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Numero do processo: 10855.723935/2011-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - COMPENSAÇÃO - REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE
Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP.
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização indevida. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e a Conselheira Ana Paula Fernandes, que dava provimento em menor extensão. A Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri acompanhou o relator pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Relator
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COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 39 35 /2 01 1- 21 Fl. 1892DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização indevida. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e a Conselheira Ana Paula Fernandes, que dava provimento em menor extensão. A Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri acompanhou o relator pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados Autos de Infração pela compensação indevida de contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/2007 a 12/2008, e para aplicação de multa isolada pela falsidade nas declarações, conforme determina o § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. Transcorrido o regular processo administrativo, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF exarou decisão dando parcial provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, por unanimidade de votos, para afastar a aplicação da multa isolada, ao argumento de que a fiscalização não comprovou o dolo do contribuinte. A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão, em 14/05/2013, interpôs, tempestivamente, recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em seu recurso a Fazenda Nacional traz paradigma donde se pode extrair que a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento entendeu que é desnecessária a configuração do dolo para a aplicação da penalidade prevista no § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91 Em suas razões a Fazenda Nacional argumenta, em síntese, que: · A aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento anormal do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude nos termos previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. Estas situações, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta. · Em relação às compensações promovidas nos autos, tal procedimento apresenta, sim, elementos suficientes para caracterizar a imposição da penalidade isolada, mormente porque o suposto crédito mostra‑se contrário à disposição normativa e regulamentar. Ocorre que os valores se encontravam prescritos na data da declaração, não houve comprovação de seu pagamento indevido e não houve cumprimento da exigência relativa à GFIP retificadora. · Por isso se afasta o argumento de mero erro e atrai o emprego da vontade dolosa de falsear a declaração por dela constar crédito ao qual não se tem direito. Regularmente intimado da decisão e do Recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarazões. Fl. 1894DF CARF MF 4 Isso posto, passo ao exame do caso. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Visando demonstrar a divergência a Fazenda Nacional trouxe o acórdão 2301‑002.736 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, donde se pode extrair o seguinte: Segundo o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. A norma legal não exige dolo expressamente ou vincula sua aplicação ao conteúdo do §1º do art. 44 da Lei 9.430/96, o que deixa tal sanção submetida à regra geral das infrações tributárias prevista no art. 136 do CTN: a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica. No voto condutor do acórdão recorrido é possível extrair o seguinte trecho: Portanto, considero que a fiscalização não comprovou, expressa e diretamente, os elementos da conduta do sujeito passivo que transbordou no dolo de apresentar a declaração falsa, o que enseja a não aplicação da multa isolada prevista no do art. 89, § 10, Lei 8.212/1991. Diante do exposto, dou provimento às alegações da Recorrente para cancelar a incidência da multa isolada aplicada com base no art. 89, § 10, Lei 8.212/1991. Vêse, portanto, que na interpretação do acórdão paradigma a Turma entendeu que é desnecessária a configuração do dolo para a aplicação da penalidade prevista no § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91. Por outro lado, na decisão recorrida ficou patente que para a aplicação da penalidade é necessária a demonstração do dolo. Nesse contexto, demonstrada a divergência de interpretação da legislação tributária, exigida pelo artigo 67, do RICARF para ensejar a admissibilidade de Recurso Especial. DO JULGAMENTO DO RECURSO O § 10 da Lei 8.212/91 dispõe que na hipótese de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração, aplicase multa isolada, no percentual previsto no inciso I, do artigo 44, da Lei 9.430/96 (75%) em dobro (150%), sobre o débito indevidamente compensado, nos seguintes termos: Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 4 5 § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Referido artigo 44, I, da Lei 9.430/96 traz uma multa de 75% a ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Percebam que nas hipóteses de lançamento de ofício de imposto ou contribuição, sendo constatada qualquer das três ocorrências acima, impõese apenas multa de 75% ao contribuinte. Quando a lei pretendeu a aplicação de penalidade mais severa ao contribuinte, no caso a duplicação da multa em questão, exigiu que o fisco comprovasse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, nos termos previstos na Lei 4.502/94, conforme se pode depreender do artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Pois bem. Em minha opinião, a regra contida no artigo 89, § 10, da Lei 8.212/91 tem o mesmo espírito da norma contida no artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96, tanto que impôs a mesma penalidade para ambas hipóteses. Logo, quando o legislador alterou a lei 8.212/91, quis dar ao seu artigo 89, § 10, o mesmo alcance do artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96, que exige uma conduta qualificada, dotada do elemento subjetivo “dolo”, para ensejar a aplicação de multa mais gravosa. A própria Fazenda Nacional deixa claro que é esse também o seu entendimento, ao assim se pronunciar em seu recurso: Pelo que se verifica da redação do § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, há dois condicionantes à aplicação da penalidade em questão, sendo o primeiro a própria compensação indevida (“na hipótese de compensação indevida”) e o segundo, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (“quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”). Ambos assumem, dessa maneira, cunho de aplicação cumulativa, de modo que faltando um não se rende ensejo à aplicação da penalidade isolada. Necessário, pois, perquirir onde se encontra a falsidade ou fraude na declaração das compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo. Fl. 1896DF CARF MF 6 Antes, porém, convém repassarmos os conceitos vinculados à caracterização da conduta qualificadora do apenamento agravado. Nesse compasso, a Lei nº 9.430/96, no art. 44, traz os percentuais de multa de ofício e faz remissão às circunstâncias qualificadoras capazes de ensejar a sua duplicação, veja‑se: (...) Nesse contexto, necessário trazer à baila também os conceitos exarados na Lei nº 4.502/64 e ver se a conduta praticada pelo contribuinte encaixa‑se em algumas das ‘circunstâncias qualificativas’ ali propostas. (...) Veja‑se, destarte, que a aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento anormal do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude acima transcritos. Estas situações, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta. Das razões de recurso apresentadas pela Fazenda é possível extrair que em seu entendimento é necessária a comprovação do dolo para a aplicação da penalidade a que se refere o § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91. Penso de forma semelhante. No meu entender, a aplicação da penalidade em questão deve ser precedida de comprovação de que o contribuinte agiu motivado em ludibriar o fisco. No presente caso o contribuinte buscou a recuperação das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações dos agentes políticos (prefeito, viceprefeito e vereadores) no período de 10/1997 a 09/2004, dada a declaração de inconstitucionalidade desta contribuição pelo STF. No procedimento fiscalizatório foi constatado o seguinte: ü parte dos valores utilizados na compensação estava prescrito, já que se buscava recuperar valores de contribuições pagas no período de 10/1997 a 09/2004, em compensações que se iniciaram com débitos de contribuições vencidas em 12/2006; ü a retificação das GFIP’s que deveriam ocorrer anteriormente à compensação ocorreu apenas posteriormente, de forma equivocada, de forma que a fiscalização considerou as compensações dos recolhimentos não prescritos de 11/2001 a 09/2004 também indevidas; ü foram parcialmente comprovados os recolhimentos indevidos das contribuições declaradas inconstitucionais ü para as atualizações do saldo a restituir após realizada a primeira compensação (11/2006), a taxa utilizada foi superior à SELIC. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 5 7 Essas foram as condutas do contribuinte que pautaram a aplicação da multa isolada pela fiscalização. Em nenhum momento houve a explicitação por parte da fiscalização sobre o dolo do contribuinte. A meu ver, as condutas acima descritas não demonstram que o contribuinte teve uma conduta objetivada na ocultação da obrigação tributária a ensejar a aplicação da multa de 150%. Havia o pagamento indevido de fato, havia o direito à compensação, porém ocorreram falhas por parte do contribuinte, mas equívocos passíveis de aplicação da multa de 20% prevista no § 9º, da Lei 8.212/91. Entendo que a multa de 150% deve ser aplicada em casos em que não existe crédito algum e a compensação é efetuada apenas com o fito de suspender a exigibilidade de crédito tributário de forma totalmente desprovida de fundamento documental. Nesse contexto voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, mantendo o que decidido pela Turma de Julgamento, para cancelar a aplicação da multa isolada. É como voto. Conselheiro Gerson Macedo Guerra Fl. 1898DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou indevidamente compensações considerando a declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida pelos agentes políticos. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo relator do Acórdão 2403002.058, que apenas deu provimento ao recurso na parte referente a aplicação da multa isolada, agora objeto de recurso. Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, base do presente recurso, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 do art. 89 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial que delimita o alcance de seu direito, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de declaração do STF acerca da inconstitucionalidade da contribuição dos agentes políticos, não há como afastar as exigências legais para que a empresa possa efetivamente demonstrar o direito "líquido e certo" a compensação. Vejamos, quais os fatos trazidos pela autoridade fiscal para constituir o lançamento, e que foram considerados válidos pelo julgador a quo para negar provimento ao recurso do contribuinte: 4. Das Razões Pelas Quais as Compensações Foram Consideradas Indevidas 4.1. Da Prescrição 4.1.1. Conforme a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional –CTN), em seus artigos 165, inciso I e 168, inciso I, temos que: [...] 4.1.2. Conforme o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 (Regime Geral da Previdência Social – RPS), em seu artigo 253, temos que: [...] 4.1.3. Conforme a Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, que dispõe sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212, acrescentada pelo § 1º do artigo 13 da Lei nº 9.506, sobre procedimentos relativos a créditos constituídos, com base no referido dispositivo e outras providências, em seu artigo 3º, temos que: Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 6 9 [...] 4.1.4. Concluise, pelo disposto no CTN, no RPS e na IN nº 15, que o prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. 4.1.5. Desta forma, como as compensações efetuadas em GFIP pelo Município de Itaporanga tiveram início na competência de 11/2006, cujo vencimento da GPS se deu em 02/12/2006, estariam prescritos todos os créditos decorrentes de recolhimentos indevidamente efetuados antes de 02/12/2001, estando extinto o direito de pleitear restituição ou efetuar compensação dos recolhimentos efetuados entre 10/1997 e 10/2001. 4.2. Da Obrigatoriedade de Retificação das GFIP 4.2.1. A lei nº 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da GFIP. Desde a competência 01/1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. A empresa está obrigada à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. 4.2.1. A IN nº 15, em seu capítulo III, artigo 6º, estabelece que: [...] 4.2.3. A obrigatoriedade de retificação das GFIP para exclusão dos exercentes de mandato eletivo informados antes do início das compensações é explicada pelo § 1º do artigo 225 do RPS, abaixo transcrito. A não observância desta norma pode se refletir na concessão de benefícios indevidos e conseqüentes prejuízos aos cofres da Previdência Social, configurando crime conforme a IN nº 15. [...] 4.2.4. Conforme a Planilha 1 do Anexo Único, levantouse através do DCBC da Prefeitura e da Câmara do Município de Itaporanga que, no período de 01/1999 a 09/2004, foram cometidas as seguintes irregularidades nas GFIP declaradas : Na Prefeitura Municipal : O prefeito Ledislei Valcazara Chueri (1997 a 2000) nunca foi declarado; Fl. 1900DF CARF MF 10 O viceprefeito Actavio Martins (1997 a 2000) nunca foi declarado; O prefeito Pedro Ferraz (2001 a 2004) não foi declarado nas competências 01/2001, 01/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003 e 06/2003; O viceprefeito Ademir Martins Rosa (2001 a 2004) nunca foi declarado. Na Câmara Municipal : O vereador Ademir Martins Rosa (1997 a 2000) nunca foi declarado; Não foram enviadas GFIP nas competências 11/2001, 03/2002, 05/2004, 07/2004, 08/2004 e 09/2004. 4.2.5. A Câmara Municipal do Município de Itaporanga enviou GFIP retificadoras para o período de 01/1999 a 09/2004 entre as datas de 27/02/2007 e 19/03/2007, levantadas no sistema GFIPWEB da RFB, conforme Planilha 2 do Anexo Único, enquanto a Prefeitura Municipal não enviou GFIP retificadoras para o período. Foram constatadas as seguintes irregularidades nas retificações, também relacionadas na Planilha 1 do Anexo Único : Na Prefeitura Municipal : O prefeito Pedro Ferraz (2001 a 2004) não foi excluído das GFIP nas competências 02 a 12/2001, 02 a 11/2002, 03 a 05/2003 e 07/2003 a 12/2004; Na Câmara Municipal : Os vereadores Ismael Rodrigues de Proença, Jair Nogueira, João Augusto Rodrigues, João Sebastião de Almeida, José Carlos da Silva, José Roberto Ferreira, Nelson Chueri Gurgel, Paulo Floriano de Proença e Rosangela Correa (todos de 1997 a 2000) foram mantidos na GFIP; Os vereadores Actavio Martins, Benedito Dias de Souza Sobrinho, João Evangelista dos Santos, José Coldibelli e Paulo Floriano de Proença (todos de 2001 a 2004) não só foram mantidos na GFIP como foram incluídos nas 11/2001, 03/2002, 05/2004, 07/2004, 08/2004 e 09/2004 em que não haviam sido inicialmente declarados. Na competência 09/2004 os vereadores acima foram incluídos com a remuneração integral. 4.2.6. Diante do exposto, concluise que o Município de Itaporanga não cumpriu as determinações do artigo 6º da IN nº 15, efetuando retificações das GFIP em 02 e 03/2007, após o início das compensações em 11/2006, e de forma parcial, mantendo vários exercentes de mandato eletivo com a finalidade de permitir a concessão de benefícios indevidos, configurando crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Desta forma, as compensações dos Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 7 11 recolhimentos não prescritos de 11/2001 a 09/2004 também são consideradas indevidas. 4.3. Dos Recolhimentos 4.3.1. Para exercer o direito à compensação sobre os valores recolhidos indevidamente sobre as remunerações dos exercentes de mandato eletivo, declarado inconstitucional pelo STF, além da observância da prescrição e da obrigatoriedade de retificação das GFIP, obviamente o órgão público deve comprovar os efetivos recolhimentos. Foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 2, de 10/10/2011, a comprovação do recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos prefeitos, vice prefeitos e vereadores para o período de 10/1997 a 09/2004. 4.3.2. Foram apresentadas as GPS da Prefeitura Municipal de 10/1997 a 12/2000 e os extratos do FPM de 01/2001 a 09/2004. Da análise destes documentos, além de informações dos sistemas da RFB, chegouse à Planilha 3 do Anexo Único, comparativo entre as bases de cálculo apresentadas pelo sujeito passivo em sua Memória de Cálculos e as bases de cálculo declaradas em GFIP e com recolhimento comprovado. Cabem as seguintes observações : No período de 10/1997 a 12/1998, antes da implantação da GFIP, verificase claramente que as GPS da Prefeitura Municipal não incluem as remunerações do prefeito e do vice prefeito, com recolhimentos ínfimos, explicável pelo fato do Município de Itaporanga possuir regime próprio de previdência até a competência de 06/1999; No período de 01/1999 a 01/2001, o prefeito e o viceprefeito não foram declarados em GFIP, não cabendo, portanto, a vinculação de qualquer recolhimento; No período 02/2001 a 09/2004, o viceprefeito nunca foi declarado em GFIP e o prefeito deixou de ser declarado em 01/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003 e 06/2003, havendo recolhimentos compatíveis com as GFIP para as demais competências; Na Câmara Municipal, apesar dos vereadores terem sido declarados em GFIP desde 01/1999, foi apresentado Ofício 048/2006 do Presidente da Câmara à época Sr. Hudson Torigoe de Moura (junto com a Memória de Cálculos) explicando que os recolhimentos sobre os subsídios dos vereadores começaram a ser descontados em 06/1999; Analisando os valores que constam nos sistemas da RFB para o CNPJ da Câmara Municipal, não existem recolhimentos para as competências de 08/1999 a 06/2000, 11 e 12/2000, 09/2001 a 04/2003, 05/2004 e 07 a 09/2004. Fl. 1902DF CARF MF 12 4.3.3. Como conclusão dos valores apurados na Planilha 3, temos que o valor originário total declarado pelo sujeito passivo foi de R$ 331.784,68, enquanto que o valor originário total apurado em função dos recolhimentos comprovados foi de R$ 110.446,95 ou seja, 1/3 do apresentado na Memória de Cálculos do Município de Itaporanga. 4.3.4. A taxa SELIC é a única forma de atualização dos valores a serem restituídos ou compensados. A matéria encontrase regulamentada pelo artigo 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme abaixo: [...] 4.3.5. Na Memória de Cálculos apresentada, os valores originários pretensamente compensáveis pelo sujeito passivo estão corrigidos corretamente pela taxa SELIC acumulada até a competência de 09/2006, atingindo o valor de R$ 604.335,56. Após iniciada a compensação em 11/2006, o saldo a compensar também é passível de atualização pela taxa SELIC, porém o Município de Itaporanga extrapolou esta atualização de forma acentuada, conforme demonstrado na Planilha 4 do Anexo Único. Observase que em 11/2008 o saldo a compensar já seria ultrapassado, mas continuaram sendo feitas compensações até 11/2009. Se fosse aplicado o valor apurado na Planilha 3, que corrigido até 11/2006 seria de R$ 180.455,07, o saldo a compensar seria ultrapassado em 07/2007, de acordo com a Planilha 5 do Anexo Único. 4.3.6. As demonstrações efetuadas nas Planilhas 3, 4 e 5 tem por objetivo a comprovação de crime por parte do Município de Itaporanga – Prefeitura Municipal. Se fossem desconsideradas as questões legais da prescrição e da obrigatoriedade de retificação das GFIP, provouse que o valor total compensado foi muito superior ao recolhido indevidamente em função de bases de cálculo majoradas, de recolhimentos não comprovados e de atualização do saldo a compensar por índices acima da taxa SELIC. Bastanos uma leitura das informações acima, transcritas do termo de verificação fiscal, para entender que não simplesmente equivocou se o autuado em relação as competências alcançadas pela prescrição, nem tampouco, fundamentou o auditor o lançamento e a aplicação da multa isolada simplesmente na ausência de retificação da GFIP, mas principalmente na ausência de demonstração de ter efetivamente recolhido a contribuição dos agentes políticos, que declarou em GFIP ter direito líquido e certo a compensação. Ademais, ainda que se falasse em direito (caso tivesse comprovado o recolhimento), descreveu ainda o auditor que a aplicação da taxa SELIC, foi utilizada de forma abusiva, digase fato não comprovadamente rebatido pelo recorrente. Entendo que deve o auditor, analisando pontualmente cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Ou seja, concordo que compete ao auditor apontar efetivamente a falsidade, o que no caso dos autos, entendo ter a autoridade fiscal demonostrado. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 8 13 Notese que o legislador não exigiu a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, nem mesmo dolo, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, da Lei nº 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1904DF CARF MF 14 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, mencione a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito, e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições sem efetivamente comprovar o recolhimento indevido, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração no meu entender. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202003.780 CSRFT2 Fl. 9 15 Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996 Podemos concluir que, na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, considerandose válida a exigência em tela. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1906DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005187/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 51 87 /2 00 7- 18 Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10120.005187/200718 Acórdão n.º 9202004.651 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1335DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.003623/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS NÃO APURADOS PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a não homologação de declaração de compensação na qual o alegado direito creditório trazido à compensação é de natureza não tributária e, além disso, o crédito não foi apurado pelo próprio sujeito passivo, mas por terceiros, e posteriormente adquirido mediante cessão de créditos.
Numero da decisão: 1301-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 247 1 246 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003623/200518 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.164 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de outubro de 2016 Matéria Compensação Recorrente DISMAFE DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS E FERRAMENTAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS NÃO APURADOS PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. Correta a não homologação de declaração de compensação na qual o alegado direito creditório trazido à compensação é de natureza não tributária e, além disso, o crédito não foi apurado pelo próprio sujeito passivo, mas por terceiros, e posteriormente adquirido mediante cessão de créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 36 23 /2 00 5- 18 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10183.003623/200518 Acórdão n.º 1301002.164 S1C3T1 Fl. 248 2 DISMAFE DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS E FERRAMENTAS S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Dismafe Distribuidora de Máquinas e Ferramentas S/A, acima qualificada, apresentou a DCOMP n. 22234.44161.210704.1.3.570773 (f. 02 a 16), pela qual pretende compensar débitos de contribuição para o PIS e COFINS de diversos períodos de apuração dos anoscalendário 2003 e 2004. O crédito, conforme declaração, é oriundo da ação de repetição de indébito n. 90.00006287 que tramitou na 3ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco. A compensação não foi homologada, conforme Despacho Decisório DRF/CBA n. 394 (f. 113 a 121), assim ementado: Não há previsão legal para compensar crédito não tributário e cedido por terceiros, com débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A sistemática prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 alcança apenas as compensações efetuadas nos estritos termos desse diploma legal. A ciência quanto ao Despacho Decisório ocorreu em 12 de maio de 2006, conforme Aviso de Recebimento de f. 137. Em 9 de junho de 2006 foi protocolada a manifestação de inconformidade de f. 145 a 164, pela qual a interessada, em apertada síntese, aduz: a) é cessionária de direito de crédito oriundo de precatório já emitido e que está sendo cumprido; b) o direito à cessão de crédito, no caso de precatórios, está disciplinado pelo art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, acrescido pela Emenda Constitucional n. 30/2000; c) o Código Tributário Nacional não faz restrições à natureza dos créditos nem ao vencimento, exigindo apenas que sejam líquidos e certos; d) que créditos próprios, conforme dispõe o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, são aqueles de propriedade do contribuinte, sendo irrelevante se essa propriedade seja originária ou por aquisição; e) na época em que realizada a compensação não existia previsão em lei que vedasse a utilização de precatórios como crédito; f) a DIORT/DRF/CBA negou cumprimento a uma ordem judicial a não acatar despacho judicial que se encontrava em vigor; g) somente a Lei n. 11.051, de 29 de dezembro de 2004, é que veio restringir a compensação com precatórios, criando a figura da compensação nãodeclarada; h) os créditos tributários relativos aos tributos compensados devem ter sua exigibilidade suspensa até o encerramento do litígio; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10183.003623/200518 Acórdão n.º 1301002.164 S1C3T1 Fl. 249 3 i) é absurda a proposta de aplicação da multa isolada. Ao final, é requerida a aplicação do despacho judicial em vigor, reconhecendose o direito da empresa à compensação e a sustação do lançamento relativo à multa isolada. São requeridas, ainda, a produção de provas e diligências que a turma julgadora entender necessárias. Foram juntados aos autos documentos societários (f. 167 a 188). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0413.354, de 14/12/2007 (fls. 199/209), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE MULTA ISOLADA. Não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento a determinação da suspensão de exigibilidade dos créditos tributários compensados por meio de DCOMP. Estando o lançamento relativo à multa isolada autuado sob outro processo, naquele será analisada a impugnação respectiva não cabendo neste a discussão sobre a matéria. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Só pode haver compensação tributária em estrita observância dos ditames da legislação. Créditos de natureza não tributária, cujo detentor é cessionário, não se enquadram nas condições estabelecidas pela legislação para que possam ser compensados com débitos de contribuição para o PIS e COFINS. Ciente da decisão de primeira instância em 07/01/2008, conforme documento de fl. 211, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 01/02/2008 (registro de recepção à fl. 216, razões de recurso às fls. 216/236), mediante o qual oferece, mais ou menos com as mesmas palavras, os mesmos argumentos já trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10183.003623/200518 Acórdão n.º 1301002.164 S1C3T1 Fl. 250 4 Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) na qual os alegados direitos creditórios trazidos pelo contribuinte foram obtidos na ação de repetição de indébito n. 90.00006287 que tramitou na 3ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco. O objeto da ação são subsídios devidos às usinas pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool IAA. A proponente da ação é a empresa AGICAM Agroindústria do Camaratuba S/A, a qual, posteriormente, cedeu seus direitos de crédito naquela demanda judicial à interessada neste processo Dismafe. A compensação foi negada pela DRF Cuiabá/MT mediante o Despacho Decisório de fls. 116/124, decisão confirmada em primeira instância pela DRJ Campo Grande/MS (fls. 199/209). Os principais fundamentos em que se apoia a negativa são a constatação de que os créditos são de natureza não tributária e o fato de que a interessada não é a detentora original dos créditos, mas sim que os adquiriu de terceiros. A compensação em matéria tributária tem seu fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional, confirase: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O CTN estabelece, então, como condição inicial, que os créditos do sujeito passivo se revistam de liquidez e certeza para que possam ser trazidos à compensação, com a pretensão de se contrapor a créditos tributários para assim extinguilos. Mas o atendimento a esse requisito inicial não é suficiente. Ao contrário, o mesmo dispositivo afirma que caberá à lei fixar condições e garantias que entender cabíveis, ou atribuir tal estipulação à autoridade administrativa. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veio ao mundo jurídico para cumprir esse propósito. Confirase sua redação na data (21/07/2004) em que apresentada a DCOMP discutida nos presentes autos (grifos não constam do original): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) No texto acima transcrito já se encontram razões suficientes para que as pretensões da ora recorrente não sejam aceitas. Em primeiro lugar, é expresso que os créditos a que se refere o dispositivo devem ser relativos a "tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal", o que, por certo, não é o caso da correção monetária de subsídios devidos pelo extinto IAA às usinas. Não se tratando de direitos creditórios de natureza tributária, incabível a pretensão de usálos em compensação. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10183.003623/200518 Acórdão n.º 1301002.164 S1C3T1 Fl. 251 5 Em segundo lugar, o texto legal estabelece que o sujeito passivo que pode se habilitar à compensação é aquele "que apurar crédito". Com isso, o entendimento é que esse crédito tem que ter sido apurado pelo próprio sujeito passivo, em sua escrita contábil/fiscal, em decorrência de suas próprias operações. Afastase, pois, a possibilidade de que o direito creditório a ser apresentado à compensação tenha sido adquirido de terceiros. Não se pretende com isso, por óbvio, negar os efeitos civis e processuais civis do instituto da cessão de créditos, mas limitar tais efeitos àquelas esferas, não os trazendo para o âmbito tributário. No caso concreto, quem apurou os créditos foi a AGICAM Agroindústria do Camaratuba S/A, e quem trouxe os créditos à compensação foi a interessada Dismafe, pessoa jurídica distinta daquela. Também essa constatação impede a homologação da compensação declarada. Com isso, resta evidenciado que a compensação declarada pela interessada se fez em descumprimento das disposições legais que regem a matéria, ao contrário do que afirma em seu recurso. Feitas essas considerações, a decisão recorrida se sustenta por seus próprios fundamentos, expendidos às fls. 203/209, os quais considero desnecessário reproduzir aqui. Quanto à questão da suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da compensação até o final do litígio, os termos do recurso deixam claro o entendimento da própria interessada de que tal matéria é da competência do Delegado da Receita Federal de sua jurisdição. Quanto às alegações contrárias à exigência de multa isolada, serão tratadas nos autos do processo administrativo nº 10183.002729/200677, a ser julgado por este Colegiado nesta mesma data. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10845.000611/2004-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS.
Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.
Numero da decisão: 9101-001.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Plínio Rodrigues Lima
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Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Plínio Rodrigues Lima – Relator. EDITADO EM: 14/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 06 11 /2 00 4- 10 2 Relatório Consta do Relatório do Acórdão recorrido às Fls. 362 a 363: Cuidase de Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte Reno Comércio de Alimentos Ltda., por meio do qual pretende ver reformada decisão proferida pela 1a Turma da DRJ de Belém/PA. Versa o processo em análise acerca de auto de infração (fls. 04 a 05) lavrado em desfavor da recorrente para ajustar a base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas atinente aos anos calendário 1999, 2000, 2001 e 2002. Depreendese do Termo de Verificação Fiscal encartado às folhas 10 a 13, resumidamente, que a recorrente não teria observado os limites máximos de dedução com despesas de royalties na base de cálculo do IRPJ, tendo em conta o disposto nos artigos 74 da Lei n°. 3.470/58 e 12 da Lei n°. 4.131/62 combinado com as portarias MF 436/58, 113/59, 314/70 e 60/94. A par disso, de bom alvitre registrar singelamente os fatos narrados no aludido Termo de Verificação Fiscal. Lá consignou se que a recorrente é empresa subfranqueada do sistema "MCDonald's, e nessa condição fez constar nas DIPJ's pertinentes aos anos calendários 1999 a 2002, na linha referente a despesas com royalties no pais, valores que desconsideraram o limite legal de 4% para dedutibilidade. Em decorrência disso, relembrou a autoridade administrativa, que o artigo 352 do RIR/99 admite a dedução de despesas com royalties quando esta for necessária para que o contribuinte mantenha a posse ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento. Nessa ordem de idéias, e relembrando a disposição do artigo 355 do RIR/99, aduziuse que os coeficientes percentuais máximos para as deduções previstas no dito artigo foram estabelecidos pelo Ministro da Fazenda nas Portarias 436/58, 113/59, 314/70 e 60/64. Em análise do panorama normativo que segundo a Fiscalização impunha A. recorrente o limite de 4%, constatouse que os valores deduzidos como despesas operacionais foram superiores consoante quadro demonstrativo de folha 12. Os valores não dedutíveis, portanto, foram objeto do auto de infração para os fins de ajustar a base de cálculo do IRPJ, porquanto existiam prejuízos fiscais no período. Ciente do lançamento (fl. 04) a recorrente apresentou Impugnação (fls. 279 a 292). De início teceu esclarecimentos acerca do regime de contratação das franquias "McDonald's, concluindo por afirmar que além da licença de uso de marca, há uma série de obrigações entre as partes, porquanto se dispõe colaboração mútua nos termos contratualmente estipulados, contrato que a seu turno, obriga a franqueadora a prestar Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 3 3 assessoria periódica, comunicando os conhecimentos especializados, novos desenvolvimentos, técnicas e aperfeiçoamento nas áreas de projeto e construção dos restaurantes, fabricação de equipamentos, gerenciamento, preparação de alimentos e serviços de atendimento pertinentes às operações do restaurante. A contraprestação, por óbvio, é consistente no pagamento dos royalties. Com essas notações propedêuticas, a recorrente passou a arrazoar acerca da dedutibilidade das tais despesas (royalties), afirmando, destarte, que o entendimento da Fiscalização decorreria de interpretação equivocada do quadro normativo vigente, tendo em conta a nova disciplina jurídica dos contratos de franquia estabelecida pela Lei n°. 8.955/94, que a seu turno utilizaria a expressão royalties em acepção diversa daquela adotada pela legislação tributária editada nos idos de 1958 (na qual se funda a autuação), devendose ser observado o conceito elastecido pela lei inovadora. A par dessas considerações, afirmou a recorrente que as limitações à dedutibilidade de despesas com royalties não mais poderiam ser aplicadas indistintamente a todas as relações de franquia celebradas entre particulares, devendo excluirse dessa limitação aquelas cujo objeto seja muito mais amplo e complexo do que a mera licença de uso de marca e serviços de assistência. Isso se justificaria por dois motivos. Primeiro deles se deveria porque o artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, teria sido revogado tacitamente pela Lei n°. 4.506/64, nos moldes do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, porquanto a matéria foi inteiramente disciplinada por lei ulterior. Segundo ponto a reafirmar o entendimento da recorrente se deveria à amplitude do conceito trazido pela Lei de Franquia Empresarial. Não bastasse isso, as limitações à dedutibilidade de royalties não encontrariam fundamento de validade no direito positivo, posto que a apuração da renda tributável exige a consideração de todas as despesas necessárias incorridas pela pessoa jurídica, nos termos do artigo 153 da Constituição da República. Conheceu da Impugnação a Primeira Turma da DRJ de Belém/PA, que nos termos do acórdão e voto de folhas 321 a 325 julgou o lançamento procedente, fundamentando para tanto, que as deduções com royalties obedecem os limites máximos estabelecidos no artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, ocorrendo que o artigo 71 da Lei n°. 4.506/64, ao estabelecer modificações em relação a dedutibilidade não o revogou, apenas delimitou seu alcance. Afirmouse de igual forma, não prosperar o entendimento da recorrente de que por ser mais amplo, o sentido de royalties a ser utilizado para fins de dedutibilidade seria aquele descrito na Lei n°. 9.955/94, assim entendeu a ilustrada Turma faltar qualquer amparo legal que sustentasse esse entendimento, além 4 do que, em razão da vinculação da atividade da administração pública, ficaria vedado que o julgador administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente. Igual fundamento utilizou a decisão recorrida ao enfrentar o argumento da recorrente de que as limitações à dedutibilidade de royalties não encontram fundamento de validade no direito positivo, posto que a renda tributável exige a consideração de todas as despesas necessárias incorridas pela pessoa jurídica, na forma do artigo 153, III da Constituição da República, reafirmandose não ser aquela sede acertada para discutirse a negação de vigência e eficácia dos preceitos e normas postas, e de mais a mais, as leis vigentes gozariam de presunção de legalidade e constitucionalidade. Quanto ao acúmulo de coeficientes de dedutibilidade estabelecidos pela Portaria MF n° 436/58, entendeuse pela não aplicação ao caso concreto, conquanto, a recorrente apresenta às folhas 188 a 221, um único contrato de franquia com abjeto a aquisição do direito de explorar um Restaurante McDonald's, que a seu turno, prevê um único tipo de royalties de acordo com a divisão estabelecida pela aludida Portaria. O dito tipo de royalties seria aquele previsto no item 2 (produtos alimentares) do 2° grupo o qual estabelece coeficiente máximo de dedução de 4%, isso porque nos termos do inciso II da citada Portaria, a utilização do coeficiente de 1%, pelo uso da marca industrial ou nome de comércio, só é possível quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização da patente, processo ou fórmula de fabricação, o que não seria o caso dos autos. Diante disso, concluiuse que a recorrente de fato empregou erroneamente o percentual de 5%, como se fosse resultante da soma entre os coeficientes de 4%, para os royalties de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, e 1% para os royalties de uso de marca, sendo por tudo, procedente o ajuste efetuado na base de cálculo do Imposto de Renda. Cientificada do lançamento (fl. 327), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 328 — 345), invocando como razões de recorrer o conceito de franquia e de royalties e a ausência de fundamentação legal do lançamento tributário, e novamente insistindo na revogação tácita do artigo 74 da Lei n° 3.470/58, ou alternativamente a aplicação cumulativa dos coeficientes percentuais da Portaria MF 436/58, pugnando ao fim por provimento. Assim decidiu a Câmara a quo, nos termos do voto vencedor: O dito tipo de royalties é aquele previsto no item 2 (produtos alimentares) do 2° grupo o qual estabelece coeficiente máximo de dedução de 4%, isso porque nos termos do inciso II da citada Portaria, a utilização do coeficiente de 1%, pelo uso da marca industrial ou nome de comércio, só é possível quando o uso da Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 4 5 marca ou nome não seja decorrente da utilização da patente, processo ou fórmula de fabricação, o que não é o caso dos autos. Diante disso, concluiuse que a recorrente de fato empregou erroneamente o percentual de 5%, como se fosse resultante da soma entre os coeficientes de 4%, para os royalties de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, e 1% para os royalties de uso de marca, sendo por tudo, procedente o ajuste efetuado na base de cálculo do Imposto de Renda. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Cientificada do Acórdão em Recurso Voluntário em 30/08/2010, a Recorrente interpôs o presente recurso em 14/09/2010, com base em divergência entre o decidido pela Câmara a quo e decisões de outra Câmara, argumentando em síntese (Fls. 378): Logo, conforme restou alegado e comprovado, o contrato de franquia da Recorrente envolve inúmeros negócios jurídicos e não se restringe ao disposto na Portaria ME 436/58, pois os conceitos de franquia e de royalties do caso concreto não se subsumem ao disposto na Lei n° 3.470/58, mas sim a Lei n° 8.955/94. Desta feita, as limitações à dedutibilidade de despesas com royalties do artigo 74 da Lei n° 3.470/58 e da Portaria MF 436/58 não se aplicam a situação da Recorrente, que 6, reitere se, disciplinada expressamente pela Lei n° 8.955194. Admitido o presente recurso (Fls. 431 a 433), após a ciência, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (Fls. 436 a 444), argumentando em síntese: De fato, os royalties em discussão estão previstos no item I, 2° grupo, tipo 2, da Portaria MF n° 436/58, qual seja, royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação — produtos alimentares. Isso ocorre porque, no caso do item 1, os royalties são pagos a fim de garantir ao franqueado o direito de, além de utilizarse da marca do franqueador em quaisquer produtos (o que seria o caso do item II da Portaria), fabricar ou comercializar os mesmos produtos por ele fabricados ou comercializados e adotar o mesmo processo de fabricação e comercialização. É relatório. 6 Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra decisão da Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário, por meio do Acórdão n° 180200426, transcrita a seguir sua ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LIMITES PARA PAGAMENTO A DOMICILA DOS NO PAÍS. O art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora haja estabelecido modificações, no que concerne à dedutibilidade de despesas de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance." O juízo de conhecimento do presente Recurso fundamentase no disposto no art. 67, do Anexo II, do Regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria préquestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 5 7 colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. O presente recurso é tempestivo como se pode observar nos autos às fls. 370 e 371. Deve a Recorrente, portanto, demonstrar que houve, entre os Acórdãos recorrido e paradigma conclusões distintas para situações fáticas semelhantes. Anexou, como primeiro paradigma, o Acórdão n° 10516140, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa: CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS ALUGUEL DE VEÍCULO Mantémse a autuação quando o contribuinte não lograr êxito na comprovação das despesas, tanto no que respeita à sua correspondência contratual quanto à sua efetiva realização. FRANQUIA PAGAMENTO DE ROYALTIES LIMITE DE DEDUTIBILIDADE O pagamento da remuneração proporcional ao faturamento previsto nos contratos de franquia McDonalcl's se enquadra no conceito de Royalties. Porém a complexidade do sistema não permite a simples aplicação do limite previsto no inciso II da Portaria n° 436/58 e suas modificações, prevalecendo o percentual previsto no caput do artigo 294 do RIR194. Assim expôs a Recorrente: Importa ressaltar, nesse contexto, que a Recorrente traz em suas razões de forma especifica, a impossibilidade jurídica da fiscalização desconsiderar a aplicação da Lei 8.955/94, e impor lhe a glosa pretendida. E, a corroborar as Razões deste Recurso Especial, quanto às especificidades que permeiam o contrato por 8 ela celebrado com a Franqueadora, vejase termos do acórdão paradigma (doc. 03). PARADIGMA — Acórdão 10516.140 (...) Porém, o contrato que regula a relação entre a recorrente e a franqueadora encontra regulação legal na Lei 8.955/94 que "Dispõe sobre o contrato de franquia empresarial (franchising) e dá outras providências”(DOU 16.12.1994). E, além de estipular que (art. 1°) "Os contratos de franquia são disciplinados por esta lei", define em seu artigo 2° o conceito adotado para definira atividade de franquia: Art. 2°. Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso da marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusive ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. Aqui começam a se expor as diferenças entre o simples uso de marcas de indústria ou de comércio ou nome comercial e a atividade complexa de franquia, que se caracteriza pelo apoio mercadológico, acompanhamento e estruturação administrative e auditoria de procedimentos, entre outras imposições contratuais. Isso fica mais claro quanto se examine o contrato de franquia, pelo qual se manifesta a cessão do direito de operar um restaurante McDonald's obedecendo aos princípios que constituem o "Sistema McDonald's" (...) Os direitos e obrigações, entre os quais operar direta e exclusivamente o restaurante, sem poder participar de outros negócios, morar na cidade onde se localiza o restaurante e se dedicar pessoalmente a ele dotam o contrato de características próprias, diferentes de simples uso de marca ou nome comercial. Tamanha é a dependências do franqueado ao franqueador que se faz necessário inserir no contrato uma cláusula pela qual se afirma objetivamente que o franqueado não é agente ou preposto do franqueador. O acondicionamento operacional do franqueado ao franqueador obedece a rigorosos comandos, entre os quais se ressalta a existência contratual de um depósito financeiro (Clausula 22) vinculado à cláusula de garantia de desempenho. Diante dessas ponderações surge a visível possibilidade de ter a fiscalização enquadrado de forma equivocada a atividade considerada, restando comparála com owas previstas na legislação de regência para concluir sobre o acerto da tributação. ACÓRDÃO RECORRIDO VOTO DE QUALIDADE (fls. 365 dos autos): Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 6 9 (..) Ademais, não se pode confundir o tratamento geral conferido pela Lei n° 8.955/94, com a especificidade da dedutibilidade de despesas com royalties pare fins de apuração do lucro real, e, por conseguinte, do imposto devido. Ainda que os conceitos da lei superveniente tenham elastecido a conceituação de franquias e até mesmo dos royalties, tenha este a definição que tiver, sua dedutibilidade estará condicionada aos moldes especificamente fixados, salvo, se houver modificação, quanto ao coeficiente ou regra mento especifico no campo da dedutibilidade (o que se verá nas linhas seguintes), o que não ocorre como sugerido pela recorrente. Vale dizer, portanto, que pouco importa a dimensão do instituto, sua dedutibilidade é condicionada. Se a legislação é obsoleta, arcaica e seus conceitos não acompanharam as inovações da sociedade, é celeuma que se reserva para discussão em outro palco, que não a estreita via de apreciação das autoridades administrativas, a quem compete tão somente zelar pelo cumprimento da estrita legalidade, razoa(sic) pela qual, não há que se falar em inaplicabilidade da limitação por verificado eslastecimento no conceito de royalties dado por lei superveniente.(g.n.) 19. Ou seja, pelo transcrito acima, exsurge o ponto de divergência entre a decisão paradigmática e o decidido no presente caso, comprovandose a divergência jurisprudencial. 20. Nos acórdãos paradigma, os julgamentos, reconheceram a aplicação da Lei 8.955/94 em caso idêntico à outras franqueadas do "Sistema McDonald's", fato que esta sendo totalmente desconsiderado in casu. 21. Logo, conforme restou alegado e comprovado, o contrato de franquia da Recorrente envolve inúmeros negócios jurídicos e não se restringe ao disposto na Portaria ME 436/58, pois os conceitos de franquia e de royalties do caso concreto não se subsumem ao disposto na Lei n° 3.470/58, mas sim a Lei n° 8.955/94. 22. Desta feita, as limitações à dedutibilidade de despesas com royalties do artigo 74 da Lei n° 3.470/58 e da Portaria MF 436/58 não se aplicam a situação da Recorrente, que 6, reitere se, disciplinada expressamente pela Lei n° 8.955194. Comparandose os fatos do Acórdão recorrido com o do primeiro paradigma, observase que neste a fiscalização procedeu ao lançamento nos seguintes termos: Os coeficientes percentuais admitidos para as deduções foram estabelecidos na Portaria n° 436/58, cujo inciso II, determina que os royalties, pelo uso de marcas de indústria e comércio ou nome comercial, em qualquer tipo de produção ou atividade, quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização de patente, processo ou fórmula de fabricação, cujo limite de dedução como despesa operacional é de 1% limite 10 analisado e abordado no Parecer Normativo CST n° 117/75, no seu item 05 A partir da análise do conceito de royalties, o paradigma conduz o seu entendimento pela não aplicação do percentual de 1% (inciso II da Portaria) para o correpondente caso em razão da complexidade dos direitos e serviços disponibilizados pela franqueadora e da ausência de regulamentação administrativa com previsão do percentual aplicável, resultando na aplicação do art. 294 do RIR/94, caput, com matriz legal no art. 74 da Lei n° 3.470/58; art. 12 da Lei n° 4.131/62 e art. 6° do Decretolei n° 1.730/79, ou seja o percentual de 5% indicado como limite de dedutibilidade. Por sua vez, naquele Acórdão consta do Termo de Verificação Fiscal (Fls. 10 a 13) que a recorrente não teria observado os limites máximos de dedução com despesas de royalties na base de cálculo do IRPJ, tendo em conta o disposto nos artigos 74 da Lei n°. 3.470/58 e 12 da Lei n°. 4.131/62 combinado com as portarias MF 436/58, 113/59, 314/70 e 60/94, impondose à Recorrente o limite de 4% (inciso I). Nas razões recursais do Recurso Voluntário, pugnou a Recorrente pela aplicação cumulativa dos coeficientes percentuais da Portaria MF 436/58 (inciso I + inciso II). Em momento algum, o referido acórdão desconsiderou totalmente o disposto na Lei n° 8.955/94. Sobre o assunto esclarecenos o voto vencido, da lavra do I. Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, da r. decisão recorrida (Fls. 365): Ademais, não se pode confundir o tratamento geral conferido pela Lei n°. 8.955/94, com a especificidade da dedutibilidade de despesas com royalties para fins de apuração do lucro real e, por conseguinte, do imposto devido. Ainda que os conceitos da lei superveniente tenham elastecido a conceituação de franquias e até mesmo dos royalties, tenha este a definição que tiver, sua dedutibilidade estará condicionada aos moldes especificamente fixados, salvo, se houver modificação quanto ao coeficiente ou regramento especifico no campo da dedutibilidade (o que se verá nas linhas seguintes), o que não ocorre como sugerido pela recorrente. Ao contrário do afirmado pela Recorente, a matriz legal em que se baseou o paradigma para decidir sobre o percentual de dedução não foi a Lei n° 8.955/94, mas a mesma do Acórdão recorrido, situandose este dentro da regulamentação administrativa dos percentuais de dedutibilidade, eis que o contribuinte pugna pela cumulatividade, enquanto aquele considera ausente a referida regulamentação e aplica exclusivamente o limite de 5%. Como segundo Paradigma, a Recorrente anexou o Acórdão n° 10322841, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa: FRANQUIA DESPESAS COM ROYALTIES DEDUTIBILIDADE – As despesas com royalties são dedutiveis na apuração do lucro real sujeito ao imposto de renda, porque necessárias à manutenção da franquia. Neste caso, autuada requereu a dedutibilidade no limite de 4% (inciso I) previsto para os produtos alimentares, na mesma linha do decidido pelo Acórdão recorrido, pois, a Fiscalização lançou com base no percentual de 1% (inciso II). Não há que se falar, por conseguinte, em contradição. Processo nº 10845.000611/200410 Acórdão n.º 9101001.655 CSRFT1 Fl. 7 11 A jurisprudência deste E. Colegiado conduzse no sentido de que não há que se falar em divergência para situações fáticas distintas. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Pelo exposto, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER do presente recurso. Plínio Rodrigues Lima Relator
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Numero do processo: 12898.000210/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1103-000.107
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em determinar o sobrestamento nos termos do art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em determinar o sobrestamento nos termos do art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 00 21 0/ 20 10 -1 8 Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.004 2 Relatório Tratase de autos de infração de PIS e Cofins, anoscalendário 2005 a 2007, no total de R$ 11.708.745,10 (onze milhões, setecentos e oito mil, setecentos e quarenta e cinco reais e dez centavos) (fls.215/239), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício, aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), decorrentes da suspensão de isenção/imunidade tributária de que trata o processo nº 12898.000209/201085. A ciência dos autos de infração efetivouse em 08/09/10 (fls.247). Os fundamentos considerados pela fiscalização, atinentes à suspensão da isenção e aos lançamentos tributários, estão abaixo resumidos, conforme relatório constante da decisão recorrida: “[...] Segundo o relatório fiscal de fls. 187/206: 1. A interessada, no período de 2004 a 2007, entregou DIPJ como entidade cultural, sem oferecer receita para a tributação da Cofins, nada apurando e nem pagando a título de tal contribuição; 2. Em relação ao PIS, a interessada fez constar em DIPJ e DCTF como base de cálculo a "folha de salários” e recolheu 1% sobre esta; 3. Iniciada a auditoria em 15/12/2008, em abril de 2009 a Receita Federal recebeu, nos autos da Ação Popular n.° 2008.34.00.0154772, sentença judicial que determinava à União a adoção das "providências necessárias para a constituição dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal existentes em nome da CESGRANRIO relativos aos fatos geradores ocorridos entre os anos de 2003 a 2007”; 4. Anexo ao referido processo judicial constava o "Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais” n.° 17.403.4/002/2002 de 27/12/2002, da lavra do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), órgão do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS). Esse ato teria cancelado, desde 01/01/2001, a isenção da interessada sobre as contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei n.° 8.212/91, em razão do não atendimento ao art. 55, II da mesma lei; 5. O §1º daquele art.55 estabelece que a isenção das contribuições sociais, dentre elas a Cofins e o PIS, tem de ser requerida previamente ao INSS, do que decorreria que o mesmo órgão teria a atribuição de cancelamento do benefício, entendimento reforçado pelo art. 206, §8º do Decreto n.° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social); 6. A Lei n.° 9.732/98 acrescentou o §4º àquele mesmo art.55, incumbindo o INSS de cancelar a isenção aqui guerreada se verificado o descumprimento do disposto no artigo; 7. A teor da decisão notificação n.° 17.003/004/2002, do INSS, a interessada teve indeferido, pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), seu pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), cuja validade expirou em 31/12/2000. Entendeu o referido Conselho que houve descumprimento do preceito contido no art. 3º, VI, do Decreto n.° 2.536/98, ante a falta de comprovação da aplicação mínima de 20% da receita bruta em gratuidades, nos exercícios 1998 a 2000. A interessada recorreu da Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.005 3 decisão, por meio do pedido de reconsideração autuado no processo n.° 44006.002001/200101, pedindo, posteriormente, o arquivamento do mesmo; 8. Mediante requerimento protocolado sob o n.° 37280.001094/2002 15, a própria interessada formulou pedido de emissão do Ato Cancelatório já caracterizado neste relatório e em razão do qual lhe foi subtraída a isenção de pagamento de Contribuições Sociais com efeitos a partir de 01/01/2001. Não houve recurso ao ato administrativo; 9. Quanto à Cofins, a interessada nada declara e nem recolhe, fazendo constar da DIPJ base de cálculo igual a zero, o que caracterizaria sonegação de contribuição social e crime contra a ordem tributária, na forma do art.1º, I, Lei n.° 8.137/90 combinado com o art. 71 da Lei n.° 4.502/64; 10. Abordando a isenção de Cofins, o art. 14 da MP n.° 2.158 35/2001 desonera as receitas relativas às atividades próprias das entidades relacionadas no artigo que lhe antecede, dentre as quais as fundações de direito privado; 11. A IN SRF n.° 247/2002, em seu art. 47, §2º, definiu as receitas de atividades próprias como sendo "aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”; 12. As receitas da interessada têm caráter contraprestacional direto, pois são oriundas da prestação de serviços de avaliações em vestibulares e concursos públicos, pelo que não se enquadram no conceito trazido pela instrução normativa; 13. A interessada faz mas não recebe doações, embora haja previsão para tal fluxo de entrada de recursos em seu ato constitutivo. A inexistência de uma conta de receita para doações recebidas, quer na escrituração contábil, quer no plano de contas da instituição, corroboraria a observação fiscal; 14. A interessada auferiu receita operacional em valores iguais a R$137.460.607,09, R$100.226.275,50 e R$91.546.597,92, respectivamente, nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, contra um total de dispêndio em assistência social tais como, doações efetuadas, bolsas de estudos concedidas assistência promocional e projetos culturais de R$3.212.775,90, R$3.005.904,50 e R$3.144.559,92, o que representou, em números aproximados, sucessivamente, 2,5%, 3,0% e 3,5% daquelas receitas, portanto menos que os 20% exigidos pela legislação pertinente; 15. Estando em dívida com a Seguridade Social, a interessada, à luz do art. 195, §3º , da Constituição Federal (CF), não poderia contratar com o Poder Público. Tal fato, adicionado a tudo anteriormente exposto, permitiu a conclusão da fiscalização pela ocorrência de sonegação fiscal, na forma do art. 71 da Lei n.° 4.502/64; 16. No curso da análise da documentação da interessada, foi possível verificar que ela não podia gozar da isenção de IRPJ, como prevista no art. 15 da Lei n.° 9.532/97 e no art. 174 do Decreto n.° 3.000/99 (RIR/99), e tampouco poderia ser caracterizada como instituição de Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.006 4 educação, nos termos do art.150, VI, c, da CF e do art. 9º, IV, c, do CTN, para gozar de imunidade tributária. De tal constatação, resultaram representações fiscais que redundaram na lavratura dos atos declaratórios n.° 3/09 e 23/10, suspendendo a isenção da interessada, o primeiro, relativamente ao anocalendário 2004 e, o segundo, afeto ao período 2005 a 2007; 17. Quanto ao PIS, a interessada vinha recolhendo a contribuição sobre a folha de salários, na forma do art. 13 da MP 2.158 35/01. Contudo, tendo em vista a suspensão de sua isenção tributária, passou a dever o tributo incidente sobre o faturamento, como preconiza o Decreto n.° 4.524/02, art. 2º , I, "a” e § único, e art. 10; 18. Para as competências 01/2005 a 12/2007, as bases de cálculo foram determinadas conforme o art.2º, II e § único, combinado com os art. 10 e 22, todos do Decreto n.° 4.524/02, não tendo sido consideradas as receitas não operacionais. As alíquotas consideradas foram de 0,65% para o PIS e de 3% para a Cofins, com fulcro no art. 51 do mesmo decreto; 19. Os recolhimentos de PIS efetuados pela interessada foram abatidos dos valores lançados para o mesmo tributo; 20. A fonte dos valores que serviram à determinação das bases de cálculo foram os livros Diário e Razão, bem como os balancetes contábeis da conta "4.1.1.1 Receitas Operacionais”; e 21. Por não ter havido nem pagamento e nem declaração de valores de Cofins, bem em razão da suposta prática de sonegação fiscal desde 2001, entendeu a fiscalização que "o crédito lançado, relativamente ao ano calendário 2005 recai no artigo 173 I do Código Tributário Nacional.” Os lançamentos tributários foram mantidos pela Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), que recebeu a seguinte ementa (fls.1.625/1.639): LANÇAMENTO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. Há que se reconhecer o caráter imperativo da decisão judicial que determina à Fazenda a verificação do fato gerador, para, na ocorrência deste, efetuar o lançamento de tributo. Devidamente cientificado do acórdão em 22/09/11 (fl.1.641), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 14/10/11 (fls.1.655/1.730), em que sustenta, em síntese: Da nulidade do acórdão recorrido a decisão recorrida seria manifestamente insubsistente, devendo ser “sumariamente anulada”, por não ter enfrentado o argumento de defesa relacionado à nulidade do ADE nº 23/2010, especificamente pelo fato “...de a autoridade já ter exaurido sua competência ao apreciar a representação fiscal relativa aos exercícios de 2004 a 2007, e suspender apenas as desonerações correspondentes ao exercício de 2004, além de ostentar fundamentação deficiente, dificultando o direito de defesa do contribuinte”; vários dispositivos da Lei nº 9.784/99 teriam sido desrespeitados pela DRJ; a decisão recorrida, com violação à garantia constitucional da ampla defesa, teria deixado de apreciar argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade, bem como argumentos e provas Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.007 5 produzidas quando da impugnação, relacionados à comprovação de que se dedicaria a finalidades educacionais e culturais, que não distribuíra seus resultados a terceiros, que aplicara seus recursos no desenvolvimento de suas atividades no Brasil e que possuiria regular contabilidade; teria se colocado “...à disposição da autoridade para apresentar outros elementos que fossem julgados imprescindíveis para esclarecer a matéria fática envolvida”; “...a fundamentação adotada pelo ato declaratório carece de razoabilidade por contrariar flagrantemente a verdade material atestada por toda a documentação juntada neste feito. E, nessa medida, é nula, porque ao negarse a apreciar a prova e a enfrentar objetivamente as razões ofertadas pela Recorrente, cerceoulhe o direito de defesa, negoulhe a garantia do devido processo legal, além de violar o princípio da legalidade, da moralidade administrativa e da eficiência, assegurados no art.37 da CF”; Da natureza da Fundação Cesgranrio como entidade de fins educacionais e culturais, beneficiária da imunidade do art.150, VI, “c”, da CF, como de contribuições sociais destinadas à seguridade social – COFINS, art.195, §7º da CF sua origem remontaria a 12/10/71, quando o Ministério da Educação e Cultura firmou convênio com várias instituições de ensino do Rio de Janeiro, para constituir uma Comissão Central do Concurso Vestibular Regional do Grande Rio, denominada Centro de Seleção de Candidatos ao Ensino Superior do Grande Rio – CESGRANRIO, para a realização de concurso vestibular unificado na área do Grande Rio; em 04/01/73, transformouse em fundação privada – FUNDAÇÃO CESGRANRIO – com finalidade educacional, conforme escritura pública; recebera, em 04/09/73, o Atestado de Registro no antigo Conselho Nacional de Serviço Social/MEC, registro que se manteria no atual CNAS; em 14/03/80, o Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos do Conselho Nacional de Serviço Social/MEC; e em 27/08/85, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, com validade até 31/12/00; seria detentora, desde 08/07/76, do Título Declaratório de Utilidade Pública Estadual/RJ, e, desde 12/08/85, seria considerada Entidade de Utilidade Pública Federal; possuiria Certificado do Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS/RJ, bem como Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; “A correta observância dos seus fins sociais, bem como a exatidão das contas dos administradores da CESGRANRIO, é aferida periodicamente pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através de sua Promotoria de Justiça de Fundações, que expediu as Portarias PFSC n° 171/2004, PFSC nº 74/2006, PJFSFC nº 29/2008, PJFSFC nº 30/2008, PFSC nº 04/2009 e PFSC nº 01/2010, aprovando as contas da FUNDAÇÃO CESGRANRIO referentes aos exercícios de 2003 a 2008”; tais manifestações do Ministério Público confirmariam que a Fundação cumpre as disposições estatutárias que impedem a distribuição de seu patrimônio, que obrigam a aplicação integral no Brasil de seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais, e que impõem a manutenção de escrituração regular de receitas e despesas; o seu caráter educacional também adviria de Declaração do Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro; o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em várias decisões transitadas em julgado, já confirmara a sua natureza educacional; Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.008 6 o ex Ministro de Estado de Educação, Sr. Fernando Haddad, por ocasião do 38º aniversário da Fundação, teria manifestado o caráter educacional da entidade; as finalidades institucionais da Fundação estariam efetivamente ligadas à educação, tomada nos sentidos estrito e amplo; teria tido o reconhecimento dos programas de Mestrado e Doutorado, conforme Portaria MEC nº 73, de 17/01/07, expedida com base na Resolução CNE/CES nº 1, de 03/04/01, e no Parecer CNE/CES nº 267/2006, da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, aprovado pelo Conselho Técnico Científico – CTC da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES; no art.2º, III, do seu Estatuto, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, estaria prevista a criação de cursos de pósgraduação; dentre os seus 73 (setenta e três) empregados com curso superior, 22 (vinte e dois) seriam professores; a preocupação do legislador constitucional seria assegurar a educação em termos amplos (art.205 da CF/88), abrangendo toda e qualquer forma de acesso à cultura e à ciência (art.23, V, da CF/88), não se restringindo a aulas expositivas, inclusive em cursos de pósgraduação. As condições da necessária universalização do atendimento escolar e da melhoria da qualidade do ensino (art.214, II e III, da CF/88) teriam sido atendidas; nos termos do art.1º da Lei nº 9.394/96 (que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB), os processos de formação da educação desenvolverseiam em diversos locais (vida familiar, convivência comunitária, trabalho, instituições de ensino e pesquisa, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, manifestações culturais e desportivas); “...além das atividades acadêmicas propriamente ditas, a educação compreende a pesquisa e uma série de atividades de natureza científica (tais como realização de perícias para órgãos ou instituições públicas ou privadas, a análise de áreas de risco, para fins de acionamento da defesa civil, a certificação da higidez, para fins de exploração, de produtos fabricados por micro e pequenas empresas, e outras atividades correlatas) destinadas a apurar o que e como se aprendeu, no processo ensinoaprendizagem. Esta verificação denominase AVALIAÇÃO e se vale de técnicas de ponta e de tecnologias avançadas, entre as quais desponta a TRI – Teoria da Resposta ao Item, cuja introdução no Brasil, no MEC, nos sistemas de ensino e nas instituições educacionais, em geral, se deve às pesquisas e à ação da entidade”; no campo da “avaliação”, a Fundação, ao longo dos anos, como importante órgão de pesquisa educacional, promovera inúmeros cursos de especialização, divulgando técnicas de avaliação de aprendizagem, bem como simpósios, congressos, seminários e fóruns; seu caráter educacional estaria reforçado pela (a) concepção do Sistema de Avaliação Progressiva para Ingresso no Ensino Superior (SAPIENS), aprovado pelo Ministério da Educação, que autorizou sua aplicação, a partir de 1992, no Estado do Rio de Janeiro; e (b) pela criação do Fórum Educação – Cidadania – Sociedade, “espaço permanente de discussão de temas atuais com predominância na área de educação”, que possibilitou a realização, entre 1993 e 2007, de 30 fóruns; a revista Ensaio, com linha editorial voltada para avaliação e políticas públicas, seria distribuída gratuitamente, desde 1993, a todas as universidades brasileiras, Conselhos de Educação, Secretarias de Educação, bibliotecas e outras instituições; em 1994, teria introduzido no país a metodologia de comparação de desempenho de alunos da educação básica entre séries escolares, regiões brasileiras, o que possibilitou ao MEC Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.009 7 posicionar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB/95) em patamares internacionais; dentre os projetos de avaliação educacional desenvolvidos pela Fundação, ainda se destacaria a Avaliação Nacional de Rendimento Escolar (PROVA BRASIL), em 2005 e 2007; como instituição educacional também atuaria na capacitação de professores (1996 a 1999); “Para desenvolver projetos na área de cultura, criou, em sua estrutura, o Instituto Cultural Cesgranrio, que desenvolveu extensa programação cultural, no período de 1992 a 2002, realizando ou patrocinando eventos culturais [...]. Outro projeto desenvolvido, de grande alcance, foi o de Formação de Plateias, lançado em 1999, com o objetivo de promover o acesso dos estudantes às realizações culturais disponíveis no mercado”; a Fundação ainda seria responsável pela promoção de outros eventos culturais (v.g., RIOCULT – Rio, Cultura e Negócio 1995; Prêmio Cesgranrio de Cultura 97; Auto da Paixão 1998; avantpremière do filme O Quatrillo 1995; e programa Quinta Maior); Da inocorrência de distribuição patrimonial disfarçada das 15 (quinze) pessoas jurídicas que emitiram notas fiscais, consideradas inidôneas pela fiscalização, 11 (onze) estariam com situação “ativa”, uma como “baixada” após a prestação dos serviços, e três apareceriam inativas na atualidade; conforme comprovariam os documentos anexos, houve a efetiva realização dos serviços referidos nas notas fiscais; à Fundação caberia apenas a certificação no site da Receita Federal da situação das pessoas jurídicas contratadas; Da regularidade dos pagamentos efetuados pelos serviços prestados pela empresa Blason não representaria violação ao art.14, I, do CTN, a contratação de sociedade ligada a um dos seus diretores, sendo que os serviços, oferecidos em condições vantajosas, foram efetivamente prestados; antes mesmo de existir a Blason – Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, “...Em várias ocasiões, por conveniência dos clientes ou da Fundação Cesgranrio (estar com a sua sede impossibilitada de receber estranhos, devido a atividades sigilosas em curso concursos públicos e/ou avaliações), estes encontros se realizavam em conhecidos restaurantes do Rio de Janeiro, como o Alcaparra (Praia do Flamengo); Montecarlo (Copacabana), Antiquarius (Leblon); Porção de Ipanema (Ipanema); João de Barro (Centro); Photochart (Jockey Club da Gávea) e Quadrifoglio (Jardim Botânico) entre outros todos com refeições e serviços de qualidade, com relação custobenefício convidativa e compatível com os recursos da Fundação e com o nível dos clientes (preços variando de R$ 76,00 a R$ 126,00, por opção da refeição escolhida). Quando estes serviços se faziam necessários em sua sede, a alguns desses restaurantes era solicitado serviço de cattering. Com a mudança da sede da FUNDAÇÃO CESGRANRIO para o bairro Rio Comprido, região sabidamente cercada de favelas e de alto risco, muitos clientes passaram a preferir que estes encontros se realizassem em restaurantes.”; a partir de 2003, quando já existia a Blason – Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, várias reuniões passaram a nela ocorrer, dada a proximidade do estabelecimento com a Fundação, com o centro da cidade e com o aeroporto Santos Dumont, além de possuir características que os demais restaurantes da mesma categoria não ofertavam (v.g., salas privativas para almoço de Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.010 8 trabalho, recinto para exposições de planos de trabalho, oferta gratuita de equipamentos de fax e serviços de internet); tal estratégia de trabalho teria sido debatida com o seu Conselho Diretor e recomendada pelo próprio Conselho Fiscal da Instituição, conforme “Ata de 502ª Reunião do Conselho Diretor da Fundação Cesgranrio”; festividades, homenagens e sodalícios em datas marcantes sempre foram realizadas pela Fundação bem antes da existência da Blason – Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa; “...a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa (Blason) veio trazer uma série de conveniências: preços compatíveis com os demais, em muitos casos, até abaixo do mercado; não cobrança de aluguéis de espaços físicos, oferecidos como cortesia; desconto usual de 10% por ser a Fundação Cesgranrio; não cobrança de serviços de valet parking oferecidos como cortesia; não cobrança de serviços de segurança oferecidos como cortesia; decoração floral de mesas oferecida como cortesia; montagem de palcos ou equivalentes oferecida como cortesia. Em algumas ocasiões, quando necessário, a Fundação passou a contratar o serviço de cattering da BlasonCasa de Arte e Cultura Julieta de Serpa.” ; apenas passara a utilizar os serviços da Blason – Empreendimentos, Participações e Consultoria Ltda, cujo sócio é o Sr. Carlos Alberto Serpa de Oliveira, Presidente da Fundação, “após certificarse de que havia Editos da Provedoria de Fundações do Estado do Rio de Janeiro – órgão que examina, fiscaliza e aprova as contas da Fundação Cesgranrio , que orientam as ações das fundações e autorizam este tipo de procedimento, desde que com a mesma qualidade e com preços de mercado”, a exemplo do Edito 2/99; ao contrário de buscar ser remunerado mediante receitas da Fundação, o Presidente Carlos Alberto Serpa de Oliveira foi avalista pessoal de empréstimos para a Fundação, em valores que alcançaram 17 milhões de reais; não seria verdadeira a acusação de recusa de entrega de documentação no curso da fiscalização, sendo que as notas fiscais que o agente fazendário informa não ter recebido estão anexadas a estes recurso; Da compatibilidade entre a aquisição de obras de arte e o escopo cultural da entidade o fundamento de violação do art.14 do CTN, por ter adquirido objetos de arte nos valores de R$ 36.260,00 e R$ 48.600,00, nos anos de 2005 e 2007, respectivamente, não se sustentaria; a aquisição de obras de arte e antiguidades compatibilizase com os fins culturais da Fundação, não se destinando à mera decoração, como concluiu a fiscalização; “À evidência, tratandose de uma instituição que tem como uma de suas finalidades a cultura, a aquisição de obra de arte, além de incrementar o acervo patrimonial dedicado a esse escopo lembrese que se trata de uma FUNDAÇÃO, patrimônio posto a serviço de atividades de interesse social é, igualmente, de interesse público, na medida em que coloca essas obras ao alcance de toda a sociedade, que é uma forma de exercer a atividade cultural nos moldes do que se faz nos países mais desenvolvidos.”; Da imunidade relacionada às contribuições seria imune também com relação às contribuições destinadas à seguridade social, “...uma vez que realiza assistência social, possuindo registro no Conselho Nacional de Assistência Social, Declaração de Utilidade Pública Federal, Título de Utilidade Pública Estadual, Certificado do Conselho Municipal de Assistência Social CMAS/RJ e Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente”; Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.011 9 possuiria registro no CNAS, vez que, conforme art.1º, parágrafo único, da Resolução nº 31, de 24/02/99, expedida pelo Ministério da Previdência e Assistência Social – Conselho Nacional de Assistência Social, o atestado de registro seria válido por tempo indeterminado, não tendo a Fundação recebido qualquer intimação sobre o seu cancelamento; dentre as atividades de assistência social, destacarseiam os projetos Dois Toques, Semear e Jovens pela Paz; a fiscalização, ao apontar a realização de doações, na realidade teria comprovado também o caráter assistencialista da Fundação, conforme o seu Estatuto; a validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos teria expirado em 31/12/2000, sendo que a partir daquela data, por não atingir o percentual mínimo de 20% de sua receita bruta em benemerência, exigido pela União, optara por não renovar tal certificado (atual CEBAS); o fato de deixar de atender ao disposto no art.55 da Lei nº 8.212/91, não retiraria o seu direito à imunidade prevista no art.195, §7º, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). O conteúdo e alcance do conceito de “entidade beneficente de assistência social” teria sido definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao conceder liminar na ADI 2028; o art.195, §7º, da CF/88, por veicular imunidade, exigiria lei complementar, vez que “...esse tipo de desoneração configura uma limitação ao poder de tributar”. O STF já reconhecera que tal imunidade poderia ser regulada pelo art.14 do CTN, cujos requisitos vem sendo cumpridos pela Fundação; “...podese dizer que a entidade de educação será também uma entidade de assistência social, quando, a par de prestar serviços mediante contraprestação, também os ponha ao alcance de pessoas carentes, de forma gratuita ou subsidiada, na medida de suas possibilidades.”; Do direito à isenção da Cofins e ao recolhimento do PIS sobre a folha de salários faria jus, nos termos do art.195, §7º, da CF/88, da imunidade relacionada à Cofins, bem como teria o “...direito de recolher o PIS sobre a folha de salários, por ser entidade de assistência social e educação, sem finalidade de lucro”; apenas a lei complementar poderia impor limitações ao poder de tributar, a teor do art.146, II, da CF/88, conforme julgados do STF (RE 101.083 e MS 203820), de maneira que é o CTN quem deve regular a matéria, estando cumpridos os requisitos previstos em seu art.14; apenas para argumentar, mesmo que não fizesse jus à imunidade, seria isenta de Cofins e o PIS deveria incidir sobre a folha de salários e não sobre o faturamento; “...tem direito à isenção em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, conforme previsto no inciso X do artigo 14 c/c incisos IV e VIII do art.13 da MP nº 2.15835/2001, independente do disposto na IN/SRF nº 247/2002, artigo 47, II, 2º c/c art.9º, incisos IV e VIII. Da mesma forma, por ser uma instituição sem fins lucrativos, e imune ao IRPJ, não possuindo lucro, recolhe o PIS à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha de salários”; quanto ao art.13, III, da MP nº 2.15835, que trata da isenção da Cofins, “...tal benefício fiscal não foi outorgado apenas em relação às entidades de educação em sentido estrito, mas também às que se dedicam à educação em sentido amplo, abrangendo as entidades sem fins lucrativos (de ‘caráter filantrópico’) dedicados às atividades recreativas, culturais e científicas, consoante disposto no art.13, IV, da MP nº 2158 e 15 da Lei nº 9.532/97”; Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.012 10 “...na medida em que a MP nº 2158 condiciona o recolhimento do PIS e o gozo da isenção da Cofins ao preenchimento das condições do art.12 da Lei nº 9.532, que são meros desdobramentos daqueles previstos no art.14 do CTN, a conclusão que se impõe é que toda entidade de educação e cultura que faz jus à imunidade de impostos, fará jus, também, ao recolhimento do PIS à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha de salários, nos termos do art.13, III e IV, da MP nº 215835 e do art.12 da Lei nº 9.532/97 e, também, à isenção da COFINS, nos termos do art.14, X, c/c art.13, III e IV, da MP 215835 e dos arts.12 e 15 da Lei 9532/97”; “...tanto o art.13, III, VI e VIII, da MP nº 2.15835, como o art.12 da Lei nº 9.532/97 e o art.9º, incisos III, IV e VIII, da IN SRF nº 247/2002, nesse ponto, asseguram o direito da entidade de recolher o PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, exatamente como procedeu a impugnante”; tratandose de uma entidade sem fins lucrativos, não se poderia falar em faturamento; os dispositivos legais não vinculariam a isenção a determinadas receitas das entidades beneficiária, sendo ilegal a IN SRF nº 247/02, não podendo regulamentar o ato legislativo que outorga a isenção. Na realidade, aquele ato normativo restringira o alcance do benefício outorgado, sendo inconstitucional por ferir diretamente o art.150, §6º, da C/88; a MP nº 2.158 isentaria “...todas as receitas provenientes dos objetivos sociais da entidade, sejam contraprestacionais ou não, bastando que derivem de sua finalidade institucional”; a invalidade da IN SRF nº 247/02 estaria sendo reconhecida pelo Judiciário (sentenças proferidas nos processos nº 2006.6100.006.1521 e 2007.61.00.0022301; acórdão na Apelação Cível nº 2004.71.01.0010555); Da impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos com efeitos retroativos de acordo com art.146 do CTN, não poderia a fiscalização exigir Cofins sobre o faturamento com relação aos anos 2005 a 2007; a mudança de critério jurídico não poderia prejudicar o contribuinte, que agira em conformidade com entendimento anterior; Da multa de ofício “...o auto deve ser de plano anulado e suprimida a multa imposta, dado que nenhuma infração foi ela cometida, dado gozar de desoneração constitucional e legal”; Da ilegitimidade da SELIC reitera os termos da impugnação quanto à ilegitimidade da SELIC no cálculo dos juros moratórios. Da tribuna, e em memoriais distribuídos aos Conselheiros, além de reiterar os argumentos postos no recurso voluntário, o patrono do Recorrente requereu, com fundamento no art.62A, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento, igualmente como se decidiu no processo nº 12898.002360/200914, ou seja, “...até que o Supremo Tribunal Federal decida matéria que se encontra sob repercussão geral acerca da necessidade de lei complementar para regular a imunidade do art.195, §7º da CF e que poderá redundar no reconhecimento da inconstitucionalidade da legislação ordinária que, indevidamente, impôs requisitos ao gozo da desoneração constitucional, especialmente, do artigo 55, II da Lei 8212/91, conforme RREE 566.622 e 636.941”. É o relatório. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.013 11 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso, dele se conhece. PRELIMINAR Da nulidade do acórdão recorrido Sustenta o Recorrente que o acórdão a quo deveria ser declarado nulo, pois não teria enfrentado os argumentos de defesa relativos à nulidade do ADE nº 23/2010, especificamente pelo fato “...de a autoridade já ter exaurido sua competência ao apreciar a representação fiscal relativa aos exercícios de 2004 a 2007, e suspender apenas as desonerações correspondentes ao exercício de 2004, além de ostentar fundamentação deficiente, dificultando o direito de defesa do contribuinte”. Realmente, no acórdão recorrido, inexiste enfrentamento relacionado à nulidade do ADE nº 23/10, ao contrário do que constou do acórdão nº 1235.915, proferido pela mesma Oitava Turma da DRJ –Rio de Janeiro I (RJ). Tal omissão não foi despropositada, pois nas impugnações de fls.524/593 e 1.039/1.098 não se aventou a nulidade do ADE nº 23/10, alegação que, na realidade, constou das impugnações apresentadas no processo nº 12898.000209/201085, que trata dos autos de infração de IRPJ e CSLL. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade, houve sim, ao contrário do suscitado pelo Recorrente, enfrentamento por parte da DRJ. In verbis: “Da ilegalidade e da inconstitucionalidade Inicialmente cumpre destacar que transcendem o escopo do julgamento administrativo as arguições que versam sobre inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos, hierarquia de leis, bem como arbitrariedade ou injustiça de atos legais ou infralegais, dês que legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. São questões que exorbitam da competência legal desta instância julgadora, enquanto parte integrante da estrutura organizacional do Poder Executivo, ao qual não cabe analisar a validade ou a razoabilidade daquelas normas, mas zelar pela sua correta inteligência e adequada aplicação nos processos fiscais sob sua apreciação.” Acerca dos argumentos de defesa relacionados às atividades desempenhadas pelo Recorrente, a DRJ entendeu desnecessário apreciálas, vez que as autuações se sustentariam por fundamentos independentes. Senão, vejamos: “Na espécie, a interessada ataca o lançamento pela defesa de sua suposta imunidade das contribuições lançadas, conduta tão compreensível posto que, se assim fosse, não sofreria a exigência fiscal ora combatida como desnecessária já que não é o presente processo o veículo de discussão quanto a tal benefício fiscal, o que se faz nos autos do P.A. 12898.000209/201085. Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.014 12 A despeito da discussão quanto à natureza jurídica das atividades realizadas pela interessada, de sorte que ela possa ou não gozar de imunidade e/ou isenção – institutos tratados indistintamente nos autos – bem assim ao largo da questão da qual seria a formalidade necessária para declarála como fora do espectro do benefício fiscal, há que se reconhecer o caráter imperativo da decisão judicial que determinou ao Fisco a apuração e o lançamento de PIS e Cofins, sendo certo que, efetivamente, esse foi o comando que lhe excluiu a isenção. ..... Assim, a despeito do farto rol de argumentos de defesa, não há no que se reprovar o procedimento fiscal, fazendose mister frisar a desnecessidade de o julgador reportarse expressamente a todas as alegações deduzidas nos autos, devendo apenas firmar o seu posicionamento e decidir de maneira suficientemente fundamentada. Ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão na forma conduzida pelas partes, mas sim sustentado por seu convencimento jurídico, utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e, máxime, da legislação que entender aplicável ao caso.” Por tais razões, não há se falar em violação a dispositivos da Lei nº 9.784/99, mencionados pela defesa. Rejeito a preliminar de nulidade suscitada. MÉRITO No campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, dos autos de infração, constam as seguintes fundamentações: COFINS “I Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais número 17.403.4/002/2002 do INSS, cancelou a isenção das Contribuições Sociais de que tratam os artigos 22 e 23 (CSLL e COFINS) da Lei 8.212/1991, a contar de 01/01/2001. II O Ato Declaratório número 23 de 19 de março de 2010, do Delegado da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de Janeiro, suspendeu o Gozo da Isenção Tributária prevista no artigo 15, parágrafo primeiro da Lei 9.532/97, relativamente aos anos calendário 2005, 2006 e 2007 para a Fundação Cesgranrio. III Valores apurados conforme Decreto 4.524/2002 art.2, inciso II e parágrafo único, art.3,10, 22 e 51. IV Nos anos calendário 2005, 2006 e 2007, Cofins sem nenhum recolhimento e sem declaração no IRPJ e em DCTF.” PIS I O Ato Declaratório número 23 de 19 de março de 2010, do Delegado da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de Janeiro, suspendeu o Gozo da Isenção Tributária prevista no artigo 15, Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000210/201018 Resolução nº 1103000.107 S1C1T3 Fl. 2.015 13 parágrafo primeiro da Lei 9.532/97, relativamente aos anos calendário 2005, 2006 e 2007 para a Fundação Cesgranrio. II Valor apurado conforme Decreto 4524/2002 art.2 inciso I, alínea "a” e parágrafo único, art.3,10, 22 e 51. III Foram abatidos dos valores apurados, os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, a título de PIS (1% sobre a Folha de Salários), conforme DARF'S apresentados no código 8301, do período de apuração 31/01/2005 a 31/12/2007, confirmados na consulta RFB SINAL 07.” Notase, portanto, que a solução da presente controvérsia quanto ao mérito não se descola da discussão acerca do reconhecimento da isenção/imunidade, objeto do processo nº 12898.000209/201085. Assim, considerando que nesta assentada, o julgamento de tal processo foi sobrestado, conforme Resolução nº 1103000.106, os presentes autos devem seguir a mesma sorte. Ademais, a análise dos efeitos da decisão definitiva do STF em sede de repercussão geral, que justificou o sobrestamento daquele processo, deverá ser objeto de discussão nos presentes autos. À Secretaria da Primeira Câmara da Primeira Seção caberá, conforme disposto no art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012, aguardar a decisão definitiva de mérito do RE 566.622/RS pelo Supremo Tribunal Federal para só então devolver estes autos ao Relator para julgamento conjunto com o processo nº 12898.000209/201085. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e de SOBRESTAR o julgamento nos termos do art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012.. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13986.000032/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO.
Para fins de apuração de crédito do PIS e da Cofins não-cumulativa, adota-se a interpretação intermediária construída neste CARF especificamente no que tange a tais contribuições, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise da essencialidade da despesa para o auferimento da receita. Nesse contexto, no caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) aquisição de embalagens; (b) aquisição de serviços de transportes vinculados à compra de produtos e a fretes de produtos entre matriz e filial; (c) aquisição de combustíveis e lubrificantes desde que relacionados aos serviços de transporte indicados no item imediatamente anterior; (d) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. De outro norte, não dá direito a crédito aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, visto que não restou comprovado nos autos a essencialidade de tais bens para a realização da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente.
DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS E DOCUMENTOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com transporte e com combustíveis e lubrificantes para veículos, incorridas para deslocamentos de funcionários e documentos.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS.
O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mas, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não-cumulatividade e da cumulatividade.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3301-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito na aquisição de embalagens, inclusive as destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados; (ii) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito relativo ao pagamento de serviços de transportes vinculados à compra de produtos e a fretes de produtos entre matriz e filial, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen que davam direito ao crédito pelos demais serviços de transporte, ficando o voto vencedor a cargo do Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira; (iii) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito relativo à aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados nos serviços de transportes vinculados à compra de produtos e a fretes de produtos entre matriz e filial, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que davam direito ao crédito pelos demais serviços de transporte, ficando o voto vencedor a cargo do Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira; (iv) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito relativo à depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (v) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a alegação da fiscalização de que a apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno estaria incorreta.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques D´Oliveira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Para fins de apuração de crédito do PIS e da Cofins não-cumulativa, adota-se a interpretação intermediária construída neste CARF especificamente no que tange a tais contribuições, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise da essencialidade da despesa para o auferimento da receita. Nesse contexto, no caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) aquisição de embalagens; (b) aquisição de serviços de transportes vinculados à compra de produtos e a fretes de produtos entre matriz e filial; (c) aquisição de combustíveis e lubrificantes desde que relacionados aos serviços de transporte indicados no item imediatamente anterior; (d) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. De outro norte, não dá direito a crédito aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, visto que não restou comprovado nos autos a essencialidade de tais bens para a realização da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS E DOCUMENTOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com transporte e com combustíveis e lubrificantes para veículos, incorridas para deslocamentos de funcionários e documentos. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mas, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não-cumulatividade e da cumulatividade. Recurso Voluntário provido em parte.
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NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Para fins de apuração de crédito do PIS e da Cofins nãocumulativa, adotase a interpretação intermediária construída neste CARF especificamente no que tange a tais contribuições, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise da essencialidade da despesa para o auferimento da receita. Nesse contexto, no caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) aquisição de embalagens; (b) aquisição de serviços de transportes vinculados à compra de produtos e a fretes de produtos entre matriz e filial; (c) aquisição de combustíveis e lubrificantes desde que relacionados aos serviços de transporte indicados no item imediatamente anterior; (d) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. De outro norte, não dá direito a crédito aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, visto que não restou comprovado nos autos a essencialidade de tais bens para a realização da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS E DOCUMENTOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com transporte e com combustíveis e lubrificantes para veículos, incorridas para deslocamentos de funcionários e documentos. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mas, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 00 32 /2 00 5- 23 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 2 referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito na aquisição de embalagens, inclusive as destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados; (ii) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito relativo ao pagamento de serviços de transportes vinculados à compra de produtos e a fretes de produtos entre matriz e filial, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen que davam direito ao crédito pelos demais serviços de transporte, ficando o voto vencedor a cargo do Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira; (iii) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito relativo à aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados nos serviços de transportes vinculados à compra de produtos e a fretes de produtos entre matriz e filial, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que davam direito ao crédito pelos demais serviços de transporte, ficando o voto vencedor a cargo do Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira; (iv) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito relativo à depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (v) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a alegação da fiscalização de que a apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno estaria incorreta. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques D´Oliveira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). Fl. 780DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 11 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de fls. 716/724 dos autos, abaixo transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS nãocumulativa, relativos ao primeiro trimestre de 2005. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial (Despacho Decisório, às folhas 567 e 568, e Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, às folhas 541 a 566), fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que, dentre as embalagens adquiridas, estariam incluídas algumas que se destinariam apenas ao transporte de produtos elaborados, o que as descaracterizaria como "embalagens de apresentação" e justificaria sua exclusão da lista de embalagens passíveis de gerarem créditos; (b) aquisição de serviços de transportes não vinculados a operações de venda: a autoridade fiscal glosou os créditos apropriados pela contribuinte relativos a aquisição de serviços de transporte vinculados a compra de produtos, a transporte de funcionários, a fretes de documentos e a fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros. Afirma a autoridade fiscal que apenas o transporte associado às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, é que dá direito ao creditamento a titulo da contribuição; (c) aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo: a autoridade fiscal glosou os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos por diversos automóveis da contribuinte, bem como as aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, com base da afirmação de que só dão direito ao creditamento as aquisições de combustíveis e lubrificantes aplicados diretamente no cultivo da maga; (d) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: em relação aos créditos apurados, foram eles glosados ern razão de que estariam associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados venda, no caso especifico a produção de maçã". Além das glosas de créditos acima indicadas, constatou a autoridade fiscal, ainda, outra irregularidade: a incorreta apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno. É que a contribuinte, ao efetuar o cálculo dos percentuais relativos ao mencionado rateio proporcional, teria deixado de incluir na receita bruta total os valores lançados nas linhas 07 e 09 da Ficha 07 da DACON a titulo de "outras receitas", distorcendo, com isso, a apuração dos percentuais. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 4 Irresignada com o indeferimento de seu pleito, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador mandato à folha 597 , a manifestação de inconformidade its folhas 570 a 593, na qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, no item 3.1.1., às folhas 572 a 579, contesta a contribuinte a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens, discordando da assertiva fiscal de que as mesmas foram utilizadas unicamente no transporte de produtos e que não serviram à valorização da apresentação dos produtos ou a indicação promocional. Assim se expressa (folha 573): Na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso especifico a maçã), ainda tern objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos (vejase os valores expressivos glosados), motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexas (Doc. 3). Inclusive porque, a marca da requerente é valorizada e conhecida, e ainda divulgada tanto no mercado interno como no mercado externo. A prova disso é a nova marca e embalagem que passou a ser usada no mercado externo a partir de 2007 para atrair novos clientes internacionais, de nome "snow apple", anexa foto ao Doc. 3. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3.° e 5.° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.° 247/2002 e ao artigo 8.° da Instrução Normativa SRF n. ° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juizo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas (consulta respondida pela SRRF da 2ª Região Fiscal e decisão da DRJ/Salvador/BA) que estariam a respaldar seu entendimento. Na seqüência, no item 3.1.2, às folhas 579 a 584, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Entende que "todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte / requerente agido de acordo com os ditames legais" (folhas 579). Alega que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3.° e pelo artigo 5.° da Lei n. ° 10.637/2002; também os incisos II e IX do artigo 3.° da Lei n. ° 10.833/2003, trariam esta garantia. Em relação especificamente ao inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, argumenta a contribuinte que (folha 581): O que podemos extrair desse inciso, é que também, quando o vendedor suportar o ônus do frete, quando da venda de seus produtos, também poderá apropriar o crédito, porém, essa é mais uma opção de crédito, e não pode ser entendido como uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos. Assim, se para aquisição de determinado insumo Fl. 782DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 12 5 para a fabricação / produção do produto, é necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito. Da mesma forma, se para a fabricação /produção do produto, é necessário a utilização de serviços correspondentes, esse também está amparado pelo direito ao crédito, entre eles: fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros. Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado a venda. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea "b" do inciso Ido parágrafo 5° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Em outro item de sua manifestação de inconformidade. o 3.1.3, as folhas 584 a 586, contesta a contribuinte a glosa de créditos relativos aquisição de combustíveis e lubrificantes. Afirma que seu direito ao crédito esta expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei re 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3.° da Lei n.° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alinea "b" do inciso Ido artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta a contribuinte que o Despacho Decisório da DRF/Joaçaba/SC impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda" (folha 585). Já no item 3.1.4 de sua manifestação de inconformidade, às folhas 586 a 588, discorda a contribuinte da glosa dos créditos vinculados aos encargos com depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Assim se expressa: Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram subtraído da linha 9/10 da ficha 6 da DACON (encargos conz depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado), o valor de R$ 12.480,32 (..), relativo encargos de depreciação, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 6 Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em exame, segue alguns exemplos outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1.0 do artigo 3.° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1.0 do artigo 3.° da Lei n.° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados ent relação a "encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês". Cita, ainda, os termos do artigo 4.° do Ato Declaratório SRF n.° 02/2003, no qual está expresso que "a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3. ° da Lei n. ° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens". Alega, assim, que "a legislação argumentada e apresentada não fazem t as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legitimo o direito do contribuinte" (folha 588). No item 3.1.5 de sua manifestação de inconformidade, à folha 588, contesta a contribuinte o critério adotado pela autoridade fiscal para o cálculo do rateio proporcional dos créditos vinculados a operações de exportação e a operações no mercado interno. Entende que aplicou o critério segundo as instruções de preenchimento da DACON, razão pela qual pleiteia a manutenção do cálculo original. Ao final de sua manifestação de inconformidade, ás folhas 589 a 591, resume a contribuinte suas razões de discordância, nos seguintes termos: a) Das embalagens utilizadas como insumos: as embalagens foram consideradas pela análise fiscal como destinadas somente ao transporte dos produtos. Porém, as embalagens utilizadas pela requerente, além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação valorizando a marca e produto da requerente, entre outros efeitos. Ademais, legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legitinto o direito do contribuinte. b) Das aquisições de serviços de transportes utilizados como insumos: pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorandose os fretes pagos quando da aquisição de instintos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e tambémde transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Nesse caso, também a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. c) Das aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes: pela análise fiscal, os combustíveis e lubrificantes não fazem parte do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS, e por esse motivo foram desconsiderados. Porém, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre• outras atividades, para a garantia formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legitimo o direito do contribuinte. d) Dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram desconsiderados os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, pois foram Fl. 784DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 13 7 considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS. Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada está em vigor, e não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legitimo o direito do contribuinte. e) Cálculo do Rateio Proporcional: pela analise tributária, houve alteração da forma de calculo do Rateio Proporcional, porém, o cálculo do contribuinte foi de acordo com instruções de preenchimento da DACON, e a autoridade administrativa não apresentou base legal para alteração do cálculo. Em face do todo exposto, a requerente agiu em conformidade com a lei, na apropriação dos créditos pleiteados no processo administrativo, objeto de julgamento pelo despacho decisório em questão, motivo pelo qual, requer, o deferimento total dos créditos pleiteados com a reforma da decisão no despacho decisório. A DRJ em Florianópolis indeferiu a solicitação, fls. 609 a 629, nos termos das ementas abaixo transcritas: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As passíveis de serem promovidas em sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, enz função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo as suas aquisições. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 8 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado corno insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITA MENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a titulo de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mas, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluÍdas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 633 a 650, instruído com os documentos de fls. 651 a 662. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o contribuinte não transferiu para o julgador o ônus da prova; a contribuinte apresentou composição de todos os créditos apurados; a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não se tratava em discutir primariamente o montante do crédito em si, mas sim o direito ao crédito; os créditos desconsiderados pelo auditor fiscal (totalmente apurados e demonstrados), não foram desconsiderados por falta de demonstração da origem, porém, por interpretação do auditor que tais créditos não seriam de direito do contribuinte; a DRJ/FNS se ateve no julgamento aos valores dos créditos, mantendo a decisão contida no Despacho Decisório, entendendo que os valores não estavam corretamente apurados e provados, quando na verdade estavam; os créditos apurados pelo contribuinte ficam sujeitos a posterior verificação e homologação pela autoridade administrativa; a maçã passa pelo processo de classificação e após embalagem, e somente após isso é que vai ser transportada, ou seja, todas as embalagens utilizadas na Fl. 786DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 14 9 maçã fazem parte da incorporação ao produto final; provou todos os valores de seus créditos; para a embalagem se caracterizar como de transporte deve ser acima de vinte quilos, nos termos do art 6°, § 1', II, do Regulamento do IPI; todas as embalagens trazidas ao pedido de ressarcimento são abaixo de vinte quilos, e todas fazem apelo ao público consumidor, conforme se infere nas fotos presentes aos autos; Ao analisar o caso, este Conselho, em sessão realizada em 23/08/2010, entendeu por converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora providenciasse a juntada a este processo do fluxograma de produção que foi colacionado no processo administrativo fiscal nº 13986.000033/200578 (COFINS) e facultasse à interessada a juntada de outros documentos que foram apresentados no referido processo. Por meio de petição protocolizada em 07/12/2010 (fls. 727 em diante), o contribuinte anexou aos autos: a) Fluxograma de Produção, onde se explica toda a cadeia produtiva da maçã, mostrando os insumos necessários para a produção da maçã, até se chegar ao consumidor final, insumos que fazem parte do preço de custo final da maçã (Doc. 3); b) Exemplos de embalagens utilizadas na maçã, que compõem o produto final conforme item 5.2.1 do referido Recurso Voluntário, com apelo promocional, não servindo apenas para o transporte da maçã (Doc. 4). Os autos, então, vieramme conclusos para análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Fl. 787DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 10 Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Da admissibilidade O Recurso Voluntário (fls. 665/699) é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do mérito Conforme acima narrado, foram cinco fundamentos que levaram ao indeferimento parcial do pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS nãocumulativa: (a) aquisição de embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que, dentre as embalagens adquiridas, estariam incluídas algumas que se destinariam apenas ao transporte de produtos elaborados, o que as descaracterizaria como "embalagens de apresentação" e justificaria sua exclusão da lista de embalagens passíveis de gerarem créditos; (b) aquisição de serviços de transportes não vinculados a operações de venda: a autoridade fiscal glosou os créditos apropriados pela contribuinte relativos a aquisição de serviços de transporte vinculados à compra de produtos, a transporte de funcionários, a fretes de documentos e a fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros. Afirma a autoridade fiscal que apenas o transporte associado às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, é que dá direito ao creditamento a titulo da contribuição; (c) aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo: a autoridade fiscal glosou os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos por diversos automóveis da contribuinte, bem como as aquisições de tintas, tonner, pneus e remédios, com base da afirmação de que só dão direito ao creditamento as aquisições de combustíveis e lubrificantes aplicados diretamente no cultivo da maçã; (d) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: em relação aos créditos apurados, foram eles glosados em razão de que estariam associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados venda, no caso especifico a produção de maçã"; (e) incorreta apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno. O contribuinte, por seu turno, contestou tais pontos sob os seguintes fundamentos: a) Das embalagens utilizadas como insumos: as embalagens foram consideradas pela análise fiscal como destinadas somente ao transporte dos produtos. Porém, as embalagens utilizadas pela requerente, além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação valorizando a marca e produto da requerente, entre outros efeitos. Ademais, legislação argumentada e apresentada não Fl. 788DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 15 11 fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legitinto o direito do contribuinte. b) Das aquisições de serviços de transportes utilizados como insumos: pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorandose os fretes pagos quando da aquisição de instintos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e tambémde transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Nesse caso, também a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. c) Das aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes: pela análise fiscal, os combustíveis e lubrificantes não fazem parte do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS, e por esse motivo foram desconsiderados. Porém, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre• outras atividades, para a garantia formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legitimo o direito do contribuinte. d) Dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram desconsiderados os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS. Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada está em vigor, e não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legitimo o direito do contribuinte. e) Cálculo do Rateio Proporcional: pela analise tributária, houve alteração da forma de calculo do Rateio Proporcional, porém, o cálculo do contribuinte foi de acordo com instruções de preenchimento da DACON, e a autoridade administrativa não apresentou base legal para alteração do cálculo. Devidamente contextualizada a lide, passase à análise pontual dos temas que são objeto de controvérsia nos presentes autos. 1) Do direito ao creditamento de PIS linhas gerais A presente demanda versa, primordialmente, sobre a glosa de créditos realizada pela fiscalização, por entender que não haveria previsão legal para as mesmas. Como bem ressaltou o contribuinte em seu recurso, o embasamento da glosa realizada pela fiscalização foi a ausência de previsão legal para autorização do creditamento realizado, e não a falta de comprovação da sua origem (vide encerramento de análise fiscal constante de fls. 547/568 dos autos). Logo, a questão deve ser apreciada sobre o aspecto de direito. No caso específico do PIS, o art. 3º da Lei nº 10.637/2002 assim dispõe: Fl. 789DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 12 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Grifos apostos). No que tange à alínea II acima, embora ciente que alguns julgadores deste Conselho adotam interpretação restritiva do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive acolhendo em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 16 13 A análise do presente caso, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 14 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Filiome, portanto, à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da não cumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. Até porque, entendo que a lista constante do referido art. 3º é meramente exemplificativa, e não taxativa. O que importa para fins de apropriação de crédito, portanto, é se o custo ou a despesa são necessários/essenciais à geração da receita. De todo modo, tornase necessária a análise de cada uma das rubricas cujas glosas foram realizadas pela fiscalização, ressaltandose que em relação a algumas delas o entendimento acima defendido quanto ao conceito se insumo e a sua aplicação para o atividades que atuam no ramo do comércio será aplicado, para fins de se aferir se o contribuinte possui direito à manutenção dos créditos objeto da autuação. 1.a. Aquisição de embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados Neste ponto, a fiscalização entendeu que, dentre as embalagens adquiridas, estariam incluídas algumas que se destinariam apenas ao transporte de produtos elaborados, o que as descaracterizaria como "embalagens de apresentação" e justificaria sua exclusão da lista de embalagens passíveis de gerarem crédito. Em sua defesa, o contribuinte destacou que, ao contrário do que entendeu a fiscalização, as embalagens não foram utilizadas unicamente no transporte de produtos, servindo também à valorização da apresentação dos produtos, bem como à indicação promocional destes. É o que defende na passagem a seguir: Na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso especifico a maçã), ainda tern objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o Fl. 792DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 17 15 que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos (vejase os valores expressivos glosados), motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexas (Doc. 3). Inclusive porque, a marca da requerente é valorizada e conhecida, e ainda divulgada tanto no mercado interno como no mercado externo. A prova disso é a nova marca e embalagem que passou a ser usada no mercado externo a partir de 2007 para atrair novos clientes internacionais, de nome "snow apple", anexa foto ao Doc. 3. A DRJ, então, entendeu que as embalagens que não são incorporadas ao produtos durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. Discordo deste entendimento. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. E, no caso em apreço, restou demonstrado pelo contribuinte por meio da documentação acostada aos autos que as embalagens em questão são essenciais à realização de sua atividade empresarial (vide petição de fls. 727 em diante, em que o contribuinte juntou: Fluxograma de Produção, onde se explica toda a cadeia produtiva da maçã, mostrando os insumos necessários para a produção da maçã, até se chegar ao consumidor final, insumos que fazem parte do preço de custo final da maçã; e os exemplos de embalagens utilizadas na maçã, que compõem o produto final conforme item 5.2.1 do referido Recurso Voluntário, com apelo promocional, não servindo apenas para o transporte da maçã). Até porque, como bem salientou o contribuinte, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não foi o caso, a legislação atinente ao PIS (Lei nº 10.637/2002 e Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004) não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito. A interpretação realizada pelo Fisco levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável não deve ser acolhida para fins de análise do direito ao crédito do PIS. Sendo assim, voto no sentido de reformar a decisão recorrida, para fins de reconhecer o direito do contribuinte ao crédito relativo inclusive às embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados. 1.b. Aquisição de serviços de transportes não vinculados a operações de venda A fiscalização entendeu pela glosa de créditos apropriados pelo contribuinte relativos à aquisição de serviços de transportes vinculados à compra de produtos, a transporte de funcionários, a fretes de documentos e a fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros, sob o fundamento de que apenas o transporte associado às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, é que daria direito a crédito de PIS. Em sua defesa, o contribuinte assim se manifestou: Fl. 793DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 16 Na seqüência, no item 3.1.2, às folhas 579 a 584, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Entende que "todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte / requerente agido de acordo com os ditames legais" (folhas 579). Alega que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3.° e pelo artigo 5.° da Lei n. ° 10.637/2002; também os incisos II e IX do artigo 3.° da Lei n. ° 10.833/2003, trariam esta garantia. Em relação especificamente ao inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, argumenta a contribuinte que (folha 581): O que podemos extrair desse inciso, é que também, quando o vendedor suportar o ônus do frete, quando da venda de seus produtos, também poderá apropriar o crédito, porém, essa é mais uma opção de crédito, e não pode ser entendido como uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos. Assim, se para aquisição de determinado insumo para a fabricação / produção do produto, é necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito. Da mesma forma, se para a fabricação /produção do produto, é necessário a utilização de serviços correspondentes, esse também está amparado pelo direito ao crédito, entre eles: fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros. Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado a venda. Neste ponto, a DRJ entendeu que somente daria direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de serviços de frete que estejam relacionados à aquisição de bens para revenda, sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Entendo que assiste razão ao contribuinte. Isso porque a interpretação realizada pela DRJ decorre da leitura literal do disposto no inciso IX da Lei 10.833/2003, que embora trate da COFINS, foi aplicada por analogia ao presente caso, que versa sobre PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...). Fl. 794DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 18 17 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Ocorre que tal interpretação literal não deve ser acolhida. A uma porque tal restrição não se encontra inserta na legislação específica do PIS, a duas porque entendo que o rol de incisos insertos os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) 10.833/2003 (COFINS) é meramente exemplificativo, e não taxativo. O que importa para fins de apropriação de crédito é se o custo ou a despesa são necessários/essenciais à geração da receita. E, no caso dos autos, entendo que a aquisição de serviços de transportes vinculados à compra de produtos, a transporte de funcionários, a fretes de documentos e a fretes de produtos entre matriz e filial são essenciais à atividade desempenhada pela Recorrente. Sendo assim, há de se reconhecer, portanto, que as despesas com tais fretes ensejam o direito ao crédito de PIS e COFINS. 1.c. Aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo Outro item objeto de glosa por parte da fiscalização foi a aquisição de combustíveis e lubrificantes consumidos por diversos automóveis da contribuinte, bem como as aquisições de tintas, tonner, pneus e remédios. A autoridade fiscal glosou tais créditos sob o fundamento de que só dariam direito a crédito as aquisições de combustíveis e lubrificantes aplicados diretamente no cultivo da maçã, tendo sido este fundamento acolhido pela DRJ. Não houve manifestação específica no que tange às aquisições de tintas, tonner, pneus e remédios. No que tange à aquisições de combustíveis e lubrificantes, novamente, entendo que os fundamentos da fiscalização não podem ser acatados. Isso porque, consoante acima analisado, o conceito de insumos deve ser interpretado face à essencialidade do bem para a atividade empresarial desempenhada pela empresa. E, no caso dos autos, não resta dúvidas que o transporte dos seus bens é essencial à obtenção de faturamento pela empresa Recorrente. Esta conclusão se extrai, inclusive, dos esclarecimentos fáticos trazidos pelo contribuinte na passagem a seguir: Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda" (folha 585). Neste ponto, portanto, entendo que deverá ser reformada a decisão recorrida. De outro norte, no que tange às aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, entendo que não restou comprovado nos autos à essencialidade de tais bens para a realização da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente, razão pela qual mantenho a glosa dos créditos quanto a tais itens. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 18 1.d. Depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado A fiscalização entendeu, ainda, pela glosa de créditos associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico da produção de maçã". A DRJ concordou com este entendimento, ao dispor que "apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade". Defende o contribuinte que a premissa adotada pela fiscalização está equivocada, visto que o crédito relativo à depreciação referese a máquinas e equipamentos que são utilizados na produção das maçãs. É o que se extrai do esclarecimento a seguir: Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em exame, segue alguns exemplos outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. Na mesma linha dos tópicos anteriores, entendo que não se sustenta a glosa realizada pela fiscalização, visto que as máquinas e equipamentos acima indicados são essenciais ao desempenho da atividade empresarial da Recorrente, conferindolhe, portanto, direito a crédito. E ainda que assim não se entendesse, o direito ao crédito neste caso específico decorre da literalidade do inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, uma vez que as máquinas e equipamentos em tela são utilizados na produção das maçãs, destinadas à venda. 1.e. Incorreta apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno Por fim, entendeu a fiscalização que estaria incorreta a apuração do rateio proporcional realizado pela empresa, destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno. O contribuinte, então, argumentou que realizou o cálculo de rateio de acordo com as instruções de preenchimento da DACON e que a autoridade administrativa não teria apresentado base legal para a alteração do cálculo realizada pela mesma. Sobre este último ponto, é válido mencionar que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se debruçou sobre esta mesma matéria ao analisar processo que versa sobre a COFINS do mesmo período de apuração, consoante se extrai da ementa constante do Acórdão proferido em sessão realizada em 02 de junho de 2011, tendo entendido, à unanimidade, por dar provimento ao recurso voluntário quanto ao rateio proporcional: CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não necessariamente a receita total sujeita à incidência nãocumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoria fiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes Fl. 796DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 19 19 de operações que, por suas naturezas, consubstanciassem venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoria fiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Concordo com a conclusão a que chegou este Conselho naquele oportunidade, cujo voto abaixo transcrito adoto como razão de decidir: DO RATEIO PROPORCIONAL A imputação, quando se refere à Inclusão de Receitas não Consideradas pelo Contribuinte no Rateio Proporcional, diz o seguinte: A administração tributária ao regulamentar a matéria determina que a pessoa jurídica que efetuar, concomitantemente, operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno e exportação de produtos para o exterior, ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, com pagamento em moeda conversível, ou de vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação, deve segregar os custos vinculados às receitas de exportação, utilizandose em sua determinação, a critério da pessoa jurídica, os métodos de: a) apropriação direta, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual entre os custos vinculados à receita de exportação e os custos totais incorridos no mês, apurados por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual existente entre a receita bruta de exportação e a receita bruta total, auferidas no mês. Os valores "Outras Receitas" informados nos campos 07 e 09, Ficha 07 da DACON, não foram considerados no cálculo de rateio e tais valores modificam a participação proporcional das receitas decorrentes de operações com o mercado externo e o total global das receitas auferidas pela empresa, e deveriam ter sido considerados pela requerente quando do preenchimento da DACON. O contribuinte repete, em sede recursal, o quanto dito na manifestação de inconformidade: Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, a autoridade administrativa alterou a forma de distribuição das receitas pelo Rateio Proporcional, porém, não apresentou base legal para tal alteração. Tendo em vista que o contribuinte efetuou o cálculo de acordo com preenchimento da DACON, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com orientações de preenchimento da DACON. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 20 A decisão recorrida, após breve digressão acerca das normas legais que regulam a questão, pontifica: Como se percebe, pelo critério legal posto só poderia haver exclusão de receitas do montante da receita bruta total no cálculo do rateio proporcional, caso tais receitas não tivessem sido objeto de recolhimento das contribuições, o que não é o caso das "outras receitas" registradas pela contribuinte, pelo menos a partir do que da DACON e dos autos consta. Correta mostrase, portanto, a medida adotada pela DRF/Joaçaba/SC. Com isso, fica mantido o recálculo efetuado no âmbito do despacho decisório contestado. Em princípio, tem razão a recorrente quando afirma que o seu cálculo foi de acordo com as instruções de preenchimento do DACON, porquanto na ajuda da Ficha 12 da versão 2.0 do DACON, quando são tratadas as receitas de exportação e os custos vinculados às receitas de exportação, o critério de rateio apontado é o percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas no mês. Pois bem, ao meu ver, Outras receitas integram o total das receitas (a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), mas não necessariamente a receita bruta total, que vem a ser a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia, nos dizeres da Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 1º. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a autoridade fiscal provar qe as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, consubstanciassem venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da autoridade fiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo. permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas (nos dizeres a ajuda da Ficha 13 do DACON versão 2.0), e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Pelas razões acima expostas, entendo que deverá ser afastado o ajuste realizado pela fiscalização quanto à apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de reconhecer o direito ao crédito no que tange à: (a) aquisição de embalagens; (b) aquisição de serviços de serviços de transportes vinculados à compra de produtos, a transportes de funcionários, a fretes de documentos e a fretes de produtos entre matriz e filial; (c) aquisição de combustíveis e lubrificantes; (d) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, bem como afastar a alegação da fiscalização de que a apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno estaria incorreta. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13986.000032/200523 Acórdão n.º 3301003.069 S3C3T1 Fl. 20 21 Nego provimento ao Recurso Voluntário apenas no que tange às aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, visto que não restou comprovado nos autos a essencialidade de tais bens para a realização da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente, razão pela qual mantenho a glosa dos créditos quanto a tais itens. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 799DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 22 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira: Peço vênia à Conselheira Relatora, para discordar do reconhecimento do direito ao registro de créditos de PIS e COFINS (regime nãocumulativo) relativos às despesas com transporte e com combustíveis e lubrificantes para veículos, incorridas para deslocamentos de funcionários e documentos, tratadas nos itens "1.b. Aquisição de serviços de transportes não vinculados a operações de venda" e "1.c. Aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo". O inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2002, também aplicável ao PIS, por força do inciso II do art. 15, autoriza o cálculo de créditos sobre fretes em operações de venda. Os gastos com frete em operações de compra de mercadorias para industrialização ou revenda, como item componente dos custos de aquisição, também é autorizado, sob o amparo dos incisos I e II do art. 3° das Lei n° 10.637/2001 e 10.833/2003. Não há, contudo, previsão legal para cálculo de créditos sobre despesas com transporte e combustíveis e lubrificantes para veículos, incorridas para deslocamentos de funcionários e de documentos. Por este motivo, voto por não reconhecer o direito ao registro de créditos de PIS e COFINS relacionados às referidas despesas. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator Designado Fl. 800DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 16327.001918/2001-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.434
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, RESOLVERAM os membros converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
O Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas declarou-se impedido de votar.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Relatório
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, RESOLVERAM os membros converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas declarouse impedido de votar. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 91 8/ 20 01 -1 2 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 16327.001918/200112 Resolução nº 1401000.434 S1C4T1 Fl. 661 2 Relatório A contribuinte acima identificada ingressou com o PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fl. 01, tendo em vista que o não recebimento do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais FINOR, relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao anocalendário 1998, exercício 1999, no FINOR. Após análise do processo, foi constatado que a contribuinte, possuía pendências impeditivas a liberação do incentivo. Em 9 de abril de 2008 esta foi, então, intimada a regularizar tais pendências. Em 9 de maio de 2008, a empresa apresentou a resposta de fls. 90 e seguintes, esclarecendo: Com relação ao item “2” DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO, a Requerente gostaria de esclarecer que mesmo antes do recebimento da presente intimação, a mesma já havia tomado todas as providências para regularização dos débitos inscritos em divida ativa junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Nesse sentido, a Requerente requer ajuntada, nesse momento, dos documentos comprobatórios, a fim de comprovar o alegado. Com relação ao item “7” DÉBITOS EM COBRANÇA NO SIEF, a Requerente esclarece que o valor de R$ 138.485,03 (cento e trinta e oito mil quatrocentos e oitenta e cinco reais e três centavos) e informa que o mesmo esta vinculado ao processo de Compensação n.° 13804.001899/200325 e 13804001898/200381 conforme demonstra na sua DCTF e nos pedidos de compensação em anexo e pendente de julgamento. Com relação ao item “8” DÉBITO EM COBRANÇA NO PROFISC a Requerente informa que os débitos referentes aos processos administrativos em cobrança apontados no extrato SINCOR, quais sejam os de números 16327002989/200213, 16327.002990/200248, 16327.000.734/9851 e 16327.000.382/200207 estão com a sua exigibilidade suspensa, devido às seguintes situaçoes a saber: a) proc. adm. n° 16327002989/200213 esta com sua exigibilidade suspensa, por força dos depósitos realizados nos autos dos processo 97000485323 e 9800534210 (doc. anexo); b) proc. adm. n° 16327.002990/200248 esta com sua exigibilidade suspensa, por força dos depósitos realizados nos autos dos processo 97.000485323 e 98.00534210 (doc. anexo); e c) proc. adm. n° 16327.000.734/9851 esta com sua exigibilidade suspensa, por força dos depósitos realizados nos autos dos processo 97000485323 (doc. anexo); e d) proc. adm. n° 16327.000.382/200207 esta com sua exigibilidade Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16327.001918/200112 Resolução nº 1401000.434 S1C4T1 Fl. 662 3 suspensa, por força da liminar concedida nos autos do processo n.° 9600298904 (doc. anexo). Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas à liberação do incentivo, conforme relatório de fls. 537. Tal relatório aponta a existência de pendências na PFN, em especial a fls. 525526, nas quais constam processos administrativos em situação de dívida ativa ajuizada. Por meio do Despacho Decisório de fls. 538, proferido em fevereiro de 2009, a autoridade administrativa indeferiu o pedido, com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente em 11 de março de 2010, em acórdão da DRJ/SP1, assim ementado: ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1998 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. PERC QUlITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal tica condicionada it comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não.pode ser deferido. Manifestação de Inconformidade improcedente Outros Valores Controlados Cientificada em 16/06/2010 (fls. 640), a empresa apresentou recurso voluntário em 15/07/2010, alegando, em síntese: (i) Impossibilidade de se exigir prova de regularidade fiscal posteriormente à sua opção pelo investimento como condição à fruição do benefício: sustenta que a decisão recorrida, ao concluir que a regularidade fiscal do contribuinte deve ser analisada no momento da apreciação do PERC ou, ainda, no momento em que ocorre o processamento eletrônico de dados (emissão do Extrato das aplicações em incentivos fiscais), está em desacordo com os artigos 105 e 144 do CTN e não reflete a atual jurisprudência sobre o caso. Neste sentido, defende que a comprovação da regularidade fiscal deve ser feita no momento da manifestação da opção (data da entrega da Declaração de Imposto de Renda 1999), alegando que "com relação a esse período não há nos autos do processo administrativo nenhuma prova de que a Recorrente estivesse em situação irregular perante o Fisco" (fls. 608). (ii) prescrição administrativa do direito de a administração analisar o PERC, eis que entre a data da opção para destinar parcelas de seu imposto de renda aos fundos de investimento regionais (no exercício de 1999, com relação ao anocalendário 1998) e a data de análise de seu pedido (2008) transcorreram 9 anos, o que conduziria à sua homologação tácita. Neste sentido, transcreve trechos da Portaria Interministerial 237/2002, dos Ministérios da Fazenda e da Integração Nacional, a qual estabelece que "caberá à SRF adotar providências no sentido de concluir a análise e julgamento dos Pedidos de Revisão de Ordens de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, referentes ao Exercício de 1991 / Ano calendário Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16327.001918/200112 Resolução nº 1401000.434 S1C4T1 Fl. 663 4 1990 a Exercício de 1999 / Ano calendário 1998, dentro de trinta e seis meses, a contar da publicação desta Portaria." Tal norma determinou à SRF a instituição de cronogramas para processamento, observado o prazo de julho de 2005 para os PERC relativos ao exercício de 1999, anocalendário 1998, sendo que somente em abril de 2008 a administração deu andamento inicial ao PERC. (iii) preclusão temporal ou prescrição ocorrida no processo administrativo, considerando que "nos termos do artigo 54 da Lei 9.784/99, tem a Administração o prazo de 5 anos para analisar os atos praticados pelos contribuintes", não podendo ser impingido a estes o ônus da morosidade da Administração. (iv) decadência da administração, que implicaria a homologação tácita da declaração da "opção" efetuada pelo contribuinte, nos termos do art. 150, par. 4o do CTN. Ou seja, sustenta que a não apreciação do PERC no prazo de 5 anos a contar da data em que efetivada a opção pelo incentivo configura decadência do direito de a Administração proceder ao seu indeferimento, com a consequente homologação tácita da opção efetuada pelo contribuinte. Isso porque, muito embora o indeferimento do PERC não implique imediato lançamento tributário, a decisão terá reflexo direto na esfera jurídica do contribuinte, pois não obstante a destinação de parcela de seu imposto ao fundo de investimentos, ele não receberá os certificados de investimento. (v) nulidade da Intimação n° 6240/2008 e do parecer que a embasa. Quanto ao parecer, sustenta que, nos termos do art. 3l do Decreto n° 70.235/1972, para ser válida, a decisão que aprecia o PERC deve conter, obrigatoriamente, (i) relatório resumido do processo, (ii) fundamentação legal com a apreciação de todos os argumentos de fato e de direito alegados, (iii) conclusão fundamentada, e (iv) ordem de intimação do contribuinte. Neste sentido, alega que o relatório sucinto da decisão que impõe um ônus à Recorrente, ao indeferir o PERC, se não tem o condão de impedir a defesa do contribuinte, tal como aduzido na decisão recorrida, certamente a compromete, já que dificulta a ampla compreensão acerca dos fundamentos de fato e de direito que levaram ao indeferimento. Quanto à intimação, defende que esta é nula por ter violado o princípio da motivação, exigido no arts. 2° e 319 da Lei 10.941/2001, pois não se indicam os fundamentos pelos quais se exige a comprovação de regularidade fiscal no momento da apreciação do PERC. (vi) ilegalidade da exigência de CND como pressuposto para a concessão de benefício fiscal. Nesse ponto, observa que a opção pela destinação do imposto aos fundos de investimento regionais se deu com base na Lei 8.167/1991, sendo que as únicas condições impostas por tal diploma eram (i) pagar integralmente o IR, sendo destinada parcela do valor recolhido ao respectivo fundo; e (ii) manifestar esta opção em sua declaração de rendimentos. Assim, a administração não poderia impor, anos depois da opção, novas condições para a fruição do benefício, fazendo tabula rasa ao princípio da segurança jurídica. Por ocasião desta sessão de julgamento, a Recorrente apresentou petição protocolizada em 5 de outubro último, na qual comprovaria a quitação dos apontados débitos. É o relatório. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 16327.001918/200112 Resolução nº 1401000.434 S1C4T1 Fl. 664 5 Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A Súmula Vinculante do CARF n. 37 estabelece que o momento de verificação da regularidade fiscal para fins de apreciação do PERC é aquele em que configurada a opção pelo investimento (isto é, a entrega da declaração de rendimentos), admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo: "Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." Diante disso, e considerando que a petição apresentada pela Recorrente no dia da sessão de julgamento ainda não estava juntada aos autos, entendo pela necessidade de se converter o julgamento em diligência para que ocorra a juntada de tal petição, bem como para que se verifique a autenticidade e veracidade da informação ali constante. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 671DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955943/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2000
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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EFEITOS. Recorrente MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2000 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 43 /2 00 8- 22 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.955943/200822 Acórdão n.º 3402003.470 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação formulada para a compensação de crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito de COFINS. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada, do qual a empresa foi cientificada em 02/12/2008. Em 07/10/2009 a empresa apresentou sua Manifestação de Inconformidade cumulado com pedido de revisão do lançamento, apresentando cópia de DARF que corresponderia ao pagamento indevido ou a maior. Cientificada de Comunicado do qual foi informada da intempestividade de sua defesa, a empresa apresentou novo Recurso Administrativo requerendo a revisão do lançamento em razão da existência do DARF. Em resposta a estas petições foi emitido Despacho Decisório atestando a intempestividade e o correspondente não andamento do processo. Cientificada desse despacho, a empresa apresentou nova Petição de Revisão de Lançamento, recebida com exigibilidade suspensa por ordem judicial. Esta última petição foi analisada em novo Despacho Decisório de Revisão de Ofício que manteve a conclusão do Despacho Decisório Eletrônico, vez que respaldado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo na Declaração de Compensação. Fundamentando a não realização da revisão de ofício, foi ainda indicado que o crédito estaria decaído no momento do Pedido de Compensação. Em face deste último despacho, foi apresentada nova Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo informa que o crédito objeto da compensação declarada nesse processo já teria sido objeto de pedido anterior formulado em outro processo, que ainda estaria pendente de análise. Esta defesa, apresentada dentro de trinta dias do recebimento do Despacho Decisório de Revisão de Ofício, não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento vez que maculada pela intempestividade da primeira Manifestação de Inconformidade. Transcrevese abaixo a ementa da referida decisão, no que interessa a presente análise: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido." Cientificada desta decisão e inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.955943/200822 Acórdão n.º 3402003.470 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.438, de 22 de novembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10880.955937/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.438): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 07/10/2009, muitos meses após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico emitido nos presentes autos. O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.955943/200822 Acórdão n.º 3402003.470 S3C4T2 Fl. 5 4 No presente caso, a intempestividade é patente, vez que o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade quase um ano após sua regular intimação do Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada. Com isso, evidente que as petições e manifestações apresentadas pelo sujeito passivo após o Comunicado reconhecendo a intempestividade da Manifestação de Inconformidade não instauraram a fase litigiosa do procedimento, em conformidade com o Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." (grifei) Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202 003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Importante mencionar que o último Despacho Decisório de Revisão de Ofício apresentado foi apenas uma resposta a uma das diversas petições apresentadas pela empresa, trazendo considerações específicas para manter o Despacho Decisório eletrônico emitido e, portanto, não alterar as suas razões. 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.955943/200822 Acórdão n.º 3402003.470 S3C4T2 Fl. 6 5 Neste ponto, coaduno com as considerações trazidas na decisão de primeira instância, que assim se manifestou: "12. Posteriormente ao expressado acima, a Autoridade Administrativa proferiu despacho, fls. 74/5, intitulado de “despacho decisório – revisão de ofício”, a partir do qual ratificou a propalada NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação requerida, agora com fundamento em questão de direito material (decadência), reabrindo prazo para manifestação da Requerente. 12.1. Entretanto, é de ser observado que, de fato, o denominado “despacho decisório – revisão de ofício” tem como substância mera resposta à petição do Sujeito Passivo que requer em sua resistência, alternativamente, a revisão do lançamento fiscal na forma do art. 149 do CTN. 12.1.1. Vaticina o § 6º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 12.1.2. Nesse diapasão, tal Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, dentro dos prazos que lhe são garantidos pelo ordenamento, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte. 12.2. Em adição, cumpre ressaltar que referido ato administrativo não efetuou nenhuma alteração no conteúdo ou efeitos do DD que reconheceu a preclusão temporal, e que, portanto, continua a sobejar de definitividade no âmbito administrativo. 12.2.1. Desta sorte, o propalado “despacho decisório – revisão de ofício” apenas demonstra que, fosse superada a questão processual da preclusão temporal do DD original, o que tal ato não admite nem mesmo como hipótese, o pleito do Contribuinte, em virtude da demonstrada e fundamentada decadência constatada no caso vertente, haveria de ser considerado carecedor de fundamento de direito substantivo, o que acarretaria como resultado, sob qualquer ângulo de análise, a não homologação da compensação demandada. 13. Em adição a tudo quanto articulado, insta esclarecer, neste ponto, que o indigitado despacho não revogou nem anulou, expressa ou tacitamente, o Despacho Decisório original, não tendo, assim, o condão de infirmálo ou sobrepôlo. Traduziuse em mera resposta à petição de resistência do Contribuinte. 13.1. Cumpre observar que o DD original transmudouse, a partir da já divulgada preclusão temporal, em ato jurídico perfeito e, portanto, albergado sob o manto da imutabilidade, ao menos enquanto não revisto pela própria Administração ou infirmado em juízo. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.955943/200822 Acórdão n.º 3402003.470 S3C4T2 Fl. 7 6 13.2. Ademais, consoante preconizado no art. 53 da Lei nº 9.784/99, a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade. 13.3. No “despacho decisório – revisão de ofício”, não consta qualquer alegação de ilegalidade verificada no DD original de fls. 4, bem como não há descrição de motivação que esclareça eventual conveniência ou oportunidade da Administração presente no caso a justificar a revogação do indigitado ato de nãohomologação da pretendida compensação por decurso de prazo. 13.4. Em adição, deve ser pontuado que ao analisar a comprovação de pagamento trazida ao processo, defendido como indevido pela Impugnante, donde a Autoridade Administrativa pode concluir pelo equívoco do Sujeito Passivo quando informando a data de arrecadação no PER/DCOMP sob apreciação e, ainda, a ocorrência da decadência expressada no “despacho decisório – revisão de ofício”, restou amplamente observado e respeitado o princípio da verdade material, basilar do processo administrativo fiscal. 13.5. Cumpre esclarecer, ainda, que tal princípio encerra a idéia de possibilidade de comprovação inconteste do direito alegado pelo Contribuinte, emergindo do referido ato administrativo que, no caso sub examine, tal direito era inexistente vez que fulminado pela decadência. 14. Do quanto exposto, exsurge que o “despacho decisório – revisão de ofício” não expressa verdadeiro conteúdo de despacho decisório de não homologação da compensação a ser desafiado por manifestação de inconformidade, em consonância com a previsão do § 9º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, especialmente por que, não tendo sido infirmado por este, o DD original continua válido e apto a produzir seus naturais efeitos, sendo factível extrairse do contido no processo, até o momento do presente Voto, a ocorrência da preclusão consumativa para a Administração, desnudandose como inócuo pronunciamento que intenta repisar posicionamento acerca de questão definitivamente resolvida, ainda mais intentando a reabertura de processo administrativo fiscal encerrado. 15. Por corolário do raciocínio expendido, não se tratando de efetivo despacho decisório de não homologação de compensação, não há de se cogitar haver espaço para manifestação de inconformidade nem, tampouco, instauração do contencioso administrativo." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.955943/200822 Acórdão n.º 3402003.470 S3C4T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do primeiro Despacho Decisório emitido (Despacho Decisório Eletrônico)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.730746/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.000,00. Os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido
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ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.000,00. Os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 07 46 /2 01 4- 85 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.730746/201485 Acórdão n.º 2202003.535 S2C2T2 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12448.730746/201485, em face do acórdão nº 1538.727, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Tratase de Impugnação à Notificação de Lançamento que constituiu crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) do anocalendário 2012, no valor originário de R$ 4.125,00, acrescido de multa de ofício e juros moratórios. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento foi efetuado em razão de dedução indevida de despesa médica (R$ 15.000,00, Luísa Azevedo Pinto). A glosa foi realizada sob o argumento de que os recibos apresentados não atenderam aos requisitos normativos, pois não apresentavam o endereço do prestador do serviço, não havia a discriminação do serviço prestado e não se encontravam identificados por numeração. O contribuinte alega, em síntese, que as despesas foram realizadas em benefício próprio e os recibos atendem aos requisitos normativos. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 51/52, onde são reiterados, em parte, os argumentos já lançados na impugnação, apresentando, em anexo ao recurso, documentos às fls. 53/56, no intuito de comprovar seu direito. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.730746/201485 Acórdão n.º 2202003.535 S2C2T2 Fl. 62 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Embora, ressalvo, que os documentos juntados na fase recursal já se encontravam nos autos. Entendeu a DRJ de origem, no presente caso, que: "Os recibos objeto da glosa realizada (fls. 10 a 16) foram saneados quanto à irregularidade de ausência do endereço do prestador, tendo sido registrado o logradouro rua Senador Vergueiro, Flamengo, 238/612, Rio de JaneiroRJ. Não obstante, não foram apresentados elementos de prova que pudessem esclarecer a omissão quanto à discriminação da natureza dos serviços de fisioterapia, como apontados pelo AuditorFiscal na Notificação de Lançamento. A discriminação dos serviços de saúde prestados é requisito essencial que confere robustez ao documento candidato a servir como meio de prova de despesa a ser utilizada na dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. A exigência formulada pela Autoridade Fiscal, portanto, encontrase no âmbito de pertinência, visto que cabe à fiscalização investigar a adequação da despesa para validar a apuração realizada na declaração de ajuste e o impugnante não apresentou nenhum outro elemento de prova capaz de infirmar a dúvida suscitada quanto à certeza na realização dos serviços (Lei nº 9.250, de 26/12/1995, art.8º, inciso II, “a”, e § 2º , incisos I a V)." (grifouse) Entendo que a não apresentação de forma discriminada da natureza dos serviços de fisioterapia não é informação obrigatória que deva constar no recibo médico. Aliás, ainda que a contribuinte tenha sido intimada a prestar tais informações, compreendo que a simples descrição "tratamento fisioterápico", tal como constou nos recibos de fls. 06/10, é suficiente para a dedução da referida despesa médica. Para sustentar o lançamento, verificase que a DRJ de origem fez referência a Lei nº 9.250, de 26/12/1995, art.8º, inciso II, “a”, e § 2º , incisos I a V, cujos dispositivos seguem abaixo transcritos: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.730746/201485 Acórdão n.º 2202003.535 S2C2T2 Fl. 63 4 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Conforme se verifica, nada refere a legislação quanto a essencialidade de discriminação dos serviços de saúde prestados, pois, em verdade, a legislação somente exige "pagamentos especificados e comprovados". Comprovase o pagamento pelo recibo, estando, por sua vez, especificado o pagamento pela descrição "tratamento fisioterápico". Salientase que os recibos identificam expressamente que foi a contribuinte a beneficiária do tratamento fisioterápico. Além da falta de descrição do serviço, também foi motivo da glosa a não apresentação do endereço da profissional, já sanado, conforme julgamento da DRJ onde resta esclarecido que o endereço é Rua Senador Vergueiro, Flamengo, 238/612, Rio de JaneiroRJ. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.730746/201485 Acórdão n.º 2202003.535 S2C2T2 Fl. 64 5 Por fim, o terceiro motivo para a realização da glosa foi de que o recibo não estaria numerado. Por falta de previsão legal, não há como considerar tal argumento sustentável para a glosa efetuada. Portanto, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a glosa impugnada. Portanto, prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser afastada glosa de despesa médica no valor de R$ 15.000,00, consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 15.000,00, em relação a dedução de despesas médicas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000814/2009-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição.
Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidencia-se a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio pretendido pela contribuinte.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos recursos e em conhecê-los integralmente. E, no mérito, acordam ainda, (1) quanto ao ágio, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado); e (2) quanto à multa isolada, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votou apenas quanto ao mérito. Julgamento iniciado na reunião de 18/08/2016 e concluído na reunião de 22/09/2016 no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Agosto.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Cobrança concomitante de multa isolada e multa de ofício. Recorrentes FAZENDA NACIONAL KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S/A (atual denominação da RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio pretendido pela contribuinte. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 08 14 /2 00 9- 93 Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.130 2 Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos recursos e em conhecêlos integralmente. E, no mérito, acordam ainda, (1) quanto ao ágio, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado); e (2) quanto à multa isolada, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votou apenas quanto ao mérito. Julgamento iniciado na reunião de 18/08/2016 e concluído na reunião de 22/09/2016 no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Agosto. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratamse de recursos especiais de divergência interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela contribuinte KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S/A (denominação atual da RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A), com fundamento nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Registrese que a PGFN protocolou seu recurso em 15/04/2015, quando o RICARF vigente ainda era aquele aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Já a contribuinte apresentou seu recurso em 18/08/2015, quando já vigia o atual regimento, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. A despeito disso, cada uma das peças recursais cumpriu os requisitos exigidos e foi admitida, após procedimento de cognição sumária, para apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Os recorrentes questionam as partes que lhes foram desfavoráveis no Acórdão nº 1102001.305, por meio do qual os membros da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.131 3 da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela contribuinte para cancelar as multas isoladas sobre as estimativas não recolhidas. Além disso, negouse provimento, por unanimidade de votos, ao recurso de ofício que tratava da exoneração de parte das multas isoladas referentes ao ano calendário de 2008, determinada em decisão de 1ª instância. No que tange ao ponto central do mérito, a decisão recorrida manteve os autos de infração lavrados pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que a contribuinte deduziu indevidamente, nos anoscalendário 2005 a 2008, de seu lucro real e da sua base de cálculo da CSLL, despesas relativas à amortização de ágio contabilizado em operações societárias realizadas entre empresas do mesmo grupo econômico, com a utilização de "empresa veículo" e sem alteração no controle das sociedades envolvidas. As despesas foram consideradas indedutíveis, uma vez que o ágio teria sido gerado de forma artificial, sem fundamento ou substrato econômico. Tais operações envolveram a contribuinte (que à época tinha a denominação de RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A) e outras empresas a ela relacionadas: MORRO DE OURO INVESTIMENTOS S/A (doravante identificada como MOI), MORRO DE OURO EMPREENDIMENTOS MINERAIS S/A (referenciada de agora em diante apenas como MOEM), RIO TINTO BRASIL LTDA. (subsidiária nacional de grupo sediado no exterior, que será identificado a partir deste ponto como grupo RIO TINTO) e KINROSS PARTICIPAÇÕES LTDA. (à época com a denominação de TVX PARTICIPAÇÕES LTDA.). O ágio cujas despesas de amortização a Fiscalização entendeu serem indedutíveis foi contabilizado pelo grupo econômico em duas etapas. Na primeira delas, realizada em 29/11/2004, o grupo RIO TINTO cedeu a totalidade das ações da empresa MOEM à MOI, por ocasião da integralização de aumento de capital social desta última. À época, o único ativo relevante da MOEM era sua participação acionária de 51% no capital social da contribuinte, que teve seu valor de mercado reavaliado com base em laudo elaborado para este fim. Nesta operação, foi então registrado na contabilidade da MOI um ágio de R$687.236.117,49. Os outros 49% do capital social da contribuinte autuada já pertenciam à KINROSS PARTICIPAÇÕES LTDA. que, em 23/12/2004, adquiriu do grupo RIO TINTO a totalidade das ações da MOI. Assim, a empresa passou a deter 100% das ações da contribuinte autuada (51% de forma indireta; 49% de maneira direta). Em 31/12/2004, a nova controladora do grupo promoveu novo aumento de capital social da MOI, desta vez integralizado diretamente com a conferência de ações da contribuinte, reavaliadas a valor de mercado (com base no mesmo laudo utilizado na integralização de 29/11/2004). Nesta segunda integralização, registrouse na contabilidade da MOI ágio no valor de R$652.659.226,49. Nesta mesma data, a contribuinte, então sob a denominação de RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A incorporou suas duas controladoras MOEM (controladora direta) e MOI (controle direto de 49% e indireto, de 51%), trazendo para a sua contabilidade o ágio que passou então a ser aproveitado para a redução do IRPJ e da CSLL devidos, sob o argumento de que tal prática estaria albergada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e pelos arts. 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) RIR/1999. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.132 4 Por entender que tal dedução não tinha base legal, a Fiscalização lavrou autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL referentes ao período em que durou a dedução entendida como indevida. A autuação fora mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, também pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurgem tanto a contribuinte quanto a PGFN (esta, somente em relação ao cancelamento das multas isoladas). O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio em operações societárias levadas a efeito apenas dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas, sem comprovação de efetivo ônus para a adquirente da participação societária, e com uso de empresa de curta duração (empresa "de passagem" ou "veículo"), constitui prova da artificialidade e da falta de fundamento econômico do ágio, tornando inválida a sua posterior amortização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose de despesas apenas formalmente reveladas por força de registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos, mas que não se revestem de qualquer materialidade, nem de sentido econômico, inadmissível a repercussão tributária dessas despesas artificialmente geradas na formação da base de cálculo da contribuição, que tem como ponto de partida o lucro líquido do exercício. IRPJ. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. Devidamente intimada, a PGFN interpôs, em 15/04/2015, recurso especial tempestivo insurgindose contra a interpretação dada pelo acórdão recorrido à questão da cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.133 5 Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos no art. 67 do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a PGFN apontou acórdãos de turmas de câmara do CARF que teriam dado ao tema combatido interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. Relata a recorrente que o acórdão recorrido considerou incabível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas de IRPJ e CSLL apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento dos tributos apurados no balanço final do mesmo ano. Isso porque as estimativas que deixaram de ser recolhidas seriam meras antecipações dos tributos devidos ao final do período anual e a imposição concomitante de ambas as multas caracterizaria dupla penalização sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento da obrigação de pagar tributo. Ao adotar tal entendimento, a decisão recorrida estaria em conflito com os Acórdãos nº 1202000.964 (proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF) e nº 1302001.080 (prolatado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da mesma Seção). A PGFN afirma que ambos os acórdãos indicados como paradigmas, em situações fáticas similares à encontrada no acórdão recorrido, chegaram à conclusão de que a exigência simultânea das multas isolada e de ofício é possível, por se aplicarem a hipóteses legais distintas, não se configurando qualquer ofensa ao Código Tributário Nacional (CTN). Após defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, a PGFN apresenta também uma série de alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida, na parte atinente à cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. Em suma, argumentase que: A cumulação da multa de ofício com a multa isolada não caracteriza bis in idem, que consiste na aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração. No caso da matéria discutida, estáse diante de dois tipos de penalidades, sancionadoras de duas infrações tributárias distintas, que podem ou não vir a incidir sobre uma mesma base de cálculo; A multa de ofício imputada à contribuinte se deveu à falta de recolhimento de tributo, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Já a multa isolada foi aplicada em razão do descumprimento da sistemática de recolhimento por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, conforme previsão do art. 44, inciso II, alínea "b", da mesma Lei; As infrações tributárias não se confundem. A multa de ofício somente será devida caso exista tributo a pagar por ocasião do ajuste anual, baseado no resultado apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Já a multa isolada poderá ser cobrada ainda que, ao final do período, tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, por decorrer não da falta de pagamento dos tributos em si, mas do simples descumprimento do regime de recolhimento mensal por estimativa; Não existe limitação prevista em lei no sentido de que a multa isolada somente possa ser aplicada no decorrer do anocalendário, ou seja, antes da apuração definitiva do imposto e da contribuição; As bases de cálculo sobre as quais incidem as duas multas normalmente não são coincidentes. A multa de ofício incide sobre o tributo devido e não recolhido. Já a multa Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.134 6 isolada incide sobre as antecipações não pagas no decorrer do ano, calculadas a partir das receitas brutas mensais. Mesmo que as bases de cálculo eventualmente coincidam, tal fato não configura nenhuma ilegalidade, tendo em vista que as infrações que ocasionam a cobrança das multas são distintas; O recolhimento do IRPJ e da CSLL pelo regime de estimativa é opção dos contribuintes. Uma vez feita a opção no início do anocalendário, o contribuinte deve realizar o recolhimento mensal das estimativas até o final do período, a não ser que apresente balanços ou balancetes mensais provando que o valor acumulado já recolhido excede o valor devido apurado até aquele mês; Conforme bem apontou o i. Relator do acórdão recorrido, na parte em que foi vencido acerca da matéria da cobrança concomitante das multas isolada e de ofício, a Súmula CARF nº 105 determina a impossibilidade de tal cobrança em relação à multa isolada prevista no inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Tal dispositivo, no entanto, foi revogado pela Lei nº 11.488, de 15/06/1997, que alterou a redação do art. 44 reduzindo o percentual da multa isolada de 75% para 50% e determinando que ela passasse a incidir sobre "o valor do pagamento mensal devido"; Com tal alteração legislativa, perdeu força a tese de bis in idem recepcionada por parte da jurisprudência do CARF (as bases de cálculo passaram a ser explicitamente diferenciadas). Assim, a existência da Súmula CARF nº 105 não se presta a amparar a exoneração de multas isoladas relacionadas a períodos posteriores à vigência da Medida Provisória (MP) nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488/1997. Com base em todos os argumentos que apresenta, a PGFN requer que seu recurso especial seja provido para reformar o Acórdão nº 1102001.305, mantendose a cobrança da multa isolada aplicada pela falta de pagamento da estimativa mensal de IRPJ e CSLL. A irresignação da recorrente foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 22/05/2015 (e corroboradas, em sede de reexame, pelo Sr. Presidente da CSRF, em 28/05/2015). O aludido despacho aplicou o §2º do art. 67 do Anexo II do RICARF/20091 para negar seguimento ao recurso especial da PGFN na parte que pedia o restabelecimento da cobrança de multa isolada relativa aos anoscalendário 2005 e 2006. Isso porque a exoneração destas parcelas encontra amparo na já mencionada Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício 1 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) §2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. (...) Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.135 7 por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Considerouse que a Súmula CARF nº 105, por se remeter expressamente à impossibilidade de cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada prevista na antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, impediria o conhecimento do recurso especial na parte em que se insurge contra a exoneração da multa relativa aos períodos em que vigia tal redação. Para os demais períodos de apuração, posteriores à vigência da MP nº 351, de 22/01/2007 (convertida na Lei nº 11.488/1997), considerouse devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Assim, deuse seguimento parcial ao recurso especial da PGFN. Em 03/08/2015, a contribuinte foi intimada para tomar ciência do Acórdão nº 1102001.305, do recurso especial apresentado pela PGFN e dos despachos que o admitiram. Em consonância com as disposições infralegais, a contribuinte protocolou, em 18/08/2015, dois documentos: i) contrarrazões aos argumentos constantes do recurso especial da PGFN e; ii) seu próprio recurso especial, em que questiona aspectos do Acórdão nº 1102001.305 que lhe foram desfavoráveis. Nas contrarrazões opostas ao recurso especial da Fazenda Nacional, a contribuinte perfilou alegações que podem ser assim resumidas: O recurso da PGFN não deve ser conhecido porque o impedimento previsto no §2º do art. 67 do Anexo II do RICARF/2009 aplicase a todos os anoscalendário para os quais houve lançamento da multa isolada, e não somente para aqueles anteriores à vigência da MP nº 351, de 22/01/2007 (convertida na Lei nº 11.488/1997); A Súmula CARF nº 105 não tem sua aplicabilidade limitada no tempo, e veda a cobrança concomitante das multas isolada e de ofício para quaisquer anoscalendário, mesmo aqueles posteriores à vigência da MP nº 351, de 22/01/2007; A previsão da multa isolada contida no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996 (que teve vigência até o fim de 2006) é essencialmente idêntica à trazida pelo art. 44, inciso II, alínea "b", da mesma Lei, na redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007. Assim, a Súmula CARF nº 105 menciona expressamente o dispositivo mais antigo apenas para identificar a que multa isolada estaria se referindo (ausência de recolhimento das estimativas mensais), não visando estabelecer qualquer caráter limitador; A fundamentação encontrada nos acórdãos que serviram como paradigma para a edição da Súmula CARF nº 105 demonstra que o entendimento positivado pelo CARF decorreu da própria incompatibilidade inerente à cobrança simultânea da multa de ofício e da multa isolada, construção que não se restringe à antiga redação do dispositivo legal que trata desta última multa; Por se tratarem de antecipações ao pagamento dos tributos efetivamente devidos apenas no final do ano, as estimativas mensais deixam de ser exigíveis após o encerramento do período de apuração, momento a partir do qual só será devido o tributo em si. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.136 8 Se não houver o pagamento de tal tributo, após o final do exercício, cabe a cobrança de multa de ofício contra o contribuinte, mas jamais da multa isolada; Com a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL em 31 de dezembro de cada ano, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica que criou a multa isolada (antecipações que deveriam ter sido recolhidas ao longo do anocalendário). A partir deste momento, surge o tributo efetivamente devido, única base imponível que poderá sofrer sanção em caso de não recolhimento dentro do prazo previsto; Pelo princípio da consunção, a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal é meio de execução (etapa preparatória) da redução indevida do recolhimento do tributo apurado ao final do ano; A impossibilidade de cumulação entre a multa isolada por ausência de pagamento das estimativas mensais com a multa de ofício por falta de recolhimento dos tributos devidos ao final do exercício decorre da própria natureza dos institutos, que não sofreu qualquer alteração com a edição da Lei nº 11.488/2007. Assim, a referida lei não exerceu qualquer influência sobre a aplicabilidade da Súmula CARF nº 105; Um dos acórdãos paradigmas da edição da súmula (nº 1402001.217) examinou a questão já à luz da nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, alcançando a mesma conclusão das demais decisões paradigmas; O teor da Súmula CARF nº 105 aplicase a todo o período considerado nos autos de infração objeto do presente processo. Assim, o recurso não pode ser conhecido por conta da previsão contida no §3º do art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 (no RICARF/2009, a previsão análoga constava do §2º do art. 67 do Anexo II). Se for conhecido, não pode ser provido porque tal fato significaria afronta ao entendimento da CSRF que levou à edição da mencionada Súmula CARF; Os motivos expostos na defesa do não conhecimento do recurso especial da PGFN servem também para fundamentar seu não provimento, caso venha a ser conhecido. Por conta de tudo que expõe, a contribuinte recorrida pede, ao final, que o recurso especial da PGFN não seja conhecido. Caso seja conhecido, requer que seu provimento seja negado. Conforme se adiantou, na mesma data em que protocolou suas contrarrazões, a contribuinte apresentou também recurso especial, com o objetivo de contestar o posicionamento exposto no acórdão recorrido em relação ao seu ponto central: indedutibilidade das despesas de amortização do "ágio interno". A contribuinte narra que o acórdão recorrido entendeu como correta a ação da Fiscalização, que lançou créditos de IRPJ e de CSLL decorrentes da glosa de despesas de amortização de ágio, por entender que tal ágio foi gerado em "operações societárias levadas a efeito apenas dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas, sem comprovação de efetivo ônus para o adquirente da participação societária, e com uso de empresa de curta duração (empresa 'de passagem' ou 'veículo')". Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.137 9 Assim, tanto a Fiscalização quanto a Turma a quo teriam concluído pela indedutibilidade das despesas relativas à amortização de "ágio interno", gerado artificialmente e desprovido de fundamento econômico. O recurso especial da contribuinte traz a alegação de que o acórdão recorrido, ao endossar o entendimento da Fiscalização, teria entrado em divergência com o Acórdão nº 1302001.145, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. A existência de divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o acórdão indicado como paradigma (requisito de admissibilidade do recurso especial previsto no art. 67, caput e § 6º do RICARF/2015) restaria comprovada diante do reconhecimento, por esta segunda decisão, da plena dedutibilidade de ágio gerado em operações realizadas dentro de um mesmo grupo econômico, tendo em vista a inexistência de proibição legal. Enquanto a decisão combatida entendeu que as operações realizadas pela contribuinte e pelas empresas integrantes de seu grupo econômico não teriam substância econômica em razão da ausência de participação de partes não relacionadas e da utilização de empresa "veículo" para possibilitar o aproveitamento do ágio, o acórdão paradigma prega que as autoridades administrativas devem aceitar o aproveitamento fiscal do ágio gerado em operações realizadas dentro de um mesmo grupo econômico em face do princípio da legalidade, já que a Lei nº 9.532/1997 não distingue tal ágio daquele oriundo de operações celebradas entre partes não relacionadas. Visando à reforma do acórdão recorrido, em relação à não permissão de dedução da amortização do ágio interno na apuração do IRPJ e da CSLL, a contribuinte foi além da simples arguição da existência de divergência jurisprudencial acerca do tema, apresentando as seguintes alegações: O ágio gerado em operações intragrupo é passível de aproveitamento tributário, desde que comprovada a existência de substrato econômico e intuito negocial, como ocorreu no caso analisado nos autos; Analisandose o texto original do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (arts. 385 e 386 do RIR/1999), verificase que em nenhum momento restringese a apuração e o aproveitamento fiscal do ágio apenas às operações realizadas entre partes não relacionadas ou não dependentes; A vedação ao aproveitamento tributário do ágio gerado internamente só passou a existir com a edição da Lei nº 12.973/2014, cuja vigência se deu a partir de 01/01/2015; A menção ao "novo ágio por rentabilidade futura", na exposição de motivos da MP nº 627/2013 (posteriormente convertida na Lei nº 12.973/2014), não deixa dúvidas de que a vedação se tratou de inovação legislativa, sem natureza meramente interpretativa ou aplicação retroativa; Não existe, portanto, vedação ao aproveitamento tributário de ágio gerado internamente para períodos anteriores ao ano de 2015; Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.138 10 No caso concreto analisado nos presentes autos, é inegável a existência de fundamento econômico e de propósito negocial nas operações, pois houve a efetiva aquisição do controle societário da recorrente (era do grupo RIO TINTO e passou às mãos da KINROSS PARTICIPAÇÕES LTDA.), celebrada entre partes não relacionadas e mediante o pagamento de valores; Tal operação de compra e venda inseriuse em um plano estratégico do grupo KINROSS, relativo ao seu posicionamento no mercado, tendo sido precedida por laudo de avaliação do valor de mercado da empresa adquirida e de estudos acerca da exaustão de sua mina; A utilização de empresa criada especificamente para fins de aquisição de participação societária ("empresa veículo"), quando orientada por legítimos propósitos negociais, não pode ser desconsiderada pela Fisco; A incorporação das empresas MOEM e MOI pela recorrente teve outra motivação além do aproveitamento fiscal do ágio: fezse necessária a promoção de uma melhor organização do negócio, com a simplificação da estrutura imposta pelos vendedores (grupo RIO TINTO); Em outro Processo Administrativo Fiscal, foi reconhecido pelo CARF como devido o IRPJ sobre o ganho de capital auferido nas operações em análise nos presentes autos. Assim, tendo sido reconhecido o ganho de capital do alienante (grupo RIO TINTO), não há como se negar a existência de ágio arcado pelo adquirente (grupo KINROSS). A contribuinte encerra pedindo que sejam dados conhecimento e provimento ao seu recurso especial, com a reforma do acórdão recorrido e o cancelamento da exigência fiscal relativa à indedutibilidade fiscal dos ágios gerados nas operações em análise. Despacho de 18/09/2015 analisou o cumprimento dos requisitos regimentais pelo recurso especial interposto pela contribuinte. O recurso foi admitido, mas com a ressalva de que o acórdão recorrido fundamentou sua decisão (pela indedutibilidade do ágio) não somente no fato de o ágio ter sido gerado em operações internas a um grupo econômico (matéria acerca da qual o recurso demonstrou a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma), mas também em outros fatores, como a) a não alteração do controle societário das sociedades envolvidas; b) a não comprovação de efetivo ônus para o adquirente da participação societária; e c) o uso de empresa "veiculo". A Fazenda Nacional foi intimada em 18/09/2015 a respeito do recurso especial apresentado pela contribuinte e do despacho que o admitiu, nos termos do art. 70 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, foram apresentadas, na mesma data, contrarrazões às alegações da contribuinte. Com o objetivo de que fosse mantida a decisão contida no acórdão recorrido, em relação à não permissão de dedução da amortização do ágio interno na apuração do IRPJ e da CSLL, a PGFN apresentou as seguintes alegações: O recurso especial interposto pela contribuinte não pode ser admitido porque somente foi comprovada a existência de divergência jurisprudencial sobre um dos vários fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido para concluir pela indedutibilidade das despesas de amortização do ágio no caso concreto. Conforme apontou o despacho que admitiu Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.139 11 o recurso, este tratou somente da questão da geração interna do ágio, não abordando outros fundamentos da decisão recorrida como a utilização de empresa "veículo" ou a não comprovação de ônus para o adquirente da participação societária; Neste sentido, existe precedente da CSRF que determina que somente cabe recurso especial que comprove a existência de dissenso jurisprudencial a respeito do todos os fundamentos da decisão recorrida; O ágio requerido pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e pelos arts. 385 e 386 do RIR/1999 deve ter um propósito negocial, ou seja, uma lógica econômica, uma razão que enseje a efetiva aquisição de um investimento por um valor superior àquele que custou à alienante; O ágio, para ser passível de aproveitamento tributário via dedução das despesas de sua amortização, deve decorrer da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições negociais opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres correspondentes e proporcionais; O ágio tratado no art. 386 do RIR/1999 deve ser amparado por um substrato econômico, ou seja, por uma transação econômica que materialize o valor de aquisição ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante; Não há que se falar em aquisição da participação societária ou em surgimento de ágio se não houver efetiva troca de riquezas (dispêndio de um gasto, econômico ou patrimonial, pelo adquirente, e o respectivo ganho, também econômico ou patrimonial, pelo alienante) e a real alteração de titularidade do investimento; A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já se pronunciou, em seu OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, contrariamente à possibilidade de geração de ágio em operações efetuadas dentro de um mesmo grupo econômico e sem o efetivo dispêndio; O OfícioCircular da CVM afirma que "do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação"; Também o Comitê de Pronunciamentos Contábeis já analisou tal questão, em sua Orientação Técnica OCPC nº 02/2008: "É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação"; Para o reconhecimento da existência do ágio é imprescindível a presença concomitante de um propósito econômico real e de um substrato econômico efetivo. A aquisição de um investimento por meio de mera escrituração artificial, sem a sua real materialização no mundo econômico, não é hábil a gerar ágio; A Exposição de Motivos da Lei nº 9.532/1997 demonstra que a edição dos arts. 7º e 8º visou justamente a coibir condutas como a estudada nos presentes autos, ou seja, a Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.140 12 realização de operações societárias, sem fins negociais ou efetivo dispêndio do preço de aquisição do investimento, com a única finalidade de usufruir de forma artificial do benefício fiscal de amortização do ágio. Após apontar alguns julgados do CARF que corroborariam sua tese a respeito da indedutibilidade das despesas de amortização de ágio interno, a PGFN encerra suas contrarrazões pedindo que seja negado conhecimento ao recurso especial manejado pela contribuinte. Caso a CSRF decida por conhecêlo, a Fazenda Nacional requer a negativa de seu provimento. Os autos seguiram então para a CSRF para o julgamento dos recursos especiais. É o relatório. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.141 13 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Inicialmente, analiso a arguição preliminar de não conhecimento do recurso especial do contribuinte, apresentada em contrarrazões. Caso o recurso seja conhecido, passarei à análise do tema principal do debate travado nos autos, concernente à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio, que é inclusive questão prejudicial à análise da matéria suscitada pela Fazenda Nacional (cobrança concomitante das multas isolada e ofício), cujo exame, tanto do conhecimento quanto do mérito, é deixado para o final. I) Preliminar de não conhecimento do recurso especial da contribuinte Intimada a respeito da interposição de recurso especial pela contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em que defende a impossibilidade de seu conhecimento. Em resumo, alega a PGFN que um acórdão que fundamente sua decisão em dois ou mais argumentos autônomos só pode ser contestado pela via do recurso especial caso se demonstre a existência de divergência jurisprudencial acerca de cada um dos fundamentos utilizados. Fazendo referência ao despacho que examinou a admissibilidade do recurso manejado pela contribuinte, a PGFN defende que somente um dos fundamentos adotados pelo acórdão recorrido teria sido objeto de comprovação da existência de dissenso jurisprudencial: a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico. Outros fundamentos jurídicos autônomos, nas palavras da PGFN, não foram refutados pela contribuinte, tais como: a não alteração do controle societário das sociedades envolvidas nas operações societárias; a não comprovação de efetivo ônus para o adquirente da participação societária; e o uso de empresa de curta duração (empresa "de passagem" ou "veiculo"). Para corroborar sua tese, a PGFN aponta julgado da CSRF (Acórdão nº 920201.545) que concluíra ser "inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem". Julgo não assistir razão à PGFN em sua empreitada pelo não conhecimento do recurso especial da contribuinte. Os julgamentos já realizados por esta CSRF (e também pelas Turmas a quo) a respeito da possibilidade ou não de aproveitamento tributário de ágio oriundo de operações societárias sempre trazem à discussão vários aspectos ligados à questão. São abordados temas como: participação de terceiros independentes; verificação de efetivo ônus para o adquirente que registra o ágio; utilização de empresa artificialmente criada para transferência do ágio ou para participação em operação de incorporação (empresa "veículo"); existência de propósito Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.142 14 negocial na reorganização societária; ágio decorrente de mera operação contábil; fundamento econômico do ágio etc. É enorme a variabilidade dos casos concretos em que empresas e grupos econômicos utilizam o ágio para reduzir suas bases tributáveis de IRPJ e CSLL. Em cada caso julgado, encontrase uma nova modalidade de reorganização societária que resulta em ágio que se pretende amortizável. Para analisar cada nova hipótese fática colocada sob a lente desta Corte, todos os seus aspectos relevantes devem ser observados para, ao final, construirse a melhor conclusão a respeito da adequação ou não do caso concreto à hipótese legal abrigada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e arts. 385 e 386 do RIR/1999. A especificidade de cada caso é que demandará a necessidade de um maior aprofundamento a respeito deste ou daquele aspecto. Assim, os temas que a PGFN aponta como argumentos jurídicos autônomos (se referindo aos termos utilizados no despacho de exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte) são, na verdade, aspectos fortemente interligados, todos importantes na formação da convicção a respeito da licitude (do ponto de vista tributário) da sequência de operações societárias levadas a efeito pela contribuinte e pelas demais empresas integrantes de seu grupo econômico. O próprio termo "ágio interno", cunhado nas discussões acerca da licitude das reorganizações societárias, traz implícito em si juízos acerca de outros temas que a PGFN considera como não refutados pelo recurso especial da contribuinte. Quando se fala em "ágio interno", indiretamente se considera que foi gerado em operações envolvendo apenas empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, sem a participação de terceiros independentes, sem o efetivo sacrifício patrimonial pelo "adquirente" do investimento, sem ganho patrimonial real para o "alienante" e sem propósito negocial diverso da mera economia tributária. Sendo assim, a decisão indicada como paradigma pela contribuinte (Acórdão nº 1302001.145), ao afirmar que o fato de o ágio ter sido gerado internamente é irrelevante para fins de seu aproveitamento tributário, de forma indireta releva também os demais aspectos intrinsecamente ligados à figura do "ágio interno". Diante do exposto, REJEITO a preliminar de não conhecimento da PGFN e CONHEÇO do recurso especial da contribuinte no que concerne à matéria da dedutibilidade das despesas de amortização de ágio gerado em operações internas a um grupo econômico. II) Dedutibilidade das despesas de amortização do ágio Conhecido o recurso especial da contribuinte, passase à análise de seu mérito, ou seja, do ponto central do debate travado nos presentes autos: a regularidade do procedimento, adotado pela contribuinte RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A (atualmente denominada KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S/A), de deduzir do lucro real e da base de cálculo da CSLL despesas de amortização do ágio registrado originalmente na contabilidade da empresa MOI, por ocasião das integralizações do aumento de seu capital social. A referida dedução foi realizada ao longo dos anoscalendário de 2005 a 2008. O ágio foi contabilizado em duas etapas. Em 29/11/2004, o capital social da MOI sofreu aumento que foi integralizado pelo grupo RIO TINTO por meio de conferência das ações de outra empresa controlada, a MOEM. O único ativo relevante desta última empresa Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.143 15 eram ações da contribuinte autuada (51% do total). Como tais ações foram reavaliadas a valor de mercado, surgiu na contabilidade da MOI um ágio no valor de R$687.236.117,49. Em 31/12/2004, quando a contribuinte e as empresas MOI e MOEM já estavam submetidas ao controle de outra empresa, a TVX PARTICIPAÇÕES LTDA. (posteriormente renomeada para KINROSS PARTICIPAÇÕES LTDA.), houve a geração da segunda parcela do ágio. O capital social da MOI foi novamente aumentado e integralizado pela entrega dos 49% restantes das ações da contribuinte, cujo valor de mercado foi reavaliado com base no mesmo laudo utilizado em 29/11/2004. Assim, foi contabilizado na MOI ágio de R$652.659.226,49. Ainda em 31/12/2004, a contribuinte, então controlada diretamente pelas empresas MOI (49%) e MOEM (51%), incorpora suas controladoras e traz para a sua contabilidade as parcelas de ágio que estavam registradas na MOI. Concluída esta última etapa da reorganização societária, a contribuinte passou a deduzir do lucro real e da base de cálculo da CSLL despesas decorrentes da amortização do ágio recém introduzido em seu patrimônio, considerando que tal prática estaria amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, também contempladas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), nos arts. 385 e 386. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do DecretoLei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O art. 385 do RIR/1999 é basicamente uma cópia do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em ambos os dispositivos, encontrase a determinação de que contribuintes que Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.144 16 avaliam investimentos em sociedade controlada ou coligada pelo valor do patrimônio líquido registrem o ágio apurado na aquisição de participação societária em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Além disso, os dispositivos também prevêem que tal ágio deve ser fundamentado em pelo menos um dos três fatores: a) valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; b) expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros ou; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Quando o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e o art. 385 do RIR/1999 afirmam que o destinatário das regras ali expostas é o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, estão se referindo ao método da equivalência patrimonial. Segundo tal método, as variações observadas nos patrimônios líquidos da sociedades coligadas ou controladas provocam reflexos nos valores dos investimentos registrados na investidora. Observese o que dispõem os arts. 387 a 389 do RIR/1999, a respeito do método de equivalência patrimonial: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) O art. 389 do RIR/1999 é explícito ao determinar que os resultados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas não devem ser computados na determinação do resultado da investidora. Assim, lucros apurados em uma investida devem ser objeto de Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.145 17 tributação somente no âmbito daquela empresa. Embora tenham o reflexo de majorar o valor do investimento registrado na investidora, os lucros da investida não devem integrar a base tributável da pessoa jurídica que nela detém participação societária, sob pena de configurarse hipótese de dupla tributação. Caso a investidora tenha registrado, em sua contabilidade, ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura da investida, concluise que a causa do pagamento a maior efetivamente se concretizou, mas foi tributada somente na coligada ou controlada. Sendo assim, não há que se cogitar de amortização do ágio na investidora, uma vez que não ocorre, nesta pessoa jurídica, tributação do resultado positivo da investida. Somente seria lógico falar em amortização daquele ágio caso a concretização do motivo que lhe deu causa, qual seja, a lucratividade futura da investida, tivesse reflexos tributários na pessoa jurídica que pagou a "mais valia". Dessa forma, o dispêndio a maior poderia ser gradativamente recuperado sob a forma de despesas dedutíveis, se os lucros que o motivaram provocassem um maior recolhimento de tributos nos períodos posteriores à aquisição do investimento. Como, por determinação legal, não é esta a hipótese que se verifica no método de equivalência patrimonial, podese concluir que a regra geral é a da impossibilidade de utilização fiscal do ágio registrado na investidora. É o que reza expressamente o art. 391 do RIR/1999: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Existem, contudo, duas exceções a tal regra. A primeira delas é indicada pelo próprio art. 391, quando ressalva o disposto no art. 426 do mesmo RIR/1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.146 18 A primeira exceção à regra da impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio tratado pelo art. 385 do RIR/1999 diz respeito, portanto, à apuração de ganho ou perda de capital. Se o investimento que deu causa à "mais valia" for alienado ou liquidado, o ágio ou deságio registrados na contabilidade da controladora devem compor o custo de aquisição considerado no cálculo do resultado tributável da operação, sobre o qual incidirão IRPJ e CSLL. Já a segunda exceção, que interessa mais diretamente à discussão desenvolvida nos presentes autos, referese às transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos. A respeito da evolução histórica das previsões legais que contemplaram a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio em hipóteses de transformações societárias, remetome ao irretocável apanhado feito pelo nobre Conselheiro André Mendes de Moura no recente Acórdão nº 9101002.301: "Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.147 19 § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 19972, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI3 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a 2 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.148 20 pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista4 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 19975: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. 4 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18494, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 5 Na realidade, o número da Medida Provisória abordada é 1.602. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.149 21 Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.607, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização." Depreendese da retrospectiva transcrita que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (produto da conversão da Medida Provisória nº 1.602/1997) foram erigidos pelo legislador com a específica finalidade de coibir a prática de planejamentos tributários abusivos em que empresas superavitárias adquiriam com ágio empresas deficitárias para serem em seguida incorporadas por elas. Tal incorporação reversa, também denominada de incorporação "às avessas", não tinha nenhum propósito negocial que não fosse a simples geração de ganhos de natureza tributária. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Como este artigo faz referência expressa a dispositivos do art. 385 (cópia do já reproduzido art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), transcrevemse ambos a seguir: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.150 22 Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.151 23 §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Verificase que os arts. 385 e 386 do RIR/1999 guardam uma relação indissociável entre si, uma vez que requisitos à aplicação do segundo artigo são extraídos diretamente da redação do primeiro. O art. 385, conforme já mencionado, estabelece duas regras principais. A primeira determina que o ágio apurado em uma aquisição de participação societária em sociedade controlada ou coligada seja registrado em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Já a segunda fixa os possíveis fundamentos econômicos do ágio pago na aquisição da participação societária (valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas). Por fim, o artigo ainda prevê que o ágio fundamentado em valor de mercado dos bens do ativo da investida ou na expectativa de resultados futuros deve ser baseado em documentação comprobatória, devidamente arquivada. Já o art. 386 trata, entre outras coisas, da possibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente do fundamento econômico previsto no inciso II do §2º do artigo anterior (valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros). O caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. A respeito deste primeiro requisito exigido pela norma, recorro novamente ao Acórdão nº 9101002.301, pela assertividade da análise ali desenvolvida: "Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.152 24 A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 6. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. 6 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.153 25 São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoa se o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI7, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. 7 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.154 26 Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial." Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu §6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.155 27 Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa onde investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que o ágio cujas despesas de amortização a contribuinte pretende dedutíveis teve origem nas duas integralizações de aumento de capital da empresa MOI. Em 29/11/2004, foram recebidas ações da MOEM, detentora de 51% das ações da contribuinte, reavaliadas a valor de mercado, o que provocou a contabilização de ágio de R$687.236.117,49. Já em 31/12/2004, a mesma MOI recebeu 49% das ações da contribuinte, também reavaliadas, o que gerou o registro de ágio no valor de R$652.659.226,49. Em 31/12/2004, a MOI e a MOEM foram incorporadas pela contribuinte, em um processo de incorporação reversa, o que fez com que o ágio contabilizado na primeira empresa ingressasse no patrimônio da incorporadora. De posse de tal ágio, a contribuinte passou a deduzir de seu lucro líquido, entre 2005 e 2008, as despesas decorrentes da sua amortização, sob o argumento de que sua situação amoldavase à previsão legal abrigada nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e nos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Ocorre que tal entendimento não tem amparo legal nos mencionados dispositivos legais ou em quaisquer outros. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.156 28 A configuração do aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 requer, como foi visto, que a pessoa jurídica que vier a absorver o patrimônio da outra em que detenha participação societária (ou ser absorvida por ela, no caso da incorporação "às avessas") tenha acreditado na "mais valia", feito estudos de rentabilidade futura e efetivamente desembolsado os recursos para a aquisição do investimento. No caso dos autos, é incontroverso que não houve desembolso algum, por qualquer das partes envolvidas, nas operações que originaram as parcelas de ágio de R$687.236.117,49 e R$652.659.226,49. Sendo assim, não há que se falar na existência de uma investidora real, que faria jus à possibilidade de aproveitamento tributário do ágio nos moldes delineados no art. 386 do RIR/1999. Além disso, também o aspecto material da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 não restou caracterizado no caso concreto. Para que o ágio possa ser objeto de aproveitamento fiscal, é necessária a ocorrência de "confusão patrimonial" entre investidora e investida porque assim passam a coexistir dentro da mesma pessoa jurídica a "mais valia" paga com base na expectativa de rentabilidade futura e o próprio investimento de que se espera tal rentabilidade. É justamente por conta deste encontro que a legislação permite que os contribuintes dêem por perdido o capital investido na "mais valia" e passem a utilizar as despesas de sua amortização como deduções da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se não existiu o efetivo dispêndio da investidora por tal "mais valia", não há valor pago a maior que possa ser considerado perdido por ocasião de seu encontro, na contabilidade da mesma pessoa jurídica, com o investimento de que se esperava a produção futura de resultados positivos. Logo, perde o sentido a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio. Assim, a amortização operada pela contribuinte não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. No caso dos autos, não existiu a figura da investidora originária porque não houve dispêndio apto a amparar a criação do ágio que se pretendeu amortizável. Importante ressaltar que, quando se estabelece a necessidade de que a investidora arque com a aquisição do investimento com ágio, não se restringe tal operação a uma compra e venda com o desembolso de valores monetários. O dispêndio que se exige diz respeito a qualquer operação que gere ganhos para o alienante e gastos para o adquirente. Mais do um pagamento em dinheiro, o que se espera como resultado desta operação é que haja variações patrimoniais para os envolvidos em valores proporcionais ao negócio celebrado. As parcelas de ágio inicialmente contabilizadas pela MOI, em 29/11/2004 e 31/12/2004, posteriormente incorporadas pela contribuinte, foram criadas sem esta troca de riquezas entre adquirente e alienante. A criação de tal ágio foi um fenômeno puramente contábil. Ninguém sacrificou valores ou direitos que justificassem sua criação. Isto só foi possível porque as empresas RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A, MOI e MOEM pertenciam ao mesmo grupo econômico nas duas ocasiões, tendo exatamente os mesmos controladores. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.157 29 Assim, o negócio celebrado entre elas não aconteceu em um ambiente de livre concorrência, em que os atos negociais visam a atender aos interesses de ambos os contratantes, que assumem direitos e deveres proporcionais. O fato de as empresas integrarem um mesmo grupo econômico adiciona novos elementos e interesses maiores ao negócio. Não necessariamente o ato celebrado tem como objetivo beneficiar ambas as partes. Registrese que houve, em 23/12/2004, efetiva alienação das ações da empresa MOI (então controladora da MOEM e da contribuinte autuada). A empresa foi vendida por seus antigos controladores (grupo RIO TINTO) para a KINROSS PARTICIPAÇÕES LTDA., mediante o pagamento de US$249.552.220,00, equivalentes naquela data a R$672.543.221,47. Esta foi a única operação, entre todas esquadrinhadas no processo, realmente celebrada entre partes independentes e com efetivo pagamento pela participação societária. O fato de tal operação ter sido realizada, entretanto, não altera em nada a análise até aqui exposta. Primeiramente porque, ao contrário do que a contribuinte alegou em fases anteriores do presente processo, o fato de a KINROSS PARTICIPAÇÕES LTDA. ter desembolsado valores pela aquisição da MOI (cujo patrimônio contemplava o controle indireto da contribuinte) não convalida de forma alguma o ágio anteriormente registrado em razão de operação meramente contábil. Em segundo lugar, a realização da operação não gerou ágio algum. Conforme a própria contribuinte admite, o valor pago era inferior ao valor patrimonial da participação societária adquirida, o que poderia provocar, no máximo, contabilização de um deságio. De toda forma, ainda que houvesse geração de ágio nesta operação especificamente, ele seria contabilizado na KINROSS PARTICIPAÇÕES LTDA., real adquirente da MOI. Para que se pudesse cogitar de aproveitamento tributário deste eventual ágio, a real investidora teria que se envolver em "confusão patrimonial" com a sua investida, hipótese totalmente diversa do que se observou nos autos. Além disso, a ocorrência da alienação mencionada não altera o fato de que as operações realizadas em 29/11/2004 e 31/12/2004 se deram entre partes relacionadas, no interior de um mesmo grupo econômico. Na primeira operação, as empresas MOI, MOEM e 51% das ações da contribuinte estavam sob o controle do grupo RIO TINTO. Assim, a entrega das ações da MOEM (detentora dos 51% das ações da contribuinte) à MOI, pela controladora RIO TINTO, por ocasião do aumento de seu capital social, indubitavelmente se tratou de operação intragrupo. Já em 31/12/2004, tanto a recorrente quanto as empresas MOI e MOEM estavam sob controle da KINROSS PARTICIPAÇÕES LTDA., em razão da alienação da MOI ocorrida em 23/12/2004. A entrega à MOI dos 49% restantes das ações da contribuinte, a valor reavaliado, também constituiu, portanto, operação celebrada no interior de um mesmo grupo econômico. A contribuinte defende que o procedimento adotado por seu grupo econômico, de atualização do valor de mercado de suas ações e sua utilização para fins de integralização do capital social da MOI, teria obedecido à previsão legal contida no art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Defendese assim que tal dispositivo, associado aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e aos arts. 385 e 386 do RIR/1999, autorizaria a posterior amortização do ágio decorrente da reavaliação patrimonial experimentada pela RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.158 30 O citado art. 36 da Lei nº 10.637/2002 teve vigência entre outubro de 2002 (a lei foi produto de conversão da MP nº 66/2002) e dezembro de 2005, tendo sido expressamente revogado pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005. Enquanto vigeu, o dispositivo tinha a seguinte redação: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2º Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º. A análise do dispositivo legal demonstra que é descabida a interpretação que a contribuinte tenta lhe dar, no sentido de que haveria ali autorização para a criação de ágio por meio da entrega de participação societária de uma pessoa jurídica, a um valor reavaliado superior ao registrado em sua escrituração contábil, para fins de integralização do capital social de uma segunda pessoa jurídica. O que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 previa era simplesmente que o ganho de capital auferido por uma empresa controladora na integralização de capital de sua controlada, por meio da cessão de participação societária sobre uma terceira empresa por um valor superior ao registrado contabilmente, não seria computado na apuração do IRPJ e da CSLL. Tal ganho só viria a ser tributado quando o investimento (terceira empresa) fosse alienado, liquidado ou baixado a qualquer título. Colocando de outra forma, o dispositivo reconhecia que uma empresa que realiza investimentos em uma controlada cobrando uma "mais valia" paga com quotas ou ações de sua propriedade não aufere, neste momento, ganho de capital algum. O ganho de capital só vai existir quando o investimento que lhe deu origem for transferido para fora do grupo econômico. Somente neste momento, com a inevitável participação de terceiros, haverá circulação de riquezas e a consequente disponibilidade econômica que caracterizará o ganho de capital a ser tributado pelo IRPJ e pela CSLL. O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 reconhece, portanto, a neutralidade tributária do ganho de capital advindo de um negócio entre empresas pertencentes a um mesmo grupo Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.159 31 econômico e sem circulação efetiva de riquezas. Tal neutralidade é inclusive expressamente mencionada no item 28 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na citada lei: "O art. 39 estabelece, igualmente, a neutralidade tributária nas operações de reorganização societária e, ao mesmo tempo, adequado controle fiscal para o acompanhamento dessas operações." (Grifouse) Esclareçase que o art. 39 a que se refere a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002 foi convertido no art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Na operação a que se refere o artigo, o direito de uma pessoa jurídica convertese em outro, de maior valor, por ação determinada unicamente pelo titular de tal direito, que é a controladora direta de duas empresas (após a operação, passa a ser indireto o controle sobre a empresa cujas quotas foram utilizadas para integralização do capital social da outra controlada). Assim, tal direito não chega a deixar o patrimônio da empresa que promove a operação, razão pela qual criouse a determinação legal de que o correspondente ganho de capital não deveria ser imediatamente tributado. Além de trazer como objeto principal a determinação do diferimento da tributação do ganho de capital, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 efetivamente autorizava, por via indireta, a integralização do capital social de uma empresa por meio da entrega de participação societária em uma outra pessoa jurídica. Autorizava também que esta participação societária passasse por processo de reavaliação, o que provocaria um descompasso entre o valor de integralização e o valor contábil de registro das ações ou quotas. Todavia, não se encontra no dispositivo legal analisado, seja de forma direta ou indireta, autorização para que o valor resultante de tal descompasso fosse registrado como ágio. E não poderia ser de outra forma, uma vez que não se pode falar em ágio relacionado a operações exclusivamente internas, em que inexista parte não relacionada que concorde em pagar o valor estimado para a "mais valia". Logicamente, a reavaliação do valor da participação societária dada em integralização de capital social deverá provocar um registro correspondente, em atendimento ao método das partidas dobradas, princípio basilar da Teoria Contábil. Tal registro poderia se dar sob a forma de uma reavaliação de ativos ou ainda de outro ativo intangível. O que não se poderia admitir era o registro de tal diferença sob a rubrica de ágio, ainda mais para fins de posterior obtenção de vantagens fiscais. Em momento algum o art. 36 da Lei nº 10.637 menciona ou sugere a possibilidade de que a operação ali tratada tivesse como contrapartida o registro de um ágio, como quer fazer crer a contribuinte. Reiterando o que já foi dito: não há sentido em se cogitar da existência de ágio com base em reavaliação promovida unilateralmente por uma empresa controladora, sem que o valor estipulado para a "mais valia" passe pelo crivo de razoabilidade do mercado, por meio da aceitação, por um terceiro, em arcar com o correspondente ônus (não necessariamente por meio de pagamento, mas de algum sacrifício patrimonial proporcional). Mesmo que se aceitasse como válido um outro argumento, no sentido de que, embora não autorizasse expressamente o registro contábil do ágio, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 também não o proibia, a pretensão da contribuinte continuaria sem amparo. A possibilidade de utilização tributária do ágio, por meio da dedução das despesas decorrentes de Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.160 32 sua amortização, não tem previsão na Lei nº 10.637/2002, mas sim nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e nos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme foi detalhadamente analisado, a sequência de operações societárias promovidas pela contribuinte e por outras empresas pertencentes ao seu grupo econômico provocou uma situação que não se amolda à hipótese de incidência requerida pela legislação para fins de acesso à possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio. É a subsunção ao art. 386 do RIR/1999 (cópia dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e que utiliza requisitos previstos no art. 385 do RIR/1999) que define se determinado caso concreto fará jus ou não à dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, sendo inútil a tal análise o exame do art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Este último raciocínio foi desenvolvido apenas para demonstrar a total improcedência do argumento de que o dispositivo da Lei nº 10.637/2002 autorizaria alguém a deduzir despesas de amortização de ágio de seu lucro real ou de sua base de cálculo da CSLL. Na realidade, não havia permissivo legal nem mesmo para o simples registro contábil de ágio em contrapartida à reavaliação da participação societária entregue a empresa controlada a título de integralização de seu capital social. Este entendimento é corroborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já se pronunciou de forma contrária à possibilidade de geração de ágio em operações societárias envolvendo empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, por meio do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de onde se transcreve o seguinte trecho: "Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Grifouse) Assim, verificase que a CVM não chancela a existência contábil do ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico, sem dispêndio algum. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.161 33 Também o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) já se manifestou de maneira semelhante, por meio da Orientação Técnica OCPC nº 02/2008: "É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação." Por fim, relevante ainda mencionar que o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) tampouco reconhece a legitimidade do ágio gerado intragrupo, como foi expresso nas seguintes Resoluções: Resolução CFC nº 1.110/2007 “O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado.” Resolução CFC nº 1.303/2010 "48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo." Os atos administrativos mencionados e parcialmente transcritos foram todos exarados de 2007 em diante, posteriormente, portanto, ao fim da vigência do art. 36 da Lei nº 10.637/2002 e ao período em que a contribuinte e seu grupo econômico praticaram as operações societárias que pretensamente originaram ágio passível de aproveitamento tributário (2004). Isto não significa, entretanto, que o entendimento exposto nos atos administrativos daqueles órgãos fosse novo. A este respeito, observese a manifestação da própria CVM por ocasião do julgamento de recurso constante do Processo Administrativo CVM RJ 2007/3480: "RELATÓRIO No caso concreto, as demonstrações financeiras da Companhia do exercício de 2006 continham uma informação que a SEP e a SNC consideraram errada: o valor de um ativo (a participação acionária na CPM USA) foi contabilizado por um valor apurado em laudo de avaliação, mas esse bem estava, antes, contabilizado em companhia do mesmo grupo por Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.162 34 valor mais baixo, e o aumento de seu valor se deu por incorporação entre partes relacionadas. A Companhia não recorreu quanto ao mérito desse entendimento, mas entende que ele somente foi manifestado pela CVM ao mercado através do Oficio Circular de 2007, divulgado em 14.02.2007,(...) SEP e SNC confirmam que essa dicção somente constou a partir do Oficio Circular 01/2007, mas sustentam que o entendimento já era este desde sempre, porque ele decorre dos princípios contábeis geralmente são aplicáveis à escrituração contábil das companhias brasileiras por força do art. 177 da Lei 6.404/76 (...) O recurso apresentado pela Companhia sustenta que a introdução desse entendimento pela CVM constituiria mudança de critério contábil de que trata o art. 186, §1º da Lei 6.404/76, e, por isso, a determinação de baixa do ágio poderia ser feita mediante ajuste de exercícios anteriores, na primeira ITR, como já teria sido aceito pela CVM em outros precedentes. Quanto ao primeiro ponto, entendo ter razão a área técnica. Não se pode afirmar que seja novo o entendimento da CVM quanto à impossibilidade contábil de aproveitamento do ágio interno (assim entendido como aquele gerado em operações entre partes relacionadas). Como lembra a SNC, essa impossibilidade está ligada ao Principio do Custo como Base de Valor — segundo os especialistas "o mais antigo e discutido principio de contabilidade" — que considera o valor de entrada como o que deve servir de base para registro de qualquer ativo, ressalvada a hipótese restrita (e mesmo inexistente em alguns países, como nos Estados Unidos) de reavaliação e, ainda, observandose o valor de recuperação, sempre que menor. Como destacam as áreas técnicas, esse principio foi expressamente reconhecido na "Estrutura Conceitual Básica de Contabilidade" desde a Deliberação 29/86, além de estar à base da Deliberação 183/95. Portanto, ainda que o OficioCircular 01/2007 tenha vindo a dar maior destaque à questão especifica do ágio interno, o entendimento da CVM sempre existiu, com fundamento do Principio do Custo como Base de Valor, e era público. Assim, não vejo como sustentar, portanto, que se possa falar em "mudança de critério contábil" (Grifouse). Diante de todo o exposto, concluise que as próprias Ciências Contábeis têm restrições em relação à existência do ágio gerado internamente, por meio de operações societárias realizadas no interior de um grupo econômico. Com base nisso e na inexistência de lei que estabeleça tratamento tributário diferenciado para este instituto, forçoso se faz concluir pela inutilidade do denominado "ágio interno" para os fins tributários pretendidos pela contribuinte. Ainda que não bastassem todos os argumentos já apresentados no sentido da indedutibilidade das despesas de amortização do ágio gerado nas operações societárias celebradas no interior do grupo econômico da contribuinte, a análise do caso realizada sob outro enfoque leva à mesma conclusão. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.163 35 O aproveitamento tributário do ágio discutido nos presentes autos consiste, como já foi dito por diversas vezes, na dedução de despesas decorrentes de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fazse relevante, portanto, analisar o caso sob a perspectiva da teoria atinente às despesas que têm relevância fiscal. Uma vez mais, pedese vênia para transcreverse excerto extraído do Acórdão nº 9101002.301, por sua concisão e clareza: "Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. Despesa Diante de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.164 36 condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especificamente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, que recebem aportes de milhões e em questão de dias ou meses são objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes." Acrescentese à análise reproduzida que os pronunciamentos da CVM, CPC e CFC, transcritos alhures, deixam claro que as Ciências Contábeis não reconhecem o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico. Assim, do ponto de vista contábil, são inexistentes tanto este ágio quanto as despesas decorrentes de sua amortização. Sendo inexistentes as despesas de amortização do "ágio interno", não podem afetar a apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real e da base de cálculo da CSLL (que decorrem do lucro líquido calculado nos termos da legislação comercial). É o que se depreende da literalidade dos arts. 247 e 248 do RIR/1999: Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.165 37 Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º). §2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §4º). (...) Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). (Grifouse) Concluise, assim, que as despesas de amortização de ágio criado em operações como as encontradas nos presentes autos, internas, atípicas e integrantes de um processo de planejamento tributário que tem a finalidade específica de criar artificialmente hipótese próxima à requerida pelo art. 386 do RIR/1999, não se revestem das características de necessidade, usualidade e normalidade requeridas para sua dedutibilidade. Diante de todo o exposto, relativamente ao pedido de reconhecimento da legitimidade da amortização de despesas de ágio nos moldes pretendidos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. Negado o provimento ao recurso especial da contribuinte, subsiste o interesse na análise do recurso especial manejado pela PGFN. III) Preliminar de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional A contribuinte defende que o conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional afrontaria o §3º do art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 (equivalente ao §2º do art. 67 do Anexo II do RICARF/2009, vigente à época da apresentação do recurso), uma vez que o Acórdão nº 1102001.305 teria aplicado ao caso concreto o entendimento sedimentado na Súmula CARF nº 105. Rememorando, a citada súmula estabelece que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, não pode ser cobrada em concomitância com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. Já o acórdão recorrido, no voto que prevaleceu em relação ao tema, conclui ser incabível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional pela falta de pagamento do tributo apurado ao fim do mesmo anocalendário por considerar que incidiriam sobre a mesma infração. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.166 38 O despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial interposto pela PGFN lhe deu seguimento parcial por entender que a impossibilidade da cobrança concomitante das multas isolada e de ofício relativamente aos anoscalendário 2005 e 2006 é matéria sumulada no âmbito do CARF, não podendo ser atacada pela via do recurso especial, conforme estabelecia o art. 67, §2º, do Anexo II do RICARF/2009. Já em relação aos anos calendário 2007 e 2008, o despacho considerou que a Súmula CARF nº 105 não os contemplaria, uma vez que o inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, explicitamente mencionado no texto, foi revogado pela MP nº 351, de 22/01/2007 (convertida na Lei nº 11.488/1997). Em suas contrarrazões, a contribuinte argumenta que a Súmula CARF nº 105 não tem sua aplicabilidade restrita ao período de vigência do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Em favor de sua tese, defende que a previsão da multa isolada contida no dispositivo mencionado na súmula (que teve vigência até o fim de 2006) é essencialmente idêntica à trazida pelo art. 44, inciso II, alínea "b", da mesma Lei, na nova redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007. Desta forma, a expressa menção ao dispositivo mais antigo teria o simples objetivo de identificar a que multa isolada a súmula estaria se referindo, sem qualquer caráter limitador no tempo. Além disso, a contribuinte afirma que o exame dos acórdãos utilizados como paradigma para a edição da súmula demonstra que a conclusão ali construída decorre especificamente da própria incompatibilidade entre as cobranças simultâneas da multa de ofício e da multa isolada, tese que independeria de alguma especificidade da redação encontrada no inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, que vigeu até o fim do ano 2006. Devidamente compreendida a alegação de não conhecimento do recurso especial levantada pela contribuinte, então na qualidade de recorrida, julgo não caberlhe razão. A Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Observese que o dispositivo legal que fundamenta a cobrança da multa de ofício não é mencionado. Sendo assim, improvável que o inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tenha sido citado simplesmente para que se pudesse identificar de que multa isolada a Súmula estaria tratando, como alega a contribuinte. Se assim fosse, provavelmente a referência à multa de ofício também viria acompanhada da menção ao dispositivo legal que a fundamenta. Tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/1997, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. Por fim, também não procede a alegação da contribuinte de que as previsões contidas no inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (vigente até o final de 2006) e na Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.167 39 alínea "b" do inciso II do art. 44 da mesma Lei (vigente a partir do início de 2007) são essencialmente idênticas. Na redação anterior, previase a exigência de multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no caso de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do IRPJ e da CSLL, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, deixar de fazêlo, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no ano calendário correspondente. O percentual da multa aplicável era de 75%. Já na redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, prevêse a cobrança de multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. Verificase, portanto, que as previsões não são "essencialmente idênticas". Houve alterações expressas na base de cálculo e nos percentuais aplicáveis. A análise da questão, portanto, ao meu ver, não pode ser esgotada em sede de juízo de admissibilidade do recurso especial. Assim, entendo inaplicável ao caso sob análise a restrição tipificada no art. 67, §3º, do Anexo II do RICARF/2015 (art. 67, §2º, do Anexo II do RICARF/2009), razão pela qual REJEITO a preliminar de não conhecimento da contribuinte e CONHEÇO do recurso especial da PGFN em relação às multas isoladas relacionadas aos anoscalendário 2007 e 2008, nos termos expostos no despacho que lhe examinou a admissibilidade. IV) Cobrança concomitante das multas isolada e de ofício O objeto da contestação se refere ao entendimento exposto no acórdão recorrido no sentido de que a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício devida por conta da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual. O acórdão recorrido adotou tal entendimento em relação a todos os anos calendário para os quais a Fiscalização havia lançado multas isoladas: 2005, 2006, 2007 e 2008. Entendeu portanto a decisão que a impossibilidade de cobrança concomitante independe especificamente do teor da Súmula CARF nº 105, estendendose aos períodos em que não mais vigia o inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, textualmente mencionado na Súmula. Conforme já foi descrito, a contribuinte apresentou arguição preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN, argumentando que a Súmula CARF nº 105 não teria sua aplicabilidade restrita ao período de vigência do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Assim, todo o objeto do recurso da PGFN estaria em conflito com entendimento sumulado no âmbito do CARF, o que impediria a admissão da peça recursal por afronta ao art. 67, §2º, do Anexo II do RICARF/2009 (art. 67, §3º do Anexo II do RICARF/2015). Tal arguição restou vencida neste voto, sendo conhecido o recurso fazendário. O voto que prevaleceu no acórdão recorrido em relação a este tema considerou ser impossível a cobrança simultânea da multa de ofício estabelecida no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, independentemente de esta última ter sua previsão retirada do revogado inciso Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.168 40 IV do §1º do art. 44 ou da alínea "b" do inciso II do art. 44, ambos da mesma Lei nº 9.430/1996. A mudança do dispositivo legal que prevê a multa isolada foi operado, como já citado, pela MP nº 351/2007, que veio a ser convertida na Lei nº 11.488/2007. A conclusão do voto vencedor do acórdão recorrido foi fundamentada com base no argumento de que o não pagamento das estimativas apuradas no curso do ano calendário seria apenas uma etapa preparatória da execução da infração consumada após a apuração do tributo devido em relação a todo o período (não recolhimento do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual). Assim, a cobrança concomitante das duas multas representaria violação ao princípio da consunção e dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato. Divirjo de tal entendimento pelas razões que passo a expor. Até o advento da MP nº 351/2007 e da Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.169 41 (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"; passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser pago na forma prevista no art. 2º da mesma lei; (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do §1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editou se a multicitada Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Conforme expus na rejeição da arguição preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN, apresentada pela contribuinte, não considero razoável se considerar que tenha sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.170 42 "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (Grifouse) Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007. Portanto, relativamente ao pedido de restabelecimento da exigência das multas isoladas lançadas em vista do não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER dos recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela contribuinte; NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte quanto ao pleito de anulação do lançamentos tributários de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de dedução relativa à amortização de ágio; DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a cobrança da multa isolada relativa aos anoscalendário 2007 e 2008. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13609.000814/200993 Acórdão n.º 9101002.449 CSRFT1 Fl. 1.171 43 (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
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