  documentação  apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados  no Dacon (ver Tabela 04)  1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO)  A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da  não  cumulatividade  da  contribuição  para  Pis  e  da  Cofins  somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens  incorporados  ao  Ativo  Imobilizado,  adquiridos  de  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País  ou  importados,  utilizados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso  II do § 3º).  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003,  foram  solicitados  todos  os  comprovantes  relativos  aos  créditos  de  aquisição  de  imobilizado.   A  análise  da  documentação  apresentada  comprovou  apenas  parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04).  2.  CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA  A  luz  do  dispositivo  transcrito,  o  enquadramento  legal  para  utilização  do  crédito  presumido  decorre  das  seguintes  condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas  na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça  a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que  os  produtos  fabricados  sejam  destinados  à  alimentação  humana ou animal.  Fl. 336DF CARF MF     8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL   O  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004  estabeleceu  os  capítulos  de  classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal  que  dão  direito  ao  crédito  presumido  da  atividade  agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo  do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela  contribuinte  foram  soja  ­  NCM  1201.90.00  e  milho  ­  NMC  1005.90.10.  Assim,  referidos  produtos  estão  classificados  entre  os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º  da  Lei  10.925/2004,  com  a  regulamentação  reproduzida  na  alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660.  2.2 AGROINDÚSTRIA   A Lei nº 10.925, de 2004, não  faz nenhuma menção explícita a  atividade  de agroindústria. O art.  8º  do  referido  diploma  legal  aponta  a  necessidade  de  produção  de  mercadorias  para  apuração do crédito presumido, nos seguintes termos:  “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de  origem animal ou vegetal […]”. Grifou­se O termo agroindústria  foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito:  Art.  6º Para  os  efeitos  desta  Instrução Normativa,  entende­se  por  atividade agroindustrial:  I  ­  a  atividade  econômica  de  produção  das  mercadorias  relacionadas  no  caput  do  art.  5º,  excetuadas  as  atividades  relacionadas no art.  2º  da Lei  nº  8.023, de  1990;  e  (...) Grifou­se  Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito  de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que  produza mercadoria.  O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o  direito  de  apurar  o  crédito  presumido  nele  previsto  aplica­se  também  nas  aquisições  efetuadas  de  pessoa  de  cooperativa  de  produção agropecuária.  3.3  DESTINAÇÃO  À  ALIMENTAÇÃO  HUMANA  OU  ANIMAL  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003,  a  contribuinte  foi  intimada  a  comprovar  que  os  produtos  fabricados  foram  destinados à alimentação humana ou animal.  Em  resposta  a  intimação  fiscal  a  contribuinte  limitou­se  a  reproduzir  o  disposto  no  Regulamento  Técnico  Anexo  a  Instrução  Normativa  nº  11  do  Ministério  da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento,  bem  como,  a  afirmar  que  “  Como  visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura,  as  mercadorias  relacionadas  no  Caput  do  Art.  8º  da  lei  10.925/2004,  produzidas  pela  contribuinte  estão  dentro  nos  padrões  a  serem  destinadas  a  alimentação  humana  ou  animal,  atendendo  todos  os  requisitos  para  apuração  do  Crédito  Presumido de Pis e Cofins.  A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana  ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na  maior  parte  dos  casos  pode  inviabilizar  a  comprovação  de  tal  Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 52          9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no  exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit).  2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO  O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004,  arts.  8º  e  15,  somente  pode  ser  utilizado  para  dedução  da  Contribuição  para  o  PIS  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  apuradas  no  regime de incidência não cumulativa.  Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam  mercadorias  de  origem  vegetal,  classificadas  no  código  22.04,  da  NCM,  poderão  deduzir  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II  do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa  física  ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifou­se    3.  CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO  Os  créditos  relativos  ao  mercado  interno  não  tributado  estão  vinculados  as  seguintes  operações:  vendas  suspensas;  vendas  com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as  sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações  não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17  da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a  operações  não  tributadas  no  mercado  interno  foram  integralmente indeferidos.  4.1 – VENDAS SUSPENSAS  Conforme analisado  no  subitem 3.2,  a Lei 10.925/2004  excluiu  do  conceito  de  agroindústria  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos  in  natura  de  origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas  de cerealista.  Assim,  nas  operações  realizadas  no  período  a  contribuinte  faz  jus  a  suspensão  da  incidência  da  contribuição  para  Pis  e  da  Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos  créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º ­ Tabela  04).  4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO  A  partir  do  mês  de  agosto/2004  os  insumos  vendidos  pela  contribuinte  aos  associados  (adubos,  fertilizantes  e  sementes)  tiveram as alíquotas da  contribuição para o PIS  e da COFINS  reduzidas  a  zero  (art.  1º  da  Lei  10.925/2004).  Entretanto,  a  venda  de  insumos  a  associados  deve  ser  registrada  como  exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de  Fl. 338DF CARF MF     10 agosto de 2001 e não como uma venda não  tributada  sujeita à  alíquota zero.  O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  operações  com  suspensão,  isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o  Pis  e  da  Cofins.  Portanto,  ao  registrar  indevidamente  as  exclusões  de  base  de  cálculo  como  vendas  sujeitas  à  alíquota  zero,  houve  a  manutenção  indevida  dos  créditos  vinculados  a  estas operações. O valor do  crédito vinculado as operações de  venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e  04)  4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO  O  legislador  estabeleceu  tratamento  diferenciado  para  operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas  operações,  o  procedimento  previsto  é  o  de  excluir  os  valores  respectivos  das  bases  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Nesta  sistemática,  NÃO  existe  previsão  legal  para  a  manutenção  do  direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de  base de cálculo.  O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas  foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004.  No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a  contribuinte  manteve  indevidamente  o  direito  a  crédito  nas  operações  de  entradas  vinculadas  as  exclusões  de  base  de  cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 2158­35/01 e art  17  leis  10.684/03). O  valor  do  crédito  vinculado  as  operações  sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas  foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04)  O julgado encontra­se resumido a ementa:  ACÓRDÃO.  OMISSÃO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CABIMENTO.  Deve  ser  apreciada  como  embargos  de  declaração  a  manifestação  do  contribuinte  na  qual  se  alegue  omissão  quanto  a  questões  suscitadas  na  defesa  ou  impugnação,  acerca  das  quais  o  órgão  julgador  deveria  ter  se  pronunciado.  COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO  CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA.  Não se homologa compensação quando o direito creditório  não ficar comprovado.  RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de  ressarcimento  de  PIS  e  Cofins  depende  da  comprovação  documental do respectivo direito.  Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 53          11 CRÉDITO  PRESUMIDO.  COOPERATIVAS.  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL. REQUISITO.  O  crédito  presumido  destinado  às  cooperativas  agroindustriais  beneficiam  apenas  aquelas  entidades  que  realizam  algum  processo  que  possa  ser  consideração  como  industrialização,  observadas nas exclusões contidas na lei.  CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15.  COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO.  O  crédito  presumido  previsto  nos  artigos  8º  e  15  da  Lei  nº  10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins  apurados  no  regime  de  incidência  não­cumulativa,  vedada  a  compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido.  JUROS.  COMPENSAÇÃO  E  RESSARCIMENTO.  NÃO  INCIDÊNCIA.  Não  incidirão  juros  compensatórios  no  ressarcimento  de  créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação  dos referidos créditos.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.”    Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos:  1.  Créditos  de  aquisições  de  insumos,  comprovantes  das  aquisições desconsiderados pela fiscalização;  2.  Créditos  de  aquisições  de  energia  elétrica  –  comprovantes  das  aquisições  desconsiderados  pela  fiscalização;  3.  Fretes  sobre  a  transferência  de  insumos  entre  estabelecimentos;  4.  Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes;  5.  Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas,  processo produtivo;  6.  Forma de utilização do crédito presumido, restrições da  colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento;  7.  Manutenção  dos  créditos  vinculados  as  receitas  com  suspensão de incidência de PIS e Cofins;  8.  Receitas  sujeitas  a  alíquotas  zero,  reclassificação  indevidas  das  vendas  efetuadas  pela  fiscalização  considerando como venda de bens a associados;  Fl. 340DF CARF MF     12 9.  Ressarcimento  de  créditos  vinculados  as  receitas  sem  incidência  de  PIS  e  Cofins,  exclusões  permitidas  as  sociedades Cooperativas;  10.  Previsão legal para incidência da SELIC.  Inicialmente,  faz  introdução  quanto  aquisições  de  matéria  prima  e  do  processo produtivo:  “O  critério  da  não­cumulatividade  permite  a  realização  de  créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da  pessoa  jurídica,  tudo  descrito  no  Art.  3o  das  respectivas  Leis  (10.637 e 10.833).  Para  o  exercício  regular  de  suas  atividades,  dentre  os  custos,  despesas  e  encargos  suportados,  a  contribuinte  adquire  de  fornecedores  pessoas  físicas  residentes  no  país  e  jurídicas  situadas  no  mercado  interno,  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003)  para  a  produção  de  mercadorias  classificadas  na  NCM  nos  Capítulos  8  a  12,  constantes  do  Caput  do  artigo  8  o  da  lei  10.925/2004.  Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3  das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva,  onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência  das  denominadas  Contribuições  ao  Fundo  de  Participação  no  Programa de  Integração Social  ­ PIS  (Lei Complementar n° 7,  de  7.9.70)  ­,  e  Contribuição  Social  sobre  o  Faturamento  ­  COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo  diesel,  caminhões,  colhedeiras,  máquinas,  peças,  ferramentas,  etc.  Daí,  o  direito  ao  crédito  sobre  as  aquisições  de  pessoas  físicas  e  de  pessoas  jurídicas  com  suspensão,  ser  presumido,  conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art.  8 o da Lei 10.925/2004.  Os  créditos  sobre  os  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e  10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme  Inciso  I  do  parágrafo  1  o  do  art.  3o  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  combinado  com  o  parágrafo  2o  do  art.  8o  da  lei  10.925/2004,  independente  da  finalidade  que  se  dará  a  mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.”  Considerando  que  estes  56  (cinqüenta  e  seis)  processos  estão  vinculados  ao  MPF  0140200.2011.00053  e:  a)  que  possuem  igual  teor,  pois  o  mérito  discutido  é  o  mesmo  em  todos  os  processos;  b)  considerando  os  princípios  da  economia  e  celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de  recursos  (papel,  cópias,  impressões,  tempo  utilizados  pelos  agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações  apresentadas  para  cada  processo);  d)  o  tempo  utilizado  pelo  julgador  para  análise  individual  de  cada  processo;  e)  a  possibilidade de julgamento simultâneo.  Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56  vezes),  os mesmos  documentos  que  intencionam  evidenciar  seu  direito,  discorrer  longamente  em  cada  processo  em  56  Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 54          13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas  cada  uma,  sobre  os  fundamentos  que  entende  lhe  assegurar  o  direito  a  crédito  complementar;  em  ANEXAR  todos  os  documentos,  bem  assim,  EM  APRESENTAR  na  versão  estendida  da  manifestação  de  inconformidade  todos  os  fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para  todos os processos mencionados na página  inicial, no processo  n. 13161.001928/2007­95, conforme consta anexado nas  folhas  84 à 267 do referido processo”  Em síntese argumenta em suas razões que:  III ­ DAS RAZÕES DE REFORMA ­ Fundamentos legais, discorre sobre o  tema:  “DO  SISTEMA  NÃO  CUMULATIVO  DE  PIS  E  COFINS  ­  DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 ­ DAS  PREMISSAS  DO  SISTEMA  NÃO  CUMULATIVO  DE  PIS  E  COFINS  E  SUA  INTERPRETAÇÃO  Para  o  adequado  enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumpre­nos  trazer  a  baila,  as  premissas  que  nortearam  a  instituição  do  sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos  de  enunciação  do  direito  positivo,  constantes  respectivamente  das  Justificativas  dos  Senhores  Ministros  da  Fazenda,  por  ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas  Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins)  3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES  Tanto  a  lei  10.637/2002 quanto  a  lei  10.833/2003,  determinam  que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados,  créditos  calculados  sobre  os  itens  relacionados  no  Art.  3o  de  ambas  as  Leis.  Sendo  inicialmente  autorizado  o  ressarcimento  dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o  PIS no Art. 5  o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6  o da  Lei 10.833/03.  Portanto, partindo desta premissa,  estamos diante de mecânica  própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador,  que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de  forma  a  respeitar  o  Princípio  Constitucional  da  não  comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições  quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente.  Ao  contrário,  importaria  em  afirmar  que  incidem  as  referidas  contribuições  quando  da  realização  de  exportações,  pois,  não  teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que  incidiu  nas  etapas  anteriores  ao  ato  de  exportar,  o  que  representaria  custo,  ônus  tributário,  o  que  é  vedado  pelo  Legislador  Constitucional  e,  que  contraria  a  prática  internacional de não exportar tributos.  3.1.3  ­  DOS  CRÉDITOS  VINCULADOS  AS  RECEITAS  NO  MERCADO INTERNO.  Fl. 342DF CARF MF     14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo  de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento  com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser  utilizado  para  ressarcimento  ou  compensação,  a  parcela  de  créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao  que  as  Leis  (10.637  e  10.833)  denominaram  de  isenção  conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6  o  da lei 10.833/2003 para a Cofins.  Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer  dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins,  conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi  editada  a  medida  provisória  206/2004,  posteriormente  convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17.  Portanto,  resta  muito  claro  que  o  art.  17  da  lei  11.033/2004  confirmou  o  direito  a  manutenção  dos  créditos  apurados  na  forma do art. 3  o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às  receitas nele mencionadas.  Assim,  também  partindo  desta  premissa,  estamos  diante  de  mecânica  própria  do  PIS  e  COFINS,  sistemática  prevista  pelo  Legislador,  que  de modo  coerente,  assegura  a manutenção dos  créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não  cumulatividade,  evitando  o  efeito  cascata,  ou  seja,  a  cumulatividade.  Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de  manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos  (saldo  credor),  mediante  dedução,  compensação  ou  ressarcimento  do  saldo  de  créditos  decorrentes  de  saídas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  e  não  incidência  das  contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de  agosto de 2004.  3.1.4 ­ DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS  Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins,  possuiu  sistemática  de  apuração  própria,  diferente  da  sistemática adotada em outros tributos como o IPI.  No  caso,  não  estamos  tratando  de  apuração  de  créditos  IPI,  estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é  diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e  Cofins  é  mais  amplo  que  o  conceito  adotado  para  o  IPI,  não  guardando  nenhuma  relação  a  apuração  de  créditos  de  PIS  e  Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido.    IV ­ Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB  No  período  analisado,  em  conformidade  com  o  art.  3o das  Leis  10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre  insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas  e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos.  Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o  direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois  Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 55          15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado  devendo ser considerada encerrada a fase probatória.  Todavia,  não  concorda  a  contribuinte,  pois  estas  aquisições  como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas.  Ressalta­se,  que  a  fiscalização  durante  sua  análise  teve  várias  maneiras  e  oportunidades  de  efetivamente  comprovar  a  existência  destas  aquisições,  uma  vez  que  todos  os  livros  e  registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado  em  atendimento  as  diversas  intimações,  sejam  por  meio  dos  documentos físico ou digital.  Assim, considerando que para o caso em questão há documentos  que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o  crédito  deve  ser  deferido,  em  observância  ao  principio  da  verdade material.    4.1.1 ­ AQUISISÕES DE INSUMOS  Menciona­se  que  a  fiscalização  indeferiu  parte  dos  créditos  apurados  sobre  as  aquisições  de  insumos  utilizados  na  produção,  sob  o  argumento  que  parte  destas  aquisições  não  foram  comprovadas,  uma  vez  que,  segundo  seu  entendimento,  não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais  (documento físico)  relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência  tomou a  contribuinte  juntamente  com o Relatório Fiscal,  e que  ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo  ao recurso.  Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições  não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte  não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo  (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização.  Registre­se  que  estas  aquisições,  constam  registradas  na  escrituração  contábil  e  fiscal  da  contribuinte,  com  a  plena  identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante  o processo de análise do crédito.  Assim,  considerando  que  estas  Notas  Fiscais  de  aquisições  de  insumos  foram  devidamente  registradas  e  escrituradas,  a  fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas  aquisições,  uma  vez  que,  estas  informações  estão  relacionadas  em documentos,  tais como:  livros digitais de entradas e saídas,  razões  contábeis,  arquivos  contábeis,  arquivos  digitais  de  entradas  e  saídas  formato  SINTEGRA,  todos  apresentados  a  fiscalização  pela  contribuinte  em  atendimento  as  intimações  recebidas.  Para  além  disso,  todos  os  comprovantes  que  evidenciam  a  ocorrência  da  efetiva  aquisição  dos  insumos  referente  as  notas  Fl. 344DF CARF MF     16 fiscais  relacionadas  Tabela  05  elaborada  pela  fiscalização  anexa  ao  Relatório  Fiscal,  seguiram  no  ANEXO  I  da  manifestação de inconformidade então protocolada para melhor  análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n°  1395,  2948,  11242  e  7331,  bem  como  os  comprovantes  de  pagamentos de demais registros, conforme pode­se observar nos  documentos  constantes  nas  folhas  166  a  225  do  processo  13161.001928/2007­95,  e  que  ora,  para  melhor  analise  deste  colegiado,  novamente  são  apresentados  anexo  a  este  recurso,  confirmando o direito ao crédito.  Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de  insumos  anteriormente  desconsideradas  pela  fiscalização,  conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao  Relatório  Fiscal  para  ciência,  requer  a  contribuinte  a  manutenção do crédito sobre estas as aquisições.    4.1.2 ­ DA ENERGIA ELÉTRICA  Relativo  às  despesas  de  energia  elétrica,  da mesma  forma  que  manifestou  entendimento  sobre  as  aquisições  de  insumos,  entendeu  a  fiscalização  que  algumas  aquisições  não  estariam  comprovadas,  argumentando que  não  teriam  sido  apresentadas  pela  contribuinte as  faturas  relacionadas pela  fiscalização nas  Tabelas  04  e  05  cuja  ciência  tomou  a  contribuinte  juntamente  com  o  Relatório  Fiscal,  indeferindo  desta  forma,  o  crédito  apurado sobre estas faturas.  Todavia  s.m.j.,  o  argumento  da  fiscalização  está  equivocado,  pois  tais  notas  fiscais,  foram  devidamente  apresentadas  à  fiscalização,  em atendimento ao  termo de  intimação  fiscal 003,  onde  a  contribuinte  apresentou  cópia  digitalizada  destes  documentos,  e  também  em  atendimento  ao  termo  de  intimação  fiscal  004  onde  a  contribuinte  apresentou  os  originais  destes  documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder  da  fiscalização  até  a  finalização  dos  seus  trabalhos,  sendo  devolvidas  a  contribuinte  somente  após  ocorrer  a  ciência  do  Relatório Fiscal.  Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a  existência  destes  documentos,  juntamente  com manifestação  de  inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ,  contribuinte  apresentou  novamente  as  faturas  de  energia  elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05  elaborada pela  fiscalização), conforme pode  ser  verificado nos  documentos  (ANEXO  II)  constantes  nas  folhas  226  a  267  do  processo  13161.001928/2007­95,  e  que  ora,  em  virtude  de  não  terem  sido  considerados  no  julgamento  da  DRJ,  no  intuito  de  facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os  apresenta, anexo, a este recurso.    Assim,  considerando  o  principio  da  verdade material,  uma  vez  que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e,  que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de  Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 56          17 não  apresentação  da  documentação,  requer  a  contribuinte  a  manutenção  do  crédito  de  PIS  e  Cofins  apurados  sobre  a  totalidade das despesas com Energia Elétrica.    4.2 ­ DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS  DE MERCADORIAS  Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art.  3o das  Leis  10.637/02  e  10.833/03,  no  inciso  IX  do  art.  3o  estão  relacionados  ás  despesas de  armazenagem  e  frete  na  operação  de venda.  Todavia,  ao  efetuar  a  verificação  dos  créditos  apurados  pelo  contribuinte,  a  fiscalização  entendeu  que  não  seria  possível  apurar  créditos  sobre  os  fretes,  relativo  às  transferências  de  insumos,  mercadorias  entre  estabelecimentos,  entendendo  que  estas  operações  não  integrariam  as  operações  de  venda,  argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias.  Ocorre  que  este  "deslocamento"  como  denominado  pela  fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em  transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas  decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude  de diversos fatores interligados a operação de produção e venda  destas mercadorias.  O fato é que estas transferências representam custos necessários  a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma  forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados,  pois  nenhuma  empresa  almeja  ter  seus  custos  e  despesas  majorados sem que realmente seja estritamente necessário.  Portanto,  os  fretes  relativos  a  transferências  entre  estabelecimentos  também  fazem  parte  dos  custos  de  produção  necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir  todas  as  etapas  de  produção,  não  podendo  a  mercadoria  ser  comercializada, enviada para o destino.    4.3 ­ DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E  SEMENTES  A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para  revenda,  dentre  as  quais  fertilizantes  e  sementes  sujeitas  a  alíquota  0% de PIS  e Cofins.  Sobre  a  aquisição  de  sementes  e  fertilizantes  não  houve  aproveitamento  de  crédito,  pois  a  contribuinte  observou  o  disposto  no  §  2o  do  art.  3°  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que  veda  o  aproveitamento  de  crédito  sobre  as  aquisições  não  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições.  Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda,  é  necessário  que  estas  mercadorias  sejam  transportadas  do  Fl. 346DF CARF MF     18 estabelecimento  do  fornecedor  até  o  estabelecimento  do  comprador,  para  isso,  é  preciso  contratar  os  serviços  de  transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas  mercadorias  até  o  seu  destino.  Logo,  quando  o  ônus  desta  despesa  é  suportado pelo adquirente,  (caso da recorrente)  esta  despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida.  Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o  PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa  anterior,  pois  para  a  pessoa  jurídica  que  prestou  o  serviço  de  frete,  estas  operações  representam  sua  receita/faturamento,  portanto  base  de  calculo  das  contribuições  nesta  fase  da  operação.  Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão  e, sim, operação regularmente  tributada de PIS e Cofins, daí a  não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente.  Ou  seja,  uma  coisa  é  a mercadoria  outra  coisa  é  o  frete. Que  apesar  de  ser  custo  de  aquisição,  todavia,  são  operações  distintas,  de  fornecedores  igualmente  distintos, mediante  Notas  Fiscais específicas.  O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito  nas aquisições de  fretes  aplicados  no  transporte  de  mercadorias  tributadas  a  alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso  II  do  Parágrafo  2  o  do  art.  3  o  da  Lei  10.833/2003.  Neste  fundamento,  claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias  ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente,  este  não  é  o  caso.  Posto  que,  os  fretes  são  alcançados  pelas  Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota  zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o  direito  ao  crédito  nos  serviços  contratados  (fretes)  e  aplicados  no  transporte daquelas mercadorias.    4.4  ­  DO  CRÉDITO  PRESUMIDO  ­  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL  –  PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS  DE  ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS ­ 8 a  12 da NCM.  A Contribuinte  diante  da mecânica  do  PIS  e  da COFINS  não­ cumulativa,  para  o  período,  apurou  crédito  presumido  sobre  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas  e  pessoas  jurídicas  com  suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas  nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o  das  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  combinado  com o  §  10  do  Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a  partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004.  Todavia  entendeu  a  fiscalização  que  a  contribuinte  não  se  enquadraria  como  empresa  produtora,  por  conseguinte  e  não  faria jus a apuração do referido crédito.  Mas vejamos mais informações.  4.4.1  ­  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL  ­  CONCEITO  ­  PROCESSO PRODUTIVO.  Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 57          19  A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF  660  exerce  atividade  econômica  de  produção  de  mercadorias  relacionadas no artigo 5º da referida IN.  4.4.3  ­  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  UTILIZADOS  NA  PRODUÇÃO  A  Contribuinte  adquire  de  pessoas  físicas  e  jurídicas  que  desempenham  atividade  rural  insumos,  utilizados  no  processo  produtivo  em  conformidade  com  o  inciso  II  do  art.3  o  das  leis  10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660.  Ressaltamos  que  os  produtos  agropecuários  resultantes  da  atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos  (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo ­  atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6),  resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da  NCM ­ Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3  o  da Lei 10.637/2002, § 5, do Art.  3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II  do  art.  3o  das  Leis  10.637  e  10.833).  Portanto,  faz  jus  a  Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes  insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas  previstas na legislação.  4.4.4  ­  DA  ATIVIDADE  ECONÔMICA  DE  PRODUÇÃO  DAS  MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da  NCM ­ NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL.   O  contribuinte  é  equiparado  a  estabelecimento  produtor  de  acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65:  Art.  4o Equiparam­se a  estabelecimento produtor,  para  todos os  efeitos desta Lei:  IV  ­  os  que  efetuem  vendas  por  atacado  de  matérias­primas,  produtos  intermediários,  embalagens,  equipamentos  e  outros  bens de produção. (Incluído pelo Decreto­Lei n° 34, de 1966)  (grifo acrescido)  Por  conseguinte,  realiza  o  beneficiamento  das  mercadorias  (grãos)  através  de  procedimentos  próprios  e  necessários  para  obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal  e,  requisito necessário para o comércio.”  Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte,  confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência  para  que  fosse  anexada  cópia  integral  dos  autos  do  processo  administrativo  13161.001928/2007­95,  ao  argumento  de  que  as  provas  capazes  de  nortear  a  decisão  teriam  sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem.  Fl. 348DF CARF MF     20     Retorna  os  autos  para  apreciação  das  matérias,  registra­se,  em  que  pese  a  diligência  determinada,  restou  esclarecido,  posteriormente,  que  os  documentos  objeto  da  determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente.  Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada.  Voto Vencido  Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator.  Cuida­se de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade,  deve ser conhecido.  O  debate  encontra  focado  em  glosas.  No  tocante  aos  créditos  básicos  oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação.  O  deferimento  parcial  dos  créditos  se  refere  aos  insumos:  ENERGIA  ELÉTRICA,  ALUGUÉIS  PAGOS  A  PESSOAS  JURÍDICAS,  FRETE  e  AQUISIÇÃO  DE  IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO,  EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC.  A  fiscalização  reconhece  o  direito  a  apropriação  de  créditos  para  as  contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições  de  insumos  aconteceu  por  meio  do  “Termo  de  Intimação  –  003”,  atendido,  o  contribuinte  apresentou  diversos  documentos,  entretanto,  insuficientes  a  comprovar  totalidade  do  crédito  almejado, cabendo glosar parte.  É  cristalino  o  direito  de  tomar  crédito  relativo  as  contribuições  a  descontar  referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal.   Em  resposta  a  Interessada  sustenta  que  os  livros  de  registros  de  entrada  estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os  documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido.  Registra­se,  na  fase  inicial  o  julgador  de  piso  determinou  diligência  no  sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa  total pelo fato da  contribuinte  deixar  de  apresentar  documentação  ao  fundamento  da  incapacidade  de  pessoal,  vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação.  Concluído  os  trabalhos  fiscais,  o  resultado mostrou  existência  de  crédito  o  que foi  reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões  advém o voluntário, o que passa­se a examinar item a item:  1.  DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS.   As  glosas  em  sua  totalidade,  como  se  vê  do  relatório  fiscal  aconteceu  por  insuficiência documental a título de comprovação.  Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados  junto com o voluntário  fazem parte do  rol  da documentação examinado pela  fiscalização em  trabalhos diligenciais, visto que, o  relatório  fiscal menciona o número das planilhas  (tabela),  entretanto, essas planilhas não encontram nos autos.  Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 58          21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das  faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes,  cujo  crédito  foi  glosado, deve­se  reconhecer o direito de descontar  crédito das  contribuições  com  ressalvas,  visto  que,  no  caso  da  energia  o  relatório  fiscal  menciona  ter  reconhecido  parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o  reconhecimento ao  direito de  apurar credito  se  restringe se  as  faturas  anexadas  aos  autos,  não  sendo as mesmas  aferidas pela fiscalização.  Assim, sou  inclinado reconhecer o direito a  tomada do crédito das notas de  aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem  pertinentes  a  atividade  da  cooperativa,  bem  como,  relacionadas  com  as  faturas  de  energia,  desde  que  não  sejam  as  mesmas  incluídas  no  rol  daquelas  que  serviram  para  deferimento  parcial pela fiscalização.  1.1 ­ DA GLOSA DOS INSUMOS.  O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição  dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a  autoridade  fiscal,  a  contribuinte  não  logrou  êxito  em  apresentar  parte  das  notas  fiscais  discriminadas  na  Tabela  05,  que  integra  o  processo  nº  10010.031.138/0413­61  (dossiê  memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida:  DATA  Nº NF  FORNECEDOR  VALOR  23/03/05  10161  EURO GRAOS LTDA  281.400,00  14/04/05  467141  AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE  493.884,30  26/04/05  7771  KAZU CEREAIS LTDA  290.000,00  26/04/05  13951  GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS  286.000,00  08/08/05  40721  GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS  269.898,44  13/10/05  288801  AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA  650.000,00  19/12/05  29481  D'OESTE CEREAIS LTDA  409.500,00  15/03/06  112421  PROCOMP AGROPECUARIA LTDA  271.238,49  20/03/06  3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA  416.800,00  14/03/07  18731  KAZU CEREAIS LTDA  273.400,00  11/04/07  73311  KASPER E CIA LTDA  1.490.000,00  20/04/07  658241  LR AGROPECUARIA LTDA  363.635,39  No recurso em apreço, a  recorrente alegou que o direito ao crédito apurado  sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter  conseguido encontrar parte das notas em seu  arquivo  (extenso e histórico), para apresentar a  fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  com  a  plena  identificação,  a  qual  a  fiscalização  teve  acesso  irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à  manifestação  de  inconformidade,  constante  dos  autos  do  processo  nº  13161.001928/2007­95  (fls.  166/225),  as  cópias  das  notas  fiscais  de  nºs  1395,  2948,  11242  e  7331,  bem  como  os  comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara  tais documentos aos presentes autos.  Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os  autos do processo nº 13161.001928/2007­95, verifica­se que foram apresentados os  referidos  documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e  7331,  as  demais  cópias  de  documentos  apresentados  não  se  prestam  para  comprovar  a  respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a  Fl. 350DF CARF MF     22 comprovar  as  supostas  operações  de  aquisição.  A  cópia  da  nota  fiscal  de  nº  2948  não  fora  localizada nos autos.  Assim, os créditos  relativos as notas  fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e  7331 devem ser restabelecidos.  1. 2 ­ GLOSA DE ENERGIA.  O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição  de  energia  elétrica  foi  a  falta  de  comprovação  com  documentação  adequada.  Segundo  a  autoridade  fiscal,  a  contribuinte  não  logrou  êxito  em  apresentar  parte  das  notas  fiscais  discriminadas  na  Tabela  05,  que  integra  o  processo  nº  10010.031138/0413­61  (dossiê  memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida:  DATA  Nº NF  CNPJ FORNECEDOR  VALOR  09/08/04  27643  15.413.826/0001­50  12.632,67  13/08/04  273527  15.413.826/0001­50  14.016,00  19/08/04  28157  15.413.826/0001­50  35.147,35  19/08/04  28159  15.413.826/0001­50  31.133,05  20/08/04  28160  15.413.826/0001­50  10.689,13  01/09/04  28444  15.413.826/0001­50  40.973,62  09/09/04  616170  15.413.826/0001­50  14.040,33  14/09/04  28948  15.413.826/0001­50  42.539,70  14/09/04  28950  15.413.826/0001­50  29.725,81  14/09/04  910115  15.413.826/0001­50  17.213,00  06/12/04  758100  15.413.826/0001­50  12.143,06  10/12/04  841834  15.413.826/0001­50  11.270,00  14/12/04  987063  15.413.826/0001­50  32.906,66  21/12/04  92633  15.413.826/0001­50  30.573,39  07/01/05  406656  15.413.826/0001­50  11.001,64  15/03/05  58958  15.413.826/0001­50  21.085,00  16/03/05  149601  15.413.826/0001­50  20.394,47  16/03/05  149599  15.413.826/0001­50  19.717,11  06/06/05  604193  15.413.826/0001­50  18.076,86  06/07/05  541925  15.413.826/0001­50  14.470,31  26/09/05  317457  15.413.826/0001­50  20.696,10  03/10/05  579804  15.413.826/0001­50  19.708,12  04/10/05  579814  15.413.826/0001­50  34.273,16  08/09/06  576517  03.747.565/0001­25  19.361,01  19/02/07  233576  15.413.826/0001­50  10.158,24  08/03/07  1924  15.413.826/0001­50  10.123,00  19/03/07  151839  15.413.826/0001­50  30.148,74  10/04/07  605375  03.747.565/0001­25  10.026,33  08/05/07  316013  15.413.826/0001­50  11.167,38  20/07/07  24102  15.413.826/0001­50  10.043,49  21/08/07  19789  15.413.826/0001­50  10.132,90  21/08/07  19928  15.413.826/0001­50  10.076,62  01/10/07  41729  15.413.826/0001­50  30.678,69    3389  15.413.826/0001­50  13.561,00  No recurso em apreço, a  recorrente alegou que o direito ao crédito apurado  sobre  valor  de  aquisição  da  energia  elétrica  acobertado  pelas  notas  fiscais  discriminadas  na  referida  Tabela  não  podia  ser  desconsiderado,  porque  tais  documentos  foram  devidamente  apresentadas  à  fiscalização,  em  atendimento  ao  termo  de  intimação  fiscal  003,  onde  a  contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento  ao  termo  de  intimação  fiscal  004,  em  que  apresentara  os  originais  dos  citados  documentos,  inclusive  as  faturas  originais  ficaram  em  poder  da  fiscalização  até  a  finalização  dos  seus  trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal.  Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 59          23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade,  constante dos autos do processo nº 13161.001928/2007­95 (fls. 226/267), as cópias das notas  fiscais  discriminadas  na  citada Tabela.  E  para melhor  análise,  anexara  tais  notas  fiscais  aos  presentes autos.  De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos  do  processo  nº  13161.001928/2007­95,  verifica­se  que,  com  exceção  das  cópias  das  notas  fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas.  Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor  das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925.  1.3 ­ FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA.  O  motivo  da  glosa  deu­se  ao  fundamento  de  que  trata­se  de  meras  transferências  de  mercadorias  entre  estabelecimentos  da  contribuinte,  implicaria  em  mero  deslocamento  com o  intuito de  facilitar  a  entrega dos  bens  aos  futuros  compradores, motivo  pelo qual, entendeu não integrar operação de venda.  Ao  contrário  da  posição  do  fisco,  sustenta  o  contribuinte  tratar­se  de  transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos,  não há dúvida de que seriam evitados.  Não  há  como  ignorar  que  algumas  atividades  a  armazenagem dos  insumos  são  necessários,  bem  como,  o  seu  remanejamento  posterior.  É  de  conhecimento  notório,  constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento  das safras de grão.  A  imprensa,  repetidamente,  divulga  que  no  auge  da  colheita  de  grãos  os  produtores  são obrigados a estocar os  grãos em carrocerias de  caminhões e em outros  locais  muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local  adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas  por intermédio das publicações dos periódicos.  Essa  Turma  é  sensível  ao  entendimento  da  necessidade  de  estocagem  de  insumos  e  sua  transferência  posteriormente  para  outro  estabelecimento,  desde  que,  não  se  revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já  reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede  e  ou  outro  estabelecimento  industrial  da  mesma  pessoa  jurídica,  nesses  casos  os  custos  de  transferência configura insumo necessário a atividade da empresa.  Bem  afirmou  a  Recorrente,  o  frete  nesses  casos  de  transferência  possui  o  único  objetivo  é  de  concluir  todas  as  etapas  de  produção,  pois  a  soja  colhida  no  campo  e  adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo  industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação.  Não pode esquecer, que trata­se de agroindústria, cuja atividade industrial se  refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza,  padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao  consumo humano ou animal.  Fl. 352DF CARF MF     24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratar­se de  transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao  destino dos  insumos,  inclino no  sentido de  afastar  a  glosa  e  reconhecer o direito quanto  aos  valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”  que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização.  1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE  COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO.  Trata­se  de  glosa  de  crédito  oriundo  do  frete  de  transporte  de  mercadoria  pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do  transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o  direito.  O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratar­se de frete de  operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do  art. 1º da Lei nº 10.925/2004.  Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero  não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a  legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos  decorrentes  de  operações  e  prestações  adquiridas  por  parte  da Recorrente,  que,  por  sua  vez,  está sujeita ao regime não cumulativo.  Não  se  pode  perder  de  vista  que  o  inciso  I  e  III  do  art.  1º  da  Lei  nº  10.925/2004  realmente  fixa  alíquota  igual  a zero,  sendo assim, para  aqueles  insumos veda o  crédito  de  produto  adquirido  justamente  porque  essa  operação  não  é  tributada  pelo  PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g.,  frete e armazenagem,  que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o  direito ao crédito.  A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda  Turma  Ordinária,  da  Quarta  Câmara,  da  Terceira  Seção,  veiculada  no  Acórdão  no  3402­ 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio  semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte  que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008  COFINS.  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  REVENDA  DE  PRODUTOS COM  INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO  DE  CRÉDITOS  SOBRE  DESPESAS  COM  FRETES  NA  OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE.  O  distribuidor  atacadista  de  mercadorias  sujeitas  ao  regime  monofásico  de  incidência  das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e  de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos  de aquisição vinculados aos  referidos produtos, mas  como está  sujeito  ao  regime  não  cumulativo  de  apuração  das  citadas  contribuições,  tem  o  direito  de  descontar  créditos  relativos  às  despesas  com  frete  nas  operações  de  venda,  quando  por  ele  Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 60          25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX,  das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.  Direito de Crédito Reconhecido.  Recurso Voluntário Provido.   A  transferência  direcionada  a  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica  com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de  frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente  que o ônus foi da cooperativa recorrente.  Recentemente,  em  voto  impa  proferido  pela  Conselheira  Sarah  Maria  Linhares  de  Araújo  Paes  de  Souza,  2ª  T.  3ª  Câmara,  2ª  Seção,  processo  administrativo  nº  10925.720202/2014­15, afastou glosa em caso semelhante.  Considerando  à  ausência  das  “tabelas  04  e  06  nestes  autos,  confiante  na  consignação  da  fiscalização,  afasto  também  glosa,  para  reconhecer  o  direito  da  tomada  do  crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores  relativos a operações de frete.  1.5 ­ ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA.  A  glosa  procedida  decorreu  de  análise  da  documentação  apresentada  e  julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização  elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratar­se de valores inferiores ao montante declarado pela  Interessada.  Nestes  autos  não  se  enxerga  resistência  a  glosa,  sendo  assim,  mantém­se  intacta a decisão de piso nesta parte.  1.6 ­ CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO)  A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito  pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos  créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado.  Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa  glosa.  2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA.  O  crédito  presumido  apontado  pelo  contribuinte  restou  glosado  ao  fundamento  da  inexistência  de  comprovação  da  atividade  agroindustrial,  e,  pela  ausência  de  comprobação  da  destinação,  isso  é,  se  era  para  alimentação  humana  e/ou  animal,  conforme  dispõe  o  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004.  Consta  que  o  contribuinte  teria  sido  intimado  para  comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal.   Em síntese teria a recorrente sido considerada tão­só cooperativa de produção  agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigando­a proceder o estorno  dos  créditos  da  não  cumulatividade,  e,  não  podendo  apurar  crédito  presumido  nos  moldes  ocorrido.  Fl. 354DF CARF MF     26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratar­se de produtos classificados no  CAPÍTULOS  8  a  12  da NCM  ­ NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL,  por  essa  razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas  que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º  da  Lei  nº  10.825/2004,  gozam  do  direito  de  descontar  o  crédito  oriundo  das  aquisições  de  insumos,  para  tanto,  basta  produzir  as mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  desde  que  classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal.  A  Interessada  justifica  sua  condição  agroindústria,  sustentando  tratar­se  de  exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscar­se a saber se o  beneficiamento  dispensado  a  soja,  milho  e  o  trigo  enquadram  no  rol  das  mercadorias  classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM.  Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por  procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in  natura.   O beneficiamento de  grãos  e  sementes  é  realizado por máquinas projetadas  com  base  em  uma  ou  mais  características  físicas  do  produto  e  dos  contaminantes  a  serem  retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as  propriedades  físico­químicas,  permitindo  acondicionamento  e  armazenagem  resguardar  qualidade.  A  pesquisa  universitária  divulgada  notícias  que  o  beneficiamento  se  revela  etapa importante na qualidade dos grãos e sementes:  “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após  a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos,  rachados  ou  partidos;  sementes  de  ervas  daninhas,  material  inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas  e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e  qualidade.”  No  processo  de  beneficiamento  surge  a  padronização  e  classificação,  essa  última  configura  prática  obrigatória  em  todos  os  segmentos  de  marcado,  seja  interno  ou  externo.  A  comercialização  do  produto  depende  do  tratamento  após  colheita,  tornando  indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as  transações.  Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto.  Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO  DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância:  “Nos  países  desenvolvidos,  os  problemas  de  colheita,  armazenamento  e  manuseio  (secagem,  limpeza,  movimentação,  etc.)de grãos, constituem objeto de  estudo permanente,  visando  prolongar  a  vida  comercial  dos  produtos. Uma  prioridade  das  nações mais  pobres  deve  ser  a  redução  do  trágico  desperdício  que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados,  secagem  mal  processada,  transporte  inadequado,  controle  de  qualidade, etc. ...”  Recentemente  foi  noticiado  pela  imprensa  a  união  das  duas  maiores  indústrias  de  beneficiamento  da América  Latina,  Camil Alimentos,  beneficiadora  de  arroz  e  Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 61          27 feijão  e  Cosan  Alimentos,  dona  das  marcas  de  varejo  de  açúcar  união  e  da  Barra,  e,  capitaneadas pela Gávea Investimentos.  O  destaque  dá­se  em  razão  da  união  de  duas  maiores  indústrias  de  beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente  os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim,  não  dúvida  alguma  de  as  atividades  desenvolvidas  pela  Recorrente  enquadra­a  na  qualidade  agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004.  As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos  a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura  uma  etapa  da  industrialização,  motivo  pelo  qual  deve  a  interessada  ser  considerada  agroindústria.  De modo que resta assegurado pelo  legislador ordinário o direito ao crédito  presumido  da  Contribuição  ao  PIS  e  a  COFINS  em  favor  agroindústria,  que  realizar  exportações,  podendo  compensar  os  referidos  créditos  com  os  débitos  das  contribuições  ou  com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal.  Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o  direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante  o CARF.  Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização.  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITOS  DE  AQUISIÇÕES  VINCULADO  VENDA COM SUSPENSÃO,  ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO  INCIDÊNCIA  DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS.  Outro  ponto  de  discórdia  se  refere  ao  direito  a  manutenção  do  crédito  previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004.  A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do  conceito  de  agroindústria  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista.  Sustenta  a  Interessada,  passado  apenas  cinco  dias  do  inicio  da  vigência  do  parágrafo  4º  do  art.  8º  da  lei  10.925/2004,  dispositivo  que  vedava  às  pessoas  jurídicas  o  aproveitamento do crédito,  foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de  2004, publicada em 09.08.2004.  É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206,  convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17:  “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota  0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP  e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos  créditos vinculados a essas operações”  Em  sendo,  assim,  inexiste  óbice  a  manutenção  de  crédito  proveniente  de  aquisições  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  de  contribuição  para  o  PIS/Pasep e COFINS.  Fl. 356DF CARF MF     28 Assim,  impõe  restabelecer  esse  direito  de  manutenção  de  crédito  a  Recorrente.  DIREITO  DE  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITO  VENDA  A  ASSOCIADOS ­ INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO  No  que  tange  a  manutenção  do  crédito  vinculado  as  operações  sujeitas  à  exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos  associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito  ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa.  É de  conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.158­35 de  2001, a  sociedades cooperativas passaram a  ser  tributadas  sobre a  totalidade de  suas  receitas  conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº  9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens.   Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar  respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que  se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da  Contribuição Social  para  o PIS/PASEP  e  a COFINS,  são  explícitas  em  relação  aos  créditos,  não  deixam  dúvida  que  só  podem  ser  utilizados  para  desconto  dos  valores  da  contribuição  apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa.  Todas  as  vezes  que  a  intenção  do  legislador  foi  no  sentido  de  se manter  o  crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição,  salvo  expressa  disposição  legal.  O  exemplo mais  comum  é  o  crédito  apurado  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação, manifestamente  a  legislação  pertinente autoriza.  No caso específico trata­se negócio com o associado da cooperativa, também  possui caráter de alienação, assim  sendo,  encontra  respaldo  legal na norma prevista pelo art.  17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda:  “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações”  Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos  nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de  créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a  possibilidade  legal  do  respectivo  crédito,  é  vedado  quando  não  se  verificando  esses  pressupostos.  Assim,  dou  provimento  para  modificar  a  decisão  recorrida  e  assegurar  o  direito de manutenção do crédito.  APLICAÇÃO  DA  TAXA  SELIC  DECORRENTE  DE  ÓBICE  DA  ADMINISTRAÇÃO.  No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o  ingresso do  pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  meio  do  Recurso  Especial  no  1.037.847­RS,  julgado  na  Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 62          29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543­C do CPC), reconheceu a correção monetária  dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis:  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  IP.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1.  A  correção  monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo a utilização direto de crédito oriundo da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele o contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância  que  acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direto  pleiteado,  dada a tramitação normal dos feitos judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  consequente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  lídima necessidade de atualizá­los monetariamente, sob pena de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  490.547/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.09205,  DJ  10.205;  REsp  613.97/RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09206,  DJ  23.10206;  REsp  52.796/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.1206,  DJ  24.09207;  REsp  430.498/RS,  Rel.  Ministro  Humberto Martins,  julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp  605.921/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavscki,  julgado  em  12.1208, DJe 24.1208).  5.  Recurso  especial  da Fazenda Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido  a  regime do  artigo  543­C,  do CPC,  e  da Resolução  STJ 08/208.  Desse  modo,  tendo  havido  oposição  do  Fisco  à  compensação,  sendo  que  houve  o  reconhecimento  de  um  item  controverso  em  favor  da Recorrente,  deve­se  aplicar  a  correção  monetária  sobre  os  créditos  da  Recorrente,  em  conformidade  com  o  julgado  cuja  ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está  obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno.  Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para:  1 ­ em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos  valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas  Fl. 358DF CARF MF     30 fiscais  de  nºs  112421,  13951,  40721  e  7331,  e  (ii)  da  energia  de  elétrica,  exceto  das  notas  fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925;   2  ­  afastar,  também,  glosa  dos  valores  pagos  a  título  de  frete  tomados  de  pessoas  jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se  refere à exclusão de transferência  entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização;  3 ­ reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante  da  tabela  que  serviu  de  base  para  exclusão  dos  valores  relativos  a  operações  de  frete,  cujos  insumos adquiridos não geram créditos;  4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratar­se de agroindústria;  5  ­  afastar  glosa  e manter  o  crédito  proveniente  de  aquisições  vinculado  a  venda  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  de  contribuição  para  o  PIS/Pasep e COFINS;  6  –  tornar  sem  efeito  glosa  dos  créditos  das  aquisições  de  mercadorias  vendidas aos associados da cooperativa;  7 –  reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic  tendo em razão  ter havido  oposição do Fisco à compensação/restituição.  Domingos de Sá Filho  Voto Vencedor  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado.  Inicialmente,  cabe  consignar  que  a  controvérsia  cinge­se  (i)  a  glosa  de  créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições  quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa  Selic sobre a parcela do crédito pleiteado.  A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS  As  glosas  dos  créditos  básicos  foram motivadas  por  falta  de  comprovação,  falta  de  cumprimento  de  requisitos  legais  e  por  falta  de  amparo  legal,  conforme  a  seguir  demonstrado.  De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos  autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por:  I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de  insumos,  energia  elétrica,  aluguéis  de  pessoa  jurídica,  fretes  e  aquisições do imobilizado, (Tabela 04);  II.  Glosa  integral  do  valor  referente  ao  crédito  presumido  da  atividade  agroindustrial  por  NÃO  restar  comprovado  que  a  contribuinte  exerceu  atividade  agroindustrial,  bem  como,  pela  ausência de comprovação da destinação à alimentação humana  ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela  04);  Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 63          31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão  da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, §  4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 ­ Tabela 03 e 04);  IV.  Glosa  integral  dos  créditos  decorrente  da  proporção  de  saídas  sujeita  a  alíquota  zero,  considerando  que  as  operações  realizadas  estavam efetivamente  sujeitas à exclusão da base de  cálculo  e,  por  decorrência,  inexiste  suporte  legal  para  a  manutenção de crédito  (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela  03 e 04);  V.  Glosa  integral  dos  créditos  decorrentes  da  proporção  de  saídas  não  tributadas  decorrentes  de  operações  sujeitas  à  exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte  legal  para  a  manutenção  de  crédito  (art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004 ­ Tabela 03 e 04);  [...].  O  órgão  colegiado  de  primeiro  grau  manteve,  integralmente,  as  referidas  glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório  fiscal.  Inconformada  com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a  manutenção das referidas glosas.  Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão  apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator,  a  saber:  a)  em  relação  aos  créditos  básicos,  a  totalidade  da  glosa  das  despesas  com  fretes  relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota  zero; b ) crédito presumido agroindustrial.  I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS.  A  glosa  parcial  dos  créditos  básicos  realizada  pela  fiscalização  está  relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens  destinados  à venda não  comprovadas;  b) parte do  custo de  aquisição de  energia  elétrica não  comprovada;  c)  parte  das  despesas  com  aluguéis  da  pessoa  jurídica  não  comprovada;  d)  a  totalidade das despesas  com  fretes  relativos  às operações de  transferência  e de  compras,  por  falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não  comprovada.  Aqui  será  analisada  apenas  a  questão  referente  à  totalidade  da  glosa  das  despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos  da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas  contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero).  De  acordo  com  citado  relatório  fiscal,  por  falta  de  amparo  legal,  a  fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de  transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº  10010.031138/0413­61 (dossiê memorial), a este processo apensado.  No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para  o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias  diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor,  Fl. 360DF CARF MF     32 bem  como  os  gastos  com  frete  sobre  as  operações  de  compras  de  bens  que  geram  direito  a  crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição  dos bens.  De outra parte,  não  gera  direito  a  crédito  os  gastos  com  frete  relativos  aos  serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos  da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores;  e  b)  nas  compras  de mercadorias  que  não  geram  direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e  sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004.  O  entendimento  da  fiscalização  está  em  consonância  com  o  entendimento  deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302­003.207, de onde se extrai os  excertos pertinentes, que seguem transcritos:  No  âmbito  da  atividade  comercial  (revenda  de  bens),  embora  não  exista  expressa  previsão  legal,  a  partir  da  interpretação  combinada  do  art.  3°,  I  e  §  1°,  I,  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/20031,  com  o  art.  289  do  Decreto  3.000/1999  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  de  1999  ­  RIR/1999),  é  possível  extrair  o  fundamento  jurídico  para  a  apropriação  dos  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  calculados  sobre  o  valor  dos  gastos  com  os  serviços  de  transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos  relevantes  dos  referidos  preceitos  normativos,  a  seguir  transcritos:  Lei 10.833/2003:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica poderá descontar créditos calculados em relação  a:  I ­ bens adquiridos para revenda, [...];  [...]§  1o  Observado  o  disposto  no  §  15  deste  artigo,  o  crédito  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre  o  valor:  I  ­  dos  itens  mencionados  nos  incisos  I  e  II  do  caput,  adquiridos no mês;  [...] (grifos não originais)  RIR/1999:  Art.  289.  O  custo  das  mercadorias  revendidas  e  das  matérias­primas utilizadas será determinado com base em  registro permanente de estoques ou no valor dos estoques  existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do  período de apuração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art.  14).                                                              1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei  10.833/2003, por  ser mais completa e,  em relação aos dispositivos específicos, haver  remissão  expressa no seu   art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002.  Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 64          33 §1º O  custo  de  aquisição  de  mercadorias  destinadas  à  revenda  compreenderá  os  de  transporte  e  seguro  até  o  estabelecimento  do  contribuinte  e  os  tributos  devidos  na  aquisição ou  importação  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  art. 13).  [...] (grifos não originais)  Com base no teor dos referidos preceitos legais, pode­se afirmar  que  o  valor  do  frete,  relativo  ao  transporte  de  bens  para  revenda,  integra  o  custo  de  aquisição  dos  referidos  bens  e  somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das  mencionadas  contribuições.  Assim,  somente  se  o  custo  de  aquisição  dos  bens  para  revenda  propiciar  a  apropriação  dos  referidos  créditos,  o  valor  do  frete  no  transporte  dos  correspondentes  bens,  sob  a  forma  de  custo  de  aquisição,  também  integrará  a  base  de  cálculo  dos  créditos  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.  Em  contraposição,  se  sobre  o  valor  do  custo  de  aquisição  dos  bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das  citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com  fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base  cálculo,  também  sobre  o  valor  do  frete  integrante  do  custo  de  aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados  créditos. Neste  caso,  apropriação  de  créditos  sobre  o  valor  do  frete  somente  seria  permitida  se  houvesse  expressa  previsão  legal  que  autorizasse  a  dedução  de  créditos  sobre  o  valor  do  frete  na  operação  de  compra  de  bens  para  revenda,  o  que,  sabidamente, não existe.  [...]  Em  suma,  chega­se  a  conclusão  que  o  direito  de  dedução  dos  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  calculados  sobre  valor  dos  gastos  com  frete,  são  assegurados  somente para os serviços de transporte:  a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito  a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo  dos  créditos  sob  forma  de  custo  de  aquisição  dos  bens  transportados  (art.  3º,  I,  da  Lei  10;637/2002,  c/c  art.  289  do  RIR/1999);  b) de bens utilizados  como  insumos na prestação de  serviços  e  produção ou  fabricação de bens destinados à venda, cujo valor  de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do  frete  integra  base  de  cálculo  dos  créditos  como  custo  de  aquisição  dos  insumos  transportados  (art.  3º,  II,  da  Lei  10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999);  c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris  do  próprio  contribuinte  ou  não,  caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  a  base  de  cálculo  do  crédito  da  contribuição  como  serviço  de  transporte  utilizado  como  insumo  na  produção  ou  Fl. 362DF CARF MF     34 fabricação  de  bens  destinados  à  venda  (art.  3º,  II,  da  Lei  10;637/2002); e  d)  de  bens  ou  produtos  acabados,  com  ônus  suportado  do  vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo  do  crédito da  contribuição como despesa de venda  (art. 3º,  IX,  da Lei 10.637/2002).  Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor  do  frete  no  transporte  dos  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica  (entre  matriz  e  filiais,  ou  entre  filiais,  por  exemplo),  não  geram  direito  a  apropriação de crédito das  referidas contribuições, porque  tais  operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de  transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de  bens destinados à venda, uma vez que  foram realizadas após o  término  do  ciclo  de  produção  ou  fabricação  do  bem  transportado,  e  (ii)  nem  como  operação  de  venda,  mas  mera  operação  de  movimentação  dos  produtos  acabados  entre  estabelecimentos,  com  intuito  de  facilitar  a  futura  comercialização  e  a  logística  de  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores.  O  mesmo  entendimento,  também  se  aplica  às  transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou  armazéns gerais. 2  Com base  nesse  entendimento,  rejeita­se  as  alegações  da  recorrente  de  que  gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo  a:  a)  transferências  das  mercadorias  entre  estabelecimentos,  porque  representava  uma  etapa  intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas  pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega  da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque  os  fretes  sobres  essas  compras  estavam  oneradas  pelas  citadas  contribuições,  estando  desta  forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo  com fretes sobre tais aquisições.  Por  essas  considerações,  por  falta  de  amparo  legal,  deve  ser  mantida  integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização.  II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL.  A  falta  de  amparo  legal  foi  o motivo  da  glosa  do  valor  integral  do  crédito  presumido  agroindustrial  apropriado  pela  recorrente  no  período  fiscalizado.  Segundo  a  fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e  não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou  animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito:  Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,                                                              2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302­003.207, Rel. Cons. José Fernandes  do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016.  Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 65          35 2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens referidos no  inciso  II do caput do art. 3º das Leis nºs  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  I  ­  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,  todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  II ­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e  III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)  § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §  1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o  do  art.  3o  das  Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]   Da leitura do referido preceito legal, extrai­se que não são todos os produtos  de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de  crédito  presumido  agroindustrial,  mas  apenas  aqueles  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal.  Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de  produção  agroindustrial,  mas  de  cooperativa  de  produção  agropecuária,  uma  vez  que  a  sua  atividade econômica limitava­se a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos  in  natura”,  atividade  típica  de  cerealista,  que  a  própria  Lei  10.925/2004  havia  excluído  do  conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcreve­se os excertos pertinentes extraídos  do relatório fiscal:  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003,  a  contribuinte  foi  intimada a  comprovar que  exerceu a atividade de produção de  mercadorias  (agroindústria). Em  resposta  a  intimação  fiscal,  a  contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode                                                              3  A  atual  redação  do  inciso  é  a  seguinte:  "I  ­  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar, armazenar e comercializar os produtos  in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01,  10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01,  todos da Nomenclatura Comum do Mercosul  (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013)  Fl. 364DF CARF MF     36 ser  sintetizado nas  seguintes  etapas: 1º ETAPA: Recebimento e  Classificação;  2º  ETAPA  –  Descarga  das  Mercadorias;  3º  ETAPA  –  Pré­limpeza  dos  Grãos;  4º  ETAPA  –  Secagem;  5º  ETAPA  –  Pós­limpeza;  6º  Armazenagem  e  Controle  de  Qualidade; 7º ETAPA ­ Expedição.  As  etapas  produtivas  descritas  subsumem­se  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos  in  natura.  A  própria  Lei  10.925/2004  excluiu  do  conceito  de  agroindústria as atividades de  limpar, padronizar, armazenar e  comercializar  produtos  in  natura  de  origem  vegetal.  Referidas  atividades  foram  consideradas  típicas  de  cerealista,  sendo­lhe  vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da  Lei 10.925/2004).  Para  a  fiscalização,  para  que  fosse  considerada  cooperativa  de  produção  agroindustrial,  a  recorrente  deveria  receber  a  produção  de  seu  cooperado,  industrializá­la  e  vender o produto industrializado, o que não fora feito.  De  outra  parte,  a  contribuinte  alegou  que  desenvolve  o  processo  produtivo/atividade  econômica  de  beneficiamento,  por  meio  do  qual  eram  alteradas  as  características  originais  e  obtidos  os  grãos  aperfeiçoados/beneficiados  a  serem  comercializados/exportados.  Nos  excertos  a  seguir  transcritos,  a  recorrente  expõe  as  razões  pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão:  As  aquisições  de  matérias­primas  (produtos  resultantes  da  atividade  rural)  realizadas  junto  a  pessoas  físicas  ou  jurídicas  com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das  mercadorias  ­  soja  beneficiada,  trigo  beneficiado,  e  milho  beneficiado,  classificados  na  NCM  respectivamente  nos  capítulos  12  e  10.  Não  há  que  se  falar  em  mercadorias  classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que  tenhamos  as  matérias­primas  provenientes  da  atividade  rural,  que  são  o  principal "insumo" destas mercadorias.  Como  se  vê,  as  mercadorias  comercializadas/exportadas  pela  recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS  e da COFINS não­cumulativa, tem fundamento para apuração o  crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002  e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º  da lei 10.925/2004.  Do  cotejo  entre  o  entendimento  da  fiscalização  e  o  da  recorrente,  fica  evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou  seja,  se  a  atividade  por  ela  exercida  era  de  produção  agroindustrial  ou,  simplesmente,  de  produção agropecuária.  A  Lei  10.925/2004  não  contém  a  definição  da  atividade  de  produção  agroindustrial  nem  da  atividade  de  cooperativa  de  produção  agropecuária,  no  entanto,  nos  termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base  nessa  competência,  por  meio  da  Instrução  Normativa  SRF  660/2006,  o  Secretário  da  RFB  definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a  seguir transcrito:  Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entende­se por  atividade agroindustrial:  Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 66          37 I  ­  a  atividade  econômica  de  produção  das  mercadorias  relacionadas  no  caput  do  art.  5º,  excetuadas  as  atividades  relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e  [...]  As atividades de produção de que  trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990,  são as  atividades  rurais  típicas,  não  exercidas  pela  recorrente,  conforme  se  infere  dos  elementos  coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontram­se  mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos  créditos, tinha a seguinte redação:  Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na  determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins  a  pagar  no  regime  de  não­cumulatividade,  pode  descontar  créditos  presumidos  calculados  sobre  o  valor  dos  produtos agropecuários utilizados como  insumos na fabricação  de produtos:  I ­ destinados à alimentação humana ou animal, classificados na  NCM:  [...]  d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5  [...](grifos não originais)  No  período  de  apuração  dos  créditos  presumidos  em  apreço,  os  produtos  exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e  grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos  pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM.  Além disso,  inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram  submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai  da descrição do processo produtivo  apresentada pela própria  recorrente.  Porém,  embora  esse  processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de  industrialização,  denominada  de  beneficiamento,  que  se  encontra  definida  no  art.  4º,  II,  do  Decreto  7.212/2010  (RIPI/2010),  porque,  apesar  de  serem  submetidos  ao  citado  processo  de  “beneficiamento”,  os  grãos  de  milho  e  soja  exportados  pela  recorrente  permanecerem  na                                                              4 "Art. 2º Considera­se atividade rural:  I ­ a agricultura;  II ­ a pecuária;  III ­ a extração e a exploração vegetal e animal;  IV ­ a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas  animais;  V  ­  a  transformação  de  produtos  decorrentes  da  atividade  rural,  sem  que  sejam  alteradas  a  composição  e  as  características  do  produto  in  natura,  feita  pelo  próprio  agricultor  ou  criador,  com  equipamentos  e  utensílios  usualmente  empregados  nas  atividades  rurais,  utilizando  exclusivamente matéria­prima  produzida  na  área  rural  explorada,  tais  como  a  pasteurização  e  o  acondicionamento  do  leite,  assim  como  o  mel  e  o  suco  de  laranja,  acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995)  Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas."  (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995)  5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e  1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011)  Fl. 366DF CARF MF     38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de  Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto,  fora  do  campo  de  incidência  do  imposto,  nos  termos  do  parágrafo  único  do  art.  2º  do  RIPI/2010.  Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos  utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº  20,  que  tem  o  seguinte  teor,  in  verbis:  “Não  há  direito  aos  créditos  de  IPI  em  relação  às  aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.”  Assim,  por  se  tratar  de  comercialização/exportação  de produto  in  natura,  a  atividade de produção realizada pela  recorrente  representa  típica atividade de beneficiamento  de  produtos  agropecuários,  que  não  se  caracteriza  como  operação  de  industrialização,  conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura  de  origem vegetal  (grãos),  conforme definição  estabelecida  no  art.  3º,  § 1º,  III,  da  Instrução  Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito:  Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma  do  art.  2º,  alcança  somente  as  vendas  efetuadas  por  pessoa  jurídica:  I ­ cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art.  2º;  II  ­  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  transporte,  resfriamento  e  venda a  granel,  no  caso  do  produto  referido  no  inciso II do art. 2º; e  III  ­  que  exerça  atividade  agropecuária  ou por  cooperativa  de  produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os  incisos III e IV do art. 2º.  § 1º Para os efeitos deste artigo, entende­se por:  I  ­ cerealista, a pessoa  jurídica que exerça cumulativamente as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do  art. 2º;  II ­ atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da  terra  e/ou  de  criação  de  peixes,  aves  e  outros  animais,  nos  termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e  III  ­  cooperativa  de  produção  agropecuária,  a  sociedade  cooperativa  que  exerça  a  atividade  de  comercialização  da  produção  de  seus  associados,  podendo  também  realizar  o  beneficiamento dessa produção.  [...] (grifos não originais)  Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da  recorrente  limita­se a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chega­se a  conclusão  de  que  a  recorrente  não  exerce  a  atividade  de  cooperativa  de  produção  agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária.  E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a  atividade  de  beneficiamento  e  atividade  de  industrialização  encontra­se  nitidamente  Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 67          39 evidenciada,  por  exemplo,  no  art.  15,  IV,  da  Medida  Provisória  2.158­35/2001,  a  seguir  reproduzido:  Art.  15.  As  sociedades  cooperativas  poderão,  observado  o  disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base  de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP:  [...]  IV ­ as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento  e industrialização de produção do associado;  [...] (grifos não originais)  Outro dado  relevante que ratifica a conclusão de que a  recorrente exercia a  atividade de produção agropecuária,  em vez da atividade de produção agroindustrial,  está no  fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado  processo  nº  10010.031138/0413­61),  as  receitas  de  venda  no mercado  interno  dos  referidos  produtos de origem vegetal  sob  regime de suspensão6,  regime de  tributação não aplicável  às  cooperativas  de  produção  agroindustrial, mas  às  cooperativas  de  produção  agropecuária,  nos  termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito:  Art.  9º  A  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)  I ­ de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei,  quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado  inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  II  ­  de  leite  in  natura,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  mencionada  no  inciso  II  do  §  1odo  art.  8odesta  Lei;  e(Incluído  pela Lei nº 11.051, de 2004)  III  ­  de  insumos  destinados  à  produção  das  mercadorias  referidas  no  caput  do  art.  8º  desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do  mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...] (grifos não originais)  Assim,  se  acatada  a  pretensão  da  recorrente,  o  que  se  admite  apenas  por  hipótese,  ela  seria  duplamente  beneficiada,  pois,  além  de  não  submeter  a  tributação  das  referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no  mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às  referidas  receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º,  II, da Lei 10.925/2004,  a  seguir analisado.  Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às  cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com                                                              6  Os  valores  e  o  percentual  de  participação  da  receita  submetida  ao  regime  de  suspensão  encontram­se  discriminados  na  Tabelas  de  nº  03  (fls.  644/645),  integrante  do  processo  nº  10010.031138/0413­61  (dossiê  memorial), apenso a este processo.  Fl. 368DF CARF MF     40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitam­se ao regime de tributação  normal das citadas contribuições.  Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de  grãos encontrava­se disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007  e pelas  Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois,  diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo  de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada  essa  finalidade  específica,  certamente,  tais preceitos normativos não  têm qualquer  relevância  para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição  da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de  alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço.  Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária,  independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou  não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito  presumido  em  apreço,  conforme  determina  o  art.  8º,  §  4º,  I,  da  Lei  10.925/2004,  a  seguir  transcrito:  Art. 8º [...]  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  [...]  III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)  [...]  § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III do § 1º deste artigo o aproveitamento:  I ­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;  II  ­ de crédito  em  relação às  receitas de vendas  efetuadas com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.  (grifos não originais)  Com  base  nessas  considerações,  deve  ser  mantida  a  glosa  integral  dos  créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente.  III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO  TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO.  De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03  e  04  (fls.  643/653),  integrantes  do  processo  nº  10010.031.138/0413­61  (dossiê memorial),  a  fiscalização  propôs  o  deferimento  apenas  dos  valores  dos  créditos  básicos  vinculados  às  receitas de exportação.  No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas  no mercado interno, a fiscalização manifestou­se pelo indeferimento integral, sob o argumento  de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno  não  sujeitas  à  tributação,  especificamente,  as  receitas  de  venda  com  suspensão  e  sujeitas  à  Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 68          41 alíquota  zero,  bem  como  as  exclusões  da  base  de  cálculo  permitidas,  exclusivamente,  às  sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas.  Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas  com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo.  III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas  Com Suspensão.  Segundo  a  fiscalização,  na  condição  de  cooperativa  agropecuária  de  produção,  as  operações  de  venda  realizadas  pela  recorrente  no  mercado  interno  estavam  amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins,  nos  termos  do  art.  9º  da  Lei  10.925/2004,  em  decorrência,  ela  deveria  ter  providenciado  o  estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do  art. 8º do citado diploma legal.  Art. 8º [...]  § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III do § 1º deste artigo o aproveitamento:  I ­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;  II ­ de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.  [...] (grifos não originais)  Por  sua  vez,  a  recorrente  alegou  que  a  restrição  contida  no  citado  preceito  legal  fora  revogada  pelo  art.  17  da  Lei  11.033/2004,  nos  termos  do  §  1º  do  art.  2º  da  Lei  4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito:  Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor  até que outra a modifique ou revogue.  § 1º A  lei  posterior  revoga a anterior quando expressamente o  declare,  quando  seja  com  ela  incompatível  ou  quando  regule  inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.  § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a  par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.  §  3º  Salvo  disposição  em  contrário,  a  lei  revogada  não  se  restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.  Sem  razão  a  recorrente,  porque,  embora  tenha  entrado  em  vigor  posteriormente,  o  novo  preceito  legal  não  é  incompatível  e  tampouco  regula  inteiramente  a  matéria  disciplinada  no  art.  8º  da  Lei  10.925/2004,  que  instituiu  o  crédito  presumido  agroindustrial  e  as vedações  às manutenções  tanto do  referido  crédito presumido quanto dos  créditos  vinculados  as  receitas  de  venda  efetuadas  com  suspensão  por  pessoa  jurídica  que  exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária.  Diferentemente  do  alegado,  como  o  citado  art.  17  da  Lei  11.033/2004  instituiu  norma  de  nítido  caráter  geral  sobre  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  Fl. 370DF CARF MF     42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  ao  caso  em  apreço,  aplica­se  o  disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a  lei nova não revoga nem  modifica a lei anterior.  Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei  10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda  se  encontra  em  vigor,  por  força  do  disposto  no  art.  26­A  do  Decreto  70.235/1972  e  em  cumprimento  ao  que  determina o  art.  62  do Anexo  II  do Regimento  Interno  deste Conselho  (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento  deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal.  Com  base  nessas  considerações  e  tendo  em  conta  que  ficou  anteriormente  demonstrado  que  a  recorrente,  no  período  de  apuração  dos  créditos,  exercia  atividade  de  cooperativa  de  produção  agropecuária,  com  respaldo  no  inciso  II  do  §  4º  do  art.  8º  da  Lei  10.925/2004,  deve  ser mantida  a  glosa  integral  dos  créditos  vinculados  as  receitas  de  venda  com suspensão.  III.2) Do  Indeferimento  dos Créditos Vinculados  às Receitas  de Venda  Excluídas da Base de Cálculo.  De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou  exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15  da Medida Provisória 2.158­35/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não  lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o  ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado,  nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas  com suspensão,  isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da  COFINS”,  conforme  estabelece  o  art.  17  da  Lei  11.033/2004.  Por  decorrência,  não  havia  suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão  de base de cálculo decorrente de ato cooperativo.  Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79  da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que  tanto  a  base  de  cálculo  e  o  fato  gerador  destas  contribuições  correspondiam  ao  faturamento  total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º   das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004.  Para  a  recorrente,  posteriormente  ao  advento  da Medida  Provisória  1.858­ 6/1999,  cuja  redação  definitiva  foi mantida  na  vigente Medida  Provisória  2.158­35/2001,  os  dispositivos  que  asseguravam  isenção  das  citadas  contribuições  foram  revogados,  passando  desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da  mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998.  Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo  da  não  incidência,  logo  o  resultado  obtido  das  exclusões  da  base  de  cálculo  permitidas  às  sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência  das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável.  Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas  contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência  das  referidas contribuições, ou em razão das  respectivas operações de venda estarem fora do  campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato  Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 69          43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões,  especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção  agropecuária.  E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente,  não  se  enquadra  em  nenhuma  das  hipóteses  de  manutenção  do  crédito  das  referidas  contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004.  Com  base  nessas  considerações,  deve  ser  mantida  a  glosa  integral  dos  créditos  vinculados  à  base  cálculo  zerada,  em  razão  das  exclusões  da  base  de  cálculo  das  referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.158­35/2001 e no art 17  da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos  glosados.  IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC  Em  relação  aos  créditos  escriturais  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  decorrentes  da  aplicação  do  regime  da  não­cumulatividade,  cabe  consignar  que,  independentemente  da  forma  de  aproveitamento  (dedução,  compensação  ou  ressarcimento),  existe  vedação  expressa  a  qualquer  forma  de  atualização  ou  incidência  de  juros,  conforme  expressamente  consignada  no  artigo  13,  combinado  com o  disposto  no  inciso VI  do  art.  15,  ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos:  Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e  dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art.  12,  não  ensejará  atualização  monetária  ou  incidência  de  juros  sobre  os  respectivos valores.  [...]  Art. 15. Aplica­se à contribuição para o PIS/PASEP não­cumulativa de que  trata  a  Lei  no  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  o  disposto:  (Redação  dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  [...]  VI ­ no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no  art. 26­A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II  RICARF/2015,  os membros  das  turmas  de  julgamento  deste  Conselho  não  podem  afastar  a  aplicação do mencionado preceito legal.  Cabe  consignar  ainda  que,  no  caso  em  tela,  não  se  aplica  o  entendimento  exarado  no  acórdão  proferido  no  julgamento  do  Recurso  Especial  (REsp)  nº  1.035.847/RS,  submetido  ao  regime do  recurso  repetitivo,  previsto  no  artigo  543­C do CPC,  transitado  em  julgado  em  3/3/2010,  por  duas  razões:  a)  o  referido  julgado  trata  da  atualização  de  crédito  escritural  oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não  cumulatividade  do  IPI  e  não  de  crédito  escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep  e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no  art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como  se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do  RICARF/2015.  Para melhor  compreensão,  transcreve­se  a  seguir  o  enunciado  da  ementa  do  mencionado acórdão:  Fl. 372DF CARF MF     44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1.  A  correção  monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes do princípio constitucional da não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo  da aplicação do princípio da não­cumulatividade, descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil.   3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele o contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância  que  acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  dada a tramitação normal dos feitos judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima a necessidade de atualizá­los monetariamente, sob pena  de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira  Seção: EREsp  490.547∕PR,  Rel. Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.09.2005,  DJ  10.10.2005;  EREsp  613.977∕RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953∕PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796∕PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em  26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro  Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5.  Recurso  especial  da Fazenda Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ 08∕2008.7 (grifos não originais)  Com  base  nessas  considerações,  fica  demonstrada  a  impossibilidade  de  acolher  a  sua  pretensão  da  recorrente,  com  vistas  à  atualização  dos  valores  dos  créditos  em  apreço com base na variação da taxa Selic.  VI) DA CONCLUSÃO  Por  todo  o  exposto,  em  relação  às  questões  aqui  analisadas,  vota­se  por  NEGAR PROVIMENTO ao recurso.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                                                              7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe  03/08/2009.  Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 70          45   Voto Vencedor 2  Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado.  Com  o  devido  respeito  aos  argumentos  do  ilustre  relator,  divirjo  de  seu  entendimento  quanto  à  reversão  total  da  glosa  relativa  aos  créditos  vinculados  às  vendas  de  adubos,  fertilizantes  e  sementes  pela  recorrente  aos  seus  associados,  as  quais  tiveram  as  alíquotas  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS  reduzidas  a  zero  pelo  art.  1º  da  Lei  10.925/2004.  Salienta­se  que  tais  créditos  foram  glosados  originalmente  por  falta  de  apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência  requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em  razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos  do artigo 15 da MP nº 2.158­35/2001:  Art. 15.  As  sociedades  cooperativas  poderão,  observado  o  disposto  nos arts.  2o  e 3o  da  Lei  no  9.718,  de  1998,  excluir  da  base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP:  [...]  II ­ as receitas de venda de bens e mercadorias a associados;  [...]  No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade  fiscal  justificou  a  glosa  dos  créditos  vinculados  a  exclusões  do  artigo  15  da MP  nº  2.158­ 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base  de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito:  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0  (zero)  ou  não  incidência  da Contribuição  para  o PIS/PASEP e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.  Acrescentou  ainda  que  tais  operações  são  atos  cooperativos  conforme  definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações  de compra e venda, conforme extrai­se do excerto abaixo do relatório fiscal:  "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71  (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e  institui o  regime jurídico das sociedades cooperativas”):   Art.  79.  Denominam­se  atos  cooperativos  os  praticados  entre  as  cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas  entre  si  quando  associados,  para  a  consecução  dos  objetivos sociais.   Parágrafo  único.  O  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria. Grifou­se.   Fl. 374DF CARF MF     46 A  luz  do  dispositivo  legal,  o  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas  com suspensão,  isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da  Contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS  (art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Por  decorrência,  não  há  suporte  legal  para  manutenção do  direito  ao  crédito  em operações  não  tributadas  pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo."   Verifica­se, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos,  fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos  do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido,  impende8  reproduzir a  recente decisão do  STJ  no  REsp  nº  1.164.716/MG,  transitado  em  julgado  em  22/06/2016  e  submetido  à  sistemática  de  recursos  repetitivos,  na  qual  restou  decidido  que  os  atos  cooperativos  não  implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita:  EMENTA  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  NÃO  INCIDÊNCIA  DO  PIS  E  DA  COFINS  NOS  ATOS  COOPERATIVOS  TÍPICOS.  APLICAÇÃO  DO  RITO  DO  ART.  543­C  DO  CPC  E  DA  RESOLUÇÃO  8/2008  DO  STJ.  RECURSO  ESPECIAL  DESPROVIDO.  1.  Os  RREE  599.362  e  598.085  trataram  da  hipótese  de  incidência  do  PIS/COFINS  sobre  os  atos  (negócios  jurídicos)  praticados  com  terceiros  tomadores  de  serviço;  portanto,  não  guardam  relação  estrita  com  a matéria  discutida  nestes  autos,  que  trata  dos  atos  típicos  realizados  pelas  cooperativas.  Da  mesma  forma,  os  RREE  672.215  e  597.315,  com  repercussão  geral,  mas  sem  mérito  julgado,  tratam  de  hipótese  diversa  da  destes autos.  2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos  são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre  estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados,  para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág.  único,  alerta  que  o  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria.   3. No caso dos autos, colhe­se da decisão em análise que se trata  de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza  operações entre seus próprios associados (fls. 126), de  forma a  autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e  a COFINS.   4.  O  parecer  do  douto  Ministério  Público  Federal  é  pelo  desprovimento do Recurso Especial.   5. Recurso Especial desprovido.                                                              8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional, lei  ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  [...]  § 2º As decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo Supremo Tribunal   Federal  e pelo Superior Tribunal de  Justiça em matéria infraconstitucional, na  sistemática prevista pelos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973  ­ Código de Processo  Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos  recursos no  âmbito do CARF.   Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 71          47 6.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  art.  543­C  do  CPC  e  da  Resolução  STJ  8/2008  do  STJ,  fixando­se  a  tese:  não  incide  a  contribuição  destinada  ao  PIS/COFINS  sobre  os  atos  cooperativos típicos realizados pelas cooperativas.  ACÓRDÃO  Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros  da  PRIMEIRA  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  conformidade dos votos e das notas  taquigráficas a  seguir, por  unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos  do voto do Sr. Ministro Relator.   Os  Srs.  Ministros  Benedito  Gonçalves,  Assusete  Magalhães,  Sérgio  Kukina,  Regina  Helena  Costa,  Gurgel  de  Faria,  Diva  Malerbi  (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e  Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator.   Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin.  Sustentaram,  oralmente,  a  Dra.  HERTA  RANI  TELES,  pela  recorrente,  e  o  Dr.  JOÃO  CAETANO  MUZZI  FILHO,  pela  interessada:  ORGANIZAÇÃO  DAS  COOPERATIVAS  BRASILEIRAS ­ OCB  Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento).  NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO  MINISTRO RELATOR  Assim,  tais  operações  não  podem  ser  consideradas  como  mercantis,  e,  portanto,  não  se  tratam  de  vendas,  configurando  operações  não  incidentes  e  não  receitas  de  vendas não incidentes. Salienta­se que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente  sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não  genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.  Destarte,  entendo ser  inaplicável o  referido artigo para  efeito de vinculação  de  créditos  a  estas  parcelas.  Porém,  a  glosa  pura  e  simples  dos  créditos  vinculados  a  estas  operações,  conforme  realizada  pela  autoridade  fiscal,  parece­me  equivocada.  É  que  tais  créditos  referem­se  a  custos,  despesas  e  encargos  comuns  que  foram  vinculados  a  estas  parcelas mediante rateio entre receitas.  Assim,  não  sendo  tais  operações  receitas  de  vendas,  também  não  podem  compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns  (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu  denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas,  devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo  com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento.  Frise­se  que  a  decisão  não  se  refere  às  aquisições  específicas  de  adubos,  sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaram­se à alíquota zero,  como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral.  É como voto.  Fl. 376DF CARF MF     48         (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                Fl. 377DF CARF MF

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6549312 #
Numero do processo: 16327.721242/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 738          1 737  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.721242/2014­00  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1301­000.386  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  04 de outubro de 2016  Assunto  CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA  Recorrente  BANCO ITAU BBA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade,  CONVERTER  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Waldir  Veiga  Rocha,  Flavio  Franco  Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Junior,  Marcos  Paulo  Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto pelo contribuinte acima  identificado  contra o acórdão 16­67.070, proferido pela 10ª Turma da DRJ/SPO, na sessão de 26 de março  de  2015,  que,  apreciando  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte,  entendeu,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  contestado     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 24 2/ 20 14 -0 0 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 739          2 Por bem descrever o ocorrido, valho­me do relatório elaborado por ocasião do  julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  DA AUTUAÇÃO  O presente processo trata de dois autos de infração, a saber:  a) Auto de infração para constituição de créditos tributários referentes ao IRPJ do  ano­calendário de 2011 (fls. 587 a 592):      b) Auto de infração para constituição de créditos tributários relativos à CSLL do  ano­calendário de 2009 (fls. 593 a 597)  Crédito Tributário  Enquadramento Legal  Valor em R$  Imposto sobre a Renda de  Pessoa Jurídica (IRPJ)  Art. 3º da Lei nº 9.249/95; artigos  247, 250,  inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99    57.833.702,10    Juros de Mora  (calculados até 12/2014)  Art. 6º, § 2º, da Lei nº 9.430/96.     14.828.561,22  Multa Proporcional  Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96  43.375.276,58  TOTAL    116.037.539,90  Crédito Tributário  Enquadramento Legal  Valor em R$  Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido (CSLL)  Art. 57 da Lei nº 8.981/95,  com as alteração do  art. 1º da Lei nº 9.065/95; art.  16 da Lei nº  9.065/95; art. 1º da Lei nº  9.316/96; art. 3º da Lei  nº 7.689/88, com a redação  dada pelo art. 17 da  Lei nº 11.727/2008  65.730,13    Juros de Mora  (calculados até 12/2014)  Art. 6º, § 2º, da Lei nº  9.430/96.       30.419,90  Multa Proporcional  Art.  44,  inciso  I,  da  Lei  nº  9.430/96  49.297,60  TOTAL    145.447,63  Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 740          3 No  termo  de  verificação  fiscal  (fls.  599  a  604),  a  fiscalização  relata  que  as  autuações  decorrem  de  ajustes  nos  valores  de  prejuízos  fiscais  e  de  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL  efetuados  de  ofício  nos  processos  administrativos  fiscais  nº  16327.720728/2012­51 e nº 16327.721031/2013­88.  Informa que, no processo administrativo fiscal nº 16327.720728/2012­51, foram  recompostas  as  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL  dos  anos­calendário  de  2007  a  2010, conforme tabelas de fls. 600, abaixo reproduzidas:  IRPJ          CSLL  Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 741          4           A  fiscalização  também  informa  que,  no  processo  administrativo  fiscal  nº  16327.721031/2013­88,  foram  constatadas  infrações  que  resultaram  na  redução  de  R$438.200,88  nos  valores  de  prejuízo  fiscal  e  de  base  negativa  de  CSLL  do  ano­ calendário de 2008.  Em relação à CSLL, a fiscalização informa que a contribuinte declarou, na DIPJ  2009, base de cálculo negativa de R$883.916.376,99, que foi alterada para negativa em  R$741.246.690,98  no  processo  nº  16327.720728/2012­51,  valor  utilizado  no  ano­ calendário de 2009 como compensação de base negativa de períodos anteriores.  Entretanto, no processo nº 16327.721031/2013­88, a base negativa de CSLL foi  reduzida em R$438.200,88, passando de R$741.246.690,98 para R$740.808.490,10, o  que  gerou  uma  insuficiência  de  saldo  de  base  negativa  de  CSLL  passível  de  compensação no ano de 2009 no valor de R$438.200,88, conforme consulta ao Sistema  Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 742          5 de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL – Sapli  (fls. 551 a 556)  Quanto ao IRPJ, a fiscalização informa que o prejuízo fiscal declarado na DIPJ  2009  foi  de  R$1.320.456.208,52,  que  foi  alterado  para  R$1.177.786.522,51  (PAF  nº  16327.720728/2012­51) e depois para R$1.177.348.321,63  (PAF 16327.721031/2013­ 88).  A fiscalização acrescenta que esse saldo de R$1.177.348.321,63 foi utilizado, no  PAF  nº  16327.720728/2012­51,  para  compensação  de  R$716.176.638,84  no  ano  de  2009 e de R$353.974.859,93 no ano de 2010, restando saldo de R$107.196.822,86.  Entretanto,  alega  a  fiscalização  que  a  contribuinte  compensou,  em  2011,  prejuízos fiscais de anos anteriores no montante de R$338.531.631,27, o que gerou um  excesso de compensação de R$231.334.808,39, conforme consulta ao Sapli (fls. 557 a  566).  Assim,  foram  efetuados  lançamentos  de  CSLL  referente  ao  ano  de  2009  e  de  IRPJ relativo ao ano de 2011, conforme discriminado no início deste relatório.  DA IMPUGNAÇÃO  Cientificada  das  autuações  em  10/12/2014  (fls.  607  e  608),  a  contribuinte  apresentou,  em  08/01/2015,  a  impugnação  de  fls.  612  a  618,  acompanhada  dos  documentos de fls. 619 a 654.  De  início,  a  impugnante  informa  que,  ainda  que  reestabelecido  o  saldo  de  prejuízos fiscais originalmente declarado nas DIPJ, houve compensação de prejuízo a  maior  no  ano  de  2011  no  montante  de  R$2.625.109,90.  Acrescenta  que  efetuou  o  pagamento do IRPJ correspondente nos termos do art. 6º da Lei nº 8.218/91 (doc. 3 –  fls. 652).  A  impugnante  informa  que  os  lançamentos  efetuados  nos  processo  administrativos  nº  16327.720728/2012­51  e  nº  16327.721031/2013­88  foram  integralmente  contestados,  estando  o  primeiro  processo  aguardando  julgamento  do  recurso voluntário e o segundo aguardando julgamento da impugnação.  Assim, ressalta que os respectivos créditos tributários estão com a exigibilidade  suspensa nos termos do art. 151, III, do CTN, não sendo ainda definitivos.  Argumenta  que  a  existência  dos  lançamentos  efetuados  no  presente  processo  depende  necessariamente  da  procedência  daquelas  autuações.  Assim,  o  julgamento  daqueles  processo  administrativos  é  manifestamente  prejudicial  ao  julgamento  dos  presentes autos.  Acrescenta que,  sobrevindo decisão  favorável à  impugnante nos autos daqueles  processos, as reduções efetuadas pela fiscalização nos saldos de prejuízos fiscais e de  bases  negativas  de CSLL  restarão  prejudicadas,  repercutindo  diretamente  nos  valores  exigidos neste processo.  Ante  o  exposto,  requer  o  cancelamento  dos  presentes  lançamentos,  face  à  inobservância do art. 142 do CTN.  Ad argumentandum, caso assim não se entenda, alega que este processo deve ser  convertido  em  diligência  para  aguardar  o  julgamento  definitivo  dos  processos  nº  16327.720728/2012­51 e nº 16327.721031/2013­88, a teor da jurisprudência do Carf.  Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 743          6 A impugnante também alega que o julgamento deve ser suspenso nos termos do  art. 265, IV, “a” do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo  administrativo fiscal.  Caso  se  entenda  pela  manutenção  dos  lançamentos,  a  impugnante  se  insurge  contra a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Alega que os juros de mora podem incidir somente sobre tributos e contribuições  e não sobre a multa de ofício, conforme previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96.  Para confirmar seu entendimento, cita o acórdão CSRF nº 9101­000722.  Ad  argumentandum,  alega  que,  se  fosse  cabível  a  exigência,  seriam  aplicados  juros à taxa Selic, limitados a 1%.  Por todo o exposto, requer seja dado provimento à impugnação, cancelando­se as  autuações ou, ao menos, seja o presente julgamento sobrestado até o julgamento final  dos processos administrativos nº 16327.720728/2012­51 e nº 16327.721031/2013­88.   Encaminhados os autos para julgamento, a 10ª Turma da DRJ/SPO, em sessão  realizada em 26 de março de 2015, entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a  impugnação, mantendo  o  crédito  tributário  contestado,  cuja  ementa  do  acórdão  restou  assim  descrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  PREJUÍZOS  FISCAIS  DE  PERÍODOS  ANTERIORES.  SALDO  INSUFICIENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Sendo  insuficiente  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  de  períodos  anteriores  passíveis  de  compensação,  porquanto  absorvidos  por  infrações  apuradas  em  procedimentos  de  ofício,  mantém­se  a  glosa  do  valor  indevidamente  compensado.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL  Ano­calendário: 2009  BASES  DE  CÁLCULO  NEGATIVAS  DE  CSLL  DE  PERÍODOS  ANTERIORES. SALDO INSUFICIENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Sendo  insuficiente  o  saldo  de  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL  de  períodos  anteriores  passíveis  de  compensação,  porquanto  absorvidas  por  infrações  apuradas  em  procedimentos  de  ofício,  mantém­se  a  glosa  do  valor  indevidamente compensado.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2009, 2011  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 744          7 Sendo  a  multa  de  ofício  classificada  como  débito  para  com  a  União,  decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita  Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora calculados pela taxa  Selic, a partir de seu vencimento.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009, 2011  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  SOBRESTAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  previsão  legal  para  o  sobrestamento  do  julgamento  de  processo  administrativo  entre  as normas  reguladoras do Processo Administrativo Fiscal.  Pelo  princípio  da  oficialidade,  a  administração  pública  tem  o  dever  de  impulsionar o processo até sua decisão final.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Ciente  do  acórdão  recorrido  em  30/03/2015,  pelo  Portal  e­CAC  (fls.  675),  e  com  ele  inconformado,  a  recorrente  apresentou  em  28/04/2015  (fls  678),  tempestivamente,  recurso voluntário, através de representante regularmente constituído (686­690) pugnando por  provimento, onde traz argumentos que serão apreciados quando do julgamento.  É o relatório.  Voto  Conselheiro  José Eduardo Dornelas Souza, Relator  O  recurso  voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido.   Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de  julgamento, pelos motivos que passo a expor.  Conforme  descrito  no  relatório,  cuida­se  de  auto  de  infração  lavrado  por  autoridade  competente,  resultante  da  glosa  da  compensação  considerada  indevida  da  base  negativa de CSLL no ano­calendário de 2009 e do prejuízo fiscal no ano­calendário de 2011,  ocasionada  pela  lavratura  dos  autos  de  infrações  nºs  16327.720728/2012­51  e  16327.721031/2013­88, que acarretaram a redução de ofício dos saldos de prejuízos fiscais e  base negativa da CSLL do recorrente.  Em  sede  recursal,  a  interessada  alega  uma  preliminar  prejudicial  à  analise  de  mérito. Passo a analisá­la.  DA ALEGAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE DE PROCESSOS  ADMINISTRATIVOS ­ SOBRESTAMENTO  Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 745          8 Sustenta a recorrente, em sede de recurso voluntário, haver conexão entre o PAF  nº 16327.720728/2012­51 e o presente processo, impondo­se a suspensão deste último.  Alega que a suposta insuficiência de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo  negativa de CSLL, decorre do fato da referida autoridade fiscal ter assumido como definitivas  as  autuações  que  deram  origem  aos  processos  administrativos  nºs  16327.720728/2012­51  e  16327.721031/2013­88.  Esclarece  que  a  parcela  da  glosa  relacionada  ao  processo  administrativo  nº  16327.721031/2013­88, que determinou redução do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa  de CSLL  do  ano­calendário  de  2008,  no  valor  de R$  438.200,88,  foi  recolhida  no  prazo  do  recurso voluntário, e por  isso a prejudicialidade alega  refere­se apenas  a glosa decorrente do  processo nº 16327.720728/2012­51.  Entendo que suas razões devem ser acolhidas.  Conforme  visto,  realmente,  a  glosa  aqui  discutida  possui  origem  na  reversão,  efetuado pela fiscalização, do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, discutida  nos  autos  do PAF nº  16327.720728/2012­51.  Inegável  que  o  julgamento  deste  processo  está  diretamente relacionado ao resultado do julgamento daquele processo.   Consultando  o  sitio  do  CARF,  verifico  que  aquele  processo  foi  incluído  pelo  ilustre  Relator  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  na  pauta  de  julgamento  da  sessão  de  05/10/2016.  Sendo  assim,  não  há  que  se  negar  o  pleito  da  recorrente,  neste  ponto,  pois  a  decisão que  se há de proferir  aqui depende  fundamentalmente do que vier a  ser decidido  lá,  razão  pela  qual  se  impõe  estender  o  resultado  do  julgamento  daquele  processo  ao  caso  em  análise.  Diante  do  exposto,  voto  por  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência,  para  que  os  autos  sejam  encaminhados  à  Unidade  Preparadora,  para  adotar  as  seguintes  providências:  1.  aguardar  decisão  definitiva  na  instância  administrativa  do  processo  nº  16327.720728/2012­51 e acostar aos presentes autos cópia da referida decisão;  2.  anexar  extrato  do  sistema  SAPLI,  atualizado  após  a  decisão  definitiva  no processo nº 16327.720728/2012­51?   3. manifestar sobre o valor do saldo de prejuízos  fiscais e de bases de  cálculo  negativas  de CSLL  disponíveis  para  compensação  no  ano­calendário  2008,  igualmente  após  aquela decisão.  4. confirmar a alegação de que o litígio no processo nº 16327.721031/2013­88  foi encerrado mediante pagamento da parte interessada;  5. acrescentar outras informações ou documentos que considere relevantes para  a solução do litígio dos presentes autos.    Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 746          9 Concluída  a  diligência,  deve  ser  dada  ciência  à  recorrente  do  relatório  conclusivo, concedendo­lhe prazo de 30 dias para se manifestar nos autos, caso assim deseje.  Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito.  (assinado digitalmente)   José Eduardo Dornelas Souza      Fl. 746DF CARF MF

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6513671 #
Numero do processo: 10166.723933/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTOS DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIAS DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGOS 30, INCISO I, "A", E 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO O mero equívoco, somente constatado a partir da ação fiscal, no registro dos fatos geradores na contabilidade da contribuinte, em contas distintas, não tem o condão de ensejar o descumprimento da obrigação acessória sob análise, de maneira a caracterizar a infração à norma prevista no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, não havendo, portanto, a subsunção do fato à norma, passível de justificar a imputação da penalidade ora aplicada, impondo seja decretada a sua improcedência. In casu, a contribuinte não deixou de informar em títulos próprios de sua contabilidade as remunerações pagas aos segurados empregados, mas, sim, assim o fez de maneira equivocada na conta Serviço de Call Center, código 0310357000. AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da pretensa inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em Autuação Fiscal pertinente ao descumprimento de obrigação principal, declarada improcedente, quanto aos fatos geradores vinculados a este processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. HIPÓTESES DE AGRAVAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DOLO. FRAUDE E/OU MÁ-FE. NÃO DEMONSTRAÇÃO. Uma vez não demonstradas as hipóteses de majoração das multas aplicadas, na forma contemplada pelos artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99 - RPS, impõe-se afastar a gradação das penalidades impostas pela autoridade lançadora, sobretudo quando a pretensa ocorrência de dolo, fraude ou má-fe atribuída à empresa não restou devidamente/circunstanciadamente demonstrada, sendo tratada somente de maneira superficial no Relatório Fiscal. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar provimento, vencidas as conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP - Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No tocante ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à responsabilidade solidária e aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; (iii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para excluir as circunstâncias agravantes do auto de infração CFL 30, mantida a multa no seu valor mínimo; (iv) por unanimidade de votos, dar provimento para tornar insubsistente o auto de infração CFL 34; (v) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para excluir as circunstâncias agravantes do auto de infração CFL 59, mantida a multa no seu valor mínimo, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, que dava provimento para afastar integralmente a penalidade; e (vi) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Para as matérias responsabilidade solidária e juros sobre a multa, foi designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTOS DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIAS DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGOS 30, INCISO I, "A", E 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO O mero equívoco, somente constatado a partir da ação fiscal, no registro dos fatos geradores na contabilidade da contribuinte, em contas distintas, não tem o condão de ensejar o descumprimento da obrigação acessória sob análise, de maneira a caracterizar a infração à norma prevista no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, não havendo, portanto, a subsunção do fato à norma, passível de justificar a imputação da penalidade ora aplicada, impondo seja decretada a sua improcedência. In casu, a contribuinte não deixou de informar em títulos próprios de sua contabilidade as remunerações pagas aos segurados empregados, mas, sim, assim o fez de maneira equivocada na conta Serviço de Call Center, código 0310357000. AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da pretensa inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em Autuação Fiscal pertinente ao descumprimento de obrigação principal, declarada improcedente, quanto aos fatos geradores vinculados a este processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. HIPÓTESES DE AGRAVAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DOLO. FRAUDE E/OU MÁ-FE. NÃO DEMONSTRAÇÃO. Uma vez não demonstradas as hipóteses de majoração das multas aplicadas, na forma contemplada pelos artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99 - RPS, impõe-se afastar a gradação das penalidades impostas pela autoridade lançadora, sobretudo quando a pretensa ocorrência de dolo, fraude ou má-fe atribuída à empresa não restou devidamente/circunstanciadamente demonstrada, sendo tratada somente de maneira superficial no Relatório Fiscal. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     2  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  APURAÇÃO  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  POR  ARBITRAMENTO.  NECESSIDADE  MOTIVAÇÃO  NOS  TERMOS  DA  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA  E  DEMONSTRAÇÃO  IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS  PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.  De conformidade com a  legislação de regência,  especialmente artigo 33, §§  3°  e  4o,  da  Lei  n°  8.212/91,  a  constituição  do  crédito  tributário  por  arbitramento  somente  poderá  ser  levada  a  efeito  quando  devidamente  demonstrada/comprovada à ocorrência da  impossibilidade da aferição direta  da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou  esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A  simples  constatação  de  pequenos  equívocos  na  escrituração  contábil  ou  mesmo mínimas divergências nos valores  informados  em GFIP e  folhas  de  pagamento,  não  tem  o  condão  de  suportar  o  lançamento  por  arbitramento,  mormente  quando  a  documentação  ofertada  pela  autuada  no  decorrer  do  procedimento  fiscal  ou  nos  documentos  de  arrecadação  seriam  suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos  geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta.  RELATÓRIO  FISCAL  DA  NOTIFICAÇÃO.  OMISSÕES.  IMPROCEDÊNCIA  LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar,  de  forma  clara  e  precisa,  todos  os  procedimentos  e  critérios  utilizados  pela  fiscalização  na  constituição  do  crédito  previdenciário,  possibilitando  ao  contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório.  Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou  motivos  de  apuração  do  crédito  tributário  levados  a  efeito  por  ocasião  do  lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do  direito de defesa e contraditório do contribuinte,  enseja  a  improcedência da  autuação.  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29  do  Decreto  nº  70.235/72,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar diligência que entender necessária.  A  produção  de  prova  pericial  deve  ser  indeferida  se  desnecessária  e/ou  protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando  deixar  de  atender  aos  requisitos  constantes  no  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto nº 70.235/72.  GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas integrantes de grupo  econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para  com a Seguridade Social.  LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E  DO  CONTRADITÓRIO.  INOCORRÊNCIA.  Tendo  o  fiscal  autuante  demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento,  oportunizando  ao  contribuinte  o  direito  de  defesa  e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.  AUTOS DE  INFRAÇÃO.  INOBSERVÂNCIAS DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  ARTIGOS 30,  INCISO  I,  "A", E 32,  INCISO  I, LEI Nº 8.212/91. Constitui  fato  gerador  de  multa  preparar  o  contribuinte  folhas  de  pagamentos  das  Fl. 51507DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 3          3  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  a  seu  serviço  em  desacordo  com  os  padrões  e  normas previstas na legislação previdenciária.  De conformidade  com o artigo 30,  inciso  I,  alínea  “a”,  da Lei nº 8.212/91,  constitui  infração  deixar  a  empresa  de  arrecadar  as  contribuições  previdenciárias,  mediante  desconto  nas  remunerações  dos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  a  seu  serviço,  abrangidos  pelo  Regime Geral de Previdência Social.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  INOBSERVÂNCIA  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  ARTIGO  32,  INCISO  II,  LEI  Nº  8.212/91.  NÃO  CONFIGURAÇÃO  O  mero  equívoco,  somente  constatado  a  partir  da  ação  fiscal,  no  registro  dos  fatos  geradores  na  contabilidade  da  contribuinte,  em  contas  distintas,  não  tem  o  condão de ensejar o descumprimento da obrigação acessória sob análise, de  maneira a caracterizar a infração à norma prevista no artigo 32, inciso II, da  Lei  nº  8.212/91,  não  havendo,  portanto,  a  subsunção  do  fato  à  norma,  passível de  justificar a  imputação da penalidade ora aplicada,  impondo  seja  decretada a sua improcedência.  In  casu,  a  contribuinte  não  deixou  de  informar  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados, mas,  sim,  assim o fez de maneira equivocada na conta Serviço de Call Center, código  0310357000.  AUTOS  DE  INFRAÇÃO  DECORRENTES  DE  LANÇAMENTO  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  JULGADO  IMPROCEDENTE  EM  PARTE.  AUTUAÇÃO  REFLEXA.  OBSERVÂNCIA  DECISÃO.  Impõe­se  a  exclusão  da  multa  aplicada  decorrente  da  pretensa  inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em  Autuação  Fiscal  pertinente  ao  descumprimento  de  obrigação  principal,  declarada  improcedente,  quanto  aos  fatos  geradores  vinculados  a  este  processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se  vislumbra na hipótese vertente.  MULTA  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS.  HIPÓTESES  DE  AGRAVAMENTO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  DOLO.  FRAUDE E/OU MÁ­FE. NÃO DEMONSTRAÇÃO. Uma vez não demonstradas  as hipóteses de majoração das multas aplicadas, na forma contemplada pelos  artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99 ­ RPS, impõe­se afastar a gradação  das  penalidades  impostas  pela  autoridade  lançadora,  sobretudo  quando  a  pretensa ocorrência de dolo, fraude ou má­fe atribuída à empresa não restou  devidamente/circunstanciadamente  demonstrada,  sendo  tratada  somente  de  maneira superficial no Relatório Fiscal.  RELATÓRIO DE VÍNCULOS.  CO­RESPONSABILIZAÇÃO  DOS  SÓCIOS DA  EMPRESA  E  DEMAIS  PESSOAS  JURÍDICAS.  A  indicação  dos  sócios  da  empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal  denominado  CORESP  ou  Relatório  de  Vínculos  não  representa  nenhuma  irregularidade  e/ou  ilegalidade,  eis  que  referida  co­responsabilização  em  relação  ao  crédito  previdenciário  constituído,  encontra  respaldo  nos  dispositivos  legais  que  regulam  a  matéria.  Mais  a  mais,  nos  termos  da  Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa,  Fl. 51508DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     4  não  comportando  discussão  na  esfera  administrativa,  mormente  por  não  atribuir, por si só, sujeição passiva.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra  o crédito tributário,  logo está sujeita à  incidência dos juros de mora a partir  do mês subsequente ao do vencimento.  Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do  recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar provimento, vencidas as conselheiras Maria  Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Por unanimidade de votos, conhecer do  recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa,  que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a  preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP ­ Folha de Pagamento não Declarada em  GFIP",  vencidos  os  conselheiros  Carlos  Alexandre  Tortato,  Cleberson  Alex  Friess,  Andréa  Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as  demais preliminares. No tocante ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar  provimento  para  excluir  o  levantamento  relativo  ao  aviso  prévio  indenizado,  vencida  a  conselheira  Miriam  Denise  Xavier  Lazarini;  (ii)  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  quanto à responsabilidade solidária e aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os  conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira  Barbosa; (iii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para excluir as circunstâncias  agravantes  do  auto  de  infração  CFL  30,  mantida  a  multa  no  seu  valor  mínimo;  (iv)  por  unanimidade de votos, dar provimento para tornar insubsistente o auto de infração CFL 34; (v)  por unanimidade de votos, dar parcial provimento para excluir as circunstâncias agravantes do  auto de infração CFL 59, mantida a multa no seu valor mínimo, vencida a conselheira Miriam  Denise Xavier Lazarini,  que dava provimento para  afastar  integralmente  a penalidade;  e  (vi)  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  quanto  às  demais  questões.  Para  as  matérias  responsabilidade solidária e juros sobre a multa, foi designada para redigir o voto vencedor a  conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente e Redatora Designada    (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  Lazarini,  Carlos Alexandre Tortato,  Cleberson Alex  Friess,  Luciana Matos  Pereira  Barbosa,  Marcio  de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais  Egypto, Maria Cleci Coti Martins  e Rayd  Santana Ferreira.  Fl. 51509DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 4          5    Relatório  BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A., contribuinte, pessoa jurídica de  direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da  decisão  da  4a  Turma da DRJ  em Campo Grande/MS, Acórdão  nº  04­034.373/2013,  às  e­fls.  1.551/1.589, que julgou procedente em parte os lançamentos fiscais  lavrados em 20/05/2013,  referente  às  contribuições  sociais  devidas  ao  INSS,  correspondentes  à  parte  da  empresa,  dos  segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos  ambientais  do  trabalho,  além  da  aplicação  de  multa  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias, em relação ao período de 01/2009 a 31/12/2009, conforme Relatório Fiscal, às e­fls.  73/113, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração:  1) DEBCAD 51.033.252­8 ­ por meio do qual foram lançadas Contribuições  previdenciárias  a  cargo  da  empresa,  destinadas  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  ­  GILRAT,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  aos  segurados empregados, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, com valor total de  R$ 6.274.512,41, consolidado em 20/05/2013 (fls.03 a 53).  2) DEBCAD 51.033.253­6 ­ por meio do qual foram lançadas Contribuições  previdenciárias dos segurados destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração  paga aos segurados empregados, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, com valor  total de R$ 2.211.505,96, consolidado em 20/05/2013 (fls.54 a 69).  3)  DEBCAD  51.033.254­4  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, fundamento legal 30, pelo fato de a autuada deixar de preparar folhas de pagamentos  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  no  valor  de  R$  10.304,28 (fl.70);  4)  DEBCAD  51.033.255­2  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  fundamento  34,  pelo  fato  de  a  autuada  deixar  de  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições  da  empresa  e  os  totais  recolhidos, conforme previsto na legislação, no valor total de R$ 85.867,90 (fl.71);  5)  DEBCAD  51.033.256­0  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, fundamento legal 59, pelo fato de a autuada deixar de arrecadar, mediante desconto  das  remunerações,  as  contribuições dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço, conforme previsto na legislação, no valor de R$ 10.304,28 (fl.72);  De  conformidade  com  o  Relatório  Fiscal,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  encontram­se  discriminados  nos  levantamentos  abaixo elencados:  a) Remunerações em folha de pagamento não informadas em GFIP:  Fl. 51510DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     6  · Verificou­se que nas folhas de pagamento apresentadas á fiscalização que  as  rubricas  aviso  prévio  indenizado,  bônus  anual  e  auxílio  dependente  excepcional  correspondem a salário­de­contribuição, mas não foram informadas em GFIP;  · Do  confronto  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  identificaram­se  pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP.  b) Custeio de educação:  · Após  exame  da  contabilidade,  verificou­se  valores  lançados  na  conta  “Treinamento Sem. e Congressos, a qual, segundo informação da própria autuada, é “utilizada  para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pós­graduação,  inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. (...)”;  · O  sujeito  passivo  não  atendeu  à  intimação  fiscal,  deixando  de  informar  qual  o  tipo  de  educação  (pós­graduação,  graduação,  dentre  outros)  teria  sido  objeto  de  reembolso aos segurados;  · Tratam­se de pagamentos que não são beneficiados pela norma de isenção  prevista na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.  c)  Pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por  meio  da  Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás  · Constatou­se  na  contabilidade  pagamentos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  por  serviços  de  Call  Center,  totalizando  R$  6.357.995,77;  · Da  análise  do  estatuto  social  da  autuada  e  do  contrato  de  prestação  de  serviços pactuado entre esta e a ADFEGO, constata­se que esta foi contratada para realizar a  atividade  fim  daquela,  o  que  vai  de  encontro  à  jurisprudência  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho;  · As  cláusulas  contratuais  evidenciam  o  propósito  de  a  autuada  exercer  o  controle  dos  serviços  prestados  pela  ADFEGO,  com  a  subordinação  desta  às  normas  estabelecidas  pela  aquela,  as  quais  devem  ser  observadas  desde  a  seleção  e  contratação  de  pessoal, bem como para avaliação de desempenho para fins de evolução na carreira;  · Os empregados foram contratados para prestar serviços que correspondem  à atividade fim da autuada, e o prestavam nas próprias dependências desta;  · A  fiscalização  conclui  pela  existência  de  elementos  caracterizadores  de  vínculo  empregatício  conforme  art.  3º  da CLT  e  alínea  “a”  do  inciso  I  do  art.  12  da Lei  nº  8.212, de 1991;  · A  fiscalização  caracterizou  esses  trabalhadores  como  segurados  empregados da autuada;  · A  autoridade  lançadora  aferiu  indiretamente  os  valores  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  considerando­os  como  sendo  o  montante  dos  pagamentos  feitos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  registrados na conta de despesa nº 0310357000 – C.O. – Serviços de Call Center.  Fl. 51511DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 5          7  Após regular processamento,  interposta  impugnação, contra exigência  fiscal  consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou  por  bem  julgar  procedente  em  parte  o  lançamento,  afastando  parte  do  crédito  tributário  referente  ao  pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por meio  da  associação  de  deficientes físicos do Estado de Goiás, por entender haver erro na base de cálculo apurada por  meio de aferição indireta, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 04­ 034.373/2013, sintetizados na seguinte ementa:  "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009   AUTO  DE  INFRAÇÃO.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE..  EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA.  Se o auto de infração e todos os documentos que o acompanham  permitem ao autuado o perfeito conhecimento do fato tributário  imputado,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  em  razão  de  obstrução ao direito de defesa.  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. LEI.  O  rol  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212,  de  1991  é  taxativo  e  somente  o  pagamento  das  rubricas  nele  incluídas  estão  isentas  da contribuição previdenciária.  AVISO PRÉVIO INDENIZADO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.  Não  há  lei  que  isente  da  contribuição  previdenciária  o  aviso  prévio indenizado.  PAGAMENTO DE BÔNUS. INCIDÊNCIA   O silencio do contribuinte durante o procedimento fiscal acerca  da  natureza  do  bônus  pago  a  seus  diretores,  e  a  não  apresentação  da  documentação  probatória  acerca  dessa  natureza  junto  à  impugnação  é  motivo  para  manter  o  lançamento  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  referida rubrica.  AUXÍLIO DEPENDENTE EXCEPCIONAL. INCIDÊNCIA.  Não há  previsão  legal  que  isente  pagamentos  feitos  à  título  de  auxílio  dependente  excepcional  da  base  de  incidência  das  contribuições previdenciárias.  REEMBOLSO EDUCACIONAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.  Valores  pagos  a  título  de  reembolso  educacional  que  não  se  enquadrem  na  norma  de  isenção  definida  em  lei  sofrem  incidência de contribuições previdenciárias.  FOLHA  DE  PAGAMENTO.  GFIP.  DIVERGÊNCIAS.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Diferenças entre os valores informados em folha de pagamento e  em GFIP, correspondentes a salários­de­contribuição, justificam  Fl. 51512DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     8  o  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  incidentes sobre elas.  LANÇAMENTO.  IMPUGNAÇÃO.  DOCUMENTOS.  AMOSTRAGEM. RAZÕES DE DEFESA NÃO APRESENTADAS.  São  ineficazes  os  documentos  trazidos  aos  autos  por  amostragem,  sem  as  correspondentes  razões  de  defesa  que  apontem,  expressamente  e  especificamente,  eventuais  incorreções nos valores lançados.  SEGURADOS  EMPREGADOS.  TERCEIRIZAÇÃO.  SIMULAÇÃO.  Constatado  pela  fiscalização  que  os  serviços  terceirizados  da  empresa  ocorrem  de  forma  simulada,  apenas  para  burlar  o  Fisco,  correto  o  enquadramento  dos  trabalhadores  como  segurados empregados da empresa contratante.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  A  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  é  aplicável  quando  caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir  o  conhecimento da ocorrência do  fato gerador pela autoridade  fazendária e de reduzir o montante das contribuições devidas.  AFERIÇÃO  INDIRETA.  BASE DE CÁLCULO.  INFORMAÇÃO  DISPONÍVEL. DESCABIMENTO.  Se a autoridade lançadora dispõe de meios para obter os valores  de salários­de­contribuição recebidos pelos  segurados, descabe  o emprego da aferição indireta.  GRUPO  ECONÔMICO  DE  FATO.  CARACTERIZAÇÃO.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  O  conjunto  de  empresas  que  estão  sob  o  controle  acionário  único,  e  que  desenvolvem  de  forma  integrada  suas  atividades  econômicas, mas  que  perante  o  público  atua  como  uma  figura  singular,  sob  uma  única  denominação,  são  situações  que  caracterizam o grupo econômico de fato.  Caracterizada  a  existência  de  um  grupo  econômico  de  fato,  o  reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei  para o recolhimento da contribuição previdenciária.  PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  perícia  quando  o  fato  a  ser  provado puder sê­lo por meio de prova documental.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO. CABIMENTO.  O crédito  tributário abrange  também a multa de ofício, motivo  pelo  qual  sobre  esta,  uma  não  paga  no  vencimento,  incidem  juros de mora conforme determina a legislação tributária.  RELATÓRIO DE VÍNCULOS. PEÇA INFORMATIVA.  Fl. 51513DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 6          9  O relatório de vínculo é peça meramente informativa integrante  do  auto  de  infração  previdenciários,  a  qual  não  imputa  a  responsabilidade tributária passiva às pessoas nele indicadas.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009   OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. MULTA.  O  não  cumprimento  das  obrigações  acessórias  implica  o  lançamento de multa prevista em lei.  MULTA. SITUAÇÃO AGRAVANTE. APURAÇÃO.  A  apuração  da  multa  pelo  descumprimento  de  obrigações  acessórias  deve  observar  as  situações  agravantes  constatadas  pela autoridade lançadora.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte"  Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72,  c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu  de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal.  Regularmente  intimada e  inconformada com a Decisão  recorrida, a autuada  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  e­fls.  1.607/1.665,  procurando  demonstrar  sua  improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões.  Preliminarmente,  suscita  a  nulidade  do  lançamento  relativo  a  folha  de  pagamento não declarada em GFIP, por entender que houve manifesta ausência de motivação,  pois o fiscal não logrou produzir prova tendente a corroborar a pretensão fiscal, bem como não  analisou a fundo os documentos e fatos bases do lançamento.  Ainda  em  caráter  preliminar,  insurge­se  a  contribuinte  quanto  aos  levantamentos C1 e C2, alegando para tanto a omissão de fatos relacionados a estas rubricas,  estando presente apenas o discriminativo de débito, não constando os motivos que conduziram  o agente fiscal a apurá­los, pugnando assim pela nulidade do lançamento.  Em  relação  ao mérito,  após  breve  relato  das  fases  e  fatos  que  permeiam  o  lançamento,  insurge­se  contra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  lançadas,  esclarecendo que o fato gerador de aludidos tributos é a prestação de serviços, sendo a BC a  remuneração  paga,  devida  o  creditada  a  qualquer  pessoa  física  decorrente  de  serviços  prestados, nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.  Afirma  ser  improcedente  a  incidência  das  contribuições  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  aviso  prévio  indenizado,  por  tratar­se  de  verba  indenizatória,  não  tendo  natureza  remuneratória,  colacionando  jurisprudência,  legislação  e  posicionamentos  doutrinários corroborando a sua tese.  Contrapõe­se  ao  lançamento  fiscal,  sustentando que  os  pagamentos  feitos  a  título de bônus  anual não podem sofrer a  incidência da  contribuição previdenciária, pois  são  Fl. 51514DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     10  pagos por mera liberalidade do empregador, de forma eventual, na forma do item 7, alínea "e",  do  §9º,  do  artigo  28  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  não  havendo  a  comprovação  por  parte  da  autoridade fiscal de que tais valores estivessem vinculados a fatores de eficiência, assiduidade,  tempo de serviço e outros relacionados ao desenvolvimento do labor.  Alega  ser  insubsistente  o  lançamento  quanto  ao  auxílio  dependente  excepcional porquanto carece de natureza contra­prestativa, encaixando­se na hipótese de não  incidência apresentada pela Lei n° 8.212/91, artigo 28, § 9°, alínea "q", dada sua natureza de  assistência  médica,  sobretudo  em  razão  de  o  funcionário  dever  preencher  o  requisitos  para  receber tal auxilio. Em defesa de sua pretensão, colaciona jurisprudência deste Conselho.  Argumenta  que  foram  lançados  os  reembolsos  com  cursos  de  idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários,  palestras,  entre  outros,  estando  completamente  equivocado  o  auditor  e  a  DRJ,  uma  vez  que  tais  valores  despendidos  pela  autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus  funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo  trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias,  conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores.  Esclarece não  ter  a  autoridade  lançadora  apresentado prova de que a Brasil  Telecom Call Center tenha deixado de recolher contribuições previdenciárias, motivo pelo qual  as  diferenças  apuradas  seriam  indevidas,  mormente  quando  não  restou  comprovada  a  real  natureza  jurídica  das  diferenças  apontadas  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  o  que  impossibilita o direito de defesa. Ainda assim, por amostragem, demonstra a improcedência de  aludido  levantamento,  conforme  documentos  às  fls.  1.474  a  1.544  e  planilha  transcrita  no  recurso.  Salienta, ainda, a  impossibilidade de refazer o trabalho da autoridade fiscal,  por isso demonstrou apenas alguns casos entre os milhares da autuação, devendo ser aplicado o  entendimento  da  DRJ  que  exclui  um  dos  casos  da  amostragem,  além  da  necessidade  indispensável  de  diligência  para  comprovar  a  inexistência  de  diferenças  apontadas  pela  fiscalização.  Quanto os Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias,  repisa os argumentos da impugnação, afirmando não restar a autuada obrigada a informar em  folha de pagamento importâncias que não são fatos geradores de contribuições previdenciárias,  entendimento que se presta,  igualmente, a rechaçar as penalidades em relação à obrigação de  lançar em títulos de sua contabilidade eventos dessa natureza, bem como de descontar de seus  empregados contribuições previdenciárias sobre parcelas  indenizatórias, motivo pelo qual são  indevidas as multas lançadas por meio do DEBCAD 51.033.254­4, DEBCAD 51.033.255­2 e  DEBCAD 51.033.256­0;  Ainda relativamente as obrigações acessórias, no caso de não ser acolhida a  pretensão  acima  mencionada,  requer  o  afastamento  da  circunstância  agravante  utilizada  na  valoração dessas multas, pois não houve dolo, fraude ou má­fé da autuada ao firmar contrato  com  a  ADFEGO,  cujo  objeto  era  meramente  assistencial  visando  a  garantir  a  inclusão  de  pessoas portadoras de deficiência física no mercado de trabalho.  Opõe­se  a  caracterização  de  grupo  econômico,  aduzindo  que  o  fato  das  empresas  estarem  sob  o  controle  acionário  comum  não  é  suficiente  para  caracterização  de  grupo de  fato. Assevera,  que só pode  ser considerado  grupo econômico  quando as  empresas  combinarem  recursos  financeiros,  esforços  para  realização  de  atividades  comuns  e  firmarem  convenção, o que não acontece in casu.  Fl. 51515DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 7          11  Com  o  fito  de  afastar  quaisquer  dúvidas  quanto  a  inexistência  de  grupo  econômico,  transcreve  inúmeros  entendimentos  jurisprudenciais  indicando  só  haver  a  possibilidade dessa caracterização quando há uma efetiva comunhão de imobilizados, ativos ou  força  laboral  e  gerencial  comum,  além  de  expor  a  relação  de  responsabilidade  solidária  constante do artigo 50 do Código Civil.  Disserta  a  respeito  da  responsabilidade  tributária  e  sujeição  passiva,  concluindo  pela  impossibilidade  de  responsabilização  dos  sócios  em  relação  ao  crédito  previdenciário  ora  lançado,  uma vez  que  não  foram  atendidos  os  requisitos  necessários  para  tanto,  inscritos  nos  artigos  134  e  135  do  Código  Tributário  Nacional,  entendimento  que  encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação.  Vindica, também, a exclusão da incidência de juros sobre a multa de ofício,  por  entender  que  essa  penalidade  não  retrata  obrigação  principal,  mas,  sim,  encargo  que  se  agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte.  Relativamente,  ao  Recurso  de  Ofício,  esclarece  que  esse  não  merece  prosperar,  esi  que,  além  da  ilegalidade  quanto  o  método  de  aferição  indireta  aplicado,  não  houve  nenhuma  comprovação  da  suposta  relação  de  emprego  entre  os  funcionários  da  ADFEGO  com  a  recorrente,  impondo  seja  mantida  a  decisão  de  piso  relativamente  a  esta  matéria.  Sustenta ser imprescindível a diligência para demonstrar a insubsistência dos  lançamentos,  uma  vez  que  atestará  a  inexistência  de  diferenças  entre  os  valores  de  base  de  cáculo apresentados em folha de pagamento e GFIP, entre demais questões já enfrentadas no  recurso.  Ressalta  o  direito  da  contribuinte  de  requerer  a  realização  de  perícia,  diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo  administrativo  fiscal,  sendo  defeso  à  autoridade  fazendária  cercear­lhe  aludida  garantia  constitucional, sob pena de nulidade do procedimento.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  preliminarmente  decretar  a  nulidade  dos  Autos  de  Infração,  tornando­os  sem  efeito  e,  no  mérito, sua absoluta improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 51516DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     12    Voto Vencido  Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Consoante se positiva do Relatório Fiscal, a lavratura dos Autos de Infração  sob análise deveu­se a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela contribuinte  ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios  da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de  multa  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  adotando  como  fatos  geradores  as  seguintes importâncias:  a) Remunerações em folha de pagamento não informadas em GFIP:  · Verificou­se que nas folhas de pagamento apresentadas á fiscalização que  as  rubricas  aviso  prévio  indenizado,  bônus  anual  e  auxílio  dependente  excepcional  correspondem a salário­de­contribuição, mas não foram informadas em GFIP;  · Do  confronto  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  identificaram­se  pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP.  b) Custeio de educação:  · Após  exame  da  contabilidade,  verificou­se  valores  lançados  na  conta  “Treinamento Sem. e Congressos, a qual, segundo informação da própria autuada, é “utilizada  para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pós­graduação,  inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. (...)”;  · O  sujeito  passivo  não  atendeu  à  intimação  fiscal,  deixando  de  informar  qual  o  tipo  de  educação  (pós­graduação,  graduação,  dentre  outros)  teria  sido  objeto  de  reembolso aos segurados;  · Tratam­se de pagamentos que não são beneficiados pela norma de isenção  prevista na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.  c)  Pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por  meio  da  Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás  · Constatou­se  na  contabilidade  pagamentos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  por  serviços  de  Call  Center,  totalizando  R$  6.357.995,77;  · Da  análise  do  estatuto  social  da  autuada  e  do  contrato  de  prestação  de  serviços pactuado entre esta e a ADFEGO, constata­se que esta foi contratada para realizar a  atividade  fim  daquela,  o  que  vai  de  encontro  à  jurisprudência  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho;  · As  cláusulas  contratuais  evidenciam  o  propósito  de  a  autuada  exercer  o  controle  dos  serviços  prestados  pela  ADFEGO,  com  a  subordinação  desta  às  normas  estabelecidas  pela  aquela,  as  quais  devem  ser  observadas  desde  a  seleção  e  contratação  de  pessoal, bem como para avaliação de desempenho para fins de evolução na carreira;  Fl. 51517DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 8          13  · Os empregados foram contratados para prestar serviços que correspondem  à atividade fim da autuada, e o prestavam nas próprias dependências desta;  · A  fiscalização  conclui  pela  existência  de  elementos  caracterizadores  de  vínculo  empregatício  conforme  art.  3º  da CLT  e  alínea  “a”  do  inciso  I  do  art.  12  da Lei  nº  8.212, de 1991;  · A  fiscalização  caracterizou  esses  trabalhadores  como  segurados  empregados da autuada;  · A  autoridade  lançadora  aferiu  indiretamente  os  valores  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  considerando­os  como  sendo  o  montante  dos  pagamentos  feitos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  registrados na conta de despesa nº 0310357000 – C.O. – Serviços de Call Center.  Ressaltados  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas, passamos a contemplam o Recurso de Ofício, bem como as razões de fato e de direito  do Recurso Voluntário, senão vejamos.  RECURSO DE OFÍCIO  Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se  encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da  matéria posta nos autos.  Após  apresentação  da  impugnação  da  autuada,  o  lançamento  fora  julgado  procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 04­034.373/2013, às e­fls. 1.551/1.589, da 4a  Turma da DRJ em Campo Grande/MS, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora  de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34, inciso I, do  Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008.  Com  mais  especificidade,  a  DRJ  competente,  ora  guerreada,  em  síntese,  achou  por  bem  rechaçar  em  parte  a  pretensão  fiscal,  afastando  parte  do  crédito  tributário  referente  ao  pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por meio  da  associação  de  deficientes físicos do Estado de Goiás, por entender haver erro na base de cálculo apurada por  meio de aferição indireta, adotando os seguintes fundamentos, in verbis:  "[...]  INCORREÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  APURADA  POR  MEIO DE AFERIÇÃO INDIRETA    A  autoridade  lançadora  considerou  os  pagamentos  registrados na contabilidade  feitos à Associação de Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  como  sendo  base  de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias  decorrentes  da  caracterização do vínculo empregatício entre os empregados da  referida  associação  e  a  autuada,  utilizando­se,  portanto,  do  procedimento  chamado de aferição  indireta,  cujos  fundamentos  legais transcrevem­se abaixo:  [...]  Fl. 51518DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     14    O  arbitramento,  ou  aferição  indireta,  é  uma  medida  de  exceção, que deve ser utilizada quando a autoridade lançadora  não disponha de meios (ou tais meios não sejam confiáveis) para  se  chegar  aos  valores  efetivos  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  que  no  caso  seriam  os  salários­ de­contribuição  pagos  aos  empregados  que mantinham  vínculo  empregatício formal com a Associação de Deficientes Físicos do  Estado  de Goiás  – ADFEGO,  e  o  vínculo  empregatício de  fato  com a Brasil Telecom Call Center S/A.    A  autoridade  lançadora  não  fundamentou  o motivo  pelo  qual  considerou  o  total  das  notas  fiscais  de  serviço  emitidas  pela  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  como  sendo  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias lançadas.    Convém  lembrar  que  os  valores  dos  salários  recebidos  pelos  empregados  formalmente  vinculados  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  estão  disponíveis  em  vários  tipos  de  documentos  emitidos  pela  referida  associação,  tais  como  folhas  de  pagamento,  RAIS,  GFIP e DIRF, e as  informações contidas em tais documentos  estão disponíveis nos sistemas informatizados da RFB.    Contudo,  a  autoridade  lançadora  não  informou  se  tais  documentos  seriam  inexistentes,  ou  porque  motivos  as  informações constantes neles não mereceriam fé.    Como bem alegou as impugnantes, a autoridade lançadora  consultou  a  GFIP  apresentada  pela  Associação  de  Deficientes  Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, para relacionar o nome  de todos os empregados formalmente vinculados a esta (item 85  do relatório fiscal e anexo VII), para comprovar a pessoalidade  dos  serviços  prestados  à  autuada.  Por  qual  razão  não  teria  a  autoridade lançadora considerado os salários informados nessa  GFIP como base de cálculo?    Vê­se, portando, que autoridade  lançadora poderia dispor  dos  valores  dos  salários­de­contribuição  efetivamente  pagos  a  cada um dos empregados formalmente vinculados à Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  mas  assim não o fez.    Ainda que  a  autoridade  lançadora  tivesse  apresentado os  motivos  para  desconsiderar  todas  as  informações  acerca  dos  valores  dos  salários  pagos  aos  empregados  formalmente  vinculados  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  2009,  prevê  percentuais mínimos  a  serem  considerados  como  custo  de  mão­de­obra  no  caso  de  aferição  indireta  feita  com  base em notas fiscais:  [...]    Embora a norma citada acima preveja percentuais mínimos  a  serem  considerados  como  remuneração  da  mão­de­obra,  mostra­se evidente que considerar o percentual máximo do valor  dos  serviços  informados  em  notas  fiscais  dependeria  de  Fl. 51519DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 9          15  justificativa  por  parte  da  autoridade  lançadora,  o  que  não  ocorreu no presente caso.    Esse procedimento adotado pelo  sujeito passivo ainda não  se  mostra  razoável,  pois  considera  que  todos  os  valores  constantes  em  notas  fiscais  corresponderiam  a  salários­de­ contribuição, não havendo qualquer  tipo de pagamento sobre o  qual não  incidiria contribuições previdenciárias; considera que  a empresa contratada faria a intermediação de mão­de­obra de  forma gratuita.    Em  razão  do  exposto,  devem  ser  excluídos  do  lançamento  todos  os  valores  das  contribuições  previdenciárias  objeto  dos  seguintes levantamentos:  ∙  AS  –  PAGAMENTO  À  ADFEGO  –  SEGURADOS  EMPREGADOS (EMPRESA);  ∙  CS  –  PAGAMENTOS  À  ADFEGO  –  CONTRIBUIÇÃO  SEGURADOS EMPREGADOS (SEGURADOS).  [...]" (grifamos)  Como se observa dos autos, ao constituir o crédito previdenciário pertinente  aos  pagamentos  efetuado  à Associação  de Deficientes  Físicos  do  Estado  de Goiás,  a  ilustre  autoridade lançadora entendeu por bem utilizar­se do procedimento do arbitramento, adotando  como base de cálculo dos tributos lançados o total das notas fiscais de serviços emitidas pela  ADFEGO,  sem  conquanto motivar  aludida  conduta,  sobretudo  em  razão  de  a  totalidade  dos  salários  recebidos  pelos  empregados  formalmente  vinculados  àquela  Associação  estar  disponível em vários tipos de documentos emitidos pela referida contribuinte, tais como folhas  de pagamento, RAIS, GFIP e DIRF, e as informações contidas em tais documentos.  Nesse  sentido,  estando  o  lançamento  escorado  em  uma  presunção  legal,  incumbe  à  fiscalização  demonstrar  e  comprovar  os  motivos  que  a  levaram  utilizar  deste  procedimento  excepcional  e,  conseqüentemente,  fundamentá­lo  na  legislação  de  regência,  fazendo  constar  dos  autos  do  processo,  nos  anexos  pertinentes,  a  norma  legal  esteio  da  exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito.  Inobstante  à grande  celeuma que envolve o  tema,  é  certo que  atualmente o  Fisco  dispõe  de  alguns  mecanismos  para  apuração  de  crédito  tributário  quando  constatadas  operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação,  ou mesmo quando aquele não promove a devida escrituração contábil, nos moldes mínimos das  normas específicas, ou não a oferece à fiscalização quando intimado para tanto.  Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os  requisitos  exigidos  pela  legislação  de  regência,  é  legal  e  inverte  o  ônus  da  prova  ao  contribuinte.  Trata­se,  pois,  de  presunção  legal  –  júris,  que  desdobra­se,  ensinam  os  doutrinadores,  em presunções  "juris  et  de  jure"  e  "juris  tantum". As  primeiras  não  admitem  prova em contrário; são verdades indiscutíveis por força de lei.  Fl. 51520DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     16  Por  sua  vez,  as  presunções  "juris  tantum"  (presunções  discutíveis),  fato  conhecido  induz  à  veracidade  de  outro,  até  a  prova  em  contrário.  Elas  recuam  diante  da  comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza  da  dívida  inscrita,  que  pode  ser  ilidida  por  prova  inequívoca,  nos  termos  do  artigo  204,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  As  hipóteses  inscritas  nos  §§  3º  e  6º,  do  artigo  33,  da  Lei  nº  8.212/91,  portanto, caracterizam­se como presunções  juris  tantum, albergada por lei, mas passíveis de  comprovação do contrário presumido.  Porém,  tal  procedimento  deve  estar devidamente  fundamentado  e motivado  nos  autos  do  processo,  além  da  necessidade  de  atender  aos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento.  Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca”  ao  agente  fiscal,  de maneira  a  possibilitar­lhe  concluir  pela  existência  de  débitos  tributários  bem  destoantes  do  que  efetivamente  devido  pelo  contribuinte,  escorados  em  parâmetros  aleatórios  e  imprecisos,  sem  o  devido  aprofundamento  no  exame  das  provas  constantes  dos  autos. Não  se  pode  admitir,  pois,  seja  praticado  o  arbítrio  em  nome  do  arbitramento.  É  um  procedimento,  portanto,  que  objetiva  aproximar, mensurar  as  remunerações  tributáveis  tanto  quanto possível daquele que seria real. Tem­se assim que a vontade abstrata da lei é gravar o  tributo  que  seria  devido  em  condições  normais,  não mais  do  que  isso,  porquanto  o  objetivo  precípuo  da  fiscalização  é  a  orientação,  com  a  finalidade de  esclarecer  aos  contribuintes  em  geral  sobre  o  indelével  dever  de  recolher  ao  fisco  os  tributos  efetivamente  devidos,  naturalmente  após  identificar  as  eventuais  irregularidades  extraídas  de  sua  atividade,  ou  contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da  lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o Fisco tem direito. Gravar tributo  não tem o mesmo sentido de agravá­lo. O agravamento se faz mediante cominação de multas,  não pela via do arbitramento.  A doutrina pátria oferece proteção ao entendimento encimado, conforme se  verifica do excerto da obra do renomado tributarista HELENO TORRES1, abaixo transcrito:  “ [...] toda a fundamentação de uma desconsideração de método  previamente  escolhido  e  aplicado  pelo  contribuinte  é,  em  si,  medida  típica  de  arbitramento  da  base  de  cálculo  dos  tributos  envolvidos  [...].  Da  Constituição,  no  seu  art.  145,  §  1°,  ao  próprio CTN, nos seus arts. 148 e 150, I, em nenhuma hipótese  vê­se  justificativa  para  tributação  com  base  em  presunções  absolutas;  o  que  vale  do  mesmo  modo  para  a  negativa  de  aplicação de métodos de apuração de bases de cálculo. [...] Ao  Direito  tributário  importa,  com  exclusividade,  só  a  verdade  material,  para  a  qual  certas  presunções  legais  somente  valem  como  hipóteses  sujeitas  a  confirmação  pela  base  natural  de  testabilidade:  a  situação  fática  tomada  como  motivo  para  a  edição do ato administrativo de lançamento. Caso não se tenha  por  ocorrido  tal  como  o  supunha a  norma,  deve  ser  aberto  ao  contribuinte  o  direito  de  demonstrar,  mediante  produção  de  prova  em  contrário,  a  efetiva  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário,  em  louvor  da  verdade  material.  Sobre  o  uso  das  presunções  legais  no  direito  tributário,  pela  circunstância  de                                                              1 TORRES, Heleno Taveira. Controle sobre Preços de Transferência. Legalidade e Uso de Presunções  no Arbitramento da Base de Cálculo dos Tributos. O Direito ao Emprego do Melhor Método. Limites  ao Uso do PRL­60 na Importação. RFDT 06/2 I, dez/03  Fl. 51521DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 10          17  alheamento da administração em face de todos os fatos passíveis  de  serem  alcançados  para  tributação  e  pela  exigência  de  demonstração  de  provas,  por  parte  das  autoridades  administrativas,  a  cada ato  de  lançamento  tributário,  em  favor  da simplificação, qualquer recurso ao uso de presunções legais  deve satisfazer a estritos requisitos de justificação, sob pena de  afetar  os  princípios  de  segurança  jurídica  e  interdição  do  arbítrio, e ter por prejudicada sua aplicação. Todavia, o uso de  presunções em matéria tributária há de encontrar limites muito  claros.  Primeiro,  tais  presunções  só  poderão  ser  de  ordem  probatória  (presunção  simples  ou  hominis);  e,  quando  criadas  por lei, não poderão ser absolutas, mas só relativas, admitindo a  devida prova em contrário por parte do alegado, com liberdade  de meios  e  formas.  Segundo,  a  Administração  deve  respeitar  o  caráter  de  sub­sidiariedade  dos  meios  presuntivos,  pois  só  de  modo  excepcional  se  deve  valer  deles,  na  função  de  típica  finalidade  aliviadora  ou  igualdade  de  armas,  nas  hipóteses  em  que encontrar evidente dificuldade probatória. Terceiro, porque  a  verdade  material  é  o  parâmetro  absoluto  da  tributação,  qualquer modalidade de presunção relativa, há de ser aplicada  com  estrito  respeito  aos  direitos  fundamentais,  e  a  legalidade,  acompanhada de devido processo  legal e sem qualquer espécie  de discricionariedade que leve ao abuso de poder”  A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando  o  cancelamento  de  autuações  em  que  a  fiscalização  extrapolou  os  limites  impostos  pela  legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta  empreitada não estejam devidamente claros e precisos, in verbis:  “[...]  Ementa:  ARBITRAMENTO  –  POSSIBILIDADE  –  PRINCÍPIO  DA RAZOABILIDADE   Na  ocorrência  de  recusa  na  apresentação  de  livros  ou  documentos  ou  se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer outro documento da empresa, a  fiscalização constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  O  procedimento  de  arbitramento,  embora  seja  prerrogativa  legal do fisco, deve revestir­se de razoabilidade, de tal sorte que  os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do  fato  gerador.  [...]”  (1a  TO  da  4a  Câmara  da  2a  SJ  do  CARF,  Processo  n°  13963.000848/2007­87  ­  Acórdão  n°  2401­00.057,  Sessão  de  04/03/2009  –  Relatoria  Conselheiro  Ana  Maria  Bandeira) (grifamos)  “Ementa: [...]  AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO.  Fl. 51522DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     18  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE.  Na  utilização  da  aferição  o  Fisco  deve,  de  forma  clara  e  precisa,  descrever  a  fundamentação  legal,  os  fatos  geradores  ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente,  indicando  claramente  os  parâmetros  utilizados,  bem  como,  sempre que possível, os  segurados envolvidos.  [...]”  (2a TO da  4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 109.35.007634/2007­ 81 – Acórdão n° 2402­01.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria  Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos)  Ademais,  o  lançamento  –  atividade  vinculada  que  constitui  o  crédito  tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente  arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar­ se em fatos concretos, demonstrados, suscetíveis de comprovação.  Mesmo  porque,  o  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional,  ao  atribuir  a  competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa  atividade o  fiscal autuante descreva  e comprove a ocorrência do  fato gerador, determinando,  ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a  prerrogativa  do  fiscal  autuante  em  presumir  a  base  de  cálculo  do  tributo  lançado,  não  o  desobriga  de  comprovar  a ocorrência  do  fato  gerador. Ou  seja,  a  base de  cálculo  poderá  ser  presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores  não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos:  “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.”  Mais a mais, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da  Lei  n°  9.784/99,  que  regulamenta  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis:  Fl. 51523DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 11          19  “Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]  §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]”  Como se verifica dos dispositivos  legais encimados, para que o  lançamento  encontre  sustentáculo  nas  normas  jurídicas  e,  conseqüentemente,  tenha  validade,  deverá  o  fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e  determinar a matéria  tributável  (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa,  especialmente no Relatório Fiscal da Autuação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento  fiscal.  Na  mesma  linha  exposta  acima,  a  apuração  do  crédito  previdenciário  por  arbitramento  deve  vir  acompanhada  da  devida motivação,  indicando  a  autoridade  lançadora às irregularidades constatadas, as quais a impediram de apurar diretamente a  base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas.  A  doutrina  não  discrepa  deste  entendimento,  consoante  se  positiva  dos  ensinamentos da eminente jurista MARIA RITA FERRAGUT2, que assim preleciona:  “[...]  33. O  arbitramento  da  base  de  cálculo  deve  respeitar  os  princípios da finalidade da lei, razoabilidade, proporcionalidade  e  capacidade  contributiva,  razão  pela  qual  não  há  discricionariedade  total  na  escolha  das  bases  de  cálculo  alternativas,  estando  o  agente  público  sempre  vinculado,  pelo  menos,  aos  princípios  constitucionais  informadores  da  função  administrativa. 34. Não basta que algum dos fatos previstos no  artigo  148  do  CTN  tenha  ocorrido  a  fim  de  que  surja  para  o  Fisco  a  competência  de  arbitrar:  faz­se  imperioso  que  além  disso  o  resultado  da  omissão  ou  do  vício  da  documentação  implique  completa  impossibilidade  de  descoberta  direta  da  grandeza  manifestada  pelo  fato  jurídico.  34.1.  O  critério  para  determinar se um ou mais vícios ou erros são ou não suscetíveis  de  ensejar  a  desconsideração  da  documentação  reside  no  seguinte: se implicarem a impossibilidade por parte do Fisco de,  mediante  exercício  do  dever  de  investigação,  retificar  a  documentação  de  forma  a  garantir  o  valor  probatório  do  documento, o mesmo deve ser considerado imprestável e a base  de  cálculo  arbitrada.  Caso  contrário,  não.  35.  Diante  de  um  lançamento por arbitramento, o sujeito passivo poderá verificar,  para  fins  de  defesa,  se  o  ato  jurídico  encontra­se  devidamente  motivado e os aspectos formais do ato foram cumpridos; se estão  indicados  na  norma  individual  e  concreta  de  constituição  do  crédito todos os dados e documentos utilizados para aferição dos  valores arbitrados, pois em caso negativo, o  lançamento estará  cerceando o exercício da ampla defesa e do contraditório; se o  critério adotado pelo Fisco para o arbitramento é muito oneroso  e desprovido de razoabilidade, considerando o capital social, o  faturamento,  o  lucro  e  a  própria  capacidade  operacional  da  empresa; se a infração cometida consistiu apenas em atraso na  escrita ou na  entrega de declarações, o que não é  considerado  antecedente  da  norma  jurídica  que  tem  como  conseqüente  o                                                              2 FERRAGUT, Maria Rita Ferragut. Presunções no Direito Tributário. Dialética, 2001, p. 161  Fl. 51524DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     20  dever do Fisco de  efetuar o  lançamento por arbitramento, mas  tão­somente daquela que prevê a aplicação de multa decorrente  de descumprimento de deveres instrumentais; se a documentação  irregular poderia ter sido desconsiderada, uma vez que os vícios  dela constantes são insignificantes se comparados ao número de  lançamentos contábeis efetuados ou documentos fiscais emitidos;  se  mesmo  diante  de  omissão  de  receitas  o  contribuinte  teve  prejuízo,  não  alterado  em  virtude  dessas  receitas,  hipótese  em  que não se faz possível exigir o pagamento de tributos incidentes  sobre  a  renda  e  o  lucro;  se  a  fiscalização  utilizou­se  de  exercícios  em  que  a  atividade  do  contribuinte  foi  atípica,  comprometendo a validade da média; e muitos outros.”  A jurisprudência do CARF que se ocupou do  tema, oferece guarida ao  entendimento  acima  esposado,  exigindo,  além  da  devida  motivação  na  utilização  do  procedimento  do  arbitramento,  a  demonstração  da  ocorrência  do  efetivo  prejuízo  da  fiscalização, senão vejamos:  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006  AFERIÇÃO  INDIRETA  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  PROCEDIMENTO  EXCEPCIONAL.  CABIMENTO  APENAS  NAS  SITUAÇÃO  EM  QUE  FIQUE  DEMONSTRADA  A  IMPOSSIBILIDADE  DE  APURAÇÃO  DO  TRIBUTO  COM  BASE  NA  DOCUMENTAÇÃO  EXIBIDA  PELO  SUJEITO  PASSIVO.  A  mera  existência  de  irregularidades  na  escrita  contábil  do  contribuinte  não  autoriza,  por  si  só,  a  aferição  indireta  das  contribuições,  quando  o  Fisco  não  demonstra  que  houve  sonegação  de  documentos  ou  que  os  elementos  apresentados  não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço  da empresa. [...]  Recurso Voluntário Provido em Parte.” (1a TO da 4a Câmara da  2a SJ do CARF, Processo n° 35273.000238/2007­94, Acórdão n°  2401­002.161,  Sessão  de  01/12/2011  –  Relatoria  Conselheiro  Kleber Ferreira de Araújo) (grifamos)  Como se observa, em síntese, a fiscalização deve demonstrar cabalmente as  razões que a levou a promover o lançamento por arbitramento, especialmente com a finalidade  de oportunizar a ampla defesa e contraditório do contribuinte.  No  caso  sub  examine,  conclui­se  que  o  fiscal  autuante  edificou  uma  presunção  legal,  lançando crédito que entendeu devido, com base nos valores constantes das  Notas  Fiscais  de  prestação  de  serviços,  suscitando  ter  promovido  o  arbitramento  das  contribuições lançadas, invertendo, assim, o ônus da prova a contribuinte.  Entrementes,  tratando­se  de  procedimento  excepcional,  o  arbitramento  a  partir  do  permissivo  legal  inscrito  no  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da  Lei  n°  8.212/91,  deve  ser  devidamente  fundamentado em fatos e documentos  suscetíveis de comprovação. Não basta a  fiscalização  simplesmente  inferir  que  apoiou­se  no  procedimento  do  arbitramento  para  constituir o crédito tributário.  Fl. 51525DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 12          21  Para  que  o  lançamento  tivesse  o  devido  amparo  legal  e  fático,  caberia  ao  fiscal  autuante  comprovar  que  a  contabilidade  da  contribuinte  não  oferece  condições  de  demonstrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, ou seja, a real movimentação  das  remunerações  de  seus  segurados,  na  forma que  exige  o  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da Lei  n°  8.212/91. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos.  Como se constata, mister se  fazer à autoridade  lançadora a observância dos  parâmetros  e  condições  básicas  previstas  na  legislação  de  regência  em  casos  de  desconsideração da contabilidade de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando  àquela  estiver  convencida  da  imprestabilidade  da  escrita  contábil,  in  casu,  para  fins  previdenciários, devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando  ao  contribuinte  a  devida  análise  da  conduta  que  lhe  está  sendo  atribuída  e,  bem  assim,  ao  julgador de analisar devidamente os autos.  Em  outras  palavras,  não  basta  à  indicação  de  erros  e/ou  vícios  na  contabilidade,  a  partir  de  meras  presunções  e/ou  subjetividades,  impondo  a  devida  comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  de  que  os  documentos  fornecidos  pelas  contribuintes  não  se  prestam  a  demonstrar  a  real  movimentação  da  remuneração  de  seus  segurados, impossibilitando a aferição direta da base de cálculo de referidos tributos.  A  presunção  legal  inserida  no  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da  Lei  n°  8.212/91,  relativamente  ao  arbitramento,  não  tem  o  condão  de  suprimir  o  precípuo  dever  legal  da  autoridade fiscal demonstrar e comprovar a ocorrência das hipóteses legais ali inscritas, com a  finalidade de justificar aludido procedimento.  A  rigor,  em  momento  algum  o  fiscal  autuante  asseverou  que  se  viu  impossibilitado  de  apurar  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  em  face  de  equívocos  nos  registros  contábeis  vinculados  às  contribuições  previdenciárias, capaz de reforçar a sua tese. E, se assim não o foi, inexiste razão para o  arbitramento/aferição indireta adotado nos autos.  Com efeito, em nosso entender, os motivos aventados pela fiscalização, sem  que  haja  um  aprofundamento  maior  no  tema  (arbitramento),  com  provas  mais  robustas  e  indicação do efetivo prejuízo na seara do direito previdenciário, não é capaz de fazer florescer  a  hipótese  de  incidência  admitida  pela  fiscalização.  Repita­se,  o  arbitramento  não  pode  representar  uma  “carta  branca”  ao  agente  fiscal  de  maneira  a  afastar  a  necessidade  de  comprovação dos requisitos mínimos da exigência tributária.  Não bastasse isso, in casu, reitera­se, o que reforça o pleito da contribuinte é  que a fiscalização não demonstrou a impossibilidade de se aferir diretamente a base de cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  de  maneira  a  justificar  o  arbitramento  operado  na  constituição do crédito tributário. Ora, o arbitramento só faz sentido e tem fundamento legal se  a autoridade fazendária não  tiver condições de extrair a base de cálculo dos  tributos a serem  lançados nos documentos que dispõe ou ofertados pela contribuinte.  Observe­se,  por  fim,  que  o  Relatório  Fiscal  tem  por  finalidade  demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu à autoridade lançadora na constituição do  crédito  previdenciário,  devendo,  dessa  forma,  ser  claro  e  preciso  relativamente  aos  procedimentos  adotados  pela  fiscalização  ao  promover  o  lançamento,  concedendo  ao  contribuinte  conhecimento  pleno  dos  motivos  ensejadores  da  autuação,  possibilitando­lhe  o  amplo direito de defesa e contraditório, sobretudo tratando­se de lançamento por arbitramento.  Fl. 51526DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     22  Em  face  dos  fatos  acima  delineados,  uma  vez  não  demonstrada  ou  sequer  aventada pelo fiscal autuante a  impossibilidade de apuração dos fatos geradores e/ou base de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  diretamente  nas  folhas  de  pagamento,  GFIP’s  e  contabilidade da  contribuinte,  não  se pode  admitir  a  apuração de crédito previdenciário  com  base em arbitramento, exclusivamente arrimado numa presunção legal, a qual inverte o ônus da  prova, mas deve estar devidamente motivado e comprovados seus pressupostos legais.  Na  esteira  desse  entendimento,  não  se  pode  cogitar  em  irregularidade  na  decisão  levada a efeito pelo  julgador de primeira  instância, porquanto agiu da melhor  forma,  com  estrita  observância  da  legislação  de  regência,  promovendo  a  retificação  do  crédito  previdenciário nos termos encimados.  Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância  com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO  RECURSO  DE  OFÍCIO  E  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  mantendo  o  decisum  recorrido,  nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais.  Consoante se positiva dos autos, a nobre autoridade lançadora achou por bem  decretar a improcedência parcial do feito, excluindo das Autuações os valores pertinentes aos  levantamentos  AS  ­  PAG  ASSOC  DEFIC  FIS  EST  GO,  FP  ­  FOLHA  DE  PAGA  NÃO  DECL  EM  GFIP,  CS  ­  CONTR  SEGURADOS  PAG  ADFEGO  e  CI  ­  CONTR  SEGURADOS, os quais foram contemplados acima por ocasião da análise do Recurso do  Ofício, razão pela qual analisaremos adiante as demais razões de recurso da contribuinte,  em  sede  de  preliminar  ou  de  mérito,  exclusivamente  no  que  tange  os  demais  levantamentos, como segue.  PRELIMINAR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA  Preliminarmente,  suscita  a  recorrente  a  improcedência  da  decisão  recorrida  sob  o  argumento  de  que  a  autoridade  julgadora  se  baseou  nas  informações  e  documentos  constantes  dos  autos,  mais  precisamente  Relatório  Fiscal  da  Autuação,  privilegiando  tal  documentação  em  detrimento  dos  argumentos  e  elementos  colocados  a  sua  disposição  na  impugnação,  impondo  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  produção  de  provas  indispensáveis ao deslinde da controvérsia.  Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece  acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o  lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante.  Observe­se, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte,  que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão,  tendo em vista que cabe  exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante  do  processo  serve  justamente  para  formar  a  convicção  do  julgador,  podendo  interpretá­la da  forma  que  melhor  entender,  refutá­las  ou  desconsiderá­las,  de  acordo  com  sua  convicção,  conquanto  que  de  forma  fundamentada.  Aliás,  é  o  que  determina  o  artigo  29  do  Decreto  70.235/1972, como segue:   “    Seção VI  Fl. 51527DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 13          23  Do Julgamento em Primeira Instância  [...]  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.”  Assim,  o  pleito  da  recorrente  não  tem  o  condão  de  macular  a  decisão  recorrida,  porquanto  o  julgador  monocrático  procedeu  da  melhor  forma,  exarando  decisão  fundamentada, debatendo acerca das  razões pertinentes  lançadas pela contribuinte,  formando  livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado.  Quanto  ao  indeferimento  do  pedido  de  diligência  para  produção  de  prova,  igualmente,  decidiu  acertadamente  o  ilustre  julgador  de  primeira  instância.  Além  de  a  recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV,  do Decreto  70.235/72,  a  autoridade  recorrida  já  tinha  formado  sua  convicção  no  sentido  de  manter  o  lançamento  fiscal  com  base  nos  demais  documentos  constantes  dos  autos,  sendo  despiciendo a produção de prova pericial.  Com  efeito,  a  produção  de  prova  pericial  se  faz  necessária  quando  indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o  seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, §  1º do Decreto 70.235/72, in verbis:  “Lei 9.784/99  Art. 38.  [...]  §  2º  Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando  sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.”  “Decreto 70.235/72  Art. 16.  [...]  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação de  quesitos  referentes aos  exames  desejados,  assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional de seu perito;   § 1º ­ Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.”  Mais a mais, tratando­se de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a  sua  defesa  produzir  a  prova  em  contrário  através  de  documentação  hábil  e  idônea.  Não  o  fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância.  Fl. 51528DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     24  Registre­se,  por  fim,  que  a  contribuinte  em  seu  Recurso  Voluntário,  a  exemplo  das  fases  anteriores  do  processo  administrativo,  não  apresentou  nenhuma  documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade.  PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS  Ainda  em  sede  de  preliminar,  pretende  a  contribuinte  seja  decretada  a  nulidade  dos  feitos,  sob  o  argumento  de  que  a  autoridade  lançadora  não  logrou  motivar/fundamentar  o  ato  administrativo  do  lançamento,  de  forma  a  explicitar  clara  e  precisamente  os  motivos  e  dispositivos  legais  que  embasaram  as  autuações,  contrariando  a  legislação  de  regência,  notadamente  o  artigo  142  do  Código  Tribunal  e,  bem  assim,  os  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Em  que  pesem  as  substanciosas  razões  ofertadas  pela  contribuinte,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar.  Do  exame  dos  elementos  que  instruem  o  processo,  conclui­se  que  os  lançamentos,  corroborados  pela  decisão  recorrida,  apresentam­se formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude.  De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples  leitura  dos  anexos  das  autuações,  especialmente  o  “Fundamentos Legais  do Débito  – FLD”,  Relatório Fiscal e demais  informações  fiscais, não deixa margem de dúvida  recomendando a  manutenção dos lançamentos.  Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os  lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os  fatos  geradores das  contribuições previdenciárias  e multas ora  exigidas,  não  se  cogitando na  nulidade dos procedimentos.  Melhor  elucidando,  os  cálculos  dos  valores  objetos  dos  lançamentos  foram  extraídos  das  informações  constantes  dos  sistemas  previdenciários  e  fazendários,  bem  como  das  folhas  de  pagamento,  GFIP’s,  recibos  e  demais  documentos  contábeis,  fornecidos  pela  própria  recorrente,  rechaçando  qualquer  dúvida  quanto  à  regularidade  do  procedimento  adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor  forma, com estrita observância à legislação de regência.  Destarte, é direito da contribuinte discordar com a  imputação fiscal que  lhe  está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato,  isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência.  Mais  a  mais,  a  exemplo  da  defesa  inaugural,  a  contribuinte  não  trouxe  qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram­se maculados  por  vício  em  sua  formalidade,  escorando  seu  pleito  em  simples  arrazoado  desprovido  de  demonstração do sustentado.  MÉRITO  Em  suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  qual  manteve  parte  substancial  da  exigência  fiscal,  dissertando  a  propósito  da  pretensa  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  Fl. 51529DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 14          25  Aviso  Prévio  Indenizado,  Bônus  Anual,  Auxílio  Dependente  Excepcional  e  Reembolso  Educacional,  além  de  se  insurgir  contra  as  penalidades  aplicadas  nas  autuações  por  descumprimento de obrigações acessória e principal, como passaremos a analisar de maneira  individualizada adiante.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  elabora  substancioso  arrazoado  contemplando  com  especificidade  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados,  acima  elencadas,  concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias.  Em  virtude  das  04  (quatro)  verbas  lançadas  na  presente  autuação  como  salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de  maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria,  senão vejamos.  Antes  de  adentrar  as  questões  de mérito,  é  de  bom  alvitre  trazer  à  baila  o  disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis:  “Art. 111.  Interpreta­se literalmente a legislação tributária que  disponha sobre:  I – suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II – outorga de isenção;  III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias””  Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.”  Extrai­se dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção  que  o  Poder  Público  pretenda  conceder  deve  decorrer  de  lei  disciplinadora,  sendo  sua  interpretação literal e não extensiva.  Por  sua  vez,  as  importâncias  que  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  estão  expressamente  listadas  no  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  nº  8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário­ de­contribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue:  “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   Fl. 51530DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     26  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97   1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;   3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;   4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).  8.  recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;   Fl. 51531DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 15          27  l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  Fl. 51532DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     28  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ”  Com  mais  especificidade,  contemplando  as  verbas  em  epígrafe,  o  Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo  214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições,  in verbis:  “Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  [...]  VI ­ a parcela recebida a título de vale­transporte, na forma da  legislação própria;  [...]    X  ­  a  participação  do  empregado  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica;  § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o  salário­de­contribuição para  todos os  fins  e efeitos,  sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...]”  Como  se  observa,  tendo  a  autoridade  lançadora  inserido  os  pagamentos  realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito  de  remuneração  (salário­de­contribuição),  nos  termos  do  artigo  28  da  Lei  n°  8.212/91,  comprovando/demonstrado  com  especificidade  a  natureza  remuneratória  das  verbas  concedidas,  impõe­se  ao  contribuinte  afastar a pretensão  fiscal  enquadrando  tais pagamentos  em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada,  observando, porém, os requisitos legais para tanto.  Em outras palavras, desincumbindo­se o Fisco do ônus de comprovar o fato  gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação  hábil  e  idônea,  que  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  se  enquadram  em  uma  das  hipóteses  previstas  no  §  9°,  do  artigo  28,  da  Lei  n°  8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada.  Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a  tributação  de  todas  as  verbas  pagas  aos  seus  funcionários,  razão  pela  qual  passaremos  a  analisar  os  argumentos  relacionados  a  tais  rubricas  individualmente,  em  razão  de  suas  Fl. 51533DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 16          29  peculiaridades,  arrimadas  especialmente  na  jurisprudência  administrativa  e  atual  de  nossos  Tribunais Superiores, senão vejamos:  A) DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO  Consoante  se  infere do Relatório Fiscal,  aludido  levantamento se  refere aos  pagamentos  concedidos  pela  empresa  aos  empregados  a  título  Aviso  Prévio  Indenizado,  remuneração  paga  ao  empregado,  assegurada  pela  CF  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  XXI,  correspondente a, no mínimo, 30 dias de serviços prestados.  Mais precisamente,  a autoridade  lançadora utilizou como fundamento  à  sua  empreitada o fato de, com o advento do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009, a alínea "f" do inciso  V  do  §  9º  do  art.  214  do  Decreto  nº  3.048//1999  foi  revogada,  portanto,  o  aviso  prévio  indenizado  passa  a  ser  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  razão  pela  qual  procedeu­se o presente lançamento adotando­se os fatos geradores ocorridos posteriormente à  12/01/2009.  Por sua vez, em sua peça recursal, afirma ser improcedente a incidência das  contribuições sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por tratar­se de verba  indenizatória,  não  tendo  natureza  remuneratória,  colacionando  jurisprudência,  legislação  e  posicionamentos doutrinários corroborando a sua tese.  Afora  os  fundamentos  da  autoridade  lançadora  ao  promover  o  lançamento,  corroborados  pelo  julgador  recorrido,  o  insurgimento  da  contribuinte  merece  acolhimento.  Destarte, não vislumbramos na verba sub examine natureza remuneratória tendente a integrar a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  É bem verdade que as hipóteses de não incidência, isenção e/ou imunidade de  contribuições  previdenciárias  encontram­se  previstas  na  legislação  de  regência,  notadamente  no  artigo  28,  §  9°,  da  Lei  n°  8.212/91,  c/c  artigo  214,  §  9°,  do  Decreto  n°  3.048/99  –  Regulamento da Previdência Social. Entrementes, a  jurisprudência deste Colegiado  já  firmou  entendimento no  sentido de que, primeiramente,  incumbe à  autoridade  lançadora demonstrar  que a verba concedida aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais encontram­se  revestidas das características básicas do salário de contribuição.  Em outras palavras, o simples fato de o benefício concedido pela contribuinte  aos seus funcionários não se encontrar elencado nos dispositivos legais encimados, por si só,  não  o  caracteriza  automaticamente  como  remuneração.  Mesmo  porque,  na  hipótese  de  o  benefício concedido ter natureza eminentemente indenizatória, por exemplo, não há se falar em  incidência dos tributos ora lançados.  Daí porque, é dever da autoridade fazendária adentrar aos aspectos peculiares  de cada verba/benefício concedido pela contribuinte aos seus empregados, se aprofundando na  questão  de  maneira  a  comprovar  que,  efetivamente,  se  apresenta  como  uma  nítida  remuneração, em razão de sua própria natureza, dos motivos e condições de pagamento, etc.  Na hipótese dos autos, não obstante a vasta discussão a propósito da matéria,  deixaremos  de  abordar  a  legislação  de  regência  ou  mesmo  adentrar  a  questão  da  natureza/conceituação  de  aludida  verba,  uma vez  que  o Superior Tribunal  de  Justiça  afastou  qualquer  dúvida  quanto  ao  tema,  reconhecendo  a  sua  natureza  indenizatória,  nos  autos  do  Fl. 51534DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     30  Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543­C, do CPC, com a  seguinte ementa:  "PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.  DISCUSSÃO  A  RESPEITO  DA  INCIDÊNCIA  OU  NÃO  SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE;  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM  O AUXÍLIO­DOENÇA.   [...]  2.2  Aviso  prévio  indenizado.  A  despeito  da  atual  moldura  legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias  pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços  prestados  nem  a  tempo  à  disposição  do  empregador,  não  ensejam  a  incidência  de  contribuição  previdenciária.  A  CLT  estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo  indeterminado,  a  parte  que,  sem  justo  motivo,  quiser  a  sua  rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida  antecedência.  Não  concedido  o  aviso  prévio  pelo  empregador,  nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes  ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período  no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o  pagamento  decorrente  da  falta  de  aviso  prévio,  isto  é,  o  aviso  prévio  indenizado,  visa  a  reparar  o  dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na  Constituição  Federal  (atualmente  regulamentada  pela  Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  "se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado  não  presta  trabalho  algum,  nem  fica  à  disposição  do  empregador.  Assim,  por  ser  ela  estranha  à  hipótese  de  incidência,  é  irrelevante  a  circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação  a  tal  verba"  (REsp  1.221.665/PR,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Teori  Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a  natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacam­se,  na doutrina, as  lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri  Mascaro  Nascimento.  Precedentes:  REsp  1.198.964/PR,  2ª  Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010;  REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de  1º.12.2010;  AgRg  no  REsp  1.205.593/PR,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  4.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de  22.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.220.119/RS,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011.   [...]" (grifamos)  E, de conformidade com o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF,  impõe­se  ao  julgador  deste  Colegiado  a  observância  às  decisões  do  Superior  Tribunal  de  Fl. 51535DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 17          31  Justiça, tomadas em sede de Recurso Repetitivo, nos termos do artigo 543­C, do CPC, hipótese  que se amolda ao caso vertente, senão vejamos:  "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  [...]  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016."  Encampando  a  jurisprudência,  bem  como  a  disposição  regimental  supra,  a  jurisprudência  administrativa  vem  reconhecendo  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  aos  segurados  empregados  a  título  de  aviso  prévio  indenizado, como se extrai dos recentes julgados abaixo ementados:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  ABONO  DE  FÉRIAS.  INCIDÊNCIA  QUANDO  EXCEDENTE OS  LIMITES  DA  CLT.  ABONO. INCIDÊNCIA QUANDO HABITUAL.  O abono de férias previsto no artigo 143 da CLT não integra o  salário de  contribuição quando  respeitados os  limites previstos  na norma trabalhista. O abono concedido por liberalidade passa  a  integrar  o  salário  de  contribuição,  segundo  expressa  disposição constitucional (artigo 201, § 11), quando habitual.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO. INTEGRAÇÃO.  O  décimo  terceiro  salário  sofre  incidência  das  contribuições  previdenciárias  por  expressa  disposição  da  lei  tributária.  O  salário de contribuição relativo ao décimo terceiro é obtido pela  soma de todas as parcelas que o integram.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO E DÉCIMO TERCEIRO INDENIZADO. NÃO  INCIDÊNCIA.  A  incidência  da  contribuição  social  previdenciária  se  dá,  em  regra,  sobre  as  parcelas  remuneratórias.  Não  se  verifica  incidência  sobre parcelas de nítida natureza  indenizatória por  ausência de disposição legal. As parcelas pagas na rescisão do  contrato de trabalho a título de aviso prévio indenizado e férias  indenizadas  não  integram o  salário  de  contribuição  em  razão  Fl. 51536DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     32  de  seu  ínsito  caráter  indenizatório."  (1ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da 2ª SJ do CARF ­ Acórdão nº 2201­003.207, Processo  nº 10120.727291/2013­05, Sessão de 14/06/2016)  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  30/09/2009,  01/11/2009  a  31/05/2010, 01/08/2010 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/12/2011  [...]  AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA.  O Superior Tribunal de Justiça já definiu, nos autos do Recurso  Especial  nº  1230957/RS,  julgado  sob  a  sistemática  do  artigo  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  de  1973,  que  não  incide  contribuição  previdenciária  sobre  aviso  prévio  indenizado.  [...]"(2ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2ª  SJ  do  CARF  ­  Acórdão  nº  2202­003.378,  Processo  nº  16327.720438/201479,  Sessão de 10/05/2016)  Partindo  dessas  premissas,  diante  da  definitividade  da  decisão  do  STJ,  tomada  em  sede  de  Recurso  Repetitivo,  impõe­se  a  esta  Corte  Administrativa  adotar  a  jurisprudência  mansa  e  pacífica  dos  nossos  Tribunais  Superiores,  provendo  o  pleito  da  contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a  título de  Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF.  B) DO BÔNUS ANUAL E AUXÍLIO DEPENDENTE EXCEPCIONAL  No  que  tange  aos  pagamentos  concedidos  aos  segurados  a  título  de Bônus  Anual, contrapõe­se à pretensão fiscal, sustentando que estão fora do campo de incidência das  contribuições previdenciárias, porquanto pagos por mera liberalidade do empregador, de forma  eventual, na forma do item 7, alínea "e", do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212, de 1991, não  havendo  a  comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  de  que  tais  valores  estivessem  vinculados  a  fatores  de  eficiência,  assiduidade,  tempo  de  serviço  e  outros  relacionados  ao  desenvolvimento do labor.  Relativamente  aos  valores  concedidos  a  título  de  auxílio  dependente  excepcional, pretende seja afastada a tributação atribuída pela fiscalização, sob o argumento de  carecer de natureza contra prestativa, encaixando­se na hipótese de não incidência apresentada  pela  Lei  n°  8.212/91,  artigo  28,  §  9°,  alínea  "q",  dada  sua  natureza  de  assistência  médica,  sobretudo em razão de o funcionário dever preencher o  requisitos para  receber  tal auxilio. A  corroborar sua tese, colaciona jurisprudência deste Conselho.  Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o  entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando  pagos em desconformidade com a legislação de regência.  Isto  porque,  uma  vez  a  autoridade  fiscal  se  desincumbindo  do  ônus  de  comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte  demonstrar  que  os  pagamento  concedidos  aos  seus  segurados  não  possuem  natureza  remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente. A rigor, no decorrer da ação fiscal, a  recorrente quedou­se silente quando chamado a explicitar as condições para o pagamento de tal  rubrica.  Fl. 51537DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 18          33  Em verdade, em sede de impugnação e, posteriormente, recurso voluntária, a  contribuinte escora seu pleito no fato de o Bônus Anual ter sido pago numa única oportunidade  no ano, olvidando­se, porém, da natureza de contraprestação por  serviços prestados, ou seja,  pagos pelo trabalho, o que determina sua condição de verba remuneratória.  A propósito  da matéria,  o  julgador  de primeira  instância  foi muito  feliz  ao  rechaçar o pleito da contribuinte, como segue:  "[...]  BÔNUS ANUAL    Verifica­se que a autoridade lançadora, por meio do Termo  de  Intimação Fiscal  nº  04  (fl.126)  requisitou  esclarecimentos  à  autuada  sobre  a  rubrica  bônus  anual,  código  480.  Contudo,  a  autuada  manifestou­se  acerca  de  outros  pontos  da  referida  intimação fiscal (fls.254 a 256), mas silenciou­se em relação ao  alegado bônus.    Uma vez que o sujeito passivo preferiu não se manifestar em  relação  ao  bônus  anual,  e  de  comprovar  que  se  tratava  de  rubrica  isenta  de  contribuições  previdenciárias,  a  autoridade  fiscal procedeu ao  lançamento de contribuições previdenciárias  incidentes sobre os valores registrados a esse título na folha de  pagamento da empresa.    Agiu corretamente a autoridade lançadora nesse caso, pois  a comprovação de que o pagamento do bônus anual enquadrar­ se­ia em uma das hipóteses de isenção previstas no §9º do art. 28  da Lei  nº  8.212, de  1991,  caberia ao  sujeito  passivo,  pois  essa  prova foi requisitada a ele.    Por essa razão, não procede o argumento dos impugnantes  de que essa prova caberia à autoridade lançadora.    Poderiam  os  impugnantes  ter  trazidos  elementos  de  prova  junto á peça  impugnatória que determinassem a não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referido  bônus,  porém,  limitaram­se  apenas  a  alegar  que  tais  valores  estariam  enquadrados na norma de  isenção prevista no item 7 da alínea  e) do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.    Não exercido o ônus da prova junto à impugnação, deve ser  mantido  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  que  incidiram sobre os valores de bônus anual registrados na folha  de pagamento da empresa. [...]"  Igualmente,  quanto  ao  auxílio  dependente  excepcional,  inobstante  reconhecermos  a  louvável  conduta  da  contribuinte,  não  podemos  afastar  a  tributação  de  tais  verbas exclusivamente com base na boa fé da empresa ou mesmo por analogia a outras verbas,  especialmente quando inexiste disposição legal para tanto.  Destarte,  a  única  verba  fora  do  alcance  da  incidência  das  contribuições  previdenciária  que  o  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  nº  8.212/91  contempla,  quando  concedida/estendidas aos dependentes, encontra­se inserida na sua alínea "t", relativamente ao  Fl. 51538DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     34  auxílio educacional, não cabendo ao aplicador da lei conferir interpretação extensiva ao que o  legislador ordinário não prescreveu.  No  mesmo  sentido,  cumpre  trazer  à  baila  excerto  da  decisão  de  primeira  instância, muito elucidativo ao deslinde da controvérsia, in verbis:  "[...]    Como visto acima, não se trata de assistência prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico  da  empresa  ou  conveniados.  Também  não  se  trata  de  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos  etc,  pois  se  assim  fosse, tal fato deveria ser comprovado por meio de recibos,  notas fiscais ou outro documento que indicassem esse tipo  de gasto no exato valor ao que foi pago pelo sujeito passivo  a  seus  empregados  a  título  de  auxílio  dependente  excepcional.    E  uma  vez  que  inexiste  previsão  legal  que  afaste  a  incidência de contribuições previdenciárias sobre esse tipo  de auxílio, conforme já se comentou no presente voto, deve  ser mantido lançamento referente ao pagamento de auxílio  dependente excepcional. [...]"  Com  efeito,  ao  admitir  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  retro,  pagas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  em  total  afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º,  e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação  tributária, como acima demonstrado.  Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  n°  8.212/91,  não  integram  o  salário  de  contribuição  às  importâncias  recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal  extensivamente,  de  forma  a  incluir  outras  verbas,  senão  aquela  (s)  constante  (s)  da  norma  disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer  amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da  empresa sem qualquer observância às normas legais.  Nessa  toada,  tendo  a  contribuinte  concedido  a  seus  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  as  verbas  encimadas,  sem  levar  em  consideração  os  preceitos  legais  que  disciplinam  o  tema,  não  há  que  se  falar  em  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referidas  importâncias,  por  se  caracterizarem  como  salário  de  contribuição, impondo a manutenção do feito.  C) CUSTEIO DE EDUCAÇÃO ­ REEMBOLSO EDUCACIONAL  Conforme  se  extrai  do  Relatório  Fiscal,  da  análise  da  contabilidade  da  contribuinte, constatou­se o pagamento aos funcionários destinado ao custeio de despesas com  educação, intitulada como "reembolso educacional" pela recorrente,   Com mais  especificidade,  o  nobre  fiscal  autuante  escorou  a  tributação  nas  seguintes razões:  "[...]  Fl. 51539DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 19          35  51  A empresa informou que referida conta é “utilizada para o  lançamento  de  diversos  tipos  de  reembolsos  como  idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários  e  palestras  entre  outros,  incluindo  o  Educacional.  Dentre  os  valores  lançados  nesta  referida  conta,  elencamos  no  demonstrativo  anexo  apenas  os  colaboradores  que  foram  contemplados com o Reembolso Educacional no ano calendário  de 2009.”  52.  Pela  informação  da  empresa  além  do  reembolso  educacional a conta 3103354000 acolhe os registros de diversos  cursos, incluindo cursos de pós­graduação e idiomas.  53.  Por meio do TIF nº 8, ciência da empresa em 13/03/2013, a  empresa  foi  instada a apresentar  relação de beneficiários,  com  Nome/NIT/Competência/Valor pago e tipo de educação.  54.  Em  resposta  apresentou  planilha  com  as  informações  solicitadas, totalizando R$ 119.536,50, e não especificou qual o  tipo  de  ensino  disponibiliza  aos  beneficiários  do  Reembolso  Educacional.  55.  Desta  forma,  como  a  empresa  deixou  claro  que  além  do  Reembolso  Educacional  (cursos  de  graduação?),  reembolsa  despesas  com  cursos  de  idiomas  e  cursos  de  pós­graduação,  sendo  que  estas  despesas,  também,  não  são  alcançadas  pela  isenção  prevista  no  §9  do  artigo  28  da  Lei  8.212/91,  esta  fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições  previdenciárias  além  do  valor  informado  pela  Brasil  Telecom  com  o  Reembolso  Educacional,  também,  àquelas  despesas  informadas  na  conta  3103354000,  não  incluídas  no Reembolso  Educacional, e cujos beneficiários são pessoas físicas.  [...]  58.  O gasto do contribuinte com o custeio de cursos de idiomas,  de pós­graduação e reembolso educacional de seus empregados  é considerado fato gerador de contribuição previdenciária, uma  vez que os  valores despendidos  com referido benefício,  embora  relativos à despesa com educação, não se encontram alcançados  pela norma de isenção de que trata a alínea “t” do § 9o do art.  28  da  Lei  nº.  8.212/91,  que  prevê  parcela  não  integrante  do  salário  de  contribuição  do  segurado.  Portanto,  deve  compor  a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  [...]  59.  De  fato,  para  que  o  valor  despendido  com  educação  não  integre o salário­de­contribuição, devem ser atendidos, de forma  cumulativa,  os  requisitos  estabelecidos  pela  legislação,  quais  sejam:  a)  plano  educacional  que  caracterize  o  oferecimento  de  educação  básica  ou  de  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissional vinculados às atividades da empresa, b) o benefício  não  pode  substituir  parcela  salarial  e,  c)  disponibilidade  de  acesso a  todos os  empregados. E,  em  se  tratando de norma de  Fl. 51540DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     36  exceção  que  confere  isenção  tributária,  deve  ser  interpretada  restritivamente.  60.  Assim,  valor  concedido  aos  empregados  a  título  de  ressarcimento  de  despesas  com  custeio  de  cursos  de  pós­ graduação, de idiomas e reembolso educacional não é isento de  contribuições  previdenciárias,  sendo  considerado  salário  in  natura  e,  portanto,  na  qualidade  de  salário  indireto,  integra  o  salário­de­contribuição  do  segurado  empregado  para  fins  de  incidência das contribuições previdenciárias.  [...]" (grifamos)  Como se observa, a contribuinte  instada a se manifestar sobre o pagamento  do Reembolso Educacional, muito embora tenha apresentado planilha especificando parte das  informações  solicitadas,  deixou  de  esclarecer  qual  o  tipo  de  ensino  disponibiliza  aos  beneficiários do Reembolso Educacional.  Assim, em que pese ter informado que aludida verba comporta despesas com  cursos de  idiomas e cursos de pós­graduação, não especificou quais as  condições para o  seu  pagamento, bem como quais cursos precisamente são ofertados.  Em suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  seja  afastada  a  tributação  sobre aludida verba, argumentando que foram lançados os reembolsos com cursos de idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários,  palestras,  entre  outros,  estando  completamente  equivocado  o  auditor  e  a  DRJ,  uma  vez  que  tais  valores  despendidos  pela  autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus  funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo  trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias,  conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores.  Constata­se  que  a  contribuinte,  ao  invés  de  melhor  aclarar  a  demanda,  colacionando aos autos as informações pertinentes a cada curso oferecido, com o destinatário, a  natureza do curso, etc, sobretudo objetivando subsumir o fato à norma isentiva, simplesmente  traz  à  colações  questões  de  direito  periféricas,  que  em  nada  contribuem  para  o  deslinde  da  controvérsia.  Ao contrário, ao buscar repousar sua pretensão em simples alegações de não  incidência de contribuições previdenciárias sobre o custeio educacional de seus funcionários, o  que é de conhecimento geral e consta da própria lei, deixou de proceder o mais importante, que  é a comprovação de que o auxílio educacional ofertado observa os pressupostos legais para fins  de não incidência dos tributos ora lançados.  Neste  sentido,  aliás,  fora  a  decisão  de  primeira  instância  ao  rechaçar  as  alegações da contribuinte, de onde peço vênia para transcrever parte e adotar como razões de  decidir:  "[...]    A  autoridade  lançadora  informou  que  a  autuada  apenas  apresentou planilha informando os valores pagos a cada um dos  segurados  beneficiados  a  título  de  reembolso  educacional,  deixando, contudo, de especificar, individualmente, qual seria o  tipo de curso freqüentado pelos segurados beneficiados (fl.85).  Fl. 51541DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 20          37    Os  impugnantes  também  não  trazem  documentos  que  possam comprovar que tipo de curso cada um de seus segurados  beneficiados pelo  referido reembolso  teriam  freqüentado, o que  impossibilita  saber  se  esses  pagamentos  poderiam  ser  enquadrados no dispositivo legal acima citado.    A mera alegação de que se  trataria de verba  indenizatória  também  não  é  suficiente  para  afastar  a  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  pelos  motivos  que  já  foram  apontados no presente voto.    Destarte,  deve  ser  mantido  o  lançamento  em  relação  aos  pagamentos  registrados  na  contabilidade  como  reembolso  educacional.  [...]"  Nestes termos, muito embora não compartilhe com parte da conclusão fiscal,  que  dá  a  entender  que  cursos  de  pós­graduação  e  de  idiomas  não  estariam  abarcados  pela  norma  isentiva  em  comento,  por  não  se  caracterizarem  como  educação  básica  e/ou  capacitação profissional,  entendimento que  foge  à própria  essência da verba  sub examine,  o  certo é que a contribuinte em momento algum ofereceu condições/informação para se aferir se,  de fato, o benefício/auxílio por ela concedido encontra sob o manto dos preceitos do artigo 28,  § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991.  Nessa toada e, na linha do decidido no Acórdão recorrido, impende manter a  exigência de contribuições previdenciárias sobre a verba denominada Reembolso Educacional  ofertado pela contribuinte aos seus funcionários.  D) DIVERGÊNCIAS DE FOLHAS DE PAGAMENTO X GFIP  No entender deste Conselheiro, esta matéria  foi  tratada de forma conjugada  na  preliminar  de  nulidade  suscitada  pela  recorrente,  sobretudo  por  se  tratar  de  questão  de  pretenso erro na apuração de base de cálculo.  Portanto, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples  leitura  dos  anexos  das  autuações,  especialmente  o  “Fundamentos Legais  do Débito  – FLD”,  Relatório Fiscal e demais  informações  fiscais, não deixa margem de dúvida  recomendando a  manutenção dos lançamentos, especialmente quanto ao tópico ora em debate.  Dessa forma, as diferenças às quais a autoridade lançadora chamou de “folha  de pagamento não declarada em GFIP” se referem as diferenças nos valores de verbas que são  enquadradas como salário­de­contribuição.  A autuada teria todas as condições de refutar, um a um, os valores apurados  pela autoridade lançadora pois esta baseou seu trabalho na análise da folha de pagamento e da  GFIP  que  são  documentos  que  estão  sob  a  guarda  daquela,  no  entanto,  na  opinião  deste  Conselheiro,  a  falta  de  precisão  na  fundamentação  e  nos  argumentos  apresentados  pela  Fl. 51542DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     38  contribuinte,  além  de  anexar  mais  de  46  mil  laudas  de  documentos  "debandados",  não  são  suficientes para rechaçar a pretensão fiscal.  DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO  Conforme  se  depreende  dos  autos,  a  ilustre  autoridade  lançadora  entendeu  por bem caracterizar Grupo Econômico de Fato entre as empresas BRASIL TELECOM CALL  CENTER  S/A,  OI  AS,  BRASIL  TELECOM CABOS  SUBMARINOS  LTDA.,  14  BRASIL  TELECOM  CELULAR  SA,  BRT  CARD  SERVIÇOS  FINANCEIROS  LTDA.,  BRT  SERVIÇOS  DE  INTERNET  SA,  BRASIL  TELECOM  COMUNICAÇÃO  MULTIMÍDIA  LTDA. e VANT TELECOMINICAÇÕES SA., sob os seguintes fundamentos:  "[...]  13.  Entretanto,  além  dos  "grupos  de  sociedades",  constituídos  formalmente, são freqüentemente encontradas organizações com  direção, controle ou administração únicos e exercidos direta ou  indiretamente,  porém  não  formalizados  de  acordo  com  os  preceitos da Lei n. 6.404/1976. Esses grupos de empresas, neste  relatório, serão denominados "grupos econômicos de fato".  14.  A Declaração de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa  Jurídica da empresa OI S A, CNPJ: 76.535.764/0001­43, 2010,  relaciona na ficha 62 – Participação Permanente em Coligadas  e Controladas, as empresas controladas pela OI S A.  15.  Com base na informação constante da DIPJ, a fiscalização  considerou  as  empresas  a  seguir  como  componentes  do Grupo  OI  e,  portanto,  solidariamente  responsáveis  pelo  crédito  previdenciário resultante deste procedimento fiscal:  a) OI S A ­ CNPJ: 76.535.764/0001­43  b)  BRT  SERVIÇOS  DE  INTERNET  S/A  –  CNPJ:  04.714.634/0001­67  c)  14  BRASIL  TELECOM  CELULAR  S/A  –  CNPJ:  05.423.963/0001­11  d)  BRT  CARD  SERVIÇOS  FINANCEIROS  LTDA  –  CNPJ:  10.213.810/0001­80  e)  VANT  TELECOMUNICAÇÕES  S/A  –  CNPJ:  01.859.295/0001­19  f) BRASIL TELECOM CABOS SUBMARINOS LTDA – CNPJ:  02.934.071/0001­97  g) BRASIL TELECOM COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA –  CNPJ: 02.041.460/0001­93.  16.  Dessa  forma,  tendo  ficado  evidente  a  interligação  dessas  empresas  e  sua  subordinação  a  um  comando  centralizado,  no  caso em questão o controle acionário exercido pela empresa OI  S/A,  conclui­se  que  elas  integram  Grupo  Econômico,  estando,  portanto,  solidariamente  obrigadas  entre  si,  relativamente  aos  créditos previdenciários apurados em qualquer uma delas.  Fl. 51543DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 21          39  17.  Na solidariedade tributária, a obrigação de pagar o tributo  passa  a  ser  compartilhada  pelo  sujeito  passivo  originário  ­  aquele  diretamente  relacionado  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  para  um  terceiro  ­  com  o  chamado  "responsável  tributário".  A  atribuição  da  responsabilidade  tributária  por  solidariedade,  via  legislação  ordinária,  exige­se  o  atendimento  dos  requisitos  do  CTN,  sob  pena  de  não  ser  juridicamente  possível.  Assim,  somente  pode  ser  investido  na  condição  de  devedor  solidário,  quando  presentes  os  requisitos  legais  enumerados  no  próprio  CTN,  ao  qual  se  deve  submeter  a  legislação ordinária e os atos normativos.  18.  No caso em análise, está previsto no inciso II do artigo 124  do Código Tributário, que dispõe:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  (...)  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  19.  Portanto,  tal  solidariedade  decorre  do  disposto  na  Lei  8.212/91, em seu Art. 30, inciso IX:  “as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações decorrentes desta Lei” (grifo nosso).  20.  Conforme  mencionado,  no  âmbito  da  legislação  previdenciária o conceito de "Grupo Econômico" está expresso  na Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, art. 494:  "  Art.  494.  Caracteriza­se  grupo  econômico  quando  2  (duas)  ou  mais  empresas  estiverem  sob  a  direção,  o  controle  ou  a  administração  de  uma  delas,  compondo  grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade  econômica.”  21. Os documentos referidos nas considerações acima, cadastro  do Grupo OI, compõe o conjunto de provas do Anexo V.  [...]"  Diante  de  aludida  constatação,  a  partir  da  ação  fiscal  com  a  consequente  constituição  de  créditos  previdenciários  sob  análise,  as  empresas  listadas,  na  condição  de  integrantes  do  grupo  econômico  de  fato  caracterizado  pela  fiscalização,  foram  chamadas  a  responder  por  tais  débitos,  em  face  da  responsabilidade  solidária,  insculpida  no  artigo  30,  inciso IX, da Lei nº 8.212/91.  Por  sua  vez,  em  suas  alegações  de  recurso,  a  contribuinte  opõe­se  a  caracterização de grupo econômico, aduzindo que o fato das empresas estarem sob o controle  acionário comum não é suficiente para caracterização de grupo de fato. Assevera, que só pode  ser  considerado  grupo  econômico  quando  as  empresas  combinarem  recursos  financeiros,  esforços para  realização de atividades  comuns e  firmarem convenção, o que não acontece  in  casu.  Fl. 51544DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     40  Com  o  fito  de  afastar  quaisquer  dúvidas  quanto  a  inexistência  de  grupo  econômico,  transcreve  inúmeros  entendimentos  jurisprudenciais  indicando  só  haver  a  possibilidade dessa caracterização quando há uma efetiva comunhão de imobilizados, ativos ou  força  laboral  e  gerencial  comum,  além  de  expor  a  relação  de  responsabilidade  solidária  constante do artigo 50 do Código Civil.  Antes mesmo  de  se  adentrar  as  questões  de mérito  propriamente  ditas,  em  relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila o conceito de grupo econômico inscrito na  legislação  de  regência,  bem  como  alguns  estudos  a  propósito  da matéria,  indispensáveis  ao  deslinde da controvérsia, senão vejamos:  Ao contemplarem o  tema, os  artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário  Nacional, assim prescrevem:  “ Art.  121  ­  Sujeito  passivo  da  obrigação principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo Único ­ O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direita  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  Art.124 ­ São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  Único  ­  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Art.128  ­  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.”  Por  sua  vez,  a  Lei  nº  6.404/76,  ao  conceituar  Grupo  Econômico  em  seus  artigos 265 e 267, estabelece o seguinte:  “ Art. 265 ­ A sociedade controladora e suas controladas podem  constituir,  nos  termos  deste  Capítulo,  grupo  de  sociedades,  mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos  ou  esforços  para  a  realização  dos  respectivos  objetos,  ou  a  participar de atividades ou empreendimentos comuns.  § 1º ­ A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve  ser  brasileira,  e  exercer,  direta  ou  indiretamente,  e  de  modo  permanente, o controle das sociedades  filiadas, como  titular de  direitos  de  sócio  ou  acionista,  ou mediante  acordo  com  outros  sócios ou acionistas.  Fl. 51545DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 22          41  §  2º  ­  A  participação  recíproca  das  sociedades  do  grupo  obedecerá ao disposto no artigo 244.  Art.  267  ­  O  grupo  de  sociedades  terá  designação  de  que  constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo".  Parágrafo  Único  ­  Somente  os  grupos  organizados  de  acordo  com  este  Capítulo  poderão  usar  designação  com  as  palavras  "grupo" ou "grupo de sociedade".”  Em outra via, o § 2º, do artigo 2º, da CLT, ao tratar da matéria, é por demais  enfático ao positivar:  “Art.  2º  Considera­se  empregador  a  empresa  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  de  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.  § 1º [...]  § 2º Sempre que uma ou mais empresas,  tendo, embora, cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem  sob  a  direção,  controle  ou  administração  de  outra,  constituindo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer  outra  atividade  econômica,  serão,  para  os  efeitos  da  relação  de  emprego,  solidariamente  responsáveis  a  empresa  principal  e  cada  uma  das subordinadas.”  Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados  pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratar­se de  caracterização de Grupo Econômico, o  artigo 30,  inciso  IX, da Lei nº 8.212/91, determina o  que segue:  “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou  de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às  seguintes normas:  [...]  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta lei;”  Como  se  observa  dos  dispositivos  legais  encimados,  a  solidariedade  previdenciária  é  legal  e  obriga  os  sujeitos  passivos  do  fato  gerador  da  contribuição  da  seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal  regularmente conduzido.  Por  seu  turno,  especialmente  na  esfera  trabalhista,  a  doutrina  contempla  alguns  limites  e  requisitos/pressupostos  para  a  caracterização  do  grupo  econômico  de  fato,  estabelecendo  características basilares de maneira  a nortear os  trabalhos  desenvolvidos neste  sentido, senão vejamos:  “o grupo de empresas deve ser inicialmente caracterizado como  fenômeno de  concentração,  incompatível  com o  individualismo,  mas  perfeitamente  consentâneo  com  a  sociedade  pluralista,  a  Fl. 51546DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     42  que corresponde o capitalismo moderno. Ao contrário da fusão e  da  incorporação  que  constituem  a  concentração  na  unidade,  o  grupo exterioriza a concentração na pluralidade. Particulariza­ se,entre os demais de sua espécie, por ser composto de entidades  autônomas,  submetido  o  conjunto  à  unidade  de  direção.”  (In  Magano. Otávio Bueno  – “Os Grupos  de Empresas  no Direito  do Trabalho” – São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 1979, pag.  305’) (grifamos)  Em conclusão, da soma de todas essas normas, vê­se que está configurada a  existência de um grupo econômico toda vez que duas ou mais empresas estiverem submetidas a  um mesmo poder de controle,  fato  considerado  pelo direito  como  relevante, merecendo uma  disciplina específica de modo a se coibir a manipulação das relações entre as sociedades que  tenham por escopo a contabilização de prejuízos a apenas uma delas, em detrimento dos sócios  minoritários  e  credores  da  sociedade  prejudicada,  e  a proteção  dos  verdadeiros  beneficiários  das articulações.  Verifica­se,  que  a  caracterização  de  grupo  econômico  de  fato  se  apresenta  como um procedimento excepcional, lastreado nas normas do direito privado, na condição de  instrumento  no  combate  à  evasão  fiscal  praticada  por  contribuintes  sob o manto  de  diversos  atos  comerciais  escusos,  sendo,  por  conseguinte,  plenamente  válido  e  legal,  conquanto  que  devidamente observados os requisitos para tanto e perfeitamente demonstrada à situação fática  adotada na pretensão fiscal.  Por  sua  vez,  a  interpretação  do  caso  concreto  deve  ser  levada  a  efeito  de  forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e,  bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização  do grupo econômico, a partir de suas especificidades conceituais, sendo defeso, igualmente, a  atribuição  de  requisitos/condições  que  não  estejam  contidos  nos  dispositivos  legais  que  regulamentam  a  matéria,  a  partir  de  meras  subjetividades,  sobretudo  quando  arrimadas  em  premissas  que  não  constam  dos  autos,  sob  pena,  inclusive,  de  afronta  ao  Princípio  da  Legalidade.  Na  hipótese  dos  autos,  inobstante  o  esforço  da  autoridade  lançadora,  não  conseguimos vislumbrar a existência de um Grupo Econômico de Fato. Pelo menos na forma  proposta pelo fiscal autuante. Explico:  Inicialmente,  inobstante destacar  a  necessidade  de um controle  central  e/ou  uníssono, a fiscalização não logrou comprovar que, no decorrer de todo período fiscalizado, a  autuada  ou  outra  empresa  integrante  do  grupo  econômico  de  fato  caracterizado  detinha  a  controle  de  TODAS  as  pessoas  físicas  no  desenvolvimento  de  suas  operações  e  atividades  comerciais.  Igualmente, não restou demonstrada a dilapidação do patrimônio da autuada  ou  outra  empresa,  com  a  transferência  a LARANJAS,  visando  afastar­se  da  responsabilidade  pelo  pagamento  dos  tributos.  Com  efeito,  não  se  vislumbra  qualquer  alteração  no  quadro  societário tendente a afastar a exigência de tributos eventualmente devidos.  Neste  ponto,  impende  esclarecer  que  não  entendemos  que  a  identidade  do  quadro  societário,  se  constatada,  isoladamente,  ou  mesmo  o  fato  de  constar  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  da  empresa OI  a  participação  em  outras  empresas coligadas e controladas, oferece proteção à tese da existência de Grupo Econômico  de Fato.  Fl. 51547DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 23          43  Concordamos que tal fato, inicialmente, seria um princípio de prova para se  caracterizar  um  grupo  econômico,  mas  não  suficientemente  capaz  para  tanto,  sem  outros  elementos probatórios. A partir  dessa  conclusão,  indaga­se:  a  constatação da participação da  empresa  OI  nas  pessoas  jurídicas  coligadas  e  controladas,  qual  outra  vinculação  comercial  existente entre  tais contribuintes, de maneira a suportar a caracterização de grupo econômico  entre  ambos?  Inexiste  nos  autos  qualquer  outro  fato  capaz  de  escorar  a  pretensão  do  Fisco,  como por exemplo, um conjunto de reclamatórias trabalhistas. Não há identidade ou correlação  no  quadro  societário,  pelo menos  declinada  pela  fiscalização,  bem  como  a  comprovação  de  ingerência  de  um  em  outro,  ou  mesmo  controle  unificado.  Não  houve  demonstração  de  confusão  societária,  contábil  ou  patrimonial  entre  tais  empresas.  Não  há,  igualmente,  comprovação de gestão única.  Com a devida vênia, o nobre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, fora por  demais superficial, somente aduzindo que a caracterização do grupo econômico de fato se dá  em  razão  de  informações  contábeis  dando  conta  da  participação  da  OI  nas  coligadas  e  controladas, sem conquanto se aprofundar na matéria de maneira a corroborar sua tese.  Neste  sentido,  não  vislumbramos  a  relação  atribuída  àquelas  pessoas  jurídicas,  pretensamente  integrante  de  grupo  econômico  de  fato,  de  maneira  a  ensejar  a  responsabilidade solidária de um pelos débitos previdenciários de outro.  Assim,  outra  alternativa  não  resta,  senão  a  desconsideração  do  Grupo  Econômico  de  Fato,  uma  vez  que  não  demonstrados  e  comprovados  os  pressupostos  legais  exigidos relativamente a todas as empresas supostamente integrantes do grupo caracterizado de  ofício pela autoridade fiscal.  A  jurisprudência  administrativa não discrepa desse entendimento,  conforme  se  extrai  do  julgado  abaixo  transcrito,  da  lavra  da  ilustre  Conselheira  Ana Maria  Bandeira,  ainda quando integrante do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, in verbis:  “PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ RETENÇÃO 11% ­ GRUPO  ECONÔMICO DE FATO ­ SUCESSÃO DE FATO   O  contratante  de  serviços  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  deverá  reter  onze  por  cento  do  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  e  recolher  a  importância em nome da prestadora   A  formação  de  grupo  econômico  de  fato  deverá  estar  plenamente  demonstrada  pela  participação  de  pessoas  físicas,  em  duas  ou  mais  empresas,  nos  mesmos  percentuais  considerados  para  a  conceituação  de  empresas  coligadas,  controladas ou controladoras, constantes da Lei nº 6.404, de  15 de dezembro 1976   A ocorrência de sucessão deve estar bem caracterizada e ainda  que assim esteja, se o sucedido continuar a exercer atividade no  mesmo ramo, não se configura a responsabilidade solidária, mas  a subsidiária   Não  pode  subsistir  o  lançamento  de  créditos  de  uma  pessoa  jurídica  contra  outra,  onde  não  esteja  demonstrada  a  vinculação para tal   Fl. 51548DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     44  CONHECIDO  ­  PARCIALMENTE  PROVIDO.”  (grifamos)  (Processo n° 35067.002367/2003­29 – NFLD n° 35.538.089­7  ­  Acórdão n° 1044/2005 – Sessão de 24/05/2005)  Como  se  observa,  é  bem  verdade  que  a  legislação  de  regência  autoriza  à  autoridade  lançadora, à  juízo próprio, caracterizar grupo econômico de fato. Entrementes,  tal  procedimento deverá ser devidamente fundamentado, indicando e comprovando a fiscalização  quais os motivos que a levaram a desconsiderar os atos realizados pelos administrados. Trata­ se, pois, de atividade fiscal excepcional, devendo, portanto, estar devidamente motivada.  Não  se  pode  inverter  o  ônus  da  prova,  quando  inexistir  dispositivo  legal  assim  contemplando,  a  partir  de  uma  presunção  legal.  In  casu,  havendo  dúvidas  quanto  a  licitude dos atos praticados pelas contribuintes, caberia a fiscalização se aprofundar no exame  das provas, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir pela  existência de grupo econômico de fato.  Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus  da  prova  cabe  a  quem  alega,  in  casu,  ao  Fisco,  especialmente  por  inexistir  disposição  legal  contemplando  a  presunção  no  caso  de  pretenso  grupo  econômico  de  fato,  incumbindo  à  fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo/devendo para tanto, inclusive,  intimar todas as partes  interessadas para confirmar a  idoneidade dos atos negociais efetuados  pelas contribuintes.  Na esteira desse raciocínio, deixando a autoridade lançadora de comprovar a  vinculação comercial, gerencial entre as empresas elencadas nos autos, não se pode cogitar na  manutenção do Grupo Econômico de Fato.  JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO  Sustenta, ainda, a recorrente que, em caso de procedência do lançamento, seja  excluída a  incidência de  juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar  obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de punir o  contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal que  lhe dê suporte.  Relativamente à matéria,  entendo assistir  razão à Recorrente.  Isso porque o  artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre a multa de oficio, mas apenas a  da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuições.  Dessa  forma, merece  guarida  a  pretensão  da  contribuinte,  consoante  restou  muito bem explicitado no voto vencido do Acórdão n° 9202­01.806, o qual me filio, da lavra  do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, exarado pela 2a Turma CSRF nos autos do processo n°  10768.010559/2001­19, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de  decidir, in verbis:  “[...]  Assim,  no  mérito,  a  discussão  no  presente  recurso  está  limitada  à  incidência  dos  juros  moratórios  equivalente  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  —  SELIC sobre a multa de oficio.  Tal  discussão  já  foi  examinada  pelo  antigo  Conselho  de  Contribuintes,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  em  diversas  oportunidades,  sendo  que  três  Fl. 51549DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 24          45  posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais  sejam:   ­ de que é possível a  incidência de  juros  sobre a multa de  ofício  a  partir  do  vencimento  do  prazo  da  impugnação,  sendo  que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC;   ­ de que é possível a  incidência de  juros  sobre a multa de  ofício  a  partir  do  vencimento  do  prazo  da  impugnação,  sendo  que tais juros devem ser calculados à razão de 1% ao mês; e   ­ de que não é possível a incidência de juros sobre a multa  de ofício.   Tanto  a  primeira  quanto  a  segunda  tese  admitem  a  incidência dos juros sobre a multa de ofício por entenderem que  o  artigo  161  do  Código  Tributário  Nacional  assim  autoriza,  divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem  calculados pela SELIC (Lei nº 9.430/1996) ou à razão de 1% ao  mês  nos  termos  do  enunciado  do  §1º  do  Código  Tributário  Nacional – CTN (1% ao mês).   Data  máxima  vênia,  entendo  que  nenhuma  das  duas  posições  é  a  que mais  se  coaduna  com  o  ordenamento  vigente  (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto).   Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do  CTN determina:   “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e da aplicação de quaisquer medidas  de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.   § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora  são calculados à taxa de um por cento ao mês.   § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de  consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para  pagamento do crédito.”   (original sem grifo)  O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros  sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”.   “Crédito”,  por  sua  vez,  é definido  no  artigo  139  do CTN,  que assim dispõe:   “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.”   Obrigação  tributária,  por  fim,  vem  definida  no  art.  113,verbis:   “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.   Fl. 51550DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     46  § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou  penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito dela decorrente.   § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária  e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos tributos.   §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente a penalidade pecuniária.”  A  questão  a  ser  enfrentada  é  a  possibilidade  dos  juros  de  mora incidirem sobre a multa de ofício, aplicada pela autoridade  fiscal  proporcionalmente  ao  tributo  lançado,  considerando  a  expressão “penalidade pecuniária” incluída no parágrafo 1º art.  113.   A meu ver a expressão “penalidade pecuniária” ali referida  é  a  penalidade  decorrente  da  inobservância  de  determinada  obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em  obrigação principal nos termos do parágrafo 3º do mesmo artigo  113.  Tal  expressão  jamais  poderia  ser  interpretada  como  a  penalidade  pecuniária  exigida  em  conjunto  com  o  tributo  não  pago,  até  porque  ficaria  desprovida  de  sentido  no  contexto  do  dispositivo.   Se  a  penalidade  (no  caso  a  multa  do  ofício)  já  estivesse  incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de  mora  nos  termos  do  artigo  161  do  mesmo  CTN,  não  haveria  razão  alguma  para  a  ressalva  final  constante  no  referido  dispositivo  no  sentido  de  que  o  crédito  deve  ser  exigido  “sem  prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”.   Outrossim,  com base  nessa mesma  interpretação,  poderia­ se,  inclusive,  cogitar  da  possibilidade  de  incidência  de  penalidade  (multa)  sobre  crédito  tributário  que  já  englobasse  tributo  e multa,  o que obviamente  caracterizaria um non  senso  jurídico.   Ademais,  cumpre  observar  que  o  conceito  de  juros  advém  do direito privado e,  conforme preceitua o artigo 110 do CTN,  quando as categorias de direito privado estão apenas referidas  na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado  para compreendê­las.   No  âmbito  do  direito  privado  os  juros  existem  para  indenizar  o  credor  pela  inexecução  da  obrigação  no  prazo  estipulado.  Já  a  multa  não  serve  para  repor  ou  indenizar  o  capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação.   Assim,  se  os  juros  remuneram  o  credor  (no  caso  o Fisco)  pela privação do uso de seu capital devem eles  incidir somente  sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a  multa de ofício, que tem caráter punitivo.   Fl. 51551DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 25          47  A  vocação  da  multa,  já  suficiente  severa,  é  punir  o  descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não  recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é  ignorar  que  a  legislação  tributária  brasileira  extinguiu  a  correção  monetária  desde  1995,  sendo  preocupação  freqüente  das  administrações  tributárias  que  se  seguiram  evitar  a  indexação  automática  própria  dos  regimes  inflacionários  que  foram extremamente prejudiciais à economia brasileira.   Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o CTN  não  autoriza  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  aplicada  proporcionalmente  ao  tributo,  ficando  prejudicada a discussão acerca do índice aplicável.   Por  outro  lado  e  à  guisa  de  argumentação,  ainda  que  se  entendesse  que  o CTN  autoriza  a  incidência  de  juros  de mora  sobre  a  multa  de  ofício,  mister  se  faz  analisar  a  legislação  ordinária  em  vigor  no  período  em  que  a  multa  exigida  foi  aplicada.   Nesse sentido, argumenta­se que a exigência de juros sobre  a  multa  aplicada  proporcionalmente  estaria  amparada  no  art.  61, §3º da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece:   “Art.  61.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada à taxa de  trinta e  três centésimos por cento, por  dia de atraso   (...)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo,  incidirão  juros de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.”  Do  exame  do  dispositivo  resulta  que  os  débitos  a  que  se  refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições  mencionados no caput.   Decorrente  é  aquilo  que  se  segue,  que  é  conseqüente.  De  fato  o  não  pagamento  de  tributos  e  contribuições  nos  prazos  previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras,  o débito decorre do não pagamento de  tributos  e  contribuições  nos prazos.  A  multa  de  oficio  não  é  débito  decorrente  de  tributos  e  contribuições. Ela decorre, nos exatos  termos do art. 44 da Lei  n°9.430/96,  da  punição  aplicada  pela  fiscalização  às  seguintes  condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e  contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de  Fl. 51552DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     48  multa moratória;  e  b)  falta  de  declaração  e nos  de declaração  inexata.  Os  débitos  de  tributos  e  contribuições  e  de  multas  (penalidades)  têm  causas  diversas,  não  se  confundindo  nos  termos  do  art.  3º  do  CTN.  Enquanto  os  débitos  de  tributos  e  contribuições  decorrem  da  prática  dos  respectivos  fatos  geradores,  as multas  decorrem  de  violações  à  norma  legal,  no  caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal.   Ao  utilizar  a  expressão  “os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”  a  Lei  nº  9.430/96  somente  pode  estar  aludindo  a  débitos  não  lançados,  visto  que  está  normatizando  a  incidência  sobre  estes  da  multa  de  mora,  sendo  ilógico  entender  que  ali  se  contém  a  multa  de  ofício  lançada proporcionalmente.   Ademais,  caso  a  expressão “débitos”  constante  do art.  61  contemplasse  o  principal  e  a  multa  de  ofício,  seria  imperioso  admitir  que  a  multa  de  ofício,  caso  não  paga  no  vencimento,  sofreria também o acréscimo de multa de mora,  tendo em vista  que o caput do dispositivo expressamente dispõe que “ os débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos  nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de  multa de mora, calculados a  taxa de trinta e três centésimos por  cento, por dia de atraso.”   Realmente,  este  seria  o  resultado  da  interpretação  do  parágrafo 3º do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que  determina  o  “caput”.  Seguindo  este  raciocínio  ter­se­ia  que  admitir  que  também  sobre  os  juros  de mora,  que  se  incluiriam  nos  “débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”, novamente pudessem ser exigidos  juros e multa  de  mora,  o  que  indica  data  venia  a  improcedência  da  interpretação.   Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam  os dispositivos ­ literal, teleológica ou sistemática – entendo que  a  melhor  exegese  é  aquela  que  autoriza  a  incidência  de  juros  somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o  valor  da  multa  de  ofício  lançada,  até  porque  referido  artigo  disciplina os acréscimos moratórios  incidentes sobre os débitos  em atraso que ainda não foram objeto de lançamento.   O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal ­ Lei  9.430/1996  ­  é  absolutamente  coerente  com  a  interpretação  do  art.  61  desenvolvida  acima  e  corrobora  a  conclusão.  Prevê  o  referido  dispositivo  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  as  multas e os juros cobrados isoladamente, verbis:   “Art.  43.  Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros  de mora isolada ou conjuntamente.   Parágrafo  único  –  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste artigo, não pago no respectivo vencimento,  incidirão  juros de mora, calculados à  taxa a que se refere o § 3º do  Fl. 51553DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 26          49  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento”.  Ora,  se  a  expressão  “débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”  constante  no  “caput”  do  artigo  61  contemplasse  também  a  multa  de  ofício,  não  haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do  artigo  43  supra  transcrito,  posto  que  a  incidência  dos  juros  sobre  a  multa  de  ofício  lançada  isoladamente  nos  termos  do  “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61.   Em face das considerações acima, concluo que não há, seja  em  lei  complementar  (CTN)  seja  na  legislação  ordinária,  interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo  ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a  multa de ofício lançada proporcionalmente.  Os  fundamentos  acima  também  foram  adotados  pela  Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão  n.  9101­00.722,  de  08  de  novembro  de  2010,  Relatora  a  Conselheira  Karem  Jurendini  Dias,  que  concluiu  pela  não  incidência de juros de mora sobre a multa de ofício:  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  INAPLICABILIDADE –  Os  juros de mora só incidem sobre o valor do  tributo, não  alcançando o valor da multa oficio aplicada.  No  presente  caso,  os  paradigmas  apresentados  pela  Recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre  a multa de ofício, limitando­os entretanto ao patamar mensal de  1% ao mês.  Embora  o  entendimento  manifestado  no  presente  voto  resultaria  em  provimento  do  recurso  voluntário  em  maior  extensão  (exclusão  completa  da  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a multa  de  ofício),  deve  o  resultado  ater­se  ao  limite  da  pretensão  recursal  ora  examinada,  devendo  o  recurso  ser  conhecido e provido nesta extensão.”  Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõe­se afastar a  incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta  falta de previsão legal.  DA RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES  Opõe­se, ainda, a contribuinte à autuação inferindo que os administradores da  empresa não podem ser responsabilizados pelos débitos da pessoa jurídica com o fisco, face a  inexistência  dos  requisitos  necessários  para  tanto,  insculpidos  no  artigo  135,  inciso  III,  do  CTN.  Sem razão a recorrente!!  Fl. 51554DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     50  Isto  porque,  a  matéria  objeto  de  julgamento  nesta  assentada  refere­se  à  procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual  crédito  tributário  definitivamente  constituído,  após  decisão  administrativa  transitada  em  julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade.  A  questão  suscitada  pela  contribuinte  poderá  ser  objeto  de  apreciação  em  outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais  deste processo, não merecendo aqui  fazer maiores considerações  relativas a  responsabilidade  pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora  recorrente.  Ademais,  na  hipótese  contemplada  nestes  autos,  além  de  não  se  responsabilizar  diretamente,  ainda,  qualquer  outra  pessoa  pela  falta  do  recolhimento  das  contribuições  ora  lançadas,  consoante  se  infere  do  anexo  “RELATÓRIO DE VÍNCULOS”,  inexiste  atribuição  da  sujeição  passiva  pelo  crédito  tributário  em  discussão  àquelas  pessoas,  uma  vez  que  o  lançamento  fora  efetuado  contra  a  empresa  e  não  contra  eles.  Conforme  se  verifica  da  autuação,  são  os  sócios,  tão  somente  co­responsáveis  pelos  créditos  constituídos,  não  se  cogitando na  ilegalidade  de  tal  procedimento  por  encontrar  respaldo  na  legislação  de  regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na  forma ali decidida.  Aliás,  a  jurisprudência  deste Colegiado,  consagrada  pela  Súmula CARF  n°  88, é por demais enfática ao afirmar que a simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos  CORESP não implica em responsabilidade pessoal – sujeição passiva – de tais pessoas físicas,  não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, como segue:  “Súmula  CARF  nº  88:  A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa.”  Neste sentido, inexiste razão para maiores disceptações a respeito da matéria,  mormente  em  razão  das  Súmulas  do  CARF  vincularem  seus  julgadores,  não  prosperando,  portanto, a pretensão da contribuinte.  No  que  tange  a  jurisprudência  trazida  à  colação  pela  recorrente,  mister  elucidar,  com  relação  às  decisões  exaradas  pelo  Judiciário,  que  os  entendimentos  nelas  expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão  dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha  se manifestado em definitivo a respeito do tema.  Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui  tecer maiores  considerações,  uma  vez  não  serem  capazes  de  ensejar  a  reforma  da  decisão  recorrida,  no  mérito,  especialmente quando desprovidos de qualquer amparo  legal ou  fático,  bem como  já  devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância.  DAS  AUTUAÇÕES  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS  Fl. 51555DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 27          51  Conforme  se  depreende  dos  autos,  em  razão  da  constatação  do  não  recolhimento  de  contribuições  previdenciária  (obrigação  principal),  em  face  da  contribuinte  foram lavrados, igualmente, os seguintes autos de infração por descumprimento de obrigações  acessórias:  a) AI DEBCAD nº 51.033.254­4 ­ CFL 30  A presente multa fora imputada à contribuinte em razão de a empresa deixar  de  preparar  as  folhas  de  pagamento  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo  INSS, mais precisamente deixando de  incluir  os valores pagos por  intermédio da ADFEGO,  bem como os destinados ao custeio de educação aos funcionários da empresa.  Consoante se infere do Relatório Fiscal, a multa em questão sofreu majoração  por duas agravantes. Porém, para que esse procedimento seja possível, impõe­se à autoridade  lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência  em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser  levada a efeito quando  àquela  estiver  convencida  do  cometimento  do  crime  (dolo,  fraude  ou  simulação),  devendo,  ainda,  relatar  todos os  fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida  análise da conduta que  lhe  está  sendo atribuída  e,  bem assim,  ao procurador de que o delito  fora efetivamente praticado.  Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou  simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  da  intenção  pré­determinada  do  contribuinte,  demonstrada  de  modo  concreto,  sem  deixar  margem  a  qualquer  dúvida,  visando  impedir/retardar  o  recolhimento do tributo devido.  In  casu,  o  simples  fato  do  fiscal  presumir  que  a  contribuinte  usou  de  interposta pessoa (ADFEGO) para suposta contratação de mão­de­obra, não é capaz de afirmar  a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, portanto essa agravante deve ser excluída do cálculo  da multa.  Quanto  a  agravante  especifica,  reincidência,  essa  também  não  merece  prosperar  tendo  em  vista  a  falta  de  decisão  condenatória  irrecorrível  do  procedimento  fiscal  anterior.   Assim, em razão da não caracterização da reincidência aventada pelo auditor  fiscal e da comprovação de dolo, fraude ou simulação, a multa deve ser aplicada no seu valor  mínimo.  b) AI DEBCAD nº 51.033.255­2 ­ CFL 34  De conformidade com o Relatório fiscal, a multa em comento fora aplicada  uma  vez  que  a  contribuinte  teria  deixado  de  lançar mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições  da  empresa  e  os  totais  recolhidos  no  período  fiscalizado.  Com  mais  especificidade,  informa  o  fiscal  autuante  que  as  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  não  foram  contabilizadas  em  títulos  próprios  de  forma  Fl. 51556DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     52  discriminada,  não  sendo  consideradas  como  rubricas  integrantes  da  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias e foram contabilizadas na conta Serviço de Call Center, código  0310357000.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  da  autoridade  fiscal  ao  aplicar  a  presente multa,  sua  pretensão  não merece  prosperar,  especialmente  por  incorrer  em  erro  na  capitulação legal da penalidade.  Antes  de  contemplar  a  análise  da  questão  propriamente  dita,  mister  transcrever o dispositivo legal que lastreia a exigência fiscal, como segue:  “      Lei n º 8.212/91   Art. 32. A empresa é também obrigada a:  [...]  II ­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos;”   “    Decreto nº 3.048/99 ­ RPS  Art. 225. A empresa é também obrigada a:  [...]  II ­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos.  [...]"  Extrai­se das normas legais encimadas que a obrigação acessória sob análise  é  a  necessária  informação  em  contabilidade,  em  títulos  próprios,  dos  fatos  gerados  das  contribuições previdenciárias.  Na  hipótese  do  autos,  a  contribuinte  não  deixou  de  informar  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados,  mas,  sim,  assim o fez de maneira equivocada na conta Serviço de Call Center, código 0310357000.  Ou  seja,  o  mero  equívoco,  somente  constatado  a  partir  da  ação  fiscal,  no  registro dos  fatos  geradores na  contabilidade da  contribuinte,  em contas  distintas,  não  tem o  condão  de  ensejar  o  descumprimento  da  obrigação  acessória  sob  análise,  não  havendo,  portanto, a subsunção do fato à norma, de maneira a justificar a imputação da penalidade ora  aplicada.  Não bastasse isso, a autuação em epígrafe encontra lastro essencialmente nos  pagamentos  pretensamente  realizados  à  segurados  empregados  por  meio  da  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  ­  ADFEGO,  cujo  julgador  de  primeira  instância  entendeu por bem rechaçar, em razão da ocorrência de erro na apuração da base de cálculo por  aferição indireta, o que seu ensejo a interposição de recurso de ofício, o qual fora rejeitado por  esta egrégia Turma nesta sessão de julgamento.  Fl. 51557DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 28          53  Dessa  forma,  no  julgamento  do  presente  Auto  de  Infração  impõe­se  à  observância à decisão levada a efeito no levantamento retromencionado (ADFEGO), em face  da  íntima  relação  de  causa  e  efeito  que  os  vincula,  uma  vez  que  as  contribuições  que  pretensamente  deixaram  de  constar  das  folhas  de  pagamento  foram  exigidas  naquele  lançamento principal.  Na  esteira  desse  entendimento,  uma  vez  rechaçada  a  exigência  fiscal  com  esteio  nas  pretensas  remunerações  dos  segurados  empregados,  pagas  por  meio  ADFEGO,  consubstanciadas  nos  Levantamentos  AS  e  CS  que  deu  margem  à  presente  autuação,  explicitado  acima  em  se  de  RO,  aludida  decisão  deve,  igualmente,  ser  adotada  neste  julgamento,  afastando,  por  conseguinte,  a  penalidade,  na  linha  do  decidido  no  levantamento  principal, em face do nexo causal entre tais autuações.  c) AI DEBCAD nº 51.033.256­0 ­ CFL 59   Aludida  multa  por  imposta  em  virtude  de  a  contribuinte  ter  deixado  de  arrecadar, mediante  desconto  das  remunerações,  as  contribuições  devidas  por  segurados  que  lhe prestaram serviços.  Igualmente  ao  AI  DEBCAD  nº  51.033.254­4,  a  penalidade  aplicada  fora  duplamente agravada,  em  razão de pretensamente  ter agido com dolo,  fraude ou má­fé,  bem  como por se enquadrar em conduta reincidente.  E,  no  mesmo  sentido  adotado  no  AI  DEBCAD  nº  51.033.254­4,  impõe­se  afastar os agravante da multa, seja em razão da ausência da demonstração do dolo, fraude ou  má­fe,  ou  mesmo  diante  da  não  configuração  da  reincidência,  tal  qual  restou  circunstanciadamente demonstrado no Auto de Infração retromencionado.  Partindo dessas premissas, aplica­se neste caso, os mesmos fundamentos do  CFL 30 (AI DEBCAD nº 51.033.254­4), impondo a exclusão dos agravantes, restabelecendo a  multa em seu valor mínimo.  Outras  questões  de  direito/mérito  aplicadas  aos Autos  de  Infração  por  descumprimento de Obrigações acessórias:  Como  circunstanciadamente  demonstrado  acima,  no  entendimento  deste  relator, parte das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas em comento não se  sustentam, o que, associada a parcela da exigência fiscal rechaçada pelo julgador de primeira  instância  e  corroborada  nesta  oportunidade,  ensejou  a  improcedência  parcial  dos  autos  de  infrações pertinentes à obrigação principal.  Dessa  forma,  no  julgamento  dos  presentes  Autos  de  Infração  impõe­se  à  observância  à  decisão  levada  a  efeito  nas  autuações  retro­mencionadas,  em  face  da  íntima  relação de causa e efeito que os vincula.  Na esteira desse entendimento, uma vez rechaçada parte da exigência  fiscal  consubstanciada  nos  Autos  de  Infração  retro  (obrigação  principal),  aludida  decisão  deve,  igualmente, ser adotada nesta autuação, afastando, por conseguinte, a penalidade aplicada, na  linha do decidido no processo principal.  Fl. 51558DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     54  Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine parcialmente  em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE:  1)  CONHECER  DO  RECURSO  DE  OFÍCIO  E  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  mantendo  o  Acórdão  de  primeira  instância,  na  parte  recorrida,  em  sua  integralidade, pelos seus próprios fundamentos;  2) CONHECER DO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade do  lançamento  e  de  realização  de  perícia  e,  no mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  para  afastar  a  tributação  do Aviso  Prévio  Indenizado,  bem  como  a  caracterização  do Grupo  Econômico de Fato, além da incidência dos juros sobre a multa de ofício, rechaçando, ainda os  agravantes  dos  Autos  de  Obrigações  Acessórias  ­  CFL  30  e  59,  reconhecendo,  por  fim,  a  improcedência do CFL 34, pelas razões de fato e de direito acima esposadas.    (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira.  Fl. 51559DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 29          55    Voto Vencedor  Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini – Redatora Designada  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  Sobre a responsabilidade solidária, o CTN determina que:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  A  responsabilidade  solidária  pelas  obrigações  perante  a  previdência  social  está prevista na Lei 8.212/91, art. 30, IX, que dispõe:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  [...]  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta Lei;  Sobre  os  "grupos  econômicos",  têm­se  os  constituídos  formalmente  (de  acordo com a Lei 6.404/76)  e os denominados  "grupos  econômicos de  fato",  que podem ser  regulares ou irregulares.  A  Lei  6.404/76,  denominada  "Lei  das  Sociedades  Anônimas",  cuida  do  "grupo econômico" (que denomina "grupo de sociedade"), legalmente constituído, limitando­se  a  estabelecer  as  normas  aplicáveis  nos  casos  em  que  uma  sociedade  controladora  e  suas  controladas deliberada e formalmente constituem um grupo, que se sujeita, portanto, às devidas  exigências legais, inclusive registro público.  Além dos grupos econômicos formalmente constituídos, são frequentemente  encontrados os "grupos de empresas" com direção, controle ou administração exercida direta  ou  indiretamente  pelo  mesmo  grupo  de  pessoas.  Esses  "grupos  de  empresas"  são  os  denominados grupos econômicos de fato, que podem ser regulares ou irregulares.  Os grupos econômicos de fato regulares são aqueles que, apesar de não serem  dotados  de  formalização  legal,  não  realizam  práticas  dissuasivas  irregulares,  ao  serem  constituídos.  Fl. 51560DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     56  Os  grupos  econômicos  de  fato  e  irregulares  também  não  são  dotados  de  formalização legal, mas apresentam irregularidades ou mesmo ilegalidades na sua constituição,  com  o  objetivo,  dentro  outros,  de  se  eximir  ilegalmente  do  pagamento  de  tributos  ou  de  suprimir os meios legais de cobrança.  Apresentadas  as  definições,  resta  avaliar  se  a  empresa  autuada  integra  um  grupo econômico.  Consta no relatório fiscal, fl. 79 , que:  14.  A  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  da  empresa  OI  S  A,  CNPJ:  76.535.764/0001­43,  2010,  relaciona  na  ficha  62  –  Participação  Permanente  em  Coligadas  e  Controladas, as empresas controladas pela OI S A.  15.  Com  base  na  informação  constante  da  DIPJ,  a  fiscalização  considerou as empresas a seguir como componentes do Grupo OI e,  portanto,  solidariamente  responsáveis  pelo  crédito  previdenciário  resultante deste procedimento fiscal:  a) OI S A ­ CNPJ: 76.535.764/0001­43  b) BRT SERVIÇOS DE INTERNET S/A – CNPJ: 04.714.634/0001­67  c) 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A – CNPJ: 05.423.963/0001­ 11  d)  BRT  CARD  SERVIÇOS  FINANCEIROS  LTDA  –  CNPJ:  10.213.810/0001­80  e) VANT TELECOMUNICAÇÕES S/A – CNPJ: 01.859.295/0001­19  f)  BRASIL  TELECOM  CABOS  SUBMARINOS  LTDA  –  CNPJ:  02.934.071/0001­97  g)  BRASIL  TELECOM  COMUNICAÇÃO  MULTIMÍDIA  LTDA  –  CNPJ: 02.041.460/0001­93.  16.  Dessa  forma,  tendo  ficado  evidente  a  interligação  dessas  empresas  e  sua  subordinação  a  um  comando  centralizado,  no  caso  em  questão  o  controle  acionário  exercido  pela  empresa  OI  S/A,  conclui­se  que  elas  integram Grupo  Econômico,  estando,  portanto,  solidariamente  obrigadas  entre  si,  relativamente  aos  créditos  previdenciários apurados em qualquer uma delas  Em que pese divergir do relator no entendimento sobre os grupos econômicos  de fato, os elementos por ele avaliados não se aplicam ao presente caso.   Vê­se  que  a  situação  fática  encontrada  pela  fiscalização  foi  a  existência  de  um grupo econômico legalmente constituído, o que implica na responsabilidade solidária das  empresas  integrantes  do  grupo  pelas  obrigações  previdenciárias  que  ensejaram  a  presente  autuação, nos termos da legislação acima citada.   JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  Ao  contrário  do  que  entende  o  recorrente  e  o  relator,  incide  juros  de mora  sobre a multa de ofício.  Fl. 51561DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 30          57  O CTN, no art. 161, dispõe que:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e  da  aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou  em lei tributária.  A Lei 9.430/96, art. 61, determina:  Art. 61. Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento, por dia de atraso.  [...]  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  O  conceito  de  crédito  tributário  abrange  a  multa  de  ofício,  portanto,  não  efetuado  o  pagamento  no  prazo  legal,  incide  juros  de  mora  sobre  o  principal  e  a  multa  de  ofício.  No mesmo sentido, manifestou­se a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no  processo 10980.723322/2015­82, Acórdão 9202­004.250, de 23/6/16, com a seguinte ementa:  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício  proporcional,  e  sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a  responsabilidade solidária e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini.                Fl. 51562DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI

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6635811 #
Numero do processo: 15563.000250/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2102-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica

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2102­000.098  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  17 de outubro de 2012  Assunto  IRPF ­ SOBRESTAMENTO ­ SIGILO BANCÁRIO  Recorrente  ARINALDO ALVES FERRAZ  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo  bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito  da repercussão geral (art. 62­A, §§, do Anexo II, do RICARF).     Assinado digitalmente   GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS ­ Relator e Presidente.   EDITADO EM: 26/10/2012   Participaram  do  presente  julgamento  os Conselheiros Carlos André Rodrigues  Pereira  Lima,  Eivanice  Canário  da  Silva,  Giovanni  Christian  Nunes  Campos,  Núbia Matos  Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.      RELATÓRIO E VOTO  Em  face  do  contribuinte  ARINALDO  ALVES  FERRAZ,  CPF/MF  nº  581.419.877­04,  já qualificado neste processo,  foi  lavrado,  em 31/07/2007,  auto de  infração,  quando  lhe foi  imputado um acréscimo patrimonial a descoberto nos  anos­calendário 2002 e  2003, nos importes de R$ 250.470,64 e R$ 28.693,16, respectivamente. Abaixo, discrimina­se     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 25 0/ 20 07 -2 6 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 15563.000250/2007­26  Resolução nº  2102­000.098  S2­C1T2  Fl. 3          2 o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a  partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito:  IMPOSTO  R$ 76.770,00  MULTA DE OFÍCIO  R$ 57.577,50  O  excesso  dos  dispêndios  sobre  as  receitas  declaradas  está  demonstrado  em  fluxo de caixa (fl. 111), calculado em base anual.   Deve­se  anotar  que  o  contribuinte  apresentou  declaração  de  ajuste  anual  no  modelo simplificado, nos AC 2002 e 2003 (fls. 04 a 06 e 07 a 10), constando nelas, além da  relação  de  bens  e  direitos,  a  informação  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  de  pessoa  física/fonte do exterior, em valor individualizado anual de R$ 36.000,00 e R$ 34.000,00, para  os AC 2002 e 2003, respectivamente, valores esses que foram levados ao fluxo de caixa.  Os  estouros  de  caixa  estão  essencialmente  associados,  no  AC2002,  a  um  dispêndio de R$ 256.300,00, ocorrido em conta bancária do contribuinte na Caixa Econômica  Federal,  informação  essa  obtida  a  partir  de  Requisição  de  Informação  de  Movimentação  Financeira  (fls.  67  e  79  a  101),  cuja  documentação  demonstra  que  o  contribuinte  fez  uma  aquisição  imobiliária,  por  intermédio  da CEF  (fls.  94  a  100);  no AC2003,  e  uma  aquisição  imobiliária no Estado do Maranhão (MA).  Deve­se  evidenciar  que  em  relação  às  aquisições  imobiliárias  dos  AC2002  e  2003,  o  contribuinte,  intimado  e  reintimado,  não  comprovou  a  natureza  e  causa  dessas  operações ou a origem dos numerários para concretizá­las (fls. 103 a 106).  Inconformado  com  a  autuação,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  ao  lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento.  A 2ª Turma de Julgamento da DRJ­Campo Grande  (MS), por unanimidade de  votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 04­22.863,  de 10 de dezembro de 2010 (fls. 144 e seguintes).  O  contribuinte  foi  intimado  da  decisão  acima  em  25/02/2011  (fl.  152).  Irresignado, interpôs recurso voluntário em 25/03/2011 (fl. 153).  No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que:  I.  no ano­calendário 2002, não houve qualquer acréscimo patrimonial a  descoberto,  pois  houve  a  venda  de  um  imóvel,  no  montante  de  R$  266.300,00 (Rua 24, Lote 03, Quadra 18, Campos Elísios, Duque de  Caxias  –  RJ),  com  recebimento  à  vista  de  R$  256.300,00,  com  R$  10.000,00  postergado  para  10/10/2008,  como  se  comprova  pela  documentação juntada aos autos, seguido da compra de outro;  II.  houve  um  erro  material  no  preenchimento  das  DIRPFs  dos  anos­ calendário  2002  e  2003,  por  ausência  de  informação  da  alienação  e  aquisição acima, e agora se pede que esse Colegiado Julgado aprecie  a documentação e autorize a retificação das declarações, nas quais se  Fl. 232DF CARF MF Processo nº 15563.000250/2007­26  Resolução nº  2102­000.098  S2­C1T2  Fl. 4          3 vê  que  não  houve  qualquer  variação  patrimonial  a  descoberto  em  ambos os anos;  III.  requer, ainda, a exclusão da multa de ofício de 75%, pois não houve a  intenção de lesar o fisco nem uso de má­fé.  Para comprovar suas alegações, o contribuinte juntou aos autos um instrumento  particular de  compra  e venda do  imóvel  acima  referenciado,  com autenticação cartorária  em  05/09/2007, e a respectiva escritura de compra de venda,  lavrada também em 05/09/2007, na  qual  se  atesta  que  o  contribuinte  recebeu  a  importância  de  R$  256.300,00,  em  10/10/2002,  havendo uma importância a receber em 10/10/2008 de R$ 10.000,00.  É o relatório.  Tempestivo  o  recurso,  que  atende  os  demais  requisitos  legais,  passa­se  a  apreciá­lo.  Na  forma  do  art.  62­A,  caput  e  §  1º,  do Anexo  II,  do  RICARF  (As  decisões  definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de  Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da  Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas  pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados  os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos  extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­B),  sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543­B do  CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica  em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação  conjunta  da  cabeça  e  do  parágrafo  primeiro  do  dispositivo  regimental  citado  indicava  que  bastava  o  reconhecimento  da  repercussão  geral  para  o  sobrestamento  do  trâmite  do  recurso  administrativo  fiscal,  não  se  fazendo  maiores  considerações  sobre  o  procedimento  de  sobrestamento dos  recursos extraordinários do próprio  judiciário,  como condicionante para o  sobrestamento  dos  recursos  da  via  administrativa.  Essa  era  a  interpretação  das  Turmas  de  julgamento do CARF.  Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da  Segunda  Seção  do  CARF,  as  controvérsias  sobre  a  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  e  a  incidente  a  partir  da  transferência  compulsória  do  sigilo  bancário  dos  contribuintes  para  o  fisco  (e  aplicação  retroativa  da  Lei  nº  10.174/2001)  vinham  tendo  o  julgamento  administrativo  sobrestado,  pois  o STF havia  reconhecido  a  repercussão  geral  em  ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br):  Tema  225  ­  Fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da  Lei  Complementar  nº  105/2001;  b)  Aplicação  retroativa  da  Lei  nº  10.174/2001  para  apuração  de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min.  Ricardo Lewandowski.  Tema  228  ­  Incidência  do  imposto  de  renda  de  pessoa  física  sobre  rendimentos percebidos acumuladamente.  – RE 614.406 – Relatora a  Min. Ellen Grace.  Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15563.000250/2007­26  Resolução nº  2102­000.098  S2­C1T2  Fl. 5          4 Com  a  publicação  da Portaria CARF  nº  001/2012,  que  objetiva  disciplinar  os  procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do  sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único,  da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B  do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo  Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida,  independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF  não  teria  determinado  o  sobrestamento  dos  recursos  extraordinários  que  versavam  sobre  a  transferência  compulsória  do  sigilo  bancário  para  o  fisco  (e  retroatividade  da  Lei  nº  10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema,  no RE 601.314.  Apreciando  a  controvérsia  acima,  no  julgamento  do  processo  19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102­000.045, esta  Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia  espelhada  no  Tema  225  do  STF  deveria  continuar  tendo  os  julgamentos  administrativos  sobrestados,  pois  “o  reconhecimento  da  repercussão  geral  pelo  STF,  por  si  só,  tem  como  consectário  lógico  e  inafastável  o  sobrestamento  do  julgamento  de  todos  os  recursos  extraordinários  sobre  a mesma matéria,  pois  não  se  pode  imaginar  que  o  STF  reconheça  a  repercussão geral  e os RE possam continuar a  tramitar,  isso  sem qualquer possibilidade de  julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como  exemplo  do  entendimento  que  tem  obstado  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários,  com  devolução  do  apelo  extremo  aos  tribunais  de  origem  no  Tema  225,  veja­se  despacho  no  Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012.  Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o  art. 62­A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo.  Por  tudo, no caso de controvérsias  sobre a  transferência compulsória do sigilo  bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando  que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria,  devem­se igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na  forma do art. 62­A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em  definitivo a controvérsia sobre o Tema 225.   No caso destes autos, vê­se que a autoridade fiscal se socorreu de Requisições  de  Informação de Movimentação Financeira­ RMFs para se assenhorear dos dados bancários  do contribuinte (fls. 66, 67 e 79 a 101), quando teve acesso à transação financeira no importe  de R$ 256.300,00, ocorrida em conta bancária do  contribuinte na Caixa Econômica Federal,  principal  dispêndio  que  implicou  no  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  no  ano­calendário  2002.  Assim, com a fundamentação acima, voto no sentido de sobrestar o julgamento  do presente recurso voluntário, que versa sobre o Tema 225, cumprindo o procedimento do art.  2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012.   Assinado digitalmente  Giovanni Christian Nunes Campos   Conselheiro relator  Fl. 234DF CARF MF Processo nº 15563.000250/2007­26  Resolução nº  2102­000.098  S2­C1T2  Fl. 6          5   Fl. 235DF CARF MF

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6623713 #
Numero do processo: 13629.001014/2007-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-005.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 1.052          1 1.051  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13629.001014/2007­90  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­005.099  –  2ª Turma   Sessão de  13 de dezembro de 2016  Matéria  67.618.4189 ­ CS ­ CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ­  DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO ­ PAGAMENTO APTO A ATRAIR O ART.  150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.  67.636.4010 ­ CS ­ CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ­  PENALIDADE/RETROATIVIDADE BENIGNA ­ AIOP/AIOA: FATOS  GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CAIPA COMERCIAL AGRÍCOLA IPATINGA LTDA.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/2005  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DECADÊNCIA.  TRIBUTOS  LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA  SISTEMÁTICA  DO  ART.  543­C  DO  CPC.  COMPROVAÇÃO  DE  EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150,  §4o., DO CTN.  O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733  ­ SC, decidido na sistemática do art. 543­C do Código de Processo Civil, o  que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos  casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada  a  existência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  prevalecendo  os  ditames  do  art.  173 nas demais situações.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB  Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 10 14 /2 00 7- 90 Fl. 589DF CARF MF     2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.  Recurso Especial do Procurador provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento  parcial  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada  em  conformidade  com  a  Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva  Vieira e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões  as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício e Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  ­  NFLD  DEBCAD  nº  35.842.226­4,  às  e­fls.  15  a  159,  cientificado  à  contribuinte  em  21/10/2005  (e­fl.  240),  com  relatório fiscal às e­fls. 172 a 178. A notificação visa ao lançamento de contribuições sociais  devidas  à  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  a  trabalhadores,  considerados pela fiscalização do INSS como segurados empregados.  O crédito lançado atingiu o montante de R$ 266.200,85, consolidado na data  de 10/10/2005, para os períodos de apuração de 07/1998 a 07/2005. (Grifei)  A NFLD foi impugnada, às e­fls. 243 a 249, em 03/11/2005. Após diligências  para  esclarecimentos  dos  fatos  relativos  ao  procedimento  fiscal  (e­fls.  277  a  280),  a  contribuinte foi intimada do resultado desta e voltou a se manifestar às e­fls. 284 a 290.  Àquela  época,  o  procedimento  ainda  era  realizado  na Secretaria  da Receita  Previdenciária,  cabendo à Delegacia  em Governador Valadares  a  apreciação da  impugnação.  Em 14/12/2006, a Delegacia emitiu a Decisão­Notificação nº 11.424.4/0498/2006, às e­fls. 310  a 318,  na  qual  considerou  procedente  o  lançamento,  declarando  o  contribuinte  devedor  de  crédito de contribuição previdenciária no valor de R$ 226.221,83. (Grifei)  Cientificada  do  resultado  em  05/01/2007  (e­fl.  324),  a  contribuinte,  em  05/02/2007,  interpôs  recurso voluntário  ­ RV, às e­fls. 326 a 340, contudo, na sequência, em  20/04/2007  (e­fl.  357  e  358),  foi  constatada  a  existência  de  erro  material  na  Decisão­ Notificação  nº  11.424.4/0498/2006,  relativo  ao  valor  do  débito  nela  informado  Fl. 590DF CARF MF Processo nº 13629.001014/2007­90  Acórdão n.º 9202­005.099  CSRF­T2  Fl. 1.053          3 (R$ 226.221,83).  Houve  correção  do  erro  por  despacho  de  Delegacia  em  Governador  Valadares e nova ciência à contribuinte, que não se manifestou a respeito (e­fl. 363).   Posteriormente,  o  procedimento  de  fiscalização  e  julgamento  relativos  às  contribuições previdenciárias passara à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Assim, o processo foi incluído em pauta para novo julgamento a teor do que dispunha o §1° do  art. 22 da Portaria MF 58, 17 de março de 2006 e art. 37 da Portaria RFB 10.875, de 16 de  agosto de 2007.  Em 12/12/2007, o acórdão nº 02­16.543 da 9ª Turma da DRJ/BHE, às e­fls  366  a  376,  igualmente  considerou  procedente  o  lançamento  mantendo  então  o  crédito  previdenciário no valor estipulado na NFLD.  O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da  Segunda  Seção  de  Julgamento  em  23/02/2010,  resultando  no  acórdão  2402­00.714,  às  e­fls.  382  a  388,  que  decidiu  pela  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  por  cerceamento  de  direito de defesa, em face da ausência de provas de que a contribuinte tivesse tomado ciência  de todas as diligências e de seus resultados.   A DRF  em  Coronel  Fabriciano  deu  ciência  (e­fl.  394)  à  contribuinte  do  acórdão  acima, bem como das diligências cuja falta de comunicação levaram à nulidade da decisão de primeira  instância, em 23/07/2010 (e­fl. 395). Em 18/08/2010, a contribuinte se manifesta nos autos, às e­fls. 396  a 415, pleiteando a improcedência da NFLD.  Em  14/12/2010,  foi  prolatado  novo  acórdão  (e­fls.  449  a  461)  pela  9ª  Turma  da  DRJ/BHE,  de  nº  02­30.035,  considerando  improcedente  a  impugnação  e  mantendo  parcialmente  o  crédito lançado, em face do reconhecimento da decadência para lançamento de contribuições relativas  ao período de 07/1998 a 11/1999.  A contribuinte interpôs recurso voluntário ao acórdão 02­30.035, às e­fls. 480 a 499,  em 17/02/2011, argumentando, em síntese não ser aplicável ao caso o arbitramento da base de cálculo  realizado pela fiscalização e requerendo a improcedência do lançamento.  Em  30/09/2011,  o  recurso  voluntário  foi  apreciado,  agora  pela  3ª  Turma  Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, resultando no acórdão 2403­00.807,  às e­fls. 01 a 12. O acórdão teve as seguintes ementas:  PRELIMINAR.  DECADÊNCIA  PARCIAL  QUINQUENAL.  SÚMULA  VINCULANTE  N  8.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA.  TRIBUTO  SUJEITO  AO  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO  TRIBUTÁRIO NACIONAL.  O  STF,  em  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  art.  45  da  Lei  n  º  8.212/1991. Após,  editou a Súmula Vinculante n  º  8, publicada  em  20.06.2008,  nos  seguintes  termos:“São  inconstitucionais  os  parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos  45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência  de crédito tributário”.  Nos  termos do art.  103­A da Constituição Federal, as Súmulas  Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir  de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em  Fl. 591DF CARF MF     4 relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual e municipal.  Tratando­se  de  contribuição  social  previdenciária,  tributo  sujeito ao lançamento por homologação, aplica­se a decadência  do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.  REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À  DECISÃO DO  SUPERIOR  TRIBUNAL DE  JUSTIÇA.  RESP  N  973.733/SC.  TRIBUTO  SUJEITO  AO  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  OBRIGATORIEDADE  DE  RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173,  I , CTN.  Considerando  a  exigência  prevista  no  Regimento  Interno  do  CARF no art.62­A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do  Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o  art.543­C do Código de Processo Civil.  No  caso  de  decadência  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º  do Código  Tributário Nacional  só  seria  aplicado  quando  fosse  constada  a  ocorrência  de  recolhimento,  caso  contrário,  seria  aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.  AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação, ou  sua  apresentação deficiente,  o Fisco pode,  sem  prejuízo da penalidade cabível,  inscrever de ofício  importância  que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus  da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da  Lei 8.212/1991.  CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. SUBSUNÇÃO DO FATO  À HIPÓTESE NORMATIVA.  É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado,  a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante remuneração, inclusive como diretor empregado.  É  necessária  e  suficiente  a  subsunção  do  fato  à  hipótese  legal  prevista  na  8.212/91  para  que  se  opere  a  caracterização  de  segurado obrigatório da previdência social.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  O acórdão foi assim exarado:  Acordam  os  membros  do  colegiado,  nas  preliminares,  por  unanimidade  de  votos,  em  reconhecer  a  decadência  até  a  competência  09/2000,  com  base  no  art.  150  §4º  do  CTN.  No  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  determinar  o  recálculo  da  multa  de  mora,  de  acordo  com  o  disposto  no  art.  35,  caput,  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  prevalecendo  a  mais  Fl. 592DF CARF MF Processo nº 13629.001014/2007­90  Acórdão n.º 9202­005.099  CSRF­T2  Fl. 1.054          5 benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio  Pinheiro Monteiro na questão da multa.    RE da Fazenda Nacional  Cientificada do acórdão, em 16/12/2011 (e­fl. 522), a Procuradoria Geral da  Fazenda Nacional, em 20/12/2011, manejou recurso especial de divergência ­ RE (e­fls. 525 a  538) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF  em duas matérias:  a) decadência pela contagem disposta no § º do art. 150 do CTN, em face da  presunção  de  existência  de  pagamentos  antecipados  de  verbas  não  reconhecidas  pela  contribuinte;  b) multa  em  face  da  retroatividade  benigna  com  aplicação  do  recálculo  da  multa de mora previsto no art. 35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei  nº 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica à contribuinte.  Traz por paradigmas os acórdãos: nº 2301­01.960, para a divergência do item  a), e nº 2401­00.120, para aquela do item b).  Para  o  item  a),  a  Procuradora  afirma  que  o  acórdão  paradigma  firmou  o  entendimento de que, para ser considerado pagamento antecipado, o recolhimento deve se referir  ao  fato  gerador  da  contribuição  reconhecido  pela  contribuinte,  e  não  havendo  recolhimento  antecipado  dessas  contribuições  previdenciárias  o  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  respectivo crédito  tributário  rege­se pelo contido no art. 173,1 do CTN. O recorrido, por sua  vez, adota a tese de que houve pagamento antecipado do tributo apesar de as verbas apuradas  pela fiscalização não terem sido reconhecidas pela contribuinte.  No tocante ao item b), a Procuradora se posiciona, verbis:  Assim, no lançamento de oficio, diante da falta de pagamento ou  recolhimento do  tributo e/ou falta de declaração ou declaração  inexata, são exigido, além do principal e dos juros moratórios,  os  valores  relativos  as  penalidades  pecuniárias  que  no  caso  consistirá  na multa  de oficio. A multa de  oficio  será  aplicada  quando  realizado  o  lançamento  para a  constituição do  crédito  tributário. A  incidência  da multa de mora,  por  sua  vez,  ficará  reservada  para  aqueles  casos  nos  quais  o  sujeito  passivo,  extemporaneamente,  realiza  o  pagamento  ou  o  recolhimento  antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente — o  que não foi o caso).  Pelas razões expostas requereu a Fazenda Pública que fosse admitido o RE,  bem  como  provido  para:  a)  que  se  reforme  o  acórdão,  aplicando­se  a  contagem  do  prazo  decadencial com base no disposto no art. 173,  inc.  I do CTN e b) que  também se  reforme a  decisão quanto ao cálculo da multa, com a disciplina do art. 35 ­A da Lei IV 8.212/91, se mais  benéfico.  Fl. 593DF CARF MF     6 O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda  Seção de  Julgamento do CARF, nos  termos  dos  arts.  68 do Regimento  Interno do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009,  por  meio  do  despacho  nº  2400­086/2012,  datado  de  23/01/2012,  às  e­fls.  558  a  563,  entendendo ele por lhe dar seguimento, para ambas as matérias, em face do cumprimento dos  requisitos regimentais.  Contrarrazões da contribuinte  A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 2403­00.807, do RE interposto  pela  Fazenda  Nacional  e  do  despacho  de  admissibilidade  nº  2400­086/2012,  por  meio  da  Comunicação DRF/CFN/Sacat,  nº  037  de  06/03/2012  (e­fl.  565),  em 08/03/2012  (e­fl.  567).  Manifestou  ­se  em  28/03/2012,  à  e­fl.  568,  mantendo  suas  razões  de  recurso  e  defesa  apresentadas em momentos anteriores.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  atende os demais  requisitos de admissibilidade e,  portanto, dele conheço.  O litígio aqui aceito trata de duas matérias: contagem de prazo decadencial e  retroatividade benigna na aplicação de penalidade.  Decadência  A  discussão  cinge­se  aos  períodos  de  apuração  objeto  de  lançamento  que  poderiam  estar  fulminados  pelo  efeito  decadencial,  ao  se  considerar  a  aplicação  do  art.  150,  §4º, do CTN ou, alternativamente, o art. 173, I do CTN. Como o lançamento foi cientificado à  contribuinte  em  21/10/2005,  está­se  discutindo  a  decadência  apenas  do  período  de  janeiro  a  dezembro de 2000.  A propósito, a decadência dos tributos lançados por homologação é questão  tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito  dos  antigos  Conselhos  de  Contribuintes,  e  agora  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço.  É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato  do  nosso Código Tributário Nacional  ­ CTN possuir  duas  regras  de decadência,  uma para  o  direito de constituir o crédito  tributário  (art. 173), e outra para o direito de não homologar o  pagamento  antecipado  de  certos  tributos  previstos  em  lei  (art.  150,  §4o).  Apesar  de  serem  situações  distintas,  o  efeito  atingido  é  o  mesmo,  pois,  uma  vez  homologado  tacitamente  o  pagamento,  o  crédito  tributário  estará  definitivamente  extinto,  não  se  permitindo  novo  lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos  nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data  no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou  no  dia  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal,  o  Fl. 594DF CARF MF Processo nº 13629.001014/2007­90  Acórdão n.º 9202­005.099  CSRF­T2  Fl. 1.055          7 lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do  fato gerador.  Pacificando  essa  discussão,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ,  órgão  máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150,  §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e  não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art.  173, nos demais casos. Veja­se a ementa do Recurso Especial nº 973.733 ­ SC (2007/0176994­ 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS  ARTIGOS  150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  Fl. 595DF CARF MF     8 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  7. Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (destaques do original)  Observe­se que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime  do art. 543­C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa  que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário.  A  Portaria  MF  no  152,  de  2016,  deu  nova  redação  ao  §  2º  do  art.  62  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela  Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação:  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  Desta  forma,  este  CARF  forçosamente  deve  abraçar  a  interpretação  do  Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada  nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência  de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos.   Para deslinde da questão,  na  situação  sob análise,  deve haver  convicção  de  que há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte  nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  destes  recolhimentos,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para  fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o da Lei no 5.172, de 1966  (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código  (no caso da inexistência de recolhimento). (Grifei)  A Fazenda Nacional alega que a contribuinte não teria realizado pagamentos  parciais relativamente aos fatos geradores lançados, pois nem mesmo reconhecia a existência  desses fatos geradores.  Com isso, a Fazenda Nacional conclui requerendo que a contagem do prazo  decadencial observe o disposto no artigo 173,  I,  do Código  tributário Nacional, para aquelas  competências  em  relação  às  quais  não  haja  efetiva  prova  de  antecipação  de  pagamento  devidamente acostada aos autos.  Entretanto, a Fazenda Nacional também não aponta inexistência de qualquer  recolhimento relativamente a contribuições relativas aos empregados ou prestadores de serviço,  Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13629.001014/2007­90  Acórdão n.º 9202­005.099  CSRF­T2  Fl. 1.056          9 apenas  relativamente  ao  Sr.  Marco  Antônio  Talarico  Cambraia,  pois  os  fatos  geradores  vinculados aos pagamentos a ele realizados é que não foram reconhecidos pela contribuinte.   Em cotejo aos autos, verifico uma importante informação, à e­fl. 176:   As bases de cálculo das contribuições devidas são apresentadas  no  'RL ­ Relatório de Lançamentos',  identificado com o número  da NFLD,  com  o  levantamento  "CSM — Caracterização  como  segurado empregado Marco Antônio".  Conclusivamente,  os  fatos  geradores  lançados  são  relativos  a  serviços  prestados,  caracterizados  como  relação  de  emprego  pela  fiscalização,  haja  vista  a  base  legal  citada  à  e­fl.  176  (art.  12,  inc.  I,  da  Lei  nº  8.212/1991).  Portanto,  para  atração  da  regra  decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, deve haver recolhimento parcial  de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  folha  de  pagamentos  e  sobre  pagamentos  a  contribuintes individuais, no período em questão.  Adicionalmente,  cumpre  referir  que  não  encontrei,  no  Relatório  de  NFLD,  afirmativa  de  ausência  de  recolhimentos  a  título  de  outros  empregados  ou  prestadores  de  serviço pessoas físicas.  Já, no relatório RDA (e­fls. 70 a 159), vemos informação de recolhimentos de  GPS, para o  estabelecimento 19.875.350/0001­20  (e­fls.  73  a 75),  em  todas  as  competências  que continuam em litígio no tocante à decadência do período de janeiro a dezembro de 2000.   Pelo  que  se  encontra  acima  apresentado,  verifica­se  prova  de  pagamento  antecipado de contribuição previdenciária em todos os períodos discutidos, sem que essa prova  tivesse sido refutada pela recorrente.  Destarte, quanto a esta matéria, pela verificação de recolhimento antecipado  em todas as competências em litígio, é de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda  Nacional, para manter a aplicação da regra decadencial insculpida no art. 150, § 4º, do Código  Tributário Nacional, determinada pela decisão recorrida.  Retroatividade benigna  Nessa matéria, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso  II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  Fl. 597DF CARF MF     10 c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De  inicio,  cumpre  registrar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  de  forma  unânime  pacificou  o  entendimento  de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade da  retroatividade benigna, não basta  a verificação da denominação atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta  do  Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão  de 23 de junho de 2016),  cuja  ementa  transcreve­se:  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ MULTA ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA.  A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  mesmo que referente a  fatos geradores anteriores a publicação  da referida lei, é de ofício.   AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à  Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava, para  a  situação em que ocorresse  (a)  recolhimento  insuficiente do  tributo  e  (b)  falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício,  acrescido  das multas  previstas  nos  arts.  35,  II,  e  32,  §  5o,  ambos  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz  remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar  (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  e (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação  da  retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores  no  sistema  de  cobrança,  a  fim  de  que,  em  cada  competência,  o  valor  da multa  aplicada  no  AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.   Fl. 598DF CARF MF Processo nº 13629.001014/2007­90  Acórdão n.º 9202­005.099  CSRF­T2  Fl. 1.057          11 Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão,  a  penalidade  anterior  à  vigência  da MP  449,  de  2008,  ultrapassar  a multa  do  art.  35­A da Lei  n°  8.212/91,  correspondente  aos  75%  previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal ­ deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época os dispositivos  legais aplicáveis  eram multa  ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo  da  fase  processual  do  débito)  e  art.  32  (100%  da  contribuição  devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o  Auto de infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   Fl. 599DF CARF MF     12 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  Fl. 600DF CARF MF Processo nº 13629.001014/2007­90  Acórdão n.º 9202­005.099  CSRF­T2  Fl. 1.058          13 do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  · Norma anterior,  pela  soma da multa aplicada nos moldes do  art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual,  pela aplicação da multa de  setenta e  cinco por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  Fl. 601DF CARF MF     14 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os  fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade  responsável pela execução do acórdão, quando do  trânsito em julgado administrativo, deverá  observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à aplicação  do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em  face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento.  Art.  3º A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o art.  35  da  Fl. 602DF CARF MF Processo nº 13629.001014/2007­90  Acórdão n.º 9202­005.099  CSRF­T2  Fl. 1.059          15 Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma  do art.  35­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os débitos pagos,  os parcelados,  os não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação  da Medida Provisória  nº  449,  de  3  de  dezembro  de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­ A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada  limitar­se­á  àquela  prevista  no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009.  Em  face  ao  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  para  que  a  retroatividade  benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de  2009.  Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  para,  no  mérito,  dar­lhe  provimento  parcial,  para  que  a  retroatividade  benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de  2009.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos  Fl. 603DF CARF MF     16                             Fl. 604DF CARF MF

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6503804 #
Numero do processo: 11080.723838/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Rocha Veiga - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 1.243          1 1.242  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.723838/2013­71  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1301­000.377  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  14 de setembro de 2016  Assunto  LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR  Recorrente  INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos  de  recurso  interposto  por  INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA.  RESOLVEM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.    (documento assinado digitalmente)  Waldir Rocha Veiga ­ Presidente    (documento assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa ­ Relator                     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 23 83 8/ 20 13 -7 1 Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.244          2   RELATÓRIO  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/Porto Alegre, às  fls.  1.163/1.177,  que  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  por  Industrial  e  Comercial Brasileira Ltda, para hostilizar autos de infração de IRPJ e CSLL.   Pela clareza do relatório do órgão a quo, às fls. 1.164/1.169, aproveito a ocasião  para reproduzi­lo, adotando­o, verbis:  “Trata o presente processo de exigências de imposto de renda da pessoa jurídica  (IRPJ)  e  contribuição  social  sobre  o  lucro  (CSLL),  referentes  a  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos­calendário  de  2008  e  2009,  conforme  autos  de  infração  de  fls.  1.003­1.031  e  relatório  da  ação  fiscal  de  fls.  1.032­1.049,  onde  consta  que  lucros  auferidos  no  exterior  não  foram  computados  na  apuração  do  lucro  real  e  na  base  de  cálculo da contribuição.  Relata o autuante (fl. 1.038):  “Em  síntese,  tem­se  que  a  Industrial  e  Comercial  Brasileira  Ltda.  possui,  conjuntamente com os demais sócios da Incobrasa Cayman Ltd., diversas operações na  área  do  processamento  de  soja  no  Estado  do  Illinois,  E.U.A.,  cujos  resultados  são  tributados nesse país de maneira unificada pela holding Incobrasa North America Ltd.,  subsidiária integral da Incobrasa Cayman Ltd., controlada pelo fiscalizado.  Dado esse panorama fático, adequadamente comprovado pelo contribuinte, cabe  verificar se o referido procedeu a (sic) apuração do IRPJ e da CSLL em observância  da legislação pertinente à matéria [...]  3.2 Da legislação aplicável  A  tributação  dos  lucros  auferidos  no  exterior,  segundo  o  Princípio  da  Universalidade  (tributação em bases mundiais)  foi disciplinada pela Lei n° 9.249, de  26 de dezembro de 1995, em seu artigo 25:  Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão  computados  na  determinação  do  lucro  real  das  pessoas  jurídicas  correspondente  ao  balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano.”  A  Lei  n°  9.532,  de  10  de  dezembro  de  1997  tratou  especificamente  da  disponibilização dos lucros em seu artigo 1º:  Art.  1°  Os  lucros  auferidos  no  exterior,  por  intermédio  de  filiais,  sucursais,  controladas  ou  coligadas  serão  adicionados  ao  lucro  líquido,  para  determinação  do  lucro  real  correspondente  ao  balanço  levantado  no  dia  31  de  dezembro  do  ano­ calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no  Brasil.  §  1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  os  lucros  serão  considerados  disponibilizados para a empresa no Brasil:  a)  no  caso  de  filial  ou  sucursal,  na  data  do  balanço  no  qual  tiverem  sido  apurados;  Em 10 de  janeiro de 2001, a Lei Complementar n° 104 alterou o artigo 43 do  Código  Tributário  Nacional  (Lei  n°  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966),  incluindo  o  parágrafo 2º, que assim determina:  Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.245          3 [...]  §2°  Na  hipótese  de  receita  ou  de  rendimento  oriundos  do  exterior,  a  lei  estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins  de incidência do imposto referido neste artigo.  Nesse passo, o artigo 74 da Medida Provisória n° 2.158­35, de 24 de agosto  de 2001, estabeleceu o momento da tributação dos lucros auferidos no exterior nos  seguintes termos:  Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da  CSLL,  nos  termos  do  art.  25  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  e  do  art.  21  desta  Medida  Provisória,  os  lucros  auferidos  por  controlada  ou  coligada  no  exterior  serão  considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do  balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento.(Grifou­se.)  Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até  31 de dezembro de 2001  serão considerados disponibilizados  em 31 de dezembro de  2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização  previstas na legislação em vigor.  No  que  diz  respeito  à  CSLL,  a  Lei  nº  7.689,  de  15  de  dezembro  de  1988,  prescreveu em seu artigo 2º;  [...]  Com o advento do art. 19 da Medida provisória nº 1.858­6, de 29 de  junho de  1999, passou a regrar a tributação, pela CSLL, de resultados auferidos no exterior:  19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam­se  à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os  arts. 25 a 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei n°  9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei n° 9.532, de 1997.  O dispositivo continuou nas  reedições dessa MP e está no art. 21 nº 2.158­35/  01, nos mesmos termos. Pela leitura dessa norma jurídica, resta evidente que a CSLL  segue o regime do IRPJ no que tange à matéria em foco.  Portanto, pelos preceptivos legais anteriormente transcritos, a partir de 2002 os  lucros auferidos no exterior passaram a ser considerados disponibilizados na data do  balanço  levantado pela  controlada/coligada,  devendo  ser  nessa  ocasião  computados  na determinação do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro líquido.(Grifou­ se.)  A  IN SRF nº  213,  de  7  de  outubro  de  2002,  por  sua  vez,  veio  regulamentar  a  aplicação da MP 2.158­35/01, dispondo em seu artigo 7º:  [...]  Valores apurados:  a) Em 2008 – R$ 14.474.623,89  O  fiscalizado  apurou  lucros  na  controlada  Incobrasa  Cayman  Ltd,  que  foram  integralmente  reconhecidos  em  sua  contabilidade  em  31/12/2008  por  meio  da  equivalência  patrimonial  (débito:  conta  1.02.2.01.0001  Incobrasa  Cayman  Ltd.  –  crédito: conta 313801 equivalência patrimonial – fl.901).  Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.246          4 Esse  valor  foi  excluído  na  apuração  do  lucro  real  a  título  de  equivalência  patrimonial sobre resultados auferidos no exterior. Diz o autuante:  [...]  conforme  exposto  no  item  3.2  supra,  o  art.  74  da  MP  2.158­35/01  e  a  legislação  de  regência  consideram  disponibilizados  para  a  controladora  os  lucros  auferidos por controlada exterior na data do balanço no qual  tiverem sido apurados.  Assim,  esses  resultados  positivos,  além  de  deverem  ser  incluídos  no  cálculo  de  equivalência  patrimonial  do  investimento  na  escrituração  da  controladora,  não  são  passíveis de serem excluídos da apuração do lucro real, ao contrário do que procedeu  o fiscalizado, pois dele são parte integrante.  b) Em 2009 – R$ 13.588.900,02  Relata o autuante:  [...]  na  apuração do  lucro  real  do  ano­calendário  2009 o  contribuinte  excluiu  somente a equivalência patrimonial do resultado do investimento no exterior, calculada  erroneamente  como  sendo  de  R$  13.588.900,02,  devido  ao  uso  de  taxas  PTAX  de  compra (R$ 1,7404), e não de venda (R$ 1,7412), de maneira similar ao já ocorrido no  exercício  anterior.  Pelas  mesmas  razões  já  abordadas  no  exame  do  ano­calendário  2008,  tal exclusão foi indevida, por  ter sido efetuada em desacordo com a  legislação  regente  da matéria,  discriminada no  item 3.2 deste Relatório, motivo  pelo  qual  deve  esse valor de R$ 13.588.900,02 ser adicionado ao lucro real anual.  3.3.4. Do imposto pago no exterior  O contribuinte trouxe, no curso deste procedimento, documentos comprobatórios  do pagamento do imposto de renda federal e estadual no exterior sobre os resultados  da Incobrasa North America, apurados em conformidade com as declarações prestadas  aos Fiscos norte­americanos ver fls. 381/451 e 574/631.  Sobre  a  compensação  do  IRPJ  a  ser  pago  no  Brasil  com  os  pagamentos  efetuados no exterior, reza o art. 26 da Lei n° 9.249/95:  Art. 26. A pessoa  jurídica poderá compensar o  imposto de  renda  incidente, no  exterior, sobre os  lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real,  até  o  limite  do  imposto  de  renda  incidente,  no  Brasil,  sobre  os  referidos  lucros,  rendimentos ou ganhos de capital.  De acordo com o dispositivo supra referenciado, c/c o art. 25 da mesma lei, mais  acima  transcrito,  os  lucros  auferidos  no  exterior,  disponibilizados  ou  considerados  disponibilizados  pela  controlada  para  a  controladora  situada  no  Brasil,  devem  ser  adicionados na apuração do lucro real pelo valor antes da subtração do tributo pago  no exterior. Logo, o tributo pago no exterior compõe o lucro disponibilizado ou o lucro  considerado  disponibilizado  para  a  controladora  no  Brasil,  para  efeito  de  base  de  cálculo do IRPJ e da CSLL.  Esse tributo pago no exterior, desde que atendida a legislação de regência, pode  ser compensado com o tributo apurado no Brasil sobre o lucro. A Lei n° 9.532/97, no §  4º do seu art. 1o, estabeleceu um limite temporal para o aproveitamento, no Brasil, do  imposto pago no exterior:  § 4o Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de  1995,  relativos  a  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior,  somente  serão  compensados  com  o  imposto  de  renda  devido  no Brasil  se  referidos  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  forem  computados  na  base  de  cálculo  do  Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.247          5 imposto,  no  Brasil,  até  o  final  do  segundo  ano­calendário  subsequente  ao  de  sua  apuração. (Grifou­se.)  Note­se  que  o  texto  é  claro  ao  afirmar  que  os  créditos  de  imposto  de  renda  incidentes  no  exterior  só  podem  ser  compensados  se  referidos  lucros  forem  "computados  na  base  de  cálculo  do  imposto,  no  Brasil,  até  o  final  do  segundo  ano­ calendário subsequente ao de sua apuração".  Posteriormente,  o  artigo  74  da  MP  n°  2.158­35/01  determinou  que  os  lucros  seriam considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço do ano  em que foram auferidos.  Considerando  a  mudança  na  legislação,  primeiro  conclui­se  que,  a  partir  de  2002,  os  lucros  auferidos  no  exterior  devem  ser  computados  na  base  de  cálculo  do  imposto de  renda no dia 31 de dezembro do respectivo ano­calendário de apuração.  Segundo, que a compensação com o pagamento efetuado no exterior é um direito que  pode  ser  exercido, ou não, pela  controladora/coligada  sediada no Brasil. O  texto do  artigo  26  da  Lei  nº  9.249/95  é  claro  quando  dispõe  que  “a  pessoa  jurídica  poderá  compensar o imposto de renda incidente, no exterior (...)”. [...]  Quando o contribuinte deixou de cumprir com seu dever de oferecer os lucros  auferidos no exterior na determinação do imposto de renda devido nos dias 31/12/08  e 31/12/09, deixou, de outra parte, de exercer seu direito à compensação. Repita­se, o  fiscalizado não computou os lucros auferidos e apurados no exterior na base de cálculo  do  imposto  de  renda  devido  no  Brasil,  passados  mais  de  dois  anos  de  sua  disponibilização, não havendo observado, por conseguinte, os ditames do art. 74 da  MP  n°  2.15835/01  c/c  o  art.  1º,  §  4º  da  Lei  n°  9.532/97.  Muito  pelo  contrário,  expressamente  os  excluiu  dessa  base  de  cálculo,  conforme  demonstrado  no  presente  lançamento  de  ofício  e  atestado  nos  registros  dos  LALUR  e  das  DIPJ  dos  anos­ calendário 2008 e 2009.  Não exercido esse direito à compensação pelo fiscalizado no mencionado prazo  bienal,  não  há  permissivo  legal,  por  outro  lado,  para  que  essa  compensação  seja  realizada por esta fiscalização, em sede de constituição de crédito tributário via auto  de infração. (Grifou­se.)”  Impugnação às fls. 1.059/1.155.    Decisão de primeira instância assim ementada:  “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2008, 2009  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.  Possuindo  o  auto  de  infração  todos  os  requisitos  necessários  à  sua  formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não  forem  verificados  os  casos  taxativos  enumerados  no  art.  59  do  mesmo  decreto, o lançamento não é nulo.  CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE.  A autoridade  administrativa,  por  força de  sua vinculação ao  texto da norma  legal  e  ao  entendimento  que  a  ele  dá  o  Poder  Executivo,  deve  limitar­se  a  aplica­la,  sem  emitir  qualquer  juízo  de  valor  acerca  da  sua  legalidade,  constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.248          6 Anocalendário: 2008, 2009  IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO.  O direito de compensar o imposto de renda incidente no exterior sobre o lucro  auferido  por  controlada  com o  imposto  de  renda  incidente  no  país  sobre  os  referidos lucros é condicionado a que esse direito seja exercido até o final do  segundo ano­calendário subsequente ao de sua apuração.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2008, 2009  MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE.  Tratando­se  de  lançamento  de  ofício  decorrente  de  infração  ao  dispositivo  legal detectado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora,  é legítima a cobrança de multa punitiva correspondente.  LANÇAMENTO  DECORRENTE.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO LÍQUIDO CSLL.  A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica­se ao lançamento  decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão  diversa.”   Ciência da decisão de primeira instância no dia 24/09/2013, às fls. 1.182/1.183.  Recurso  a  este  Colegiado  com  entrada  na  repartição  de  origem  no  dia  23/10/2013,  às  fls.  1.182/1.228. Nesta oportunidade, aduz o seguinte  1)  DESCRIÇÃO DOS FATOS:   Após  descrever  as  atividades  desenvolvidas,  declara  que  atendeu  todas  as  intimações da Fiscalização, em especial as que concernem às diversas operações que mantém,  em conjunto  com os demais  sócios da  Incobrasa Cayman Ltd.,  na área de processamento de  soja,  no  Estado  de  Illinois,  nos  Estados Unidos  da América,  cujos  resultados  são  tributados  naquele  pais,  de  maneira  unificada,  pela  holding  Incobrasa  North  America  Ltd,  subsidiária  integral da Incobrasa Cayman Ltd.  Em face do exposto no parágrafo anterior, manifesta que comprovou tudo o que  fora solicitado pela Fiscalização, segundo o relato do próprio autuante, o qual equivocadamente  entendeu, porém, que teria decaído o direito de compensar o imposto de renda pago no exterior  com  o  tributo  apurado  no  Brasil  sobre  o  lucro  –  compensação  não  exercida  até  o  final  do  segundo ano­calendário subsequente à apuração do lucro. Assim, não obstante o imposto pago  no exterior, por sua controlada  Incobrasa North América Ltd, no valor de R$ 14.474.623,89,  conforme  prova  idônea  e  cabal  acostada  aos  autos  (bem  superior  ao  devido  no  Brasil),  o  autuante não admitiu a compensação dessa importância sob o inaceitável pretexto “de ter sua  exclusão da base de cálculo se dado de forma errada (mera obrigação acessória) na DIPJ e/ou  Lalur”.  2)  A EXPOSIÇÃO DO DIREITO   2.1) Erro de interpretação na forma de cumprimento de obrigação acessória não  acarreta perda do direito à compensação de  imposto pago no exterior – auto de  infração que  viola expressos dispositivo legais é improcedente.  Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.249          7 O cerne de  toda  a  controvérsia,  como  já debatido na  impugnação,  consiste no  direito da Recorrente à compensação do imposto de renda pago no exterior. Como se verifica  do relato fazendário, efetivamente houve erro na forma de cumprimento de obrigação acessória  ou  (dever  administrativo,  como  quer  uma  parte  da  doutrina).  Por  exemplo,  em  relação  ao  exercício de 2009, ano­calendário de 2008, quando da apuração do IRPJ e da CSLL, os lucros  auferidos no exterior não foram computados na base de cálculo desses tributos, no Brasil. Por  isso,  ao  invés  de  lucro,  apurou­se  prejuízo,  o  que  inviabilizava  a  compensação,  independentemente de prazo, dos créditos do imposto de renda de que trata o artigo 26 da Lei  n.° 9.249/95. Obviamente, só poderia exercer esse direito (compensação) caso apurasse lucro, o  que não aconteceu por força do erro de escrituração cometido no preenchimento da DIPJ 2009,  precisamente nas Fichas 09 A ­ Demonstração do Lucro Real ­ PJ em Geral, e 17 ­ Cálculo da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  respectivamente.  E,  por  decorrência  lógica,  especificamente em relação ao IRPJ, no que se refere ao preenchimento da Ficha 12A ­ Cálculo  do Imposto de Renda sobre o Lucro Real ­ PJ em Geral.  No entanto, tal erro material não pode conduzir o Fisco a exigir da Recorrente o  pagamento daqueles tributos, já que, refeita a escrituração, determinando­se o lucro tributável  e, daí, o IRPJ e CSLL a pagar, assoma­se o direito de compensar o valor do imposto de renda  pago no exterior. E não poderia ser de outra forma, pois inexiste lesão aos cofres da Fazenda  Nacional.   Além disso,  não houve dolo,  fraude ou  simulação,  até porque  todo o valor do  imposto e da contribuição, apurado no País, já havia sido pago integralmente no exterior.  Desse  modo,  não  se  deve  considerar  inadimplemento  o  erro  cometido  no  preenchimento de fichas da DIPJ e no Lalur. Inconcebível, pois, pretender­se, como sustentado  no  auto  de  infração,  e  confirmado  pelo  acórdão  recorrido,  punir  cruelmente  a  Recorrente,  condenando­a a pagar R$ 13.198.331,94, simplesmente porque não promoveu adequadamente  a escrituração de livros fiscais (mais precisamente as fichas já referidas).  2.2) Erro no  cumprimento de obrigação  acessória não  autoriza a  lavratura de  auto de infração ­ prevalência da verdade material sobre a verdade formal.  Em  qualquer  situação,  no  âmbito  do  Direito  ­  e  o  Direito  Tributário  não  é  exceção ­ a verdade material deverá prevalecer sempre sobre a verdade formal. Logo, se a lei  autoriza o contribuinte a compensar, no cálculo do IRPJ devido no País, a quantia que a esse  título foi paga no exterior, não há de ser um simples erro na escrituração de fichas de DIPJ e  Lalur que vai impedir o exercício desse direito legítimo. Na verdade, o auditor autuante tem o  dever de retificar as fichas referidas, de acordo com os critérios legais, para depois conferir se  existe ou não imposto a pagar. Portanto, uma mera diligência fiscal resolve qualquer dúvida.  O  fundamental  para  o  deslinde  da  controvérsia  é  a  essência  do  direito  da  Recorrente e não a  forma  (errada)  como foi exercido. Basta, pois,  retificarem­se os  registros  efetuados na DIPJ 2009.   Ademais,  o  referido  erro,  ocorrido no momento do  cumprimento da obrigação  acessória  (prestar  informações  no  interesse  da  arrecadação  e  da  fiscalização  dos  tributos),  precisamente  no  preenchimento  da DIPJ  de  2009  e  2010,  não  acarretou  lesão  aos  cofres  da  União,  pois  o  IRPJ  e  a  CSLL  devidos  foram  integralmente  pagos  no  exterior,  inclusive  em  Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.250          8 valores  superiores  aos  que,  no  País,  são  apontados  no  auto  de  infração  como  supostamente  devidos.  2.3) Da  nulidade  do  lançamento  de  ofício,  em  face  da  constatação  de  erro  no  preenchimento  da  DIPJ,  isto  é,  do  adequado  cumprimento  da  obrigação  acessória  (dever  de  informar).  Segundo  o  artigo  142  do  CTN,  compete  privativamente  à  autoridade  administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento. O CTN define, ainda, que o  lançamento  como  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria  tributável, calcular o montante do  tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade  cabível.   Por outro lado, inegável a sua acepção de ato jurídico, como produto jurídico do  procedimento.  Neste  aspecto,  destaca­se  o  conceito  claramente  descrito  pela  Professora  Misabel  Abreu,  segundo  a  qual  "o  lançamento  é  ato  jurídico  administrativo  vinculado  e  obrigatório  de  individuação  e  concreção  da  norma  tributária  ao  caso  concreto  (ato  aplicativo),  desencadeando  efeitos  confirmatórios­extintivos  (no  caso  de  homologação  do  pagamento) ou conferindo exigibilidade ao direito de crédito que lhe é preexistente para fixar­ lhes os termos e possibilitar a formação do título executivo.”  Entretanto,  o  lançamento  fiscal,  como qualquer  outro  ato  administrativo,  pode  conter erros. Estes, por sua vez, podem decorrer da apreensão defeituosa do complexo factual  (erro  de  fato)  ou  mesmo  da  solução  jurídica  equivocada  do  problema  que  esse  contexto  provoca (erro de direito).   Independentemente da gravidade e da substância do erro, fato é que, quando este  se afigura, não pode produzir efeitos.  É  possível  a  revisão  do  lançamento,  independentemente  de  ter  havido  erro  de  fato ou erro de direito por parte do agente administrativo. Nesses casos, deve ser efetuado novo  lançamento tributário, que derrogará o primeiro, o incorreto  Assim,  o  lançamento  eivado  de  nulidade  deve,  sempre,  ser  desconstituído,  independentemente da  possibilidade  de  se  efetuar  a  revisão.  Se  for  possível  tal  revisão,  será  imprescindível novo lançamento, desde que dentro do lapso decadencial.   A  edição  de  novo  lançamento,  ou  seja,  a  alteração  de  ofício  do  lançamento  fiscal, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, só é admissível nas restritas hipóteses  previstas  no  artigo  149  do  CTN,  dentre  elas  a  falsidade,  a  omissão  ou  a  inexatidão  comprovadas; o erro ou a omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária  como sendo de declaração obrigatória; e o fato não conhecido ou não provado, por ocasião do  lançamento anterior.   A  errônea  apuração  do  “saldo”  do  IRPJ  e  da  CSLL  a  pagar,  no  presente  processo,  será  determinante  à  decretação  de  sua  nulidade,  por  certo,  sendo  que  a  exigência  fiscal acertada requer a realização de um novo lançamento.  Nestes autos, o autuante utilizou tão somente a totalidade dos valores oriundos  do reconhecimento do registro contábil da receita da equivalência patrimonial, decorrente dos  Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.251          9 investimentos  detidos  pela Recorrente no  exterior,  para base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL  relativamente aos períodos objeto do lançamento, deixando de considerar, todavia, os efetivos  recolhimentos  (pagamentos  integrais  dos  tributos,  efetuados  no  exterior,  sobre  dita  receita  tributável,  sobejamente  por  ela  comprovados  documentalmente).  Ou  seja,  não  aproveitou  o  valor  do  que  havia  sido  pago  anteriormente  para  compensar  o  tributo  devido.  Clama­se,  no  ponto, pelo apoio da verdade material.  Em  suma,  o  erro  no  preenchimento  da DIPJ,  por  ocasião  da  determinação  da  base  de  cálculo  do  tributo  e  da  contribuição  social  e/ou  quando  da  apuração  do  "saldo"  do  tributo e da contribuição social a pagar, implica em nulidade do lançamento de ofício realizado.  Assim,  a  cobrança  (consubstanciada em  lançamento de oficio,  através de auto de  infração),  isto é, a pretendida exigência de recolhimento do IRPJ e da CSLL somente poderá ocorrer, em  primeiro  lugar,  se  ainda  remanescer  saldo desses  tributos a pagar,  e,  em  segundo  lugar,  se o  agente fiscal efetuar novo lançamento, no prazo decadencial.  No  caso  dos  presentes  autos,  não  se  pode  configurar  como  inadimplemento  o  apontado  erro  no  cumprimento  de  obrigação  acessória  (erro  no  preenchimento  de  fichas  da  DIPJ/LALUR)  tendo em conta que a totalidade do débito do IRPJ e da CSLL, regularmente,  foi pago, na forma da lei, em valor maior que o efetivamente devido.   Com  efeito,  inconcebível  pretender,  como  almeja  a  Fiscalização,  condenar  a  Recorrente  a  pagar  vultosa  soma  de  dinheiro,  simplesmente  porque,  no  cumprimento  da  obrigação acessória  (dever de  informar, através da declaração  fiscal), por erro, não procedeu  adequadamente o preenchimento das suas DIPJ de 2009 e 2010 e o Lalur.  Conclui­se,  pois,  que,  nos  presentes  autos,  não  há  (como  quer  fazer  crer  a  Fiscalização) receita tributável omitida e, por conseqüência, saldo do IRPJ e da CSLL a pagar.  Ademais,  não  se  restituiu  à  Recorrente  o  valor  que  fora  pago  a  maior  no  Exterior, nos termos do artigo 395 do RIR/99.Também verifica­se que a Recorrente perdeu o  direito de deduzir o prejuízo fiscal decorrente das despesas necessárias à plena consecução de  seu objeto social, efetivamente pagas no País.  3)  AUTO  DE  INFRAÇÃO  INEFICAZ  –  OFENSA  A  PRINCÍPIOS  E  CRITÉRIOS  ESTABELECIDOS  PELA  LEI  N°  9.784/99  –ABUSO  DO  DIREITO  DE  AUTUAR  –  DESRESPEITO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  E  À  MORALIDADE  ADMINISTRATIVA, ENTRE OUTROS.  Percebe­se, de forma gritante, que, no  lançamento de ofício ora  impugnado, o  autuante não obedeceu a todos os princípios e critérios expressamente estabelecidos no artigo  2º, caput,  e  §  único  da Lei  n°  9.784/1999. Nesse  rumo,  ao  invés  de  orientar  a Recorrente  a  retificar  as  fichas da DIPJ  e do Lalur,  optou pelo  caminho mais  cômodo e  cruel,  fiscalista e  perverso, da autuação, por meio da qual,  além do  imposto de renda já pago no exterior, em  valor bem mais elevado do que o devido no País, pretende cominar a multa de 75%.   Em  tais  situações,  em  que  se  veem  simples  divergências  de  critérios  interpretativos, no que concerne à escrituração de fichas da DIPJ e LALUR, a autuação implica  grave  oposição  ao  princípio  da  segurança  jurídica. E,  simetricamente,  torna­se  manifesta  a  violação do princípio da moralidade objetiva do Fisco, uma vez que tal conduta surpreende o  contribuinte com a lavratura de cruel auto de infração, antes da imprescindível orientação. Daí  Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.252          10 a  ilegalidade  do  auto  de  infração,  por  oposição  a  importantes  princípios  que  regem  a  Administração Pública.  É  de  se  ressaltar  que,  no  caso  em  lide,  a  Recorrente  respondeu,  pronta  e  tempestivamente,  todos  pedidos  de  esclarecimentos  feitos  pelo  Fisco,  apresentando­lhe  os  documentos solicitados, sem que por este qualquer objeção tenha sido oposta à prova idônea e  cabal  ofertada.  Nada  foi  omitido  à  Fiscalização;  pelo  contrário,  justamente  os  livros,  declarações, fichas e fornecidos pela Recorrente possibilitaram ao autuante a conclusão de que  todo  o  recolhimento  do  tributo  devido  ao  Erário  foi  realizado,  inclusive  aquele  pago  no  Exterior, em montante superior ao incidente no País.  É  absolutamente  inadmissível  e  repudiável,  pois,  que  um  auditor  da  Receita  Federal do Brasil, pago com dinheiro do contribuinte, primeiro para orientá­lo e só depois para  autuá­lo, não seja antes de tudo ético e defensor da moralidade. Por isso, foi com perplexidade  absoluta  que  a  Recorrente  recebeu  o  presente  auto  de  infração,  por meio  do  qual  se  está  a  exigir­lhe  esse  estratosférico,  cruel  e  impagável  crédito,  no  valor  de  R$  13.198.331,94,  lastreado  apenas  em  divergência  de  interpretação  ­  ou  erro  ­  no  cumprimento  de  obrigação  acessória, que consiste, no caso, na escrituração de fichas da DIPJ e do Lalur.  4)   A VIOLAÇÃO AO POSTULADO DA BOA FÉ.  Sempre oportuno lembrar que, em Direito Tributário, a boa fé se manifesta entre  servidor  público  e  contribuinte.  Está,  pois,  relacionada  à  previsibilidade  dos  atos  administrativos,  o  que  significa  que  a  Fiscalização  não  pode  adotar  atos  contraditórios,  que  surpreendam o contribuinte, impedindo­o de agir adequadamente e com segurança.   A  propósito,  a  boa  fé  sempre  se  presume  a  favor  do  contribuinte,  cabendo  à  Fiscalização o ônus da prova em contrário. Ainda mais no caso em lide,  repita­se, no qual o  valor do imposto de renda, comprovadamente pago no exterior pela empresa Incobrasa Ltd., foi  objeto  de  compensação  questionada  pelo  autuante,  baseando­se  no  fato  de que  determinadas  fichas  da  DIPJ  e  Lalur  haviam  sido  preenchidas  segundo  critérios  que,  pela  ótica  do  Fisco,  seriam equivocados.  5) O DESRESPEITO AO CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE.  A  espécie  de  punição  que  se  quer  impor  à  Recorrente,  além  de  ilícita,  não  é  proporcional. Isso porque há prova cabal e idônea, aceita expressamente pelo Fisco, de que o  imposto de renda pago no exterior  (em valor muito  superior ao do mesmo  tributo devido no  País) foi deduzido com fundamento no § 4o, do artigo 1º da Lei n° 9.532/1997. O fato de uma  obrigação acessória não ter sido, na óptica fiscal, devidamente cumprida, não pode impedir que  a  Recorrente  exerça  o  seu  legítimo  direito  à  compensação,  como  também  não  pode  fundamentar a aplicação de uma multa de 75%, mormente em face da constatação de que não  houve prejuízo ao Erário.  6) O DESRESPEITO AO CRITÉRIO DA ADEQUAÇÃO ENTRE MEIO E  FIM.  Chama  atenção,  entre  outros  critérios  estabelecidos  pelo  artigo  2º,  caput  e  §  único, da Lei n° 9784/99, a falta de adequação entre meios e fins, predominante na lavratura do  auto de infração. De fato, por não concordar com a forma pela qual a obrigação acessória foi  cumprida pela Recorrente (ao preencher fichas da DIPJ e do Lalur), o autuante, omitindo­se n  Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.253          11 dever de orientá­la, optou pelo critério danoso e  cruel de cobrar de novo o  imposto  já pago,  acrescido  da  multa  de  75%,  agredindo  assim,  de  forma  gritante,  o  critério  da  proporcionalidade.  7) A VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO QUE VEDA O CONFISCO.    Primeiramente,  cumpre  ressaltar,  embora  óbvio,  que,  uma  vez  descumprida,  deixa  de  haver  obrigação  acessória,  surgindo,  disso,  a  possibilidade  de  constituição  de  um  crédito  tributário,  com  conteúdo  patrimonial,  sujeito  a  controle  pelo  princípio  do  não  confisco.  Tal  se  aplica  no  caso  em  lide,  porquanto,  com  o  alegado  descumprimento da obrigação acessória, exige­se da Recorrente o cumprimento da obrigação  principal.  8) SÍNTESE  Em  qualquer  situação,  no  âmbito  do  Direito,  a  verdade  material  deverá  prevalecer sempre sobre a verdade formal. Logo, se a lei autoriza o contribuinte a deduzir do  IRPJ e da CSLL devidos no País as quantias as esses títulos pagas no exterior, um simples erro  na  escrituração  de  fichas  de  DIPJ  e  LALUR  não  deve  impedir  o  exercício  desse  direito  legítimo, diversamente do decidido pelo acórdão recorrido. Na verdade, o autuante tem o dever  de retificar as fichas referidas para, somente depois, de acordo com os critérios legais, conferir  se existe ou não imposto a pagar.  Diante de  todo o exposto,  requer  seja conhecido e provido o presente  recurso,  com vistas a ser julgado nulo o auto de infração, ou se outro o entendimento, que, em face da  constatação  dos  erros  nos  preenchimentos  das  ditas  DIPJ,  seja  baixado  o  processo  em  diligências para, retificadas as DIPJ dos anos­calendário de 2009 e 2008, o autuante refazer os  lançamentos de ofício, caso a Recorrente, ainda assim, figure como devedora de IRPJ e CSLL.  É o relatório.                          Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.254          12   VOTO  Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator.  Conheço do Recurso, observados os requisitos de admissibilidade.  Como assinala a Recorrente, o cerne de toda a controvérsia consiste no direito à  compensação do imposto de renda pago no exterior.  No  ponto,  é  preciso  concentrar  a  atenção  no  seguinte  trecho  do  Relatório  de  Ação Fiscal, às fls. 1.046/1.048:   "O  contribuinte  trouxe,  no  curso  deste  procedimento,  documentos  comprobatórios do pagamento do imposto de renda federal e estadual no exterior sobre  os  resultados  da  Incobrasa  North  America,  apurados  em  conformidade  com  as  declarações prestadas aos Fiscos norte­americanos ­ ver fls. 381/451 e 574/631.   Sobre a compensação do IRPJ a ser pago na Brasil com os pagamentos efetuados  no exterior, reza o art. 26 da Lei n° 9.249/95:  "Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o  imposto de renda  incidente, no  exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até  o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos  ou ganhos de capital."  De acordo com o dispositivo supra referenciado, c/c o art. 25 da mesma lei, mais  acima  transcrito,  os  lucros  auferidos  no  exterior,  disponibilizados  ou  considerados  disponibilizados  pela  controlada  para  a  controladora  situada  no  Brasil,  devem  ser  adicionados na apuração do lucro real pelo valor antes da subtração do tributo pago no  exterior. Logo,  o  tributo  pago  no  exterior  compõe o  lucro  disponibilizado  ou o  lucro  considerado  disponibilizado  para  a  controladora  no  Brasil,  para  efeito  de  base  de  cálculo do IRPJ e da CSLL.   Esse tributo pago no exterior, desde que atendida a legislação de regência, pode  ser compensado com o tributo apurado no Brasil sobre o lucro. A Lei n° 9.532/97, no §  4o do seu art. 1º, estabeleceu um limite temporal para o aproveitamento, no Brasil, do  imposto pago no exterior:  "§ 4º Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de  1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente  serão  compensados  com  o  imposto  de  renda  devido  no  Brasil  se  referidos  lucros,  rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no  Brasil, até o final do segundo ano­calendário subsequente ao de sua apuração."  Note­se  que  o  texto  é  claro  ao  afirmar  que  os  créditos  de  imposto  de  renda  incidentes  no  exterior  só  podem  ser  compensados  se  referidos  lucros  forem  "computados  na  base  de  cálculo  do  imposto,  no  Brasil,  até  o  final  do  segundo  ano­ calendário subsequente ao de sua apuração".  Posteriormente,  o  artigo  74  da  MP  n°  2.158­35/01  determinou  que  os  lucros  seriam considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço do ano em  que foram auferidos.  Considerando a mudança na legislação, primeiro conclui­se que, a partir de 2002,  os lucros auferidos no exterior devem ser computados na base de cálculo do imposto de  renda no dia 31 de dezembro do respectivo ano­calendário de apuração. Segundo, que a  Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.255          13 compensação  com  o  pagamento  efetuado  no  exterior  é  um  direito  que  pode  ser  exercido, ou não, pela controladora/coligada sediada no Brasil. O texto do artigo 26 da  Lei  n°  9.249/95  é  claro  quando  dispõe  que  "a  pessoa  jurídica  poderá  compensar  o  imposto de renda incidente, no exterior (...)". A compensação tratada neste dispositivo  não é compulsória, cabendo ressaltar que o direito ao crédito é considerado disponível,  podendo ser exercido ou não por seu titular.  Quando o  contribuinte  deixou  de  cumprir  com  seu  dever  de  oferecer  os  lucros  auferidos no exterior na determinação do imposto de renda devido nos dias 31/12/08 e  31/12/09,  deixou,  de  outra  parte,  de  exercer  seu  direito  à  compensação.  Repita­se,  o  fiscalizado não computou os lucros auferidos e apurados no exterior na base de cálculo  do  imposto  de  renda  devido  no  Brasil,  passados  mais  de  dois  anos  de  sua  disponibilização, não havendo observado, por conseguinte, os ditames do art. 74 da MP  n°  2.158­35/01  c/c  o  art.  1º,  §  4º  da  Lei  n°  9.532/976.  Muito  pelo  contrário,  expressamente  os  excluiu  dessa  base  de  cálculo,  conforme  demonstrado  no  presente  lançamento  de  ofício  e  atestado  nos  registros  dos  LALUR  e  das  DIPJ  dos  anos­ calendário 2008 e 2009.  Não exercido esse direito à compensação pelo fiscalizado no mencionado prazo  bienal,  não  há  permissivo  legal,  por  outro  lado,  para  que  essa  compensação  seja  realizada por esta fiscalização, em sede de constituição de crédito tributário via auto de  infração."  Censura­se  a  conclusão  equivocada  do  autuante,  que  desprezou  a  razão  subjacente do preceito inscrito no § 4º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997. Com efeito, a Lei nº  9.532/1997 prescreveu que os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais,  coligadas e  controladas,  devem ser  tributados no Brasil no período­base  em que se  tornarem  disponíveis à pessoa jurídica domiciliada no território nacional.  Coube ao § 1º do artigo 1º da  lei  acima mencionada estabelecer que os  lucros  passaram a ser considerados disponíveis:  a)  às filiais e sucursais da pessoa jurídica no Brasil, na data  do balanço em que ocorrer sua apuração;  b)  às controladas e coligadas, na data do pagamento ou do  crédito  em  conta  representativa  de  obrigação  da  pessoa  jurídica no exterior.  O § 4º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997 visava à antecipação do oferecimento à  tributação  sobre  os  lucros  auferidos  no  exterior  pelas  coligadas  e  controladas  de  pessoas  jurídicas domiciliadas no Brasil. Isso porque a tributação a incidir sobre esses lucros, no Brasil,  se subordinava à prévia ocorrência do pagamento ou do crédito dos lucros apurados. Portanto,  ao  se  fixar  um  prazo  para  a  compensação  do  tributo  pago  no  exterior,  incentivou­se  a  antecipação da disponibilização e, por conseqüência, da tributação, no Brasil, sobre os lucros  obtidos pelas coligadas e controladas.  No  entanto,  esse  cenário  se  alterou  com  o  advento  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35, porquanto, desde então,  conforme o disposto em seu artigo 74, os  lucros apurados  pelas coligadas e controladas no exterior são considerados disponíveis à controlada ou coligada  no Brasil na data do balanço em que forem apurados.  Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.256          14 Como se pode inferir, a disciplina instituída com a MP nº 2.158­35 eliminou a  distinção entre  filiais e  sucursais, de um  lado, e coligadas e controladas,  de outro, quanto ao  momento em que os lucros auferidos no exterior são considerados disponíveis à pessoa jurídica  domiciliada no Brasil. Em  todos  esses  casos,  os  lucros  são  distribuídos,  por  ficção  legal,  na  data do balanço de sua apuração.  Nesses termos, o § 4º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997 perdeu sua razão de ser a  partir da alteração produzida pelo artigo 74 da MP nº 2.158­35. Tanto é assim que os artigos 14  e 15 da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 não reproduzem o lapso temporal constante do §  4 º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997.  A propósito, o programa “Perguntas e Respostas” relativo ao ano­calendário de  2016,  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  confirma  que  a  IN  SRF  nº  213/2012  manifesta o entendimento referido no parágrafo anterior,  conforme resposta nº 7 do Capítulo  IX – Resultados Não Operacionais:  “4) O art. 1º, § 4º, da Lei nº 9.532, de 1997, dispõe que o imposto de renda incidente  sobre  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior  somente  será  compensado com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos  e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o  final do segundo ano­calendário subsequente ao de sua apuração. No entanto, de acordo  com a MP nº 2.158­35, de 2001, art. 74, os lucros auferidos por controlada ou coligada  no  exterior  serão  considerados  disponibilizados  para  a  controladora  ou  coligada  no  Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. A compensação do imposto de  renda pago no exterior passou a ser disciplinada nos arts. 14 e 15 da IN SRF nº 213, de  2002.” (grifei)     A mesma  disciplina  normativa  sobre  a  tributação  em  bases  universais  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas  foi  estendida  à  CSSL,  de  acordo  com  o  preceito  do  artigo 21 da MP nº 2.158­35. Também o artigo 74 dessa MP fixou que, para fins de incidência  da  CSLL,  em  consonância  com  o  citado  artigo  21,  os  lucros  auferidos  por  coligada  ou  controlada  no  exterior  são  considerados  disponíveis  à  controladora  ou  coligada  no Brasil  na  data em que forem apurados.  O desaparecimento da razão de ser do § 4º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997, em  função da disciplina normativa introduzida pelos artigos 21 e 74 da MP nº 2.158­35, explica a  recente revogação do indigitado dispositivo pela Lei nº 12.973/2013.  Assim,  não  havia  razão  para  a  negativa  da  compensação  do  tributo  pago  no  exterior.  Uma vez afastado o óbice referente ao prazo para compensação do tributo pago  no exterior, exsurge a questão relativa à matéria fática constante dos autos. A esse respeito, é  preciso  apontar  para  o  comportamento  cooperativo  da  fiscalizada,  que,  em  atendimento  à  Fiscalização,  apresentou  o  seguinte  rol  de  documentos  citados  à  fl.  1.037,  devidamente  traduzidos para o vernáculo aqueles escritos originalmente em Inglês:  a) cópia do contrato social de constituição da Incobrasa Cayman Ltd. e demais  alterações (fls. 261/369), bem como os balanços patrimoniais e demonstrações de resultado do  exercício dessa sociedade referentes aos anos­calendário de 2007, 2008 e 2009, na moeda do  país de origem e em reais (fls. 370/377);  Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.257          15 b)  LALUR  dos  anos­calendário  2008  e  2009,  nos  quais  constam  registros  compatíveis com as informações prestadas nas DIPJ desses anos, já mencionadas (fls. 11/42);   c)  cópia  das  Declarações  de  Renda  da  Incobrasa  North  America  dos  anos­ calendário 2008 e 2009, junto ao IRS (Internal Revenue Service, equivalente à Receita Federal,  no  Brasil)  e  ao  IDR  (Illinois  Department  of  Revenue),  equivalente  à  Secretaria  de  Fazenda  Estadual (fls. 452/480 e 642/737);  d) comprovantes diversos (guias de recolhimento, formulários, cheques, extratos  bancários) atestando o recolhimento dos impostos de renda federal (E.U.A.) e estadual (Estado  do Illinois) estadunidenses (fls. 381/451 e 574/631);  e)  demonstrativo  de  cálculo  do  resultado  de  equivalência  patrimonial  da  Incobrasa Cayman Ltda., referente aos anos­calendário fiscalizados (fls. 257/260 e fl. 770).  A  Fiscalização  salienta,  à  fl.  1.046,  que  os  comprovantes  do  pagamento  do  imposto de renda federal e estadual estão reunidos às fls. 381/451 e 574/631. Também destaca,  à  fl.  1.037,  que  “os  comprovantes  de  pagamento  de  imposto  de  renda  nos  Estados  Unidos  foram  objeto  de  consularização,  de  acordo  com  o  preconizado  pelas  normas  atinentes  à  espécie.”  A Recorrente, por sua vez, expõe que faz prova do pagamento da importância de  R$  14.474.623,89,  a  título  de  imposto  de  renda  pago  no  exterior,  sem  especificar  se  tal  montante se refere à soma dos impostos dos anos­calendário de 2008 e 2009, ou se é exclusivo  a  um  só  dos  ditos  períodos,  e  se  essa  quantia  resulta  da  soma  entre  os  impostos  federal  e  estadual.  Com efeito, vejo entre os documentos citados na Tradução nº 2839/0388/2012,  às  fls.  382/388  e  575/581,  referências  à  “Recolhimento  de  Imposto  de  Renda  estimado  e  Compensação  de  Pessoas  Jurídicas”;  cheque  no  valor  de  U$  85.654,00;  “Formulário  para  Prorrogação automática de Recolhimento”; cheque no valor de U$ 387.384,00; declaração de  que os comprovantes de recolhimento de imposto de renda do Estado de Illinois anexos foram  emitidos a favor da Secretaria de Fazenda dos Estado de Illinois por Incobrasa Industries Ltd.”.   Assim, anoto que a Recorrente trouxe evidências de que efetivamente recolhera  imposto de renda no exterior. E mais: está claro que a Fiscalização não deu a devida atenção a  tal material, forte na crença de que a Recorrente não poderia aproveitar o imposto já recolhido  na forma da legislação estrangeira, em razão do transcurso do prazo prescricional de dois anos  de que supostamente dispunha para efetivar a compensação antedita.  Em  face  do  exposto,  voto  no  sentido  de  se  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência,  baixando­se  os  autos  à  delegacia  de  origem  para  (i)  proceder  ao  exame  dos  documentos  reunidos  às  fls.  381/451  e  574/631  e,  à  vista  dessa  documentação,  (ii)  apurar  o  montante compensável do imposto de renda recolhido no exterior, nos anos­calendário de 2008  e  2009,  discriminadamente,  nos  termos  do  disposto  nos  artigos  13,  14  e  15  da  Instrução  Normativa SRF nº 213/2002, apresentando as conclusões em relatório circunstanciado, dando­ se ciência das diligências e das conclusões à Recorrente,  facultando­lhe, ainda, prazo para se  manifestar a tal respeito.  É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/2013­71  Resolução nº  1301­000.377  S1­C3T1  Fl. 1.258          16 Flávio Franco Corrêa    Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA

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6500923 #
Numero do processo: 13502.720701/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial para fim de resguardar direito do Erário ante eventual levantamento do valor depositado, não havendo prejuízo algum ao contribuinte. JUROS. DEPÓSITO INTEGRAL. EXCLUSÃO Nos termos do art. 9°, inciso IV, § 4°, da Lei n° 6.830/80, a realização depósito integral do valor débito antes do seu vencimento exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento dos juros de mora. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora com base na Súmula CARF nº 5. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral por considerarem que o depósito em juízo é instrumento de constituição do crédito tributário. Designado o Conselheiro Jorge Freire. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 111          1 110  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13502.720701/2011­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­003.236  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de agosto de 2016  Matéria  PROCESSO ADMINISTRATIVO  Recorrente  OXITENO NORDETE S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE.  É  legítima  a  lavratura  de  auto  de  infração  na  pendência  de medida  judicial  para fim de resguardar direito do Erário ante eventual levantamento do valor  depositado, não havendo prejuízo algum ao contribuinte.  JUROS. DEPÓSITO INTEGRAL. EXCLUSÃO  Nos  termos  do  art.  9°,  inciso  IV,  §  4°,  da  Lei  n°  6.830/80,  a  realização  depósito  integral  do  valor  débito  antes  do  seu  vencimento  exclui  a  responsabilidade do contribuinte pelo pagamento dos juros de mora.  É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a  teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96.  Recurso parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento parcial ao  recurso voluntário para  excluir os  juros de mora com base na Súmula  CARF nº 5. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz,  Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral  por considerarem que o depósito em juízo é instrumento de constituição do crédito tributário.  Designado o Conselheiro Jorge Freire.    (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 07 01 /2 01 1- 11 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE     2   (Assinado com certificado digital)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora.     (Assinado com certificado digital)  Jorge Olmiro Lock Freire ­ redator designado    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Jorge  Freire,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.  Relatório  Trata­se de  recurso  voluntário  interposto  em  face  da  decisão  proferida pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  (“DRJ”)  de  Salvador/BA,  que  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  ao  reconhecer  como  legítimo  o  lançamento de ofício da Contribuição ao PIS e da COFINS para prevenir decadência, haja vista  a existência de decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário em questão.   Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de  detalhes, colaciono o acórdão recorrido in verbis:  Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra  a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  Cofins  relativa  aos  períodos  de  apuração  de  fevereiro,  maio,  junho e setembro de 2007, e da Contribuição para o Programa  de Integração Social – PIS relativa aos períodos de apuração de  fevereiro a junho e setembro de 2007.  No  Termo  de  Verificação  Fiscal  o  autuante  informa  que,  nos  autos  do  processo  nº  2006.33.00.020804­4,  foi  concedida,  em  parte,  segurança  no  sentido  de  permitir  à  contribuinte  o  recolhimento do PIS  e da Cofins  com a  exclusão do  ICMS das  bases de cálculo.  Desta  forma,  visando  prevenir  a  decadência,  as  referidas  contribuições,  apuradas  no  demonstrativo  à  folha  22,  foram  objeto  do  lançamento  de  ofício,  sem  incidência  da  multa  de  ofício  em  face  da  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário.  Cientificada  dos  lançamentos,  a  contribuinte  apresenta  impugnações alegando, em síntese:  1.  Incabível  o  lançamento  de  ofício  de  crédito  tributário  já  devidamente constituído por meio de depósitos judiciais, que se  Fl. 726DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/2011­11  Acórdão n.º 3402­003.236  S3­C4T2  Fl. 112          3 caracterizam como hipótese de auto lançamento ou lançamento  por  homologação,  conforme  prevê  a  Lei  nº  9.703,  de  1998,  citando  doutrina  e  jurisprudência  que  corroborariam  seu  entendimento;  2. O art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que alude ao lançamento  para  prevenir  a  decadência  e  é  invocado  como  fundamento  da  autuação ora  em  litígio,  somente  se  refere ao  inciso  IV do art.  151 do Código Tributário Nacional, de modo que só se aplica às  hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito decorrente de  liminar,  sendo,  assim,  incabível  o  lançamento  de  ofício  para  prevenir a decadência;  3.  Incabível,  ainda,  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  montantes integralmente depositados em processo judicial, haja  vista  que  a  instituição  bancária  que  acolhe  o  depósito  já  remunera a quantia com juros e correção monetária;  4. Existe Súmula do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes  que deixa clara a possibilidade de exigência de juros moratórios  apenas e tão­somente sobre crédito tributário não integralmente  pago no vencimento, hipótese diversa da ora em análise, em que  restaram  incontroversas  nos  autos  a  integralidade  e  a  tempestividade  dos  depósitos  judiciais  efetuados  pela  contribuinte.  Em 22/02/2013  foi proferido o “Relatório de Acompanhamento  Judicial”  (fls.  609/611)  informando  acerca  da  cassação  da  segurança  em  16/10/2012  pelo  TRF  da  1ª  Região,  ao  dar  provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial,  e  intimando  a  contribuinte  a  efetuar  a  complementação  do  depósito judicial, ante a insuficiência do valor do PIS referente a  fevereiro de 2007, o que foi feito, conforme comprovante à folha  638.  Em  30/07/2014  o  presente  processo  foi  encaminhado  a  esta  turma  de  julgamento  para  análise  das  impugnações  apresentadas.  Sobreveio  então o Acórdão 15­36.242, da 4ª Turma da DRJ/SDR, negando  provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007,  30/06/2007, 30/09/2007  CONCOMITÂNCIA  ENTRE  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  E  JUDICIAL.  Tratando­se de matéria  submetida  à  apreciação  do Poder  Judiciário,  não  se  conhece da  impugnação  administrativa,  quanto  ao mérito,  por  ter  o mesmo  objeto da  ação  judicial,  em respeito ao princípio da unicidade de  jurisdição  contemplado  na Carta  Política,  cabendo,  entretanto,  análise  relativamente  à  matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário.  Fl. 727DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE     4 JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL.  A existência de depósito judicial não afasta a incidência dos juros moratórios.  Porém, em caso de decisão  judicial  final  favorável à União, o depósito será  transformado em pagamento definitivo considerando­se a data da realização  do depósito.  Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal  de fls 691 a 699, repisando os argumentos trazidos quando da sua impugnação ao lançamento  tributário.   É o relatório.    Voto Vencido  Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz  A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 18/10/2014,  conforme informação de fls. 689, e apresentou em 03/11/2014 o recurso voluntário de fls. 691  a 699. O recurso, portanto, é tempestivo, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72 e preenche  os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento.  Passo  então  à  análise  dos  argumentos  apresentados  pela  Recorrente,  na  mesma ordem em que elencados em sua peça dirigida ao CARF.  i.  Lançamento de ofício de importâncias depositadas em juízo  Primeiramente  ressalto  que  é  incontroverso  que  o  débito  ora  exigido  foi  depositado  integralmente  pela  Recorrente  nos  autos  do  processo  judicial.  O  lançamento  tributário ocorreu exclusivamente com o objetivo de prevenir a decadência, conforme se extrai  do Termos de Verificação Fiscal (fls. 20)  Pois bem. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) é pacífica  a  respeito  do  tema,  no  sentido  de  que  o  depósito  judicial  do  montante  integral  do  débito  equivale  ao  lançamento  tributário,  e,  por  conseguinte,  torna­se  dispensável  o  ato  formal  de  lançamento  por  parte  da  autoridade  administrativa.  Nesse  sentido,  vejamos  o  conteúdo  das  ementas dos julgamentos abaixo colacionadas:  Ementa  PROCESSO  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  DEPÓSITO  DO  MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA.  1.  Com  o  depósito  do  montante  integral  tem­se  verdadeiro  lançamento  por  homologação.  O  contribuinte  calcula  o  valor  do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por  entender  indevida  a  cobrança.  Se  a  Fazenda  aceita  como  integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do  crédito,  aquiesceu  expressa  ou  tacitamente  com  o  valor  indicado  pelo  contribuinte,  o  que  equivale  à  homologação  fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN.  2.  Uma  vez  ocorrido  o  lançamento  tácito,  encontra­se  constituído  o  crédito  tributário,  razão  pela  qual  não  há mais  Fl. 728DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/2011­11  Acórdão n.º 3402­003.236  S3­C4T2  Fl. 113          5 falar no  transcurso do prazo decadencial nem na necessidade  de lançamento de ofício das importâncias depositadas.  3. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o  fato  gerador,  deve  calcular  e  recolher  o  montante  devido,  independente  de  provocação.  Se,  em  vez  de  efetuar  o  recolhimento  simplesmente,  resolve  questionar  judicialmente  a  obrigação  tributária, efetuando o depósito, este  faz as vezes do  recolhimento,  sujeito,  porém,  à  decisão  final  transitada  em  julgado.  Não  há  que  se  dizer  que  o  decurso  do  prazo  decadencial,  durante  a  demanda,  extinga  o  crédito  tributário,  implicando  a  perda  superveniente  do  objeto  da  demanda  e  o  direito  ao  levantamento  do  depósito.  Tal  conclusão  seria  equivocada,  pois  o  depósito,  que  é  predestinado  legalmente  à  conversão  em  caso  de  improcedência  da  demanda,  em  se  tratando  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  equipara­se ao pagamento no que diz  respeito ao cumprimento  das  obrigações  do  contribuinte,  sendo que  o  decurso  do  tempo  sem  lançamento  de  ofício  pela  autoridade  implica  lançamento  tácito  no  montante  exato  do  depósito"  (Leandro  Paulsen,  "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7ª ed, p. 1227).  4. Embargos de divergência não providos.   (EREsp  898992/PR,  Relator  Ministro  CASTRO  MEIRA,  DJ  27/08/2007)    Ementa  TRIBUTÁRIO  ­  EXECUÇÃO  FISCAL  ­  PRESCRIÇÃO  ­  INEXISTÊNCIA  ­  DEPÓSITO  ­  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  ­  LEVANTAMENTO  INDEVIDO  ­  EXIGIBILIDADE ­ TERMO A QUO.  1.  O  depósito  do  crédito  tributário  equivale  ao  lançamento  tributário para  fins de  constituição da dívida. Precedentes.  2. O  levantamento  indevido  de  depósito  judicial  autoriza  a  cobrança  da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados  da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se  o  ajuizamento ocorreu 3  anos após o  levantamento  indevido do  depósito.  4.  Recurso  especial  não  provido.  (REsp  1216466/RS,  Rel.  Ministra  DIVA  MALERBI  (DESEMBARGADORA  CONVOCADA  TRF  3ª  REGIÃO),  SEGUNDA  TURMA,  DJe  04/12/2014)  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  REDISCUSSÃO  DA  MATÉRIA  DE  MÉRITO.  IMPOSSIBILIDADE.  EFEITOS  INFRINGENTES.  LEVANTAMENTO APENAS DA QUANTIA REFERENTE À  PARCELA  CONTROVERSA.  MATÉRIA  FÁTICA  A  SER  AVERIGUADA NA ORIGEM. SUMULA 7/STJ. (...)  10. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos  casos  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário,  promove  a  constituição  deste;  como  resultado,  torna­se  desnecessário  o  ato  formal  de  lançamento  por  parte  da  autoridade  administrativa,  no  que  se  refere  aos  valores  depositados.  Decadência afastada e Recurso Especial não provido no ponto.  Fl. 729DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE     6 11.  A  controvérsia  restringe­se  a  verificar  se  os  valores  depositados  correspondem  ao  montante  do  tributo  devido  ou  somente à parcela controvertida. 12. O depósito judicial realizado  para  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  pertence  à  parte vencedora e na medida do êxito de sua pretensão, que tem  direito  de  levantar  a  quantia  depositada  após  o  trânsito  em  julgado da demanda. 13. De acordo com os elementos dos autos  e o que assentado pelo Tribunal a quo, não há como afirmar nesta  instância  especial  que  os  valores  depositados  correspondem  somente  às  diferenças  entre  o  que  previam  os  Decretos­Leis  antes citados e o que estabelece a Lei Complementar 7/1970. A  revisão  desse  entendimento  demanda  revolvimento  do  suporte  fático­probatório dos autos, o que é  inadmissível na estreita via  do  Recurso  Especial,  ante  o  óbice  da  Súmula  7/STJ.  14.  Para  resguardar  o  direito  de  ambas  as  partes,  deve  ser  provido  o  Recurso Especial  para que o Juízo de 1º grau  constate o objeto  dos  depósitos  efetuados  e  libere­os  integralmente  às  ora  embargantes,  caso  se  refiram  à  diferença  controvertida  ou  à  totalidade do tributo, converta em renda da União a parte devida  (LC  7/1970)  e  libere  o  remanescente.  15.  Embargos  de  Declaração providos, em parte, com efeitos infringentes, para dar  parcial  provimento  ao  Recurso  Especial,  reconsiderando minha  posição  original,  diante  dos  argumentos  apresentados  pelos  eminentes  Pares.  (EDcl  no  AgRg  no  REsp  705.420/RJ,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  DJe  28/05/2012)    Ementa  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  DEPÓSITO  JUDICIAL.  LANÇAMENTO  FORMAL  PELO  FISCO.  DESNECESSIDADE.  AUSÊNCIA  DE  DECADÊNCIA.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  1. Segundo a jurisprudência predominante neste STJ, no caso  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  contribuinte,  ao  realizar  o  depósito  judicial  com  vistas  à  suspensão da  exigibilidade do  crédito  tributário,  promove a  constituição  deste  nos  moldes  do  que  dispõe  o  art.  150  e  parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência  do direito do Fisco de  lançar. Precedentes da Primeira Seção:  EREsp 464.343/DF, Rel. Min. José Delgado, DJ de 29.10.2007;  EREsp  898.992/PR,  Rel. Min.  Castro Meira,  DJ  de  27.8.2007;  EREsp.  n.  671.773­RJ,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Teori  Zavascki, julgado em 23.6.2010. 2. Ressalva de entendimento do  relator  para  quem  o  depósito  judicial  não  tem  a  eficácia  de  constituir  o  crédito  tributário.  3.  Recurso  especial  não  provido.  (REsp  1008788/CE,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 25/10/2010)  Com efeito, relativamente aos débitos constituídos pela Contribuinte, mais do  que dispensado, o Fisco está proibido de realizar o lançamento, sob pena de restar configurada  duplicidade de atos de constituição, o que acabaria subvertendo o regime jurídico do  tributo,  em especial no que diz respeito ao início da contagem do prazo de prescrição.  Efetivamente,  a  própria  Fazenda  Nacional  abarca  a  interpretação  firmada  pelo  STJ  no  que  tange  ao  prazo  prescricional  para  o  ajuizamento  de  execuções  fiscais,  em  situações  nas  quais  o  contribuinte  realiza  o  levantamento  do  depósito  judicial,  levando  a  Fl. 730DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/2011­11  Acórdão n.º 3402­003.236  S3­C4T2  Fl. 114          7 Autoridade  Fazendária  a  ingressar  com  execução  fiscal  baseada  na  confissão  de  dívida  via  depósito judicial:  TRIBUTÁRIO  EXECUÇÃO  FISCAL  PRESCRIÇÃO  INEXISTÊNCIA – DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO  TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO  INDEVIDO EXIGIBILIDADE  TERMO A QUO.   1.  O  depósito  do  crédito  tributário  equivale  ao  lançamento  tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes.   2.  O  levantamento  indevido  de  depósito  judicial  autoriza  a  cobrança  da  quantia  percebida,  no  prazo  de  prescrição  de  5  anos, contados da data da extinção do depósito.   3.  Inexistência  de  prescrição  se  o  ajuizamento  ocorreu  3  anos  após o levantamento indevido do depósito.   4.  Recurso  especial  não  provido.  (REsp  nº  1216466  /  RS,  Relatora Ministra Diva Malerbi – Desembargadora Convocada  do TRF da 3ª Região, 2ª Turma,  sessão de 20/11/2012, DJe de  04/12/2012)  Este Conselho já se manifestou em diversas oportunidades, aquiescendo com  o entendimento firmado pelo STJ, das quais destaco o seguinte caso: 1   Ementa(s)   Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).  DEPÓSITO  DO  MONTANTE  INTEGRAL.  AFERIÇÃO  INICIAL.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  SUPERVENIENTE.  MANUTENÇÃO DA SITUAÇÃO JURÍDICA CONSOLIDADA.  A  aferição  da  integralidade  do  depósito  deve  ser  realizada  na  data  de  sua  efetivação.  A  transmissão  de  declaração  de  compensação  em  momento  posterior,  utilizando­se  de  saldo  negativo  em  cuja  composição  contém  tributos retidos na fonte utilizados como depósito do montante integral, não  tem o condão de descaracterizar a situação jurídica consolidada decorrente do  depósito no montante integral do débito, exceto se já houvesse sido proferida  decisão favorável ao sujeito passivo nos processos de compensação.  DEPÓSITO.  CONFISSÃO  DE  DÍVIDA.  DESNECESSIDADE  DO  LANÇAMENTO.  O depósito  judicial configura verdadeiro  lançamento por homologação.  O  contribuinte  calcula  o  valor  do  tributo  e  substitui  o  pagamento  antecipado  pelo  depósito,  por  entender  indevida  a  cobrança.  Uma  vez  ocorrido  o  lançamento  tácito,  encontra­se  constituído  o  crédito                                                              1 1 No mesmo sentido: Acórdão1402­002.193 e Acórdão 1402­002.192.   Fl. 731DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE     8 tributário,  razão  pela  qual  não  há  que  se  falar  em  necessidade  de  lançamento  de  ofício  das  importâncias  depositadas.  Precedente  do  STJ  no EREsp nº 898.992/PR. Portanto, devem ser deduzidos da exigência os  valores depositados judicialmente.  LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.  A  solução  dada  ao  litígio  principal,  relativo  ao  IRPJ,  aplica­se,  no  que  couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos  a ensejar decisão diversa.  (Processo 11052.000872/2010­69, Acórdão 1402­ 001.570, Data de Publicação: 18/06/2014)  Não poderia ser outro o entendimento firmado pelas Cortes Administrativa e  Judicial,  uma  vez  que  a  Lei  n.  9.703,  de  17  de  novembro  de  1998,  que  dispõe  sobre  os  depósitos  judiciais  e  extrajudiciais  de  tributos  e  contribuições  federais,  estabelece  que  os  depósitos  judiciais  serão  “transformados  em  pagamentos  definitivos”  em  favor  da  Fazenda  Nacional, em caso de sucumbência do contribuinte, in verbis:   Faço  saber  que  o  PRESIDENTE  DA  REPÚBLICA,  adotou  a  Medida Provisória nº 1.721, de 1998, que o Congresso Nacional  aprovou,  e  eu,  Antonio Carlos Magalhães,  Presidente,  para  os  efeitos do disposto no parágrafo único do art. 62 da Constituição  Federal, promulgo a seguinte Lei:  Art.  1º Os  depósitos  judiciais  e  extrajudiciais,  em  dinheiro,  de  valores  referentes  a  tributos  e  contribuições  federais,  inclusive  seus  acessórios,  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Ministério  da  Fazenda,  serão  efetuados  na  Caixa  Econômica  Federal,  mediante  Documento  de  Arrecadação  de  Receitas Federais ­ DARF, específico para essa finalidade.  §  1º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  aos  débitos  provenientes  de  tributos  e  contribuições  inscritos  em  Dívida  Ativa da União.  §  2º  Os  depósitos  serão  repassados  pela  Caixa  Econômica  Federal  para  a  Conta  Única  do  Tesouro  Nacional,  independentemente  de  qualquer  formalidade,  no  mesmo  prazo  fixado  para  recolhimento  dos  tributos  e  das  contribuições  federais.  §  3º  Mediante  ordem  da  autoridade  judicial  ou,  no  caso  de  depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente,  o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo  litigioso, será:  I ­ devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no  prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for  favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na  forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de  dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou  II ­ transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente  tributo  ou  contribuição,  inclusive  seus  acessórios,  quando  se  tratar  de  sentença  ou  decisão favorável à Fazenda Nacional. (grifei)  Desse modo, não existe lógica alguma no lançamento de ofício do montante  depositado,  haja  vista  que  na  hipótese  da  Fazenda  Nacional  se  consagrar  vencedora  no  Fl. 732DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/2011­11  Acórdão n.º 3402­003.236  S3­C4T2  Fl. 115          9 processo  judicial,  automaticamente  o  montante  depositado  (pagamento  antecipado)  será  destinado aos Cofres Federais.  Assim, como o entendimento pacífico do STJ é no sentido e que o depósito  judicial  do montante  integral  do débito  equivale  ao  lançamento  tributário,  e que o objeto do  presente  auto  de  infração  recai  exclusivamente  sobre  débitos  objeto  de  depósito,  deve  ser  decretado seu cancelamento.  1  Aplicabilidade dos juros de mora nos casos de existência de depósito judicial integral  Na hipótese de restar vencida a respeito do cancelamento integra do auto de  infração, nos termos do tópico acima, deixo consignado que devem ser cancelados os juros de  mora  em  face  da  realização  de  depósito  judicial  no  valor  integral  do  débito  antes  do  seu  vencimento.  Com efeito, a presente matéria é regulada o art. 9°, inciso IV, § 4°, da Lei n°  6.830/80, nos seguintes termos:  Art. 9°. Em garantia da execução, pelo valor da divida,  juros e  multa  de  mora  e  encargos  indicados  na  Certidão  da  Dívida  Ativa, o executado poderá:  1­  efetuar  depósito  em  dinheiro,  à  ordem  do  juízo  em  estabelecimento  oficial  de  crédito,  que  assegure  atualização  monetária;  ...  § 4º Somente o depósito  em dinheiro,  na  forma do art.  32,  faz  cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de  mora. (destacou­se)  Como  é  possível  perceber  da  simples  leitura  dos  enunciados  normativos  acima transcritos, a realização depósito integral do valor débito antes do seu vencimento exclui  a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento dos juros de mora.  Dessarte,  jamais  poderia  ser mantido  o  lançamento  deste  valor,  já  que,  em  última análise isso implica a exigência dos juros de mora do próprio contribuinte, em flagrante  violação ao dispositivo legal acima transcrito.   Em outras palavras,  se  a norma em questão  transfere a  responsabilidade do  pagamento dos juros de mora do contribuinte para a própria  instituição financeira depositária  dos valores, não há qualquer fundamento jurídico para a manutenção do presente lançamento  neste  ponto,  tendo  em  vista  que  se  está  justamente  exigindo  o  pagamento  desta  parcela  de  sujeito que teve seu dever expressamente excluído por determinação legal.   Não pode outra razão a questão já é pacífica no CARF, como se depreende do  texto da Súmula n. 5, a seguir transcrita:  Súmula CARF nº 5: São devidos  juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.  Fl. 733DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE     10 Como já realçada, no presente caso não restam dúvidas sobre a existência de  depósito do montante integral do tributo cobrando no auto de infração em questão, razão pela  qual não são devidos os juros aplicados pela autoridade fiscal.  CONCLUSÃO  Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.    Relatora ­ Thais de Laurentiis Galkowicz  Voto Vencedor  Minha  única  divergência  com  a  nobre  Conselheira  é  quanto  ao  seu  entendimento no sentido de que havendo depósito tempestivo do montante integral do tributo  sob discussão judicial não pode ser levado a efeito o lançamento de ofício.  A questão não é nova neste Colegiado. O que resta assentado, de acordo com  o  enunciado  da  Súmula  5  deste  CARF,  é  no  sentido  de  que  descabe  juros  de  mora  em  lançamento para prevenir a decadência quando comprovado o depósito tempestivo do montante  integral do tributo litigado. A meu sentir, os termos da referida súmula já evidenciam a licitude  do lançamento.  Assevera a i. Conselheira em seu voto:  Dessarte, jamais poderia ser mantido o lançamento deste valor,  já que, em última análise  isso implica a exigência dos  juros de  mora  do  próprio  contribuinte,  em  flagrante  violação  ao  dispositivo legal acima transcrito.   Em  outras  palavras,  se  a  norma  em  questão  transfere  a  responsabilidade  do  pagamento  dos  juros  de  mora  do  contribuinte  para  a  própria  instituição  financeira  depositária  dos  valores,  não  há  qualquer  fundamento  jurídico  para  a  manutenção do presente lançamento neste ponto, tendo em vista  que  se  está  justamente  exigindo  o  pagamento  desta  parcela  de  sujeito  que  teve  seu  dever  expressamente  excluído  por  determinação legal.  Ora,  uma  questão  é  afastar  a  incidência  dos  juros  de  mora,  no  que  convergimos,  o  que  vimos  fazendo  com  arrimo  na  citada  súmula,  outra  é  declarar  nulo  o  próprio lançamento, com o que dissentimos. Entendo que o mesmo deve ser mantido hígido. A  um, porque não há qualquer prejuízo ao contribuinte, pois o crédito está com sua exigibilidade  suspensa  e,  a  dois,  caso  venha  a  sucumbir  no  processo  judicial  o  valor  depositado  será  convertido em renda da União.   Contudo,  ad  cautelam,  por  variadas  hipóteses  que  podem  levar  o  juízo  a  decretar  o  levantamento  do  valor  depositado  ainda  no  curso  da  ação  judicial,  não  identifico  qualquer  ilegalidade  no  lançamento  a  ponto  de  fulminá­lo  de  morte.  Tendo  em  conta  que,  eventualmente,  este  depósito  possa  vir  a  ser  levantado,  e  caso  o  contribuinte,  por  hipótese,  venha  a  sucumbir  no  processo  judicial,  a  cobrança  desse  crédito  tributário  pode  vir  a  ser  alcançado pela decadência, o que traria desnecessário dano ao Erário.  Fl. 734DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/2011­11  Acórdão n.º 3402­003.236  S3­C4T2  Fl. 116          11 Assim, não havendo prejuízo algum ao contribuinte, não deve o lançamento  ser cancelado, mas tão­somente excluídos os juros de mora, o que foi feito.  Aliás,  dessa  forma  julgamos  no  Acórdão  3402­003.108,  de  relatoria  do  Conselheiro Antonio Carlos Atulim, de 22/06/2016, cuja ementa, no que interessa ao deslinde  desta quaestio, transcrevo:  NULIDADE.  É  legítima  a  lavratura  de  auto  de  infração  na  pendência  de  medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96.  Ante o exposto, dou provimento ao recurso para o fim exclusivo de afastar a  incidência dos juros de mora, mantido o lançamento em seus demais termos.  (assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire                  Fl. 735DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE

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Numero do processo: 11128.001551/2002-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/11/2001 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é, por si só, razão suficiente para que a importação seja considerada sem guia de importação, licença de importação ou documento equivalente. RECURSO ESPECIAL DA PGFN NEGADO.
Numero da decisão: 9303-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência,  tempestivo,  interposto  pela  Fazenda Nacional ao amparo do artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais, Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), em face  do  Acórdão  nº  3201­00.307,  por  meio  do  qual,  por  maioria  de  votos,  foi  dado  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  afastar  a  multa  prevista  no  art.  526,  II  do  Regulamento  Aduaneiro/85, que possui a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO­II   Data do fato gerador: 19/11/2001   CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORRETA. LANÇAMENTO.  A  importação  de  produtos  com  classificação  fiscal  equivocada  enseja a aplicação das penalidades previstas em lei. bem como a  cobrança dos tributos devidos.  MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO.  O  fato  de  a  mercadoria  mal  enquadrada  na  NCM  não  estar  corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua  correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a  importação  seja  considerada  como  tendo  sido  realizada  sem  licenciamento de importação ou documento equivalente.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE    Foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela PGFN, relativamente  à multa administrativa ao controle das importações exonerada.  A recorrida quedou­se silente.  É o relatório      Voto             O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido.  Em  primeiro  plano,  cumpre  registrar  que  a  divergência  entre  o  acórdão  recorrido  e  o  paradigma  apontado  está  cabalmente  evidenciada,  na  medida  em  que  a  mesma  matéria  ­  multa  administrativa  ao  controle  das  importações  por  falta  de  LI  ­  foi  discutida em ambos os contenciosos administrativos e as soluções dadas pelos colegiados deste  segundo grau são totalmente opostas.   O  despacho  de  admissibilidade  do  Especial  faz  um  comparativo  entre  as  razões de julgar do acórdão recorrido e do paradigma:  No  primeiro,  o  julgado  recorrido,  a  decisão  de  afastar  a  aplicação da multa prevista no art. 526,  II, do RA decorreu do  Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.001551/2002­41  Acórdão n.º 9303­004.194  CSRF­T3  Fl. 714          3  entendimento  de  que  a  legislação  de  regência  ­  ADN Cosit  n°  12/97  ­ determina que se deve verificar, caso a caso,  se o erro  cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da  mercadoria  teria  descaracterizado,  ou  não,  a  operação  originalmente  licenciada,  exigindo,  por  conseqüência,  novo  licenciamento  automático  ou  não  automático.  Não  havendo  a  exigência  de  novo  licenciamento,  não  há  que  ser  aplicada  a  multa.  (...)  No  segundo,  o  acórdão  paradigma,  afastou­se  a  aplicação  da  ADN  Cosit  n°  12/97,  posto  que  o  produto,  além  de  não  estar  corretamente  descrito,  não  possuía  todos  os  elementos  necessários  à  sua  identificação  e  ao  enquadramento  tarifário  pleiteado, o que demandou a  reclassificação para outro código  diferente do adotado pela importadora. O importador limitou­se  a indicar o nome comercial do produto e, após análise, concluiu­ se que a mercadoria importada não condizia com a constante na  licença de importação. Embora o nome constante da LI estivesse  correto,  o  exame  laboratorial  constatou  que  se  tratava  de  produto  diverso  e  que  não  se  estava  diante  apenas  de  erro  de  classificação fiscal.    Nota­se  que  as  situações  fáticas  são  bem  semelhantes,  uma  vez  que  os  importadores, em ambos os casos, descreveram as mercadorias pelo nome comercial enquanto  os laudos técnicos demonstraram ser mercadorias diversas das respectivamente classificadas e  que tinham sido licenciadas.   A legislação interpretada diversamente foi o ADN Cosit nº12/97, que diz não  constituir infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art.  526  do  Regulamento  Aduaneiro,  a  declaração  de  importação  de  mercadoria  objeto  de  licenciamento  no  Sistema  Integrado  de Comércio  Exterior  ­  SISCOMEX,  cuja  classificação  tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático  ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários  à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer  dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.  O  acórdão  combatido,  com  apoio  no  raciocínio  de  que  ­  o  ADN  Cosit  n°  12/97  determina  que não  constitui  infração o  erro  de  classificação  tarifária  se  presentes  as  circunstâncias nele especificadas, mas não determina que, não se encontrando presentes tais  circunstâncias,  o  erro  de  classificação  tarifário  importará  em  que  se  considere  ocorrida  a  infração ­ chega à conclusão plasmada na sua ementa: a mercadoria mal enquadrada na NCM  e não corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação  tarifária,  não  é  razão  suficiente  para  que  a  importação  seja  considerada  como  tendo  sido  realizada sem licenciamento de importação.   De  outra  banda,  o  acórdão  paradigma  apóia­se  na  necessidade  de  serem  prestadas  todas  as  informações  tendentes  a  assegurar  à  administração  o  completo  conhecimento da mercadoria submetida a despacho de importação para ser afastada a infração  de falta de  licenciamento em relação à mercadoria efetivamente  importada, de acordo com o  Fl. 323DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4  ADN Cosit n° 12/97. Sendo que para fins de perfeita identificação e definição da classificação  fiscal, não é suficiente o bastante apenas o nome comercial da mercadoria. Inaplicável o ADN,  resta  na  Licença  de  Importação menção  a  produto  diverso  do  que  foi  apurado  pelo  exame  laboratorial, consubstanciando carência de LI, e não apenas erro de classificação fiscal.  Ao meu sentir, o ADN Cosit n° 12/97 não pode ser  interpretado e aplicado  como  a  auditoria­fiscal  vem  fazendo.  Nesse  sentido,  gostaria  de  buscar  minhas  razões  de  direito  para  fundamentar  este  voto  nas  sábias  palavras  do  Conselheiro  Ricardo  Paulo  Rosa,  Redator Designado no acórdão nº 9303­003.099:  (...)  O  Ato  Declaratório  Normativo  Cosit  nº  12/974  excluiu  o  erro  de  classificação  fiscal  de  mercadoria  importada  das  hipóteses  de  ocorrência  da  infração  por  importação  de  mercadoria sem guia de  importação ou documento equivalente,  desde  que  a  mercadoria  esteja  corretamente  descrita  na  declaração de importação e com todos os elementos necessários  à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado.  Assim  fazendo,  o  ADN  Cosit  nº  12/97  determinou  que  uma  circunstância  (além  das  outras  nele  especificadas),  o  erro  de  classificação  fiscal,  não  constituía  a  infração  capitulada  hoje  como  importação  de mercadoria  sem  licença  de  importação  ou  documento de efeito equivalente,  sob a condição de que fossem  observadas as condições descritas no parágrafo anterior.  O  problema  é  que,  segundo  a  leitura  que  se  tem  feito  do  Ato  Normativo  editado  pela  então  Secretaria  da  Receita  Federal,  não se encontrando presentes as circunstâncias especificados no  seu  texto,  estaria  implícita  a  determinação  de  que  o  erro  de  classificação tarifária constituiria, por  si só e necessariamente,  uma  importação  sem  licenciamento,  materializando,  por  conseguinte, a situação fática prevista na norma legal que coibi  a conduta.  Ou seja, em obediência ao ADN Cosit 12/97, a Fiscalização da  Secretaria da Receita Federal do Brasil,  tanto  em atividade de  execução  quanto  de  julgamento,  ao  constatar  o  erro  de  classificação  fiscal,  considera  que  não  ocorre  a  infração  por  importação sem licenciamento quando a mercadoria está correta  e  suficientemente  descrita  na  declaração  de  importação  e  que,  contrario  sensu,  a  infração  ocorre  se  a  mercadoria  estiver  descrita  de  forma  deficiente,  seja  pela  falta  de  elementos  essenciais à  sua  identificação ou pela ausência de  informações  necessárias ao correto enquadramento tarifário.  Contudo, peço vênia, para dizer que não me parece que essa seja  a forma correta de interpretar o Ato Normativo nº 12/97.  Com  efeito,  já  da  interpretação  literal  de  suas  disposições,  é  possível perceber que o ADN apenas define uma ocorrência que  não  constitui  infração,  sem  em  nenhum  momento  referir  uma  situação  que  constitua  infração.  E  as  disposições  subsequentes  extraídas do texto da Norma corroboram esse entendimento. Ao  especificar  a  necessidade  de  que  a  classificação  tarifária  errônea  exija  novo  licenciamento,  automático  ou  não,  o  comando  normativo  deixa  claro,  ainda  que  apenas  implicitamente, que o erro de classificação pode não exigir novo  licenciamento. Depreende­se disso que, uma vez que ocorra erro  Fl. 324DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.001551/2002­41  Acórdão n.º 9303­004.194  CSRF­T3  Fl. 715          5  de classificação  tarifária, em situações nas quais a mercadoria  não  esteja  correta  e  suficientemente  descrita,  será  sempre  necessário  avaliar  se  esse  erro  remete  à  exigência  de  novo  licenciamento ou não.  E,  de  fato,  não  é  somente  da  intelecção  literal  do  comando  normativo, mas, principalmente, das características próprias do  assunto  sub  examine,  que  se  revela  obrigatória  a  incursão  em  uma  análise  mais  profunda  do  processo  de  licenciamento  das  importações  para  que  se  chegue  a  uma  conclusão  precisa  a  respeito  das  ocorrências  nas  quais  uma  importação  deve  ser  considera como tendo sido realizada sem licenciamento.  É o que passo a fazer.  O  controle  administrativo  das  importações  a  que  se  refere  o  caput do artigo 706 do atual Regulamento Aduaneiro, aprovado  pelo  Decreto  6.759/09,  diz  respeito  ao  controle  que  a  Administração  exerce  por  ocasião  da  concessão  da  licença  de  importação,  e  que  se  completa  no  despacho aduaneiro  e/ou  na  revisão  aduaneira,  quando  os  dados  contidos  na  licença  são  cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e  com  a  própria  mercadoria.  Ele  é  exercido  em  dois  momentos  distintos:  primeiro,  quando  o  Poder  Público  concede  autorização para o particular importar mercadoria do exterior,  nos  prazos,  condições  e  especificações  contidas  na  licença  de  importação e,  segundo, quando o Poder Público examina se as  mercadorias  importadas  e  documentação  que  lhes  descrevem  estão  de  acordo  com  os  dados  contidos  na  licença  de  importação.  A  atividade  de  controle  exercida  em  cada  uma  dessas  duas  etapas  é  de  competência  de  órgãos  distintos  dentro  da  administração pública federal. Respectivamente, a Secretaria do  Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do  Brasil RFB.  As  divergências  entre  as  informações  contidas  na  licença  de  importação  e  as  constatadas  no  despacho  aduaneiro  ou  na  revisão  aduaneira,  a  partir  do  exame  da mercadoria  e  demais  documentos,  é  que  ensejarão  considerarem­se  as  importações  como  tendo  sido  realizada  sem  licença  de  importação.  Isso  acontecerá  quando  umas  e  outras  sejam  de  tal  forma  discrepantes,  que  a  licença  apresentada  pelo  importador  deva  ser  considerada  inapta  a  amparar  a  operação  a  que  se  destinava.  Quanto a isso, tem­se que a Portaria Secex nº 21/96 trouxe a seu  tempo  algumas  considerações  relevantes  a  respeito  do  tipo  de  informações  contidas  em  uma  licença  de  importação,  esclarecendo  que  tais  informações  caracterizavam  a  operação  de importação e definiam o seu enquadramento.  Os  parágrafos  1º  e  2º  do  artigo  7º  da  Portaria  assim  especificavam.  Fl. 325DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     6  § 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e  fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas  no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12  de dezembro de 1996.  §  2º  As  informações  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  caracterizam  a  operação  de  importação  e  definem  o  seu  enquadramento.”  Desde a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003; que  revogou  a  Portaria  Secex  nº  21/96,  as  normas  de  regulamentação  do  procedimento  licenciatório  deixaram  de  fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da  Portaria Secex nº 21/96, caracterizam a operação de importação  e definiam o seu enquadramento. Quais  fossem, as informações  de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal.  Embora  isso,  de  se  notar  que,  mesmo  não  mencionando  os  elementos  que  caracterizam  e  enquadram  a  operação  de  importação,  o  artigo  10  da Portaria  Secex  nº  17/03  confirmou  que,  nas  importações  sujeitas  a  licenciamento,  o  importador  deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria  Interministerial  MF/Mict  nº  291,  de  12  de  dezembro  de  1996,  remissão  idêntica  a  que  fazia  a  Portaria  Secex  nº  21/96  ao  referir­se  às  informações  de  natureza  comercial,  financeira,  cambial  e  fiscal,  que,  como  se  disse,  caracterizavam  e  enquadravam a operação.  Essa  referência  foi  mantida  nas  Portarias  subsequentes  da  Secex.  Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático  e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as  informações  a  que  se  refere  o  Anexo  II  da  Portaria  Interministerial  MF/Mict  nº  291,  de  12  de  dezembro  de  1996,  previamente ao embarque da mercadoria no exterior.  Na prática,  a  edição da Portaria Secex nº 17/03 não provocou  qualquer  mudança  no  que  diz  respeito  às  informações  que  deverão  ser  prestadas  pelo  importador  para  a  obtenção  da  licença  de  importação.  Elas  permanecem  sendo  aquelas  das  quais o Órgão licenciador lança mão no processo de análise do  pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial  MF/Mict nº 291/96 contém, portanto,  todas as  informações que  devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a  licenciamento,  sendo esses  os  dados  que  serão  analisados  pela  Administração  no  processo  de  concessão  do  licenciamento  pleiteado. São eles:  Importador,  País  de  procedência,  URF  de  despacho,  URF  de  entrada  no  País,  Exportador,  Fabricante  ou  produtor,  Classificação  fiscal  da  mercadoria  na  NCM,  Classificação  da  mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA, Quantidade na  medida  estatística,  Peso  líquido  em Kg,  INCOTERM,  Número  “commoditie”,  Moeda  na  condição  de  venda,  Valor  total  da  operação  na  moeda  negociada,  Destaque  NCM,  Processo  anuente,  Indicativos  da  condição  da  mercadoria,  Descrição  detalhada da mercadoria, Especificação, Unidade comercializada,  Quantidade  na  unidade  comercializada,  Valor  unitário  da  Fl. 326DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.001551/2002­41  Acórdão n.º 9303­004.194  CSRF­T3  Fl. 716          7  mercadoria  na  condição  de  venda, Acordo  tarifário, Regime  de  tributação para o  Imposto de  Importação, Fundamentação  legal,  Ato  Concessório  Drawback,  Natureza  cambial,  Cobertura  cambial,  Modalidade  de  pagamento,  Instituição  financiadora,  Código,  Denominação,  Motivo  da  importação  sem  cobertura  cambial,  Quantidade  de  dias  para  limite  de  pagamento,  Substituição de LI, Informações complementares.  A  relação  acima  não  deixa  margem  de  dúvidas  quanto  ao  alcance das informações exigidas pela Administração com vistas  à  analise  e  o  deferimento  da  licença  de  importação.  Elas  abrangem a especificação das mercadorias, seu enquadramento  tarifário, esclarecimentos relacionados à transação comercial, o  pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença  de  importação,  toda  a  gama  de  informações  especificada  no  Anexo  II  da  Portaria  291/96  deve  ser  considerada  como  de  interesse  da  Administração  e  deverá  ser  prestada  de  forma  correta,  retratando  precisamente  a  operação  que  se  deseja  licenciar,  de  tal  sorte  que  todos  os  elementos  relevantes  para  cada  operação  específica  possam  ser  avaliados  e  a  licença  concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido  à  política  de  controle  das  operações  de  importação  vigente  à  época em que o licenciamento está sendo examinado.  Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex nº 17/03 especificam qual  procedimento será observado pelo Departamento de Operações  de Comércio Exterior Decex no caso de serem verificados erros  e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença.  Art.  14.  Quando  forem  verificados  erros  e/ou  omissões  no  preenchimento do pedido de  licença ou mesmo a  inobservância  dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou  para  o  produto,  o  Decex  registrará,  no  próprio  pedido,  advertência ao importador, solicitando a correção de dados.  § 1o...  § 2.°...  Art.  15.  Não  será  autorizado  licenciamento  quando  verificados  erros  significativos  em  relação  à  documentação  que  ampara  a  importação  ou  indícios  de  fraude  ou  patente  negligência.  (grifos meus)  Parágrafo  Único.  Em  qualquer  caso,  serão  fornecidas  informações  relativas  aos motivos  do  indeferimento  do  pedido,  assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei.  Independentemente do tipo de operação para a qual se pretende  obter  a  licença  ou  do  tipo  de  mercadoria  importada,  em  três  hipóteses  não  será  autorizado  o  licenciamento  pleiteado  pelo  importador:  erros  significativos,  indícios  de  fraude  e  patente  negligência.  Por  outro  lado,  uma  vez  concedida  a  licença,  ela  poderá  ser  retificada  antes  ou  depois  do  desembaraço  das  mercadorias,  sendo  preservada  a  validade  do  licenciamento  Fl. 327DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     8  original  desde  que  a  alteração  não  descaracterize  a  operação  original.  Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento,  até  o  desembaraço  da  mercadoria,  em  qualquer  modalidade,  mediante  a  substituição,  no Siscomex,  da  licença  anteriormente  deferida.  § 1º A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s)  anuente(s), mantida a validade do licenciamento original.  §  2º Não  serão  autorizadas  substituições  que  descaracterizem  a  operação originalmente licenciada.  Art.  21.  O  licenciamento  poderá  ser  retificado  após  o  desembaraço  da  mercadoria,  mediante  solicitação  ao  órgão  anuente,  o  que  será  objeto  de  manifestação  fornecida  em  documento específico.  A conclusão insofismável a que se chega de todo o exposto é que  será sempre necessário decidir, caso a caso, se o erro cometido  pelo  importador  descaracterizou  ou  não  a  operação  originalmente  licenciada,  exigindo,  por  conseguinte,  novo  licenciamento.  Por  certo,  nos  casos  de  erro  de  classificação  fiscal, haverá de ser investigado, necessariamente, dentre outros  aspectos  que  se  revelem  importantes  para  o  caso  concreto,  se  para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto  daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de  constatada  a  necessidade  de  novo  licenciamento,  avaliar,  em  obediência à exclusão decorrente da interpretação determinada  no ADN Cosit nº 12/97, se a mercadoria estava ou não correta e  suficientemente  descrita,  e  decidir  pela  aplicação  ou  não  da  multa  por  importar  mercadoria  sem  licença  de  importação  ou  documento equivalente.  Na  vertente  lide,  a  leitura  que  se  faz  dos  fatos  relatados  pela  Fiscalização  Federal  leva  à  conclusão  de  que  esse  aspecto  sequer foi investigado, restando ausente uma condição essencial  à  configuração  de  evento  apto  a  materializar  a  infração  especificada na norma jurídica. (...)    Posto isso, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.    Rodrigo da Costa Possas ­ Relator                          Fl. 328DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.001551/2002­41  Acórdão n.º 9303­004.194  CSRF­T3  Fl. 717          9      Fl. 329DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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