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Numero do processo: 10166.729980/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2009 a 31/12/2009
DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOAJURÍDICA ENQUADRAMENTOCOMO SEGURADO EMPREGADO.RELAÇÃO EMPREGATÍCIA CONFIGURADA. COMPROVAÇÃO JUSTIÇA DO TRABALHO.
Os lançamentos refletiram a verdade material e os elementos fáticos-jurídicos da relação de emprego foram comprovadas pela AutoridadeCompetente, que é a Justiça do Trabalho. Assim, não há como acolher as alegações da recorrente.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DA AUDITORIA FISCAL RECONHECER O VÍNCULO EMPREGATÍCIO
No exercício legal de sua atividade, o auditor-fiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário
ACRÉSCIMOS LEGAIS. DEVIDOS.
os créditos tributários dos lançamentos seguiram estritamente o que determina a Lei e estão devidamente fundamentados no FLD - Fundamentos Legais Do Débitos
MULTA QUALIFICADA
É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2302-003.371
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias advindas da desconsideração dos serviços como prestados por interpostas pessoas jurídicas, o que configurou simulação na contratação de empregados, com o objetivo de afastar a incidências das contribuições patronais. Por unanimidade de votos em manter a aplicação da multa prevista no inciso I e §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/01/2009 a 31/12/2009 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOAJURÍDICA ENQUADRAMENTOCOMO SEGURADO EMPREGADO.RELAÇÃO EMPREGATÍCIA CONFIGURADA. COMPROVAÇÃO JUSTIÇA DO TRABALHO. Os lançamentos refletiram a verdade material e os elementos fáticos-jurídicos da relação de emprego foram comprovadas pela AutoridadeCompetente, que é a Justiça do Trabalho. Assim, não há como acolher as alegações da recorrente. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DA AUDITORIA FISCAL RECONHECER O VÍNCULO EMPREGATÍCIO No exercício legal de sua atividade, o auditor-fiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário ACRÉSCIMOS LEGAIS. DEVIDOS. os créditos tributários dos lançamentos seguiram estritamente o que determina a Lei e estão devidamente fundamentados no FLD - Fundamentos Legais Do Débitos MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2009 a 31/12/2009 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOAJURÍDICA ENQUADRAMENTOCOMO SEGURADO EMPREGADO.RELAÇÃO EMPREGATÍCIA CONFIGURADA. COMPROVAÇÃO JUSTIÇA DO TRABALHO. Os lançamentos refletiram a verdade material e os elementos fáticosjurídicos da relação de emprego foram comprovadas pela AutoridadeCompetente, que é a Justiça do Trabalho. Assim, não há como acolher as alegações da recorrente. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DA AUDITORIA FISCAL RECONHECER O VÍNCULO EMPREGATÍCIO No exercício legal de sua atividade, o auditorfiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário ACRÉSCIMOS LEGAIS. DEVIDOS. os créditos tributários dos lançamentos seguiram estritamente o que determina a Lei e estão devidamente fundamentados no FLD Fundamentos Legais Do Débitos MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 99 80 /2 01 2- 39 Fl. 18220DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias advindas da desconsideração dos serviços como prestados por interpostas pessoas jurídicas, o que configurou simulação na contratação de empregados, com o objetivo de afastar a incidências das contribuições patronais. Por unanimidade de votos em manter a aplicação da multa prevista no inciso I e §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 18221DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.032.9748,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA.,no valor deR$ 4.580.854,29(quatro milhões, quinhentos e oitenta mil, oitocentos e cinquenta e quatro reais e vinte e nove centavos),referente a contribuições previdenciárias, parte patronal,incidentes sobre as remunerações pagas a seguradoscom a utilização de pessoa jurídica interposta, abrangendo as competências 01/2009 a 12/2009. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.032.9756,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 125.279,51(cento e vinte e cinco mil, duzentos e setenta e nove reais e cinquenta e um centavos), referente à contribuições previdenciárias, parte dos segurados,incidentes sobre as remunerações pagas a segurados com a utilização de pessoa jurídica interposta, abrangendo as competências 01/2009 a 12/2009. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.032.9764,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 1.265.188,36(um milhão, duzentos e sessenta e cinco mil, cento e oitenta e oito reais e trinta e seis centavos), referente à contribuições previdenciárias devidas a terceiros tambémincidentes sobre as remunerações pagas a segurados com a utilização de pessoa jurídica interposta, abrangendo as competências 01/2009 a 12/2009. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória – AI 30 ,DEBCAD n° 51.032.9713,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 4.851,36(quatro mil, oitocentos e cinquenta e um reais e trinta e seis centavos), referente à multa pela empresa ter deixado de preparar folha de pagamento de acordo com os padrões estabelecidos pela legislação. Fl. 18222DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória – AI 34 ,DEBCAD n° 51.032.9721,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 48.512,94(quarenta e oito mil, quinhentos e doze reais e noventa e quatro centavos), referente à multa pela empresa ter deixado de lançar em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, os valores que foram descontados a título de contribuição previdenciária dos segurados, os valores devidos pela empresa também a título de contribuições previdenciárias e os valores totais que foram recolhidos. Por fim, tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória – AI 59 ,DEBCAD n° 51.032.9730,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 4.851,36(quatro mil, oitocentos e cinquenta e um reais e trinta e seis centavos), referente à multa pela empresa ter deixado de arrecadar mediante desconto contribuições devidas pelos segurados. Apresentada impugnação pelaempresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. Há caracterização do sócio da pessoa jurídica como segurado empregado,quando há prestação de serviço do sócio de forma pessoal e na atividadefim da empresa tomadora, consequentemente afastar a empresa interpostae constituir o vínculo diretamente com o tomador de serviços. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 30. MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTOS A TODOS OS SEGURADOS AO SEU SERVIÇO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedadeempresária de preparar folhadepagamento das remunerações pagas oucreditadas a todos os segurados ao seu serviço, de acordo com os padrões enormas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 34. MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores Fl. 18223DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 4 5 de todas as contribuições, omontante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 59. MULTA. A SOCIEDAD EEMPRESÁRIA DEIXAR DE EFETUAR O DESCONTO E ARRECADAR ASCONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOSEMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de descontar e arrecadar a contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, sobre as remunerações pagas ou creditadas a estes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, apresentando as seguintes razões: Não houve confirmação/confissão, por parte da recorrente, de que esta tenha contratado pessoas físicas por meio de pessoas jurídicas ao apresentar uma relação parcial de pessoas físicas contratadas após a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego. Ademais, o signatário das respostas formuladas à fiscalização não possui poderes para esse tipo de confissão e os depoimentos prestados não têm validades, porque foramprestados sem a presença do representante da empresa. A Fiscalização não conseguiu comprovar os 03 (três) requisitos básicos para a configuração da relação de emprego (subordinação, habitualidade e pessoalidade) e ademais os serviços são de natureza intelectual. De outra parte,os valores das notas fiscais não têm valores iguais, portanto a empresa nunca remunerou pessoa física por meio de pessoa jurídica; A fiscalização MET apontou apenas 05 (cinco) pessoas jurídicas que teriam relação de emprego com a empresa, sendo assim, a Fiscalização Previdenciária jamais poderia presumir que além destas cinco empresas outras 10 pessoas jurídicas deveriam receber o mesmo tratamento tributário. A Auditoria não observou as discrepâncias emitidas por 03 (três) empresas, pois estas não prestaram serviços, mas desvio de recursos irregularmente pelos expresidentes. A fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego não produz efeitos tributário: e, desta feita, suas conclusões, por intermédio do inquérito civil público não servem de fundamentos para a cobrança de contribuições previdenciárias; O lançamento não observou os critérios da regra matriz de incidência tributária, pois não houve retributividade, os serviços não foram efetivamente prestados e não houve habitualidade a autuação é nula, posto que, a fiscalização não pode por simples presunções configurar as relações jurídicas empregatícias com as prestadoras de serviços pessoas jurídicas. Não há carcterização dos elementos fáticos jurídicos de uma relação de emprego, previstos na CLT; Fl. 18224DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Ocorreu violação à legalidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal, posto que inexiste fundamentação legal para desconsiderar a personalidade jurídica das pessoas jurídicas prestadoras de serviços logo os Autos de Infrações são nulos. Assim também, a Receita Federal do Brasil não é competente para desconsiderar as personalidades jurídicas dos prestadores de serviços; _ Serviços de natureza intelectual – artigo 129 da Lei nº 11.196/05, em razão dos serviços prestados terem natureza intelectual e pessoal; Há flagrante iliquidez do presente lançamento, na medida em foi aplicado os juros e correção monetária sobre o valor autuado, havendo duplicidade; Não cabe a multa qualificada, pois, não houve comprovação do evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 18225DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da configuração da relação empregatícia Alega a recorrentequenão houve confirmação/confissão de que esta tenha contratado pessoas físicas por meio de pessoas jurídicas ao apresentar uma relação parcial de pessoas físicas contratadas após a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego; que o signatário das respostas formuladas à fiscalização não possui poderes para esse tipo de confissão e, também, que os depoimentos prestados não têm validades, porque foramprestados sem a presença do representante da empresa. E mais, Aduziu a recorrente que a fiscalização não conseguiu comprovar os 03 (três) requisitos básicos para a configuração da relação de emprego (subordinação, habitualidade e pessoalidade) e que desconsiderou a realidade de que os serviços são de natureza intelectual. Todavia, tais alegações não merecem prosperar. Não se está, aqui, a falar de confissão, mas de elementos indiciários, utilizadas pela fiscalização para constatar ofenômeno da pejotização, elementos que foram confirmados pelos documentos trazidos aos autos pelo impugnante, fls. 1.693 a 1.699, 1.701 a 2.242, 4.099 a 4.307, 4.559 a 5.565 e 4.568 a 4.4897, Quando se trata deste fenômeno, que é uma forma deprecarização dos direitos trabalhistas, os elementos fáticosjurídicos constante no artigo 3º, daConsolidação das Leis do Trabalho, são relativizados, pois os empregados são induzidos a constituirem pessoas jurídicas para a continuidade da prestações de serviços, portanto, já estãoimplicitamente os elementos fáticosjurídicos da relação de emprego, já que os trabalhadores jáeram empregados da tomadora de serviços. Fl. 18226DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Ademais, independe se os serviços são de natureza intelectual, pois nãopode haver distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, como sedepreende do parágrafo único, do artigo 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho, in verbis: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. De outra parte, cabe salientar que a recorrente reconheceu a competência da Justiça do Trabalho para homologar o acordo entabulado entre reclamada TC/BR – TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA e o reclamante – Sr. Heber Ramos de Freitas – diretor técnico antes da pejotização, fls. 1.693 a 1.699 e 4.559 a 4.565. Por todo exposto, está comprovada que a relação jurídica é de trabalho, caracterizada entre a sociedade empresária e a pessoa física Heber Ramos de Freitas e que este achou por bem conciliar sem vínculo empregatício os direitos trabalhistas entabuladas na reclamatória trabalhista, que não são os mesmos períodos destes lançamentos. De outra parte, Ao contrário do Sr. Heber Ramos de Freitas – diretor técnico antes da pejotização, a Sra. Maria Gertrudes Rolim Vieira – Geóloga, não aceitou a conciliação, fls.1.755 a 1.769, proposta pela TC/BR – TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRALTDA, a Justiça do Trabalho julgou ser competente para solucionar a lide e reconheceu a relação empregatícia entre a Sra. Maria Gertrudes Rolim Vieira e a empresa, no mesmo período deste lançamento. A Empresa recorreu da sentença de fls. 1.771 a 1.819, por meio de recurso ordinário ao Tribunal Regional do Trabalho, ao qual este manteve a relação empregatícia entre a Sra. Maria Gertrudes Rolim Vieira e a TC/BR – TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA.Consequentemente, os lançamentos refletiram a verdade material e os elementos fáticos Jurídicos da relação de emprego foram comprovadas pela Autoridade Competente, que é a Justiça do Trabalho.Assim, não há como acolher as alegações da recorrente. Da discrepância emitida por algumas empresas e da relação de retirbutividade –culminando na incidência das contribuições Alega a recorrente que Auditoria não observou as discrepâncias emitidas por 03 (três)empresas, pois estas não prestaram serviços, mas desvio de recursos irregularmente pelo seus presidentes. Ademais, enfatiza a recorrente que o lançamento não observou os critérios da regra matriz de incidência tributária, pois não houve retributividade, os serviços não foram efetivamente prestados e não houve habitualidade. No que concerne a questão do desvio dos recursos, a alegação da recorrente está prejudicada, porque foge a competência deste Órgão Julgador. Em se tratando da alegação de não retributividade, por sua vez, por não haver as prestações de serviços, esta não procede, pois o pagamento das remunerações e as prestações de serviços são considerados como efetivos, quando os trabalhadores estiveram a disposição do tomador do serviço, aguardando ou executando ordens. Isto se depreendem do inciso I, do Fl. 18227DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 6 9 artigo 28, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e o artigo 4 º, da Consolidação das Leis do Trabalho, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma oumais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos oucreditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob aforma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, querpelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição doempregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda,de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redaçãodada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Art. 4º Considerase como de serviço efetivo o período em que o empregadoesteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvodisposição especial expressamente consignada Portanto, não há como acolher as alegações do impugnante. Da inocorrência de desconsideração da personalidade jurídica Aduziu a recorrente ausência de fundamentação legal para desconsiderar a personalidade jurídica das pessoas jurídicas prestadoras de serviços, bem como incompetência da Receita Federal do Brasil para tal. Ademais alegou violação à legalidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal quando de tal determinação. Alegou, ainda, que a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego não produz efeitos tributário: e, desta feita, suas conclusões, por intermédio do inquérito civil público não servem de fundamentos para a cobrança de contribuições previdenciárias Destarte, as alegações da recorrente estão prejudicadas, pois não houve as desconsiderações das personalidades jurídicas. O que houve nestes lançamentos foram a caracterizações dos sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços como segurados empregados do recorrente e que esses fatos geradores foram corroborados pela Justiça do Trabalho e consoante os documentos acostados pela empresa as fls. 13.697 a 14.245.Logo, não há como acolher as alegações da recorrente. Ademais, O art. 116, Parágrafo Único do CTN dispõe que “a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. Fl. 18228DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Por outro lado, a Lei nº 10.593/2002, que disciplinava a carreira dos AuditoresFiscais de Contribuições Previdenciárias, atribuía a competência para lançar e constituir os créditos previdenciários. Assim, no exercício legal de sua atividade, o auditorfiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário, reconhecendo vínculo empregatício não apontado pela empresa, limitado, evidentemente, aos efeitos tributários do vínculo empregatício. Para ratificar esse entendimento, basta verificar que o Projeto de Lei que resultou na edição da Lei nº 11.457/2007, que criou a Super Receita, continha originariamente dispositivo que restringia à decisão judicial a desconsideração da pessoa, ato ou negócio jurídico que implique reconhecimento de relação de trabalho, com ou sem vínculo empregatício (art. 6º, §4º), tendo sido vetado pelo Presidente da República. Assim, persiste no ordenamento jurídico pátrio a autorização para o Auditor Fiscal exigir o adimplemento das contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento a prestadores de serviços a partir da consideração de vínculo empregatício, não sendo tal ato de competência privativa da auditoriafiscal de natureza trabalhista, tampouco exclusivamente da Justiça do Trabalho. E mais, cotejando o procedimento da autuada com os dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela recorrente através de interposta pessoa jurídica com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento, na definição de fraude contida no art. 72 da Lei4.502/64, acima transcrito. Dos acréscimos legais Alega a recorrente que há flagrante iliquidez do presente lançamento, na medida em foi aplicado os juros e correção monetária sobre o valor autuado, havendo duplicidade; É sabido que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e Obrigatória, e desta feita, os créditos tributários dos lançamentos seguiramestritamente o que determina a Lei e estão devidamente fundamentados no FLD –FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITOS de fls. 9 a 11, 17.985 a 17.986, 17.990 a 17.991 e17.995 a 17.996. Assim, não há como acolher as alegações do impugnante. Da multa qualificada Nos Autos aqui tratados, concluiu a autoridade fiscal que as ações perpetradas pelo Contribuinte se subsumiam, com perfeito ajuste, em caso de fraude e simulação. A situação de simulação e fraude constatada nos autos também se reflete na aplicação da multa qualificada. Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente autuação, a legislação determina a incidência de multa de ofício,correspondente a 75% Fl. 18229DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 7 11 da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e nãorecolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art.35 desta Lei, aplicase o disposto no art.44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado,ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Leinº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentara documentação técnica de que trata o art.38desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 18230DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 §3º Aplicam se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art.60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicam se,inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. A multa de ofício é de aplicação obrigatória para as competências a partir de12/2008, prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44, e o inciso I e §1º deste dispositivo, adetermina a duplicação do percentual da multa nos casos de simulação, fraude ou dolo: Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem sobre o assunto: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento porparte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributáriaprincipal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetara obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no sarts. 71 e 72. Cotejando o procedimento da autuada com os dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela recorrente através de interposta pessoa jurídica com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento, na definição de fraude contida no art. 72 da Lei4.502/64, acima transcrito. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que o Fisco agiu de acordo com a legislação vigente e frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada, nos termos anteriormente descritos. Portanto, não há como acolher as alegações do impugnante. Fl. 18231DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 8 13 Conclusão: Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE TOTAL PROVIMENTO e manter o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de ns°51.032.9748, 51.032.9756, 51.032.9764, 51.032.9713, 51.032.9721 e 51.032.9730 É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 18232DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18186.000138/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.366
Decisão: Vistos, relatado e analisado os autos,
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO (Relator), BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO (Relator), BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 81 86 .0 00 13 8/ 20 07 -2 8 Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.000138/200728 Resolução nº 2301000.366 S2C3T1 Fl. 3 2 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de auto de infração lavrado, por meio do qual foram lançadas contribuições previdenciárias corresponde à parte patronal e ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho SAT, bem como para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O crédito previdenciário lançado foi efetuado a título de solidariedade na prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da redação original do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. De acordo com o relatório fiscal: “Portanto, tendo a empresa contratada (APA — Serviços de Apoio Ltda) prestado serviços em regime de trabalho temporário, fato este constatado por meio de seu código CNAE (74500Locação de MãodeObra) e contrato de prestação de serviço com a contratante, atividade esta tipificada na norma legal, de forma continua e nas dependências da tomadora, inafastável a obrigação da contratante, para se elidir da responsabilidade solidária, em comprovar a documentação prevista na Lei n.° 8.212/91 como explicitado no item 2 retro.” Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, sustentando, em síntese, que: (i) nulidade na apuração do crédito previdenciário com base na aferição indireta; (ii) ocorrência da decadência; (iii) inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária utilizando o faturamento com base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. A instância a quo julgou improcedente a impugnação apenas, mantendo, dessa forma, o lançamento ora questionada em sua integralidade. Contra tal decisão, foi interposto recurso voluntário que, ao reiterar todos os argumentos expedidos na impugnação, acrescentou nas suas razões recursais alegação de nulidade do auto de infração, pois houve o período autuação já havia sido fiscalização. É o relatório. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.000138/200728 Resolução nº 2301000.366 S2C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigí la. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Da narrativa das razões recursais sustenta a recorrente, em sede de preliminar, que: “0 RECORRENTE recebeu nesta fiscalização o Mandado de Procedimento Fiscal, PERÍODO DE 01/1995 A 0111999, tendo sido emitida NFLD – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO QUE ENVOLVE COMPETÊNCIAS ENTRE 01/1995 A 01/1999. Ocorre, porém, que em OUTUBRO/2004 o Recorrente já havia sido fiscalizado para o período de 01/1996 a 12/2001, pelo Fiscal de Contribuições Previdenciárias Pedro Yamacita, matricula 0954191, quando foram emitidas várias NFLD e AUTO DE INFRAÇÃO (35.132.834.3, 35.132.833.5, 35.132.835.1, 35.132.8360 e 35.132.832 7). Outras fiscalizações ocorreram também para o atual período.” Da fundamentação exposta em seu recurso voluntário, verificase que, diante da menção dos autos de infração nºs 35.132.834.3, 35.132.833.5, 35.132.835.1, 35.132.8360 e 35.132.8327, e do período por esses eventualmente acobertados é possível que tenha havido a refiscalização, relativa ao mesmo período. Diante da ausência de elementos seguros, nesse processo, em relação ao período objeto das autuações acima indicadas pelo recorrente, necessário é que se converta o julgamento em diligência para que se junte a estes autos cópia dos DEBCADs supostamente pertencentes ao mesmo período da apuração das contribuições ora lançadas. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam juntas aos presentes autos cópias integrais dos DEBCADs nºs 35.132.834.3, 35.132.833.5, 35.132.835.1, 35.132.8360 e 35.132.8327. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.000138/200728 Resolução nº 2301000.366 S2C3T1 Fl. 5 4 Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.722808/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, RESOLVEM os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Por unanimidade de votos, RESOLVEM os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 80 8/ 20 12 -1 1 Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.529 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1443.103, da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis e ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, lavrados em 05/12/2012, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 109.678.283,25, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 30/11/2012, em razão de omissão de receita decorrente de Juros sobre o Capital Próprio (2007 e 2009), de glosa de despesas não comprovadas (2008 e 2009), de exclusões/compensações indevidas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL (2008), bem como de pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados (2009). Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02, foram lavrados autos de infração parciais, controlados nos processos n°s 19515.721884/201129 (IRPJ e reflexos; Pis e Cofins, relativos ao anocalendário 2007) e 19515.722809/201266 (Pis e Cofins, relativos ao anocalendário 2008). Em mesmo Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02 foram descritas as infrações tratadas no presente processo, conforme abaixo parcialmente transcrito: "EXERCÍCIO 2008 ANO CALENDÁRIO DE 2007 OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Conforme consta no Termo de Constatação Fiscal n° 01, lavrado em 19.02.2012 (vol. 10fl.891— Sumário Auxiliar), o sujeito passivo omitiu a tributação do IRPJ, da CSLL e das Contribuições ao PIS e COFINS o valor de R$ 3.482.058,33 (três milhões quatrocentos e oitenta e dois mil cinqüenta e oito reais e trinta e três centavos) oriundo da receita de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) paga ou creditada em dezembro de 2007pelas Centrais Elétricas Matogrossenses S/A. —CEMAT—CNPJ 03.467.321/000199. Incidiu sobre este valor o Imposto de Renda — Fonte sendo retido pela CEMAT a importância de R$ 522.308,72 (quinhentos e vinte e dois mil trezentos e oito reais e setenta e dois centavos), conforme "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e Retenção de Imposto de Renda FontePessoa Jurídica — Ano Calendário 2007" (vol. 10fl.906 Sumário Auxiliar). Considerando que o artigo 92 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 no seu § 39 diz no seu inciso I que: "O imposto de retido na fonte será considerado: Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.530 3 I — antecipação do devido na declaração do Imposto de Renda, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real." Tratandose o Imposto de Renda no regime de Fonte, um pagamento feito antes do vencimento da obrigação principal do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica devido na declaração. Esta fiscalização apurará o Imposto de Renda incidente sobre o valor da Receita dos Juros sobre o Capital Próprio omitido à declaração e compensará o Imposto de Renda retido pela fonte pagadora. Em decorrência o valor de R$ 3.482.058,33 será objeto de lançamento de ofício para constituição dos créditos tributários do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição ao Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, compensandose, no caso do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica o Imposto de Renda — Fonte retido pela CEMAT, no montante de R$ 522.308,72. (...) EXERCÍCIO DE 2009 ANO CALENDÁRIO DE 2008 EXCLUSÃO IRREGULAR NO AJUSTE DO LUCRO LIQUIDO QUANDO DA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL e DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Em 31.12.2008 a empresa, segundo suas declarações a esta fiscalização, datadas de 05.05.2012 (vol. 10 fls.939Sumário Auxiliar), equivocouse e excluiu ao apurar o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no seu Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR e Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACS n° 19, referente ao ano calendário de 2008, a importância de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) contabilizados na conta "3.4.05.2002 — Descontos Auferidos", em 30.09.2008, conforme consta na página 38 do citado LALUR "Parte A— Registro dos Ajustes do Lucro Liquido do Exercício" a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento Imposto Valor Baixado — Parte B, nesta data" fazendoo igualmente na página 28 do LACS onde está a "Demonstração do Cálculo da Contribuição Social" (vol. 13). No mesmo ato, adicionou ao Lucro Liquido do Exercício, conforme página 37 do mesmo LALUR e LACS n° 19 o valor de R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais), também a título de "Deferimento dos Ganhos com Parcelamento Imposto". Portanto, o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano calendário de 2008, com estes procedimentos de ajuste do Lucro Líquido feitos pela empresa foi onerado irregularmente em R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais). Constando haver feito estes ajustes irregulares o sujeito passivo, com o objetivo de sanálos, procedeu em 31.03.2009, na sua contabilidade o estorno de R$ 87.000.000,00, na contabilidade, e adicionou, ao Lucro Liquido do Exercício, conforme folha 06 do LALUR e LACS n° 20, relativo ao ano calendário de 2009, a importância de R$ 81.200.000,00 a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Contudo, na mesma folha 06 do LALUR e LACS n° 20, excluiu na apuração do Lucro Real a mesma importância também sob a justificativa de haver feito "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". As folhas 92 do LACS n° 20 consta tanto a adição como a exclusão da importância de R$ 81.200.000,00 quando foi feito o ajuste do Lucro Líquido do exercício no ano calendário de 2009, para fins de apuração da Contribuição Social Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.531 4 sobre o Lucro Líquido, também com o histórico "Deferimento dos Ganhos c/parcelamento." Implicando tal procedimento como conseqüência resultado "zero " nos ajustes do Lucro Líquido, em 2009, para fins de correção do erro praticado em 2008, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Logo, no ano calendário de 2009 — exercício de 2010 não houve, com este procedimento do sujeito passivo, o oferecimento à tributação do valor irregularmente excluído em 2008. De fato, a empresa em 02.02.2012 (vol. 01fl.47Sumário Auxiliar) na resposta ao termo de intimação lavrado em 05.01.2012 (vol. 01fl.19Sumário Auxiliar) e sua reiteração de 16.01.2012(vol.01fl.39), ambos os atos fiscais relativos à citada exclusão no cálculo das bases tributáveis do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido —CSLL, alega apenas que o valor de R$ 87.000.000,00 — "Outras Exclusões 2008", do LALUR foi registrado na conta contábil "3.4.05.2002 — Descontos Auferidos" Em 19.02.2012 (vol.10fl.891Sumário Auxiliar), quanto à exclusão em comento, a INEPAR foi novamente intimada a informar para cada tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil o respectivo valor obtido de desconto, devendo juntar a documentação comprobatória da informação, tal que seu alegado direito fosse analisado por esta fiscalização federal. Em correspondência datada de 05.05.2012 (vol.10fl.937/944Sumário Auxiliar), na sua resposta ao termo fiscal de 19.02.2012, empresa diz que: "a escrituração do valor de R$ 87.000.000,00, em 30.09. 2008, na conta contábil 3.4.05.2002 foi um "equivoco pontual e involuntário " e que este erro foi corrigido em 2009. Contudo, não juntou qualquer documento que comprovasse o seu direito a proceder à dita exclusão de R$ 81.200.000,00, nos ajustes do Lucro Liquido. Em conclusão a sua alegação, de que foi regularizado o erro praticado em 2008, não procede. Lançamentos contábeis sem lastro em documentação hábil e idônea se revelam redução indevida das bases de cálculo do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como, haver adicionado e excluído idênticos valores nos ajustes do Lucro Líquido para apurar as bases tributáveis do Imposto de Renda —Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido resulta em soma ZERO o que evidentemente não afeta o resultado tributável de 2009 tanto do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica como da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Logo, não houve, em 2009, a alegada correção do equivoco praticado em 2008. Portanto, procederseá ao lançamento de ofício, via auto de infração, para constituir o crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL incidente sobre a importância de R$ 81.200.000,00, uma vez que o equivoco nos cálculos das bases de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido praticado pela empresa em 2008 não foi sanado. (...) DESPESAS COM VARIAÇÃO CAMBIAL Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.532 5 A empresa foi intimada, em 19.09.2012 (vol.11fl.1141/1144Sumário Auxiliar) a apresentar documentos necessários à comprovação das despesas contabilizadas na conta 3.4.04.3002 "VARIAÇÃO CAMBIAL" que alcançaram o montante de R$ 6.115.014,72 (seis milhões cento e quinze mil quatorze reais e setenta e dois centavos) no ano calendário de 2008. A fiscalização compareceu, em 05 de novembro de 2012, à sede da empresa para examinar os referidos documentos, conforme exigido na intimação mencionada. Foram lhe apresentados as seguintes cópias de documentos: Comunicação via fax do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria S.A., datada de 23.03.2009 reclamando do atraso em pagamentos. Certificação de saldo de conta de crédito, datada de 13.03.2009, emitida pelo mesmo banco, sendo apresentados documentos bancários que atestam a existência da divida em 2008. Conta Corrente de Crédito do período de 15.01.2005 a 13.03.2009. Tais documentos foram apresentados na língua espanhola constando naqueles relativos à Conta Corrente de Crédito a aposição de carimbo da "Notaria de D Pedro de La Herran Matorras — Madrid" A empresa na sua resposta informa que R$ 3.577.849,59 do montante de R$ 6.115.014,72 referese à variação passiva deste financiamento internacional. Mas, quanto ao valor de R$ 2.537.166,13, correspondente a diferença entre o total contabilizado como "VARIAÇÃO CAMBIAL", na conta cima indicada, e o valor de R$ 3.577.849,59, dado como comprovado por esta fiscalização, não foi apresentada qualquer documentação hábil e idônea que lhe desse suporte, trazendo somente controle interno produzido pela própria empresa. Os controles elaborados pela empresa e apresentados para justificara despesa de R$ 2.537.166,13 a título de variação cambial não tem os elementos hábeis a dar suporte aos lançamentos contábeis, pois, é prova auto gerada não tendo, assim, a segurança necessária a embasar lançamentos contábeis. Em razão disto será glosado o valor de R$ 2.537.166,13 (dois milhões quinhentos e trinta e seta mil cento e sessenta e seis reais e treze centavos) por haver onerado irregularmente o lucro do ano calendário de 2008, a título de despesas com variação cambial, implicando serem exigidos, via auto de infração, o Imposto de Renda — Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido —CSLL incidentes sobre o valor acima indicado. (...) DESPESAS COM JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS A fiscalização exigiu também no termo de intimação fiscal datado de 19.09.2012, prova documental de lançamentos que indicou feitos em 2008 na conta "3.4.1005— JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS" que totalizaram R$ 21.039.904,66 (vinte e um milhões trinta e nove mil novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos). São eles: DATA VALOR EM REAIS Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.533 6 31.0S.2003 2.002.785,63 30 092008 7.4 70.42 2,07 31.10.2008 5.529.587,76 30.11. 2008 6.037.105,20 Total 21.039.904,66 A empresa não apresentou, como é seu dever, a documentação emitida pelo Banco Boa Vista, instituição financeira que consta nos lançamentos contábeis como beneficiária, destas importâncias restringindose a apresentar documentos de sua própria lavra para comprovar os expressivos valores de juros contabilizados na conta acima indicada. Alega apenas que: "os valores referemse a atualização das parcelas devidas ao Banco Boa Vista, conforme Certificado de Registro do Banco Central do Brasil n° 541/00270, emitido em 20.10.1997." A Inepar S/A. Indústria e Construções é empresa de porte internacional tendo ações transacionadas em Bolsa de Valores e, por isso, sofrendo auditoria com vista a darlhe, no mercado acionário, respeitabilidade e garantia a seus investidores. Razão porque tem o dever de guardar com a máxima segurança a fim de apresentar a terceiros interessados os documentos de gastos que lhe afete o resultado. A Fazenda Pública Federal é terceiro interessado uma vez que sobre resultado do exercício há incidência dos tributos Imposto de Renda — Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Logo, é dever da empresa apresentar documentação emitida pelos beneficiários dos pagamentos que efetivar quando exigidos pela fiscalização federal. Não o fazendo se sujeita a terem glosados os valores acima indicados cabendo ao fisco o lançamento de oficio do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre a soma dos valores não documentadamente comprovados. (...) EXERCÍCIO DE 2010 ANO CALENDÁRIO DE 2009 OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO A empresa, identicamente ao ano calendário de 2007, omitiu a tributação do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), das Contribuições ao PIS e COFINS à receita de Juros sobre o Capital Próprio no valor de R$ 4.568.529,33 (quatro milhões quinhentos e sessenta e oito mil quinhentos e vinte e nove reais e trinta e três centavos) pago ou creditado, no ano calendário 2009, pelas Centrais Elétricas Matogrossenses S/A. CEMAT, conforme "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica" obtido pelo fisco em resposta a intimação no âmbito do procedimento de diligência determinada pelo MPF 08.1.90.00.2011.011873, datada de 25.09.2012 Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.534 7 (vol.17fl.1679Sumário Auxiliar) e informado na DIRF pela fonte pagadora (vol.17 fl.1683) Esta receita tributável sofreu a retenção de Imposto de Renda — Fonte pela CEMAT no valor de R$ 685.279,40 (seis centos e oitenta e cinco mil duzentos e setenta e nove reais e quarenta centavos) como antecipação do imposto a ser pago na declaração das pessoas jurídicas que declaram o Imposto de Renda com base no Lucro Real. Estes fatos serão considerados nos cálculos do lançamento de oficio que a transgressão à Lei praticada pela INEPAR S/A INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES impõem ao fisco. (...) DESPESAS COM SERVIÇOS PROFISSIONAIS TERCEIRIZADOS JURÍDICA Nos termos de intimação lavrados em 23.08.2012 e 12.09.2012 (respectivamente vol.11fl.1043/1044 e fl. 1052/1053), reiterados em 26.09.2012 (vol.11fl.1161/1162), foi exigida a apresentação de documentos que comprovassem a materialidade de serviços de assessoria e consultoria técnica tidos como prestados por empresas relacionadas pelo fisco nas intimações fiscais no ano calendário de 2009. Em 10.09.2012 a INEPAR apresenta resposta e documentos (vo1.11 f1.1055/1139Sumário Auxiliar), com os quais pretende demonstrar a materialidade dos serviços de assessoria e consultoria prestados por pessoas jurídicas exigidos pela fiscalização, mas faz a ressalva que não foi possível levantar todo o acervo de documentos que objetivam a demonstrar a materialidade desejada pelo fisco. No termo datado de 26.09.2012 (Vol.11.f1.1161/1162Sumário Auxiliar) a empresa foi notificada de que não havia cumprido o que lhe foi exigido nos termos de intimação de 23.08.2012 e 12.09.2012, pois, não apresentou os documentos elaborados pelos assessores e consultores que materializassem os serviços descritos nos documentos fiscais por eles emitidos, bem como, não lhes comprovou a qualificação técnica. Tratandose de serviços que se concretizam em papéis emitidos pelos assessores e consultores que os descrevem dandolhes substância possíveis de serem confrontadas com seus efeitos na realidade por fornecerem por escrito o registro do trabalho efetuado. Tais como: A descrição dos fatores referentes à extensão do trabalho, considerados no planejamento; Evidenciam os estudos e avaliações sobre o escopo do trabalho; Dão a extensão dos serviços executados e os testes procedidos para implantar suas recomendações; Fornecem informações importantes para fundamentar os relatórios emitidos quanto às investigações técnicas, aos testes, avaliações, recomendações e pareceres e conclusões dos assessores e consultores; Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.535 8 Fornecerem à empresa as informações necessárias para avaliar as qualificações dos membros das equipes quanto as suas competências nos assuntos em que vão exercer o trabalho, senso de organização e suas habilidades para planejar e executar o trabalho. Portanto, a empresa necessariamente tem o dever de arquivar estes papéis de trabalho, tanto para seu uso próprio e permanente, como para apresentálos a auditoria contábil fiscal para comprovarlhes a efetividade, como lhe foi exigido. O registro contábil não constitui elemento comprobatório por si só. A simples menção em Notas Fiscais, acompanhados ou não de contratos não são prova suficiente dos gastos com os assessores e consultores se desacompanhados de comprovantes idôneos que os materializem. Mesmo os tributos nelas descritos como retidos não lhes dão força probatória Em decorrência serão glosados os gastos a seguir especificados contabilizados na conta "4.1.02.1.014 — Serviços Profissionais Terc. Jurídica", no ano calendário de 2009. PRESTADORES DE SERVIÇOS VALOR Rovai Infra estrutura e Apoio Negocial Ltda, 13.612,50 Support Assessoria e Administração Ltda. 157.948,62 Colotto Consultores S/C. Ltda, 165.887,80 Planagro Ltda. 1.682,533,30 Habib Tarner Badiao Advocacia & Tribunais S/C 3.153,938,91 Nucíeon Engenharia S/C Ltda. 44 467,50 Mexia Vilas Rodil Auditores Independentes 474,150,23 Apya projetos e Participações Ltda. 372.983,92 Total 11.065.522,78 (...) PAGAMENTOS EFETUADOS SEM COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO OU CAUSA DATA PRESTADORES DE SERVIÇOS VALOR 31/12/2009 Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda. 13.612,50 31/12/2009 Support Assessoria e Administração Ltda. 157.948,62 31/12/2009 Colotto Consultores S/C, Ltda. 165.887,80 31/12/2009 Planagro Ltda. 1.682.533,30 31/12/2009 Ha bib Tamer Bad iao Advocacia & Tribunais S/C 8.153,938,91 31/12/2009 Nucleón Engenharia S/C Ltda. 44.467,50 Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.536 9 31/12/2009 Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes 474,150,23 31/12/2009 Apya Projetos e Participações Ltda. 372,983,92 Total 11.065.522,78 Conforme acima demonstrado a INEPAR S/A. INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES no ano calendário de 2009 efetuou pagamentos ou créditos aos beneficiários acima indicados. Regularmente intimada a comprovar a efetividade do recebimento dos serviços constantes dos contratos, resumidamente descritos nos documentos fiscais, não logrou fazêlo. Tal fato produz como conseqüência à tributação destes valores a alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), pois, a pessoa jurídica que efetuar pagamento ou crédito e não comprovar que utilizou os serviços contratados e pagos, referidos em documentos, se sujeita a incidência do Imposto de Renda — Fonte, com aplicação da alíquota acima citada, a título de pagamento sem causa, ainda que esses pagamentos ou créditos tenham resultado em redução do Lucro Liquido. Os valores sofrem a incidência do Imposto de Renda, exclusive na fonte, cabendo o reajustamento da base de cálculo por ser o rendimento considerado líquido. (...) DESPESAS COM JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS Em 19.09.2012 (vol.IIfl 1142Sumário Auxiliar) a empresa foi intimada a apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar o lançamento de R$ 21.702.244,84. na conta "3.4.1005 — Juros s/ empréstimos", no ano calendário de 2009, que segundo o lançamento contábil referese a empréstimo contraído com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES. O sujeito passivo não apresentou qualquer documento hábil e idôneo para dar suporte legal ao referido lançamento. Alega se trata de lançamento "referente ao complemento do passivo devido ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES, por conta do contrato n° 97.2.514.3.2, tendo em vista que os valores registrados na contabilidade da Inepar S/A. Indústria e Construções estão em valores menores que os contratuais" (vol.17 fl.1687Sumário Auxiliar). Não pode ser aceita pela fiscalização a alegação da empresa. Sem o amparo em documentação hábil e idônea não tem segurança e liquidez a operação objeto do lançamento contábil, pois, resta sem provas. A confirmação de lançamentos de despesas exige documentos hábeis e idôneos emitidos pelos beneficiários dos dispêndios, pois são estes que dão materialidade e confirmam a autenticidade dos valores envolvidos. Assim, pela falta de documentos essenciais à prova do lançamento contábil lavrarseá auto de infração para constituir de ofício o crédito tributário do Imposto de Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.537 10 Renda— Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidentes sobre o valor de R$ 21.702.244,84 (vinte e um milhões setecentos e dois mil duzentos e quarenta e quatro reais e oitenta e quatro centavos). (...) REPERCUSSÕES DAS INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO DETERMINADOS PELO MPF N 9 08.1.90.002010017380 SOBRE O DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DE PREJUÍZOS FISCAIS e DEMONSTRATIVO DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ANOS CALENDÁRIO 2007/2008/2009 Decorrente das análises fiscais procedidas nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, no bojo das determinações do MPF 08.1.90.00.2010.017380, nas quais foram constatadas as infrações fiscais relatadas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal datado de 28.11.2011 incito no Processo n° 19515.721.884/201129 e neste ato administrativo, os PREJUÍZOS FISCAIS e BASES NEGATIVAS DA CSLL, apurados pela contribuinte, nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, sofreram alterações nos seguintes VALORES TRIBUTÁVEIS, em razão dos Processos Administrativos n°. 19515.721884/201129 e Processo Administrativo n°. 19515.722.808/201211. Ano Calendário 2007 Proc. Admin, Fiscal n* 19515.7218E4/201129 184.070.460,57 Ano Calendário 2007Proc. Admin. Fiscat n« 19515.722.80S/2Q1211 3.482,058,33 Ano Calendário 20O3 Proc. Admin. Fiscal nS 19515.722.BQB/2Q12U 104.777.070,79 Ano Calendário 2009 Proc. Admin. Fiscal n^ 19515.722.aOS/20l2ll 37.336.296,95 Assim, a empresa é intimada a refazer os cálculos dos ajustes do Lucro Liquido para apuração do Lucro Real e das Bases de Cálculo da CSLL destes anos para compatibilizálos à situação constatada pelo fisco. EXERCÍCIOS 2008/2010 — ANOS CALENDÁRIO 2007/2009 SINTESE DOS VALORES OBJETO DE TRIBUTAÇÃO DE OFÍCIO NO PROSSEGUIMENTO DOS TRABALHOS DE AUDITORIA CONTÁBIL FISCAL DETERMINADOS PELO MPF SUPRA MENCIONADO DESDE 25.11.2011 ANO CALENDÁRIO 2007 1— Omissão de Receita de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 3.482.058,33, com valor a compensar de R$ 522.308,72 referente ao IRRF retido na fonte. ANO CALENDÁRIO 2008 1— Exclusão Irregular no Ajuste do Lucro Liquido na Determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, no valor de R$ 81.200.000,00 2 — Despesas Incomprovadas com Variação Cambial no valor de R$ 2.537.166,13. Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.538 11 3 — Despesas Incomprovadas com Juros sobre Empréstimos R$ 21.039.904,66. Portanto, o total de despesas glosadas no ano calendário 2008 foi no montante de R$ 23.577.070,79. ANO CALENDÁRIO 2009 1— Omissão de Receitas de Juros sobre o Capital Próprio, no valor de R$ 4.568.529,33, com valor a compensar de R$ 685.279,40 referente ao IRRF retido na fonte. 2 — Despesas com Serviços Profissionais Terceirizados Pessoa Jurídicas Incomprovadas, no montante de R$ 11.065.522,78 3 — Despesas com Juros sobre Empréstimos Incomprovadas, no valor de R$ 21.702.244,84. Portanto, o valor total das despesas glosadas no ano calendário de 2009 foi de R$ 32.767.767,62 4 — Pagamento sem Causa, R$ 11. 065.522,78 (Imposto de Renda — Exclusivo Fonte 35%) Do que, para constar e produzir os efeitos legais é lavrado este Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02 em três vias de igual teor e forma todas assinadas pelo Auditor Fiscal e pelo representante da empresa, com quem fica uma das vias." A interessada foi cientificada dos autos de infração em 10/12/2012. Inconformada, apresentou, por intermédio de seus representantes legais, impugnação, em 09/01/2013, acompanhada de documentos. Após breve resumo dos fatos, acusa que a fundamentação legal utilizada não se coaduna com os fatos, com os ditames da legislação aplicável ao caso concreto e com o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a matéria, "porquanto (i) não houve a alegada omissão de receitas, de valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio das Centrais Elétricas Matogrossenses S.A (CEMAT), das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS, mas sim a não incidência destas exações nas operações em questão; (ii) o equívoco na contabilização de importâncias incluídas e retiradas do Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (LACS) e do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) não provocou qualquer impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e tratouse de mero lapso formal na contabilidade que não causou qualquer prejuízo ao Erário; (iii) a totalidade das despesas contabilizadas a título de atualizações financeiras e de juros de contratos de empréstimos/financiamentos e outras despesas operacionais está amparada por documentação hábil e idônea, apta a comprovar a efetiva existência e a exigibilidade das mesmas nos exercícios questionados; (iv) os elementos que integraram o passivo da Recorrente no anobase de 2007, oriundos de saldos de empréstimos, deságios, parcelamentos, dentre outros, encontramse, igualmente, amparados em documentação fiscal fidedigna e idônea; (v) os pagamentos realizados pela Recorrente tiveram como motivação a comprovada prestação de diversos serviços de consultorias e assessorias técnicas específicas, não havendo base legal para aplicação da alíquota de 35% (...) de IRRF pretendida pela Autoridade Fiscal, pois há causa para todos os pagamentos questionados; e (vi) o patamar excessivo, confiscatório e desproporcional da multa imputada deve ser revisto, com o seu afastamento integral". Protesta pela insubsistência do auto de infração e seu consequente cancelamento, inclusive quanto à capitulação e à modalidade, diante das razões abaixo expostas. Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.539 12 Antes de adentrar no mérito da questão, historia sua atuação no mercado nacional e internacional, bem como sua atual condição econômicofinanceira, visando justificar as razões que "a conduziram ao passivo suportado nos dias de hoje face a sua reduzida atividade". Diz que no final da década de 1990 teve forte expansão, passando a ser titular, indiretamente, por meio de controladas, de participação relevante na telefonia fixa e celular (Telemar e Global Telecon), nas Centrais Elétricas do Pará SA CELPA, nas Centrais Elétricas do Mato Grosso SA CEMAT, nas Usinas de Machadinho, Dona Francisca, Ponte de Pedra, Itiquira, no Projeto Iridium e em TV a Cabo. Porém, a partir de 1999, diante da crise mundial, afirma ter se deparado com circunstâncias fora de controle, passando por um processo de reestruturação econômica e financeira, iniciado em 2003, com a ampla renegociação com os credores, "no qual se buscou o alongamento das dívidas então contraídas, redução das taxas de juros e deságios de forma que o fluxo de caixa da empresa fosse compatível com estes compromissos de pagamento'". E que tal conduta não foi aceita por todos credores, dando início a diversas demandas judiciais por meio de ações de cobrança e revisionais, nas quais foram discutidos os critérios e formas de pagamento das obrigações assumidas, lides estas que persistiram ativas por longo período, em especial nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, repercutindo na apuração dos tributos objeto das autuações combatidas na impugnação. Acerca do direito, inicia dizendo ser inexistente a omissão de receita de R$ 3.482.058,33 (2008) e R$ 4.568.529,33 (2009), referente a juros sobre capital próprio recebidos da CEMAT. Alega que os juros sobre o capital próprio constituem instrumento de estímulo fiscal e possibilitam a remuneração dos sócios e o retorno pelo capital investido de forma antecipada, nos termos da doutrina abaixo: "A figura dos juros sobre capital próprio encontrase prevista no art. 9° da Lei 9.249/95, e foi concebida como um estímulo fiscal que veio atenuar os efeitos da extinção da correção monetária das demonstrações financeiras, afetando de maneira particular as empresas que se encontravam capitalizadas. O mencionado estímulo consistiu em permitir que parte dos resultados da pessoa jurídica, distribuída antecipadamente aos sócios e acionistas, alcançasse uma finalidade fiscal: ser deduzida para efeito de apuração do lucro real, desde que atendidos determinados pressupostos." (A Figura dos Juros sobre Capital Próprio e as Contribuições Sociais do PIS e da COFINS. Revista Dialética de Direito Tributário n° 169 [Coordenador Valdir de Oliveira Rocha]. São Paulo: Dialética, 2009, p. 73) (grifos nossos) Afirma que essa distribuição antecipada dos resultados, desde que atendidos determinados pressupostos, poderá ser abatida (deduzida), pela fonte pagadora (no caso a CEMAT), no cálculo do lucro real e, como já sofreu incidência do IRRF, não deverá ser submetida novamente à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, quando do ingresso no patrimônio da Impugnante, sob pena de violação ao seu direito de propriedade. Acusa que a fiscalização agiu com arbitrariedade ao exigir tais exações. Reitera que já foram objeto de tributação quando do auferimento originário do lucro/receita pela CEMAT, não sendo passíveis de se submeterem à nova incidência quando do Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.540 13 ingresso no patrimônio da impugnante, diante da violação ao artigo 5°, XXII, da Constituição Federal. De outro lado, julga que a não incidência do Pis e da Cofins, seja mediante distribuição de dividendos ou pagamentos de juros sobre o capital próprio, está delineada no art. 3°, § 2°, II, da Lei n° 9.718/98, reproduzido pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que trata do regime nãocumulativo. Isso, porque os valores registrados como "receita" ou resultado positivo de equivalência patrimonial na contabilidade do titular da participação, in casu, da impugnante, não integram a base de cálculo da contribuição ao Pis e a Cofins. E continua: importa frisar que as leis afastam do alcance da contribuição ao PIS e da COFINS o resultado positivo da avaliação de investimentos peio valor do patrimônio líquido, sem qualquer distinção ou condição quanto à forma de distribuição aos acionistas desse mesmo resultado, ou seja, para a Lei é indiferente ter sido o lucro distribuído na forma de dividendos ou de juros sobre capital próprio, para fins de classificação como receita bruta. É verdade que, no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS, a legislação afasta de tributação o resultado de equivalência patrimonial, estando nele computado a parcela do lucro da investida a que faz jus o titular da participação e que, em momento posterior, poderá ser distribuído mediante o pagamento de juros sobre capital próprio ou de dividendos. Ora, se a Lei exclui da base de cálculo das contribuições o resultado de equivalência patrimonial, sem restringir o alcance do dispositivo àquelas situações em que o resultado vier a ser distribuído na forma de juros sobre capital próprio, não poderia à Autoridade Fiscal aplicar indistintamente a regra de tributação, a fim de limitar aos lucros distribuídos na forma de dividendos o alcance dos dispositivos atinentes à exclusão da base de cálculo das contribuições em comento. Assim, considerando que a vontade manifesta da lei, ao não incluir na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS os dividendos recebidos, é desonerar de tributação da receita já tributada, de modo a diminuir o ônus fiscal sobre a produção, o comércio e os serviços, tendo em vista o desenvolvimento sustentado da economia, a forma de distribuição do resultado (pagamento de juros sobre o patrimônio líquido ou de dividendos), a pretensão de se tributar os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio não pode se sobrepor à finalidade das leis de não se tributar em duplicidade os valores transferidos pela CEMAT â Recorrente, sendo totalmente nulos, por violação, principalmente, ao direito de propriedade, os lançamentos de IRPJ, CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS perpetrados pela Autoridade Fiscal. Passa a justificar o alegado equívoco contábil no ajuste do lucro líquido do ano calendário 2008, mediante inclusão e exclusão, no LALUR e no LACS, de R$ 81.200.000,00, o que entende não ter causado prejuízo ao erário. Nesse sentido, explica: Em 30.09.2008, a Recorrente efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) por conta de pedidos de parcelamento de débitos, no seguinte sentido (doc. 02): Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.541 14 "Lançamentos contábeis Débito: 2.2,02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) Lançamento da conta de resultados 3.4.05.2.0.02 Livro Razão de Julho à Setembro de 2008 página 165 Livro Diário lançamento n° 267 página 154 Livro LALUR n° 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00página 26" Como houve o pagamento de parcela destes débitos, totalizando R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais) a Recorrente efetuou os seguintes lançamentos contábeis (doc. 02): 30,09.2008 no valor de R$ 3.625,000,00 lançado na página 25 do LALUR n° 19, na coluna adições; 30.10.2008 no valor de R$ 4.350.000,00 lançado na página 29 do LALUR n° 19, na coluna adições; 30.11.2008 no valor de R$ 5.0875.000,00 lançado na página 33 do LALUR n° 19, na coluna adições; e 31.12,2008 no valor de R$ 5.800.000,00 lançado na página 37 do LALUR n° 19, na coluna adições. Ao fina! do exercício de 2008, foi lançado o valor de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 5.800.000,00 (cinco milhões na coluna de adições, permanecendo, assim, o valor liquido diferido de R$ 81.2Cd.O 30,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais), como é possível vsrificar, respectivamente, nas páginas 38 e 37, do Livro LALUR n° 19, acostado à presente impugnação (doc. 02). Por conseguinte, em 31.12.2009, no Livro Razão de Outubro a Dezembro de 1009 página 197, e no Livro Diário n° 272 página 162 (doc. 02), a Recorrente efetuou o estorno dos lançamentos de 30.09,2008 descritos acima, em razão de não ter havido a efetivação dos parcelamentos de débitos almejados, na importância do desconto outrora contabilizado. Para regularizar os lançamentos contábeis em questão, a Recorrente efetuou diversos lançamentos na coluna de adições a exclusões, nos meses compreendidos entre janeiro/2009 a dezembro/2009, do Livro LALUR n° 20, no importe de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais) que não produziram nenhum efeito fiscal e, conseqüentemente prejuízo ao Erário, como se constata da documentação pertinente acostada a presente impugnação (doc. 02). A Autoridade Fiscal foi informada deste cenário no curso do procedimento de Fiscalização, mas preferiu, em detrimento ao princípio da verdade material, analisar superficialmente a situação, sem se aprofundar nas razões que conduziram a realização Fl. 3058DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.542 15 de tais lançamentos e, principalmente, a ausência de qualquer reflexo fiscal/econômico nas operações em questão. Certa de que este contexto deve ser levado em consideração quando esta Autoridade Julgadora confrontarse com os equívocos de conceitos na contabilização que não ensejaram prejuízo ao Erário e/ou se geraram o que não se acredita , deveriam ter sido apurados de acordo com a diferença dos tributos tido como devidos e aqueles efetivamente recolhidos. Nesta linha, os reflexos de tais equívocos contábeis, juridicamente, não equivalem á magnitude dos lançamentos firmados, de modo que a subsunção da norma aos fatos que subsidia o auto de infração combatido encontrase, data venia, carente de amparo iegal, sendo, portanto, nula de pleno direito. Diante deste cenário, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente narrados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados. Acerca da glosa de despesas com variação cambial não comprovada, de R$2.537.166,13, apresenta as seguintes razões de defesa: A conta contábil analisada pela Autoridade Fiscal, cujos valores não estariam comprovados na ótica desta, está detalhadamente exposta abaixo: Assim, a empresa é intimada a refazer os cálculos dos ajustes do Lucro Liquido para apuração do Lucro Real e das Bases de Cálculo da CSLL destes anos para compatibilizálos à situação constatada pelo fisco. EXERCÍCIOS 2008/2010 — ANOS CALENDÁRIO 2007/2009 SÍNTESE DOS VALORES OBJETO DE TRIBUTAÇÃO DE OFÍCIO NO PROSSEGUIMENTO DOS TRABALHOS DE AUDITORIA CONTÁBIL FISCAL DETERMINADOS PELO MPF SUPRA MENCIONADO DESDE 25.11.2011 ANO CALENDÁRIO 2007 1— Omissão de Receita de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 3.482.058,33, com valor a compensar de R$ 522.308,72 referente ao IRRF retido na fonte. ANO CALENDÁRIO 2008 1— Exclusão Irregular no Ajuste do Lucro Liquido na Determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, no valor de R$ 81.200.000,00 2 — Despesas Incomprovadas com Variação Cambial no valor de R$ 2.537.166,13. 3 — Despesas Incomprovadas com Juros sobre Empréstimos R$ 21.039.904,66. Portanto, o total de despesas glosadas no ano calendário 2008 foi no montante de R$ 23.577.070,79. ANO CALENDÁRIO 2009 Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.543 16 1— Omissão de Receitas de Juros sobre o Capital Próprio, no valor de R$ 4.568.529,33, com valor a compensar de R$ 685.279,40 referente ao IRRF retido na fonte. 2 — Despesas com Serviços Profissionais Terceirizados Pessoa Jurídicas Incomprovadas, no montante de R$ 11.065.522,78 3 — Despesas com Juros sobre Empréstimos Incomprovadas, no valor de R$ 21.702.244,84. Portanto, o valor total das despesas glosadas no ano calendário de 2009 foi de R$ 32.767.767,62 4 — Pagamento sem Causa, R$ 11. 065.522,78 (Imposto de Renda — Exclusivo Fonte 35%) Do que, para constar e produzir os efeitos legais é lavrado este Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02 em três vias de igual teor e forma todas assinadas pelo Auditor Fiscal e pelo representante da empresa, com quem fica uma das vias." A interessada foi cientificada dos autos de infração em 10/12/2012. Inconformada, apresentou, por intermédio de seus representantes legais, impugnação, em 09/01/2013, acompanhada de documentos. Após breve resumo dos fatos, acusa que a fundamentação legal utilizada não se coaduna com os fatos, com os ditames da legislação aplicável ao caso concreto e com o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a matéria, "porquanto (i) não houve a alegada omissão de receitas, de valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio das Centrais Elétricas Matogrossenses S.A (CEMAT), das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS, mas sim a não incidência destas exações nas operações em questão; (ii) o equívoco na contabilização de importâncias incluídas e retiradas do Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (LACS) e do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) não provocou qualquer impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e tratouse de mero lapso formal na contabilidade que não causou qualquer prejuízo ao Erário; (iii) a totalidade das despesas contabilizadas a título de atualizações financeiras e de juros de contratos de empréstimos/financiamentos e outras despesas operacionais está amparada por documentação hábil e idônea, apta a comprovar a efetiva existência e a exigibilidade das mesmas nos exercícios questionados; (iv) os elementos que integraram o passivo da Recorrente no anobase de 2007, oriundos de saldos de empréstimos, deságios, parcelamentos, dentre outros, encontramse, igualmente, amparados em documentação fiscal fidedigna e idônea; (v) os pagamentos realizados pela Recorrente tiveram como motivação a comprovada prestação de diversos serviços de consultorias e assessorias técnicas específicas, não havendo base legal para aplicação da alíquota de 35% (...) de IRRF pretendida pela Autoridade Fiscal, pois há causa para todos os pagamentos questionados; e (vi) o patamar excessivo, confiscatório e desproporcional da multa imputada deve ser revisto, com o seu afastamento integral". Protesta pela insubsistência do auto de infração e seu consequente cancelamento, inclusive quanto à capitulação e à modalidade, diante das razões abaixo expostas. Antes de adentrar no mérito da questão, historia sua atuação no mercado nacional e internacional, bem como sua atual condição econômicofinanceira, visando justificar as razões que "a conduziram ao passivo suportado nos dias de hoje face a sua reduzida atividade". Diz que no final da década de 1990 teve forte expansão, passando a ser titular, indiretamente, por meio de controladas, de participação relevante na telefonia fixa e Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.544 17 celular (Telemar e Global Telecon), nas Centrais Elétricas do Pará SA CELPA, nas Centrais Elétricas do Mato Grosso SA CEMAT, nas Usinas de Machadinho, Dona Francisca, Ponte de Pedra, Itiquira, no Projeto Iridium e em TV a Cabo. Porém, a partir de 1999, diante da crise mundial, afirma ter se deparado com circunstâncias fora de controle, passando por um processo de reestruturação econômica e financeira, iniciado em 2003, com a ampla renegociação com os credores, "no qual se buscou o alongamento das dívidas então contraídas, redução das taxas de juros e deságios de forma que o fluxo de caixa da empresa fosse compatível com estes compromissos de pagamento'". E que tal conduta não foi aceita por todos credores, dando início a diversas demandas judiciais por meio de ações de cobrança e revisionais, nas quais foram discutidos os critérios e formas de pagamento das obrigações assumidas, lides estas que persistiram ativas por longo período, em especial nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, repercutindo na apuração dos tributos objeto das autuações combatidas na impugnação. Acerca do direito, inicia dizendo ser inexistente a omissão de receita de R$ 3.482.058,33 (2008) e R$ 4.568.529,33 (2009), referente a juros sobre capital próprio recebidos da CEMAT. Alega que os juros sobre o capital próprio constituem instrumento de estímulo fiscal e possibilitam a remuneração dos sócios e o retorno pelo capital investido de forma antecipada, nos termos da doutrina abaixo: "A figura dos juros sobre capital próprio encontrase prevista no art. 9° da Lei 9.249/95, e foi concebida como um estímulo fiscal que veio atenuar os efeitos da extinção da correção monetária das demonstrações financeiras, afetando de maneira particular as empresas que se encontravam capitalizadas. O mencionado estímulo consistiu em permitir que parte dos resultados da pessoa jurídica, distribuída antecipadamente aos sócios e acionistas, alcançasse uma finalidade fiscal: ser deduzida para efeito de apuração do lucro real, desde que atendidos determinados pressupostos." (A Figura dos Juros sobre Capital Próprio e as Contribuições Sociais do PIS e da COFINS. Revista Dialética de Direito Tributário n° 169 [Coordenador Valdir de Oliveira Rocha]. São Paulo: Dialética, 2009, p. 73) (grifos nossos) Afirma que essa distribuição antecipada dos resultados, desde que atendidos determinados pressupostos, poderá ser abatida (deduzida), pela fonte pagadora (no caso a CEMAT), no cálculo do lucro real e, como já sofreu incidência do IRRF, não deverá ser submetida novamente à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, quando do ingresso no patrimônio da Impugnante, sob pena de violação ao seu direito de propriedade. Acusa que a fiscalização agiu com arbitrariedade ao exigir tais exações. Reitera que já foram objeto de tributação quando do auferimento originário do lucro/receita pela CEMAT, não sendo passíveis de se submeterem à nova incidência quando do ingresso no patrimônio da impugnante, diante da violação ao artigo 5°, XXII, da Constituição Federal. De outro lado, julga que a não incidência do Pis e da Cofins, seja mediante distribuição de dividendos ou pagamentos de juros sobre o capital próprio, está delineada no art. 3°, § 2°, II, da Lei n° 9.718/98, reproduzido pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que trata do regime nãocumulativo. Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.545 18 Isso, porque os valores registrados como "receita" ou resultado positivo de equivalência patrimonial na contabilidade do titular da participação, in casu, da impugnante, não integram a base de cálculo da contribuição ao Pis e a Cofins. E continua: importa frisar que as leis afastam do alcance da contribuição ao PIS e da COFINS o resultado positivo da avaliação de investimentos peio valor do patrimônio líquido, sem qualquer distinção ou condição quanto à forma de distribuição aos acionistas desse mesmo resultado, ou seja, para a Lei é indiferente ter sido o lucro distribuído na forma de dividendos ou de juros sobre capital próprio, para fins de classificação como receita bruta. É verdade que, no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS, a legislação afasta de tributação o resultado de equivalência patrimonial, estando nele computado a parcela do lucro da investida a que faz jus o titular da participação e que, em momento posterior, poderá ser distribuído mediante o pagamento de juros sobre capital próprio ou de dividendos. Ora, se a Lei exclui da base de cálculo das contribuições o resultado de equivalência patrimonial, sem restringir o alcance do dispositivo àquelas situações em que o resultado vier a ser distribuído na forma de juros sobre capital próprio, não poderia à Autoridade Fiscal aplicar indistintamente a regra de tributação, a fim de limitar aos lucros distribuídos na forma de dividendos o alcance dos dispositivos atinentes à exclusão da base de cálculo das contribuições em comento. Assim, considerando que a vontade manifesta da lei, ao não incluir na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS os dividendos recebidos, é desonerar de tributação da receita já tributada, de modo a diminuir o ônus fiscal sobre a produção, o comércio e os serviços, tendo em vista o desenvolvimento sustentado da economia, a forma de distribuição do resultado (pagamento de juros sobre o patrimônio líquido ou de dividendos), a pretensão de se tributar os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio não pode se sobrepor à finalidade das leis de não se tributar em duplicidade os valores transferidos pela CEMAT â Recorrente, sendo totalmente nulos, por violação, principalmente, ao direito de propriedade, os lançamentos de IRPJ, CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS perpetrados pela Autoridade Fiscal. Passa a justificar o alegado equívoco contábil no ajuste do lucro líquido do ano calendário 2008, mediante inclusão e exclusão, no LALUR e no LACS, de R$ 81.200.000,00, o que entende não ter causado prejuízo ao erário. Nesse sentido, explica: Em 30.09.2008, a Recorrente efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) por conta de pedidos de parcelamento de débitos, no seguinte sentido (doc. 02): "Lançamentos contábeis Débito: 2.2,02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.546 19 Lançamento da conta de resultados 3.4.05.2.0.02 Livro Razão de Julho à Setembro de 2008 página 165 Livro Diário lançamento n° 267 página 154 Livro LALUR n° 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00página 26" Como houve o pagamento de parcela destes débitos, totalizando R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais) a Recorrente efetuou os seguintes lançamentos contábeis (doc. 02): ✓ 30,09.2008 no valor de R$ 3.625,000,00 lançado na página 25 do LALUR n° 19, na coluna adições; ✓ 30.10.2008 no valor de R$ 4.350.000,00 lançado na página 29 do LALUR n° 19, na coluna adições; ✓ 30.11.2008 no valor de R$ 5.0875.000,00 lançado na página 33 do LALUR n° 19, na coluna adições; e ✓ 31.12,2008 no valor de R$ 5.800.000,00 lançado na página 37 do LALUR n° 19, na coluna adições. Ao final do exercício de 2008, foi lançado o valor de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 5.800.000,00 (cinco milhões na coluna de adições, permanecendo, assim, o valor liquido diferido de R$ 81.2Cd.O 30,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais), como é possível vsrificar;, respectivamente, nas páginas 38 e 37, do Livro LALUR n° 19, acostado à presente impugnação (doc. 02). Por conseguinte, em 31.12.2009, no Livro Razão de Outubro a Dezembro de 1009 página 197, e no Livro Diário n° 272 página 162 (doc. 02), a Recorrente efetuou o estorno dos lançamentos de 30.09,2008 descritos acima, em razão de não ter havido a efetivação dos parcelamentos de débitos almejados, na importância do desconto outrora contabilizado. Para regularizar os lançamentos contábeis em questão, a Recorrente efetuou diversos lançamentos na coluna de adições a exclusões, nos meses compreendidos entre janeiro/2009 a dezembro/2009, do Livro LALUR n° 20, no importe de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais) que não produziram nenhum efeito fiscal e, conseqüentemente prejuízo ao Erário, como se constata da documentação pertinente acostada a presente impugnação (doc. 02). A Autoridade Fiscal foi informada deste cenário no curso do procedimento de Fiscalização, mas preferiu, em detrimento ao princípio da verdade material, analisar superficialmente a situação, sem se aprofundar nas razões que conduziram a realização de tais lançamentos e, principalmente, a ausência de qualquer reflexo fiscal/econômico nas operações em questão. Certa de que este contexto deve ser levado em consideração quando esta Autoridade Julgadora confrontarse com os equívocos de conceitos na contabilização que não ensejaram prejuízo ao Erário e/ou se geraram o que não se acredita , deveriam ter sido apurados de acordo com a diferença dos tributos tido como devidos e aqueles efetivamente recolhido Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.547 20 Nesta linha, os reflexos de tais equívocos contábeis, juridicamente, não equivalem á magnitude dos lançamentos firmados, de modo que a subsunção da norma aos fatos que subsidia o auto de infração combatido encontrase, data vénia, carente de amparo iegal, sendo, portanto, nula de pleno direito. Diante deste cenário, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente narrados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados. Acerca da glosa de despesas com variação cambial não comprovada, de R$2.537.166,13, apresenta as seguintes razões de defesa: A conta contábil analisada pela Autoridade Fiscal, cujos valores não estariam comprovados na ótica desta, está detalhadamente exposta abaixo: Conta Contábil: 3.4.04.3.002 Variação Cambial Fornecedores ME Mês de Apuração Conta Contábil: 3.4.04.3.002 r Variação Cambial Referência Janeiro/2008 17.122,14 Fornecedores exterior Fevereiro/2008 186.587,14 Adiantamentos exterior Março/2008 162.242,95 Fornecedores exterior Abril/2008 123.643,29 Adiantamentos exterior Maio/2008 114.961,27 Adiantamentos exterior Junho/2008 72.149,48 Adiantamentos exterior Julho/2008 51.200,40 Adiantamentos exterior Agosto/2008 148.413,72 Fornecedores exterior Setembro/2008 675.738.92 Fornecedores exterior Outubro/2008 464.612,87 Fornecedores exterior Novembro/2008 515.484,72 Fornecedores exterior Dezembro/2008 5.009.23 Fornecedores exterior Sub Total '^ ; 2.537.166,13 Nesse passo, cabe à Recorrente esclarecer que o valor de R$ 2.537.166,13 (dois milhões, quinhentos e trinta e sete mil, cento e sessenta e seis reais e treze centavos), contabilizado na conta de variação passiva, sob o qual recaiu a glosa da despesa aproveitada para dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL é composto da seguinte forma: Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.548 21 Variação cambial dos fornecedores 1.988.624,55 Variação cambial dos adiantamentos 548.541,58 Em 2008, a contabilidade da Recorrente registrava dívidas e saldos de adiantamentos com determinados fornecedores estrangeiros de matéria prima em sua moeda originária e, mensalmente, contabilizada a variação cambial decorrente das alterações na cotação de cada moeda, sendo certo que neste período houve tanto variação para maior (passiva) quanto para menor (ativa). A existência de tais dívidas e saldos de adiantamentos está devidamente comprovada pela juntada da documentação anexa (doe, 03) consistente em notas fiscais e declarações de importação de diversos produtos fornecidos à época que geraram as despesas oportunamente apropriadas pela Recorrente. Novamente, a Autoridade Fiscal não perquiriu a verdade material ou analisou a situação com a parcimônia necessária, tendo avaliado somente as variações cambiais passivas, sem sequer mencionar a apreciação das variações cambiais ativas ocorridas no mesmo período (ano calendário de 2008). Neste prisma, a Autoridade Fiscal a quo, com a maxima venia, andou mal ao lavrar o Auto de Infração ora combatido, pois de forma totalmente arbitrária, em detrimento ao princípio da verdade material, considerou equivocadamente valores que haviam sido regularmente apropriados como despesa para fins de IRPJ e da CSLL, devidamente comprovados pela documentação anexa (doc. 03), o que demonstra a total imprecisão do levantamento dos valores efetuados no curso do procedimento de fiscalização e macula de vício insanável os lançamentos combatidos. Sobre as despesas com juros sobre empréstimos com o Banco Boa Vista, registrado na conta "3.4.1005 JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS", de R$ 21.039.904,66, cuja origem, existência e exigibilidade não restaram comprovados, acusa que a fiscalização desconsiderou os esclarecimentos prestados, "vinculando expressamente a dívida ao Certificado de Registro do contrato de empréstimo emitido pelo BACEN", presumindo a inexistência de tais dispêndios. Diz que as informações poderiam ter sido aferidas por outros meios probatórios se os únicos pontos a serem verificados, no anocalendário 2008, para validação das despesas seriam: (i) se ainda existia a dívida originada no contrato de empréstimo; (ii) se estava exigível; e (iii) se perfazia a quantia indicada na contabilidade. Apresenta cópia do contrato firmado com o Boavista Banking Limited, bem como cópia de requerimento protocolado junto ao BACEN, na qual estão descritas as condições e valores envolvidos no contrato objeto do Certificado de Registro n° 541/000270 (doc. 04). Acrescenta que este mesmo fato está sendo analisado nos autos do processo administrativo n° 19515.721884/201129, pendente de julgamento na DRJ de São Paulo, "no qual se encontram outros fundamentos que corroboram o quanto alegado na presente impugnação e poderão ser trazidos aos presentes autos, nos termos do artigo 37, da Lei n° 9.784/99". E continua: Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.549 22 Ou seja, a Recorrente submeteu ao órgão regulador financeiro requerimento descrevendo analiticamente as condições do contrato, objeto do Certificado de r<egislro n° 541/000270, indevidamente rejeitado pela Autoridade Fiscal como amparo para as despesas glosadas, o qual se encontra válido e vigente até os dias de hoje. Dessa forma, temse por necessário que os Nobres Julgadores considerem as provas documentais apresentadas, comprobatórias da existência da despesa de R$ 21.039.904,66 {vinte e um milhões, trinta e nove mil, novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos), a qual reflete o saldo devedor, existente e exigível, decorrente do contrato de empréstimo firmado com o Boavista Banking Limited (doc. 04), revelandose imperiosa a determinação de cancelamento da glosa das despesas aproveitadas relacionadas aos valores em questão de IRPJ e da CSLL. Acerca das despesas com juros sobre empréstimos com o BNDES, registrado na conta "3.4.1005 JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS", de R$ 21.702.244,84, vinculado ao Contrato de Financiamento Mediante abertura de Crédito (n° 97.2.514.3.2 doc. 05), também considerados não comprovados sob o fundamento de que "o sujeito passivo não apresentou qualquer documento hábil e idôneo para dar suporte legal o referido lançamento'", diz que, muito embora a autoridade fiscal já tenha analisado referido contrato "quando da lavratura do auto de infração controlado nos autos do Processo Administrativo n° 19515.721884/201129, que atualmente aguarda julgamento na DRJ de São Paulo", novamente narrará as peculiaridades do instrumento: BNDES Contrato n° 97.2.514.3.2: firmado em 01/12/1997 no valor R$ 56.580.383,65 (cinquenta e seis milhões, quinhentos e oitenta mil, trezentos e oitenta e três reais e sessenta e cinco centavos), dividido no "Subcrédito A", equivalente a R$ 32.331.647,81 (trinta e dois milhões, trezentos e trinta e um mil, seiscentos e quarenta e sete reais e oitenta e um centavos), e no “Subcrédito B", equivalente a R$ 24.248.735,84 (vinte e quatro milhões, o duzentos e quarenta e oito mil, setecentos e trinta e cinco reais e oitenta e quatro centavos) {doc. 05): Alega a Autoridade Fiscal que "sem amparo em documentação hábil e idônea não tem segurança e liquidez a operação objeto do lançamento contábil, pois, resta sem provas", sem que tivessem sido analisados/solicitados os demais documentos vinculados à dívida em pauta, o que desqualifica, sobremaneira as informações/controles contábeis apresentados. Agindo assim a Autoridade Fiscal, novamente, desconsiderou o contexto de dificuldade econômica vivenciado pela Recorrente no período da realização desta operação, bem como as restrições advindas de sua conduta devedora impostas pelas instituições financeiras credoras que, optaram por exigir o adimplemento da obrigação contratada na via Judicial. Nesta linha, o único documento que satisfaria a Autoridade Fiscal na comprovação da existência das despesas oriundas do contrato de empréstimo em análise seria eventual extrato/declaração em papel timbrado fornecido pelo BNDES, documento este que a Recorrente apresenta nesta oportunidade, consubstanciado na Carta do BNDES AC/DEREC n° 003/12, de 18.01.2012. informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05). Com efeito, se os únicos pontos a serem verificados para validação dos valores lançados como despesa seriam (i) se nesta época a dívida originada no contrato de Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.550 23 empréstimo firmado com o BNDES ainda existia, (ii) se estava exigível e (iii) se perfazia a quantia indicada na contabilidade da Recorrente, certo é que tais informações estão todas ratificadas no documento oficial, emitido pelo BNDES, consubstanciado na Carta do BNDES AC/DEREC n° 003/12, de 18,01.2012, informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05). Nesse contexto, são inquestionáveis a existência, a exigibilidade e o valor da divida entre a Recorrente e o BNDES no anobase de 2009, que gerou a dedução, como despesa, dos encargos de atualização/juros inerentes a esta operação de crédito, os quais são passíveis de serem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme previsto no RIR/99. Passando à comprovação das despesas incorridas com profissionais terceirizados e da materialidade dos serviços prestados, acusa ausência de amparo fático para as conclusões consignadas pela autoridade fiscal. Relaciona as pessoas jurídicas prestadoras dos serviços questionados, no total de R$ 11.065.522,78, dizendo que as despesas deduzidas estão de acordo com os arts. 299 e 300 do RIR/99. Acusa que, em total descompasso com o princípio da legalidade, a autoridade fiscal ainda lançou o IRRF à alíquota de 35% sobre tais pagamentos, com fundamento na seguinte alegação: "a pessoa jurídica que efetuar pagamento ou crédito e não comprovar que utilizou os serviços contratados e pagos, referidos em documentos, se sujeita a incidência do Imposto de Renda Fonte, com aplicação da alíquota acima citada, a título de pagamento sem causa, ainda que esses pagamentos ou créditos tenham resultado em redução do Lucro Líquido''" e em suposta conformidade com o art. 674 do RIR/99. Expõe detalhadamente os fatos e pretende comprovar a materialidade das operações, conforme abaixo: Roval Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda. Tratase da contratação de parecer da lavra do causídico Armando Luiz Rovai para apresentação no processo judicial n° 60448/2006, movido pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) contra a Recorrente em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta o anexo parecer em inglês e português objeto da contratação em questão (doc. 06). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Support Assessoria e Administração Ltda. A Support Assessoria e Administração presta serviços à Recorrente de assessoria jurídica na área trabalhista acompanhando processos trabalhistas em todo o país, como consta do objeto contido na cláusula 2a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 07). Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.551 24 Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de uma procuração por instrumento público nomeando advogados da Support para representála em Juízo e, exemplificativamente, cópia de peças extraídas de processos trabalhistas corroborando a participação dos advogados indicados na procuração em questão (doc. 07). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da giosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Colotto Consultores S/C Ltda. A Colotto Consultores S/C Ltda. presta serviços à Recorrente de consultoria em gestão de desenvolvimento de projetos e negócios na área de transmissão e distribuição de energia elétrica e de desenvolvimento de novos negócios, como consta do objeto contido na cláusula 1a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 08). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de estudo submetido à apreciação dos consultores da Colotto, que versa sobre novos negócios na área de aproveitamento de lixo para geração de energia e também pedidos/comprovantes de reembolso de despesas incorridas na prestação da consultoria em questão (doc. 08). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de 1RPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se :i|bsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99, Planagro Ltda. A Planagro Ltda. presta serviços de consultoria à Recorrente, especialmente ro acompanhamento de processos de interesse desta, em diversos órgãos Públicos, como consta do objeto contido na cláusula 2a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 09). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia dos extratos dos processos judiciais que foram verificados peia Planagro (doc. 09). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C A Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C presta serviços jurídicos à Recorrente de assessoria jurídica na área tributária, atuando no acompanhamento de Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.552 25 diversos processos, como consta do objeto contido na cláusula 2a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 10), Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia da carta de circularização emitida em conformidade com as exigências dos auditores independentes e cópia de relatórios processuais emitidos pelo Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C, que atestam a existência de quantidade significativa de processos sob o seu patrocínio (doc. 10). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Nucleon Engenharia S/C Ltda. A Nucleon Engenharia S/C Ltda. presta serviços á Recorrente de assessoria societária e *?i contratada para representála no Conselho de Administração da Andritz Hydro Inepar do Brasil S.A., como consta do objeto contido na cláusula 1a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 11). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a )<;galÍG3de da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de Atas de Reunião do Conselho de administração da Andritz Hydro Inepar do Brasil S.A., nas quais constam a participação do representante da Nucleon Engenharia (doc. 11). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes A Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes foi contratada pela Recorrente para elaboração de estudo visando a avaliação de eventual lançamento de ações no mercado, medida esta que por razões diversas não se concretizou, como consta do objeto da proposta de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais correlatas (doc. 12). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópias das apresentações elaboradas pela Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes visando a quantificação dos ativos e a consolidação das informações necessárias para viabilizar o desiderato do contrato em questão (doc. 12). Logo, dúvida não resta quanto ã materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.553 26 Apya Projetos e Participações Ltda. A Apya Projetos e Participações Ltda. presta serviços de consultoria societária à Recorrente, estudando e analisando a estrutura desta para propor a melhor forma de organização de acordo com os objetivos negociais futuros, como consta do objeto da proposta de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais correlatas (doc. 13). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia da Ata da 72a Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 12.11.2009, na qual foi materializado o resultado dos estudos elaborados pela Apya Projetos e Participações Ltda. (doc. 13). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, fendo portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, accor.entes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fé tico não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Feitas as considerações e a apresentação das provas anexas a presente impugnação (does. 06 a 13) de forma analítica para cada caso, temse que todos os serviços descritos acima, cujos valores foram deduzidos como despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL foram glosados pela Autoridade Fiscal, acompanhados do lançamento de IRRF à alíquota de 35 (trinta e cinco por cento) por suposto pagamento sem causa, tiveram a sua materialidade inequivocamente comprovada e, portanto, devem ser integralmente cancelados os lançamentos guerreados que tiveram como base tais contextos fáticos, em homenagem ao princípio da legalidade. Protesta pela busca da verdade material mediante análise da documentação ofertada e/ou realização de diligência para elucidação das dúvidas que viciam os lançamentos combatidos, no intuito de ver satisfeito o princípio da eficiência, nos termos do art. 37 da Constituição Federal. Salienta que, embora a autoridade fiscal tenha intimado a impugnante no curso da auditoria, não foi plenamente satisfeito o princípio da verdade material, "pois o Auto de Infração guerreado, nos pontos em questão, fundamentouse em presunções, o que não se pode admitir no processo administrativo tributário'". Alega que colaborou com a fiscalização, "mas como não foi indagada a apresentar as justificativas, acompanhadas da competente documentação comprobatória das condutas praticadas, que entendesse cabíveis para fazer frente ao suposto descompasso de informações detectado pela Receita Federal do Brasil, de modo que a Autoridade Fiscal chamou para si a responsabilidade integral pela persecução probatória da existência/validade do crédito tributário ora combatido". Acusa que, no presente caso, "tratase de equívoco na interpretação dos fatos e das provas acostadas aos autos no curso da Fiscalização, que culminou com a presunção de determinada situação, que, por certo, não pode se sobrepor à real apuração contábil/fiscal da Recorrente". Discorre acerca da atividade do lançamento, com base no art. 142 do CTN, na doutrina e jurisprudência. No mais, questiona a multa de ofício aplicada. Fundamentase nos arts. 5°, XXII, e 150, IV, da Constituição Federal. Cita doutrina e jurisprudência, protestando pela inconstitucionalidade da exigência: Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.554 27 "Sem prejuízo das arbitrariedades e das nulidades apontadas nos tópicos anteriores, cumprese aplicar drástica redução do percentual da multa exigida, através de um limite/patamar máximo razoável (10%), que não represente confisco do patrimônio e não seja desproporcional à infração supostamente praticada, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco e de violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco." Encerra com as seguintes conclusões e pedido: IV DAS CONCLUSÕES Por todo exposto, podese chegar às seguintes conclusões (I) a pretensão de se tributar os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio não pode se sobrepor à finalidade das leis de não se tributar em duplicidade os valores transferidos pela CEMAT à Recorrente, sendo totalmente nulos, por violação, principalmente, ao direito de propriedade, os lançamentos de IRPJ, CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS perpetrados pela Autoridade Fiscal; (ii) em relação ao equívoco contábil narrado no tópico "lll.b" da presente impugnação, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente explicitados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados; (iii) a Autoridade Fiscal a quo andou mal ao lavrar o Auto de Infração ora combatido, pois de forma totalmente arbitrária, em detrimento ao princípio da verdade material, considerou equivocadamente valores que haviam sido regularmente apropriados como despesa para fins de IRPJ e da CSLL, devidamente comprovados pela documentação, anexa (doo 03), o que demonstra a total imprecisão do levantamento dos valores efetuados no curso do procedimento de fiscalização e macula de vício insanável os lançamentos combatidos; (iv) é necessário considerar as provas documentais apresentadas, comprobatórias da existência da despesa de R$ 21.039.904,66 (vinte e um milhões, trinta e nove mil, novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos), a qual reflete o saldo devedor, existente e exigível, decorrente do contrato de empréstimo firmado com o Boavista Banking Limited (doc. 04), revelandose imperiosa a determinação de cancelamento da glosa das despesas aproveitadas relacionadas aos valores em questão de IRPJ, da CSLL; (v) são inquestionáveis a existência, a exigibilidade e o valor da dívida entre a Recorrente e o BNDES no anobase de 2009, inclusive ratificadas no documento oficial, emitido pelo BNDES, consubstanciado na Carta do BNDS AC/DEREC n° 003/12, de 18.01,2012, informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05) que gerou a dedução, como despesa, dos encargos de atualização/juros inerentes a esta operação de crédito, os quais são passíveis de serem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme previsto no RIR/99; (vi) a partir das provas anexas à presente impugnação (does. 06 a 13) e das explicações analíticas acerca de cada situação, foi comprovada a materialidade dos serviços prestados pela Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda, Support Assessoria e Administração Ltda., Colotto Consultores S/C Ltda., Planagro Ltda., Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C, Nucleon Engenharia S/C Ltda., Nexia Vilas Rodil Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.555 28 Auditores Independentes e Apya Projetos e Participações Ltda., sendo totalmente nulos a glosa das despesas de IRPJ e de CSLL e os lançamentos de IRRF perpetrados pela Autoridade Fiscal; (vii) ante a insubsistência dos elementos basilares para a interpretação defendida pela Autoridade Fiscal, não pode prosperar a constituição dos créditos tributários relativos ao IRPJ, IRRF, CSLL, contribuição ao PIS e CO FINS, uma vez que a Autoridade Fiscal baseouse em presunções e não perquiriu a verdade material para delimitação dos fatos sobre os quais recaíram as imputações fiscais guerreadas, sendo, portanto, inquestionável a necessidade de cancelamento integral dos Autos de Infração ora combatidos; (viü) a Autoridade Fiscalizadora, ao imputar a multa nos patamares praticados acabou por confiscar, desproporcionalmente, relevante parte do patrimônio da Recorrente, uma vez que a suposta infração cometida, mesmo que fosse verdadeira, não justificaria a aplicação de multa extorsiva sem um limite/patamar a ser obedecido. V DO PEDIDO Diante todo o exposto, conforme detalhadamente sustentado na presente impugnação, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrem imperiosas para a noi/^ta percepção dos fatos e da verdade material, inclusive da posterior juntada de novas provas, requer seja reconhecida a procedência integral dos argumentos narrados na presente Impugnação, para que sejam anulados os Autos de Infração combatidos, com o cancelamento das cobranças efetivadas pela A^nddade Fiscal, e declarada a improcedência da totalidade dos lançamentos g lerreados, das glosas praticadas e das multas imputadas, por não ter sido configurada qualquer infração às disposições legais vigentes à época dos fatos. Subsidiariamente, caso não seja reconhecida a totalidade dos argumentos da Recorrente o que não se acredita , requer sejam reduzidas as multas desproporcionais e confiscatórias aplicadas peia Autoridade Fiscal, para que reflitam percentuais condizentes com a situação concreta, por ser medida de JUSTIÇA FISCAL! Protesta, outrossim, pela nulidade da determinação para contida no Relatório de Verificação Fiscal n° 02 noticiando a alteração dos valores de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo, dos períodos de apuração de 2007, 2008 e 2009, em respeito ao principio da ampla defesa e do contraditório, uma vez que os créditos tributários objeto dos PAs n°s 19515.721884/201129 e 19515.722808/201211, sequer foram validados pela autoridade administrativa hierarquicamente superior, competente para decidir, em definitivo, a controvérsia travada, bem como estão com a exigibilidade suspensa. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.556 29 requisitos constantes do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Diligências e Perícias. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. Limite da Lide. O julgado limitase à lide, ou seja, aos fatos perfeitamente descritos e identificados e devidamente enquadrados nos dispositivos legais que suportam a exação impugnada, não constituindo a impugnação, portanto, instrumento hábil a questionar determinação fiscal para observância de obrigação acessória instituída no interesse da fiscalização, in casu, aquela atinente ao dever de atualização dos registros constantes dos livros de controle do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Receita de Juros sobre o Capital Próprio. Omissão. Anos Calendário 2007 e 2009. A natureza dos JSCP como receita/despesa financeira é regra de caráter estritamente fiscal e não guarda conformação com a regulação imposta pela Deliberação CVM, que conceitua os JSCP como destinação de parte do resultado apurado. Caracterizase como omissão de receita a falta de declaração das receitas de juros sobre o capital próprio. Despesas Financeiras. Juros sobre Empréstimos. Anos Calendário 2008 e 2009. Quando comprovada a efetividade do empréstimo, os juros passíveis de dedução na determinação do lucro real, como despesa financeira, são aqueles previstos no respectivo contrato válido no período de apropriação da despesa. Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.557 30 Quando vencido o contrato de empréstimo sem a prova da repactuação válida nos anoscalendário analisados, cabível a glosa da despesa financeira apropriada indevidamente. Variações Cambiais. Anocalendário: 2008. Não comprovada, no período, a manutenção de direitos e obrigações em moeda estrangeira, mantémse a glosa da despesa com variação cambial passiva. Lucro Real. Ajustes. Anocalendário: 2008. Cabível a adição do valor excluído indevidamente na determinação do lucro real, porque efetuada pela contribuinte a respectiva exclusão de forma equivocada e ao desamparo da documentação comprobatória. Despesas com Profissionais Terceirizados. Anocalendário 2009. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas cuja efetividade da operação reste comprovada e que atendam aos requisitos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. No caso de despesas rateadas entre um grupo de empresas é necessário que o rateio seja efetuado através de critérios objetivos e previamente ajustado. Restabelecese a despesa de interesse da própria contribuinte e/ou de suas incorporadas, na proporção dos valores comprovados, mantendose a glosa das despesas cuja materialidade da operação não restou demonstrada, bem como quando realizadas perante empresas controladas/coligadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 IRRF. Pagamento a Beneficiário Não Identificado e/ou sem comprovação da Operação e/ou da Causa. Cancelase a tributação apenas na proporção dos valores das despesas correspondentes aos pagamentos cuja comprovação da operação e/ou da causa restou demonstrada, de interesse da própria contribuinte e/ou de suas incorporadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 Base de Cálculo. Ajustes. Cabível a adição do valor excluído indevidamente na determinação da base de cálculo da CSLL, porque efetuada pela contribuinte a respectiva exclusão de forma equivocada e ao desamparo da documentação comprobatória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3074DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.558 31 Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Irresignada com a decisão de primeira instância, a empresa autuada interpôs recurso voluntário (fls.2964/3003) a este CARF, repisando os argumentos já trazidos na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 3075DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.559 32 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Esta diligência circunscreve apenas a uma das infrações abaixo destacada: Ajuste em 2008 – corrigido em 2009. Em apertadíssima síntese, a fiscalização diz o seguinte: o contribuinte reconhece erro efetuado no anocalendário de 2008 e tenta corrigilo no ano seguinte. Porém não o corrige de todo, pois a exclusão feita no Lalur de 2009, pretensamente para corrigir o erro cometido no ano anterior, foi anulada pela adição (Lalur e Lacs) em igual montante nesse anocalendário. Portanto, persiste em aberto o erro cometido em 2008, excluindo do Lucro Real indevidamente uma parcela de R$ 81.200.000,00, que supostamente seria o desconto de multa e juros que o contribuinte obteria caso cumprisse o parcelamento, mas que não se realizou. Eis os exatos termos do TVF: Em 31.12.2008 a empresa, segundo suas declarações a esta fiscalização, datada de 05.05.2012 (vol. 10fl.939Sumário Auxiliar), equivocouse e excluiu ao apurar o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no seu Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACS nº 19, referente ao ano calendário de 2008, a importância de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) contabilizados na conta "3.4.05.2002 Descontos Auferidos", em 30.09.2008, conforme consta na página 38 do citado LALUR "Parte A Registro dos Ajustes do Lucro Liquido do Exercício" a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento ImpostoValor Baixado Parte B, nesta data" fazendoo igualmente na página 28 do LACS onde está a "Demonstração do Cálculo da Contribuição Social" (vol. 13). No mesmo ato, adicionou ao Lucro Liquido do Exercício, conforme página 37 do mesmo LALUR e LACS n9 19 o valor de R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais), também a título de "Deferimento dos Ganhos com Parcelamento Imposto". Portanto, o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano calendário de 2008, com estes procedimentos de ajuste do Lucro Líquido feitos pela empresa foi onerado irregularmente em R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais). Constando haver feito estes ajustes irregulares o sujeito passivo, com o objetivo de sanálos, procedeu em 31.03.2009, na sua contabilidade o estorno de R$ 87.000.000,00, na contabilidade, e adicionou, ao Lucro Liquido do Exercício, conforme folha 06 do LALUR e LACS ne 20, relativo ao ano calendário de 2009, a importância de R$ 81.200.000,00 a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Contudo, na mesma folha 06 do LALUR e LACS ne 20, excluiu na apuração do Lucro Real a mesma importância também sob a justificativa de haver feito "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Fl. 3076DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.560 33 Às folhas 92 do LACS nª 20 consta tanto a adição como a exclusão da importância de R$ 81.200.000,00 quando foi feito o ajuste do Lucro Líquido do exercício no ano calendário de 2009, para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também com o histórico "Deferimento dos Ganhos c/parcelamento." Implicando tal procedimento como conseqüência resultado "zero" nos ajustes do Lucro Líquido, em 2009, para fins de correção do erro praticado em 2008, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Logo, no ano calendário de 2009 exercício de 2010 não houve, com este procedimento do sujeito passivo, o oferecimento à tributação do valor irregularmente excluído em 2008. De fato, a empresa em 02.02.2012 (vol. 01fl.47Sumário Auxiliar) na resposta ao termo de intimação lavrado em 05.01.2012 (vol. 01fl.l9Sumário Auxiliar) e sua reiteração de 16.01.20" 2(vol.01fl.39), ambos os atos fiscais relativos à citada exclusão no cálculo das bases tributáveis do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, alega apenas que o valor de R$ 87.000.000,00 "Outras Exclusões 2008", do LALUR foi registrado .ia conta contábil "3.4.05.2002 Descontos Auferidos" Em 19.02.2012 (vol.lOfl.891Sumário Auxiliar), quanto à exclusão em ' mento, a INEPAR foi novamente intimada a informar para cada tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil o respectivo valor obtido de desconto, devendo juntar a documentação comprobatória da informação, tal que seu alegado direito fosse analisado por esta fiscalização federal. Em correspondência datada de 05.05.2012 (vol.10fl.937/944Sumario Auxiliar), na sua resposta ao termo fiscal de 19.02.2012, empresa diz que: "a escrituração do valor de R$ 87.000.000,00, em 30.09.2008, na conta contábil 3.4.05.2002 foi um "equivoco pontual e involuntário" e que este erro foi corrigido em 2009. Contudo, não juntou qualquer documento que comprovasse o seu direito a proceder à dita exclusão de R$ 81.200.000,00, nos ajustes do Lucro Liquido. Em conclusão a sua alegação, de que foi regularizado o erro praticado em 2008, não procede. A DRJ, por sua vez, investe mais argumentos e investigação no sentido de desconstruir a explicação inicial do contribuinte em relação ao fundamento da referida exclusão, que seria o ingresso em algum parcelamento e obtenção do referido desconto, que em tese não seria tributado como receita. A DRJ não identifica a existência nos controles da Receita Federal de rastro algum de parcelamento no período considerado. E de fato, a Recorrente durante toda a fase instrutória foi muito evasiva a esse respeito. O Contribuinte, por sua vez, centra todo o seu discurso na certeza de que não houve nenhuma repercussão tributária advindas desses eventos, independente das razões aduzidas pela DRJ, e que tanto o fiscal quanto a DRJ não se debruçarem detidamente sobre essa repercussão tributária, e assim cobrandolhe indevidamente esse quantum. Quanto ao fiscal, como já foi demonstrado, ele foi bastante explícito nas suas premissas e conseqüências, tendo deslindado passo a passo o seu raciocínio, não de todo infirmado pela Recorrente. Fl. 3077DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.561 34 De fato, a DRJ não gastou muitas tintas com essa questão levantada pela Recorrente de que não houve repercussão tributária. É o que demonstra do único parágrafo que a DRJ trata desse assunto: A documentação trazida na impugnação (doc. 02) consiste apenas na cópia dos lançamentos efetuados no Diário, Razão e Lalur, já analisados pelo Fisco, das quais se confirma a conclusão de que os ajustes realizados em 2009 restaram anulados, permanecendo em 2008 a redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em R$ 81.200.000,00. Porém, isso longe está de indicar que a DRJ não se debruçou e revisou essa matéria fática. Mas o que chama a atenção é mesmo o fato de o Contribuinte não reforçar o seu recurso voluntário para tentar infirmar as premissas levantadas pelo Fiscal e que foram retiradas da sua própria documentação contábil e extrafiscal. Repete o seu discurso impugnatório, novamente justificando o alegado equívoco contábil no ajuste do lucro líquido do anocalendário 2008, mediante inclusão e exclusão, no LALUR e no LACS, de R$ 81.200.000,00, o que entende não ter causado prejuízo ao erário: Em 30.09.2008, a Recorrente efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) por conta de pedidos de parcelamento de débitos, no seguinte sentido (doc. 02): "Lançamentos contábeis Débito: 2.2,02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) Lançamento da conta de resultados 3.4.05.2.0.02 Livro Razão de Julho à Setembro de 2008 página 165 Livro Diário lançamento n° 267 página 154 Livro LALUR n° 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00página 26" Como houve o pagamento de parcela destes débitos, totalizando R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais) a Recorrente efetuou os seguintes lançamentos contábeis (doc. 02): 30,09.2008 no valor de R$ 3.625,000,00 lançado na página 25 do LALUR n° 19, na coluna adições; 30.10.2008 no valor de R$ 4.350.000,00 lançado na página 29 do LALUR n° 19, na coluna adições; 30.11.2008 no valor de R$ 5.0875.000,00 lançado na página 33 do LALUR n° 19, na coluna adições; e 31.12,2008 no valor de R$ 5.800.000,00 lançado na página 37 do LALUR n° 19, na coluna adições. Fl. 3078DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.562 35 Ao final do exercício de 2008, foi lançado o valor de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 5.800.000,00 (cinco milhões na coluna de adições, permanecendo, assim, o valor liquido diferido de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais), como é possível verificar, respectivamente, nas páginas 38 e 37, do Livro LALUR n° 19, acostado à presente impugnação (doc. 02) Por conseguinte, em 31.12.2009, no Livro Razão de Outubro a Dezembro de 1009 página 197, e no Livro Diário n° 272 página 162 (doc. 02), a Recorrente efetuou o estorno dos lançamentos de 30.09,2008 descritos acima, em razão de não ter havido a efetivação dos parcelamentos de débitos almejados, na importância do desconto outrora contabilizado. Para regularizar os lançamentos contábeis em questão, a Recorrente efetuou diversos lançamentos na coluna de adições a exclusões, nos meses compreendidos entre janeiro/2009 a dezembro/2009, do Livro LALUR n° 20, no importe de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais) que não produziram nenhum efeito fiscal e, conseqüentemente prejuízo ao Erário, como se constata da documentação pertinente acostada a presente impugnação (doc. 02). A Autoridade Fiscal foi informada deste cenário no curso do procedimento de Fiscalização, mas preferiu, em detrimento ao princípio da verdade material, analisar superficialmente a situação, sem se aprofundar nas razões que conduziram a realização de tais lançamentos e, principalmente, a ausência de qualquer reflexo fiscal/econômico nas operações em questão, conduta esta, data máxima vénia, eguivocadamente corroborada pela DRJ/POR no v. acórdão recorrido. Certa de que este contexto deve ser levado em consideração quando esta Autoridade Julgadora confrontarse com os equívocos de conceitos na contabilização que não ensejaram prejuízo ao Erário e/ou se geraram o que não se acredita , deveriam ter sido apurados de acordo com a diferença dos tributos tido como devidos e aqueles efetivamente recolhidos. Nesta linha, os reflexos de tais equívocos contábeis, juridicamente, não equivalem á magnitude dos lançamentos firmados, de modo que a subsunção da norma aos fatos que subsidia o auto de infração combatido encontrase, data venia, carente de amparo legal, sendo, portanto, nula de pleno direito. Diante deste cenário, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente narrados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados. (destaque do original) Apesar de concordar que a defesa da Recorrente poderia ser mais precisa. O que me parece aqui é que tanto a Recorrente não compreendeu o discurso do Fiscal, quanto o Fiscal não compreendeu o discurso da Recorrente. E isso precisa mesmo ser melhor averiguado, sob pena de se cobrar algo indevidamente. Explicome. Fl. 3079DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.563 36 Quando a Recorrente diz que cometeu um equívoco em 2008 quer me parecer que ela foca no aspecto contábil e é nesse aspecto que ela tenta fazer, certo ou errado, a correção no ano seguinte. O lucro contábil que foi impactado de forma a aumentálo com os lançamento referente aos descontos (diferidos) ela tenta corrigilo no ano seguinte. Por isso ela diz “(...) Para regularizar os lançamentos contábeis em questão (...)” E quando ela diz isso, pressupõe outra coisa: que no anoanterior não teve repercussão tributária alguma. E isso estaria implícito para mim na duas premissas iniciais do seu discurso justificativo: "Lançamentos contábeis [2008] Débito: 2.2,02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) (...) Livro LALUR n° 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00página 26" O que ela está dizendo aqui é que fez o lançamento contábil de receita e anulou a sua repercussão tributária naquele mesmo ano. E dessa forma, diferentemente do raciocínio do Fiscal e da DRJ não haveria assim mais a necessidade de em 2009 fazer alguma exclusão para compensar o erro cometido em 2008, quando se descobre que o parcelamento deixou de existir. Portanto, segundo ela, os lançamento em 2009 que seriam uma tentativa de acertar 2008 em uma outra competência não teve também repercussão tributária, e isso é o que importa para ela. Não houve repercussão tributária desse fato nem em 2008 e nem em 2009 Portanto, em respeito a princípio da verdade material e de este julgador ter ficado também em dúvida a respeito da interpretação dos fatos relatados, proponho que o julgamento seja convertido em diligência para que o Fiscal apure mais profundamente essa linha de entendimento acima esposada, intimando o contribuinte a se pronunciar ou trazer novos documentos caso seja necessário. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3080DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.000088/2002-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994
IRRF. RETENÇÃO NA FONTE INFORMADA NA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL PARA COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte informada em Declaração de Ajuste Anual, deve ser mantida a glosa da compensação efetuada a esse título.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1994 IRRF. RETENÇÃO NA FONTE INFORMADA NA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL PARA COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte informada em Declaração de Ajuste Anual, deve ser mantida a glosa da compensação efetuada a esse título. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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RETENÇÃO NA FONTE INFORMADA NA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL PARA COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte informada em Declaração de Ajuste Anual, deve ser mantida a glosa da compensação efetuada a esse título. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 88 /2 00 2- 68 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) – DRJ/FOR, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) reduzindo o saldo de imposto a restituir de 4.796,77 para 0,01 Ufir relativamente ao anocalendário 1993, face à ausência de comprovação da retenção na fonte compensada na declaração (fls. 22/25). Em sede impugnação, o contribuinte alegou, em resumo, que: foi funcionário da empresa Sabrico S/A de 1993 a 1989, tendo sido dispensado em 1999 pela empresa, quando ingressou com a ação trabalhista nº 1.529/89 na 49ª Vara do Trabalho de São Paulo, a qual restou procedente, devendo aquela empregadora pagar lhe uma indenização no valor de CR$ 1.561.043,99; desse valor, pago em outubro de 1993, foi retido na fonte o valor de CR$ 364.075,50 como imposto de renda; é funcionário da Prefeitura de São Paulo desde 1992 e apenas preencheu errado a declaração; solicitou o desarquivamento dos autos judiciais, mas houve incineração desses dado o tempo decorrido, havendo sido expedida certidão que atesta a existência da ação. A instância de primeiro grau manteve o lançamento, sob o entendimento de que nenhum dos documentos juntados à impugnação comprovam a indigitada retenção declarada na DIRPF/1994. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/12/2008, afirmando que: No ano de 1994, foi elaborada a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, sendo que o contribuinte teve um saldo a restituir no valor de 4.796,77 Ufir, este não foi restituído pois não foi encontrado a retenção deste imposto que deveria ser feita pela empresa SABRICA S/A (doc 01). A empresa foi notificada para apresentar a declaração DIRF (Declaração de Imposto Retido na Fonte) do ano de 1993, em resposta, a empresa SABRICO S/A, informou que na DIRF/1993, não constava o sr. ADIEGONAL PEREIRA DA SILVA, uma vez que este fora desligado da empresa em 1989. Prossegue, alegando que tendo ocorrido a retenção em 1993, deveria ter a empresa efetuado o recolhimento na fonte e feito a Dirf, sendo ela responsável pelo tributo. Pede ao final, seja efetuada a revisão do processo. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.000088/200268 Acórdão n.º 2402004.714 S2C4T2 Fl. 75 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante já observado pelo aresto contestado, nenhum dos documentos acostados aos autos permite atestar que tenha ocorrido a aventada retenção no montante de 4.796,77 Ufir em outubro de 1993, a saber (fls. 6/7, 10/11 e 33/51): cópia de parte da Carteira de trabalho e cópia de planilhas sobre os valores reclamados mediante o processo judicial nº 1526/89; cópia do requerimento ao Juiz Presidente da 49ª Junta de Conciliação e Julgamento de São Paulo para expedição de Guia de Retirada no processo nº 1526/89; certidão emitida por esse órgão judicial atestando a existência da ação, julgada procedente em parte; e cópia da Rescisão de Contrato de Trabalho e da ficha de registro do contribuinte na empresa Sabrico S/A. De sua parte, essa empregadora, quando intimada pela unidade fazendária, asseverou que na Dirf do anocalendário 1993 o contribuinte não consta como beneficiário, por ter sido desligado da empresa (fl. 9). Vejase, portanto, que não há prova de que a fonte pagadora tenha realizado, sob o regime dos arts. 128 do CTN, e 7º e/ou 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, as retenções por ele informadas em sua DIRPF (fl. 4). Cumpre esclarecer que eventual falta de recolhimento ou de retenção por parte da fonte pagadora está sujeita a sanções específicas dispostas no ordenamento, forte no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, não eximindo, todavia, o contribuinte de cumprir as suas obrigações tributárias, tal como a de comprovar as retenções de imposto de renda a que se refere. Destarte, não havendo sido demonstrada nos autos a realização da retenção informada pelo recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 1993, não merece prosperar sua irresignação. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Ante o exposto, concluo o voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13804.002257/2001-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO.
É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543-C do CPC.
RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS.
Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-002.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Pereira da Silva, OAB/SP nº 314200.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543-C do CPC. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Recurso Voluntário Provido
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CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543C do CPC. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 22 57 /2 00 1- 81 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Pereira da Silva, OAB/SP nº 314200. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "O estabelecimento acima identificado requereu ressarcimento do crédito de IPI, com base na Lei n° 9363/96 e na Portaria MF n°38/97, relativo ao crédito presumido do ano de 2001, no montante de R$ 2.261.777,42 a ser aproveitado parcialmente nas compensações pleiteadas As fls. 24. O pedido foi deferido parcialmente em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, tendo sido reconhecido o direito creditório de R$ 1.381.787,00 (Glosa de R$ 879.990,42). Com base no termo de informação fiscal e na decisão administrativa as glosas foram efetuadas pelos motivos que, em resumo, passo a relatar: 1. Não observância da cumulatividade dos valores incluídos na apuração do crédito presumido ao longo do anocalendário, uma vez que o incentivo é arival e,cumulativo; 2. apuração dos custos e da receita operacional bruta somente dos estabelecimentos produtores e exportadores em desacordo com a centralização na matriz; 3. exclusão da receita de exportação dos valores referentes a produtos adquiridos para revenda e, portanto, que não são de produção da empresa, 4. exclusão, na receita de exportação, das exportações de revenda de mercadorias, ou seja, de mercadorias que não foram industrializada pela empresa. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 3201002.029 S3C2T1 Fl. 593 3 Em razão do deferimento parcial do pedido, a autoridade da Delegacia da Receita Federal homologou parcialmente a compensação, até o valor do crédito deferido. Discordando do indeferimento parcial de seu pleito, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o que segue: Reconhece o erro formal havido na apuração do beneficio fiscal quanto aos valores acumulados; A exclusão das receitas de exportação do montante dos valores exportados referente A revenda de mercadorias e a não exclusão deste mesmo valor da receita operacional bruta equivale ao uso de dois pesos e duas medidas gerando uma absurda distorção na apuração do beneficio fiscal; Nos termos no inciso II, § 15, artigo 3 0 da Portaria MF 38/97 a receita de exportação abrange o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais independentemente da condição do produto exportado; • Solicita a aplicação da taxa selic, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento, em conformidade com a Lei n° 9.250, de 1995." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: .01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. 0 valor decorrente da venda de produtos adquiridos de terceiros não integra a receita de exportação, por não se referir a produto industrializado pela empresa mas, integra a receita operacional bruta, já que esta representa o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Incabível a concessão do crédito presumido acrescido de juros de mora pela taxa SELIC. Solicitação Indeferida.” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário, repisando as alegações e os pedidos constantes da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Fl. 595DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a lide gira em torno da possibilidade da correção dos créditos utilizando a taxa SELIC e a possibilidade de inclusão na receita de exportação, da revenda de mercadorias, ou seja, de mercadorias que não foram industrializada pela empresa Receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros Alega a Recorrente a procedência da inclusão na receita de exportação das mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. A matéria foi enfrentada pela Câmara Superior deste Conselho no Acórdão nº 900301.606, na sessão do dia 30/08/2011, de relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, quando foi decidido pela procedência da inclusão na receita de exportação das vendas para o exterior, de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros, por concordar plenamente com os argumentos condutores desta decisão, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele também minhas razões de decidir. “No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: "Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador." Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de Fl. 596DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 3201002.029 S3C2T1 Fl. 594 5 matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: "Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem." Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estar seia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. Aquisições de pessoas físicas e correção dos créditos pela taxa Selic A matéria já foi enfrentada pelo STJ no REsp 993164, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, quando foi decidido pela ilegalidade da IN 23/97 e a possibilidade da correção dos créditos a partir do protocolo do pedido. Transcrevo abaixo a ementa da decisão. “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS.LEI Fl. 597DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal.(grifo nosso) 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase Fl. 598DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 3201002.029 S3C2T1 Fl. 595 7 inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; Resp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). Fl. 599DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI ,posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).(grifo nosso) 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 3201002.029 S3C2T1 Fl. 596 9 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial da Empresa e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques,Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Notas julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ.” O art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 determina a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do CPC, verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, atendendo a determinação do Regimento Interno do CARF adoto o entendimento prolatado no REsp 993164, no sentido da procedência da correção dos créditos pela taxa Selic, a partir do protocolo do pedido. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 Winderley Morais Pereira Fl. 602DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 15983.720334/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Exonera-se do lançamento tributário baseado em depósitos bancários, os valores para os quais o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea comprobatória de que seriam de terceiros em decorrência de ação trabalhista.
MULTA ISOLADA. São incompatíveis o lançamento de multa de ofício concomitante com o de multa isolada, pois ambas as penalidades referem-se ao mesmo fato gerador e são calculados sobre a mesma base de cálculo.
SIGILO BANCÁRIO. Com base no art. 6o. da LC 105/2001, a autoridade fiscal pode requisitar, justificadamente, informações de movimentação bancária de contribuinte sob procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar as preliminares e em dar provimento parcial ao recurso para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por referir-se a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnê-leão.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa E Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Exonerase do lançamento tributário baseado em depósitos bancários, os valores para os quais o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea comprobatória de que seriam de terceiros em decorrência de ação trabalhista. MULTA ISOLADA. São incompatíveis o lançamento de multa de ofício concomitante com o de multa isolada, pois ambas as penalidades referemse ao mesmo fato gerador e são calculados sobre a mesma base de cálculo. SIGILO BANCÁRIO. Com base no art. 6o. da LC 105/2001, a autoridade fiscal pode requisitar, justificadamente, informações de movimentação bancária de contribuinte sob procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 03 34 /2 01 1- 15 Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar as preliminares e em dar provimento parcial ao recurso para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por referirse a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnêleão. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa E Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 15/07/2013 pelo contribuinte em face do Acórdão 1647.069 20ª Turma da DRJ/SP1 que considerou parcialmente procedente a impugnação ao lançamento tributário deste processo. O contribuinte teve ciência do Acórdão recorrido em 17/06/2013. A decisão recorrida está assim ementada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não havendo o impugnante apresentado argumentos capazes de descaracterizar a omissão de rendimentos advindos de pessoas jurídicas, deve ser mantido o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Apurada a omissão de rendimentos advindos de pessoas físicas e não havendo o impugnante apresentado argumentos capazes descaracterizála, deve ser mantido o lançamento correspondente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ LEÃO. Cabível a aplicação da multa isolada nos casos em que há a obrigatoriedade do recolhimento mensal do imposto, conforme dispõe o artigo 44 e § 1º, III, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original e artigo 44, II, a, da mesma Lei, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007. MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude. Desta forma, se a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada. Não se justifica a qualificação da multa, quando Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 não comprovado nos autos o evidente intuito de fraude e materialização do ilícito. O lançamento fiscal (AI às efls. 704718) decorreu das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas 2. Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas físicas (sujeitos a carnêleão) 3. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada 4. Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão Em suma, alega o que segue como razões de recorrer: 1. Nulidade da ação fiscal por quebra do sigilo bancário. A matéria foi reconhecida de repercussão geral no RE 601.314. 2. Houve confusão nas informações prestadas pela gerência do Banco do Brasil S.A. Num primeiro momento informou que não havia movimentação em nome do recorrente no banco Nossa Caixa S.A. (do Banco do Brasil) e, posteriormente a movimentação confirmou com os extratos. 3. Argumenta que os documentos de fls. 978, 983, 1039 e 1133, vistos conjuntamente dariam a dimensão exata do ocorrido na realização da transferência no dia 21/08/2007, no valor de R$ 761.635,29 para a agência do banco Itaú S/A. 4. A conta de poupança junto à Caixa Econômica Federal (fls. 978 e 1115), no valor de R$ 695.197,79 visou atender aos reclamantes que não foram identificados naquela data e que seriam pagos posteriormente, à medida que fossem localizados, ou seus herdeiros. O extrato da conta de poupança à fl. 981 mostraria o esgotamento dos pagamentos aos reclamantes na ação trabalhista. Os valores depositados nessa conta em 21/08/2007 referemse aos recursos da ação trabalhista e que deveriam ser excluídos da tributação do contribuinte, pois pertencem a terceiros. 5. Não foi excluído do lançamento a transferência do dia 17/07/2007, no valor de R$ 22.119,01, crédito junto ao Banco Itaú, oriundo de TED 151.000 Luiz Gonçag, conforme consta na fls. 70. Teria incorrido em erro ao explicar que o banco código 151 era o banco Nossa Caixa, incorporado pelo Banco do Brasil S.A. Esse valor deve ser excluído do lançamento. 6. Comprovados os valores do item 3, 4 e 5, os créditos passíveis de lançamento restantes seriam de R$ 180.816,91. 7. No caso de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas foi relacionado no auto de infração os valores recebidos de clientes do escritório de advocacia que são beneficiários da ação trabalhista que gerou o levantamento de numerário em 21/08/2007. Afirma que os nomes mencionados pela autoridade fiscal à folha 698 (beneficiários da ação trabalhista e o percentual a que fizeram jus e o valor efetivamente transferido para as respectivas contas bancárias) estão relacionados na tabela que apresentou na fl. 11 do recurso voluntário. Entende que, da forma como foi feito o lançamento tributário, a mesma matéria sofreu tributação de ofício na forma dos rendimentos omitidos pela pessoa física, e na forma dos depósitos bancários de origem não comprovada. Neste caso deveria ser exonerado o total de R$ 470.651,75. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 4 5 8. Não houve verificação da variação patrimonial do contribuinte e ademais, o patrimônio é inexpressivo em face do que foi exigido pela tributação. Desta forma, entende que não se beneficiou da matéria tributável que lhe foi atribuída no valor de R$ 2.158.130,85. 9. Com relação aos rendimentos declarados, não estariam submetidos à legislação do carnêleão. A base de cálculo para a aplicação da multa isolada de 50% foi constituída pelas duas espécies de rendimentos. Cita jurisprudência deste Conselho na qual ficou reconhecida a improcedência da tributação dos rendimentos omitidos recebidos de pessoas físicas, sujeitos à multa de ofício de 75%, se subordinariam também à multa isolada de 50%. Apresenta tabela em que deveriam ser exonerados do lançamento tributário de multa isolada multa 50% do Carnê Leão o valor de R$ 64.714,62, por terem sido já submetidos à multa de 75%. 10. Reconhece o lançamento relativo a recebimentos do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas de Cubatão e Região SinterCub e Sindicato dos Servidores Públicos de São Vicente, no valor de R$ 27.710,00. Informa que já estaria recolhendo os valores incontroversos. 11. Com a manutenção da redução da multa qualificada para 75%, teria ficado descaracterizada a sonegação e, portanto, solicita o arquivamento da Representação Fiscal para Fins Penais n. 15983.720327/201168. É o relatório. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. O contribuinte questiona a quebra do sigilo fiscal. Contudo, a busca de informações confiáveis passíveis de análise pela autoridade tributária considera, de forma legal, a utilização da movimentação bancária, conforme art. 6 da Lei Complementar 105/2001. O assunto encontrase em análise na máxima corte do País, em sede de Repercussão Geral, no processo RE 601314. Contudo, ainda não existe decisão transitada em julgado e, portanto, há que se obedecer os ditames legais vigentes relativamente ao assunto, que considera legal a utilização de tais dados pela autoridade fiscal. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O recorrente alega que o valor de R$ 22.119,01 teria sido originado de uma transferência eletrônica feita pelo mesmo, de outro banco. A indicação do recorrente não foi precisa e, mesmo analisando os extratos bancários acostados ao processo, não foi possível identificar de qual conta bancária teria sido originada tal transferência e, portanto, não se pode exonerar o crédito. O valor foi devidamente relacionado para justificativas no termo à efl. 70 e a justificativa da origem deveria ser mais concisa. Observo ainda que tal fato não fora objeto de impugnação específica e por este motivo, a matéria estaria preclusa. A seguir os dados da transferência bancária sob análise e cuja explicação do recorrente não fora comprovada. Grande parte do lançamento relativo à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada referese aos depósitos efetuados no mês agosto/2007, no valor de R$ 1.475.350,89. O recorrente alega que esses depósitos seriam originários da ação judicial 663/87 e estão analisados nos itens seguintes. Conta de poupança junto à Caixa Econômica Federal (fls. 978 e 1115), no valor de R$ 695.197,79. Conforme a defesa, o extrato da conta de poupança à fl. 981 mostraria o esgotamento dos pagamentos aos reclamantes na ação trabalhista. Os valores depositados Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 5 7 nessa conta em 21/08/2007 referemse aos recursos da ação trabalhista e deveriam ser excluídos da tributação do contribuinte, pois pertencem a terceiros. O ofício n. 214/2011/PAB JUSTIÇA TRABALHO SANTOS/SP, efl. 1111, anexado à impugnação informa, no item 3, que o valor de R$ 695.197,79 depositado na conta 2875.013.7493 com o histórico "DEP.DINH.", em 21/08/2007, teve origem no levantamento do saldo da conta judicial 2875.042.15168939. Ação SABESP processo 663/87 Termo de Audiência à efl. 969 e seguintes. Conforme documento à efl. 959, os valores da ação da SABESP estão atrelados à conta judicial 042/015168939. O valor está relacionado no Termo de Verificação Fiscal. O comprovante de depósito à efl. 1120, no valor de R$ 695.197,79 contém informação de que teria sido depositado valor "em dinheiro", pelo próprio recorrente. A efl. 981 contém o demonstrativo do destino do valor, que, teria sido para pagamento de beneficiários da ação judicial. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Analisando o extrato da conta acima em comparação com o documento à efl. 1006, o pagamento feito à Humberto Barbosa, no dia 27/08/2007, no valor de R$ 31.844,62 e com custo de transferência de R$ 14,00. Exatamente o que consta no extrato acima. Similarmente o depósito relativo ao dia 23/08/2007, no valor de R$ 88.798,60, efl.1067. Documento de depósito à efl. 1068, no valor de R$ 81.754,89. valor comprovação 88.798,60 comprovado efl.. 1067 transferência para Jefferson Dias De Andrade 61.681,26 comprovado efl. 1059 transferência para Clemente Rosa de Jesus 31.844,62 comprovado efl. 1066 transferência para Humberto Barbosa 93.846,90 comprovado efl. 1060 transferência para Antonio Vicente dos Santos 81.754,89 comprovado efl. 1068 transferência para Silas Barreto Dias 30.000,00 não encontrei qualquer recibo 67.852,19 comprovado efl. 1061 transferência Jildete Santos viúva de Ednaldo dos Santos 425.778,46 total comprovado Ao total considerado comprovado, devese ainda incluir as despesas com as respectivas transferências, que, no total, importam em R$ 1.646,01 (R$ 571,81+R$14,00 + R$788,37+ R$14,00 + R$ 257,83). Desta forma, entendo que devem ser exonerados do lançamento tributário R$ 427.424,47 referente ao lançamento feito no mês agosto/2007. O recorrente argumenta que os documentos de fls. 978, 983, 1039 e 1133, vistos conjuntamente dariam a dimensão exata do ocorrido na realização da transferência no dia 21/08/2007, no valor de R$ 761.635,29 para a agência do banco Itaú S/A. Foram anexados ao ofício (efl. 1113) comprovante de TED no valor de R$ 761.635,28 para a conta 024359 no Banco Itaú, ag. 3746, no dia 21/08/2007. O documento contém informação de que a finalidade da transferência é "00033 Levantamento Depósito Judicial", que teria sido remetido pela ag. 2875 SP conta 2875/042/15168939. Assim, não há dúvidas de que esse valor teria sido proveniente da conta judicial da ação da SABESP. Contudo, no extrato da conta para o ano 2007, não foi possível identificar quais dos débitos seriam relativos à pagamento referente à ação judicial da SABESP. Na verdade, o extrato dessa conta se parece com a movimentação de uma conta corrente normal, com diferentes valores, tipos de saques, e depósitos. O recorrente alega que o documento à efl. 1039 juntamente com outros poderia esclarecer o ocorrido. Tal documento referese a uma ordem que teria passado a sra. Rosângela, Gerente da Caixa Econômica Federal relativamente à destinação de valores recebidos: a) do total a ser dividido separar 12% para ele próprio a título de honorários, b) dos 12%, depositar R$100.000,00 na conta corrente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas, e c) o que restar deve ser transferido para a conta do contribuinte no banco Itaú, ag. 3746.1, cc 024359. A tabela a seguir (efl. 983) referese a algumas das retiradas de valores da conta bancária. O extrato completo dessa conta no Banco Itaú está às efl. 5065. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 6 9 Observo que as retiradas são de pequeno valor, exceto dois dos valores R$ 50.000,00 29/08/2007 cheque 00616; R$ 8.300,00, dia 03/09/2007, cheque 163; e cheque 619 no valor de R$ 3.000,00 em 28/08/2007. Desta forma, não foi possível verificar no extrato bancário da conta, anexado aos autos, os valores que teriam sido utilizados para pagamentos à beneficiários da ação 663/87. No caso do item 7 do Relatório acima, omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, a autoridade fiscal relacionou no auto Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 de infração os valores recebidos de clientes do escritório de advocacia que são beneficiários da ação trabalhista que gerou o levantamento de numerário em 21/08/2007. Alguns dos nomes mencionados realmente referemse aos beneficiários da ação trabalhista 663/87, que receberam os direitos diretamente da conta do contribuinte em decorrência deste ter transferido R$ 695.197,79 para a conta particular. Nesse caso, os valores comprovadamente transferidos aos beneficiários da ação (R$ 427.424,47) estão sendo exonerados do lançamento tributário. Convém salientar que, conforme o entendimento sumulado deste Conselho (a seguir transcrito) o lançamento tributário decorrente de depósitos bancários com origem não justificada ou recebimentos não declarados não dependem da comprovação, pelo fisco, do consumo da renda ou de variação patrimonial positiva. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a seguir transcrito, a aplicação de multa isolada sobre o não recolhimento de IRPF devido a título de carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre a mesma base de cálculo. RECURSO ESPECIAL Nº 1.496.354 PR (2014/02967297) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : LIN WING HO ADVOGADO : ALEXANDRE MAURIOS KUHN EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata ". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 7 11 No mesmo sentido, também a seguinte decisão deste Conselho: Acórdão nº 9202003.552 – 2ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. Desta forma, entendo que deve ser exonerado do lançamento o valor relativo à multa isolada aplicada pelo não recolhimento do carnêleão. O fato da autoridade fiscal ter elaborado Representação Fiscal para Fins Penais não necessariamente decorre da qualificação da multa de ofício. Mais ainda, este Conselho não tem competência para analisar Representação Fiscal para Fins Penais. Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e por dar provimento parcial ao recurso para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por referirse a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnê leão. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10380.011870/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
FINOR. INCENTIVO FISCAL. PRAZO E REQUISITOS.
A opção para usufruto do incentivo apresentada intempestivamente não produz efeitos jurídicos, razão pela qual deve ser indeferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC.
Numero da decisão: 1201-001.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ronaldo Apelbaum, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 FINOR. INCENTIVO FISCAL. PRAZO E REQUISITOS. A opção para usufruto do incentivo apresentada intempestivamente não produz efeitos jurídicos, razão pela qual deve ser indeferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ronaldo Apelbaum, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 18 70 /2 00 3- 91 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 2001, que foi indeferido pela autoridade fiscal da Delegacia de Fortaleza, mediante Despacho Decisório de fls. 80. Conforme documento de fls. 58, foi emitido o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais IRPJ/2001, relativo à interessada, que alterou o valor aplicado a título de incentivo, posto que considerada sem efeito a opção exercida na DIPJ, que foi entregue depois do prazo legal, 02 de maio de 2001. Com efeito, o documento de fls. 63 atesta que houve redução do valor devido ao recolhimento incompleto do imposto, considerado sem efeito o DARF posterior a 02 de maio de 2001. Em 26 de novembro de 2003, a interessada ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, dirigido à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE. O pleito, como visto, foi indeferido sob o fundamento de que a data limite para as pessoas jurídicas não enquadradas nas condições previstas no art. 9o, da Lei n. 8.167/91 usufruir do aludido benefício fiscal finalizou em 02 de maio de 2001, ao passo que a DIPJ do período foi entregue somente em 29 de junho daquele ano. Assim, não houve o recolhimento do incentivo por meio de DARF, conforme demonstrado às fls. 72/73. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 10 de março de 2005, a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido, com base nos seguintes argumentos: INSUBSISTÊNCIA DO INDEFERIMENTO Quanto às alterações trazidas pelas Medidas Provisórias n° 2.145, de 02/05/2001, 2.1565, de 24/08/2001 e 2.199, de 24/08/2001, que revogou de forma expressa a legislação que disciplina o gozo dos incentivos fiscais, verificase que tal revogação não alcança os benefícios aqui tratados. Com efeito, temse que os incentivos fiscais ora buscados, estão vinculados à regra descrita no art. 32, inciso XVIII, da Medida Provisória n° 2.1565/2001, que ressalvou o direito para as pessoas que atendessem os requisitos estabelecidos, in verbis: Art. 32. Ficam revogados: (...) XVIII o art. 18 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, ressalvado o direito previsto no art. 9o da Lei n. 8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tendam exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 4 3 Em sessão de 24 de novembro de 2005, a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Fortaleza decidiu, por unanimidade de votos, indeferir o pleito da interessada. Contra a decisão foi interposto Recurso Voluntário, no qual a interessada repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Em 29 de março de 2007, a antiga 8a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou a Resolução n. 10800.429, com relatoria do Conselheiro Nelson Lósso Filho, pela qual decidiuse converter o julgamento em diligência, ante o argumento de que não era possível averiguar se o Recurso Voluntário fora interposto dentro do prazo legal. Após errôneo envio ao arquivo, a Delegacia de Fortaleza, em resposta à diligência formulada, informou: O presente processo foi devolvido a este Seort/DRF/FOR para que fosse informado a data de ciência pela contribuinte do Acórdão da DRJ/FOR recorrido. Informamos que, conforme lista de postagem de fls. 127, foi enviado o Acórdão para ciência ao contribuinte em 12/01/2006, no entanto, não nos foi devolvido o AR pelos correios. Desta forma, proponho o retorno do presente processo ao CARF/MF. Os autos retornaram a este Conselho e, depois de repassados a outros Conselheiros, foram finalmente sorteados para este Relator. Em março de 2015 a empresa anexou novas informações e documentos, que são recebidos a título de memoriais. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator A primeira matéria que se coloca diz respeito justamente à tempestividade do Recurso Voluntário, que foi questionada mediante Resolução deste Conselho, sendo certo que a resposta à diligência não pode ser tomada como conclusiva. Explicamos: embora a Delegacia de origem ateste, mediante despacho de fls. 142, que o processo foi encaminhado para ciência do contribuinte em 12 de janeiro de 2006, o documento que consta dos autos (fls. 127) não nos permite concluir, sem margem para dúvidas, qual seria a data em que o interessado efetivamente tomou ciência da decisão de 1a instância. Como a autoridade fiscal informa que não foi devolvido o correspondente AR entendo, em homenagem ao princípio da razoabilidade e das garantias ao contraditório e à Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 5 4 ampla defesa, que o Recurso deve ser recebido como tempestivo, até porque assim foi originalmente encaminhado a este Conselho. Resolvida esta questão preliminar, passamos à análise do mérito. Como visto, a Recorrente ingressou em 26 de novembro de 2003 com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, dirigido à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, que indeferiu a pretensão sob o argumento de que o prazo para usufruto do benefício havia expirado. A matriz legal da decisão foi assim descrita: Com relação à ocorrência, impende citar o art. 50 da Medida Provisória (MP) n° 2.145, de 2 de maio de 2001, a Lei n° 8.167/1991, a Medida Provisória (MP) 2.1565, de 24 de agosto de 2001 e a Medida Provisória 2.199, de 24 de agosto de 2001, que dispõem sobre o assunto o seguinte: MP n° 2.145/2001 Art. 50. Ficam revogados: (...) XVIII o inciso I do art. 1o da Lei n. 8.167, de 16 de abril de 1991; XX o art. 18 da Lei n. 4.239, de 27 de junho de 1963, e a alínea "b" do art. 1° do DecretoLei n. 756, de 11 de agosto de 1989, ressalvado o direito previsto no art. 9o da Lei n. 8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Lei n. 8.167/1991 Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao períodobase de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) (DecretoLei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo (Funres) (DecretoLei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V); Art. 9o As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham peio menos cinqüenta e um por cento do capital votante de empreendimento de setor da economia considerado, peio Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1°, inciso I. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 6 5 MP n. 2.199/2001 Art. 18. Revogase o art. 4o da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, ressalvado o disposto nos arts. 32, inciso XVIII, da Medida Provisória n. 2.1565 e 32, inciso IV, da Medida Provisória n. 2.1575, ambas de 24 de agosto de 2001. MP n. 2.1565/2001 Art. 32. Ficam revogados: (...) XVIII o art. 18 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, ressalvado o direito previsto no art. 9o da Lei n. 8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Verificase que o benefício fiscal outrora concedido também era regulado pelo artigo 4o da Lei n. 9.532/97, posteriormente revogado pela Medida Provisória n. 2.199 14/2001. Assim, entendeu a autoridade de origem que a datalimite para usufruto do benefício seria 02 de maio de 2001, pois a MP n. 2.145/2001, publicada em 03 de maio, revogou expressamente a legislação que regia a matéria. Por seu turno, alega a Recorrente que não se enquadraria na hipótese citada pela autoridade fiscal, pois estaria amparada por situação excepcional (grupo de empresa com projeto aprovado e que destina 70% ou mais dos seus recursos em incentivos fiscais destinados ao desenvolvimento do Fundo de Investimento do Nordeste FINOR). Conquanto a interessada tenha apresentado documentos posteriormente, a título de memoriais, inclusive com decisão do STJ parcialmente favorável em Mandado de Segurança para outra empresa do Grupo (apenas para conceder a apreciação do Projeto), entendo que não lhe assiste razão. À luz dos documentos acostados aos autos penso que não está comprovada a relação de causa e efeito que vincularia a decisão mandamental em favor da holding do Grupo Queiroz Galvão e da empresa Esmalte S/A ao debate aqui travado, posto que são entidades totalmente distintas, notadamente quando à atividade, operação e objetivos. Pareceme que o entendimento jurídico esposado pela autoridade fiscal e posteriormente confirmado pela decisão de primeira instância está correto. Isso porque a interessada não fez, tempestivamente, a opção à época possível, pois entregou sua declaração de IRPJ em 29 de junho de 2001, depois do prazo previsto pela legislação. Ademais, a autoridade fiscal atesta que não houve recolhimento do incentivo mediante DARF, conforme extrato do SINAL, de fls. 72/73, circunstância não contestada pela empresa. Como também considero inaplicável, por falta de comprovação, a ressalva contida no artigo 32 da MP n. 2.1565/2001, a conclusão é que a Recorrente não faz jus à Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 7 6 ordem de emissão adicional para o FINOR, razão pela qual mantenho integralmente a decisão recorrida. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10530.721002/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
ISENÇÃO. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
Numero da decisão: 2301-004.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 10 02 /2 01 4- 13 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0435.566, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Campo Grande (fls. 48 a 54 – numeração dos autos eletrônicos), o qual julgou improcedente impugnação contra lançamento de ofício de imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) do exercício 2011, anocalendário 2010, formalizado por notificação de lançamento (fls. 18 a 21), decorrente da revisão de declaração de ajuste anual (DAA), na qual foi apurado imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora, totalizando crédito tributário de R$14.102,56. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fl. 19), a autoridade fiscal informou, em suma, que, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras em declaração do imposto sobre a renda retido na fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$93.252,63, recebidos do Banco do Brasil S/A e da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). No resultado da solicitação de retificação de lançamento (SRL) (fl. 25), consta que houve o indeferimento do pleito, “restando não comprovados os valores informados pelo contribuinte”; em complemento, constou informação de que a legislação condiciona a isenção do IR à verificação cumulativa de três situações: (I) que o contribuinte seja portador de qualquer das doenças relacionadas na legislação; (II) que a comprovação desta condição se dê por laudo médico oficial; (III) que os rendimentos auferidos sejam da inatividade. Na impugnação (fl. 02), o interessado alegou, em síntese, que todos seus rendimentos são isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, e que o Banco do Brasil incluiu indevidamente nos rendimentos tributáveis seus proventos de aposentadoria, que deveriam ser informados como rendimentos isentos e não tributáveis. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e seu acórdão recebeu a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos de imposto de renda os proventos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave especificada na legislação em vigor. Para o reconhecimento do direito à essa isenção, além da apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial que reconheça ser o contribuinte portador de uma das doenças que permite a isenção do imposto e que indique expressamente a data em que essa foi contraída, há necessidade de comprovar que o rendimento auferido se refere a proventos de aposentadoria. A ciência dessa decisão ocorreu em 12/06/2014 (fl. 57). Em 11/07/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 58 a 71), no qual foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação, e foi pedido o cancelamento da notificação de lançamento e o reconhecimento da isenção por moléstia grave. O processo foi distribuído para este relator em 12/03/2015 (fl. 87). Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.721002/201413 Acórdão n.º 2301004.370 S2C3T1 Fl. 89 3 É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÕES DE MÉRITO ISENÇÃO DO PROVENTOS DE APOSENTADORIA DOS PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE A lide gira em torno de se identificar se os rendimentos do recorrente seriam isentos ou não, por se tratarem de proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave. A matéria é regulada pelo o art. 6º, XIV e XXI da Lei 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541, de 1992 e alterações da Lei 11.052, de 2004: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Grifouse.) A partir do anocalendário 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições do art. 30 da Lei 9.250, de 1995: Art. 30 A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. (Grifouse.) O assunto foi regulamentado pelos incisos XXXI e XXXIII do art. 39 do Decreto 3000, de 1999 (RIR/1999), e §§ 4º e 5º, a seguir transcritos: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo,exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão; (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (Grifouse.) Assim, verificase que a legislação, a partir de 1996, condiciona a isenção em apreço ao cumprimento cumulativo de três requisitos: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.721002/201413 Acórdão n.º 2301004.370 S2C3T1 Fl. 90 5 (1) que o contribuinte seja portador de alguma das doenças especificadas no art. 6º, XIV, da Lei 7.713, de 1988; (2) que a comprovação dessa condição se dê por laudo médico emitido por serviço médico oficial dos entes federativos (art. 30 da Lei 9.250, de 1995); e (3) que os proventos auferidos advenham da inatividade (aposentadoria, reforma ou pensão) (art. 6º, XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988). Nesse sentido, a Súmula CARF 63: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em apreço, o contribuinte apresentou laudo médico expedido pela Secretaria Municipal de Saúde de Barreiras/BA, datado de 17/01/2014 (fl. 05). Está atendido o requisito correspondente à formalidade do laudo. Tal laudo descreve ser o contribuinte portador do seguinte quadro clínico: (a) “cardiopatia isquêmica grave CID 10125.1”; (b) “infarto agudo do miocárdio 24 de novembro de 2001” e (c) “angioplastia em 04/12/2001”. A presença de doença especificada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713, de 1988, a “cardiopatia grave” é atestada literalmente: “cardiopatia isquêmica grave”. A data de sua manifestação maior – o infarto agudo do miocárdio – também está expressa: 24/11/2001. Resta cumprido, assim, o requisito correspondente à presença de moléstia grave passível de outorgar a isenção requerida, bem como está definido o termo de início de sua manifestação. Resta estabelecer a origem dos rendimentos. Desses, somente serão isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, sendo tributados os outros. Não há quaisquer dúvidas que o contribuinte foi aposentado pelo INSS em 09/04/2007 (carta de concessão de aposentadoria concedida pelo INSS, fl. 07); não foi esclarecido, porém, se a referida aposentadoria se refere ou não à atividade exercida junto ao Banco do Brasil; ressaltese que a concessão da aposentadoria pelo INSS não impede, em tese, a continuidade da prestação de trabalho ao Banco do Brasil, uma vem que a aposentadoria pode ter sido concedida em relação a outra atividade. O próprio contribuinte afirma e reafirma, em seu recurso voluntário, que a origem dos recursos recebidos do Banco do Brasil é a prestação de salário assalariado (fls. 63, 2º parágrafo e 7071, itens 13 e 14). Segundo o recorrente, os proventos de aposentadoria se referem ao montante recebido da Caixa de Previdência dos Funcionários do Branco do Brasil (fls. 63, 1º parágrafo e 7071, item 14): Desse modo, entendo que deve ser adotada a seguinte solução: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 (1) em relação ao trabalho assalariado junto ao Banco do Brasil – não há isenção em relação a tais rendimentos, uma vez que não são rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão (art. 6º, XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988), pelo que está correta a glosa dos rendimentos tributáveis, no montante de R$65.987,91 auferidos do Banco do Brasil, CNPJ 00.000.000/000191; (2) atinente aos rendimentos pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Branco do Brasil (Previ), entendo ter restado comprovado serem proventos de aposentadoria a que se refere a carta de concessão de aposentadoria emitida pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) (fl. 07); em relação a tais rendimentos, estão cumpridos os requisitos para a isenção requerida. A data da aposentadoria, 09/04/2007, é comprovada pela referida carta de concessão de aposentadoria (fl. 07); os rendimentos da inatividade lhe são repassados pela Previ, como demonstra o documento pelo qual a Caixa de Assistência do Banco do Brasil (Cassi) informa que encaminha para a Previ, “em resposta a sua requisição de isenção de Imposto de Renda”, “a confirmação do enquadramento de sua patologia dentre aquelas previstas no artigo 5º inciso XII da SRF nº 15 de 06 de fevereiro de 2001 e artigo 1º da Lei 11.052 de 29 de dezembro de 2004” (fl. 44). Desse modo, ficou comprovado que os valores recebidos pela Previ em 2010, R$27.264,72, são isentos do imposto sobre a renda, sendo irrelevante, para fins da isenção, que a fonte pagadora tenha indicado, em DIRF, tais rendimentos como tributáveis. Por fim, o contribuinte declara, sem apresentar documentos comprobatórios, que pagou saldo do IRPF, relativo ao exercício em questão (apurado na DAA/2011, retificada), no total de R$6.438,06 (fl. 60). Não há registro de tais pagamentos no demonstrativo de apuração do imposto devido da notificação de lançamento (fl. 20); sua existência deve ser verificada pela unidade preparadora e, caso comprovado o pagamento, deve compor o cálculo do imposto suplementar. Voto, portanto, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar do lançamento a base de cálculo do imposto o valor correspondente aos proventos de aposentadoria recebidos da Previ, CNPJ 33.754.482/000124, no montante de R$27.264,72. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720619/2010-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 19 /2 01 0- 83 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 160), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Cofins nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010, conforme AR juntado ao processo. Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise, pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720619/201083 Acórdão n.º 3802002.305 S3TE02 Fl. 162 3 pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 131 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 160), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2009. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 91 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 131 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720619/201083 Acórdão n.º 3802002.305 S3TE02 Fl. 163 5 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720619/201083 Acórdão n.º 3802002.305 S3TE02 Fl. 164 7 pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 12448.724712/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
Ementa:
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA.
A falta de apresentação, à autoridade tributária, dos livros e documentos da escrituração contábil, autoriza o arbitramento do lucro. No caso vertente, encontram-se reunidos aos autos elementos suficientes à comprovação de que a autoridade fiscal intimou a autuada, reiterada vezes, a apresentar a sua escrituração e documentação de suporte, de modo que, afastada a possibilidade de aferição do lucro real, o arbitramento do lucro revela-se absolutamente procedente.
Numero da decisão: 1301-001.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PROCEDÊNCIA. A falta de apresentação, à autoridade tributária, dos livros e documentos da escrituração contábil, autoriza o arbitramento do lucro. No caso vertente, encontramse reunidos aos autos elementos suficientes à comprovação de que a autoridade fiscal intimou a autuada, reiterada vezes, a apresentar a sua escrituração e documentação de suporte, de modo que, afastada a possibilidade de aferição do lucro real, o arbitramento do lucro revelase absolutamente procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 47 12 /2 01 4- 51 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 388 2 Relatório MAXIMOS ALIMENTOS LTDA ME, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao ano calendário de 2010, formalizadas a partir do arbitramento do lucro. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal, fls. 192/227. Sirvome de fragmentos do Relatório constante na decisão de primeira instância para apresentar os argumentos trazidos pela autuada em sede de impugnação. [...] Ciente em 5 de junho de 2014, (fl. 139), a interessada apresentou, em 18 de junho de 2014, sua impugnação de fls. 192 a 227, fazendo referência expressa ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.08.002013007586 e alegando, em resumo, o que segue. Data venia, inverossímil a afirmação da ilustre fiscal firmada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, pois além dos registros eletrônicos também foram apresentados os livros físicos o que por si só, daria para a fiscal determinar o Lucro da Empresa trimestral e anual, sendo discipiendo (sic) a afirmação de que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável. Data máxima permissa vênia, mas de onde a fiscal tirou isto? No Termo de Verificação Fiscal o próprio agente do fisco informa que o ECD do anocalendário de 2010 encontravase com situação "sobexigência" obviamente por si só isto justifica que toda a escrita contábil e fiscal do contribuinte foi transmitida no tempo determinado pela legislação vigente. Informa ainda a fiscal que o contribuinte disponibilizou conforme carta em anexo a 4ª alteração contratual, LALUR e memória de cálculo da DIPJ do ano calendário de 2010, e anexo tela informando o motivo da exigência do SPED Contábil, onde Data vênia, se lê que a exigência e por problemas técnicos na JUCERJA Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, e não por culpa do contribuinte, que não pode ser prejudicado por motivo que não deu causa. [...] A página 03 do Termo de Verificação Fiscal o próprio agente fiscal informa que o contribuinte apresentou o Livro de Registro de Entradas, e os arquivos PDF Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 389 3 dos meses de Janeiro a dezembro de 2010 e ainda demonstrativo Movimentação de Estoques do Período de Janeiro a dezembro de 2010. Data vênia, tudo o que foi intimado, foi em tempo hábil apresentado ao fiscal conforme ele próprio reproduz no Termo de Verificação Fiscal, daí perguntase. Por que considerar imprestável para determinação do Lucro Real, a contabilidade da firma? Por capricho próprio da Fiscal? Por não querer perder tempo em analisar os dados apresentados? São perguntas que no esdrúxulo auto de infração não são respondidos, levando o autuado a ter o seu direito elementar da Ampla Defesa e do Contraditório consignado na nossa Constituição Federal ofendidos de forma brutal. Mais esdrúxulo ainda e o constante na Fls. 03 do Auto de Infração, onde diz: "Pela análise da ECD do anocalendário de 2010, das Nfe e Entradas, do Livro Registro de Entradas, e das respostas apresentadas, verificamos o que segue: saldo credor da conta caixa. Tal afirmação feita no auto de infração e que reproduzimos acima, constitui uma aberração, se não vejamos: A interessada faz diversas considerações sobre o tema “saldo credor de caixa” e prossegue: As fls. do Termo de Verificação Fiscal, alega a fiscal que os livros auxiliares não foram apresentados, tendo sido apresentado apenas o livro Registro de Inventário. Data vênia, mas isto não e verdade, pois o Termo de Devolução prova que todos os livros auxiliares, foram apresentados, o termo diz que foram devolvidos os seguintes livros (cópia em anexo do Termo de devolução dos livros) [...]. Exclama a impugnante: Data máxima permissa vênia, mas não age com lisura e com a verdade o ilustre fiscal autuante, pois diz em seu auto de infração que o contribuinte não apresentou os livros fiscais auxiliares [...]. Porque a falsa informação comprovada documentalmente no auto de infração, a que título isto foi feito? O que deseja a fiscal? Ainda as Fls. o fiscal afirma que o Ativo não confere com o total do Passivo, [...]. Volta a dissertar sobre a natureza da conta Caixa e sobre “contrato de Conta Garantida Cédula de Crédito Bancário”, e daí infere que seja “totalmente sem cabimento a afirmação e lógica do ilustre fiscal”. Afirma ser “absurdo flagrante [...] a afirmação as fls. de que não foi identificado recolhimento de PIS e COFINS não cumulativos”. Aduz que [...] o lucro só pode ser arbitrado na forma do art. 530, inciso I e II e este descumprimento não houve in casu, pois todos os livros auxiliares e principais foram escriturados na forma da Legislação vigente e apresentados à fiscalização como aqui ficou provado, não ensejando a desclassificação da escrituração e o arbitramento, devendo tal auto de infração ser CANCELADO. Manifesta seu inconformismo contra a quebra de sigilo bancário e maldiz o artigo 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, argumentando que Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 390 4 os procedimentos administrativos calcados neste dispositivo legal devam sobrestar até pronunciamento da Suprema Corte. Opõese à possibilidade da sujeição passiva solidária em matéria tributária. Assegura que houve afronta a preceito constitucional, por entender que a exigência haja sido formalizada em "Termo de Constatação Fiscal" e não em Auto de Infração, o que caracterizaria “abuso de autoridade” . Mais uma vez em tese, entende que seria inadequado oferecerse “representação para fins penais, antes do trânsito em julgado da matéria administrativa”, bem como se opõe à possibilidade de um contribuinte vir a ser intimado por edital publicado em Diário Oficial. A já referida 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0261.497, de 30 de outubro de 2014, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: APURAÇÃO O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa, se este for o caso. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 267/281, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 391 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao ano calendário de 2010, formalizadas a partir do arbitramento do lucro. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 128/138, temos que: i) por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal a contribuinte foi intimada a apresentar contrato social e alterações, livros contábeis e fiscais, balancetes mensais, memórias de cálculo relacionados à DIPJ/2011, DACON/2010 e a promover os ajustes necessários a afastar as exigências impeditivas da homologação dos arquivos digitais SPED e FCONT transmitidos por ela; ii) em razão da não apresentação da documentação e dos ajustes requeridos, foram lavrados outros quatro Termo de Intimação reiterando o pedido; iii) por meio do Termo de Intimação nº 5, a contribuinte foi alertada de que a falta de apresentação da escrituração devidamente validada e homologada, bem como da documentação comercial e fiscal de suporte, de modo a possibilitar a aferição do lucro real, poderia ensejar o arbitramento do lucro; iv) em resposta, a contribuinte solicitou concessão de prazo de trinta dias para apresentação dos documentos solicitados, sendo dado deferimento do prazo de quinze dias; v) diante do não atendimento por parte da contribuinte, novo Termo de Intimação foi lavrado (Termo de Intimação nº 6); vi) em resposta, a contribuinte solicitou, mais uma vez, prorrogação do prazo em trinta dias, sendo ele, novamente, deferido por quinze dias; vii) nova intimação foi lavrada, ocasião em que outros documentos foram solicitados (Termo de Intimação nº 7); viii) por meio de comparecimento de representante à repartição fiscal, a contribuinte informou que, em virtude de incongruências e equívocos na escrituração das suas operações, o SPED/ECD não foi homologado pela JUCERJA, mas que estaria providenciando as correções; ix) registra a autoridade fiscal: [...] Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 392 6 O sujeito passivo formalizou apenas uma resposta evasiva, limitandose a informar que estava providenciando junto à JUCERJA a regularização das pendências do SPED/ECD e também não entregou a documentação fiscal, apenas apresentando o contrato social com as suas posteriores alterações. Assim nenhuma resposta adicional foi apresentada pelo sujeito passivo que, ao assim proceder, deixou de apresentar: os documentos fiscais e comerciais (solicitados pela fiscalização) imprescindíveis à comprovação dos custos e despesas por ele apropriado (notas fiscais, recibos, contratos e outros comprovantes idôneos de efeito equivalente hábeis à comprovação dos custos e despesas lançados nas fichas 04 A e 05 A da DIPJ 2011/10); os documentos comprobatórios dos valores escriturados em seu passivo (ficha 37 A da DIPJ 2011/2010); e demais documentos, demonstrativos e memórias de cálculo solicitadas pela fiscalização. De se notar, ainda, que o sujeito passivo, apesar de informar que estava providenciando junto a JUCERJA a regularização das pendências do SPED/ECD, até a presente data não regularizou a situação dos seus arquivos contábeis digitais SPED ECD (AC 2010), mesmo lhe sendo concedido o prazo legalmente estabelecido para tal (Termo de Intimação 01, reiterado através dos Termos de Intimação Fiscal 02 e 03). O silêncio do sujeito passivo impediu o exame e comprovação dos custos e despesas e demais aspectos mencionados nas intimações fiscais, em face da absoluta ausência de apresentação da contabilidade social e da documentação comprobatória pertinente, terminando por inviabilizar a adequada apuração do lucro do exercício e, por consequência, a apuração da base de cálculo do IRPJ com base no lucro real (o mesmo se verificando em relação à CSLL), restando inevitável a apuração das bases de cálculo destes tributos mediante arbitramento com base na receita conhecida (declarada), nos termos da legislação de regência. O elevado valor das despesas, custos e demais itens objeto da auditoria e sua expressiva participação no conjunto de custos/despesas da fiscalizada impedem a simples glosa (por falta de adequada comprovação) de tais despesas/custos na apuração do lucro real, afastando esta modalidade de apuração, já que a base de incidência do tributo é o lucro que resulta do indispensável confronto entre as receitas e custos/despesas do período, obedecidos os ajustes (adições e exclusões) previstos na legislação. Assim, inviabilizada a comprovação de parcela substancial das despesas e custos, resta inevitável a apuração do lucro mediante arbitramento, na forma da lei. [...] Isto posto, diante da falta dos documentos fiscais e comerciais imprescindíveis à comprovação de parcela significativa das despesas e custos considerados na apuração do lucro real configurase a hipótese de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica mediante arbitramento (com base na receita conhecida), a teor do disposto nos arts. 530 III; 531; e 532, todos do Decreto n°. 3000/99 RIR/99... x) o arbitramento foi promovido com base na receita bruta conhecida, eis que declarada pela própria contribuinte na DIPJ/2011, enquanto a distribuição delas por cada um dos meses do ano foi obtida por meio da escrituração digital contábil que, embora não homologada, guardou compatibilidade com o registrado na referida DIPJ (esclareceu a autoridade fiscal que não foram utilizados os dados da DACON, vez que estes eram divergentes dos consignados na DIPJ); Fl. 392DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 393 7 xi) os valores lançados em DCTF foram aproveitados em benefício da fiscalizada. Na medida em que no recurso voluntário a Recorrente limitase a repisar argumentos que havia apresentado na sua peça impugnatória, penso que seja oportuno transcrever a apreciação feita em primeira instância acerca da referida argumentação. [...] A interessada afirma que a exigência teria sido formalizada em "Termo de Constatação Fiscal" e não em Auto de Infração; porém, um simples olhar às peças processuais de fls. 139 a 179 demonstra que os lançamentos de ofício ora examinados foram lavrados em Autos de Infração, em conformidade com o disposto no artigo 9º do mesmo Decreto n.º 70.235, de 1972: ... Superada esta objeção, constatase que o arrazoado de defesa pouco tem em comum com a autuação, exceto pela correta menção ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.08.002013007586 e por alguns outros poucos temas. Efetivamente, nem o Auto de Infração nem o Termo de Verificação Fiscal (TVF) abordam diversos tópicos sobre os quais a impugnante se derrama em erudição e verve, como “saldo credor de caixa”, supostas divergências entre Ativo e Passivo, “Cédula de Crédito Bancário”, quebra de sigilo bancário, sujeição passiva solidária, “representação para fins penais”, intimação por edital, etc. Uma vez que nada disto foi sequer mencionado pelo Autor do feito, não cabe seu exame, em atenção ao que reza o artigo 2º do Decreto n.º 70.235, de 1972: ... Em outros pontos, a impugnante aflora levemente a matéria da autuação, e, assim, cumpre examinálos. Demonstrando notável capacidade de enrijecer os músculos da face, chega ao absurdo de atribuir ao Autor do feito a recusa ao exame de livros e documentos aqueles mesmos que o Autor não poderia examinar, pois ela não os apresentou. Nesta linha, afirma que “todos os livros auxiliares e principais foram escriturados na forma da Legislação vigente e apresentados à fiscalização” e fantasia, sem o menor pudor, declarações que o Autor do feito jamais fez, como as abaixo transcritas e muitas outras mais: Informa ainda a fiscal que o contribuinte disponibilizou conforme carta em anexo a 4ª alteração contratual, LALUR [...] [...] o próprio agente fiscal informa que o contribuinte apresentou o Livro de Registro de Entradas, e os arquivos PDF dos meses de Janeiro a dezembro de 2010 e ainda demonstrativo Movimentação de Estoques do Período de Janeiro a dezembro de 2010. [...] o Termo de Devolução prova que todos os livros auxiliares, foram apresentados, o termo diz que foram devolvidos os seguintes livros (cópia em anexo do Termo de devolução dos livros) [...]. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 394 8 É desnecessário observar que os Autos de Infração, o Termo de Verificação Fiscal e o Termo de Encerramento de fl. 186 não contêm qualquer observação que seja vagamente semelhante a isto. Uma vez que a interessada descumpriu as reiteradas intimações a apresentar os livros e documentos necessários à ação fiscal (a qual ela que tentou obstar valendose da “absoluta ausência de apresentação da contabilidade social e da documentação comprobatória pertinente”), aplicase ao caso o disposto nos artigos 530, inciso III; 531; e 532, todos do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 RIR/1999: ... Observese, ademais, que a impugnante não contesta a base de cálculo do imposto nem os cálculos levados a efeito pela Autoridade lançadora; logo, tratase de matéria não litigiosa, a teor do artigo 17 do Decreto n.º 70.235, de 1972: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por fim, cabe salientar que a jurisprudência e a doutrina apresentadas pela interessada não gozam do status de legislação tributária, nos termos dos artigos 96 a 100 do CTN. Em assim sucedendo, encaminho meu voto por considerar improcedente a impugnação ora em exame. Irretocável, a meu ver, o decidido em primeira instância. De fato, a ora Recorrente, adotando idêntica argumentação da peça impugnatória, tece considerações acerca de matérias que não guardam qualquer relação com as que foram tratadas no presente processo (saldo credor de caixa; livros fiscais auxiliares; "quebra" de sigilo bancário; sujeição passiva solidária; crime tributário) e, quando tangencia questões que se aproximam das que serviram de suporte para os lançamentos tributários, faz referência a fatos que não encontram qualquer respaldo nos elementos carreados ao processo (informações em Termo de Devolução; apresentação de "livros físicos"; afirmações da autoridade autuante; registros no Termo de Verificação Fiscal; constituição do crédito tributário por meio de Termo de Constatação Fiscal). Não custa ressaltar que, diferentemente do afirmado pela Recorrente, o arbitramento do lucro se deu em virtude da ausência de apresentação de escrituração regular e respectiva documentação de suporte, não tendo havido decretação da sua imprestabilidade. Absolutamente improcedentes, a meu ver, os argumentos trazidos pela Recorrente, razão pela qual conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 395 9 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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