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Numero do processo: 13851.001475/00-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PER/DCOMP. TERMO A QUO DO PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO RELATIVA A TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO E PAGOS ANTECIPADAMENTE. LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005.
O Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, transitado em julgado em 17.11.2011, fixou o entendimento de que quando do advento da Lei Complementar nº 118, de 2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118, de 2005, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62 do Anexo II do RICARF).
SÚMULA CARF Nº 91
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF).
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de prescrição do pedido do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pela DRF que jurisdiciona o Sujeito Passivo.
Numero da decisão: 9101-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PER/DCOMP. TERMO A QUO DO PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO RELATIVA A TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO E PAGOS ANTECIPADAMENTE. LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, transitado em julgado em 17.11.2011, fixou o entendimento de que quando do advento da Lei Complementar nº 118, de 2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 14 75 /0 0- 81 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 3 2 As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de prescrição do pedido do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pela DRF que jurisdiciona o Sujeito Passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório O Sujeito Passivo formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 08.12.2000, fl. 01, utilizandose do pagamento indevido de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, no valor original de R$56.427,19 e atualizado de R$76.922,53, recolhido em 31.08.1994, fl. 02, para compensação dos débitos confessados em 08.01.2001, 16.01.2001, 05.03.2001, 15.03.2001, 29.05.2001, 21.08.2001, 01.10.2001 e 04.10.2001, fls. 315318, 324325, 327329 e 331. Em conformidade com o Despacho Decisório de 26.04.2005, fls. 332333, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram examinadas: Cuida o presente processo de pedido de restituição/compensação de pagamento indevido alegado pela contribuinte. Registrese, contudo, que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 4 3 devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. 0 prazo prescricional para o pedido de restituição está definido no art. 168 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 —in verbis: [...] O Ato declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999, por sua vez também disciplina a matéria, ao dispor: [...] É de se observar, no presente caso, a ocorrência que do interregno prescricional, uma vez que o documento de fls. 02 (DARF) indica que o pagamento ocorreu em 31/08/1994, assim o prazo para o atendimento do pedido de restituição expirouse em 30 de agosto de 1999. Isto posto, somos pelo INDEFERIMENTO do presente pedido e conseqüentemente a não homologação das compensações. Cientificado em 04.07.2005, fl. 337, o Sujeito Passivo apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 337347. Está registrado no Acórdão da 5ª Turma da DRJ/RPO nº 9.783, de 04.11.2005, fls. 369371: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1994 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida [...] Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. [...] Voto [...] Quanto ao prazo para pleitear restituição dos pagamentos efetuados, no intuito de elucidar a questão, vejase, inicialmente, o que estabelece o CTN, de 1966, em seus arts. 165, I, e, 168, I: [...] Pelo exame dos dispositivos transcritos, constatase que se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de recolhimento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstancias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Nessa perspectiva, as decisões administrativas devem respeitar o disposto no Ato Declaratório (AD) SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, como norma integrante da legislação tributária, que apesar de referirse expressamente apenas à restituição, analogamente deve ser aplicado aos casos de compensação: [...] Como norma complementar à legislação tributária, esse Ato Declaratório tem caráter vinculante para a administração tributária a partir de sua publicação, conforme prevê o CTN, de 1966, em seus arts. 100, I, e 103, I. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 5 4 De outro lado, embora existente o noticiado dissenso jurisprudencial, veio o legislador complementar lançar a pá de cal nesta questão, a ver pela recente Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, que em seu artigo 32 assim comanda: [...] Como visto, a clareza solar da norma espanca as dúvidas suscitadas, reafirmando, de uma vez por todas, que o prazo para a Fazenda Pública homologar lançamento derivado de pagamento antecipado não se confunde com o momento em que o crédito se considera extinto. À luz do que foi exposto, e em vista da norma que emana do CTN, art. 156, I, concluise que o pagamento é uma das modalidades de extinção de crédito tributário. Assim, o prazo de cinco anos é contado da data da extinção do crédito tributário, no caso, das datas dos pagamentos (recolhimentos), consoante art.156, I, c/c art.150, §1º, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, em vista de que a reclamante somente protocolou seu pedido de restituição em 08/12/2000 encontrase decaído, no âmbito administrativo, o direito de pedir a restituição/compensação em relação aos créditos extintos mediante pagamento antes de 09/12/1995 (arts. 165, I, c/c o art. 168, I, ambos do CTN, de 1966). Notificado, fl. 373, o Sujeito Passivo apresentou o recurso voluntário, fls. 374388. Está registrado no Acórdão nº 10709.592, de 17.12.2008, fls. 419422: EMENTA: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Segundo a jurisprudência desse Colendo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o pedido de restituição deverá ser formulado no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. [...] ACORDAM os membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade votos, AR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Voto [...] Considerando o entendimento pacificado no âmbito desse Colendo Conselho, no sentido de considerar como termo inicial do prazo para a restituição de tributos indevidamente recolhidos o pagamento tido como indevido, e, tendo sido formalizado seu pleito apenas em 08 de dezembro de 2000, prescritos os créditos invocados pela Recorrente, conforme entendimento da DRJ. O processo foi encaminhado ao Sujeito Passivo em 09.08.2010, fls. 432. Em 20.08.2010, tempestivamente, foi interposto o recurso especial, fls. 433447. Suscita que: 11.4 DA INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO DIREITO DA RECORRENTE DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA RELATIVO AO ANOBASE 1994 Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 6 5 Restou consignado, no v. acórdão ora recorrido, que deveria prevalecer o entendimento pacificado no âmbito desse Colendo Conselho, no sentido de considerar como termo inicial do prazo para a restituição de tributos indevidamente recolhidos o pagamento tido como indevido. É dizer, adotou, o ilustre julgador, o entendimento no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do tributo seria de 5 anos contados do pagamento, com base no qual asseverou ter restado extinto o direito da Recorrente à restituição do imposto recolhido a maior no exercício de 1995, anobase 1994, cujo pedido de restituição foi formalizado em 08 de dezembro de 2000. Nada obstante, tal tese só poderia ser entendida corno válida, conforme restará amplamente demonstrado, a partir do início da vigência do artigo 3° da Lei Complementar n° 118, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005, conforme ampla jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça. Deveras, o disposto no artigo 3° da LC 118, que corrobora a tese presente no v. acórdão ora combatido, só gera efeitos com relação aos pedidos de restituição efetuados a partir do início de vigência da aludida Lei, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005, motivo pelo qual o v. acórdão atacado não merece prevalecer. [...] De fato, à época em que efetuado o pedido de restituição em questão (08 de dezembro de 2000), era assente em todos os Tribunais brasileiros, sobretudo no STJ, e no Conselho de Contribuintes, a tese de que nos casos de repetição de indébito de tributos lançados por homologação, o prazo de cinco anos iniciase a partir da extinção definitiva do crédito tributário. O prazo qüinqüenal (art. 168, I, do CTN) para restituição de tributo, começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário. Não tendo havido a homologação expressa, o crédito tributário tornouse definitivamente extinto após cinco anos da ocorrência do fato gerador (§ 4° do art. 150 do CTN) (Processo n° 10845.000231/9967, [...], Sessão de 27/07/2001). A medida que o presente caso trata de pedido de ressarcimento de tributo sujeito A. homologação protocolizado em 08/12/2000, portanto, antes do inicio da vigência da LC 118/95 (09 de junho de 2005), deve prevalecer o entendimento de que o termo inicial da contagem do prazo decadencial para repetir o indébito tributário é de cinco anos contados da homologação tácita do lançamento, momento em que ocorre a extinção definitiva do crédito, conforme ampla jurisprudência do E. STJ. Desta forma observando a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, bem como do E. Superior Tribunal de Justiça, temse que, à época em que formulado o pedido de ressarcimento pela Recorrente, a contagem do prazo decadencial iniciava se apenas após a homologação, não merecendo prevalecer o v. acórdão recorrido, que declarou a decadência com base no transcurso do prazo de cinco anos contados do pagamento. [...] Sendo assim, no presente caso, não se pode falar jamais em decadência do direito da Recorrente em pleitear a restituição/ compensação do crédito a que faz jus a titulo de imposto sobre a renda, do anobase de 1994. Isto porque, relativamente ao recolhimento efetuado em 31 de agosto de 1994, verificouse a homologação tácita do crédito em 31 de agosto de 1999, sendo que o prazo previsto no artigo 168, I, do CTN iniciouse em 10 de setembro de 1999, findandose apenas em 31 de agosto de 2004. Tendo em vista que a Recorrente protocolizou o pedido de restituição/compensação que deu origem ao presente feito em 08 de dezembro de Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 7 6 2000, não se verificou a decadência do seu direito em pleitear a restituição de seu crédito. Faltava, ainda, quase 4 anos para operarse a decadência do direito de pleitear a repetição/compensação do seu crédito pela via administrativa. Observandose a jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes, bem como do E. Superior Tribunal de Justiça, temse, portanto, que a contagem do prazo decadencial, à época do protocolo do pedido de ressarcimento pela Recorrente, iniciavase somente após a homologação, motivo pelo qual não há se falar em decadência do direito da recorrente em pleitear a restituição/compensação dos créditos a que faz jus a titulo de imposto sobre a renda, referente ao anobase de 1994. [...] Portanto, é imperiosa a reforma do v. acórdão recorrido, posto que inocorrente, no presente caso, a decadência do direito da Recorrente de pleitear a restituição do Imposto de Renda relativo ao anocalendário de 1994. III— DO PEDIDO Diante do exposto, com base nas consistentes, fundadas e sólidas razões apresentadas, e considerando as divergências jurisprudências colacionadas, requer a Recorrente que o presente recurso seja provido, reformandose o v. acórdão atacado, para que a cobrança em questão seja afastada por completo, ou, caso assim não entendam Vossas Excelências, seja a penalidade relevada ou significativamente reduzida. Houve seguimento ao recurso especial do Sujeito Passivo (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 26.11.2010, efls. 485486), uma vez que as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente (inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar n º 118, de 2005), isto é, sobre o prazo prescricional do pedido de restituição do indébito tributário, conforme paradigmas: Acórdão nº 10246.503, de 20.10.2004 e Acórdão nº 30239.132, de 07.11.2007. Notificada em 16.12.2010, fl. 489, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou contrarrazões, fls. 491495. Esclarece que: II— DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO Conforme já salientado, o presente caso consiste em saber qual o prazo decadencial que deve ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. A tese do cinco mais cinco — que era defendida pelo STJ — ou o prazo de cinco anos, contados do pagamento indevido — nos termos do art. 3° da Lei Complementar nº 118, de 2005. [...] Os argumentos utilizados no voto acima citado são irretocáveis. Com efeito, eles sintetizam o atual entendimento do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais —CSRF sobre a matéria. Ademais, tratase de aplicação do disposto no art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005, que determina de forma expressa: [...] Dessa maneira, resta evidente que a forma de contagem do prazo decadencial para a repetição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve obedecer o que preceitua o supracitado dispositivo legal. Portanto, não merece ser acolhido o Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 8 7 pedido da contribuinte, no sentido de aplicar a tese do cinco mais cinco, devendo prevalecer o entendimento firmado no acórdão recorrido. III — DO PEDIDO Ante o exposto, UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) requer que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose incólume o acórdão recorrido, que decidiu pela aplicação do prazo decadencial de cinco anos, contados do pagamento indevido. É o Relatório. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator Adoto as razões do despacho de admissibilidade do recurso e voto por CONHECER o recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo. Passo à análise do mérito. Prazo Prescricional do Pedido de Repetição de Indébito à Luz da Lei Complementar nº 118, de 2005 O Sujeito Passivo procura demonstrar que o prazo para pleitear a restituição do tributo sujeito ao lançamento por homologação é de dez anos contados do pagamento a maior antes de 09.06.2006, início da vigência do artigo 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 1º.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. A partir de 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também restou fixado o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, e alterações). Sobre o prazo prescricional da repetição de indébito à luz da Lei Complementar nº 118, de 2005, está registrada na ementa do julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, transitado em julgado em 17.11.2011, proferida pelo Supremo Tribunal Federal: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 10 9 arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Verificase que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62 do Anexo II do RICARF). Esse entendimento consta do enunciado da Súmula CARF nº 91, de 09.12.2013: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Cabe ressaltar que as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF). Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 11 10 O Sujeito Passivo formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 08.12.2000, fl. 01, utilizandose do pagamento indevido de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, no valor original de R$56.427,19 e atualizado de R$76.922,53, recolhido em 31.08.1994, fl. 02, para compensação dos débitos confessados em 08.01.2001, 16.01.2001, 05.03.2001, 15.03.2001, 29.05.2001, 21.08.2001, 01.10.2001 e 04.10.2001, fls. 315318, 324325, 327329 e 331. O Per/DComp foi formalizado antes de 09.06.2005 e por essa razão o Sujeito Passivo tinha o prazo de dez anos, a contar do pagamento a maior, para apresentar o Per/DComp do tributo pago indevidamente. Assim não se operou a prescrição, que deve ser afastada como preliminar de mérito. Cabe ressaltar que inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de prescrição do pedido do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pela DRF que jurisdiciona o Sujeito Passivo. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp afastamento a preliminar da prescrição do pedido do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona ao Sujeito Passivo para que seja analisado o mérito do pedido a fim de evitar a supressão de instância. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso (Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012 e alterações). Do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso especial do Sujeito Passivo, para afastar o indeferimento dos Per/DComp fundamentado na prescrição do indébito, devendo os autos retornarem à DRF de origem retornar à unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido nos Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso. Observese que a matéria devolvida deve ser apreciada em conformidade com os trâmites legais previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Desse modo, a minha decisão é no sentido de: a) conhecer o recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo; b) dar provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo para afastar a preliminar de prescrição do Per/DComp e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para análise da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pretendido, cuja matéria devolvida deve ser apreciada em conformidade com os trâmites legais previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Em resumo, voto por CONHECER do Recurso Especial e, no mérito, em DARLHE provimento, com retorno dos autos. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13851.001475/0081 Acórdão n.º 9101002.855 CSRFT1 Fl. 12 11 Fl. 519DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.000064/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento.
In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócio-ambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõe-se o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 1999.
Numero da decisão: 2401-004.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento. In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõese o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 00 64 /2 00 6- 61 Fl. 248DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15940.000064/200661 Acórdão n.º 2401004.979 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04 16.264/2008, às efls. 185/190, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2002, conforme Termo de Verificação Fiscal, efl. 135 e Auto de Infração, às efls. 126/130, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 19/09/2006 (AR. fl. 136), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR . FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 198/216, procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Buritis, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em mãos da Recorrente, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Insurgese quanto ao entendimento adotado pela DRJ da exigência de apresentação do ADA para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada. Argumenta que os documentos acostados aos autos demonstram de forma cabal tratarse de área de preservação permanente, não estando apenas referida área descrita no Fl. 250DF CARF MF 4 ADA, o que a toda evidência não necessita de averbação tendo em vista que a determinação é legal e em relação a todas as propriedades. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15940.000064/200661 Acórdão n.º 2401004.979 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme se depreende da análise do Recurso Voluntário, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, primeiramente esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Buritis, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em suas mãos, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva da contribuinte, relativamente ao imóvel rural em comento, em face do Programa de Reassentamento instituído pela autuada, com o fito de atender objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da Usina Hidrelétrica Eng. Sérgio Motta. De um lado, a contribuinte aduz que após a implantação do loteamento, procedeu a entrega dos lotes aos ribeirinhos, por meio da Declaração recebimento de Casa Definitiva, e, desde então, os possuidores passaram a gozar e usufruir economicamente da respectiva área, como se proprietários fossem; portanto a responsabilidade por qualquer ônus tributário cabe exclusivamente aos possuidores, por serem detentores do poder econômico da propriedade. Em outra via, a ilustre autoridade lançadora entendeu que os documentos apresentados pela contribuinte não comprovou suas alegações, sendo responsável pelo recolhimento do tributo. Por sua vez, a Delegacia de Julgamento, o nobre relator do voto condutor do Acórdão recorrido acolheu a pretensão fiscal, entendo que enquanto não transferida a propriedade de partes do imóvel para cada um dos assentados, a situação do imóvel total não se enquadra nas definições de imunidade ou isenção. Após as breves considerações retro, passando à análise meritória, concluise que o pleito da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Fl. 252DF CARF MF 6 Destarte, como a contribuinte vem defendendo desde o primeiro momento, o imóvel rural objeto do lançamento fora adquirido precipuamente para atender ao Programa de Reassentamento sob análise. A CESP em cumprimento ao estabelecido no EIA RIMA, adquiriu em 18/08/1988 duas áreas de terras, sendo a primeira com 1.531,5429 hectares, denominada Fazenda Buritis e a segunda com 677,9573 hectares, denominada Fazenda São João Batista, totalizando 2.209,5002 hectares, visando a implantação do Projeto de Reassentamento Populacional Rural da Fazenda Buritis, com a conseqüente relocação das famílias classificadas como Beneficiárias do citado Projeto. Em suma, extraise dos elementos que instruem o processo, especialmente do Termo de Esclarecimento a Intimação Fiscal, das diversas Declarações Recebimento de Casa Definitiva e a Licença de operação junto ao Ibama, que a recorrente, de fato, adquiriu aludido imóvel rural visando tão somente atender ao Programa de Reassentamento retromencionado. Inexiste, à toda evidência, o animus domini da autuada em relação àquele imóvel, capaz de justificar a presente tributação, na forma que exigem os artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, in verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, reforçando o entendimento de que, inobstante a autuada ser à época a proprietária do imóvel, não detinha o domínio útil, uma vez que os possuidores, a qualquer título, eram os reassentados, afastando, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber à autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastandose dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer título dos reassentados (duas das hipóteses legais). Dessa forma, estando as Fazendas Buritis e São João Batista vinculadas, desde a sua aquisição, ao Programa de Reassentamento implementado pela contribuinte, em razão da Construção da Usina Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), a recorrente assumiu a responsabilidade, de minimizar impactos causados à população ribeirinha, cujas terras foram alagadas pelo Reservatório da UHE supracitada, conforme.se comprova, na Licença de Operação, expedida em 01 de dezembro de 2000 pelo Ministério do Meio Ambiente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. Melhor elucidando, a contribuinte não dispôs do imóvel rural em debate para exercer outras atividades, senão a implementação do programa de reassentamento daqueles agricultores rurais. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15940.000064/200661 Acórdão n.º 2401004.979 S2C4T1 Fl. 5 7 A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro relator do Acórdão nº 30334.793, exarado nos autos do processo nº 10935.001999/200530, com a mesma matéria fática, conforme se verifica da ementa e do excerto de suas alegações abaixo transcritas, as quais peço vênia para adotar como razões de decidir, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Terminal Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR/2002. ILEGALIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA LIASI. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 1.658 de 14.03.1996), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para a única finalidade prevista no referido Decreto. [...] VOTO [...] No caso em estudo, há de ser analisada a responsabilidade da empresa Recorrente pelo débito tributário, relativa ao ITR/2002, que lhe é exigido no Auto de Infração de fls. 5665, uma vez que afastada, as demais questões travadas nos autos acabam por prejudicadas. Com efeito, dispõe a Lei nº 9.393/96 que rege a matéria: “Art. 1º O imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o possuidor a qualquer título”. Ainda, o art. 31 do CTN é taxativo e expresso ao considerar quem é o contribuinte do ITR: a) o proprietário do imóvel; ou. b) o titular do seu domínio; ou. c) o possuidor do imóvel a qualquer título. Assim sendo, da leitura dos artigos supra transcritos, concluise que o ITR poderá ser exigido de qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Logo, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo de qualquer uma delas que se ache vinculada ao imóvel, não havendo determinado a referida legislação ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Contudo, noticia a empresa Recorrente que a área em questão foi destinada para cumprimento do interesse social, Fl. 254DF CARF MF 8 para fins de desapropriação, com a finalidade de reassentamento, a área da Fazenda em questão. O art. 3º do referido decreto afirma que: “Fica reconhecida a necessidade de desapropriação das áreas descritas para reassentamento dos proprietários desapropriados e produtores rurais semterra da bacia de acumulação de águas da Usina Hidrelétrica de Santo Caxias, ficando autorizada a Companhia Paranaense de Energia – COPEL a promover a subdivisão dos imóveis ora declarados de interesse social e alienar as partes mediante autorga das competentes escrituras públicas.” Alega ainda que com a autorga da concessão pelo Poder concedente – União Federal, para estudos, implantação e exploração do potencial energético denominado Salto Caxias, no rio Iguaçu, contratou, por força da Lei 6.938/81, a elaboração dos Estudos de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, culminando com o Projeto Básico Ambiental – PBA, o qual previu a implantação de diversos programas ambientais, entre os quais o Programa de Reassentamento, tudo devidamente aprovado pelo órgão licenciador estadual conforme Licença de Instalação nº 044/94IAP. Juntou aos autos três Escrituras Públicas de Desapropriação (fls. 1021), matrículas dos imóveis (fls.2240), Laudos Pericial (fls. 4754), cópia dos Decretos nº 1.658/96 e nº 2005/96 (fls.8893), Escrituras Públicas de Dação em Pagamento com encargos (fls. 94171) e cópia da Resolução nº 19 do INCRA (fls. 230231), que demonstram o assentamento de 26 famílias no terreno objeto do auto de infração. Desta feita, pela impossibilidade de se imputar animus domini à empresa autuada, já que o imóvel rural se encontrava afetado, desde sua aquisição, ao cumprimento do Programa de Reassentamento da Usina Hidrelétrica da Salto Caxias, em conformidade com o Decreto nº 1.658/96, não se pode enquadrar a Recorrente no pólo passivo da obrigação tributária de que trata o Auto de Fração em discussão. No mesmo sentido, envolvendo o mesmo Contribuinte, colaciono dentre outros dois julgados deste Terceiro conselho de Contribuintes: 30334.068 e 30334.083. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, afastando a exigência tributária em tela. [...] Outro não foi o entendimento levado a efeito nos autos do processo nº 10935.001992/200518, igualmente da mesma matéria fática, consoante se positiva do Acórdão nº 30334.781, com sua ementa e parte do voto abaixo transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL: ITR Exercício: 2001 ITR/2001. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA CENTENÁRIO. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15940.000064/200661 Acórdão n.º 2401004.979 S2C4T1 Fl. 6 9 Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento de Programa de Reassentamento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 466 de 24.02.1995), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para única finalidade prevista no referido Decreto. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. [...] VOTO [...] Não se trata de haver ou não programa oficial de reassentamento, mas antes de haver ou não a possibilidade de ser a Recorrente incluída no pólo passivo da relação tributária ou não, nos termos do artigo 4º da Lei 9393/96 e do artigo 31 do CTN. Conforme constam dos autos, as terras eram afetadas ao reassentamento de famílias, que viviam em áreas desapropriadas para a construção de usina de energia, amparada no Decreto 466/95. As terras não forma expropriadas para uso da concessionária de serviço público, nem para sua exploração ou uso sob qualquer aspecto, tendo a mesma atuado no esteio do Decreto acima referido. Não houve, portanto, animus domini em relação a essa área. Corrobora essa afirmação o fato de que a Recorrente repassou prontamente os lotes a posses das famílias reassentadas, tendo gradativamente transferido sua propriedade, como comprovam as certidões de escrituras públicas anexadas aos autos. Em outras palavras, a área objeto do auto de infração em tela jamais foi de uso, fruição ou disponibilidade da Recorrente, estando sua propriedade muito próxima da União. Ora, somente a posse plena, sem subordinação, i.e., posse qualificada pelo animus domini, é que pode ensejar a incidência de ITR. Esse entendimento encontrase literalmente transcrito em publicações da SRF, dentre os quais o “Manual de Perguntas e Respostas do ITR” (vide pág. 21, pergunta 37, da edição de 2002). Restando claro que nunca houve animus domini por parte da Recorrente em relação a área ora discutida, não pode a mesma ser sujeito passivo da obrigação tributária aventada, de forma que VOTO no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, cancelando, por conseguinte, o lançamento fiscal em questão.[...] A fazer prevalecer esse entendimento, mister citar, ainda, os Acórdãos nºs 30239.416, 30239.413, 30239.726, 30334.884, 30334.781, 30334.782, 30334.783, 303 34.793, 30334.794, 30334.795, 30334.796, 30333.394, 30333.395, 30333.396, 303 34.275 e 30334.070, contemplando matéria análoga. Fl. 256DF CARF MF 10 Não bastasse isso, o conjunto probatório constante dos autos oferece proteção ao pleito da contribuinte, porquanto comprova que desde 1999 os reassentados já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, consoante se infere do Declaração Recebimento de Casa Definitiva, formalizados em maio daquele ano. Na esteira desse raciocínio, além de prosperarem as argumentações da contribuinte quanto a ilegitimidade passiva, notadamente quando inexistente o animus domini do imóvel rural, não faria sentido que para um mesmo contribuinte, mesma matéria fática e provas, fosse adotado entendimento antagônico ao anteriormente proferido, impondo seja reformado o Acórdão recorrido, para excluir a empresa do pólo passivo da presente obrigação tributária, como restou devidamente demonstrado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902047/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/09/2009
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.472
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FISCHER INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/09/2009 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 20 47 /2 01 4- 27 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13888.902047/201427 Acórdão n.º 3302004.472 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme despacho decisório constante nos autos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2. O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14055.555. O fundamento adotado, em síntese, foi a inexistência de nulidade e a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.452, de Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13888.902047/201427 Acórdão n.º 3302004.472 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900063/201485, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.452): O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme e fls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13888.902047/201427 Acórdão n.º 3302004.472 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.725093/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.879
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 93 /2 01 2- 87 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10469.725093/201287 Acórdão n.º 3302003.879 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.446. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10469.725093/201287 Acórdão n.º 3302003.879 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10469.725093/201287 Acórdão n.º 3302003.879 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10469.725093/201287 Acórdão n.º 3302003.879 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10469.725093/201287 Acórdão n.º 3302003.879 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001214/2001-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-004.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente DIMON DO BRASIL TABACOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 12 14 /2 00 1- 94 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela ALLIANCE ONE BRASIL EXPORTADORA DE TABACOS LTDA (nova denominação de DIMON DO BRASIL TABACOS LTDA.) (fls. 183 a 201) com fulcro no art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então vigente, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, buscando a reforma do Acórdão nº 20180.669 (fls. 175 a 177) proferido pela Primeira Câmara do outrora Segundo Conselho de Contribuintes, em 18/10/2007, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, beneficio concedido no âmbito de incidência deste imposto. Recurso negado. (grifouse) Para retratar o desenrolar dos fatos ocorridos nos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] No dia 23/11/2001 a empresa ALLIANCE ONE BRASIL EXPORTADORA DE TABACOS LTDA. (nova denominação de Dimon do Brasil Tabacos Ltda.), já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, previsto na Portaria MF nº 38/97, relativo aos anos de 1995 a 1998 fl. 01. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 4 3 A DRF em Santa Cruz do Sul RS indeferiu o pedido da interessada porque a exportação de produtos NT não gera direito ao beneficio do crédito presumido pleiteado, conforme Despacho Decisório de fls. 44, 45 e 47. A empresa interessada tornou ciência do citado Despacho Decisório e ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 50/61), cujos fundamentos de defesa estão sintetizados no relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1º Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS indeferiu o pleito da recorrente, nos termos do Acórdão n o 186.097, de 11/10/2006 fls. 87/92. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 04/01/2007, conforme AR de fl. 94, e no dia 05/02/2007 ingressou com o recurso voluntário de fls. 95/108, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 atende aos requisitos para fruição do beneficio porque é produtora e exportadora da mercadoria folha de fumo; 2 não há limitação legal para a fruição do beneficio pelo fato de os produtos exportados serem classificados como NT. Cita jurisprudência deste Segundo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e 3 sobre os créditos pleiteados deve incidir juros equivalentes a taxa Selic. Cita jurisprudência deste Segundo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 14/08/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos fl. 146. É o relatório. [...] (grifouse) O resultado do julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte, nos termos do Acórdão nº 20180.669 (fls. 175 a 177), ora recorrido, foi no sentido de negar provimento ao recurso por entender não fazer jus ao crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96 por não ser contribuinte do IPI, tendo em vista que produz e exporta unicamente produtos NT (nãotributados). Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 183 a 201), alegando divergência jurisprudencial quanto (a) ao reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96 para a exportação de mercadorias nãotributadas pelo IPI (NT), colacionando como paradigma o acórdão CSRF/0202.189; e (b) à correção do ressarcimento pela taxa Selic, indicando como paradigmas os acórdãos CSRF/0201.653 e 0201.400, e ainda o acórdão nº 20310.947. Foi admitido parcialmente o recurso especial da Contribuinte, por meio do despacho de reexame de admissibilidade s/nº, de 11/08/2015 (fls. 275 a 278), proferido pelo ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por entender comprovada a divergência jurisprudencial tão somente com relação aos produtos exportados NT. Restou negado seguimento quanto à correção do direito creditório a ressarcir pela taxa Selic, pois não houve a comprovação da divergência, nem mesmo o prequestionamento da matéria. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 5 4 Nas razões recursais, na parte que teve seguimento, aduziu a Contribuinte que: (a) o crédito presumido do IPI consistiu em sistemática criada pelo Governo Federal para a desoneração do PIS e da COF1NS na cadeia produtiva, de forma a impedir a "exportação" de tributos embutidos nos preços dos correspondentes produtos exportados; (b) não traz a legislação de regência qualquer requisito de fruição ao credito relacionado com a materialidade do IPI, pois visa desonerar as exportações em geral, tendo como única condição que a empresa seja produtora e exportadora de produtos nacionais; (c) na condição de produtora e exportadora da mercadoria fumo em folha, temse como absolutamente legitimo o direito da Recorrente de apropriar o crédito presumido de IPI para ressarcirse do PIS e da COFINS incidentes sobre seus insumos; (d) a legislação permite a utilização subsidiária da legislação do IPI unicamente para determinar a extensão dos elementos relacionados à apuração do crédito presumido, como a receita de exportação, receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, não pretendendo o art. 3º, §único da Lei nº 9363/96 pretendido definir o conceito de produção conforme a regra matriz do IPI; (e) não cabe ao intérprete criar restrições a direitos previstos em lei e que a Lei n° 9.363/96 não restringiu o direito ao crédito presumido do IPI aos exportadores de produtos tributados pelo IPI; (f) ao final requer seja provido o recurso especial para ver reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei nº 9636/96 para os casos de exportação de mercadorias NT. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 286 a 291), requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por consequência, a manutenção do acórdão recorrido. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. O recurso especial interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então vigente, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, devendo, assim, ser conhecido. No mérito, cingese a controvérsia ao reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9363/96 para os produtos exportados não sujeitos à tributação pelo IPI (NT). Por meio da Lei nº 9.363/96, foi instituído benefício fiscal com o objetivo de desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, com o ressarcimento, na forma de crédito presumido de IPI, das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS incidentes sobre os insumos adquiridos empregados na produção de bens nacionais destinados ao mercado externo. Dispõe o art. 1º do referido diploma legal: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Conforme se depreende da norma, a benesse fiscal garante o direito ao crédito sobre mercadorias nacionais, tributadas ou nãotributadas pelo IPI, mediante o ressarcimento do valor do PIS e da COFINS das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Não há restrição ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, não cabendo ao intérprete fazêlo. O crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 tem por escopo o ressarcimento das contribuições para o PIS e a COFINS que incidem nas etapas anteriores da cadeira produtiva, não sendo relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída. Além disso, a legislação do IPI foi utilizada de forma subsidiária para os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 7 6 Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3o O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. § 4o A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigada ao pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor correspondente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtora vendedora. § 5o Na hipótese do parágrafo anterior, o valor a ser pago, correspondente ao crédito presumido, será determinado mediante a aplicação do percentual de 5,37% sobre sessenta por cento do preço de aquisição dos produtos adquiridos e não exportados. § 6o Se a empresa comercial exportadora revender, no mercado interno, os produtos adquiridos para exportação, sobre o valor de revenda serão devidas as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, sem prejuízo do disposto no § 4o. § 7o O pagamento dos valores referidos nos §§ 4o e 5o deverá ser efetuado até o décimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido para a efetivação da exportação, acrescido de multa de mora e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal de venda dos produtos para a empresa comercial exportadora até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 8 7 Portanto, a Recorrente tem o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mediante o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, o PIS e a COFINS, não importando se o produto sofrerá ou não a incidência do IPI na saída. Além disso, embora a Lei nº 9.363/96 faça remissão à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI como subsídio ao conceito de produção, não o é em caráter restritivo do benefício do crédito presumido de IPI. A interpretação da norma deve darse em consonância com o objetivo para o qual foi criada, no caso, incentivar o comércio internacional de mercadorias brasileiras, para cuja produção tenham sido empregados insumos e matériasprimas e materiais de embalagem, submetidos à incidência das contribuições sociais do PIS e da COFINS. Não há, no texto legal, exigência de que o produto nacional deva ser tributado pelo IPI. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho entendimento diferente a respeito do assunto. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 10 9 acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/82 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 1º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da respectiva Tabela de Incidência (Lei nº 4.502/64, art. 1º, e DecretoLei nº 34/66, art. 1º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502/64, art. 3º). Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 11 10 Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13005.001214/200194 Acórdão n.º 9303004.959 CSRFT3 Fl. 12 11 justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 303DF CARF MF
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Numero do processo: 14098.720008/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA.
A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.)
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há falar em nulidade.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.)
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28, vinculante.)
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL.
1. Às instâncias julgadoras compete o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas. (Art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972.)
2. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar tão somente recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua competência (art. 1º do Anexo II do Ricarf).
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf nº 01.)
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA AGRAVADA.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada.
JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-005.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER (a) alegações de inconstitucionalidade, (b) da controvérsia referentes aa Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais; (c) REJEITAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA e AS PRELIMINARES DE NULIDADE, e no mérito, (d) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009, 2010, 2011 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28, vinculante.) CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. 1. Às instâncias julgadoras compete o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas. (Art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972.) 2. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar tão somente recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua competência (art. 1º do Anexo II do Ricarf). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 08 /2 01 3- 91 Fl. 833DF CARF MF 2 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf nº 01.) COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA AGRAVADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada. JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER (a) alegações de inconstitucionalidade, (b) da controvérsia referentes aa Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais; (c) REJEITAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA e AS PRELIMINARES DE NULIDADE, e no mérito, (d) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1533.266, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Salvador (efls. 739 a 749). O processo administrativo é constituído pelos Autos de Infração Debcad n°s 51.016.9058 e 51.038.9864, que formalizam as seguintes exigências: AUTO DE INFRAÇÃO DESCRIÇÃO DO LANÇAMENTO VALOR (R$) 51.016.9058 Glosa da compensação declarada em GFIP de 01/2009 a 12/2011 3.605.654,21 51.036.1919 Multa isolada de 150% em razão de falsidade na declaração. 5.408.481,51 Fl. 834DF CARF MF Processo nº 14098.720008/201391 Acórdão n.º 2301005.079 S2C3T1 Fl. 3 3 Segundo o relatório fiscal, a autuada: (a) declarou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2011, a compensação de parte de valores devidos a título de contribuição previdenciária; uma vez que parte dos valores devidos teria sido quitada por meio da referida compensação, o valor das contribuições previdenciárias a pagar em cada um desses meses foi reduzido; (b) ajuizou o Mandado de Segurança n° 2010.36.00.0022250, em 22/02/2010, na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Mato Grosso, com o objetivo de assegurar: (1) o não recolhimento da contribuição incidente sobre a remuneração correspondente aos quinze primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados, sobre o saláriomaternidade, sobre as férias e o adicional constitucional de 1/3 das férias e (2) a compensação das contribuições incidentes sobre as referidas parcelas recolhidas nos últimos dez anos, devidamente corrigidas, sem a aplicação do art. 170A do CTN. Em 22/02/2010, o juízo deferiu parcialmente a liminar, reconhecendo a inexigibilidade da contribuição sobre os valores pagos relativos aos quinze primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como sobre o adicional de férias, restando exigível a contribuição incidente sobre o saláriomaternidade e férias; em 16/11/2010, a liminar foi confirmada por sentença, a qual também declarou o direito do contribuinte de compensar o valor indevidamente recolhido após o trânsito em julgado (art. 170A do CTN); e, 20/03/2012, a sentença, nesses pontos, foi confirmada pelo TRF da 1ª Região, na apelação 2010.36.00.0022250/MT; (c) em 14/07/2011, impetrou novo Mandado de Segurança, n° 14241.92.2011.4.01.3600, no qual requereu a concessão de medida liminar com o objetivo de afastar o recolhimento da contribuição previdenciária sobre horasextras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade, adicional de transferência, aviso prévio indenizado e a parcela do 13° a ele correspondente; requereu ainda a concessão de segurança definitiva para afastar o recolhimento da contribuição sobre as parcelas mencionadas e para que fosse reconhecido o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tais títulos. Em 04/10/2011, foi deferida liminar atendendo parcialmente ao pedido, para suspender a exigibilidade das contribuições patronais incidentes sobre o aviso prévio indenizado e a respectiva parcela de 13° proporcional; em 31/05/2012, a sentença confirmou os termos da liminar e declarou o direito de compensar os valores recolhidos indevidamente após o trânsito em julgado da ação, atualizados de acordo com a taxa Selic. As compensações das contribuições incidentes sobre as parcelas reconhecidas como não integrantes da base de cálculo pelas sentenças (remuneração correspondente aos quinze primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados, adicional de 1/3 de férias, aviso prévio indenizado e respectiva parcela do 13° salário) não obedeceram nem aos comandos sentenciais nem ao art. 170A do CTN, pois foram realizadas antes do trânsito em julgado dos mandados de segurança. A autuada também efetuou compensações de contribuições incidentes sobre parcelas que não foram reconhecidas como não integrantes da base de cálculo pelas sentenças. Esse fato foi confessado pela empresa, que, após o início do procedimento fiscal, Fl. 835DF CARF MF 4 ocorrido em 25/05/2012, apresentou Gfip retificadoras para reduzir em R$2.728.836,41 o montante compensado, as quais não foram recepcionadas pelos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB), face à perda da espontaneidade. No Auto de Infração n° 51.036.1919 efetuouse o lançamento da multa isolada de 150%, prevista no § 10 do art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, sobre os valores indevidamente compensados, em virtude da falsidade das declarações apresentadas pelo sujeito passivo, o qual tinha pleno conhecimento da inexistência dos pretensos créditos compensados e, dolosamente, visou a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições pessoais de contribuinte. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2011 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial na qual deduz pretensão idêntica àquela deduzida no processo administrativo importa a renúncia às instância administrativa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO. Compensação é o procedimento através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária para a compensação de créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados. Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte acrescidos de juros e multa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA AGRAVADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada. Não é razoável entender que a impugnante ignorava o fato de que os valores dos quais se julgava credora estavam sendo discutidos em ações judiciais ainda em trâmite, cujas decisões ainda não haviam transitado em julgado. Do mesmo modo, não é razoável entender que a impugnante desconhecia o fato de que norma expressa do CTN (art. 170A) expressamente vedava a compensação de tributos discutidos judicialmente antes do trânsito em julgado da decisão. Além disso, os créditos utilizados na compensação não foram somente aqueles decorrentes do recolhimento de contribuições sobre as parcelas que as sentenças reconheceram como não integrantes da remuneração. Foram também consideradas como crédito as contribuições incidentes sobre as parcelas cuja não incidência foi pleiteada pela empresa, mas não reconhecida pela decisão de primeira instância. Tudo isto denota que o impugnante sabia ser o crédito Fl. 836DF CARF MF Processo nº 14098.720008/201391 Acórdão n.º 2301005.079 S2C3T1 Fl. 4 5 por ele utilizado imprestável para a compensação, nos termos dos art. 170 e 170A do CTN. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por esta razão, as alegações de inconstitucionalidade da multa isolada não são apreciadas nesta decisão. CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE. A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, e no § 3° do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, encontrase sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 02/03/2015 (efl. 751). Em 25/03/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 753 a 830), sendo alegado, em síntese: I) nulidade do auto de infração, eivado de vício na constituição e justificação do crédito tributário e da multa lançada, o que prejudica a sua defesa; II) nulidade da notificação por violação da motivação dos atos administrativos, contraditório e da ampla defesa; III) nulidade do acórdão recorrido por omissão em relação ao reconhecimento da repercussão da matéria versada no processo administrativo e pela necessidade de sobrestamento do feito por força do artigo 62A, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf); IV) o dever de suspensão de exigibilidade dos débitos ora discutidos; V) a ilegitimidade passiva dos administradores não sócios; VI) serem os créditos compensados legais, tendo em vista a existência de pagamentos a maior, tais como aquelas incidentes sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), saláriomaternidade, férias além do 1/3 (um terço) constitucional de férias; VI) não haver desrespeito à decisão judicial, uma vez que a compensação, na forma da lei, não exige outorga judicial; Fl. 837DF CARF MF 6 VII) não incidência das contribuições exigidas; VIII) haver direito à recomposição da parcela indevidamente recolhida; IX) violação do princípio do nãoconfisco; X) ser indevida a multa isolada – Debcad nº 51.036.1919; XI) ter entregado corretamente Gfip e demais documentos e não ter praticado falsidade documental; XII) ser indevida a utilização da taxa Selic; XII) ser indevida a cobrança de contribuições previdenciárias referentes a verbas indenizatórias, conforme decidido no Resp 1.322.945 (repetitivo). Ademais, informa a existência dos mandados de segurança já mencionados, “que atualmente se encontram em fase de Recurso Especial/Extraordinário e julgamento de Apelação”. O pedido consiste: (a) no provimento do recurso voluntário para anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa ou por violação da motivação dos atos administrativos, do contraditório e da ampla defesa, ou, subsidiariamente, (b.1) na anulação dos Debcad: 51.016.9058 e 51.036.1919, em razão da utilização dos créditos referentes aos Mandados de Segurança n° 2010.36.00.0022250 e 14241.92.2011.4.01.3600 e ofensa aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco, e por não considerar condição suspensiva de ao menos parte do lançamento, denotandose sua insubsistência; (b.2) na conversão do julgamento em diligência para a apuração e exclusão dos valores referidos em b.1, parte final, do montante total ora autuado. (c) na intimação na pessoa de seu representante legal infra assinado para sustentação oral, bem como a realização de diligências necessárias para o deslinde do feito; (d) que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, OAB/SP n° 128.341. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS NULIDADES Como visto, são alegadas as seguintes nulidades: Fl. 838DF CARF MF Processo nº 14098.720008/201391 Acórdão n.º 2301005.079 S2C3T1 Fl. 5 7 I) nulidade do auto de infração, eivado de vício na constituição e justificação do crédito tributário e da multa lançada, o que prejudica a sua defesa; II) nulidade da notificação por violação da motivação dos atos administrativos, contraditório e da ampla defesa; III) nulidade do acórdão recorrido por omissão em relação ao reconhecimento da repercussão da matéria versada no processo administrativo e pela necessidade de sobrestamento do feito Entendo não ter restado configurada qualquer nulidade. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, o auto de infração possui todas as características que o recorrente reclama estarem faltando: é claro, objetivo, nítido, autoexplicável, coerente e exato na descrição dos fatos, em seus fundamentos legais e está embasado em provas: tratamse de compensações efetuadas pelo contribuinte, relativa à contribuições previdenciárias questionadas judicialmente, conforme minuciosamente relatado. O fundamento dos lançamentos são as compensações efetuadas pela recorrente antes do trânsito em julgado das ações judicias que reconheceram seu direito. Não há qualquer indeterminação, já que o valor autuado coincide com o valor compensados em rubricas específicas de contribuição social. A Fl. 839DF CARF MF 8 tentativa do contribuinte, sob ação fiscal, de retificar as Gfip, declarando os valores que vieram a ser lançados em face da compensação por ele efetuada, bem demonstra que o elemento material do presente lançamento é líquida e por ele conhecida. Não há qualquer nulidade no acórdão recorrido, que enfrentou todas as questões, fundamentando sua decisão. Nesse sentido a jurisprudência do STJ: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. 1. ARTS. 165, 458 E 535 DO CPC. NÃO VIOLADOS. (...) 1. Não há ofensa ao art. 535 do CPC, pois o Tribunal de origem decidiu a matéria de forma fundamentada. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. 2. O Tribunal de origem por ocasião do julgamento do recurso examinou as questões, embora de forma contrária à pretensão dos recorrentes, não existindo omissão a ser sanada. (AgRg no AREsp 491182 / DF, DJe 08/09/2016) (Grifouse.) Quanto ao caráter confiscatório da multa aplicada, o recorrente alega que acórdão recorrido não teria se manifestado sobre o reconhecimento da existência de decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal sobre o tema. Ora, não é permitido aos órgãos da Administração Tributária se manifestar sobre questões que, como essa, implicam no controle repressivo de constitucionalidade – que é o que se busca: deixar de aplicar texto expresso de lei em face de preceito constitucional. Esse é o sentido da Súmula Carf 02 e do caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao pedido de sobrestamento do feito, não há base legislativa para tanto, uma vez que os §§ 1º e 2º do artigo 62A, do antigo Ricarf, que previam tal providência, foram revogados pela Portaria MF nº 545, de 18/11/2013, que a seguir se transcreve: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção I, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 14098.720008/201391 Acórdão n.º 2301005.079 S2C3T1 Fl. 6 9 O Ricarf atual, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015, não prevê tal instituto. IV) DO DEVER DE SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS ORA DISCUTIDOS; As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso III do art. 151 do CTN. O acórdão da DRJ não se posiciona diferentemente em relação a essa matéria. Assim, não há pretensão resistida em relação a suspensão do crédito tributário a atrair a competência deste Carf, que é tão somente recursal, a teor do disposto no art. 1º do Anexo II do Ricarf: Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma prevista nos arts. 2º a 4º da Seção I. Assim sendo, tal questão não pode ser conhecida por esta Turma. V) DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DOS ADMINISTRADORES NÃO SÓCIOS Cumpre ressaltar que o lançamento foi efetuado unicamente em nome da pessoa jurídica. Não houve, portanto, a inclusão dos sócios e dos administradores no pólo passivo da relação jurídicotributária. A seu turno, “a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88.) Portanto, tal questão também não pode ser provida. VI) NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS; A incidência ou não da contribuição previdenciária sobre os valores referentes às rubricas citadas no relatório, quais sejam: os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), bem como, a título de saláriomaternidade, férias Fl. 841DF CARF MF 10 além do 1/3 (um terço) constitucional de férias, estão sendo discutidas judicialmente, nos Mandados de Segurança n° 2010.36.00.0022250 e 14241.92.2011.4.01.3600. Assim, há renúncia à esfera administrativa, a teor da Súmula Carf nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sendo assim, descabe a este órgão se pronunciar sobre estas questões, por falta de competência para tanto. V) DOS CRÉDITOS COMPENSADOS, EM FACE DOS PAGAMENTOS A MAIOR; VII) DOS EFEITOS DA DECISÃO JUDICIAL NA COMPENSAÇÃO; VIII) DA RECOMPOSIÇÃO DA PARCELA INDEVIDAMENTE RECOLHIDA; A recorrente afirma que: (a) praticou o procedimento de compensação de forma escorreita, cabendo ao Fisco homologar ou não a sua compensação; (b) não houve violação ao artigo 170A do CTN, uma vez que esta é regra que o Legislador dirigiu ao Poder Judiciário e não ao contribuinte; assim, o Juiz, ante a imposição do artigo 170A do CTN, está impedido de autorizar a compensação antes do trânsito em julgado, mas o dispositivo não proíbe que o contribuinte faça seu regular pedido de compensação; (c) o disposto no art. 66 da Lei nº 8.383/91, faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos com a Fazenda Pública, cujos tributos pagos a maior ou indevidamente, o direito de compensar aludidos valores com débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública ou de sentença transitada em julgado; (d) não há qualquer causa impeditiva ou suspensiva do direito à compensação; os atos praticados pelas autoridades administrativas exorbitam a legalidade à qual estão vinculadas, sendo necessário, portanto, o restabelecimento da ordem. Não lhe assiste razão. Por primeiro, cumpre evidenciar que o art. 89 da Lei 8212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, estabelece que as contribuições em comento somente poderão ser compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e Fl. 842DF CARF MF Processo nº 14098.720008/201391 Acórdão n.º 2301005.079 S2C3T1 Fl. 7 11 condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). À época dos fatos, a compensação das contribuições previdenciárias estava regulamentada pala Instrução Normativa RFB 900, de 2008, arts. 44 e seguintes; portanto, não mais eram aplicáveis as disposições previstas pelo vetusto art. 66 da Lei 8383, de 1991. Desse modo, é ilegal e irregular a pretensa compensação efetivada pela recorrente. Mas há mais. O art. 170A do CTN não é de eficácia restrita às decisões do Poder Judiciário, como quer a contribuinte. Ora, quem realiza a compensação são os contribuintes, e não o Poder Judiciário. Assim, art. 170A do CTN é norma cogente a impedir compensações antes do trânsito julgado em sentença: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Mas a recorrente foi além, pois desobedeceu, ainda, expressas previsões sentenciais, mantidas pelos acórdãos nas respectivas apelações, que determinavam a compensação após o trânsito em julgado das ações. Por conseguinte, não há amparo legal ou jurídico para as compensações efetuadas pela recorrente; quem procedeu de forma escorreita foi o Fisco, ao efetivar os lançamentos. IX) VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO X) SER INDEVIDA A MULTA ISOLADA – DEBCAD Nº 51.036.1919 Neste tópico, a recorrente afirma que a multa aplicada violou os princípios do não confisco, da estrita legalidade, da capacidade contributiva, da moralidade, da isonomia tributária. Quanto à multa isolada, é alegada sua inconstitucionalidade face à afronta aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco Como já ressaltado, não é permitido aos órgãos da Administração Tributária se manifestar sobre questões que, como essa, implicam no controle repressivo de constitucionalidade. Uma vez que as multas possuem base legal (Lei 8.212, de 1991, art. 89, §§ 9º e 10º), não é possível deixar de aplicálas em razão dos vícios de inconstitucionalidade apontados: Esse é o sentido da Súmula Carf 02 e do caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, já citados. Embora não seja matéria da qual a recorrente tenha expressamente recorrido, lembro que, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da Fl. 843DF CARF MF 12 declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, aplicado em dobro. Esse é o teor do § 10 do art. 89 da Lei 8.212, de 1991, Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Grifouse.) Não é razoável entender que a recorrente ignorava o fato de que os valores dos quais se julgava credora estavam sendo discutidos em ações judiciais ainda em trâmite, cujas decisões ainda não haviam transitado em julgado, e que determinavam expressamente que a compensação somente poderia ocorrer com o trânsito em julgado das ações. Confirase: 1º Mandado de segurança APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO 2010.36.00.0022250/MT PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. AUXÍLIODOENÇA E AUXÍLIOACIDENTE. FOLHA DE SALÁRIOS. QUINZE PRIMEIROS DIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS E FÉRIAS. SALÁRIOMATERNIDADE. COMPENSAÇÃO. (...) 7. A compensação somente poderá ser efetivada após o trânsito em julgado da decisão, nos termos da disposição contida no art. 170A do CTN (introduzida pela Lei Complementar nº 104/01), exigência que também alcança as situações em que o STF já tenha declarado a inconstitucionalidade de tributo/contribuição. Precedentes do STJ: (AgRg no REsp 739.039/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/11/2007, DJ 06/12/2007 p. 301). (...) Fl. 844DF CARF MF Processo nº 14098.720008/201391 Acórdão n.º 2301005.079 S2C3T1 Fl. 8 13 12. Apelações e remessa oficial parcialmente providas. (APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO 2010.36.00.002225 0/MT; Processo na Origem: 29580920104013600; RELATOR(A): DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA; APELANTE: FAZENDA NACIONAL; APELANTE:VALE GRANDE INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS S/A ) (Grifouse.) 2º Mandado de segurança Processo N° 001424192.2011.4.01.3600 DISPOSITIVO. Diante do exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA pleiteada, para reconhecer a inexigibilidade da contribuição sobre aviso prévio indenizado e respectiva parcela do 13º proporcional.) Declaro, ainda, o direito de a parte impetrante compensar os recolhimentos efetuados indevidamente nos 5 (cinco) anos anteriores ao ajuizamento desta ação, após o trânsito em julgado desta sentença. Os valores a serem compensados deverão ser atualizados de acordo com a taxa SELIC (apenas), desde os recolhimentos indevidos (artigo 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, e art. 73, da Lei 9.532/97). Em conseqüência, julgo extinto o processo com julgamento de mérito, com fulcro no artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil. (SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE MATO GROSSO; Processo N° 001424192.2011.4.01.3600; Nº de registro eCVD 00578.2012.00033600.1.00138/00128) (Grifouse.) Do mesmo modo, não é razoável entender que a recorrente desconhecia o fato de que o art. 170A do CTN expressamente veda a compensação de tributos discutidos judicialmente antes do trânsito em julgado da decisão. Além disso, os créditos utilizados na compensação não foram somente aqueles decorrentes do recolhimento de contribuições sobre as parcelas que as sentenças reconheceram como não integrantes da remuneração. Foram também consideradas como crédito as contribuições incidentes sobre as parcelas cuja não incidência foi pleiteada pela recorrente, mas não reconhecida pela decisão judicial de primeira instância. Tudo isto denota que a contendora sabia ser o crédito por ela utilizado imprestável para a compensação, nos termos do art. 170A do CTN. Desse modo, resta comprovada a existência de compensação indevida, decorrente de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, sujeitando a recorrente à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro. Fl. 845DF CARF MF 14 XI) DA ENTREGA DA GFIP E DA FALSIDADE DOCUMENTAL Nesse tópico, a requerente alega ter cumprido corretamente com a entrega de suas Gfip; desse modo, segundo ela, não há falar que não tenha apresentado informações com a intenção de reduzir o montante da contribuição previdenciária devida, muito menos de que não lançou a compensação; as informações prestadas em Gfip demonstram a realidade dos recolhimentos de FGTS e das contribuições, sendo corretamente aplicados os conceitos de base de cálculo/ alíquotas; agiu com transparência, pontualidade e a formalização das informações prestadas em Gfip, sendo inconfudível sua prática de apresentação de informações e documentos, principalmente no tange às compensações realizadas provenientes de créditos de ação judicial; adotando conduta arbitrária, o fisco lavrou Representação Fiscal para Fins Penais em decorrência da prática, em tese, de crime capitulado nos artigos 168A, caput e parágrafo 1º e art. 337A, I, do Código Penal; entretanto, não há qualquer razão para que tal procedimento seja instaurado, porquanto os créditos tributários exigidos na respectiva Debcad são totalmente controversos, o que, por si só, além de impedir as suas constituições definitivas, não servem como início de prova para tanto; demais disso, durante o procedimento de fiscalização não houve a demonstração de sua intenção de sonegar e, portanto, inexistente qualquer suporte fático e legal para a emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, devendo tal representação ter seu seguimento obstado de plano. Como visto, é atacada a Representação Fiscal para Fins Penais. Porém, de acordo com a Súmula CARF nº 28 (vinculante), “o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais”, pelo que não conheço desta questão. XII) DA TAXA SELIC É asseverada a impossibilidade de utilização da taxa Selic. Não lhe assiste razão. A possibilidade da utilização, a partir de 1º de abril de 1995, da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é tema da Súmula 04 deste CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. XII) DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS REFERENTES A VERBAS INDENIZATÓRIAS, CONFORME DECIDIDO NO RESP 1.322.945 (REPETITIVO). A recorrente afirma ser indevida a cobrança de contribuições previdenciárias referentes a verbas indenizatórias, conforme decidido no Resp 1.322.945 (repetitivo). Não lhe assiste razão. Se no julgamento do Recurso Especial 1.322.945, em 27/02/2013 havia sido decidido pela não incidência de contribuição previdenciária sobre duas verbas consideradas indenizatórias, quais sejam o salário maternidade e as férias usufruídas, em 25/08/2015, no julgamento dos EDcl nos EDcl no Recurso Especial nº 1.322.945 – DF, restou decidido que: Fl. 846DF CARF MF Processo nº 14098.720008/201391 Acórdão n.º 2301005.079 S2C3T1 Fl. 9 15 (a) ficou prejudicada a questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade (b) há incidência de contribuição previdenciária sobre as férias gozadas. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA EMPRESA. QUESTÃO RELATIVA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE QUE FICOU PREJUDICADA, EM RAZÃO DA HOMOLOGAÇÃO DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA. CIRCUNSTÂNCIA QUE OBSTA O ACOLHIMENTO, NO PONTO, DOS PRIMEIROS EMBARGOS APRESENTADOS PELA FAZENDA NACIONAL. 2. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. DISCUSSÃO SOBRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AS FÉRIAS GOZADAS (REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL). ACÓRDÃO EMBARGADO QUE SE CARACTERIZA COMO PRECEDENTE ÚNICO DESTA SEÇÃO, CUJO ENTENDIMENTO ESTÁ EM DESCOMPASSO COM OS INÚMEROS PRECEDENTES DAS TURMAS QUE A COMPÕEM E EM DIVERGÊNCIA COM O ENTENDIMENTO PREVALENTE ENTRE OS MINISTROS QUE ATUALMENTE A INTEGRAM. SITUAÇÃO QUE IMPÕE A REFORMA DO JULGADO PARA SE PRESERVAR A SEGURANÇA JURÍDICA. CONCLUSÃO. Embargos de declaração de GLOBEX UTILIDADES S/A acolhidos para reconhecer que ficou prejudicada a questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, razão pela qual não se justificava, no ponto, o acolhimento dos embargos de declaração de fls. 736/756 (acompanhando o Ministro Relator). Embargos da FAZENDA NACIONAL acolhidos para determinar a incidência de contribuição previdenciária sobre as férias gozadas. (Grifou se.) Houve trânsito em julgado do acórdão em 13/09/2016. Porém, mesmo que tivesse havido julgamento em sentido diverso, tal fato não acolheria a recorrente, que promoveu as compensações antes do trânsito em julgado de suas ações judiciais, em afronta ao art. 170A do CTN, art. 74, § 12, da Lei 9.430, de 1996 e expressos comandos judiciais. XIII) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com Fl. 847DF CARF MF 16 a juntada de prova documental, cuja guarda e comprovação está a cargo do sujeito passivo, como se dá no presente caso. Entendo que não há elemento probatório a ser esclarecido por meio de diligência, a qual entendo desnecessária. INTIMAÇÕES As petições pela “intimação na pessoa de seu representante legal infra assinado para sustentação oral”, ou “que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, OAB/SP n° 128.341” não podem ser deferidas. No processo administrativo fiscal as intimações obedecem ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que prevê os modos de intimação dos sujeitos passivos em seu domicílio fiscal, mas não prevê a intimação na figura de seus mandatários, em seu próprio domicílio, em substituição ou adição à intimação dos sujeitos passivos. Conclusão Voto, portanto, por NÃO CONHECER (a) alegações de inconstitucionalidade, (b) da controvérsia referentes aa Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais; (c) REJEITAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA e AS PRELIMINARES DE NULIDADE, e no mérito, (d) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 848DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720362/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008
Ementa:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ. NOVO JULGAMENTO. MATÉRIA DEVOLVIDA.
Havendo devolução dos autos à DRJ para novo julgamento, este se dará exclusivamente em relação à matéria devolvida, permanecendo válida a decisão da primeira instância em relação as demais matérias, ainda que pendente de apreciação pela segunda instância (Carf).
Embargos Acolhidos, com efeitos infringentes
Numero da decisão: 3301-003.656
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Acolher os Embargos Declaratórios interpostos contra o Acórdão 3101-001.826, com efeitos infringentes, para (i) esclarecer que o colegiado afastou a concomitância, determinando o retorno dos autos à DRJ para nova Decisão exclusivamente em relação à matéria que foi atingida equivocadamente pela concomitância e (ii) alterar a redação do Acórdão 3101.001.826 e do seu dispositivo para constar que o Recurso Voluntário foi Parcialmente Provido, apenas para afastar a concomitância.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ. NOVO JULGAMENTO. MATÉRIA DEVOLVIDA. Havendo devolução dos autos à DRJ para novo julgamento, este se dará exclusivamente em relação à matéria devolvida, permanecendo válida a decisão da primeira instância em relação as demais matérias, ainda que pendente de apreciação pela segunda instância (Carf). Embargos Acolhidos, com efeitos infringentes
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OMISSÃO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ. NOVO JULGAMENTO. MATÉRIA DEVOLVIDA. Havendo devolução dos autos à DRJ para novo julgamento, este se dará exclusivamente em relação à matéria devolvida, permanecendo válida a decisão da primeira instância em relação as demais matérias, ainda que pendente de apreciação pela segunda instância (Carf). Embargos Acolhidos, com efeitos infringentes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 62 /2 01 1- 39 Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16327.720362/201139 Acórdão n.º 3301003.656 S3C3T1 Fl. 518 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, Acolher os Embargos Declaratórios interpostos contra o Acórdão 3101001.826, com efeitos infringentes, para (i) esclarecer que o colegiado afastou a concomitância, determinando o retorno dos autos à DRJ para nova Decisão exclusivamente em relação à matéria que foi atingida equivocadamente pela concomitância e (ii) alterar a redação do Acórdão 3101.001.826 e do seu dispositivo para constar que o Recurso Voluntário foi Parcialmente Provido, apenas para afastar a concomitância. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 16327.720362/201139 Acórdão n.º 3301003.656 S3C3T1 Fl. 519 3 Relatório Cuidase de Embargos Declaratórios interpostos pela contribuinte, fls. 483/485, em razão de pretensa omissão existente no Acórdão nº 3101001.826, de 18 de março de 2015, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção. Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte, entidade seguradora, para a constituição de crédito tributário relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. A DRJ/São Paulo I, ao apreciar impugnação, expediu o Acórdão nº 1632.718, fl. 337, com o reconhecimento de concomitância parcial entre a matéria tratada nos autos e a propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda, importando em renúncia ao poder de recorrer às instâncias administrativas quanto à matéria coincidente. No tocante à parte conhecida, o colegiado de primeira instância Negou Provimento à impugnação, mantendose íntegro o crédito tributário lançado. Em sede de Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária, 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF expediu o Acórdão 3101001.826, ora embargado, deliberando por afastar a concomitância, com retorno dos autos à DRJ para nova decisão. Assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 01/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008. Concomitância não evidenciada nos autos. Não há coincidência de causa de pedir (motivos). Recurso Voluntário Provido Segundo a embargante, há omissão no Acórdão embargado, em relação à devolução para a DRJ de toda matéria impugnada pela Embargante, inclusive da parcela conhecida pela decisão da DRJ (exclusão das despesas com sinistros pagos de setembro de 2007 e provisão complementar de prêmios de dezembro de 2007), uma vez que tais questões não foram levadas ao julgamento pela Turma julgadora do CARF. Assim, requer que o colegiado se manifeste em relação à devolução de toda a matéria recorrida à DRJ, inclusive da parcela conhecida por aquela instância. Foime distribuído, por sorteio, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 16327.720362/201139 Acórdão n.º 3301003.656 S3C3T1 Fl. 520 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator Os Embargos foram admitidos por Despacho do Presidente da 1ª Câmara à fl. 514. Conforme relatado, em decisão de Primeira Instância (DRJ) foi reconhecida concomitância parcial entre a matéria tratada nos autos e a propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda, e, quanto à parte conhecida, a decisão foi contraria ao contribuinte, ensejando Recurso Voluntário, tanto em relação à concomitância quanto em relação às demais matérias. Em apreciação de segundo grau, por meio do Acórdão 3101 001.826, ora embargado, a 1ª Turma Ordinária, 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deliberou favoravelmente ao recorrente, afastando a concomitância, com determinação do retorno dos autos à DRJ para nova decisão, sendo silente quanto as demais matérias tratadas na DRJ, integrantes do Recurso Voluntário. Sobre esse silêncio insurge a Embargante, alegando existir omissão no julgamento em face de inexistir manifestação expressa acerca da devoluçãoà DRJ de toda a matéria recorrida, inclusive da parcela conhecida por aquele Órgão. Assim, requer a Embargante a correção do resultado do julgamento, para que o Recurso Voluntário seja provido em relação ao conhecimento da matéria impugnada, bem como, do retorno dos autos em relação as demais matérias que já haviam sido conhecidas pelo julgador de primeira instância (DRJ), mas que não foram levadas a julgamento por este Órgão (CARF). As matérias controversas no presente processo podem ser segregadas em duas espécies: (i) a exclusão das receitas financeiras e (ii) a dedução de "Sinistros pagos" e "Provisão Complementar de Prêmios" (demais questões) da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. A decisão de Primeira Instância decidiu por não conhecer a impugnação quanto às receitas financeiras, por concomitância, e, quanto às demais questões, conhecendoas negou provimento, nos seguintes termos: Diante do exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER da impugnação em relação à exclusão das receitas financeiras da contribuinte da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, questão a ser decidida pelo Poder Judiciário na fase executiva do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983 (004279824.1999.4.03.6100); e, CONHECER da impugnação em relação às demais questões, para julgála IMPROCEDENTE, mantendo o crédito tributário. Conquanto a decisão de Segunda Instância, ora Embargada, limitou se a deliberar quando à inexistência de concomitância, concluindo pelo retorno dos autos à DRJ, nos seguintes termos: Fl. 520DF CARF MF Processo nº 16327.720362/201139 Acórdão n.º 3301003.656 S3C3T1 Fl. 521 5 Nesse sentido, urge que os autos retornem à DRJ para que lá seja proferida nova decisão, de mérito, com o respectivo juízo de valor à inclusão, ou não, das receitas de prêmios de seguro (e outras objeto da autuação) na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por assim ser, CONHEÇO do Recurso Voluntário e a ele DOULHE PROVIMENTO, para que os autos retornem à DRJ, nos termos acima colocados. De fato, a redação do dispositivo suso transcrito apresentase dúbio. Todavia a melhor prática processual para a espécie não permite outro rito procedimental senão a remessa dos autos para a DRJ para novo julgamento em relação unicamente à matéria que teve invalidade sua concomitância, originariamente decretada pela DRJ. Processualmente, havendo devolução dos autos à DRJ para novo julgamento, este se dará exclusivamente em relação à matéria devolvida, permanecendo válida a decisão da primeira instância em relação as demais matérias, ainda que pendente de apreciação pela segunda instância (Carf). É nesse sentido que carrearam os fundamentos do voto condutor da decisão embargada. O que se conclui equivocado no Acórdão de Primeira Instancia é unicamente a questão cercada pela concomitância, não havendo nulidade naquela decisão. Há uma divergência interpretativa entre as duas instâncias recursais em que o entendimento da instância superior, o Carf, deve prevalece, demandando uma alteração naquele julgado. No que diz respeito às "demais questões" do Recurso Voluntário, sua apreciado pelo colegiado do Carf se dará quando do retorno dos autos da DRJ, já contemplando, se for o caso, eventual controvérsia em face do julgamento da parte que ora se devolve para decisão inaugural. Outro fato que deu asas ao Embargante foi a indicação, no Acórdão Embargado, de que o provimento do Recurso Voluntário deuse em sua plenitude, conquanto seus fundamentos são lúcidos no sentido de que o Provimento deuse parcialmente, mormente o recurso foi apreciado unicamente quanto à alegada (e acolhida) inexistência de concomitância, não havendo, por parte do colegiado do Carf, manifestação acerca das "demais questões" integrantes da controvérsia. Dispositivo Ante o exposto, voto para que os Embargos Declaratórios interpostos contra o Acórdão 3101001.826 sejam acolhidos,com efeitos infringentes, para: (i) esclarecer que o colegiado afastou a concomitância, determinando o retorno dos autos à DRJ para nova Decisão exclusivamente em relação à matéria que foi atingida equivocadamente pela concomitância e que as "demais questões" do Recurso Voluntário, serão apreciados pelo colegiado do Carf, quando do retorno dos autos da DRJ, se for o caso. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16327.720362/201139 Acórdão n.º 3301003.656 S3C3T1 Fl. 522 6 (ii) alterar a redação do Acórdão nº 3101001.826 e do seu dispositivo para constar que o Recurso Voluntário foi Parcialmente Provido, apenas para afastar a concomitância. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 522DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720189/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.943
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 89 /2 01 2- 17 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11516.720189/201217 Acórdão n.º 3302003.943 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.590. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11516.720189/201217 Acórdão n.º 3302003.943 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11516.720189/201217 Acórdão n.º 3302003.943 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11516.720189/201217 Acórdão n.º 3302003.943 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11516.720189/201217 Acórdão n.º 3302003.943 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720318/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011
PAGAMENTO A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. EFEITOS.
Comprovado pela Autoridade Fiscal o descumprimento dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00 para instituição de um programa de PLR, os valores totais pagos sob essa rubrica integram o salário de contribuição. É dever do Fisco a determinação correta da base de cálculo do tributo devido, consoante preceitua o artigo 142 do CTN, sendo vedado a adoção de valores parciais.
Numero da decisão: 2201-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. EFEITOS. Comprovado pela Autoridade Fiscal o descumprimento dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00 para instituição de um programa de PLR, os valores totais pagos sob essa rubrica integram o salário de contribuição. É dever do Fisco a determinação correta da base de cálculo do tributo devido, consoante preceitua o artigo 142 do CTN, sendo vedado a adoção de valores parciais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 03 18 /2 01 4- 01 Fl. 1052DF CARF MF 2 EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, valhome do relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância: Do lançamento O Auto de Infração Debcad nº 51.061.6550 referese ao lançamento da contribuição patronal de 20% (competências 01/2011 a 11/2011) e da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (competências 01/2011 a 12/2011), ambas incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O relato fiscal de fls. 11 a 38 informa que a auditoria detectou indícios de irregularidades nas informações prestadas pelo sujeito passivo relativas à massa salarial das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, quando comparadas com as remunerações aos segurados empregados, código 0561 (rendimentos do trabalho assalariado), constantes das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Questionados, os responsáveis pela empresa declararam que a diferença de aproximadamente 169% a maior na DIRF em 2011 referiase à premiação a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, e que, a partir da implantação do novo regime de tributação previdenciária, com a contribuição incidente sobre a receita bruta operacional, deixou de utilizar este sistema de remuneração. Com base nos elementos analisados, a fiscalização constatou que no exercício de 2011 a BRQ utilizou o esquema de fazer pagamentos mensais aos empregados, contabilizados sob a forma de empréstimos, e semestralmente lançava tais valores na DIRF, assim como nos resumos das folhas de pagamento de salários de março/2011 e setembro/2011, a título de Participação nos Resultados, com o intuito de dissimular o cumprimento do § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000: Art. 3º. A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.053 3 em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A diferença desproporcional entre o salário nominal destacado nas GFIPs em comparação com os rendimentos informados na DIRF levou a auditoria fiscal a concluir que os valores efetivamente pagos aos segurados substituem e complementam a remuneração devida a qualquer empregado, fato que infringe o artigo 3º da Lei nº 10.101/2000. O Anexo 06 ao Relatório Fiscal (fls. 211 a 335) contém 6.114 registros e consiste em uma planilha comparativa, por beneficiário, entre a DIRF dos meses de 04/2011 e 10/2011 e as GFIPs das competências 03/2011 e 09/2011. Dos registros do Anexo 06, 1.519 se referiam a segurados com rendimentos no código 0561 da DIRF que não constavam nas GFIPs transmitidas pela BRQ. Por amostragem, a fiscalização identificou tratarse em muitos casos de exempregados da BRQ que, mesmo sem qualquer vínculo empregatício ativo, recebiam remunerações retributivas da prestação de serviços, conforme informado na DIRF/2011. Estes trabalhadores estão relacionados na planilha de fls. 336 a 363 (Anexo 7), de onde devem ser excluídos os estagiários cuja remuneração está contabilizada na conta contábil 0000.4.1.1.010. O Anexo 02 ao Relatório Fiscal (fls. 42 a 172) contém 12.240 lançamentos contábeis referentes a empréstimos mensais feitos individual e nominalmente aos segurados empregados da empresa, obtidos do cotejo entre as contas contábeis código 00001.1.3122, denominada Mútuo a Funcionários – Folha, e sua contrapartida no passivo, conta contábil 00002.1.22099 – Conta Transitória. Com relação aos Acordos Coletivos de Participação nos Resultados, a fiscalização verificou que, apesar de estarem assinados por uma comissão de empregados, a BRQ não apresentou quaisquer documentos que comprovassem que estes tivessem sido eleitos ou escolhidos para esta representação. Observou ainda: no acordo firmado com o SINDPDSP, que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que o Sindicato evidenciou interesse financeiro ao impor a cobrança de taxa negocial de todos os participantes do quadro de lotação da BRQ, deixando de lado sua principal função, que é a proteção do trabalhador; que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 02/2011 e 08/2011, mas os pagamentos foram lançados nas folhas de pagamento de 03/2011 e 09/2011; que uma das representantes, Sra. Núbia Paula Galvão, tinha apenas um dia de serviço quando assinou o acordo coletivo; no acordo firmado com o SINDPDRJ, que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 03/2011 e 09/2011, requisito que foi cumprido formalmente, mas que em nenhuma parte do Fl. 1054DF CARF MF 4 texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que dois dos representantes foram admitidos em 01/06/2010, ou seja, 30 dias antes da vigência proposta na cláusula contratual, e que como o acordo coletivo não tem data de assinatura, não há como afirmar se estes empregados tinham realmente o poder de representação de todo o grupo; no acordo firmado com o SINDPDPR, que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 03/2011 e 09/2011, requisito que foi cumprido formalmente, mas que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que um dos representantes foi admitido somente em 13/10/2010, ou seja, 105 dias após a data do acordo coletivo. A fiscalização concluiu que as partes não observaram os interesses de sua própria coletividade, não obedeceram aos critérios legais para pagamento semestral do PLR, não deixaram clara a participação e concordância dos empregados envolvidos e deixaram registrado, no item 3.1, que as regras definidas foram resultado da livre negociação entre a empresa e o Sindicato, atuando em prejuízo da Previdência Social e dos próprios segurados empregados. Outro ponto destacado no Relatório Fiscal foi a análise de documentos oriundos da Justiça do Trabalho. A fiscalização relata que em uma sentença trabalhista a própria reclamada sustentou que o valor pago bimestralmente como adiantamento correspondia à participação nos resultados, fixado em acordo coletivo, segundo critérios de assiduidade e performance do empregado. No texto da sentença, a justiça trabalhista relata sobre a confirmação do não cumprimento do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000 e sobre as conseqüências nocivas aos trabalhadores com a forma de retribuição adotada pela BRQ. A conclusão da fiscalização à vista dos fatos e documentos coletados é que a freqüência e o número exagerado de remunerações pagas a título de adiantamentos ou empréstimos, muito superior aos salários informados nas folhas de pagamento e GFIPs, indica que, na realidade, tratase de parcelamento mensal de salários disfarçado de mútuo e lançado somente nas folhas de pagamento de 03/2011 e 09/2011, sob a rubrica PLR. Estes valores não foram incluídos pela autuada na base de cálculo das contribuições devidas à previdência social. A utilização de procedimentos contábeis irregulares demonstra a intenção da empresa de ocultar fatos geradores de contribuições previdenciárias e simular como distribuição de lucros as remunerações feitas a segurados empregados, contratados para prestar serviços inerentes à sua atividadefim. Diante da constatação da conduta de sonegação, a multa de ofício foi majorada para 150%, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. O administrador Benjamin Ribeiro Quadros, responsável pela gestão empresarial que implicou na conduta de sonegação, foi arrolado como sujeito passivo solidário em relação aos créditos apurados pela fiscalização, conforme descreve o Relatório Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.054 5 Fiscal e o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 471 e 472 dos autos. O montante do crédito, consolidado em 03/12/2014, corresponde a 36.358.523,57 (trinta e seis milhões, trezentos e cinqüenta e oito mil, quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos). Da impugnação Cientificado da autuação por via postal em 09/12/2014, o sujeito passivo apresentou impugnação em 07/01/2015 (fls. 483 a 524), alegando, em síntese: 1) a nulidade absoluta da autuação por apresentar vício material insanável, em razão do equívoco no fato gerador e na base de cálculo eleitos pela fiscalização, sob pena de violação direta e frontal ao artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN e aos artigos 5º, LIV e LV e 37 da Constituição Federal. Diz que a fiscalização afirmou que os planos de PLR da empresa infringiram a lei de regência e se prestavam apenas para substituir parcela remuneratória devida aos empregados, inclusive com o adiantamento de valores (mensal ou bimestralmente) por meio de mútuos/empréstimos, mas que por esse raciocínio não haveria outra conclusão lógica senão a de desconsiderar integralmente todos os planos de PLR da empresa firmados com três entidades sindicais distintas, caracterizando todos os valores pagos a título de PLR aos empregados como parte do salário, o que não ocorreu. Citando o artigo 142 do CTN, sustenta que não poderia a autoridade administrativa criticar uma matéria (PLR) e eleger como fato gerador e base de cálculo outra matéria (mútuos/empréstimos), até porque nesse caso o contribuinte tem seu direito de defesa prejudicado, não sabendo se deve se defender de um ponto ou de outro. Questiona a motivação para ter a fiscalização considerado legítima uma parte do PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros, na ordem de R$ 74.000.000,00 para R$ 92.000.000,00. Entende que o valor dos empréstimos, feitos a cada dois meses aos empregados interessados, jamais poderia ter sido eleito como fato gerador ou base de cálculo de contribuições previdenciárias por não representar vantagem econômica definitiva dos empregados. Afirma que, como comprovam os contratos de mútuo, os empréstimos eram feitos na forma da lei, com incidência de juros, taxa administrativa e data de vencimento, quando eram integralmente quitados pelos empregados, não integrando o seu patrimônio. Como apenas o valor da Participação nos Lucros e Resultados era creditado aos empregados definitivamente, esse seria o único pagamento que poderia, em tese, ser objeto de discussão pelo AuditorFiscal; 2) contextualiza o mercado dos profissionais de tecnologia da informação (TI) com o objetivo de demonstrar a necessidade e legalidade dos mútuos feitos pela empresa em favor de boa parte de seus empregados. Afirma que no seu caso os profissionais de Fl. 1056DF CARF MF 6 TI eram contratados nos termos estritos da legislação trabalhista (CLT), estabelecendose cargos e níveis de remuneração mensal de acordo com a senioridade e especialidade, além de outros benefícios in natura, tais como assistência médica, assistência odontológica, seguro de vida, valerefeição, valealimentação e previdência privada. Além desses benefícios, também negociava anualmente com a Comissão de Empregados e com Sindicatos de três diferentes estados da federação os programas de PLR que permitam o recebimento de valores decorrentes da performance da empresa e da performance individual dos empregados, com metas que variam desde as margens de lucro dos projetos até as competências e habilidades dos profissionais como elementos importantes na obtenção dos resultados da empresa como um todo. Frisa que nunca reduziu salários ou pagou benefícios em dinheiro para deixar de pagar contribuições sociais e FGTS, que nunca suprimiu bônus, gratificações habituais ou quaisquer outros benefícios, nem comissões ou outras verbas salariais para que fosse instituído o programa de PLR, agindo sempre em conformidade com a CLT e com a Lei nº 8.212/1991. Relata que a figura do mútuo/empréstimo somente foi utilizada pela empresa em razão de necessidade e pedido de muitos empregados, que precisavam de maior fluxo de caixa em razão de compromissos pessoais. Esses profissionais, que outrora prestavam serviços a diversas empresas sem exclusividade, estavam se adaptando ao regime CLT e a ter seu desempenho medido semestralmente, e por isso a empresa permitiu que aqueles que necessitassem de empréstimos pudessem ter acesso a uma linha de crédito bimestral. Destaca que não havia pagamentos mensais, pois os empréstimos eram concedidos apenas nos meses pares (fevereiro, abril, etc), sendo que apenas algumas exceções foram feitas nos meses ímpares, notadamente para empregados recém admitidos. Informa que recolhia os impostos devidos pelas receitas recebidas dos empregados (IOF), e que nem todos os empregados solicitavam o mútuo/empréstimo, conforme comprova a amostragem dos contracheques, em que consta o pagamento da PLR dos empregados e não consta qualquer desconto de mútuo; 3) a legalidade do seu programa de PLR, que observou a irredutibilidade da remuneração dos empregados, a elegibilidade de todos os empregados, a formalização em documento escrito e único, a existência de regras objetivas e claras, a negociação e assinatura logo no início do período de apuração e antes de qualquer pagamento, a periodicidade semestral, a participação do Sindicato da categoria de cada base territorial e o arquivamento no Sindicato. As acusações fiscais de que os Sindicatos, em especial o de São Paulo, não protegeram os interesses dos empregados e visaram interesses financeiros, são indevidas, seja porque os acordos contam com metas bastante detalhadas e com fórmula matemática de aferição do valor da PLR, seja porque nenhum Sindicato recebeu nada por isso. Com o advento da legislação de desoneração da folha de pagamento, a empresa não se desfez do instrumento de incentivo à produtividade que é a PLR, tanto é que pagou a esse título em 2010 R$ 48.620.297,33, em 2011 R$ 91.022.106,46, em 2012 R$ 104.331.193,16 e em 2013 R$ 67.696.566,27. Os empréstimos de mútuo eram feitos mediante solicitação do Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.055 7 empregado, não eram obrigatórios e não tinham seu valor vinculado direta ou indiretamente ao valor da PLR. A PLR dependia do atingimento de metas mensais mas de apuração semestral, nesta também avaliadas habilidades e competências individuais, não sendo possível antecipar valores relativos a resultados não sabidos e impossíveis de prever. A forma de comparação entre os valores informados em DIRF (que incluem a PLR) e os informados em GFIP (sem PLR) foi indevida, pois deixou de descontar o valor do próprio salário que está na DIRF e ignorou que o valor informado em DIRF corresponde a seis meses de apuração de PLR, enquanto que o valor da GFIP corresponde a apenas um mês de salário. Se fosse o caso, deveria ter sido comparada a PLR (semestral) com seis meses de salário dos empregados, mas esta questão não tem relevância jurídica, pois a Lei nº 10.101/2000 não impõe qualquer limitação aos valores da PLR, de modo que não existe vedação legal para o pagamento de participações relevantes aos empregados, bastando que decorra de regras claras e objetivas; 4) que na reclamatória trabalhista cuja sentença foi mencionada pela fiscalização não houve sequer a oitiva de testemunhas, tendo havido grave cerceamento do direito de defesa da empresa, o que foi objeto da medida cautelar juntada aos autos. Existem outras decisões judiciais, inclusive do Tribunal Regional do Trabalho, no sentido de reconhecer que os empregados recebiam seu salário corretamente, recebiam mútuos bimestralmente – se fosse de seu interesse – e recebiam valores variáveis, conforme metas atingidas, a título de PLR. Estas decisões destacam que a PLR paga pela empresa não tem natureza salarial, fato que, por si só, considerando a coisa julgada e a força das decisões judiciais, devem acarretar na nulidade das presentes autuações; 5) que com relação à nomeação dos membros da Comissão de Empregados que negociavam e assinavam os acordos de PLR, os planos foram implementados mediante acordo coletivo de trabalho, o que dispensaria a existência da Comissão; que ainda que houvesse a exigência de que o Plano tivesse sido negociado via Comissão, não há obrigação de eleição formal ou mesmo elaboração de ata de escolha da comissão, sendo certo que todos os subscritores dos acordos eram empregados e foram assistidos pelo Sindicato de cada localidade, não havendo qualquer irregularidade nesse sentido; que a Sra. Janaína de Paula Cavalheiro, após ser admitida, juntouse à Comissão e complementou as assinaturas do Plano, não havendo dispositivo legal que proíba esta situação; 6) que a postergação da data de pagamento da participação no estabelecimento de São Paulo, que havia sido pactuada para 02/2011 e 08/2011 mas ocorreu em março e setembro daquele ano, deuse em virtude das negociações havidas com os Sindicatos de outras localidades, para que se mantivesse uma isonomia entre os pagamentos; Fl. 1058DF CARF MF 8 7) que os exempregados que tiveram o contrato de trabalho rescindido no curso do período de apuração da PLR tiveram que aguardar as datas previstas nos acordos para receber o pagamento, pois não havia nenhuma previsão de adiantamento de valores na ocasião da rescisão, até porque nesta data ainda não haviam sido apuradas todas as metas estabelecidas; 8) a nulidade da competência 12/2011, já que não consta do Discriminativo do Débito a base de cálculo e a alíquota do SAT, nem o multiplicador FAP, constando apenas e diretamente um valor final a pagar. Sustenta que ficou prejudicado em seu direito de defesa e que restou descumprido requisito essencial da autuação, que é a discriminação precisa da matéria tributável, fato gerador e base de cálculo, nos termos do artigo 142; 9) a ilegalidade da multa de 150%, fundamentada pela fiscalização na omissão de informações e fatos geradores, e que por isso teria incorrido no crime previsto no artigo 337A do Código Penal. Sustenta que não houve cometimento de qualquer ato ilícito pela empresa, muito menos doloso, no sentido de se elidir do recolhimento de contribuições sociais. Tanto é que o próprio fiscal pode localizar, com clareza, os mútuos registrados no Livro Razão. Caso mantida a autuação, o que admite apenas para argumentar, a multa de ofício não pode ultrapassar 75%; 10) a ilegalidade da sujeição passiva solidária, já que o relatório apenas afirma superficialmente que o presidente da empresa teria adotado o “projeto de PLR”, “de modo que as remunerações feitas aos seguradosempregados fossem feitas sob a forma de empréstimos mensais”, quando sequer descaracterizou os planos de PLR da empresa. Além disso, em nenhum momento foi individualizada qualquer conduta do presidente da empresa que tivesse determinado, interferido ou colaborado para a não consideração dos valores de mútuo ou de PLR como salário dos empregados; 11) a necessidade de exclusão dos representantes legais e dos contadores da empresa, indicados no Relatório de Vínculos: Roberto Gennaro Mannarino, Andréa Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros; 12) o descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais, que não deve prosseguir, tendo em vista a ausência de infração por parte da impugnante. Ao final, a impugnante requer: a) o julgamento da improcedência dos Autos de Infração e a extinção dos créditos tributários; b) a não aplicação da multa qualificada de 150%; c) a exclusão da sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Benjamin Ribeiro Quadros; d) o sobrestamento da Representação, a teor do disposto no artigo 83 da Lei nº 9.430/1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 12.350/2010; Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.056 9 e) a produção de todas as provas admitidas em direito, prova documental, notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material; f) que todas as notificações sejam também expedidas ao seu patrono, no endereço que indica. No julgamento da impugnação, acordaram os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos que podem ser assim resumidos: Da ausência de impugnação A fase litigiosa do procedimento não foi instaurada com relação ao responsável solidário Benjamin Ribeiro Quadros, que não apresentou impugnação à exigência. Das alegações de vícios no procedimento fiscal (...) No âmbito do processo administrativo fiscal, os requisitos obrigatórios que devem fazer parte do Auto de Infração estão dispostos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972. Examinando o processo, constatase que as peças que o compõem atendem a estes requisitos e contêm elementos suficientes ao exercício do direito ao contraditório e à defesa pelo contribuinte. Especificamente com relação à competência 12/2011, a fiscalização, para gerar o Auto de Infração, lançou no sistema informatizado da RFB diretamente o valor da contribuição devida. Tal fato não se constituiu em causa de nulidade da autuação, já que as informações exigidas por lei e requeridas pelo sujeito passivo constam dos relatórios do processo. Extrai se do relato fiscal a informação de que se trata do lançamento das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, calculadas à alíquota de 1% sobre a base de cálculo que corresponde ao valor dos empréstimos em 12/2011 no montante de R$ 13.216.041,95 (itens 2.3 e 8.1 do relatório fiscal). No relatório Demonstrativo de Débito (fls. 6), está demonstrado o resultado final da contribuição devida em 12/2011, cujo principal corresponde a R$ 132.160,42. Nesta competência, não há lançamento da contribuição de 20% de responsabilidade da empresa em virtude da alteração da legislação tributária com a instituição da contribuição incidente sobre a receita bruta (item 2.1.4 do relatório fiscal). Também não foram observadas as hipóteses de nulidade relacionadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972: (...) Fl. 1060DF CARF MF 10 Portanto, tendo o Auto de Infração sido lavrado de acordo com as disposições legais e normativas que regem a matéria, não há motivos para a declaração da nulidade do lançamento, sendo improcedentes os argumentos do sujeito passivo neste ponto. Do mérito (...) O sujeito passivo questiona a motivação para ter a fiscalização considerado legítima uma parte do PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros, na ordem de R$ 74.000.000,00 para R$ 92.000.000,00. Na realidade, não se identifica qualquer legitimação da PLR nos autos, tanto é que a fiscalização examinou os acordos coletivos e apontou as inconsistências que neles identificou, assim como fez referência ao descumprimento do artigo 3º e § 2º da Lei nº 10.101/2000. No entanto, o objeto deste lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração que foi paga aos segurados empregados e contabilizada no ano de 2011 como se empréstimo fosse, quando na realidade não o era. Assim, a discussão, em tese, se as contribuições deveriam incidir sobre todo o valor da PLR não aproveita a este lançamento. Os documentos juntados aos autos não deixam dúvidas quanto aos fatos relatados e a conclusão da fiscalização a respeito das irregularidades cometidas pela empresa autuada. A própria impugnante, nas ações trabalhistas, admitiu que efetuava adiantamentos bimestrais relativos à participação nos lucros e resultados. Cito como exemplo excertos extraídos das decisões: (...) Além dos fatos já relatados, concorreu para a convicção da fiscalização de que os valores pagos aos segurados desta forma substituíam e complementavam a remuneração devida a enorme quantidade de empregados envolvidos, a freqüência dos pagamentos, o alto valor dos pretensos empréstimos constantes da conta contábil 0000113122 – Mútuo a Funcionários – Folha, em comparação com a remuneração do segurado, e o fato de que tais “empréstimos” eram compensados nos meses de pagamento da participação nos lucros. Para ilustrar a disparidade entre o valor da remuneração do empregado e o valor do empréstimo, citase o exemplo do segurado Haroldo Ricceto Filho, que, conforme consta da GFIP, recebeu em 03/2011 R$ 2.869,66, e em 09/2011 R$ 3.084,91. Já de acordo com o item 3.4 do Relatório Fiscal, este segurado firmou os seguintes contratos de mútuo: DATA DO CONTRATO VALOR CONTRATADO DATA DO PAGAMENTO 09/08/2010 R$ 15.756,65 31/03/2011 09/10/2010 R$ 15.693,38 31/03/2011 Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.057 11 09/12/2010 R$ 22.975,04 31/03/2011 09/02/2011 R$ 22.683,77 30/09/2011 08/04/2011 R$ 67.734,86 30/09/2011 09/07/2011 R$ 67.734,96 30/09/2011 (...) Consta da contabilidade da empresa autuada que foram efetuados empréstimos em todos os meses de 2011, ainda que não estivessem abrangidos todos os empregados em todos os meses. É o que se verifica, por exemplo, em relação ao empregado Haroldo Ricceto Filho, já mencionado neste voto, cujos contratos apresentados pelo sujeito passivo tinham como data 09/08/2010, 09/10/2010, 09/12/2010, 09/02/2011, 08/04/2011 e 09/07/2011. (...) Por todo o exposto, concluise que os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo disfarçados de adiantamentos/empréstimos tratavamse, na realidade, de remuneração destinada a retribuir o trabalho. Não se inserindo em nenhuma hipótese de exceção da Lei nº 8.212/1991, os valores pagos aos segurados nesta condição constituem base de cálculo das contribuições previdenciárias. Da multa qualificada A multa qualificada de 150% está definida na legislação tributária, conforme detalha o Relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 7 e 8). O artigo 35A da Lei nº 8.212/1991 remete ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cujo caput, , inciso I e § 1º assim dispõem: (...) No caso sob exame, restou constatado que a empresa BRQ agiu intencionalmente com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais, e com isso evitou o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados que lhe prestavam serviços, incorrendo na prática de sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. (...) Considerando o conjunto de elementos trazidos aos autos, justificase a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições não recolhidas pela autuada. Do pedido para exclusão das pessoas relacionadas no Relatório de Vínculos Fl. 1062DF CARF MF 12 O sujeito passivo entende necessária a exclusão de Roberto Gennaro Mannarino, Andrea Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros do Relatório de Vínculos, juntado às fls. 39 dos autos, e que traz a seguinte redação: (...) Como se verifica neste texto reproduzido, a inclusão no Relatório de Vínculos não implica automaticamente na co responsabilização pelo crédito lançado, tendo caráter meramente informativo. Tanto é que o Sr. Benjamin Ribeiro Quadros foi especificamente incluído na sujeição passiva do lançamento mediante a emissão do Termo de Responsabilidade Tributária e descrição dos fatos no Relatório Fiscal. (...) Pelo exposto, indeferese o pedido do sujeito passivo. Da ilegitimidade para impugnar em nome de terceiro Conforme se verifica dos documentos juntados às fls. 471 a 476 dos autos, o administrador da autuada, Sr. Benjamin Ribeiro Quadros, foi devidamente cientificado pela fiscalização do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Auto de Infração nº 51.061.6550, sem, contudo, apresentar impugnação. Havendo pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada um deve defenderse da exigência fiscal em nome próprio, quer pessoalmente, quer por meio de representante legal constituído nos autos por competente instrumento de mandato. Neste caso, não tendo o interessado se manifestado nos autos, não cabe à empresa autuada agir em seu interesse. (...) Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato.” Acrescentese que inexiste nos autos instrumento que confira poderes para que os sujeitos passivos indiretos possam ser representados pelo contribuinte. Por tais razões, voto do sentido de não conhecer das alegações do recorrente quanto à responsabilidade tributária das demais pessoas indicadas pela fiscalização. Da Representação Fiscal para Fins Penais A análise de questões relacionadas à Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, que tramita em processo próprio, não é de competência da DRJ, pois não faz parte das atribuições definidas no artigo 233 do Regimento Interno da Secretaria da Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.058 13 Receita Federal do Brasil – RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, publicada no DOU de 17/05/2012. (...) O que se pode informar ao contribuinte é que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) tem por dever formalizar representação fiscal para fins penais perante o Delegado ou o InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social, entre outros. Os procedimentos estão definidos na Portaria RFB nº 2.439/2010 que, em seu artigo 4º, § 1º, determina que a representação fiscal, nestes casos, deverá permanecer no âmbito da unidade de controle até a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente ou na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 5º, respeitado o prazo legal para cobrança amigável, caso o processo seja formalizado em meio papel. Da produção de provas O sujeito passivo requer genericamente a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, prova documental, realização de perícias e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material. Em relação a este pedido, salientase que a produção de provas deve obedecer às disposições do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Não se conhece, portanto, do protesto do impugnante pela produção de provas além daquelas já arroladas neste processo, exceção feita, à evidência, ao disposto nos parágrafos 4º a 6º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Da intimação do procurador Por fim, indeferese o pedido para que as intimações e notificações sejam enviadas em nome dos procuradores da impugnante, no endereço que indica na impugnação, já que não há previsão na legislação para tal procedimento. O inciso II do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que as intimações feitas por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via devem ter prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Conclusão Nestes termos, voto por julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ciente do Acórdão da DRJ em 22/07/2015, conforme termo de ciência eletrônica de fl. 989, ainda inconformado, o contribuinte juntou o Recurso Voluntário de fl. 992 e seguintes, em 13 de agosto de 2015, no qual reiterou as razões expressas em sede de impugnação, as quais serão tratadas no voto a seguir, considerando exatamente a sequência alegada pelo contribuinte. Fl. 1064DF CARF MF 14 É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA NULIDADE ABSOLUTA: EQUÍVOCO NO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO ELEITOS PELA FISCALIZAÇÃO O recorrente alega que, segundo a fiscalização, os planos de PLR da empresa infringiram a lei de regência da matéria, prestandose apenas para substituir parcela remuneratória devida aos empregados, inclusive com adiantamento de valores por meio de mútuos/empréstimos. Entende o contribuinte que, por conclusão lógica, todos os valores pagos a título de PLR deveriam ser considerados como salário. Contudo, a fiscalização concluiu o procedimento considerando como salário dos empregados apenas os valores creditados a título de mútuo. Sustenta que, sendo o lançamento um procedimento vinculado, não poderia a autoridade administrativa praticar ato discricionário ou ainda arbitrário, em que se criticou uma matéria (PLR), mas elegendo como fato gerador e base de cálculo outra matéria (mútuo/empréstimo), o que prejudicaria seu direito de defesa por não saber se deveria se defender de um ponto ou de outro. Por fim, apresenta os questionamentos abaixo, alegando que os mesmos não foram respondidos pela DRJ. 1º Por que a fiscalização considerou legítima uma parte da PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros e resultados (92 milhes / 72milhes, respectivamente)? 2º Qual a natureza jurídica dessa diferença de quase 20 milhões? 3º Por que essa parte da PLR foi considerada, já que considerada pela autuação fora dos requisitos legais? 4º afinal, a PLR cumpriu os requisitos legais? Substituiu parcelas remuneratórias ou não? O contribuinte levanta questões que não aproveitam à alegação de nulidade. Como bem pontuado pelo julgador de 1ª Instância, o lançamento foi efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa, já que o Relatório Fiscal é rico em detalhes e esclarecedor em relação aos motivos que levaram à exigência fiscal. O próprio julgamento da lide já em segunda instância, em cujo recurso o contribuinte contesta com detalhes as infrações a ele atribuídas, ratificam a inexistência de vício que prejudique a sua defesa e macule a legalidade do lançamento. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.059 15 É irrelevante para o lançamento a questão de estar relacionado ao mútuo ou à PLR, já que, no caso em tela, os dois instrumentos estão intimamente ligados, pois, como visto, ocorreram pagamentos bimestrais relativos a supostos mútuos, cuja quitação estaria expressamente vinculada aos valores que seriam pagos semestralmente a título de PLR. O que temos, na verdade, é um lançamento decorrente da constatação da autoridade fiscal de pagamento de verbas contidas no conceito de salário de contribuição escrituradas como se fossem empréstimos e que seriam quitados apenas no momento da recepção da participação nos lucros e resultados. Por outro lado, de fato, a autoridade fiscal aponta o que considera irregularidades dos Acordos Coletivos firmados, o que, diretamente, teria impacto na regularidade do programa de PLR por não terem observado a legislação de regência, a qual entendo que merece ser aqui relembrada: LEI No 10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. (texto vigente na época da ocorrência dos fatos geradores em discussão 2011) Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) II convenção ou acordo coletivo. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) Assim, considerando os fatos narrados pela Autoridade lançadora, que apontam que, em sua essência, a antecipação bimestral dos valores que seriam devidos a título de participação nos lucros e resultados se configura em complementação de salário, há de se concluir que, pela avaliação da fiscalização, o programa instituído pela recorrente não atendeu aos preceitos legais para ter os valores pagos excluídos do conceito de salário de contribuição a que alude a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Fl. 1066DF CARF MF 16 Tal conclusão está alinhada à opinião pessoal desta Conselheiro e, neste sentido, entendo que o lançamento deveria alcançar todos os valores pagos em razão do suposto programa de PLR. Não obstante, o fato de a Autoridade fiscal somente ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária o montante que foi antecipado via contrato de mútuo, não invalida o lançamento nesta parte, mas aponta para a possibilidade de, havendo ainda amparo legal, em particular por conta da decadência, lançamento complementar. Ademais, pelo que se vê nos autos, não me parece razoável a alegação do contribuinte de que os empréstimos não representavam vantagem econômica definitiva dos empregados. Fosse tal ferramenta utilizada de forma eventual por parcela irrelevante do todo, observandose situações pessoais que a justificassem, outras seriam as conclusões da fiscalização, mas o que temos é a maioria absoluta dos funcionários socorrendose a empréstimos com seu empregador bimestralmente, situação incomum e que iria de encontro às finalidades sociais da entidade, que não se dedica à área financeira. Assim, respondendo aos questionamentos do contribuinte, 1º Por que a fiscalização considerou legítima uma parte da PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros e resultados (92 milhes / 72milhes, respectivamente)? Resposta: Este julgador entende que caberia lançamento na totalidade dos valores pagos a título de PLR. Entretanto, a autoridade lançadora, decerto, considerou que os valores que excederam às antecipações (os excedentes dos pagamentos efetuados nos meses de março e setembro), por observarem o lapso temporal previsto no programa e na lei, poderiam ter ser considerados como efetiva participação nos lucros. 2º Qual a natureza jurídica dessa diferença de quase 20 milhões? Resposta: como se trata de lançamento por homologação, até que haja manifestação da Administração, a natureza desses quase 20 milhes é de Participação nos Lucros e Resultados. 3º Por que essa parte da PLR foi considerada, já que considerada pela autuação fora dos requisitos legais? Resposta: Vide resposta ao 1º questionamento. 4º Afinal, a PLR cumpriu os requisitos legias? Substituiu parcelas remuneratórias ou não? Resposta: A opinião pessoal deste julgador aponta para o descumprimento dos requisitos legais do PLR. Contudo, como já visto, a autoridade lançadora considerou os pagamentos que foram efetuados respeitandose o lapso temporal legal e considerou como parcelas remuneratórias apenas as antecipações que foram levadas a termo sob o mantu dos supostos mútuos/empréstimos. Por todo o exposto, entendo que não procedem as alegações de nulidade do lançamento, razão pela qual considero irreparável a decisão de 1ª instância sobre o tema. DO CONTEXTO DO MERCADO DA LEGALIDADE DA CONCESSÃO DE MÚTUOS A EMPREGADOS Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.060 17 Reiterando os termos já expressos na impugnação, o contribuinte traz um relato histórico das alterações do marcado de profissionais da área de tecnologia da informação, demonstrando que algumas empresas, inclusive na época do lançamento em tela, adotavam a rotina de contratar pessoas jurídicas constituídas pelos profissionais, enquanto outras passaram a contratar empregados (CLT), o que foi o caso da recorrente, que estabeleceu estrutura de cargos e níveis de remuneração, com outras benesses como assistência médica, seguros de vida, etc, classificando suas condições contratuais até que satisfatória ao se comparar com o mercado da época. Alega que, adicionalmente, negocia anualmente com a comissão de empregados e com sindicados de diferentes Estados, programas de Participação nos Lucros e Resultados que permitam o recebimento de valores decorrentes da performance da empresa e dos empregados, estabelecendo metas que com critérios variáveis. Aduz que a empresa nunca reduziu salários ou pagou benefícios em dinheiro para deixar de pagar Contribuições Sociais ou FGTS; que nunca suprimiu bônus, gratificações habituais, comissões ou verbas salariais para que fosse instituído o programa de PLR. Atesta que sempre agiu em conformidade com a CLT e a lei 8.212/91, registrando seus empregados com salários condizentes, concedendo benefícios como política de recursos humanos e recolhendo todas as contribuições sociais devidas. Que a figura do mútuo sempre foi utilizada pela empresa, na forma da lei, em razão de pedidos de muitos empregados, os quais se socorriam de tal expediente de maneira absolutamente voluntária. Ressalta que não que não havia pagamentos mensais a este título e que os tributos decorrentes da operação sempre foram devidamente recolhidos. Continua seus argumentos alegando que nem todos os funcionários formalizavam tais empréstimos. Inicialmente, importante ressaltar que os erros e acertos da política de recursos humanos levada a termo pela empresa não estão em discussão, sendo louváveis suas ações que visem criar melhores condições de trabalho para seus colaboradores, os quais, em plena Era do Conhecimento, constituem o grande diferencial para as empresas, onde o capital humano se firma como um dos principais elementos na diferenciação de qualidade agregada ao produto final e, por fim, na formação do lucro empresarial. Mas o que interessa de fato à presente lide, é verificar se há materialidade tributária que justifique o lançamento fiscal. É indiscutível que não há ilegalidade nenhuma quando uma empresa empresta valores a seus funcionários, o que não justifica que tal política ocorra em prejuízo ao interesse público e aos próprios empregados. Assim, apenas a título de exemplo, entendo importante destacar o que ocorreu com a remuneração mensal do mesmo colaborador já citado acima, o Sr. Haroldo Ricceto Filho, em anos posteriores à presente Ação fiscal. Vejamos a DIRF apresentada pela Recorrente em 2012 e 2013, código 0561, pois 2011 já consta dos autos. Fl. 1068DF CARF MF 18 Ora, como se vê, o procedimento em relação ao contribuinte no ano seguinte ao fiscalizado, 2012, continuou o mesmo, com a concentração do valor da remuneração em apenas dois meses do ano, o que nos indica que foi mantida a prática de concessão de empréstimos durante o período, com desconto nos meses da suposta PLR. Já em 2013, notase clara mudança do formato da remuneração paga ao mesmo funcionário, que se mostra mais homogênea no tempo, sendo certo que a Participação nos Lucros ou Resultados em 2013 foi objeto de código específico (3562), não sendo razoável acreditar que a variação mensal da remuneração superior a 380% possa se justifica apenas pelo incremento da contribuição do Sr. Haroldo Ricceto ao objeto empresarial da recorrente. Por outro lado, seria mais razoável entender que, até o ano de 2012 a contribuinte registrava seus funcionários por salários menores que o reais. Com relação ao fato de que nem todos os empregados recorriam a tais empréstimos, tal alegação não ajuda em nada ao presente caso, já que a sua quantidade em relação ao todo não altera em nada o fato de que os empréstimos eram concedidos, na realidade, como complementação de salário. Ademais, para os valores percebidos por estes pela suposta PLR, não houve incidência tributária previdenciária. Desta forma, ainda que haja amparo legal para operações de mútuo entre empregado e empregador, entendo que os excessos identificados pela fiscalização demonstram que, neste caso, a essência econômica de tais operações prevalece sobre a sua forma jurídica, não restando dúvidas de que há, isto sim, é complementação de salários ocultada pela formalização de empréstimos. A LEGALIDADE DO PROGRAMA DE PLR DA EMPRESA Insurgese a recorrente contra a conclusão de que a empresa teria celebrado acordos de PLR em contrariedade à Lei 10.101/2000. Para tanto, cita os requisitos legais objetivando demonstrar que os cumpriu integralmente e contesta as alegações fiscais sobre a regularidade da participação dos sindicatos nos Programas de PLR. Alega que as alterações da legislação não alteraram sua forma de distribuir lucros, tendo mantido a distribuição a este título de valores relevantes nos anos posteriores, contestando a conclusão da fiscalização de que haveria desproporcionalidade entre salário e PLR, citando planilha que aponta o percentual do mútuo em relação à PLR de alguns funcionários, concluindo que os valores dos empréstimos equivalem, na média, a 41% do valor da PLR da amostra utilizada. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.061 19 Aduz o interessado que a Decisão de 1ª Instância se equivoca ao comparar o valor salarial mensal do empregado Haroldo Ricceto Filho com os empréstimos, pois estes não visam remunerar o empregado que, repitase, fica devendo à empresa o valor do mútuo. Afirma que, ainda que se considerasse que o empréstimo seria uma antecipação da PLR, não há qualquer limite ou vedação legal quanto ao seu pagamento em valor superior ao salário mensal. Continua sua argumentação questionando o procedimento da fiscalização que deixou de descontar o próprio salário que está na dirf e ignorou que o valor informado em dirf corresponde a seis meses de apuração do PLR, enquanto o valor da GFIP corresponde a apenas um mês. Alega que, no mínimo, a fiscalização deveria ter comparado a PLR mensal com seis meses do salário dos empregados, tudo para contestar a conclusão da fiscalização da existência de situação e que a PLR correspondia a 126 vezes a remuneração do empregado. Quanto a este último parágrafo, abro parênteses para, de plano, desconsiderá lo, pois entendo absolutamente despropositado, já que o lançamento partiu dos valore pagos a título de mútuo, devidamente registrados na contabilidade, cuja essência foi considerada pela fiscalização como de natureza salarial. Assim, esses números comparativos em nada mudam o valor do crédito lançado. Prosseguindo, a recorrente alega que a fiscalização se apegou a uma sentença trabalhista de primeira instância onde sustenta ter havido cerceamento do seu direito de defesa e afirma há outras decisões que asseguram que os funcionários recebiam mútuos bimestralmente, voluntariamente. Afirma que há decisões que destacam que a PLR da empresa não tem natureza salarial, o que, por si só, considerando os efeitos da coisa julgada e a força das decisões judiciais, devem acarretar a nulidade das presentes autuações. Questiona o fato de serem consideradas como indício decisões judiciais que não lhe aproveitam, ao mesmo tempo em que as decisões que lhe aproveitam são desconsideradas. Afirma que se discutíssemos a legalidade da PLR da empresa, teríamos de considerar que a discussão se restringiria à interpretação sobre a possibilidade de adiantamento ou antecipação da PLR por meio de mútuos em periodicidade inferior a seis meses, apontando decisões judiciais que mitigam a exigência legal que proíbe, como regra, pagamentos em prazo inferior a um semestre civil ou duas vezes ao ano. Sustenta que os argumentos da fiscalização em relação à nomeação dos membros da comissão de empregados que negociavam e assinavam os acordos de PLR, afirmando que não há lei que proíba um funcionário recém contratado de participar de tal comissão. Questiona as conclusões da fiscalização em relação às datas dos pagamentos da PLR em São Paulo, bem assim pelos pagamentos efetuados a exfuncionários da recorrente, concluindo seus argumentos neste tópico afirmando que programa de PLR da empresa sempre foi tratado com seriedade pelas partes envolvidas, objetivando incentivo à produtividade e maior integração entre capital e trabalho. Fl. 1070DF CARF MF 20 Como já expresso acima, concordo com a Fiscalização ao entender que o Programa de Participação nos Lucros ou Resultados instituído pela recorrente se apresenta contrário aos preceitos da Lei 10.101/2000. Entretanto, entendo irrelevantes parte das considerações da autoridade fiscal e parte das alegações do contribuinte em sede recursal. Ora, não aproveita ao caso o fato de um funcionário contratado há pouco tempo ter participado do Acordo Coletivo celebrado, já que não há restrição legal para tal, ou se o sindicado recebeu ou não alguma quantia por ter participado, ou mesmo da empresa ter alterado o mês do pagamento das parcelas devidas. O que temos é saber se, de fato, foram cumpridos os requisitos legais não para pagamento de Participação nos Lucros, mas para que tais pagamentos não integrem o salário de contribuição para fins de incidência do tributo previdenciário. As decisões judiciais apresentadas tanto pelo contribuinte quanto pela fiscalização, apenas servem como indícios, nada mais. Não vinculam a atuação do fisco, tampouco este julgamento em 2ª Instância administrativa, não sendo relevante para esta caso eventuais decisões transitadas em julgado em que a União não seja parte. É relevante observar a forma com que os funcionários do requerente enxergam esse formato de pagamento através de mútuos bimestrais para desconto apenas na data do recebimento do PLR. Para tanto, os recursos ao judiciário são um indicativo robusto de que, na percepção dos funcionários, os valores em tela têm natureza salarial. A desproporcionalidade citada pela fiscalização e contestada pelo recorrente não são as mesmas. O Fiscal compara a PLR com os salários, já o recorrente compara o mútuo como a PLR e, ressaltese, apresenta uma amostra que não espelha nem de perto a realidade, pois o que temos, e isto já ficou acima evidente, ´é que foram registrados valores de PLR na monta de 92 milhes, e de empréstimos na ordem de 72 milhes. Ora, um contra o outro daria algo em torno de 80% e não 41 como a amostra do contribuinte quer fazer crer. O que o Fiscal tentava demonstrar é que o valor da PLR é muito maior do que aquele que é pago a título de salário. O exemplo das dirf citadas acima é bem claro quanto a isto. De fato, não há legislação que faça alguma correlação entre valor de PLR e salário e se, neste caso, todo o valor da PLR fosse pago dentro do lapso temporal legal, particularmente, não veria qualquer problema. Mas é realmente curioso um funcionário receber R$ 3.500,00 por mês, ao passo que sua importância para o processo é tamanha que justifica uma participação nos lucros de R$ 300.000,00. E mais, após a intervenção do fisco federal, o salário do mesmo funcionário passa, de um mês para o outro, dos tais R$ 3.500,00 para algo acima de R$ 16.000,00. Possivelmente, tivesse o judiciário se socorrido da experiência e conhecimento técnico do Fisco federal, muito do que lá foi decidido poderia ter seguido outro caminho. Portanto, reiterando manifestação já expressa de que, em sua essência, a antecipação bimestral dos valores que seriam devidos a título de participação nos lucros e resultados se configura em complementação de salário, já que não observou as restrições previstas no art. 3ª e § 2º da Lei 10.101/2000, não alcançando, portanto, o direito de ter os valores pagos excluídos do conceito de salário de contribuição a que alude a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.062 21 Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário neste tema, já que não observo razões que justifiquem a alteração da Decisão Recorrida NULIDADE DA COMPETÊNCIA 12/2011 O contribuinte requer a declaração de nulidade da competência 12/2011 sob o argumento de que o Discriminativo de Débitos da autuação não apresenta a base de cálculo e a alíquota do SAT, o que importaria cerceamento do seu direito de defesa. Não merece prosperar tal alegação, já que a base de cálculo e a alíquota, embora não tenham sido inseridas no Discriminativo de débitos, estão expressamente indiadas no Relatório Fiscal, fl. 17, em particular no quadro que reproduzo abaixo: Portanto, nego provimento ao recurso nesta parte. DA ILEGALIDADE DA MULTA DE 150% O Recorrente, sustentando que não cometeu qualquer ato ilícito, muito menos doloso, insurgese contra a qualificação da multa de ofício, alegando que não teria havido omissão de informações e fato geradores, que pudessem justificar a ocorrência de crime contra a ordem tributária alegada pela Fiscalização, em particular porque tudo consta como devidamente contabilizado e em razão da fiscalização ter tido livre acesso e tranqüilidade para executar o seu mister. Questiona a decisão recorrida por não ter refutado seus argumentos, limitandose, exclusivamente, a tratar a questão de forma genérica apontando a constatação de ação intencional com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador. Vejamos os argumentos da Fiscalização para levar a termo a qualificação da multa de ofício: 10.1.5 Demonstrouse ao longo desta auto e pelos recortes legais, aqui em destaque, que a contribuinte sob fiscalização, na pessoa de seu representante legal, cometeu, em tese, crime de sonegação de contribuições previdenciárias, incorrendo na prática de sonegação fiscal, ao não declarar à RFB a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus Fl. 1072DF CARF MF 22 empregados, com a finalidade de eximirse do pagamento de contribuintes federais (art.334A, no DecretoLei nº 2.848/1940 (Código Penal) (acrescentados pela lei nº 9.983/2000 e art. 2º, I, da lei 8.137) e, desta forma, aumentar seus lucros, com a redução de despesas como os recolhimentos das contribuições devidas; 10.1.6 A prática de omissão de salários pagos sob o disfarce de PLR, foi evidenciada a partir do exame da escrituração contábil, dos documentos fiscais apresentados pela própria fiscalizada, em face dos quais, formase a convicção de que a linha de sonegação adotada pela contribuinte foi: suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante a condutas de omissão de remunerações pagas ma segurados empregados nas folhas de pagamentos e nas GFIP, para eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, respectivamente, na linha do art. 337 A, do DecretoLei nº 2.848/1940 inciso I, art. 1º da Lei 8.137/90. 10.1.7 Diante de todos os fator comprovados nos autos, em que ficou clara a prática de crime contra a previdência social e a ordem tributária na modalidade de sonegação fiscal, e tendo em vista o Inciso II do art.44 da Lei 9.430, de 27/12/1996, a multa de ofício apurada, referente à infração de omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, deverá ser majorada para 150%. Em relação à qualificação da multa de ofício, entendo oportuno destacar que se trata de medida de exceção, já que a regra é a aplicação do percentual de 75%, razão pela qual é necessário buscar apoio na legislação de regência: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez a Lei 4.502/64 prescreve: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.063 23 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A leitura integrada dos dispositivos legais supracitados evidencia que, seja no caso de sonegação, fraude ou conluio, indispensável que, inequivocamente, esteja presente o elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71 e 72 da Lei 4.502/64. Ainda que seja difícil aferir o ponto a partir do qual uma conduta deixa de constituir mera infração à legislação tributária e passa ser uma conduta dolosa, punível com a qualificação da multa de ofício, é certo que, no caso em tela, a Autoridade Fiscal apenas justificou a duplicação do percentual da penalidade pelo fato de ter constatado que a empresa não declarou à RFB a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, sem, contudo, dedicar uma única linha parar demonstrar que tal fato foi resultado de ação dolosa, praticada pelo contribuinte com o objetivo de reduzir o tributo devido ou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Como se vê nos autos, o lançamento lastreouse unicamente pelas informações devidamente registradas na contabilidade do recorrente, plenamente franqueadas ao Agente Fiscal e informadas à Receita Federal do Brasil. Os institutos relacionados à infração (mútuos e PLR) nada têm de ilegal, restando o lastro do lançamento na convicção de que foram utilizados indevidamente ao considerar seus efeitos sobre o cálculo das contribuições previdenciárias, importando infração à legislação tributária, situação que, por si só, não justifica a qualificação da multa de ofício. Ora, nada impede que o contribuinte institua programas de PLR em sua empresa e que o pagamento de tais valores possam ser feitos até semanalmente, seja diretamente ou através de mútuos. O que não tem amparo legal é a exclusão da natureza de salário de contribuição e, consequentemente, do campo de incidência da Contribuição Previdenciária, dos valores pagos a este título que não tiverem observado as restrições legais para gozar do benefício fiscal. Assim, entendendo que a descrição realizada pela Autoridade Fiscal está limitada à infração à legislação tributária, não demonstrando a conduta fraudulenta dolosa, entendo que merece reparo a decisão recorrida, excluindose a qualificação da multa de ofício, que deve ser alterada para 75% DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 1074DF CARF MF 24 Insurgese a recorrente contra a inclusão do seu Presidente, Sr. Benjamin Ribeiro Quadros, como responsável solidário pelo crédito tributário lançado. A DRJ não conheceu das alegações da recorrente sobre a sujeição passiva solidária, por entender que esta não teria poderes de representação do devedor solidário, o qual não havia se manifestado nos autos. Discordo das conclusões da DRJ. Afinal, havendo alguma impropriedade na imposição da responsabilidade solidária, assim como em qualquer outro ato da Administração, ainda que de ofício, é dever da Administração anular seus próprios atos quanto ilegais. Assim, ainda que o próprio devedor solidário não tenha se manifestado nos autos, entendo relevante tratar do tema. Para tanto, vejamos as razões que levaram a Fiscalização a impor a responsabilização solidária do Sr. Benjamin Ribeiro Quadros: afirma a fiscalização que a BRQ SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA SA, inscrita no CNPJ 36.542/000164, apresentou como administrador o seu Presidente, responsável pela gestão empresarial que implicaram a conduta de sonegação conforme relatada nos itens anteriores; atesta que ficou caracterizado que a fiscalizada, na pessoa de seu responsável legal perante a RFB, de formar consciente, adotou o projeto de PLR, em desacordo com os dispositivos legais previstos na lei 10.101/2000; que tal conduta implicou o cometimento de crime de sonegação de contribuição previdenciária, por suprimir ou reduzir o tributo pela omissão na folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária dos segurados que lhe prestem serviços, tudo tipificado no art. 337A do DecretoLei 2848/40, Código Penal, e no inciso I, art. 2º da Lei 8.137/90; que a conduta do Administrador da empresa está perfeitamente tipificada pela lei como hipótese de sujeição passiva solidária, em particular em razão do art. 135, inciso II e III da Lei 5.172/66 ( CTN) que prevê a responsabilidade pessoal de diretores, gerentes ou representantes pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, do art. 137, inciso I do mesmo diploma que preceitua que a responsabilidade é pessoal do agente quanto a infrações conceituadas pela lei como crime. Como se observa, as razões e fundamentos legais utilizados pela fiscalização para impor a sujeição passiva ao Presidente da empresa são absolutamente os mesmos que levaram à qualificação da multa de ofício tratada no item anterior. Assim, por economia processual, adoto as mesmas razões e fundamentos legais por mim apresentados no tema anterior "DA ILEGALIDADE DA MULTA DE 150%", para desconstituir a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Benjamin Ribeiro Quadros. Pois, como lá deixei expresso, não observei crime de sonegação, mas mera infração à legislação tributária, reafirmando que tanto o contrato de mútuo como o programa de PLR têm lastro legal, não observando apenas os preceitos da Lei 12.101/2000, não gozando, portanto, da benesse de exclusão do conceito de salário de contribuição para fins do cálculo do valores devidos a título de Contribuição Previdenciária. Ademais, não ficou evicenciada qualquer atuação do gestor com excesso de poder. DA EXCLUSÃO DO REPRESENTANTES LEGAIS DA EMPRESA Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.064 25 Neste tema, o contribuinte limitase a requerer a aplicação da Súmula Carf nº 88, cujo teor destaco abaixo: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sobre tal matéria, assim se manifestou a Decisão Recorrida: Como se verifica neste texto reproduzido, a inclusão no Relatório de Vínculos não implica automaticamente na co responsabilização pelo crédito lançado, tendo caráter meramente informativo. Desta forma, considerando que o requerido está exatamente alinhado ao que já foi objeto da manifestação da Delegacia de Julgamento, entendo que não há objeto a ser tratado, sendo certo de que os conteúdo da Súmula Carf. nº 88 se aplica integralmente ao caso em tela. DO DESCABIMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O recorrente pleiteia a suspensão do andamento da Representação Fiscal para Fins Penais pelas razões que enumera. Contudo, como já pontuado pela DRJ, a citada Representação não tem seu curso externo à RFB antes que o crédito tributário lançado seja considerado definitivamente constituído e, ainda assim, se o contribuinte não promover sua extinção. Por outro lado, quanto ao mérito do procedimento administrativo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, quanto ao pedido de ciência de termos e atos processuais na pessoa do patrono do requerente, não há reparos a serem feitos na decisão de 1ª instância, posto que Fl. 1076DF CARF MF 26 regular a ciência do contribuinte em qualquer uma das hipóteses descritas no art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento para: excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%; desconstituir a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Benjamin Ribeiro Quadros. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Em que pesem os argumentos e fundamentos apresentados pelo eminente Conselheiro Relator, ouso, com o devido pedido de licença, dele discordar. Verifico que o lançamento tributário realizado descumpriu os requisitos determinados pelo Código Tributário Nacional para o procedimento administrativo constitutivo do crédito tributário. Explico. Como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias deve ser corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a adoção, por parte do Auditor Fiscal, de base de cálculo diversa daquela efetivamente ocorrida. Tal fato não deixou de ser observado pelo ínclito Conselheiro Relator. Transcrevo suas considerações sobre o tema: "Assim, considerando os fatos narrados pela Autoridade lançadora, que apontam que, em sua essência, a antecipação bimestral dos valores que seriam devidos a título de participação nos lucros e resultados se configura em complementação de salário, há de se concluir que, pela avaliação da fiscalização, o Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.065 27 programa instituído pela recorrente não atendeu aos preceitos legais para ter os valores pagos excluídos do conceito de salário de contribuição a que alude a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Tal conclusão está alinhada à opinião pessoal desta Conselheiro e, neste sentido, entendo que o lançamento deveria alcançar todos os valores pagos em razão do suposto programa de PLR. Não obstante, o fato de a Autoridade fiscal somente ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária o montante que foi antecipado via contrato de mútuo, não invalida o lançamento nesta parte, mas aponta para a possibilidade de, havendo ainda amparo legal, em particular por conta da decadência, lançamento complementar" (grifos não constam do voto do Relator) Aqui a essência da minha discordância. As possibilidades de lançamento completar se encontram textualmente previstas no Código Tributário Nacional. Recordemos a dicção dos artigos 145 e 149: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Fl. 1078DF CARF MF 28 V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." (grifos não constam do texto legal) A leitura do Códex Tributário deixa claro que uma vez aperfeiçoado o lançamento tributário, que se perfaz com a ciência do sujeito passivo, a alteração do mesmo só pode ocorrer nos casos determinados no artigo 145, entre os quais se encontram as situações previstas no artigo 149. Analisemos, mesmo que de maneira perfunctória, as hipóteses de tal revisão. Os incisos I e II do artigo 145, afirmam que tal revisão pode decorrer de impugnação ou recurso o que, por imperativo processual, ocorrem no caso de comprovação da existência de fatos modificativos do lançamento, por parte do Contribuinte. Já as hipóteses previstas no artigo 149, que permitem a revisão do ato praticado de ofício constitutivo do crédito tributário, pressupõe a existência de determinação legal, falta de declaração, ausência de esclarecimento pelo contribuinte de declaração prestada, falsidade, erro ou omissão praticado pelo sujeito passivo quando da declaração, ou a prática de fraude, dolo ou simulação por parte do sujeito passivo ou mesmo da autoridade lançadora. Por fim, há previsão de revisão de lançamento quando se observe que determinado fato não era conhecido pela autoridade à época do lançamento. Nenhuma dessa hipóteses se verificou no caso concreto. Há flagrante e reconhecido erro na determinação do critério quantitativo do tributo devido pelo sujeito passivo. Houve equívoco da autoridade na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária. O Fisco não cumpriu seu dever, posto que equivocouse ao determinar o valor do tributo devido, e assim, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir a quantificação do tributo, posto que em seu artigo 10º, preceitua: Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.066 29 "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." (destaques nossos) Voltemos ao lançamento. Assevera o Auditor Fiscal (...) É clara a imputação fiscal. O pagamento realizado pelo Recorrente a título de PLR contraria as disposições da Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, e segundo a própria Autoridade Lançadora: "(...) reforçam a conclusão da fiscalização, para a caracterização de todos os pagamentos feitos em desacordo com os dispositivos legais aos segurados empregados da BRQ, em salário de contribuição e base de cálculo para as contribuições previdenciárias" (destaques não constam do relatório fiscal) Ora, o próprio Fisco reconhece a base de cálculo do tributo devido, aliás, a explicita! Todo os pagamentos feitos em desacordo com a legislação! E quais pagamentos foram feitos em desacordo? Como acima reproduzido do Relatório Fiscal, há a efetiva explicitação: os pagamentos a título de PLR. Fl. 1080DF CARF MF 30 Todos eles e não somente os valores pagos a título de antecipação, por meio de mútuo, da PLR devida, como foi adotado pela Autoridade Lançadora. Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: Atos irregulares são aqueles padecentes de vícios materiais irrelevantes, reconhecíveis de plano, ou incursos em formalização defeituosa consistente em transgressão de normas cujo real alcance é meramente o de impor a padronização interna dos instrumentos pelos quais se veiculam os atos administrativos Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201003.595 S2C2T1 Fl. 1.067 31 "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não determinou o Fisco com correção o valor devido pelo Contribuinte, posto que adotou base de cálculo diversa daquela prevista na Fl. 1082DF CARF MF 32 Lei, o salário de contribuição, e mais, base de cálculo diversa daquela que o próprio Auditor Fiscal, asseverou ser a correta. Como visto é dever do Fisco determinar as grandezas que embasam a constituição do crédito tributário, e tal determinação é ponto fulcral do crédito posto que expressa sua grandeza. Tal determinação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do artigo 145 do CTN, o que impede salvo as hipóteses ali previstas, e aqui inexistentes a revisão do lançamento, após a cientificação do contribuinte. Por via de consequência, forçoso reconhecer a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1083DF CARF MF
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Numero do processo: 16537.001032/2011-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 30/09/1998
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-005.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 30/09/1998 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 10 32 /2 01 1- 75 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 209 2 de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403001.797, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 22 de janeiro de 2013 (efls. 178 a 185). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Data do fato gerador: 01/12/1997, 01/01/1998, 01/09/1998 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE 13º SALÁRIO. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a incidência de contribuições previdenciárias sobre a referida rubricaSúmula nº 688. INCONSTITUCIONALIDADE. A discussão sobre a inconstitucionalidade de lei deve ocorrer no âmbito do Poder Judiciário. MULTA FISCAL APLICÁVEL À EMPRESAS EM REGIME DE CONCORDATA. A multa fiscal decorre de disposição expressa de lei específica, não havendo norma que a dispense no caso de empresas em regime de concordata ou recuperação judicial. Súmula nº 250 STJ. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC A TÍTULO DE JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Súmula nº 4 do CARF Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 210 3 MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para determinar a aplicação da penalidade mais benéfica, de modo que a multa de mora não ultrapasse o percentual de 20%. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro na questão da multa. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 10/06/2013 (efl. 186) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 14/06/2013 (efl. 196), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 187 a 195). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 17/05/2012, no Acórdão 230100.283, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, e, ainda, em relação ao ao decidido, em 05/07/2012, no Acórdão 240100.120, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 230100.283 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/01/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 211 4 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tornou legitimo o instrumento realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 4o prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado Decisão: por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, rejeitadas as demais, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que aplicavam o artigo 150, §4° e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Acórdão 240100.120 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 212 5 1 De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, (CTN, ART. 150, §4°).No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por Homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § Iº, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho.A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência dascontribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das. contribuições apuradas até à competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 213 6 a) A redação do art. 35A da Lei no. 8.212, de 1991, é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; b) Destarte, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias, que no caso consistirão na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941, de 27 de dezembro de 2009; c) A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária. Nessa linha de raciocínio, o lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Requer, assim, que seja dado provimento ao recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 198 a 201. Cientificada em 13/09/13 (efl. 204), a contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 214 7 Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Assim, passo a sua análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 215 8 previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 216 9 acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 217 10 mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 218 11 dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos da redação nova do artigo 35 da Lei no. 8.212, de 1991, limitandose ao percentual máximo de 20% previsto no art. 61, da Lei no. 9.430, de 1996. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 219 12 em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 220 13 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 221 14 Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16537.001032/201175 Acórdão n.º 9202005.363 CSRFT2 Fl. 222 15 quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, reproduzida também na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, reproduzida também na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 222DF CARF MF
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