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Numero do processo: 10783.901138/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. INSUMOS. PROVA
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 os as aquisições de insumos não comprovadamente terem sido consumidos no processo produtivo. Quanto à energia elétrica aplica-se a Súmula nº 12 do Conselho de Contribuintes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO- Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 21/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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INSUMOS. PROVA Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 os as aquisições de insumos não comprovadamente terem sido consumidos no processo produtivo. Quanto à energia elétrica aplicase a Súmula nº 12 do Conselho de Contribuintes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 21/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 11 38 /2 00 6- 15 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida por bem refletir a contenda. “Tratase o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI, relativos ao 1º trimestre do anocalendário de 2003, PER/DCOMP Nº 03951.38897.130803.1.1.017289, fls. 02/108, apurado sob os fundamentos das Leis nºs 9.363, 13/12/1996 e 10.637, de 30/12/2002 (regime nãocumulativo do PIS). O montante requerido foi de R$ 8.670.000,00, utilizado em diversos PER/DCOMPS (declarações de compensação), assim discriminados: PER/DCOMP Código Tributo Valor Tributo Vencimento 07199.45730.280803.1.3.016214 9453 (IRRF) 237.482,36 13/08/2003 11691.47917.290803.1.3.01.0311 9453 391.330,86 13/08/2003 28809.74353.290803.1.3.010060 5706 (IRRF) 861.936,18 13/08/2003 03637.28866.151203.1.3.013890 2172 (Cofins) 3.051.046,33 15/12/2003 16157.06173.291003.1.3.010499 1097 (IPI) 1.612.554,33 30/12/2003 03512.65034.301003.1.3.010106 9453 21.480,00 30/12/2003 12670.15000.301203.1.3.01.3282 9453 21.761,17 30/12/2003 11674.34659.301203.1.3.011285 9453 33.572,36 30/12/2003 03728.22795.301203.1.3.010183 9453 42.961,20 30/12/2003 31493.03128.301203.1.3.013709 9453 99.488,64 30/12/2003 20908.01186.301203.1.3.01.7927 9453 137.298,62 30/12/2003 17713.16031.040304.1.7.016030 (retifica o nº 22303.25716.301203.1.3.012310 9453 134.966,29 30/12/2003 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901138/200615 Acórdão n.º 3302001.636 S3C3T2 Fl. 352 3 Em análise de legitimidade, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Vitória, ES, por meio do Despacho Decisório de fls. 173 – que teve por sustentáculo o trabalho fiscal relatado no Parecer Sefis nº 20/2008, às fls. 162/172 – deferiu integralmente o pedido de ressarcimento, concedendo ao contribuinte o crédito presumido de R$ 8.670.000,00. Todas as Declarações de Compensação vinculadas foram homologadas, segundo Extrato de Encerramento de Processo, às fls. 237/241. No entanto, alguns ajustes foram efetuados no cálculo do incentivo fiscal declarado no Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido. DCP (fls. 109/113) e escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI (fls. 115/124) pelo montante de R$ 9.512.223,35 que o reduziram para R$ 9.159.585,83. Determinouse então que o contribuinte ajustasse sua escrita fiscal, mediante redução de crédito de R$ 352.637,52. Nesse contexto, alguns trechos do Parecer SEFIS nº 20/2008 que serviu de sustentáculo ao Despacho Decisório de fls. 173 são esclarecedores, motivo por que serão a seguir reproduzidos: Por amostragem foram conferidos os valores da Receita de Exportação e da Receita Bruta apresentada pelo contribuinte, assim como a apuração do Custo de materiais consumidos no longo processo de fabricação de placas de aço, estando corretas ambas as apurações feitas pelo contribuinte, Entretanto, apesar da correta apuração dos valores e da precisa medição do consumo de materiais pela e empresa, os fiscais signatários, constataram a inclusão de insumos que, por sua forma de utilização no processo produtivo, não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, nos moldes do Parecer Normativo CST nº 65/79, o que ocasionou uma diferença de R$ 8.996.317,03 (...), em relação ao valores apurados pela requerente, conforme demonstrativo abaixo, para o 1º trimestre de 2003. Todavia, considerando que o valor requerido (R$ 8.670.000,00) era inferior ao valor escriturado (vide fls. 161 – R$ 9.512.223.35) e, este, por seu turno superior ao apurado pela Fiscalização (R$ 9.159.585,83), opinouse pelo reconhecimento integral do crédito e a homologação das compensações perpetradas, até o limite do crédito, no montante de R$ 8.670.000,00 (...), e com ajustes porventura necessários na escrituração fiscal. Isto posto, considerando as informações prestadas pelo contribuinte acerca da forma de utilização dos insumos, bem como as diversas visitas técnicas realizada ao parque fabril da requerente durante esta fiscalização e nas anteriores, assim como, a orientação Parecer nº 99/99, de 23/11/99, emitido pela Divisão de tributação da Superintendência Regional da Receita Federal – 7ª RF, glosamos a parte dos valores relativos aos insumos que não se enquadram nas condições de matériaprima, Fl. 353DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 produto intermediário e materiais de embalagem, a saber: água, energia elétrica, óleo de lavagem de naftaleno, soda cáustica. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 253/271 para peticionar no sentido de que seja reconhecida a recomposição do benefício fiscal em R$ 352.637,52, correspondente à glosa de aquisição de água, energia elétrica, óleo de lavagem de naftaleno e soda cáustica, todos eles indispensáveis ao exercício da atividade industrial da requerente e que, embora não integrem o produto final, são consumidos durante o processo de industrialização; Finalmente, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos não extintos pela compensação, nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o artigo. 151, inc. III do Código Tributário Nacional (CTN).” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, acordaram os Membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade de fls. 253/271. Intimada em 14/03/2011, a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 13/04/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Créditos presumidos IPI – insumos A Requerente alega que a água, a energia elétrica, o óleo de lavagem de naftaleno e a soda cáustica utilizado para industrialização das mercadorias, por ele industrializadas deve ser considerado insumo, para fins de aproveitamento dos créditos presumidos de IPI. Não assiste razão à Recorrente. A Lei 9.363/1996 concedeu à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 enumera os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901138/200615 Acórdão n.º 3302001.636 S3C3T2 Fl. 353 5 “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” De fato, o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras. O objetivo expresso do legislador foi o de estimular as exportações de empresas industriais (produtor exportador) e a atividade industrial interna, mediante o ressarcimento das contribuições Cofins e PIS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo. O crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS constituise incentivo às exportações e tem o intuito de desonerar das exportações o gravame relativo à contribuição ao PIS e COFINS. No presente caso a controvérsia gira em torno do reconhecimento quanto ao benefício fiscal advindo do crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, e consequentemente, de ter o direito de aproveitamento dos créditos presumidos de IPI, provenientes de água, a energia elétrica, o óleo de lavagem de naftaleno e a soda cáustica utilizados na das mercadorias industrializadas. Ocorre que, especificamente, em relação à energia elétrica, a Súmula nº 12 do 2º Conselhos de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, dispõe o seguinte: "Súmula no. 12: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário." Fl. 355DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 No mesmo sentido o E. Superior Tribunal de Justiça já decidiu: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Esta Corte já decidiu que não se pode computar os valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, pois tais substâncias não sofrem ou provocam ação direta mediante contato físico com o produto, de sorte que não integram o conceito de "matérias primas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI. Precedentes: AgRg no REsp 1222847/PR, Ministro Herman Benajmin, Segunda Turma, DJe 01/04/2011; REsp 1049305/PR, Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31/03/2011; AgRg no REsp 1000848/SC, Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 20/10/2010. 2. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1240435. Rel. Min. Benedito Gonçalves. DJe 22.11.2011)” Quanto à água, à soda cáustica e ao óleo de lavagem de naftleno, não restou claro pela prova produzida pelo contribuinte que esses produtos seriam necessários ao processo produtivo, ainda que não se integrem à produção. A recorrente alega à razões de direito, com a qual concordo, porém, afirma ter demonstrado às autoridades fiscais que tais itens fariam parte do processo produtivo, contudo, não apresentou tais explanações a esse Colegiado. Em meu entendimento, caso esses produtos fossem utilizados no processo produtivo, por exemplo, para a manutenção ou limpeza dos equipamentos, entendo que poderia ser objeto do crédito presumido, outrossim, caso sejam produtos por exemplo utilizados na limpeza da planta industrial, não deveria ser objeto de ressarcimento. Isso posto, também quanto a esses produtos, por considerar insuficiente a prova produzida no processo, nego provimento à pretensão do contribuinte. Nestes termos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901138/200615 Acórdão n.º 3302001.636 S3C3T2 Fl. 354 7 É como voto. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012. GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13602.000524/2007-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 02 .0 00 52 4/ 20 07 -4 8 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 04/11, relativo à Contribuição para Programa de Integração Social – PIS , totalizando o crédito tributário de R$ 106.523,92, incluindo juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 05/06. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 06. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 11/19 apresenta os seguintes excertos: Em 23/08/2002 o contribuinte impetrou Mandado de Segurança contra o Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte, processo nº 2002.38.00.0307353/MG, contestando as alterações promovidas na legislação do PIS promovidas pelas MP 18586 e reedições e Lei 9.718/98, e requerendo o direito de continuar a recolher o PIS sobre a folha de salário, fls. 127 a 157. Em 13/06/2003, foi proferida a sentença pelo MM. Juiz Federal Substituto concedendo a segurança para que a impetrante possa recolher as contribuições para o PIS à alíquota de 1%, conforme o disposto no art. 2º, § 1º da Lei nº 9.715/98 e art. 13 da MP 2158 35/2001 c/c o art. 15 da Lei 9.532/95, fls. 158 a 161. A Fazenda Nacional apelou da sentença e atualmente o processo aguarda julgamento da apelação no TRF da 1ª Região, fls. 162. Concluise que a exigibilidade do PIS sobre as receitas decorrentes dos atos cooperativos está suspensa. No âmbito administrativo, visando a esclarecer dúvidas acerca da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica nos atos cooperativos, foi editado o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação – CST nº 38, de 30 de outubro de 1980 que, após definir, em seu item 2.3.1, os atos cooperativos que seguem a conceituação dada pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971. Conforme o item 3.1, as cooperativas de trabalho médico singulares, caso da fiscalizada, se caracterizam por executarem diretamente com os consumidores do trabalho de seus cooperados, potencializando sua forma negocial individual. Ao contratar com terceiros prestação de serviços de pessoas físicas ou jurídicas não associadas, a cooperativa está praticando atos não cooperativos. Está claro a figura do plano de saúde conforme o item V do art. 6º do Estatuto da fiscalizada: “promover outras atividades compatíveis com sua destinação, podendo, para tanto, firmar convênios com hospitais, Fl. 322DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 4 3 laboratórios, serviços de radiologia, clínicas de fisioterapia e outras instituições ligadas à área da saúde”. No estatuto da UNIMEDCL, está claro que os associados são médicos, inscritos no CRM, não se admitindo pessoas jurídicas, como hospitais e laboratórios. A receita auferida com os pagamentos mensais dos clientes do plano de saúde não é a receita dos médicos, pois a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente. Na segunda, é pelo serviço prestado pelo médico ao paciente (cliente do plano de saúde), que a cooperativa paga ao médico os honorários. Assim, é claro que há receitas de naturezas diversas; uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde, e outra auferida pelo associado, em face da prestação específica de serviço médico ao plano de saúde administrado pela cooperativa. Notese, ademais, que pelo fato de os clientes pagarem um plano de saúde, os valores das receitas referemse, indistintamente, aos serviços a eles prestados por associados ou por terceiros, contratados pela cooperativa. Uma cooperativa de médicos atua primordialmente para buscar a captação de clientela para os médicos cooperados. Quando a UNIMEDCL realiza a venda dos chamados “Planos de Saúde” recebe receitas não dos cooperados, mas de pessoas contratadas como usuárias de plano de saúde. No caso em questão, a receita da fiscalizada é fundamentalmente derivada das vendas dos diversos tipos de planos de saúde ofertados à população (atos não cooperativos), conforme se constata na planilha de fls. 50, apresentada pela UNIMEDCL em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal. Exercendo, assim, com habitualidade atividades definidas como atos não cooperativos não admitidos legalmente, passando, pois, a ser tributada como uma empresa comercial qualquer. Analisando os livros fiscais do contribuinte, e a planilha com a base de cálculo do PIS, fls. 50 a 51, verificamos o contribuinte excluiu da base de cálculo os valores referentes às coresponsabilidades cedidas e as variações das provisões técnicas, conforme permissivo do art. 3º, § 9º da Lei 9.718/98. Além disso, excluiu os valores referentes a “Eventos no atendimento de usuários próprios e de outras operadoras” sem qualquer amparo na legislação. Estes valores estão registrados nas contas “2.2.1.1.0.9.01.0.0.0”, “4.4.1.3.8.9.01.1.0.0.07” e “4.1.2.1”. Logo, não havendo amparo legal para a exclusão efetuada, devemos recalcular a base de cálculo do PIS para apurar o correto valor devido. Assim, elaboramos a planilha “Diferenças de PIS a Constituir” na qual apuramos a base de cálculo correta, o valor do PIS devido e Fl. 323DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 5 4 descontamos os valores declarados em DCTF do PIS faturamento, código 8109, e PIS folha de salários, código 8301, apurando as diferenças a serem constituídas, conforme fls. 20 a 21. A exigibilidade do crédito tributário está suspensa sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos. Apesar de entendermos que as receitas da UNIMEDCL são decorrentes de atos nãocooperativos, derivadas de contratos de plano de saúde, o auto de infração será lavrado com a exigibilidade suspensa, pois o contribuinte discute na justiça exatamente esta questão o que seja exatamente atos cooperativos. Cientificado em 17/12/2007 (fls. 04), o interessado apresentou, em 16/01/2008, impugnação ao lançamento da Contribuição para o PIS, conforme arrazoado de fls. 173/196, acompanhado dos documentos de fls. 197/273, com as suas razões de defesa, resumidas a seguir: A fiscalização desconsiderou por completo a realidade jurídico societária da entidade fiscalizada, sociedade cooperativa de trabalho médico, fazendo incidir a tributação sobre atos cooperativos, sobre os quais há regra legal em vigor sobre a não incidência. Foi desconsiderado ainda o status jurídicoeconômico da ora impugnante como operadora de plano de saúde, com registro perante a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, ampliando a base de cálculo da tributação para todos os ingressos da Cooperativa, e na efetivamente sobre sua receita ou faturamento. Como operadora de plano de saúde, a Unimed Conselheiro Lafaiete é mera gestora de recursos de terceiros, que adentram em caráter transitório em seus caixas, pois na realidade não lhe pertence , e sim a seus usuários, cooperados e credenciados. Em razão disso, faz jus às deduções na base de cálculo. A fiscalização incluiu ainda nos autos de infração créditos referentes a período já atingido pelo instituto da decadência qüinqüenal, carentes de exigibilidade legal por parte da Administração Fazendária. Ressaltese estar a ora impugnante amparada inclusive por decisões jurisdicionais que lhe autorizam a realizar as devidas deduções na base de cálculo previstas na lei, equivalentes para ambos os tributos. Pelas razões abaixo aduzidas, fazse mister a revisão do lançamento de ofício realizado pela autoridade administrativa, para se cancelar o auto de infração ou, alternativamente, reduzir a base de cálculo e, conseqüentemente o valor do crédito, juros de mora e multa. Em primeiro lugar, cumpre destacar a inconstitucionalidade da exigência da exação tributária – Cofins(sic) – incidente sobre atos cooperativos. Quando instituída a Contribuição para o financiamento da Seguridade Social, ainda que a Constituição Federal não exigisse expressamente, ela se deu através da edição da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que em seu art. 6º, inciso I, conferia o benefício da isenção para as sociedades cooperativas que observassem ao disposto na legislação específica, quanto aos Atos Cooperativos próprios de sua finalidade. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 6 5 Denominamse “Atos Cooperativos” aqueles praticados entre as sociedades cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, para a consecução de seus objetivos sociais, conforme consagrado no art. 79 da Lei Federal nº 5.764/71. Ocorre que através da edição da Medida Provisória nº 2.15835/2001, o Poder Executivo abusou de seu poder legislativo excepcional e pretendeu revogar a isenção prevista na Lei Complementar nº 70/91, conforme art. 93, inciso II, alínea “a”, do citado instrumento legal. A partir do momento em que a fiscalização desconsiderou a ora impugnante como cooperativa, tributou todos os seus atos, inclusive os cooperativos, tratandoa como sociedade empresária, contrariando todos os dispositivos vigentes, não somente a legislação especial (Lei nº 5.764/71), mas também da expressa disposição do artigo 982, parágrafo único, do Código Civil vigente, que qualifica a cooperativa como sociedade simples, independentemente de seu objeto. A UNIMEDCL é uma cooperativa de trabalho médico, regida pela Lei Federal nº 7.764/71. Segundo o art. 4º dessa Lei, “as cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados”, não focando o capital, mas sim a qualidade pessoal de seus cooperados, pois são eles que atuarão posteriormente e em nome próprio perante terceiros. Vale ressaltar, por oportuno, que o objetivo social para o qual a impugnante foi efetivamente constituída, encontrase estabelecido no art. 6º de seu Estatuto Social, que é a defesa econômica e social e a valorização do trabalho de seus médicos cooperados, promovendo contratos para a prestação de serviços assistenciais médico hospitalares, individuais, familiares e também os coletivos. Considerando que as receitas que aufere são transitórias e pertencentes na realidade a terceiros (cooperados), não havendo acréscimo patrimonial próprio capaz de arcar com os tributos, há verdadeiro confisco por vias indiretas do patrimônio dos médicos que fazem parte do quadro social da cooperativa impugnante. Vale lembrar que a Constituição federal veda expressamente a utilização da tributação como meio de confisco de bens (art. 150, inciso IV), independentemente da forma em que realizado. A hipótese de não incidência tributária, no caso da cooperativa de serviços médicos, em momento algum fica prejudicada pelo fato de receber valores decorrentes de contrato estipulando mensalidade preestabelecida e indivisível de cada beneficiário, com cobertura de consultas médicas e exames laboratoriais, internações, etc., e prevendo a cobrança de acordo com a utilização dos serviços. As exigências centradas no argumento de que atende a usuários não cooperados, não tem o condão de descaracterizála como cooperativa, pois a sua própria razão de existir é para atender as atividades desenvolvidas pelos médicos (seus associados). Em outras palavras, não há em momento algum a prática da mercancia, mas mera viabilização da atividade dos médicos através da celebração dos contratos de plano de saúde, para que os serviços finais Fl. 325DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 7 6 sejam prestados pelo cooperados Ora, um decorre do outro. O médico não presta serviços à cooperativa ou ao plano de saúde, mas é na realidade um profissional autônomo, que atua em nome próprio. A cooperativa é mero instrumento por ele utilizado, que atua como sua mandatária, para fins de intermediação do negocio. Os serviços que a Cooperativa presta aos clientes são através de seus médicos cooperados, ou seja, está ela cumprindo seu objetivo social de angariar trabalho e prestar serviços aos médicos através da intermediação. Devese observar que todos os atos cooperativos são isentos da incidência do PIS e da Cofins, fato esse reconhecido também pelo Eg. TRF da 1ª Região, nos autos do Agravo de Instrumento nº 2007.01.00.0049020/MG, envolvendo a Unimed Conselheiro Lafaiete, ora impugnante, e a Fazenda Pública Federal, oriundo do processo nº 2006.38.00.0388210, no qual se discute matéria semelhante. No que tange ao PIS, especificamente, os fundamentos se equivalem e a matéria também se encontra subjudice, com segurança concedida em favor da ora impugnante nos autos do processo nº 2002.38.00.0307353, que tramitou perante a 1ª Vara Federal de Minas Gerais e hoje se encontra no TRF da 1ª Região. Não obstante, tal fato enseja também a nulidade do presente auto de infração, por ofensa direta e literal ao disposto no art. 62 do Decreto nº 70235/72. Além de ser constituída sob a modalidade de sociedade cooperativa, o que por si já lhe conferiria tratamento tributário diferenciado das demais espécies societárias, principalmente as empresariais, a ora impugnante é também uma Operadora de Planos de Saúde, no viés econômico, como forma de atingir o mercado consumidor de tais serviços e intermediálos entre estes e seus médicos cooperados para o cumprimento de seu objetivo social, tal como permite o §2º do art. 1º da Lei Federal nº 9.656/98. Tenhase que a operadora de planos de saúde nada mais é do que entidade que recebe dinheiro do usuário, gerencia tais recursos e devolve esse montante aos usuários no futuro através de serviço (dos médicos e credenciados). É por essa constatação que se percebe que grande parte dos ingressos da operadora não lhe pertence, eis que retornará ao usuário. Pretender tributar toda essa entrada é atingir o próprio recurso do usuário, além de negar a lógica de funcionamento das operadoras. A operadora se remunera pela comissão/taxa de administração, que é uma realidade totalmente distinta das “entradas” totais. Faturamento ou receita, como visto anteriormente, é aquilo que ingressa nos cofres da pessoa jurídica de direito privado e nele permanece, alterando ou modificando o seu quantitativo para a ampliação do patrimônio jurídico da entidade. Tal previsão normativa reforça a idéia de que nem tudo o que agrega ao caixa de tais entidades representa efetivamente receita, mesmo porque parte de tais valores é transmitida em linha direta para os Fl. 326DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 8 7 efetivos prestadores, o que inclui a indenização de eventos ocorridos e a própria previsibilidade dos eventos futuros (provisões técnicas). O dispositivo federal informado vem reconhecer a necessidade de se proceder a ajustes na base de cálculo do PIS/COFINS das entidades que atuam como operadoras de plano de saúde, independentemente da estruturação jurídicoeconômica adotada, o que no caso da Autora representaria a dedução daqueles valores devidos aos médicos, hospitais, clínicas médicas e congêneres, verdadeiras receitas de terceiros, devendo nestes terceiros, e não na impugnante, serem tributados. Aqui a questão se cinge a uma pergunta: na intermediação de negócios é considerada receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o valor do negócio intermediado ou quanto se cobra para intermediar (comissão/taxa de administração)? É evidente que a receita nessa realidade é o valor que se recebe pela intermediação(comissão/taxa de administração) e que não se confunde com o negócio intermediado. A intermediação é que representa o serviço prestado pela Unimed Conselheiro Lafaiete nos casos de atos não cooperativos e dele provêm sua receita, seu faturamento. Faturamento, aliás, que como restou decidido pelo STF nos RE 346.084RS, 358.273RS e 390.840MG, não se confunde com os ingressos em geral, sendo inconstitucional a ampliação da base de cálculo realizada pelo §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Ao arcar com as despesas “por conta e ordem do consumidor” a Operadora paga os serviços com os recursos dos pertencentes aos próprios usuários, não configurando assim receita da operadora. Tal fato corresponde exatamente à previsão do art. 3º, §9º, inciso III da Lei Federal nº 9.718/98, que autoriza a dedução na base de cálculo dos valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade e que foi solenemente ignorado pela administração fazendária ao alegar que havia sido efetuada dedução “sem amparo na legislação”. Muito antes pelo contrário, a legislação especial reconhece que a operadora de planos de saúde é mera gerenciadora dos recursos do usuário, cumprindolhe transformar testes recursos em atendimento médico custeado pelo próprio usuário! Fica claro que a grande maioria dos recursos que ingressam na impugnante não lhe pertencem, mas ao usuário (chamado pela lei de “consumidor”), haja vista que este dinheiro a ele retorna na forma de prestação de serviço, não agregando ao patrimônio da operadora e, conseqüentemente, não se configurando a receita (base de cálculo do PIS e da Cofins). Destarte, o dinheiro que entra, menos o dinheiro que sai (repasse) para fins de atendimento (e que representa os honorários médicos e outros custos correlatos à prestação da assistência médica como, por exemplo, despesa com laboratórios, hospitais, repasses a outras operadoras, ressarcimento ao SUS, transporte de pacientes, medicamentos etc. ) é a comissão/taxa de administração da Fl. 327DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 9 8 impugnante, e com a qual suportará seu objeto sendo esta sua efetiva receita. As provisões técnicas, nessa realidade, nada mais são do que recursos de usuários mantidos na entidade para fins de garantir o atendimento desses mesmos usuários no futuro. Realmente, as provisões técnicas são garantias financeiras para o cumprimento das obrigações contratuais das operadoras de saúde, conforme define o art. 4º da Resolução da Diretoria Colegiada nº 77/2001 da ANS, que determina esta obrigação às operadoras de planos de saúde. Isso porque, figura comum no cooperativismo de saúde, o intercâmbio se configura através da prestação de atendimento médico em área geográfica diversa daquela de ação da Unimed à qual o usuário é filiado, e que representa um enlace operacional entre duas cooperativas (art. 79, caput, da Lei nº 5.764/71). No caso do intercâmbio afastase facilmente a incidência do PIS e da Cofins da impugnante, porquanto inexiste receita tributável, eis que esta, se gerada, não pertence à impugnante (médico cooperado da impugnante), posto que é repassada à outra cooperativa (médico cooperado de outra cooperativa) que lhe fez as vezes, quando da prestação do serviço de assistência à saúde aos seus usuários. Descortinase então essa estrutura: o dinheiro do usuário que é dirigido á operadora continua a pertencer ao usuário, o que evidencia duas questões importantes. A primeira delas a justificar a existência de uma agência reguladora da atividade, no caso a ANS, já que se atua com recursos de terceiros. A segunda que não se pode pretender tributar entradas das operadoras, posto que, nessa hipótese, se estará tributando recursos que não lhe pertencem, mas aos usuários e que objetivarão suportarlhe os gastos assistenciais (médicos, hospitais, outras operadoras, medicamentos, etc.). Esta, portanto, a conclusão que se amolda à realidade operacional das operadoras de plano de saúde, mesmo porque tal é uma exigência do próprio conceito de receita, e como forma de se evitar a tributação de entradas, atingindose especificamente o conteúdo jurídico do conceito constitucional, e na linha do art. 110 do CTN, razão pela qual, na qualidade de intermediadora, a base de cálculo do tributo deve significar somente o valor dessa intermediação, e nunca o valor da receita intermediada, sob pena de se inviabilizar o próprio sistema de saúde. Devese observar ainda que a autuação é contrária à decisão judicial favorável à impugnante proferida pelo TRF 1ª Região em sede do Agrado de Instrumento nº 2007.01.00.0049020/MG (processo de origem nº 2006.38.00.0388210), no qual é idêntica a matéria tratada: base de cálculo para o cálculo da obrigação tributária relativa ao PIS e à Cofins. Originária dos Processos Tributários Administrativos nº 10680.016809/2002/75 (PIS) e 10680.016807/200286 (Cofins), foi deferida parcialmente a antecipação de tutela em primeira instância e, em segunda instância, reconhecendo a constituição jurídica da impugnante, bem como seu status econômico de Operadora de Plano Fl. 328DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 10 9 de Saúde, reconheceu a necessidade de revisão da base de cálculo dos tributos , permitindo que se fizesse as deduções já previstas em lei. Configurada a decadência com relação ao mês de junho de 2002, já que o fato gerador ocorreu em 30.06.2002 e a intimação para instauração do procedimento tributário administrativo somente ocorreu em 26.07.2007, ou seja, no mês seguinte após ter sido atingida pelo prazo qüinqüenal, devendo ser excluído do montante lançado pela administração fazendária contra a ora impugnante. Atendendo ao disposto no art. 16, incisos IV e V do Decreto 70235/72, para fins de efetiva verificação do status jurídico e econômico da cooperativa impugnante, seu correto enquadramento e adequado tratamento tributário aos atos que pratica e, conseqüentemente, apuração do efetivo quantum debeatur, requer dês já a realização de perícia contábil. Dos pedidos: Em razão do exposto, requer: seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração em razão das matérias argüidas na presente impugnação; alternativamente, seja reconhecido o direito de efetuar as deduções da base de cálculo previstas na legislação especial; seja reconhecia a decadência do direito de lançar e cobrar créditos tributários de períodos anteriores à instauração do procedimento administrativo tributário; pleiteia pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial contábil. A DRJ em Belo Horizonte (DF) julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: Homologação tácita O prazo de homologação será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Impugnação Não Conhecida A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornandose definitiva a exigência discutida. PIS das Cooperativas As cooperativas estão sujeitas ao recolhimento da Contribuição para o PIS, em relação à receita bruta total auferida mensalmente, seja ela decorrente da prática de atos cooperativos ou não. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 11 10 PIS das Operadoras de Planos de Saúde A base de cálculo da Contribuição para o PIS das operadoras de plano de saúde é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, deduzidas as exclusões previstas na legislação de regência.(Lei nº 9.718/1998 e art. 25 da Medida Provisória nº 2.158/2001) Atividade Vinculada A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que: ainda que a Administração Pública (na qual se insere a administração tributária) deva se pautar pelo principio da legalidade, deve se pautar especialmente na Constituição da República de 1.988, Lei maior do Estado Brasileiro e fundamento de validade da própria legislação infraconstitucional. Não é assim licito invocar incompetência para apreciar questões de ordem constitucional sob alegação de vinculação à legalidade estrita, pois representaria a inversão da hierarquia normativa, com a lei ordinária tendo primazia sobre os mandamentos constitucionais; tal interpretação, lançada na r. decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Belo Horizonte/MG, além de ser ela própria inconstitucional, representa afronta aos princípios da moralidade e supremacia da Constituição Federal. E como se verá adiante, mesmo tendo o Supremo Tribunal Federal já declarado por diversas oportunidades a inconstitucionalidade de determinado instituto tributário, a Receita Federal do Brasil insiste em desconsiderar a questão e aplicar o dispositivo já extirpado do ordenamento jurídico brasileiro por decisões da Suprema Corte; no entendimento adotado pela Receita Federal do Brasil, haveria por parte da Unimed, Conselheiro uma "confusão" entre os conceitos de receita com lucro, o que absolutamente não condiz nem mesmo com as alegações trazidas pela Recorrente; a Recorrente é gestora de valores pertencentes a terceiros, sendo remunerada apenas pela taxa administrativa, sendo essa sim a sua receita. Lucro, se houvesse, seria aquele decorrente da sua remuneração (taxa administrativa), deduzidos os encargos sobre ela incidentes, além das despesas operacionais, funcionários, tributos e demais despesas porventura existentes. É claro que não há essa confusão, a confusão existente na verdade é aquela criada pela própria Receita Federal do Brasil ao confundir dolosamente a cooperativa com sociedade empresária e ignorar a situação jurídicoeconômica da cooperativa como operadora de planos de saúde; a hipótese de não incidência tributária, no caso da cooperativa de serviços médicos, em momento algum fica prejudicada pelo fato de receber valores decorrentes de contrato estipulando mensalidade Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 12 11 preestabelecida e indivisível de cada beneficiário, com cobertura de consultas médicas e exames laboratoriais, internações, etc., e prevendo a cobrança de acordo com a utilização dos serviços. As exigências centradas no argumento de que atende a usuários não cooperados, não tem o condão de descaracterizála como Cooperativa, pois a sua própria razão de existir é para atender as atividades desenvolvidas pelos médicos (seus associados), angariandolhes clientes, ou seja, trabalho, cumprindo assim com seu objeto social; cumpre demonstrar que a tributação lançada utilizandose a base de cálculo alargada pelo §1°, do art. 3°, da Lei n.° 9.718/98 já foi por reiteradas vezes declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, a despeito de a Receita Federal do Brasil insistir em sua aplicação; Por fim, requer a recorrente que seja reconhecido e provido o presente recurso para se reconhecer a nulidade do auto de infração. Alternativamente, que seja provido o recurso para se reconhecer as características cooperativistas da recorrente e sua atuação como operadora de planos de saúde para, nos termos da legislação tributária em vigor, lhe garantir o direito de efetuar as deduções da base de cálculo previstas na legislação especial. É o relatório. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 13 12 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Em razão de novos entendimentos pacíficos, o presente processo deve ser convertido em diligência pelas razões expostas a seguir. Uma das matérias questionadas é o alargamento da base de cálculo da contribuição PIS. Tenhase presente que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 14 13 O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o conceito de faturamento. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 15 14 Com efeito, nesta matéria (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins).é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que a autoridade fiscal considerou a incidência da contribuição PIS sobre o total das receitas auferidas. Por outro lado, recentemente ocorreu a alteração da legislação de regência no que concerne as deduções permitidas. Recordase que por ocasião do lançamento tributário a redação do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 estabelecia: Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) O artigo 19 da Lei nº 12.873, de 25/10/2013, acrescentou o § 9ºA no art. 3º da Lei nº 9.715/98, abaixo transcrito: Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3o. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.(grifouse) Tratase de uma norma interpretativa, portanto aplicase a ato ou fato pretérito, segundo o disposto no art. 106 do CTN. Do exame do lançamento, verificase que autoridade fiscal promoveu ajustes nas deduções da base de cálculo com fundamento no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.715/98. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 16 15 A propósito, confirase o relato da autoridade fiscal: Analisando os livros fiscais do contribuinte, e a planilha com a base de cálculo do PIS, fls. 50 a 51, verificamos o contribuinte excluiu da base de cálculo os valores referentes as coresponsabilidades cedidas e as variações das provisões técnicas, conforme permissivo do art. 3°, §9° da Lei 9.718/98. Além disso, excluiu os valores referentes a "Eventos no atendimento de usuários próprios e de outras operadoras" sem qualquer amparo na legislação. Estes valores estão registrados nas contas "2.2.1.1.0.9.01.0.0.0", "4.4.1.3.8.9.01.1.0.0.07" e "4.1.2.1". Logo, não havendo amparo legal para a exclusão efetuada, devemos recalcular a base de cálculo do PIS para apuras o correto valor devido. É notório que a interpretação trazida pelo § 9ºA traz um conceito mais abrangente das deduções permitidas. Como é sabido, a interpretação deste dispositivo era uma questão polêmica, sendo que a própria SRF, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 6/2010 oficializou entendimento diverso do estabelecido na Lei nº 12.873/2013. Solução de Consulta Cosit nº 6/2010 DOU de 11/11/2010: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória No 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/ credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. DISPOSITIVOS LEGAIS: §§ 2º e 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória No 2.15835, de 2001. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória No 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Cofins, as despesas e custos operacionais relacionados com Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13602.000524/200748 Resolução nº 3801000.651 S3TE01 Fl. 17 16 os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Cofins o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. DISPOSITIVOS LEGAIS: §§ 2º e 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória No 2.15835, de 2001. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral Em remate, o lançamento também precisa ser ajustado a interpretação dada pelo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98 incluído pelo art. 19 da Lei nº 12.873, de 25/10/2013. Em que pese o bom direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição PIS. Deste modo, diante dos fatos, e com fundamento no artigo 29 do Decreto no 70.235/72, voto pela conversão do julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências por parte da unidade local: a) faça os ajustes no lançamento fiscal e apure a correta composição da base de cálculo da contribuição PIS, com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, bem como, em relação as deduções permitidas, adote a interpretação dada pelo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98 incluído pelo art. 19 da Lei nº 12.873, de 25/10/2013; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.727733/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.281
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA.
O conhecimento do presente Recurso Voluntário depende da análise das guias de pagamento apontadas pelo Recorrente nos autos do processo. A constatação da regularidade dos pagamentos efetuados corroboraria a perda de objeto processual e a conseqüente resolução da presente lide, não existindo, portanto, razões para se conhecer do Recurso Interposto.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente.
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. O conhecimento do presente Recurso Voluntário depende da análise das guias de pagamento apontadas pelo Recorrente nos autos do processo. A constatação da regularidade dos pagamentos efetuados corroboraria a perda de objeto processual e a conseqüente resolução da presente lide, não existindo, portanto, razões para se conhecer do Recurso Interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência. Liege Lacroix Thomasi - Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.727733/201182 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2302000.281 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2014 Assunto Conversão em diligência Recorrente MUNICIPIO DE ARATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. O conhecimento do presente Recurso Voluntário depende da análise das guias de pagamento apontadas pelo Recorrente nos autos do processo. A constatação da regularidade dos pagamentos efetuados corroboraria a perda de objeto processual e a conseqüente resolução da presente lide, não existindo, portanto, razões para se conhecer do Recurso Interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência. Liege Lacroix Thomasi Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 27 73 3/ 20 11 -8 2 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.727733/201182 Resolução nº 2302000.281 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação Principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6588, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias (cota patronal) e à contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes do riscos ambientais do trabalho GILRAT incidentes sobre a remuneração paga ou creditada em favor dos empregados, segurados contribuintes individuais, e sobre o valor do frete pago a transportadores autônomos, no valor de R$ 696.920,09 (seiscentos e noventa e seis mil, novecentos e vinte reais e nove centavos), relativo ao período de 01/07/2007 a 30/12/2008. Tratase de também de Auto de Infração por descumprimento de obrigação Principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6596, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias e à contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes do riscos ambientais do trabalho GILRAT descontadas das remunerações pagas ou creditadas em favor dos empregados, segurados contribuintes individuais, e sobre o valor do frete pago a transportadores autônomos, no valor de R$ 188.068,18 (cento e oitenta e oito mil e sessenta e oito reais e dezoito centavos), relativo ao período de 01/07/2007 a 30/12/2008. Tratase ainda de Auto de Infração por descumprimento de obrigação Principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6600, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias não descontadas das remunerações pagas ou creditadas em favor dos empregados, segurados contribuintes individuais (autônomos), e sobre o valor do frete pago a transportadores autônomos, no valor de R$ 15.234,21 (quinze mil, duzentos e trinta e quatro reais e vinte e um centavos), relativo ao período de 01/07/2007 a 30/12/2008. Tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6618, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias para custeio de outras entidades e fundos (terceiros) não descontadas d o valor do frete pago a transportadores autônomos, no valor de R$ 8.731,35 (oito mil, setecentos e trinta e um reais e trinta e cinco centavos), relativo ao período de 01/07/2007 a 30/12/2008. Tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6626, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias de 11% (onze por cento) decorrentes da subrogação legal na contratação de empresas prestadoras de serviços com cessão de mão de obra, no valor de R$ 185.024,53 (cento e oitenta e cinco mil e vinte e quatro reais e cinquenta e três centavos), relativo ao período de 01/07/2007 a 30/12/2008. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.727733/201182 Resolução nº 2302000.281 S2C3T2 Fl. 4 3 Consoante o Relatório Fiscal a empresa ora Recorrente não possui regime próprio de previdência. Neste mesmo documento há registro de que as diferenças apuradas nas bases de cálculos foram verificadas com a comparação das folhas de pagamento com as informações constantes em GFIPs, bem como, que a apuração das informações relativas aos autônomos em geral e aos transportadores autônomos foi realizada através da análise da contabilidade do Município, haja vista que não existia informações destes segurados em folhas de pagamento e em GFIPs. Por fim, destacou o fisco que todos os recolhimentos realizados pelo Município foram aproveitados e que foi formalizada a representação fiscal para fins penais em face da falta de informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação e esta foi julgada improcedente, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2009 DEBCAD: 37.326.6588; 37.326.6596; 37.326.6600; 37.326.6618; 37.326.6626. PEDIDO DE NULIDADE. INDEFERIMENTO. Ausente a demonstração de omissão de elemento ou requisito essencial à formação jurídica do ato, seja referente à sua forma ou a sua substância, não há que se proclamar a nulidade do Auto de Infração. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. LOCAL. Válido o auto de infração lavrado na repartição, se o autuante dispunha dos elementos necessários ao lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Indeferese o pedido de produção extemporânea de provas, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Município Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando, em suma: O lançamento é nulo em virtude: (i) da não lavratura do auto de infração na Prefeitura, o que cerceou o direito de defesa do Recorrente; (ii) por não ser a Receita Federal competente para fiscalizar o município no período de 2006 a 2009, posto que a fiscalização caberia ao INSS; e (iii) Da ausência de intimação do Município para prestar esclarecimentos; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.727733/201182 Resolução nº 2302000.281 S2C3T2 Fl. 5 4 Parte do crédito previdenciário objeto do Auto de Infração está incluído em pedido de parcelamento especial, efetivado com base da Lei 11.960/2009; O fisco informa que os valores dos débitos serão consolidados pela Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, mas não indica qual será o momento da consolidação. A cobrança de 1/3 (um terço) de férias é ilegal, posto que esta verba tem caráter indenizatório; Quanto à contribuição previdenciária (parte patronal) incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais, alega que somente se mostra cabível o desconto de 20% (vinte por cento) da remuneração paga ao contribuinte individual – limite máximo da contribuição , não sendo possível, pois, a retenção de 11% (onze por cento) mais o desconto de 22% (vinte e dois por cento) da parte patronal da contribuição previdenciária cumulada com o SAT/RAT. Por fim , alega ainda que houve cerceamento do direito de defesa do Município em face da ausência de identificação nominal dos contribuintes individuais que não foram incluídos em GFIP, como também, qual a alíquota utilizada para o empregador e o empregado. Sem contrarrazões. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto: Conversão em diligência Da análise dos autos, verificase que não haverá razões para ser conhecido o presente recurso caso seja constatado que o Município Recorrente, de fato, incluiu em parcelamento especial, com base na Lei 11.960/2009, parte do débito objeto do Auto de Infração em comento, como alegou em sua Impugnação e reiterou em sede de recurso. Destarte, se comprovado a inclusão em parcelamento especial de parte do débito gerado em face das obrigações tributárias referentes às competências autuadas, desnecessário seria o conhecimento do presente Recurso por este Conselho de Contribuintes, dado o efetivo cumprimento da obrigação pelo sujeito passivo e a conseqüente satisfação do interesse Fiscal. Assim, entendo ser necessária a conversão em diligência do presente feito para que a Fiscalização esclareça se o Município, como alegado, efetivamente incluiu parte do débito objeto do Auto de Infração sob análise em parcelamento especial, o que, na eventualidade de ser comprovado, extinguirá parte do crédito tributário objeto do presente processo administrativo. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.727733/201182 Resolução nº 2302000.281 S2C3T2 Fl. 6 5 Ante o exposto, converto o presente recurso em diligência, para que a Fiscalização esclareça se o Recorrente, como alegado, efetivamente incluiu parte do débito objeto do presente lançamento em parcelamento especial com base na Lei 11.960/2009. Após o cumprimento do acima narrado, intimese a Recorrente para que se manifeste acerca do resultado das diligências realizadas. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de março de 2014 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000352/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA RENDA CONSUMIDA. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS.
No caso de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, a justificativa da origem em distribuição de lucros pagos por pessoas jurídicas só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA RENDA CONSUMIDA. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. No caso de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, a justificativa da origem em distribuição de lucros pagos por pessoas jurídicas só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 24/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA RENDA CONSUMIDA. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 26. “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. No caso de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, a justificativa da origem em distribuição de lucros pagos por pessoas jurídicas só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 52 /2 00 7- 98 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 24/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 114/124, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 304.301,72, calculado até 31/10/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: A contribuinte, irresignada, apresentou impugnação, na qual preliminarmente arguiu nulidade por inobservância do disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, que exige descrição circunstanciada do fato gerador. No auto de infração a descrição do fato teria sido feita de forma genérica e imprecisa, contendo tãosomente a referência a depósitos de origem não comprovada, os quais foram erigidos à categoria de rendimento omitido. Além disso, o lançamento afrontaria o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, que só autoriza o Agente Fiscal a propor a aplicação de penalidade. A nulidade, portanto, decorreria da ausência de motivo, objeto e competência, requisitos de validade necessários a qualquer ato administrativo. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14120.000352/200798 Acórdão n.º 2201002.347 S2C2T1 Fl. 3 3 No mérito, afirmou, o lançamento não pode prosperar em razão da ausência de bases fáticas e jurídicas. O Agente Fiscal se valeu de presunções subjetivas, deixando de considerar as explicações da impugnante para os depósitos. Estes, por sua vez, não se constituem em fato gerador do Imposto de Renda, pois não implicam acréscimo patrimonial. Nesse sentido, o art. 42 da Lei n° 9.430 não pode modificar o que está preconizado no CTN, norma de caráter superior. Ademais, a presunção não se sustenta porque, entre o fato conhecido (indiciário) e o fato desconhecido (provável), deve haver uma correlação segura e direta, que não existe entre depósitos bancários e omissão de rendimentos. A presunção legal do art. 42, portanto, colide com o processo de criação das presunções legais. A presunção, no caso, não está fundada na experiência anterior, nem é possível estabelecer um liame entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos. Assim, o encargo probatório fica totalmente transferido para o contribuinte. Aduziu ainda a impugnante que, ao conceito de renda, deve ser agregado o conceito de livre disponibilidade, segundo o qual só seria renda a parcela acrescida de riqueza de que o titular pudesse dispor, o que não teria ocorrido no presente caso. Faltou a comprovação de que os valores depositados são renda consumida, uma vez que não se evidenciou nexo causal entre cada depósito e o fato que representa omissão de rendimentos. Ressaltou a impugnante a esse respeito que a aquisição dos imóveis, apontada pela Fiscalização, representa um acréscimo patrimonial irrisório de R$ 42.000,00, considerando que o cônjuge tinha participação em apenas 30% na aquisição dos bens. Acrescentou que, a prevalecer o entendimento de que houve omissão, o critério de arbitramento da base de cálculo a ser adotada deveria ser o mais favorável ao contribuinte. Por outro lado, afirmou que foi ignorado pela Fiscalização o dispositivo legal que determina a exclusão de depósitos que individualmente não ultrapassem a R$ 12.000,00, e que no total não excedam a R$ 80.000,00. Ponderou, a propósito, que, em se tratando de conta conjunta, o limite deve ser verificado em relação à parte pertencente à cada um dos titulares. Sustentou que os valores depositados tinham origem nos lucros apurados nas empresas de que ela e seu marido eram os únicos sócios. Esses lucros, mesmo não tendo sido lançados na contabilidade, foram realmente auferidos. Afirmou que a soma dos lucros obtidos na empresa Sistema Veículos Ltda. e Sistema Factoring Ltda. atinge a quantia de R$ 940.780,00, ainda que não tenham sido contabilmente lançados por motivo de erro ou inabilidade. Portanto, a impugnante e seu marido, na qualidade de únicos sócios das pessoas jurídicas, receberam e usufruíram os lucros apurados, os quais já havido sido tributados pelo IRPJ. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Questionou também a aplicação da multa, alegando que a conduta adotada não é passível de punição. Ademais, a sanção teria caráter confiscatório. Quanto aos juros afirmou que houve ofensa ao art. 161, §1% do CTN, que exige lei para dispor sobre a matéria, e ao art. 192 da Constituição Federal que estabelece taxa máxima de 12% ao ano. Acrescentou, por fim, que a taxa Selic tem natureza remuneratória. Com esses fundamentos, pugnou pela nulidade do auto de infração e, sucessivamente, pela redução da multa a 20% e dos juros a 12% ao ano. Protestou pela produção de prova pericial, desde logo indicando perito e formulando quesitos. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: ATO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DE MULTA. COMPETÊNCIA. Lançamento que contenha a descrição da situação tida como fato gerador da obrigação tributária e indique o valor do crédito lançado atende aos requisitos motivo e objeto, indispensáveis à validade do ato administrativo. A multa aplicada no auto de infração atenderá ao requisito do art. 142 do CTN se o ato estiver sujeito a exame de autoridade ou órgão superior dentro da estrutura administrativa. PROVA PERICIAL. UTILIDADE E NECESSIDADE PARA ESCLARECIMENTO DE FATOS RELEVANTES. EXIGÊNCIA DE CONHECIMENTO TÉCNICO. DEFERIMENTO. Só deve ser deferida a prova que se mostre útil e necessária ao esclarecimento de fatos controversos e relevantes para a solução do processo. No caso de prova pericial, o pressuposto é a necessidade de conhecimento técnico ou científico para obterse a informação. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. É cabível a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, dada existência de previsão legal. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14120.000352/200798 Acórdão n.º 2201002.347 S2C2T1 Fl. 4 5 Intimada da decisão de primeira instância em 08/09/2009 (fl. 240), Flaviana Borge Ribeiro Sebben apresenta Recurso Voluntário em 01/10/2009 (fl. 243), sustentando, essencialmente: (...) Data venia, no caso presente, limitouse o agente autor do auto inaugural, a pretexto de tributar omissão de renda, a fazer genérica e imprecisa descrição de supostos rendimentos omitidos por não ter a Recorrente comprovado a origem "idônea" de depósitos bancários. (...) Assim, caso o julgamento do presente recurso ultrapasse os argumentos até aqui alinhavados, devese excluir da base de cálculo do tributo arbitrado os créditos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, num total de R$ 80.000,00 (para cada Recorrente), em conformidade com o entendimento jurisprudencial do Conselho de Contribuintes. Da falta de comprovação da utilização dos depósitos como renda consumida. (...) Como esclarecido na Impugnação, o cônjuge da Recorrente detém apenas 30% da propriedade dos Lotes 01, 02, 09 e 10 Quadra 37 do Loteamento Jardim Veraneio, o que perfaz um valor de R$ 42.000,00, bastante inferior aos R$ 140 mil mencionados pela autoridade fiscal. Portanto, o acréscimo patrimonial e o pagamento de dívidas pelo esposo totalizam: — R$ 30.000,00; — R$ 100.000,00; — R$ 42.000,00; — R$ 80.000,00; — R$ 36.779,41; — TOTAL: R$ 288.779,41. Ainda que os recursos validados pelo auditor fiscal totalizem somente R$ 17.000,00, o que não se admite, frisese, novamente, o acréscimo patrimonial da Recorrente é irrisório. Portanto, a base de cálculo apurada em R$ 515.519,90 (R$ 499.919,93 acrescidos de R$ 13.600,00, declarados pela Recorrente) é ilegal e arbitrária, e gravemente desfavorável ao contribuinte, porque não há qualquer prova de que esta renda tenha sido consumida pela Recorrente. (...) Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Como esclarecido à exaustão, os depósitos bancários são oriundos dos lucros apurados pelas pessoas jurídicas, os quais, ainda que não tenham sido lançados na contabilidade, foram realmente obtidos. (...) Observese da Declaração do IRPJ da empresa Sistema Factoring Ltda. que no ano de 2003 restaram acumulados R$ 336.229,99 a título de lucros. Em relação à empresa Sistema Veículos Ltda., da qual a Recorrente e seu esposo são os únicos sócios, foi apurado um ganho de capital decorrente da comercialização de automóveis, no valor de R$ 604.550,00 (vide Declaração do IRPJ em anexo). A soma desses valores totaliza a importância de R$ 940.780,00, e, ainda que não tenham sido contabilmente lançados, por motivo de erro ou inabilidade, o que deve prevalecer é a verdade material, princípio basilar do direito tributário. Obviamente que a Recorrente e seu esposo, na qualidade de únicos sócios das pessoas jurídicas, receberam e usufruíram os lucros apurados, os quais já haviam sido tributados pelo IRPJ. (...) Diante da improcedência da aplicação da multa ao caso em tela, devese excluíIa ou ao menos reduziIa ao limite de 20%. (...) Desse modo, somente pode ser admitido que a incidência de juros moratórios sobre tributos eventualmente devidos e não pagos fique limitada a 1% ao mês, nos exatos termos da legislação complementar vigente (art. 161, § 1% do CTN). (...) É claro que a perícia irá ratificar a prova documental que instrui o processo administrativo. Destarte, utilizandose da garantia constitucional da ampla defesa, a Recorrente requer, expressamente, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, que seja determinada a realização de perícia contábil para demonstrar não omitiu rendimento algum, nos termos requerido na Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 01 de dezembro de 2011 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 220100.052, decidiram converter o processo em diligência, nos seguintes termos: Contudo, o lançamento relativo a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja questão referese à constitucionalidade ou não do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, bem como a possibilidade ou não da aplicação da Lei nº 10.174/2001, foi acolhido pelo Supremo Tribunal Federal como repercussão geral (artigo 543B da Lei nº 5.869/1973, Código de Processo Civil), conforme Leading Case RE 601314. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14120.000352/200798 Acórdão n.º 2201002.347 S2C2T1 Fl. 5 7 Ocorre, todavia, que não se encontra neste processo a forma como os extratos foram requisitados, ou seja, se entregue espontaneamente pelo cônjuge da recorrente ou, caso contrário, solicitados as instituições bancárias mediante Requisição Movimentação Financeira respaldada no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e/ou Lei nº 10.174/2001. Neste caso, fazse necessário verificar a forma com que as informações bancárias vieram aos autos. Além do mais, em consulta ao sistema “Consulta Processual Comprot” verificase que a contribuinte ingressou, por meio do processo nº 10140.400389/200995, com pedido de “Parcelamento Especial”. Portanto, em função das ocorrências supracitadas é necessário que se converta o processo em diligência para que a autoridade preparadora informe: i – se no processo fiscal constituido em nome do cônjuge da recorrente, Sr. Wanderley Luiz Sebben, CPF 518.931.42191, houve a emissão de Requisição Movimentação Financeira, respaldada no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e/ou Lei nº 10.174/2001; ii – se o pedido de parcelamento especial solicitado pela contribuinte, por meio do processo n° 10140.400389/200995, está ativo e, em caso positivo, se o “Parcelamento Especial” compreende créditos tributários do processo em apreço; Concluída a diligência, a fiscalização pronunciouse por meio do Termo de Informação Fiscal, fls. 348/360pdf. Em resposta ao Termo de Informação Fiscal a contribuinte reiterou os termos do Recurso Voluntário e ressaltou as disposições das Súmulas nºs 39 e 61 do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2003. De início, cumpre registrar que parte da diligência proposta restou improfícua ante a Portaria MF 545/2013 que revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado neste órgão administrativo. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pela recorrente. Alega a suplicante que o lançamento é nulo, pois a autoridade lançadora efetuou de forma genérica e imprecisa a descrição de supostos rendimentos omitidos pela recorrente. Assevera ainda que “o auto inicial é absolutamente nulo por não atender aos requisitos de forma, motivo, objeto e competência”. De plano, aqui se rechaça a alegação de nulidade acima, visto que a exigência fiscal levada a efeito encontrase alicerçada nos preceitos legais, o que confere liquidez e certeza ao crédito tributário apurado, que só poderá ser elidida mediante prova em sentido contrário. No Auto de infração às fls. 114/124 e na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 115/121, estão minuciosamente especificados o conteúdo da autuação. Como efeito, a autuação é extremamente habitual e de simples compreensão, pois tratase de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, alicerçada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Portanto, ausente prejuízo à defesa do autuado e preenchidos os preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Em outra passagem, reitera a contribuinte o pedido de perícia, alegando que a é o único meio propício para averiguar a exata base de cálculo para tributação do imposto de renda de pessoa física. Da análise dos argumentos da recorrente, fica evidente que todos eles se referem à produção de provas que caberia à contribuinte apresentar, tais como, transferências bancárias efetuadas pela pessoa jurídica, livro diário e razão, entre outros. Com efeito, a perícia não se destina a preencher as lacunas da defesa quanto à produção de provas de sua competência, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. Ante esses argumentos, indefiro o pedido de perícia. No mérito, cumpre novamente trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14120.000352/200798 Acórdão n.º 2201002.347 S2C2T1 Fl. 6 9 terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional2, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Além do mais, é despicienda a discussão da propriedade dos Lotes 01, 02, 09 e 10 da Quadra 37 do Loteamento Jardim Veraneio, pois a autoridade fiscal não tem que comprovar acréscimo patrimonial e tampouco renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Cabe esclarecer que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo art. 88, inciso XVIII, da Lei nº 9.430/1996. Isso, aliás, ratifica a intenção do legislador em dar novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Passando às questões pontuais de mérito, alega a suplicante que os valores movimentados em suas contas bancárias são provenientes da distribuição de lucros das pessoas jurídicas, das quais o cônjuge e a contribuinte são sócios. Pois bem, em que pese alegue a recorrente que possui recursos suficientes informados em suas Declarações de Ajuste para justificar as origens dos depósitos não comprovados, verifico, pois, que não foram encontrados nos extratos da contribuinte nenhum depósito que combinasse em datas, valores, histórico etc., com os rendimentos tributários declarados e/ou lucros recebidos. Cabe aqui lembrar que o ônus da prova da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias é do contribuinte, e que, não havendo pelo menos uma razoável coincidência entre datas e valores, deve ele apresentar outros elementos de prova que permitam 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 estabelecer uma relação entre as operações que alega terem ocorrido para comprovar a origem dos depósitos que pretende justificar. A alegação de que a soma dos lucros obtidos na empresa Sistema Veículos Ltda e Sistema Factoring Ltda. atinge a quantia de R$ 940.780,00, ainda que não tenham sido contabilmente lançados por motivo de erro ou inabilidade, não socorre a contribuinte, pois a afirmação no máximo comprovaria que possuía recursos financeiros para depositar em sua conta pessoal, entretanto, para efeito de afastar a presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o depósito há de ser comprovado documentalmente de forma individualizada. Consolidouse nesse sentido a jurisprudência deste Conselho: IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos. (Acórdão nº 10423276, de 25 62008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro (a) relator (a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Portanto, como a contribuinte não identificou nos extratos quais seriam os depósitos oriundos da pessoa jurídica, a conclusão que se impõe é que os valores não transitaram pelas contas bancárias da suplicante. Ressaltese que a fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem no valor de R$ 516.919,91 (fl. 122), portanto, a soma dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassa e muito o limite global de R$ 80.000,00, fixado no inciso II do parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, com redação dada pelo art. 4º da Lei nº 9.481/1997. Ainda que se pudesse admitir que o limite fosse R$ 80.000,00 para cada, o que se admite apenas a título de argumentação, a soma do total dos depósitos inferiores a 12.000,00, ultrapassa o limite de R$ 160.000,00. Dessarte, em face da ausência de elementos fáticos de que não houve omissão de rendimentos, não há como acolher a alegação da contribuinte. Quanto ao pedido de redução da multa de ofício ao limite de 20% (§ 2° do art. 61 da Lei n° 9.430/1996) ou de 50% (inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96), cumpre registrar que a exigência apurada pela autoridade fiscal ensejou a imposição da multa de ofício de 75%, na forma do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme inciso VI do art. 97 do CTN. Portanto, no caso em tela, não há previsão legal para dispensa ou redução da multa de ofício aplicada. Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante determina a Súmula nº 4 do CARF: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14120.000352/200798 Acórdão n.º 2201002.347 S2C2T1 Fl. 7 11 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 17883.000292/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO.
Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, faz-se necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991.
A entidade deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a cada três anos, e do Certificado de reconhecimento de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal.
A entidade também deverá requerer junto ao INSS o gozo do benefício da imunidade.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, faz-se necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991. A entidade deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a cada três anos, e do Certificado de reconhecimento de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. A entidade também deverá requerer junto ao INSS o gozo do benefício da imunidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Recurso Voluntário Negado.
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, fazse necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991. A entidade deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a cada três anos, e do Certificado de reconhecimento de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. A entidade também deverá requerer junto ao INSS o gozo do benefício da imunidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 92 /2 01 0- 75 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000292/201075 Acórdão n.º 2402003.872 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2005 a 12/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 07/11), a empresa deixou de incluir a totalidade da remuneração dos segurados empregados em folha de pagamento, bem como não inseriu a totalidade dos segurados contribuintes individuais (autônomos) e suas remunerações na mesma. Informa ainda a autoridade autuante que os pagamentos realizados e os segurados contratados que não foram registrados nas folhas de pagamento foram identificados através da análise da contabilidade do contribuinte. Anexa diversas cópias de documentos que comprovam os fatos narrados. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 06) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 11/11/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 386/393), acompanhado de anexos (fls. 394/399), alegando, em síntese, que: 1. o recurso por ela impetrado contra o Ato Cancelatório 01/2009 é dotado de efeito suspensivo, inclusive como já assentou entendimento a 12a Turma da DRJ/SP1. Uma vez comprovada a pendência de apreciação do citado recurso, é necessária a suspensão deste processo até ulterior trânsito em julgado administrativo do Ato Cancelatório 01/2009 (Processo 17883.000049/200913). Requer a reunião de todos os processos advindos desta ação fiscal e questiona a representação fiscal para fins penais, a qual só poderia ser feita após a constituição definitiva do crédito tributário; 2. ocorreu a decadência das competências até outubro de 2005, nos termos do artigo 150, § 4o do CTN, tendo em vista que as Contribuições Previdenciárias são tributos sujeitos ao lançamento por homologação,e que há provas quanto ao recolhimento parcial das contribuições; 3. requer o cancelamento do presente Auto de Infração, eis que a obrigação acessória aqui lançada confundese com a obrigação principal já exigida através dos demais lançamentos realizados contra Fl. 487DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 a Impugnante. Sendo cancelados os autos de infração relativos às obrigações principais, estarão também canceladas as exigências relativas a penalidades pecuniárias. Requer seja julgado improcedente o lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1237.033 da 13a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 412/419) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que ela é uma entidade beneficente de assistência social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Volta Redonda/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000292/201075 Acórdão n.º 2402003.872 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que, antes do lançamento, estava amparada por recurso com efeito suspensivo contra o Ato Cancelatório de sua imunidade (processo 17883.000049/200913), e, portanto, ainda gozava da isenção previdenciária, assim solicita a anulação do presente lançamento ou, no mínimo, a suspensão da exigibilidade do credito tributário até a superveniência do trânsito em julgado dos autos do processo que trata da matéria de cancelamento da sua imunidade tributária (processo 17883.000049/200913). Após a renovação de seu certificado, para o período de 01/01/1998 a 31/12/2000 (processo n° 44006.004481/199735 – Resolução CNAS n° 172, de 12/07/1999), constatase que, no período de 01/01/2001 a 30/12/2007, a Recorrente ficou sem cobertura do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), já que veio a obter a renovação do certificado, com validade para o período de 31/12/2007 a 30/12/2010, por meio da Resolução CNAS n° 7, de 03/02/2009 (processo n° 71010.003119/200748). Diante desse fato, ocorreu o cancelamento da sua condição de entidade imune das contribuições previdenciárias, por intermédio do Ato Cancelatório de n° 01/2009, que apontou como causa a existência de débito, infringindo o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991 e o inciso III do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social RPS (Decreto 3.048/1999). Por sua vez, nos autos do processo 17883.000049/200913, que cuida do cancelamento da imunidade das contribuições previdenciárias, por intermédio do Ato Cancelatório de n° 01/2009 (fl. 96), a Recorrente alega que o Fisco iniciou o procedimento de auditoria em 06/11/2008, por meio do Termo de Início de Fiscalização, sobre a vigência da Medida Provisória (MP) n° 446/2008, “sendo certo que seria a norma aplicada ao caso e não aquela que motivou toda a informação fiscal, art. 55 da Lei 8.212/1991 que, repetindo, perdera a eficácia”. Nessa argumentação, a Recorrente levou em consideração a data de 06/11/2008, que correspondente ao dia de emissão do Termo de Início de Fiscalização (fl. 04), citada no item 2 da Informação Fiscal que propôs o cancelamento da isenção (fl. 01, processo 17883.000049/200913). Essa data sinalizada pela Recorrente diz respeito ao dia da emissão do Termo de Início de Fiscalização (06/11/2008) e corresponde exclusivamente ao dia em que a ação fiscal teve início junto à empresa a ser fiscalizada. Aqui é bom esclarecer que, mesmo que a entidade gozasse de imunidade tributária, a Recorrente tem o dever de cumprir tanto as obrigações principais – contribuições que ela é obrigada a descontar de outros contribuintes – como as obrigações acessórias, dentre elas a de manter os livros contábeis e fiscais (STF, RE 250844/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, em 29/05/2012). Isso permite ao Fisco o acesso aos Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 documentos contábeis da Recorrente, viabilizando a emissão dos seus documentos de trabalho, inclusive do Termo de Início de Fiscalização. Por outro lado, a Informação Fiscal que propôs o cancelamento da imunidade foi emitida no decorrer da ação fiscal, em 26/03/2009 (fls. 01 e 02, processo 17883.000049/200913), portanto, fora do campo de vigência das normas previstas na MP 446/2008, que vigorou no período de 07/11/2008 a 10/02/2009. Dessa maneira, a alegação de que o procedimento fiscal foi anterior à rejeição da MP 446/2008 não coaduna com o conjunto probatório juntado aos autos, eis que em 26/03/2009 – data de emissão da Informação Fiscal, que deu origem ao cancelamento da imunidade –, a MP 446/2008 já havia sido rejeitada pelo Plenário da Câmara dos Deputados, por meio de Ato do Presidente daquela Casa, datado de 10/02/2009 (DOU de 12/02/2009) . Com isso, no momento de cancelamento da imunidade das contribuições previdenciárias – Ato Cancelatório de n° 01/2009 (fl. 96, processo 17883.000049/200913), datado de 30/04/2009 –, as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212/1991 estavam plenamente restabelecidas e com plena eficácia jurídica. Instar salientar que a Medida Provisória (MP) pode ser convertida em lei, com ou sem alterações de seu texto, ou rejeitada, expressa ou tacitamente (por decurso de prazo). Em ambos os casos de não aprovação, a MP perderá sua eficácia desde a edição, nos termos do art. 62, § 3o, da Constituição Federal. Isso nos permite concluir que os efeitos da MP 446/2008 só seriam válidos se ela fosse convertida em lei, fato que não aconteceu, pois ela foi rejeitada pela Câmara dos Deputados em 10/02/2009. Não havendo referida conversão, os efeitos da MP 446/2008 são nulos ex tunc (desde a origem), e o Congresso Nacional poderia ter editado decreto legislativo, em até sessenta dias, para a regular as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante a vigência da Medida Provisória, fato não evidenciado nos autos. Com isso, as regras contidas no art. 55 da Lei 8.212/1991 voltaram a produzir todos os seus efeitos. Constituição Federal de 1988: Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (...) § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (g.n.) (...) § 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000292/201075 Acórdão n.º 2402003.872 S2C4T2 Fl. 5 7 § 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manterseá integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Observase ainda que durante a vigência da MP 446/2008, período de 07/11/2008 a 10/02/2009, não houve qualquer ato praticado pelo Fisco de desconstituição da imunidade da entidade, já que o ato de cancelamento da imunidade foi emitido após esse período, em 30/04/2009. Diante desse quadro fático e jurídico, a alegação da Recorrente de que, antes do lançamento, gozava da imunidade previdenciária – delineando para a anulação do lançamento fiscal ou, no mínimo, a suspensão da exigibilidade do credito tributário –, não será acatada, já que os elementos probatórios juntados aos autos demonstram que a emissão do Ato Cancelatório da imunidade n° 01/2009 (fl. 96, processo 17883.000049/200913), datado de 30/04/2009, foi posterior à vigência da MP 446/2008, sendo que as disposições desta MP perderam a sua eficácia jurídica em 10/02/2009, e isso restabeleceu a plena eficácia jurídica das regras previstas no art. 55 da Lei 8.212/1991. Com relação à questão da discussão acerca da imunidade prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, esclarecemos que essa questão suscitada pela Recorrente tem por finalidade embasar a tese de inaplicabilidade do art. 55 da Lei 8.212/1991, com o argumento de que a imunidade só poderia ser regulamentada via legislação complementar, nos termos do art. 146, inciso II, da Constituição Federal. Segundo a Recorrente, isso levaria a nulidade do lançamento fiscal, já que os dispositivos da Lei 8.212/1991 que tratam de isenção são inconstitucionais. Observase que o texto constitucional remeteu à lei o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. O art. 55 da Lei 8.212/1991 veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim de obterem isenção da cota patronal, dispondo, em seu § 1o, a obrigatoriedade de se requerer o referido benefício no INSS. É importante frisar que, no ordenamento jurídico, há a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção/imunidade das contribuições previdenciárias, o que não logrou a empresa Recorrente comprovar. De sorte que, no caso dos autos, ao contrário do que entendeu a Recorrente, a caracterização da imunidade não depende apenas a empresa ser titulada no Estatuto Social como entidade beneficente, conforme posto na peça recursal, mas ela deverá atender todos os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei 8.212/1991 para usufruir a imunidade aqui tratada, inclusive deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), e seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito federal ou municipal. Além disso, para fazer jus ao aludido benefício, é imposta à entidade a obrigação de atender, cumulativamente, ao disposto no art. 55 da Lei 8.212/1991. O art. 55 da Lei 8.212/1991 estabelecia os seguintes requisitos: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Do dispositivo transcrito, verificamos que o Certificado e o Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), designado de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), são apenas um dos requisitos para que se possa gozar da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. Com isso, como não há nos autos a comprovação do deferimento do pedido de isenção, ou até mesmo de têlo efetuado pela Recorrente, e, para as competências objeto do lançamento fiscal, não há a demonstração de que a entidade era portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos (CEBAS), fornecido pelo CNAS, é de se considerar inexistente o direito aludido. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000292/201075 Acórdão n.º 2402003.872 S2C4T2 Fl. 6 9 Além disso, a Recorrente teve seu direito à imunidade cassado por meio do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais AC 01/2009, expedido em 30/04/2009, com fundamento no descumprimento do disposto no inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/1991 e no inciso III do artigo 206 do Decreto 3.048/1999. Logo, a partir 01/01/2001, a empresa deixou de ter CEBAS pelo simples fato de não têlo requerido, conforme se observa no teor do Ato Cancelatório (fl. 31). Portanto, as exigências estabelecidas pelo art. 55 da Lei 8.212/1991, que trata especificamente da isenção de contribuições previdenciárias, não permitem a aplicação do art. 14 do CTN, e devem ser atendidas de forma cumulativa para fins de concessão deste beneficio. Como a Recorrente não comprovou o cumprimento dos requisitos insertos no § 1o e no inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991, não pode estar amparada pela “isenção/imunidade”, devendo pois recolher as contribuições inadimplidas lançadas no presente processo, a qual competia, além da verificação do preenchimento dos requisitos exigidos em lei, o reconhecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias mediante emissão de ato administrativo declaratório pelo INSS. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da Recorrente, para reconhecer sua imunidade relativamente às contribuições à Seguridade Social, pois estando o artigo 55 da Lei 8.212/1991 em perfeita consonância com as disposições constitucionais, e considerando que as exigências ali contidas não foram observadas, fica a empresa obrigada ao recolhimento das contribuições a seu cargo, previstas no artigo 22 da mesma lei, bem como, ao recolhimento das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, nos termos do artigo 30, da referida lei e, de igual modo, efetuar o recolhimento das contribuições devidas às entidades e fundos (chamados de Terceiros). A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 10/2005, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, constatase que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei 8.212/1991. Entretanto, a decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, §4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000292/201075 Acórdão n.º 2402003.872 S2C4T2 Fl. 7 11 passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Assim – como a autuação se deu em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 01/2005 a 12/2006, percebese que as competências posteriores a 12/2004 não foram atingidas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Outro ponto a esclarecer é que essa autuação não é calculada conforme a quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi descumprida. Assim, o cálculo é único, bastando um descumprimento para gerar a autuação com o mesmo valor, no caso em tela as competências posteriores a 12/2004 em que a Recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma descriminada, as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2005 a 12/2006 e as competências posteriores a 12/2004 não estão abarcadas pela decadência tributária. Nesse sentido, há o entendimento de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002: Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Diante disso, rejeito a preliminar de decadência ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de preparar as folhas de pagamento sem a discriminação individualizada: (i) dos segurados, seu cargo, função ou serviço prestado; (ii) as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e (iii) o número de quotas de salário família e o nome das seguradas empregadas em gozo do salário maternidade. Isso está consubstanciado no fato de que a empresa deixou de incluir a totalidade da remuneração dos segurados empregados em folha de pagamento, bem como não inseriu a totalidade dos segurados contribuintes individuais (autônomos) e suas remunerações na mesma (Levantamentos ER e ER1 EMPREGADOS DIF RAZÃO e Levantamentos CI e CI1 C IND DIF RAZÃO GFIP). Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000292/201075 Acórdão n.º 2402003.872 S2C4T2 Fl. 8 13 I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2005 a 12/2006 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados – a Portaria MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, reajustou os valores da multa para R$1.431,79. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10845.001015/2002-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989
PAF - RECURSO - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - LIMITES - PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ.
É assente na jurisprudência administrativa a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado.
RESTITUIÇÃO - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO - PRECEDENTES DO STF E STJ.
A Jurisprudência Judicial pacificou-se no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 - DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso.
Numero da decisão: 3402-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyana (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel (Substituta) e João Carlos Cassuli Júnior. Ausente, justificadamente Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta..
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989 PAF - RECURSO - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - LIMITES - PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ. É assente na jurisprudência administrativa a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado. RESTITUIÇÃO - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO - PRECEDENTES DO STF E STJ. A Jurisprudência Judicial pacificou-se no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 - DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.001015/200287 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.293 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O IBC RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA Recorrente MERCHANTS COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989 COTA DE CONTRIBUIÇÃO AO IBC EXPORTAÇÃO DE CAFÉ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECRETOLEI Nº 2295/86 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCINALIDADE PELO STF DIREITO À RESTITUIÇÃO DENTRO DO PRAZO LEGAL. A declaração de inconstitucionalidade pelo STF da Cota de Contribuição nas exportações de café devida ao IBC, instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, autoriza a restituição do tributo recolhido de acordo com a base de cálculo declarada inconstitucional (arts. 165 a 168 do CTN) desde que requerida dentro do prazo legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989 PAF RECURSO ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI LIMITES PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ. É assente na jurisprudência administrativa a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado. RESTITUIÇÃO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO PRECEDENTES DO STF E STJ. A Jurisprudência Judicial pacificouse no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 10 15 /2 00 2- 87 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyana (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel (Substituta) e João Carlos Cassuli Júnior. Ausente, justificadamente Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 361/371) contra o Acórdão DRJ/SPOII nº 1725.560 de 05/06/08 constante de fls. 338/356 exarado pela da 1ª Turma da DRJ de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “não homologar a compensação” indeferindo a manifestação de inconformidade de fls. 410/414, mantendo o r. Despacho decisório nº 673/03 (fls. 173/179) da DRF de Santos – SP, que indeferiu o Pedido de Restituição da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC (fls. 01) no valor de R$ 317.511,67, protocolado em 19/03/02, e relativo a recolhimentos supostamente indevidos da referida contribuição efetuados, no período de dezembro de 1987 a dezembro de 1989 com base no DecretoLei nºs 2.295/86 julgado inconstitucional pelo Pleno do STF (RE n° 191.0445/SP e 198.554/SP), e deixou de homologar a compensação relatada nos Pedidos de Compensação (fls. 50, 92, 97, 105, 112, 119, 126, 130, 137, 138, 139, 142, 149, 154, 165, 166 e 170) de tributos administrados pela SRF. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 3 3 O r. Despacho decisório nº 673/03 (fls. 173/179) da DRF de Santos SP indeferiu os Pedidos de Restituição e Compensação, aos fundamentos explicitados nos seguintes termos: “Segundo informa, o fundamento de sua presunção creditória foi a decisão proferida pelo STF, quando do julgamento do recurso extraordinário nº 191.0445 em que declarou que a contribuição para o IBC não fora recepcionada pela CF de 1988 e, portanto, sua cobrança seria indevida após sua promulgação. Tal acórdão, salientese, foi exarado no controle difuso da constitucionalidade em ação da qual a interessada não participou e que gerou efeitos entre as partes. Além do mais, do exame dos documentos acostados ao autos, não se tem notícia de que a empresa esteja ao abrigo de tutela jurisdicional que a isentasse do recolhimento da taxa com a consequente repetição do indébito. Como foi a sua decisão de vir socorrerse na via administrativa, a contribuinte deve subordinarse às regras da Administração atinentes á restituição de tributos, á luz das quais, também nãos e vislumbra o direito creditório pleiteado. A menção ao acórdão 303/2000 emanado do 3º Conselho de Contribuintes não sustenta eventual acolhimento desse suposto direito, posto que a decisão em causa não vincula os agentes da Secretaria da Receita Federal, submetidos que são ao princípio da legalidade, consubstanciado no procedimento de somente poder agir nos limites estritos das normas que lhe são impostas. Mesmo o Decreto 2346/97, cujo artigo 1º transcrevemos, que autoriza a extensão dos efeitos das decisões proferidas pelo STF no controle da constitucionalidade das leis, não se aplica em tela, pois há que se ter autorização legal para tanto, o que não existe. Artigo 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de maneira, inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal Direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste decreto. Paragrafo 1°: Transitada em julgado decisão do STF que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível e revisão administrativa ou judicial. Parágrafo 2°: 0 disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, lei ou ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida incidentalmente pelo STF, após a sua suspensão pelo Senado Federal." Fl. 800DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Além do mais se direito houvera, este teria sido sepultado pelo tempo pois, a restituição das taxas para o IBC, relativas aos períodos de apuração de e 1987 a 1989, foi requerida em 19 de março de 2002, ensejando também seu indeferimento com base no instituto da decadência, em razão do lapso temporal acima de cinco anos, o que contraria os termos do artigo 168 da Lei nº 5.172/66, Código Tributário nacional. Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Ainda, por oportuno, deve ser mencionado o Ato Declaratório SRF N° 096, de 26 de novembro de 1999, que pôs fim as controvérsias no âmbito administrativo, quanto ao prazo para a repetição de indébito de contribuição ou tributo pago com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF no exercício dos controles difuso e concentrado. I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição e tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário — artigos 165, I, e 168, II, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Portanto, com base no acima exposto e com fundamento nos artigos 165 combinado com o 168 do CTN, proponho o não reconhecimento do direito creditório da contribuinte relativo aos pagamentos feitos sob o código de receita 2719, nos períodos de apuração de dezembro de 1987 a dezembro de 1989, da taxa de contribuição sobre exportação de café, bem como o INDEFERIMENTO de seu pedido de restituição, no valor de R$367.511,27, formulado á fl. 01. Em decorrência, proponho ainda o indeferimento da compensação dos tributos listados na planilha de fls. 01/02 do presente Termo, os quais devem ter sua suspensão da exigibilidade anulada, promovendose as suas cobranças, em conformidade com a legislação vigente. .... Em 29/12/2003 .... Considerando os fundamentos de fato e de direito expostos acima, bem como tudo o mais que do processo, INDEFIRO o Fl. 801DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 4 5 pedido de restituição apesentado pela interessada, no valor de R$367.511,27, conforme requerimento de fl. 01, relativo às taxas para o IBC recolhidas nos períodos de apuração de 1988 a 1989, conforme Darf´s de fls. 13/29, sob o código 2719. Em decorrência, os créditos tributários em aberto, cujas exigibilidades estão suspensas nos sistemas eletrônicos da SRF, em função da compensação requerida, deverão ser restaurados, promovendose as suas cobranças em conformidade com a legislação vigente. Dêse ciência desta decisão à interessada, ressalvandolhe o direito de, no caso de discordância, apresentar impugnação contra a decisão que indeferiu a restituição requerida, dirigida ao Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, no prazo máximo de 30 (trinta dias) contados da ciência desta.” Por seu turno a decisão de fls. 338/356 da 1ª Turma da DRJ de São Paulo SP, houve por bem “não homologar a compensação” indeferindo a manifestação de inconformidade de fls. 410/414 e mantendo o r. Despacho decisório nº 673/03 (fls. 173/179) da DRF de Santos SP, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989 Restituição do Indébito de Contribuição para o IBC nas exportações de café. Extensão de declaração de inconstitucionalidade proferida Pelo STF, nos casos de controle difuso. Prazo decadencial. INCONSTITUCIONALIDADE: Os órgãos administrativos de julgamento podem estender os efeitos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, nos casos de controle difuso se houver inequívoca manifestação do Supremo Tribunal Federal. Quando a decisão do STF não se trata especificamente do mesmo assunto, a extensão não pode ser adotada. ( Lei 9430/96; art. 77), do Decreto 2346/97 e Parecer PGFN 948/98). DECADÊNCIA: Em observância ao princípio da segurança das relações jurídicas, o direito não pode retroagir no tempo indefinidamente. A declaração de inconstitucionalidade produz efeito ex tunc, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial ( Decreto 2346/97). O prazo decadencial contase a partir do pagamento indevido, por analogia do disposto no artigo 168, do CTN (Parecer PGFN 1538/99 e ADNSRF 96/99). COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS VINCULADA AO RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO Conforme art. 170 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a Lei pode, nas condições e sob as Fl. 802DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 garantias 'que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Não reconhecido o direito creditório pleiteado, e descaracterizado como crédito líquido certo do sujeito passivo contra a Fazenda Pública não cabe homologação das compensações a ele vinculadas. Compensação não Homologada” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 361/371) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) ser incontroversa a declaração de inconstitucionalidade pelo Pleno do STF (RE n° 191.0445/SP e 198.554/SP) da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, com base no qual foram feitos os recolhimentos indevidos, sendo que a decisão do STF é definitiva, sendo inequívoca a demonstração do crédito das Guias DARFs (fls. 22/29) em nome da Recorrente; b) que não teria havido a decadência ou prescrição de seu direito à restituição, eis que a Recorrente obteve a declaração de inconstitucionalidade da exigência do pagamento do IBC, através de Ação Declaratória nº 89.00257196, que tramitou na 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro, no TRF da 2ª Região (AC nº 96.02.083662), com certidão de trânsito em julgada de 27/05/02, conforme demonstrado pelos documentos anexados aos autos, notadamente, a Certidão de Objeto e Pé do referido processo (fls. 278 do processo original e fls. 484 do processo digitalizado), conforme documentos juntados às fls. 469/485 do processo digitalizado. É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, não merece ser provido. Inicialmente anoto ser assente na jurisprudência deste Conselho que “a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo”, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 1.770RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 187/468; cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 952, rel. Min. Celso de Mello publ. in RTJ 183/486). E isto porque, como também esclareceu o E. STJ, “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº Fl. 803DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 5 7 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186). No caso é inequívoco que o Plenário da Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO. I.B.C. CAFÉ: EXPORTAÇÃO: COTA DE CONTRIBUIÇÃO: D.L. 2295, de 21.11.86, artigos 3º e 4º. C.F., 1967, art. 21, § 2º, I; C.F., 1988, art. 149. I. Não recepção, pela CF/88, da cota de contribuição nas exportações de café, dado que a CF/88 sujeitou as contribuições de intervenção à lei complementar do art. 146, III, aos princípios da legalidade (C.F., art. 150, I), da irretroatividade (art. 150, III, a) e da anterioridade (art. 150, III, b). No caso, interessa afirmar que a delegação inscrita no art. 4º do D.L. 2295/86 não é admitida pela CF/88, art. 150, I, ex vi do disposto no art. 146. Aplicabilidade, de outro lado, do disposto nos artigos 25, I, e 34, § 5º, do ADCT/88. II. RE não conhecido.” (cf. Ac. do STF – Pleno no RE nº 191044SP, em sessão de 18/09/97, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, publ. in DJU de 31/10/97, pág. 55563 EMENT VOL 0188905 PP00817) Assim, é evidente que a declaração de inconstitucionalidade da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, autoriza a restituição do tributo recolhido de acordo com a base de cálculo declarada inconstitucional. Como também é elementarmente sabido, o direito à repetição do indébito tributário, seja em razão de erro de fato ou de direito, decorre diretamente da própria Constituição e encontra seu fundamento jurídico nos princípios da legalidade da Tributação e da Administração constitucionalmente assegurados (arts. 37 e 150, inc. I da CF/88) que, como ensina Brandão Machado, consubstanciam, não só o “fio diretor do comportamento da administração pública”, mas também a “fonte” do direito público subjetivo do indi víduo de não ser tributado senão exatamente como prescreve a lei (cf. in “Estudos em homenagem ao Prof. Ruy Barbosa Nogueira”, Ed. Saraiva, 1984, pág. 86), cuja inobservância enseja violação do direito de quem paga o tributo, que por sua vez adquire, no exato momento em que cumpre a obrigação tributária indevida, os direitos ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública, da restituição do indébito. Cumprindo sua vocação especifica de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária especialmente sobre decadência (art. 146, inc. III, alínea “b da CF/88), a Lei Complementar recepcionada pela Constituição (ex. vi do § 5º do art. 34 do ADCT/CF), posteriormente veio estabelecer que o direito de pleitear a restituição do indébito tributário, seja qual for a modalidade do pagamento indevido, extinguese em 5 anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido (arts. 165 e 168 do CTN), tal como reconhecido pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Entretanto, com a ressalva de minha posição pessoal, verificase que a Jurisprudência do STF e da 1ª Seção do E. STJ se pacificou no sentido de que “o prazo prescricional para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação”, “relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005” (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores à vigência da referida lei, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"), como se pode ver das seguinte e elucidativas ementas: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (cf. Acórdão Fl. 805DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 6 9 do STF – Pleno no RE 566621, em sessão de 04/08/11, Rel. Min. ELLEN GRACIE, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, publ. in DJUe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) “E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO TRIBUTÁRIO (...) PRAZO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DAS NORMAS INSCRITAS NOS ARTS. 3º E 4º DA LC Nº 118/2005, NOTADAMENTE DAQUELA QUE SE REVESTIRIA DO CARÁTER DE INTERPRETAÇÃO AUTÊNTICA (LC Nº 118/2005, ART. 3º) DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA INTERPRETATIVA DE REFERIDO PRECEITO LEGAL, QUE INTRODUZIU, NO TEMA, EVIDENTE INOVAÇÃO MATERIAL DE ÍNDOLE NORMATIVA PERFIL DAS LEIS INTERPRETATIVAS NO SISTEMA DE DIREITO POSITIVO BRASILEIRO INTEIRA SUBMISSÃO DE SEUS ASPECTOS FORMAIS E DE SEU CONTEÚDO MATERIAL AO PERMANENTE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DO PODER JUDICIÁRIO (ADI 605MC/DF, REL. MIN. CELSO DE MELLO) INCOLUMIDADE DE SITUAÇÕES JURÍDICAS DEFINITIVAMENTE CONSOLIDADAS, TAIS COMO PREVISTAS NO INCISO XXXVI DO ART. 5º DA LEI FUNDAMENTAL, COMO EXPRESSÃO CONCRETIZADORA DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SEGURANÇA JURÍDICA PRECEDENTE EMANADO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, FIRMADO EM JULGAMENTO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE 566.621/RS), EM CUJO ÂMBITO TAMBÉM SE RECONHECEU A EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL AGRAVO IMPROVIDO.” (cf. Acórdão da 2ª Turma do STF no RE 596673 AgR, em sessão de07/02/12, Rel. Min. CELSO DE MELLO, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJUe037 DIVULG 22022012 PUBLIC 23022012) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IRRETROATIVIDADE DO ART. 3º. DA LC 118/05. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO ART. 4o. DA LC 118/05. QUESTÃO DECIDIDA PELA CORTE ESPECIAL (AI NO EREsp. 644.736/PE). RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA: REsp. 1.002.932/SP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Corte Especial reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º. da LC 118/05, na parte que determina a aplicação retroativa do disposto no art. 3o. da mesma lei (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 27/08/2007). 2. No julgamento do REsp. 1.002.932/SP, representativo de controvérsia, realizado em 25/11/2009, de relatoria do ilustre Ministro LUIZ FUX, a Primeira Seção deste Superior Tribunal Fl. 806DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 de Justiça firmou o entendimento de que: (a) relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC 118/05 (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e (b) quanto aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. No caso, os tributos foram indevidamente recolhidos a título de IRPF em 2001 (fl. 152), ou seja, antes da entrada em vigor da LC 118/2005, tendo sido a ação ajuizada em 03.06.2002, que revela inequívoca a inocorrência da prescrição dos tributos recolhidos indevidamente no decênio anterior ao ajuizamento da demanda, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 4. Agravo Regimental desprovido.” (cf. AC. da 1ª Truma do STJ no AgRg no REsp 1124331/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, em sessão de 01/09/2011, publ. in DJU de 15/09/2011) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LC N. 118/05. SISTEMÁTICA DO "5 + 5". PRECEDENTE REGIDO PELO RITO DO ART. 543C, DO CPC. CONTRIBUIÇÃO. FUNRURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI N. 8.213/91. EXTINÇÃO. NOVA EXAÇÃO. TRIBUTO EXIGÍVEL A PARTIR DA LEI N. 8.870/94. 1. Não se pode conhecer do recurso especial em relação à apontada violação ao art. 535 do CPC, pois as alegações que fundamentaram a pretensa ofensa são genéricas, sem discriminação dos pontos efetivamente omissos, contraditórios ou obscuros ou sobre os quais tenha ocorrido erro material. Incide, no caso, a Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia. 2. A orientação desta Corte, no que tange ao prazo prescricional para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, é no sentido de que: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). (REsp n. 1.002.932/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, pela sistemática do art. 543C, do CPC). 3. A partir do julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade no EREsp n. 644.736/PE, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça adotou o entendimento no sentido de que o artigo 4º, segunda parte, da LC 118/05 (que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados) ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). Fl. 807DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 7 11 4. Conforme pacificado nesta instância, a contribuição ao Funrural incidente sobre o valor comercial dos produtos rurais foi extinta a partir da vigência da Lei n. 8.213/91. Nada obstante, em seguida foi instituída outra contribuição, devida a partir de 23.3.1993 pela pessoa física empregadora rural sobre o valor da comercialização de sua produção, por meio da Lei n. 8.540/92. Desta feita, a contribuição incidente sobre a comercialização de produtos rurais a cargo da pessoa física empregadora rural somente não poderá ser cobrada no período compreendido entre as Leis n. 8.212/91 e 8.540/92. Precedentes: AgRg no REsp 1226313/RS, rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19/04/2011; REsp 1205599 / SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 25/03/2011. 5. Recurso especial parcialmente conhecido, e, nesta parte, parcialmente provido para que a prescrição na hipótese se oriente pela sistemática do "5 + 5".”(cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 1218759/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, em sessão de04/08/2011, publ. in DJU de 15/08/2011) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. DIREITO INTERTEMPORAL. FATOS GERADORES ANTERIORES À LC 118/2005. APLICAÇÃO DA TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RECURSO ESPECIAL REPETITIVO RESP N. 1.002.932SP. APLICAÇÃO DO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Cuidase de agravo regimental interposto contra decisão que versou sobre a contagem do prazo prescricional aplicável ao presente caso, consoante metodologia legal preconizada pela Lei 11.672/2008, que acrescentou o artigo 543C ao CPC. 2. O recurso especial n. 1.002.932SP, por ser representativo da matéria em discussão, cujo entendimento encontrase pacificado nesta Corte, foi considerado recurso repetitivo e submetido ao regime de julgamento previsto pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, regulamentado pela Resolução n. 8 do dia 7 de agosto de 2008, do STJ. 3. O mencionado recurso, da relatoria do eminente Ministro Luiz Fux, foi submetido a julgamento pela Primeira Seção na data de 25/11/2009, no qual o STJ ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Agravo regimental não provido. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no AREsp 8.122/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, em sessão de 04/08/2011, publ. in DJU de 10/08/2011) Fl. 808DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 Aplicando os preceitos expostos ao caso concreto, verificase que tratandose de pedido de restituição protocolado em 19/03/02, portanto anterior à vigência da LC nº 118/05 (que ocorreu em 09/06/05), parece evidente que referido pedido não poderia abranger recolhimentos efetuados além dos 10 anos anteriores ao pedido (19/03/92), como é o caso da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC recolhida no período de dezembro de 1987 a dezembro de 1989. Da mesma forma ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso. Finalmente, ressaltese que a serôdia alegação no sentido de que haveria a r. sentença exarada na Ação Declaratória nº 89.00257196 (fls. 469/485 do processo digitalizado), que tramitou perante a Justiça Federal no Rio de Janeiro (10ª Vara Federal RJ, e TRF da 2ª Região AC nº 96.02.083662), transitada em julgada de 27/05/02 (cf. Certidão de fls. 278 do processo original e fls. 484 do processo digitalizado) , não argüida por ocasião da manifestação de inconformidade sequer poderia ser conhecida, por se achar preclusa, nos expressos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (P.A.F., com redação determinada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) e da Jurisprudência deste E. Conselho que reiteradamente entende ser inadmissível a apreciação, em grau de recurso de matéria que não foi suscitada na instância a quo (cf. Ac. nº 20215690 da 2ª Câm. do 2º CC no Rec. nº 122963, Proc. nº 13051.000127/9924, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 07/07/04). Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento da restituição. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida da DRJ. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 809DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10320.003353/2007-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2002, 2003
AUSÊNCIA. APONTAMENTO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO ATACADA.
As razões recursais que deixa de afrontar a decisão apontando os ponto de irresignação, mas que simplesmente só repete os argumentos sustentados ainda em sede de impugnação, sem atacar os fundamento da decisão, mesmo que no decorrer utilize-se de outros argumentos em relação ao julgado, dificulta e impede que o Julgador ad quem conheça exatamente de que se está reclamando, como se sabe o que deve ser atacado pelo recurso são os fundamentos da decisão que se deseja rebater.
Ementa:JUROS MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE.
Não incide juros mora sobre a multa de ofício, essa exigência se revela ilegal mediante a inexistência de previsão legal a autorizar a Administração fazer incidir os juros de mora, como é de conhecimento geral o ato administrativo deve encontrar revestido de legalidade, no caso inexiste norma a conferir autorização à cobrança.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2002, 2003 AUSÊNCIA. APONTAMENTO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO ATACADA. As razões recursais que deixa de afrontar a decisão apontando os ponto de irresignação, mas que simplesmente só repete os argumentos sustentados ainda em sede de impugnação, sem atacar os fundamento da decisão, mesmo que no decorrer utilize-se de outros argumentos em relação ao julgado, dificulta e impede que o Julgador ad quem conheça exatamente de que se está reclamando, como se sabe o que deve ser atacado pelo recurso são os fundamentos da decisão que se deseja rebater. Ementa:JUROS MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE. Não incide juros mora sobre a multa de ofício, essa exigência se revela ilegal mediante a inexistência de previsão legal a autorizar a Administração fazer incidir os juros de mora, como é de conhecimento geral o ato administrativo deve encontrar revestido de legalidade, no caso inexiste norma a conferir autorização à cobrança. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2002, 2003 AUSÊNCIA. APONTAMENTO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO ATACADA. As razões recursais que deixa de afrontar a decisão apontando os ponto de irresignação, mas que simplesmente só repete os argumentos sustentados ainda em sede de impugnação, sem atacar os fundamento da decisão, mesmo que no decorrer utilizese de outros argumentos em relação ao julgado, dificulta e impede que o Julgador “ad quem” conheça exatamente de que se está reclamando, como se sabe o que deve ser atacado pelo recurso são os fundamentos da decisão que se deseja rebater. Ementa:JUROS MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE. Não incide juros mora sobre a multa de ofício, essa exigência se revela ilegal mediante a inexistência de previsão legal a autorizar a Administração fazer incidir os juros de mora, como é de conhecimento geral o ato administrativo deve encontrar revestido de legalidade, no caso inexiste norma a conferir autorização à cobrança. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 33 53 /2 00 7- 87 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que acolheu parcialmente o pleito relativo ao período de apuração de janeiro de 2002 a dezembro de 2003 referentes à COFINS. A Contribuinte tomou conhecimento do lançamento em 27 de setembro de 2007 e apresentou resistência a constituição do crédito tributário em 26 de outubro de 2007, ao argumento de que: “1. Em primeiro plano, suscitou a nulidade do lançamento, pela não apresentação do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar e do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, que se constituiriam em documentos essenciais, em razão do que estaria prejudicado o exercício da ampla defesa, pelo que não mereceriam prosperar os autos de infração questionados. 09. Na sequência, postulou a decretação da decadência do direito de lançar, visto que a ciência se operou em 27/09/2007, ao passo que o lançamento se reportou a fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2002 e 2003. Conforme discorrido, Sobreleva notar que o PIS, COFINS, CSLL e IRPJ são daquelas exações sujeitas ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN), motivo pelo qual em setembro de 2007, decaiu o direito do fisco de efetuar qualquer lançamento referente a tributo cujo fato gerador ocorreu nos cinco anos anteriores à data do lançamento. (...) Vale ainda esclarecer que no caso dos autos deve ser aplicada a regra contida no artigo 150, § 4º do CTN, mormente porque houve pagamento antecipado, apesar de não integral, por parte do contribuinte, (...). 10. Em reforço à posição defendida, apresentou as ementas de diversos julgados: RESP nº 278727/DF, RESP nº 101404/SP, Acórdãos nºs 10806957 e 10193843 do 1º Conselho de Contribuintes e Acórdão CSRF nº 0202.555, dentre outros. 11. Foi também atacada à consistência da base de cálculo eleita pela autoridade lançadora. De acordo com o entendimento da impugnante, o trabalho fiscal não apresentou todos os elementos essenciais, necessários à sua validade jurídica, o que implicaria na sua nulidade. Segundo a impugnante, nos demonstrativos elaborados pelo autuante não estariam presentes os indispensáveis atributos da clareza e da precisão, o que estaria dificultando a identificação da base de cálculo considerada na autuação, prejudicando a defesa da impugnante. Ainda em Fl. 918DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10320.003353/200787 Acórdão n.º 3403002.612 S3C4T3 Fl. 6 3 relação à base de cálculo, foi afirmado que Ressaltese ainda que não foram consideradas para efeito de cobrança do PIS, todas as despesas necessárias à prestação de serviços, como os gastos com insumos diretamente ligados às atividades da empresa, tais como, vale transporte, vale alimentação, fardamentos, seguro, cesta básica, combustíveis e lubrificantes, despesa com informática, veículos, exames médicos, locação de equipamentos, manutenção, material de expediente, correios e malotes, consultorias, treinamentos, material de segurança (conforme planilha elaborada pelo contador da empresa), o que contraria o princípio da legalidade, na medida em que a Lei n° 10.833/03, não criou qualquer restrição aos bens e serviços que poderiam ser utilizados como insumos. 12. Argumentou também que teria havido a indevida inclusão do ISS na base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS. De acordo com a litigante, Da leitura das normas atinentes às contribuições ao PIS (Lei n° 10.637/02) e a COFINS (Lei n° 10.833/03), verifica se de forma clara que as mesmas atribuem como base de calculo das contribuições em tela, o valor do faturamento, este entendido como todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica. Desta forma, não há como incluir na base de cálculo das citadas contribuições, o valor concernente ao ISS, na medida em que este não é considerado como faturamento para efeito de incidência das referidas contribuições. 13. Por fim, considerou que os juros de mora cobrados nos lançamentos contestados teriam incidido sobre as multas de ofício, procedimento não amparado pela legislação de regência. 14. Ao final de suas considerações postulou a decretação da nulidade/improcedência total dos lançamentos, com sua exoneração dos créditos tributários em discussão. Protestou ainda pela apresentação de todos os meios de prova admitidas em direito, especialmente perícia, juntada posterior de novos documentos, e tudo mais que se fizer necessário para elidir prova em contrário”. Da impugnação restou acolhida alegação de decadência quanto ao período de janeiro de 2002 a agosto de 2002. Constase do Relatório Fiscal que o Contribuinte apurou o PIS e a COFINS com base no faturamento, regime cumulativo, embora estivesse obrigado, a partir de dezembro de 2002 apurar as contribuições, por força da Lei nº 10.637, 30 de dezembro de 2002 por estar submetida à sistemática de apuração do lucro real. Motivo pelo qual teria sido apurada a diferença de alíquota, além de ter deduzido da base de cálculo todo custo e despesas operacionais, segundo informação prestada à fiscalização com base nas Medidas Provisórias nºs 1.85810/99 e 2.15835/2001, que permitiam às instituições financeiras deduzirem da base de cálculo das contribuições exigidas, tratamento que faz jus em razão dos princípios assegurados nos arts. 3º e 150 da Constituição Federal. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Em razões recursais reitera os fundamentos contidos na impugnação, inclusive, decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual o conheço. A matéria trazida nessa discussão se refere ausência de apresentação do mando de procedimento fiscal complementar, demonstração de emissão e prorrogação que seria causa de nulidade. Decadência, essa já reconhecida no Acordo ora hostilizado. Discutese, também, indicação de base de cálculo, segundo a Interessada estaria em desconformidade com a base real sobre a qual deveria incidir o tributo, portanto, em desconformidade com o dispositivo do art. 142 do CTN. Controverte também no sentido de ver excluído da base de cálculo à inclusão do valor pago a título de Imposto sobre Serviço – ISS e diz da ilegalidade quanto à exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Inexiste questão preliminar a ser examinada, haja vista que, essa matéria encontra decidida pelo Acórdão e a Recorrente não afronta a decisão nesse ponto, simplesmente repete os argumentos sustentados ainda em sede de impugnação. Como se sabe o que deve ser atacado pelo recurso, especificamente, os fundamento da decisão que se deseja rebater, mesmo que no decorrer utilize argumentos contidos em outras peças, fato que não obsta o conhecimento do recurso. Em sendo assim, as razões do recurso são deduzidas a partir da decisão, deixando de especificar o inconformismo em relação ao julgado, dificulta e impede que o julgador Ad quem conheça exatamente de que se está reclamando. Base de Cálculo Segundo consta das razões recursais, que o lançamento estaria em desconformidade com a norma do art. 142 do CTN. Impõe de esse modo saber exatamente o que contraria o dispositivo do ordenamento jurídico tributário. Da leitura do conteúdo do item III da peça recursal pouco se extraí de concreto, apenas se repete o que está redigido no dispositivo. A fiscalização examinou os livros contábeis e fiscais, e, extraíram deles os valores contabilizados e lançados a título de receitas, valores não contestados pelo contribuinte. Portanto, constatado está quanto ao fato gerador da obrigação, bem como, determinou a matéria tributável, restou calcular o montante devido, pois o sujeito passivo encontrava identificado desde o início da ação fiscal. Constatado conduta contraria a legislação, cabia sim constituição do crédito tributário através do lançamento, visto que, as declarações prestadas e os pagamentos não condiziam com os fatos geradores da obrigação. A elaboração de planilha teve o intuito de simplificar e demonstrar os números nos quais se calculou o tributo devido e, o fez de modo simples, apontando o Fl. 920DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10320.003353/200787 Acórdão n.º 3403002.612 S3C4T3 Fl. 7 5 faturamento e outras receitas a integrarem à base de cálculo de apuração do PIS e a COFINS mês a mês, dados extraídos dos livros fiscais da Interessada. Em síntese o que se fez foi afastar as deduções não permitidas pelas leis de regência, haja vista, ausência de permissivo legal a acobertar exclusão dos custos e despesas operacionais da base de cálculo. Embora a Recorrente não mencione especificamente em que consistiam os custos e as despesas operacionais, mas esses podem ser visto por meio das planilhas elaboradas pela fiscalização fls. 69. Acontece que essa matéria não foi controvertida em razões recursais, e, o que se conhece em sede aquém é o conflito entre o julgado e o apontado em desconformidade pela Interessada, o que neste caso concreto deixou de ser efetivamente indicado. Assim, vislumbro que o lançamento deuse em conformidade com o rigor do art. 142 do CTN, e, andou muito bem o julgador de piso em manter o lançamento. Exclusão da base de cálculo do valor Imposto sobre Serviço – ISS. Está equivocado a Recorrente, o valor incluído à base de cálculo é o valor do faturamento e outras receitas. Além do que, o destaque do ISS se refere a mero controle contábil e fiscal. De modo que, encontra vedado a exclusão da base de cálculo de quaisquer valores estranho à permissão legal estipulada pela Lei nº 10.637/2002. Assim, deixo acolher a irresignação trazida no recurso voluntário. Ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em pese a confusão traçada nas peças de impugnação e recursal em relação à multa de mora e multa de ofício, no entanto, apreciase o assunto mesmo diante dessa confusão o que é uma e o que é a outra, mas pelo fato de se está a exigir os juros sobre multa de ofício. O que se vê, mormente é exigência por meio de carta de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Essa exigência se revela ilegal mediante a inexistência de previsão legal a autorizar a Administração fazer incidir os juros de mora. Como é de conhecimento geral o ato administrativo deve encontrar revestido de legalidade, no caso inexistindo norma a conferir a exigência se revela ilegal. Assim, cabe acolher o argumento da ilegalidade da exigência de juros sobre a multa de ofício e afastar. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para afastar a exigência de juros de mora sobre multa de ofício. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 921DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Fl. 922DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 18471.001786/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado for inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do art. 1º, da Portaria MF nº 3, de 03 de Janeiro de 2008.
Recurso de ofício não conhecido.
IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN.
Tratando-se o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador é da modalidade complexiva, que se consuma em 31.12 de cada ano calendário, tem-se que na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial obedece a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o primeiro dia do
exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, iniciando sua contagem em 01.01 após o fato gerador, de modo que para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, tem o início da contagem em 01.01.2000, estando colhidos pela decadência lançamentos tributários posteriores a 01.01.2005.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-001.020
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Ofício, tendo em vista o limite de alçada. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado.
Nome do relator: João Carlos Cassuli Junior
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LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado for inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do art. 1o, da Portaria MF nº 3, de 03 de Janeiro de 2008. Recurso de ofício não conhecido. IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. Tratandose o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador é da modalidade complexiva, que se consuma em 31.12 de cada ano calendário, temse que na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial obedece a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, iniciando sua contagem em 01.01 após o fato gerador, de modo que para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, tem o início da contagem em 01.01.2000, estando colhidos pela decadência lançamentos tributários posteriores a 01.01.2005. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Ofício, tendo em vista o limite de alçada. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 2 Recorrente, para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Ewan Teles Aguiar e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 12 3 Relatório Tratam os presentes autos de Auto de Infração (fl. 167) relativo à Imposto de Renda Pessoa Física, lavrado em desfavor do ora Recorrente, no montante total de R$ 1.259.063,19 (um milhão, duzentos e cinqüenta e nove mil, sessenta e três reais e dezenove centavos), referente aos anoscalendário de 1999 e 2000 (exercícios 2000 e 2001, respectivamente). No curso da ação fiscal levada a efeito pela Autoridade Administrativa em desfavor de Norberto Rodrigues Duarte, ficou caracterizada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados pelo referido contribuinte, relativos aos anos calendário de 1999 e 2000. Cumpre mencionar que, relativo à base de 1999 o contribuinte omitiuse de efetuar a declaração pertinente, valendose ainda, relativamente à base de 2000, de declaração online, autorizada para os contribuintes com rendimento tributáveis até o limite de R$8.000,00. Instado em 16/06/2005 (AR fl. 08) a apresentar os extratos bancários relativos às contas mantidas nas instituições financeiras HSBC e Bradesco o contribuinte apresentou em 29/06/2005 simples declaração (fl. 09) afirmando que não mais residia no país e que em vista disso seria impossível a apresentação dos extratos no prazo estipulado. Informou ainda o contribuinte que já havia providenciado a solicitação dos documentos pendentes à referida instituição financeira, requerendo dilação temporal para o cumprimento de tal exigência. Juntou ao documento apresentado os extratos relativos à instituição financeira HSBC (a qual a movimentação financeira era, segundo termo de constatação fiscal às fls. 153, módica em relação ao outro banco), não comprovando, todavia, sua condição de residente no exterior. Inerte, em 08/08/2005 (AR de fl. 15) o contribuinte foi reintimado a apresentar os extratos bancários relativos à instituição financeira Bradesco, bem como informado de que sem a comprovação de que era nãoresidente no país, para efeitos fiscais, à ele se aplicaria a legislação como se residente fosse. Em atenção à referida intimação o contribuinte, por seu procurador constituído, conforme instrumento de mandato à fl. 17, apresentou à fiscalização (fls. 16 a 38) cópia do passaporte, do cartão de residência permanente (Green Card), bem como da correspondência dirigida ao Banco Bradesco S.A, onde reitera a solicitação dos extratos de suas contas para entrega a fiscalização. Diante de seguidas postergações por parte da fiscalização, para entrega dos extratos, foi expedida diretamente à Instituição Financeira mencionada, Requisição de Movimentações Financeiras (RMF) (fl. 39), a qual, encontrase anexada às fls. 41 a 107. Diante da análise dos referidos extratos, foi novamente intimado o contribuinte à comprovar a origem dos depósitos bancários existentes nas mencionadas contas correntes, bem como deveria o mesmo identificar os respectivos cotitulares das mesmas. Ficando ainda intimado a apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, tendo em vista que não se caracterizava a condição de nãoresidente do mesmo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 4 Em 14/11/2005 (fl. 111) o contribuinte informou oficialmente que não apresentou Declaração de Saída do País, bem como de que não havia conseguido reunir a documentação comprobatória da origem dos depósitos, informando ainda que solicitara junto ao banco, a informação acerca dos cotitulares das contascorrentes. Em 23/11/2005 (fl. 135) e 02/12/2005 (fl. 136) o contribuinte foi reintimado a apontar qual das contas analisadas era conjunta com terceiros, bem como a identificação dos mesmos, não obtendo resposta conclusiva acerca dos fatos. Assim, em 13/12/2005 foi lavrada a autuação anteriormente mencionada, sob a alegação de que o lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (vide descrição dos fatos, fls. 168 a 169), aplicandolhe multa de 75%. DA IMPUGNAÇÃO Ato contínuo, em 13/12/2005 (fls. 167), ficou o contribuinte ciente da lavratura do Auto de Infração, ao qual, tempestivamente foi apresentada Impugnação Administrativa (fls. 192 a 201), que restou, resumidamente, assim consignada: É decadente autuação em relação ao anocalendário de 1999 (exercício 2000), tendo em vista que a ausência de declaração é irrelevante para a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, §4º do CTN, forte a jurisprudência dominante do Primeiro Conselho de Contribuintes; É decadente o lançamento à luz do art. 42 da Lei 9.430/96, em relação ao anocalendário de 2000, uma vez que os fatos que deram origem à pretensão fiscal (depósitos bancários) foram efetuados mês a mês e somados ao final do referido anocalendário, sendo que a interpretação deste dispositivo da legislação (específico para depósitos bancários) elegeu a tributação mensal e definitiva de IRPF; É nula de pleno direito a autuação fiscal combatida face ao fato de que a contacorrente fiscalizada é conjunta, e, portanto, imprescindível a intimação do cotitular; O requerente é domiciliado no exterior, de modo que ostenta condição de nãoresidente para efeitos tributários. Ao final, requer o cancelamento total da exigência contra si lavrada, seja pelo acolhimento das preliminares, seja pelas questões de mérito expostas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 1ª Turma da DRJ/RJOII, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, proferindo Acórdão n° 1317.417 (fls. 232 a 243), de 10 de outubro de 2007, que consignouse assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173,I) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 13 5 PESSOA FÍSICA. CONDIÇÃO DE NÃORESIDENTE NO PAÍS. Não tendo havido apresentação de declaração de saída definitiva do país, cabe ao contribuinte comprovar a ausência, por mais de doze meses consecutivos, para aquisição da condição de nãoresidente. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. No caso de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. Lançamento Procedente em Parte. A 1ª Turma da DRJRJOII(RJ), entendeu resumidamente que a decadência alegada pelo contribuinte não merece procedência em face da aplicação, ao caso, do art. 173, I do CTN, bem como que o mesmo não comprovou cabalmente que não reside nos país, merecendose sua tratativa fiscal ser aplicada como se residente fosse, e, ainda, afastou a presunção de omissão de rendimentos quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada relativos à contacorrente conjunta nº. 1.850/3 (agência 2.757/0), em face da ausência de intimação do cotitular da referida conta. DO RECURSO De ofício: Em atenção ao regulamentado pela Portaria nº. 3, de 03 de janeiro de 2008, em seu artigo 1º, combinada com as precisões do Decreto 70.235/72, o Presidente da 1ª Turma da DRJ/RJOII, recorreu de ofício da decisão prolatada, nos seguintes termos: “Quanto ao crédito tributário exonerado neste acórdão, submetase à apreciação do Egrégio 1° Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993 e Portaria MF 375, de 2001, por força de recurso necessário. A exoneração só será definitiva após o julgamento em segunda instância.” Voluntário: Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 09/04/2008 (AR de fl. 248), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 08/05/2008, o recurso de fls. 248 a 253, repisando, em síntese, seus argumentos quanto à decadência da autuação no que tange ao ano calendário de 1999 (exercício 2000) em face da aplicação direta do art. 150, §4º do CTN, bem como frisando ser residente no exterior, mais precisamente nos Estados Unidos da América, acostando aos autos novos documentos que afirma comprovar sua condição de nãoresidente, quais sejam: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 6 Declaração emitida em nome de “Celebration School” dando conta de que: Érika Santos Duarte, Leonardo Santos Duarte e Vinícius Santos Duarte freqüentaram tal escola no período de AGO/1998 a MAI/2000 (fl.255); Cópia de Seguro Social Norte Americano do período de 1997 a 2000, emitido em nome de Norberto Rodrigues Duarte (fls. 256 – 258); Comprovante de residência, contrato de leasing de imóvel em nome de Norbeto Rodrigues Duarte do período de 1996 e 1997 (fls. 259 – 267); Ao fim, pugna pelo provimento de seu recurso, requerendo seja negado provimento ao recurso de ofício, cancelandose integralmente a exigência também em relação ao anocalendário de 1999. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, totalizando 271 (duzentas e setenta e uma) folhas, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 14 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Recurso de Ofício: O Recurso de Ofício é dever da Autoridade Julgadora de 1ª Instância nos casos previstos no artigo 34 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. Por sua vez, a fixação do valor mencionado no artigo retro transcrito foi efetuada pelo Ministério da Fazenda, em 03 de Janeiro de 2008, mais especificamente no artigo 1º da Portaria nº. 3, que assim estabelece: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Nesta senda, para que possa ser corretamente verificada a admissibilidade do recurso de ofício ora apresentando, é imperioso que se efetuem os cálculos do valor exonerado na decisão proferida pela DRJ, aplicandose com propriedade a legislação. Inicialmente cumpre pautar o valor original da autuação, que conforme relatório acima é de R$ 1.259.063,19 (um milhão, duzentos e cinqüenta e nove mil, sessenta e três reais e dezenove centavos), entre principal, multa e juros. De acordo com o que se obtém do voto do Relator do Acórdão nº. 1317.417, proferido pela DRJ ora Recorrente, o valor mantido na autuação referese aos depósitos de origem não comprovada relativos à Conta Corrente nº. 207985, a qual, pela análise e fundamentos expostos, não possuía cotitulares, exatamente nos seguintes termos: (...) mantendose o imposto de renda suplementar de R$ 168.655,00, relativo ao anocalendário 1999, exercício 2000, acrescido de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 126.491,25, e dos juros de mora, de acordo com a legislação aplicável (...) Do que se pode observar acima, a DRJ manteve a autuação nos valores expressos a título de imposto de renda suplementar (R$165.655,00) e multa de 75% (R$ Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 8 126.491,25), e, somente a soma dos valores mencionados perfaz uma quantia de R$ 295.146,25 (duzentos e noventa e cinco mil, cento e quarenta e seis reais e vinte e cinco centavos), o que evidencia que o valor exonerado da autuação é menor do que 1.000.000,00, não atendendo assim a exigência contida nos dispositivos legais retro. Neste sentido, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, por não observadas as disposições legais pertinentes a alçada. Recurso Voluntário: Cumpre inicialmente observar que a DRJ manteve o lançamento apenas quanto aos rendimentos percebidos na conta que não possuía cotitular, qual seja a de nº. 20.7985, de modo que mantevese, à ótica da DRJ de 1ª Instância, a validade do lançamento neste tocante. Por sua vez, a referida conta remanescente manteve movimentações financeiras relativa, apenas, ao anocalendário de 1999, de modo que pauta a análise do Recurso Voluntário ora apresentando, apenas quanto à questão prejudicial, relativa à decadência. A análise dos autos demonstra que a atuação é referente ao anocalendário de 1999 (exercício 2000), sendo que o auto de infração foi lavrado em 13 de dezembro de 2005, e cientificado ao contribuinte nesta mesma data. A decisão recorrida entendeu que o lançamento do imposto de renda pessoa física, por ser complexivo, seria por declaração, e que a autoridade fiscal somente teria condições de efetuar o lançamento após a apresentação, por parte do contribuinte, de sua declaração de ajuste anual, o que apenas se deu no exercício de 2000. Diante disso, o direito ao crédito tributário nasceria neste momento, dispondo a Fazenda Pública do prazo de 05 anos, contados a partir do 1º dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso, em 01 de janeiro de 2001, expirandose, conseqüentemente, em 01 de janeiro de 2006, estando o lançamento fora do prazo decadencial. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 13 de dezembro de 2005 e cientificado ao contribuinte nesta mesma data, está patente a caducidade do lançamento, pela ocorrência da decadência. No caso, um dos balizadores da decadência, é o §4°, do artigo 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 15 9 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Neste sentido temos o entendimento deste Tribunal administrativo: IRPF DECADÊNCIA – TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O pagamento do tributo é irrelevante para a caracterização da natureza do lançamento tributário. O imposto de renda pessoa física é tributo que se amolda à sistemática prevista no art. 150 do CTN, chamado lançamento por homologação, de forma que o prazo decadencial é o previsto no parágrafo 4º do referido dispositivo. Recorrente : FAZENDA NACIONAL. Recorrida : 4ª CÂMARA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Sessão de : 22 de setembro de 2005. Acórdão nº : CSRF/0400.125. DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial à data da ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento de tributo. Preliminar de decadência acolhida. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.Sessão de: 11 de agosto de 2003. Acórdão nº CSRF/0104.603. Todavia, cabe ainda avaliar se no caso concreto não houvera antecipação de pagamento de imposto ao longo do ano calendário de 1999, já que, para a mais novel corrente jurisprudencial emanada do STJ, no caso a contagem do prazo decadencial observaria o disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, assim redigido: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Analisando as provas que dos autos constam, inclusive pela própria decorrência dos argumentos do recorrente (que seria “não residente”), não se identifica antecipação de imposto ao longo do ano calendário de 1999, de modo que, aplicando o posicionamento mais recente em termos de interpretação judicial acerca da contagem dos prazos decadenciais, aplicase efetivamente, o art. 173, inciao I, acima transcrito. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 10 Nesse sentido, cabe transcrever a Ementa do voto do Ministro Luiz Fux, no autos do Agravo Regimental em Recurso Especial nº 1.203.986/MG, o qual se reporta ao Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 973.733/SC, e que veio a ser o julgado balizador desse novel entendimento da Corte Superior. Referido julgado assim se posiciona: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITOTRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: ‘Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.’ 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 16 11 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que ‘o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, ‘Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro’, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, ‘Direito Tributário Brasileiro’, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido.” Transportando esse entendimento ao caso concreto, temos que o fato gerador do imposto de renda pessoa física relativo ao ano calendário de 1999 se perfectibilizou em 31.12.1999, sendo que o início da contagem do prazo decadencial, para essa hipótese de falta de antecipação de imposto, dáse em 01.01.2000, de modo que o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário pelo lançamento decaiu em 01.01.2005. Diante disso, e considerando que o fato gerador do tributo ocorreu em 31 de dezembro de 1999, e o auto de infração só foi cientificado em 13 de dezembro de 2005, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 12 entendo que operouse a decadência em constituir o crédito tributário no presente caso, prejudicando a análise de quaisquer outros fundamentos no processo. Finalmente, a aplicação deste entendimento e a transcrição da decisão proferida pelo STJ, no âmbito do procedimento de julgamentos repetitivos, visa, também, atender ao disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, na redação dada pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para acolher a preliminar de decadência, declarando extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.727249/2011-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/01/1999
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ.
1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, faz-se necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ.
2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprime-se apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.281
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, faz-se necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprime-se apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.727249/201112 Recurso nº 10.880.727249201112 Voluntário Acórdão nº 2803003.281 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VIVO PARTICIPAÇÕES AS INCORPORADORA DA TELEMIG CELULAR AS E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 72 49 /2 01 1- 12 Fl. 3291DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 3292DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado. O crédito tributário foi lançado por solidariedade, com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, e se refere a contribuições sociais previdenciárias patronais e de ônus dos segurados incidentes sobre a remuneração inserida em notas fiscais de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, sob o título: “agente credenciado/distribuidor autorizado”, apurado por aferição indireta, com base no art. 33 da Lei 8.212/91, em razão de a empresa fiscalizada, contratante dos serviços, não ter apresentado os documentos previstos na legislação, necessários à elisão da responsabilidade solidária e à comprovação da regularidade tributária em foco. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 04 de abril de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 31/01/1999 DECADÊNCIA QUINQUENAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM FACE DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. A prestadora de serviços deve ser excluída do polo passivo da exigência fiscal em razão de estar o Fisco impedido de constituir o crédito tributário em nome desta devedora, que somente foi cientificada e intimada do débito após o transcurso do prazo decadencial quinquenal, CESSÃO DE MÃODEOBRA. PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS EM LOCAIS SOB O CONTROLE E FISCALIZAÇÃO DA CONTRATANTE. “DEPENDÊNCIAS” DA CONTRATANTE. O requisito da “cessão de mãodeobra” relativo ao local de prestação de serviços nas “dependências” da contratante restará caracterizado quando esta mantém controle e fiscalização sobre os mesmos, ainda que em imóveis de propriedade da contratada ou por ela locados. SERVIÇO JUNTO AO PÚBLICO OU POR TELEFONE. DEPENDÊNCIAS DE TERCEIROS. A prestação dos serviços feita via telefone ou pessoalmente junto ao público caracteriza serviços prestados nas “dependências de terceiros”, preenchendo, assim, este requisito do conceito legal de “cessão de mãodeobra”. COLOCAÇÃO DE MÃODEOBRA À DISPOSIÇÃO DA CONTRATANTE. COMPROVAÇÃO. A comprovação de que a contratante tem contato direto com os trabalhadores, orientando, acompanhando, supervisionando e fiscalizando a prestação de serviços, Fl. 3293DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 5 4 demonstra a “colocação de mãodeobra a disposição da contratante”. FISCALIZAÇÃO DIRETA NA CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. NÃO EXIBIÇÃO DE GUIAS E FOLHAS DE PAGAMENTOS ESPECÍFICAS. LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. É legitima e legal a fiscalização direta da empresa contratante dos serviços, hipótese em que a não exibição das folhas de pagamentos específicas e das respectivas guias de recolhimento vinculadas é suficiente para determinar os lançamentos fiscais por solidariedade mediante aplicação do método da aferição indireta. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência desnecessária e/ou que não atenda aos requisitos legais deve ser indeferido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Auto de Infração lavrado em face da ora Recorrente, tendo por objeto a exigência das contribuições sociais supostamente devidas em função da contratação da Empresa “Reche & Cia. Ltda.”, inscrita no CNPJ sob o nº 00.429.770/000154, no regime de cessão de mãodeobra, relativamente aos serviços prestados nos períodos de apuração compreendidos entre março/98 e janeiro/99. Cumpre destacar que o lançamento fiscal que se pretende cancelar foi formalizado em substituição à NFLD nº 35.409.5676 (Processo Administrativo nº 37172.001398/200552), anteriormente anulada por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando da prolação do acórdão nº 206.01.261/2008, pela existência de vício formal, já que não foi enviada notificação fiscal para todas as empresas cuja prestação de serviço estava por esta abarcadas. Tendo em vista que a anulação foi exclusivamente por vício formal, após o trânsito da citada decisão administrativa, a Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG emitiu novo MPF visando renovar a fiscalização com relação aos fatos geradores autuados no primeiro procedimento. Tão logo encerrada a fiscalização, foi lavrado o auto de Infração que se pretende cancelar. O v. Acórdão merece ser integralmente reformado, com o consequente cancelamento da exigência fiscal perpetrada pela d. Autoridade Fiscalizadora. Inexistiu contratação de mãodeobra pela recorrente. A contribuição previdenciária somente é devida quando há a contratação de serviços cujo objeto é a cessão de mão de obra. Por outro lado, não havendo cessão de mão de Fl. 3294DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 6 5 obra, tal como se deu na hipótese dos autos, não há que se atribuir responsabilidade solidária à impugnante pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da nota fiscal ou fatura. A r. decisão recorrida manteve o lançamento fiscal no que respeita aos contratos firmados entre a Recorrente e os Agentes Credenciados / Distribuidores Autorizados, sob o fundamento de que na hipótese dos autos, os documentos carreados aos autos levam à conclusão de que a Recorrente teria, em verdade, feito a contratação de Empresa sob o regime de cessão de mão de obra. Verificase que os Distribuidores Autorizados atuam sempre em estabelecimentos próprios, sejam eles de sua propriedade ou locados. Portanto, não cumprindo o requisito essencial para a caracterização de cessão de mão de obra: alocação dos empregados da contratada nas dependências da contratante ou de terceiros por ela indicados. O contrato firmado entre a Recorrente e a Empresa “Reche & Cia. Ltda.” Não se trata de uma cessão de mão de obra, razão pela qual esta não pode ser responsabilizada solidariamente pelo recolhimento das contribuições previdenciárias exigidas no lançamento fiscal ora combatido, devendo ser provido o presente Recurso Voluntário, com a reforma da r. decisão recorrida e consequente cancelamento da exigência fiscal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 3295DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O crédito tributário foi lançado por solidariedade, com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, e se refere a contribuições sociais previdenciárias patronais e de ônus dos segurados, incidentes sobre a remuneração inserida em notas fiscais de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, sob o título: “agente credenciado/distribuidor autorizado”, apurado por aferição indireta, com base no art. 33 da Lei 8.212/91, em razão de a empresa fiscalizada, contratante dos serviços, não ter apresentado os documentos previstos na legislação, necessários à elisão da responsabilidade solidária e à comprovação da regularidade tributária em foco. Em situações como a dos autos, a fiscalização não pode e não deve buscar a solução que entender mais prática para realizar suas atribuições. Com efeito, não vislumbrei a hipótese de ter havido, in casu, cessão de mão de obra, passível de enquadramento no instituto da responsabilidade solidária, como apontado pela autoridade administrativa lançadora. O contrato firmado entre a recorrente e a empresa “Reche & Cia. Ltda”, definitivamente não é um contrato típico de cessão de mão de obra. Tratase, em verdade, de contrato de distribuidor autorizado. Ora, mesmo que fosse o caso do enquadramento tipificado pela fiscalização, a situação não poderia ter descambado para a utilização de modo simplificado do instituto da aferição indireta, sob pena de ocorrer cobrança do tributo em duplicidade. Neste ponto, é importante observar a pacífica jurisprudência do STJ, in verbis: AgRg no REsp 1348395 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2012/02105299 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Órgão Julgador Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 8 7 T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 27/11/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 04/12/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Agravo regimental improvido. Vêse, portanto, que o do lançamento na esfera da empresa contratante, o que não é o caso destes autos, sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra, é arbitrário segundo o Superior Tribunal de Justiça – STJ. CONCLUSÃO. Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 9 8 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 3298DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.911402/2011-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 91 14 02 /2 01 1- 24 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 62 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 63 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 64 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 65 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 66 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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