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Numero do processo: 10283.721055/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 55 /2 00 8- 47 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra a recorrente acima qualificada, foi lavrada notificação de lançamento de fls. 19/25, emitida em 03/11/2008, intimando a contribuinte a recolher o crédito tributário, no montante de R$ 453.075,65, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2003, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Redentor”, cadastrado na RFB sob o nº 5.859.0480, com área declarada de 39.500,0 ha, localizado no Município de Canutama/AM. Resultante dos trabalhos de revisão das DITR/2003 incidentes em malha valor, a ação fiscal iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 02201/00019/2008 de fls. 13/16, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos: 1º Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georreferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º matrícula do registro imobiliário, com a averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural ou de servidão florestal; 5º em caso de posse, Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 6º Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico e comprovadamente imprestável para a atividade rural; 7º justificativa, devidamente comprovada por documentos hábeis e idôneos, que tenha permitido a alteração dos dados calculados pelo programa gerador da declaração do ITR na coluna “Área Calculada” da ficha “Atividade Extrativa”; 8º Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou. Municipais, assim como aquelas efetuadas Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721055/200847 Acórdão n.º 2301004.774 S2C3T1 Fl. 145 3 pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2003, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2003 no valor de R$23,30. Pelo fato de não ter sido apresentado nenhum documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2003, a fiscalização glosou a área de preservação permanente de 3.950,0 ha, de reserva legal de 31.600,0 ha e a área declarada como utilizada na exploração extrativa de 2.150,0 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 195.520,00 (R$4,95/ha), arbitrando o valor de R$ 920.350,00 (R$23,30/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com consequente aumento da área tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$ 183.483,44, conforme demonstrado a fl. 24. Resumo da autuação: A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 19/20 e 22. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Em 19/11/2008 foi notificada do lançamento, conforme fl. 25. A contribuinte apresentou em 05/12/2008( fl. 29), impugnação de fls. 29/55, instruída com os documentos de fls. 56/80, alegando e solicitando o seguinte, em síntese que: a Administração Pública ao praticar atos administrativos deve indicar expressamente os motivos do ato para possibilitar a apreciação, em cada caso concreto, do efetivo cumprimento das normas legais respectivas, a motivação deve consistir na indicação do texto legal de lei que autoriza a edição do ato, bem como no pressuposto de fato que permite a sua prática, tornando possível o controle da legalidade do ato, no caso o lançamento tributário, e essa exigência é decorrência do princípio da legalidade previsto no art. 5º, II, da Constituição da República; o Fisco utilizou de bases legais genéricas, que não podem nem devem ser tidas como suficientes para sustentar a pretensa infração e que a descrição fática não é suficiente para fornecer ao impugnante condições mínimas de defesa, vez que genérica e abstrata e cita jurisprudência para sustentar sua tese; o procedimento utilizado (baseado em descrições genéricas) é expediente tendencioso, eivado de ilegalidades, que só faz por conduzir o lançamento à nulidade e cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, para referendar seu argumento; disserta abundantemente sobre as figuras das presunções (comum e legal relativa e absoluta) dentro do ordenamento jurídicotributário; o uso da presunção depende de autorização legal e salienta que não há qualquer dispositivo legal que autorize o uso da presunção para as situações descritas pela fiscalização; embora sejam imaginariamente possíveis, as insinuações fiscais necessitam de materialidade fiscal, tratandose de meros indícios (ou presunção comum), passíveis de investigação adicional; o Fisco usou equivocadamente da presunção e em função do lançamento precário, pede que seja a Notificação de Lançamento julgada nula em sede de preliminar, senão improcedente em seu mérito pela ausência de materialidade; o art. 10, § 1º, II, “a” da Lei nº 9.393/1996 faz remição à Lei nº 4.771/65, ao tratar das áreas de preservação permanente, não fazendo menção quanto à exigência do ato declaratório ambiental (ADA) do IBAMA; considera a exigência do ADA por meio da IN/SRF nº 256/02 não está prevista em Lei, ou seja, a referida IN extrapolou de certa forma, os limites da Lei; considera, ainda, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na letra “a”, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96, aquelas estipuladas no art. 2º da Lei nº 4.771/65, não precisam ser previamente reconhecidas pelo Poder Público para que ocorra a dedução do ITR, havendo tal exigência apenas quanto àquelas previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65, bem como das alíneas “b” e “c”, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/1996; enfatiza o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/1996, cuja edição encontra respaldo no art. 106 do CTN, diz que a declaração do contribuinte não está sujeita à prévia comprovação, ou seja, cabe ao Fisco desconstituir a declaração do contribuinte no caso de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721055/200847 Acórdão n.º 2301004.774 S2C3T1 Fl. 146 5 falsidade da mesma e que tal entendimento pautase no Princípio da Verdade Material, que deve informar a atuação da Receita Federal nos procedimentos de lançamento e do processo administrativo, em todas as instâncias; ressalta a ilegalidade da exigência feita pela IN/SRF nº 256/02, quanto à apresentação do ADA para comprovar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, como condição para dedução da base de cálculo do ITR, tendo em vista que a previsão legal não generaliza tal exigência para todas as áreas, tãosomente para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal e cita Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes sobre o tema; a multa aplicada de 75% é confiscatória, gerando a inconstitucionalidade referida no art. 150, IV, da Constituição da República, além de ferir os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; Requer: que seja reconhecida (i) a nulidade do lançamento pela falta de motivação, mormente que não traz a verificação correta da realidade fática; (ii) utilização equivocada da presunção, para ter sido utilizado zelo usual para analisar cada ponto elencado pela fiscalização em consonância coma legislação e jurisprudência e não conforme unicamente interesses fiscais; quanto ao mérito: seja (i) julgada improcedente a Notificação de Lançamento face a inexigibilidade da apresentação do ADA para efeitos de comprovação de isenção da área de preservação permanente; (ii) o afastamento da multa aplicada no percentual de 75%, por ser de caráter confiscatório; protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial perícia técnicocontábil, a ser designada para apuração dos fatos questionados, pleiteando, ainda, a posterior juntada de documentos. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além da averbação tempestiva das áreas de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicala, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi notificada do Acórdão 0351.298 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/09/2013 (fl. 111), mediante Aviso de Recebimento – AR. Em 29/10/2013, sobreveio recurso voluntário (fl. 114). Alega em síntese: que o fato do ato administrativo padece de vício de nulidade, ocorrendo pelo fato de inexistir autorização legal, tendo o ato sido emanado sem fundamento. Completa ainda que, o fisco utilizou de bases legais genéricas, não podendo ou devendo serem tidas como suficientes para sustentar a infração em questão; que a descrição fática não é suficiente para fornecer a recorrente as mínimas condições de defesa, por serem genéricas e abstratas; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721055/200847 Acórdão n.º 2301004.774 S2C3T1 Fl. 147 7 que a fiscalização excedeu os limites legais para o uso da presunção na caracterização da infração cometida contra a Lei 9393/96. Considerando a como uma prova indireta, partindo de fatos secundários; justifica que, após a revogação da Instrução Normativa n° 60/2001 pela Instrução Normativa n° 256/01, tratando do fato em questão em seu art. 9, § 2°, I que para a exclusão da área tributável do ITR dos imóveis, não é mais obrigatório ao contribuinte a apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental); reforça a nãoobrigatoriedade do ADA, citando a Lei 4.771/65 e Lei 7803/89 tratando das áreas de preservação permanente, não fazendo menção quanto à exigência do ato declaratório do IBAMA; questiona que além da cobrança de crédito tributário indevido, ainda se exige a cobrança de multa moratória no patamar de 75%, alegando ser desproporcional a arrecadação do valor de “praticamente outro crédito tributário” (fl. 134); esclarece que a contribuinte “tem plena ciência que as multas administrativas são penalidades pecuniárias para compensar o possível dano causado pelo contribuinte ao erário. Contudo, o fato é que, na situação em epigrafe, a exigência se faz totalmente irrazoável”(fl. 135) pela proporção da multa moratória; salienta que as áreas supracitadas não são mais de propriedade da Recorrente, sendo, portanto, inconcebível a incidência do ITR nesse caso. Cita jurisprudência a seu favor, art. 29 do Código Tributário Nacional. É o relatório Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/09/2013, conforme Aviso de Recebimento, fl. 111. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Já o recurso foi apresentado em 29/10/2013 (fl. 114). Temse, portanto, que o recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. Conforme acentua o despacho de encaminhamento da RFB (fl. 139), a recorrente teria até a data de 21/10/2013 para apresentar recurso, todavia somente apresentou sua defesa em 29/10/2013. Nesse sentido, é forçoso concluir pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. Alice Grecchi Relatora (Assinado digitalmente) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10650.902442/2011-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 42 /2 01 1- 52 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3803003.935, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000050/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos (art. 65 do RICARF).
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los com efeitos integrativos, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BERENICE DE SOUZA RODRIGUEZ DEL RIEGO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 50 /2 01 0- 81 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos com efeitos integrativos, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.000050/201081 Acórdão n.º 2402005.483 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face de acórdão desta Turma, cuja ementa e resultado são os seguintes: IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso voluntário Provido. A União Fazenda Nacional opôs embargos de declaração afirmando ter havido contradição. No seu entender: a) com base na leitura da ementa, temse a impressão que o colegiado deu provimento à totalidade do recurso interposto pelo contribuinte, revertendo a integralidade das glosas efetuadas pela fiscalização; b) todavia, ao compulsar o teor do voto condutor do aresto ora embargado, é possível perceber que a conclusão alcançada, ao contrário do que antes consignado, foi a de que deveria ser dado provimento parcial ao recurso, uma vez que as glosas das despesas médicas incorridas junto aos profissionais Alcides Pereira de Souza Filho e de Jaime Anger foi mantida. Nesses termos, requereu a embargante o conhecimento e o acolhimento dos embargos, para sanar o suposto vício. Sem impugnação. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Admissibilidade Os embargos são tempestivos e foi apontada, objetivamente, a suposta contradição da decisão embargada. Sendo assim, e presentes os demais requisitos legais, os embargos devem ser conhecidos. 2 Da contradição Segundo a embargante, deveria ser dado provimento parcial ao recurso, uma vez que as glosas das despesas médicas incorridas junto aos profissionais Alcides Pereira de Souza Filho e de Jaime Anger foi mantida. Tem razão a parte, pois o acórdão embargado manteve a glosa das despesas relativas a esses profissionais, como se observa no seguinte trecho: [...], os recibos comprobatórios dos pagamentos supostamente realizados em favor de Alcides Pereira de Souza Filho (fls.19) e de Jaime Anger (fl. 20) estão em desacordo com os ditames do Regulamento, mormente com o seu art. 80, § 1º, inc. III. A olho nu, percebese que o endereço dos profissionais foi serodiamente preenchido, o que foi levado a cabo pela mesma pessoa (provavelmente a própria contribuinte), o que se conclui pelo tipo de letra cursiva ali constante. No meu modo de ver, essa circunstância não só retira a fidedignidade dos citados documentos, como também os torna irregular para fins de comprovação. Expressandose de outra forma, a decisão da DRJ é incensurável neste ponto. Portanto, e considerandose que o acórdão contém contradição entre a decisão e os seus fundamentos (art. 65 do RICARF), entendese que os embargos devem ser acolhidos, conforme conclusão abaixo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.000050/201081 Acórdão n.º 2402005.483 S2C4T2 Fl. 4 5 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração, a fim de que corrigir a ementa e o dispositivo do acórdão embargado, para neles constar o parcial provimento do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003435/2003-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA POSTERIOR AO JULGAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DA PARTE DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO.
Havendo desistência total do recurso voluntário após o seu julgamento, torna-se insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao sujeito passivo, por força do §5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, e em razão de estar configurada renúncia do contribuinte ao direito sobre o qual se fundou o recurso voluntário e que foi parcialmente concedido ao contribuinte pelo mesmo Acórdão.
Numero da decisão: 9101-002.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA POSTERIOR AO JULGAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DA PARTE DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Havendo desistência total do recurso voluntário após o seu julgamento, torna-se insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao sujeito passivo, por força do §5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, e em razão de estar configurada renúncia do contribuinte ao direito sobre o qual se fundou o recurso voluntário e que foi parcialmente concedido ao contribuinte pelo mesmo Acórdão.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAÚ PREVIDÊNCIA E SEGUROS S.A. (ATUAL DENOMINAÇÃO: ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA S.A.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA POSTERIOR AO JULGAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DA PARTE DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Havendo desistência total do recurso voluntário após o seu julgamento, torna se insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao sujeito passivo, por força do §5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, e em razão de estar configurada renúncia do contribuinte ao direito sobre o qual se fundou o recurso voluntário e que foi parcialmente concedido ao contribuinte pelo mesmo Acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 34 35 /2 00 3- 14 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao afastamento da multa de ofício que estava sendo exigida juntamente com tributo lançado com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 110200.014, de 28/07/2009, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras coisas, cancelar a multa de ofício que incidia sobre o débito de CSLL referente ao mês de julho/1998, e determinar que esse débito fosse exigido apenas com o acréscimo de multa de mora e juros de mora. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO NÃO EXTINTO LANÇAMENTO COM BASE NO ART. 90 DA MP 2.158 35. Não tendo sido extinto o débito pela ausência de certeza do crédito, cabível exigilo. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO Cabe cancelar a exigência no que se refere a parcelas que já integraram lançamento anterior. MULTA DE OFÍCIO Não se tratando de hipótese que envolva dolo ou fraude, nem de casos de a compensação ser considerada não declarada, nos termos previstos na lei, a multa de oficio deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, devendo o debito relativo à compensação não homologada ser exigido apenas com os acréscimos moratórios (multa e juros de mora). JUROS DE MORA EXIGÊNCIA O credito tributário não integralmente pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Itaú Previdência e Seguros S.A. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência as parcelas de R$ 139.227,73 e RS 115.909,68 e cancelar a multa por lançamento de oficio, declarando que a parcela de RS 101.447,68, referente ao mês de julho de 2008, objeto da compensação não homologada, deverá ser exigida acrescida de multa de mora e dos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 4 3 A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quando afastou a multa de ofício que estava sendo exigida juntamente com tributo lançado com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO. DA DIVERGÊNCIA À MULTA DE OFÍCIO. o acórdão recorrido proferido pela Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF determinou a exclusão da multa de oficio no caso em questão em razão da retroatividade benéfica do artigo 18 da Lei 10.833/2003; diferentemente, o acórdão paradigma dispõe que não se aplica a suposta retroatividade benigna do art. 18 da Lei 10.833/2003 c/c art. 90 da MP n° 2.15835, pois havendo lançamento de oficio, com formalização de auto de infração, temse a cobrança do tributo e da multa de oficio; com o intuito de comprovar a divergência, segue transcrito o acórdão paradigma: Acórdão nº 20402.808 COFINS/PIS. MULTA DE OFÍCIO ART. 90 MP 2.15835 ART. 18, LEI 10.833. A redação do artigo 18 da Lei 10.833 não excluiu a multa de oficio quando o lançamento desta natureza tenha como causa a ilegitimidade da compensação (artigo 90 da MP 2.15835), mas sim que, nas hipóteses graves arroladas pela norma, o lançamento será da multa isolada, sendo então indevido o lançamento de oficio do principal. Recurso de oficio provido. DA EVIDENTE CONTRARIEDADE A DISPOSITIVOS DE LEI AOS ARTS. 90 DA MEDIDA PROVISÓRIA DE N° 2.15835/2001 E ART. 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. DA MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. tratase de auto de infração decorrente de representação fiscal constante do Processo 16327.000187/9840. O contribuinte deixou de recolher a Contribuição sobre o Lucro Liquido CSLL, pois pretendia compensar o débito com crédito de terceiros; o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 foi introduzido no ordenamento jurídico para complementar a sistemática criada pela Lei n° 10.637/2002, que, mediante alteração do art. 74 da Lei n° 9.430/96, instituiu a Declaração de Compensação DCOMP, permitindo ao contribuinte efetuar a compensação de crédito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria de Receita Federal SRF com débitos próprios de mesma natureza, sob condição resolutória de posterior homologação pela autoridade administrativa competente, substituindo assim o regime anterior, no qual a compensação só se efetivava depois de deferido requerimento apresentado pelo contribuinte perante a repartição pública respectiva; diante de tais alterações, foi editada a Lei n° 10.833/2003, que acrescentou novos dispositivos ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, atribuindo à DCOMP a natureza de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 5 4 instrumento de confissão de divida, fixando prazo para a sua homologação pelo Fisco e disciplinando o procedimento e os efeitos para o caso da nãohomologação da compensação declarada, como também no caput do seu art. 18 autorizou o lançamento da multa de oficio isolada quando fosse o caso de compensação indevida; posteriormente, a Lei n° 11.051/2004 estabeleceu regime diferenciado para as compensações ditas "nãohomologada" e "nãodeclarada", pelo que restringiu o cabimento da multa isolada prevista no caput do art. 18 agora para os casos de compensação "não homologada", em que tenha ficado caracterizada a prática das infrações dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964; recentemente, a Lei n° 11.488/2007 alterou o caput do dispositivo apontado, prevendo o cabimento da multa isolada aos casos de compensação "nãohomologada" quando se comprove falsidade da declaração do contribuinte; a sistemática introduzida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e posteriores alterações, ao considerar a DCOMP como verdadeira confissão de divida, previu, em relação à compensação "nãohomologada", o lançamento da multa de oficio, de forma isolada e desde que configurada a infração do contribuinte, dado que o principal declarado em DCOMP, nesses casos, pode ser imediatamente exigido do devedor respectivo, prescindindo de lançamento, conforme autoriza o §6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96; assim, nos casos de compensação indevida, enquanto a nova sistemática previu a imposição de multa isolada, já que prescindível o lançamento do principal, a anterior previa a exigência de multa juntamente com o principal lançado; a hipótese dos autos não se subsume à contemplada pelo art. 74 da lei n° 9.430/96 após as alterações da MP n° 135/2003, atual Lei n° 10.833/2003; o auto de infração foi lavrado em decorrência do indeferimento de requerimento de compensação apresentado pela contribuinte, e a autuação teve como base o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; o novo regime instaurado pela Lei n° 10.833/2003, que atribuiu à DCOMP os efeitos de confissão de dívida, somente passou a viger a partir de 30/10/2003. Dessa maneira, só a partir de 30/10/2003, quando não homologada a DCOMP apresentada após essa data, é que se tornou possível a cobrança imediata do principal, ao mesmo tempo em que se previu o lançamento da multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n° 10.833/2003, acaso configurados os seus pressupostos; no presente caso, primeiramente, há que se fazer a ressalva de que a autuação decorreu do indeferimento de requerimentos de compensação, apresentados pela contribuinte, antes mesmo da vigência da Lei n° 10.637/2002, que instituiu a própria DCOMP. Em hipóteses tais, exigese, como efetivamente foi feito, o lançamento do principal nos termos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, acrescido da multa de oficio, que tem por fundamento o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; assim sendo, não há que se falar em incidência do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 no caso em alusão, porquanto não há DCOMP apresentada pela contribuinte com efeito de confissão de divida, pressuposto imprescindível para incidência do referido Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 6 5 dispositivo, pelo que o lançamento da multa se faz perfeitamente possível com base na conjugação dos arts. 90 da MP n° 2.153 58/2001 e 44, I, da Lei n° 9.430/96; no caso em comento, os requerimentos de compensação apresentados pela contribuinte não produzem os efeitos de confissão de dívida de que trata o §6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, nem tampouco ocasionam o lançamento da multa isolada do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, tanto é que a referida autuação contemplou o valor do tributo devido, acrescido dos juros de mora e multa de oficio correspondente, tudo de acordo com a autorização dos arts. 90 da MP n° 2.15835/2001 c/c 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; é de se verificar que, tendo havido a autuação do principal e juros, que, inclusive, restou mantida nesse particular pela decisão recorrida, não há como se furtar à aplicação da multa de oficio, dado que aquela pressupõe esta, especialmente quando se constata a falta de recolhimento de tributo devido; é preciso realizar interpretação sistemática do art. 74 da Lei n° 9.430/96 com o art. 18 da Lei n°.10.833/2003 para entender o caráter manifesto de norma especial destes dispositivos, que só contempla as situações de DCOMP "nãohomologada", surgidas após a edição da Lei n° 10.833/2003. Nos demais casos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, especialmente de requerimentos de compensação indeferidos que tenham sido apresentados antes da edição das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme já se salientou, a multa de oficio sempre foi e continuará sendo devida, e seu fundamento é o art. 44 da Lei n° 9.430/96; não houve qualquer repercussão retroativa mais benéfica entre as normas comparadas art. 90 da MP n° 2.158 35/2001 x art. 18, caput, da MP n° 135/2003, por razões simples: (1) o art. 90 da MP aludida não regulou matéria relacionada à infração tributária, disciplinando, ao revés, hipóteses de lançamento de oficio. A matriz legal da infração discutida é mesmo o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; (2) da mesma forma, o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 apenas eliminou limitação à forma de constituição do crédito tributário das parcelas referidas no art. 90 da MP em alusão, ao passo que NÃO pretendeu disciplinar, como não o fez, a multa do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; (3) não se infere do art. 18 da MP n° 135/2003 tratamento mais benéfico em relação à penalidade imputada aos lançamentos do art. 90. da MP n° 2.15835/2001 art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, mas, ao contrário, o referido dispositivo de lei criou novas infrações tributárias, as quais também impôs penas completamente diversas daquela primeira penalidade; o citado art. 18 ingressou na ordem jurídica com 2 (dois) únicos propósitos: a) eliminar restrição ao modo de constituição do crédito tributário de que tratava o art. 90 da MP n. 2.15835/2001; b) criar hipóteses de multa isolada para casos particulares de compensação; ao assim fazer, o art. 18 da MP n° 135/2003 não repercutiu sobre o conteúdo do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; de fato, a multa do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, já à época do art. 90 da MP n° 2.15835/2001 e até os dias atuais, tem aplicação presente quando, realizado o Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 7 6 lançamento de oficio pela autoridade fiscal, restam configuradas as hipóteses de: 1) falta de pagamento ou recolhimento da totalidade ou diferença de imposto e contribuição; 2) falta de declaração ou; 3) declaração inexata; as infrações aludidas são individualizadas e independentes entre si, podendo a multa em alusão ser imposta ao sujeito passivo quando evidenciadas quaisquer daquelas situações ou mesmo mais de uma delas; nos casos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, o lançamento de oficio era formalizado para exigência das diferenças de tributos apuradas em declaração do contribuinte, vinculadas a informações declaradas pelo sujeito passivo, consideradas como indevidas ou não comprovadas pelo fiscal; o art. 18 em referência é norma pontual, que, em primeiro lugar, eliminou a vinculação do crédito tributário de que trata o art. 90 da MP ao lançamento de oficio, abrindo a possibilidade da sua constituição por outro modo, incluindo a declaração do próprio sujeito passivo nos documentos sujeitos aos efeitos dos §§ 1° e 2° do art. 5° do DL n° 2.124/84; para que tivesse havido qualquer repercussão benéfica in casu, era preciso que o art. 18 da MP n° 135/2003 pronunciasse que, a partir daquela data, aos lançamentos formalizados nas situações do art. 90 da MP n° 2.15835/2001 não mais se aplicaria a multa de ofício do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 ou se aplicaria a referida penalidade em percentual minorado, o que, entretanto, incorreu na hipótese; a redação do art. 18 da MP n° 103/2003, deveras confusa, é capaz de induzir o intérprete a erro, tendo em vista que, ao se utilizar da expressão "limitarseá", pode levar ao equivocado entendimento de que, agora, a situação do contribuinte seria melhorada porque aos lançamentos antes formalizados com base no principal devido, encargos de mora e multa de oficio, cingirseiam à imputação de multa isolada e tão somente em casos restritos; a interpretação supra é deveras teratológica. A uma, pois o dispositivo citado não vedou que as diferenças de tributo(s) fundadas em declaração do sujeito passivo continuassem sendo formalizadas via lançamento de oficio, com a imposição da multa cabível (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96), inclusive quando sujeitas aos efeitos dos §§ 1° e 2° do art. 5° do DL n° 2.124/84, tendo em vista que, quanto a estas últimas, a sua forma de constituição dependeria da disciplina da SRF no exercício da atribuição de que trata o art. 16 da Lei n° 9.779/99; a duas, porque a multa de oficio do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 em tudo difere das multas isoladas do caput do art. 18 MP n° 135/2003, não se podendo, com isso, comparálas para dizer se houve ou não minoração da situação do contribuinte; além de possuírem hipóteses de cominação diversas, as multas comparadas (multa de oficio e multa isolada) divergem também quanto ao modo de sua constituição; a primeira multa de oficio (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96) é lançada em conjunto com o tributo devido e juros de mora, porque a infração cominada em tudo pressupõe a existência de lançamento de oficio, ao passo que a segunda multa isolada (art. 18, caput, da MP n° 135/2003) , relacionandose a infração que independente da constituição do tributo devido, é constituída de forma isolada; Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 8 7 tratandose, pois, de penalidades diversas, a comparação não se faz possível in casu para os efeitos do art. 106, II, do CTN; o entendimento demonstrado pelo acórdão recorrido é por demais perigoso porque afasta a aplicação da multa de oficio no presente caso, sem autorização legal e em contrariedade à lei, com o que poderá, inadvertidamente, incentivar o nãorecolhimento do tributo, porquanto, em caso de autuação, apenas seria devida a multa de mora (além dos consectários legais), penalidade em tudo mais vantajosa e que não pune o contribuinte inadimplente na forma e proporção idealizadas pelo legislador; outro não é o entendimento do CARF, no sentido do cabimento da multa de oficio, tendo em vista lavratura de auto de infração, em que se exige o tributo e a multa de oficio, por ser esta multa vinculada à exigência de tributo em lançamento de oficio (ementas transcritas); por todos esses fundamentos, requer a Unido (Fazenda Nacional) seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o r. acórdão, seja reconhecida a violação aos arts. 90 da MP n° 2.15835/2001 e 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, dandose provimento ao presente recurso especial para manter a multa de oficio, rejeitandose, por conseguinte, a retroatividade benéfica do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, por não se subsumir o caso dos autos à hipótese contemplada no referido dispositivo legal, pelo que se estará atendendo ao princípio da segurança jurídica e à necessidade de uniformização da jurisprudência do CARF. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1100 0000.077/2010, de 18/02/2010, admitiu o recurso especial, reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: No acórdão recorrido, a I. Conselheira Sandra Maria Faroni entendeu que o débito confessado em pedido de compensação e exigido por não restar confirmada a certeza do crédito, não se sujeitaria à multa de oficio, ante a retroatividade benigna do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, na qual aquela hipótese não mais ensejava a aplicação de penalidade. Já no paradigma, o I. Conselheiro Jorge Freire, acompanhado à unanimidade pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, acolheu recurso de oficio para restabelecer multa de oficio afastada em primeira instancia, ao fundamento de não se tratar de uma das hipóteses nas quais o art. 18 da Lei n ° 10.833/2003. Expressamente firmouse naquele julgado que hipóteses de compensações, embora ilegítimas mas não tipificas no artigo 18 referido, terá como objeto a cobrança de oficio da diferença impaga em virtude da ilegitimidade da compensação, o que se dá necessariamente com o acréscimo de multa de oficio, por força da vinculação à lei. Do exame dos requisitos de admissibilidade do recurso (arts. 67 e 68 do Anexo II da Portaria MF no 256, de 22/06/2009 RICARF), verificase que o recurso especial deve ser admitido, pois o acórdão paradigma apresentado como divergentes foi proferido por colegiado distinto e restou demonstrada a divergência apontada. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 9 8 Antes de ser cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, a contribuinte ingressou com uma petição em 25/02/2010, informando que tinha efetuado "o recolhimento da CSLL referente aos meses de julho a setembro de 1998 lançada no PA n° 16.327.003.435/0314, com os benefícios concedidos pela Lei n° 11.941/09 (demonstrativos de cálculo e DARF's anexos docs. 02 e 03)". Informou também que, diante do pagamento comunicado, ela desistia totalmente do recurso voluntário interposto e renunciava a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido recurso, requerendo a baixa do processo administrativo em epígrafe. Nessa mesma petição, a contribuinte esclareceu que os pagamentos dos PA's agosto e setembro foram realizados no Processo n° 16327.002770/200303, devido à alegada duplicidade. E o pagamento do PA julho foi realizado sem a multa de oficio, nos termos da Lei nº 11.941/2009. Essa petição de desistência do recurso voluntário motivou um novo despacho por parte do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que entendeu necessária a oitiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, que era a titular do direito de seguimento do recurso especial de divergência. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, apresentou a seguinte manifestação: A UNIÃO (Fazenda Nacional), por intermédio de sua Procuradora infraassinada, instada a se manifestar nos presentes autos acerca dos documentos acostados pela contribuinte a fls. 171, vem expor e requerer o quanto se segue: Considerando a formalização, pela contribuinte, da desistência do presente processo e a renúncia aos direitos sobre os quais ele se funda, a Fazenda Nacional vem requerer seja declarado o provimento ao Recurso Especial por ela interposto. Quanto ao pagamento efetuado pela contribuinte consoante os ditames estabelecidos pela Lei n° 11.941/2009, sua regularidade deverá ser apurada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, que deverá apreciar, também, o cumprimento integral dos demais requisitos estabelecidos para a adesão ao regime previsto no diploma legal supramencionado. Pede deferimento. Na seqüência, houve novo despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, entendendo que o recurso especial da PGFN deveria mesmo ser encaminhado a julgamento, em razão dos seguintes aspectos: [...] No caso dos autos, como visto, o recurso voluntário já havia sido julgado quando da petição em comento, de sorte tal que não há cogitar na figura da desistência do mesmo. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 10 9 Noutro giro, pende o recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, admitido anteriormente à desistência trazida pela contribuinte. Com a expressa manutenção de seu interesse recursal, mesmo diante da renúncia da parte contrária, remanesce, então, a conclusão de que a Procuradoria da Fazenda Nacional entende existirem razões de ordem pública (interesse público) na definição da tese a ser adotada no caso, que pode repercutir para diversas outras hipóteses. Por fim, não haveria de ser ofertada oportunidade processual para a contribuinte manifestarse nos autos, pois, ainda que o resultado do julgamento seja desfavorável à Fazenda Nacional, este em nada lhe aproveitará diante da renúncia apresentada. Contudo, impera seu direito de ter o conhecimento destes andamentos processuais. Ante o exposto, encaminhese o processo à Secretaria desta 1ª Câmara (SECAM) para fins de remessa à unidade de origem da Receita Federal para ciência ao contribuinte deste despacho. Após, retornese ao CARF. Em 22/01/2014, a contribuinte foi considerada cientificada dos andamentos processuais, conforme determinado pelo último despacho decisório proferido nos autos, e em 24/01/2014 ela apresentou nova petição, que foi recebida pela Delegacia de origem como contrarrazões tempestivas ao recurso especial da Fazenda Nacional. Nessa última petição, a contribuinte desenvolve os seguintes argumentos: a contribuinte, por meio da petição protocolizada em 25/02/2010, comunicou o recolhimento da CSLL referente aos meses de julho a setembro de 1998, discutida nestes autos, com os benefícios concedidos pela Lei n° 11.941/09 e, por essa razão, desistiu totalmente do recurso voluntário interposto, renunciando ao direito a que se fundava referido recurso, nos termos da petição anexa (doc. 03); desta forma, não assiste razão à manutenção do interesse recursal da Fazenda Nacional e ao provimento de seu Recurso Especial, diante da evidente perda de objeto desse processo; ademais, a conclusão acima é inegável, visto que o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi interposto somente contra a exoneração da multa de ofício referente ao período de julho/1998, a qual foi anistiada, em 100%, pela própria Lei n° 11.941/2009, nas situações de pagamento à vista, como no caso em questão; assim sendo, reitera a contribuinte seja homologado o pagamento realizado, extinguindose, via de conseqüência, o processo administrativo em referência. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme relatado a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência contra o Acórdão nº 110200.014, de 28/07/2009, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras coisas, cancelar a multa de ofício que incidia sobre o débito de CSLL referente ao mês de julho/1998, e determinar que esse débito fosse exigido apenas com o acréscimo de multa de mora e juros de mora. A autuação fiscal em questão decorreu da não confirmação de vinculações informadas em DCTF. O sujeito passivo tentou quitar o referido débito mediante compensação com crédito de terceiros, cuja liquidez e certeza restaram incomprovados. Em razão do indeferimento do pedido de compensação, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício do referido débito, nos termos do comando contido no art. 90 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O acórdão recorrido aplicou retroativamente o art. 18 da Lei n° l0.833/2003, para fins de exonerar a multa de ofício que foi lançada juntamente com o débito, e o recurso especial da Fazenda Nacional objetiva restabelecer a exigência dessa multa. Como o provimento do Recurso Voluntário foi parcial, parte da decisão recorrida foi favorável ao sujeito passivo e parte desfavorável. O relatório acima esclarece que o pedido de desistência Total do Recurso Voluntário foi apresentado quando esse recurso já havia sido julgado. Se o pedido fosse anterior ao julgamento do Recurso Voluntário não haveria maiores problemas, pois o recurso restaria prejudicado e seria caso de mera devolução do processo à repartição de origem determinada pelo Presidente de Câmara, nos termos do inciso IX do art. 18 do Anexo II do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/96/2015. Entretanto, como o pedido de desistência do recurso voluntário foi posterior ao seu julgamento, a questão se torna mais interessante e demanda maiores considerações. É certo que a referida desistência pelo sujeito passivo não pode implicar em desistência da PGFN de seu Recurso Especial, já que somente o autor pode desistir de seu recurso (repiso, o autor do Recurso Especial sob exame é a Fazenda Nacional e não o contribuinte; o sujeito passivo não pode desistir de um recurso do qual não é o autor). Temos, portanto, uma decisão do CARF, decisão administrativa e de segunda instância, e um Recurso Especial de divergência apresentado pela PGFN, ambos devidamente formalizados. Como proceder? Não é caso do referido inciso IX do art. 18, pois não se estaria Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 12 11 apenas devolvendo um processo com um recurso desistido, mas adicionalmente uma decisão colegiada e um recurso especial válido (recurso especial da Fazenda Nacional não desistido). O artigo 78 do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/96/2015, tratou assim da questão: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. ... § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. ... (Grifei) O caso se subsume ao parágrafo 5º do art. 78 do Anexo II do RICARF: a desistência foi total e havia decisão favorável ao contribuinte com recurso pendente de julgamento. Assim, como consequência dessa subsunção, impõese: a) a declaração de que a decisão favorável ao sujeito passivo tornouse insubsistente; e b) o encaminhamento dos autos para a unidade de origem para procedimentos de cobrança. O que é importante decidir é a quem cabe declarar a insubsistência da decisão favorável ao sujeito passivo. Nesse ponto o Regimento Interno é omisso. Não me parece o mais apropriado remeter os autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora torne uma decisão administrativa colegiada do CARF insubsistente. Penso que, tendo em vista a casuística das situações que podem se suceder, a solução deve ser encontrada caso a caso, sem se furtar a aplicação do referido parágrafo 5º. No caso concreto, a meu ver, a solução que proponho é bem simples, vejamos. Tradicionalmente, são duas as possibilidades de se alterar uma decisão: a anulação e a reforma. Considero improcedentes eventuais alegações de nulidade no Acórdão de Recurso Voluntário, pois não pode um evento superveniente produzir um vício retroativamente. Já relativamente à reforma, o provimento do recurso especial da Fazenda Nacional cumpre plenamente essa função. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 13 12 A reforma me parece bastante apropriada, pois tem o efeito de suprimir da jurisprudência do CARF o acórdão atacado, de forma a evitar que este venha eventualmente a servir de paradigma na interposição de recursos especiais de outros processos, fazendo com que seja oponível a estes o parágrafo 15 do art. 67 do Anexo II do atual RICARF, verbis: § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) Outra solução seria considerar uma terceira forma de alterar uma decisão: a declaração de insubsistência nos casos do mencionado parágrafo 5º, forma que extrairia a força normativa dessa decisão pelo enquadramento ao mesmo. É uma possibilidade. Ademais, nos termos do parágrafo 3º do art. 78, a desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Esse dispositivo já é bastante para que sejam desconsiderados os direitos alegados no Recurso Voluntário, acolhidos pelo Acórdão de Recurso Voluntário e, consequentemente, tornese procedente o restabelecimento dos lançamentos desonerados. Em vista dessa renúncia a direito, não considero ser possível discutir o mérito, pois o interesse da Fazenda Nacional se exaure na decisão recorrida ser reformada tanto no caso concreto, para fins de recebimento do crédito tributário, como no caso abstrato, que consiste na impossibilidade de a decisão recorrida vir a servir de paradigma para outros julgamentos. Discutir o mérito apenas para que esta Turma da CSRF manifeste o seu entendimento sobre a matéria, a meu ver, seria amor ao debate (algo que conspira contra a celeridade processual); além de resultar na formação de uma decisão, agora desta Turma; que, mais uma vez, poderia vir a servir de paradigma, independentemente do resultado, seja para a Fazenda Nacional (se o recurso fosse provido), seja para os contribuintes em geral (se não). Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por renúncia do sujeito passivo ao direito sobre o qual se fundou o Recurso Voluntário e que foi concedido pelo Acórdão de Recurso Voluntário, para declarar e tornar insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao contribuinte, forte no parágrafo 5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. O Acórdão nº 110200.014, de 28/07/2009, não poderá vir a servir de paradigma na matéria em que o direito foi renunciado. Os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para conferência do pagamento que a contribuinte alega ter feito com os benefícios da Lei nº 11.941/2009, e eventuais procedimentos de cobrança, caso não confirmada a alegada quitação do débito em pauta. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 458DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 14 13 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
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Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 105-01.275
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE
CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
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ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Processo nO. Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luís ALBERTO BACELAR VIDAL, DANIEL SAHAGOFF, CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada), EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, WILSON FERNANDES GUIMARÃES e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. EJ RELATÓRIO 10768.032500/97-06 105-1.275 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: "Versa o prew,p.te processo sobre o auto de infração, lavrado pela DRF/RIO DE JANEIRO, contra o interessado acima identificado, para a exigência dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ - (fls. 125/130), no valor de R$ 87.263,48; à Contribuição para o PIS (fls. 131/136), no valor de R$ 2.624,83; à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS - (fls. 137/141), no valor de R$ 6.999,59 e à Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF - (fls. 146/151) e à Contribuição Social sobre o Lucro - CSL - (fls. 152/154), no valor de R$ 34.567,70, além da multa de oficio, aplicada a todos os tributos e contribuições, no percentual de 75%, e demais acréscimos legais. "A autuação reporta-se ao ano-base de 1994, iniciando-se 28/07/1997, conforme Termo de Início de Fiscalização (fls. 03). "À fl. 13 foi acostado aos autos Termo de Apreensão dos Livros Registro de Inventário, LALUR, Livro de Registro de Saídas nOs1 e 2 e de Entradas nO1 (fls. 14/95). "Culminou o respectivo procedimento na lavratura do auto de infração entendendo o fisco ter o interessado incorrido na seguinte infração: "Omissão de receitas, caracterizada pela omissão de vendas nos montantes abaixo relacionados, considerando que as vendas não tem o respaldo das entradas destas mesmas mercadorias em sua contabilidade. "Desta forma, foi cometida infração ao artigo 197 do RIR/1994. "Devidamente cientificada dos respectivos lançamentos em 11/12/1997, apresentou o interessado, em 06/01/1998, impugnação (fls. 156/159), onde, em síntese, alega as seguintes razões de defesa: Processo nO. Resolução n° "a) Não houve indicação ou formalização dos fundamentos legais das exigências ,. tributárias constantes do auto de infração; "b) Ressalve-se que a fiscalização, por telefone, em duas oportunidades, mandou o contribuinte acrescentar em sua cópia do auto de infração o artigo 739 do RIR/1994 e na segunda vez, mandou substituir o artigo infringido para 197 do mesmo RIR; "c) Em nenhum momento do período em que esteve sob fiscalização a empresa foi intimada a esclarecer ou comprovar eventuais divergências levantadas pela fiscalização ou sobre os quais parassem quaisquer dúvidas por parte desta última; "d) Preliminarmente, a falência da fundamenta ao I gal implica um inequívoco cerceamento do direito de defesa, haj a vista que qualquer crédi o tribu ário deve se fundamentar em dois princípios: da legalidade e da verdade materi~ 2 "e) Ainda que admitidas como corretas as alterações mandadas efetuar pelo fisco no texto das autuações, o contribuinte teria sido autuado primeiramente pelo imposto de renda na fonte da receita omitida, considerada automaticamente distribuída; "f) Em correção posterior do fundamento legal, porque a pessoa jurídica tributada com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais; "g) Pelo expoSi&,qual afinal seria o fundamento legal das exigências; "h) Ainda em preliminar, o próprio texto que formaliza os fundamentos das exigências não deixa sequer entrever a qual fato a fiscalização se referiu; "i) Assim, ou as vendas estariam registradas sem amparo em estoques, o que implicaria em omissão de custos, não de receitas e redundaria em benefício do fisco por apropriação destes a menor; 10768.032500/97 -06 105-1.275 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. Resolução nO 'j) Ou teria ocorrido omissão de registro de vendas de motores de popa Mariner, hélices de alumínio e cabeça de força para motor, todos devidamente identificados pela fiscalização, portanto, extraídos de documentário da pessoa jurídica; "k) A acusação material se apresenta carente de objetividade o que, se não dificulta, cercea (sic) sobremaneira a objetividade de qualquer manifestação em contrário; "1) No mérito, vale ressaltar que a empresa em nenhum momento foi intimada a comprovar ou esclarecer eventuais divergências levantadas ou postas em dúvida pela fiscalização; "m) O levantamento procedido pela pessoa jurídica, refletido nos mapas demonstrativos anexos há cabal demonstração da inexistência de qualquer venda das mercadorias detectadas pela fiscalização sem a emissão da respectiva nota fiscal. Menos ainda, vendas sem respaldo em estoques. Simples saídas em demonstração não traduzem nem significam vendas de mercadorias. E, se vendas houve, as notas fiscais respectivas foram todas emitidas; "n) Requer diligência a respeito do assunto, inclusive na escrituração da empresa, a qual sem sombra de dúvidas, irá corroborar os fatos constantes que ressaltam dos mapas ora submetidos a vossa consideração; "o) Requer o cancelamento das exigências. Através do Acórdão DRJ/RJOI N° 4153 (fls. 177/190), a Quarta Turma da DRJ no Rio de Janeiro (RJ), julgou procedentes os lançamentos, apresentado-se o mesmo assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DILIGÊNCIA - PRODUÇÃO DE PROVA - PRESCINDIBILIDADE - O instituto da diligência tem por fundamento a elucidação de pontos duvidosos oriundos das provas contidas nos autos. O sujeito passivo ao requerer a realização de diligência, objetivando, unicamente, a verificação de documentos que poderiam ter sido ;untados, terá por indeferido o respectivo pleito. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE IMPOSSIBILIDADE -AUSENTES OS PRESSUPOSTOS LEGA 3 10768.032500/97 -06 105-1.275 À SUA CONCREÇÃO - Inexiste cerceamento do direito de defesa quando o sujeito passivo demonstra, mesmo que indiretamente, ter entendido o teor da autuação e realiza a sua defesa neste diapasão. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITA - VENDAS EFETUADAS SEM A DEVIDA CONTABILIZAÇÃO DAS ENTRADAS - ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE SUSTENTAÇÃO PROBANTE - CONCRETIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO SIMPLES - AJlartjuestões meritórias concernentes às infrações fiscais que deixaram de ser abordadas pelo contribuinte, fazem ,reforçar o entendimento fiscal, na medida em que, inerte na apresentação dos motivos de fato e de direito, bem como das provas que possui, deixa de deflagrar a respectiva controvérsia. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. Resolução nO OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES - TRIBUTAÇÃO REFLEXA - PIS - COFINS - IRRF - CSL - Ao subsistir o Auto de Infração principal, igual sorte colherão os Autos de Infração reflexos. Cientificada da decisão (fls. 193vO),a interessada, tempestivamente interpôs o recurso voluntário de fls. 203/212, reafirmando os termos da impugnação, aduzindo ainda que o lançamento se deu por mera suspeita de omissão de receita e que a decisão recorrida omitiu qualquer análise acerca dos relatórios juntados com a impugnação, além de com ter a utilização da taxa Selic para a cobrança de juros. O arrolamento de bens acha-se certificado às É o Relatório. 4 ••• Estando presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso voluntário merece ser 10768.032500/97 -06 105-1.275 Conselheiro IRINEU BIANCHI, Relator VOTO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. Resolução nO conhecido. 5 ISTO POSTO, voto no sentido de CONVERTER o julgame junto à repartição de origem, seja esclarecida a circunstância apontada, Através da Folha de Continuação n° 01 do Auto de Infração (fls. 96), a fiscalização imputou à recorrente, a prática da seguinte infração fiscal: Constatou-se uma omissão de receitas, caracterizada pela omissão de vendas, nos montantes abaixo relacionados, considerando que as vendas não têm o respaldo das entradas destas mesmas mercadorias em sua contabilidade. Aparentemente, a descrição dos fatos não guarda sintonia com o que consta dos Demonstrativos de Fluxo de Mercadoria (fls. 98/124) elaborado pela fiscalização, onde ora a omissão de receitas se dá pela indicação de vendas sem nota e outras vezes a omissão de receita indica compras sem nota. Esta circunstância levou a recorrente a pleitear a nulidade do auto de infração, por cerceamento ao direito de defesa, porquanto a imputação nos moldes apresentados tomou confusa a acusação, mesmo porque, segundo ela, a fiscalização, em nenhum momento, pediu-lhe esclarecimentos acerca dos seus registros. Outrossim, os levantamentos efetuados levaram em conta os dados obtidos junto ao Livro Registro de Inventário, acostado aos autos, e as entradas e saídas registradas através de notas fiscais nos respectivos períodos, sem que fosse elaborado qualquer demonstrativo quanto a essas entradas e saídas (fls. 98/124), mas apenas simples resumos. Com a impugnação, a recorrente trouxe os mapas de fls. 160/175, com a finalidade de demonstrar a inconsistência dos levantamentos realizados pela fiscalização, de modo especial em face da saída de mercadorias para fins de demonstração e o seu ingresso por devolução. O pleito da recorrente para converter o julgamento em diligências foi rejeitado pela Turma Julgadora, ante o argumento de que ela poderia ter apresentado os elementos de prova juntamente com a impugnação, o que não ocorreu. É cediço que o processo administrativo fiscal consagra o princípio da verdade material, com o que, é imperioso verificar se a fiscalização, ao elaborar os demonstrativos com a movimentação dos estoques, levou em conta as saídas de mercadorias para demonstração e eventuais devoluções, consoante mencionado pela recorrente. I;'.-.,,. !" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA '."! Processo n°. Resolução nO 10768.032500/97 -06 105-1.275 dass:::~o de setembro de20Y Elaborado o relatório da diligência fiscal, seja a recorrente cientificada do mesmo, abrindo-se prazo razoável para, querendo, manifestar-se sobre o mesmo. levou em conta, na elaboração dos demonstrativos de estoque, as remessas para demonstração e suas devoluções. , i 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 10855.723935/2011-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - COMPENSAÇÃO - REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE
Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP.
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização indevida. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e a Conselheira Ana Paula Fernandes, que dava provimento em menor extensão. A Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri acompanhou o relator pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - COMPENSAÇÃO - REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido
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COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 39 35 /2 01 1- 21 Fl. 1892DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização indevida. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e a Conselheira Ana Paula Fernandes, que dava provimento em menor extensão. A Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri acompanhou o relator pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados Autos de Infração pela compensação indevida de contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/2007 a 12/2008, e para aplicação de multa isolada pela falsidade nas declarações, conforme determina o § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. Transcorrido o regular processo administrativo, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF exarou decisão dando parcial provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, por unanimidade de votos, para afastar a aplicação da multa isolada, ao argumento de que a fiscalização não comprovou o dolo do contribuinte. A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão, em 14/05/2013, interpôs, tempestivamente, recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em seu recurso a Fazenda Nacional traz paradigma donde se pode extrair que a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento entendeu que é desnecessária a configuração do dolo para a aplicação da penalidade prevista no § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91 Em suas razões a Fazenda Nacional argumenta, em síntese, que: · A aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento anormal do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude nos termos previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. Estas situações, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta. · Em relação às compensações promovidas nos autos, tal procedimento apresenta, sim, elementos suficientes para caracterizar a imposição da penalidade isolada, mormente porque o suposto crédito mostra‑se contrário à disposição normativa e regulamentar. Ocorre que os valores se encontravam prescritos na data da declaração, não houve comprovação de seu pagamento indevido e não houve cumprimento da exigência relativa à GFIP retificadora. · Por isso se afasta o argumento de mero erro e atrai o emprego da vontade dolosa de falsear a declaração por dela constar crédito ao qual não se tem direito. Regularmente intimado da decisão e do Recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarazões. Fl. 1894DF CARF MF 4 Isso posto, passo ao exame do caso. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Visando demonstrar a divergência a Fazenda Nacional trouxe o acórdão 2301‑002.736 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, donde se pode extrair o seguinte: Segundo o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. A norma legal não exige dolo expressamente ou vincula sua aplicação ao conteúdo do §1º do art. 44 da Lei 9.430/96, o que deixa tal sanção submetida à regra geral das infrações tributárias prevista no art. 136 do CTN: a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica. No voto condutor do acórdão recorrido é possível extrair o seguinte trecho: Portanto, considero que a fiscalização não comprovou, expressa e diretamente, os elementos da conduta do sujeito passivo que transbordou no dolo de apresentar a declaração falsa, o que enseja a não aplicação da multa isolada prevista no do art. 89, § 10, Lei 8.212/1991. Diante do exposto, dou provimento às alegações da Recorrente para cancelar a incidência da multa isolada aplicada com base no art. 89, § 10, Lei 8.212/1991. Vêse, portanto, que na interpretação do acórdão paradigma a Turma entendeu que é desnecessária a configuração do dolo para a aplicação da penalidade prevista no § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91. Por outro lado, na decisão recorrida ficou patente que para a aplicação da penalidade é necessária a demonstração do dolo. Nesse contexto, demonstrada a divergência de interpretação da legislação tributária, exigida pelo artigo 67, do RICARF para ensejar a admissibilidade de Recurso Especial. DO JULGAMENTO DO RECURSO O § 10 da Lei 8.212/91 dispõe que na hipótese de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração, aplicase multa isolada, no percentual previsto no inciso I, do artigo 44, da Lei 9.430/96 (75%) em dobro (150%), sobre o débito indevidamente compensado, nos seguintes termos: Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 4 5 § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Referido artigo 44, I, da Lei 9.430/96 traz uma multa de 75% a ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Percebam que nas hipóteses de lançamento de ofício de imposto ou contribuição, sendo constatada qualquer das três ocorrências acima, impõese apenas multa de 75% ao contribuinte. Quando a lei pretendeu a aplicação de penalidade mais severa ao contribuinte, no caso a duplicação da multa em questão, exigiu que o fisco comprovasse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, nos termos previstos na Lei 4.502/94, conforme se pode depreender do artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Pois bem. Em minha opinião, a regra contida no artigo 89, § 10, da Lei 8.212/91 tem o mesmo espírito da norma contida no artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96, tanto que impôs a mesma penalidade para ambas hipóteses. Logo, quando o legislador alterou a lei 8.212/91, quis dar ao seu artigo 89, § 10, o mesmo alcance do artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96, que exige uma conduta qualificada, dotada do elemento subjetivo “dolo”, para ensejar a aplicação de multa mais gravosa. A própria Fazenda Nacional deixa claro que é esse também o seu entendimento, ao assim se pronunciar em seu recurso: Pelo que se verifica da redação do § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, há dois condicionantes à aplicação da penalidade em questão, sendo o primeiro a própria compensação indevida (“na hipótese de compensação indevida”) e o segundo, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (“quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”). Ambos assumem, dessa maneira, cunho de aplicação cumulativa, de modo que faltando um não se rende ensejo à aplicação da penalidade isolada. Necessário, pois, perquirir onde se encontra a falsidade ou fraude na declaração das compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo. Fl. 1896DF CARF MF 6 Antes, porém, convém repassarmos os conceitos vinculados à caracterização da conduta qualificadora do apenamento agravado. Nesse compasso, a Lei nº 9.430/96, no art. 44, traz os percentuais de multa de ofício e faz remissão às circunstâncias qualificadoras capazes de ensejar a sua duplicação, veja‑se: (...) Nesse contexto, necessário trazer à baila também os conceitos exarados na Lei nº 4.502/64 e ver se a conduta praticada pelo contribuinte encaixa‑se em algumas das ‘circunstâncias qualificativas’ ali propostas. (...) Veja‑se, destarte, que a aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento anormal do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude acima transcritos. Estas situações, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta. Das razões de recurso apresentadas pela Fazenda é possível extrair que em seu entendimento é necessária a comprovação do dolo para a aplicação da penalidade a que se refere o § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91. Penso de forma semelhante. No meu entender, a aplicação da penalidade em questão deve ser precedida de comprovação de que o contribuinte agiu motivado em ludibriar o fisco. No presente caso o contribuinte buscou a recuperação das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações dos agentes políticos (prefeito, viceprefeito e vereadores) no período de 10/1997 a 09/2004, dada a declaração de inconstitucionalidade desta contribuição pelo STF. No procedimento fiscalizatório foi constatado o seguinte: ü parte dos valores utilizados na compensação estava prescrito, já que se buscava recuperar valores de contribuições pagas no período de 10/1997 a 09/2004, em compensações que se iniciaram com débitos de contribuições vencidas em 12/2006; ü a retificação das GFIP’s que deveriam ocorrer anteriormente à compensação ocorreu apenas posteriormente, de forma equivocada, de forma que a fiscalização considerou as compensações dos recolhimentos não prescritos de 11/2001 a 09/2004 também indevidas; ü foram parcialmente comprovados os recolhimentos indevidos das contribuições declaradas inconstitucionais ü para as atualizações do saldo a restituir após realizada a primeira compensação (11/2006), a taxa utilizada foi superior à SELIC. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 5 7 Essas foram as condutas do contribuinte que pautaram a aplicação da multa isolada pela fiscalização. Em nenhum momento houve a explicitação por parte da fiscalização sobre o dolo do contribuinte. A meu ver, as condutas acima descritas não demonstram que o contribuinte teve uma conduta objetivada na ocultação da obrigação tributária a ensejar a aplicação da multa de 150%. Havia o pagamento indevido de fato, havia o direito à compensação, porém ocorreram falhas por parte do contribuinte, mas equívocos passíveis de aplicação da multa de 20% prevista no § 9º, da Lei 8.212/91. Entendo que a multa de 150% deve ser aplicada em casos em que não existe crédito algum e a compensação é efetuada apenas com o fito de suspender a exigibilidade de crédito tributário de forma totalmente desprovida de fundamento documental. Nesse contexto voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, mantendo o que decidido pela Turma de Julgamento, para cancelar a aplicação da multa isolada. É como voto. Conselheiro Gerson Macedo Guerra Fl. 1898DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou indevidamente compensações considerando a declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida pelos agentes políticos. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo relator do Acórdão 2403002.058, que apenas deu provimento ao recurso na parte referente a aplicação da multa isolada, agora objeto de recurso. Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, base do presente recurso, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 do art. 89 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial que delimita o alcance de seu direito, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de declaração do STF acerca da inconstitucionalidade da contribuição dos agentes políticos, não há como afastar as exigências legais para que a empresa possa efetivamente demonstrar o direito "líquido e certo" a compensação. Vejamos, quais os fatos trazidos pela autoridade fiscal para constituir o lançamento, e que foram considerados válidos pelo julgador a quo para negar provimento ao recurso do contribuinte: 4. Das Razões Pelas Quais as Compensações Foram Consideradas Indevidas 4.1. Da Prescrição 4.1.1. Conforme a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional –CTN), em seus artigos 165, inciso I e 168, inciso I, temos que: [...] 4.1.2. Conforme o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 (Regime Geral da Previdência Social – RPS), em seu artigo 253, temos que: [...] 4.1.3. Conforme a Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, que dispõe sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212, acrescentada pelo § 1º do artigo 13 da Lei nº 9.506, sobre procedimentos relativos a créditos constituídos, com base no referido dispositivo e outras providências, em seu artigo 3º, temos que: Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 6 9 [...] 4.1.4. Concluise, pelo disposto no CTN, no RPS e na IN nº 15, que o prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. 4.1.5. Desta forma, como as compensações efetuadas em GFIP pelo Município de Itaporanga tiveram início na competência de 11/2006, cujo vencimento da GPS se deu em 02/12/2006, estariam prescritos todos os créditos decorrentes de recolhimentos indevidamente efetuados antes de 02/12/2001, estando extinto o direito de pleitear restituição ou efetuar compensação dos recolhimentos efetuados entre 10/1997 e 10/2001. 4.2. Da Obrigatoriedade de Retificação das GFIP 4.2.1. A lei nº 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da GFIP. Desde a competência 01/1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. A empresa está obrigada à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. 4.2.1. A IN nº 15, em seu capítulo III, artigo 6º, estabelece que: [...] 4.2.3. A obrigatoriedade de retificação das GFIP para exclusão dos exercentes de mandato eletivo informados antes do início das compensações é explicada pelo § 1º do artigo 225 do RPS, abaixo transcrito. A não observância desta norma pode se refletir na concessão de benefícios indevidos e conseqüentes prejuízos aos cofres da Previdência Social, configurando crime conforme a IN nº 15. [...] 4.2.4. Conforme a Planilha 1 do Anexo Único, levantouse através do DCBC da Prefeitura e da Câmara do Município de Itaporanga que, no período de 01/1999 a 09/2004, foram cometidas as seguintes irregularidades nas GFIP declaradas : Na Prefeitura Municipal : O prefeito Ledislei Valcazara Chueri (1997 a 2000) nunca foi declarado; Fl. 1900DF CARF MF 10 O viceprefeito Actavio Martins (1997 a 2000) nunca foi declarado; O prefeito Pedro Ferraz (2001 a 2004) não foi declarado nas competências 01/2001, 01/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003 e 06/2003; O viceprefeito Ademir Martins Rosa (2001 a 2004) nunca foi declarado. Na Câmara Municipal : O vereador Ademir Martins Rosa (1997 a 2000) nunca foi declarado; Não foram enviadas GFIP nas competências 11/2001, 03/2002, 05/2004, 07/2004, 08/2004 e 09/2004. 4.2.5. A Câmara Municipal do Município de Itaporanga enviou GFIP retificadoras para o período de 01/1999 a 09/2004 entre as datas de 27/02/2007 e 19/03/2007, levantadas no sistema GFIPWEB da RFB, conforme Planilha 2 do Anexo Único, enquanto a Prefeitura Municipal não enviou GFIP retificadoras para o período. Foram constatadas as seguintes irregularidades nas retificações, também relacionadas na Planilha 1 do Anexo Único : Na Prefeitura Municipal : O prefeito Pedro Ferraz (2001 a 2004) não foi excluído das GFIP nas competências 02 a 12/2001, 02 a 11/2002, 03 a 05/2003 e 07/2003 a 12/2004; Na Câmara Municipal : Os vereadores Ismael Rodrigues de Proença, Jair Nogueira, João Augusto Rodrigues, João Sebastião de Almeida, José Carlos da Silva, José Roberto Ferreira, Nelson Chueri Gurgel, Paulo Floriano de Proença e Rosangela Correa (todos de 1997 a 2000) foram mantidos na GFIP; Os vereadores Actavio Martins, Benedito Dias de Souza Sobrinho, João Evangelista dos Santos, José Coldibelli e Paulo Floriano de Proença (todos de 2001 a 2004) não só foram mantidos na GFIP como foram incluídos nas 11/2001, 03/2002, 05/2004, 07/2004, 08/2004 e 09/2004 em que não haviam sido inicialmente declarados. Na competência 09/2004 os vereadores acima foram incluídos com a remuneração integral. 4.2.6. Diante do exposto, concluise que o Município de Itaporanga não cumpriu as determinações do artigo 6º da IN nº 15, efetuando retificações das GFIP em 02 e 03/2007, após o início das compensações em 11/2006, e de forma parcial, mantendo vários exercentes de mandato eletivo com a finalidade de permitir a concessão de benefícios indevidos, configurando crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Desta forma, as compensações dos Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 7 11 recolhimentos não prescritos de 11/2001 a 09/2004 também são consideradas indevidas. 4.3. Dos Recolhimentos 4.3.1. Para exercer o direito à compensação sobre os valores recolhidos indevidamente sobre as remunerações dos exercentes de mandato eletivo, declarado inconstitucional pelo STF, além da observância da prescrição e da obrigatoriedade de retificação das GFIP, obviamente o órgão público deve comprovar os efetivos recolhimentos. Foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 2, de 10/10/2011, a comprovação do recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos prefeitos, vice prefeitos e vereadores para o período de 10/1997 a 09/2004. 4.3.2. Foram apresentadas as GPS da Prefeitura Municipal de 10/1997 a 12/2000 e os extratos do FPM de 01/2001 a 09/2004. Da análise destes documentos, além de informações dos sistemas da RFB, chegouse à Planilha 3 do Anexo Único, comparativo entre as bases de cálculo apresentadas pelo sujeito passivo em sua Memória de Cálculos e as bases de cálculo declaradas em GFIP e com recolhimento comprovado. Cabem as seguintes observações : No período de 10/1997 a 12/1998, antes da implantação da GFIP, verificase claramente que as GPS da Prefeitura Municipal não incluem as remunerações do prefeito e do vice prefeito, com recolhimentos ínfimos, explicável pelo fato do Município de Itaporanga possuir regime próprio de previdência até a competência de 06/1999; No período de 01/1999 a 01/2001, o prefeito e o viceprefeito não foram declarados em GFIP, não cabendo, portanto, a vinculação de qualquer recolhimento; No período 02/2001 a 09/2004, o viceprefeito nunca foi declarado em GFIP e o prefeito deixou de ser declarado em 01/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003 e 06/2003, havendo recolhimentos compatíveis com as GFIP para as demais competências; Na Câmara Municipal, apesar dos vereadores terem sido declarados em GFIP desde 01/1999, foi apresentado Ofício 048/2006 do Presidente da Câmara à época Sr. Hudson Torigoe de Moura (junto com a Memória de Cálculos) explicando que os recolhimentos sobre os subsídios dos vereadores começaram a ser descontados em 06/1999; Analisando os valores que constam nos sistemas da RFB para o CNPJ da Câmara Municipal, não existem recolhimentos para as competências de 08/1999 a 06/2000, 11 e 12/2000, 09/2001 a 04/2003, 05/2004 e 07 a 09/2004. Fl. 1902DF CARF MF 12 4.3.3. Como conclusão dos valores apurados na Planilha 3, temos que o valor originário total declarado pelo sujeito passivo foi de R$ 331.784,68, enquanto que o valor originário total apurado em função dos recolhimentos comprovados foi de R$ 110.446,95 ou seja, 1/3 do apresentado na Memória de Cálculos do Município de Itaporanga. 4.3.4. A taxa SELIC é a única forma de atualização dos valores a serem restituídos ou compensados. A matéria encontrase regulamentada pelo artigo 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme abaixo: [...] 4.3.5. Na Memória de Cálculos apresentada, os valores originários pretensamente compensáveis pelo sujeito passivo estão corrigidos corretamente pela taxa SELIC acumulada até a competência de 09/2006, atingindo o valor de R$ 604.335,56. Após iniciada a compensação em 11/2006, o saldo a compensar também é passível de atualização pela taxa SELIC, porém o Município de Itaporanga extrapolou esta atualização de forma acentuada, conforme demonstrado na Planilha 4 do Anexo Único. Observase que em 11/2008 o saldo a compensar já seria ultrapassado, mas continuaram sendo feitas compensações até 11/2009. Se fosse aplicado o valor apurado na Planilha 3, que corrigido até 11/2006 seria de R$ 180.455,07, o saldo a compensar seria ultrapassado em 07/2007, de acordo com a Planilha 5 do Anexo Único. 4.3.6. As demonstrações efetuadas nas Planilhas 3, 4 e 5 tem por objetivo a comprovação de crime por parte do Município de Itaporanga – Prefeitura Municipal. Se fossem desconsideradas as questões legais da prescrição e da obrigatoriedade de retificação das GFIP, provouse que o valor total compensado foi muito superior ao recolhido indevidamente em função de bases de cálculo majoradas, de recolhimentos não comprovados e de atualização do saldo a compensar por índices acima da taxa SELIC. Bastanos uma leitura das informações acima, transcritas do termo de verificação fiscal, para entender que não simplesmente equivocou se o autuado em relação as competências alcançadas pela prescrição, nem tampouco, fundamentou o auditor o lançamento e a aplicação da multa isolada simplesmente na ausência de retificação da GFIP, mas principalmente na ausência de demonstração de ter efetivamente recolhido a contribuição dos agentes políticos, que declarou em GFIP ter direito líquido e certo a compensação. Ademais, ainda que se falasse em direito (caso tivesse comprovado o recolhimento), descreveu ainda o auditor que a aplicação da taxa SELIC, foi utilizada de forma abusiva, digase fato não comprovadamente rebatido pelo recorrente. Entendo que deve o auditor, analisando pontualmente cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Ou seja, concordo que compete ao auditor apontar efetivamente a falsidade, o que no caso dos autos, entendo ter a autoridade fiscal demonostrado. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 8 13 Notese que o legislador não exigiu a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, nem mesmo dolo, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, da Lei nº 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1904DF CARF MF 14 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, mencione a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito, e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições sem efetivamente comprovar o recolhimento indevido, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração no meu entender. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 9 15 Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996 Podemos concluir que, na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, considerandose válida a exigência em tela. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1906DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.005187/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 51 87 /2 00 7- 18 Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1335DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.003623/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS NÃO APURADOS PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a não homologação de declaração de compensação na qual o alegado direito creditório trazido à compensação é de natureza não tributária e, além disso, o crédito não foi apurado pelo próprio sujeito passivo, mas por terceiros, e posteriormente adquirido mediante cessão de créditos.
Numero da decisão: 1301-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS NÃO APURADOS PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. Correta a não homologação de declaração de compensação na qual o alegado direito creditório trazido à compensação é de natureza não tributária e, além disso, o crédito não foi apurado pelo próprio sujeito passivo, mas por terceiros, e posteriormente adquirido mediante cessão de créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 36 23 /2 00 5- 18 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10183.003623/200518 Acórdão n.º 1301002.164 S1C3T1 Fl. 248 2 DISMAFE DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS E FERRAMENTAS S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Dismafe Distribuidora de Máquinas e Ferramentas S/A, acima qualificada, apresentou a DCOMP n. 22234.44161.210704.1.3.570773 (f. 02 a 16), pela qual pretende compensar débitos de contribuição para o PIS e COFINS de diversos períodos de apuração dos anoscalendário 2003 e 2004. O crédito, conforme declaração, é oriundo da ação de repetição de indébito n. 90.00006287 que tramitou na 3ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco. A compensação não foi homologada, conforme Despacho Decisório DRF/CBA n. 394 (f. 113 a 121), assim ementado: Não há previsão legal para compensar crédito não tributário e cedido por terceiros, com débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A sistemática prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 alcança apenas as compensações efetuadas nos estritos termos desse diploma legal. A ciência quanto ao Despacho Decisório ocorreu em 12 de maio de 2006, conforme Aviso de Recebimento de f. 137. Em 9 de junho de 2006 foi protocolada a manifestação de inconformidade de f. 145 a 164, pela qual a interessada, em apertada síntese, aduz: a) é cessionária de direito de crédito oriundo de precatório já emitido e que está sendo cumprido; b) o direito à cessão de crédito, no caso de precatórios, está disciplinado pelo art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, acrescido pela Emenda Constitucional n. 30/2000; c) o Código Tributário Nacional não faz restrições à natureza dos créditos nem ao vencimento, exigindo apenas que sejam líquidos e certos; d) que créditos próprios, conforme dispõe o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, são aqueles de propriedade do contribuinte, sendo irrelevante se essa propriedade seja originária ou por aquisição; e) na época em que realizada a compensação não existia previsão em lei que vedasse a utilização de precatórios como crédito; f) a DIORT/DRF/CBA negou cumprimento a uma ordem judicial a não acatar despacho judicial que se encontrava em vigor; g) somente a Lei n. 11.051, de 29 de dezembro de 2004, é que veio restringir a compensação com precatórios, criando a figura da compensação nãodeclarada; h) os créditos tributários relativos aos tributos compensados devem ter sua exigibilidade suspensa até o encerramento do litígio; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10183.003623/200518 Acórdão n.º 1301002.164 S1C3T1 Fl. 249 3 i) é absurda a proposta de aplicação da multa isolada. Ao final, é requerida a aplicação do despacho judicial em vigor, reconhecendose o direito da empresa à compensação e a sustação do lançamento relativo à multa isolada. São requeridas, ainda, a produção de provas e diligências que a turma julgadora entender necessárias. Foram juntados aos autos documentos societários (f. 167 a 188). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0413.354, de 14/12/2007 (fls. 199/209), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE MULTA ISOLADA. Não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento a determinação da suspensão de exigibilidade dos créditos tributários compensados por meio de DCOMP. Estando o lançamento relativo à multa isolada autuado sob outro processo, naquele será analisada a impugnação respectiva não cabendo neste a discussão sobre a matéria. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Só pode haver compensação tributária em estrita observância dos ditames da legislação. Créditos de natureza não tributária, cujo detentor é cessionário, não se enquadram nas condições estabelecidas pela legislação para que possam ser compensados com débitos de contribuição para o PIS e COFINS. Ciente da decisão de primeira instância em 07/01/2008, conforme documento de fl. 211, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 01/02/2008 (registro de recepção à fl. 216, razões de recurso às fls. 216/236), mediante o qual oferece, mais ou menos com as mesmas palavras, os mesmos argumentos já trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10183.003623/200518 Acórdão n.º 1301002.164 S1C3T1 Fl. 250 4 Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) na qual os alegados direitos creditórios trazidos pelo contribuinte foram obtidos na ação de repetição de indébito n. 90.00006287 que tramitou na 3ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco. O objeto da ação são subsídios devidos às usinas pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool IAA. A proponente da ação é a empresa AGICAM Agroindústria do Camaratuba S/A, a qual, posteriormente, cedeu seus direitos de crédito naquela demanda judicial à interessada neste processo Dismafe. A compensação foi negada pela DRF Cuiabá/MT mediante o Despacho Decisório de fls. 116/124, decisão confirmada em primeira instância pela DRJ Campo Grande/MS (fls. 199/209). Os principais fundamentos em que se apoia a negativa são a constatação de que os créditos são de natureza não tributária e o fato de que a interessada não é a detentora original dos créditos, mas sim que os adquiriu de terceiros. A compensação em matéria tributária tem seu fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional, confirase: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O CTN estabelece, então, como condição inicial, que os créditos do sujeito passivo se revistam de liquidez e certeza para que possam ser trazidos à compensação, com a pretensão de se contrapor a créditos tributários para assim extinguilos. Mas o atendimento a esse requisito inicial não é suficiente. Ao contrário, o mesmo dispositivo afirma que caberá à lei fixar condições e garantias que entender cabíveis, ou atribuir tal estipulação à autoridade administrativa. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veio ao mundo jurídico para cumprir esse propósito. Confirase sua redação na data (21/07/2004) em que apresentada a DCOMP discutida nos presentes autos (grifos não constam do original): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) No texto acima transcrito já se encontram razões suficientes para que as pretensões da ora recorrente não sejam aceitas. Em primeiro lugar, é expresso que os créditos a que se refere o dispositivo devem ser relativos a "tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal", o que, por certo, não é o caso da correção monetária de subsídios devidos pelo extinto IAA às usinas. Não se tratando de direitos creditórios de natureza tributária, incabível a pretensão de usálos em compensação. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10183.003623/200518 Acórdão n.º 1301002.164 S1C3T1 Fl. 251 5 Em segundo lugar, o texto legal estabelece que o sujeito passivo que pode se habilitar à compensação é aquele "que apurar crédito". Com isso, o entendimento é que esse crédito tem que ter sido apurado pelo próprio sujeito passivo, em sua escrita contábil/fiscal, em decorrência de suas próprias operações. Afastase, pois, a possibilidade de que o direito creditório a ser apresentado à compensação tenha sido adquirido de terceiros. Não se pretende com isso, por óbvio, negar os efeitos civis e processuais civis do instituto da cessão de créditos, mas limitar tais efeitos àquelas esferas, não os trazendo para o âmbito tributário. No caso concreto, quem apurou os créditos foi a AGICAM Agroindústria do Camaratuba S/A, e quem trouxe os créditos à compensação foi a interessada Dismafe, pessoa jurídica distinta daquela. Também essa constatação impede a homologação da compensação declarada. Com isso, resta evidenciado que a compensação declarada pela interessada se fez em descumprimento das disposições legais que regem a matéria, ao contrário do que afirma em seu recurso. Feitas essas considerações, a decisão recorrida se sustenta por seus próprios fundamentos, expendidos às fls. 203/209, os quais considero desnecessário reproduzir aqui. Quanto à questão da suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da compensação até o final do litígio, os termos do recurso deixam claro o entendimento da própria interessada de que tal matéria é da competência do Delegado da Receita Federal de sua jurisdição. Quanto às alegações contrárias à exigência de multa isolada, serão tratadas nos autos do processo administrativo nº 10183.002729/200677, a ser julgado por este Colegiado nesta mesma data. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10845.000611/2004-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS.
Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.
Numero da decisão: 9101-001.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Plínio Rodrigues Lima
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Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Plínio Rodrigues Lima – Relator. EDITADO EM: 14/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 06 11 /2 00 4- 10 2 Relatório Consta do Relatório do Acórdão recorrido às Fls. 362 a 363: Cuidase de Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte Reno Comércio de Alimentos Ltda., por meio do qual pretende ver reformada decisão proferida pela 1a Turma da DRJ de Belém/PA. Versa o processo em análise acerca de auto de infração (fls. 04 a 05) lavrado em desfavor da recorrente para ajustar a base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas atinente aos anos calendário 1999, 2000, 2001 e 2002. Depreendese do Termo de Verificação Fiscal encartado às folhas 10 a 13, resumidamente, que a recorrente não teria observado os limites máximos de dedução com despesas de royalties na base de cálculo do IRPJ, tendo em conta o disposto nos artigos 74 da Lei n°. 3.470/58 e 12 da Lei n°. 4.131/62 combinado com as portarias MF 436/58, 113/59, 314/70 e 60/94. A par disso, de bom alvitre registrar singelamente os fatos narrados no aludido Termo de Verificação Fiscal. Lá consignou se que a recorrente é empresa subfranqueada do sistema "MCDonald's, e nessa condição fez constar nas DIPJ's pertinentes aos anos calendários 1999 a 2002, na linha referente a despesas com royalties no pais, valores que desconsideraram o limite legal de 4% para dedutibilidade. Em decorrência disso, relembrou a autoridade administrativa, que o artigo 352 do RIR/99 admite a dedução de despesas com royalties quando esta for necessária para que o contribuinte mantenha a posse ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento. Nessa ordem de idéias, e relembrando a disposição do artigo 355 do RIR/99, aduziuse que os coeficientes percentuais máximos para as deduções previstas no dito artigo foram estabelecidos pelo Ministro da Fazenda nas Portarias 436/58, 113/59, 314/70 e 60/64. Em análise do panorama normativo que segundo a Fiscalização impunha A. recorrente o limite de 4%, constatouse que os valores deduzidos como despesas operacionais foram superiores consoante quadro demonstrativo de folha 12. Os valores não dedutíveis, portanto, foram objeto do auto de infração para os fins de ajustar a base de cálculo do IRPJ, porquanto existiam prejuízos fiscais no período. Ciente do lançamento (fl. 04) a recorrente apresentou Impugnação (fls. 279 a 292). De início teceu esclarecimentos acerca do regime de contratação das franquias "McDonald's, concluindo por afirmar que além da licença de uso de marca, há uma série de obrigações entre as partes, porquanto se dispõe colaboração mútua nos termos contratualmente estipulados, contrato que a seu turno, obriga a franqueadora a prestar Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 3 3 assessoria periódica, comunicando os conhecimentos especializados, novos desenvolvimentos, técnicas e aperfeiçoamento nas áreas de projeto e construção dos restaurantes, fabricação de equipamentos, gerenciamento, preparação de alimentos e serviços de atendimento pertinentes às operações do restaurante. A contraprestação, por óbvio, é consistente no pagamento dos royalties. Com essas notações propedêuticas, a recorrente passou a arrazoar acerca da dedutibilidade das tais despesas (royalties), afirmando, destarte, que o entendimento da Fiscalização decorreria de interpretação equivocada do quadro normativo vigente, tendo em conta a nova disciplina jurídica dos contratos de franquia estabelecida pela Lei n°. 8.955/94, que a seu turno utilizaria a expressão royalties em acepção diversa daquela adotada pela legislação tributária editada nos idos de 1958 (na qual se funda a autuação), devendose ser observado o conceito elastecido pela lei inovadora. A par dessas considerações, afirmou a recorrente que as limitações à dedutibilidade de despesas com royalties não mais poderiam ser aplicadas indistintamente a todas as relações de franquia celebradas entre particulares, devendo excluirse dessa limitação aquelas cujo objeto seja muito mais amplo e complexo do que a mera licença de uso de marca e serviços de assistência. Isso se justificaria por dois motivos. Primeiro deles se deveria porque o artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, teria sido revogado tacitamente pela Lei n°. 4.506/64, nos moldes do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, porquanto a matéria foi inteiramente disciplinada por lei ulterior. Segundo ponto a reafirmar o entendimento da recorrente se deveria à amplitude do conceito trazido pela Lei de Franquia Empresarial. Não bastasse isso, as limitações à dedutibilidade de royalties não encontrariam fundamento de validade no direito positivo, posto que a apuração da renda tributável exige a consideração de todas as despesas necessárias incorridas pela pessoa jurídica, nos termos do artigo 153 da Constituição da República. Conheceu da Impugnação a Primeira Turma da DRJ de Belém/PA, que nos termos do acórdão e voto de folhas 321 a 325 julgou o lançamento procedente, fundamentando para tanto, que as deduções com royalties obedecem os limites máximos estabelecidos no artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, ocorrendo que o artigo 71 da Lei n°. 4.506/64, ao estabelecer modificações em relação a dedutibilidade não o revogou, apenas delimitou seu alcance. Afirmouse de igual forma, não prosperar o entendimento da recorrente de que por ser mais amplo, o sentido de royalties a ser utilizado para fins de dedutibilidade seria aquele descrito na Lei n°. 9.955/94, assim entendeu a ilustrada Turma faltar qualquer amparo legal que sustentasse esse entendimento, além 4 do que, em razão da vinculação da atividade da administração pública, ficaria vedado que o julgador administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente. Igual fundamento utilizou a decisão recorrida ao enfrentar o argumento da recorrente de que as limitações à dedutibilidade de royalties não encontram fundamento de validade no direito positivo, posto que a renda tributável exige a consideração de todas as despesas necessárias incorridas pela pessoa jurídica, na forma do artigo 153, III da Constituição da República, reafirmandose não ser aquela sede acertada para discutirse a negação de vigência e eficácia dos preceitos e normas postas, e de mais a mais, as leis vigentes gozariam de presunção de legalidade e constitucionalidade. Quanto ao acúmulo de coeficientes de dedutibilidade estabelecidos pela Portaria MF n° 436/58, entendeuse pela não aplicação ao caso concreto, conquanto, a recorrente apresenta às folhas 188 a 221, um único contrato de franquia com abjeto a aquisição do direito de explorar um Restaurante McDonald's, que a seu turno, prevê um único tipo de royalties de acordo com a divisão estabelecida pela aludida Portaria. O dito tipo de royalties seria aquele previsto no item 2 (produtos alimentares) do 2° grupo o qual estabelece coeficiente máximo de dedução de 4%, isso porque nos termos do inciso II da citada Portaria, a utilização do coeficiente de 1%, pelo uso da marca industrial ou nome de comércio, só é possível quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização da patente, processo ou fórmula de fabricação, o que não seria o caso dos autos. Diante disso, concluiuse que a recorrente de fato empregou erroneamente o percentual de 5%, como se fosse resultante da soma entre os coeficientes de 4%, para os royalties de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, e 1% para os royalties de uso de marca, sendo por tudo, procedente o ajuste efetuado na base de cálculo do Imposto de Renda. Cientificada do lançamento (fl. 327), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 328 — 345), invocando como razões de recorrer o conceito de franquia e de royalties e a ausência de fundamentação legal do lançamento tributário, e novamente insistindo na revogação tácita do artigo 74 da Lei n° 3.470/58, ou alternativamente a aplicação cumulativa dos coeficientes percentuais da Portaria MF 436/58, pugnando ao fim por provimento. Assim decidiu a Câmara a quo, nos termos do voto vencedor: O dito tipo de royalties é aquele previsto no item 2 (produtos alimentares) do 2° grupo o qual estabelece coeficiente máximo de dedução de 4%, isso porque nos termos do inciso II da citada Portaria, a utilização do coeficiente de 1%, pelo uso da marca industrial ou nome de comércio, só é possível quando o uso da Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 4 5 marca ou nome não seja decorrente da utilização da patente, processo ou fórmula de fabricação, o que não é o caso dos autos. Diante disso, concluiuse que a recorrente de fato empregou erroneamente o percentual de 5%, como se fosse resultante da soma entre os coeficientes de 4%, para os royalties de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, e 1% para os royalties de uso de marca, sendo por tudo, procedente o ajuste efetuado na base de cálculo do Imposto de Renda. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Cientificada do Acórdão em Recurso Voluntário em 30/08/2010, a Recorrente interpôs o presente recurso em 14/09/2010, com base em divergência entre o decidido pela Câmara a quo e decisões de outra Câmara, argumentando em síntese (Fls. 378): Logo, conforme restou alegado e comprovado, o contrato de franquia da Recorrente envolve inúmeros negócios jurídicos e não se restringe ao disposto na Portaria ME 436/58, pois os conceitos de franquia e de royalties do caso concreto não se subsumem ao disposto na Lei n° 3.470/58, mas sim a Lei n° 8.955/94. Desta feita, as limitações à dedutibilidade de despesas com royalties do artigo 74 da Lei n° 3.470/58 e da Portaria MF 436/58 não se aplicam a situação da Recorrente, que 6, reitere se, disciplinada expressamente pela Lei n° 8.955194. Admitido o presente recurso (Fls. 431 a 433), após a ciência, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (Fls. 436 a 444), argumentando em síntese: De fato, os royalties em discussão estão previstos no item I, 2° grupo, tipo 2, da Portaria MF n° 436/58, qual seja, royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação — produtos alimentares. Isso ocorre porque, no caso do item 1, os royalties são pagos a fim de garantir ao franqueado o direito de, além de utilizarse da marca do franqueador em quaisquer produtos (o que seria o caso do item II da Portaria), fabricar ou comercializar os mesmos produtos por ele fabricados ou comercializados e adotar o mesmo processo de fabricação e comercialização. É relatório. 6 Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra decisão da Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário, por meio do Acórdão n° 180200426, transcrita a seguir sua ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LIMITES PARA PAGAMENTO A DOMICILA DOS NO PAÍS. O art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora haja estabelecido modificações, no que concerne à dedutibilidade de despesas de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance." O juízo de conhecimento do presente Recurso fundamentase no disposto no art. 67, do Anexo II, do Regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria préquestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 5 7 colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. O presente recurso é tempestivo como se pode observar nos autos às fls. 370 e 371. Deve a Recorrente, portanto, demonstrar que houve, entre os Acórdãos recorrido e paradigma conclusões distintas para situações fáticas semelhantes. Anexou, como primeiro paradigma, o Acórdão n° 10516140, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa: CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS ALUGUEL DE VEÍCULO Mantémse a autuação quando o contribuinte não lograr êxito na comprovação das despesas, tanto no que respeita à sua correspondência contratual quanto à sua efetiva realização. FRANQUIA PAGAMENTO DE ROYALTIES LIMITE DE DEDUTIBILIDADE O pagamento da remuneração proporcional ao faturamento previsto nos contratos de franquia McDonalcl's se enquadra no conceito de Royalties. Porém a complexidade do sistema não permite a simples aplicação do limite previsto no inciso II da Portaria n° 436/58 e suas modificações, prevalecendo o percentual previsto no caput do artigo 294 do RIR194. Assim expôs a Recorrente: Importa ressaltar, nesse contexto, que a Recorrente traz em suas razões de forma especifica, a impossibilidade jurídica da fiscalização desconsiderar a aplicação da Lei 8.955/94, e impor lhe a glosa pretendida. E, a corroborar as Razões deste Recurso Especial, quanto às especificidades que permeiam o contrato por 8 ela celebrado com a Franqueadora, vejase termos do acórdão paradigma (doc. 03). PARADIGMA — Acórdão 10516.140 (...) Porém, o contrato que regula a relação entre a recorrente e a franqueadora encontra regulação legal na Lei 8.955/94 que "Dispõe sobre o contrato de franquia empresarial (franchising) e dá outras providências”(DOU 16.12.1994). E, além de estipular que (art. 1°) "Os contratos de franquia são disciplinados por esta lei", define em seu artigo 2° o conceito adotado para definira atividade de franquia: Art. 2°. Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso da marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusive ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. Aqui começam a se expor as diferenças entre o simples uso de marcas de indústria ou de comércio ou nome comercial e a atividade complexa de franquia, que se caracteriza pelo apoio mercadológico, acompanhamento e estruturação administrative e auditoria de procedimentos, entre outras imposições contratuais. Isso fica mais claro quanto se examine o contrato de franquia, pelo qual se manifesta a cessão do direito de operar um restaurante McDonald's obedecendo aos princípios que constituem o "Sistema McDonald's" (...) Os direitos e obrigações, entre os quais operar direta e exclusivamente o restaurante, sem poder participar de outros negócios, morar na cidade onde se localiza o restaurante e se dedicar pessoalmente a ele dotam o contrato de características próprias, diferentes de simples uso de marca ou nome comercial. Tamanha é a dependências do franqueado ao franqueador que se faz necessário inserir no contrato uma cláusula pela qual se afirma objetivamente que o franqueado não é agente ou preposto do franqueador. O acondicionamento operacional do franqueado ao franqueador obedece a rigorosos comandos, entre os quais se ressalta a existência contratual de um depósito financeiro (Clausula 22) vinculado à cláusula de garantia de desempenho. Diante dessas ponderações surge a visível possibilidade de ter a fiscalização enquadrado de forma equivocada a atividade considerada, restando comparála com owas previstas na legislação de regência para concluir sobre o acerto da tributação. ACÓRDÃO RECORRIDO VOTO DE QUALIDADE (fls. 365 dos autos): Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 6 9 (..) Ademais, não se pode confundir o tratamento geral conferido pela Lei n° 8.955/94, com a especificidade da dedutibilidade de despesas com royalties pare fins de apuração do lucro real, e, por conseguinte, do imposto devido. Ainda que os conceitos da lei superveniente tenham elastecido a conceituação de franquias e até mesmo dos royalties, tenha este a definição que tiver, sua dedutibilidade estará condicionada aos moldes especificamente fixados, salvo, se houver modificação, quanto ao coeficiente ou regra mento especifico no campo da dedutibilidade (o que se verá nas linhas seguintes), o que não ocorre como sugerido pela recorrente. Vale dizer, portanto, que pouco importa a dimensão do instituto, sua dedutibilidade é condicionada. Se a legislação é obsoleta, arcaica e seus conceitos não acompanharam as inovações da sociedade, é celeuma que se reserva para discussão em outro palco, que não a estreita via de apreciação das autoridades administrativas, a quem compete tão somente zelar pelo cumprimento da estrita legalidade, razoa(sic) pela qual, não há que se falar em inaplicabilidade da limitação por verificado eslastecimento no conceito de royalties dado por lei superveniente.(g.n.) 19. Ou seja, pelo transcrito acima, exsurge o ponto de divergência entre a decisão paradigmática e o decidido no presente caso, comprovandose a divergência jurisprudencial. 20. Nos acórdãos paradigma, os julgamentos, reconheceram a aplicação da Lei 8.955/94 em caso idêntico à outras franqueadas do "Sistema McDonald's", fato que esta sendo totalmente desconsiderado in casu. 21. Logo, conforme restou alegado e comprovado, o contrato de franquia da Recorrente envolve inúmeros negócios jurídicos e não se restringe ao disposto na Portaria ME 436/58, pois os conceitos de franquia e de royalties do caso concreto não se subsumem ao disposto na Lei n° 3.470/58, mas sim a Lei n° 8.955/94. 22. Desta feita, as limitações à dedutibilidade de despesas com royalties do artigo 74 da Lei n° 3.470/58 e da Portaria MF 436/58 não se aplicam a situação da Recorrente, que 6, reitere se, disciplinada expressamente pela Lei n° 8.955194. Comparandose os fatos do Acórdão recorrido com o do primeiro paradigma, observase que neste a fiscalização procedeu ao lançamento nos seguintes termos: Os coeficientes percentuais admitidos para as deduções foram estabelecidos na Portaria n° 436/58, cujo inciso II, determina que os royalties, pelo uso de marcas de indústria e comércio ou nome comercial, em qualquer tipo de produção ou atividade, quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização de patente, processo ou fórmula de fabricação, cujo limite de dedução como despesa operacional é de 1% limite 10 analisado e abordado no Parecer Normativo CST n° 117/75, no seu item 05 A partir da análise do conceito de royalties, o paradigma conduz o seu entendimento pela não aplicação do percentual de 1% (inciso II da Portaria) para o correpondente caso em razão da complexidade dos direitos e serviços disponibilizados pela franqueadora e da ausência de regulamentação administrativa com previsão do percentual aplicável, resultando na aplicação do art. 294 do RIR/94, caput, com matriz legal no art. 74 da Lei n° 3.470/58; art. 12 da Lei n° 4.131/62 e art. 6° do Decretolei n° 1.730/79, ou seja o percentual de 5% indicado como limite de dedutibilidade. Por sua vez, naquele Acórdão consta do Termo de Verificação Fiscal (Fls. 10 a 13) que a recorrente não teria observado os limites máximos de dedução com despesas de royalties na base de cálculo do IRPJ, tendo em conta o disposto nos artigos 74 da Lei n°. 3.470/58 e 12 da Lei n°. 4.131/62 combinado com as portarias MF 436/58, 113/59, 314/70 e 60/94, impondose à Recorrente o limite de 4% (inciso I). Nas razões recursais do Recurso Voluntário, pugnou a Recorrente pela aplicação cumulativa dos coeficientes percentuais da Portaria MF 436/58 (inciso I + inciso II). Em momento algum, o referido acórdão desconsiderou totalmente o disposto na Lei n° 8.955/94. Sobre o assunto esclarecenos o voto vencido, da lavra do I. Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, da r. decisão recorrida (Fls. 365): Ademais, não se pode confundir o tratamento geral conferido pela Lei n°. 8.955/94, com a especificidade da dedutibilidade de despesas com royalties para fins de apuração do lucro real e, por conseguinte, do imposto devido. Ainda que os conceitos da lei superveniente tenham elastecido a conceituação de franquias e até mesmo dos royalties, tenha este a definição que tiver, sua dedutibilidade estará condicionada aos moldes especificamente fixados, salvo, se houver modificação quanto ao coeficiente ou regramento especifico no campo da dedutibilidade (o que se verá nas linhas seguintes), o que não ocorre como sugerido pela recorrente. Ao contrário do afirmado pela Recorente, a matriz legal em que se baseou o paradigma para decidir sobre o percentual de dedução não foi a Lei n° 8.955/94, mas a mesma do Acórdão recorrido, situandose este dentro da regulamentação administrativa dos percentuais de dedutibilidade, eis que o contribuinte pugna pela cumulatividade, enquanto aquele considera ausente a referida regulamentação e aplica exclusivamente o limite de 5%. Como segundo Paradigma, a Recorrente anexou o Acórdão n° 10322841, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa: FRANQUIA DESPESAS COM ROYALTIES DEDUTIBILIDADE – As despesas com royalties são dedutiveis na apuração do lucro real sujeito ao imposto de renda, porque necessárias à manutenção da franquia. Neste caso, autuada requereu a dedutibilidade no limite de 4% (inciso I) previsto para os produtos alimentares, na mesma linha do decidido pelo Acórdão recorrido, pois, a Fiscalização lançou com base no percentual de 1% (inciso II). Não há que se falar, por conseguinte, em contradição. Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 7 11 A jurisprudência deste E. Colegiado conduzse no sentido de que não há que se falar em divergência para situações fáticas distintas. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Pelo exposto, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER do presente recurso. Plínio Rodrigues Lima Relator
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Numero do processo: 12898.000210/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1103-000.107
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em determinar o sobrestamento nos termos do art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em determinar o sobrestamento nos termos do art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 00 21 0/ 20 10 -1 8 Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.004 2 Relatório Tratase de autos de infração de PIS e Cofins, anoscalendário 2005 a 2007, no total de R$ 11.708.745,10 (onze milhões, setecentos e oito mil, setecentos e quarenta e cinco reais e dez centavos) (fls.215/239), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício, aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), decorrentes da suspensão de isenção/imunidade tributária de que trata o processo nº 12898.000209/201085. A ciência dos autos de infração efetivouse em 08/09/10 (fls.247). Os fundamentos considerados pela fiscalização, atinentes à suspensão da isenção e aos lançamentos tributários, estão abaixo resumidos, conforme relatório constante da decisão recorrida: “[...] Segundo o relatório fiscal de fls. 187/206: 1. A interessada, no período de 2004 a 2007, entregou DIPJ como entidade cultural, sem oferecer receita para a tributação da Cofins, nada apurando e nem pagando a título de tal contribuição; 2. Em relação ao PIS, a interessada fez constar em DIPJ e DCTF como base de cálculo a "folha de salários” e recolheu 1% sobre esta; 3. Iniciada a auditoria em 15/12/2008, em abril de 2009 a Receita Federal recebeu, nos autos da Ação Popular n.° 2008.34.00.0154772, sentença judicial que determinava à União a adoção das "providências necessárias para a constituição dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal existentes em nome da CESGRANRIO relativos aos fatos geradores ocorridos entre os anos de 2003 a 2007”; 4. Anexo ao referido processo judicial constava o "Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais” n.° 17.403.4/002/2002 de 27/12/2002, da lavra do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), órgão do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS). Esse ato teria cancelado, desde 01/01/2001, a isenção da interessada sobre as contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei n.° 8.212/91, em razão do não atendimento ao art. 55, II da mesma lei; 5. O §1º daquele art.55 estabelece que a isenção das contribuições sociais, dentre elas a Cofins e o PIS, tem de ser requerida previamente ao INSS, do que decorreria que o mesmo órgão teria a atribuição de cancelamento do benefício, entendimento reforçado pelo art. 206, §8º do Decreto n.° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social); 6. A Lei n.° 9.732/98 acrescentou o §4º àquele mesmo art.55, incumbindo o INSS de cancelar a isenção aqui guerreada se verificado o descumprimento do disposto no artigo; 7. A teor da decisão notificação n.° 17.003/004/2002, do INSS, a interessada teve indeferido, pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), seu pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), cuja validade expirou em 31/12/2000. Entendeu o referido Conselho que houve descumprimento do preceito contido no art. 3º, VI, do Decreto n.° 2.536/98, ante a falta de comprovação da aplicação mínima de 20% da receita bruta em gratuidades, nos exercícios 1998 a 2000. A interessada recorreu da Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.005 3 decisão, por meio do pedido de reconsideração autuado no processo n.° 44006.002001/200101, pedindo, posteriormente, o arquivamento do mesmo; 8. Mediante requerimento protocolado sob o n.° 37280.001094/2002 15, a própria interessada formulou pedido de emissão do Ato Cancelatório já caracterizado neste relatório e em razão do qual lhe foi subtraída a isenção de pagamento de Contribuições Sociais com efeitos a partir de 01/01/2001. Não houve recurso ao ato administrativo; 9. Quanto à Cofins, a interessada nada declara e nem recolhe, fazendo constar da DIPJ base de cálculo igual a zero, o que caracterizaria sonegação de contribuição social e crime contra a ordem tributária, na forma do art.1º, I, Lei n.° 8.137/90 combinado com o art. 71 da Lei n.° 4.502/64; 10. Abordando a isenção de Cofins, o art. 14 da MP n.° 2.158 35/2001 desonera as receitas relativas às atividades próprias das entidades relacionadas no artigo que lhe antecede, dentre as quais as fundações de direito privado; 11. A IN SRF n.° 247/2002, em seu art. 47, §2º, definiu as receitas de atividades próprias como sendo "aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”; 12. As receitas da interessada têm caráter contraprestacional direto, pois são oriundas da prestação de serviços de avaliações em vestibulares e concursos públicos, pelo que não se enquadram no conceito trazido pela instrução normativa; 13. A interessada faz mas não recebe doações, embora haja previsão para tal fluxo de entrada de recursos em seu ato constitutivo. A inexistência de uma conta de receita para doações recebidas, quer na escrituração contábil, quer no plano de contas da instituição, corroboraria a observação fiscal; 14. A interessada auferiu receita operacional em valores iguais a R$137.460.607,09, R$100.226.275,50 e R$91.546.597,92, respectivamente, nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, contra um total de dispêndio em assistência social tais como, doações efetuadas, bolsas de estudos concedidas assistência promocional e projetos culturais de R$3.212.775,90, R$3.005.904,50 e R$3.144.559,92, o que representou, em números aproximados, sucessivamente, 2,5%, 3,0% e 3,5% daquelas receitas, portanto menos que os 20% exigidos pela legislação pertinente; 15. Estando em dívida com a Seguridade Social, a interessada, à luz do art. 195, §3º , da Constituição Federal (CF), não poderia contratar com o Poder Público. Tal fato, adicionado a tudo anteriormente exposto, permitiu a conclusão da fiscalização pela ocorrência de sonegação fiscal, na forma do art. 71 da Lei n.° 4.502/64; 16. No curso da análise da documentação da interessada, foi possível verificar que ela não podia gozar da isenção de IRPJ, como prevista no art. 15 da Lei n.° 9.532/97 e no art. 174 do Decreto n.° 3.000/99 (RIR/99), e tampouco poderia ser caracterizada como instituição de Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.006 4 educação, nos termos do art.150, VI, c, da CF e do art. 9º, IV, c, do CTN, para gozar de imunidade tributária. De tal constatação, resultaram representações fiscais que redundaram na lavratura dos atos declaratórios n.° 3/09 e 23/10, suspendendo a isenção da interessada, o primeiro, relativamente ao anocalendário 2004 e, o segundo, afeto ao período 2005 a 2007; 17. Quanto ao PIS, a interessada vinha recolhendo a contribuição sobre a folha de salários, na forma do art. 13 da MP 2.158 35/01. Contudo, tendo em vista a suspensão de sua isenção tributária, passou a dever o tributo incidente sobre o faturamento, como preconiza o Decreto n.° 4.524/02, art. 2º , I, "a” e § único, e art. 10; 18. Para as competências 01/2005 a 12/2007, as bases de cálculo foram determinadas conforme o art.2º, II e § único, combinado com os art. 10 e 22, todos do Decreto n.° 4.524/02, não tendo sido consideradas as receitas não operacionais. As alíquotas consideradas foram de 0,65% para o PIS e de 3% para a Cofins, com fulcro no art. 51 do mesmo decreto; 19. Os recolhimentos de PIS efetuados pela interessada foram abatidos dos valores lançados para o mesmo tributo; 20. A fonte dos valores que serviram à determinação das bases de cálculo foram os livros Diário e Razão, bem como os balancetes contábeis da conta "4.1.1.1 Receitas Operacionais”; e 21. Por não ter havido nem pagamento e nem declaração de valores de Cofins, bem em razão da suposta prática de sonegação fiscal desde 2001, entendeu a fiscalização que "o crédito lançado, relativamente ao ano calendário 2005 recai no artigo 173 I do Código Tributário Nacional.” Os lançamentos tributários foram mantidos pela Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), que recebeu a seguinte ementa (fls.1.625/1.639): LANÇAMENTO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. Há que se reconhecer o caráter imperativo da decisão judicial que determina à Fazenda a verificação do fato gerador, para, na ocorrência deste, efetuar o lançamento de tributo. Devidamente cientificado do acórdão em 22/09/11 (fl.1.641), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 14/10/11 (fls.1.655/1.730), em que sustenta, em síntese: Da nulidade do acórdão recorrido a decisão recorrida seria manifestamente insubsistente, devendo ser “sumariamente anulada”, por não ter enfrentado o argumento de defesa relacionado à nulidade do ADE nº 23/2010, especificamente pelo fato “...de a autoridade já ter exaurido sua competência ao apreciar a representação fiscal relativa aos exercícios de 2004 a 2007, e suspender apenas as desonerações correspondentes ao exercício de 2004, além de ostentar fundamentação deficiente, dificultando o direito de defesa do contribuinte”; vários dispositivos da Lei nº 9.784/99 teriam sido desrespeitados pela DRJ; a decisão recorrida, com violação à garantia constitucional da ampla defesa, teria deixado de apreciar argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade, bem como argumentos e provas Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.007 5 produzidas quando da impugnação, relacionados à comprovação de que se dedicaria a finalidades educacionais e culturais, que não distribuíra seus resultados a terceiros, que aplicara seus recursos no desenvolvimento de suas atividades no Brasil e que possuiria regular contabilidade; teria se colocado “...à disposição da autoridade para apresentar outros elementos que fossem julgados imprescindíveis para esclarecer a matéria fática envolvida”; “...a fundamentação adotada pelo ato declaratório carece de razoabilidade por contrariar flagrantemente a verdade material atestada por toda a documentação juntada neste feito. E, nessa medida, é nula, porque ao negarse a apreciar a prova e a enfrentar objetivamente as razões ofertadas pela Recorrente, cerceoulhe o direito de defesa, negoulhe a garantia do devido processo legal, além de violar o princípio da legalidade, da moralidade administrativa e da eficiência, assegurados no art.37 da CF”; Da natureza da Fundação Cesgranrio como entidade de fins educacionais e culturais, beneficiária da imunidade do art.150, VI, “c”, da CF, como de contribuições sociais destinadas à seguridade social – COFINS, art.195, §7º da CF sua origem remontaria a 12/10/71, quando o Ministério da Educação e Cultura firmou convênio com várias instituições de ensino do Rio de Janeiro, para constituir uma Comissão Central do Concurso Vestibular Regional do Grande Rio, denominada Centro de Seleção de Candidatos ao Ensino Superior do Grande Rio – CESGRANRIO, para a realização de concurso vestibular unificado na área do Grande Rio; em 04/01/73, transformouse em fundação privada – FUNDAÇÃO CESGRANRIO – com finalidade educacional, conforme escritura pública; recebera, em 04/09/73, o Atestado de Registro no antigo Conselho Nacional de Serviço Social/MEC, registro que se manteria no atual CNAS; em 14/03/80, o Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos do Conselho Nacional de Serviço Social/MEC; e em 27/08/85, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, com validade até 31/12/00; seria detentora, desde 08/07/76, do Título Declaratório de Utilidade Pública Estadual/RJ, e, desde 12/08/85, seria considerada Entidade de Utilidade Pública Federal; possuiria Certificado do Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS/RJ, bem como Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; “A correta observância dos seus fins sociais, bem como a exatidão das contas dos administradores da CESGRANRIO, é aferida periodicamente pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através de sua Promotoria de Justiça de Fundações, que expediu as Portarias PFSC n° 171/2004, PFSC nº 74/2006, PJFSFC nº 29/2008, PJFSFC nº 30/2008, PFSC nº 04/2009 e PFSC nº 01/2010, aprovando as contas da FUNDAÇÃO CESGRANRIO referentes aos exercícios de 2003 a 2008”; tais manifestações do Ministério Público confirmariam que a Fundação cumpre as disposições estatutárias que impedem a distribuição de seu patrimônio, que obrigam a aplicação integral no Brasil de seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais, e que impõem a manutenção de escrituração regular de receitas e despesas; o seu caráter educacional também adviria de Declaração do Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro; o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em várias decisões transitadas em julgado, já confirmara a sua natureza educacional; Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.008 6 o ex Ministro de Estado de Educação, Sr. Fernando Haddad, por ocasião do 38º aniversário da Fundação, teria manifestado o caráter educacional da entidade; as finalidades institucionais da Fundação estariam efetivamente ligadas à educação, tomada nos sentidos estrito e amplo; teria tido o reconhecimento dos programas de Mestrado e Doutorado, conforme Portaria MEC nº 73, de 17/01/07, expedida com base na Resolução CNE/CES nº 1, de 03/04/01, e no Parecer CNE/CES nº 267/2006, da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, aprovado pelo Conselho Técnico Científico – CTC da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES; no art.2º, III, do seu Estatuto, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, estaria prevista a criação de cursos de pósgraduação; dentre os seus 73 (setenta e três) empregados com curso superior, 22 (vinte e dois) seriam professores; a preocupação do legislador constitucional seria assegurar a educação em termos amplos (art.205 da CF/88), abrangendo toda e qualquer forma de acesso à cultura e à ciência (art.23, V, da CF/88), não se restringindo a aulas expositivas, inclusive em cursos de pósgraduação. As condições da necessária universalização do atendimento escolar e da melhoria da qualidade do ensino (art.214, II e III, da CF/88) teriam sido atendidas; nos termos do art.1º da Lei nº 9.394/96 (que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB), os processos de formação da educação desenvolverseiam em diversos locais (vida familiar, convivência comunitária, trabalho, instituições de ensino e pesquisa, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, manifestações culturais e desportivas); “...além das atividades acadêmicas propriamente ditas, a educação compreende a pesquisa e uma série de atividades de natureza científica (tais como realização de perícias para órgãos ou instituições públicas ou privadas, a análise de áreas de risco, para fins de acionamento da defesa civil, a certificação da higidez, para fins de exploração, de produtos fabricados por micro e pequenas empresas, e outras atividades correlatas) destinadas a apurar o que e como se aprendeu, no processo ensinoaprendizagem. Esta verificação denominase AVALIAÇÃO e se vale de técnicas de ponta e de tecnologias avançadas, entre as quais desponta a TRI – Teoria da Resposta ao Item, cuja introdução no Brasil, no MEC, nos sistemas de ensino e nas instituições educacionais, em geral, se deve às pesquisas e à ação da entidade”; no campo da “avaliação”, a Fundação, ao longo dos anos, como importante órgão de pesquisa educacional, promovera inúmeros cursos de especialização, divulgando técnicas de avaliação de aprendizagem, bem como simpósios, congressos, seminários e fóruns; seu caráter educacional estaria reforçado pela (a) concepção do Sistema de Avaliação Progressiva para Ingresso no Ensino Superior (SAPIENS), aprovado pelo Ministério da Educação, que autorizou sua aplicação, a partir de 1992, no Estado do Rio de Janeiro; e (b) pela criação do Fórum Educação – Cidadania – Sociedade, “espaço permanente de discussão de temas atuais com predominância na área de educação”, que possibilitou a realização, entre 1993 e 2007, de 30 fóruns; a revista Ensaio, com linha editorial voltada para avaliação e políticas públicas, seria distribuída gratuitamente, desde 1993, a todas as universidades brasileiras, Conselhos de Educação, Secretarias de Educação, bibliotecas e outras instituições; em 1994, teria introduzido no país a metodologia de comparação de desempenho de alunos da educação básica entre séries escolares, regiões brasileiras, o que possibilitou ao MEC Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.009 7 posicionar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB/95) em patamares internacionais; dentre os projetos de avaliação educacional desenvolvidos pela Fundação, ainda se destacaria a Avaliação Nacional de Rendimento Escolar (PROVA BRASIL), em 2005 e 2007; como instituição educacional também atuaria na capacitação de professores (1996 a 1999); “Para desenvolver projetos na área de cultura, criou, em sua estrutura, o Instituto Cultural Cesgranrio, que desenvolveu extensa programação cultural, no período de 1992 a 2002, realizando ou patrocinando eventos culturais [...]. Outro projeto desenvolvido, de grande alcance, foi o de Formação de Plateias, lançado em 1999, com o objetivo de promover o acesso dos estudantes às realizações culturais disponíveis no mercado”; a Fundação ainda seria responsável pela promoção de outros eventos culturais (v.g., RIOCULT – Rio, Cultura e Negócio 1995; Prêmio Cesgranrio de Cultura 97; Auto da Paixão 1998; avantpremière do filme O Quatrillo 1995; e programa Quinta Maior); Da inocorrência de distribuição patrimonial disfarçada das 15 (quinze) pessoas jurídicas que emitiram notas fiscais, consideradas inidôneas pela fiscalização, 11 (onze) estariam com situação “ativa”, uma como “baixada” após a prestação dos serviços, e três apareceriam inativas na atualidade; conforme comprovariam os documentos anexos, houve a efetiva realização dos serviços referidos nas notas fiscais; à Fundação caberia apenas a certificação no site da Receita Federal da situação das pessoas jurídicas contratadas; Da regularidade dos pagamentos efetuados pelos serviços prestados pela empresa Blason não representaria violação ao art.14, I, do CTN, a contratação de sociedade ligada a um dos seus diretores, sendo que os serviços, oferecidos em condições vantajosas, foram efetivamente prestados; antes mesmo de existir a Blason – Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, “...Em várias ocasiões, por conveniência dos clientes ou da Fundação Cesgranrio (estar com a sua sede impossibilitada de receber estranhos, devido a atividades sigilosas em curso concursos públicos e/ou avaliações), estes encontros se realizavam em conhecidos restaurantes do Rio de Janeiro, como o Alcaparra (Praia do Flamengo); Montecarlo (Copacabana), Antiquarius (Leblon); Porção de Ipanema (Ipanema); João de Barro (Centro); Photochart (Jockey Club da Gávea) e Quadrifoglio (Jardim Botânico) entre outros todos com refeições e serviços de qualidade, com relação custobenefício convidativa e compatível com os recursos da Fundação e com o nível dos clientes (preços variando de R$ 76,00 a R$ 126,00, por opção da refeição escolhida). Quando estes serviços se faziam necessários em sua sede, a alguns desses restaurantes era solicitado serviço de cattering. Com a mudança da sede da FUNDAÇÃO CESGRANRIO para o bairro Rio Comprido, região sabidamente cercada de favelas e de alto risco, muitos clientes passaram a preferir que estes encontros se realizassem em restaurantes.”; a partir de 2003, quando já existia a Blason – Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, várias reuniões passaram a nela ocorrer, dada a proximidade do estabelecimento com a Fundação, com o centro da cidade e com o aeroporto Santos Dumont, além de possuir características que os demais restaurantes da mesma categoria não ofertavam (v.g., salas privativas para almoço de Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.010 8 trabalho, recinto para exposições de planos de trabalho, oferta gratuita de equipamentos de fax e serviços de internet); tal estratégia de trabalho teria sido debatida com o seu Conselho Diretor e recomendada pelo próprio Conselho Fiscal da Instituição, conforme “Ata de 502ª Reunião do Conselho Diretor da Fundação Cesgranrio”; festividades, homenagens e sodalícios em datas marcantes sempre foram realizadas pela Fundação bem antes da existência da Blason – Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa; “...a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa (Blason) veio trazer uma série de conveniências: preços compatíveis com os demais, em muitos casos, até abaixo do mercado; não cobrança de aluguéis de espaços físicos, oferecidos como cortesia; desconto usual de 10% por ser a Fundação Cesgranrio; não cobrança de serviços de valet parking oferecidos como cortesia; não cobrança de serviços de segurança oferecidos como cortesia; decoração floral de mesas oferecida como cortesia; montagem de palcos ou equivalentes oferecida como cortesia. Em algumas ocasiões, quando necessário, a Fundação passou a contratar o serviço de cattering da BlasonCasa de Arte e Cultura Julieta de Serpa.” ; apenas passara a utilizar os serviços da Blason – Empreendimentos, Participações e Consultoria Ltda, cujo sócio é o Sr. Carlos Alberto Serpa de Oliveira, Presidente da Fundação, “após certificarse de que havia Editos da Provedoria de Fundações do Estado do Rio de Janeiro – órgão que examina, fiscaliza e aprova as contas da Fundação Cesgranrio , que orientam as ações das fundações e autorizam este tipo de procedimento, desde que com a mesma qualidade e com preços de mercado”, a exemplo do Edito 2/99; ao contrário de buscar ser remunerado mediante receitas da Fundação, o Presidente Carlos Alberto Serpa de Oliveira foi avalista pessoal de empréstimos para a Fundação, em valores que alcançaram 17 milhões de reais; não seria verdadeira a acusação de recusa de entrega de documentação no curso da fiscalização, sendo que as notas fiscais que o agente fazendário informa não ter recebido estão anexadas a estes recurso; Da compatibilidade entre a aquisição de obras de arte e o escopo cultural da entidade o fundamento de violação do art.14 do CTN, por ter adquirido objetos de arte nos valores de R$ 36.260,00 e R$ 48.600,00, nos anos de 2005 e 2007, respectivamente, não se sustentaria; a aquisição de obras de arte e antiguidades compatibilizase com os fins culturais da Fundação, não se destinando à mera decoração, como concluiu a fiscalização; “À evidência, tratandose de uma instituição que tem como uma de suas finalidades a cultura, a aquisição de obra de arte, além de incrementar o acervo patrimonial dedicado a esse escopo lembrese que se trata de uma FUNDAÇÃO, patrimônio posto a serviço de atividades de interesse social é, igualmente, de interesse público, na medida em que coloca essas obras ao alcance de toda a sociedade, que é uma forma de exercer a atividade cultural nos moldes do que se faz nos países mais desenvolvidos.”; Da imunidade relacionada às contribuições seria imune também com relação às contribuições destinadas à seguridade social, “...uma vez que realiza assistência social, possuindo registro no Conselho Nacional de Assistência Social, Declaração de Utilidade Pública Federal, Título de Utilidade Pública Estadual, Certificado do Conselho Municipal de Assistência Social CMAS/RJ e Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente”; Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.011 9 possuiria registro no CNAS, vez que, conforme art.1º, parágrafo único, da Resolução nº 31, de 24/02/99, expedida pelo Ministério da Previdência e Assistência Social – Conselho Nacional de Assistência Social, o atestado de registro seria válido por tempo indeterminado, não tendo a Fundação recebido qualquer intimação sobre o seu cancelamento; dentre as atividades de assistência social, destacarseiam os projetos Dois Toques, Semear e Jovens pela Paz; a fiscalização, ao apontar a realização de doações, na realidade teria comprovado também o caráter assistencialista da Fundação, conforme o seu Estatuto; a validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos teria expirado em 31/12/2000, sendo que a partir daquela data, por não atingir o percentual mínimo de 20% de sua receita bruta em benemerência, exigido pela União, optara por não renovar tal certificado (atual CEBAS); o fato de deixar de atender ao disposto no art.55 da Lei nº 8.212/91, não retiraria o seu direito à imunidade prevista no art.195, §7º, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). O conteúdo e alcance do conceito de “entidade beneficente de assistência social” teria sido definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao conceder liminar na ADI 2028; o art.195, §7º, da CF/88, por veicular imunidade, exigiria lei complementar, vez que “...esse tipo de desoneração configura uma limitação ao poder de tributar”. O STF já reconhecera que tal imunidade poderia ser regulada pelo art.14 do CTN, cujos requisitos vem sendo cumpridos pela Fundação; “...podese dizer que a entidade de educação será também uma entidade de assistência social, quando, a par de prestar serviços mediante contraprestação, também os ponha ao alcance de pessoas carentes, de forma gratuita ou subsidiada, na medida de suas possibilidades.”; Do direito à isenção da Cofins e ao recolhimento do PIS sobre a folha de salários faria jus, nos termos do art.195, §7º, da CF/88, da imunidade relacionada à Cofins, bem como teria o “...direito de recolher o PIS sobre a folha de salários, por ser entidade de assistência social e educação, sem finalidade de lucro”; apenas a lei complementar poderia impor limitações ao poder de tributar, a teor do art.146, II, da CF/88, conforme julgados do STF (RE 101.083 e MS 203820), de maneira que é o CTN quem deve regular a matéria, estando cumpridos os requisitos previstos em seu art.14; apenas para argumentar, mesmo que não fizesse jus à imunidade, seria isenta de Cofins e o PIS deveria incidir sobre a folha de salários e não sobre o faturamento; “...tem direito à isenção em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, conforme previsto no inciso X do artigo 14 c/c incisos IV e VIII do art.13 da MP nº 2.15835/2001, independente do disposto na IN/SRF nº 247/2002, artigo 47, II, 2º c/c art.9º, incisos IV e VIII. Da mesma forma, por ser uma instituição sem fins lucrativos, e imune ao IRPJ, não possuindo lucro, recolhe o PIS à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha de salários”; quanto ao art.13, III, da MP nº 2.15835, que trata da isenção da Cofins, “...tal benefício fiscal não foi outorgado apenas em relação às entidades de educação em sentido estrito, mas também às que se dedicam à educação em sentido amplo, abrangendo as entidades sem fins lucrativos (de ‘caráter filantrópico’) dedicados às atividades recreativas, culturais e científicas, consoante disposto no art.13, IV, da MP nº 2158 e 15 da Lei nº 9.532/97”; Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.012 10 “...na medida em que a MP nº 2158 condiciona o recolhimento do PIS e o gozo da isenção da Cofins ao preenchimento das condições do art.12 da Lei nº 9.532, que são meros desdobramentos daqueles previstos no art.14 do CTN, a conclusão que se impõe é que toda entidade de educação e cultura que faz jus à imunidade de impostos, fará jus, também, ao recolhimento do PIS à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha de salários, nos termos do art.13, III e IV, da MP nº 215835 e do art.12 da Lei nº 9.532/97 e, também, à isenção da COFINS, nos termos do art.14, X, c/c art.13, III e IV, da MP 215835 e dos arts.12 e 15 da Lei 9532/97”; “...tanto o art.13, III, VI e VIII, da MP nº 2.15835, como o art.12 da Lei nº 9.532/97 e o art.9º, incisos III, IV e VIII, da IN SRF nº 247/2002, nesse ponto, asseguram o direito da entidade de recolher o PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, exatamente como procedeu a impugnante”; tratandose de uma entidade sem fins lucrativos, não se poderia falar em faturamento; os dispositivos legais não vinculariam a isenção a determinadas receitas das entidades beneficiária, sendo ilegal a IN SRF nº 247/02, não podendo regulamentar o ato legislativo que outorga a isenção. Na realidade, aquele ato normativo restringira o alcance do benefício outorgado, sendo inconstitucional por ferir diretamente o art.150, §6º, da C/88; a MP nº 2.158 isentaria “...todas as receitas provenientes dos objetivos sociais da entidade, sejam contraprestacionais ou não, bastando que derivem de sua finalidade institucional”; a invalidade da IN SRF nº 247/02 estaria sendo reconhecida pelo Judiciário (sentenças proferidas nos processos nº 2006.6100.006.1521 e 2007.61.00.0022301; acórdão na Apelação Cível nº 2004.71.01.0010555); Da impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos com efeitos retroativos de acordo com art.146 do CTN, não poderia a fiscalização exigir Cofins sobre o faturamento com relação aos anos 2005 a 2007; a mudança de critério jurídico não poderia prejudicar o contribuinte, que agira em conformidade com entendimento anterior; Da multa de ofício “...o auto deve ser de plano anulado e suprimida a multa imposta, dado que nenhuma infração foi ela cometida, dado gozar de desoneração constitucional e legal”; Da ilegitimidade da SELIC reitera os termos da impugnação quanto à ilegitimidade da SELIC no cálculo dos juros moratórios. Da tribuna, e em memoriais distribuídos aos Conselheiros, além de reiterar os argumentos postos no recurso voluntário, o patrono do Recorrente requereu, com fundamento no art.62A, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento, igualmente como se decidiu no processo nº 12898.002360/200914, ou seja, “...até que o Supremo Tribunal Federal decida matéria que se encontra sob repercussão geral acerca da necessidade de lei complementar para regular a imunidade do art.195, §7º da CF e que poderá redundar no reconhecimento da inconstitucionalidade da legislação ordinária que, indevidamente, impôs requisitos ao gozo da desoneração constitucional, especialmente, do artigo 55, II da Lei 8212/91, conforme RREE 566.622 e 636.941”. É o relatório. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.013 11 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso, dele se conhece. PRELIMINAR Da nulidade do acórdão recorrido Sustenta o Recorrente que o acórdão a quo deveria ser declarado nulo, pois não teria enfrentado os argumentos de defesa relativos à nulidade do ADE nº 23/2010, especificamente pelo fato “...de a autoridade já ter exaurido sua competência ao apreciar a representação fiscal relativa aos exercícios de 2004 a 2007, e suspender apenas as desonerações correspondentes ao exercício de 2004, além de ostentar fundamentação deficiente, dificultando o direito de defesa do contribuinte”. Realmente, no acórdão recorrido, inexiste enfrentamento relacionado à nulidade do ADE nº 23/10, ao contrário do que constou do acórdão nº 1235.915, proferido pela mesma Oitava Turma da DRJ –Rio de Janeiro I (RJ). Tal omissão não foi despropositada, pois nas impugnações de fls.524/593 e 1.039/1.098 não se aventou a nulidade do ADE nº 23/10, alegação que, na realidade, constou das impugnações apresentadas no processo nº 12898.000209/201085, que trata dos autos de infração de IRPJ e CSLL. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade, houve sim, ao contrário do suscitado pelo Recorrente, enfrentamento por parte da DRJ. In verbis: “Da ilegalidade e da inconstitucionalidade Inicialmente cumpre destacar que transcendem o escopo do julgamento administrativo as arguições que versam sobre inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos, hierarquia de leis, bem como arbitrariedade ou injustiça de atos legais ou infralegais, dês que legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. São questões que exorbitam da competência legal desta instância julgadora, enquanto parte integrante da estrutura organizacional do Poder Executivo, ao qual não cabe analisar a validade ou a razoabilidade daquelas normas, mas zelar pela sua correta inteligência e adequada aplicação nos processos fiscais sob sua apreciação.” Acerca dos argumentos de defesa relacionados às atividades desempenhadas pelo Recorrente, a DRJ entendeu desnecessário apreciálas, vez que as autuações se sustentariam por fundamentos independentes. Senão, vejamos: “Na espécie, a interessada ataca o lançamento pela defesa de sua suposta imunidade das contribuições lançadas, conduta tão compreensível posto que, se assim fosse, não sofreria a exigência fiscal ora combatida como desnecessária já que não é o presente processo o veículo de discussão quanto a tal benefício fiscal, o que se faz nos autos do P.A. 12898.000209/201085. Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.014 12 A despeito da discussão quanto à natureza jurídica das atividades realizadas pela interessada, de sorte que ela possa ou não gozar de imunidade e/ou isenção – institutos tratados indistintamente nos autos – bem assim ao largo da questão da qual seria a formalidade necessária para declarála como fora do espectro do benefício fiscal, há que se reconhecer o caráter imperativo da decisão judicial que determinou ao Fisco a apuração e o lançamento de PIS e Cofins, sendo certo que, efetivamente, esse foi o comando que lhe excluiu a isenção. ..... Assim, a despeito do farto rol de argumentos de defesa, não há no que se reprovar o procedimento fiscal, fazendose mister frisar a desnecessidade de o julgador reportarse expressamente a todas as alegações deduzidas nos autos, devendo apenas firmar o seu posicionamento e decidir de maneira suficientemente fundamentada. Ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão na forma conduzida pelas partes, mas sim sustentado por seu convencimento jurídico, utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e, máxime, da legislação que entender aplicável ao caso.” Por tais razões, não há se falar em violação a dispositivos da Lei nº 9.784/99, mencionados pela defesa. Rejeito a preliminar de nulidade suscitada. MÉRITO No campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, dos autos de infração, constam as seguintes fundamentações: COFINS “I Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais número 17.403.4/002/2002 do INSS, cancelou a isenção das Contribuições Sociais de que tratam os artigos 22 e 23 (CSLL e COFINS) da Lei 8.212/1991, a contar de 01/01/2001. II O Ato Declaratório número 23 de 19 de março de 2010, do Delegado da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de Janeiro, suspendeu o Gozo da Isenção Tributária prevista no artigo 15, parágrafo primeiro da Lei 9.532/97, relativamente aos anos calendário 2005, 2006 e 2007 para a Fundação Cesgranrio. III Valores apurados conforme Decreto 4.524/2002 art.2, inciso II e parágrafo único, art.3,10, 22 e 51. IV Nos anos calendário 2005, 2006 e 2007, Cofins sem nenhum recolhimento e sem declaração no IRPJ e em DCTF.” PIS I O Ato Declaratório número 23 de 19 de março de 2010, do Delegado da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de Janeiro, suspendeu o Gozo da Isenção Tributária prevista no artigo 15, Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.015 13 parágrafo primeiro da Lei 9.532/97, relativamente aos anos calendário 2005, 2006 e 2007 para a Fundação Cesgranrio. II Valor apurado conforme Decreto 4524/2002 art.2 inciso I, alínea "a” e parágrafo único, art.3,10, 22 e 51. III Foram abatidos dos valores apurados, os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, a título de PIS (1% sobre a Folha de Salários), conforme DARF'S apresentados no código 8301, do período de apuração 31/01/2005 a 31/12/2007, confirmados na consulta RFB SINAL 07.” Notase, portanto, que a solução da presente controvérsia quanto ao mérito não se descola da discussão acerca do reconhecimento da isenção/imunidade, objeto do processo nº 12898.000209/201085. Assim, considerando que nesta assentada, o julgamento de tal processo foi sobrestado, conforme Resolução nº 1103000.106, os presentes autos devem seguir a mesma sorte. Ademais, a análise dos efeitos da decisão definitiva do STF em sede de repercussão geral, que justificou o sobrestamento daquele processo, deverá ser objeto de discussão nos presentes autos. À Secretaria da Primeira Câmara da Primeira Seção caberá, conforme disposto no art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012, aguardar a decisão definitiva de mérito do RE 566.622/RS pelo Supremo Tribunal Federal para só então devolver estes autos ao Relator para julgamento conjunto com o processo nº 12898.000209/201085. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e de SOBRESTAR o julgamento nos termos do art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012.. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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