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Numero do processo: 11444.001486/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).
O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.228
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 14 86 /2 00 8- 66 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Tratase auto de infração lavrado em decorrência do descumprimento da obrigação tributária principal relativa às contribuições devidas pelo sujeito passivo referentes a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Lei 8.212/91, artigo 22, IV), DEBCAD 37.138.1649, no montante de R$ 224.178,75. De acordo com a fiscalização a autuação decorre da expedição do ato cancelatório de isenção das Contribuições Sociais – Ato Declaratório Executivo DRF/MRA 51, de 28/12/2007, com efeitos a partir de 01/08/2003. Relatou, ainda, a autoridade julgadora a quo: Integram o presente AI o levantamento UNA – Unimed associação pais – referente a serviços prestados pela Unimed Marília à Associação de Pais dos Funcionários da Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha e o levantamento UNF – Unimed Fundação de Ensino – referente a serviços prestados pela Unimed Marília à Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha. A fiscalização procedeu a análise dos contratos de prestação de serviços médicos e hospitalares e das notas fiscais/faturas emitidas, prestando acerca de tais elementos os seguintes esclarecimentos no Relatório Fiscal: A Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha contratou o Plano Empresa – Pré Pagamento a partir de 01/10/1995. A Associação de Pais dos Funcionários da Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha – Agregados Fundação, que não possui personalidade jurídica nem CNPJ próprio, contratou plano contendo as mesmas cláusulas a partir da mesma data (01/10/1995). As respectivas faturas foram emitidas em nome e no CNPJ da autuada e contabilizadas nos livros diário da mesma. Em procedimento fiscal realizado junto à cooperativa médica, a fiscalização procedeu à relação de notas emitidas pela Unimed Fl. 208DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001486/200866 Acórdão n.º 2201003.228 S2C2T1 Fl. 991 3 de Marília por serviços prestados à autuada, elaborando anexo que integra o AI e notas emitidas por serviços prestados à Associação dos Pais dos Funcionários da Fundação relacionadas no Subsídio Fiscal – SF 230 com cópia anexa. Cientificada do lançamento, a autuada apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: O lançamento ocorrido, mesmo com a suspensão da exigibilidade, representa ofensa à imunidade da entidade, visto as conseqüências geradas não só na esfera tributária, mas também nos campos contábil/fiscal, financeiro, comercial e trabalhista. Discorre acerca das características da imunidade. É inconstitucional a contribuição instituída pela Lei 9.876/99 incidente sobre pagamentos efetuados a cooperativas médicas. Tendo sido o lançamento efetuado com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não cabe acréscimos a título de juros e multa. É confiscatória a multa aplicada. É inconstitucional a taxa SELIC. Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a produção das provas admitidas, tais como documentais, testemunhais e outras que se mostrem necessárias. A 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas transcritas: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o ato de lançamento, inclusive com a aplicação de multa e juros moratórios, exceto nos casos em que a legislação exclua a incidência dos acréscimos legais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. É devida a contribuição a cargo da empresa de quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora e ao atendimento, por parte de seu requerente, dos requisitos previstos na legislação. Lançamento Procedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 14/07/2009, fl. 169, e apresentou recurso voluntário em 12/08/2009 (fl. 170/201), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, tratase de lançamento relativo ao descumprimento da obrigação tributária principal das contribuições previdenciárias, devidas pelo sujeito passivo referentes a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho no período de 09/2003 a 12/2006, conforme inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Pois bem, relativamente à alegação de impossibilidade de lavratura do auto de infração em razão da imunidade, entendo que a afirmação é estéril e não merece prosperar. Na verdade, a imunidade tributária não dispensa o dever da entidade protegida de obedecer as obrigações instrumentais estabelecidas em lei. Sem o cumprimento desses deveres, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência, já que a imunidade não é ampla nem absoluta. Portanto, constatado o descumprimento pela contribuinte dos requisitos necessários à imunidade, deverá a Receita Federal do Brasil lavrar o competente auto de infração relativo ao período correspondente, nos termos do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, mormente porque o lançamento ficará dependente do desfecho do processo da isenção/imunidade. Quanto à alegação de consequências geradas pelo lançamento realizado nessas circunstâncias, além das explicações e conceituação atinentes à imunidade, esposadas na peça recursal, penso que devem ser rejeitadas. A lavratura do auto de infração está amparada pelo princípio da legalidade, fundamentalmente porque o lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, consoante determina o Código Tributário Nacional (CTN) no seu art. 142, parágrafo único. Ademais, conforme abordado anteriormente, a imunidade não é ampla nem absoluta. Constatado o descumprimento dos requisitos necessários à imunidade, deverá a Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento. No que toca à alegação de que o crédito tributário deveria ser lavrado sem a incidência dos juros e da multa, cumpre esclarecer que a obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio (acrescidos dos juros correspondentes). Nesse caso, como o crédito tributário encontrase dependente do desfecho do processo de isenção/imunidade, como bem pontuou a própria recorrente em seu apelo, não será objeto de cobrança enquanto Fl. 210DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001486/200866 Acórdão n.º 2201003.228 S2C2T1 Fl. 992 5 perdurar essa suspensão. Ademais, o art. 151, III, do CTN não prevê a exclusão da multa e dos juros quando da interposição do recurso administrativo. Sobre a alegação de que a autoridade administrativa devese manifestar sobre a constitucionalidade de leis, impende esclarecer que não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 343/2015), a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não é outro o balizado pronunciamento do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134) sobre a matéria: (...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada. Rejeitamse, assim, as suscitadas preliminares. Relativamente às contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo referentes a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, verificase que o Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento do RE 595.838, com repercussão geral reconhecida (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Assim, devese observar as disposições do art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Portanto, como o Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC) reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, devese cancelar o lançamento. Sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete a este Conselho Administrativo declarar a ilegitimidade da norma legalmente constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001486/200866 Acórdão n.º 2201003.228 S2C2T1 Fl. 993 7 princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, supracitada. Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante determina a Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10580.725876/2009-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 76 /2 00 9- 89 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 9202004.161 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 9202004.161 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 9202004.161 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 9202004.161 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.722831/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Somente são tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM PARA OS EFEITOS DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A comprovação da origem dar-se-á relativamente a cada depósito bancário, individualizadamente correlação entre o depósito bancário e o fato pelo qual se deu o depósito bancário, através de documento que demonstre, indubitavelmente, a. No caso de rendimento, há de se demonstrar, também, a natureza dele. Demonstrado o fato e a natureza do rendimento, tudo devidamente correlacionado ao depósito bancário, dar-se-á por comprovada a origem do depósito bancário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRODUTOR RURAL. ANALOGIA.
Somente são tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio do produtor rural, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte; inclusive os rendimentos não tributados do produtor rural optante do resultado presumido.
Não se aplica a analogia quando não há lacunas na legislação de regência. Em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário.
PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS - INADMISSIBILIDADE - DOUTRINA DO FRUIT OF THE POISONOUS TREE -APLICABILIDADE.
O art. 30 da Lei nº 9.784/99 determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. A ilicitude da prova decore de decisão judicial, conforme entendimento adotado pelo TRF3. A doutrina do fruit of the poisonous tree estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas que exclusivamente derivam delas. Tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos em desacordo com determinação judicial, quanto os outros elementos probatórios que deles originam-se, são frutos da prova contaminada. Qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo poder judiciário revela-se estéril ao nascimento válido da obrigação tributária.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Somente são tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM PARA OS EFEITOS DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A comprovação da origem darseá relativamente a cada depósito bancário, individualizadamente correlação entre o depósito bancário e o fato pelo qual se deu o depósito bancário, através de documento que demonstre, indubitavelmente, a. No caso de rendimento, há de se demonstrar, também, a natureza dele. Demonstrado o fato e a natureza do rendimento, tudo devidamente correlacionado ao depósito bancário, darseá por comprovada a origem do depósito bancário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRODUTOR RURAL. ANALOGIA. Somente são tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio do produtor rural, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte; inclusive os rendimentos não tributados do produtor rural optante do resultado presumido. Não se aplica a analogia quando não há lacunas na legislação de regência. Em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 31 /2 01 2- 14 Fl. 4779DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.743 2 PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS INADMISSIBILIDADE DOUTRINA DO FRUIT OF THE POISONOUS TREE APLICABILIDADE. O art. 30 da Lei nº 9.784/99 determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. A ilicitude da prova decore de decisão judicial, conforme entendimento adotado pelo TRF3. A doutrina do “fruit of the poisonous tree” estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas que exclusivamente derivam delas. Tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos em desacordo com determinação judicial, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são frutos da prova contaminada. Qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo poder judiciário revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/FOR(Fls. 4620), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte, devidamente identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls. 4442/4446, para cobrança do Imposto de Renda, apurado no valor R$ 7.087.958,14. Sobre o Imposto de Renda apurado foi lançada Multa de Ofício, no percentual de 75%, no Fl. 4780DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.744 3 valor de R$ 5.315.968,60. O crédito tributário totalizou, em 30/11/2012, o valor de R$ 15.655.881,93, compreendendo: Imposto de Renda, Multa de Ofício e Juros de Mora, estes apurados com base na Taxa Selic. De acordo com o quadro de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, fls. 4444/4446, e com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 4431/4435 e 4436/4439, o crédito tributário é relativo à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2008, anocalendário 2007, e decorreu de infração de omissão de rendimentos, caracterizada por: 1) variação patrimonial a descoberto, relativamente ao mês de dezembro do anocalendário de 2007, no valor de R$ 5.383.636,63; 2) depósito bancário de origem não comprovada, relativamente aos meses de janeiro a dezembro do anocalendário de 2007, no valor total de R$ 20.390.756,60. Depósitos bancários relacionados às seguintes contas correntes: 2.1) mantidas no Banco Itaú S/A: conta corrente nº 600554, no valor total de R$ 800.000,00; 2.2) mantidas no Banco Itaú S/A: conta corrente nº 143037, no valor total de R$ 7.739.890,82; 2.3) mantidas no Banco Santander S/A: conta corrente nº 10038113, no valor total de R$ 124.602,98, em conjunto com José Cinel, CPF nº 401.574.58849 (50% do valor do depósito bancário); 2.4) mantidas no Banco Santander S/A: conta corrente nº 10103905, no valor total de R$ 90.000,00; 2.5) mantidas no Banco Bradesco S/A: conta corrente nº 51100 5, no valor total de R$ 718.647,83, e 2.6) mantidas no Banco HSBC: conta corrente nº 2144458, no valor total de R$ 9.987.928,79. Conforme o Termo de Verificação Fiscal n° 01, fls. 4431/4435, a variação patrimonial a descoberto, no valor de R$ 5.383.636,63, foi apurada, tomandose por base a Declaração de Bens, situação em 31/12/2006 e situação em 31/12/2007, relativamente ao mês de dezembro do anocalendário de 2007, pelos seguintes fatos: 1) na Declaração de Ajuste Anual, apresentada tempestivamente, verificouse VARIAÇÃO PATRIMONIAL no valor de R$ 17.648.329,84, aparentemente, justificada por RECURSOS, compreendendo: rendimentos tributáveis, rendimentos isentos ou não tributáveis, rendimentos com tributação exclusiva na fonte, ou com tributação definitiva, empréstimos contraídos, no valor total de R$ 19.336.012,43; Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.745 4 2) no procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurouse VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO, no valor de R$ 5.383.636,63, correspondente à diferença entre: 2.1) APLICAÇÕES: variação patrimonial anual, conforme a Declaração de Bens e Direitos, no valor total de R$ 17.125.423,15; 2.2) AJUSTES NA VARIAÇÃO PATRIMONIAL: reduções de bens e direitos sem comprovação, no valor total de R$ 552.000,00; 2.3) APLICAÇÕES: pagamento de impostos, despesas com previdência oficial, despesas com previdência privada, despesas com instrução, despesas com dependentes, despesas médicas, no valor total de R$ 522.906,69; 2.4) RECURSOS, compreendendo: rendimentos tributáveis, rendimentos isentos ou não tributáveis, rendimentos com tributação exclusiva na fonte, ou com tributação definitiva, empréstimos contraídos, no valor total de R$ 12.816.693,21. 2.5) relativamente à Declaração de Ajuste Anual, o autor do procedimento de fiscalização não considerou a título de RECURSOS os rendimentos isentos da atividade rural, no valor total anual de R$ 6.519.319,22; 2.6) relativamente à Declaração de Ajuste Anual, o autor do procedimento de fiscalização não considerou recursos recebidos a título de devoluções de empréstimos e não considerou recursos recebidos a titulo de redução de quotas de capital. Esses recursos, no valor total de R$ 552.000,00, foram incorporados à evolução patrimonial. Conforme, ainda, o Termo de Verificação Fiscal nº 02, fls. 4436/4439, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada, no valor total de R$ 20.390.756,60, relacionase à seis contas correntes, conforme demonstrativo, abaixo: Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.746 5 Relativamente à cada conta corrente bancária foi elaborado um demonstrativo no qual se discriminam os depósitos bancários (data e valor), o somatório mensal e o somatório anual, assim como: 1) Às fls 4420 encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 60554, mantida no BANCO ITAÚ S/A, no qual se discrimina um depósito no valor de R$ 800.000,00, feito em 14/11/2007, via TED; 2) Às fls.4421/4423 encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 143037, mantida no BANCO ITAÚ S/A, no qual se discriminam vários depósitos bancários, totalizando um valor anual de R$ 7.739.890,82; 3) Às fls. 4424 encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 10038113, mantida no SANTANDER S/A, no qual se discriminam vários depósitos bancários, totalizando um valor anual de R$ 249.205,93. Para essa conta corrente, mantida em conjunto, para o senhor contribuinte foi imputado 50%, correspondente a um somatório anual de R$ 124.602,98; 4) Às fls. 4425, encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 10103905, mantida no SANTANDER S/A, no qual se discrimina um depósito bancário no valor de R$ 90.000,00, feito em 24/10/1007, depósito em caixa; 5) Às fls.4426 encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 511005, mantida no BRADESCO S/A, no qual se discrimina vários depósitos bancários, totalizando um valor anual de R$ 718.647,83; 6) Às fls. 4427/4430, encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 2144458, mantida no HSBC, no qual se discriminam vários depósitos bancários, totalizando um valor anual de R$ 9.987.928,79. Para uma melhor compreensão dos fatos, abaixo, se transcrevem trechos do Termo de Verificação Fiscal nº 01, no qual se descreve a infração de omissão de rendimentos por variação patrimonial a descoberto. Esta ação fiscal esteve concentrada no exame das variações patrimoniais informadas pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF e, das movimentações financeiras, referente ao anocalendário de 2007. Este Termo de Verificação Fiscal 1 trata das irregularidades perpetradas pelo fiscalizado, referentes ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto; e, o Termo de Verificação 2, à Movimentação Financeira de Origem NãoJustificada. Dos fatos Visto que as informações registradas na DIRPF/2008 – Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao anocalendário de 2007, importaram em Variação Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.747 6 Patrimonial (Variação de Bens e Direito menos Variação de Dívidas e Ônus Reais) por intermédio do Termo de Início de Ação Fiscal de 15/04/2010, Termo de Intimação Fiscal de18/08/2010, Termo de Embaraço e Intimação de 02/02/2011, e Termo de Intimação Fiscal de 09/05/2011 o fiscalizado foi intimado a prestar os esclarecimentos necessários acerca das Origens e das Aplicações dos recursos, conforme autorizado pelo art. 51, §1°, da Lei n° 4.069/1962 (art. 806 do RIR/99). Apesar da apresentação pelo contribuinte fiscalizado de diversos documentários, ao Auditor Fiscal inicialmente responsável pela ação fiscal, a análise dessas informações prestadas mostra que o contribuinte não auferiu bastantes Rendimentos Tributáveis, Rendimentos NãoTributáveis, Rendimentos Sujeitos à Tributação Definitiva ou já Tributados Exclusivamente na Fonte que possam justificar a totalidade do acréscimo patrimonial, sujeitandoo à tributação prevista no art. 807 do RIR/1999. Os documentários apresentados pelo fiscalizado, e resumidos adiante no Quadro de Apuração do Acréscimo Patrimonial, mostram que as Origens de Recursos que podem ser utilizadas no aumento patrimonial são constituídas pelos Rendimentos Tributáveis de R$ 2.169.979,17, Rendimentos Isentos e Não Tributáveis excetuados a referente à Atividade Rural de R$ 6.938.721,86, e Rendimentos Sujeitos à Trib. Exclusiva/Definitiva de R$ 1.416.948,45, e Dívidas e Ônus Reais (aumento) de R$ 2.291.043,73, perfazendo o montante de R$ 12.816.693,21. E, em contrapartida, denota que as Aplicações de Recursos são compostas de Deduções, pagamentos, doações, impostos de R$ 522.906,69, e Aumento de Bens e Direitos de R$ 17.677.423,15, totalizando R$ 18.200.329,84. No tocante a questão de direito, impende assinalar que o valor de R$ 6.519.319,22 informado na DIRPF/2008, no quadro Rendimentos Isentos e NãoTributáveis, no item "Parcela isenta correspondente à atividade rural" – não se presta para justificar o Acréscimo Patrimonial, visto que se trata de parte da Receita Bruta da Atividade Rural considerada consumida (IRPF 2008 Perguntas e Respostas — Sumário;http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/irpf/20 08/Perguntas/default.htm). E, no que tange a questão de fato, cabe registrar que as reduções de Bens e Direitos informadas na DIRPF/2008 devem ser comprovadas, por representarem fatores que ocasionam a redução do Patrimônio (Bens e Direitos menos Dívidas e Ônus Reais). Nesse aspecto, pela falta apresentação de argumento de prova, devem ser glosadas as reduções de Bens e Direitos de R$ 552.000,00, correspondente à diminuição de crédito: (i) com as pessoas físicas Valéria Cristina C. V. da Cunha, Luiz Alberto B. Lusardo Filho, Carlos Alberto Goes Vieira, João Batista Lusardo Neto, e Daniela Fernanda Cinel; (ii) a diminuição de Bens e Direitos relacionada ao Posto de Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.748 7 Combustíveis WUC de São Manuel Ltda, caso em que o fiscalizado limitouse apresentar alteração contratual (16 – Posto de Combustíveis WUC de São Manuel Ltda), não se manifestando sobre as diminuição de R$ 2.000,00 e R$ 107.000,00; (iü) as diminuições relacionadas aos filhos, nos valores de R$ R$ 4.500,00 para R$ 0 (em nome da filha), e redução de R$ 48.000,00 (em nome do filho). Enfim, as Origens de Recursos de R$ 12.816.693,21 sendo insuficientes para cobrir as Aplicações de Recursos de R$ 18.200.329,84, a diferença de R$ 5.383.636,63 por caracterizar Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser tributada de ofício, em conformidade com o previsto no art.807 do RIR/1999. Do direito O art. 25 da Lei n° 9.250/95 (RIR/99, art. 798), preceitua que o contribuinte deve apresentar como parte integrante da declaração de rendimentos, relação pormenorizada dos bens imóveis e móveis e, direitos que constituam o seu patrimônio em 31 de dezembro do anocalendário. E, consoante art. 806 do RIR/99, o fisco pode intimar o contribuinte a apresentar as provas bastantes para demonstrar a origem dos recursos e, do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Demais disso, a legislação tributária estabelece que resulta em obrigação principal (pagamento de imposto e acréscimos legais), quando for provado que os bens declarados não têm correspondência com os rendimentos informados na declaração. Está explicitado no art. 807 do RIR/99: (...) Particularmente, no caso em tela, o contribuinte comprovou as Origens de Recursos no montante de R$ 12.816.693,21, insuficientes para cobrir as Aplicações de Recursos de R$ 18.200.329,84. A diferença de RS 5.383.636,63 (R$ 18.200.329,84 R$ 12.816.693,21) por caracterizar Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser tributada de ofício, em conformidade com o previsto no art.807 do RIR/1999. A respeito da atividade rural interessa assinalar que o contribuinte optou por apurar por presunção o resultado a ser oferecido à tributação, adotando como Resultado da Atividade Rural a fração de R$ 2.113.750,40, correspondente a 20% da receita bruta de R$ 10.568.752,00 (Lei n° 8.023/1990, art. 5o). Ipso facto, temse que a fração de R$ 8.455.001,60 (80% da receita bruta) se refere a valor não submetido à tributação (em parte abrangendo o custeio/investimento real de R$ 1.935.682,38). Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.749 8 Assim, a “Parcela isenta correspondente à atividade rural” de R$ 6.519.319,22 obtida pela diferença entre a fração de R$ 8.455.001,60 (80% da receita bruta) e o custeio/investimento real de R$ 1.935.682,38 (apurado no livro Caixa) — tratase valor não tributado. E, por representar também a diferença entre o custeio/investimento presumido de R$ 8.455.001,60 e o custeio/investimento real de R$ 1.935.682,38 é redução da base de cálculo realizada sem comprovação por presunção legal, portanto, sem condão para justificar o Acréscimo Patrimonial, analogamente ao desconto simplificado, dependentes, 60% do rendimento bruto do transporte de carga, 90% dos rendimentos de garimpagem etc (RIR/99, arts. 47, § 3 o , e 48, § 3 o ; Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 10, § 2o). E, no que tange as reduções de Bens e Direitos informadas na DIRPF/2008, reputase que as justificações aduzidas por conta do Termo de Início de Ação Fiscal de 15/04/2010, Termo de Intimação Fiscal de 18/08/2010, Termo de Embaraço e Intimação de 02/02/2011, e Termo de Intimação Fiscal de 09/05/2011 carecem de argumentos de prova, versando sobre os elementos de fato, pelos quais se possam tirar conclusões sobre a veracidade das reduções apontadas acima em questões de fato. Os documentos apresentados pelo contribuinte sem o articulado em que se aleguem os fatos correspondentes não faz prova dos fundamentos da defesa. Conclusão Não obstante regularmente intimado, o contribuinte não logrando apresentar elementos bastantes para comprovar que o acréscimo patrimonial apurado no curso da fiscalização resultou de rendimentos regularmente declarados e tributados na DIRPF (Rendimentos Tributáveis) ou, que ele resultou de utilização de rendimentos não sujeitos à tributação na DIRPF (Ganhos de Capital, Rendimentos Isentos e Nãotributáveis, Tributados Exclusivamente na Fonte, ou com Tributação Definitiva), reputa se que o contribuinte fica incurso do lançamento de ofício previsto no DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 77, Lei n° 2.862, de 1956, art. 28, Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, Lei n° 8.541, de 1992, art. 40, Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, Lei n° 9.317, de 1996, art. 18, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 42 (RIR/99, art. 841). Ou por outra, temse que a quantia de R$ 5.383.636,63 apurado no Quadro de Apuração do Acréscimo Patrimonial abaixo, relativa ao “Acréscimo Patrimonial a Descoberto” apurada na DIRPF/2008 (anocalendário 2007), por caracterizar rendimento omitido consoante legislação tributária, deve ser objeto de lançamento de ofício. Base tributável Verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação, a quantia relativa ao “Acréscimo Patrimonial a Descoberto” apurada na DIRPF/2008 (anocalendário 2007), de R$ 5.383.636,63, deve ser submetida à tributação pela aplicação das alíquotas Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.750 9 constantes da Tabela Progressiva de que trata o art. 86 do RIR/99, com as alterações posteriores. Depreendese que, do exame dos documentos relativos ao procedimento de fiscalização, notadamente os Termos de Intimações Fiscais, e da leitura do Termo de Verificação Fiscal, a variação patrimonial a descoberto está relacionada aos seguintes fatos consignados na Declaração de Bens: 1) VILLA SUL IMÓVEIS EMPREENDIMENTOS LTDA – diminuição de quotas de capital, no valor total de R$ 363.000,00; 2) QUALITY BUILDING EMPR. PART. LTDA – aumento de capital no valor total de R$ 10.550.371,88; 3) POSTO DE COMBUSTÍVEIS WUC SÃO MIGUEL – venda de quotas de capital, no valor total de R$ 125.000,00; 4) WJ CONVENIÊNCIA LTDA – ME venda de quotas de capital, no valor total de R$ 52.500,00; 5) VILLA TABATINGA AGROPECUÁRIA LTDA – aumento de quotas de capital no valor total de R$ 3.218.567,36; 6) WHATA SDM E PART. LTDA – aquisição de quotas de capital no valor total de R$ R$ 4.078.300,00; 7) ELAH AGROBUSINES AGROPECUÁRIA LTDA – aquisição de quotas de capital no valor total de R$ 8.423.691,10 e; 8) GOOD NEWS HOLDING – aumento de quotas de capital, no valor total de R$ 4.695.900,00. Para uma melhor compreensão dos fatos quanto à infração de omissão de rendimentos em virtude de depósito bancário de origem não comprovada, abaixo, se transcrevem trechos do Termo de Verificação Fiscal nº 02: Visto que as informações registradas na DIRPF/2008 – Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao anocalendário de 2007, importaram em Variação Patrimonial (bens e direitos menos dívidas e ônus Reais); por intermédio do Termo de Início de Ação Fiscal de 15/04/2010 e do Termo de Intimação Fiscal de 18/08/2010, o contribuinte fiscalizado foi intimado a apresentar os documentos referentes à variação patrimonial informada no anocalendário de 2007. Em virtude do atendimento parcial do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal, foi lavrado o Termo de Embaraço e Intimação em 03/02/2011 (32 – Termo de Embaraço), consoante autorizado no art. 33, I, da Lei 9.430/96 (RIR/99, artigo 922, I). Nesse termo o contribuinte também foi intimado a apresentar os extratos das contas; bem como a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados Fl. 4787DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.751 10 nestas contas, inaugurando o procedimento fiscal relativo à Movimentação Financeira de Origem Não Justificada. O exame do documentário solicitado sendo indispensável para o prosseguimento da ação fiscal, vencido o prazo para apresentação, os extratos das contas bancárias foram obtidos nas instituições financeiras a seguir discriminadas, conforme autorizado pelo art. 6o da Lei Complementar n° 105 e, regulamentado pelo art. 3o , inciso VII, do Decreto n° 3.724/2001: (...) Resumindose a justificação do contribuinte (50 – Justificação à Intimação) ao Termo de Embaraço e Intimação na alegação que "vem apresentar ...os documentos ali relacionados", não precisando qual a pertinência com a movimentação bancária, a ação fiscal teve prosseguimento com nova intimação. Nesta nova Intimação lavrada em 09/05/2011 (60 — Intimação Mov. Financeira) foi requestado explicitamente: com relação à movimentação financeira efetuada no anocalendário de 2007, comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores; as fontes de recursos que deram origem aos depósitos efetuados em conta bancária conforme relação anexa" As justificações e as manifestações ex abundantia encaminhadas posteriormente pelo fiscalizado não se referindo às movimentações financeiras indicadas no Termo de Embaraço e Intimação e, precipuamente, às movimentações financeiras discriminadas na relação anexa à última Intimação, temse que resta apurar o crédito tributário consoante disposto na Lei n° 9.430/1996, art. 42, com as exclusões do §2°, e §3°, I. Do direito O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 (RIR/99, art. 849) preceitua acerca de valores mantidos junto à instituição financeira: (...) os valores creditados nas contas de depósitos e argüidos no Termo de Embaraço e Intimação e, no Termo de Intimação Fiscal, em relação aos quais o fiscalizado não logrou comprovar a origem e a tributação seja pela falta de apresentação de prova pertinente, seja pela simples falta de manifestação caracterizam se como omissão de rendimentos, devendo esta omissão ser submetida à exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. De mais a mais, no lançamento ofício realizado em função desses valores creditados nas contas de depósitos cabe observar o determinado no artigo 42, §1°, da Lei n° 9.430/1996: (...) Fl. 4788DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.752 11 Como prova dessa infração, o autor do procedimento fiscal juntou cópia dos extratos bancários, demonstrativo dos depósitos bancários para os quais o senhor contribuinte foi intimado a comprovar a origem, e respostas do senhor contribuinte. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em decorrência da infração de omissão de rendimentos, caracterizada por variação patrimonial a descoberto e por depósito bancário de origem não comprovada, apurouse, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2008, anocalendário 2007, Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 7.087.958,14, conforme demonstrativo, abaixo: Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência, em 08/12/2012, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 4452, o contribuinte apresentou, em 08/01/2013, impugnação, documento anexado às fls. 4460/4489, através de procuração, instrumento anexado às fls.4490 /4491 . O senhor contribuinte argumentou, em síntese, que: 1) relativamente à parcela isenta da atividade rural, no valor de R$ 6.519.319,22, inexiste respaldo legal para o entendimento dado pelo auditor fiscal de que essa parcela deve ser considerada como renda presumivelmente consumida não podendo ser utilizada para justificar variação patrimonial; Fl. 4789DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.753 12 2) relativamente à parcela isenta da atividade rural, não se pode lançar mão da analogia, tendo em vista as disposições inerentes à parcela isenta dos rendimentos de transporte de carga, de transporte de passageiro, rendimentos de garimpeiros, e do desconto simplificado, nos termos do artigo 108 do CTN; 3) relativamente à parcela isenta da atividade rural, o CARF tem decidido que não se pode lançar mão da analogia, haja vista as disposições legais relacionadas à parcela isenta dos rendimentos de transporte de carga, de transporte de passageiros e de garimpeiros; 4) o autor do procedimento de fiscalização não desconsiderou o Livro Caixa da Atividade Rural. O Livro Caixa da Atividade Rural foi apresentado, sendo, portanto, conhecida toda despesa de custeio e o investimento; 5) na Declaração de Ajuste Anual foi informada receita bruta da atividade rural em montante anual de R$ 10.568.751,00 e despesas de custeio e de investimentos no valor de R$ 1.935.682,00. Houve opção pela tributação no percentual de 20% (arbitramento), apesar da escrituração do Livro Caixa e da existência dos documentos fiscais relacionados às despesas de custeio e de investimento; 6) as Leis nº 8.023/90 e 9.250/95 facultam a tributação sob arbitramento de 20% e não vedaram o acréscimo patrimonial relativamente aos 80%; 7) admitir a limitação para o aproveitamento dos 80% do resultado agrícola não consumido por analogia de casos distintos ( § 1º do artigo 108 do CTN) é o mesmo que violar expressamente o principio constitucional da estrita legalidade. 8) o autor do procedimento de fiscalização não poderia ter deixado de considerar o recurso obtido através de redução de 45 quotas de capital da empresa W.J. Conveniência Ltda (CNPJ nº 08.402.777/000194), no valor de R$ 4.500,00, em nome da filha menor Jéssica Luciano Cinel (CPF nº 214.763.04890), foi apresentado o contrato de fls. 2270/2275 onde as partes declaram claramente terem percebido o valor de R$ 4.500,00 pela venda das quotas; 9) o autor do procedimento de fiscalização não poderia ter deixado de considerar o recurso obtido através de devolução de empréstimos, da empresa W.J. Conveniência Ltda, CNPJ nº 08.402.777/000194, foi apresentado o Livro Razão Analítico da empresa onde se vê a transação; 10) o autor do procedimento de fiscalização não poderia ter deixado de considerar o recurso obtido através de devolução de empréstimos das seguintes pessoas físicas e jurídicas, valores recebidos em dinheiro: 10.1) Cristina Cruz Vieira da Cunha, no valor de R$ 26.000,00; Fl. 4790DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.754 13 10.2) Luiz Alberto Baptista Luzardo Filho, no valor de R$ 50.000,00; 10.3) Carlos Alberto Góes Vieira, no valor de R$ 50.000,00; 10.4) João Batista Luzardo neto, no valor de R$ 100.000,00; 10.5) Daniela Fernanda Cinel, no valor de R$ 160.000,00; 10.6) Posto de Combustíveis W.U.C. de São Manuel Ltda, no valor de R$ 107.000,00. 11) os depósitos bancários para os quais o autor do procedimento de fiscalização imputou a falta de comprovação da origem estão todos identificados nos respectivos extratos de onde se pode identificar a origem: rendimentos de distribuição de lucros, rendimentos da atividade rural, rendimentos por serviços prestados, devolução de empréstimos, transferências de dinheiro entre contas do senhor contribuinte, rendimentos de aluguel. Relativamente aos depósitos bancários, na impugnação, o senhor contribuinte elaborou um demonstrativo, relativamente a cada deposito bancário, cuja origem foi tido por não comprovada, mencionando a operação que deu causa à operação de depósito, e indicando o documento que quer fazer corresponder à operação, fls. 4471/4489. Os documentos relacionados aos depósitos bancários foram anexados ao processo às fls. 4492/4610. Para um melhor entendimentos, abaixo, se transcrevem trechos da impugnação: A autoridade fiscal lançou o presente auto de infração alegando que no anocalendário de 2007 o impugnante teve um acréscimo patrimonial de R$ 5.383.636,63 acima das suas rendas. Igualmente afirma que transitou pelas contas do impugnante o importe de R$ 20.390.756,60 de recursos, financeiros não justificados. Nestas razões, o Fiscal constituiu contra o impugnante R$ 7.087.958,14 de imposto de renda, que foi acrescido de multa de R$ 5.315.968,60 de multa (75%) e juros moratórios de R$ 3.251.955,19. Entretanto, a presente formalização tributária não condiz nem com os fatos, tampouco com o direito aplicável a espécie. E o que se verá. O auto de infração afirma que desconsiderou os rendimentos isentos correspondentes à atividade rural do impugnante no valor de R$ 6.519.318,98, tendo glosado ainda a redução de 45 quotas do capital social da empresa W.J. Conveniência Ltda (CNPJ 08.402.777/000194), no valor de R$ 4.500,00, em nome da sua filha menor Jéssica Luciano Cinel (CPF 214.763.048¬90) e as devoluções dos seguintes empréstimos: (...) Fl. 4791DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.755 14 Quanto ao rendimento isento do impugnante, proveniente da sua atividade rural, no valor de R$ 6.519.318,98, o auto de infração entende que o contribuinte deveria ter considerado como consumida esta parcela, já que “por analogia”, os resultados presumidos nas atividades de transporte de carga e de passageiros (caminhoneiro e taxista) e de garimpagem não podem ser utilizados para justificar o acréscimo patrimonial. Confirase: (...) Entretanto, a analogia não pode ser usada para resultar em exigência tributária, como categoricamente prevê o § 1º do artigo 108 do Código Tributário Nacional: (...) O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais perfilha deste mesmo entendimento, já tendo decido: (...) Ademais, as atividades de transporte e garimpagem são completamente distintas do trabalho rural, merecendo, assim, legislações diferenciadas, até porque a função agrária é estratégica em qualquer nação que se pretenda ser independente. Até se entende que na garimpagem ou no transporte de carga ou pessoas (caminhoneiro e taxista) não se permita a realização de acréscimo patrimonial com rendas presumivelmente consumidas, já que estas funções são imperiosamente regidas pela informalidade. Contudo, não é esta a realidade dos ruralistas, que necessitam manter uma contabilidade em ordem, como no caso dos autos (Livro Caixa de fls 204/256 e 2406/2460), que em momento algum foi desqualificada pelo auditor fiscal. O fato é que as Leis 8.023/90 e 9.250/95 (que disciplinam o imposto de renda para atividades rurais) não vedaram o acréscimo patrimonial com o resultado da função agrária. Ao contrário, em verdade o artigo 5º da Lei 8.023/90 limitou a composição da base de cálculo do imposto de renda para atividade rural em 20% sobre a receita bruta auferida no ano base. “In verbis”: (...) Seria um verdadeiro contrassenso se o legislador limitasse a base de cálculo da atividade rural em 20% e a obrigasse a manter contabilidade para depois proibila de acrescer o seu patrimônio com os 80% restantes não consumidos, até porque, mesmo que o ruralista não queira (caso de arbitramento Fl. 4792DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.756 15 parágrafo único do artigo 5º da Lei 8.023/90), sempre a base de cálculo será de 20% da receita bruta. Não há nenhuma lógica em obrigar o produtor rural a manter toda uma escrita fiscal e limitar a base de cálculo do seu imposto em 20% da receita se ele não pode usar os outros 80%. Fosse esta a intenção do legislador, bastaria determinar que a tributação fosse feita sobre 100% do resultado agrário. E se fosse para usar a analogia, por que não equiparar o ruralista a empresa tributada pelo lucro presumido, já que ambos mantém uma contabilidade em ordem e pagam o imposto por presunção? Seja como for, ao contrário da atividade de transporte e garimpo (onde não se exige contabilidade), o fato é que não há nenhuma proibição legal para o aproveitamento do resultado do emprego rural, sendo vedado ao agente fiscal criar esta proibição por analogia. Não é por outro motivo que a proibição para o acréscimo patrimonial com a renda presumivelmente consumida dos taxistas e caminhoneiros e garimpeiros foi inserida na Seção II (§ 3º do artigo 47 e § 3º do artigo 48 do Decreto ) e atividade rural sem qualquer proibição para utilização da receita auferida foi posta na Seção VII (do artigo 57 ao 71 do Decreto 3000/99), ambas do Capítulo III Rendimentos Tributáveis; do Título IV Rendimento Bruto; do Livro I Tributação das Pessoas Físicas. Admitir a limitação para o aproveitamento dos 80% do resultado agrícola não consumido por analogia de casos distintos (§ 1º do artigo 108 do Código Tributário Nacional) é o mesmo que violar expressamente o princípio constitucional da estrita legalidade: (...) Com relação a redução das quotas sociais da empresa W.J. Conveniência Ltda (CNPJ 08.402.777/000194), no valor de R$ 4.500,00, em nome da sua filha menor Jéssica Luciano Cinel (CPF 214.763.04890) e as devoluções dos empréstimos, impõe se dizer que o impugnante demonstrou categoricamente a realização de cada uma destas operações. Para tanto, basta ver o contrato de fls 2270/2275 onde as partes declaram claramente terem percebido R$ 4.500,00 – pela venda das quotas. Confirase: O mesmo se diga com relação a devolução dos R$ 48.000,00 emprestados para W.J. Conveniência Ltda (CNPJ 08.402.777/0001¬94), que inclusive foi lançado no livro Razão Analítico da empresa como se vê do doc 02. Quanto aos empréstimos feitos a Cristina Cruz Vieira da Cunha (CPF 083.239.06823 R$ 26.000,00), Luiz Alberto Baptista Luzardo Filho (CPF 564.149.36800 R$ 50.000,00), Carlos Alberto Goes Vieira (CPF 117.259.82668 R$ 50.000,00), João Fl. 4793DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.757 16 Batista Lusardo Neto (CPF 564.154.357¬87 R$ 100.000,00), Daniela Fernanda Cinel (CPF 256.475.43847 R$ 160.000,00), e ao Posto de Combustíveis W.U.C, de São Manuel Ltda (CNPJ 08.062.202/000170 R$ 107.000,00), todos eles foram devolvidos em dinheiro, como foi informado na declaração de renda do impugnante e pode ser visto dos extratos de fls 4108 a 4335, 4338 a 4338 e 4352 a 4362. Se o Fiscal não acredita na declaração de renda do impugnante, cabia a ele provar que os empréstimos não foram devolvidos, fato inexistente neste auto de infração, especialmente porque o impugnante/foi intimado a produzir esta prova Por fim, impõese dizer que referidas operações estão estribadas em documentos com sinais públicos (fl. 2275), cuja fé não pode ser negada por qualquer funcionário público, como prevê o inciso III do artigo 117 da Lei 8.112/90: (...) Desta feita, esta parte do auto de infração deve ser anulada, vez que regularmente demonstrada a legalidade da evolução patrimonial do impugnante, bem como o recebimento dos créditos glosados pela autoridade fiscal. A alegada movimentação financeira sem origem justificada. O Sr. Fiscal afirma que o impugnante não justificou a sua movimentação financeira referente as contas correntes 60055 e 143037 do Banco Itaú, 10038113 e 10103905 do Banco Santander, 511005 do Banco Bradesco e 2144458 do Banco HSBC. No entanto, basta ver os próprios extratos fornecidos pelos bancos para se saber exatamente qual é a origem de cada depósito, pois eles são autoexplicativos. Vejase, por exemplo, o extrato fornecido pelo Banco Itaú, de fls 4338/4342. Há alguma dúvida de que “resgate Ararate” referese a baixa da aplicação financeira nominado “Ararate” do impugnante? E sabedor que o impugnante é sócio da W/Realty, o que mais pode ser os TEDs da W/Realty senão a distribuição dos seus lucros, legalmente declarados no imposto de renda? Entretanto, como o auto de infração lançou dúvidas sobre alguns recebimentos do impugnante, eles serão novamente aclarados para tranqüilidade do agente público. O relatório fiscal aponta as seguintes operações como suspeitas, e que são aqui esclarecidas: (...) Isto posto, requer a desconstituição do presente auto de infração contra o impugnante, vez que o seu o acréscimo patrimonial é condizente com as suas atividades econômicas, tendo ele, ainda, demonstrado pontualmente a regularidade de cada uma das operações tidas como suspeitas pelo auditor fiscal. Fl. 4794DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.758 17 Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/FOR entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ATIVIDADE RURAL. RECEITA BRUTA NÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO. No caso de resultado presumido da atividade rural, quando se tributa apenas 20% da receita bruta, será considerado, para efeito de justificar acréscimo patrimonial, somente o valor correspondente à parcela sobre a qual houver incidido o imposto. A receita bruta não sujeita à tributação, correspondente a 80%, será excluída do rol dos recursos para efeito de justificar a variação patrimonial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA .OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM PARA OS EFEITOS DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A comprovação da origem darseá relativamente a cada depósito bancário, individualizadamente, através de documento que demonstre, indubitavelmente, a correlação entre o depósito bancário e o fato pelo qual se deu o depósito bancário. No caso de rendimento, há de se demonstrar, também, a natureza dele. Demonstrado o fato e a natureza do rendimento, tudo devidamente correlacionado ao depósito bancário, darseá por comprovada a origem do depósito bancário. Farseá o lançamento de ofício, através de Auto de Infração, se, e somente se, tratarse de rendimento tributável e esse não tiver sido informado na Declaração de Ajuste Anual, conforme a espécie de rendimento. Não demonstrado o fato, terseá infração de omissão de rendimentos por deposito bancário de origem não comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 4795DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.759 18 As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. No caso de súmula vinculante do CARF, há de prevalecer no julgamento o entendimento da súmula, se, e somente se, o fato objeto da infração fiscal enquadrase nos casos dos acórdãos paradigmas que serviram de base para o enunciado da súmula. Em 26/11/2013, a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Cientificado em 17/03/2014 (Fls. 4664), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 16/04/2014 (fls. 4676 a 4690), argumentando em síntese: (...) 10. Ora, Excelências, se realmente o Sr. Fiscal tivesse cumprido o parágrafo primeiro do artigo 108 do Código Tributário Nacional ele não iria empregar a analogia, mas, sim, a própria Lei que trata o tema. 11. Como não o fez, não há possibilidade de aplicar o entendimento de que o contribuinte deveria ter considerado como consumida esta parcela, já que "por analogia", os resultados presumidos nas atividades de transporte de carga e de passageiros (caminhoneiro e taxista) e de garimpagem não podem ser utilizados para justificar o acréscimo patrimonial (fl. 4433). 12. E mais, o Relator não pode, nesse momento, modificar a fundamentação legal do auto de infração, sob pena de nulidade, pois estaria "pulando" as fases processuais, e, assim, consequentemente, infringindo ao princípio do devido processo legal (contraditório e ampla defesa), emanado no inciso LV da Constituição Federal. 13. Além disso, diferentemente do que faz crer o acórdão impugnado, a analogia não pode ser usada para resultar em exigência tributária, como categoricamente prevê o § Io do artigo 108 do Código Tributário Nacional (...) 15. Ademais, as atividades de transporte e garimpagem são completamente distintas do trabalho rural, merecendo, assim, legislações diferencia as té porque a função agrária é estratégica em qualquer nação que se pr ten ia ser independente. 16. Até se entende que na garimpagem ou no transporte de carga ou pessoas (caminhoneiro e taxista) não se permita a realização de acréscimo patrimonial com rendas presumivelmente consumidas, já que estas funções são imperiosamente regidas pela informalidade. Fl. 4796DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.760 19 17. Contudo, não é esta a realidade dos ruralistas, que necessitam manter uma contabilidade em ordem, como no caso dos autos (Livro Caixa de fls. 204/256 e 2406/2460), que em momento algum foi desqualificada pelo auditor fiscal. 18. E diferentemente do que apontado no voto (fl. 4640), fato é que as Leis 8.023/90 e 9.250/95 (que disciplinam o imposto de renda para atividades rurais) não vedaram o acréscimo patrimonial com o resultado da função agrária. Ao contrário, em verdade o artigo 5o da Lei 8.023/90 limitou a composição da base de cálculo do imposto de renda para atividade rural em 20% sobre a receita bruta auferida no anobase. (...) 25. Já com relação às devoluções dos empréstimos, impõese dizer que o recorrente demonstrou categoricamente a realização de cada uma destas operações 26. Os empréstimos feitos a Cristina Cruz Vieira da Cunha (CPF 083.239.06823 R$ 26.000,00), Luiz Alberto Baptista Luzardo Filho (CPF 564.149.36800 R$ 50.000,00), Carlos Alberto Goes Vieira (CPF 117.259.82668 R$ 50.000,00), João Batista Lusardo Neto (CPF 564.154.35787 R$ 100.000,00), Daniela Fernanda Cinel (CPF 256.475.43847 R$ 160.000,00), e ao Posto de Combustíveis W.U.C. de São Manuel Ltda (CNPJ 08.062.202/000170 R$ 107.000,00), todos eles foram devolvidos em dinheiro, como foi informado na declaração de renda do recorrente e pode ser visto dos extratos de fls. 4108 a 4335, 4338 a 4338 e 4352 a 4362. 27.Ora, se o Fiscal não acredita na declaração de renda do recorrente, cabia a ele provar que os empréstimos não foram devolvidos, fato inexistente neste auto de infração, especialmente porque o recorrente foi intimado a produzir esta prova. (...) 30. Em relação à segunda parte do auto de infração, denominada de "Termo de Verificação Fiscal 2 Movimentação Financeira de Origem Não Justificada", o Sr. Fiscal violou o sigilo bancário do recorrente ao solicitar, junto às instituições bancários e sem prévia autorização judicial, os seus extratos bancários. 31. Por tal razão, o recorrente impetrou o mandado de segurança n° 000578415.2013.4.03.6100 (doc. 01) objetivando fosse declarada a ilicitude dos extratos bancários colhidos sem qualquer autorização judicial, bem como para que fosse desentranhada todas as provas obtidas por meio ilícito neste feito. 32. Como era de se esperar, o Juízo de 1o Grau concedeu a ordem (doc. 02) para que fossem desentranhados todos os extratos bancários deste feito, por entender que são provas Fl. 4797DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.761 20 obtidas por meio ilícito e não podem servir de base para lavrar o auto de infração. 33. Porém, até o momento e mesmo ciente (intimado) da sentença do Juízo Federal, a recorrida ainda não desentranhou as provas ilícitas deste procedimento fiscalizatório, descumprindo ordem judicial. 34. Assim sendo, os extratos bancários (provas ilícitas) devem ser desentranhados, conforme sentença nos autos do mandado de segurança n° 000578415.2013.4.03.6100, além de que não podem servir como base para o auto de infração, sendo imprestáveis para o procedimento fiscal, como disciplinam o inciso LVI do artigo 5o da Constituição Federal, o artigo 30 da Lei n° 9.784/99 e o artigo 157 do Código de Processo Penal: (...) (...) 35. Portanto, a segunda parte do auto de infração é nula, pois lavrada com base em provas ilícitas, conforme determinado pelo Poder Judiciário. Isto posto, requer o julgamento de procedência do presente recurso, para o fim de anular por completo este auto de infração, vez que a recorrente provou que o seu o acréscimo patrimonial é condizente com as suas atividades econômicas, bem como a segunda parte do auto de infração, baseada em provas ilícitas, é nula. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço dos recursos, posto que tempestivos e com condições de admissibilidade. Trata o presente litígio de omissão de rendimentos decorrentes de acréscimo patrimonial a descoberto, e de depósito bancário de origem não comprovada, onde resta devido parte do lançamento, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do Exercício Financeiro de 2008, anocalendário 2007. Quanto ao Recurso de Ofício. Entendeu a DRJ por julgar procedente em parte a impugnação, para considerar devido o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$3.440.830,94, exonerando o valor de R$ 3.647.127,20. Fl. 4798DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.762 21 Em relação ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, a DRJ estabeleceu que: (...) Tratase de recebimento de recursos por redução de bens e direitos, redução de quotas de capital e de redução de direitos de créditos, por devolução de empréstimos que foram concedidos a empresas e a pessoas físicas. O senhor contribuinte apresentou documento relacionado à redução de quotas de capital no valor de R$ 4.500,00, relativamente à empresa W.J. CONVENIÊNCIA LTDA, em nome da sua filha Jéssica Luciano Cinel, como se pode verificar às fls. 2270/2275. Portanto deve ser excluído do ajuste da evolução patrimonial, o valor de R$ 4.500,00. O documento apresentado pelo senhor contribuinte para fazer prova do recurso no valor de R$ 52.500,00, relacionado à devolução de empréstimo da empresa W.J. CONVENIÊNCIA LTDA, anexado às fls. 4492/4493 (RAZÃO ANALÍTICO da empresa W.J. CONVENIÊNCIA LTDA), demonstra que o senhor contribuinte recebeu o recurso a titulo de devolução de empréstimos. Portanto deve ser excluído do ajuste da evolução patrimonial. (...) Nestes pontos não há reparos na decisão da DRJ. Como se verifica nos autos, a fiscalização ajustou a evolução patrimonial do contribuinte, acrescentando um montante de R$ 552.000,00, correspondente, dentre outros, a: 1) recurso tido como recebido por redução de quota de capital, no valor de R$ 4.500,00. Por falta de comprovação da operação; 2) devolução de empréstimo da empresa W. J. Conveniência Ltda, no valor de R$ 52.500,00. Por falta de comprovação da operação; Deste modo, comprovadas as operações, restam supridos os vícios apontados pela fiscalização; sendo dever manter a decisão da DRJ. Em relação ao depósitos bancários de origem não comprovada, a DRJ estabeleceu o seguinte raciocínio: A comprovação da origem dos depósitos bancários nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.340, de 1996, é determinada mediante apresentação de documento que demonstre a atividade ou operação que deu causa ao depósito bancário. Demonstrada a atividade ou a operação, buscase, se for o caso, a tributação do corresponde rendimento, conforme as informações da Declaração de Ajuste Anual. Fl. 4799DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.763 22 Na hipótese de o rendimento não ter sido tributado na Declaração de Ajuste Anual, esse rendimento há de ser tributado por Auto de Infração, conforme a tributação da espécie de rendimento: rendimento do trabalho assalariado, rendimento do trabalho sem vinculo empregatício, rendimento da atividade rural, rendimento de aluguel, rendimento de ganho de capital, comissão na intermediação de negócios, etc. Não demonstrada a atividade ou a operação, temse por não comprovada a origem do depósito bancário, mesmo que se demonstre a origem. Como se observa, entendeu a DRJ que a origem dos depósitos deve ser comprovada ainda durante a fiscalização, para que a mesma possa lançar a omissão correspondente, se houver; também entendeu que não basta apenas comprovar a origem, mas também comprovar que a operação ou atividade que deu causa ao depósito já foi tributada, ou não pode ser objeto de lançamento por omissão, seja em razão de isenção ou não incidência. Dentro desta linha de pensamento, a DRJ emitiu o seguinte julgamento: Pelo exame da documentação juntada aos autos, na impugnação, fls.4492/4610, que respalda o demonstrativo dos depósitos bancários na impugnação, discriminando a origem de cada depósito bancário, pelo exame dos extratos das contas correntes bancárias, fls. 4108/4168, 4169/4197, 4198/4271, 4272/4314, 4315/4335, com os demonstrativos dos depósitos bancários, cuja origem deixou de ser comprovada, elaborados pelo autor do procedimento de fiscalização, fls. 4420; 4421/4423; 4424;4425; 4426 e 4427/4430, podese concluir pela comprovação de alguns depósitos bancários. Assim, temos: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA Temos a comprovação da origem dos depósitos bancários relacionados às seguintes operações: 1) receita bruta da atividade rural – venda de arroz à Camil Alimentos S/A. Pelo demonstrativo dos depósitos bancários, anexo à intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários, verificase a mensagem: “TED CAMIL ALIMENTOS”, verificamse, ainda, Nota Fiscal de Produtor, emitida pelo Senhor Contribuinte e Nota Fiscal de Entrada, emitida pela empresa Camil Alimentos S/A, doc 03, doc. 20, devidamente registrada no Livro Caixa da Atividade Rural, fls. 204/256. Assim, para todos os depósitos bancários para os quais o senhor contribuinte correlacionou à receita bruta da atividade rural, venda de arroz, temse origem comprovada; 2) distribuição de lucros da W/Realty – Registro no Livro Diário Geral da empresa W/REALTY ASSESSORIA E SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA e comprovante de TED, transferência da Fl. 4800DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.764 23 conta corrente da empresa para a conta corrente do senhor contribuinte, doc.04, fls. 4501/4503; 3) transferência de dinheiro entre contas do impugnante, documentos anexados às fls. 4.248, 4.504, 4.262, 4.251, 4553, 4565 (transferências por TEDs, exames conforme os extratos das contas correntes envolvidas); 4) depósito de aluguel devido por WFB – Comercio, importação, exportação e representação Ltda; 5) devolução de despesas médicas; 6) atividade rural – venda de gado, Livro Caixa, fls. 204/256, doc 10, doc. 11, doc. 12, doc. 16, doc. 18, doc. 21, doc. 22, doc. 23, doc. 25, doc. 28, doc. 42, doc. 43, doc. 47, doc. 48, doc. 50, fls.4492 /4610; 7) atividade rural – venda de cana de açúcar, Livro Caixa, fls. 204/256, doc. 24, doc. 46, fls. 4492/4610; 8) distribuição de lucros da Brangus Brasil Agropecuária, doc.29, fls. 4492/4610; 9) devolução de empréstimos relacionadas às empresas: Maná Imóveis, e Villa Sul Imóveis. (...) Por fim, do montante de R$ 19.461.069,73 correspondente a depósitos bancários, cuja origem deuse por não comprovada no Auto de Infração, restou um montante de R$ 7.185.475,89. O senhor contribuinte, em sua impugnação, logrou justificar a origem de depósitos bancários que totalizaram um montante de R$ 12.275.593,84. Conseqüentemente, apurase infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 7.185.475,89, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Há de se esclarecer que houve um erro no Auto de Infração relativamente ao montante dos depósitos bancários de origem não comprovada. Por erro de soma constou uma montante de R$ 20.390.746,00, ao invés do valor de R$ 19. 461.069,73. (...) Entendo como correto o julgamento da DRJ. É que, devidamente intimado, o Contribuinte tratou de informar que as origens e a natureza dos depósitos relacionados. Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Fl. 4801DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.765 24 Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. No presente caso, a documentação apresentada pelo contribuinte explica, no meu entendimento, a natureza e a origem dos depósitos realizados. Razão pela qual não há que se falar, em relação a estes depósitos, em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao Recurso voluntário do contribuinte. Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Alega o Recorrente ter comprovado a devolução, em espécie, dos empréstimos de pessoas físicas, no valor de R$383.000,00, e do empréstimo da empresa Posto do Combustíveis W.U.C de São Manuel Ltda, no valor de R$109.000,00. Diz ainda o Recorrente que não há APD, posto que declarou recursos no montante de R$6.519.319,22, correspondente à receita bruta da atividade rural não sujeita à tributação (80% da receita bruta), no valor de R$ 8.455.000,80, diminuído do montante das despesas de custeio e de investimentos, no valor de R$ 1.935.682,00. No que diz respeito às devoluções dos empréstimos, que a fiscalização considerou não comprovadas, o Recorrente afirma que os documentos de Folhas 4108 a 4335, 4338 a 4338 e 4352 a 4362 comprovam as devoluções em espécie. Da leitura da vasta documentação acostada pelo recorrente, constato que a mesma se refere a extratos bancários. Ocorre que não há indicação, nos extratos bancários, das operações de devoluções dos empréstimos. Deste modo, não há como afirmar que realmente o contribuinte recebeu as devoluções dos empréstimos. Ressalto que o simples fato das devoluções constarem na DIRPF do contribuinte não afasta o dever da comprovação dos fatos. Desta forma, ante a ausência de provas, penso que o Recorrente não logrou êxito na tentativa de comprovação das devoluções dos empréstimo. Fl. 4802DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.766 25 Mas, afirma o Recorrente que, independente da comprovação da devolução dos empréstimos, não há APD, posto que declarou recursos no montante de R$6.519.319,22, correspondente à receita bruta da atividade rural não sujeita à tributação (80% da receita bruta), no valor de R$ 8.455.000,80, diminuído do montante das despesas de custeio e de investimentos, no valor de R$ 1.935.682,00. Tais recursos não foram considerados pela fiscalização, apesar de declarados e de constarem no livro caixa apresentado durante o procedimento de fiscalização. Neste ponto, como afirmado pela DRJ, verifico que "pelo Termo de Verificação Fiscal nº 01, o autor do procedimento formou o entendimento com base nas disposições legais relacionadas aos rendimentos de transportes de carga, transportes de passageiros e da atividade de garimpo. (art. 47º, § 3; art. 48, § 3º, ambos do Decreto nº 3.000, de 1999)". A legislação aplicável à atividade de transporte de passageiros, de transporte de carga e de garimpo determina a tributação dos rendimentos respectivamente, nos percentuais de 40%, 60% e 10%, existindo observação de que somente o rendimento tributável pode justificar a variação patrimonial (§ 3º do art. 47 e § 3º do art. 48, ambos do Decreto nº 3.000, de 1999). Já a legislação aplicável à atividade rural ao tratar da tributação da receita bruta traz a opção pelo resultado presumido determinando que a receita bruta seja tributada pelo percentual de 20% (art. 71 do Decreto nº 3.000, de 1999). No dispositivo legal, art. 5º da Lei nº 8.023, de 1990, art. 71 do Decreto nº 3.000, de 1999; inexistindo, contudo, a observação quanto à justificação de acréscimo patrimonial. Como o contribuinte optou pelo resultado presumido, entendeu a fiscalização, com base na analogia, que apenas os 20% tributados poderiam justificar a variação patrimonial. Ressalto que a fiscalização não desconsiderou, nem apontou qualquer vício, no livro caixa apresentado pelo recorrente; muito ao contrário, como dito pela DRJ "o autor do procedimento fiscal manteve a opção pela tributação presumida adotada na Declaração de Ajuste Anual, considerando, inclusive, o Livro Caixa da Atividade Rural e toda documentação de prova relativamente à receita, às despesas de custeio e aos investimentos." Sem dúvida, sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, não tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). Deste modo, salvo disposição legal expressa em contrário, as receitas não tributadas devém constar como origens de recursos. Fl. 4803DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.767 26 Ora, o contribuinte declarou e provou, desde a fiscalização, através do livro caixa e demais documentos, que possuía recursos advindos da atividade rural que não foram tributados nem consumidos na atividade. Razão pela tais recursos devem ser computados na tabela do acréscimo patrimonial. Ademais, não há, no meu entendimento, como se aplicar a analogia com o disposto na legislação da renda de garimpagem ou transporte, posto que não vejo lacuna na legislação relativa a apuração da renda do produtor rural, e por que se tratam de atividades totalmente distintas quanto a aferição de receitas. Concordo com o recorrente na afirmação de que, até se entende que na garimpagem ou no transporte de carga ou pessoas (caminhoneiro e taxista) não se permita a realização de acréscimo patrimonial com rendas presumivelmente consumidas, já que estas funções são imperiosamente regidas pela informalidade. Contudo, não é esta a realidade dos ruralistas, que necessitam manter uma contabilidade em ordem, como no caso dos autos (Livro Caixa de fls. 204/256 e 2406/2460), que em momento algum foi desqualificada pelo auditor fiscal. Acerca da aplicação da analogia no direito tributário, cabe transcrever as palavras do Professor Leandro Paulsen: Analogia e interpretação extensiva: Não se pode confundir a analogia com a chamada interpretação extensiva. Na analogia, há a integração da legislação tributária mediante aplicação da lei a situação de fato nela não prevista [...] em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributária à luz da doutrina e da jurisprudência, 13ª edição, 2011, p. 911/912) Desse modo, não poderia o Fisco utilizarse da analogia para criar um impedimento que resulte em um débito tributário, como ocorreu no presente caso. Razões pelas quais entendo que o valor declarado de R$6.519.319,22, correspondente à parte da receita bruta da atividade rural não sujeita à tributação (80% da receita bruta), deve ser incluída como recurso declarado que justifica o acréscimo patrimonial. Depósito Bancário de Origem Não Comprovada. Quanto ao que resta em litígio em decorrência da omissão de rendimentos em razão da ausência da comprovação das origens dos depósitos, o Recorrente alega apenas que as provas apresentadas pelo fisco são ilícitas; posto que existe determinação judicial no sentido de impedir a RMF e mandando excluir dos os extratos bancários do Recorrente. Realmente, após pesquisa no sistema de consultas da Justiça Federal, pude constatar que foi expedida sentença que concedeu a ordem para determinar que a "autoridade impetrada se abstenha de violar o sigilo bancário do impetrante Washington Umberto Cinel, bem como de fazer uso das informações bancárias obtidas a tal título, devendo, ainda, a Fl. 4804DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.768 27 impetrada proceder ao desentranhamento de todas as provas obtidas por meio ilícito nos autos do procedimento administrativo n.º 19515.722.831/201214". (processo judicial n 00057841520134036100 6 Vr SÃO PAULO/SP) Tal sentença foi objeto de recurso der apelação, com efeitos suspensivo e devolutivo, para o Tribunal Regional Federal da 3 Região. Posteriormente o TRF3 proferiu julgamento negando seguimento ao apelo e remessa oficial da União: APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 0005784 15.2013.4.03.6100/SP 2013.61.00.0057844/SP RELATOR : Desembargador Federal NELTON DOS SANTOS APELANTE : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : SP000003 JULIO CÉSAR CASARI E CLAUDIA AKEMI OWADA APELADO(A) : WASHINGTON UMBERTO CINEL ADVOGADO : SP156299A MARCIO SOCORRO POLLET e outro(a) REMETENTE : JUIZO FEDERAL DA 6 VARA SAO PAULO Sec Jud SP VARA ANTERIOR : JUIZO FEDERAL DA 16 VARA SAO PAULO Sec Jud SP No. ORIG. : 00057841520134036100 6 Vr SAO PAULO/SP DECISÃO Tratase de remessa oficial e de recurso de apelação interposto pela União em face de sentença que concedeu a ordem para determinar que a "autoridade impetrada se abstenha de violar o sigilo bancário do impetrante Washington Umberto Cinel, bem como de fazer uso das informações bancárias obtidas a tal título, devendo, ainda, a impetrada proceder ao desentranhamento de todas as provas obtidas por meio ilícito nos autos do procedimento administrativo n.º 19515.722.831/201214"(f. 151 151v). A União alega que o sigilo bancário não é direito absoluto, devendo ceder ao interesse público. Com contrarrazões vieram os autos a esta Corte. O Ministério Público Federal, no parecer de lavra do e. Procurador Regional da República Márcio Domene Cabrini opinou pelo provimento do recurso. É o sucinto relatório. Decido. Fl. 4805DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.769 28 A questão relativa à impossibilidade de afastamento do sigilo bancário de pessoa natural ou de pessoa jurídica pela Receita Federal, sem autorização judicial, restou apreciada pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal em que foi dada interpretação conforme a Constituição da República à Lei n.º 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001 e ao Decreto n. 3.724/01. Verbis: "SIGILO DE DADOS AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção a quebra do sigilo submetida ao crivo de órgão equidistante o Judiciário e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte". (STF, Plenário, RE n.º 389.808/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.2010, DJe de 10.5.2011). Neste sentido vem se posicionando esta Corte Regional, vejamse os seguintes julgados: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. MANDADO DE SEGURANÇA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO POR REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA. LC 105/01. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE. 1. São manifestamente improcedentes os presentes embargos de declaração, pois não se verifica qualquer omissão no julgamento impugnado, mas mera contrariedade da embargante com a solução dada pela Turma que, à luz da legislação aplicável, com respaldo em farta jurisprudência, decidiu expressamente que "reconhecese a nulidade da quebra do sigilo bancário perpetrada, sem autorização judicial, sem embargo, no entanto, da validade da fiscalização e do lançamento fiscal no tocante a fatos, dados e a eventuais infrações apuradas de forma independente e autônoma em relação ao ato viciado". 2. Concluiuse que "não cabe cogitar de nulidades processuais, nem a título de prequestionamento, porquanto lançada fundamentação bastante e exauriente, não havendo, no caso, violação ou negativa de vigência de qualquer preceito legal ou constitucional". 3. Por fim, manifestamente improcedente a alegação de irregularidade na ementa, pois o acórdão embargado está devidamente relatado e fundamentado, conforme documentos juntados. 4. Não houve qualquer omissão no julgamento impugnado, revelando, na realidade, a articulação de verdadeira imputação de erro no julgamento, e contrariedade da embargante com a solução dada pela Turma, o que, por certo e evidente, não é compatível com a via dos embargos de declaração. Assim, se o acórdão violou os artigos Fl. 4806DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.770 29 2º, 128, 165, 219, 458, I, II, II, 460, parágrafo único, 462, 535, I, II, 58, I, II, II e 563 do CPC; 5º, LIV e 93, IX da CF, como mencionado, caso seria de discutir a matéria em via própria e não em embargos declaratórios. 5. Para corrigir suposto error in judicando, o remédio cabível não é, por evidente, o dos embargos de declaração, cuja impropriedade é manifesta, de forma que a sua utilização para mero reexame do feito, motivado por inconformismo com a interpretação e solução adotadas, revelase imprópria à configuração de vício sanável na via eleita. 6. Embargos de declaração rejeitados. (AMS 00072742520114036106, DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:01/10/2015 ..FONTE_REPUBLICAÇÃO:.) AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. LC N.º 105/01. NECESSIDADE DE DECISÃO JUDICIAL FUNDAMENTADA. PRESCRIÇÃO. ART. 1º DO DECRETO N.º 20.910/32. AGRAVO DESPROVIDO. O Supremo Tribunal Federal decidiu que a norma legal autorizadora do afastamento do sigilo bancário pela Receita Federal conflita com a Constituição Federal de 1988. A documentação acostada demonstra que foi iniciado termo de procedimento fiscal pela Receita Federal do Brasil contra a agravante (auto de infração n.º 10805.000700/200343), em que houve a requisição de seus extratos bancários pela Receita Federal e que culminou com a inscrição em dívida ativa da União, cobrada por meio de executivo fiscal (LC n.º 105/01). No voto do Recurso Extraordinário nº 389808/PR restou esclarecido que não houve a declaração de inconstitucionalidade da Lei Complementar n.º 105/01, mas, sim, sua interpretação conforme à Constituição Federal, a fim de que a quebra do sigilo bancário do contribuinte somente possa ocorrer mediante decisão judicial fundamentada. De acordo com o precedente da corte suprema, para a exibição desses documentos era necessária prévia ordem judicial motivada. O STJ, no julgamento do REsp n.º 947.206, no regime dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC e Resolução STJ n.º 8/08) firmou o entendimento de que é qüinqüenal o prazo para a apresentação de ação declaratória de nulidade de lançamentos tributários, nos termos do artigo 1º do Decreto n.º 20.910/32. Quanto ao termo inicial da contagem do prazo prescricional, adotase a data da notificação do ato administrativo de lançamento. No caso concreto, o ora agravante foi intimado para recolher ou impugnar o débito formalizado no processo n.º 10805.000700/200343 por edital, na data de 14/04/2003 (fl. 170), e a ação declaratória de nulidade originária foi apresentada somente em 14/04/2014 (fl. 31). Nesse contexto, nos termos da legislação de regência da matéria e dos precedentes mencionados, é de se reconhecer a ocorrência da prescrição do prazo para a propositura da ação em comento e, desse modo, não há como se acolher o pleito de suspensão da exigibilidade do crédito objeto do auto de infração debatido (n.º Fl. 4807DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.771 30 10805.000700/200343). Agravo de instrumento a que se nega provimento. (AI 00124315620144030000, DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRE NABARRETE, TRF3 QUARTA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:29/04/2015 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) "AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido" (TRF/3ª Região, 6ª Turma, MAS n.º 000345859.2002.403.6103, rel. Des. Fed. Regina Costa,, eDJF3 Judicial 1 de 20.9.2012). Nem se diga, por oportuno, que há infringência ao art. 97 da Constituição Federal, que dispõe sobre a reserva de Plenário. Com efeito, in casu, afastouse o uso de dados tidos como sigilosos, sem a prévia autorização judicial, com fulcro no RE 389808PR, julgado que, digase, ademais, firmou jurisprudência pacífica quanto ao assunto, de acordo com os precedentes acima colacionados. Nesse sentido: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. ARTIGO 557, CPC. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTE DO PLENO DO STF. RECURSO DESPROVIDO. 1. O artigo 557 do Código de Processo Civil é aplicável quando existente jurisprudência dominante acerca da matéria discutida e, assim igualmente, quando se revele manifestamente procedente ou improcedente, Fl. 4808DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.772 31 prejudicado ou inadmissível o recurso, tendo havido, na espécie, o específico enquadramento do caso no permissivo legal, como expressamente constou da respectiva fundamentação. 2. O Excelso Pretório assentou o entendimento de que a quebra do sigilo bancário para fins de fiscalização de obrigações tributárias é inconstitucional, posto que conflita com a Constituição Federal. 3. Assim, nos termos da jurisprudência, reconhecese a nulidade da quebra do sigilo bancário perpetrada, sem autorização judicial, no procedimento fiscal 19311.000113/200976, sem embargo da validade da fiscalização e do lançamento fiscal no tocante a fatos, dados e a eventuais infrações apuradas de forma independente e autônoma em relação ao ato viciado, a teor do que já vem decidindo esta Turma 4. Não cabe cogitar de nulidades processuais, nem a título de prequestionamento, porquanto lançada fundamentação bastante e exauriente, não havendo, no caso, violação ou negativa de vigência de qualquer preceito legal ou constitucional. 5. Não houve declaração de inconstitucionalidade da norma da lei ordinária, sendo, por isto mesmo, impertinente, na espécie, alegar a violação do princípio da reserva de Plenário (artigo 97, CF, e Súmula Vinculante 10/STF), conforme tem sido decidido no âmbito, inclusive, do Superior Tribunal de Justiça (AGRESP 1.055.182, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJE 01/10/2008). 6. Agravo inominado desprovido. (AMS 00170117820144036128, DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:16/10/2015 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) destaquei PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PROVIMENTO À APELAÇÃO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO POR ORDEM ADMINISTRATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À RESERVA DE PLENÁRIO. AGRAVO LEGAL IMPROVIDO. 1. Como a sentença estava em manifesto confronto com a jurisprudência do Plenário do Supremo Tribunal Federal, cabia julgamento por decisão monocrática do Relator, nos termos do art. 557, § 1ºA, do Código de Processo Civil. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 389.808/PR, declarou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo fiscal pela autoridade fazendária, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei nº 9.311/96, à Lei Complementar n.º 105/2001, e ao Decreto n.º 3.724/01, para impedir o afastamento do sigilo bancário de pessoa natural ou jurídica sem autorização judicial. 3. Assim, deve ser declarada a nulidade dos atos que foram praticados pela autoridade coatora com base nas informações protegidas por sigilo bancário no bojo do processo administrativo fiscal. 4. Não há violação à cláusula de reserva de plenário (art. 97 da Constituição Federal) na hipótese dos autos, pois existe declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o que afasta a Fl. 4809DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.773 32 necessidade do exame da inconstitucionalidade pelo Órgão Especial desta Corte (art. 481, parágrafo único, CPC). 5. Ademais, os vícios de que a agravante inquina o acórdão proferido pelo Plenário do STF no julgamento do RE nº 389.808 devem ser analisados pelo Pretório Excelso, sendo certo que a pendência de julgamento de embargos de declaração não impede a sua aplicação aos casos pendentes. Precedentes do STF. 6. Agravo legal improvido. (AMS 00080669420114036100, DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO, TRF3 SEXTA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:05/12/2014 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. CPC, ART. 557, §1º. ......................................................................................................... VI Impertinência da alegação de violação à cláusula de reserva de plenário estabelecida no artigo 97 da Constituição Federal, cingindose a decisão agravada a seguir orientação firmada no Superior Tribunal de Justiça, que uniformizou sua jurisprudência no sentido de que as disposições do CTN não se aplicam às contribuições para o FGTS (Súmula nº 353). VII Agravo legal desprovido" (TRF/3ª Região, 2ª Turma, AI n.º 001001756.2012.403.0000, rel. Des. Fed. Peixoto Junior,eDJF3 Judicial 1 de 20.9.2012) Cumpre ressaltar, ainda, ser desnecessário, para que se adote o posicionamento da Suprema Corte, que o Recurso Extraordinário em questão seja representativo de controvérsia e que tenha repercussão geral. Digase, ainda, que, conquanto o precedente utilizado (RE 389.808) esteja pendente de julgamento, é cediço que os embargos de declaração, opostos em face do acórdão, não têm o condão de alterar o posicionamento firmado, mesmo porque tal recurso não possui efeito suspensivo, tampouco modificativo, este último, digase, de caráter excepcionalíssimo. Por fim, alega a União que o impetrante fornecera parte das informações (f. 83), não havendo que se declarar a nulidade da quebra. No entanto, extraise do Termo de verificação Fiscal 2 de f. 94 e seguintes que, solicitados extratos bancários ao impetrante, o mesmo quedouse inerte, havendo, em seqüência, a requisição administrativa às instituições financeiras nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/2001 e Decreto n.º 3.724/2001, ou seja, sem autorização judicial o que, como se disse acima, não encontra esteio na Constituição Federal. Assim, diante da ausência da devida autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, o caso é de decretarse sua ilegalidade e o desentranhamento das informações e provas Fl. 4810DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.774 33 obtidas ilicitamente, não merecendo, destarte, reforma a sentença. Ante o exposto, com fulcro no artigo 557 do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao apelo e à remessa oficial, nos termos da fundamentação supra. Intimemse. Decorridos os prazos recursais, remetamse os autos à origem dandose baixa na distribuição. São Paulo, 29 de outubro de 2015. NELTON DOS SANTOS Tal decisão foi agravada, tendo a Turma do TRF3 mantido a decisão: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO. ARTIGO 557, §1º DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO POR REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A sistemática prevista no artigo 557 do Código de Processo Civil autoriza o Relator a negar seguimento a recurso que esteja em confronto com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal. 2. O Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal deu interpretação conforme a Constituição da República à Lei n.º 9.311/96, à Lei Complementar n.º 105/2001 e ao Decreto n.º 3.724/01, com relação à impossibilidade de afastamento do sigilo bancário de pessoa natural ou de pessoa jurídica pela Receita Federal, sem autorização judicial. 3. De acordo com o voto do e. Ministro Marco Aurélio, proferido no julgamento RE n.º 389.808 "Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção a quebra do sigilo submetida ao crivo de órgão equidistante o Judiciário e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídico tributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte".(STF, Plenário, RE n.º 389.808/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.2010, DJe de 10.5.2011). 4. Não há que se falar em infringência ao artigo 97 da Constituição Federal, que dispõe sobre a reserva de Plenário, visto que houve declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 4811DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.775 34 5. Cumpre ressaltar, ainda, ser desnecessário, para que se adote o posicionamento da Suprema Corte, que o Recurso Extraordinário em questão seja representativo de controvérsia e que tenha repercussão geral. Digase, ainda, que, conquanto o precedente utilizado (RE 389.808) esteja pendente de julgamento, é cediço que os embargos de declaração, opostos em face do acórdão, não têm o condão de alterar o posicionamento firmado, mesmo porque tal recurso não possui efeito suspensivo, tampouco modificativo, este último, digase, de caráter excepcionalíssimo. 6. No caso em tela, conforme verificação dos documentos acostados aos autos extraise que solicitados extratos bancários ao impetrante, o mesmo quedouse inerte, havendo, em sequência, a requisição administrativa às instituições financeiras nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/2001 e Decreto n.º 3.724/2001, ou seja, sem autorização judicial o que, como se disse acima, não encontra esteio na Constituição Federal. 6. Portanto, diante da ausência da devida autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, o caso é de decretarse sua ilegalidade e o desentranhamento das informações e provas obtidas ilicitamente. 7. Não há no agravo elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática. 8. Agravo não provido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao agravo, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 28 de janeiro de 2016. ELIANA MARCELO Juíza Federal Convocada A decisão final do TRF3 foi objeto, em maio do corrente ano, de Recurso Extraordinário. Observo que, conforme consulta abaixo, o Recurso da União não foi ainda apreciado, e que não há, no caso, modificação no entendimento judicial; estando em vigor apenas a decisão do TRF3 que determina que a "autoridade impetrada se abstenha de violar o sigilo bancário do impetrante Washington Umberto Cinel, bem como de fazer uso das informações bancárias obtidas a tal título, devendo, ainda, a impetrada proceder ao desentranhamento de todas as provas obtidas por meio ilícito nos autos do procedimento administrativo n.º 19515.722.831/201214." Momento da consulta: sextafeira, 8 de julho de 2016 às 14:17 Fl. 4812DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.776 35 07/07/2016 CONCLUSOS AO DES.FED.VICE PRESIDENTE DO TRF GUIA NR.: 2016142772 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 07/07/2016 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRAMINUTA Petição Número 2016142099 01/07/2016 RECEBIDO(A) DA FAZ. NACIONAL. 17/06/2016 REMESSA GUIA NR.: 2016125790 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 15/06/2016 JUNTADA DE AGRAVO LEGAL / REGIMENTAL Petição Número 2016131835 14/06/2016 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR. : 2016106066 ORIGEM : RENATA CRISTINA MIRANDOLA (OAB:SP337476) 23/05/2016 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR.: 2016106066 DESTINO: RENATA CRISTINA MIRANDOLA (OAB:SP337476) 23/05/2016 LEVANTAMENTO DE SUSPENSÃO/SOBRESTAMENTO 19/05/2016 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO DECISÃO/DESPACHO no dia 2016519 . 8:35 (Expediente Processual (Despacho/Decisão) 43782/2016) Visualizar 13/05/2016 RECEBIDO PROCESSO SOBRESTADO GUIA NR. : 2016095181 ORIGEM : ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 10/05/2016 DECISÃO REX SOBRESTADO 06/05/2016 CONCLUSOS AO DES.FED.VICE PRESIDENTE DO TRF P/DEC.ADMIS. RECURSO GUIA NR.: 2016092539 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 04/05/2016 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRARAZOES Petição Número 2016093379 25/04/2016 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR. : 2016066179 ORIGEM : DOUGLAS BOSCO CARDOSO DA COSTA (OAB:SP331779) 01/04/2016 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR.: 2016066179 DESTINO: DOUGLAS BOSCO CARDOSO DA COSTA (OAB:SP331779) 31/03/2016 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO VISTA PARA CONTRA RAZOES no dia 2016331 . 8:52 (Expediente 2046/2016) 16/03/2016 RECEBIDO PARA PROCESSAMENTO DE RECURSO(S) EXCEPCIONAL(IS) GUIA NR. : 2016055545 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA TERCEIRA TURMA 16/03/2016 REMESSA GUIA NR.: 2016055545 DESTINO: SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 14/03/2016 RECEBIDO(A) ORIGEM MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 08/03/2016 REMESSA GR.2016047730 Destino: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 07/03/2016 JUNTADA DE PETIÇÃO DE RE Petição Número 2016047338 07/03/2016 RECEBIDO(A) ORIGEM UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) 01/03/2016 REMESSA GUIA NR.: 2016040253 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 12/02/2016 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR OAB: SP337476 12/02/2016 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR.: 2016026047 DESTINO: RENATA CRISTINA MIRANDOLA (OAB:SP337476) 12/02/2016 JUNTADA DE SUBSTABELECIMENTO SEM PROTOCOLO 05/02/2016 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO ACORDÃO no dia 201625 . 8:31 (Boletim de Acordão 15427/2016) Visualizar 28/01/2016 Agravo Legal/Regimental conhecido e nãoprovido 28/01/2016 JULGADO AGRAVO PREVISTO ART. 557 CPC (DECISÃO: "A TERCEIRA TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU NEGAR PROVIMENTO AO AGRAVO.¶") (EM 28/01/2016) Feito o histórico da decisão do poder judiciário, destaco que o Recurso Extraordinário é recebido apenas no seu efeito devolutivo, não gozando de efeito suspensivo (artigo 542, §2º, CPC). Assim, temos que o entendimento do poder judiciário deve ser acatado pela administração pública. A decisão da ação judicial é soberana devendo ser cumprida pela administração nos seus exatos termos, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da hierarquia das normas, bem como ofensa à moralidade administrativa. É imperativo que a administração pública acate as ordens judiciais e cumpra a norma individual e concreta emanada do Poder Judiciário; pois a este poder foi outorgada a competência para interpretar a lei e dirimir as lides instauradas. Impende salientar que toda decisão judicial sem efeito suspensivo é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Aliás, pela sistemática constitucional, todo ato jurídico, inclusive o administrativo, está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este, em relação à esfera administrativa, instância superior e autônoma. Superior, porque tem competência para revisar, cassar, anular ou confirmar o ato administrativo; e autônoma, porque o contribuinte não está obrigado a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Assim, a decisão do TRF3 é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Assim, é dever julgar o recurso nos termos em que se encontram os autos; sob a perspectiva da impossibilidade da consideração dos extratos como prova da omissão de rendimentos. Fl. 4813DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.777 36 Conforme nos ensinou o Conselheiro Rafael Pandolfo, reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo TRF3. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido peloTRF3 revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras, em sentido contrário a determinação judicial para o caso. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Sendo assim, entendo que a infração omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em suas contas correntes, mantidas em instituições financeira, em relação aos quais, quando regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, deve ser excluída, pois foi fundamentada em provas entendidas como ilícitas pelo TRF3.. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e por dar provimento ao recurso voluntário. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 4814DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.778 37 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 4815DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13868.000007/2003-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
RESSARCIMENTO IPI. INSUMOS. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO.
Conforme comprovado na Diligência Fiscal realizada, o crédito pleiteado se
refere aos créditos extemporâneos de insumos (matérias primas, produtos
intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no
processo de produção, todos tendo origem comprovada dentro do período de
01/01/1999 a 31/12/2002. Ressarcimento garantido em conformidade com o
art. 11, da Lei n.º 9.779/1999.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-003.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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INSUMOS. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. Conforme comprovado na Diligência Fiscal realizada, o crédito pleiteado se refere aos créditos extemporâneos de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no processo de produção, todos tendo origem comprovada dentro do período de 01/01/1999 a 31/12/2002. Ressarcimento garantido em conformidade com o art. 11, da Lei n.º 9.779/1999. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Fl. 504DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma síntese do processo até a apresentação do Recurso Voluntário, peço vênia para transcrever o relatório da Resolução n.º 3402-000.657, que converteu o presente processo em diligência: "Trata-se de pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, incidente nas aquisições de insumos realizadas no período de 01/1999 a 12/2002, no montante de R$ 38.040,41, pedido este fundado no art. 11, da Lei nº 9.779/99. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 57/59 – (numeração eletrônica – n.e.), a autoridade administrativa indeferiu o direito creditório e não homologou as DCOMPs vinculadas o pedido, alegando que dentre os diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento/compensação localizados em nome da contribuinte, nenhum deles informa-se como origem do crédito o pedido de ressarcimento em discussão. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho em 01/11/2006, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 01/12/2006, argumentando, em síntese já elaborada pela DRJ e a qual transcrevo: a) não foi considerada na hipótese a escrituração extemporânea do saldo credor de IPI nos termos do art. 11, da Lei 9.779/1999; b) a interpretação excessivamente formalista da fiscalização entendeu que, pelo fato de não constar da escrituração da época o saldo credor (apurado posteriormente), não teria a Manifestante o direito ao crédito legalmente previsto; c) a legislação pátria jamais negou ao contribuinte o direito de apurar créditos extemporâneos de tributos que, por qualquer motivo não tenha sido contratado na época própria; d) não merece prosperar o entendimento da fiscalização fazendária no sentido de que não há saldos credores de IPI na escrituração fiscal e contábil da Manifestante que pudessem ser utilizados para ressarcimento. Ao contrário: os créditos de IPI existem e estão comprovados, houve o registro dos mesmos, mas escriturados posteriormente. Os créditos foram contabilizados em 2003, conforme a própria decisão reconhece. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório e o consequente reconhecimento do direito creditório, bem como a homologação das compensações declaradas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de conformidade apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), proferiu o Acórdão de nº. 0948.660, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecendo o direito creditório, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI CONTABILIZADO COMO CUSTO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão do imposto pago na aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem no custo de aquisição dos produtos com eles industrializados, implica considerar o imposto como não recuperável Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13868.000007/2003-24 Acórdão n.º 3402-003.483 S3-C4T2 Fl. 505 3 e impede que esses valores sejam utilizados no sistema de débito e crédito do IPI com vista à realização da nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido.” Em apertada síntese a DRJ/JFA competente para o julgamento destaca que a motivação para o indeferimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte foi o fato desta ter contabilizado o IPI como custo e não ter desfeito tal lançamento por ocasião da escrituração extemporânea de IPI e sua conseqüente escrituração como imposto a recuperar; diferente do alegado pela contribuinte, que se insurgiu contra um suposto indeferimento em virtude de escrituração extemporânea. Sobre a referida contabilização do IPI como custo, este refletirá diretamente no resultado do exercício, implicando na diminuição do lucro bruto e, consequentemente, reduzindo a base de cálculo do IRPJ e CSLL, sendo assim, não haveria possibilidade de ressarcimento sob os ditames do art. 11 da Lei 9.779/99. Destaca, ainda, que o desfazimento parcial da contabilização do IPI como custo de produção, procedimento este realizado pela contribuinte, refletiria tão somente no âmbito do IRPJ e CSLL. Em suma, entende que uma vez escriturado como custo, o IPI não gera direito a ressarcimento do montante pleiteado e, consequentemente, o não reconhecimento do direito creditório implica na não homologação das compensações vinculadas. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 09/01/2014, conforme AR de fl. 160 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 286/300) em 10/02/2014, alegando, em síntese que, diferente do proposto relatório fiscal impugnado, que tratava de contabilização extemporânea de créditos de IPI, o acórdão ora recorrido acata “de forma sutil” a escrituração extemporânea destes créditos, porém passa a desenvolver nova tese de acusação, que estaria baseada em presunções, qual seja a de que para o contribuinte se valer de seu direito, teria que recompor seu lucro dos períodos de 1999 a 2002, rejeitando a suposta dedução que teria sido aplicada na apuração de IRPJ e CSLL. Sustenta que não há como chegar a estas conclusões com base nos autos, uma vez que não existem, nestes, demonstrativos de apuração de IRPJ e CSLL, o que inviabilizaria o conhecimento da existência de lucros ou prejuízos. Com base nisto, destaca que um ato decisório não pode se valer de mera presunção, pois que exige prova efetiva, nunca realizada. Em breve resumo, alega: “(i) não ter sido comprovada a inserção do IPI como custo de produção no período de 1999 a 2002, segundo aquisição de insumos na época; (ii) não ter sido verificado o direito ao crédito amparado pelas notas fiscais de compras de MP, PI e ME utilizados na produção, ainda isentos ou com alíquota zero; e (iii) não ter sido considerada a receita que anulou a inserção do IPI como custo”. Ao fim, requer que seja cancelado o lançamento e declarado correta a compensação glosada de ressarcimento do IPI do 4º trimestre de 2002, homologando as compensações, reiterando, ainda, as razões da impugnação. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 183 (cento e oitenta e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF." (fls. 186/188 - grifei) Reconhecida a tempestividade do Recurso Voluntário, o processo foi convertido em diligência pela referida resolução, nos seguintes termos: Fl. 506DF CARF MF 4 "Assim sendo, entendo que o processo não se encontra suficientemente instruído e as provas existentes não foram ainda totalmente exauridas e analisadas sob o pálio do contraditório, não se encontrando, consequentemente, em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: a) Verifique, a partir dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente na manifestação de inconformidade ou no Recurso Voluntário e de seu cotejo com outros documentos a serem solicitados ou verificados na sede do contribuinte, os pressupostos dos créditos pleiteados, tais como a origem, os períodos, a quantidade e legitimidade destes; b) Verifique, se nos períodos de apuração dos créditos decorrentes das aquisições de insumos efetivados pelo contribuinte, o mesmo gerou IPI a pagar, se foram efetivamente quitados, e se os créditos escriturados extemporaneamente sobejariam nas apurações dos períodos respectivos; c) Verificar se os créditos decorrem das aquisições de insumos, assim entendidos como as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e se as operações de venda do contribuinte ocorreram dentro das hipóteses legais autorizadoras da manutenção e ressarcimento dos créditos; d) Em caso afirmativo, quantificar eventuais créditos em comparação com os objeto dos pedidos de ressarcimento e respectivas declarações de compensação, manifestando-se sobre sua legitimidade, existência e suficiência; e) Ao final, confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, envolvendo os quesitos acima, após o que seja intimando o contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias; f) Após, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento." (fls. 189/190 - grifei) Em cumprimento desta diligência, foi proferida informação fiscal às fls. 492/495 reconhecendo que os créditos objeto do ressarcimento são créditos extemporâneos de insumos válidos, devidamente registrados na contabilidade da Recorrente, informando ao final: "15.1) Informar que foram verificados os pressupostos de origem, períodos, quantidades e legitimidade dos créditos pleiteados; 15.2) Informar que, no período de 01/01/1999 a 31/12/2002, a empresa fabricava e comercializava apenas produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero de IPI, não tendo gerado quaisquer valores de IPI a pagar (débitos) nesse período; 15.3) Informar que os créditos decorrem das aquisições de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) e as operações de venda da interessada ocorreram dentro das hipóteses legais autorizadoras da manutenção e ressarcimento dos créditos; 15.4) Informar que os créditos de IPI pleiteados pela interessada, relativos ao período de 01/01/1999 a 31/12/2002 são existentes, legítimos e suficientes e totalizam R$ 38.040,31, e refere-se a insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no processo de produção, todos tendo origem comprovada dentro do período em questão." (fls. 495 - grifei) Após a manifestação da Recorrente no sentido de que a Informação Fiscal proferida confirmou suas razões recursais (fl. 499), o processo retornou para este CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13868.000007/2003-24 Acórdão n.º 3402-003.483 S3-C4T2 Fl. 506 5 Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Reconhecida a tempestividade do Recurso e afastada pela Informação Fiscal proferida na Diligência qualquer relação dos créditos com a apuração do IRPJ e da CSLL, por confirmar que o presente processo trata apenas de crédito extemporâneo de IPI, reconhece-se a competência desta turma para o julgamento, passando-se às suas razões. Como mencionado pela Recorrente em sua manifestação na diligência (fl. 499), a Informação Fiscal confirmou todas suas razões recursais, entendendo pela validade integral do crédito pleiteado, referente aos créditos extemporâneos de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no processo de produção, todos com origem comprovada dentro do período de 01/01/1999 a 31/12/2002. Vejamos os exatos termos desta Informação Fiscal: "5) Conferimos todos os originais das Notas Fiscais de Entradas, cópias fls. 200/347, que deram origem ao crédito pleiteado e constatamos que estes são legítimos e se referem a insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no processo de produção, todos tendo origem comprovada dentro do período em questão. 6) No dia 10/02/2015 procedemos uma visita à unidade de produção da interessada, situada na Rodovia Vitório Prandi S/N – KM 01 – Zona Rural de Jales-SP, na qual percorremos toda a linha de produção desde o recebimento das matérias primas e insumos, observação de sua aplicação em todo o processo de produção até a colocação das embalagens e dos pallets de transporte, tendo constatado que os produtos citados no item anterior realmente são empregados e consumidos no processo produtivo em quantidades compatíveis com as notas fiscais de entradas apresentadas. 7) Verificamos que no período a que o crédito de IPI se refere, ou seja, 01/01/1999 a 31/12/2002, a empresa fabricava e comercializava apenas produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero de IPI, não tendo gerado quaisquer valores de IPI a pagar (débitos) nesse período. 8) Essa constatação foi feita a partir da análise dos Livros Registro de IPI apresentados (1999 a 2002, todos com valor zero de IPI a pagar), Livros de Registro de Entradas e Saídas, análise da contabilidade da interessada (Livros Diários e Razão Contábeis), bem como da conferência das Notas Fiscais de Saídas, fls. 385/442 (amostragem do período em questão). 9) Juntamos, às fls. 351/384, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento, bem como páginas escolhidas por amostragem, dos Livros citados no item anterior, que comprovam a constatação de que, no período em questão, não houve geração de débitos de IPI, ou seja, não houve IPI a pagar. 10) Como já exposto, verificamos que os créditos pleiteados decorrem integralmente das aquisições de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) e as operações de vendas da interessada ocorreram dentro das hipóteses legais que autorizam a manutenção e ressarcimento desses créditos. Fl. 508DF CARF MF 6 11) Tendo em vista que todas as Notas Fiscais de Entradas apresentadas, fls. 200/347, são legítimas, pertinentes e referem-se ao período pleiteado, não houve quaisquer glosas de valores. 12) As notas fiscais de entrada, estão relacionadas na planilha de cálculo de fls. 471/491, intitulada “ANEXO I – Demonstrativo do Crédito Básico do IPI – Período de Jan/1999 a Dez/2002”, o qual demonstra que o total de crédito de IPI apurado foi de R$ 38.040,31. 13) Tendo verificado a contabilidade da interessada, constatamos que o valor do crédito extemporâneo do IPI de R$ 38.040,31 foi lançado no dia 14/01/2003, na página 15 do Livro Diário de Jan/2003, cópia fls. 381, debitando a conta 1.1.4.02.0001 (IPI a Recuperar/Mat Ins) e creditando a conta 5.1.6.03.006 (valores recuperados), conforme pg. 18 e 72 do Livro Razão de 2003, cópias fls. 383/384 deste processo. 14) Constatamos, então, que a interessada registrou o fato em sua contabilidade, tendo assim oferecido como receita à tributação o crédito de IPI objeto desta análise." (fls. 493/494 - grifei) Diante da confirmação da validade do crédito objeto deste processo pela própria fiscalização, com fulcro na documentação acostada aos presentes autos e após visita à fábrica da Recorrente, não nos cabe aqui fazer maiores digressões, a não ser reconhecer o crédito pleiteado em conformidade com o art. 11 da Lei n.º 9.779/1999 1 . Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora 1 "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre- calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 13873.000148/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005
IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que fundamentou a não homologação do pedido.
Numero da decisão: 3201-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005 IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que fundamentou a não homologação do pedido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005 IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que fundamentou a não homologação do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 01 48 /2 00 5- 30 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de IPI, cumulado. Por bem relatar os fatos, adotase o relatório da Delegacia de Julgamento: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativo aos anos de 1995 a 2005, nos seguintes termos: "Ocorre que o IPI é cobrado na sua integralidade, mesmo nas aquisições com desconto incondicional nas Notas Fiscais. Resulta daÍ que o contribuinte recolhe o IPI a maior, emergindo o direito à compensação/restituição dos créditos apurados nos últimos 10 anos, a teor dos artigos 173 e 174 do CTN". Intimada (fl. 14) a apresentar formulário de pedido de restituição conforme IN SRF n° 460/2004 e cópia do livro de apuração do IPI, a empresa não atendeu. Através do Despacho Decisório de fls. 21/26 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento. Da fundamentação extraímos os excertos abaixo: “Embora intimada a apresentar copia do Livro Registro de Apuração do IPI, indispensável à análise do pleito, conforme intimação de fls. 13, a requerente deixou de fazêlo, solicitando prolação de prazo, sob a alegação da quantidade dos documentos a serem juntados, situação não condizente com a mera apresentação do livro de apuração do IPI, o que vem reforçar sua não inclusão no conceito legal de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, não lhe cabendo, pois, o direito ao ressarcimento; Por conseguinte, sua pretensão revelase descabida, o que é finalmente comprovado pela ausência de escrituração do Livro de Apuração do IPI, obrigatório para as empresas industriais e equiparadas a industriais, conf. previsto no inciso II do § 4° do art. 16 da IN SRF n° 460/0;. Conforme dispõe o artigo 24, inciso III do RIPI/02 ( Decreto n° 4.544/02), os estabelecimentos equiparados a industriais passam a ser contribuinte do IPI com relação as operações que os equipararam, sujeitandose ao cumprimento das obrigações tributárias principal e acessória a que estão obrigados todos os estabelecimentos industriais, isto 6, além do pagamento do imposto estão obrigados a manter a escrituração fiscal pertinente; Descartada, portanto, a possibilidade de se qualificar como estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, já que a requerente não apresentou cópia das notas fiscais das alegadas compras de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, bem como não escritura o livro Registro de Apuração do IPI, obrigação a que estaria sujeita se fosse considerada industrial ou equiparada a industrial, conf. disposto Fl. 402DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13873.000148/200530 Acórdão n.º 3201002.305 S3C2T1 Fl. 94 3 no § 7°, inciso VIII, do art. 369 do RIPI/02 (Decreto n° 4.544/02), acima citado; De qualquer modo, diverso do pretendido, se a empresa requerente, não sendo industrial, fosse equiparada a estabelecimento industrial, além de não ter direito ao ressarcimento, ainda estaria sujeita ao pagamento do IPI pelas “saídas" de seus produtos finais; Por outro lado, ato Declaratório SRF n.° 096, de 26/11/99, com base na Lei 5.172 de 25/10/66 Código Tributário Nacional arts. 165, 1, e 168, I, declara que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de pagamento de tributo indevido ou pago a maior extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário,tornando incabível portanto a pretensão de ressarcimento de IPI dos últimos 10 (dez) anos como solicita o interessado; Uma das formas de extinção do crédito tributário prevista no artigo 156 do CTN é o pagamento. No caso especifico, o presente processo foi protocolizado em 09/06/2005, ficando claro, portanto, que a analise do presente processo não alcança os recolhimentos efetuados anteriormente a 09/06/2000 pela decadência do direito de se pleitear a restituição, pois decorreram mais de cinco anos entre as datas de pagamento e a data do pedido. O prazo de cinco anos a partir do pagamento é um prazo de decadência, que fulmina o direito de pleitear o retorno. Manifestada a inércia do administrado durante aquele período, acontece o fato jurídico da decadência ou caducidade, extintivo do seu direito.” Cientificada em 04/11/2009 (AR fl. 29), a interessada apresentou, tempestivamente, em 23/11/2005, manifestação de inconformidade (fls. 105/127) na qual, em síntese, alega que: Da Prescrição Mesmo que se admita pudesse o Sr. AFTN, de oficio, conhecer da prescrição ou decadência, já que CTN coloca os dois institutos no mesmo plano, as mesmas ainda não ocorreram para nenhum dos fatos geradores que geraram o direito ora invocado. Sob o primado da igualdade jurídica, em vista de a União, latu sensu, pode cobrar o contribuinte em até l1 anos, não pode ser o mesmo tolhido na cobrança do que lhe deve a União, em apenas 5 anos, ferindo, de forma frontal, a isonomia na questão de créditos e débitos, entre Fisco e Contribuintes. Sendo a escrituração e recolhimento do tributo feito por iniciativa exclusiva do Contribuinte, que apura e faz o autolançamento, e no caso concreto, não tendo havido qualquer homologação expressa, poderia o Fisco, em até 11 anos, rever o lançamento definitivamente homologado, após 5 anos de seu Fl. 403DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 autolançamento, e cobrar eventual diferença, no primeiro dia útil seguinte à data da homologação tácita, que pode chegar, portanto, a 10 anos, 11 meses e 29 dias, para aqueles fatos geradores que ocorrem no primeiro dia útil do exercício financeiro. Sob qualquer ângulo do prisma em análise, verificase a inocorrência, tanto da decadência, como da prescrição, uma vez que não ocorreu nenhuma dos dies ad quem que possibilitem, se fosse admissível, o decreto de prescrição de parcelas a serem repetidas, ou de decadência do direito de recuperálas, seja esponte sua, seja administra, seja judicialmente. Do Mérito É uma empresa que atua no ramo de distribuição de bebidas (cervejas, refrigerantes, etc.), produtos que sujeitamse à incidência do IPI. Por razões promocionais e mercadológicas, referidos produtos são adquiridos com descontos incondicionais, lançados na respectiva nota fiscal. Sendo incondicional, relativamente à própria operação de saída do estabelecimento industrial, o valor do desconto deve ser excluído da base de cálculo do IPI, já que esta deve corresponder ao valor da operação, que tem por objetos mercadorias vendidas e bonificadas. Na Nota Fiscal emitida, no que se refere a esta operação, deve ser incluída a mercadoria que foi dada saída como bonificação, deduzindose o seu valor do preço total, como desconto ou abatimento. Sobre o valor apurado, é devido o imposto. O mandamento legal que determina a inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do imposto contraria o art. 47 do Código Tributário Nacional, que tem, na ordem jurídica brasileira, o status de lei complementar. De fato, o caput do art. 47 do CTN enuncia, claramente, que a base de calculo possível do IPI é "o valor de que decorrer a saída da mercadoria." No que tange ao IPI, inobstante o contido no artigo 118 do RIPI, Decreto 2.637/98, cumprenos salientar que in casu prevalece o artigo 47, inciso II, letra "a", do Código Tributário Nacional, tido pela doutrina e jurisprudência como Lei Complementar à Constituição, que determina que a base de cálculo do IPI é o valor que decorrer a saída da mercadoria. Assim, de se concluir que a incidência do IPI sem se considerar a redução do preço em função dos descontos incondicionais afronta o diploma tributário nacional que dispõe em seu artigo 47, II, "a", que a base de cálculo do imposto é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 404DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13873.000148/200530 Acórdão n.º 3201002.305 S3C2T1 Fl. 95 5 Período de apuração: 01/04/2000 a 31/03/2005 Ementa: RESSARCIMENTO. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2000 CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PRESCRICIONAL. CINCO ANOS. O direito que o interessado tem para pleitear o ressarcimento do crédito de IPI, mediante apresentação do “pedido de ressarcimento” à SRF, prescreve no prazo de cinco anos, a contar da data do fato do qual se origine. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou as razões de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Dos autos, verificase , inicialmente, que a discussão acerca da prescrição de parte dos créditos pleiteados, uma vez que a Recorrente defende aplicável à hipótese do prazo dos "cinco mais cinco", na forma definida pelo Superior Tribunal de Justiça. Destarte, verificase que em 08/06/2005, ingressou com seu pedido de ressarcimento de créditos de IPI, supostamente pagos indevidamente, em virtude de descontos incondicionais sobre as bebidas comercializadas pela Recorrente. Por conseguinte, definido pelo Superior Tribunal de Justiça que o prazo de cinco anos do art.168, I, do CTN, alterado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118 /2005, para pleitear a repetição de valores recolhidos indevidamente como tributo, aplicase às demandas ajuizadas a partir de 09/06/2005, sujeitar seia a Recorrente à regra anterior, de dez anos. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Contudo, a análise dessa questão, especialmente se o pedido administrativo de ressarcimento à revelia das formalidade exigidas, cumpriria esse efeito, fica prejudicada pela questão das provas do direito pleiteado. Verificouse, contudo, que a Recorrente, intimada e reintimada, por diversas vezes, a apresentar o Livro de Apuração do IPI e formulário de pedido de restituição, nos moldes da INSRF n. 460/2004, e apresentar outros esclarecimentos pleiteados, quedouse omissa. Apenas após a emissão do despacho decisório, apresentou, tãosomente, planilha em que levanta valores de IPI, que supostamente teria pago a maior Entretanto, a compensação é constituída normativamente por declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, ficando sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Assim sendo, por todos os motivos expostos, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004437/2004-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. No caso, a partir dos elementos carreados as autos, a área de Reserva Legal glosada não se encontrava devidamente averbada antes da ocorrência do fato gerador (01/01/2000).
Numero da decisão: 9202-004.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. No caso, a partir dos elementos carreados as autos, a área de Reserva Legal glosada não se encontrava devidamente averbada antes da ocorrência do fato gerador (01/01/2000).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 546 1 545 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.004437/200475 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.619 – 2ª Turma Sessão de 25 de novembro de 2016 Matéria ITR Recorrente KATIA REGINA GARCIA JUNQUEIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. No caso, a partir dos elementos carreados as autos, a área de Reserva Legal glosada não se encontrava devidamente averbada antes da ocorrência do fato gerador (01/01/2000). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 44 37 /2 00 4- 75 Fl. 546DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração (Fls 33 a 40) para exigência de ITR, multa de 75% e juros legais, diante de glosa das áreas declaradas como sendo de reserva legal, produção vegetal e pastagens. Constatou, ainda, a ocorrência de subavaliação do VTN declarado, alterando, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, passando o Grau de Utilização – GU, de 100,0% para “0”. O contribuinte impugnou integralmente o lançamento, obtendo parcial provimento de seu apelo, considerandose comprovada a ocupação das áreas de pastagens e a área utilizada na produção vegetal, alterando o Grau de Utilização para 69,6% com a aplicação da alíquota de cálculo de 1,60%, com a conseqüente manutenção do imposto suplementar apurado pela fiscalização. Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte ao CARF. No julgamento do Recurso Voluntário a 1ª Turma Ordinária, da Câmara, da 2ª Seção de Julgamento a ele deu parcial provimento, para restabelecer a área de preservação permanente, alterar o VTN e excluir a multa de ofício, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS DE PASTAGEM. EXCLUSÃO. A exclusão das áreas de pastagens para fins de apuração do grau de utilização do imóvel pressupõe a comprovação de estoque de animais em quantidade suficiente para, considerando índices de lotação definidos tecnicamente, justificar a classificação da tal área. Cabe ao contribuinte comprovar a existência dos animais. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10675.004437/200475 Acórdão n.º 9202004.619 CSRFT2 Fl. 547 3 Faz prova do valor da terra nua laudo de avaliação expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. ITR. SUCESSOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. A responsabilidade tributária do sucessor e cônjuge meeiro alcança o tributo cujo fato gerador tenha ocorrido até a data da partilha ou adjudicação, na proporção do que lhes coube na partilha e no limite do montante herdado, evidentemente excluída multa de lançamento de ofício por falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área equivalente a 62,95 ha a título área de preservação permanente, bem como alterar o Valor da Terra Nua para R$ 1.770.000,00 e, finalmente, excluir a multa de ofício. Vencido o conselheiro Gustavo Lian Haddad que também restabelecia a área de reserva legal comprovada mediante averbação na matrícula do imóvel. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Regularmente intimado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a glosa da área de reserva legal, efetuada com base em averbação realizada após o fato gerador do imposto, mas antes do início do procedimento fiscal. Para demonstrar a divergência de interpretação trouxe como paradigma os acórdãos nº 30134.781 e 30334.192 . Em suas razões o Contribuinte alega, em suma: 1. Que inexiste base legal para se exigir a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para sua exclusão da base de cálculo do ITR; 2. Se a Lei não permitem a exploração das áreas, não pode ser exigido tributos sobre elas; 3. Que apesar disso, no presente caso houve a averbação da área na matrícula do imóvel; 4. Pelo princípio da verdade material, deve ser considerado para comprovação da área o Laudo trazido aos presentes autos, bem como a inscrição de matrícula que comprovam sua existência Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, tendo em vista que "o confronto das ementas do paradigma acima e do acórdão recorrido permite constatar a alegada divergência, pois enquanto no recorrido exigiuse a averbação da área de Reserva Legal previamente ao fato gerador, para fins de exclusão da tributação do ITR, no paradigma entendeuse que a falta de averbação ou a averbação feita Fl. 548DF CARF MF 4 após a data de ocorrência do fato gerador não constitui fato impeditivo à isenção da área na apuração do valor do ITR." Regularmente intimada, a União apresentou contrarrazões, alegando, em apertada síntese: 1. A obrigação de averbar a área na matrícula está prevista originariamente em lei, qual seja, na Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal). 2. No âmbito da administração tributária a obrigação nasceu com a Instrução Normativa 43/97; 3. Que a jurisprudência do CARF caminha no sentido de se exigir a averbação da área na matrícula para que seja admitida sua exclusão da base de cálculo do ITR; 4. A delimitação do prazo para o cumprimento da exigência em análise atua em consonância com a intenção perseguida pelo legislador, que é a de garantir, por meio da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, que a referida área será devidamente conservada, dando maiores garantias à preservação de uma área necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos sistemas ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e à proteção de fauna e flora nativas; 5. Assim, pede o não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os requisitos para admissibilidade do recurso especial, não tenho reparos a fazer na análise previamente realizada. A exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, à época do fato gerador em questão, estava prevista no artigo 10, §1º, II, "a", da Lei 9.393/96. Segundo tal norma, a área tributável seria a área total do imóvel menos, dentre outras, a área de reserva legal prevista na Lei 4.771/65, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10675.004437/200475 Acórdão n.º 9202004.619 CSRFT2 Fl. 548 5 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A referida Lei 4.771/65, em seu artigo 16, trazia os contornos da referida área de reserva legal (também chamada de área de utilização limitada). Na época do fato gerador em questão, vigia o §2º da referida Lei, que exigia a averbação dessa área à margem da inscrição de matrícula do imóvel e vedava a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão ou desmembramento da área, verbis: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (...) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Nesse contexto, travouse uma primeira rodada de discussões sobre a necessidade de averbação da área para fins de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Parte da jurisprudência se posicionou no sentido de que a averbação apenas possuía efeitos em relação à legislação florestal/ambiental, sendo, portanto, irrelevante para fins fiscais. Outra parte da jurisprudência seguiu no sentido de que para a exclusão da reserva legal todos os requisitos contidos na legislação florestal deveriam ser cumpridos, inclusive referida averbação. Para a corrente que entende que é necessária a dita averbação para a exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, abriuse nova discussão, agora acerca do momento em que ela deve ocorrer, se antes da ocorrência do fato gerador do imposto ou antes do procedimento fiscal que ensejou eventual lançamento de ofício. Essa é a matéria a ser tratada no presente caso. A par dessa última discussão, sou afeito a interpretação de que a regra que determina a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel o fez com a finalidade de oposição dessa condição a terceiros, impedindo sua supressão ainda que ocorra a transmissão integral ou parcial da propriedade, bem como seu desmembramento. Ora, o Código Florestal vigente à época (Lei 4.771/65) não trazia qualquer disposição sobre matéria tributária. E a Lei tributária que tratava a exclusão da área de reserva legal da base ce cálculo do ITR em nenhum momento impôs ao contribuinte o dever de realizar dita averbação. Para a Lei tributária a área reserva legal não é tributada independentemente de observância dos preceitos da Lei Florestal. Não há penalidade fiscal para inobservância de regra Florestal/ambiental. Há sim penalidade em outros âmbitos (como multas impostas pelos órgãos ambientais e penalidades de ordem criminal, por exemplo). Fl. 550DF CARF MF 6 Assim, para o exercício 2000, portanto qualquer elemento que demonstrasse a efetiva existência da área de reserva legal deveria ser aceito para fins de sua exclusão da base de cálculo do ITR, exceto se a fiscalização efetivamente comprovasse sua falsidade ou a inexistência da dita área. Como documentos capazes de comprovar a existência da área podese citar os Laudos técnicos, ADA, averbação, ainda que posterior ao fato gerador, dentre outros. No caso dos autos, conforme se depreende da análise das diversas matrículas que compõem o imóvel (fls. 10), a área de reserva legal foi averbada somente em 19/07/2002 e, por conseguinte, intempestiva para o exercício o exercício de 2000, já que após a ocorrência do fato gerador do ITR relativo ao exercício de 2000, mas antes do início do procedimento fiscal em 23 de novembro de 2004, conforme AR de fl. 41 do processo eletrônico. Nesse contexto, voto por DAR provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10675.004437/200475 Acórdão n.º 9202004.619 CSRFT2 Fl. 549 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento do relator, ouso discordar. Quanto à área de utilização limitada/Reserva Legal, alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, fundamentando meu entendimento acerca do tema, ressalvando que as menções ao art. 16 §8o. do Código Florestal, quanto à obrigatoriedade de averbação, são plenamente aplicáveis aqui, uma vez que o §2o. do mesmo artigo, em sua redação anterior, dada pela Lei no. 7.803, de 1989, estabelecida idêntica obrigatoriedade, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e Fl. 552DF CARF MF 8 flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10675.004437/200475 Acórdão n.º 9202004.619 CSRFT2 Fl. 550 9 nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspond ente. (...)" No caso em questão, verificase, a partir dos elementos de prova carreados aos autos, que a averbação deuse somente em 19.07.02 (efls. 24 a 29), assim, posteriormente ao fato gerador do ITR sob análise, que ocorreu em 01.01.2000. Destarte, de se manter a glosa perpretada pela autoridade fiscal, devendose negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 554DF CARF MF 10 Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001833/2005-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO
É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos oferecidos à tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente, não admitida a exclusão de rendimentos isentos ou sujeitos à tributação exclusiva na fonte, exceto ganhos de capital tributados na mesma declaração
Numero da decisão: 9202-004.284
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para excluir da base tributada os valores de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual oferecidos ao fisco na declaração de ajuste, bem como o ganho de capital oferecido ao fisco e constante da declaração de ajuste, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que negaram provimento, Heitor de Souza Lima Junior, que deu provimento em maior extensão e Gerson Macedo Guerra, que deu provimento em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos oferecidos à tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente, não admitida a exclusão de rendimentos isentos ou sujeitos à tributação exclusiva na fonte, exceto ganhos de capital tributados na mesma declaração Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para excluir da base tributada os valores de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual oferecidos ao fisco na declaração de ajuste, bem como o ganho de capital oferecido ao fisco e constante da declaração de ajuste, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que negaram provimento, Heitor de Souza Lima Junior, que deu provimento em maior extensão e Gerson Macedo Guerra, que deu provimento em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 33 /2 00 5- 94 Fl. 933DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/0 9/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2801003.961, proferido pela 1º Turma Especial/2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls.04/07, e Termo de Verificação Fiscal, fls. 13/25, referente aos exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004, anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, por AFRF da DRF/Limeira/SP, constituído o crédito tributário no valor de R$ 497.944,94, motivada pela omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou sua impugnação às fls.484/485, da qual a 2ª Turma da DRJ/BEL julgou a Impugnação procedente em parte. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 524 a 542, alegando, em síntese, que simples depósitos bancários não são suficientes para configurar renda tributável, e não constituem fato gerador do imposto de renda; que depósitos bancários não configuram ganho de capital e nem do trabalho, e muito menos combinação de ambos. Às fls. 855, a 1ª Turma Especial da 2ª Sessão de Julgamento converteu o julgamento em diligência, para retornar os autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informasse qual foi a parte do lançamento que o contribuinte confessou, parcelou e, conseqüentemente, que foi objeto de desistência parcial do recurso. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/0 9/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 9202004.284 CSRFT2 Fl. 10 3 Realizada a diligência, e tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do resultado da diligência, fls.875/877, voltou o processo para este conselheiro. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 880/901, deu provimento ao recurso, entendendo que o valor oferecido à tributação pelo sujeito passivo na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos, e, assim, concluiu pelo cancelamento do crédito tributário ainda em litígio. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 903/913, alegando que os paradigmas firmaram entendimento diverso do Acórdão recorrido, no sentido de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobado entre os depósitos. Às fls. 915/919, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso, considerando que “o Colegiado a quo excluiu valores do montante calculado como decorrente de omissão de rendimentos sem que tenha havido nos autos comprovação dos respectivos depósitos e a sua vinculação aos rendimentos declarados, entendimento rechaçado pelos paradigmas indicados.” Devidamente cientificado, o Interessado apresentou contrarrazões às fls. 923/926, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/0 9/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Tratase o presente processo do Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls.04/07, e Termo de Verificação Fiscal, fls. 13/25, referente aos exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004, anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, por AFRF da DRF/Limeira/SP, constituído o crédito tributário no valor de R$ 497.944,94, motivada pela omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário, entendendo que o valor oferecido à tributação pelo sujeito passivo na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos, e, assim, concluiu pelo cancelamento do crédito tributário ainda em litígio. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no sentido de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DIRPF estaria englobado entre os depósitos. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/0 9/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 9202004.284 CSRFT2 Fl. 11 5 Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Podemos deste dispositivo destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. No caso em tela, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. Deixo de proceder a análise probatória dos depósitos e das provas, pois a valoração probatória não cabe a esta Câmara Superior, cabendo aqui neste caso tão somente decidir a respeito da tese jurídica matéria que foi admitida qual seja, se os valores Fl. 937DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/0 9/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 declarados na DIRPF prescindem ou não de comprovação de origem, tais como os depósitos não declarados (omitidos). O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: "Neste sentido, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que, de fato, não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Assim, os valores declarados nas DIRPF's deveriam ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. " Neste ponto, entendo que assiste razão ao acórdão recorrido, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF deve ser considerado como prova de origem, pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa provar identidade entre fonte e depósito. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido na sua integralidade. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Fl. 938DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/0 9/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 9202004.284 CSRFT2 Fl. 12 7 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. No acórdão recorrido, após a exclusão de diversos valores das bases de cálculo da exigência, foram também excluídos os rendimentos constantes das Declarações de Ajuste Anual. A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que tal exclusão não poderia ser efetuada de forma genérica, e sim observar a coincidência de datas e valores. A exclusão de rendimentos constantes das Declarações de Ajuste Anual foi assim resumida no acórdão recorrido: "Nas DIRPF’S sob exame (fls. 472 e seguintes dos autos), observase que foram declarados, a título de rendimentos no ano calendário 2000 o valor de R$ 148.673,13, no ano calendário 2002 o valor de R$281.610,50, e no ano calendário 2003 o valor de R$304.876,40. Assim, os valores declarados deveriam ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Digo deveriam em razão do ano calendário de 2003; no qual o valor declarado foi de R$304.876,40 e a autuação apurou depósitos não comprovados no valor de R$221.619,98. Ocorre que, em 26 de janeiro de 2010, o recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso; abrindo mão do seu direito de recorrer da autuação do valor de R$42.400,00, com relação ao ano base 2002, e R$8.800,00 com relação ao ano base 2003. Devendo, em razão desta desistência, ser mantida a autuação que se refere a tais débitos. Assim: A Com relação ao ano base 2000, excluindose o valor declarado da base de cálculo da omissão, nada mais restará. B Com relação ao ano base 2002, excluindose o valor declarado de R$281.610,59, restará ainda o valor de R$228.251,72 em depósitos de origens não comprovadas. C Com relação ao ano base 2003, mesmo excluindose o valor declarado, restará o lançamento no valor de R$8.800,00." Destarte, relativamente à única questão submetida à Instância Especial pela Fazenda Nacional exclusão, da base de cálculo dos depósitos bancários, de valores relativos a rendimentos constantes da Declaração de Ajuste Anual embora não seja razoável presumir que o Contribuinte teria feito circular na rede bancária o que foi omitido, e não o que foi declarado ao Fisco, esse raciocínio somente pode ser aplicado aos rendimentos que, sem sombra de dúvida, foram efetivamente submetidos à tributação na declaração. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/0 9/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 No presente caso, os únicos rendimentos que, sem sombra de dúvida, foram submetidos à tributação nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário de 2000, 2002 e 2003 (fls. 457 e seguintes), foram os recebidos de pessoas jurídicas e o resultado tributável da atividade rural, devidamente declarados, e os ganhos de capital na alienação de bens ou direitos, declarados por meio do Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital, a saber: A Anocalendário de 2000: R$ 16.200,00 recebidos de pessoas jurídicas (e não R$ 148.673,13, como constou do acórdão recorrido); B Anocalendário de 2002: R$ 4.520,00 recebidos de pessoas jurídicas, R$ 7.092,26 de resultado tributável da atividade rural e R$ 33.038,33 de ganhos de capital na alienação de bens ou direitos (e não R$ 281.610,50, como constou do acórdão recorrido); C Anocalendário de 2003: R$ 3.846,90 recebidos de pessoas jurídicas e R$ 39.803,94 de ganhos de capital na alienação de bens ou direitos (e não R$ 304.876,40, como constou do acórdão recorrido). Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial, para excluir das bases de cálculo dos depósitos bancários, relativamente aos rendimentos constantes das Declarações de Ajuste Anual, apenas aqueles oferecidos à tributação, conforme detalhado no presente voto (R$ 16.200,00, R$ 44.650,59 e 43.650,84, nos anoscalendário de 2000, 2002 e 2003, respectivamente). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 940DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/0 9/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10930.903574/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 28/12/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 28/12/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 74 /2 01 2- 36 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10930.903574/201236 Acórdão n.º 3402003.545 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.916, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10930.903574/201236 Acórdão n.º 3402003.545 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10930.903574/201236 Acórdão n.º 3402003.545 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10930.903574/201236 Acórdão n.º 3402003.545 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10930.903574/201236 Acórdão n.º 3402003.545 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910372/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. EXAME DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. QUESTÃO PREJUDICIAL. INEXISTÊNCIA.
No exame de compensações envolvendo saldo negativo de IRPJ e pagamento por estimativa referente ao mesmo período de apuração não existe relação de prejudicialidade, pois o pronunciamento adotado para a primeira questão não é premissa necessária da decisão da segunda, existindo, no caso, apenas conexão.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se homologa compensação formalizada por meio de declaração que indique crédito inexistente.
Numero da decisão: 1301-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NÃO ACOLHER a questão prejudicial suscitada pelo Relator, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (Relator) e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. No mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. EXAME DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. QUESTÃO PREJUDICIAL. INEXISTÊNCIA. No exame de compensações envolvendo saldo negativo de IRPJ e pagamento por estimativa referente ao mesmo período de apuração não existe relação de prejudicialidade, pois o pronunciamento adotado para a primeira questão não é premissa necessária da decisão da segunda, existindo, no caso, apenas conexão. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa compensação formalizada por meio de declaração que indique crédito inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NÃO ACOLHER a questão prejudicial suscitada pelo Relator, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (Relator) e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. No mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 03 72 /2 00 9- 34 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 133 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 134 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0235.481, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 11 de outubro de 2011, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e não reconhecer o direito creditório. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, de fls. 09 a Per/Dcomp foi sumariamente considerada improcedente e não homologada a compensação, por tratarse de inexistência de pagamento indevido ou a maior. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório argumentando que cometeu o equívoco de solicitar restituição de estimativas mensais de tributos, quando deveria ter solicitado saldo negativo de IRPJ apurado ao final do ano calendário. Critica o Despacho Eletrônico por extremamente sucinto e por não ter tido oportunidade de, antes de emitido, consertar o erro material de preenchimento, em apertada síntese. A manifestante juntou diversos documentos, tais como a Per/Dcomp, DCTF, DIPJ e outros para corroborar o que sustenta. Saliento que a autoridade preparadora não trouxe quaisquer informações a respeito das DCTF entregues originalmente pela manifestante. De igual forma, antes da emissão do Despacho Decisório não consta do processo que a declarante foi intimada a apresentar a contabilidade completa para analisarse a procedência do pedido. Às fls. 24 a 30, a 2ª Turma da DRJ/BHE proferiu o Acórdão nº0235.481 , entendendo, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e não reconhecer o direito creditório, por tratarse de pedidos de restituição de estimativa mensal e por inadmitir a alteração do pedido de estimativa para saldo negativo de IRPJ, após a expedição do despacho decisório. Transcrevo a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 135 4 Declaração de Compensação Estimativa Mensal Paga a Maior. Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução da IRPJ devido ao final do respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido em 19/11/2011 sábado (fls. 205), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 21/12/2011 (fls 207), tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão apreciados quando do julgamento: Antes de ser enviado ao CARF e distribuído a este Conselheiro, foi criado o processo nº10680.723530/201302, com o objetivo de reunir todos processos deste mesmo interessado, que possuem o mesmo objeto, qual seja, a declaração de compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ, AC 2005. Assim, os processos i) nº 10680.910364/200998; ii) nº 10680.910365/200932; iii) nº 10680.910366/200987; iv) nº 10680.910368/200976; v) e o presente processo, foram apensados àquele processo. Verifiquei no bojo daquele processo, o de nº 10680.723530/201302, existir um despacho, proferido pela Delegacia de Origem, que noticia a existência de quatro resoluções do Conselho Administrativo de Recursos CARF, cuja transcrição encontrase a seguir: Conforme resolução dos seguintes acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos CARF, a análise do mérito do crédito do contribuinte em referência deve ser empreendida pela DRF/BHE: ACÓRDÃO DATA PROCESSO 1801001.267 1a TE 04/12/12 10680.910364/200998 1801001.268 1a TE 04/12/12 10680.910365/200932 1801001.327 1a TE 05/03/13 10680.910366/200987 1801001.327 1a TE 05/03/13 10680.910368/200976 Os referidos instrumentos deram provimento parcial aos recursos voluntários para acolher a preliminar de prescrição da pretensão de restituição do referido crédito e determinou o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal – DRF/BHE para análise do mérito do saldo negativo de IRPJ do Exercício 2005, tendo o Conselho acatado o pedido de correção da natureza do crédito, originalmente declarado como pagamento indevido de estimativas. Em assim sendo, foram os processos reunidos no número de protocolo em epígrafe. Todavia, o Conselho deixou de encaminhar o processo 10680.910372/2009 34, que, de igual forma, diz respeito a pagamento de estimativa de IRPJ no ano calendário 2005, e cuja falta impossibilita o prosseguimento dos procedimentos de Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 136 5 análise e operacionalização da compensação dos débitos nas declarações de compensação. Desta forma, proponho o retorno do processo em referência ao CARF para providências. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 137 6 Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Antes, porém, de analisar os argumentos apresentados em sede de recurso, necessário pronunciarme sobre os novos documentos juntados pela recorrente, por ocasião do protocolo do recurso voluntário, e também se existe prejudicialidade no fato de haver decisões administrativas transitadas em julgado, em favor da interessada, que analisou os fatos e razões de direito aqui em testilha. DA EXCEPCIONAL ADMISSÃO DA JUNTADA DE PROVAS EM SEDE RECURSAL Uma questão inicial a ser considerada no presente feito, diz respeito à possibilidade da juntada, após a apresentação da competente impugnação, de documentos/provas necessários à defesa do contribuinte. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em eu recurso, quais eles, DIPJ 2006 (AC 2005); DARF´s IRPJ (código 5993); DARF´s CSLL (código 2484), pois não se trata de novos documentos, vez que são documentos de pleno conhecimento e posse da Administração Tributária. Aliás, não vejo impedimento em eventual requisição, por parte do julgador administrativo, a seu critério, para trazer aos autos documentos se façam necessários e que se encontrem sob a guarda da Administração Tributária, ainda que eles não tenham sido juntados pela interessada quando do protocolo de sua peça de impugnação. Tal iniciativa só vem a assegurar o equilíbrio entre as partes, celeridade e oficialidade, e a busca do Princípio da Verdade Material. Nesse sentido se encontra o disposto no art. 37, da Lei 9784/99, a seguir transcrito: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Diante dessas considerações, entendo admissível a juntada dos documentos apresentados pela recorrente quando da interposição de seu recurso voluntário, devendo estes serem aqui considerados na formulação deste julgamento. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 138 7 PREJUDICIALIDADE DEFINITIVIDADE DE DECISÕES ADMINISTRATIVAS PROFERIDAS ANTERIORMENTE PELO CARF Embora não alegada pela recorrente, suscito de ofício a prejudicialidade em epígrafe, por ter tido ciência de julgamentos anteriores proferidos pelo CARF. Conforme consta no relatório, foi criado o processo nº10680.723530/2013 02, com o objetivo de reunir todos processos deste mesmo interessado, que possuem o mesmo objeto, qual seja, a declaração de compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ, AC 2005. Verificase no bojo daquele processo um despacho, proferido pela Delegacia de Origem, que noticia que o Conselho Administrativo de Recursos CARF, ao analisar os fatos e as razões de direito que lhe foram submetidos, isso em 2012 e 2013, entendeu dar provimento parcial a quatros recursos voluntários para acolher a preliminar de prescrição da pretensão de restituição do referido crédito e determinou o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal – DRF/BHE para análise do mérito do saldo negativo de IRPJ do Exercício 2005, tendo o Conselho acatado o pedido de correção da natureza do crédito, originalmente declarado como pagamento indevido de estimativas. Esta decisão foi definitiva, pois ela não foi objeto de qualquer recurso. Assim, em vista deste fato, importa saber se ocorreu ou não a definitividade dessas decisões administrativas, na esteira do que determina os artigos 42, II, e 45 do Decreto n. 70.235/72, posto que entre esse processo e aqueles quatros há identidade entre as causas de pedir, entre os pedidos e entre os sujeitos passivos, e se ocorreu, decidir se este fato impede ou não a este Colegiado proferir nova decisão administrativa sobre o mérito da demanda aqui submetida à apreciação. Confirase, inicialmente, o que dispõe os artigos 42, II, e 45 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio. (grifos não constam no original) Pela leitura dos artigos citados, exsurge que uma vez proferida decisão final no processo administrativo fiscal passa a haver preclusão de seu critério jurídico para a Fazenda, de forma que a mesma se torne imutável para a Administração Pública. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 139 8 Assim, diante dessa consideração, não há como sustentar que manifestação deste Conselho anteriormente a esta sessão, não possa trazer os efeitos decorrentes de uma decisão com o atributo de definitividade, ainda mais porque a referida decisão fora favorável aos interesses do contribuinte. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão da definitividade das decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando favoráveis aos contribuintes, uma vez que há a preclusão de seu critério jurídico para a Fazenda, de forma que a mesma se torna imutável para a Administração Pública (a teor do art. 45 do Decreto n. 70.235/72), salvo se eivada de vícios e ilegalidades patentes. Confirase a ementa do seguinte julgado: ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA – CONSELHO DE CONTRIBUINTES – DECISÃO IRRECORRIDA – RECURSO HIERÁRQUICO – CONTROLE MINISTERIAL – ERRO DE HERMENÊUTICA. I A competência ministerial para controlar os atos da administração pressupõe a existência de algo descontrolado, não incide nas hipóteses em que o órgão controlado se conteve no âmbito de sua competência e do devido processo legal. II O controle do Ministro da Fazenda (Arts. 19 e 20 do DL 200/67) sobre os acórdãos dos conselhos de contribuintes tem como escopo e limite o reparo de nulidades. Não é lícito ao Ministro cassar tais decisões, sob o argumento de que o colegiado errou na interpretação da Lei. III – As decisões do conselho de contribuintes, quando não recorridas, tornamse definitivas, cumprindo à Administração, de ofício, exonerar o sujeito passivo “dos gravames decorrentes do litígio” (Dec. 70.235/72, Art. 45). IV – Ao dar curso a apelo contra decisão definitiva de conselho de contribuintes, o Ministro da Fazenda põe em risco direito líquido e certo do beneficiário da decisão recorrida. (MS 8.810, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 06.10.2003) (Destacamos) O posicionamento acolhido pelo Superior Tribunal de Justiça demonstra clara orientação de que as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando favoráveis aos contribuintes, se tornam definitivas (salvo nos casos em que este ato estiver comprovadamente eivado de vícios ou ilegalidades), o que impede , segundo meu modo de ver, reabrir a discussão relativa à matéria apreciada definitivamente junto à esfera administrativa. Assim, claro está que a Jurisprudência pátria reconhece a definitividade das decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, acolhendo o efeito vinculativo dessas decisões terminativas, quando favoráveis ao contribuinte, a teor do disposto nos arts. 42 e 45 do Decreto n. 70.235/72 (lei que regula o processo tributário administrativo federal). Esta matéria não é inédita aos olhos deste Conselho, pois já foi submetida e julgada neste mesmo sentido, cabendo trazer à colação voto do ilustre Conselheiro Flavio Franco Correia, proferido nos autos dos processos 0882.002770/200232 e 0830.002823/2001 40, cujos trechos peço venia para transcrevêlos: Processo n° :10830.002823/200140 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 140 9 TRIBUTAÇÃO, NO ANOCALENDÁRIO DE 1996, DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO EM 31.12.1995 QUESTÃO PREJUDICIAL DECIDIDA DEFINITIVAMENTE EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO A questão prejudicial solucionada definitivamente em outro processo administrativo, relativamente ao valor do saldo do lucro inflacionário acumulado em 31.12.1995, constituindo o ceme da parte dispositiva da respectiva decisão, não pode ser novamente rediscutida, tais os efeitos extraprocessuais gerados, que repercutem não só no processo em que se decidiu sobre o seu montante, mas também fora dele, em razão de sua imutabilidade em sede administrativa, na forma do artigo 42, II, do Decreto n° 70.235, de 1972. (g.n) Processo n° :10882.002770/200232 Entendo que esta Câmara já decidiu a questão no julgamento do processo n° 10882.000107/200201, Acórdão n° 10321.749. Ou seja, a decisão sobre a lide já se tomou definitiva, nos termos do art. 42, II, do Decreto n° 70.235/72, concluindo pela ocorrência da decadência do direito estatal no dia 31.03.2001. Percebese, comparandose o que consta em ambos os feitos, que há identidade entre as causas de pedir, entre os pedidos e entre os sujeitos passivos, o que me obriga a adotar o pronunciamento anterior, em obediência ao preceito legal já referido. Vejo, portanto, que aquela decisão tem efeitos extraprocessuais, repercutindo não só no processo em que foi prolatada, mas também fora dele. Assim, respeito a opinião que já se solidificou, tornandose imutável em sede administrativa, conforme as exigências da estabilidade das relações sociais. Vale dizer, em suma, que acolho a preliminar argüida. (g.n) Assim, constandose que no caso há identidade entre as causas de pedir, entre os pedidos e entre os sujeitos passivos, e reconhecendo que o CARF já acatou o pedido formulado pela interessada de correção da natureza do crédito originalmente declarado como pagamento indevido de estimativas, relativo o mesmo período (PA 2005), não há como admitir o reexame das questões de mérito já decididas no âmbito daqueles processos. Assim, com essas considerações, voto no sentido de acolher a preliminar prejudicialidade, em dar provimento parcial ao recurso e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. DA ANÁLISE INICIAL DO RECURSO Uma vez ultrapassada a preliminar suscitada, passo o exame das questões de mérito. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. DA POSSIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCOMP // DA COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débito. Desde a sua peça inicial de defesa, a recorrente está a dizer que seu crédito é resultante de saldo negativo e não de pagamento a maior de estimativa, apesar de ter indicado equivocadamente a natureza de crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 141 10 Assim, evidenciase um erro formal na composição da Declaração de Compensação apresentada, onde a recorrente de forma equivocada pleiteou um crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do que o devido, quando na verdade, se tratava de saldo negativo de IRPJ. Penso haver mero erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, como está a ocorrer no caso presente. Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa, no meu entender, é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. No caso vertente, verifico que a fiscalização não aprofundou sua investigação acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado, quando desprezou completamente a DIPJ enviada pelo contribuinte que indicava saldo credor, em descompasso com a Per/Domp. apresentada. Ora, a Administração Tributária não pode limitar, em sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp, já que existiam informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado. Isto é, caberia à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DComp) e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações. Compulsando os autos, não encontro comprovação de ter sido intimado o contribuinte para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Por conseqüência lógica, também não existe prova nos autos que o contribuinte quedouse inerte, em face de eventual intimação para correção da divergência existente entre as duas declarações apresentadas pelo próprio contribuinte. Ressaltese que o procedimento de emitir Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomps que o sistema rejeita, tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição e aproveitamento de estimativas porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. E por fim, ainda que a unidade de jurisdição do contribuinte, ou a turma julgadora de primeira instância, verifiquem a seqüência de Per/Dcomp emitidas pelos contribuintes solicitando a restituição das estimativas mensais pagas do mesmo anocalendário e tributos, não adaptam os pedidos, ex officio, para devolução do saldo negativo de IRPJ/CSLL apurado, retirando do administrado a repetição de possível indébito tributário, pela prescrição. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 142 11 A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Superado o ponto da admissibilidade das Per/Dcomp, importa verificar a liquidez do crédito pleiteado. Isso porque se não ocorreu pagamento a maior das estimativas de IRPJ, pode existir, em tese, saldo negativo de IRPJ no período, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação perseguida. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Per/Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que, segundo meu entendimento, ficou configurado no caso concreto em que há divergência perceptível entre o Per/Dcomp apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. Nesse contexto, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: a) Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2005, levando a PER/Dcomp a tratamento manual; b) Intimar o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, inclusive a exibir a sua contabilidade, no que interessar, viabilizando a análise do mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade c) Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; d) Após as verificações acima, apurando a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. e) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. No relatório ainda deve constar informações se o débito de CSLL mês apuração 03/2006 já foi quitado no PERD/COMP de nº20490.11239.280406.1.3.04032. f) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 143 12 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator designado Não obstante o voto do ilustre Conselheiro relator, peço licença para divergir. Em primeiro lugar, afastase a prejudicialidade suscitada de ofício. Uma questão é prejudicial quando, ao ser resolvida, serve de premissa obrigatória para a decisão posterior. Assim, por exemplo, existe relação de prejudicialidade entre omissão de receitas e exclusão do Simples Nacional por excesso de receitas. O julgamento da primeira questão, por ser prejudicial, condiciona necessariamente o da segunda. Diferente é o caso de conexão, previsto no art. 55 do atual Código de Processo Civil, que assim dispõe: Art. 55. Reputamse conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. §1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado. Nas ações conexas, embora haja identidade entre alguns de seus elementos, a decisão proferida em uma delas não é premissa, nem condição obrigatória da outra. No caso dos autos, o que se tem é conexão com os outros processos, e não prejudicialidade, porquanto as decisões referentes às compensações do processo nº 10680.723530/201302 não servem nem de premissa, nem de condição ao exame da controvérsia posta no presente processo. Por outro lado, o que for decidido aqui não prejudica, nem impede a execução do que fora decidido nas compensações anteriores. Portanto, afastada a questão prejudicial, passase ao exame de mérito. No caso em tela, a compensação formalizada em Dcomp não foi homologada porque indicava como crédito contra a Fazenda um valor que efetivamente não revestia essa condição. O pagamento apontado como indevido, na verdade, não o era. Não havia indébito. O direito creditório não existia. A recorrente alegou ter cometido erro ao identificar a natureza do crédito como pagamento indevido, quando o correto seria saldo negativo. Ocorre que na DIPJ, referente ao respectivo ano base, o saldo negativo apurado é diferente do valor inserido na Dcomp. Além disso, o código de receita informado na Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 144 13 Dcomp é o código do pagamento por estimativa, e o período de apuração indicado também é o da estimativa, o que revela com clareza que o crédito pretendido pela recorrente era o pagamento feito por estimativa, e não o saldo negativo. Não houve de erro de preenchimento. Tratase claramente de erro de direito. A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria Dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova Dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem ao Delegado da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, ao contrário do que ela sustenta, não se trata de mero erro material ou de forma. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na Dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório quanto ao pagamento por estimativa (como quer a recorrente), implica fragilizar o controle da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em Dcomps diferentes. Importa ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está toda ela na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir em nenhum desses três aspectos. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (Dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que tanto a compensação, quanto a extinção do crédito tributário se tornam definitivas. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.910372/200934 Acórdão n.º 1301002.167 S1C3T1 Fl. 145 14 No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário, diante da falta de amparo legal, deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator designado. Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914814/2012-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.275
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.814, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 14 /2 01 2- 49 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914814/201249 Acórdão n.º 9303004.275 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914814/201249 Acórdão n.º 9303004.275 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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